Fernanda Montenegro relembra “O Casamento”, romance de Nelson Rodrigues

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Fernanda revive Nelson Rodrigues na TV Globo

Pedro do Coutto

Fernanda Montenegro relembrou na noite de domingo, dentro da série do “Fantástico” sobre a obra de Nelson Rodrigues, o romance “O Casamento”, de 1966, proibido por ato do ministro da Justiça do Governo Castelo Branco, Carlos Medeiros, que reabriu o debate sobre interdições de obras de arte, situação muito comum nos tempos da ditadura militar. Por exemplo, o filme “O Último Tango em Paris”, de Bernardo Bertolucci, com Marlon Brando e Maria Schneider nos papeis principais. A arte atravessou um mau período nos anos de chumbo, valendo lembrar que uma das proibições recaiu sobre a apresentação pela TV Globo dos 200 anos de dança clássica do Teatro Bolshoi… Mas isso passou.

Como todas as obras de arte da História que numa ocasião foram interditadas, “O Casamento” poucos anos depois circulou livremente. O destino é exemplar nesta metamorfose obscurantista. Não existe obra de arte no mundo, ao longo de toda a história, que tenha sido proibida ou censurada e que depois não tenha sido exibida ou circulada livremente.

ÉRAMOS AMIGOS – Eu lembro que, naquela ocasião, meu amigo José Lino Grunewald publicou um artigo no Correio da Manhã em favor de “O Casamento” e no final do texto afirmou com ironia: “O Casamento é muito mais revolucionário do que aqueles que tentam proibi-lo”. Eu era amigo de Nelson Rodrigues e apresentei José Lino ao teatrólogo e romancista. Partiu desse encontro a ideia de Nelson Rodrigues tornar-se memorialista. Mas esta é outra questão.

O fato em si é que Fernanda Montenegro destacou na noite de domingo passagens do romance a visão de Nelson Rodrigues sobre o casamento, tema aliás muito focalizado em sua obra. Está no “Vestido de Noiva”, maior peça do teatro brasileiro de todos os tempos, encontra-se também em “Bonitinha Mas Ordinária”, em “Perdoa-me por me traíres” em “O Beijo no Asfalto”. O romance de 1966, portanto, foi mais uma obra do grande artista de criações múltiplas e profundas.

Como já acentuei em texto anterior, espero que Fernanda Montenegro, uma grande artista, focalize a importância de “Vestido de Noiva”, uma espécie de Cidadão Kane do teatro brasileiro.

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89% QUEREM MICHEL TEMER JULGADO PELO STF

Na edição desta segunda-feira da Folha de São Paulo, Marco Rodrigo Almeida destacou pontos nevrálgicos da mais recente pesquisa do Datafolha, que, além de focalizar o panorama da sucessão de 2018, incluiu também as reações da população brasileira relativas ao presidente Michel Temer e ao ex-presidente Lula. Quanto a Michel Temer, a maioria esmagadora de 89% deseja que ele seja julgado pelo STF, portanto favorável a licença da Câmara para que o processo criminal tenha sequência.

Quanto a Luiz Inácio Lula da Silva, 56% acham que ele já deveria ter sido condenado em definitivo e preso em consequência. Focalizando o tema corrupção no Brasil, um resultado irônico: 44% acham que ela acaba depois da Operação Lava Jato e também 44% sustentam que ela continuará. 9% disseram que ela vai até aumentar e 3% não responderam a pergunta.

Os 9% não levaram em conta a retração natural do empresariado em manter a prática criminosa do suborno. Neste ponto eu lembro a coluna de Nelson Rodrigues na Ultima Hora e O Globo: “A Vida Como Ela É”.

Datafolha fotografa Lula sozinho no espaço vazio da política brasileira

Charge do Simanca (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha publicada neste domingo na Folha de São Paulo, reportagem de Ricardo Baltazar, aponta um favoritismo  bastante acentuado do ex-presidente Lula na sucessão de 2018, sejam quais forem seus adversários tanto no primeiro quanto no segundo turno. Lula alcança 36% contra 16% de Jair Bolsonaro e 14% de Marina Silva.

Nessa ordem assinalam praticamente todas as opções projetadas no quadro sucessório do futuro próximo. Uma coincidência: Geraldo Alckmin e João Dória, nos dois casos alternativos surgem com o mesmo percentual de 8 pontos. Os cenários não se alteram e neles se verifica uma ausência completa de qualquer nome do PMDB.

OUTROS CANDIDATOS – Relativamente à hipótese de Henrique Meirelles vir a ser o candidato do PSD, ele teria apenas 2% das intenções de voto. Com este percentual não daria nem para saída. Estaria atrás até de Ciro Gomes que reune 10% em torno de sua candidatura. A pesquisa projeta também cenários sem a presença de Lula.

Em tal hipótese Marina Silva lidera com 23% seguida de Bolsonaro com 18%. Admitindo-se a hipótese de Luiz Inácio da Silva não vir a ser candidato, se condenado na segunda instância judicial, o PT quase desaparece. Na hipótese de o Partido dos Trabalhadores entrar em cena com Fernando Haddad, o ex-prefeito da cidade de São Paulo ficaria somente com 3 pontos. Só venceria Henrique Meirelles, pois o ministro da Fazenda do Governo Temer, com ou sem Lula na disputa, não se eleva além do segundo andar. Nenhum candidato pode se tornar viável se na prévia registra apenas 3 ou 2 pontos em matéria de reflexo eleitoral.

VAZIO POLÍTICO – Percebe-se na pesquisa do Datafolha, de outro lado, uma rejeição muito forte a Lula, da ordem de 42%. Seguido de uma rejeição a Bolsonaro na escala de 33 pontos. Portanto, percebe-se que Lula e Bolsonaro estão na frente, tanto nas intenções de voto quanto na rejeição a seus nomes. O que significa isso? O vazio do quadro político brasileiro.

O eleitorado não foi capaz de se fixar em qualquer outra candidatura possível. O deserto de opiniões traduz em si um desencanto generalizado com a política e, sobretudo, com os políticos do país. As imagens da fortuna de Gedel Vieira Lima são responsáveis pelo desgaste absoluto do governo Michel Temer e de qualquer saída através do voto, a não ser por intermédio de Lula e Bolsonaro.

Lula sobrevive apesar da condenação que sofreu e dos diversos processos que desabam sobre ele. Bolsonaro representa, de fato, a extrema direita do pensamento político do país. Algo parecido com o que ocorreu nas urnas alemães de 24 de setembro. Os números do Datafolha falam por si. Os candidatos em potencial não estão conseguindo falar pelos eleitores.

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DÍVIDA INTERNA ATINGE 4,7 TRILHÕES DE REAIS

Reportagem de FabrÍcio de Castro e Lorena Rodrigues, em O Estado de São Paulo de domingo, revela que a dívida interna brasileira atingiu no final de agosto a escala de 4,7 trilhões de reais. O total representa praticamente 73% do Produto Interno Bruto. Assim o PIB totaliza atualmente algo em torno de 6 trilhões de reais. Um dado, extremamente crítico, destacado por Fabrício e Lorena: no final de 2013 a dívida interna representava 51% do produto brasileiro.

O avanço percentual é a melhor prova de que a renda nacional concentrou-se ainda mais nos últimos quatro anos. Não há outra explicação. Por isso é difícil acreditar nos números apresentados pelo IBGE, neste ano em que procuram acentuar um crescimento na renda média dos brasileiros. Isso pode acontecer na teoria. Mas na prática, como dizia o senador Benedito Valadares, a teoria muda de face.

Prefeito usa critério subjetivo para aumentar o IPTU no Rio de Janeiro

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Charge sem assinatura (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Luiz Ernesto Magalhães, em O Globo deste sábado, informa que o Prefeito Marcelo Crivella sancionou a lei que estabelece novas regras para o IPTU na cidade do Rio, adotando um conteúdo subjetivo para alcançar o objetivo de elevar o tributo várias vezes acima da taxa inflacionária deste ano. Com isso, a nova lei municipal assume um caráter típico de uma lei delegada ao arbítrio do prefeito e da Prefeitura. Isso porque o reajuste a ser implantado encontra-se em função do que a Secretaria e Fazenda estabelecer para o valor dos imóveis.

A vereadora Teresa Bergher mobilizou o Ministério Público  e pretende recorrer à Justiça contra o aumento que, em muitos casos, atinge 70%, a partir de 2018, em relação ao tributo cobrado para 2017. Ela, entretanto, deverá aguardar a ocorrência de casos concretos para dar base a seu recurso.

ATO ARBITRÁRIO – Avaliar imóveis sem considerar a realidade do mercado constitui um ato arbitrário que se choca com a realidade, não só do valor do imóvel, mas também com a correção inflacionária. Uma contradição evidente é a de que o índice inflacionário deste ano encontra-se estimado pelo IBGE na escala de 3,5%. A elevação do IPTU em 70% significa uma extrapolação da ordem de 20 vezes.

Além disso a lei aprovada eleva de 2 para 3% o Imposto de Transmissão de Imóveis. Não se trata, na realidade, de elevação de apenas um ponto percentual. Trata-se, de fato numa elevação na escala de 50%. O Imposto de Transmissão atinge todos os imóveis, sejam residenciais , industriais, comerciais, de serviços, incluindo as transferências por herança.

A lei, assim, adota dois critérios: o primeiro a ser definido arbitrariamente com a estimativa do valor venal; o outro, o de transmissão com base no valor da operação de compra e venda. Até aí está claro. Porém, nos casos de herança, muito comuns, o pagamento efetivo vai depender do que a prefeitura considerar o valor do imóvel.

REAÇÕES CONTRÁRIAS – Luiz Ernesto Magalhães, no seu texto, destaca também as reações contrárias ao novo cálculo do tributo feitas pela Federação do Comércio e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Lembra a vereadora Teresa Bergher que aumentar IPTU vai recair sobre as locações de imóveis residenciais, uma vez que os contratos de aluguel transferem geralmente esse encargo para os inquilinos.

Portanto tornar-se-á um item inflacionário a incidir no custo de vida da população do Rio de Janeiro.

RECURSO DE AÉCIO – A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmen Lúcia marcou para o dia 11 o julgamento da ação que decidirá se o Senado tem poderes institucionais para rever decisões do Supremo sobre medidas cautelares que impeçam o ir e vir de parlamentares que estão sendo processados. Dessa forma, estabeleceu uma data que ultrapassa em uma semana a possível votação do Senado contra o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) marcada ou para o dia 3 ou para o dia 4 de outubro.

GREVE NA ELETROBRAS – O Sindicato e também a Associação dos Servidores da Eletrobrás marcaram para esta terça-feira dia 3 de outubro, uma greve geral de 24 horas contra projeto de privatização da empresa. No Rio a paralisação abrange Furnas e a Eletronuclear. No resto do país,  engloba a Chesf, Eletrosul  a Eletronorte.

Ibope revela queda progressiva de Michel Temer na opinião pública

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Charge do Clayton (Charge Online)

Pedro do Coutto

Em pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria, reportagem de Eduardo Barreto, O Globo desta sexta-feira, o Ibope revela que o governo Michel Temer bateu o recorde de rejeição junto à opinião pública numa escala de 77% contra apenas uma aprovação de 3 pontos. O fato é espantoso, sobretudo porque ele assinala uma rejeição crescente ao presidente da República e ao seu desempenho à frente do Poder Executivo.

Comparando-se o resultado de pesquisa semelhante realizada a 27 de julho verifica-se um crescimento na escala de 7%. Mas não é só. A percentagem de 59% acentua que a maioria da população considera a administração Temer pior que a da ex-presidente Dilma Rousseff.

INSATISFAÇÃO RECORDE – Portanto não se trata apenas de uma insatisfação referente somente ao atual governo. Mas sim uma rejeição comparativa a um governo, o de Dilma Rousseff, que até ontem era considerado o pior dos últimos tempos. Agora o título de pior dos últimos tempos foi transferido para Michel Temer.

O Estado de São Paulo e o Valor, também nas edições de sexta-feira, publicaram o resultado da pesquisa. Os números publicados ontem coincidem com os da pesquisa da MDA divulgada no início da semana e realizada por iniciativa da Confederação Nacional dos Transportes.

Os números convergem e se confirmam entre si. A situação do Palácio do Planalto é das piores dos últimos tempos.  Tempestade à vista principalmente numa fase que antecede a apreciação da segunda denúncia contra o Presidente da República aceita pelo STF e encaminhada a uma nova apreciação por parte da Câmara dos Deputados.

DESGASTE MAIOR – O Presidente Michel Temer passa assim a ter mais motivos para se preocupar, embora dificilmente as oposições alcançarão a maioria de 342 votos para submetê-lo ao julgamento da Corte Suprema. Difícil, porém desgastante para a imagem do Executivo junto à opinião pública brasileira.

A tempestade desta feita atinge também os Ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco. Tem-se a impressão de que s dependesse do STF, os três personagens seriam levados a julgamento.

Por falar em julgamento o Supremo deverá apreciar na próxima quarta-feira o recurso do Senador Aécio Neves contra a decisão da primeira turma que, por 3 votos a 2 o afastou do exercício do mandato. Na minha impressão o Senado não vai votar matéria contra o STF e sim esperar pela decisão da Corte sobre o recurso do senador.

SEM REVISÃO – Dentro desse panorama devemos admitir que o Supremo dificilmente poderá rever, no Plenário de seus 11 ministros, a decisão dos cinco integrantes na Primeira Turma.

Isso porque qualquer revisão por parte do STF refletiria negativamente em sua imagem institucional. Poderia parecer medo de que o Senado votasse uma resolução anulando o julgamento preliminar.

Nesta altura dos acontecimentos, em plena tempestade, o mais lógico é que o medo se limite aos ocupantes do Palácio do Planalto.

Senado recuou a tempo e evitou se projetar no abismo institucional

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Eunício teve juízo e chutou o problema para frente

Pedro do Coutto

Ao decidir adiar para a próxima semana, que como sempre começa na terça-feira, o Senado Federal, depois de anunciar que iria rebater a decisão da Primeira Turma do STF contra Aécio Neves, recuou de uma colisão frontal com o Judiciário, caso resolvesse anular as medidas que o STF tomou na tarde de terça-feira. Surpreende a posição do ministro Marco Aurélio de Mello, que admitiu a hipótese de o Senado poder sustar matéria julgada pela Corte da qual faz parte. Seria uma iniciativa singular, a qual daria margem a que, com base em tal precedente, tanto Senado quanto a Câmara Federal pudessem julgar o próprio STF, em particular, e a Justiça em geral.

O recuo foi o caminho político mais adequado e, no fundo da questão, significou uma revisão da atitude precipitada colocada em votação na manhã de ontem, quinta-feira. O precedente seria perigosíssimo, a ponto de desestabilizar o quadro institucional do país.

NÃO HAVIA URGÊNCIA – O desastre foi evitado por volta das 12 horas, quando o senador Eunício Oliveira, presidente da Mesa Diretora, anunciou o adiamento. A matéria encontrava-se em regime de urgência. Mas a urgência não era tão urgente assim, tanto que foi transferida para a próxima semana.

Analisando o quadro, a jornalista Natuza Nery, ontem na Globonews, focalizou a sensibilidade do tema e revelou que a defesa do senador Aécio Neves estava preparando um recurso ao plenário do Supremo Tribunal Federal. Se aceito o recurso, a questão, assim seria julgada pelos onze ministros e não ficaria restrita a decisão de apenas cinco deles. Isso porque na Primeira Turma o resultado foi de 3 votos a 2.

Recorrendo ao pleno do STF, Aécio Neves legitima a decisão da Primeira Turma. Tal fato – decorrente de uma ação tácita, evidentemente – poderá ser usado contra qualquer iniciativa do próprio Senado.

MATERIALIDADE – Se alguém recorre explicitamente contra algo, é porque logicamente reconhece a materialidade do fato em si. Dessa forma, o requerimento de urgência na pauta do Senado pode ser dado como prejudicado na próxima semana na Esplanada de Brasília. O recurso de Aécio Neves atravessa o espaço da capital, saindo do Legislativo e pousando no Judiciário, outro edifício em que vêm sendo debatidos aspectos essenciais da Constituição Federal. E não só da Constituição.

Também o Supremo transformou-se em foro privilegiado de personagens acusados de corrupção, como é o caso do senador Aécio Neves. O parlamentar mineiro não consegue que se acredite na versão de que recebeu uma oferta de empréstimo de Joesley Batista, depois de a ele ter oferecido a compra de um imóvel de alto valor de mercado. Mas esta é outra questão.

O fato concreto é que, ao recorrer à Corte Suprema, se tal iniciativa se confirmar, o senador tucano terá deslocado totalmente o prisma de seu julgamento. Com isso,  deixará o ângulo do Legislativo e retornará à lente decisória do próprio Supremo Tribunal Federal. De onde, aliás, não deveria ter saído.

ELETROBRAS –  No artigo anterior, na parte final falei na privatização da Eletrobrás. Isso na quinta-feira. O texto tinha base em afirmação do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. Ontem mesmo, o presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior afirmou ao Valor que ainda não sabia qual o modelo de desestatização a que o ministro  se referia.

Desmoralização de Aécio Neves prejudica a base de apoio a Michel Temer

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Apoio de Aécio era fundamental para Temer

Pedro do Coutto

A decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal, ao suspender o mandato do senador Aécio Neves, sejam quais forem os desdobramentos que vai provocar, sem dúvida alguma representou uma forte deterioração da imagem do presidente licenciado do PSDB, com reflexos na posição do partido em relação à denúncia contra o presidente Michel Temer. Foi um duro golpe desfechado logo no início da articulação desenvolvida pelo Palácio do Planalto para blindar o julgamento do presidente da República pelo STF.

Aécio Neves é senador, mas sua influência no PSDB significava uma base de apoio na Câmara à posição de Temer. Recorda-se que na primeira denúncia de Rodrigo Janot 22 deputados tucanos votaram a favor da continuidade do processo e 21 foram contrários. Na parcela desses 21 registrou-se influência anunciada por parte de Aécio.

AS COISAS PIORARAM – Naquela ocasião, o senador mineiro já estava afastado da presidência nacional do partido, mas estava numa posição muito melhor do que a que se encontra no momento. Inclusive porque as denúncias contra Temer e Aécio tiveram a mesma procedência em matéria de delação premiada. Joesley Batista divulgou gravações feitas no Palácio Jaburu e também na residência de Aécio Neves.

Aécio Neves disse ter apenas aceitado um empréstimo de R$ 2 milhões de reais que pedira ao controlador da JBS. Sua versão evidentemente encontra-se rejeitada pela opinião pública do país. Tanto assim que teve ele de se afastar da direção dos tucanos. Michel Temer foi gravado pelo mesmo Joesley e não apresenta nenhuma explicação. Somente tenta se recolher numa espécie de bunker estratégico de onde se irradiam luzes tornando clara a corrupção desenvolvida.

A matéria que focaliza a decisão do STF afastando Aécio é de Carolina Brígido, em O Globo desta quarta-feira.

COMPRANDO VOTOS – Verbas públicas estão sendo usadas para seduzir votos decisivos. Mas o povo do país não autorizou a realização desse sombrio pagamento marcado pela troca de ações ilegítimas. Um amigo meu, o médico Pedro Campello, em conversa informal, colocou um tema bastante sensível no episódio que se desenrola na Esplanada de Brasília.

Ele diz, com razão, que este era o caso de as oposições recorrerem ao Supremo contra o uso de verbas públicas para fins particulares do chefe do Executivo. Deixo aqui a idéia, que considero legítima e procedente. Afinal, é preciso distinguir bem as causas e seus limites entre o público e o privado. O Presidente Michel Temer, claro, tem pleno direito de defesa. Porém não com utilização de recursos do Tesouro Nacional, como é público e notório.

PRIVATIZAR A ELETROBRAS – Nesta quarta-feira o Valor, em matéria de Rafael Bitencourt, reproduziu declarações do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, sobre o projeto de privatização da Eletrobrás. Disse o titular da Pasta que o modelo final, incluindo a colocação de ações no mercado será entregue ao presidente Michel Temer nos próximos dias. Frisou que a estatal tem ativos avaliados em 170 bilhões de reais. Acrescentou, entretanto, que há necessidade de superar alguns desafios.

Um deles, na minha opinião, está na dúvida se o desafio maior poderá ser ultrapassado com a pulverização das ações da holding. Pulverização capaz de transformar a União de majoritária em minoritária no capital da empresa. Deve-se levar em conta que a manutenção, digamos, de 40% dos papeis, não significa posição minoritária, desde que os outros 60% estejam divididos por vários sócios.

Como tudo é relativo, definição de Einstein, quem possui 40% é dono da maior parte do capital com direito a voto.  Vamos aguardar o modelo final anunciado pelo ministro Fernando Coelho.

Tudo de novo, com Temer negociando com deputados para escapar do processo

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Charge do Tacho (Jornal Novo Hamburgo)

Pedro do Coutto

O título sintetiza e até coloca uma lente de aumento no sistema político que funciona no país, destacando a troca de concessões por votos salvadores e escapistas. O povo, que não é consultado, paga a conta de mais essa ação de suborno e tampouco tem a possibilidade de obter desconto no Imposto de Renda da parte que lhe cabe na história e que no final das contas sai de seu bolso. Aliás, como sempre.

Desta vez a fatura é triplicada, porque além de Michel Temer estão em jogo os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco. Que Rodrigo Maia, presidente da Câmara Federal, defenda a unificação do processo compreende-se com base em sua visão política e seu afinidade com Moreira Franco. Mas surpreende que deixa a entender que a tese tenha sido encampada também pela ministra Carmen Lúcia, Presidente da Corte Suprema. Estou baseando esse comentário na reportagem de Rafael Marques Moura e Breno Pires, O Estado de São Paulo, edição desta terça-feira.

NEGOCIAÇÃO ILEGÍTIMA – A opinião pública deve receber com atenção os próximos passos dos deputados no decorrer do novo processo instaurado contra o Presidente da República. Deve acompanhar com atenção, já que estamos falando em sinal, a tendência que vai separar a opinião pública da negociação ilegítima entre o poder Executivo e o Congresso a se desenrolar na Esplanada de Brasília.

É difícil prever nesta altura dos acontecimentos se a unificação ou separação entre os processos do presidente e dos ministros ajuda ou prejudica o governo Temer diante não apenas do STF, mas também da opinião pública do país. O cenário do poder é desalentador e extremamente crítico.

O plano político reflete-se na esfera econômica. Veja, por exemplo, o custo da dívida pública federal, que é sustentada pelos Fundos de Investimento que absorvem os juros a base de 8,25% a/a sobre o total de 3,4 trilhões de reais. Não podendo pagar em moeda corrente os juros, o governo emite cada vez mais notas do Tesouro Nacional. É o que destaca matéria de Eduardo Campos e Fábio Pupo, edição de ontem do Valor.

As despesas crescentes com as emissões de NTNs é pago pela população de modo geral.

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UM ESCLARECIMENTO HISTÓRICO

O historiador Israel Blajberg, no seu livro “Estrela de David no Cruzeiro do Sul”, que focaliza a presença judaica nas Forças Armadas Brasileiras, esclarece um ponto importante em torno do atentado integralista, então braço nacional do nazismo, ao Palácio Guanabara. A guarda palaciana seria comandada pelo tenente Julio Nascimento, da Marinha, vinculado ao integralismo. Este, no entanto faltou ao serviço no Palácio Guanabara , então residência de Vargas. Foi substituido pelo tenente do Exército Maurício Kicis, que conseguiu deter a invasão e assim mudar o que poderia ser um desfecho trágico na história do Brasil.

O desfecho trágico de Vargas só ocorreria 16 anos depois em agosto de 1954. Em 1938 Vargas era ditador. Em 54 seu poder viera das urnas de 1950. Fica aqui portanto este esclarecimento.

O amor, na visão de Nelson Rodrigues, Vinicius de Moraes e Oduvaldo Matta

Resultado de imagem para sob a luz de antaresPedro do Coutto

Enquanto não se define o rumo da segunda denúncia de Rodrigo Janot contra Michel Temer, e na cidade do Rio de Janeiro a polícia não prende o homem que é apontado como responsável maior pela invasão da Rocinha, vamos deixar um pouco o campo de Marte para ingressarmos na atmosfera da arte. Na noite de domingo, Fernanda Montenegro apresentou mais um capítulo dirigido por ela sobre Nelson Rodrigues, o homem e sua obra. Desta vez o amor foi o tema, faixa da emoção que envolveu várias peças teatrais do autor de Vestido de Noiva.

No campo da arte, sobre o mesmo tema nos encontramos com Vinicius de Moraes, que, como ninguém focalizou e destacou a importância essencial do amor na condição humana.

No mesmo sentido, campo do amor, podemos incluir a obra do poeta Oduvaldo Matta.

A LUZ DE ANTARES – As obras de Vinicius de Moraes encontram-se contidas na bela edição da Companhia das Letras, que recentemente chegou às livrarias. Apresentação de Eucanaã Ferraz. As obras de Oduvaldo Matta foram relançadas há cerca de 60 dias pela Editora Autografia: “Sob a luz de Antares” é o seu título – e Antares, no poema central, ao mesmo tempo estrela e mulher.

Luz do céu que se transforma em amor, assim ilumina a existência. O livro de Oduvaldo Matta foi editado por seu bisneto Daniel Matta Roque e também por seu filho Olímpio Santa Rita Matta. Bela viagem, digo eu, entre o amor e as estrelas. Vale a pena ler e, sobretudo, sentir a força dos versos.

Nelson Rodrigues nasceu em 1912 e morreu em 1980. Vinícius de Moraes nasceu em 1913 e morreu no mesmo ano da morte de Nelson Rodrigues. Oduvaldo Matta nasceu em 1903 e faleceu em1977. Aproveitando a imagem que partiu do pensamento de Guimarães Rosa, os três artistas permanecem encantados. A arte produz esse efeito. Eis dois exemplos: em Buenos Aires houve-se a voz de Gardel constantemente. Em Lisboa o mesmo fenômeno se dá com Amália Rodrigues. Na Itália hão de surgir outros exemplos. Como o de Frank Sinatra em Nova Iorque. A arte continua além de seus autores e intérpretes.

DIFERENÇAS – Mas há diferenças entre eles. Para Nelson Rodrigues, os casos de amor são base de conflitos. O mesmo pode se dizer de Shakespeare, bastando para isso expor as tragédias de Otelo e de Romeu e Julieta. Não se trata de rejeição ao amor, mas sim dos obstáculos e conflitos que têm origem nos encontros e desencontros do destino.

Para Vinícius de Moraes e Oduvaldo Matta, o sentimento declina para o lirismo, como comprovam as múltiplas músicas inspiradas em suas letras e musicadas por alguns gênios, como é o caso de Tom Jobim.

O amor para Vinícius, em sua frase clássica, diz tudo: que seja infinito enquanto dure. Uma beleza sua obra que toca a emoção como poucas. A obra de Oduvaldo Matta possui forte carga no lirismo que o inspirou, como o poema “Quando a Saudade Vier Me Visitar”, ou “No Espaço Vazio da Despedida”, passando pelo “O Mar, Apelo , Neve do Tempo”, sem se distanciar da ‘Estrela de Antares”. Mas Oduvaldo Motta não se limitou a poesia de rimas. Há poesia em seus ensaios como “Água dos Rios” e “Alvorada”.

No final de sua obra, agora relançada, existem ainda peças como “Balanço de Uma Vida”, “Espectador Sereno do Mundo”, “Retrato” e sua despedida “A Última Reflexão”.

São histórias de amor todas elas sublinhadas pela beleza da arte e pela emoção humana.

Temer com 94% e Aécio com 88% lideram os índices de desaprovação

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Pesquisa do Instituto Ipsos publicada no Estado de São Paulo deste domingo, reportagem de Adriana Ferraz e Gilberto Amêndola, revela que o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves são os políticos com maior índice de desaprovação junto à opinião pública, bem distantes  dos demais colocados no levantamento. O Ipsos concluiu a pesquisa nos últimos dias e os números mostram, por outro lado, que a opinião pública está acompanhando de perto os episódios da Operação Lava Jato e os reflexos no Supremo Tribunal Federal. Caso contrário as percentagens de rejeição não seriam tão elevadas como são.

A desaprovação do ex-presidente Lula, por exemplo, ficou em 58%. A de Geraldo Alckmin atingiu 75%, superior à desaprovação de João Dória, que ficou em 58 pontos. Uma surpresa a desaprovação do Ministro Henrique Meirelles, na escala de 68%. Sua figura não é do agrado popular, uma vez que somente 3% aprovam suas ações. Jair Bolsonaro é reprovado na escala de 63% e aprovado pela fração de 19%. Por coincidência, o mesmo índice que alcançou na pesquisa do MDA publicada recentemente.

DORIA E LULA – João Dória é desaprovado por 63 e aprovado por 19%. Sua posição, na pesquisa, é melhor do que a do governador de São Paulo, cuja aprovação é de 13 pontos.

Lula é desaprovado por 58%, mas aprovado por 40%. Em relação a ele, a taxa de desconhecimento é de apenas 2 pontos. A pesquisa quanto à tendência de voto do MDA coloca-o a frente dos demais candidatos em potencial. Marina Silva tem sua atuação desaprovada por 60% e aprovada por 28, 12% desconhecem seu trabalho.

Para se ter uma ideia de como a corrupção sensibiliza a opinião pública, o ministro aposentado Joaquim Barbosa é aprovado por 41% e desaprovado por 38%. O juiz Sérgio Moro é aprovado por 48% e desaprovado por 45%. Como se vê, os números refletem em si o grau de interesse que a operação Lava Jato desperta na população.

CIRO GOMES – É claro que a pesquisa do IPSOS faz um levantamento geral das principais figuras públicas e entra nessa generalização o ex-ministro Ciro Gomes, desaprovado por 64% e ignorado pela fração de 24 pontos.

A pesquisa funciona para colocar em destaque  uma espécie de termômetro, a medir a vontade popular bem como, vale notar, o grau de simpatia e antipatia que os personagens despertam. As situações são diversas mas o Ipsos mediu o reflexo popular contido nas respostas que obteve.

Uma delas envolvendo o ministro Henrique Meirelles, cuja candidatura à Presidência em 2018 foi lançada por parte do PSD. Matéria de Pedro Venceslau, Valmor Hupsel Filho e Adriana Ferraz, também no Estado de São Paulo analisa o episódio. A bancada da legenda na Câmara foi responsável pela colocação do nome de Meirelles no panorama da sucessão de 2018. Setores da direção partidária consideraram precipitada a iniciativa da bancada.

NA TEVÊ – Confirmando a pré-candidatura, o ministro Henrique Meirelles será o personagem principal do programa do PSD na televisão que vai ao ar no mês de dezembro. Precipitação ou não, surgiu mais um candidato para as urnas de outubro de 2018.

Vamos ver como o governo Michel Temer reagirá ao fato. Difícil prever, porque Michel Temer, Moreira Franco e Eliseu Padilha tornaram-se alvo do STF, através da lente da Câmara dos Deputados.

E se a Câmara mandar o STF julgar separadamente os ministros Padilha e Moreira???

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Padilha e Moreira podem se tornar “bois de piranha”

Pedro do Coutto     

O Supremo Tribunal Federal precisa de autorização da Câmara dos Deputados para processar e julgar ministros de Estado, que se aplica também ao Presidente da República. Mas se abriu uma polêmica quanto a Eliseu Padilha e Moreira Franco, acusados pela Procuradoria-Geral da República junto com Temer, em denúncia já aceita pelo STF. A questão de separar Michel Temer desses dois ministros terá que ser resolvida pela Comissão de Constituição e Justiça, embora a Mesa Diretora, presidida por Rodrigo Maia, tenha encaminhado o processo conjuntamente.

Reportagem de Igor Gadelha e Daiane Cardoso, em O Estado de São Paulo deste sábado, focaliza o assunto e coloca em debate o tema objeto da controvérsia. Parte da base do governo está defendendo a separação dos processos: o presidente da República de um lado e os ministros de outro. Essa divisão enfraquece a posição de Moreira Franco e Eliseu Padilha, é claro.

FORO PRIVILEGIADO – O foro dos ministros é especial, mas começa e acaba na esfera da Corte Suprema. O deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), presidente da Comissão de Constituição e Justiça vai opinar sobre a matéria no momento em que escalar o relator. Rodrigo Pacheco, quando da primeira denúncia contra Michel Temer escalou o deputado Sérgio Zveiter para a tarefa. A divisão da base do governo no assunto pode expor os ministros Franco e Padilha ao julgamento direto que os envolvem nas denúncias de corrupção. A decisão que a CCJ tomar, seja qual for, vai produzir grande reflexo político.

Sob o prisma de Michel Temer, a separação o ajuda, ao contrário de a unificação porque será difícil, não só para a Comissão de Justiça, mas para o Plenário empenhar-se na tarefa impopular de blindar não só um personagem, mas três acusados de crimes comuns.

OUTRO ADVOGADO – De outro lado, o processo contra Michel Temer ganhou nova versão, esta decorrente de o advogado Mariz de Oliveira ter se considerado impedido eticamente de permanecer, uma vez que já advogou para Lúcio Funaro em 2016, exatamente quando este o procurou para articular a perspectiva de obter uma delação premiada.

Agora, nessa delação premiada, Lúcio Funaro tornou-se o principal delator do presidente Michel Temer. Uma contradição que envolve Antonio Mariz de Oliveira nas curvas de um sinuoso processo criminal. Entretanto, além disso, Mariz de Oliveira, em seu recurso ao Supremo para impedir liminarmente a iniciativa Do procurador Janot, aliás endossada por Raquel Dodge, acarretou uma derrota de 10 votos contra um no plenário da Corte.

O Presidente da República muda de advogado, mas não pode mudar o palco da questão.

Forças Armadas enfim mobilizadas para salvar da insegurança o Rio de Janeiro

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Forte presença dos militares pode inibir a violência

Pedro Coutto

A insegurança na Cidade do Rio de Janeiro atingiu uma escala altíssima nesta sexta-feira, especialmente na Rocinha, ao ponto de as Forças Armadas terem de ser mobilizadas para garantir segurança pública ameaçada por bandos criminosos ligados ao tráfico de drogas e de armas. A situação vem se tornando cada dia mais grave sem solução por parte do governo de Luiz Fernando Pezão. Após desencontros entre o governador e o ministro da Defesa, Raul Jugmann, o esquema militar foi ostensivamente implantado em torno da Rocinha após horas de angústia e medo ao longo do dia.

Mas a violência não se restringiu apenas a esse local da Zona Sul da cidade. Estendeu-se ao Morro Dona Marta em Botafogo, ao Chapéu Mangueira no Leme. Na véspera, um assalto na Lapa culminou com o assassinato da vítima. Este o panorama crítico de uma cidade em descontrole. Tanto assim que Exército teve que ser convocado para evitar que a onda de violência crescesse.

ALÉM DO LIMITE – Não há dúvida de que já foi ultrapassado o limite que separa a segurança da insegurança, a ordem da desordem, a vida humana e a iminência da morte. E tudo é resultado de omissões sucessivas e de problemas decorrentes da corrupção que nos últimos anos foi tomada por uma volúpia insaciável.

Esses fatos se acumularam no panorama e na consciência de uma cidade que sedia o festival Rock in Rio. Não poderia ser pior o momento para verdadeira explosão que ocorreu na Rocinha. Os estilhaços da incompetência e do roubo aos bens públicos cintilaram no final da tarde de ontem, ofuscando as luzes da festa internacional. Isso leva a pensar na vinculação dos fatos entre si e o resultado que produzem para todos. Quando a insegurança, avança a vida humana se retrai naturalmente num movimento de defesa.

MAUS GOVERNOS – Difícil é retomar o clima de um passado na vida do Rio separado pelo tempo e por desastres em sequência. Desastres que começam na ação de governantes e termina na angústia dos governados.

Enquanto o Rio enfrentava o confronto entre a ordem e a desordem, em Brasília (reportagem de O Estado de São Paulo de sexta-feira, assinada por Vera Rosa, Felipe Frazão, Tânia Monteiro e Carla Araujo) o presidente Michel Temer precipitava-se para tentar conter uma cisão na sua base parlamentar, consequência das fortes críticas do deputado Rodrigo Maia à ação principalmente dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco no sentido de esvaziar a legenda do DEM em sua representação na Câmara Federal.

No momento em que a segunda denúncia da Procuradoria Geral da República chega à praça dos Três Poderes, o presidente da República teme perder os votos  que podem livrá-lo do novo processo criminal no Supremo. E Temer não está sozinho como alvo da denúncia. Encontra-se ladeado pelos ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha. Os mesmos que se empenham por esvaziar o apoio ao presidente na Câmara dos Deputado.

Tentar o bloqueio da nova denúncia foi mais uma derrota para Temer no STF

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Mariz está levando uma pancada atrás da outra

Pedro do Coutto

O recurso do presidente Michel Temer, apresentado pelo advogado Mariz de Oliveira para bloquear de plano a nova denúncia criminal, ao contrário do que pretendia, ampliou sua derrota no Supremo Tribunal Federal. Este aspecto tem grande importância política, porque na primeira representação de Rodrigo Janot o processo foi encaminhado à Câmara Federal pelo despacho monocrático do Ministro Edson Fachin. Agora, esta semana, a nova representação foi homologada por grande maioria de votos. O recurso de Mariz de Oliveira, ao contrário do que previa, causou efeito absolutamente contrário. Com isso, agravou-se o quadro que envolve Michel Temer e inclui os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, acusados de terem recebido 13,3 milhões de reais da Odebrecht.

O assunto foi manchete de O Globo, Folha de São Paulo,O Estado de São Paulo e o Valor, edições desta quinta-feira. No Globo, reportagens de Carolina Brígido e Vinicius Sassine focalizam os dois ângulos mais críticos do processo em curso. Com uma agravante: a nova Procuradora Geral da República, Raquel Dodge entregou memorial a todos os ministros da Corte Suprema apoiando a iniciativa de seu antecessor, Rodrigo Janot. O Ministro Gilmar Mendes ficou solitário ao lado da tese de Mariz de Oliveira.

O resultado da votação iniciada na quarta-feira vai influir fortemente na dificuldade que o Presidente da República terá de negociar novamente com a Câmara dos Deputados a obstrução do processo penal contra si mesmo.

DIFICULDADE – Para acentuar esta dificuldade destacam-se dois fatos incluídos no debate. O primeiro, objeto de reportagem de Raphael Di Cunto e Marcelo Ribeiro, Valor, revela que a base aliada do governo na Câmara ameaça romper com o governo se Michel Temer aceitar o veto do Ministro Henrique Meirelles ao projeto que reescalona as dívidas tributárias de empresas rurais e urbanas. Trata-se da medida provisória 783 que se encontra em tramitação. Dificuldade à vista para o Governo.

O segundo aspecto que vale ser ressaltado é o fato de o Ministro Alexandre de Moraes, nomeado recentemente por Temer, ter votado contra o recurso do advogado Mariz de Oliveira, que se tornou também um grande derrotado no Plenário da Corte Suprema.

Portanto, Michel Temer encontrará pela frente obstáculos políticos mais consolidados do que aqueles que marcaram o desfecho da primeira denúncia.

IMPOPULARIDADE – Por falar em dificuldade, pesquisa da MDA encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes, objeto de reportagem de Bruno Peres e Lucas Marchesini, Valor de quarta-feira, aponta uma grande impopularidade de Michel Temer uma vez que 75% da população classifica seu desempenho como negativo, enquanto apenas 4% consideram positivo. Para 94% da opinião pública, o Brasil encontra-se em crise política.

Para as eleições de 2018, Lula lidera com 32% contra 19,4 pontos de Jair Bolsonaro. Um dado que vale a pena ser estudado está na disposição de 19% estarem dispostos a anular o voto ou votar em branco. A pesquisa que alterna Geraldo Alckmin e João Dória aponta 9,4% para o Prefeito e 8,7 para o governador de São Paulo. No panorama geral, Marina Silva surge com 12%.

Este é o quadro atual e seu reflexo na disposição de votar. Vamos aguardar as pesquisas do Ibope e do Datafolha.

Diante do silêncio de Pezão, traficantes propõem um pacto para segurança pública

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Mesmo preso, o traficante Nem manda na Rocinha

Pedro do Coutto

O governador Luiz Fernando Pezão, além de atrasar incrivelmente o pagamento mensal dos funcionários, à espera de ajuda federal, está se notabilizando pelo absoluto silêncio em relação as violentas explosões de insegurança nas ruas e nas estradas, pois se mantém inerte diante do “terror no asfalto”, retratado pela reportagem de Bruno Alfano, Daiana Rezende e Gabriel Oliveira, em O Globo desta quarta-feira – bandido assalta e mata aposentada em Niterói; tiroteio no Shopping Rio Sul, neste caso com a morte do criminoso; bando armado de fuzis invade Hospital do Fundão e médicos foram tornados reféns.

Diante do quadro caótico de insegurança em que se encontra-se a população da cidade do Rio, o prefeito Marcelo Crivella deve estar preocupado e sentindo os efeitos da onda de descontrole urbano. O Rio, como dissemos ontem aqui na Tribuna, tornou-se uma cidade aberta ao crime e a violência. O panorama conduz à perplexidade.

DIÁRIO DA VIOLÊNCIA – A tal ponto chegou o vandalismo que O Globo lançou em suas páginas o que classificou de “diário da violência”, um espaço que destaca frontalmente o desmonte da política de segurança do estado.

Nesse panorama, advogados criminalistas chegaram a se reunir – segundo reportagem de Vera Araujo, O Globo de terça-feira – para propor uma estranha solução destinada a restabelecer a segurança pública. Seria um pacto a ser celebrado pelo poder público com chefes criminosos que se encontram presos.

Como a Prefeitura do Rio insere-se entre os poderes públicos, deixo a sugestão de opinar sobre a matéria para a vereadora Tereza Bergher, que há poucas semanas deixou a Secretaria Municipal de Assistência Social para votar contra o aumento do IPTU. Uma vereadora atuante como ela tem a oportunidade de trazer uma contribuição municipal para defesa da liberdade pública nas ruas, nas praças e nos parques do Rio.

ADVOGADO DE NEM – O pacto sombrio entre os bandidos e o governo estadual está sendo coordenado pelo advogado Jaime Fusco, que defende o traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, conhecido como Nem e que, segundo o noticiário, mantém sua influência na área da Rocinha, apesar de sua reclusão na penitenciária de Rondônia.

A proposta espantosa significa o enfraquecimento ainda maior do governo estadual. Vejam bem. Os criminosos separados da vida da cidade pelas portas da prisão continuam em condições de influir decisivamente para conter os assaltos e assassinatos em série que têm lugar nas vias urbanas da cidade.

O tema insólito foi pauta de uma entrevista de Jaime Fusco com o jornalista Ricardo Boechat, no programa da Band News. A rádio Band News está alcançando índices muito altos de audiência, principalmente nos táxis que cortam a cidade. Jaime Fusco afirma que a proposta é urgente e necessária para desarmar a bomba relógio em que se transformou o panorama carioca e fluminense.

O QUE DIZ PEZÃO? – Vamos ver se o governador Luiz Fernando Pezão sai da esfera do silêncio e se pronuncia a respeito. Só o fato de tal proposta ter sido colocada à mesa da decisão já revela uma dupla falência: a da segurança pública e a do sistema penitenciário estadual e federal.

Um outro assunto: O repórter Bruno Dutra, em O Globo de ontem, informa que o INSS pagou aposentadorias a 1.256 pessoas mortas durante 12 anos. Este fato deve ser do conhecimento do Ministro Henrique Meirelles e talvez faça com que ele tome providência concreta para conter o prejuízo das falsificações, ao invés de pressionar o Congresso para implantar uma reforma previdenciária que dificulta as aposentadorias legais.

Na verdade o déficit do INSS encontra explicação na ilegalidade. A sonegação por parte de empresas e a não fiscalização é que tornam o INSS alvo de roubos em sequência.

Procuradora Raquel Dodge não pode recuar e nem frear a Lava Jato no Supremo

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Raquel Dodge citou a palavra “corrupção” sete vezes

Pedro do Coutto

O título acima é a síntese da realidade que envolve a nova procuradora-geral da República. Ela não pode recuar na PGR, muito menos conter o desfecho da Operação Lava Jato, que já se encontra na pauta do Supremo Tribunal Federal. Hoje, quarta-feira, inclusive o Plenário do STF vai apreciar o recurso de Mariz de Oliveira, advogado de Michel Temer, que tenta bloquear a tramitação da segunda denúncia criminal contra o presidente da República. Decisão importante a que for concretizada hoje, a menos que algum ministro peça vista da matéria. Afastada tal hipótese, que seria uma possível iniciativa de Gilmar Mendes, o julgamento se revestirá de importância muito grande no quadro político do país.

Mas voltando a Raquel Dodge, com base em seu discurso de posse (texto integral na reportagem de Beatriz Bulla, Rafael Moraes Moura e Carla Araujo, em O Estado de São Paulo de terça-feira) não parece ser seu propósito estacionar a Operação Lava Jato na PGR, muito menos frear seu ritmo na Corte Suprema. Aliás, na verdade ela não poderia fazer nem uma coisa nem outra.

FATOS CONSUMADOS – A denúncia contra Michel Temer já foi enviada ao Supremo. O processo, assim, não depende mais da alçada da Procuradoria Geral. Raquel Dodge pode, isso sim, não se pronunciar sobre a matéria quando ela se encontrar na votação decisiva. Mas o silêncio é uma coisa. A ação concreta é outra. Não se confundem.

Nem a Procuradora Geral se confundiu ao discursar na presença de Michel Temer. Em seu discurso, encontra-se uma frase marcante: “O povo cobra e não tolera a corrupção”. E acrescentou que “no Ministério Público temos o dever de cobrar dos que gerenciam o gasto público que o façam em modo honesto, eficiente e probo, a ponto de restabelecer a confiança das pessoas nas Instituições de governança”.

Ao citar o verbo restabelecer, Raquel Dodge tacitamente reconhece que o modo honesto não se encontra nas atividades públicas. Caso contrário ela não diria “restabelecer”, logicamente, e sim manter o modo honesto.

DEPURAÇÃO – Em outro trecho a Procuradora Geral destacou que “o país passa por um momento de depuração.Os órgãos do sistema de administração da Justiça têm no respeito e harmonia entre as instituições a pedra angular que equilibra a relação necessária para se fazer justiça em cada caso concreto.”

Raquel Dodge fez questão de cumprimentar Rodrigo Janot por seu serviço a Nação. “A nenhum de meus antecessores faltou a certeza de que o Brasil seguirá em frente, pois esta é a esperança do povo”. A palavra corrupção foi citada sete vezes, acentuando, portanto, dimensionamento da batalha que Raquel Dodge espera que se trave contra esse crime. O Ministério Público, fiscal da Constituição e das leis deve zelar pela dignidade de cada pessoa, uma vez que a dignidade humana é essencial para a existência das nações.

FATOS POLÍTICOS – A semana na qual estamos começou plena de fatos políticos. Além dos que se referem à Lava Jato, devemos acrescentar a iniciativa do Ministro Raul Jungmann, relativa ao pronunciamento do general Antonio Hamilton Martins Mourão. Uma matéria da repórter Tânia Monteiro, de O Estado de São Paulo, revela que o ministro da Defesa contatou o general Eduardo Villas Bôas para pedir explicações sobre o pronunciamento do general Martins Mourão.

Como se sabe, o general Mourão afirmou: “Ou as instituições solucionam o problema político ou então nós teremos que impor isso”.

A questão em foco possui semelhanças com o caso do coronel Jurandir Mamede, que levou ao movimento político militar de 11 de novembro de 1955. Mas este já é outro assunto.

Rio, cidade aberta ao crime e agora até à guerra de bandos rivais

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A PM chegou depois que o combate havia terminado

Pedro do Coutto

O título, claro, está inspirado no clássico do neorealismo italiano “Roma, Cidade Aberta”, de Roberto Rosselini, que incluiu cenas dos últimos combates entre as forças aliadas e as nazifascistas derrotadas. O Rio de Janeiro transformou-se numa cidade aberta aos criminosos, levando ao confronto não só com forças policiais mas também entre bandos, como focalizou a excelente reportagem de Ana Clara Veloso, Carina Bacelar, Rafael Soares e Ana Beatriz Marin, em O Globo desta segunda feira. Era a guerra da Rocinha, que se estendeu por cinco horas sem que as forças estaduais de segurança aparecessem para combater a insegurança da  população, que teve que evitar o trânsito em frente à favela conflagrada. Com isso, o crime ganhou mais um episódio.

A reportagem assinala que bandos a serviço de traficantes, procedentes de outros pontos da cidade, invadiram a Rocinha desfechando milhares de balas que terminaram causando uma morte e vários feridos. Vejam só a que ponto chegou a guerra no Rio e a falência do governo Luiz Fernando Pezão. Onde estava o Secretário de Segurança? Onde estava o ministro Raul Jungman titular da Defesa, mas que foi incapaz de ordenar, como era de seu dever, a defesa da cidade.

MERCADO DAS DROGAS – O território da Rocinha, pela sua dimensão, é alvo de traficantes de outras localidades, em busca de cada vez mais espaço para colocação de seus produtos no mercado intoxicante das drogas, que apresenta infelizmente alto consumo, não só no Rio e São Paulo, mas em grande número de cidades brasileiras. Vale acentuar que tal consumo, como os fatos assinalam. alastra-se por uma série de países. O problema é universal.

Mas isso não quer dizer que o poder público não deva cumprir a obrigação que a lei estabelece. O governo Pezão, que chega ao ponto de atrasar os vencimentos do funcionalismo estadual, não tem justificativa para se ausentar por completo da batalha de domingo, que é sem dúvida mais uma da série de confrontos e conflitos que deixam a população em pânico.

ROCK IN RIO – O domingo foi teatro da catástrofe que decretou a falência do Palácio Guanabara e, pior, quando se realizava o Rock’n Rio na Barra da Tijuca. Péssima propaganda para o turismo carioca e brasileiro. Péssima mensagem que os artistas internacionais que se apresentam na cidade de Roberto Medina  vão levar para seus países.

Aliás, já levaram porque cenas do festival de Rock já foram reproduzidas nas televisões no mundo de modo geral, inevitavelmente adicionadas a guerra urbana deste domingo.

Essa verdadeira guerra urbana se desencadeia todos os dias no Rio de Janeiro, tornando-se exceção o dia em que o noticiário policial não destaca um confronto armado em morros e comunidades cariocas. O crime ganha espaço. O governo encontra-se acuado, inoperante e impotente.

ERA DO PÂNICO – Mais acuada ainda encontra-se a população que paga impostos e também paga com sua vida e com sua integridade os assaltos que se multiplicam no Rio.

A soma desses fatores extremamente críticos influem no comportamento coletivo. Os cariocas vivem uma era de pânico.

Pânico nas ruas, como no filme de Elia Kasan, pânico nas residências. Perplexidade em todos os setores. Uma outra escala do neorealismo sufoca a cidade.

Prazo para Joaquim Barbosa e João Dória se filiarem termina no dia 7 de outubro

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Doria só tem três semanas para trocar de partido

Pedro do Coutto

Enquanto o Congresso Nacional não vota a reforma política, o prazo para as inscrições partidárias que habilitem as candidaturas às urnas de 2018 termina exatamente no próximo dia 7 de outubro. Isso porque a legislação eleitoral em vigor estabelece o mínimo de 12 meses de filiação partidária para os que decidirem concorrer às eleições. Reportagem de Cristiane Jungblut e Carolina Brígido, em O Globo deste domingo, destaca muito bem a existência de impasses envolvendo o projeto apresentado como voltado para a reforma política.

Um impasse marcante é o que se refere às coligações nos pleitos proporcionais, como é o caso da Câmara Federal, Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores. Para o ministro Luis Roberto Barroso, as coligações nas disputas proporcionais violam um dos princípios básicos da Constituição Federal. Por isso, as repórteres colocam em destaque a perspectiva de a reforma política terminar sendo fixada pelo Supremo Tribunal Federal.

PRAZO DE FILIAÇÃO – Mas o prazo de filiação partidária exigido não se encontra em discussão, é matéria pacífica. Assim, por exemplo, se o ministro aposentado Joaquim Barbosa desejar concorrer ao próximo pleito, terá que ingressar numa legenda partidária até 7 de outubro. Isso de um lado. De outro, se o Prefeito João Dória desejar ser candidato à Presidência da República, terá que fazer o mesmo.

Relativamente a João Dória, ele pode não trocar de legenda, permanecendo no PSDB. Porém, neste caso corre o risco de não ser escolhido candidato pelos tucanos e assim, após 7 de outubro perde a perspectiva de 2018, adiando-a para 2022. O prefeito João Dória, entretanto, pode concorrer no ano que vem ao governo de São Paulo pelo PSDB, ou tentar sua reeleição em 2020. Mas esta é outra questão.

O problema essencial está basicamente voltado para 7 de outubro, não só para Joaquim Barbosa ou João Dória, mas para todos os que se julgarem em condições de concorrer ao pleito. Novos candidatos que surgirem terão pela frente esse mesmo prazo. O limite serve também para os que possuem mandato e desejarem trocar de legendas.

UMA RESSALVA – O prazo de 7 de outubro, portanto, é fundamental. Não existe hipótese de vir a ser reduzido, até a Atal legislação é inflexível. Há apenas uma ressalva: a que se refere aos magistrados, que poderão se inscrever partidariamente até 6 meses antes das eleições. Mas para isso terão que se aposentar ou se afastar dos quadros judiciais. Seria o caso aplicado ao Juiz Sérgio Moro, que, se fosse candidato a deputado, teria sua eleição assegurada por grande quantidade de votos. Mas não parece ser esta a sua vontade.

Joaquim Barbosa, se concorrer a Câmara Federal, recebera uma votação consagradora das urnas. Afinal de contas, a prisão/condenação de ladrões de casaca começou com ele. Sua presença nas eleições fortaleceria qualquer legenda que homologasse sua candidatura.  Esse rumo será totalmente decidido daqui a três semanas.

CONTAS NO VERMELHO – Por falar em rumo, não é nada favorável o rumo verdadeiro das contas orçamentárias do governo federal. Reportagem de Flávia Lima, na Folha de São Paulo de domingo, destaca pesquisa do Instituto Fiscal Independente, órgão do Senado Federal, apontando que as renúncias fiscais concedidas pelos governos Dilma Rousseff e Michel Temer alcançam 284,8 bilhões de reais em 2017. Esse montante corresponde a 4,3% do Produto Interno Bruto. O mais grave é que apenas a fração de 16% dos incentivos têm prazo para acabar este ano. Os 84% restantes possuem prazo mais longo, o que bloqueia sua suspensão.

A perspectiva para 2018, portanto, permanece no patamar de 284 bilhões relativo às desonerações. Detalhe: não há desonerações para pessoas físicas. Aliás, desoneração é sempre restrita às empresas, entre elas os bancos.

Torquato teve de manter Daiello, que acusou Temer de ser o chefe da corrupção

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Daiello deu impressionante demonstração de força

Pedro do Coutto

Enquanto Rodrigo Janot se despedia da Procuradoria Geral da República, o ministro Torquato Jardim anunciava que Leandro Daiello estava mantido no cargo de Diretor Geral da Polícia Federal, por coincidência na semana em que Daielo acusou o presidente Michel Temer de ser o chefe do bando da corrupção. Os repórteres Fábio Serapião e Vera Roda,  em O Estado de São Paulo de sábado, destacaram a iniciativa do titular da Justiça de assegurar a continuidade de Daiello. “Não me pareceu adequado que o diretor Geral da PF se afastasse agora” – ressaltou Torquato Jardim.

O Ministro da Justiça, se desejasse, poderia não dizer nada e assim manter Daielo no cargo. Mas no momento em que, com base no trabalho investigativo da PF, Rodrigo Janot encaminha a segunda denúncia de corrupção contra o presidente da República, seja qual for a interpretação do ato, ele inevitavelmente surpreende e se revela como mais um fator contrário ao governo.

UMA QUADRILHA – As acusações preparadas pela Polícia Federal não se restringem ao Presidente da República, na verdade estendem-se aos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, além de incluírem Geddel Vieira Lima, Rodrigo Rocha Loures, o advogado José Yunes e outros personagens próximos a Michel Temer e que, de acordo com a Revista Veja que está nas bancas, formariam a Rede organizada da quadrilha.

A semana que se inicia terá grande reflexo político no destino do Palácio do Planalto. Quarta-feira o Supremo Tribunal Federal incluiu em sua pauta o julgamento de duas questões de alta importância: a primeira refere-se à petição do advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz, voltada para impedir que possa tramitar a denúncia de Rodrigo Janot contra o presidente da República. O advogado Mariz de Oliveira não recorre contra o conteúdo da matéria e sim para impedir liminarmente sua apresentação. E o segundo julgamento é relativo à validade das provas decorrentes das delações de Joesley e Ricardo Saud, independentemente da manutenção ou não da impunidade dos executivos da JBS.

TEMAS POLÊMICOS – São matérias de alta sensibilidade, na medida em que reduzem o poder do procurador-geral da República e separam as delações dos delatores. Os delatores podem perder as vantagens obtidas por suas delações, porém as delações podem permanecer como provas materialmente válidas para o curso das ações criminais contra os corruptos e os corruptores.

O que o STF decidir marcará passo importante para o desdobramento da crise política que se apresenta cada vez mais intensa aos olhos e à consciência da população brasileira. Vale lembrar que, em matéria de delação, já ocupa espaço considerável a apresentada pelo ex-ministro Antonio Palocci contra o ex-presidente Lula. Este capítulo é mais um da série de crimes de corrupção que inundaram o país principalmente a partir de 2003, quando Luiz Inácio da Silva assumiu o Planalto em seu primeiro mandato.

RAPINA OFICIAL – A partir de Lula, foi instituído um profundo sistema de assalto ao patrimônio da União, causando imensos prejuízos ao povo brasileiro, que pagou muito caro pelos rumos adotados para roubar o dinheiro público. Porque as vultosas comissões pagas como suborno não saíram dos bolsos dos empresários. Pelo contrário. Estes elevaram os preços de seus contratos em valores várias vezes maiores que as comissões pagas.

O prejuízo, como sempre, foi do povo. O maior destes prejuízos encontra-se indiretamente no desemprego que atinge mais de treze milhões de brasileiros. Quanto custa o desemprego? Custa mais do que todas as propinas somadas.

Janot e Fachin bloqueiam qualquer possibilidade de recuo de Rachel Dodge

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Janot e Fachin trabalharam juntos contra a corrupção

Pedro do Coutto

Com a apresentação de nova denúncia contra o presidente Michel Temer e com o despacho inicial do ministro Edson Fachin, o encadeamento do processo tornou impossível a hipótese de qualquer recuo por parte da nova Procuradora Geral da República, Rachel Dodge. Esta é a face política do episódio que ocorreu ao anoitecer de quinta-feira. Reportagem excelente de Vinicius Sassine e Renata Mariz, em O Globo desta sexta-feira, revela claramente os rumos que vão marcar as próximas decisões a respeito de Michel Temer e de seu esquema no Planalto, incluindo os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Esse esquema apresentava a participação, entre outros de Geddel Vieira Lima, Rocha Loures e, não devemos esquecer, o ex-deputado Eduardo Cunha, personagem de grande realce na corrupção que causou um maremoto no país.

RECURSO DE TEMER – Por que se tornou impossível a hipótese de qualquer recuo? Porque no seu despacho no STF o ministro Edson Fachin condicionou o encaminhamento da denúncia à Câmara dos Deputados ao desfecho do julgamento preliminar sobre a matéria, provavelmente na próxima quarta-feira, quando o Plenário do Supremo decidir sobre o recurso submetido à Corte pelo advogado Mariz de Oliveira.

O recurso de Mariz de Oliveira volta-se no sentido de que o Supremo impeça simplesmente o encaminhamento da denúncia. E assim sequer discuta o conteúdo da matéria. Se Edson Fachin condicionou seu voto ao julgamento da preliminar é porque pessoalmente é a favor da aceitação do processo. Pois se fosse contrário, negaria monocraticamente seu curso. Dessa forma, pode-se presumir que seu parecer será favorável à última representação de Rodrigo Janot.

SEM VOLTA – Não estou dizendo que Rachel Dodge vá recuar, Mas apenas que, diante de hipótese tão remota, vale analisar politicamente seus primeiros passos na Procuradoria Geral da República. Isso de um lado. De outro, a chefe da PGR não encontraria estrada para voltar no tempo e transformar a semana que vai começar na rota do passado. Passado recente, mas que deixou marcas na história do Brasil.

Deixou marca na história do Brasil porque, como disse o ministro Marco Aurélio Mello, constitui fato inédito na vida do Supremo a apreciação de um embargo antecipado de uma matéria judicial. A iniciativa de Mariz de Oliveira não está voltada para apreciação do conteúdo oferecido por Rodrigo Janot. Nada disso. Está voltada para impedir que o processo seja julgado pelo STF. Assim agindo, Mariz de Oliveira deseja de fato , em nome de Michel Temer, anular na véspera do tempo uma ação que de direito cabe ao Procurador Geral.

O Procurador Geral pode até ter sua iniciativa rejeitada, mas o que o advogado do Presidente da República propõe é que, para usar a linguagem do futebol, possa ele ser segurado pela camisa. Caso, portanto, de cartão vermelho.

NO VERMELHO – Por falar em cartão vermelho, o Governo Federal encontra-se no vermelho em matéria de contas públicas. O Orçamento para 2018 coloca no horizonte um déficit de 159 bilhões. Entretanto, reportagem de Lorena Rodrigues e Eduardo Rodrigues, em O Estado de São Paulo também de sexta-feira, o próprio governo abre mão de nada menos que 283 bilhões de reais concedidos a incentivos fiscais orçamentários. O vermelho nas contas públicas adiciona-se assim ao cartão vermelho levantado previamente por Fachin e Marco Aurélio à atuação de Michel Temer. Na verdade, o presidente da República só existe dentro do Palácio do Planalto. Seu poder não chega sequer à Polícia Federal. A próxima quarta-feira será decisiva para seu destino.

Destino também de Eliseu Padilha, Moreira Franco, Gedel Vieira Lima e Rocha Loures.

Ação da PF contra Blairo é uma bomba que estilhaça o governo Michel Temer

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Operação na casa de Maggi teve cobertura na TV

Pedro do Coutto

Escrevo este artigo na manhã desta quinta-feira logo após as emissoras de televisão divulgarem a ação da Polícia Federal contra o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Faço essa anotação para que o artigo ingresse na edição de hoje e permaneça na edição de amanhã, sexta-feira. O tema é altamente importante, na medida em que a explosão estilhaça os vidros do Palácio do Planalto, joga o poder pelos ares e deixa o governo entre escombros. Some-se a isso a decisão do Supremo não aceitando a suspeição contra Rodrigo Janot, o que deixou o Procurador Geral em condições de propor a nova investida penal contra o Presidente da República.

Não importa que esta iniciativa seja também barrada pela Câmara Federal. Os estragos arrasaram o atual sistema de poder. Afinal de contas, Blairo Maggi, além de senador é ministro da Agricultura. O terceiro a ser alvo de denúncias e ações diretas da PGR e da Polícia Federal. É o terceiro homem. Os dois outros são Gedel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves. Num quarto episódio a opinião pública pode situar Romero Jucá, líder do governo no Senado, que não conseguiu assumir o ministério do Planejamento no atual governo.

DESGOVERNO – Pode-se até assinalar que, diante de tais incidências a administração da Esplanada de Brasília tornou-se um desgoverno. Ao ponto de a defesa de Michel Temer, a cargo do advogado Mariz de Oliveira, ter recorrido ao STF no intuito de bloquear a apresentação da nova denúncia colocada em pauta pelo Procurador Geral da República.

O Ministro Marco Aurélio de Mello fez, na sessão de quarta-feira, a observação crítica essencial: pela primeira vez ele se deparou com a proposta de bloquear um ato do Procurador Geral da República antes mesmo de ser apresentadO. O advogado de Michel Temer assumiu assim a prática de um fato inédito. Alguém recorrer à Justiça na véspera de uma questão antes mesmo dela ser substantivada.

TEMOR DE TEMER – Nessa etapa Mariz de Oliveira traduziu para todo o país o temor de seu próprio constituinte e cliente. A Globonews transmitiu a sessão.

Não é relevante – reportagem de Camila Matoso e Bela Megale, Folha de Saõ Paulo – o fato de terem sido descobertas mensagens no celular de Marcelo Miller que comprovam entendimento prévio com a JBS para o encaminhamento da delação premiada. Ele falou pelo telefone com Wesley Batista, irmão de Joesley. Mas esse comprometimento não retira a materialidade contida na delação levantada por Rodrigo Janot e confirmada pelo Ministro Edson Fachin.

O governo Michel Temer desmoronou.

Acrescento dois fatos que não têm ligação com o processo de Kafka que envolve o governo. Mas são atos do governo. No Diário Oficial de 12 de setembro está publicado o Decreto que inclui a Loteria Instantânea na lista das privatizações. A privatização será promovida pelo BNDES.

E no Diário Oficial de 13 de setembro está publicado um outro Decreto este reestruturando os cargos em Comissão e as Funções de confiança da Casa Civil. São nessas reestruturações que se explicam os aumentos da despesa pública. É só prestar atenção aos decretos presidenciais.

Os aposentados e pensionistas não são a causa da elevação dos gastos. Aliás, gasto é como se encontra o desgoverno do Brasil. E, em meio à tempestade, o PSD prepara-se para lançar a candidatura de Henrique Meirelles à sucessão de 2018.

Fato inédito na História: a Polícia Federal demoliu o governo Michel Temer

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Charge do Laerte (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Manchete principal nas edições desta terça-feira de O Estado de São Paulo e de O Globo, a Polícia Federal acusou frontalmente Michel Temer, Gedel Vieira Lima e Eduardo Cunha, além dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco de corrupção organizada e irrigada por um lance de propina no montante de 31 milhões de reais. No Estado de São Paulo a reportagem é de Beatriz Gulla, Fábio Serapião e Andreza Mataes, no Globo matéria de página inteira saiu sem assinatura. Mas assinada por Bruno Pires no Estadão, que destacou a versão de Joesley Batista a respeito de como subornava políticos do país.

A Polícia Federal disparou a reação provavelmente contra a iniciativa do ministro Torquato Jardim de substituir Leandro Daielo da direção geral da PF. Mas este aspecto, quanto à motivação, importa pouco. O essencial é que jamais na História do Brasil, até esta terça-feira, a Polícia Federal havia formulado denúncia tão frontal contra um presidente da República, em particular, e contra um governo de modo geral.

UM VENDAVAL – Causou assim um impacto da força de um vendaval que demoliu o esquema de poder, como comprova a falta de reação do Planalto a uma entidade de segundo escalão na hierarquia ministerial. O governo explodiu e a demolição tornou-se o cenário do poder. O Globo e O Estado de São Paulo que ontem circularam vão se tornar peças importantes de um triste período da vida brasileira. A Esplanada do Ministérios em Brasília foi varrida do mapa da moralidade pública.

A tal ponto que o único reflexo assinalado por Brasília foi o da indicação do deputado Carlos Marun para relator da CPMI para desinvestigar Joesley Batista e a atuação da JBS no panorama governamental. A reação descambou para o ridículo, na medida em que atribuiu a Marun uma reação impossível. Pois o deputado é o relator mas não é o único tradutor dos caminhos que a Comissão Parlamentar Mista, de Senado e Câmara, vai percorrer. A CPMI inevitavelmente terá que convocar Joesley Batista e Rodrigo Janot, sob pena de tornar-se uma tentativa frustrada, logo na decolagem para o reino da fantasia.

MANOBRA INÚTIL – A representação parlamentar do governo pode incluir a maioria de senadores e deputados, mas nunca a totalidade de seus integrantes. Assim o projeto de desviar as atenções da opinião pública e a busca de diluir as denúncias não surtirão efeito favorável ao sistema de poder. Pelo contrário. As sessões do reino fantástico vão esbarrar na cortina do irrealismo implantado pela verdade dos fatos e pela consciência da população brasileira.

A manobra saiu pela culatra. O Planalto esqueceu os jornais e as emissoras de televisão que vão acompanhar o desenrolar das cenas que ficarão gravadas na memória. A exemplo das gravações de Joesley Batista e Ricardo Saud, da filmagem de Rocha Loures, da gravação do encontro noturno do controlador da JBS com o presidente da República na residência oficial de Michel Temer, no Palácio Jaburu.

A soma dos fatores conduz a um resultado péssimo para o governo, que, nesta altura dramática do desabamento, está sendo  exposto com luzes fortes ao julgamento popular. Do julgamento popular surgirão reflexos que vão emoldurar o episódio desencadeado pela Polícia Federal no mapa da História do Brasil para sempre.