Lula perde no Supremo mais um oportunidade para deixar a prisão

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Charge do Luiz Gê (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O Ministro Edson Fachin, relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, indeferiu o pedido de habeas corpus formulado pela defesa de Lula para que o ex-presidente obtivesse a liberdade. A matéria estava para ser apreciada pela 2ª turma do STF na próxima terça-feira, 26 de junho. Entretanto com o despacho de sexta-feira, o recurso automaticamente sai da pauta. A 2ª turma da Corte Suprema é composta pelos Ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Celso de Mello e pelo próprio Fachin.

Certamente os advogados de Lula esperavam que o habeas corpus fosse decidido a favor do ex-presidente, que assim poderia retomar o caminho para a atividade política e presumivelmente tentar nessa condição participar da sucessão presidencial de outubro.

PRIMEIRA PÁGINA – A Folha de São Paulo e o O Estado de São Paulo destacaram o fato com chamadas na primeira página. O Globo também colocou na primeira página a notícia. Agora aos advogados de Lula só resta o caminho de recorrer ao Plenário do STF contra a decisão de Fachin. O que faz com que seja eliminada a hipótese do habeas corpus ser decidido agora pela Segunda Turma. A defesa de Lula jogava todas as fichas na segunda turma do STF.

O despacho de Edson Fachin bloqueou esse encaminhamento e, com isso, tacitamente fechou a passagem, não só para a liberdade, mas também para a tentativa de vir a ser ele o candidato do PT nas urnas de outubro. Não que o habeas corpus pudesse modificar a barreira da inelegibilidade. Mas sim porque seria um passo capaz de transferir o debate para um plano no qual Luis Inácio da Silva não se inclui.

IMPOSSIBILIDADE – Lula, com base nos fatos de hoje, provavelmente estará convencido da impossibilidade de disputar a 8ª eleição presidencial de sua carreira. Ele perdeu para Collor, duas vezes para Fernando Henrique Cardoso, elegeu-se e se reelegeu e proporcionou duas vitórias a Dilma Rousseff.

Um recorde mundial, creio eu, difícil de ser batido. Se pudesse disputar este ano, seria a 8ª vez a estar presente num desfecho proporcionado pela base popular. Afastada tal hipótese ele fatalmente terá de escolher entre apoiar um candidato ou então como se noticiou, escolher Fernando Haddad como nome do PT à sucessão. O futuro próximo dirá qual seu caminho no rumo de outubro.

VITÓRIA DRAMÁTICA – Voltando a falar em Copa do Mundo, foi dramática a vitória da Alemanha sobre a Suécia na tarde de ontem. Nos últimos minutos surgiu o gol da vitória. Se persistisse o empate a Alemanha estaria afastada da Copa. Em sua chave estão o Mèxico, Suécia e Coreia do Sul. México com 6 pontos lidera. Em segundo lugar, empatadas Suécia e Alemanha com 3. Matematicamente eliminada a Coreia do Sul que sofreu duas derrotas. Vai enfrentar a Alemanha na próxima semana, da mesma forma que a Suécia poderá decidir seu destino contra o México. Quadro ainda indefinido.

O futebol desperta emoções e paixões na linha que divide a vitória da derrota, o êxito do fracasso. A chave liderada pela Suécia é a mais enigmática como etapa na luta na Copa da Rússia. O Brasil retorna ao gramado quarta-feira, enfrentando a Sérvia. A situação brasileira, a meu ver, está favorável à classificação. Inclusive porque, contra a Suíça a seleção da Sérvia, no segundo tempo deixou claro que não se encontra em bom estado atlético. Não correu no empate com a Suíça o suficiente para evitar sua derrota. Bem, vamos esperar os acontecimentos.

Lembrando Nelson Rodrigues: “Todas as vitórias são santas”

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Foi difícil passarmos pela Costa Rica, jogo duríssimo, um sufoco, que fez a vitória surgir no final do segundo tempo. Vencemos e vamos em frente. Em momentos assim lembro a frase do meu amigo Nelson Rodrigues: “Todas as vitórias são santas”. E acrescento. Nas vitórias devemos agradecer a Deus e valorizar a etapa conquistada. Foi difícil. A Seleção de Ouro só melhorou no segundo tempo com a entrada de Douglas Costa no lugar de Willian. Foi a partir desse momento que o escrete apurou suas jogadas ofensivas, tornando o gol iminente.

Custou a vir  até que Felipe Coutinho aproveitou a pressão sobre a área do adversário e mandou a bola na rede. Por que a seleção não jogou ofensivamente desde o início da partida?  Uma pergunta a ser respondida pelo técnico Tite.

UMA REPRISE – No primeiro tempo, quase repetimos  a atuação contra a Suíça. Excesso de troca de passes, velocidade reduzida, são fatores que fizeram a Costa RIca crescer. Estávamos mal posicionados em campo com afunilamento entre a esquerda e o centro do ataque. Não estávamos ocupando o espaço com o toque de primeira. O panorama ao fim da primeira etapa era preocupante. Chutamos pouco a gol e a defesa tinha que cuidar dos contra-ataques. A entrada de Douglas Costa foi providencial. Importante é que praticamente garantimos a passagem da fase classificatória para as oitavas de final.

Substituições providenciais acontecem sempre no futebol. Basta lembrar o exemplo de 58: quatro substituições foram feitas a partir do jogo contra a Rússia. Pelé no lugar de Dida, Zito no lugar de Dino Sani, Vavá no lugar de Mazola e Garrincha no lugar de Joel. Podemos até acrescentar uma quinta modificação: na final contra a Suécia entrou Djalma Santos no lugar de De Sordi.

GARRINCHA E PELÉ – Vejam só. Da classificação até a final quase meio time deu lugar a outro. Foi a partir da vitória contra a Rússia que passamos a percorrer a estrada da vitória, com Garrincha deslumbrando o mundo inteiro. E Pelé, aos 17 anos, afirmando-se como um craque absoluto. Mas isso pertence ao passado.

Estamos no presente, Copa de 2018. Na chave, o Brasil falta enfrentar a Sérvia. A equipe deve melhorar ainda mais, alcançando um fator que falta: a confiança e a integração no conjunto da equipe.  Vamos em frente sem nos preocuparmos com qual adversário vamos enfrentar nas oitavaS de final.

TUDO BEM – Uma seleção que é candidata ao título não deve se preocupar com quais adversários as próximas lutas vão ser travadas. 

Se for contra a Alemanha, tudo bem. Nem por isso vamos deixar de desenvolver nosso futebol. Faz parte da história do esporte.  Enfim, a vitória desta sexta-feira vai nos embalar para atuações melhores.

Uma coisa a ser corrigida: as reclamações seguidas de Neymar que terminam irritando os árbitros. É negativo. Tão negativo quanto conter demasiadamente a bola nos pés. Hoje ele soltou mais rápido a bola, o que é um bom sinal para os próximos jogos que teremos pela frente. Amém.

Seleção de Tite, hoje deve atuar mais solta no caminho da classificação

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Neymar levou cartão e devia parar com o cai-cai

Pedro do Coutto

Depois do empate com a Suíça, na partida em que atuou prendendo demais a bola e condicionada a esquemas rígidos, hoje a seleção entrou em campo com a responsabilidade de obter a classificação nas oitava de final. A Costa Rica não era problema em si, problema era a forma com que o escrete brasileiro ia jogar. Se desenvolvermos o potencial que é a base da Seleção, devemos partir para a classificação e o esforço para conquistar o hexacampeonato na Taça da Rússia.

Reportagem de Ciro Campos e Márcio Doban, edição de ontem de O Estado de São Paulo, destaca que o técnico Tite encontra-se sob tensão diante da responsabilidade de comandar o time. Tensão nas poucas horas que antecedem o início da partida é um fenômeno geral e natural nas competições de maior porte. Sobretudo no futebol em que a tática é capaz de neutralizar a técnica e até a arte dos melhores atletas.

NOSSO PROBLEMA – Afirmei que a Costa Rica não era o problema. O problema é a nossa própria seleção, que através dos tempos passou a valer ouro no universo do futebol.

O universo mágico do futebol, como se sabe, revela um esporte coletivo altamente complexo, que exige não só a qualidade , mas sobretudo a calma diante dos adversários. Não podemos repetir o erro de neutralizarmos nós mesmos. Isso só depende dos próprios jogadores brasileiros e também da percepção por parte do treinador Tite.

Um dos pontos chave do jogo encontra-se nos pés de Neymar. Ele tem que se colocar mais a frente, uma vez que é mais atacante do que o meio campo brasileiro.

JÁ GANHOU – Depois da Suíça e Costa Rica, teremos a Sérvia pela frente. Uma partida provavelmente mais difícil do que a de hoje. Não podemos, por outro lado, partir para a sensação do “já ganhou”, extremamente negativa para qualquer equipe. O “já ganhou” nos derrotou em 1950 e deixou suas marcar na memória do esporte.

Por isso tivemos que respeitar a Costa Rica, que se concentrou na defesa, procurando com a tática neutralizar a técnica. Mas a arte foi decisiva hoje, não só para vencer a partida, mas sobretudo para restabelecer um clima de confiança em nós mesmos. Não podemos cair no abismo do que Nelson Rodrigues chamava de complexo de vira-lata, a sensação de inferioridade, que constitui  nosso maior obstáculo.

Se depender do jogo de hoje, estaremos, se Deus quiser, no caminho da vitória até o desfecho final de 15 de julho. O treinador Tite tinha uma dupla missão: fazer com que Neymar não prendesse demais a bola nem praticasse dribles desnecessários. Além disso, soltar a equipe e deixá-la jogar mais à vontade, livrando-se de planos pré-concebidos. É isso aí.

Tite precisa dizer a Neymar para não prender tanto a bola

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Na tarde de ontem, através de video divulgado pela própria CBF Neymar afirmou que não sentiu mais dor no tornozelo e que, assim, entrará em campo amanhã para enfrentar a Costa Rica. Havia dúvidas quanto a sua presença e a própria Confederação empenhou-se para assegurar que ele pisará o granado.

   Neymar vem sendo objeto de enorme número de comentários nas redes sociais, com a maioria fazendo críticas a seu modo de jogar e também à forma de se apresentar publicamente. Vamos deixar a questão do cabelo para lá. Não interessa ao futebol, mas o próprio Neymar deve ter sentido a reação tanto assim que mudou a forma de se pentear. Mas o mais importante é sua maneira de conduzir a bola centralizando exageradamente sua presença nas ações ofensivas. Aí entra a liderança do técnico Tite.

ORIENTAÇÃO – O treinador está no dever de falar com o craque e dizer a ele que não prenda tanto a bola, não exagere nos dribles, não se exponha tanto à marcação que desaba sobre ele.

Reportagem de Rafael Ramos, edição de ontem de O Estado de São Paulo, destaca as opiniões divulgadas nas redes sociais, a grande maioria revelando preocupação com o individualismo desenvolvido pelo atacante. De fato, prender a bola demasiadamente e ter o impulso para dar alguns dribles antes de dar sequência aos passes é algo prejudicial ao seu próprio desempenho e ao  desempenho da Seleção como um todo.

Em primeiro lugar porque o atraso nas ações ofensivas favorece a marcação adversária e faz com que o ataque brasileiro perca em velocidade. Retendo a bola em seus pés qualquer jogador faz com que o adversário se arme na defesa, o que corresponde logicamente ao time marcar a si mesmo.

O técnico Tite, claro, já percebeu o defeito, sem dúvida. Profissional atento, conhecedor pleno do futebol seria uma tolice admitir-se que ele não percebeu o que todos perceberam. Cumpre entretanto o dever de como treinador orientar taticamente a equipe. Neymar deve receber bem a mensagem para que solte a bola de primeira e com isso, não atrapalhe os ataques brasileiros. O caminho do gol é o que motiva o futebol e o que pode levar o selecionado a chegar mais rápido a área dos adversários.

PESQUISA –   Tite, se desejar, pode percorrer as redes sociais da internet, como fez Rafael Ramos, e verificar, ele próprio, para que direção se voltam as opiniões das multidões que se colocam à frente de seus computadores. Se só os profetas enxergam o óbvio, como dizia Nelson Rodrigues, e o acesso à internet pode substituir muito bem as profecias. Até porque eliminam o risco de previsões que podem não se confirmar.

O caso Neymar é de uma simplicidade absoluta. Ninguém nega sua extraordinária qualidade. Deseja-se apenas que ele use mais sua grande qualidade para o esforço coletivo rumo à vitória dos gramados da Rússia.

Se Neymar não puder jogar, nem por isso deixaremos de confiar no time

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Marcação implacável anula (e machuca) o craque

Pedro do Coutto

No meio da tarde de ontem, terça-feira, surgiram notícias de que Neymar sentiu o tornozelo e não pode treinar mais do que 15 minutos. Se não jogar contra a Costa Rica alguém vai substituí-lo, e nem por isso, devemos deixar de torcer e confiar em nosso time. Futebol é assim. Em 62,  jogamos sem Pelé e conquistamos a Taça do Mundo com Amarildo entrando em seu lugar. Me lembro bem da manchete do jornal Última Hora que ajudou a manter entusiasmo e confiança. O jornal não existe mais, mas a manchete valeu: “Pelé: Venceremos com Amarildo”. E vencemos.

Agora a grande estrela é Neymar e ele se a contusão de mantiver não deverá entrar em campo. Que fazer? Confiar naquele que o substituirá. O futebol brasileiro possui muitos craques. Mas ninguém ganha sozinho. Futebol é conjunto. Temos Gabriel Jesus, William para citar esses dois exemplos.

TRANQUILIDADE – Temos que nos inspirar na entrevista do zagueiro Tiago Silva aos jornalistas Ciro Campos e Leandro Silveira, edição de ontem de O Estado de São Paulo. Disse ele: “Temos, com a experiência que acumulamos, que manter a tranquilidade e buscar a vitória confiando em nós mesmos”.

De fato, digo eu, a tranquilidade é fundamental no futebol. Sobretudo na Copa da Rússia, pois esquemas táticos defensivos têm atrapalhado o pleno desempenho das seleções consideradas favoritas para os primeiros postos. Não há partida fácil em Copa do Mundo.

 E os jogos são sempre difíceis, o que não surpreende, uma vez que de quatro em quatro anos um maior número de seleções absorve novos conceitos, principalmente quanto à defesa.

AULAS NA TV – Há que se levar em conta a transmissão direta de confrontos importantes pela televisão. Os responsáveis pela formação das seleções vão absorvendo cada vez técnicas mais apuradas à base da ocupação dos espaços do campo. Recordo, por exemplo, que a seleção de 50 era excepcional do meio pra frente, mas não tinha cobertura na defesa. O meio campo com Bauer, Danilo e Jair não voltava para cobrir os espaços quando éramos atacados pelas extremas.

Foi a falta de cobertura que descortinou a estrada de Gighia pela qual o Uruguai chegou a vitória.

Em 82 o mesmo sucedeu com a seleção de Zico, Sócrates e Falcão, uma atuação belíssima do meio pra frente e um desempenho muito fraco no universo defensivo. Perdemos por 3 X 2 com três gols do italiano Paulo Rossi.

OCUPAR ESPAÇOS – Falei em evolução do caráter defensivo à  base da permanente ocupação dos espaços. Basta lembrar as partidas pela conquista da Taça da Europa, com destaque para o Real Madri de Cristiano Ronaldo, quando a equipe atacava e quando também empenhava em defender. Os grandes times europeus desenvolvem grande velocidade. Todos atacam e todos defendem. As partidas foram belíssimas.

Voltando à Seleção de Ouro, vamos aguardar sua atuação na manhã de sexta-feira com Neymar ou sem ele. Futebol é conjunto, não é uma disputa individual. Vamos em frente.

Seleção precisa atuar mais livre, leve e solta do que jogou contra a Suíça

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Charge do Thiago (Arquivo Google)


Pedro do Coutto

Em plena era da Copa do Mundo, o pensamento da torcida brasileira, penso eu, volta-se para o treinador Tite, no sentido de que altere o esquema tático rígido quanto a forma de jogar e libere a equipe para se movimentar mais rapidamente e assim encontrar espaços destinados a levá-la à vitória. A partida contra a Suíça deve servir de exemplo para as modificações que se fazem necessárias, liberando mais a criatividade com a bola do que seguir esquemas táticos que terminam inibindo a seleção.

Contra a Suíça, amarramos muito as jogadas em torno de Neymar e esquecemos que futebol é o conjunto que abre os caminhos para o êxito. Há tempo para Tite rever sua visão de jogo e assim fazer com que o futebol brasileiro se reencontre consigo mesmo, recuperando a magia no trato com a bola que representa sua principal característica.

JOGO FECHADO – As partidas disputadas até aqui vêm destacando a rigidez de esquemas táticos que praticamente igualam as equipes dentro das limitações impostas pelos treinadores. Os resultados de domingo e ontem são uma prova disso. O futebol brasileiro necessita de espaço para se afirmar e, com isso, destacar a criatividade capaz de fazer as diferenças e romper esquemas defensivos, como aconteceu domingo contra a Suíça.

Eu pretendia escrever hoje a respeito da entrevista do Secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, à repórter Maeli Prado, focalizando os benefícios fiscais que nos últimos anos atingiram 393 bilhões de reais. Mas estamos em tempo de futebol. Essa entrevista fica para depois.

Nos treinos desta semana o técnico Tite inevitavelmente terá que colocar em pauta as trocas em demasiado de passos curtos, modalidade que facilita a marcação adversária e, na prática, diminui o campo de jogo, o que nos desfavorece na medida em que acabamos por marcar a nós mesmos. Isso de um lado.

NEYMAR ERRANDO – De outro lado, a atuação precisa se libertar do jogo centralizado em Neymar, maneira pela qual os adversários encontram mais facilidade para marcá-lo. E não só isso: Neymar, apesar de sua grande habilidade com a bola não precisa aplicar dribles em exagerada sequência, estilo que o coloca inclusive no alvo predileto dos choques e faltas. Por falar em faltas, delas abusou o time suíço, inclusive segurando-o duas vezes pela camisa, exemplo típico do antifutebol.

Tite provavelmente dirá a Neymar que ele necessita soltar mais a bola e não prendê-la a seus pés, porque isso termina afunilando a movimentação ofensiva do escrete e ampliando a distância até a meta adversária. Porque uma coisa é partir em sequência direta para o campo de ataque e outra é desviar-se de um lado para outro, o que evidentemente aumenta a dificuldade para o ataque concluir as jogadas.

QUESTÃO LÓGICA – Parece óbvio, mas como dizia Nelson Rodrigues, só os profetas enxergam o óbvio e o humor do artista não influi para encobrir a predominância da observação lógica.

Finalmente, vamos aguardar, com confiança e entusiasmo as alterações que se impõem, não na escalação da equipe mas quanto a forma de jogar e dominar a bola nos diversos obstáculos com que vamos nos deparar. As dificuldades são coisas do futebol, mas superá-las é a missão do selecionado de ouro que necessita voar mais livre e leve em busca das vitórias.

E, se Deus quiser, estaremos no rumo do hexacampeonato.

O empate da seleção não foi nada bom, mas desanimar é muito pior

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Gabriel de Jesus sofreu pênalti, mas o juiz não marca

Pedro do Coutto

Claro, o empate com a Suíça não pode ser considerado um bom resultado para a Seleção Brasileira. A lentidão da equipe nas saídas de bola facilitou a marcação dos suíços. A arbitragem nos prejudicou, mas são coisas do futebol. Nossa atuação foi apenas regular, troca de passes muito curtos reduziu nosso espaço. Mas não devemos desanimar.

Por falar em desânimo, pesquisa do Datafolha publicada na edição de ontem da Folha de S.Paulo, analisada por Ana Paula de Souza Pinto, revelou uma realidade muito ruim para o Brasil: 62% dos jovens estariam dispostos a sair do país se tivessem condições para tal. Esses 62% da juventude correspondem a média geral de 43%. Portanto, quase a metade da população brasileira encontra-se insatisfeita com o governo e com a política de modo geral.

PESSIMISMO – Consideram-se jovens, para efeito de pesquisa os que têm de 16 a 34 anos de idade. Trata-se de um problema que necessita ser combatido pelos governantes, uma vez que num clima de pessimismo como esse torna-se quase impossível acreditar no futuro ou projetar ideias construtivas para a população.

A sociedade do país, neste momento, acentua uma sensação de descrédito em torno de si, plenamente procedente. Porque, afinal de contas, todos concordam que nas duas últimas décadas a economia brasileira foi diretamente assaltada por vários bandos de ladrões.

Apesar de alguns poderosos estarem presos, o que não deixa de representar um fato inédito na história do país, a questão dominante é que o desânimo decorre da falta de qualquer perspectiva de recuperação, como ressaltam, por exemplo, as pesquisas eleitorais, tanto as do IBOPE quanto as do Datafolha.

PRESIDENTE CORRUPTO – Imaginar que um presidente da República seria alvo de duas denúncias de corrupção configuradas pelo Supremo Tribunal Federal e que só não tiveram consequência porque a Câmara barrou a licença para seus processos, isto já representa um fato altamente negativo. E não só isso. Estamos na véspera de uma terceira denúncia. Como se isso não bastasse, um ex-presidente da República encontra-se preso cumprindo sentença da Justiça. Por aí se vê a que ponto desceram os conceitos de honestidade no Brasil.

O maremoto da corrupção chegou a abalar fortemente os alicerces da Petrobrás, tornando-se desnecessário citar o caso do BNDES que em 2005 liberou crédito de 8 bilhões de reais para o grupo JBS. Empréstimo com juros favorecidos acentuadamente.

Enquanto os assalariados perdiam a corrida contra a inflação, empresários como Joesley Batista e Marcelo Odebrecht irrigavam com dinheiro fontes do poder nacional. Na realidade, a corrupção atingiu o grau de uma epidemia alucinada e alucinante, na medida em que os agentes da corrupção, tanto os corruptos quanto os corruptores. perdiam a noção de qualquer limite.

SALÁRIO EM BAIXA – Enquanto isso a população do país tinha seus vencimentos oriundos do trabalho rebaixados seguidamente. De forma disfarçada, mas real, uma vez que os reajustes ficavam abaixo da inflação do IBGE.

Por fim, o desemprego atingiu a escala que varia entre 12 a 13% da mão de obra ativa do Brasil. Estamos assistindo a um desemprego que atinge duramente 12,5 milhões de brasileiros e brasileiras. É demais. 

Mas torcer contra o Brasil é pior ainda.

No Futebol e na Copa, o jogo se ganha no campo, ninguém vence na véspera

Copa 2018: Argentina e Islândia. Hannes Por Halldorsson, da Islândia, defende pênalti batido pelo argentino Lionel Messi.

Halldorsson defendeu o pênalti batido por Lionel Messi

Pedro do Coutto

Neste domingo, a partir da 15 horas, a seleção brasileira enfrenta a Suíça e dá início à jornada pela conquista do hexacampeonato. Os exemplos da história esportiva comprovam plenamente a certeza de que as partidas se ganham no campo e nenhum time ou seleção vence na véspera. Dentro de algumas horas, a bola vai rolar para a seleção que foi de ouro e que hoje retoma a caminhada para reconquistar a posição que sempre ocupou nos gramados do mundo e que sofreram forte rebate em 2014 com nossa derrota para a Alemanha.

Mas este episódio não deve influir no ânimo dos brasileiros porque na final de 2002 no Japão derrotamos a Alemanha por 2 X 0, dois gols de Ronaldo Fenômeno. O episódio deve ser remetido ao passado, não devendo servir para prejudicar nosso time aumentando um complexo de desforra. A desforra é contra todos os adversários inscritos na Copa do Mundo da Rússia.

CAPACIDADE – Vamos entrar confiantes em nossa capacidade tática e técnica de tornar criativa a disputa em torno da bola. Não somos favoritos, favorita é a realidade mágica do próprio futebol. Mas eu disse que ninguém vence na véspera. Estão aí, para citar apenas três os exemplos de 50, 54 e 74. Em 1950 o Brasil era franco favorito contra o Uruguai. Em 54 a Hungria foi para a final contra a Alemanha certa da vitória. Perdeu por 3 X 2. Em 74 a Holanda era franca favorita, porém na final Alemanha conquistou o título por 2 X 1. Dois a um também foi a vitória do Uruguai sobre nós na tarde de 16 de julho de 1950.

Ontem, sábado, tivemos mais um exemplo de que equipe alguma ganha na véspera: Argentina e Islândia empataram em 1 X !. A Islândia tem uma população de 330 mil habitantes. O número de moradores de Copacabana, por exemplo, deve situar-se por aí. A magia do futebol e que torna grande parte dos resultados imprevisíveis, está no fato de ser o único esporte em que um adversário pode influir diretamente no desempenho do outro. A técnica e a arte com a bola exigem espaço para se efetiva. Isso faz com que o desempenho tático seja capaz de neutralizar a atuação de uma equipe tecnicamente superior a outra.

CONSTATAÇÃO – Mistério do futebol? Nada disso, apenas constatação de uma realidade que cada vez mais se afirma no mundo das competições. A Islândia, por exemplo, ocupou mais intensamente os espaços do campo contra a Argentina, seleção admirada por seus passos precisos e impulsos de rara beleza no trato com a bola. A tática, entretanto, retirou a diferença entre as duas seleções.

Na sexta-feira, o Uruguai encontrou enorme dificuldade para vencer. Outros exemplos poderiam ser citados, mas seria desnecessário. Portanto, devemos estar confiantes na nossa capacidade de vencer a Suíça, mas não devemos exagerar no otimismo. O otimismo exagerado tem sido a causa de muitas derrotas registradas na memória do esporte.

Devemos entrar com firmeza e confiança, porém sem esquecer que a vitória depende de nós mesmos e da capacidade da Seleção enfrentar os obstáculos que se encontram na estrada. Vamos em frente esperando vencer e sobretudo convencer a nós mesmos do brilho de uma seleção que se empenha em retomar o título maior do futebol mundial.

Decisão do STF sobre condução coercitiva não freia a Operação Lava Jato

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Charge do Sinovaldo (Jornal VS)

 

Pedro do Coutto

A decisão do Supremo Tribunal Federal, que por 6 votos a 5, proibiu a condução coercitiva de investigados e acusados para que prestem depoimento a Justiça não representa, analisando-se sua essência um freio para a Operação Lava Jato. Reportagem de Carolina Brígido, manchete principal da edição de ontem de O Globo, destaca e ilumina a realidade da matéria.

A condução coercitiva isolada está proibida. Mas lendo-se o texto com atenção, verifica-se que a condução coercitiva pode ser exercida se o investigado tiver sido intimado previamente e não comparecer sem apresentar uma justificativa plausível. Isso de um lado. De outro a decisão do Supremo permite que o investigado seja acompanhado por seu advogado e não possa ser conduzido sem esse direito. Deve se considerar também que foi assegurado o direito aos investigados de permanecerem em silêncio nos interrogatórios, o que já estava previsto em lei e que no caso da Lava Jato apresenta múltiplos exemplos.

PRISÕES PROVISÓRIAS – Matéria de Cleide Carvalho, também na edição de ontem de O Globo, focaliza outro lado da questão colocado por integrantes da força tarefa da Lava Jato: a faculdade que juízes possuem de estabelecerem prisões temporárias no prazo máximo de cinco dias. Não se tratou ainda, por enquanto, de nada relativo à decretação de prisões preventivas.

Voltando ao caso das conduções coercitivas, em sua decisão de quinta-feira, o STF, estabeleceu que são válidos os atos vigentes até agora consequentes das conduções coercitivas.

 

O tema que levou à decisão da Corte decorreu de dois recursos: um da OAB, outro da defesa do ex-presidente Lula. O panorama da Lava Jato é tão amplo e profundo que medida alguma a respeito de interrogatórios e interrogados pode influir em seu desfecho final. Falar em final é um pouco precipitado porque o fato é que a Lava Jato se assemelha ao fundo de um poço sem fundo, expressão utilizada por Tennesse Wiliams numa de suas peças teatrais.

A cada dia surgem novas etapas, novos personagens, encontros e reencontros das figuras do elenco em planos e situações diversas. Um dos cenários desse teatro refere-se ao próprio presidente Michel Temer.

Não deixa de ser surpreendentemente espetacular o fato de um ministro do Supremo, Luis Fux ter fixado em 48 horas o prazo para que o Chefe do Executivo explique a medida provisória que prorrogou por 30 anos concessões localizadas no Porto de Santos. São fatos como esse que ficarão na história do Brasil para informação às novas gerações do país. A documentação é essencial porque, na realidade, daqui há vinte ou trinta anos aqueles que vierem depois de nós vão se espantar com o festival de corrupção que assaltou o país principalmente a partir dos últimos quinze anos.

OUTRO ASSUNTO – Amanhã a Seleção Brasileira entra em campo contra a Suíça. Vamos torcer e esperar que uma vitória possa retirar do baú o entusiasmo de Copas passadas.

Do reatamento com a Rússia em 1962 à Copa do Mundo em 2018

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Torcida brasileira começa a marcar presença na Copa

 

Pedro do Coutto

Foi uma grande festa que marcou a abertura da Copa do Mundo de 2018 em Moscou. A população brasileira assistiu pela televisão e se incorporou ao espetáculo às vésperas de sua estreia contra a Suíça. O espetáculo foi apreciado sem levar em conta as diferenças ideológicas que ainda persistem entre a democracia e o capitalismo de um lado, e o meio capitalismo e um regime praticamente concentrado no poder de Vladimir Putin. Podemos lembrar que em 1962 ainda existia a URSS, mas este não é o aspecto essencial da questão.

O essencial está na naturalidade hoje existente nas relações internacionais brasileiras com os países da antiga Cortina de Ferro e com todas as nações de modo geral. Essa naturalidade é um sinal dos tempos e nos faz lembrar temores e reações políticas hoje absorvidas pela força dos fatos.  

DUTRA E STALIN – Em 1947 o Brasil, governo Eurico Dutra, cortou relações diplomáticas com o governo de Stalin por causa de um incidente que envolveu num restaurante de Moscou o embaixador Soares de Pina. Criou-se assim um panorama curioso para dizer o mínimo: os EUA mantinham relações diplomáticas e comerciais com Stalin. O Brasil, não. O anticomunismo brasileiro dava o tom daquele tempo passado. O quadro ficava ainda mais sensível quando se tratava de relações comerciais. Nosso país desconhecia então a URSS. Os Estados Unidos, apesar da guerra fria, desenvolviam relações de comércio normalmente.  

O cenário tornar-se-ia mais preocupante quando em 1948 o Kremlin fechou os transportes ferroviário e rodoviário de Berlim Oriental para o resto do país. Para explicar melhor o que aconteceu, devemos destacar que no final da II Guerra, no Tratado de Yalta, os líderes das três potências aliadas contra o nazismo – Roosevelt, Churchill e Stalin – decidiram a divisão da Alemanha. A parte ocidental para EUA e Inglaterra e a oriental para a hoje Rússia.

BERLIM DIVIDIDA – Entretanto, a divisão entre oriente e ocidente aplicada à Alemanha, valia também para Berlim. Só que esta cidade estava situada no lado oriental da Alemanha. Fechados os transportes ferroviário e rodoviário, só era possível sair da capital alemã de avião. O mundo assistiu preocupado a geografia do que Churchill chamou de Cortina de Ferro. Mas esta é outra questão.

O caso brasileiro era especial. Éramos prejudicados pela impossibilidade de comércio com o país de Stalin, que assumira em 1924 e morreu em 1953. A Cortina de Ferro continuou a existir no governo  Kruschev. Mas esta é outra questão. O essencial era o bloqueio comercial que vigorava.

REATAMENTO – Em 1962 o presidente João Goulart determinou o reatamento de relações diplomática com a então URSS. Recomendou ao Chanceler Santiago Dantas que comparecesse ao Congresso Nacional e anunciasse a medida. A reação contrária foi intensa por parte do conservadorismo  da liderança exercida pelo Governador da Guanabara Carlos Lacerda, de oposição total a Jango.

Fosse hoje o que aconteceu ontem o reatamento seria encarado com naturalidade absoluta. Sinal dos tempos. Aliás, nada como o tempo para esclarecer as questões controversas.

FESTA EM MOSCOU – Ontem em Moscou uniram-se as populações do mundo para presenciar e festejar a abertura da Copa do Mundo.A Rússia não é mais comunista, realidade que se aplica parcialmente a China. No Brasil o fantasma do comunismo não assusta ninguém. Existem inclusive, funcionando livremente dois partido comunistas no Brasil.

As relações diplomáticas e comerciais do Brasil com a Rússia se movimentam sem empecilhos. Portanto, vale a pena lembrar que o reatamento estabelecido em 1962 pelo governo Jango Goulart antecipou o futuro. Nem por isso Jango era comunista, tampouco a Rússia deixou de ingressar no capitalismo, nesta viagem de 56 anos na história dos dois países.

O anticomunismo deixou de ser uma ideologia e uma corrente de opinião. O comunismo deixou de ter qualquer importância.

O fim do foro privilegiado requer que haja prisão em segunda instância

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Charge do Oliveira (Humor Político)

 


Pedro do Coutto

O Supremo Tribunal Federal, que havia suspendido o foro privilegiado para senadores e deputados federais, incluiu também na mesma escala os ministros de Estado. Reportagem de Eduardo Bressiani, edição de ontem de O Globo, destaca a decisão e acentua seus reflexos. Da mesma forma que os parlamentares, os ministros do Planalto responderão na Justiça comum, portanto a partir da primeira instância, tão logo as acusações contra eles os conduzam à justiça.

À primeira vista, há razões de sobra para que a opinião pública receba a medida até com certo entusiasmo, já que os lances de corrupção do país, nos últimos anos, ultrapassaram de muito o limite do suportável.

DESCRENÇA – De fato a situação tornou-se insuportável no Brasil e criou uma atmosfera gravíssima de desânimo e descrença nas instituições políticas. O quadro partidário desenhado em torno da sucessão presidencial de outubro é um exemplo: apatia e perplexidade. Apatia impulsionada pelo descrédito nos políticos e nas siglas partidárias. Perplexidade diante das imagens dos 51 milhões de reais no apartamento de Salvador. Mas a questão do fim do foro privilegiado não é tão simples. Depende de desdobramentos na esfera judicial.

Pode parecer, à primeira vista, que os processos acusatórios passarão a caminhar de forma mais veloz. Entretanto, surgem obstáculos que poderão até tornar mais lentos os desfechos dos processos. Um caso tem de ser examinado para que se possa traduzir o caráter essencial do término do foro especial. Trata-se da questão que se refere à prisão em segunda instância. Isso porque, se a prisão em segunda instância for mantida, como deseja a ministra Carmen Lúcia, presidente da Corte Suprema, o fim do foro de privilégio ganhará dimensão maior.

Caso contrário, a igualdade de condições para todos os acusados, seja parlamentares ou ministros, ampliará o tempo dos julgamentos. Nesse caso a tramitação voltará ao tempo em que geravam genericamente uma maratona de recursos apresentados pelos réus. Isso de um lado.

QUATRO INSTÂNCIAS – De outro lado, nada impedirá a escala de petições que percorram as diversas etapas das instâncias. Começa pela Justiça comum, passa pela segunda instância, desloca-se para o STJ e finalmente aterrissam no Supremo. Retorna assim à superfície da realidade as tradicionais colocações que somente visam adiar o cumprimento da pena ao infinito.

 Em tal hipótese, ao invés de serem julgados diretamente pelo STF, deputados, senadores e ministros irão percorrer os vários andares da magistratura, ampliando assim a decretação das penas a que forem sujeitos. Como se vê no lugar de uma etapa, na Corte Suprema, os réus passarão por várias estações até inevitavelmente retornarem ao STF. Isso fará com que nada tenha mudado.

Numa outra versão, como se mudássemos para tudo permanecer como estava. Mas se a prisão em segunda instância for mantida, tudo bem, os acusados estarão sujeitos à prisão a partir das decisões dos tribunais regionais ou estaduais. Esta é a síntese essencial da questão. À primeira vista, parece um avanço. E é. Mas desde que a prisão em segunda instância seja mantida.

Políticos ladrões roubaram até a emoção e o entusiasmo do povo brasileiro

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Charge do Cabalau (Estado do Maranhão)

 


Pedro do Coutto

Os bandos de ladrões que a partir de 2003 assaltaram a economia nacional, além de gigantescos desvios financeiros, roubaram até a emoção e o entusiasmo do povo brasileiro. É o que constata pesquisa do Datafolha publicada na edição de domingo da Folha de S.Paulo e comentada por Mauro Paulino e Alessandro Janoni, diretores do Instituto. O levantamento revelou um recorde em matéria de desinteresse pela Copa do Mundo alcançando 53% da população.

Desde a Copa de 1950, a primeira realizada após guerra, nunca se evidenciou um desinteresse tão grande. As ruas do passado eram coloridas enfeitadas com emblemas, reunindo grupos que discutiam futebol.

TRANSFORMAÇÃO – De paixão nacional, como dizia Nelson Rodrigues, o futebol transformou-se em uma preocupação secundária. O fenômeno só pode ser explicado por uma apatia decorrente das decepções gigantescas com que homens e mulheres passaram a conviver, cada dia explodindo um escândalo novo atrás do outro.

Lembro que em 1950 adaptaram até uma marcha para a seleção numa versão musical do trevo de quatro folhas, música americana de sucesso no musical “Anos Dourados”, retratando a vida do cantor Al Johnson. Em 1970, governo Médici, plena ditadura, o povo cantou a marchinha de Miguel Gustavo “90 milhões em ação”, relativa à população existente àquela época.

A emoção tomava conta das ruas, bairros, praças. Lembro Nelson Rodrigues outra vez: a seleção é a pátria de chuteiras. Mas no momento atual a emoção de ser brasileiro ou brasileira recuou substancialmente.

VERGONHA – Do orgulho passamos a nos aproximar de uma sensação de vergonha. Os problemas se eternizam, como a saúde, segurança, educação e saneamento básico. Um cenário iluminado pelas fotos e filmes focalizando os 51 milhões de reais do ex-ministro GedDel Vieira Lima, que criou um tesouro particular num edifício de Salvador.

É claro que contribuíram para essa decepção tanto os corruptos quanto os corruptores. O Brasil sofre as consequências. Nâo se pode esquecer o maremoto de corrupção impulsionado conjuntamente por políticos, administradores públicos e empresários. Na maratona da corrupção, uma escala foi reservada para as transferências financeiras através de bancos internacionais.

Não se pode, como alguns acreditam, culpar pela situação de apatia a goleada que sofremos em 2014 contra a Alemanha, maior vergonha esportiva brasileira de todos os tempos. Foi um desastre muito maior que a derrota para o Uruguai em 50. Não se pode culpar, porque não podemos também esquecer que em 2002, com 2 gols de Ronaldo Fenômeno, derrotamos a mesma Alemanha na final da Copa no Japão.

Não adianta procurar motivos para a falta de entusiasmo. O problema não é da seleção nem do futebol. Ao longo dos últimos 2 anos, quando o treinador Tite assumiu, em 9 partidas não perdemos uma só. Há poucos dias derrotamos a Áustria em Viena.

As razões do desânimo estão na política, no Palácio do Planalto, na administração pública de modo geral. Está faltando vibração ao nosso país, os governos dos últimos 15 anos não conseguiram injetar dinamismo à sociedade como um todo. Além da corrupção, o desemprego, o congelamento de salários, os reajustes de vencimentos perdendo disparado na corrida contra a inflação. Acrescente-se a todo esse quadro a insegurança pública que ameaça a todos por igual.

Acredito, entretanto, que a partir de domingo, quando enfrentaremos a Suíça, a magia do futebol faça o povo reencontrar-se consigo mesmo e com o país em busca de uma vitória que possa nos proporcionar a Taça de hexacampeão.

Amém.

Datafolha e as urnas de 2018, num panorama visto da ponte eleitoral

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Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

 


Pedro do Coutto

Com base na pesquisa do Datafolha publicada na edição de domingo da Folha, uma reportagem de Silvia Amorim, Fernanda Kracoviks, Bruno Goes e Mateus Coutinho, edição de ontem de O Globo, analisou os números contidos no levantamento acentuando a verdade das tendências eleitorais, chegaram a conclusão de que o quadro permanece indefinido quanto à sucessão presidencial de outubro. O quadro encontra-se indefinido, mas as tendências se projetam nitidamente no universo da pesquisa. Trata-se de um panorama visto da ponte, título de peça de Arthur Miller que alcançou grande sucesso no final da década de 50.

O quadro permanece indefinido porque, como o Datafolha destacou, ainda não se verificou nenhum sinal mais forte no que se refere à transferência de votos que iriam para Lula, mas que se mantém fora da lei de gravidade, Enquanto persistir essa dúvida, permanecerá um panorama de indefinição, uma vez que não se pode ainda afirmar para que candidato ou candidatos vai ser transferida a força eleitoral do ex-presidente da República.

LULA INELEGÍVEL – O PT lançou seu nome, porém devemos considerar que ele se encontra inelegível. Daí porque no cenário em que ele se encontra ausente elevam-se fortemente os percentuais de indecisos, votos nulos e brancos.

Mas falei, neste meu retorno de férias, em indefinições e exposição de tendências. O Datafolha afirmou que, se candidato fosse, Lula arrebataria 30% dos votos. Mas com ele fora das opções, situação mais provável, as tendências de hoje restringem-se a Jair Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Fora daí não se pode considerar nenhuma outra candidatura nas urnas de outubro próximo. Não se pode considerar porque aqueles na lista, mas que não passam de 1 a 2% das intenções de voto certamente não vão decolar. Com a ausência de Lula, Marina Silva cresce mais do que Ciro Gomes, se as eleições fossem hoje. E se o desfecho final ocorrer no segundo turno, dia 28 de outubro, Marina Silva derrotaria Jair Bolsonaro. Marina alcançaria 42% dos votos contra 33% de Bolsonaro.

NA CAMPANHA – O que se pode presumir, entretanto, é que a evolução das candidaturas dependerá do comportamento dos candidatos ao longo da campanha, especialmente nos debates e nos pronunciamentos que fizerem no horário gratuito da televisão e do rádio.

A colocação das campanhas dependerá também da utilização dos espaços nas redes sociais da internet. Porém, enquanto as redes sociais podem ser ocupadas sem limite de horário e tempo, os programas eleitorais gratuitos estarão disponíveis de 31  de agosto ao início de outubro. Importante também é considerar que os debates entre os candidatos, de acordo com a legislação eleitoral, incluem a possibilidade de um confronto direto no primeiro turno, dia 7 de outubro, e no segundo, dia 28.

CUSTOS BAIXOS – A campanha eleitoral deste ano terá seus custos muito reduzidos, não apenas em função de excluir financiamentos empresariais, o que poderia ser contornado nas sombras, mas principalmente pelo temor de doadores em potencial de caírem em precipícios abertos pela Operação Lava Jato. Claro que os dois principais doadores, Odebrecht e JBS, estarão fora de cogitações. Pois é preciso acentuar que Marcelo Odebrecht e Joesley Batista explodiram a conivência entre políticos, administradores públicos e empresários ma estrada capaz de conduzir o peso financeiro em favor da obtenção de votos nas urnas.

Citei Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Quanto a Alckmin, de acordo com comentário feito por Silvia Amorim, o PSDB está buscando uma explicação para seu fraco desempenho. Governador eleito e reeleito, Alckmin não passa do teto de 7%, atrás de Ciro Gomes, que está no 10º ou 11º andar.

BOLSONARO LIDERA – Na frente, Bolsonaro com 19%, Marina Silva com 15%. Talvez a explicação sobre Alckmin esteja na divisão da base paulista entre Márcio França, governador do PSB, e o ex-prefeito João Dória, do PSDB. Mas será apenas isso?

O fato é que o candidato tem que se afirmar por si, e não depender de acordos eleitorais.

A afirmação vem primeiro, as adesões são consequência da capacidade que cada um demonstrar na busca do voto nas urnas.

Ministro do Planejamento não quer reajustar civis e militares nem em 2019

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Charge do Nef (Jornal de Brasília)

Pedro do Coutto        

Numa entrevista a Edna Simão e Fábio Graner, edição de ontem do Valor, o ministro do Planejamento, Esteves Colnago, revelou sua intenção de propor ao Presidente Michel Temer adiar mais uma vez o reajuste dos funcionários civis e militares previsto para 2019. A iniciativa, como sempre, baseia-se na redução de custos e aplicação do resultado no programa de investimentos.

O titular do Planejamento sustenta que esse novo adiamento produz uma economia de 8,2 bilhões de reais. Tal volume não representa praticamente nada em relação ao montante que o governo paga aos bancos e ao mercado em geral pela rolagem dos títulos públicos que lastreiam a dívida interna do país. A dívida líquida como O Estado de São Paulo publicou na edição de 1º de maio atinge 3,4 trilhões de reais. Tal montante recebe a incidência da taxa Selic, mantida em 6,5%a/a.

DÍVIDAS DA UNIÃO – A matéria de O Estado de São Paulo foi produzida por Eduardo Rodrigues e Idiana Tonazelli. O texto separa a dívida líquida da dívida interna bruta. Esta ultrapassa a casa de 4 trilhões de reais. Mas esta é outra questão.

O problema essencial é que no Brasil quando se fala em reduzir gastos, o projeto recai sempre na área dos assalariados. O ministro do Planejamento por exemplo, poderia prestar uma colaboração mais efetiva ao Palácio do Planalto se primeiro revelasse o montante das dívidas das empresas e em seguida a forma que pretende usar para cobrá-las.

REFINANCIAMENTO – Vejam o que aconteceu com o refinanciamento das dívidas empresariais  votado pelo Congresso e sancionado pelo Presidente da República.

A redução das  dívidas aumentou e os prazos de pagamento foram alargados. Por qual motivo  o Presidente da República não vetou o dispositivo? Enquanto a correção dos débitos é ampliada, uma vez que nos prazos estabelecidos é menor do que a inflação, por seu turno os salários do funcionalismo civil e militar perdem também a corrida contra os índices inflacionários. O funcionalismo não foi reajustado em 2017, e não será também em 2018. Com isso os vencimentos são reduzidos em seu poder de compra.

Claro: a inflação em 2016 bateu 4,5%, em 17 3%. Só aí verifica-se claramente a predominância de uma política de diminuição salarial. Isso porque para se diminuir a receita de alguém, basta que ela não seja reajustada pela inflação do IBGE.

A partir de hoje estarei de férias. Retorno ao site ao longo do mês de junho.

Fazenda incorporou a Previdência, mas não controlou o INSS

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Pedro do Coutto

Na reforma administrativa implantada pelo presidente Michel Temer, extinguiu-se o Ministério da Previdência Social, transformado numa Secretaria do Ministério da Fazenda. É possível que tal incorporação tenha sobrecarregado exageradamente o universo de atuação da pasta comandada por Henrique Meirelles e atualmente por Eduardo Guardia. Seja como for, o fato é que explodiu uma corrupção nesse Instituto. 

Reportagem de Patrik Camponez e Robson Bonin, edição de ontem de O Globo, destaca o contrato firmado pelo INSS com a empresa RSX Informática, de que de informática praticamente só tinha o nome. Os repórteres descobriram que no endereço apontado como sede da RSX funcionava um depósito de vinhos e garrafões de água mineral. Isso no dia 09 de maio.

REFORMA GERAL – No dia 15, portanto seis dias depois, os proprietários pintaram as paredes, destacaram a sigla RSX, colocaram em atividade uma recepcionista, mas esta só forneceu informações superficiais sobre a metamorfose. 

O contrato era no valor de 8 milhões de reais para fornecimento de software. O então presidente do INSS, Francisco Lopes, foi exonerado do cargo ontem mesmo. O ex-presidente do INSS é homônimo de um ex-presidente do Banco Central, filho do engenheiro Lucas Lopes que ocupou a Fazenda no Governo JK.  Mas esta é outra questão.

O fato é que o Ministério da Fazenda não exerceu o comando devido em relação à Previdência Social. Tampouco recebeu informações por parte de Marcelo Caetano, secretário da Previdência. É por essas e muitas outras que o INSS apresenta déficits anuais seguidos. Por falar nisso, será interessante o INSS divulgar a quanto montam para ele as dívidas de empresas privadas. Devemos nesse plano verificar se as estatais também se encontram em débito.

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OUTRO ASSUNTO: O REFIZ DOS CORRUPTOS

Reportagem de Fabio Serapião e Adriana Fernandes, O Estado de São Paulo, também de ontem, destaca como manchete principal o fato de empresários investigados pela Polícia Federal terem usado a lei de refinanciamento das dívidas para reduzí-las no montante de 3,8 bilhões de reais. Além disso, o parcelamento foi alongado.

O episódio foi comentado pelo Secretário de Fiscalização da Receita Lágaro Martins, que acusou uma distorção no programa de refinanciamento. O presidente Michel Temer enviou um projeto ao Congresso e este decidiu por um substitutivo. 

Uma pergunta: Por que o presidente da República não vetou a modificação? Estão inscritas no Refiz 3116 empresas. No Brasil, as cobranças parecem recair apenas no rendimento do trabalho dos assalariados.

Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes e Alvaro Dias, os únicos que têm chances

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Dos cinco favoritos, apenas Alckmin aparece em baixa

Pedro do Coutto

Pesquisa do Instituto MDA, encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes, revela que se as eleições presidenciais fossem agora, o primeiro turno terminaria com Jair Bolsonaro na frente, seguido de Marina Silva e Ciro Gomes. Reportagem de Fabio Muralkawa, Raphael Di Cunto e Fernando Exman, edição de ontem do Valor, mostra que a pesquisa se desenrolou em dois estágios: o primeiro incluindo a candidatura de Lula; o segundo sem o ex-presidente no páreo.

O MDA traçou uma comparação entre os números de março e maio. No cenário sem Lula 29% votariam em branco ou anulariam o voto. Os eleitores indecisos somariam 16%. Verifica-se assim que o espaço vazio está predominando junto ao eleitorado. Inclusive nenhum candidato conseguiu chegar ao patamar de 29 pontos.

ALCKMIN CAI –  Jair Bolsonaro lidera com 18,3% seguido de Marina Silva com 11,2 e Ciro Gomes com 9%. Em quarto lugar o ex-governador Geraldo Alckmin com apenas 5,3% das intenções de voto. Comparando-se os números de hoje com os de março, verifica-se serem poucas as alterações. Menos as de Geraldo Alckmin que na comparação cai de 9,6 para 5,3%.

Assim, o segundo turno reuniria Bolsonaro contra Marina Silva ou Ciro Gomes. Impressiona a soma dos que desejam votar hoje em branco ou anular com o índice de indecisos, no cenário sem Lula. Esses dois números somados alcançam 45% ou seja quase a metade do número de votantes. Existe assim um amplo cenário vazio a ser disputado. Se Lula fosse candidato, o percentual dos que votariam em branco ou anulariam cairia para 18% enquanto os indecisos desceriam para 8,7%.

SEM CHANCE – Apesar do cenário que não desperta entusiasmo, é possível perceber que os demais pré-candidatos não têm possibilidade alguma, uma vez que seus percentuais oscilam entre 1 a 2%. Portanto, a meu ver, não vão decolar. Somente o senador Álvaro Dias alcança 3% e ainda tem chance.

Em matéria de rejeição, assinala o MDA, o presidente Michel Temer aparece com 87,8%. Se ele apoiar alguém, o seu candidato sofrerá um efeito negativo. Por falar em efeito negativo, o ex-ministro Henrique Meirelles aparece somente com 0,5% das intenções de votos. Abaixo dele, para citar um exemplo isolado aparece Rodrigo Maia com 0,2%.

Se Lula pudesse ser candidato, registraria 32,4 pontos. Entretanto, sua rejeição atinge 51% dos eleitores e eleitoras. Se ele não disputar, os candidatos Marina Silva e Ciro Gomes estão se mobilizando para obter o apoio  das correntes petistas.

SEM CHANCES – Fora daí não existe, na minha opinião qualquer outro nome capaz de figurar entre os que lideram hoje os números do MDA-CNT. Por enquanto, é isso.

É verdade que o horário eleitoral da televisão ainda não começou. Quando começar, dia 31 de agosto, poderá surgir uma imagem mais nítida focalizando a estrada que vai das urnas ao Palácio do Planalto.

No Brasil, até o Partido Comunista defende menos impostos para empresas

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Parece incrível o que está acontecendo, mas é verdade. Em vez de lutar por mais salários e empregos para os trabalhadores, o PCdoB assumiu a liderança no embate para reduzir substancialmente a reoneração das folhas de pagamento, obtidas em renúncias fiscais e previdenciárias legadas ao país pelo governo Dilma Rousseff. Há poucos dias, o Secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, sustentou que tais renúncias somaram 270 bilhões de reais, que daria – chamei atenção para isso – para cobrir o alegado déficit do INSS. Mas vamos ao assunto concreto.

O Presidente Michel Temer enviou mensagem ao Congresso Nacional diminuindo de forma substancial essas exonerações. Exonerações, diga-se de passagem, à custa de todos nós, contribuintes de tributos. Para se ter uma ideia na parte previdenciária, as reduções dadas a empresas faziam com que pagassem de 1 a 4% sobre o faturamento, ao invés de 20% sobre a folha de salários. Muito bem. O projeto tramitou e seu relator foi o deputado Orlando Silva, do PCdoB.

RELATOR ATUANTE – O que fez Orlando Silva no substitutivo que apresentou? Simplesmente reduziu fortemente os percentuais de oneração que incidiriam sobre as empresas beneficiadas. Incrível.  Para escolher os setores que manterão os incentivos, o relator considerou três critérios: uso intensivo de mão de obra; com atividades que sofrem concorrência “desleal” com importados e setores cuja retirada dos benefícios pode acarretar na saída de empresas no País.

A pressão que ele está representando no Poder Legislativo levou o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, a negociar uma solução diferente da proposta original do Palácio do Planalto.

ATÉ 2020 – Não é só isso. O deputado comunista colocou no seu substitutivo o ano de 2020 para o término do benefício para todos os segmentos empresariais. O governo queria extinguir as desonerações sobre 56 setores empresariais. O deputado do PCdoB discordou da iniciativa. Tanto assim que a reportagem de Adriana Fernandes, edição de ontem de O Estado de São Paulo destaca o processo de concordância entre o ministro Guardia e Orlando Silva para aprovação do texto final.

O Comunismo brasileiro parece ter mudado de lado, passou a defender vantagens, não para os trabalhadores, mas sim para os empregadores. Os benefícios foram surpreendentemente concedidos para reabilitar o nível de emprego do país. Nesse sentido não funcionou. O desemprego permanece na escala de 13 milhões de pessoas que perderam os postos de trabalho.

MAIS FRACASSO – A desoneração também não influiu um centavo no aumento da receita pública. Portanto, fracassou.

Por falar em fracasso não se pode deixar de acentuar a derrocada do próprio PCdoB que, do lado do trabalho transferiu-se para o lado do capital

Não está sozinho nesse movimento, claro. Está aliado às forças conservadoras com assento no Parlamento. Sinal dos tempos. O Comunismo brasileiro transformou-se num partido capitalista nacional.

Rodrigo Maia explode a união do centro no primeiro turno da sucessão

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Rodrigo Maia quer distância de Alckmin e Temer

Pedro do Coutto

Em entrevista à repórter Vera Rosa, O Estado de São Paulo de  domingo, o deputado Rodrigo Maia sustenta que terminou um ciclo da política brasileira e anuncia distanciamento de seu partido, o DEM, tanto do PSDB quanto do MDB. Com isso, praticamente explodiu a aliança do centro projetada pelo Planalto em torno da candidatura Geraldo Alckmin. Afastando-se do PSDB e do MDB, o presidente da Câmara parece admitir que pretende mesmo ser candidato à Presidência da República nas urnas de outubro.

Claro, pois do contrário não afastaria  a coligação que manteve com seus aliados tradicionais, aliança que contribuiu também para sustentar a posição enfraquecida do presidente Michel Temer. Vale lembrar que, não fosse o apoio do DEM, a Câmara dos Deputados não teria impedido que o presidente da República fosse julgado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme denúncias encaminhadas pela Procuradoria Geral da República.

SEGUNDO TURNO – Rodrigo Maia sonha com a hipótese de vir a ser o adversário de Jair Bolsonaro no segundo turno, marcado para 28 de outubro. Assim, com a ruptura da coligação de centro, o presidente da Câmara passou a considerar a perspectiva de alcançar mais votos que Geraldo Alckmin.

Maia sentiu que uma aliança com Michel Temer representará efeito negativo no candidato que o presidente vier a apoiar. Por isso, distancia-se, não apenas dos tucanos, mas principalmente do Planalto. Nesse distanciamento, expõe a certeza de que Alckmin será mesmo o candidato de Temer. No seu ponto de vista, não há espaço para Henrique Meirelles.

E o rompimento do Presidente da Câmara com a base aliada isola ainda mais o projeto de poder do Planalto.

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CIA QUERIA QUE AS MATANÇAS CONTINUASSEM

No espaço que ocupa em O Globo e na Folha de São Paulo, edições de domingo, o jornalista Elio Gaspari focalizou o forte episódio que marcou o encontro do presidente Ernesto Geisel com o diretor do CIA, William Colby. Na impressão de Gaspari, a agência americana achava que Geisel dominaria a corrente mais exacerbada do movimento militar de 64. De fato poderia se supor a hipótese, não fosse a proposta tacitamente e diretamente colocada por Colby em relação às execuções de presos políticos, processo iniciado no governo Medici.

Ernesto Geisel concordou, com a  ressalva de que as execuções atingiriam subversivos perigosos e teriam de ser aprovadas pelo general João Figueiredo, então na chefia do SNI. Portanto, a CIA, na época do governo Nixon, não parecia ter o objetivo de fazer Geisel  dominar a extrema radical. Ao contrário, jogou politicamente para que o processo dos assassinatos tivesse curso. 

Em uma análise voltada para a História, pode se supor que outros documentos do CIA devem vir a superfície.

Do relatório da CIA ao atentado no Riocentro, ascensão e queda da repressão

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Como o pesquisador Matias Spector revelou, o ciclo da repressão da ditadura militar atingiu o auge no governo Medici, prosseguiu no governo Geisel e se manteve no período inicial do General João Figueiredo até o episódio culminante da bomba no Riocentro em maio de 1981. A mão do destino evitou uma catástrofe, uma vez que no Riocentro realizava-se um show em comemoração ao Dia do Trabalho. A bomba explodiu no meio da noite e, claro, interrompeu a programação.

O Presidente João Figueiredo, evidentemente, sabia da trama elaborada para jogar a culpa em opositores do regime, colocando-os na alça da subversão. Figueiredo havia assinado em 1979 a Lei de Anistia e, também por ironia do destino, aproximou-se de Leonel Brizola, assegurando não só a ele mas a todos os exilados o retorno ao país. Ao sancionar, a lei João Figueiredo afirmou, com seu estilo simplista, que lugar de brasileiro é no Brasil.

FILHO DE ASILADO – Um dado histórico curioso é que João Figueiredo era filho do General Euclides Figueiredo, asilado em Buenos Aires em consequência da implantação do Estado Novo em 1937 e do atentado integralista de 1938. Por sinal, em maio também.

Ao longo do governo Geisel, que antecedeu o de Figueiredo, houve sem dúvida uma tentativa de distensão. Prova disso foram as eleições de 1974, com a vitória total do MDB de Ulisses Guimarães. Nesse ponto a repressão retornou à superfície, havendo uma série de atentados, inclusive à OAB, o que levou Geisel a um recuo, estabelecendo eleições indiretas para o Senado em 1978. E acabando com os horários de propaganda eleitoral gratuita.  Esse retrocesso demonstrou sua dependência ao esquema militar que detestava o voto do povo.

CASO FROTA – Geisel enfrentou uma situação difícil na demissão do General Sílvio Frota do cargo de ministro do Exército.

Ao Riocentro, acrescentava-se, assim, uma crise militar que havia sido iniciada em 75/76 com a morte do jornalista Wladimir Herzog e também com a morte do operário Manuel Filho nas dependências do DOI-CODI de São Paulo.

O Riocentro, entretanto representou um ponto de saturação. A farsa do atentado foi desmascarada, porém o governo não quis punir os verdadeiros culpados. Mas a repressão transformara-se no terrorismo de Estado. Foi essa situação que sofreria mudança profunda a partir da campanha pelas diretas já, liderada por Ulysses Guimarães e Tancredo Neves.

MILHÕES NAS RUAS – O comício da Candelária reuniu um milhão de pessoas ao longo da Presidente Vargas e na semana seguinte um milhão de pessoas na Avenida Paulista. O povo nas ruas afirmou sua disposição democrática. Faltaram poucos votos para o restabelecimento das eleições diretas. Mas a imagem da vontade popular foi vitoriosa. Daí surgiu a candidatura de Tancredo Neves na eleição indireta contra Maluf.

A campanha ganhou as ruas novamente e o lema de Tancredo foi o de que havia necessidade de disputarmos o voto indireto para destruir exatamente tal restrição. A caravela de Ulysses partiu, como ele próprio afirmava, em busca da liberdade.

Tancredo, operado, não assumiu a presidência. João Figueiredo deixou o Planalto por uma porta lateral para não passar a faixa ao vice José Sarney.

NA HISTÓRIA – Como se observa, a estrada da história foi o palco do memorando do CIA, da vitória de Tancredo e do fim das condenações a morte sem amparo na lei. A história se escreve assim. Ela depende de pontos de inflexão ao longo de seu trajeto. As eleições diretas se impuseram. A verdade dos fatos também. Aliás, sobre isso na edição de ontem de O Globo foi publicada uma importante entrevista de Matias Spector ao repórter Leandro Loyola.

Uma página a ser indexada à memória do país.

Execução de presos políticos no Brasil foi uma política adotada a pedido dos EUA

Resultado de imagem para execução de opositoresPedro do Coutto

Documento enviado pelo ex-diretor do CIA William Colby ao Secretário de Estado Henry Kissinger, no governo de Richard Nixon, revela que a ditadura político-militar brasileira autorizou a execução de subversivos perigosos presos pelos órgãos de repressão. Reportagem de Juliana Dal Piva e Daniel Salgado, O Globo de ontem, destaca a descoberta desse documento pelo pesquisador da Fundação Getúlio Vargas Matias Spector, ao buscar informações a respeito dos governos militares brasileiro. Cento e quatro presos foram executados somente no governo Médici.

No encontro com o presidente Ernesto Geisel, William Colby comentou o assunto e segundo ele Geisel autorizou o prosseguimento de tal política em relação a subversivos perigosos. O encontro ocorreu em 1974, na presença dos generais Milton Tavares de Souza, Confício Dantas de Paula Avelino e João Figueiredo, que acabara de assumir o a chefia do SNI (Serviço Nacional de Informações) e que, cinco anos depois sucederia Geisel no Planalto.

VINCULAÇÃO – A pesquisa realizada por Spector acentua em cores fortes a estreita vinculação entre o governo Richard Nixon e os governos Medici e Geisel. Isso porque Kissinger foi secretário de Estado de Nixon, presidente dos Estados Unidos eleito em 68 e reeleito em 72. Em 74, renunciou no desfecho do processo de Watergate, sendo substituído por Gerald Ford, que confirmou Kissinger na Secretaria de Estado.

Em 76, Jimmy Carter ganhou as eleições para a Casa Branca. A partir daí começou a distensão brasileira porque ao longo de sua campanha Carter condenara a ditadura militar e a prática de tortura a presos políticos no Brasil e no Chile. A radicalização começava a ser superada pelos fatos. Isso ficou claro no caso brasileiro.

GOLPE DE 64 – A vinculação entre os governos de Washington e Brasília fora iniciada em 64, no episódio que culminou com a derrubada do governo João Goulart. O presidente dos Estados Unidos era Lyndon Johnson, que o destino fez com que, doze anos, depois o jornalista Marcos Sá Correa encontrasse numa biblioteca do Texas que leva o nome daquele presidente alguns documentos comprovando a participação americana na ruptura brasileira.

Marcos Sá Correa publicou reportagens no antigo Jornal do Brasil destacando o assunto. Os documentos em que se baseou encontravam-se à disposição de quem os procurasse na Biblioteca Lyndon Johnson.

POLÍTICA OFICIAL – Assim, o memorando de William Colby a Henry Kissinger assinala historicamente a sequência de uma política de internacionalização comandada pela Casa Branca nos países na América do Sul, entre os quais Brasil e Chile. Pode-se iluminar mais um vértice, abrangendo a Argentina na esfera chamada de Operação Condor. Mas esta é outra questão.

A importância maior da descoberta do pesquisador Matias Spector é o caráter revelador do que se pode chamar de prestação de contas do governo brasileiro aos Estados Unidos. Basta ler o memorando de Colby relatando a Kissinger a concordância do Presidente Geisel com a execução de presos políticos. O encontro entre Colby e Geisel foi em Brasília em março de 74. Nesse encontro, Geisel pediu dois dias para responder a colocação de Colby.

Depois do dilema de concordar ou discordar, segundo Colby, Geisel concordou, mas fez a ressalva : só no caso de subversivos perigosos e, mesmo assim, somente no caso de as execuções serem aprovadas por João Figueiredo.

PENA DE MORTE – De qualquer forma, Medici e Geisel adotaram a pena de morte no Brasil. Esta política só deixou de prevalecer a partir da eleição de Carter para presidência da República.

E a submissão do governo brasileiro à orientação e vontade da Casa Branca passa a ter, com Spector, um ponto de destaque negativo na História do Brasil.