A sedução do poder viaja a jato no mundo mágico de governantes

http://www.esmaelmorais.com.br/wp-content/uploads/2013/07/charge6.jpgPedro do Coutto

Reportagem de Flávia Pierry, O Globo de terça-feira, revelou que o governo de Brasília aprovou edital para contratar um serviço de táxi aéreo, à base de pequeno avião a jato mas sempre com direito à salas VIP e a tratamento de bordo também de qualidade especial. O governador Agnelo Queiroz justifica a iniciativa pela necessidade da obrigação de ter de viajar pelo país, dadas as dimensões nacionais, de modo rápido e seguro. Não se sabe que obrigações serão essas já que Agnelo Queiroz é governador do Distrito Federal.

Imagine se os demais vinte e seis governadores alegarem as mesmas razões para seguir o exemplo e adquirirem ou contratarem aviões para se locomover de um estado para outro, ou de uma localidade para outra. No caso do governo de Brasília, os voos podem até ser internacionais, com o mínimo de escalas possível.
PODER E SEDUÇÃO

Tudo por conta do mundo mágico do poder e da sedução de que se reveste. Este lado é tão forte, no plano psicológico quanto a despesa que acarreta no plano financeiro. È um deslumbramento, péssimo exemplo ético para a população que escolhe seus governantes para administrar e não para que se deslumbrem no universo da autoafirmação – falsa autoafirmação na verdade. Porque o governador de Brasília não pode se transportar por via rodoviária dentro da cidade ou através de voos comerciais como fazem todos? Não há razão explícita além de um exemplo de fascinação, como na valsa famosa. Isso de um lado.

De outro não se explica à luz da lógica quais os motivos que incluem viagens internacionais na agenda do governador. Eles podem ocorrer, mas de maneira pouco frequente, que podem ser atendidos pelo uso das linhas comerciais regulares que levam rapidamente de um ponto a outro do planeta.


A população não paga impostos, cada vez mais pesados, para isso. Se o governador precisar viajar, basta requisitar as passagens e diárias. Se deseja convidar outras pessoas não incluídas em sua equipe, use seus recursos próprios para tal. Não recursos públicos. São gastos assim que, multiplicados, levam à perda sensível de parte das receitas, diminuindo a capacidade do poder público de investir mais em saúde e educação e também realizar os investimentos reprodutivos de que o país exige e a população espera. Espera e, habitualmente, de quatro em quatro anos, ouve a repetição das promessas. Os eleitores vão às urnas  em busca de esperança. A que se volta para a realização dos compromissos de campanha. Não para que os que pediram seus votos, ontem, amanhã os utilizem para uso pessoal do poder, transformando-o de instrumento de ação social e econômica coletiva numa ponte  pessoal para o luxo e a ostentação.

É preciso colocar uma barreira concreta e efetiva entre os dois polos da questão. O poder não existe para satisfação individual e deslumbrada dos que o ocupam. Sua finalidade é outra, muito diferente: melhorar os níveis de vida da população e melhorar as estruturas da sociedade. Mas os exemplos nada dignificantes se repetem. Acumulam prejuízos enormes, incluindo a queda da credibilidade do poder público. Isso é extremamente negativo para os políticos, para a política, para o próprio país.

PT está unido, PSDB e PSB precisam se unir para 2014

Pedro do Coutto
 
Os acontecimentos políticos da semana passada revelaram que as oposições ainda não chegaram a um consenso para escolha de seus candidatos à presidência da república em 2014, ao contrário do PT que, aliás como não podia deixar de se, encontra-se unido em torno da presidente Dilma Rousseff. No PSDB, o debate público travado nas recentes edições da Folha de São Paulo, colocando José Serra e Aécio Neves em confronto comprovam a divisão, e, na verdade, até mais: a dificuldade de o derrotado na convenção da legenda incorporar-se com entusiasmo  à campanha do outro.
Essa dificuldade parece maior no lado de José Serra, que reviveu a psicologia da Madame Bovary, de Flaubert, para criticar o próprio partido e sua necessidade, acentuou, de ser aceito pelo PT. Aécio respondeu. Porém o que os pronunciamentos de ambos destacam, no fundo, é o fato de um não aceitar o outro como candidato legítimo do partido.
No lado PSB, é sensível a divisão da sigla entre as correntes de Eduardo campos e Marina Silva. A ex-senadora, se não for a escolhida, dificilmente se integrará na campanha do atual governador de Pernambuco. Que, aliás, para disputar a Presidência da República, terá que renunciar de cargo até 5 de abril do ano que vem. São contradições da legislação eleitoral brasileira. Quem está na Presidência não necessita se afastar para disputar a reeleição. Os governadores e prefeitos, na tentativa de se reelegerem, também não. Mas se um governador, caso de Campos, lançar-se para o Planalto, tem que deixar o posto no prazo adotado para desincompatibilização, seis meses antes do pleito. Casuísmo maior é impossível. Mas é o que se encontra em vigor.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o governador Sérgio Cabral deverá se afastar para não tornar seu filho Marco Antonio inelegível para deputado federal. Exatamente o que se verificou em 2002 quando Anthony Garotinho deixou o Palácio Guanabara para habilitar a candidatura de sua mulher, Rosinha Mateus, que terminou vencendo o pleito no primeiro turno. Mas estas são outras questões. O tema central é a unidade partidária. Não quer dizer que toda e qualquer unidade conduza à vitória.
LULA E PADILHA
Em São Paulo, por exemplo, estado-chave para todos os efeitos, reunindo os políticos e econômicos, embora unido, o PT com a candidatura do ministro Alexandre Padilha enfrentará nas urnas uma luta acirrada contra o governador Geraldo Alckmin que busca a reeleição. Inclusive em São Paulo não prevalece a aliança PT-PMDB, já que o candidato do PMDB é o empresário Paulo Skaf, presidente da Federação Estadual da Indústria. Na esfera paulista, uma questão a ser resolvida é a distribuição do tempo de cada partido no horário de propaganda política na televisão e no rádio.
O ex-presidente Lula fez questão de votar ao lado de Alexandre Padilha nas eleições internas do Partido dos Trabalhadores, no domingo, assim acentuando seu empenho pessoal na campanha. E destacou a importância de São Paulo no contexto eleitoral do país. Até que ponto conseguirá acrescentar votos ao atual ministro da Saúde é a pergunta.
Reportagem de Diógenes Campanha, na Folha, focalizando o circuito percorrido por Lula e Padilha até as urnas assinala bem o empenho do ex-presidente da República. De outro lado, claro que por medida de precaução, os condenados no processo do mensalão, como José Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha, decidiram não disputar a reeleição para os cargos que ocupavam na direção do partido.
Está na hora do Datafolha e do IBOPE realizarem nova rodada de pesquisas, incluindo as relativas aos governos estaduais.

 

Sucessão presidencial não depende dos embates estaduais

Charge do Dia 
Pedro do Coutto

Sem voto vinculado, experiência que durou pouco no país, as eleições presidenciais não dependem das disputas pelos governos estaduais nas urnas de 2014. São mais importantes. Os candidatos ao Planalto têm que se afirmar por si e não estarem condicionados a alianças políticas nos estados. Escrevo este artigo a propósito de reportagem de Ranier Bragon e Márcio Falcão, publicada na Folha de São Paulo de quarta-feira, focalizando os esforços de Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos de fixarem bases de votos na região nordestina, aliás principal reduto do PT, reflexo do programa Bolsa Família. Claro. Os inscritos na distribuição de cestas alimentares, sem discutir o mérito da questão, temem perdê-las e, por isso, como as pesquisas do Ibope e Datafolha revelaram, votam intensamente em Dilma Rousseff, como aconteceu em 2010 e sucedeu também em relação a Lula no pleito de 2006, quando foi reeleito.

As questões nacionais influem muito mais que as estaduais em se tratando de escolher um presidente da república. O voto não sendo vinculado, como afirmei há pouco, inclusive permite aos eleitores votar num candidato a presidente de uma legenda e, no estado, marcar na cédula o nome de outro de partido diverso. O problema assim não parte da instalação de palanques estaduais em sintonia com os palanques federais. Inclusive, na medida em que candidatos a presidente da república condicionam parte de seus destinos às bases estaduais, passam aos votantes um sinal de fraqueza.

LIÇÕES DE JK

O candidato quando está forte – me disse um dia, em 1960 o presidente Juscelino – rompe a marcha para as urnas se4m depender de apoios. Depender de apoios é negativo, acrescentou. Passa uma imagem negativa ao eleitorado. JK se referia à posição do general Teixeira Lott na campanha em que perdeu para Jânio Quadros. Eu, então no Correio da Manhã, fiz a pergunta sobre a posição de neutralidade assumida por Juscelino diante da disputa. O candidato, qualquer que seja a situação, respondeu ele, tem que se afirmar por si. Quando está firme, não precisa pedir, os apoios vêm em sua direção. Verdade absoluta, acentuo eu, agora, nada mais verdadeiro. Os rios correm para o mar. Isso vale tanto na política quanto na própria vida humana.

 

Os candidatos precisam, principalmente, estar atentos às suas posições em São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. Porque os três estados pesam 41% dos votos de todo o país. E seguirem seu caminho independentemente da situação de seus aliados. Em São Paulo, por exemplo, o ministro Alexandre Padilha, candidato do PT contra Geraldo Alckmin e Paulo Skaff, este pelo PMDB, eis um exemplo. O atual governador é o favorito, não apenas por se encontrar à frente nos levantamentos de opinião pública, mas também porque Padilha, de um lado, Skaff de outro, representam uma divisão da base aliada que Dilma Rousseff possui no estado. Em São Paulo, portanto, a atual presidente da república não pode, isso sim,hostilizar o governador, pois uma parcela dos eleitores de Alckmin poderá das um voto para o Palácio Bandeirantes, outro para o Planalto.

 

Em Minas Gerais, já o PT apresenta-se mais forte que em SP com a candidatura Fernando Pimentel e com o PMDB na oposição a Aécio Neves. No Rio de Janeiro, a situação é mais confusa. Mas nem por isso deve preocupar Dilma. Ela, eleitoralmente, é muito mais importante do que Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão que ameaçam abrir dissidência no PMDB. O voto para presidente é uma coisa. Para os governos estaduais outra. Rousseff está forte nas pesquisas: ela acrescenta mais aos outros do que os outros a ela. O voto vinculado perde-se na memória das urnas de 82.

Pelo Ibope, candidatura Eduardo Campos não se mantém

 Pedro do Coutto
 
A pesquisa do IBOPE sobre a sucessão presidencial de 2014, objeto de reportagem de Gustavo Uribe, O Globo de sexta-feira, em matéria de intenções de hoje, confirma totalmente as tendências assinaladas pelo levantamento do Datafolha apontando vitória da atual presidente contra qualquer um dos adversários no segundo turno por margem muito ampla de votos. A diferença diminui apenas contra Marina Silva, quando Dilma alcança 42 a 29%. Bateria Aécio Neves por 47 a 9 pontos. Eduardo campos por 45 a 18. José Serra por 44% a 23. Sem Marina, Dilma vence no primeiro turno. 

O que o IBOPE revela é que, no PSB, Marina Silva está muito mais forte do que Eduardo Campos. E no PSDB, José Serra situa-se à frente do senador mineiro. O ex-governador de São Paulo alcança 18 contra 14 de Aécio. Marina Silva atinge 21 contra apenas 10 pontos de Eduardo campos. Mais do que o dobro do governador de Pernambuco. Este cotejo deixa Eduardo Campos muito mal no levantamento. Com esses números, dificilmente Campos poderá sair candidato pelo PSB. Terá que liberar o partido para escolher Marina Silva. 

Mesmo porque s for ele o escolhido, pois ocupa a presidência nacional da legenda, percebe-se, pela atmosfera de hoje, que Marina Silva lhe retirará o apoio e o deixará falando sozinho para a corrente minoritária da agremiação. Assim, a dependência de Eduardo Campos a Marina Silva, que já era grande antes, passou a ser total depois do IBOPE. Não há, em termos políticos, como pensar o contrário. Em política não se pode brigar com os fatos, tampouco esperar movimentos que forcem a realidade natural das situações. A lógica se impõe. 

No caso do PSDB raciocínio semelhante pode se aplicar em relação a José Serra: ele está na frente de Aécio – 18 contra 14 pontos. Seu nome como candidato mais uma vez ao Planalto sai revigorado na disputa interna com Aécio Neves. Porém a diferença entre ambos é muito menor que a diferença de marina em relação a Eduardo campos. Entretanto, da mesma forma que, sem Marina, Campos nem sequer decola, tal é seu grau de dependência, no lado tucano sem o apoio de Serra, Aécio não avança. E sem a adesão do senador mineiro, o ex-governador paulista nãopode evoluir na estrada das urnas. O panorama geral, como se constata, é amplamente favorável à reeleição de Dilma Rousseff. Ela não só lidera as pesquisas do IBOPE e datafolha, como ainda tem a seu favor as divisões entre seus adversários. 

O Globo de sexta-feira, reportagem de Juliana Castro e Paulo Celso Pereira, publica as divisões entre PT e PMDB em torno das sucessões estaduais, onde se localizam 68% do eleitorado do país. São dez unidades da Federação, incluindo os seis maiores colégios de votos: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Paraná. Mas isso não significa que tais divisões reflitam diretamente nas intenções de voto para a  presidência da República. Pois se refletissem, os resultados da pesquisa do IBOPE seriam muito diversos daqueles que foram agora assinalados. 

Assim, os choques das correntes estaduais parecem formar a base de uma pirâmide levando ao topo federal. Mas não afetam as tendências dos votos para o plano alto do Planalto.

Marina e Serra vão enfrentar Eduardo Campos e Aécio

Pedro do Coutto

No dia 22 de outubro, aqui, no site da Tribuna da Imprensa, publiquei artigo sobre possíveis divisões internas no PSB, entre as correntes de Marina Silva e Eduardo Campos, e no PSDB colocando em confronto Aécio Neves e José Serra. Em ambos os casos em torno da obtenção das legendas para disputarem a sucessão presidencial de 2014 contra Dilma Rousseff. Os duelos estavam nas respectivas atmosferas partidárias, entre sombras. Agora não. Vieram à plena luz do dia. Basta ler a Folha de São Paulo de quinta-feira, página 8.
A divisão no PSDB está focalizada em reportagem de Marina Dias e Felipe Amorim. A no PSB é assinalada em matéria que saiu7 sem assinatura. Nesta, Marina Silva afirma ter toda a disposição de ser presidente, apesar de não ser este – ressaltou – um objetivo de vida. Tenho como objetivo de vida lutar por um Brasil melhor e, se para isso, necessário for, ser presidente da República. Relativamente à formalização da chapa do Partido Socialista Brasileiro, só será feita em 2014. No dia de hoje, afirmação mais clara quanto à vontade de ser candidata do PSB impossível. Sobretudo porque, mais recentemente ainda, a ex-senadora sustentou de forma frontal que seu ingresso no partido funcionou para afastar Eduardo Campos de uma atuação política de estilo arcaico.

Torna-se fácil traduzir as palavras e a disposição agora nada oculta de Marina Silva. Como Eduardo Campos reagirá aos dois posicionamentos? Ainda não se sabe. E se o governador de Pernambuco custar muito a responder, deixa a impressão que foi levado à defensiva dentro da própria legenda da qual é presidente e nessas condições avalizou a entrada de Marina Silva. Na recente pesquisa do Datafolha, Marina alcançou 29% das intenções de voto. Eduardo campos 15 pontos, praticamente a metade. Sua posição na liderança partidária ficou abalada.
OS TUCANOS

Na esfera tucana, os repórteres Marina Dias e Felipe Amorim revelam que José Serra apareceu em maratona organizada por Aécio Neves junto a prefeitos paulistas e afirmou: o futuro não está definido. O que está definido é que vou estar na batalha. A qual futuro ele se referiu? Só pode ser o processo de escolha do candidato pela convenção nacional. Aécio neves, inclusive, foi surpreendido com a presença de seu adversário, sobretudo porque somente na véspera Serra avisou de seu comparecimento ao encontro. Isso, claro, no sentido de imobilizar qualquer reação negativa por parte do senador mineiro. Eugênio Juliani, organizador do encontro, acentuou que o convite havia sido feito há alguns meses, mas Serra não respondera se estaria ou não presente.

 

Pelo que se deduz, tratando-se de São Paulo, principal base política do PSDB, onde a agremiação disputa com boa possibilidade a reeleição de Geraldo Alckmin, José Serra saiu da sombra e resolveu travar uma luta aberta com Aécio neves pela indicação nacional. Onde Aécio for, Serra vai também, afirmaram representantes serristas. A incógnita deste comportamento refere-se a Minas Gerais, onde os tucanos disputam o governo com Pimenta da Veiga, escolhido por Aécio, área em que Serra tem pouca expressão. E Minas é o segundo colégio eleitoral do país. Seja como for, a disputa encontra-se aberta no PSDB. Aliás, no PAB também. O Datafolha apontou Serra com 25, Aécio com 21% das intenções de voto.

Ofensiva do PMDB contra Aécio começa por Minas Gerais

Pedro do Coutto
 

Três estados são fundamentais para qualquer sucessão presidencial no Brasil: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro que, juntos, representam 41% do eleitorado. Principalmente São Paulo e Minas porque, até hoje, nenhum presidente foi eleito sem que vencesse em uma dessas duas unidades da Federação. É natural assim que as batalhas pelos votos de 2014 comecem nesses dois estados, onde se verificam enfrentamentos entre os tucanos, de um lado, e os candidatos da aliança PT-PMDB de outro. O Rio de Janeiro não se inclui como mais um cenário dos duelos porque, aqui, Dilma conta com diversos palanques: os de Lindbergh Farias, Luiz Fernando Pezão, candidato do governador Sergio Cabral, e possivelmente o de Anthony Garotinho, na disputa pelo Palácio Guanabara.
Ao contrário de São Paulo, onde o clima ainda está morno, em Minas Gerais a batalha começou com um movimento anti-Aécio, liderado pelo deputado estadual do PMDB, Sávio Souza Cruz. Inclusive matéria de Paulo Peixoto e Felipe Bachtoldt, publicada  na edição de 22 da Folha de São Paulo, focaliza o tema. Sávio de Souza apresentou dados que pesquisou e que abastecem as baterias da oposição estadual. Referem-se ao endividamento mineiro que – sustenta – atinge o montante de 100 bilhões de reais, além de um crescimento negativo do PIB da ordem de 0,3% no primeiro semestre. No mesmo espaço de tempo o Produto Interno Bruto do país cresceu no percentual positivo de 1,5%. Em relação aos primeiros seis meses de 2012, MG avançou somente 0,8%. São Paulo 1,8%, o Brasil 2,6 pontos.
O fraco desempenho da economia mineira atinge a imagem de Aécio Neves quer passar à opinião pública do país – assinala Sávio Souza Cruz. O líder da oposição mineira cita como um dos maiores equívocos registrados no legado Aécio para o governador Antonio Anastasia o processo de privatização do Mineirão, Estádio Magalhães Pinto. Quando governador, Aécio obteve financiamento de 400 milhões de reais junto ao BNDES para reforma do Mineirão e os recurso foram repassados para empresa Minas Arena Gestão de Instalações Esportivas, parceria público privada reunindo as empresas Construcap, Egesa e Hap. A mineira Arena – acentua Sávio – será responsável pela operação do estádio pelo período de 27 anos, através de um contrato de parceria. Mas quem vai pagar o empréstimo obtido no BNDES é o governo mineiro. Dessa forma, a PPP transfere os custos ao poder público e os lucros às empresas particulares.
CRÍTICAS
“Condenamos as Parcerias Público Privadas feitas em Minas porque parecem significar que  o povo é que, indiretamente, vai terminar pagando a conta. Pois o contrato com as três empreiteiras inclui, para elas, um compromisso de lucro garantido: trata-se de um sistema capitalista sem risco, mas com lucro assegurado. Na etapa final do contrato, o Cruzeiro  associou-se à Minas Arena. De que forma? Qual a explicação? Quais as condições?” – indaga Souza Cruz.

Acrescenta que as críticas que faz às PPS de Minas não representam uma condenação generalizada do mecanismo. Não. Restringem-se ao universo de Minas Gerais. Simplesmente porque as privatizações de rodovias, por exemplo, levaram ao pagamento dos mais altos pedágios cobrados no país. E no final da ópera qualquer má gestão transferirá o pagamento das obrigações previstas nos contratos para os cofres estaduais.


Como se constata, a ofensiva da coligação PT-PMDB começou por Minas. Lá, inclusive, vão se defrontar Fernando Pimentel, que apoia Dilma Rousseff e Pimenta da Veiga, que apoia Aécio. Quem vai apoiar Eduardo Campos ou Marina Silva?

Lula e o encantamento do PT pela sedução do poder

Pedro do Coutto
 

Numa entrevista ao jornal El Pais, objeto de reportagem Fernanda Krakovics, edição de segunda-feira 21 de O Globo, o ex-presidente Lula reconheceu frontalmente que o crescimento do PT fez surgirem defeitos e corrupções em seus quadros partidários. Foi importante a autocrítica, certamente feita em tom de desabafo, mas que, no fundo, acrescenta mais uma página reveladora do processo de sedução que o poder exerce sobre número cada vez maior de pessoas. Há mudanças claras de comportamento que decorrem até da simples proximidade com aqueles que movimentam as engrenagens do sistema de decisão.
 

Os comportamentos mudam. Pessoas, até sem qualidade alguma maior, passam a se julgar importantes, e, ao serem cumprimentadas reagem friamente. Vêm no distanciamento que fabricam uma forma de auto afirmação. Se isso acontece nas situações mais comuns, que dirá nas incomuns? O deslumbramento incorpora um desejo de riqueza que leva à ostentação, uma forma de narcisismo incluindo uma ridícula vontade de se apresentarem como mais importantes que outros que não tiveram o mesmo acesso aos roteiros do poder e a intimidade dos poderosos. Esquecem os amigos de ontem, fogem do passado, e voltam seus pensamentos e suas atitudes em busca de ganhos nem sempre lícitos. O ex-presidente Lula tem razão quando reconhece a existência de corrupção nos quadros de sua legenda. 

Exigir que ele desse alguns nomes, por exemplo, seria querer demais. Mas não é difícil identificar. Basta comparar os bens de certos líderes possuem com os ganhos pelo trabalho que desempenham. A incompatibilidade entre um patamar e outro é suficiente para traduzir o inexplicável em termos lógicos. Evidencia-se um processo de ostentação. Hoje, estou convencido que os desonestos não ostentam porque roubaram, mas sim roubam para ostentar. Os desonestos tem dentro de si o impulso da auto confissão pelo trajeto de contrastes em suas vidas. O que era antes e o que passou a ser depois. Após o acesso ao poder, diga-se em síntese.

Foi o que sucedeu com os principais personagens do mensalão, em relação aos quais, punidos pela Justiça, Lula culpa a imprensa, ao acentuar na entrevista a El País que ela julgou os réus antes do pronunciamento do Supremo Tribunal Federal. Neste ponto equivoca-se. Pois foi ele, usando a caneta, quem demitiu o principal acusado do cargo de ministro chefe de sua Casa Civil. E substituiu Duda Mendonça de sua equipe de marketing.

ESVAZIAMENTO DO PDT

O crescimento do PT, aliás, decorre do esvaziamento do PDT. Quando, em 92, Leonel Brizola apoiou Fernando Collor, o PDT perdeu as ruas para o PT. Tanto assim que, depois de alcançar 15% dos votos nas eleições de 89, ficando um ponto atrás de Lula, na sucessão de 94 sua votação caiu para apenas 3%. Perdeu assim 80% de seu eleitorado. Esta parcela foi para o PT. Mas este é outro assunto. A sedução do poder, que visa à riqueza, exige de um presidente da República, de  um governador, de um prefeito, uma noção reforçada de equilíbrio e sensibilidade. Entre as qualidades, a de saber ouvir. Principalmente as opiniões contrárias porque os bajuladores (falsos aliados) vão sempre concordar com tudo.
 

Os falsos aliados, os falsos amigos, ambos exigem um cuidado especial por parte dos governantes. Qualquer passo em falso, qualquer descuido, qualquer omissão, pode levar ao desastre. Como o mensalão, por exemplo, em relação ao qual, na reportagem de Fernanda Krakovics, o ex-presidente mostra-se benevolente. Foi, isso sim, traído pelos que organizaram as fontes de recursos e as formas equivocadas e desonestas de sua distribuição. Porém – há sempre um porém na história – não contava com o surgimento de um personagem shakeperiano como Roberto Jeferson que, para denunciar José Dirceu, a quem odiava, denunciou a si mesmo. Os imprevistos aparecem sempre em torno dos crimes e dos criminosos. Assim não fosse, todos os que praticaram crimes ficariam eternamente, para citar Fellini, numa doce vida de vinhos finos, de sombras e impunidade. E não assim. Ainda bem.

Dilma cresce com esforço de Aécio e Campos para que haja segundo turno

 Pedro do Coutto 

 
Reportagem de Marina Dias, Folha de São Paulo de quinta-feira 17, revela que, nos bastidores, tanto Aécio Neves quanto Eduardo Campos, vêm estimulando pequenos partidos, como o PSC, PPS, PSOL e PRTB, para que lancem candidatos à sucessão de 2004 e com isso, contribuírem para que haja segundo turno nas eleições do próximo ano. Se estão agindo nesse sentido é porque não confiam no fato de as votações de ambos, somadas, sejam suficientes para evitar os 50% mais um de Dilma Rousseff. A atual presidente, assim, cresce mais com esse comportamento dos pré-candidatos do PSDB e do PSB. Depois de ler a matéria da FSP, vai naturalmente sentir-se mais forte. 

Vejam só: Aécio e Campos incentivam que o PSC dispute o pleito com a candidatura do pastor Everaldo Pereira; o PPS com a ex-vereadora da cidade de São Paulo, Soninha Francine; o PSOL com o senador, aliás um bom parlamentar, Randolfo Rodrigues; finalmente o PRTB com Levy Fidelis. PSC, PPS e PSOL, cada um, tem 1 minuto e 25 segundos no horário político na televisão e no rádio. O PRTB, cuja existência eu desconhecia, possui 1 minuto. 

QUAIS SÃOS OS CANDIDATOS 

Mas o problema não é de tempo. E sim de uma atitude essencialmente defensiva dos principais nomes da oposição. E tem mais duas questões: quem será de fato, no final da ópera, o candidato do PSB? Campos ou Marina Silva? Quem será o candidato do PSDB? Aécio ou José Serra? A recente pesquisa do Datafolha apontou 29 pontos para Marina contra 39 de Dilma e, no cenário alternativo apenas 15% para o governador de Pernambuco. Relativamente ao nome do PSDB, assinalou 25% para José Serra contra 21 pontos para Aécio Neves. Como se observa, em primeiro lugar, antes de mais nada, o Partido Socialista Brasileiro precisa decidir se vai às urnas com Eduardo Campos mesmo, ou se prefere Marina Silva. São enigmas duplos que os próximos levantamentos de opinião pública devem esclarecer. 

Porque, afinal de contas, ninguém pode disputar uma eleição sem perspectiva, pelo menos alguma, de vitória. Sem tal perspectiva, o que a legenda poderá dizer ao eleitorado? Nada. Pois se seus integrantes consideram incertas suas posições, como vão transmitir o entusiasmo indispensável aos eleitores? Isso de um lado. De outro, ao se empenharem pela hipótese de um segundo turno é porque, claro, deixam transparecer que acreditam que, no primeiro, Dilma Rousseff chegará na frente. Um raciocínio leva diretamente ao outro. Agora, os quatro nomes cogitados para acrescentar às candidaturas praticamente lançadas não vão poder somar os sufrágios necessários para evitar a maioria absoluta da atual presidente da República no primeiro confronto. São nomes pouco conhecidos e, ainda por cima, dispõem de espaços  muito pequenos na TV e no rádio. Não vão funcionar ao ponto de somar apoios que transfiram a decisão do primeiro para o último domingo de outubro de 2014. 

Pela leitura de hoje, somente Marina Silva seria capaz de levar a disputa do primeiro para o segundo turno. Porém seu nome, da mesma forma que o de José Serra entre os tucanos, abrirá cisões estaduais reduzindo o potencial de votos. Não se deve esquecer que Marina Silva, logo após ingressar no PSB, atirou em Ronaldo caiado afastando o DEM de qualquer aproximação com Eduardo Campos. Talvez, inclusive, a atitude faça parte de um plano político para substituí-lo como candidata ao Planalto. Em política, aliás       como tudo na vida, não existe ação sem reação, nem movimentos voltados para não alcançar efeitos concretos. Como digo sempre, não basta ver os fatos, é essencial sobretudo ver nos fatos. Traduzi-los, identificando-se as atmosferas que os envolvem.