Na carta de apoio a Haddad, Lula fala mais de si mesmo do que do candidato

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Carta de Lula foi lida por Luiz Eduardo Greenhalgh

Pedro do Coutto

Quem ler com atenção e isenção a carta do ex-presidente Lula, de apoio à candidatura de Fernando Haddad, vai verificar, sem muito esforço, que ele fala mais de si mesmo que do candidato do PT.  Reportagens de Sérgio Roxo, O Globo, e Marina Dias Folha de São Paulo, edições de ontem, focalizam o tema. Num curto trecho, Lula sustenta que Haddad vai resgatar a justiça social do país, deixando antever que espera do ex-prefeito de São Paulo uma atuação destinada a apagar as injustiças que tem sofrido. A afirmação dá a entender que nesse rol de injustiças Lula está incluindo sua própria condenação.

Na tarde de ontem, no programa Studio I da Globo News, o jornalista Otávio Guedes analisou objetivamente o que está oculto na carta. Disse o jornalista que a carta, de 60 linhas somente na 38ª Lula se refere a Fernando Haddad.

2ª QUINZENA – De qualquer forma, porém, vamos poder medir o efeito da manifestação na próxima sexta-feira, quando o Datafolha e o Ibope devem divulgar novas pesquisas sobre as urnas de 7 de outubro. Entretanto, penso eu, o quadro vai começar a se tornar mais nítido a partir da segunda quinzena de setembro, valendo acentuar que a seleção dos dois finalistas para o segundo turno somente ocorrerá dois dias antes do pleito, quando a Rede Globo realizar o debate entre os principais candidatos apontados nas pesquisas. Esse programa está marcado para as 22 horas do dia 04.

Inclusive tem que se levar em conta a provável ausência de Jair Bolsonaro,, ausência admitida pelo candidato a vice em sua chapa general Hamilton Mourão. Tanto assim que o general Mourão dirigiu consulta ao TSE para saber se poderá entrar no lugar de Bolsonaro no lance final da campanha.

DIVERGÊNCIAS – No seu artigo de ontem em O Globo, Merval Pereira chamou atenção para as divergências registradas entre as pesquisas do Datafolha e Ibope, divergências colocadas entre o avanço e recuo de candidatos principalmente Ciro Gomes e Marina Silva. Enquanto o Datafolha apontava avanço de Ciro Gomes, de 9 para 13 pontos o Ibope divulgava que ele havia recuado de 13 para 11%.

Quanto à posição de Marina, outra divergência: o Datafolha apresentou uma queda de 5 degraus e o Ibope acentuava um recuo de apenas 1 ponto percentual. Merval Pereira, na véspera, em uma entrevista na Globo News com Marcia Cavalari, diretora do IBOPE, colocou o tema em questão.

Vamos ver amanhã, sexta-feira o que acontece.

CONGELAR SALÁRIOS? – Ao participar de debate promovido pelo jornal O Estado de São Paulo e a Fundação Getúlio Vargas, o economista José Márcio Camargo defendeu congelar por quatro anos os salários dos funcionários públicos da União. Quer dizer, a inflação os reduziria com base nos índices do IBGE. Haveria portanto uma perda da capacidade de consumo. José Márcio Camargo é o coordenador das propostas econômicas do candidato Henrique Meirelles.

Vejam só os leitores. É fácil querer reduziro salário do outros. Difícil acreditar que Camargo defenderia a estagnação dos seus próprios vencimentos.

Por que assalariados devem pagar sempre a conta do déficit dos governos?

Datafolha e Ibope têm curvas diferentes na estrada que leva ao Planalto

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Charge do César (cesarcartuns.blogspot.com)

Pedro do Coutto

O Ibope divulgou sua pesquisa na noite de ontem primeiro pela GloboNews e em seguida pela Rede Globo. Os números são diferentes mas as colocações dos principais candidatos são semelhantes tanto num levantamento quanto no outro. Escrevo este artigo à noite de ontem e hoje os números, claro, vão sair nos principais jornais. Chama atenção a divergência quanto aos percentuais descobertos pelos dois Institutos. Para o Datafolha, Bolsonaro subiu de 22 para 24% . Para o IBOPE o salto foi maior e o Instituto colocou o candidato do PSL na liderança com 26 pontos.

A liderança não é o foco da questão já que Bolsonaro ocupa o primeiro lugar tanto numa pesquisa quanto na outra. Mas a diferença de quatro pontos, ao contrário do que se diz por aí, é uma diferença enorme. Basta ver os últimos desfechos eleitorais no país para se constatar a importância de um percentual desse porte.

SEM EXPLICAÇÃO – Algum equívoco tem que haver. Não explica a diferença o fato de a pesquisa do IBOPE ter sido iniciada no sábado e a do Datafolha na segunda-feira. As motivações da subida de Bolsonaro situam-se no atentado que sofreu e no qual quase perdeu a vida não fosse a atuação rápida dos médicos de Juiz de Fora. Mas não é esta a questão.

A questão essencial é que se encontram separando os levantamentos, por exemplo as diferenças em relação as intenções de votos atribuídas a Marina Silva. Para o Datafolha ela caiu 5 pontos, para o IBOPE a queda pode ser incluída na natural margem de erro. Nada disso. Um equívoco. A manutenção próxima ao resultado da pesquisa anterior significa estabilização. O recuo de 16 para 11 pontos destaca o caráter descendente exposto nesses cinco degraus. Aliás, como disse recentemente o mais importante em matéria de pesquisa é identificar os movimentos de subida e descida dos candidatos em foco.

EXCEÇÕES – A maioria dos candidatos, excetuando-se Bolsonaro, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva e agora Fernando Haddad, não apresentam a menor possibilidade de crescimento. Podem até apertar o passo, mas não de maneira capaz de colocá-los no turno final de 28 de outubro.

Interessante frisar que além da disputa entre os cinco principais nomes agora verifica-se que surgiu uma outra: o confronto entre o Datafolha e o Ibope para ver qual deles estará mais certo na hora da decisão.

Vamos esperar os próximos dias.

Números do Datafolha sinalizam segundo turno entre Bolsonaro e Ciro

Resultado de imagem para CIRO E BOLSONAROPedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha, publicada hoje pelo O Globo e divulgada na noite de ontem pela TV Globo e Globonews, sinaliza, interpretando-se os números que ela expõe, que, se as eleições fossem hoje, o segundo turno seria decidido entre Jair Bolsonaro e Ciro Gomes. Reportagem de Fernanda Krakovics, edição de hoje de O Globo, destaca com bastante clareza os números assinalados no levantamento. A matéria confronta os índices registrados na pesquisa que antecedeu a esta com os resultados d agora.

O número de votos brancos e nulos, como era esperado, desceu de 22 para 15%. O grau de indecisão encontra-se na escala de 16 pontos.  A meu ver, a tendência dos indecisos, no fundo deve se voltar para os que lideram as tendências atuais.

APENAS CINCO – Ficou claro também que além de Bolsonaro, Ciro, Marina, Alckmin e Haddad, os demais candidatos não têm qualquer possibilidade de êxito. Alvaro Dias, Amoedo, Meirelles cada um alcança 3 pontos. Surpreende a posição de Amoedo que iguala a de um senador e também ao ex-ministro da Fazenda. Vamos aos números principais.

Bolsonaro subiu de 22 para 24%, assegurando no dia 7 de outubro seu passaporte para o desfecho final no dia 28 do próximo mês. Fica a indagação quem o enfrentará.

Na minha interpretação, o adversário, mantida a tendência de hoje, seria Ciro Gomes que subiu de 10 para 13%. Marina Silva, de acordo com o Datafolha caiu de 16 para 11%. Alckmin avançou de 9 para 10. Fernando Haddad progrediu de 4 para 9. Marina Silva foi projetada numa escala descendente, enquanto Ciro e Haddad apresentaram avanço.

DISCREPÂNCIA – É preciso assinalar, contudo, que os números do Datafolha não coincidem com o último quadro divulgado pelo IBOPE. Principalmente quanto a Marina Silva. Porém, a amostra do Datafolha baseia-se em levantamento mais recente e abrangeu mais de 2.800 pessoas, quase o dobro da que foi realizada pelo Instituto presidido por Carlos Augusto Montenegro.

O enigma continua sendo Fernando Haddad. Seu avanço foi sensível e cabe a pergunta sobre qual será seu teto, depois que Lula formalizar expressamente seu apoio a ele. Embora isso possa não ocorrer, tais as diversificações do comportamento do ex-presidente que ainda sonha numa eventual e absolutamente improvável candidatura. Não fosse o inverno de hoje poderíamos dizer que não passava de um sonho de uma noite de verão. É a única interrogação que está atingindo o eleitorado brasileiro.

CIRO E LULA – Mas vale acentuar um aspecto: de todos os candidatos aquele que menos interessa a Lula é Ciro Gomes. Porque isso?

Porque sua vitória possível significará o fim da liderança de Lula junto ao PT. Cabe frisar ainda uma situação. Bolsonaro forte no primeiro turno, é batido por Ciro, Marina, Alckmin no segundo. E no segundo, para concluir, empataria com Haddad. Vale a pena ler a reportagem em O Globo.

Eleitor vai conferir as novas pesquisas com o futuro resultado das urnas

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Mais uma vez, na história política do Brasil, 147 milhões de eleitores e eleitoras vão poder conferir o que apontarem o Ibope e Datafolha quanto às intenções de voto com os resultados concretos das urnas. O desenvolvimento das pesquisas, vale frisar, passa por várias fases da campanha e ilumina nessas etapas as tendências registradas em cada uma das etapas.

Estou me referindo às votações majoritárias porque as proporcionais dependem, em grande número de casos, dos redutos mantidos à base de prestação de serviço por deputados federais e estaduais.

DESDE JK – Ao longo do tempo em que acompanho pesquisas eleitorais, a começar pela vitória de Juscelino Kubitschek em 55, acentuo que em mais de 60 anos só tomei conhecimento de dois graves equívocos por parte do Ibope. Em 54, em São Paulo, quando Jânio bateu Ademar de Barros para governador, e em 85, quando o mesmo Jânio emergiu do passado e derrotou Fernando Henrique Cardoso para a prefeitura da cidade de São Paulo. O Datafolha é mais recente do que o Ibope. Deve ter ao todo, estimo eu, em torno de 40 anos.

Os prognósticos são cálculos de precisão. Sem dúvida. No pleito de 2014, o Datafolha prognosticou uma vitória de Dilma Rousseff pela diferença de 4 pontos. O Ibope projetou 5 pontos de vantagem. Ela venceu com 3 pontos percentuais. Muitas pessoas não acreditam em pesquisa, eu fui um dos primeiros jornalistas a levá-las a sério e escrever sobre elas. Me vem a memória a entrevista de JK no Rio, com base no Ibope de Paulo Montenegro, quando ele assinalou os pontos em que venceria e os pontos em que seria derrotado. Impressionou-me muito a exatidão confirmada nas urnas em relação as perspectivas e os lances finais da campanha.

FIRMEZA – Impressionou-me também a firmeza de JK ao dizer que Ademar de Barros sairia na frente, pois a apuração em São Paulo corria mais rapidamente do que em Minas Gerais. JK teve 62% dos votos de Minas e alcançou uma votação fraca em São Paulo.

Dei esse exemplo para esclarecer que os grupos sociais têm tendências definidas dentro delas mesmas. As vezes um candidato sai na frente e termina perdendo a disputa. Acontece. E acontece porque, de outro lado, as pesquisas acompanham situações de momento, não podendo prever os desfechos das urnas semanas depois. Agora mesmo, estamos a quase quatro semanas da votação. Não se pode dizer hoje qual candidato chegará ao segundo turno contra Bolsonaro. Mas é possível projetar-se outro tipo de afirmação com base nas oscilações dos candidatos.

PAES VENCERÁ – No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, na minha opinião Eduardo Paes (DEM) vencerá a disputa. Encontra-se numa fase de ascendência, enquanto Romário cai no lado oposto. Paes, pelo Datafolha na última semana subiu de 18 para 24%, enquanto Romário desceu de 16 para 14%.

Este é o quadro das eleições que vão levar às urnas mais de 140 milhões de brasileiros e brasileiras. Em matéria de tendência, temos que esperar as próximas pesquisas que vêm por aí.  A do Datafolha está anunciada para hoje, segunda-feira.

Trump quer saber a fonte do artigo no NYT, mas não contesta o conteúdo

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Trump não vai conseguir saber nada sobre o NYT

Pedro do Coutto

O título acima, a meu ver, faz uma síntese do episódio detonado em artigo publicado pelo The New York Times relatando uma articulação dentro do staff da Casa Branca para bloquear atos impensados e confusos do Presidente Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos está possesso e ataca o jornal, mas não está só contra o NYT, mas sobretudo contra o responsável pelo vazamento das informações.

Cabe a pergunta se quem forneceu as informações é o mesmo autor do artigo, ou o autor do artigo transformou em texto as revelações que recebeu. Donald Trump quer ir à Justiça contra o jornal, de acordo com a reportagem de Beatriz Bulla, correspondente de O Estado de São Paulo em Washington.

PRIMEIRA EMENDA – O New York Times rebate o movimento da Casa Branca contra o jornal dizendo que representa um abuso de autoridade e uma colisão com a famosa Primeira Emenda da Constituição americana, que veda qualquer hipótese de censura a imprensa.

A questão possui várias faces. Uma delas é o fato de o artigo não ter saído assinado, o que transfere a responsabilidade totalmente para o New York Times. A imprensa tanto americana quanto a brasileira tem se referido ao artigo como se fosse um editorial. Editorial é o que é feito para manifestar uma opinião do jornal e não só uma informação.

A diferença entre informação e comentário é bastante nítida na comunicação impressa.  Sobretudo porque é muito difícil e seria cansativo se uma opinião que usualmente reúne três laudas fosse divulgada através das redes sociais da Internet. Haveria uma monotonia sem fim.

RESULTADO – Minha experiência em 62 anos no jornalismo me fornece uma visão separatista entre a informação e a opinião. No caso do NYT a impressão que surge é a de que o texto mistura as duas questões. Trata-se assim de um artigo (não editorial) que contém informações que vêm à tona através de informação dos bastidores do governo Donald Trump. Como, é claro, o artigo é de responsabilidade do jornal. Interpretação pacífica.

Mas aí é que reside a controvérsia que se tornou clara na superfície dos fatos. Donald Trump não quer processar o jornal, o que poderia fazer, mas sim saber quem é o responsável pelo vazamento de assuntos sigilosos e talvez secretos. Não. O que o presidente dos EUA insiste em saber é o nome do inconfidente ou dos inconfidentes de Washington. Nesse caso a questão muda de figura. A primeira impressão de Trump é identificar o autor. Para ele, como a sequência dos fatos comprova, isso é mais importante do que o conteúdo do próprio texto.

BOB WOODWARD – Beatriz Bulla, em sua matéria assinala que o tema do artigo encontra-se também no livro que acaba de ser lançado por Bob Woodward. Porém, o repórter que denunciou, junto com Carl Bernstein, o escândalo de Watergate, é do Washington Post, no qual trabalha até hoje, e assim não teria sentido que publicasse matéria de tal importância no principal concorrente do Post.

Entretanto, voltando às investigações da Casa Branca, deve-se considerar também a hipótese do artigo do NYT possa ter sido escrito por um ghost writer, com base nas revelações de um novo Mark Felt, o Garganta Profunda de Water Gate.

Esse é o panorama geral da questão. Trump, ao acusar o vazamento, admitiu que os fatos descritos possuem dose de verdade. Caso contrário teria movido contra o jornal um processo por difamação.

Deus, que teve seu filho assassinado, não manda assassinar ninguém

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Até o Papa João Paulo II foi vítima de fanático religioso

Pedro do Coutto

Esta expressão que está no título esclarece de forma cristalina que Deus não pode armar a mão de assassinos e fanáticos, seja de que forma for. Basta recordar o relato sobre a morte de Jesus Cristo e constatar, mesmo fora da visão religiosa, que um vulto divino, no caso Deus, possa incentivar uma tragédia que em grande número de situações tem seu desfecho na morte de seres humanos.

Fanáticos há em grande número. Adélio Bispo de Oliveira inclui-se nessa legião que atravessa a história marcando seu rastro com sangue. Nos Estados Unidos foram assassinados quatro presidentes: Lincoln, Garfield, Mckinley, John Kennedy. O irmão Robert Kennedy foi assassinado quando iniciava a campanha de 1968 para a Casa Branca.

OUTROS ATENTADOS – Martin Luther King uma das maiores figuras da luta por direitos humanos encontrou sua morte num comicio de Memphis.  Nos anos 90, o presidente Ronald Reagan foi vítima de um atentado em Washington mas conseguiu sobreviver.

O Papa João Paulo II foi alvejado por mais um fanático voltado para tentar anular com seu impulso homicida a vida do chefe da Igreja Católica. Muitos outros exemplos pode e acrescentar. Um deles o Imperador Julio Cesar em 45 a.C.

Conspirações não faltam no percurso da existência. Agora tivemos mais uma marca do fanatismo. Não quero comparar Jair Bolsonaro com grandes figuras da história, mas apenas acentuar que os alucinados estão em qualquer lugar.

IMPULSOS DESTRUTIVOS – O exemplo contido na mensagem deixada por Jesus não foi suficiente para conter impulsos destrutivos. Fora do cristianismo em outras religiões também se encontram manifestações contra a violência na mão dos criminosos.

Estamos na fase já próxima das urnas de outubro para a presidência da República. Não se pode desejar a morte de pessoa alguma, portanto Bolsonaro entre as vítimas do fanatismo. Temos que ver a partir de agora o reflexo do atentado nas pesquisas do IBOPE e Datafolha.

RAZÕES ABSURDAS – O Globo publicou excelente reportagem na qual incluiu a foto em primeiro plano do esfaqueador e as razões absurdas que ele forneceu à Polícia pouco após sua prisão. Temos que lembrar que nem sempre tragédias como essa produzem resultados nas urnas.

Em 1954 a morte de Getúlio Vargas não favoreceu João Goulart, seu herdeiro político nas urnas. Perdeu a disputa pelo Senado pelo Rio Grande do Sul, sendo batido por Armando Câmara e Daniel KriEger. Os reflexos dos episódios marcados por sangue nem sempre proporcionam avanços na trajetória dos herdeiros da luta política.

A mensagem de Deus é eterna como ele próprio. A crucificação de Jesus é emblemática em todos os sentidos. Encontra-se para sempre no passado, no presente e no futuro da humanidade. Sua dimensão é inultrapassável: ele dividiu o tempo entre antes e depois dele.  Seu exemplo deveria servir para mostrar o rumo do bem e do amor a todos os homens e mulheres do planeta. O humanismo nasceu daí.

Ibope afasta Lula e Datafolha vai medir o reflexo do punhal contra Bolsonaro

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Radicalização da política acabou vitimando o radicalizador

Pedro do Coutto

A pesquisa do Ibope, publicada ontem pelo O Globo e pelo Estado de São Paulo, apresentou os primeiros reflexos da passagem dos candidatos pelo horário gratuito do rádio e da televisão. O Datafolha, conforme anunciou a Folha de São Paulo, publicará sua pesquisa na próxima segunda-feira. Assim, então, já se poderá medir o reflexo das intenções de voto do episódio que culminou com o ataque a punhal contra Jair Bolsonaro. Aí então a opinião pública poderá sentir qual o reflexo em matéria de intenções de voto na disputa pelo Palácio do Planalto.

Vamos por partes. O Ibope revelou que Bolsonaro subiu de 20 para 22% na preferência popular. Marina Silva manteve os 12% da pesquisa anterior, mas Ciro Gomes avançou de 9 para 12 pontos. Alckmin subiu do 7º para o 9º andar. Fernando Haddad marcou 6 pontos. Os brancos e nulos começaram a desabar: eram 29 agora reúnem 21%.

BRANCOS E NULOS – Como escrevi em artigo recente, à medida em que a campanha esquenta, diminui a faixa dos votos nulos e brancos. Vai cair ainda mais ao longo dos próximos dias.               Alvaro Dias conservou os 3 pontos; Amoedo subiu de 2 para 3%, Meirelles avançou do 1º para o segundo andar. Os demais candidatos apresentaram preferências que vão de zero a 1% das intenções de voto.

Verifica-se assim que a redução dos votos nulos e brancos foi dividida entre Bolsonaro, Ciro Gomes e Alckmin. Marina Silva não conseguiu arrebatar nenhuma parcela dos eleitores indecisos. O avanço mais expressivo na minha opinião foi de Ciro Gomes porque subiu de 9 para 12 pontos. Portanto, ele cresceu quase 40% em relação a si mesmo, percentual não alcançado pelos outros concorrentes, além dele.

Ainda existem muitos eleitores a serem conquistados. Há tempo. Estamos a exatamente um mês das urnas de outubro. A pesquisa de voto foi analisada por Marco Grillo e Miguel Caballero, em O Globo, e por Daniel Brumatti, em O Estado de São Paulo. Foram dois belos trabalhos bastante claros e objetivos.

DATAFOLHA – Tendo anunciado a divulgação de sua nova pesquisa na edição de segunda-feira da Folha, o Instituto dirigido por Mauro Paulino terá tempo de oferecer à opinião pública um quadro bastante amplo de intenções de voto, já incorporando os reflexos da faca que em Juiz de Fora se voltou contra o candidato Jair Bolsonaro.

A vítima sempre acarreta um efeito político que não pode ser ignorado. Em 1930 foi o assassinato do governador da Paraiba, João Pessoa, companheiro de chapa de Getúlio Vargas na eleição daquele ano. Em 1954 foi o assassinato do Major Rubem Vaz que retornava de um comício ao lado de Carlos Lacerda. O sangue ao longo do tempo resultado da violência alucinada pode mudar o destino de um lance político.

Não sei a consequência junto a opinião pública do atentado a Bolsonaro, mas acredito que não será muito profunda. Vamos esperar pelo Datafolha na segunda-feira.

Elio Gaspari e Ruy Castro expõem o desprezo oficial em relação à arte e museus

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Dinossauro era uma das grandes atrações do Museu Nacional

Pedro do Coutto

Foram dois artigos excelentes nas edições de ontem de O Globo e da Folha de São Paulo, os de autoria de Elio Gaspari e Ruy Castro expondo e acentuando o desprezo de governos que se sucederam ao longo do tempo em relação aos museus, às obras de arte de modo geral e também quanto às pesquisas científicas que repousam entre suas paredes. O caso do Museu Nacional no Rio de Janeiro é um exemplo marcante e impressionante do desprezo que marca as ações concretas nesse campo tão importante como de preservar a criação humana.

Basta ver as verbas destinadas pela UFRJ ao Museu Nacional. Apenas 54 mil reais nos primeiros quatro meses do ano. Além disso, uma série de outros museus encontram-se carentes do apoio oficial. Reportagem da GloboNews focalizou problemas existentes em diversos deles, ameaçando seus acervos. O Museu do Ipiranga em São Paulo é outro exemplo. Inclusive encontra-se fechado. No caso do Museu Nacional, vale assinalar que o último presidente da República a visitá-lo foi Juscelino Kubitschek, no final de seu governo em 1960.

58 ANOS DEPOIS… – A distância entre um ponto do tempo e outro é de praticamente 58 anos. Os presidentes que o sucederam não atribuíram nenhuma importância ao trabalho que a casa realizava. Isso demonstra também o distanciamento entre o poder público e as obras de arte que tornam a cultura universal.

Com o incêndio da noite de domingo queimaram-se peças da maior importância para o processo da cultura. Esse processo é de fato dinâmico, pelas oportunidades de pesquisa que oferece, e não estático, gelificado no passado. A cada dia, a cultura se renova, se amplia, se aprofunda e permite novos ângulos de observação e análise dos criadores das peças.

É triste que haja descaso, sobretudo porque as obras de gênios humanos pertencem a todos, e sua beleza está na oferta que é oferecida àquele que as procuram. E o governo Michel Temer é mais um omisso entre tantas omissões. Um desastre completo.

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E AS ISENÇÕES FISCAIS AUMENTAM…

Agora vejam só, enquanto os museus são levados ao esfacelamento, por falta de recursos, o governo vai aumentar as isenções fiscais de 283 bilhões para 306 bilhões este ano.

Reportagem de Adriana Fernandes e Lorena Rodrigues, O Estado de São Paulo desta quarta-feira, destaca o assunto. Emendas apresentadas a Lei Orçamentária para 2019 aumentaram ainda mais as renúncias tributárias. Com isso o governo do país abre mão de uma receita equivalente a 4,2% do Produto Interno Bruto. Isso sem falar na falta de cobrança, por parte do INSS, das empresas rurais. Nos balanços do Funrural encontra-se a superfície do mar de dívidas não cobradas.

Adriana Fernandes e Lorena Rodrigues comparam o montante de 306 bilhões com o déficit orçamentário projetado na LDO no montante de 139 bilhões de reais. Tudo isso sem contar os juros de 6,5%, taxa SELIC que incidem anualmente sobre o endividamento de 3,7 trilhões de reais.

Para concluir lembro uma frase de Santiago Dantas: “O povo, no fundo é melhor que os governos e algumas elites do país.”

Ibope e Datafolha fazem suspense nas primeiras pesquisas depois do horário gratuito

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Newton Silva (Charge Online)

Pedro do Coutto

Na tarde de ontem, na GloboNews, o jornalista Valdo Cruz anunciou que esta semana o Ibope e o Datafolha iriam divulgar as primeiras pesquisas sobre intenções de votos para Presidente da República já focalizando os efeitos do horário eleitoral gratuito da televisão e do rádio. 

Mas o Ibope suspendeu a divulgação e a Folha cancelou o levantamento, devido à insistência de Lula permanecer candidato. Será muito bom inclusive comparar-se os dois levantamentos, o que tornará ainda mais nítidas as tendências dominantes até agora. Mas o resultado facultará uma outra comparação: a dos efeitos decorrentes da televisão e os efeitos causados pelas redes sociais da Internet.

CLASSES SOCIAIS – Importante também saber, como já focalizei em artigo anterior, a divisão do eleitorado por classes sociais e verificar-se em quais dos grupos situa-se maior indecisão, que será reduzida nas próximas semanas, como acontece sempre, mas que dão margem a se verificar o potencial dos candidatos em cada grupo. As classes D e E são amplamente majoritárias responsáveis por de 40 a 45% dos eleitores e eleitoras. Depois vem a classe C e finalmente as A e B.

Tal divisão é feita com base nos salários mensais. Vale frisar que 50% da mão de obra ativa ganham de 1 a 3 salários mínimos. E que o grupo dos que ganham acima de 10 salários mínimos representam de 4 a 5% da população. Dito isso, vamos esperar os números e interpretar o que eles significam nesta altura da campanha.

FALTA UM MÊS – A campanha está apenas começando, estamos a praticamente um mês das urnas de 7 de outubro. Um enigma a ser desvendado é fornecido pelo Partido dos Trabalhadores. Está insistindo absurdamente em recorrer até à ONU para tornar Lula elegível. Perde tempo e com isso reduz um outro tempo, o que caberá a Fernando Haddad trabalhar tão logo homologado como candidato a presidente. A chapa do PT é a única de 1945 até hoje que pediu um registro de uma candidatura a vice sabendo de antemão que ele disputará a presidência da República.

Essa manobra do PT prejudica a candidatura a vice de Manoela D’Avila. Mas esta é outra questão.

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POVO TEM MAIS AMOR PELO MUSEU

Na tarde de ontem, terça-feira, a mesma GlobonNews exibiu reportagem sobre as condições em que se encontram os principais museus do país. Foram ouvidas muitas pessoas e reproduzidas cenas de solidariedade ao Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, nas quais sentiu-se a emoção de homens e mulheres. Chego à conclusão que o povo demonstra mais amor às obras de arte e à ciência que atravessam o tempo no rumo da eternidade.

A reportagem acusou também deficiências que estão atingindo a Biblioteca Nacional, o Museu do Ipiranga em São Paulo, o MASP em São Paulo, Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro, Museu Imperial de Petrópolis. 

O Museu Imperial de Petrópolis representa uma exceção, seu acervo está preservado mas já pediu por diversas vezes o laudo do Corpo de Bombeiros. O Museu do Ipiranga também precisa de providência quanto aos incêndios.

No Rio de Janeiro, digo eu, ameaças rondam também prédios históricos que estão abandonados, como o Automóvel Clube do Brasil e a Estação Ferroviária Barão de Mauá da Leopoldina.

Finalmente, concluo que a administração pública desabou no mar da omissão.

As chamas da omissão e da ineficiência destruíram o passado e abalaram o futuro

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As peças históricas são impossíveis de ser reconstruídas

Pedro do Coutto

Foi exatamente isso a causa verdadeira do incêndio de grandes proporções que queimou um passado de mais de 200 anos, chocou o presente e vai abalar o futuro porque reduz o campo de pesquisa, na qual pesquisadores e estudantes encontrem as informações do passado, buscando a origem dos fenômenos humanos que marcam os tempos de outrora. A tragédia impede que estudantes e pesquisadores busquem informações que, como se sabe, são indispensáveis ao trabalho de procura constante de informações e complementações de ideias, das quais o passado oferece a solidez desejada.

Incrível o descaso absoluto para com o monumento da história dos tempos, por parte dos responsáveis pela conservação e manutenção do Museu Histórico e Nacional do Rio de Janeiro. Um monumento de cultura como o da Quinta da Boa Vista exigiria uma atenção toda especial. Sobretudo porque os objetos que o incêndio transformou em pó são impossíveis de ser reconstruídos.

DESCASO – O governo brasileiro é o responsável pelo não enfrentamento das chamas no prazo curtíssimo que os perigos da falta de manutenção colocam na esteira do tempo.

O governo brasileiro não adotou o exemplo dos grandes museus do mundo para com as peças que guardam as obras de arte que preservam para a eternidade. As gerações se sucedem, mas os acervos profundamente históricos acompanham a evolução da humanidade. Se a história, como definiu Toybee, é também o presente, é porque está alicerçada no passado, seja ele remoto ou de algumas décadas.

 Os principais jornais do mundo destacaram a calamidade que não foi prevista como deveria ter sido. A tragédia brasileira foi publicada com grande destaque na imprensa universal.

PREVENÇÃO – Museus como o Louvre, Metropolitan, Prado de Madri mantêm equipes ao longo das 24 horas de todos os dias exatamente para poder evitar qualquer risco capaz de destruir seus tesouros. O Museu Nacional guardava muitos desses tesouros, inclusive tanto peças científicas quanto manifestações de arte que enfrentaram o tempo tornando-se demonstrações extraordinárias da cultura humana.

As verbas para manutenção do museu eram ínfimas, quantias  que não davam para administrar um edifício quanto mais para preservar a integridade do Palácio que tinha sido residência da família real. Um patrimônio como o da Quinta da Boa Vista exigiria uma vigilância constante que não foi realizada por omissão dos que por ela deveriam zelar.

CULTURA? –  O incêndio reflete absoluta distância do governo para com a cultura. Cultura? O Palácio do Planalto não está nem aí, como se costuma dizer.

Para ele, governo, a cultura é algo sofisticado e distante de preocupações. Estabelecendo distância das preocupações o poder público do Brasil deixou indiretamente desmoronar uma riqueza de nível internacional.

No adeus ao Museu da Quinta, fica a revolta com as ações governamentais.

Só Dutra em 1945 e FHC em 1998 alcançaram de imediato a maioria absoluta

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Bolsonaro está garantido no segundo turno, diz FHC

Pedro do Coutto

Em entrevista a Thais Bilenky, edição de ontem da Folha de São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso analisou longamente o plano da sucessão presidencial de outubro e concluiu que a disputa será entre PSDB e PT para ir ao segundo turno. FHC admitiu que Bolsonaro estará no palco do desfecho final das urnas. A semana que começa deve incluir novas pesquisas do Datafolha e do IBOPE porque já haverá uma base para pesquisa em seguida das apresentações dos candidatos no rádio e na televisão.

Para FHC, a luta mais uma vez se travará entre PSDB e PT, como aconteceu em vezes anteriores. Essa consideração, no fundo, representa a aceitação de que Jair Bolsonaro deverá ocupar uma das correntes no turno final. A respeito de tal tendência, FHC assinala que as pessoas encontram-se com medo do futuro, horrorizadas com a corrupção e com a violência nas ruas.

REPRESSÃO VIOLENTA – Eleitores e eleitoras estão considerando a necessidade de uma repressão violenta e para tal acompanham Bolsonaro como capaz de desenvolver ações de força. Para o ex-presidente da República, as condições que estão motivando o eleitorado partem da não solução da rede de fatos que está sufocando os anseios populares. Fernando Henrique Cardoso sustenta a tese de que é um erro concentrar ataques em Bolsonaro, porque é isso exatamente o que ele deseja e abastece sua campanha. Quanto mais o atacarem melhor será para ele.

FHC descartou o peso do MDB nesta sucessão presidencial. O MDB sempre fez o que está fazendo agora. Ou seja preparando-se para aderir àquele que for eleito. Para o MDB, o fato de possuir uma bancada bastante ampla na Câmara passa a ser mais importante do que disputar o  voto com um candidato viável. Com isso Fernando Henrique Cardoso quis dizer que a candidatura Henrique Meirelles praticamente inexiste. Após afirmar que votará em Geraldo Alckmin, acrescentou que Bolsonaro expressa o medo da violência e a incerteza com a economia.

Eu disse no título que só Eurico Dutra e FHC venceram com maioria absoluta num só lance eleitoral. Em 1945 Eurico Dutra alcançou 52% dos votos. Na época não havia segundo turno. Em 1998 FHC ultrapassou a casa dos 53%.

NOVOS MANDATOS – Nas urnas de outubro os deputados Chico Alencar e Miro Teixeira vão disputar as eleições para senador no Rio de Janeiro. A vereadora Tereza Bergher, a mais votada pelo PSDB em 2016, será candidata a Câmara Federal.

Ela se destacou no combate ao absurdo aumento do IPTU estabelecido pelo prefeito Marcelo Crivella. Tem chance de reforçar os votos da legenda nas urnas de 7 de outubro.

Com Lula vetado, o tempo agora passou a correr rapidamente para o PT

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Charge do Jota A (Portal O Dia/SE)

Pedro do Coutto

O julgamento do Tribunal Superior Eleitoral confirmando a inelegibilidade do ex-presidente Lula criou uma situação bastante sensível para o Partido dos Trabalhadores. A legenda terá que registrar outro candidato no prazo máximo de 10 dias. Isso faz com que, a partir deste momento, terá que decidir rapidamente e ao mesmo tempo desistir de recursos difíceis por Luiz Inácio Lula da Silva. Os recursos tornariam confusa a opção partidária por Fernando Haddad, que precisa utilizar como candidato a presidente (e não como vice) o espaço que lhe cabe no horário eleitoral das emissoras de rádio e televisão.

Seria uma contradição um partido político recorrer e com isso retardar seu próprio acesso à propaganda gratuita. Vejam bem: se uma pessoa ou um partido recorre contra uma decisão judicial, no caso da eleição de 2018, cairia num impasse, numa contradição. Como registrar a chapa Fernando Haddad e Manuela D’Avila, se um recurso da mesma fonte seria colocado para obscurecer a escolha de Haddad e manter iluminado o caminho de Lula para as urnas de outubro?

O TEMPO VOA – O partido não pode perder tempo e com isso deixar de aproveitar espaços essenciais para a campanha política. Portanto, o PT tem que desistir de tentar mudar a decisão de 6 votos a 1 pelo TSE. Problema a ser equacionado pela presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Gleisei Hoffman. O PT, na minha impressão, tem que atravessar a ponte entre um sonho e a realidade. Hoje, qualquer insistência com o nome de Lula atrasaria o esforço do partido em chegar as urnas eleitorais nas condições ideais.

A decisão do TSE, pelo que os jornais publicaram, estabelece que Lula não poderá aparecer como candidato na campanha, mas cabe a pergunta se sua imagem fotográfica poderá firmar-se como cenário das aparições de Haddad. Questão a ser decidida.

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LIVRO DE DALLAGNOL  SOBRE CORRUPÇÃO

Muito importante a leitura do livro do procurador Deltan Dallagnol narrando a luta da Força Tarefa da Operação Lava jato contra a corrupção. O prefácio, brilhante, é da jornalista Miriam Leitão, para a GMT Editores.

Dallagnol destaca um aspecto essencial. Diz ele que o sistema legal contra subtrações do dinheiro público, constatou ele, foi montado décadas atrás exatamente para não funcionar. Entretanto, acabou funcionando e pela primeira vez na história do Brasil, colocando ladrões de casaca na cadeia. Eles jogavam com a impunidade. O panorama, no entanto, mudou. A campanha eleitoral deste ano vai provar que com menos dinheiro pode-se fazer o esforço político na busca do voto.

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OLHO NO SEGUNDO TURNO

E o problema principal, a partir de agora, é que a campanha pelas urnas de outubro vai se tornar mais nítida e mais intensa na busca pela classificação no segundo turno, a 28 de outubro. Pois agora já se sabe que o PT vai na campanha com Fernando Haddad, e o problema principal é em que percentagem Lula poderá transferir votos para ele. O quadro de opções ficou mais nítido sem a nuvem que inibia a atuação do PT. Era Lula ou Haddad. A partir de hoje é só a candidatura do ex-prefeito da cidade de São Paulo.

O segundo turno é inevitável. Bolsonaro, candidato da extrema- direita, estará nele. Mas quem será seu adversário no duelo final? Esta passou a ser a questão essencial.

Lula precisa sair de cena e o PT conduzir Haddad ao palco da sucessão de 2018

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Haddad e Manuela precisam entrar em campo em definitivo

Pedro do Coutto

Depois de longas horas de exposição de teses – escrevo este artigo às 20:30 hs de ontem – a tendência dominante do Tribunal Superior Eleitoral voltava-se para a inelegibilidade do ex-presidente Lula, como o Ministro Luis Roberto Barroso arguiu em seu voto de relator da matéria. Não havia dúvida quanto a este desfecho, mas dúvidas existem quanto aos prazos de substituição de sua candidatura por outro nome para o qual o Partido dos Trabalhadores pedir registro.

Superado o prazo de substituição, seja ele qual for, emerge nitidamente que o Partido dos Trabalhadores vai finalmente homologar a candidatura do ex-prefeito da cidade de São Paulo, tendo Manoela D’Avila como sua companheira de chapa.

SEM TEMPO – O prazo de definição total terá de ser curto, pois curta é também a duração do horário eleitoral que começou ontem para os candidatos aos governos estaduais e hoje, sábado, terá sequência projetando os candidatos à presidência da República.

O julgamento de ontem estendeu-se por longas horas, todas convergindo, por parte do Tribunal para a inelegibilidade de Lula com base na lei da Ficha Limpa. Afastada a presença física de Luis Inácio da Silva do horário da televisão, restam dúvidas sobre o uso de sua imagem em pelas legendas que o apoiam. Coloca-se a questão de o seu sucessor poder usar sua imagem no fundo de suas aparições. Há pensamentos diversos a respeito de tal alternativa. Um caso, penso eu, a ser resolvido pelo próprio TSE.

A conclusão da sessão de ontem entrou pela noite a dentro. Me parece totalmente solucionada a questão da inelegibilidade. Mas tenho dúvidas quanto aos rumos que o PT possa imprimir à campanha.

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OPINIÃO PÚBLICA REAGE MAL A BONNER E 
RENATA

A opinião pública, de modo geral, com poucas exceções reagiu negativamente sobre a atuação de William Bonner e Renata Vasconcelos na semana em que ambos entrevistaram Ciro Gomes, Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Marina Silva. Não focalizaram as propostas dos candidatos ao Palácio do Planalto. Agiram como inquisidores baseados em contradições inevitáveis no plano político. Isso de um lado. De outro terminaram falando mais do que os próprios entrevistados.

Usaram argumentos com base na comparação das alianças que sustentam os candidatos no plano federal com as coligações que seus partidos firmaram nas esferas estaduais.

Foi uma oportunidade perdida para os milhões de espectadores da Rede Globo que continuam aguardando explicações mais transparentes por parte dos candidatos às urnas de outubro.

A lacuna permanece. Creio que os programas tiveram uma audiência em torno de 35 milhões de pessoas. A força da televisão não encontrou reciprocidade por parte dos dois apresentadores.

Análise do índice de desemprego tem de incluir o crescimento demográfico do país

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Reportagem de Thais Carrança, edição de ontem do Valor, focalizou a redução da taxa de desemprego em julho com a criação de 47 mil postos de trabalho. Para a jornalista,que colheu dados em várias fontes sendo uma delas o setor econômico do Itaú, a queda foi muito tímida num universo de desempregados que se eleva a 11 milhões 933 mil. Para o banco de investimentos MUFG, o recuo deixou a taxa em 12,3%. O tema desemprego vem sendo discutido por vários setores, incluindo a pesquisa nacional por domicílios do IBGE. O desemprego, contudo, na minha opinião, tem que ser confrontado com o índice de crescimento demográfico.

Se nascem 2 milhões de pessoas por ano, tem que se considerar que o mesmo percentual abrange os jovens maiores de 18 anos. Dividindo-se 2 milhões de seres humanos por 12 temos então a onda que devia caminhar para o mercado de trabalho.

NOVAS ADMISSÕES – Esse dado é muito importante porque ao desemprego decorrente de demissões tem que se adicionar a taxa de não admissões. Uma questão que esclareça os fatores desemprego e não emprego afetando a economia de modo global. inclusive a Previdência Social, que majoritariamente arrecada sobre a folha de salários e está atingida fortemente no seu universo social.

Existem outras implicações relativas ao movimento de consumo que gera receitas provenientes do vínculo empregatício. Portanto, os governos estaduais e federal, de modo geral, dependem das compras no mercado. Se as compras caem, a receita pública também recua.

Existe, ainda, o fator prestação de serviço, no qual se encontram centenas de milhares de pessoas em todo o país trabalhando em caráter informal. Não estão desempregadas, mas em sua grande maioria não recolhem para o INSS. A cadeia de tributos é formada pelo Imposto de Renda no plano federal,  assim como pela Previdência, pelo ICMS que é estadual e pela contribuição de empresas para o ISS na esfera municipal. Uma corrente contínua.

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SUPREMO LEGITIMA TERCEIRIZAÇÃO

O Supremo Tribunal Federal decidiu ontem, por 7 votos a 4  reconhecer a legitimidade dos contratos de terceirização para o sistema da CLT. A discussão era se a terceirização pode ser estabelecida para as atividades-fim, além de para as atividades meio. Portanto, o STF aprovou a existência do sistema, de modo geral, para os empregados privados e para os servidores das empresas estatais. Mas não para o funconalismo público.

A decisão vai ao encontro de cerca de 2 milhões de homens e mulheres que trabalham com esse vínculo indireto no campo trabalhista. Quem pode o mais pode o menos. Assim, os terceirizados podem continuar presentes tanto nas atividades meio quanto nas atividades-fim.

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TSE PODE JULGAR HOJE RECURSO DE LULA PARA TV

Os repórteres Rafael Moraes Moura e Ricardo Galhardo, no Estado de São Paulo de ontem, revelaram que o Tribunal Superior Eleitoral poderá julgar hoje o recurso do PT no sentido da presença de Lula no horário gratuito nas emissoras de rádio e televisão.

Talvez Lula não possa aparecer, mas sua mensagem de apoio a qualquer candidato na realidade não poderá ser proibida.

Bonner e Renata contribuíram para levar Jair Bolsonaro para o segundo turno

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Bolsonaro se saiu melhor na TV Globo do que na GloboNews

Pedro do Coutto

Na entrevista que fizeram com Jair Bolsonaro na Rede Globo, noite de terça-feira, os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcelos questionaram intensamente o candidato do PSL, apontando contradições entre suas falas públicas, numa série de situações que vão da homofobia à ameaça de intervenção militar no governo.  Sobre esta questão, basearam-se nas declarações do General Hamilton Mourão, seu candidato à vice-presidência. O tom foi agressivo e a projeção da contradições foi bastante explorada. Mas contraditoriamente, tais estocadas foram do agrado de Jair Bolsonaro.

Foi do agrado, porque propiciou a ele tocar os temas radicais de sua plataforma política, assim expondo-a bem junto a seus eleitores extremados, grande parte dos quais podem ser considerados da extrema-direita.

SAIU-SE BEM – O tema segurança, por exemplo, foi levantado para diretamente condenar as ações e pensamentos do candidato nessa área. Mas ele saiu-se bem na resposta, ao citar que a presença de bandidos armados em bairros do Rio de Janeiro tinha que ser repelida com a violência.

Nesta parte é que ele encontra adeptos extremados, defensores da violência para reprimir a ação de criminosos. Não se pode, disse Bolsonaro, querer tratar gentilmente os bandidos que infernizam a vida das pessoas de bem. A pergunta deixou Bolsonaro à vontade para se afirmar ainda mais com os eleitores e eleitoras que pensam como ele, porque, a exemplo de todos os brasileiros, vivem sob atmosfera imposta pela bandidagem.

Comparando-se a entrevista com Bonner e Renata com a que foi conduzida na GloboNews por Heraldo Pereira, também na noite de terça-feira, dá para se verificar a grande diferença entre uma e outra.

DIFERENÇA – Na primeira entrevista, como eu disse há pouco, o tema predominante deu margem a respostas intensas. Afinal, os candidatos que são entrevistados, como é natural, estão jogando para o eleitorado na busca de votos. Porém, o encontro comandado por Heraldo Pereira focalizou a inexistência de projetos específicos de governo, sobretudo na área econômica. Na GloboNews, Bolsonaro perdeu votos, mostrando-se mais uma vez dependente dos pensamentos do economista Paulo Guedes.

Na Globo, mostrou-se como radical que baseia suas ações no confronto físico, que caminha a seu lado com a homofobia e até manifestações absurdas como aquela que ele dirigiu à deputada Maria do Rosário.

No balanço geral da terça-feira, Bolsonaro ganhou mais votos do que perdeu. William Bonner e Renata Vasconcelos carimbaram o passaporte dele para o segundo turno em 28 de outubro.

Política é uma estrada sinuosa, marcada a cada curva por contradições sem fim

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Ciro se deu bem ao defender sua proposta sobre a Serasa

Pedro do Coutto

Escrevo este artigo na tarde de ontem, terça-feira, portanto antes da entrevista de Bolsonaro à Rede Globo. Minha base assim está focada na entrevista de Ciro Gomes, noite de segunda-feira, a William Bonner e Renata Vasconcelos. Esta entrevista, embora pautada em linguagem de alto nível, ressaltou mais contradições do candidato do PDT do que propriamente seu plano e projeto de governo. Foi uma pena. Uma pena para os telespectadores, mas um êxito para o candidato.

Seu lance mais forte na busca de votos terminou obtendo grande destaque na tela. Deu oportunidade a ele de colocar diante de milhões de pessoas seu projeto para retirar 63 milhões de brasileiros e brasileiras do rol de inadimplentes. Sobre este aspecto a meu ver, deve ter obtido mais intenções de votos do que aquele que possuía antes da entrevista.

CONTRADIÇÕES – No caso eleitoral somou para sua imagem, embora dificilmente possa concretizar a intenção dentro da perspectiva de sua vitória em outubro e de seu governo que começaria em janeiro de 2019. Mas falei em contradições da política. São enormes, inclusive parecem não ter fim.

Para citar um exemplo marcante de contradições, podemos lembrar o encontro entre Roosevelt, Churchill e Stalin em abril de 1945, na cidade de Yalta, ao sul da Rússia, a poucas semanas da rendição da Alemanha nazista. Estavam a mesa o presidente dos Estados Unidos, um liberal, o primeiro-ministro inglês, um conservador, e o ditador Stalin, comunista que sucedeu a Lenine no governo da então URSS. Discutiu-se a divisão da Alemanha entre duas partes a ocidental e a oriental, divisão que permaneceu de 1945 a 1989. Depois de Yalta, houve mais dois encontros. Um em Potsdam, outro em Berlim. Os três governos vitoriosos logo após o desabamento do Terceiro Reich, começaram a se desentender. Como explicar uma união entre os lados opostos do capitalismo e do comunismo? Mas foi o que aconteceu.

PRIMAVERA DE PRAGA – Os exemplos não ficam só nesse confronto. Em 1956, a então União Soviética invadiu a Hungria e mudou o governo do país. Em 1968 a invasão russa sufocou a Primavera de Praga, na então Checoslováquia, derrubando o governo que fazia tentativa de conjugar o comunismo com a liberdade. A liberdade era inadmissível para Moscou.

Aliás, há um terceiro exemplo. Em1948, ainda Stalin no poder, o governo comunista ameaçou invadir a Iugoslávia para conter o projeto de independência do Marechal Tito, que não aceitou e por isso teve sua fronteira fechada.

Mas esses exemplos são do passado. As contradições são de todas as épocas. Escreverei para amanhã artigo sobre a entrevista de Bolsonaro.

Elogios pagos são a pior propaganda para os candidatos, pelo excesso de bajulação

Resultado de imagem para elogios falsosPedro do Coutto

Reportagem de Débora Sogur Hous revela que a jornalista Paula Holanda acusou o comando do PT de contratar internautas falsos para divulgar elogios a candidatos do Partido através de uma agência de comunicação que utilizava o twitter para destacar nomes preferidos para as eleições. Um dos nomes é o da atual senadora Gleisi Hoffmann, que concorre a uma cadeira na Câmara dos Deputados, abrindo mão de disputar a reeleição. O equívoco é o de considerar positiva a propaganda paga e sobretudo caracterizada como tal. Não se trata exatamente de uma “fake new”, mas sim de elogios rasgados que conduzem a desconfiança sobre o que é injetado nas redes sociais.

A jornalista Paula Holanda foi quem revelou ter recebido uma proposta para esse tipo de trabalho, o qual recusou. Entretanto, outros provavelmente aceitaram e tanto é assim que as páginas aparecem como uma torrente elogiosa, o que colide com a veracidade das mensagens.

FORA DA REALIDADE – Inclusive os leitores que tenham o mínimo de sensibilidade vão logo identificar a existência de um trabalho remunerado direcional e fora da realidade. Nessa questão inclui-se também a seguinte trama: redatores escrevem em nome de grande número de internautas, cada um produzindo de cinco a dez identidades imaginárias.

Os leitores, todos nós, devemos ter cuidado com o assunto. Mas isso, se as mensagens fossem levadas a sério. Não são. E, aí a contradição tira mais votos do que podem proporcionar no sentido de qualquer candidatura assim plantada na mídia eletrônica.

Não é comum adjetivar-se de forma exagerada textos jornalísticos. Tal identificação, de fato, leva os leitores a rejeitar os nomes elogiados, partindo-se do princípio de que, para destacar situação e candidatos, a linguagem não pode ser a bajulação descabida. Esta bajulação faz com que os leitores se afastem das mensagens. Mas isso não entra na cabeça de quem paga por esse tipo de trabalho.

ELOGIOS DEMAIS – Entretanto, o que chama atenção é o exagero dos afagos, do destaque a qualidades inexistentes, tudo culminando com o objetivo de levar votos em favor destes ou daqueles.

O PT certamente não é o único partido a fazer uso desse tipo de tentativa de envolvimento. Contudo, a farsa que se projeta nas linhas sinuosas do apelo político leva ao esclarecimento da opinião pública, que já identifica uma procedência ilegítima das postagens cheias de bajulação e até de narcisismo. O caminho para o voto é outro, bem menos custoso.

Afinal, quem compraria o espaço para ser isento consigo mesmo. Daí porque a publicidade comercial não se ajusta ao apelo político. Ainda bem que é assim: alguns gastam dinheiro à toa em busca de autopromoção.  Só as mensagens gratuitas é que podem ser levadas a sério e produzir resultados concretos. A farsa dura menos que 24 horas, entre seu lançamento e a sua percepção.

Um grande salto na História: da sucessão de 1960 (Jânio e Lott) à sucessão de 2018

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Jânio em 1961, fotografado por Erno Schneider

Pedro do Coutto

Essa comparação foi colocada pelo jornalista e historiador José Hamilton Ribeiro na edição de 25 de agosto na Folha de São Paulo. Ele relembrou o clima do pleito de 60, final de mandato do presidente Juscelino Kubitschek, comparando-o com a jornada dos candidatos às urnas de outubro deste ano. Acentuou a euforia de ontem com o amargor de hoje, situação decorrente de dois polos políticos. Em 1960 havia euforia no país, o debate econômico ganhara as ruas, herança dos anos dourados que conduziram o impulso para frente da sociedade. Não havia desemprego, não havia nem um centésimo da corrupção que marca a vida brasileira nos últimos 16 anos.

Falava-se na caixinha de 10% em matéria de intermediação ilegal de contratos. Hoje essa comissão elevou-se, acho eu, à casa dos 1.000%. Uma explosão que concentrou a renda do país ainda mais.

JK E JÂNIO – Mas voltemos a outubro de 1960. Juscelino concluía seu mandato entregando a Jânio Quadros um país redemocratizado com as instituições concretizadas. Ele próprio ao passar a faixa a Jânio, lembrou o seguinte: “Vossa Excelência recebe o governo do Brasil em condições muito diversas daquelas que marcaram minha posse. Basta dizer que para que eu assumisse, em janeiro de 56, houve necessidade de dois movimentos políticos militares. Agora, situação muito diferente o espera daqui para frente.”

Mas não seria por muito tempo porque a 25 de agosto de 61, sete meses depois Jânio Quadros renunciava à Presidência da República. Frustrou os partidos que o apoiaram e os autores dos milhões de votos a ele destinados nas urnas. A democracia voltava a faixa de risco. E o projeto de Juscelino de disputar novamente a presidência em 65 evaporou-se no meio da tempestade que marcou a posse de João Goulart e depois o final de seu governo.

ELEIÇÃO SEPARADA – Naquele tempo o vice-presidente era eleito separadamente do presidente. Nas urnas de 60, Jânio Quadros derrotou o general Teixeira Lott, mas Jango foi reeleito vice-presidente. Esta foi a primeira reeleição da história do Brasil. Foi um lance de dados. O general Lott durante a campanha afirmou que seu candidato a vice seria Oswaldo Aranha. Mas Aranha faleceu no mês de abril de 60, deixando espaço para o retorno de Goulart. Se Aranha não tivesse morrido Jango, não poderia ser vice mais uma vez.

Mas isso tudo foi ontem. Hoje o embate entre os postulantes ainda não entusiasmou o eleitorado. O que deve mudar mais à frente, mas até agora não mudou.

SETE PRÊMIOS – Hamilton Ribeiro, testemunha da história moderna, como é o caso dos que passaram a faixa dos 70 anos, marca sua presença no jornalismo e na história pela conquista de 7 prémios Esso que lhes foram conferidos por reportagens publicadas na imprensa.

Vamos ver se a partir dessa semana a corrida eleitoral desperta finalmente o entusiasmo de 147 milhões de brasileiros e brasileiras aptas a votar a 7 e 28 de outubro.
Um fato capaz de iluminar a disputa está na pesquisa que Marcio Godoi e José Maria Tomazelli focalizaram na edição de ontem de O Estado de São Paulo: Bolsonaro passou à frente de Alckmin na cidade de São Paulo.

Entrevistas dos candidatos na Rede Globo marca a nova fase da campanha

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William Bonner e Renata Vasconcelos farão as entrevistas

Pedro do Coutto

Na semana que começa, as posições dos principais candidatos à presidência da República provavelmente vão se definir mais nitidamente porque irão ao ar no Jornal Nacional. Una coisa é um programa ser editado por emissora de menor alcance. Outra é a mesma entrevista ser feita e exibida pela Rede Globo, que lidera a audiência da televisão no país. O episódio aumenta de importância porque se trata de um horário que atrai muito mais telespectadores do que outros por causa do noticiário das 20:30 hs. A ordem das entrevistas encontra-se programada: Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Marina Silva e Geraldo Alckmin.

A iniciativa não pode incluir o ex-presidente Lula e também Fernando Haddad, uma vez que este está sendo apresentado pelo PT como candidato a vice presidência.

OSCILAÇÕES – As entrevistas serão realizadas também pela Globonews no horário um pouco mais a frente. Vamos ver quais as oscilações que serão decorrentes dos programas. Sejam quais forem, vão pesar no cenário eleitoral. Afinal de contas foram convidados os quatro candidatos que melhor se projetam tanto nas pesquisas do IBOPE quanto do Datafolha.

Poderemos então realizar uma avaliação em torno da influência da televisão, comparando-a com a presença do mesmo grupo de candidatos nas redes sociais da Internet. Alguns candidatos com pouco tempo de aparição na TV certamente vão reforçar suas mensagens na mídia eletrônica para compensar o menor índice de exposição de suas imagens diante do eleitorado.

A seleção escolhida pelas organizações Globo representa, de outro lado, uma diferença de tratamento entre todos aqueles que disputam a sucessão do presidente Michel Temer.

DIVISÃO – A exclusão na TV Globo daqueles que apresentam índices insignificantes junto ao eleitorado tornará mais concreta a divisão dos que têm possibilidade de vitória e aqueles que estão concorrendo por concorrer, uma vez que não possuem estrutura partidária capaz de funcionar a seu favor.

Neste caso encontra-se o ex-ministro Henrique Meirelles, lançado pelo MDB, maior partido do país, inclusive com maior representação na Câmara Federal. Mas que até o momento somente deu provas de que a escolha de Meirelles não foi capaz de causar maior entusiasmo nos seus quadros.

É verdade que a eleição será em dois turnos e essa característica abre também a perspectiva de que a legenda possa ser mobilizada para o desfecho final no segundo turno. De qualquer forma a semana que amanhã se inicia vai proporcionar condições para que as próximas pesquisas iluminem mais nitidamente as tendências do eleitorado  

E HADDAD? – Ao quadro composto por Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Marina Silva, terá que ser incluído o nome de Fernando Haddad, cuja candidatura depende do apoio explícito do ex-presidente Lula da Silva. Esse apoio não pode ser subestimado. Porque se ele transferir, digamos, 9%, tal transferência poderá levar a uma disputa ainda mais acirrada para revelar os dois finalistas.

Na edição de ontem da Folha de São Paulo, o jornalista José Hamilton Ribeiro, também historiador, escreveu longa matéria comparando a sucessão presidencial de 60 com a que vai se realizar em 2018.  Sobre essa comparação escreverei amanhã.

Luta dos candidatos é para saber quem enfrentará Bolsonaro no segundo turno

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Charge do Kacio (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O tema do título é uma síntese da estratégia adotada até aqui pelos candidatos, em matéria de ocupação nas redes sociais para passar ao segundo turno. Reportagem de Pedro Venceslau, Adriana Ferraz e Vera Rosa, edição de ontem de O Estado de São Paulo, destaca o posicionamento dos principais candidatos, buscando passagem para o segundo turno a 28 de outubro. A conclusão é a de que ninguém poderá vencer num turno só, marcado para 7 de outubro, e assim todos se empenham para figurarem na corrida do desfecho final.

Com base na pesquisa realizada pelo Ibope para a TV Globo e o jornal Estadão, por exemplo, Geraldo Alckmin substituiu o comando da campanha nas redes da Internet. Isso porque chegou à conclusão de que o candidato Tucano estava perdendo intenções de voto para Jair Bolsonaro, situação que, se mantida, iria afastá-lo do segundo turno.  O comando da campanha considera Bolsonaro o rival mais perigoso, isso porque passou a admitir que o candidato apoiado por Lula, tem possibilidade de se incluir entre os dois mais votados.

REDES SOCIAIS – O aspecto que mais pressionou Alckmin a rever as mensagens nas redes sociais decorreu da verificação que Bolsonaro vem ocupando o lugar do ex-governador de São Paulo nas pesquisas. Neste caso, além do levantamento do Ibope, também da confirmação pelo Datafolha.

A imagem de Lula, que fatalmente será usada por Fernando Haddad, acarretaria a subida deste na disputa por votos. Entretanto, como escreveram André de Souza e Renata Mariz, em O Globo, também ontem, o Tribunal Superior Eleitoral poderá limitar ou proibir o uso da imagem de Lula pelo ex-prefeito da cidade de São Paulo. Entretanto, tal proibição, com base na lógica dos fatos, poderia se referir ao horário eleitoral da televisão, o que restringiria o uso da imagem do ex-presidente nas redes sociais. Nas redes sociais, seria impossível a proibição.

LIDERANDO – De qualquer forma, analisando-se o panorama geral da campanha verifica-se que Bolsonaro lidera em todos os prognósticos, numa faixa entre 18 e 20 pontos. O segundo lugar é ocupado por Marina Silva. O empenho de Alckmin é para buscar uma polarização entre ele e Bolsonaro, de maneira que ele surja como o anticandidato contra o nome do deputado que exprime a extrema-direita brasileira. Vale acentuar, quanto a este ponto, que Bolsonaro é plenamente representativo de uma corrente ideológica de pensamento.

Na realidade essa polarização ainda não se cristalizou ao longo dos debates e entrevistas, embora Marina Silva tenha tomado a iniciativa de se tornar a candidata antiBolsonaro. Alckmin, com base na reportagem de Venceslau, Adriana e Vera Rosa, tem iniciado um esforço estratégico para completar a outra face do embate central pela chegada ao Palácio do Planalto.

CAMPANHA – A importância das redes sociais é muito grande, principalmente para os candidatos (à exceção de Alckmin), que dispõem de pouco tempo no horário da televisão que começa no próximo dia 31, com a participação dos candidatos a governador. Aliás, ao longo do mês de setembro, um dia será reservado às eleições presidenciais, outro dia às eleições de governador.

Dentro do quadro até aqui esboçado, Bolsonaro parece ser um candidato que passará ao segundo turno. Fica a pergunta: quem disputará com ele o turno final de 28 de outubro.