Tempestade de fake news atinge o convés da campanha, mas logo se desfaz

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Uma onda e notícias falsas invade as redes sociais tendo como alvo influir no rumo da campanha eleitoral para presidente da República. Reportagem de Gisele Barros, Luis Guilherme Julião e Marlen Couto, edição de ontem de O Globo, destaca o assunto classificando-o de avanço da mentira. Sem dúvida, os que espalham textos falsos jogam com a perspectiva de alimentar aqueles que desejam ver vitoriosos os candidatos, bem como aqueles outros que desejam a derrota porque se chocam com sua sensibilidade política. Em relação a estes trata-se de confundir a realidade dos fatos com o desejo de que sua opinião esteja baseada numa versão e vai ao encontro do que desejam que aconteça.

No caso em tela, podemos dizer que as fake news têm vida curta: não resistem a mais de 24 horas.

RETA FINAL – Em relação à luta pela presidência da República, no primeiro turno de domingo, tanto o Ibope quanto o Datafolha estão expondo um quadro praticamente definido em matéria de voto. O confronto entre Bolsonaro e Haddad há uma diferença de aproximadamente 9 pontos. Na comparação entre Haddad e Ciro Gomes a margem é cerca de 10 pontos.

Muito difícil a mudança dessas colocações, embora tenha sido realizado na noite de ontem o último e mais importante debate entre os principais postulantes. Escrevo este artigo na tarde de quinta-feira. Portanto, impossível é prever o desfecho do último lance de grande peso no rumo das intenções de voto. Por isso espero pelo amanhecer a melhor análise acerca do confronto de ontem. Dificilmente ele poderá alterar a posição dos três principais candidatos. Entretanto não se pode negar a importância do fator surpresa e do alcance da televisão junto à opinião pública.

REDES SOCIAIS – Também não se pode reduzir a alta importância das redes sociais. Elas estão aí, afirmando-se com maior intensidade dia após dia. Mas há as fake news. E eu disse e acredito que tenham vida curta em matéria de indução ao voto, vida curta esta que se limita a 24 horas. O Globo, outros jornais e veículos de comunicação têm desenvolvido uma campanha contra as fake news, mas por mais forte que seja esta reação, não pode superar o ímpeto das mensagens eletrônicas.

Se os eleitores e eleitoras depararem com versões não fáceis de acreditar, aconselho que aguardem o dia seguinte. No dia seguinte, se a versão não se confirmar pela televisão e pelos jornais, as pessoas devem pensar um pouco antes de aceitar a fantasia destinada a apagar o caráter concreto dos fatos.

Sei que isso é difícil, principalmente nos grupos de menor renda e que não têm a experiência acumulada ao longo das décadas que acompanham a evolução da comunicação de massa. Só existe esta maneira de enfrentar as mensagens fantasiosas.

NOTÍCIAS EM MASSA – Por mais forte que seja a campanha de O Globo e outros veículos, ela não pode alcançar no prazo curto de um dia todas as manifestações postadas, uma vez que, são dezenas de milhares as veiculações no universo eletrônico.

O fato de grande parte da sociedade acreditar em informações estapafúrdias não quer dizer que elas não sejam produto de imaginação fantasiosa.

Enfim, vamos aguardar as novas pesquisas do Ibope e Datafolha que certamente vão se basear e incluir os efeitos do debate desta quinta-feira.

Pesquisas indicam vitória dos conservadores sobre a falsa esquerda de Lula/PT

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

As pesquisas do Ibope e Datafolha coincidem plenamente e convergem para destacar que Jair Bolsonaro vai derrotar a falsa esquerda representada por Lula e pelo PT. Terça-feira, por exemplo, reportagem de Marco Grillo e Jussara Soares, O Globo, chamou atenção para o avanço do candidato do PSL até em redutos lulistas. Tal fato passa a significar um sintoma de derrota tanto do ex-presidente quanto a de seu partido, Partido dos Trabalhadores.

A frente de Bolsonaro ampliou-se em relação a Fernando Haddad, que mantém uma larga diferença de 13 pontos em relação a Ciro Gomes. Torna-se difícil prever uma luta entre os dois pela segunda colocação.

DIZ O MERCADO… -Também o resultado da pesquisa do Datafolha, publicada ontem, e revelada na véspera pelos canais de televisão, funcionou para impulsionar o valor das ações estatais na Bolsa de Valores de São Paulo. Na quarta-feira repetiu-se o panorama: BOVESPA em alta, dólar em queda. Portanto, o capital financeiro praticamente mandou seu recado.

Tivesse ocorrido o contrário passava a ser sinal firme de temor ao retorno do PT ao poder, como anunciou inclusive o ex-ministro José Dirceu, condenado pela Justiça mas solto por decisão do Ministro Gilmar Mendes.

Mas eu disse que a derrota era da falsa esquerda e de seu chefe e líder Lula da Silva. Me refiro à falsa esquerda porque, ao longo dos seis anos e meio de governo, nem Lula nem o PT tomaram qualquer providência concreta para a valorização do trabalho humano exposto a perdas inflacionárias não repostas.

DOIS EXEMPLOS – O teto das aposentadorias do INSS era sobre 10 salários mínimos. O governo FHC reduziu à metade. Além disso, o governo FHC terminou com a conta pecúlio que reunia os aposentados que continuassem trabalhando e descontando para a Previdência Social. Da mesma forma, o Imposto de Renda subiu para as pessoas físicas e ao longo da subida foi cortado o direito de se abater 5% para compra de jornais e livros.

Nas campanhas em que foi vitorioso, Lula não tomou sequer uma iniciativa para reformar o que apontava como violação dos direitos dos trabalhadores. Portanto, não propôs nenhuma medida destinada a ampliar a distribuição de renda, equilibrando capital e trabalho – uma atitude, essa sim, que sintetiza e legitima o impulso reformista.

FALSA ESQUERDA – Não se trata mais de chamar de esquerda a política que não altera a distribuição de renda. Assim, é falsa a característica ideológica Na qual o PT quer se incluir.  O comunismo já foi superado. Hoje, é de esquerda qualquer movimento possível de fixar um equilíbrio cristão entre o capitalismo e o reformismo. Pelo contrário: Lula posicionou-se, no fundo, como um líder conservador, ao estilo de Perón décadas atrás na Argentina. 

Perón era um líder que comandava e não perdia os embates nas urnas. Mas nem por isso deixou de ser um conservador, abominado pelos comunistas argentinos.

13º SALÁRIO – Na edição de ontem do Valor, reportagem de Cristiane Agostini, destaca que o candidato a vice Hamilton Mourão voltou a condenar a existência do 13º salário, afirmando que ele prejudica a toda sociedade.  O 13º salário, disse ele, tem que receber um outro planejamento, uma vez que acarreta despesas adicionais ao governo do país. O general Mourão acrescentou que as despesas governamentais terminam obrigando a elevação de impostos. Todos nós perdemos com isso, ressaltou.

É possível e até provável que o tema faça parte do debate na noite de hoje na Rede Globo. Bolsonaro estará ausente, mas o tema assustador vai estar presente ao longo das discussões.

Rejeição a Lula e a Dirceu acaba superando a rejeição a Jair Bolsonaro

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Charge do Thiago (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Quem examinar com atenção a mais recente pesquisa do Ibope  e confrontá-la com as posições de Lula e José Dirceu, vai verificar que a reação contrária ao PT nesta campanha supera a rejeição que envolve a candidatura de Jair Bolsonaro. A repórter Denise Lima, O Estado de São Paulo de ontem, entrevistou o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, e este afirmou que há 22 anos à frente do Instituto, nunca viu uma eleição como essa, destacando que será decidida na escolha da maior ou menor rejeição, tanto de Bolsonaro quanto de Haddad.

Eu também, acompanhando pesquisas eleitorais desde 1955 nunca tomei conhecimento de um pleito a ser decidido à base do menos rejeitado pelos eleitores e eleitoras do país.

PERDE E GANHA – Nos últimos dias está se verificando uma situação singular na política brasileira. Toda vez que Fernando Haddad vai visitar Lula em Curitiba, perde mais votos do que ganha. E também há outro fato que inclusive provocou reações contrárias dentro do PT. Também no Estado de São Paulo, Marcelo Godói e Ricardo Galhardo revelam as reações contrárias às declarações de José Dirceu de que a perspectiva de o PT reassumir o poder no país é apenas uma questão de tempo.

Afirmar que a legenda voltaria ao poder, não apenas ao governo, repercutiu muito mal junto à opinião pública pelo caráter de uma ameaça de crise institucional. Assim, José Dirceu e Hamilton Mourão igualam-se nas afirmações capaz de perturbar o quadro político brasileiro.

EMBATE FINAL – Porém, o aspecto mais concreto dos últimos fatos, embutidos no levantamento do Ibope foi o de que Bolsonaro permaneceu avançando, enquanto Fernando Haddad estacionou no patamar de 21%. Nesse quadro está desenhado o perfil que restringe o embate final entre os dois candidatos, uma vez que o terceiro colocado Ciro Gomes, permaneceu estacionado no 11º andar. Os demais candidatos não apresentam sinais capazes de acentuar qualquer possibilidade de chegar ao 2º turno.

O desfecho permanece mesmo em torno dos candidatos do PSL e da aliança PT-PCdoB, mas, vale acentuar que a diferença do primeiro para o segundo é de 10 pontos, uma diferença enorme e difícil de ser reduzida seja qual for o resultado do debate de quinta-feira na Rede Globo. Isso porque Bolsonaro arrebatou para si os votos da classe média e penetrou de forma acentuada nos grupos de renda menor.

TENDÊNCIA – Mantida esta tendência será difícil para Haddad alcançá-lo. Passa a depender de manter a segunda colocação e tentar um esquema de alianças para um possível segundo turno marcado para 28 de outubro.

Mas até mesmo o segundo turno tornou-se incerto, porque como afirmei no título, o temor de uma volta do PT ao Palácio do Planalto está se colocando de forma muito firme, na medida em que sobe a rejeição ao Partido dos Trabalhadores e a seu líder preso em Curitiba.

Na reta final, a emoção esquenta a disputa polarizada pelo Planalto

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Haddad ainda está longe de alcançar Bolsonaro

Pedro do Coutto

A reportagem de Thiago Prado, edição de ontem de O Globo, focalizou a manifestação em favor de Jair Bolsonaro, domingo, na Avenida Paulista. As imagens não deixam dúvida sobre a força de sua candidatura. Tenho a impressão de que a decisão do primeiro turno levará Bolsonaro e Haddad para o desfecho final.  As ruas e praças, como sempre dão o eco de uma realidade. Não se pode brigar com os fatos, como diz o velho ditado, aliás expressão jornalística comum em todas as redações.

Será que o debate na Globo dia 4, quinta-feira, poderá alterar as tendências reveladas pelo Ibope e Datafolha? Uma pergunta que só poderá ser respondida a partir da antevéspera do pleito.

INDECISOS – Nas antevésperas das urnas é quando grande parcela de eleitores indecisos poderá decidir seu voto. Mas de qualquer forma a distância dos dois primeiros para Ciro Gomes, em terceiro, é bastante ampla.

Os ataques desfechados por Geraldo Alckmin contra o candidato do PSL não surtiram o efeito esperado pelo seu autor, ao contrário, serviram para acordar indecisos e injetar mais emoção nas etapas derradeiras do voto no dia 7 de outubro.

Bolsonaro havia afirmado que não aceitaria resultado das urnas diferente de sua vitória, mas recuou e disse, como publicou O Globo, que em caso de derrota “não há nada para fazer”. O candidato sentiu portanto o erro enorme da sua primeira declaração sobre a eleição, tema destacado na edição de domingo da Folha de São Paulo, jornal que publicou editorial na primeira página chamando atenção e condenando o lance antidemocrático contido na afirmação infeliz do candidato.

REJEIÇÃO AO LULISMO – Tenho a impressão de que o embate também inclui a rejeição bastante alta em relação ao Lulismo. Dessa forma, pela primeira vez na história, a tendência para as urnas passa pela estrada das restrições aos dois candidatos. Os votos de Bolsonaro dirigem-se contra o PT e a seu principal líder, aliás, condenado e preso.

Por outro lado, as intenções de voto contra os dois candidatos reúnem Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva e outros. Talvez esta posição explique uma divisão de forças que acaba, pela pulverização que provoca fortalecendo tanto o próprio Bolsonaro quanto Fernando Haddad.

POLARIZAÇÃO – É preocupante a polarização que se estabeleceu e se revelou no primeiro turno. O voto no dia 7 é inspirado na rejeição tanto a Bolsonaro quanto a Haddad, embora, no fundo, seja uma reação contra a volta do PT ao poder.

Entretanto, para finalizar, os exemplos conduzem à certeza de que ninguém pode exercer o poder através de vias indiretas. Eis um exemplo: Vargas elegeu Eurico Dutra.  A primeira coisa que Dutra fez foi romper com seu grande eleitor.

José Dirceu é um personagem do “antióbvio ululante” de Nelson Rodrigues

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Dirceu diz que o importante é a “tomada do poder”

Pedro do Coutto         

José Dirceu, francamente, é um personagem de Nelson Rodrigues. Apresenta-se como um homem fatal, cuja imagem foi criada pelo grande dramaturgo. Em certas ocasiões, investe-se numa polarização de ideias, polarização que se desenha como alguém capaz de entrar em conflito, sempre divergindo do óbvio ululante. Assim, tornou-se um dos personagens centrais do mensalão, depois do petrolão e agora faz afirmações que só prejudicam o candidato Fernando Haddad, na medida em que anuncia ser questão de tempo a tomada do poder pela sua corrente política.

A edição de sábado de O Globo publica declarações dele, feitas ao jornal espanhol El Pais, nas quais anuncia ser questão de tempo a volta de sua corrente política ao poder. Declaração infeliz que em nada somou para o candidato Fernando Haddad, do PT.

ALÉM DAS URNAS – Vejam bem, Dirceu não se referiu somente às urnas, mas destacou a ocupação do poder, imagem que com razão deixa dúvidas quanto a seu caráter democrático. Além do mais, a posição de Fernando Haddad não tem sido inclinada para a radicalização.

Já o próprio Fernando Haddad tem se referido ao ex-presidente Lula, mas o tom de Dirceu passou por uma sombra que nitidamente reflete uma ameaça à democracia. Sobretudo porque seu principal oponente, Jair Bolsonaro, sequer esconde seu impulso antidemocrático.

Basta ver as afirmações que vêm sendo feitas por seu companheiro de chapa, general Hamilton Mourão. O eleitorado brasileiro, assim, se encontra entre duas ondas totalmente incômodas e preocupantes. Pode-se até dizer que Dirceu e Hamilton Mourão, ao lado de Paulo Guedes tornam-se também personagens no primeiro plano, no qual representam homens fatais, imagem criada por Nelson Rodriques. Mas ficam melhor colocados com antagonistas de si próprios. Talvez Freud explique.

FALAS INSANAS – Paulo Guedes anunciou aumento de impostos. Mourão condenou o 13º salário. Dirceu, certa vez, em um de seus depoimentos à Justiça afirmou não saber explicar como ele poderia viver só com 120 mil reais mensais. Essas colisões com a lógica estão levando os eleitores e eleitoras à tentativa de escolher um candidato que possa representar mais estabilidade ao confronto que tem sua primeira etapa no próximo domingo, 7 de outubro.

Não está fácil encontrar uma terceira via. Entretanto penso eu, o último lance para o primeiro turno será o debate da Globo no dia 4, quinta-feira.

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UMA VOZ PARA A ETERNIDADE

Ângela Maria viajou para a eternidade. Com uma voz fantástica, uma capacidade de interpretação musical raríssima, neste fim de semana Angela Maria viajou para a eternidade e foi se encontrar com outros intérpretes, artistas inesquecíveis como ela.

Aproveitando a frase célebre de Guimarães Rosa, os artistas não morrem. Ficam encantados.

Vamos continuar ouvindo suas belíssimas interpretações, cheias de emoção e amor. Adeus a essa grande artista.

Bolsonaro só aceita resultado das urnas se for ele o vitorioso na eleição

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Charge do Thiago (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Esta afirmação singular foi feita pelo candidato Jair Bolsonaro ao apresentador José Luiz Datena, colocada no ar pela TV Bandeirantes, no programa Brasil Urgente. A entrevista foi reproduzida nas edições de ontem de O Estado de São Paulo, O Globo e Folha de São Paulo. No Globo a matéria foi assinada por Jussara Soares, relatando que Jair Bolsonaro afirmou que não confia totalmente nas urnas eletrônicas e frisou que o Brasil é o único país do mundo a adotar o sistema.

Mas fica clara uma dualidade: como Bolsonaro diz não aceitar no caso de derrota em função das urnas, como pode ele mudar de pensamento se for ele o vitorioso? O fato é que a candidatura Bolsonaro, isso ontem foi demonstrado pela televisão, está dividindo as ruas e praças das capitais do país. Isso porque houve manifestações contrárias a seu nome e outras favoráveis a ele.

POLARIZAÇÃO – Na reta final da campanha, evidencia-se uma polarização dos que são contra e dos que são favoráveis ao candidato do PSL. Ocorre que os contrários a Bolsonaro dividem-se no apoio a pelo menos três candidatos: Fernando Haddad, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Essa divisão, paradoxalmente é que garante a presença de Jair Bolsonaro no segundo turno.

As pesquisas do Datafolha e do Ibope revelam que Bolsonaro será derrotado a 28 de outubro. A luta, assim, resume-se a qual candidato cruzará a faixa de chegada no próximo domingo, dia 7 de outubro. O problema de seus adversários reside totalmente nesse ponto. Pelo Datafolha se as eleições do primeiro turno fossem hoje, Fernando Haddad seria o adversário de Bolsonaro no desfecho final. Por isso, em entrevista aos repórteres Renan Truffi, Gilberto Amendola e Mateus Fagundes, edição de ontem de O Estado de São Paulo, Ciro Gomes passou a atacar forte e diretamente o PT e ao mesmo tempo descartou qualquer aliança com o Partido dos Trabalhadores nas eleições presidenciais de outubro.

DEBATES NA TV – Na noite de hoje, às 22 horas, debate na Record reunindo os candidatos mais bem situados nas pesquisas. Esse debate será muito importante, da mesma forma que o evento que a Rede Globo promove no próximo dia 4 também às 22 horas.

Coloco duas questões. 1- Como os partidos e seus candidatos vão reagir à afirmação de Jair Bolsonaro no que se refere à questão democrática. Bolsonaro condicionando a aceitação do resultado das eleições à sua vitória, me lembra comportamento do governador Carlos Lacerda contra a posse de Juscelino Kubitschek. 2 – Qual a posição dos candidatos em relação a dívida interna do país?

ENDIVIDAMENTO – Reportagem de Fabrício de Castro, O Estado de São Paulo edição de 29, revela que o endividamento está na casa dos 5 trilhões de reais, correspondendo a 77,3% do Produto Interno Bruto. Sobre o total de 5 trilhões de reais incidem os juros de 6,5%a/a, Taxa Selic.

Pode se considerar que o endividamento dos Estados Unidos eleva-se a US$ 16 Trilhões para um PIB de US$ 18,5 Trilhões, cerca de 87% do PIB dos EUA. No Brasil, como vemos, a proporção está chegando lá, em condições muito mais adversas.

Que posição os candidatos têm a respeito?

Política é como a nuvem e 100 milhões de brasileiros recebem 13º salário

O general Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro — Foto: Sara Resende/TV Globo

Mourão imitou Guedes e deixou Bolsonaro mal

Pedro do Coutto

Francamente a semana não foi boa para a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência da República. O candidato a vice na sua chapa, general Hamilton Mourão, ao criticar o 13º salário e também a contribuição no valor de 1/3 nas férias, conduziu o PSL para uma situação difícil de explicar diante de aproximadamente 100 milhões de brasileiros e brasileiras que compõem a mão de obra ativa do país, além dos aposentados e pensionistas.

A imagem da chapa ficou desgastada, uma vez que se tem a seguinte certeza: não somou em nada para a candidatura Bolsonaro e provavelmente reduziu as intenções de voto que, dependendo do reflexo do estrago, podem fazer diferença tanto no primeiro quanto no segundo turno.

DESDE JANGO – O 13º salário, vale lembrar, decorre de uma lei sancionada em 1962 pelo presidente João Goulart. A origem da matéria vem de um projeto proposto pelo Senador Aarão Steinbruch, da bancada do Rio de Janeiro, antes da fusão com a Guanabara.

Vale a pena acentuar a origem da lei para se ver que ela, que começou restrita aos regidos pela CLT, terminou se estendendo também a todo funcionalismo público do país. Tanto civis quanto militares, além de aposentados e pensionistas. Por isso, sem dúvida, Jair Bolsonaro recebe dois 13º salários: um como parlamentar, outro como capitão reformado do Exército.

MOURÃO RECEBE – Aliás, convém destacar também que o general Hamilton Mourão, seu companheiro de chapa, também se inclui no recebimento do 13º salário, cuja existência foi criticada por ele. 

O 13º salário atravessou inclusive os 21 anos da ditadura político-militar que governou o país de Castelo Branco a João Figueiredo. Esta semana que termina amanhã, sábado, termina não foi boa para Bolsonaro.  Os jornais, todos eles, deram grande destaque ao tema, da mesma forma proliferaram críticas nas redes sociais da Internet.  No Globo de ontem, a reportagem de Jussara Soares e Vinicius Sassine tornou-se a manchete principal da edição, na primeira página. Também foi a manchete principal de O Estado de São Paulo.

NOVA PESQUISA – No momento em que escrevo este artigo nesta sexta-feira, ainda não havia sido divulgada a nova pesquisa do Datafolha. É provável, contudo, que ela não focalize com profundidade o reflexo do tema em discussão, pois a distância entre o noticiário e o fechamento da pesquisa provavelmente não deu tempo para uma avaliação mais precisa do que as críticas subtraíram em matéria de voto para Bolsonaro. Portanto, na minha opinião, para se ter uma visão dos estragos causados teremos que esperar as pesquisas que vão ser divulgadas na reta final da campanha, semana que vem.

No título cito uma frase do governador Magalhães Pinto. Política é como a nuvem. Muda de direção e de forma a qualquer tempo. Mas nesse tempo, entre a explosão e seu efeito, vamos verificar que o quadro eleitoral pode se alterar em consequência das palavras do general Mourão.

Outro dia foi o economista Paulo Guedes que destacou estar sendo cogitada a criação de um novo imposto. Portanto, os maiores adversários de Bolsonaro não se encontram nos partidos que lhes são contrários. Pelo contrário. Situam-se em seu próprio quartel de votos.

Ibope sinaliza que Bolsonaro e Haddad se consolidam para o segundo turno

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Charge reproduzida do Site UOL Notícias

Pedro do Coutto

A pesquisa do Ibope divulgada na noite de quarta-feira e comentada quinta-feira através de reportagem de Bruno Góes, fornece a impressão de que Bolsonaro e Haddad vão se enfrentar no segundo turno marcado para 28 de outubro. O levantamento acentua uma diferença muito grande entre Bolsonaro e Haddad em relação a Ciro Gomes e Geraldo Alckmin.

Bolsonaro atingiu 27% das intenções de votos e Haddad 21%. A seguir Ciro Gomes obteve 12 pontos e Geraldo Alckmin ficou congelado no 8º andar. Assim Bolsonaro distancia-se 6 pontos de Haddad e Haddad, por sua vez, fica com 9 pontos em relação a Ciro Gomes. E Ciro Gomes fica a 4 pontos à frente de Alckmin.

DATAFOLHA – Vamos esperar, com base no Datafolha de hoje, se existem diferenças entre seus números e os percentuais fixados pelo Ibope.

Bruno Goes focalizou um ponto importante que aparece no levantamento do Ibope. Trata-se da possibilidade de que 28% dos que hoje manifestam sua intenção de voto para os candidatos ainda podem mudar de escolha.

Poder mudar de escolha, é possível. Entretanto não é possível que as mudanças de candidatos se distribuam exatamente quanto a Bolsonaro e Haddad. As mudanças não se referem especificamente a quais candidatos, de maneira capaz de mudar a colocação dos que disputam o Planalto nas urnas de outubro.

VOTOS PARA CIRO – Há casos em que aqueles que declararam votar em Bolsonaro possam deslocar-se para Ciro Gomes. Há também a perspectiva daqueles que afirmam seu voto em Ciro mas que podem mudar para o candidato do PSL. Da mesma forma, aqueles que declararam sua intenção de voto em Haddad venham a se transferir para Ciro ou Alckimin.

Assim, não há uma transferência total para ninguém. As transferências podem abranger os três principais candidatos. Ninguém pode garantir que as mudanças venham coincidir de forma única. É como uma convergência de vontades, que se incorporam à atitude em relação às urnas.

NULOS E BRANCOS – A respeito dos votos nulos e brancos que vêm caindo de pesquisa em pesquisa, agora em 12% pelo Ibope, é preciso considerar que os eleitores nas urnas do próximo dia 7 têm que marcar seis candidatos. Um para Presidente da República, um para governador de estado, dois para o senado, um para a Câmara Federal outro para a Assembleia Legislativa.

É possível que os votos nulos e brancos atinjam fortemente a eleição presidencial, a última a ser digitada. Vamos ver se tal hipótese se confirma. 

Alianças estaduais nem sempre coincidem com alianças para eleição presidencial

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Praticamente na reta final da campanha eleitoral, surgem alianças para governadores de estado que muitas vezes não coincidem e até colidem com os acordos partidários no plano federal. O tema é objeto de reportagem de Amanda Almeida, Eduardo Presciani e Daniel Gracetto, em O Globo de ontem.

Essa reportagem destaca que em 7 estados as correntes do PSDB abandonaram praticamente o candidato Geraldo Alckmin e passaram a apoiar Jair Bolsonaro. Os estados são: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia, Mato Grosso e Sergipe. A razão desse deslocamento vem do fato de que nesses estados Alckmin perde para Bolsonaro.

SÃO PAULO E MINAS – O exemplo é marcante sobretudo porque o novo desalinhamento tucano refere-se aos dois principais colégios eleitorais brasileiros. São eles São Paulo e Minas Gerais.

O dado é profundamente contrário à candidatura do ex-governador paulista, que assim vê reduzidas as chances de conseguir alcançar o segundo turno. As composições estaduais são uma consequência das pesquisas do Ibope e Datafolha e acentuam a tendência das legendas em se unir ao candidato mais votado nas esferas estaduais. Essa tendência não é exclusiva do PSDB nesta altura da corrida eleitoral.

Tampouco não se relaciona com a candidatura do PT liderada por Fernando Haddad. Verifica-se assim nos 7 estados uma distância menor entre o PSDB e o PSL. Isso porque não há notícia de qualquer aliança estadual entre a legenda dos tucanos com a candidatura do PT.

SETE PONTES – Tenho a impressão que as sete pontes estaduais dão margem a uma aproximação entre o pensamento do centro e o desempenho da direita, representada esta por Jair Bolsonaro.

A reportagem expõe uma situação bastante contrária para o ex-governador paulista. Pois no momento que Alckmin mais precisaria de apoio, grande parte dos votos das sete unidades da Federação escapam de suas mãos e se deslocam para Bolsonaro, o que leva a crer que nos sete colégios eleitorais é mais fácil transferir votos para o PSL e receber sufrágios da legenda de Bolsonaro do que partir para obter reflexos positivos se mantivessem apoio ao candidato presidencial do PSDB.

Sem dúvida, representam dissidências dentro do próprio território Tucano. Um problema para Alckmin. Talvez insolúvel nesta altura da maratona. Vamos ver o que revelará a pesquisa do Datafolha anunciada para sexta-feira, amanhã.

Nem os petistas nem os adeptos de Bolsonaro podem se queixar da Rede Globo

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Desta vez, não se pode dizer que a culpa é da Globo

Pedro do Coutto

Os fatos servem para desmentir frontalmente as afirmações do PT de Lula e do PSL de Bolsonaro, que atribuem principalmente à Rede Globo campanhas nos meios de informação contra os dois partidos. Para ser justo, a onda de críticas parte sobretudo do PT que vislumbra manobras secundárias m tudo o que acontece.

Na edição de ontem de O Globo, a principal manchete destacava a liderança de Bolsonaro na pesquisa do Ibope e a ascensão de Fernando Haddad. Na véspera, a pesquisa que apontou 28% para Bolsonaro e 22% para Haddad foi o tema principal da Rede Globo, incluindo a Globonews, projetando os dois candidatos que guardam uma distância grande para o terceiro colocado, Ciro Gomes. A distância aumenta se incluirmos Geraldo Alckmin e Marina Silva.

SEM PREJUDICAR – Portanto, as organizações Globo balizaram os resultados do Ibope que conduzem o desfecho entre os dois candidatos no segundo turno. Se as organizações Globo estivessem contra um ou outro, evidentemente a divulgação não teria o destaque e o calor que marcou as edições tanto do jornal quanto das emissoras de televisão. A pesquisa do Ibope foi também manchete de primeira página de O Estado de São Paulo. Poderia eu citar outros jornais, mas seria desnecessário.

O que aconteceu na imprensa anteontem e ontem foi a prova definitiva de que a empresa da família Roberto Marinho não cria fatos e sim os divulga. O mesmo conceito abrange a família de Júlio Mesquita, proprietária de O Estado de São Paulo. Os órgãos de comunicação, felizmente, não têm o poder de criar fatos. Podem destacar mais um fato ou outro, mas não têm o poder de criar situações.

ONDAS DO MAR – Sobre a imprensa, pode-se fazer a comparação com as ondas do mar. Ou seja, pode acelerar a chegada da espuma na areia. Mas não tem o poder, graças a Deus, de devolver essas mesmas ondas ao oceano. Falei em espuma e areia, lembrando-me de Ary Barroso. Assim tem curso a política, o que não deve ter curso é a mentalidade de se ver truques em todas as coisas editadas no universo espacial da comunicação jornalística.

Vale acentuar também equívocos de parte de políticos em relação à imprensa. Antigamente, os grandes jornais tinham candidato a presidência. O Correio da Manhã escolheu JK nas urnas de 1955. O Estado de São Paulo apoiou intensamente a candidatura Jânio Quadros em 60. Que fez o presidente Jânio Quadros na primeira entrevista já eleito: atacou furiosamente O Estado de São Paulo. São coisas do passado.

BONNER E RENATA – No presente os jornais não apoiam candidatos e tampouco as empresas de televisão. Pode se considerar entrevistas inadequadas, como as conduzidas por William Bonner e Renata Vasconcelos. Tais entrevistas assumiram o caráter de inquisições. Mas nesse tom, equivocado a meu ver, o tratamento foi igual para todos.

Enfim, estamos a 12 dias das eleições. Aguardamos a divulgação de mais pesquisas. O Datafolha anunciou mais uma delas para a próxima sexta-feira. Até aqui verifica-se que Bolsonaro e Haddad estão abrindo luz em relação aos demais candidatos.

Eleitoras indecisas vão decidir quem enfrenta Bolsonaro no segundo turno

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Daniela Nogueira, Miguel Caballero e Marcello Corrêa, publicaram reportagem na edição de ontem de O Globo, revelando, com base em pesquisa do Datafolha que 51% da eleitoras ainda se encontram indecisas quanto a escolha do candidato à presidência da República. Essa taxa de indecisão não envolve o eleitorado masculino. Portanto, os candidatos que conseguirem dirigir suas campanhas para valorização e definição de voto das mulheres poderão estar decidindo, na minha opinião, qual dos concorrentes irá decidir as eleições presidenciais enfrentando o candidato do PSL no segundo turno.

As mulheres, pela margem de 52%, formam a maioria do eleitorado brasileiro. Portanto representam em números redondos 40 milhões de votos, cuja definição é fundamental. A impressão que se tem é que essa indefinição traduz uma rejeição a Bolsonaro e uma dúvida em relação a Fernando Haddad, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin.

UM DOS TRÊS – Resta saber qual dos três candidatos têm mais chance de chegar na segunda colocação a 7 de outubro. Portanto, as campanhas, principalmente na reta de chegada devem ter como alvo reivindicações fundamentais das mulheres.

Entre as candidaturas existentes poderia se acrescentar Marina Silva, mas isso não ocorre porque ela vem despencando tanto na pesquisa do Datafolha quanto na do Ibope. Sendo assim, cabe a Ciro Gomes e Alckmin procurar arrebatar o potencial de votos que se encontra adormecido no eleitorado feminino.

HADDAD EM ALTA – Fernando Haddad continua subindo nas pesquisas, mas não se sabe se conseguiu motivar até agora o voto das mulheres. À medida que o tempo passa vão se estreitando as mensagens colocadas nas redes sociais e também no horário gratuito da TV e do rádio. Na televisão, Geraldo Alckmin vem desfechando forte onda contrária a Bolsonaro e também a Fernando Haddad. Só que os ataques a Bolsonaro estão sendo mais fortes do que os que estão sendo lançados contra Haddad.

O panorama indica que Ciro Gomes e Alckmin ainda sonham em ultrapassar Haddad a 7 de outubro e decidir o páreo com Bolsonaro.

Vamos ver o que dizem o Datafolha na próxima pesquisa. Os levantamentos terão que incluir, segundo reportagem de Vera Rosa e Felipe Frazão, o movimento que se iniciou  no Centrão e já começa discutir qual a opção da corrente na hipótese  de Alckmin não estar no segundo turno.

Paulo Guedes e Mourão acrescentam ou tiram votos de Jair Bolsonaro?

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Bolsonaro enfim enquadrou o assessor e o vice

Pedro do Coutto

Eis aí uma pergunta interessante. Pelas declarações que Paulo Guedes e o general Hamilton Mourão têm feito, sugiro ao IBOPE e à Datafolha que incluam em suas próximas pesquisas a indagação que está no título da matéria. Uma outra pergunta é para esclarecer o que influi mais nas intenções de voto dos eleitores e eleitoras: a exposição dos candidatos nas redes sociais da Internet ou as aparições dos mesmos candidatos no horário eleitoral da televisão.

É possível que as declarações de Paulo Guedes e do general Mourão não influam nem contra nem a favor, resultando num equilíbrio dos dois polos. Mas é bom esclarecer isso, sobretudo na reta final da campanha, a faixa de tempo em que recuam os votos brancos e nulos e recuam também as indecisões.

PLANO ECONÔMICO – Na edição de ontem de O Globo, reportagem de Flávia Barbosa, Cássia Almeida, Danielle Nogueira e Marcello Correa destaca o plano econômico traçado pelo economista Paulo Guedes, que inclui decisões que não são fáceis de serem contempladas, principalmente às portas das urnas de outubro. A matéria inclui a ideia da privatização de empresas estatais, como é o caso Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Paulo Guedes diz não aceitar argumentos de que a Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica tenham função em políticas públicas. Portanto, podem ser privatizadas.

Esse pode ser um tema importante na reta de chegada da campanha pelo Palácio do Planalto. Paulo Guedes apresenta também ideias que possui em relação ao orçamento anual do governo federal. Não desistiu também da ideia do imposto único semelhante a antiga CPMF. Vamos ver quais serão os índices a respeito de tais perguntas.

CAVALO E GINETE – O general Hamilton Mourão, matéria assinada por Pablo Pereira, O Estado de São Paulo, lançou uma imagem que, a seu ver, pode exprimir uma ideia bastante ampla de governo. Comparou o país a um cavalo maravilhoso, porém conduzido por mão pesada e pernas frouxas… Acrescentou projetar um jóquei com mãos de seda, porém firmes na condução.

Ao mesmo tempo, na edição de ontem de O Globo, Fernando Henrique Cardoso esclarece que, ao falar na união do centro, estava se dirigindo na verdade aos eleitores e eleitoras do país. Mas como poderia haver reflexos concretos da colocação que fez? Ora, os eleitores não podem votar em mais de um candidato.

Portanto, para a união, é indispensável que as legendas partidárias acerte uma campanha das três legendas. O eleitorado não pode decidir os rumos do quadro partidário. A mensagem do ex-presidente FHC, ao afastar as extremas só pode se dirigir aos eleitores de Alckmin, Ciro Gomes e Marina Silva, além dos demais candidatos que apresentam índices muito baixos. A mim parece que a tese tem em Ciro Gomes o endereço certo.

Guedes quer dar superpoderes à base parlamentar do governo Bolsonaro

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Guedes sonha com uma “ditadura democrática”

Pedro do Coutto

Reportagem de Ascânio Seleme, edição de ontem de O Globo, revela que o economista Paulo Guedes, apontado como ministro da Fazenda no caso da vitória de Jair Bolsonaro, está propondo uma espécie de reforma política que faça com que a maioria de um partido decida todos os votos da bancada na Câmara e no Senado. A proposta superdimensiona o poder parlamentar de modo geral, uma vez que a estrutura partidária do PSL, aconteça o que acontecer nas urnas, não será capaz de fornecer maioria a um hipotético governo Bolsonaro.

A legenda do PSL certamente não elegerá muitos deputados e senadores pois sua estrutura é de pequena dimensão. Assim, Paulo Guedes deve ter em mente a formação de um bloco de sustentação no Congresso. E daí a ideia de que as bancadas sigam determinando os votos de maneira vertical.

É UM SONHO – Paulo Guedes provavelmente sonha com a formação de uma base parlamentar capaz de atribuir situação majoritária em favor dos projetos e iniciativas do governo que dependam da aprovação parlamentar. A reforma da Previdência seria um exemplo da imagem que Paulo Guedes está construindo para depois do segundo turno marcado para 28 de outubro.

O que está por trás do pensamento do economista é estabelecer um tipo de poder absoluto das lideranças das diversas correntes partidárias.

Ele esquece que as três maiores bancadas do Parlamento são do MDB, PT e PSDB. As urnas de 7 de outubro vão decidir se as legendas que hoje são mais fortes conservarão sua força para o amanhã.

DISCRICIONARISMO – De qualquer forma, está caracterizada a tendência discricionária gerada no laboratório político de Bolsonaro, Paulo Guedes e Hamilton Mourão. É bom não esquecer que o mesmo Paulo Guedes, ao lado do general Mourão defendeu uma nova Constituinte elaborada por juristas e aprovada num plebiscito, excluindo a necessidade de aprovação pelo Senado e Câmara Federal. Daí está traçada uma ponte entre o Palácio do Planalto e aqueles que rejeitam a democracia.

 A ameaça deve ser levada em conta, não só pelo eleitorado, mas também pelas lideranças dos diversos partidos. A sombra do regime totalitário está começando a ser desenhada.

Todos devem lembrar da ditadura implantada no Brasil em 1964 e somente abolida em 1985 que levou a Constituição de 88, votada pelos eleitos em 1986.

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REFORMA DA PREVIDÊNCIA POUPA EMPRESAS

Reportagem de Flávia Lima na Folha de São Paulo de ontem mostra que os candidatos ao Palácio do Planalto – no caso, Ciro Gomes, Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro e Marina Silva – expuseram suas ideias sobre a reforma da Previdência Social.

Bolsonaro, Alckmin e Fernando Haddad defendem a substituição do sistema atual por outra modalidade de contribuição. Tal modelo baseia-se na contribuição individual de cada empregado para assegurar sua aposentadoria quando a idade e o tempo de serviço possibilitarem.

Ciro Gomes e Marina Silva, menos radicais do que Bolsonaro, Alckmin e Haddad, apresentam um esboço para uma regra de transição, mas os outros três presidenciáveis desejam a implantação de um novo quadro de contribuição para efeito imediato.

E AS EMPRESAS? – Os que defendem o sistema de contribuição à base de contas individuais parece que se esqueceram da contribuição das empresas, contribuição essa que estabelece um volume de recursos muito maior para o INSS. Basta dizer que os empregados contribuem no máximo com 11% para o teto de 5,6 mil reais.                

A contribuição dos empregadores é de 20% sobre a folha de salários, sem limite.

É tarde demais para acontecer a tal união do centro, proposta por FHC

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Charge do Kacio (kacio.art.br)

Pedro do Coutto

Reportagem de Gustavo Schmitt, Jussara Soares, Fernanda Krakovics, Maria Lima e Letícia Fernandes, edição de ontem de O Globo, destaca a carta pública colocada no face book pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, propondo a união dos candidatos do centro contra o que classifica como “Marcha da Insensatez”, na medida em que polariza disputa entre duas facções extremas. O ex-presidente da República considera um cenário dramático no país caso um dos dois pontos mais distantes, um de outro, poderá se concretizar ameaçando a própria democracia

Como seria a união do centro projetada por FHC nas urnas de outubro? Seria uma união entre Geraldo Alckmin, ao lado de Alvaro Dias? Marina Silva achou tarde demais para a proposta, pois significaria tirar as medidas de alguns personagens com a roupa pronta. Alvaro Dias igualmente descartou a hipótese, enquanto Ciro Gomes acusou FHC de tentar “ressuscitar” Alckmin.

RENÚNCIAS – Ocorre que o projeto de FHC implicaria tacitamente na renúncia de alguns candidatos em favor de um único. Quem seria esse único?, eis a questão. A proposta foi formulada já na quase da reta de chegada do primeiro turno, mas representa uma interpretação grave do quadro institucional brasileiro.

Porém, na altura dos acontecimentos não dá mais, inclusive sob o aspecto legal, tempo para realização de novas convenções partidárias e adesão em torno do nome capaz de unir as correntes do centro.

Claramente Fernando Henrique Cardoso está se referindo às candidaturas de Jair Bolsonaro e de Fernando Haddad. O ex-presidente teme a vitória da extrema direita ou então a da extrema esquerda representada por Fernando Haddad, impulsionado pelo Peronismo de Lula. 

NINGUÉM QUER – A reportagem destaca que os candidatos capazes de formar uma campanha de centro descartaram o movimento proposto. O vice na chapa de Marina Silva, Eduardo Jorge, disse que chegou a propor a Fernando Henrique a colocação do tema agora abordado. Para ele, tardiamente abordado, uma vez que no início deste ano levou a ideia a Fernando Henrique Cardoso que na ocasião não quis levar o assunto a frente. Agora o movimento perdeu o sentido porque ultrapassou a hora adequada. 

Fernando Henrique no momento encontra-se tão preocupado com o destino do país que destacou que busca a coesão política com a sensatez para juntar os mais capazes e evitar que o barco naufrague. 

A alternativa para uma posição de centro terá que ser assumida pelos eleitores e eleitoras já que os partidos não poderão mais substituir os candidatos homologados pelo TSE. Nesta alternativa final, na minha impressão só restaria Ciro Gomes. O povo terá que ser juiz de si mesmo.

Enquanto Ibope e Datafolha convergem, Bolsonaro diverge de Paulo Guedes

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Paulo Guedes criou uma confusão tributária

Pedro do Coutto

Na quase totalidade dos índices, o Datafolha diverge do Ibope apenas em relação a Ciro Gomes. As duas pesquisas convergem quando colocam Jair Bolsonaro e Fernando Haddad nas duas primeiras posições. Convergem igualmente quando colocam Ciro Gomes em terceiro. Entretanto discordam quanto o percentual atribuído ao ex-governador do Ceará. O Ibope o coloca com 11 e o Datafolha com 13 pontos. O Ibope acentua que o terceiro posto reúne também Geraldo Alckmin. O Datafolha não. Registra uma diferença de dois pontos de Ciro Gomes sobre o candidato tucano. O panorama das duas pesquisas é o mesmo, mas vamos ver se nas próximas pesquisas permanecem nas mesmas proporções as três primeiras colocações.

Enquanto isso, Jair Bolsonaro discordou amplamente de Paulo Guedes quando o economista anunciou a criação de um imposto único na base da antiga CPMF que elevaria a carga tributária do país. 

REINA A CONFUSÃO – Reportagem de O Globo, edição de ontem, destaca a confusão que Paulo Guedes causou na campanha de Bolsonaro. Foi chamada de primeira página também em O Estado de São Paulo, com base em reportagem de Tânia Monteiro e Leonardo Sato. Esta confusão deve acarretar reflexos em todo o país até que Bolsonaro dirija sua divergência de forma mais intensa. Ela se encontra desde quinta-feira nas redes sociais da Internet. Calculo que hoje seja matéria para os principais jornais do país.

O episódio, mais uma vez, ressalta o fato de que o poder não se transfere ou dá motivo para o enfraquecimento de governos e candidatos. O poder também não se divide, afirmação hoje histórica de Juscelino Kubitschek. Toda vez que a delegação de ideias ocorre, surgem contradições inevitáveis.

DISCORDÂNCIA – Paulo Guedes ocupou por 24 horas o espaço que cabe a Jair Bolsonaro. Paulo Guedes, destacado por Bolsonaro, inflou demais sua participação e adiantou uma ideia tributária, que, pelo visto não é da concordância do candidato do PSL.

Pois se fosse da concordância de Bolsonaro, este não teria desautorizado a colocação do economista-chefe de sua campanha. De tanto transferir a matéria econômica para alçada de Paulo Guedes, o Economista cresceu de importância e passou, no fundo, a tentar dividir o espaço do candidato a presidência com seu próprio espaço na assessoria. Foi uma espécie de hipnose que o atingiu, atingindo mais ainda o programa colocado por Bolsonaro junto ao eleitorado brasileiro.

ACIDENTE – Assim acontecem acidentes de peso nas jornadas eleitorais para a presidência do país. O efeito foi ruim, porém não creio que vá acarretar uma perda de votos para Bolsonaro. Os eleitores do candidato do PSL estão fechados com ele.

O tema em discussão, daqui para frente é sobre quem chegará ao segundo lugar, transferindo o resultado das eleições para 28 de outubro.

Paradoxo: Ibope mostra que os mais votados são também os mais rejeitados

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Entre os trés, Ciro Gomes exibe a menor rejeição

Pedro do Coutto

A pesquisa do Ibope divulgada na noite de terça-feira e objeto de amplas reportagens em O Globo e do Estado de São Paulo, edições de ontem, apresenta dados surpreendentes em matéria de intenções de votos. Jair Bolsonaro e Fernando Haddad,que ocupam os dois primeiros lugares, são também os mais rejeitados pelos eleitores e eleitoras. Em O Globo, a matéria foi de Marco Grillo. Em O Estado de São Paulo assinam a reportagem Daniel Bramati, Caio Santos, Alessandra Monerá e Cecília do rejo.

O quadro, exposto e traduzido em números, assinala 28% das intenções de votos para Bolsonaro e 19% para Fernando Haddad. O que surpreende, e a meu ver é fato inédito em pesquisa eleitoral, é o fato de 42% manifestarem sua rejeição ao candidato do PSL. Na esteira do levantamento, Haddad é apoiado por 19% e rejeitado por 29.

CRISTALIZAÇÃO – Nesta altura dos acontecimentos, salvo uma surpresa extraordinária, o quadro me parece cristalizado. Bolsonaro e Haddad, ao que tudo indica, serão os dois personagens que vão passar do primeiro turno para o segundo, quando será conhecido o sucessor do presidente Michel Temer. Importante é traduzir as tendências reveladas nas duas últimas pesquisas do Ibope. Bolsonaro subiu de 22 para 28, Haddad de 11 para 19.

Por que eu digo que o panorama se apresenta basicamente cristalizado? Porque Bolsonaro e Haddad revelam uma escala ascendente, enquanto Ciro Gomes estagnou no 13º andar. Geraldo Alckmin desceu de 9 para 7, e Marina Silva recuou de 11 para 6%.

Escrevo este artigo na tarde de ontem, à espera do levantamento do Datafolha cuja divulgação estava marcada para a noite. Assim escreverei amanhã sobre o que o Datafolha revelar na noite do dia 19.

MESMO PANORAMA – Dificilmente haverá mudança significativa no panorama visto da ponte. A sensação é a de que faixas de pensamento político estão ocupadas pelos dois líderes. Caso contrário, eles não manteriam em relação ao 3º colocado, Ciro Gomes, a distância que abriram nas intenções de voto. Acrescente-se que os votos brancos e nulos continuam se reduzindo à medida em que a campanha avança e se aproximam do primeiro estágio de 7 de outubro.

Isso acontece sempre. A campanha esquenta exatamente quando o confronto protagonizado na dança dos números adquire um sentido de competição esportiva. Agora vamos esperar pelo Datafolha.

IMÓVEIS HISTÓRICOS – Há poucos dias escrevi nesta coluna o risco de prédios como o do Automóvel Clube e do Estação Barão de Mauá – Leopoldina – ingressarem na lista na faixa de perigo. O Globo publicou duas reportagens sobre os dois espaços. Agora acrescento mais um prédio abandonado. O do novo Museu da Imagem e do Som, na Avenida Atlântica, cujas obras começaram no primeiro governo Sérgio Cabral e foram interrompidas em seu segundo mandato.  A construção encontra-se paralisada de maneira quase inexplicável, uma vergonha para a cidade.        

A resposta à indagação que faço só pode ser dada pelo desgovernador Fernando Pezão.

Alckmin ataca extremismo de Bolsonaro e peronismo de Lula que sustenta Haddad

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Alckmin vai mudar o eixo de sua campanha na TV

Pedro do Coutto

Numa entrevista a Vandison Lima, o ex-governador Geraldo Alckmin anunciou uma revisão de sua estratégia nas três semanas que faltam para o primeiro turno nas eleições presidenciais. Alckmin destacou que um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad representa um risco para o Brasil. Acentuou que Bolsonaro é inexperiente e que Haddad representaria de forma indireta Lula no poder. Por isso ele vai refazer sua presença no horário gratuito da televisão e do rádio, período em que se esgota à meia-noite de 4 de outubro.

Alckmin de acordo com reportagem de Vera Rosa e Pedro Venceslau, O Estado de São Paulo de ontem, enfocou o resultado de uma pesquisa do MDA que ressaltou um avanço na posição do candidato do PT.

PERONISMO – A candidatura Fernando Haddad – digo eu – é sustentada por uma versão que se pode chamar de peronismo através do qual Lula sustenta a candidatura do ex-prefeito da cidade de São Paulo. Por que, na minha opinião a transmissão de votos de Lula para Haddad baseia-se muito mais no populismo do ex-presidente do que em manifestação da extrema esquerda? Simplesmente porque, da mesma forma que no caso de Juan Domingo Perón, a força do PT baseia-se na imagem de um só homem.

A ideologia, para Lula, fica em segundo plano. Ele deseja vencer através da vitória de seu candidato, que aliás custou a aceitar. Não há maior conotação ideológica ou filosófica na sombra de Lula sobre Haddad. Há apenas um desejo de tornar possível a revisão do processo que o condenou. Essa revisão me parece impossível, mas parece factível aos olhos lulistas impulsionando a candidatura Haddad.

DEBANDADA – Alckmin está enfrentando uma debandada da sua base alicerçada no Centrão, com transferências para Haddad e para Bolsonaro. Alckmin completa o vértice do triângulo. Mas esse vértice pode afastá-lo do segundo turno. Alguns leitores poderão até dizer ou se surpreender com a referência que faço ao peronismo. O peronismo, como o varguismo, sempre atacou a esquerda depois de ter flertado com a direita.

No Brasil Vargas elegeu Dutra, na Argentina Perón elegeu a si próprio, Frondizi em 58, elegeu Arturo Illia em 63, Hector Campora em 72 e tornou-se vitorioso nas urnas de 73 com quase 2/3 dos votos. Por isso é que se verifica que o populismo é mais forte do que a esquerda e de maneira indireta pode servir de base para a direita. Encontra-se aí a explicação dos fenômenos Bolsonaro e Haddad.

Nesse quadro Ciro Gomes aguarda o sentido da maré. Ele não tem subido nem caído nas pesquisas. Por falar em pesquisa, vamos comentar depois o levantamento concluído ontem, terça-feira.

Votos brancos e nulos caem quando candidatos entram na reta final

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

A taxa de votos nulos e brancos ainda se mantém bastante alta, conforme revela a pesquisa do Datafolha comentada na edição de ontem da FSP, assinada por Isabel Fleck. No momento existem duas situações: uma retrata os nulos e brancos assinalados na pesquisa que exibe aos entrevistados os nomes dos candidatos. Nesse caso o índice encontra-se na altura de 13%. Outra visão do levantamento acentua que os nulos e brancos elevam-se hoje a 32%. Nesse ângulo a pesquisa foi feita para que os entrevistados se pronunciassem espontaneamente. Aliás esse tema foi objeto de artigo de Carlos Newton, editor desse site, publicado no domingo.

Seja qual for o modelo da pesquisa os candidatos Bolsonaro, Ciro Gomes e Fernando Haddad se destacam. A meu ver, como já disse em artigo anterior, o segundo turno, a 28 de outubro, será decidido entre Bolsonaro e o adversário que resultar da disputa entre Ciro Gomes e Fernando Haddad. Creio que este quadro será o mais provável. Entretanto, em matéria de eleição, como no futebol, ninguém vence na véspera.

É ROTINA – Afirmei que o número de votos nulos e brancos vai cair na semana final da campanha. É o que acontece sempre e, por esse motivo, fica a impressão de que o contingente de decepcionados om a cena política vai se reduzir, mantendo o mesmo índice que foi registrado em 2014, ou seja na escala de 6 pontos percentuais. Hoje a tendência de anular o sufrágio está em 13%, mas 40% desses 13% admitem que podem mudar o comportamento e ir às urnas com o nome e o número dos candidatos em pauta.

40% de 13% são 5,2%. Como a tabela encontra-se em 13%, se a parcela dos que podem mudar de posição se confirmar, vamos encontrar apenas 8% de votos desperdiçados.

PESQUISA QUALITATIVA – Um enigma que vai perdurar até a votação refere-se a qual dos três candidatos principais poderá captar a parcela maior da indecisão. Tal movimento, como sempre, ocorrerá na reta de chegada, ou seja a uma semana antes das urnas de 7 de outubro.

As equipes dos três candidatos devem realizar também uma pesquisa qualitativa para saber como poderão ir ao encontro das dúvidas existentes. Por exemplo. Dos 13% de indecisos, 66% são mulheres e 47% na faixa dos que recebem por mês até dois salários mínimos. As mulheres representam 52% do eleitorado. Os que ganham até dois salários mínimos são 47% dos eleitores.

FIM DA REELEIÇÃO  – Reportagem de Mariana Haubert  edição de ontem de O Estado de São Paulo, revela que dos candidatos  somente Jair Bolsonaro, Marina Silva e Alvaro Dias, defendem o fim da reeleição do presidente da República, governadores e prefeitos.

Eis aí um bom tema para ser traduzido pelo Datafolha e pelo Ibope.

Jornalistas devem colocar temas mais concretos aos candidatos

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

A Ombudsman da Folha de São Paulo publicou na edição de ontem artigo importante para o eleitorado que vai às urnas em outubro para eleger o sucessor do presidente Michel Temer.  Paula Cesarino Costa reclama com razão a falta de um conteúdo maior nas entrevistas. Até agora os jornalistas e apresentadores têm se limitado a perguntas genéricas e superficiais, enquanto há uma série de questões capazes de levar os candidatos a responderem de forma mais precisa. Saúde, Segurança, Educação e desemprego, além dos transportes têm sido tratados de forma incompleta. Não basta citar os obstáculos.

Mas principalmente revelar as propostas que possuem e como vão buscar recursos para sua execução. Falta de recurso é um problema crônico no Brasil. Entretanto a reportagem de Loreana Rodrigues e Adriana Fernandes, O Estado de São Paulo, edição também de ontem, focaliza uma questão fundamental que a meu ver, deveria constar das entrevistas.

RENÚNCIA FISCAL – Trata-se da renúncia fiscal que foi incluída no projeto de orçamento para 2019. A mensagem de Michel Temer ao Congresso prevê uma renúncia fiscal na escala de 306,4 bilhões de reais. Esse total inclui um acréscimo da ordem de 23 bilhões em relação as renúncias fiscais calculadas para este ano, 2018. Os incentivos fiscais vêm s repetindo todos os anos principalmente no primeiro mandato de Dilma Rousseff até hoje.

Como pode haver uma renúncia dessa ordem se a lei de meios para 2019 já acusa um déficit de 139 bilhões de reais. Se as renúncias fiscais fossem a metade do 306,4 bilhões, o déficit estaria praticamente zerado. Portanto, surge aí um bom tema para nortear as entrevistas que serão realizadas até o dia 7 de outubro, e a mais importante vai ser a da Rede Globo, a 4 de outubro.

DÉFICIT PÚBLICO – O problema do déficit  público é fundamental e não somente em relação ao esforço para cobrir a escala de 139 bilhões. Este é, como chamam os economistas do governo, o resultado primário. Ou seja, um resultado que não inclui o pagamento de juros pela rolagem da dívida interna da ordem de 3,4 trilhões de reais. O eleitorado gostaria de ter conhecimento mais claro do panorama econômico e social. Até porque o desenvolvimento econômico e social depende da disponibilidade os recursos financeiros do país.

Não soma para o conhecimento geral e sobretudo para iluminar pontos sombrios das despesas públicas perguntas limitadas aos candidatos, que na verdade até agora focalizam os temas sensíveis da política governamental, sem transmitir os meios de que pretendem obter da lei orçamentária para alicerçar seus projetos.

Apontar erros e contradições na política é coisa fácil. Atuar para esclarecer os programas de interesse coletivo é que é difícil. Mas é obrigação dos jornalistas buscar as ideias mais profundas, exigidas pelo país como um todo.

Bolsonaro, Ciro ou Haddad – um dos três será presidente da República

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Pela primeira vez nas últimas eleições, o PSDB está fora

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha, publicada sexta-feira, dia 14, em O Globo e na Folha de Sã Paulo, revela uma tendência bem firme, a três semanas das eleições. Bolsonaro subiu, Haddad também e Ciro Gomes manteve o mesmo índice da pesquisa anterior. Vemos assim 26 para Bolsonaro, Ciro 13 e Haddad também 13. Mas o aspecto mais importante desta pesquisa é que os demais candidatos não conseguiram avançar, sendo que Geraldo Alckmin recuou. Falando em recuo, o maior deles foi o de Marina Silva: desceu de 16 para 8%.

O quadro se refere a duas pesquisas: uma realizada a 21 de agosto e outra agora, nos dias 13 e 14 de setembro. Nenhum outro candidato despertou entusiasmo junto ao eleitorado. Tanto é assim que o número dos dispostos a anular o voto ou votar em branco caiu sensivelmente.

BRANCO OU NULO – As intenções de voto no sentido do sufrágio branco ou nulo foram absorvidas por Bolsonaro e Fernando Haddad. Aliás, foram os dois que avançaram. Ciro, embora esteja no páreo, permaneceu no lugar que já estava. Mas seus eleitores manifestaram confiança na sua possibilidade de avançar, caso contrário ele em vez de ficar estacionado, teria descido vários degraus, como aconteceu com Marina Silva, principalmente, e Geraldo Alckmin, que não está demonstrando forte presença na campanha, embora possua maior tempo de exposição na TV e no rádio.

Não é uma questão de marketing, pois marketing só não resolve. Tem que refletir a disposição do candidato e sobretudo pontos concretos em sua plataforma. Caso contrário, as mensagens se igualam na generalidade, não transmitindo a sensação de algo de novo capaz de abrir a esperança dos eleitores e eleitoras.

MESMOS DESEJOS – Este é um ângulo essencial das campanhas políticas. Todas as pessoas são a favor de maior poder de compra, segurança, educação, saúde e melhor transporte.  Essas manifestações igualam as candidaturas. Por isso os que vão votar a 7 e 28 de outubro não recebem uma prova evidente de que tais ideias são para valer.

Mesmo que, no fundo, não sejam para valer, têm que ser convincentes e ao mesmo tempo deslocarem o ânimo dos eleitores para um estágio de maior emoção. Por esse fato é que nas campanhas em busca do voto uns candidatos se destacam em relação aos outros.

SENTIMENTO – A emoção, em grande parte, adiciona-se à razão lógica. Por isso é que os candidatos necessitam acender a chama do sentimento de cada eleitor.

A fase em que nos encontramos, a três semanas das eleições, desloca de forma ponderável o esforço político para uma espécie de competição esportiva.

Um dia Juscelino Kubitschek me disse numa entrevista ao “Correio da Manhã”: o candidato só se sente forte se for capaz de provocar o grito com seu nome nas ruas e praças do Brasil.