Setembro Amarelo: em poucas páginas, “As vantagens de ser invisível” aborda saúde mental e a força das amizades

Júlia de Aquino
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“Acho que todo mundo é especial à sua própria maneira”.

Stephen Chbosky escreveu um livro que tem grande relação com o Setembro Amarelo, pois foca no tema “saúde mental”. E apesar de ser uma obra já conhecida, principalmente depois da adaptação para o Cinema, ainda é muito atual e está sempre sendo lida e discutida por muitos.

Além dos comentários sobre a leitura – que, diga-se de passagem, foi uma ótima experiência –, separei referências a livros citadas na obra e trechos marcantes, que mostram parte dos sentimentos do protagonista Charlie.

O LIVRO – Caçula de três filhos, Charlie escreve cartas. Não se sabe para quem ele as manda nem se conhece outras informações a seu respeito, a não ser as que ele escreve nos textos. Através da escrita ele mostra toda sua percepção de mundo, o sentimento de estar preso ao mesmo tempo querer descobrir coisas novas.

LEITURAÉ um livro curto, fácil de ler pela escrita, mas “difícil” pela mensagem e pelo desfecho inesperado. Durante toda a narrativa, conhecemos um menino angustiado, socialmente deslocado, mas com vontade de viver, apesar de tantas dúvidas e questões psicológicas.

O mais marcante no livro é que o leitor consegue entender o menino. Mesmo quem já está há tempos longe da adolescência ou viveu esse período de forma tranquila. Através de sua escrita e a narrativa dos acontecimentos, ele nos leva a entendê-lo: compreendemos sua angústia, seus medos, seu nervosismo. Inclusive, ele nos faz pensar em situações em que também nos sentimos assim: deslocados, fora do padrão, sem saber o que fazer ou mesmo achando que “sempre fazemos tudo errado”.

DEPRESSÃO E ANSIEDADE – Em diversos momentos Charlie tem flashes de memórias e comportamentos típicos de quem sofre de Ansiedade. Diversas situações são gatilhos para ele, e ele conta com detalhes seus sentimentos em cada ocasião, mas sem refletir muito sobre os motivos que o levaram a se sentir daquela forma. O livro não nos deixa sem respostas ao final; pelo contrário, terminamos ainda mais reflexivos.

O mais valioso é acompanhar a jornada de Charlie durante o final do Colégio, conhecendo novas pessoas, fazendo novos amigos e vivendo intensas experiências.

CINEMALançado em 2012 e dirigido pelo autor (Stephen Chbosky), o filme é fiel ao livro e traz um elenco de peso. Alguns nomes são: Emma Watson, Ezra Miller, Mae Whitman, Kate Walsh, Dylan McDermott, Nina Dobrev e Johnny Simmons.

Assim como aconteceu com o livro em 1999, quando foi lançado, e acontece até hoje, a adaptação recebeu muitas críticas positivas. Também recebeu prêmios, incluindo o Independent Spirit Award de Melhor Primeiro Filme e duas indicações ao Critics’ Choice Movie Awards.

Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=qXTW2pOMDV8

REFERÊNCIAS LITERÁRIASAlém do final marcante, um dos aspectos que mais me chamou atenção foram as referências a livros (o Charlie adora ler, e é muito incentivado por seu professor de Literatura do Ensino Médio). Marquei todas elas durante a leitura, e a lista segue abaixo (na ordem em que aparecem no livro).

Livros Citados:

  • O sol é para todos – Harper Lee
  • O apanhador no campo de centeio – J. D. Salinger
  • Walden – Henry David Thoreau
  • Pé na estrada – Jack Kerouac (EN: On the road)
  • Naked Lunch – William Burroughs (PT: Almoço nu)
  • O estrangeiro – Albert Camus
  • The Fountainhead – Ayn Rand (PT: A nascente)
  • A noite dos morto-vivos – John Russo
  • Este lado do paraíso – F. Scott Fitzgerald
  • Peter Pan – J. M. Barrie
  • A separate peace – John Knowles (PT: Uma Ilha de Paz)
  • O grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald
  • Hamlet – William Shakespeare

Livro: As vantagens de ser invisível
Autor: Autor: Stephen Chbosky
Editora: Rocco Jovens Leitores
Páginas: 224

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ALGUNS TRECHOS

  • “Sempre acho que um livro é meu favorito até eu ler outro”.
  • “Charlie, a gente aceita o amor que acha que merece”.
  • “Charlie, você vê as coisas e guarda silêncio sobre elas. E você compreende”.
  • “Eles olharam para mim e eu olhei para eles. E acho que eles sabiam. Não alguma coisa específica, apenas sabiam. E eu acho que é tudo o que você pode pedir de um amigo”.
  • “E me senti ótimo sentado ali conversando sobre nosso lugar nas coisas”.
  • “Tem alguma coisa errada comigo. E eu não sei o que é”.
  • “As coisas mudam. E os amigos partem. E a vida não para para ninguém”.
  • “É duro ver um amigo sofrendo tanto. Especialmente quando você nada pode fazer, a não ser “estar lá”.
  • “Não sei o que há de errado comigo. É como se tudo o que pudesse fazer é escrever esse palavreado para evitar a depressão”.
  • “Acho que todo mundo é especial à sua própria maneira”.

No Setembro Amarelo, confira cinco livros positivos e muito inspiradores

Livro Pollyanna - Novo - Eleanor H. Porter - Frete R$ 10,00 - R$ 20,00 em Mercado LivreJúlia de Aquino
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Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza a campanha Setembro Amarelo durante o nono mês, com o dia “oficial” sendo dia 10/9 em todo o país. Essa data, portanto, é considerada a Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (vale lembrar que, apesar do marco, a campanha acontece durante o ano todo).

De acordo com o site Setembro Amarelo (setembroamarelo.com), anualmente ocorrem cerca de um milhão de suicídios em todo o mundo – 12 mil só no Brasil. Apesar do número alarmante, o tema ainda é tratado como tabu pela sociedade, e, consequentemente, pouco debatido. Desse modo, o Setembro Amarelo surgiu para prevenir e combater o suicídio, conscientizando a todos sobre a Depressão e oferecendo ajuda a todos que precisarem.

Para marcar a data, separei cinco livros com mensagens positivas, emocionantes e/ou inspiradoras. Além dos livros, incluí no final do texto os dados do Centro de Valorização da Vida (CVV), que possui serviço de ajuda 24h, todos os dias da semana.

POLLYANNA (Eleanor H. Porter) – Clássico da Literatura Infanto-juvenil em todo o mundo, a obra de Eleanor H. Porter e leve e conta a história de uma personagem cativante, que vê um lado bom em tudo o que acontece e apresenta ao leitor o famoso “jogo do contente”.

Sinopse: Órfã, Pollyanna vai morar no interior com a severa tia Polly. A menina costuma praticar o estranho jogo do contente, que aprendeu com o falecido pai. Mesmo em situações ruins, ela encontra motivos para ser feliz e contagia a todos com seu otimismo. Certo dia, Pollyanna é atropelada e corre o risco de ficar paralítica. Esse acidente acaba transformando também a vida da tia Polly.

Extraordinário | Amazon.com.brEXTRAORDINÁRIO (R. J. Palacio) – A história de Auggie já inspirou milhares de pessoas, principalmente depois da adaptação para as telonas, com Julia Roberts no elenco. Apesar de ainda ser criança, o menino ensina muitas lições ao longo do livro, e a autora nos presenteia com diálogos envolventes e cativantes – quando vemos, já terminamos a leitura!

Sinopse: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade… Até agora. Todo mundo sabe que e difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele e um menino igual a todos os outros.

O Poder do Agora - Livro - WOOKO PODER DO AGORA (Echkhart Tolle) – Um livro para ser lido com calma, mas que pode ser transformador, principalmente para pessoas que já gostam de temas como Meditação. Apesar de o conteúdo ser denso, é enriquecedor: quem o lê não será o mesmo após a conclusão da leitura.

Leia meu post sobre o livro publicado aqui na TI em 16/04/2020. http://www.tribunadainternet.com.br/dica-de-leitura-em-tempos-de-coronavirus-o-poder-do-agora-um-eterno-best-seller

Sinopse: Combinando conceitos do cristianismo, do budismo, do hinduísmo, do taoísmo e de outras tradições espirituais, Tolle elaborou um guia de grande eficiência para a descoberta do nosso potencial interior. Este livro é um manual prático que nos ensina a tomar consciência dos pensamentos e emoções que nos impedem de vivenciar plenamente a alegria e a paz que estão dentro de nós mesmos.

Eu Sou Malala - SaraivaEU SOU MALALA (Malala Yousafzai) – História da ativista paquistanesa que transformou o atentado contra ela em sua motivação para lutar pela educação de meninas em todo o mundo.

Leia meu post sobre o livro publicado em 10/07/2020. http://www.tribunadainternet.com.br/cinco-razoes-para-ler-a-biografia-de-malala-yousafzai-mais-jovem-nobel-da-paz/

Sinopse: Malala Yousafzai tinha apenas dez anos quando o Talibã tomou conta do vale do Swat, onde ela vivia com os pais e os irmãos. A partir desse dia, a música virou crime; as mulheres estavam proibidas de frequentar o mercado; as meninas não deveriam ir à escola.

Criada em uma região pacífica do Paquistão totalmente transformada pelo terrorismo, Malala foi ensinada a defender aquilo em que acreditava. Assim, ela lutou com todas as forças por seu direito à educação. E, em 9 de outubro de 2012, quase perdeu a vida por isso: foi atingida por um tiro na cabeça quando voltava de ônibus da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria.

Em sua autobiografia, que virou um best-seller internacional, ouvimos da própria Malala sua incrível história e suas iniciativas para mudar o mundo.

OS DELÍRIOS DE CONSUMO DE BECKY BLOOM (Sophie Kinsella) – Apesar de ser conhecida do público feminino, Becky merece entrar na lista de leitura de rapazes, jovens e até idosos. A história é bem divertida, com uma personagem extremamente consumista, mas de bom coração. A leitura é leve e garante algumas risadas, principalmente nas situações absurdas que a protagonista se envolve por causa de suas dívidas e compras.

Sinopse: Rebecca Bloom não resiste uma liquidação! Quanto mais inútil, melhor! Para ela, o mundo todo enxerga os detalhes da alça de seu sutiã, combinando com as cores de seus sapatos. Mas seu salário nunca é suficiente para pagar suas extravagâncias. Endividada até a alma, Rebecca, ou Becky, vive fugindo do seu gerente de banco e procurando fórmulas mirabolantes para pagar a fatura do cartão de crédito. E como se não bastasse, em meio a tanta confusão, Becky ainda arruma tempo para se apaixonar pelo sedutor – e expert em finanças – Luke Brandon.

Os Delírios de Consumo de Becky Bloom é um pouco da história de todas as pessoas para as quais comprar é quase uma terapia, a resposta para todos os problemas, mesmo criando outros piores ainda.

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DISQUE CVV – O Centro de Velorização da Vida atende 24 pelo telefone 188. Há uma unidade do CVV em todos as regiões do país.

Os atendentes são voluntários preparados para lidar com desabafos com empatia e tranquilidade. Todas as ligações são sigilosas.

Além do telefone, eles também atendem por e-mail e chat.

Mais detalhes no site: www.cvv.org.br  ou Instagram: @cvvoficial

“Hibisco roxo”, um romance que exibe todo o potencial da nigeriana Chimamanda Adichie

Júlia de Aquino
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“Quis pensar em alguma coisa, qualquer coisa, para assim não precisar mais sentir”.

A primeira vez que li algo da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie foi quando ganhei o pequeno livro “Sejamos todos feministas” (pequeno em tamanho, gigante em conteúdo). Esse ensaio virou livro depois de sua palestra viralizar e se tornar um sucesso no TED (centro de conferências sob o Tecnologia, Entretenimento e Design). Algum tempo depois, li “O perigo de uma história única”, da mesma coleção de ensaios, publicados pela Companhia das Letras.

Nesse ano resolvi me aventurar em seus romances, e comecei por “Hibisco roxo”. Foi uma leitura extremamente rica e marcante, e com toda certeza se tornou um dos favoritos do ano!

ENREDO – A adolescente Kambili narra sua história e de sua família, “comandada” por seu pai Eugene, industrial rico e extremamente religioso. Aos poucos, ele passa a destruir o ambiente doméstico motivado pelo fervor religioso. Quando Kambili e o irmão Jaja passam um tempo na casa da irmã de seu pai, Tia Ifeoma, tudo muda.

CONTEXTO HISTÓRICO – Apesar de a história se passar nos dias atuais, é marcada pela herança da colonização inglesa na Nigéria. O país tornou-se independente em 1960, mas desde então sofre diversos golpes militares.

Nesse contexto, Eugene, o pai de Kambili, é o reflexo dessa intervenção europeia: um homem negro que acredita que tudo que vem dos brancos é melhor (incluindo a religião).

RADICALISMO – Apesar de ser nigeriano de nascença, Eugene estudou em colégio católico durante a colonização e acabou adotando o Catolicismo europeu.

O fanatismo religioso do patriarca torna-se um problema para todos. Sempre autoritário, os filhos não têm liberdade para serem eles mesmos, nem para conviver com sua família nigeriana. Seu avô paterno é negligenciado pelo filho e proibido de ver os netos por seguir os costumes religiosos da Nigéria.

Durante toda a narrativa, Kambili nos mostra o quanto esse traço do pai a tornou contida e privada de senso crítico. Ela, seu irmão e sua mãe estão sempre tentando agradar Eugene e vivem com medo – medo de opinar, de falar algo “errado”, de pensar, de existir.

GATILHOS – A obra pode conter alguns gatilhos (temas sensíveis a algumas pessoas). Não recomendo a leitura caso alguém se sinta mal ou desconfortável com os temas a seguir: violência doméstica, física e psicológica.

NARRATIVA – Os acontecimentos e a forma como a autora os expõe, pela perspectiva de Kambili, são tão marcantes que durante todo o livro sentimos raiva, tristeza, alegria… Sem falar no final – totalmente inesperado e chocante.

Capítulos curtos, escrita impecável e personagens cativantes (cada um à sua maneira): a combinação perfeita para uma obra primorosa.

“Hibisco roxo” consagra Chimamanda como uma das principais autoras contemporâneas. “Americanah”, seu outro romance, foi aclamado pela crítica logo após o lançamento em 2013, e já conquistou grande número de leitores pelo mundo.

Livro – “Hibisco roxo”
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras

Páginas: 328

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ALGUNS TRECHOS

  • “Precisávamos ser civilizados em público, Papa nos dizia; precisávamos falar inglês”.
  • “Deus seja louvado”- era isso que Jaja e eu dizíamos, o que Papa esperava que disséssemos quando coisas boas aconteciam”.
  • “Papa mudou de sotaque, adotando uma pronúncia britânica. Ele se mostrou ansioso por agradar, como sempre era com os religiosos, principalmente religiosos brancos”.
  • ”Naquela noite, sonhei que estava rindo, mas a risada não era minha, embora eu nem soubesse qual era o som da minha risada. Era uma risada alta, profunda e entusiasmada, como a de Tia Ifeoma”.
  • “Eu nunca me perguntara em que universidade estudaria nem em que me formaria. Quando chegasse a hora, Papa decidiria”.
  • “Ela parecia tão feliz e em paz, e eu me perguntei como alguém perto de mim podia se sentir assim, quando havia fogo líquido me queimando por dentro”

Aumente seu vocabulário com a leitura; livros são fontes contínuas de novas palavras

Marca Páginas Criatilha2 - Criatilha

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Júlia de Aquino
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Durante uma leitura, é comum nos depararmos com palavras e expressões desconhecidas. E não há nada de anormal nisso, uma vez que a Língua Portuguesa possui quase 500 mil palavras.

Para ser mais exata, de acordo com o Blog Falando em Literatura, no Aurélio Online (principal dicionário de nossa língua) estão catalogadas 435 mil palavras diferentes.

E o número só cresce, pois todos os dias novas palavras são criadas ou até “incorporadas” por nossa sociedade, e acabam entrando no conjunto das já existentes.

DELETANDO – Por exemplo, a palavra “deletar”, presente nos dicionários, surgiu do termo em inglês “Delete”, que se popularizou com o crescimento do número de computadores nas casas, ainda nos anos 1990.

Outras palavras incorporadas aos nossos dicionários em 2011 foram “blogar”, “baixar” e “pen drive”.

Incorporações no vocabulário sempre aconteceram, mas de uns anos para cá estão cada vez mais frequentes. Sendo assim, é praticamente impossível conhecermos todas as palavras existentes, e não é raro alguma nos chamar atenção durante uma leitura.

COMO APRENDER? – No geral, encontramos seu significado pelo contexto, mas existem outras maneiras de compreendê-las e aprendê-las “ad aeternum”. Desde que comecei a seguir certos “procedimentos” literários, aprendi inúmeras palavras novas e em várias ocasiões encontrei-as em outros textos depois de tê-las aprendido. Deixo abaixo algumas dicas para quem se interessa em expandir o vocabulário ou se sente minimamente atraído pelos verbetes de nossa língua:

  • Cole um post-it quadrado grande na primeira página do livro que for começar a ler. Quando vir uma nova palavra, anote-a no post-it, marcando a página em que se encontra. Ao final da leitura, anote as palavras desconhecidas num caderno e busque seus significados, relendo os trechos em que aparecem (o ideal é separar um caderno ou bloco de anotações exclusivamente para esse fim).
  • Caso prefira registrar no celular, crie uma nota no Bloco de Notas no início de uma leitura e vá anotando as palavras e as páginas ali. Quando tiver um tempo, procure os significados em aplicativos ou sites de dicionários (veja algumas no fim do texto).
  • Os stickers coloridos (marcadores adesivos) também podem ajudar: quando encontrar um termo desconhecido, marque a página (na altura da linha da palavra) com um marcador para rever as anotações depois.
  • Para os que têm Kindle, fica ainda mais fácil! O leitor digital já vem com um dicionário em seu sistema, e basta um clique na palavra desconhecida para ele abrir uma janela no texto com a explicação do termo. Ainda assim, minha dica é anotar, pois dessa maneira fixamos muito melhor o conteúdo.

DO SEU JEITO – Obviamente essas dicas podem ser adaptadas de acordo com a preferência de cada leitor, mas são pontos de partida que podem ajudar – e muito – a desbravar esse oceano de palavras que é a nossa Língua.

Alguns sites que tem aplicativos para celular são:

Conheça alguns trechos marcantes do livro “It: a Coisa”, de Stephen King

Júlia de Aquino
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“It: a Coisa” é uma obra-prima, que merece destaque em vários sentidos. Por isso, no post da semana passada expliquei que faria uma “Parte 2” sobre o livro, com trechos marcantes que selecionei da obra.

Num mar de mais de 1.100 páginas, selecionei ao menos 25 trechos e torço para que inspirem os que ainda têm dúvidas sobre se devem ou não ler o título.

Vale muito a pena, e algumas passagens mostram a força da narrativa de King:

  • “Em Derry, esquecer tragédias e desastres era quase uma arte, como Bill Denbrough descobriria ao longo do tempo”.
  • “Havia um palhaço no bueiro. A luz ali não era nada boa, mas era boa o bastante para George Denbrough ter certeza do que estava vendo”.
  • “Quando Ben observou que os balões do palhaço estavam voando em sua direção, sentiu a irrealidade tomar conta dele com mais força”.
  • “Ele não sabia, mas acreditava que Derry havia mudado e que a morte de seu irmão sinalizara o começo dessa mudança. Qualquer coisa poderia acontecer em Derry agora. Qualquer coisa”.
  • “Por um momento, ele sentiu uma esperança louca: talvez fosse realmente um pesadelo. Talvez ele fosse acordar na própria cama, banhado de suor, tremendo… mas vivo”.
  • Às vezes, acontecimentos são como dominós. O primeiro derruba o segundo, o segundo derruba o terceiro, e não tem mais volta”.
  • “Ele teve um vislumbre intuitivo: estamos sendo levados para alguma coisa. Sendo escolhidos. Nada disso é acidental”.
  • “Ninguém deve se meter com o infinito” (citação de “Caminhos perigosos”, no início do segundo interlúdio).
  • “Se as rodas do universo forem verdade, então o bem sempre compensa o mal, mas o bem também pode ser terrível”.
  • “Mas eu tinha mais medo de que, independente da forma que a Coisa assumisse, ela aparecesse com o rosto destruído pelo câncer do meu pai”.
  • “E então, vi que tive companhia durante a noite. Fosse o que fosse, foi até mim à noite, deixou seu talismã… e simplesmente desapareceu”.
  • “Preso à minha lâmpada de leitura havia um balcão. Nele havia uma imagem do meu rosto, sem os olhos, com sangue escorrendo das órbitas”.
  • ”O povo de Derry vivia com Pennywise em todos os seus disfarces havia anos… e talvez, de alguma forma louca, tivesse até passado a compreendê-lo. A gostar dele, precisar dele”.
  • “Usar a intuição é uma coisa difícil para adultos, e é o motivo principal de eu achar que pode ser a coisa certa. Afinal, crianças funcionam baseadas nela 80% do tempo”.
  • “De alguma forma, uma parte de nós ainda se lembra… de tudo”.
  • “Ele ergueu o olhar e viu Pennywise, o Palhaço, de pé no alto da escada, olhando para ele. Seu rosto estava pintado de branco. Havia buracos vazios onde os olhos deviam estar”.
  • “Voltar para a cidade onde você cresceu é como fazer uma postura louca de ioga, colocar o pé na própria boca e de alguma forma engolir a si próprio para que não sobre nada”.
  • “É como se um sacrifício monstruoso fosse necessário no final de cada ciclo para acalmar a força terrível que trabalha aqui… para fazer com que a Coisa adormeça por mais um quarto de século”.
  • “Estamos todos juntos agora. Ah, Deus, nos ajude. Agora vai começar de verdade. Por favor, Deus, nos ajude”.
  • “Pensar nisso era coisa de criança, mas parecia que era disso que essa coisa se alimentava: de coisas de criança”.
  • “Algumas coisas precisam ser feitas mesmo quando existe risco”.
  • “Talvez valha a pena morrer por eles, se chegar a isso. Não amigos bons nem ruins. Só pessoas com quem você quer e precisa estar. Pessoas que constroem casas no seu coração”.
  • “PAREM AGORA ANTES QUE EU MATE VOCÊS TODOS. É UM CONSELHO DO SEU AMIGO, PENNYWISE”.
  • “E quando a coisa acorda, ela é a mesma. Mas um terço de nossas vidas se passou”.
  • “A Coisa odiava o medo, e a Coisa só podia matar o medo matando-os”.
  • “A Coisa sempre se alimentou bem de crianças. Adultos poderiam ser usados sem saber que o foram, e a Coisa já se alimentara de alguns. Mas os medos das crianças eram mais simples e normalmente mais poderosos”.
  • “Meu coração está com todos eles, e acho que, mesmo se nos esquecermos uns dos outros, vamos nos lembrar nos sonhos”.

Livro: It a Coisa
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Páginas: 1.103

Lançado em 1986, “It: a Coisa” mantém-se atual e exibe o talento de Stephen King

It: a coisa | Amazon.com.brJúlia de Aquino
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“Havia um palhaço no bueiro. A luz ali não era nada boa, mas era boa o bastante para George Denbrough ter certeza do que estava vendo”

É difícil começar a falar sobre esse título “It: a Coisa”. Porque não é um livro qualquer. É uma obra de arte, um clássico que há mais de 30 anos acompanha a trajetória literária de diversos leitores e fãs de terror. Foi meu favorito de 2020 até agora (dentre os 34 livros que li esse ano).

E como é difícil falar de obras de arte de forma “simples”, vou dividir o post sobre “It: a Coisa” em duas partes – hoje trago a resenha com comentários e impressões (nesse post). Na semana que vem farei uma publicação apenas com trechos marcantes que me chamaram atenção durante a leitura e que podem inspirar muitos a lerem o livro.

A HISTÓRIA – Durante as férias de 1958, em Derry, sete amigos se aproximam e, juntos, conhecem a sensação do medo e do perigo. Nesse verão, eles entram no jogo da “Coisa”, um ser maligno e sobrenatural que marcou a cidade de Derry de formas terríveis.

Trinta anos depois, eles voltam a se encontrar quando uma nova onda de terror assola a pequena cidade. Afinal, somente eles, juntos, são capazes de enfrentar a “Coisa”.

DESTAQUES – A construção dos cenários, personagens e relacionamentos é perfeita, assim como a narrativa dos acontecimentos. Porém, a obra contém alguns gatilhos: estupro, violência física e psicológica, suicídio e violência contra animais. Trata-se de um terror com forte apelo psicológico: os leitores entram na mente de todos os personagens e analisam cada atitude, boa ou má. Os vilões e os personagens mais desestruturados e obsessivos assustam e ficam marcados em nossa mente ao longo dos capítulos.

Além da raiva, tristeza e expectativa em certos momentos, outras emoções tomam conta de quem lê a história dos sete amigos, e isso é mais um ponto que reflete a perfeição da narrativa.

É genial como King personifica o medo de cada um dos garotos no personagem do Pennywise, o Palhaço Dançarino (a forma “física” da Coisa). Se suas aparições “físicas/reais” já surpreendem, seu lado sobrenatural se supera a cada capítulo, pois reflete os maiores temores e traumas dos personagens (muitos deles inconscientes, o que é ainda pior, por não terem nenhum controle racional sobre aquilo).

TEMPO DE LEITURA – Um dos aspectos mais relativos desse livro. Já conversei com pessoas que leram em uma semana, dois meses e até dois dias (acreditem se quiser).

É uma leitura longa, mas extremamente rica. Eu o li em três meses, na primeira Leitura Coletiva que participei dede que criei o perfil Ju Entre Estantes, organizada por outros perfis literários. Foi uma experiência muito bacana, com metas definidas para cada período, e ao final de cada “marca” comentávamos os aspectos mais significativos.

Apesar de seu tamanho, não vejo necessidade de esperar para ler em grupo – é uma ótima experiência, mas não um diferencial para apreciar a história. O segredo é ler no seu ritmo. Mas uma coisa já adianto: a trama nos prende até a última página.

STEPHEN KING – Não é à toa que o autor é considerado o “rei do terror” (jogo de palavras com seu sobrenome, que significa “rei” em inglês). Com mais de 400 milhões de cópias vendidas em mais de 40 países, King estudou Inglês na Universidade do Maine, cidade que é cenário em muitas de suas histórias. Em toda sua trajetória, publicou mais de 50 livros e escreveu mais de 200 contos (publicados em algumas edições do estilo).

Desde sua infância, enfrentou muitos desafios em sua vida pessoal. Em meados da década de 1970, quando iniciava sua carreira de escritor com a obra “Carrie” (publicada em 1974), envolveu-se com drogas e álcool e graças ao apoio de sua família conseguiu largar os vícios e permanece sóbrio desde 1980.

Em 1999 sofreu um grave acidente, mas recuperou-se e continuou a escrever.

A bibliografia completa de suas obras pode ser vista aqui. https://pt.wikipedia.org/wiki/Bibliografia_de_Stephen_King

Livro: It: a Coisa
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Páginas: 1.103

Aniversariante do mês, a autora Jojo Moyes é destaque no cenário literário mundial

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A jornalista Jojo Moyes se tornou a maior escritora da atualidade

Júlia de Aquino
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Nessa semana, no dia 4 de agosto, a escritora Jojo Moyes completou 51 anos. No auge de sua carreira, ela é uma das autoras mais aclamadas no da Literatura inglesa e mundial atualmente. 

Meu primeiro contato com sua escrita foi no início deste ano, quando li a trilogia de “Como eu era antes de você”, livro adaptado para o Cinema e estrelado por Emilia Clarke e Sam Clafin. Gostei muito do primeiro e li as duas continuações: “Depois de você” e “Ainda sou eu”. Alguns meses mais tarde, tive a oportunidade de conhecer o livro “A garota que você deixou para trás”, que até agora é meu favorito entre os quatro lidos. 

No final de 2019, foi anunciado que a obra “A última carta de amor” também seria adaptada para as telonas, com dois nomes de peso já confirmados: Shailene Woodley (A Culpa é das Estrelas) e Felicity Jones (Star Wars: Rogue One). 

Book do dia: A garota que você deixou para trás, de Jojo Moyes ...VIDA E CARREIRA – Nascida na Inglaterra em 1969, seu nome completo é Pauline Sara Jo Moyes. Formou-se em Jornalismo pela Universidade de Londres e até 2002 havia trabalhado por 10 anos em jornais ingleses, incluindo o The Independent. A partir de então, passou a se dedicar exclusivamente à escrita. Atualmente vive em Essex com seu marido e três filhos. 

Autora de mais de dez livros (lista abaixo), Jojo é, atualmente, uma das poucas escritoras que conseguiram ter três livros ao mesmo tempo na lista de mais vendidos do The New York Times. No cenário brasileiro, em meados de 2013 foi a autora mais vendida do país. 

COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ – Sua obra mais conhecida, a história de Lou e Will, foi inspirada num caso real de um jogador de rugby que ficou tetraplégico. Em todo o mundo, o livro já vendeu mais de 5 milhões de cópias. 

No livro, Lou é uma jovem que fica sem chão ao perder o emprego num café de sua cidade. Após muitas entrevistas, ela começa a trabalhar como cuidadora de Will, um rapaz rico e bem-sucedido que perdeu os movimentos após um acidente. O início da convivência entre os dois é complicado, mas com o tempo algo maior começa entre eles. 

Emilia Clarke, que dá vida a Lou (Louisa Clark), tornou-se conhecida na série Guerra dos Tronos da HBO, ao interpretar Daenerys Targaryen. Uma curiosidade a respeito do papel é que antes da decisão, mais de 2.300 atrizes fizeram teste para viver Lou.

ESCRITA E PERSONAGENS – O aspecto mais marcante das obras de Jojo é a forma como ela constrói os cenários e personagens. Através de uma narrativa fluida, “simples” e acessível, ela apresenta vivências complexas e histórias que nos prendem até o fim.

Um bom exemplo é “A garota que você deixou para trás”, que traz duas personagens principais, uma vivendo no contexto da Primeira Guerra Mundial e a outra nos dias de hoje. Acontecimentos surpreendentes marcam a história do início ao fim, e terminamos pensando “por que demorei tanto para ler esse livro?”.

Por tudo isso, a autora é um excelente presente literário para qualquer data comemorativa. E engana-se quem pensa que as histórias são escritas para um público unicamente feminino: já conversei com muitos leitores homens que adoraram as obras e presentearam familiares e conhecidos com elas.

Todos os títulos foram publicadas no Brasil pela Editora Intrínseca, e são mostradas abaixo em ordem cronológica de publicação:

  • Em busca de abrigo (2002)⁣
  • A casa das marés (2003)⁣
  • The Peacock Emporium (2004)⁣
  • O navio das noivas (2005)⁣
  • Baía da esperança (2007)⁣
  • O som do amor (2008)⁣
  • Nada mais a perder (2009)⁣
  • A última carta de amor (2010)⁣
  • Como eu era antes de você (2012) – 1º livro da trilogia
  • Paris para um e outros contos (2012)⁣
  • A garota que você deixou para trás (2012)⁣
  • Um mais um (2014)⁣
  • Depois de você (2015) – 2º livro da trilogia
  • Ainda sou eu (2018) – 3º livro da trilogia
  • Um caminho para liberdade (2019)

Uma ideia superinteligente – os projetos que aceitam doação de livros no Rio de Janeiro

Júlia de Aquino
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Doar livros não é uma tarefa simples. Na maioria das vezes, temos livros para doar mas não sabemos o que fazer com eles. Afinal, jogar fora não é uma opção, a menos que estejam muito velhos ou acabados (todos os livros em bom estado podem ser aproveitados de alguma forma).

Pensando nisso, e respondendo a várias dúvidas e solicitações de amigos e conhecidos nos últimos meses, preparei uma lista de Projetos Literários que aceitam doações de livros no Rio de Janeiro, uma ideia superinteligente que merece ser repetida em todas as cidades onde ainda não existe essa prática.

PROJETOS  DIVERSOS– Cada projeto tem uma particularidade, uma característica específica, mas todos eles contribuem de forma positiva para a sociedade.

Por exemplo, alguns precisam muito de livro infantil; outros aceitam didático e material de vestibular; de modo geral, as causas sempre buscam ajudar uma comunidade, estudantes ou animais. Vale a pena conferir e decidir para onde direcionar sua doação (é possível até mesmo “dividir” os livros, mandar alguns para um projeto e outros para outro).

Na lista (link no final do post) tem os detalhes sobre cada um, como objetivo, endereço, contato e outras informações. Os projetos até agora listados são:

  • Biblioteca da Luna – Biblioteca inaugurada pela Luna, menina de 13 anos, na Comunidade dos Tabajaras
  • Adote uma história – Estante pública numa galeria do Largo do Machado que disponibiliza livros para qualquer um “adotar” e ler, e com um espaço de leitura com sofás e poofs.
  • Projeto Livro a Livro – Estante no BRT que disponibiliza material de vestibular para estudantes que estejam no final do ensino médio estudando para o Enem e outras faculdades
  • Sebo solidário CELPI – Sebo localizado em Botafogo, que atua junto à comunidade Santa Marta há mais de 80 anos As vendas são revertidas integralmente para crianças e adolescentes assistidos pelo projeto.
  • Rota da leitura – Programa de “delivery de livros”, que busca doações em todos os bairros do Rio.

LISTA COLABORATIVA – Trata-se de lista colaborativa. Então, caso alguém saiba de outra iniciativa que aceite doações, deixe a contribuição nos comentários da publicação para que os novos dados sejam incluídos no documento.

Link com a lista completa de projetos (para acesso e/ou compartilhamento)

Qualquer dúvida envie inbox para o perfil do Instagram @juentreestantes.

Em linguagem acessível, “Mentes perigosas” mostra que os psicopatas estão entre nós

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“Como animais predadores, vampiros ou parasitas humanos, esses indivíduos sempre sugam suas presas até o limite improvável de uso e abuso. Na matemática desprezível dos psicopatas, só existe o acréscimo unilateral e predatório, e somente eles são os beneficiados”.

Algumas pessoas aparentam ser leves e delicadas como algodão, mas, na primeira oportunidade, não exitam em nos prejudicar em benefício próprio. É sobre essas pessoas que o livro “Mentes perigosas” trata. 

AUTORA – Ana Beatriz Barbosa Silva é psiquiatra e há anos estuda o Comportamento Humano. Além de seu trabalho na área, é palestrante, escritora e realiza conferências e consultorias. Nesse livro, ela trata sobre características e comportamentos dos psicopatas, pessoas que aparentam total normalidade, mas que, nas palavras da autora, são “frias, manipuladoras, cruéis e destituídas de culpa, remorso ou compaixão”. 

LINGUAGEM ACESSÍVEL – Esse é um livro que cumpre seu objetivo: explica o transtorno de forma clara e numa linguagem acessível. Mesmo quando explica pontos mais específicos da Psicologia, as informações são apresentadas de maneira didática de forma que todos entendam. 

Assim, qualquer um pode ler, mesmo os que não têm noção de conceitos acadêmicos. O raciocínio que a autora constrói é simples, objetivo e responde às principais dúvidas sobre o tema. Ou seja, todos conseguem desfrutar da leitura e arrisco dizer que é uma leitura necessária, principalmente quem gosta de temas relacionados à mente humana. 

Considero esse livro um “manual de proteção”: após a leitura, todos serão capazes de reconhecer pessoas assim e pensar em como tirá-las de suas vidas. 

ELES ESTÃO ENTRE NÓS – Durante a leitura é quase impossível não pensar em várias pessoas que já passaram pela nossa vida ou de algum conhecido. Seja no ambiente de trabalho ou mesmo no âmbito familiar, vários nomes aparecem em nossa mente (pelo menos em relação a algumas características citadas). 

Sob essa perspectiva, a própria autora sempre cita o fato de que psicopatas podem estar em qualquer lugar, e não necessariamente precisam ser violentos. O principal indicador é a falta de empatia e amor. São pessoas manipuladoras, cativantes, inteligentes e pacientes, que vão, aos poucos, “conquistando terreno” até começarem a implementar o caos no ambiente ou relacionamentos ao seu redor. 

EXEMPLOS – Conversei com alguns leitores sobre o livro e muitos mencionaram os exemplos como sendo muito sensacionalistas. Eu, particularmente, achei razoáveis.. Ela defende que psicopatas não precisam ser assassinos e, por isso, além dos exemplos mais extremos, ela inclui casos de estelionatários, que vivem de golpes, e fala até de vítimas de pessoas possessivas e “sem coração”. 

A própria introdução do livro é bem impactante é pode ser um exemplo (mas em forma de parábola). Vale reproduzir o pequeno trecho: 

Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava na beira de um rio. O escorpião vinha fazer um pedido:

“Sapinho, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?”

O sapo respondeu: “Só se eu fosse tolo! Você vai me picar, eu vou ficar paralisado e vou afundar”.

Disse o escorpião: “Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos”.

Confiando na lógica do escorpião, o sapo concordou e levou o escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio.

No meio do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo.

Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: “Por quê? Por quê?”

E o escorpião respondeu: “Por que sou um escorpião e essa é a minha natureza”.

Livro: Mentes perigosas
Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva
Editora: Fontanar (a nova edição é da Principium – selo da Globo Livros)
Páginas: 218

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ALGUNS TRECHOS

  • “Para os psicopatas, a mentira é como um instrumento de trabalho”
  • “Não demonstram a menor vergonha caso sejam flagrados em suas mentiras. Para eles, a culpa é sempre dos outros”
  • “Eles tratam pessoas como ‘coisas’ que, quando não servem mais, são descartadas”
  • “Essas páginas percorrem as mentes sombrias de criaturas cujas vidas parecem não ter se desenvolvido totalmente. Saber identificá-las pode ser um antídoto (talvez o único) contra seu veneno paralisante e mortal”
  • “Os psicopatas estão por toda a parte, e no dia-a-dia é possível encontrá-los em diversas categorias profissionais”
  • “Não se esqueça: psicopatas são incapazes de amar, eles não possuem a consciência genuína que caracteriza a espécie humana”

Estamos realmente prontos para adversidades? O livro “Plano B” pode nos responder

Sheryl Sandberg te ajuda na hora de enfrentar adversidades com o ...

O livro é escrito pela CEO do Facebook, Sheryl Sandberg

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“Encontramos nossa própria humanidade – nosso desejo de viver e nossa capacidade de amar – em nossas conexões com os outros”.

Normalmente, todo final de ano faço uma lista dos melhores livros e divulgo em minhas redes sociais (os dez ou cinco que eu mais tenha gostado). Como já comentei em algumas publicações nas semanas anteriores, no ano de 2019 li 41 livros.

Plano B entrou no quinto lugar dessa lista no ano passado, ficando atrás de “Dono do morro”, “Eu sou Ricardo Boechat”, “O casal que mora ao lado” e “Castelo de vidro”, respectivamente. Há publicações sobre todos eles aqui no blog (para encontrá-las basta procurar por seus títulos na caixa de busca ou clicar no meu nome na lista de Colunistas).

PREMISSA – Sheryl Sandberg, CEO do Facebook, perdeu o marido inesperadamente, enquanto ele malhava durante uma viagem de férias. Esse fato, por si só, chama nossa atenção logo no início, por ser algo que achamos que “nunca vai acontecer consoco”.

A partir desse fato, a autora descreve como foi sua vida após a perda, tanto no Facebook com os colegas de trabalho como com sua família. Apesar de ser algo triste, sua escrita prende muito a atenção e nos inspira, pois começamos a pensar em vários acontecimentos desafiadores de nossas próprias vidas.

TEMAS TRATADOS – Ela e o psicólogo Adam Grant, que também assina a obra, citam a questão do luto, de respeitar os próprios limites sem se deixar abalar, e de como lidar com as pessoas ao redor em casos extremos como esse (no caso do livro, é muito interessante ver como a Sheryl lidava com os filhos, fazendo “dinâmicas” e sempre conversando e se mantendo unida a eles).

Embora as temáticas remetam à “autoajuda”, o livro passa longe disso. É uma mistura de biografia com apontamentos interessantes e que podem inspirar os leitores. Outro aspecto interessante são as referências a projetos ao redor do mundo que ajudam pessoas que passaram por diversas situações traumáticas.

INDICAÇÃO – É uma leitura excelente, e acho que deveria ser lido por todo mundo pelo menos uma vez na vida, principalmente pela questão do luto, tema-tabu, principalmente no Ocidente. Como a escrita é muito fluida e objetiva, tudo é descrito na medida certa, sem ficar maçante (o livro tem pouco mais de 200 páginas).

Livro: Plano B – Como encarar adversidades, desenvolver resiliência e encontrar felicidade
Autores: Sheryl Sandberg e Adam Grant
Editora:  Fontanar
Páginas: 216

Cinco razões para ler a biografia de Malala Yousafzai, mais jovem Nobel da Paz

Eu Sou Malala - Como Uma Garota Defendeu O Direito - R$ 2,99 em ...Júlia de Aquino
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No mês passado, Malala Yousafzai se formou na Universidade de Oxford, onde estudou filosofia, política e economia. Aos 22 anos, a paquistanesa é referência na luta a favor da Educação, principalmente de meninas.

Li sua história em 2018, mas nunca me esqueci do quanto gostei da leitura e de conhecer mais sobre ela. Antes de falar sobre os motivos que fazem a biografia valer a pena, vamos mostrar um resumo da história da jovem.

AMBIENTE CONSERVADOR – Vale do Swat, local aonde nasceu e cresceu, era muito conservador, e em 2011 apenas 34% das meninas da região estudavam (Fonte: Glob.com). As outras jovens e mulheres eram analfabetas e, de modo geral, obrigadas a ficar em casa. Na época, a aldeia era dominada pelos talibãs.

Em 2009, Malala começou a escrever um diário anônimo para a BBC, contando a realidade de sua região e narrando os acontecimentos. Três anos depois, aos 15 anos, sua identidade foi descoberta. Um dia, ao sair da escola, sofreu um atentado ao sair da escola e foi baleada na cabeça. O ataque foi planejado pelos talibãs,  grupo contrário à ida de meninas para a escola.

Em outubro de 2014, ganhou o Nobel da Paz, tornando-se a pessoa mais jovem a recebê-lo. Justificaram o prêmio “pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação”. Malala e sua família então mudaram-se para Inglaterra, onde se refugiaram após a menina sair do hospital.

Ler é viver: Eu sou Malala - OpiniãoMOTIVOS PARA LER – Após essa contextualização, confira os motivos pelos quais recomendo seu livro:

 #1É um livro-inspiração, sobre a vida de uma menina que nasceu para inspirar e mudar os rumos que a Educação global vinha tomando nas últimas décadas (principalmente a educação de meninas, mais especificamente no Paquistão).

#2É um livro rápido e “curto” de certa forma, que conta de maneira clara e sem embromação como Malala chegou até aqui – o que causou e como foi o atentado em 2012 e como ela transformou esse acontecimento em uma motivação para sua existência.

#3Além de não ser demorada, a leitura é muito interessante, principalmente porque ela mesma conta sua história, com todos os fatos em primeira pessoa. E ela descreve tão bem os acontecimentos que não nos perdemos nos detalhes das datas e “personagens”.

#4 – É incrível como ela consegue nos passar a bravura de sua família, detalhando, principalmente, o papel de seu pai na luta pela Educação. Por isso, não é exagero quando dizem o quanto nossa infância nos forma: desde criança, Malala foi estimulada a estudar muito e a lutar por seu direito à Educação. Seu pai atuava em uma escola do Paquistão, e o tema sempre esteve presente em seu âmbito familiar.

#5 – Fãs de biografias e temas relacionados à Educação vão gostar muito desse livro atemporal, que pode ser lido por todos (sem exceção). Com certeza os leitores sairão mais inspirados e esperançosos com os rumos do planeta.

Livro: Eu sou Malala
Autora: Malala Yousafzai
Editora:  Companhia das Letras (a Seguinte, selo jovem da editora, tem uma versão mais curta, de 200 páginas)
Páginas: 344

“A luz que perdemos “, um comovente romance que revela o poder de nossas escolhas

Júlia de Aquino
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“Não consigo deixar de imaginar o que teria acontecido se eu tivesse dito sim” – ou seja, preparem os lencinhos! Eu, que não costumo chorar, fiquei emocionada com a leitura. Um livro comovente, bem construído e que nos prende da primeira página à última.

ENREDO – Após Lucy e Gabe se conhecerem na manhã do 11 de setembro em Nova York, uma história intensa começa entre os dois. Mas desencontros e escolhas nos anos seguintes vão marcar toda essa trajetória e definir o futuro de suas vidas.

Um dos aspectos mais marcantes do livro, para garantir a forte emoção que sentimos durante a leitura, é que todo o livro é escrito como se a narradora estivesse escrevendo uma carta a Gabe (os trechos citados abaixo mostram a característica com mais clareza).

CAPÍTULOS – Além desse formato, os capítulos terminam com perguntas, como se Lucy esperasse respostas de seu par. O início e o final dos capítulos tornam a escrita ainda mais poderosa, e por vezes nos levam a pensar aspectos de nossa própria vida e atitudes passadas.

Fãs de capítulos curtos vão adorar! Cada trecho tem em média cinco páginas, o que nos motiva a ler e dá aquela sensação de “vou ler só mais um capítulo antes de parar…”. O formato também faz com que a leitura não fique cansativa em nenhum momento.

VIDA REAL – Por ser uma história muito possível de acontecer na vida real, ela acaba sendo ainda mais impactante e comovente. Nesse sentido, a autora constrói uma trama da qual conseguimos nos sentir próximos, até mesmo pensar em pessoas que já passaram pelas situações dos personagens (ou nós mesmos).

Até aqueles que não estão acostumados a ler romances vão se identificar com as situações da trajetória dos personagens e alguns questionamentos da narradora Lucy.

CAUSA REFLEXÕES – O livro nos faz refletir sobre nossas decisões ao longo da vida e suas consequências; sobre as pessoas que escolhemos ter por perto; e sobre o poder e a importância de encontrar alguém que se possa amar e tomar decisões em nome dessa relação. Em suma, questões que já passaram pela cabeça de todo mundo pelo menos uma vez.

Recomendo muito para quem está num momento que precisa de uma leitura leve e marcante; para pessoas que queiram retomar o hábito de ler; ou para aquelas que adorem romance e drama.

Livro: A luz que perdemos
Autora: Jill Santopolo
Editora: Arqueiro
Páginas: 272

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ALGUNS TRECHOS

  • “Você encontra beleza em tudo. Percebe coisas que mais ninguém percebe. É algo que sempre admirei em você”
  • “Beijá-lo no meio de uma tragédia me pareceu ser ao mesmo tempo absolutamente certo e errado”
  • “Fico pensando naquela bifurcação do caminho. O que teria acontecido se a gente tivesse seguido pelo outro lado”
  • “A conclusão lógica de viver cada dia como se fosse o último é que não dá para fazer planos para o futuro. Esse é o problema”
  • “Como você foi capaz de me ligar daquele jeito, trazendo tantos sentimentos à tona, se não planejava fazer nada a respeito? Não era justo, Gabe”
  • “Há pessoas com quem cruzamos na vida e que, depois que se afastam da gente, deixam de fazer parte dela”
  • “Naquela foto vislumbrei o que eu “poderia ter sido”. Vi o caminho que não foi escolhido”

“Crônica de uma morte anunciada” é boa opção na obra do colombiano García Marquez

RESENHA: Crônica de uma Morte Anunciada – Cartola CulturalJúlia de Aquino
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García Márquez foi um autor que, até ano passado, eu só ouvia falar. Nunca tinha tido até a oportunidade de ler algo dele. Até que ganhei de aniversário “Crônica de uma morte anunciada”, um livro que virou um dos meus favoritos, e que me fez querer ler mais do autor, me mostrando, mais uma vez, o perigo de julgar o livro pela capa.

Além desse título, García Márquez é famoso por outros clássicos, como “Cem anos de solidão” e “O amor nos tempos de cólera”.

No dia 25 de abril, foi publicada aqui minha resenha sobre o segundo livro que li dele, “Cinco esquinas”, outra história que eu recomendo muito (caso queira consultar, busque por “Júlia de Aquino” no campo de busca na parte superior do site).

ENREDO – Angela Vicario casa com Bayardo San Román, rico e arrogante, e é devolvida logo após o noivo descobrir que ela não é mais virgem. Após citar o nome de Santiago Nasar como o “culpado”, a pena de morte de Santiago é decretada. O problema é que ele é o único que não sabe disso.

É um livro curto, rápido de ser lido, porém construído de forma perfeita. Sim, alcança a perfeição. Cumpre tudo que um bom livro deve fazer: nos deixa curiosos, apreensivos, incrédulos, chocados e reflexivos.

Sem dúvida, é a melhor opção para quem quer começar a ler a obra do autor.

NARRATIVA – O aspecto que mais nos faz virar uma página atrás da outra é o fato de todo mundo – sem exceção – da cidade saber o que vai acontecer. Apesar disso, ninguém leva a sério e as tentativas para evitar ou avisar a vítima de seu futuro assassinato são quase nulas. Para piorar, uma série de imprevistos atrapalha ainda mais a situação de Santiago.

A história é contada como um quebra-cabeça que vai sendo construído na mente do leitor, que passa a “participar” dos acontecimentos que precederam a morte do personagem.

É interessante ler levando em consideração que a história se passa numa cidade pequena, numa época em que “dívidas de honra eram pagas com a morte”. Na vila predomina a mentalidade machista e patriarcal, em que as opiniões da vizinhança superam qualquer ato racional.

TRECHOS

  • “No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às cinco e meia da manhã”
  • “Dona pela primeira vez do seu destino, Ângela Vicário descobriu então que o ódio e o amor são paixões recíprocas”
  • “Foi a mesma cena de sempre, uma pessoa começa a contar-lhe uma coisa e antes de chegar à metade da história, ela já sabe como termina”

No dia do aniversário de Machado de Assis, veja como ler suas obras gratuitamente

A vida é cheia de obrigações que a... Machado de AssisJúlia de Aquino
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“É assim que funciona a vida, uma máquina inconstante de idas e vindas, de crenças e descrenças, e de limites inalcançáveis” (Machado de Assis)

21 de junho: nesse dia, em 1839, nascia um dos maiores representantes da Literatura Brasileira, o autor que inaugurou o Realismo em nosso país (com a obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”). Para homenageá-lo, fiz um “resumão” com detalhes sobre sua vida e obra, incluindo curiosidades bem interessantes! Em seguida, separei os links para quem quer ler sua obra de forma gratuita.

VIDA E OBRA – A história do escritor traz muitos obstáculos e desafios, apesar de não ser muito conhecida. Preparei um resumo de sua biografia para que todos o conheçam melhor:

Nasceu no morro do Livramento. no Rio de Janeiro, e ganhou o nome Joaquim Maria Machado de Assis, numa chácara onde seu avô tinha sido escravo. Sua família era muito humilde: seu pai, pintor de paredes, e sua mãe, lavadeira.

Perdeu os pais muito cedo, e como não tinha recursos para estudar, tornou-se autodidata (pessoa com capacidade de aprender algo sozinha), e suas primeiras obras foram publicadas em órgãos de comunicação quando ele tinha 14 anos: um soneto e o poema “Ela”. Atuou como tipógrafo, revisor, redator, censor teatral e ajudante de publicação do Diário Oficial. Seu primeiro romance foi “Ressurreição”. No geral, suas obras eram publicadas em folhetins para depois virarem livros.

Foi casado com a adorada Carolina, que o ajudava a revisar seus textos e cuidou de sua saúde durante toda a vida. O poema “A Carolina” foi publicado quando ela morreu, em 1904. Quatro anos depois (1908), Machado também ia, vítima de câncer.

CURIOSIDADES

  • Machado foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, junto com outros intelectuais, e um dos primeiros presidentes.
  • Foi responsável por uma das primeiras traduções do conto “O Corvo”, de Edgar Allan Poe.
  • Sabia falar francês, idioma que teria aprendido com um padeiro de quem era amigo.
  • Adorava xadrez e participou do primeiro campeonato brasileiro, ficando em 3º lugar. As peças que utilizou estão expostas até hoje na Academia Brasileira de Letras.

LEIA GRATUITAMENTE

O site Domínio Público (www.dominiopublico.gov.br) disponibiliza gratuitamente todas as obras do escritor em PDF, que podem ser acessados e/ou baixados em qualquer dispositivo (celular, tablete ou computador). ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Muitas obras também estão gratuitas na Amazon. Baixando por lá, é possível ler no Kindle, celular (com o app Kindle) ou computador (na sua biblioteca da conta Amazon). Acesse e compre gratuitamente pelos links abaixo:

DOM CASMURRO | https://tinyurl.com/y93njg9h

HELENA | https://tinyurl.com/yde5jhvt

CINCO MULHERES | https://tinyurl.com/ybn6qonf

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS | https://tinyurl.com/yagsr69w

O PAI | https://tinyurl.com/yae9ytwy

A PIANISTA | https://tinyurl.com/ya6gl7s8

HISTÓRIA DE UMA LÁGRIMA | https://tinyurl.com/y773twzw

O IMORTAL | https://tinyurl.com/yamoxkh3

No livro “Por que fazemos o que fazemos?”, Cortella aborda trabalho, carreira e motivação

Júlia de Aquino
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“Uma pessoa motivada faz algo decisivo: ela procura excelência”

Minhas leituras de 2020 estão me surpreendendo muito positivamente. Com esse livro foi assim. Marquei diversos trechos, que constam abaixo. Se precisasse escolher uma única palavra para definir essa leitura, com certeza seria: MARCANTE.

TEMAS – O autor (professor paranaense que mora em São Paulo e foi secretário municipal de Educação) comenta questões relacionadas a trabalho, carreira, propósito, motivação, entre vários outros temas que envolvem nossa realidade.

Suas experiências como filósofo, escritor, educador, palestrante e professor universitário proporcionaram a Cortella uma propriedade que poucos autores possuem para abordar tais assuntos, e ele o faz de forma brilhante. 

LIDERANÇA E MERCADOTodo mundo que já lidera uma equipe ou pensa em liderar um dia (no trabalho ou mesmo em casa) vai aproveitar essa leitura.

Por exemplo, o capítulo 8 (O que mais desmotiva) foi um dos que mais me marcou (apesar de ter gostado de todos). Ele cita muitos erros cometidos por líderes, atitudes que desmotivam as equipes e as pessoas envolvidas nos processos.

Mas, mesmo aqueles que não possuem cargo de liderança ou nem almejam, podem extrair lições positivas dessa leitura. De forma resumida, posso definir esse livro como “um conjunto de reflexões necessárias e urgentes, que deveriam ser lidas por todos, independentemente da profissão ou atividade”.

Também é inevitável não pensar em diversas situações que já aconteceram conosco ou com conhecidos no mercado de trabalho. Tenho certeza de que, de alguma maneira, todos que lerem terão a sensação de pensar em alguém que precisa ler o livro.

CAPÍTULOS CURTOS – Essa foi a primeira obra que li do autor e “abriu meus olhos” para outros. É um livro que eu indico ler como se fosse um texto acadêmico ou algo a ser estudado. Vale muito a pena ver tudo com calma. Apesar de sugerir isso, em nenhum momento ele é cansativo.

Pelo contrário: é uma leitura tão fluida e interessante que quando vemos já acabou, até porque é um livro pequeno, com menos de 200 páginas.

Além disso, para quem gosta de capítulos curtos, esse é mais um ponto positivo: a maioria dos capítulos tem mais ou menos oito páginas. O autor não enrola para escrever, mas também não fala sobre os temas superficialmente. É tudo na medida certa.

Livro: Por que fazemos o que fazemos
Autor: Mario Sergio Cortella
Editora: Planeta
Páginas: 176

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ALGUNS TRECHOS

  • “O desperdício hoje é tanto que precisamos continuar nos esforçando para manter um modelo que já seria sustentado se houvesse partilha”
  • “Quem começa o dia de trabalho com um nível de tristeza precisa reinventar as razões pelas quais faz aquilo que faz. Qual seu propósito?”
  • “Motivação é uma atitude interna. Quais são as minhas razões para fazer o que faço? A resposta valerá a fonte da minha motivação “
  • “Nós fazemos o trabalho, mas ele também nos faz”
  • “Quem tem um motivo que o impulsione consegue atingir a excelência. O propósito reordena nossas ações”
  • “A procrastinação contínua é um distúrbio. Ela é um indicador de que a pessoa tem medo de realizar aquilo”
  • “A principal causa da desmotivação é a ausência de reconhecimento”
  • “Cautela com a expressão ‘eu só quero fazer o que eu gosto’. Para ter o resultado que eu gosto, nem sempre faço o que quero”
  • “Se eu faço só por fazer, porque não há outro modo, não deixa de ser uma razão, mas é a pior. Em relação a qualquer coisa que se faça, a melhor razão é porque eu quero e não porque eu preciso”
  • “Essa geração está um pouco cansada de encenação e deseja um pouco mais de autenticidade”
  • “Se a liderança não estiver voltada para priorizar a formação contínua, o máximo que essa empresa terá é um grande passado pela frente”
  • “A retenção de um bom profissional passa pela percepção de que a empresa investe nele”
  • “Quando a empresa dispensa o funcionário, não diminui apenas custo, perde investimento”
  • “É necessário que quem perde o trabalho não se retraia a ponto de entrar num movimento depressivo. Esse momento exige uma tomada de atitude no que refere ao estado de espírito”
  • “Um gestor que cuida de uma equipe precisa observar as relações”

Post especial de aniversário literário, com 26 anos no dia 26

Júlia de Aquino
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O primeiro e único aniversário de 26 anos no dia 26 a gente não esquece jamais! Meu aniversário foi na semana passada. Para comemorar, preparei uma foto especial e, para isso, separei alguns livros que fizeram ou fazem parte de quem eu sou.

Todos eles são excelentes e cumprem o que prometem. Eu recomendo muito a leitura de cada um. Os temas variam de biografia a distopia, passando por dramas e romances.

Também os indico muito para presentear amigos e familiares – há opções para agradar todos os estilos e idades (minha sugestão é pesquisar a sinopse caso algum título ou capa chamar sua atenção ou despertar seu interesse).

Boa leitura!

LIVROS DA FOTO

Livros formando o 2 (de cima para baixo):

  • O garoto da casa ao lado – Meg Cabot
  • Extraordinário – R.J. Palacio
  • Pollyanna – Eleanor H. Porter
  • Minha história – Michelle Obama
  • Quando Lisboa tremeu – Domingos Amaral
  • Meu nome não é Johnny – Guilherme Fiuza
  • Segredos e mentiras – Diane Chamberlain
  • A seleção – Kiera Cass
  • Sejamos todos feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

Livros formando o 6 (de cima para baixo):

  • Mais que amigos – Lauren Layne
  • Por que fazemos o que fazemos – Mario Sergio Cortella
  • O poder do Agora – Eckhart Tolle
  • O segredo do meu marido – Liane Moriarty
  • A garota que você deixou para trás – Jojo Moyes
  • O dono do morro – Misha Glenny
  • As aventuras de Sherlock Holmes – Arthur Conan Doyle
  • Eu sou Ricardo Boechat – Eduardo Barão e Pablo Fernández
  • O homem de São Petersburgo – Ken Follet
  • Cavalos partidos – Jeannette Walls
  • Manhã tarde e noite – Sidney Sheldon

Narrado integralmente na voz de uma criança, o thriller “Quarto” surpreende de muitas maneiras

Júlia de Aquino
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“É tudo real no Lá Fora. A Mãe e eu não podemos ir lá porque não sabemos o código secreto, mas assim mesmo é real”.

ATENÇÃO – O livro aqui comentando possui os seguintes gatilhos: claustrofobia; violência doméstica; estupro. (se os temas causarem desconforto ou fobia, não é aconselhável a leitura da obra citada e do texto abaixo).

A experiência com esse livro, comigo, pode ser resumida da seguinte forma: aquele livro que ficou três anos na estante, esperando para ser lido mas nunca escolhido (seria a capa? O tamanho? A sinopse?). Assim que – finalmente – foi o escolhido, surpreendeu sua leitora de diversas maneiras.

Com toda certeza todos já passaram por uma situação parecida com algum título específico. O tempo de espera pode variar, mas é sempre indefinida a sensação que justifica nossa não-escolha.

O LIVRO – Jack, de cinco anos, e sua Mãe vivem num quarto, o único lugar que ele conhece. Ele dorme no Guarda-Roupa, onde fica quando o Velho Nick visita a Mãe à noite. Jack começa a ficar cada dia mais curioso sobre sua realidade e passa a questionar a Mãe constantemente.

Quando ela elabora um plano de fuga, o menino precisa entender que terá um papel crucial nele.

NARRATIVA – Sem dúvidas é o aspecto principal do livro, o que mais chama atenção de quem o lê. A história inteira – da primeira à última página – é narrada pelo menino Jack.

A forma perfeita como a autora descreve a mentalidade de uma criança de cinco anos impressiona e comove. Os erros de português do menino correspondem fielmente aos enganos cometidos por crianças de sua idade (por exemplo, constantemente ele troca a palavra “trouxe” por trazeu” – veja exemplo nos trechos citados no fim do texto). Nesse sentido, vale enaltecer o trabalho da tradução da Verus Editora.

UM MUNDO SEGURO – Outro ponto interessantíssimo é o fato de todos os objetos e pessoas serem escritos com a primeira letra Maiúscula, como se para Jack fossem “entidades” importantes (Mãe, Abajur, Cama, Pia…). Afinal, é tudo o que ele conhece na vida, seu mundo, o local mais seguro que pode existir.

Por todos esses motivos, e a despeito dos elogios, a narrativa pode ser angustiante ou até fazer mal a alguns leitores. Falando pessoalmente, ele mexeu muito comigo em alguns momentos, a ponto de eu precisar parar de ler para respirar um pouco e me distrair com outra coisa, principalmente na parte da Fuga (citada na sinopse).

CINEMA – O filme “O quarto de Jack” é a adaptação do livro, e a atriz que vive a Mãe, Brie Larson, ganhou o Oscar 2016 por sua atuação.

Uma curiosidade: apesar de no filme ela se chamar Joy Newsome, no livro o nome dela não é falado em nenhum momento. Isso é genial, porque reforça ainda mais a ideia de que, para Jack, a Mãe é única, que não precisa ser “identificada no Lá Fora”.

Livro: Quarto
Autor: Emma Donoghue
Editora: Verus
Páginas: 350

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ALGUNS TRECHOS

  • “O ar é real e a água só na Banheira e na Pia, os rios e os lagos são da TV”
  • “Bombeiros, professores, ladrões, bebês e gente de todo tipo, todos estão mesmo no Lá Fora. Mas eu não estou lá, eu e a Mãe, nós somos os únicos que não estão lá. Será que ainda somos reais?”
  • “Acho que foi o Lá Fora que eu vi. O Lá Fora é real e brilha muito, mas eu não consigo…”
  • “Um dia, quando eu tinha quatro anos, a TV morreu e eu chorei, mas de noite o Velho Nick trazeu uma caixa mágica de conversor para fazer a TV ressuscitar”.
  • “De manhã, estávamos comendo mingau de aveia e eu vi marcas.
  • “Você está suja no pescoço” –  A Mãe apenas bebeu água, a pele se mexeu quando ela engoliu. “Na verdade, não é sujeira, acho que não.”
  • “-Escute. O que vemos na televisão são… são imagens de coisas reais.
  • Essa foi a coisa mais assombrosa que eu já escutei.”
  • “No Quarto eu ficava seguro e o Lá Fora é que me assusta”

Cinema em casa: “A livraria”, adaptação do livro de Penelope Fitzgerald, está na Netflix

A Livraria - Almanaque Virtual

Emily Mortimer interpreta o papel principal do filme

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

Assistir a filmes é uma das atividades mais comuns desse período de Quarentena. Principalmente nos dias mais chuvosos, a Netflix faz companhia para muitos.

O filme “A livraria”, no catálogo da rede de streaming, é uma boa opção para quem gosta de Leitura e Cinema e quer assistir a um filme tranquilo.

SINOPSE – no final da década de 50, uma mulher recém-chegada em uma pacata cidade do litoral da Inglaterra decide abrir uma livraria. Contudo, sua iniciativa é vista com maus olhos pela conservadora comunidade local, que passa a se opor tanto a ela quanto ao seu negócio, obrigando-a a lutar por seu estabelecimento.

Diretora: Isabel Coixet
Elenco: Emily Mortimer, Bill Nighy, Patricia Clarkson, James Lance.
Duração: 115 minutos

Disponível na Netflix

RITMO – Em alguns momentos o filme é um pouco “parado” demais, com algumas pausas nos diálogos, o que garante à obra seu toque clássico.

Nesse sentido, é importante ressaltar que, apesar de ser ótimo para passar o tempo, não vai agradar aos que gostam de muito movimento, ação e barulho. Em contrapartida, quem curte finais surpreendentes vai gostar desse.

DESTAQUES – É fácil gostar da personagem principal, Florence, e torcer por seu sucesso. O que pode incomodar são suas atitudes pacatas diante de algumas situações extremas, embora sua coragem em ir contra as opiniões alheias seja marcante.

Os figurinos e a cenografia são os grandes protagonistas da obra! A pequena cidade europeia e a vestimenta de seus moradores impõem um encantamento próprio de filmes de décadas passadas.

ADAPTAÇÃO – É interessante assistir tendo em mente que se trata de uma adaptação do livro homônimo da autora Penelope Fitzgerald.

Ele pode ser encontrado na Amazon, em formato Kindle ou físico, pelo link: https://www.amazon.com.br/dp/B078ZZ4GL7/ref=dp-kindle-redirect?_encoding=UTF8&btkr=1

Conheça cinco mães que se tornaram personagens marcantes da Literatura Universal

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

Há personagens da Literatura tão marcantes que se tornam inesquecíveis. Desde clássicos a obras contemporâneas, algumas mães das histórias tornaram-se tão queridas quanto os protagonistas.

Nesse mês das Mães, separei cinco delas, que foram inclusive para as telas de Cinema ou da TV e se tornaram ainda mais populares.

Extraordinário' derruba 'Star Wars' nos cinemas brasileiros | VEJA

Julia Roberts viveu a personagem Isabel Pullman no Cinema

1 – Isabel Pullman– Mãe de Auggie e Olivia na obra “Extraordinário”. Na adaptação para o Cinema, a atriz Julia Roberts deu vida a Isabel.

Livro: Extraordinário
Autora: R.J. Palacio
Editora: Intrínseca

IRENE RAVACHE E NICETTE BRUNO FARÃO PARTICIPAÇÃO ESPECIAL EM ...

Irene Ravache, Glória Pires e Nicette Bruno juntas no set

2 – Dona Lola– Mãe de Carlos, Julinho, Alfredo e Isabel em “Éramos seis”.

Sem dúvida um dos melhores clássicos brasileiros, que fala sobre problemas familiares, envelhecimento e, acima de tudo, amor de mãe. A obra já foi adaptada três vezes para a TV e D. Lola foi vivida por três grandes atrizes: Nicette Bruno, Irene Ravache e Gloria Pires.

Livro: Éramos seis
Autora: Maria José Dupré
Editora: Ática

Catelyn - Michelle Fairley - Seriados

Michelle Fairley vive Catelyn na série da televisão.

3- Catelyn Stark– Mãe de Robb, Sansa, Arya, Brrandon e Rickon.

A matriarca dos Stark é uma das personagens mais queridas da série “Guerra dos Tronos” (nome do primeiro livro da saga “Crônicas de gelo e fogo”).

Na série, que estreou em 2011 na HBO, a atriz Michelle Fairley vive Catelyn.

Livro: As crônicas de gelo e fogo
Autor: George R.R. Martin
Editora: Leya/Suma (desde o ano passado a Suma assumiu as publicações da saga no Brasil, feitas antes pela editora Leya)

Actress Julie Walters reveals she fought bowel cancer - CNN Video

Julie Walters rouba as senas em Harry Potter

4 – Molly Weasley – Mãe de Rony, Fred, Jorge, Gina, Percy, Gui e Carlinhos.

Molly é, com certeza, a mãe mais querida da saga Harry Potter (é provável que supere até mesmo Lilian Potter, mãe do Harry).

Nos cinemas, a mãe dos sete é a atriz Julie Walters.

Livro: Saga Harry Potter (7 livros)
Autora: J.K. Rowling
Editora: Rocco

O Quarto de Jack | Brie Larson publica foto de reunião com Jacob ...

Brie Larson ganhou o Oscar de Melhor Atrzi fazendo a mãe

5 – Joy “Mãe”– Mãe de Jack no livro “Quarto”.

Best-seller do New York Times, o livro Quarto foi adaptado para o cinema com o nome “O quarto de Jack”. A atriz é a mãe do menino e venceu Oscar de Melhor Atriz em 2016 por seu papel no filme.

Uma curiosidade é que em nenhum momento no livro o nome da personagem é citado. Como todo o livro é narrado por Jack, um menino de cinco anos, ele se dirige a ela apenas como “Mãe”, e quando fala algo relacionado a ela sempre diz “a Mãe”.

Livro: Quarto
Autora: Emma Donoghuen
Editora: Verus

Em trama cativante, Zuenir Ventura mistura romance de costumes e História Mundial

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“A cada momento eu era acordado pela perturbadora cena que presenciara no fundo da farmácia” – diz Zuenir Ventura em Sagrada família, que é uma quase-autobiografia do autor. O livro, lançado em 2012, é uma excelente opção para quem deseja ler uma obra nacional leve e agradável. E Zuenir já adianta na epígrafe: “Só dez por cento é mentira. O resto é invenção”.

A leitura é muito boa. Comecei a ler sem saber o que esperar, mas sem dúvidas, por enquanto, é um dos meus favoritos de 2020.

CONTEXTO – Ele narra a história de uma família de forma cômica e repleta de encontros e segredos, numa pequena cidade nos anos 1940. Com maestria e bom-humor, o autor nos apresenta Florida, cidade fictícia extremamente conservadora e com hábitos característicos de cidades pequenas.

Quem gosta de História do Brasil e do Mundo, vai gostar ainda mais da narrativa. Isso porque ela se passa em plena II Guerra, e a história mostra um pouco o “clima” do país nessa época, com Getúlio Vargas no poder e diversas questões políticas permeando todos os relacionamentos sociais.

É sempre interessante ver como a mulher era vista na sociedade. E como Florida, o cenário principal, tem esse aspecto tradicionalista, tudo fica ainda mais “intenso” nesse sentido – a maneira como os personagens masculinos analisam as situações, a forma como as mulheres se comportam etc. Abaixo, alguns trechos do livro ilustram esse aspecto.

PERSONAGENS – O primeiro capítulo já começa muito bem. O jovem narrador, Manuéu (sim, com U, devido a um erro no registro do nascimento), torna-se muito querido ao longo do livro.

Mas não apenas o narrador é cativante dessa forma. Todos os personagens nos deixam completamente absorvidos pela trama, numa época em que o carisma contava para ascensão social. E o “emaranhado familiar” construído pelo autor e manifestado pelos personagens, é excepcional.

A hipocrisia é um aspecto marcante no livro, tanto nas atitudes das pessoas e das histórias narradas, como na cidade de modo geral. Ela permeia todos os acontecimentos, direta ou indiretamente. A leitura com um olhar mais crítico deixa o leitor, no mínimo, reflexivo em relação a algumas situações.

ELEMENTOS DA NARRATIVA – Quem curte finais inesperados vai adorar esse livro! Em resumo: trama bem construída, narrativa ótima, diálogos divertidos, desfecho surpreendente. Leitura que vale muito a pena! Confira alguns trechos:

  • “Por muito tempo escondi – até de mim mesmo – o que reluto em contar agora”.
  • “Eu me sentia importante participando daquele jogo secreto, sendo cúmplice de uma trama que eu não sabia qual era, mas que tinha um confuso sabor clandestino.”.
  • “O marido, como muitos dessa época, dividia sua vida com outra, com quem tinha um filho pequeno, mas de vez em quando dormia em casa. Assim, mantinham o que era importante: as aparências”.
  • “- Leninha, o Douglas me deu um beijo! – falou baixinho, com medo de que a mãe escutasse.- E como é que você deixou ele fazer isso? – Deixei porque hoje completa um ano que começamos a namorar. Quis dar a ele esse presente. – Mas mesmo sem saber se ele vai se casar com você?”.
  • “O jornal me fez sentir orgulho da minha sagrada família. A realidade, porém, guardava outra revelação, ainda mais chocante”.
  • “Minha tia tinha opiniões tão firmes quanto seu andar. Seu rigoroso código moral se aplicava não só às filhas, mas também às irmãs, cunhadas, vizinhas e conhecidas. Só ela sabia como devia se comportar uma moça de família. Estava sempre com a língua em riste para derrubar reputações femininas”.

Livro: Sagrada família
Autor: Zuenir Ventura
Editora: Alfaguara
Páginas: 233