Reforma de Temer/Meirelles já direcionou R$ 40,5 bilhões à Previdência Privada

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Pedro do Coutto

O temor de encontrar mais dificuldade para aposentadoria, em decorrência do projeto de reforma do governo Michel Temer na Previdência Pública, já levou grande número de famílias a ingressar no setor da Previdência Privada.  De janeiro a novembro deste ano o movimento foi de 40,5 bilhões de reais. Reportagem de Nathalia Larghi, Valor desta quarta-feira, acentua bem a procura por planos particulares e ressalta que as perspectivas da rede bancária para 2018 é ainda maior que o resultado de 2017. Os 40,5 bilhões representam o ingresso de pessoas no sistema no período janeiro a novembro. Faltam, portanto, os números de dezembro.

Considerando-se média mensal em torno de 3,5 bilhões, pode-se estimar que o ano vai fechar com uma captação total de aproximadamente 44 bilhões de reais.

GUIA DA PREVIDÊNCIA – Os planos preferidos foram os de PGBL e VGBL. A Fundação Getúlio Vargas elaborou um guia de previdência encomendado pelo Valor. Esse guia apresenta uma lista de bancos e empresas financeiras que mais captaram este ano.  Em toda sua existência, ao longo de várias décadas, os Fundos Privados totalizam uma captação no montante, valores de hoje, da ordem de 720 bilhões de reais.

Na relação das maiores captações de recursos figuram a Sulamerica Investimentos, seguida por diversos bancos como o BTG Pactual, SAFRA, Santander, Votorantim, Brasil Previ (Banco do Brasil) e o Itau Unibanco. O Bradesco não figura entre os primeiros. Surpresa? Nem tanto. A seleção elaborada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo deixa evidente que as aplicações no setor da Previdência Privada são produzidas por pessoas de renda elevada, tanto assim que os dois maiores bancos brasileiros Itaú e Bradesco, não figuram na listagem entre os primeiros.

De fato as aplicações na Previdência Privada exigem uma disponibilidade de renda mensal muito acima da média brasileira, que é de 2,3 mil reais a cada 30 dias.  O mercado ,porém, tem possibilidade de crescer, principalmente se o presidente Michel Temer e o Ministro Henrique Meirelles conseguirem aprovar a reforma  que deve entrar na pauta da próxima semana da Câmara dos Deputados. Isso explica o otimismo dos bancos.

MENSAGEM FALSA – Em matéria de otimismo e pessimismo, cabe focalizar a mensagem falsa contida na propaganda comercial do governo em favor da reforma veiculada na noite de terça-feira por emissoras de televisão. Fez uma comparação entre o salário médio dos empregados celetistas com os vencimentos do funcionalismo público federal.  Que tem isso a ver, de imediato com a reforma da previdência? Nada. São 29 milhões de aposentados pelo INSS e o funcionalismo reúne 930 mil homens e mulheres.

Pode-se estimar que, no futuro, a unificação dos salários traga alguma economia, mas somente daqui a mais de 10 anos.  Portanto, não faz sentido a afirmativa injetada no mercado de informação. Dá a impressão de que o governo está contra o que ele chama de privilégios dos funcionários. Esquece que os funcionários não têm direito ao FGTS. O privilégio apontado não existe. É falso.

Verdadeiros são os 51 milhões de reais fotografados e filmados  num apartamento de Salvador.

Demissões em estatais transferem custos para o INSS e para os Fundos de Pensão

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Charge do Bruno (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Na edição da GloboNews, noite de segunda-feira, programa apresentado por Sérgio Aguiar, a jornalista Tahis Herédia, focalizou os programas de aposentadoria e demissão incentivadas das empresas estatais, visando com isso reduzir suas folhas de salário. Citou principalmente a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Empresa de Correios e a Eletrobrás. Programas vêm reduzindo os quadros trabalhistas.  Thais Herédia focalizou esse lado da questão. Mas os planos refletem outros problemas, não se esgotando por si próprios.

Um dos reflexos é a redução das contribuições de empregados e empregadores para o INSS. Outro reflexo é o aumento das despesas dos Fundos de Pensão, que na realidade são fundos de complementação de aposentadorias. Vale acentuar que alguns desses fundos assumiram também a administração de planos de seguros de saúde.

TRANSFERÊNCIAS – Por que sustento eu, encargos decorrentes das demissões e aposentadorias serão transferidos? Bem, quanto ao INSS, já expus a consequência linhas acima. Relativamente aos Fundos de Pensão, abordo agora. As demissões e aposentadorias incentivadas, nos casos das empresas estatais. terão seus custos transferidos para as complementações. Isso porque se aposentam  aqueles que possuem tempo de serviço suficiente. Então os que possuem condições de se aposentar recebem o incentivo pago pelas empresas e requerem a jubilação. Os que se demitem, muitas vezes no mesmo caso requerem a respectiva complementação aos Fundos. É um processo natural e lógico.

Quem não desejaria fazer jus a um incentivo, se depois da aposentadoria ou demissão irá continuar recebendo exatamente o mesmo do que recebia em atividade antes do desligamento?

ENCARGOS – Diante de uma análise mais profunda, trata-se, portanto, de uma transferência de encargos, não apenas de uma diminuição de despesas. Se todos os que trabalham pudessem transferir suas despesas, os problemas sociais desapareceriam. Mas esta colocação é uma miragem impossível de se realizar.

O que desejo acentuar é que, no fundo, as despesas direta ou indiretamente continuam saindo das contas do governo federal.  Além disso, as demissões e aposentadorias incentivadas reduzem as receitas dos Fundos de Pensão, já abaladas pela falta de admissão de novos empregados, pois os concursos estão suspensos pelo prazo de dois anos por determinação do Presidente Michel Temer. Como os Fundos de Pensão da mesma forma que o INSS arrecadam sobre o total de salários, se este diminui, reduz-se também o ingresso de novos recursos. Os fundos de pensão só têm um caminho, o de apresentarem bons desempenhos, seja na Bovespa, seja no mercado financeiro.

Trata-se de uma engrenagem lógica, matematicamente incorrigível.

SEM NEXO – Falei em lógica. Na verdade, falta lógica à afirmação do governo de que a reforma da Previdência reduzirá em 5% a taxa de desemprego. A matéria foi exposta por Marina Dias e Gustavo Uribe, edição de ontem da Folha de São Paulo. Não vejo nexo algum entre uma coisa e outra. A queda do desemprego influi, é claro, na receita da Previdência, porém a reforma previdenciária não possui relação alguma com o índice de emprego no país.  O governo utiliza um argumento falso.

O único caminho para redução intensa do desemprego é a retomada do desenvolvimento econômico do Brasil. Mas sem salário, tal retomada é impossível. E também é impossível retomar o desenvolvimento sem o mínimo critério voltado à distribuição de renda.

São verdades cristalinas que ninguém conseguirá camuflar.

Meirelles ultrapassou Temer, ao anunciar que governo terá candidato em 2018

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Numa entrevista a Marina Dias e Júlio Wiziack, manchete principal da edição de ontem da Folha de São Paulo, o ministro Henrique Meirelles afirmou que o governo terá candidato próprio nas urnas de 2018 e esse candidato não será Geraldo Alckmin, tampouco o deputado Rodrigo Maia. Ao excluir o governador de São Paulo de uma aliança entre PSDB e PMDB, o titular da Fazenda sustentou que Alckmin não segue a política econômica traçada pelo Executivo. Quanto a Rodrigo Maia, assinalou que o presidente da Câmara é muito jovem e, como tal, pode esperar. Henrique Meirelles lembrou que tem 72 anos.

O ministro Meirelles disse também que a saída do PSDB do governo terá consequências eleitorais negativas para os tucanos na medida em que o eleitorado compreender a importância das reformas fiscal e previdenciária.

AUTOLANÇAMENTO – Na prática, Meirelles se apresentou evidentemente como candidato do governo, embora tenha acentuado que só decidirá sua candidatura no mês de março. Mesmo porque, digo eu, se ele for mesmo o candidato do Planalto terá que deixar o Ministério da Fazenda no início de abril. Mas a questão essencial não é essa.

A questão essencial é que Henrique Meirelles assumiu o primeiro plano das articulações políticas do Planalto tomando a frente do próprio Michel Temer. Nitidamente, ele ultrapassou o presidente da República e também o próprio PMDB, principal partido da base parlamentar. Afinal de contas, deveria caber a Michel Temer decidir a orientação governamental a respeito da sucessão presidencial de 2018. Meirelles enfeixou o poder de articulação do Planalto, ultrapassando a disposição de Temer de comandar o processo eleitoral do próximo ano.

Além disso, ao minimizar a importância política do presidente da República, Henrique Meirelles assumiu o comando, não só de sua própria candidatura, como também  da escolha do rumo eleitoral a ser seguido por Michel Temer.

EM QUAL PARTIDO? – As contradições não terminam aí. Henrique Meirelles disse que vai decidir sobre sua candidatura em março. Mas por qual partido?

Até agora ele está filiado ao PSD. Assim, está assumindo a dianteira de uma decisão que deveria caber ao atual chefe do Executivo e aos comandos partidários da legenda. Meirelles seguramente sequer consultou Michel Temer, uma vez que caberia a este desencadear o processo a partir de uma decisão política clara e direta.  Meirelles avançou o sinal. Temos, agora, que aguardar a reação do presidente da República.

Michel Temer terá que abordar o assunto diretamente, ou então através de um pronunciamento do ministro Eliseu Padilha, na forma em que agiu no caso do distanciamento entre o Planalto e o PSDB. Distanciamento que se reflete em dois Ministérios, já que antecipou a permanência de Aloysio Nunes nas Relações Exteriores. O governo assim livrar-se-ia de Antonio Imbassay e Luislinda Valois.

SERIA UMA OPÇÃO – As pesquisas apontaram 2% para Meirelles e o Datafolha ressaltou que 87% não votariam em nome apoiado por Michel Temer. Mas isso para Meirelles, no momento, não é fator importante. Fator importante, para ele é se tornar uma opção entre Lula e Jair Bolsonaro.

Falta apenas combinar tudo isso com o eleitorado brasileiro. Henrique Meirelles assumiu o comando do governo. Porém, o universo do voto é bem mais complexo do que traçar uma política econômica cujo desfecho depende das urnas.

Datafolha: Lula na frente, e 87% não votam em candidato apoiado por Temer

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Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha publicada neste domingo, reportagem de Igor Gielow, confirma  a liderança de Lula, seguido à distância por Jair Bolsonaro e acentua também a impossibilidade do presidente Michel Temer influir positivamente nas urnas de 2018: 87% do eleitorado não apoiariam o nome escolhido pelo Planalto. Problema este preocupante para Henrique Meirelles, uma vez que o Ministro da Fazenda somente poderá ser candidato se contar com o apoio do atual presidente da República.

A pesquisa do Datafolha confirma praticamente os números registrados pelo levantamento anterior destacando os favoritismos de Lula e Bolsonaro. Nas várias alternativas propostas pela pesquisa Lula oscila entre 34 e 37% enquanto Bolsonaro permanece na segunda colocação com índices que variam de 19 a 17%.

MARINA SILVA – Luis Inácio da Silva desce um ponto quando entre as opções é colocada a ex-senadora Marina Silva.  Entretanto, Marina Silva, atingindo entre 11 a 10%, em nenhuma das colocações consegue se aproximar de Bolsonaro.

Por falar em Bolsonaro, se fossem para o segundo turno, ele e Lula , o ex-presidente venceria por 51 a 33.  Mas Lula depende da Justiça. O Datafolha colocou então um hipotético confronto entre Marina Silva e Bolsonaro. Marina Silva venceria por 46 a 31.

O Ministro Henrique Meirelles aparece com 2% das intenções possíveis de voto. Por seu turno Joaquim Barbosa alcança o patamar de 8%. Esse é o quadro geral das perspectivas que de hoje para amanhã envolvem a política brasileira.

OUTROS CANDIDATOS – Muito fracos os candidatos Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e João Dória. O PSDB parece não entusiasmar os eleitores e eleitoras, talvez, o que aliás é provável, em consequência do impacto fortemente negativo decorrente do episódio Aécio Neves.

Temos assim desenhada a plataforma para 2018 no rumo do Planalto. Numa perspectiva que reunisse no confronto final Lula e Alckmin, o petista venceria fácil por 52 a 30. Aliás, venceria qualquer adversário. A margem mais estrita seria contra Marina Silva, mesmo assim alcançaria 48 a 35.

A força maior de Luis Inácio da Silva situa-se nas classes de menor renda, como era esperado. Ao contrário de Bolsonaro, cujo maior potencial de votos registra-se nas classes média e rica. Esta perspectiva, aliás, é histórica.

CLASSES SOCIAIS – Tanto assim que as pesquisas tanto as do Ibope quanto as do Datafolha, partem da divisão das tendências por classes sociais. Por facha etária, há resistência de parte dos jovens de classe média em relação ao PT. Porém esses jovens também não preferem Bolsonaro. Certamente, penso eu, pela ideia marcante da liberdade que evidentemente não se ajusta plenamente a imagem de Jair Bolsonaro.

Mas esse pensamento é meu não se encontra destacado nos números do Datafolha. Mas a verdade é que os números têm seus enígmas e, por isso, necessitam ser analisados. Tem sido sempre assim desde 1945, quando o Ibope estava surgindo das mãos de Paulo Montenegro, pai de Carlos Augusto, atual presidente do Instituto.

Um outro fato a se considerar é a capacidade de crescimento dos candidatos ao longo da campanha. Nada substitui o calor humano, a capacidade de entusiasmar as correntes de voto.

CORREIO DA MANHÃ – Por falar em pesquisas eleitorais que acompanho desde 1955, devo destacar a importância do Correio da Manhã na consolidação dos levantamentos eleitorais. O jornal foi o primeiro a acreditar na seriedade e importância dos Institutos. Foi-se o tempo no qual o Ibope de Paulo Montenegro fazia permutas com um ou outro jornal para publicar seus prognósticos. Hoje o panorama é totalmente inverso. Os jornais correm atrás das pesquisas.

Falei em Correio da Manhã.  No próximo sábado, dia 09, no restaurante Brasil, Rua Mem de Sá esquina com Lavradio, almoço entre jornalistas que lá trabalharam. É a única turma dos jornais desaparecidos no tempo que reúne antigos companheiros. O entusiasmo continua.

Na Copa do Mundo, todos os adversários são difíceis, ninguém vence na véspera

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É isso. As partidas são decididas no gramado, até hoje time algum ganhou na véspera. A história esportiva está cheia de exemplos, mas a maioria dos torcedores continua baseando suas impressões conforme a maior ou menor força teórica dos adversários de sua equipe. Na edição deste sábado, reportagem de Carlos Eduardo Mansur e Tatiana Furtado, O Globo, focalizou com destaque merecido o sorteio das chaves que envolvem a disputa pela Taça do Mundo de 2018 na Rússia. O Brasil, cabeça de chave como é natural, enfrentará na primeira fase Suíça, Costa Rica e Sérvia.

Aparentemente, a Seleção Brasileira se destaca como grande favorita à classificação, sobretudo porque das quatro seleções duas passarão para a etapa seguinte. Mas em Copa do Mundo todos os adversários são difíceis, devendo nosso time estar preparado para todas as jornadas difíceis que terá pela frente.

TIME VENCEDOR – Seleção firme é aquela que não escolhe adversários, estando pronta para enfrentar quaisquer batalhas dentro do gramado mágico marcado por quatro linhas clássicas. Torcer para que nos deparemos com escretes mais fracos, psicologicamente revela um sentimento de temor que não deve ter lugar em Copas do Mundo.

Por falar em temor, nós, brasileiros, não devemos deixar de registrar nossa surpresa com a ausência de Marco Polo Del Nero do sorteio de sexta-feira em Moscou, ocasião em que foram sorteadas as diversas chaves da competição.

O presidente da CBF foi o único ausente entre os dirigentes das representações dos diversos países. Eu falei em temor. Del Nero deu mostras de temer sua prisão pela Interpol na ação que o FBI encaminha a Justiça dos Estados Unidos. Del Nero foi vice de José Maria Marin, que se encontra em prisão domiciliar em Nova Iorque aguardando julgamento pela Justiça norte-americana.

FACE OCULTA – A corrupção no futebol mundial revelou a face oculta de negócios e de dirigentes. Quando surgiram os direitos de transmissão, emergiram também negociatas sem fim. Mas deixemos de lado os ladrões e voltemos ao fascinante universo do futebol.

Ninguém vence na véspera, no início do texto me referi a exemplos que sustentam a afirmação. Ei-los aqui: o Brasil perdeu para o Uruguai na final de 1950. A Hungria perdeu na final de 1954 para a Alemanha. O escrete húngaro havia eliminado o Brasil por 4X2 na disputa em Genebra. Na final da Taça de 74, a Holanda, chamada Laranja Mecânica, foi derrotada pela Alemanha por 2X1. Outros exemplos poderiam vir na sequência destes, como a vitória da Argentina em 78 em Buenos Aires. Mas os alinhados são suficientes. Quais as razões do fenômeno?

A principal delas é que no futebol a tática é capaz de neutralizar a técnica e até a arte. Além disso, o futebol é o único esporte em que o adversário pode interferir diretamente no desempenho de outro.

BRASIL x URUGUAI – Aconteceu em 1950, no Maracanã, Estádio Mário Filho, a Seleção uruguaia usou a estratégia de só marcar o time brasileiro a partir do espaço entre o meio campo e sua linha intermediária. Criou o quarto zagueiro, Gambeta; recuou o ponta esquerda Moran. Nascia o primeiro 4.3.3 da história. Na frente Gighia, Miguez, Schiafiano.

Faltou espaço ao time brasileiro para suas ações de ataque. Sobrou a liderança extraordinária de Obdulio Varela. O capitão uruguaio a todo momento balançava a camisa pedindo empenho e amor aos companheiros. Sua atuação foi fundamental. Mas isso é passado.

Vamos suar a camisa na Rússia, dignificando as heranças marcadas pelas vitórias em 58, 62, 70, 94 e 2002. O Brasil é o único país que participou de todas as Copas do Mundo. E é o único pentacampeão mundial. Foram momentos inesquecíveis. Alguns personagens, como Pelé, estão vivos para relembrar. Outros já se foram, como o inesquecível Garrincha, e estão torcendo por nossa vitória na eternidade.

Publicidade comercial não muda opinião pública nem funciona no campo político

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Charge do Angeli (Folha)

Pedro do Coutto

A publicidade tradicional não muda opinião pública e nem é capaz de influir em nada no campo político e na esfera da administração pública. Ela funciona extraordinariamente no plano comercial, através de axiomas que utiliza, mas no plano político as mensagens de comunicação exigem teoremas. O axioma não necessita comprovação. O teorema, ao contrário baseia-se totalmente na força real de seu conteúdo. Nada como a prática para confirmar teorias. E agora mesmo o governo Michel Temer constatou que não conseguirá aprovar a reforma da Previdência Social este ano, embora tenha despendido um bilhão e seiscentos milhões de reais em contas publicitárias, 90% concentradas nas emissoras de televisão.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi quem alertou Michel Temer da impossibilidade, alerta que se estende também ao ministro Henrique Meirelles, autor da iniciativa, e que sai enfraquecido do episódio. Não conseguiu o governo sensibilizar a população.

REPERCUSSÃO – A decisão de retardar a reforma da Previdência foi manchete principal dos quatro jornais mais importantes do país: O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e o Valor. Destaque, a meu ver, para a reportagem de Geralda Doca, Martha Beck, Manoel Ventura e Gustavo Schmitt, em O Globo desta sexta-feira.

O desenrolar do episódio leva inevitavelmente a uma reflexão, através da qual se pode diferenciar concretamente os campos da publicidade e do jornalismo. A publicidade transmite um apelo direto ao consumo, mas ao consumo de produtos adquiridos nas lojas. Nada tem a ver com a realidade em que se baseia a opinião pública. Os dois quadros são complexos e guardam limites entre si. Lendo a obra principal de McLuhan, “Os Meios de Comunicação como Extensão do Homem”, verifica-se que entre seus mil acertos, cometeu um equívoco: o meio é a mensagem, porém depende, na esfera política pública, do conteúdo que pode apresentar no rumo do interesse coletivo. Nada tem a ver também com a venda de aparelhos de TV, geladeiras ou smartphones.

MEIO E MENSAGEM – Por falar no meio e na mensagem, esse livro foi objeto de uma brilhante análise do jornalista José Lino Grunewald, separando as mensagens com base na sua direção. Ele incluiu um comentário à quase homofonia, em inglês, das palavras mensagem e massagem, no sentido de um estímulo para a vontade. Mas essa é outra questão.

A publicidade comercial é um fato importantíssimo para a vida humana, suas pretensões, seus apelos seus desejos. Ontem, por exemplo, o Banco Itaú desfechou uma publicidade maciça ocupando duas páginas das edições dos quatro principais jornais que citei há pouco. Investiu na imagem. Perfeito.

Mas no plano político e da opinião pública, é preciso que a mensagem leve consigo um conteúdo positivo, através de uma proposta também positiva.  Eu sempre digo, e repito agora, que o jornalismo é fortíssimo quando se projeta no sentido das ondas que chegam à praia. Mas não tem a mesma força, nem de longe, para inverter a rota, para citar Ari Barroso, das espumas que se desmancham na areia.

GOEBBELS MENTIU – Finalmente um ponto a acrescentar: Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, afirmou certa vez, falsamente, que uma mentira repetida por vezes transforma-se em verdade. Mentiu para o covil dos abutres que dominava a Alemanha e mentiu para o povo alemão.

A opinião pública sempre haverá de distinguir entre um conteúdo falso e um conteédo verdadeiro. Porque se alguém está comprando espaço na mídia , evidentemente não poderá usá-lo contra si mesmo.

Principio universal de direito: ninguém pode ser ao mesmo tempo juiz e parte.

Trabalho infantil escravo, além de ilegal e abominável, reduz a receita do INSS

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Fornos de carvão usam a “mão-de-obra” infantil

Pedro do Coutto

Reportagem de Joana Cunha, Folha de São Paulo desta quinta-feira, com base em dados do próprio IBGE, revela a existência de 1 milhão e 800 mil crianças que trabalham nas áreas rurais do Brasil recebendo uma remuneração muito inferior ao salário mínimo e portanto duplamente ilegal. O trabalho escravo foi abolido há 129 anos e a utilização de crianças na faixa dos 5 aos 13 anos de idade, é algo simplesmente monstruoso. Mas é verdade. O governo Michel Temer, que propõe reforma da Previdência, nada faz para corrigir essa mancha social brasileira.

Aliás, não só Michel Temer, mas como Dilma Rousseff e Lula assistiram impassíveis a exploração infantil que caracteriza a troca de trabalho por alimento nos campos verdes da agricultura e do agronegócio. De omissão em omissão, a renda rural foi se concentrando e projetando sua influência principalmente na Câmara dos Deputados.

VOZ E VOTO – A bancada ruralista é duplamente muito forte. Controla a voz e o voto e é incapaz de pagar uma remuneração mínima a seus trabalhadores. Mas o caso do trabalho infantil é ainda mais grave.

Joana Cunha acentua que pela legislação do país a idade mínima para a entrada no mercado de trabalho é de 16 anos. Antes disso, aos 14, é permitido o trabalho na condição de aprendiz. Entretanto a mesma lei não permite, não deveria permitir na prática o uso de equipamentos perigosos por menores de 18 anos.

Mas falei em perda de receita do INSS. Isso ocorre porque, se o trabalho é escravo ou semiescravo, os empregadores não recolhem a parte a que estão obrigados para a Previdência Social. Não recolhem também as contribuições que seriam dos empregados no caso de haver contrato de trabalho digno.

OMISSÃO OFICIAL – Indígno é o comportamento desses empregadores. Indígna é a omissão do Governo Federal. Por sinal, omissão, como eu disse, de vários governos que se sucederam ao longo do tempo.

Some-se a exploração infantil à sonegação empresarial e Ao desemprego de 13 milhões de pessoas, encontramos aí razões muito firmes que levam ao déficit financeiro da Previdência Social. As dívidas de empresas para com o INSS atingem, acumuladas, a cifra fantástica de 1 trilhão e 800 bilhões de reais. Seria interessante o INSS publicar a relação dos maiores devedores.

“PEJOTIZAÇÃO” – A sonegação disfarça-se de várias formas. Uma delas é simplesmente não recolher a alíquota. Outra é descontar dos empregados e não transmitir os recursos ao sistema previdenciário. Mas há uma terceira forma.

Fazer contrato de trabalho exigindo a transformação dos empregados em pessoa jurídica. A manobra é muito simples: em tais casos o empregador recolhe apenas 7% do valor exposto na PJ.  Fica evidente a sonegação através de uma fuga legal.

Mas o que diz sobre isso o Ministro Henrique Meirelles, uma vez que a Previdência passou a ser subordinada à Fazenda? Nada. O que diz o presidente Michel Temer? Não diz coisa nenhuma.

Meirelles quer disputar 2018 com apoio de Temer, num doce voo na ilusão

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

O título, claro, está inspirado em Tennessee Wiliams e o fato é objeto de reportagem de Marina Dias, Folha de São Paulo desta quarta-feira. O ministro da Fazenda, que hoje assinala 0% nas pesquisas do Datafolha e do Ibope, espera chegar em março com um índice básico de 5 pontos. Seria esta a propulsão para sua candidatura à presidência da República. Candidato de Michel Temer? Uma ilusão, pois o atual governo tem a aprovação de apenas 3% do eleitorado brasileiro e pode ainda se tonar mais impopular em face do debate sobre a reforma da Previdência.

O ministro da Fazenda é um homem muito capaz em matéria de economia e finanças. Mas, pelo visto não possui sintonia alguma em matéria de política. Política partidária inclusive.

ESTÁ NO PSD? – Henrique Meirelles não sabe por qual partido pretende concorrer. Qualquer legenda serve. Menos a do PSDB porque o governador Geraldo Alckmin, indicado para presidir a legenda, anunciou que vai propor o desembarque do governo, com os ministros que possui abandonando os cargos. Somente Aloysio Nunes Ferreira quer permanecer na Esplanada dos Ministérios.

Por isso, Meirelles deve ler com atenção a reportagem de Maria Lima, Catarina Alencastro, Eduardo Barreto, Letícia Fernandes e Silvia Amorim, edição de ontem de O Globo.

O titular da Fazenda não deve voltar-se contra os fatos. Suas perspectivas eleitorais não favorecem a seu projeto de decolagem em março. Decolagem sem aeroporto porque no caso, o aeroporto obrigatoriamente tem que possuir a marca de um partido político. Será que seu partido, o PSD, lhe dará legenda?

FORTE REJEIÇÃO – É verdade, como as pesquisas estão demonstrando, que existe na atmosfera brasileira uma forte rejeição aos políticos da velha guarda. Eles falharam e intoxicaram o país de promessas e mais promessas, todas esquecidas. Neste caso, enquanto Meirelles voa na ilusão, os eleitores e eleitoras fortificam suas opiniões na triste realidade que envolve o país.

Mensalão, Petrolão, Odebrecht, JBS, Andrade Gutierrez são exemplos de uma sórdida onda de cooptações. Do outro lado, Joaquim Barbosa, Sérgio Moro, Marcelo Bretas para citar apenas três figuras que respondem com honestidade aos desafios da desonestidade.  Por falar em Joaquim Barbosa, que alcançou 11 pontos no Datafolha, sua candidatura tem potencial para crescer. Seu partido, o PSB, é pequeno. Mas foi o autor do convite para sua filiação e candidatura à Presidência da República. Ainda não respondeu, porém o campo está aberto para uma resposta afirmativa.

BARBOSA – 0 ex-presidente do Supremo encarna o sentimento popular de rejeição aos políticos e traz consigo a bandeira da ética. Ele, certamente, tem defeitos, como todo ser humano, mas é preciso considerar a verdade de que o candidato ideal não existe.

Esta frase não é minha. Estou repetindo uma opinião do grande pensador Alceu de Amoroso Lima. Em 65, em sua coluna no Jornal do Brasil, Amoroso Lima anunciou o voto em Negrão contra o candidato de Lacerda, Flexa Ribeiro. Jovens estudantes foram a sua casa e criticaram seu posicionamento. Amoroso Lima respondeu apenas: o candidato ideal não existe.

Essa frase sintetiza a realidade. Fora daí é atribuir a política um sentido de ilusão. O pensador cristão preferiu a verdade explícita.

Meirelles quer revogar a regra de transição dos servidores mais antigos

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Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O projeto do governo de emenda constitucional para implantar a reforma da Previdência omitiu a regra de transição para aposentadoria dos funcionários públicos, cortando assim o direito adquirido dos admitidos até 2003. O fato foi destacado na reportagem de Geralda Doca, O Globo desta terça-feira, e incluindo a manifestação do deputado Ricardo Trípoli, líder do PSDB, e também manifestação do deputado Rodrigo Maia que defendeu a regra de transição e desafiou o ministro da Fazenda a alcançar, se o obstáculo não for removido, os 308 votos para aprovar a matéria. O ministro Henrique Meirelles terá que propor novo texto, segundo Geralda Doca, para assegurar a tramitação da reforma.

Sem a modificação, como se observa, a emenda constitucional não alçará voo na Praça dos Três Poderes. A regra de transição, também chamada de pedágio, tem como objetivo respeitar direitos adquiridos e permitir à passagem de funcionários públicos para aposentadoria.

PERDA DE DIREITOS – Este aspecto é muito importante porque, em decorrência da reforma aprovada no governo Fernando Henrique Cardoso, os funcionários perderam o direito à aposentadoria integral, passando a ser incluÍdos num mesmo teto dos celetistas, que é de cerca de 5.500 reais por mês.

Mas é indispensável destacar que tal limitação restringe-se somente aos que ingressaram no serviço público a partir de 2003. Tanto assim que a lei atual prevê a criação no serviço público federal de fundos destinados à complementação.  Nesse ponto o regime para os servidores públicos alcança contorno idêntico ao regime das empresas estatais. Isso porque o teto é o do INSS.

Assim, os empregados de estatais que ganharem, por exemplo 10.000 reais, quando se aposentam percebem 5.500 do INSS e a complementação de 4.500 reais pelo respectivo fundo complementar.

PLANOS DE SAÚDE – Além desse aspecto, existe um outro. Os Fundos de complementação das estatais passaram a assumir também a responsabilidade pelos planos de saúde. Mas esta é uma outra questão.

O fato dominante situa-se na impossibilidade de o presidente Michel Temer conseguir aprovar a reforma imposta por Henrique Meirelles, sem retirar do corpo do projeto restrições como aquelas a que se referem os deputados Rodrigo Maia e Ricardo Trípoli.

A aprovação já se encontrava difícil, neste final de ano. Se a Fazenda não recuar do propósito de excluir a regra de transição, tornar-se-á absolutamente impossível. A pressão dos sindicatos de classes, somada à revolta dos funcionários aumentará, é lógico, a temperatura dos protestos.

DESAFIO DE MAIA – As declarações de Rodrigo Maia dirigindo um desafio aberto a Henrique Meirelles ergueu uma fortificação difícil de transpor entre a ideia do governo e o fato concreto. Sobretudo porque cabe a Rodrigo Maia incluir a matéria na pauta de votação.

E se Meirelles não recuar, as correntes de oposição vão cobrar do Presidente da Câmara dos Deputados a confirmação de suas declarações contidas na reportagem de O Globo de ontem. A situação dos funcionários públicos é muito diversa da que os separa dos regidos pela CLT. Basta dar um exemplo: os celetistas têm FGTS. Os funcionários públicos não.

Os celetistas tiveram tempo de aderir aos fundos de complementação. Os funcionários até 2003 não têm possuem esse direito. Além do mais, é necessário resolver em relação ao funcionalismo que está trabalhando há mais de 15 anos a realização de um direito existente na legislação.

A regra de transição é clara, como poderia dizer Arnaldo Cesar Coelho.

Privatização da Eletrobrás é sinônimo de aumento das tarifas de energia

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Ilustração reproduzida da RedeTV!

Pedro do Coutto

O projeto que o Presidente Michel Temer vai enviar ao Congresso propondo a privatização da Eletrobrás, reportagem de Manoel Ventura e Marta Beck, O Globo desta segunda-feira, prevê aumento das tarifas de energia a serem pagas pelas famílias brasileiras e também pela indústria, comércio, e pelo setor de serviço. Manoel Ventura e Marta Beck acentuam que, pelo texto do governo, a capitalização obtida pela colocação de ações no mercado vai assegurar o pagamento dos novos contratos de concessão das 14 hidrelétricas que hoje operam no país. Atuam hoje com preços fixos. Depois do vendaval da privatização, porém, passarão a ser remuneradas pelos preços de mercado, com tarifas mais altas que as atuais.

Essa face da iniciativa do Planalto refletirá inevitavelmente nos índices de inflação, uma vez que atingirá a produção industrial e o funcionamento do comércio no país, forçando assim que esses dois setores transfiram os novos custos para o mercado consumidor.

CUSTO DE VIDA – Portanto, a elevação tarifária vai influenciar o aumento do custo de vida, sobretudo porque a produção e o comércio, como sempre, vão repassar a diferença entre as tarifas de hoje e as de amanhã. O projeto do governo exclui da privatização a hidrelétrica de Itaipu e a Eletronuclear. Sem essas unidades o governo pretende criar uma nova estatal. Itaipu  é binacional e assim tem o Paraguai como sócia. A Eletronuclear, com base na Constituição, não pode ser privatizada.

Isso de um lado. De outro, a proposição a ser votada pela Câmara dos Deputados e Senado Federal, com base na matéria de O Globo, não faz qualquer referência à situação dos empregados, abrangendo aqueles do quadro efetivo que têm direito à aposentadoria complementar a cargo dos Fundos de Pensão. Mas este é outro assunto.

VELHO CHICO – O projeto salienta que a nova Eletrobrás receberá a missão de recuperar o rio e o Vale do São Francisco. Tenho a impressão que já existe uma companhia estatal para tal tarefa. Seria assim colocar na esfera da nova Eletrobrás as obras que se realizam no Velho Chico.

O governo decidiu manter o poder de voto e veto na empresa que surgir reunindo as 14 hidrelétricas que funcionam no país. A revitalização do Rio São Francisco passará a ser encargo da Eletrobrás que emergir da votação do Congresso. O texto de Brasília certamente receberá muitas emendas, como é natural entre as quais, as que tratam dos vínculos de emprego nas empresas que hoje formam a holding.

SEM BLOCOS – Uma das exigências contidas na mensagem é a de que os acionistas minoritários não poderão formar blocos que, somados, não poderão ultrapassar o limite de 10%. Não poderão trocar o nome da empresa.

O governo Temer prevê a aprovação do projeto até o final de dezembro, porém surgirão dificuldades, uma delas o peso da política partidária sobre a administração pública. Outra a formação de capital na escala de 12,2 bilhões de reais, patamar muito abaixo do real valor das empresas do sistema elétrico de hoje.

Além do mais esses 12,2 bilhões serão dividido em três partes: uma para a União, outra para a Conta de desenvolvimento Energético (CDE) e a fração final para a Eletrobrás. A CDE funcionará à base de um fundo destinado a socorrer problemas acarretados pelo acionamento de termoelétricas , cujos os preços de comercialização são bem mais elevados que os da produção hidrelétrica.

A sorte está lançada. Vamos ver como se desencadeiam os debates e as decisões nesta fase final que marca o crepúsculo do governo antes das urnas de 2018.

Desistência de Huck abre espaço para Joaquim Barbosa decolar rumo ao Planalto

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Barbosa seria um estreante com chances, sem dúvida

Pedro do Coutto

O jornalista Lauro Jardim, em sua coluna de domingo, em O Globo, informou que o apresentador Luciano Huck anuncia nesta segunda-feira sua desistência à candidatura à presidência da República nas urnas de 2018. Confirmada a notícia, significa a abertura para mais espaço para o ex-presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, disputar a sucessão presidencial do próximo ano. Sem Luciano Huck, e sem João Dória, pois o prefeito da cidade de São Paulo anunciou sua intenção de concorrer ao governo estadual, Joaquim Barbosa reúne em torno de si as correntes da população que repudiam a atuação da classe política tradicional.

Foi esta rejeição, por exemplo, que levou João Dória à prefeitura da capital paulista. A mesma rejeição que decorre da sensação de repugnância com que os eleitores e eleitoras recebem as promessas de sempre das legendas e dos seus ocupantes profissionais.

BARBOSA CRESCE – Confirmada a desistência de Huck, haverá abertura de espaço livre para Joaquim Barbosa ultrapassar a faixa de apoio de 11% do eleitorado, registrada na recente pesquisa do Datafolha. É isso. Barbosa poderá avançar mais porque sua mensagem fundamental é a honestidade – portanto, o compromisso de não fazer acordos, tampouco aturar atos de corrupção.

Sua bandeira deverá ser a de passar o Brasil a limpo. E nódoas não faltam especialmente a partir de 2003, quando as diretorias da Petrobrás foram loteadas entre políticos corruptos das legendas do PT, PMDB e PP, e também do PR de Valdemar da Costa Neto. Com certeza, Eduardo Cunha , Lúcio Funaro, Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco, entre outros, são personagens que atravessaram o tempo nacional ao longo dos últimos 14 anos. É preciso notar que vários personagens estão na cadeia, inclusive empresários de peso.

ESTRATÉGIA – A mensagem de Joaquim Barbosa poderá ganhar corpo na medida em que ele se pronunciar frontalmente contra tal seleção de ladrões. Sem esquecer a mala de Rocha Loures da noite paulista e das malas de Geddel Vieira Lima do apartamento de Salvador.

Não estou dizendo que Joaquim Barbosa vencerá as eleições do ano que vem. Estou apenas assinalando que na onda de rejeição e descrédito ao quadro político tradicional, ele poderá navegar com firmeza indo ao  encontro do que a opinião publica deseja ouvir na campanha e espera que se concretize a partir do Palácio do Planalto na alvorada de 2019.

INCÓGNITA – É esta a tendência que o Ibope e o Datafolha assinalam. Mas há uma incógnita no ar: o destino político do ex-presidente Lula, que até agora lidera todas as pesquisas eleitorais realizadas. Encontra-se ele numa faixa que oscila entre 30% e 40% preferência popular. Seu nome cresce nos grupos de renda menor e decresce junto às correntes de classe média. Dos ricos, não vale a pena nem comentar. Primeiro, porque são uma minoria que não ultrapassa 1% do eleitorado. Segundo, porque os ricos, como a campanha de 2014 demonstrou, dividem-se por igual entre os candidatos mais fortes. Assim, ganham de qualquer maneira.  Em suas movimentações de 2014, eles estiveram por igual com Dilma Rousseff-Michel Temer como em relação a Aécio Neves-Aloysio Nunes Ferreira.

O resultado foi que Aécio Neves protagonizou um dos espetáculos mais deprimentes da política brasileira, e Dilma Rousseff sofreu impeachment.

É preciso saber que longevidade é uma coisa, desemprego e sonegação são outras

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Charge do Erasmo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

É isso mesmo. Com base no título, coloco a questão não apenas para o governo Michel Temer, com destaque especial para o ministro Henrique Meirelles. Coloco o tema para toda a população brasileira. E faço isso com base de reportagem de Luciane Carneiro, Daiane Costa e Daniele Nogueira, em O Globo deste sábado, que focaliza o ângulo de análise das contas da Previdência Social, a partir de dados do IBGE e do INSS. E também na entrevista do professor da PUC José Mário Camargo, para quem os problemas do déficit do INSS estão no aumento da longevidade da população. Errou em cheio.

Camargo diz que a população com mais de 60 anos em 2013 era de 12,8% e agora, em 2017 , passou a 14,4%. Vejam só o absurdo. Um fato que deveria ser saudado como essência da vida transforma-se em causa do déficit do INSS.

QUASE RIDÍCULA – A colocação é quase ridícula se não fosse dramática. Longevidade não é problema, é solução. E, além do mais, o índice de 14,4% representa ainda uma escala muito baixa nos dias de hoje, marcados pelo avanço da medicina e por hábitos de vida saudáveis para aqueles que têm acesso aos exercícios de modo geral, dentre eles as caminhadas diárias, o chamado método de Kenneth Cooper.

O IBGE vai nessa onda. E tanto ele quanto o INSS, quanto Henrique Meirelles quanto José Márcio Camargo, todos omitem o desemprego e a sonegação empresarial como fatores do desequilíbrio. Inclusive para o presidente Michel Temer e para o ministro Henrique Meirelles, é mais cômodo não se referir à sonegação, tampouco  ao desemprego.

VAMOS POR ETAPAS – O INSS arrecada sobre a folha de salários. Se existem 13 milhões de desempregados no país, é evidente que a arrecadação declina, afetada tanto pela falta de contribuição dos desempregados quanto pela desoneração dos empregadores. Isso de um lado.

De outro, focalizemos a longevidade. É uma mistificação culpar o maior tempo de vida, o que, graças a Deus, vem ocorrendo, sem considerar um aspecto decorrente e importante desse fato.

A Previdência Social reúne, em números redondos, 30 milhões de aposentados e pensionistas. Desse total 15% permanecem no mercado de trabalho. Assim, ainda descontam para o INSS, tornando-se contribuintes de mais idade. Pagam o INSS e recebem o quê em troca? Nada.

CONTA PECÚLIO – Para onde vai o volume de dinheiro gerado por esta receita dos aposentados que continuam contribuindo? Antigamente, a partir de 75, governo Geisel, o ministro Nascimento Silva criou a conta pecúlio. Era formada exatamente pelas contribuições dos aposentados que continuavam no mercado de trabalho. Era um pecúlio nas mesmas bases do FGTS.  O contribuinte se deixasse de trabalhar em definitivo tinha direito a sacar o saldo. Se falecesse, seus herdeiros legais receberiam a importância.

Mas a conta pecúlio foi extinta pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na campanha eleitoral de 2002, Lula defendeu o retorno da conta. Mas o que fez ele ao longo de seus dois mandatos? Nada, absolutamente nada. Um farsante igual a Michel Temer. Falar é fácil, fazer é que são elas.  Palavras o vento leva.

CORTANDO DIREITOS – O pior é que o projeto que Michel Temer pretende aprovar no Congresso extingue ainda mais direitos existentes. Os prejuízos sociais serão enormes. Proporcionais à revolta que já está nas ruas contra o governo e mais uma vez, tenta iludir a sociedade através de propaganda comercial na televisão, ótima para as empresas de publicidade e para os corretores envolvidos na veiculação.

A desinformação que anda por aí é tão grande que o economista Paulo Tafner, reportagem de Mariana Carneiro, Folha de São Paulo de ontem, diz simplesmente o seguinte: multiplicado o déficit de hoje por 75 anos ele superaria a dívida pública do país que, no momento, digo eu, atinge 4,7 trilhões de reais, dados do Banco Central. Ora, se alguém multiplicar seu salário de hoje por 75 anos vai deparar com uma soma astronômica.

O que Paulo Tafner não explica é que ao longo de 75 anos a dívida pública também será muito maior do que a de hoje. Na sua comparação ele distorce as informações em busca de uma falsa comparação. Não se pode comparar água e vinho. Nem o presente com o futuro 75 anos depois. O passado comprova essa impossibilidade.

A semana foi péssima para políticos, empresários e administradores ladrões

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Luís Roberto Barroso deu um voto admirável

Pedro do Coutto

Exatamente isso. A semana que hoje termina foi a pior possível para os políticos, empresários e administradores ladrões do dinheiro público. Ia esquecendo de incluir os intermediários de negócios ilegais. Apesar do pedido de vista do ministro Dias Tofoli, a maioria esmagadora do Supremo Tribunal Federal já decidiu pela restrição ao foro privilegiado para parlamentares que praticaram crimes antes de serem eleitos. A reportagem de Carolina Brígido e André de Souza, O Globo desta sexta-feira, ilumina fortemente a questão e a traduz para a opinião pública.

Em primeiro lugar o foro privilegiado, no caso dos parlamentares, deve se restringir aos senadores e deputados federais, não deve ser estendido aos deputados estaduais e vereadores. Isso de um lado. De outro, o foro privilegiado, ou seja o palco do STF, no entendimento de sete ministros, número que já decide a votação, é restrito à prática de infrações ocorridas vinculadas ao exercício dos mandatos. Não se estende assim, aos processos relativos a crimes comuns.  Nesse sentido foi primoroso o voto do relator ministro Luis Roberto Barroso.

CRIMES COMUNS – Excelente interpretação constitucional porque o art. 53 diz que os deputados e senadores são invioláveis por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. Assim a imunidade não abrange a prática de crimes comuns. Antigamente, pela constituição de 1946, o deputado ou senador só poderia ser processado depois de autorizado o processo pela respectiva Casa do Congresso. Agora é diferente, e a interpretação do STF esclareceu ainda mais a diferença.

Quais são os reflexos? Em primeiro lugar, a exclusão dos deputados presos no Rio de Janeiro da possibilidade de tal prisão estar condicionada a uma decisão da Assembleia Legislativa. Em segundo lugar, outro reflexo: o caso do Senador Aécio Neves não se inclui entre as imunidades, ele terá que responder o respectivo processo por crime comum. Isso muda todo um quadro legal.

PRIMEIRA INSTÂNCIA – Outra consequência tornou-se explícita: a transferência dos julgamentos. Uma vez recebidas as denúncias pelo STF, este as transferirá para a Justiça de 1ª Instância e os possíveis recursos dos que forem condenados seguirão a escala da hierarquia jurídica, portanto passarão pelos Tribunais da 2ª  Instância. E antes de chegar ao Supremo, se for o caso, as matérias vão fazer escalas nos tribunais regionais federais e no STJ.

Mas eu disse que a semana que hoje termina neste sábado foi péssima para os ladrões do dinheiro público que poluem as esferas política, empresarial e administrativa do Brasil. Uma questão de atmosfera, que se tornou densa principalmente na quarta e na quinta-feira.

O julgamento inacabado, porém decidido pelo STF, tornou-se mais um ponto de enrijecimento da ética e da moral pública. Aliás, da moral privada também, porque a corrupção, para ser exercida, depende da conjugação entre políticos e empresas, resultando num saque escandaloso à economia individual dos brasileiros e brasileiras.

NA CONTA DO POVO –  Ninguém se iluda. Os subornos pagos através da política partidária não saem do bolso das empresas e dos empresários. Estes aumentam os superfaturamentos dos contratos e assim tornam a corrupção mais uma fonte de lucro para eles próprios. Casos escandalosos se acumularam no tempo, como a desnecessária e superfaturada da compra da Refinaria de Pasadena, por exemplo.

Um outro exemplo que baliza bem o percurso da maratona de corruptos e corruptores: a construção em série de estádios para a Copa do Mundo. Veja-se o caso do Maracanã, o Estádio Jornalista Mário Filho.

A decisão de quinta-feira do STF fechará as portas para os ladrões.

 Luciano Huck e Joaquim Barbosa significam uma rejeição total aos políticos

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Charge do Tacho (Jornal NH)

Pedro do Coutto

Manchete principal de O Estado de S. Paulo desta quinta-feira, uma pesquisa do Instituto Ipsos, sobre aprovação ou desaprovação de candidatos potenciais à sucessão de 2018, destaca um crescimento de Luciano Huck e Joaquim Barbosa no conceito da opinião pública brasileira. A pesquisa é do Ipsos e a reportagem é de Daniel Bramatti. Lula aparece com o índice de 43%, um ponto acima dos 42% de Joaquim Barbosa. Porém a rejeição a Lula também é muito alta: 56%.

A aprovação do desempenho público de Luciano Huck atinge a escala de 60% contra apenas 32% de rejeição. Marina Silva tem uma aprovação de 35%, mas uma desaprovação também de 56%.

OUTROS CANDIDATOS – Agora vamos ver o que o levantamento aponta para os políticos e também para o ministro da Fazenda, que não pode ser incluído entre os políticos tradicionais, mas que já revelou desejo de concorrer à sucessão de Michel Temer. Vamos aos números. O governador Geraldo Alckmin é aprovado por 24%, índice muito baixo, sendo desaprovado por 67%.

Jair Bolsonaro alcança uma aprovação também de 24 pontos acompanhada de uma rejeição da ordem de 60%. Ciro Gomes tem atuação aprovada por 21% e é rejeitado por 63%. João Dória tem aprovação de 19%, mas é rejeitado por 63%. Vamos citar agora o panorama que envolve Henrique Meirelles. O Ministro da Fazenda é aprovado por 7% somente. E rejeitado por 70%.

O caso de Henrique Meirelles é especial. É possível que a rejeição seja produto do desconhecimento de seu nome, sobretudo junto aos grupos de renda menor. Mas de qualquer forma, talvez em função de seus seguidos pronunciamentos em favor da reforma da Previdência, sua desaprovação é dez vezes maior do que sua aprovação.

OJERIZA AOS POLÍTICOS – A tradução da pesquisa, fazendo-se uma síntese, de qualquer forma revela uma rejeição enorme à política partidária e aos políticos em geral. Esse panorama já é bastante sensível por parte da esmagadora maioria de eleitores e eleitoras.  As posições de extrema, como é o caso de Jair Bolsonaro, representam uma minoria.  O nome da deputada estadual gaúcha Manoela Dávila, que é do PCdoB ,não foi incluído entre as opções. Pode se considerar que, enquanto Bolsonaro representa a direita, Lula, por equívoco ou não, alinha-se com as esquerdas. O resultado da pesquisa funciona apenas como uma espécie de bússola ou termômetro do quadro político do Brasil.

O eleitorado deseja mudança e expressa seu descrédito, decorrente, com razão, de decepções seguidas. Lula, por exemplo, desde sua vitória nas urnas de 2002 trocou sua posição de reformista pela de conservador. Institucionalizou a corrupção na Petrobrás e no BNDES. Em matéria de corrupção foi seguido por Michel Temer. Isso no plano federal. Porque no plano estadual do Rio de Janeiro não há como compará-lo com nenhum outro.

DIRETOR DO DETRO – Basta ler os jornais e observar as imagens no papel e nas telas da televisão e das redes sociais. A Fetranspor representa um escândalo gigantesco. Um diretor de Departamento reclamou em conversa gravada, da redução de sua propina mensal de 1 milhão para somente 600 mil reais.

Esse é o quadro brasileiro exposto amplamente pelo O Estado de S. Paulo.  Quadro no qual se integra um artigo de Vinicius Torres Freire, na Folha de São Paulo de ontem. O autor dirige aos candidatos um desafio lógico e fundamental: como pretendem gerir o país a partir de 2019. Deixo a resposta principalmente para Luciano Huck e Joaquim Barbosa, porque quanto aos demais, o que eles dirão já é conhecido de todos.

Promessas o vento leva. E a esperança fica na memória nacional.

“Ballet” do Banco Mundial ilumina o palco do Brasil com números delirantes

Charge do Arionauro (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

É antiga a frase de que o papel aceita tudo. O computador nem tanto. A realidade dos fatos muito menos. Reportagem de Marta Beck, Sérgio Fadul, Geralda Doca, Bárbara Nascimento e Cristiane Jungblut, em O Globo, destaca números e teses divulgadas pelo Banco Mundial voltados para recuperação da economia brasileira num espaço de tempo que começa hoje e se estende até a 2026. Uma distância de nove anos que se baseia em conotações matemáticas difíceis de serem decifradas em termos lógicos da economia política do país. O BIRD, por exemplo, propõe a diminuição pela metade dos vencimentos do funcionalismo público em relação aos salários dos empregados regidos pela CLT. Metade? Eis aí um corte impossível.

É o caso de soluções e teorias econômicas geradas por representantes do conservadorismo. Como diminuir à metade? Qual o parâmetro? Os salários daqueles que são regidos pela CLT variam de empresa para empresa. Como seria feita, portanto, a comparação?

INCONSTITUCIONAL – Além do mais, o corte de 50% nos vencimentos é absolutamente inconstitucional. Portanto, não seria possível e tampouco possui o menor cabimento. Além disso, é estimada uma redução de despesas, com isso, da ordem de 8,3% do Produto Interno Bruto Brasileiro. Como o PIB, em 2017, está calculado em torno de 5,8 trilhões de reais, a fração cintilante do Banco Mundial representaria algo em torno de 550 bilhões.

Surge uma dúvida: se tal importância seria anual ou resultaria de reflexos do corte ao longo dos próximos 9 anos, ou seja 2026. É necessário, a meu ver, que o Banco Mundial esclareça melhor esse ponto. Porque, inclusive, o valor do Produto Interno Bruto varia de ano para ano e o documento chamado de esforço pela reforma não inclui projeção sobre tais variações. No ballet dos números, esses lances da dança não se encontram bem iluminados, dando a impressão que o programa proposto baseia-se numa visão impressionista que colide com a realidade.

ARTES DO POSSÍVEL – Se a política é a arte do possível, a economia também se inclui no mesmo contexto. Até porque é impossível separar a política da economia. Não estou falando de economia política, porque esta pode ser interpretada e traduzida à base de pensamentos ideológicos diversos.

Para o ex-ministro Delfim Neto, por exemplo, sua visão estrutural parte de um princípio determinado. Para os reformistas, outro deve ser o caminho. Para os ultraconservadores, a visão também se altera. No fundo da questão encontra-se o desafio de se estabelecer o denominador comum entre o capital e o trabalho.

Isso explica, sobretudo, uma realidade pouco aparente. O reformista de hoje transforma-se com grande frequência no conservador de amanhã. O ex-presidente Lula, por exemplo, era um reformista até chegar ao poder nas urnas de 2002. Transformou-se num político conservador a partir de sua posse no Planalto em 2003.  Montou uma estrutura voltada para a corrupção, chegando ao ponto de dividir partidariamente as diretorias da Petrobrás. Em seu período, o BNDES forneceu créditos a juros favorecidos, como no caso de financiamentos à Odebrecht e a JBS. Nada mais conservador do que a corrupção.

DESIGUALDADES – Um reformista deveria lutar pela redistribuição possível de renda. Nada mais concentrador de renda do que a corrupção. A metamorfose atinge em cheio os políticos. Fernando Henrique Cardoso, logo após a vitória nas urnas de 1994, avisou ao eleitorado: esqueçam tudo que escrevi no passado. Mas as contradições são próprias do processo humano. O líder do Movimento Militar de 64, Carlos Lacerda, terminou cassado pelo processo que desencadeou.

Voltemos À dança dos números que o Banco Mundial exibe no palco de nosso país. Se fosse possível resolver os problemas universais com colocação de teorias, não haveria problema algum no Planeta Terra. A verdade é extremamente diferente. Colorir visões numérica não muda a cor da realidade.

Agências de publicidade, às vezes, entram direto no roteiro da corrupção

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Pedro do Coutto

O fato refletido no título foi destacado na edição do RJ da TV Globo da tarde de segunda-feira, na apresentação da jornalista Mariana Gross. O RJ TV reproduziu gravação contendo depoimento do marqueteiro do PMDB, Renato Pereira, que, em busca da delação premiada, iluminou bastidores da campanha eleitoral de 2014 no Estado. Envolveu os governadores Sérgio Cabral e Luis Fernando Pezão, além de autoridades públicas. Um dos pontos chamou atenção. Aquele no qual a sua agência de propaganda Prole encontrou-se envolvida diretamente, inclusive com vinculação com a Fetranspor.

Renato Pereira afirmou que houve repasse de dinheiro através da sua e de outras agências. E acentuou uma face reveladora de articulações ocultas ao conhecimento público. Disse existirem falsos contratos publicitários que davam margem ao surgimento de prática de suborno, estas sim, bastante conhecidas. Tão conhecidas principalmente pelo Tribunal Regional Federal que determinou novamente a prisão de três deputados que haviam sido objeto de liberação pela maioria da Assembleia Legislativa. Mas esta é outra questão.

ENGRENAGEM – Renato Pereira ressaltou a existência de uma engrenagem que necessita ser melhor explicada ou então colocada nas investigações da Polícia Federal. Deu a entender que tal prática reúne algumas agências que extrapolam de suas atividades comerciais, deslocando-se para o campo aberto dos setores de relações públicas e comunicação.

Trata-se do seguinte: Renato Pereira sustentou que as agências de publicidade trabalham mediante comissões de 15% do faturamento do volume de anúncios comerciais. Nesse patamar surge a primeira dúvida.

A comissão paga pela publicidade veiculada geralmente é de 20%. Mas ela incide sobre os espaços adquiridos nos jornais e nas emissoras de televisão e rádio. Não sei onde Renato Pereira localiza a ponte de 5% que acentuou haver entre o valor das campanhas publicitárias e os pagamentos feitos aos veículos. Mas isso não é importante no caso.

DIFERENÇA  – O importante no caso é que a comissão, seja ela de 15 ou 20%, não deve incidir sobre contratos lançados na conta da publicidade comercial. Publicidade comercial é uma coisa. Trabalhos de comunicação, outra. O que as empresas estão pagando nessa mistura antiética não deveria proporcionar percentagens sobre um faturamento não somente destinado aos espaços pagos. Porém, incide, e aí é que surge o mapa de uma outra mina.

Contratos de comunicação terminam por incluir prestação de serviços que não se referem à ocupação de páginas ou de mensagens na televisão. Referem-se à falsa plantação de notícias em contextos jornalísticos.  Estas inserções não podem ser faturadas à conta de propaganda comercial, uma vez que as faturas publicitárias começam e terminam em matérias caracterizadas como tal.

Não é legítimo, portanto, que haja cobrança efetuada por algumas agências sobre valores de contratos não realizados efetivamente, pois nesses casos as empresas que pagam o estão fazendo por ingenuidade ou conivência. Basta confrontar as faturas concretamente apresentadas pelos jornais e emissoras de TV e rádio com o valor das faturas ou recibos formalizados pelas agências que se apresentam como de propaganda comercial. A propaganda que realizam não está, nem poderia estar, caracterizada como injeção  de publicidade.

TEMPO E DINHEIRO – Dentro desse quadro, na visão de jornalistas, eu me incluindo, as empresas que pagam estão perdendo tempo e dinheiro. Porque a publicidade comercial nada tem a ver com matérias redacionais. A expressão picareta cabe bem nas pessoas que saem das sombras e procuram se aproximar e até mesmo influir na atuação de colunistas, repórteres, editores e editoras da programação das empresas jornalísticas. Na verdade, estão cobrando valores muito acima dos preços pagos pela publicidade comercial tradicionalmente caracterizada.

Finalmente transformam-se em intermediários de negócios incompatíveis com a essência do jornalismo. São farsantes. Cobram pela falsa influência que vendem. Procuram iludir tanto as fontes de seus recebimentos quanto a opinião pública. Mas esta não se deixa levar por fantasias.

Publicidade é propaganda comercial. Jornalismo é outro departamento. Eu me lembro da determinação expressa publicada diariamente no Correio da Manhã: o Correio da Manhã não aceita veicular publicidade que não seja caracterizada como tal. Uma questão de caráter.

Para reformar Previdência, Temer tenta subornar Rodrigo Maia e o ‘Centrão’

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Charge do Fred (Charge Online)

Pedro do Coutto

A reportagem de Geralda Doca, Manoel Ventura e Patrícia Cagni, em O Globo desta segunda-feira, não deixa dúvida: o presidente Michel Temer partiu para subornar o deputado Rodrigo Maia e o bloco Centrão, num derradeiro esforço para tentar aprovar a reforma da Previdência Social nas próximas semanas. Ofereceu a Rodrigo Maia a indicação do novo Ministro das Cidades e ao Centrão a indicação de cargos no Executivo. Para Igor Gadelha, matéria de O Estado de São Paulo, a negociação inclui também a presidência e diretorias do BNDES.

O governo, assim, lança mão de negociações ilegítimas no esforço de atender a pressão do ministro Henrique Meirelles e também dos fundos de Previdência Complementar Privada. Lance igual aos que marcaram a rejeição pela Câmara Federal dos processos de corrupção abertos contra Temer pelo Supremo Tribunal Federal.

CORTANDO DIREITOS – A diferença é que numa etapa Temer obteve os votos para barrar seu próprio julgamento. Agora ele tenta a todo custo alcançar os votos para cortar direitos dos trabalhadores e funcionários públicos, numa investida voltada para alterar as regras do jogo no meio de seu desenrolar. Os limites de idade que pretende prolongar para mais poderiam ser aceitos para todos aqueles que chegassem após dezembro no mercado de trabalho. Porém nunca para aqueles que contribuiram a vida inteira em tempos anteriores à possível promulgação da emenda constitucional, base da reforma projetada.

São milhões de pessoas, homens e mulheres, regidos pela CLT e pelo Estatuto do Servidor Público. Aliás, por falar em funcionalismo, o próprio Michel Temer aposentou-se aos 55 anos de idade é um dos beneficiados pela Previdência.

PRIVILÉGIOS? – Geralda Doca, em matéria isolada em O Globo focaliza argumentos do governo para reforma, entre eles o bordão de que é preciso acabar com privilégios do funcionalismo público. Quais privilégios? O direito de se aposentar com vencimentos integrais decorre das contribuições de 11% sobre seus vencimentos sem limite. Enquanto isso, os regidos pela CLT descontam no máximo por mês 11% até o limite de 5.500 reais.  São situações, portanto, completamente diferentes. Além do mais, como escrevi em artigo recente neste site, os funcionários públicos não têm FGTS.

Outro enfoque absurdo do governo é tentar comparar o custo dos funcionários com o custo dos aposentados do INSS.  Ora, o INSS tem em torno de 30 milhões de aposentados e pensionistas. Os quadros do funcionalismo federal são compostos por 960 mil funcionários. Portanto as aposentadorias que vierem ocorrer no funcionalismo serão infinitamente menores que a dos celetistas que virão. Isso porque a mão de obra regida pela CLT reúne 100 milhões de pessoas. O funcionalismo federal não chega a um milhão. É fácil manipular os números para se obscurecer o debate.

CORRUPÇÃO –  Mas é impossível negar , diante das reportagens de O Globo e de O Estado de São Paulo, as sombras que tentam ocultar mais um capítulo da deslavada corrupção que invadiu e continua invadindo o Brasil.

Qual a moral que poderá ter o Palácio do Planalto em condenar e repelir a corrupção, se ele é o primeiro a recorrer seguidamente a ela? Impossível. Entretanto, mesmo subornando o presidente da Câmara e blocos parlamentares, dificilmente a reforma da Previdência, a meu ver, será aprovada.

Não faz sentido comprar toda uma consciência coletiva .

1968, de Zuenir Ventura a João Moreira Salles, um ano que não termina nunca

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Documentário relembra a agitação de 1968

Pedro do Coutto

O ano de 1968 foi marcado por fortes impactos políticos, os quais, ao longo do tempo, ingressaram na história do Brasil e também na história universal. 1968, em nosso país, registrou a morte do estudante Edson Luís no restaurante do Calabouço, além de uma evolução de poucos precedentes em regimes ditatoriais do passado. Em dezembro de 68, o Presidente Costa e Silva assinava o Ato Institucional nº 5, no Palácio das Laranjeiras, no Rio, acolhendo com seu gesto a frase do ministro Jarbas Passarinho, destacada na reunião ministerial, que aconselhava o General a mandar às favas todos os escrúpulos da consciência.  Essa frase, na realidade, tornou-se o epitáfio da ditadura militar.

Sobre 1968, o jornalista Zuenir Ventura escreveu uma obra eterna condenando da ditadura exaltando a liberdade: “1968, o ano que não acabou”.  A meu ver, o livro será eternizado na memória brasileira e na literatura de obras de não ficção.

EDSON LUÍS – Em 1968, também em protesto contra a morte de Edson Luís, desencadeou-se a passeata e o comício dos 100 000, da Avenida Rio Branco ao espaço que separa o Teatro Municipal e o Palácio Pedro Ernesto. Os líderes eram Vladimir Palmeira, Franklin Martins e o marinheiro e estudante de Direito Elinor Brito. Na névoa do tempo, Vladimir elegeu-se deputado federal e depois desistiu da política.  Franklin Martins tornou-se ministro da Comunicação do primeiro governo Lula. De Elinor Brito não tenho notícias.

Também em 1968, enquanto os protestos se acumulavam no Brasil e a repressão aumentava, em Paris, governo De Gaulle, os estudantes da Sorbone foram às ruas defender e, ao mesmo tempo, exigir reformas para que se combatesse as desigualdades sociais. Aí entra o filme de João Moreira Salles, “No Intenso Agora”, em exibição em cinemas do Rio. O filme, à medida que os dias passam, vai se tornando um documento excepcional de uma era em que, num primeiro lance, estudantes e operários da Renault uniram-se numa série maciça de protestos pelas ruas de Paris.

UM DOCUMENTO – Várias etapas do movimento, projetadas em sequência, tornam o filme também um documento histórico também importante. Aliás, triplamente importante: primeiro a manifestação conjunta de estudantes bastante cultos e operários; segundo, o recuo dos operários diante do aumento salarial que lhes foi oferecido e destinado pelo poder gaullista. Uma lição que levanta a certeza de que o interesse econômico suplanta a emoção ideológica.

Na emoção ideológica não faltou a presença de Jean Paul Sartre dialogando com o líder do movimento Cohn Bendit sobre questões existenciais envolvendo o poder e as ruas francesas. A tomada de Paris terminaria assinalando a derrota dos estudantes. Mas também a de De Gaulle que, em 1969, renunciaria à presidência após ter derrotado nas urnas um plebiscito sobre uma reforma do ensino.

EM PRAGA – Enquanto isso, na antiga Checoslováquia, desencadeava-se a invasão de tropas soviéticas contrárias à abertura democrática do primeiro ministro Dubcek. A reforma comunista que ficou no sonho passou à história como a primavera de Praga.

Foram episódios que explodiram as esperanças de uma alvorada de reformas. A esperança sempre terá um lugar de raro destaque na história. Sem ela a vida humana perde sentido.

Já que estamos falando de história, em seu tradicional espaço no O Globo e Folha de São Paulo, edições deste domingo, Elio Gaspari informa que o historiador americano R. S. Rose vai lançar uma biografia de Filinto Muller, o odiado Chefe de Polícia da ditadura Vargas, mais tarde Senador pelo PSD de Mato Grosso. Sobre Filinto Muller, existe o livro escrito por David Nasser, “Falta Alguém em Nuremberg”, tribunal que julgou e condenou criminosos de guerra do nazismo.

FILINTO MULLER – Vale acentuar uma informação para corrigir um equívoco que constantemente é relatado a respeito da presença política do Chefe de Polícia no Estado Novo. Ele não caiu com Vargas em 29 de outubro de 45.

Foi demitido três anos antes, em 42, no episódio da passeata da UNE defendendo o ingresso do Brasil na Guerra  contra Hitler e Mussolini, o eixo nazifacista. Submarinos alemães tinham afundado vários navios brasileiros. O Presidente da UNE era Helio de Almeida, mais tarde ministro dos Transportes do governo João Goulart. Helio de Almeida pediu autorização a Filinto Muller para a passeata. Filinto negou. Hélio de Almeida decidiu recorrer ao ministro da Justiça, a quem Filinto Muller era subordinado.

LEITÃO DA CUNHA – Ao chegar ao edifício da Rua México deparou-se com o jovem diplomata Vasco Leitão da Cunha, que acabava de assumir o Ministério porque Getúlio Vargas havia demitido o jurista Francisco Campos. Era o sinal de que Vargas finalmente se decidia pelo alinhamento com Roosevelt e Churchil. Vasco Leitão da Cunha autorizou a passeata.

Filinto Muller foi entregar sua demissão a Vargas no Palácio do Catete. Era março de 42. Vargas aceitou imediatamente a demissão de Filinto.

A história não esqueceu Filinto Muller. Aliás, não esquece nenhum personagem de todas as épocas.

CUT transforma-se em empresa e faz demissões para reduzir a folha de salários

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Charge do Miguel (Jornal do Comércio/PE)

Pedro do Coutto

Surpresa? De fato dá para surpreender a todos, mas revela a face oculta das posições falsamente ideológicas.  Reportagem de Cátia Seabra, na Folha de São Paulo deste sábado, revela a decisão tomada pela CUT de promover em seus quadros de pessoal um programa de demissão voluntária para – acreditem –  diminuir seus gastos com pessoal. O que ela sempre censurou agora adota como prática legítima.

Contradição absoluta, a pretexto de ter recursos cortados com o fim do imposto sindical compulsório. Mas como se trata de uma Central Única dos Trabalhadores, o que sua sigla indica, deveria ter tentado uma mobilização que, em relação a ela, transformasse o compulsório em espontâneo. Não procedeu assim, e colocou em prática uma postura que vem sendo usada pelas empresas estatais e também pelas empresas de capital privado.

DELÚBIO CONFIRMA – O presidente da CUT, Vagner Freitas, disse a Cátia Seabra desconhecer tal decisão, porém ela é confirmada por fatos concretos. Tanto assim que Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, revelou à reportagem já ter aceitado sua demissão. O que se indaga é que logicamente não foi apenas o fim do imposto sindical obrigatório a causa do programa de demissão. Tem-se a impressão de que os recursos que abasteciam a CUT desapareceram também com os processos que atingiram o ex-presidente Lula, consequência normal da perda de poder.

Através do tempo tem-se cada vez mais a certeza da influência decisiva do capital nos desfechos político-administrativos. Tanto é assim que entidades como a CUT, que levantaram a bandeira do reformismo, terminaram evoluindo para o posicionamento conservador que tanto condenam nos outros, mas que adotam para si.

TAMBÉM NO PT – Essa contradição projeta-se também no PT. Lançado como um partido não revolucionário, mas reformista, transformou-se com o acesso ao poder num partido absolutamente conservador. Porque nada mais conservador do que a corrupção, o oposto a qualquer programa legítimo de redistribuição de renda. Pelo contrário.

Nada mais conservador e concentrador de renda do que as propinas pagas por grandes empresários a lideranças políticas, através das indicações destas para formação de quadros administrativos corruptos. Os canais de corrupção atingem fortemente qualquer caminho de solução para problemas sociais que se eternizam.

DIZIA SARTRE – As contradições são de todos, para usar um pensamento de Sartre: são metade vítimas e metade cúmplices do processo existencial. A cumplicidade do PMDB e PT aparece fulgurante na superfície dos fatos.

E a contradição essencial entre capital e trabalho estende-se também a uma outra: o conflito entre a liberdade e a opressão. Basta se recordar o que era o PMDB de Ulysses Guimarães e o que é o PMDB de Romero Jucá, Geddel Vieira Lima e de Michel Temer.

Luciano Huck prefere o PPS e, se for candidato, terá de deixar a Rede Globo

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Huck disse que já conversou até com Marina Silva

Pedro do Coutto

Reportagem de Raphael Di Cunto, Valor, edição de quinta-feira, revela que o apresentador Luciano Huck manifestou sua preferência por ingressar no PPS, num gesto que decepcionou a expectativa do DEM que havia lhe oferecido legenda. Entretanto,  Huck acentuou que espera o apoio do partido de Rodrigo Maia dentro de uma coligação com o PPS. A possibilidade da articulação, de acordo com Di Cunto, gira em torno de uma candidatura à presidência da República em 2018, mas é possível, penso eu, que Huck termine sendo candidato a deputado federal ou a senador. Nitidamente, o objetivo do PPS e do DEM é unir a popularidade do apresentador à campanha eleitoral do próximo ano.

Entretanto, a questão envolve também sua permanência na Rede Globo. Isso porque em nota divulgada pela Veja que está nas bancas e pela Folha de São Paulo de terça-feira, a Rede Globo afirmou que espera, até o final de dezembro, que os integrantes de seu elenco informem se vão ser ou não candidatos às próximas eleições, ou se pretendem participar de campanhas políticas.

DESLIGAMENTO – Se as respostas forem afirmativas, os componentes do elenco da emissora terão seus vínculos com ela desligados. A Rede Globo acentuou também que a medida já se encontra prevista há vários anos no seu regulamento interno e que, por isso, não está colocando o tema apenas em relação a Luciano Huck.

De qualquer forma, ao manifestar preferência pelo PPS, Huck a meu ver está respondendo indiretamente ao aviso que tacitamente recebeu a partir do momento que foram divulgadas informações sobre o posicionamento da Globo em relação à participação política daqueles que lá trabalham.

É possível que, em consequência da decisão da Globo, Luciano Huck deixe de interessar ao PPS, ao DEM ou a quaisquer outras legendas. Porque uma coisa é apresentar um programa de alta audiência, outra é não mais ocupar o espaço tão importante no sistema de comunicação pública. Mas esta é outra questão, embora faça parte da realidade humana conduzindo a convergência de interesses e objetivos.

CONDICIONANTES – Apesar de tais interesses de convergência serem comuns à natureza humana, as empresas possuem condicionantes próprias que lhe são assegurados pela legislação.

As pesquisas realizadas até agora para Presidente da República apontaram entre 3 a 5% das intenções de voto para Luciano Huck dentro de um questionário no qual seu nome constava. Um índice bastante significativo, sobretudo para quem nunca percorreu os caminhos políticos. Foram pesquisas estimuladas pelo Datafolha e pelo Ibope. Pesquisas estimuladas são aquelas em que os entrevistadores apresentam aos entrevistados uma relação de nomes. Pesquisas espontâneas são aquelas em que os entrevistadores perguntam simplesmente às pessoas entrevistadas a tendência de seu voto.

Nas pesquisas espontâneas, Huck não teve pontos assinalados. Isso é natural. Tanto assim que o Ministro Henrique Meirelles, que já admitiu a possibilidade de vir a ser candidato, na pesquisa espontânea também não saiu do 0%.

HÁ MUDANÇAS – De qualquer forma as declarações de Luciano Huck ao Valor trazem reflexo ao quadro sucessório. Tanto assim que o Ministro Mendonça Filho, titular da Educação, figura entre os políticos do DEM que realizam contatos com Huck convidando-o a ingressar na legenda. Isso não implica num insucesso quanto ao salto do apresentador na esfera política. Tanto assim que Mendonça Filho pretende insistir, sobretudo porque, entre as articulações nos bastidores, foi levantada a hipótese de Luciano Huck ser candidato a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin.

Raphael Di Cunto acrescenta que Huck dialoga também com Marina Silva, da REDE. Além disso, Huck é também cogitado a vice de Bolsonaro pelo PSC.

Todos esses convites e articulações se desenvolvem partindo do princípio de que o apresentador permanecerá nas tela da Globo. Telas que atingem diariamente 100 milhões de brasileiros e brasileiras.