Bolsonaro banca o atleta e esquece que precisa fazer mais uma cirurgia de risco

Objeto pontiagudo na barriga de Jair Bolsonaro incendeia as redes sociais

Os médicos se preocupam com o estado do capitão do time…

Carlos Newton

Neste final de ano, os médicos da Presidência assistiram, estupefatos, as proezas do atleta Jair Bolsonaro, outrora apelidado de Cavalão, que participou de um jogo de futebol e nadou na praia para confraternizar com dezenas de admiradores paulistas, em plena segunda onda da pandemia e já com os primeiros casos de reinfecção.

No sofisticado Serviço Médico da Presidência, que acompanha Bolsonaro permanentemente, 365 dias por ano, a preocupação é redobrada porque não se trata de um paciente comum, mas de um impaciente desleixado e pouco preocupado com seu estado de saúde.

CINCO CIRURGIAS – De 2018 para cá, Bolsonaro já sofreu cinco cirurgias. A primeira quando sofreu o ataque a faca durante um ato de campanha na cidade de Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro de 2018. Seis dias depois, mais uma cirurgia de emergência no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, para onde foi transferido um dia após o atentado. Desta vez, foram retiradas aderências que obstruíram o intestino delgado do paciente.

Já como presidente, em 28 de janeiro de 2019 Bolsonaro fez uma nova cirurgia, com sete horas de duração, para retirar a bolsa de colostomia.  E a quarta operação foi em 8 de setembro do ano passado, quando os médicos corrigiram uma hérnia no abdômen em decorrência das múltiplas incisões feitas no local.

Em 2020, mais uma operação, desta vez para retirada de um cálculo na bexiga, dia 25 de setembro.

MAIS UMA OPERAÇÃO – O problema dos médicos é que o presidente está necessitando ser operado mais um vez, porque surgiram novas aderências na tela implantada em seu abdômen. O próprio Bolsonaro já anunciou que terá de fazer  essa cirurgia, e isso significa que ele precisa de algumas precauções, até porque é uma operação de risco, com muitas horas sob anestesia geral.

O pior é que Bolsonaro faz exatamente tudo ao contrário do que recomendam os médicos. Anda a cavalo, dirige moto e jet-ski , joga futebol, faz o que pode e o que não pode para forçar o abdomen. Finge que é um superatleta, se diz imbroxável e sua única reclamação é em relação às hemorroidas, porque não gosta de ser atingido por detrás, digo, pelas costas.

###
P.S. – A cada dia vai ficando mais evidente que Bolsonaro é um caso patológico. que só mesmo Freud explicaria, tipo “narcisista maligno”, ou coisa que o valha. Na verdade, ele faz tudo ao contrário do que se esperava., e deve haver alguma explicação para esse comportamento. (C.N.)

Irresponsavelmente, Trump insiste em convocar o “protesto selvagem”, nesta quarta-feira

Apoiadores do presidente Donald Trump protestam no Arizona contra a vitória de Joe Biden - Getty Images

No Arizona, muitos manifestantes compareceram armados

Carlos Newton

Mesmo após a decisão do Colégio Eleitoral, que anunciou no dia 14 de dezembro a vitória do democrata Joe Biden, já confirmada também pela Suprema Corte federal, o ainda presidente Donald Trump continua em seus delírios de grandeza e insiste em promover uma megamanifestação em Washington na próxima quarta-feira, dia 6, convocando-a como “um protesto selvagem”.

Pelas redes sociais, Trump continua a negar que tenha sido derrotado nas urnas, dizendo: “Estatisticamente impossível ter perdido as eleições de 2020”, conforme tuitou, incitando seus eleitores: “Grande protesto em D.C. em 6 de janeiro. Esteja lá, será uma loucura!”, escreveu.

DERROTAS JURÍDICAS – Além de ter perdido as eleições no voto, o fato é que Trump vem colecionando também uma impressionante série de derrotas jurídicas.

Quase todas as ações que abriu denunciando fraudes tiveram resultados negativos e as que saíram vitoriosas mostraram diferenças incapazes de modificar o placar final. Aliás. algumas até aumentaram os votos do democrata Joe Biden. No total cerca de 50 ações foram rejeitadas por juízes e tribunais estaduais e pela Corte Suprema.

Mesmo assim Trump contesta os resultados e lança dúvidas legais, embora a Suprema Corte tenha derrubado a última cartada republicana, ao rejeitar uma ação judicial no Texas que tentava anular milhões de votos em estados decisivos.

ÚLTIMO RECURSO –  Apesar de tudo, o ainda presidente continua resistindo e pretende montar um derradeiro recurso com base em relatório preparado pelo economista Peter Navarro, um de seus principais assessores, que afirma, sem evidências, que os votos manipulados por fraude eleitoral foram suficientes para balançar a eleição.

A próxima quarta-feira, dia 6, é a data em que Congresso se reúne para confirmar o resultado da eleição presidencial. E ninguém sabe o que poderá acontecer nesse “protesto selvagem” que Trump está convocando, com promessa de que será “uma loucura”.

Recorde-se que em novembro houve uma manifestação diante do Legislativo do Arizona, contra a vitória de Joe Biden nas eleições. Segundo a imprensa americana, entre os participantes havia homens armados com rifles. E gritavam frases contra a imprensa, incluindo a Fox News, rede americana que sempre apoiou Trump, mas reconheceu a vitória de Biden.

MATRIZ E FILIAL – Tudo o que acontece na matriz USA é importante aqui na filial Brazil. Nosso presidente Bolsonaro idolatra Trump e já começou a repetir a estratégia dele, que muito antes da eleição já dizia que iria ocorrer fraude.

Bolsonaro faz o mesmo e diz que as eleições de 2022 terão de ser em votos impressos, alegando que o uso de urnas eletrônicas significará fraude para derrotá-lo.

Mas todos sabem que a História só se repete como farsa, como mostrou o jornalista Karl Marx ao escrever o “18 de Brumário”, sobre o golpe que levou Napoleão Bonaparte a retomar o poder na França. É aí que mora o perigo, porque Bolsonaro é a própria farsa, mas ainda tem a caneta cheia de tinta.

Receita autua atores por sonegação e denuncia a TV Globo por “associação criminosa”

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Não vale a pena ver de  novo!

Charge do Ivan Cabral (Arquivo Google)

Carlos Newton

Na reforma da Previdência, o governo e o Congresso se omitiram em relação a uma das desigualdades sociais mais perversas do Brasil, um país onde os mais ricos pagam menos Imposto de Renda do que a massacrada classe média. Na reforma, em nenhum momento foi discutida a chamada “pejotização”, que transforma empregados em falsas empresas, para sonegar não somente Imposto de Renda, mas também o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e a contribuição da empresa ao INSS.

A Justiça Trabalhista também passou a pactuar com essa aberração, que foi introduzida na realidade brasileira há décadas pela TV Globo e depois passou a ser adotada por empresas do país inteiro.

CASO CLÁUDIA CRUZ – No início, os juízes trabalhistas não reconheciam essa fraude na contratação de grandes artistas, diretores, roteiristas, apresentadores e até jornalistas. O último grande caso de condenação de que se tem notícia foi EM 2008, no processo movido pela jornalista e apresentadora Cláudia Cruz, que apresentava o RJ TV.

Mulher do ex-deputado Eduardo Cunha, que está em prisão domiciliar, Cláudia Cruz sofreu um problema grave na laringe e teve de deixar de apresentar o telejornal. A emissora a mandou embora, sem indenização, e ela recorreu à Justiça.

A jornalista exigiu no processo, além dos direitos trabalhistas, reparação por danos morais e indenização por uma cirurgia, e diz ter recebido da TV Globo o equivalente a R$ 5 milhões em 2008, alegando doença ocupacional.

E TUDO MUDOU… – De lá para cá, a Justiça Trabalhista passou a dar ganho de causa à TV Globo, sem que houvesse alteração nas leis. Como indagava Machado de Assis, mudou o Natal ou mudei eu?

O fato concreto é que a Receita enfim percebeu o golpe da “pejotização”, que se alastrou pelo país como uma pandemia, prejudicando a arrecadação federal de impostos.

A fiscalização fazendária já iniciou a investigação na TV Globo por conta do grande número de contratos de pessoa jurídica (PJ) com artistas, diretores, roteiristas e apresentadores, segundo o site Notícias da TV. Nesse tipo de contratação, ao invés de registrar o trabalhador como funcionário de carteira, a emissora contrata a falsa pessoa jurídica que o representa.

SONEGAÇÃO BILATERIAL – Nos contratos de “pejotas”, a cobrança de impostos é muito menor, o funcionário sai ganhando, porque frauda Imposto de Renda e tem uma série de vantagens, podendo usar a falsa empresa para descarregar despesas pessoais, além de gastos com imóveis, veículos etc.

Quanto à empresa, economiza 20% do INSS sobre o valor do salário mensal, sonega mais 8% do FGTS, desconta na contabilidade os gastos da contratação, colocando-os na rubrica “despesas operacionais”, o que reduz artificialmente os lucros, e deixa de pagar direitos trabalhistas do “pejota”, como férias, décimo terceiro salário, aviso prévio etc.

No caso da Globo, a Receita está alegando que ocorre crime fiscal e acusa o canal de televisão de fazer uma “associação criminosa” com os funcionários “pejotas”, que terão de pagar impostos retroativos para chegar à faia de 27,5% de todos os pagamentos que os artistas receberam nos últimos anos.

AS PRIMEIRAS AUTUAÇÕES – As notícias são de que, até agora, são 43 atores e atrizes autuados. A Receita Federal cobra as supostas dívidas dos artistas, que podem ser pagas por eles mesmos ou pela própria Globo. Em alguns casos, o valor individual supera os R$ 10 milhões, sem valor a sonegação da empresa, que é muito maior.

Segundo o portal do IG Notícias, estão sendo investigados grandes nomes como Deborah Secco, Reynaldo Gianecchini, Malvino Salvador e Maria Fernanda Cândido.

A Receita Federal alega que esse esquema de contratação foi previamente pensado pela Globo para que houvesse uma “prática de licitude” que lesasse a sociedade, em “associação criminosa”. O órgão ainda critica a contratação de PJ dizendo que ele “precariza as relações de trabalho e humanas, degrada o ambiente laboral, enfraquece direitos trabalhistas e a própria dignidade da pessoa humana”, mesmo que essa modalidade de contrato seja permitida para determinadas atividades artísticas e culturais.

FRAUDE DISSEMINADA – O fato concreto é que a “pejotização” se alastrou e contaminou empresas de todo tipo. Os advogados defendem a tese de que a prática deve ser considerada legal, mas na verdade trata-se de uma fraude imoral.

Em qualquer país, o Imposto de Renda precisa ser progressivo, como nos Estados Unidos, onde em 2008 o ator Wesley Snipes cumpriu pena de três anos de cadeia e só ganhou direito a prisão domiciliar nos últimos quatro meses.

###
P.S. – É assim na matriz USA, mas aqui na filial Brazil o artista sonegador é capaz de ser aplaudido em cena aberta. Por isso la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Em março, Moraes decide se pedirá que Bolsonaro seja processado e afastado do governo

Charge Erasmo Spadotto - Sou Pleno Tribunal Federal - Portal Piracicaba Hoje

Charge do Erasmo (Arquivo Google)

Carlos Newton

Um dos quatro ministros que abriram mão do recesso e estão despachando durante as férias do Supremo é Alexandre de Moraes, justamente o relator de três dos quatro inquéritos abertos no tribunal contra o presidente Jair Bolsonaro. Pode ser coincidência, mas no último dia 15 Moraes prorrogou por mais 90 dias as três investigações – fake news, atos antidemocráticos e interferência indevidamente na Polícia Federal.

Apesar da Procuradoria-Geral da República estar fazendo corpo mole, aguardando passivamente que a Polícia Federal apure os fatos sozinha, os três inquéritos estão avançando e acumulam provas  que podem provocar a abertura de processos no Supremo, que na prática significa o afastamento do chefe do governo por 180 dias, para ser julgado.

PROCESSO NA CÂMARA – Durante esse prazo, transcorre na Câmara Federal o processo para autorizar que o presidente seja julgado pelo Supremo por crimes comuns, segundo o artigo 217 do Regimento. Na Constituição, não existe a obrigatoriedade dessa licença a ser concedida pela Câmara. Portanto, o dispositivo inserido no Regimento é francamente inconstitucional, mas esta é uma discussão a ser travada na hora certa.

As investigações da Polícia Federal, conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes, já fecharam o cerco ao chamado “Gabinete do Odio” e a uma série de blogueiros e youtubers bolsonaristas que chegam a faturar, por mês, mais de R$ 100 mil, conforme revelou o Estadão, atuando na convocação de manifestações antidemocráticas e na distribuição de “fake news”.

EM PLENO PLANALTO – As investigações já provaram que o “Gabinete do Ódio” funciona no terceiro andar do Planalto (reservado à Presidência, comandado diretamente por Carlos Bolsonaro, o filho O2, e atua sob coordenação de Tercio Arnaud Tomaz, assessor especial do Planalto, que até agosto já tinha viajado 16 vezes com Bolsonaro.

O terceiro inquérito conduzido por Moraes, sobre interferência na Polícia Federal, curiosamente foi aberto pelo próprio presidente da República, que determinou ao procurador-geral Augusto Aras que processasse o ex-ministro Sérgio Moro por denunciação caluniosa e outros seis crimes. No decorrer do inquérito, Bolsonaro deixou de ser a “vítima” e passou a ser investigado por tentar interferir na Polícia Federal.

ACÚMULO DE PROVAS – A acusação feita por Moro se fortaleceu com o chamado Caso Abin, que investiga a determinação dada pelo presidente para que a Agência Brasileira de Inteligência encontrasse uma forma de anular os inquéritos contra o senador Flávio Bolsonaro, sua mulher Fernanda, o ex-assessor Fabricio Queiroz e o resto da “quadrilha”, no dizer do Ministério Público estadual do Rio.

As provas já coletadas nos primeiros inquéritos (“fake news” e atos antidemocráticos) se conectam e interligam. O mesmo fenômeno acontece nas outras duas investigações (interferência na PF e atuação da Abin), e o advogado de Moro já pediu que as provas sobre a Agência sejam incluídas no inquérito sobre a Polícia Federal.

###
P.S.
As investigações conduzidas por Alexandre de Moraes terminam em 15 de março. Os inquéritos contra Bolsonaro tramitam separadamente, mas tudo conduz ao impeachment, devido ao encadeamento das provas. Acredita-se que até o fim de março o ministro Alexandre de Moraes enviará ao procurador Augusto Aras os pedidos para processar Bolsonaro. E o suspense é de matar o Hitchcock, como diria o genial jornalista e compositor Miguel Gustavo. (C.N.)

Não deseje “Feliz Ano Novo” a Bolsonaro, pois ele pode reagir, pensando que é gozação

TRIBUNA DA INTERNET | Eleitores e Bolsonaro sofrem “bullying” da imprensa, do Congresso e do Supremo

Charge do Luzcar (Charge Online)

Carlos Newton

Desta vez, não adianta desejar um feliz Ano Novo ao presidente Jair Bolsonaro, porque ele sabe que isso é impossível e simplesmente “non ecziste”, como diria o saudoso e incisivo padre Óscar Quevedo. O chefe do governo está ciente de que, do início ao fim, 2021 está fadado a ser um ano infernal não somente para ele, mas para toda a  família, cada vez mais envolvida em processos criminais sobre rachadinhas e servidores fantasmas, e tudo em dinheiro vivo, uma marca registrada que contamina até as duas ex-mulheres do irrequieto capitão, Rogéria e Ana Cristina.

A família está toda enrolada, mas o próprio Bolsonaro também se encalacrou e em 2021 terá de empregar todas as forças para evitar a tramitação de algum pedido de impeachment, e isso parece ser inevitável.

MATRIZ E FILIAL – Os áulicos mais otimistas podem tentar iludir Bolsonaro citando casos ocorridos em nossa matriz, os USA, como os fracassados impeachments de Bill Clinton e de Donald Trump.

Mas Bolsonaro sabe que na filial Brazil os processos têm uma característica muito diferente do que nos Estados Unidos. Lá na matriz USA, é muito mais difícil concretizar, porque vai depender de quem tem maioria no Parlamento, sejam democratas ou republicanos

Aqui na filial Brazil, basta o pedido ser aceito e começar a tramitar, porque ele sempre vem embasado em fatos sinistros e que não admitem contemplação, é uma viagem sem volta rumo ao impeachment.

Assim, não adianta comprar o Centrão por 30 dinheiros nem contar com os partidos A, B ou C, porque deputados e senadores não ligam para partidos e a maioria sempre acaba votando a favor do impeachment, simplesmente por considerar o presidente um corrupto de terceira categoria, que permitiu ser flagrado.

NÃO FALTAM MOTIVOS – No caso de Jair Bolsonaro, as provas de crimes de responsabilidade, falta de decoro e infrações criminais são abundantes e inquestionáveis. Seriam suficientes para afastar pelo menos uma dúzia de governantes, mas até agora Bolsonaro está incólume, porque o ainda presidente da Câmara, Rodrigo Maia, continua sentado sobre uma pilha de 50 pedidos que sequer foram lidos pela Mesa da Câmara. Maia se justifica dizendo que o país está em crise por causa da pandemia e não há clima para impeachment.

O pior problema de Bolsonaro está nos quatro inquéritos no Supremo, cuja tramitação ocorre da seguinte forma: após encerradas as investigações, os relatores Alexandre de Moraes (atos antidemocráticos, fake news e interferência na Polícia Federal) e Cármen Lúcia (caso Abin) pedem parecer da Procuradoria-Geral da República para abrir processo contra o presidente.

Ou seja, esse pedido ao procurador Augusto Aras será feito quatro vezes e, para que seja iniciado o processo do impeachment, ele só precisa dar parecer favorável a apenas um dos inquéritos.

AFASTAMENTO – Quando o presidente da Câmara (crime de responsabilidade) ou o procurador-geral (crimes comuns) aceitam abertura do processo, não importa a modalidade, o presidente da República é imediatamente afastado por 180 dias.

Em todos os quatro inquéritos do STF, a situação de Bolsonaro é dificílima, até porque há cruzamento de ilicitudes – as investigações separadas das “fakes news” e dos atos antidemocráticos envolvem o indefectível Gabinete do Ódio, que funciona no terceiro andar do Planalto, reservado à assessoria direta do presidente.

O mesmo fenômeno ocorre nos inquéritos sobre interferência na Polícia Federal e atuação da Abin para anular a investigação contra o senador Flávio Bolsonaro, em que os crimes se cruzam e se completam.

###
P.S.
Esta é a realidade dos fatos. Os inquéritos contra Bolsonaro tramitam separadamente, mas todos os caminhos levam a Roma – digo, ao impeachment, devido ao encadeamento das provas, que tornam obrigatória a abertura de processos, com parecer favorável do procurador Aras, aquele que Bolsonaro desprezou na escolha para o Supremo. É só uma questão de tempo. Por isso, se você quer desejar “Feliz Ano Novo” a Bolsonaro, lembre-se de que o presidente não está aí para brincadeiras… (C.N.)

PF abre processo para saber por que a investigação contra a TV Globo sumiu na Corregedoria

Charge do Kayser (Charge Online)

Carlos Newton

Em meio ao silêncio obsequioso da imprensa em geral, que evita dar cobertura a assuntos depreciativos envolvendo a ainda poderosíssima Organização Globo, vem causando repúdio nas redes sociais o retardamento proposital do procedimento investigatório criminal aberto em São Paulo, em meados do ano passado, para apurar crimes fiscais cometidos pelo sócios controladores da Rede Globo de Televisão, os irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho.

A investigação, que deveria estar sendo feita pela Polícia Federal, sob supervisão do Ministério Público Federal, conforme determinação do juiz da 2ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, está parada há mais de um ano na Superintendência Regional da PF.

NA CORREGEDORIA – De acordo com as normas burocráticas da Polícia Federal, esses autos são recebidos pela Corregedoria da PF, que então faz a distribuição para a delegacia especializada em crimes fiscais.

Responsável pela notícia-crime feita contra a Rede Globo pelo ex-deputado paulista Afanasio Jazadij, o advogado Luiz Nogueira, com base em repetidas informações prestadas pelo cartório da Corregedoria Regional da PF no Rio, e também pela assessoria da delegada responsável Aline Marchesini Pinto, julgou que os autos já tinham sido encaminhados ao procurador Paulo Henrique Brito. Mas a informação não correspondia à realidade, porque a Polícia Federal continuava  retendo os autos da investigação.

DIZ O PROCURADOR – Instado pelo advogado Luiz Nogueira, o procurador Paulo Brito deu a seguinte explicação:

“Segundo consta no sistema ÚNICO do MPF, os autos do processo no.5096780-78.2019.4.02.5101/RJ se encontram NA SUPERINTENDÊNCIA DA POLÍCIA FEDERAL NO RIO DE JANEIRO, desde 22/09/2020. Logo, para que esta Procuradoria da República possa analisar o feito, será necessário que o procedimento seja devidamente devolvido a este parquet Federal, via e-proc, para as providências cabíveis.

Aí está desvendada a primeira parte do mistério. O representante do Ministério Público Federal ainda não pôde emitir parecer, porque a Polícia Federal está retendo a investigação.

ACESSO À INFORMAÇÃO – De posse dessa informação oficial do procurador, o advogado enviou ao superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Técio Muzzi, com base na Lei de Acesso à Informação, um pedido de esclarecimentos sobre a paralisação das investigações contra os irmãos Marinho.

O superintendente da Polícia Federal despachou favoravelmente e já transformou o requerimento em procedimento administrativo para apurar as razões da lentidão dessa notícia-crime que foi encaminhada ao Ministério Público e à Polícia Federal pelo juiz da 2ª Vara Federal Criminal em 4 dezembro de 2019.

O processo não é sigiloso, porém nenhum órgão da grande imprensa demonstrou até agora o menor interesse em noticiar o caso, que tem provas abundantes do uso de empresas de fachada para controlar as cinco emissoras da Rede Globo.

TUDO FORA DA LEI – Os atos ilegais de transferência do controle e do patrimônio das cinco emissoras da Rede Globo (Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Recife), conforme está provado nos autos com mais de 500 páginas, sequer foram previamente comunicados ao governo federal, que é o poder concedente, infringindo-se assim não só o decreto 52.795/63 como a legislação que regula as concessões de outorgas para a exploração de radiodifusão sonora e de sons e imagens.

Segundo o parecer do Ministério Público Federal de São Paulo, que acolheu a notícia-crime, as investigações deveriam ir além, incluindo possíveis crimes de falsidade ideológica e tributários

Como se vê, repetem-se as ilegalidades que marcaram a trajetória da Rede Globo desde a época do regime militar, quando Roberto Marinho usurpou o controle da TV Paulista, canal 5 de São Paulo, sem pagar um centavo aos mais de 600 acionistas da empresa.

###
P.S. –
Como se vê, a Organização Globo continua a ser muito poderosa aqui do lado de baixo do Equador, apesar de o presidente Jair Bolsonaro viver se gabando de que vai enfrentá-la e pode até cassar as concessões. Na vida real, a Globo continua a pairar acima da lei e da ordem. Mesmo assim, vamos aguardar com otimismo o parecer do procurador Paulo Brito. (C.N.)

Com apoio entusiástico do STF, sucessivos governos transformaram o Brasil num país inviável

TSE registra 264 crimes de violência contra candidatos desde janeiro |  Agência Brasil

Esta é a suntuosa sede do TSE, custeada pela dívida pública

Carlos Newton

Já dissemos aqui na “Tribuna da Internet” que um dos maiores problemas do Brasil foi a perda da simplicidade. Em algum ponto fora da curva, nós saímos do caminho correto e mergulhamos nesse vale de ilusões, em que as pessoas bem sucedidas se internacionalizaram, é preciso viajar sempre para o exterior, ter casa em Miami, Nova York, Londres ou Paris, abrir conta na Suíça ou em paraíso fiscal. Nesse delírio tropicalista, as elites brasileiras passaram a viver num mundo do faz-de-conta ou na terra do nunca-jamais, imitando o genial personagem Peter Pan.

Mas a vida real é muito diferente, não se pode viver como Alice no País das Maravilhas, nem adianta morar num bairro sofisticado como Ipanema, se as balas perdidas já se instalaram lá, junto com moradores de rua e crianças abandonadas.

MISÉRIA E RIQUEZA – O fato concreto é que não pode haver convivência pacífica entre a miséria absoluta e a riqueza total, são situações que não devem se misturar, mas o capitalismo à brasileira persiste nesse erro, que somente cabe ao governo resolver, porque o famoso mercado não se preocupa com esse tipo de problema, o importante é o lucro, não há tempo a perder com detalhes, a liberdade democrática só tem sido usada como argumento na hora de acumular dinheiro, sejamos francos.

Na verdade, o Brasil nem pode ser considerado um país capitalista ortodoxo, pois vivemos sob um sistema muito louco, no qual foi montada uma máquina estatal gigantesca e inútil, que explora a população e o empresariado, como se essa prática fosse viável e sustentável.

VALE DOS REIS – Brasília é o grande retrato da distorção nacional. Tornou-se uma espécie de versão moderna do Vale dos Reis, onde os faraós egípcios construíram as pirâmides. Tudo no planalto central é grandioso e inoperante. São prédios gigantescos e suntuosos, construídos com recursos públicos que não foram fruto de arrecadação tributária, mas oriundos do crescimento da dívida pública.

Há cerca de 15 anos eu frequentava muito o Tribunal Superior Eleitoral, fiz amigos entre seus auditores, acompanhava as prestações de contas dos partidos, escrevia reportagens sensacionais, acabei processado pelo Partido Verde por denunciar as falcatruas de sua direção, que ainda é a mesma, tanto tempo depois. Fui defendido pelo grande advogado paulista Luiz Nogueira, que venceu em todas as instâncias, mas o PV não aprendeu nem mudou nada.

DIFERENÇAS – O prédio do TSE, no centro de Brasília, era modesto, tinha poucos servidores. Hoje é um palácio imenso, com mais de mil funcionários efetivos muito bem remunerados, que não têm o que fazer, e cerca de outros dois mil terceirizados.

O mesmo fenômeno expansionista ocorreu no Tribunal de Contas da União, no Superior Tribunal de Justiça, no Supremo Tribunal Federal, na Procuradoria-Geral da República, no Superior Tribunal Militar, nos órgãos ligados a ministérios civis ou à própria Presidência, como a Advocacia-Geral da União, que funcionava no anexo do Planalto e ganhou um prédio enorme para chamar de seu.

Essa gastança desenfreada, que contaminou os três poderes, ocorreu nos governos do PSDB e do PT, que consumiram recursos oriundos da dívida pública para bancar esses delírios de grandeza e aumentar o número de funcionários, de cargos comissionados e de empregados terceirizados, tornando incontrolável a corrupção buroctática.

EXEMPLO PARLAMENTAR – O Congresso Nacional é uma piada de mau gosto. Os gabinetes dos deputados são mínimos, apenas duas salinhas e um banheiro privativo, mas podem contratar 25 assessores. Os senadores têm mais conforto, mas sem exagero. Então, por que cada senador passou a ter direito de contratar 55 assessores? Não há explicação.

Como não é possível alojar essa tropa no gabinetes da Câmara, onde só cabem seis funcionários, no máximo, o Congresso então criou os escritórios externos, que cada parlamentar (deputado ou senador) tem direito de montar em seu Estado de origem, à custa do Tesouro Nacional, vejam só q         ue esculhambação.

POBREZA ENDIVIDADA – O Brasil é pobre, até mesmo paupérrimo, mas nos Três Poderes a administração pública é rica e farta, seja federal, estadual ou municipal, porque todas elas – direta ou indiretamente – acabam sendo alimentadas pela crescente dívida pública, a fonte luminosa que abastece o desperdício e a corrupção.

A perda da simplicidade é uma deformação que ninguém discute, embora seja o maior problema nacional. Esse injustificável gigantismo é um buraco de sugar recursos públicos, porque os prédios imensos têm de ser ocupados e mantidos. E esse superdimensionamento se reproduziu nas sucursais de órgão federais (confiram as instalações , do Banco Central de São Paulo) e foi seguido pelos governos estaduais e municipais no país inteiro.

###
P.S.
1Não adianta fingir de rico, gastando verbas que não existem e se transformam em dívidas, a serem pagas no futuro, como fizeram Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva, os dois presidentes roedores que corromperam as finanças de um país que seria altamente viável, mas determinados políticos parecem fazer questão de inviabilizar.

P.S. 2 – O pior é saber que não existe solução. O Supremo já reconheceu os “direitos adquiridos” dessa nomenklatura tropicalista, que inclui os militares, que se livraram da reforma da Previdência e depois ganharam aumento de salários, para acabar de inviabilizar o país.

P.S. 3 – Quanto à dívida pública, que sustenta essa maluquice, a mídia e o governo não dizem uma só palavra, apenas se calam, respeitosamente. E sem equacionar a dívida, o país é totalmente inviável. E sem parar com a gastança estatal, jamais se equacionará a questão da dívida. Mas quem se interessa? (C.N.)

Acreditar em Deus pode até ser um erro, mas significa um grande alento para bilhões de pessoas

Carlos Newton
 
Todos sabem que não existe prova material da existência de Deus. No início deste século, o britânico Stephen Hawking, que era o maior físico da atualidade, produziu um documentário espetacular sobre a criação do Universo, e ao final chegou à conclusão de que Deus não existiria.A lenda urbana relata que outro gênio da Física, o alemão Albert Einstein, teria criado a sensacional frase “Deus não se importa de ser chamado de coincidência”. Porém, no final da vida, Einstein também se mostrou contrário às religiões e afirmou não acreditar num “Deus pessoal”.

DISSE EINSTEIN – Em uma carta escrita em 24 de março de 1954 ao filósofo judeu Eric B. Gutkind, o professor Einstein fez a seguinte revelação: “Foi, é claro, uma mentira o que você leu sobre minhas convicções religiosas, uma mentira que foi repetida de forma sistemática. Eu não acredito em um Deus pessoal, nunca neguei isso, mas expressei de forma clara. Se algo em mim pode ser chamado de religioso, é minha ilimitada admiração pela estrutura do mundo que nossa ciência é capaz de revelar”.

Realmente, tudo é relativo, e na carta ao filósofo  Gutkind, Einstein disse também que a palavra “Deus” nada mais era do que “a expressão e produto da fraqueza humana, e a Bíblia, uma coleção de lenda honoráveis, porém primitivas, que eram bastante infantis”.

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) também ironizava: “Se é certo que um Deus fez este mundo, não queria eu ser esse Deus: as dores do mundo dilacerariam meu coração…”

EM BUSCA DE DEUS – Quase 65 anos depois da morte de Einstein, os pesquisadores da chamada Ciência Noética continuam buscando a existência de Deus e estudando fenômenos subjetivos da consciência, da mente, do espírito e da vida, a partir de um ponto de vista rigorosamente científico.

A Noética não é nenhuma novidade. Pelo contrário, era estudada muito antes de Cristo. O Brasil, embora poucos percebam, desenvolve experiências bastante avançadas, porque é um país riquíssimo em fenômenos paranormais.

Sobre psicografia, por exemplo, cientistas da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e da Universidade Thomas Jefferson, nos EUA, recentemente mediram as atividades cerebrais de dez médiuns brasileiros, por meio de um marcador radioativo que permite checar a intensidade dos fluxos sanguíneos em diferentes áreas do cérebro por meio de tomografia. E o resultado foi surpreendente.

DIZ A PSICOGRAFIA – Em comparação à escrita normal, os médiuns mais experientes apresentaram níveis mais baixos de atividade cerebral durante a psicografia, justamente em áreas frontais do cérebro, associadas ao planejamento, raciocínio, geração de linguagem e solução de problemas.

Já os médiuns menos experientes tiveram atividade mais intensa nessas mesmas áreas enquanto psicografavam, ainda que também inferior à registrada durante a escrita fora de transe. Segundo os pesquisadores, esse fato poderia estar relacionado com um esforço maior dos médiuns menos experientes para se concentrar e conseguir fazer a psicografia.

ACREDITAR EM DEUS – Em tradução simultânea, acreditar em Deus pode até ser um erro, mas é um grande alento para bilhões de pessoas, espalhadas pelo mundo, entre as quais me incluo.

Desde a infância eu era ateu e até me recusei a fazer a chamada primeira comunhão. Depois a vida foi me ensinando a respeitar as religiões – todas elas. E hoje me sinto ecumênico. Mas respeito também os ateus e compreendo plenamente a posição cartesiana deles.

Pessoalmente, porém, não consigo viver sem a presença de algo que possamos chamar de Deus. Em minha opinião, se na verdade não foi Einstein quem disse que Deus não se importa de ser chamado de coincidência, ele deveria ter dito.

DIZ A BÍBLIA – Quanto a Stephen Hawking, sua resignação, sua farta produção intelectual e sua incrível resistência à doença degenerativa que o acometia talvez sejam uma grande comprovação da existência de Deus.

Por fim, é sempre bom repetir essa citação que me foi enviada há alguns anos pelo amigo Francisco Bendl, a propósito do Natal: (João 11:25-26) “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá.”

###
P.S. – O fato concreto, comprovadíssimo pela Ciência e pelo Charlatanismo, é que somos todos ignorantes e não temos certeza sobre quase nada, como dizia Sócrates, 400 anos antes do nascimento de Cristo. De lá para cá, continuamos imersos em dúvidas. (C.N.)                                    

2.500 anos depois, as dúvidas religiosas de Sócrates ainda não foram esclarecidas

Resultado de imagem para platão frases | Palavras que edificam, Platão  frases, SocratesCarlos Newton

Nesta época do ano, em que se evoca a divina presença de Cristo, é sempre importante lembrar também a atuação dos outros enviados que criaram as principais religiões, com doutrinas muito semelhantes entre si e praticamente os mesmos ensinamentos, como Krishna, Lao Tsé, Moisés, Buda, Confúcio, Zoroastro, Sócrates e Maomé.

Entre esses doutrinadores, os registros mais precisos que existem são de Sócrates, embora ele tenha nascido muito antes de Jesus (400 anos) ou Maomé (1.100 anos). Seu importantíssimo legado nos foi transmitido por dois de seus discípulos em Atenas: Platão e Xenofonte.

Ministrados quatro séculos antes do nascimento de Jesus Cristo, os ensinamentos de Sócrates perduram até hoje e influenciaram não somente o Cristianismo, em suas diferentes segmentações, mas também outras religiões derivadas, notadamente o Espiritismo, que é baseado em pensamentos do mestre ateniense.

O QUE DISSE KARDEC – Em sua monumental obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec destacou que a doutrina cristã “foi pressentida muitos séculos antes de Jesus e dos essênios, tendo por principais precursores Sócrates e Platão”.

Mas também é certo que, muito antes de Sócrates e Platão, grandes pensadores já haviam concluído haver uma nítida separação entre corpo e alma (espírito). Assim, há religiões que acreditam em reencarnação, outras até pregam a transmigração das almas ou metempsicose, segundo a qual o homem poderia reencarnar também em animais.

Kardec analisou em profundidade os ensinamentos de Sócrates em relação à espiritualidade, mostrando inclusive que o grande pensador tinha dúvidas e por isso se recolhia à modéstia, repetindo o célebre questionamento: “Só sei que nada sei”.

DÚVIDAS SOBRE A MORTE – Aos juízes que o condenaram à morte, em um dos maiores erros judiciais da História, disse Sócrates, segundo o relato de seu discípulo Platão:

“De duas uma: ou a morte é uma destruição absoluta, ou é passagem da alma para outro lugar. Se tudo tem de extinguir-se, a morte será como uma dessas raras noites que passamos sem sonho e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Todavia, se a morte é apenas uma mudança de morada, a passagem para o lugar onde os mortos têm de se reunir, que felicidade a de encontrarmos lá aqueles a quem conhecemos! O meu maior prazer seria examinar de perto os habitantes dessa outra morada e distinguir lá, como aqui, os que são dignos e os que se julgam tais e não o são. Mas é tempo de nos separarmos, eu para morrer, vós para viverdes”.

CORPO E ALMA – Na prisão, onde continuava a ser visitado por seus discípulos, afirmou Sócrates sobre a vida após a morte:

“O corpo conserva bem impressos os vestígios dos cuidados de que foi objeto e dos acidentes que sofreu. Dá-se o mesmo com a alma. Quando despida do corpo, ela guarda, evidentes, os traços do seu caráter, de suas afeições e as marcas que lhe deixaram todos os atos de sua vida. Assim, a maior desgraça que pode acontecer ao homem é ir para o outro mundo com a alma carregado de crimes. Vês, Cálicles, que nem tu, nem Pólux, nem Górgias podereis provar que devamos levar outra vida que nos seja útil quando estejamos do outro lado. De tantas opiniões diversas, a única que permanece inabalável é a de que mais vale receber do que cometer uma injustiça e que, acima de tudo, devemos cuidar, não de parecer, mas de ser homem de bem”.

A MORTE DE SÓCRATES – Naquela época, o homossexualismo era considerado uma prática normal. Por isso, uma das acusações que mais pesaram no julgamento foi de soberba. Um de seus alunos, Alcebíades, testemunhou haver dormido diversas vezes com o mestre e teria sido por ele humilhado, porque Sócratres sempre virava de lado e dormia, segundo o relato de Platão.

Ele conta também que Critão visitou Sócrates na prisão e ofereceu-lhe fuga, dizendo já ter subornado os guardas. Mas o mestre se recusou. O amigo argumentou que a sentença era iníqua, mas Sócrates respondeu que isso não interessava. Disse que o fato concreto é que o Tribunal fora criado por Atenas e suas decisões deviam ser cumpridas, não importava se fossem iníquas.   

AS MESMAS DÚVIDAS – Passados quase 2,5 mil anos, a humanidade continua com as mesmas dúvidas que atormentavam Sócrates e seus discípulos, a respeito da existência de Deus e da possibilidade de reencarnação.

Na verdade, só sabemos que nada sabemos, podemos dizer assim, parafraseando o mais famoso ensinamento do grande mestre ateniense.

Acreditar em Deus pode até ser um erro, mas é um grande alento para bilhões de pessoas que insistem em desejar paz na terra às pessoas de boa vontade.

No Natal, é preciso respeitar não só quem acredita em Deus, mas também os próprios ateus

Resultado de imagem para a mais antiga imagem de krishna

Krisnha, o mais antigo avatar, viveu em 3000 a.C.

Carlos Newton

Futebol, política e religião são assuntos que não devem ser discutidos, porque despertam fanatismo. Depois de uma longa estrada de jornalismo, a gente aprende a analisar as coisas como se estivesse desligado delas, passa a admirar grandes jogadores de outros times, identifica qualidades em políticos de ideologia oposta e começa a cultuar também líderes de outras religiões. No meu caso, a maturidade me fez ser ecumênico e apoiar o Papa Francisco em seu luta para reunir as religiões, pois todos os caminhos podem nos levar a Deus, sem passagem obrigatória por Roma e pelo Vaticano.

Mas respeito muito aqueles que não acreditam em Deus e defendo que o Estado seja laico e as escolas, também, até porque há um número enorme de religiões e a crença em Deus é uma questão de foro íntimo, a meu ver.

OS AVATARES – Tenho interesse todo especial pelos chamados “Avatares”, uma palavra derivada do sânscrito. Significa “aquele que descende de Deus” ou, simplesmente, qualquer espírito que ocupe um corpo, representando assim uma manifestação divina na Terra.

A humanidade teve grandes avatares do pensamento filosófico, social e espiritual, que nos influenciam até hoje. Pela ordem de entrada em cena – Krishna na Índia (3 mil anos antes de Cristo); Moisés no Egito e Oriente Médio (1.512 a.C); Lao Tse na China (1.300 a.C.); em seguida, Buda na região do Nepal/Himalaia (600 anos a.C.); pouco depois, Confúcio no Nordeste da China (550 anos a.C.); logo após, Sócrates na Grécia (469 a.C.); depois, o próprio Jesus Cristo na Palestina, com a abertura da atual Nova Era; e Maomé (570 depois de Cristo).

SÓCRATES E ZOROASTRO -Considero Sócrates como avatar, porque muitos ensinamentos da Bíblia são claramente baseados nas lições do sábio grego, que influenciou também diretamente o espiritismo de Allan Kardec.

É evidente que a Bíblia, que foi escrita muito depois da morte de Cristo, é um livro religioso que consolidou o conhecimento da época. Possui aspectos encontrados na mitologia hindu (4.000 a.C.), no Épico de Gilgamesh (2500 a.C.) e em diverso outros textos.Por isso, não poderia deixar de incluir os pensamentos dos gregos divulgados 400 anos antes do nascimento de Cristo.

Há outros avatares, como Zoroastro (ou Zaratrusta), criador da doutrina dualista (Bem e Mal) dos persas, cerca de 700 anos antes de Cristo, uma religião também muito importante, adotada pelo Império Aquemênida, que dominou grande parte do mundo 500 anos antes de Cristo. Mas neste artigo vamos nos fixar nos  oito principais avatares, que ainda hoje influenciam a humanidade.

MUITA IDENTIDADE – Em todos esses doutrinadores, que trouxeram a palavra de Deus, constata-se uma identificação absoluta, pois são praticamente os mesmos ensinamentos, a idêntica tentativa de melhorar a vida de todos e de criar relações mais justas e humanas, numa impressionante coincidência de propósitos e iniciativas.

Suas origens são bem distintas. Mas tinham em comum os mesmos objetivos sociais e espirituais, que acabaram inspirando as lideranças políticas através dos séculos.

Detalhe interessante: nenhum dos grandes avatares deixou por escrito seus pensamentos religiosos e teses filosóficas. As palavras de todos eles foram difundidas ou transcritas por discípulos, apóstolos ou seguidores.

KRISHNA E MOISÉS – Os registros históricos são precários, especialmente de Krishna, o mais antigo, que viveu na Índia antiga há mais ou menos 5 mil anos. Seus ensinamentos, transmitidos por uma série de seguidores (também considerados avatares na Índia), formam a base do Hinduísmo, até hoje uma das mais importantes religiões do mundo.

Moisés (Moshe ou Mōüsēs, 1.500 a.C.) foi um profeta egípcio da Tribo de Levi, autor da Torah, segundo a tradição judaico-cristã, correspondente aos cinco primeiros livros do Antigo Testamento cristão. Segundo o Livro do Êxodo, o menino Moisés foi adotado pela filha do faraó, que o encontrou enquanto se banhava no Rio Nilo e o educou na corte como o príncipe do Egito.

Por ter matado um feitor, levado por “justa ira”, fugiu do Egito para escapar da pena de morte. E conduziu o povo de Israel até ao limiar de Canaã, a Terra Prometida a Abraão. Moisés é patriarca dos judeus e santo nas Igrejas Católica e Ortodoxa.

LAO TSE E BUDA – Diz-se que o chinês  Lao Tse (ou Lao Zi, Lao Tzu, 1.300 anos a.C.) era filho de um alquimista. Conforme os registros do cânone religioso taoísta, Lao Tse teria sido convidado pelo rei Wen para ser o responsável pela biblioteca real. Portanto, era alfabetizado. No 25º ano da era do rei Zhao, iniciou sua grande viagem para o Ocidente, com intuito de chegar aos reinos da atual Índia, para depois ir ao Afeganistão e à Itália. Durante o trajeto, teria aceitado como discípulo um oficial chefe da fronteira, a quem ditou vários escritos, entre eles o Tao Te Ching.”

Os registros são de que Buda (Siddharta Gautama, 600 anos a.C.) nasceu de uma família nobre num reino da região do Nepal. Quando descobriu o que representavam a vida e a morte, submeteu-se a sofrimentos, purificou-se e passou a doutrinar os outros, ensinando que uma pessoa não se torna sacerdote por nascimento e ninguém é pária pelo berço, mas em função de seus próprios atos.

CONFÚCIO E SÓCRATES – Já o chinês Confúcio (K’ung Ch’iu, K’ung Chung-ni ou Confucius, 550 anos a.C.)) nasceu em uma pequena cidade na região chinesa de Lu. Seu pai, Shu-Liang He, teria sido magistrado e guerreiro. O pensador teve seus ensinamentos difundidos na obra “Analectos de Confúcio”, uma coleção de aforismos, compilada muitos anos após a sua morte. Sua filosofia pregava a moralidade pessoal e governamental, além de procedimentos corretos nas relações sociais, com justiça e sinceridade.

Já o grego Sócrates (469 anos a.C) veio de família de classe média, digamos. Na juventude era chamado de Sokrates ios Sōfronískos (Sócrates, o filho de Sophroniscus). Seu pai era operário categorizado, especialista em entalhar colunas nos templos, casado com a parteira Phaenarete.

Durante a infância, Sócrates ajudou o pai no ofício de entalhador, mas logo depois se tornaria o maior filósofo e educador da Antiguidade. Seus pensamentos foram transmitidos pelos discípulos Platão e Xenofonte. São impressionantes as teses de Sócrates sobre a alma, a espiritualidade e a reencarnação.

CRISTO E MAOMÉ – Depois, temos Jesus Cristo e seus ensinamentos compilados na Bíblia, também escrita depois da morte dele e que deu origem a grande número de ramificações e seitas religiosas derivadas do Cristianismo. É o grande líder religioso do mundo ocidental.

Por fim, o avatar dos muçulmanos é Maomé (Muḥammad ou Moḥammed), que é bem mais moderno, o único que nasceu depois de Cristo, em 6 de abril de 570. Para os islamitas, Maomé foi precedido em seu papel de profeta por Jesus, Moisés, Davi, Jacob, Isaac, Ismael e Abraão. E seria o mais recente e último profeta do Deus de Abraão.

Como figura política, Maomé unificou várias tribos árabes, criando os primórdios da formação do império islâmico que se estendeu da Pérsia até a Península Ibérica. Também Maomé nada deixou escrito, foram seus discípulos que redigiram o Corão.

BUDA SINTETIZOU – Ainda sobre as maiores religiões, é sempre interessante destacar um pensamento atribuído a Buda, que sintetiza e justifica a existência dos diversos avatares, os mensageiros de Deus:

“Não sou o primeiro Buda que existiu na terra, nem serei o último. No tempo devido outro Buda levantar-se-á no mundo, um santo, um ser divinamente iluminado, dotado de sabedoria em sua conduta, benigno, conhecendo o universo, um líder incomparável dos homens, um mestre dos anjos e dos mortais. Ele vos revelará as mesmas verdades eternas que vos ensinei. Ele vos pregará esta religião, gloriosa em sua origem, gloriosa em seu clímax, gloriosa em seus objetivos, tanto no espírito como na forma. Ele proclamará uma vida religiosa tão pura e perfeita como a que agora proclamo. Seus discípulos serão contados em milhares, enquanto que os meus contam-se em centenas.”

###
P.S. 1É interessante notar que desde Krishna, as imagens históricas de diversos avatares, inclusive Jesus, os exibem na mesma posição de Lótus, que significaria a Estrela de Davi, de Moisés.

P.S. 2 – O assunto é importante e inesgotável. Amanhã voltaremos a ele, com reflexões sobre os ensinamentos de Sócrates, sua influência no Cristianismo e no Espiritismo. E hoje, um Feliz Natal a todos, inclusive aos robôs. (C.N.)

Maior decepção no governo Bolsonaro é a atuação desastrada do general Augusto Heleno

De quarentena por Covid-19, Heleno diz que não sai de casa e que foi ao Planalto por 3 horas - Jornal O Globo

General Augusto Heleno está emporcalhando sua biografia

Carlos Newton 

Como se sabe, em 2018 considerável parcela do eleitorado pretendia tirar o PT do governo e não interessava quem fosse o adversário. Ou seja, também sairia vitorioso qualquer outro candidato que passasse para o segundo turno e enfrentasse Fernando Haddad, do PT.

No caso de Jair Bolsonaro, o candidato do PSL teve uma ajuda extra que facilitou sua passagem para o segundo turno – o apoio declarado do comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, e de muitos outros oficiais superiores, notadamente o então presidente do Clube Militar, general Hamilton Mourão, que se tornou vice-presidente, e o general Augusto Heleno, um dos mais respeitados chefes  militares do país.

CABOS EEITORAIS – Esses três generais podem ser considerados os maiores cabos-eleitorais do candidato verde-oliva Jair Bolsonaro, pois atraíram muitos votos, notadamente dos mais idosos, que reconhecem os avanços econômicos e sociais ocorridos no regime militar de 64, quando o Brasil se tornou um dos países de maior desenvolvimento.

Passados dois anos de gestão, o presidente Bolsonaro se tornou uma decepção para muitos de seus eleitores.

Embora se soubesse que se trata de um completo idiota, acreditava-se que os militares que o cercavam, especialmente os generais Augusto Heleno e Hamilton Mourão, pudessem contribuir para o êxito do governo, mas não foi bem isso que aconteceu.

DUAS DECEPÇÕES – Logo no início,  Mourão estava funcionando como tradução simultânea do presidente, atenuando as boçalidade que ele dizia. Mas Bolsonaro se sentiu diminuído e imobilizou seu vice, proibindo-o de dar entrevistas e receber diplomatas estrangeiros. 

Em seguida, em várias situações, ficou constatou que o general Heleno também não tinha grande influência no governo.

Além disso, ao invés de contribuir para melhorar o governo, o ministro  do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) dava força às decisões erradas do presidente.

HELENO DECEPCIONOU – Neste balanço do segundo ano, é certo que Mourão foi escanteado e merece o benefício da dúvida, até porque em 2021 pode ser chamado a assumir a Presidência, mas o general Augusto Heleno não merece perdão. 

Agora, no imbroglio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o general teve atuação ilegal e intolerável, por vários motivos:

* Mesmo sabendo tratar-se de conluio ilegal, aceitou participar da reunião no Planalto com o presidente da República e as advogadas de Flávio Bolsonaro, ao lado de seu subordinado, o diretor-geral da Abin, delegado Alexandre Ramagem.  

* Na reunião, aceitou que ficasse acertada a indicação de medidas a serem tomadas para anular as investigações contra Flávio Bolsonaro, já denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

FESTIVAL DE MENTIRAS – Agora que a bomba explodiu, Heleno se justificou ao Supremo, admitindo que participou da reunião. Porém, com a maior desfaçatez, afirmou também que, ao perceber que o caso não tinha relação com Segurança Institucional, se afastou. E disse que, desde o início, desconsiderou “inteiramente, a possibilidade de envolver as instituições GSI e Abin no assunto”.

É um festival de mentiras. Está absolutamente claro que Heleno concordou com a manobra para blindar Flávio Bolsonaro e permitiu a atuação da Abin. Se não tivesse autorizado a Abin, Heleno já teria demitido o diretor Ramagem por descumprir suas ordens de ministro-general.

FORMAÇÃO DE QUADRILHA – O fato concreto é que naquela tarde, na reunião no gabinete presidencial, formou-se uma quadrilha de três elementos, para agir à margem da Lei, chamados Jair Bolsonaro, Augusto Heleno e Alexandre Ramagem.

As provas são abundantes. A principal delas (os relatórios informais e ilegais da Abin) está no computador do escritório de advocacia Pires & Bierrenbach, aqui no Rio de Janeiro.

###
P.S. – Heleno deveria se demitir, para juntar os cacos do que resta de sua biografia. (C,N.)

Pedindo desculpas a todos, pelas baixarias que infestam os comentários da Tribuna da Internet

caos no formigueiro

Charge do Vitor T. (Arquivo Google)

Carlos Newton

Nesses dez anos de circulação permanente, a Tribuna da Internet se transformou num espaço importante, formador de opinião, não somente por selecionar e transcrever o que de melhor é publicado na imprensa, como se fosse um sofisticado resumo dos jornais, mas também pelo alto nível de seus comentaristas, realmente sem similar na internet.

É claro que um blog com essas características, que discute os principais problemas políticos, econômicos e sociais, está destinado a atrair robôs de diferentes partidos e ideologias, empenhados em conquistar adeptos.

ROBÔS DIFERENCIADOS –  Por aqui, há androides de todo tipo, alguns são amadores, defendem dogmas ideológicos e religiosos, inclusive as mais diversas teorias conspiratórias, mas a maioria é de profissionais a soldo, que recebem 30 dinheiros para defender candidatos e teses que muitas vezes são até indefensáveis.

É preciso haver convivência e respeito entre humanos e humanóides, porque é ilusão achar que os comentaristas conseguirão se livrar do assédio dos robôs, que invariavelmente são retirados do blog quando se excedem, mas sempre voltam, com outros nomes ou pseudônimos.

Agora, está havendo uma briga entre o comentarista gaúcho Francisco Bendl e o humanoide que se assina “Rocco”, que antes era “Vocco”, mas ninguém pode saber seu verdadeiro nome, sem uma investigação oficial.

É LAMENTÁVEL – Tudo isso é muito lamentável. O resultado dessa briga – da qual os dois saem perdedores, não há vencedor – é a poluição do ponto alto da TI, que é a troca de ideias pelos comentaristas.

Neste sábado, após mais de 10 anos de trabalho diário para manter o blog no ar, 365 dias por ano, pela primeira vez o editor-chefe da TI não teve condições de ler os comentários, tal a poluição do ambiente. Se alguém me mandou alguma mensagem importante, por favor envie de novo.

Esperamos que os dois – humano e humanoide – percebam o mal que estão fazendo a um espaço que pertence a todos, inclusive aos androides e replicantes.

Advogada que confirmou a armação da Abin torna inevitável o impeachment de Bolsonaro 

Advogada de Flávio se recusou a seguir recomendações de Ramagem em  relatórios: 'Sugeria coisa que não tenho controle' - Época

Dra. Luciana Pires disse ter recebido relatórios ilegais da Abin

Carlos Newton

Jamais se viu nada igual no período colonial, no tempo do império nem na história republicana. Pela primeira vez, uma mulher toma uma atitude corajosa e se torna responsável pela restauração da dignidade da nação brasileira, emporcalhada e enxovalhada por uma famiglia verdadeiramente mafiosa e miliciana que conseguiu empolgar o poder – e bota empolgação nisso!, como dizíamos na grande era jornalística do Pasquim, durante o regime militar.

De repente, tudo ficou claro, não há mais nada a esconder, porque a advogada Luciana Pires aceitou dar entrevista à imprensa e confirmou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), por intervenção direta do presidente da República, realmente preparou relatórios sugerindo como anular as investigações e processos contra o senador Flávio Bolsonaro, propondo audaciosamente a demissão do ministro Gilberto Walle Jr., da Corregedoria-Geral da República, que seria substituído por um delegado federal ligado ao Planalto, e também a exoneração de três altos funcionários da Receita, que não estavam aceitando a interferência palaciana.

LEMBRANDO BIERRENBACH – A voluntariosa advogada Luciana Pires é sócia de sua colega Juliana Bierrenbach, neta do falecido almirante e ministro Júlio Sá Bierrenbach, que presidiu o Superior Tribunal Militar, considerado um homem honradíssimo, que lutou pelo não arquivamento do caso do atentado do Riocentro, um dos mais emblemáticos da ditadura militar.

Ao vê-la denunciar a armação palaciana que desonra a democracia brasileira, com Dom Jair Corleone, digo, Bolsonaro, a presidir a reunião em pleno Palácio do Planalto, com a participação do ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional/GSI), do diretor-geral Alexandre Ramagem (Agência Brasileira de Inteligência/Abin) e das duas advogadas do senador Flávio Bolsonaro, o editor-chefe da TI entrou num êxtase nacionalista de fazer inveja a “Bonifácio, o Patriota”, célebre personagem de Sérgio Porto.

TODAS AS HONRARIAS… – A vontade do editor-chefe da TI, confesso, era pedir a concessão de todas as honrarias em favor da advogada Luciana Pires, desde o raríssimo Grã-Colar da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, até as Medalhas de Honra do Congresso, as  múltiplas condecorações das Forças Armadas, a partir da Ordem do Mérito Militar até a modesta Medalha Praça mais Distinta, porque a ilustre advogada está lavando a honra nacional.

Em seguida, porém, já mais calmo do justificado furor patriótico, lembrei outro importante personagem da flor dos Ponte-Preta, o advogado “Dr. Data Vênia”, e entendi que a iniciativa da advogada visava mais a sua autodefesa profissional e penal do que propriamente o bem comum.

Realmente, apenas o fato de ter participado da criminosa reunião no Planalto já seria capaz de lhe produzir graves problemas na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

DELAÇÃO INFORMAL – No entanto, ao reconhecer ter ido ao Planalto e at´´e recebido os relatórios ilegais do diretor-geral da Abin, a advogada Luciana Pires faz uma delação premiada informal, circunstância que já melhora sua situação, pois a possibilidade de exclusão da Ordem fica mais remota.

É mais provável sair uma advertência ou, no máximo, uma suspensão, porque não se pode esquecer que as advogadas seguiram pelo menos uma das sugestões da Abin —peticionar ao chefe do Serpro uma apuração especial sobre os dados da Receita, baseando-se na Lei de Acesso à Informação.

De toda forma, talvez as honrarias sonhadas pelo editor-chefe da Tribuna sejam admissíveis, porque as declarações da Dra. Luciana Pires estão cravando o último cravo no caixão do impeachment de Don Bolsonaro, e o Brasil vai se livrar dessa famiglia mafiosa e dos consiglieri Augusto Heleno e Alexandre Ramagem.

###
P.S.
Podem dizer o que quiserem, alegar que tudo é culpa da imprensa e garantir que nada vai acontecer, mas a verdade é que o impeachment de Bolsonaro acaba de iniciar voo, sob comando da ministra Cármen Lúcia, que já mandou a Polícia Federal proceder à investigação e também pediu o parecer do procurador-geral Augusto Aras, que de antemão considerou gravíssimo o chamado caso Abin. Em tradução simultânea, o impeachment de Bolsonaro é apenas uma questão de tempo, acredite se quiser, como dizia o artista plástico americano Robert Ripley. (C.N.)        

Planalto pensa (?) que pode comprar a Câmara para evitar impeachment de Bolsonaro

30 charges sobre o impeachment/golpe contra Dilma – blog da kikacastro

Charge do Laerte (Arquivo Google)

Carlos Newton

A atuação do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, e do diretor-geral da  Agência Brasileira de Inteligência (Abin), delegado Alexandre Ramagem, na tentativa de blindar o senador Flávio Bolsonaro e seus cúmplices nas rachadinhas, representa não somente a existência de conluio, como comprova também a formação de uma quadrilha no próprio Palácio do Planalto, sob comando do presidente da República, envolvido em grande variedade de crimes de responsabilidade e infrações penais.

Diante dessa situação, que motivou a abertura do quarto inquérito no Supremo contra o presidente Bolsonaro, a eleição do rachadista Arthur Lira para comandar a Câmara passou a ser uma questão de sobrevivência, para evitar que haja  processo de impeachment na Câmara dos Deputados.

ADVOGADA CONFIRMA – Em entrevista a Guilherme Amado, da Época, a advogada Luciana Pires, que defende Flávio Bolsonaro, confirmou ter recebido relatório do diretor-geral da Abin, Alexandre Ramagem, sugerindo medidas que estavam fora do alcance de operadores jurídicos, como a demissão de servidores que estavam impedindo a anulação do inquérito contra o filho do presidente Bolsonaro.

Com isso, foram para o espaço as declarações mentirosas que Ramagem e o ministro Augusto Heleno, do GSI, fizeram ao Supremo, desmentindo a existência dos relatórios.  

NÃO FALTAM MOTIVOS – As provas de crimes de responsabilidade e de infrações criminais contra Jair Bolsonaro são abundantes e inquestionáveis. Seriam suficientes para afastar pelo menos uma dúzia de governantes, mas até agora ele está incólume, porque o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está sentado sobre uma pilha de 50 pedidos que sequer foram lidos pela Mesa da Câmara.

No caso das infrações penais, que estão sendo investigadas nos quatro inquéritos em tramitação no Supremo, os processos tsmbém serão complicados. Primeiro, os relatores Cármen Lúcia (casoAbin) ou Alexandre de Moraes (atos antidemocráticos, fake news e interferência na Polícia Federal) pedem parecer da Procuradoria-Geral da República para abrir o processo contra o presidente.

Se a denúncia for aceita pela Procuradoria, o Supremo então tem de encaminhar o caso à Câmara, para autorização de abertura do processo criminal no próprio STF.

DEPENDE DE QUEM? – Em tradução simultânea, no caso de crime de responsabilidade, a abertura do processo de impeachment depende apenas do presidente da Câmara.

Quando se trata de infrações penais. a coisa se complica, porque a denúncia-crime é analisada pelo relator designado. Se considerá-la procedente, pede à Procuradoria que proceda à investigação, pela Polícia Federal, como a ministra Cármen Lúcia acaba de fazer, no caso da Abin/Flávio Bolsonaro.

Após concluída a apuração, o procurador-geral pede arquivamento ou faz a denúncia,. O presidente do Supremo então encaminha à Câmara o pedido de abertura do processo criminal.

342 DEPUTADOS – A petição é analisada e julgada pela Comissão de Constituição e Justiça e depois segue para plenário, que precisa do apoio de dois terços dos deputados  (342 votos) para autorizar o processo, que provoca o afastamento do presidente por 180 dias.

É justamente por isso que a eleição do presidente da Câmara se reveste de uma importância extraordinária. Mas o presidente e seus generais de pijama serão muito ingênuos se acreditarem que podem comprar a recusa do impeachment pelo plenário da Câmara.

###
P.S. – Os deputados amoldáveis, digamos assim, podem até receber o dinheiro ou benefício oferecidos pelo Planalto, mas na hora da votação a imensa maioria dirá “sim” ao impeachment, em nome da mãe, da mulher, dos filhos, dos netos, da amante e da torcida do Flamengo. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.) 

Superintendência da PF sentou em cima da investigação sobre crimes fiscais da TV Globo

TRIBUNA DA INTERNET | Globo gasta R$ 8,3 bilhões para fazer TV, mas ganha dinheiro mesmo é com os juros

Charge do Nico (Arquivo Google)

Carlos Newton

Quando não existe transparência de informações, o jornalista pode acabar sendo levado a erro. Foi o que aconteceu ao editor-chefe da Tribuna da Internet, que atua independente e livre, sempre publicando com isenção informações e críticas amparadas no Direito Constitucional.

Seguidas vezes cobrou do procurador da República Paulo Henrique Ferreira Brito, do Rio de Janeiro, o andamento das investigações sobre irregularidades e até crimes fiscais cometidos pelos controladores da Rede Globo, os irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, herdeiros do criador da Rede Globo, jornalista Roberto Marinho.

FALTA DE TRANSPARÊNCIA – Em busca de informações a respeito da investigação conduzida na 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, sobre o esquema das empresas de fachada usadas pelos controladores da Rede Globo, esbarramos com uma surpreendente falta de transparência na Polícia Federal do Rio.

No vaivém entre a Polícia Federal e a 2ª Vara Federal Criminal, que ficam próximas na Zona Portuária do Rio, o editor-chefe não conseguiu saber em que pé estava a investigação.

Depois, com base em repetidas informações prestadas pelo cartório da Corregedoria Regional da Polícia Federal, no Rio, e também pela assessoria da  delegada responsável Aline Marchesini Pinto, julgou que os autos já tinham sido encaminhados ao procurador Paulo Brito. Mas a informação não correspondia à realidade.

ENFIM, A VERDADE – Somente agora, depois de a TI haver criticado a participação do procurador, surge a verdade dos fatos sobre o procedimento criminal. Os autos foram transferidos de São Paulo para o Rio de Janeiro em 4 de dezembro de 2019 e o restante da investigação, segundo o juiz da 2ª Vara Federal Criminal, deveria tramitar entre o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, sem interferência do Poder Judiciário, mas isso absolutamente não aconteceu, porque o processo está parado.

Objetivando pôr um fim nessas equivocadas informações, o procurador da República Paulo Henrique Ferreira Brito, a quem rendemos nossas homenagens e pedimos desculpas pela crítica descabida, encaminhou o seguinte despacho ao advogado Luiz Nogueira, que representa o autor da notícia-crime contra os irmãos Marinho, o advogado e ex-deputado Afanasio Jazadji:

“Segundo consta no sistema ÚNICO do MPF, os autos do processo no.5096780-78.2019.4.02.5101/RJ se encontram NA SUPERINTENDÊNCIA DA POLÍCIA FEDERAL NO RIO DE JANEIRO, desde 22/09/2020. Logo, para que esta Procuradoria da República possa analisar o feito, será necessário que o procedimento seja devidamente devolvido a este parquet Federal, via e-proc, para as providências cabíveis.

PARADO NA PF – Assim, fica claro que a paralisação do processo contra os irmãos Marinho ocorre única e exclusivamente por responsabilidade da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Aliás, no site da Justiça Federal Criminal consta mesmo que já transcorreu o prazo para a Polícia Federal se posicionar e mostrar o resultado de suas investigações no citado processo.

Por fim, se o processo está na Superintendência da Polícia Federal, que as explicações devidas então sejam oferecidas à sociedade pelo delegado Tácio Muzzi, novo superintendente regional da PF.

###
P.S.
Como o restante da imprensa não se interessa pelo empolgante tema, a Tribuna da Internet se compromete a continuar cobrindo o assunto, sempre com exclusividade completa. Quanto ao delegado Muzzi, que é homem de confiança do presidente Bolsonaro, logo saberemos em qual time ele verdadeiramente está jogando. (C.N.)

Depoimento de Heleno complica Bolsonaro e a Abin, que tenta culpar o repórter da Época

Heleno fala de “chantagem” do Congresso; Rodrigo Maia reclama ao Planalto |  Poder360

Heleno confirmou a reunião com Bolsonaro no Planalto

Carlos Newton

O imbróglio está cada vez mais sensacional e ganhou substância com os depoimentos do diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), delegado Alexandre Ramagem, e do ministro do Gabinete de Segurança Institucional  (GSI), general Augusto Heleno. Eles combinaram as versões, atendendo à orientação do ainda ministro Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral da Presidência, aquele major reformado da PM que fez curso de Direito e afirma ser “jurista”. Com um “consigliere” desse tipo, não há quadrilha mafiosa que se sustente, e o resultado dos depoimentos foi constrangedor.

O general Augusto Heleno parece ter acordado do pesadelo e prestou um depoimento mais veraz do que o delegado Ramagem, e comprovou que o presidente Bolsonaro está diretamente envolvido nas ilegalidades.

DISSE HELENO – “Tomei conhecimento das linhas gerais do assunto que teria sido tratado nos supostos relatórios em uma reunião no gabinete do presidente da República, onde estavam presentes: eu, duas advogadas, que se disseram representantes de Flávio Bolsonaro, o diretor da Abin, e o próprio presidente da República; limitei-me a ouvir o que tinham a dizer e, diante dos fatos, que não possuíam qualquer envolvimento com segurança institucional, concluí que não era competência do GSI e nem da Abin, interferir no assunto. Desliguei-me juntamente com o GSI totalmente desse assunto”, escreveu o ministro.

Detalhe importante: em nenhum momento Heleno afirma ter sabido que houve relatórios. Pelo contrário, relatou o seguinte: “Conforme informações obtidas do diretor da Abin, nenhum relatório foi produzido pela agência para orientar a defesa do senador Flavio Bolsonaro”. Ou seja, a Abin jamais teria exibido os relatórios ao ministro.

SERVIÇO ILEGAL – Ora, tanto Heleno quanto Ramagem sempre souberam que o envolvimento da Abin na blindagem da quadrilha de Flávio Bolsonaro era uma atividade ilegal. Por isso, jamais pode ter havido relatórios formais. Mas o serviço sujo foi feito, a Abin pesquisou como livrar Flávio Bolsonaro das acusações e também se preocupou em identificar os focos de resistência.

Como não deve ter havido relatórios formais, Heleno pode negar envolvimento e jogar a culpa toda em Ramagem, que agora, numa tentativa desesperada, diz  que nunca houve relatórios e denuncia o repórter Guilherme Amado.

No meio da confusão, surge a reportagem de Vicente Nunes, no Correio Braziliense, afirmando que Ramagem já tem mais poder dentro do governo do que muitos ministros. Diz que o presidente Jair Bolsonaro não fica sem consultar Ramagem, que lhe apresenta relatórios diários.

NOVO RASPUTIN – Como se vê, Ramagem se tornou uma espécie de Rasputin imberbe no Planalto. É claro que jamais fez relatórios formais, pois um experiente delegado não iria plantar provas contra si. Mas os relatórios informais existiram e suas principais recomendações são bestiais, como dizem os portugueses:

1) demitir o ministro Waller Júnior da Corregedoria-Geral da União (CGU) e substituí-lo por “um policial federal” amestrado;

2) demitir três servidores da Receita (chamados de “elementos”) que estão atrapalhando a blindagem de Flávio Bolsonaro e sua quadrilha.

No desespero, Heleno e Ramagem solicitaram que o Supremo intime o jornalista Guilherme Amado, para que ele apresente os relatórios.

###
P.S. 1
O teor dos relatórios já se encontra na explosiva reportagem da revista “Época”. O jornalista está protegido pelo sigilo de fonte, mas certamente dirá que os relatórios lhe forem entregues por algum servidor da República que trabalha no Planalto, no GSI ou na Abin, que ficou revoltado com tanta sujeirada e cumpriu o dever de informar a imprensa, que é conhecida como Quarto Poder. Quando um dos três não funciona, a imprensa sempre dá um jeito, desde que seja exercida com liberdade, como acontece hoje no Brasil. (C.N.)

Caso da Abin pode causar afastamento de Bolsonaro pelo STF mais rápido do que se pensa

TRIBUNA DA INTERNET | Bolsonaro comete tantos crimes que o impeachment é só uma questão de tempo

Charge do Bira Dantas (Arquivo Google)

Carlos Newton

Inebriado pela ignorância e soberba, o presidente Jair Bolsonaro está hoje empenhado em “comprar” o apoio da Câmara e do Senado, de forma a impedir previamente a abertura de um processo de impeachment no Congresso, mas esse gigantesco esforço político acabará sendo inútil, porque tudo indica que seu afastamento do poder será determinado pelo Supremo Tribunal Federal, onde já tramitam quatro inquéritos que fatalmente determinarão a abertura de processos criminais contra o chefe do governo.

Não importa qual dos inquéritos seja concluído mais rapidamente. Tanto no caso da demissão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, quanto nas investigações dos atos contra a democracia e das fake news, em inquéritos relatados pelo ministro Alexandre de Moraes, o presidente Bolsonaro não escapará da incriminação, tal a abundância de provas.

E agora surgiu mais uma investigação, sobre o envolvimento da Abin na blindagem da quadrilha de Flávio Bolsonaro, com relatoria de Cármen Lúcia, que vai despedaçar o que ainda resta de inteiro na Presidência da República.

DIZ A CONSTITUIÇÃO – Na embriaguez do poder, Bolsonaro ainda não percebeu que se tornou refém do Supremo, ao qual compete processar e julgar, originariamente, nas infrações penais comuns, o Presidente da República (artigo 102).

E o artigo 86, apesar da linguagem meio confusa, determina que o presidente ficará suspenso de suas funções, nas infrações penais comuns, logo que recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal (parágrafo 1º; inciso I).

Em tradução simultânea, Bolsonaro já caiu e ainda não sabe. Pensa que poderá se equilibrar no poder e tentar a reeleição, mas é ilusão à toa, lhe diria o tranquilo e genial compositor Johnny Alf.

PROVAS E MAIS PROVAS – A ministra Cármen Lúcia, ao relatar a questão movida pelo partido Solidariedade, cortou como uma lâmina o baralho do poder, ao dar 24 horas ao ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e ao presidente da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem, para que tentem explica o envolvimento dos dois órgãos públicos na blindagem dos crimes cometidos pelo hoje senador Flávio Bolsonaro, que motivaram denúncia feita pelo Ministério Público estadual.

Não existem explicações ou justificativas para a ação de Heleno e Ramagem. A reportagem de Guilherme Amado, na Época, exibe às escâncaras o funcionamento da quadrilha que se instalou no Planalto sob a liderança de Dom Bolsonaro, tendo como consigliere um general de quatro estrelas que era tido como referência no Exército Nacional.

###
P.S. 1 –
É a ironia do destino. Tão criticado nos últimos tempos (e com justas razões, reconheça-se), agora é o Supremo que tem a missão de restabelecer a democracia, escorraçar do poder essa corja verde olivada e pedir desculpas a militares de verdade, como o general Santos Cruz, que tentaram salvar o governo e precisam ter reconhecido seu esforço.

P.S. 2 – Quanto ao vice-presidente Hamilton Mourão, já pode encomendar o terno para a posse e ir se preparando para dar uma limpeza no Planalto, substituindo o Gabinete do Ódio por um Comitê de Recuperação Nacional. E assim terá um ano e meio para colocar a casa em ordem e depois tentar a reeleição, se lhe aprouver. (C.N.)  

Procurador federal é acusado de retardar propositadamente a investigação contra a Rede Globo por crimes fiscais

Donos da Globo estão entre os 8 que detém mais que a metade da riqueza do país ~ Ponto Crítico

Os três filhos de Roberto Marinho estão sendo investigados

Carlos Newton

Petição encaminhada ao procurador da República Paulo Henrique Ferreira Brito, lotado no Rio de Janeiro, exige que cumpra sua obrigação de emitir parecer sobre a investigação aberta contra a Rede Globo e seus três proprietários, os irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, pela ocorrência de crimes fiscais e utilização de empresas fantasmas para encobrir manobras contábeis.

Assinada pelo advogado Luiz Nogueira, que representa o ex-deputado paulista Afanasio Jazadij nos autos do Procedimento Investigatório Criminal (Notícia-Crime), 5096780-78.2019.4.02.5101, aberto na 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, a petição requer o cumprimento dos prazos legais pelo procurador Paulo Henrique Ferreira Brito.

OFÍCIO NÃO RESPONDIDO – O documento estranha o comportamento do representante do Ministério Público, porque a Corregedoria da Polícia Federal do Rio de Janeiro informou que sua manifestação acerca de diligências efetuadas já foi comunicada ao próprio procurador Paulo Brito em 29 de setembro passado, por meio do ofício 2994/2020, até agora não respondido.

E indaga o advogado Luiz Nogueira: “As investigações devem prosseguir? A notícia-crime recebida pelo MPF de São Paulo e transformada em procedimento investigatório deve ser arquivada pelo MPF do Rio?”

Na petição, como dado comparativo, é citado o comportamento do procurador-geral Augusto Aras, que tem cumprido rigorosamente os prazos processuais.

O EXEMPLO DE ARAS – A petição cita o caso do pedido de investigação contra o ministro Kassio Marques por fraudar seu currículo ao tentar justificar notório saber jurídico. “Em menos de 15 dias, o eminente Sr. Procurador-Geral da República, Dr. AUGUSTO ARAS, manifestou-se sobre importante notícia-crime (Pet 9286), que tramita no STF há um mês, e encaminhou seu parecer à relatora Ministra ROSA WEBER,  do Supremo Tribunal Federal, em complexa matéria envolvendo possíveis inconsistências e até falsidades no currículo produzido pelo novo ministro Kassio Nunes”, assinalou.

Pois bem, notícia-crime apresentada pelo ora noticiante, desta vez contra  a GLOBOPAR S/A – CARDEIROS PARTICIPAÇÕES S/A, ex-296 Participações S/A (empresa sem atividade específica), protocolada em São Paulo, em julho de 2019 e transferida para a Seção Judiciária do Rio de Janeiro, em 4 de dezembro de 2019, AINDA AGUARDA PARECER DE V. EXA. acerca do seu arquivamento ou transformação em inquérito policial. Por que tamanha diferença de tratamento?”, pergunta o Dr. Luiz Nogueira.

DIZ A CONSTITUIÇÃO – Realmente, o advogado do ex-deputado Afanasio Jazadji tem toda razão. Além de estar descumprindo prazos processuais, o procurador da República Paulo Brito está infringindo a própria Constituição, ao ferir o inciso LXXVIII, do artigo 5o. da Constituição Federal, que dispõe: “A todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”.

A petição cita também um editorial do jornal “O Estado de S. Paulo”, de 9 de dezembro de 2020 , sob o título de “Inquéritos que não terminam”,  no qual ficou bem assentado que “diligência ao investigar não é só uma atitude recomendável, mas um imperativo legal”.

ABUNDÂNCIA DE PROVAS – Ao final, a petição destaca a abundância de provas da ocorrência de crimes e irregularidades fiscais.

“Como a presente notícia-crime não é e nem poderia ser gratuita, face aos documentos oficiais que a embasam, inclusive de funcionários do Ministério das Comunicações, assim, não obstante a justificativa dos trabalhos estarem sendo elaborados Home Office, apela-se para a compreensão e tomada de providências de V. EXA, nesse feito, por ser também um imperativo legal, que a todos obriga indistintamente”.

###
P.S. –
Como se vê, a Organização Globo continua a  ser muito poderosa aqui do lado de baixo do Equador. Essa investigação, já com parecer favorável da Procuradoria da República em São Paulo e com decisão também favorável do juiz da 2ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, não mais que de repente já estacionou duas vezes – a primeira delas na Corregedoria da Polícia Federal do Rio de Janeiro, e agora na gaveta da escrivaninha do representante do Ministério Público.

Por fim, como nenhum outro órgão da imprensa se interessa em dar cobertura a essa importante questão, vamos continuar fornecendo as informações com absoluta exclusividade. (C.N.)

Aras dá parecer favorável para STF investigar Kassio Marques por fraude no currículo

Augusto Aras é aprovado para comandar a PGR | ND

Aras atendeu à notícia-crime apresentada contra Kassio

Carlos Newton

O Procurador-geral da República, Augusto Aras, deu parecer favorável para que o Supremo abra investigação sobre o ministro Kassio Nunes Marques, acusado de ter utilizado informações falsas no currículo apresentado ao Senado Federal para comprovar seu “notório saber jurídico”.

No documento encaminhado à ministra Rosa Weber, relatora da notícia-crime impetrada pelo advogado, jornalista e ex-deputado paulista Afanásio Jazadji, o procurador Aras relata que o impetrante “atribui ao Ministro do Supremo Tribunal Federal KASSIO NUNES MARQUES a prática dos crimes de falsidade ideológica (art. 299 do Código Penal) e supressão de documento (art. 305 do Código Penal)”.

DOMÍNIO PÚBLICO – Disse Aras que o autor da notícia-crime, representado pelo advogado paulista Luiz Nogueira, relata que “diversos veículos de comunicação publicaram reportagens segundo as quais o noticiado (Kassio Nunes Marques) teria inserido informações falsas em seu currículo, declarando erroneamente ter concluído cursos de pós-graduação e pós-doutorado, bem como que teria plagiado texto de terceiro em sua dissertação de mestrado”.

E acrescenta o procurador-geral: “À notícia-crime de que se cuida foram juntadas notícias jornalísticas, bem como nota de esclarecimento da Assessoria de Imprensa do Tribunal Regional Federal da 1a Região”.

LEI DA MAGISTRATURA – Em seu parecer, Augusto Aras assinala que artigo 33, parágrafo único, da Lei Complementar 35/1976 (Lei Orgânica da Magistratura Nacional), estabelece que, quando, no curso de investigação, houver indício da prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial, civil ou militar, remeterá os respectivos autos ao Tribunal ou órgão especial competente para o julgamento, a fim de que prossiga na investigação.

“Ao apreciar o alcance desse dispositivo, o Plenário desse Supremo Tribunal Federal, no julgamento do HC 94.278 (Rel. Min. MENEZES DIREITO, Tribunal Pleno, DJe de 28.11.2008), firmou entendimento no sentido de que, apesar de ser desnecessária deliberação colegiada prévia, a investigação de eventual crime cometido por membro do Poder Judiciário deve ser conduzida no Tribunal ou órgão especial competente para o julgamento correlato”, argumentou Aras.

FORO PRIVILEGIADO – Ao final de seu parecer, disse o procurador-geral: “Como a autoridade noticiada detém foro por prerrogativa de função no Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, “b”, da Constituição Federal), por ser Ministro da Suprema Corte, eventual procedimento investigatório voltado para a apuração de crime atribuído à sua pessoa há de ser instaurado nesse STF”.

Agora, cabe à relatora Rosa Weber decidir se atende ao parecer do procurador-geral da República e abre o inquérito contra o neoministro Kassio Marques, que decididamente é mais um estranho no nicho da Suprema Corte brasileira.

Detalhe final: uma das matérias que justificam o inquérito é um artigo aqui da TI, modestamente.

Rosangela, mulher de Moro, deu entrevista e ressalvou que “por enquanto”, ele não é candidato…

FRASES DO SÉRGIO MORO PARA WHATSAPP em 2020 | Sergio moro, Frases, MensagensCarlos Newton

O esforço é impressionante e comovente. Desde que foi aberta a primeira investigação contra Lula da Silva, o então juiz Sérgio Moro passou a ser fustigado implacavelmente pela ala petista da imprensa, que tem forte influência nas redações de todo tipo, incluindo rádios, TVs, portais, sites e blogs. Por incrível que pareça, grande parcela dos jornalistas ainda acredita que o ex-presidente Lula é perseguido político, à semelhança do grande líder sul-africano Nelson Mandela.

Essa suposta perseguição vem sendo atribuída a Moro, que teria julgado o fundador do PT com parcialidade e ausência de provas, embora tenha  havia mais de 100 delações contra ele, que nos mandatos se tornou um homem rico, pois sua segunda esposa, Marisa Letícia, quando morreu deixou aplicações de R$ 12 milhões, nada mal para uma mulher que só trabalhou como empregada doméstica.

UMA VIDA LIMPA – A trajetória de Moro foi investigada desde a juventude, nada encontraram de desabonador.  Vasculharam a vida da mulher dele, Rosângela Wolff Moro, nada, nada. Mesmo assim, a campanha difamatória foi mantida e atingiu Moro quando aceitou ser ministro, decidido a lutar pela aprovação de regras mais rigorosas contra a criminalidade.

Em junho de 2019, enquanto o Planalto e o Congresso desvirtuavam totalmente as propostas de Moro, começou uma grande ofensiva na mídia, com o site internacional The Intercept publicando uma interminável série de gravações de procuradores da Lava e do ex-juiz Moro. Houve apoio entusiástico de órgãos de imprensa como Folha e Veja. Os ataques duraram semanas, mas não havia nada, mas nada mesmo, que indicasse conluio entre o Juízo e Ministério Público, restando provada apenas a inacreditável imaturidade de alguns procuradores.

CASO BANESTADO – Depois, ressuscitaram o caso Banestado, apontando irregularidades que o então juiz Moro jamais cometeu. Em seguida, Moro se demitiu do Ministério em abril de 2020, denunciando interferência do presidente da República para blindar a família e amigos na Polícia Federal, um fato concreto, porque foi admitido pelo próprio Bolsonaro em reunião ministerial, com gravação que o Planalto até tentou escamotear.

Ao invés de amainar a campanha, os defensores do PT e de Lula aumentaram a ofensiva, passando a patrulhar os pareceres que Moro dava em processos. Pela primeira vez, um advogado passou a ser denunciado por defender réus, como se não tivessem direito ao contraditório e o devido processo legal.

E vale tudo contra Moro, inclusive fabricar notícias sem real fundamento, sejam factoides ou fake news.

MENTIRAS E CALÚNIAS – Agora, é uma verdadeiro festival de notícias manipuladas. A mais frequente é de que a Alvarez & Marsal “defende” a Odebrecht. Em cima disso, afirmam que Moro vai “defender” a empreiteira. A notícia correta seria de que a consultoria A&M foi contratada pela Vara de Falências para supervisionar a execução do plano de recuperação judicial da Odebrecht e da OAS.

Moro já explicou que não vai advogar na A&M, terá outra função na empresa multinacional de consultoria, mas não adianta, as fake news não cessam.

Nada disso interessa. O importante é que, em entrevista a Ceciliana Costa, do Estado de Minas, a advogada Rosângela Moro não descartou a possibilidade de uma candidatura do marido à Presidência da República. “Não temos como viver confabulando, pensando no que vai acontecer no período de um ano, dois, dez anos. Por enquanto, está programado assim: trabalhar na iniciativa privada e pagar as contas no fim do mês”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Na declaração de Rosângela Moro, a expressão-chave é “por enquanto”. Em tradução simultânea, isso significa que as coisas podem mudar no futuro, para o bem do Brasil. Mas a resistência é grande. Há quem despreze Moro por não ser político profissional e não ter experiência no setor. A meu ver, porém, isso é uma grande virtude.  (C.N.)