Reforma eleva contribuição de servidor para até 22% e deixa militares para depois

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Ilustração reproduzida do Arquivo Folha

Matheus Leitão
G1 Política

A entrega da proposta da reforma da Previdência ao Congresso ganha destaque nos principais jornais, que dão detalhes sobre o texto elaborado pelo governo, a importância da correção das injustiças e os obstáculos para a sua aprovação. O Globo afirma que a proposta tem o objetivo de equilibrar as contas públicas e reduzir os privilégios. O texto prevê alíquotas de contribuição progressivas que podem chegar a no máximo 14% do salário para quem recolhe pelo INSS e a 22% para os servidores públicos.

Segundo o matutino carioca, foi confirmada a idade mínima para aposentadoria de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres e o período de transição de 12 anos.

EM DEZ ANOS – O governo estima uma economia de cerca de R$ 1,1 trilhão em dez anos, caso o texto seja aprovado como está. “Reforma mira redução de privilégios e promete economia de R$ 1,1 trilhão”, sublinha a manchete do Globo.

A Folha de S.Paulo destaca que as novas regras estabelecem um regime previdenciário mais duro tanto para o setor público como para o setor privado, como havia adiantado ao blog o secretário da Previdência do Ministério da Economia, Leonardo Rolim.

O matutino afirma que o período de transição terá sistemas diferentes pelos quais o trabalhador poderá se aposentar por tempo de contribuição e por idade. O objetivo da reforma é acabar com a aposentadoria concedida exclusivamente por tempo de contribuição.

NOVAS REGRAS – Atualmente, homens e mulheres podem pedir aposentadoria, independentemente da idade, se tiverem contribuído por 35 anos, no caso dos homens, e por 30 anos, no caso das mulheres.

Pelo novo texto, todos devem ter a idade mínima para conseguir a aposentadoria. “Reforma aperta aposentadoria nos setores público e privado”, aponta o título principal da Folha.

O Estado de S.Paulo destaca que a reforma proposta pelo governo é mais dura com quem ganha mais e enfatiza que políticos, trabalhadores rurais, policiais federais e professores foram incluídos no texto.

PROPOSTA AMBICIOSA – O Estadão chama a proposta de “a mais ambiciosa das reformas” e registra que, enquanto o texto de Temer previa economia de R$ 800 bilhões, a proposta do governo Bolsonaro pretende economizar os R$ 1,1 trilhão em 10 anos.

A categoria dos militares também será atingida pelas mudanças, mas as propostas serão feitas em projeto à parte. Uma das alterações é o aumento no tempo de contribuição: de 30 para 35 anos.

Segundo o matutino, a base desarticulada no Congresso pode dificultar a aprovação da reforma ainda no primeiro semestre. “A mais ambiciosa das reformas”, mostra a manchete do Estadão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Do jeito que está sendo conduzida, sem auditoria, ocultando os números e tirando os militares da reforma, trata-se de um Projeto Tabajara, digno de seu Creyssus, porque alega que, caso aprovado, os problemas do país acabaram, o que não é mesmo verdade. Quanto ao maior problema, a dívida pública, nem uma só palavra. Ontem a Folha fez um debate sobre a crise econômica com participação de Delfim Netto e Marcos Lisboa, e nenhum dos dois se referiu à dívida pública. Parece que não existe. Às vezes, tenho vergonha de ser brasileiro e pensarem que sou um jumento, como diz Eduardo Bolsonaro taxando quem critica seu irmão Carlos. (C.N.)

Na política, se uma coisa tem grande chance de dar errado, vai mesmo dar errado

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Charge do Angeli (Folha)

Carlos Marchi

Não sei se vai dar certo. Aprendi que, na política, se uma coisa tem grande chance de dar errado, é sinal de que vai mesmo dar errado. Esse caso do presidente Jair Bolsonaro com o ministro Gustavo Bebbiano é um exemplo definitivo.

Pelo que estou informado, Bebianno ajudou decisivamente na eleição de Bolsonaro. Foi nomeado ministro. Com um mês e pouco a família Bolso começa a atirar nele furiosamente. Do nada. (Ou será que tem alguma coisa que a gente não sabe? Se tem, por que foi nomeado ministro há menos de dois meses?)

ESPANTO GERAL – Todo mundo que está dentro do governo se sente ameaçado. Será que dá para trabalhar com essa família? Em política, um vetor é essencial – confiança no aliado, fidelidade ao aliado.

A pergunta que grassa em Brasília é direta: se ele está fazendo isso com um aliado fiel, imagine o que fará com os outros.

Como disse no começo: não sei se essa tática pode dar certo. Só sei que os poucos que a usaram se ferraram. E se arrependeram amargamente.

COISA DE CHÁVEZ – Essa decisão de proibir que representante de uma emissora de TV – por sinal, a maior do país – entre no palácio é coisa de Chávez e Maduro.

Perseguição à imprensa livre? Isso só pode ter aprendido com os ditadores venezuelanos.

Uma ponte poética, triste e sombria, na visão criativa de Dante Milano

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Dante Milano, retratado por Portinari

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O poeta Dante Milano (1899-1991), nascido em Petrópolis (RJ), expõe que “A Ponte” possui um cotidiano triste, embora poético na sua arquitetura.

A  PONTE
Dante Milano

O desenho da ponte é justo e firme, calmo e exato.
Nada poderá perturbar as suas linhas definitivas.
A sua arquitetura equilibra-se no ar
Como um navio na água, uma nuvem no espaço.
Embaixo da ponte há ondas e sombras.
Os mendigos dormem enrodilhados nos cantos.
Não têm forma humana. São sacos no chão.
Por momentos parece ouvir-se o choro de uma criança.
A água embaixo é suja,
O óleo coagula, em nódoas luminosas, reflexos lacrimejantes.
Um vulto debruçado sobre as águas
Contempla o mundo náufrago.
A tristeza cai da ponte
Como a poesia cai do céu.
O homem está embaixo aparando as migalhas do infinito.

A ponte é sombria como as prisões.
Os que andam sobre a ponte
Sentem os pés puxados para o abismo.
Ali tudo é iminente e irreparável,
Dali se vê a ameaça que paira.
A ponte é um navio ancorado.
Ali repousam os fatigados,
Ouvindo o som das águas, a queixa infindável,
Infindável, infindável…
Um apito dá gritos
A princípio crescendo em uivos, depois mantendo bem alto o apelo desesperado.
Passam navios. Tiros. Trovões.
Quando virá o fim do mundo ?
Por cima da ponte se cruzam
Reflexos de fogo, relâmpagos súbitos, misteriosos sinais.
Que combinam entre si os astros, inimigos da Terra ?
Quando virá o fim dos homens ?
A ponte pensa…

Em meio à tempestade, Bolsonaro entrega o projeto da reforma da Previdência

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Bolsonaro entrega a Maia a versão da reforma que escolheu

Pedro do Coutto

Em meio à tempestade que varre o convés de seu governo, o presidente Jair Bolsonaro entregou ao Congresso Nacional seu projeto de reforma da Previdência Social que agora, depois de divulgado, dará margem a uma série de debates que vão se desenrolar em torno dos múltiplos dispositivos que formam o bojo da matéria, para esclarecer pontos ainda duvidosos que se encontram no conteúdo do projeto de emenda constitucional.

Entretanto, já se tem conhecimento das mudanças quanto à idade mínima para os trabalhadores ingressarem com seus pedidos de aposentadoria: 65 anos para homens e 62 para mulheres. O projeto se desdobra em várias escalas, principalmente as categorias regidas por regimes especiais.

MUITA DISCUSSÃO – As reportagens de Geralda Doca e Marcelo Correa, edição de ontem de O Globo, fornecem uma ampla visão da matéria cuja discussão começará pela Câmara dos Deputados.

Muitos debates serão travados, uma vez que os opositores da matéria vão tentar obstruir sua aprovação. Ao lado de tal disposição, vão pesar também as emendas que serão em grande número através das quais os assalariados vão apresentá-las por intermédio dos deputados e senadores com os quais tiverem relacionamento ou então daqueles que se tornam propícios a atender às respectivas reivindicações. É sempre assim em projetos de dimensão igual a esse que Bolsonaro entregou ontem ao deputado Rodrigo Maia.

ARTICULAÇÕES – Geralda Doca e Marcelo Correia revelaram as articulações de bastidor para que governadores pressionem as bancadas federais e assim darão respaldo a iniciativa do Palácio do Planalto. A meu ver, o apelo aos governadores sinaliza uma sensação de insegurança do próprio governo federal quanto ao destino da votação de sua emenda constitucional.

Os governadores, de seu lado apresentam reivindicações junto ao ministério da Fazenda para recomposição de dívidas em grande escala que as unidades da Federação contraíram com o Executivo Federal.

INSEGURANÇA – Se a equipe do ministro Paulo Guedes tivesse a certeza da aprovação da reforma, evidentemente não precisaria contar com o apoio adicional daqueles que atualmente se encontram nos governos estaduais.

O confronto entre os que são favoráveis a reforma e os que lhe são contrário apenas começou. Não há prazo previsto para acabar. Isso quanto a reforma da Previdência. De outro lado, a tempestade sobre o Planalto ainda enfrenta perspectiva de também se alongar.

Ministro das “laranjas” se reúne com Bolsonaro e cancela encontro com Mourão

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Ministro foi “se explicar” com Bolsonaro e não lhe aconteceu nada

Talita Fernandes e Gustavo Uribe
Folha

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), responsável por patrocinar um esquema de candidaturas laranjas em Minas Gerais, como revelou a Folha, se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro na tarde desta quarta-feira (20). A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto não soube informar o motivo do encontro, que acontece em meio à crise das candidaturas de laranjas do PSL, sigla do presidente.

Já a assessoria do ministro disse, sem detalhes, que a reunião teve como objetivo discutir uma “agenda para alavancar o turismo no Brasil” e que se trata de um “pacote de projetos”.

PELA GARAGEM – O encontro aconteceu às 14h15 e o ministro entrou e saiu do Palácio do Planalto pela garagem, por onde costumam ingressar integrantes do primeiro escalão.

Álvaro Antônio tinha a previsão de uma audiência com o vice-presidente, general Hamilton Mourão, mas não compareceu à agenda. A assessoria não soube informar o motivo da ausência. O ministro iria tratar com Mourão da crise de Brumadinho (MG), atingida pelo rompimento de uma barragem de mineração da Vale.

O encontro com Bolsonaro ocorre no mesmo dia em que a Folha revelou que a ex-candidata a deputada estadual Cleuzenir Barbosa (PSL-MG) entregou ao Ministério Público mensagem em que um assessor de Álvaro Antônio cobra a devolução de verba pública de campanha para destiná-la a uma empresa ligada a outro assessor do político. A mensagem confronta a versão dada até agora pelo ministro e por seus assessores à época.

GRÁFICA DO IRMÃO – Segundo o depoimento de Cleuzenir ao Ministério Público de Minas Gerais, o assessor a pressionou a transferir R$ 30 mil, dos R$ 60 mil que ela recebeu de verba pública do partido, para uma gráfica de um irmão de Roberto Soares, que foi assessor de Álvaro Antônio e coordenou sua campanha na região do Vale do Aço de Minas Gerais.

Bolsonaro não fez comentários até o momento sobre as suspeitas ligadas ao ministro. Por outro lado, o caso das candidaturas gerou críticas do presidente a outro auxiliar, Gustavo Bebianno, que foi demitido na segunda (18) da Secretaria-Geral da Presidência.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A diferença é que já está mais do que provado que o ministro Álvaro Antônio está diretamente envolvido na corrupção, enquanto até agora nada restou provado contra Bebianno, e a própria ouvidora da Folha já afirmou que ele não teve responsabilidade no caso das candidatas laranjas e nem poderá ser processado. (C.N.)

Ex-candidata acusa assessores do ministro no esquema das verbas de campanha

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Bolsonaro com a candidata, que denunciou o ministro do Turismo

Deu no G1

Ex-candidata a deputada estadual em Minas Gerais, Cleuzenir Barbosa declarou ao “Jornal Nacional” que assessores do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, pediram que ela transferisse para empresas dinheiro público de campanha. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público de MG, que apura o uso de candidaturas de laranjas. Cleuzenir, que saiu candidata pelo PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, já repassou informações e outras supostas candidatas laranjas da sigla também vão ser ouvidas. O MP também vai requisitar documentos e notas fiscais dos envolvidos.

Clauzenir Barbosa diz que recebeu verbas de campanha do agora ministro, que era presidente do PSL em Minas Gerais e disputava uma vaga de deputado federal.

LAVAR DINHEIRO – Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, Cleuzenir afirmou que o ministro do Turismo sabia do esquema do PSL para lavar dinheiro. Ela está em Lisboa e disse que foi para lá porque se sente ameaçada. Nesta terça-feira (19), ela confirmou as acusações ao repórter Leonardo Monteiro, da TV Globo.

“Eu fui candidata a deputada estadual, e fazia ‘dobrada’ com o deputado federal Marcelo Álvaro Antônio, que é hoje o ministro do Turismo. E, no meio da caminhada da campanha, eu fui convidada por dois assessores do Marcelo Álvaro, que é o Raissander de Paula e o Robertinho Soares, para que eu transferisse dinheiro para uma gráfica com a qual eu não estava fazendo serviço algum”, afirmou.

“Eu achei aquilo muito estranho. De imediato, a gente detectou que tinha erro. Conversando com meu advogado, com meu contador, decidimos que não faríamos o jogo que eles haviam pedido que a gente fizesse, que eram as transferências.”

ESTÁ FUGINDO – Sobre sua mudança para Portugal, Cleuzenir disse: “A gente, que é vítima, precisa correr, ao passo que quem devia correr era os bandidos. Só que a gente é que tem que ficar escondendo, protegendo família. Por exemplo, eu tenho um filho de 16 anos, não posso dizer em qual escola que ele está, qual curso ele tá fazendo, não posso deixar ele postar nada em redes sociais, uma questão de vigilância. Então, assim, e o rapaz tá em pleno vigor, né?, de querer ir em redes sociais”.

O promotor de Justiça Eleitoral Fernando Ferreira Abreu disse: “Envolve aí apropriação indébita dos recursos do fundo partidário da mulher, no âmbito eleitoral, e eventual falsidade ideológica, justamente pelo uso de pessoas que não seriam candidatas, mas que figuraram como candidatas somente pra ser consideradas pra fins de cota. De participação das mulheres no pleito eleitoral. Que pode, eventualmente, caracterizar o crime de falsidade ideológica”.

DEPOIMENTOS – O procurador quer saber o conteúdo dos depoimentos das testemunhas para depois avaliar a necessidade de ouvir o ministro.

Em nota, o ministro Marcelo Álvaro Antônio reafirmou que jamais orientou qualquer assessor ato ilícito e que, ao tomar conhecimento da denúncia, determinou que ela fosse apurada. Ele declarou ainda que Cleuzenir foi chamada a prestar esclarecimentos e nunca apresentou qualquer indício que atestasse a veracidade das acusações. O ministro afirmou que encara a investigação do Ministério Público como uma ótima oportunidade para esclarecer.

OUTRO CASO – Também nesta terça, o presidente do PSL, deputado Luciano Bivar, almoçou com o presidente Jair Bolsonaro. Foi o primeiro encontro público dos dois no Palácio do Planalto desde as denúncias de candidaturas Laranja. Bivar minimizou a crise. “São coisas tão pequenas, que não merecem nem comentário”, disse.

Luciano Bivar era dirigente do PSL em Pernambuco durante a campanha eleitoral do ano passado. Uma candidata do partido, Maria de Lourdes Paixão, recebeu do PSL R$ 400 mil para concorrer a uma vaga na Câmara Federal. Ela teve apenas 274 votos e não foi eleita. A suspeita é de que o dinheiro tenha sido desviado. É o mesmo caso de outra candidata, Érika Santos, ex-assessora do ex-ministro Gustavo Bebianno, na época presidente do PSL, que recebeu R$ 233 mil.

É a mesma suspeita de uso de candidatas laranja que recai sobre o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Parece Piada do Ano. Bolsonaro demite Bebianno, que não armou nenhuma candidatura laranja, porque isso é responsabilidade dos diretórios estaduais, e depois convida Luciano Bivar para almoçar no Palácio do Planalto, como se não soubesse que foi ele quem armou o esquema das candidaturas laranjas. Se o caso virasse nome de filme, seria: “Almoçando com o Inimigo”. Realmente, ninguém consegue entender Bolsonaro. (C.N.)

Bebianno trabalhava para Bolsonaro de graça, como advogado, e nada vai lhe cobrar

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Bebianno sai de cabeça erguida e não cobrará seus honorários

Robson Bonin
O Globo

Em sigilo, o presidente Jair Bolsonaro destacou o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, para negociar uma espécie de armistício com o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno. Aliado de primeira hora de Bolsonaro, o ex-auxiliar foi exonerado na segunda-feira, depois de ter se envolvido em uma guerra de versões sobre conversas com o presidente, alimentada pelo vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente.

Nesta quarta-feira, em uma conversa com Onyx, por volta de 16h50, o presidente mostrou-se preocupado com o fato de ainda ser representado em processos judiciais por Bebianno, que é seu advogado em algumas causas. Onyx disse a Bolsonaro que teria uma conversa reservada com Bebianno ainda nesta tarde e prometeu “acertar” a questão.

POR TELEFONE – A conversa foi ouvida a partir de um telefonema aparentemente acidental do ministro da Casa Civil para um jornalista do Globo, enquanto estava reunido com o presidente.

“Você vai conversar com ele sobre as ações?” — pergunta Bolsonaro. E Onyx confirma que abordará o assunto na conversa.

“Se ele (Bebianno) me cobrar individualmente o mínimo, eu to f… Tem que vender uma casa minha para poder pagar” — disse Bolsonaro.

Onyx também informa ao presidente sobre contatos que teve com o ex-ministro, por meio de intermediários, após o jornal “Folha de S.Paulo” publicar nesta quarta-feira uma nota sobre a suposta intenção de Bebianno de juntar documentos para contar histórias sobre a campanha de Bolsonaro e o período em que ficou no governo.

DEU A PALAVRA – Sobre a potencial ameaça, Onyx diz ao presidente que Bebianno teria “dado a palavra” de que não faria mais declarações sobre a polêmica envolvendo Carlos Bolsonaro e a troca de mensagens dele com o presidente.

“A Folha deu uma nota e o Antagonista acabou de reproduzir e ele (Bebianno) acabou de ligar e pediu para tirar. Que é o seguinte… Que ele estava preparando documentos e não sei o quê para atacar. Ele disse ao Jorge (possivelmente Jorge Oliveira, subchefe de Assuntos Jurídicos do Planalto): “O que eu tinha para fazer, eu fiz ontem. Eu não dou mais nenhuma palavra, acabou tudo ontem. Eu estou te dando a minha palavra. Ok?” Então, agora, no fim da tarde, para tu saber, eu vou lá dar uma conversada com ele.”

NADA A PAGAR – O site O Antagonista havia, de fato, replicado a notícia do jornal. Como Bebianno teria relatado a Onyx, o site retirou o conteúdo do ar.

Ao ser questionado sobre a conversa, o ex-ministro Gustavo Bebianno disse que o presidente não deve nada a ele. “O trabalho foi feito por acreditar na causa, ele (o presidente) não deve nada pra mim e nem para os advogados que engajei”, disse o ex-ministro ao Globo, por meio de mensagem.

O Globo procurou o ministro Onyx e o site O Antagonista, e aguarda retorno.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Caramba! Com esse vazamento, Onyx está liquidado, igual ao Bebianno, ou  Bolsonaro vai engolir essa pérola, como se dizia antigamente? (C.N.)

Juíza condena operador do MDB e comenta a “especial sofisticação” do crime

Gabriela Hardt condenou na terça-feira (19) nove réus acusados de envolvimento em um esquema de pagamento de mais de US$ 825 milhões entre a Petrobras e a construtora Odebrecht. — Foto: Reprodução

Substituta de Moro condenou desta vez mais oito réus da Lava Jato

Matheus Leitão
G1 Política

A juíza Gabriela Hardt condenou Ângelo Tadeu Lauria, apontado como intermediador de recursos ilícitos a políticos vinculados ao MDB, à pena de 7 anos e 9 meses de reclusão em sentença apresentada nesta terça-feira (19) no processo iniciado na 51ª fase da Operação Lava Jato.

No documento, a magistrada afirma que o crime de lavagem de dinheiro envolveu “especial sofisticação” e sucessivas transferências entre contas no exterior. A juíza afirma que os condenados poderão recorrer em liberdade à segunda instância da Justiça brasileira.

LAVAGEM PRIMOROSA – “A lavagem, no presente caso, envolveu especial sofisticação, com utilização de recursos em contas do Grupo Odebrecht e sucessivas transferências entre contas no exterior, com atuação de doleiro e operações dólar cabo”, argumentou Gabriela Hardt na sentença.

A juíza decidiu absolver Ângelo Tadeu Lauria do crime de associação criminosa “por falta de prova suficiente para condenação”.

Além do suposto operador do MDB, a magistrada condenou outras oito pessoas no processo que investigou um esquema de pagamento de propinas referente a um contrato de mais US$ 825 milhões entre a Petrobras e a construtora Odebrecht.

R$ 25 MILHÕES – Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), foram feitos repasses ilícitos de aproximadamente US$ 25 milhões a ex-funcionários da Petrobras e de US$ 31 milhões a agentes que atuavam como intermediários de políticos vinculados ao MDB.

Os ex-funcionários da Petrobras Aluisio Teles Ferreira Filho, Rodrigo Zambrotti Pinaud e Ulisses Sobral Calile foram condenados pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. E os operadores financeiros Olívio Rodrigues Júnior e Mário Ildeu Miranda foram condenados pelo crime de lavagem de dinheiro.

O ex-executivo da Odebrecht César Ramos Rocha foi condenado pelo crime de lavagem de dinheiro e os outros dois ex-executivos da construtora Márcio Faria da Silva e Rogério Santos de Araújo foram condenados por corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Lava-Jato encontra 17 mil caixas com documentos do “banco paralelo” de Cabral

Um dos documentos da Trans-Expert que estavam armazenados no depósito tem nome do homem de confiança de Régis Fichtner Foto: ReproduçãoJuliana Castro
O Globo

Uma descoberta recente tem trazido ainda mais elementos para as investigações da Operação Lava-Jato no Rio . A força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) encontrou 17 mil caixas de documentos da empresa Trans-Expert em um depósito localizado na Pavuna, na Zona Norte do Rio. De acordo com os procuradores, a transportadora era usada como uma espécie de banco do esquema do ex-governador do Rio Sérgio Cabral, guardando e distribuindo o dinheiro de propinas pagas por empresários.

As caixas estavam armazenadas no depósito, num espaço que era arrendado pela Trans-Expert para a custódia dos documentos. A transportadora, no entanto, deixou de efetuar os pagamentos para que os documentos ficassem guardados no local. A empresa que armazenava os objetos resolveu, então, comunicar, no fim do ano passado, aos procuradores da Lava-Jato sobre a existência desses papéis, até então desconhecidos pelos investigadores.

BUSCA E APREENSÃO – No fim do ano passado, foram realizadas três buscas e apreensões no depósito para que os documentos fossem recolhidos, uma em novembro, outra em dezembro e uma última este mês. Os mandados foram autorizados pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal. Todo o material está passando por uma análise para subsidiar investigações em curso e também para nortear novos caminhos de apuração.

Entre os papéis encontrados, há comprovantes de entregas de dinheiro a diversas pessoas, inclusive algumas que não estavam no radar da força-tarefa da Lava-Jato. Alguns documentos que estavam no depósito já serviram como elementos de prova para que o MPF solicitasse a nova prisão do ex-secretário da Casa Civil Régis Fichtner, que ocorreu na última sexta-feira. Foi a segunda vez que ele foi preso na Lava-Jato.

CORONEL DA PM – Em meio às caixas de documentos da Trans-Expert foram encontrados ainda recibos de entrega de valores contendo a inscrição “a Fernando”, “a mando de Régis”. Fernando França Martins, coronel da Polícia Militar é apontado pelos procuradores como homem de confiança do ex-secretário de Cabral. Era Fernando que, segundo os procuradores, recebia as propinas para Fichtner. Os comprovantes continham como endereço de entrega uma sala comercial no Centro do Rio usada por Fernando.

Para o MPF, a nova descoberta traz elementos valiosos porque são provas independentes das delações premiadas e do sistema dos doleiros delatores Vinicius Claret, o Juca Bala, e Claudio Barboza, o Tony.

INSIDER – Os doleiros eram operadores do esquema de Cabral e usavam os serviços da Trans-Expert para entrega de recursos, mas tinham um sistema próprio de controle de entrada e saída de propina. No depósito, havia caixas com a identificação “Insider”. Esse era o codinome dos doleiros na transportadora.

A Trans-Expert apareceu nas investigações da força-tarefa da Lava-Jato ainda na primeira fase em que o esquema de Cabral foi desvendado, em novembro de 2016, quando ocorreu a prisão do ex-governador. Depois da revelação do caso, carros da transportadora que estavam se deteriorando na empresa. O juiz Bretas, então, autorizou que eles fossem repassados à Secretaria de Segurança.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fazer corrupção e guardar os documentos é Piada do Ano, que demonstra a certeza de impunidade alimentada pelo então governador Sérgio Cabral e sua quadrilha. Aliás, hoje poucos lembram que Joaquim Levy era o secretário de Fazenda de Cabral e era um dos participantes da festa da chamada Turma do Guardanapo em Paris. Depois, foi ser diretor do Bradesco, ministro da Fazenda de Dilma e é presidente do BNDES no governo atual, porque seu envolvimento não ficou provado. (C.N.)

“Filhos de Bolsonaro vão entender o tamanho da cadeira de cada um”, afirma Mourão

O vice-presidente Hamilton Mourão, durante entrevista Foto: Ueslei Marcelino/Reuters/14-02-2019

Mourão foi escanteado por Bolsonaro, mas permanece atuante

Karla Gamba
O Globo

Em entrevista à “Rádio Bandeirantes” na manhã desta quarta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que a Câmara dos Deputados enviou um recado ao governo na terça-feira, quando derrubou o decreto presidencial que ampliava a lista de servidores com poder de classificar documentos como sigilosos. A medida havia sido assinada pelo próprio Mourão, enquanto ele assumiu a presidência interinamente para que o presidente Jair Bolsonaro viajasse para Davos, na Suíça.

Ontem, após a votação, o vice-presidente havia afirmado que a derrota não era um indicativo ruim na relação do governo com o Congresso.

CONVERSAR MAIS — Mas o tom mudou na declaração mais recente, nesta quarta-feira. “A minha visão é que o Congresso ontem mandou um recado para o governo de que nós temos que conversar mais com eles” — argumentou Mourão.

No entanto, o vice disse não ver dificuldades no diálogo futuro e defendeu que Bolsonaro tem habilidade para conversar com parlamentares, pois esteve quase 30 anos no Congresso Nacional como deputado.

FILHOS DO PRESIDENTE – Mourão disse ainda que a interferência dos filhos de Bolsonaro no governo é uma questão de “acomodação”. A seu ver, com o tempo os filhos do presidente vão entender o “tamanho da cadeira de cada um”. Ele foi questionado se, diante da crise e polêmicas envolvendo os filhos do presidente, ele estava dando conselhos sobre o caso.

— Da minha parte não dei nenhuma opinião. A questão dos filhos é uma questão de acomodação do governo. A família é unida, os filhos são pessoas bem sucedidas, aos poucos eles vão entender qual é o tamanho da cadeira de cada um — disse Mourão durante a entrevista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme a Tribuna da Internet vem publicando, Mourão foi escanteado por Bolsonaro e não participa de quase nada. Durante a crise de Bebianno, o vice-presidente não foi ouvido em nenhum momento pelo chefe do governo. Mourão é experiente e tranquilo, não passa recibo, fica na dele e está esperando que Bolsonaro se reequilibre e se afaste da influência dos filhos. (C.N.)

Ministro do Turismo eleva em 280% o valor do dinheiro vivo guardado em casa

Marcelo Álvaro Antônio

Ministro evangélico não confia no sistema bancário do país

Felipe Frazão
Estadão

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, elevou em 280% o valor em dinheiro vivo mantido em casa num intervalo de dois anos. Entre as eleições de 2016 e 2018, a reserva em espécie guardada por ele passou de R$ 105 mil para R$ 400 mil. Os valores foram declarados à Justiça Eleitoral.

Eleito em 2018 para o segundo mandato de deputado federal por Minas Gerais, Marcelo Álvaro bancou do bolso 64% de sua campanha. Também recebeu doações da mãe, Vilma Penido Dias, e verbas do PSL. Ele declarou ter injetado na campanha R$ 383 mil por meio de transferências bancárias eletrônicas.

NÃO FAZ APLICAÇÃO – À Justiça Eleitoral, Marcelo Álvaro declarou a posse apenas de recursos em espécie, em moeda nacional – nenhuma conta bancária ou aplicação financeira. Ele ainda declarou um apartamento no bairro Buritis, em Belo Horizonte, e sociedade em uma empresa, a Voice Lider – os mesmos bens são informados por ele desde 2012.

O ministro afirmou que uma parte dos recursos usados na campanha integrava a reserva de R$ 400 mil em espécie declarada e que sua evolução patrimonial é condizente com seus vencimentos – um deputado recebe R$ 33,7 mil brutos.

Por meio de nota, a assessoria da pasta do Turismo disse que o ministro seguiu a lei. “A evolução patrimonial de Marcelo Álvaro Antônio é totalmente condizente com os ganhos de parlamentar acrescidos de rendas extras como aluguel de imóvel devidamente declarado”, destacou o comunicado, sem detalhar valores nem informar qual imóvel era alugado. “O ministro manteve a quantia em espécie conforme declarado, porque é um direito assegurado.”

MONITORAÇÃO – Na eleição passada, a Receita Federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Justiça Eleitoral decidiram monitorar candidatos que declarassem quantias elevadas em dinheiro vivo. Os órgãos suspeitavam que as declarações eram usadas como manobra para esconder caixa 2. Técnicos desses órgãos desconfiavam que os candidatos informavam possuir valores em espécie que, na verdade, não tinham. Era o chamado “colchão” para lavagem, conforme definem integrantes dos órgãos de controle. Para investigadores, casos assim podem configurar “pré-lavagem de dinheiro”.

As contas do ministro foram aprovadas com ressalvas pela Justiça Eleitoral. Por inconsistências na prestação, como falta de notas fiscais e erros em CPFs de doadores, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) cobra a devolução de R$ 33 mil ao partido – decisão da qual o ministro recorre.

APROXIMAÇÃO – Marcelo Álvaro Antônio é o único deputado do PSL com cargo no primeiro escalão na Esplanada. Evangélico da Igreja Maranata, aproximou-se do presidente Jair Bolsonaro no ano passado. Estava a poucos metros de distância do então candidato quando Bolsonaro recebeu uma facada durante campanha em Juiz de Fora (MG). Ele socorreu Bolsonaro, acompanhou a internação e a cirurgia de emergência na Santa Casa da cidade. Marcelo Álvaro era coordenador da campanha presidencial do PSL no Estado e havia reunido empresários locais para um encontro com Bolsonaro horas antes do ataque.

Aliado de primeira hora, ele deixou o PR para entrar na campanha de Bolsonaro. Depois, assumiu o diretório estadual do PSL, com o acesso a verbas da legenda e o poder de decidir quem se candidataria no Estado. Ele obteve 230 mil votos.

Na montagem do governo, Marcelo Álvaro ganhou um ministério depois de se apresentar como integrante da Frente Parlamentar do Turismo, embora nunca tenha sido vinculado a pautas do setor. Para se fortalecer no PSL, abriu espaço na pasta para indicados políticos.

CANDIDATAS LARANJAS – Ele é suspeito de coordenar a escolha de candidatas laranjas no PSL com objetivo de desviar recursos eleitorais. O caso é investigado pelo Ministério Público de Minas Gerais. Bolsonaro não comentou a suspeita. O porta-voz do Planalto, Otávio do Rêgo Barros, desconversou sobre o caso do ministro. Marcelo Álvaro foi poupado pelo governo. Citado em caso semelhante, Gustavo Bebianno foi demitido da Secretaria-Geral.

O jornal Folha de S. Paulo informou que quatro candidatas em Minas tiveram votação irrisória mesmo privilegiadas no repasse de dinheiro do Fundo Eleitoral pelo PSL. Elas haviam contratado e repassado dinheiro a empresas ligadas a assessores do ministro. Marcelo Álvaro negou a denúncia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Este é falso até no nome, porque na verdade se chama Marcelo Henrique Teixeira Dias. Nunca foi ligado ao turismo, mas conseguiu se tornar ministro, por ser evangélico. Agora, vai ser apanhado pela Polícia Federal e pela Justiça Eleitoral, ao mesmo tempo, junto com o presidente do PSL, Luciano Bivar, outro grande plantador de laranjas eleitorais. (C.N.)

Ministros militares se queixam dos filhos de Bolsonaro e da desarticulação do governo

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Charge do Aroeira (Portal O Dia/RJ)

Igor Gielow
Folha

O agravamento da crise política levou três expoentes da ala militar do governo ao encontro de Jair Bolsonaro (PSL) para expressarem a queixa do setor sobre a influência dos filhos do presidente e sobre a inoperância da articulação com o Congresso. Segundo relatos, os generais da reserva e ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Fernando Azevedo (Defesa) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo) pediram um freio de arrumação.

A Folha ouviu descrições da conversa segundo as quais o risco de perda de apoio entre a ala militar foi comentado. Outras, contudo, descartaram tom alarmista nesse sentido.

SUBIDA DE TOM – Dois itens constantes do cardápio da crise levaram à subida de tom. O primeiro foi a divulgação dos áudios trocados por Bolsonaro e o ex-ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral).

O fato de o presidente estar exposto e, pior, a possibilidade de haver gravações de fato comprometedoras, é considerado um desastre.

Como o problema começou em uma questão partidária, o laranjal do PSL, os generais atribuem ao papel de Carlos, filho do presidente que disparou o episódio que levou à demissão de Bebianno ao dizer que ele havia mentido, a chegada da crise à sala de Bolsonaro.

AFASTAR OS FILHOS – Há aqui uma questão de ocupação de espaço. Os militares nunca aceitaram o que consideram intromissão dos filhos políticos do presidente em assuntos de Estado. Assim, a confusão do caso Bebianno foi uma oportunidade para levar a cobrança de afastamento dos filhos de forma mais incisiva, e não indiretamente, como antes.

Com efeito, os dois mais ativos, o vereador carioca pelo PSC Carlos e o deputado federal Eduardo (PSL-SP), têm sido comedidos no tom desde a eclosão da crise.

PORTA-VOZ – Numa nota lateral, os militares também não gostaram de ver o papel que foi reservado a um general da ativa, Otávio do Rêgo Barros, na crise.

Porta-voz de Bolsonaro, na segunda (18) ele teve de engolir a seco e dizer que os motivos para a demissão de um ministro de Estado eram decisão de “foro íntimo do nosso presidente”. Sua maior assertividade nesta terça-feira (19) foi notada por observadores.

O outro ponto nevrálgico do dia foi a derrota fragorosa do governo na Câmara, que derrubou decreto presidencial que ampliou o número de pessoas com direito a decretar sigilo de documentos.

BASE ALIADA? – Aqui, a desarticulação completa de uma base governista possibilitou, na visão da ala militar, o recado do Congresso: os parlamentares querem participar das discussões que importam, a começar pela da reforma previdenciária.

A preocupação dos fardados, que não formam um bloco monolítico mas têm interesses comuns, é que a reforma degringole ao encontrar uma Câmara sem comando.

Alguns deputados governistas vinham apostando que isso seria uma vantagem, facilitando o encaminhamento da agenda de Bolsonaro, mas a derrota e até mesmo o fatiamento do pacote anticrime de Sergio Moro (Justiça) mostraram que a realidade é diferente. No papel, Santos Cruz deveria trabalhar nessa articulação, mas o espaço no Planalto está ocupado pelo chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

ONYX ISOLADO – Com a queda de Bebianno e assunção de um general que era seu número dois, Floriano Peixoto, Onyx está isolado e sob pressão por resultados.

O fato de que o ministro não toca na mesma orquestra de seu correligionário Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, não ajuda Onyx.

Aqui é incerto qual seria o encaminhamento do caso pelos militares, dado que eles também temem ser responsabilizados por fracassos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A análise do editor de Política da Folha está excelente, mas cabe apenas um pequeno reparo. O filho Eduardo não ficou mais comedido na crise. Pelo contrário, chamou de “jumentos” e “idiotas” aqueles que criticaram o irmão Carlos, e isso significa xingar todos os ministros militares do núcleo duro do Planalto e o vice Hamilton Mourão. (C.N.)

Aloysio Nunes se diz inocente a Doria, mas teve de pedir demissão do cargo

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Aloysio Nunes Ferreira é mais um tucano abatido pela Lava Jato

Deu na Agência Brasil

Aloysio Nunes Ferreira pediu demissão nesta terça-feira (19/2) do cargo de presidente da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (Investe SP) após ter sido alvo, nesta manhã, de mandados de busca e apreensão da 60ª fase da Operação Lava-Jato. A decisão foi anunciada depois de reunião com o governador João Doria. Nunes foi senador e ministro de Relações Exteriores do governo de Michel Temer.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a operação investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro de corrupção praticada pela Odebrecht e por Paulo Vieira de Souza, também conhecido como Paulo Preto, e outros três operadores, que atuaram entre os anos de 2007 e 2017. Paulo Preto é apontado como operador de esquemas envolvendo o PSDB em São Paulo.

R$ 130 MILHÕES – Pelos cálculos do MPF, as transações investigadas superam R$ 130 milhões. O montante correspondia ao saldo de contas controladas por Paulo Preto na Suíça no início de 2017. Segundo a Polícia Federal, a construtora irrigou campanhas eleitorais, fazendo o pagamento de propina a agentes públicos e políticos no país por meio de operadores financeiros.

No pedido de demissão, Nunes diz ter sido surpreendido pela diligência da Polícia Federal. “Não tive até agora acesso aos autos de inquérito em que sou investigado, mas o fato incontornável é a repercussão negativa desse incidente, que me mortifica a mim e à minha família, e que também pode atingir o governo de Vossa Excelência”, escreveu.

Nunes destaca que a sua defesa jurídica prestará “irrestrita colaboração com as autoridades para cabal esclarecimentos dos fatos” e diz ter certeza que a verdade o beneficiará ao final do processo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais um tucano abatido pela Lava Jato. E o mais curioso é que Paulo Preto guardava a corrupção em dinheiro vivo dentro de um apartamento, igual aos irmãos Geddel e Lucio Vieira Lima, do MDB, mostrando que até na corrupção os dois partidos se assemelham. A diferença é que o esquema tucano era mais rentável. (C.N.)

A dúvida é saber que os filhos do presidente continuarão interferindo no governo

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Charge do Duke (dukechargistra.com.br)

Talita Fernandes
Folha

O episódio de demissão do ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, reascendeu nos bastidores do governo e da base aliada no Congresso o papel que os três filhos políticos do presidente terão nesta gestão.

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) foi o primeiro a criticar publicamente o ministro na semana passada, dizendo que ele havia mentido sobre ter conversado com seu pai. Ele chegou a publicar um áudio em que o presidente diz a Bebianno que não podia atendê-lo ao telefone.

INTERFERÊNCIA – A declaração de Carlos Bolsonaro incomodou ministros e parlamentares que viram no gesto uma interferência indevida de um familiar em assuntos de governo.

Uma das responsáveis por tentar negociar a permanência de Gustavo Bebianno no governo, a deputada federal Joice Hasselman (PSL-SP) criticou duramente o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente. Na própria quarta-feira, em cima do lance, ela lamentou o fato de Carlos ter escrito, nas redes sociais, que o ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, mentira sobre conversas com Jair Bolsonaro.

“Filho do presidente não pode escrever mensagem para criar crise no governo. Quem tem que falar com ministro é o presidente”, disse ela, considerando que a atitude Carlos Bolsonaro talvez seja fruto de “imaturidade ou meninice”.

Bivar responde a Bebianno sobre candidatas laranjas do PSL e diz estar “estupefato”

O presidente do PSL, Luciano Bivar Foto: Ivo Gonzalez

Bivar foge da imprensa e só se pronuncia através de “nota oficial”

Eduardo Bresciani
O Globo

O presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), disse estar “estupefato” com as críticas feitas a ele pelo ex-ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, em conversa com o presidente Jair Bolsonaro, publicadas pelo site da revista “Veja”. Bivar sugeriu que Bebianno se referiu a ele no caso das candidaturas laranjas do PSL por “desespero”.

“Ele está estupefato e só pode creditar isso ao desespero do ex-ministro. Quanto à saída do Planalto, diz que só Bebianno sabe os verdadeiros motivos e só ele deve dizer”, diz nota divulgada pela assessoria de Bivar.

PROBLEMA DELE – No áudio encaminhado a Bolsonaro — e divulgado pela revista — Bebianno afirma que se Bivar escolher uma candidata laranja “é um problema dele”. Conclui ainda dizendo que o atual presidente do PSL “é responsável pela chapa” dele e desejando que a polícia chegue “à constatação do que foi feito”.

No plenário da Câmara, o presidente do PSL se esquivou de comentar o tema diretamente com jornalistas, repetindo que seu posicionamento era o de sua assessoria. Ele afirmou apenas que a divulgação dos áudios não significa que Bolsonaro mentiu ao negar ter falado com o ex-ministro.

— O presidente jamais mentiu, o que o presidente falou foi que tem seus motivos — disse Bivar, que almoçou com Bolsonaro nesta terça-feira, mas nega ter falado diretamente sobre o tema.

Bivar afirma que a demissão de Bebianno não tem ligação com as suspeitas de candidaturas irregulares em Pernambuco.  “O problema não tem nada a ver com as candidaturas, só o Bebianno sabe” — afirmou Bivar.

REELEIÇÃO – O presidente do PSL descartou a possibilidade de deixar o comando da legenda. Disse que pode deixar o cargo em novembro, quando deve haver convenção, mas deixou em aberto a possibilidade de buscar continuar na função. Questionado se não deveria deixar o cargo para se defender, respondeu:

“Defender de quê? Que esquema?”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Luciano Bivar está fugindo da imprensa, só fala através de “nota oficial”. Ele é criador e “dono” do PSL, partido a que preside desde 1998. A candidata laranja denunciada pela Folha, Lourdes Paixão, nada mais é do que secretária do PSL em Pernambuco (leia-se: secretária do próprio Bivar). A Polícia Federal vai apanhá-lo com a maior facilidade, mas não poderá processá-lo, que é atribuição da Justiça Eleitoral ou da Justiça estadual em primeira instância, dependendo do tipo de delito constatado – eleitoral ou criminal. Quanto a Bebianno, está fora disso, porque liberou a verba com pedido formalizado por escrito pelo diretório estadual. (C.N.)

Estadão mostra que Carlos Bolsonaro mantém aliados dentro do Planalto

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Ex-funcionários de Carlos Bolsonaro se tornaram assessores

Camila Turtelli, Julia Lindner e Anne Warth
Estadão

 Pivô da crise que derrubou do governo o ministro Gustavo Bebianno, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) comanda um grupo que atua nas redes sociais da Presidência da República. São pelo menos quatro aliados com acesso às contas pessoais do presidente Jair Bolsonaro, pai do parlamentar.

Seriam da cota de Carlos no Planalto, segundo ministros ouvidos pelo Estado, Tercio Arnaud Tomaz e José Matheus Sales Gomes, ambos ex-assessores do vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Sem contar o primo Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como Léo Índio. O Estadão mostrou que, mesmo sem cargo no Planalto, Léo já foi 58 vezes ao prédio, mais do que o próprio presidente da República.

CRIADOR DE CRISES – Com 893 mil seguidores no Twitter, Carlos esteve à frente da crise que tirou Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência. Ele usou a rede social para chamar o agora ex-ministro de mentiroso e divulgar mensagem de áudio do pai para corroborar seu ataque. Bebianno não foi seu único alvo.

Nos últimos dias, ministros civis e do núcleo militar aconselharam o presidente a exigir do filho que parasse de criar crises para o governo pelas redes sociais. O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, desconversou nesta segunda-feira, 18, ao ser questionado sobre o assunto após anunciar a demissão de Bebianno.

A atuação da equipe tem despertado incômodo entre auxiliares e ministros que despacham no Planalto, a ponto de desafetos acusarem o grupo de comandar ataques virtuais contra opositores.

ASSESSORES ESPECIAIS – Tomaz e Gomes foram nomeados para o cargo de assessor especial da Presidência e recebem salário bruto de R$ 13 mil. Os dois ajudam Carlos a administrar as contas do presidente Bolsonaro nas redes sociais.

Tomaz também foi assessor de Bolsonaro na campanha presidencial. Ele administrava a página “Bolsonaro Opressor 2.0”, no Facebook, que foi alvo de representações na Justiça e era acusada de propagar discurso de ódio.

A chapa do presidenciável Ciro Gomes (PDT) chegou a pedir que Tomaz e Bolsonaro removessem um vídeo e recebessem uma multa, mas o pedido foi negado pelo ministro Luis Felipe Salomão, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

MAIS UM – O quarto aliado de Carlos Bolsonaro no Planalto é Filipe Martins, nomeado como assessor da Presidência para assuntos internacionais. Martins foi apadrinhado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), mas é visto por auxiliares de Bolsonaro como integrante do grupo de Carlos. Na campanha eleitoral, atuou no núcleo ideológico que cercou Bolsonaro.

Em meio à crise política, envolvendo Carlos e Bebianno, Martins publicou no Twitter uma passagem da Bíblia para apoiar o vereador. “Eis que os filhos são herança da parte do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão”, escreveu.

POR DECRETO – Por meio de um decreto publicado no dia 3 de janeiro no Diário Oficial da União, Bolsonaro estabeleceu que suas contas pessoais no Twitter e no Facebook poderiam ser geridas por integrantes de sua Assessoria Especial. A Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) ficou responsável pelas contas institucionais do governo, mas podendo atuar em conjunto com os assessores. Na eleição, Carlos comandou a estratégia de comunicação nas redes sociais.

Procurado, o Planalto não respondeu sobre as funções exercidas pelos assessores até a conclusão desta edição. Também não esclareceu a atuação de Carlos nas redes sociais do pai. Ao Estado, Tomaz disse que é o próprio Bolsonaro quem administra suas contas pessoais e que “auxiliar não é comandar”. Ele não respondeu sobre a participação de Carlos.

Sonhos perdidos e frases guardadas, segundo Carlos Fernando e Geraldo Azevedo

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Carlos Fernando, um grande compositor pernambucano

Paulo Peres
Site Poemas & Canções


O compositor pernambucano Carlos Fernando (1938-2013), na letra de “Elo Partido”, em parceria com Geraldo Azevedo, retrata que para o casal é melhor expor a verdade na hora da separação ao invés de sofrer em silêncio. A música foi gravada por Geraldo Azevedo no LP Bossa Tropical, em 1989, pela RCA.

ELO PARTIDO
Geraldo Azevedo e Carlos Fernando

Sonhos perdidos
Frases guardadas
Elo partido, vidas
Partem do nada

Foi melhor assim
Do que acumular no peito
Tanta dor e mágoa
Fazer do coração
Que ensina as coisas claras
Um simples objeto
À margem da questão

Sonhos perdidos
Frases guardadas
Elo partido, vidas
Partem do nada

Bebemos nossas fontes
Com nossas palavras
Ao mirar teus olhos
Destilei em lágrimas

É grave a crise! Ford fecha a fábrica de São Bernardo e demite 2,8 mil trabalhadores

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Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Deu em O Tempo

A Ford Motor Company anunciou nesta terça-feira (19) que acabará com a fábrica de caminhões pesados ​​comerciais na América do Sul, que afetará diretamente postos de trabalho da empresa no Brasil. A empresa informou que deixará de produzir na fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo, neste ano, encerrando as vendas da linha Cargo, F-4000 e F-350 – junto com o carro médio Fiesta – assim que os estoques forem vendidos.

A decisão de sair do pesado negócio de caminhões comerciais ocorreu após meses de busca de alternativas viáveis, incluindo possíveis parcerias e a venda da operação, informou a Ford.

GRANDE IMPACTO – “Sabemos que essa ação terá um grande impacto sobre nossos funcionários em São Bernardo e estaremos trabalhando de perto com todos os nossos stakeholders nas próximas etapas”, disse Lyle Watters, presidente da Ford da América do Sul.

A decisão segue outras iniciativas recentes no redesenho em curso da região da América do Sul, incluindo redução dos custos administrativos e salariais em toda a região em mais de 20% nos últimos meses.

O encerramento da fábrica da Ford em São Bernardo, que ocorrerá ao longo de 2019, representa a demissão de 2,8 mil trabalhadores, segundo estimativa do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

DESPESAS – A Ford informou que estima despesas não recorrentes de US$ 460 milhões em razão da decisão anunciada nesta terça-feira, 19, de encerrar as atividades no ABC.

A fábrica é a mais antiga em operação da montadora no Brasil. A montadora disse que a decisão faz parte de um esforço para voltar a lucrar na América do Sul. Em balanço referente ao ano passado, a Ford apresentou prejuízo de US$ 678 milhões na região

A fábrica de São Bernardo era responsável pela produção de caminhões da montadora. (Com Estadão Conteúdo)

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG O governo, ao invés de procurar formas de reativar a economia, só pensa em defender os interesses dos banqueiros e eliminar as conquistas sociais. Infelizmente, é esse o perfil do novo governo. (C.N.)