Qual é o funcionário que consegue ficar rico com seu salário? Nenhum

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Charge do Mariano (Charge Online)

Pedro do Coutto

A equipe liderada por Paulo Guedes que estuda a elaboração de projeto de reforma previdenciária chegou à conclusão que as despesas para os funcionários mais ricos são 12 vezes mais do que os encargos destinados aos mais pobres. A reportagem de Marta Beck, Marcelo Correa, André de Souza e João Sorina Neto em O Globo focaliza o assunto.

Claro, é fato que há servidores cujos salários são várias vezes do que recebem menor rendimento. Não quer dizer nada. Estamos em um país em que 50% da mão de obra ativa, nela incluindo, portanto, o funcionalismo tem 50% recebendo de 1 a 3 salários mínimos.

DESCONTO MAIOR – Quanto ao fato da aposentadoria ser bem maior do que as de menor renda, explica-se na seguinte proporção. O desconto previdenciário do servidor é de 14%. Portanto, o Rio de janeiro tomado como exemplo, os que ganham mais também contribuem mais.

Veja-se outro exemplo. Uma caderneta de poupança que recebe mais depósitos, evidentemente tem que render mais do que aquela que recebeu menores quantias mensais. 

O grupo de estudo está ainda pesquisando a situação dos militares. Esta pesquisa parte do princípio que as pensões e aposentadorias têm de ser condizentes com a responsabilidade atribuída às Forças Armadas.

MISÉRIA ABSOLUTA – Enquanto isso, reportagem de Daiane Costa, também na edição de ontem de O Globo, com base em pesquisa do Banco Mundial (BIRD) revela que no Brasil 54,8 milhões de pessoas vivem num nível abaixo da pobreza, sobrevivendo com 5,5 dólares por dia. Como se verifica, a extrema pobreza reúne 25% da população brasileira. Logo a escala de salários em nosso país é bastante reduzida.

Por falar em riqueza, não se pode considerar ricos aqueles que ganham, digamos, 10 mil reais mensais. São considerados classe média alta. O quadro geral brasileiro é marcado por esses índices de classificação. A riqueza é outra escala.

REGRA DE TRANSIÇÃO – Idiana Romazelli e Adrana Fernandes, em O Estado de São Paulo, revelam destaques dos estudos na área de Paulo Guedes para a reforma da Previdência. A dificuldade, no momento, é estabelecer uma regra de transição. Isso porque os admitidos a partir de 2003 estão sujeitos ao teto de 5,6 mil reais, teto também do INSS. Mas existem aqueles que têm direito a se aposentar na base do último salário. São os que têm, hoje, o tempo de serviço suficiente para se inscreverem nesse direito.

Mas também existem aqueles que são antigos mas que não atingiram as condições de aposentadoria. Para esses é necessária uma regra de transição entre um regime e outro. Nessa transição têm que ser respeitado o direito capaz de assegurar uma proporcionalidade justa decorrente das contribuições pagas ao longo do tempo.

Dívida interna já é, pelo menos, treze vezes maior que o déficit da Previdência

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Charge do Júlio Cesar (humorgrafico.com.br)

Pedro do Coutto

Levantamento feito pelo Tesouro Nacional destaca que, sem a reforma da Previdência Social, a dívida interna do país poderá atingir 90% do Produto Interno Bruto em 2022. A matéria foi objeto de reportagem de Adriana Fernandes, edição de ontem de O Estado de São Paulo, traçando um paralelismo entre a receita e despesa do INSS com a evolução prevista para sua percentagem em relação ao PIB do país. Hoje a dívida interna é de 72% do PIB. Como o PIB está projetado para uma escala de 6,6 trilhões de reais, verifica-se que se evidencia uma disparidade entre os números de uma questão e de outra.

O déficit previsto este ano de 2018 para as contas da Previdência Social encontra-se estimadas em 260 bilhões de reais. Enquanto isso nota-se que o Produto Interno Bruto é, pelo menos 13 vezes maior do que a diferença registrada no INSS.

IMPRESSIONISMO – O cálculo do Tesouro Nacional torna-se assim uma matéria impressionista e desfoca os valores comparados, como se a elevação do endividamento pudesse ser evitada com a diminuição dos pagamentos aos aposentados e pensionistas do INSS. A questão, portanto, não surge do espelho tridimensional das contas públicas brasileiras.

O Tesouro sustenta que a dívida interna está situada hoje em 72% do PIB, assim ela atinge praticamente quase 4 trilhões de reais. Sobre esse total incide, como juros, a Taxa Selic de 6,5% ao ano. Os juros, dessa forma, produzem um desembolso quase igual ao déficit da Previdência Social.

PASSE DE MÁGICA – Qual será a mágica adotada pelos técnicos fazendários na tentativa de fazer crer que um corte de despesas sociais pode influir de modo bastante intenso nos encargos da dívida que flutua há vários anos na economia nacional? À primeira vista, não faz sentido a comparação. Mas mesmo assim os números se chocam.

Ampliando a colisão numérica, na mesma edição de O Estado de São Paulo, matéria de Lorenna Rodrigues destaca que a carga tributária do Brasil acaba de atingir o recorde de 32,4% dos preços. Com isso projeta-se uma outra realidade em função do sistema tributário.

Por essas e outras é que a massa salarial recua cada vez mais em todo complexo econômico brasileiro.

É demais! Endividamento aprisiona e explora cerca de 62 milhões de brasileiros

Charge reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Duas reportagens publicadas na edição de ontem da Folha de São Paulo, uma de Tássia Kastner e outra de Danielle Brant, focalizam a escala de endividamento da população brasileira, uma vez que os inadimplentes atingem praticamente 62 milhões de pessoas. São consumidores que se encontram com seus pagamentos atrasados há mais de três meses, incluindo os que estão em débito no campo do crédito rotativo e também no campo dos cartões de crédito. O crédito rotativo a que me refiro é aquele que tem origem no cheque especial.

Do total de endividados, 12% passaram do limite do cheque especial e 11% não quitaram as parcelas mensais de seus cartões de crédito.

JUROS ABUSIVOS – O panorama é muito grave porque os juros de 12% ao mês do cheque especial e 11% do refinanciamento dos cartões de crédito tornam  impossível. haver resgates. Afinal de contas, os salários nem de longe acompanham tal ritmo e, ainda por cima, tem que se levar em consideração o alto índice de desemprego que atinge a mão de obra ativa do país.

Aliás por falar em mão de obra ativa, percentualmente o grau de endividamento é superior a 1/3 dos brasileiros. Isso porque, se deixarmos a população de lado e nos concentrarmos na mão de obra ativa, vamos verificar que esta reúne 100 milhões de pessoas. Portanto, na verdade as dívidas atingem em números redondos 60% dos trabalhadores e trabalhadoras, uma vez que no total de 204 milhões d habitantes estão incluídas a população infantil, que consome mas não produz renda e aqueles de idade avançada que somente através do consumo podem ser incluídos como fazendo parte do produto interno bruto brasileiro.

DIFICULDADES – As duas reportagens da FSP por mim citadas focalizam igualmente a verdadeira batalha pela renegociação das dívidas com os bancos e financeiras. Embora a rede bancária esteja aceitando renegociar na base de juros que varia entre 2,5 a 3% ao mês, no lugar dos 11 e 12% do cheque especial e dos cartões de crédito, a taxa não é fácil de ser suportada pelos devedores e devedoras. Afinal de contas os bancos estão cobrando ao mês a inflação correspondente a um ano segundo a taxa do IBGE. Quase um ano, aliás. Isso se levarmos em conta o índice inflacionário deste ano que está previsto em 4%. Em 2017 a inflação oficial foi de 2,9%

Dentro desse panorama, torna-se difícil acreditar que o consumo deste final de 2018 possa se elevar ao ponto de influir na formação do PIB.

Pois para haver consumo são necessárias duas coisas: reajuste salarial pelo menos empatando com a inflação e queda relativa dos preços no mercado em geral. É mais difícil acreditar que os preços venham a ser reduzidos. Portanto, um enigma envolve a produção global e o mercado consumidor neste país.

Corrupção, o efeito devastador que destrói também a política social do país

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Sem corrupção, PIB brasileiro subiria 30%, diz o FMI

Pedro do Coutto

Calcula-se que de 2016 a 2018, só no Rio de Janeiro, a corrupção tenha causado um prejuízo financeiro da ordem de 1 bilhão e 500 milhões de reais. Reportagem de Rafael Galdo, edição de ontem de O Globo, focaliza o tema e sustenta que em 15 operações, incluindo a Lava Jato no Rio, os corruptores e corruptos causaram um prejuízo financeiro desse montante. Entretanto, é preciso levar em conta o que deixou de ser feito em consequência dos sucessivos assaltos às finanças públicas.

Rafael Galdo acentua que um cálculo inicial revela uma série de investimentos públicos que deixaram de ser feitos principalmente no campo da saúde.

QUANTOS MORTOS? – Fico pensando, diante desse quadro, quantas pessoas morreram em consequência do desaparelhamento dos hospitais que formam a rede pública. Então concluo que o prejuízo econômico e social, na realidade é no mínimo 10 vezes maior do que os roubos descaradamente praticados.

Passamos assim ao universo por mim estimado na casa de 15 bilhões de reais. Afinal não se pode considerar estatísticas frias os fatos decorrentes dos assaltos. A vida e a saúde não podem ser medidas em valores financeiros. Assim, chegamos à conclusão que o desastre do Rio de Janeiro, sem dúvida, torna-se um dos maiores, senão o maior de todo o país. Sua fração ultrapassa a imaginação, porém serve para ressaltar uma sensação de estarrecimento diante do que os ladrões, inclusive os de casaca praticaram.

Basta considerarmos que o orçamento deste ano no Estado do Rio de Janeiro oscila em torno de 80 bilhões de reais. Mas se deslocarmos nossa atenção para todo o país, incluindo o vandalismo que assaltou a Petrobrás, vamos verificar a extensão real do cataclisma corrupto que açoitou a população brasileira. Especialmente os grupos sociais de menor renda, e daí podemos propor que os cientistas políticos e os economistas projetem um sistema capaz de medir, de forma meridiana, o que eu chamo de PNBC – Produto Nacional Bruto da Corrupção.

TERMÔMETRO – O PNBC seria uma espécie de termômetro capaz de medir a extensão e a temperatura da roubalheira desenfreada que assolou o país nos últimos 15 anos.

O total, creio eu, se elevaria a casa de 1 trilhão de reais pelo menos nas duas últimas décadas que marcaram a tempestade que conseguiu levar o desespero e o descrédito à população brasileira.

Conselho Nacional tenta impedir Temer de conceder novo indulto aos corruptos

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Charge do Sponholz (Charge Online)

Pedro do Coutto

Além de o Supremo Tribunal Federal não ter resolvido os limites de indulto aos corruptos e corruptores, o que deixou Temer em situação delicada, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária elaborou um anteprojeto de decreto no qual não se inclui a faculdade de o presidente da República poder conceder este Natal novo indulto aos atores da corrupção alvejados pela Operação Lava Jato.

É o que sustenta a reportagem de Breno Pires, edição de ontem de O Estado de São Paulo, ao focalizar a controvérsia em torno da matéria. Além disso o Conselho Nacional restringiu o indulto para aqueles que tenham cumprido 1/3 da pena, e não 20% como desejava o Palácio do Planalto. Isso de um lado. De outro o indulto só poderá atingir os réus condenados ao máximo a 8 anos.

LIMITAÇÕES  – Como se observa com a definição fixada pelo CNPC, o presidente da República teve restrito seu campo de atuação. Não quer dizer que Michel Temer tenha obrigatoriamente de aceitar os limites do anteprojeto. Não se trata disso. Trata-se de uma barreira a mais colocada à sua mesa para que ele conceda algum tipo de indulto a condenados pela Justiça. Poderá romper tais limites, porém neste caso a repercussão pública acrescentará mais um fator negativo gigantesco ao mandato que se esgota a 31 de dezembro.

Como o anteprojeto de decreto se refere aos que estejam condenados, tacitamente torna impossível a concessão de indulto àqueles que se encontram sob prisão preventiva. Isso fica muito claro no campo da lógica em torno do assunto.

OUTRO ASSUNTO – O governo anunciou como sinal positivo o crescimento do Produto Interno Bruto na escala de 0,8%, reportagem de O Estado de São Paulo. Entretanto, o crescimento do PIB ficou abaixo da taxa demográfica brasileira que está em queda, mas ainda é de 1% a/a.  Ficou abaixo também do cálculo anterior que previa um avanço maior no último trimestre.

Em matéria de PIB, é preciso confrontar sempre seu percentual de crescimento com o da população, para saber se houve crescimento ou queda da renda per capita. No caso, houve queda da renda do brasileiro.

Bolsonaro considera reforma da Previdência muito agressiva para o trabalhador

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Charge do Mariano (Charge Online)

Pedro do Coutto

A reportagem de Marcio Dolzan, edição de ontem de O Estado de São Paulo, destaca afirmativa do presidente eleito Jair Bolsonaro, considerando muito agressiva para os trabalhadores e trabalhadoras o projeto de reforma da Previdência enviada ao Congresso pelo presidente Michel Temer. Acentuou que a matéria será substituída por outra proposta elaborada por sua equipe. O presidente que assumirá em janeiro concluiu que a iniciativa atinge direitos dos trabalhadores e funcionários públicos, o que o leva a modificar radicalmente o projeto de reforma da Previdência e da seguridade social.

Isso porque são dois regimes diversos, um regula as relações do seguro social com os regidos pela CLT. O outro é o que rege o funcionalismo público. Deve-se assinalar, digo eu, a diferença de tratamento, pois as contribuições não são as mesmas. Os regidos pela CLT descontam no máximo 11% sobre o teto de 5.600. Os funcionários contribuem até no máximo com 14% sobre seus vencimentos.

DENOMINADOR COMUM – Os dois seguros sociais assim precisam encontrar um denominador comum capaz de equilibrar os dois regimes legais. Esse será o desafio com que se defrontará o novo governo que assume em Janeiro. Se as contribuições são diferentes, o produto delas acarretará situações diversas.

Pensa-se em um regime de capitalização. Mas tal regime, se implantado em 2019, só surtirá efeitos em matéria de receita daqui a 10 ou 20 anos. Bolsonaro deixou claro que no governo Michel Temer não houve capacidade para implantar um novo sistema na luz da verdade dos fatos. Vamos ver se a equipe de Bolsonaro, tendo à frente Paulo Guedes, encontrará o caminho para que se implante uma solução razoável, tanto para o INSS quanto para os trabalhadores e funcionários públicos.

OUTRO ASSUNTO – Diante da prisão do governador Pezão e de outros envolvidos na Lava Jato, tento adaptar uma frase histórica de Churchill à situação dos corruptos brasileiros.

A frase é a seguinte: nunca tão poucos roubaram tanto, de tantos milhões de pessoas.

Com a prisão do governador do RJ aperta-se o anel de ferro contra a corrupção

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Pezão é o quarto governador do RJ a ser preso pelo PF

Pedro do Coutto

Foi sem dúvida dramático o amanhecer ontem do governador Luiz Fernando Pezão, preso pela Polícia Federal com base em decisão do Superior Tribunal de Justiça, que acolheu representação da Procuradora Geral da República, Raquel Dodge. O governador Pezão foi acusado da prática de corrupção e, de acordo com os delatores Paulo Melo e Carlos Miranda, de haver recebido 40 milhões de reais para favorecer jogadas particulares de empresas que possuem contratos com o Estado do Rio de Janeiro.

A delação de Paulo Melo foi publicada ontem nas páginas de O Globo. A Globonews deu ampla cobertura à prisão do governador até sua chegada ao Batalhão da PM em Niteroi.  A prisão, por outro lado, esgota a presença de Pezão à frente do Executivo estadual.

PREVENTIVA – Isso porque a prisão preventiva decretada não tem prazo para terminar e, como todos sabem, o atual mandato termina no final de dezembro. Assim é quase certo que a transmissão do governo do RJ seja feita por Francisco Dornelles ao candidato eleito Wilson Witzel. Vence-se assim mais uma etapa da Operação Lava Jato, na prisão de ontem, incluindo-se pronunciamento favorável de Jair Bolsonaro à detenção do governador.

Na ocasião Bolsonaro destacou novamente sua meta fundamental de combater os corruptos e corruptores que formam o palco da corrupção.

INDULTO DE NATAL – O Supremo Tribunal Federal prosseguiu ontem a análise quanto a prerrogativa que cabe ao Presidente Michel Temer de conceder o indulto de Natal a condenados pela Justiça. No desenrolar dos debates, o Ministro Luis Fux anunciou que pediria vista do processo o que adiaria uma decisão definitiva sobre a matéria. A maioria do STF acentuava que o Presidente da República possui a prerrogativa constitucional de fixar o indulto natalino. Entretanto em face do pedido de vista a decisão definitiva foi automaticamente adiada, mas deverá ser favorável ao indulto.
O que está em discussão na Corte Suprema refere-se a legitimidade da competência presidencial, não focalizando é claro seu conteúdo. A preocupação de alguns ministros e da sociedade é de que Michel Temer aplique o indulto a figuras condenadas por corrupção e que se encontram presas aguardando julgamentos de recursos. Tornou-se densa, mais uma vez a atmosfera que envolve grande parte dos acusados e que se encontram sem direito à liberdade.

O direito à liberdade, no caso, pertence à população brasileira. Que não se corrompeu e não se propõe a corromper agentes públicos.

Demitir trabalhadores é um desastre para a economia de qualquer país

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Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Esta semana a General Motors anunciou a demissão de 15 mil trabalhadores e o fechamento de montadoras nos Estados Unidos e no Canadá. O presidente Donald Trump afirmou-se indignado e ameaçou cortar subsídios fiscais para a empresa que figura entre as maiores do mundo. O fato de que o desligamento era importante para as finanças da GM não quer dizer, por si só, que os reflexos não atinjam negativamente a economia do país em que se verifica a redução de mão de obra. Tanto assim que o Banco Mundial e o FMI em suas análises sobre o panorama econômico incluem como fator importante o nível de emprego.

A demissão de trabalhadores implica na diminuição do parque fabril, por consequência da queda do consumo. Além disso, com a redução do consumo, é evidente, declina a receita de impostos.

RECEITA DO INSS– No Brasil, o desemprego não só diminui a receita tributária, como também a arrecadação do INSS. Claro, como a Previdência Social arrecada sobre a folha de salário, se esta diminui, também a captação legal de recursos financeiros é deprimida…

Em nosso país o nível de desemprego permanece altíssimo, uma vez que o IBGE na sua última pesquisa calculou a existência de 12 milhões de trabalhadores e trabalhadoras na luta pelo seu retorno ao mercado de trabalho.

No caso brasileiro também acontece o seguinte processo: quando os empregados e empregadas permanecem por vários anos numa empresa seus vencimentos situam-se acima dos salários atualmente pagos àqueles que se iniciam ou retornam ao mercado Então o problema não é só o desemprego, é também o reemprego com menor remuneração.

OFERTA MENOR – Isso porque com o desemprego no alto a oferta de mão de obra segue com intensidade. Sistemas empresariais, diante deste quadro, reduzem a oferta de remuneração.

Assim o problema no Brasil não é apenas o índice de desempregados, é também uma forte e constante queda no rendimento do trabalhador.

General no Planalto impedirá pedidos tradicionais de deputados e senadores

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General vai pôr fim ao esquema do “toma lá dá cá”

Pedro do Coutto

O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou a nomeação do general Carlos Santos Cruz para a Secretaria de Governo, exatamente o setor encarregado do diálogo com deputados e senadores que normalmente, como aconteceu no governo Temer, colocam reivindicações pessoais para com elas condicionarem sua posição de apoio ao governo.

Reportagem de Tania Monteiro e Júlia Lindner, edição de ontem de O Estado de São Paulo, destaca bem o anúncio do nome e as implicações que refletem novo estilo entre o governo e o Congresso. No governo Michel Temer o toma lá dá cá tornou-se uma constante, basta lembrar a confusão em torno do Ministério do Trabalho que terminou de forma ridícula.

NOVO ESTILO – A meu ver, o general Santos Cruz vai para o Executivo com a missão de vedar o tipo tradicional de negociações entre Executivo e Legislativo. A iniciativa só pode ter esse objetivo, sobretudo porque o general Carlos Santos Cruz não tem nenhuma experiência com o estilo de atuação  levado a culminância nas relações entre os poderes no governo cujo fim se aproxima. A partir de Janeiro de 2019, portanto, vamos ter um novo sistema de diálogo.

Falando a Tânia Monteiro e Júlia Lindner, o general afirmou -se preparado para executar a missão a ele atribuída. Disse que “os parlamentares são bem preparados e experientes e a eles darei atenção da melhor maneira possível”. Na minha opinião, fecham-se antecipadamente as cortinas e anuncia-se um novo tipo de atuação.

GASTOS DE PESSOAL – Os gastos com funcionários públicos federais assustam. Os dados são do IPEA e a reportagem de Daniela Amorim e Vinicius Neder. Nos últimos três anos, dez estados da Federação tiveram sua despesa com aposentados superando os gastos com os servidores ativos. Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais não fazem parte da relação identificada pelo IPEA.

No período de três anos, as despesas com funcionários ativos cresceu 0,8% e com os aposentados e pensionistas o acréscimo foi de 7,5%. O autor da pesquisa é o técnico Claudio Hamilton dos Santos.

SEM CONTRATAÇÕES – Esses dados revelam que nestes dez estados as aposentadorias deixaram um claro nos quadros efetivos e isso não significa nenhum avanço em matéria de pessoal. Ao contrário as contratações ficaram praticamente congeladas. Os estados são, Mato Grosso, Alagoas, Acre, Pernambuco, Espirito Santo, Paraíba, Sergipe, Pará, Piauí e Distrito Federal.

E não há do que reclamar – o processo de aposentadoria é uma consequência do tempo de serviço prestado. Porque a aposentadoria é um seguro social que se vence e resgata nos termos da Constituição Federal.

Olavo acusa Estadão, Folha, Globo e Veja de acobertarem o marxismo no país

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Olavo de Carvalho está se tornando uma figura caricata

Pedro do Coutto

Numa entrevista à repórter Beatriz Bulla, correspondente do Estado de São Paulo em Washington, o filósofo Olavo de Carvalho acusou o Estadão, Folha de São Paulo, Globo e a revista Veja, de estarem acobertando a existência de um centro comunista que atua através do Foro de São Paulo. Olavo de Carvalho assume também a autoria de duas indicações para o Ministério de Jair Bolsonaro. Velez Rodrigues para Educação e Ernesto Araújo para Relações Exteriores. Com isso “já esgotei meu estoque de ministros”.

A afirmativa de Olavo de Carvalho, parte de sua entrevista, foi publicada na edição de domingo de O Estado de São Paulo. Pelo visto à primeira vista, parece que serão difíceis as relações do governo que assume em janeiro e os órgãos de comunicação. Trata-se de um confronto ideológico incluindo as posições conservadora e reformista.

TERIA “PROVAS” – O filósofo assume uma posição conservadora e tradicionalista. No texto da matéria, como a repórter Beatriz Bulla mostrou-se surpresa, Olavo de Carvalho disse a ela que pode comunicar o diálogo à direção do jornal. Acentuou que se o Estadão processá-lo vai perder porque ele possui provas relativas à matéria.

Olavo, que se diz professor na Universidade de Washington, acrescentou ser favorável à Escola Sem Partido, pois não compreende e aceita que principalmente nas universidades brasileiras sejam lecionadas matérias de tendência marxista. Ressaltou também que o Foro de São Paulo nasceu de um acordo que uniu o PT de Lula com as forças revolucionárias da Colômbia, que estavam em guerra com o governo de Bogotá e promoviam a venda de cocaína no continente sul-americano.

O filósofo afirmou que manteve boas relações com Jair Bolsonaro, embora não seja frequente a troca de mensagens entre ele e o presidente da República que assume o Palácio do Planalto no início de Janeiro.

TUDO ESTRANHO – Francamente acredito que a grande maioria da população brasileira desconheça o Foro de São Paulo, do qual nunca tenha ouvido falar. As ramificações políticas através de uma ponte de drogas soa um pouco estranha, principalmente pelo poder demonstrado pelas FARCs.

Será importante que o Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, O Globo e a revista Veja se pronunciem em torno do assunto. De uma forma bastante transparente, sobretudo porque a acusação do filósofo necessita comprovação ou negação na prática dos fatos.

Tradicionalismo na educação não resiste à ideia da liberdade na era da internet

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

O Globo, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo, edições de ontem, publicaram com grande destaque a carta aberta do futuro ministro da Educação, Ricardo Velez Rodrigues defendendo o tradicionalismo que marcou a educação brasileira no passado e os valores morais nos quais se baseia a sociedade brasileira. Velez Rodrigues sustentou que, a seu ver, a mesma sociedade é conservadora e quer conservar os valores morais e sociais, rejeitando a introdução de versões ideológicas no sistema de ensino. A meu ver, o tradicionalismo significa um retrocesso, sobretudo na medida em que, voltando-se ao passado, esquece-se a força do presente e o impulso para o futuro.

Estamos em plena era da Internet, comunicação rápida e densa dos conceitos e informações que transmite. A própria imprensa, incluindo jornais, emissoras de rádio e televisão, rejeita qualquer apelo capaz de colocar o passado acima da realidade presente e dos caminhos para uma alvorada modernizadora.

VERSÕES DE VELEZ – Reportagem de Paula Ferreira, Rafael Kapa e Renata Mariz, em O Globo, focaliza de forma bastante ampla as versões destacadas por Velez Rodrigues. O fato é que da mesma forma que não se pode vestir hoje as mesmas roupas do passado, utilizar-se os mesmos remédios, raciocinar-se em bases passadistas, não se pode querer também um estilo de educação que desaparece na névoa do tempo.

Hoje a realidade é outra, os problemas são outros, o comportamento das pessoas é outro, as descobertas científicas são outras, os objetivos dos seres humanos ajustam-se aos tempos que se renovam. Voltar ao passado seria um desastre.

AUTOR DO AMANHÃ – Um professor pode se tornar um autor do amanhã, um arquiteto do futuro. Mas para isso precisa assumir a posição construtiva de doador de conhecimentos e não a de cobrador de interrogações. É só confrontar os avanços da educação nos demais países para que se chegue à conclusão de que o passado não pode ocupar os pensamentos e vocações da vida de agora. A educação não pode ser o esforço para voltar ao passado.

O passado ficou para trás, é lógico. Logo, o compromisso ideológico constitui a base para os avanços trazidos pela alvorada que se renova.

Metade dos brasileiros não tem rede de esgoto e 15% não bebem água potável

Resultado de imagem para brasil o fracasso do conservadorismoPedro do Coutto

Os dados que se encontram no título fazem parte de um estudo da especialista Virgínia Sodré, diretora do Instituto Aciona Água Brasil. Em forma de artigo, o estudo foi publicado na edição do Valor. Claro que tal situação precisa ser mudada urgentemente, por produzir uma série enorme de problemas ligados diretamente a saúde e a própria condição humana. Eis aí um setor no qual a política de ação não pode ser pautada pelo espírito conservador. Conservar o que? O déficit colossal em matéria de rede de esgoto e também conservar a falta de consumo de água potável que atinge 35 milhões de pessoas. Não é possível. É indispensável romper-se esse anel de ferro em torno de questões profundamente negativas para o desenvolvimento social e econômico do Brasil.

Na cidade do Rio de janeiro, tomando-se por exemplo as favelas, estão elas cada vez mais enraizadas nas encostas dos morros cariocas. A falta de saneamento é uma fonte permanente de várias doenças, refletindo-se até na mortalidade infantil.

ESFORÇO IMENSO – Para romper o anel de ferro a que me referi é preciso um esforço imenso inspirado no sentido da reforma. Todo processo humano é marcado por avanços reformistas, o reformismo parte basicamente da dúvida: se não houvesse dúvida não haveria progresso. A dúvida, assim, é eternamente produzida pelo choque entre as visões reformistas e as conservadoras. Não se pode querer conservar a pobreza e o atraso, no caso do Brasil, principalmente atingindo as faixas menores de renda familiar.

No caso do saneamento, ser conservador significa escravizar no século XXI a prática desumana peculiar ao período da escravidão. A população que não conta com rede de esgoto é duplamente traída na sua vontade existencial: paga impostos para receber serviços básicos em vão. Os impostos atingem sua baixa renda, mas os serviços não vêm em contrapartida.

CONSERVADORISMO – Quando se vê a discussão que domina a base político econômica do governo que assume o Brasil em janeiro de 2019, chega-se à conclusão que o conservadorismo é a engrenagem do atraso que pune imensas parcelas humanas que não tem culpa nenhuma.

No livro que Antonio Houaiss e eu escrevemos há algum tempo – “Brasil: O Fracasso do Conservadorismo” – focalizamos a profundidade da contradição que opõe a ideia conservadora e a libertação reformista.

Num PIB de 100 trilhões de dólares, milhões de seres humanos morrem de fome

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Que mundo é esse? Como isso pode seguir acontecendo?

Pedro do Coutto

A última estatística da qual me lembro sobre o Produto Mundial Bruto sinalizava para um total bastante próximo de 100 trilhões de dólares em 2017. A economia avançou muito, caso contrário não teria atingido a escala que atingiu. O progresso tecnológico deu saltos enormes em matéria de conhecimento, rapidez de comunicação, características da Internet. Entretanto milhões de pessoas morrem de fome e também em consequência da falta de saneamento e de ausência de serviços de saúde.

A edição de ontem da Folha de São Paulo publica matéria divulgada pela Save The Children apontando que só no Iemen morreram de fome 85.000 crianças. O motivo dessa mortalidade evitável está na atitude da Arábia Saudita que não permite que cheguem ao Iemen conflagrado remessas de alimentos e de produtos de socorro médico.

ÚLTIMAS SEMANAS – Esse número de 85.000 refere-se às últimas semanas. Se recuarmos um pouco mais ao longo dos últimos meses vamos verificar que a fome matou cruelmente 1 milhão e 300 mil crianças. Foram em vão os esforços da Save The Children para partir em socorro urgente da população desabrigada . A entidade não conseguiu, e nem está conseguindo ultrapassar o bloqueio da Arábia Saudita que participa ativamente do bloqueio e da guerra que flagela o Iemen.

O rastro sinistro da fome resiste ao passar dos séculos como se a morte por ela fosse uma rotina inevitável. A pergunta é porque os níveis de progressos são altíssimos, mas não conseguem sensibilizar as lideranças políticas que assumem o papel de carrascos do passado no tempo presente.

RIQUEZA ABJETA – É revoltante ver-se os Estados Unidos produzindo 19 trilhões de dólares, a China produzindo 11 trilhões, o Japão quase 6 trilhões e nenhuma fração mínima do resultado econômico mundial é destinado a simples tarefa de evitar que se morra de fome num universo da era cristã que ultrapassa 2000 anos de história. Não que os países do oriente sejam cristãos, mas para evitar que alguém morra de fome não é preciso que o cristianismo seja praticado na esfera religiosa.

O cristianismo é a valorização do ser humano inspirado na palavra de Deus. O mesmo raciocínio pode ser adotado por aqueles cujo credo baseia-se em outras religiões. Mas fica destacada essencialmente a essência do humanismo que colide com a realidade dos tempos de hoje.

Será que não é possível um socorro urgente aos que morrem de fome? As fotos e filmes do Iemen provocam perplexidade. O ser humano chegou a lua, mas não chegou ainda à missão de impedir que morram de fome milhões de seres humanos.

 

 

A voz das ruas e das urnas assegura a Bolsonaro a maioria no Congresso

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Charge do Humberto (Folha de Pernambuco)

Pedro do Coutto

O PSL está aguardando uma decisão do Supremo para incorporar à sua legenda mais sete deputados federais. Com isso o PSL ultrapassaria a bancada do PT, ficando com 59 parlamentares contra 56 do Partido dos Trabalhadores. No STF o relator da matéria é o ministro Luis Fux e tem base na minirreforma eleitoral que entrou em vigor em 2015.

Reportagem de Luisa Martins e Isadora Peron, no Valor, focaliza o tema. Ele faz parte de uma estratégia do governo buscando a maioria parlamentar nas duas Casas do Congresso. A questão maior, entretanto, não é exatamente essa. Ela se refere a arrancada do futuro governo em busca da maioria no Congresso Nacional.

A VOZ DAS URNAS – Pode parecer difícil, à primeira vista, mas na minha opinião a voz das ruas e das urnas assegura um trânsito fácil para o governo que se instala a partir de Janeiro de 2019. Isso porque a atmosfera política do país revelada pelo voto popular tornou-se muito favorável ao presidente Bolsonaro e, em contrapartida, desfavorável ao setor parlamentar. Basta comparar os números.

Jair Bolsonaro venceu por larga margem de votos. Mais da metade dos integrantes da Câmara Federal não se reelegeu. A renovação trouxe consigo uma mensagem bastante contrária ao estilo da atuação do Legislativo em relação ao Executivo. Portanto, qualquer pressão do Congresso sobre o novo Palácio do Planalto criaria uma área de atrito muito densa, com reflexos no segmento militar que estará integrando a equipe de Brasília logo ao alvorecer de 2019. É preciso levar este fator em conta porque, penso eu, um revés de profundidade logo ao início do mandato despertaria reações as mais diversas possíveis.

EM CIMA DO TIGRE – Como diz o velho ditado político, quem monta num tigre não sabe como descer. O panorama é exatamente esse e para identificá-lo consideremos o crepúsculo de quem sai e a alvorada de quem assume o poder.

Em política tem que se considerar um fator visível, mas com base num universo menos claro, no sentido de se estabelecer uma percentualidade. Por exemplo, Adriana Fernandes e Indiana Tomazelli, edição de ontem de O Estado de São Paulo, publicam reportagem chamando atenção para a necessidade de o novo governo ter de cortar 37 bilhões de reais por ano para cumprir a lei de responsabilidade fiscal. Parece muito. Mas se levarmos em conta o peso percentual desse limite vamos verificar que oscila em torno de 1% da Lei de Meios para 2019.

O orçamento é de 3,5 trilhões de reais. 37 bilhões de reais significam apenas 1% deste total.

Cartas de Olga Benário: não se pode vender ou destruir uma página da história

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Reportagem de Juliana Dal Piva, edição de ontem de O Globo, focaliza o esforço de Anita Leocádia para sustar o leilão das cartas de sua mãe, Olga Benário, a seu pai Luis Carlos Prestes, e também de Maria Tereza Vilela Bandeira de Melo, diretora do Arquivo Público do estado do Rio de Janeiro para sustar o leilão de 319 cartas que Olga endereçou a Prestes, ela num campo de concentração, ele preso no Rio de janeiro, depois do fracasso da Intentona Comunista de novembro de 1935.

As condições sobre como as cartas chegaram às mãos de quem as teriam lançadas no lixo em Copacabana são um enigma. O enigma também é a decisão da juíza Soraia Cals responsável pelo pregão. O lance mínimo para a venda de um capítulo da história do Brasil é de 320.000 reais.

DOAÇÃO – Anita Leocádia sustenta que as cartas foram doadas por ela ao Arquivo Público do Rio de Janeiro, versão confirmada pela diretora do Arquivo, Maria Tereza. Não se sabe como as cartas chegaram às mãos do comerciante Carlos Otávio Gouvea Faria, que as teria comprado por valor que ele não revela.

O advogado João Tancredo, constituído por Anita Leocádia está tentando reverter o processo de venda para que as cartas sejam devolvidas a Anita Leocádia, herdeira dos documentos.

O processo ganha importância porque, como eu disse no início, não se pode vender parte da história do Brasil, no caso até capítulo da história universal retratando mais uma visão do nazismo. Olga Benário estava grávida de Prestes. Ela veio da Alemanha para participar da rebelião de novembro de 35. A tentativa comunista fracassou e ela foi presa junto com Prestes no início de 1936.

VARGAS PERMITIU – Olga Benário estava grávida mas o governo ditatorial de Vargas atendeu a uma manifestação da Alemanha de Hitler para que ela fosse julgada pela hipótese de um crime que teria praticado em seu país. Vargas entregou Olga Benário a um comando alemão, nazista, que veio buscá-la no Rio de Janeiro.

Temendo a possível ação de sindicatos comunistas ao longo do trajeto, o governo de Hitler enviou um navio para levá-la de volta. Sem escalas, direto ao porto de Hamburgo.

Com esse episódio, agora relembrado, escreve-se mais uma página da história num contexto internacional dos mais difíceis, inclusive porque submarinos nazistas afundavam navios de carga brasileiros.

APAGAR A HISTÓRIA – Seja qual for o desfecho do recurso de Anita Leocádia destaca-se uma tentativa estranha de tentar apagar uma página da história.

Mesmo que o leilão seja vencido por um colecionador, acredito que exista uma cláusula que impeça uma possível destruição de documentos através dos quais pode-se viajar mais claramente no panorama da memória nacional.

 Numa manhã de sol, houve sete arrastões no Grande Rio. Isso pode, Arnaldo?

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A criminalidade continua a desafiar as autoridades no Rio

Pedro do Coutto

Vou escrever sobre a perspectiva de déficits anuais no INSS. Mas não posso deixar de acentuar que na manhã de ontem, no Grande Rio, sucederam-se sete arrastões que levaram ao pânico, inclusive na Rodovia Presidente Dutra. O problema se agrava e não se vislumbra sequer o início de uma ofensiva organizada contra a legião de bandidos que aterrorizam os habitantes. Faço a pergunta que virou slogan nas transmissões esportivas da Rede Globo para o esforço, finalmente, de uma ofensiva concreta por parte de setores mais diretamente envolvidos numa verdadeira teia criminosa.

As vítimas se multiplicam, o combate por parte das autoridades responsáveis não apresenta sinais de qualquer melhoria. Repito então o fato de a segurança no estado encontrar-se sob intervenção federal.

PROJEÇÕES DO INSS – Reportagem de Geralda Doca edição de ontem de O Globo, com base numa projeção feita pela Secretaria de Previdência Social, destaca que o déficit do INSS está previsto em 214 bilhões este ano e vai atingir 649 bilhões no ano de 2029.

O cálculo causa surpresa na medida em que, num exercício de adivinhação, projeta a situação deste ano com um vértice sempre crescente ao longo da próxima década. A mim parece que a projeção no andar da carruagem parte do princípio da situação atual que coloca em confronto a receita e a despesa. Mas, pergunto eu, será que o cálculo se baseia na taxa atual de desemprego?

DESEMPREGO –  A pergunta cabe porque o maior inimigo do déficit é o desemprego, principalmente. Pois o INSS arrecada sobre a folha de salários. Portanto se esta encolhe, a arrecadação também vai encolher. O fator histórico atribuído como uma constante na curva do tempo está computando, claro, o panorama atual. Mas será esse processo contínuo em matéria de despesa?

E quanto a receita? Vai prosseguir sem a cobrança das dívidas de empresas, assunto que não é tocado em nenhum momento da reforma.

Assim o ritmo do desembolso está calculado no déficit de hoje, porém o mesmo fator não se aplica no que se refere a receita. O Brasil possui hoje 12 milhões de desempregados. Como o salário médio está em torno de 2.000 reais, fazendo-se as contas fixadas para as contribuições, vamos nos deparar com um montante gigantesco.

RETOMADA? – Enquanto isso, reportagem de Márcia de Chiara, O Estado de São  Paulo também de ontem, revela que o lucro de empresas subiu pelo quinto trimestre, e assim dá sinais de retomada da economia.

O lucro das empresas subiu, tudo bem, mas e os salários? Bem, os salários caíram. Foi o que aconteceu.

Cortar despesas é importante, porém mais importante ainda é elevar as receitas

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Charge do Iotti (Jornal Zero Hora)

Pedro do Coutto

A equipe econômica do presidente eleito Jair Bolsonaro, liderada por Paulo Guedes, futuro ministro, tem dedicado suas pesquisas na tarefa de levantar despesas com as quais o governo se defronta e propondo eliminar gastos ociosos. Tudo bem. Essa tarefa é essencial no esforço que o futuro governo vai desenvolver na busca do equilíbrio das contas públicas. Muita atenção vem sendo dada aos gastos com o funcionalismo federal e menor atenção se observa com relação ao aumento das receitas , decorrente de uma ação concreta para cobrar débitos das empresas privadas e também das estatais.

Despesas são colocadas em foco e , com base em seus números, assustam. É verdade. Mas é verdade também que estamos falando num orçamento que este ano oscila em torno de 3,5 trilhões de reais. Aliás, nos três últimos anos as leis de meio situavam-se entre 2,9 trilhões e 3,1 trilhões de reais.

PESO DAS DESPESAS – Cito esses números na tentativa de chamar atenção para o peso das despesas, com base na média algébrica e não apenas na média aritmética.

Para a média algébrica tem que se estabelecer os percentuais que revelam peso de cada despesa no total geral. A partir daí pode se ter uma visão mais clara da batalha a ser enfrentada. O orçamento da Previdência, por exemplo, situa-se na escala de 860 bilhões de reais, com um déficit aproximadamente de 160 bilhões. Mas colocando-se a questão na balança algébrica verifica-se que a Previdência Social tem um peso de apenas 25% do total orçamentário.

OUTRAS QUESTÕES – Até agora a equipe de Paulo Guedes não dirigiu suas lentes críticas para identificar o montante das dívidas de empresas para com a União. Calcula-se, por exemplo, que na área do INSS a sonegação acumulada através das décadas produziu um passivo superior a 1 trilhão de reais. Muita coisa, tanto para o Orçamento de 3,5 trilhões quanto em função do PIB, que é de 6,5 trilhões de reais.

Muitas despesas podem ser cortadas, como os termos aditivos em licitações e a contratação de agências de publicidade, que representam altas cifras e uma produtividade em torno de menos de 5%. Tudo isso precisa ser levado em conta.

Confiança dos brasileiros cai 20% e evidencia a importância de ser honesto

Resultado de imagem para honestidade desenhoPedro do Coutto

Reportagem de Silvia Colombo, edição de ontem da Folha de São Paulo, destaca a importância de pesquisa realizada pelo Barômetro Latino, que registrou nos últimos anos uma queda de 20% da confiança nos governos e satisfação da sociedade com suas condições de vida. O período em confronto é de 2010 aos dias de hoje.

A professora chilena Marta Lagos, diretora do Barômetro Latino, considera a queda bastante elevada e acentua que esse foi um dos motivos principais que explicam a eleição de Jair Bolsonaro por longa margem de votos. O impulso de mudar o panorama principalmente contra a corrupção acionou a grande maioria do eleitorado nas urnas.

OSCAR WILDE – O título desta matéria, a necessidade de ser honesto, inspirou-se no título de peça teatral de Oscar Wilde, escrita na segunda metade do século XIX cujo título era A importância de ser Hernesto, colocando um toque de humor na homofonia de Hernesto e honesto (lingua inglesa). Mas a meu ver retrata bem a realidade brasileira que revela não confiar nos governos. Motivos não faltam e por isso a sensação de esperança com a chegada de Jair Bolsonaro ao Planalto.

Para a pesquisadora Marta Lagos, Bolsonaro é, ao mesmo tempo, causa e consequência de um processo que colocou parte da sociedade brasileira numa posição de medo e a necessidade de encontrar uma proteção.

VIOLÊNCIA – Essa sensação decorre também, acentuo eu, de uma exposição bastante alta à violência urbana que tomou conta das comunidades e da população em geral.

De fato a corrupção contaminou praticamente todos os setores de atividade do Brasil. Paradoxalmente de uns tempos para cá a honestidade passou a se tornar um defeito e a malandragem no sentido de esperteza, uma qualidade.

Eis aí uma síntese do que se passa nos órgãos dirigentes da administração brasileira. Coloco aqui uma piada sombria, mas capaz de retratar uma verdade. “Alguém indica um homem ou uma mulher para um cargo de direção. Os assessores de sempre, entre eles os aspones, falam em tom baixo para o dirigente: “O senhor vai escalar um homem ou uma mulher para um cargo de confiança? Pense melhor: eles são honestos? Vão atrapalhar todo o nosso jogo”.

TENTÁCULOS – O que fazer diante de tal circunstância que como um polvo estendeu seus tentáculos unindo empresários, políticos e administradores?

É profundamente necessária uma mudança nessa rede de conceitos. A competência importa pouco. Importa muito são os contratos que geram comissões e vantagens financeiras aos contratantes.

Pedido dos governadores para demitir servidores e reduzir salários é um absurdo

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Charge do Bier (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

De repente, na fase final de seu governo Michel Temer propõe congelar salários de servidores públicos e igualar remuneração com o mercado regido pela CLT. Num pronunciamento dirigido a Jair Bolsonaro – reportagem de Cátia Seabra e Flávia Lima, Folha de São Paulo – o presidente Michel Temer defende a igualdade salarial entre a remuneração dos servidores com o mercado de trabalho. Afirmou que o problema não está no número de funcionários e sim na sua alta remuneração. Michel Temer assim, digo eu, está demonstrando desconhecimento do gasto do governo com sua máquina administrativa.

Essa igualdade, além de cruel socialmente, é impossível no momento atual. Porque, dentro da lógica de Temer, teria de haver redução de vencimentos, o que a Constituição Federal proíbe.

NÍVEL IMPOSSÍVEL – Em função desta realidade Temer eleva sua proposta ao nível impossível. Teria de haver, em primeiro lugar, a fixação de um paralelismo entre funções próprias do serviço público com as das empresas particulares. Mas como fixar essa paridade, sem que antes seja feita uma pesquisa de profundidade revelando as diferenças a que o Presidente da República se refere. Sim. Porque as remunerações variam de uma empresa para outra. Qual seria a maneira de escolher o panorama do setor privado e seu encache na fantasia de um presidente da República que se tornou recordista de impopularidade na história brasileira?

O número de funcionários públicos federais é de 1 milhão e 238 mil. O total de trabalhadores regidos pela CLT encontra-se em torno de 100 milhões de pessoas. Não pode haver comparação entre números tão desiguais.

FLEXIBILIZAÇÃO – Enquanto isso, 18 governadores eleitos este ano entregaram carta a Jair Bolsonaro sugerindo a flexibilização da estabilidade do funcionalismo. Reportagem de Amanda Almeida e Renata Mariz, O Globo também de ontem, destaca a proposta formalizada. A mudança seria necessária para demitir funcionários estáveis, mediante emenda constitucional. Mas é impossível, porque não pode haver retrocesso em matéria de direito social.

Ou seja, a saída defendida pelos 18 governadores iluminados pelo voto de outubro encontra-se bloqueada pela Constituição Federal. Poderiam, no máximo, mudar o regime atual para aqueles que ingressarem no serviço público a partir da data em que a sombria emenda alterasse a realidade de hoje.

MAIS DESEMPREGO – Além disso tudo e diante de tais contradições e dificuldades, os governadores não levam em conta que demissões aumentam a taxa de desemprego e, com isso, reduzem as contribuições dos funcionários.

Cortar empregos é uma coisa, combater o desemprego é o X do problema, sinal de que é grave a crise.

Como combater a corrupção, a maior inimiga de qualquer política pública

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Em sua edição de ontem, O Globo destaca as várias propostas de combate à corrupção elaboradas por uma comissão de juristas que vão fornecer ao governo Jair Bolsonaro os meios para o enfrentamento permanente à corrupção. Já não é sem tempo e tal projeto já virá tarde, partindo-se do princípio que a corrupção indiretamente é a causa de milhares de mortes e de injustiças que freiam o desenvolvimento humano.

Na Câmara Federal tramita um projeto nesse sentido, mas dificilmente será votado na sessão legislativa que se encerra em dezembro.

EXEMPLO DO RJ – A corrupção destrói principalmente as políticas públicas voltadas para os brasileiros e brasileiras. Seu combate é difícil, mas é indispensável. Veja-se o exemplo do Rio de janeiro. Numa entrevista à Veja, páginas amarelas há alguns meses, o ex-secretário Sérgio Cortes afirmou-se arrependido de ter causado e participado de uma corrupção no montante de 300 milhões de reais quando Secretário de Saúde. Confessou ter praticado desvios também em sua gestão no INTO, que funciona no prédio do antigo Jornal do Brasil.

Para enfrentar a corrupção, digo eu, há muitos caminhos, porém para cumprir a ideia é fundamental haver uma disposição real para combatê-la.

Em primeiro lugar deve-se prestar atenção nas concorrências para grandes obras públicas, examinando-se os editais de licitação. Mas isso não basta. É preciso que tenham publicidade os famosos termos aditivos que vêm depois da concorrência pública.

PUBLICIDADE LEGAL -A publicação nos termos aditivos deve ser feita através da publicidade legal nos grandes jornais do respectivo Estado, além de inserção nas redes sociais da Internet. Nos termos aditivos é onde atuam os escorpiões do erário público.

Além disso, têm de ser levantados os bens e as contas dos dirigentes da administração em geral. E a cada ano comparado seu crescimento e a respectiva fonte de renda. Para finalizar, matéria para o Banco Central levantar-se as remessas de dinheiro em moeda estrangeira para fora do país. 

Não é difícil a tarefa. Mas também não é fácil. Do se resultado dependerá a execução de qualquer projeto voltado para a redistribuição de renda.00