Lewandowski deve liberar na próxima semana o voto sobre recurso de Lula

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Charge do Nani (nanihumor.com)

José Carlos Werneck

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta quarta-feira que tentará liberar na próxima semana o voto sobre um recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visando a libertá-lo. Condenado num processo da Lava Jato, Lula está preso desde abril, e seus advogados recorreram ao STF.

Lewandowski interrompeu o julgamento quando pediu vista e, com isso, o recurso saiu do plenário virtual, via internet, e recomeçará no plenário normal do Supremo.

NO PLENÁRIO – Como já noticiamos na “Tribuna da Internet”, semana passada, os ministros começaram a votar o recurso em plenário virtual e o placar estava 7 a 1 contra Lula ,porém Lewandowski pediu mais tempo para proceder à análise do processo e por esse motivo o recurso terá de ser apreciado em plenário.

Depois que o ministro Lewandowski liberar o voto, o presidente do Supremo, Dias Toffoli, marcará a nova data para o reinício do julgamento.

No plenário físico, o julgamento recomeçará da estaca zero e todos os ministros votarão, inclusive aqueles que já tinham se manifestado no plenário virtual, podendo mudar ou manter o voto dado.

LIBERAÇÃO DO RECURSO– Indagado sobre a previsão para a o julgamento, Lewandowski disse: “Tem o prazo regimental e eu vou procurar liberar dentro do prazo regimental. Os prazos do judiciário são impróprios, porque dependem da pauta, do acúmulo de serviços”.

A resolução sobre o plenário virtual prevê prazo regimental de dez dias para liberação do processo para julgamento e assim o ministro teria até o dia 26 de setembro para finalizar seu voto. Na última segunda-feira, Dias Toffoli disse que a pauta de setembro já estava pronta, mas que conversaria com Lewandowski para fixarem a melhor data para julgamento a partir de outubro.

DIVERGÊNCIA – Ricardo Lewandowski disse que pediu vista,por causa da divergência apresentada pelo ministro Marco Aurélio Mello, o único a se manifestar contra a manutenção da prisão.

No recurso, os advogados de Lula pediram que o STF considere inadequada a ordem de prisão porque o juiz não indicou os motivos para a necessidade de prender o ex-presidente. Eles defendem a exótica tese de que a prisão em segunda instância foi permitida, mas não pode ser automática, já que os juízes precisariam esclarecer as razões para prender alguém, enquanto ainda houver recurso pendente.

Lula foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá e encontra-se preso na Polícia Federal em Curitiba.

Futuro ministro de Bolsonaro quer recriar imposto nos moldes da CPMF

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Guedes quer CPMF para sustentar a Previdência

Mônica Bergamo
Folha

O economista Paulo Guedes, que comandará o Ministério da Fazenda caso Jair Bolsonaro (PSL-RJ) seja eleito, anunciou na terça-feira ( dia 18), para uma plateia restrita, o pacote tributário que pretende implementar no governo.  Guedes quer recriar um imposto nos moldes da CPMF, que incide sobre movimentação financeira, pretende criar uma alíquota única do IR (Imposto de Renda) de 20% para pessoas físicas e jurídicas —e aplicar a mesma taxa na tributação da distribuição de lucros e dividendos.

Por outro lado, estuda eliminar a contribuição patronal para a previdência, que incide sobre a folha de salário —que tem a mesma alíquota, de 20%.

AOS POUCOS – As revelações foram feitas a um grupo reunido pela GPS Investimentos, especialista em gestão de grandes fortunas. O publicitário Roberto Justus era um dos convidados.

Guedes afirmou que está sendo auxiliado pelo economista Marcos Cintra —foi ele que o convenceu, por exemplo, a criar um imposto nos moldes da CPMF. Cintra confirma o teor das propostas e diz estar finalizando o projeto de reforma tributária. O novo imposto sobre movimentações financeiras se chamaria CP (Contribuição Previdenciária) e seria destinado a financiar o INSS.

Segundo ele, a equipe defende o modelo de capitalização para a Previdência. O atual, no entanto, seguiria existindo paralelamente. Para garantir a sua solvência, seria criada a contribuição.

DILMA CONVIDOU – Na conversa na GPS, Guedes contou que Dilma Rousseff o convidou para ser ministro da Fazenda em 2015. Ele não aceitou.

Guedes afirmou ainda que sempre foi bem tratado pela imprensa. Mas foi só anunciar apoio a Bolsonaro que as coisas mudaram. Disse que recebeu telefonema até de João Roberto Marinho, do Grupo Globo, com ressalvas à sua opção.

O telefonema, segundo interlocutores de Marinho, nunca existiu —nem, muito menos, qualquer crítica.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não é a primeira vez que Guedes é desmentido. Ciro Gomes já o chamou de mitômano (mentiroso compulsivo). Guedes devia restringir as declarações ou então partir para cima, mostrando as provas, tipo dia e horário do telefonema. Fica mais bonito. (C.N.)

 

Desembargador que vendia sentenças é premiado com sua aposentadoria

Altamente corrupto, o juiz ganhou aposentadoria precoce

Frederico Vasconcelos
Folha/Interesse Público

Em decisão unânime, o Conselho Nacional de Justiça determinou nesta terça-feira (18) a aposentadoria compulsória do desembargador Carlos Rodrigues Feitosa, do Tribunal de Justiça do Ceará, acusado de vender sentenças em plantões judiciários. Segundo investigações da Polícia Federal, o filho do magistrado, Fernando Feitosa, avisava a advogados e clientes –em mensagem no WhatsApp– quando seu pai estaria de plantão nos fins de semana. As postagens faziam alusão ao “dia da liminar”, acompanhadas de fotos de cédulas de R$ 50,00 e R$ 100,00.

A operação recebeu o nome de “Expresso 150”, uma referência ao valor supostamente cobrado para a concessão de liminares em habeas corpus: R$ 150 mil. Entre os clientes dos advogados, havia traficantes e outros réus encarcerados.

DESDE 2014 – O caso teve origem em setembro de 2014, com inspeção realizada no TJ-CE. Dois anos depois, a então corregedora nacional, ministra Nancy Andrighi pediu a abertura de processos disciplinares.

Em outubro de 2016, diante da veiculação de notícias sobre a venda de decisões, o então corregedor nacional, ministro João Otávio Noronha, instaurou correição nos gabinetes de três desembargadores cearenses, entre eles Carlos Rodrigues Feitosa.

A correição ficou a cargo do desembargador Carlos Vieira von Adamek, do TJ-SP, e dos juízes Márcio Evangelista Ferreira da Silva, do TJ-DF, Rui de Almeida Magalhães, do TJ-MG, e Jorge Gustavo Serra Macêdo Costa, do TRF-1.

DECISÃO UNÂNIME – Em março deste ano, em decisão unânime, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu denúncia contra o desembargador Feitosa, sob acusação de venda de sentenças durante o plantão judiciário. O relator é o ministro Herman Benjamin.

Benjamin negou um pedido feito pela defesa do filho de Feitosa para desmembrar o processo e manter no STJ apenas a ação contra o desembargador, único dos réus com prerrogativa de foro. O STJ manteve, então, o afastamento do desembargador, decretado pelo STJ em 2015 em outra ação penal.

PRORROGAÇÃO  – Na véspera, o CNJ havia prorrogado o processo disciplinar sobre os mesmos fatos envolvendo o desembargador Feitosa. Nesta terça-feira, em sustentação oral no plenário, o subprocurador-geral da República Carlos Alberto Vilhena afirmou que “o grupo era composto em sua maioria por advogados, mas também integravam pessoas custodiadas, que se encontravam presas no Ceará, suspeitas de cometimento de crimes graves, e, mesmo dentro dos estabelecimentos penais participavam das negociações espúrias”.

“A conduta do desembargador é incompatível com a honra, o decoro, a ética que devem nortear a judicatura. As provas não deixam dúvidas e impõem a pena de aposentadoria compulsória por violação aos deveres do magistrado”, afirmou o atual relator, conselheiro Luciano Frota.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O resultado é corporativista e decepcionante. Mostra que a desmoralização da Justiça é um processo irreversível, que só faz aumentar. Aposentadoria precoce é prêmio, e não pode ser encarada como punição. Que país é este, Francelino Pereira? – perguntaria Renato Russo, perplexo. (C.N.)

Com apoio de atrizes, eleitoras ampliam campanha digital contra Bolsonaro

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Sheherazade contesta no Twitter o vice de Bolsonaro

Nelson de Sá
Folha

No rastro da página de Facebook “Mulheres Unidas contra Bolsonaro”, celebridades como Sasha, filha de Xuxa, e um sem-número de atrizes de televisão, entre elas Bruna Marquezine, Claudia Raia, Deborah Secco, Maria Ribeiro e Fernanda Paes Leme, vêm se pronunciando desde domingo com a hashtag #elenao por plataformas de mídia social. Como noticiado por F5 e outros, Sasha, no Insta Stories, que compartilha imagens que somem em 24 horas, divulgou um Guia Anti-Bolsonaro.

E a apresentadora Raquel Sheherazade, do SBT, conservadora como o candidato, reagiu à declaração do vice, general Hamilton Mourão, de que famílias pobres “sem pai e avô, mas com mãe e avó”, são “fábricas de desajustados” que fornecem mão de obra ao narcotráfico. Dela, por Twitter:

“Sou mulher. Crio dois filhos sozinha. Fui criada por minha mãe e minha avó. Não. Não somos criminosas. Somos HEROÍNAS! #elenao.”

NO EXTERIOR – No Washington Post, longa análise, destacando as declarações do próprio Bolsonaro e a resistência do voto feminino a ele nas pesquisas, encerrou dizendo que “as mulheres estão prestes a ser o eleitor-chave” no Brasil. O título no WP: ‘Voto de mulheres pode ser chave para parar candidato de extrema direita’

Em perfil de página inteira, o Financial Times escreve desde Eldorado, cidade paulista onde Bolsonaro cresceu, que “Contradições expõem líder da eleição no Brasil”. Entre as “muitas contradições”, destaca que “Mr. Bolsonaro agora reivindica ser um liberal econômico apesar de ter dito que FHC devia enfrentar pelotão de fuzilamento por privatizar estatais”.

O jornal também questiona “mitos” militares que o próprio Bolsonaro espalhou, a começar da história de que, aos 15, participou do combate à guerrilha na região.

SORBET DE CHAYOTTE’ – Um dia antes do novo Ibope, como relatou o serviço brasileiro da Rádio França Internacional, Alckmin, “sem jogar a tolha e se esforçando para manter discurso otimista, afirmou a correspondentes que Bolsonaro é ‘o passaporte para o retorno do PT’ e tentou colocar os adversários do mesmo lado”.

O jornal Le Monde noticiou a entrevista sob o título “No Brasil, o ‘candidato do establishment’ ultrapassado pela extrema direita” e iniciou o texto lembrando o apelido “sorbet de chayotte”, picolé de chuchu.

SAINDO DA SOMBRA –Também antes da pesquisa, a Rádio França original produziu um longo perfil de Fernando Haddad, “o candidato de Lula, um intelectual que sai da sombra” do líder. Destacou, de professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, Science Po, que ele foi “um dos esteios dos governos do PT”.

E o inglês Guardian o entrevistou sob enunciado que envelheceu em poucas horas: “Haddad quer ser o novo Lula – mas alguém sabe quem ele é?”.

 

Ciro provoca Haddad: ‘Se houver crise grande, ele corre para a Curitiba?’

Ciro acredita que pode se consagrar como opção

Deu em O Globo

Em terceiro lugar na última pesquisa Ibope, Ciro Gomes (PDT) partiu para o ataque contra o PT em sabatina promovida pela rádio “CBN” e pelo portal “G1”, na manhã desta quarta-feira. Definindo-se contrário ao que classifica como o “fascismo” de Jair Bolsonaro (PSL) e o “sectarismo” do PT, Ciro mirou o voto antipetista ao se declarar como “diferente em tudo” de Fernando Haddad e ao dizer que se sentia ofendido ao ser comparado com a ex-presidente Dilma Rousseff.

Ele provocou o petista ao perguntar se Haddad iria pedir a opinião de Lula caso tivesse que enfrentar uma crise: “O Brasil não suporta mais um presidente fraco, sem autoridade, que tem que consultar o seu mentor. Não foi assim com a Dilma? Na antecedência do impeachment, numa crise tremenda, revelou a inexperiência. Na hora que a crise estressou, a Dilma nomeou Lula ministro. E agora, faz-se o que? Dá-se uma crise grande, Haddad vai a Curitiba?”

COMO PREFEITO – Além de criticar a falta de experiência de Haddad, o candidato do PDT voltou a lembrar o resultado das eleições municipais de 2016, em que o petista não conseguiu se reeleger:

– Sou diferente dele (Haddad) em tudo. Tenho história de vida política de êxito. Todas as eleições que disputei em lugar que me conhecem, eu ganhei. Na única eleição que Haddad disputou, para prefeito de São Paulo, ele perdeu a reeleição no primeiro turno para um farsante, como o João Doria – disse Ciro.

Ainda na tentativa de se afastar do PT, o presidenciável disse que pretende fazer reformas no sistema tributário, na Previdência e na segurança pública que o PT deixou de discutir nos 13 anos em que esteve no poder.

NEM A PAU… – Sobre um eventual apoio ao petista no segundo turno, Ciro disse que não é hora para se falar sobre isso. Haddad havia dito, no dia anterior, que apoiaria o candidato do PDT:

– Nem a pau, Juvenal. Ele (Haddad) está se precipitando, como uma demonstração de inexperiência e, ou de arrogância. Já se acha vitorioso, no segundo turno. E sabe que ele é o candidato marcado para perder.

Ao comentar o resultado da pesquisa Ibope, que mostra Bolsonaro com 28% das intenções de voto e Haddad com 19%, Ciro respondeu que a maior parte dos eleitores não quer a “confrontação odienta” “entre o fascismo que o Bolsonaro representa, e o petismo “com esse desgaste”. Estacionado em 11% da preferência dos eleitores, ele fez um apelo a seus simpatizantes para não buscarem o voto útil já: “Não transfira seu voto para instituto de pesquisa. Temos dois turnos, por que pressa? Votamos com tranquilidade no melhor (no primeiro turno) e, se o seu predileto não for para o segundo turno, no menos pior”.

PREÇOS DA PETROBRAS – Ao discorrer sobre a política de preços da Petrobras, Ciro reagiu ao comentário de um jornalista que dizia que a mesma fórmula tinha sido usada no governo Dilma:

– Não me compare com a Dilma porque isso me ofende. Por que? Porque a Dilma não tinha simplesmente rumo. É uma pessoa honrada, de bem, lutei contra o impeachment…

Ao final da sabatina, Ciro disse que preferia não responder “sim” ou “não” a perguntas sobre adoção de crianças por homessexuais e legalização do aborto em qualquer situação.

 

 

Atenção! Segundo o Ibope, um terço dos eleitores ainda pode trocar o voto

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Marco Grillo
O Globo

A pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira identificou que aproximadamente um terço do eleitorado brasileiro está propenso a dar um voto útil, com o objetivo de impedir a vitória de outro candidato. Segundo o instituto, 32% dos eleitores classificam como “muito alta” ou “alta” a probabilidade de escolher um nome que não seja o seu preferido para evitar que outro candidato vença a disputa.

O Ibope fez a seguinte pergunta aos entrevistados: “Votaria em um candidato que não seja de suA preferência para evitar que outro que você não goste vença?”. Ao todo, 14% classificaram a possibilidade como “muito alta”, enquanto 18% disseram que a chance é “alta”. Dos entrevistados, 18% disseram que a possibilidade é média, 20% classificaram como “baixa”, 23% afirmaram ser “muito baixa” e 6% não souberam opinar ou não responderam.

HADDAD EM ALTA – O levantamento registrou o crescimento de onze pontos percentuais, em uma semana, do candidato do PT, Fernando Haddad – saiu de 8% para 19%. Jair Bolsonaro (PSL) permanece na frente, com 28%, uma oscilação positiva de dois pontos percentuais, dentro da margem de erro, na comparação com a sondagem anterior. São os dois únicos candidatos que têm trajetória ascendente desde o início da série de pesquisas, em 20 de agosto: Bolsonaro tinha 20% na ocasião, enquanto Haddad marcava 4%.

A polarização entre Bolsonaro e o PT também pode ser verificada nos índices de rejeição: 42% dos eleitores dizem que não votariam “de jeito nenhum” no candidato do PSL, uma oscilação positiva de um ponto na comparação com o levantamento anterior; já a rejeição de Haddad subiu seis pontos no período, passando de 23% para 29%.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, o Ibope diz que a eleição do primeiro turno está longe de se decidir. (C.N.)

Toffoli não vai pautar descriminalização de aborto nem porte da maconha

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Toffoli quer evitar temas polêmicos no Supremo

José Carlos Werneck

Além da prisão de Lula, da Lava-Jato e das relações com o Executivo e Legislativo, na entrevista concedida à imprensa nesta segunda-feira o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, abordou outros temas polêmicos, pendentes de decisão do STF e que não serão incluídos na pauta de julgamentos deste ano.

Dentre estes assuntos estão a descriminalização do aborto e do porte de maconha. Ele lembrou que nenhum desses temas está concluso para julgamento. A ação que objetiva ampliar as hipóteses legais de aborto, a pedido do PSOL, ainda não tem o voto pronto da ministra Rosa Weber, que, na função de relatora, formula o primeiro voto.

TUDO SOZINHO – Para Dias Toffoli, não adianta o Supremo querer resolver tudo sozinho. “Neste ano este tema não vem à pauta. Esse tema ainda não foi liberado para a pauta. Eu penso que nesse caso [aborto] a gente precisa dialogar com o Congresso, assim como no caso das drogas. Temos de dialogar esse tema com o Ministério da Segurança Pública”.

Iniciado em 2015, com três votos favoráveis à descriminalização, o julgamento sobre o porte de maconha também não foi liberado pelo ministro Alexandre de Moraes. Na época, o ministro Teori Zavascki, que faleceu em 2017, pediu vista, e seu sucessor, Moraes, ainda não concluiu seu entendimento, para que o julgamento seja retomado.

POLÍTICAS DE APOIO – Toffoli explicou que a decisão em favor da descriminalização das drogas ou do aborto necessitaria de políticas públicas para regulamentação da prática desses atos, tarefa que cabe ao Congresso Nacional, com aprovação de legislação atinente aos temas.

“Vamos descriminalizar as drogas. E aí qual vai ser a política que vai ficar no local? Vamos escriminalizar o aborto, mas nós vamos ter um sistema de apoio às mulheres?”, declarou. Ele citou como exemplo países que descriminalizaram o aborto, mas ao mesmo tempo, adotaram políticas de apoio psicológico e econômico e orientação religiosa às mulheres.

Candidatos ao Planalto tentam esconder a dramática situação fiscal do país

Resultado de imagem para divida publica chargesRosana Hessel
Correio Braziliense

O desequilíbrio das contas públicas, que compromete a capacidade do governo de investir e desencoraja projetos do setor privado, é um dos principais problemas que terá de ser enfrentado pelo próximo governo para recuperar a saúde da economia. No entanto, nenhum dos programas apresentados pelos candidatos à Presidência da República detalha as medidas que devem ser tomadas para alcançar o ajuste fiscal, considerado inevitável pela grande maioria dos economistas. De acordo com analistas, o que mais há nas propostas dos candidatos são contas que não fecham. Além disso, o quadro é tão ruim que será impossível zerar o deficit primário da União em um ou dois anos, como alguns deles prometem — mesmo com aumento de tributos.

“Não tem aumento de imposto que dê conta do ajuste fiscal necessário para equilibrar as contas públicas”, afirmou Marcos Lisboa, presidente do Insper, que classifica os programas econômicos dos postulantes ao Planalto de “inconsistentes e contraditórios”.

PARA A PLATÉIA – “A maioria não toca, de fato, no problema fiscal. Os candidatos jogam para a plateia, apresentando medidas de pequeno impacto, como o imposto sobre grandes fortunas, e ignoram o tamanho do problema. Ele é grave e, se não for enfrentado, a crise vai voltar”, disse Lisboa. Para o economista, serão necessários amplos cortes de gastos e reformas, como a da Previdência, para que a economia recupere a capacidade de crescer.

Bráulio Borges, economista da LCA Consultores, também acredita que o próximo governo terá dificuldades para zerar o deficit primário em até dois anos, ainda que a carga tributária seja elevada. “A maioria dos programas está muito enxuta, apenas com diretrizes gerais. Os candidatos não detalham como pretendem fazer o ajuste fiscal para não virarem vitrine antes do primeiro turno. Não mostram que vão aumentar impostos, mas isso será inevitável”, frisou.

ESTELIONATO – Para o economista Samuel Pessoa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), quem diz que não vai aumentar impostos está mentindo, e quem ignora o problema fiscal cometerá estelionato eleitoral em caso de vitória.

“Cortar benefícios tributários, como alguns admitem, equivale a aumentar tributos. Mas, é muito difícil para os candidatos detalharem suas propostas, porque ajuste fiscal machuca. É preciso ter corte de gasto e aumento de tributação. Não tem saída”, sentenciou.

Os especialistas observam que, nos programas dos partidos de direita, de centro e de centro-esquerda, há consenso sobre a necessidade do ajuste, que passa inevitavelmente pelas despesas obrigatórias, como Previdência e folha de pagamento, as que mais pesam no orçamento. Porém, faltam detalhes sobre como fazer o ajuste. As legendas da esquerda, por sua vez, ignoram o problema fiscal e adotam o discurso de que o governo precisa gastar mais, descartando a necessidade de reformas.

RISCO ECONÔMICO – Isso vem gerando preocupação no mercado. Os investidores têm reagido positivamente à liderança de Jair Bolsonaro (PSL) nas pesquisas, apesar das ideias polêmicas do candidato, porque consideram que Fernando Haddad (PT), que vem subindo nas sondagens, representa um risco para a economia. Haddad defende um programa estatizante e intervencionista, e indica que pretende interferir na autonomia do Banco Central, entre outras medidas.

A gravidade do desequilíbrio das contas públicas pode ser constatado nos dados do balanço da União de 2017 levantados pela Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado Federal. O patrimônio público federal está negativo em R$ 2,4 bilhões uma vez que os ativos, de R$ 4,9 bilhões, não são suficientes para cobrir o passivo, de R$ 7,3 bilhões. Em qualquer lugar do planeta, uma empresa que apresentasse números como esse estaria em situação de falência. A União registra deficit primário desde 2014 e, pelas estimativas da IFI, deve continuar no vermelho, pelo menos, até 2022.

DÍVIDA PÚBLICA – Não à toa, a dívida pública bruta chegou a 77% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho, conforme dados do Banco Central. Pela metodologia usada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), porém, a proporção é de 85,5% — contra 48% da média dos países emergentes.  “Se a dívida chegar a 90% ou 100% do PIB, o país vai entrar em uma crise muito severa e a inflação vai voltar, porque o governo terá de emitir moeda para cobrir os papéis que forem vencendo”, afirmou Marcos Lisboa, do Insper.

Pelas contas de Samuel Pessoa, da FGV, apenas para zerar o deficit primário da União e estabilizar a dívida será necessário um ajuste de 4% do PIB, ou seja, algo em torno de R$ 300 bilhões, montante superior ao rombo da previdência dos setores público e privado em 2017, que atingiu R$ 268 bilhões. Para ele, o ajuste teria de passar por congelamento de salários, um nova regra do salário mínimo e pela redução de desonerações tributárias.

PODE SER PIOR – Os cálculos de Carlos Pedroso, economista sênior do Banco MUFG Brasil, são mais preocupantes.  “Para termos estabilidade da dívida pública, é preciso produzir um superavit primário de 6%, e, portanto, uma diferença de 8% a 9% do PIB é o tamanho do ajuste que precisa ser feito”, disse.

O diretor executivo da IFI, Felipe Salto, alertou para os riscos de um aumento de impostos. Como o país que já tem uma carga tributária elevada, isso pode prejudicar a retomada econômica. “O Banco Mundial publicou um estudo mostrando que aumento de tributos em países que já têm uma carga elevada é mais prejudicial ao crescimento, a curto prazo, do que cortes de gastos”, afirmou.

Nesta quinta, não perca o almoço no Rio com Fallavena e Antonio Rocha

Começa às 12 horas e vai até as 15 horas, quando o restaurante fecha. Nesta quinta-feira, dia 20, vamos homenagear dois articulistas e comentaristas que honram a Tribuna da Internet – Antonio Carlos Fallavena, que veio de Porto Alegre, e Antonio Rocha, que está completando 66 anos.

O restaurante que atura a nossa bagunça é o Portus, na estação do bondinho de Santa Teresa, ao lado da sede da Petrobras.

Militares que assessoram Bolsonaro repreendem Mourão pelas declarações

Resultado de imagem para general mourao chargesVinicius Sassine
O Globo

O general da reserva Antônio Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice de Jair Bolsonaro (PSL), foi repreendido nesta terça-feira por militares de seu entorno em razão de declarações dadas nos últimos dias. O entendimento de generais que participam da campanha é de que as falas de Mourão prejudicam a candidatura.

Bolsonaro está internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, depois de sofrer um atentado em Juiz Fora (MG) no último dia 6. O presidenciável está fora da campanha nas ruas e deixou de participar até mesmo da mobilização nas redes sociais, em razão do grave estado de saúde. Neste contexto, Mourão ganhou mais protagonismo e deu declarações que acenderam o sinal amarelo em grupos de suporte à candidatura.

MULAMBADA – Em uma palestra ontem em São Paulo, para integrantes do Secovi-SP, sindicato do mercado imobiliário, Mourão usou o termo “mulambada” para se referir a parceiros do Brasil na política externa com países do Hemisfério Sul, empreendida nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o vice de Bolsonaro, “nós nos ligamos com toda a mulambada, me perdoem o termo, do lado de lá e de cá do oceano na diplomacia Sul-Sul”.

No mesmo discurso, Mourão disse que famílias em que mães e avós criam os filhos, em áreas carentes, acabam virando “fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narco-quadrilhas”. As declarações provocaram uma forte reação contra o vice de Bolsonaro, inclusive em seu próprio entorno.

LIGAÇÕES – Logo após as declarações e a imediata repercussão negativa das falas, Mourão recebeu ligações de generais que integram grupos de suporte à campanha de Bolsonaro. Ouviu que a fala com referência à “mulambada” foi “totalmente desnecessária”. O vice reclamou que “hoje não se pode dizer mais nada”.

– As declarações não agregam valor a uma campanha. São brincadeiras que não fazem bem. Se seguir assim, vai prejudicar toda essa gente envolvida na campanha – disse um militar aliado de Mourão, muito próximo a ele.

O entendimento desses generais aliados é que só uma “catástrofe” tira Bolsonaro do segundo turno. Mas, na visão deles, é preciso ter “equilíbrio” nesses menos de 20 dias de campanha até o primeiro turno, em 7 de outubro. “Será que vamos perder para nós mesmos?” – afirmou um aliado do general.

MÃES E AVÓS – A frase sobre “mães e avós” acabarem proporcionando “fábrica de elementos desajustados” precisa ser mais bem analisada, na visão dos aliados de Mourão, mas também é alvo de críticas, pois deveria ter sido melhor pensada, segundo seus aliados na campanha.

– Ele falou bobagem. Se ele tem um diagnóstico sobre isso (sobre como a ausência paterna pode influenciar na formação e no destino do filho), tem de apresentar também uma solução para isso – disse o mesmo aliado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro não pode falar demais, o que é ótimo para a campanha dele. Quanto menos falar, melhor. Já o general Mourão precisa usar uma mordaça. É a única maneira de evitar que fale bobagens. (C.N.)

Campanha petista muda versão e diz não ter pago os advogados de Lula

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Afinal, quem paga e quanto paga a Cristiano Zanin?

Josette Goulart
Folha

Após informar ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) gastos de R$ 1,5 milhão para o escritório que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a campanha petista mudou a versão e disse que pretende retificar a informação à Justiça Eleitoral. Segundo a campanha “Lula Presidente” — que depois foi substituída pela de Fernando Haddad —, não houve gastos eleitorais relativos a serviços do escritório Teixeira, Martins, como informado anteriormente.

O escritório comandado por Cristiano Zanin defende o ex-presidente Lula na esfera criminal, inclusive no âmbito da Comissão de Direitos Humanos da ONU, que, em decisão provisória, pediu que o ex-presidente fosse autorizado a concorrer na eleição —a decisão não foi acatada pela Justiça brasileira.

CONSULTORIA – A primeira informação prestada pela assessoria da campanha Lula à Folha dava conta de que os serviços advocatícios haviam sido prestados como consultoria para o registro da chapa de Lula e Haddad no TSE.

Nesta terça (19), após contestação feita pelo escritório, que afirmou não ter recebido recursos da campanha, a versão petista mudou. De acordo com nota da campanha, o lançamento do gasto junto ao TSE foi feito de forma equivocada e era referente a “uma proposta de contrato que não chegou a ser assinado nem gerou qualquer pagamento”.

Segundo a resolução do TSE 23.553/2017, serviços de consultoria jurídica prestados durante as campanhas eleitorais devem ser pagos com recursos da conta de campanha. Já os honorários advocatícios relacionados à defesa de candidato ou de partido político em processo judicial não caracterizam gastos eleitorais.

FECHAMENTO – As contas de campanha de Lula estão em fase de encerramento, segundo a assessoria. O partido tem direito a R$ 212 milhões do novo fundo eleitoral criado especialmente para o pleito, e destinou à campanha presidencial R$ 20 milhões destes recursos.

As campanhas presidenciais neste ano estão bem mais baratas do que as anteriores. Em 2014, a campanha da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) informou ter gasto no total R$ 318 milhões. Neste ano, o teto para candidaturas presidenciais é de R$ 70 milhões.

Amigo de Lula divulgou no Twitter a pesquisa Ibope com antecedência

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Almeida, amigo de Lula, tem informações privilegiadas

José Carlos Werneck

Vocês viram isso? Dizem que essas pesquisas do Ibope para o Jornal Nacional são cercadas de sigilo absoluto, para evitar vazamentos. Mesmo assim, o cientista político Alberto Carlos Almeida, intimamente ligado a Lula, sabia o resultado com bastante antecedência, a ponto de divulgá-lo no Twitter muito antes do que a própria TV Globo.

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EX-CONSELHEIRO DE LULA DIVULGOU RESULTADO DE PESQUISA IBOPE COM 1 HORA DE ANTECEDÊNCIA
Marcelo Faria
/ Site Ilisp

O cientista político Alberto Carlos Almeida, que em 2016 aconselhou Lula a assumir um ministério para evitar ser preso, divulgou com mais de uma hora de antecedência em seu Twitter o resultado da pesquisa Ibope desta terça-feira (18).

Postada às 19:37, a mensagem informava: “Parece que o Ibope vem assim – B28, H19, C11, G7, M6”. Divulgado oficialmente pela Rede Globo às 20:57 – uma hora e 20 minutos depois do tweet – o resultado da pesquisa Ibope foi exatamente o mesmo do divulgado por Alberto: Bolsonaro com 28%, Haddad com 19%, Ciro com 11%, Geraldo Alckmin com 7% e Marina Silva com 6%.

CONSELHEIRO ANTI-PRISÃO – Numa ligação de cinco minutos e quinze segundos no dia 08 de março de 2016, Alberto Carlos Almeida defende que Lula assuma um ministério para fugir da cadeia. “Eles já te condenaram. Não tem defesa jurídica que salve. É uma decisão individual do cara de Curitiba (Sérgio Moro)… Quando toma a decisão, acabou. É uma guerra política. O cara lá, o juiz, é um tucano. Formação, Opus Dei… Está na mão dele, da cabeça dele. Vai que ele é maluco o suficiente para tomar uma decisão nessa direção. (…) Você tem uma coisa na sua mão hoje. É ministério. Usa, caralho. Vai ter porrada? Vão criticar? E daí? Ai você resolve um outro problema. Que é o da governabilidade. Você e Dilma dependem um do outro, cacete”. 

Voto feminino, que deve decidir a eleição, ainda tem maioria de indecisas

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Alessandra Azevedo e Marília Sena
Correio Braziliense

Mais da metade do eleitorado brasileiro, as mulheres têm nas mãos a capacidade de mudar os rumos das eleições de 2018 e, cada vez mais, assumem essa posição de destaque. Em um cenário em que 52,2% dos votos partem delas, a rejeição ou a união feminina em direção a uma candidatura pode fazer muita diferença nos resultados do pleito, avaliam especialistas consultadas pelo Correio. A opinião dos 77,3 milhões de mulheres aptas a votar terá um papel fundamental no desenrolar de uma situação totalmente indefinida nas urnas brasileiras.

Essa mobilização leva a outro fato inédito: nunca houve tanta diferença entre votos femininos e masculinos em um candidato. Pelos dados mais recentes do Datafolha, divulgados ontem, a intenção de votos do líder dos levantamentos, Jair Bolsonaro (PSL), chegou a 26%. No universo feminino, ele chega a 18% dos votos. Entre os homens, o percentual é de 35%.

AVERSÃO – “Ele (Bolsonaro) faz declarações preconceituosas em relação a mulheres, não em relação aos homens. Ofende esse eleitorado, que, portanto, não gosta tanto dele”, resume a cientista política Lara Mesquita, pesquisadora do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getulio Vargas (Cepesp/FGV).

Maria Aparecida, 45 anos, que trabalha com serviços gerais no Distrito Federal, é um exemplo disso. Para ela, “um candidato com ideias extremistas e respostas simples é inviável”, porque não se propõe a resolver os problemas na base. Mãe de três filhas, Maria contou que gosta de acompanhar a propaganda eleitoral para discutir a escolha com a família, mas ainda está indecisa quanto ao voto.

 “O que a gente observa é que essas mulheres são contra a ideia de resolver os problemas na força, por meio da violência ou do armamento”, afirmou a cientista política Flávia Millena Biroli Tokarski, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (Ipol-UnB).

ANTIBOLSONARO – Além do crescimento do debate público em torno de pautas feministas nos últimos anos, que fez com que grupos de mulheres se unissem contra uma candidatura de extrema direita, outros fatores levam à mobilização contra Bolsonaro.

A percepção das especialistas é de que o movimento não é apenas de feministas, esquerdistas ou com o objetivo de eleger mulheres — tanto que não se nota um número grande do voto feminino em Marina Silva (Rede), uma das duas candidatas na corrida eleitoral (a outra é Vera Lúcia, do PSTU).

Na verdade, entre a pesquisa Datafolha de 22 de agosto e a divulgada ontem, nos votos estimulados, a preferência da ex-ministra do Meio Ambiente caiu de 19% para 9% entre elas.

VOTO ÚTIL – Segundo a cientista política Hannah Maruci Aflalo, da Universidade de São Paulo (USP), a explicação para que grupos organizados femininos não escolham alguém do próprio sexo seria o voto útil.

A estudante Alyssa Volpini, 27 anos, apesar de defender mais votos femininos, considera o cenário para a Presidência inviável e mais delicado. “No caso do presidente, acho que o fundamental é analisar as alianças que o candidato ou candidata tem, por mais que eu ache muito importante a representatividade. Para os outros cargos, faço questão de votar em mulheres”, explicou. Ela não votará em Marina, apesar de ser mulher, por considerar o plano de governo menos atraente que os de outros candidatos.

Por isso, os votos dessas mulheres se dividem entre vários candidatos. O que, inclusive, explica por que Alckmin (10% x 9%) e João Amoêdo (4% x 3%) têm mais voto femininos, de acordo com a pesquisa Datafolha. Como não há nenhuma mulher declaradamente direitista no pleito e as políticas econômicas de Alckmin e Amoêdo atraem mais o público de centro, eles são a opção de muitas delas.

A Canção do Bêbado, na visão lúgubre do poeta Cruz e Sousa

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Cruz e Souza em Desterro (Florianópolis) em 1882

Paulo Peres
Site Poemas & Canções


O poeta João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis, tornou-se conhecido como o “Cisne Negro” de nosso Simbolismo, seu “arcanjo rebelde”, seu “esteta sofredor”, seu “divino mestre”. Procurou na arte a transfiguração da dor de viver e de enfrentar os duros problemas decorrentes da discriminação racial e social. No poema “Canção do Bêbado”, Cruz e Souza relata a degradação de um homem em decorrência do alcoolismo, do pessimismo, da tragédia afetiva, da opção pela vida fantasiosa, da depressão associada a bebida e da dúvida que, consequentemente, o levará à morte.

CANÇÃO DO BÊBADO
Cruz e Sousa

Na lama e na noite triste
aquele bêbado vil
Tu’alma velha onde existe?
Quem se recorda de ti?

Por onde andam teus gemidos,
os teus noctâmbulos ais?
Entre os bêbados perdidos
quem sabe do teu – jamais?

Por que é que ficas à lua
Contemplativo, a vagar?
Onde a tua noiva nua
foi tão cedo depressa enterrar?

Que flores de graça doente
tua fronte vem florir
que ficas amargamente
bêbado, bêbado a vir?

Que vês tu nessas jornadas?
Onde está o teu jardim
e o teu palácio de fadas
meu sonâmbulo arlequim?

De onde trazes essa bruma
toda essa névoa glacial
de flor de lânguida espuma
regada de óleo mortal

Que soluço extravagante
que negro, soturno fel
põe no teu doudejante
a confusão da Babel?

Ah! das lágrimas insanas
que ao vinho misturas bem
que de visões sobre-humanas
tua alma e teus olhos têm!

Boca abismada de vinho
Olhos de pranto a correr
bendito seja o carinho
que já te faça morrer!

Sim! Bendita a cova estreita
mais larga que o mundo vão
que possa conter direta
a noite do teu caixão!         

Toffoli esquece Segunda Turma e diz que STF sempre deu suporte à Lava Jato

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Toffoli não lembra que era da Segunda Turma

José Carlos Werneck

Em longa entrevista concedida nesta segunda-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, colocou uma “pá de cal” no sonho dos opositores da Operação Lava Jato e também sepultou de vez as intrigas e os boatos de seus opositores, que acham que ele é contrário às investigações provenientes de Curitiba.

Toffoli foi taxativo ao falar que o STF “sempre deu suporte” para a Operação Lava Jato: “Vamos parar com essa lenda urbana, com esse folclore. O STF nunca deu uma decisão que parasse a Lava Jato ou as investigações”.

COMPETÊNCIA – No entender do ministro o que o Supremo fez “muitas vezes” foi, “dentro de parâmetros constitucionais, legais e processuais”, mudar a competência de um juiz para o outro nos casos de primeira instância.

Ele explicou que essas situações envolveram o ex-presidente Lula e o ex-ministro Guido Mantega, cujos processos migraram da alçada do juiz Sérgio Moro, em Curitiba, para a Justiça Federal  do Distrito Federal e de São Paulo, respectivamente

“O Brasil não tem um único juiz ou dois únicos juízos. As decisões sempre foram pautadas e tomadas no sentido de permitir as investigações. E quando as investigações se mostram abusivas elas devem ser tolhidas pelo Judiciário, que é o garante dos direitos de garantias individuais e fundamentais”, declarou Dias Toffoli.

SEM POLÊMICAS – O presidente do STF disse que adotará a mesma linha de conduta, de não pautar matérias polêmicas neste ano, no Conselho Nacional de Justiça, onde encontram-se em tramitação ações consideradas delicadas, como as que questionam as atuações do juiz Sérgio Moro e do desembargador Rogério Favreto, que mandou libertar o ex-presidente Lula durante um plantão judicial.

“Não é o caso de pautar esses casos este ano. Até porque houve mudança do corregedor agora há pouco tempo, o corregedor precisa tomar pé desses casos, alguns deles estão em instrução ainda”.

O ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça, foi quem assumiu a corregedoria do CNJ no final de agosto.

OUTROS PODERES – Toffoli disse também que pretende montar uma agenda comum com os outros dois Poderes, Independentemente de quais forem os eleitos este ano.

“Eu sempre sigo a máxima do Nelson Jobim. Ele sempre disse e repete. Interlocutor não se escolhe. Seja quem for o futuro presidente da República, o futuro Congresso Nacional e seu presidente, a futura Câmara dos Deputados e seu presidente, os poderes têm de ter o dever, o dever constitucional da harmonia, e procurar uma pauta conjunta. Isso eu procurarei fazer sejam quais forem os futuros presidentes dos demais poderes”.

TETO SALARIAL – Dentre os temas que devem figurar nesta agenda comum, ele citou a discussão da reestruturação do teto constitucional referente aos salários do funcionalismo público.

“Em relação ao teto é uma discussão entre os poderes. Em relação ao novo sistema de remuneração para magistratura em relação aos juízes que passarem a ingressar no sistema judiciário, o que vai implicar também outras funções essenciais na Justiça, especialmente o Ministério Público, isso é uma discussão que nós temos de fazer internamente com as carreiras”, disse Toffoli.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
De memória curta, Toffoli esqueceu as peripécias da Segunda Turma, que vem fazendo o possível e o impossível para enfraquecer a Lava Jato, libertando criminosos da pesada como José Dirceu, Jacob Barata, Sérgio Cortês e outros protegidos do trio Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes. Esta realidade o ministro dos R$ 100 mil mensais esqueceu rapidinho. (C.N.)

Petistas calculam que Haddad terá até 80% dos votos que iriam para Lula

João Domingos
Estadão

Há um bom tempo, antes mesmo de Lula ser preso, o PT chegou à conclusão de que o adversário mais vulnerável no segundo turno seria o deputado Jair Bolsonaro (PSL). Portanto, todas as ações do partido deveriam ser feitas de forma a desconstruir candidatos como Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede), até que sobrassem apenas o PT e o candidato do PSL.

Só para se ter uma ideia de como os petistas trabalharam para que esse cenário ocorresse, reproduz-se a orientação de um estrategista da campanha do PT à militância do partido, feita há cerca de dois meses: “O ex-capitão Jair Bolsonaro é o candidato mais execrável, mas não o nosso inimigo principal. Há uma operação em curso para criar uma onda de ‘unidade nacional’ contra o neofascista, tentando viabilizar a recuperação de uma candidatura da centro-direita, do partido golpista. Nosso inimigo principal chama-se Geraldo Alckmin. O neofascista Jair Bolsonaro é o candidato que preferimos enfrentar em eventual segundo turno, até porque deixa as elites do Brasil sem máscara nem maquiagem.”

ALCKMIN COMPETITIVO – Àquela altura, havia na direção do PT a certeza de que Geraldo Alckmin conseguiria unir os partidos de centro em torno de sua candidatura, o que poderia torná-lo muito competitivo, a ponto de ultrapassar Bolsonaro. E um segundo turno entre o candidato petista e o tucano levaria, inevitavelmente, à vitória de Alckmin, que receberia os votos dos eleitores do capitão reformado e dos eleitores de centro que rejeitam o PT. Então, o melhor caminho seria derrubar Alckmin ainda no primeiro turno. Depois, esperar a chegada do capitão reformado.

Do lado de Jair Bolsonaro, a estratégia traçada foi a mesma. Não interessava a ele enfrentar Alckmin, Ciro ou Marina, porque quem sobrasse poderia receber os votos dos eleitores do PT no segundo turno. Nessas condições desfavoráveis, o favorito de Bolsonaro passou a ser o PT. Com a torcida para que os eleitores de Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles (MDB), João Amoêdo (Novo) e Alvaro Dias (Podemos), que rejeitam o PT, votassem nele.

ELEIÇÃO CONFUSA – É possível que o confronto Bolsonaro x Fernando Haddad venha a ocorrer, embora não se possa assegurar que ocorrerá, porque nessa confusa eleição é impossível fazer qualquer tipo de previsão. Trata-se apenas de uma possibilidade. Ciro Gomes, Alckmin e Marina mostram-se competitivos e têm condições de crescer. Os petistas, no entanto, acreditam que terão chances até de ultrapassar Bolsonaro agora que Haddad iniciou a campanha.

Pesquisas internas do PT apontam para a possibilidade de o candidato receber até 80% dos votos que iriam para Lula. Nesse clima de confiança, eles acham que vão contar até com a ajuda do PSDB que, por questões ideológicas, não estaria disposto a ver Bolsonaro chegar ao poder.

REJEIÇÃO -É preciso observar, porém, que mesmo que a cúpula do PSDB faça um acordo institucional com o PT, não há nenhuma garantia de que o eleitor tucano vá votar em Haddad. A rejeição entre tucanos e petistas é muito grande. E a antipatia mútua só tem se agravado. A divisão que se verificou na campanha de 2014 continua a mesma, senão pior. Também não há garantia de que o voto do eleitor do PSDB venha a ser direcionado para Bolsonaro.

No Brasil alguns partidos, como o PT e o PSL, podem até ter algum viés ideológico. Mas o grosso do eleitor não tem. À exceção de um porcentual pequeno, o eleitor vota em que lhe transmite a mensagem mais compreensível, que se aproxima de suas necessidades, ou, por exclusão, naquele que pode ser o oposto do que detesta e rejeita. Esse é o drama tanto de Haddad quanto de Bolsonaro, caso venham a duelar no segundo turno.

O perigo é que Bolsonaro, Mourão e a direita acreditam no que dizem

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Parecem não entender o que é “democracia”

José Casado
O Globo

“Eu sou baixo clero, e sou de direita”, repetiu na Câmara nos últimos 27 anos. Encarnou um personagem que, sem farda, exala a rusticidade da caserna. Se tornou um missionário da ruptura com a democracia, em negação permanente da catástrofe dos 21 anos de ditadura militar.

Foi ignorado até 2015 quando se anunciou candidato de uma nova tribo à direita: a sociedade anônima dos que têm medo do PT com os ressentidos da liquefação política. Líder nas intenções de voto — e na rejeição eleitoral, sobretudo entre as mulheres —, Jair Bolsonaro, 63 anos, ventaneja há décadas a “refundação” do Brasil por uma nova direita, essencialmente antiliberal.

PERÍODO DE EXCEÇÃO – O projeto prevê intervenção militar, “para manutenção da lei e da ordem, conforme o artigo 142 da Constituição”, repetiu pelo país. Ele não conspira, fala em público, e não renega a tosca antipolítica: “Um curto período de exceção, que incluiria o fechamento temporário do Congresso e a suspensão das prerrogativas do Legislativo”, disse no Sul.

A última ditadura durou 21 anos. No epílogo da anarquia fardada, ele figurou com um plano para explodir bombas em quartéis no Rio.

Da tribuna da Câmara ecoou seu fascínio pelo autoritarismo: “Sou a favor, sim, de uma ditadura, de um regime de exceção”. Desenhou-o como saída aos problemas nacionais.

MAIS IDEIAS – “O que o gaúcho quer? Que dos impostos que paga, parte não continue sendo desviada para a indústria da seca no Nordeste.” E ainda: “Quando é que vamos conseguir aprovar uma emenda que diminua a bancada de Roraima? Não acredito nisto.”

Nesse roteiro, primeiro, se decreta a “falência” do Legislativo. “Quem decide?” — perguntou dias atrás o repórter Merval Pereira a Hamilton Mourão, parceiro de chapa de Bolsonaro. O general candidato a vice do capitão retrucou: “O próprio presidente. Ele pode decidir empregar as Forças Armadas. Aí, você pode dizer: ‘Mas isso é um autogolpe’”.

Bolsonaro, Mourão e a nova tribo à direita acreditam no que dizem — e, talvez, esse seja o problema.

Alckmin tenta impedir debandada do Centrão, mas não poderá evitar

Alckmin

Alckmin já era, mas esqueceram de avisá-lo

Vera Rosa e Pedro Venceslau
Estadão

A campanha do ex-governador Geraldo Alckmin, presidenciável do PSDB nas eleições 2018, tenta evitar uma debandada de aliados e quer reforçar a visibilidade do tucano em São Paulo nas três semanas que restam antes do primeiro turno. Ainda sem contar com o engajamento dos partidos do Centrão, Alckmin pretende investir no próprio quintal para evitar o triunfo do voto casado no candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e no nome tucano para o Palácio dos Bandeirantes, João Doria. A ideia é impedir a consolidação do chamado voto “bolsodoria” no maior colégio eleitoral do País.

Apesar de ter o maior tempo no horário eleitoral no rádio e na TV, Alckmin continua estagnado nas pesquisas. Oficialmente, integrantes do bloco formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade pedem mudanças no tom da campanha, mas, nos bastidores, já procuram candidatos que consideram mais viáveis para o segundo turno.

EMERGÊNCIA – Os líderes do Centrão foram convocados pelo prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), coordenador político da campanha, para uma reunião de emergência hoje na capital paulista. Porém, já há sinais de abandono na aliança tucana. O coordenador da campanha de Bolsonaro em São Paulo, deputado Major Olímpio (PSL-SP), disse nesta segunda-feira, 17, que líderes do Centrão estão se aproximando do presidenciável do PSL.

No Solidariedade, partido ligado à Força Sindical, a preferência é pelo candidato do PDT, Ciro Gomes. Já o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), que concorre à reeleição, não esconde o apoio ao PT. Sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no páreo por causa da Lei da Ficha Limpa, o senador pretende se juntar à campanha do petista Fernando Haddad. Alega, para tanto, questões regionais.

CRISTIANIZADO – Um dos integrantes do bloco disse ao Estado que, na prática, não há como desfazer a coligação com Alckmin. Mas observou que, mesmo nas fileiras do PSDB, o tucano está sendo “cristianizado”, termo usado na política para se referir a candidato abandonado por seus pares.

Embora considere “dificílima” a hipótese de o tucano deslanchar, a maior parte do Centrão acha que é preciso concentrar o ataque em Bolsonaro e pregar o voto útil com mais vigor, deixando a artilharia pesada contra Haddad para o final. Há, no entanto, quem defenda críticas já ao petista.

Na avaliação de integrantes do bloco ouvidos pelo Estado, além de desconstruir Bolsonaro, o ex-governador de São Paulo precisa destacar os riscos da volta do PT ao poder e se descolar do presidente Michel Temer, bastante impopular.

DORIA E FRANÇA – Em outra frente, a campanha vai tentar promover uma aproximação entre o governador Márcio França (PSB), candidato à reeleição, e Doria. “Esse litígio entre o Doria e o França nos prejudica muito. Um dos nossos esforços será para reduzir as agressões entre eles e para que a campanha do Geraldo esteja mais presente em São Paulo”, disse o ex-secretário de Energia de São Paulo João Carlos Meirelles, conselheiro próximo de Alckmin.

Até o momento, as campanhas de França e Doria têm ignorado Alckmin na propaganda de rádio e TV. O ex-prefeito tem feito agendas pontuais com o ex-governador, mas sua campanha adotou um discurso com forte enfoque na segurança pública para atrair o eleitorado de Bolsonaro. Doria também tem poupado Bolsonaro em entrevistas e sabatinas.

LEIS MAIS DURAS – No comercial exibido nesta segunda-feira, o ex-prefeito defendeu a redução da maioridade penal e “leis mais duras”, além de blindar veículos da Polícia Militar. Na mais recente pesquisa Ibope sobre o cenário em São Paulo, Bolsonaro e Alckmin aparecem, em empate técnico na primeira colocação, com 23% e 18%, respectivamente, no limite da margem de erro.

No campo da estratégia, a avaliação da campanha de Alckmin é de que uma vaga no segundo turno será de Haddad e que é inevitável manter o foco em Bolsonaro. “A nossa percepção é que Haddad vai para o segundo turno. Já o voto em Bolsonaro não está cristalizado. É na última semana que isso ocorre”, disse Meirelles.

APOIO AO PT – Em Pernambuco, o PSDB compõe a aliança do senador e candidato ao governo Armando Monteiro (PTB), principal chapa de oposição ao governador Paulo Câmara (PSB), mas o petebista declarou voto em Lula, quando o ex-presidente, preso e condenado na Lava Jato, ainda figurava como presidenciável do PT. Monteiro reúne em sua chapa os deputados Bruno Araújo (PSDB) e Mendonça Filho (DEM), ambos de partidos que compõem o Centrão.

O coordenador da campanha presidencial de Geraldo Alckmin no Estado, Joaquim Neto, reconhece que falta apoio dos candidatos coligados ao partido para fazer campanha para o presidenciável tucano em nível regional. Ele atribui o movimento para “esconder Alckmin” à força do lulismo no Estado. “Por causa de Lula, o PT tem 60% das intenções de voto, o cara não quer atrelar o nome dele a nossa campanha. É uma luta desigual, mas no segundo turno todo mundo vai querer nos apoiar”, disse.

RACHA NO PP – No Rio Grande do Sul, a candidatura do presidenciável tucano enfrenta um racha no PP, partido da senadora Ana Amélia, que integra a chapa como candidata a vice-presidente. O candidato ao Senado pela sigla, deputado federal Luis Carlos Heinze, anunciou que irá apoiar o presidenciável Jair Bolsonaro. Heinze também afirmou que não subirá em palanques com Alckmin e que usará seu tempo de TV para apresentar seu voto e fazer campanha para Bolsonaro.

O tucano, no entanto, recebe apoio explícito dos candidatos aos governos do Paraná, Bahia e Minas. Na Bahia, o material de campanha do candidato ao governo José Ronaldo (DEM), cuja candidatura é coordenada por ACM Neto, um dos principais articuladores da aliança do tucano com o Centrão, tem utilizado com destaque a imagem do presidenciável tucano. Ronaldo tem 8% das intenções de votos, segundo pesquisa Ibope publicada em agosto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Este tipo de movimento é irreversível. Quando começa, não acaba mais. Abriu a porteira, passa um boi, passa a boiada. A candidatura de Geraldo Alckmin já era. (C.N.)

“Esse Mourão está escalando o golpe”, diz Ciro sobre o vice de Bolsonaro

Ciro disse ter se reunido com general Villas Bôas

Deu em Globo

O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, acusou na noite desta segunda-feira o general Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), de pretender dar um golpe de Estado no Brasil. A afirmação foi feita durante entrevista do pedetista ao “Jornal da Globo”. Na mesma entrevista, Ciro afirmou duvidar de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nada soubesse sobre os desvios na Petrobras, no escândalo conhecido como “petrolão”.

Ciro foi questionado sobre uma frase dita durante a sabatina do Globo, na semana passada. Ele afirmou que o comandante do Exército, general Villas Bôas, tem feito comentários políticos para “tentar calar a voz das cadelas no cio que embaixo dele estão se animando”.

COM VILLAS BÔAS – Ao explicar a frase, revelou um encontro com Villas-Bôas e acusou o vice de Bolsonaro de tentar um golpe no país.

– O General Villas Bôas me convidou a conversar lá no quartel-general, durante esse processo eleitoral, eu respondi que não achava próprio. Ele perguntou se aceitaria conversar na casa dele. Aceitei. Tivemos uma conversa muito franca em que eu claramente anunciei para ele que esse general Mourão está escalando o golpe no Brasil e que eu ia enfrentá-lo. E o general Mourão considera o general Villas Bôas amigo-irmão.

Também na sabatina do Globo, Ciro afirmou que Villas-Boas poderia “pegar uma cana” num governo seu por dar declarações políticas, e manteve a opiniião.

– Eu sou um brasileiro que conhece a lei. Está proibido comandante militar dar opinião sobre política. Simples assim, está na lei. No dia seguinte, o presidente do Uruguai mandou prender o comandante do Exército, que deu opinião sobre assunto político. É próprio, num país que tem a tradição que nós temos, que um comandante militar fique tutelando um processo eleitoral, coagindo as pessoas a votar por medo? Medo de quê? Eu não tenho medo deles, não.

AMIGO LULA – O presidenciável também foi questionado sobre o ex-presidente Lula, a quem tem poupado dos ataques mais diretos que reserva ao candidato Fernando Haddad e ao PT. Ciro declarou duvidar que Lula não soubesse dos esquemas de corrupção na Petrobras e que ele próprio alertou o líder petista sobre o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

– No mensalão eu estava lá. Ele (Lula) de fato não sabia. Acredito que ele falou a verdade quando disse que não sabia. No petrolão não dá. Simplesmente nao dá. Nao é que ele sabia que as pessoas estavam roubando, mas sabia que as pessoas estavam procurando essas indicações (de cargos na Petrobras) para roubar. Falei para ele, por exemplo, de Sérgio Machado.

Ainda sobre Lula, Ciro disse que evita atacá-lo porque se sentiria “um covarde”, pelo fato de o petista estar preso. “Ataco o PT porque o PT e o Haddad estão soltos e podem reagir. E o Lula está na cadeia. Eu me sinto um covarde. Gostaria que o Lula estivesse solto, e eu pudesse debater e refletir com ele. Sou amigo do Lula há 30 anos. Ele não é satanás como querem os coxinhas nem Deus como parte do PT quer”.