Ao anunciar combate frontal à corrupção, Fux escreve belo capítulo na história do Supremo

Discurso de Fux trouxe esperanças aos homens de bem

Pedro do Coutto          

Com seu discurso de posse na presidência do Supremo, anunciando a independência do Tribunal e o combate frontal à corrupção, o ministro Luiz Fux começou a escrever um novo e belo capítulo na história não só do STF, mas da própria História do Brasil. Como se sabe, a História se escreve por capítulos e por versões que ficam no tempo e que serão analisadas por vários ângulos. Para mim, parecem bastante afirmativas as palavras do novo presidente da Corte Suprema.

Com seu discurso, tendo ao lado o presidente Jair Bolsonaro Fux supera um período marcado tanto por controvérsias quanto por hesitações que contribuíram para conter o ímpeto da moralidade pública, no que se refere ao enriquecimento a qualquer preço.

O FIM DO CINISMO – Ao exaltar o mensalão e a operação Lava Jato, Luiz Fux balizou seu caminho e desestimulou todos aqueles que tentam obstruir a iluminação dos escândalos financeiros na sequência impressionante em que se encontram e cujos protagonistas assumem posições acentuadamente cínicas.

Acusados há que não se defendem dos roubos a que são imputados: preferem o caminho simples da obstrução dos processos que contra eles lhe move a própria sociedade brasileira. Se inocentes fossem, não seriam necessários tais recursos às sombras. Comprovariam sua própria absolvição. Sobretudo porque não existe absurdo maior do que o de condenar inocentes.

Mas os acusados não querem discutir o conteúdo concreto das acusações que pesam sobre si.

NOMES NA HISTÓRIA -Ao escrever este artigo me pergunto, por exemplo, quais as versões sobre o ex- presidente Lula, o presidente Bolsonaro e o ministro Dias Tofolli que vão ser reservadas nas páginas da História do Brasil. Inspirei-me na comparação entre os discursos de ministros do STF exaltando a gestão de Tofolli com os artigos que sobre ele escreveram Merval Pereira, Miriam Leitão e Bernardo Mello Franco.

São matérias absolutamente opostas. Como opostas são as análises sobre o metalúrgico Lula da Silva, que chegou ao poder nas urnas de 2002. Um fenômeno, que também inclui o vírus da corrupção em larga escala que contaminou o Brasil.

E BOLSONARO? – A História, em seu eterno processo, terá como responsabilidade sua o julgamento de Jair Bolsonaro. Ele se elegeu por ser o antiLula e o antiPT.

Mas que dizer da reunião ministerial de 22 de abril e de sua reação silenciosa diante do ataque do ex-ministro Weintraub ao Supremo. Ao contrário do que se poderia esperar, Weintreaub foi nomeado representante brasileiro no Banco Mundial.

Preços dos alimentos disparam nas feiras e supermercados, forçando nova alta da inflação

TRIBUNA DA INTERNET | Pressão internacional pode causar estragos na luta contra a inflação em 2018

Charge do Alves (Arquivo Google)

Pedro do Coutto   

O preço dos alimentos disparou nos últimos dias. É claro, isso causou reflexos na taxa de inflação e principalmente no custo de vida, pois o item alimentação é o que mais pesa nas classes de menor renda. E as classes de menor renda são maioria absoluta da população, atingindo fortemente os trabalhadores e trabalhadoras. O processo do custo de vida, é lógico, envolve também os funcionários públicos, inclusive os militares.

Reportagem de Cassia Almeida, Ana Clara Veloso, Nice de Paula, Gabriel Shinohara, Vitor Farias e Gustavo Maia, em O Globo de hoje, focaliza amplamente o assunto.

SEM INTERVENÇÃO – A matéria acentua declaração da Ministra Tereza Cristina, da Agricultura, assegurando que o presidente Bolsonaro não vai intervir no mercado para tabelar preços, mas dirige um apelo aos supermercados para que não só deixem de aumentar, como também diminuam os preços fixados.

Bolsonaro afirmou que “não vou tabelar nada, mas peço para que os lucros desses produtos essenciais sejam próximos de zero”.

A OAB e a Associação Brasileira de Procons já se dirigiram ao ministro Paulo Guedes no sentido de que estabeleça limites para conter a forte alta dos preços.

IMPOSTO DAS IGREJAS – A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, subordinada ao Ministro Guedes manifestou-se contra a transformação em lei do projeto aprovado pela Câmara e Senado que isenta os templos de impostos, entre eles a contribuição social sobre o lucro líquido.

O projeto é do deputado David Soares, filho de R.R.Soares, líder da igreja Internacional da Graça de Deus. Além da isenção, a iniciativa inclui o perdão de dívidas que se elevam em torno de 889 milhões de reais, já inscritos na dívida ativa da União.

Acentuo que o presidente terá de decidir se atende ao Ministério da Economia ou principalmente aos templos religiosos.

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AÇÃO MILITAR NA AMAZÔNIA SERÁ PRORROGADA

Reportagem de Mateus Vargas, O Estado de São Paulo de terça-feira, revela que militares convenceram o presidente da República ser imperiosa a presença do Exército na preservação das matas da Amazônia até o final de 2022. Trata-se da operação Verde-Brasil comandada pelo vice-presidente Hamilton Mourão.

Os militares estão ocupando a administração da área que deveria estar sendo realizada pelo ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente. O general Augusto Heleno, de acordo com a matéria, afirmou-se favorável à presença das Forças Armadas.

Penso que só falta agora o presidente Bolsonaro assinar a demissão do ministro Ricardo Salles.

Documentário sobre Caetano Veloso expõe a face, muitas vezes oculta, da ditadura militar

Documentário sobre prisão de Caetano Veloso é exibido no Festival de Veneza  | Jornal Nacional | G1

No filme, Caetano relata sua prisão no regime militar

Pedro do Coutto

O documentário sobre Caetano Veloso, exibido nesta segunda-feira no Festival de Veneza, representa uma exposição e ao mesmo tempo uma revelação sobre o processo da ditadura militar brasileira, que passou por várias fases, e portanto, tendo terminado em 1985, não foi acompanhada pelas gerações que nasceram depois do arbítrio e da tortura.

Produzido por sua mulher Paula Lavigne, o filme baseia-se no relato de Caetano nos meses em que esteve preso no governo Costa e Silva.

NA SOLITÁRIA – Sua prisão, sem qualquer fato que desse margem à medida, estendeu-se por dois meses dos quais alguns dias na solitária. Seu companheiro de cárcere foi Gilberto Gil, preso nas mesmas condições.

Caetano Veloso forneceu um documento que vai se incorporar à história do Brasil, destacando um dos períodos mais sombrios da memória nacional. O movimento político militar que derrubou o presidente João Goulart dividiu-se em três períodos sombrios: a ditadura do general Castelo Branco, a do general Costa e Silva e a ditadura Garrastazu MedicI. Houve duas fases de relativo afrouxamento. A do general Geisel e a do general João Figueiredo.

Os períodos estão muito bem focalizados nos livros de Elio Gaspari “A Ditadura Envergonhada” e a “Ditadura Escancarada”.

DITADURA DE VARGAS – Para mim a Ditadura Escancarada é a que mais se assemelha à ditadura de Getúlio Vargas no período novembro de 37 a fevereiro de 45, quando presos políticos eram torturados no prédio da chefatura da polícia e no quartel da Polícia Especial, no Morro de Santo Antonio, já demolido.

Assinalo que a deposição de Vargas ocorreu a 29 de outubro de 1945. Mas a censura foi derrubada antes, em fevereiro, por uma entrevista de José Américo de Almeida ao repórter Carlos Lacerda, publicada no Correio da Manhã.

HISTÓRIA DOS PORÕES – Esclarecido o episódio, creio que a importância histórica do documentário focalizando Caetano Veloso é a de que o filme ficará para sempre funcionando para informar às gerações que vierem depois de nós.

O documentário registra o arbítrio, os interrogatórios imbecis sem qualquer conteúdo lógico, as acusações sem quaisquer provas, os gritos dos torturados e os risos dos torturadores. Está na história política dos porões, tanto os que ficam em prédios, e também os que ficam na consciência dos carrascos e nas pessoas civilizadas que manifestam sua repugnância.

LULA NO ATAQUE – Lula, agora, muda de tom e ataca Bolsonaro. O ex-presidente desferiu fortes ataques nas redes sociais contra o presidente Bolsonaro, episódio que deu margem a reportagem de Carolina Linhares, Folha de São Paulo de hoje.

Seguramente pressionado pelas bases do PT, Luis Inácio da Silva culpou Bolsonaro pelas mortes causadas pela Covid-19 e também por seus ataques à democracia que jogaram o Brasil num pesadelo que parece não ter fim. Lula acrescentou que, com a ascensão de Bolsonaro, milicianos atravessadores de negócios e matadores de aluguel saíram das páginas policiais e apareceram nas colunas políticas. Atacou também a política ambiental e as medidas que retiram direitos dos trabalhadores, reduzindo seus salários.

DIZ MERVAL –  Na sua coluna de O Globo de hoje, Merval Pereira focaliza a nova postura do ex-presidente, frisando ter ele recuado da insinuação que lançou no ar na semana passada de que poderia ser candidato a vice presidente de alguém com possibilidades reais de vitória.

Merval lembra que ele citou o exemplo de Cristina Kirchner, porém a partir de ontem passou a reassumir a posição que ocupou no passado recente que marcou a vitória de Bolsonaro nas urnas. Lula pareceu confiante e sua reabilitação quando seu recurso chegar à segunda turma do STF.

Não tenho essa certeza. Com a reportagem de Cristina Linhares e o artigo de Merval Pereira, o panorama político do país passou a ser outro.

Briga de Paulo Guedes com Rodrigo Maia é prejudicial ao governo e ao próprio país

TRIBUNA DA INTERNET | Piada do Ano! Bolsonaro exige de Guedes um  crescimento mínimo de 2% neste ano

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Bernardo Caran, Tiago Rezende, Danielle Brant e Daniel Carvalho, publicam reportagem na Folha de São Paulo revelando que nas últimas semanas o prestígio do ministro Paulo Guedes entrou em declínio, sobretudo quando seu projeto de Renda Brasil foi publicamente condenado por Bolsonaro.

Este projeto tinha como objetivo transferir renda de assalariados pobres para outros mais pobres ainda. Exatamente o oposto do que defendia João Maynard Keynes cuja obra Paulo Guedes citou recentemente. Mas não disse a que capítulo da obra se referia, uma vez que Lord Keynes publicou cerca de 30 livros.

Repórteres acrescentam que sua briga com Rodrigo Maia está sendo interpretada como um episódio que prejudica o próprio governo. De fato não tem cabimento na linguagem adulta que um ministro proíba o assessor de Economia Esteves Colnago e o Secretário do Tesouro, Bruno Funchal de se encontrarem para almoçar com o presidente da Câmara dos Deputados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O que se estranha é por que Guedes continua no governo, se Bolsonaro não gostou de nenhum dos planos apresentados por ele (Previdência, Sistema Tributário e Administração Público). O mais incrível é que Guedes não é demitido nem pede demissão. (C.N.)

Esvaziar Lava Jato pode ser parte do projeto para aproximar Lula e Jair Bolsonaro?

Iotti: prodígios | GaúchaZHPedro do Coutto    /   Charge do Iotti (Zero Hora)

Merval Pereira, em artigo na edição de O Globo, destaca que o procurador-geral da República Augusto Aras está agindo para esvaziar a Lava Jato e suas consequências, entre as quais principalmente as sentenças de Sérgio Moro que condenaram (digo eu) o ex-presidente Lula. Um caso concreto já ocorreu. A sentença contra um doleiro do processo Banestado foi anulada pela 2ª turma do STF. Houve empate e nesse caso o réu é favorecido.

O ministro Edson Fachin quer alterar esse entendimento. Na Folha de São Paulo, Marcelo Rocha assinala que iniciativas de Aras ameaçam na prática a continuidade da Lava Jato, inclusive com apoio do STJ. Diz Marcelo Rocha que existem pautas pendentes a serem debatidas, entre elas a discussão sobre se deve ou não ser prorrogada a força tarefa de Curitiba.

PARCIALIDADE – Os advogados de Lula, como é público, estão preparando recurso para anular a condenação do ex-presidente fixada por Sergio Moro. Alegam parcialidade. A dificuldade creio eu é que tal sentença foi confirmada pelo TRF e pelo STJ. Entretanto a hipótese de anulação não deve ser descartada, uma vez que a segunda turma continua composta por quatro ministros, com Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski votando sempre juntos, contra a Lava Jato.

Como Lula em entrevista recente publicada pelo O Globo, referiu-se ao fato de a ex-presidente Cristina Kirchner ter se candidatado à vice-presidência na Argentina, para mim ficou no ar uma proposta política que poderia se concretizar se ele tivesse a sentença contra si anulada. Mesmo se ele não fosse o vice de Bolsonaro em 22, na linguagem cifrada da política seu apoio à reeleição ficaria condicionado a perspectiva de ser reintegrado nos direitos políticos.

DECISÃO ABSURDA – A juíza Cristina Serra Feijó assinou decisão absurda de proibir a TV Globo de mostrar qualquer documento ou peça das investigações sobre a ação em que o senador Flávio Bolsonaro é acusado. Caso da chamada “rachadinha”.

O despacho, a meu ver, é totalmente inconstitucional, porque se choca com a liberdade de expressão e de imprensa. Claro que o ato será revogado, mas fica escrito como um dos grandes equívocos do universo jurídico do país. Afinal de contas qual o interesse de um acusado em bloquear fatos do processo? É estranho porque o lógico seria desmentir os crimes a ele atribuídos.

No rumo das urnas e atendendo a pedidos, Bolsonaro pode desistir de privatizar Eletrobrás

TRIBUNA DA INTERNET | Como é fácil quebrar a Eletrobras!

Charge do Latuff (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A reportagem de Bernardo Caran, Tiago Resende, Fabio Pupo e Gustavo Uribe, Folha de São Paulo de quinta-feira, antecipou pontos importantes do projeto de emenda constitucional sobre a reforma administrativa. Um desses pontos refere-se ao programa de privatização de estatais. A venda poderia ser barrada se o governo de algum estado manifestar o interesse de preservar a empresa estatal. É exatamente o caso da Chesf, em relação a qual o governador da Bahia, Rui Costa, já se anunciou contrário. Logo surge um novo enfoque.

Na edição de hoje da Folhs, Bernardo Caran e Tiago Resende não focalizam este ponto. Ele também não é trstado pela reportagem de Marcelo Correia, Manoel Ventura e Geralda Doca, O Globo. Portanto, vamos aguardar a publicação do texto integral da PEC da reforma.

PARA O FUTURO – Ficou nítido, entretanto, que o presidente Bolsonaro não deseja problemas com o eleitorado, uma vez que fez questão de assinalar que a redução dos direitos do funcionalismo público só valerá para os que ingressarem após a promulgação da emenda.  A emenda encaminhada abrange por igual o funcionalismo federal, estadual e municipal.

Francamente, com base nas afirmações de Rodrigo Maia, não vejo sentido na atitude de Paulo Guedes proibindo que seus secretários se encontrEm com o presidente da Câmara dos Deputados. Isso só pode dificultar os entendimentos políticos e prejudicar o próprio governo. Não se compreende uma atitude tão juvenil de alguém que já acrescentou em seu currículo ter lido John Maynard Keynes no original. Aliás, acentuo eu, as teses de Keynes são opostas das ideias de Paulo Guedes.

CPI DOS GUARDIÕES – Ontem, por escassa maioria a Câmara de Vereadores do Rio não deu sequência ao processo de impedimento do prefeito Marcelo Crivella. Entretanto, a vereadora Teresa Bergher conseguiu o número necessário de assinaturas para instalar uma CPI para investigar as responsabilidades pelas ações da equipe de choque da Prefeitura para impedir as livres manifestações dos que procuram a rede pública municipal de saúde, tentando também impedir o trabalho da imprensa, especialmente as atividades da TV Globo.

Teresa Bergher pretende convocar primeiramente os que comandam a estupidez da administração municipal.

Para justificar o PIB minúsculo, Guedes recorre à poesia de Orestes Barbosa e Olavo Bilac

Charge do dia

Charge do Cabalau (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O ministro Paulo Guedes tentou apresentar sua versão sobre a queda de 9,7% no segundo trimestre do ano dizendo que o que aconteceu é como a luz das estrelas, que nós vemos agora, mas que foram emitidas há bilhões de anos. No meu modo de ver, recorreu à linguagem poética de Orestes Barbosa (“Chão de Estrelas”) e Olavo Bilac (“Ora direis, ouvir estrelas”).

Os repórteres Marcelo Correia e Manoel Ventura, edição de hoje de O Globo, acompanharam a atuação de Guedes numa audiência na Comissão do Congresso que analisa medidas contra o Coronavírus.

O PIOR JÁ PASSOU? – Perguntado a respeito da queda registrada pelo IBGE sobre o recuo do Produto Bruto, além do exemplo das estrelas, o titular da Economia sustentou que o pior da crise já passou e que o fenômeno pode ser comparado também com a velocidade do som, muito menor do que a velocidade da luz. Dessa forma o PIB representa o passado e não o presente.

A colunista Miriam Leitão, entretanto, lembra que no primeiro trimestre deste ano o PIB já recuara 2,5%. Acrescento que se fosse para retornar ao passado, o IBGE deveria ter assinalado o que ocorreu no espaço de tempo que ficou para trás.

Aliás, o IBGE, acentuo, não se encontra subordinado a Paulo Guedes que ocupa quatro ministérios ao mesmo tempo. A respeito da divulgação do IBGE, escreveram também em O Globo Pedro Cateti, Ivan Martinez Vargas além de Patrícia do Vale, Cássia Almeida e Renan Setti. Portanto, vamos esperar o retorno do voo de Paulo Guedes a poesia.

PERPLEXIDADE –  Hoje também escreveu o professor Roberto DaMatta a respeito da perplexidade do atual momento da política brasileira, na qual. a integridade transforma-se num defeito, a desonestidade inclusive intelectual predomina e impera uma ausência da fraternidade.

O prefeito Marcelo Crivella, em decorrência do absurdo de buscar apoio no crime contra a liberdade de expressão, passou a ser investigado pela Câmara de Vereadores, onde foi apresentado até um pedido de impedimento.

A vereadora Teresa Bergher conseguiu as assinaturas necessárias para convocar Marcos Luciano, apontado como o chefe do bando de funcionários criminosos que violaram a liberdade individual de expressão e a liberdade das reportagens da TV Globo sobre a saúde pública no Município do Rio.

Prefeito Marcelo Crivella pratica crimes em série e esbofeteia a população do Rio de Janeiro

GUARDIÕES DO CRIVELLA ! - YouTube

Crivella mandou impedir reportagens sobre saúde no Rio

Pedro do Coutto

É impossível supor que um homem que foi senador e que se elegeu prefeito, encontrando-se em final de mandato, fosse capaz de praticar crimes em série, por ação e omissão, e esbofetear a população do Rio tentando impedir sua manifestação no campo da saúde pública, além de tentar obstruir o trabalho da TV Globo e a prática do jornalismo.

As imagens, como era de se esperar, foram gravadas e com isso Marcelo Crivella envenenou a si mesmo decretando por antecipação sua derrota nas urnas de novembro.

DEU TUDO ERRADO – É preciso acentuar que jamais poderia dar certo essa tentativa do prefeito, através de funcionários contratados pela Prefeitura, com objetivo de impedir as reportagens na entrada de hospitais.

É claro que a emissora iria gravar a violência, documentá-la, identificar os culpados, e divulgar intensamente os fatos que ocorreram e que confirmam ataques à Constituição Federal e às leis do país. A opinião pública, incluindo eleitores e eleitoras, só poderia condenar de forma veemente a prática repugnante de um tipo de censura que ninguém de posse de suas faculdades mentais poderia concordar. Crivella tentou sufocar a liberdade de expressão e bloquear o exercício do jornalismo.

DIREITO DE CRÍTICA – Os truculentos servidores da prefeitura voltaram-se também contra o direito das pessoas demonstrarem suas insatisfações pelas dificuldades às vezes intransponíveis com que se deparam na busca de atendimento médico.

Reportagem de Vera Araujo, Felipe Grinberg e Tahis Souza, edição de hoje de O Globo ocupa página inteira. Seu título: Os Guardiões de Crivella. Com tal comportamento imoral o prefeito acabou proporcionando uma divulgação muito maior do que aquela que teria acontecido focalizando apenas a voz dos que buscam atendimento sem conseguir obtê-la.

Outra notícia ruim revela que  Saúde e Educação perdem recursos no orçamento da União. Também na edição de hoje de O Globo, Manoel Ventura e Marcelo Correa focalizam o projeto do governo Bolsonaro de orçamento para 2021, discriminando os recursos atribuídos a cada Pasta.

AJUSTE DE 2,1% – Pela lei o orçamento para o próximo exercício terá de ser ajustado em 2,1%, pois esta é a inflação dos últimos 12 meses. Portanto, o teto da lei de meios para 2021 terá de ser 2,1% maior que o total deste, ano que é de 3,6 trilhões de reais. Não sei porque os jornais não publicam os valores absolutos.

A Educação sobe de 112 bilhões para 114 bilhões de reais. Fica a mesma coisa. A Saúde passa de 132 para 135 bilhões de reais. Acréscimo de 1,6%. Assim os recursos para saúde diminuíram 0,5% em valores reais.

Recuperar crescimento da economia fica mais difícil, porque a renda do trabalho caiu 15%

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge: Salário x Fim do  mês

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

O processo de recuperação da economia, com a retomada do desenvolvimento, tornou-se no final deste mês ainda mais difícil, como destaca a reportagem de Cássia Almeida e Cleide Caralho, edição de hoje de O Globo, a qual acentua que a renda do trabalho no Brasil caiu 15,4% nos últimos doze meses, já descontada a inflação do período em torno de 2,3%.

A pesquisa foi produzida pelo IPEA e coordenada pelo economista Marcos Hecksher. O resultado, claro, torna ainda mais difícil e portanto mais distante a retomada do processo de desenvolvimento econômico traçado pela equipe do ministro Paulo Guedes.

RENDA PER CAPITA – Acrescento que ao longo dos doze meses a população brasileira cresceu na escala de 1%, já descontada a taxa de mortalidade que é de 0,7% ao ano, o que reduz ainda mais a renda per capita.

Quanto à queda da renda do trabalho, está inevitavelmente vinculada ao poder de consumo, que, como costumo assinalar, é a base do aumento da produção, comercialização e da receita de impostos.

Não existe outro caminho concreto e por isso não adianta o Ministério da Economia estimar que a reforma tributária possa causar, por si, elevação dos níveis de consumo.

AJUDA EMERGENCIAL – Para o IPEA, o recuo de 15,4% na renda do trabalho acarretou uma perda da ordem de 34 bilhões de reais. A reportagem acentua que a queda da renda só não foi maior em decorrência do abono de emergência de 600 reais mensais pago a 65 milhões de brasileiros.

Daqui para frente com a redução desse abono, a renda produzida pelos salários vai diminuir ainda mais. Afinal de contas os desembolsos do governo somaram 50 bilhões de reais a cada mês. Com a retração salarial, para o IPEA não há sinal de queda do nível de desemprego.

Mas chamo atenção também sobre 682 mil fraudes que custaram 42 bilhões de reais no trimestre. O sistema revelou-se altamente vulnerável. Até assalariados de classe média formaram nas filas para receber o produto de uma fraude.

O RIO E BOLSONARO – O repórter Felipe Grinberg, também na edição de hoje de O Globo, assinala que o governador interino do RJ, Cláudio Castro, está tentando marcar audiência com o presidente Bolsonaro para tratar do prazo de renovação do regime de recuperação fiscal.

O prazo limite acaba sábado próximo. A prestação a ser paga pelo estado do Rio de Janeiro é de 1 bilhão e 800 milhões de reais. Se o prazo não for estendido o pagamento do funcionalismo fica ameaçado.

Politicamente é uma oportunidade para Bolsonaro estender sua campanha de reeleição no segundo maior colégio eleitoral no país. Portanto, interessa a ele divulgar sua decisão, uma vez que o assunto é vital para a população carioca e fluminense.

Em campanha, Bolsonaro retoma obras que o aproximam do eleitor de Lula e Dilma Rousseff

DOIS PRODÍGIOS – Contra o Vento

Charge de Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Reportagem de Camila Mattoso, Mariana Carneiro e Natália Garcia, manchete principal da edição deste domingo da Folha de São Paulo, revela que o presidente Jair Bolsonaro e sua assessoria política montaram um roteiro de retomada e inaugurações de obras iniciadas pelos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff.

O objetivo parece claro. Uma aproximação com os eleitores do PT, partido que por ele foi derrotado nas urnas de 2018. Política é assim.

APROXIMAÇÃO – Não há distanciamentos que não possam ser encurtados, como não existem aproximações que não possam ser desfeitas. É o caso típico do ministro Paulo Guedes, conforme o artigo de Elio Gaspari, publicado também domingo em O Globo e na Folha.

A aproximação entre Lula e Bolsonaro, a meu ver, ficou nítida a partir do momento em que o ex-presidente citou o exemplo de Cristina Kirchner na Argentina, quando ela retornou à política como vice de Alberto Fernandez. Escrevi na ocasião, dizendo que Lula lançou no ar uma proposta não muito cifrada de possível adesão a candidatura daquele que, no fundo, usou o PT como adversário ideal para conquistar votos.

REJEIÇÃO AO PT – E Bolsonaro sem dúvida conquistou esses votos, tanto assim que derrotou Fernando Haddad por 57% a 43%. Os governos do PT tiveram grande rejeição da maior parte do eleitorado, sobretudo em face da corrupção que devorou a Petrobras. Mas isso pertence ao passado, embora recente, mas sempre é passado.

Agora nos encontramos num amanhecer do futuro e a atuação do presidnte está se demonstrando bastante pragmática, na medida sobretudo em que foi buscar o apoio da antiga bancada característica do Centrão, que adota uma política fisiológica e clientelista que Bolsonaroatacou fortemente na campanha  vitoriosa de 2018.

Tão fundos foram os reflexos que o candidato ao Planalto elegeu seus filhos com grande votação e também levou à vitória muitos estreantes que despertaram para a política surfando na onda de quem liderava a oposição no país.

GRANDE ELEITOR – Na realidade, indiretamente o PT transformou-se no grande eleitor de Bolsonaro. Não esqueçamos que as manifestações pelo impedimento de Dilma Rousseff incluíram um milhão de pessoas na Av. Paulista e 600 mil nas areias de Copacabana. Nenhum governo pode resistir a um protesto endossado por um milhão de pessoas, uma multidão verdadeiramente impressionante.

A reportagem da Folha de São Paulo relaciona todas as obras interrompidas de Lula e Dilma que serão retomadas por Bolsonaro. Vão criar a oportunidade que Bolsonaro deseja para citar nominalmente a autoria fixadas nos projetos de seus adversários de ontem.  Caso de sensibilidade política. Aliás, sensibilidade que faltou ao ministro Paulo Guedes, considerado por Gaspari no rumo de se tornar o ex-ministro múltiplo da Economia, Fazenda, Trabalho e da Previdência Social.

Portanto, as surpresas na política são uma rotina que existe no próprio processo humano.

Pânico no Rio, queda de Witzel, esvaziamento de Guedes e a covid-19 matando mil por dia

Pastor que batizou Bolsonaro é preso e Witzel é afastado do cargo de  governador pelo STJ - ac24horas.com - Notícias do Acre

Pastor Everaldo, que batizou Bolsonaro, também foi preso

Pedro do Coutto

De ontem para hoje, sexta-feira, um novo maremoto atingiu o Rio de Janeiro, estado que se encontra em uma situação alarmante sob todos os aspectos a começar pela segurança pública, passando pelo afastamento do governador Witzel, incluindo o ritmo da covid-19. O pânico nas ruas, título do filme de Elia Kazan, configurou-se ao longo de praticamente 24 horas nos bairros do Rio Comprido e Catumbi.

Enquanto isso, em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro não levou em conta a recomendação da equipe econômica de Paulo Guedes. Decidiu aumentar os gastos públicos além do limite que o ministro tinha estabelecido.

GUEDES REBAIXADO – Neste caso, reportagem de O Globo de hoje, assinada por Manoel Ventura, Marcelo Correa e Geralda Doca, destaca a contradição. Bolsonaro, na minha visão, decidiu rebaixar o ministro da Economia.

O ministro da Economia, na realidade, é também o ministro da Fazenda, do Planejamento, do Trabalho, além de ser também o ministro da Previdência Social. Concretamente é impossível alguém poder acumular essas múltiplas funções. Mas esta é outra questão.

O fato é que o Palácio do Planalto está claramente vetando as soluções propostas por Guedes, sobretudo a iniciativa de cortar as deduções de saúde e educação no Imposto de Renda.

CORRUPÇÃO ETERNA – O Rio de Janeiro nos últimos anos tem sido atacado por vendavais sucessivos de corrupção. Seus governadores envolveram-se em situações extremamente prejudiciais à população. Com isso o poder público estadual conseguiu desrespeitar até os efeitos mortais do Coronavirus.

As fraudes vão do Instituto de Ortopedia aos equipamento de respiração, solução fundamental para assegurar vidas humanas. Verificamos que o ciclone contra o Estado do Rio de Janeiro está sendo realmente devastador. E um dos presos é o “dono” do PSC, o Pastor Everaldo, que batizou Bolsonaro nas águas do Rio Jordão.

CORONAVÍRUS – Mas falei na recuperação das pessoas atacadas pela covid-19. Tive de incluir as outras epidemias (pessoas) que sufocam a população contaminada pelo vírus transmitido por governantes. A respeito do coronavírus, chamo atenção para o seguinte. O crescimento das contaminações situa-se na escala de 3,5% da mesma forma que 3,5% é o percentual das mortes entre os contaminados. Estão morrendo no país 1.000 pessoas por dia, mas felizmente a enorme maioria se recupera.

São portanto 96,5%. Quais os procedimentos médicos adotados para recuperar plenamente as vítimas da pandemia? Importante saber quais os procedimentos adotados, porque uma coisa é a vacina, em torno da qual a humanidade torce para que os cientistas a estabeleçam. Uma coisa é a vacina preventiva. Outra coisa é um fármaco para os já contaminados.

No caso do Rio de Janeiro o panorama é mais terrível: além da covid-19, a corrupção desenfreada.

Opção de Paulo Guedes é algo inimaginável – cortar deduções do Imposto de Renda dos assalariados

TRIBUNA DA INTERNET | Piada do Ano! Bolsonaro exige de Guedes um crescimento mínimo de 2% neste ano

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Numa reunião com o presidente Jair Bolsonaro na terça-feira, o ministro Paulo Guedes, para que seja fixado em 300 reais mensais o auxílio de emergência, apresentou como alternativa a ideia de acabar com as deduções dos assalariados no imposto de renda, atingindo, portanto, os gastos com atendimento médico e despesa com educação, que acabariam. Mas acabariam para os assalariados, pessoas físicas, enquanto as deduções das empresas, pessoas jurídicas, permaneceriam como estão.

Reportagem de Bernardo Caran e Gustavo Uribe, Folha de São Paulo de quarta-feira, focaliza o assunto de forma bastante ampla.

AUXÍLIO EMERGENCIAL – O presidente Jair Bolsonaro deseja manter o auxílio emergencial em 300 reais por mês, discordando da posição de Paulo Guedes que deseja fixá-lo em 240 reais. Seria a substituição do abono salarial (um mínimo por mês a quem recebe menos de R$ 2 mil mensais) e do Bolsa Família pelo Renda Brasil.

Bolsonaro não concordou e então Paulo Guedes fez a proposta que constrangeu o presidente da República. Tanto foi assim que na tarde de quarta-feira o presidente da República suspendeu o Renda Brasil.

Como se constata, a posição de Guedes passou a balançar. O absurdo contido na formulação do ministro da Economia causaria um prejuízo eleitoral enorme para sua campanha antecipada de reeleição em 2022.

FARMÁCIA POPULAR – Paulo Guedes, que propôs também acabar com o programa Farmácia Popular, acha que o fim das deduções no Imposto de Renda acarretaria uma economia de 42 bilhões por ano.

Ou seja, mesmo sem recursos, o presidente quer abrir um baú de bondades eleitorais, mas o ministro quer encontrar verbas procurando dentro de um saco de maldades tributárias.

Ao recorrer a fake news, adeptos de Bolsonaro confessam a estupidez do presidente

Charge do Miguel Paiva (Site 247)

Pedro do Coutto

Reportagem de Daniel Giullino, Fernanda Alves, Marlen Couto e Paula Ferreira destaca a farsa adotada pelos adeptos mais próximos de Bolsonaro na tentativa de apagar a estupidez cometida contra um repórter de O Globo no domingo, diante de muitas testemunhas. A reportagem está publicada na edição de terça-feira, e revela o desastre que o presidente da República cometeu na agressão a um jornalista.

Transtornou-se, partiu para a agressão, pressionado pela explicação impossível envolvendo depósitos feitos na conta bancária da primeira-dama Michele Bolsonaro.

A violência da resposta, penso, foi proporcional à culpa confessada. Isso porque não existe explicação lógica para o movimento bancário que teve como protagonistas Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e Márcia Aguiar. A Kopenhagen nunca foi tão noticiada como no caso Flávio Bolsonaro. Se a falsificação resolvesse questões criminais, nenhum culpado seria preso.

SALÁRIOS DE SERVIDORES -A Fundação Getúlio Vargas divulgou importante comparação entre os salários dos servidores e dos trabalhadores da iniciativa privada. Reportagem de Fernando Canzian, Folha de São Paulo, também de terça-feira, destaca o trabalho da FGV, entretanto sem estabelecer a diferença entre um universo e outro da administração. É claro que os servidores das estatais, como Petrobrás, Eletrobrás, Banco do Brasil e do Banco Central, para ficarmos apenas nesses exemplos, ganham bem mais do que os funcionários públicos federais, estaduais e municipais.

A confusão ganha dimensões maiores se incluídos como se funcionários públicos fossem os concessionários dos cartórios públicos. Por aí se vê a distorção abrangida na matéria que não faz a separação devida entre os citados. Mas não foi somente esse o grande equívoco, embora já suficiente para revelar a falta de norte no trabalho da FGV.

TABELIÃES – A Fundação Getúlio Vargas acentuou que os donos de cartórios têm renda mensal média de 100 mil reais. Mas francamente o que tem isso a ver com as carreiras do funcionalismo público? A concessão de Cartórios pode ser considerada medieval e uma característica da monarquia brasileira que ainda resiste ao tempo. Mas não é esta a questão.

A FGV diz que o governo federal e os governos estaduais e municipais despendem por ano 920 bilhões de reais e que tal volume deveria ser reduzido. À primeira vista o número pode impressionar. Inclusive na fixação percentual que tal despesa representa em função do teto orçamentário.

ORÇAMENTOS TOTAIS –  Entretanto, o teto federal é de 3,6 trilhões de reais e para que o cálculo fosse exato teriam de ser computados os valores dos orçamentos dos estados e municípios. São 27 estados e 5.600 municípios.  A FGV esquece também que os servidores das estatais têm direito ao FGTS. Os funcionários públicos não.

A comparação portanto tem de incluir as diferenças entre um tratamento e outro. Os servidores das estatais são celetistas. Os do Banco Central também. Os altos salários encontram-se nas estatais, e quanto ao funcionalismo os melhores vencimentos encontram-se no Poder Judiciário. Para iluminar as controvérsIas os pontos divergentes têm de ser considerados. A FGV não considerou.

Na vitória, a equipe do Bayern de Munique comprova que só há uma raça: a raça humana

Bayern heptacampeão – um fracasso para a Bundesliga | Colunas ...

Equipe alemã tornou-se um exemplo de integração racial

Pedro do Coutto

A primeira página de O Globo da segunda-feira apresentou com destaque a comemoração dos jogadores do Bayern de Munique erguendo a taça conquistada na Liga dos Campeões da Europa. A imagem reproduz a emoção conjunta de atletas brancos, negros, latinos e provavelmente de alguma outra etnia. Mostra que na realidade só existe uma raça: a raça humana que habita o planeta e que por sua diversidade de cor e forma distingue-se dos outros animais. Vejam a imagem na primeira página de O Globo e guardem na memória porque ela pertence ao tempo que se eterniza.

A frase de que só existe uma raça é de autoria do saudoso amigo deputado Gerson Bergher, ao longo de um programa na TV de que participamos. Ele se foi, mas deixou a frase gravada no meu pensamento e legado para sua viúva, a vereadora Tereza Bergher.

INTEGRAÇÃO RACIAL – O exemplo da integração racial não se restringe somente ao futebol e ao esporte em geral. Ele pertence a momentos dramáticos que a humanidade enfrentou como no combate ao nazismo e ao fascismo. Na luta pela liberdade todos se misturaram por igual arriscando a vida e derramando seu sangue contra a opressão, crueldade, genocídio e contra as máquinas de tortura e de morte.

O desembarque nas praias da Normandia é um exemplo eterno. Havia tempestade no ar e no mar, mas o desembarque se concretizou. As metralhadoras alemães do marechal Erwin Rommel não escolhiam entre brancos, negros e amarelos americanos para abater. Mas as tropas tomaram as praias e libertaram a França.

E se brancos e negros puderam caminhar ombro a ombro na iminência da morte, não faz sentido que negros e brancos não possam conviver lado a lado fora de conflitos de sangue. Este fato derruba por terra os preconceitos e as teses supremacistas que tiveram origem em Hitler e nos assassinos que o rodeavam.

BOLSONARO SEM RUMO – O presidente Jair Bolsonaro, como os jornais destacam, perdeu no domingo o senso de limite e as normas de comportamento que devem reger o cargo de presidente da República. Ao agredir com palavras ameaçadoras um repórter de O Globo, Bolsonaro colocou-se acima da condição humana e da convivência entre o poder e a população.

Irritou-se, perdeu a cabeça e escolheu o caminho da violência, que é a rota dos extremistas tanto da direita quanto da esquerda. Passou à nação uma imagem extremada, demonstrando não suportar perguntas incômodas, em relação às quais pensou em apagar os fatos com exaltação descabida. Deu um péssimo exemplo de intolerância a todo o país.

Só fez aumentar a repercussão internacional que tanto atinge a ele pessoalmente quanto a seu governo, depreciando o poder cujo exercício está em suas mãos. Não suportando e não conseguindo responder a indagação, tentou apagá-la da realidade com exaltação descabida.

Um avião pousa novamente na História, 64 anos depois, bem no coração da Amazônia

As revoltas de Haroldo Veloso, o herói da Aeronáutica que atuou em ...

Revolta de Jacareacanga foi manchete da grande imprensa

Pedro do Coutto

Excelente reportagem de Cleide Silva e Giovana Girardi, O Estado de São Paulo deste domingo, destacando os ativos cobertos de verde da floresta Amazônica que impulsionam a bioeconomia, desafiando autores do desmatamento e incendiários da floresta verde, o que corresponde, em incendiar tanto o presente quanto o futuro.

O avião, no caso, desceu em Jacareacanga, cidade que foi palco da primeira tentativa de insurreição contra o governo JK em 1956, como lembra Bernardo Mello Franco também num artigo da edição de O Globo.

PISTA DE POUSO – Jacareacanga, hoje, transformou-se em uma pista de pouso para conduzir a Brasília garimpeiros que se tornaram inimigos dos indígenas e do oxigênio, na medida em que se lançam para destruir um espaço altamente necessário por todos os motivos que se conhecem e provavelmente pelos motivos que ainda se desconhecem.

Vou dividir este artigo em duas faces. Uma da História Política outra da bioeconomia e do aproveitamento agrícola da Amazônia que representa 55% do território do  Brasil.

Cleide Silva e Giovana Girardi destacam o universo de startups que podem ser desenvolvidos respeitando a floresta e ao mesmo tempo capazes de fomentar uma economia que está pronta para amanhecer.

SENTIDO ECOLÓGICO – Esta economia amazônica reúne grupos empresariais e investidores imbuídos do sentido ecológico, além de ambientalistas que se preocupam com o desenvolvimento da região, preservando-a da cobiça ilegal, cobiça que vem encontrando omissão ou apoio por parte do ministro Ricardo Salles.

Esses grupos baseiam-se na ideia de fazer com que a contribuição da floresta verde possa se refletir no PIB do país. Tal projeto abrange também as comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e agricultores familiares. A floresta Amazônica em matéria de produção sustentada, vai do açaí à produção de cosméticos, além de produtos que despertam interesse da Alemanha e de outros países.

REBELIÃO NO AR – Mas falei em Jacareacanga, como Bernardo Mello Franco tocou. O movimento de rebeldia contra JK foi liderado pelo major Veloso e pelo capitão Lameirão, da Aeronáutica. Seria repetido sob a mesma liderança de agosto para setembro de 1960, ano da eleição presidencial vencida por Jânio Quadros. Só que na segunda revolta o pouso aconteceu na cidade de Aragarças. Durou dois dias e seus integrantes foram presos. Da mesma forma do que agiu em 56 o presidente JK os anistiou em 1960.

Neste caso a preocupação mobilizou logo o deputado Carlos Lacerda, candidato a governador da Guanabara e principal apoiador da candidatura Jânio Quadros, junto com Júlio Mesquita Filho, do Estadão. Lacerda temia que o fato pudesse se refletir nas urnas de outubro.

Veloso desistiu de atos subversivos. Mas Lameirão nem tanto.

BOMBA NO RIO – O presidente João Goulart havia reatado relações com a URSS. A União Soviética. em 1962. montou no Rio, Campo de São Cristóvão, exposição de seus produtos. Era um sábado. Eu visitava junto com José Lino Grinewald a exposição. De repente entra esbaforido o governador Carlos Lacerda determinando nervosamente que o público se retirasse do local. Perguntei a ele qual o motivo. Em poucas palavras ele transmitiu a causa numa suposta bomba colocada exatamente por Lameirão.

Se existia mesmo a bomba ou era um delírio de Lameirão o fato é que ela não explodiu. Se explodisse seria motivo suficiente para uma intervenção federal no Estado da Guanabara. A história seria outra.

Só o poder de consumo do povo é capaz de sustentar o desenvolvimento econômico

TRIBUNA DA INTERNET | Atrair investimentos depende do poder de ...

Charge do Allan Sieber (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O que penso do desenvolvimento econômico e social de um país, no caso o Brasil, está contido no título deste artigo. Não adiantam soluções mágicas, reformas tributárias, corte de gastos públicos, reduções de jornada de trabalho, que nada disso pode assegurar um desenvolvimento sustentável, expressão que está em moda, como se houvesse um desenvolvimento econômico não sustentável.

Somente o consumo de modo geral é capaz de assegurar uma receita tributária compatível com as dimensões e problemas de nosso país. Ao lado do poder de consumo alinha-se o pleno emprego. Com o desemprego superior a 12 milhões de pessoas não se pode esperar a retomada do progresso nem a busca do tempo perdido, como no título de Marcel Proust.

CARTEIRA ASSINADA – Reportagem de Gabriel Shinohara, Manoel Ventura e Cássia Almeida, edição de ontem de O Globo, destaca que no mês de julho surgiram no horizonte 131 mil postos de trabalho com carteira assinada.

O ministro Paulo Guedes comemorou o resultado e disse que o fato acentua uma recuperação econômica mais rápida do que o esperado. Entretanto, acentua a reportagem que neste ano 1 milhão e cem mil demissões foram adicionadas aos 12 milhões de desempregados.

SEM RETOMADA – Pode se colocar um aspecto, necessitando para isso comparar o volume dos salários dos 131 mil com o salário médio brasileiro que, segundo o IBGE encontra-se na escala de apenas 1.900 reais. De qualquer forma, porém, os 131 mil empregos reabertos são importantes, principalmente para a escala social brasileira. Por ser de fato o recomeço de uma nova etapa da vida nacional.

Portanto, não se pode concluir que a economia tenha avançado, pois não se nota um aumento do poder de consumo de alimentos e de bens de modo geral. Sem consumo, acrescento, não há solução mágica capaz de superar a lógica.

PRIVATIZAÇÃO DIFÍCIL –  Ontem, escrevi sobre a privatização da Eletrobrás apontando a dificuldade de aprovação do projeto. Hoje, acrescento alguns obstáculos a mais. Por exemplo, Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul são as estatais que compõem a holding. Foram criadas em períodos diversos, e cada uma se baseia em legislação própria. A mais antiga é a Chesf, seguida de Furna,s criada por JK em 1957.

Entretanto o problema não é apenas este. É que em diversos casos as quatro empresas formaram parceria com empresas privadas, como no caso das usinas de Santo Antonio, Jirau e Belo Monte. Na hidrelética de Santo Antonio, Furnas participa com 39% e a Odebrecht com cerca de 20%, entre os principais acionistas.

Parcerias público-privadas existem também em Jirau e Belo Monte. Na usina de Belo Monte, conforme ele próprio admitiu, o ex-ministro Delfim Neto participou como articulador, recebendo por esse trabalho uma soma que ele declarou ao Imposto de Renda, segundo sua própria informação.

AMAZÔNIA EM FOGO – As queimadas que ocorrem na Amazônia, cujas labaredas ameaçam o ministro do Meio Ambiente, estão ligadas ao desmatamento em série da região, como tem sido revelado tanto pelos jornais brasileiros quanto pela imprensa internacional.

Uma reportagem de O Globo, assinada por Rafael Garcia, revela que 54% das queimadas na floresta verde estão ligadas ao desmatamento. Ameaça gravíssima até para o futuro do mundo. Não sei como o ministro Ricardo Salles ainda não foi demitido. É um fator de grande desgaste para o próprio governo Jair Bolsonaro. É atacado por todos os lados da imprensa e sua política desagrava até o agronegócio. Afinal de contas, a quem a permanência de Ricardo Salles agrada?

Lula lança várias hipóteses, inclusive de apoio a Bolsonaro em 2022, acredite se quiser

Lula diz que é 'plenamente possível' PT não ter candidato à ...

Na entrevista. Lula analisou também as chances do PT

Pedro do Coutto

Numa entrevista ao canal TV Democracia na Internet, transformada em reportagem por Paulo Cappelli, O Globo de sexta-feira, o ex-presidente Lula afirmou que é plenamente possível que o PT não tenha candidato próprio a presidência da República em 2022. Relativamente à situação da Argentina, Lula disse que a ex-presidente Cristina Kirchner, por exemplo, aceitou ser vice na chapa de Alberto Fernandez, vitoriosa nas urnas de 2019.

Lula acentuou que o PT poderá ter candidato à vice presidência, desde que a candidatura ao Planalto seja competitiva. Na minha opinião, Luiz Inácio da Silva acenou com a possibilidade de pessoalmente apoiar Bolsonaro à reeleição e, além disso insinuou que ele, Lula, poderia vir a ser o vice, desde que tivesse condições legais de candidatar-se.

EXEMPLO ARGENTINO – Para mim, a insinuação ficou clara a partir do momento em que o ex-presidente destacou o exemplo do que aconteceu na Argentina. A ex-presidente Cristina Kirchner compôs com Alberto Fernandez a chapa vitoriosa. Por quê Lula teria citado o exemplo de Cristina?

A resposta, a meu ver, está como a nuvem de um recado tanto ao Partido dos Trabalhadores quanto ao eleitorado brasileiro de modo geral. Para ele a chave do problema sucessório está na passagem para o segundo turno, quando as forças políticas, se formam especificamente para a decisão final.

Lula voltou a criticar Ciro Gomes, frisando ter mais carinho por ele do que ele “por mim”. Ciro Gomes deveria ter ficado no Brasil e apoiado Fernando Haddad no segundo turno, disse. No meu modo de ver, Lula colocou o enigma no quadro político. Deve repercutir principalmente no Palácio do Planalto e nos quadros do PT.

 

RENDA DESPENCA – A renda familiar dos brasileiros recua.                 Reportagem de Thais Carrança, Folha de São Paulo de ontem, com base em pesquisa do Datafolha, revela que a renda dos brasileiros diminuiu 46% do início da pandemia até hoje. Para 45% ficou igual e para 9% espantosamente aumentou.

Para os que ganham até dois salários mínimos, 48% acham que diminuiu. Entre os que ganham de dois a cinco salários mínimos, 46% dizem que diminuiu. Para os que percebem de 5 a 10 salários, a perda atinge 45%, e acima de 10 salários mínimos a redução afeta 34%.

PERDAS REGIONAIS – A pesquisa por regiões indica que a percepção de perda se espalha de 41% a 48%. Para o Centro-Oeste e Norte, o recuo também atingiu 41%. Para o Nordeste, chegou a 43%, para a Região Sul, 49%. E o índice alcançou 48% na região sudeste.

Os trabalhadores sem registro foram os mais atingidos: 61%. Para os profissionais liberais o declínio afetou 54%. Para os empresários, 56%.

Tremenda contradição! Para privatizar a Eletrobrás, governo quer criar mais uma estatal

PODE ISSO, ARNALDO? – Contra o Vento

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Sem dúvida alguma trata-se de uma contradição absoluta a intenção do governo Bolsonaro de criar uma nova estatal exatamente para proporcionar condições para privatizar a Eletrobrás. Penso não ter cabimento. Inclusive o Executivo pretende destinar 4 bilhões de reais à estatal que surgiria no deserto de opções.

Reportagem de Fábio Pupo e Júlio Wiziack focaliza o assunto de forma bastante ampla. Entretanto, não vejo como um primeiro passo para retomar o processo de desestatização teria base na implantação de uma medida estatizante.

QUEREM VENDER TUDO – Vale acentuar que já existe desde o ano passado projeto de privatização da Eletrobrás, ou seja, vender Furnas, Chesf, Eletrosul e Eletronorte. Essa proposição encontra-se nas mãos do deputado Rodrigo Maia, que considera difícil seja ela aprovada.

Na nova estatal pretendida, o governo incluiria as usinas nucleares e a binacional de Itaipu. Estas estariam fora da pulverização de capital sobre o qual repousam as quatro unidades relacionadas. Por isso, a nova estatal que surgisse já estaria separada, pelo projeto original, das usinas de Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul com suas linhas de transmissão. Uma delas fundamental para o país é a de Furnas que retransmite a energia gerada por Itaipu.

O preço previsto pelo ministro Paulo Guedes para a privatização da Eletrobrás é de apenas 16 bilhões de reais. Para ter uma ideia de quanto tal montante é ridículo, basta compará-lo com o valor de transações no mercado internacional entre empresas que assumem outras, cujo ativo é infinitamente inferior ao da Eletrobrás.

PERGUNTA INDISCRETA – Uma comparação pode ser feita de imediato: se o governo pensa em destinar 4 bilhões de reais para uma estatal que surge, como é possível que as estatais que já estão em pleno funcionamento valham apenas 16 bilhões de reais? 

Por 16 bilhões de reais, grupos chineses que já manifestaram interesse em adquirir o sistema elétrico brasileiro comprariam o conjunto de usinas com um sorriso nos lábios e uma alegria enorme no coração. Tenho a impressão de que tal alegria seria plenamente compartilhada pelos autores da transação que colidiria com o interesse nacional.

De qualquer forma, sem nova estatal ou com ela, o governo Bolsonaro necessita de lei aprovada pelo Congresso autorizando a estranha transação. Um pensamento colocado pelo Ministério de Minas e Energia seria propor ao grupo interessado adquirir no máximo 49% da empresa que passaria às mãos e às contas bancárias do comprador.

OUTROS ASSUNTOS – O ministro Paulo Guedes afirmou na noite de quarta-feira que a queda do veto do presidente Jair Bolsonaro que determina congelamento salarial do funcionalismo até dezembro de 2021 acarretaria uma despesa adicional de 120 bilhões de reais. Para mim, sempre na fantasia em que vive, Guedes esqueceu que a lei é apenas autorizativa. Para evitar a despesa bastaria apenas o governo não fixar o percentual de reajuste.

Reportagem de João  Pedro Pitombo, Folha de São Paulo de quinta-feira, revelou os percentuais de aprovação e rejeição do presidente Jair Bolsonaro nas várias regiões do país. De modo geral a aprovação é de 37% e a rejeição de 34%. Resultado bom para ele. Entretanto um dos maiores prestígios do presidente não se encontra no Nordeste, onde o abono de emergência influiu. Está na Região Sul. 42 a 31%. No Sudeste ele perde de 39 a 36%. No Nordeste ele perde por 35 a 33%. No centro-Oeste/Norte ele vence pela larga margem de 42 a somente 25 pontos. No que se refere ao destino do abono de emergência 56% usaram para compra de alimentos e 44%para outras despesas. 

Abono de emergência e CPMF são duas curvas nas quais Paulo Guedes pode derrapar

TRIBUNA DA INTERNET | Com a CPMF, Paulo Guedes voa na nuvem da ...

Charge do Miguel (Charge Online)

Pedro do Coutto

O quadro político do país encontra-se confuso, principalmente em relação à política econômica executada a partir do ministro Paulo Guedes, em torno da qual surgem divergências e contradições até mesmo na estrutura do governo Bolsonaro. Um dos conflitos refere-se ao valor a ser aplicado sobre o auxílio de emergência, no sentido de reduzir a importância mensal, uma vez que a equipe ministerial está considerando impossível mantê-lo em 600 reais.

Surgem reclamações dentro do Palácio do Planalto e também no Congresso, porque alegam seus autores que é impossível manter o montante atual que representa 50 bilhões a cada trinta dias. Paulo Guedes propõe 200 reais e o deputado Rodrigo Maia considera melhor fixá-lo em 300 reais.

IMPACTO NEGATIVO – O fato é que, penso eu, depois de o governo fixar ajuda em 600 reais, diminuir o valor causará um impacto negativo. A hipótese da diminuição assinala uma provável perda de votos para o presidente que está se empenhando para reeleger-se em 2022.

Outra contradição encontra-se nas sombras que envolvem a criação da nova CPMF. O projeto de Guedes enfrenta resistência no Congresso, principalmente de parte do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. A impressão que dá é a de que, se Bolsonaro enviar tal projeto ao Legislativo, ele será derrotado. A derrota principalmente, é claro, será atribuída ao ministro da Economia e não ao presidente da República.

Pode ser que esteja oculta aí uma manobra destinada a forçar a saída de Paulo Guedes do governo, pois inclusive sua posição hoje não é a mesma daquela com que iniciou no governo.

DENTRO DO PLANALTO – Há adversários de Guedes dentro do Palácio, como aliás sempre acontece em matéria de influência no poder. Bolsonaro, por diversas vezes vem defendendo Paulo Guedes. Mas o fato da defesa se repetir é sinal de que está faltando solidez política.

Outra etapa que também coloca em risco Guedes é sua pressão para que não seja rompido o teto do orçamento. Isso porque há setores do Planalto que defendem a tese de que a contenção rígida nas despesas funciona negativamente no que se refere a imagem presidencial. Há cortes na saúde e na educação que são considerados excessivos.

Reportagem de Geralda Doca, Marcelo Correa, Manoel Ventura e Bruno Capetti, O Globo desta quarta-feira, focaliza bem o tema e o desencadeamento das pressões. Na Folha de São Paulo, Fábio Pupo, Bernardo Caran e Ricardo Della Coletta escreveram sobre a controvérsia nas áreas governamentai.

OUTRO ASSUNTO – Excelente o artigo de Alexa Salomão, Folha de São Paulo, a respeito do episódio terrível que atingiu uma menina de dez anos no Espírito Santo.

O artigo fixou de forma totalmente nítida a maldade e insensibilidade das pessoas extremistas que tentaram se opor ao procedimento perfeitamente legal realizado, tentando transformar a vítima em culpada.

Na verdade, o culpado foi o monstro humano.

Para uma inflação de 2,3%, planos de saúde aumentam mensalidades em 20%, quase dez vezes mais

SOU+SUS: A saúde brasileira em charges - Planos de Saúde

Charge do Bier (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A inflação calculada pelo IBGE para o período julho de 2019 a julho de 2020 foi de 2,3%, entretanto os planos de saúde estão reajustando em até 20%, portanto, quase dez vezes mais. A reportagem de Mariana Barbosa, O Globo de hoje, chama atenção para um aspecto da maior importância que se encontra no lucro obtido pelos planos no mesmo período.

As operadoras alegam que perderam 400 mil associados este ano, entre março e junho. No entanto, tiveram lucros que variam no semestre de 200 milhões a 400 milhões de reais. O lucro da Sula América está neste 400 milhões. O plano Notredame registrou um lucro líquido de 223 milhões. O Hapvida obteve 278 milhões de lucro. Incrível, portanto, na minha opinião, o que os planos reivindicam agora a partir de agosto.

LUCROS ALTÍSSIMOS – Com base na Sul América, podemos imaginar os lucros obtidos pelo Bradesco Saúde, Itaú, Amil, Assim e Unimed, planos bastante conhecidos de forte presença no mercado.

As seguradoras, segundo a Associação Brasileira dos Planos de Saúde perderam 400 mil clientes, que não tiveram condições de manter os pagamentos mensais. Pois é preciso considerar também que o aumento de até 20% (há casos de aumentos de 15%) superam os reajustes salariais que são de zero%. Assim a população com o passar do tempo terá de recorrer ao SUS.

DIZ GUEDES – Uma boa pergunta é o que acha deste descompasso o ministro Paulo Guedes, que em uma entrevista a Manoel Ventura e Geralda Doca, O Globo, diz que o presidente Bolsonaro “tem muita confiança em mim” no que se refere ao teto dos gastos públicos, em particular, e à política econômica de modo geral.

São contradições essenciais as que marcam o confronto entre a política econômica e a política social do governo. Em alguns casos colocando em conflito a questão da desoneração de empresas para com o INSS.

Um projeto aprovado pelo Congresso prevê a desoneração. O presidente Bolsonaro vetou. O veto será apreciado em setembro. Mas em contrapartida o projeto da reforma tributária prevê a mesma desoneração.