CARTA “REBUS SIC STANTIBUS” A HELIO FERNANDES.

Jorge Béja

MESTRE,
nada sei do que se passou e se passa entre o senhor e Carlos Newton. Pelo que leio publicado, apenas desentendimento. Jamais desavença. Não conheço pessoalmente Carlos Newton. Não lhe sou íntimo, nem ele de mim. Nos respeitamos. Nos admiramos. Mando modestos artigos e Carlos Newton publica. Todos. Até mesmo simplórios comentários, meus Carlos Newton põe título e publica também como artigo. E não é de hoje. Teve início anos atrás, num dia triste e de muita dor. Foi quando, pela vez primeira acessei o blog e enviei condolências. Lembro-me que escrevi no espaço do leitor: “Dr. Hélio Fernandes, reparta comigo seu sofrimento. Transfira-o todo para mim, se tanto fosse possível”. Pois bem, Carlos Newton publicou e, ao saber meu e-mail, me enviou mensagem dias depois: “Béja, quando puder, mande artigos seus”. E assim tudo começou.

MESTRE,
li ontem, surpreso, a curta nota que Carlos Newton publicou, informando seu desligamento e que o blog da Tribuna iria sofrer mudança… Li, também, atentamente, os 103 comentários que lhe seguiram. O que mais me comoveu foi o 60º comentário. Está subscrito pelo talentoso, íntegro e sábio Jurista Doutor Fernando Orotavo Neto. Eis alguns trechos: “Carlos Newton e Hélio Fernandes constituem uma das mais bem sucedidas parcerias do jornalismo, e se completam”. E prossegue o Eminente Doutor Orotavo (de quem possuo todas as suas obras jurídicas, compradas, lidas e por mim aplicadas nos peticionamentos à Justiça), a respeito do dia em que Carlos Newton levou o senhor até seu escritório para defendê-lo de uma ação movida por um ministro do TCU: “Senti como se um filho estivesse preocupado com o pai que tanto admirava… Ali havia amor… Vencemos em todas as instâncias. Nós três. Espero que se reconciliem para o bem de todos e do jornalismo brasileiro”.!!!. Ah! Meu Deus, que expressivo e sublime depoimento eu li!. Que todos leram!

MESTRE,
mesmo sem a cultura do respeitabilíssimo Doutor Fernando Orotavo Neto, também tive eu a honra de ser seu advogado. Irritado com a verdades que o senhor publicou, Sérgio Naya o processou. Queria indenização por “danos morais”. E o senhor me instruiu, me alertou e me ensinou, para nunca mais eu esquecer: “Doutor Jorge Béja, o senhor é meu advogado. Lembre-se que somente quem tem honra e vida reta pode pleitear reparação por dano moral”. Também vencemos, diante da Justiça e da Lei de Deus. Tudo o que o senhor publicou não demorou muito para se confirmar. E o Palace II ruiu. Desabou os “castelos de areia que Naya constrói”. O senhor, Mestre Hélio Fernandes, foi um vidente. Previu antes, o que veio exatamente acontecer depois.

MESTRE,
a Tribuna da Imprensa e o senhor não se pertencem. São patrimônio da cultura e do nacionalismo do Brasil e do Povo Brasileiro. Por onde o senhor passar, todo brasileiro tem o dever de saudá-lo e perguntar: “Dr. Hélio Fernandes, em que lhe posso servir?”. Em qualquer recinto que o senhor entrar, os que se encontram sentados têm o dever de se levantar, inclinar o corpo em reverência e aplaudi-lo, efusivamente. Todos nós, brasileiros, temos um mandato natural, que a História da Tribuna da Imprensa e mais a Trajetória da Vida do Senhor nos outorgaram. Somos todos seus admiradores e ardentes defensores. Mesmo os entreguistas e corruptos sabem que têm esse natural dever, essa natural gratidão…
MESTRE,
vamos a Exupery: “O essencial é invisível para os olhos. Só se vê bem com o coração. Cada um de nós se torna eternamente responsável pelo próximo que cativou”. E o senhor cativou a todos nós e, de nós e por nós o senhor é eternamente responsável.
MESTRE,
teve um dia, neste 2013 ainda em curso, que enviei artigo para Carlos Newton. Ao reiterá-lo sobre o artigo, ele me respondeu: “Amigo, já li e vai ser publicado às 17:30h de hoje. Agora estou concentrado na digitalização do artigo do Hélio, que me manda por fax e eu não posso errar. Abraços, CN”.
MESTRE,
permita a mim, um de seus milhões de discípulos, dizer que esses desentendimentos, susceptibilidade tangida, mágoas, irritações, queixumes e sentimentos outros, não são elevados, não são próprios de um Bravo Herói Nacional e imbatível e extraordinário defensor do nosso Brasil, de sua cultura, riquezas e de seu povo. Tudo isso é insignificante. Causa doença. Obstrui os canais que nos fazem dialogar com Deus e a Espiritualidade. Cede e deixa de existir quando a pessoa que o protagoniza é, de um lado, nada mais, nada menos, o Jornalista Hélio Fernandes e seu jornal, Tribuna da Imprensa. E de outro, o incansável Carlos Newton que, para tocar sozinho este conceituado blog, creio eu, de dia é o Carlos. De noite, o Newton. Sem parar.

MESTRE,
“que as coisas permaneçam como estão” (“Rebus Sic Stantibus”). Era assim para o Direito Romano. É assim para o Direito Brasileiro, quando algo de imprevisto, inusitado, surpreendente, inesperado e fortuito, venha acontecer capaz de atingir as relações estáveis, materiais, negociais e pessoais. Que o nosso Carlos Newton continue à frente do blog, sempre sob a direção do senhor. Deixo registrado que este meu apelo parte do meu coração e que ninguém antes dele soube, dele ouviu dizer ou cogitar. Confesso que muito gostaria de ler este comentário também como artigo.

OBRIGADO, MESTRE.

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