Comando Militar do Planalto já se prepara para as eleições, mas sem possibilidade de golpe

Charge do Iotti (Gaúcha/ZH)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Sem alarde, e cumprindo sua missão constitucional, o Comando Militar do Planalto já está se preparando para as eleições de 2022. Nas várias reuniões realizadas entre os responsáveis pelas GLOs (Garantia da Lei e da Ordem), a convicção é de que o país terá o pleito mais radicalizado da história, o que exigirá todo tipo de ação preventiva.

Uma coisa é certa: não há, entre os integrantes do Comando Militar do Planalto, qualquer possibilidade de golpe. Esse assunto, garantem os fardados, está distante da realidade do país, só se encaixa nos delírios autoritárias do presidente Jair Bolsonaro.

BRASÍLIA PREOCUPA – Os integrantes do Comando estão, especialmente, preocupados com Brasília, pois temem conflitos e badernas na região central da cidade. Os militares são traumatizados com as tentativas de invasão do Congresso, o quebra-quebra no prédio do Itamaraty e o fogo ateado no Ministério da Agricultura em manifestações recentes.

 Tudo será desenhado de forma que não haja surpresas desagradáveis, como a que se viu no início deste ano do Capitólio de Washington, nos Estados Unidos. “No que depender do Comando, isso não acontecerá por aqui, mesmo que alguns incitem”, afirma um militar.

 O Brasil, mesmo com toda a radicalização política, não se transformará em praça de guerra, como querem alguns, garantem os fardados ouvidos pelo Blog. A democracia, afirmam, prevalecerá.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –  Importantíssima essa nota de Vicente Nunes, um dos jornalistas mais respeitados de Brasília. Sem citar, o texto indica que o general Braga Netto, ministro da Defesa, já foi devidamente enquadrado pelo Alto Comando do Exército, que é a instituição militar mais importante e decisiva do país. E realmente o general Braga Netto, que é muito importante, mas está na reserva, parece ter entendido o recado de quem está na ativa. (C.N.)

 

Justia mantm arquivamento de ao civil pblica contra Haddad por improbidade administrativa

Para relator, hiptese do MP deve ser apreciada pela Justia Eleitoral

Daniela Arcanjo
Folha

O Tribunal de Justia de So Paulo manteve, nesta segunda-feira, dia 20, o arquivamento de ao civil pblica contra o ex-prefeito de So Paulo Fernando Haddad (PT). O petista era acusado de improbidade administrativa pelo Ministrio Pblico de So Paulo. Segundo a ao, baseada na delao da empreiteira UTC, Haddad recebeu R$ 2,6 milhes em propina da construtora para pagamento de dvidas da campanha Prefeitura de So Paulo em 2012.

De acordo com a delao, o ento tesoureiro do PT, Joo Vaccari Neto, teria se reunido com o executivo Ricardo Pessoa em abril ou maio de 2013 e teria pedido R$ 3 milhes em nome do prefeito para sanar as dvidas da campanha. A UTC teria negociado o pagamento de R$ 2,6 milhes.

UNANIMIDADE – Aps ter a ao rejeitada em dezembro de 2019 pela 8 Vara de Fazenda de So Paulo por entender que no ficou provado que a UTC obteve benefcios do petista, a Procuradoria de So Paulo entrou com um recurso no TJ-SP. O recurso foi negado por unanimidade pela 7 Cmara de Direito Pblico, que seguiu o voto do relator, Coimbra Schmidt.

Para ele, “tais pagamentos (…) no ocorreram com recursos desviados, direta ou indiretamente, do errio paulistano”, afirmou.” bem verdade que apurar atos de corrupo uma das necessidades da afirmao do Estado de Direito democrtico. Exigir indcios suficientes na justificativa do constrangimento nsito ao processo tambm representa garantia de todos tendente a evitar abusos do Estado”, disse Schmidt.

O Ministrio Pblico aponta que antes da reunio entre Vaccari Neto e Ricardo Pessoa, Haddad havia se encontrado com o empresrio, segundo sua prpria agenda na Prefeitura. Sobre isso, Schmidt afirma que h “um sem-nmero de condutas capazes de tipificar improbidade administrativa. De nenhuma delas consta a realizao de reunies entre empresrios e administradores”.

IMPROBIDADE – Para o relator, a hiptese do Ministrio Pblico deve ser apreciada pela Justia Eleitoral, onde j tramita outra ao contra Haddad. “O TJ confirmou o entendimento do juiz de primeira instncia que no houve improbidade no caso. Reps a verdade em relao a Fernando Haddad”, disse o advogado do petista, Igor Tamasauskas. Procurado, Haddad no quis comentar o arquivamento.

Em fevereiro de 2019, o TJ-SP j havia arquivado outro processo, este criminal, contra Haddad, sob a acusao de corrupo passiva e lavagem de dinheiro. Naquele caso, os desembargadores da 12 Cmara Criminal decidiram trancar a ao por entender que j tramitava outra ao contra o ex-prefeito pelos mesmos fatos na Justia Eleitoral, que o condenou em agosto do ano passado a quatro anos e seis meses de priso em regime semiaberto.

ABSOLVIO – Na deciso de primeira instncia, o juiz Francisco Carlos Shintate afirmou que duas grficas emitiram notas fiscais frias para a campanha de Haddad. Haddad e outros rus recorreram ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) paulista e o caso foi enviado para a Procuradoria Regional Eleitoral em So Paulo, rgo do Ministrio Pblico Federal. A Procuradoria defendeu a absolvio do ex-prefeito.

Reportagem da Folha mostrou que a condenao de Haddad teve como base uma avaliao do consumo de energia eltrica de uma das grficas feita pelo juiz sem percia tcnica.

“ preciso agir j com medidas emergenciais”, diz Maia ao pedir harmonia entre os Poderes

Renato Souza
Correio Braziliense

O presidente da Cmara, Rodrigo Maia, pediu unio das autoridades para amenizar perdas em decorrncia do perodo conturbado no cenrio econmico global. De acordo com o parlamentar, o Congresso est pronto para avanar com reformas necessrias.

O deputado se manifestou por meio do Twitter, na noite deste domingo, dia 8. “Se agora os poderes da Repblica agirem em harmonia e com esprito democrtico, esta crise pode virar uma oportunidade de se somar foras em busca das solues necessrias e urgentes”, declarou.

CORONAVRUS – Atualmente, o mundo teme o avano da epidemia de coronavrus, que surgiu na China e j se espalhou por dezenas de pases, inclusive no Brasil. Os temores em razo do avano da Covid-19, causada pelo novo coronavrus, leva a queda nas bolsas de todo o mundo.

Alm disso, uma guerra comercial entre a Arbia Saudita e a Rssia fez com que o preo internacional do barril de petrleo casse 20% neste domingo. Essa a maior queda diria do preo futuro do barril do petrleo desde a Guerra do Golfo, em 1991.

Para o presidente da Cmara, necessrio que as autoridades comecem a agir para mitigar os impactos sobre o Brasil. “O cenrio internacional exige seriedade e dilogo das lideranas do pas. A situao da economia mundial se deteriora rapidamente. O Brasil no vai escapar de sofrer as consequncias dessa piora global. preciso agir j com medidas emergenciais”, completou.

Com Diego no time, o Flamengo joga o futebol-arte que desequilibra qualquer partida

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O atacante Bruno Henrique. de cabea, marcou 2 a 1 para o Flamengo

Carlos Newton

Conforme j comentamos na vitria sobre o River Plate, o meia armador Diego se tornou a arma secreta do tcnico Jorge Jesus. Quando entra em campo, para decidir, d uma outra personalidade ao time, uma coisa impressionante. Na partida contra o experiente River Plate, Diego s entrou no segundo tempo porque o titular Grson se contundiu. Mas nesta tera-feira, na semifinal contra o Al Hilal, Jesus teve de apelar novamente para Diego, que mudou o andamento do time, mais uma vez.

No jogo contra a equipe argentina, o desempate veio com um inacreditvel passe de Diego que estava l atrs, na defesa, e fez o lanamento de 40 jardas, como se dizia antigamente, para Gabigol decidir a partida no minuto final.

NOVAMENTE DIEGO -Agora, contra o time saudita, a semifinal foi novamente decidida por Diego. Aos 31 minutos, o experiente armador colocou Al-Shahrani para danar no meio de campo e foi derrubado pelo lateral saudita. Cobrada a falta, logo em seguida, aos 32 minutos, Diego fez um excelente lanamento na ponta direita, para Rafinha centrar com perfeio na primeira trave e Bruno Henrique subir sozinho e testar forte para o fundo das redes.

Trs minutos depois, aos 35 minutos, Diego recebe passe de Arrascaeta, lana na rea pela esquerda e Bruno Henrique cruza rasteiro para Gabigol marcar fazer mais um, porm Al-Bulayhi se antecipou ao goleador rubro-negro, tentou cortar e mandou a bola contra o seu prprio gol.

Fim de papo, a partir da o Flamengo se imps e colocou o Al Hilal na roda, enquanto a torcida rubro-negra ia loucura, mostrando aos sauditas um espetculo parte.

Agora, vamos final, e haja corao.

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P.S.-
No esqueci de voc, no, Joo Saldanha, o Joo Sem Medo, como era chamado por Nelson Rodrigues. Voc ia adorar esse jogo, amigo. Futebol tem dessas coisas, e vida que segue. (C.N.)

Ex-tucano, Alvaro Dias considerado entrave para crescimento de Alckmin

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Alvaro Dias no aceita se tornar vice de Alckmin

Cristiane Jungblut
O Globo

Companheiro de partido do pr-candidato do PSDB Presidncia, Geraldo Alckmin, durante mais de uma dcada, o presidencivel do Podemos, senador Alvaro Dias, tornou-se, nesta eleio, um dos principais obstculos ao projeto de poder tucano. Com 4% das intenes de voto no ltimo Datafolha, Dias virou uma barreira para o crescimento de Alckmin nos estados de Sul e Sudeste, onde o PSDB costuma ter um bom desempenho.

Estagnado nas pesquisas registrou 7% no ltimo Datafolha , Alckmin decidiu intensificar agendas de campanha no Sul para reconquistar o territrio perdido. Ontem, ele disse que precisar ser mais conhecido no pas. O tucano j esteve no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Ele deve voltar a Florianpolis hoje.

SANGRIA NO SUL – Integrantes da campanha do PSDB admitem que os votos perdidos pelo crescimento de Dias esto fazendo falta no Sul e em So Paulo. Para estancar a sangria, os tucanos tentaram, h alguns meses, demover o Podemos de manter a candidatura de Dias a presidente. Emissrios de Alckmin ofereceram direo do partido secretarias no governo de So Paulo, mas o plano de cooptao no deu certo.

A relao entre Dias e a campanha de Alckmin passou a ser tensa desde ento. Embora tenha pregado a unio de partidos em torno de um candidato de centro, o senador do Podemos no pensa em associar seu projeto eleitoral ao tucano.

Parlamentares do PSDB do Paran, como o deputado Luiz Carlos Hauly, j avisaram ao comando que faro campanha para Alckmin, mas que no podem sair criticando Dias nem fazer campanha contra ele. Alguns tucanos ainda sonham que, na convergncia dos partidos de centro, Dias volte a se aliar ao PSDB o prprio senador, no entanto, tem descartado essa possibilidade em conversas com aliados.

DISSIDENTE – Alvaro Dias j foi lder do PSDB no Senado, mas deixou o partido, em 2016, depois de muito desgaste e de bater de frente com as posies da sigla, especialmente no processo do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele criticava a deciso do comando do partido de apoiar apenas a sada de Dilma, aceitando at mesmo a participao no governo de Michel Temer, que era vice e assumiu a Presidncia com o afastamento da petista. Nas disputas internas, Alvaro tambm viu seus planos no Paran serem preteridos pelo projeto do ex-governador Beto Richa (PSDB), aliado de Acio.

Ciente do estrago que est fazendo na base eleitoral do PSDB no Sul e Sudeste, Dias diz que ningum dono dos votos e, por isso, trabalha para crescer at mesmo em So Paulo, terra do pr-candidato tucano. Para superar o impacto da candidatura de Dias, alm das viagens, Alckmin quer intensificar as alianas com os partidos de mdio porte, como o PSD, de Gilberto Kassab.

JANTAR COM KASSAB – Na noite de domingo, Alckmin jantou com a cpula do PSD, em So Paulo, na residncia de Kassab, ministro da Cincia, Tecnologia, Inovaes e Comunicaes. O encontro contou com as presenas do coordenador poltico da campanha de Alckmin, o ex-governador de Gois Marconi Perillo, e do candidato do PSDB ao governo de So Paulo, Joo Doria, alm do ex-senador Jorge Bornhausen, ex-DEM e ligado a Kassab.

Segundo Bornhausen, as conversas esto muito bem encaminhadas. No encontro, Alckmin repetiu ter o apoio de pelo menos quatro partidos, j incluindo a o PSD e o PTB, de Roberto Jefferson. O PV e o PPS completariam a lista de apoios. Alm disso, Alckmin teve uma reunio para definir os prximos passos com o seu ncleo de campanha, composto por Perillo e os tucanos Jos Anbal, que foi senador e deputado, e Pimenta da Veiga, ex-ministro do governo de Fernando Henrique Cardoso.

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NOTA DA REDAO DO BLOG
Alckmin alardeia que j fechou com os quatro partidos, mas menas verdade, como diria o Lula. Os partidos negociam, mas s fecham se o candidato tucano subir nas pesquisas. O clima este. (C.N.)

Temer no divulga os extratos bancrios, porque indicam enriquecimento ilcito

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Charge do Joo Bosco (Arquivo Google)

Carlos Newton

Depois de ter sido a Mancada do Ano que nem comeou, o anncio de que o presidente Michel Temer iria dar imprensa “total acesso” a seus extratos bancrios virou Piada do Ano. Na verdade, Temer jamais ofereceu transparncias s suas contas. Quando o ministro Lus Roberto Barroso mandou quebrar o sigilo bancrio do presidente, na semana passada, a Assessoria do Planalto imediatamente procurou Temer para saber o que declarar. E ele disse que a quebra de sigilo no lhe trazia preocupaes. Os assessores no entenderam o esprito da coisa e ento anunciaram que o prprio Temer daria imprensa “total acesso” a seus extratos bancrios.

Questionado pela jornalista Andria Sadi nesta segunda-feira (dia 12), o Palcio do Planalto informou que ainda “no h definio” sobre o assunto, a divulgao imprensa est “sob exame, em anlise” e o presidente Temer “agora reavalia o que far com seus extratos bancrios”.

EXTRATOS Aps tomar conhecimento de que o ministro Barroso autorizara a quebra do sigilo bancrio, Temer requisitou aos bancos os extratos de suas contas bancrias. Agora, para ganhar tempo e embromar, osassessores do Planalto dizem que, antes de definir o que far, Temer quer conversar com o advogado Antnio Claudio Mariz j que ir a So Paulo nesta tera-feira e aproveitar para fazer um detalhamento das suas contas. Mas tudo conversa fiada, porque Temer j conversou a respeito com Mariz na semana passada.

O fato concreto que o atual presidente- ficou muito rico na poltica. Deu uma casa luxuosa a cada uma das trs filhas do primeiro casamento. Sustenta a me e o filho de sua segunda relao e j garantiu o futuro do filho mais novo, Michelzinho, j tendo passado para o nome dele a casa de quase 600 metros quadrados em So Paulo e dois conjuntos de salas, um patrimnio imobilirio avaliado em mais de R$ 5 milhes.

ENRIQUECIMENTO Comparando-se as declaraes de bens nas eleies presidenciais de 2010 e 2014, as aplicaes financeiras de Temer tiveram aumento de 150% em quatro anos. Em 2010, declarou patrimnio total de R$ 6 milhes ao TSE em 2010. J em 2014, os bens somavam R$ 7,5 milhes.

O aumento patrimonial de 25% se deveu a investimentos financeiros de baixo risco. Em 2010, Temer possua cerca de R$ 1,475 milho em depsitos na poupana e aplicaes de renda fixa (CDB, RDB e outras). Quatro anos depois, esses mesmos investimentos j totalizavam R$ 3,7 milhes. E apenas um CDB no banco Santander, com valor de R$ 551 mil em 2010, subira para R$ 2,28 milhes. Nada mal.

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P.S. 1
Vale lembrar que as declaraes ao TSE no refletem o valor real dos bens, mas apenas o valor histrico pelo qual foram adquiridos, sem correo. Esta regra da Receita Federal vale para todos os contribuintes e dificulta a noo exata do patrimnio, em valores atualizados.

P.S. 2 Aproxima-se a eleio e o presidente ter de apresentar nova declarao de bens ao TSE. Ser constatado que o enriquecimento prossegue. justamente por isso que Temer jamais exibir imprensa seus extratos bancrios. (C.N.)

Carlos Chagas dizia que, enquanto a esquerda faz barulho, a direita age

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Chagas foi um dos maiores historiadoresdo pas

Nlio Jacob

Encontrei em meus arquivos este artigo escrito pelo jornalista Carlos Chagas em 2004, quando o golpe militar de 1964 completou 40 anos. Vale a pena ler de novo, para refrescar a memria dos mais velhos e informar aos mais jovens o que realmente aconteceu no Brasil.

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H QUARENTA ANOS…

De vez em quando bom mergulhar ao passado,quando nada para no repetir os erros, porque sempre nos dir o que evitar. H quarenta anos, vivia o Brasil uma situao de crise iminente. Depois de entusistica reao nacional ao golpe em 1961, liderada por Leonel Brizola, entramos em 1964 sob a gide da conflagrao. O ento presidente Joo Goulart tivera assegurada a sua posse, por resistncia do cunhado, ento governador do Rio Grande do Sul, e logo depois o deputado mais votado da histria do pas, eleito pela Guanabara.

O problema estava na permanncia ativa das foras que tentaram rasgar a Constituio e permaneciam no mesmo objetivo. Uns pela humilhao da derrota,outros por interesses, estes ingnuos, aqueles infensos a quaisquer reformas sociais – todos se fortaleciam sob a perigosa tolerncia de Goulart.Conspiraes germinavam sob a batuta do IPES, singelo Instituto de Pesquisas Econmicas e Sociais, na verdade um milionrio centro de desestabilizao do governo trabalhista, erigido em cima de milhes de dlares. Sua chefia era exercida pelo general Golbery do Coutto e Silva, na reserva, arregimentando polticos, governadores, prefeitos, militares, fazendeiros, empresrios aos montes, classe mdia e at operrios e estudantes. O polvo tinha vrios tentculos, como o CCC ( Comando de Caa ao Comunistas), o MAC ( Movimento Anticomunista, a Camde (Companha da Mulher pela Democracia), o Ibad (Instituto Brasileiro de ao democrtica ) e outros bem subsidiados, que agiam nas ruas.

DINHEIRO VONTADE – Claro que a maioria da imprensa dava ampla cobertura a essa atividade, sempre escondidas sob a fantasia da defesa da democracia supostamente ameaada pelas reformas de base pretendidas pelo governo comunista de Joo Goulart. Publicidade e dinheiro vivo no faltavam, alm, e claro, de inclinaes pessoais dos bares da mdia.

Do outro lado, organizavam as foras que imaginavam estar o Brasil marchando para o socialismo, como o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), a Frente Nacionalista, o Grupo dos Onze, as Ligas Camponesas e outros.

Depois da ridcula experincia parlamentarista, o presidente retomara, atravs de um plebiscito, a plenitude de seus poderes. Diante da resistncia do Congresso em aceitar as reformas, Jango decidiu promove-las “na marra”.

TUDO AO MESMO TEMPO – Abria perigosamente o leque, em vez de realiz-las de per si, uma a uma. Ao mesmo tempo, pregava a reforma agrria, pela desapropriao de terras por ttulos da dvida pblica; a reforma bancria, com a estatizao do sistema financeiro; a reforma educacional, com o fim do ensino privado; a reforma urbana, atravs da proibio de os proprietrios manterem casas e apartamentos fechados, sem alugar; a reforma da sade, pela criao de um laboratrio estatal capaz de produzir remdio a preos baratos; a reforma da remessa de lucros, limitando o fluxo de dlares, que as multinacionais enviavam s suas matrizes; a reforma das empresas, impondo a participao dos empregados no lucro dos patres e a co-gesto; a reforma eleitoral, concedendo o direito de voto aos analfabetos, aos soldados e cabos. Entre outras.

WALTERS E ANSELMO – Contava-se, como piada, haver um tnel secreto ligando as instalaes do IPES embaixada dos EUA, no Rio. Verdade ou mentira, os americanos estavam enfiados at o pescoo na conspirao, por meio do embaixador Lincoln Gordon e do adido militar, coronel Wernon Walters, antigo oficial de ligao do exrcito americano com as Fora Expedicionria Brasileira, na Itlia. Linguista exmio sabendo falar at mesmo o portugus do Brasil e o de Portugal, tornara-se amigo dos majores e coronis que lutaram na Itlia, agora generais importantes. E em grande parte, conspiradores.

A estratgia inicial era impedir as reformas de base e deixar o governo Goulart exaurir-se, desmoralizado at o final do mandato. Tudo mudou quando o presidente se deixou envolver por outra reforma, a militar. Partindo de um inexplicvel artigo da Constituio que limitava a possibilidade dos sargentos se candidatarem a postos eletivos, bem como as dificuldade antepostas pela Marinha para organizao sindical dos subalternos, tudo transbordou. Pregava-se a quebra da hierarquia entre militares,

REBELIO – Acusada de estar criando um soviete, a Associao dos Marinheiro e Fuzileiros rebelou-se, instalando-se na sede do Sindicato dos metalrgicos do RJ. Mais de mil marinheiros e fuzileiros recusaram-se a voltar aoS seus navios e quartis, tendo o governo preferido a conciliao em vez da punio. A ironia estava em que o chefe da revolta, o cabo Anselmo,o mais inflamado dos insurrectos, era um agente provocador a servio do golpe. Quanto mais gasolina no fogo melhor.

Junta-se a isso a deciso de Goulart de realizar monumentais comcios populares, onde assinaria, por decreto, as reformas negadas pelos deputados e senadores. S fez um, a 13 de maro, sexta-feira,no Rio, quando desapropriou terras ao longo das rodovias e ferrovias federais, encampando tambm refinarias particulares de petrleo. Naquela noite, na Central do Brasil e ironicamente diante do prdio do Ministrio da Guerra, discursaram revolucionariamente os principais lderes de esquerda: Jos Serra, presidente da Unio Nacional dos Estudantes, Dante Pelacani, dirigente do CGT, Miguel Arraes, governador de Pernambuco, Leonel Brizola, deputado federal, e outros.

EXAGEROS – Cada orador sentia a necessidade de ir alm do que pregara o antecessor. Quando chegou a vez do presidente Goulart, no lhe restou alternativa, seno superar os companheiros. Fez um discurso que os historiadores precisam resgatar. Uma espcie de grito de revolta diante das elites, a pregao da independncia para os humildes e os explorados. O desfecho estava prximo, demonstrando que, do lado de c do planeta, enquanto a esquerda faz barulho, a direita age.

No foi Roberto Jefferson quem denunciou o mensalo, foi Carlos Chagas

Chagas fez a denncia na coluna da Tribuna

Carlos Newton

Em 8 de agosto de 2012, publicamos aqui na TI um artigo de Yuri Sanson, relatando que, em uma sesso do Supremo, realizada naquele ano, o ento procurador-geral Roberto Gurgel mencionou notcias do Jornal do Brasil, de Luiz OrlandoCarneiro, e, em seguida artigos de Carlos Chagas na Tribuna da Imprensa, sobre os primrdios do caso Mensaloque se tornou a Ao Penal 470.

ARTIGO NA TRIBUNA – O texto abaixo, publicado pelo Jornal do Brasil em 30/07/2012, transcrito aqui na TI por Yuri Sanson, faz referncia ao artigo de Carlos Chagas, publicado na Tribuna da Imprensa de Helio Fernandes, em 28 de fevereiro de 2004:

Em 24 de setembro de 2004, o Jornal do Brasil foi o primeiro veculo de comunicao a empregar o termo mensalo, em matria dos reprteres Paulo de Tarso Lyra, Hugo Marques e Srgio Pardellas. A informao foi creditada ao deputado Miro Teixeira, j ex-ministro das Comunicaes do governo Lula, que teria sido avisado deste hbito por outros parlamentares. Em seguida o JB publicou correo informando que a fonte foi um presidente de partido da base aliada.

Seis meses antes (28/2/2004), o reprter e analista poltico Carlos Chagas publicara, na Tribuna da Imprensa, artigo em que j dava notcias sobre a existncia de incalculveis recursos na tesouraria do PT, administrados pela cpula do partido (citados Jos Dirceu, Jos Genoino e Delbio Soares), com a ajuda de um operador profissional (o publicitrio mineiro Marcos Valrio).”

DINHEIRO SOBRANDO – Chagas foi o primeiro a noticiar. A denncia do ento deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) s seria feita em 6 de junho de 2005, mais de um ano depois. At essa data, no havia ainda referncia explcita existncia de um mensalo pago a parlamentares para apoio automtico aos interesses governistas. Em seu artigo na Tribuna, em 28 de fevereiro de 2004, depois de comentar que ruim de grana o PT nunca esteve, Chagas assinalou:

Foi a partir da recente campanha presidencial, porm, que o dinheiro comeou a sobrar. Com a posse do presidente Lula e a nomeao de milhares de petistas para a administrao federal, mais recursos apareceram. A preocupao do presidente anterior, Jos Dirceu, e do atual, Jos Genoino, passou a ser como administrar a bolada, cujo montante, para dizer a verdade, s uns poucos conhecem. Mas muito grande. Quem passou a sofrer foi o diretor-financeiro do PT. Delbio Soares jamais pensou em tornar-se banqueiro ou investidor no mercado.

Assim, para ajud-lo, foi buscar um operador profissional, encontrado na pessoa do publicitrio mineiro Marcos Valrio, da SMPB, de Belo Horizonte. Agncia por sinal aquinhoada em 2003 com contratos de publicidade no valor aproximadamente de R$ 150 milhes, provindos do Banco do Brasil, Caixa Econmica Federal, Correios e Telgrafos e Petrobras.

H algum tempo a capital mineira funciona como uma espcie de caixa central do PT, de onde flui numerrio bastante para as despesas partidrias, agora com nfase para as campanhas de outubro. No caso, at servindo a outros partidos, como o PP, PL e PTB, cujos emissrios no raro deixam o Aeroporto da Pampulha com malas recheadas, em espcie.

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PS – Chagas era assim. Fez a denncia em primeira mo, dando nome aos boise citando Dirceu, Delbio, Genoino e Valrio, que seriam condenados priso, e jamais se vangloriou disso. Para ele, era um artigo como qualquer outro. Hoje, reza-se missa de stimo dia pelo nosso amigo, que foi se juntar a Castello Branco, Villas Bas Correia, Oyama Teles, Antonio Vianna, Jair Rebelo Horta, Berilo Dantas e tantos outros colegas do Clube dos Reprteres Polticos, que ele criou e presidiu.(C.N.)

Jornalismo brasileiro perde Carlos Chagas, um de seus maiores destaques

Carlos Chagas ia completar 80 anos

Lucas Alvares

Assisti srie de especiais que marcou a despedida da televiso do jornalista Carlos Chagas (1937-2017), exibida pela CNT na virada de 2016 para 2017, em comemorao aos 80 anos que o eloquente tribuno ficou a menos de um ms de completar. A voz cansada, acompanhada dos cabelos e bigodes j embranquecidos, revelavam um agudo decorrer de seus dias, onde o trato dirio dos temas nacionais, aqui nas pginas da Tribuna da Internet e dos muitos jornais para onde sua coluna era distribuda, no escondia um certo saudosismo pelos tempos ureos do jornalismo brasileiro que viveu, e dos quais Chagas foi umas das ltimas testemunhas oculares.

Conviva de presidentes, em especial da controversa figura do Marechal Costa e Silva, de quem foi jovem assessor de imprensa, Carlos Chagas embarcou na ironia fina de seu texto um saboroso lan de pitonisa, trao daqueles que antecipam o porvir sem deixar de rolar os dados. Em sua ltima colaborao para a Tribuna, Chagas cantou a pedra do provvel refluxo dos ministros-deputados, ou deputados-ministros, dispensveis ao governo Temer aps o decreto de desmonte do Estado Social ocultado sob a pilha de relatrios, emendas e destaques das reformas trabalhista e previdenciria. Ao contrrio de Temer e seus comparsas, a quem a Histria registrar notas de rodap, o velho jornalista inspirou seguidores por sua viso de Brasil e pela correo com que conduziu, por toda a vida, o trato com a informao.

O QUE DE MELHOR HAVIA – Quem caminhou de braos dados a personalidades como o amigo Ronaldo Costa Couto, um dos ltimos convidados de seu programa na CNT, Villas-Bas Corra, Carlos Castello Branco e tantos companheiros de inesquecveis coberturas como a campanha das Diretas J, a Constituinte de 88 e as Eleies Presidenciais de 1989, certamente se filiava ao que de melhor havia no cenrio intelectual brasileiro na defesa da nossa cultura e de nossas mais saudveis tradies polticas.

Carlos Chagas foi tambm correligionrio de Leonel Brizola nos tempos pioneiros de consolidao do PDT, casa dos que defendiam o pacto sustentvel entre Capital e Trabalho e um projeto autctone de desenvolvimento nacional, com a resoluo dos problemas brasileiros por caminhos devidamente adequados nossa realidade, descartando os essencialismos, hoje to em voga, que pretendem implementar no Brasil, complexo como ele , solues estrangeiras e impopulares.

AMIGO DE BRIZOLA – Sua militncia partidria, ainda que breve, iluminou jovens mentes contemporneas que transmitem a necessidade de um novo pacto a partir de um projeto nacional para nosso pas, sustentado na tica, no amor pelo Brasil e no compromisso com a verdade que sempre pautaram as mltiplas trajetrias do “renascentista” Chagas, acadmico por 25 anos da Faculdade de Direito da UnB, articulista e militante, cuja obra como autor pode ser exemplificada no magnfico “Resistir Preciso”, de 1975, um libelo em defesa da democracia.

famlia do grande colega, na pessoa da filha Helena – ministra-chefe da Secom durante meus anos de Rdio MEC, exemplo de dignidade como foi o pai – meus mais sinceros sentimentos. Ao velho Chagas, a certeza de que seu legado ser sempre passado adiante.

Nem todos os ministros voltaro

Resultado de imagem para QUEM?Carlos Chagas

Dos 28 ministros do presidente Temer, 18 so parlamentares. Esto todos demitidos, obrigados a reassumir seus mandatos de deputado ou senador. A obrigao deles no apenas votar as reformas previdenciria e trabalhista, de acordo com os projetos do governo: devem garantir os votos de suas bancadas, comportando-se como lderes. Ainda no h data fixa para as votaes, coisa que prenuncia tempo razovel para voltarem a ser ministros. Por enquanto a pergunta no diz respeito a quando voltaro a seus ministrios, mas se todos voltaro. Porque muita gente sustenta no existir melhor oportunidade para o presidente reformular sua equipe. Aprovadas as reformas, por que no buscar na sociedade civil as melhores expresses de cada setor? Seno desfeita, a base parlamentar do governo ter cumprido seus compromissos.

Duvida-se de que at Michel Temer vacilar se lhe pedirem para referir de bate-pronto o nome de todos os seus ministros, bem como os partidos a que pertencem e as metas de cada ministrio.

NOVA ETAPA? – Abre-se agora, para o governo, a etapa da eficincia administrativa, capaz de estender-se at o fim do ano. Depois, num terceiro tempo, ser hora de cuidar da sucesso presidencial. Temer no ser candidato, ainda que disponha da prerrogativa de disputar um novo mandato. A premissa ser de que o PMDB est no preo, mesmo carente de candidatos. Poder ser Henrique Meirelles, se a retomada do crescimento econmico obtiver sucesso. Por que no Roberto Requio, mais do que uma rima?

Em suma, a prioridade so as reformas, mas depois delas garantidas, como parece, o governo cuidar de suas estruturas. Sendo ano que vem um ano eleitoral, nem todos os ministros ficaro aborrecidos se no retornarem.

 

Cartas embaralhadas

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Charge do Thomate (arquivo Google)

Carlos Chagas

 

Acio Neves, Geraldo Alckmin e Jos Serra no penduraram as chuteiras, mas esto fora de campo. possvel que se componham, mas no mais em torno da candidatura de um deles, como se planejava. No h tertius entre os trs, mas por que no um quartus? No caso, Joo Dria Jnior, que j no nega com tanta nfase a possibilidade. O PSDB tem conscincia de permanecer uma fora partidria expressiva, em especial porque o PMDB continua, e mais continuar, sem candidato. Quanto ao PT, se perder o Lula para o juiz Srgio Moro, dar adeus ao sonho de voltar ao palcio do Planalto.

A operao Lava Jato embaralhou as cartas e faz emergir uma srie de pretendentes sem partido, ou quase isso, tipo Ciro Gomes, Marina Silva, Jair Bolsonaro, lvaro Dias, Joaquim Barbosa, Ronaldo Caiado e outros.

NO D MAIS – Dentro do quadro partidrio, porm, os tucanos esto no jogo. S que com Acio, Alckmin e Serra no d mais. Por isso eles poderiam apoiar o atual prefeito de So Paulo.

Meirelles seria ideal para o PMDB, se sua poltica econmica desse certo, mas como parece cada dia mais difcil, o ministro da Fazenda fica no banco. S entrar no gramado caso consiga conquistar o meio campo. Traduzindo: aguarda um milagre. Em suma, assim podem ser imaginadas as preliminares da sucesso de 2018, ainda que as cartas se encontrem embaralhadas. Acresce que o curinga no apareceu. Poder surpreender.

Temer e tremer

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Charge do Sinovaldo (Jornal VS)

Carlos Chagas

Os dois verbos no dizem respeito ao sobrenome do presidente da Repblica, mas semntica real, de ter medo e de no controlar os nervos. Nos idos de 1964 um dos lderes do movimento militar, o general Carlos Lus Guedes, saiu-se com um comentrio que assustou todo mundo: quem no apoia a Revoluo deve apenas tem-la.Adaptando aqueles tempos bicudos realidade atual, vale apelar para a analogia com a Operao Lava Jato: quem no a apoia deveria ter medo dela.

Seno esta semana, ao menos na prxima o ministro Edson Fachin dever autorizar o livre acesso da mdia da mdia ao contedo das delaes dos ex-funcionrios da Odebrecht, envolvendo perto de duzentos deputados, senadores, governadores, ministros e ex-ministros do atual governo. At agora sabemos apenas os nomes, mas quando forem expostos os crimes, volumosas tempestades cairo sobre a Praa dos Trs Poderes. Imagina-se que os delatores apresentaram provas concretas do superfaturamento de obras pblicas, da distribuio de propinas e de comisses recebidas pelos acusados, de suas relaes com agentes pblicos e dos prejuzos causados ao errio e ao tesouro nacional. E quanto receberam para aprovar medidas provisrias e projetos de lei fajutos e que efeitos causaram economia.

FULANIZAR – Claro que outras lambanas praticadas com outras empreiteiras faro parte da ao destinada a fulanizar os processos em andamento no Supremo Tribunal Federal.

Em outras palavras, tem muita gente temendo, bem como tremendo. A todos ser oferecido amplo direito de defesa, mas diante da hiptese de divulgao de nomes e nmeros, quanto sero atingidos pelo descrdito e pela lei das inelegibilidades? Mais um efeito da Operao Lava Jato, ou seja, do medo tirar a tranquilidade de muita gente.

O passado do fracasso ou o futuro da frustrao?

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Charge sem autoria (Arquivo Google)

Carlos Chagas

Destinam-se ao fracasso a greve geral marcada pelas centrais sindicais no prximo dia 28 e a manifestao em favor do Lula, que o PT pretende realizar em Curitiba a 3 de maio. No que os trabalhadores estejam satisfeitos com o governo Michel Temer, muito pelo contrrio. Da mesma forma, os companheiros sabem que seu partido anda na baixa e dificilmente sensibilizaro a capital do Paran numa quarta-feira.

Pode at ser que os fatos desmintam as previses, mas a verdade que o Brasil de verdade faz tempo desligou-se do Brasil de mentirinha. Os 13 milhes de desempregados no podem fazer greve, enquanto ao PT, posto em frangalhos, falta motivao para antecipar a sucesso presidencial de 2018.

Mais do que indignar-se diante das delaes que se sucedem todos os dias, o povo dedica profundo desprezo s informaes sobre a corrupo que nos assola. No parece disposto a se deixar influenciar pelos que sustentam a volta ao passado ou os que programam um futuro ainda pior.

Numa palavra, a nao rejeita as reformas fajutas do governo Michel Temer tanto quanto d as costas aos que falharam na tentativa de mud-la. O povo no ir s ruas, nem para exaltar o modelo que no deu certo, nem para apoiar as elites que pretendem aumentar seus privilgios e suas benesses.

Vale repetir, a vida sempre mais fascinante do que a fico: quem garante que no prevalecer o passado do fracasso ou o futuro da frustrao? Ou, numa terceira hiptese, que continuar tudo como est?

 

Sozinho e abandonado

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Chagas

Chega a dar pena o abandono em que se encontra o ex-presidente Lula. No caso, abandonado por antigos amigos e lderes polticos de diversos matizes. Quanto a seus eleitores e admiradores, ser melhor aguardar as manifestaes programadas para a greve geral, dia 28, e demais protestos contra as iniciativas do governo Michel Temer e o prprio presidente.

O que salta aos olhos o comportamento da mdia, das elites e dos partidos at pouco formando ao lado do primeiro companheiro. Teriam um apartamento de luxo no Guaruj e um stio em Atibaia bastado para transformar um ex-operrio em ru sem sentena e sem perdo?

certo que os salrios de torneiro-mecnico e depois, de presidente da Repblica por oito anos, alm de uma aposentadoria, no bastariam para justificar um patrimnio do valor apresentado pelo Lula. S que no constituem motivo para a transformao do Lula em rprobo ou inimigo pblico nmero um. Por trs dessa carga de cavalaria desenvolvida contra ele no esto erros e exageros praticados no passado. Abre-se o medo do futuro. H meses que ele lidera as pesquisas presidenciais para 2018. Diante da possibilidade de voltar ao palcio do Planalto, levantam-se as elites temerosas de que, eleito, ele desmanchar diretrizes e realizaes de Michel Temer favorveis manuteno das massas assalariadas no patamar da pobreza e da indigncia. o medo dos poderosos de perder os privilgios que agora vem sendo restabelecidos pelas reformas neoliberais daqueles que tomaram o poder.

CAMPANHA – Por isso desencadeia-se a campanha que menos contra o ex-presidente e mais em favor do que representaria sua volta ao poder, ou seja, o fim das mudanas previdencirias, trabalhistas e fiscais favorveis s elites.

Ignora-se em que vo dar os choques e as tertlias entre as duas foras secularmente empenhadas na luta pelo poder. O Lula apenas um smbolo. Se quiserem, um detalhe: a retomada de medidas que poderiam melhorar a vida dos menos favorecidos. A interrupo da escalada que manter os benefcios das elites. Assim, tornou-se um perigo para os mesmos de sempre. Mesmo que para afast-lo o argumento se concentre num apartamento de luxo e num stio paradisaco em meio Serra do Mar…

O pas passado a limpo?

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Chagas

A ebulio permanente das delaes dos funcionrios da Odebrecht vem ofuscando a deciso a ser adotada pelo Tribunal Superior Eleitoral diante da possibilidade de cassao da chapa Dilma-Temer, em 2014. Porque est de p a hiptese da cassao dos vitoriosos daquele ano nas eleies presidenciais. Seria uma desarrumao completa do cenrio poltico nacional. Dilma Rousseff j foi alvejada com o impeachment, mas Michel Temer ocupa a presidncia da Repblica. Se vier a ser cassado, no ter alternativa seno deixar o palcio do Planalto, ainda que possa recorrer da sentena ao Supremo Tribunal Federal.

Discute-se se esse recurso ter ou no efeito suspensivo, quer dizer, o atual presidente recorrer no exerccio de suas prerrogativas ou manter o cargo at a deciso da mais alta corte nacional de justia. De qualquer forma, seu equilbrio ficar instvel. No atual perodo de crise poltica, ser pssimo para as instituies j combalidas.

QUEM FICA? – Diante de sua cassao, Michel Temer j declarou que disposies de Judicirio no se discutem. Cumprem-se. Nesse caso, quem ocuparia seu lugar, na ausncia de um vice-presidente?

Assumiria o presidente da Cmara dos Deputados, Rodrigo Maia. At quando? Pela lgica, at que o Congresso elegesse um sucessor para terminar o atual mandato, a 31 de dezembro de 2018. Seria o quarto personagem a ocupar a chefia do governo, imaginando-se vantagem para Rodrigo Maia, mas certeza, ningum tem. Deputados e senadores disporiam da prerrogativa de indicar quem quisessem.

BOM SENSO – Por tudo isso, admite-se que o bom senso venha a prevalecer, ou seja, que o Tribunal Superior Eleitoral no sacrifique uma chapa j desgastada, preservando Michel Temer. S que garantir, ningum pode.

Registra-se uma outra opo: que diante do sacrifcio de Temer, o Congresso aprove emenda constitucional estabelecendo eleies gerais no pas, logo depois da cassao da dupla Dilma-Temer. At mesmo com mandatos de quatro ou cinco anos para o novo presidente, deputados, senadores e, de tabela, porque no governadores e parlamentares estaduais. Uma limpeza geral, uma forma de o pas e as instituies serem passados a limpo. A rodada encontra-se em aberto. Quem quiser que arrisque um palpite.

Vantagens devidas e indevidas?

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Chagas

Virou moda para esse monte de polticos de alto coturno, flagrados pelas delaes da Odebrecht, defenderem-se jurando no ter recebido vantagens indevidas da empreiteira. Quer dizer que tambm h vantagens devidas? Est classificada a roubalheira, verdadeira confisso de culpa de ministros, governadores, deputados e senadores. Uma evidncia irrefutvel do envolvimento de tantos ladres.

Indaga-se o que acontecer com eles, se reconhecem haver recebido propinas oriundas de superfaturamento de obras, desvio de verbas e similares. Com ou sem foro especial, esto arcabuzados. Se alguns foram considerados candidatos presidenciais, hoje no so mais. Mesmo demorando, seu julgamento ser irreversvel.

No preciso exp-los a citaes nominais. A maioria dos delatores tem apresentado provas at documentais da corrupo. Provavelmente venham a tornar-se inelegveis por deciso dos tribunais, mas o principal que lhes faltaro votos. Talvez at coragem para mostrar-se. Vestais de ontem, transformam-se em ratos de hoje e, certamente, condenados de amanh.

Rus confessos cuja defesa torna-se impossvel diante do prprio reconhecimento da prtica deletria da corrupo por anos a fio.

Pertencem a todos os partidos e roubaram em todos os Estados. Estaro em todos os ministrios, tambm. So aqueles considerados desconfortveis pelo prprio presidente da Repblica. Alis, a propsito, estaria Michel Temer confortvel em companhia de (Cala-te boca!)

 

CONDENAO – Da tribuna do Senado, Gleisi Hoffmann confessou estar inapelavelmente condenada. Poucas vezes se tem visto coragem tamanha. Pior do que tudo, a senadora est certa…

Substituram o Congresso…

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Charge da Myrria (Charge Online)

Carlos Chagas

Nesse festival de horrores que a televiso apresenta todos os dias, por conta das atividades da Odebrecht, o primeiro prmio vai para os parlamentares aquinhoados com propina por terem aprovado medidas provisrias favorecendo a empreiteira. Vale o mesmo para a votao de projetos de lei.Quer dizer, na Cmara e no Senado existem ratos que votaram legislao beneficiando negcios escusos, recebendo milhes pelos servios prestados. Valeria pena o governo identificar que medidas provisrias e que leis foram editadas dentro desse modelo. No s para revog-las, mas, em especial, para obter o ressarcimento do roubo.

Seria bom, tambm, identificar os lderes dos partidos comprometidos com a tramitao dos projetos fajutos.

SEM SABER… – O grave nessa substituio das obrigaes parlamentares por dirigentes empresariais que muitos deputados e senadores aprovaram sem saber a origem e os interesses daquilo que votaram. Alguns imaginaram estar prestando favores ao governo. Outros sequer cogitaram saber por qu. Os bandidos, porm, no se esqueceram de cobrar pelos votos.

As investigaes comearam a chegar aos governos estaduais. So de estarrecer. Tambm no escapam as prefeituras. Ningum se espante se algum gritar teje todo mundo preso!

Delatores aguardam a recompensa

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Charge do Tacho, reproduzida do Jornal NH

Carlos Chagas

Uma pergunta permanece sem resposta: o que acontecer com os 74 delatores funcionrios e ex-funcionrios da Odebrecht? Pelos depoimentos que deram, reconheceram seus crimes, iguais aos praticados por deputados, senadores, governadores e ministros. Esto todos no mesmo balaio. Com as delaes, pretendem seno escapar, ao menos receber penas atenuadas, de preferncia prises domiciliares.

Uns bem humorados, outros apresentando-se como vtimas, os delatores acreditam poder livrar-se do pior. At o patriarca da roubalheira e seu prncipe herdeiro, por sinal ainda preso mas esperando logo abrir a porta de uma de suas manses. A quadrilha desincumbiu-se da misso dada por seus chefes e agora aguarda a recompensa.

No Congresso o clima mais carregado. Mesmo sabendo que os processos levaro muito tempo para completar-se, a maioria dos implicados est de olho nas prximas delaes, das outras empreiteiras. Tem gente que foi aquinhoada por todas. Apesar do foro especial, alguns recebero condenaes altura de seus crimes. O mesmo destino tero os que forem julgados sem a prerrogativa de mandatos.

Em suma, a tempestade continua armada, preocupando boa parte dos que temem ficar inelegveis, tanto pela lei quanto pela falta de votos.

SOLIDARIEDADE – O PT prepara volumosa manifestao de solidariedade ao Lula, em Curitiba, quando o ex-presidente estiver frente a frente com o juiz Srgio Moro. Os contrrios tambm se mobilizaro, prevendo-se conflitos e confrontos.

Falta a revogao da Lei urea

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Charge do Mariano (Charge Online)

Carlos Chagas

Est por dias a aprovao da chamada reforma trabalhista na Cmara dos Deputados. Reforma para tirar os ltimos direitos do trabalhador, como a substituio do legislado pelo negociado. Patres e empregados vo negociar acima e alm da lei. Ser a negociao da guilhotina com o pescoo. A imposio do interesse do mais forte sobre o mais fraco. Em especial quando 13 milhes de desempregados clamam pela oportunidade de trabalhar.

Trata-se de uma das mais abjetas alteraes no que restou nas relaes entre capital e trabalho. Ou o trabalhador aceita a reduo de suas derradeiras prerrogativas ou ser mandado embora. A garantia do direito ao trabalho virou fumaa. At 1964 prevalecia a determinao de que depois de trabalhar por dez anos na mesma empresa, o cidado adquiria a estabilidade, ou seja, apenas por falta grave poderia ser dispensado. Os governos militares tambm acabaram com o salrio-famlia e a indenizao por tempo de servio.

Agora, vo-se as obrigaes do empresariado, como a jornada de oito horas, as frias remuneradas e o dcimo-terceiro salrio. Vale mais o negociado do que o legislado, porque se o trabalhador no aceitar a proposta do patro, nenhuma garantia ter de preservao do emprego.

Indaga-se porque a Cmara se encontra prestes a aprovar essa que parece a supresso final dos direitos trabalhistas, e a resposta surge simples: porque os deputados, salvo honrosas excees, nada tem a ver com a classe trabalhadora. Cada um cuida de si, seus vencimentos esto garantidos conforme legislao especial. A bancada do PT lava as mos, os demais partidos tambm. At os sindicatos se omitem. No demora muito para algum sustentar a revogao da Lei urea.