Lula continua fugindo da imprensa. Não faz outra coisa, desde o chamado caso Rosegate

Carlos Newton

O excelente comentarista Valmor Stédile, que andava sumido, faz a seguinte indagação: “Carlos Newton, onde foi que antes disso e depois do caso Rose o ex-presidente Lula se encontrou com os profissionais de imprensa?”

A colocação de Stédile foi feita porque afirmei  que “Lula está fugindo dos jornalistas desde que surgiram as denúncias de que ele teria sido informante do DOPS durante o regime militar”.

Na verdade, Stédile tem toda razão: Lula está fugindo da imprensa desde o final de 2012, quando surgiu o chamado Rosegate, envolvendo Rosemary Noronha, companheira do então presidente em cerca de 30 viagens internacionais oficiais, na ausência da primeira-dama Marisa Letícia, claro.

Como segunda-primeira-dama e chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha “aprontou”, vendendo pareceres e participando de uma quadrilha dentro do governo federal, que atuava em agências reguladoras.

Em consequência da Operação Porto Seguro, desfechada pela Polícia Federal, Rosemary e a filha perderam os empregos públicos, mas a família não passa necessidades. Lula se encarrega de tudo, inclusive do pagamento aos escritórios de advocacia que defendem Rose.

ESTRATÉGIA INTELIGENTE

De lá para cá, Lula só fala a jornalistas “amestrados”. Aqui no blog da Tribuna da Internet publiquei um comentário prevendo que a reunião da quarta-feira de cinzas com Dilma seria no Palácio Alvorada (que a imprensa está chamando erradamente de Palácio da Alvorada…), justamente por saber que Lula continua fugindo da imprensa. Não deu outra. No Planalto, há jornalistas sempre de plantão, ele teria de ser entrevistado. Mas para quem já saiu pela lavanderia de hotel cinco estrelas no exterior, para evitar os repórteres, o que poderíamos esperar?

Não há dúvida de que a estratégia de Lula é inteligente e está funcionando. Ele tem muito a explicar. E há coisas que não têm explicação. Melhor ficar calado e deixar rolar. O importante é que, nas pesquisas de opinião, Dilma vence no primeiro turno e ele continua imbatível. É isso o que lhe interessa.

O silêncio que cerca a gravíssima questão indígena é ensurdecedor. Nenhuma autoridade demonstra se interessar pelo problema

Carlos Newton

O advogado e economista Celso Serra já mostrou aqui na Tribuna da Internet a importância da chamada questão indígena, um problema que vem se agravando com o passar do tempo, sem que os sucessivos governos se preocupassem em encaminhar qualquer tipo de solução. Muito pelo contrário, Até agora o que se tem feito é piorar a situação, relegando as nações indígenas a um abandono realmente constrangedor.

Em seus artigos, Celso Serra mostrou que a questão indígena passou a ter um aspecto jurídico e institucional da maior gravidade. Explicou que o problema surgiu no final do governo FHC, quando o Brasil estranhamente aprovou a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, cujo texto nos obriga a aceitar passivamente o direito ilimitado de propriedade e posse de terras pelas tribos indígenas.

Depois, em 2007, no segundo mandato de Lula, o Brasil aprovou na ONU a Declaração Universal dos Direitos das Nações Indígenas, que ratifica e amplia os termos da Convenção da OIT, confirmando a concessão de independência e autonomia total aos territórios indígenas, que teoricamente agora têm direito de se transformarem em países independentes.

QUEM SE INTERESSA?

O pior é o silêncio que cerca a aceitação desse tratado internacional pelo governo FHC, com ratificação pelo Congresso e outorga pelo governo Lula, pois essas sucessivas decisões representam um dos maiores crimes de lesa-pátria cometidos em nosso país, pois os indígenas já detêm mais de 20% do território nacional (se incluirmos as áreas ainda a demarcar) e suas terras realmente correm o risco de serem emancipadas e desmembradas do território nacional.

Onde estão os partidos políticos que dizem representar o povo? Onde estão a Ordem dos Advogados do Brasil, a Associação Brasileira de Imprensa, as Forças Armadas, a UNE, o Clube Militar, o Clube Naval, o Clube da Aeronáutica e a Escola Superior de Guerra? Onde estão as entidades da sociedade civil?

O silêncio é ensurdecedor e o tempo voa, aproxima-se o prazo fatal para o Brasil revogar a Convenção 169 e a possibilidade de desmembramento do território brasileiro, e ninguém diz nada, ninguém faz nada.

Enquanto as autoridades seguem paralisadas pela omissão e pelo desinteresse, os índios estão cada vez mais abandonados à sua própria sorte. E como advertiu Celso Serra, essa situação favorece esplendidamente a atuação das mais de 100 mil ONGs estrangeiras que atuam na Amazônia. Ah, Brasil!

 

O Papa Francisco não roubou nada de ninguém, deu apenas uma grande lição de humildade


Para Francisco chega para encontro com sacerdotes romanos nesta quinta-feira: confissão
Foto: AP

Carlos Newton

Não me surpreendeu a atitude do Papa Francisco, ao afirmar diante dos párocos de Roma ter há muitos anos se apoderado do rosário de um velho padre que era seu amigo e confessor, cujo corpo estava sendo velado em Buenos Aires.

Francisco discursava sobre a importância da misericórdia e relatou a história de Aristide, um padre idoso da paróquia do Santíssimo Sacramento de Buenos Aires, que era muito conhecido por ser um grande confessor e que inclusive foi ordenado para confessar o Papa João Paulo II durante sua visita à Argentina.

Francisco contou que era vigário-geral quando soube da morte do sacerdote. Ao chegar ao funeral, ficou surpreso ao constatar que apenas duas senhoras estavam no velório e não havia nenhuma flor disposta no caixão. “Esse homem havia perdoado os pecados de todos os sacerdotes de Buenos Aires e não tinha uma só flor”, lembrou.

Sempre com fala simples, Francisco narrou que foi então  comprar flores e para colocá-la no caixão. “Vi o rosário e imediatamente o ladrão que todos temos dentro de nós veio à minha mente. E enquanto eu colocava as flores, peguei o rosário e o guardei”, contou ele.

NÃO É FURTO NEM ROUBO

Sua atitude em nada surpreende, porque seu ato de forma alguma significa um furto ou um roubo, como exagerada e distorcidamente a imprensa mundial alardeou. Pelo contrário, representa apenas o respeito e a adoração que o então vigário-geral tinha pelo Padre Aristide, que considerava um homem santificado.

É claro que, ao tomar para si o rosário daquele religioso, Francisco quis apenas preservar sua ligação com ele, cultuá-lo e estar sempre a seu lado, espiritualmente. E é justamente isso que tem feito, ao jamais abandonar o rosário do Padre Aristide, que sempre carregou num bolso interno da batina, à altura do peito. E agora,  como não há bolsos nas vestes papais, ele traz o rosário num pequeno saquinho de pano, preso por baixo da roupa.

Quando me vem um mal pensamento sobre alguém, levo sempre a mão ao peito para tocar esse rosário“, afirmou o Papa, perante mais de 100 religiosos.

O QUE DIZ A IMPRENSA

O que verdadeiramente surpreende é a interpretação que a imprensa deu a essa história linda e comovente. Apregoaram que o Papa Francisco teria “confessado” haver descumprido um dos dez mandamentos da Igreja: “Não roubarás“.

Os jornalistas partiram para a interpretação mais fácil, sem raciocinar sobre o verdadeiro significado dessa declaração do Papa. Não perceberam que, ao contar esse episódio de sua vida, Francisco estava simplesmente dando uma importante lição a toda os integrantes da Paróquia de Roma, a mais importante da Igreja.

Primeiro, estava criticando o fato de um religioso como o Padre Aristide, verdadeiramente santificado, ter sido abandonado pelos padres argentinos em seu velório e sepultamento. Nenhum deles compareceu. Apenas duas senhoras velavam o corpo, não havia flores, nada, nada.

Depois, o Papa falou sobre ao impulso que teve ao ver o rosário e se comparou a um ladrão. Com isso, estava apenas dizendo àqueles párocos que todos nós pecamos, cada um a seu modo. E era como se o Papa, com essa atitude, estivesse perdoando a todos eles pelos pecados que certamente cometeram.

UMA LIÇÃO DE VIDA

Com essa postura surpreendente, na verdade o Papa estava dando ao mundo inteiro uma lição de vida e de humildade, ao mostrar o ser humano grandioso que é, por cultuar a memória de um padre santificado que todos fizeram questão de esquecer.

Não há dúvida de que Francisco é uma personalidade  muito especial. Na História da Igreja, jamais se viu um papa como ele – simples, humano, modesto e voltado para os pobres de Deus. É assim que a imprensa precisa vê-lo, entendendo suas mensagens e as transmitindo, sem distorcê-las, como acaba de acontecer nesse episódio.

Esse Papa está destinado a ser um líder mundial de verdade, atuando no sentido de congregar todas as religiões e realizar um trabalho ecumênico, que respeite as disparidades culturais. Afinal, se todos os caminhos levam a Roma, todas as religiões também levam a Deus.

Barbosa já negocia com partidos políticos sua candidatura a presidente

Carlos Newton

Depois de uma série de encontros com autoridades de Gana, Benin e Angola, para profundar as relações entre o Supremo Tribunal Federal e países africanos, o ministro Joaquim Barbosa volta ao Brasil na próxima segunda-feira, enquanto aumentam as especulações sobre a possibilidade de sua candidatura.

Não falta partido para acolhê-lo, seja para presidente da República, deputado federal ou senador pelo Rio de Janeiro, onde tem domicílio eleitoral. Em pesquisas nacionais para a sucessão de Dilma Rousseff, ele chega a 15% das intenções de voto. Nada mal, para quem não é político nem candidato.

O colunista Ilimar Franco, do Globo, diz que Barbosa já iniciou conversas informais com dirigentes do Partido Verde, visando a uma possível filiação. A especulação é de que Barbosa disputaria o Senado pelo Rio de Janeiro, na chapa de Alfredo Sirkis, candidato verde ao governo estadual. Mas a notícia está furada, porque nem Sirkis vai ser candidato a governo nem Barbosa a senador.

Se for candidato, Barbosa vai tentar mesmo a Presidência da República, e sua entrada na disputa significa que haverá segundo turno.

MENSALÃO

Na volta ao Brasil, semana que vem, Barbosa comandará a continuação do julgamento dos recursos do processo do chamado “mensalão”. Derrotado na última fase dos embargos infringentes, pois o Supremo absolveu oito acusados do delito de formação de quadrilha, Barbosa levará ao plenário a decisão se mantém ou não as condenações a três acusados do crime de lavagem de dinheiro, entre eles o ex-deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP).

Briga entre Lula e Dilma pela candidatura à Presidência está chegando aos capítulos finais

Carlos Newton

Conforme esse Blog vem divulgando com exclusividade há dois anos, seguem cada vez estremecidas as relações entre a presidente (de direito) Dilma Rousseff e o presidente (de fato) Luiz Inácio Lula da Silva, aquele que “não voltará, porque nunca saiu”, no dizer da própria Dilma.

A confirmação vem da jornalista Tereza Cruvinel, que é petista de carteirinha e muito bem informada sobre as questões palacianas. Em sua coluna no Correio Braziliense, ela escreveu o seguinte, na última terça-feira:

“Numa escala ontem em Manaus, a caminho de Cuba, o ex-presidente Lula chegou a pensar em divulgar uma nota negando que venha criticando o estilo da presidente Dilma em conversas com os que o procuram para reclamar dela e do governo. Desistiu, acreditando que isso poria mais lenha num ambiente político-econômico que de fato o preocupa. Eles não vão se encontrar amanhã. Ele retorna na quinta-feira, um dia depois dela, mas irá se recolher durante o carnaval em algum lugar sossegado. Qualquer conversa, só no começo de março.       

Na relação pessoal, não há estremecimento com a sucessora, que ele continua chamando de Dilminha, mas ele está mesmo angustiado com o rumo que as coisas vão tomando, na relação com os atores políticos e com os agentes econômicos, que, há meses, todos sabem, o procuram para se queixar — e, se houver brecha na conversa, para fazer alguma insinuação na linha “volta, Lula”. Em algum momento, disse ele na viagem, pode ter concordado com algum interlocutor, mas nunca se permitiu “ficar falando mal” de Dilma.

Ela mesmo, porém, admitiu que já não “tocam de ouvido”, plenamente afinados, como em outros tempos. Em Bruxelas, primeiro ela culpou os jornalistas: “Vocês podem tentar, de todas as formas, criar qualquer conflito, barulho ou ruído entre mim e o presidente Lula, mas não vão conseguir”. Mas emendou: “Eu e o presidente Lula não temos divergências, a não ser as normais”. Resta saber quais são, para ele e para ela”.

FOLHA E CORREIO

Demorou, mas as notícias sobre a briga Lula/Dilma afinal extrapolaram aqui do blog da Tribuna da Internet e ganharam espaço na imprensa, porque são absolutamente verdadeiras.

No próprio Correio Braziliense, o jornalista Luiz Carlos Azedo já divulgou a ocorrência desses “desentendimentos”. E a Folha de S. Paulo seguiu na mesma balada, em reportagem de Valdo Cruz e Andreia Sadi.

Tanto o Correio quanto a Folha especulam que as divergências seriam apenas a propósito da política econômica. Mas a jornalista Tereza Cruvinel dá versão diferente, dizendo que, na opinião de Lula, Dilma, e não Mantega, é que precisaria mudar. E completa: “A maior preocupação dele é com a deterioração crescente e clara do arranjo político que propiciou suas duas eleições e a dela em 2010. Especialmente a relação com o PMDB, que, segundo ele recomendou no ano passado, não poderia “trincar”. Parece que trincou, já havendo em seu redor quem ache que a aliança, desse jeito, não está valendo a pena”.

Mas o que está em jogo na realidade é mesmo a sucessão presidencial, conforme o blog da Tribuna da Internet tem noticiado, sempre com absoluta exclusividade. A candidatura de Dilma foi colocada em 2010 apenas para preencher o espaço que legalmente não poderia ser ocupado por Lula. Agora, ele quer voltar, e o processo para alijá-la está em curso, agora mais facilitado em função dos problemas econômicos.

Estadão diz que Lula deve ir a Brasília conversar com Dilma sobre a rebelião da base aliada

Carlos Newton

Reportagem de Daiene Cardoso, do Estadão, dá a seguinte informação: “Preocupado com a proporção da rebelião na base aliada no Congresso e o reflexo disso em ano eleitoral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve desembarcar em Brasília nesta quarta-feira (5) exclusivamente para conversar com a presidente Dilma“.

Esse encontro, se ocorrer, será altamente sigiloso e ninguém sabe o que pode acontecer, porque o abalo entre o ex-presidente Lula e sua sucessora Dilma Rousseff já está alcançando o índice 6 na chamada Escala Ritcher, que mede a intensidade dos terremotos.

ÀS ESCONDIDAS

É claro que não se encontrarão no Planalto (se é que haverá a tal reunião), porque Lula está fugindo dos jornalistas desde que surgiram as denúncias de que ele teria sido informante do DOPS durante o regime militar, feitas pelo delegado Romeu Tuma Jr. e ainda não respondidas pelo ex-presidente.

O motivo do abalo entre criador e criatura todos sabem: Lula continua sonhando com a candidatura à Presidência pelo PT, no lugar de Dilma, e já tem o apoio (velado) de todo o partido.

O assunto é apaixonante e amanhã voltaremos a ele, com mais detalhes sobre a briga entre os dois pré-candidatos, digamos assim…

A inacreditável desfaçatez de seis ministros do Supremo

Carlos Newton

Desculpem insistir no assunto, mas é impressionante a desfaçatez dos membros do Supremo que decidiram absolver José Dirceu por formação de quadrilha. Parodiando Ruy Barbosa, poderíamos dizer, sem medo de errar, que até as paredes do tribunal sabem que Dirceu chefiava não somente a Casa Civil, como também o esquema de suborno de deputados e senadores, que virou um verdadeiro festival, porque até parlamentares do próprio PT também recebiam propinas, como acontecia com o deputado João Paulo Cunha, conforme ficou provado no inquérito e no julgamento.

Há exceções na formação de quadrilha, claro. No que se refere a um parlamentar qualquer, que recebia propina para votar a favor do governo, realmente poder-se-ia alegar que ele não fazia parte da quadrilha, estava apenas sendo corrompido pela organização criminosa.

Mas José Dirceu (poderoso chefão), José Genoino (presidente do PT), Delúbio Soares (tesoureiro do partido), Marcos Valério e seus sócios (operadores do esquema), Henrique Pizzolato (diretor do Banco do Brasil e contribuinte)?

Sem a mínima dúvida, trata-se  de uma sofisticada quadrilha, uma organização criminosa de alto nível, formada para favorecer os propósitos do governo mediante corrupção e suborno. Simples assim.

FALSOS “JURISTAS”

E esses ministros do Supremo, que não conseguiram enxergam formação de quadrilha e que sofregamente se precipitaram, divulgando antecipadamente o teor de seus votos, o que pensar deles?

Alguns até tinham uma certa biografia, mas outros entraram pela janela do apadrinhamento. E devemos sempre repetir, para que não caia no esquecimento, que um deles, Dias Toffoli, chegou ao Supremo depois de reprovado em concurso para juiz, vejam a que ponto chegamos.

Só falta agora o governo do PT nomear um bacharel que nem tenha passado no exame da Ordem. Afinal, pode-se acreditar em tudo, porque o notório saber jurídico já faz tempo que foi desprezado. O que se sepultou nesse episódio foi a apenas reputação ilibada, a única exigência que ainda permanecia.

SEM MEDO DO RIDÍCULO

Como chegaram à conclusão de que essa organização criminosa que subornava parlamentares não era uma quadrilha?  Seus argumentos, exibidos pela televisão, são pífios e constrangedores.

Esses ministros parecem não ter medo do ridículo. Sua firmeza em defender o inaceitável mostra que não se preocupam com os parentes, com os amigos, como os vizinhos, com os próprios funcionários do Supremo.

Realmente, não se importam com suas “biografias” e não estão nem aí para o que as outras pessoas vão pensar deles?

Eles podem não ter vergonha, mas muita gente ficou envergonhada com a atitude deles.

Supremo agora é “tapetão” e Joaquim Barbosa pode se vingar aceitando a candidatura à Presidência

Carlos Newton

Em matéria de estratégia política, o PT e o governo federal (leia-se: Lula) estão enveredando por caminhos tenebrosos. Ao invés de cometer o erro de pressionar o Supremo a absolver os mensaleiros do crime de formação de quadrilha, cuja existência foi mais do que óbvia, o PT e governo federal (leia-se: Lula) deveriam ter deixado os mensaleiros responderem por seus atos ilícitos. Mas a vontade de achincalhar a Justiça falou mais alto.

O PT e o governo federal (leia-se: Lula) já tinham começado a ridicularizar a Justiça quando arranjaram emprego para Delúbio Soares na CUT, que é uma espécie de filial do partido, e lhe deram direito a “carro oficial” e até conseguiram que ele passe todo fim de semana em casa. Depois, a desmoralização prosseguiu com as vaquinhas para pagamento das multas dos condenados, algo inimaginável em termo de cumprimento de pena, um disparate completo, mas quem se interessa? Onde está o tal Ministério Público?

Agora, o circo ficou armado por completo, com a absolvição de José Dirceu por formação de quadrilha, como se fosse possível armar um macroesquema de suborno no Congresso Nacional por osmose ou geração espontânea, conforme já comentamos aqui no Blog da Tribuna da Internet.

FERA FERIDA

Com a absolvição dos mensaleiros por formação de quadrilha, a decepção do ministro Joaquim Barbosa foi impressionante. Jamais poderia imaginar que a audácia do PT e do governo federal (leia-se: Lula) chegasse a tanto. E agora, como o presidente do Supremo vai reagir a essa humilhação pública?

Como se sabe, Barbosa tem até o dia 5 de abril para se aposentar, filiar-se a algum partido e lançar-se à Presidência da República, bagunçando o coreto do PT.

Todos os candidatos o temem, inclusive Lula, que em 1989 perdeu uma eleição para Fernando Collor e sabe como o eleitorado gosta de uma novidade. Por isso, tentam devassar de todas as formas a vida de Joaquim Barbosa, para descobrir manchas em seu extraordinário currículo. É claro que muitos erros serão encontrados, ninguém é perfeito (ou atire logo a primeira pedra). Mas em comparação à quase totalidade dos políticos e autoridades brasileiras, a trajetória de Barbosa é algo insuperável.

Sua origem carente tem semelhanças com a de Lula, mas Barbosa conseguiu uma diferença fundamental. Ao contrário do ex-presidente, que sempre se orgulhou de jamais ter lido um só livro, Barbosa se tornou um intelectual de primeira categoria, com um currículo cravejado de concursos públicos e uma cultura realmente invejável. Fala vários idiomas e ainda se dá ao luxo de tocar piano e violino.

SE FOR CANDIDATO…

A pressão que hoje o PT e parte da mídia exercem sobre ele é implacável. Mas o resultado dessa perseguição pode ser exatamente o contrário. Por ter um temperamento irritadiço e combativo, agora pode ser que Barbosa responda a seus desafetos com a apresentação de seu candidatura. E aí o atual quadro da política mudará por completo.

Nessa hipótese, a eleição presidencial deixará de estar vencida pelo PT por antecipação, Dilma Rousseff sai de cena e Lula será imediatamente “convocado” pelo partido, enquanto Aécio Neves (ou José Serra) e Eduardo Campos (ou Marina Silva) apenas disputarão o terceiro lugar no primeiro turno, pois a realização do segundo turno estará mais do que garantida. Aliás, o PT jamais ganhou uma eleição presidencial no primeiro turno, lembram?

Como já alertamos aqui no Blog, irritem bastante Joaquim Barbosa, continuem prestigiando os mensaleiros e perseguindo o presidente do Supremo. E vejam bem aonde isso vai dar.

Pedido de extradição de Pizzolato enviado à Itália é só “para inglês ver”


Carlos Newton

O pedido de extradição do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no processo do mensalão, enviado pelo Ministério do Exterior, é somente uma formalidade. O governo e o PT sabem que ele não será extraditado e nem pretende que o seja. Pizzolato é como o célebre personagem de Alfred Hitchcock em “O Homem que Sabe Demais”.

O pedido para que Pizzolato retorne ao Brasil para cumprir a pena a que foi condenado do processo do mensalão foi encaminhado inicialmente à embaixada brasileira na Itália. De lá, será repassada ao Ministério das Relações Exteriores italiano, cumprindo os protocolos diplomáticos. Só quando chegar à Justiça italiana é que o pedido será analisado.

A extradição de criminosos é uma via de mão dupla e só funciona quando existe reciprocidade. E isso não está acontecendo entre Brasil e Itália. Muito pelo contrário. Dois bons exemplos: Salvatore Cacciola e Cesare Battisti. Condenado no Brasil, Cacciola fugiu para a Itália e de lá não foi extraditado. Só voltou preso para o Brasil por ter entrado no Principado de Mônaco.

Cesare Battisti é exemplo inverso. Antigo membro dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo de extrema-esquerda que agia na Itália no fim dos anos 70, Battisti foi condenado em 1987 pela justiça italiana por crime de terrorismo, Pegou prisão perpétua, com restrição de luz solar, pela autoria direta ou indireta dos quatro homicídios atribuídos aos PAC – além de assaltos e outros delitos menores, igualmente atribuídos ao grupo. O Brasil também não o extraditou, apesar dos veementes protestos do governo italiano.

 

DUPLA NACIONALIDADE

No pedido de extradição de Pizzolato, a Procuradoria-Geral da República reconhece que, como o ex-diretor do Banco do Brasil tem dupla nacionalidade, o governo da Itália não tem obrigação de extraditá-lo.

Traduzindo: fim de papo.

Carlos Chagas lança esta quarta-feira um livro que mostra a verdade sobre a o golpe de 1964-

Carlos Newton

O lançamento do primeiro volume da obra “Os golpes dentro do golpe – 1964/69”, de Carlos Chagas, será quarta-feira em Brasília, no restaurante Carpediem, a partir das 18 horas. E o segundo volume, cujos originais já estão na editora, será lançado no final do ano.

“Nos dois volumes é feito um relato, dia a dia, da tragédia iniciada 50 anos atrás, com um registro das preliminares do golpe e depois a fixação do regime militar, seus desdobramentos e suas contradições, até seu final, 21 anos depois. Acompanhei tudo, primeiro como editor-político de O Globo, depois como diretor da Sucursal de O Estado de S. Paulo em Brasília. E nos meses de maio a outubro de 1969, como Secretário de Imprensa da Presidência da República, no governo Costa e Silva”, diz Chagas.

Neste novo livro, ao fazer o relato sobre os governos militares, o jornalista expõe tanto o que se desenrolou à vista de todos, em especial episódios que a memória nacional esqueceu, como uma série de eventos transcorridos nos bastidores, envolvendo personagens de diversos matizes.

“Como exemplo, cito o diálogo entre o coronel Meira Mattos, comandante das tropas que invadiram o Congresso em novembro de 1966, e o presidente da Câmara, Adaucto Lúcio Cardoso. Foi uma repetição do diálogo havido em 1823 entre o presidente da Assembléia Constituinte, Antonio Carlos Ribeiro de Andrada, e o oficial mandado por D.Pedro I para fechá-la”, revela Chagas, acrescentando:

“Mostro também conversas informais do marechal Castello Branco com jornalistas políticos, o atraso de doze horas do relógio do plenário da Constituinte de 1967, para evitar a edição de uma Constituição que não  tinha o capítulo dos Direitos e Garantias Individuais, as tentativas do primeiro general-presidente para evitar a posse do segundo, a edição do AI-5 contra a vontade de Costa e Silva e Pedro Aleixo, os esforços do velho marechal para não passar à História como tendo golpeado as instituições, a singular  eleição presidencial direta onde só votaram generais,  almirantes e brigadeiros”.

Depois, no que virá no segundo volume, os palavrões trocados entre o presidente Geisel e o ministro do Exército, Silvio Frota, a iminência de paraquedistas saltarem na Praça dos Três Poderes para resgatar o presidente da República.

“Mais tarde, entre mil outros episódios, a tentativa de ministros do presidente João Figueiredo, enfartado, de impedir sua substituição pelo vice-presidente Aureliano Chaves, a sugestão de Paulo Maluf ao general Newton de Oliveira e Cruz para assassinar Tancredo Neves e muita coisa a mais”, diz Chagas, que no regime militar respondeu a três processos a  pela Lei de Segurança Nacional, um movido pelo governo Médici, dois durante o governo Ernesto Geisel.

O maior inimigo dos ucranianos não é a Rússia, mas o famoso “General Inverno”

Carlos Newton

Assim como ocorreu com Napoleão Bonaparte e com Adolf Hitler, derrotados pelo chamado “General Inverno”, os rebeldes ucranianos pró-Ocidente terão de enfrentar esse implacável e estratégico inimigo. E se eles pensam que a União Europeia ou os Estados Unidos estão dispostos a pagar as contas dessa guerra civil, estão muito enganados.

O comentarista Laco Silva já explicou aqui no Blog os interesses geopolíticos e econômicos em jogo na Ucrânia. Os geopolíticos são ligados à OTAN, dominada pelos EUA e que os russos não querem nessa sua fronteira, e os econômicos se referem ao gás natural e suas consequências para a economia ucraniana, que não tem como pagar a preço de mercado.

“Os russos lhe propuseram preço baixo e um crédito de 15 bilhões de dólares, e a comunidade europeia nem um décimo disso oferece para a vulnerável (como o Brasil) Turquia, que lhe presta relevantes serviços sujos na Síria”, destacou Laco Silva, acrescentando:

“Aliás, para se esquentar, a Europa depende hoje do gás natural russo e paga preço de mercado. Se o povo ucraniano não concorda, eleja seu governo pelo voto nas próximas eleições, se una à Comunidade Europeia e se garanta economicamente na aquisição do gás natural russo a preço de mercado”.

Traduzindo: essa revolta popular vai custar muito caro aos ucranianos, que não têm como pagar preço de mercado pelo gás que a Rússia subsidia para lhes fornecer. O gás será cortado e a Europa não aceitará os ucranianos como imigrantes.

Uso político do BNDES pelo PT é um dos maiores crimes contra a Nação

Carlos Newton

Surgem cada vez mais críticas ao desempenho do BNDES, que na gestão de Luciano Coutinho se transformou num simples instrumento de governo. Para mim, ex-funcionário do BNDES, é algo inaceitável. Na gestão da dupla Carlos Lessa/Darc Costa, a melhor administração que o banco de fomento já teve, eu trabalhava em Brasília, representando a diretoria junto ao Congresso Nacional.

Na época (2003), o BNDES era um dos pratos do dia da oposição (PSDB, DEM e PPS). Eram frequentes os ataques ao banco, mas com argumentos ardilosos e falseados. Eu anotava tudo, respondia as críticas por escrito, imediatamente enviava ao parlamentar oposicionista, e no dia seguinte comparecia ao gabinete e explicava como ele estava ingenuamente sendo usado por “informantes” mal intencionados. E eu sempre acabava a conversa usando um argumento irrespondível:

“O BNDES não pertence ao PT ou ao governo. O BNDES trabalha para desenvolver o País social e economicamente. Não está a serviço de grupos ou facções”. Entregava ao parlamentar da oposição um manual sobre os financiamentos do BNDES e explicava que o banco estava à disposição para projetos em todos os Estados e municípios brasileiros, e não nos interessava se eram governados pelo partido A ou B.

Os parlamentares oposicionistas que haviam criticado o BNDES ficavam envergonhados e nunca mais caiam na esparrela dos “informantes”, como aconteceu com Artur Virgilio, Alberto Goldman, José Agripino Maia, Alvaro Dias e tantos outros que foram procurados por mim.

RETROCESSO

Era um prazer trabalhar com dois intelectuais brasileiros como Carlos Lessa e Darc Costa, ambos nacionalistas e somente dedicados aos interesses do país. Estabeleceram uma nítida separação entre empresa nacional e multinacional, ao mesmo tempo em que criaram incentivos às empresas de setores estratégicos e tecnológicos (como energia,medicamentos e informática). Fizeram uma dobradinha com a Petrobras e rapidamente recuperaram a indústria naval. Lançaram o Cartão BNDES e o banco enfim passou a financiar micros, pequenas e médias empresas. Bons tempos.

Depois, vieram as gestões de Guido Mantega e Demian Fiocca, e o BNDES começou a ser usado politicamente pelo governo, primeiro de forma tímida, depois escancaradamente. Mas nada que se compare à administração de Luciano Coutinho, um verdadeiro desastre.

Hoje o banco funciona como um instrumento do governo, criando degenerações, como o Friboi e o Grupo X, de Eike Batista, e fazendo financiamentos bilionários a Cuba e a outras nações financeiramente arruinadas e sem perspectivas.

E AS GARANTIAS???

Agora, pergunta-se pelas garantias, que no tempo de Carlos Lessa e Darc Costa eram anunciadas e detalhadas nos press-releases do banco. Hoje, se tornaram garantias secretas e não sai uma CPI, ninguém reclama, nada, nada…

Não pode ser assim, não pode continuar assim. As garantias precisam ser transparentes, para evitar o que aconteceu num vultoso financiamento a Eike Batista, que teve como avalista o Banco Votorantim.

Mas onde se lê Votorantim, por favor leia-se Banco do Brasil, que livrou da ruína o banco da família Ermírio de Moraes, da mesma forma que a Caixa Econômica Federal salvou o PanAmericano, da família Abravanel, evitando a falência de Silvio Santos.

E tudo isso graças à generosidade de Lula, um ignorante a serviço dos banqueiros e das elites, ao invés de estar a serviço do país. Mas já é outro assunto, que envolve executivos tipo Henrique Pizzolato, um exemplo do patriotismo dos políticos brasileiros desta geração fracassada. Dá um desânimo danado. Precisamos de um novo Brizola, mas cadê ele?

Bolha Imobiliária: Construtora Rossi já oferece desconto de R$ 60 mil em qualquer imóvel

Carlos Newton

Como se dizia antigamente, “é grave a crise econômica”, especialmente no setor imobiliário, em que a situação chega a ser “desesperadora”, segundo o economista Luís Carlos Ewald, professor da PUC-Rio e consultor do Fantástico e da GloboNews.

Temos escrito bastante sobre o assunto aqui no Blog e as informações que divulgamos estão sendo confirmadas. A maior construtora brasileira (grupo PDG), já cancelou mais de 40 lançamentos. Ou seja, comprou os imóveis, mas não se arrisca a construir, por saber que não há compradores.

COMERCIAIS

Um grande exemplo da gravidade da crise foi dado pela Imobiliária Julio Bogoricin (uma das maiores do Rio, com mais de 20 lojas e cerca de mil corretores), ao colocar um espalhafatoso anúncio em O Globo, com o seguinte título:
Cansou de perder dinheiro com imóvel? É hora de alugar“. Essa proclamação confirma a análise de Ewald, que disse recentemente: “Ninguém está comprando nada”. E recomendou que só se compre imóvel em 2015, quando os preços vão desabar.

Agora, é outro grupo gigante do setor, a construtura, com comerciais insistentes na TV, anunciando que baixou R$ 60 mil nos preços de qualquer imóvel no Estado do Rio, seja residencial ou comercial. Considerando-se que os imóveis tenham preço médio de R$ 1 milhão (apartamento de 2 ou 3 quartos, dependendo do bairro), isso significa que a Rossi já reduziu 6% no preço de seus imóveis. Mas ainda é pouco. Espera-se que dentro de um ano os preços caiam pelo menos 50 por cento. É a velha Lei da Oferta e da Procura, que não perdoa especuladores. E já ia esquecendo: os aluguéis também já começaram a despencar.

Depois de Roberto Jefferson, o próximo alvo de Joaquim Barbosa será Genoino

Carlos Newton

O ex-deputado José Genoino está passando um fim de semana de muita contrariedade. Depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, determinou  a prisão do presidente licenciado do PTB e ex-deputado federal Roberto Jefferson, Genoino sabe que será o próximo alvo. O motivo é simples: a doença de Jefferson (câncer no pâncreas) é mais grave e exige muito mais cuidados do que a de Genoino (hipertensão).

Contrariando a posição da defesa, após perícia feita a pedido do ministro Joaquim Barbosa, os médicos do Instituto Nacional do Câncer (Inca) concluíram, em dezembro do ano passado, que o estado de saúde de Jefferson não indica necessidade de cumprimento da pena em casa ou no hospital. Segundo os médicos, o ex-deputado, que foi submetido a uma cirurgia e tem vida praticamente normal, deve apenas usar regularmente medicamentos e seguir dieta prescrita por nutricionista.

Quanto a Genoino, ele teve dissecção da aorta, fez cirurgia em julho do ano passado e também leva uma vida normal. Hoje, sofre apenas de hipertensão, controlada facilmente por medicamentos. Mas alega ter cardiopatia grave e tentou se aposentar por invalidez como deputado, para receber salários integrais. Mas a comissão de cardiologistas da Câmara já o examinou duas vezes, não considerou grave seu estado de saúde e ele tem de se contentar com a aposentadoria atual. Recebe cerca de 20 mil mensais, além da chamada Bolsa Ditadura. Um bom dinheiro, em qualquer país do mundo.

Durante o período de prisão domiciliar, Genoino já passou mal e foi internado duas vezes, mas logo em seguida recebeu alta. Como se sabe, para um hipertenso passar mal, basta não tomar o remédio. E com esses achaques, Genoino está perdendo progressivamente a credibilidade e se tornando uma figura caricata.

65% dos brasileiros querem mudança. Mas mudar o quê, escolhendo entre os atuais candidatos?

Carlos Newton

É preciso concordar com a opinião do jurista Jorge Béja e do jornalista Heron Guimarães, editor do jornal O Tempo, de Belo Horizonte, sobre o desalento que nos é provocado pela fase patética que a política brasileira atravessa. Para quem tinha 20 anos na Revolução de 64, como o locutor que vos fala, a sensação é de que nossa geração fracassou.

A duras penas, após 21 anos conseguimos recuperar a plenitude democrática, mas o que fizemos? Quando os civis retomaram o poder em 1985, a Presidência caiu no colo de José Sarney, nem deu para sentir diferença em relação ao regime militar.

Depois, grande esperança em Fernando Collor, que representava uma salutar renovação, mas o resultado foi dantesco. Em seguida, um governo muito bom de Itamar Franco, nacionalista e íntegro, deixou saudade, mas não havia reeleição. O poder então caiu no colo de Fernando Henrique Cardoso, um dos maiores enganadores da História, que começou sua gestão dizendo: “Esqueçam tudo o que eu disse ou escrevi antes”. E alienou as riquezas do país, mostrando que se tratava de uma geração de fracassados.

AINDA HAVIA ESPERANÇA

Lula surgiu então como uma grande esperança, mas não tinha um projeto de governo, sua equipe apenas alimentou a economia pela via do consumo e do crédito. O país cresceu, na onda da economia internacional, puxada pela China, e houve uma fase de muita empolgação. Inventaram uma classe média em que cada membro da família ganha apenas R$ 300 por mês, vejam que disparate, e o criador desta ilusão, o economista Marcelo Neri, acabando virando ministro de Assuntos Estratégicos, um disparate inominável.

Dilma Rousseff, a primeira mulher presidente, veio no embalo dessa política aparentemente vitoriosa, mas a fórmula agora está esgotada, a crise bateu na porta do governo, o chamado Custo Brasil é cada vez maior, não houve as indispensáveis obras de infraestrutura, os investidores estão desestimulados.

Este é o quadro neste ano, em que será disputada a eleição presidencial, a ser travada entre Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos, se Lula, José Serra e Marina Silva realmente desistirem e o ministro Joaquim Cardoso não aceitar a candidatura.

QUEREM MUDANÇA

A mais recente pesquisa eleitoral diz que 65% dos brasileiros querem mudança. Mas mudar o quê, com esses candidatos? Entre os seis que já apresentaram seus nomes, apenas Eduardo Campos pode significar alguma mudança. Mesmo assim, ninguém sabe a que veio, qual o seu programa, o que pretende fazer. Será nacionalista, vai lutar pelas empresas nacionais e pelos interesses do povo deste país, ou será mais um enganador?

E Joaquim Barbosa continua uma incógnita. Não admite ser candidato, mas não anuncia peremptoriamente que não será. Fica em cima do muro, compreensivelmente, porque não pode abandonar o processo do mensalão antes do fim, caso contrário Ricardo Lewandowski assume a presidência do Supremo e dá um  jeito de soltar os petistas.

Quanto aos demais envolvidos no mensalão, Lewandowski nem liga. Jamais deu uma palavra em defesa deles. Interessante… Não seriam também injustiçados?

Joaquim Barbosa diz a Dilma que antes de se aposentar vai avisar a ela

Carlos Newton

Como dizia o genial compositor e publicitário Miguel Gustavo, meu vizinho no Edifício Zacatecas, “o suspense é de matar o Hitchcock…”, porque o ministro Joaquim Barbosa ligou para a presidente Dilma Rousseff e disse que, por enquanto, não é candidato a presidente e prometeu comunicar a ela, com antecedência, seu pedido de aposentadoria no Supremo.

A informação foi dada pela colunista Monica Bergamo, da Folha, que colocou a expressão condicional “por enquanto”, antes de escrever que Barbosa dissera que não é candidato ao Planalto.

Isso ninguém sabe, só ele. E para lembrar outros compositores famosos, os fadistas Artur Ribeiro e F. Trindade, “nem às paredes o Joaquim Barbosa confessa” se é candidato ou não. Enquanto isso (ou por enquanto), vamos às opiniões dos comentaristas.

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Antonio Santos Aquino

O ministro Joaquim Barbosa tem pretensões políticas, mas não nessa eleição. Sua visão se detém em 2018. Quanto a ser bom candidato, potencialmente, podemos dizer que sim. Fazer um bom governo, no sentido da moralidade, é difícil, não impossível. Difícil se não tiver ao seu redor uma equipe de técnicos competentes em todas as áreas e comprometidos com a ética política.

Se Barbosa um dia for candidato, não será um demagogo (a definição correta de demagogo, que vem do grego é “contratador de casamentos”, os dicionários e muitos intelectuais dizem erradamente ao contrário). O povo, que vive sedento de moralidade na vida pública, pode elevá-lo à Presidência tranquilamente. “Comprar ações de Joaquim Barbosa é bom negócio para 2018″. Até lá ele estará “maduro”???

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Pedro Alcântara

É claro que sou a favor do Dr. Joaquim Barbosa, para renovar o Brasil…

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Dorothy Lamour

O Dr, Joaquim Barbosa vem dando mostras de integridade moral, patriotismo e coragem. Já afirmou que não continuará no STF até os 70 anos. Tudo leva a crer
que não ficará um dia sequer além do seu período na presidência da casa.
Se decidir pela candidatura à Presidência do Brasil, não é difícil ser eleito.
E eleito, terá que enfrentar a corja política. Não se juntará a ele. Essa corja não permitirá que ele governe. Caos, revolta, guerra civil, tudo pode acontecer.

Caso decida concorrer ao governo do RJ, onde tem domicilio eleitoral, ganha com folga, é barbada. E como governador poderá fazer algo pelo RJ e mesmo pelo Brasil. É só escolher equipe comprometida, pessoas vindas de qualquer parte do Brasil e governar ao lado do povo.

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José Carlos

Quem é esse Barbosa ? Aquele que chafurdou nos States junto ao bandido foragido ?
Algum de vocês tinham ouvido falar dele antes do presidente Lula nomeá-lo a pedido daquele Frei ?
Se o cidadão não respeita nem seus colegas de tribunal, esperar o que dele? Me poupem.

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Helena Beatriz

O ministro Joaquim Barbosa seria um candidato de peso, mas não creio que se candidate. Enquanto isso vamos tirar a petralha do poder de qualquer jeito, porque se continuarem… muito pior do que está poderá ficar.

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José Ari

…Já vi esse filme, com o caçador de marajás. Uma das sua primeiras medidas, foi acabar com o programa de distribuição do leite, que nos moldes do bolsa família, trazia uma força para muitas crianças subnutridas. Nosso País piorou e muito com o Collor. Agora essa figura de ditador, em todos os seus atos fica patente sua arrogância, a sede de poder. Collor era menos perigoso.

Na morte de Santiago, onde estavam Caetano Veloso, Pablo Capilé e a Mídia Ninja?

Carlos Newton

Depois da morte de Santiago Andrade, é bom lembrar o que vem acontecendo desde junho passado, quando começaram as manifestações populares, no Rio de Janeiro e São Paulo, organizadas pelo movimento Passe Livre, que depois foram se encorpando, ganhando adeptos e incluindo protestos contra a Copa do Mundo e exigindo “Padrão Fifa” para educação, saúde, transportes e segurança.

De repente, apareceram em cena os black blocs. Surgiam na fase final dos protestos, provocavam a polícia de uma maneira inacreditável, quebravam o que estivesse na frente, especialmente abrigos de ônibus e agências bancárias.

Junto aos black blocs, notabilizou-se a mídia ninja bancada pela ONG de Pablo Capilé, espalhada pelo país com generoso financiamento do governo federal, de governos estaduais e prefeituras, não somente ocupadas pelo PT mas também por outros partidos, inclusive o PSDB de São Paulo, vejam que ironia, além de empresas privadas e entidades interessadas em agradar a quem está no poder.

“ALTERNATIVA” À MÍDIA

Os ardorosos defensores de Capilé argumentavam que seus seguidores eram uma alternativa à mídia normal, para “cobrir” as manifestações e denunciar as agressões dos policiais. Muita gente boa entrou nessa esparrela, inclusive Caetano Veloso, que foi visitar os tais ninjas e se deixou fotografar como black bloc, que santa ingenuidade.

Na época, aqui no Blog, chamávamos atenção para uma realidade flagrante – os mídias ninjas jamais apresentavam imagens de manifestantes agredindo policiais nem fazendo atos de vandalismo. Pelo contrário, suas imagens visavam  sempre denegrir os policiais.

O melhor exemplo foi a série de imagens de um manifestante correndo pelas ruas e depois sendo alvo de pistola de choque e agressão por policiais, fato que virou um escândalo nacional. Mas esqueceram de mostrar o que o manifestante fizera antes, provocando os policiais de tal forma que eles perderam a razão.

Agora, na morte de Santiago Andrade, onde esta a a mídia ninja? Todas as imagens que documentaram o assassinato do cinegrafista foram feitas pela mídia nacional e estrangeira, incluindo jornalistas ingleses e russos. Nem uma só imagem da mídia ninja. Por que será? Devo perguntar ao Caetano Veloso? Ou a Dilma Rousseff, tão amiga e ligada a Pablo Capilé?

Que Deus proteja os jornalistas de verdade!

Joaquim Barbosa desistiu de concorrer à Presidência? Desistiu, mas não desistiu muito…

Carlos Newton

A imprensa alardeia que o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, afirmou que não será candidato a presidente nas eleições de 2014, conforme nota divulgada sábado. Mas o texto da mensagem precisa ser lido com muita cautela. Como se sabe, cada palavra tem um peso e um significado, enquanto o tempo dos verbos define passado, presente e futuro, que não podem se misturar.

Assim, vamos analisar o texto da nota oficial, para que cada um tire suas conclusões:

NOTA À IMPRENSA

1) O Presidente do Supremo Tribunal (STF), Ministro Joaquim Barbosa, ratifica que não é candidato a presidente nas eleições de 2014.

2) Com relação a uma possível renúncia ao cargo que hoje ocupa, o Ministro já manifestou diversas vezes seu desejo de não permanecer no Supremo até a idade de 70 anos, quando teria que se aposentar compulsoriamente. No entanto, não existe nenhuma definição com relação ao momento de sua saída. Ele não fez consulta alguma ao setor de recursos humanos do STF sobre benefícios de aposentadoria.

3) No que se refere ao seu futuro após deixar o Tribunal, o Ministro reserva-se o direito de tomar as decisões que julgar mais adequadas para a sua vida na ocasião oportuna. Entende que após deixar a condição de servidor público, suas decisões passam a ser de caráter privado.

4) O Ministro Joaquim Barbosa não faz juízo de valor sobre nenhum dos partidos políticos brasileiros, individualmente. A respeito do quadro partidário, já expressou sua opinião no sentido da realização de uma ampla reforma política que aprimore o atual sistema. Apesar de já ter tornado público o seu voto nas últimas três eleições presidenciais, o Presidente do STF, Tribunal que é o  guardião da Constituição, ratifica seu respeito por todas as agremiações partidárias, seus filiados e eleitores.

E O FUTURO?

Como se vê, Joaquim Barbosa foi bem claro quanto ao passado e o presente. Mas e quanto o futuro, o que disse ele?

No que se refere ao seu futuro após deixar o Tribunal, o Ministro reserva-se o direito de tomar as decisões que julgar mais adequadas para a sua vida na ocasião oportuna. Entende que após deixar a condição de servidor público, suas decisões passam a ser de caráter privado.

Portanto, o certo é que ele vai pedir aposentadoria ao Supremo. Se o fizer antes de 5 de abril, poderá ser candidato. E não faltam partidos. Pode escolher e até formar uma coalizão.

No entanto, não existe nenhuma definição com relação ao momento de sua saída – diz a nota, sintomaticamente..

A divulgação da nota pela assessoria do STF ocorreu após publicação de reportagem, na revista Veja deste fim de semana, dando conta de que o ministro teria dito a interlocutores que pretendia deixar o Supremo após o julgamento dos embargos infringentes do processo do mensalão. Ou seja, nos próximos dias.

Vamos aguardar.

Ministro da Justiça quer deixar os mascarados circulando livremente nas manifestações…

Carlos Newton

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, demonstra uma inquietante incoerência. Ao mesmo tempo em que defende nesta sexta-feira o aumento de penas de crimes decorrentes de manifestações, como dano ao patrimônio e lesão corporal, e o uso de balas de borrachas pela polícia, ele considera um erro classificar como crime o uso de máscaras em protestos.

Ou seja, não haverá esse importante detalhe no projeto de lei que a presidente Dilma Rousseff enviará ao Congresso Nacional nos próximos dias para conter os excessos nas manifestações de rua.

O ministro argumenta que o projeto precisa coibir os atos de vandalismo, mas tem de garantir o direito de manifestação do cidadão. Na teoria, tudo, mas na prática Cardoso demonstra uma ingenuidade surpreendente. Ele se esquece de que é atrás das máscaras que se escondem os criminosos. Quem é do bem não precisa de máscara para ir à manifestação.

A principal característica em comum entre Fábio Raposo e Caio de Sousa é justamente o fato de os dois terem comparecido à manifestação com o rosto encoberto. Caio de Sousa estava com uma camisa preta amarrada na cabeça, no estilo ninja, enquanto Fábio Raposo estava com uma máscara antigases, o que é ainda pior, pois evidencia sua disposição de enfrentar a polícia. E onde ele conseguiu a máscara?

Quando a baderna começou, sugerimos aqui no blog que toda pessoa com rosto encoberto fosse detida para averiguações. Alguns Estados já aprovaram legislação nesse sentido, mas o governo federal continua usando antolhos, conforme se depreende da declaração do ministro Cardozo. Antolhos é uma peça que não chega a ser uma máscara, mas continua a ser muito usada nas cavalariças.

Carlos Chagas dá mais uma contribuição para documentar os bastidores da Revolução de 64

Carlos Newton

A documentação dos bastidores da Revolução de 1964 ganha mais uma contribuição do jornalista político Carlos Chagas, que na época trabalhava em O Globo e se tornou uma das principais testemunhas dos acontecimentos. O lançamento do primeiro volume da obra “Os golpes dentro do golpe – 1964/69”, pela Record, será em Brasília, no próximo dia 26, numa quarta-feira, no restaurante Carpediem, a partir das 18 horas. E o segundo volume, cujos originais já estão na editora, será lançado no final do ano.

“Nos dois volumes é feito um relato, dia a dia, da tragédia iniciada 50 anos atrás, com um registro das preliminares do golpe e depois a fixação do regime militar, seus desdobramentos e suas contradições, até seu final, 21 anos depois. Acompanhei tudo, primeiro como editor-político de O Globo, depois como diretor da Sucursal de O Estado de S. Paulo em Brasília. E nos meses de maio a outubro de 1969, como Secretário de Imprensa da Presidência da República, no governo Costa e Silva”, diz Chagas.

Nessa época, Chagas e eu trabalhávamos juntos na editoria de Política de O Globo, com dois grandes jornalistas: Antonio Vianna de Lima e Jair Rebelo Horta. Chagas já era um dos profissionais mais importantes do país, responsável pela coluna Política, publicada diariamente.

Lembro que em 3 de outubro de 1966 foi realizada a eleição indireta do general Costa e Silva para sucessor de Castelo Branco. Depois de “eleito”, Costa e Silva foi fazer uma viagem ao exterior (Europa e Estados Unidos), para se apresentar como futuro presidente brasileiro. E a direção de O Globo indicou Carlos Chagas para integrar a comitiva de jornalistas que iria acompanhar o general e fazer a cobertura da viagem. Foi assim que ficou conhecendo Costa e Silva.

Quando foi convidado para ocupar a Secretaria de Imprensa da Presidência da República, Chagas não quis aceitar. Chegou à Redação de O Globo e nos contou o que estava acontecendo. Descemos para conversar mais à vontade na lanchonete da esquina da Rua Irineu Marinho. Chagas estava irredutível, não queria trabalhar com os militares.

Antonio Vianna, que era mais experiente do que nós, disse que Chagas estava cometendo um erro, porque, próximo ao general Costa Silva, poderia interceder positivamente junto a ele para que não houvesse torturas e tudo o mais. E eu acrescentei que não gostava de trabalhar no Globo, mas meu amigo José Fernandes do Rego, que havia sido barbaramente torturado, me convencera a continuar no jornal. Insistimos muito, e a contragosto Chagas decidiu aceitar o convite de Costa e Silva, e até hoje tem sido erroneamente criticado por isso, como se tivesse sido colaborador do regime militar, o que decididamente nunca foi verdade.

“Retornando a O Globo depois do impedimento do presidente Costa e Silva, da prisão do vice-presidente Pedro Aleixo, da usurpação do poder pela Junta Militar e da escolha do general Garrastazu Médici para presidente da República, consultei Roberto Marinho sobre a conveniência de escrever sobre o período. Ele então me autorizou a elaborar uma série de reportagens de página inteira que o Estado de S. Paulo se interessou em publicar simultaneamente, entre janeiro e fevereiro de 1970.  O título era: “113 dias de angústia: Impedimento e morte de um Presidente”. Ganhei o Prêmio Esso de Jornalismo daquele ano, como, também, o primeiro dos três processos a que respondi pela Lei de Segurança Nacional, um movido pelo governo Médici, dois durante o governo Ernesto Geisel”, diz Chagas, lembrando que o único jornalista que teve mais processos do que ele no regime militar foi Helio Fernandes.

Detalhe que Chagas não citou: logo em seguida, o governo Médici obrigou O Globo a publicar uma outra série de reportagens sobre o mesmo tema, com o mesmo destaque e título muito parecido. Até a diagramação era semelhante. Os textos, pavorosos e irreais, vinham assinados por Emiliano Castor, um repórter que funcionava como informante do SNI e ganhava a vida passando informes sobre os outros jornalistas.

(artigo republicado por ter saído no dia do apagão “internético”)