Sem a influência dos filhos, a tendência do governo Bolsonaro é acertar os ponteiros

Resultado de imagem para bolsonaro em reuniao ministerial

Somente agora Bolsonaro pode dizer aos ministros: “Enfim, sós”

Carlos Newton

Aqui na “Tribuna da Internet” muitos comentaristas reclamam que saem muitas críticas a Bolsonaro, como se estivéssemos torcendo contra o governo, mas não é por aí. Nossa estratégia é mais do que conhecida. Somente criticamos o governo quando ele erra. Seguimos a linha do comentarista Antonio Santos Aquino, que sabiamente costuma recomendar: “Antes de tudo, é preciso torcer pelo Brasil”. Aquino é oficial da Marinha de Guerra e não tem a menor simpatia por Bolsonaro, mas sabe reconhecer quando ele erra ou acerta. Pois é assim que nos posicionamos editorialmente. Como dizia Carlos Imperial, “sem liberdade de elogiar, nenhuma crítica é válida”.

Por exemplo, no domingo, dia 23,  elogiamos aqui a decisão de impor limites aos três filhos de Bolsonaro, uma informação dada com absoluta exclusividade pela TI (“A festa acabou e os três filhos de Bolsonaro não mais terão influência no governo”). A nosso ver, foi a notícia mais auspiciosa desde a posse de Bolsonaro.

ENFIM, SÓS – Com os filhos fora do circuito, rapidamente as coisas se normalizaram no Planalto. Bolsonaro logo se recompôs com o vice Hamilton Mourão, de quem estava afastado há mais de um mês, e lhe delegou a responsabilidade de representar o Brasil na reunião do Grupo de Lima, para evitar que o chanceler Ernesto Araújo exagerasse em sua adoração aos Estados Unidos e ao presidente Donald Trump.

Nesta quinta-feira, sem nenhum filho dar faniquito, Bolsonaro acertadamente mandou afastar a cientista política Ilona Szabó, que o ministro desastradamente convidara para participar do governo, mesmo sabendo que ela defende o desarmamento da população, como se vivêssemos na Escandinávia. Moro viajou na maionese, como se dizia antigamente.

OS DESAFIOS – Na avaliação unânime do núcleo duro do Planalto (Augusto Heleno, Mourão, Santos Cruz, Onyx e o novato Floriano Peixoto, general de três estrelas que está entrando em campo para substituir Gustavo Bebiano), os principais desafios são a reforma da Previdência e a contenção da dívida pública (interna e externa), que virou ameaça.

Temos reclamado aqui na TI que no governo ninguém aborda no assunto dívida pública. A esse respeito, nosso amigo Mário Assis Causanilhas, ex-secretário estadual de Administração do RJ, opinou que pode ser uma estratégia de governo – primeiro, resolve-se a Previdência, depois a dívida. Faz sentido. Então, vamos aguardar.

###
P.S 1
De toda maneira, é preciso ter consciência de que a dívida pública interna federal fechou em 2018 no patamar acima de R$ 5.5 trilhões (sem estados e municípios). E a dívida externa total, incluindo bancos e empresas privadas, ficou em R$ 556 bilhões no ano passado.

P.S. 2 – São números assustadores, pois impedem que haja planejamento administrativo. E esta é a maior frustração do primeiro governo militar democrático do país. Se não equacionar a dívida, não tem como governar. Aliás, este foi um dos principais motivos do desentendimento entre Bolsonaro e o então ministro Bebianno, que ia anunciar obras caríssimas na Amazônia, sem que houvesse recursos disponíveis. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Gilmar Mendes acha que ganhou a luta contra a Receita, mas foi só o primeiro round

Resultado de imagem para gilmar mendes

Gilmar Mendes pensa que conseguiu se livrar da Receita Federal

Carlos Newton

O que mais caracteriza Gilmar Mendes é a audácia, ele procede sempre com impressionante ousadia, julga-se inatingível e pouco se importa com a opinião pública. Até agora, vem se dando bem e não contava esbarrar com os auditores da Receita Federal, cuja atuação tem sido importantíssima para o êxito da Lava Jato. Sem a participação dos auditores nas forças-tarefas, muitos criminosos teriam escapado ilesos, porque é justamente a Receita Federal que fornece as provas materiais, sem as quais as delações premiadas se mostram absolutamente inúteis, porque a legislação é clara e está reforçada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do próprio Supremo.

De repente, não mais que de repente, diria o genial Vinicius de Moraes, os auditores da Receita passaram a usar a experiência da Lava Jato para exercer sua atribuição de controlar irregularidades tributárias envolvendo agentes públicos, e o resultado foi a identificação de 134 casos de movimentações atípicas.

VAZAMENTO – O trabalho caminhava muito bem, em sigilo, até ocorreu um vazamento, que atingiu justamente o casal Gilmar e Guiomar Mendes. A grande mídia publicou a investigação, inclusive mencionando as contas bancárias, e essa circunstância foi altamente positiva para o ministro do STF, que adotou a mesma estratégia de Lula e de Flávio Bolsonaro, passando a também se declarar “vítima de perseguição política”.

Gilmar obteve a imediata ajuda do presidente Dias Toffoli, seu amigo pessoal, e tentou mobilizar o Supremo como instituição, mas não conseguiu. Somente sete ministros compareceram à reunião, os outros cinco não demonstraram a menor solidariedade.

Gilmar então contra-atacou, convocando o secretário da Receita, Marcos Cintra. Na reunião, o trêfego burocrata, que nada entende de Receita, foi logo se rendendo, hipotecou solidariedade ao ministro, criticou duramente os auditores e atribuiu a um integrante da Lava Jato a tal “perseguição’ indevida. Tudo errado, tudo mentira, o auditor mencionado jamais atuou na força-tarefa.  

TOCA, TELEFONE – A “vitimização” de Gilmar Mendes foi tão intensa, com capa da revista Época (Grupo Globo) e tudo o mais, que o próprio presidente Bolsonaro ligou para o ministro. Ao mesmo tempo, numa hábil manobra, Gilmar conseguiu que o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado enviasse uma representação ao Tribunal de Contas de União (TCU) pedindo para o órgão apurar “possíveis irregularidades”.

No documento, enviado na sexta-feira, quando circulou a Época com espalhafatosas e delirantes acusações de Gilmar contra os auditores, Furtado afirmou que há indícios de que houve “desvio de finalidade dos agentes envolvidos, com dispêndio indevido de recursos públicos e utilização de precioso tempo de auditores regiamente remunerados e de recursos materiais e de tecnologia da informação, ao empreenderem uma atividade de fiscalização denominada ‘Análise de Interesse Fiscal’ em aparente interesse de atingir a reputação de uma autoridade específica de um dos Poderes da República”.

Como se vê, um texto tão violento que parece escrito sob medida. E não é um simples pedido de investigação, pois funciona como peça acusatória de caráter desclassificante.

PRIMEIRO ROUND – Gilmar Mendes venceu o primeiro round, porque o TCU, um tribunal eivado de denúncias envolvendo corrupção, aceitou fazer o serviço sujo. Mas acontece que vencer o assalto inicial (e “assalto” é bem o termo…) não significa ganhar a luta.

Os auditores da Receita sabem que estão lutando o bom combate do apóstolo Paulo. Ou seja, apenas cumprindo seu dever, como recomendava o almirante Francisco Barroso. Não se curvarão a pressões nem a interesses palacianos de origem mesquinha. Sabem que os brasileiros estão a seu lado, esperançosos de que as investigações avancem e coloquem no devido lugar cada uma dessas 134 autoridades. Para os auditores, Gilmar Mendes é apenas um dos investigados. O fato de ser, episodicamente, ministro do Supremo não significa nada. É apenas um detalhe.

Moro confia em Bolsonaro e vai apurar qualquer irregularidade que surgir no governo

O ministro Sérgio Moro Foto: Jorge William / 14.02.2019

Sérgio Moro afirma que seu pacto com Bolsonaro continua valendo

Carlos Newton

A melhor decisão tomada pelo presidente Jair Bolsonaro foi o convite ao então juiz federal Sérgio Moro para que integrasse o governo, como ministro da Justiça. Realmente, foi um tiro certo, não havia como errar.  Mas surgiram denúncias e envolvimentos, Agora, a situação é muito diferente, mas Moro está sabendo se adaptar e já aprendeu a se livrar das armadilhas que a cada momento surgem à sua frente.

É claro que sempre haverá algumas discrepâncias entre o juiz federal de ontem e o ministro de hoje, como no caso do caixa 2, que Moro já apreendeu a relativizar, porque o jogo político num país como o Brasil opera na faixa do que é possível e ainda não pode sonhar com o que é ideal.

Na política, Moro é como “O Jovem Audaz no Trapézio Volante”, do conto de William Sorayan, não pode se descuidar um minuto, porque a imprensa não lhe dá trégua e tenta flagrar algum erro do ministro. Mas ele segue a vida, como dizia João Saldanha.

PACTO COM BOLSONARO – O mais importante é que Moro tem um pacto com Bolsonaro, que continua de pé. Em entrevista à Rádio Jovem Pan, nesta segunda-feira, o ministro da Justiça foi questionado sobre o desconforto de integrar um governo cujo partido é acusado de criar “candidatas laranjas”. Sua resposta foi direta, as destacar que todas as denúncias “têm que ser devidamente apuradas”. E acrescentou:

“Quando fui convidado (por Bolsonaro), o que conversamos: ninguém seria poupado. Se surgissem casos de crime no âmbito do governo, isso seria apurado e não seria poupado ninguém. E isso foi passado para a Polícia Federal. Órgãos de investigação têm independência. O próprio presidente solicitou que esses episódios fossem devidamente apurados. O trabalho que tem que ser feito em relação a esse fato está sendo feito” — disse.

Realmente, é preciso reconhecer que partiu do próprio Bolsonaro a iniciativa de mandar a Polícia Federal investigar o caso das “candidatas laranjas”, uma questão que a princípio se encontrava no âmbito da Justiça Eleitoral. Foi uma decisão que significa uma mudança de costumes políticos, é preciso reconhecer.

FORA DO FOCO – Até agora, esse caso do PSL foi o único a exigir a participação direta do ministro Moro. As demais acusações que têm sido feitas, inclusive envolvendo Flávio Bolsonaro e o ministro Onyx Lorenzoni, por exemplo, estão em fase de investigação, nada têm a ver com as atribuições do ministro da Justiça, ainda estão fora do foco federal.

Portanto, a entrevista de Moro à rádio Jovem Pan foi muito significativa e indica que Bolsonaro vai cumprir o acordo entre os dois, levando o país a progredir bastante no combate à criminalidade e também à impunidade, que é outro departamento.

A parte claudicante do governo é a economia, porque a reforma da Previdência ainda não convenceu ninguém e o ministro Paulo Guedes se recusa a discutir a dívida pública, que em 2018 envolveu quase R$ 1,1 trilhão, em juros, amortização e rolagem, vejam a que ponto chega a espoliação deste país.

###
P.S. –
Quanto à reforma da Previdência é complicadíssima e desde a semana passada está sob análise da equipe da auditora Maria Lucia Fattorelli, que só vai se pronunciar após exame completo do projeto. Portanto, vamos aguardar. (C.N.)

Bolsonaro precisa convocar o núcleo duro, enquadrar Guedes e começar a governar

Resultado de imagem para bolsonaro e guedes

Com um ministro como Guedes, Bolsonaro nem precisa de inimigos

Carlos Newton

Esse negócio de “Mito” e “Super-Herói” é uma grande bobagem. O próprio Jair Bolsonaro reconhece que tem muitas limitações intelectuais e até criou a figura do “Posto Ipiranga”, porque realmente a coisa tem de funcionar assim. Quando o governante desconhece o assunto, é claro que precisa se consultar com quem sabe. No caso de Bolsonaro, cuja principal deficiência é o desconhecimento sobre economia, o problema é que está se aconselhando com a pessoa errada.

Bolsonaro talvez nem perceba, mas o núcleo duro do Planalto sabe muito bem que o ministro Paulo Guedes é defensor de ideias monetaristas ultrapassadas e está impondo ao país um modelo econômico que privilegia o mercado financeiro, sem maiores preocupações de ordem social, como se o neoliberalismo fosse capaz de resolver tudo sozinho, tipo a solução Tabajara de “seus problemas acabaram”, conforme temos advertido aqui. A piada é boa, mas as consequências são funestas.

HOMEM ERRADO – O núcleo duro do Planalto sabe que Guedes é o homem errado, no lugar errado e na hora errada. Basta conferir seu currículo, pois é banqueiro por vocação. Foi um dos fundadores do Banco Pactual e do grupo BR Investimentos, hoje parte do grupo Bozano. Guedes também fundou o Instituto Millenium, que dissemina o pensamento econômico liberal, num momento em que os países mais desenvolvidos do mundo caminham em sentido contrário, adotando a social-democracia.

Está na hora de Bolsonaro começar seu governo. Para tanto, é necessário planejar e estabelecer estratégias. E o presidente da República não pode, de forma alguma, delegar atribuição de governante a nenhum de seus ministros, seja ele quem for, conforme está acontecendo com Guedes.

Aliás, presidente jamais deve confiar incondicionalmente em ninguém. Por isso, Guedes não pode continuar a ter carta branca, não foi nele em quem votamos, é um estranho no nicho, não nos representa. Simples assim.

NÚCLEO DURO – Agora, já em plena recuperação de sua saúde, o presidente tem obrigação de reunir o núcleo duro do Planalto (Augusto Heleno, Hamilton Mourão, Onyx Lorenzoni, Santos Cruz e Floriano Peixoto) e perguntar ao grupo: “O que vocês acham? Estamos terminando o segundo mês, já pagamos R$ 180 bilhões de juros da dívida pública, e o ministro Guedes não dá uma palavra sobre o assunto?”

Um dos ministros há de comentar: “Ele se comporta como se a reforma da Previdência fosse solucionar todos os problemas do país…”

E algum outro certamente dirá: “É claro que isso não é verdade. Precisamos tratar da dívida pública. Em 2018, pagamos quase R$ 1,1 trilhão em juros, amortização e rolagem. Essa sangria não pode continuar”.

###
P.S. 1
É só isso que o presidente precisa fazer, para começar a governar. Na sequência, convocar Guedes para dar explicações ao núcleo duro. Ele vai gaguejar, desconversar, contar uma história sem pé nem cabeça, embromar à vontade, mas não apresentará nenhuma solução para a dívida. Assim, em pleno carnaval, a máscara de Guedes pode ser arrancada.

P.S. 2  A dívida interna deveria ser auditada, como ocorreu no Equador, onde o montante caiu em 70%, nenhum credor reclamou e os banqueiros não declararam a Terceira Guerra Mundial. Quanto aos rentistas aqui no Brasil, não terão prejuízos, suas aplicações apenas receberão um percentual de lucro mais civilizado, digamos assim.

P.S 3 – O que não pode acontecer é Guedes e o governo continuarem fingindo que a dívida não representa risco ao país e não pode ser revista. Esse procedimento é um crime de lesa-pátria, que fica muito feio para o primeiro governo militar democrático desta República. (C.N.)

Ao atacar a mídia, Bolsonaro presta um serviço ao país, mas está atacando errado

Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Todos sabem que a vida é muito mais criativa do que a ficção. A qualquer momento poderemos nos surpreender com um fato verdadeiro que jamais imaginaríamos que aconteceria. Por exemplo: quem havia de supor que o Brasil teria um presidente capaz de enfrentar a grande mídia, como está acontecendo agora com Jair Bolsonaro? O mais curioso ainda é a contradição. O presidente ataca a grande mídia (Globo, Folha, Estadão e Veja) por se sentir perseguido. Mas acontece que só está sendo alvejado incessantemente porque tomou a iniciativa de denunciar essa perseguição, que na verdade existiu, mas acabaria assim que ele ganhasse a eleição. Depois disso, a grande imprensa se amoldaria e encaixaria no novo governo, sem a menor desinibição.

A BRIGA CONTINUA – Bolsonaro é turrão e não mudou de atitude, vive atacando a mídia e afagando a TV Record e o SBT, que nem podem ser considerados como órgãos de imprensa, pois seu investimento em jornalismo é mínimo, apenas para cumprir a legislação. E a briga continua, cada vez mais surrealista.

O mais paradoxal é que o governo e a mídia são aliados no assunto do momento – a reforma da Previdência. A maior organização jornalística do país, considerada inimiga de Bolsonaro, é a que mais defende a reforma, chega a se constrangedor o apoio do grupo Globo.

REFORMA “TABAJARA” – A mídia se comporta como se estivesse em curso uma reforma “Tabajara”, tipo “seus problemas acabaram”, e não dá uma só palavra sobre a dívida pública que está inviabilizando o país.

A cada dia, os brasileiros pagam um pedágio de quase R$ 3 bilhões, No final do ano, são quase R$ 1,1 trilhão, que continuaremos pagando mesmo que a reforma “Tabajara” seja aprovada e mande para o espaço as conquistas sociais dos brasileiros, porque uma coisa é eliminar privilégios e outra coisa muito diferente é cortar benefício de quem está em situação miserável, que Deus jamais perdoe essa torpeza.

DÍVIDA SAGRADA – Não se pode discutir a dívida pública porque é um tabu, assunto do máximo interesse dos banqueiros, que obtêm no Brasil os maiores lucros do mundo exatamente quando país vive a pior recessão de sua História. Tem algo errado nessa equação, e ninguém se interessa?

A mídia está amordaçada, mas o governo, não. Bolsonaro deveria esculhambar a mídia pela proteção que dá aos banqueiros, no entanto ele nem entende o que está acontecendo, acha que é “perseguido político” igual ao Lula…

O maior erro de Bolsonaro foi dar a chave do cofre a um banqueiro. Nós votamos nele para passar o país a limpo e defender o interesse público, mas ele nos está traindo e se tornou um defensor dos interesses das instituições financeiras.

###
P.S. – Bolsonaro pode brigar com a mídia à vontade. Não precisa investir um tostão em propaganda oficial, nem mesmo nos amestrados da Record e do SBT. Mesmo assim a mídia vai sobreviver, porque os banqueiros sempre estarão prontos para ajudá-la, na base de uma mão lava a outra. Vamos ficar por aqui, mas depois a gente volta ao assunto, porque há um novo golpe dos banqueiros em curso no Congresso, acredite se quiser. Eles são insaciáveis. (C.N.)

A festa acabou e os três filhos de Bolsonaro não mais terão influência no governo

Resultado de imagem para tres filhos de bolsonarocharges

Charge do Aroeira (Charge Online)

Carlos Newton

Com a terceira cirurgia de Bolsonaro e o envio do pacote anticorrupção e da proposta de reforma da Previdência, que já começam a tramitar na Câmara, realmente começou o primeiro governo militar democrático. E nunca se viu nada igual, porque nem mesmo nos 15 anos de Getúlio Vargas e nos 21 anos da ditadura militar de 1964 o ministério contou com tamanho número de oficiais generais. No primeiro escalão temos hoje 13 militares – presidente, vice, oito ministros e os três comandantes das Forças Armadas. Um capitão, dez generais do Exército, dois almirantes e um tenente-brigadeiro.

E há muitos outros oficiais superiores no segundo escalão, inclusive o porta-voz do governo também é general, e a praxe antigamente era nomear algum diplomata do Itamaraty.

DEMOCRACIA PLENA – Não há dúvida de que estamos em regime de democracia plena e os militares do primeiro escalão comportam-se rigorosamente no figurino republicano. Só há autoritarismo da parte do presidente, que ainda não se adaptou muito às práticas democráticas de governar para todos, dialogar com todos e respeitar a todos.

Bolsonaro realmente ainda não pegou esse jeito, mas está melhorando. Na campanha e na transição, comportou-se como um troglodita. Incentivado pelos filhos, anunciou a mudança da embaixada para Jerusalém, causando reação negativa no mundo árabe, e depois agravou o quadro, ao dizer que iria derrubar a Embaixada da Palestina, porque está se instalando próximo ao Palácio da Alvorada. No embalo, anunciou até uma base militar dos EUA em território brasileiro, vejam a que ponto chegamos.

O pior é que, entre os ministros civis, há algumas figuras sem a devida qualificação, que deveriam “voltar às origens”, como diz o próprio Bolsonaro. E isso vai acontecer logo, a começar pela próxima saída do ministro Marcelo Álvaro Antonio, que cultivou um laranjal no PSL de  Minas.

SABER RECUAR – Mas nem tudo são problemas. Antes mesmo de assumir, Bolsonaro demonstrou uma tremenda qualidade – é um homem que sabe recuar, quando seus “consiglieri” lhe chamam atenção para o erro. Foi assim com as duas embaixadas e com a base americana, que já caíram no esquecimento.

Mas os três filhos não gostaram nada disso. Pensaram que poderiam agir como príncipes-regentes, em plena República, embora “isso non eczista”, como diria padre Quevedo. Até um “olheiro” foi colocado no Planalto – o primo Léo Índio, que nem chegou a ser nomeado, mas logo ganhou um crachá amarelo de livre-acesso ao palácio, igual aos filhos 01 (Flávio), 02 (Carlos) e 03 (Eduardo).

Mas agora a festa acabou. Flávio já estava afastado desde que se evidenciaram suas ligações perigosas com assessores e milicianos. Depois do affaire Bebianno, Carlos ganhou passagem de volta para Rio de Janeiro e se tornou carta fora do baralho. E o filho caçula Eduardo, que chegou a acompanhar o pai na viagem a Davos, também terá de se recolher a sua insignificância.

###
P.S. 1 –
O homem-forte do Planalto hoje é o general Augusto Heleno, que se tornou o principal “consigliere” presidencial. Uma espécie de general Golbery do Coutto e Silva em nova versão, mais acessível à imprensa e menos ardiloso.

P.S. 2 – Com essa mudança no mapa do poder, o governo não somente está de fato começando, como também pode até pegar embalo, se os militares conseguirem neutralizar Paulo Guedes, que sonha em entregar as chaves de Brasília para o pessoal de Wall Street. Aliás, se era para ter um banqueiro mandando na economia, teria sido melhor eleger logo o João Amoêdo, que foi vice-presidente do Unibanco. (C.N.)

Bolsonaro e os filhos nunca foram santos, mas eram a alternativa no segundo turno

Resultado de imagem para bolsonaro charges

Charge do Thoamte (Arquivo Google)

Carlos Newton

No primeiro turno da eleição, havia candidatos melhores do que Jair Bolsonaro, não há dúvida, mas a implacável triagem das à vitória do candidato do PSL, porque a maioria silenciosa já não tolerava mais as trapaças de Lula e de sua quadrilha de sindicalistas, que transformou o Brasil no paraíso dos pelegos, com quase 17 mil entidades, porque abrir sindicatos virou um grande negócio, graças aos bilhões retirados do bolso do trabalhador pelo imposto sindical obrigatório. Segundo levantamento do senador Álvaro Dias (Podemos-PR), nos Estados Unidos há apenas 191 sindicatos, o Reino Unido tem 168 sindicatos e a Argentina apenas 91. Ou seja, o Brasil tem 91% dos sindicatos do mundo, acredite se quiser.

Não era mais possível manter no poder esses exploradores dos recursos públicos, que diziam representa a classe trabalhadora, mas na verdade defendia os interesses dos banqueiros.

HAVIA OPÇÕES – Na eleição de 2018, realmente havia opções de todos os tipos, a começar por um representante dos sem-teto e sem-terra, o Guilherme Boulos, que foi acolhido pelo PSOL. Para compensar, surgiu até a candidatura de um banqueiro, ex-vice-presidente do Unibanco, chamado João Amoêdo, que criou um partido chamado Novo, embora o domínio do Brasil pelos banqueiros seja mais antigo do que a própria República.

A vitória de Amoêdo seria entregar o país de forma absoluta aos banqueiros, sem armações camufladas, tipo o Banco Central remunerar as sobras de caixa dos bancos, conforme a denúncia da auditora Maria Lucia Fattorelli, uma brasileira de verdade, cujos artigos a respeito publicamos aqui na TI quinta e sexta-feira, com forte repercussão.

Mas no mano a mano final entre Jair Bolsonaro, candidato pelo então nanico PSL, dominado por um político e cartola de futebol com passado duvidoso chamado Luciano Bivar, e Fernando Haddad, que nada mais era do que um poste de Lula, a melhor alternativa era mesmo experimentar um novo governo militar via eleição.

UMA DECEPÇÃO – Para os que não são fanáticos e acompanham a política com isenção, o governo Bolsonaro impressiona pela bipolaridade. De um lado, tem ministros de excelente desempenho, como Sérgio Moro (Justiça), Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete Institucional). E de outro lado, figuras controversas e suspeitas como Paulo Guedes (Economia), que vende o peixe de que a reforma da Previdência resolverá todos os problemas do país, comportando-se como se a dívida pública nem existisse, embora o país já esteja pagando uma média de R$ 2,9 bilhões por dia, com gasto total de R$ 1,07 trilhão em 2018.

Além do farsante Guedes, que defende os interesses dos banqueiros, categoria profissional que consta de seu currículo, e em nenhum momento representa os interesses do povo brasileiro, temos outros ministros inconfiáveis, como Marcelo Álvaro Antonio, do Turismo, cujo nome verdadeiro nem é este; Damares Alves, que é uma Dilma em versão evangélica; Vélez Rodrigues, que ofendeu a honra dos brasileiros; e Ricardo Salles, ecologista que defende o desmatamento.

HÁ ESPERANÇA – Apesar dos filhos trapalhões, já apelidados de “Os Três Patéticos” e desses ministros visivelmente incapazes, ainda há esperança de que Bolsonaro faça um bom governo, porque o núcleo duro está cada vez mais fortalecido. Nem mesmo durante o regime ditatorial houve tantos militares no primeiro escalão do governo, é recorde absoluto.

Neste início de governo, porém, os militares estão mais preocupados com seus problemas corporativos e pessoais do que com os interesses da nação. Já conseguiram escapar da reforma da Previdência, mas espera-se que ajudem a podar os exageros do projeto de Guedes, que é um pacote de maldades, não acabou com a “pejotização” dos salários elevados nem fez restrições ao uso do MEI (Microempreendedor Individual), que está acabando com a carteira assinada e sonegando recursos da Previdência, como ocorre com as falsas pessoas jurídicas, que sonegam impostos legalmente e propiciam que as empresas empregadoras também o façam.

###
P.S.
O problema é que a Oposição é muito fraca. Precisa de um líder competente, que saiba apontar os erros e acertos da reforma da Previdência, usando os estudos já realizados pela equipe da Auditoria Cidadão, coordenada pela especialista Maria Lúcia Fattorelli. (C.N.)

Bolsonaro abriu um fosso entre ele e os militares, ao mentir sobre Bebianno

Resultado de imagem para bernard shaw frasesCarlos Newton

A política brasileira é muito movimentada e surpreendente, porque aqui acontecem coisas que jamais ocorrem em outros países democráticos, embora possam até ser usuais em ditaduras de baixo nível. Por exemplo, o filho de um presidente chamar de mentiroso um ministro que trabalha diretamente com o pai, fazendo um escândalo nas redes sociais, e em seguida o chefe de governo confirmar o tuíte, deixando completamente manchada a imagem do importante auxiliar, que tinha sido coordenador nacional da campanha eleitoral e até então privava de sua intimidade. Sem a menor dúvida, é algo espantoso e inadmissível.

Mesmo que o tal ministro tivesse realmente mentido, nada justifica essa reação violenta e autoritária, que demonstra uma total falta de equilíbrio de pai e filho, um comportamento que nem Freud explicaria, com ajuda de Jung, Lacan, Pavlov, Piaget e Fromm.

LEMBRANDO SHAW – Em meados do Século XX, o grande jornalista, escritor e dramaturgo irlandês Bernard Shaw deu um depoimento para a TV britânica, na época em que não havia vídeo-tape e as entrevistas eram ao vivo ou filmadas, em que fez uma análise premonitória do significado do microfone e das gravações.

Disse Shaw que as gravações estavam destinadas a deixar muitos políticos em má situação, porque, caso mentissem, cedo ou tarde poderiam ser desmascarados, prejudicando suas imagens junto aos eleitores.

Lembrei do grande pensador britânico em 1974, quando Nixon renunciou à Presidência dos Estados Unidos. Na campanha de 1972, quando derrotou o senador George McGovern, cinco arapongas foram presos quando tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta na sede do Partido Democrata, no edifício Watergate. Na época, Nixon afirmou que não sabia de nada. Dois anos depois, quando surgiram as gravações mostrando que ele sabia de tudo, a Suprema Corte o obrigou a exibir os áudios, e ele renunciou.

PEGA NA MENTIRA – Para qualquer político, mentir é sempre arriscado. No caso de Bolsonaro, ele foi apanhado na mentira, sem a menor dúvida. Mas seu caso não tem a gravidade de Watergate, nada lhe acontecerá, continuará a governar normalmente.

Mas seu relacionamento com os oito ministros militares e os três comandantes das Forças Armadas jamais será o mesmo. A formação castrense é rigorosíssima em relação ao ato de mentir. O Regulamento Disciplinar do Exército, por exemplo, traz em seu Anexo I a relação de transgressões disciplinares a que estão sujeitos os membros dessa Força. E a primeira transgressão é justamente faltar à verdade:

ANEXO I – RELAÇÃO DE TRANSGRESSÕES
1.
Faltar à verdade ou omitir deliberadamente informações que possam conduzir à apuração de uma transgressão disciplinar.”

###
P.S.
Portanto, ao mentir deliberadamente sobre o então ministro Bebianno, dizendo que não conversara com ele na terça-feira, dia 12, o presidente Bolsonaro cavou um fosso intransponível entre ele e a classe militar. Nenhum dos oito ministros da reserva e dos três comandantes das Forças Armadas jamais confiará nele como antes. (C.N.)

Carlos Bolsonaro, irresponsavelmente, causou uma crise que jamais teria acontecido

Resultado de imagem para caRLOS BOLSONARO CHARGES

Carlos Bolsonaro convenceu o pai de que Bebiano tinha mentido

Carlos Newton

Não foi sem motivos que o presidente Jair Bolsonaro ofereceu ao então ministro Gustavo Bebianno a diretoria de Itaipu e as embaixadas em Roma ou Lisboa, a escolher. Passada a raiva e depois de ouvir as ponderações dos ministros do Planalto, Bolsonaro caiu em si e tentou uma solução negociada, mas era tarde demais. A imagem do secretário-geral da Presidência já tinha sido inteiramente destruída, ao ser chamado de “mentiroso” pelo filho Carlos e pelo próprio Bolsonaro. É o tipo de acusação indelével, que não se remove com palavras nem com cargos de destaque. É preciso pedir desculpas.

A repercussão foi enorme, é claro, não se passaram dois meses e de repente já surgia uma crise grave. Era esperado que Gustavo Bebianno reagisse e apresentasse as provas de que dispunha e que foram mostradas sigilosamente aos ministros da casa, na última sexta-feira, para comprovar que ele não era mentiroso e realmente tinha falado por três vezes com Bolsonaro na terça-feira dia 12.

AS GRAVAÇÕES – Embora os fanáticos por Bolsonaro (que podem ser igualados aos fanáticos por Lula) insistam em distorcer as informações e em seguir acusando Bebianno e defendendo o presidente, as gravações não mentem. Podem ser reviradas de cima para baixo, ouvidas mil vezes, porém jamais serão modificadas. Não é questão de ponto de vista, mas de perícia técnica – o que está escrito no WahtsApp está valendo e as conversas que foram gravadas, também.

O fato concreto e incontestável é que os áudios divulgados pela revista Veja nesta terça-feira (19) desmentem completamente a versão de Bolsonaro sobre a conversa com Bebianno —segundo o presidente, eles não tinham se falado.

Ficou provado que os dois conversaram pelo aplicativo de mensagens WhatsApp três vezes na terça-feira, dia 12 de fevereiro, antes da alta médica do presidente. Além disso, Bebianno comprovou que o esquema de candidaturas laranjas do PSL tinha sido tratado com o presidente naquela ocasião.

Charge O Tempo 20/02/2019

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

MUITAS VERSÕES – Agora, as teorias conspiratórias estão criando múltiplas versões para justificar a demissão de Bebianno, por desconhecido motivo de “foro íntimo”. Pelo teor das conversas, no entanto, percebe-se que havia um certo mal-estar, mas nada que justificasse demissão do ministro.

Portanto, se Carlos Bolsonaro não tivesse surgido com a explosiva denúncia de que o pai não falara três vezes com Bebianno naquela terça-feira, e se o presidente tivesse capacidade de entender que troca de mensagens no WhatsApp é uma forma de conversar, esta crise nem teria acontecido. Estariam em curso as investigações pedidas pelo presidente à Polícia Federal, e vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha.

###
P.S. 1
Na dualidade da vida, tudo o que é negativo pode ser tornar positivo. Se a demissão de Bebianno servir para eliminar de vez a influência dos filhos sobre Bolsonaro, a pátria estará salva, caso o presidente aceite as orientações dos ministros do Planalto e faça um governo que defenda os interesses nacionais.

P.S. 2 – Para tanto, porém, terá de se livrar do ministro Paulo Guedes, que está claramente defendendo os interesses dos banqueiros. Leiam amanhã o artigo da auditora Maria Lúcia Fattorelli sobre a maneira que o Banco Central arranjou para engordar os lucros dos bancos, e depois a gente conversa   seja pessoalmente, por telefone ou por WhatsApp… (C.N.)

Bolsonaro é uma decepção, mas ainda restam Moro e os ministros militares

Resultado de imagem para bolsonaro charges

Charge do Jaguar (Arquivo Google)

Carlos Newton

​Ainda não se passaram dois meses e a decepção é enorme. Excluindo-se os fanáticos por Bolsonaro, que podem se igualar aos fanáticos por Lula, cujas opiniões (de ambos os lados) nem devem ser levadas em consideração, muitos eleitores do candidato do PSL já começam a ficar desiludidos. E não faltam motivos.

MINISTRO SUSPEITO – O ministro da Economia, por exemplo, é altamente suspeito. Ligado aos banqueiros, jamais dá uma só palavra sobre a dívida pública, que é o maior desafio brasileiro, e se comporta como se a reforma da Previdência fosse resolver milagrosamente todos os problemas do país.

Melhor faria o economista Paulo Guedes se comparecesse ao Ministério Público Federal e prestasse depoimento sobre o prejuízo que causou a vários fundos de pensão. Se é inocente, porque se recusou a prestar depoimento e agora se esconde sob o manto do foro privilegiado?

TORTURADOR – Como diria Ary Barroso, o ministro Guedes está levando o país por “caminhos tristonhos”. Deveria mandar fazer auditorias sobre a Previdência e a dívida pública, deixar as coisas bem claras, mas ele segue à risca a definição de que “a estatística é a arte de torturar os números até que confessem os resultados que são desejados”.

Para demonstrar a má fé de Guedes, estamos publicando diariamente os demolidores artigos da auditora Maria Lúcia Fattorelli, considerada uma das maiores especialistas mundiais em finanças públicas.

Detalhe importante: seus argumentos sobre a “maquiagem” para criar déficits nas contas da Previdência jamais foram respondidos pelos governos de Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro, que seguiram a mesma trilha de apoio aos interesses dos banqueiros.

FALTA EQUILÍBRIO – Com a divulgação das conversas com Bebianno, deu para perceber que Bolsonaro é inseguro e limitado, segue a orientação dos filhos e acredita em conspirações. Mandou proibir que os ministros entrem com celulares nas reuniões do primeiro escalão, embora permita que o filho Carlos e o sobrinho Léo Índio assistam a essas reuniões de celulares em punho, conforme foto publicada em O Globo.

Com ministros desqualificados na Economia, Educação, Relações Exteriores, Meio Ambiente, Turismo e Direitos Humanos, o que segura o governo é a ala militar, mas acontece que nenhum dos generais defende a realização das auditorias nem tenta evitar o desmonte da Previdência. Eles somente se preocupam com os interesses corporativos dos militares, esquecidos da mensagem de Francisco Barroso, alertando que o Brasil espera que cada um cumpra seu dever.

###
P.S. 1 –
Outro grande avalista de Bolsonaro é o ministro Sérgio Moro, que tem apresentado uma atuação impecável, mas não opina sobre o governo em geral, que está cheio de furos.

P.S. 2Em tradução simultânea, ou os militares despertam e começam a exigir que Bolsonaro defenda os interesses nacionais, ou a Previdência Social será destruída, para alegria dos banqueiros, e a dívida pública chegará a um ponto que inviabilizará qualquer governo.

P.S. 3Além disso, é claro, os ministros precisam impedir que os filhos de Bolsonaro, já apelidados de “Os Três Patéticos”, continuem a influenciar o governo. Eles se comportam como “príncipes-regentes”, mas o Brasil já faz tempo que se tornou uma república. (C.N.)

Com a demissão injusta, Bolsonaro conseguiu disseminar a insegurança no Planalto

Resultado de imagem para ortega e gasset frasesCarlos Newton

Em seu delírio de grandeza, os integrantes da família Bolsonaro julgam que se elegeram sozinhos, em nenhum momento percebem que na política o importante são as circunstâncias, como ensinava o genial pensador espanhol Ortega y Gasset. Na verdade, Bolsonaro foi eleito porque a maioria silenciosa brasileira se sentiu traída e passou a odiar o PT. Foi um voto por exclusão, altamente fortalecido pelo apoio de importantes chefes militares, como os generais Augusto Heleno, Hamilton Mourão e Villas Bôas, que hoje estão juntos no Planalto.

Muitos eleitores não votaram especificamente em Bolsonaro, apenas manifestaram confiança no aval que foi dado ao candidato do PSL pelos generais.

HAVIA EQUILÍBRIO – Achava-se que o Brasil estava mesmo precisando de um governo forte e duro, para agir com rigor. E sabia-se que desta vez não haveria os excessos lamentáveis do golpe de 1964, com torturas e assassinatos dentro de instalações militares. Seria um governo militar democrático, algo jamais experimentado no Brasil.

Na transição e no início do governo, havia um certo equilíbrio, com Bolsonaro exibindo posturas altamente reprováveis e autoritárias, como submissão aos EUA, repúdio à China, apoio a Israel, desprezo à Palestina e tudo o mais, enquanto os generais do Planalto davam aulas de democracia, especialmente o vice Hamilton Mourão, que recebeu cordialmente o embaixador da Palestina, o presidente da CUT e o único governador brasileiro comunista, algo impensável na agenda radical de Bolsonaro.

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO – Bolsonaro e seus filhos são politicamente primários. Inseguros, enxergam em tudo armações conspiratórias, a ponto de colocarem um “olheiro” dentro do Palácio do Planalto, conhecido como “Léo Índio”, sobrinho de Bolsonaro, para controlar a agenda dos ministros e do vice-presidente, vejam a que ponto chegamos.

O inimigo número um, antes do ministro Gustavo Bebianno, era o vice Mourão, que é uma grata revelação. Quando se esperava um militar truculento e ditatorial, que defendia torturadores e intervenção armada, de repente viu-se surgir uma liderança democrática e madura, um homem de coração aberto, cujo único erro, até agora, foi ter promovido o filho no Banco do Brasil.

Vítima de insinuações sinistras de Carlos Bolsonaro, Mourão foi escanteado e proibido de permanecer na Presidência durante a recuperação de Bolsonaro. Ficou no Planalto apenas por 48 horas, depois Bolsonaro fingiu reassumir, numa das encenações mais patéticas da história republicana.

AGORA, BEBIANNO – Mourão não passou recibo, comportou-se como se não estivesse sendo descartado. E na semana passada surgiu a desmotivada perseguição ao ministro Bebianno, que surpreendeu e assustou os demais integrantes do núcleo duro do Planalto (Augusto Heleno, Onyx Lorenzoni, Santos Cruz e Hamilton Mourão).

Todos eles pediram a Bolsonaro que não demitisse o ministro, pois não havia motivo, mas o presidente ficou inflexível e se baseou em quatro versões furadas para denegrir a honra de seu ex-amigo Bebianno, que coordenou a campanha presidencial.

Com isso, Bolsonaro semeou insegurança no Planalto e cavou uma vala entre ele e os ministros do núcleo duro. Ninguém tem mais confiança em nada e ninguém sabe o que vai acontecer, a não ser que Bolsonaro tenha um ataque de bom senso, casse o crachá amarelo do “olheiro” de seus filhos e passe a governar democraticamente.

###
P.S.
Conversando no domingo com um grande amigo paulista, ele me perguntou se Bolsonaro não teria algum problema de desequilíbrio emocional. “Ele pode ser bipolar”, argumentou. E eu então expliquei que, a meu ver, o problema é justamente o contrário – Bolsonaro é unipolar, só enxerga de um lado. Por isso, jamais poderá ser considerado democrata. (C.N.)

Bebianno sai do governo de cabeça erguida e Bolsonaro não sabe explicar a demissão

Imagem relacionada

Bolsonaro permite que os filhos tenham até “olheiro” no Planalto

Carlos Newton

A deputada Janaina Paschoal (PSL-SP) está correta, ao indagar nas redes sociais qual a razão de o ministro Gustavo Bebiano estar sendo demitido? Ninguém sabe, até porque o presidente da República não se preocupou em dar à opinião pública uma explicação minimamente aceitável. O Planalto e a família Bolsonaro liberaram quatro versões diferentes, mas nenhuma delas se sustenta em fatos reais. Todas as tentativas de justificar a exoneração foram destruídas pelo chamado Princípio da Razoabilidade – a denominação que os juristas dão à lógica e ao bom senso.

Durante a campanha, da qual foi coordenador nacional, Bebianno era muito ligado aos filhos de Bolsonaro. Depois da posse, ele foi uma das vozes que defenderam que os filhos do presidente se afastassem dos assuntos do governo, e foi assim que seus problemas começaram.

OLHEIRO NO PLANALTO – Como secretário-geral da Presidência, cabia a Bebiano a responsabilidade pelo Planalto e ele era contra a presença de Léo Índio no palácio. Mesmo sem ter função no governo, o sobrinho de Bolsonaro tem crachá amarelo e circula livremente no terceiro e no quarto andar, onde funcionam a Presidência, a Casa Civil, a Secretaria-Geral e a Secretaria de Governo. Há restrições à entrada nesses andares, mas Léo Índio circula à vontade e até confere as agendas dos ministros.

Foi Léo Índio quem avisou a Carlos Bolsonaro que Bebianno iria receber o vice-presidente institucional da Rede Globo, que pedira audiência. A família Bolsonaro encarou isso como traição, embora não passasse de uma atribuição normal do ministro, que à contragosto teve de cancelar a reunião.

Depois, na terça-feira (12), o olheiro Léo Índio viu na agenda de Bebianno que ele iria ao Pará, para lançar o pacote de obras na Amazônia, e levaria jornalistas na equipe, junto com os ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Direitos Humanos). Furioso, Bolsonaro mandou cancelar a viagem e decidiu demitir o ministro, a pedido dos filhos, que estavam loucos para se livrar dele e queriam aproveitar as denúncias sobre candidatas laranjas no PSL, embora Bebianno não fosse responsável por isso.

PRIMEIRA VERSÃO – No dia seguinte, quarta-feira (13) Carlos Bolsonaro desmentiu o ministro, que dissera ter conversado com o presidente sobre a crise do PSL, e começou a confusão. Bolsonaro apoiou o filho e convocou a reportagem da  TV Record, para dar a primeira versão, dizendo ter mandado a Polícia federal investigar o PSL, e adirmou que, se Bebianno fosse culpado, deveria “voltar às origens”.

Em sua ingenuidade, Bolsonaro e os filhos pensaram que Bebianno ia pedir demissão, mas isso não aconteceu. E os ministros militares do Planalto, junto com o vice Mourão e Onyx Lorenzoni, manifestaram-se a favor de Bebianno.

OUTRAS VERSÕES – Surgiram então as outras versões, vazadas pela família Bolsonaro. Uma delas alegava que o presidente ficara aborrecido porque Bebianno teria convidado a equipe de jornalistas a ir à Amazônia com ele. Mas essa justificativa era tão fraca que foi logo abandonada.

Foi também exibida a versão de que a causa seria a audiência que Bebianno aceitara dar ao vice-presidente de Relações Institucionais do grupo Globo, mas essa justificativa também foi sepultada, porque se trata de função inerente ao cargo do ministro, não havia irregularidade alguma.

A ÚLTIMA VERSÃO – Surgiu, então, a última versão, dando conta de que o chefe da Secretaria-Geral quebrara a relação de confiança com Bolsonaro “ao vazar áudios de diálogos entre os dois”.

Mas a versão era falsa. Bebianno não vazou nada a nenhum veículo de comunicação. Apenas mostrou as gravações a outros ministros, para provar que não havia mentido e realmente tinha conversado com o presidente pelo WahtsApp, na terça-feira.

Neste sábado, como não havia mais justificativa para atacar Bebianno, o filho Eduardo Bolsonaro entrou nas redes sociais para dizer que o ministro é “corrupto” e foi culpado pela “candidaturas laranjas”. Além disso, chamou de “jumento e “idiota” quem faz críticas a seu irmão Carlos, vejam a que ponto chegamos.

###
P.S. 1Eduardo  deu o fecho no festival de mentiras da família Bolsonaro e isso pegou muito mal no PSL  pois todos sabem que Bebianno não se envolveu em corrupção nem patrocinou candidaturas fantasmas, a responsabilidade era dos diretórios estaduais.

P.S. 2Como se constata, a falta de caráter é mal de família. E Bebiano definiu bem a questão, ao dizer que o capitão, para salvar a pele do filho, “deu um tiro na nuca do soldado que lhe era leal”. (C.N.)

Bendl resiste bem, mas a família pede que os amigos parem de telefonar

Carlos Newton

Um dos filhos de Francisco Bendl, chamado Alexandre, que é médico, enviou à Tribuna da Internet uma mensagem dizendo que o pai, que estava praticamente em estado terminal, teve uma súbita melhora, mas continua na UTI. A família vai nos manter informados, mas pede que as pessoas parem de telefonar. O número de amigos de Bendl é tão grande que o telefone não para de tocar.

Eu era um dos que telefonava diariamente, e vou atender ao pedido do Dr. Alexandre. Vamos continuar torcendo, rezando e orando pelo amigo, sem incomodar a família.

O mundo abandona a África à própria sorte, como se vê no riquíssimo Congo  

Imagem relacionada

Congo é um país rico, com a menor renda per capita do mundo

Carlos Newton

A ciência avança, a tecnologia se renova, mas a desigualdade entre as nações continua a ser abominável e desumana. As Nações Unidas simulam intervir e até enviam tropas, mas nada muda no continente mais abandonado do mundo – a África. E um dos exemplos é o Congo, segundo maior país africano em extensão e que deveria ser hoje uma das nações mais ricas do mundo, mas esse sonho jamais se realizará.

Como se sabe, foi na Conferência de Berlim (1884 e 1885) que a África foi dividida entre os países europeus, que então comandavam o mundo, capitaneados pelo Império Britânico, onde o sol jamais se punha. E o Congo se tornou colônia da Bélgica, que escravizou o povo para explorar as riquezas do país: pedras preciosas, ouro, café, borracha e o marfim obtido com a mortandade de milhares de elefantes.

MILÍCIA REAL – Para obrigar o povo a trabalhar, o rei belga Leopoldo II criou uma “milícia particular” que implantou o terror no chamado Estado Livre do Congo. Os escravos que tentam fugir eram mutilados. Na época, o rei belga se interessou em conquistar o Brasil e mandou seu sobrinho Luiz Augusto casar com a Princesa Isabel, herdeira do trono. Mas ele não conseguiu realizar o plano do seu tio e acabou casando com a Princesa Leopoldina, filha do Imperador D. Pedro II.

A independência do chamado Congo Belga, em 1960, com o primeiro-ministro Patrice Lumumba, pouco significou. Lumumba foi sequestrado e morto. Sucederam-se golpes de estado, até Mobutu Desiré tomar o poder em 1965 e ficar por 32 anos. Com apoio dos Estados Unidos e países europeus, Etienne Tshisekedi foi nomeado como primeiro-ministro, mas recusou-se a prestar juramento a Mobutu.

Em 1993, o Alto Conselho da República ordenou o desligamento de Mobutu dos negócios e apoiou instalação de um regime de transição formado pela aliança oposicionista liderada por Tshisekedi. Em junho de 1995, o período de transição foi prolongado por dois anos. Eleições gerais, previstas para o mês seguinte, não se realizaram. E os caos político prossegue até hoje.

PAÍS RICO – O Congo possui alguns dos melhores depósitos mundiais de cobre e cobalto, além de minerais diversos, incluindo diamante, ouro, ferro e urânio. Após anos de guerras, ditaduras e tumultos, a infraestrutura do país ou está em ruínas ou é inexistente, e as operações de extração estão produzindo apenas uma fração de seu potencial. Se considerarmos o valor de seus recursos naturais, seriam de 24 trilhões de dólares

Hoje, a República Democrática do Congo está entre um dos países com os menores valores de PIB nominal per capita, à frente apenas do Burundi. Segundo o Banco Mundial, o país possui o menor PIB per capita. E vive em permanente guerra civil. Mas quem se interessa?

Anatomia de uma crise que semeia insegurança na Praça dos Três Poderes

Resultado de imagem para bebianno

Gustavo Bebianno estava indo bem, até ser abatido pela Folha

Carlos Newton

A conversa entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Gustavo Bebianno, no início de noite de sexta-feira, foi um exemplo de debate irresponsável entre dois amadores, sem a serenidade e o amadurecimento que devem marcar as decisões políticas de maior significado. O ainda ministro cobrou do presidente o respeito à lealdade que sempre marcou o relacionamento entre os dois, e o chefe do governo culpou o auxiliar por não ter evitado as irregularidades cometidas por diretórios do PSL na gestão financeira da eleição, descobertas pela Folha de S. Paulo e que serão inevitavelmente confirmadas pela Polícia Federal, a pedido do próprio presidente.

Nenhum dos dois tinha razão. Como presidente do PSL, Bebianno não cometeu ilegalidades, jamais será punido pela Justiça, mas a Folha forçou a barra e incriminou o ministro preliminarmente, sem um exame maior da situação. Para evitar que a crise aumentasse, Bebianno não fez carga contra os responsáveis pelas irregularidades – o ministro Marcelo Álvaro, do Turismo, e o deputado Antonio Bivar, presidente e “dono” do PSL.

RECORDANDO – Ao se lançar candidato, Bolsonaro foi recusado por seu partido, o PSC, e ficou procurando legenda. Assumiu um compromisso de se filiar ao PEN, que até mudou de nome para homenageá-lo, transformando-se no Patriota. Mas houve problemas, os dirigentes não aceitavam que Bolsonaro mandasse no partido.

O advogado Gustavo Bebianno, que defendia Bolsonaro em algumas causas, surgiu com a solução, oferecendo o PSL na chamada undécima hora. Como o próprio Bebianno presidia o partido, durante a licença do “dono” Luciano Bivar, Bolsonaro topou e os dois foram em frente, depois atraindo a legenda de Hamilton Mourão, o PRTB, para compor a chapa.

A crise atual não começou agora, é fruta da imaturidade de Bolsonaro, que comprou uma briga desnecessária com os veículos de comunicação que não o apoiaram, como Folha, Globo e Veja, mas logo se acomodariam à nova situação, como sempre tem acontecido.

A FOLHA REAGIU – Como Bolsonaro e os filhos seguiram com provocações, a Folha fez um excelente trabalho investigativo e mostrou as irregularidades do PSL, que passaram despercebidas pela Justiça Eleitoral. Primeiro, denunciou o ministro Marcelo Álvaro com acusações irrespondíveis. Depois, alvejou o ministro Bebianno, por ter assinado o repasse das verbas eleitorais, e também incriminou o deputado Luciano Bivar, que agora está sob investigação da Procuradoria Eleitoral, por uso de caixa dois.

Há dois dias a própria Folha diminuiu o tom, reconheceu que outros partidos estão na mesma situação do PSL e relacionou 13 deles. Ou seja, a poeira dessa crise já estava baixando, seria uma ameaça futura. Mas o irrequieto Carlos Bolsonaro decidiu intervir em assunto que não cabia, pois nem é filiado ao PSL, até hoje continua no PSC. E agora a crise é enorme e gerou insegurança na Praça dos Três Poderes.

###
P.S.Em tradução simultânea, ou Bolsonaro se livra desses filhos trapalhões, ou a vaca ameaça voltar para o brejo. Apenas isso(C.N.)

É hora de decidir: ou Bolsonaro se livra dos filhos ou não conseguirá governar

Resultado de imagem para bolsonaro sozinho

Bolsonaro precisa entender que governar significa estar sozinho

Carlos Newton

Há muitos assuntos importantes em pauta, como a briga entre os militares e a Igreja, a reforma da Previdência, o acobertamento da importância da dívida pública, a falência de estados e municípios, mas a prioridade deve ser a crise interna do governo. Como dizia Gonzaguinha, não dá mais para segurar. Ou Bolsonaro se livra da influência dos três filhos e passa a ouvir o núcleo duro do Planalto (vice Hamilton Mourão e ministros Augusto Heleno, Santos Cruz e Onyx Lorenzoni) ou não conseguirá governar e levará este país a uma encruzilhada sinistra.

Nenhum governante pode colocar sua família no poder. Não existe isso, jamais se viu isso, não se pode admitir isso. Nem mesmo os imperadores devem correr esse risco, é preferível que sejam aconselhados por assessores externos, basta ver o que está acontecendo na Arábia Saudita.

INSEGURANÇA – A eleição de Bolsonaro ocorreu num clima de união e esperança, mas o próprio presidente estava colocando tudo a perder. Sua opção preferencial pelos filhos era um equívoco grotesco, uma jogada arriscadíssima, porque estava semeando a insegurança institucional, como acertadamente Rodrigo Maia advertiu, ao criticar esse “governo familiar”.

A fritura do ministro Gustavo Bebianno, para atender aos interesses do filho preferido, foi um erro grotesco, bizarro e patético. Como argumentaram o vice Hamilton Mourão e o presidente da Câmara, Bebianno é um excelente quadro, não é nenhum alpinista social. Todos só têm elogios à sua atuação, por isso o núcleo duro do Planalto se uniu em sua defesa.

Bebianno é um advogado de renome, que era associado ao escritório de Sergio Bermudes, um dos mais importantes do país.  Carlos Bolsonaro pensou que poderia demiti-lo com um simples faniquito, mas não é assim que a banda toca. Os militares apoiaram Bolsonaro, estão tocando o governo dele, mas não aceitam injustiças.

BEBIANNO NÃO ERROU – O núcleo duro do Planalto sabe que Bebianno foi coordenado da campanha, dedicou-se por inteiro à eleição de Bolsonaro e assumiu interinamente a presidência do PSL, sem maior envolvimento com o partido. 

Havia verbas disponíveis do Fundo Eleitoral que foram requisitadas pelos diretórios de Minas Gerais e Pernambuco. No caso, Bebianno apenas assinou a liberação, não conhecia nem jamais tinha ouvido falar nos candidatos beneficiados nem tinha o menor controle sobre a utilização final dos recursos, porque isso era responsabilidade dos Diretórios estaduais.

Ouvir o “conselho” do filho e forçar a demissão de Bebianno foi um erro brutal de Bolsonaro, porque Carlos disse ao pai que o ministro tinha mentido, ao afirmar que havia falado com o presidente. Mas Bebianno realmente tinha mandado mensagens a Bolsonaro através do WhatsApp, não era mentira.

###
P.S. 1 –
Ontem à noite, o jornal do SBT revelou que Benianno será demitido segunda-feira. Será mais um erro, mas pode se transformar em acerto, caso o presidente se livre mesmo da perniciosa influência dos filhos e passe a governar consultando apenas os assessores que ele próprio nomeou, porque tem confiança neles.

P.S. 2 – Nessa investigação da Polícia Federal sobre Bebianno quem vai se lascar é o presidente do PSL, Luciano Bivar, que é uma espécie de “dono do partido” e contratou a empresa do próprio filho por R$ 250 mil. O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro, também vai dançar. (C.N.)

Se depender da atuação de seus filhos, o governo de Bolsonaro será um fracasso

Resultado de imagem para bolsonaro charges

Bolsonaro precisa pensar urgentemente em enquadrar a prole

Carlos Newton

Uma coisa é certa – jamais existiu um governante tão atrapalhado pelos filhos quanto Jair Bolsonaro. É uma crise atrás da outra. Os três se comportam como “príncipes-regentes”, sem perceberem que o Brasil é uma república. Os três se julgam no direito de interferir em tudo, de acompanhar com o presidente em viagem oficial (Eduardo, rumo a Davos) ou de entrar com o primo em reunião ministerial (Carlos, no Planalto).

E O MINISTÉRIO? – Bolsonaro foi eleito em meio a uma esperança enorme, mas já mostrou que tem muita dificuldade para conter os filhos, que influíram até na formação do Ministério. Aliás, cá entre nós, esse primeiro escalão é muito esquisito. Parece que os ministros foram escolhidos a dedo para que o governo não dê certo. É a impressão que está passando.

É claro que não se pode exigir que os ministros sejam trocados de uma hora para outra, porque essa inconstância depõe contra o governo. Mas há determinadas situações que estão chegando ao ponto de ruptura, como se dizia antigamente.

MORO, A EXCEÇÃO – O grande destaque do governo, até agora, é o ministro Sérgio Moro. Discreto, preparado, pró-ativo e seguro, ele já apresentou a primeira parte de seu plano contra a criminalidade. Em breve, virá o complemento. É claro que haverá resistência no Congresso Nacional, onde ainda há abundância de políticos corruptos.

A transformação do caixa 2 eleitoral em crime, como pretende o ministro Moro, não será aceita pacificamente, é claro. Mas o importante é que o ministro está fazendo a parte que lhe cabe nesse latifúndio legislativo.

Mas há outros ministros que deixam a desejar, como Paulo Guedes, chefe da equipe econômica, que há três meses está fugindo da Polícia Federal, para não depor sobre os vultosos prejuízos em investimentos que fez para fundos de pensão, aplicando os recursos em uma empresa presidida por ele mesmo, jogada tipo “batom na cueca”, como se diz na gíria policial.

OUTROS MINISTROS – Tem uma ministra, a já famosa Damares Alves, que conversou com Jesus na goiabeira, quando era menina e estava em sérios apuros. Ninguém sabe com que credenciais foi parar no primeiro escalão da República.

Na mesma situação está o chanceler Ernesto Araújo, indicado pelos três filhos e  que fez discurso de posse com trechos em grego e tupi-guarani, para bancar ser moderninho, mas todos já perceberam que se trata de um diplomata nada diplomático, digamos assim, que foi esvaziado e não manda mais nada no Itamaraty.

Há um ministro tão ignorante, chamado Ricardo Salles, que não sabe quem foi Chico Mendes e pensa que o líder ambientalista era grileiro de terras públicas, uma denúncia totalmente insana. E apareceu um membro do primeiro escalão, Salim Mattar, para elogiar a Vale e defender a empresa na tragédia de Brumadinho, vejam a que ponto chegamos.

CASO BEBIANNO – Existe também um ministro, chamado “Marcelo Álvaro Antônio” (cujo nome verdadeiro é Marcelo Henrique Teixeira Dias), envolvido com candidaturas-laranjas em Minas Gerais. Nesse mesmo esquema, complicou-se  outro ministro, Gustavo Bebianno, que era presidente do PSL, liberou recursos a pedido do Diretório pernambucano e agora está sendo crucificado por Bolsonaro pai e filho.

Bebianno diz que não fez nada de errado e não mentiu, porque se comunicou com Bolsonaro em mensagens no WhatsApp. Por isso, não pediu demissão e conta com a solidariedade do núcleo duro do Planalto, que já não aguenta mais as trapalhadas dos filhos de Bolsonaro, apelidados de os “Três Patetas”.

Aliás, com os filhos interferindo no governo, Bolsonaro nem precisa de inimigos.

###
P.S 1
Já ia esquecendo. Outro destaque positivo do ministério é o general Santos Cruz, da Secretaria de Governo, realmente uma revelação. Aliás, os ministros militares são eficientes e preparados. Estamos aguardando o desempenho do almirante Bento Costa Lima Leite no ministério de Minas e Energia, um setor estratégico e que necessita ser tocado com espírito nacionalista.

P.S. 2 – Ia escrever hoje sobre a briga entre governo e a Igreja, mas fica para amanhã. O motivo do desentendimento é muito mais grave do que se pensa. (C.N.)

Médico de Bolsonaro exagerou muito ao afirmar que ele já está “perfeito”

Resultado de imagem para bolsonaro chega a brasilia apos recebe alta

Bolsonaro vai seguir o tratamento até se recuperar plenamente

Carlos Newton

O exímio médico Luiz Antonio Macedo, um dos melhores do mundo em cirurgia de abdome, foi surpreendentemente exagerado nesta terça-feira, ao afirmar ao Estadão que Bolsonaro já estava “perfeito” e poderia receber alta na quarta-feira, conforme aconteceu ontem. Esse tipo de declaração devia ser evitado, porque o presidente é impulsivo, fica achando que já está curado e se arrisca a ultrapassar a linha divisória do gramado, como dizem os locutores esportivos.

É preciso que Bolsonaro continue o tratamento em casa, poupando-se ao máximo das atribuições presidenciais, porque somente dentro de alguns meses é que poderá ser declarada sua cura definitiva.

EXISTE RISCO – Reportagem de Cláudia Collucci na Folha, publicada nesta quarta-feira, revela que o risco estimado na literatura médica é baixo, menor que 5%, e vai diminuindo com o tempo. Por isso, nas primeiras semanas após a alta é preciso atenção aos sinais infecciosos, como indisposição, febre, tosse e dor abdominal.

O infectologista Artur Timerman, entrevistado pela repórter, revela que o período mais crítico será nos próximos dois meses, tempo que leva para que a flora intestinal nativa se recomponha. “O fato de ter havido uma alteração no trânsito normal do intestino faz com o microbioma já mude bastante e há riscos de novas infecções.”

O especialista considera fundamental uma dieta equilibrada, com fibra e bastante hidratação, para que o intestino funcione todos os dias. “Um trânsito mais lento pode expô-lo a risco de infecções.”

DIETA ESPECIAL – Também entrevistado por Cláudia Collucci, o médico Carlos Sobrado, professor de Coloprotoctologia da Faculdade de Medicina da USP, diz ser importante uma dieta antifermentativa (sem frituras, alimentos gordurosos, refrigerantes e bebidas alcoólicas) e fracionada, para não distender muito o abdome e retardar o esvaziamento gástrico.

Diz o especialista que outro cuidado adicional são com os cortes abdominais da cirurgia em si e do local onde estava implantada a bolsa de colostomia. “No local da bolsa, pode sobrar uma colonização [de bactérias] da pele e voltar a infectar”, diz Sobrado. Também há riscos (menos de 5%) de novas aderências (de uma alça ou tecido grudar no outro), que são inerentes à cirurgia de intestino.

O médico Diego Adão Fanti Silva, cirurgião do aparelho digestivo da Unifesp, diz que as aderência podem acontecer a qualquer momento e não existe medida preventiva. “Quando acontecem, mais de 80% podem ser resolvidas sem necessidade de cirurgia. O paciente precisa ficar atento se apresentar náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes.”

SEM FAZER ESFORÇOS – Bolsonaro deve evitar grandes esforços, como carregar peso ou fazer musculação. Mas precisa fazer exercícios leves para fortalecer a musculatura sem aumentar muito a pressão do abdome, recomenda o cirurgião Fanti Silva, para evitar o surgimento de uma hérnia no local operado. As chances estimadas são de 15% —maiores nos primeiros seis meses e com redução gradativa depois desse período.

A reportagem confirma as informações que temos transmitido aqui na Tribuna, no sentido de que Bolsonaro precisa se poupar, evitar viagens e deslocamentos. Quando o avião aterrissa, por mais hábil que seja o piloto, sempre há um choque do trem de pouso. Além disso, existem as famosas turbulências nas proximidades de Brasília.

###
P.S.Como dizia o Barão de Itararé, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Bolsonaro precisa lembrar que não é mais o “Cavalão” do pentatlo militar. Agora, é o presidente da República e precisa se preservar, para servir ao povo que o escolheu. (C.N.)

Reformar a Previdência sem fazer auditoria é um crime contra os trabalhadores

Resultado de imagem para reforma da previdencia charges

Charge do Gilmar (Arquivo Google)

Carlos Newton

A cada dia surgem novas especulações sobre a reforma da Previdência, chega a ser irritante. Como se sabe, a equipe do ministro da Economia trabalha em cima de três projetos anteriores – as propostas originais de Paulo Guedes, o plano encabeçado por Arminio Fraga e o projeto de lei apresentado pelo governo de Michel Temer, que teve relator em comissão especial da Câmara e tudo o mais. Mesmo assim, não se consegue chegar a uma conclusão.

Os jornalistas se esforçam, buscam informações e as divulgam, aumentando a confusão, porque cada repórter surge com uma versão diferente, as notícias não se completam, muito pelo contrário, é sempre uma contradizendo a outra, não há seguimento.

FARSA PATÉTICA – No meio dessa chatice, a equipe econômica tenta criar no Congresso e na opinião pública a sensação de que, reformando a Previdência, todos os problemas do país estarão resolvidos.

É uma farsa grotesca, bizarra e patética, que jamais poderá ser aceita, porque a Previdência Social é um assunto do máximo interesse para os brasileiros, mas os números são sonegados aos cidadãos, pois a equipe econômica só divulga as estatísticas que lhe interessam.

Em tradução simultânea, ninguém sabe nada sobre a verdade da Previdência brasileira nem sobre a suposta reforma que hipoteticamente iria salvar o país, mas não vai, mesmo.

E A DÍVIDA – Enquanto as discussões se concentram e se eternizam na reforma da Previdência, o crescimento desmesurado da dívida pública, que na realidade é o maior problema brasileiro, continua estrategicamente camuflado pela equipe econômica, jamais entra em debate, é como se não existisse, e a mídia segue conivente.

Os banqueiros (eles, sempre eles…), partem na frente e fortalecem seus planos fajutos de Previdência Privada, que não protegem o trabalhador de doenças e invalidez permanente, nem tampouco garantem pensão à viúva e aos filhos menores.

São os planos de Previdência Privada VGBL e PGBL, que mais parecem siglas de novos gêneros de variações sexuais, que os gerentes das agências bancárias tentam empurrar nos clientes com uma avidez impressionante.

###
P.S. 1
O governo deveria ser o primeiro a defender a auditoria, para justificar a reforma. Estranhamente, porém, não o faz. Os banqueiros, que serão os grandes beneficiários dessa reforma da Previdência, lançaram uma campanha bilionária nos meios de comunicação, para alegar que não são responsáveis pelos juros altos. É Piada do Ano, com toda certeza.

P.S. 2Por exclusão, votei em Bolsonaro no segundo turno, mas tenho a impressão de que seu governo vai ser vitorioso no combate ao crime, mas um tremendo fracasso em termos econômicos e sociais. (C.N.)

Boechat defendia o “não-voto”, como alternativa para aperfeiçoar a política

Imagem relacionada

Boechat dizia que a política era dominada por “quadrilhas”

Carlos Newton

Em fevereiro de 2013, o jornalista Ricardo Boechat propôs no Jornal da Band que o povo não deveria ir às urnas. A historiadora Clarinda Béja, professora de História pela UFRJ e com doutorado em Idade e Média e Revolução Francesa pela Sorbonne, não aceitou esse procedimento do âncora, por ter feito propaganda contra um direito de cidadania que é votar. A democracia, segundo a mulher do advogado Jorge Béja, só se fortalece com o pleno exercício do voto. Portanto, Boechat teria dado um mau conselho aos brasileiros.

Então, Clarinda Béja enviou a Boechat uma mensagem por e-mail, dando-lhe um delicado puxão de orelha. E o jornalista respondeu como um longo texto em que defendeu sua posição a favor do não-voto.

DISSE CLARINDA – A historiadora argumentou que o brasileiro não é um cidadão-pleno, ainda, porque não lhe é dada, através da Educação, a oportunidade de chegar à plenitude da cidadania.

“O que se faz com a Educação, nos municípios e estados – e disso dou testemunho – é um verdadeiro crime, que teve início com os militares em 1969 com a Lei 5.692 (Lei da Educação). Aí temos o começo da desqualificação do professor e da Escola para a ascensão cultural, social, política…. de cada indivíduo.
Imagine que o cidadão-eleitor ao ver que os candidatos são verdadeiros marginais e, por isso, deixasse de votar, eles não deixariam de ser eleitos porque em seus redutos eleitorais eles são poderosos e controladores dos votos e dos eleitores” – afirmou Clarinda Béja, acrescentando:

“A legislação eleitoral precisa ser mudada, sim. Vamos eleger pessoas que sejam dignas e nos representem como pessoas de bem. Não tenho esta sua certeza de que a abstenção (não-voto) poderá contribuir para modificar o caráter dos políticos. Mesmo com essa “choldra” que temos, infelizmente, há os que aparentam correção e honestidade e vocação pública, ainda que em muita menor porção”.

###
NÃO-VOTO, UM ATO POLÍTICO CONSCIENTE
Ricardo Boechat

É covardia do estimado amigo convocar-me para um debate com a Professora Clarinda… Sou um jornalista sem escola, que nem o Segundo Grau concluiu, lá nos anos 60…

Minha pregação pelo não-voto é antiga, assim como minha convicção de que esse é um ato político legítimo e consciente. Não se trata de alienação, de negação à democracia construída pelo sufrágio universal, direto e secreto. Ao contrário: trata-se de lançar mão daquela que talvez seja, realisticamente, nossa única arma ao alcance da mão.

O fato, Professora, é que o exercício desse “direito” (aspas impostas pela obrigatoriedade legal de exercê-lo, num paradoxo semântico difícil de explicar) em nosso país deixou de ser a forma de intervenção da sociedade na condução do Estado e da Nação e se transformou, pela combinação de interesses das organizações partidárias, em mera legitimação de práticas tão escusas, sistemáticas, predominantes e notórias que dispensam exemplos.

SÃO QUADRILHAS – Não sou contra o voto, nem contra a democracia. Sou contra o voto que essa nossa realidade, essa nossa ‘legislação política’, nos impõem usufruir. Para as quadrilhas perenizadas no comando da política nacional – e, através dela, senhoras absolutas do Estado, seus poderes e recursos – o brasileiro não é um cidadão. Está reduzido à mera figura de votante. Nosso voto não decide nada, Professora, além da validação a cada dois anos do status ao qual parecemos habituados.

Enquanto nações evoluem nessa relação, no sentido de construir uma cidadania plena através do voto, nós sequer conseguimos fazer valer questões elementares, primárias, quase infantis, como a de impedir que marginais notórios ocupem postos de alto comando na estrutura parlamentar.

Canadenses, noruegueses, americanos e sei lá mais quantos votam não apenas no candidato, mas, a cada pleito, num conjunto de propostas que a própria sociedade decide definir.

TEMAS POLÊMICOS – Aborto, legislação ambiental, pena de morte, cassação de mandatos, corte de árvores, distribuição de verbas, licenciamento de veículos, construção de estradas… do mais grave e complexo ao mais prosaico, é o cidadão quem diz o que quer, quando quer, como quer.

Prego o não-voto na utopia de que, se um dia lhes negarmos esse oxigênio, se lhes cassarmos coletivamente a legitimidade, então, talvez, quem sabe, algo aconteça no sentido de se recomeçar, de se reformar, de se evoluir.

A VOZ DAS RUAS – O que mais, Professora, pode levá-los a reformar a Legislação Política? O que mais pode levá-los a temer a voz das ruas? O que mais poderá convencê-los de que somos os cidadãos, de fato e unicamente, os patrões dos políticos e dos governantes?

A Senhora talvez enumere alguns avanços. Eu lhe perguntarei quanto tempo levaremos para conquistarmos outros. No momento, por exemplo, um desses ‘progressos’ está sendo a votação do projeto que põe fim ao pagamento do 14º e do 15º salário aos deputados e senadores.

NÃO-RUPTURA – Não sei o quanto a consolam tais ‘avanços’. Mas, a mim, apenas revoltam. Talvez lhe pareça parte dos ganhos da nossa prática partidário-eleitoral as presenças de Renan Calheiros na presidência do Senado e de mais um Alves na presidência da Câmara. Mas, a mim, apenas afrontam. Quero mais do que isso, Professora. E sei que é possível. Basta olhar para o Mundo à nossa volta.

Minha ladainha vai continuar e, pelo que tenho acompanhado nas apurações, muitas outras vozes vem se elevando na mesma oração. Repito: não sei se essa ruptura nos levará ao que queremos. Mas, sem sombra de dúvida, a não-ruptura nos tem mantido onde não queremos.