Dilma se afasta cada vez mais de Lula, e isso não vai dar certo

Carlos Newton

Não há dúvida de que as primeiras mudanças feitas pela presidente Dilma Rousseff em seu ministério contrariaram o ex-presidente Lula, ao reduzir sua influência no governo e desalojar alguns de seus colaboradores. A principal queixa de Lula se refere à saída do chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, deixando o ex-presidente sem ninguém de sua confiança na cúpula do Planalto para fazer frente ao chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. O fato é que Lula nunca gostou de Mercadante e tentou torpedeá-lo de todas as formas, desde que chegou ao poder em 2003.

Antes da posse de Lula, era consenso ter Mercadante como ministro da Fazenda, por ser o principal formulador da política econômica defendida pelo PT. Foi uma surpresa quando Lula não lhe deu vez no ministério, alegando que precisava dele no Senado. Depois, o humilhou publicamente, ao fazê-lo voltar atrás de um “pedido irrevogável” de afastamento da liderança do governo.

Na verdade, Lula sempre boicotou o surgimento de qualquer liderança que pudesse ameaçar seu domínio absoluto sobre o PT. Os melhores nomes do partido, como Mercadante, Nilmário Miranda e Patrus Ananias, sempre tiveram as asas podadas por Lula. Foi justamente por isso que “inventou” Dilma Rousseff em 2010, para seguir governando por trás dos bastidores, como uma espécie de Rasputin em versão operária, digamos assim.

“PODER EXCESSIVO”

Oportuna reportagem de Cátia Seabra, na Folha de São Paulo, informa que “aliados do ex-presidente, que governou o país de 2003 a 2010, dizem que ele considerou excessivo o poder conferido ao ministro da Casa Civil, o petista Aloizio Mercadante, na nova configuração do governo e na articulação das mudanças na equipe”.

A jornalista acrescenta que “na avaliação dos lulistas, Mercadante sonha em concorrer à Presidência nas eleições de 2018 e vale-se de sua proximidade com Dilma para evitar a ascensão de outros petistas ao centro do poder”.

“Mercadante é o general. Comanda a equipe. E tem que trabalhar com os coronéis”, disse à repórter o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, numa alusão à concentração de poder nas mãos do ministro.

LULA E DILMA

Ao contrário do que parece (e muitos até almejam), a redução da influência de Lula sobre Dilma Rousseff é muito negativa para o país. Lula saiu-se bem como governante, o país cresceu e ele entregou o governo a Dilma com PIB positivo em 7,5%, uma façanha memorável. Podemos criticá-lo por ter estimulado o consumo irresponsavelmente etc. e tal, mas o fato é que Lula sabia incentivar os empresários e dar esperanças ao povão, enquanto Dilma Rousseff faz exatamente o contrário.

Com sua postura teatral de caras e bocas, julgando-se merecedora do Nobel de Economia embora jamais tenha passado do bacharelato, e com uma dificuldade assustadora de concluir raciocínios e frases, Dilma Rousseff joga o país na encruzilhada da desesperança. Este Natal, para o comércio, foi o pior desde 2004, e não precisamos falar mais nada.

Vai ser duro aturar quatro anos desta inutilidade chamada Dilma Rousseff. Este ano, quando os petistas gritavam “Volta, Lula!”, sabiam o que estava dizendo. Daqui a mais alguns meses, vão começar a gritar “Fora, Dilma!”, porque nem mesmo os petistas vão conseguir aguentar.

Por isso, já existe uma torcida desesperada para que o escândalo do mensalão atinja diretamente o Planalto. Ainda é uma onda, mas pode se tornar um tsunami.

Esquema da Lava Jato acabará envolvendo Dirceu e Genoino

Desenrolar das investigações vai apanhar os mensaleiros

Carlos Newton

Os jornais, sem assunto, anunciam que o procurador-geral da República Rodrigo Janot só vai pedir aberturas de inquéritos e oferecer denúncias sobre políticos envolvidos na Operação Lava Jato em fevereiro de 2015, o que é o óbvio, pois desde antes do Natal o Poder Judiciário está em recesso, em sua prática de funcionar o mínimo possível.

No último dia 17, o procurador Janot enviou a delação premiada do doleiro Alberto Youssef ao ministro Teori Zavascki, relator dos processos relativos à Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), que já a aprovou, o que significa sinal verde para os processos.

Os pedidos de abertura de inquérito e denúncias contra políticos terão como base as delações de Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que firmaram acordo com o Ministério Público para revelar crimes e tentar reduzir o tamanho de sua eventual condenação pelo desvio de recursos da empresa. Mas ainda há diversas delações premiadas em curso e espera-se que outros envolvidos também se beneficiem desse instrumento legal, com novos depoimentos que complicarão ainda mais a situação dos políticos e autoridades que participaram do esquema de corrupção.

MUITO SUSPENSE

Como dizia o compositor Miguel Gustavo, o suspense é de matar o Hitchcock. Mas já houve um vazamento no sigilo judicial e o Estadão publicou que o ex-diretor Paulo Roberto Costa teria delatado 28 políticos, dos quais três já morreram – os ex-deputados José Janene e Sérgio Guerra e o ex-governador Eduardo Campos. Os 25 que restaram estão passando um final de ano desolador. Não existem esperanças de um próximo ano melhor do que este. Pelo contrário, o que eles veem é um futuro tenebroso e um encontro marcado com o fracasso.

Roseana Sarney, por exemplo, já conseguiu duas aposentadorias (como ex-parlamentar e ex-governadora) e vai morar no exterior, certamente em algum país com o qual o Brasil não tenha tratado de extradição de criminosos. Outros envolvidos também podem se evadir, como fez o mensaleiro petista Henrique Pizzolato, que atende pelo nome de Celso, identidade do irmão falecido usada por ele para fugir, mas já estava acostumado a fazê-lo, e Celso chegou até a exercer o direito de voto depois de morto, conforme todos sabem.

O mais importante, porém, é que os processos contra políticos estão apenas começando. Alguns mensaleiros que já ganharam a liberdade podem voltar para a cadeia, como José Dirceu (chefe da quadrilha) e José Genoino (então presidente do PT). No mensalão eles escaparam da formação de quadrilha, mas desta vez será muito mais difícil. Quanto a Lula e Dilma, tudo é possível, e podem também acabar envolvidos na teia que eles próprios teceram, no sonho impossível de o PT permanecer eternamente no Poder.

Genoíno quer “desconto” na pena para receber o indulto

Carlos Newton

O advogado Cláudio Alencar, um dos responsáveis pela defesa do ex-presidente do PT José Genoíno, disse à repórter Mariana Oliveira, da TV Globo de Brasília, que a defesa dele estuda pedir na Justiça o perdão de sua pena, com base no Decreto de Indulto de Natal. “Vamos analisar o texto do decreto. Se ele preencher os requisitos, faremos o pedido para o juiz de Execuções Penais”, disse advogado.

Pelas regras do Decreto de Indulto de Natal, assinado pela presidente Dilma Rousseff na quarta-feira, brasileiros e estrangeiros condenados à pena privativa de liberdade não superior a oito anos e que tenham cumprido um terço da pena, no caso de presos não reincidentes, serão libertados. O indulto significa o perdão da pena, com sua consequente extinção.

Como se sabe, em 2013 Genoíno foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção ativa no processo do mensalão. De acordo com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Genoíno cumpriu até a assinatura do indulto apenas  um ano, um mês e dez dias da pena, que é de 4 anos e oito meses. Ou seja, ainda não cumpriu um terço da pena. Ficaram faltando 20 dias.

Para ter a pena extinta, o ex-presidente do PT deveria ter cumprido um ano e dois meses de pena até esta quinta-feira, dia 25. Por isso, a defesa do ex-deputado pleiteia na Justiça o desconto de mais 45 dias.

SIMULANDO ATAQUES CARDÍACOS

O mais impressionante nisso tudo é que Genoino passou parte da pena em hospitais ou em casa, simulando estar sofrendo ataques cardíacos, e todos esses achaques foram desmentidos por exames e sucessivas juntas médicas. Ao mesmo tempo, solicitou à Câmara Federal aposentadoria por invalidez permanente, com objetivo de elevar para 27 mil reais sua aposentadoria atual, que é de 20 mil reais, mas a junta médica concluiu que ele não tem invalidez e está apto para trabalhar. Detalhe: Genoino também recebe a chamada Bolsa-Ditadura.

Se a Justiça (leia-se: o ministro do Supremo Luís Roberto Barroso) descontar mais 45 dias da pena de Genoino, será um escárnio e um desrespeito à Justiça. Se isso acontecer, é melhor fechar logo o Supremo para balanço.

Graça Foster deu entrevista à Globo e foi desmentida ao vivo

Graça alega que “não entendeu” as denúncias da ex-gerente

Carlos Newton

A presidente da Petrobras, Graça Foster, saiu do armário e deu entrevista ao Jornal Nacional, para se defender das acusações da ex-gerente Venina Velosa da Fonseca, que a alertara sobre irregularidades antes de ser deflagrada, em março, a Operação Lava Jato, sobre o esquema de corrupção na empresa.

O som da entrevista estava muito ruim, mal dava para ouvir. Graça alegou que a ex-gerente não foi clara em relação às denúncias de irregularidades e que, em um e-mail longo enviado em outubro de 2011, não mencionou em nenhum momento corrupção, fraude, cartel ou conluio.

A explicação de Graça Foster é patética. É claro que nenhum funcionário da Petrobras vai se dirigir a algum diretor por escrito usando logo as palavras corrupção, fraude, cartel ou conluio. Esse tipo de denúncia é feito sempre de forma muito cuidadosa. Numa situação delicada como essa, é claro que a então gerente Venina Fonseca não sabia com quem realmente estava lidando e corria o risco de estar se dirigindo a alguém que também poderia estar fazendo parte do esquema de corrupção.

DOIS FATOS INDESMENTÍVEIS

O primeiro fato é que não há a menor dúvida de que a gerente Venina realmente tentou entabular a conversa sobre corrupção, e o segundo fato é que a Sra. Maria das Graças Silva Foster não demonstrou o menor interesse em dar seguimento ao assunto.

Esse desinteresse ficou absolutamente claro na entrevista ao Jornal Nacional, pois a presidente da Petrobras chegou a ironizar o fato de a ex-gerente da empresa ter enviado os alertas em e-mails, mas nunca ter se preocupado em confirmar o recebimento das mensagens.

“Eu acho também que quando a gente manda um e-mail pra alguém tão importante, telefona, manda uns anexos, chama o chefe de gabinete, né? Também não houve isso, então, logo depois, em fevereiro, ela pediu para falar comigo e a gente conversou sobre diversos assuntos”, destacou Graça.

A presidente da Petrobras disse que só recebeu Venina em seu gabinete pouco depois de assumir o comando da estatal, em fevereiro de 2012, e que, no encontro, não ouviu acusações de corrupção. “Nenhuma denúncia. Conversamos sobre custos de projetos, prazos de projetos mais longos que os previstos e atitudes que eu deveria tomar”, relatou.

Ora, é claro que Venina, diante do flagrante desinteresse de Graça Foster, teve de se retrair  e não quis insistir no assunto. Será que valia a pena insistir em denunciar corrupção a uma interlocutora reticente?

AVERSÃO DE VENINA

Depois de ouvir Graça Foster, o Jornal Nacional conversou por telefone com a ex-gerente da Petrobras. A apresentadora Sandra Anenberg então confirmou, ao vivo, que Venina Fonseca nunca usou a palavra “corrupção” nas mensagens enviadas por e-mail à presidente da estatal, porém fizera alertas sobre a existência de irregularidades na área de comunicação e nos processos de licitação, e Graça Foster não demonstrou interesse nem a chamou para dar explicações.

Sandra Anenberg disse que, ainda segundo a ex-gerente, as licitações e os projetos eram feitos de forma a dificultar o acompanhamento. E acrescentou que Venina ressaltara que, “como qualquer gestor”, a presidente da Petrobras deveria tê-la chamado para novas conversas diante desses alertas que ela fez.

Por fim, Sandra Anenberg disse que a ex-gerente também enfatizou ao JN que nunca pediu para ir para Cingapura.

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ERRATA – Na primeira versão deste artigo, saiu postado que o marido de Graça Foster era um grande fornecedor da Petrobras, mas é exatamente o contrário: é um fornecedor tão pequeno que os contratos nem entram em licitação, devido ao valor irrisório. Pedimos desculpas ao Sr. Collin Vaughan Foster. (C.N.)

Comissão da Verdade está colhendo o que plantou…

Lavenére-Wanderley

Carlos Newton

Depois que o criminalista José Paulo Cavalcanti, uma das sete personalidades indicadas pela presidente Dilma Rousseff para a Comissão Nacional da Verdade, disse ao Estado de S. Paulo ter sempre defendido que o grupo também investigasse ações dos grupos de oposição armada contra a ditadura militar, acrescentando que a História é feita pelos dois lados, agora é a família do lendário Tenente-Brigadeiro Lavenére-Wanderley que vem a público contestar o relatório final da Comissão, em termos duríssimos. Confiram a carta-aberta à Força Aérea Brasileira que vem sendo divulgada nas redes sociais pelos parentes do ex-ministro da Aeronática e ex-chefe do Estado Maior das Forças Armadas.

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UM PROTESTO VEEMENTE

A família de Nelson Freire Lavenére-Wanderley vem a público para protestar
veementemente contra a absurda e mentirosa afirmação da Comissão da Verdade
de que o referido seria responsável por qualquer tipo de crime em sua vida
e/ou em sua carreira militar.

Sua vida inteira foi marcada por um espírito nacionalista, patriótico e de
Homem de bem. Seus contemporâneos, no país e no exterior, que o conheceram,
independente de credo político, guardam dele a melhor lembrança que se pode
ter de uma pessoa honrada e de princípios.

Suas virtudes são comprovadas pelos conhecidos, amigos, colegas de farda,
familiares, por quem com ele conviveu ou o procurou e pela História da Força
Aérea Brasileira registrada até ontem.

Mesmo após reformado, permaneceu se dedicando exclusivamente a assuntos
vinculados à Aeronáutica, como historiador e conferencista.

Sem poder imaginar essa mentirosa insinuação que hoje lhe fazem e
expressando seu amor à FAB ele disse: “A epopéia do Correio Aéreo Nacional
não terminará; ela se transfere, de geração em geração. Sob novos tempos,
ela prosseguirá impulsionada pelo anseio que empolga a Força Aérea
Brasileira de servir à Pátria, de ser útil e de participar da integração e
do desenvolvimento nacional”.

No decorrer do texto do relatório da comissão, seu nome surge pelo fato de
que em 4 de abril de 1964, ao assumir o comando da 5ª Zona Aérea foi
alvejado com tiros, dos quais 2 o acertaram, desferidos por um oficial a
quem dera voz de prisão e que, ato contínuo foi morto por um 1 tiro dado por
um terceiro oficial presente no recinto de seu gabinete.

O fato foi largamente divulgado por toda a mídia nacional, foi instaurado um
inquérito para apuração dos fatos e um processo penal que absolveu, em todas
as instâncias, o oficial que alvejou o insubordinado. Até a viúva do oficial
morto, em carta aberta publicada no jornal O Globo, se manifestou elogiando
o Comandante por ter mandado prestar honras militares ao oficial por ocasião
de seu enterro.

Durante os depoimentos para comissão, a verdade foi distorcida, escamoteada
e escondida para que o falecido fosse considerado vítima militar da
revolução e justificasse uma indenização. Para isso então surgiu uma versão
de que o mesmo teria sido vítima de rajada de metralhadora nas costas, com
16 perfurações apontadas numa perícia médica.

Essa versão teve sua revogação pedida por participantes da comissão, mas
esta optou por não discutir se a morte ocorreu por legítima defesa e
salientou-se que o deferimento da versão já dada se concretizou por decreto
presidencial e que a CEMDP não teria competência para revogá-la e assim
permanece até hoje, conforme consta nas páginas 60 e 61 do Direito à Memória
e à Verdade da Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, da
Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da Republica, de
2007.

A acusação de crime é contra o “Patrono do Correio Aéreo Nacional”, título que
lhe foi concedido, em 12 de junho de 1986, em reconhecimento à sua carreira
militar e ao seu legado para a FAB. Principalmente, por seu pioneirismo no
CAN, onde, junto com Eduardo Gomes, Lemos Cunha, Casemiro Montenegro e tantos outros
traçaram os caminhos que hoje unem a Nação Brasileira.

Em Ordem do Dia do Comandante da Aeronáutica em 12 de junho de 2014, foi
dito: “HOUVE UM DIA EM QUE PIONEIROS EMPUNHARAM O ESTANDARTE DOS
BANDEIRANTES E COMEÇARAM A SEMEAR, POR ESTE IMENSO PAÍS, AS OPORTUNIDADES DO ENCONTRO, DA SOLIDARIEDADE E DA INTEGRAÇÃO. HÁ OITENTA E TRÊS ANOS, OS
TENENTES NELSON FREIRE LAVENÉRE-WANDERLEY E CASEMIRO MONTENEGRO FILHO
VENCERAM A SERRA DO MAR E FIZERAM DO 12 DE JUNHO DE 1931 UM MARCO DE
PATRIOTISMO E TENACIDADE”.

O mesmo Homem que entre as inúmeras homenagens que a FAB lhe prestou
ressaltamos apenas a última, ocorrida em 15 de outubro de 2014, quando foi
inaugurado um auditório na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais da
Aeronáutica com seu nome, é apontado no relatório final da Comissão Nacional
da Verdade como responsável por crimes cometidos.

Não é justo, moral nem ético que a FAB, que ressalta entre seus valores a
liderança, como motivador de seus subalternos; o servir à Pátria, como
essência de exemplo; a honra, como decoro da classe; a coragem, traduzida
pela franqueza, perseverança e firmeza de atitudes e de convicções e a
lealdade, como compromisso assumido com a Instituição e junto a seus
superiores, pares e subordinados, não se pronuncie a respeito dessa acusação.

(texto enviado por Mário Assis)

IBGE desfaz a farsa da “nova classe média” inventada pelo PT

 

Carlos Newton

Pesquisa realizada pelo IBGE sobre insegurança alimentar joga por terra a farsa da formação da “nova classe média” em 2009. O levantamento, baseado nas informações da Pesquisa Nacional de Amostras em Domicílio (PNAD), mostra que 78,9% dos domicílios em insegurança alimentar moderada ou grave têm rendimento per capita de até um salário mínimo. Ou seja, renda total de R$ 2.561, considerando-se famílias com 3,5 membros cada, em média.

A pesquisa considera que domicílios com insegurança alimentar leve são aqueles nos quais foi detectada alguma deficiência com a quantidade e qualidade dos alimentos disponíveis. Nas famílias com insegurança alimentar moderada, os moradores conviveram com a restrição quantitativa de alimento. Por fim, nos domicílios com insegurança alimentar grave, além dos membros adultos, também as crianças passavam pela privação de alimentos, podendo chegar à sua expressão mais grave, a fome.

Em 2013, a pesquisa registrou 65,3 milhões de domicílios particulares no Brasil. Destes, 14,7 milhões de família (22,6%) se encontravam em algum grau de insegurança alimentar. Ou seja, o problema da desnutrição ainda atinge cerca de 52 milhões de pessoas (25,8% da população do país).

UMA TEORIA FALSA

O inventor da nova classe média foi o economista Marcelo Néri, que trabalhava na Fundação Getúlio Vargas e ganhou 15 minutos de fama em 2009, ao anunciar que o governo tinha conseguido tirar milhões de família da pobreza e as elevado à classe média. Era como se a classe operária enfim tivesse chegado ao paraíso, mas ao contrário do enredo do filme clássico do diretor Elio Petri (Itália, 1971).

Para realizar o milagre da multiplicação dos pães, em 2009 Néri passou a considerar de classe média as famílias com renda mensal a partir de R$ 1.600 (ou seja, com cada membro tendo renda de R$ 455), que era o salário mínimo da época.

A imprensa abriu espaço para essa idiotice, Néri foi ganhando fama e até escreveu um livro, “A Nova Classe Média”. O pior é que Lula ficou encantado com a teoria de Néri e acreditou mesmo que milhões de famílias tivessem saído da pobreza e emergido na classe média.

A vida do criativo economista é que imediatamente melhorou. Neri tornou-se presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e depois ministro. E foi em sua gestão que o IPEA cometeu o maior erro estatístico de sua história, ao divulgar que 65% dos brasileiros concordavam que mulheres com roupas que mostram o corpo mereciam ser atacadas. O resultado correto era 26%, ou seja, o erro foi de “apenas” 39%. Mesmo assim, Néri não foi demitido.

CLASSE MÉDIA DESNUTRIDA?

As palavras e expressões têm um peso e um significado. Quem está na classe média não pode mais ser considerado pobre nem ter problemas de segurança alimentar. Se isso estiver ocorrendo, é sinal de que alguma coisa muito séria aconteceu. Ou o país mergulhou numa crise econômica e social gravíssima, em que a classe média subitamente empobreceu, ou a classificação de classe média está equivocada. Não há outra explicação.

Já houve um tempo em que Lula e o PT acreditavam no Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que há décadas tem alertado o país sobre o baixo poder aquisitivo do salário mínimo brasileiro. Agora, preferem acreditar num carreirista como Marcelo Neri, cujos “trabalhos” depõem contra a credibilidade do governo e desprezam a racionalidade dos demais brasileiros, que com facilidade sabem distinguir quem é da classe pobre e quem é da classe média.

Lula e Dilma não encontram ninguém para assumir a Petrobras

Carlos Newton

A situação é patética. Da mesma forma com que não conseguiram emplacar nenhum grande nome da economia para o Ministério da Fazenda, quando sonhavam com o banqueiro Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, e tiveram de se contentar com Joaquim Levy, que não é nenhuma sumidade e estava no terceiro escalão do banco paulista, Lula e Dilma Rousseff agora não conseguem encontrar nenhum grande nome para a presidência da Petrobras.

O primeiro problema é o fato de o PT não possuir quadros capazes de se desincumbir de uma tarefa desse porte. Como Dilma não manda nada, Lula então é obrigado a procurar um nome de mercado, que seja competente e respeitado. Mas existem problemas operacionais e pessoais, digamos assim.

Além de a recuperação da estatal ter se tornado uma espécie de missão impossível ou tarefa como os doze trabalhos de Hércules, qual a personalidade de projeção que aceitaria se submeter às ordens e aos caprichos de Dilma Rousseff? Como todos sabem, a presidente se comporta com uma arrogância monumental, embora em exibições ao público se mostre portadora de uma certa dislexia mental, com dificuldades para expor o raciocínio em questões até banais.

UM NOME COMO CARLOS LESSA

Sonhar ainda não é proibido. Se Lula não tivesse rompido com Carlos Lessa por causa de um ministro chamado Antonio Palocci, que depois revelaria em todo esplendor sua falta de caráter, poderia agora recorrer ao renomado professor de economia, que apresentou um trabalho esplêndido no BNDES no primeiro governo petista, fazendo com que o banco de fomento voltasse a impulsionar o desenvolvimento nacional, o que resultou numa curva ascendente do PIB, que chegou a crescer 7,5% ao ano, antes de despencar na desastrada gestão de Dilma Rousseff.

Palocci é hoje um incidente do passado e Lula recentemente demonstrou interesse em se recompor com Lula, não sei se voltaram a se falar. Mas será que o ex-presidente teria mesmo essa grandeza de reconhecer o erro que Palocci o levou a cometer? E Lessa? Aceitaria se recompor com Lula e executar essa missão impossível?

De toda forma, o importante é que a Petrobras seja recuperada, não importa quem esteja no poder. Afinal, a empresa não pertence ao governo, é a principal joia da coroa do Estado, o que é muito diferente. E os brasileiros precisam voltar a sentir orgulho dela. Que assim seja.

Bem que Daniel Dantas avisou que resolvia lá em cima…

Daniel Dantas, um homem que realmente confia na Justiça brasileira

Carlos Newton

Os jornais publicaram que a Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que as buscas feitas na sede do Banco Opportunity, no Rio de Janeiro, em 2004, foram ilegais. Com isso, simplesmente anulou as provas que foram usadas como base para a operação Satiagraha, que chegou a prender Daniel Dantas.

A justificativa do Supremo foi de um ridículo atroz, ao julgar um habeas corpus de Dantas, em que ele reclamava que a operação Chacal, que apurou o esquema de espionagem contra a Telecom Itália, tinha permissão da Justiça somente para fazer buscas e apreensões na sede do Grupo Opportunity, no 28º andar de um prédio no Rio.

Quando a busca foi feita, no entanto, a Polícia Federal também foi em outro andar da sede do Banco Opportunity, no 3º andar do mesmo prédio. No local, foram feitas cópias de HDs de computadores, onde listas de clientes acabaram apreendidas. Foram justamente tais dados que, posteriormente, serviram de base para a operação Satiagraha.

POR UNANIMIDADE…

Em decisão unânime, a Segunda Turma entendeu que as apreensões no 3º andar foram ilegais, por isso, as provas coletadas não teriam validade jurídica.

Os ministros não levaram em conta a obviedade de que a autorização judicial teve objetivo de permitir buscas na sede do Banco Opportunity. O fato de mencionar apenas o 38º andar é apenas um detalhe sem a menor relevância, pois o importante era o objetivo da autorização judicial (coletar provas na sede do banco) e não a questão específica do andar. Por exemplo, se o Opportunity funcionasse no 37º andar e não no 38º, a autorização judicial estaria inválida e os policiais teriam de regressar à base, enquanto acusados se livravam das provas?

Na ciência do Direito, o que prevalece é o espírito da lei, não a letra fria da lei. Vejamos, por exemplo, o caso da Lei de Recuperação Judicial das Empresas, que substituiu a antiga Lei de Falências. Alguns de seus dispositivos têm erros de técnica legislativa. Um deles, por exemplo, manda aplicar o artigo número tal, mas na verdade está se referindo a um artigo de outro número. Por causa disso, os juízes deixaram de aplicar o dispositivo? Claro que não. É preciso respeitar o espírito da lei, repita-se ad infinitum, ou ad nauseam, como dizem os juristas.

DANTAS PREVIU TUDO…

Na operação Satiagraha, o réu Daniel Dantas chegou a ser preso e deu entrevista dizendo que só tinha medo da 1ª instância judicial, porque “lá em cima eu resolvo”. Esse “lá em cima” se referia aos tribunais superiores, como o Supremo, que fez mais essa lambança agora, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que simplesmente também acaba de invalidar a operação Satiagraha, por entender que foram usados de maneira ilegal agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em grampos telefônicos.

O mias revoltante é que o STJ condenou o delegado federal Protógenes Queiroz à prisão, multa, demissão da Polícia Federal e perda do mandato de deputado federal pelo PCdoB paulista. O Ministério Público, obviamente, recorreu da decisão e aguarda um julgamento definitivo sobre o caso no Supremo, mas as perspectivas são sombrias, pois em processo anterior o STF já condenou Protógenes por quebra de sigilo funcional ao vazar para a imprensa informações sobre a operação. Como a pena foi baixa (2 anos e 6 meses), acabou substituída por prestação de serviços comunitários.

Quanto a Daniel Dantas, o banqueiro falastrão continua se divertindo com a podridão da Justiça brasileira, enquanto conta o vil metal amealhado ilicitamente. Ah, Brasil!

Lula mandou demitir Graça Foster, e Dilma tem de obedecer

Carlos Newton

A confusão no Triângulo das Bermudas (Planalto, PT e Instituto Lula) é como a antiga anistia – ampla, geral e irrestrita. Em meio à derrocada do esquema de sustentação do poder via corrupção na Petrobras e em outras fontes como o mensalão, a presidente Dima Rousseff agora se omite e deixa o barco ir à matroca, como se dizia antigamente, enquanto um desgastado e repetitivo Lula volta à cena para retomar indiretamente o poder e mostrar quem está no comando.

Depois do desmoralizante discurso do procurador-geral Rodrigo Janot, Lula já mandou a ex-gerentona demitir a diretoria da Petrobras e ela vai obedecer, claro. Mas Dilma está na mesma situação que enfrentou no Ministério da Fazenda. Também no caso da Petrobras, ela procura um nome de respeito, que inspire confiança e seja inacatável, mas não encontra ninguém que aceite o sacrifício. Portanto, da mesma forma como Lula mandou que Dilma aceitasse Joaquim Levy, que estava no terceiro escalão do Bradesco, agora ele vai indicar o novo presidente da Petrobras.

“GABINETE DA CRISE”

Ao mesmo tempo, o ex-presidente quer preencher todos os espaços, mudar a direção do PT e criar no partido o que ele intitulou de “gabinete da crise”, embora nem mesmo ele saiba o que seja isso e como funcionaria, é apenas um “factóide”.

O fato que desponta sem a menor dúvida é que Dilma Rousseff naufragou. Quando se pensava que ela enfim iria se consolidar no poder, livrando-se da incômoda e persistente influência de Lula, ocorre justamente o contrário. A criatura se mostra fraca e omissa, o criador agradece e retoma o poder.

Mas a realidade é dura. Por mais que Lula tente consertar as coisas, a situação já fugiu inteiramente ao controle, o prestígio do governo junto à opinião pública independente, digamos assim, já é zero. A grande imprensa mostra um governo em ruínas, em meio a uma gravíssima crise econômica e moral. O governo só é defendido pelos sites e blogs sustentados pela máquina federal, via Petrobras (olha ela aí de novo!), Banco do Brasil e Caixa Econômica. E a tendência é piorar.

De olho no impeachment, Temer dá força a Eduardo Cunha

Carlos Newton

Importante notícia publicada na coluna Painel da Folha de São Paulo, sob comando da jornalista Vera Magalhães, mostra que o vice-presidente Michel Temer está se mexendo nos bastidores do poder e já começou a articular um acordo entre PT e PMDB para evitar uma disputa pelo comando da Câmara.

A informação é de que a sondagem de Temer prevê que os petistas desistam de lançar um candidato e apoiem Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para presidir a Câmara. A justificativa de Temer é de que o próprio Planalto estaria interessado em evitar que uma disputa acirrada crie um clima hostil contra Cunha, que  se tornaria inimigo do governo.

“Temer já conversou com o pré-candidato do PT, Arlindo Chinaglia (SP), e disse a aliados que recebeu boas sinalizações”, diz a coluna Painel, acrescentando um detalhe fundamental: “A negociação não prevê um rodízio entre PT e PMDB na presidência da Câmara: Cunha respeitaria a tradição e apoiaria a condução de um petista à 1ª vice, mas não se comprometeria a levar o PT à presidência em 2017”.

Eduardo Cunha, que é franco favorito, está percorrendo o país em campanha e deve receber esta semana apoio formal do PRB, o que agregará 21 votos à sua candidatura à Mesa, e diz ainda não ter sido consultado sobre o acordo que Temer tenta costurar até o Natal, para arrematar a composição em janeiro, às vésperas da eleição na Câmara, que se realiza no mês seguinte.

DE OLHO NA SUCESSÃO

Michel Temer é uma raposa felpuda e está se mexendo em causa própria. Como primeiro colocado na linha de sucessão de Dilma Rousseff, ele luta para tirar o PMDB da linha de tiro da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Sabe que pode ser o grande beneficiário da crise e começa a armar seu circo.

Com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Câmara, o impeachment da presidente Dilma Rousseff terá tranquilamente o apoio de dois terços dos deputados e subirá para o Senado, que decidirá a cassação dela. O único problema é que Eduardo Cunha então se tornaria o segundo na linha da sucessão presidencial, mas Temer nem se importa com esse pequeno detalhe, porque a hora é essa.

A saída do jurista Jorge Béja da Tribuna da Internet

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Carlos Newton

Não pode passar sem uma explicação nossa a saída do jurista Jorge Béja, que decidiu se afastar da Tribuna da Internet. São vários os motivos. De início, é preciso esclarecer que se trata de um intelectual de fina educação, que não aceita a maneira inconveniente e deselegante de determinados comentaristas, que ofendem os outros e apelam até mesmo a palavrões.

Além disso, Dr. Béja costuma relembrar aqui grandes causas humanitárias defendidas por ele, sem remuneração, em favor de pessoas absolutamente desprotegidas ou simplesmente em defesa do interesse público. Mas sempre que o jurista escreve sobre alguns desses fatos memoráveis, logo aparece algum comentarista desqualificado, e ridiculamente insinua que se trata de autopromoção, sem saber que o Dr. Béja, para a atual geração de juristas, representa o mesmo idealismo e a mesma dedicação ao próximo que o Dr. Sobral Pinto representou na geração anterior.

Essas contrariedades foram se somando a problemas outros, como as chatices que costumam ocorrer na informática, sem que nós, os leigos, possamos entender e resolver.

Semana passada, por exemplo, deixou de aparecer no computador dele a diagramação da página da Tribuna da Internet. Toda vez que Dr. Béja acessava, surgia na tela uma página confusa, sem o visual conhecido.

Trocamos e-mails a respeito, o problema persistiu apenas no computador dele, até que sugeri que acessasse o blog através de www.carlosnewton.com.br e tudo voltou ao normal.

Depois, deixou de aparecer o link “responder” nos comentários, e Dr. Béja voltou a se comunicar comigo. Como não tenho conhecimento de informática a ponto de saber o que está acontecendo,  sugeri que ele chamasse um técnico de minha confiança, para que fizesse uma limpeza (desfragmentação) do computador e repassasse um antivírus, para ver se o problema cessava. De três em três meses, faço esses procedimentos, senão o computador enlouquece e, pior, também me leva à loucura.

Agora, vejo que Dr. Béja perdeu a paciência. Acontece a mesma coisa comigo. Às vezes, tenho vontade de atirar o computador pela janela. Por isso, se algum de vocês sabe como resolver este problema técnico, peço que nos informe o mais rápido possível, porque não podemos deixar de contar com as abalizadas opiniões e com os artigos de nosso principal comentarista.

P.S. – Quando estava escrevendo este texto, o computador trocou o tipo da letra duas vezes. É mesmo uma chatice…

Diante do mar de lama do PT, Getúlio merecia ser canonizado

Carlos Newton

O escândalo da Petrobras se agrava a cada dia. É um nunca-acabar de fatos escabrosos, que vão desestabilizando o governo Dilma Rousseff exatamente quando deveria ser renovado, para trazer esperança de retomada do crescimento socioeconômico. E nesse clima o sonho do PT de transformar a nova posse de Dilma em uma enorme festa popular está se tornando um pesadelo sinistro.

Ao contrário do que ocorreu no Mensalão, quando havia dúvidas se Lula sabia ou não do esquema de corrupção da base aliada, desta vez o quadro é totalmente diverso. Naquela época, o ex-ministro José Dirceu acabou sendo responsabilizado sozinho, como se o então presidente Lula fosse apenas um ceitantoche nas mãos do chefe da Casa Civil, pois prevaleceu a inaceitável tese de que Dirceu corrompia sozinho a base aliada para facilitar sua ascensão ao poder, na sucessão de Lula.

Agora, Lula não é mais presidente e o esquema de corrupção na Petrobras sobreviveu a Dirceu, envolvendo diretamente o ainda Tesoureiro do PT, José Vaccari Neto, e os “operadores” de mais dois importantes partidos da base aliada – o PMDB de Michel Temer e o PP de Paulo Maluf.

GRAÇA SABIA, DILMA SABIA

De início, Dilma Rousseff tentou fingir que nada tinha a ver com o escabroso assunto. Pelo contrário, vinha dando repetidas declarações de que o combate à corrupção deveria ser debitado diretamente a ela. Repetiu esse bordão ad nauseam, embora seu governo jamais tenha incentivado a Polícia Federal ou a Controladoria-Geral da União. Pelo contrário, o corte nas verbas dessas duas instituições chegou a tal ponto que o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, acaba de pedir demissão, sem condições de realizar o trabalho que se esperava dele.

Dilma não pode mais fingir que não sabia de nada, porque sempre soube da corrupção na Petrobras, que lhe foi denunciada antes mesmo de tomar posse como ministra de Minas e Energia, em janeiro de 2003. Ela pode até alegar que, naquela época, não recebeu o dossiê que lhe foi entregue pessoalmente pelo jornalista Wilson Thimóteo, principal assessor de Lula. Mas agora não tem mais desculpa.

Como já está provado e confirmado que a presidente da Petrobras, Graça Foster, tinha conhecimento da corrupção na Petrobras, não resta a menor dúvida: se Graça sabia, Dilma também sabia, conforme informamos ontem aqui na Tribuna da Internet. As duas têm uma amizade realmente tão profunda, que chega a um ponto de insanidade, com a presidente Dilma mantendo Graça Foster no cargo, apesar de tudo e de todos.

ATÉ LULA QUER DERRUBAR GRAÇA

A situação vai num crescendo e agora é o próprio Lula que ordena a demissão de Graça Foster, “através de lideranças do PT”, segundo o jornal Correio Braziliense noticiou este domingo, com exclusividade. Mas a presidente Dilma, fiel à velha amiga, continua fingindo que não está acontecendo nada na Petrobras e estamos vivendo no melhor dos mundos.

O resultado será visto no dia da posse, 1º de janeiro. As redes sociais se mobilizam para promover megaprotestos em Brasília e nas grandes cidades do país. Na capital federal , o movimento “Vem pra Rua, Brasília” já começou a distribuição de convites para a manifestação. O grupo, que desta vez se chamará “Vem pra Brasília, Brasil”, aposta nas últimas notícias do escândalo da Petrobras para atrair o maior número de insatisfeitos e a azedar a festa apoteótica que o PT sonhava fazer.

Realmente, nunca antes, na História desse país, se viu nada igual. Perto do mar de lama de Lula/Dilma, o escândalo que derrubou Getúlio Vargas virou brincadeira de criança.

Se Graça Foster sabia, Dilma Rousseff também sabia…

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Graça e Dilma subiram juntas e estão caindo juntas

Carlos Newton

Os jornais noticiam que a ex-gerente da Venina Fonseca, que denunciou a corrupção no setor de Abastecimento da Petrobras e acabou demitida por justa causa, será ouvida esta semana pelos procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato.

Conforme reportagem-denúncia do Valor Econômico, publicada sexta-feira, a funcionária enviou e-mails alertando a atual diretoria da estatal sobre desvios na companhia. Uma dessas mensagens, enviada em 16 de janeiro de 2009 ao então diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, Venina Fonseca disse ser fiel a ele, mas que passou por “momentos difíceis” por não conseguir praticar atos contra as regras da estatal.

O novo escândalo foi divulgado pelo “Jornal Nacional”, da TV Globo, na própria sexta-feira e desde então vem dominando o noticiário, com ampla repercussão na internet.

E-MAIL PARA COSTA

No início do e-mail, Fonseca afirmou ter gratidão pelo fato de Costa, um dos acusados de desvios na Petrobras, ter colaborado para a evolução profissional dela.

“Nos últimos tempos tenho vivido momentos difíceis… diariamente me deparo com situações que geram um grande conflito de valores. Não vou entrar em detalhes porque sei que você sabe do que eu estou falando.”

A geóloga detalhou os fatos que a deixavam aflita.

“Quando me deparei com a possibilidade de ter que fazer coisas que supostamente iriam contra as normas e procedimentos da empresa, não consegui criatividade para isto. No meio do diálogo caloroso e intenso ouvi palavras como “covarde”, “pular fora do barco” e “querer me pressionar”. Esperava mais apoio”.

Este e-mail faz parte da investigação da comissão interna da Petrobras que investiga as obras da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, nas quais há suspeita de superfaturamento. O material será analisado pela força-tarefa da Lava Jato.

GRAÇA FOSTER SABIA

Segundo a bombástica reportagem do “Valor”, A então gerente do Abastecimento também enviou para Graça Foster mensagens eletrônicas e documentos comunicando irregularidades ocorridas tanto antes de ela assumir a presidência, em 2012, quanto depois. O mesmo ocorreu com o atual diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza, que hoje responsável pelas “auditorias” que estariam sendo feitas na estatal, se é que se pode confiar em investigações conduzidas pela atual diretoria

De acordo com o jornal, Graça foi informada sobre contratações irregulares na área de Abastecimento durante a gestão de Paulo Roberto Costa e de aditivos nas obras da refinaria Abreu e Lima, envolvendo o cartel de empreiteiras investigadas na Lava Jato.

E se Graça Foster sabia de tudo, é óbvio que Dilma Rousseff também sabia. Ou alguém ainda tem alguma dúvida sobre isso?

 

Entenda o risco de impeachment da presidente Dilma Rousseff

Carlos Newton

A Operação Lava Jato deverá gerar imensa onda de ações de improbidade contra empresas, executivos, funcionários e agentes públicos, inclusive governantes, ministros e parlamentares. Nessas ações de improbidade, o Ministério Público Federal pode e deve pleitear paralisação de contratos, pedindo até mesmo antecipação de tutela para proibir que empresas corruptoras sigam prestando serviços ao poder público.

Existem membros da Procuradoria-Geral da República que cogitam inclusive aplicar a nova Lei Anticorrupção (Lei 12.846/13) aos fatos ilícitos comprovados pela Operação Lava Jato, considerando que muitos contratos viciados continuaram e continuam a produzir efeitos e pagamentos após a entrada em vigor dessa legislação, além de existirem delitos permanentes em curso. Isso geraria ações para impor multas de até 20% sobre faturamento bruto das empresas corruptoras.

A esse respeito, há algumas informações que não procedem e precisam ser bem esclarecidas, segundo o jurista Fábio Medina Osório, considerado o maior especialista na legislação brasileira sobre corrupção e improbidade administrativa. Confiram os esclarecimentos dele:

1) Um eventual acordo de leniência (cooperação da empresa com as autoridades) na Controladora-Geral da União não inibe ações de improbidade pelo Ministério Público Federal, tampouco ações do Tribunal de Contas da União, porque as instâncias são independentes.

2) Não há controle político sobre o Ministério Público Federal (Procuradoria-Geral da República) ou sobre magistratura.

RECESSSÃO E IMPEACHMENT

O fato concreto é que a crise é gravíssima e seu prolongamento pode mergulhar a economia nacional numa recessão profunda, devido à paralisação de importantes obras por todo o país, em função das ações de improbidade que inevitavelmente atingirão as empreiteiras. Os resultados jurídicos e administrativos da Operação Lava Jato podem gerar essas consequências, não se trata de nenhuma teoria conspiratória.

Esse ambiente de crise econômica e política tem os ingredientes ideais para fomentar o impeachment da presidente Dilma Rousseff, que permitiria ao vice Michel Temer realizar seu sonho de exercer a Presidência da República, caso ele também não venha a ser atingido pelo prosseguimento das investigações acerca da participação do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras.

PROCESSOS NOS EUA

Detalhe final e sinistro: o cenário vai se agravar ainda mais, porque Petrobras está na iminência de ser desestabilizada em função da atuação da SEC norte-americana (Securities and Exchange Commission), entidade que protege os investidores no mercado de capitais.

Quando isso ocorrer, a presidente Dilma enfim poderá finalmente colher os frutos de seu péssimo relacionamento com os Estados Unidos, sempre atacados por ela, que só tem revelado compreensão no que se refere a países como Cuba, Angola, Moçambique, Venezuela e Estado Islâmico, a “nação” rebelde que tenta usurpar territórios da Síria e do Iraque, por meio de um barbarismo jamais visto desde as chacinas de Pol Pot no Camboja.

Não há dúvida de que os Estados Unidos são imperialistas e cometem brutais atrocidades, invadem e saqueiam nações independentes e tudo o mais. Porém, em comparação ao tal Estado Islâmico, que Dilma defendeu na ONU e nos expôs ao ridículo internacional, os americanos podem até ser considerados bons samaritanos.

Revelação dos políticos envolvidos será presente de Natal

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Carlos Newton

A novela da corrupção na Petrobras está longe de se aproximar dos capítulos finais. Pelo contrário, ainda está praticamente no início e a cada dia o respeitável público é surpreendido com novidades de “estarrecer”, para usarmos uma das expressões da preferência da presidente Dilma Rousseff.

O próximo capítulo, realmente sensacional, será a tão esperada divulgação dos nomes dos políticos envolvidos, em episódio que vai funcionar como uma espécie de presente coletivo de Natal para os brasileiros.

Depois, vai se desenrolar a trama seguinte, conforme já revelamos aqui na Tribuna da Internet, com a Polícia Federal e o Ministério Público investigando a corrupção em outras estatais e em órgãos do governo federal, com o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), que é o nome atual do antigo DNER, famoso pela corrupção desde o regime militar.

OUTROS DOLEIROS

A apuração das irregularidades em outras estatais e órgãos do governo será feita paralelamente à investigação de outros doleiros identificados (dois deles já estão presos em Curitiba), que faziam a lavagem do dinheiro de outros casos de corrupção, pois o doleiro Alberto Youssef não dava conta de tanto dinheiro sujo e estava sempre assoberbado com suas atividades no esquema da Petrobras.

Tudo isso, é claro, será debitado na conta da base aliada e do próprio governo, porque a quadrilha comandada por Lula e Dirceu cometeu a insensatez de instituir um pedágio, para cobrar percentagens fixas destinadas ao enriquecimento ilícito dos dirigentes petistas e também para sustentar o projeto político de eternização do partido no Poder.

BURRICE DO PT

Se o PT e a base aliada tivessem se aproveitado da corrupção sem envolvimento direto, apenas recebendo doações das empreiteiras, a presidente Dilma Rousseff poderia atribuir tudo aos empresários e executivos da Petrobras, e dormir tranquila. Mas não é o caso.

Já está mais do que comprovada a participação direta do PT, de José Dirceu, do tesoureiro petista José Vaccari Neto e de políticos da base aliada. Agora a Polícia Federal começa a chegar no envolvimento de Lula e da própria Dilma. Mesmo que nada fique provado contra ela, tudo isso vai desmoronar sobre sua cabeça, pois não há a menor dúvida de que a atual presidente se tornou hoje a grande beneficiária desse esquema criminoso.

E se ficar provada também a participação direta do PMDB, o vice-presidente Michel Temer será alvejado, pois presidia o partido na época da corrupção. E o caminho ficará limpo para que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como presidente da Câmara e segundo na linha sucessória, assuma a Presidência da República, e que Deus nos proteja.

 

 

Novos doleiros vão denunciar a corrupção em outras estatais

Carlos Newton

É da maior importância a informação de que a operação Lava-Jato, que apura desvios de recursos da Petrobras a partidos políticos, vai incluir a participação de novos doleiros e emissários na entrega de dinheiro a agentes públicos em Brasília e outros estados. Isso significa que será comprovada a corrupção em outras estatais e nos três níveis de governo – federal, estadual e municipal.

Devido à existência do sistema do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão administrativo criado em 1998 nas reformas econômicas do governo FHC), a corrupção ficou mais dificultada, porque o sigilo bancário foi quebrado no que se refere a movimentação interbancária de quantias elevadas.

Ou seja, desde então, a corrupção passou a ser paga em dinheiro vivo ou em depósitos no exterior, com necessidade de intervenção de doleiros, entre os quais se destacava Alberto Yossef. Mas agora a Polícia Federal identificou subcontas e documentos de transporte de valores em espécie na contabilidade paralela do Posto da Torre, que pertence a Carlos Habib Chater, um dos doleiros presos na Lava-Jato.

“CONTA K CORRENTE”

Apenas numa delas, a “K corrente”, foram movimentados R$ 15,2 milhões entre 2008 e março deste ano. Os documentos que servem para justificar transporte de dinheiro vivo somam R$ 1,8 milhão. As remessas foram destinadas a Rio de Janeiro, Manaus, Porto Alegre e Santa Catarina entre 2011 e 2014, e uma delas, para Curitiba, envolve o réu na Lava Jato André Luiz Santos, que até tentou fugir após uma audiência na Justiça. No nome dele está a subconta “And”, da qual, em um único dia, foram retirados R$ 574 mil em dinheiro vivo e R$ 33 mil pagos a Chater, supostamente de comissão. Em novembro de 2013, a “And” acumulava movimentação de R$ 1,3 milhão.

Em depoimento à Justiça no último dia 1º, Chater afirmou que as remessas foram feitas unicamente para pagar dívidas que tinha com essas pessoas ou “por amizade”. Ele se negou a identificar para quem trabalhavam alguns emissários. Ou disse que não se lembrava.

OUTROS DOLEIROS

Em relação às subcontas, Chater disse ser o dono da “K corrente” e identificou apenas três, que atribuiu a alguns doleiros já investigados ou citados na Lava-Jato: “Fa”, de Fayed Trabulsi, preso na Operação Miqueias e que tinha políticos em sua agenda; “Sasa”, de Sleiman Nassim El Kobrossy, também conhecido como Salomão e acusado de atuar no mercado negro de câmbio para pagamento de cocaína na Bolívia; “Kld”, de Khaled Youssef Nasr, cunhado de Chater, que administrava a casa de câmbio Valortur, localizada dentro do posto. Chater negou que a subconta “Primo” seja do doleiro Alberto Youssef, que era tratado como “primo” nas conversas gravadas pela PF durante a investigação.

Apesar das negativas, Youssef era um dos clientes de Chater e já admitiu que usou o posto para entrega de dinheiro a agentes públicos em Brasília.

MAIS DELAÇÃO PREMIADA

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná, e o Ministério Público Federal querem detalhes da movimentação de sete das subcontas. E a investigação dos pagamentos feitos por Chater deve avançar ainda mais com a assinatura de mais um acordo de delação premiada: Ediel Viana da Silva, gerente do posto e que emprestava o nome para empresas de fachada, além de administrar lavanderias que tinham Chater como sócio oculto, negocia com o Ministério Público Federal e já contou em um dos depoimentos que o ex-deputado Pedro Corrêa, do PP, condenado no mensalão, pegava dinheiro no posto.

Ou seja, mensalão e petrolão eram partes do gigantesco esquema de eternização do PT no poder, conduzido por José Dirceu, que já está confirmado como participante do esquema de corrupção da Petrobras.

Nova Piada: governo manipula contas “para evitar desemprego”

A Comissão Mista de Orçamento realiza audiência pública com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, sobre a proposta orçamentária de 2015 (LOA - PLN 13/14) (Wilson Dias/Agência Brasil)

Miriam Belchior apresenta outra “ideia genial”

Carlos Newton

Às vésperas de deixar o ministério do Planejamento e prestes a se consagrar como uma ausência que preenche uma lacuna, a ainda ministra Miriam Belchior aproveitou a abertura do 5º Fórum Interconselhos, no Palácio do Planalto, para dar sua derradeira “aula de democracia”, antes de mergulhar num merecido ostracismo.

“Quem tem medo da participação da sociedade não é democrático”, sentenciou, ao defender a retomada da discussão sobre a participação social nas decisões dos governos federal, estaduais e municipais, embora tal proposta tenha sido derrubada em outubro pela Câmara dos Deputados, que arquivou o decreto presidencial estabelecendo obrigatoriedade de consulta a conselhos populares antes de decisões do Congresso sobre implantação de políticas públicas.

“É preciso consolidar, na nossa legislação, a questão da participação social como meio legítimo e democrático de participação da sociedade nas políticas públicas. Para que não haja retrocesso e para que a gente rejeite de forma bastante firme insinuações, inclusive preconceituosas, de bolivarianismo nas ações do governo federal”, insistiu a ainda ministra ao discursar no Fórum, que reunia representantes de conselhos, entidades e movimentos sociais, ou seja, a chama prata da casa, com se dizia antigamente.

MAQUIAGEM EMPREGATÍCIA…

O pior veio a seguir, em entrevista após o evento, quando Miriam Belchior defendeu a estratégia de o governo maquiar a meta de superávit deste ano para conseguir fechar as contas, através de proposta enviada e aprovada pela base aliada no Congresso. Pois a ainda ministra simplesmente afirmou que a revisão da meta de superávit foi feita porque o governo “não quer desemprego” e precisa continuar a política de investimentos. “É importante que isso ocorra e o Congresso entendeu essa necessidade”, afirmou, ao deixar o Fórum Interconselhos.

Caramba, a que ponto chegamos! É por isso que um comentarista aqui da Tribuna da Internet já sugeriu que a gente suspenda o concurso “Piada do Ano”, porque todo dia as autoridades governamentais apresentam uma nova ideia sensacional. Certamente, essa multiplicidade de propostas geniais deve ser reflexo da tal “contabilidade criativa”, criada pela equipe econômica do primeiro mandato de Dilma Rousseff para concorrer ao Oscar de Efeitos Especiais.

Crise se agrava cada vez mais e Dilma terá de culpar Lula

Carlos Newton

A nova pesquisa Datafolha, o crescimento da manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff em São Paulo e o nunca-acabar de denúncias de corrupção, agora não somente na Petrobras mas em muitas obras do próprio governo – tudo isso são fatos que se somam e vão aumentando a tensão no Planalto/Alvorada, no Instituto Lula e no próprio PT, que não manda nada, mas distribui empregos à mancheias, como se dizia antigamente.

Não há mais dúvida de que a crise se apresenta num crescendo, não existe a menor perspectiva de arrefecer, muito pelo contrário. A pesquisa do Instituto Datafolha, publicada na edição de domingo da Folha de São Paulo, sustenta que 68% da opinião pública já responsabilizam a presidente Dilma Rousseff pela corrupção no país. É claro que este número agora só tende a aumentar, fragilizando a chefe do governo ainda mais.

A pesquisa teve demonstração prática com o crescimento número de participantes nos protestos da Avenida Paulista, que ocorrem todo sábado desde o final da eleição. Desta vez, pela fotografia panorâmica publicada na Folha, dá para constatar que a manifestação reuniu mais de 10 mil pessoas, sem falar no protesto simultâneo dos que pedem intervenção militar, que tinha pelo menos mais mil participantes. Portando, a expectativa é de que o protesto semanal ganhe cada vez mais adeptos, em função do agravamento da crise.

A ESTRATÉGIA DE DILMA

A troika formada por Planalto, PT e Instituto Lula está acuada. São sabem como reagir e, num caso desta gravidade, não há marqueteiro que dê jeito.

Nesses momentos, como sempre, Lula arruma uma maneira de submergir, fazendo de conta que não sabia de nada, não está no poder e não tem nada a ver com isso, embora todos saibam que não é bem assim.

Nesse quadro sinistro, a estratégia inicial de Dilma Rousseff, que até agora tem obtido algum resultado, é de proclamar que jamais se combateu a corrupção no Brasil como agora. Não deixa de ser uma verdade, mas acontece que esse fenômeno não pode ser atribuído ao governo dela. É fruto, única e exclusivamente, do esforço da Polícia Federal, que não tem sido incentivada pelo governo federal e vem sofrendo cortes de verbas que dificultam cada vez suas operações.

JOGANDO OS RATOS AO MAR

Com a progressiva deterioração de sua imagem, Dilma não terá alternativa. Se quiser continuar no poder e tirar o corpo fora, será obrigada a culpar Lula, José Dirceu e companhia, jogando os ratos ao mar. Mas pode ser que nem mesmo esta tentativa desesperada consiga resultado e a livre do impeachment, porque é mais do que óbvio que ela tem sido diretamente beneficiada pelo esquema de corrupção montado pelo PT para se perpetuar no poder.

Sem falar que Dilma, ministra de Minas e Energia do primeiro governo Lula, desde 2010 tinha conhecimento das irregularidades na Petrobras, por ter recebido um alentado dossiê, que já mencionamos aqui na Tribuna da Internet e lhe foi entregue por Tom Thimoteo, o principal assessor do presidente Lula no início do mandato.

A corrupção existia, Dilma e Lula sabiam e a incrementaram

Carlos Newton

As investigações estão chegando ao final, com base em importantes provas testemunhais e materiais (notas fiscais, contratos etc.). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já dispõe de informações suficientes para iniciar o processo no Supremo Tribunal Federal, envolvendo cerca de 35 parlamentares e outras autoridades , como ministros e governadores.

Não há a menor dúvida de que o escândalo da Petrobras é muito mais grave do que o mensalão, que levou muita gente à cadeia. E alguns mensaleiros estarão de novo envolvidos, como José Dirceu e José Genoino, como chefe da quadrilha e presidente do PT, respectivamente. Mas desta vez Delúbio Soares deu sorte, porque quem está diretamente envolvido é seu substituto na Tesouraria do PT, o sindicalista José Vaccari Neto.

A CORRUPÇÃO JÁ EXISTIA

Está mais do que comprovado que a corrupção já existia na Petrobras, e isso vem de muito longe, desde o regime militar, pelo menos, quando o ex-presidente da estatal Shigeaki Ueki ficou riquíssimo e se mudou para o Texas, onde tem mais gado e poços de petróleo do que a família Bush.

O que sempre houve era uma corrupção interna, com enriquecimento ilícito de dirigentes da estatal, empreiteiros e fornecedores. Mas o PT inovou e espalhou tentáculos das propinas pela base aliada, para abastecer o projeto definitivo de consolidação do partido no poder, de forma perene.

O DOSSIÊ PETROBRAS

Quando Lula venceu a eleição em 2002, a corrupção estava grassando cada vez mais na Petrobras. Um jornalista investigativo filiado ao partido tinha trabalhado na estatal no setor de Abastecimento, durante o segundo mandato de FHC, e farejara muita corrupção. Um mês antes da posse, entregou um volumoso dossiê ao jornalista Wilson Thimoteo, conhecido como Tom, principal assessor de Lula e figura lendária da resistência à ditadura, que foi exilado na Argentina e no Chile, muito querido e respeitado na imprensa do Rio de Janeiro.

Tom Thimoteo imediatamente entregou cópias do dossiê a Lula (leia-se: José Dirceu, que era quem na verdade comandava o governo eleito) e a Dilma Rousseff, que iria assumir o Ministério de Minas e Energia.

Depois da posse, Tom então mandou que o autor do dossiê se apresentasse na Petrobras ao recém-empossado gerente de Comunicação Institucional , Wilson Santarosa (um sindicalista de São Paulo), para que fosse contratado e seguisse informando o governo sobre as irregularidades na estatal.

Quando o autor do dossiê se apresentou na Petrobras, julgando que iria trabalhar lá, foi recebido na antessala por Santarosa, que o tratou secamente e comunicou que “todas as vagas já estavam preenchidas”. Traduzindo: por motivos óbvios, de forma alguma a nova direção petista da Petrobras iria querer um jornalista investigativo trabalhando na empresa.

PT MONTA O ESQUEMA

O encontro-relâmpago com Santarosa aconteceu numa quinta-feira. No dia seguinte, acompanhado por Carlos Pinto, então chefe da Assessoria de Imprensa da Petrobras, o autor do dossiê foi receber Tom no Aeroporto Santos Dumont. O assessor de Lula tinha consulta marcada com uma médica no Centro da cidade. No caminho, lamentou o comportamento de Santarosa, disse que estava tendo problemas com a Petrobras e iria resolver. Mas não teve tempo de fazer nada, pois já estava sofrendo de leucemia e morreria poucos meses depois, apesar de ter feito transplante de medula óssea.

Sem a presença de Tom para atrapalhar, Santarosa afastou Carlos Pinto da Assessoria de Imprensa e os dirigentes petistas da Petrobras puderam então armar o esquema que agora se transformou no maior escândalo de corrupção do país.

Quanto ao dossiê, certamente o então presidente Lula (leia-se: José Dirceu) e Dilma jogaram suas cópias no lixo. Mas ainda existem algumas, que o jornalista investigativo entregou a pessoas de sua confiança, por temer represálias a ele e à família.

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PS –
Bem, eu guardei minha cópia do dossiê. Se o juiz federal Sérgio Moro ou o ministro Teori Zavascki quiserem tomar conhecimento de seu conteúdo, terei imenso prazer em lhes entregar, como tributo a meus grandes amigos Tom Thimóteo e Carlos Pinto, que eram homens decentes e idealistas, jamais poderiam imaginar que o PT fosse se transformar nessa organização criminosa que se revela agora.

Na nova Era Dilma, juros em alta e economia em baixa

Carlos Newton

Reportagem de Deco Bancillon, no Correio Braziliense, tenta explica a alta dos juros básicos da economia, que elevam a dívida pública e dificultam ainda mais a busca de superavit fiscal primário para pagamento de juros pelo Tesouro Nacional. Ao mesmo tempo, o governo edita medida provisória autorizando a União a conceder crédito de até R$ 30 bilhões ao BNDES, através de emissão de títulos da dívida pública.

Pesou para a elevação dos juros uma inflação ainda bastante elevada, que está há cinco anos acima da meta de 4,5% ao ano. Até outubro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) cravou alta de 6,59%, no acumulado em 12 meses. A explicação do Copom é de que o Banco Central estima que a inflação recuará para “trajetória de conversão à meta de 4,5% ao ano” apenas em meados de 2016, período considerado o horizonte de planejamento da política monetária.

TUDO COMO ANTES…

Traduzindo: nada de novo. Até agora o governo continua tentando derrubar a inflação via juros, que desestimulam a retomada da economia e o crescimento do PIB. E não existe nenhuma meta de corte de custeio (manutenção da máquina pública), que só tem aumentando na Era PT. Ao mesmo tempo, sinaliza aumento da dívida pública, que já está em 62% do PIB.
O que pensa disso tudo Joaquim Levy, o novo czar da economia? Será que foi ouvido ou se tornará um novo obediente Mantega. Ninguém sabe. E o ainda ministro Mantega, ao ser questionado sobre a contradição entre as palavras de Levy e a ação do governo, justificou o aporte de recursos ao BNDES dizendo que Levy ainda não tomou posse…  Ah, Brasil!