Na visão de Vicente de Carvalho, a esperança é “uma hora feliz, sempre adiada”

Parnasianismo e simbolismoPaulo Peres
Poemas & Canções

O magistrado, jornalista, político, contista e poeta paulista Vicente Augusto de Carvalho (1866-1924) afirma que a “Esperança” existe, embora esteja sempre onde a colocamos, em local onde jamais ficamos.

ESPERANÇA
Vicente de Carvalho

Só a leve esperança em toda a vida
disfarça a pena de viver, mais nada;
nem é mais a existência resumida
que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada,
sonho que a traz ansiosa e embevecida,
é uma hora feliz, sempre adiada
e que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidade que supomos
árvore milagrosa que sonhamos
toda arriada de dourados pomos
existe sim; mas nós não a encontramos,
porque está sempre apenas onde a pomos
e nunca a pomos onde nós estamos.

“Agonia”, a canção de Mongol que Oswaldo Montenegro cantou como ninguém

Mongol

Mongol, amigo e parceiro de Oswaldo Montenegro

Paulo Peres
Poemas & Canções

O autor teatral, ator, cantor e compositor carioca Arlindo Paixão, conhecido como Mongol, na letra de “Agonia”, enveredou pelo lirismo para mostrar e para disfarçar o sofrimento que uma paixão acarreta. A música, vencedora do Festival Shell de MPB, promovido pela Rede Globo em 1980, foi defendida por Oswaldo Montenegro e consta do LP Festival 80, gravado pela Som Livre.

AGONIA
Mongol

Se fosse resolver
iria te dizer
foi minha agonia
Se eu tentasse entender
por mais que eu me esforçasse
eu não conseguiria
E aqui no coração
eu sei que vou morrer
Um pouco a cada dia
E sem que se perceba
A gente se encontra
Pra uma outra folia
Eu vou pensar que é festa
Vou dançar, cantar
é minha garantia
E vou contagiar diversos corações
com minha euforia
E a amargura e o tempo
vão deixar meu corpo,
minha alma vazia
E sem que se perceba
a gente se encontra
pra uma outra folia

“Neste mundo de agonias há quem viva de ilusões”, cantava a genial cantora Maysa

Projeto Cultural Queridos para Sempre! Homenagem Além da Vida ...

Ninguém cantava o amor e a dor como a belíssima Maysa

Paulo Peres
Poemas & Canções

A cantora e compositora paulista Maysa Figueira Monjardim Matarazzo (1936-1977), na letra de “Agonia”, revela que a triste saudade é a consequência do viver de ilusões. Esse samba-canção faz parte do LP “Convite para ouvir Maysa” lançado, em 1956, pela RGE.

AGONIA
Maysa

Neste mundo de agonias
Há quem viva de ilusões
Com sorrisos de alegria
e alma aos turbilhões

Faz pouco da realidade
Que é triste pra quem vive assim
E pensa que a felicidade
Se consegue pra sempre sem fim

Quando acorda é tarde, mas
Vão atrás da felicidade
Mas quem mora em seu coração, é
A dor de uma triste saudade              

Tudo parece um grande mistério, quando a poesia busca e só encontra o vazio

RPD REVISTA POÉTICA DUPLICIDADE: Vânia Moreira Diniz

Vânia Diniz, escritora e poeta carioca

Paulo Peres
Poemas & Canções

A humanista, pesquisadora, escritora e poeta carioca Vânia Moreira Diniz revela sensações e segredos diante do “Vazio”.

VAZIO
Vânia Moreira Diniz

Contemplo a minha volta e nada vejo
não enxergo,
tudo parece um grande mistério e rezo,
sem entender os segredos que preservo,
e conservo,
dentro do
meu coração tão vazio.
Não encontro ressonância e me distâncio,
não acho a real certeza e me afasto,
não vejo a luz que direciona e me aparto,
como se nada conhecesse e me arredo.
Sinto a leveza, tento pegar e não consigo,
pressinto a bondade e me aproximo,
não alcanço a sua extensão e choro,
e procuro o ideal que já não creio.
As cores não são do extenso universo,
as dores perduram e triste lamento,
a frieza que se esconde no retiro
de ilusões em que me escondo.

Não quero sentir a saudade do encontro,
das lembranças ocultas atrás do muro, do sonho sempre e sempre revivido
e do passado que se foi no escuro.

Só a nostalgia perene eu vislumbro,
sensação de terna loucura e vazio,
efusões sepultadas no reencontro,
coração para sempre machucado.
Ando, e me concentro,
caminho,
o passo é lento,
inseguro
e encontro o vazio.

Um poema político de Tobias Barreto, cujo objetivo era corrigir um erro de Deus

Tobias Barreto celebra 178 anos do patrono da cidade | Sergipe | G1

Tobias Barreto, um guerreiro na luta contra a escravidão

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jurista, filósofo, crítico e poeta Tobias Barreto de Meneses (1839-1889), no poema “A Escravidão”, questiona a estrutura escravagista do regime monárquico em vigência, opondo-lhe a República e a Abolição.

Na primeira estrofe do poema, procede a uma reflexão filosófica profunda acerca da Divindade dogmática como instituição mantenedora das desigualdades sociais e conivente com a exploração do homem pelo homem. Enquanto que, nos dois últimos versos do poema, encontramos um eu-lírico cético e questionador de todos os dogmas religiosos que não se furta a apontar as falhas Divinas: “Nesta hora a mocidade / Corrige o erro de Deus”.

A ESCRAVIDÃO
Tobias Barreto

Se Deus é quem deixa o mundo
Sob o peso que o oprime,
Se ele consente esse crime,
Que se chama a escravidão,
Para fazer homens livres,
Para arrancá-los do abismo,
Existe um patriotismo
Maior que a religião.

Se não lhe importa o escravo
Que a seus pés queixas deponha,
Cobrindo assim de vergonha
A face dos anjos seus,
Em seu delírio inefável,
Praticando a caridade,
Nesta hora a mocidade
Corrige o erro de Deus!…

A justiça tem de condenar os que roubam, diz o samba de Martinho e João de Aquino

João de Aquino – Wikipédia, a enciclopédia livre

João de Aquino, autor de clássicos da MPB

Paulo Peres
Poemas & Canções

 

O escritor, cantor e compositor Martinho José Ferreira, o Martinho da Vila (Isabel), nascido em Duas Barras (RJ), e o violonista carioca João de Aquino expressam na letra de “Pensando Bem” uma mistura de revolta e resignação numa situação-limite sugerida. Este belíssimo samba foi gravado por Luiza Dioniozio, no CD Devoção, em 2009.

PENSANDO BEM
João de Aquino e Martinho da Vila

Irmão
A gente não tem nem mais o que comer
Trabalho não há também pra laborar
Então o que é que a gente vai fazer

Mulher
Eu acho que a gente vai ter de roubar
Sair pelas ruas botar pra quebrar
De fome é que a gente não pode morrer

Não sei
Pensando bem acho que não vai dar
Roubar contraria as leis do Senhor
E a justiça dos homens vai nos condenar
                                                                                                                        

Os Estatutos do Homem, como um “ato institucional” do grande poeta Thiago de Mello

Site Taquiprati - Thiago de Mello e o Amazonas de chuteirasPaulo Peres
Poemas & Canções

O poeta amazonense Thiago de Mello, no poema “Os Estatutos do Homem”, escrito durante seu exílio no Chile em 1964, chama atenção para os valores simples da natureza humana.

OS ESTATUTOS DO HOMEM (Ato Institucional Permanente)

Thiago de Mello

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Em concepção poética, tornou-se necessário se adaptar a esse tal computador…

Poesia em computador, por Zenel Pibral

Paulo Peres
Poemas & Canções

A poeta paulista Thais Silva Francisco (pseudônimo, Thais Beija-flor), transformou em versos suas experiências ao se adaptar ao uso do computador.

ESSE TAL COMPUTADOR
Thais Beija-flor

Fui chegando de mansinho,
teclando esta máquina de escrever
com um teclado diferente, que, sensível ao toque,
ia deixando na tela, as letrinhas estampadas…

Ora, ora, pensava eu. Onde estaria o papel,
para uma carta poder escrever?
E, se eu errasse, como iria apagar?
Teria que começar tudo de novo?
Essa máquina é bem diferente da
Olivetti e da Remington
que eu usava, quando no escritório
eu trabalhava!..

É…e isso já faz bastante tempo!!!
E neste tempo todo, envolvida eu estava
em muitas fraldas, pratos, panelas,
vassoura e escovão,
mercado, feira, até mesmo sacolão.
Cuidando da casa, zelando pela familia…
quase sem tempo para uma carta escrever!…

De repente, pé ante pé,
chegou bem pertinho de mim,
minha pequena já crescidinha,
e, toda prosa, com seus olhinhos brilhantes,
foi logo dizendo assim:

– Clica aqui mamãe, e sua letrinha muda de cor…
Olhe aqui, se errar, basta clicar Backspace,
Maiúsculas??  Aperta aqui ó…nesta setinha
ou então, em Caps Lock..
Quer colocar numa folha de papel, mamãe???
– É só clicar em Arquivo, Imprimir…e,
não esquecendo de ligar a Impressora,
e abastecê-la com sulfite,
sua carta já vai sair no papel,
prontinha, para envelopar, selar e postar…

Mas…presta atenção mamãe,
se você colocar o endereço aqui no Para:….
e clicar no Enviar…. nem de selo vai precisar,
pois esse tal computador, sua carta já registrou,
e enviando já está…Sem demora,
seu destinatário vai receber….
e depressinha responder…

Viu só mamãe??
Esse é o Computador, e na escola
já estou utilizando… é da hora!!
Vai lá mamãe querida,
aprende logo, e você verá que
muitos Amigos você fará!!!…
(e fiz mesmo!! bons Amigos)

Admirada com essa filhota sabida,
fui logo me aprimorando….
Cá estou eu agorinha
contando pra Teinha e prá todos vocês,
como foi que conheci,
esse tal Computador!!…

Maravilha da Tecnologia!!!

Hoje, já escrevo poesias, coloco flores e fantasias,e,
num papel de carta especial, logo envio meu Bom Dia!!
Numa página caprichada, até mesmo musicada,
vou pedindo aos Micronautas,
que usem e abusem dos recursos desta máquina,
mas, que seja sempre para o bem,
de toda a humanidade!!…

Foi assim que conheci,
Esse Tal Computador!!!

Um poema sobre a Páscoa que exalta Jesus Cristo, na criação de Paulo Peres

TRIBUNA DA INTERNET | O significado da Páscoa no decorrer dos ...

Paulo Peres, editor do site Poemas & Canções

Carlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor, letrista e poeta carioca Paulo Roberto Peres, no poema “Páscoa”, faz uma reflexão sobre o significado deste acontecimento para a Humanidade.

PÁSCOA
Paulo Peres

Há mais de dois mil anos,
Jesus Cristo tentou
Mostrar à Humanidade
Uma vida melhor,
Mas a ignorância
Da maior parte da população,
Incentivada
Pelos poderes da época,
Mercenários e imperialistas,
Como os de hoje,
Impediram-no…

Houve sofrimento,
Houve lágrimas,
Houve escuridão…

Todavia,
Houve sabedoria,
Houve fé,
Houve busca,
Houve perdão,
Houve salvação,
Houve liberdade,
Houve luz,
Houve RESSURREIÇÃO!..

Ressurreição diária
Que existe na PÁSCOA
Do coração
De quem tem como dogma
Os Mandamentos
Da Justiça Divina!

“Nada além, nada além de uma ilusão, chega bem e é demais para o meu coração”

Mário Lago, Orlando Silva e Custódio Mesquita na capa do disco ...

Lago, Mesquita e Orlando Silva, ensaiando “Nada Além”

Paulo Peres
Poemas & Canções   

O advogado, radialista, teatrólogo, ator, escritor, poeta e compositor carioca Mário Lago (1911-2002), na letra de “Nada Além”, criada com seu parceiro Custódio Mesquita, explica que prefere viver o amor como sendo uma ilusão, a fim de evitar novos sofrimentos. Esse fox-canção teve sua primeira gravação feita por Orlando Silva, em 1938, pela RCA Victor.


NADA ALÉM
Custódio Mesquita e Mário Lago


Nada além

Nada além de uma ilusão
Chega bem
E é demais para o meu coração

Acreditando em tudo que o amor
Mentindo sempre diz
E vou vivendo assim feliz
Na ilusão de ser feliz

Se o amor
Só nos causa sofrimento e dor
É melhor
Bem melhor a ilusão do amor

Eu não quero e não peço
Para o meu coração
Nada além de uma linda ilusão

Importância da adoção de crianças, na visão poética de Thereza Drumond

Novo Sistema Nacional de Adoção amplia ferramentas e deve agilizar processos de adoção (Ilustração).

ilustração reproduzida do Arquivo Google

Paulo Peres
Poemas & Canções

A ativista cultural, professora, escritora e poeta carioca Teresa Drummond mostra, poeticamente, que a “Adoção” de uma criança somente acontece quando o coração ordena.

ADOÇÃO
Teresa Drummond

Quando o coração reclama
o silêncio omisso
equilibrista
e na corda bamba grita
o desassossego…

Quando o coração aflito
se liberta de medos
e em seu espírito urge
o aconchego…

Quando o coração se surpreende
convexo, pleno, sem fronteira
e desponta o seio
da maternidade…

O coração desarma
o mito
e se faz ventre
diante do berço.

“O amor não é o vinho embebedando lençóis”, avisa o poeta Tanussi Cardoso

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (13ª EDIÇÃO) — TANUSSI ...

Tanussi Cardoso, em apresentação no Teatro Cândido Mendes

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, jornalista, escrivão aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), crítico literário, contista, letrista e poeta carioca Tanussi Cardoso, no poema “Cilada”, expõe a sua metafórica definição sobre o amor.

CILADA
Tanussi Cardoso

O amor não é a lua
iluminando o arco-íris
nem a estrela-guia
mirando o oceano

O amor não é o vinho
embebedando lençóis
nem o beijo louco
na boca úmida do dia

O amor não é a vitória
dos navios e dos barcos
nem a paz cavalgando
cavalos alados

O amor é, sobretudo
a faca no laço do laçador
O amor é, exatamente
o tiro no peito do matador

Uma comovente homenagem a Minas Gerais, pelo compositor Marcus Viana

Marcus Viana - Pantanal - YouTubePaulo Peres
Poemas & Canções

O produtor musical, inStrumentista e compositor mineiro Marcus Viana se tornou nacionalmente famoso ao compor e interpretar a trilha sonora da novela “Pantanal”, de Benedito Ruy Barbosa, produzida e exibida pela extinta Rede Manchete. Na letra de “Pátria Minas”, Marcus Viana presta uma criativa e comovente homenagem à sua terra natal.


PÁTRIA MINAS
Marcus Viana

Pátria
Pátria é o fundo do meu quintal
É broa de milho e o gosto de um bom café
Pátria
É cheiro em colo de mãe
É roseira branca que a avó semeou no jardim
E se o mundo é grande demais
Sou carro de boi
Sou canção e paz
Sou montanha entre a terra e o céu
Sou Minas Gerais

Sou Minas Gerais
Sou águas
Montanhas
E um fogão a lenha
A cerâmica
O canto do Jequitinhonha
São igrejas
São minas
É o barroco
Ouro Preto
É a maria fumaça
Êta trem bão mineiro

Diamantina
Caraça
Gruta de Maquiné
Casca d’Anta caindo
Congonhas do Campo
São João Del Rei
Sabará
Tiradentes
Igrejinha da Pampulha
E o Belo Horizonte

Se o mundo é grande demais
Sou carro de boi
Sou canção e paz
Sou caminho entre a terra e o céu
Sou Minas Gerais

“Se voltasse a ser criança, pegaria o sol com as mãos e iluminaria as minhas noites escuras…”

Socorro Lima - Acústico Imaginar - YouTube

Socorro Lima é uma das cantoras mais conhecidas do Nordeste

Paulo Peres
Poemas & Canções

A advogada, pedagoga e poeta pernambucana Socorro Lima Dantas lembra poeticamente seus tempos de criança e diz  o que gostaria de fazer tudo de novo.outra vez.

SE EU VOLTASSE A SER CRIANÇA
Socorro Lima 

Se eu voltasse a ser criança,
viveria tudo o que vivi,
seria mais uma vez a mesma peralta menina
que o papai, às vezes repreendia,
outras, ele sorria de alegria…
e assim, eu viveria duas vezes a minha infância feliz !

Se eu voltasse a ser criança,
subiria nos manguezais, meu preferido local
para estudar e ler entre os galhos
e suas frutas deliciar!
Eu correria pelas ruas descalça,
brincaria de esconde-esconde, pega-pega,
jogaria vôlei de rua, em quadras e redes improvisadas,
e com a ponta dos dedos, dava o passe de toque.

Se eu voltasse a ser criança,
Jogaria bolinhas de gude no vera, prá valer,
bastava um pedacinho do meu chão
para tudo acontecer !
Com as pontas dos dedos,
Pegaria todas as borboletas coloridas
no jardim da mamãe ao entardecer,
e colocaria em meu caderninho,
para a minha coleção abastecer.

Se eu voltasse a ser criança,
sonharia com o arco-íris,
e ficaria horas contando as cores,
e imaginando quem o havia pintado lá no céu,
e queria entender porquê
ele não mudava as suas tonalidades.

Se eu voltasse a ser criança,
escondidinho do papai, pegaria a sua bicicleta
e pedalava livre e solta,
percorreria o caminho das rosas
para colher as mais brilhantes e cheirosas
e na volta, a mamãe ofertaria!

Se eu voltasse a ser criança,
Eu pegaria o sol com as mãos
e iluminaria as minhas noites escuras,
para adormecer sem medo do crepúsculo,
e as minhas borboletas em meu caderninho ver.
E pararia aquele tempo tão lindo
Para viver sempre a criança que fui:
sonhou, brincou, traquinou
e a felicidade da vida ganhou,
e viveria todos os dias, tudo outra vez

“Quem trabalha é que tem direito de viver, pois a terra é de ninguém…”

Paulo Sérgio e Marcos Valle, autores de grandes clássicos da MPB

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, instrumentista, arranjador e compositor carioca Marcos Kostenbader Valle e seu irmão Paulo Sérgio, na letra de “Terra de Ninguém”, retratam a submissão, a injustiça, o sofrimento, a luta, a fé e a esperança que o nordestino carrega em busca de um pedaço de terra para plantar, porque “quem trabalha é que tem / direito de viver / pois a terra é de ninguém”, condições estas que, histórica e politicamente, originaram os Sem-Terra em janeiro de 1984. Esta canção de protesto foi gravada por Elis Regina e Jair Rodrigues no LP Dois Na Bossa, em 1964, pela Philips .

TERRA DE NINGUÉM
Paulo Sérgio e  Marcos Valle

Segue nessa marcha triste
Seu caminho aflito
Leva só saudade
E a injustiça que só lhe foi feita
Desde que nasceu
Pelo mundo inteiro
Que nada lhe deu

Anda, teu caminho é longo
Cheio de incerteza
Tudo é só pobreza
Tudo é só tristeza
Tudo é terra morta
Onde a terra é boa
O senhor é dono
Não deixa passar.

Para no final da tarde
Tomba já cansado
Cai um nordestino
Reza uma oração
Prá voltar um dia
E criar coragem
Prá poder lutar
Pelo que é seu.

Mas…
O dia vai chegar
Que o mundo vai saber
Não se vive sem se dar
Quem trabalha é que tem
Direito de viver
Pois a terra é de ninguém

Nos trilhos da Vera Cruz, na criação de Márcio Borges e Milton Nascimento

Mílton Nascimento, Márcio Borges e …”Jules & Jim” de Truffaut ...

Márcio e MIlton, dois gigantes do Clube de Esquina

Paulo Peres
Poemas & Canções                                                   

O escritor, diretor do Museu do Clube da Esquina e poeta mineiro Márcio Hilton Fragoso Borges explica que a letra de “Vera Cruz”, admite três interpretações, uma vez que, pode ser vista como a mulher amada, como a mulher-pátria ou uma composição ferroviária homônima que fazia o trajeto Belo Horizonte-Rio de Janeiro. A música “Vera Cruz” foi gravada por Milton Nascimento no LP Angelus, em 1993.

VERA CRUZ

Milton Nascimento e Márcio Borges


Hoje foi que a perdi
Mas onde já nem sei
Em Vera me larguei
E deito nessa dor
Meu corpo sem lugar

Ah! Quisera esquecer
A moça que se foi
De nossa Vera Cruz
E o pranto que ficou
Da morte que sonhei
Nas coisas de um olhar

Ah! nos rios me larguei
Correndo sem parar
Buscava Vera Cruz
Nos campos e no mar
Mas ela se soltou
No longe se perdeu

Quero em outra mansidão
Um dia ancorar
E aos ventos me esquecer
Que ao vento me amarrei
E nele vou partir
Atrás de Vera Cruz

Ah! Quisera encontrar
A moça que se foi
No mar de Vera Cruz
E o pranto que ficou
Do norte que perdi
Nas coisas de um olhar

Rubem Braga, se olhando ao espelho de ressaca e vendo o tempo passar…

Sou um homem quieto, o que eu gosto é... Rubem BragaPaulo Peres   Site Poemas & Canções

Considerado o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis, o capixaba Rubem Braga (1913–1990), sempre afirmou que a poesia é necessária, tanto que escreveu vários poemas, entre eles o soneto “Ao Espelho”, no qual retrata uma reflexão pessoal no inexorável passar do tempo. Esta página de poesia é homenagem a Braga, com quem eu e Carlos Newton trabalhamos, na Revista Nacional de Mauritônio Meira.

AO ESPELHO
Rubem Braga

Tu, que não foste belo nem perfeito,
Ora te vejo (e tu me vês) com tédio
E vã melancolia, contrafeito,
Como a um condenado sem remédio.

Evitas meu olhar inquiridor
Fugindo, aos meus dois olhos vermelhos,
Porque já te falece algum valor
Para enfrentar o tédio dos espelhos.

Ontem bebeste em demasia, certo,
Mas não foi, convenhamos, a primeira
Nem a milésima vez que hás bebido.

Volta portanto a cara, vê de perto
A cara, tua cara verdadeira,
Oh, Braga envelhecido, envilecido.

“Até um dia, até talvez, até quem sabe”, numa parceira de João Donato e Lysias Ênio

Resultado de imagem para João Donato e Lysias Enio

Lysias, Donato e a cineasta Tetê Moraes

Paulo Peres00
Site Poemas & Canções

O economista, escritor, poeta e letrista carioca Lysias Enio de Oliveira, na letra de “Até Quem Sabe”, em parceria com seu irmão João Donato, que nasceu no Estado do Acre, fala sobre a esperança de um dia ele e sua amada se entenderem, sem precisarem mais fugir um do outro.  Essa canção foi gravada pelo seu irmão João Donato no LP “Quem é quem”, em 1973, pela ODeon.

ATÉ QUEM SABE
João Donato e Lysias Enio

Até um dia, até talvez, até quem sabe
Até você sem fantasia, sem mais saudade
Agora a gente tão de repente nem mais se entende
Nem mais pretende seguir fingindo, seguir seguindo
Agora vou pra onde for sem mais você
Sem me querer, sem mesmo ser,
sem entender
Vou me beber, vou me perder
pela cidade
Até um dia, até talvez, até quem sabe

A exaltação da ironia como filosofia de vida, na poesia de Raul de Leôni

Veredas da Língua: RAUL DE LEONI - POEMAS | Poemas, Poesia e ...Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta Raul de Leôni (1895-1926), nascido em Petrópolis (RJ) e membro da Academia Brasileira de Letras, faz poeticamente da ironia a sua filosofia.

IRONIA
Raul de Leôni

Ironia! Ironia!
Minha consolação! Minha filosofia!
Imponderável máscara discreta
Dessa infinita dúvida secreta,
Que é a tragédia recôndita do ser!
Muita gente não te há de compreender
E dirá que és renúncia e covardia!
Ironia! Ironia!
És a minha atitude comovida:
O amor-próprio do Espírito, sorrindo!
O pudor da Razão diante da Vida!
 

Um anoitecer realmente apoteótico, na parnasiana visão poética de Raimundo Correia

Se se pudesse o espírito que chora Ver... Raimundo CorreiaPaulo Peres
Poemas & Canções

O magistrado, professor, diplomata e poeta maranhense Raimundo da Mota de Azevedo Correia (1859-1911) descreve o anoitecer, seguindo o estilo parnasiano a que pertencia, estilo  que tem como uma de suas características a descrição de algo que pode ser um objeto, um acontecimento, um fenômeno da natureza, uma paisagem etc.

ANOITECER
Raimundo Correia

Esbraseia o Ocidente na agonia
O sol… Aves em bandos destacados,
Por céus de oiro e de púrpura raiados
Fogem… Fecha-se a pálpebra do dia…

Delineiam-se, além, da serrania
Os vértices de chama aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia…

Um mundo de vapores no ar flutua…
Como uma informe nódoa, avulta e cresce
A sombra à proporção que a luz recua…

A natureza apática esmaece…
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula… Anoitece.