Ao apoiar o líder do Centrão, Bolsonaro joga seu destino na eleição para presidente da Câmara

Arthur Lira sobre Mandetta: "Mais trabalho e menos entrevista"

Por “mera coincidência”, Lira é envolvido em rachadinhas

Pedro do Coutto

O Globo, Estadão e o Valor deram grande destaque nesta sexta-feira aos lances que estão envolvendo a disputa para a presidência da Câmara Federal, focalizando as articulações que se sucedem principalmente para a escolha, por Rodrigo Maia, do nome que enfrentará Arthur Lira, líder do Centrão e candidato do presidente Bolsonaro. O episódio, a meu ver, reveste-se de uma importância enorme no campo político. Principalmente porque o mandato das novas mesas diretoras da Câmara e do Senado são de dois anos, portanto, estarão nos postos na sucessão presidencial de 2022.

Se Bolsonaro perder a disputa, sua candidatura a reeleição sofrerá a partir de 2021 uma forte queda em seu projeto de permanecer no Planalto depois da alvorada das urnas.

MAIA INDEPENDENTE – Rodrigo Maia, que se encontra rompido com o ministro Guedes, tem atuado com independência, o que fortalece sem dúvida à oposição. O que falta a Maia é alcançar um consenso em torno do candidato que em Janeiro enfrentará Arthur Lira e o bloco do governo. Rodrigo Maia está se empenhando a fundo para vencer a disputa.

O candidato capaz de unir o presidente da Câmara à frente dos oposicionistas deverá surgir até o final deste ano. Na Folha de São Paulo a reportagem é de Júlia Chaib e Tiago Resende, no Estadão é de Felipe Frazão, no Valor assinam Marcelo Ribeiro, Rafael Di Cunto e Fábio Murakawa.

A partir da semana que vem as articulações vão ganhar cada vez mais empenho, como é natural sobretudo porque, como disse há pouco, Rodrigo Maia vai avançar para obter destaque que poderá ser decisivo para seu futuro político.

TODAS AS FICHAS – Jair Bolsonaro joga todas as fichas na própria reeleição que já esteve mais viável do que na atual  faixa de tempo. A pesquisa do IBOPE inclusive mostrou que a aprovação de seu governo pela opinião pública já esteve melhor situada e agora mesmo, nas urnas municipais sua administração é mais reprovada do que aprovada. Rio e São Paulo são destaques uma vez que concentram praticamente 1/3 do eleitorado brasileiro.

Que Bolsonaro estará nas urnas é um fato certo, mas sua candidatura pode ser confrontada por algum candidato capaz de reunir as forças que lhes são contrárias. Nesta escala situam-se o governador João Doria e o ex-ministro Ciro Gomes.

PT É INCÓGNITA -A posição do PT de Lula da Silva é uma incógnita. Até porque, segundo a matéria do Valor, o PT poderá inclusive votar em ArtHur Lira. Ou então abster-se, posição que Lula vem adotando.

O ex-presidente sonha com uma noite de verão para conseguir livrar- se das condenações que lhes foram imputadas, e Arthur Lira promete abrandar a Lei da Ficha Limpa. Terá coragem e apoio para fazê-lo?

Bolsonaro ignora a realidade, flutua na fantasia e não sabe o que fazer com a Covid-19

Bolsonaro e o coronavírus

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro surpreendeu os médicos, os infectologistas e aos próprios cientistas, quando afirmou que estamos atravessando o final da pandemia, o que contraria a realidade e provoca uma sensação de perplexidade na opinião pública. O presidente da República e seu governo até hoje não se voltaram para preparar um plano nacional de vacinação. Seu comportamento à  frente do governo é um desastre.

Em todos os países, os governos estão se empenhando em uma luta permanente para iniciar a vacinação, o que comprova a gravidade de um processo cujo impulso assumiu a característica de um ciclone que multiplica as mortes decorrentes do coronavirus.

AO ABANDONO – O Brasil, como acentuei, não tem plano de vacinação. Tanto assim que estamos a espera da vacina entre todas produzidas no planeta. A vacina não tem ideologia política, mas o presidente Bolsonaro depois de dizer que a epidemia estava no final, mobilizou o ministro Pazuello para começar a aplicar a vacina antes do  governador João Dória, que ele identifica como seu adversário nas urnas de 2022.

Como o governador de Sã Paulo marcou o início do processo de imunização, o presidente de repente ficou empenhado consigo mesmo para começar ainda no final deste mês. Mas não é possível minimizar a pandemia e depois correr para suplantar o governador de São Paulo. O fato é que nos dois últimos dias a Covid 19 causou a morte  de cerca de 1000 pessoas, e contaminou dezena de milhares em todo o país. Na minha opinião Bolsonaro não tem capacidade para governar.

FALTA DE VISÃO – Uma prova adicional que acentua a falta de visão do presidente Bolsonaro está no Globo desta quinta-feira, reportagem de Marcelo Correa e Eduardo Campos, publicando afirmações do deputado Rodrigo Maia.

O presidente da Câmara Federal assinalou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, diz que o Legislativo precisa votar matérias destinadas a reformas e privatizações, mas não fixou agenda alguma para recuperação econômica e geração de renda.

Maia disse que Guedes não teve qualquer iniciativa para diminuir o desemprego, acrescentando que os projetos que o ministro anuncia como solução ainda não saíram do papel. E agora?

Líder do Centrão, Arthur Lira acusa Rodrigo Maia de estar sabotando o governo Bolsonaro

Governo oferece ministérios a fim de colher votos para Arthur Lira - MBL  News

Arthur Lira tenta culpar Rodrigo Maia pelo fracasso do governo

Pedro do Coutto

Em artigo assinado na edição de terça-feira da Folha de São Paulo, o deputado Arthur Lira candidato do Palácio do Planalto à presidência da Câmara, afirmou que o deputado Rodrigo Maia é uma sabotador do governo Bolsonaro e que tem se tornado um obstáculo aos projetos do governo apresentados à Câmara Federal.

 Lira apresenta-se como candidato para contribuir politicamente com as ações do governo em busca do equilíbrio institucional. Por isso, prosseguiu, o próximo presidente da Casa nem líder do governo nem da oposição, tem de ser alguém independente mas que contribua para a harmonia dos Poderes, não se devendo confundir subserviência com independência.

PAUTA-BOMBA – Em outro trecho acentua que não podemos nos dar ao luxo de prepararmos uma pauta bomba capaz de causar paralisia no Legislativo. É um comportamento destrutivo. Nesse tipo de comportamento não se vota nada para a economia  do país. O presidente da Câmara tem de ser alguém acima das diferenças partidárias. As instituições não vão aguentar mais dois anos de “quanto pior melhor”, com um presidente sabotando o presidente da República.

E disse mais: “Temos de criar condições de governabilidade. Erra quem imagina que asfixiar o atual governo do ponto de vista fiscal vai deixar espaço para sobrevivência do sistema democrático”.

AMEAÇA À DEMOCRACIA – Depois de acentuar essa visão bastante crítica de Rodrigo Maia, disse Lira que a democracia já estava ameaçada em 2016 com uma crise que levou ao impedimento da presidente Dilma Rousseff. Além disso, Arthur Lira referiu-se a prisão de Lula e, segundo ele, às duas tentativas feitas para derrubar o governo Michel Temer.

Disse que na terra arrasada não haverá nem vencedor nem vencido num contexto democrático. O Brasil agora não poderia estabelecer uma regra contra o presidente da República.

Referindo-se a Rodrigo Maia, acentuou que ele, aliado às esquerdas, prejudica o país.

PARTIR PARA O ATAQUE – O parlamentar de Alagoas, na minha opinião, ao partir para o ataque, choca-se com a corrente de Rodrigo Maia e assim prejudica sua própria candidatura, uma vez que está fazendo exatamente o que ele censura no bloco ligado a Maia. Com isso ele perde votos sobretudo porque o atual presidente da Câmara está articulando uma candidatura contra a de Lira.

Por esse aspecto, ele perde votos na eleição da Câmara, inclusive porque no fundo do caso sua ligação com o Planalto torna o Centrão menos atuante junto ao poder. Ao Centrão interessa alguém mais flexível, por se tratar de uma questão política inspirada no fisiologismo.

JARDIM BOTÂNICO – Matéria de Ludmila de Lima, O Globo , focaliza a forte reação dos moradores do Jardim Botânico contra o projeto do Ministro Ricardo Salles que deseja transformar o museu que existe na área em um hotel boutique, sem considerar que o prédio é tombado e pertence ao governo federal, o que torna estranha qualquer transação.

Os moradores já recolheram 30 mil assinaturas para dar base a um protesto público bastante amplo, contando também com o apoio dos ecologistas.

O projeto está sendo classificado na linha de um absurdo comercial que não considera a área verde que envolve os visitantes do Jardim Botânico e o próprio patrimônio cultural do país. Trata-se de um absurdo.

Inflação antecede os reajustes de salários e os preços ganham sempre essa corrida

TRIBUNA DA INTERNET | Somente através do salário é possível redistribuir melhor a renda no país

Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O fato social mais sensível e oculto pelos discursos oficiais é que a inflação antecede sempre os reajustes salariais. Com isso a carga dos preços termina invariavelmente produzindo um eterno desequilíbrio entre os valores do trabalho e a realidade dos mercados financeiros. Agora, por exemplo, de acordo com reportagem de Cássia Almeida e Carolina Nalin, O Globo desta segunda-feira, revela que a inflação de outubro de 2019 a outubro de 2020 atingiu 3,4%. Do outro  lado da corda encontram-se os salários estacionados há dois anos. Em períodos normais a reposição inflacionária dos salários deveria atingir os mesmos 3,4%. Entretanto os reajustes salariais estão na marca de 0%.

Para confrontar,  é fácil adicionar a verdade nesse relacionamento desigual. Porque daí é que surge, caso do Rio de Janeiro, uma favelização incessante.

 HAVERÁ RETRAÇÃO – Sinal de alerta, disseram as repórteres referindo-se a retomada do ciclo inflacionário. Com isso o consumo não pode se expandir, pelo contrário, só pode se retrair. E se o consumo se retrair, o produto da carga tributária também estaciona. Não há reforma tributária ou administrativa que possa resolver esse eterno impasse.

Enquanto a inflação do IBGE registra 3,4%, o IGPM da Fundação Getúlio Vargas apresenta uma elevação de 20% no mesmo período. E o IGPM é o índice aplicado aos aluguéis. No país os locatários  na minha opinião devem significar pelo menos 15% do total de residências. São, portanto cerca de 7 milhões e 500 mil imóveis. Mas esse cotejo não passa pela lente do IBGE.

OUTROS ASSUNTOS –  Marcia Dessen, Folha de São Paulo, chama atenção para os dispositivos ocultos nas sombras dos textos em propaganda sobre suposta rentabilidade de aplicações nos fundos oferecidos pelos bancos. Muitas vezes o anúncio das aplicações não inclui o Imposto de Renda, a taxa de administração e tampouco a grande perda dos aplicadores, caso tenham de fazer retiradas no meio do prazo da aplicação.

No Estadão, reportagem de Ciro Campos, atletas profissionais de várias modalidades esportivas revelam uma questão que se encontra no STJ. Trata-se do uso de imagem desses atletas para os jogos de video game. Afinal de contas os produtores dos games sequer pediram autorização para o uso da imagem de cada um. Isso representa uma violação dos direitos individuuais para uma atividade altamente remunerada. O precedente pode abrir caminho para uma série de outras questões.

Por fim, deixo para amanhã o texto dos antigos jornalistas do Correio da Manhã destinado a avisar que este ano, em face da pandemia, não haverá o almoço que promove o encontro do passado com o presente.

Bolsonaro não suporta mais a ideia de Rodrigo Maia continuar presidindo a Câmara

Bolsonaro acusa Maia de conspiração e diz que atuação do deputado é 'péssima'

Bolsonaro e Maia eram amigos, agora são adversários

Pedro do Coutto

Reportagem de Julia Chaib e Gustavo Uribe, Folha de São Paulo de domingo, revela que o presidente Bolsonaro não suporta a ideia de Rodrigo Maia ser mais uma vez reeleito e assim continuar presidindo a Câmara Federal. O presidente iniciou uma forte ofensiva para fortalecer a candidatura do deputado Arthur Lira, mas na última semana surgiram dificuldades em face de inquéritos levantados contra ele (Lira) com base em seu envolvimento com as rachadinhas na época em que foi deputado estadual em Alagoas.

A tempestade parecia ter inviabilizado seu nome. Tanto assim que o Planalto vazou a informação de que Jair Bolsonaro deslocou-se para um plano B com a tentativa de eleger Fábio Faria ou Teresa Cristina, atualmente ministra da Agricultura.

Fábio Faria é ministro da Comunicação. O presidente coloca essas duas alternativas, prevendo uma dificuldade maior se partir desde já para um apoio ostensivo a Artur Lira.

VOTO DE KASSIO – A resistência do Palácio do Planalto a Rodrigo Maia, inclusive, exprimiu-se no voto do ministro Kassio Marques, semana passada no STF, sobre a perspectiva de os presidentes da Câmara e do Senado poderem continuar nos cargos, caso o plenário de cada uma das casas do Congresso aprovar a reeleição, interpretando artigo constitucional que veda a possibilidade.

Há uma votação virtual na Corte Suprema considerando que a reeleição poderá ser viável. Entretanto, o ministro Nunes Marques votou favoravelmente a reeleição de Davi Alcolumbre e contrariamente à de Rodrigo Maia. Para ele, um senador possui mandato de oito anos enquanto o da Câmara tem mandato de quatro anos. Assim considerou que a legislatura de um é diferente da de outro.

CONTRA MAIA – A tese foi derrotada, mas trazia  em seu conteúdo uma abertura para Alcolumbre e o sinal fechado para Rodrigo Maia. Chamou muito atenção o voto de Kassio Marques, porque o seu voto confirma o impulso de Bolsonaro contra Rodrigo Maia, como destaca a reportagem da Folha de São Paulo.

O governo Bolsonaro alega que vem sofrendo derrotas causadas por Rodrigo Maia e a corrente de deputados que o apoiam. Entretanto, o fato concreto é que os projetos do ministro Paulo Guedes sobre a reforma tributária e a administrativa até hoje nem foram enviados ao Congresso no formato definitivo.

Portanto, o que vem irritando o Palácio do Planalto são as críticas constantes de Rodrigo Maia, inclusive feitas diretamente a Paulo Guedes, que certa vez impediu secretários da Pasta de almoçarem com Rodrigo Maia.

Retrocesso social é inegável e o mapa da fome no Brasil já inclui 50 milhões de habitantes

A fome mata: 17 pessoas morrem de desnutrição por dia no Brasil

A desigualdade social se tornou um dos maiores problemas

Pedro do Coutto

Reportagem de Manoel Ventura, O Globo de sábado, revela que a fila dos que desejam incluir-se no programa Bolsa Família está reunindo praticamente um milhão de pessoas, as quais vão se juntar às 14 milhões e 470 mil famílias que já se encontram no programa. É um desafio para o governo sobretudo porque só podem se inscrever as unidades familiares cujos integrantes possuem uma renda per capita de  89 até 178 reais.

Partindo-se do princípio de que a média é de 4 pessoas por família chegamos assim a uma projeção de menos do que um salário mínimo para cada grupo.

É INACEITÁVEL – Este ano a despesa do governo com o Bolsa Família está sendo de 32 bilhões de reais. Se 1 milhão de outras famílias vierem a ser incluídas a despesa prevista subirá para 34,8 bilhões de reais em 2021.

Está portanto projetado o mapa da fome no Brasil. É muito alto e inaceitável esse total de pessoas excluídas, representando praticamente 25% da população de nosso país. Tal contingente humano pode ser comparado às populações da Itália e da França.

Trata-se de um mapa que me faz lembrar a fabulosa obra do sociólogo Josué de Castro, que na década de 50 lançou seu livro Geografia da Fome, um marco importante do contexto social brasileiro e que se tornou um clássico internacional, estudado nos mais diferentes países.

A FOME AUMENTA – Se observarmos o crescimento do número de famílias atendidas, tal prática vai nos conduzir à identificação de que a fome, ao invés de ser reduzida através do tempo, pelo contrário, a cada ano torna-se maior do que aquela registrada no exercício anterior. Sem dúvida, é uma consequência do desemprego que o ministro Paulo Guedes não leva em consideração, ao observar o panorama sem a lente da realidade.

Está evidente que o crescimento da pressão para que famílias sejam inscritas é consequência também de os salários perderem , como acontece, para a inflação. Este é um fato. O outro é a dificuldade de se verificar quem tem direito e quem não tem a participar do programa. Isso porque a grande parte dos habitantes do mapa da fome não tem vínculo empregatício e, dessa forma, difícil conferir abrangência na escala de 89 reais a 178 reais por mês per capita.

AUXÍLIO EMERGENCIAL – De outro lado, a repórter Daniela Amorim, O Estado de São Paulo de ontem, destaca que a redução do auxílio emergencial de 600 para 300 reais por mês vai fazer com que mais pessoas caiam na pobreza e na miséria.

A meu ver, tal hipótese é bem realista vai agravar o problema a partir de Janeiro de 2021, quando o auxílio emergencial, segundo anunciou Paulo Guedes, será extinto.

Como se não bastasse,  reportagem de Amanda Puppo, O Estado de Sã Paulo, informa que o governo Bolsonaro está estudando repassar a gestão do aluguel social para a iniciativa privada.

Pergunta indiscreta ao IBGE: como pode o PIB ter crescido tanto se o desemprego não caiu?

Retomada em 'V' de Paulo Guedes

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Os jornais deram grande destaque à matéria divulgada ao IBGE sobre o crescimento do PIB na escala de 7,7%, mas o índice de desemprego não diminuiu no mesmo período. Até pelo contrário, aumentou bastante, agora envolvendo 14 milhões de brasileiros e brasileiras. Essa pergunta faço a mim mesmo e, através da Tribuna da Internet, a dirijo ao IBGE, já que tanto o produto e o desemprego foram divulgados pelo instituto.

A jornalista Miriam Leitão escreveu sobre essa contradição na edição de O Globo de sexta-feira. E no mesmo jornal foi publicada reportagem sobre o panorama econômico do país.

SOBE E DESCE – No segundo trimestre da 2020 o produto decresceu 5%. Agora no terceiro trimestre teria avançado 7,7%. Para início de conversa, é preciso saber sobre quais montantes as percentagens incidiram, pois como dizia Roberto Campos, só se deve usar percentagens se acompanhadas dos números absolutos nas quais se baseiam.

Por exemplo: No trimestre abril, maio e junho o PIB, era de 6,6 trilhões de reais, citado para efeito de comparação com o montante da dívida interna. Foi noticiado que a dívida interna brasileira estava se aproximando de 90% do PIB.

Vejamos. Se o PIB de junho estava em 6,6 trilhões de reais, a queda de 5% atingiu a economia do país em menos 330 bilhões de reais.  Agora no trimestre julho, agosto e setembro o crescimento do produto teria sido de 7,7%. Mas 7,7% em cima de quê? Se fosse em cima de 6,3 trilhões o efeito do crescimento representaria um pouco mais de 484 bilhões de reais. Ora, se fosse tal montante o nível de desemprego obrigatoriamente teria desabado. Pelo contrário, não diminuiu nada.

RECUPERAÇÃO FRACA – Esses cálculos que apresentam levam a ter a certeza de que os 7,7% incidiram sobre a percentagem de recuo no segundo trimestre que foi de 5%.

Portanto, a comparação esclarece diretamente que a economia brasileira continua não recuperando o espaço perdido até o segundo trimestre deste ano. É exatamente sobre isso que Miriam Leitão escreveu, assinalando que o PIB subiu mas ainda ficou devendo.

De outro lado o ministro Paulo Guedes sustentou que a economia está se recuperando e que portanto a partir de janeiro de 2021 o auxílio de emergência pode terminar. São visões diferentes de um problema que interessa a todos,

Governo persegue a TV Globo de forma ridícula, enquanto favorece suas concorrentes

Bolsonaro faz inimiga Globo deixar de ganhar R$ 400 milhões

Fotocharge reproduzida do Portal Terra

Pedro do Coutto

São duas matérias importantes, uma publicada na edição desta quinta-feira, pela Folha de São Paulo, reportagem de Julio Wiziack, e outra em O Globo edição de quarta-feira. Pensava em escrever a respeito do compromisso do Facebook de pagar a jornais e emissoras de TV do Reino Unido pelo aproveitamento de conteúdos na sua plataforma diária.

Foi um acordo estabelecido pelo fato, penso eu, do uso de reportagens, artigos e notícias que se incorporam às páginas do Facebook  acessadas online por milhões de pessoas. Para se ter ideia da importância do acordo ele abrange The Economist  e The Guardian.

TAMBÉM NOS EUA – Acordo semelhante foi formalizado no primeiro semestre deste ano entre o Google e o New York Times. O contrato do Facebook abrange também o Washington Post. Um aspecto essencial da questão reside no fato de os jornais e emissoras de TV possuírem reportagens em ação enquanto o Google e o Facebook não usam repórteres para colherem fatos e opiniões. Essa diferença é fundamental e com ela ganham milhões de leitores em todo o mundo.

Deve se notar que enquanto o acesso a internet realiza através de um clique por matéria, os jornais circulam com suas edições completas. Vamos ver agora o que acontece aqui no Brasil entre o governo e a rede Globo.

Reportagem de Julio Wiziack, Folha de São Paulo de quinta-feira,  revela que o governo Bolsonaro resolveu investigar a TV Globo pelos descontos que oferece na publicidade que recebe e veicula. Confesso que fiquei surpreso na medida em que um governo na área econômica se afirma liberal, como já definiu Paulo Guedes, pressiona a Globo por reduzir seus preços e não aumentá-los, como geralmente ocorre nas emissoras de televisão.

HÁ DIFERENÇAS – Mas o fato não é só esse. O fato é que a questão dos descontos decorre em muitos casos do volume da própria publicidade comercial. Evidente que anúncios diários sistematicamente veiculados não têm o mesmo preço do que anúncios singulares. Por exemplo, supermercados, veículos e bancos têm um valor mensal menor do que o preço unitário de um dia só.

Entretanto, a maior contradição do governo está na distribuição das cotas de publicidade institucional. Quer dizer, tendo maior audiência, a Globo recebe menos do que as cotas para a Record e SBT. Enquanto isso, ela é acusada de violar o mercado diminuindo seus preços. Algo absolutamente incrível que um governo possa agir assim.

FMI E BRASIL – Matéria de Eduardo Cucolo, Folha de São Paulo, revela que o FMI, apesar de seu conservadorismo, publicou ontem matéria defendendo que o Brasil estenda seus auxílios emergenciais para populações pobres cuja renda é mínima.

Vejo assim um contraste entre o FMI keynesiano e o ministro Paulo Guedes, que segundo disse leu as obras do ministro inglês da Economia, pensamento absolutamente oposto ao seu.

Próxima sucessão presidencial se encaminha para uma disputa entre Bolsonaro, Doria e Ciro

Eleição em sete capitais deve ter impacto na formação de palanques em 2022  - Jornal O Globo

Esses três candidatos já estão em permanente campanha

Pedro do Coutto

O governador João Dória, na comemoração pela vitória de Bruno Covas para prefeito, associou-se ao resultado, até porque Covas foi seu companheiro de chapa nas eleições municipais de 2016. Com o episódio, o governador de São Paulo iniciou a decolagem para um voo ao Planalto daqui a dois anos. Um quadro assim começa a se definir, mas o ex-presidente Fernando Henrique, em entrevista para o portal UOL, admitiu que Dória poderá vir a ser o candidato do PSDB, entretanto necessita nacionalizar sua imagem, ou seja, tornar-se conhecido nacionalmente.

As declarações de FHC foram publicadas nas edições desta segunda-feira do Globo e da Folha de São Paulo. Enquanto isso, reportagem de Vera Magalhães, no Estado de São Paulo, revelava  que o DEM , nesta fase inicial, está basicamente dividido entre João Dória e Luciano Huck.

INDEFINIÇÕES – Em 2018 Luciano Huck teve seu nome destacado como um possível candidato, na opinião de Fernando Henrique. Sem dúvida, o posicionamento de FHC esvaziou a candidatura de Geraldo Alckmin e abriu uma perspectiva política para Luciano Huck. Quando coloco uma possível definição das esquerdas na sucessão presidencial, é porque não acredito que PT, PCdoB ou qualquer outa corrente partidária possam ter um candidato capaz de chegar ao segundo turno.

Assim, penso, a opção dos reformistas de direita vai balançar entre João Dória e Jair Bolsonaro que deverão estar entre os dois finalistas.

Projetado a atmosfera de hoje para um cenário do amanhã, as forças esquerdistas só possuem um nome capaz de repercutir – o  ex-ministro Ciro Gomes. Mas é verdade que em política as análises têm de enfrentar as mudanças que ocorrem com velocidade de uma fórmula um.

INFLAÇÃO DISPARA – Como exemplo cito matéria de Eduardo Cucolo, Folha de São Paulo, ressaltando que já no início de 2021 haverá aumento na gasolina, energia elétrica e no universo da saúde. Vão pesar no bolso e poderão funcionar como argumentos contrários ao atual governo do país.

Pode afetar também a imagem de Bolsonaro o congelamento salarial nascido da ideia de Paulo Guedes que tornará impossível o pagamento das tarifas públicas por parte da população. Só o IGPM de novembro a novembro cresceu 20%, atingindo assim os locadores de imóveis.

Outro ponto que poderá contribuir para desmantelar a presidência da República encontra-se no desmatamento da Amazônia, que nos últimos 12 meses aumentou 9,5%. A Amazônia faz parte das atenções do presidente eleito dos EUA, Joe Biden.

MORO NA A&M – Finalmente ao lermos as reportagens de Cleide Carvalho e Katina Baran, respectivamente nas edições de ontem de O Globo e da Folha de São Paulo, surgiu um fato que vai conduzir a desdobramentos e a críticas dos setores mais ati8ngids pela operação Lava Jato.

A contratação do ex-ministro Sérgio Moro para diretor sócio da Consultoria Alvarez & Marsal. Essa assessoria prestou serviços para a empreiteira Odebrecht, como todos sabem a principal empresa envolvida no escândalo da Lava Jato, escândalo que levou a prisão vários implicados condenados por Sergio Moro, entre os quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como se vê em política, os fatos essenciais surgem de repente, pois Moro é também possível candidato.

Bolsonaro faz papel grotesco ao alardear que as eleições norte-americanas foram fraudadas

Bolsonaro barra Folha e outros jornais em primeira entrevista coletiva como presidente eleito - 01/11/2018 - Poder - Folha

Jair Bolsonaro age sempre de maneira pouco diplomática

Pedro do Coutto

Na tarde de domingo, logo após votar na eleição do Rio, o presidente Jair Bolsonaro. ao responder a uma pergunta de um dos repórteres, afirmou não ter dúvida de que as eleições norte-americanas foram fraudadas, razão pela qual ele aguarda a decisão final da Justiça dos EUA. Com isso ele bateu seu próprio recorde em matéria de equívocos e de investidas excêntricas para dizer o mínimo. A curta entrevista colocada no ar pela TV Globo foi motivada por uma resposta inclusive comentada por William Bonner.

O apresentador da TV Globo dez questão de esclarecer que o presidente da Republica fez esta afirmação sem qualquer prova concreta.

CONSTRANGIMENTO – A observação de Jair Bolsonaro sem dúvida causou mal estar nos EUA, porque sustentar que as eleições foram fraudadas significa que o país não teve capacidade de realizá-las de forma limpa e de punir os fraudadores.

Bolsonaro esqueceu que todos os recursos até o momento acionados pelo residente Trump foram rejeitados pela Justiça. No caso de Michigan, Georgia e Pensilvânia, as recontagens confirmaram a vitória de Joe Biden.

Em consequência, o presidente Donald Trump assumiu um papel incapaz de ser levado a sério e causou perplexidade, não só nos EUA como também nos países cujos presidentes e primeiro-ministros pensam o contrário do que pensam Bolsonaro e Trump.

RIDÍCULO E GROTESCO – Trump  expõe os EUA a uma situação entre o ridículo e o grotesco. Nunca na história americana aconteceu esse tipo de revolta pelos presidentes que não conseguiram se reeleger. Casos de Nixon, em 1960, quando perdeu para Kennedy, tampouco George Bush, que foi derrotado por Bill Clinton, assim como  Jimmy Carter, que perdeu para Ronald Reagan. Portanto, a investida de Trump vai de encontro ao regime democrático e à tradição das campanhas eleitorais para presidente da República.

Joe Biden  inclusive já formou praticamente seu governo, convocando pessoas de sua confiança para postos-chaves da administração. Indicou também a nova representante do país na ONU. A equipe do presidente que assume a 20 de janeiro já se encontra em atividade para traçar o projeto básico para os próximos quatro anos, em transição autorizada por Trump na segunda-feira da semana passada.

CASO DIPLOMÁTICO – Ao afirmar que as eleições pela Casa Branca foram fraudadas o presidente Bolsonaro projetou um quadro anárquico na legislação dos EUA. Sua investida pode criar um grave caso diplomático porque no fundo contém uma desconfiança na capacidade americana de cumprir a lei e a ética.

Na mesma entrevista, o presidente Bolsonaro acentuou que tem desconfiança no sistema brasileiro, no qual as urnas eletrônicas têm um papel decisivo. Mas o ministro Luis Roberto Barroso, presidente do TSE, rebateu indiretamente a desconfiança de Bolsonaro. E acrescentou um toque irônico, ao dizer que Trump envereda por um estranho caminho, que expõe o país a uma reação mundial.

As urnas revelam que Bolsonaro está no caminho errado para o desfecho de sua reeleição em 2022

Pesquisa grosseiramente falsificada atribuída ao Serpes/OPopular circula em Catalão - Jornal Opção

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Pedro do Coutto

Tenho certeza de que as urnas deste domingo vão revelar que o presidente Jair Bolsonaro está percorrendo a estrada errada para as eleições presidenciais de 2022, que na sua visão vão reelegê-lo. Pelo contrário. Ao manter seu estilo imprevisível diante dos fatos políticos nacionais e internacionais, não muda nem sua conduta nem seu caminho.

Os erros têm sido muitos e se acumulam na percepção e memória dos eleitores. Afinal o presidente da República desde o início de seu governo vem divergindo do que anunciou como rumo certo na campanha pela conquista do voto em 2018.

CONTRA A CORRUPÇÃO? – Bolsonaro foi eleito porque polarizava sua campanha em promessas contra a corrupção instalada na Petrobrás por Lula e tolerada por Dilma Rousseff. A população brasileira tinha sido ferida de forma profunda. Dessa forma, Bolsonaro apresentava-se como a esperança de moralidade.

Francamente, o presidente rompeu com o candidato e sua imagem não se refletiu até agora no passar do tempo.

Como se viu dos números que a Globonews apresentou no sábado a aprovação do governo caiu verticalmente, exceção de nos estados do norte que pesam muito pouco no universo eleitoral

VALOR DAS PESQUISAS – Quanto às eleições municipais, sei que me arrisco em afirmar que os resultados dessas eleições de domingo estão confirmando as pesquisas do Datafolha e do Ibope.. Escrevo este artigo as 11 horas de domingo, mas posso acentuar os resultados do pleito.

Sempre  acreditei em pesquisas. Acompanho as eleições desde 1955, quando trabalhava no Correio da Manhã. Devo dizer que fui o primeiro jornalista brasileiro a levar a sério as pesquisas. No tempo em que o Ibope funcionava em uma sobreloja da Avenida Henrique Valadares. O criador do instituto, Paulo Montenegro, e eu tornamo-nos amigos e conversávamos sempre a respeito da exatidão dos levantamentos.

O Ibope  fazia também pesquisas sobre venda de jornais, audiências de rádios, presença das emissoras de televisão junto a população. Antes, muitos não acreditavam em pesquisa, mas agora prestam sempre atenção aos trabalhos do Ibope de Carlos Augusto Montenegro e do Datafolha, empresa da Folha de São Paulo.

VAMOS CONFERIR – Novamente Ibope e Datafolha jogam seu destino na confirmação de suas pesquisas pela verdade das urnas. Como sempre dizia Paulo Montenegro, a pesquisa eleitoral é a única que pode ser comprovada diretamente pela opinião pública. Hoje temos oportunidade de confrontar os dois planos que separam os números da previsão e aqueles sobre os quais as urnas resolveram decidir.

Uma nova realidade vai surgir de hoje. Destaque especial para Guilherme Boulos, na cidade de São Paulo, onde alcançará, mesmo derrotado expressivo volume de votos, enfrentando além da Covid-19 o peso das máquinas políticas tanto de Bruno Covas quanto de João Dória.

Voto democrático é um direito dos cidadãos, não deve ser transformado em obrigação legal

TRIBUNA DA INTERNET | Eleição de 2018 é mais abrangente e não será apenas  de situação X oposição

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Em sua coluna sempre brilhante na Folha de São Paulo, Hélio Schwartsman, edição deste sábado, sustenta que o voto não deve ser obrigatório, como acontece no Brasil, e deveria ser facultativo como ocorre nos Estados Unidos, França e Reino Unido, além de grande número de outros países. Concordo integralmente com o intelectual e aproveito para acrescentar detalhes em relação às urnas, focalizando reflexos que na minha opinião aconteceriam caso a legislação brasileira fosse mudada. Mudada para melhor.

Esta hipótese representaria um avanço democrático e, na realidade, iria prejudicar as classes de renda alta e favorecer os segmentos de menor renda.

VOTO FACULTATIVO – No Brasil, era a antiga UDN que no passado representava as elites e a classe média, e aqui a dependência do eleitor em relação ao Estado é muito maior que nos EUA. Portanto, com o voto facultativo, as correntes de menor renda iriam votar e as correntes que formam a classe média não compareceriam com a mesma disposição do que os integrantes dos grupos menos favorecidos.

Esses grupos dependem muito mais dos governos que aqueles cuja renda mensal fica acima da barreira dos 10 mil reais mensais. O saudoso presidente JK me disse um dia que, no fundo, “política é esperança”. Ele era o homem do sim num país que usava e abusava da palavra não.

Meu encontro com ele foi em sua residência em Ipanema, em decorrência de matéria por mim escrita, com base em pesquisa do Ibope que apontava uma ampla margem de tendências eleitorais em favor da campanha JK 65. Ele voltaria ao poder caso o regime de 1964 não o tivesse cassado. Foi uma pena. Mas esta é outra questão.

GABEIRA PERDEU – Alguns  anos atrás Fernando Gabeira perdeu uma eleição para prefeito do Rio, na qual disputava com Eduardo Paes. Paes naquela altura era candidato do governador Sérgio Cabral. Houve um feriado na semana que antecedia as urnas que Sérgio Cabral transferiu para segunda-feira. Em grande parte  o eleitorado de Gabeira era formado pela população de maior renda. O que aconteceu? Eleitores nesse perfil saíram do Rio e foram para casas de campo em outros municípios. Fernando Gabeira perdeu a eleição por 1,6%. Teria sido, penso eu, um excelente prefeito.

Em matéria de eleição, com o passar do tempo os grupos proletários vão aumentar cada vez mais. Basta olhar do alto de um edifício as favelas que expressam esta realidade, cada vez mais agravada pela ocupação dos espaços na antiga Guanabara. Houve tempo em que a UDN e o PSB formavam uma só agremiação. O PSB era a esquerda democrática e se transformou em partido em 1947, não participando portanto das urnas que levaram o General Eurico Dutra à vitória, resultado do apoio que recebeu de Getúlio Vargas.

Mas essa lembrança pertence ao passado cuja névoa desfoca o tempo. Já não é sem tempo que o voto já deveria ter se transformado em facultativo.

Fux acaba com a prática de Gilmar Mendes, que tinha o hábito de conceder prisões domiciliares

Prisão domiciliar! - por Alpino

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Pedro do Coutto

Em artigo publicado nesta sexta-feira em O Globo, Merval Pereira destacou a importância da decisão  do ministro Luiz Fux, presidente do STF, que transferiu para o plenário da Corte Suprema as decisões monocráticas nos finais de semana, habitualmente concedidas por ministros, em decisões individuais.  Fux estranhou também o sistema de distribuição de ações que ingressavam nos sábados e domingos.

Achei excelente tanto o artigo de Merval quanto a medida de Luiz Fux. Muitos habeas corpus eram concedidos aos sábados e domingos. Agora não pode mais acontecer esse sistema.

GILMAR, O EXEMPLO – Na realidade, em seus despachos o ministro Gilmar Mendes, a rigor, não concedia os habeas corpus, mas transformava as prisões preventivas em prisões domiciliares. Como, por exemplo no caso de Fabrício Queiroz, dentre outros.

No momento em que estabelecia a transferência das grades para os domicílios, ele não estaria revogando as decisões de instâncias inferiores que negaram o habeas corpus. Curioso é que a prisão decretada não era abolida e sim transformada em outro local, a residência dos acusados, que muitas vezes são até suntuosas, como nos casos de Paulo Maluf e Jorge Picciani.

EMPATE TÉCNICO –  A segunda turma do STF, com aposentadoria de Celso de Melo vinha empatando os recursos de habeas corpus quando as matérias chegavam fora do expediente normal. Eram 2 votos a 2. Interpretou-se que, em parte, como é natural, isso beneficia o réu. Porém, penso que o pedido de habeas corpus não era, e tão pouco pode ser considerado um julgamento. Se julgamento fosse a decisão do empate estaria certa. Mas o réu não está sendo julgado, ele está apenas pedindo para se defender em liberdade. Portanto, a teoria clássica de que em dúbio pro reu não se aplicaria àqueles que estão recorrendo contra a prisão preventiva, na minha opinião.

GUEDES E O MERCADO – Reportagem publicada com destaque e assinada por um grupo de jornalistas, em O Valor de ontem, revela que para o mercado financeiro uma eventual saída do ministro Paul Guedes do Governo não se traduz como um fato assustador e seria vista com naturalidade, sobretudo depois do atrito do ministro da Economia com Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central.

O atrito foi negado por Guedes, como é natural nesses casos. Mas ficou aberta uma estrada na política econômica do país. Assinam a reportagem Adriana Cotias, Alessandra Bellotto, Victor Rezende, Lucas Hirata e Marcelo Osakabe.

Mas Bolsonaro agora diz que Guedes é “insubstituível”. Será?   

Os preços disparam, a dívida aumenta, o tempo passa na janela, mas só Paulo Guedes não vê…

TRIBUNA DA INTERNET | Guedes diz que é 'irresponsável' furar teto de gastos  “para fazer política, para ganhar eleição”

Charge do Miguel (Jornal do Commercio/PE)

Pedro do Coutto

O Brasil passou a ser o país em que a alta de preços no atacado subiu em outubro, ocupando o segundo lugar na escala econômica. Reportagem  de Thais Barcelos, O Estadão desta quinta-feira, apresenta estudo de Andrea Damico, economista chefe da Armor Capital. Revela a pesquisa  que os preços no atacado atingiram no ano o percentual de 31%,somente ultrapassado pela Argentina cujos preços chegaram a 38%.

O Brasil ocupa assim o segundo lugar no mundo e certamente os preços do atacado se refletirão no varejo e na inflação, com  o consumidor pagando a conta. Mias um desafio para o cálculo inflacionário do IBGE.

ENDIVIDAMENTO – O mesmo jornal publica matéria de Lorena Rodrigues analisando os dados do Tesouro Nacional sobre o endividamento federal. Já chegou a 4,6 trilhões de reais, e uma parcela na escala de 27% vence em setembro de 2021.

Detalhe importantíssimo: o total de 4,6 trilhões não inclui as dívidas dos estados e municípios, o que elevaria o total para 6,4 trilhões, ultrapassando o PIB.

O montante do PIB atinge 6,3 trilhões de reais. Só em relação ao plano federal o endividamento representa 70% do PIB.

NOVOS TÍTULOS –  O governo vem emitindo novos títulos para financiar o déficit orçamentário que inclui despesas que ultrapassam os totais de arrecadação.

No mês passado o governo Bolsonaro emitiu títulos públicos no  total de 173 bilhões de reais, frisa Lorena Rodrigues, revelandio que esse foi o maior volume da história. O governo como se constata, está capitalizando juros que deveria desembolsar.

Agravando o panorama, os investimentos estrangeiros no país somaram 31 bilhões de dólares, menos da metade dos 69 milhões de dólares que ingressaram no país no ano passado.

BOLSONARO E GUEDES – Mas para o ministro Paulo Guedes tudo está bem, não há problemas, como ele próprio afirmou aos repórteres Manoel Ventura e Isabela Macedo, edição de ontem de O Globo.

O presidente Bolsonaro esquece todos esses números negativos e festeja a “recuperação dos empregos”, chegando a dizer que Guedes é “insubstituível”. Portanto, como na música de Chico Buarque, o tempo passou na janela e só Paulo Guedes não viu.

Arrancada de Guilherme Boulos em São Paulo mostra que Lula perde liderança nas esquerdas

Lula declara apoio a Guilherme Boulos contra Covas em São Paulo | Poder360

Lula só decidiu apoiar Boulos agora, às vésperas da eleição

Pedro do Coutto

Com base nas pesquisas do Datafolha e do Ibope, enquanto está mais que consolidada a vitória de Eduardo Paes contra Crivella no Rio de Janeiro, a luta pela prefeitura de São Paulo  projeta um desfecho final apertado entre Bruno Covas e Guilherme Boulos. Nesta quarta-feira, o Datafolha revelou que na última semana Bruno Covas mantém uma liderança estável de 48 sobre 40% de Boulos. Faltam três dias para as urnas.

A pesquisa anterior mantém o percentual de Covas. Mas acrescenta um crescimento de 5  pontos para o candidato do PSol. O favoritismo do prefeito de São Paulo permanece, mas a diferença sobre Boulos reduziu. A ascensão de Boulos está sendo muito forte.

MARGEM APERTADA – Talvez a atropelada do candidato do PSOL não seja suficiente para que ele derrote Covas. Porém indica que a margem será apertada, difícil portanto traçar um prognóstico absoluto nesta altura da campanha.

A chegada de Boulos possui outro aspecto, este com reflexo no plano nacional: Lula não é mais o líder absoluto das esquerdas e nem possui mais a mesma liderança que o fez presidente da República e depois garantiu a eleição e também a reeleição de Dilma Rousseff. A capital paulista é um exemplo do recuo. Com apoio de Lula o candidato do PT Ilmar Tato sequer decolou no primeiro turno.

No segundo turno Lula somente ontem formalizou seu apoio ao candidato do PSOL. Isso porque passou a temer uma vitória de Boulos nos metros finais da reta de chegada mesmo com seu silêncio. Assim entrou no  cordão só na quarta-feira de cinzas, tentando se associar ao êxito eventual do candidato do PSOL.

ESQUERDA REFORMISTA – Aliás, digo eu, Luiz Inácio da Silva não lidera mais as correntes de esquerda, tampouco as de centro esquerda. Da extrema esquerda nem vale apenas falar pois esta já se perdeu na névoa do tempo.

As esquerdas hoje reúnem os reformistas, não os revolucionários. Ser reformista é defender salários para que não percam a corrida contra a inflação do IBGE. É defender o emprego, lutar pela redistribuição de renda. Todas esta faces dentro da democracia e portanto contra o autoritarismo. Ia esquecendo. Também contra a corrupção, pois nada mais concentrador de renda do que o conluio entre corruptos e corruptores.

Nada mais conservador do que foi a corrupção na Petrobrás ampliada pela ação do ex-presidente Lula. Finalizando: para mim, no fundo da questão, Lula é um conservador disfarçado.

Paulo Guedes antecipa-se à decisão de Bolsonaro e veta a prorrogação do auxílio emergência

TRIBUNA DA INTERNET | Povo foi às ruas por Jair Bolsonaro, e não por Paulo  Guedes, que está voando na fantasia

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Ao participar de evento promovido pela Firjan na segunda-feira, reportagem de Manoel Ventura e Marcelo Correa, edição desta terça-feira em O Globo, o ministro Paulo Guedes afirmou que não existe a possibilidade de o auxílio d emergência ser prorrogado para 2021, devendo portanto encerrar-se a 31 de dezembro.

A afirmação do titular da Economia representaria uma antecipação da vontade de Bolsonaro, mas o presidente tanto pode seguir o rumo traçado por Guedes como também pode não concordar com ele e prorrogar os pagamentos hoje em 300 reais para pessoas de renda muito baixa.

E O CONGRESSO? – A matéria sobre o assunto saiu também em O Estado de São Paulo, reportagem assinada por Loreana Rodrigues e Idiana Tomazeli. Existe a hipótese de o Congresso resolver que o abono continue a ser pago no próximo ano. Para isso há necessidade de ser votada uma nova lei prorrogando os pagamentos mensais.

Na minha opinião, o ministro Paulo Guedes, uma questão de bom senso, não pode afirmar que a emergência de modo algum pode ser prorrogada. A decisão, é claro, pertence ao presidente da República.

Na Federação das Indústrias do RJ, Paulo Guedes focalizou também a resistência que tem encontrado tanto dentro do próprio governo quanto do poder Legislativo em aprovar as privatizações que tem proposto.

VIROU BAGUNÇA – Penso que as resistências têm procedência, pois não é possível autorizar a venda de uma estatal como a Eletrobras, por exemplo, sem que que o governo informe o preço estabelecido para a venda. Autorizar a venda sem saber o preço é assinar um cheque em branco.

E os preços continuam subindo de forma acelerada, como se verifica nos alugueis. O GPM de novembro a novembro tem uma atualização da ordem de 20%. Os salários entretanto não têm reajuste algum no mesmo período. Os planos de saúde vão aumentar 20%, elevação que será dividida pelos 12 meses de 2021. Os alimentos estão subindo a cada semana e agora Carolina Brígido e Luciana Casemiro, também em O Globo, revelam que as escolas particulares estão cobrando reajustes de até 5% para renovação das matrículas.

Depois do vendaval de preços, acredito que o IBGE não poderá manter o estranho sistema de cálculo sobre a inflação que adota até hoje.

Papa Francisco rompe com os conservadores e retoma a linha progressista de João XXIII

Resultado de imagem para papa francisco sobre humildade social | Mensagens  do papa francisco, Mensagem do papa, MensagensPedro do Coutto

No dia 17 de dezembro o Papa Francisco completa 84 anos e como parte das celebrações lançará seu livro, uma espécie de relato sobre sua passagem no Vaticano abordando as reformas que já implantou na Igreja e as que pretende implantar, entre as quais a perspectiva de mulheres poderem ser ordenadas, da mesma forma que os homens, e com isso celebrarem missas e cumprirem a liturgia da Igreja de Roma.

O jornalista inglês Austen Ivereigh, já autor de duas biografias do Papa, fala sobre a obra cujo conteúdo conduz a um rompimento ainda maior com a ala conservadora na medida em que aproxima-se de João XXIII, Papa que sucedeu a Eugênio Pacelli.

MATER ET MAGISTER – João XXIII, ao assumir em 1959 lançou a Encíclica Mater et Magister que assinalou o início de um processo de ruptura com o arcaismo do Vaticano. João XXIII reportou-se ao plano social na medida em que – este ponto de ruptura – abordou um tema essencial: o ser humano tem que se realizar tanto na terra quanto no céu, deixando para trás o pensamento milenar que somente se referia ao plano divino da pós-existência terrestre.

João XXIII elegeu seu sucessor, Paulo VI que ocupava uma posição a um passo do Papa na hierarquia da religião. Agora o Papa Francisco já avançou capítulos notáveis como a aceitação das relações homoafetivas e a comunhão de casais divorciados.

IMPORTANTES AVANÇOS – Fica evidente que o Papa Francisco lançou avanços de suma importância social. Pois, a meu ver, ao me referir a seres humanos, contribuiu e contribui para incorporar a todas as escalas da existência os seres humanos sem distinção, de sexo, o que vai de encontro às correntes tradicionais da Igreja.

Mas as etapas conquistadas vão se incorporando à história universal, porém o Papa preocupa-se com o futuro inclusive com a Amazônia no sentido de se tornar essencial à própria vida do planeta.

A reportagem de Renato Grandiete sobre o Papa, em O Globo desta segunda-feira, destaca o tema, que sem dúvida volta-se para o que podemos chamar de contemporâneo do futuro.

Entre o sonho e a realidade, o fato concreto é que o Brasil voltou ao mapa mundial da fome

Fome no Brasil: de exemplo mundial à preocupação - GGN

Brasil está de volta ao mapa, agora na escala negativa

Pedro do Coutto

Mais uma vez a realidade desafia os projetos, por melhor elaborados que sejam e cujos objetivos voltam-se para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Em artigo publicado ontem em O Globo, Merval Pereira destaca um estudo da Macroplan, empresa dirigida pelo economista Cláudio Porto, que traça uma estrada para a retomada da economia brasileira. Inclusive recorre a uma bola de cristal para antever o que será o Brasil de hoje a 2030.

Na mesma edição do Globo, reportagem de Cláudia Almeida e Carolina Nalin revela que o Brasil, que havia se livrado dessa chaga, retornou ao mapa mundial da fome. Estava na escala 39 e passou à escala negativa de 62.

DADOS MUNDIAIS – Este estudo foi realizado pelo economista Marcelo Neri, diretor social da Fundação Getúlio Vargas. Os dados são do Gallup e do programa World POTI que pesquisou a situação de 145 países. Este total é a base da pesquisa, e nosso país que estava na 39ª posição passou a 62ª. A alteração ocorreu em 2019.

Na minha opinião, em 2020 terá mantida essa posição. Afinal de contas os salários permanecem congelados e os preços crescendo. Além do mais, o desemprego atinge a cifra absurda de 14 milhões de colocações perdidas.

POPULAÇÃO CRESCE – Um aspecto que não é abordado pelos economistas é o fato de que a população brasileira ainda cresce à velocidade de 1% a/a. Portanto tem que se somar o índice de desempregados ao movimento demográfico. A cada ano, mais de um milhão de jovens completam 18 anos e têm de ser incorporados à estatística do desemprego, caso tenham parado de estudar.

O panorama, portanto, não é dos melhores. Ao contrário, é dos piores, sobretudo em face do endividamento do país. Está atingindo, acentua a Macroplan, 90% do PIB. Alcança, assim, cerca de 6 trilhões de reais, pois o PIB nacional é de 6,6 trilhões de reais.

Bestas humanas, em repugnante sadismo, assassinaram João Alberto no supermercado Carrefour

Delegada diz que morte de João Alberto no Carrefour não foi racismo

Não é a primeira vez que acontece racismo no Carrefour

Pedro do Coutto

O título do artigo remete ao romance de Emile Zola, filmado por Jean Renoir, um clássico do cinema. Aqui no Brasil, foi um crime hediondo marcado por total sadismo que não encontra motivo lógico capaz de explicar quais as razões das cenas que levaram a um desfecho tão trágico, repudiado por toda a população que assistiu à gravação feita por um motoboy, que trouxe para a realidade um acontecimento tão brutal.

Qual a razão dos criminosos que justifique, não só o assassinato, mas o início de uma abordagem em um loja do Carrefour. A empresa, ela própria sentiu o peso da reação popular revoltada com o que foi demonstrado.

O preconceito racial está entre os motivos do crime, a exemplo da  morte de George Floyd nos EUA.  O fato é que o preconceito racial permanece absurdamente na realidade de hoje, apesar de estarmos distante há 130 anos do fim da escravidão. Esta, por sua vez, vigorou no Brasil por 350 anos.  É inadmissível que assim seja.

OUTRO ASSUNTO – Reportagem de Cassia Almeida, O Globo deste sábado, focaliza o levantamento da Confederação Nacional do Comércio a respeito do que seria uma reação do poder de consumo da parte da população cuja renda mensal está acima de 10 salários mínimos. Na minha opinião, trata-se de uma fraude. Afinal de contas, como é possível se configurar uma retomada de consumo se os salários estão congelados e os preços em ascensão? Não consigo aceitar tal afirmativa, a qual não tem nenhuma explicação lógica?

Entretanto a mesma matéria focaliza também uma opinião do diretor social da FGV, Marcelo Neri, que sustenta que um dos motivos da retomada de poder de consumo das classes A e B encontra-se no acesso ao crédito bancário. A CNC também apresenta tal hipótese como a forma de traduzir o que considero algo irreal. Com salários congelados perdendo fortemente para os juros bancários dos empréstimos, como vão poder as pessoas físicas que contratam os créditos poderão pagá-los? Para mim não há explicação, pois os juros são de 2% ao mês.

O que deve estar acontecendo refere-se às pessoas que tinham aplicações que passaram a nada render. Com dinheiro parado no banco, preferiram gastar parte dele em consumo ou em alguma atividade comercial.

Biden vence nas urnas e os americanos comemoram nas ruas a grande derrota da direita

Joe Biden é eleito presidente dos EUA; FOTOS | Eleições nos EUA 2020 | G1

Multidões nas cidades para festejar a vitória democrata

Pedro do Coutto

O povo americano comemorou com emoção a vitória de Joe Biden para a presidência dos EUA, acentuando seu repúdio às reações de Donald Trump, que ameaça recorrer a Justiça contra os votos que decidiram sua própria sucessão. Os posicionamentos de Trump envolviam contradições, como a de atribuir aos democratas roubo na contagem dos votos, o que inevitavelmente se estenderia também à omissão ou a conivência dos próprios republicanos. Claro.

A fiscalização da contagem dos votos, não é possível que fosse diferente, reúne a presença de fiscais de ambas as legendas. Assim, os encarregados da fiscalização por parte dos Republicanos não poderiam estar ausentes da tarefa obrigatória. Portanto, as ações de Trump refletiriam contra os próprios integrantes de seu partido.

RECURSO NEGADO – Além do mais, Trump tentou também suspender a apuração na Pensilvânia, objetivo negado pela Corte do estado. O presidente americano, às vésperas de se mudar da Casa Branca, partia do princípio de que houve fraudes apenas nos estados decisivos para a vitória dos democratas. Era o  caso da Georgia, Michigan, Nevada e também da Pensilvânia.

Trump, os jornais de sábado  noticiaram, teve o impulso de recorrer a Suprema Corte do país. Mentira ou não, faltou tempo porque no início da tarde deste sábado o próprio governo da Pensilvânia anunciou o resultado e o povo entusiasmado tomou as ruas dos EUA.

MEIO AMBIENTE – Os reflexos vão se fazer sentir em grande número de países que de uma forma ou de outra vinculam-se aos projetos de Washington inclusive no que se refere à sensível questão do meio ambiente, cuja devastação vincula-se ao aquecimento global. Se por outro motivo não fosse, também pelo fato de os parques industriais dos EUA e da China serem os mais poluidores do planeta. Isso porque, embora pareça incrível, grande parte de sua geração de energia elétrica tem como fonte o carvão altamente poluidor.

No caso brasileiro a vitória de Biden foi uma derrota para o governo Bolsonaro, já que o presidente de nosso país, ao se encontrar com Trump na Casa Branca, afirmou na ocasião que pretendia ir à posse em sua reeleição.

CENÁRIO INTERNACIONAL – A vitória de Biden acarretará também um sólido avanço nas posições políticas do centro implantando dessa forma um novo equilíbrio no cenário internacional.

No caso do Brasil Joe Biden anunciou um fundo de 20 bilhões de dólares para combater o desmatamento e incêndio na Amazônia. Nos EUA há sempre uma ligação entre o candidato e o presidente da República, no cumprimento dos compromissos de campanha.