Bolsonaro afasta-se de Temer ao recomendar pente fino nos últimos atos dele

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Pedro do Coutto

Em documento enviado a todos os integrantes de seu Ministério, o presidente eleito Jair Bolsonaro recomendou pente fino nos derradeiros atos do presidente Temer. A matéria, como é natural, foi publicada com grande destaque pelo O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo.

Em O Globo a reportagem foi de Jussara Gomes, André de Souza e Renata Mariz. Mostra que, com essa iniciativa, Bolsonaro revelou que deseja distanciar-se de seu sucessor. Isso porque ninguém determina revisão de atos se não estiver motivado a modificá-los e assim demonstrar uma situação de não entrosamento.

POR TRÁS DOS PANOS – Como a política, entre outras faces é a forma de dizer o que os lábios não pronunciam, chega-se à conclusão que existe um retraimento de fato entre o Presidente que sai e o que começa.

Melhor dizendo: entre o governo que está no crepúsculo e o governo que, dessa forma, antecipa sua alvorada. Isso por um lado. Por outro, se a recomendação foi divulgada com o destaque que alcançou, é provável que a nova equipe ministerial já tenha identificado pontos sensíveis com os quais ela não concorda.

Pensando bem, se uma revisão como a que foi estabelecida não identificar nenhum plano sensível para sofrer alteração, nesse caso estará fornecendo um documento favorável à equipe que a antecedeu.

TRÊS NOTÍCIAS – Lendo os jornais de ontem, sexta-feira, selecionei três matérias importantes. Mas como o título não tem espaço para destacá-las, resolvi manchetar o artigo com o enfoque político essencial. Porém merece ser iluminada a reportagem de Eliane Oliveira e Daiane Costa em O Globo, a respeito do novo aumento dos juros cobrados pelos cartões de crédito e pelos bancos no caso de cheque especial.

Incrível. Os juros no segundo caso passaram para 300% ao ano e, no caso dos cartões de crédito, para 255% também ao ano. Dentro desse quadro, vale compará-lo com a inflação do IBGE que vai fechar o ano no nível de 4%.

DÉFICIT DO INSS – Em O Estado de São Paulo, Idiana Tomazelli informa que o déficit do INSS chega a 188,9 bilhões em 2018. Importante a informação, pois ocorre dentro de um orçamento de 3,5 trilhões de reais. E o Valor publica o quadro da receita. Só a arrecadação tributária está prevista em 1 trilhão e 390 bilhões de reais. A Previdência tem déficit, mas sua receita em torno de 600 bilhões está prevista na Lei de Meios.

Para finalizar, desejando um feliz 2019 a todos, cito matéria financeira de grande importância para os aplicadores. Está no Valor também de ontem. A rentabilidade de cada aplicação é comparada com o índice inflacionário de 4%. Assim o resultado da comparação explica tudo.

Dívida interna do país sobe 1,69% em novembro e chega a R$ 3,8 trilhões

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Este foi o resultado em novembro da dívida interna brasileira, elevando-a para 3,82 trilhões de reais, sobre os quais incide os juros anuais de 6,5%, taxa Selic. A evolução da dívida interna federal parece não despertar a atenção da equipe liderada por Paulo Guedes, no início da economia do governo Bolsonaro. O contraste é que o déficit da Previdência Social, ao contrário, mobiliza a nova equipe que assume agora em janeiro no comando do país. Entretanto o problema da dívida pública federal é muito maior.

Os dados são do banco Central e a matéria sobre esse panorama visto da ponte foi publicada na edição de ontem da Folha de São Paulo. A revelação é bastante lógica na medida em que compara o percentual de crescimento com o total. Muito importante esta forma de divulgação porque todo problema numérico projeta-se num cenário de percentagem incidindo sobre o número absoluto.

PERCENTAGENS – causa preocupação o fato de a equipe econômica no atual e a do próximo governo ao se referirem as percentagens omitem sobre qual montante ela se projetam.

É o caso do déficit do INSS. Afirma-se que ele está sendo guardado para a passagem de poder, publicando-se apenas o confronto entre sua arrecadação e sua despesa. Daí surge um déficit aparente em torno de 200 milhões de reais. Porém o Orçamento da União sancionado pelo presidente Michel Temer apresenta em números absolutos algo em torno de 3,5 trilhões, por coincidência quase o mesmo estoque da dívida interna brasileira. Se comparado o déficit com o total da chamada Lei de Meios, vamos verificar que ele representa algo em torno de 5% dos recursos financeiros que circulam no Brasil. Por que não realizam cotejo entre o número absoluto e o percentual que navega em seu curso. Se fizerem isso, a população brasileira passará a ter uma visão muito mais completa do que a realidade previdenciária.

MAIS VENDAS? – Vejam os leitores outro exemplo. O Globo publicou ontem que as vendas este ano no comércio cresceram 5,5% em relação às vendas realizadas no ano passado. Mas é preciso completar o raciocínio, partindo-se da indagação se o aumento de 5,5% foi em cima das vendas físicas ou então se o aumento decorre de preços mais elevados do que os cobrados em 2017.

Acrescente-se mais uma coisa: a população de um ano para outro cresce um ponto percentual. E a inflação do exercício de 18 bate quase no teto de 4%. O desemprego se manteve na escala de 12%.

Fica claro um aspecto: as vendas não podem aumentar se o desemprego não baixar. E o PIB só avança quando fica acima do crescimento populacional, aumentando a renda per capita.

Desemprego diminui a receita do INSS e aumenta a favelização das cidades

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Reportagem de Antônio Werneck, edição de ontem de O Globo, destaca o fato de 300 mil pessoas no estado do Rio de Janeiro habitarem em milhares de áreas de risco sujeitas a problemas de todo o tipo, sobretudo quando desabam os temporais de verão. Nessas áreas de risco há referências á áreas do Rio, cada vez mais favelizadas, sem rede de esgoto e abastecimento de água potável. Aliás, é mais que sensível o crescimento das favelas cariocas. Basta olhar de longe a ocupação de áreas que não apresentam condições básica de sustentabilidade, especialmente aquelas implantadas quase nas pedras dos morros.

Basta comparar as fotografias de qualquer época e as que forem feitas hoje para se verificar o crescimento acelerado de habitações à primeira vista expostas aos problemas da natureza, da higiene, do saneamento, enfim das condições mínimas para que sejam construídas, dentre elas as mais expostas às tempestades.

RAÍZES PROFUNDAS – A favelização não surgiu do nada. Ao contrário, tem raízes profundas, a começar pelo desemprego, pela baixa renda e pela mobilidade que o transporte, mesmo ruim, oferece para as idas diárias aos empregos. Mas mencionei o desemprego como uma das causas. Nesse ponto, cito reportagem de Douglas Gavras, em O Estado de São Paulo também de ontem, que, com base em estudos da Fundação Getúlio Vargas, do IPEA e do Focus, boletim do Banco Central, que têm ideias convergentes sobre a crise do emprego, não só no Rio mas em todo o país.

A três entidades assinalam que de 2012 a 2018 o desemprego cresceu de 7,4% para 12,2% da mão de obra ativa brasileira. Portanto os 12% de hoje recaem sobre os 100 milhões de empregados que formam essa mão de obra ativa, correspondendo à metade da população do país.

RETOMAR O CRESCIMENTO – Banco Central, IPEA e FGV concordam que para reduzir o desemprego de 12 para 7%, serão necessários 10 anos, desde que haja crescimento da economia a ser observado no Produto Interno Bruto. Portanto, o crescimento da economia pode ser previsto através de uma taxa lenta e gradual de recuperação. Foi a esse ponto que as políticas públicas dos últimos 15 anos conduziram o país implantando uma nova realidade muito negativa.

Estamos assim face a face com uma situação que vai exigir investimentos em larga escala, sobretudo visando o ser humano.

Previdência, favelização e desemprego formam o tríplice desafio para o próximo governo. Bolsonaro assume semana que vem.

Natal é o encontro de todos, inclusive nosso encontro com nós mesmos

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É o que penso da data mais importante da cristandade, que se renova a cada 365 dias, sob a inspiração do homem que morreu na cruz e dividiu eternamente o tempo entre antes e depois dele. O maior corte possível do universo consagrado no calendário não só das religiões cristãs mas de todas as religiões do universo.

Escrevo hoje sobre este pensamento para não dizer que não falei de flores, como o maior jornalista político do país, Carlos Castelo Branco redigiu um dia sua tradicional coluna no Jornal do Brasil. O tema foi também abordado por Geraldo Vandré num festival da canção nos tempos da ditadura que surgiu em 1964 e terminou em 1985.

Alguém já disse que a poesia as vezes colide com o dicionário. É o caso que marca as viagens pelas letras de artistas do passado e de todos os tempos. Dito isso. peço atenção e destaco a importância do livro que o pesquisador Rogério Malta Carrasco produziu brilhantemente acerca da história e das estórias da Cidade do Rio de Janeiro. Recebi o livro autografado.

VIAGEM PELO TEMPO – Não o li ainda completamente, mas já destaco alguns capítulos que se encontram na apresentação da obra. Desde a fundação da cidade em 1565, até a época atual, viagem pelo tempo, pelos fatos, pelas observações do autor e pelas ilustrações feitas pelo próprio Malta na estrada que seguiu para destacar os acontecimentos históricos do pulsar de uma cidade, hoje repleta de problemas, ao contrário de seu percurso que começa no passado e não termina porque o processo da vida não tem limite.

O autor, assim, faz um percurso no estilo de escritores como James Joyce e Marcel Proust, que ultrapassaram o tempo exterior de seus textos da mesma forma que os interrompiam, fracionando-os com as imagens e os pensamentos que surgiam nas suas mentes, enriquecendo as obras.

EM CAPÍTULOS –  Rogério Malta Carrasco divide sua história em capítulos. Volta ao passado e destaca pontos da cidade que já foi maravilhosa que inspiram e entusiasmam suas memórias que iluminam os capítulos.  O Morro do Castelo, Quinta da Boa Vista, Praia de Botafogo, Rua 1º de Março, Palácio Monroe, Palácio Tiradentes, Praça 11 e Maracanã, Estádio Mário Filho no Mracanã.

Dentro de alguns dias vou escrever sobre o conjunto e a importância da obra, destacada nos seus textos e em suas imagens que viverão para sempre.

Quase 2/3 da população estão otimistas com o governo Bolsonaro

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Pesquisa do Instituto Datafolha, publicada na edição de ontem da Folha de São Paulo e analisada por Igor Gielow, revela que 65% dos brasileiros e brasileiras confiam no governo Bolsonaro e acham que o país vai melhorar e o desemprego vai baixar.

Essa expectativa positiva supera todos os créditos de confiança que marcaram as perspectivas com os governos Lula e Dilma Rousseff. A maioria inclusive sustenta que a economia vai avançar e a inflação vai cair. O índice inflacionário deve fechar o ano de 2018 em torno de 4%.

REAÇÃO NATURAL – É possível, penso eu, que a população ao responder as perguntas que nortearam o levantamento, tenham revelado sua visão acerca da economia unindo a queda da corrupção com o processo inflacionário e o desenvolvimento econômico do país.

Realmente, a reação contra a corrupção atingiu um nível altíssimo, o que levou a opinião pública a rejeitar os corruptos, considerando a necessidade de um freio no assalto aos cofres públicos. A reação é natural e não há dúvida que o reflexo se faz sentir em todo o processo político econômico e social no Brasil. Isso porque não pode haver ninguém que se afirme favorável à corrupção.

Entretanto, não é só isso que o Datafolha revelou. A pesquisa mostra que 47% sustentam que o desemprego vai recuar e o Brasil vai voltar a crescer nos próximos meses.

PERTO DA POSSE – O otimismo crescente avançou mais na medida em que se aproxima a posse do novo presidente da República. Tal disposição destaca paralelamente um grau de confiança no êxito das medidas até agora reveladas pelos jornais e emissoras de televisão, assinalando que se aproxima um período que vai ao encontro da vontade nacional. Diante de uma pergunta sobre o poder de compra a resposta coincide com o grau de confiança na administração que começa daqui a poucos dias.

Porque o poder de compra contido nos salários caiu de 32 para 14% no governo Temer. O poder de compra assim caiu substancialmente.

O que talvez explique a confiança em Bolsonaro, partindo-se do princípio – pode ser a explicação de que seria impossível o país melhorar com o governo de Temer, que ingressou no crepúsculo.

TODAS AS CONDIÇÕES – Dessa forma, apoiado nas circunstâncias de hoje, o novo chefe do Executivo tem todas as condições para melhorar os níveis econômicos e sociais do Brasil.

Falei em crepúsculo de Michel Temer e assim destaco também, em contrapartida, o alvorecer de Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto.

Uma eterna visão múltipla da História nos arquivos de Jorge Yunes

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Jorge Yunes e Ivani, um casal de colecionadores 

Pedro do Coutto

Na edição de ontem, a Folha de São Paulo publicou com destaque no segundo caderno matéria assinada por Maurício Meireles sobre o destino da coleção de jornais e revistas do país,  armazenada no tempo pelo empresário Jorge Yunes,  falecido recentemente, e cujo destino será traçado por sua filha Beatriz e sua viúva Irani Yunes.

Maurício Meireles escreveu uma bela reportagem chamando atenção para a importância da pesquisa que terminou com um acervo das tendências políticas, econômicas, sociais de toda uma época. A importância da coleção é que ela reúne exemplares de jornais e revistas que se perderam na névoa do tempo e deixaram de existir embora tenham representado as várias faces da história moderna brasileira.

CASA DE PAPEL – Meireles chama o arquivo de Jorge Yunes de casa de papel, que com a classificação se destaca entre as mansões elegantes dos Jardins Paulista.

A importância maior da coleção, penso eu, está na oportunidade que oferece para os pesquisadores de hoje e do futuro poderem cotejar as várias versões de episódios e fatos cristalizados num processo cultural múltiplo.

Isso porque além da digitalização das peças oferece a oportunidade para que sejam vistos os acontecimentos por vários ângulos refletidos na imprensa e que proporciona uma nova modalidade de se ativar a memória e com isso permitir interpretações atuais capazes de enriquecer a observação à luz do presente e do passado.

INTEGRAL – É de se desejar que a coleção se mantenha integral, o que representa um passo importante para percorrer a história por suas estradas sinuosas ou retilíneas, mas sempre um conjunto de caminhos capazes de levar a novas descobertas do que se passou no país.

Uma viagem através das contradições e dos confrontos cada um deles sujeito a redescobertas. Foram tantos os jornais e revistas que desapareceram guardando visões da realidade.

A realidade não é um processo singular. E sim multilateral como um jogo de dados, título de poema famoso de Malarmé.

Objetivo da equipe econômica é inviabilizar a Previdência Social

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Charge do Valdo Virgo

Pedro do Coutto

Reportagem de Geralda Doca, Rennan Setti e Leo Branco, edição de ontem de O Globo, revela que a equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro está propondo ampla desoneração da folha de pagamento das empresas, inclusive o recolhimento para o INSS, que é de 20% sobre a folha de salários. Incrível a meu ver a ideia, já que o INSS está com déficit previsto de 186 bilhões de reais ao longo de 2019.

Seria o fim da Previdência Social, uma vez que as contribuições diretas dos empregados não seriam capazes de sustentar as aposentadorias e pensões. Se com a contribuição empresarial a Previdência já é deficitária, podemos imaginar como ficaria ela sem sua fonte principal de receita. Aí sim, a reforma projetada tornaria impraticável o pagamento das aposentadorias e pensões consagradas na lei do país.

COMO FICARIA? – O contraste é inevitável e cabe a pergunta de onde viriam os recursos operados pelo INSS. Isso no caso dos empregados e servidores regidos pela CLT. Mas existe também o funcionalismo público que reúne as áreas federais, estaduais e municipais. Não está prevista qualquer modificação no setor de serviço público. Mas esta é outra questão.

O fato essencial está contido numa flagrante impossibilidade. Tem-se a impressão, com base na reportagem, que o governo federal possui fonte de receita em excesso, ao ponto de diminuí-la, livrando as empresas e empresários. E não é nada disso. Têm sido publicadas muitas matéria nos jornais sobre o peso dos empregados nas folhas de contribuições apoiadas pelos direitos previdenciários. Esquece-se de dimensionar o orçamento do INSS em relação ao orçamento federal.

MANIPULAÇÃO – Destaca-se o déficit de 186 bilhões como se ele sozinho pudesse abalar a lei orçamentária federal. Como dizia o ex-ministro Roberto Campos, quando se fala em números, deve-se mencionar sua participação percentual em relação ao total da arrecadação. O orçamento federal nos anos de 2016 e 2017 ficaram em torno de 3 trilhões de reais.

Os números espantam. Porém, a aplicação da percentagem traduz a realidade do universo que está em focaliza uma dimensão correta de valores.

O projeto da equipe do futuro Ministro Paulo Guedes também prevê um ajuste no Imposto de Renda. Para os empregados? Não. Para as empresas, no sentido de diminuir seus encargos.

NUVEM DE PÓ – Está configurado assim o aspecto conservador em torno da economia social.  Os empregados que ganham acima de 4500 reais descontam 27% para o Imposto de Renda na fonte. E quando fazem a declaração anual os valores recolhidos nos últimos 12 meses não são corrigidos pela inflação do IBGE. Este ano, por exemplo a inflação calculada pelo IBGE fica em torno de 4%. Se não houver correção no mesmo índice isso representa um aumento adicional a favor da Receita.

De outro lado, de acordo com Cristiano Zaia, no Valor também de ontem, o presidente Bolsonaro deseja perdoar uma dívida de 17 bilhões de reais junto ao FUNRURAL.

Olhando-se o panorama visto da ponte, a impressão que se tem é de que o país está em condições de transformar os impostos  patronais numa nuvem exposta ao vento.

Nas curvas do destino, Moro pode chegar ao Supremo ainda em 2019

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Magoado, Marco Aurélio pode se aposentar no STF

Pedro do Coutto

Em entrevista à repórter Vera Magalhães, edição de ontem de O Estado de S.Paulo,  o ministro Marco Aurélio de Melo afirmou que não pode conviver, no Supremo Tribunal Federal ,com a manipulação da pauta, na qual a presidência do Poder Judiciário decide quais as matérias a serem incluídas. O ministro Marco Aurélio fez esta declaração logo após conceder a liminar que poderia colocar o ex-presidente Lula em liberdade.

Mas proferiu essas palavras antes do ato do Ministro Dias Toffolli que anulou sua liminar. O ministro, se não podia conviver com a manipulação da pauta, que pode dizer ele agora? Não se tratou de pauta, mas sim ter virado alvo da insatisfação coletiva, desprezando que a matéria que flexibilizava a prisão depois da segunda instância encontra-se pautada para 10 de abril.

LIMINAR SUSPENSA – A pauta foi elaborada por Dias Toffolli. O mesmo ministro que na presidência do STF tornou sem efeito sua interpretação da lei em vigor.

A reclamação de Marco Aurélio estende-se também à ex-presidente Carmen Lúcia, que se recusou a colocar o assunto em votação pelo fato de terem ocorrido três decisões da Corte mantendo a prisão depois da condenação em segunda instância. Ela considerou um exagero incluir na pauta, pela quarta vez, o mesmo assunto. Os que são contrários a prisão após condenação em segunda instância vão aguardar o desfecho final no dia 10 de abril.

Se Marco Aurélio não pode conviver com a manipulação da pauta da Corte ele passou a ter motivos para dela se afastar com base no mesmo princípio que usou para conceder a liberdade enquanto existir possibilidade de recurso ao STJ e ao STF. O mal estar tomou conta da Corte Suprema e dessa forma não é absurdo achar que ele poderá se aposentar.

SÉRGIO MORO – Nesse caso, talvez o presidente Jair Bolsonaro venha a nomear Sérgio Moro para o lugar aberto. Reportagem de Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo, também em O Estado de São Paulo, focaliza a hipótese. É claro que tal fato poderá não ocorrer, mas só a perspectiva de acontecer alimenta uma ideia que surgiu quando do convite de Bolsonaro a Sérgio Moro para ocupar o Ministério da Justiça.

Havia então a perspectiva de Moro via a ocupar o lugar do ministro Celso de Melo, que se aposenta em 2020. Entretanto as situações na política mudam como nuvens ao vento. Por exemplo: o Ministro Dias Toffolli foi nomeado pelo ex-presidente Lula e na tarde de quarta-feira votou contra o ex-presidente da República.

Não estou levantando um vínculo que poderia turvar uma consciência. Estou apenas colocando um tema que se repete ao longo da história.

Marco Aurélio lançou um fósforo aceso no combustível institucional do país

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Marco Aurélio sofre derrota no final de carreira

Pedro do Coutto

Foi exatamente isso o que fez o Ministro Marco Aurélio Mello ao acolher representação do PCdoB no sentido de colocar em liberdade os criminosos condenados pela segunda instância que ainda podem recorrer ao STJ e ao STF numa escala para evitar a prisão. Assim, detonou uma crise institucional, na medida em que a procuradora-Geral da República recorreu da decisão, no que foi acompanhada por integrantes do Ministério Público Federal. O ponto sensível da crise estava na vontade do MPF de não acatar o despacho.

Os procuradores da força tarefa do Paraná, tendo à frente Deltan Dallagnol, rebelaram-se contra o ministro Marco Aurélio. A repercussão foi ampliada porque na tarde de ontem, em Brasília, o presidente eleito Jair Bolsonaro reunia-se com seus 22 ministros para acertar detalhes do seu plano de governo.

TEMER EM SILÊNCIO  – Na área do presidente Michel Temer imperou o silêncio, até porque a colocação do Ministro Marco Aurélio, se mantida, poderia beneficiar integrantes da administração que se aproxima do fim.

A surpresa envolveu a atmosfera do país porque o presidente da Corte Suprema, Dias Toffolli, havia agendado o tema para a primeira quinzena de abril. Assim, a investida de Marco Aurélio chocava-se com o roteiro traçado por Dias Toffolli.

Além disso, o STF por três vezes estabeleceu jurisprudência no que se refere a restringir o direito de condenados em segunda instância poderem recorrer a escalas superiores em liberdade. O STF negou essa perspectiva mantendo a prisão desde que os réus tenham sido condenados em segunda instância.

CÁRMEN RECUSOU – A ex-presidente do Supremo, Ministra Carmen Lúcia, utilizou exatamente esse argumento para se recusar a pautar novamente a mesma matéria. Mas o ministro Marco Aurélio Mello assumiu um despacho em colisão com o entendimento majoritário do próprio Tribunal no qual se integra.

Marco Aurélio criou uma tempestade institucional, que acabou sendo resolvida pelo presidente Dias Toffoli  com uma solução de lógica bastante simples. A liminar não vale, até que o plenário do Supremo julgue a matéria, no dia 10 de abril.

 

 

Receitas do Sistema S provêm dos salários e não das fontes empresariais

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Charge do Erasmo (arquivo Google)

Pedro do Coutto

Em almoço na Firjan, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou que haverá um corte de até 50% nos recursos que mantem entidades como Sesi, Senai, Sesc e outros órgãos destinados ao ensino profissionalizante. Pode-se imaginar a reação contrária dos empresários, começando por Eduardo Gouveia Vieira, presidente da Federação das Indústrias do RJ.

Os jornais deram grande destaque ao acontecimento, como é natural, e a reportagem de Marcelo Correa, Daiane Costa e Ramona Ordonez, edição de ontem de O Globo, destaca bem o impacto e as reações que provocou a fala de Paulo Guedes.

FOI UM CHOQUE – De fato, o anúncio do projeto econômico do governo que assume em Janeiro causou um choque nas entidades empresariais. Isso porque, embora se reconheça a importância do sistema S para a formação de obra profissional, vemos agora com mais transparência pública onde estão as fontes das receitas. Elas variam de 0,2% a 2,5% sobre os salários dos empregados para bancar os trabalhos das entidades envolvidas. Portanto os recursos das entidades patronais são fornecidos pela massa salarial e não através do desembolso das empresas.

Porque se fosse através do desembolso das empresas, a redução não teria motivo para contrariar o empresariado representado no almoço da FIRJAN. Pelo contrário. Seria um encargo a menos nas disponibilidades financeiras da indústria e do comércio. Paulo Guedes não se referiu ao destino futuro resultante do corte dos descontos. Mas, evidentemente, só pode se destinar para o financiamento de algum processo econômico e social gerido pelo Governo.

REDUZIR O IR – O sistema S de outro lado, gera a redução de Imposto de Renda, tanto para os assalariados como para os empregadores. Portanto trata-se de uma peça mecânica para produzir resultados importantes na formação e no aperfeiçoamento da mão de obra. Essa qualidade conduz a um esforço para reduzir o desemprego no país. Isso porque é fundamental para a economia o nível de produtividade.

A produtividade é fundamental para a redução direta e indireta dos custos operacionais de todo o sistema produtivo. Vamos aguardar os próximos lances que envolvem a abertura de uma proposta governamental que afetou interesses dos empregadores.

Ficou iluminada, portanto, a lógica do sistema S. Dificilmente o governo Bolsonaro poderá recuar na matéria em foco.

Jornalista filipina sofre perseguição e propõe sistema para conter “fake news”

Maria Ressa propõe um sistema contra as “fake news”

Pedro do Coutto

Numa entrevista a Ana Estela de Souza Pinto e Patrícia Campos Melo, edição de ontem da Folha de São Paulo, a jornalista filipina Maria Ressa afirmou que é fundamental criar-se um sistema de combate às “fake news” injetadas nas redes sociais da internet. A jornalista revela estar sendo perseguida pelo governo de seu país que usa “fake news” para intimidá-la. Desde julho o site Rappler sofre ataques do governo através de sua conta no Facebook.  Ela propõe uma ação conjunta com o Facebook para enfrentar o sistema do presidente Rodrigo Duterte.

O sistema, ela ainda não definiu qual seja, mas defende a necessidade de um trabalho permanente que inclui o mapeamento das redes que estão espalhando notícias falsas contra ela e também contra a verdade dos fatos.

DETENÇÃO – Maria Ressa recentemente foi detida pelo governo de seu país e teve de pagar a fiança de 60 mil pesos para evitar sua prisão. Ela forma na oposição a Duterte.

Ressa foi distinguida entre as pessoas do ano eleitas pela revista “Time”. Uma resposta dirigida a governos que não seguem o princípio da liberdade de imprensa e livre manifestação do pensamento.

Ao lado de emissoras de televisão surgiu uma ação conjunta contra todos os que se envolvem no que chamou desinformação que ameaça a comunicação entre a imprensa e o governo. Jornais também estão sofrendo censura e igualmente se revelam contra a proibições e rejeitam publicar matérias que possuam mensagens de fontes inexistentes. Uma forma de disfarçar a origem verdadeira dos textos.

REDE DE PROTEÇÃO – O mapa proposto por ela seria uma espécie de rede de proteção contra as “fake news”. Na minha opinião, o mapeamento seria dentro dos limites do possível, uma vez que as mensagens possuem grande multiplicidade, e significaria um sinal de advertência que repousa no limite que separa as autorias dos conteúdos transmitidos por aqueles que injetam desinformações no universo da internet.

Acrescento uma sugestão a todos os navegantes de quaisquer país. A ação para bloquear as “fake news” é impossível. Mas é possível que todos os que flutuam no espaço mágico esperem apenas 24 horas para saber a diferença entre as falsas notícias e as verdadeiras.

Basta esperar pelo dia seguinte. Se não saiu nos jornais é porque era uma falsidade.

Plano de Paulo Guedes terá de superar o baixo crescimento da economia

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Guedes está enfrentando o maior desafio de sua vida

Pedro do Coutto

É um dilema, uma espécie de lance de dados, pois o fato do baixo crescimento da economia brasileira resulta fundamentalmente na falta de investimentos. O país não investe porque não tem recursos, e, ao mesmo tempo, não tem recursos porque não investe. O desafio para Paulo Guedes no governo de Jair Bolsonaro é romper essa contradição.

Reportagem de Marcelo Correia e Marta Beck, edição de ontem da Folha de São Paulo, focaliza o desafio a ser enfrentado pelo governo que assume em 2019.

PREVIDÊNCIA – Paulo Guedes inclui em seu plano de crescimento do país a reforma da Previdência Social e a captação de investimentos. Sua agenda econômica, portanto, é fortemente liberal, na medida em que vai buscar um caminho para a privatização de muralhas estatais e, com isso, como primeiro passo, obter recursos de forma bastante urgente. Sua ideia geral parte do princípio de que os governos que antecederam Bolsonaro enveredaram pelo caminho da social democracia. E partiram também, na sua visão, do populismo vazio e sem compromisso com realidade.

Sua visão conjuntural e estrutural admite redução de impostos para as empresas. E não está muito distante da implantação de um tributo único, uma vez que para ele as armadilhas burocráticas representam uma barreira ao programa de investimentos. O panorama está traçado. Terá pela frente, como se espera, reações contrárias que têm como fonte de energia o Congresso Nacional.

Assim, portanto, Paulo Guedes tem contra si o tempo necessário para enfrentar os obstáculos.  Que não são só do novo governo. Ao contrário, ele envolvem toda a população brasileira.

ESPAÇO CULTURAL – Nelson Motta encontrou o caminho para lançar as músicas de todos os tempos. Na semana que passou foi ao ar pela Rede Globo mais uma edição do programa Encontro com Nelson Motta.

Excelente. Dois personagens foram apresentados de forma ampla. O pianista Arthur Rubinstein e a cantora Maria Callas. Paralelamente, ele, Nelson Motta, falou de forma totalmente clara abrangendo dois grandes artistas. Aliás, o espaço Encontro com Nelson Motta, penso eu, deve se estender para Encontro com a Arte.

E agora, Brasil? Chegou o momento do balanço geral na transição do governo

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Charge do Genildo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Ao participar na sexta-feira de um encontro promovido pelo jornal O Globo com apoio da Confederação Nacional do Comércio e do banco Modal, o Ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, afirmou ter chegado o momento da transição de governo e da modernização do processo político para que os partidos, dentro da Democracia, voltem a assumir seu protagonismo em nosso país.

O encontro que incluiu editores e colunistas do jornal foi mediado por Miriam Leitão e Lauro Jardim. Dias Toffoli acentuou também a necessidade de se colocar em prática os fundamentos das ações que cabem à Corte Suprema.

CHEGOU A HORA – As equipes encarregadas da transição, tanto as do atual governo Michel Temer quanto as do presidente eleito Jair Bolsonaro, em minha opinião devem aproveitar o momento para um balanço geral no país. Um balanço que reúna as áreas econômicas, sociais e financeiras, com seus dados completos. Um marco capaz de definir como Bolsonaro encontrou o país e como será de janeiro para frente em seu governo.  O presidente Michel Temer poderia fazer o mesmo destacando como ele encontrou o Brasil em 2016 e como entregará o país a Jair Bolsonaro.

Uma ideia baseada em números com o objetivo de comparar as realizações e os fracassos que marcam períodos governamentais.

DADOS IMPORTANTES – Por exemplo: Qual a população brasileira? Qual a renda do trabalho? Qual o nível de emprego? Qual a análise sobre o desempenho econômico? Quais as obras que foram interrompidas no meio da execução, quais os recursos financeiros disponíveis? A resposta a essas indagações devem servir de base para que Bolsonaro possa se dirigir ao país apresentando dados que recebeu de seu antecessor. A comparação do Produto Interno Bruto é outro tema. Deve se assinalar que ele se encontra hoje na altura de 6 trilhões de reais.

E nesse sentido qual exatamente é a dívida interna do Brasil. Essa dívida interna oscila em torno de 3,7 trilhões, como o jornal Estado de São Paulo publicou recentemente.

O QUE VEM AÍ? – Qual será a política do novo governo para fazer com que o país deixe de possuir apenas a metade de sua população atendida por um sistema de tratamento de esgoto. E por aí vai.

Os números devem ser do maior interesse de Jair Bolsonaro, pois assim ele poderá estabelecer a realidade com que assumiu e aquela que irá marcar sua trajetória no Palácio do Planalto.

Tem mais uma coisa. O governo que assume em janeiro, sugiro eu, poderá adotar um sistema de relatórios mensais, tipo de prestação de contas, um documento à população brasileira.

Bolsonaro defende trabalho informal como forma de combater o desemprego

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Charge do Alves (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reunido na quarta-feira com a bancada do DEM, o presidente eleito Jair Bolsonaro a certa altura do encontro defendeu o aumento do trabalho informal como forma de reduzir o desemprego no país. Na edição de quinta-feira na Folha de São Paulo, reportagem de Talita Fernandes, Thais Bilenky e Ranier Bragon, focaliza bem o tema. Sem dúvida é infinitamente melhor trabalhar sem carteira assinada do que simplesmente não trabalhar em modalidade alguma. Isso é um fato. Mas não esgota todo o panorama sócio econômico que envolve a questão.

Por exemplo, segundo a reportagem 43,9 milhões de pessoas têm carteira assinada, enquanto 39,5 milhões não possuem a mesma condição.

AUTÔNOMOS – Além disso, existem os autônomos, por exemplo médicos, advogados, dentistas, psicólogos, entre outros. O trabalho que desenvolvem é particular não podendo, portanto, serem classificados como trabalhadores sem carteira. Suas atividades são avulsas.  O número é grande desses profissionais, mas se dilui na comparação com os trabalhadores formais, que teriam carteira assinada.

A mão de obra ativa do país abrangendo todas essas condições eleva-se a quase 100 milhões de homens e mulheres.

Bolsonaro, no encontro, focalizou as dificuldades encontradas pelos empresários no que se refere aos direitos trabalhistas. Para o presidente eleito, há necessidade de uma revisão, tal o acúmulo de responsabilidades econômicas a que são obrigados a enfrentar. Por isso quer uma revisão no volume de encargos que desaba sobre os empregadores.

DEVIDO LUGAR – No meio da reunião Bolsonaro afirmou não desejar dizimar o PT, que tem lugar na sociedade brasileira. Deseja apenas colocar a legenda no seu devido lugar.

Acontece (apenas um registro que faço) que a informalidade no sistema de emprego reflete-se na receita da Previdência Social. E também no FGTS. É verdade que o não recolhimento para o INSS vai acarretar, no futuro a impossibilidade dos trabalhadores informais se aposentarem. Mas esta é outra questão.

A receita para o INSS é formada em sua grande maioria pela contribuição dos empregadores, que se eleva a 20% sobre a folha salarial. Esta é a questão essencial.

Cinquenta anos depois do Ato 5, Zuenir Ventura ilumina as trevas do passado

Resultado de imagem para 1968 o ano que não terminouPedro do Coutto

Autor do livro “1968 – O Ano Que Não Acabou”, em entrevista à repórter Laura Mattos, edição de ontem da Folha de São Paulo, o jornalista Zuenir Ventura relembra no presente o profundo golpe que atingiu a sociedade brasileira na noite trágica de 13 de dezembro. Importante a trajetória histórica de um registro para que fique impresso na memória das gerações de hoje e das gerações que virão no amanhã.

Foi quando a democracia brasileira tombou por completo, a começar pelo escanteio a que foi conduzido o vice-presidente Pedro Aleixo. Por incrível que pareça o deputado udenista Pedro Aleixo era o vice presidente de Costa e Silva. Neste ponto não restava mais dúvida da longa noite de horrores que tornou difícil de respirar tão graves eram os temores que desciam na vida do país. O presidente Costa e Silva, na noite de 13 de dezembro, recebia poderes totais, explodindo o regime democrático.

PRISIONEIRO – Recebeu poderes totais, porém não os exercia por si só, tornara-se prisioneiro do poder militar. Zuenir Ventura, para mim, com seu livro, tornou-se ao mesmo tempo uma das principais testemunhas da história moderna do Brasil. Seu registro sobre 1968 será incorporado à memória nacional e já é objeto, tenho certeza, de pesquisas que estão sendo feitas pelas gerações do futuro.

O comando militar passou a ser exercido em toda sua plenitude e recebeu estranhas adesões por parte de setores que representavam longínqua minoria em face da realidade nacional que fica escrita na história com tintas de sangue e de alucinação.

QUEDA DE JANGO – Houve contradições entre aqueles que apoiaram e até lideraram o Ato nº 1, que marcou a deposição do presidente João Goulart e iniciou um processo em que as liberdades democráticas foram sendo substituídas por restrições do poder militar.

Uma das contradições refere-se ao ex-governador Carlos Lacerda, o principal líder civil do movimento de 1964 e que naquela noite de dezembro foi preso pelo movimento que ele próprio liderou. Ficou claro que o poder militar, que derrubara Jango para livrar o país de um desfecho subversivo, passou a assumir então uma estrada que afastava os civis do comando da Nação.

NA PRISÃO – Testemunha do arbítrio, Zuenir esteve preso durante três meses. Mas deixa para sempre sua visão e sua interpretação dos fatos que marcaram a história moderna do Brasil.

Jornalista, escritor e tradutor da realidade, ele cumpre seu compromisso histórico para consigo mesmo e principalmente para os que vierem depois de nós.

Elevar impostos e aumentar contribuição para a Previdência são saídas erradas

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Ilustração reproduzida do site da Sintrafesc

Pedro do Coutto

Reportagem de Geralda Doca e Marcelo Correia, edição de ontem de O Globo, revela que a equipe que representa Jair Bolsonaro na transição do poder está concluindo estudo, aliás mais projeto do que estudo, que prevê revisão tributária que se transforma num aumento de impostos e maior contribuição previdenciária para funcionários federais e também para os militares. Paralelamente a isso, o fim das isenções concedidas de 2015 para cá. Este é o caso da desoneração colocada em prática pela ex-presidente Dilma Roussef.

Além disso, a equipe propõe elevar a incidência de tributos sobre os lucros e dividendos das empresas. Com isso espera ampliar em 37,6 bilhões de reais a receita fiscal e previdenciária da União.

É POSSÍVEL, MAS… – O projeto volta-se para o futuro, estimando-se uma progressão que em quatro anos poderá proporcionar mais 128,5 bilhões para o Tesouro nacional.

Na minha opinião não vai funcionar, sobretudo porque uma maior contribuição de tributos vai se refletir no consumo, que em parte depende do poder aquisitivo dos funcionários.  Isso sem contar que a proporção maior das contribuições resultará num adicional muito pequeno em relação ao orçamento federal. O orçamento de 2018 atinge 3,5 trilhões de reais. Os orçamentos de 2016 e 2017 foram de praticamente 3 trilhões de reais.

A equipe de transição, liderada pelo economista Paulo Guedes, propõe também uma incidência maior sobre o lucro das empresas, além de incidir sobre os dividendos distribuídos.

HAVERÁ REAÇÃO – Como se verifica, aproxima-se um ajuste fiscal bastante apertado para a população brasileira. Vai haver reação é claro. Me recordo de um livro escrito pelo professor Octavio Gouvea de Bulhões, ministro da Fazenda do governo Castelo Branco.

Era um dos intelectuais da economia, mas sua visão não se restringia apenas à superfície, mas também à estrutura tributária. Dizia ele que não adianta cobrar impostos além da capacidade de pagar. Em casos assim, verifica-se um atraso no recolhimento tributário e a cobrança demanda sempre um espaço amplo entre a cobrança e sua execução.

Assim vislumbra-se um desafio para a equipe de transição.  Como compor arrecadação sem levar em conta a capacidade de pagamento dos setores que a sustentam?

Se as despesas com os inativos subiram, é porque houve aposentadoria precoce

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               Charge do Nef (Jornal da Brasília)

Pedro do Coutto

O título desta matéria, a meu ver, reflete bem uma realidade que tem sido desfocada pelos integrantes das equipes econômicas que tratam de assuntos vinculados à reforma previdenciária. Reportagem de Marcelo Correa e Cássia Almeida focaliza o tema partindo de um trabalho de integrantes do Tesouro Nacional e também dos que se integram na equipe de transição liderada por Paulo Guedes.

O levantamento, feito de forma unilateral, sustenta que de 2015 a 2017 as despesas dos estados com pensionistas e aposentados subiu muito mais do que os encargos com os servidores que ainda estão na ativa.

COMPARAÇÃO – Ocorre que como ninguém pode ser nomeado aposentado ou pensionista, a situação exposta nessa matéria, publicada na edição de ontem de O Globo, obrigatoriamente tem de incluir a passagem de uma situação para outra. Assim a comparação com os desembolsos com educação e saúde não inclui o pagamento dos funcionários que continuam trabalhando.

É lógico, pois, que ocorreu foi grande número de aposentadorias motivado pelo temor da perda de direitos com a reforma previdenciária pela qual o governo Temer tanto defende. Nesse aspecto, o presidente Jair Bolsonaro tem sido mais cauteloso. Recentemente ele afirmou (saiu nos quatro grandes jornais do país) que não é possível prejudicar direitos consolidados.

A matéria de O Globo é acompanhada de um gráfico estatístico citando as despesas dos estados do país com o pagamento dos inativos.

14% POR MÊS –Como acontece no Rio de Janeiro, são Inativos que, continuam recolhendo 14% sobre seus vencimentos. Trata-se de um caso de cobrança adicional, porque, para conquistar a aposentadoria, os funcionários contribuíram ao longe de suas vidas.

O estudo em foco, incluindo a opinião de vários economistas, sustenta que o crescimento das despesas explica a dificuldade de obter recursos para investimentos.  Entretanto, as duas equipes chegaram à conclusão de que os problemas dos estados, em face da queda de consumo, decorre sobretudo da decadência do ICMS e do Fundo de Participação dos Estados no processo econômico que atingiu as duas receitas.

DIREITOS ADQUIRIDOS – Aí, sim, fica estabelecida uma realidade muito mais forte do que o pagamento com aposentadorias e pensões, setor impossível de receber qualquer corte, pois se trata de direitos adquiridos ao longo do tempo.

O documento foi também elaborado por Paulo Tafner e Armínio Fraga. E a questão colocada é muito simples. Grande número de funcionários se aposentou tão logo sua iniciativa coincidiu com as condições para a passagem da atividade para a aposentadoria em função das ameaças de perda dos direitos, que hoje ainda são assegurados aos inativos no serviço público federal.

Luciano Huck diz que ainda falta a Jair Bolsonaro um programa de governo

Luciano Huck

Huck lamentou a prisão de Lula, mas considerou justa

Pedro do Coutto

Em entrevista a Eduardo Kattah e Gilberto Amendola, com grande destaque na edição de ontem de O Estado de São Paulo, o apresentador Luciano Huck afirmou que está faltando um projeto de governo e de país a Jair Bolsonaro, embora esteja cumprindo com suas declarações públicas o que prometeu na campanha eleitoral em matéria de combate a corrupção e rigor administrativo.

Mas está faltando um projeto de país, um plano definido de governo que abranja e se dirija aos diversos segmentos da sociedade brasileira. Pode se dizer, segundo penso, um projeto de nação que traga consigo uma nova etapa de desenvolvimento econômico e social.

EMPREGOS – É preciso haver um projeto que retome o nível de emprego para brasileiros e brasileiras. Porque, na minha opinião, sem emprego, como está acontecendo, não há condição da economia avançar. Afinal, o que sustenta a economia é o mercado de consumo, e o mercado de consumo só avança se os salários derem sustentação, o que quer dizer, não sejam tragados pela espiral inflacionária. Essa espiral pode não ser muito acentuada, mas incide sobre a renda do trabalho, que não tem avançado no país.

O apresentador da Rede Globo afirma que deve se dar um voto de confiança em Bolsonaro, sobretudo porque sua mensagem ética até agora tem se voltado para o combate a atividades ilegais no campo econômico e financeiro.  Para Luciano Huck, é fundamental que o governo que assume em janeiro tenha como propósito diminuir as desigualdades de renda que levam sombras a uma evolução da sociedade como um todo. O tema da desigualdade – ressaltou Huck – passou ao largo da campanha eleitoral. E combater a desigualdade de renda constitui uma etapa essencial, sem a qual o Brasil permanece caminhando de lado. Caminhando de lado significa praticamente não avançar no plano social.

REFORMA – Para Huck o sistema partidário necessita uma reforma e por isso tomou o gosto pela atividade política, não para benefício de si próprio, mas para uma evolução ética da Nação.

Quanto a educação, Huck lamentou o fato de ter sido rejeitado o professor Mozart Neves Ramos para o Ministério da Educação. A seu ver seria um avanço que talvez não seja possível com outro nome na Pasta.

O destaque que O Estado de São Paulo deu à matéria foi muito grande. Trata-se de matéria em página inteira com início inclusive na primeira página da edição.

EQUIPE ECONÔMICA – Outro aspecto abordado, inclusive com sensibilidade, reside na equipe econômica chefiada por Paulo Guedes. Como disse no início está faltando um plano econômico e social. Este plano é o desafio para o governo que assume o país a primeiro de Janeiro de 2019.

Huck colocou bem os pontos essenciais da questão. Está faltando sobretudo, penso eu, uma preocupação maior com as classes trabalhadoras que são tão importantes para o Brasil quanto as classes produtoras da indústria, comércio, do sistema bancário.

“Correio da Manhã”, a história de um grande jornal, contada pelas fotografias

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Foto de Osmar Gallo, destaque na exposição do “Correio”

Pedro do Coutto

Ontem, com um almoço no tradicional Bar Brasil, na Lapa, realizou-se mais um encontro dos que trabalharam no “Correio da Manhã”, jornal que marcou época no país, por sua independência e qualidade. São dois almoços por ano organizados por Luis Carlos de Souza e Bertoldo Monteiro.

Na sequência desses encontros que se prolongam no tempo, o de ontem incluiu a apresentação de fotografias da equipe liderada por Erno Schneider e integrada por Osmar Gallo, Luiz Pinto, Fernando Pimentel, Milton Santos e muitos outros, que retrataram acontecimentos que tiveram palco na cidade do Rio de janeiro. A edição da memória fotográfica foi dirigida pela pesquisadora Maria do Carmo Rainho.

CENTRO CULTURAL – A exposição encontra-se instalada no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal. Importante o trabalho que percorre episódios que tiveram palco ao longo dos anos.

O Correio da Manhã nasceu em 1901 e morreu em 1974. Ao longo do tempo, documentou acontecimentos especialmente durante a ditadura militar. As imagens, assim, incorporam-se à história daquele que foi, no passado, o jornal de maior peso político no país.

No almoço estiveram presentes, Ruy Castro, Fuad Atala, Bertoldo Monteiro, Luis Carlos Souza, Idalício Oliveira Filho, além de muitos outros jornalistas e fotógrafos que produziram as fotos que se encontram expostas na Caixa, como Erno Schneider e Alcyr Cavalcanti. Participou também um dos editores do jornal, Pery Cotta.  Estiveram presentes também do almoço o editor aqui da TI, Carlos Newton e sua mulher, Jussara Martins, que trabalhou no antigo prédio da rua Gomes Freire.

HERÓI DA RESISTÊNCIA – O Correio da Manhã se foi, o prédio continua testemunhando as épocas que se sucedem e ocupado por setores da Justiça estadual. O Correio da Manhã é o único jornal que reúne em almoços semestrais os que lá trabalharam e testemunharam sua presença marcante na imprensa e sua queda provocada por administrações que não tinham nenhum afeto pelo que ele representou e testemunhou.

Enfrentou duras lutas e seus editoriais escritos por homens como Otto Maria Carpeaux, Franklin de Oliveira e o embaixador Alvaro Lins. Ruy Castro comentou que pelo que produzia no Correio da Manhã, a casa de José Lino Grunewald reuniu importantes personagens da vida cultural. Ruy Castro sugeriu que o apartamento da Avenida Henrique Dodsworth seja objeto de um registro histórico.

EDITORIALISTAS –  Vale a pena percorrer as imagens que, além de otimamente feitas, refletem bem o passado que se torna cada vez mais remoto, sustentado pelo vento que amplia distâncias entre os acontecimentos. Assim, muitos jornalistas que lá trabalharam se foram com o vento e deixaram suas contribuições tanto para a cultura quanto para a política.

Os editorialistas, de todos os jornais, para serem enaltecidos eram personagens de Dumas pai. Espadachins da cultura, prontos sempre para confrontar com o poder e com os poderosos.

Esses espadachins, creio, ficam para sempre na história não só do jornal mas de todo o país.

FGV lança um aplicativo que permite a cada um de nós medir a inflação pessoal

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Charge do Edra (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A partir desta sexta-feira entrou na rede da internet um aplicativo da Fundação Getúlio Vargas destinado a proporcionar a cada brasileiro ou brasileira uma maneira de avaliar os reflexos da inflação sobre suas vidas. Trata-se de um cálculo voltado a decifrar o índice de inflação pessoal no país. O tema foi destacado ontem pela reportagem de Vinicius Neder, edição de O Estado de São Paulo.

A meu ver, a iniciativa é importante porque os reflexos inflacionários não são iguais para todos os grupos da sociedade brasileira. Por exemplo, o item relativo aos preços da alimentação representa valores diferentes em relação às faixas de renda. Assim o prelo dos alimentos é algebricamente maior para as classes de renda menor.

BAIXA RENDA – Como a alimentação é um item obrigatório, a percentagem sobre os salários varia consideravelmente. É preciso não esquecer que 33% da mão de obra ativa do país estão contidos na faixa de um salário mínimo. Quanto mais alta for a renda, menor será o peso percentual dos produtos alimentícios.

O mesmo se refere em outra escala, à questão dos aluguéis. E também deve ser medido o peso do preço dos combustíveis, levando-se em conta paralelamente que os grupos mais pobres, é claro, não têm automóvel.  É muito inteligente a ideia da FGV. E como uma ideia leva à outra, devem ser considerados outros aspectos que envolvem as pesquisas  de preços conduzidas pelo IBGE. Não que haja controvérsia em relação aos índices entre uma e outra entidade. Mas é preciso ter atenção para o setor de aferição dos preços.

PREÇOS DIVERGEM – Os índices inflacionários tendem a ser menores se a base for a coletânea dos preços mínimos. Eles existem, especialmente no campo dos supermercados. Porém, se existe uma estratégia de compra para os consumidores, existe também uma outra para os vendedores. Pode-se praticar os preços mínimos. Hipoteticamente, basta percorrer três ou quatro supermercados a cada dia. Uma surpresa: onde está o feijão mais barato pode estar o arroz mais caro, assim como o tomate, batata, etc.

Entretanto, dificilmente alguém poderá percorrer três supermercados por dia. O pesquisador do IBGE pode, pois este é seu trabalho. Portanto, mergulhar nos preços mínimos é uma forma de jogar para baixo os índices reais do custo de vida.

Agora, com o aplicativo da FGV, será mais fácil chegar-se à conclusão real da dança dos preços.