Eleição de Pacheco e Lira, além da compra de votos, foi uma vitória do conservadorismo

conservadorismo | Humor Político – Rir pra não chorar

Charge do Aleixo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Não tenho dúvida de que, além da compra de votos patrocinada pelo governo Bolsonaro, as eleições no Congresso traduzem também um desfecho amplamente favorável ao pensamento conservador. Com isso, o pensamento imobilista permanece predominando nas ações governamentais. Há cerca de 30 anos, Antonio Houaiss e eu escrevemos um pequeno livro “Brasil, o fracasso do conservadorismo”.

Hoje, vejo que acertamos em cheio no plano econômico social, mas erramos quanto ao aspecto político essencial na vida brasileira.

PREÇOS E SALÁRIOS – Vejam os leitores, por exemplo, o que acontece no confronto entre os preços e os salários. Só no atual governo a inflação calculada pelo IBGE está em torno de 8% para o período 2019/2020. Enquanto isso, a grande maioria dos trabalhadores perdeu o confronto com o índice inflacionário. Sendo que no que se refere aos funcionários públicos a correção foi de 0%.

O Estado do Rio de Janeiro é um exemplo e o arrocho atinge também os servidores municipais. Há exceções, como anunciado amplamente, como o caso da magistratura, integrantes do ministério público e dos serventuários da Justiça federal. Mas esses segmentos têm peso muito pequeno na estrutura geral do funcionalismo público.

LUCRO DOS BANCOS – Outro assunto chocante é o balanço dos bancos, como o caso do Itaú, apresentaram lucros substanciais no exercício de 2020. Reportagem de Isabela Bolzani, Folha de terça-feira, revela que o lucro líquido do banco foi de 18,5 bilhões de reais. Tal resultado representou 16% do patrimônio líquido. Portanto, a pandemia reduziu o lucro em 35%, mas o avanço do sistema continua.

Ontem, foi o último dia de Cândido Bracher na presidência do Itaú. Completou 62 anos e é sucedido por Milton Maludy Filho. O Banco Brasileiro de Descontos, fundado por Amador Aguiar, transformou-se em Bradesco. O relatório do Itauú acentua que o banco pertence a um elenco formado também pelo BB, CEF, Bradesco  e Santander. O país já teve lista grande de bancos que foram desaparecendo na estrada do tempo.

CENTRÃO NO PODER – Mas falei em vitória do governo Bolsonaro na eleição de Pacheco e Lira. Reportagem de Adriana Fernandes, O Estado de São Paulo, revela que o Centrão agora está propondo o desmembramento do Ministério da Economia.

Guedes quer destravar a agenda que inclui reforma tributária e a desestatização de empresas a começar pela Eletrobrás, mas os conservadores no Congresso querem recriar os ministérios da Fazenda. Planejamento, da Previdência e do Trabalho, todos eles hoje centralizados nas mãos do superministro Paulo Guedes. Parece que ele não está agradando.

O caso do Tenente Bandeira ainda é um grande enigma e mistério no Rio de Janeiro

Hermenêutica – Crime do Sacopã – N2 – Turma N01 Direito NoturnoPedro do Coutto

Na edição de ontem focalizei os casos Bandeira e Aida Cury, acentuando que não pode haver a tese do direito ao esquecimento porque o Supremo decidiu por unanimidade derrubar qualquer censura prévia ao direito de expressão, seja na política seja na arte, o que não exime os autores de responsabilidade civil ou criminal.

O caso do tenente Bandeira, por exemplo, até hoje continua sem a revelação total da sua verdade. Talvez ela não surja nunca, pois a meu ver existe a hipótese de pessoas diferentes, mas com o mesmo propósito, tenham influido na morte de Afranio de Lemos, que trabalhava no Banco do Brasil na Rua Voluntários da Pátria.

PIVÔ DO CRIME – Marina foi apontada como pivô do desfecho de sangue, por ter dito ao arquiteto Gilberto Bastos temer o encontro de seu atual namorado com seu ex. Seria um encontro ao lado do Clube Caiçaras, que ela tentou evitar.

Não creio, como disse certa vez ao jornalista Ruy Castro, que tenha sido esse o único ponto de convergência. Havia chantagem, acusação que pesava sobre Afrânio, além de seu envolvimento com uma funcionária do Palácio do Catete. Essa funcionária teria familiaridade com o tenente Bandeira.

Era o governo de Vargas que havia nomeado João Carlos Vital para prefeito. Um de seus familiares era amigo de alguém que estava sofrendo a chantagem de Afrânio, como assinalei ontem. Bandeira teria sido quem transportaria o corpo de Afrânio para um local ermo.

DUAS TESTEMUNHAS – No entanto, quando ele manobrou o carro no sentido do Humaitá, na altura do Corte do Cantagalo, um engenheiro de sobrenome Taunay tornou-se um depoente na acusação do tenente, por tê-lo visto passar dirigindo o Citroen. Depois, um taxista que fazia ponto na Rua Fonte da Saudade informou ter transportado Bandeira de lá para sua residência.

As evidências, como se constata, eram muito grandes. Como eu disse ontem, Bandeira foi condenado mas seu julgamento anos depois foi anulado porque uma jurada assinou com nome de casada, quando o desquite determinara o retorno de seu nome de solteira. A sombra permanece até hoje. Marina mudou de nome e deve estar perto de completar 90 anos. O enigma permanece.

Caso do Tenente Bandeira volta a Supremo, que decidirá sobre o “direito ao esquecimento”

Crime do Sacopã: autoria do assassinato de bancário na Lagoa ainda é um  mistério - Jornal O Globo

No banco dos réus, Bandeira ouviu a sentença condenatória

Pedro do Coutto

No dia 6 de abril de 1952, um domingo, o bancário Afranio Arsenio  de Lemos encostou seu Citroen negro, carro comum na época, ao lado do Clube Caiçaras, Av. Epitácio Pessoa. Eram 10 horas da noite. Foi a última coisa que fez na vida porque lhe desfecharam quatro tiros e 29 coronhadas.

Em 1958 a jovem Aida Cury foi convidada para uma festa num edifício em Copacabana. Dois homens a esperavam. Ao recusar um relacionamento sexual, foi espancada por um jovem com a participação de outro trágico personagem. Desmaiou ou morreu, não se sabe.

FORAM CONDENADOS – Seus assassinos se empenharam para retirar seu corpo do apartamento, e para isso recorreram ao porteiro. Diante a impossibilidade da remoção pelo elevador os criminosos a jogaram da janela para disfarçar o que aconteceu. Não conseguiram. Foram condenados pelo Tribunal do Júri.

A repercussão na imprensa foi enorme. O caso Bandeira também dividiu as opiniões dos jornais. E agora a repórter Renata Galf publicou na Folha de domingo uma reportagem sobre o debate que envolve o direito ao esquecimento.

Me surpreendi com uma informação que ela colocou na matéria revelando que na próxima quarta-feira o Supremo julgará recurso apresentado por alguém da família de um dos personagens trágicos para estabelecer o que chamou de direito ao esquecimento.

A razão de minha surpresa decorre da decisão unânime da Corte Suprema que eliminou a censura a qualquer tipo de manifestação jornalística ou artística. A campanha contra a censura foi liderada pelo jornalista Ruy Castro a partir de uma questão envolvendo biografia do cantor Roberto Carlos. Acentuo que a impossibilidade de censura não exime o autor de qualquer responsabilidade civil ou penal. Esta é outra questão.

CASO BANDEIRA – Falei no domingo, 6 de abril de 1952. O corpo de Afrânio foi colocado no banco traseiro e alguém levou o carro ao alto da Ladeira do Sacopã, na Lagora. O motivo da noite de abril, especulou-se, teria sido uma chantagem contra a filha de um político da época.

Havia fotografias de momentos reservados e teria sido paga certa quantia para comprar o silêncio. Mas o chantagista voltou à carga e um conselho da família pressionada decidiu pela eliminação do autor da chantagem.

O Globo fez forte carga em torno da acusação desfechada contra o tenente Jorge Franco Bandeira, enquanto a revista O Cruzeiro e os Diários Associados tomaram posição sustentando a inocência do oficial da aeronáutica.

MUDOU DE NOME –  A jovem Marina, apontada como pivô do caso, conseguiu na Justiça, anos depois, mudar de nome. Mas isso nada tem a ver com direito ao esquecimento.

Há um detalhe importante; os autores da ação referente ao caso Aida Cury estão empenhados em cobrar da TV Globo indenização por ter colocado no ar reportagem sobre a tragédia muitos anos depois de 1958.

Na minha opinião, a questão do direito ao esquecimento deslocou-se para uma espécie de pagamento pelo uso do fato e de imagens relativas ao julgamento. Os juristas Paulo Rená da Silva Santarém, Isabela Zaleherg, Luiz Fernando Moncau e Anderson Schreiber opinam sobre o assunto. O motivo foi a inclusão da vítima no programa “Linha Direta”, há alguns anos. 

GRANDE REPERCUSSSÃO – O caso Bandeira também teve grande repercussão e diversos fatos complicaram as suspeitas sobre ele. Uma delas o depoimento do arquiteto Nogueira Bastos, que na noite de domingo recebeu o aceno de duas mulheres na Praia de Botafogo, pedindo que as levasse à Av. Epitácio Pessoa porque seu atual namorada (à epoca) era oficial e andava armado. Queriam evitar o encontro entre o atual e o ex-namorado.

Bandeira foi condenado a 8 anos de prisão pelo Tribunal do Júri em 1954. Mas o julgamento foi anulado em 1959 porque uma jurada que se “desquitara”, alterando seu nome, assinou com o nome de casada. Bandeira foi reintegrado à Aeronáutica no posto de capitão.

Ministro Ernesto Araújo ataca de novo a China, esquecendo a vacina e o agronegócio

20 charges sobre o nazismo e outros absurdos no governo Bolsonaro em 2020 – blog da kikacastro

Charge do Lane (Charge Online)

Pedro do Coutto

Reportagem de Igor Gielow, Folha de S. Paulo deste sábado, revela que, ao participar na tarde de sexta-feira de reunião virtual no Fórum Econômico Mundial, o chanceler Ernesto Araújo afirmou ser necessário um alinhamento para conter a ascensão do technototalitarismo, frase dirigida à China. O ministro das Relações exteriores se esqueceu do fornecimento da vacina contra a Covid-19 e do agronegócio comercial.

Não levou em consideração o fato do comércio com a China representar um terço de nossas exportações. A sessão do Fórum foi dirigida por seu presidente Borge Brende.

Realmente, Ernesto Araujo não possui condições de ocupar o cargo, inclusive já foi alvo de críticas do vice presidente Hamilton Mourão. Além de tudo isso, referiu-se indiretamente à política relativa à mudança da questão climática por parte dos Estados Unidos.

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O TELEFONEMA DE MORATO E O MISTÉRIO

Na questão que envolveu a exoneração de Ricardo Morato Filho pelo general Mourão, uma névoa de mistério ainda não dissipada permanece sem uma explicação. A qual deputado Morato se referia ao comentar a existência de articulações para o impeachment de Bolsonaro.

Morato, pelo que foi gravado, dialogava com um chefe de gabinete do parlamentar ainda a ser identificado. A conversa foi gravada e o governo possui a gravação das mensagens escritas, o que não permite perícia, salvo se o celular de Morato fosse apreendido, o que ainda não aconteceu.

Acrescento que falar pelo “celular” atualmente representa sempre um risco. Mas o ex-assessor nega as acusações;

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DÍVIDA PÚBLICA ATINGE 6,6 TRILHÕES DE REAIS

Matéria assinada por Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigue, O Estado de São Paulo, informa que a dívida pública federal atingiu em dezembro 6,6 trilhões de reais representando 89% do PIB do país. Os dados são do Banco Central e o endividamento aumentou 18% do valor registrado em 2019.

Em O Globo, os repórteres Daniel Gulino e Jussara Soares analisam o acordo fisiológico entre o presidente Bolsonaro e o bloco do Centrão, que está se transformando em um jogo de pôquer. Bolsonaro admite recriar três ministérios depois da eleição de Rodrigo Pacheco e Artur Lira.

Além disso, o Centrão quer o Ministério da Saúde, partindo do princípio de que Pazuello será exonerado. Para mim o problema é de confiança. Os deputados desconfiam do presidente e o presidente não confia nos deputados. Um verdadeiro jogo de pôquer.

Mourão demite assessor, mas episódio enfraquece Bolsonaro ainda mais junto aos militares

Charge do Adnaell (Humor Político)_

Pedro Coutto

Reportagem de Gustavo Maia, edição desta sexta-feira, O Globo, revela que Hamilton Mourão demitiu o chefe de sua  assessoria parlamentar, Ricardo Rosch Morato Filho, porque chegou a seu conhecimento que Morato em conversa com um parlamentar cujo nome ainda não surgiu, disse que deputados devem se preparar diante de possível impeachment de Jair Bolsonaro o que levaria Mourão a assumir a presidência da República.

As mensagens entre Morato e um assessor parlamentar foram denunciadas pelo site O Antagonista. A reportagem diz que os deputados devem estar preparados para esse desfecho do impeachment.

RUPTURA DOS MILITARES – O vice-presidente, acentua o repórter, tem reclamado da falta de diálogo com o presidente da República. Ao anunciar a demissão do assessor em férias, disse que teria agido sem seu consentimento e que não existe conspiração para a queda do presidente. O assessor nega e diz que seu celular foi hackeado.

Na minha opinião, entretanto, a divulgação da matéria causou impacto natural especialmente em face da hipótese de uma ruptura no governo, dividindo os militares que se encontram no Palácio do Planalto.

Além disso, em entrevista a Maria Cristina Fernandes, Valor, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga disse que Bolsonaro está perdendo também apoio empresarial em decorrência de suas atitudes desconcertantes que vêm revelando situações absurdas. Armínio acrescentou ser intolerável que crimes de responsabilidade do chefe do Executivo ocorram a toda hora.

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A ETERNIDADE DE MACHADO DE ASSIS

Em artigo na Folha, a ex-ministra Cláudia Costin, diretora de políticas educacionais da FGV, focalizou a importância das obras de Machado de Assis, que, além da arte, possuem enorme importância para ensinar aos leitores saber pensar, o que é essencial e mais importante na contribuição da arte que atravessa o tempo.

Cláudia Costin acrescentou que livros de Machado de Assis comprovam o que chamo de ser contemporâneo no futuro,  já que ele atravessa com seu estilo todas as épocas.

Além disso, a ex-ministra assinala que a cultura artística no Brasil está perdendo espaço para o avanço dos algoritimos. Pessoalmente, tenho sentido essa tendência, no que me faz lembrar de que dificilmente surgirão intelectuais como Antonio Houaiss, Otto Maria Carpeaux, José Honório Rodrigues, José Lino Grunewald e José Murilo de Carvalho. Que fazer? Esperar que surjam novos intérpretes da cultura entre os quais se incluem Andre Basin, de Cahiers du Cinemá, Jean-Paul Sartre, de O Ser e o Nada, e André Malraux, da Condição Humana.

Se não comprar vacina, Bolsonaro pode estar decretando a morte de milhões de pessoas

Charge do Zé Dassilva: a cruzada contra a vacina | NSC Total

Charge do Zé Dassilva (Diário Catarinense)

Pedro do Coutto

O governo Bolsonaro encontra-se diante de uma questão que não permite vacilações, pois estão em jogo centena de milhares de vidas humanas e milhões de pessoas que podem ser contaminadas e sofrer sequelas.

O Ministério da Saúde até hoje não confirmou a compra de vacinas chinesas e, em consequência, o Instituto Butantan ameaça vender o produto seja para dentro do país ou exportar. A meu ver, a omissão do ministro da Saúde torna-se um problema gravíssimo.

IMPORTANTE MATÉRIA – O Globo publicou matéria nesta quinta-feira, assinada por um grupo de repórteres: Ana Letícia Leão, Dimetrius Dantas, Giuliana de Toledo, Sérgio Roxo e Victor Farias.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse esperar uma resposta do governo até hoje, sexta-feira. O Instituto já forneceu 46 milhões de doses e possui 54 milhões, que ofereceu ao Ministério da Saúde. Mas o ministro Pazuello ainda não se posicionou, o que está preocupando o Butantan e a própria campanha de imunização.

Setores do Ministério da Saúde disseram que o governo está tendendo a adiar até maio a aquisição. Será tarde demais. O governo está demonstrando falta de interesse. Um absurdo.

E AS EMPRESAS? – Os repórteres Silvia Fontes, Ivo Ribeiro, Adiana Mattos, Chiara Quintão e Rodrigo Carro, no Valor, publicaram reportagem sobre o recuo de empresas particulares que pretendiam adquirir vacinas para administrar em seus empregados. É o caso do Itaú, Santander, Gerdau, Vale e Petrobrás, além da MRV, maior incorporadora do país. Rubens Mendes, diretor da MRV, disse que a empresa se desinteressou.  O governo parede estar mais desinteressado ainda.

Na tarde de ontem o RJ-TV Globo destacou que a desorganização na aplicação das vacinas na Zona Oeste do Rio está levando ao desperdício, pois elas só podem durar até seis horas quando retiradas da estocagem.

TROCA DE MINISTROS – Mourão diz que Ernesto Araújo pode ser demitido do Itamaraty na reforma ministerial que o presidente Bolsonaro projeta fazer depois da eleição para as presidências do Senado e da Câmara Federal.

Penso que a saída de Araújo está praticamente certa, sobretudo em função da forma com que tratou o novo governo dos EUA com a vitória de Joe Biden sobre Trump.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que Bolsonaro quer transformar o Congresso num anexo do Palácio do Planalto. É o que tudo indica, e Camila Tortori assina reportagem sobre o assunto no Estado de São Paulo.

Faustão vai deixar o palco iluminado da Rede Globo, depois de uma longa viagem de 32 anos

Faustão fora da Globo

Faustão não aceitou redução do seu salário, e fim de papo…

Pedro do Coutto

O Globo , FSP e O Estado de São Paulo publicaram nas edições de terça-feira reportagens de página inteira cada um focalizando a saída do palco do apresentador e no fundo também diretor dos programas de auditório marcados pelo sucesso, com fortes reflexos na área da publicidade comercial. A soma de anúncios nas tardes de domingo acentua essa característica.

Mas ele abriu também espaços para artistas, muitos dos quais em início de carreira. Encontrou, principalmente a partir de 2018 belos e cintilantes cenários para sua apresentação.

VÊNUS PLATINADA – Apoiava-se muito em atores e atrizes do elenco da Globo, além de escalar cantores que lhe garantiram o panorama de sonho em meio aos tons e luzes. Aliás, digo eu, qualidade da característica da Vênus Platinada. São Paulo era seu reduto e dele produzia os sonhos e as oportunidades.

De modo geral, os artistas, no início de suas carreiras, procuram encontrar a estrada para o palco. Inclusive, é a parte mais difícil da aventura que pode ou não marcar suas vidas. Muitos tentam e não conseguem submergindo nos tapetes, nas salas das secretárias que são as vozes do não estar, estar em reunião, hoje ele não pode atender, deixe seu telefone que ligaremos. Essas frases talvez sejam as mais verbalizadas as quais impedem em muitos casos que talentos sejam realizados.

Tais afirmações encontram tradução no mundo, quero dizer, em vários idiomas. Fred Astaire é um exemplo. Ele e Gene Kely tiveram de se empenhar muito para que pudessem encontrar abertas as portas do êxito e da fama. Entre nós há milhares de exemplos.

FIM DE CONTRATO – Faustão, ao longo da viagem de 32 anos ajudou para diminuir os desencontros que envolvem a arte e os artistas. E como as matérias sobre o apagar de um astro foram publicadas no mesmo dia, isso fornece a certeza de que a fonte foi a própria TV Globo.

Esta foi a forma que a Globo usou, penso eu, para reduzir o tempo de permanência de Fausto Silva. Seu contrato termina em 31 de dezembro de 2021. A divulgação deste espaço vai levar a que onze meses antes Faustão deixe de pertencer ao elenco da emissora. Isso porque, a meu ver, ele não tem mais ambiente de conforto para completar as quase cinquentas semanas de 2021.

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TRÊS INQUÉRITOS ENVOLVENDO BOLSONARO ACABAM EM MARÇO

Na edição desta Tribuna de segunda-feira, dia 25, Carlos Newton publicou artigo no qual chamou atenção para o fato de que terminam a 15 de março os prazos marcados pelo ministro Alexandre de Moraes para que sejam concluídos os inquéritos sobre as fake news, sobre a participação de Bolsonaro nos atos públicos em que manifestantes pediam o fechamento do Congresso e do Supremo, e também sobre a denúncia do ex-ministro Sérgio Moro dizendo que o presidente da República quis interferir na Polícia Federal para escalar pessoas capazes de suspender as investigações sobre o senador Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz.

O prazo de 15 de março, assim, pode constituir um ponto bastante sensível para mais um episódio da crise política que está sufocando o país.

Bolsonaro boicota obras em São Paulo, abre cisão na direita e fica ainda mais isolado

Irritado com perguntas sobre investigação de Flávio, Bolsonaro ataca jornalistas - 20/12/2019 - UOL Economia

Bolsonaro manda cortar financiamento para São Paulo

Pedro do Coutto

Em artigo na Folha desta segunda-feira, Catarina Rochamonte focaliza com exatidão o fenômeno que causou a cisão aberta na direita, com os conservadores afastando-se dos extremistas. Dá como exemplo a carreata de domingo último, como aconteceu em várias capitais, inclusive Rio, São Paulo e Brasília.

A articulista refere-se também a um documento que reúne assinaturas de vários empresários como é o caso de João Amoedo, afastando-se de qualquer extremismo e se deslocando mais para o centro político nacional.

POSIÇÕES INACEITÁVEIS – Foi aberta assim uma nova fase do candidato que venceu nas urnas em 2018 mas que se afastou na realidade da lógica dos fatos e veio assumindo posições desconcertantes, para dizer o mínimo.                  

Sua atitude diante da vacina contra o coronavírus é completamente inaceitável, tanto absurda quanto singular, jamais vista no mundo. Por imitação, Bolsonaro seguiu por uma estrada também utilizada por Donald Trump, que organizou a invasão do Capitólio supondo que assim poderia impedir a posse de Joe Biden.

A direita, quando dominada pela extrema, produz fatos alucinados como ocorreu no Brasil em 1955, ocasião em que a UDN, liderada por Lacerda lançou-se num voo inconstitucional na tentativa vã de impedir a posse do presidente JK legitimamente eleito. O que acontece é que o extremismo, seja de direita ou de esquerda, no fundo volta-se para destruir a democracia. Em política, as ações fanáticas causam sempre enorme prejuízo ao Brasil.

BOICOTE A SÃO PAULO – Agora, Bolsonaro está sendo contestado até por grandes empresas que não conseguem realizar os projetos de obras públicas em decorrência do bloqueio estabelecido que obstrui grandes construções notadamente no estado de São Paulo.

No editorial de ontem, aliás como os grandes editoriais da imprensa, o jornal Estadão acentua que o Palácio do Planalto deu ordens aos bancos públicos para não liberar obras públicas em São Paulo. O editorial cita as do rio Tamanduateí e dos Ribeirões de Couros e de Meninos, ambas fundamentais para conter as enchentes que tem se verificado nessas áreas. É claro que a Federação das Indústrias e a Federação do Comércio têm razões para se opor ao bloqueio político. O artigo do Estadão ilumina bem o peso do impasse.

ABSTENÇÃO NO ENEM –  Reportagem na edição de O Globo também de segunda-feira, revela que a abstenção do ENEM alcançou percentual de 55%. Repete-se assim quase a mesma abstenção registrada no exame anterior. Alguma coisa está profundamente errada na educação brasileira.

O ministro Milton Ribeiro é simplesmente um ausente no processo de ensino. O vestibular é uma porta de entrada para o futuro, na medida em que os professores possam tornar-se os autores do amanhã, mas hoje a porta está fechada.

Joe Biden aumenta salários de servidores e adota uma política oposta à de Paulo Guedes

Biden sai da toca e passa à ação para mostrar uma liderança alternativa a  Trump | Internacional | EL PAÍS Brasil

Joe Biden investe para aumentar o consumo interno

Pedro Coutto

Reportagem do Estado de São Paulo, edição de sábado, direto da sucursal de Washington, revela que o presidente Joe Biden assinou duas ordens executivas destinadas a fornecer ajuda financeira a famílias carentes e também aumentando salários dos trabalhadores federais. Trata-se de um esforço destinado a recuperação de grande número de habitantes atingidos por perdas salariais e pelos efeitos da Coronavirus.

A iniciativa do presidente dos EUA está baseada em princípios de Keynes, que defendeu a ação do Estado em momentos de dificuldade e emergência. Biden também acentuou que destinará 1 trilhão e 900 bilhões de dólares como ferramentas para ajudar as pessoas e socorrê-las diante de dificuldades para as quais elas não contribuíram.

No Brasil a política de Bolsonaro, inspirada em Guedes, é justamente o oposto do posicionamento atual da Casa Branca.

PAZUELLO DEVE SAIR? – Reportagem de Marcelo Rocha, Folha de domingo, e outra de Carolina Brígido, O Globo, informam que o procurador geral da República, Augusto Aras. encaminhou sábado ao STF o pedido de partidos da oposição para que seja aberto inquérito contra Eduardo Pazuello por sua atuação no Ministério da Saúde, marcada por omissão no caso das mortes em Manaus por falta de oxigênio. O Globo deu chamada na primeira página e manchete na página sete.

Um dos pontos refere-se à questão da terapia precoce, que não existe na prática médica em relação à Covid-19.

Como Aras se esmera em fazer o que o presidente Bolsonaro deseja, penso que seja sinal que Eduardo Pazuello deve deixar o governo, provavelmente nesta semana. Mas Bolsonaro é imprevisível e pode mantê-lo. Coisas da política.

A VENDA DO IBOPE – Em seu espaço no Globo de domingo, Lauro Jardim assinalou que o Ibope foi vendido para o grupo inglês Kantar, que assume no dia 31 de janeiro, depois de 79 anos de atividade quando meu saudoso amigo Paulo Montenegro iniciou a pesquisa de audiência e também de levantamentos e prognósticos políticos, trabalhos dos segmentos sociais do país que tinham como base a identificação por renda das famílias.

Como primeiro jornalista brasileiro a levar a sério e escrever sobre pesquisas no Correio da Manhã, sou testemunha das belas etapas que Montenegro venceu até alcançar a consolidação merecida. Paulo Montenegro, hoje na eternidade com a credibilidade, transfere seu legado a seus filhos Carlos Augusto, Luis Otávio e Solange.

O Ibope, depois de tanto tempo e êxitos, transformou-se numa espécie de marca registrada de pesquisa. Vamos esperar que apareça um sucessor que vá se juntar ao Datafolha na radiografia e nas mutações da opinião pública.

Detalhe importante do Datafolha: Bolsonaro perde 14 pontos no espaço de apenas um mês

JOSÉ PEDRIALI: Ibope: aprovação de Bolsonaro segue em queda

Charge do João Bosco (Charge Online)

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha publicada em detalhes neste sábado pela Folha, reportagem de Igor Gielow, revela que no espaço de um mês a aprovação do governo Bolsonaro caiu 14 pontos, levando-se em consideração a soma dos quesitos. O critério “bom ou ótimo” desceu de 37 (dezembro de 2020) para 31, perdendo 6 pontos. Ao mesmo tempo, a rejeição a seu governo (péssimo ou ruim) subiu de 32 para 40, com mais 8 pontos. Somando-se as duas perdas, são 14 pontos de prejuízo num só mês.

Penso que esses números na realidade não representam uma análise de seu governo. No entanto, refletem uma variação política que marca sua presença na opinião pública. Mas esta é outra questão.

TENDÊNCIA DE QUEDA – A descida de Bolsonaro corresponde tanto à subida dos que lhes são contrários quanto à diminuição dos que achavam seu governo regular. Vários são os motivos para a dança dos números, inclusive, como diz Gielow, a suspensão do auxílio de emergência às faixas de maior carência social.

Acima dos números, o importante, entretanto, é a análise das tendências que as pesquisas assinalam. Isso porque reverter tendência de queda depende da aceitação de projetos que digam respeito às condições de vida. Se não houver mudanças de rumos e projetos novos, é muito difícil reverter as tendências que se traduzem nas estatísticas.

No entanto, é expressivo o número daqueles que ainda rejeitam seu impeachment, 53% contra 42% favoráveis a medida. A meu ver, é o temor de que a iniciativa possa gerar uma crise que culmine com um ato de força.

SALÁRIOS E INFLAÇÃO – Outra reportagem, de Fernanda Brigatti, também na Folha, ilumina um fato social importante. Os acordos salariais firmados em dezembro apontam que 70% de tais acordos ficaram abaixo da inflação registrada pelo INPC e assim afetam, pela lei da gravidade, o poder de compra dos trabalhadores.

Em matéria de reposição salarial, tem de se levar em conta o fato de que os reajustes não antecedem o ritmo inflacionário, mas o sucedem. Assim, os acordos firmados em dezembro começam a perder ainda maior distância para a inflação. A corrida, na verdade, é fortemente desigual.  E a perspectiva que a reportagem revela é que a escala inflacionária atinja 7% em 2021.

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P.S.
Ontem escrevi sobre o mercado de informação e opinião no país. Esqueci um detalhe. No caso dos jornais impressos, a média de leitura é de três pessoas por exemplar. (Pedro do Coutto)

Folha lidera comunicação nos jornais, mas O Globo tem a rede de TV, a Globo News e a CBN

Saiba como explorar imagens e charges na prova de redação do vestibular | Guia do Estudante

Charge do Laerte (Folha)

Pedro do Coutto       

Na edição de quinta-feira, 21 de janeiro, a Folha publicou, com base no Instituto Verificador de Comunicação (IVC) que o jornal lidera a circulação impressa e também online, seguido de O Globo e do Estadão. A Folha, jornal impresso, alcançou a média diária de 337 mil exemplares, incluindo os assinantes e a venda nas bancas. Nos acessos online registrou 256 mil, totalizando assim 633 mil acessos, o que lhe garante o primeiro lugar entre os três maiores jornais brasileiros.

O Globo teve uma circulação média de 332 mil exemplares e 244 mil acessos online. Em terceiro lugar, o Estado de S. Paulo, com uma tiragem impressa de 239 mil e 151 mil acessos online, que significa que a soma dos dois faz com que sua circulação diária média seja de 390 mil unidades.

BOM DESEMPENHO – O superintendente do grupo Folha, Antônio Manoel Teixeira Mendes. comentou o levantamento. Tem razão em comemorar, porque o desempenho do grupo foi muito bom. Os dados refletem as médias diárias no exercício de 2020.

São os três maiores jornais brasileiros por sua importância política e econômica. Sob este prisma, também incluo o Valor, porém este não se encontra na pesquisa divulgada, além disso o forte do Valor é na área econômica e sua circulação parece ser predominantemente à base das assinaturas. Todas as grandes empresas do país são assinantes dos quatro maiores jornais.

Como se constata representam o laço mais forte de informação e opinião, o que chamo de a usina do pensamento do país.

IMPRENSA MUNDIAL – Esses jornais funcionam também como ponte de ligação do Brasil com a grande imprensa estrangeira, como New York Times, Washington Post, Le Monde, Figaro e os ingleses The Guardian e The Economist. É comum ver os quatro grandes jornais brasileiros publicarem reportagens e artigos editados pela imprensa do mundo.  A recíproca também é verdadeira. Deve-se incluir nessa pista de mão dupla o espanhol El País, o italiano Corriere della Sera, o português Diário de Notícias e o argentino La Nación.

Atualmente, com a internet, a circulação online é universal e a edição impressa depende dos fusos horários. Isso no que se refere as principais matérias do dia. Alguns jornais, populares, podem ter tiragens maiores daqueles que assinalo, porém não possuem a mesma importância política e a força junto à opinião pública.

ORGANIZAÇÃO GLOBO – No caso brasileiro tem-se que abrir um parêntese para assinalar a força e o peso da TV Globo, domínio absoluto no mercado e da Globo News que agora compete com a CNN. Pesquisa interessante, que certamente o Ibope possui, é dizer quantos pontos de audiência tem a Globo News e quantos pontos tem a CNN.

Esses dados citados no artigo com base do IVC representam de forma cristalina a usina de pensamento nacional, principalmente se levarmos em conta que de uns tempos para cá pessoas que atuam na comunicação online também são consideradas formadoras de opinião.

Verdades arrasam as mentiras e destroem a sinistra tese que Goebels tanto propagou

Gorilando - Um blog DGorilaz!: As Armas Brancas de Hitler e Goebbels.Pedro do Coutto

Ao tomar posse na presidência dos EUA Joe Biden afirmou ser preciso derrotar as mentiras e defender a verdade e a liberdade. Deixou no ar uma resposta às mentiras ditas por Trump inspiradas no falso princípio do nazista Goebbels de que a mentira repetida seguidas vezes transforma-se em verdade.

Na minha opinião a mentira não se sobrepõe a verdade, pode apenas produzir efeito em fanáticos como os nazistas e integrantes das direitas alucinadas. A reportagem sobre o pronunciamento de Biden é de Marina Dias, FSP de quinta-feira.

DISSE BIDEN – “Aprendemos mais uma vez – que a democracia não comporta atitudes extremistas que se propõem atingir o regime democrático”, disse o presidente americano, referindo-se aos acontecimentos das últimas semanas como manifestações de fundo radical e subversivos.

“Mas a democracia prevalecerá. Precisamos acabar com essa guerra incivil. Cada um de nós tem um compromisso com os ideais de nossa história desde sua independência até hoje. Vamos cumprir nossa constituição e o destino dos EUA”, acrescentou.

Penso que a tese do nazista Goebbels era e continua sendo falsa através da história. Goebbels era um fanático dirigindo-se a outros fanáticos nazistas, tentando também fanatizar correntes políticas de modo geral.

SEM FUNDAMENTO – A frase que Goebbels proferiu como um tipo de orientação para impulsionar os desavisados não resiste à menor análise. Pode ser aplicada apenas a um grupo predisposto a torpedear a lógica e o próprio pensamento humano.

Conheci ao longo do tempo pessoas que agiam na esteira do extremismo da direita. Deve-se assinalar que a tentativa de fanatizar pertence também à extrema esquerda. Ocorre, entretanto, que o extremismo da esquerda desapareceu ao longo dos anos. Mas o extremismo da direita está perigosamente vivo e até o dia 20 teve Trump como seu maior líder e porta-voz.

Aliás, apenas porta-voz, não. Incitou a invasão do Capitólio, que foi manifestação direta de um fanatismo voltado para manchar o resultado das urnas de novembro.

Acordo entre Folha e Google preserva 2,5 milhões fotografias que se tornam testemunhas do tempo

Google faz acordo com a gigante Tencent para tentar crescer na China -  19/01/2018 - Tec - Folha

O acordo com o jornal paulista abrange passado e futuro

Pedro do Coutto

Na edição da Folha desta quarta-feira, o jornal publica reportagem de Guiherme Botacini, destacando a parceria celebrada com a empresa Google para preservar 2 milhões e 500 mil fotografias que se tornaram testemunhas do tempo. O acordo não se esgota no passado, mas inclui o presente e o futuro que se incorporam à história universal.

A invenção da fotografia ocorreu em 1826 e o cinema que veio depois dela projetou-se nas telas em 1895, tendo como pioneiros dois franceses, os irmãos Lumière. No início do século XX o cinema americano surgiu.

As fotos e os filmes, assim, representam uma participação democrática e cultural, numa perspectiva aberta a partir daí para os bilhões de seres humanos de todos os tempos, inclusive a partir do dia de ontem com a cerimônia de posse do presidente Joe Biden, cujas as imagens vão ficar para sempre.

PASSADO E FUTURO – Muito importante esse museu fotográfico que inclui tanto o presente como o passado dos fatos. E não se pode esquecer o efeito futuro do banco de imagens que acaba de ser criado.

Antes da fotografia, as memórias visuais do tempo nos foram legadas pela pintura. Portanto, reside aí mais um exemplo concreto entre o relato e a imagem a partir do presente.

E eis aí uma diferença entre o relato e o registro, colocação feita pelo filósofo canadense Marshall McLuhan, que revolucionou o mundo com suas teses sobre o meio e mensagem.

MOURÃO E PAZUELLO – Matéria de André de Souza, O Globo, revela que o vice-presidente Hamilton Mourão fez uma defesa meia bomba da atuação de Eduardo Pazuello no ministério da Saúde. Mourão disse que a atuação do general da Logística possui pontos a favor e outros contra. “Qualquer militar – frisou – sempre é visto como representante do Exército, Marinha ou Aeronáutica”.

Para o vice-presidente tal fato representa a ligação do militar com sua origem. Na minha opinião, porém, o comentário de Mourão reclamando das “pressões enfraqueceu” ainda mais a posição do ministro da Saúde.

FRETE DE AVIÕES – No meio da Pandemia surgem sempre aumento de preços. Foi o que ocorreu agora com o fretamento de aviões para transportar atingidos pela Covid-19 do Amazonas e do Pará para São Paulo. O presidente da Umimed Manaus, Sérgio Ferreira Filho, informou que o preço elevou-se de 120 mil para 180 mil reais.

Esse aumento de preço recai em cima dos planos de saúde que são responsáveis pelos casos de internação. Assim é a vida, oferta e procura estão sempre presentes nos fatos do dia a dia. A matéria é de Bruna Narcizo, na Folha.

FILA NO INSS – Mais uma prova do desastre administrativo que envolve INSS e sufoca aqueles que aguardam um despacho da Previdência Social. As repórteres Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, Estadão de ontem, revelaram que o tempo médio para analisar a concessão de aposentadorias e pensões está demorando apenas 66 dias. 

Mas o fato é que ao longo dos últimos dezessete meses os pedidos de aposentadoria e pensão atingiram o acumulado de 1 milhão e 700 mil processos. Quer dizer: que a fila cada vez torna-se maior, criando problemas graves para os segurados e também para as empresas que os empregam.

Num gesto de autodesprezo, Bolsonaro considera o país subjugado por suas Forças Armadas

Jornal O Folha de Minas | O maior e mais completo Portal de Notícias do  Estado

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Esquecendo que a Constituição determina que o presidente da República é o comandante-em-chefe das Forças Armadas, Jair  Bolsonaro inverte a questão ao sustentar que “quem decide se o povo vai viver na Democracia ou Ditadura, são as Forças Armadas”.

A reação a tal absurdo circulou intensamente nos meios políticos e, como é natural, foi destacada pelos principais jornais brasileiros entre eles O Globo, Folha de São Paulo e Estadão. No Globo reportagem é de Bruno Goés e Maurício Ferro, na Folha, Daniel Carvalho e Gustavo Uribe e no Estadão a matéria não é assinada.

MAIS UMA AMEAÇA – Encurralado no corner, Bolsonaro tenta escapar dos ataques criando uma situação que pode ser considerada indiretamente uma ameaça. Entretanto, arrisca-se a receber uma resposta pouco afetiva por parte do Exército, Marinha e Aeronáutica. O ministro da Defesa pode se pronunciar, como o vice Hamilton Mourão já o fez.

Matéria de Jussara Soares e Natália Portinari, O Globo desta terça-feira, assinala que Bolsonaro mudou de estratégia para tentar recuperar terreno perdido.

O presidente da República perdeu 20 pontos nos cálculos do IPD, segundo a Folha desta terça-feira, matéria de Flávia Faria.

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BURGER KING LANÇA CAMPANHA À BASE DE PAULO GUEDES

O Burger King iniciou campanha publicitária com base na imagem de Paulo Guedes juntando um grupo de pessoas que possuem nome semelhante. João Paulo Guedes e Paulo Ferreira Guedes são exemplos para a campanha. A campanha foi idealizada por Thais Souza Nicolau. diretora de marketing. A meu ver a iniciativa do Burger King, embora marcada pelo humor, escolheu um nome impróprio para fazer uma brincadeira com os próprios nomes dos diversos “Paulos Guedes”.

Ocorre que a imagem do ministro Guedes é muito ruim em matéria de opinião pública. Seu projeto constante é defender o mercado financeiro e não dar a menor importância a questão dos salários. Estão congelados.

Agora mesmo Adriana Fernandes, o Estadão, revela que Guedes espera a vitória de Arthur Lira como presidente da Câmara para reapresentar a proposta de nova CPMF. Portanto, outra iniciativa impopular condenada até por Jair Bolsonaro.

DÍVIDA NOS EUA – A dívida pública dos Estados Unidos eleva-se ao recorde de 27 trilhões de dólares junto aos bancos americanos e investidores do mundo inteiro, especialmente a China.

O fato é que o Tesouro americano acumulou dívidas no montante de 27 trilhões de dólares, valor praticamente igual ao valor do PIB do país. Da mesma forma que a dívida brasileira, o endividamento americano dificilmente poderá ser saldado. A solução é a capitalização dos juros, ou seja, a troca dos juros pela emissão de novos títulos, numa roleta girando sem parar.

Um desastre completo, com MEC e INEP reprovados pela “desorganização” do ENEM

Estudantes relatam que não puderam fazer o Enem após salas 'excederem capacidade máxima' no RS | Rio Grande do Sul | G1

Metade dos inscritos não conseguiram fazer a prova

Pedro do Coutto

 Em matéria de organização, tanto o MEC quanto o INEP foram reprovados pela realização do ENEM neste domingo, quando estudantes foram barrados em vários pontos do pais porque as salas destinadas aos alunos já se encontravam lotadas e o planejamento para manter a distância entre um aluno e outro não se realizou ou a omissão representou uma agressão aos que foram prestar a prova.

Na Folha de S. Paulo desta segunda-feira, reportagem de Isabela Palhares e Paulo Saldanha destaca a relação dos erros de logística (palavra que está na moda) que foi incapaz de prever o impasse e se traduziu na desinformação a respeito da mistura do horário com a superlotação das salas.

TUDO ERRADO – Os estudantes foram avisados de que o acesso às provas deveria ser condicionado ao número de lugares disponíveis. Por isso, os estudantes chegaram sem precipitação e formaram filas. Na hora de ingressarem nas salas, foram surpreendidos com a informação de que não havia mais vagas uma vez que a lotação das salas estava condicionada à distância social. O

 INEP recebeu a instrução de organizar o ENEM mas não previu ou informou que a realização da prova dependia de haver lugar. O pior é que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, considerou a organização um sucesso.

Esqueceu, entretanto, que com isso, a abstenção chegou a 51% dos inscritos.

SEM COMPROVANTE – Como os inscritos totalizaram 5,7 milhões de pretendentes, o índice de ausência atingiu 2,8 milhões. Os que não puderam ingressar por excesso de lotação não receberam nenhum comprovante de que a ausência teve por motivo o sistema de organização. Ficaram sem saber o que fazer.

Nesta segunda-feira o MEC revelou que a nova chamada será realizada em fevereiro. Mas o fato absurdo ficou caracterizado. MEC e INEP saíram reprovados no episódio.

DUELO NA VACINAÇÃO – O governador paulista João Doria e o ministro Eduardo Pazuello protagonizaram um choque político.            O início da vacinação contra a Covid-19, no domingo, levou a um enfrentamento direto entre o Doria e o ministro da Saúde.

Havia uma disputa para saber quem deveria vacinar primeiro. O governador de São Paulo atacou duramente o titular da Saúde acusando-o de faltar a verdade em torno do assunto e de não ter previsto as mortes ocorridas em Manaus por falta de oxigênio.

A esse respeito foi excelente o comentário da jornalista Natuza Nery na tarde de ontem na Globo News. O general da Logística não conhece Lógica.

Internet não pode veicular textos voltados para chantagem, pedofilia e consumo de drogas

Resultado de imagem para censura na internet charges

Charge do Rice (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Na edição de domingo, reportagem de Bernardo Melo Franco e Pedro Capetti, em página inteira do Globo, destacou que através de fake news uma rede propõe extorsões contra políticos do Rio de Janeiro. Assim, as chantagens digitais vêm se juntar a inúmeros casos de blogs e sites que se voltam para outros crimes, como pedofilia, prostituição infantil, consumo de drogas e outras iniciativas incompatíveis com qualquer noção básica de bom senso.

As rede sociais não podem, claro, exercer censura, mas têm que se distinguir censura, que é inconstitucional, com o veto a outros conteúdos que promoverem a prática de crimes. A responsabilidade pela edição de quaisquer matérias depende de quem assume essa atribuição de editar.

DECISÃO DOS EDITORES – Os sites jornalísticos das emissoras de televisão, jornais e revistas apresentam em suas plataformas o nome dos autores dos artigos e notícias. No espaço que preenche na Folha, o jornalista Hélio Schwartsman definiu a questão: as matérias dependem da decisão dos editores.

Este ponto de vista é fundamental pois qualquer empresa de comunicação possui uma equipe que decide se a matéria pode e deve ser publicada. Mas na Internet não existe editor que decida sobre a veiculação do que está narrado. Esse o grande problema.

Até porque, em assuntos penais, alguém tem de quer responsabilidade pela liberação do que foi enviado, porque na Internet cada um transforma-se em editor de si mesmo. Isso dá margem a todo tipo de violação.

Os leitores deste artigo devem perceber que na TV Globo e na GloboNews, por exemplo, aparece em sequência de cada programa o nome do diretor responsável, Ali Kamel.

DIREITO DE RESPOSTA – A legislação brasileira permite que os atingidos possam pedir direito de resposta, o que não implica em processos que apontem a ocorrência de injúrias, difamações e calúnias. Os atingidos pelo que estiver nas páginas eletrônicas podem inclusive, pela lei de imprensa, exigir o direito de resposta com o mesmo destaque.

Além disso, quem for vítima da acusações sem base pode responsabilizar o jornal ou a emissora de TV e até reivindicar indenizações financeiras. Pode ser contra o jornal, o repórter ou a emissora e a própria rede da Internet.

Não se trata de censura,, que é inconstitucional. Trata-se de bloquear absurdos. Este aspecto tem de ser levado em conta porque sobretudo existem centenas de casos no Brasil em que as regras éticas são desprezadas. Se você, leitor ou leitora for responsável por publicações aceitaria matérias ilegais e repugnantes? Claro que não. Direito é uma questão de bom senso.

Povo já decretou o impeachment, não só de Jair Bolsonaro, mas de todo o seu governo

TRIBUNA DA INTERNET | Decisão de Moraes sinaliza que o impeachment de  Bolsonaro já é uma realidade

Charge do Aroeira (Portal O Dia/RJ)

Pedro do Coutto

Na semana encerrada neste domingo a população brasileira, exceto os extremistas da direita, decretou o impeachment de Bolsonaro e de todo o seu governo, pelo desempenho péssimo que vem revelando cada vez mais sua falta de rumo, assim como pela ultrapassagem de limites éticos e pelos resultados negativos que se acumulam.

Não bastasse a caricata reunião ministerial de 22 de abril passado, agora explode a crise da Covid-19 mortal para internados em Manaus que não conseguiram respirar por falta de oxigênio.

UM MINISTRO PATÉTICO – Nem sequer previsões a tempo foram realizadas. E o pior foi o ministro da Saúde ter tentado justificar a tragédia, dizendo que faltou atendimento precoce, como se houvesse meios medicamentosos de contaminados evitarem a doença e a morte decorrente da falta de equipamento essencial àqueles que foram alvo do coronavírus.

Sem oxigênio suficiente, o desgoverno pediu ajuda aos EUA e aguarda a resposta. Nesse meio tempo, a White Martins se dispôs a transferir ampolas de oxigênio que se encontram na Venezuela.

Reina o caos. A vacinação que o governo anuncia para a semana que se inicia não tem sequer um plano definido para o país. Afinal de contas o Brasil possui mais de 5.600 municípios.

DISPUTA COM DÓRIA – Ao mesmo tempo, o presidente Bolsonaro trava uma luta juvenil com o governador João Dória. Anunciou que um avião da Azul voaria para a India a fim de trazer 2 milhões de frascos de vacinas, capazes de salvar brasileiros. Nada feito.

Agora, Pazuello e Bolsonaro recorrem à Coronavac, produção chinesa em parceria com o Instituto Butantan que o governo simplesmente dispensara e até ironizara. Mas vacina não tem ideologia, como a vida também não. Saúde é uma coisa, política é outra.

O Brasil não possui na realidade política de saúde, aliás perdeu uma equipe eficiente comandada pelo ex-ministro Henrique Mandeta. Para Bolsonaro, o ministro Mandeta aparecia muito nos meios de comunicação, mesmo motivo que o levou a demitir o ministro Sérgio Moro. Neste caso, por não ter feito alterações na Polícia Federal capazes de bloquear o processo contra o senador Flávio Bolsonaro. E Fabrício Queirós encontrava-se oculto na casa de um ex-advogado da família Bolsonaro.

ERROS SEM FIM – São tantos os erros que, se desfilássemos pelo menos a metade deles, o espaço deste artigo seria pequeno para sua publicação.

Bolsonaro intrometeu-se nas eleições americanas. O chanceler Ernesto Araujo desqualificou as ações normais à tradição do Itamarati. Não conseguiu inclusive comunicar-se diretamente com o presidente Trump para pedir socorro quanto a necessidade de balas de oxigênio.

Finalmente O Globo, a Folha e o Estadão publicaram ontem excelentes editoriais sobre o governo, que a meu ver se caracteriza como uma nau sem rumo no mar revolto da incompetência, destacando-se o acúmulo de erros calamitosos. No meio da tempestade um artigo ontem se destacou tanto pela forma quanto pelo conteúdo. A coluna de Miriam Leitão no Globo. Com o impedimento decretado pela opinião pública, Bolsonaro fica intensamente abalado.

Tragédia em Manaus é causada por ineficácia, incompetência e omissão governamental

Gilmar Fraga: vacinação | GZH

Charge do Gilmar Fraga (GZH)

Pedro do Coutto

A tragédia em Manaus é o resultado da incompetência, omissão e da absoluta ineficácia que o governo federal vem demonstrando, juntando-se a ele o governo do Amazonas e a prefeitura de Manaus, que assistiram a anunciada escassez de oxigênio hospitalar sem sequer se moverem para evitar o desencadeamento da tragédia, que poderia ter sido evitada na dimensão que ocorreu, se houvesse resposta aos dramáticos pedidos até ao governo americano para um suprimento extremamente urgente colocado entre a linha que separa a vida e a morte.

Absolutamente incrível, o caso não tem precedentes até porque se desenrolou dentro de um panorama de uma pandemia que começou a se tornar evidente há cerca de um ano atrás.

SOLUÇÃO SIMPLES – A empresa White Martins comunicou ao governo brasileiro que está pronta a fornecer o oxigênio excedente da Venezuela para o Brasil. O presidente Nicolas Maduro informou que não vetará essa transferência ajudando assim para impedir que tragédia ainda maior poderia ocorrer caso não houvesse uma intervenção tão urgente como evitável.

Os jornais brasileiros focalizaram com grande destaque o episódio da verdadeira catástrofe resultado da falta do simples acompanhamento dos equipamentos na luta por salvar vidas ameaçadas pelo Corona Vírus.

Não se consegue explicar a inércia das autoridades responsáveis que uma vez informadas teriam obrigação de agir a tempo. O ministro Pazuello anunciou o início da vacinação no dia 20, quarta-feira. O governador João Dória assegurou o início da vacinação em São Paulo para o dia 19.

À MODA DE CHAPLIN – O fato lembra uma sequência do filme “O Grande Ditador”, de Charles Chaplin, quando Hitler e Mussollini empenham-se na busca de um lugar mais alto. A sequência é hilariante mas que tanto no nazifascismo quanto no drama de Manaus significa uma ausência de empatia humana.

Nesse caso parece que a vontade de um sobrepor-se ao outro esquece o ser humano para quem a vacinação se destina. Um jogo entre o presidente e o governador com os olhos voltados para as eleições de 2022.

A vacinação começa na próxima semana. Mas no plano federal, responsabilidade do ministro-general Eduardo Pazzuello, à primeira vista parece necessitar de um planejamento racional e adequado. Afinal de contas o país em 5600 municípios que têm de ser incluídos no mapa da vacinação. Até agora esperamos esse plano. É desanimador.

Bolsonaro não pode recuar e presidente do BB já perdeu condições de ficar no cargo

Mais Informações sobre Licitações Banco do Brasil

Equipe econômica quer fechar 361 agências do Banco do Brasil

Pedro do Coutto

Dizendo-se fortemente contrariado pelo projeto de demitir 5 mil funcionários do Banco do Brasil e o fechamento de agências no país, embora o Planalto tenha sido informado previamente do programa, o presidente Bolsonaro anunciou a demissão de André Brandão do BB.

Depois do destaque que a matéria alcançou na imprensa, especialmente no Globo e no O Estado de São Paulo, nas edições de quinta-feira, criou-se uma situação que deslocou a questão social para o plano político, sobretudo porque as reportagens informam também que o ministro Guedes estava tentando dissuadir Bolsonaro do ato.

SEM RECUO – Mas penso que não pode haver recuo. Nem por parte de Bolsonaro nem de André Brandão. Politicamente, ele perdeu as condições de exercer o comando do BB.

No Globo a reportagem é de Manoel Ventura e Giulino Maia. No Estadão assinam a matéria Adriana Fernandes e Tânia Monteiro.

O presidente da República sentiu-se afetado pela iniciativa de Brandão e também porque o Palácio do Planalto não foi consultado a respeito do assunto, mas o Correio Braziliense revela que houve essa informação prévia ao Planalto. De toda forma, Bolsonaro afirmou  ser contrário as demissões e ao fechamento de agências.

PRIVATIZAÇÃO – André Brandão foi indicado pelo ministro Paulo Guedes e pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para o projeto de privatização do BB. Mas a privatização já havia sido ponto de discordância de Bolsonaro. Além disso o BB é uma empresa de economia mista com ações na Bolsa de Valores. Assim os acionistas só ontem foram informados da decisão de dirigentes.

Há também o aspecto no que se refere ao valor das ações na Bovespa. A desestatização de uma empresa como o Banco do Brasil encontrará fortes resistências no sistema bancário do país e também nos créditos que se encontram em liquidação.

AÇÕES EM BOLSA – A diferença entre o BB e a Caixa Econômica é justamente essa, porque a CEF não possui ações em bolsa, não sendo assim empresa de economia mista.

Jair Bolsonaro, acrescentam os dois jornais; que vinha considerando bom o desempenho do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, agora não mantém o mesmo julgamento quanto a André Brandão.

Penso ter se tornado impossível tanto o recuo do presidente da República, quanto a continuidade de André Brandão, apesar da interferência de Guedes.

HELIO FERNANDES – Nesta semana, Helio Fernandes completou 100 anos de idade. É o jornalista de maior permanência em atividade no mundo, escrevendo diariamente no blog que mantém na internet.

Helio cobriu a Constituinte de 1946. Sua história inclui também as três vezes de confinamento determinadas pela ditadura militar que se instalou em 1964. Foi proprietário da Tribuna da Imprensa jornal, que adquiriu de Nascimento Brito, à época presidente do jornal do Brasil. Carlos Lacerda em 1962 vendeu o jornal para Nascimento Brito, que quinze dias depois revendeu para Helio Fernandes.

A Tribuna fez cerrada oposição à ditadura militar e foi o único jornal a ficar 10 anos sob censura prévia.

Inflação alta, medida por IBGE e FGV, sufoca os segmentos sociais de renda mais baixa

Acidente de Harrison Ford e inflação nas charges deste sábado - Região - Jornal VS

Charge do Tacho (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Num editorial da edição de sábado, a Folha de São Paulo focalizou muito bem o problema da inflação, tanto a calculada pelo IBGE quanto a medida pela Fundação Getúlio Vargas, destacando a diferença essencial entre a dança dos números para os grupos de menor e maior renda. Isso porque o item mais afetado pelo aumento de preços sem dúvida alguma foi a alimentação.

Ocorre que o grupo de menor renda está mais exposto ao aumento de custo de vida, porque a maior parte de suas despesas é com o consumo de alimentos. Para as classes de renda mais alta, o percentual com alimentação é menor.

MAIORIA DO POVO – Então, para mim, a disparada de produtos alimentícios sufoca a maior parte da população. A FGV e o IBGE entretanto, dizem que houve o inverso. Na minha opinião, os cálculos do IBGE e da FVG não refletem a realidade. Os preços subiram muito mais do que os índices apontados pelas duas instituições.

As pesquisas de preços se baseiam nos preços mínimos dos supermercados, mas isso não significa que a população possa praticá-los. Porque num supermercado o feijão está mais barato e o arroz mais caro. Em outro supermercado acontece exatamente o contrário. Os consumidores navegam nas ondas dos preços na estratégia utilizada largamente pelas vendas no varejo.

Mas o que dizer do preço dos remédios? Do reajuste dos alugueis, das tarifas de transporte coletivo? Não acredito que o real fator inflacionário tenha fechado 2020 na convergência entre o IBGE e a FGV.

CRÍTICAS À FOLHA – Em artigo também na Folha de S. Paulo, o ex-prefeito Fernando Haddad despediu-se da coluna semanal que escrevia e criticou duramente a linha editorial do jornalão.  Disse que a Folha estava publicando matérias para evitar que Lula possa ser candidato nas eleições de 2022.

Ou seja, Haddad não leva em consideração a sequência de fatos que impedem o retorno do ex-presidente ao Palácio do Planalto. A própria bancada do PT na Câmara Federal, por maioria de votos, decidiu apoiar a candidatura de Baleia Rossi. A diferença de votos foi pequena, mas seguramente significou uma derrota para Lula, que sempre isolou o PT em qualquer acordo político com o MDB, PSOL e com qualquer outro partido. Salvo quando estava no poder, quando se aliou aos segmentos políticos mais corruptos do país.