Ministro do STF confirma envolvimento de parlamentares nos escândalos da Petrobras

Ministro Teori Zavascki é o relator e começa a abrir o jogo

Carlos Newton

Ao homologar o acordo de delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e principal envolvida no esquema de corrupção levantado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou que por meio das revelações dele, “foi possível identificar um conjunto de pessoas físicas e jurídicas envolvidas em operações ilícitas, entre as quais as utilizadas inclusive para lavar dinheiro oriundo de crimes antecedentes praticados em detrimento da Petrobrás”.

Para o relator do processo, “há elementos indicativos, a partir dos termos do depoimento, de possível envolvimento de várias autoridades detentoras de prerrogativa de foro perante tribunais superiores, inclusive de parlamentares federais, o que atrai a competência do Supremo Tribunal Federal, a teor do artigo 102, I, b, da Constituição”. Ou seja, o processo vai se desenrolar no supremo como Ação Penal, exatamente como o Mensalão.

É pena que não haja vazamento dos nomes dos parlamentares antes das eleições, para que os eleitores pudessem mudar os votos. Mas de toda forma será reconfortante assistir ao martírios deles, perdendo os mandatos, caso sejam vencedores este domingo.

Afinal, por que Marina caiu tanto nas pesquisas?

Marina Silva precisa dar demonstração de força

Carlos Newton

No final do primeiro turno, estamos assistindo a uma reta de chegada espetacular, como se diz no linguajar turfístico. A primeira colocada Dilma Rousseff segue com folga, mas se acirra a luta pelo segundo posto, com Marina Silva caindo de produção e o terceiro colocado Aécio aparecendo por fora, numa atropelada em busca de fazer a dupla exata e se inscrever para o Grande Prêmio Governo do Brasil, a corrida final e decisiva, mano a mano, no segundo turno.

Em meio a essa arrancada dos últimos metros, com decisão de segundo lugar no photochart, os torcedores se perguntam por que Marina, que chegara a ser favorita nas apostas, caiu tanto em relação aos outros dois concorrentes. Ninguém consegue entender esse vaivém das pesquisas, porque parece não haver um motivo consistente.

O fato é o seguinte: quando ela se tornou candidata e passou a subir rapidamente nas pesquisas, os outros candidatos começaram a atacá-la de todas as maneiras. Essa reação já era esperada, faz parte do jogo, a política brasileira ainda é feita assim, de uma forma sórdida, sem debate de ideias ou programas de governo. A baixaria come solta.

É claro que Marina e seu marqueteiro Diego Brandy tinham de estar preparados para isso. Brandy é um sociológo argentino que trabalhou nas duas campanhas vitoriosas de Campos ao governo de Pernambuco, em 2006 e 2010. Mas será que Marina ouviu as indicações dele? Provavelmente, não.

ATAQUES DE DILMA E AÉCIO

O certo é que a estratégia de Dilma Rousseff e Aécio Neves passou a ser o ataque direto a Marina Silva. Ao adotar essa postura agressiva, demonstraram disposição, força e empenho para ganhar a eleição. Enquanto isso, Marina aceitava passivamente essas agressões, não quis atacar os erros de Lula, chegou a chorar em público lembrando a antiga amizade. Sua equivocada estratégia limitou-se a se defender, adotando uma atitude passiva, passando por vítima, enquanto os outros dois candidatos mostravam-se proativos e aguerridos.

Marina demorou a aprender que ninguém gosta de líder fraco. O candidato precisa ter o estilo de Euclides da Cunha – ser, antes de tudo, um forte.  O resultado é que parte dos eleitores de Marina voltou a pender para Dilma e outra parte preferiu refluir para Aécio Neves, que mostra grande poder de recuperação e voltou a disputar com chances a passagem para o segundo turno.

É claro que Marina sentiu o golpe e subiu o tom da campanha, mas ainda está longe de falar o que se espera de uma candidata de oposição ao mais corrupto dos governos brasileiros, em todos os tempos. O próprio Aécio, em nome da “velha amizade”, também é comedido nas críticas a Lula, mas na política não se aceita esse tipo de vacilação. Não se pode contemporizar com um adversário de tamanho porte. É um erro.

DEBATE NA TV

Candidato precisa tomar posições e falar claro, para ser bem entendido. A realidade brasileira não admite dúvidas: há 12 anos no poder, o PT tornou-se uma quadrilha e o cappo chama-se Luiz Inácio. O país vai mal. Até as contas públicas passaram a ser maquiadas e perderam a confiabilidade. Qualquer outro governo deve ser preferível para os brasileiros.

“Além da corrupção, é a economia, estúpido!”, podemos adaptar ao Brasil de hoje a frase genial de James Carville, estrategista de Bill Clinton na campanha americana de 1992.

O debate da TV Globo, hoje à noite, a partir de 22h45m, deve decidir quem disputará o segundo turno. Aí vai começar uma outra eleição, que parte do zero, com mesmo espaço na TV. E daqui até lá, 26 de outubro, o que vai sair de denúncia de corrupção não está no gibi. E ninguém se compara ao governo do PT nesse quesito de repúdio eleitoral. Podem acreditar.

Debate na Folha sobre lentidão da Justiça foi um fracasso

Carlos Newton

Fracassou o debate “Lentidão da Justiça brasileira e prejuízos ao cidadão”, promovido segunda-feira pela Folha e pela Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas em São Paulo, com objetivo de discutir propostas concretas que deem mais eficiência ao Judiciário brasileiro.

O convidado especial foi o ministro do Supremo Luís Roberto Barroso, que teve como interlocutores o diretor da FGV Direito SP, Oscar Vilhena, o ministro aposentado do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Sidnei Beneti, o advogado Rubens Ferraz de Oliveira Lima, que foi desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, e o professor da FGV Luciano de Souza Godoy, e que foi procurador do Estado e juiz federal em São Paulo.

LENTIDÃO ABSURDA

O debate tinha tudo para ser sucesso, porque foi convocado para discutir um estudo feito pela FGV Direito SP e já amplamente comentado aqui na Tribuna da Internet, revelando a incrível ineficiência dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Um deles, por exemplo, leva em média 679 dias para publicar seus acórdãos. Repita-se: leva “em média”… E falta à metade das sessões de julgamento de sua turma. Chama-se Celso de Mello, é o decano e deveria dar o exemplo.

Outros ministros não ficam atrás. Pedem vista e sentam em cima de processos, não seguem uma ordem cronológica. E se a lentidão tornou-se marca registrada do Supremo, como cobrar eficiência e presteza às instâncias inferiores?

O debate foi convocado para discutir esse importantíssimo estudo da FGV Direito SP, mas não se debateu verdadeiramente a lentidão do Supremo. Pelo contrário, os participantes se limitaram a sugerir algumas soluções de ordem técnica, sem abordarem o principal.

JUÍZES PREGUIÇOSOS

A realidade, revelada pelo estudo da FGV, é que a Justiça é vagarosa por que os magistrados são lentos. E as razões, todos sabem. Por exemplo: os juízes têm direito a duas férias anuais. Além disso, não trabalham nos dias próximos a Carnaval, Natal, Ano Novo e Semana Santa.

Não trabalham também nos feriados prolongados em que há dias úteis no meio. E sua jornada de trabalho é ridícula. Como os tribunais só realizam sessões à tarde, os juízes de primeira instância se julgaram no mesmo direito. Apesar de receberem substancial auxílio-refeição, só chegam às varas e aos tribunais depois do almoço.

IMPUNIDADE

E o pior é a impunidade. Os magistrados que se corrompem (e não são poucos) raramente são punidos. O juiz Nicolau dos Santos Neto foi uma exceção, dada a gravidade do caso. E geralmente a punição é apenas a aposentadoria precoce e com direito de seguir trabalhando como advogados, o que não significa condenação, mas uma bonificação.

A Justiça brasileira é assim – podre. Tirando as exceções de praxe, a grande maioria se acomodou a esse estado de coisas. A situação é tão grave que deveria ser debatida todos os dias. O processo da Tribuna da Imprensa está tramitando há exatos 35 anos. Há muitos outros nessa condição, esquecidos dentro de uma gaveta ou escondidos atrás de algum armário. Mas quem se interessa?

O debate na Folha foi apenas mais uma farsa, empurrando o problema para a frente, porque é mais cômodo.

Justiça, vergonha nacional: Ministro do Supremo falta a 50% dos julgamentos, nada acontece, e lentidão é a marca registrada do tribunal


Carlos Newton

Uma importante pesquisa da Escola de Direito da FGV/Rio acerca da atuação dos membros do Supremo, abrangendo os últimos 25 anos, apontou como excessivamente morosa a produção dos ministros, que consomem em média 180 dias (seis meses) para publicar seus acórdãos, mas deixou de registrar outro fator fundamental e causador dessa  escandalosa demora, que representa uma verdadeira negação do ato de fazer Justiça.

Refiro-me à elevada ausência de alguns ministros às sessões de julgamento das terças-feiras, quando os juízes do STF distribuídos na Primeira Turma e na Segunda Turma, sem televisionamento, julgam várias centenas de processos em não mais do que 4 horas, proferindo centenas de acórdãos, que infelizmente só produzem efeito depois de publicados, ou seja, depois de vários meses ou até anos.

De se recordar que na parte referente à publicação de acórdãos, como relatado recentemente pelo jornalista Elio Gaspari, sob o título “Um retrato do Supremo Tribunal”, o recordista é o ministro Celso de Mello, que leva em média espantosos, inacreditáveis e estarrecedores 679 dias para publicar seus acórdãos julgados pela 2ª Turma e pelo Pleno.

AUSÊNCIAS “JUSTIFICADAS”

Por outro lado, deploravelmente, o mesmo ministro Celso de Mello, um dos maiores constitucionalistas e administrativistas do país e que serve de exemplo para os demais membros da Corte Suprema, também despontou como campeão no quesito “ausências justificadas” em sessões da 2ª Turma, que em 2013 tinha a seguinte composição: ministros Ricardo Lewandowski, Carmen Lúcia, Gilmar Mendes, Teori Zavascki e o decano Celso de Mello.

Nesse contexto, estimulado pela amplitude e seriedade da corajosa pesquisa da FGV/Direito, procurei verificar no site do STF o comparecimento de cada ministro nas sessões de julgamento das duas turmas, tendo-me surpreendido com o que está lá registrado.  É de não se acreditar. Das cerca de 40 sessões promovidas pela Segunda Turma, entre fevereiro e dezembro de 2013, o ministro Celso de Mello esteve ausente, justificadamente, de 19 sessões de julgamento. Não compareceu a quase 50% delas. Isso é aceitável? Não fere o artigo 37 da Constituição que exige da administração pública, legalidade, moralidade e eficiência?

Se os números apontados no site do STF não estão errados, o citado ministro “esteve ausente, justificadamente” nas sessões de 26 de fevereiro; 12 e 19 de março; 2, 16 e 23 de abril; 7 e 21 de maio; 4 e 18 de junho; 13 e 20 de agosto; 3, 10 e 17 de setembro; 8 e 15 de outubro e 3 e 10 de dezembro.

QUADRO DESALENTADOR

Certamente, os milhares de autores de recursos julgados pela 2ª Turma, em 2013, devem estar imaginando se outro não seria o resultado dos julgamentos se o ministro Celso de Mello, um dos mais destacados membros da mais alta Corte do Poder Judiciário, quem sabe, tivesse participado dessas sessões e emitido seu respeitadíssimo voto.

Há também os pedidos de vista. Cármen Lúcia é quem fica mais tempo com os processos, para simples vista, numa média de 600 dias. E o atual presidente Ricardo Lewandowski, quando pede vista, retém o processo por mais de 200 dias.

Nesse quadro desalentador, é surpreendente que o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, não tenha até agora contestado ou prestado explicações à sociedade sobre essa valiosa contribuição que a FGV trouxe a público com o trabalho “O Supremo e o Tempo”. Quem quiser, poderá ler sua  íntegra no site supremoemnumeros.fgv.br

Essas atitudes de magistrados, que no julgamento de um processo,  permanecem com ele sabe Deus quanto tempo, em nada dignificam o Poder Judiciário.

Isso é abusar do poder de não julgar. Ministro que não respeita prazos precisa ser julgado pelo Senado Federal por crime de responsabilidade. Todos não são iguais perante a lei?

Mas no Brasil essas regras não funcionam. Há cidadãos de primeiríssima classe (os magistrados) que estão acima da lei e da ética. E a Justiça está cada vez mais apodrecida, ainda mais com os auxílios moradia, alimentação e educação que engordam os contracheques dos magistrados.

DEBATE NA FOLHA

A Folha e a Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas em São Paulo promovem, nesta segunda-feira (29), na sede do jornal, o debate “Lentidão da Justiça brasileira e prejuízos ao cidadão”.

O evento, que visa discutir propostas de maior eficiência ao Judiciário, vai reunir, entre outros palestrantes, o ministro do STF Luís Roberto Barroso, o ministro aposentado do STJ Sidnei Beneti e o colunista da Folha e diretor da FGV Direito SP, Oscar Vilhena.

Vamos conferir o que sairá publicado no jornal.

Sigilo da delação premiada está salvando (por enquanto) a candidatura de Dilma

Carlos Newton

A sorte do PT e de seus candidatos nessas eleições, especialmente Dilma Rousseff, é o sigilo obrigatório que cerca todo acordo judicial de delação premiada. Como se sabe, nenhuma informação obtida nos novos depoimentos dos presos pode ser divulgada antes da homologação dos acordos.

Quanto enfim o juiz federal Sérgio Moro ou o procurador-geral da República Rodrigo Janot puderem liberar as informações, pode-se garantir que “o bicho vai pegar”, como costuma prever o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República. Mas é bem provável que esse superescândalo nem chegue a influir na decisão dos eleitores, pelo menos no primeiro turno, que será daqui a apenas nove dias.

O que já se sabe é que a sucessão de escândalos levantados na Petrobras pela Operação Lava Jato tem muito mais importância do que famoso processo do mensalão. Os dois esquemas, inclusive, eram interligados e tinham personagens comuns, como o publicitário Marcos Valério.

PRIMEIRA HOMOLOGAÇÃO

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, homologou esta semana o primeiro acordo de delação premiada da investigação da Operação Lava Jato. O acordo foi feito entre a defesa de Luccas Pace Júnior, acusado de crimes financeiros e lavagem de dinheiro, e o Ministério Público Federal. O conteúdo da delação ainda está sob segredo de Justiça. De acordo com a investigação, Luccas era subordinado a Nelma Kodama, considerada pelo Ministério Público a líder do grupo criminoso que operava no mercado negro de câmbio, por meio de empresas fantasmas.

Depois, será homologado o acordo de delação premiada com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que já prestou os novos depoimentos e indicou as provas de suas declarações.

Em seguida, será a vez do doleiro Alberto Youssef, já condenado à prisão por crimes ligados ao escândalo do Banestado, no Paraná, e que na segunda-feira enfim fez a proposta da delação premiada.

MEIRE POZA NA CPI

Nesse meio tempo, haverá na Comissão Parlamentar de Inquérito do Congresso o depoimento público de Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef. Nas investigações ela colaborou com a Polícia Federal e deu impressionantes informações sobre o funcionamento do esquema criminoso operado com recursos públicos desviados pela quadrilha.

A base aliada que domina a CPI Mista do Congresso tenta de todas as formas adiar o depoimento. A convocação foi aprovada há duas semanas e só falta marcar a data. Por causa da proximidade das eleições, a ida dela à CPI pode ficar para depois do primeiro turno – dia 5 de outubro. Se a base aliada permitir, é claro. E falta a CPI votar a convocação de Marcos Valério.

Resumindo: se as informações sobre delações premiadas saírem do segredo de Justiça antes do segundo turno, pode-se garantir que será difícil, mas muito difícil mesmo, que a candidata Dilma Rousseff consiga renovar o contrato de locatária do Planalto/Alvorada.

Celso de Mello, decano do Supremo, leva (em média) 679 dias para publicar seus acórdãos. É estarrecedor!

Celso de Mello, o maior atrasador de acórdãos da História do Supremo

Carlos Newton

De acordo com artigo publicado em 21 de setembro por Elio Gaspari, sob o título “Um retrato do Supremo Tribunal”, o decano da Suprema Corte, ministro Celso de Mello, chega em média, a levar 679 dias para, simplesmente, publicar seus acórdãos. Um período de tempo inacreditável, que desrespeita a Constituição e a Lei Orgânica da Magistratura.

Para quem não sabe, acórdão é o inteiro teor da decisão final proferida em processo julgado por vários ministros de um tribunal superior. Isso quer dizer que depois do julgamento do processo, que já pode levar anos para ser incluído na pauta do Supremo, o ministro-relator do voto, Celso de Mello, ainda consome quase dois anos para publicar o acórdão que enfim produziria algum efeito entre as partes em litígio.

Essa grave revelação é produto de pesquisa produzida por uma equipe especializada da Escola de Direito da FGV do Rio, que abrangeu os anos de 1988 a 2013, coincidindo com os 25 anos em que o ministro Celso de Mello atua no STF.

Esse trabalho especializado e criterioso, sem dúvida,  deixa exposto o inatacável conceito do órgão máximo do Judiciário e sinaliza que a liberdade dos ministros para entregar a prestação jurisdicional precisa ser revista para não ultrapassar os limites do razoável.

ZAVASCKI, O MAIS RÁPIDO

A notória lentidão do decano não é exclusiva, mas destoa, significativamente, da maioria dos demais integrantes do STF: por exemplo, Teori Zavascki publica seus acórdãos em 23 dias;  Lewandowski em 55 dias; Luiz Fux em apenas 41 dias; Luís Roberto Barroso em 32; Rosa Weber em 51 dias; Carmen Lúcia em 82 dias; Toffoli em 59 dias; Gilmar Mendes em 82 dias e Marco Aurélio em 173 dias.

Em síntese, a estranha morosidade do ministro Celso de Mello, que, como decano, deveria servir de exemplo para os mais novos ministros, compromete a média de produção  do STF, em matéria de publicação de acórdãos, que quase chega a consumir 170 dias. Ou seja, seus acórdãos levam quase dois anos para terem eficácia.

Essa estatística nada razoável traz à lembrança o inciso LXXVIII do artigo 5º. de nossa Carta Magna que destaca que a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”.

Não fosse Elio Gaspari um dos maiores e mais conceituados jornalistas do país e eu colocaria em dúvida o que li no dia 21 passado: “Celso de Mello é o recordista na média do tempo que levou para publicar seus acórdãos: 679 dias” (entre 1988 e 2013).

AFRONTA AO DIREITO

No dia-a-dia da atuação do Poder Judiciário, adota conduta típica de litigância de má-fé quem resiste injustificadamente às decisões judiciais transitadas em julgado, o que expressa afronta ao princípio da razoável duração do processo, ofende a dignidade da Justiça e causa prejuízo ao direito da parte vencedora de ver cumprida em prazo suportável as obrigações reconhecidas como definitivas.

Porém, o que fazer quando o próprio julgador retarda a mais não poder a implementação do acórdão proferido pelo colegiado, ou seja, a entrega do direito pleiteado há muitos anos?

Que tristeza! A Justiça está apodrecida. Nem por isso sou contra o aumento salarial de 25% buscado pelo STF junto ao Executivo. Eles merecem ganhar até mais do que R$ 35 mil por mês, desde que produzam e não comprometam a dignidade do Poder Judiciário, com atrasos inexplicáveis, estarrecedores.

Acordem, ministros! O Brasil anseia por Justiça rápida, isenta, independente.

Overdose de pesquisas, com três no mesmo dia: Ibope, MDA e Vox Populi

Carlos Newton

Nova pesquisa Ibope diz que a candidata Dilma Rousseff teria ampliado sua vantagem no primeiro turno, mas segue empatada com Marina Silva no segundo turno, ambas com 41%.

A candidata do PT estaria com 38%, Marina teria 29% e Aécio Neves estaria com 19%. Mais o maior potencial de fixação de votos (eleitores que não pretendem mudar de candidato, em nenhuma hipótese) continua a ser de Marina, embora tenha caído de 65% para 61%, enquanto Dilma subiu de 52% para 54% e Aécio desceu de 55% para 53%.

Marina continua também com baixa rejeição, apenas 17%, enquanto Aécio teria 19% e Dilma 31%.

OUTRA PESQUISA

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) também divulgou nesta terça-feira mais uma pesquisa MDA, em que Dilma Rousseff teve uma pequena queda em relação ao levantamento anterior, passando de 38,1% para 36% das intenções de voto. Marina Silva, do PSB, teve uma queda maior e perdeu 6 pontos percentuais, passando de 33,5% para 27,4%.  Entre os líderes, Aécio Neves apresentou melhora. O candidato do PSDB saiu de 14,7% para 17,6% na pesquisa desta terça-feira.

O cenário se inverte em relação aos últimos levantamentos do CNT/MDA. De agosto para o começo de setembro, Dilma e Marina Silva tinham apresentado crescimento e Aécio tinha caído. Agora apenas o tucano teve um desempenho melhor nos números.

No segundo turno, Dilma e Maria seguem tecnicamente empatadas: 42% e 41%.

MAIS UMA PESQUISA

Também o Vox Populi divulgou pesquisa hoje e, como sempre, seus números são muito favoráveis à candidata do PT. No primeiro turno, Dilma teria 40%, Marina 22% e Aécio 17%. Ou seja, estaria arriscado Dilma até levar no primeiro turno, dependendo de brancos e nulos e da margem de erro.

No segundo turno, o Vox Populi liberou geral e dá Dilma Rousseff eleita com 46% a 39%. Num possível confronto com Aécio, mesmo placar: 46% a 39%.

Tirem suas conclusões.

 

 

Tribuna fica fora do ar por quase 4 horas

Carlos Newton

A Tribuna da Internet saiu hoje do ar entre 12 horas e 16 horas. Para saber o motivo, demoramos mais de duas horas, em infrutíferos telefonemas ao servidor UOL. Depois de muita insistência, fomos enfim informados de que o problema não atingia apenas nosso blog, mas um número enorme de blogs e sites.

Os telefones do UOL, obviamente, estavam engarrafados por causa disso, o que demonstra o amadorismo da megaempresa, que deveria postar uma mensagem logo no início do atendimento telefônico.

Então, vamos em frente. E dando graças a Deus, porque desta vez não fomos derrubados por hackers, que são a maior ameaça a nosso trabalho.

Rejeição e semi-indecisos (voto útil) vão decidir essa eleição

Carlos Newton

No segundo turno, “mano a mano”, como dizia Carlos Gardel, a eleição presidencial vai ser decidida por vários fatores, é claro, mas dois deles são realmente fundamentais. O principal é o índice de rejeição nas pesquisas, quando os entrevistadores perguntam em que candidato você não votaria em hipótese alguma. O outro fator primordial é o grande número de eleitores semi-indecisos, aqueles que dizem, por exemplo: “Vou votar em Fulano, mas também posso votar em Sicrano”. São um subproduto do grupo do “voto útil”.

No caso de Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves, esse eleitor semi-indeciso é muito comum e faz variar as tendências. Entre Dilma e Marina, por exemplo, isso se dá em função da origem comum, sendo Dilma PT e Marina ex-PT. Assim, muitos entrevistados se sentem à vontade em votar numa ou em outra.

Da mesma forma, há aqueles que pretendem votar em Aécio ou Marina, dependendo das circunstâncias. São os que pretendem tirar o PT do poder de qualquer maneira e para eles não importa quem será o candidato a conquistar esta façanha, nada fácil, porque não é somente Dilma a adversária a ser vencida, é preciso também derrotar Lula, um grande líder, que já não engana a todos o tempo todo, mas que por enquanto ainda engana a muita gente.

DILMA, A MAIOR REJEIÇÃO

A presidente Dilma tem a maior taxa de rejeição (percentual dos que dizem que não votam em um candidato de jeito nenhum). Nesse item da pesquisa Datafolha, a mais recente, os entrevistados puderam escolher mais de um nome. Vejam no que deu:

Dilma Roussef, 33%; Marina Silva, 22%; Aécio Neves, 21%; Pastor Everaldo, 21%; Zé Maria, 18%; Levy Fidelix, 18%; Eymael, 17%; Luciana Genro, 16%; Rui Costa Pimenta, 15%; Eduardo Jorge, 15%; Mauro Iasi, 14%.

Bem, no primeiro turno, a eleição transcorre sem essa forte incidência dos fatores rejeição e voto semi-indeciso. Mas no segundo turno será beneficiado quem sofrer menos rejeição e conseguir captar o mais número de eleitores semi-indecisos. Vai ser uma briga boa.

 

Ministro que inventou a “nova classe média” defende o IBGE

Marcelo Néri é economista ou ilusionista?

Sabrina Craide
Agência Brasil
Reportagem de Sabrina Craide, da Agência Brasil, revela que o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri, diz que o erro na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2013 não arranha a credibilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “O que arranha é não reconhecer os erros. Todos erramos, nos jornais é comum ver erratas. Avaliamos a qualidade das instituições pelas dificuldades, pela capacidade de reconhecer erros e corrigir o mais rápido possível.”
A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, também ressaltou a rapidez e a transparência na correção dos dados. Para ela, o episódio deve ser uma aprendizagem para o país, para que a avaliação de políticas públicas seja feita analisando as tendências da Pnad e não as pequenas variações dos índices. “Todo mundo que se apegou a microvariações de 0,1 para cima ou para baixo para tirar consequências dramáticas acabou errando”, ressaltou.
Bem, a ministra do Desenvolvimento Social é aquela senhora que recentemente teve um surto dentro do Tribunal de Contas da União e demonstrou tamanho desequilíbrio emocional que causa surpresa o fato de ainda continuar ministra.

NINGUÉM ERRA COMO ELE

O ministro de Assuntos Estratégicos que minimiza os erros do IBGE não fica atrás, em relação à ministra do Desenvolvimento Social. Trata-se do economista Marcelo Néri, que no início do governo Lula trabalhava na Fundação Getúlio Vargas e ganhou 15 minutos de fama em 2009, ao anunciar que o governo Lula tinha conseguido tirar milhões de família da pobreza e as elevado à classe média. Era como se a classe operária enfim tivesse chegado ao paraíso, mas ao contrário do enredo do filme clássico do diretor Elio Petri (Itália, 1971).

Para realizar o milagre da multiplicação dos pães, em 2009 Néri passou a considerar de classe média as famílias com renda mensal a partir de R$ 1.600 (ou seja, com cada membro ganhando R$ 320. A imprensa abriu espaço para essa idiotice e ele foi ganhando fama, até escreveu um livro, “A Nova Classe Média”.

Lula, evidentemente, ficou encantado com a teoria de Neri e acreditou que milhões famílias tivessem saído da pobreza e emergido na classe média. A vida do economista Marcelo Neri, é claro, imediatamente melhorou. Tornou-se presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e depois ministro. Em sua gestão, o IPEA cometeu o maior erro estatístico de sua história, ao divulgar que 65% dos brasileiros concordam que mulheres com roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas. O resultado correto era 26%, ou seja, o erro foi de “apenas” 39%.

Mesmo demonstrando essa invulgar competência com números e percentagens, Marcelo Neri não foi demitido e agora aproveita para voltar à cena com objetivo de minimizar os erros do IBGE. Realmente, é o homem certo no lugar certo. Ninguém consegue errar como ele. O IBGE está desculpado.

Cadê a nova pesquisa do Datafolha, que seria divulgada hoje?

Carlos Newton

Estava programada para ser divulgada hoje (dia 18, quinta-feira), a nova pesquisa Datafolha, que iria ouvir 5.362 eleitores, quase o dobro do Ibope e o tripo do Vox Populi. O registro do novo levantamento sobre a corrida presidencial no Tribunal Superior Eleitoral era muito claro e indicava que a divulgação seria mesmo hoje, e não há possibilidade de interferência externa do patrocinador, pois está pesquisa é inteiramente bancada pelo jornal Folha de São Paulo.

Este levantamento é aguardado com invulgar expectativa, porque os últimos números apresentados por Datafolha, Ibope e Vox Populi decididamente não estão batendo. Pelo contrário, apresentam discrepâncias inaceitáveis.

Ao invés de disputar a pesquisa presidencial, a Folha anunciou três outros resultados, dizendo que Ana Amélia mantém vantagem sobre Tarso no RS, Rodrigo Rollemberg dispara no Distrito Federal, com Jofran Frejat e Agnelo Queiroz empatados em segundo, e Beto Richa segue líder na disputa do Paraná.

 

Agora, a empresa Folha da Manhã, que edita o jornal e é dona do instituto de pesquisas, tem obrigação de vir a público explicar o atraso. Caso contrário, fica parecendo que está havendo manipulação.

Discrepâncias entre Ibope, Datafolha e Vox Populi são inaceitáveis

Carlos Newton

Sai hoje a nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial, quem tem margem de acerto muito superior ao Ibope e ao Vox Populi, que fazem menos entrevistas em número menor de municípios. Enquanto somente agora o Ibope tenha chegado a 3.020 entrevistas, o Datafolha chegou a ouvir mais de 10 mil eleitores em sua última pesquisa e na de hoje está ouvindo 5.362 eleitores, quase o dobro do Ibope.

Este levantamento é aguardado com invulgar expectativa, porque os últimos números apresentados por Datafolha, Ibope e Vox Populi decididamente não estão batendo. Pelo contrário, apresentam discrepâncias inaceitáveis.

Segundo a pesquisa Datafolha anterior, divulgada quarta-feira passada (dia 10),  no primeiro turno Dilma Rousseff (PT) teria 36%; Marina Silva (PSB), 33% e Aécio Neves (PSDB), 15%, com branco/nulo/6% e não sabe 7%. Segundo o Datafolha, foi a primeira vez que Marina teve oscilação negativa (de apenas 1%) em suas intenções de voto desde que entrou oficialmente na disputa, porque, em relação à pesquisa divulgada dia 3, Dilma tinha 35%, Marina, 34%, e Aécio, 14%.

E no segundo turno, no dia 10 pelo Datafolha a candidata do PSB teria 47% e a do PT, 43% (na semana anterior, Marina vencia por 48% a 41%).

NÚMEROS DIFERENTES

As pesquisas do Ibope, instituto que mantém contratos com o Planalto, sempre têm posição mais favorável à Marina, o que deve ser mera coincidência. No levantamento divulgado terça-feira (dia 16), por exemplo,Dilma teria 36%, Marina Silva 30% e Aécio 19%, com branco/nulo 7% e não sabe 6%. E no segundo turno, Marina teria 42% e Dilma, 41%.

Em seu levantamento anterior, realizado dias antes do Datafolha do dia 12, o Ibope dizia que Dilma já teria 39%, Marina, 31%, e Aécio, 15%. Ou seja, o Ibope dava Dilma com 8 pontos de frente praticamente na mesma data em que o Datafolha indicava apenas 3 pontos de frente. Portanto, entre Ibope e Datafolha, uma discrepância de 5 pontos, muito acima da margem de erro.

Aí apareceu a última pesquisa do Vox Populi, na segunda-feira (dia 15), indicando que a disparidade em relação ao Datafolha seria ainda maior, pois no primeiro turno Dilma teria 9 pontos de frente, com 36%, Marina 27% e Aécio 15%…

Desse jeito, como diria Caetano Veloso, essas pesquisas não podem ser levadas a sério, porque estão qualquer coisa, pra lá de Marrakech e de Bagdá.

Nunca antes, na História deste país, houve uma eleição tão desmoralizada.

Carlos Newton

O jornalista Pedro do Coutto já chamou atenção aqui na Tribuna da Internet para a falta de empolgação nessa campanha eleitoral. Realmente, no Rio de Janeiro, que sempre foi considerado uma espécie de termômetro político do país, nunca se viu nada igual.

Às vésperas de uma importantíssima eleição geral, que vai de deputado estadual a presidente da República, deixando de fora apenas vereadores e prefeitos, a mobilização tem sido mínima.

No Rio de Janeiro, onde quatro fortes candidatos hipoteticamente teriam chances de vitória na eleição de governador, praticamente não há comícios, concentrações, carreatas, passeatas nem carros de som. O número de placas nas ruas também diminuiu espantosamente em relação aos últimos pleitos, não se vê a tradicional distribuição de “santinhos” nas ruas e pouquíssimos automóveis circulam com adesivos de candidatos ou partidos.

ESTRANHO FENÔMENO

Como explicar esse estranho fenômeno? Bem, de início pode-se dizer que não é concebível achar que essa desmobilização acontece porque os custos da propagando eleitoral se tornaram elevados demais ou porque os candidatos estão confiantes de que serão eleitos simplesmente porque falam nas rádios e aparecem esporadicamente na televisão.

Seria mais lógico entender que a desmoralização da classe política é tão expressiva que os candidatos hoje sentem vergonha de se apresentarem ao público. E não faltam motivos, pois a opinião pública brasileira efetivamente está desenvolvendo a convicção de que pessoas de bem não entram na política.

Nesse aspecto, a transfiguração ideológica e ética do PT foi um dos principais fatores que levaram a essa conjuntura de desencanto com a política. No entanto, se o PT não serve, os demais partidos não lhe ficam atrás. Como dizia Oswaldo Aranha, a política hoje parece um deserto de homens e ideias. Os eleitores poderiam até fazer como Diógenes, vagando eternamente pelo Congresso Nacional com uma lanterna acesa, sem encontrar um político em que pudessem realmente confiar.

É triste admitir que essa situação esteja ocorrendo, mas é a nossa realidade. Por isso, como diria o consagrado conferencista Luiz Inacio da Silva, nunca antes, na História deste país, houve uma eleição tão desmoralizada. E o principal culpado dessa situação, sem a menor dúvida, é o próprio Lula.

Mais uma piada: Vox Populi coloca Dilma 9 pontos à frente de Marina

Carlos Newton
É impressionante o vaivém das pesquisas de opinião. Depois do “golpe da pesquisa atrasada”, aplicado pelo Ibope na sexta-feira, ao divulgar um levantamento antigo como se fosse posterior á pesquisa Datafolha, dando Dilma Rousseff em alta e Marina Silva em baixa, quando estava acontecendo exatamente o contrário, esta segunda-feira apareceu o Instituto Vox Populi com um levantamento que chega às raias do absurdo.
Segundo o Vox Populi, que diz ter entrevistado apenas 2 mil eleitores em 147 municípios, a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) teria aberto 9 pontos percentuais de vantagem sobre a segunda colocada, Marina Silva (PSB), no primeiro turno da corrida à Presidência da República.

Dilma teria 36% da preferência do eleitorado, contra 27% de Marina. Aécio Neves, candidato do PSDB, aparece na terceira colocação, com 15%. Os votos brancos e nulos seriam 8%, e os eleitores indecisos totalizam 12%.

O impressionante é que, em relação à última pesquisa Vox Populi, Marina só caiu no primeiro turno, mantendo 42% a 41% sobre Dilma no segundo turno. Pensem bem: não parece estranho um candidato que só cai no primeiro turno? E no Vox Populi Marina no primeiro turno tem seis pontos menos em relação à pesquisa Datafolha, que fez mais de 10 mil entrevistas em 677 municípios e, portanto, tem muito mais confiabilidade e possibilidade de acerto.

No segundo turno, o Datafolha coloca Marina Silva vencendo com 47% a 43%. E o Vox Populi dá a Marina menos 5 pontos, com 42% e Dilma 41%. Ou seja, as duas pesquisas não batem em nada… Muito estranho.

NOVA PESQUISA

O Datafolha vai às ruas nesta semana para uma nova pesquisa eleitoral sobre a corrida presidencial, segundo registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O levantamento nacional, encomendado pela TV Globo e pelo jornal Folha de S. Paulo, vai avaliar as intenções de voto para a Presidência da República em primeiro e segundo turno, a rejeição dos candidatos e a avaliação do atual governo.

As simulações de segundo turno trarão novamente o confronto entre Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), além das simulações com Dilma Rousseff (PT) e Marina e Aécio e Dilma. Segundo o registro no TSE, serão entrevistados 5.362 eleitores, entre quarta, 17, e quinta-feira, 18. O protocolo do levantamento é BR-00665/2014. A data prevista para a divulgação dos resultados é o dia 18 de setembro.

 

No golpe do Ibope, o mais curioso foram as explicações dos “analistas” para a subida de Dilma, quando na verdade ela está caindo

Carlos Newton

Na sexta-feira, quando o Ibope aplicou “o golpe da pesquisa atrasada”, divulgando depois do Datafolha um levantamento antigo e induzindo a opinião pública a julgar que Dilma Rousseff seguia em viés de alta e Marina Silva entrara em tendência de baixa, quando estava acontecendo justamente o contrário, o mais interessante foi a repercussão na internet, especialmente nos sites dos jornais, revistas e outros órgãos de comunicação.

Jornalistas, cientistas políticos e todo tipo de intelectuais logo apareceram dando peruadas a propósito de explicar a subida de Dilma, sem perceberem que na verdade as duas pesquisas mostravam que a candidata do PT estava em queda. Vamos omitir os nomes desses “analistas”, para poupá-los do ridículo.

Um deles começou assim o artigo, no site de um dos maiores jornais de São Paulo: “A reação da presidente Dilma Rousseff na corrida eleitoral mostra que previsões feitas por analistas políticos, algumas delas baseadas em trabalhos empíricos, vêm se mostrando acertadas”. E atribuiu o fato (que era factóide) à duração da propaganda na TV, elogiando “a competência de sempre do marqueteiro João Santana”.

Um cientista político da Fundação Getúlio Vargas alegou o seguinte: “A subida da candidata do PT é causada pelo fato de que no atual nível de aprovação (considerada como a soma de ótimo e bons), Dilma já fica numa zona mais confortável em termos de possibilidade de reeleição”.

“FATOR SAZONAL”

Outro especialista perguntou e ele mesmo respondeu: “Mas por que a popularidade de Dilma se recuperou a partir de níveis bem medíocres, e que indicavam dificuldade de reeleição, há apenas poucos meses? Há, na verdade, um padrão de evolução da popularidade presidencial que aproximadamente se repete em 2013 e 2014 (mas apenas do final do primeiro semestre em diante), sugerindo algum fator sazonal. No ano passado, o pior momento foi, como em 2014, aproximadamente na metade do ano, na sequência das manifestações de junho. A partir daí, a popularidade teve gradual e moderada recuperação nos meses seguintes, como parece estar acontecendo este ano também”.

Fator sazonal? Como são criativos esses analistas… Mas vamos à opinião de um conhecido jornalista político, que afirmou: “Três fatores contribuem para equilibrar o cenário eleitoral no segundo turno: a propaganda positiva na TV que aumenta a popularidade do governo e dá coesão à base de apoio do PT, a propaganda negativa que rebaixa o teto da oposição, e uma cisão religiosa que distancia eleitores católicos de evangélicos”, vejam como são delirantes esses supostos analistas.

Muitas outras peruadas foram postadas nos mais importantes sites, para explicar a “subida” de Dilma, quando estava acontecendo justamente o contrário: na verdade o confronto entre as pesquisas Datafolha e Ibope no primeiro turno mostrava que Marina se estabilizara e voltara a subir (31% para 36%), enquanto Dilma parara de subir e começara a cair (caindo de 39% para 36%). E no segundo turno Marina continua vencendo a eleição, com 47% a 43%.

E la nave va, cada vez mais fellinianamente.

Supremo libera depoimento do ex-diretor da Petrobras na CPI, mas falta o juiz autorizar a viagem

Caros Newton

Como se sabe, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, liberou sexta-feira o novo depoimento do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa à CPI Mista que investiga irregularidades na estatal.

Preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, Paulo Roberto Costa foi convocado a comparecer à CPI na próxima quarta-feira, para falar sobre os depoimentos prestados em função do acordo de delação premiada, em que o ex-diretor diz que distribuiu propinas da estatal a uma série de políticos.

Para permitir o depoimento, o ministro Zavascki, na condição de relator no Supremo dos processos referentes à Operação Lava-Jato com réus de foro privilegiado, alegou que não cabe ao Judiciário interferir nas convocações feitas por comissões de inquérito do Congresso e liberou o comparecimento de Costa à CPI.

Ao mesmo tempo, Zavascki decepcionou os parlamentares, por não ter enviado à CPI os novos documentos que fazem parte da delação premiada, que eram o grande objetivo dos membros da CPI. O ministro explicou que ainda não tem essa documentação, porque, ao menos em seu gabinete, só existem as informações constantes de dois processos judiciais, ambos já enviados à comissão na última quarta-feira.

DEPENDE DO JUIZ

Outro problema para a CPI é que o réu Paulo Roberto Costa está sob jurisdição e competência do juiz federal Sérgio Moro, que tem agido com independência em relação ao Supremo. Recorde-se que quando o ministro Zavascki equivocadamente mandou soltar o diretor da Petrobras, o juiz mandou prendê-lo de novo, porque havia flagrante risco de fuga.

Além disso, a assessoria da Procuradoria-Geral da República já informou que o procurador Rodrigo Janot é contra o novo depoimento de Costa no Congresso, por entender que o compartilhamento de informações com a CPI possa atrapalhar as investigações e até prejudicar a delação premiada.

O relator da CPI Mista, deputado Marco Maia (PT-RS), diz que, se for necessário, o depoimento do ex-diretor será feito de forma reservada, em sessão secreta. De toda forma, porém, a decisão será do juiz federal Sérgio Moro, o único magistrado que conhece o explosivo teor dos novos depoimentos do ex-diretor da Petrobras.
Como dizia o grande publicitário e compositor Miguel Gustavo, nosso vizinho no famoso Edifício Zacatecas, o suspense é de matar o Hitchcock…

William Bonner e Patricía Poeta tiveram de se segurar para não denunciar o golpe do Ibope

Bonner e Patrícia, apresentando os números, sem comentários…

Carlos Newton

Foi interessante assistir ao Jornal Nacional em que a “última” pesquisa do Ibope foi uma das manchetes. Como se sabe, na Organização Globo, por motivos mais do que óbvios, é terminantemente proibido fazer denúncias relacionadas ao Ibope e contestar números dos levantamentos do instituto.

Os dois apresentadores – William Bonner e Patrícia Poeta – não tinham como criticar  a estratégia de o Ibope divulgar sua pesquisa depois do Datafolha, apresentando seus resultados como se fossem mais novos, quando estava ocorrendo exatamente o contrário, pois os dados do Datafolha tinham sido colhidos depois do levantamento Ibope.

A Rede Globo registrou esse fato do atraso proposital da divulgação do Ibope, mas sem maiores comentários, e Patrícia Poeta apenas afirmou que a ordem de retardar o anúncio dos resultados partido da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que bancou a pesquisa.

Também sem maiores comentários, o Jornal Nacional deixou evidente a desproporção entre o número de entrevistados, com o Datafolha ouvindo mais de 10 mil pessoas em quase 700 municípios, enquanto o Ibope se limitava a entrevista 2.002 mil pessoas em apenas 144 municípios.

MARGEM DE ERRO IGUAL???

Patrícia Poeta informou que as duas pesquisas, apesar da enorme disparidade de número de entrevistados e de municípios, tinham o mesmo índice de erro (2% para mais ou para menos) com confiabilidade de 95%, o que rigorosamente não é verdade, porque na ciência da Estatística a confiabilidade da pesquisa (chamada de “amostragem”) é diretamente proporcional ao número de entrevistas e de locais visitados. Quanto mais entrevistas e locais, menor a margem de erro.

Tecnicamente, a margem de erro da pesquisa Datafolha está correta (2% para mais e para menos) e confiabilidade de 95%, mas a margem de erro do Ibope está subestimada e sua confiabilidade superestimada. A margem de erro verdadeira seria de de 3% ou 4% para mais ou para menos, com confiabilidade de 85% a 90%. Mas quem se interessa?

Por fim, destaque-se o mau humor de Bonner e Patrícia apresentando esses números. É triste o jornalista saber a verdade e não poder comentá-la.

APARÊNCIAS, NADA MAIS

Conforme explicamos no artigo anterior, o golpe do atraso na divulgação do Ibope fez com que ficasse parecendo que Dilma está em tendência de alta e Marina em baixa, quando está ocorrendo exatamente o contrário: as pesquisas Ibope e Datafolha, analisadas na ordem correta das datas das entrevistas, mostram que Marina voltou a subir e Dilma está novamente caindo.

Como diz o ditado, as aparências enganam. O que não se pode aceitar é que isso ocorra propositadamente.

Ibope aplica “o golpe da pesquisa nova”, atrasa a divulgação e inverte os resultados, para colocar Dilma em alta e Marina em baixa

Carlos Newton

Assim que foi divulgada a mais recente pesquisa do Ibope, o comentarista César Cavalcanti, sempre atento ao lance, logo denunciou aqui na Tribuna da Internet que estava sendo aplicado um golpe na opinião pública.

Essa pesquisa foi feita antes do levantamento do Datafolha. Já aí ela perde total credibilidade. Uma pesquisa que ouve 2002 pessoas, contra uma que entrevistou 10.568, não tem fundamento lógico. Sabe-se que o Ibope tem contrato com Planalto, de forma que o instituto faz a pesquisa inflando as intenções de voto da candidata oficial, pois sabe que muita gente vota no candidato(a) que está na frente” , assinalou César Cavalcanti.

Simultaneamente, no site da Veja o jornalista Lauro Jardim fazia a mesma advertência: ”O Ibope divulgou uma pesquisa agora há pouco. Por ela, Dilma Rousseff tem 39%, Marina, 31%, e Aécio, 15% das intenções de voto. Anteontem, o Datafolha cravou Dilma com 36%, Marina com 33%, e Aécio com 15%. Qual das duas pesquisas é a mais atual? Apesar da pesquisa Ibope ter sido apresentada há algumas horas, as entrevistas com os eleitores foram feitas entre sexta-feira passada e segunda-feira. A pesquisa Datafolha foi realizada entre segunda-feira e terça-feira. É, portanto, mais atual. Para o distinto público, no entanto, a do Ibope fica parecendo mais recente, pois apenas uma minoria está atenta para as datas de realização das entrevistas. Quem encomendou a pesquisa divulgada hoje foi a CNI, de Robson Andrade. A entidade não deve estar preocupada de ser acusada de manipulação”, destacou o colunista da Veja.

UM GOLPE BAIXO

Esta jogada do Ibope é um golpe baixíssimo e pouco conhecido. Seu efeito é arrasador, porque modifica a realidade. No caso em foco, ao atrasar a divulgação de sua “pesquisa”, o Ibope simplesmente inverteu a situação da campanha política, apresentado Dilma Rousseff com “tendência de alta” e Marina Silva “com viés de baixa”, quando está acontecendo exatamente o contrário.

Quem na verdade reverteu a queda e agora está em tendência de alta é Marina Silva, que subiu de 31% para 36%, enquanto Dilma Rousseff interrompeu a alta e entrou em viés de queda, caindo de 39% para 36%. Isso significa que as duas estão rigorosamente empatadas no primeiro turno, mas no segundo turno a candidata do PSB continua vencendo a eleição, com 47% a 43%.

O pior é que os jornais e as televisões apoiaram as “conclusões” do Ibope, divulgando os resultados ao contrário, o que demonstra como o jornalismo políticos brasileiro atravessa uma fase verdadeiramente negativa, sem analistas que possam esclarecer a opinião público sobre esse tipo de golpe eleitoral.

Políticos não conseguem informações sobre a delação do homem-bomba da Petrobrás e têm de aguardar a próxima edição da Veja

capa veja petrobras paulo roberto costa

Carlos Newton

O Planalto, a base aliada e os partidos de oposição tentaram de todas as formas saber detalhes sobre os novos depoimentos de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, mas não conseguiram nada. Reportagem de Naira Trindade e Amanda Almeida, do Correio Braziliense, mostra que nem mesmo a decisão do ministro Teori Zavascki, do Supremo, poderá ser atendida.

Zavascki mandou o juiz federal Sergio Moro liberar as informações à CPMI, mas o magistrado paranaense deu-lhe dura resposta indireta, ao recomendar ao presidente da Comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que refizesse os requerimentos ao ministro do Supremo, para que “sejam submetidos diretamente ao Supremo Tribunal Federal, especificamente ao ministro Teori Zavascki, prevento para o caso”.

Traduzindo: a CPMI só terá informações através do Supremo, porque o juiz tem de seguir os trâmites da delação premiada e dos processos com foro privilegiado. Assim, as informações têm de seguir diretamente para Zavascki, que é o relator e terá de aprovar a delação premiada e o fôro priivilegiado, no estilo mensalão.

PRÓXIMA EDIÇÃO

Diante dessa situação, aumenta extraordinariamente a importância da próxima edição da Veja, que promete ampliar o número de políticos acusados por Paulo Roberto Costa. Há informações também de que delator do propinoduto da Petrobras, Paulo Roberto Costa, mantinha a contabilidade organizada. Em abril, uma matéria de capa sobre o ex-diretor já mostrava suas agendas e anotações.

O jornalista Luiz Carlos Azedo, considerado um dos repórteres políticos mais bem informados de Brasília, publicou no Correio Braziliense um importante artigo, em que assinala:  “Circula no Congresso que a ‘delação premiada’ do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa é mais cabeluda do que se imagina. Não se trataria apenas de depoimentos gravados em vídeo, como se imaginava, mas de acusações fundamentadas em provas materiais — extratos bancários, contratos, ligações telefônicas etc. —, que comprometeriam todos os suspeitos de receberem propina.”

Como se sabe, durante sua gestão na diretoria da Petrobras, Paulo Roberto Costa tinha acesso a então presidente Lula. Por isso é provável que o ex-presidente seja atingido pelo novo escândalo, não saindo ileso desta vez como ocorreu no caso do mensalão.

EDIÇÃO ESGOTADA

A próxima edição da Veja já está previamente esgotada. Os petistas e políticos denunciados vão comprar o pacote inteiro, sábado de manhã, com fizeram semana passada.

Em Belo Horizonte, a leitora Jussara Gama reclamou ao jornal O Tempo que não conseguiu comprar a edição de “Veja” sobre corrupção na Petrobras: em todas as bancas ouviu que o estoque havia sido levado por uma única pessoa. No Pátio Savassi, o dono da banca disse que um homem ficou com as 36 revistas disponíveis; na Rodrigues Caldas, perto da Assembleia Legislativa, o comprador arrebatou 12 exemplares.

Agildo Ribeiro nos ensinou que no exterior todo mundo pensa que brasileiro é mentiroso

Agildo Ribeiro, fazendo papel de Maluf na TV

Carlos Newton

Um dos personagens mais interessantes dos programas humorísticos de TV foi criado por Agildo Ribeiro. O quadro se passava sempre numa festa, em que várias pessoas conversavam e Agildo entrava com a senha da piada, que sempre se referia a uma viagem a algum país estrangeiro:

– Não viajo mais para a Espanha!

– Por quê?

– Lá na Espanha eles não gostam de brasileiro, por qualquer motivo ficam chamando a gente de mentiroso, é um horror!

– Como assim ?

– Eu estava conversando com uns espanhóis em Barcelona e eles me perguntaram como é que funciona a Previdência Social no Brasil. Expliquei que é estatal, gerida pelo governo e dá sempre prejuízo, eles logo começaram a rir. Aí um deles me perguntou o que acontecia no Brasil quando o trabalhador ficava doente e não podia ir ao emprego. Eu então expliquei que o trabalhador brasileiro entrava de licença e passava a ganhar 75% do salário. Foi aí que eles caíram na gargalhada, me chamando de mentiroso…

– Mas por que te chamavam de mentiroso?

– Eles não acreditam que o governo do Brasil tenha coragem de diminuir o salário do trabalhador quando ele fica doente e precisa gastar mais dinheiro para se recuperar. Por isso acham que todo brasileiro é mentiroso… Não viajo mais para a Espanha!

MALUF INCÓLUME

O caso de Paulo Maluf merecia ser tratado como uma piada desse tipo, porque nenhum estrangeiro jamais vai entender como o político brasileiro possa estar sendo procurado pela Interpol (Polícia Internacional) nos 181 países que são membros da Interpol. Maluf foi incluído na lista de procurados, a chamada “difusão vermelha”, a pedido da Promotoria de Nova York, nos Estados Unidos, após investigação conjunta de promotores brasileiros e americanos, iniciada no Brasil em 2001. Em 2007, a Justiça americana determinou a prisão de Maluf pelos crimes de conspiração, auxílio na remessa de dinheiro ilegal para Nova York e roubo de dinheiro público em São Paulo.

Mas a decisão da prisão de Maluf pela Interpol não pode, no entanto, ser cumprida no Brasil, simplesmente porque ele é brasileiro…

Agora, Maluf foi escolhido pela Transparência Internacional como uma das “estrelas” de uma campanha mundial contra a corrupção, lançada semana passada em Berna, na Suíça. O caso do deputado é usado como exemplo de como as leis de combate a desvios de recursos públicos precisam ser modificadas para combater o problema. 

GRANDE FIGURA MUNDIAL

A campanha “Desmascarar a Corrupção” foi lançada pela Transparência Internacional como uma forma de pressionar o governo da Suíça a modificar suas leis em relação à proteção do sigilo bancário. Segundo a entidade, o deputado teria recebido US$ 344 milhões em propinas em quatro anos como prefeito de São Paulo. A ONG aponta que Maluf conseguiu desviar o dinheiro graças a paraísos fiscais que permitiram que ele mantivesse contas sem revelar seu nome.

Jersey, ilha britânica onde empresas ligadas a Maluf mantinham recursos, acabou condenando o deputado brasileiro e a Interpol expediu um mandado de prisão internacional contra Maluf. “Apesar de sua notoriedade, Maluf não está na prisão. Na realidade, ele é membro do Congresso. Se ele corre o risco de ser preso se sair de seu país, no Brasil ele está livre”, aponta a campanha.

Agildo Ribeiro que nos perdoe, mas quem pode acreditar nisso?