Candidatura Serra no problema para Lula

Pedro do Coutto

H poucos dias, como revela reportagem de Jlia Dualibi publicada na edio de 7 de julho de O Estado de So Paulo, durante encontro no Palcio Bandeirantes, o ministro Guido Mantega autorizou o governador Jos Serra a realizar mais uma operao de crdito com aval do Tesouro. a terceira autorizao de 2007 para c, completando um montante de 11,5 bilhes de reais. As operaes destinam-se a assegurar investimentos pblicos totalizando 20 bilhes, cabendo portanto a So Paulo entrar com a parcela restante, 8,5 bilhes de reais.

Mas como poltica e economia caminham eternamente juntas, traduzindo-se o fato sob o ngulo poltico, percebemos que a candidatura do governador paulista presidncia da Repblica no ano que vem no incomoda, tampouco preocupa, o presidente Lula. Inclusive, no ano passado, o Banco do Brasil adquiriu o passivo e o ativo do Nossa Caixa, que, claro, apresenta problemas para a administrao estadual. Tanto apresentava que Serra colocou o banco venda. O BB o adquiriu prontamente por um preo aceito logo no primeiro lance. Se a candidatura Jos Serra fosse alguma forma ameaadora para a nave do Planalto, outro seria o comportamento do Ministrio da Fazenda.

Na cena poltica nada acontece apenas por acaso. H sempre toda uma sequncia de alternativas colocada frente dos principais atores. Luiz Incio evidentemente empenha-se por Dilma Roussef, uma candidatura que ele sabe especialmente difcil por questes de temperamento. Este aspecto pode no ser decisivo.

Como no futebol, se por um gol se vence, por um gol tambm se perde. Lula vai at o fim ao lado da ministra chefe da Casa Civil. primeira vista, inclusive, demonstra estar mais empenhado do que o PT. No entanto, se ela no decolar com a velocidade esperada, ou for derrotada nas urnas, o presidente da Repblica julga que no ser atingido em seu prestgio e sua grande popularidade. Para citar uma das vrias frases famosas do meu amigo Nelson Rodrigues, se os fatos no confirmassem o impressionismo apaixonado do autor dizia ele prprio pior para os fatos.

Ironia parte, seu posicionamento na matria sucessria lembra bastante o adotado pelo presidente Juscelino Kubitschek nas eleies de 60. Ele no queria a candidatura do general Teixeira Lott, seu ministro do Exrcito. Mas houve presso militar sobre o PSD e o PTB. E a presso tornou-se inelutvel, pois a base militar de sustentao de JK no poderia sofrer abalos. Nem sofreu. Comeou com a dupla Lott-Odilo Denys, comandante do I Exrcito, terminou com Denys entrando no lugar de Lott quando este se desincompatibilizou para disputar o pleito. O general Odilo Denys, um lder incontestvel, pai do general Bayna Denys que foi chefe da Casa Militar de Sarney, em 1956 tinha completado a idade limite para permanecer na ativa. Mas sua presena erra essencial. JK mensagem ao Congresso permitindo a reconvocao de militares da reserva. A lei, lei Denys, est em vigor at hoje. Mas este outro assunto.

Juscelino decidiu no unir seu destino rumo ao da candidatura Lott. Esperava retornar triunfalmente e, 65. A semelhana entre JK e Lula est a: Luiz Incio da Silva tem projeto alis legtimo- de retornar ao Planalto nas urnas de 2014. Por isso o candidato do PSDB no o preocupa. Vai para a campanha com Dilma e se os fatos no confirmarem seu desejo, pior para os fatos. Vai esperar quatro anos sombra como ex presidente. Esta a sua idia, sua motivao, seu projeto. Se vai dar certo, o futuro dir. Enquanto isso, Jos Serra caminha livre de hostilidades. Poltica assim.

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