Rabo de cavalo, crescendo para baixo

Sebastião Nery

O Galaxie azul parou na porta da casa do economista, barão e meu amigo Zito Souza Leão, em Recife, em 1974. Saltaram senhores sisudos, excessivamente preocupados. Trancaram-se numa sala. Duas horas depois, o Galaxie azul rolou para o aeroporto dos Guararapes. Cid Sampaio, Paulo Guerra e Nilo Coelho já podiam esperar em paz o senador Petrônio Portela, que chegava a Pernambuco para escolher o novo governador. Os três caciques tinham encontrado, afinal, uma fórmula de acordo.

Durante meses, cada um tinha trabalhado sua lista. Cid Sampaio: Paulo Maciel, Sebastião Barreto Campelo, Leal Sampaio. Paulo Guerra: Geraldo Magalhães, José do Rego Maciel, general Bandeira. Nilo Coelho : Marco Maciel, Roberto Magalhães, coronel Vilarinho. Na casa de Zito Souza Leão, tinham fundido as três listas numa só: Paulo Maciel, Marco Maciel, Roberto Magalhães. Sentiam-se invencíveis.

MOURA

No aeroporto, Arnaldo Maciel, ex-secretário de Cid Sampaio no governo, chama o governador Eraldo Gueiros a um canto:

– De Brasília, o ministro Costa Cavalcanti acaba de telefonar dizendo que o Planalto informa que o governador vai ser o Dr. Leal Sampaio.

– Se o Planalto informa isto, vou dizer ao Petrônio Portela que passe direto para a Paraíba.

O deputado Luís de Magalhães Melo cochichava:

– Preciso falar urgente com o Eraldo. O candidato quente hoje em Brasília é o Dr. José do Rego Maciel (pai de Marco Maciel). E infelizmente eu não tenho como denunciá-lo. Estou vendo se consigo uma certidão de nascimento para provar que ele tem mais de 70 anos.

Petrônio Portela chegou, “somou o consenso”: Moura Cavalcanti 46 votos; Paulo Maciel 22; Marco Maciel 20. Voltou para Brasília. Pernambuco soube que o governador era Marco Maciel. E era Moura Cavalcanti.

DILMA

Na ditadura era assim : nomeação. E Geisel nomeou Moura. Na democracia não adianta estrebuchar. Quem nomeia é o povo. Geisel ainda nomeou Figueiredo, que já não podia nomear Maluf. Ganhou Tancredo.

Lula e o PT acharam que poderiam nomear quem quisessem e para sempre. No governo, Lula nomeou Dilma e Haddad em São Paulo. E é o fracasso que se sabe. Fora do governo, Lula tenta nomear Alexandre Padilha e Dilma de novo. E é o desastre que se vê: Padilha não sai dos 3% e Dilma escorrega ladeira abaixo, mês a mês. Caiu 10% em dois meses.

Escandalosamente acobertada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o escritório eleitoral do PT, Dilma usa a Presidência da Republica como Comitê Central de campanha e faz dos palácios do Planalto e da Alvorada sede de convescotes e comícios internos diários. Os demais candidatos são proibidos pelo TSE de pronunciamentos eleitorais. Mas Dilma, como mico de cemitério, salta diariamente de televisão em televisão, dando entrevistas, fazendo campanha. E nem assim. A pesquisa dela cresce como rabo de cavalo. Para baixo. Chegou a 33.

FUTEBOL

Todo mundo fala em futebol. Falo eu também. Meu amigo Helio Duque, economista, professor, está preocupado com o outro lado da Copa.

1- O escritor Eduardo Galeano, no livro “Futebol ao Sol e à Sombra”, constata: “A história do futebol é uma triste viagem do prazer ao dever. O jogo se transformou em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos expectadores, futebol para olhar, e o espetáculo se transformou num dos negócios mais lucrativos do mundo. O futebol profissional não tem escrúpulos, porque integra um sistema de poder inescrupuloso”.

2. – Na Europa, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entidade oficial respeitada mundialmente, denunciou: “Os clubes de futebol são vistos por criminosos como veículos perfeitos para a lavagem de dinheiro. A lavagem de dinheiro no futebol se revela como sendo mais profunda e mais complexa do que se pensava antes.”

3. – O jornalista Jamil Chade, de Genebra, atesta: “Apenas em 2011, a FIFA registrou mais de 5 mil vendas e compras de jogadores, com uma movimentação de US$ 2,3 bilhões. Segundo a Fifa, é apenas parte da história e 4 de cada 10 dólares negociados nunca aparecem nas contas”.

Presidencialismo de corrupção

Sebastião Nery

Era cabo do Palácio Bandeirantes, sede do governo paulista, quando Ademar era governador. Todo fim de mês, de manhã cedo, recebia um envelope fino, fechado, muito bem fechado, para entregar a um senhor gordo e estranho nos subúrbios da capital. E trazia de volta, mandado pelo senhor estranho e gordo, um pacote grosso, fechado, bem fechado.

Um mês, dois meses, seis meses, todo dia 30, de manhã cedo, bem cedo, o cabo levando o envelope fino e trazendo o pacote grosso. Morria de curiosidade, mas não tocava o dedo. Estava ali cumprindo seu dever. E o segredo era o preço primeiro do dever.

O CABO

Um dia, o cabo não se conteve. Abriu pela ponta, discretamente, o pacote grosso. Era dinheiro, muito dinheiro. Tudo nota de mil. Resistiu à tentação, entregou o pacote inteiro, intocado. No mês seguinte, dia 30, deram-lhe de novo o envelope fino. Abriu. Era um cartão, escrito à mão: – “50 contos no bicho que der.”

O cabo não resistiu. Pegou uma caneta num botequim, emendou: – “50 contos no bicho que der. Aliás, 55”.

Nunca mais lhe deram o envelope fino e muito menos o pacote grosso. Foi demitido.

PT SEM ENVELOPE

Bons tempos aqueles em que a corrupção ia de envelope fino e voltava de pacote grosso. O caixa das maracutaias era desovado no jogo do bicho. Depois que o PT inventou o “Presidencialismo de Corrupção”, criado por Lula e ampliado por Dilma, a rota das negociatas passa pelos cofres insaciáveis das empreiteiras, é garantido pelos gorduchos favores do BNDES e sangra as gavetas amanteigadas do Tesouro Nacional.

Lula chegou como o guerreiro dos sindicatos, Dilma como a Mãe do PAC. Em dez anos os dois tiraram a máscara. O guerreiro virou um lobista de negócios dos ditadores africanos e de Cuba.E o PAC da Dilma empacou. O “Presidencialismo de Corrupção” é a maior fonte de negociatas do pais. Nunca houve coisa igual, nem no Império ou na Republica Velha.

Corrupção sempre houve. O Poder é uma instituição voraz. Mas nos níveis em que o PT a instalou, aberta, escancarada, escrachada, jamais houve igual.

PÂNTANO

A desculpa é que a “Base Aliada” é insaciável, que quase 30 partidecos são incontroláveis, que com mais de 30 ministérios ninguém administra. Ora, quem alimenta, engorda, sova esta máquina infernal? . Era Lula, hoje é Dilma. Os dois são a alma do PT.Vivem dele. Sangue do sangue. Chegou a campanha eleitoral, o PT saltou no pântano. Vale tudo. São os “blogs de assalto”, os “colunistas de aluguel”. É a guerra suja. E o palácio do Planalto comprando tudo com dinheiro público.

Já não bastam os asquerosos convescotes vespertinos em que a presidente da República distribui dinheiro e cargos aos partidos como banana a macacos. E Lula diz a Dilma, debochando, que senadores e deputados “não se dão ao respeito”.

NOTÍCIA BOA

Sinto até constrangimento de misturar uma informação decente com um pântano podre como essa campanha eleitoral do PT. Mas ainda bem que nem tudo está perdido e há homens públicos cumprindo seu dever. Amanhã, dia 4 de junho, toma posse a nova diretoria, recém-eleita, da AJUFE (Associação dos Juizes Federais). Será comandada por dois jovens, experientes e provados magistrados: Antonio Cesar Bochenek, do Paraná, e André Thobias Granja, de Alagoas. Parabéns e sucesso.

NINGUÉM ME CONTOU

Não digam meus leitores que estou amargo, por causa dessas notas aí em cima. Estou é chocado com o massacre que o PT está fazendo no país. Quanto a mim, muito pelo contrario. Depois do sucesso que foi, na semana passada, o lançamento, no Rio, de meu novo livro “Ninguém me Contou, Eu Vi” (Editora Geração), foi a vez de assinar dezenas de exemplares em São Paulo na “Livraria Cultura” do Conjunto Nacional. Um reencontro com meus queridos companheiros de São Paulo, em cuja imprensa (jornais e televisões) escrevo desde 1975. Garanto o novo filho. Leiam. É tão bom quanto “A Nuvem”.

O Supremo cochicho

Sebastião Nery

No “11 de Novembro” de 1955, internado Café Filho, presidente da República, com problemas cardíacos, o golpista Carlos Luz, presidente da Câmara no exercício da Presidência, tentou demitir o general Lott do Ministério da Guerra para impedir a posse de Juscelino – que havia ganho as eleições de 3 de outubro – mas não conseguiu. A Câmara reuniu-se, derrubou-o e o substituiu por Nereu Ramos, presidente do Senado.

Antonio Balbino, governador da Bahia, amigo de Nereu, veio para o Rio visitá-lo. Nereu acabava de receber carta de Café Filho comunicando-lhe que ia reassumir a Presidência. Mas o General Denis, comandante do I Exército, já havia mandado cercar a casa de Café para ele não sair de lá.

NEREU

Quando Balbino chegou ao Catete, o general Lima Brayner, chefe da Casa Militar de Nereu, pediu a Balbino que convencesse Nereu a não devolver o governo a Café, que queria dar o golpe. Nereu foi claro:

– Só vou agir dentro da lei. O Café, através de Prado Kelly e Adauto Cardoso, entrou com mandado de segurança junto ao Supremo Tribunal. Se o STF conceder o mandado, entrego o governo e volto para o Senado.

Lott soube da conversa, chamou Balbino:

– Governador, vá conversar com o presidente do Supremo. Balbino foi. O velhinho estava em casa, noite alta, já de pijama:

– Ministro, o país está vivendo um momento difícil. Compreenda. A casa do Café está cercada. O Catete está cercado. Nereu não vai poder passar o governo ao Café porque Café não quer dar posse ao Juscelino.

– Mas, governador, o mandado de segurança está em pauta para amanhã. Se o Tribunal conceder, o Café vai reassumir.

– Ministro, entenda. Enquanto se fecha o Legislativo, ainda se entende. Mas, e se o Judiciário for fechado? Para onde vamos?

O ministro levantou-se, passou para o gabinete interno da casa, pegou o telefone vermelho, daqueles de gancho, e começou a ligar para os outros ministros, falando baixinho, cochichando, cochichando. O mandado de segurança não entrou em pauta. Nereu continuou presidente e deu posse a Juscelino no dia em que a Constituição mandava.

TEORI

Não sei com quem o ministro Teori Zavascki, do Supremo, cochichou. Mas deve ter cochichado com um cochicho muito poderoso, para chegar a uma decisão tão estapafúrdia, a uma teoria tão zavascada. Tudo bem.Ninguém entende mesmo cabeça de alguns juízes. Mas tentem entender o tortuoso Zavascki. Eram 12 presos. Ele queria soltar um, o cochichado. Em vez de manter 11 presos e soltar o cochichado, ele soltou à noite todos os 12 e prendeu novamente 11 ao amanhecer. O pais levou um susto, as manchetes das TVs e jornais explodiram. E o cochichado? O cochichado, ora,! continua cochichando.

PAC EMPACOU

O economista Gil Castello Branco, fundador da Associação Contas Abertas, analisa o desempenho do PAC, criado para lançar a candidatura da Dilma, “a Mãe do PAC”, em 2010. Os resultados são devastadores:

1.- Na Saúde, das 24.006 obras prometidas só 2.547 (11%) foram colocadas à disposição da sociedade. Unidades Básicas de Saúde (UBS): das 15.652 previstas, irrisórias 1.404 (9%) foram concluídas. Unidades de Pronto Atendimento (UPAs): 503 previstas, somente 14 prontas.

2. – Saneamento e recursos hídricos: das 7.911 iniciativas, apenas 1.129 (14%) finalizadas. Dilma prometeu 6 mil creches, que poderiam chegar a 9 mil. Das 5.257 creches e pré-escolas constantes do PAC 2, apenas 223 em funcionamento até o fim do ano passado.

3. – Esporte: das 9.158 quadras esportivas, apenas 481 (5%) inauguradas. Nenhum dos 285 centros de iniciação ao esporte ficou pronto.

4. – Transportes: dos 106 empreendimentos em aeroportos, 70% ainda em fases burocráticas. De cada 3 obras de rodovias, apenas uma concluída. Das 48 intervenções em ferrovias, só 12 no fim. Mais da metade do PAC 2 sequer saiu do papel. De cada 10 iniciativas, menos de 4 estão em obras ou em execução. Apenas 12% concluídas. O PAC empacou.

Um partido fascista

Sebastião Nery

Uma tarde de 1970, o governador do Paraná, Paulo Pimentel, conversou longamente com o deputado da Arena, Haroldo León Perez, no escritório do Estado, no Rio. Saiu Perez, Pimentel estava furioso:

– Este Haroldo é um idiota. Imagina que veio aqui me dizer que vai ser o próximo governador. Já está escolhido, mas gostaria de ter o meu apoio. Em troca, assegura um ministério para mim, o da Agricultura. Mal conseguiu eleger-se deputado, não tem prestígio nenhum, eu não o quero, o Ney não aceita, como é que vai ser governador e negociando ministério?

Uma semana depois, ao fim de um jantar, em Brasília, em um jogo de cartas,o general Médici disse à mulher do deputado León Perez (Paraná):

– A senhora está de parabéns. Amanhã, saberá.

MEDICI

No dia seguinte o governador Paulo Pimentel e o senador Ney Braga foram chamados ao Palácio do Planalto pelo presidente Médici:

– Quero comunicar aos senhores que o governador do Paraná vai ser o deputado Leopoldo Perez. Ney Braga, pálido, baixa os olhos. Paulo Pimentel sorri amarelo:

– Mas, Presidente, o deputado Leopoldo Perez, secretário-geral da Arena, é do Amazonas. Não tem nada a ver com o Paraná.

– Não é esse, não, governador. É o outro.

– Que outro, presidente?

Medici fica irritado, grita irado:

– É o outro, o do seu Estado.

– O Haroldo Perez?

– Sim, sim. Esse mesmo.

Paulo saiu do Palácio para o aeroporto, Ney para uma casa de saúde. Um ano depois o Perez de Medici foi posto fora do governo por ladroagem.

MUSSOLINI

O nome disso é fascismo. Quando o poder é imposto pela força. Medici queria, Medici podia, Medici nomeava. O pais que se danasse. Em 1922, na Itália, Benito Mussolini dizia-se um “líder socialista”. Criou seus camisas negras, seus grupos de assalto, os “Fascio”, organizou uma “Marcha Sobre Roma”, recebeu “plenos moderes” do Parlamento, prendeu seus antigos companheiros Antonio Gramsci, Silvio Pelico, matou milhares, criou o “Movimento Social Italiano” tendo como pedra angular a “unicidade sindical”, impôs à Itália o regime fascista e se aliou a Hitler.

Deu no que deu. Fanfarrão como Lula, acabou pendurado de cabeça para baixo, berrando como um bode imundo, em um posto de gasolina.

LULA

Lula começou a pôr as unhas de fora. Apareceu como um inofensivo líder sindical retirante protegido pelo legalista delegado Romeu Tuma, agarrado nas batinas da Igreja e nas botas do general Golbery. Tantos de nós, direta ou indiretamente, de uma forma ou de outra, o ajudamos. Criou o PT, o “Partido dos Trabalhadores”, como se só eles fossem trabalhadores, e a CUT, a Central “Única” dos Trabalhadores, como se só ela fosse dos trabalhadores. Era a repetição da “unicidade sindical” de Mussolini.

De repente, Lula convocou o PT a ser um partido fascista. (seus “fascio”) sob o comando de seu presidente Rui Falcão, indisfarçado “teórico fascista”, e “sair para a guerra, guerra total a quem ameaçar a conquista da hegemonia em torno do nosso projeto de sociedade” (Globo).

HEGEMONIA

Em política, em matéria de conquista de poder, “hegemonia” está com toda a simplicidade muito bem definida pelo saudoso mestre Houaiss:

– “Hegemonia – Supremacia ou superioridade cultural, econômica ou militar de um povo… supremacia, influencia preponderante… autoridade soberana… liderança, predominância ou superioridade”.

É toda a base do fascismo. Antes o PT rosnava. Agora já começaram a morder. Na TV, o deslumbrado baiano aprendiz de Goebbels (chefe da propaganda de Hitler) João Santana apela para o mais escrachado terrorismo, querendo fazer do medo o centro das próximas eleições. Com Dilma derrapando toda semana nas pesquisas, vaiada toda vez que aparece em publico, só podendo mostrar a cara nos fundos do Planalto ou nos convescotes do Alvorada, eles estão com medo de perderem as bocas sujas, os conselhos fajutos, as maracutaias passagenas. As urnas vêm ai.

Lições para Aécio e Eduardo Campos

Sebastião Nery

Logo depois do suicídio de Getúlio em 24 de agosto de 1954, Nereu Ramos, presidente da Câmara dos Deputados e do PSD de Santa Catarina, chamou Juscelino, governador de Minas,ao Rio, para uma reunião no PSD. Lá estava o governador de Pernambuco, Etelvino Lins, do PSD.

Etelvino propôs o adiamento das eleições para o Senado, a Câmara e as Assembleias, que iriam realizar-se em 3 de outubro. Alegava que uma eleição ainda sob o impacto do suicídio de Vargas daria ao PTB uma votação em massa, que provocaria uma reação dos militares.

Com a tese de Etelvino concordaram Nereu Ramos, Benedito Valadares presidente do PSD de Minas, Lucas Garcez, governador de São Paulo, e outros. Lacerda, da UDN, e Raul Pila, do PL, também queriam o adiamento. Juscelino foi totalmente contra. Sabia que aquele era o ovo da serpente para adiar também as eleições presidenciais do ano seguinte. Mesmo assim Nereu, Etelvino e Lucas Garcez foram a Café Filho, vice de Getúlio, que tinha assumido a presidência e virado udenista desde criancinha, e propuseram o adiamento. E Juscelino declarou que “como governador de Minas, lançaria mão de todo o poder que lhe conferia o cargo para impedir que o calendário eleitoral fosse alterado”.

JUSCELINO

Recuaram. Houve as eleições e não aconteceu nada do que eles diziam. O PSD tinha 112 deputados e passou para 114, a UDN com 84 caiu para 74 e o PTB com 51 subiu só para 56. JK começava a ganhar a briga. Mas Benedito, presidente do PSD de Minas, com pavor dos militares, não queria Juscelino de jeito nenhum. Juscelino teve de derrotá-lo na executiva estadual.

Depois de horas trancados lá dentro, numa reunião dramática, até a madrugada, a porta se abriu e vimos Juscelino sair com um sorriso de arco-íris. Até os olhos presos arregalaram. Ganhou por um voto. Benedito, cabeça baixa, pálido, pela primeira vez derrotado numa reunião política do partido.

No dia 19 de novembro de 54, todos os diretórios do PSD de Minas mandaram telegramas a Benedito encarregando-o de indicar Juscelino à direção nacional. No dia 25, o diretório nacional do PSD, presidido por Amaral Peixoto, contra a oposição de Benedito, Nereu e Etelvino, e do PSD do Rio Grande do Sul e outros apavorados, aprovou Juscelino por 123 a 36 votos.

Afinal, no dia 10 de fevereiro de 1955, dos 1925 delegados da convenção nacional, 1646 lançaram Juscelino. Os diretórios de Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e 160 da Bahia e 26 do Rio ficaram contra.

ETELVINO

A grande imprensa do Rio e São Paulo, quase toda antigetulista, procurava convencer a opinião pública de que o país atravessava uma situação de extrema gravidade, que só tenderia a aumentar com a disputa eleitoral.

Etelvino propôs a Milton Campos, ex-governador de Minas, para propor à UDN, uma lista tríplice (Juscelino, Gustavo Capanema e Lucas Lopes, todos do PSD) para uma candidatura interpartidária, com apoio do PSD, UDN, PL e outros penduricalhos. Juscelino não topou. Era contra ele. Fez uma visita aos ministros militares e comunicou que seria candidato. E saiu pelo país visitando o PSD. Desceu na Bahia. Antonio Balbino, governador do PTB, ainda estava em duvida:

– Juscelino, qual a verdadeira posição do Café?

– Qual deles, Balbino? O vegetal ou o animal?

DILMA

JK foi para Pernambuco. Etelvino insistia na “união nacional”.

– Etelvino, já sei que você está contra mim.Quando fala em união nacional está pensando em União Democrática Nacional. Candidato não faz união. Candidato disputa. Quem faz união é governo, depois da posse.

O chefe da Casa Militar da Presidência, Juarez Távora, depois candidato derrotado por JK, divulgou na “Voz do Brasil”, em 27 de janeiro, documento dizendo que “as altas autoridades militares apelavam para uma colaboração interpartidária, um candidato único e civil”.

Juscelino respondeu com um discurso duro, escrito por Schmidt: – “Deus me poupou o sentimento do medo”.

Conversando com os jornalistas, Juscelino ensinava:

– Em eleição, todo neutro é um adversário disfarçado.

As pesquisas mostram que Dilma cai, Aécio e Eduardo sobem. Hoje só há uma unidade nacional: O país não aguenta mais o PT.

A bomba não era minha

Sebastião Nery

Por volta das 7 horas da manhã de 12 de julho de 1966, fiz uma conexão no pátio de manobras do Aeroporto dos Guararapes, no Recife, desembarcando de uma velha aeronave procedente de João Pessoa e seguindo viagem numa mais nova e bem maior, para o Rio. Ia participar no Rio, como palestrante, de um debate sobre cineclubismo no Nordeste, promovido pela Cinemateca do Museu de Arte Moderna – MAM…

O então deputado Manoel Gaudêncio (que foi meu companheiro de viagem nos dois voos, inclusive ocupando cadeira contígua à minha), quando saía da área de recolhimento das bagagens, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, foi informado por um amigo de um grande ataque terrorista que havia ocorrido horas antes, no Aeroporto dos Guararapes (Recife).

Como ele, fiquei gelado com o que acabava de ouvir… Sentamos num banco no saguão do aeroporto, em busca de maiores informações e só então tomamos conhecimento da gravidade do atentado: o seu alvo era o Ministro da Guerra, general Costa e Silva, candidato à presidência da República.

A explosão de uma bomba deixara cerca de 20 feridos e dois mortos (um almirante e um jornalista). Como não tínhamos nada a ver com a lamentável ocorrência, nos despedimos ali mesmo e cada um tratou de cumprir sua agenda na Cidade Maravilhosa…

COSTA E SILVA

Dois dias depois, já em São Paulo, quando estava assistindo ao filme “O Dólar Furado”, no miniauditório da Universidade Casper Libero, fui chamado para atender a um telefonema na diretoria e, na linha, bastante aflita, estava minha mãe, informando que a Polícia Federal e o Exército tinham estado lá em casa à minha procura. Sem me deixar falar, foi logo dizendo que estava certa de que as “visitas” tinham relação direta com o atentado de Recife.

Fiquei “estatelado” e só encontrei uma solução para acalmá-la: como não tinha nada a ver com essa bomba, disse que iria voltar para a Paraíba imediatamente e entregar-me no 15º RI (Exército)”…

Em João Pessoa, fui visitar o ministro José Américo de Almeida, na então deserta praia do Cabo Branco. Depois de dar total atenção às minhas informações, com apartes adicionais de Zé Leal, o ministro foi objetivo: – “Assuntos de militares só se resolvem com os militares. Vou falar com o “Reinardo” (puxando bem a voz, referindo-se a seu filho general Reinaldo, nome de peso no Movimento de 64) e tenho certeza de que, após tudo devidamente esclarecido, você não terá mais problemas. Acho também, como todos aqui ventilaram, que você espontaneamente deve se apresentar ao 15º RI, ou mesmo ao Grupamento de Engenharia, e aguardar os resultados dos contatos que vou fazer”.

O SÓSIA

Fui informado naquele momento pelo ministro que mais de mil pessoas já estavam presas no Nordeste, como parte das investigações sobre o atentado… Saltei calmamente na porta do 15º RI, em Cruz das Armas, e me apresentei ao oficial de dia. Levou-me para o primeiro andar, deixando-me sentado na biblioteca…

Uma noticia do jornal “O Globo”, bem destacada, numa pagina dedicada ao atentado, deixou-me alarmado. Dizia que as últimas investigações apontaram que a bomba fora mesmo deixada por um homem de 25 anos, magro, alto e cabelos lisos. (Como eu). E fiquei em estado de choque com uma outra : a sacola onde estava a bomba fora deixada bem perto da porta de uma livraria no saguão principal do aeroporto… (Onde quis comprar o “Diário de Pernambuco” mas já ia embarcar)… Depois de vários dias de interrogatórios e louca prisão, fui solto.

Raimundo Gonçalves Fernandes, conhecido como “O Chico”, foi oficialmente apontado como o homem que colocou a bomba no Aeroporto dos Guararapes. Foi morto em 1971em confronto com “forças de repressão”).

WILLS LEAL

Esta historia surreal e aterradora não está sozinha. Vem ao lado de outras, muitas e ainda mais fascinantes (prisão na Holanda por “traveller check” falsificado por um agente de viagens angolano, sequestros no Paraguai e em João Pessoa etc.) vividas e brilhantemente contadas pelo culto jornalista e professor paraibano Wills Leal em um livro imperdível: “Primeiro de Abril, Antes e Depois de 1964” (Editora Ideia – JP)

Fala sério, Dona Dilma

Sebastião Nery

RIO – Rivadávia de Sousa, gaúcho, jornalista, amigo de Getúlio Vargas, assessor de João Goulart, redator da Agência Nacional, preso no golpe militar de 1964, estava depondo no III Exercito:

– O que o senhor sabe sobre enriquecimento ilícito no governo de Jango?

– Nada. Eu é que quero saber quem é o responsável pelo meu empobrecimento ilícito. O coronel mandou-o para casa.

PETROBRÁS

Em Pernambuco, fantasiada com o macacão dos trabalhadores da Petrobrás, a presidente da República, incorporando o realismo fantástico de Gabriel Garcia Marquez, pensando que estava em Macondo, disse que os críticos dos escândalos na Petrobrás são “inimigos da Petrobrás”.

Ora, os verdadeiros inimigos da empresa o pais agora conhece:

1 – São os que desvalorizaram a Petrobrás em 101 bilhões e 500 milhões de dólares, rebaixando-a de 12ª maior empresa do mundo em valor de mercado para a 120ª posição, afetando os programas de investimentos fundamentais para o futuro do desenvolvimento nacional.

2 – São os que nomearam e mantiveram por oito anos o diretor Paulo Roberto Costa na estratégica área de abastecimento e refino. Pela primeira vez na história, um dirigente da Petrobrás foi preso pela Polícia Federal como integrante de uma quadrilha de lavagem de dinheiro.

PASADENA

3 – São os que patrocinaram a compra da Refinaria de Pasadena, a um preço astronômico de 1 bilhão e 200 milhões de dólares, anteriormente comprada pelo Barão belga Albert Frère por 42 milhões de dólares.

4 – São os que lançaram a pedra inaugural da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, com custo projetado de 3 bilhões de dólares e hoje a previsão do seu custo final está próxima dos 20 bilhões de dólares, mostrando o superfaturamento caviloso e nocivo às finanças da Petrobrás.

5 – São os que promoveram o desalinhamento dos preços dos combustíveis em função da demagogia populista, obrigando a empresa a importar derivados de petróleo a preços de mercado e vender internamente a preço bem menor. A cada 30 dias a Petrobrás perde 1 bilhão de dólares.

6 – São os que não respeitam o padrão de excelência em tecnologias inovadoras construídas pelos seus quadros técnicos, ignorando que a Petrobrás responde por 12% do PIB brasileiro, sendo responsável, apesar de tudo, por um programa de investimento maior do que o da União.

LULA E DILMA

7 – São os que levaram o valor das ações da Petrobras a um recorde de desvalorização. Em janeiro de 2003, o seu valor era de R$ 46,56. Hoje o seu teto vem sendo de R$ 16,00. Para atingir o valor real teria de ter uma correção de 223%. Os acionistas minoritários, donos de 48% do seu capital, tiveram suas finanças confiscadas e deterioradas.

8– São os que pela primeira vez obrigaram a Policia Federal a entrar na sede da Petrobrás e ficar de 9 da manhã às 3 da tarde revirando papeis. São fatos chocantes e indesmentíveis e têm como responsáveis os governos Lula e Dilma Rousseff.

Quem são os inimigos da Petrobrás? O ex-presidente da empresa, Sergio Gabrielli, aponta Dilma. Disse e repetiu que “a presidente Dilma precisa assumir suas responsabilidades”. Vem dona Dilma e diz que são os críticos. Fala serio, dona Dilma.

COLLOR

Pela segunda vez o Supremo Tribunal absolveu o ex-presidente Collor das acusações do Impeachment de 1992. O saudoso advogado Evaristo de Morais Filho, o Evaristinho, me disse na época e publiquei:

– Quantas vezes esse processo contra o Collor chegar ao Supremo ele será absolvido. A denúncia do procurador Aristides Junqueira não tem um só fato consistente. É pura bolha. É puramente política.

O lúcido jurista e ex-senador Amir Lando, relator do processo do Impeachment no Congresso, disse a um grupo de estudantes de Direito de Minas, que lhe perguntavam como ele definiria o Impeachment:

– Foi uma quartelada parlamentar.

“O tempo é o senhor da razão”. Só que anda devagar e chega tarde.

O general e a Petrobras

Sebastião Nery

RIO – Na primeira semana de abril de 1964, um magote de militares fardados e estrelados chegou ao edifício Ultramarino, no Rio, ao lado da Basílica da Candelária, esquina das avenidas Rio Branco com Getulio Vargas, então sede da Petrobras (hoje é na Avenida Chile). Era o general Olimpio Mourão Filho e sua trupe que vinham militarmente ocupar a Petrobras, em nome do “Comando da Revolução”.

Derrubado o presidente João Goulart no dia 31 de março, o marechal Osvino Ferreira Alves e sua diretoria tinham sido afastados da empresa por ordem das forças golpistas vitoriosas e o advogado Roberto Toledo ficara provisoriamente como administrador-geral. Era uma situação caótica. Prisões e cassações se multiplicavam nas diversas unidades da empresa em diferentes Estados. No Rio, na administração central, importantes servidores de nível gerencial eram afastados pelos dedos-duros de plantão.

Chegando de Juiz de Fora na madrugada de 1 de abril, o general Mourão imaginou que ia assumir o ministério da Guerra. Mas, lá chegando, já encontrou o general Costa e Silva sentado na cadeira, mãos para o alto: – Mourão, sou o mais velho. O chefe sou eu. Vá para a Petrobras.

MOURÃO

Mourão foi. Nesse cenário surrealista, o bravo Doutor Toledo recebe o pelotão do general Mourão. Arthur da Costa e Silva, ministro da Guerra (era essa designação à época) ordenara que o general Mourão deveria ser empossado novo presidente da Petrobras. Era “uma ordem revolucionária”. Experiente e conhecedor da legislação interna da empresa, o advogado Toledo comunica ao general que a posse não poderia se efetivar naquele instante. Seria necessária a convocação, por edital, da Assembleia Geral para que o processo de posse se tornasse legal.

O general Mourão Filho acatou o argumento e voltou com sua turma para esperar a publicação que lhe daria a Petrobras e a legitimidade no cargo. Não ganhou nem uma nem outra. Cada general mordia seu pedaço de poder.

Nomeado e empossado presidente da Republica o solerte, ambicioso e esperto general Humberto Castelo Branco, um de seus primeiros atos foi vetar o nome de Mourão para a Petrobras e escolher o respeitado marechal Ademar de Queiroz para a direção da estatal. No que acertou. Sua administração foi um marco positivo e consolidador da autonomia gerencial, imprimindo um forte sentido nacionalista. Enfrentou e derrotou a tese do ministro Roberto Campos, do Planejamento, que desejava dividir a Petrobrás em várias unidades autônomas.

TOLEDO

O advogado Roberto Toledo foi por décadas a memória viva da história do petróleo brasileiro. Aposentou-se próximo dos 80 anos. Foi assessor jurídico de todos os presidentes da Petrobras ao longo dos anos 50, 60, 70, 80 e 90. Uma longevidade alicerçada na competência jurídica e conhecimento técnico e histórico da estrutura organizacional da empresa. Um exemplo de servidor público e republicano.

O brilhante professor e economista Helio Duque, também ele patrimônio da Petrobras, três vezes deputado pelo MDB e PMDB do Paraná, relembra a historia e não perde a esperança no futuro da empresa.

GRAÇA

No Senado, a presidente da Petrobras, Graça Foster, passou por um constrangimento ao dizer que seu marido ‘não tem negócios” com a Petrobrás e ser desmentida pelo senador Mario Couto, do PSDB do Pará, que lhe mostrou uma “Folha de S. Paulo” de 2010, quando a empresa C. Foster, de Colin Vaughan Foster, tinha “20 dispensas de licitação para fornecer componentes eletrônicos”. E “desta vez ela silenciou” (Folha”).

Não precisava ter silenciado, se conhecesse as “Confissões” do incomparável Santo Agostinho. Bispo de Hipona (hoje Annaba, na Argélia), ele fugia a um cerco policial quando o barco em que estava como único passageiro foi interceptado. Perguntaram-lhe:

– O bispo Agostinho passou por aqui?

– Não.

Liberado, o barqueiro estava escandalizado:

– Senhor bispo, o senhor, que é um santo, mentiu.

– Não menti. Ele me perguntou se eu “havia passado”. Eu disse que não. “Estava passando”. É diferente. Não menti. Fiz uma “restrição mental”.

Dona Graça, como Santo Agostinho, seu marido “não tem” mesmo contratos com a Petrobras. “Teve”. É diferente. Na próxima, dona Graça, quando for falar à CPI, leia Santo Agostinho. Quem vai ficar constrangido e calado é o Mario Couto.

O PRIMO

Sabem por que o PT se lambuzou tanto com o doleiro Youssef? Pensaram que ele é primo da Dilma Roussef. O som é o mesmo.

sebastiaonery@ig.com.br

Refinaria Passeagrana

Sebastião Nery

RIO – Um amigo de Getulio Vargas, quando Presidente (eleito em 1950), criticava Ricardo Jafet, cunhado de Paulo Maluf:

– Presidente, nos primeiros encontros, no início da sua  campanha eleitoral, Jafet parecia o homem mais desinteressado do mundo. Não pedia nada em troca de sua ajuda. Dizia que era apenas um admirador e lutava como patriota pela volta do senhor ao poder. Depois, quando o senhor lhe entregou o Banco do Brasil, ele revelou seus verdadeiros intuitos.

– Eu sempre desconfio muito daqueles que nunca me pedem nada. Os que se sentam à mesa sem apetite são os que mais comem.

O BARÃO 

Em entrevista ao jornal “Estado de S. Paulo”, em 22 de março ultimo, o barão belga Albert Frére, que arrancou mais de um bilhão de dólares da Petrobrás, assim se definiu cinicamente:

– “Sou um financeiro parasita que compra e vende sociedade. Sou um parasita das finanças do Estado. Sou um vampiro do Estado. Enriqueço graças ao Estado, seja o Estado belga, o francês” …

– Ou o Estado brasileiro. –

“Sim, ou o Estado brasileiro.”

DILMA

Primitiva na ação política, arrogante no exercício do poder, o falso brilhante Dilma Rousseff durante anos recebeu dos áulicos e de colunistas da imprensa chapa branca o diploma de gerente competente, a “gerentona”. Hoje, o valor de mercado da Refinaria de Pasadena, no Texas, que a Petrobrás comprou por 1,2 bilhão de dólares, é de 180 milhões de dólares.

E o estarrecedor: em 2005, a empresa belga Astra Oil, do Barão, comprou a “Pasadena Refining System Inc”pelo valor total de 42,5 milhões de dólares. Ao tentar tirar o corpo fora, agora na Presidência da República, a presidente Dilma quis se eximir de responsabilidade na estranhíssima e milionária negociata. Alguém a enganou. Não é Pasadena é Passe a Grana.

PETROBRAS 

A engenheira Graça Foster, atual presidente da Petrobrás, que vem tentando reimplantar um ciclo de moralização na sua administração, lembrou que o debate no Conselho de Administração é sempre intenso e a preparação de uma reunião toma dias e semanas de discussão.

Na época a Petrobrás era a 12ª maior empresa do mundo em valor de mercado, atualmente é a 120ª.  Responde por 12% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. É responsável por programa de investimentos maior do que o da União. Igualmente responsável por 13% do total arrecadado com impostos pelo governo federal e 17% do ICMS pago aos Estados. É um escarneo à bela historia da Petrobrás permitir que ela continue   frequentando a lista de escândalos policiais como o da Refinaria do Texas.

LULA 

Desde que Lula chegou ao governo, em 2003, a Petrobrás foi logo transformada em um deposito de escusos interesses e negócios suspeitos. Tomada de assalto por uma malta de falsos sindicalistas, lideres sindicais de araque, milhares e milhares, com salários privilegiados diante dos verdadeiros petroleiros, a Petrobrás virou uma cafua do PT,  a PTralha.

O PT imaginava que os escândalos não apareceriam jamais. De repente, em uma manhã qualquer, um diretor está preso acusado pela Policia Federal de roubar milhões, outro se esconde fugindo pela Europa, outros se abrigam em gabinetes do Congresso, negociam delação premiada. Quando o esgoto correr para o primeiro andar e aparecer a escumalha dos fantasmas, os verdadeiros empregados que dão a vida à empresa em terra e nos mares vão descobrir como são injustiçados e explorados.

PASSEAGRANA 

E o PT começa a jogar Lula contra Dilma, por “não cuidar bem do espolio”. O “Volta Lula” está em todas as colunas do “Exercito do Franklin”. O povo começa a ver tudo. Já está nas redes sociais furando a ferida. Muitos, com ironia, pedem que a Petrobrás  rebatize a refinaria nos Estados Unidos com o seu nome certo: “Refinaria Passeagrana”.

O Barão do PT

Sebastião Nery

RIO – Era uma vez um barão. Um barão belga. Albert Frère. O homem mais rico da Bélgica e um dos mais ricos do mundo. Era dono da refinaria de Pasadena,  no Texas, que comprou por 42 milhões de dólares como sucata e vendeu à Petrobrás por um bilhão e 300 milhões de dólares.

Um dos maiores negócios (ou negociatas) do século,no Brasil e no mundo.

Através da empresa Astra Transcor Energy , o Barão comprou essa refinaria em 2005 por 42 milhões de dólares e no ano seguinte, em 2006, vendeu a metade dela à Petrobras já por mais de 300 milhões de dólares. Foi um milagre evangélico. Multiplicou os peixes.

E virou o Barão do PT.

GDF SUEZ 

O Barão  Albert é dono também de 8% das ações da GDF Suez Global LNG, maior produtora privada de energia do planeta, da qual é vice-presidente mundial. Através da GDF Suez o Barão chegou ao Brasil.

A GDF Suez possui negócios com a Petrobras no Recôncavo Baiano, mas seu principal negócio no Brasil é a Tractebel Energia, que tem no pais um faturamento de quase 6 bilhões de reais anuais e é também do Barão.

A Tractebel    é dona das usinas de Estreito, Jirau, Machadinho, Itá e dezenas de outras hidrelétricas, termelétricas, eólicas. Todas no Brasil.

LULA E DILMA 

Essa Tractebel, que é da GDF Suez e também do Barão, foi uma grande doadora da campanha de reeleição de Lula, em 2006 : 300 mil reais. Também foi uma das patrocinadoras do filme “Lula, Filho do Brasil”.

Em 2010, para a eleição de Dilma, a Tractebel doou quase 900 mil reais. Eis aí o rabo da serpente. O dinheiro que ajudou a reeleger Lula e eleger Dilma veio, assim, mesmo que indiretamente, da Petrobrás, daquela

suspeitíssima bolada que a Petrobrás  pagou, inexplicavelmente, pela refinaria Pasadena. “Como é pequeno (e gordo) este mundo da corrupção”.

PETROBRÁS

Um espetáculo doloroso vem envolvendo a Petrobrás na sua criminosa mutilação. Nos últimos anos, a maior empresa brasileira, orgulho de gerações,  foi esquartejada, aparelhada pela incompetência, gerando um ciclo de “mal feitos” (corrupções)  inédito na sua história.

E não é de agora,mas dos últimos doze anos,quando foi transformada em palanque populista e apêndice da política econômica. Não fosse a imprensa buscar a operação dos desvios e negociatas e tudo continuaria.

Exemplo: quando Lula assumiu a presidência, em 1º de janeiro de 2003, uma ação da Petrobrás era cotada a R$ 46,56. Para voltar hoje a esse valor teria de ter uma correção de 223%. Os acionistas minoritários, donos de 48% do seu capital, tiveram suas finanças confiscadas pela incompetência do governo brasileiro. E mais: hoje, a cada 30 dias a Petrobrás  perde mais de US$ 1 bilhão com importação de derivados.

Só rezando : Ave Maria, cheia de Graça Foster..

UNE

Os 50 anos do ainda não suficientemente execrado golpe militar de 1964 também foram para a frente da UNE (União Nacional dos Estudantes), numa faixa denunciando o terrorismo dos histéricos que a incendiaram na manhã de 1 de abril de 1964.

Levantando a faixa, estavam lá os ex-presidentes Alfredo Marques Viana (Casa do Estudante do Brasil), José Frejat, João Pessoa de Albuquerque, José Batista de Oliveira Júnior, Milton Coelho da Graça, Arnaldo Mourthé e outros, representando gerações que honraram a UNE.

Na hora, surgiu uma preciosidade histórica: uma carta de 7 de agosto de 1942, do presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt, para o então presidente da UNE,  Luiz Pinheiro Paes Leme, parabenizando os estudantes brasileiros pela luta contra o fascismo. Curiosidade : o Paes Leme era membro do então ilegal Partido Comunista do Brasil.

RENAN

À maneira do saudoso  Zózimo Barroso:

E o Renan, hein? Quanto mais o cabelo cresce, mais a biografia desce.

A Turma de Londrina

Sebastião Nery

RIO – Airton de Oliveira Goulart, jovem, bigodudo, bem-vestido, bem falante, chegou a Curitiba. Era desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e logo fez um amplo círculo de amizades. Não havia recepção no Palácio Iguaçu, ou aniversário de autoridade, que o paulista não estivesse lá. E brilhava. Em um mês já conversava sobre o Paraná, o poder, com a mais absoluta segurança e informação.

O desembargador Goulart ia se aposentar no Tribunal de Justiça de São Paulo e por isso estava em Curitiba procurando casa para morar, decidido a fugir da poluição paulista. Um dia um amigo advogado o achou jovem demais para desembargador:

– Você fez uma carreira muito rápida.

– Pois é. Minha família é importante. Pistolão, subi ligeiro.

Uma noite, estava o desembargador Goulart posto em sossego, no hotel, tocou o telefone:

– Desembargador, precisamos ouvi-lo na Universidade. Há muito estamos querendo que o senhor fale para nossos professores e alunos.

– Como não? Estarei lá com muito prazer.

Foi, deu uma aula debaixo de palmas. Desembargadores, juízes e professores ficaram encantados com as luzes do colega paulista. No dia seguinte, a imprensa de Curitiba publicou sua foto na tribuna, falando. Um dos jornais chegou a Araraquara, em São Paulo, e foi um sucesso na penitenciária, de onde o falso desembargador havia fugido há três meses, cumprindo pena por assalto à mão armada. Desapareceu.

ANDRÉ VARGAS

Não confundir Araraquara com Londrina. Mas a “Folha” informou: “O deputado André Vargas (PT-PR) e o doleiro Alberto Youssef, pivô do pedido de investigação contra o petista na Câmara, são réus no mesmo escândalo de corrupção no Paraná e respondem na Justiça desde 99.

O chamado caso Ama/Comurb é o maior escândalo de corrupção da história de Londrina, base política de Vargas. No final da década de 1990, pelo menos R$ 14 milhões, em valores da época, teriam sido desviados em licitações fraudulentas”.

Essa turma de Londrina era inseparável : o deputado José Janene, o chefão, foi condenado no Mensalão por pegar mais de 4 milhões (não está preso, porque morreu); Antonio Belinati, eleito prefeito, foi cassado e preso; Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobrás. está preso; Alberto Youssef, doleiro, também preso. Falta André Vargas, o valentão “revolucionário” e negocista do PT. Já teve que devolver dinheiro e será cassado pela Câmara.

Onde fica mesmo Araraquara?

LULA

A venerável “Folha de S. Paulo” publicou : “O ex-presidente Lula criticou ontem as tentativas da oposição de criar uma CPI para investigar os negócios da Petrobrás e disse que o PT “tem que ir para cima” para evitar que ela seja usada contra o governo”:

– “Essas pessoas (que defendem a CPI da Petrobrás) nunca quiseram fazer CPI. Nesse aspecto, o PT tem que ir para cima. Se o PT tivesse feito o debate político no momento certo possivelmente a história teria sido outra”.

JANIO

No dia seguinte, o venerando colunista Janio de Freitas, terceiro na hierarquia do Conselho Editorial da “Folha”, escreveu na mesma “Folha” :

– “Nem Lula propôs que o PT impeça a CPI, nem disse que os petistas devem “partir para cima” da oposição. Não só Fernando Henrique leu tais recomendações não feitas. É que no jornalismo, cada vez mais, e ainda pior em fase eleitoral, nada garante que o não dito (sic) vire dito. E vice-versa”.

JORNALISMO

Lula diz, a “Folha” rediz, Janio desdiz. Como fico eu, meio século leitor da “Folha” e dez anos colaborador?

Cancelo a assinatura da “Folha” ou cancelo a leitura do Janio?

A vida feita do barro

Sebastião Nery     

Chico Heráclito era um sábio do sertão. Mais poderoso coronel do Nordeste, viveu, mandou, desmandou e morreu com 89 anos (de 1885 a 1974) em Limoeiro, no sertão de Pernambuco. Tinha saborosas sabedorias:

1 – “O eleitor do Recife é muito a favor do contra”.

2 – “Deus não deu asa ao tatu porque o céu ia ficar cheio de buracos e os santos caíam todos”.

3  – “Não existe cabeça dura para pancada e dinheiro: depende da quantidade”.

4 – “Todo bêbado é rico, bonito e valente”.

5 – “Velho é como rede: se acaba pelo fundo”.

6 – “Governo não bota roçado, mas está sempre colhendo”.

VITALINO

Também de Pernambuco, do Alto do Moura e da Feira de Caruaru, veio outro sábio, analfabeto mas sábio, o Mestre Vitalino, gênio da raça, magrinho, sequinho, conversador, simpático, que morreu tão cedo, aos  53 anos (nasceu em 10 de julho de 1909 e morreu em 20 de janeiro de 1963).

Ligava um ao outro a sabedoria nascida da terra, do chão. Vitalino:

1. – “Era mais importante que eu aprendesse a usar minhas mãos que minha cabeça. Na minha terra as mãos produzem comida e a cabeça só produz confusão.”

2. – “Eu aprendi pela cadência, tirando do juízo, fazia o que via e o que nunca havia visto. Fazia pela cadência. Diziam que zebra era curta e com o pescoço alto; fazia um bicho rombudo, das pernas grossas. O povo dizia: – É um elefante! – Pois bem, ficava elefante.”

CARUARU

Conheci o Vitalino em Caruaru no começo da década de 60, na sua barraca de feira, conversando e bebendo, eu deputado pela Bahia levado lá pela encantadora família Queiroz (prefeito José Queiroz, João Lira Neto, Fernando Lira). E por meu irmão Bosco Tenório. Ganhei uma Banda de Pífanos que toca, canta e dança até hoje e a Beatriz esconde a sete chaves.

Sempre achei um desperdício não termos uma biografia completa do Vitalino, o gênio do barro, com fotos dele e de seu enorme acervo espalhado por ai. Agora o pernambucano Paulino Cabral de Mello está terminando um trabalho exaustivo, de varias décadas. Ele com a palavra:

1.- “Ainda foi possível entrevistar, pessoalmente, no Alto do Moura, em Caruaru, e depois no Recife, em Catende, Juazeiro do Norte, Brasília, Maceió, Fortaleza e no Rio de Janeiro, dezenas de artesãos, companheiros, jornalistas, parentes e amigos de Vitalino. São mais de 30 horas de gravações obtidas em 32 depoimentos transcritos e 290 páginas”.

2. – ”A morte de Vitalino, por exemplo, é um drama pungente e ao mesmo tempo desconcertante, ao mostrar tantos “Brasis” em suas circunstâncias, muito mais do que se poderia esperar de um homem pobre que morre no Nordeste. Deste modo, ouvindo seus contemporâneos, quase todos com mais de 50 anos, a maioria beirando os 70, pudemos melhor sentir esse dorido mundo Vitalino. Assim nasceu este livro”

O  LIVRO

3 “A abordagem de sua obra já teve alguns poucos nomes que nos ofereceram textos resumidos e imagens de valor, como René Ribeiro e Lélia Coelho Frota. Outros com sua própria arte exaltaram-no: Vital Santos no teatro (“O Auto das Sete Luas de Barro”)  ou o francês Pierre Verger com seu ensaio fotográfico de 1947.

4. – “Seis anos depois de pronto, em 1995, o Ministério da Cultura, através da benemérita “Fundação Assis Chateaubriand”, dos Diarios Associados, o editou como “Vitalino em Barro: o Homem”, 364 páginas, 148 fotos, 33 em cores, divulgação limitada, distribuído apenas em alguns museus e escolas de arte. Não chegou às livrarias nem foi comercializado. A família de Vitalino teve dificuldades para recebê-los. Os exemplares dos filhos não chegaram. Na prática aquele livro não existiu”.

O novo livro é inteiramente outro, a começar pelo titulo: – “Mestre Vitalino, a Vida Feita em Barro”. É uma bela e primorosa  edição da “Leo Christiano Editorial”, com toda a sua experiência de livros artísticos e históricos, como o clássico “Portinari”, de Antonio Bento.

Apresentado pelo governador Eduardo Campos, será lançado no Centro de Festas Populares de Caruru, depois no Centro de Tradições Nordestinas do Rio e no Centro de Tradições Nordestinas de São Paulo.

Bolsa-Empresário

Sebastião Nery

Em Viana, no Maranhão,  o padre era do PSD. A UDN nem podia entrar na  Igreja. Na campanha eleitoral, os céus e os santos todos eram mobilizados para a vitória pessedista.

José Sarney, deputado federal pela UDN, veio ao Rio tentar resolver o problema. O secretário do senador Ruy Carneiro era “bispo” da “Igreja Brasileira”, mandou um “padre” para Viana. O padre dois chegou lá, começou a disputar o céu. À falta dos outros, monopólios do PSD, criou dois santos: Nossa Senhora Menina e São Benedito da Barreirinha.

E as cerimônias da Igreja Brasileira eram anunciadas com tambor de macumba. Foi um sucesso. Nossa Senhora Menina, jovem e colorida,  começou a ganhar de Nossa Senhora mãe. E as procissões do mulato São Benedito batiam longe o fervor das procissões de São Benedito preto.

SARNEY

Apavorado, o PSD conseguiu que a Igreja Católica entrasse na justiça contra o “padre” da Igreja Brasileira. Não adiantou. Perdeu em Viana e no Tribunal em São Luis. E pela primeira vez a UDN venceu as eleições em Viana.

Anos depois, Sarney governador, os dois padres foram tirados de lá e chegou um católico meio PSD meio UDN. Um padre Arena. Mas até hoje o povo de Viana tem saudade de sua jovem e irisada Nossa Senhor Menina e seu mulato e simpático São Benedito da Barreirinha.

FRIBOI

Sarney comprava padres e santos. O PT compra empresas. Bilhões de dinheiro público. O jornalista  David Friedlander, na “Folha de São Paulo”, contou  dias atrás (12/01/2014):

– “O empresário Joesley Batista, do Frigorífico JBS, está pedindo R$ 2,8 bilhões aos fundos de pensão Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), Petros (da Petrobrás) e Funcef (Caixa Econômica) para dobrar o tamanho da “Eldorado”, indústria de celulose controlada pela família. O projeto está orçado em R$ 7,5 bilhões. Para fechar a conta, além dos recursos das fundações, o empresário pretende conseguir financiamento de R$ 4,7 bilhões do BNDES e um fundo de desenvolvimento regional.”

EIKE

Nos últimos anos, grupos de privilegiados empresários brasileiros vêm sendo agraciados com dinheiro público na escala de bilhões de reais. Os governos Lula e Dilma cunharam a expressão “campeões nacionais” para a criação de verdadeira “Bolsa Empresário”, para os amigos do poder. A expressão é do brilhante economista e homem publico o professor Helio Duque, três vezes deputado federal pelo MDB e PMDB do Paraná.

O empresário Eike Batista era a face mais agressiva da estratégia dessas relações incestuosas. O Estado como escudo garantidor, pelo alavancamento de dinheiro público e privado, estimulava a criação de empresas, onde o “grupo X” era a versão de um “Midas tupiniquim”.

O atestado de “competência”, em 27 de abril de 2012, foi dado pela presidente Dilma: – “Eike é o nosso padrão, a nossa expectativa e sobretudo o orgulho do Brasil quando se trata de um empresário do setor privado.”

E Eike faliu, queimando bilhões na irresponsabilidade de Dilma.

 DILMA

A bíblia do capitalismo moderno é de Adam Smith, onde a “Riqueza das Nações” é texto básico. Nela fica explicito que o risco é inerente à atividade produtiva. No Brasil a equação está sendo invertida.

Capitalismo sem risco vem fazendo a alegria dos grandes grupos amigos dos governos petistas. O fato é reconhecido, de maneira surreal, até por ministros do governo Dilma. É o caso do ministro da Micro e Pequena Empresa, Afif Domingos: – “No Brasil só se dá prata a quem tem ouro.”

 BARROSINHO

Irrespondível a coluna do Reinaldo Azevedo na “Folha” sobre o ministro do Supremo (Ínfimo) Tribunal, Roberto Barroso, o Barrosinho :

– “ O idealismo se converteu em argentarismo”…

– “Fustigou o abominável espetáculo de hipocrisia em que todos apontam o dedo contra todos, mas mantêm seus cadáveres no armário”…

“Pego carona na metáfora. Barroso saiu do armário”…

“Ele é só um Delúbio com toga, glacê e fricotes”. “Retóricos”.

Dilma, a falida

Sebastião Nery  

Em um jantar em São Paulo, na campanha presidencial de  2002, no aniversário de um radialista amigo, o candidato José Serra, tenso, pegou pelo braço o deputado e fundador da Força Sindical, Luiz Medeiros:

– Medeiros, desta vez você vai ficar conosco?

– Não posso, Serra. Sou PL e meu partido deve apoiar o Lula. Pela primeira vez vou ficar com o Lula. Da próxima conte comigo.

– Não haverá a próxima, Medeiros. Será agora ou nunca. Estou com 60 anos,  minhas energias e chances são agora. Vi o Montoro acabar o governo gagá, aos 70 anos. (Montoro nasceu em 16 de julho de 1916, terminou o governo em 86 e morreu em 16 de julho de 99. Serra nasceu em 19 de março de 1942. Estava com 60, agora 72). Medeiros, vai ser tudo ou nada. Vou jogar tudo e passar por cima de quem ficar na minha frente.

Não adiantou. Serra perdeu.

SERRA

Agora, doze nos depois, o PSDB expeliu a candidatura de Serra e ele, caráter sem jaça, com os cotovelos inchados, joga tudo para derrotar Aécio e vingar-se. Fazendo conferencia para “consultores financeiros” (banqueirinhos de banqueiros), Serra mordeu as canelas de Aécio :

– “Eu não vejo que o quadro econômico seja tão calamitoso quanto se divulga. Não significa que estamos bem, mas o que não vejo é que seja tão calamitoso – disse Serra, ao começar a análise da conjuntura econômica.

Há perda de manobra na área fiscal, mas não há perspectiva de descontrole na área fiscal e muito menos de calote. Não há isso”.

Será que Serra está querendo substituir Mantega?

GERENTONA

O que vocês não sabiam é que Dilma, a “gerentona” da propaganda do PT, é uma empresaria falida. Ela mesma é quem confessou, em Minas :

– “A minha experiência é essa, de muitos empresários do país”.

A ex-ministra foi microempresária entre fevereiro de 1995 e julho de 1996. Em sociedade com a ex-cunhada Sirlei Araujo, estruturou empresa de importação de produtos e brinquedos do Panamá. A sócia-gerente era a economista Dilmona, A empresa foi registrada com o nome de “Pão & Circo” (que nome! muito estranho!), em Porto Alegre, em março de 1995 e encerrou  suas atividades em julho de 1996. Falida.

MARQUETEIROS

O servilismo rafeiro de alguns institutos de pesquisa e setores dos autoproclamados formadores de opinião asseguram que Dilma  será reeleita. Os marqueteiros estipendiados pelos milhões de reais não ficam atrás. O marqueteiro-mor João Santana já definiu os dois candidatos oposicionistas como integrantes de um “picadeiro de anões”,

Traduzindo em linguagem direta: Aécio Neves e Eduardo Campos seriam figuras liliputianas na vida política brasileira. Na área oficial, enquanto o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, ameaça que o “bicho vai pegar”, a re-candidata confessou, em 4/3/2013:

– “Nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição.”

GIRASSOL

A oposição não pode tergiversar no enfrentamento desse descalabro de incompetência. Precisa falar em sintonia com o clamor popular que hoje vive situação de orfandade. Os idos de junho de 2013 comprovaram isso. Demonstrar que falta ao Brasil um projeto de país que redefina o futuro que precisa ser planejado com competência, remodelando a estrutura do Estado.

Nos últimos anos nenhuma obra de grande importância na infraestrutura foi concluída. Os portos e rodovias estão em situação de calamidade. Os hospitais e escolas públicas vivem penoso ciclo de desintegração. Na agricultura obtemos safras recordes, mas os caminhoneiros esperam dias para descarregar, sem armazenamento.

A transposição do São Francisco é um engodo, afetando a vida de milhões de nordestinos. A ferrovia Norte Sul, aproximando-se dos 30 anos, está longe da realidade.A manipulação da verdade,propaganda massacrante e marqueteiros são os grandes agentes do “planejamento nacional.”

A empresaria falida que se cuide. As elites políticas e empresariais brasileiras são como girassol, vivem cultivando o sol. E o que nasce é mais poderoso do que o que se recolhe no fim do dia.

Jornalistas e pesquisas compradas não ganham eleição.

Os black bandidos

Sebastião Nery

Morto Lampião, Ângelo Roque, o “Labareda”, cangaceiro, terceiro na hierarquia do bando, logo depois de Virgulino e Corisco, entregou-se às autoridades de Geremoabo, no sertão da Bahia. Foi a Júri. Tarcílo Vieira de Melo, o promotor, depois líder de Juscelino na Câmara Federal, acusou-o com agressividade. Oliveira Brito, Juiz, depois ministro do governo João Goulart, chamou-o de “desordeiro”.Labareda” levantou-se do banco de réu:

– Desordeiro, não. Os senhores me respeitem. Não sou um desordeiro, sou um cangaceiro. Não fui pegado no mato. Cheguei aqui de armas na mão, com minha cara limpa, meu corpo e minha vontade e me entreguei, confiando na palavra das leis.

Ninguém mais o agrediu.

LABAREDA

“Labareda”, pequenininho e valente, não disse mais palavra. Quando acabou tudo, condenado, ele se queixou ao meu amigo o  tenente e advogado João Nô, que o prendera nos sertões da Bahia:

– Tenente, perdi meu tempo no cangaço. Eu pensava que a pior coisa deste mundo era soldado de polícia. Passei a vida empiquetando (emboscando) soldado de polícia  Hoje, chego aqui preso, os soldados me tratam bem e  não disseram uma palavra contra mim. Mas aquele promotor falador e aquele juiz magrelo me disseram tudo quanto foi desaforo. Se eu soubesse, tinha passado meu cangaço empiquetando promotor e juiz.

LAMPIÃO

Cangaceiro era desordeiro, era criminoso, mas tinha caráter. Lutava com a cara de fora. Jogava a vida nas estradas.

Não viviam  escondidos atrás de máscaras, como esses black blocs nazifascistas, andróginos, sem ideologia e sem projeto, cuja histeria é sair quebrando tudo, janelas  e vitrines comerciais, sinais de trânsito e placas de rua, prédios públicos e privados, seculares monumentos nacionais, Palácios, sedes de Governo, Câmaras e Assembleias.

OAB E SEPE

Causa espanto, vergonha e asco ver entidades que têm deveres com a Nação, como a OAB, SEPE (Sindicato de Professores), jornalistas experientes, vereadores, deputados, partidos políticos, como babás do mal, acoitando, defendendo, protegendo, tentando justificar  esses covardes bandidinhos de capa preta.

Em alguns países vivi, em outros estive, onde fascismo e nazismo, brutais ditaduras, começaram. E começaram sempre assim: blocos de ataque escondendo-se atrás de roupas pretas, bonés e mascaras pretas,calças e camisas pretas ou marrons. E cabeças rolando nas avenidas ensanguentadas.

Levianamente desvairadas elites levam suas irresponsabilidades  e malditos interesses até um dia acordarem e não dá mais tempo. Seus filhos e netos levantarão muros e museus para chorarem o passado.

IMPRENSA

Escrevi essa coluna  ai em 22 de outubro de 2013. Em nenhum instante deixei-me enganar pelo vandalismo dos black blocs.

Surpreendia-me a estranha ingenuidade ou má fé de alguns colegas da imprensa, a serviço não sei de quem, mas evidentemente daqueles que tinham interesse em detonar as manifestações populares com as máscaras e  botas pretas. O nome deles era óbvio: capitães do mato do governo.

Agora estamos todos aqui desolados com o assassinato do Santiago.

HELOISA

Sempre brilhante e lúcida, a jornalista e escritora Heloisa Seixas pôs o dedo na ferida, em artigo no “Globo”:

“- Os black blocs, ou seja lá  que nome tenham, vinham dando sinais nos quais devíamos ter prestado mais atenção: havia  tintas de neonazistas no comportamento deles, inclusive na hostilidade à imprensa…

Poucos de nós, na imprensa, tivemos coragem de escrever contra eles com a força necessária… Melhor ficarmos quietos, em nome da democracia. Em nome do direito à livre manifestação – mesmo com bombas e pedras. E agora estamos assim, como meu amigo da Bandeirantes. Com esse nó na garganta, essa pergunta presa no peito: será que nosso silêncio constrangido nos faz cúmplices na morte de Santiago?”

Vai acabar sendo o Guga

Sebastião Nery

RIO – Antonio Carlos, governador da Bahia, entrou agitado no Hotel Lancaster, em Copacabana, Rio, de manhã, chegando de Brasília. Ligou para Salvador, chamou o professor Jorge Novis, da Escola de Medicina, e convidou-o para ser Ministro da Saúde. O famoso médico baiano não aceitou. Antonio Carlos insistiu, desistiu, desligou:

– Vai acabar sendo o Guga.

Ligou para o professor Clementino Fraga Filho, convidou, não aceitou, insistiu, discutiu, nada. Antonio Carlos desligou irritado:

– Ninguém quer nada. Vai acabar sendo o Guga.

Ligou para outro médico baiano. A conversa já começou a ser ríspida. O homem não queria, Antonio Carlos falava alto, quase aos gritos, acabou pedindo para falar com a filha dele. Ela devia convencer o pai a aceitar, era um serviço que ele devia prestar à Bahia. Não houve apelo, o terceiro não quis. Antonio Carlos desligou aos berros:

ACM

 – É sempre assim.Dizem que nós políticos não temos espírito público,  só indicamos pessoas ligadas pessoalmente a nós, por interesses pessoais ou de grupo. Convenci o General Figueiredo, depois de uma luta dura, a dar o Ministério da Saúde à Bahia. Convido os três mais importantes médicos do Estado, nenhum quer fazer força, dar contribuição nenhuma.

Senta-se à beira da cama, suspira:

– Vai acabar sendo o Guga.

No dia seguinte, em  Brasília, Antonio Carlos apresentou  o médico baiano Mário Augusto Castro Lima, futuro Ministro da Saúde. Na Escola de Medicina, onde foram colegas, Mário Augusto tinha o apelido de Guga.

Acabou sendo o Guga.

 MINISTERIO

A presidente Dilma anunciou no fim do ano que em fevereiro faria a reforma do Ministério. Começou. E está sendo uma frustração, um desastre. Esperava-se que, no quarto ano da administração ela ia aproveitar a oportunidade para compor um governo à altura das necessidades do pais.

E transformou tudo em um vagabundo mercadinho chinês, um compra-compra, um troca-troca para arranjar mais tempo de campanha na TV e apoio dos partidecos nanicos. Até o PSD do melífluo Kassab está batendo na mesa. E o PMDB, sempre invertebrado, de repente toma pudor, desacata a Presidente e joga pela janela seus ministeriozinhos de mentira

Com quem ela quer governar? Vai acabar sendo o Guga.

RISÉRIO

Ainda bem que sempre há quem esteja pensando o pais com talento e seriedade. Em longa e densa pagina e meia no “Estado de S. Paulo”, o historiador e antropólogo baiano Antonio Risério denuncia um crime devastador que se comete hoje: – “Em Busca do Urbanismo Perdido”

1 – “Nossos governantes, numa verdadeira marcha da insensatez, abrem mão da reforma urbana. Precisaríamos de prefeitos que não se comportassem como agentes da especulação imobiliária, com uma vontade coletiva de sair do buraco.As cidades brasileiras vivem dias especificamente difíceis, de uma ponta a outra do país. Estão maltratadas, sujas, agressivas.”

2 – “As promessas não se transformam em realidade. O Minha Casa, Minha Vida constrói hoje as favelas do futuro. Todos precisamos de um lugar onde Morar.Mas por que até hoje isso não acontece? Milhões de brasileiros, depois de 10 anos de governos socialdemocratas, continuam amontoados em alojamentos deprimentes. Em nenhum outro lugar a desigualdade social é tão clara e brutal quanto na moradia.”

3 – “O Brasil tende a ser o paraíso de autoengano. Depois de Antonio Palocci, a política econômica do governo meteu os pés pelas mãos.Estamos combinando crescimento medíocre e inflação controlada artificialmente. A prioridade deveria ser contra a favelização do País, por casas decentes e serviços públicos de qualidade, contra a violência e o narcotráfico, contra a podridão do sistema político e pelo direito de todos à cidade.”

4- “Lula e Dilma, com sua ênfase consumista, privilegiam o comércio de automóveis, dando uma contribuição imensa para encalacrar de vez nossas cidades. Além de não atender a maioria da população, o carro individual sai caro demais para o governo. Carro novo na rua obriga o governo a usar recursos para fazer ruas, pontes, viadutos. Gasto absurdo”.

Acabaram chamando o Guga.  

A Rainha de Sabá

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Sebastião Nery     

Era uma vez uma rainha muito negra e muito bela, soberana do antigo reino de Sabá, “o mais poderoso da Arábia Feliz”, que incluía a Etiópia, o Egito e a Arábia. Os etíopes a chamavam de Makeda. Os árabes de Balkis ou Bilkis. Flávio Josefo, historiador romano judeu, de Nikaula.

Viveu no século X antes de Cristo. Arqueólogos da Universidade de Hamburgo, na Alemanha, descobriram os restos do palácio da rainha de Sabá em Axum, cidade sagrada da Etiópia. Segundo o Velho Testamento ela teria ouvido falar na grande sabedoria do rei Salomão, juntou quatro toneladas e meia de ouro, cruzou os desertos da Arábia, através da Etiópia e do Egito, pela costa do mar Vermelho, até chegar a Jerusalém, onde se encontrou com ele.

O rei também já tinha ouvido falar em um reino governado por uma rainha negra, muito bela e muito rica, cujo povo venerava o sol. Mandou-lhe uma carta convidando-a para visitá-lo. Recebeu-a com presentes “e tudo que ela desejou”. A tradição etíope garante que Salomão realmente seduziu e engravidou sua convidada e teve com ela o filho Menelik I, primeiro imperador da Etiópia.

Os afrescos de Piero della Francesca (1466), que estão no Batistério de Florença, contêm dois painéis sobre a visita da rainha de Sabá a Salomão. Giovani Boccaccio, em seu livro “Sobre as Mulheres Famosas” (“De Mulieribus Claris”) conta que ela era não só rainha da Etiópia e do Egito como também da Arábia. “Tinha um palácio luxuoso numa ilha muito grande chamada Meroé, localizada em algum lugar próximo ao rio Nilo, praticamente no outro lado do mundo”.

DILMA

As enciclopédias, todas elas, contam essa história com o charme que a rainha de Sabá mereceu. Seria um mítico quem quisesse comparar a presidente Dilma à Rainha de Sabá. Dilma não viaja com o ouro, as joias e a comitiva da rainha da Etiópia. Nem tem o rei Salomão esperando-a na sua corte. É só um bacalhauzinho em Lisboa e Fidel Castro em Havana. Os tempos e os reinos são outros. Até por isso ela não tem o direito de esbanjar pompas e grandezas por ai, raspando o baú de ossos da Presidência. Para que hospedar mais de 50 assessores nos dois mais caros hotéis de Lisboa?

Tem razão a cada dia mais brilhante Eliane Cantanhede  (Folha): – “ Enquanto discutimos a passadinha da Presidente para comer bacalhau em Lisboa, o que deve estar chateando mais a própria Dilma é aquela foto de cara lavada. Com umas olheiras medonhas. É claro que presidentes têm direito a folga, a lazer, a bacalhau bom e a hotel melhor ainda. Muito justo. Mas, pera lá, às escondidas? E reservando 45 suítes (!) nos dois hotéis mais caros? Aliás, para que viajar com meia centena de funcionários? Não precisava exagerar”.

Salomão nunca disse que a rainha de Sabá tinha “olheiras medonhas”

HELENA

O PT devora seus melhores filhos. A exemplar Helena Chagas, como jornalista e como ministra da Comunicação, acabou sentindo na pele o horror de trabalhar com um partido gangsterizado. Ela se negou a distribuir  verbas de propaganda do Governo para o jornalismo sujo da “mídia suja” do PT em seus blogs sujos, seus sites sujos. E foi covardemente derrubada.

O insuspeito “Globo” contou :a guerra suja pelos “capilés” públicos:

– “Em uma das reuniões do presidente do PT, Rui Falcão, com a bancada e integrantes do Diretório Nacional, para discutir saídas para a crise depois das manifestações de junho, houve um debate sobre pontos fracos na equipe ministerial, com críticas à comunicação do governo e da Presidente. A reclamação era em relação à pequena margem de financiamento dos chamados “blogs sujos”, que fazem o enfrentamento com a mídia tradicional e atacam a oposição”.

– “A comunicação do governo é uma porcaria! O governo não tem a estratégia de comunicação nas redes sociais. O Lula mantinha uma canalização de recursos para alguns blogs, mas a Dilma cortou tudo, – reclamou naquela reunião o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PR), segundo petistas presentes”.

– Na época, Vargas desmentiu as críticas. Mas, diante da notícia da saída de Helena Chagas, disse ao GLOBO: – “Não gosto dela. A Helena foi pro pau! Beleza”.

Os olhos são o espelho da alma. A Helena pode dormir e acordar em paz, vingada. Jamais se dirá que ela tem “olheiras medonhas”.

A maionese do PT

Sebastião Nery

RIO – Juarez Távora, ministro da Viação do governo de Castelo Branco, foi a Jaguaribe, sertão do Ceará, inaugurar uma obra. O prefeito, sabendo da velha úlcera de Juarez, ficou preocupado com a alimentação dele e procurou informar-se. Disseram-lhe que o ministro se alimentava muito pouco. Bastava uma maionese de camarão e um copo de leite.

Em Jaguaribe não há camarão, o prefeito mandou buscar em Fortaleza. A maionese foi de avião, no dia, prontinha. Na hora do almoço, a mesa imensa e lauta como as mesas ricas do Nordeste. E, na cabeceira, protegida por um guardanapo de linho, a travessa com a maionese de camarão para Juarez, como uma joia.

Mal sentaram-se, o presidente da Câmara Municipal puxou o braço do secretário da Câmara Municipal:

– O que é isso aí?

– Maionese de camarão.

– Me dá que eu adoro.

E o presidente da Câmara Municipal jogou a metade no prato dele. O prefeito viu, ficou em pânico, falou no ouvido do secretário da Câmara:

– Diz a ele que essa maionese é do ministro, O ministro gosta muito.

– Mas ninguém gosta mais do que eu.

E o secretário da Câmara jogou a outra metade no prato dele.

Juarez almoçou leite.

DILMA

Dilma está chegando de Davos e de Cuba com uma guerra para enfrentar: a gula do PT na reforma do Ministério. O PT acha que os aliados (PMDB, PP, PR, PSD) só servem para bater palmas e votar no Congresso a favor do governo.A maionese do poder tem que ser toda deles.

E é uma hora ingrata. Dilma volta carregando nas costas o pesado saco de vãs promessas feitas em Davos e aqui encontra as devastadoras  manchetes da Economia gritando nas TVs e primeiras paginas dos jornais:

– “US$ 81,4 Bilhões foi o tamanho do rombo das contas externas brasileiras em 2013. O déficit passou de 2,41% do PIB em 2012 para 3,66% do PIB no ano passado. As contas externas brasileiras tiveram um rombo recorde de US$ 81,4% bilhões em 2013. De acordo com os dados do Banco Central (BC), divulgados sexta-feira, o déficit de todas as trocas de serviços e do comércio do Brasil com o resto do mundo aumentou 50% no ano passado e extrapolou a projeção do BC que era encerrar o ano com um déficit de US$ 79 bilhões. Apesar da alta de 14,6% do dólar, o comercio exterior deteriorou-se e os gastos lá fora explodiram. Para os especialistas, o resultado confirma um quadro de vulnerabilidade externa”. ( O Globo).

E o PT exigindo e querendo comer a maionese inteira do Governo.

IBGE

A Pesquisa Mensal de Emprego abrangia só as seis maiores regiões metropolitanas: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Recife e Porto Alegre. Segundo ela, no segundo trimestre de 2013 o desemprego teria sido de 5,9%. Agora, pela nova metodologia do serio e indiscutível IBGE,a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio em 3.500 cidades diz que a taxa de desemprego no mesmo período no Brasil foi de 7,4%.

A diferença no número de desempregados, medido pela Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio, comparativamente à Pesquisa Mensal de Emprego, demonstra que a taxa de desemprego por regiões é expressiva: no Norte 8,3%. No Nordeste 10%. No Centro-Oeste 6%. No Sudeste, 7,2%. No Sul 4,3%.Já o emprego com carteira assinada,segundo o IBGE,é : Norte 65,3%, Nordeste 61,5%, Centro-Oeste 77,4%, Sudeste 80,8%, Sul 84%.

Na nova metodologia do IBGE, a população economicamente ativa é a Força de Trabalho: quem está empregado e quem procura emprego. A idade mínima foi elevada de 10 para 14 anos, contemplando a designação de aprendiz. Segundo o IBGE, 38,5% da população em idade para trabalhar não tem ocupação e nem procura emprego, não entrando nas estatísticas de desemprego. Verdadeiro exercito de 61 milhões de brasileiros.

Os brasileiros com 14 anos ou mais, que não têm nem procuram emprego, são: entre 14 e 17 anos, 10,9 milhões. Entre 18 e 21 anos, 7 milhões. De 25 a 39 anos, 9 milhões. De 40 a 59 anos, 13,9 milhões. A partir de 60 anos, 20,5 milhões, totalizando 61,3 milhões. Uma nação.

Entre os que não procuram emprego e não trabalham a não-educação aparece chocante: 55,4% não terminaram o ensino fundamental, A nova metodologia do IBGE radiografará o desemprego na economia. Com realismo e sem o propagandísmo dos marqueteiros de plantão.

A vovó de Davos

Sebastião Nery

Logo após o golpe militar de 1964, que está fazendo 50 anos, o ditador Castelo Branco despachou Lacerda, governador da Guanabara, para uma viagem à Europa e Estados Unidos, a fim de tentar “explicar” a lambança. Lacerda andou por Paris, Bonn, Londres, Lisboa, Nova York.

Em Nova York, Lacerda foi jantar com Juracy Magalhães, embaixador em Washington, o editor Alfredo Machado (Editora Record) e o editor norte americano Alfred Knopf. Chegou o garçom com a sopa:

– Oh, governador, o senhor por aqui?

– Oh, rapaz, você é brasileiro?

– Sou. Sou de Belo Horizonte.

JURACY

Quando o garçom serviu Juracy, não o reconheceu, Juracy ficou chateado mas não disse nada. Alfredo Machado estava sendo servido:

– Quanto é que você faz aqui?

– Bem, doutor, ganho um total de 700 a 800 dólares por mês.

– Poxa, esse mineirinho ganha quase como um embaixador.

– É, mas nós trabalhamos.

Juracy, e com razão, explodiu:

– É por isso é que a vida pública é uma coisa insuportável. A gente se sacrifica o tempo inteiro e quando chega à idade a que cheguei, depois de todos os serviços que prestei ao Brasil, um menino diz que trabalha mais do que um embaixador. Então ele acha que eu vim aqui como vagabundo?

O garçom desapareceu no fundo do restaurante.

DILMA

Ainda bem que, apesar de cada dia mais gorda e bojuda,  ninguém vai deixar de reconhecer Dilma no Fórum Econômico de Davos, que começa esta semana na Suíça. O perigo é ela jogar o pais no ridículo, tentando dar uma de Vovó de Davos, a avó sabichona, querendo ensinar tudo ao mundo, falando lá fora como fala aqui dentro, mentindo deslavadamente sobre os tristes números da economia brasileira. O mundo ficou um só. Depois do Obama, todo mundo sabe tudo de todo mundo.

Infelizmente a Dilma vai chegar lá de saco vazio. Vai levando o humilhante “Pibinho” de 1%  de 2012  e o vergonhoso “Pibezinho” de 2%  de 2013. E, para este ano, depois de ser obrigada a dar aos banqueiros a  escravista taxa de juros de 10,5,o máximo que pode acenar para a economia nacional em 2014 é repetir os 2% de 2013. Não dá nem para a merenda.

ROMBO

1 – Vejam a lúcida Miriam Leitão em “O Globo”: -“Foram 23 bilhões de dólares gastos lá fora com viagens contra 6,1 bilhões de dólares que entraram no país com turistas estrangeiros. Um rombo de 16,9 bilhões de dólares na conta turismo. A balança comercial registrou até novembro 39,3 bilhões de dólares de importação de petróleo e derivados. Parte disso é combustível de 2012, que foi jogado na estatística de 2013. Como houve apenas 19,8 bilhões de dólares de exportação, o rombo do setor petróleo e derivados chegou a 19,5 bilhões de dólares no ano”.

2 – Ex-secretário da Receita Federal, o consagrado Everardo Maciel atesta – “A conjuntura não permite otimismos: inflação alta, manipulação de preços, crescimento baixo, desequilíbrio fiscal, endividamento das famílias, são males cuja superação vai requerer ciência, tempo e determinação, temperados pela boa política”.

JUROS

3 – O sistema financeiro fica com 5% do PIB brasileiro na cobrança de juros, quando internacionalmente a média é entre 1% e 2%. O respeitado  economista Amir Khair, um dos fundadores do PT, exemplifica:

– “Predomina nas análises a visão do mercado financeiro, para o qual não interessa pôr foco nos juros como despesa. E, para desviar a atenção, colocam o foco em, outro lugar. E por que não interessa? Porque é a mais importante fonte de lucro do sistema financeiro, inclusive de parte importante do setor não financeiro nos ganhos originados em aplicações nos títulos do governo federal”. E completa:

–  “É semelhante ao caso do ladrão que, após se satisfazer no roubo, sai da casa roubada correndo e gritando: “Pega Ladrão!”.

Vovó Dilma vai ter coragem de gritar “Pega Ladrão!” em Davos?

O artista e o estadista

 

Sebastião Nery

Em 1959, Janio  Quadros e Juracy Magalhães disputavam a legenda da UDN para a Presidência da República. José Aparecido, articulador da campanha de Jânio, aconselhou-o a ir ao Nordeste para um encontro com os governadores da UDN: Magalhães Pinto (MG), presidente do partido,  Cid Sampaio (PE), Dinarte Mariz (RN), Luis Garcia (SE).

Marcaram encontro em Aracaju. Janio, Aparecido, outros, pegaram um avião  no Rio. Quando desceram em Salvador para reabastecer, Janio viu Juracy embarcando para Aracaju sem esperar para cumprimenta-lo. No aeroporto, a imprensa baiana  foi educada mas dura com Janio. Perguntei:

– Governador, esses passeios de V. Exa pelo mundo estão sendo pagos por quem? Ou será com o famoso terreno da Vila Mariana, em São Paulo?

– Respeitem-me. Nada tenho a dizer. Lamento o comportamento do governador.Não sou dos que arreganham os dentes para o sucesso eleitoral.

Levantou-se e foi para avião. Em Aracaju uma multidão com vassouras e os governadores da UDN o esperavam. Disse a Aparecido:

– O Juracy me armou uma cilada. Vou dizer-lhe o que precisa ouvir.

Na primeira reunião, Jânio levantou-se:

– Governador Juracy, quero começar dizendo que não aceitei o que o senhor fez em Salvador, as perguntas que me mandou fazer.

Juracy também se levantou, apoplético:

– O senhor me respeite. Nunca precisei pedir a ninguém para fazer perguntas por mim. Não tenho caspas nos meus ombros. Sou um revolucionário de 30. O senhor é um aventureiro, mentiroso e demagogo.

– Governador Juracy, não temos mais nada a conversar. Eu me retiro.

E saiu rápido.

O VASSOURINHA

Em 10 de fevereiro de 1961, dez dias depois da posse de Jânio no governo, fui a Porto Alegre entrevistar o governador Leonel Brizola. Recebeu-me no gabinete no dia seguinte às seis da manhã. Estavam lá, com cara de sono, Brusa Neto e Hamilton Chaves, os principais assessores. A conversa foi longa e objetiva. A certa altura, Brizola pede que eu não anote:

– Nery, isso que vou te dizer não deve ser publicado, porque não quero criar problema para o presidente Jânio Quadros. Gosto dele, estamos os dois apenas com dez dias de governo. E já começam graves problemas.

– De que tipo, governador?

– Políticos e econômicos. Sobretudo políticos. Tu já fizeste uma análise das forças políticas e econômicas que financiaram o Vassourinha? (Vassourinha era o Jânio). Para atender às necessidades do País e dos seis milhões de eleitores que votaram nele, ele vai ter que mudar de comportamento, e as forças que o financiaram não vão se conformar.

Bateu o fundo da caneta na mesa, ficou pensando longe:

– Tu deves ficar atento. Em seis meses, ou ele renuncia ou vamos para a guerra civil.

Fui para o hotel, anotei e guardei. Em sete meses Jânio renunciou.

LEITE BARBOSA

Jânio era dois: o artista e o estadista. Alias, era vários. Historias do artista, do múltiplo, do excepcional comunicador de massas, do candidato sempre imbatível –  vereador, deputado estadual, deputado federal, prefeito, governador, presidente – há tantas, nos meus e outros livros. Mas o Brasil lhe devia o livro sobre o estadista, o homem que em 1960 viu o pais meio século à frente,com todos os riscos e abismos que precisaria saltar e vencer.

Pois tem o livro. Publicado em 2007 pela Editora Atheneu (Rio, São Paulo), e logo esgotado, volta às livrarias, em esmerada segunda edição ampliada, uma obra-prima do embaixador Carlos Alberto Leite Barbosa: “Desafio Inacabado – A Política Externa de Jânio Quadros”.

Rara gente no Brasil teria a bagagem do embaixador Leite Barbosa para um livro desse nível sobre a política externa brasileira. Formado pela  Nacional de Direito da Universidade do Brasil,  já no Itamaraty aos 23 anos, em 42 anos de diplomata serviu em Nova York, Buenos Aires e Madri e, foi embaixador em Bogotá, Roma, Paris e junto à OEA.

Em 1960 foi convocado para o governo Jânio Quadros, onde trabalhou ao lado do presidente todos os dias dos 7 meses do governo. Seu testemunho é preciso, detalhado, documentado e sobretudo inteligente, não perdendo os conflitos que iam surgindo e sendo enfrentados. Perfis irretocáveis: de Jânio, Afonso Arinos, Lacerda, Fidel, Guevara, Kennedy, Tito, Frondisi. E EUA, União Soviética, China, África. Uma aula magna.