Em plena crise, FAB quer comprar dois Airbus de longo alcance para substituir o Aerolula

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Os jatos A-330 da Airbus deixam no chinelo o famoso Aerolula

Igor Gielow
Folha

A Força Aérea Brasileira lançou nesta quinta-feira (27) um edital para a compra de dois aviões de transporte de longo alcance Airbus A330, prevendo gastar US$ 80,63 milhões (R$ 437,7 milhões hoje) no negócio. A compra vem na esteira da polêmica revisão do contrato de compra dos modelos KC-390 da Embraer.

Num acordo fechado em 2014, a Força gastaria R$ 11 bilhões (em valores corrigidos) para adquirir 28 cargueiros brasileiros, mas no ano passado exigiu um negócio para metade dessa frota.

RENEGOCIAÇÃO – “Estamos perto de finalizar os detalhes da renegociação, que é sempre um processo de atrito”, afirma o comandante da FAB, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior. Na mesa está a redução do pedido para talvez 14 aeronaves e também do preço final, devido a restrições orçamentárias. Questionado, ele dissocia os dois processos de compra.

O KC-390, sustenta, é um avião de uso pontual, tático. Carrega até 26 toneladas de carga e é multimissão, servindo de reabastecedor aéreo e para diversas funções. Vazio, percorre mais de 6.000 km. O A330 em modo militar transporta grande quantidade de passageiros e até 45 toneladas de carga, e voa 14,8 mil km vazio.

Essencialmente, são aviões para missões diferentes. Baptista Junior cita o envio de dois aviões Embraer-190 para resgatar brasileiros em Wuhan (China), no início da pandemia. Aquela viagem demandou quatro paradas, quando o uso de um A330 a faria com uma só escala.

EDITAL NO EUA – Buscando reduzir custos, a FAB lançou o edital na Comissão Aeronáutica de Washington, que cuida de negócios internacionais, requisitando dois A330 de uso civil fabricados a partir de 2014, com no máximo 28 mil horas de voo e capacidade operacional até 2054.

Os aparelhos, contudo, têm de ser adaptáveis ao padrão MRTT da Airbus, que prevê capacidade de reabastecimento aéreo.

Um MRTT zero quilômetro é caríssimo, de € 150 milhões (R$ 900 milhões) até o dobro disso. Uma conversão semelhante de A330 civis da Iberia, encomendada pelo governo da Espanha no ano passado, previa um custo unitário de R$ 225 milhões por avião, em linha do negócio proposto pelo Brasil.

REFORMA NA ESPANHA – A transformação deve ocorrer na Espanha, que tem a oficina da Airbus credenciada para o serviço. É possível executá-la na IAI israelense, mas aí pesou a mesma consideração que tirou da competição converter um Boeing-767.

A IAI é conhecida por serviços de excelência, mas não é a fabricante do avião. E a Boeing hoje não adapta seus 767, preferindo vender o novo KC-46, que é baseado naquele modelo civil. Um A330 convertido pela própria Airbus vem com garantias adicionais, na visão da FAB.

O novo avião, caso seja comprado, terá de ser entregue entre 90 dias (primeira unidade) e 150 dias (segunda). Ele suprirá uma lacuna aberta desde 2013, quando foi aposentado o último Boeing KC-137, o famoso Sucatão baseado no venerando 707, e desde 2019, quando um Boeing-767 alugado foi devolvido.

NA ERA DILMA – Em 2010, a Folha mostrou que o governo Dilma Rousseff (PT) queria comprar o mesmo modelo. Uma das unidades deveria ter a tal área VIP, substituindo assim o Airbus A319ACJ usado pela Presidência —o famoso Aerolula, comprado pelo antecessor da presidente.

O negócio não foi em frente, mas presidentes sempre se queixaram da autonomia menor do Aerolula, que obriga duas ou três paradas numa ida à Europa a partir de Brasília. Se Bolsonaro ou quem vier a sucedê-lo tiverem o A330 à mão, isso vira um voo direto.

Mas comprar um avião que pudesse virar o AeroBolsonaro ou alguma outra corruptela pior a esta altura, em ano eleitoral, seria um tiro no pé considerável.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A reportagem fala em dois “cargueiros”, mas isso “non ecziste”, diria espiritualmente o saudoso Padre Quevedo. O objetivo real do ectoplasma da negociação é comprar dois novos Aerolulas, de maior autonomia de voo, para facilitar as viagens do futuro governante, seja lá quem for. Como se trata de recursos públicos, pagos pelo povo, quem se interessa? (C.N.)

Bolsonaro falta a depoimento na PF e desmoraliza a ordem judicial do ministro Moraes

Obrigada, Bolsonaro

Jair Bolsonaro simplesmente desconheceu a ordem judicial

Julia Chaib, Marianna Holanda e José Marques
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu não prestar depoimento à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (28) e irá recorrer, no Supremo Tribunal Federal, da decisão do ministro Alexandre de Moraes. O depoimento do presidente estava marcado para as 14h. Em seu lugar, compareceu o advogado-geral da União, Bruno Bianco, que apresentou um documento alegando o direito de ausência de Bolsonaro no interrogatório.

Segundo auxiliares palacianos, prevaleceu o entendimento da AGU de que ele não é obrigado a comparecer à PF, como determinou o ministro do STF na véspera. A AGU irá agora recorrer da decisão.

VAZAMENTO – A intimação para que o presidente falasse com os investigadores ocorre no âmbito do inquérito que apura vazamento de investigação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre ataque hacker às urnas.

Na manhã desta sexta-feira, interlocutores da AGU mantinham em conversas o mesmo posicionamento apresentado a Moraes em uma petição dois dias antes.

A avaliação de que Bolsonaro não é obrigado a depor se baseia em julgamentos do STF de duas ações (ADPF) sobre condução coercitiva. Em 2018, por maioria, o STF decidiu que o instrumento, que ganhou notoriedade em casos da Lava Jato, é inconstitucional e fere o direito do investigado de ficar em silêncio e não produzir provas contra si mesmo.

“INTERFERÊNCIAS” – ​Nesta sexta, mais cedo, mas sem citar o STF, Bolsonaro falou em “interferências” no Poder Executivo. “[Em 2021] enfrentamos também outras atribulações. Interferências no Executivo, as mais variadas possíveis”, disse.

“Sempre, da nossa parte, jogando com aquilo que nós temos e aquilo que nós juramos respeitar por ocasião da nossa posse, a nossa Constituição”, completou Bolsonaro.

Na manhã de hoje, durante o evento com a presença de Bolsonaro, a Secretaria de Comunicação não quis comentar a decisão de Moraes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
E agora, Moraes, vai encaminhar à Câmara pedido de impeachment de Jair Bolsonaro por crime de responsabilidade (descumprimento de ordem judicial)? Conforme antecipamos aqui na Tribuna, sua ordem judicial foi completamente desmoralizada pelo presidente Bolsonaro e não vai acontecer nada, rigorosamente nada. (C.N.)

Para reduzir fake news e ofensas na campanha, a suspensão do Telegram será inevitável

Charge O Tempo 17/06/2019 | O TEMPO

Charge do Duke (O Tempo)

Pablo Ortellado

O principal desafio para a regulação da campanha eleitoral é o que fazer com o Telegram. A empresa que opera o aplicativo — instalado em metade dos smartphones no Brasil — não tem representantes no país e não atende a determinações judiciais. Por isso, as obrigações e normas para as campanhas não seriam impostas a ele. O problema não é apenas brasileiro. A empresa também não responde a solicitações de governos europeus.

Com a migração de atores políticos para o Telegram e a aproximação da campanha no Brasil, é questão de tempo até que se evidencie a necessidade de suspendê-lo por descumprimento de suas obrigações legais.

VONTADE POLÍTICA – Haverá determinação política para suspender um aplicativo usado por milhões de brasileiros e meio de comunicação predileto do presidente da República?

O Telegram tem ampliado sua base de usuários desde 2021. Em janeiro daquele ano, seu principal concorrente, o WhatsApp, mudou a política de privacidade, e difundiu-se então o boato (infundado) de que passaria a compartilhar dados privados com o Facebook. No mesmo mês, após a invasão do Congresso americano, Trump foi banido do Twitter e do Facebook, e o Parler derrubado dos servidores da Amazon, gerando a busca por um aplicativo que não banisse o ativismo radical de direita.

Entre uma coisa e outra, o Telegram ganhou mais de 25 milhões de usuários em todo o mundo. No Brasil, sua base saltou de 19% da população com smartphone em agosto de 2019 para 53% em agosto de 2021. Há motivo para acreditar que esse número hoje seja maior, já que houve outra explosão de novos usuários depois do apagão no WhatsApp em outubro de 2021 (foram 70 milhões de novos usuários do Telegram em todo o mundo).

GUARDIÃO DA LIBERDADE? – O principal atrativo do aplicativo é a imagem de guardião da liberdade de expressão e da privacidade (ainda que, tecnicamente, sua criptografia ponta a ponta seja menos robusta que as do WhatsApp ou do Signal e não venha ativada por padrão como nos concorrentes).

STF, Ministério Público e TSE vêm tentando sem sucesso que o Telegram colabore com a Justiça brasileira. O TSE enviou dois e-mails à empresa pedindo uma reunião para definir estratégias de combate à desinformação nas eleições de outubro e não obteve resposta. Um ofício físico enviado à sede da companhia em Dubai nem sequer foi recebido. STF e Ministério Público também não conseguem contato.

O Telegram diz que cumpre ordens judiciais relativas a suas funcionalidades públicas, como canais e bots. Esse cumprimento se dá em temas como terrorismo ou violações de direitos autorais, mas, segundo o blog da empresa, não se aplica “a restrições locais sobre liberdade de expressão”, nem a funcionalidades privadas, o que seria contrário às convicções libertárias do fundador da empresa, Pavel Durov.

ACIMA DA LEI… – Em outras palavras, o Telegram escolhe as determinações judiciais que cumprirá: “Enquanto bloqueamos bots e canais terroristas, não bloquearemos ninguém que expresse pacificamente opiniões alternativas”.

Nos anos 2010, o Telegram chegou a colaborar com a Europol derrubando canais que promoviam o terrorismo islâmico. Mas a empresa vem deixando claro que a postura excepcional que adotou nos casos de terrorismo não se estende a outros temas. Em agosto de 2021, um grupo de ativistas contra as medidas sanitárias  tentou invadir o Parlamento alemão após boatos difundidos no Telegram, que não colaborou com as investigações.

Em janeiro deste ano, a primeira-ministra do estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, na Alemanha, recebeu uma ameaça de morte no Telegram, semanas depois de uma multidão se dirigir à sua casa para protestar. O Telegram também não colaborou com as investigações. A ministra do Interior da Alemanha, Nancy Faeser, disse que, se o Telegram continuar não cooperando com a Justiça alemã, como um último recurso, será banido.

UMA BASE IMENSA – No Brasil, o Telegram tem uma base de usuários muito maior que a alemã, e o chefe do Executivo tem incentivado o uso do aplicativo para escapar das políticas de moderação das plataformas de mídia social.

Como o Telegram usa todo tipo de artifício para fugir da alçada da Justiça, e seu uso nas próximas eleições é potencialmente explosivo, a suspensão do aplicativo no Brasil parece inevitável.

A medida é drástica e será impopular. Banir o aplicativo no meio da disputa seria insensato. Então, é preciso amadurecer a ideia desde já e, se for o caso, suspendê-lo antes de a campanha começar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO Telegram é considerado fundamental para a campanha de Bolsonaro, que está enlouquecido com a possibilidade de o aplicativo ser banido na campanha eleitoral. (C.N.)

Governo desiste de propor a criação de fundo para estabilizar os preços dos combustíveis

Iotti: novo aumento da gasolina | GZH

Charge do Iotti (Gaúcha/ZeroHora)

Ana Flor
G1 Brasília

Em uma reunião tensa no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira (27), o governo federal desistiu da ideia de criar um fundo de estabilização para o preço dos combustíveis. A avaliação é de que não há recursos no caixa suficientes para amenizar a alta que já vem sendo registrada no preço do petróleo – e nem para frear o possível impacto adicional dos próximos meses.

O fundo de estabilização era o eixo central de uma proposta de Emenda à Constituição (PEC) que o governo queria enviar ao Congresso já na semana que vem. A intenção é tentar conter a alta dos combustíveis, que pode prejudicar a avaliação do governo Jair Bolsonaro em pleno ano eleitoral.

AMORTECER AUMENTOS? – Pela proposta desenhada inicialmente, o governo usaria parte da arrecadação com royalties de petróleo para abastecer esse fundo. Quando uma alta do petróleo no mercado internacional pressionasse os preços no Brasil, a Petrobras e outras importadoras de óleo poderiam recorrer ao fundo para “amortecer” o repasse aos consumidores.

Com a retirada do fundo, a PEC deve chegar ao Congresso contendo apenas a autorização para que o governo reduza – a zero, se necessário – tributos federais sobre o diesel e o gás de cozinha. Nesse formato, o governo pode decidir até enviar uma lei complementar, de tramitação mais simples.

O futuro senador e líder do governo no Senado, Alexandre Silveira (PSD-MG), estava na reunião. Suplente de Antonio Anastasia e ainda não empossado no mandato, Silveira deve ser o relator do projeto.

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PEC DOS COMBUSTÍVEIS DIVIDE OPINIÕES NO GOVERNO
Valdo Cruz      
G1 Brasília

A PEC dos Combustíveis, com a qual o presidente Jair Bolsonaro espera conter a alta da gasolina, do diesel e do gás de cozinha, sofre resistência dentro do próprio governo.

A proposta, que pode zerar ou reduzir tributos cobrados sobre combustíveis, deve ser enviada ao Congresso Nacional na semana que vem, quando os parlamentares retomarão os trabalhos.

Segundo apurou o blog, a área econômica avalia que o efeito esperado com a proposta pode ser anulado ou até mesmo ir no sentido contrário, contribuindo para a alta dos combustíveis no país. A principal crítica é a possibilidade de zerar ou reduzir tributos federais sem uma compensação com a criação de uma nova receita ou corte de despesas.

Moro aposta no MBL e no Vem pra Rua para turbinar a campanha digital nas redes sociais

Aliança. O deputado estadual Arthur do Val e Moro no evento de filiação de integrantes do MBL: impulso digital

O deputado Arthur do Val e Moro no evento de filiação do MBL

Lucas Mathias
O Globo

Atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do atual ocupante do posto, Jair Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto e no alcance nas redes sociais, o presidenciável Sergio Moro (Podemos) aposta no Movimento Brasil Livre (MBL) e no Vem pra Rua para alavancar sua campanha digital.

Integrantes do grupo MBL formalizaram nesta quarta-feira a entrada no partido do ex-ministro, mas a aliança já é anterior, com publicações coordenadas a favor de Moro e críticas aos principais adversários dele na disputa. A primeira ação mais explícita ocorreu há uma semana, após a entrevista em que Lula chamou o ex-juiz da Lava-Jato de “canalha”.

#LULACANALHA – Em poucas horas, o perfil oficial do MBL e políticos como o deputado federal Kim Kataguiri (SP), de saída do DEM para o Podemos, e Adelaide Oliveira, uma das coordenadoras do movimento, impulsionaram a tag #LulaCanalha.

O termo somou mais de 30 mil menções e chegou aos assuntos mais comentados do Twitter. No dia seguinte, foi a vez de #BolsonaroCovarde, novamente com o endosso de integrantes do grupo, como o deputado estadual de São Paulo Arthur do Val, que está deixando o Patriota e deve concorrer ao governo estadual.

Também com o apoio do MBL, na quarta-feira foi a vez de #LulaArregou alcançar a lista de temas mais populares. A hashtag fez referência ao post em que Moro usou a expressão ao replicar uma notícia dizendo que o ex-presidente havia mandado o PT desistir da CPI para investigar a relação do ex-ministro com a consultoria Alvarez & Marsal.

MAIS ADESÃO – Na quarta-feira, Moro recebeu o apoio de outro grupo envolvido nos atos a favor da saída da petista do cargo, o Vem pra Rua, com grande poder de mobilizaç.

Assim como o Vem pra Rua, o MBL ganhou tração nas redes sociais no curso do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, quando organizou manifestações pelo país. O movimento se notabilizou por uma linguagem irônica, por vezes agressiva, com expressões curtas e memes com potencial de rápida disseminação.

Na noite de segunda-feira, Moro foi o convidado do podcast Flow, que tem grande popularidade entre os jovens. Até ontem, o episódio somava mais de 1,3 milhão de visualizações. Nas redes sociais, o bate-papo e sua repercussão foram amplamente divulgados pelo ex-juiz, com vídeos, imagens e trechos de frases ditas por ele. Mais uma vez, o MBL auxiliou compartilhando o link da transmissão ao vivo e com análise do que foi dito no canal de lives do movimento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Moro largou com atraso na campanha virtual, porque Lula e Bolsonaro estão ativos nas redes sociais há muitos anos. Agora, Moro começou a correr atrás do prejuízo e já ganhou dois expressivos apoios, do MBL e do Vem pra Rua. A tendência é de fortalecimento de sua campanha virtual, não há dúvida, devido ao grande número de eleitores que não aceitam votar em Lula ou Bolsonaro e exigem mudanças. (C.N.)

No Holocausto, os nazistas perseguiam e matavam outros grupos sociais, além dos judeus

Crianças ciganas também iam para os campos de concentração

Celso Serra

Ainda a propósito do 27 de janeiro, Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, criado pelas Nações Unidas para que jamais sejam esquecidos os genocídios praticados pelos nazista alemães, devemos lembrar que, além dos judeus, os historiadores também incluem como vítimas do nazismo no conceito de Holocausto os opositores políticos na Alemanha, sobretudo social-democratas e comunistas, assim como os prisioneiros de guerra russos, sérvios, ciganos, poloneses, deficientes físicos e mentais, negros e outras minorias.

Até o transporte dos presos para os campos de extermínio era feito em situações sub-humanas em vagões ferroviários de carga pouco arejados. Muitos presos morriam dentro desses vagões.

TRABALHOS FORÇADOS – O assassinato através de trabalhos forçados também fazia parte política de extermínio sistemático – os presos eram obrigados a trabalhar até a morte ou a exaustão corporal e daí colocados nas câmaras de gás, nos caminhões de gás ou fuzilados.

Os maçons também se tornarem alvos e, consequentemente, vítimas do violento regime instaurado por Adolf Hitler na Alemanha durante a Segunda Guerra, por dar abrigo a judeus e os ajudar a fugir para locais distantes do controle alemão, preservando suas vidas.

Os arquivos preservados do principal escritório de Segurança do Reich revelam a perseguição aos maçons na Alemanha. Estima-se que cerva de 200 mil maçons tenham sido exterminados sob o regime nazista.

REGISTRO FOTOGRÁFICO – O general Eisenhower, ao constatar pessoalmente o massacre realizado pelos nazistas, ordenou o registro fotográfico amplo e cuidadoso do caos encontrado por suas tropas, o que muito veio a ajudar a Justiça e a tornar o holocausto inesquecível.

O chefe do nazismo, Adolf Hitler, jamais escondeu seu ódio aos judeus. No livro que escreveu, “Minha Luta” (Mein Kampf), ele foi comedido, apenas avisou sobre seu propósito de expulsá-los da vida política, intelectual e cultural da Alemanha. Não registrou sua intenção de exterminá-los. Porém, há assentamentos de que ele teria sido mais direto e inequívoco em seus pronunciamentos reservados. Há registros de que, em 1922, ele teria dito ao major Joseph Hell, na época um jornalista:

“Assim que eu realmente estiver no poder, minha primeira e mais importante tarefa será a aniquilação dos judeus. Tão logo eu tenha o poder de fazer isso, eu terei forças construídas em fileiras – na Marienplatz em Munique, por exemplo, tantas quantas o tráfego permitir. Então, os judeus serão enforcados indiscriminadamente, e eles continuarão pendurados até federem; eles ficarão pendurados lá tanto tempo quanto os princípios da higiene permitirem. Assim que eles tiverem sido desamarrados, o próximo lote será enforcado, e assim por diante da mesma maneira, até que o último judeu em Munique tiver sido exterminado. Outras cidades farão o mesmo, precisamente dessa maneira, até que toda a Alemanha tenha sido completamente limpa de judeus.”

LOUCO ASSASSINO – O expressivo número de vítimas do nazismo é prova incontestável de que Adolf Hitler era um desequilibrado emocional, um desmedido e louco assassino.

O importante pesquisador, investigador e escritor judeu Simon Wiesenthal – nascido em Buczacz, Polônia, em 31 de dezembro de 1908 e falecido em Viena, Áustria em 20 de setembro de 2005 – foi também o mais importante caçador de nazistas.

Em junho de 1941 a Alemanha nazista invadiu a União Soviética, sendo Wiesenthal e sua família feitos prisioneiros. Passou quatro anos e meio em cativeiro passando por vários campos de concentração e sendo obrigado a realizar trabalhos forçados como escravo. No último campo, em Mauthausen, foi libertado pelas tropas americanas em maio de 1945.

CAÇADOR DE NAZISTAS -Wiesenthal era um sobrevivente do Holocausto que ficou mundialmente conhecido depois da Segunda Guerra Mundial pelo seu trabalho na localização, perseguição e captura de nazistas.

Uma vez em liberdade, dedicou a maior parte da sua vida a recolher informações sobre criminosos de guerra nazistas em fuga, espalhados por todo o planeta, de forma a que pudessem ser levados a julgamento em tribunal.

Simon Wiesenthal jamais matou os criminosos nazistas, sempre os levou para serem julgados pela Justiça. E foi o instituidor, em 1947, de um centro de documentação sobre as vítimas do Holocausto.

COMPARAÇÃO NECESSÁRIA – Simon Wiesenthal foi o responsável pela prisão de mais de 1,1 mil criminosos, dentre eles, o célebre Adolf Eichmann, que tinha se refugiado na Argentina com identidade falsa.

Seu lema e regra única de atuação era “Justiça, não Vingança”, tendo, inclusive, em 1989, editado um livro com esse título.

Eis a comparação necessária:  Adolf Hitler mandava assassinar inocentes, mas Simon Wiesenthal jamais executava os criminosos nazistas. Simplesmente, capturava os assassinos e os enviava para serem processados e julgados pela Justiça, sempre com amplo direito de defesa.

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(PS)  –  Lembro que no dia  14 de dezembro de 2020 foi inaugurado o Monumento em Memória às Vítimas do Holocausto no Morro do Pasmado, em Botafogo, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, RJ. Ao visitarmos esse justo e importante memorial podemos testemunhar e sentir na alma o martírio das inocentes vítimas dos nazistas e também aprender a lição de que na vida é sempre preciso vigiar o passado, porque ele pode voltar se não estivermos alertas.

(Celso Serra é advogado e economista, fundador da Academia Maçônica de Artes, Ciências e Letras do Rio de Janeiro)

Desmatamento recorde na Amazônia expõe fracasso absoluto da política ambiental

Desmatamento da Amazônia cresceu em julho 278% em relação a 2018 | Hypeness  – Inovação e criatividade para todos.

Enquanto o desmatamento avança, cai o número de multas

Deu em O Globo

Os dados sobre desmatamento divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) são tão contundentes quanto reveladores. Comprovam a incapacidade do governo Bolsonaro de frear a devastação em três anos de mandato. Em 2021, a Amazônia Legal perdeu 10.362 quilômetros quadrados de floresta nativa, área correspondente à metade de Sergipe.

A destruição, a maior em dez anos, é 29% superior à verificada em 2020, ano que já havia batido recorde. Ainda que dezembro tenha registrado redução significativa no desmatamento (49%), o recuo não foi suficiente para salvar o acumulado anual.

PARÁ NA DIANTEIRA – Não é apenas o número geral que preocupa. Segundo o Imazon, entre os nove estados que compõem a Amazônia Legal, apenas o Amapá não apresentou aumento na devastação. Mais uma vez, o Pará lidera o ranking das motosserras, com 4.037 quilômetros quadrados de florestas derrubadas, ou 40% do total. O Amazonas, segundo da lista, foi o que registrou maior crescimento na área devastada.

Evidentemente, esses números revelam o fracasso do governo Bolsonaro em conter a devastação, apesar dos compromissos assumidos na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, no ano passado, e das cobranças cada vez mais veementes da comunidade internacional.

De nada adiantou mudar o ministro do Meio Ambiente. É verdade que Joaquim Leite não encarna o modelo tóxico de Ricardo Salles, mas a política ambiental — ou a falta dela — continua sob estrita responsabilidade de Jair Bolsonaro.

MENOS MULTAS – E Bolsonaro não parece nem um pouco preocupado com danos ao meio ambiente. Prova disso foi seu discurso durante a abertura do Circuito Agro, na segunda-feira, em que comemorou a redução no número de multas a propriedades rurais.

“Paramos de ter grandes problemas com a questão ambiental, especialmente no tocante à multa. Tem que existir? Tem. Mas conversamos e nós reduzimos em mais de 80% as multagens (sic) no campo”, disse.

A declaração demonstra que Bolsonaro encara a multa ambiental como “problema”, não como instrumento para desestimular a destruição de florestas. A multa existe porque alguém desrespeitou a lei. Não é por acaso que, ao longo de três anos, promoveu o desmonte do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), responsáveis por multar “a torto e a direito”, como já disse.

ERA DA ILEGALIDADE – O presidente tirou o poder de fiscais e incensou garimpeiros, madeireiros ilegais e grileiros. A todo momento, o governo dá a deixa: pode desmatar à vontade, que nada acontece.

O problema não é apenas a ausência de uma política ambiental consistente para reduzir o desmatamento, ou até mesmo a crônica escassez de recursos orçamentários para implementá-la. Falta mesmo é disposição para mudar o quadro.

O discurso de Bolsonaro no evento de crédito agrícola não dá esperança de que em 2022, um ano eleitoral, as motosserras se calarão.

Ataque a helicópteros do Ibama em Manaus não pode ser tolerado e requer punição exemplar

Helicóptero do Ibama é incendiado em Aeroclube de Manaus

Câmaras de segurança filmaram dois incendiários em flagrante

Deu em O Globo

Não pode ficar impune o ataque inaceitável a dois helicópteros a serviço do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Aeroclube do Amazonas, em Manaus, na madrugada de segunda-feira, dia 24.

Câmeras de segurança flagraram dois elementos ateando fogo a uma das aeronaves, que ficou com a frente destruída. Um outro aparelho também foi danificado pelos criminosos. Suspeita-se que o ato tenha sido perpetrado por garimpeiros ilegais em represália a ações de repressão do órgão ambiental. O caso está sendo investigado pela Polícia Federal do Amazonas.

MENOS FISCALIZAÇÃO – Os helicópteros pertencem a uma empresa que presta serviços ao Ibama desde 2016. Ao menos num primeiro momento, o ataque deverá prejudicar as operações do instituto.

A advogada Suely Araújo, ex-presidente do Ibama, responsável pela assinatura do contrato durante sua gestão, disse que a redução da frota deverá afetar as ações de maior complexidade na Amazônia.

Não é a primeira vez que criminosos atacam equipamentos ou instalações de órgãos ambientais. Em julho de 2017, vândalos incendiaram oito carros do Ibama no distrito de Cachoeira da Serra, em Altamira, sudoeste do Pará. Os veículos, que ainda estavam no caminhão cegonha, seriam usados em operações de combate a crimes ambientais na região.

MAIS VANDALISMO – Em outubro daquele mesmo ano, foram depredados os escritórios do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em Humaitá, no Amazonas. Em dezembro passado, o posto do Ibama na Ponta do Abunã, em Rondônia, também foi destruído.

Não se deve subestimar o poder desses criminosos. Sabe-se que a associação de garimpeiros e traficantes de drogas na Amazônia é uma realidade. Os chamados narcogarimpos se espalham pela região com velocidade surpreendente, combinando destruição do meio ambiente com violência.

O problema é que, em três anos de mandato, o governo Bolsonaro tem sido leniente com a destruição ambiental. Servidores do Ibama já foram exonerados por terem chefiado operações de repressão ao desmatamento e ao garimpo ilegal.

PROCESSO DE DESMONTE – Os órgãos ambientais sofreram um processo de desmonte sem precedentes. O número de multas despencou, o que chegou a ser comemorado pelo presidente Jair Bolsonaro. Tudo isso criou um cenário favorável aos infratores.

Operações de repressão, como a que ocorreu em novembro do ano passado contra as balsas de garimpo no Rio Madeira, até existem, mas ainda são insuficientes diante do descalabro ambiental.

É preciso ficar claro que o ataque aos helicópteros do Ibama em Manaus é um ato contra o Estado. Portanto, deve ser investigado e punido com rigor. Não só pela destruição do patrimônio e por possíveis prejuízos às operações. Mas para que fiquem evidentes os limites da lei. E para que episódios semelhantes — infelizmente comuns na Amazônia — sejam desestimulados.

Adversários tentam encontrar ‘supostas ilegalidades’ na atuação de Moro como advogado

O ex-juiz Sergio Moro em evento do Podemos em São Paulo

Matéria da Folha “denuncia” Moro por exercer sua profissão…

Carlos Newton

Já era esperado. A campanha política está esquentando e a candidatura de Sérgio Moro realmente começa a incomodar. Em reação, os adversários políticos estão vazando  espalhafatosas denúncias contra contra o ex-juiz, como as informações liberadas ao excelente repórter Ranier Bragon, da Folha.

Este caso é um exemplo de como serão plantadas notícias visando a abalar a imagem de Moro. Em tradução simultânea, a longa reportagem, da qual apenas transferimos a parte principal, mostra apenas que Moro redigiu um extenso parecer (54 laudas) sobre disputa de ex-sócios bilionários envolvendo negócios de mineração na África.

Ou seja, é como se Moro estivesse sendo acusado de exercer sua profissão de advogado. Apenas isso., nada mais do que isso, revelando como essa campanha será de baixíssimo nível, com exibição de ardilosas e bem fabricadas fake news que manipulem fatos e notícias, para destruir reputações.

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MORO RECEBEU R$ 200 MIL POR PARECER CONTRA A VALE ANTES DE CONSULTORIA NOS EUA
Ranier Bragon       
Folha

O pré-candidato à Presidência Sergio Moro (Podemos) recebeu cerca de R$ 200 mil por um parecer de 54 páginas que emitiu em novembro de 2020 em resposta a uma consulta do empresário israelense Beny Steinmetz, pivô de um litígio internacional bilionário com a Vale.

O trabalho, cuja conclusão foi contrária aos interesses da mineradora brasileira e favorável aos do israelense, veio a público dias após o ex-juiz federal encerrar a quarentena de seis meses que cumpriu devido à sua participação no governo Jair Bolsonaro, como ministro da Justiça.

CONTRATAÇÃO – Menos de um mês depois da emissão desse parecer, a empresa de consultoria Alvarez & Marsal, administradora judicial do processo de recuperação do Grupo Odebrecht, anunciou a contratação do ex-ministro como sócio-diretor para atuar na área de disputas e investigações.

Moro vem sendo pressionado a divulgar quanto recebeu da Alvarez & Marsal, já que a firma foi nomeada para administrar a recuperação judicial de empreiteiras alvos da Lava Jato, a operação que tem no ex-juiz federal o seu maior símbolo.

A remuneração é alvo de investigação no TCU (Tribunal de Contas da União) por suspeita de conflito de interesse. Moro disse que divulgará os valores nesta sexta-feira (28).

NEGÓCIO NA GUINÉ – O parecer do ex-juiz para Beny Steinmetz insere-se em um caso em que a Vale tenta receber uma indenização bilionária devido ao fracasso da joint venture com o israelense para a exploração de uma das maiores minas de minério do mundo, a de Simandou, na República da Guiné, país da África Ocidental.

O documento escrito por Moro —em papel timbrado da Wolff Moro Sociedade de Advocacia, escritório dele em sociedade com a mulher, Rosângela Moro— conclui que, em tese, executivos da Vale teriam prestado informações falsas e ocultado do mercado e de seus acionistas, de forma fraudulenta, as reais condições em que fechou o negócio com Beny.

Moro ressalva, entretanto, que as conclusões dependem de as investigações confirmarem os fatos apresentados pelo empresário na consulta e caso “não sejam apresentadas escusas idôneas pelos investigados”.

TROCA DE GOVERNO – A joint venture entre a Vale e a BSGR, a multinacional do bilionário empresário israelense, foi firmada em 2010 e encerrada em 2014 sem ter saído do papel, apesar de mineradora brasileira ter investido US$ 500 milhões à vista no negócio, por 51% da empresa.

O acerto entre as duas empresas começou a dar errado após Alpha Condé, que venceu as eleições presidenciais da Guiné meses depois do fechamento do negócio, ter mudado o código de mineração do país, praticamente inviabilizando a exploração.

Anos depois, Condé revogou os direitos minerários da nova empresa sob a alegação de indícios de pagamentos de suborno para a concessão das minas quando o país era governado por seu antecessor, Lansana Conté, um militar que deu um golpe de estado que durou 24 anos.

JUSTIÇA DE ARBITRAGEM – Com isso, a Vale ingressou no Tribunal de Arbitragem Internacional de Londres com um processo contra o antigo parceiro. Em 2019 o tribunal deu ganho de causa à mineradora brasileira, determinando pagamento à Vale de US$ 2 bilhões de dólares em indenizações, mas a execução da sentença ainda não foi efetivada.

Em janeiro do ano passado, a Justiça na Suíça condenou Beny Steinmetz a uma pena de cinco anos de prisão e multa de cerca de R$ 300 milhões por pagamento de propina para garantir o direito de explorar a mina de Simandou.

O empresário, porém, trava uma batalha judicial no Brasil e no exterior para tentar provar que a Vale sabia dos riscos e, inclusive, das suspeitas de corrupção envolvendo a concessão dada pelas antigas autoridades da Guiné. Por isso, não poderia exigir indenização agora.

OUTRO PARECER – Além da contratação de Moro, Beny também formalizou na mesma época uma consulta ao constitucionalista e professor Pedro Estevam Serrano — o parecer de Serrano também foi contrário à Vale, na linha de que, se as informações da consulta forem confirmadas nas investigações, a empreiteira brasileira pode ser enquadrada na Lei Anticorrupção.

Os pareceres de Moro e Serrano serviram para reforçar notícia-crime apresentada por Beny contra a Vale no Ministério Público Federal no Rio de Janeiro e na Promotoria do estado. Em abril do ano passado, ou seja, cinco meses após o parecer do ex-juiz da Lava Jato, a Vale informou que o Ministério Público Federal havia decidido pelo arquivamento do caso. As investigações, porém, prosseguem no âmbito estadual.

Dois pontos principais foram apresentados por Beny para os pareceristas brasileiros, que foram instados a responder, entre outros pontos, ao questionamento sobre se a mineradora brasileira teria cometido fraudes e falsidade ideológica ao supostamente esconder do mercado e de seus acionistas as reais condições e as suspeitas envolvendo a operação na Guiné.

Supremo está indo além de suas atribuições, assumindo poderes que o povo não lhe concedeu

Judiciário e política no Brasil: algumas charges que mostram nosso cotidiano - ointercept

Charge do Duke (O Tempo)

Alexandre Garcia
Gazeta do Povo

Somos um estranho país ciclotímico. Em 2018, bradávamos por liberdade de expressão, alertávamos que havia perigo a rondar as liberdades básicas, que o autoritarismo punha em risco a democracia. De repente, porta-vozes da sociedade calaram; pareciam surpresos porque não acontecera a guinada para o autoritarismo.

Mas depois foram mantendo o silêncio a serviço de agressões às liberdades de opinião, de expressão, de locomoção, de culto; à inviolabilidade de mandato e da residência; ao direito de defesa; a censura prévia ganhou aplausos; sumiu a condenação aos corruptos; o basilar devido processo legal foi desprezado pelo tribunal supremo. E tudo isso sob omissão cúmplice ou aplausos sem pudor.

NÃO É MASOQUISMO – Como explicar essa mudança de posição, que virou torcida pelo totalitarismo ao estilo soviético? Não parece ser um fenômeno masoquista.

Para acordar quem esquece quais são os fundamentos da democracia, é bom gritar que em primeiro lugar vem o direito de liberdade de expressão do pensamento; o princípio de que todo poder emana do povo, que o exerce diretamente ou por seus representantes eleitos; o direito de locomoção, o que inclui o acesso ao trabalho, ao culto, às vias e logradouros públicos; o direito à vida, que abarca o direito à defesa; o direito de propriedade, escrito na mesma frase da Constituição que garante o direito à vida; a inviolabilidade do lar; o direito de não ser preso arbitrariamente; o direito de defesa em processo público; o direito de fazer ou não-fazer o que não for expressamente determinado ou proibido por lei; o direito de igualdade perante a lei, “sem distinção de qualquer natureza” (como manda a Constituição e é desobedecido por tantas leis).

DIREITO NATURAL – Ações e decisões de qualquer dos três poderes que não seguirem os fundamentos acima, estarão condenando os brasileiros a não viver em regime democrático. Boa parte desses fundamentos têm origem no Direito Natural. Direitos que adquirimos ao nascer.

 Teólogos afirmam que Deus nos criou dotados de livre arbítrio. Ou seja, esse ser perfeito é um democrata, pois nos deu plena liberdade.

Logo, o modelo que vem de cima é o de democracia. Portanto, democracia é um modelo divino – que carrega a imperfeição humana.

ESCRAVO DA IDEOLOGIA – Para os que não acompanham esse raciocino, sugiro outro, prático e direto: você gostaria de ser escravo de uma ideologia em que o estado domine você e sua família e tenha feito você acreditar que “é para o seu bem”? Pois muita gente prefere continuar sendo enganada a reconhecer que tem sido enganada.

A democracia se equilibra nos pesos e contrapesos dos três poderes. O Executivo, que foi eleito para governar; o Legislativo, que foi eleito para fazer leis e fiscalizar os demais poderes; e o Judiciário, que é escolhido pelos outros poderes, e serve para aplicar e interpretar as leis.

O desequilíbrio dessa balança, hoje, é evidente, pois o topo do Judiciário está indo além de suas atribuições, agindo com poderes que o povo não lhe deu. Precisa resolver o que seu presidente, ministro Luiz Fux, denunciou no seu discurso de posse: o Supremo é usado por partidos políticos para resolver questões que deveriam ser tratadas na arena política do Legislativo. Isso só não é mais grave que o silêncio dos que se omitem diante do avanço de ações totalitárias. Talvez porque coincidam com sua ideologia.

(Artigo enviado por Mário Causanilhas)

OCDE exigirá do Brasil o combate à corrupção e pobreza, além da defesa do meio ambiente

TRIBUNA DA INTERNET | Ao invés de entrar na OCDE, o Brasil se tornou mesmo  um pária diplomático e corrupto

Charge do Genildo (Arquivo Google)

Ana Flor
G1 Brasília

Para ser aceito como membro da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil precisará reforçar o comprometimento com temas como democracia, agenda ambiental, direitos humanos, combate à corrupção e à pobreza – valores que fazem parte da organização criada após a Segunda Guerra Mundial.

Além disso, o selo da OCDE só chegará se o Brasil fizer uma reforma tributária que elimine bitributações. O país discute o tema há mais de 20 anos, mas o Congresso nunca conseguiu aprovar um texto de consenso.

PROCESSO DEMORADO – Nesta terça-feira (25), o Conselho de Ministros da OCDE aprovou que o Brasil dê início ao processo de entrada na organização. A conclusão desse procedimento, no entanto, pode levar mais de três anos. Outros cinco países também receberam o aval, incluindo vizinhos como Argentina e Peru. Esse passo não garante a aceitação completa do país. Há nações que ficaram mais de seis anos no trâmite de entrada.

O ministro Paulo Guedes afirmou ao blog nesta terça-feira que o Brasil está à frente dos outros cinco países no processo, com mais de 100 instrumentos da OCDE atendidos.

Segundo ele, é possível uma entrada mais rápida no grupo de 38 países, quase todos com economias desenvolvidas. Guedes enviou uma carta à OCDE na última sexta-feira (21) avisando que os dois últimos entraves regulatórios estavam atendidos – e solicitando o acesso.

SELO DA OCDE – O que o Brasil pode ganhar com a entrada na Organização? Segundo o secretário de Assuntos Econômicos Internacionais do Ministério da Economia, Erivaldo Gomes, ter o “selo” da OCDE dá acesso a grandes investimentos.

Os maiores fundos do mundo têm, entre suas regras de funcionamento, determinações para investir seus recursos majoritariamente em países da OCDE – isso, porque as nações do grupo se comprometem com regras de transparência regulatória. Enquanto isso, países que estão fora da OCDE disputam uma fatia menor dos fundos. Atualmente, esses recursos vão quase na íntegra para a Ásia.

“É como poder sair da piscina pequena e ocupar uma raia na piscina grande”, compara Gomes. “É ter uma chancela semelhante ao grau de investimento para práticas regulatórias, que contam muito para a vida do investidor”, diz ele.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Guedes e seus chicagoboys podem festejar à vontade, para criar um “fato político”. Mas a realidade concreta é bem diferente. Parodiando a Bíblia (Mateus 19:24), é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que a OCDE aceitar como membro um país que não pune corrupção, lavagem de dinheiro, peculato, tráfico de influência, sonegação e improbidade administrativa. Aliás, o Brasil é o único país do mundo que sofre permanente monitoramento da OCDE nesses quesitos criminalescos. O resto é silêncio, diria o genial Érico Veríssimo. (C.N.)

“Além de amortecedor, agora sou para-raio do Posto Ipiranga”, diz Ciro Nogueira sobre Guedes

O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, durante entrevista Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

Pela primeira vez, Ciro Nogueira ataca seu ex-aliado Lula

Daniel Gullino, Jussara Soares e Thiago Bronzatto
O Globo

Ciro Nogueira assumiu uma função inédita na chefia da Casa Civil: além de se anunciar como amortecedor de Bolsonaro, agora diz que se tornou para-raio do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Em paralelo a isso, Nogueira acumula outro papel: encabeçar o projeto de reeleição de Bolsonaro. Não por acaso, o ministro passou a elevar os decibéis dos ataques contra o pré-candidato do PT, a quem apoiou em 2018.

“As pessoas pensam no Lula de 2002. Se você for comprar um celular para a sua filha, você vai comprar um celular de 2002 ou de 2022? Aquilo já passou. O Lula que está vindo aí não é o Lula para enfrentar a miséria e a fome. É o Lula para trazer de volta a Gleisi e o José Dirceu, essas pessoas que fizeram tanto mal e quebraram as estatais do nosso país” — afirma Nogueira.

Em seu discurso de posse na Casa Civil, o senhor disse que gostaria de ser lembrado como um amortecedor que diminuiria as tensões. Mas, no início deste ano, o presidente voltou a atacar ministros do Supremo Tribunal Federal. O senhor concorda com as críticas de Bolsonaro contra as decisões da Corte?
Sou daqueles que defendem que decisão judicial se cumpre. Mas acredito que exista um ativismo judicial muito forte no país que passa por tirar algumas prerrogativas do Congresso Nacional de legislar. O que temos buscado é bom senso entre os Poderes, que cada Poder respeite suas atribuições, os seus direitos e sua competência. Esse é o nosso grande desafio.

Em caso de derrota nas urnas, o presidente reconhecerá o resultado das eleições?
Ele vai ganhar. O país nunca deixou de reeleger um presidente. Quem reelege o presidente é a economia, e a vida das pessoas vai melhorar. Temos pesquisas que mostram que, se a inflação for reduzida e o emprego voltar a crescer, quase 40% das pessoas que hoje não votam no presidente, podem vir a votar. A possibilidade de reeleição é muito grande.

Ainda dá tempo de reverter as pesquisas eleitorais, uma vez que Bolsonaro está atrás de Lula?
Não tenho dúvida. Temos hoje uma campanha em que o ex-presidente Lula é o Lula do Alckmin (ex-governador de São Paulo), do Macron (presidente da França), do partido Democracia Cristã alemão. O Lula que conheço e que as pessoas vão conhecer na campanha é o Lula da Gleisi (Hoffmann), do Zé Dirceu, do (João) Vaccari. Esse é o Lula que tem muito mais identificação com Maduro (presidente da Venezuela) do que com Macron. Acho que a arrogância do PT está sendo importante para que as pessoas aprendam a identificar e separar. As pessoas não querem esse grupo do PT de volta ao comando do país. Acompanho pesquisas qualitativas. Quando se coloca o Lula ao lado dessas pessoas, a rejeição é total. Isso vai fazer com que o PT acabe derrotando o Lula. O Lula hoje está, em certo ponto, um pouco arrogante. O Lula que vi outro dia parecia que estava dando entrevista para o Granma, aquele jornal lá de Cuba, sem contestação. E o Lula se tornou juiz. A que ponto que chegamos: o Lula, que teve o seu processo anulado, ser juiz, dizendo que tem Centrão do bem e Centrão do mal. Lula tem condições de ser juiz em nosso país? Acho um pouco demais.

Em 2017, o senhor chamou Bolsonaro de “fascista” e “preconceituoso”. No ano seguinte, durante as eleições, o senhor disse que ficaria “até o fim” com Lula. Hoje, o senhor é ministro do governo Bolsonaro, disse que está fechado com o presidente e atacou Lula em seus artigos. O que te fez mudar de opinião?
O governo do presidente Bolsonaro, que foi capaz de fazer as transformações. Tenho milhões de vezes mais identificação com o que foi feito neste governo do que eu tinha com o Partido dos Trabalhadores. Tivemos um presidente que enfrentou a maior pandemia da nossa história sem termos no país saques, violência e dando suporte à população, que foi capaz de dar 13 anos de Bolsa Família em Auxílio Emergencial para população sem quebrar o país. Veja o que aconteceu no governo da Dilma, que foi a maior recessão da nossa história sem pandemia. As pessoas não podem se esquecer disso. O que me fez mudar foi conhecer mais o presidente Bolsonaro. Acredito piamente em seu projeto.

Se o ex-presidente Lula ganhar as eleições, o senhor se sentará para conversar com ele ou se manterá na oposição?
Ele não vai ganhar. Não me vejo mais ao lado do Partido dos Trabalhadores. Temos hoje um enfrentamento no meu estado (Piauí, governado pelo petista Wellington Dias) irreversível. As pessoas pensam no Lula de 2002. Se você for comprar um celular para a sua filha, você vai comprar um celular de 2002 ou de 2022? Aquilo já passou. O Lula que está vindo aí não é o Lula para enfrentar a miséria e a fome. É o Lula para trazer de volta a Gleisi e o José Dirceu de volta, essas pessoas que fizeram tanto mal e quebraram as estatais do nosso país. Hoje, temos outra realidade. O Brasil não vai retroceder.

O presidente Bolsonaro mudou o discurso de campanha e firmou uma aliança com o Centrão. Isso tem gerado conflitos com a base bolsonarista. Qual o impacto disso na eleição?
Temos um terço do eleitorado para Bolsonaro, um terço para Lula. Quem vai decidir é o centro. Por isso, há esse desespero do Lula de deixar esse pessoal escondido e ir para o lado do Alckmin. O presidente Bolsonaro já tem aproximação muito mais consistente, tanto que os partidos mais relevantes de centro estão com ele. É lógico que o presidente jamais vai deixar os seus valores, principalmente algumas coisas ideológicas de lado. Essa aproximação do centro de termos um Estado muito mais competitivo, voltado a prestar um bom serviço à população, incentivar quem quer gerar emprego e renda no nosso país tem muito mais identificação com o presidente Bolsonaro. Lula estava querendo revogar reforma trabalhista e regular a mídia. Então, são coisas que o afastam das pessoas de centro. O que reelege o presidente é a economia, se as pessoas estão melhorando de vida.

Mas o senhor considera que as pessoas melhoraram de vida de 2019 para cá?
Tivemos um problema no nosso país, um problema mundial. Estaríamos perto da China se não tivéssemos tido a pandemia. É um momento único, não teve um presidente que enfrentou uma pandemia. Não tenha dúvidas que voltamos com a maioria dos índices anteriores à pandemia e agora nós temos um potencial de crescimento muito grande.

O presidente mantém uma posição contrária à vacinação. De que forma isso pode atrapalhar na campanha?
Não faltou uma vacina para nenhum brasileiro. Hoje, o Brasil é uma referência mundial nesse setor. Então, o presidente sempre defendeu a liberdade das pessoas escolherem (se vacinar).  Ele não quis vacinar sua filha, porque ela não tinha comorbidade, mas não faltou uma vacina para nenhum pai de família vacinar o seu filho. O presidente é um homem muito espontâneo. Quando ele vai defender a liberdade das pessoas, ele pode até ser mal interpretado. Mas, volto a dizer, as suas ações são muito mais importantes do que as suas palavras

O senhor é favorável à vacinação de crianças?
Total, desde que haja concordância dos pais. Acho que ela tem que ser obrigatória para as crianças com comorbidade, porque nesse caso representa realmente risco de vida. O que é mais importante é que não falta vacina para os pais que querem vacinar os seus filhos.

Como estão as conversas com o União Brasil? É possível superar as diferenças entre o presidente do partido, Luciano Bivar, e Bolsonaro, que já tiveram conflitos no passado?
As conversas permanecem. Tenho esperança de marcharem conosco. Desavenças eu também tive, superei e hoje estou ministro. Vamos para uma eleição que só terá dois lados praticamente. Com todo o respeito aos outros candidatos, mas a disputa vai ser entre Bolsonaro e Lula. Então, o União Brasil não vai apoiar o PT. É muito mais fácil vir nos apoiar ou ficarem neutros. Vou trabalhar até o último dia para que eles venham nos apoiar.

O União Brasil também conversa com Sergio Moro. Como o senhor vê a candidatura do ex-ministro da Justiça?
O Moro é um conflito ambulante. O Moro, quando era juiz, queria ser político. Virou político e quer permanecer juiz. É uma pessoa com conflitos. Tenho minhas dúvidas se ele vai permanecer até o final.

Na sua avaliação, dentre as opções da terceira via, qual tem mais potencial de crescimento?
No início, eu achava que a pessoa que ia crescer era o Eduardo Leite, um cara jovem, com discurso bom, corajoso. Pensei que ia crescer: “Esse aí vai dar trabalho”. Não tinha dúvidas de que se ele tivesse sido candidato, ele era o terceiro. Agora para tirar o Lula ou o Bolsonaro, não vi ninguém até hoje que tenha esse potencial. Tenho enorme respeito pelo Ciro Gomes e pelo Doria (governador de São Paulo). São pessoas que têm sua história, têm que ser respeitadas. Mas é um Fla-Flu da eleição. São dois candidatos que têm potencial.

A Casa Civil passou a ter um poder inédito de barrar decisões orçamentárias do Ministério da Economia. Por que houve essa mudança?
Essa situação foi criada em comum acordo com o ministro Paulo Guedes.  Achamos que era muito melhor tanto para ele quanto para a Casa Civil. Levamos esse pleito ao presidente. O que acontece é que o Paulo Guedes sempre ficava encarregado de dar o “não” para alguns pleitos dos ministérios. Além de amortecedor, agora eu sou um para-raio do Posto Ipiranga. Divido com Guedes a responsabilidade de dizer o “não” e o “sim”.

Por que o ministro Paulo Guedes não participou das conversas iniciais para a elaboração da PEC dos combustíveis?
Não é verdade. Ele tem participado. E o que aconteceu, que vai ser colocado, por iniciativa do Congresso, exigência da legislação, foi alinhado comigo e ele, que é a questão da redução dos impostos federais. Eu comecei essa discussão com ele há três meses. Ele achava que, por conta da questão dos precatórios, não era bom misturar as coisas. Pediu que a gente voltasse a discutir isso no meio de janeiro. A palavra final sobre o projeto foi do ministro Paulo Guedes.

As emendas de relator, conhecidas como “orçamento secreto”, permaneceram intactas no Orçamento, sem cortes. O senhor é favorável à divulgação dos autores das destinações desses recursos?
Não existe emenda de relator que não se saiba quem é o autor. Estamos em um governo que não tem como dizer que tem corrupção. Aí, às vezes, vejo o Partido dos Trabalhadores criticando: “Ah, emenda de relator”. Quer dizer então que existe também corrupção no pessoal do PT que indicou essas emendas de relator? Não existe essa história de orçamento secreto. Tudo é transparente. Tudo está sendo executado com total acompanhamento da mídia e da população. Eu sempre fui favorável a essa transparência.

Mas a população não sabe, por exemplo, quais emendas o senhor indicou…
Ah, sabe. Você acha que uma emenda lá pra minha Pedro II, a cidade onde nasci, foi quem? Foi o Ciro Nogueira que indicou. Então não vejo muita dificuldade nisso, não. Não tem isso. Eu quero aparecer levando recurso para o meu estado. Às vezes, fico chateado de não levar mais recursos. É impossível chegar um recurso no município e a população não sabe quem levou.

Aclamado pelo MBL, Moro critica Lula, Bolsonaro e Alckmin, que “são sempre as mesmas coisas” e diz

Moro discursa no evento de apoio do MBL à sua candidatura

Carolina Linhares
Folha

Em evento de filiação de parlamentares e militantes do MBL (Movimento Brasil Livre) ao Podemos nesta quarta-feira em São Paulo (26), o ex-juiz Sergio Moro (Podemos) criticou a aproximação entre o ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao pregar o caminho da terceira via, também afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (PL) enganou a população.

Arthur do Val, membro do MBL, deve concorrer ao Governo de São Paulo pelo Podemos. E foi elogiado por Moro. “A gente precisa ter uma cara nova. Alguém jovem, mas maduro para dar um novo rumo para o Estado. Não é possível que a cada quatro anos nós tenhamos sempre as mesmas coisas”, disse Moro.

EFEITO ALCKMIN – “Quando a gente vai ver no fundo, como hoje tem esse movimento do ex-governador Alckmin em direção do PT, será que é tão diferente assim? Então a gente precisa ter realmente uma cara nova”, seguiu no discurso.

“Está na hora de acabar com essa história de a cada quatro anos ficar pensando entre PSDB e PT. Agora a gente está vendo que o PT está ameaçando voltar para São Paulo, não é só no país que isso é um risco”, completou.

O evento de filiação de Arthur do Val, do deputado federal Kim Kataguiri e do deputado estadual Heni Ozi Cukier e de outros nomes do MBL vai oferecer ao Podemos um palanque para Moro em São Paulo, com candidatos a deputado federal e estadual. Kim concorrerá à reeleição, e Heni tentará uma vaga no Senado.

LULA E BOLSONARO – Em seu discurso, o ex-juiz também mirou em Lula e Bolsonaro, seus principais adversários eleitorais. “Querem que a gente esqueça que eles provocaram a maior recessão da história do país”, disse Moro a respeito do PT, lembrando do petrolão e do mensalão. A respeito de Bolsonaro, afirmou que a população quer um presidente “que vai defender a ciência e não vai negar os fatos”. ​

Moro afirmou também que, enquanto juiz da Lava Jato, receber o apoio dos movimentos de rua, como o MBL e o Vem Pra Rua, foi gratificante. “A gente sabia que era aquilo que fazia a pauta anticorrupção avançar. […] A Lava Jato é de vocês, foi uma conquista da sociedade brasileira”, disse.

Arthur do Val afirmou que São Paulo é o estado que mais rejeita Lula e Bolsonaro. “A terceira via nasce daqui”, disse. O deputado discursou contra o pacto federativo, pregando que a arrecadação do estado de São Paulo serve para sustentar outros estados.

DEU ENTREVISTA – Apesar de ter prometido divulgar, na sexta (28) seus ganhos atuando em consultoria nos EUA, o presidenciável do Podemos ignorou o tema em sua fala. Ao falar com a imprensa após o evento, Moro afirmou que as suspeitas são fantasias e mentiras. Ele disse ainda que escolheu prestar contas em suas redes sociais para não ceder ao que considera um abuso do TCU.

“Quem não deve não teme, meus rendimentos são todos lícitos, normais. Eu não queria ceder ao abuso. Eu não vou apresentar ao TCU, porque está abusando do poder, o processo é ilegal, mas vou apresentar para todas as pessoas nas minhas redes sociais”, disse.

“Eu sempre combati a corrupção e sempre atuei com integridade. Como não tem o que falar do meu trabalho, tem gente que fica fantasiando e mentindo. Porque o pessoal tem medo, está vendo que o projeto está crescendo, com o Podemos, com o MBL”, afirmou à imprensa.

MONTE DE FANTASIA – Moro egou ter conhecido o dono da Alvarez & Marsal, Eduardo Seixas, antes de trabalhar na empresa. “É um monte de fantasia”, rebateu.

Também negou rumores de que estaria de saída do Podemos ou de que haveria uma debandada de filiados do partido em curso. “Só se for debandada para o Podemos. Esse é o caminho pelo qual vamos arrebentar a polarização”, disse.

Moro afirmou trabalhar “por um país melhor, sem Lula e sem Bolsonaro”. “Começa a formação de uma terceira via, uma alternativa a essas propostas extremas do país, com a união de um movimento e um partido político”, completou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A entusiástica adesão do MBL à candidatura de Moro é um sinal de evidente fortalecimento. A chamada maioria silenciosa está saindo do armário para apoiar a terceira via, esta é a realidade que as tais pesquisas ainda não indicam. (C.N.)

Nas entrelinhas, quem será o adversário principal para Lula? Sérgio Moro ou Jair Bolsonaro?

O que Bolsonaro tem que Moro não tem - TIJOLAÇO

Charge do Aroeira (Portal O Dia/RJ)

Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense

Numa campanha eleitoral, quem está na frente e/ou logo atrás se atacam mutuamente. Isso não define para ambos, porém, quem é realmente o inimigo principal. Na corrida pelo voto, essa equação é um jogo no qual a intuição do candidato, às vezes, vale mais do que as pesquisas eleitorais de ocasião. Por isso, é muito cedo para saber se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva errou ao chamar de “canalha”, e para a briga, o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, responsável principal por sua condenação na Operação Lava-Jato.

Terceiro colocado nas pesquisas, atrás do presidente Jair Bolsonaro, o ex-juiz não deixou por menos e partiu para cima de Lula no Twitter: “Canalha é quem roubou o povo brasileiro durante anos…”

TRÊS ALTERNATIVAS – Motivos não faltam para a atitude de Lula: (1) deixou-se levar pelo fígado, afinal passou 580 dias em preso em Curitiba depois de condenado pelo juiz; (2) resolveu confrontar Moro para testar sua reação e sondar a repercussão nas redes sociais; (3) já considera Bolsonaro uma carta fora do baralho e teme que Moro chegue ao segundo turno. Todas as alternativas podem ser verdadeiras.

Ex-assessor de imprensa de Lula, no seu blog Balaio, o jornalista Ricardo Kotscho tripudia dos que ficam dando palpites sobre a campanha de Lula, dentro da campanha e fora dela, inclusive na mídia: “À medida que se amplia a vantagem de Lula sobre os demais candidatos em todas as pesquisas, sinalizando para uma vitória já no primeiro turno, aumenta o número de assessores voluntários que querem dar palpites no rumo da sua campanha, apontando o que ele deve ou não fazer.”

Entram nesse balaio, segundo Kotscho: “Cientistas políticos tucanos, colunistas lavajatistas, economistas da Faria Lima, da Bolsa de Valores, da PUC, da USP e da Unicamp, dirigentes sem expressão e sem votos do PT, pregadores da Praça da Sé, motoristas de táxi, ex-BBB, comentaristas da GloboNews e até ilustres membros do Centrão e da Academia Brasileira de Letras, parece que todos, aliados e adversários, querem contribuir de alguma forma”.

GANHAR E PERDER – Lula é um expert em campanha eleitoral. Ganhou duas eleições à Presidência, contra José Serra (PSDB), em 2002, e Geraldo Alckmin (então no PSDB), em 2006, e elegeu um poste do saias, a ex-presidente Dilma Rousseff, na sua sucessão, ao derrotar, novamente, o tucano Serra. Também tem experiência em perder eleições presidenciais, pois disputou em 1989, derrotado por Fernando Collor no segundo turno, e 1994 e 1998, para Fernando Henrique Cardoso, no primeiro turno.

Realmente, o petista sabe o que quer. Como lidera com folga, um “já ganhou” é inevitável, principalmente quando sai uma pesquisa na qual poderia levar a disputa de roldão já no primeiro turno.

De certa forma, Kotscho critica esse oba-oba e manda um recado para os palpiteiros do PT: “Lembro-me como ele reagia, quando algum assessor mais prestativo vinha-lhe falar, empolgado: ‘Chefe, tive uma boa ideia’. E ele desconversava: “Se a ideia é muito boa, guarda para você. Eu não preciso de ideias. Eu preciso de votos”.

EMBRIÃO DE GOVERNO – Toda campanha à Presidência é um embrião de governo, que se materializa após a vitória eleitoral. Um lugar no estado-maior eleitoral é um cargo cobiçadíssimo por assessores, correligionários e aliados.

Amigo de Lula, Kotscho acompanha o líder petista desde as greves do ABC e conhece muito bem sua turma. Ao lado de Frei Beto, deixou a “cozinha” do Palácio do Planalto por não ter ganas de poder.

Nos tempos em que era a fonte mais segura no governo, só tinha a concorrência do “anão que ficava debaixo da mesa” de Lula e vazava informações para a imprensa. Nunca disse quem era a figura.

VICE ALCKMIN? – Deixando a palha de lado, alguns temas que envolvem a campanha de Lula serão objeto de especulações no mundo político e empresarial, alimentadas pelos próprios petistas por meio da imprensa.

Um deles é o vice na chapa, que realmente pode vir a ser o ex-governador Geraldo Alckmin. Outro, o verdadeiro papel do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega na elaboração do programa de governo. Terceiro, a real influência do PT nas decisões, principalmente do ex-senador Aloizio Mercadante, atual presidente da Fundação Perseu Abramo, e da deputada Gleisi Hoffman (PR), presidente do PT.

São temas que têm muito a ver com a política de alianças de Lula, que alavancou seu favoritismo à esquerda e, agora, sinaliza que vai ampliá-las em direção ao centro. A polarização com Bolsonaro consolidou seu favoritismo até agora, seria natural o desejo de que o presidente da República venha realmente a ser o seu inimigo principal. Nesse sentido, quem mais ganharia com o bate-boca com Lula é Moro.

Lula e o PT revelam que pretendem transformar o Brasil em uma nova China tropical

O conselho de José Dirceu para Lula | VEJA

Lula e Dirceu acreditam que a extrema esquerda voltou à moda

J.R. Guzzo
Gazeta do Povo

De uma coisa ninguém vai poder reclamar quando se constatar, para a surpresa chocada das almas de boa fé, que o governo estará querendo violar a Constituição para impor um outro regime ao Brasil, caso Lula ganhe as próximas eleições presidenciais: falta de aviso. Ele próprio, Lula, já disse, repetiu e vai dizer de novo que o Brasil, sob a sua direção, será um país “socialista”.

A eleição de outubro não é para isso – sua função é escolher um presidente da República para o período de 2023 a 2027, e não impor um novo regime político, econômico e social à sociedade brasileira. Mas e daí?

Economia estatal – Lula e o PT estão convencidos que uma eventual vitória na eleição vai autorizá-los a transformar o país em mais um “Chile”, ou “Peru”, ou “Bolívia” (não falam em “Venezuela” e “Cuba”, mas nem precisa), com a economia entregue “ao Estado” e o resto da ladainha que tem sido tentada através do mundo nos últimos 100 anos – e jamais deu certo, em lugar nenhum.

É espantoso que um candidato a presidente da República, com todo o incentivo das forças que o apoiam, tenha como projeto de governo criar um “Peru” no Brasil, ou coisa que o valha – mas são eles mesmos, e ninguém mais, que estão dizendo isso. Peru? A esquerda brasileira já teve planos mais ambiciosos para o país.

Para piorar as coisas, Lula, em pessoa, já disse que o Brasil vai precisar também de uma ditadura; o modelo que promete impor, caso ganhe, é o da China. Na sua opinião, é o que está faltando para nós: um “Estado forte”, com um “partido forte”, que vai dar as ordens, mandar na sua vida e decidir o que é bom e o que é ruim para todos. A China, diz Lula, é o que há; é disso que o Brasil precisa.

LULA E DIRCEU – O candidato sempre diz para o eleitorado aquilo que, em seus últimos cálculos, mais pode interessar a ele próprio; está achando, no momento, que ser da “esquerda” radical rende mais votos.

Já o seu ex-ministro José Dirceu, que ele vendeu por dois mil-réis quando quis salvar o próprio couro, no escândalo do mensalão, mas que hoje está de novo “prestigiado”, parece ter ideias mais precisas que o chefe.

Dirceu, dentro do bonde PT/intelectuais/centristas liberais/empresários “progressistas”/advogados criminais e etc, etc, que trafega atrás de Lula, é o que parece ter mais noção do que está falando. O que está falando só piora o que Lula já fala.

NOVAS ESTATAIS – Dirceu tem teorias próprias sobre o novo regime. A economia tem de ser estatal, diz ele. Vai se admitir, no máximo, empresas “público-privadas” – ou seja, muita Odebrecht, muito Eike Batista, muita vendedora de sonda para a Petrobras, etc. É preciso novas estatais – e a volta dos bancos do governo.

Segundo Dirceu, a economia brasileira está “totalmente dolarizada”, e isso precisa mudar. Não se sabe o que ele sugere a respeito: uma economia baseada no real, talvez? E quem quer saber de real? Nem em Cuba, e nem com a intervenção pessoal de Dirceu ou qualquer outro, vão aceitar vender um cacho de banana a troco de real. Mas o que se vai fazer? Os banqueiros de esquerda, os empresários angustiados com a injustiça social e as classes intelectuais acham que Lula e o seu regime socialista são a solução. Deve ser por aí mesmo, se o modelo é o Peru.

Quanto à democracia, é bom começar já ir se despedindo. Lula quer uma China para nós todos. É o que ele vai fazer – ou, pelo menos, o que promete fazer. Dá na mesma.

(Artigo enviado por Mário Causanilhas)

Hoje é o Dia do Holocausto, para que a Humanidade jamais consiga esquecê-lo

Prisioneiros nazistas eram mortos também por inanição

Celso Serra

Há 77 anos, no fim da Segunda Guerra Mundial, o Exército Soviético, depois de intensa luta, tomava e libertava Auschwitz, na Polônia, o maior e mais terrível campo de concentração nazista, no qual milhares de judeus foram assassinados.

Devido a esse fato histórico, 27 de janeiro é o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Essa data foi instituída pelas Nações Unidas e faz com que jamais esqueçamos os milhões de seres humanos que foram brutalmente assassinados pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial para impor a insana ideologia política que haviam criado, a da supremacia ariana.

GENOCÍDIO – Há informações de que apenas em Auschwitz, na Polônia, cerca de 1,5 milhão de pessoas tenham sido exterminadas no período, tudo para atender à insanidade dos nazistas da propagada “supremacia étnica” ariana.

Esse triste período da humanidade é historicamente denominado Holocausto. Para os judeus, Shoah, palavra hebraica que significa, literalmente, “destruição, ruína, catástrofe”, é a expressão para denominar o aniquilamento metódico –perseguição, exclusão socioeconômica, expropriação, tortura, trabalho forçado, fome, prisão sem motivo e extermínio de seis milhões de judeus da Alemanha e da Europa ocupada entre 1933 e 1945 pelo regime nazista

Enfim, a prática e a contínua evolução da técnica do assassinato em massa de seres humanos objetivando um extermínio seletivo.

EXEMPLO DA BARBÁRIE – No período, os seis milhões de judeus assassinados – homens, mulheres e crianças – representavam 65% da população judaica europeia e 30% da população judaica mundial. O Holocausto tornou-se o símbolo representativo da barbárie do século XX.

Há diversas suposições que tentam explicar a ideia fixa dos nazistas de que o povo judeu era inferior e, portanto, deveria ser exterminado. Alguns até escreveram que a causa para a desmedida crueldade se deu por supostos fatos religiosos, já que judeus condenaram Jesus à morte – o que significa patente distorção da verdade, pois Jesus foi condenado pelos romanos.  Jesus Cristo nasceu, viveu e morreu como judeu.

Porém, a teoria que mais parece merecedora de crédito é a que afirma que o objetivo do extermínio ocorreu devido à alta concentração de riqueza pelos judeus, principalmente pelo fato de muitos deles serem donos de instituições financeiras e empresas bem sucedidas. Assim, fica claro que o objetivo era tomar todos os bens dos judeus – em português claro: roubo, confisco.

POR ETAPAS – O Holocausto não foi praticado de uma só vez, foi um processo doloso aplicado por etapas, sem Hitler ter levado em consideração que na Primeira Guerra Mundial cerca de 100 mil soldados judeus alemães lutaram pela Alemanha, tendo 12 mil morrido em combate.

A primeira etapa (1933/1935) foi a da identificação dos judeus, sua separação social e início da exclusão da vida pública, com medidas como proibição do exercício de profissões liberais, de frequência a escolas e universidades e de boicote contra lojas judaicas.

A segunda (1935/1938) foi a de isolamento e degradação dos judeus, etapa que se inicia com as Leis de Nuremberg. Os judeus deixavam se ser reconhecidos como cidadãos e eram proibidos de se casar com “arianos”. Se não obedecessem. eram punidos com a morte.

NOITE DOS CRISTAIS – Na terceira fase (1938/1941), iniciada a partir da “Noite dos Cristais Quebrados” – a primeira chacina de judeus do século XX – assinala o princípio da violência física desmedida contra o povo judaico e o envio de seus membros para os campos de concentração.

Nessa fase, os judeus foram radicalmente expulsos da vida econômica e financeira na Alemanha. Todo o patrimônio foi confiscado pelo Estado alemão. Nesse período, começa a Segunda Guerra Mundial, a expansão do “espaço vital” da Alemanha nazista com a invasão de outros países, a forte elevação do número de vítimas, o aumento do número dos campos de concentração e também se inicia o confinamento dos judeus em guetos.

A quarta e última fase (1941/1945), é a denominada “Solução Final da Questão Judaica”: a do extermínio em massa dos judeus pelas “operações móveis de assassinato” formadas pela cruel SS (Schutzstaffel), nos campos de extermínio (Sobibor, Treblinka, Chelmno, Auschwitz e Majdanek) situados na Polônia, país onde se encontrava a maior concentração populacional judaica da Europa. Há registros que também consideram o campo de Jasenovac, na Croácia, como campo de extermínio.

(Celso Serra é advogado e economista, fundador da Academia Maçônica de Artes, Ciências e Letras do Rio de Janeiro)

LEIA AMANHÃ: No Holocausto, os nazistas perseguiam e matavam outros grupos sociais, além dos judeus

“Racismo reverso” é fantasia que causa retrocessos, afirma a presidente da UNE

Conheça Bruna Brelaz, primeira presidente negra eleita da UNE

Bruna Brelaz é a primeira presidente negra eleita da UNE

Bruna Brelaz
Estadão

Na última semana o tema do “Racismo Reverso” esteve em alta, permeando discussões acaloradas nas redes sociais. E como estudante universitária e primeira presidente negra à frente da UNE (União Nacional dos Estudantes), penso que falar sobre o “fantasioso” racismo reverso, no qual pessoas brancas são vítimas de preconceito racial por negros chega a ser desumano.

Todo o tempo vemos o reflexo da perversidade do racismo estrutural na sociedade, no qual a população negra é prejudicada, em diversos âmbitos, vivendo sob uma violenta desigualdade social.

SEMPRE PREJUDICADOS – Mesmo em maioria, negros não ocupam todos os espaços na sociedade, inclusive os de poder público, têm menor acesso à educação, saúde, alimentação, têm piores condições de moradia e também são a maioria da população de baixa renda no país. São também quem mais sofre pela violência social, policial e os mais afetados pela pandemia da Covid-19.

Essa disparidade, que é fruto de mais de 400 anos de escravidão no Brasil, e mais de 130 anos em que faltaram políticas públicas para equiparar as condições entre a população branca e negra, não pode ser esquecida do centro do debate para o desenvolvimento brasileiro

Para nós, o ano de 2022 é emblemático: temos o grande desafio de renovar a Lei de Cotas (Lei 12.711/12), que teve vigência de dez anos e tornou o ambiente acadêmico muito mais plural e diverso. As universidades, anteriormente, ocupadas por alunos brancos e das elites, tem agora nas instituições públicas metade de discentes negros.

LEI DE COTAS – Hoje, se as universidades atendem às demandas da sociedade, é por conta da Lei de Cotas, que promove a diversidade racial, modificando grades curriculares, planejamentos e práticas.

Além disso, ela também elevou o debate da presença de negros na sociedade; as empresas estão incluindo reserva de vagas para funcionários negros o que também deve chegar aos espaços de docência e pesquisa nas instituições.

Assim, levando a população a ocupar espaços no mundo do trabalho, antes, majoritariamente voltados a brancos. Por isso, levar em consideração qualquer menção a racismo reverso, nos aponta para um imenso retrocesso.

CAMPANHA NACIONAL – A UNE, em nome do movimento estudantil do Brasil todo e instituições de ensino, participa da campanha “Cotas Sim”, iniciativa da Faculdade Zumbi dos Palmares, que já conta com apoio de diversas instituições e organizações sociais, culturais, artistas e personalidades, tanto para educação, quanto para administração pública, enquanto for necessário, para equiparar quase 500 anos de relações e estruturação desigual, agravados pelo projeto do governo Bolsonaro.

Sem ela, existe a possibilidade da presença no ensino superior, da população negra e indígena, oriundas da escola pública, deixar de existir. Dessa forma, o retrocesso será imenso, uma vez que também são os negros, de baixa renda, os mais atingidos pela crise social que atravessamos. Corremos o risco de perder todos os ganhos dos últimos dez anos em pouco tempo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A autora do artigo, Bruna Brelaz, é estudante de Direito e presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes). Ela se orgulha se ser negra e em 2013 ingressou no curso de Pedagogia na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) através do sistema de cotas. Agora, estuda na Faculdade Autônoma de Direito de São Paulo. Ao copiar a foto dela, distribuída pela UNE para ilustrar o artigo, o editor da TI se surpreendeu. Na fotografia aparece uma bela morena, como se dizia antigamente. Mas Bruna diz que é negra e a gente tem de acreditar, não é mesmo? (C.N.)

Era só o que faltava! Igreja Universal afirma que quem é cristão não vota na esquerda

Um novo hábito para mudar sua vida - Universal.org - Portal Oficial da Igreja  Universal do Reino de Deus - Universal.org – Portal Oficial da Igreja  Universal do Reino de Deus

Bispo Cardoso, da Universal, mistura política com religião

Ana Mendonça
Estado de Minas

Um texto publicado pela Igreja Universal, nesta segunda-feira (dia 24), afirma aos fiéis que quem é cristão não pode votar em partidos de esquerda. O artigo, assinado pelo bispo Renato Cardoso, foi publicado no site oficial da igreja. A Universal é comandada por Edir Macedo, que apoia abertamente o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo o texto, os seguidores da esquerda são os responsáveis pela polarização política porque eles se “travestem de defensores do povo”, quando querem repetir “fórmulas desgastadas e ineficazes”, incluindo “regimes ditatoriais”.

USO DE DROGAS – Ainda segundo o bispo Renato Cardoso, os cristãos não podem votar na esquerda porque itens como família e crença seriam colocados de lado. Para ele, a esquerda prega contra o “casamento convencional” e incentiva “a liberdade do uso de drogas”.

O texto afirma ainda que os esquerdistas desejam que a sociedade fique doente para que eles possam salvar o povo usando um tipo de “assistencialismo manipulador”.

Para o bispo Cardoso, os governantes da esquerda gostam de mentir para implantar ditaduras que vão perseguir quem é cristão. “Se você se diz cristão e ainda vota na esquerda, há apenas duas possibilidades: ou você não segue realmente os ensinamentos do cristianismo, ou os segue e ainda não entendeu o que a esquerda é verdadeiramente”, diz o texto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A democracia tem dessas coisas. Qualquer um pode dizer o que bem entende e defender todo tipo de tese, sem temer o ridículo. Então, vamos fingir que os Evangelhos revelam que Jesus Cristo era de direita e jamais se posicionou em defesa dos desprotegidos. Mas sabemos que, se ainda estivesse entre nós, voltaria a expulsar do templo os vendilhões e sacerdotes que exploram o povo.
(C.N.)