Uma festa esplêndida com a arte se encontrando com os cristais, no cenário de Paris 

O que fazer em Paris no dia 14 de julho, festa nacional francesa ...

Um espetáculo eletrizante, emoldurado pelo cenário de Paris

Pedro do Coutto

Foi emocionante pela arte e a leveza dos cristais, a festa que ontem a eterna Paris ofereceu ao mundo em mais uma comemoração da data histórica de 14 de julho, orgulho da França, marcando a queda da Bastilha. A festa transferida das ruas de Paris para um palco no campo de Mars teve a Torre Eiffel como espelho e símbolo. Peças musicais se sucederam revisitando Chopin, Beethoven, Mozart, Ravel, e a Marselhesa de Rouget de Lisle, na interpretação arrebatadora de uma cantora negra seguida de um coral.

A orquestra nacional da França, regida por uma coreana, foi simplesmente deslumbrante. As músicas se sucederam na interpretação de cantores e cantoras, cujas vozes conduziram a momentos que ficarão para sempre guardados na memória e no coração envolvidos pela sensibilidade ante as peças mais belas que fazem a história da música.

TRÊS SÉCULOS – Pode-se dizer que três séculos nos contemplam a partir do 14 de julho de 1789. Nos contemplam hoje e vão contemplar pela estrada a fora aqueles que vierem depois de nós. O tempo entretanto não limita à arte. Tanto é assim que os clássicos e os intérpretes continuam sendo ouvidos e admirados ao longo do tempo.

Não vão desaparecer no decorrer das etapas que marcam o tempo e que transmitem a cultura aos que vão e aos que surgem. A arte, como provou a festa de Paris, não tem idade, ela será eterna, uma forma de se tornar contemporânea do próprio futuro, como é contemporânea das belas páginas imortais do passado.

LA VIE EM ROSE – Assisti à festa pelo canal Filme&Art ao longo de sua duração que encantou a todos durante duas horas e meia. Encantou tanto que desejava que não acabasse.

O fim, limite da arte no episódio, acolheu a bela interpretação de La Vie en Rose, de autoria de Piaf e Guglielmi, que eu pela primeira vez ouvi em 1948 pela voz suave e romântica de Charles Trenet. O balé entrelaçou lindamente os dois corpos em apenas um só ser.

Hoje, às 17 horas, horário do Rio aquele canal reprisará a festa inesquecível que encheu de beleza e poesia nossos pensamentos e corações. O 14 de julho de 2020 ficará na história como o mais belo espetáculo produzido até hoje, na minha opinião. Ao final, fogos representando as cores da França abraçaram a Torre Eiffel, símbolo de uma cidade que não pertence só a França mas ao mundo todo e assim a todos nós.

TV GLOBO E FLAMENGO – Me comprometi no artigo de ontem a falar hoje apresentando uma síntese do que causou a briga entre Flamengo e a Globo, sendo que, para mim o Flamengo não tem razão.

A controvérsia nasceu da medida provisória 984 do presidente Bolsonaro estabelecendo que não poderia haver exclusividade nas transmissões do futebol. Hoje, publica o jornal O Globo, o FlaAXFlu será transmitido pelo SBT. A medida provisória acertou o alvo de tentar anular o domínio da Globo nas transmissões esportivas.

Vendaval da corrupção no combate à pandemia passou pelo Rio e segue para a Amazônia

Ter um interino no comando da Saúde não é o melhor dos mundos ...

Mourão reconhece os erros cometidos pelo governo na Amazônia

Pedro do Coutto

O vendaval da corrupção sem dúvida alguma destruiu a administração de vários Estados, bastando acentuar que cinco governadores foram denunciados, com secretários de saúde e assessores presos e envolvidos seriamente nos processos que gravitam no espaço da Justiça. Incrível. No Estado do Rio de Janeiro já temos consequências políticas, com o pedido de abertura de impeachment de Wilson Witzel aprovado pela Assembléia por 69 a zero.

O governador anuncia recurso a Justiça, alegando que estaria havendo cerceamento de defesa. Na minha opinião, é extremamente difícil que Witzel possa superar a reação contra ele.

ATÉ EM BRASÍLIA – Mas o vendaval da corrupção, talvez até um ciclone, já passou por Brasília e começa nos dias atuais a se aproximar e penetrar na Amazônia. O vice presidente Mourão em uma entrevista a Eliane Cantanhede, O Estado de São Paulo, reconheceu que houve omissão contra o desmatamento sucessivo e o recurso das queimadas para ocupação ilegal de terras.

Reportagem de Leandro Prazeres, Paula Ferreira e Gustavo Maia, O Globo de hoje, revela que o governo exonerou Lubia Vinhas que apontou no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais o avanço do desmatamento na região. Especialistas na matéria, como Ricardo Galvão, condenaram o afastamento e disseram que o Ministro Ricardo Salles pratica uma administração desastrosa. Lubia foi exonerada pelo ministro Marcos Pontes, titular da pasta da Ciência e Tecnologia. 

DESMENTIDO – André Trigueiro, da Rede Globo, recebeu informação de Marcos Pontes: Lubia Vinhas foi quem pediu demissão, o que foi desmentido por ela. Há poucos dias Hamilton Mourão revelou que investidores estrangeiros condicionam suas aplicações no Brasil à preservação da Amazônia.

O Estado de São Paulo, matéria de Giovana Girardi, ressalta com grande destaque a demissão de Lúbia Vinhas frisando que o desmatamento na Amazônia, nos últimos 11 meses subiu 65% em relação ao período também de 11 meses de agosto de 19 a junho deste ano. Até o Ministro Paulo Guedes, de acordo com reportagem de Eduardo Rodrigues e Lorema Rodrihues, O Estado de São Paulo de hoje, defende mais compreensão para preservar a Amazônia através de correção de erros. A não preservação bloqueia investimentos estrangeiros no país.

FUTEBOL NA TV– Tomara que amanhã não chova, para que o FlaxFlu decisivo seja disputado com bom tempo no Maracanã. A confusão quanto ao televisIonamento continua. Matéria de Igor Siqueira, O Globo de hoje, focaliza o assunto e destaca o problema entre o Flamengo e a TV Globo, reflexo a seu ver da medida provisória 984 do presidente Bolsonaro, que alterou as normas para o pagamento de direitos autorais.

Como amanhã o mando de campo é do Flamengo, o clube pretende negociar os direitos de transmissão com o SBT e não com a Globo. As partidas anteriores foram transmitidas através dos canais FLU TV e FLA TV. No caso do FLA TV apenas a partida final da Taça Rio. Amanhã vamos ver o que acontece e se a Globo permite a transmissão pelo SBT como permitiu as transmissões pelo Youtube.

Depois volto ao assunto.

Flamengo não tem razão na briga com a TV Globo, porque nenhum time joga sozinho

FluTV? Globo? Veja como fica a transmissão caso o Fluminense mande ...

A transmissão inferior é o ponto franco do esquema alternativo

Pedro do Coutto

O desentendimento entre o Flamengo e a TV Globo decorre do fato de que, alegando ser a maior torcida do Brasil, o que é verdade, o rubro-negro deseja receber mais pela transmissão das partidas em que atua, o que na minha opinião choca-se com a realidade. Parto do princípio de que nenhum time de futebol joga sozinho. O adversário é imprescindível. Portanto, digamos, se o Flamengo enfrentar o Bonsucesso, nem por isso deverá receber mais do que a equipe do subúrbio da Leopoldina. Mas há uma série de outros reflexos causados pela posição do Flamengo.

Uma delas é a redução da publicidade colocada na lendária camisa que joga sozinha, tornando-se assim o 12º jogador. As marcas estão na camisa heroica de tantas vitórias e tantos campeonatos conquistados.

TRANSMISSÃO RUIM – Uma constatação: as transmissões por canais de clubes como o Fluminense, e o próprio Flamengo, naturalmente não colocam nas telas imagens de qualidade como as transmitidas pela TV Globo.

Aliás, achei excelente a reportagem de Diogo Dantas, João Pedro Fonseca e Rafael Oliveira, O Globo de domingo, focalizando o assunto com base na nova estratégia dos clubes.

Não se pode esquecer que a Globo possui 120 canais na rede espacial moderna. Assim, por mais acessos que a TV Flu possa conquistar, como ocorreu ontem no Rio de Janeiro, não se pode comparar com os reflexos da transmissão pela TV Globo.

Outro aspecto essencial é a valorização dos passes de jogadores no exterior, atualmente meta legítima de todos os atletas profissionais. Como sempre digo, não se pode ver só o fato mas também seus reflexos e consequências.

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GRANDE SOLUÇÃO… PETROBRÁS DEMITE FUNCIONÁRIOS

Mais uma vez chamo atenção para que os leitores examinem o fato e, sobretudo, seus reflexos. Menos servidores, menor a receita do INSS, menor a receita do FGTS, menor a receita da Petrus, o Fundo de Pensão. Demitir não resolve nada, pelo contrário. Agrava o problema.

Além da dívida herdada dos governos Lula, fonte de corrupção, que levou ao endividamento em torno de 100 bilhões de dólares, uma das maiores dívidas empresariais do mundo. Hoje a dívida, revela a reportagem de Ramona Ordonez e Bruno Rosa, O Globo de hoje, caiu para 78,8 bilhões de dólares. O fundo de aposentadoria complementar está sendo atingido por dois fatores: redução das contribuições dos empregados, decorrente do enxugamento estabelecido pela direção.

E também finalizando, pelo número de servidores afastados, o que vai pesar contra a PETRUS, aumentando sua despesa e diminuindo sua receita.

Brasil perde 12 bilhões de dólares se não enfrentar desmatamento, adverte Mourão

Mourão se submete a isolamento após funcionário próximo ser ...

Mourão criticou claramente o ministro Salles, do Meio Ambiente

Pedro do Coutto

Em uma entrevista a Eliane Cantanhede, no Estado de São Paulo de sábado, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o governo começou tarde o combate ao desmatamento na Amazônia e que, com essa omissão, perderá 12 bilhões de dólares, quantia a ser investida no Brasil por empresas nacionais e estrangeiras e também por órgãos que lutam pela preservação do meio ambiente, não só no Brasil, mas no mundo inteiro.

Mourão, encarregado de supervisionar o combate ao problema, mostra-se preocupado com os reflexos e consequências da omissão. Pergunto eu: qual poderá ser a reação do Ministro Ricardo Salles diante da revelação do vice-presidente da República?

FALTA DE RECURSOS – De outro lado Mourão revelou-se surpreso com a falta de recursos para a Operação Verde Brasil, que, aliás, há dois meses não recebe repasse do Fundo da Amazônia, embora as aplicações nesse Fundo estejam previstas no orçamento federal da União para este ano. Acrescento: e o orçamento federal eleva-se a 3,6 trilhões de reais, praticamente a metade do PIB.

Mourão afirmou a Eliane Cantanhede que a operação de combate frontal ao desmatamento começou tarde demais e assim acumulou a escassez de recursos em dois anos. O vento levou, digo eu, e agora Mourão tem de partir em busca do tempo perdido. Uma das preocupações dos investidores estrangeiros refere-se a questão dos índios na Amazônia.

PREJUÍZO ÀS EMPRESAS – Uma reportagem de Fernanda Perrin, Folha de São Paulo de hoje, sustenta que o desambientalismo da política do governo prejudica também as empresas brasileiras em larga escala, principalmente pelo fato de que grandes exportadores estão sofrendo resistência em vários países preocupados com o aquecimento global.

O tema é também objeto de matéria de Henrique Gomes Batista e João Sorima Neto, O Globo. No mesmo jornal, Geralda Doca, revela que o governo Bolsonaro estuda autorizar o resgate parcial de recursos acumulados pelos Fundos de Pensão das empresas estatais.

UM GRAVE ERRO – Na minha opinião trata-se de um grande erro, e a ideia, claro, está colocada pelo Ministério da Economia. Acontece que os Fundos de Pensão voltados para complementação de aposentadorias possuem a enorme maioria dos recursos aplicados no mercado de capitais e portanto difíceis de resgatar para garantir a liquidez financeira dos saques. É o caso da Previ do Banco do Brasil, e do Real Grandeza, de Furnas. Esta questão merece ser objeto de profunda apreciação.

A Previ e o Real Grandeza estão superavitários, enquanto a Petros, da Petrobrás e o Funcef, da Caixa Econômica Federal, encontram-se em fase de recuperação de seus prejuízos.

EM RENDA FIXA – De modo geral, em 2019 por exemplo, eles movimentaram 124 bilhões de reais no mercado. Entretanto no caso da Previ e do Real Grandeza, cerca de 80% de seus patrimônios encontram-se em aplicações de renda fixa, cujo saque reduziria substancialmente o valor dos investimentos.

É preciso considerar também que a Previ e o Real Grandeza aplicaram fortemente em notas do Tesouro Nacional remuneradas com base na Selic.

Assim a rentabilidade anual está hoje em 2,25%. Se a inflação bater 3% o prejuízo real terá sido de 0,75%.

Lembrem-se: Adhemar de Barros e Moysés Lupion nunca fizeram apologia da honestidade

Adhemar de Barros - Algo Sobre

Slogan de Adhemar (“Rouba mas faz”) foi apropriado por Maluf

Pedro do Coutto

Leitoras e leitores, no meu artigo de ontem, talvez tenham se surpreendido com o fato de eu não ter eu colocado os nomes de Adhemar de Barros e Moises Lupion entre os que são acusados de terem praticado atos de corrupção. Explico. Ontem fiz o contraste entre a honestidade aparente e a corrupção oculta. Por isso, exclui os ex-governadores de São Paulo e do Paraná. Feita esta observação, vou escrever tópicos sobre fatos políticos que ocorreram de ontem para hoje. Dentro do princípio que adoto de que tão importante quanto ver os fatos, ver nos fatos, seus reflexos e consequências.

NOVO MINISTRO – O professor Milton Ribeiro foi nomeado ministro da Educação pelo presidente Jair Bolsonaro. É o quarto ministro em 18 meses. Vamos aguardar sua atuação. Penso eu que, da mesma forma que todos os professores, podem se tornar um autor do amanhã, um arquiteto do futuro.

De acordo com meu pensamento, o ministro da Educação e todos os professores devem escolher entre serem doadores ou cobradores. A informação deve ser transmitida dentro de uma atmosfera fraterna, cordial e não amedrontadora. É o melhor caminho para análise dos fatos e dos desempenhos humanos no futuro. A reportagem de O Globo é de Cleide Carvalho, Naira Trindade, Renata Mariz e Raquel Kapa.

FUTURO EX-MINISTRO – Ricardo Salles deve sair do Ministério              do Meio Ambiente. Isso porque, na sexta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão reuniu-se com investidores e empresários estrangeiros que condicionaram suas aplicações de capital no Brasil ao fim do desmatamento na Amazônia. Reportagem em O Globo, de Johanns Eller, Gabriel Shinohara, Washington Luiz e Henrique Gomes Batista, destacou o encontro.

O ministro Salles sequer foi convidado. Hamilton Mourão reconheceu ação tardia do governo Bolsonaro para conter a devastação. E o jornalista André Trigueirom da TV Globo, já manifestou fortes críticas ao interesse financeiro dos que desmatam e incendeiam.

MINISTRO EQUIVOCADO – Ao contrário do que se pensa, o ministro João Otávio de Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça, está longe do Supremo. Os repórteres Mateus Teixeira e Marcelo Rocha focalizaram extensamente na edição de hoje da Folha de São Paulo as contradições do presidente do STJ, João Otávio de Noronha, ao conceder prisão domiciliar a Fabrício Queiroz.

Contrariou diversas decisões em casos semelhantes antes de modificar seu pensamento em relação a Queiróz. Mas foi além. Fixou prisão domiciliar a Márcia Aguiar, mulher de Queiróz. Disse que ela assim poderá cuidar do marido. Esqueceu que no longo tempo em que Queiróz esteve oculto em Atibaia ela não se aproximou para apoiar o personagem nebuloso.

Aliás, Merval Pereira no seu artigo de hoje de O Globo, desmancha qualquer possibilidade de Otávio de Noronha vir a ser nomeado pelo presidente Bolsonaro para o STF.

Lacerda, Jânio, Collor, Lula e Bolsonaro tiveram a honestidade como bandeira

Resultado de imagem para honestidade charges

Charge do Solda (cartunistasolda.com.br)

Pedro do Coutto

O governador Carlos Lacerda e os presidentes Jânio Quadros, Fernando Collor, Lula da Silva e Jair Bolsonaro se pautaram sempre nas suas campanhas eleitorais pela defesa absoluta da honestidade, principalmente da honestidade quanto aos recursos públicos. Condenaram sempre a corrupção e os corruptos, sendo que Jânio Quadros adotou como símbolo em sua campanha vitoriosa nas urnas de 1960 a vassoura destinada a varrer a corrupção no país e lançá-la no eterno arquivo nacional.

Os fatos não confirmaram seus propósitos iniciais. Inclusive honestidade não se refere apenas a questões financeiras. Existe também a desonestidade intelectual.

DEPOIS DE ELEITOS… – Ao longo do tempo as contradições foram muitas porque os eleitos não se encontraram com os candidatos. Lacerda foi excelente governador da Guanabara. Mas no início de seu mandato, em 1961, enviou à Assembleia projeto de lei reduzindo a incidência do ICM sobre as exportações de café de 4 para 1%. O deputado Amaral Neto apresentou emenda perdoando a dívida dos exportadores de café para com a Fazenda estadual.

A questão vinha sendo objeto de discussão no STF. O advogado dos exportadores era Dario de Almeida Magalhães, pai de Rafael de Almeida Magalhães, chefe da Casa Civil de Carlos Lacerda.

E o mesmo Lacerda desencadeou um movimento contra a posse de JK, que venceu as eleições de 1955, alegando que o político mineiro era corrupto.

JÂNIO E A VASSOURA – Jânio Quadros foi eleito presidente, vassoura na mão para banir os corruptos. Quando assumiu, o dólar, sobre o controle da SUMOC, estava fixado em 100 cruzeiros. Através da instrução 204 Jânio já no primeiro dia de seu mandato duplicou o valor da moeda americana fixando-o em 200 cruzeiros. Quem por acaso comprou o dólar a 100 enriqueceu numa noite de verão. Jânio Quadros renunciou à presidência da República em agosto de 1961.

Fernando Collor foi eleito em 1989 defendendo ardorosamente a integridade e prometendo cassar os marajás do serviço público. Logo no início de seu mandato, o personagem Paulo Cesar Farias entrou em cena praticando extorsões em série. Collor foi afastado da presidência dois anos depois de tê-la assumido. Corrupção. Mas apesar do impeachment, criminalmente foi absolvido pelo STF, não havia provas.

LULA E O MENSALÃO – Lula, sob o manto da honestidade, atacava os picaretas e defendia um novo ciclo voltado para a redistribuição de renda. Assumiu em janeiro de 2003. Poucos meses depois, explodiu o mensalão arquitetado por José Dirceu, que era o chefe de sua Casa Civil.

Reeleito, Lula  desencadeou corrupção jamais vista na história do país. Distribuiu as diretorias da Petrobrás pelas bancadas partidárias no Congresso e concretizou um pacto com a Odebrecht e outras empreiteiras, levando a Petrobrás a um endividamento internacional de 90 bilhões de dólares.  Na minha opinião nada mais conservador e concentrador de renda do que a corrupção. Pedro Barusco, um dos gerentes da Petrobrás, depois do petrolão devolveu aos cofres públicos 95 milhões de dólares.

BOLSONARO E A CORRUPÇÃO – Chegamos assim à vitória de Jair Bolsonaro. cuja campanha atacando a corrupção de Lula e do PT conquistou a ampla maioria do eleitorado brasileiro. Já no primeiro ano de seu governo, começaram a surgir entre as nuvens sinais de que se aproximava uma tempestade. Hoje todos sabem o que são as fake news, a atuação do ministério do meio ambiente, na Educação um desastre chamado Weintraub e um personagem da literatura policial como Fabrício Queiroz.

Emergiu das sombras um personagem de Agatha Christie, um advogado misterioso que ocultou Fabrício Queiroz. Na onda atual, o presidente do STJ, João Otávio Noronha, concedeu prisão domiciliar para Queiroz e a estendeu a sua mulher,Márcia Aguiar. Ela estava foragida. Tal decisão causou perplexidade nos meios jurídicos. A esperança é que seja anulada pelo Plenário do STJ ou então pelo STF.

E la Nave Va, como no filme de Fellini.

A mentira (“fake news”) jamais se transformou ou conseguirá se transformar em verdade

O Espiritualismo Ocidental: Farsa Eleitoral bolsonárica. Quem está ...

Frase famosa da Goebbels foi desmentido pela própria História

Pedro do Coutto

A cínica frase de Goebbels de que a mentira repetida mil vezes se transformará em verdade é absolutamente falsa e qualifica muito bem do que era capaz o chefe da propaganda de Hitler em matéria de violar os direitos humanos e também a consciência dos fatos.

É o caso das fake news que operavam até ontem na rede do Facebook e que foram banidas exatamente com base nesse raciocínio que faço e também com base no dinamismo da política e da própria vida humana.

EXPURGO MERITÓRIO – O banimento não decorreu de uma suspensão ideológica, isso porque as contas do PT no WhatsApp foram igualmente desmobilizadas e banidas por não representarem conteúdo verdadeiro.

Posso afirmar também que jamais o adjetivo poderá suplantar o substantivo. Ou seja, a mensagem não depende do meio de sua divulgação ou dispensar o conteúdo concreto das matérias.

Reportagens publicadas em O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo comprovam firmemente minha opinião sob o ângulo jornalístico, moral e ético. Comparando-se a terrível frase de Goebbels e o pensamento do presidente Lincoln, chegamos à conclusão cristalina que a verdade absoluta se encontra consolidada na História pelo presidente dos EUA.

FRASE DE LINCOLN – Disse ele em 1862: é possível enganar a poucos por todo o tempo, é possível enganar a muitos por pouco tempo; mas é impossível iludir a todos por todo o tempo.

Em O Globo a reportagem é de Leonardo Cazes, João Paulo Saconi e Juliana Del Piva. Na Folha, a matéria é de Paula Soprana, Renato Onofre e Patrícia Campos Melo. No Estadão, Paulo assinam Bruno Romani, Camila Tordelli e Júlia Lindner. As matérias se referem ao caso do face book. No caso do WhatsApp envolvendo o PT o texto é de Fernanda Alves.

Voltando ao tema que confronta de um lado a mentira, de outro a verdade, os fatos através da História sempre apontaram a vitória da verdade sobre a mentira e também, por consequência, na minha opinião, o domínio do substantivo sobre a forma sinuosa de tentar disfarçar a verdade, porque isso não resulta na criação de uma realidade. Pelo contrário, sempre termina se voltando contra o falsificador. Aconteceu exatamente isso na segunda Guerra mundial.

CARTA BRANDI – E no Brasil vale citar o exemplo da Carta Brandi, falsificada na campanha eleitoral de 1955 e que apontava o personagem título como autor de uma remessa de armas para o vice-presidente João Goulart que terminou eleito na chapa de JK.

Carlos Lacerda deu grande divulgação à sombria notícia. E o episódio terminou com a derrota dos falsários e da própria UDN de Lacerda.

Governo vai tentar “comprar” apoio da mídia no Brasil e também no exterior

Charge de Luiz Mello (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O governo Bolsonaro, através da Secretaria de Comunicação (Secom), deseja praticamente dobrar a verba de publicidade prevista para este ano, no sentido de melhorar sua imagem tanto no país quanto no exterior. O desgaste decorre das crises que envolvem o Palácio do Planalto e a equipe do presidente da República. Reportagem de Renato Onofre, Folha de SP de segunda-feira, focaliza o assunto.

Jornalista profissional há mais de 60 anos, posso assegurar que não existe vínculo entre a publicidade paga e as matérias publicadas nos jornais e focalizadas nas redes de televisão.

PUBLICIDADE COMERCIAL – Na minha opinião, a Secom está visando principalmente a Rede Globo por dominar amplamente a audiência, e a Folha, O Globo, o Estadão e também o Valor, pois estes são os maiores e mais influentes jornais do país.

Veicular publicidade comercial não adianta nada, é jogar dinheiro fora. A comunicação política e administrativa é gratuita e tem como base os acontecimentos da realidade e as iniciativas do governo que representem o interesse legítimo da população.

A Secom não consegue compreender esse processo.  Pudera. São pouquíssimos os órgãos públicos e empresas estatais que adotam a linha a que me refiro. Preferem pagar pela divulgação que poderiam obter de graça.

ERRO ESTRATÉGICO – A matéria publicitária não convence exatamente por resultar de espaço pago. A diferença entre publicidade e jornalismo é a mesma que na matemática separa o teorema do axioma. Um abismo.

Renato Onofre destaca o ponto nevrálgico da questão. O secretário adjunto Samy Liberman, em ofício encaminhando a duplicação da verba para este ano, dá como exemplo que as mudanças do comando da Saúde repercutiram negativamente nos jornais econômicos mais influentes no mundo.

E conclui haver necessidade de uma liberação maior do gasto no setor de comunicação. Principalmente – vejam só – nos veículos nacionais mais críticos às ações do governo, além de quintuplicar o valor de gastos em relações públicas com a mídia. Isso exige maior capilaridade associada a situações muito díspares em cada local.

ESFORÇO INÚTIL – A verba este ano para a Secom incluída no orçamento prevê uma aplicação de 138 milhões de reais. A Secretaria está pedindo orçamento de 325 milhões de reais. Como se constata, a surpresa não está tanto no aumento da verba e sim no objetivo falso do alvo apresentado como justificativa.

Não adianta nada, é absolutamente nulo qualquer gesto que possa ser interpretado como tentativa de cooptação. A imagem do Brasil é ruim, porque o governo toma decisões erradas.a meta citada por Liberman, ela envolve além da mídia brasileira o New York Times, Washington Post e o Wall Street Journal, além de jornais europeus.

“COMPRAR” APOIO? – Nesse cenário as matérias negativas expõe o país, o que faz necessária uma ação de comunicação positiva. A imagem do Brasil no exterior tem de ser revertida. Para isso acontecer, é preciso o governo melhorar sua atuação, é claro. Não adianta tentar “comprar” apoio jornalístico.

Internamente, de acordo com o Datafolha, o governo Bolsonaro está perdendo de 44 a 32 na opinião pública. Nas relações públicas, em foruns internacionais, a média dos gastos nos últimos anos foi de “apenas” 10 milhões de reais.

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LIBERDADE DE EXPRESSÃO NÃO INCLUI ANONIMATO

Em artigo publicado hoje na Folha, o professor Ivar A. Hartmann, aborda o tema das fake news, a partir do projeto do senador Alessandro Vieira aprovado pelo Senado Federal.

Hartmann, formado em Direito por Harvard, aponta para um alvo certo quando defende a liberdade de expressão e condena o anonimato ao mesmo tempo. Está certo. Mas algumas observações escapam à realidade das redes sociais. Ele condena, é claro, as fake news, mas acentua que deve ser encontrado um denominador comum entre os bolsonaristas e os esquerdistas.

Não é nada disso. O cenário é muito mais amplo do que daquele ocupado pelas duas correntes. A rede da Internet, na minha opinião, torna impossível qualquer controle prévio da mídia espacial.

EDITOR RESPONSÁVEL – Nos jornais e emissoras de televisão as matérias são vistas por editores antes de sua publicação. Há inclusive editores responsáveis. O diretor responsável da Rede Globo, por exemplo, é o jornalista Ali Kamel. Esta colocação é fundamental para dividir as responsabilidades e situações. O que não pode haver, como o próprio Hartmann observa, é o anonimato, por uma razão simples. Seres humanos são responsáveis pela introdução dos robôs nas telas de um espaço infinito.

As pessoas podem escrever o que desejarem. Mas ficam responsáveis pelo que dizem. Os robôs não têm responsabilidade alguma. Assim, o fim do anonimato resolve a questão.

Arrancada do democrata Joe Biden surpreende até jornalistas e cientistas políticos

Aos poucos. Joe Biden está ganhando a confiança dos eleitores dos EUA

Pedro do Coutto

A política é sempre repleta de surpresas e, por isso, sua movimentação contesta as afirmações que se tornam congeladas diante das mutações. Isso é próprio da política em si. Os imprevistos ao longo da estrada possuem sempre uma influência de peso que apaga as ideias fixas. É a vitória de seu caráter dinâmico sobre os estacionamentos do raciocínio, em um encadeamento que se choca com uma visão fotográfica do momento.

O cinema, iniciado no amanhecer do século XX, assim representou um dinamismo de imagens que supera a cristalização da conquista da técnica e da arte de fotografar. Mas vamos ao assunto esquecendo essas movimentações de texto.

NOS ESTADOS UNIDOS – O New York Times publicou, e reportagem de Bruno Benevides e Catarina Pignato, Folha de São Paulo de 4 de julho reproduziu, apontando um distanciamento de Joe Biden sobre Donald Trump para as eleições de 3 de novembro. A surpresa comprova o dinamismo do processo político que altera rumos que pareciam estar solidificados.

Donald Trump estava firme à frente dos Democratas. Mas o jogo se modificou, podendo ser muitas as razões, a começar pelo desempenho do atual ocupante da Casa Branca.

O New York Times encomendou quatro pesquisas sobre intenções de voto. A primeira aponta diferença de 53 a 41 pontos. A segunda de 52 a 44, a terceira de 46 a 39, uma quarta de 50% a 38%.

ELEITORADO NEGRO – A grande margem de intenções de votos no eleitorado negro sustenta o avanço de Biden. Nessa faixa ele atinge 90%. Entre os latinos a vantagem é de 65 a 35. E entre os brancos Trump tem uma vantagem de 51 a 49, praticamente um empate.

O panorama representa o caráter volúvel do eleitorado ao sentir a força do vento dos fatos. Nas eleições de 2016, por exemplo, Hillary Clinton perdeu a disputa por si mesma. Ela foi usar o sistema da Internet do governo para mensagens não oficiais entre pessoas de seu conhecimento. E também fez exatamente o contrário. Usou seu computador pessoal para trocar correspondências de Estado.

EXEMPLO DE HILLARY – Ela vinha à frente com 12 pontos em outubro. James Comay, diretor do FBI, reviveu o episódio três semanas antes das eleições. Hillary teve mais votos mas perdeu no peso dos colégios eleitorais. O páreo foi decidido em Michigan onde Trump venceu pela margem de 0,1%. Como sempre digo, Hillary perdeu para si mesma.

Agora mais um fato contra Trump. No sábado ele atacou a new left (nova esquerda) e estendeu suas críticas àqueles que combatem o racismo. O que dizer?

O PIB E O ABONO – Francamente, ao longo de 62 anos de jornalismo, poucas vezes li afirmação tão sem base na realidade quanto a declaração de Sérgio Vale, economista chefe da MB Associados. Na reportagem de Cássia Almeida, O Globo de hoje, ele disse que a distribuição do benefício mensal de 600 reais representou 2,5 pontos a mais no PIB deste ano. A queda que seria de 9% passou a ser de 6,5.

Ora, o PIB é a soma de tudo que se produziu ao longo de 12 meses em qualquer país. Não importa qual o setor da produção, incluindo o consumo. O que está havendo no Brasil é uma simples transferência de recursos estatais para camadas da sociedade, justa.  Portanto, a ordem dos fatores não pode alterar o resultado.

DEMISSÕES VOLUNTÁRIAS – Por fim, neste artigo de hoje focalizo matéria de O Globo de domingo. O presidente da Petrobrás, Roberto Castelo Branco, lançou na empresa o programa de demissões voluntárias, cujo objetivo é reduzir o número de empregados de 44 mil para 30 mil. Argumentou que o programa contribui para redução de custos da Petrobrás.

Só na aparência, porque a grande parte dos que aderem ao PDV são os que possuem tempo de serviço para se aposentar. Assim obtêm indenização e recorrem à Petrus, fundo de pensão que complementa o valor de remuneração mensal. Por exemplo: se alguém vai receber 6.000 reais do INSS e seu salário na Petrobrás for de 10.000 reais. a Petrus complementa a diferença.

Ótimo negócio para os que atingiram o tempo suficiente para se aposentar. Em matéria de economia de custos, a diminuição do quadro de pessoal é transferida para o Fundo de Pensão, que é parcialmente pago pela própria Petrobras. Apenas isso.

Integralismo foi uma ponte que uniu o nazismo de Hitler aos extremistas da direita

Livro de doutor em história revela que Plínio Salgado espionou ...

O deputado paulista Plínio Salgado foi o líder do integralismo no país

Pedro do Coutto

O Integralismo que surgiu no Brasil na década de 30 e que na realidade terminou em 1938, com o frustrado ataque ao Palácio Guanabara com objetivo de matar o presidente Getúlio Vargas, representou a ponte entre o nazismo de Hitler e a posição ideológica dos extremistas da direita no Brasil. O tema integralismo foi abordado por Ancelmo Goes, no espaço que brilhantemente ocupa em O Globo, edição de 04/07.

Os nazistas usavam camisas negras com a suástica nas mangas e sua saudação era “Heil, Hitler!”. O integralismo de Plínio Salgado ostentava camisas verdes e um sigma nas mangas. Sua saudação de braço levantado, como os nazistas, era a palavra “Anauê” da cultura indígena.

ELOGIO DE GOEBBELS – Em novembro de 1937 Goebbels enviou mensagem a Vargas, já então ditador, congratulando-se com a decretação do Estado Novo dia 10 de novembro, quando fechou o Congresso e passou a governar por Decretos-Lei. A tortura passou a ser praticada. Getúlio Vargas não respondeu a Goebbels, mas se comprometeu com Plínio Salgado a nomeá-lo Ministro da Educação. Plínio Salgado programou um desfile de integralistas na Rua Pinheiro Machado, passando em frente ao Palácio Guanabara. Além de sede do governo, residência da família Vargas.

Logo após o desfile. Vargas determinou ao temível chefe de polícia Filinto Muller que iniciasse a prisão dos principais líderes da ação integralista, pois o serviço secreto identificara vários nomes. Sentindo-se traído, Plínio Salgado organizou um atentado terrorista contra Vargas através de invasão ao Palácio Guanabara. O ataque esperaria o tenente Júlio Nascimento, integralista, estar em serviço comandando a guarda do Palácio. Ele facilitaria a entrada dos terroristas nos jardins e depois ao segundo andar durante a noite.

DEU TUDO ERRADO – Acontece que Júlio Nascimento foi envolvido pelo medo e não apareceu para comandar a guarda. Foi substituído pelo capitão Maurício Kices, que não sabia de nada e comandou firmemente a resistência. O episódio é narrado pelo jovem historiador Daniel Mata Roque que pesquisou bem o episódio. A resistência de Kices foi fundamental e deu tempo para que chegasse o general Leite de Castro que cercou o Palácio com acesso facilitado pelo Fluminense Futebol Clube.

Plínio Salgado conseguiu chegar a uma corveta portuguesa ancorada na Baia de Guanabara. O governo de Portugal lhe concedeu asilo. Depois da anistia de abril de 45, Plínio Salgado criou o Partido de Representação Popular e foi eleito deputado federal.

GUERRA AO NAZIFASCISMO – A substituição de Nascimento por Kices impediu um corte abrupto na história de nosso país. Naquele tempo, intelectuais como Gustavo Barroso, Miguel Reale, Santiago Dantas, D. Helder Câmara e Alceu de Amoroso Lima eram adeptos daquela doutrina. Romperam quando o Brasil declarou guerra a Alemanha de Hitler e à Itália de Mussolini. O Brasil foi o único país da América do Sul a declarar guerra ao nazifascismo.

Vinte navios mercantes brasileiros, a partir do Baependi foram torpedeados por submarinos alemães. Em maio de 42 uma passeata da UNE acabou acarretando a queda de Filinto Muller da chefia de polícia. Filinto vetou a passeata. O presidente da UNE era Hélio de Almeida, mais tarde presidente do Clube de Engenharia e Ministro dos Transportes do governo João Goulart. Hélio de Almeida não se conformou com o veto e resolveu recorrer ao Ministro da Justiça, mas Francisco Campos havia sido demitido na véspera por Vargas. O ministro interino era o diplomata Vasco Leitão da Cunha que autorizou a passeata.

CARTA DE DEMISSÃO – Filinto Muller foi ao Guanabara e entregou sua carta de demissão. Getúlio Vargas aceitou na hora e os estudantes tomaram as ruas do centro do Rio.

Cito o episódio para acentuar que Filinto não permaneceu no governo até a deposição de Vargas a 29 de outubro de 45.

Outra informação. Plínio Salgado concorreu a presidência da República nas eleições de 1955. Teve 10% dos votos.

Caso de José Serra explode no PSDB e o governador João Dória teme os estilhaços

Coronavírus: Governador João Doria decreta quarentena em SP por 15 ...

Candidato à Presidência, João Doria se preocupa com os estilhaços

Pedro do Coutto

O senador José Serra foi denunciado pela Polícia Federal, que, depois de uma investigação complicada, desvendou as manobras do senador paulista para ocultar propina recebida da Odebrecht quando foi governador de São Paulo. O dinheiro segundo a PF, saltou vários obstáculos e depois foi estacionar na Suiça.

Este foi mais um fato que abalou os tucanos, porque antes de Serra outras investigações envolveram Eduardo Azeredo, Aécio Neves e outros políticos de destaque.

REFLEXOS ELEITORAIS – O choque causado por José Serra preocupou o governador João Doria, que é um potencial candidato à sucessão de 2022. É lógico que os reflexos preocupam Doria, sobretudo porque sua candidatura a presidência da República pode ser considerada uma opção entre Jair Bolsonaro e o candidato do PT.  Isso de um lado.

De outro, a ação desencadeada pela Polícia Federal traz consigo um aspecto relevante no plano político administrativo, pois comprova que a PF não necessitou de apoio do Ministro da Justiça e, ao que se pode perceber não teve também concordância prévia do Diretor Geral da PF.

O caso complica bastante e tinge a imagem de José Serra, porque João Dória deu ênfase a seu apoio sobre as investigações, ressaltando, entretanto, que aguarda o desfecho final do processo.

No Globo a reportagem está assinada por Sérgio Roxo e Dimitrius Dantas. Na Folha por José Marques.

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À VENDA O HISTÓRICO PRÉDIO DE “A NOITE”

O governo federal colocou à venda por 90 milhões de reais o tradicional edifício de “A Noite” na Praça Mauá, grande palco e testemunha do êxito que a Rádio Nacional alcançou nas décadas de 1940 e 1950. Foi o chamado maior arranha-céu da América do Sul quando de sua inauguração em 1929. Ficou na história por dois motivos principais. No andar térreo erai impresso o jornal A Noite e, a partir de 1936, lá funcionou a Rádio Nacional, que foi um sucesso absoluto.

“A Noite” enfrentou uma crise quando sua linha editoria (jornal) pendia mais para o lado do fascismo, pois 90% da população brasileira condenavam tanto o nazismo quanto o fascismo de Mussolini. No final de 1940, o governo Vargas incorporou o jornal ao patrimônio público. Fazia parte assim das empresas incorporadas.

RÁDIO NACIONAL – A partir de 1936, surgia a rádio nacional na voz de Celso Guimarães e ao som de Luar do Sertão. A rádio Nacional tornou-se um símbolo da comunicação brasileira. Com ela surgiram os grandes shows, principalmente o programa Cesar de Alencar. O programa era sucesso absoluto nas tardes de sábado, porém Cesar de Alencar terminou mal sua carreira acusado de apontar companheiros esquerdistas às inquisições de 1964.  Mas esta é outra questão.

Na década de 30 iniciaram-se as transmissões das partidas de futebol. Galeano Neto tornou-se o locutor na Rádio Nacional. O grande ArY Barroso, na Rádio Tupi, e Oduvaldo Cozzi, na Rádio Mayrink Veiga. Um detalhe. Galean Neto veio da Mayrink Veiga para a Nacional, decorrência de intensa manifestação pública que refletia um caráter condenatório. Os ouvintes acharam que ao transmitir a Copa de 1938 Galeano, filho de italianos, deu ênfase exagerada aos gols marcados contra nós pela seleção da Itália. Na Copa de 38, vencida pela Itália, Mussolini foi a Paris para comandar a torcida italiana. Oduvaldo Cozzi, na Mayrink Veiga, tornou-se sem dúvida o locutor que melhor transmitiu a emoção causada pelo futebol.

Augusto Aras expõe politicamente Bolsonaro no caso do depoimento à Polícia Federal

Aceno de Bolsonaro a Aras com vaga no STF é crime?Pedro do Coutto

Reportagem de Carolina Brígido e Aguirre Talento, O Globo de hoje, mostra que o procurador-geral Augusto Aras, a meu ver, expõe politicamente o presidente Bolsonaro na medida em que o fará depor no inquérito sobre sua suposta influência na Polícia Federal, ultrapassando o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, na composição de cargos na Polícia Federal.

Aliás, a ação que tramita no Supremo decorre da própria iniciativa de Augusto Aras, que atendeu pedido do presidente Bolsonaro para investigar Sérgio Moro. A delegada que está à frente das investigações básicas, Cristiane Correa Machado, por seu turno encaminhou ofício ao Ministro Celso de Mello, relator do processo no STF, porque só falta o depoimento do presidente.

UM GOL CONTRA – A decisão do procurador geral deve ter desagradado o presidente da República, já que seu depoimento poderá atingi-lo juridicamente e também politicamente junto à opinião pública. Cabe ao presidente marcar a data e a forma para cumprir a decisão de Augusto Aras.

Juliana Del Piva, matéria também de O Globo, aborda a questão da rachadinha que envolve o senador Flávio Bolsonaro. Vale acrescentar, um aspecto que escapou, a meu ver, da imprensa. Os advogados de Flávio Bolsonaro, por erro, de fato não alegam sua inocência, mas lutam para que o processo saia das mãos do juiz Flávio Itabaiana. A meu ver, uma contradição.

Maiá Menezes e Carolina Brígido, também em O Globo, focalizam problemas que estão atingindo o TSE, como a falta de mesários para as eleições transferidas para novembro.

HORÁRIO GRATUITO – A questão do horário gratuito encontra-se na pauta do Tribunal presidido pelo ministro Luiz Fux. Tal problema só existe porque além do horário gratuito existe o fundo partidário, constituindo um acúmulo de benefícios. O horário gratuito sem dúvida destina-se aos partidos e aos candidatos. Mas traz consigo uma questão que envolve o governo.

Trata-se do seguinte: as emissoras de rádio e TV, com base em decreto deixado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, podem abater nas declarações de Imposto de Renda o valor equivalente aos comerciais não exibidos no tempo ocupado pelas transmissões das propagandas eleitorais. A base para isso são as tabelas da publicidade normal.

DÍVIDA DESCONTROLADA – Marcelo Correa revela que o ministério da Economia, em matéria divulgada ontem, está prevendo para este ano um aumento ainda maior da dívida pública que deverá alcançar 98% do PIB. Isso representa 22% a mais do que o acumulado anterior. O PIB alcança o patamar de 6,6 trilhões de reais, sobre o qual incidem juros de 2,25%a/a.

Já o repórter William Castanha, Folha de São Paulo, informa que o ministro Gilmar Mendes concedeu liminar a recurso de empresas fixando em 0% a correção das dívidas trabalhistas de 2018 a 2020. Os sindicatos lutavam por uma correção de 1,45%. O ministro fixou a correção de acordo com a TR e não com o IPCA. A TR oscilou em 0%.

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O JORNALISMO  NO TEMPO DA MÁQUINA DE ESCREVER

O jornalismo no tempo da máquina de escrever, livro de Aziz Ahmed, faz reviver o passado das redações onde pontificavam grandes nomes de repórteres, editorialistas, cronistas e colaboradores que regularmente até hoje colocam sua cultura e sua arte nas páginas impressas. Hoje as redações, incluindo material fotográfico, estão ocupadas pelas teclas sensíveis dos computadores produzindo páginas da realidade e imagens que acompanham textos importantes.

Quanto aos jornalistas, incluíram-se Carlos Castelo Branco, Ruy Barbosa, Villasboas Correia, Benedito Coutinho, Helio Fernandes, Wilson Figueiredo.

Helio e Wilson passaram dos 90 e são os sobreviventes de uma época que começou com a Constituinte de 1946. Entre os intelectuais encontramos Otto Maria Carpeaux, Alceu Amoroso Lima, Prudente de Moraes Neto etc. etc., além de Carlos Lacerda e tantos outros.

Liberdade de expressão não pode admitir anonimato, pois são coisas bem distintas

Liberdade de Expressão: o que é, importância, limites e ...

Charge do Bob Biker (bobbiker.com)

Pedro do Coutto

É exatamente a síntese que o título desta matéria reflete e vai ao encontro da votação no Senado, na noite de ontem, e que determinou a identificação original dos textos e imagens remetidos às mídias sociais. É claro. A liberdade de pensamento e expressão, ao contrário dos que defendem difamações e fake news, não implica em anonimato. Pura questão de lógica.

Pois  como podem as vítimas de calúnia, difamação e injúria agir no universo legal contra os detratores. O mesmo raciocínio se aplica às usinas de fake news.

TEMA IMPORTANTE – Assim, está perfeita a iniciativa do senador Alessandro Vieira (Cidadania-ES), aprovada por 44 votos contra 32. A matéria teve sua importância realçada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A iniciativa abrange não só as pessoas, mas se for o caso, as empresas que atuam no setor.

A questão tornou-se absolutamente grave bastando dizer que grandes empresas estão cancelarando seus anúncios comerciais no face book.

A divulgação tem seus autores. Estes apenas têm de ser identificados. Não se trata de censura, sobretudo porque ela está abolida totalmente pela Constituição de 88 e pela unanimidade do Supremo, ao julgar questão relativa à biografia do cantor Roberto Carlos.  Nesse ponto foi importante a campanha liderada pelo jornalista Ruy Castro, que levou o STF a banir integralmente qualquer censura seja nos jornais, emissoras de TV, cinemas e teatros.

LEI AFONSO ARINOS – Na época de hoje em que no Brasil se combate frontalmente a pratica de racismo, vale lembrar que a primeira lei sobre essa nódoa foi de autoria do então deputado federal Afonso Arinos de Melo Franco, uma das maiores figuras do país e um legítimo representante da elite intelectual.

 Trata-se da Lei 1390 de julho de 1951, sancionada pelo presidente Getúlio Vargas. Afonso Arinos nas eleições de dezembro de 1945 tornou-se o primeiro suplente da bancada mineira da UDN. Mas como em 1947 Milton Campos derrotou Bias Fortes nas eleições de governador, Afonso Arinos assumiu o mandato pela primeira vez. Depois, para citar um fato histórico, Juscelino, derrotando Gabriel Passos, retomou o governo de Minas para o PSD.

PANDEMIA PREOCUPA – Pesquisa do Datafolha publicada hoje pela Folha revela a preocupação da população com a ameaça da pandemia, que já causou mais de 57 mil mortes. O levantamento diz que 47% têm muito medo, 31% um pouco de medo e 19% não tem medo nenhum. É por isso que o número de contaminados cresce à velocidade de 3% ao dia.

620 MIL FRAUDES – O Globo publicou na edição ontem que o auxílio emergencial de 600 reais já registra fraudes em série que envolve 620 pessoas.

Como a Caixa Econômica Federal explica o fato, se ela é a fonte pagadora do benefício? E o governo, como fica?

ELETROBRÁS CONVOCA – A Eletrobrás publicou edital convocando os acionistas para assembleia geral para o mês de julho. Na pauta o reajuste de vencimentos da atual diretoria e portanto também da remuneração dos diretores das empresas estatais que compõem do holding.    

Se for privatiza no preço aventado, de R$ 25 bilhões, será uma galinha morta, um prejuízo enorme para o país.  

Se o PIB recuar 6,4%, o país perde R$ 392 bilhões, mas o recuo será bem maior

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Se os fatos confirmarem a previsão do Banco Central em relação ao recuo do Produto Interno Bruto neste ano, a economia brasileira perderá 392 bilhões de reais. Entretanto, o FMI já calcula um retrocesso de 9,1% e há instituições que chegam a estimar em 12% a perda da economia brasileira, que  passará a algo acima de 800 bilhões de reais. Explico por quê.

O PIB de nosso país alcança 6,6 trilhões de reais, e a dívida interna eleva-se a 4,2 trilhões de reais, agora ao juros anuais de 2,25% a/a. Nem o PIB nem a dívida interna têm a ver com o Orçamento da União para este ano, a chamada Lei de Meios, que atinge o teto de 3,6 trilhões de reais.

DEFICIT DA PREVIDÊNCIA – De passagem, comento que percentualmente o déficit da Previdência Social representa menos de 10% desse montante do Orçamento. Mas a percentagem sobe se o Ministério da Economia continuar projetando-o sobre a receita tributária que fica contida na metade do Orçamento.

A respeito de cálculos percentuais, lembro que o ministro Roberto Campos, avô do presidente do Banco Central, dizia sempre em seus artigos semanais em O Globo e no O Estado de São Paulo, que a análise de percentuais obrigatoriamente tem de citar os números absolutos sobre os quais esses cálculos se referem. Caso contrário, ficamos sem saber com exatidão a verdade entre as comparações fracionárias e as integrais.

Reportagem de Karen Garcia e Patrícia Vale, O Globo de segunda-feira, revela que com a queda dos juros à base da Selic o FGTS passou a ser uma opção para quem o possui, pois o fundo está girando com 3% ao ano, somados ao percentual de lucro que ele apresenta. O saldo atual do FGTS é de 410 bilhões de reais. Karen e Patrícia lembram que com a queda da Selic reduziram-se também as aplicações em nota do tesouro, CDI e CDB.

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PERY COTTA E FOLHA RELEMBRAM A DITADURA

No mais recente almoço que reuniu antigos jornalistas do Correio da Manhã, Pery Cotta narra o que atingiu a população brasileira, de modo geral, e o jornalismo em particular, principalmente logo após o Ato Institucional nº 5 de dezembro de 1968.

 Forças policiais invadiram o Correio da Manhã, prendendo o diretor Oswaldo Peralva, o colunista Carlos Heitor Cony e o próprio Pery Cotta acusados de terem se colocado contra a violenta medida excepcional.

Foi presa também Niomar Moniz Sodré, proprietária do jornal que herdou de seu marido Paulo Bitencourt.  Foram tempos difíceis nos quais a tortura física e psicológica passou a ser usada como instrumento para obter confissões.

TORTURA COMPROVADA – O livro de Pery Cotta contém inclusive uma entrevista que ele fez com o temido Brigadeiro Bournier, na qual o militar reconhecia a prática da tortura. A tortura, digo eu em conjunto com Pery Cotta, representa a face mais odienta das ditaduras.

A partir de domingo passado a Folha de São Paulo iniciou uma série de reportagens sobre os porões da fase ditatorial para que se incorpore a história do Brasil para sempre. E a obra de Pery Cotta recebeu destaque especial.

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BOLSONARO NÃO CONSEGUE MANTER DECOTELLI

Na minha opinião, e com base na reportagem de Paula Ferreira, Naira Trindade, Daniel Giulino e Leandro Prazeres, em O Globo, creio que os esforços do presidente Bolsonaro para manter Carlos Decotelli no Ministério da Educação teriam se transformado em tempo perdido.

A reportagem sobre as farsas do pseudo ministro (foi até nomeado), que quase ocupa uma página inteira, revela que o Palácio do Planalto já se encontra analisando outros nomes para o cargo. A reação negativa da área universitária a Decotelli é um peso enorme para o governo.

Pesquisa Datafolha mostra que os extremistas da direita são ameaça à democracia

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Charge do Duke (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha publicada, hoje pela Folha de São Paulo, revela que 68% do eleitorado brasileiro consideram os atos dos extremistas da direita como ameaça à democracia. Apesar disso, ontem, domingo, representantes dessa corrente de pensamento (extremistas) voltaram a exibir faixas pedindo intervenção militar. Para Igor Gielow, eles prejudicam a imagem do presidente Bolsonaro sob a capa de que o apoiam.

Da mesma forma, o levantamento aponta que 66% consideram os insultos a ministros do Supremo e ao Congresso prejudiciais ao regime democrático. A condenação nesse caso refere-se a fake news e ao uso das redes sociais. De outro lado 31% acham que rais práticas não ameaçam o regime. Este percentual coincide praticamente com a parcela de 32% que consideram o governo Bolsonaro entre ótimo e bom.

O levantamento do Datafolha, desta vez exposto por Mauro Paulino e Alessandro Janone acentua serem legítimos os movimentos em favor da Democracia, de acordo com 81% dos entrevistados. Para 79%, a tortura é um método hediondo de obter confissões.

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GRANDES EMPRESAS CONTRA O FACEBOOK

Além da Coca-Cola e da L’Oreal, ontem os Starbucks e a Pepsi-Cola aumentaram a pressão contra o Facebook, rejeitando a acolhida a mensagens de ódio, colocações racistas e a divulgação de fake news.

A matéria a respeito é de Glauce Cavalcanti, edição de hoje de O Globo.

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FONTES DE INFORMAÇÃO E OS CASOS DE PLÁGIO
  

O que aconteceu com o Ministro Carlos Alberto Decotelli vai ao encontro do que sempre digo nesta coluna. As matérias contendo informações obrigatoriamente devem citar a fonte responsável. O ministro Decotelli foi foco de restrição por Franco Bartoluci, Reitor da Universidade de Rosário. Há precedentes. Dilma Rousseff e Wilson Witzel. A respeito de tese de Decotelli, relacionada a uma decisão da Comissão de Valores Mobiliários, a própria CVM lamentou não ser por ele citada como fonte de seu trabalho.

A tese em questão, sobre o BANRISUL, foi defendida na Fundação Getúlio Vargas. Nela aparece Luiz Cesar Gonçalves como orientador. Entretanto em nota dirigida ao Globo, a FGV informou estar pesquisando este fato, porque não encontrou ainda a referência citada.

O professor Thomas Conti vê indícios de plágio. Após pesquisar, afirmou ter encontrado 4200 palavras absolutamente iguais as usadas pela CVM. Além de tudo isso os professores Clovis Machado da Silva, Valeria Silva da Fonseca e Bruno Rocha Fernandes afirmam que o Ministro da Educação publicou com seu nome artigo assinado pelos professores. É por essas e outras que cito sempre as fontes a que recorro, dando também o nome dos autores do texto.

 

Datafolha: 75% dos brasileiros querem democracia e apenas 10% aceitam a ditadura

Após ir a ato antidemocrático, Bolsonaro repreende apoiador que ...

Defensores de nova intervenção militar são apenas 10% dos brasileiros

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha, objeto de reportagem de Igor Gielow, edição de hoje da Folha de São Paulo, revela que 75% do eleitorado brasileiro querem viver em um país que tenha a Democracia, contra apenas 10% que aceitam a ditadura e, mesmo assim, em caráter excepcional. Importante o resultado no momento em que grupos radicais defendem o fechamento do Supremo e do Congresso e a volta do sistema militar ao poder, tendo à frente Jair Bolsonaro.

Reparem que me referi ao eleitorado e não à população em geral. Isso porque dificilmente os menores de 16 anos poderiam ter uma opinião a respeito do tema.

APARENTES CONTRADIÇÕES – O levantamento do Datafolha estende-se a outros pontos políticos nos quais assinala aparentes contradições. Porém isso não importa, porque as contradições acontecem mas não influem no sentimento generalizado em favor do regime democrático.

Cito alguns exemplos. 82% não sabem o que foi o ato institucional nº 5; 58% desconhecem o assassinato de Wladimir Herzog; mas 62% já ouviram falar na Lei de Anistia. Apenas 39% conhecem o caso do atentado no RioCentro; 76% afirmam que houve ditadura em nosso país durante o regime militar.

Muito bem. Enquanto 75% preferem a democracia 59% manifestaram-se contra o direito de greve e 51% são contrários aos partidos políticos. 49% querem a prisão dos suspeitos de crimes de corrupção, mesmo sem autorização judicial. Finalmente 56% são contrários ao fechamento do STF.

EXISTE DESINFORMAÇÃO – Portanto, o problema da desinformação está presente em parcela dos eleitores e eleitoras. O que fazer? Resposta: nada. Esta é a realidade brasileira e comprova o caráter fundamentalíssimo da educação. Porque somente a educação pode assegurar uma base sólida para o conhecimento da realidade que envolve a todos nós.

Entretanto, a pesquisa não se refere ao que deveria ser, e sim a situação concreta que existe hoje. Como no velho ditado, não se combate a febre quebrando o termômetro.

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JOE BIDEN E DONALD TRUMP

Como digo sempre o processo político é mutável a qualquer instante com base no desenrolar dos fatos. Donald Trump era franco favorito para as eleições norte-americanas de 3 de novembro. Agora o quadro se inverteu. Joe Biden passou a liderar as pesquisas, de acordo com que publicou o New York Times, com 50% das intenções de voto contra 36% do atual presidente.

A margem atual é muito grande sobretudo porque ela está presente nos principais colégios eleitorais daquele país. Hilary Clinton teve mais votos que Trump na sucessão de 2016, mas sua margem era de 3% muito diferente da situação atual, porque a margem de 3% permitiu sua derrota na soma dos Colégios Eleitorais. Entretanto, uma diferença de 14 pontos não proporciona o mesmo raciocínio.

GRANDES COLÉGIOS – Os EUA têm 10 colégios eleitorais fundamentais. Califórnia, Texas, New York, Flórida, Illinois, Pensilvânia, Ohio, Michigan, Georgia, Carolina do Norte e New Jersey. Este é um estado colado com o de New York e, ao longo do tempo sempre demonstrou a mesma tendência eleitoral. Nesses principais colégios, Biden e Trump encontram-se empatados . Nos demais a vantagem é de Joe Biden. Inclusive na Georgia, estado conservador. Mas a mim não surpreende, uma vez que o governador Democrata da Georgia, Jimmy Carter derrotou Gerald Ford na sucessão de 1976.

Mesmo nesse panorama adverso para Trump, ele conforme O Globo publicou no sábado, recorreu a Suprema Corte tentando revogar o Obama Care. Uma loucura. Na hora em que precisa de votos o presidente se isola mais ainda, uma vez que o Obama Care atendeu 20 milhões de pessoas no ano de 2019. O legado do ex-presidente Obama inclui a extensão do seguro social financiado em parte pela Casa Branca a 60 milhões de pessoas carentes que não podem pagar pelo atendimento hospitalar.

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POPULARIDADE DE BOLSONARO

Ia me esquecendo do resultado de outra pesquisa do Datafolha sobre a classificação relativa ao desempenho do governo Bolsonaro. Enquanto 44% consideram ruim e péssimo, 32% o definem como bom e ótimo.

Essa pesquisa praticamente confirma a de abril o que prova que o grupo de votou em Bolsonaro permanece apoiando. Lembrei a tempo e está aí a força dos números estatísticos.

Folha, O Globo e Estadão têm 911 mil exemplares e 663 mil assinantes online

REDAÇÃO EM REDE: IDEIAS. Charge. sobre manipulação da mídiaPedro do Coutto      Tirinha do Alexandre Beck

Os três maiores jornais do país – a Folha, O Globo e o Estadão –alcançaram circulação impressa no mês de maio de 911 mil exemplares nas bancas e assinaturas. Nas assinaturas online, a Folha registrou 268 mil, O Globo 245 mil e o Estadão 150 mil, perfazendo um total de 663.000 por dia.

Somando-se a circulação impressa e os acessos online, a Folha mantém a liderança, seguida de O Globo e do Estadão. São os três maiores jornais do país, deixando em quarto lugar o Valor, cuja circulação se realiza entre os grupos empresariais e as faixas de renda mais alta. O mesmo se verifica quanto a presença do Valor na área financeira.

INFORMAÇÃO E OPINIÃO – A matéria foi publicada na edição de hoje da Folha e representa a verificação numérica do que eu chamo mercado de informação e opinião. Não há dúvida quanto a importância cada vez maior das edições online, sobretudo porque a informação se acrescenta no decorrer de cada dia.

Assim, por exemplo uma parcela da opinião pública toma conhecimento dos fatos na hora do almoço e à tarde. Enquanto que pelo jornais impressos tem de haver uma espera de 24 horas.

Os sites também estão em evolução, como é o caso da TI, cujos artigos que publica diariamente se somam à transcrição das principais matérias dos jornais, revistas, sites e portais, formando uma seleção do que há de mais importante na mídia, como um todo, inclusive nas edições online de matérias que dão margem à redação de outras. Este é um fato concreto.

EXISTEM DIFERENÇAS – A meu ver, Há muita diferença entre as edições impressas dos jornais e a sistema online. Isso porque cada exemplar de jornal é lido por mais de uma pessoa, a média é de 2,8 por exemplar, uma vez que se considera a média de 4 pessoas por domicílio. Já as edições online têm o acesso de uma pessoa a cada vez. Mas no universo da internet essa multiplicação não se aplica.

Há uma diferença também que ocorre mais na área da opinião do que da informação. Nas reportagens longas e nas opiniões (editoriais e artigos assinados), a meu ver a vantagem tende para as edições impressas.

Vejam, por exemplo, o relacionamento entre o New York Times e o Washington Post, grandes jornais americanos com o Google. Para o New York Times, cuja tiragem diária é de 4 milhões e 500 mil exemplares, o Google concordou em pagar 4 milhões de dólares por mês porque reproduz matérias do jornal em sua monumental rede de informações em todo o mundo.

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AUMENTO DO DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA

Na Previdência, o aumento do déficit decorre do menor recolhimento por parte das empresas. Reportagem de Marcelo Correia, O Globo de hoje, revela que o déficit da Previdência Social este ano vai crescer muito mais do que assinalava a previsão do Ministério da Economia.

Como o número de empregados diminuiu, em razão do desemprego, com ele diminuíram também as contribuições patronais na ordem de 20% ao mês. Em consequência, a previsão da diferença entre receita e despesa sobe para 306 bilhões de reais até dezembro. A previsão inicial feita por Paulo Guedes estimava o déficit em 264 bilhões de reais.

O estudo é do Instituto Fiscal Independente que funciona no Senado Federal. Comentando o assunto, a economista Margarida Gutierrez argumenta que a face mais importante da reforma previdenciária que entrou em vigor não é seu efeito imediato mas sim uma base que vai se firmar ao longo dos próximos anos. Entretanto, digo eu, tudo dependerá da queda dos índices de desemprego.

Bernardo Mello Franco revela e expõe múltiplas contradições de Paulo Guedes

A Charge do Dia - Blog do Eliomar : Blog do Eliomar

Charge do João Bosco (Arquivo Google)

Pedro do Coutto             

Em um excelente artigo na edição de quinta-feira de O Globo, Bernardo Mello Franco focaliza as contradições do Ministro Paulo Guedes, classificando-o de mercador de ilusões. Criou uma fantasia igual à fantasia do mágico de OZ com base numa série de iniciativas cujos resultados não se confirmam na realidade de todos os dias.

O jornalista Mello Franco é bisneto do Senador Afonso Arinos, uma das figuras mais notáveis da política brasileira. Foi deputado federal, senador, ministro das Relações Exteriores, embaixador do Brasil junto a ONU. Focalizo a descendência em artigo que estou publicando hoje neste site. Mas esta é outra questão.

PROMESSAS ILUSÓRIAS – Bernardo Mello Franco acentua a promessa de Guedes, que fala em arrecadar 1 trilhão de reais com a venda de empresas estatais. Na sequência, eu ressaltou a ideia de privatizar a Eletrobrás, vendendo seu controle acionário por apenas 16 bilhões de reais. Na minha opinião, o valor é irrisório diante do montante do patrimônio de Furnas, Chesf, Eletro Sul e Eletro Norte. 

Voltando às fantasias, o ministro da Economia disse que a reforma da Previdência Social proporcionaria economia anual de 110 bilhões de reais, o que, em 10 anos, representaria 1,1 trilhão.

Para Mello Franco, nas horas vagas Guedes dedica-se a causas exóticas. Como, por exemplo, liberar os cassinos sob o argumento: “Deixa cada um jogador se f….”. Antes, Paulo Guedes atuava muito mais no mercado financeiro do que em projetos econômicos.

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CORRUPÇÃO NO RIO DE JANEIRO

A vereadora Tereza Bergher apresentou relatório encaminhado ao Prefeito Crivella, reunindo os principais atos de corrupção na Secretaria de Saúde da o-Prefeuturayr.

Compra de 300 mil litros de Alcool em gel por um preço 4 vezes maior do que o de mercado. Seria para distribuição às escolas municipais. A entrega não se confirmou. Em outros equipamentos houve casos de compra por 40 vezes os valores de mercado. O prefeito ainda está por decidir a questão.

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 FUNCIONÁRIOS NO ALVO DE PAULO GUEDES – STF anulou a medida proposta pelo ministro Paulo Guedes de reduzir os salários e a jornada de trabalho dos funcionários públicos.

Fábio Pupo e Bernardo Caran, na Folha, assinalam que o titular da Economia vai sugerir ao presidente Bolsonaro a tentativa de aprovar emenda constitucional.

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O PERCURSO PARA FÁBIO BOLSONARO NA ALÇADA – A 3ª Câmara Criminal do TJ-RJ, por dois votos a um retirou, Flávio Bolsonaro da alçada do juiz Flávio Itabaiana. Mas também por 2 a um decidiu manter as determinações do magistrado quanto a quebra do sigilo bancário do atual senador e a prisão de Fabrício Queiróz e de sua mulher Márcia Aguiar que se encontra foragida.

Não sei porque o recurso de Flávio Bolsonaro tentava livrar Fabrício de Queiroz e de sua mulher. São coisas da política.

 

General da Saúde fracassa e não contém coronavírus que mata mais de mil pessoas por dia

Pazuello militariza Saúde e vira executor de Bolsonaro

General Eduardo Pazuello, da Logístiva, virou ministro

Pedro do Coutto

Depois da saída do ministro Henrique Mandeta, o Ministério da Saúde é um desastre em matéria de combate ao coronavírus. Não se percebe nenhum entusiasmo para livrar a população brasileira da pandemia e não se identifica também nenhuma ação concreta para enfrentar a situação. O objetivo atual do MS a mim parece ter como alvo as estatísticas dos fatos ocorridos e não no sentido de conter ao máximo a pandemia reduzindo seus efeitos que já atingem um nível dramático no país.

O Globo de hoje, matéria de Gabriela Oliva, diga-se de passagem a melhor reportagem sobre o tema, revela que o número de contaminados subiu para 1,151 milhão nas últimas 24 horas. E o número de mortes avançou no mesmo espaço de tempo para 1.364 pessoas.

PANORAMA NACIONAL – Os dados se refere a todo o país, e portanto o Ministério da Saúde não está levando em conta o panorama nacional sobre o qual ele deveria pautar sua política e coordená-la juntamente com os governadores dos estados.

 Por que digo eu que a matéria de Gabriela Oliva foi a melhor publicada hoje? Exatamente porque permite a comparação percentual da velocidade dos casos, possibilitando assim estabelecer-se um parâmetro. O percentual é de importância fundamental para que se possa medir as dimensões da tragédia.

Por exemplo. Um número de contaminados subiu 3% elevando-se ao número de 1,151 milhão. DE anteontem para ontem um avanço foi de 33 mil novos casos. Quanto as mortes, ao atingirem 52 mil, registra-se um avanço percentual diário de 4%.

OS NÚMEROS OSCILAM – Estou fazendo a média entre os números verificados. De domingo para segunda-feira o consórcio formado pelo O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Extra e o UOL chegou à conclusão deque morreram 749 pessoas. Mas de segunda para terça morreram 1.364.

Esses números vêm oscilando, razão pela qual fiz a média para das ideia da velocidade da pandemia. Acentuo que foram totalmente absurdas as medidas que pelo país afora reduziram os isolamentos. Podemos ver como trafegam os ônibus, metrôs, trens, enfim o transporte de massa. São aglomerações nas quais o vírus se movimenta.

Um absurdo agravado pela falta de apoio da própria população, que não obedece às normas de preservação, como é o caso das máscaras e da distância entre uma pessoa e outra. Assim, podemos calcular que até o fim do mês morrerão provavelmente mais de 6 mil contaminados.

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MANIFESTAÇÃO PELA DEMOCRACIA SEM APOIO DE LULA

 A jornalista Camila Mattoso, da Folha de São Paulo, informa hoje que depois de amanhã, sexta-feira, haverá uma manifestação através da rede virtual da Internet em favor da Democracia que vai reunir os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Michel Temer, além de Luciano Hulk, deputados federais, senadores, líderes comunitários, professores.

O ex-presidente Lula, mais uma vez, aliás como sempre, negou-se a comparecer. A esse respeito muitos consideram ser extremamente importante sua ausência, uma vez que por seu comportamento público sua presença contribuiria para nublar a importância do ato.

No centro de São Paulo, no Vale do Anhangabaú será montado um telão para participação popular. O momento, afirmo eu, é extremamente oportuno para rebater teses da extrema direita que pregam nas ruas de Brasília o fechamento do Congresso e do STF e a implantação de uma ditadura militar. Os extremistas não dizem se com ou sem Jair Bolsonaro. O presidente da República, como escrevi ontem, não se apercebe que tal movimento reverte contra ele próprio.

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ASCENSÃO E QUEDA DE ABRAHAM WEINTRAUB

O governo brasileiro deve tomar a iniciativa de retirar a indicação de Weintraub para uma diretoria no Banco Mundial. Pelos jornais de hoje e meios de comunicação de ontem, chega-se a conclusão que, exceto o presidente Bolsonaro, quase ninguém deseja que o personagem possa chegar ao cargo de grande importância para a economia universal.

Colômbia e Equador já se manifestaram contra. A ala militar do Planalto, também. O deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, disse ter sido um alívio a saída de Weintraub do MEC, e que agora só falta ter ele sua indicação rejeitada.

No caminho de Weintraub existe uma pedra: ele próprio.

Bolsonaro ainda não percebeu que extremistas podem causar sua queda do governo

E viva a ação antifascista, Ditadura nunca mais! | A Tal MineiraPedro do Coutto

A síntese da questão está no título deste artigo, que assinala um paradoxo entre ação dos extremistas de direita contra o Congresso e o Supremo Tribunal e a flagrante intenção de ver o país retornar a ditadura com o fechamento tanto do Congresso quanto do STF. O repórter Aguirre Talento, O Globo de hoje, focaliza o radicalismo, inclusive ilustrado numa foto de uma faixa de recente manifestação em Brasília: “STF contra o Brasil”.

Portanto, que aliados são esses que levam Jair Bolsonaro ao isolamento e à contradição entre sua vitória nas urnas e seu comportamento à frente do governo.

DEMISSÃO DE WEINTRAUB – Na manhã de hoje, terça-feira, a GloboNews noticiou que o Palácio do Planalto vai retificar a data da demissão de Weintraub do cargo de ministro da Educação. Isso porque praticou-se uma fraude para assegurar o passaporte diplomático a esse homem-tempestade.

A falsificação relativa a data só pode ser revogada pelo Presidente da República, que é o único no país que pode assinar decretos. Portanto, o presidente Bolsonaro foi levado a erro e a responsabilidade recai inevitavelmente sobre o Chanceler Ernesto Araujo. Além do ministro das Relações Exteriores, na minha opinião, a responsabilidade cabe também ao esquema político que reside no Palácio do Planalto.

A retificação deixa muito mal tanto o governo quanto o próprio Weintraub, sem dúvida.

GUEDES BALANÇANDO – O caso Weintraub agrava também a situação de outro homem-tempestade, o Ministro Paulo Guedes. Matéria de Júlio Wiziack, Júlia Chaib e Renato Machado, Folha de São Paulo, manchete da página econômica, diz que, se houver resistência contra a indicação de Weintraub para o Banco Mundial, o governo deverá indicar outro nome. Portanto, ficou claro que Guedes está reagindo mal à indicação do ex-titular do MEC para a missão internacional extremamente importante.

Voltando ao equívoco que envolve e ameaça a própria estabilidade de Bolsonaro no Planalto, a contradição política se repete, agora de forma totalmente evidente. Os produtores e financiadores de fake news e de ataques a ministros do Supremo representam um desses equívocos, custa crer que deputados defendam o fechamento do próprio Congresso no  qual eles se encontram.

Lembrem de Goulart -A contradição tem como precedente o comportamento dos extremistas, no caso os da esquerda que levaram o presidente João Goulart ao desastre e chegou ao ponto de se deslocar para o fatal encontro com os sargentos do Exército. Goulart achava que os radicais assegurariam seu mandato.

Ilusão total. Não há nada pior em política e na própria vida do que os falsos amigos capazes sempre de criar situações extremamente críticas para aqueles aos quais os falsos amigos dizem ajudar.

Artigo de Merval Pereira, hoje em O Globo parte de um tema focalizado pelo governador Flávio Dino dizendo que fazer política é uma coisa, radicalizar é um desastre. No caso de Bolsonaro Merval Pereira destaca um ponto acentuadamente importante. O de que tal comportamento dos falsos amigos certamente poderá transformar as próximas eleições municipais num plebiscito a respeito do próprio governo Bolsonaro. Especialmente nas capitais de estados. Acrescento: principalmente nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. O problema do governo federal está se agravando a cada dia. A meu ver tal estado de ânimo está chegando a uma faixa de alto risco para a Democracia e para o próprio Palácio do Planalto.. Bolsonaro passou a colocar em risco seu próprio mandato. Estranho o silêncio do deputado Rodrigo maia.