Governador Rui Costa abre cisão no PT e propõe que Lula “ajuste” o discurso

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Rui Costa acha que o radicalismo prejudica o partido

Pedro do Coutto

Numa entrevista de página inteira ao repórter Igor Gielow, Folha de São Paulo de sábado, o governador da Bahia Rui Costa abriu praticamente uma cisão no seu partido, o PT, na medida em que acha que o ex-presidente Lula deve alterar seu discurso político e passar a pregar a pacificação do país. Assim, o ex-presidente da República tornar-se-ia o alvo central de um projeto de realinhamento da legenda, abandonando a polarização com o presidente Jair Bolsonaro. Rui Costa, portanto, propõe uma alteração no foco central do debate político.

O novo posicionamento na visão de Rui Costa deve incluir também uma proposta de pacificação do país, realizando ao mesmo tempo um ajuste fino na posição econômica.

PAPEL DE LULA – Rui Costa destaca também que Lula precisa assumir um papel preponderante nesse processo, equivalendo a uma conciliação e não mais a radicalização que predominou na legenda de 2003 a 2010.

Com isso, o governador baiano exclui a presença da ex-presidente Dilma Rousseff no panorama que ele traçou como ideia de rumo a ser percorrido pelo ex-presidente da República.

O governador, reeleito no ano passado com 75% dos votos, reflete em si, sem dúvida alguma, um êxito administrativo que o levou a reeleição.

SERÁ CANDIDATO – Sobre a possibilidade de ser o candidato da legenda a sucessão de 2022, acrescentou que se encontra à disposição do partido. Costa, por exemplo, critica a posição do PT em relação a economia por considerar que a negação permanente a qualquer mudança representa um choque com a realidade brasileira. É preciso refinar o discurso, diz ele.

Na minha opinião, o radicalismo foi a causa principal do desabamento do Partido dos Trabalhadores nas urnas da sucessão. O partido perdeu muitos acentos na Câmara Federal e nas Assembleias Legislativas, somando-se a isso a larga margem de Jair Bolsonaro em relação a Fernando Haddad.

Rui Costa em parte tem razão, porém é preciso levar-se em conta que a onda de corrupção que marcou os governos Lula e Dilma Rousseff forneceram combustível para a viagem de Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

DANÇA DOS CORRUPTOS – O PT perdeu as eleições porque principalmente seu comportamento tentando encobrir a dança dos corruptos e corruptores transformou-se num principal fator da vitória de Bolsonaro.

A ideia contida na entrevista de Rui Costa é a de que, sem dúvida, a continuar a polarização a legenda que deveria ser a dos trabalhadores, como está escrito em sua página, transformou-se na legenda do fracasso eleitoral. Sem dúvida alguma, o governador da Bahia tocou no ponto mais sensível da estrutura da agremiação. Deseja um debate em nível alto sem a agressividade que Lula vem demonstrando nos seus mais recentes pronunciamentos políticos.

Rui Costa está propondo, penso eu, um título inspirado num filme famoso: “E o Vento Levou…”.

Na crise da saúde no Rio de Janeiro, é falsa a posição do prefeito Marcelo Crivella

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Marcelo Crivella demonstra ser um fracasso administrativo

Pedro do Coutto

Na edição de sexta-feira, O Globo destacou o texto divulgado em vídeo no qual o prefeito Marcelo Crivella tem a coragem de dizer que a crise no setor fundamental, que divide a morte e a vida, é falsa. Mas como pode o prefeito fazer tal afirmação se ele foi a Brasília obter socorro de emergência de 150 milhões de reais para tentar libertar do caos a saúde no município. Faltam remédios, equipamentos.

Tudo isso é do conhecimento direto da população, temos assim o confronto da realidade com a fantasia, que agride a todos, sobretudo porque o mesmo prefeito chega ao cúmulo de sustentar que apenas os salários encontram-se atrasados.

SEM CIDADANIA – Salários atrasados são uma violação completa da cidadania praticada por um poder público. Relativamente ao atendimento de emergência, o mesmo jornal expõe que Paulo Roberto de Souza morreu num centro do Leblon porque não resistiu a um enfarte que aconteceu às 16 horas de quarta-feira e ele não conseguiu ser atendido até 21 horas. Sua passagem da vida para a morte prolongou-se por cinco horas absurdas, e, no caso, mortais.

Os casos mais dolorosamente absurdos acontecem todos os dias e o prefeito nada faz para atendê-los. Como pode um prefeito tentar separar a crise em dois planos, ambos trágicos. Falta de pagamento, escassez de qualquer compromisso ético com a sociedade e com a própria existência humana.

Funcionários não vinham recebendo salários há vários meses. O que significa isso? Uma farsa, mas cometida pelo próprio prefeito que não é capaz de focalizar o assunto em termos lógicos.

INCOMPETÊNCIA – Não tem Crivella a menor capacidade de exercer funções executivas. Ele tenta escapar com ironias. Ironias macabras, infladas pela desconsideração para com os contribuintes da prefeitura. Se alguém consultar e agrupar os dramas que se produzem na omissão da saúde municipal, vai verificar que casos como este aqui citado repetem-se a horas intermináveis em que a omissão, seja por falta de médicos, seja por falta de medicamentos, vai constatar a responsabilidade do serviço de saúde no Rio como a causa fortemente ponderável no drama de centena e milhares de pessoas que pagam seus impostos em dia, mas que não conseguem ser atendidos em dia pelo sistema público.

O mais trágico de tudo é que as pessoas de menor renda não podem sequer recorrer à rede de saúde privada. Por isso o drama se repete.

Prisão após segunda instância fica para 2020 e até lá vale a última decisão do Supremo

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Charge do Lézio Júnior (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O senador Fernando Bezerra Coelho, líder do governo Bolsonaro, já recolheu as assinaturas para que o plenário decida sobre a prisão em segunda instância. Reportagem de Gustavo Maia, em O Globo de quinta-feira, destaca a iniciativa que certamente tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro, caso contrário o líder do Executivo não teria condições de levar a matéria à decisão do plenário. Entretanto, a data de 2020 deixa valendo (por enquanto) a última decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria. Por seis votos a cinco, em novembro o STF rejeitou a prisão em segunda instância.

Como se constata, o tema só será colocado em prática no final do primeiro semestre da próxima sessão legislativa. Projeto semelhante está correndo na Câmara dos Deputados.

PROMULGAÇÃO – Com base na estrutura jurídica do país, a emenda que fixa a prisão em segunda instância só poderá valer após a promulgação. Acontece que a promulgação não pode retroagir e assim cria-se um novo episódio que beneficia os condenados em segunda instância, entre os quais o ex-presidente Lula.

O caso do ex-presidente Lula, aliás, é um divisor de águas entre o interesse do Planalto e a realidade dos fatos.

O ex-presidente da República assim permanecerá em liberdade até o ano que vem, além de criar um problema quanto a retroatividade da decisão.

5 MIL BENEFICIADOS – O ex-presidente não é o único réu condenado na segunda instância. Recentemente os jornais publicaram que são quase 5 mil os presos na mesma situação. Bom assunto para os advogados, que já começaram a agir. Porém, a grande maioria dessa escala numérica não possui recursos suficientes para contratar quem os represente. O problema, assim, tende a se singularizar e haverá um choque entre o STF E o Planalto, que levou a bancada governista a apoiar a tese do ministro Sérgio Moro.

MAIA NO EXTERIOR – Na mesma edição de O Globo foi destacada a atuação do deputado Rodrigo Maia na esfera internacional. Ele viaja agora para manter vários contatos com organismos internacionais na Europa. Assim agindo Rodrigo Maia ultrapassa a atuação que deveria ser feita pelo chanceler Ernesto Araujo.

Na noite de terça-feira, a jornalista Eliane Cantanhede fez uma colocação perfeita relativa ao filósofo Olavo de Carvalho. Ele gravou um vídeo sobre a revisão de pontos da história do Brasil. No vídeo apareceu fumando e entre uma tragada e outra abordou o tema à sua maneira, terraplanaria, tabagista e ilusória.

Saúde no Rio de Janeiro é uma tragédia repugnante, cuja origem é a corrupção

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A crise é nacional, causada pela insensibilidade dos políticos

Pedro do Coutto

O título deste artigo eu acredito se encaixa bem como síntese de uma calamidade pública que atinge milhões de pessoas carentes, tragédia que se expande dia a dia e se confirma no destaque dos jornais e das emissoras de televisão. No estado do Rio de Janeiro, basta lembrar uma confissão do ex-secretário de Saúde, Sérgio Cortes, que em uma entrevista à Veja, páginas amarelas, confessou publicamente ter roubado 300 milhões de reais, maior parte do Instituto de Traumatoortopedia, o INTO.

Evidente que não roubou sozinho, porque trata-se de um esquema organizado tão repugnante como seus autores, que chegaram ao ponto de deixar peças de atendimento se estragarem para adquirir novas a preços inflados.

DUPLO EFEITO – Não é só no Estado que se desenrola o processo. A Prefeitura do Rio encontra-se ainda pior do que a situação estadual, embora contribua para sua expansão a outras cidades fluminenses.

Faltam medicamentos, equipamentos, faltam as coisas mais simples que funcionam para socorrer pessoas adoentadas de modo geral.

De modo particular, escasseiam ainda mais serviços que atendem a emergências, pode ser acrescentados também casos de atendimento cirúrgico. Mas as cirurgias só podem ser executadas meses depois do diagnóstico. Incrível como sofrem as pessoas de menor renda não têm condições de procurar um atendimento imediato. A crise na saúde, de todas, a meu ver é a pior. Porque a falta de atendimento pode levar à morte.

DESPREZO – E além disso significa um desprezo pelo ser humano. Tem-se a impressão que o sadismo está presente nas omissões sucessivas de um setor que limita a diferença entre a existência e a morte. Falar em cirurgias é falar sobre uma remota ação dos profissionais de saúde. Mas antes de cirurgias, a falha é total no campo do diagnóstico, Casos gravíssimos têm as cirurgias marcadas para daqui a seis meses. Seis meses ainda é um tempo menor do que a média dos casos.

Faltam leitos, falta tudo, diante da marcação de radiografias e de exames computadorizados para seis meses depois. Não há reciprocidade. Há drama. Um escândalo marcado também pela crueldade diante do desespero das pessoas que querem apenas exercer o direito de contribuintes do poder público. Uma calamidade absolutamente imoral que nasce da omissão de governantes.

Brasil não decola em matéria de IDH (Desenvolvimento Humano), é um desastre, uma vergonha

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Os jornais de terça-feira publicaram com grande destaque a posição brasileira muito ruim em matéria de índice de desenvolvimento humano (IDH).  Estamos num lugar que reflete as nossas carências, que partem da distribuição de renda. É claro que não se pode responsabilizar o governo Jair Bolsonaro, que se instalou há quase um ano. Mas o problema vem de longe e deveria ter sido enfrentado positivamente pelos governos que se estenderam no percurso administrativo.

Administrativo só não, também na economia, saneamento básico, urbanização, saúde, na educação.

SEM ESGOTO… – Nosso país encontra-se numa posição ruim, apesar de sermos a oitava ou nona economia no mundo, com um PIB na ordem de 6 trilhões e 600 bilhões de reais.

Apesar do volume econômico que se acumulou na estrada do tempo, não conseguimos reduzir sequer o déficit crônico no setor de saneamento básico. Basta dizer que metade das cidades brasileiras não possuem sistema de tratamento de esgoto.

Vias públicas, principalmente nas áreas mais carentes vivem diariamente à margem de esgotos a céu aberto. Acredito que praticamente a metade das doenças que se registram tem sua origem na falta de saneamento adequado. Nesse ponto estamos falando de milhões de brasileiros. A vulnerabilidade causada pelas doenças contribuem dramaticamente para sobrecarregar a saúde pública.

UMA CALAMIDADE – Por falar no sistema de saúde pública, lemos todos os dias o estado de calamidade que se repete, sem cessar, nos atendimentos nos hospitais e centros de saúde públicos. Milhares de pessoas são alvo da incapacidade governamental. Não só do governo federal, mas também, em grande escala, da incúria dos governos estaduais e municipais.

A cada dois anos, em todas as campanhas eleitorais os candidatos prometem empenho para mudar esse quadro. Mas não acontece nada disso. Como no romance famoso, temos que mudar para tudo continuar como está.

MISTURA EXPLOSIVA – Inércia de mãos dadas com a corrupção, trata-se de uma mistura explosiva que responde em maior parte pela falta de desenvolvimento humano. Jamais poderemos combater a pobreza, se a renda não consegue se desconcentrar pelo menos numa escala capaz de abrigar uma etapa positiva que vá ao encontro da esperança que todos temos de virar a página sinistra próxima à escravidão, apesar de esta vergonha maior ter sido abolida no país há 130 anos.

A dependência dos grupos sociais de baixa renda permanece desafiando a consciência nacional, numa economia que não deslancha. E nem poderia, porque o país é atingido por uma taxa de desemprego impressionante. E só o emprego e o salário podem levar à solução do problema. Fora daí ingressa-se no reino encantado da fantasia teórica.

A Natureza cuida de nós de uma maneira perfeita, diz poeticamente Carmen Cardin

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Carmen Cardin, sempre emoldurada pela Poesia

Paulo Peres
Poemas & Canções

A professora, artista plástica e poetisa carioca Carmen Cardin, garimpeira das palavras e pós graduada em sonhos, ao escrever um de seus mais de cinco mil poemas, encontrou a felicidade neste soneto “Sacerdócio”. 

SACERDÓCIO
Carmen Cardin

A Natureza cuida de nós de uma maneira perfeita:
Eis o Supremo Templo de doçura e de excelsa Luz,
A perfeita Justiça que age tal sereno, doce colheita,…
com que nos acaricia a humildade de Cristo Jesus !

Seduzida pelo mavioso canto dos formosos rouxinóis,
Alimentada pelas carícias das brisas que me movem,
Beijam-me as cachoeiras na pureza dos seus lençóis,
O sol poente e o céu em doirada cortina me envolvem.

Tão ditosa minha vida, andarilha a ouvir as estrelas!
Uma prece diária insufla-me coração ao percebê-las,
Numa romaria de Fé eu sigo, pois creio na Eternidade…

Maior que tudo é o sonho que me comanda e domina,
Espalhar sementes de Fraternidade, essa minha sina,
meu sacerdócio diário. Ser Poeta é a minha felicidade!

Maioria acha que a economia não vai acelerar, afirma a nova pesquisa Datafolha

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Charge do Miguel Paiva (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha publicada domingo na Folha de São Paulo e na segunda-feira em O Globo, focaliza diversos pontos que, de fato, interessam à população brasileira. Entre esses pontos, situa-se a confiança na retomada do desenvolvimento econômico. Mas 31% acham que ela vai ficar como está e 24% acham que vai até piorar. De qualquer forma o resultado não é absolutamente negativo para o governo Bolsonaro, já que 40% dos entrevistados acham que ela vai melhorar.

Ocorre que a taxa de 40% foi detectada no mês de agosto. Na pesquisa atual o mesmo item não foi incluído, embora para 55% a crise econômica não voltará a crescer.

ITEM FAVORÁVEL – Este número é favorável ao governo sobretudo porque dos 55% a parcela de 37 pontos reúne aqueles que acreditam que a crise atual será superada nos próximos meses.

Quanto a avaliação do governo no que se refere ao combate a corrupção a taxa de aprovação cai de 34 para 29%. Isso de um lado. De outro a parcela que contesta os métodos desse combate subiu para 50%. Na penúltima pesquisa a reprovação era de 44 pontos.

Focalizando o desempenho do Executivo na área da cultura, a aprovação ao governo diminuiu de 31 para 28%. A diferença não é grande, e também paralelamente, penso eu, o setor não é influente na opinião pública.

SEM PRIORIDADE – A cultura restringe-se a uma fração ponderável da sociedade mas não com a prioridade com que as classes de maior renda julgam o setor. A cultura popular assim chamada, teria que nortear perguntas a serem respondidas em seguida a uma explicação. Isso porque, sem dúvida, a cultura popular possui grande importância e assim pode ser incluída no processo de percepção.

Um aspecto político bastante importante refere-se ao desempenho geral do governo. O índice de reprovação caiu de 36% para 34 pontos. Assim deixou de subir, aliás como destacaram tanto a Folha de São Paulo quanto O Globo. Enquanto isso a aprovação registrou 29% enquanto o levantamento anterior era de 34%. Finalizando o fato de a aprovação ter melhorado está em posição contraditória, porque  a reprovação elevou-se de 44 para 50%

Esta, sem dúvida é uma contradição que não é do Datafolha, mas de parcela bastante ponderável da população.

Proposta de Paulo Guedes quebraria o INSS e, por isso, terá de ser modificada

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Reportagem de Tiago Rezende e Fábio Pupo, Folha de São Paulo de domingo, revela que a área econômica do governo Bolsonaro passou a admitir a desoneração apenas parcial dos encargos tributário das empresas, por reconhecer a impossibilidade de enfrentar uma acentuada queda de receita para o exercício de 2020. O Ministro Paulo Guedes tinha como projeto uma desoneração muito maior, porém resolveu aguardar a formulação voltada para o projeto de reforma tributária.

A meta de Paulo Guedes é aliviar a contribuição financeira das empresas por considerar que o reflexo seria uma forte redução da faixa de desemprego. Estudos preliminares, entretanto, concluíram pela impossibilidade da desoneração a curto prazo.

SUPERDÉFICIT – Acrescenta a reportagem que as empresas, no que se refere à contribuição previdenciária, recolhem atualmente cerca de 200 bilhões de reais por ano. Isso somente para a folha do INSS.

A folha do INSS, que já apresenta um déficit de 240 bilhões, não suportaria uma desoneração total do empresariado, porque em tal hipótese, na minha opinião, isso significaria o fim da própria previdência social. Isso de um lado.

De outro, segundo a reportagem, o governo está também convencido de que precisa taxar mais a renda e menos do consumo. Por isso passou a considerar a perspectiva de ampliar uma revisão no Imposto de Renda.

TEORIA E PRÁTICA – A equipe econômica finalmente deve ter sentido a diferença entre a teoria e sua colocação na prática. Aliás, na teoria todo plano dá certo, mas quando colocado em prática…

O aspecto dominante é de que a grande parte do consumo depende do nível de emprego e salários. Assim, qualquer cobrança adicional de impostos sobre os salários acarretaria a diminuição forçada do consumo, ou então o endividamento de cada trabalhador para poder sustentar os níveis atuais. Que já são baixos. Mesmo com uma pressão ainda maior, o projeto do Governo jamais poderá ultrapassar o espaço entre a ideia teórica e sua execução no plano concreto.

Outro ponto bastante sensível é quando se coloca em análise o ICMS, imposto estadual, é verdade, mas de grande influência no consumo nacional. Para alterá-lo, é preciso concordância dos governadores. Portanto…

Bolsonaro agiu certo ao revogar ato que excluía a Folha de uma licitação

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro, em boa hora, revogou o ato que havia excluído a Folha de São Paulo da licitação para assinatura de jornais e também do sistema publicitário dos atos oficiais. No caso a publicidade se refere a editais e avisos administrativos do universo do governo. É preciso explicar bem a diferença. Não se trata de publicidade comercial, como os que não conhecem o setor podem pensar. O noticiário sobre o governo é totalmente gratuito e não implica no direcionamento das verbas orçamentárias. A chamada publicidade legal é outra coisa

Foi desfeita assim a exigência que excluía um jornal, por sinal um dos mais importantes do país, da simples licitação para assinatura do jornal impresso e também o acesso às edições online.

LIVRE ACESSO – Com isso, a qualquer hora do dia os jornais na internet podem ser acessados livremente nas repartições e órgãos públicos federais. Foi sem dúvida uma decisão justa e natural porque os jornais, todos eles, refletem o que aconteceu e o que está acontecendo no país, nos estados e municípios. Também vale destacar a mesma forma que abrange o cenário internacional.

Os jornais e a mídia de modo geral, no fundo da questão, representam canais de comunicação entre o que acontece e a opinião pública, que equivale dizer que esses canais são aguardados e recebidos pela população brasileira sem discriminações.

Vale acentuar que o acesso aos diversos canais está aberto à população. Não fosse a mídia de modo geral, o país ficaria sem saber o que de fato se desenrola.

CRIVELLA ERRA… – Enquanto Bolsonaro recua em relação a Folha de São Paulo, na cidade do Rio de Janeiro o prefeito Marcelo Crivella, poucos dias atrás, proibiu a participação da reportagem de O Globo na entrevista coletiva que convocou sobre problemas relativos a obras e ao atendimento pelo setor de saúde aos cariocas. Incrível.

Todos sabem a calamidade do sistema de saúde na capital. Agora mesmo centro de saúde e hospitais anunciam não terem recursos para fornecerem atendimento a quem precisa deles. Se não fossem os jornais e emissoras de TV, o povo não teria como avaliar o desastre da desadministração que reina na cidade.

OUTRO ASSUNTO – É de fato excepcional o filme de Woody Allen, “Um Dia de Chuva em Nova Iorque”. A história é narrada no próprio ritmo das atuações do ator, que, afastando-se do palco, vem se destacando como diretor. Poucos diretores refletiram tão bem a atmosfera da cidade como Woody Allen.

Na chuva os episódios se sucedem com encontros e desencontros que se incluem na vida das pessoas. A busca do amor é realçada como fato essencial. Os que assistirem ao filme vão verificar que a chuva transformou-se em cenário.

Na questão do aço, pensar em recorrer à Justiça dos Estados Unidos é perda de tempo

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Eliane Oliveira, em O Globo, edição de sexta-feira, publicou reportagem ouvindo empresários brasileiros dos setores de aço e alumínio que pensam recorrer à Justiça americana contra a decisão do presidente Donald Trump em aumentar a taxação sobre dois produtos brasileiros exportados. Esses produtos são o aço e o alumínio. A nova taxação bloqueia a colocação no mercado americano dessas exportações brasileiras.

Entretanto, esse recurso é impossível. A Justiça americana não reconhecerá a legitimidade de siderúrgicas brasileiras contra um ato do governo dos EUA.

TUDO ERRADO – Pensando bem, a hipótese é absurda, porque equivaleria a um julgamento contra o governo do país, movido por empresas estrangeiras, como é o caso das indústrias brasileiras.

As novas alíquotas para o aço e alumínio foram fixadas por iniciativa do governo de Washington. E assim não pode ser modificada por iniciativa de empresas brasileiras. Este aspecto da questão é tão evidente que custa crer que exportadores de aço e alumínio pudessem mudar uma decisão de Washington, quando não têm condições legais de terem possibilidade de ver uma ação sua acolhida pelo poder Judiciário nos Estados Unidos.

NA DIPLOMACIA – O caso das tarifas a serem impostas aos produtos brasileiros e argentinos só pode ser resolvido entre os governos dos dois países, aplicando-se a essa hipótese as iniciativas de Brasília e Buenos Aires. Não há a menor condição de se encontrar outro caminho que não um tipo de acordo. Embora dificilmente um acordo poderá ser aceito pela Casa Branca. Significaria um recuo politicamente ruim para o presidente Donald Trump que vai enfrentar eleições em 2020.

Trump já está sofrendo desgaste pelo processo de impeachment que o Partido Democrata desencadeou. Claro que quando chegar ao Senado, somente com argumentos muito fortes o impeachment poderá ocorrer.

APOIO DOS FAZENDEIROS – Mas esta questão pertence ao espaço político e pode de repente mudar de rumo. É preciso considerar essencial para Trump o voto nos setores agrícolas dos EUA. Por que isso?

Simplesmente porque, no caso brasileiro, a desvalorização do câmbio facilita a exportação brasileira em matéria de produtos agropecuários. Voltar atrás, para Trump, significaria perda de votos no mercado interno dos EUA.

Ao proibir repórteres de O Globo na entrevista, Crivella acabou proibindo a si mesmo

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Crivella errou feio ao mandar excluir os jornalistas de O Globo

Pedro do Coutto

O prefeito Marcelo Crivella proibiu os repórteres de O Globo de participarem da entrevista coletiva que havia marcado para anunciar as providências voltadas para o Réveillon no dia 31 em Copacabana. A proibição atingiu um repórter e um fotógrafo. Tentaram participar da entrevista mas não conseguiram. Sofreram violência que atingiu tantos os leitores quanto a própria Prefeitura.

Marcelo Crivella afirma-se contrariado com a cobertura do jornal sobre problemas da Prefeitura. Mas impedir jornalistas de trabalharem não muda as falhas cometidas pela Prefeitura, tampouco a disposição de administrar a cidade, predicado que vem faltando ao próprio prefeito.

AUTOPROIBIÇÃO – Mas eu disse que o prefeito proibiu a si mesmo, na medida em que, para compensar na sua opinião as matérias de crítica, terminou interditando a si próprio, pois perdeu uma ocasião bastante ampla para esclarecer fatos apontados pela reportagem. Isso de um lado.

De outro lado, agiu tanto de forma ilegal quanto de forma inconstitucional. O Supremo, em decisão unânime sobre o tema censura, definiu que a censura prévia é impossível de ser aceita, o que leva o raciocínio para o campo da exclusão de profissionais da imprensa na entrevista no Hotel Fermont. O prefeito perdeu a noção de seus limites, na medida em que marcara uma entrevista coletiva da qual foram excluídos profissionais da imprensa. 

EXCLUSÃO ILEGAL – A entrevista, assim, deixou de ser coletiva, passando a se basear na exclusão inconstitucional e ilegal. Entretanto, o problema principal não está nas reportagens que contrariaram o prefeito. O problema principal encontra-se na própria atuação da Prefeitura. Um exemplo. Também na edição de ontem, O Globo revelou o atraso nas obras de recuperação da Avenida Niemeyer. O que dizer sobre isso? O prefeito deveria encaminhar sua explicação, uma vez que o atraso nas obras atinge a uma ponderável parcela da população do Rio de Janeiro.

Para a população do Rio de Janeiro estava destinada a quase totalidade da entrevista coletiva. Quase totalidade, digo eu, já que O Globo foi afastado de participar de algo essencialmente democrático e legítimo, que é o direito de informar à população sobre o rumo de atos administrativos e obras de interesse público. O prefeito Marcelo Crivella, agindo como agiu, afastou a possibilidade de responder e esclarecer os pontos críticos apontados em sua gestão.

A entrevista de terça-feira dirigia-se ao Réveillon. O noticiário do dia a dia destaca fundamentalmente os desafios que a cidade que já foi maravilhosa coloca à frente do prefeito. Não só do atual mas de todos aqueles que virão depois dele. Foi um erro sua atitude, um gol contra deplorável. Gol contra a lei e a Constituição do país.

O pior é que o presidente da Funarte não acredita mesmo que a Terra seja redonda

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Dante Mantovani só falta acreditar na mula sem cabeça

Pedro do Coutto     

Reportagem Jan Niklas, Luiza Barros e Maria Fortuna, O Globo de terça-feira, destaca firmemente o conteúdo das mensagens que o maestro Dante Mantovani colocou nas redes sociais atacando o rock dizendo que ele é coisa do diabo. Ativa o sexo e em consequência a indústria do aborto. A conjugação desses fatores, disse o maestro, conduz ao satanismo.  Uma sequência de absurdos, como dizer que a Terra não é redonda e as fotografias da NASA são desenhos, maluquices que preocupam, principalmente porque Mantovani foi nomeado presidente da Funarte, substituindo Miguel Proença, um dos maiores pianistas do mundo.

Como a Funarte é justamente a instituição federal encarregada de comandar a política de incentivo às artes de maneira geral, as declarações explodiram como uma bomba nos meios culturais do país.

CONSPIRAÇÃO – Mantovani, de apenas 35 anos, ataca o que chama de aberrações sonoras e vê conspiração internacional na cultura.

Uma coisa chama ainda mais atenção no meio de tantas afirmações espetaculosas: quando ele diz que a antiga União Soviética infiltrou agentes nos Estados Unidos para realizar experimentos com certos discos para crianças.

Acrescenta que existem indícios em larga escala de ações para injetar LSD (ácido lisérgico) no festival de Woodstock realizado em 1968. Em seguida uma afirmação ainda mais chocante e misteriosa, dizendo que a oferta de LSD foi feita pela CIA, a Central de Inteligência americana. E a seguir na sua estrada marcada por absurdos, disse que havia agentes soviéticos atuando na própria CIA.

IMPRESSIONISTAS – Cabe a pergunta: Se a CIA não sabia dessas infiltrações, como seria possível que Dante Mantovani soubesse, se ainda nem tinha nascido? O certo é que, no setor cultural, verificam-se nos últimos dias uma torrente de opiniões impressionistas, como, por exemplo, a de Sérgio Nascimento de Camargo, nomeado para a Fundação Palmares, que tem a seu cargo a tarefa de promover a cultura afro-brasileira.

Muito bem. O que disse textualmente Camargo?  Assinalou que a escravidão foi benéfica para os descendentes de escravos. Disse que não existe racismo no país. Essas afirmações de Camargo provocaram uma onda de indignação pelo país.

Não era para menos. Tais afirmações dos dirigentes empossados causaram estarrecimento geral.

ELES ACREDITAM… – Mas falei no título que o pior da ópera é que os autores dessas afirmações acreditam mesmo no que estão falando. Por isso, os leitores devem analisar os ´posicionamentos como verdadeiros e não como forma de promover alinhamentos na direita governamental.

Isso ainda é pior. Como O fato que aconteceu nas eleições americanas de 1964. O candidato republicano Barry Goldwater foi a televisão e disse que, se eleito, lançaria uma bomba atômica na China e acabaria dessa forma com a guerra do Vietnã.

Lyndon Johnson imediatamente foi aos canais de televisão. E disse o seguinte: não pensem que meu adversário disse isso apenas para agradar o eleitorado republicano. Ele pensa exatamente isso, e se eleito cometeria tal desatino.”

Cai o número de funcionários na ativa, mas cresce o número de aposentados

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Reportagem de Marcelo Correa, O Globo de segunda-feira, destaca que em 2019 quase 34 mil funcionários federais pediram aposentadoria, temendo a hipótese de qualquer restrição depois de promulgada a reforma da Previdência. Enquanto isso, o governo nomeou cerca de 9,7 mil aprovados em concurso público. À primeira vista, pode parecer que a folha de pagamento encolheu, sobretudo porque o número de aposentadorias concedidas alcançou um recorde para 12 meses.

As despesas, contudo, subiram porque os 33 mil funcionários passaram da folha de ativos para a folha de inativos. Para o governo as despesas são acrescidas com a nomeação de 9,7 mil concursados.

A FOLHA AUMENTA – Esse é o panorama real que envolve despesas com o funcionalismo público. Deve se considerar que quanto mais sobe o número de aposentados, cresce também a folha com inativos. A reportagem de Marcelo Correa acentua que o plano do governo, segundo aponta Wagner Lenhart, secretário de gestão e desempenho do Ministério da Economia, é ir reduzindo progressivamente o quadro efetivo. até que resulte numa diminuição de 50%.

Esses 50% representam 383 mil funcionários, partindo-se do princípio de uma não reposição decorrente da suspensão dos concursos. Isso de um lado.

De outro lado, na área do INSS, portanto, relativamente à área dos regidos pela CLT, o governo estuda reduzir os servidores do órgão em face da entrada em execução de um projeto que permite a substituição da mão de obra humana pelo sistema eletrônico. Grande parte dos serviços pode ser realizado pela Internet.

HÁ UM ENGANO – Entretanto, com relação ao INSS, o fato da redução da presença humana na máquina administrativa não traduz exatamente uma economia financeira porque aparentemente o sistema projetado pelo Ministério da Economia dificilmente vai concluir pela permanência dos aposentados celetistas no mercado de trabalho. O engano decorre do fato de os atuais técnicos previdenciários não focalizarem a permanência de aposentados no mercado de trabalho.

Ao contrário do que muitos possam pensar, a permanência de aposentados na ativa produz aumento de receita para o INSS. Isso porque os aposentados que continuam trabalhando recolhem para a Previdência Social e tal recolhimento nada acrescentará ao valor de suas aposentadorias. Isso é bom para a Previdência e também para elevar, por mínimo que seja, a capacidade de consumo de grande massa de trabalhadores e trabalhadoras.

DESEMPREGO – Mas é verdade que a receita do INSS decorre do emprego formal e este sofreu forte redução nos últimos anos. Para se ter uma ideia concreta, basta dizer que dos 100 milhões que formam a mão de obra ativa brasileira, cerca de 40% não possuem vínculo empregatício. É uma porta aberta para descapitalização previdenciária e outra porta aberta para a sonegação por parte dos empregadores.

Finalizando, quero lembrar que os empregadores formais ainda contribuem com 20% sobre as folhas de salário.

Autoritarismo de Bolsonaro já causa preocupação aos poderes Legislativo e Judiciário

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Esse é o ponto nevrálgico do período que estamos vivendo no Brasil. Reportagem de Thais Arbex, edição de domingo da Folha de São Paulo, focaliza o tema acentuando que existe um clima voltado para o autoritarismo do Palácio do Planalto. Sem dúvida percebe-se na atmosfera de Brasília uma compressão com a qual o governo Jair Bolsonaro volta-se mais para a centralização do que pela divisão dos poderes. Os exemplos são dois bastante significativos.

O posicionamento restritivo do Planalto para as empresas que publicam anúncios publicitários na FSP e as manifestações seguidas do presidente da República solidarizando-se com vitórias eleitorais obtidas pelo conservadorismo como foi o caso do Uruguai e da Espanha.

DIFERENÇA – Cotejando-se essa conduta com a que marcou a vitória do peronismo nas urnas argentinas verifica-se bem a diferença entre um posicionamento e outro.

Há um temor, acentua Thais Arbex,  de uma recriação parcial do autoritarismo, peça fundamental de projeto político no qual a democracia não se mostra firmemente presente. Os projetos de reforma do ministro Paulo Guedes enquadram-se nesse movimento político quando se abrem as cortinas das votações.

Ontem mesmo, em uma entrevista de duas páginas em O Globo, o ministro Paulo Guedes disse estar obtendo apoio do presidente Bolsonaro para tocar projetos que estão por vir como é o caso das reformas administrativa e tributária.

RAZÃO SIMPLES – Ora, é claro que o presidente da República só pode apoiar esses projetos por uma questão bastante simples: cabe a ele encaminhá-los através de mensagens ao Congresso Nacional. E pela apresentação do tema, tem-se a impressão que os projetos do governo são mais do ministro da economia do que do próprio presidente da República. Mas esta é outra questão.

O ponto essencial se projeta quando a classe política sente na atmosfera uma densidade maior do que o normal no que tange aos temas ideológicos. O governo não está sabendo situar-se no universo político, uma vez que, ao concentrar em si próprio posições sectárias e conservadoras, está isolando o poder central de todas as forças não partidárias do país. Caso da opinião pública.

SEM PARTIDO – No que se refere as questões partidárias Jair Bolsonaro rompeu com as que já existem, dispondo-se a criar um novo partido em cuja legenda pretende se aliar.

Liderar e centralizar, uma vez que, ao criar uma nova legenda, ele anuncia paralelamente não identificar qualidades em nenhum dos atuais partidos políticos. Esse fato é importante, porém mais importante ainda é seu alinhamento numa faixa centro-direita, que a meu ver pode terminar mais à direita do que ao centro.

Por isso mesmo, daí a preocupação, o presidente da República precisa exaltar mais a democracia e menos o autoritarismo. Esta é a questão essencial.

Desemprego continua alto e ainda não dá sinais da reação prevista pelo governo

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Charge do João Bosco (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de O Globo de sábado, assinada por Pedro Capetti, destaca que, apesar da criação de vagas no segundo semestre, o desemprego no país permanece atingindo 12,4 milhões de homens e mulheres que continuam aguardando uma oportunidade. Portanto, as reformas trabalhista e previdenciária ainda não surtiram reflexo na composição da mão de obra brasileira. Francamente, digo eu, o processo será lento, não podendo alterar-se como num passe de mágica.

Mas não é esta a questão essencial. O mais importante é que no horizonte não surgiram ainda sinais da ampliação da oferta de vagas.

PROGRAMAS PARALELOS – Uma maior oferta de vagas é fundamental não só para recuperar empregos, como também para abrir espaço aos jovens que tentam entrar no mercado de trabalho até mesmo como aprendizes. É preciso, ao lado do combate ao desemprego, haver programas paralelos com medidas capazes de permitir o ingresso de jovens no mercado de trabalho.

No Brasil nascem por ano 1,7% e morrem 0,7% da população. Assim, a diferença de 1% tem de ser projetada sobre o total de habitantes. Por aí se vê que a cada ano a população brasileira aumenta em 2 milhões de pessoas. Se é esse o índice demográfico, evidentemente também a cada 12 meses 2 milhões de pessoas procuram ingressar no mercado de trabalho. Não encontrando vagas, produzem reflexo no mercado de consumo que no fundo sustenta a produção econômica.

MUDANÇAS NA EQUIPE – Talvez por isso, como acentua Adriana Fernandes, em O Estado de São Paulo, o ministro Paulo Guedes começou a articular mudanças em sua equipe, no princípio remanejando posições, porém na realidade todos sabemos que se trata de um movimento natural para substituições de técnicos que, segundo Guedes, não estão produzindo ideias e projetos capazes de romper o círculo que impede a retomada do desenvolvimento econômico.

O ministro, na minha opinião superestimou a capacidade das reformas, sobretudo a da previdência, para refletir positivamente na ampliação de vagas no mercado de trabalho e, consequentemente, no mercado de consumo. E o mercado de consumo é a única forma possível de levar a indústria a produzir um volume maior do que aquele que está se desenvolvendo no panorama econômico social do país.

Adriana Fernandes informou quais as recolocações esboçadas para os cargos no Ministério da Economia. Um deles a do secretário Mansueto de Almeida, que nega ter seu nome na lista.

UM OUTRO ASSUNTO – O presidente Bolsonaro está agindo com precipitação, ao utilizar o peso e a influência de seu cargo para evitar que até empresas particulares possam publicar seus anúncios na Folha de São Paulo.

Esse caminho deixa no ar uma sensação de perplexidade. Não só pela intervenção do poder público sobre entes privados, mas também pela repercussão nacional e internacional de tal medida. Essa indevida intervenção de Bolsonaro só produzirá efeitos negativos para a administração pública e para o governo.

Informação a Bolsonaro: na democracia, obras de arte e cultura são totalmente livres

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Charge do Edu Oliveira (humorpolítico.br)

Pedro do Coutto

Ao empossar ontem o novo Secretário de Cultura, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a cultura tem de ser desenvolvida de acordo com a preferência da maioria da população. Isso não tem cabimento. As obras de arte e o processo cultural, exemplos não faltam, têm de ser completamente livres, não podendo ser objeto decorrente da intervenção do Estado. O presidente da República acenou com a intervenção estatal, na medida em que defendeu a sintonia da cultura com a vontade da maior parte da população brasileira.

A princípio, parece que ele deseja colocar a evolução da cultura através de um plebiscito ou de uma pesquisa, seja do Ibope ou Datafolha, capaz de tomar o pulso da vontade aparente de todas as classes sociais.

LIVRE CRIAÇÃO – Nada disso pode existir, simplesmente porque as obras de arte são de livre criação, inclusive de gênios como Da Vinci, que transportam a liberdade na concepção de suas obras. Colocar a cultura e a arte num condicionamento assegurado pela vontade estatal, através dos séculos, somente existe no extremismo do nazismo e do comunismo.

Para se ter uma ideia da liberdade essencial no campo da arte basta dizer que através de todos os tempos não se registram casos de uma obra de arte interditada ou censurada que depois, ao passar dos anos, não tenha sido publicada ou exibida livremente. Isso demonstra que a percepção do valor de qualquer obra depende da visão de artistas, os quais, como sempre, estão à frente do seu tempo.

ANOS DE CHUMBO – A censura atingiu várias obras no Brasil de 64 a 85, principalmente no campo da literatura, música, teatro e cinema. Também na televisão, em cuja esfera “Roque Santeiro” passou por várias objeções até que a obra se transformou numa comédia social de alta categoria.

Exemplos não faltam. Na literatura, por exemplo, casos como de “Madame Bovary”, na França, acrescentaM um exemplo de intolerância. O romance “Eu Acuso”, de Emile Zola, é outro caso. Quanto a “Madame Bovary”, Gustave Flaubert respondeu a um processo judicial, isso num país culturalmente forte como é o caso da França. O autor do livro, ao se defender em um tribunal afirmou:”Madame Bovary sou eu”.

MUITA CENSURA – No cinema os exemplos são tantos que preenchem o absurdo da censura ou da interdição. O filme “A Mulher do Padeiro” é emblemático pelo caráter de desinformação sobre a qual repousa o falso moralismo imposto por governos sectários.

No Brasil há exemplos em série, atingindo principalmente obras de Nelson Rodrigues. Os radicais atacavam o conteúdo de peças teatrais sob alegação de que situações expostas não poderiam acontecer na realidade. O livro “O Casamento”, outra obra de Nelson, foi vítima de uma interdição. O crítico José Lino Grunewald sustentou que “O Casamento” era muito mais revolucionário do que aqueles que desejam interditar essa obra.

OS “INTÉRPRETES” – Assim,  a cultura e a arte têm sempre pela frente aqueles que se consideram capazes de interpretar a vontade coletiva. Isso, mesmo que a vontade coletiva não possa se constituir em exemplo, simplesmente porque não se pode exigir de segmentos menos informados que possam fazer julgamento sobre a qualidade das obras literárias, do teatro e do cinema.

Como é possível se querer que as obras de James Joyce e Marcel Proust estejam ao alcance da população em geral. Só se chega à obra de arte quando seus autores sentem-se livres para criar. E com essa liberdade, criam produções eternas na cultura dos povos.

Banco Central corta juros, que continuam escandalosos, e cria alíquota sobre contas

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Charge do Gilmar (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Finalmente o Banco Central, que seguidamente intervém no mercado de câmbio, desta vez fez uma intervenção bastante positiva para derrubar e limitar a taxa de juros do cheque especial a 8% ao mês. Para que se tenha uma ideia do absurdo vale assinalar que os juros agora limitados atingiam taxa mensal de 12%. Os juros do cheque especial e as taxas cobradas pelo refinanciamento das despesas com cartões de crédito são as principais causas da inadimplência que no país envolve 64 milhões de pessoas.

Acredito que nenhuma taxa no mundo seria capaz de se igualar aos percentuais brasileiros. Os economistas que defendem o que chamam leis de mercado devem ter ficados surpresos com a medida do governo Bolsonaro que assim procurou estabelecer um novo equilíbrio nas operações financeiras da classe média e dos grupos sociais de menor renda. No entanto é preciso atenção porque o ato do BC só entra em vigor no dia 6 de janeiro de 2020.

350 BILHÕES!!!- Para se ter melhor visão sobre a incidência das taxas percentuais relativas ao cheque especial basta dizer, como destaca Renata Vieira, reportagem de O Globo de quinta-feira, alcançaram em números absolutos 350 bilhões de reais. Desse montante a parcela de 26 bilhões foi efetivamente usada pelos clientes.

A partir desse ponto a mão de tigre do mercado chega à conclusão (absurda) que cerca de 325 bilhões parados representa um custo para o sistema financeiro e assim para não se desestabilizar cobra os juros que vinha cobrando dos cheques especiais. Não se compreende na verdade o que os bancos consideram indisponibilidade com contratos não utilizados pelos clientes com o cheque especial. É difícil acreditar que com tantos especialistas de altíssimo nível os bancos não pudessem realizar movimentações que superam o volume de cheques especiais e de cartões de crédito.

LUCRATIVIDADE – Tanto é assim que os balanços trimestrais do Itaú e Bradesco destacam uma lucratividade entre 16 e 17 bilhões de reais. No meio da resolução de quarta-feira, o Banco Central fixou uma alíquota de 0,25% sobre os limites que superarem 500 reais. A tarifa será deduzida dos juros aplicados nos cheques especiais. Para quem não utilizou seu limite a tarifa de 0,25% não será devolvida ou embutida nos juros de 8% ao mês.

Mas é preciso portanto que todos os correntistas prestem atenção a essa alíquota de o,25%. Uma armadilha, pois ela incidirá sobre estoques não utilizados nos limites especiais. No total, acentua Renata Vieira, 80 milhões de pessoas usam os cheques especiais. Atenção, portanto, porque o 0,25% não serão cobrados sobre os saldos dos clientes que recusarem terem suas contas vinculadas à necessidades adicionais de crédito.

DIZER “NÃO”! – Devem dizer que não desejam os famosos cheques especiais. Seria mais prático que o silêncio significasse discordância e não a necessidade da discordância ser formalizada. O escândalo dos juros brasileiros pode ser sintetizado no fato de para uma inflação anual inferior a 4% ao ano, os juros alcancem o dobro desse percentual cobrados em 30 dias.

Em suma, os atuais 15% ao mês no cheque especial significam juros de 435% ao ano. Com 8% ao mês, caem para 152% ao ano, o que também é uma indignidade imoral, porém legal, na visão da Justiça brasileira.

Aurélio Buarque de Holanda nem precisou do dicionário para fazer um poema de amor

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Aurélio era o homem-dicionário

Paulo Peres
Poemas & Canções

O crítico literário, lexicógrafo, filólogo, professor, tradutor e ensaísta alagoano, Aurélio Buarque de Holanda (1910-1989), também usou as palavras poeticamente para nos brindar com este belo soneto “Amar-te”.

AMAR-TE
Aurélio Buarque de Holanda

Amar-te – não por gozo da vaidade,
Não movido de orgulho ou de ambição,
Não a procura da felicidade,
Não por divertimento à solidão.

Amar-te – não por tua mocidade
– Risos, cores e luzes de verão –
E menos por fugir à ociosidade,
Como exercício para o coração.

Amar-te por amar-te: sem agora,
Sem amanhã, sem ontem, sem mesquinha
Esperança de amor, sem causa ou rumo.

Trazer-te incorporada vida fora,
Carne de minha carne, filha minha,
Viver do fogo em que ardo e me consumo.

Com AI-5 e dólar, Paulo Guedes leva governo Bolsonaro a uma dupla contradição

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Charge do Davilson (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Com seu pronunciamento na tarde de terça-feira, reproduzido com destaque nos jornais de ontem, o ministro Paulo Guedes levou o governo Bolsonaro a uma dupla contradição. Em primeiro lugar, produziu grande desconforto ao citar o Ato Institucional nº 5. Em segundo lugar, tentou justificar a subida do dólar em relação ao real, incentivando indiretamente a compra e operações com a moeda estrangeira no país.

Na Folha de São Paulo, foi manchete principal do jornal, reportagem de Júlia Moura e Eduardo Cucolo. Em O Globo, a matéria foi assinada por Rennan Setti, Renata Viiera e João Sorima Neto.

SOBE E DESCE – Claro, como era esperado, o dólar subiu e a posição do Governo desceu alguns andares no plano político, notadamente com as reações do deputado Rodrigo Maia e do Ministro Dias Tofolli. Neste caso, por ameaçar indiretamente qualquer onda de protesto contra as medidas que vem colocando em prática.

O ministro  Paulo Guedes necessita, para dizer o mínimo, de uma melhor assessoria política, uma vez, como dizia o ministro Roberto Campos, toda medida econômica repousa sobre o universo político. O erro está aí. Uma dupla contradição, pois não interessa a sua principal base de ação, mesmo por hipótese remota, a lembrança da decretação de uma medida profundamente radical como o AI-5.

Isso de um lado. De outro, tampouco interessa à indústria brasileira um fato cujo reflexo conduz a economia a investimentos a base de dólar.

E OS RENTISTAS? – É o caso do confronto entre os capitais rentistas e os capitais voltados para o desenvolvimento industrial, único caminho além da recuperação de salários, para fazer o Brasil retomar o desenvolvimento econômico. Não é somente esse passo, mas certamente talvez o principal para o desenvolvimento do país.

Há obstáculos grandes pela frente, o que significa uma lista de dificuldades, e a primeira das quais é o temor de protestos nas ruas e nas praças do país. Mas não será com medidas extremas que o Palácio do Planalto alcançará os objetivos com os quais se comprometeu em sua caminhada vitoriosa nas urnas de 2018.

A sociedade não aceita ser ameaçada por atos radicais. Esses atos podem até acontecer. mas isto não significa que seu autor receba o apoio popular. Mas esta é outra questão.

E O DÓLAR? – Um dos fatores essenciais da crise econômica reside na valorização do câmbio contra os interesses legítimos de nosso país. A subida do dólar, num primeiro lance de dados, pode favorecer as exportações. Mas logo o segundo degrau influi diretamente nas importações. Além disso, influi nas dívidas existentes no exterior expostas ao risco de câmbio. Portanto, por aí se constatam duas situações, uma colidindo com outra.

Fechando o vértice do triângulo vamos encontrar as posições de Rodrigo Maia, Dias Tofolli, além de várias lideranças políticas. A reportagem de O Globo assinala inclusive que a moeda americana subiu apesar da intervenção no mercado praticada pelo Banco Central. O dólar já subira 5,7% no mês de novembro e vai continuar subindo.

Bancos “generosamente” renegociam dívidas incobráveis de 64 milhões de pessoas

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Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

As grandes instituições bancárias do país – Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Santander e Caixa Econômica Federal – anunciaram ontem que de 2 a 6 de dezembro vão concentrar seus trabalhos na negociação das dívidas de 64 milhões de brasileiros que ingressaram no terreno da inadimplência. São aqueles clientes que se encontram com mais de 90 dias sem pagar o que devem. A reportagem de Rennan Setti e Patrícia Valle destaca bem a questão da inadimplência, na edição de terça-feira de O Globo.

Os descontos são enormes, superando até as expectativas dos próprios devedores. É sinal, digo eu, de que as dívidas que contraíram são impossíveis de cobrar, por vários motivos, entre os quais a ausência de bens a serem executados. Além disso como poderia o sistema bancário acionar 64 milhões de pessoas? Seria perda de tempo. Renegociando os débitos, os bancos conseguem reduzir a inadimplência que se generalizou no Brasil.

CONSUMO BAIXO – Com uma inadimplência desse nível, é impossível aumentar o consumo de bens no país. Para ampliar o consumo, de fato só existem dois caminhos: reduzir o desemprego, valorizando os salários, ou então levando a sociedade a quitar suas dívidas hoje, porém nesse caso existe o risco social de criar as dívidas de amanhã.

Isso porque, com a quitação de débitos em atraso, o mercado consumidor passa a realizar novas compras a prazo, o que conduzirá a uma nova fase de inadimplência, tão logo passem os efeitos do 13º salário.

É um desafio para o governo Bolsonaro, sobretudo porque, formalizado novo endividamento, será ainda mais difícil para os bancos e financeiras obterem sucesso através da nuvem de ofertas sedutoras.

LANCE DE DADOS – Realmente, o montante do endividamento será altamente nocivo para todos: governo, bancos, financeiras e lojas com financiamento direto. O lance de dados agora volta-se para a tentativa de fazer a roda girar, elevando a capacidade de compra e sua disposição de fazê-lo por classes assalariadas que se encontram em dificuldades, a qual se torna impossível de cobrar na mesma proporção que os consumidores têm de pagar.

Dentro desse quadro, a publicidade intensifica-se para fazer com que o mercado adquira os produtos à venda com juros embutidos previamente nos preços. Mas esta é outra questão. A meu ver é fundamental chegar à conclusão de que a grande fonte de consumo é a população brasileira. Mas sua dificuldade aumenta na mesma proporção causada pela incidência de juros sobre as compras oferecidas.

Assim não fosse, claro, o sistema bancário não proporia a redução das inadimplências, uma vez que assim agindo diminui seus lucros. Entretanto, o desafio só terá solução quando o desemprego diminuir. Mas não só o desemprego, também os salários não perderem para a inflação.