Bolsonaro hoje depende de seus ministros, e alguns já não dependem mais dele

Charge do Sid (site Charge Online)

Pedro do Coutto

O panorama que está no título deste artigo reflete, acredito, a situação política em torno do governo, já que a atuação do presidente da República está sendo marcada por uma série de avanços e recuos que demonstram a forte dependência dos titulares das pastas para manter um equilíbrio mais instável do que estável.

Reportagem de Thais Arbex, Gustavo Maia, Vinicius Sassine e Manoel Ventura, O Globo desta quarta-feira, reflete bem a série de divergências entre o Palácio do Planalto e a Esplanada dos Ministérios. Especialmente os ministros Sérgio Moro e Paulo Guedes, que manifestaram seu apoio ao ministro da Saúde na terça-feira durante a entrevista coordenada pelo General Braga Neto, Chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro.

FALTA DE RUMO – Não fosse esse fato o governo enfrentaria dificuldades ainda maiores daquelas com que hoje se depara. O episódio envolvendo o Diretor-Geral da OMS e o presidente da República reflete nitidamente a falta de rumo que envolve o Palácio do Planalto. Melhor dizendo, entre o Ministro da Saúde e a esfera mais oculta do que aparente, que se manifesta sobre temas que escapam à realidade dos fatos.

Pode se consultar inclusive que colocou na internet uma fala do Ministro Mandetta que não ocorreu. Deve inclusive dizer quais os autores, tarefa do Ministro da Justiça e Segurança Pública. Porque prevalece uma razão lógica, a partir dessa fake news. Se o Ministro da Justiça não agir prontamente, claro, outras fake news poderão surgir no horizonte.

FALSAS MATÉRIAS – O que está acontecendo no quadro político dá margem à preocupação necessária com uma corrente de falsas matérias poderá trilhar outros caminhos criando problemas e bloqueando as soluções.

As redes sociais encontram-se sempre ao alcance de qualquer um e ao mesmo tempo, transforma quem postou os textos num editor de si mesmo, produzindo situações que muitas vezes 24 horas depois podem ser respondidas pela realidade dos fatos. Mas geram dúvidas no início da postagem e tais dúvidas podem promover atritos pessoais e até o descrédito do personagem a quem tais notícias desejam atingir.

MATÉRIA FAKE – Assim surge mais uma preocupação para o governo e para a sociedade brasileira como por exemplo matéria editada no mesmo contexto, atribuida a Paulo Guedes, insinuando a existência de desabastecimento capaz de promover ondas de saques nos supermercados.

Coube, neste caso, ao Ministro Onyx Lorenzoni negar tal risco duplo e mostrar em um vídeo a situação dos supermercados. O Ministro Sérgio Moro, em O Globo, também negou o risco e afastou a imagem de saques em busca de alimentos.

Portanto está se travando uma nova frente de luta. Uma delas, claro, contra o corona vírus. A outra nas sombras do Planalto.

Paulo Guedes anuncia como “novos” os 750 bilhões já consignados no orçamento

Bolsonaro critica Paulo Guedes por proposta de 'imposto sobre ...

Do jeito que Guedes fala, até parece que é “dinheiro novo”

Pedro do Coutto

Em entrevista à imprensa na tarde de ontem, presentes também os ministros Henrique Mandetta e Sérgio Moro, o ministro Paulo Guedes anunciou uma dotação de 750 bilhões de reais para a saúde no sentido de reforçar o combate ao corona vírus. Para a maioria das pessoas, a dotação poderia ser interpretada como nova e adicional.

No entanto, exceto algumas rubricas, como o caso do benefício de 600 reais à famílias e pessoas pobres, tais recursos já se encontram previstos no orçamento federal de 2020.

DÉFICIT PREVISTO – Não poderia ser de outra forma, porque o governo Bolsonaro não poderia injetar esse montante como “dinheiro novo”, porque o déficit previsto na lei de meios é de 220 bilhões.

Portanto, o titular da Economia não poderia tirar coelhos da cartola, como acontece no campo da mágica. Isso seria uma colisão com a lógica dos fatos e dos números. O orçamento federal já em vigor eleva-se ao montante de 3,6 trilhões de reais. Ou seja, somente se poderia falar em tal importância se fossem criadas novas rubricas orçamentárias. Mas não é esse o caso.

ESTRATÉGIA ERRADA – A entrevista de ontem voltou a ser realizada no Palácio do Planalto reunindo mais uma vez ontem o General Braga Netto, chefe da Casa Civil, e os ministros Paulo Guedes, Sérgio Moro e Henrique Mandetta. Assim ocorreu na segunda-feira, aconteceu ontem e vai continuar sendo assim ao longo do tempo. O Ministro Mandetta será uma presença permanente. Permanente também o general Braga Netto.

O lance de dados do Palácio do Planalto em transferir do Edifício da Saúde para suas dependências teve o sentido político de causar alguma inibição a Mandetta, na teoria. Mas na prática não funcionou, porque O Globo e a Folha de São Paulo, edições de ontem, colocaram em suas manchetes a união de pensamento entre Guedes, o próprio Mandetta e Sérgio Moro a favor do isolamento colocado em prática de acordo com o projeto do titular da saúde.

GOVERNO INSISTE – Ficou ruim para o governo a tentativa de desfocar as lentes da população sobre um problema realmente enorme provocado pelo coronavírus. Ontem também, antes da entrevista, o presidente Jair Bolsonaro voltou a repetir seu posicionamento contrário à tese de Mandetta.

Mas o assunto demissão do ministro. que havia sido ventilado na segunda-feira, não foi objeto de novo aviso nesta terça-feira. Inclusive verificou-se na trade de ontem uma situação política curiosa. Dos quatro ministros que participaram da reunião, três pelo menos se tornaram praticamente indemissíveis pela lógica dos fatos: Mandetta, Moro e Guedes.

Se a situação do vírus permanecer a mesma nas próximas semanas Bolsonaro não poderá recorrer à mágica contra a lógica. E sozinho, o presidente da República ingressa na faixa de risco político. 

Qual a motivação de Bolsonaro em querer desconsiderar a atuação do ministro Mandetta?

Humor Político – Rir pra não chorar | Página 189

Charge doi Amarildo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O Globo e a Folha de São Paulo, edições desta segunda-feira, dia 30, publicaram em suas manchetes principais a atitude do presidente Jair Bolsonaro em contrariar as recomendações do ministro da Saúde, Henrique Mandetta, do isolamento social e da lógica de evitar aglomerações. O presidente da República fez exatamente o contrário, foi a Ceilândia, cidade satélite de Brasília e fez selfies entre várias pessoas, uma delas com uma criança no colo.

Repetiu assim o que havia feito recentemente no domingo dia 15, na manifestação diante do Palácio do Planalto.

ISOLADO DA REALIDADE – Não há como explicar essa atitude de Bolsonaro, sobretudo porque ele se isolou da realidade de hoje e colidiu com os princípios e providências tomadas por todos os países atingidos pela circulação do coronavírus.

Por falar em todos os países, os grandes jornais do mundo condenaram e se demonstraram surpresos com o comportamento de um presidente da República que, por inciativa própria, se expõe ao risco de uma contaminação, não só a dele como a dos outros que o rodeavam.

Havia um grande número de pessoas em torno do presidente. Percorreu também várias outras localidades da capital. Foi um desastre em matéria de comentários internacionais.

UM ERRO GROTESCO – O reflexo na imprensa estrangeira quanto à atitude de Bolsonaro ressalta com bastante nitidez o erro cometido, capaz até de aumentar a contaminação do vírus na capital do país.

Assim, o presidente Jair Bolsonaro isolou-se ainda mais, ficando absolutamente desgastado com as manifestações repetidas e desaconselhadas pelo ministro Henrique Mandetta.

Ontem, em entrevista coletiva da qual participaram vários ministros, inclusive o general Braga Neto, Chefe da Casa Civil, o ministro da Saúde reafirmou sua recomendação no sentido do isolamento das pessoas e acentuou que suas providências inspiram-se em critérios científicos e técnicos, os quais estão distantes de comportamentos políticos.

No meio da entrevista diante de uma pergunta da jornalista Delis Ortiz, da Rede Globo, sobre sua permanência no cargo que ocupa, o general Braga Neto entrou em ação dizendo que esta hipótese é absolutamente rejeitada.

NOVA REALIDADE – Dessa forma, estabeleceu-se uma nova realidade, esta política, revelando que o governo necessita da presença de Mandetta, da mesma forma que necessita de Sérgio Moro e Paulo Guedes.

O titular da Economia reviu a posição que adotara inicialmente, ao colocar o funcionamento do Economia acima da exigência fundamental das ações do Ministério da Saúde. Agora, passou a admitir que sem saúde a economia não pode funcionar.

Com a entrevista de ontem formou-se um novo panorama que tanto poderá ser marcado pelo recuo de Jair Bolsonaro, ou então por uma nova atitude descontrolada. Temos que aguardar. Porém, de qualquer forma, o presidente da República se expôs como personagem principal de uma situação de absurdo. O ministro Henrique Mandetta não recuou. Seria inclusive um absurdo na sua orientação traçada para combater o vírus que ameaça a vida humana.

Problema urgentíssimo: abastecer de alimentos as favelas do Rio e de todo o país

A sociedade civil já começou a distribuir alimentos aos pobres

Pedro do Coutto

A manchete principal da edição da Folha de São Paulo deste domingo sintetizou o grande problema nas comunidades pobres que nesta altura da pandemia necessitam obter mantimentos para sua sobrevivência. O desafio colocado para as autoridades representa praticamente uma medida até de sobrevivência para famílias pobres residentes em favelas. Existem no Rio de Janeiro grandes áreas ocupadas por moradias nos morros e também em áreas planas como é o caso do Complexo da Maré. O quadro assim revela que uma iniciativa do governo necessita ser tomada com urgência, pois caso contrário moradores de favelas irão descer para conseguir alimentos nos supermercados.

As comunidades não existem somente no Rio de Janeiro, ao contrário, espalham-se pelo país. Na cidade do Rio de Janeiro cerca de 2 milhões de pessoas vivem nessas áreas críticas.

CRISE HABITACIONAL – No Brasil o déficit habitacional encontra-se na escala de 7,75 milhões de residências onde residem 33 milhões de pessoas, 15% da própria população brasileira.

Ontem, enquanto o ministro Henrique Mandeta reiterava mais uma vez a necessidade das pessoas permanecerem em suas residências evitando aglomerações, o presidente Jair Bolsonaro visitava a Ceilândia, cidade satélite de Brasilia e cumprimentava grupos de pessoas nas ruas daquela localidade.

Como se verifica, enquanto o ministro da Saúde diz uma coisa, o presidente da República age exatamente na forma oposta. Não se entende assim a predominância de um choque refletido nos meios de comunicação que focalizaram o encontro de Bolsonaro com populares.

POSIÇÕES ANTAGÔNICAS – O Ministro Mandeta retomou sua posição original em relação a pandemia. Jair Bolsonaro repetiu os gestos que trocou ha uma semana atrás com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada. A distonia está caracterizada.

A respeito da distonia, vale a pena ler a entrevista do general Hamilton Mourão, de página e meia, na qual deu ênfase ao que ele próprio classificou da falta de coordenação em torno do problema do coronavírus. Como a entrevista saiu ontem, o general Hamilton Mourão, mesmo sem bola de cristal focalizou a desconexão que atrapalha o combate ao surto virótico que está atingindo o mundo inteiro.

O panorama por enquanto é esse. Todos nós devemos esperar que o governo federal adote um novo rumo capaz de enfrentar o ataque do coronavírus.

Como concretizar o projeto do governo para distribuir 600 reais a 25 milhões de pessoas?

TRIBUNA DA INTERNET | Archives | 2019 | agosto | Page 11

Charge do Valdo Virgo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O governo Bolsonaro pretende distribuir 600 reais por mês a 25 milhões de trabalhadores sem vínculo empregatício. Como será que realizará este projeto durante os três meses previstos? Destinar 40 bilhões de reais para que pequenas e médias empresas não constitui problema, tarefa fácil através dos registros existentes. Em contrapartida as empresas não demitirão seus empregados.

Mas distribuir diretamente 600 reais por mês a 25 milhões de pessoas é uma tarefa que exige um sério esquema de entrega do dinheiro, um suporte logístico. Afinal há problemas, a meu ver especialmente quanto a entrega dos recursos.

IDEIA EQUIVOCADA – Pensar que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal podem concretizar essa distribuição é uma ideia equivocada. Seguir por CPF não é uma iniciativa eficiente. É preciso considerar que essas 25 milhões de pessoas, homens e mulheres encontram-se numa série de estados brasileiros. Depósito em conta bancária exige que os beneficiados tenham conta em seu nome. Isso não ocorre em grande parte dos casos. Portanto, o depósito em conta corrente enfrentará problemas.

Enviar cheques é extremamente problemático, ao logo de três meses, pelas contas do próprio governo, seriam 75 milhões desse tipo de pagamento. Tarefa impossível na minha opinião porque os cheques, pela lei em vigor, tem de ser nominativos. Então vamos dar uma olhada na hipótese de os alcançados pela medida comparecerem a bancos para receber o dinheiro.

ABRANGÊNCIA NACIONAL – A Caixa Econômica Federal por sua abrangência em todos os municípios seria o canal capaz de entregar a quantia nas mãos dos beneficiados. O Banco do Brasil poderia ser também outro caminho, mas de qualquer forma a tarefa é simplesmente gigantesca e exige um esquema bastante rígido.

Um esquema, por exemplo, capaz de identificar prontamente a iniciativa de pessoas apresentarem dados falsos. Os que defendem o projeto consideram inevitável a tentativa de fraude. Mas argumentam que o risco existe porém é melhor enfrentá-lo do que não destinar os 600 reais àqueles que necessitaram recebê-lo. No entanto, a dificuldade de implantar um projeto legítimo permanece em torno da iniciativa. 

INSCRIÇÃO VÁLIDA – O governo necessita divulgar como será feita a entrega de três parcelas mensais àqueles que passam a ter direito a elas.

No caso das pessoas possuírem algum outro benefício, como é o caso da inscrição no Bolsa Família, há necessidade de se evitar que recebam duplamente o benefício original daquele que será agora implantado. É verdade que muitas pessoas vão partir em busca dos 600 reais sem informar que recebem o Bolsa Família. Claro, o governo tem de impedir a duplicidade. Terá de confrontar pelo CPF para evitar o recebimento duplo.

Enfim, vamos aguardar o projeto concreto do governo, que terá que transformar a ideia em realidade. 

Afirmações surpreendentes do presidente Bolsonaro prejudicam a sua própria imagem

Bolsonaro vai fazer novo teste de coronavírus nesta terça-feira ...

Bolsonaro usa máscara nas lives, m menospreza o vírus

Pedro do Coutto

Reportagem de Gustavo Uribe e Daniel Carvalho, Folha de São Paulo desta sexta-feira, coloca em destaque afirmação feita pelo presidente Bolsonaro na noite de quinta-feira. Falando a um grupo de jornalistas, optou por tentar minimizar, mais uma vez, a pandemia de coronavirus. Ele afirmou que o brasileiro tem que ser estudado. “Ele não pega nada. Você vê o cara pulando até em esgoto e não pega nada”, assinalou.

Essas afirmações em série causam desgaste tanto ao presidente quanto ao governo. Não foi por acaso, por exemplo, que o general Hamilton Mourão afirmou que Bolsonaro não havia explicado bem a situação em relação à crise virótica.

ISOLAMENTO DE BOLSONARO – Também na Folha, de acordo com matéria de Igor Gielow ressalta que as correntes bolsonaristas estão demonstrando preocupação com o isolamento de Jair Bolsonaro no quadro político. Na minha opinião o isolamento foi causado pelo próprio Palácio do Planalto.

Se o presidente da República tivesse um diálogo aberto com os setores político partidários, não estaria enfrentando as dificuldades que enfrenta hoje. Isso de um lado. De outro, sua agenda de reformas produzidas pelo ministro da Economia, encontram obstáculos decorrentes da falta de uma ponte entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.

HÁ AFASTAMENTOS – Não que Bolsonaro fosse obrigado a politizar ao máximo sua administração. Mas que observasse a necessidade de um diálogo mais próximo entre as frentes que se formaram na sua vitoriosa campanha eleitoral e que no momento se afastam dele.  É o caso do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, autor da indicação de Henrique Mandetta para o Ministério da Saúde.

De forma surpreendente, o presidente da República afirmou-se contrário ao isolamento social adotado pelos países atacados pelo coronavírus. Ontem, vale frisar, o prefeito de Milão, em uma entrevista transmitida pela televisão, pediu desculpas à população milanesa por não ter estabelecido as restrições à movimentação das pessoas. Aliás, o governo italiano custou a reconhecer a gravidade real da pandemia. 

TRUMP ENFIM SE MEXE – Os EUA são outro exemplo. O presidente Donald Trump terminou enviando ao Congresso, que já aprovou, projeto de lei permitindo que ele canalizasse para as empresas e pessoas atingidas um maior desembolso financeiro da história da humanidade. Dois trilhões de dólares superam até o PIB brasileiro, que se encontra na escala de 1 trilhão e 400 bilhões de dólares. A pandemia avançou tanto que causou alarme à população norte americana.

Aqui no Brasil Jair Bolsonaro propôs o repasse de 600 reais a cada trabalhador informal cuja renda mensal está em torno de 2.000 reais. E essa quantia de 2.000 reais – deve- se acentuar – é a escala em que se incluem metade dos brasileiros e brasileiras.

Jair Bolsonaro já está isolado no país e também na comunidade internacional

Bolsonaro está isolado e pode sofrer impeachment, diz o aliado ...

Jair Bolsonaro tenta desconhecer a gravidade desta pandemia 

Pedro do Coutto

Com o pronunciamento que fez combatendo as medidas estabelecidas pelos governadores no sentido de suspender as atividades normais e evitar o coronavirus, o presidente Jair Bolsonaro ficou isolado no país, uma vez que 26 governadores rejeitaram sua proposta de liberar o trabalho e a movimentação das pessoas. Só não participou da reunião o governador do Distrito Federal. Porém na tarde de ontem assinou o documento conjunto. Esse episódio foi destacado pela reportagem de Andre de Souza, Leandro Prazeres, Renata Mariz e Paula Ferreira, O Globo desta quinta-feira.

Formou-se um movimento em cadeia incluindo não só os governadores mas também políticos, estendendo-se as restrições ao general Hamilton Mourão, vice-presidente da República.

DUAS OPINIÕES – Uma contradição está sendo destacada. O posicionamento defendido por Bolsonaro colide com as primeiras afirmações do ministro da Saúde, Henrique Mandetta. O ministro tentou evoluir para uma solução intermediária mas não encontrou respaldo. Assim criou-se uma situação paradoxal: os governadores apoiam a primeira posição assumida por Mandetta. E afirmaram-se contrários à recomendação do presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro não ficou somente isolado, como disse há pouco, no plano interno. Todos os governos dos países que enfrentam a pandemia estabeleceram exatamente as medidas determinadas por Mandetta logo que a crise se instalou no Brasil. Vale citar a posição do presidente Donald Trump que alterou sua primeira visão e obteve do Congresso um crédito extraordinário de 2 trilhões de dólares para enfrentar tanto a contaminação quanto os efeitos dela.

Entre as soluções que adotou inclui-se a distribuição de recursos financeiros para manter os empregos e ao mesmo tempo oferecer um planejamento para neutralizar o coronavirus.

MAIS GASTO PÚBLICO – Uma outra reportagem, publicada em O Globo de autoria de João Sorima Neto, Pedro Cafetti e Cássia Almeida focaliza opiniões de diversos economistas que propõem uma política de maior gasto público tanto com empresas quanto aos trabalhadores. Isso de um lado. De outro, a proposta de incluir no auxílio de emergência aqueles que trabalham sem vínculo empregatício.

Mas quanto a estes, na minha opinião será quase impossível realizar-se tal distribuição. Improvável porque como poderá o governo cadastrar todos aqueles que trabalham nesse sistema. São milhões de pessoas, de acordo com IBGE, 30% da mão de obra ativa brasileira. Estou falando de 35 milhões de autônomos e daqueles que realizam pequenos trabalhos.

Verifica-se aí uma situação curiosa. Aqueles que sustentam a tese do livre mercado para equilibrar o problema social, contrários à intervenção do Estado passam a ser favoráveis.

CADÊ O DINHEIRO? – Mas não é só essa a questão. Onde está o dinheiro para que o universo estatal possa realizar tal distribuição. Mesmo aquela proposta pelo deputado Rodrigo Maia de liberar 500 reais por mês aos sem vínculo e também agora sem conseguirem desenvolver suas atividades profissionais. Refiro-me a todos os que conseguem se sustentar com vendas nas ruas ou então em outras atividades desvinculadas das relações de emprego.

O isolamento de Jair Bolsonaro ao que parece vai se tornar um problema muito grave. Nenhuma crise desse tipo pode durar por muito tempo sem que haja um corte ou uma ruptura no tecido político institucional. 

Crise política chega à exasperação e tem de haver um choque, numa direção ou noutra

Resultado de imagem para bolsonaro

Esta crise tem nome e chama-se Jair Messias Bolsonaro

Pedro do Coutto

A crise desencadeada entre o presidente Jair Bolsonaro e os governadores dos estados, principalmente o de São Paulo, não pode ter uma longa duração e tampouco se afastar de um ponto crítico capaz até de levar a algum tipo de ruptura. Pelo contrário, precisa ter um limite que não pode ser muito longe do clima criado no decorrer de ontem, quarta-feira.

Não é possível que o país permaneça longo tempo vivendo dentro do choque entre o Palácio do Planalto e os governos estaduais. Não só os estaduais, mas também os municipais que lançaram documento defendendo as recomendações da Organização Mundial da Saúde que recomendam a suspensão da maior parte das atividades como forma de conter o coronavirus.

QUADRO INSTITUCIONAL – Inclusive, como foi amplamente divulgado, o choque entre Bolsonaro e João Dória afetou fortemente o quadro institucional, na medida em que pela primeira vez um governador como João Dória revela-se praticamente um porta-voz de tantos outros chefes de Executivos estaduais.

Desse episódio pode se dizer que ele no fundo antecipa o debate em torno da sucessão presidencial de 2022. Mas não é somente esta questão.

A discussão essencial envolve critérios para combater a pandemia e ilumina fortemente a contradição entre a posição do presidente Bolsonaro e a do ministro da Saúde, Henrique Mandeta.

SAÍDE DE MANDETTA? – A brigalhadas levou a uma série de comentários sobre a perspectiva de MandetTa deixar o governo, uma vez que foi indicação do governador Ronaldo Caiado, que, por sua vez anunciou, rompimento com o presidente da República, recorrendo até a termos fortes na medida em que avistava no meio da onda a condição de “incompetente”, definir a atuação do chefe do governo.

Na realidade, nesta quarta-feira o ministro Mandetta anunciou que vai permanecer no governo, como abordou na entrevista coletiva a imprensa na tarde de ontem.

BUSCA DE EQUILÍBRIO – Mandetta, cuja saída era vista como um desastre de grandes proporções para o governo federal, tentou no encontro com jornalistas, transmitido pela televisão, uma fórmula capaz de equilibrar a colocação do presidente da República com o pensamento dos governadores.

O titular da Saúde foi hábil na colocação, mas adotar o que Bolsonaro propõe seria reconhecer que ele, Mandetta, era um dos defensores da medida que suspendia atividades com as quais o chefe do Executivo federal não concorda. Isso equivale a uma contradição entre as muitas contradições envolvendo o Palácio do Planalto e os governos dos estados e municípios.

Vale lembrar que a frente municipal que congrega os prefeitos divulgou documento defendendo a posição adotada pela Organização Mundial de Sáude.

Além de tudo isso no anoitecer de ontem, o vice presidente Hamilton Mourão afirmou que o presidente Bolsonaro não havia se expressado bem na noite de terça-feira quando falou ao país através de cadeia nacional de televisão. A expressão usada por Mourão, sem dúvida alguma, abala o relacionamento do presidente da República com as bases mais próximas de sua confiança.

Estamos atravessando, digo eu, um período de exasperação. Nenhum período desse tipo pode se alongar no indefinidamente. Tem de haver um choque numa direção ou em outra.

Paulo Guedes e Roberto Campos Neto voam ao lado do doce pássaro da fantasia

Resultado de imagem para paulo guedes e roberto campos neto

Campo Neto e Paulo Guedes reforçaram o caixa dos bancos

Pedro do Coutto

O título é inspirado em uma peça de Tennessee Williams. As matérias referindo-se ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, estão contidas em duas reportagens na edição de O Globo desta terça-feira. A primeira é de Marcelo Correia, Geralda Doca e Gustavo Maia. A segunda é de Gabriel Shinohara. Os personagens voam ao lado do doce pássaro da fantasia e da ilusão, muito distantes da realidade dos fatos.

Depois de ter redigido erradamente a medida Provisória que o presidente Jair Bolsonaro assinou sem ler e foi obrigado a refazê-la, o ministro Guedes afirma que o governo trabalha para publicar nova versão do texto, cujo objetivo principal, para ele, é preservar empregos. Essa não.

DISSE GUEDES – O ministro afirmou que o primeiro texto de fato foi mal redigido e que a nova versão vai incluir uma redução salarial de 1/3 dos atuais vencimentos dos empregados. Os empregadores arcarão com 1/3 e o governo com outro terço. Assim, quem ganha por exemplo R$ 2.100, receberá R$ 700 da empresa, outros R$ 700 do governo e sofreria redução de R$ 700.

Como os leitores já sentiram, a ideia é completamente absurda. Como poderia o governo realizar uma folha de pagamento envolvendo praticamente 100 milhões de trabalhadores? Ainda que isso pudesse ser feito, o efeito da redução salarial prevista por Paulo Guedes derrubaria o consumo, arrecadação de tributos e a do INSS, atingindo ainda os 8% do FGTS. 

MENOR ARRECADAÇÃO – Como se constata, caso a medida entre em vigor, a arrecadação de Imposto de Renda sofrerá forte diminuição. O mesmo se aplicaria ao imposto sobre o consumo, arrecadado pelo ICMS dos Estados. Incrível. Custa crer que um homem altamente especializado na matéria econômico-financeira possa aceitar uma situação como a que está proposta.

A fantasia e a ilusão são passageiras do projeto do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Anunciou que está concluindo a elaboração de medidas que terão impacto de 1 trilhão e 200 bilhões de reais.

Esse montante equivale a 1/3 do orçamento federal para este ano, previsto em 3,6 trilhões de reais. Campos Neto revela o projeto de reduzir o depósito compulsório aplicado aos bancos, hoje na escala de 25% dos depósitos dos correntistas. O compulsório passaria a ser de 17%.

JOGO DOS NÚMEROS – Para o economista do BC, esse lance de dados deve liberar 68 bilhões para a economia, uma vez que os bancos teriam mais recursos para emprestar a seus clientes. Qual a distância entre esses 68 bilhões e 1 trilhão e 200 bilhões de reais? Vale a pena lembrar que o ministro Paulo Guedes, no início do governo Bolsonaro, anunciou uma economia de 1 trilhão de reais ao longo de 10 anos valendo portanto 100 bilhões a cada exercício. O presidente do Banco Central voa na ilusão até aterrissar na realidade.

Paulo Guedes e Roberto Campos Neto estão iludidos. Se o governo não tem recursos para cobrir o déficit da Previdência Social, calculado em 244 bilhões este ano, como poderiam injetar recursos financeiros para assumir o pagamento de 1/3 dos salários e muito menos lançar a nuvem da ilusão a todo o país?15

Ao proteger as empresas. Paulo Guedes quase leva Bolsonaro a um novo precipício

Resultado de imagem para paulo guedes charges

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Na tarde de ontem, na GloboNews, a jornalista Natuza Nery revelou que o presidente Jair Bolsonaro recuou e alterou a medida provisória que havia assinado pela manhã permitindo a redução de salários por quatro meses, a fim de evitar um novo ciclo de desemprego no país.

Ainda pela manhã, outra jornalista, Miriam Leitão, no mesmo canal, criticou a medida, afirmando que ela favorecia acentuadamente as empresas e prejudicavam os trabalhadores.

REAÇÃO GENERALIZADA – Quando a MP foi divulgada, verificou-se uma reação generalizada contra tal absurdo, cuja intensidade levou o presidente da República a recuar. O ato do chefe do Executivo durou, assim, em torno de cinco a seis horas de um texto para outro.

A redução de vencimentos não havia sido acompanhada do não pagamento de impostos, prestações de casa própria, tampouco alugueis. Dessa forma, os assalariados de modo geral na verdade não teriam como pagar os compromissos inadiáveis a cada mês.

O caso que ia sendo criado teria um efeito extremamente negativo no país, pois enquanto os salários estivessem bloqueados, a pergunta lógica que se faz é óbvia: como poderiam comprar os alimentos necessários a sobrevivência das crianças que evidentemente dependem de seus pais?

HAVERIA SAQUES – Na minha opinião, tal ato, de tão absurdo que era, provocaria indiretamente à realização de tentativas de saques nos supermercados. A fome seria uma consequência absolutamente lógica do corte projetado para durar quatro meses.

Essa consequência lógica, no entanto, não foi sequer configurada pelo ministro Paulo Guedes e por sua equipe de economistas que possuem importantes diplomas até em universidades norte-americanas. Assim, conhecem profundamente bem as teorias econômicas, mas ignoram a importância da população escalonada em níveis de rendimento baixíssimos. O projeto econômico desencadearia uma torrente de fatos críticos.

ABANDONO TOTAL – A população na verdade não teria dinheiro para se alimentar e, ainda por cima não poderia adquirir remédios indispensáveis sobretudo no momento em que o Brasil enfrenta a gravíssima pandemia do coronavírus.

Isso de um lado. De outro a total falta de sensibilidade característica daqueles que só visam governar para as empresas, o que, no caso, seria desgovernar para mais de 200 milhões de brasileiros. Na noite de domingo houve panelaços em áreas de classe média e alta. Sinal de alarme para o Palácio do Planalto.

Reflexões sobre coronavirus, redes sociais, novas eleitorais e duração de mandatos

Resultado de imagem para coronavirus charges

Charge do Duke (dukechargista.com)

Pedro do Coutto

O ministro Henrique Mandetta, cuja atuação excelente é reconhecida por todos, recomendou neste domingo o adiamento das eleições de 3 de outubro em função da pandemia do coronavírus e seus reflexos tanto nas campanhas eleitorais quanto a colocação dos votos nas urnas eletrônicas.

A recomendação do titular da Saúde tem base na hipótese provável de que a pandemia só comece a declinar a partir do mês de julho.

NO REINO UNIDO – Essa providência de noventa dias foi formulada pelo governo do Reino Unido. Mas é possível que ocorra em vários outros países. A prova da dificuldade do combate ao vírus encontra-se no fato de o governo brasileiro ter proposto ao Comitê Olímpico Internacional o adiamento da Olimpíada de Tóquio, cujo início está marcado para o período de junho/julho.

Aliás, falando em eleições, na minha opinião a pandemia vai alterar o estilo da campanha eleitoral entre nós, deslocando-a substancialmente pela Internet. A respeito desse ponto devemos reconhecer que as redes sociais em 2018 marcaram fortemente a luta pelos votos, funcionando de forma extraordinariamente eficiente a conquista do sufrágio popular.

REDES SOCIAIS – Com maior dose de razão até as eleições municipais vão se desenrolar também sob essa influência. O cuidado com as fake news têm de ser o máximo possível, uma vez que o próprio ministro MandeTta queixou-se na entrevista de ontem da colocação de notícias absurdas no universo digital.

Isso porque as convenções partidárias reúnem sempre encontros com grande número de pessoas, aglomeradas e portanto capazes de gerar problemas graves em matéria de contaminação. Além das convenções existem ainda a distribuição da propaganda e a própria realização de encontros nas seções eleitorais no dia da votação.

Entretanto, se as eleições forem adiadas a legislação política terá de sofrer alterações na hipótese de o ciclo do vírus encerrar-se, digamos, no próprio mês de outubro.

DURAÇÃO DOS MANDATOS – Se assim for não há problema quanto a duração dos mandatos dos atuais prefeitos e vereadores. Porém, se o ciclo encerrar-se para depois de dezembro deste ano, a posse dos eleitos terá de ser realizada a partir de janeiro de 2021. Neste caso, qual poderá ser a solução? Ampliar os mandatos daqueles que se encontram no exercício? Eis aí um caso a ser estudado detidamente.

De qualquer forma, uma decisão deverá ser estudada para a hipótese de as urnas serem abertas depois de superada a pandemia. Os partidos, da mesma forma que o Tribunal Superior Eleitoral, já devem começar a examinar as hipóteses possíveis.

Dentro de tal panorama, os projetos de reforma administrativa e tributária terão que ser adiados, porque não há no momento clima para o debate profundo sobre tais mudanças estruturantes que o governo Jair Bolsonaro pretende implantar no país.

Presidente e os governadores precisam se entender para o combate ao coronavirus

Presidente apareceu mascarado durante coletiva do imprensa com Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, no Palácio do Planalto, na última sexta-feira Foto: Pablo Jacob

O governo federal e os estaduais ainda estão batendo cabeça

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro editou neste sábado uma medida provisória estabelecendo os limites que considera adequados para o fluxo de transporte de passageiros e de cargas no sentido de enfrentar a pandemia que se tornou uma ameaça mundial. Como a reportagem de O Globo de ontem assinalou, havia divergências entre o palácio do Planalto e os governadores do Rio de Janeiro e São Paulo, Wilson Witzel e João Dória.

Na minha opinião não seve discutir, como aconteceu em 1922, se o mosquito era federal, estadual ou municipal. A lição que Oswaldo Cruz deixou na história deve servir de exemplo quase cem anos depois.

PONTOS CRÍTICOS – O Globo mobilizou equipe de repórteres para focalizar e apontar os pontos críticos das divergências. Tenho a impressão que o problema deve ser solucionado à base de aproximações sucessivas, clássico recurso para que se estabeleça no final um denominador comum.

O desafio de enfrentar a pandemia deve unir a todos, sobretudo porque o vírus circula na atmosfera e por aí constitui uma ameaça a toda a população. O vírus, como pesquisadores já destacaram, terá uma escala de subida nas duas próximas semanas. s poderes públicos não podem vacilar nem confrontar-se à base de que alguns estão certos e outros errados.

REGRAS E EXCEÇÕES – Junto com a medida provisória dos transportes, o presidente da República assinou decreto especificando um elenco de determinações complementares. Mas o que eu penso é que regras só rígidas não resolvem, isso porque em primeiro lugar toda regra tem exceção e em segundo lugar existem especificidades que nem sempre estão incluídas nos regulamentos. Portanto, há que se distinguir pequenos pontos de divergência para em seguida equacioná-los devidamente. Outro caminho não faz sentido.

O fundamental agora é nos prepararmos para continuar o combate a pandemia. Acima de impulsos do presidente ou dos governadores encontra-se a vida humana.

Proposta de Guedes para cortar salários durante a pandemia é um absurdo total

Resultado de imagem para cortar salários charges

Charge reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Reportagem de Marcelo Correia, Manoel Ventura , Henrique Gomes Batista e João Sorima Neto, em O Globo de sexta-feira, revela que o governo federal tem projeto para conceder complemento de renda aos trabalhadores que tiverem salário reduzido. A informação partiu do Ministério da Economia e o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, disse que as ações buscam preservar empregos, inclusive o governo pagará os primeiros 15 dias do afastamento daqueles que forem atingidos.

Uma contradição: a despesa prevista para o governo federal é de 179,6 bilhões de reais. A iniciativa, se aprovada for, prevê redução de até 50%.

DUPLA TORMENTA – No meio da tempestade, digo eu, é um absurdo desencadear-se mais uma tormenta cujos reflexos são imprevisíveis. A previsão é de que o corte se estenderá aos trabalhadores que recebem até dois salários mínimos. Praticamente vai abranger 1/3 da força de trabalho, já formada por uma ampla faixa daqueles que trabalham sem carteira assinada. Sem a carteira assinada, como poderão esses empregados serem cadastrados? Mas a questão não termina aí.

A pergunta é como poderá ser montado um esquema dentro do projeto elaborado pelo Ministério da Economia? O caso é extremamente complexo, até porque como será paga a contribuição ao INSS os trabalhadores cujo afastamento pode atingir. O mecanismo previsto no papel ou na tela do computador é uma coisa, mas na realidade prática é outra.

TEMPOS DIFÍCEIS – Além do mais a população brasileira está enfrentando tempos difíceis em face da gravidade do coronavírus. Em cima desse panorama, ainda vai desabar mais o corte de jornada e salários?

Além disso, cortar vencimentos, colocando os trabalhadores num seguro desemprego forçado, não resolverá nada de positivo no complexo econômico social do país. A adoção da ideia depende de aprovação de emenda constitucional pelo Congresso. Aprovar tal matéria é extremamente difícil.

Assim, além do choque causado pela notícia os efeitos políticos vão se fazer sentir. Aliás já começaram.

No meio da tempestade da pandemia coronavírus, Congresso não pode votar reformas

Resultado de imagem para rodrigo maia

Rodrigo Maia diz que a pandemia é sua única prioridade

Pedro do Coutto

O Congresso aprovou o estado de calamidade no país para permitir medidas de emergência a serem executadas pelo governo de sentido imediato, mas na minha opinião não pode votar as reformas consideradas estruturantes, uma vez que gerariam mudanças profundas nas relações de trabalho, tanto no setor público quanto no universo privado.

Nesse caso incluem-se, por exemplo, as reformas administrativa e tributária. Duas matérias extremamente complexas, que requerem assim estudos e debates de profundidade.

PERDENDO APOIO – O governo Bolsonaro, acentua Fabio Zanini na Folha de São Paulo de quarta-feira, perdeu apoios de setores até conservadores depois de sua atitude indo ao encontro em Brasília de manifestantes que apoiavam seu governo, mas atacavam o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.

Dessa forma ele assustou setores principalmente do centro, mais perto do pensamento conservador do que do pensamento reformista. O impasse assim continua no país, sem uma perspectiva da aprovação de um denominador comum que focasse, dentro da visão capitalista, os temas capazes de aproximar o capital e o trabalho. Mas essa é outra questão.

PROPOSTA DE GUEDES – O fato, também segundo a Folha, parte de um estudo do Palácio do Planalto, colocado é claro pelo ministro Paulo Guedes, permitindo a suspensão de contratos de trabalho e destinando 200 reais por mês aos trabalhadores informais. A suspensão dos contratos de trabalho, por aí percebe-se a dificuldade, seria aplicada aos empregados de empresas privadas, que passariam a receber seguro desemprego durante 60 dias.

Acredito ser impossível aprovar tal medida, sobretudo porque o seguro desemprego, como é natural tem um valor muito menor do que os vencimentos mensais dos trabalhadores de carteira assinada. Não quero dizer com isso que os empregados ganhem muito, mas principalmente chamar atenção para o pequeno valor do seguro desemprego.

FASE DIFICÍLIMA – Estamos atravessando um período que se apresenta cada vez mais difícil. Basta assinalar a queda nas atividades econômicas causada pela retração que a sociedade brasileira vem enfrentando refletida diretamente no consumo.

O pagamento de 200 reais mensais aos trabalhadores informais é algo muito difícil de ser colocado em prática pelos riscos que podem surgir à base de informações falsas. Dentro desse panorama a população brasileira está enfrentando uma tempestade. Será difícil livrar-se dela.

Bolsonaro condena isolamento, mas quem se isolou politicamente foi ele próprio

Resultado de imagem para bolsonaro hoje

Bolsonaro acredita que existe um golpe para derrubá-lo

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro – Folha de São Paulo de terça-feira – condenou seu isolamento político com base no fato de o deputado Rodrigo maia, o senador Davi Alcolumbre e o presidente do Supremo, Dias Toffoli, terem se reunido na segunda-feira, com sua ausência, para acertar medidas comuns destinadas a enfrentar a pandemia do coronavírus.

O presidente da República disse que tal isolamento seria o início de um processo de golpe contra ele. Mas os três que se encontraram fizeram declaração conjunta dizendo que o poder Executivo estava representado pelo ministro da Saúde, Henrique Mandetta.

INICIATIVA FOI DELE – Bolsonaro queixou-se do isolamento mas esqueceu que quem iniciou um processo nesse sentido foi ele próprio ao participar em Brasília da manifestação de 15 de março contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Este fato mascou apenas um começo sinalizador da proximidade de etapas críticas daqui para a frente. Sombras, portanto, voltaram a envolver a Esplanada dos Ministérios.

De outro lado, enquanto o ministro Mandetta divulgava uma lista de procedimentos no sentido de bloquear ao máximo a contaminação causada pelo vírus, Jair Bolsonaro, domingo passado, agia publicamente de modo contrário, aproximando-se a curta distância de manifestantes que o apoiam.

CAUSOU SURPRESA – A iniciativa de Bolsonaro causou surpresa, porque o ministro da Saúde havia traçado comportamentos exatamente no sentido oposto ao daquele assumido por Bolsonaro diante do Planalto. E dias antes Bolsonaro e Mandetta gravaram mensagens à nação usando máscaras cirúrgicas.

O isolamento político deixa um vazio inevitável na escala do poder, vazio esse que habita na forte contradição da política do governo para a saúde, com a atitude de risco ostensivamente assumida pelo chefe do Executivo. Será que ele não foi avisado desse choque de ideias por integrantes de sua assessoria pessoal?

Eis aqui um fenômeno importante na medida em que o Palácio do Planalto revela-se numa posição oposta à estabelecida, não só pelo Ministério da Saúde, mas por todos os governadores, prefeitos, secretários estaduais e municipais e por uma extensa equipe de especialistas na matéria.

CONTRADIÇÃO TOTAL – A política não oficial de Bolsonaro, portanto, colide com as diretrizes oficiais do governo. O que se verificou foi exatamente uma ação pública do presidente contra a política anunciada pelo governo, que todos pensavam contar com o apoio de Jair Bolsonaro.

O episódio, sob o ângulo político e da comunicação pública, foi um desastre para o palácio do Planalto, que ficou isolado, isso sim, na própria Esplanada dos Ministérios, e em Brasília o choque ficou marcado como uma etapa bastante crítica atingindo o presidente da República.

Ao apoiar a manifestação em Brasília, Bolsonaro mostra que a democracia está de novo em risco

Resultado de imagem para Bolsonaro na manifestação

Bolsonaro fez até “selfie” mostrando o cartaz “Fora Maia”

Pedro do Coutto

Depois de ter negado que apoiava as manifestações contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, o presidente Jair Bolsonaro na sexta-feira desaconselhou os atos por causa do risco trazido pelo coronavírus em concentrações públicas. Se ele desaconselhou. é porque havia risco de contaminação. Entretanto qual não foi a surpresa dos que assistiram pela televisão quando arriscando-se a ser contaminado ou também a contaminar outras pessoas, o presidente da República dirigiu-se aos manifestantes apertando a mão de muitos deles e até tirou selfies, de posse de celulares dos que o apoiavam.

IRRESPONSABILIDADE – O risco foi grande e sua atitude contrariou frontalmente as recomendações do ministro da Saúde, Henrique Mandeta. Mas não é somente esta questão.

Agravando as circunstâncias políticas, o Estado de São Paulo publicou sua edição de segunda-feira, na primeira página foto focalizando os cumprimentos de Bolsonaro aos populares ao lado de um cartaz bem grande em que se lia “Fora Maia”, em uma referência direta ao deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara Federal.

A manifestação além de atingir o Legislativo também pedia o fechamento do Supremo Tribunal Federal, como se tal medida fosse possível em qualquer circunstância.

APOIO TÁCITO – Indo ao encontro dos manifestantes Bolsonaro sem dúvida apoiou tacitamente o conteúdo antidemocrático contido inevitavelmente nos protestos que se voltavam contra as instituições.

Portanto, temos de admitir que o regime democrático no Brasil passou a existir sob risco de ruptura, semelhante àquele que ocorreu em agosto de 61 quando o presidente Jânio Quadros renunciou.

Acontece que dois dias antes, pela televisão, o governador Lacerda disse ter sido convidado a participar de um golpe de estado.

SEM BASE ALIADA– O motivo que levou Jânio a renúncia teve origem na dificuldade de convivência com o Congresso Nacional. Jânio renunciou esperando uma manifestação colossal para que desistisse de seu ato.

Mas o Congresso rapidamente confirmou a renúncia afirmando ser ela um ato absolutamente individual.

O importante é que uma explosão popular contra a renúncia de Jânio não aconteceu. Naquela ocasião havia um risco. Hoje, em moldes diferentes, 59 anos depois, o clima tem certa semelhança com o de 25 de agosto de 61.

GUEDES SE DESMENTE – Em uma entrevista transmitida pela Globo News, entrevista marcada por sugestiva frieza, o ministro Paulo Guedes voltou a defender a aprovação de projetos estruturantes os quais ainda não foram enviados ao Legislativo. Ao se referir a iniciativa sua de antecipar o pagamento do 13º salário para os 30 milhões de aposentados e pensionistas do INSS, informou que metade, no valor de 23 bilhões será creditada em abril.

E a outra metade no mesmo valor, na folha de maio. Portanto verificamos facilmente que o custo da folha é de 46 bilhões de reais por mês ou na escala de 500 bilhões por ano. Esse é o resultado da multiplicação de 43 bilhões por 13 meses.

Ocorre que Guedes sempre sustentou que afolha de pagamento do INSS era de 844 bilhões por ano. Os números que apresenta agora desmentem aquela versão.

 

Nas eleições de 2022, quem será o maior candidato de oposição a Jair Bolsonaro?

Resultado de imagem para segundo turno charges

Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Pedro do Coutto

Igor Gielow, em reportagem publicada na edição de domingo na Folha de São Paulo, coloca em destaque a sensação que hoje está envolvendo os apoiadores de uma candidatura de Luciano Huck. O apresentador está menos animado na tentativa de se candidatar ao Palácio do Planalto nas eleições de 2022, sucessão do presidente Bolsonaro que já anunciou que seu objetivo será disputar a reeleição.

Dessa forma as candidaturas que surgirem somente poderão ocupar os espaços abertos para oposição, uma vez que não há nenhuma possibilidade de alguém afirmar-se candidato do governo e partir para as urnas tentando conquistar o voto dos bolsonaristas. Inclusive estes ocupam uma faixa percentual expressiva do eleitorado.

UM TERÇO DOS VOTOS – Por mais que tenha perdido percentuais de apoio, o presidente da República conserva o que hoje presumo ser de 1/3 dos votantes de amanhã. Isso significa que estará com certeza no segundo turno.

Dificilmente Luciano Huck poderia, no primeiro turno, lutar por esse espaço destinado sobretudo ao pensamento mais conservador do que reformista no plano social.

Colocado o tema, os possíveis candidatos dispostos a ir às urnas contra Jair Bolsonaro deverão participar das eleições municipais de outubro deste ano. Não só para colocarem suas imagens na mídia, como também para expressarem suas ideias e concordâncias ou discordâncias em relação a administração do país.

APENAS UM OPOSITOR – Problemas não faltam. Mas em 2022 somente um candidato que se opuser a Bolsonaro poderá ir com ele ao segundo turno. Claro, se houver segundo turno.

A sucessão presidencial, embora relativamente distante já produz disposições e alternativas por parte daqueles que se julgam possuírem as condições mínimas na ideia de disputar o pleito.

Há muitos partidos no país, mais de 30, porém são poucos os que vão dispor de tempo nos horários gratuitos da televisão.  E também não são muitos os que têm recursos suficientes para travar o debate nas redes sociais da internet. O pleito de 2018 caracterizou de forma bastante nítida a importância da comunicação pelas redes sociais.

NAS REDES SOCIAIS – Os que nela navegam verificam cada vez mais sua importância em campanhas políticas, a meu ver em face do possível diálogo entre os eleitores e os candidatos de sua preferência. Esse diálogo pode ser realizado através dos famosos robôs, porém deixam a sensação de uma proximidade entre o votante e o nome de sua preferência.

Em outubro deste ano os candidatos a 2022 deverão formar alianças na tentativa de reunir forças para daqui a mais de quatro anos. Este é o panorama de hoje, sem qualquer exercício de futurologia. Mesmo porque futurologia não funciona nas previsões políticas. Os fatos através da história confirmam essa verdade.

Governo decide socorrer empresas e a prioridade será apoiar as companhias aéreas

Resultado de imagem para avioes no patio

Situação das empresas aéreas é mais um problema gravíssimo

Pedro do Coutto

O governo Jair Bolsonaro vai anunciar na próxima semana um pacote de medidas para socorrer empresas, tendo como alvo principal as companhias aéreas. Reportagem de Daniele Brant e Julia Chaib focaliza o assunto. O setor aéreo enfrenta uma redução de demanda tanto no setor de voos domésticos quanto nos internacionais, consequência do coronavírus.

Entre as ações previstas situam-se o adiamento do pagamento de tributos e um prazo maior para a devolução dos gastos dos consumidores.

LINHA DE CRÉDITO – O governo cogita também uma linha emergencial de crédito para assegurar o capital de giro das empresas. A demanda doméstica caiu 30%. A internacional recuou 50%. Segundo técnicos, o temor é que o impacto financeiro causado por esse tipo de recessão possa levar as empresas à falência.

Respeitando o sentido econômico da dificuldade, temos de considerar que, com o socorro de emergência, o governo Bolsonaro evite que as companhias fiquem a beira da falência. A Agência Nacional de Aviação Civil espera receber projeto do governo já a partir de amanhã, segunda-feira. Foi assim que agiram outros países sempre em função do cancelamento por parte dos passageiros.

EFEITOS CONCRETOS – Inclusive o recente aumento do preço do dólar agravou a situação financeira das empresas aéreas porque elas operam à base do valor da moeda americana. Neste aspecto encontram-se 50% de seus custos. Logo a valorização do dólar produz efeitos concretos, ao contrário do pensamento inicial do ministro Paulo Guedes.

Outro aspecto é que não existe ainda previsão em relação ao tempo da pandemia. Como se constata um problema a mais, imprevisto, a pesar contra a Esplanada de Brasília.

Matéria de Fábio Pupo, também na edição de sábado da Folha de São Paulo, revela que o ministro Paulo Guedes encontra-se preocupado em estender o apoio financeiro a outras empresas, e a prioridade é manter a importação de equipamentos hospitalares.

APOIO FINANCEIRO – A Caixa Econômica vai destinar 78 bilhões de reais para estimular a economia, dos quais 40 bilhões para estabilizar o capital de giro e o restante para crédito ao setor agrícola. O Banco do Brasil deverá liberar 200 bilhões e o BNDES 100 bilhões de reais.

Pensa o governo em liberar para celetistas e funcionários públicos recursos depositados nas contas do PIS e do PASEP. Hoje esses recursos encontram-se bloqueados nas contas dos trabalhadores e funcionários.

O episódio revela uma verdade eterna: no universo político os planejadores têm de possuir sensibilidade para identificar os sintomas críticos que atingem a sociedade como um todo. Problema sério sobretudo para o ministro Paulo Guedes, que até hoje tem como objetivo principal reduzir custos, mas não procura ampliar receitas.

Rodrigo Maia rebate Paulo Guedes e acentua distância entre o ministro e o Congresso

Resultado de imagem para rodrigo maia

Rodrigo Maia mostra que Guedes está sendo incoerente

Pedro do Coutto

Numa entrevista a Leandro Colon e Júlia Chaib, Folha de São Paulo de sexta-feira, o deputado Rodrigo Maia aprofundou as divergências de pensamento entre o Parlamento e o ministro Paulo Guedes. O presidente da Câmara dos Deputados se mostrou surpreendido com o pensamento do ministro, exposto na lista dos projetos de reforma que se encontram no Congresso.

A entrevista de Rodrigo Maia foi dada na sua residência em Brasília, uma vez que só retornará ao Legislativo na próxima segunda-feira. Como havia viajado para a Espanha, decidiu manter-se afastado de aglomerações.

QUASE NADA… – Num certo trecho afirmou-se surpreso com o raciocínio do ministro da Economia. “Guedes não tinha uma coisa organizada ou não quis falar. Se olhar os projetos, a curto prazo, tem pouca coisa que impacte a agenda de curto prazo ou quase nada”.

Segundo Rodrigo Maia, destaca a reportagem, as propostas econômicas em andamento no Congresso listadas por Guedes na terça-feira não resolvem a turbulência dos  próximos meses. Ressaltou também que Guedes, isso sim, pensou em transferir a responsabilidade para a Câmara sobre a suposição que a crise seria a não aprovação de sua agenda.

A matéria destaca também que os parlamentares ficaram frustrados com o ministro porque não ouviram medidas concretas no plano da economia.

CONVERSA FIADA – De fato, o ofício de Paulo Guedes contém uma relação empírica de proposições sem díscriminar suas etapas e seus efeitos para a retomada do crescimento econômico e social. 

Na minha opinião, o titular da Economia volta-se sempre para o corte de despesas e não aplica o mesmo entusiasmo quando se trata de aumentar as receitas federais, principalmente combatendo a sonegação de tributos que se destinam, no fundo, a promover de forma substantiva a redução dos problemas sociais da população.

CONTRADIÇÃO CLARA – Num dia, como aconteceu recentemente, por exemplo, ele anuncia liberação de parcelas do FGTS para incentivar o consumo no varejo. Em outro dia ele destaca a importância da PEC emergencial destinada a possibilitar a redução dos vencimentos do funcionalismo federal, acompanhada da diminuição da jornada de trabalho.

Ora, uma seta está voltada para incentivar o consumo. Ao mesmo tempo, outra seta aponta exatamente para comprimir a massa salarial e, portanto, o consumo que ele diz querer incentivar.

E agora, como acentuou Rodrigo Maia, uma nova contradição entre a teoria e a prática. O clima para o Executivo nos edifícios do Congresso não está bom. A prática, na realidade, estacionou no sinal fechado por Rodrigo Maia.

Federal Reserve injeta 1,5 trilhão de dólares para segurar economia americana

Operadores na Bolsa de Nova York

Crise nas bolsas é da maior gravidade

Pedro do Coutto

Diante da crise detonada na economia dos Estados Unidos e do resto do mundo pelo coronavírus e também pelo mercado de petróleo, o Banco Central americano anunciou que vai liberar um montante fantástico de 1 trilhão e 500 bilhões de dólares para assegurar a estabilidade da economia do país  tentar bloquear ameaças ao mercado financeiro norte-americano que envolve também uma série de países.

Para se ter uma ideia da gravidade do problema, basta dizer que 1 trilhão e 500 bilhões de dólares equivalem a cerca de 7% do PIB dos Estados Unidos calculado em torno de 19 trilhões de dólares por ano.

É MUITO DINHEIRO – Aliás, 19 trilhões de dólares representam 19% do produto mundial, que atinge aproximadamente 100 trilhões de dólares por ano. Estabelecida essa medida, temos de esperar seus efeitos concretos porque evidentemente a quantia terá de ser liberada em parcelas na medida em que o objetivo é socorrer os setores produtivos e reprodutivos do país. Uma comparação, o volume a ser injetado pelo FED supera o PIB brasileiro.  O PIB brasileiro está orçado em 6,5 trilhões de reais.

Com base nesse quadro urgente pode se ter a dimensão verdadeira do impacto negativo do coronavirus, principalmente no mercado econômico do planeta. Isso de um lado. De outro, verifica-se que o presidente Jair Bolsonaro não estava certo quando disse que o vírus estava superestimado.

PROBLEMA É GRAVE – Ao contrário, verifica-se agora a dimensão e extensão dos prejuízos e do tempo necessário para recomposição do sistema imunológico e a compensação dos efeitos que o vírus está causando. Tanto assim que o próprio presidente da República fez teste para definir se teria sido contaminado ou não em sua viagem recente aos EUA.

É o que acontece quando se fazem afirmações a serem confirmadas na prática pela ciência. Constata-se que o impacto está sendo universal e atingindo vidas humanas cuja perda poderia não ter ocorrido se o vírus não tivesse alcançado a altura a que chegou. Vidas humanas não têm preço, não são ações do mercado acionário cujos prejuízos podem ser recuperados pouco tempo depois.

OUTRO ASSUNTO – O ministro Paulo Guedes anunciou que o governo vai se utilizar de um parecer do Tribunal de Contas da União para recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra a derrubada do veto que impedia o aumento dos benefícios de prestação continuada do INSS, concedidos a deficientes físicos e idosos carentes.

O TCU, pela constituição, é um órgão auxiliar do Poder Legislativo. Mas não tem nenhuma influência na preparação das leis e na derrubada de vetos.