Vem aí a nova pesquisa do Ibope sobre a sucessão. E haja Rivotril e Lexotan!

Carlos Newton

A mais recente pesquisa do Ibope foi divulgada dia 18 de abril. Portanto, está na hora de o Jornal Nacional abrir manchetes para os novos números e novos rumos da sucessão presidencial, que estão sendo aguardados com uma ansiedade verdadeiramente inusitada.

No Planalto, no PT e no Instituto Lula, o clima é de suspense, porque as últimas pesquisas dos quatro institutos concordam num ponto básico – Aécio Neves está em viés de alta, Dilma Rousseff entrou em viés de baixa e Eduardo Campos permanece estacionário.

Se os novos levantamentos de Ibope, MDA, Datafolha e Sensus se mantiverem nessa perspectiva, a candidatura de Dilma Rousseff tem um encontro marcado com o fracasso. A própria presidente já começa a demonstrar uma tendência negativa. Sua recente declaração na semana passada, perante dez jornalistas, já diz tudo: “É a minha hora, e vou até o fim. Perdendo ou ganhando”.

Mas ela precisa combinar isso com o PT. Como o presidente Rui Falcão já explicou, a candidatura dela ainda nem existe. Se as pesquisas seguirem indicando viés de baixa para ela, no final de junho o PT não terá dúvidas de lhe negar a legenda, e estamos conversados.

É com essa possibilidade que Lula sonha. Ele se olha no espelho todos os dias e vê um homem cada vez envelhecido, que quase morreu de câncer e sabe que o futuro é incerto. Esperar mais quatro anos, por quê? Para quê? A troco de quê?

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer, já dizia Geraldo Vandré. É esse enredo que rola nos bastidores do PT, do Planalto e do Instituto Lula. Vamos aguardar a nova pesquisa do Ibope. Pode ser que saia hoje…

Veja diz que Rosemary Noronha fez chantagem contra o governo Dilma, mas não é verdade

Carlos Newton

Reportagem bombástica de Robson Bonin, na Veja, diz que Rosemary Noronha, ex­-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo, “chegou ao extremo de ameaçar envolver o governo no escândalo”.

E o texto da revista segue nesse diapasão, batendo o tempo todo em Rosemary e defendendo o governo Dilma, dizendo que “no Palácio do Planalto, a ordem era aprofundar as investigações”.

“Em 2013, no auge das investigações, quando ainda lutava para provar sua inocência, a ex-se­cretária Rosemary procurou ajuda entre os antigos companheiros do PT — inclusive Lula, o mais íntimo deles. Desempregada, precisando de dinheiro para pagar bons advogados e com medo da prisão, ela desconfiou que seria abandonada. Lula não atendia suas ligações. O ex-ministro José Dirceu, às vésperas da fase final do julgamento do mensalão, estava empenhado em salvar a própria pele e disse que não podia fazer nada”, afirma a Veja.

CONVERSA FIADA 1 – Rosemary nunca correu risco de ser abandonada nem precisou chantagear o governo Dilma. Lula jamais deixou de atender suas ligações. Dirceu, amigo pessoal de Rose, ajudou diretamente a armar a defesa. Desde o início, o PT paga os advogados dela. E Lula sempre participou de tudo, mantendo inclusive encontros pessoais com advogados de Rose.

“Magoada com o PT por ter permitido que a Casa Civil aprofundasse as investigações sobre suas traficâncias, Rose destila ódio contra a então ministra Gleisi Hoffmann (…). Rose acreditava que o próprio Palácio do Planalto estava por trás das revelações sobre o desfecho da sindicância — “a porcaria toda” — que apontava, entre outras irregularidades, o seu enriquecimento ilícito no cargo“, assinala a Veja, acrescentando:

“Com o fundo do poço cada vez mais próximo, Rosemary decidiu arrastar para dentro do escândalo figuras centrais do Planalto e, se possível, a própria presidente Dilma Rousseff. A estratégia consistia em constranger os antigos colegas de governo pressionando-os a depor no processo que tramitava na Controladoria-Geral da União. “Quero colocar o Beto e a Erenice Guerra”, diz Rose em uma mensagem. “Você quer estremecer o chão deles?”, questiona o interlocutor. “Sim”, confirma Rose. “Porque vai bombar. Gilberto Carvalho também?”, indaga. “O.k.”, devolve ela. As autoridades que deveriam “estremecer” não foram escolhidas por acaso. Atual chefe de gabinete da presidente Dilma Rousseff, Beto Vasconcelos era na ocasião o número 2 da Casa Civil. Ao lado da ex-ministra Erenice Guerra, ele servira a Dilma no Planalto durante anos”.

CONVERSA FIADA 2 – O diálogo descrito por Veja é patético e altamente imaginativo. Quem decidiu convocar Carvalho, Beto e Erenice para depor foi um dos advogados, e Rose nada teve a ver com isso, jamais se intrometeu na estratégia da defesa. Nas reuniões com os advogados, inclusive com a presença de Lula e Dirceu, ela sempre entrava muda e saía calada.

Na verdade, Veja não sabe nada sobre Rose. Por isso, o enredo rocambolesco da reportagem foi ficando cada vez mais ridículo. A matéria, por exemplo, diz que Rose ameaçava envolver o Planalto para se reaproximar de Lula, a quem ela chamaria de “Deus”. E o texto destaca que a estratégia de Rose para chantagear o Planalto foi justamente a indicação das testemunhas Gilberto Carvalho, Beto Vasconcelos e Erenice Guerra no processo da CGU.

“Não se sabe exatamente o que aconteceu a partir daí, mas a estratégia funcionou. Um dos homens mais próximos a “Deus”, Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, cuidou pessoalmente de algumas necessidades mais imediatas da família de Rosemary durante o processo. Além de conseguir ajuda para bancar um exército de quase quarenta juristas das melhores e mais caras bancas de advocacia do país, a ex-se­cretária reformou a cobertura onde mora em São Paulo e conseguiu concretizar o antigo projeto de ingressar no mundo dos negócios”, diz a matéria, assinalando:

“Rosemary comprou uma franquia da rede de escolas de inglês Red Balloon. Para evitar problemas com a ficha na polícia, o negócio foi colocado no nome das filhas Meline e Mirelle e do ex-marido José Cláudio Noronha. A estratégia para despistar as autoridades daria certo não fosse por um fato. A polícia já havia apreen­dido em 2012, na casa de Rose, todo o planejamento para aquisição da franquia. Os documentos mostravam que o investimento ficaria a cargo da quadrilha que vendia influência no governo. Na época, a instalação da escola foi orçada em 690 000 reais — padrão semelhante aos valores praticados atualmente no mercado —, dinheiro que Rosemary e seus familiares não possuíam”.

CONVERSA FIADA 3 – Nessa parte final, em meio à conversa fiada, enfim aparecem as únicas novidades trazidas pela matéria da Veja: a reforma da cobertura onde Rose mora e a criação da franquia do curso de inglês, em nome da filhas e do ex-marido. O resto é tudo uma viagem psicodélica, em mais um “vazamento” direto do Palácio do Planalto, na tentativa de fazer Lula desistir de voltar à Presidência. O Planalto acha que “plantar” matéria na Veja é crime perfeito, ninguém desconfia. Puxa, como são amadores…

Detalhe importantíssimo: a primeira matéria denunciando Rose e o processo na Controladoria-Geral da União foi feita pelo mesmo repórter e na mesma Veja. É a segunda vez que o Planalto fala através dele, digamos assim.

O pior é que o efeito pode ser inverso. Lula realmente gosta de Rose e a protege. Nada falta (nem faltará) a ela e a sua família. Esta reportagem conjunta Veja/Planalto deixou furioso o ex-presidente,  e o vazamento destas  informações contra sua protegida pode ser a gota d’água, como diziam Chico Buarque e Ruy Guerra. Vamos aguardar o troco.

E daqui a pouco a gente volta, para comentar o suspense da nova pesquisa do Ibope, que deve ser divulgada hoje pela Rede Globo.

O caso da Escola Base e a investigação do assassinato do menino Bernardo Boldrini

Carlos Newton

No mês passado, o educador Icushiro Shimada morreu de infarto em São Paulo, mas a imprensa fez questão de ignorar o fato. Não saiu nos telejornais da Globo, SBT, Bandeirantes, Cultura, TVE (Rede Brasil), nem foi publicado nos grandes jornais, mas merecia o mesmo destaque com que destruíram a vida de Shimada, ao denunciá-lo como um perigoso maníaco sexual, que seviciava criancinhas no jardim de infância da Escola Base.

O episódio, ocorrido há 20 anos, ficou conhecido como o “caso Escola Base”. Os jornalistas acreditaram na versão do delegado de polícia Edelson Lemos e noticiaram, com estardalhaço, denúncias infundadas de pedofilia na escola. O delegado, por sua vez, confiou no laudo da Dra. Eliete Pacheco, setor de sexologia, do Instituto Médico Legal, nos seguintes termos:

“Referente ao laudo nº 6.254/94 do menor F.J.T. Chang, BO 1827/94, informamos que o resultado do exame é compatível para a prática de atos libidinosos”.

Somente um mês depois constatou-se que a denúncia dos pais era uma farsa e o resultado do exame não era conclusivo, apenas “compatível”. Mas a polícia havia destruído a vida dos acusados e principalmente seu trabalho, sua escola, que foi saqueada e destruída pelos vizinhos.

ORDEM JUDICIAL

Detalhe: a imprensa somente divulgou o erro por imposição de ordem judicial, ainda assim de forma discreta, limitada, sem destaque. Shimada já estava viúvo. Sua mulher morrera de câncer, poucos meses após o escândalo.

Vinte anos depois, em fevereiro deste ano, o SBT foi condenado a pagar R$ 100 mil de indenização por danos morais a Shimada e aos antigos sócios da Escola Base, que ficava no bairro da Aclimação, em São Paulo. E as outras emissoras e jornais? Pagaram alguma coisa? Quem se interessa por isso?

Esse gravíssimo erro policial e da mídia somente ocorreu porque desrespeitaram a velha máxima jurídica de que “todos são inocentes, até prova em contrário”.

O CASO BERNARDO

Na investigação do assassinato do menino Bernardo Boldrini, que ainda está em curso, embora a Justiça já tenha aceitado a denúncia, não há provas concretas contra o pai, o cirurgião Leandro. E as evidências são de que ele não teria participado. Primeiro, porque se o pai estivesse participando, porque a mulher dele (Graciele) precisaria arranjar uma cúmplice (Edelvânia) e lhe pagar 6 mil reais para ajudar no crime, prometendo ainda quitar o apartamento que ela havia comprado recentemente? E o médico ainda deu à cúmplice da mulher uma receita de medicamento controlado, que é facilmente identificável. Ele mesmo, que é cirurgião, poderia dopar ou matar a criança sem muita dificuldade e sem precisar de cúmplice.

É lógico que teria sido muito mais simples e seguro cometer o crime sem cúmplice. Pensem nisso e raciocinem se existe ou não a possibilidade de o médico Leandro Boldrini acabar condenado como assassino do filho, quando merecia ser punido apenas por ter sido um péssimo pai, o que também é um crime muito grave, mas está longe de se equiparar a um assassinato premeditado e com requintes de crueldade.

Se ele participou ou não, é preciso provar. Já estão dizendo que ele matou também a primeira mulher, cujo inquérito concluiu por suicídio. Daqui a pouco vão dizer que ele matou também Aida Curi e Dana de Teffé…

Militante denuncia “armação” do movimento petista Fora do Eixo para esvaziar protestos na Copa

Carlos Newton

É um engano pensar que o movimento Fora do Eixo (patrocinado pelo PT através do líder Pablo Capilé) esteja desmobilizado depois da série de denúncias que começaram aqui no blog da Tribuna da Internet e se espalharam pela mídia. Agora, o Fora do Eixo e seu braço jornalístico Mídia Ninja estão se infiltrando no Rio para ocupar a Cinelândia na Copa.

Detalhe importantíssimo: o Fora do Eixo/Mídia Ninja é francamente petista, com ligações que chegam diretamente à presidente Dilma Rousseff, que já foi fotografada em conversa com Pablo Capilé numa reunião política. O próprio José Dirceu também foi fotografado em visita à sede do Fora do Eixo/Mídia Ninja, em São Paulo. Mas o movimento se diz apartidário para tentar cooptar os grupos de oposição que se manifestam contra o governo federal e o governo estadual.

Acontece que a velhacaria já está sendo denunciada por esses grupos cariocas de oposição, que não aceitam ser manipulados pelo Fora do Eixo/Mídia Ninja, como se vê neste desabafo que a ativista carioca Paula Kossatz postou no Facebook.

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O MOVIMENTO DO RIO ESTÁ UNIDO…
QUEM NÃO ESTÁ, É APENAS FORA DO EIXO.
(ou sobre contra-ataques que mencionam rachas e xenofobias)

Paula Kossatz

Ontem à noite fui à uma reunião na Cinelândia que eu acreditava ser dos movimentos do Rio que estão nas ruas e da qual o pessoal do Mídia Ninja (M.N.) tinha pedido a palavra para tentar lançar um movimento-produto para a Copa do Mundo.

Mas não foi uma coisa nem outra. Não era uma reunião com o pessoal atuante do Rio. Estou nas ruas bem antes de junho e, para a minha surpresa, eu não identificava ali nenhuma pessoa que estivesse nas ruas ou em ocupações. Só tinha o pessoal da M.N., do Fora do Eixo (F.D.E.) e uma claque risível que aplaudia apenas os discursos que iam de acordo com a proposta deles da criação de uma “República” Alternativa na Cinelândia… Quem nesta altura do campeonato no Brasil acredita em República? Ou mesmo, ingenuamente, utilizar este nome tão pesado e antiquado para fazer uma “provocação”, como eles justificaram o tempo todo?

Como tenho acompanhado de perto, desde junho do ano passado, os movimentos como midia-ativista, fotógrafa, mulher, cidadã e, com isso, ser cunhada de vândala pelo Estado, presenciei a chegada sorrateira da M.N. no Rio.

Durante estes 11 meses, eu, que sei muito bem de que lado estou, por não fazer parte de nenhum partido, de nenhum movimento em especial e de nenhum coletivo, posso dizer que estou do lado do mais fraco, sempre. Quem me conhece sabe muito bem disso… e durante todo este período eu sempre bati de frente em algum momento com os seguidores do F.D.E. por aqui. Fosse em protestos, greves, ocupações, atos… eles sempre vinham com um discurso estranhamente neutralizador das pautas. E eu os questionei sempre, eles sabem disso.

Bem, voltando ao que presenciei hoje, não passou mais do que uma reunião interna deles em praça pública, com direito à claque, impondo, como sempre, um produto já friamente calculado e esmiuçado por trás dos panos… me explico:

Eles chegaram “propondo” o nome/marca de “República Autônoma”. Quem questionou o nome/marca, tinha que ouvir 3 pessoas fechadas com eles, todos em sequência, justificando a “provocação” do nome/marca (o argumento foi só este do começo ao fim). No final eles se renderam e cederam à criação de um GT só para definir o nome/marca… mas será que pela resistência deles, este nome/marca já não estava registrado em algum cartório? Será que, como sempre, eles já não tinham todos os flyers e memes prontos com o tal nome/marca? (estou especulando apenas, por experiências anteriores…)

Questionados sobre as atas que criaram a tal proposta a ser realizada ali no coração do Rio, disseram que já haviam feito 5 reuniões! Pasmem, reuniões estas “internas”, realizadas em Santa Teresa, das quais apenas simpatizantes eram convidados. Tendo em vista estes pré-encontros fechados, fica muito claro que não começou horizontal, aberto, disposto ao diálogo e mais uma vez e como sempre repito: começou entre eles, internamente, com objetivos políticos bem definidos e articulados. E o resultado foi este: uma imposição e cagação de regras em praça pública, na qual qualquer pessoa que se colocava contra, era grosseiramente cortada pela claque ali presente. E olha que éramos só umas 3, contando comigo. Afinal, os demais “do contra” não foram notificados deste encontro.

Bem, o que ouvi ao longo da noite foi um discurso neutro e vazio, como o de qualquer político que quer agradar a gregos e troianos, com a insuportável repetição de jargões utilizados por eles como “mimético”, “disputa”, “horizontalidade”, “somando esforços”, “utopias” e “narrativas”, sendo este último o mais risível de todos, como se Herodes e demais autores e atores da vida (incluindo eu e você), já não se utilizassem da tal narrativa há milênios… (bem, eles devem ter ouvido falar deste termo recentemente e ainda estão deslumbradíssimos com esta descoberta).

Mas o ponto alto foi o Capilé sugerindo uma data para o “fim” da República… tive que rir. Como uma ocupação, por mais que pretenda ser apenas ”provocativa”, neste momento pelo qual estamos passando aqui no Rio, se propõe a ter um “fim definido”? Bem, apenas posso dizer que o Capilé nunca participou de uma ocupação por aqui, assim como não o vi uma vez sequer em manifestações aqui do Rio (salvo o Grito da Liberdade, que foi totalmente neutralizado por eles).

O segundo ponto mais alto foi eles terem acusado uma pessoa que ocupou a Cinelândia por meses de ser P2 ali… apenas por ela ter questionado a possibilidade de haver uma ocupação naquele espaço, visto que o Ocupa Câmara, da qual ela fazia parte, foi violentamente removido baseado na legislação vigente. Por este episódio, ficou claro ali que eles são apenas aquelas pessoas que chegam atrasadas e já querem sentar na janela (e com muita arrogância). Eles, por total ignorância e desconhecimento de causa, simplesmente destrataram uma das pessoas mais atuantes e conhecidas na luta e resistência das ruas do Rio… foi um mico gigantesco. E qdo nos posicionamos questionando que tipo de autoridade um grupo que vem de fora tem pra cagar regra assim grosseiramente, somos ridiculamente acusados de xenofobia e de rachar o movimento (nessa hora eu ri de novo).

Tudo muito podre, tudo muito nebuloso… e o problema maior está aí! Se eles ao menos assumissem que são um novo modelo horizontal de frente jovem partidária (do PT, no caso) e convocassem neste sentido, seria mais honesto. Seria abertamente politiqueiro e acabaria com metade dos rumores e implicâncias que existem em relação à eles, minhas, inclusive…

Porém, como as manifestações de junho trouxeram exatamente a crise da representatividade, eles se viram numa sinuca de bico: “E agora? Como vamos assumir que somos ligados ao raio do PT numa cidade que tem se colocado contra o Estado que massacra a população toda vez que bota os pés nas ruas para protestar para o que quer que seja?”

Assim sendo, que ninguém se assuste se durante ou depois da Copa eles vierem com a bandeira do PT, apoiando o Lindhberg e a Dilma (via Lula). Qual o problema de assumir? Será porque o PT está queimado?

Enfim, o Rio está rumando para a Copa do Mundo e tem muita gente que vai para as RUAS se manifestar e se posicionar contra as arbitrariedades da FIFA e do Estado (PT + PMDB) do jeito que der.

Mas quem quiser tirar umas férias e descansar, sugiro que compareça a esta Colônia de Férias do Fora do Eixo fixa ali na Cinelândia que vai ser bem tranquilinha, alienante e Fora do Contexto carioca. Essa, garanto, vai ser bem chapa branca.

E aos que me chamam de radical, eu respondo: sou apenas honesta e digo o que penso, com transparência.

Suspense no Planalto, no PT e no Instituto Lula: Ibope vai divulgar nova pesquisa

Carlos Newton

Até algum tempo atrás, apenas a Tribuna da Internet informava que Lula pretendia disputar novamente a Presidência agora em 2014, ao invés de ficar esperando o tempo passar e o inesperado fazer uma surpresa, como dizia o genial Johnny Alf, pois o futuro a Deus pertence, especialmente para um homem na terceira idade, que já teve um câncer grave que quase o matou.

Mas não adianta Lula simplesmente querer, conforme já noticiamos insistentemente aqui no blog. É preciso que as aparências sejam preservadas. Ou seja, não pode haver uma mudança abrupta de candidatura. É importantíssimo que a substituição seja feita de uma forma consensual, com a própria Dilma Rousseff abrindo mão da candidatura em favor de Lula, como se ela fosse um Dom Pedro de saias, dizendo “se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, digam ao povo que eu saio, para que nosso grande líder, o presidente Lula, possa ser candidato e evitar que este país sofra nosso retrocesso nas mãos das elites e das forças reacionárias” etc. e tal.

Acontece que Dilma Rousseff não está disposta a fazer essa gentileza, digamos assim. Ela acha que tem todo direito de disputar a reeleição, porque em 2010, quando Lula lançou a candidatura dela, em nenhum momento ficou claro que o ex-presidente voltaria a disputar em 2014.

INGRATIDÃO?

Dilma Rousseff sabe — melhor do que ninguém — que jamais teria sido eleita sem o apoio entusiasmado de Lula. Sabe também que Lula ainda é a pessoa mais querida e admirada do país, mas acha que não precisa mais dele, pode se eleger sozinha.

Lula tem opinião totalmente oposta. Diz que Dilma é absurdamente ingrata e deveria ter perguntado se ele pretendia ser candidato novamente, antes de criar essa confusão danada no PT. E sabe também que, se Dilma for eleita para um segundo mandato, não vai mais aceitar que ele continue mandando no governo dela.

Nesse impasse, a verdade é que os dois hoje se odeiam. Lula não perdoa Dilma pela perseguição que o Planalto fez a Rosemary Noronha, com a Comissão de Ética e a Controladoria-Geral da União fazendo carga contra ela, num procedimento muito diferente do adotado pelo então presidente Lula em caso semelhante, quando a ministra da Casa Civil Erenice Guerra foi apanhada fazendo negócios nada republicanos na Casa Civil, que ocupava por indicação direta de Dilma Rousseff.

ERENICE E ROSEMARY
Na ocasião, Lula defendeu ao máximo Erenice Guerra, que acabou se livrando incólume do tráfico de influência que fazia no Planalto (sofreu apenas uma advertência), enquanto Rosemary acabou sendo perseguida pelo Planalto, que vazava denúncias contra ela com exclusividade ao repórter Vinicius Sassine, de O Globo, na tentativa de fazer a Rede Globo repercutir o escândalo, o que acabou não ocorrendo.

O PT paga os advogados de Rosemary (da mesma forma como paga também as defesas de Genoino, Delubio & Cia), mas quem continua sustentando a família dela é o próprio Lula, que está muito bem financeiramente e não deixa que nada falte à sua antiga companheira de viagens.

Bem, esta é a situação atual que pode se traduzir da seguinte forma: a candidatura de Dilma depende das pesquisas. Se Aécio Neves encostar nela, o PT convocará Lula, que aceitará “contrafeito”, e estamos conversados. Aliás, esta semana deve sair a nova pesquisa nacional do Ibope, encomendada pela Rede Globo. E haja Rivotril.

A bolha imobiliária começa a esvaziar, apesar do desesperado esforço das Organizações Globo para inflar o mercado

Carlos Newton

A empresa imobiliária MRV está dando desconto de R$ 25 mil na venda de qualquer imóvel, o que pouco significa, porque a Rossi já fez campanha massiva pela televisão, dando desconto de R$ 60 mil em qualquer imóvel residencial ou comercial e não conseguiu vender nada.

A imobiliária Julio Bogoricin, a maior do Rio de Janeiro, com mais de 20 lojas e cerca de mil corretores, recentemente colocou espalhafatoso anúncio em O Globo, com o seguinte título: “Cansou de perder dinheiro com imóvel? É hora de alugar!”.

As grandes construtoras estão em parafuso, há três anos no vermelho. Das 17 empresas que constam do pregão da Bolsa de Valores de São Paulo, as ações de 12 delas já estão valendo menos do que seu patrimônio líquido, vejam a que ponto chegamos.

Ontem, as ações da Gafisa despencaram, enquanto o índice Ibovespa subia cerca de 1,8%, ultrapassando os 54 pontos. O jornal Estado de São Paulo, em sua editoria de Economia, registrou os problemas da Gafisa e a desconfiança do mercado em relação à possibilidade de recuperação da empresa, mas logo em seguida a reportagem foi modificada, com exclusão de todo o texto negativo referente à construtora. Motivo: os interesses dos grandes anunciantes têm de ser respeitados.

ESFORÇO DO GLOBO

Em meio à crise, é comovente o esforço das Organizações Globo, que tentam inflar o mercado, através da tabela semanal da Zap Imóveis, que leva em conta apenas os preços nos anúncios veiculados pelo jornal O Globo, e não pelo preço real de compra e venda.

Detalhe: há alguns dias, O Globo fez editorial comemorando a expansão do crédito imobiliário e o artigo terminava com uma pérola, criticando o déficit habitacional brasileiro, que o próprio IBGE já desmentiu, numa recente pesquisa que nem levou em conta os imóveis de fim de semana (casas na praia ou na serra, sítios, chácaras etc.). O resultado do IBGE, pesquisando apenas imóveis realmente residenciais, foi de que não há mais déficit habitacional nas grandes cidades brasileiras, o que existe é um número enorme de imóveis fechados.

Como dizíamos no Pasquim, jornalismo é isso aí… E na crise imobiliária, quem ganha é a imprensa, porque anunciar é preciso. Aos domingos, o caderno imobiliário de O Globo vem com 22 páginas de compra e venda e apenas 4 páginas de aluguel, o que demonstra a distorção do mercado. Todo mundo querendo vender e ninguém querendo comprar.

Com iG-Mail fora do ar, Carlos Chagas e Pedro do Coutto não conseguem enviar os artigos

Carlos Newton

Pedimos novamente desculpas a todos, mas o iG Mail continua pregando peças nos usuários. Esta segunda-feira, por exemplo, desde cedo não há acesso ao iG Mail, que há anos pertence ao Google.

O problema surgiu recentemente, quando os gênios do Google resolveram “modernizar” o iG Mail. Resultado: nunca mais funcionou direito e a internet está cheia de reclamações dos usuários.

Não se entende como uma organização importante e miliardária como o Google não consegue manter um serviço de e-mail no ar. Se a reforma do iG Mail não deu certo, por que não voltar ao sistema antigo? Como diz a célebre canção carnavalesca, recordar é viver.

Faz sucesso na internet o telegrama de Lincoln Gordon sobre a atuação de Roberto Marinho na ditadura

http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2014/04/eua-confirma-acao-de-roberto-marinho-nos-bastidores-da-ditadura-3931.html/1b.jpg-1577.html/image

Carlos Newton

Neste ano em que lembramos os 50 anos do golpe civil-militar de 64, vão surgindo informações e documentos que revelam mais detalhes sobre as articulações entre empresários e a ditadura.

O sempre presente comentarista Celso Serra nos envia artigo que circula com sucesso na internet, publicado na Folha, que é sócia de O Globo no jornal Valor Econômico, mas deu  uma demonstração de independência. O artigo mostra o empenho de Roberto Marinho, criador das Organizações Globo, em fechar de vez o regime, suspendendo as eleições diretas para presidente da República. É para ler e não esquecer.

Detalhe: em São Paulo, existe uma Avenida Jornalista Roberto Marinho (originalmente, Avenida Água Espraiada). Sabem quem homenageou o ilustre adulador de ditadores? Marta Suplicy, então prefeita pelo PT. Sem comentários.

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A GLOBALIZAÇÃO NA POLÍTICA

Ricardo Mello
Folha de São Paulo.

O texto abaixo refere-se a um telegrama de 14 de agosto de 1965, um ano e alguns meses após o golpe de 1964. Foi enviado pelo então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon. Reproduz conversas com o dono das Organizações Globo, Roberto Marinho. Ambos já morreram.

A transcrição do essencial do documento (o original na íntegra pode ser encontrado facilmente pelo Google) serve para muita coisa. Oferece aos que não usam a internet — sim, existem estas pessoas — o acesso a um instante da história que até hoje atormenta o país. Demonstra, também, que nem sempre as chamadas teorias conspiratórias representam fantasias. São muitas vezes práticas conspiratórias com nome, endereço e autores conhecidos.

Neste caso, de consequências trágicas, não deixa de ser espantoso ver uma liderança da “sociedade civil” ensinando um ditador a abolir eleições diretas para permanecer no poder. De graça não deve ter sido. As conclusões ficam a cargo do leitor.

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“Para: Departamento de Estado

14 de agosto de 1965

Este é um relato de um encontro extremamente confidencial com Roberto Marinho, publisher do Globo’, sobre os problemas da sucessão presidencial. A proteção da fonte é essencial.

Marinho estava convencido de que a manutenção de Castello Branco como presidente é indispensável para a continuidade das políticas governamentais presentes e para evitar uma crise política desastrosa. Ele tem trabalhado silenciosamente com um grupo incluindo o general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar, general Golbery, chefe do Serviço de Informações, Luiz Vianna, chefe da Casa Civil, Paulo Sarazate, uns dos amigos mais íntimos do presidente.

No início de julho, Marinho teve um almoço privado com o presidente. Marinho achou Castello bastante resistente a qualquer forma de continuidade de mandato ou sua reeleição. Marinho também pediu a volta do embaixador Juracy Magalhães para ser o ministro da Justiça. Objetivo: ter Juracy como um possível candidato a sucessor de Castello e melhorar o funcionamento daquele ministério, cujo ocupante, Milton Campos, é extremamente respeitável, mas dócil demais.

No dia 31 de julho, Marinho teve um segundo almoço reservado com o presidente no qual ele insistiu que eleições presidenciais diretas em 1966 sem ter Castello como candidato poderia trazer sérios riscos de retrocessos. Tudo bem pensar em Juracy Magalhães ou Bilac Pinto como sucessores, mas a eleição deles não estava garantida. E a indicação, pelo PTB, do marechal Lott com uma plataforma abertamente antirrevolucionária e com o apoio dos comunistas ilustrava os perigos.

Marinho falou ao presidente que entendia o desejo de Castello de manter a promessa de deixar o poder no começo de 1967, mas se isso fosse feito ao custo de uma volta do Brasil ao passado, Castello estaria violando a confiança que a nação tinha depositado nele. Para Marinho, Castello deveria pesar as alternativas e riscos cuidadosamente. Embora Castello não tivesse indicado explicitamente, Marinho saiu satisfeito no final da conversa. Achou que o presidente não se oporia e mesmo daria sua colaboração a medidas que permitissem sua reeleição, provavelmente na forma de eleição indireta.

Nestas bases, o grupo planejou uma estratégia para transformar a eleição presidencial de 1966 em eleição indireta e viabilizar a candidatura de Castello Branco. Os próximos passos eram ganhar alguns membros chaves do Congresso tais como Pedro Aleixo, Bilac Pinto, Filinto Muller e líderes do PSD. Marinho enfatizou que muitos obstáculos inesperados poderiam surgir nesta estratégia, que com certeza terá a oposição de Lacerda por um lado e de forças antirrevolucionárias por outro lado.

Comentário. As colunas de fofoca política estão cheias de especulações sobre mudanças no regime. Eu considero as informações de Marinho muito mais confiáveis.

Lincoln Gordon.”

 

Juiz da Operação Lava Jato virou o terror dos políticos e mostra que ainda há esperanças para este país

Carlos Newton

Duas notícias dos jornais mostram a importância do trabalho de Justiça, um dos poderes da República hoje mais sujeitos a críticas, por sua falta de produtividade e pela manipulação de sentenças. Mas existem magistrados que fazem a diferença e renovam a esperança de que algum dia a Justiça brasileira venha a funcionar a contento, como é o caso de Sérgio Fernando Moro, que atua no Paraná.

Uma das informações foi dada pelo jornalista Cláudio Humberto, em sua coluna nacional, revelando que o jovem juiz que chefia as investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, já recusou pelo menos duas vezes a própria promoção a desembargador federal, única maneira de retirá-lo do caso.

“Técnico, rigoroso, incorruptível e competente, Sérgio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, é hoje o homem mais temido por políticos influentes e poderosos empresários fornecedores da Petrobras”,  diz Humberto, acrescentando que o juiz Sérgio Moro orgulha os amigos no Paraná, que avisam: se dependesse dele, não sobrariam corruptos impunes no País.

Ainda segundo o jornalista, nos bastidores do Congresso, fala-se mais nos desdobramentos da Operação Lava Jato do que na CPI da Petrobras, porque é raro encontrar político importante que não esteja em pânico com a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Nesse quadro, a participação do juiz

300 MILHÕES

Em O Globo, reportagem de Jailton de Carvalho mostra que a Polícia Federal (PF) calcula que o grupo de Paulo Roberto Costa desviou cerca de R$ 300 milhões em negócios da estatal, entre 2004 e 2012. A PF chegou a esse número a partir de documentos apreendidos em poder de Costa e do doleiro Alberto Youssef, também um dos alvos centrais da Lava-Jato.

As apurações chegam à Transpetro e os investigadores suspeitam ainda que o grupo do ex-diretor tenha se apropriado de boa parte da “address commission”, desconto de 1,25% que armadores tradicionalmente concedem em contratos de fretamento de navio. A reportagem de O Globo explica que a Petrobras recorre sistematicamente ao fretamento de navios para o transporte de combustível. O negócio movimentaria, só em “address commission”, aproximadamente US$ 30 milhões por ano (cerca de R$ 66 milhões). Pela lei, a comissão deveria retornar aos cofres da Petrobras a partir do pagamento dos fretes dos navios.

“As comissões chamadas ‘address commission’, que deveriam ser retornadas aos afretadores, ficam com os ‘brokers’, que, acredita-se, são repassadas para os patrocinadores do esquema de corrupção”, alerta um ex-executivo da Petrobras em relato por escrito entregue aos delegados da Lava-Jato. “Brokers” são os corretores que fazem a intermediação dos fretes.

O aluguel tem custo diário de aproximadamente US$ 40 mil (cerca de R$ 88 mil), segundo estimativas do ex-executivo. A área de fretes seria uma das mais cobiçadas por políticos interessados em indicar dirigentes para a estatal, salienta o jornalista Jailton de Carvalho.

Explicações “oficiais” da Petrobras sobre Pasadena são eivadas de má-fé, com afirmações falaciosas

Carlos Newton

O sempre presente comentarista Wagner Pires nos enviou as dez perguntas e respostas disponibilizadas pela Petrobras para tentar alguma justificativa plausível  que explique a compra da refinaria de Pasadena, no Texas.

Entretanto, a tentativa não mitiga, de maneira alguma, as dúvidas sobre os motivos da aquisição da refinaria e sua produtividade efetiva. E ainda entra em contradição com as declarações do ex-diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, sobre as cláusulas contratuais “put option” e “marlin” e o pleno conhecimento delas por parte da diretoria; inclusive de Dilma Rousseff, que na época presidia o Conselho de Administração.

A primeira resposta, por exemplo, sobre o objetivo da compra da refinaria, diz que o grande negócio era processar em Pasadena a produção do Campo de Marlim, na Bacia de Campos, depois que a unidade fosse “modernizada e ampliada”.

Traduzindo: o óleo pesado de Marlim seria extraído, armazenado e transportado para o Texas, mas somente depois da modernização da refinaria de Pasadena, construída em 1934, e que não refinava nem refina óleo pesado, porque a Petrobras já gastou mais de US$ 1 bilhão adicionais na “modernização” da refinaria, mas a unidade continua sem condições de processar óleo pesado.

ÓLEO LEVE E PESADO

O escândalo de Pasadena é fruto justamente da questão do óleo pesado. A Petrobras possui onze refinarias em funcionamento, mas não foram projetadas para processar o óleo pesado extraído no país (mais de 90% da produção total). Resultado: é preciso importar óleos leves, como os do tipo Brent e o WTI, que são mais caros, e misturá-los ao óleo pesado que extraímos, para viabilizar o refino.

A importância da refinaria Abreu Lima, em construção, é justamente esta – será capaz de refinar o óleo pesado brasileiro, usando a avançada tecnologia da venezuelana PDVSA, maior concorrente das refinarias canadenses, nesta especialidade.

Mas em 2006 a Petrobras, ao invés de instalar refinarias de óleo pesado no país, estranhamente resolveu comprar uma velha refinaria em péssimas condições no Texas, sonhando em adaptá-la e processar futuramente a produção de Marlim, fazendo o petróleo viajar por cerca de 15 mil quilômetros…

SEGREDO BEM GUARDADO

 

Oito anos depois, Pasadena continua sem condições de refinar óleo pesado e a Petrobras não revela qual é a produção diária. É o segredo mais bem guardado da empresa, que paradoxalmente insiste em se dizer “transparente”.

No questionário em que defende a compra da unidade, diz oficialmente a empresa: “A refinaria, que tem capacidade de refino de 100 mil barris por dia, está em plena atividade, opera com segurança e vem dando resultado positivo este ano”.

A redação do texto é ardilosa, tenta levar a crer que a refinaria está processando 100 mil barris diários, mas não é verdade. Quanto ao “resultado positivo este ano”, a Petrobras também não revela o valor. Nem pode fazê-lo. Porque quando for conhecido o verdadeiro balanço financeiro da refinaria, estará revelada a real dimensão do escândalo.

PROPOSTAS INEXISTENTES

Por fim, a assessoria alega que “a Petrobras já recebeu propostas pela compra de Pasadena, mas decidiu manter a refinaria fora do pacote de desinvestimentos até que sejam concluídas as investigações em curso. Só então decidirá o que fazer, considerando as condições do mercado”.

O valor de tais propostas não foi revelado, é claro, mas no mercado sabe-se que a única oferta recebida até agora foi de ridículos US$ 180 milhões, para um negócio em que a Petrobras já investiu mais de US$ 2 bilhões. Ou seja, não chegaria a repor nem mesmo 10% dos gastos.

Usando de tamanha desfaçatez, a assessoria da Petrobras deve julgar que a opinião pública é formada exclusivamente por néscios e idiotas. Afinal, se a refinaria de Pasadena estivesse realmente processando 100 mil barris diários, estaria dando um baita lucro, e dona Graça Foster prazerosamente esfregaria esses números no nariz dos oposicionistas, toda vez que fosse convocada a dar depoimento no Congresso. Como ela não o faz, vocês tirem suas conclusões…

 

Virou piada na internet o perfil “elogioso” de Eduardo Campos, feito pela revista Época

Carlos Newton

Está virando piada no Facebook o perfil do Eduardo Campos feito no ano passado pela revista Época, das Organizações Globo. Realmente, a bajulação jornalística chega a um ponto de puro êxtase, digamos assim. As gargalhadas são inevitáveis. Confira aí:

“(…) o dorso ainda atlético de 47 anos também assoma, enfático. Seus translúcidos olhos verdes são, surrupiando um autor contemporâneo, como pássaros querendo voar para fora da cara. Campos é, sobretudo, olhos. Na beleza variante da cor, que fisga a atenção, e, principalmente, na mirada, no manejo que lhes sabe dar, ora águia, ora cobra, focados na sedução.

http://revistaepoca.globo.com/Brasil/noticia/2013/01/o-estilo-trajetoria-e-ambicoes-de-eduardo-campos-o-governador-mais-popular-do-pais.html

Justiça, que decepção! Processo contra usurpação da TV Paulista por Roberto Marinho está parado no Supremo com Celso de Mello há 27 meses

Carlos Newton

Inacreditável, mas verdadeiro. Depende de um simples despacho do ministro Celso de Mello o encerramento do processo movido contra o espólio de Roberto Marinho e a GloboPar há 14 anos, no qual foi impugnado o ilegal “ato de compra” da TV Paulista, canal 5 (hoje, TV Globo /SP), por Roberto Marinhoentre 1964 e 1977, sem prévia aprovação do governo federal e por Cr$60.396,00, o equivalente a 35 dólares.  O processo aguarda decisão do ministro-relator há 27 meses.

A sentença de primeira instância proferida pela Justiça do Rio, em 2004, foi confirmada pelo Tribunal estadual e pelo STJ. Nela saiu vencedora a tese da família Marinho de que os antigos acionistas majoritários e minoritários decaíram do direito de ação, passados mais de 20 anos da alegada transação entre a família Ortiz Monteiro e o empresário Roberto Marinho, não obstante as notórias falsidades dos documentos apresentados em juízo pelos advogados da Globo para sustentar que Marinho realmente comprara a emissora.

Os autores da ação, inconformados, argumentaram que a decisão da Justiça foi contraditória e omissa, pois, se houve a alegada venda do controle acionário da emissora, sem prévia autorização da União Federal, conforme determina a lei ainda hoje em vigor, todo o processo deveria ser anulado e remetido à Justiça Federal, que tem competência privativa para julgar feitos em que a União tenha interesse (artigo 109, I, da Constituição Federal).

TRANSAÇÃO NULA…

A União não foi citada no processo inicial porque se tratava de ação declaratória de inexistência de negócio entre as partes.  Mas como a Justiça já decidiu (transitado em julgado) que o negócio ocorreu e não houve aprovação prévia do governo federal, então a transação é nula de pleno direito e não pode produzir efeitos.

Com base nesse entendimento, foi protocolado recurso extraordinário no Superior Tribunal de Justiça, que negou admissibilidade. Em seguida, houve a interposição de agravo de instrumento no Supremo contra esse despacho do STJ. A apelação foi distribuída ao ministro Celso de Mello, em dezembro de 2011. Este, num rápido exame dos autos (que têm mais de 5 mil páginas), em apenas 14 dias negou seguimento ao recurso extraordinário, sustentando: “Revela-se absolutamente inviável o recurso extraordinário interposto pela parte agravante” (…), vez que, “o acórdão recorrido teria ofendido os preceitos inscritos no artigo 21, inciso XI e no artigo 223, todos da Constituição” (…) “tardiamente sustentados em sede recursal extraordinária”.

MELLO ERROU O ARTIGO…

No caso, porém, o decano do Supermo incorreu em surpreendente equívoco, errando o número do artigo constitucional pré-questionado pelos autores-agravantes. Eles se basearam no artigo 109, inciso I, e não nos dois dispositivos mencionados por Mello. O erro do relator foi registrado e apontado também pela Procuradoria Geral da República.

Contra esse cochilo do ministro-relator foi interposto agravo regimental, até hoje não julgado, passados 27 meses. Essa lentidão, sem dúvida, prejudica os autores da ação declaratória de inexistência de ato jurídico, que já poderiam ter ajuizado Ação Rescisória, considerando a falsidade do laudo da perita judicial que validou documentos montados e com dados falsos e que espantosamente foram chancelados como bons pelo Poder Judiciário.

O processo contra Marinho mostra como a Justiça brasileira pode ser facilmente manipulada. Nos autos, ele inicialmente alegou ter comprado a emissora em negociação feita com seus controladores, a família Ortiz Monteiro, mas exibiu recibos e documentos que foram considerados fraudados. Depois, mudou a versão e declarou em juízo que o negócio fora fechado com o diretor da emissora Victor Costa Júnior, que nem era acionista da empresa e não tinha procuração para vendê-la. Por fim, os advogados de Marinho e da TV Globo afirmaram que a TV Paulista deveria ser considerada propriedade de Marinho por “usucapião”, como se fosse possível haver essa jogada jurídica em caso de concessão federal.

SÓ EXISTEM DOCUMENTOS FALSOS

Na verdade, Marinho jamais exibiu documentos que comprovassem a compra legítima do controle da emissora, que tinha quase 700 acionistas minoritários. Assumiu a empresa ilegalmente, usurpou os direitos dessas centenas de acionistas em Assembleias Gerais Extraordinárias fraudadas e por ele pessoalmente presididas (tudo isso está nos autos do processo, portanto é de conhecimento da Justiça). Por não ter como provar a compra da emissora, ficou 12 anos sem transferir a concessão para seu nome.

No final, a Justiça brasileira concluiu que ele comprara a emissora com base nos documentos fraudados, validando uma argumentação que o próprio Marinho havia descartado, por absurda. Quer dizer: Marinho afirmou na Justiça que não adquiriu o controle da emissora com base naqueles documentos falsos, mas a Justiça decidiu que foi assim que ele comprou a TV, e estamos conversados.

Merece entrar para a História do Judiciário brasileiro o seguinte trecho da contestação dos advogados de Roberto Marinho, que conflita frontalmente com a decisão judicial manipulada para favorecer a Globo:

“Ora, se assim é, e tais documentos apresentam-se eivados de erros materiais, tais sejam, a aposição de datas diferentes daquelas em que efetivamente produzidos, a menção a CPF dos outorgados ou substabelecidos neles mencionados quando esse cadastro NÃO HAVIA SIDO CRIADO, e até mesmo, a menção a valores e expressão monetária não condizentes à data neles lançada, é evidente que quem os cometeu, por erro ou dolo, não pode argui-lo em seu favor e EM DESFAVOR DO BENEFICIÁRIO/DESTINARÁRIO (Sr. Roberto Marinho – acréscimo nosso) do documento em que estejam materializados, especialmente para o efeito de invalidar o ato ou negócio que tal documento haja visado consubstanciar ou permitir sua realização. A lei, o direito e a Justiça não admitem a alegação da própria torpeza para beneficiar QUEM A COMETEU. E mais, ainda que tivesse havido a participação do BENEFICIÁRIO (Sr. Roberto Marinho – acréscimo nosso) das declarações falsas constante do documento criado por outrem, não poderia este alegar esse fato para anular esse ato ou reclamar indenização. É o que dispunha o art. 104, do revogado Código Civil, ao versar sobre a simulação, como tal considerada inexistente “quando os instrumentos particulares forem ante-datados ou pós-datados” ( art. 102, III, e preceitua o atual, litteratim”:

“Art. 150 – se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio, ou reclamar a indenização”.

Portanto, a família Marinho e a Globo, no texto acima, admitem que os documentos eram falsos e teriam sido fabricados para que o Sr. Roberto Marinho ficasse com a TV Globo de São Paulo, pagando o equivalente a apenas 35 dólares.

Mesmo assim, nos autos da Ação Declaratória de Inexistência de Ato Jurídico, movida por acionistas majoritários e minoritários da hoje poderosa emissora de TV, canal 5 de São Paulo, a Justiça decidiu que esses documentos falsos comprovam a compra, vejam só a que ponto chegou o Judiciário.

Perfeito, fica combinado assim. Agora, só resta aguardar as informações que o Ministério das Comunicações tem de prestar ao Senado Federal em atendimento ao requerimento do senador Roberto Requião (PMDB/PR), pedindo explicações sobre a ilegalidade da concessão transferida pelo regime militar a Roberto Marinho, sem a indispensável documentação.

Expectativa no Planalto, no Instituto Lula e no PT: sai esta semana a pesquisa DataFolha

Carlos Newton

Tem um ditado que diz: “Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”. É mais ou menos o que está acontecendo no relacionamento entre a presidente Dilma Rousseff, o PT, o ex-presidente Lula e a base aliada.

Em público, estaria tudo quase bem, depois da suposta definição ocorrida sexta-feira, no Encontro Nacional do PT, confirmando a pré-candidatura de Dilma, com Lula e o partido aparentemente empenhados em reelegê-la, embora já comece a haver dissenções na base aliada. Mas nos bastidores a disputa segue acirrada, porque na verdade o PT, decididamente, não quer manter Dilma no Planalto.

É uma questão intrincada, claro, com muitos participantes envolvidos, mas a decisão é de apenas uma pessoa. Se Lula disser sim à sua candidatura, isto é, quando Lula disser sim (ou não, como diz Caetano Veloso), só então a disputa eleitoral vai começar para valer. Por enquanto, Lula apenas dá um sorriso e diz que “em política, tudo é possível”.

RACIOCÍNIO LÓGICO

Muitos políticos e analistas acham que Lula não vai aceitar o sacrifício. Argumentam que  o próximo presidente, seja ele quem for, terá de fazer duros ajustes, que serão muito impopulares. Por isso, Lula espertamente aguardaria 2018. Mas acontece que Lula não segue esse raciocínio lógico. Quem realmente o conhece sabe que sua vaidade não tem limites. Ele se considera o filho do Brasil, o pai da pátria, o salvador da lavoura. Vive num mundo à parte, embalado em seus próprios conceitos, e depois que passou incólume pelo mensalão, acha que tem corpo fechado e nada pode atingi-lo.

Traduzindo tudo isso: Lula quase morreu de câncer, sabe que a vida é fugidia. Por que esperar mais quatro anos? No fundo, acha que Dilma deveria se mancar e abrir voluntariamente o espaço para ele, o que até pode acontecer, se a base aliada continuar se fracionando e as pesquisas indicarem indefinição do eleitorado. Aliás, esta semana sai novo levantamento das intenções de voto, pelo Instituto DataFolha. Depois, vem o Ibope. E haja coração!

Finalmente, será conhecida a verdade sobre a usurpação da TV Globo de São Paulo por Roberto Marinho durante o regime militar

Carlos Newton

Os documentos utilizados pelo jornalista Roberto Marinho para “adquirir” a TV Paulista (atual TV Globo de São Paulo) entre 1964 e 1977 (não se pode saber sequer a data) deverão ser encaminhados ao Senado Federal, nos próximos 60 dias, pelo Ministério das Comunicações.

Na Justiça, Roberto Marinho inicialmente alegou ter comprado a emissora em negociação feita com seus controladores, a família Ortiz Monteiro, mas exibiu recibos e documentos que foram considerados fraudados. Depois, mudou a versão e declarou em juízo que havia fechado negócio com o empresário Victor Costa Júnior, que nem era acionista da emissora e não tinha procuração para vendê-la. Por fim, os advogados de Marinho e da TV Globo afirmaram que a TV Paulista deveria ser considerada propriedade de Marinho por “usucapião”, como se fosse possível haver essa jogada jurídica em caso de concessão federal.

Na verdade, Marinho jamais exibiu documentos que comprovassem a compra legítima do controle da emissora, que tinha quase 700 acionistas minoritários. Assumiu a empresa ilegalmente, usurpou os direitos dessas centenas de acionistas em Assembleias Gerais Extraordinárias fraudadas e por ele pessoalmente presididas (tudo isso está nos autos de um processo em curso contra o espólio de Marinho e a TV Globo, portanto é de conhecimento da Justiça).

DILMA QUIS SABER, NÃO CONSEGUIU… 

Convém registrar que está fazendo um ano que a própria presidente Dilma Rousseff encaminhou ofício ao Ministério das Comunicações, determinando que fossem prestados esclarecimentos solicitados à época pelos herdeiros dos fundadores da antiga TV Paulista (hoje, TV Globo de São Paulo). Mas o ministro Paulo Bernardo simplesmente ignorou a determinação presidencial.

Agora, os documentos enfim terão de ser exibidos, para atender ao requerimento de informações nº 135/2014, apresentado pelo senador Roberto Requião (PMDB/PR) e que acaba de receber parecer favorável do relator, senador João Vicente Claudino (PTB-PI), membro da Mesa do Senado Federal.

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UM PARECER CORAJOSO E INDEPENDENTE

Da Mesa do Senado Federal, sobre o Requerimento nº 135, de 2014, do Senador Roberto Requião, que requer, nos termos do parágrafo 2º do art. 50, da Constituição Federal, combinado com o art. 216 do Regimento Interno do Senado, sejam solicitadas ao Sr. Ministro de Estado das Comunicações, no prazo constitucionalmente definido, as informações abaixo elencadas e, nos termos do art. 217 do Regimento, a remessa de cópia de todos os documentos e processos que embasem e comprovem as correspondentes respostas.

RELATOR: Senador JOÃO VICENTE CLAUDINO

I – RELATÓRIO

Vem à consideração desta Mesa o Requerimento no. 135, de 2014, de autoria do Senador Roberto Requião, que solicita, com base no parágrafo 2º. do art. 50 da Constituição Federal, e nos arts. 216 e 217 do Regimento Interno do Senado Federal (RISF), sejam requeridas ao Ministro de Estado das Comunicações informações referentes à transferência do controle acionário da ex-Rádio Televisão Paulista S/A, mais tarde TV Globo de São Paulo, para o senhor Roberto Marinho.

Conforme o autor do requerimento: Salvo melhor avaliação, o ato de transferência das ações do canal 5 de São Paulo jamais existiu na ordem jurídica e governamental, visto que o negócio somente poderia ter se concretizado com a obrigatória prévia aprovação das autoridades competentes e mediante a participação dos verdadeiros acionistas fundadores ou de herdeiros da empresa de comunicação de um lado e de outro do jornalista Roberto Marinho.

Ademais, afirma que:

(…) a posterior obtenção da renovação da concessão também não poderia ter se consumado pelo comprovado descumprimento das cláusulas condicionantes da Portaria 163/65 e pelo agravante de a Assembleia Geral Extraordinária de 30 de junho de 1976, ao invés de buscar regularizar situação societária ilegal, que se arrastava por mais de 10 anos, ter sido usada pelo jornalista-empresário Roberto Marinho para eliminar o direito acionário e intransferível de seus mais de 600 acionistas…

Informa o autor, por fim, que sobre esses e outros fatos:

(…) a procuradora da República Cristina Marelim Vianna, falando nos autos do procedimento administrativo 1.34.001.001239/2003-12, instaurado para apurar ilegalidades no negócio tido como realizado pelo senhor Roberto Marinho, exarou parecer no qual assinala que resta, pois, investigar suposta ocorrência de irregularidade administrativa na transferência do controle acionário da emissora, visto a necessidade de autorização de órgão federal. Tal como se deu, esteado em documentação falsificada, o ato de concessão estaria eivado de nulidade absoluta.

Essas as razões que fundamentam a apresentação do presente requerimento.

A iniciativa vem à apreciação e decisão deste Colegiado em razão do que dispõe o art. 215, inciso I, alínea a, do Regimento Interno desta Casa, segundo o qual o encaminhamento de requerimento de informação a Ministro de Estado depende de decisão da Mesa do Senado.

II – ANÁLISE

O Requerimento no. 135, de 2014, atende a todos os requisitos constitucionais, particularmente aqueles inscritos no parágrafo 2º. do art. 50 de nossa Carta Política, o qual confere à Mesa do Senado Federal a competência para encaminhar pedidos de informação a Ministros de Estado ou demais titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República.

A proposição em análise encontra-se como instrumento para concretização da competência constitucionalmente atribuída ao Congresso Nacional de fiscalizar e controlar os atos do Poder Executivo, seja diretamente, seja por qualquer de suas Casas, consubstanciando, dessa forma, o comando inscrito no inciso X do art. 49 da Carta Cidadã.

Complementarmente, o requerimento em exame apresenta-se em conformidade, com as disposições do Ato da Mesa do Senado Federal no. 1, de 2001, que regula a tramitação dos requerimentos de informação. Verifica-se, assim, a regimentalidade da proposição.

Da mesma forma, afigura-se adequado o endereçamento da solicitação ao Ministro de Estado das Comunicações, tendo em vista a competência do órgão que dirige para tratar de outorgas e renovações para exploração dos serviços de radiodifusão.

III- VOTO

À luz do exposto, o voto é pela aprovação do Requerimento no. 135, de 2014.

Genoino, mesmo com “cardiopatia gravíssima”, quer sair para trabalhar e até já arranjou emprego

Carlos Newton

Reportagem de Bernardo Caram, no Estadão, anuncia que o advogado Claudio Alencar vai recorrer ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão do ministro Joaquim Barbosa, que determinou o fim da prisão domiciliar do ex-deputado José Genoino.

De acordo com o advogado, não há plantão de cardiologista na Papuda, porque o médico que atende no complexo está de férias. Por isso, reclamou muito, ao informar que o médico particular de Genoino ficará à disposição para acompanhar o paciente: “O sistema penitenciário é que deveria prover a todos os internos o atendimento de saúde”.

O médico particular de Genoino, Geniberto Paiva Campos, disse ao repórter que, no momento, o ex-deputado está muito bem. “Os meses que ficou recolhido à sua residência com acompanhamento familiar foram muito bons para ele”, disse. Para o médico, entretanto, a cardiopatia de Genoino é “gravíssima” e o sistema penitenciário não é o local adequado para tratar um paciente com esse quadro de saúde.

A FARSA CONTINUA…

A situação de José Genoino na penitenciária de Brasília é bastante confortável. Como se sabe, na Papuda os mensaleiros estão muito bem tratados. A visita que o PT arranjou para denunciar o mau atendimento a José Dirceu foi um tiro no pé. Os deputados encontraram o ex-ministro numa cela especial, maior do que muito apartamento conjugado, e com colchão anatômico, fogão, chuveiro elétrico e TV de plasma. É claro que Genoino vai conquistar as mesmas regalias, porque o governador petista Agnelo Queiroz é muito compreensivo, digamos assim.

Genoino só não poderia pedir para trabalhar fora, porque recentemente, alegando que não tem mais saúde para trabalhar, solicitou aposentadoria com salário integral (já recebe R$ 20 mil, quer subir para R$ 26,7 mil).

E o advogado diz que já arranjou emprego para ele. Ou seja, a farsa continua. Genoino está doente para pedir aposentadoria especial, mas se considera apto a trabalhar em horário integral… Na verdade, sabe hoje que é um guerrilheiro de araque, digno de desprezo de quem realmente lutou contra o regime militar.

A obra de Piketty e o futuro ignorado do capitalismo

Carlos Newton

Faz sucesso aqui no Blog o artigo da economista Mônica Baumgarten de Bolle, sobre o famoso livro do economista francês Thomas Piketty, “O Capital no Século XXI”.

Muitos comentários interessantes (dois deles já republicados como artigos), abordando especialmente a tese central do Livro de Piketty: “Quando a taxa de rendimento do capital excede a taxa de crescimento da economia (dado pelo PIB, Produto Interno Bruto), a desigualdade (medida pelo índice de Gini) aumenta“.

A certa altura do artigo, Mônica Baumgarten de Bolle diz que “o instigante livro de Thomas Piketty prenuncia o advento de sociedades movidas, sobretudo, pelas grandes fortunas herdadas, a débâcle da meritocracia”.

A meu ver, a conclusão é exagerada. O importante é que Piketty chama atenção para a distorção que o sistema capitalista vem vivendo nas últimas décadas, em que tem predominado os interesses do sistema financeiro, em detrimento dos interesses dos capitães da indústria e dos produtores rurais, que inicialmente eram as grandes locomotivas do capitalismo.

TUDO PELO CAPITAL

A equação é simples e antiga – teoricamente, não se pode aceitar que o capital tenha rendimento maior do que a produção de bens, porque isso significa a própria desmotivação do capitalismo. Qual o interesse do empresário em abrir um negócio comercial, industrial ou de serviços, correndo os riscos que caracterizam essas atividades, se pode ter um lucro mais seguro simplesmente aplicando no mercado financeiro?

E não estamos falando em ações, debêntures ou derivativos de mercado futuro, nem mesmo em simplórios certificados de depósitos bancários ou interbancários, nem em aplicações em fundos diversos. Estamos nos referindo a investimentos em diferentes títulos de dívida pública, colocados no mercado pelos próprios governos, com rendimento acima da inflação e lucro real garantido. O Brasil, aliás, é mestre nisso…

Se o capitalista pode ter essa possibilidade de aplicação segura e garantida, o que o motivaria a investir em produção e correr riscos? Não há duas respostas a esta indagação óbvia, que evidencia a maior distorção já sofrida pelo capitalismo.

BOLHA IMOBILIÁRIA

Recentemente, os megainvestidores tentaram uma variante ainda mais rentável, com especulação massiva no mercado imobiliário, mas com isso causaram gravíssimas crises em diferentes países (EUA, Japão, Espanha etc.), porque é impossível derrubar a lei da oferta e da procura, de uma forma ou de outra o mercado acaba voltando ao normal e os especuladores migram para outra aplicação, deixando na pior os otários de sempre (a velha classe média).

No meio da crise do capitalismo e do sentimento pessimista que desperta, mesmo que aconteça a previsão de Piketty (o advento de sociedades movidas, sobretudo, pelas grandes fortunas herdadas, com a derrocada da meritocracia), peço licença para chamar atenção para um fenômeno inverso, que o economista Mário Henrique Simonsen gostava de citar: “Pai rico, filho nobre e neto pobre”. É um dos ditados mais antigos do capitalismo, que ninguém consegue desmentir. Quem já nasce rico (com as exceções de praxe) tem uma vocação aparentemente irresistível de aproveitar e detonar o dinheiro.

Na verdade, a vida é muito mais criativa do que a mente dos economistas. Estamos na terceira fase do capitalismo. A primeira foi a da produção; a segunda, a economia de escala; e a terceira, o capitalismo financeiro. Resta sabe qual será a quarta etapa. Talvez um mix de tudo isso, com um resultado menos selvagem e mais humano, porque sonhar ainda não é proibido.

Secretário-geral do PTB pede que Lula se candidate e ele dá uma risadinha…

Carlos Newton

A colunista Mônica Bergamo, da Folha, publicou uma curiosa e instigante notícia, dando conta de que o PTB também engrossa o “volta, Lula”. Segundo a jornalista, o deputado estadual Campos Machado, secretário-geral nacional da legenda e presidente do diretório em SP, em visita ao ex-presidente, disse achar inevitável que o petista tome o lugar de Dilma se ela não chegar bem às vésperas da eleição.

“Estamos nos 38 minutos do segundo tempo. O Palmeiras está perdendo de 1 x 0 do Ituano. Eu olho para o banco reserva e vejo o Lionel Messi, o Cristiano Ronaldo ou o Neymar. Eu faço o quê?”, disse Campos Machado a Lula, comparando-o aos craques que poderiam virar o jogo. O ex-presidente teria dado “uma risadinha”, sem prolongar o assunto.

Segundo a colunista da Folha, “no raciocínio de setores do PTB, Lula não apenas seria mais competitivo na disputa presidencial —mas também um puxador de votos mais eficiente do que Dilma para candidatos ao governo dos Estados e especialmente para os candidatos do PT à Câmara e ao Senado. O número de parlamentares eleitos, com ele, poderia ser maior, independentemente de ganhar ou não a eleição”.

Como se vê, a fila está andando e a ainda presidente Dilma Rousseff ainda diz que não se importa com o apoio da base aliada e será candidata de qualquer jeito.

O desespero da guerra das pesquisas e a traição de Dilma a Alexandre Padilha em São Paulo

Carlos Newton

A guerra das pesquisas corre solta dos bastidores da sucessão presidencial. E há dois tipos de levantamentos: um deles é oficial, para ser divulgado publicamente, e tem de ser registrado na Justiça Eleitoral; o outro tipo é sigiloso, apenas para consumo interno dos interessados.

Os levantamentos oficiais são feitos pelos institutos Datafolha, Ibope, Sensus, MDA, Vox Populi etc. As pesquisas sigilosas também podem ser feitas por essas empresas especializadas, é claro, mas nada impede que sejam realizadas pelos próprios partidos, porque não há nenhum mistério na organização desse tipo de amostragem, como se diz no linguajar estatístico.

O PT está mandando fazer pesquisas semanais para decidir entre Dilma Rousseff e Lula. O Palácio do Planalto faz o mesmo, nessa reta de chegada, pois a decisão/convenção será dia 29. Os outros partidos diretamente interessados, como PSDB e PSB, também fazem suas próprias pesquisas, mas sem a sofreguidão do PT e do Planalto.

PESQUISAS ATRASADAS

Na atual etapa da campanha, as pesquisas oficiais são feitas a cada mês pelos institutos, que procuram fazer com que não haja coincidência na divulgação dos levantamentos. A cada semana sai uma pesquisa, e o suspense vai aumentando.

A mais recente foi do Ibope, que estranhamente saiu atrasada uma semana. A bola da vez agora é a pesquisa da MDA/CNT, que também já passando da hora, pois a última foi divulgada dia 29 de abril, há mais de um mês, portanto. Deve ser anunciada por esses dias. Depois, vêm Datafolha, Sensus, Vox Populi…

A expectativa é impressionante, especialmente no PT/Instituto Lula e no Planalto, que querem saber se os números estão batendo ou divergindo. E dentro de exatamente quatro semanas enfim saberemos quem representará o Partido dos Trabalhadores nesta eleição, pois o tempo não para, como diziam Cazuza e Arnaldo Brandão.

A TRAIÇÃO DE DILMA

O marcante episódio na reunião com a cúpula do PMDB, quando a presidente Dilma Rousseff revelou que vai apoiar também o peemedebista Paulo Skaf na eleição de São Paulo, mostra a que ponto chegou o desespero dela com a possibilidade de o PT lhe negar legenda para concorrer. Está atirando para todos os lados.

O candidato petista Alexandre Padilha, é claro, encarou a declaração de Dilma como uma traição não somente a ele, mas também a Lula e ao próprio PT. E la nave va…

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PS – Há dois anos, quando este repórter começou a escrever sobre a disputa de bastidores entre Lula e Dilma, divulgando importantes informações sempre com absoluta exclusividade, os soldados petistas da web logo desmentiam as notícias e me esculhambavam usando as mais torpes e degradantes expressões. Agora, estranhamente, ninguém diz nada. É um silêncio constrangedor e inquietante.

Coisas estranhas voltam a acontecer no Blog e alguns comentários estão sendo abduzidos…

Carlos Newton

Alguns participantes começam a reclamar da lentidão do Blog e da dificuldade de acesso, fenômenos que já conhecemos muito bem. O webdesigner que está trabalhando conosco, Yuri Sanson, que também é comentarista, notou que estava acontecendo nova invasão do Blog e me mandou um e-mail, perguntando se alguém possui a senha. Não, desta vez, somente ele e eu temos a senha, criada por ele. Os dois outros webdesigners que já deram assessoria ao Blog, Márcio Lordelo e Antonio Caetano, nunca tiveram essa nova senha.

Como diz o sempre presente José Guilherme Schossland, há comentários que somem, como se fossem abduzidos. Hoje, ao fazer a vistoria dos comentários considerados “spams” (propaganda infiltrada no Blog), no meio de mais de 1.300 mensagens que eram realmente “spams”, havia 9 comentários reais, a maioria enviada por Luiz Felipe, que num deles reclamava de “estar sendo censurado”. Estranho, mas até o Mauro Julio Vieira, que escreve a todo momento, também tinha comentários abduzidos como “spams”.

Vamos aguardar para ver o que acontece. Como dizia Shakespeare, há algo de podre no ar.

No Congresso, Graça Foster embroma a oposição, que revela um despreparo inacreditávelgre

Carlos Newton

Maria das Graças Foster (seu verdadeiro nome) está indo bem nos “depoimentos” no Congresso, em função do baixo rendimento dos parlamentares de oposição, que não procuram se inteirar dos aspectos técnicos do caso Pasadena, como a diferença entre refino de óleo leve e pesado. E assim presidente da Petrobras vai embromando e fornecendo informações ardilosas.

Já afirmou, por exemplo, que a refinaria estaria processando 100 mil barris/dia (mesma informação do ex-presidente Sergio Gabrielli). Mas, com toda a certeza, ela e ele estão se referindo à “capacidade nominal” da refinaria, instalada em 1934 e que hoje está necessitando desesperadamente um “refit”, como se diz atualmente. Na verdade, o que interessa é a capacidade real de refino, o segredo mais bem guardado da Petrobras.

Disse ela na Câmara, esta quarta-feira, que a unidade no Texas deu lucro no primeiro trimestre, mas não revelou o total. Pode até estar dizendo a verdade, porque a refinaria tem mesmo condições de dar algum lucro, mesmo refinando apenas 20 mil barris/dia. Se estivesse refinando 100 mil barris/dia, como ela e o ex-alegam, estaria dando um baita lucro e Graça Foster (como prefere ser chamada) teria esfregado os números dessa performance na cara dos parlamentares da oposição, é claro.

ARDILOSAMENTE…

As respostas dela são sempre ardilosamente preparadas. Com isso, a presidente da Petrobras está conseguindo embromar os parlamentares da oposição, que nos depoimentos têm revelado um despreparo constrangedor. Os oposicionistas costumam ficar restritos a perguntas sobre preço da refinaria, investimentos e coisas que tais. Mas não é por aí. O fundamental é saber quanto a refinaria refina por dia e quanto dá de lucro. É isso que importa.

Graça Foster disse que a refinaria deu lucro no primeiro trimestre, mas por que não revelou o valor? Os parlamentares de oposição têm de investir nesse particular. Devem perguntar também por que o presidente da Petrobras América entre 2007 e 2008, o engenheiro Alberto Guimarães, se posicionou frontalmente contra a compra dos outros 50% da refinaria de Pasadena. Ele também demonstrou discordância quanto ao valor negociado com a sócia belga Astra Oil.

ALERTAS POR E-MAIL

Recente reportagem de Sabrina Valle e Cláudia Trevisan, no Estadão, revelou que em setembro de 2007 o então presidente da Petrobras América, braço da estatal nos EUA, fez os alertas por e-mail. Sob o comando de  Sérgio Gabrielli, a Petrobras tinha comprado 50% de Pasadena em 2006 por US$ 360 milhões e ofereceu US$ 700 milhões aos belgas para ficar com toda a refinaria em dezembro de 2007. Quem assinou a proposta foi o então diretor da área internacional, Nestor Cerveró. Alberto Guimarães, um dos mais experientes especialistas da Petrobras, não foi ouvido.

Ele havia assumido o cargo em 1.º de janeiro de 2007. Em outubro de 2008 acabou substituído por José Orlando Azevedo, primo de Gabrielli. Naquela época, a Petrobras e Astra Oil já haviam se desentendido e estavam em litígio. Azevedo ocupou o cargo até 2012, quando a estatal brasileira foi obrigada pela Justiça dos EUA a comprar os 50% da empresa belga, num negócio que superou US$ 1,2 bilhão.

“ORDENS SÃO ORDENS”

Trocas de e-mails reproduzidas em um dos processos do litígio revelam a oposição de Guimarães e sua resignação diante da orientação dada pela cúpula da Petrobras no Brasil. “Ordens são ordens”, escreveu numa mensagem eletrônica de 28 de setembro de 2007.

Os documentos foram apresentados na ação que a Astra Oil iniciou em 1º de julho de 2008 para exigir o cumprimento do acordo de US$ 700 milhões, assinado no dia 5 de dezembro de 2007 por Cerveró e Gilles Samyn, CEO da Transcor Astra, a empresa que controla a Astra Oil.

Se não houve irregularidades na compra da refinaria, por que Nestor Cerveró e José Orlando Azevedo, funcionários de carreira, foram demitidos da Diretoria Financeira da BR e da Diretoria Comercial da Transportadora de Gás?

Diante disso tudo, os parlamentares da oposição parecem meio desinformados, ou não?