Fux afirma que a decisão da Alerj é ‘promíscua’ e será revista pelo Supremo

Fux defendeu também restrições ao foro privilegiado

Nathalia Passarinho
BBC Brasil

“Lamentável”, “vulgar” e “promíscua”. É assim que o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux classifica a decisão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro de soltar os deputados estaduais do PMDB Jorge Picciani (presidente da Alerj) ,Paulo Melo e Edson Albertassi.

Suspeitos de formar uma organização criminosa para desviar recursos públicos, eles foram presos por determinação do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, mas a prisão foi revogada na sexta por decisão da maioria dos deputados estaduais do RJ.

EM OXFORD – Em entrevista exclusiva à BBC Brasil, Fux destaca que a Alerj não poderia ter decidido sobre as prisões sem ter consultado o Judiciário. Ele afirmou categoricamente que a soltura de deputados estaduais por assembleias “certamente” será revista pelo Supremo.

Além do Rio de Janeiro, assembleias do Rio Grande do Norte e do Mato Grosso usaram a decisão do STF de dar ao Senado a palavra final sobre a suspensão do mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG) para embasar a soltura de deputados estaduais.

Fux está na Inglaterra para um simpósio sobre arbitragem, na Universidade de Oxford. Antes do evento, visitou a sede da BBC, em Londres, para conceder a entrevista.

À FRENTE DO TSE – Fux será presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2018 e terá como tarefa conduzir a eleição presidencial num momento de crise política e polarização. Na conversa com a BBC Brasil, o ministro elogiou enfaticamente a possibilidade de o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa se candidatar a presidente no ano que vem.

“É uma figura que a sociedade admira muitíssimo e eu entendo que ele seja um grande nome nesse momento que o Brasil precisa de uma repercussão internacional de que seu dirigente é um exemplo de moralidade e de probidade. E ele saberá montar uma equipe à altura do seu próprio conhecimento, na medida em que ele foi um excelente presidente do Supremo Tribunal Federal.”

FORO E LULA – Fux também defendeu flexibilizar o foro privilegiado – o julgamento do caso será retomado ainda essa semana pela Corte – e reiterou, em referência ao ex-presidente Lula, que qualquer candidato com condenação em segundo grau deve ser impedido de concorrer a cargo eletivo, com base na Lei da Ficha Limpa. “O Brasil não aceita mais candidato ficha suja”, afirmou.

Lula já tem condenação em primeiro grau e há dúvidas sobre se ele poderia se candidatar à Presidência amparado em eventual decisão liminar (provisória), caso seja condenado, também, em segunda instância.

Novo diretor da PF diz que Temer será investigado no caso das Docas de Santos

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Ilustração reproduzida do site 247

André de Souza, Jailton de Carvalho e Bela Megale
O Globo

O novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, prometeu dar celeridade ao inquérito em que o presidente Michel Temer é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por supostas irregularidades no decreto dos portos. Temer é investigado em outros dois inquéritos, mas eles estão paralisados porque a Câmara dos Deputados não deu aval para a continuidade das apurações. “Ele (Temer) continuará sendo investigado, sem nenhum problema. Terá toda celeridade, como os demais inquéritos no Supremo Tribunal Federal” — disse Segóvia.

Em entrevista coletiva após a cerimônia de posse, o diretor-geral foi questionado sobre as investigações envolvendo Temer. Inicialmente, ele citou apenas os dois casos em que já houve denúncia do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, mas que se encontram paradas porque a Câmara não deu autorização para seu prosseguimento. Somente depois, ao ser lembrado pelos jornalistas do terceiro inquérito, ele disse que Temer continuaria sendo investigado.

TRÊS INVESTIGAÇÕES – “Temer sofreu duas investigações os quais foram concluídos pela PF. O relatório foi encaminhado a Janot e ele ofereceu denúncias, que foram suspensas pelo Congresso Nacional” — disse Segóvia inicialmente.

Temer também é investigado em inquérito por supostamente ter beneficiado a empresa Rodrimar no porto de Santos. No STF, o caso é relatado pelo ministro Luís Roberto Barroso, que já autorizou a PF a colher depoimento do presidente.

Segóvia reafirmou que pretende concluir as investigações de todos os inquéritos envolvendo a Lava-Jato em tramitação no STF até o meio do ano que vem, antes das eleições. Disse que todos os inquéritos terão planos de investigação e que o planejamento será finalizado em 15 dias.

É UMA META — “Se não houver conclusão dessas investigação até o meio do ano que vem, elas continuarão. É só uma meta a ser alcançada” — explicou .

Sobre os delegados que tocam os inquéritos no STF, ele disse que a responsabilidade sobre eventuais mudanças na equipe ficarão a cargo do novo diretor de Combate à Corrupção, Eugênio Ricas. Segóvia garantiu que não vai interferir.

“Eu não vou interferir nas equipes de investigação. A equipe de investigação hoje é pequena. A ideia é que ele amplie” — afirmou o diretor-geral da PF.

CASO JBS – Ele levantou suspeitas sobre a conclusão das investigações da JBS por parte da Procuradoria Geral da República (PGR), que resultou nas duas denúncias contra Temer. Segóvia disse que, se dependesse da PF, a apuração não teria terminado em prazo tão curto.

“Talvez uma única mala não desse toda a materialidade para apontar se houve ou não crime, e quais são os partícipes. Isso poderia ter sido respondido se a investigação tivesse mais tempo. E quem colocou esse deadline foi o Ministério Público Federal. E também seria esclarecido por que Joesley (Batista, dono da JBS) sabia quando iria acontecer (a divulgação da delação) para ganhar milhões no mercado de capitais” — disse Segóvia.

Em resposta a uma pergunta na coletiva, o diretor-geral disse que eventual investigação contra Janot depende de um pedido externo. Mas não disse quais fatos relacionados ao ex-procurador-geral precisam ser apurados: “Se vamos investigar Janot, isso dependerá se vão pedir”.

ACORDOS DE DELAÇÃO – O diretor-geral voltou a defender a possibilidade de a PF firmar acordos de delação. O tema está sendo discutido no STF. O MPF é contra a PF poder fazer acordos de colaboração com investigados.

“A direção geral não vai mudar o foco nas delações premiadas feitas pela PF. E devemos voltar a fazer visitas aos ministros do STF para justamente explicar os motivos que a lei já expõe. A lei expõe que PF tem atribuição de fazer delações premiadas. Como uma ferramenta de investigação, ela tem que fazer parte das atribuições da PF. Não vamos desistir. Vamos ao STF falar com cada ministro, se necessário” — disse Segóvia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Estão fazendo um carnaval, dizendo que Segóvia vai proteger Temer… Mesmo se ele quisesse, não conseguiria. Assim como a Procuradoria-Geral da República, a Polícia Federal é uma estrutura que se move sozinha. Se o gestor quiser interferir, esta informação logo vazará, a manipulação será desfeita e denunciada. Quanto à crítica a Janot, Segóvia tem toda razão. Na ânsia de apanhar o supercorrupto Temer, o procurador-geral se apressou e se complicou. Se tivesse filmado a segunda mala, por exemplo, Temer teria sido cassado logo na primeira denúncia. Quanto ao escândalo do Porto de Santos, as digitais de Temer logo serão encontradas, digamos assim. (C.N.)

Lula, o grande palestrante, movimentou R$ 52 milhões em apenas quatro anos

Guilherme Venaglia
Veja

Empresa de palestras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a LILS recebeu em conta nada menos do que 27 milhões de reais em quatro anos, entre abril de 2011 e maio de 2015, segundo o jornal O Estado de S.Paulo. O valor citado foi arrecadado, segundo a prestação de contas da empresa, com as 72 palestras que o ex-presidente teria feito no período, a custo de 200 mil dólares (cerca de 650.000 reais em valores de hoje) cada.

Alvo de um pedido de bloqueio de valores feito pelo Ministério Público Federal (MPF), Lula, que é dono de 98% do capital da empresa, afirmou durante participação no Congresso do PCdoB não possuir o dinheiro cobrado pelo MPF: 24 milhões de reais. “Já provei minha inocência, quero agora que eles provem. O cidadão deveria ter a decência de dizer onde eu tenho 24 milhões de reais”, declarou.

ESTRANHEZA – Ao todo, a movimentação financeira da LILS chegou a 52 milhões de reais no período e provocou suspeitas do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf), ligado ao Ministério da Fazenda. O Coaf estranhou o fato que quase todos os valores que entraram na conta da empresa de palestras de Lula saiu no mesmo período, depositando em fundos de investimento uma quantia maior do que a arrecadada, pouco mais de 35 milhões de reais.

O bloqueio foi pedido pelo MPF ao juiz federal Vallisney de Souza Oliveira em um processo ao qual o ex-presidente e seu filho, Luís Cláudio Lula da Silva, respondem no âmbito da Operação Zelotes, da Justiça Federal em Brasília. O petista é acusado de tráfico de influência, organização criminosa e lavagem de dinheiro na compra de 36 caças da empresa sueca Gripen e na prorrogação de incentivos fiscais às montadoras de veículo

DEFESA REAGE -Antes de decidir sobre os valores, Vallisney determinou que o ex-presidente se manifeste sobre o bloqueio. Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula, afirmou que a intenção do MPF “não tem qualquer base jurídica e materialidade” e que este processo é mais um que integra a “perseguição política” contra o petista.

“Não há no pedido apresentado pelo MPF indicação de provas a respeito das afirmações ali contidas, que partem de certezas delirantes sobre a ‘influência’ de Lula na compra de caças pelo País e na ausência de veto em relação a um dos artigos de uma medida provisória (MP 627/2013)”, argumentou o advogado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mais incrível nisso tudo é que na verdade Lula fez poucas palestras. A imensa maioria jamais ocorreu, não há qualquer registro, nenhuma foto, nenhuma filmagem, embora o Instituto Lula mantivesse sob contrato o fotógrafo e cinegrafista Ricardo Stuckert, que, além do salário recebido na instituição, ganhava mais R$ 35 mil mensais da CBF, para não fazer rigorosamente nada. Como dizia Vinicius de Moraes, que maravilha viver. (C.N.)

Congresso debate nesta semana aborto, porte de arma e foro privilegiado

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Alessandra Modzeleski, Fernanda Calgaro e Gustavo Garcia
G1, Brasília

A Câmara dos Deputados e o Senado devem discutir pautas polêmicas nesta semana, como a que proíbe o aborto em todas as circunstâncias, a que libera o porte de arma e a proposta que acaba com o foro privilegiado. Os deputados também devem retomar, no plenário, a análise de projetos na área de segurança pública, como o que prevê aumento de pena para o crime de estupro coletivo.

Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, pode ser votado projeto que legaliza os jogos de azar. E o relator de um texto que libera o porte de arma pretende fazer a leitura de seu parecer favorável à proposta.

ABORTO – Na terça-feira (21), a votação do projeto que, na prática, veta o aborto em qualquer situação deve ser concluída na comissão especial da Câmara. O texto-base foi aprovado há duas semanas e falta a análise de destaques, que são sugestões para alterar o conteúdo do texto.

Defensores da proposta querem incluir na Constituição a garantia do direito à vida “desde a concepção”. Deputados contrários argumentam que a medida pode levar a questionamentos judiciais inclusive nas circunstâncias hoje permitidas por lei: em caso de estupro, quando há risco para a vida da mulher ou se o feto for anencéfalo (não possuir cérebro).

A aprovação na comissão provocou forte reação de parte da sociedade civil e gerou protestos pelo país.

Foro privilegiado – Também na terça, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deve votar um parecer a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim do chamado “foro privilegiado” por crimes comuns.

Na prática, acaba com o direito de autoridades, como ministros e deputados, de responderem a processos em instâncias superiores. A proposta do senador Alvaro Dias (Podemos-PR) mantém o foro apenas para os presidentes da República, da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal.

O texto já passou pelo Senado e, se for aprovado na CCJ da Câmara, será analisado por uma comissão especial a ser criada. Depois, ainda precisará passar por dois turnos de votação na Câmara, onde terá que receber o apoio de pelo menos 308 dos 513 deputados.

PACOTE SEGURANÇA – Entre os projetos de segurança pública que podem ser votados está um que tenta acabar com o “auto de resistência”, como são classificados os casos de mortes pelas mãos de policiais, também chamados homicídios decorrentes de intervenção policial (antes denominados autos de resistência).

O texto especifica procedimentos para apurar esses casos. Defensores da medida dizem que o objetivo é evitar que eventuais excessos nas ações policiais não sejam investigados sob o argumento de cumprimento do dever. No entanto, não há consenso entre os partidos e críticos ao projeto afirmam que as polícias já seguem um protocolo de investigação.

E na pauta do plenário da Câmara constam dez medidas provisórias, incluindo três que mudam regras do setor de mineração.

NO SENADO – Após uma semana sem analisar propostas, o Senado tem pautas de votações com vários projetos no plenário principal e também na CCJ.

A pauta do plenário tem 12 itens, entre os quais, um projeto que altera a legislação eleitoral para estabelecer o voto distrital misto nas eleições para deputados e vereadores.

Outra proposta vincula a arrecadação com impostos federais incidentes sobre derivados do tabaco ao Fundo Nacional de Saúde. Há ainda projetos para prorrogar o prazo de bolsas de estudos em casos de maternidade e adoção; e para criar o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Segurança Pública.

SEGURANÇA – A pauta da CCJ está recheada de propostas relacionadas à segurança pública. Uma delas tipifica o crime de porte de arma branca, com pena de detenção de um a três anos, além do pagamento de multa.

Outra proposta aumenta as penas para adultos que utilizam crianças e adolescentes para a prática de crimes. Um terceiro projeto permite que guardas municipais atuem no combate ao crime organizado na região das fronteiras interestaduais.

Há ainda uma proposta que autoriza a aquisição de uma arma de fogo de uso permitido por residentes em áreas rurais.

ARMAS E JOGOS – Na CCJ do Senado, também podem ser discutidos dois projetos polêmicos. Uma proposta revoga o Estatuto do Desarmamento e libera a compra, a posse e o porte de arma para maiores de 18 anos de idade. Pela proposta, será necessária a comprovação de bons antecedentes, aptidão psicológica e capacidade técnica.

O outro projeto legaliza os jogos de azar no país. Entre os quais, o jogo do bicho, o bingo e jogos de cassinos em complexos integrados de lazer. Pelo projeto, parte da arrecadação com a tributação dos jogos de azar iria para a área de segurança pública.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Como se você, não falta trabalho no Congresso. Como diria o grande historiador Capistrano de Abreu, o que falta é vergonha na cara. (C.N.)

Tribunal se reúne amanhã e pode afastar os três deputados que a Alerj libertou

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Procuradora Silvana Batini pedirá o afastamento

Chico Otavio
O Globo

Quatro dias depois que a Assembleia Legislativa do Rio decidiu soltar os deputados Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB, acusados de envolvimento em esquema de propina na Casa, os desembargadores da Seção Criminal do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), responsáveis pela prisão, voltam a se reunir nesta terça-feira para novas deliberações sobre a Operação Cadeia Velha. A força-tarefa da Procuradoria Regional da República vai pedir que os três deputados sema afastados dos mandatos até que as investigações sejam concluídas. Se a medida for acolhida, será um atrito do TRF-2 com a Alerj, uma vez que os deputados estaduais também decidiram, na plenária de sexta, derrubar a hipótese de afastamento, mesmo sem terem sido provocados.

A procuradora regional Silvana Batini, integrante da força-tarefa, disse que o pedido de licença espontânea, apresentado ontem por dois dos acusados, Jorge Picciani e Edson Albertassi, não anula o afastamento.

HÁ UMA DIFERENÇA – De acordo com a procuradora, a licença tem prazos estabelecidos pelos próprios parlamentares — até em fevereiro do ano que vem, após o recesso. Já o afastamento não tem: está vinculado diretamente ao avanço nas investigações. O pedido já está pronto, mas talvez nem entre em pauta. Isso porque, em comunicado público, o próprio TRF-2 anunciou que examinará nesta sessão uma “questão de ordem” levada diretamente pelos desembargadores.

Até o momento, é sabido apenas que será feito um relato dos fatos ocorridos no dia da votação, como a vedação do acesso de uma oficial de Justiça à Casa, cujo objetivo era intimar a Mesa Diretora a abrir as galerias a populares, a suposta simulação de galerias lotadas, com uso de servidores dos gabinetes dos próprios parlamentares, e a libertação dos três acusados sem que a decisão da Alerj tivesse passado antes pelo TRF-2. Esta última medida causou forte reação entre os magistrados, que entendem ser exclusivamente de autoridades judiciárias a prerrogativa de prender e soltar pessoas.

AO SUPREMO – A convocação da sessão de terça-feira foi feita pelo presidente da Seção Criminal, desembargador Ivan Athiê, em demonstração de que os desembargadores estão unidos em torno das providências a serem tomadas daqui para frente. Uma das hipóteses cogitadas, caso uma eventual decisão de afastamento não seja cumprida, é um pedido de intervenção federal na Alerj a ser apresentado ao Supremo.

Será uma oportunidade para o Supremo esclarecer a extensão da decisão sobre o caso Aécio Neves — quando a Corte decidiu que as medidas cautelares contra o tucano mineiro teriam de ser revalidadas pelo Senado.

Na sexta-feira passada, enquanto a Alerj libertava os acusados, o desembargador Abel Gomes, relator da Cadeia Velha, determinou o bloqueio cautelar de contas e o arresto de bens de 13 pessoas e 33 empresas investigadas na operação. Os valores dos bens bloqueados de Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi somam R$ 270 milhões. Ele também renovou por mais cinco dias a prisão temporária de Felipe Picciani, filho do presidente da Alerj.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como dizia Sérgio Porto, o bode que deu vou te contar… Não importa o que o TRF-2 venha a decidir, vai ser uma confusão generalizada. A recente decisão da ala da corrupção no Supremo – que se tornou majoritária com a adesão gaguejante de Cármen Lúcia – protegeu Aécio Neves e criou o gravíssimo problema, ao desmoralizar a própria Justiça. Até as Câmaras de Vereadores agora estão revogando decisões judiciais, esta é a realidade, pois Cármen Lúcia conseguiu consagrar a esculhambação institucional. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

De saia justa, Temer ouve o novo diretor da PF priorizar o combate à corrupção…

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Segóvia diz que se entenderá com a Procuradoria

Alessandra Modzeleski e Renan Ramalho
G1, Brasília

O delegado Fernando Segóvia assumiu oficialmente nesta segunda-feira (20) o posto de diretor-geral da Polícia Federal (PF) em uma solenidade de trasmissão de cargo na sede do Ministério da Justiça, em Brasília. Ao discursar na cerimônia, o novo diretor-geral afirmou que o combate à corrupção continuará sendo prioritário. Segóvia também disse que trabalhará em harmonia com o Ministério Público no período em que estiver à frente da Polícia Federal.

Nos últimos anos, PF e MP protagonizaram diversos episódios de disputa que geraram mal-estar, como na ocasião em que o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot questionou a possibilidade de a PF negociar delações premiadas.

MATURIDADE -“Buscaremos o combate incansável à corrupção no Brasil, que continuará a ser agenda prioritária na Polícia Federal, tendo como premissa a continuidade de operações especiais, tais como Lava Jato, Cui Bono, Cadeia Velha, Lama Asfáltica e tantas outras em andamento nos inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal e nas varas da Justiça Federal Brasil afora”, afirmou Segóvia.

“Há uma infeliz e triste situação de disputa institucional de poder entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Mas confio muito no espírito de maturidade institucional e profissional dos membros dessas instituições.”

O delegado também chamou a atenção para o enfretamento do crime organizado, especialmente o tráfico de drogas e armas, crimes ambientais e eleitorais.

PAPEL REPUBLICANO – Disse que, nas eleições de 2018, a PF terá “papel republicano” e trabalhará com “isenção” na investigação de irregularidades. “Coibindo qualquer tipo de crime, independentemente de partido político, garantindo assim a lisura no processo eleitoral e que a vontade do eleitor prevaleça a qualquer tipo de ação criminosa”, afirmou.

Quanto à relação com o Ministério Público, Segóvia admitiu uma “infeliz” disputa de poder da PF com o órgão, responsável pela acusação em processos e também apto a realizar investigações. “Há uma infeliz e triste situação de disputa institucional de poder entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Mas confio muito no espírito de maturidade institucional e profissional dos membros dessas instituições”, ressaltou.

“Neste momento, tenho a oportunidade de escrever um novo capítulo dessa história, deixando de lado a vaidade e a sede de poder, buscando equilíbrio e entendimento em nossas ações em prol de toda a nação brasileira. Quem se beneficia mais da disputa é o crime organizado”, complementou o novo diretor-geral.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O discurso de Segóvia, apesar de conter críticas ao ex-procurador Rodrigo Janot, deixou o Temer numa tremenda saia justa. O novo diretor-geral fez questão de destacar que a prioridade é combater a corrupção, que é liderada pelo próprio chefe do governo, como é público e notório. Temer nem teve coragem de discursar no evento. Depois de deixar a solenidade, ele publicou uma mensagem no Twitter desejando “sucesso” ao novo diretor-geral. E também usou a rede social para agradecer o trabalho de Leandro Daiello como diretor-geral da PF. Em matéria de cinismo, Temer deu uma aula inesquecível. (C.N.)

Alvaro Dias culpa os partidos e os políticos pelo “quadro deteriorado do país”

Partidos são organizações criminosas, afirma Dias

Gabriela Sá Pessoa
Folha

Discursando contra os partidos políticos — que definiu como atores de um “quadro deteriorado”, que “mergulhou pais num oceano de dificuldades” —, o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) divulgou, neste domingo (dia 19), a sua pré-candidatura à Presidência em 2018. Dias participou de um evento na Assembleia Legislativa de São Paulo, promovido pela juventude de seu partido. Elogiou as ações de combate à corrupção do Ministério Público, da Justiça e da Polícia Federal. Citou dois “ícones da Justiça”: os juízes da lava Jato Sergio Moro e Marcelo Bretas.

“Ou [os políticos] mudamos, ou seremos atropelados por esse sentimento irresistível”, afirmou. “Organizações criminosas”, “lavanderias do dinheiro público”, “filhos do Petrolão” e “sanguessugas” foram alguns dos termos que o senador usou para se referir à classe política.

SEM POLARIZAÇÃO – À Folha o pré-candidato afirmou discordar de “muitos analistas” que veem, neste momento, uma possibilidade de polarização eleitoral entre o ex-presidente Lula (PT), à esquerda, e o deputado federal (Jair Bolsonaro), à direita. O senador registrou 4% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, em outubro. Lula tem 36% e Bolsonaro, 16%.

“Há no inconsciente coletivo um movimento que emerge, avassalador, contra os velhos conceitos, que estão arraigados ainda entre os analistas”, ele diz. “Imagino as pessoas lúcidas, conscientes de que a omissão pode ser tragédia política renovada.”

PSDB REJEITADO – Ele diz apostar que o PSDB, que deixou em 2015, enfrentará rejeição nas urnas em 2018, porque os tucanos veem algumas de suas principais lideranças, como os senadores José Serra (SP), Aloysio Nunes e Aécio Neves (MG), atingidos pelas investigações da Lava Jato. Além disso, o partido tem vivido uma divisão interna sobre permanecer ou desembarcar do governo Temer.

“O PSDB já perdeu várias eleições e deve perder mais uma, como consequência exatamente do seu perfil de partido cartorial, com decisões impostas de cima para baixo. [A sigla] não exercita internamente a democracia e promove divergências internas.”

ADESISMO – Para Dias, sua antiga legenda “está no campo dos partidos rejeitados, que a população indica que não pretende votar” e “sofrerá as consequências de suas últimas atitudes, especialmente quando aderiu ao PMDB no impeachment [de Dilma Rousseff], em vez de requerer o impeachment completo”.

O Podemos, a que Alvaro Dias se filiou em 1º de julho deste ano, é o sétimo partido do senador. “Minha tese é de que não temos partidos no Brasil. Por isso, quando me indagam por que mudei de partido, digo que nunca mudei de partido”, ele explica.

Ainda não vislumbra alianças com outras legendas em sua campanha “irreversível” para disputar a Presidência. “As alianças foram a causa dessa desgraça administrativa que se implantou no Brasil. Quero ficar distante desse conluio partidário promíscuo”, afirmou.

NOS ESTADOS – O senador diz que as coligações, no entanto, serão possíveis para viabilizar candidaturas regionais, como a do senador e ex-jogador de futebol Romário Faria ao governo do Rio.

Ideologicamente, diz rejeitar se classificar como político de esquerda ou de direita. Ou mesmo de centro: “Prefiro apresentar as credenciais e deixar que as pessoas me rotulem”. “Procuro valorizar ideias que são consideradas patrimônio da direita e ideias que são consideradas patrimônio da esquerda. Não entendo como elas não podem ser patrimônio de quem quer que seja”, ele comenta.

No campo que ele atribui à direita, defende um Estado mais enxuto, com um programa de privatizações que exclui empresas “estratégicas que dizem respeito à soberania nacional”, como a Petrobras e a Eletrobras. À esquerda, defende programas sociais de transferência de renda.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Interessante o crescimento da candidatura de Alvaro Dias, que no último levantamento Datafolha oscilou entre 3 e 6 pontos, com média de 5 pontos, nos diversos cenários pesquisados. Isso demonstra que há uma faixa do eleitorado que procura um candidato sem posições radicais. (C.N.)

A menos de um ano da eleição, a disputa revela apenas a ruína dos partidos

Charge do Jorge Braga (Arquivo Google)

João Domingos
Estadão

Todo partido político que mereça esse nome tem por objetivo a conquista do poder. Portanto, quando PCdoB, PDT, PMDB, Podemos, PPS, PSB, PSD, PSDB, PSOL, PT, Rede Sustentabilidade, Novo, DEM e a legenda que vier a acolher o deputado Jair Bolsonaro (RJ) anunciam a intenção de disputar a Presidência da República no ano que vem, estão fazendo o que se espera deles, a legítima disputa pelo poder.

Eles vão para a disputa tendo à frente um quadro diverso de todos os verificados de 1989 para cá, quando a eleição direta para presidente foi retomada. Ao contrário das anteriores, não é possível dizer hoje, a menos de um ano para a eleição de 2018, que o jogo é favorável a um partido, a um nome, a um projeto.

NO ATOLEIRO – O que se pode dizer, no momento, é que os três principais partidos, PMDB, PSDB e PT, enfrentam uma rejeição muito grande do eleitorado. A ruína partidária é tão visível que lideranças e pensadores das três legendas vêm insistindo na necessidade da busca de iniciativas que as tirem do atoleiro a tempo de evitar o desastre na eleição do ano que vem.

No PMDB, é o próprio Michel Temer que deseja dar uma sacudida no partido. Ele acredita que, agora que se livrou das duas denúncias do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, pode montar um governo com ministros mais modernos, sem a tendência obscurantista do Centrão. Temer imagina que no último ano de governo não precisará mais ficar tão preso ao Congresso, já que pouco ou quase nada será votado. Quem sabe, assim, consiga salvar uma parte de sua biografia, tão perturbada pelo conteúdo da conversa que teve com o empresário Joesley Batista. Temer e o PMDB acham que vão deixar um legado importante para o País, baseado na responsabilidade fiscal e no equilíbrio das contas públicas.

COADJUVANTE – Como o PMDB não se preparou para disputar o poder pelo voto, mas a partir de parcerias, como as que teve com o PSDB e com o PT nos últimos 23 anos, não tem um nome competitivo. Se nada mudar daqui até a eleição, continuará no seu papel de coadjuvante.

Já o PT acredita que sua salvação virá de uma campanha em defesa de eleições sem a interdição de Lula. Para o partido, levantar a bandeira de um pleito que conte com Lula é levantar a bandeira de eleições democráticas, algo como a campanha das Diretas-Já de 1984, que os teóricos do partido julgam ter sido o instrumento que deu fim à ditadura militar.

Nos seus sonhos, os petistas acham que podem incluir nessa mobilização um programa em defesa da revogação das reformas liberais, a convocação de uma Assembleia Constituinte orientada pelo combate ao capital financeiro, ao latifúndio, ao imperialismo e aos meios de comunicação monopolistas. Uma assim, vamos dizer, volta aos anos 1980, só que agora com o tema da comunicação, setor que o PT elegeu como seu inimigo.

E A JUSTIÇA? – Na nova roupagem de sua tentativa de ganhar a simpatia do eleitor, o PT omite, deliberadamente, os problemas que enfrenta com a Justiça. Talvez até por ver que atacar a Operação Lava Jato é contraproducente.

Por fim, o PSDB. Ao contrário do PMDB, que sonha fazer um governo de paz e consolidar as reformas, mesmo que sejam só as aprovadas até agora, e do PT, que encontra em Lula seu ponto de equilíbrio, os tucanos alimentam a sua maior crise quando a eleição se aproxima. Talvez consigam superá-la quando aprovarem a candidatura do governador Geraldo Alckmin, nome que conta com o apoio dos dois grupos que disputam o poder interno.

Alckmin, no entanto, carregará o peso de ser do mesmo partido de Aécio Neves. Esse é um fardo grande, difícil de lidar. Em suas reflexões existenciais, Aécio pode até se convencer de que as conversas que teve com Joesley Batista não fugiram do padrão da normalidade. Para o eleitor, fugiram. É só esperar o resultado da eleição.

Amigo de Cachoeira, futuro ministro Baldy tem o “perfil” exigido pelo Planalto…

O deputado federal Alexandre Baldy, possível novo ministro das Cidades

O deputado Alexandre Baldy está de olho no poder

Ranier Bragon e Letícia Casado
Folha

Escolhido neste fim de semana por Michel Temer para comandar o Ministério das Cidades, o deputado federal Alexandre Baldy (GO) é apontado por relatório de uma CPI como tendo participado de esquema comandado em Goiás pelo empresário dos jogos de azar Carlos Cachoeira. Com base em gravações telefônicas da Polícia Federal feitas na Operação Monte Carlo, Baldy é protagonista de um capítulo do relatório final da CPI que em 2012 investigou o caso, sendo classificado como colaborador “da organização criminosa”.

O texto é assinado pelo petista Odair Cunha (MG), que relatou os trabalhos da comissão durante oito meses. No final, um “acórdão” entre legendas atingidas acabou levando à rejeição do parecer no plenário da comissão e à aprovação de um relatório de duas páginas que não sugeriu o indiciamento de ninguém.

RELEVANTES SERVIÇOS – “As investigações levadas a efeito pela Polícia Federal, e aprofundadas por essa CPI revelam que Alexandre Baldy, conquanto não tenha agido com a mesma desenvoltura com que atuaram outros secretários do Estado de Goiás em prol dos interesses da organização criminosa chefiada por Carlos Cachoeira, prestou relevantes serviços à quadrilha”, diz o relatório final de Odair Cunha.

Entre 2011 e 2013, o hoje deputado foi secretário de Indústria e Comércio do governo de Goiás, comandado pelo tucano Marconi Perillo.

Temer informou a correligionários ter decidido colocar o deputado no lugar do tucano Bruno Araújo, que pediu demissão. Baldy irá trocar o Podemos pelo PP, a maior sigla do centrão. Deputado federal de primeiro mandato, ele é hoje um dos principais aliados do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“MENINO DE OURO” – A CPI do Cachoeira, como ficou conhecida, trabalhou em meio ao escândalo que resultou na cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

O capítulo dedicado a Baldy é recheado de grampos de conversas de Cachoeira com aliados, cujo teor sugere proximidade dos dois – Cachoeira se referia a Baldy como “menino de ouro”, diz o texto.

Uma dessas interceptações é de uma conversa direta entre Baldy e Cachoeira, em agosto de 2011. “Cadê você, doutor?”, pergunta em tom informal Baldy. Os dois marcam então um encontro para o dia seguinte. Cachoeira afirma que irá tratar de um assunto com o secretário. Baldy concorda e diz: “E eu preciso falar um negócio com você pra você dar uma aliviada.”

SEM PROVAS… – O relatório de Odair afirma que embora houvesse suspeita de que Baldy recebesse recursos periódicos de Cachoeira, a investigação da comissão não conseguiu provas disso, sugerindo ao Ministério Público continuar a apuração. A Folha não localizou eventuais desdobramentos judiciais das investigações. Como o relatório final de Odair não foi aprovado, nenhuma recomendação foi enviada às autoridades.

Baldy também foi citado na delação premiada do corretor de valores Lúcio Funaro. Ele afirma que o deputado participou de negociações para favorecer a Hypermarcas no Congresso. Baldy é casado com uma ex-integrante do bloco de controle da empresa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, Baldy confirma o ditado – é o homem certo no lugar certo… Aliás, por falar em político corrupto, por onde andará o ministro Leonardo Picciani, cuja carreira federal estava se tornando o maior orgulho da famiglia? Ele sumiu de Brasília, cancelou todas as audiências e a agenda está em branco. (C.N.)

No Rio, os poderes são inseparáveis, ao invés de serem independentes

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Charge do Amarildo (amarildo.com)

Joaquim Falcão
O Globo

As denúncias contra o presidente Picciani são por atos continuados. Atos que vêm sendo cometidos há muito tempo. As denúncias contra Cabral também. São por atos de muito tempo. Há muito tempo é a inação do Tribunal de Contas do Estado. Igual muito tempo são as denúncias que não vieram do Ministério Público Estadual. E por aí vamos. No Rio, o tempo tem sido o senhor dos silêncios. Continua, com a decisão da Alerj.

Carlos Drummond tudo explica em sua poesia: “João amava Tereza que amava Raymundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém e … casou com João Pinto Fernandes que não tinha entrado na história”.

ERAM AMANTES – Ou seja, o governador amava a cúpula da Alerj, que amava o governador, ambos amavam um Ministério Público Estadual necessário mas inerte, e um Tribunal de Justiça preocupado com aumentos salariais. Todos amavam o Tribunal de Contas do Estado, que por si próprio inexistia.

Apareceram então Lava-Jato, Ministério Público Federal e Justiça Federal que não tinham entrado na história. E não amavam nenhum deles.

Quando os poderes e órgãos de controle do estado são dominados por um mesmo grupo de interesses, inexiste separação de poderes. Ou estado democrático de direito.

DITADURA – O regime de 1964, por exemplo, resultou de um pacto entre os militares, grandes empresas, setores dos trabalhadores industrializados, que passaram a controlar os três poderes. Acabaram com a democracia.

Poderes constitucionais podem ser formalmente separados, e politicamente inseparáveis. É o que aconteceu e acontece no Rio de Janeiro.

Quem apenas escuta a forma, não vê o batimento do coração. No Rio, impera ainda o pacto de há muito tempo entre os três poderes do estado, órgãos de controle, empresas fantasmas, grandes empreiteiras, joalherias.

CONTROLE TOTAL – A meta foi o controle do tesouro e cargos do governo. O cimento foi, no setor privado, a substituição da competição empresarial pelo ineficiente compadrio capitalista. A fraude nas licitações. No setor público, aumentos salariais, adicionais ilegais, cargos desnecessários expandindo as corporações do Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público.

Este pacto esconde o pior. Ele resultou, direta ou indiretamente, do voto do eleitor. Será que assim continua em 2018? O eleitor será apenas o observador da decadência do Rio? Ou seu agente de transformação moral, indispensável para recuperar sua competitividade econômica?

A propósito. O nome da poesia de Drummond é: Quadrilha.

“Se não houver fraude, estarei no segundo turno”, diz Bolsonaro no “Canal Livre”

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Bolsonaro se saiu bem no “Canal Livre” da Band

Deu na Folha

Em entrevista ao programa “Canal Livre”, da Band, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) disse que, se não houver fraude nas eleições de 2018, com certeza chegará ao segundo turno da disputa. “Sou diferente de todos os presidenciáveis que estão aí. Quem declara voto em mim dificilmente mudará. Não havendo fraude, com certeza estarei no segundo turno”, afirmou. O pré-candidato diz contar com a simpatia de grupos específicos, como os evangélicos, os que querem ter arma em casa e setores do agronegócio.

Acredita, no entanto, que as eleições em urnas eletrônicas no Brasil não são limpas, e por isso defende a impressão do voto.

SEM INTERVENÇÃO – Bolsonaro participou de uma série do programa “Canal Livre” com os presidenciáveis. Foi entrevistado, na madrugada de domingo (19) para segunda (20), pelos jornalistas Fabio Pannunzio, Fernando Mitre, Julia Duailibi, Sérgio Amaral e Mônica Bergamo, colunista da Folha.

Por quase uma hora, tratou de temas como economia, segurança pública e a relação entre Executivo e o Congresso.

Questionado sobre manifestações pelo país que defendem o autoritarismo, disse que nunca pregou uma intervenção militar. “Mas se chegarmos ao caos, as Forças Armadas vão intervir para a manutenção da lei e da ordem”, afirmou, ecoando comentário similar do general Antonio Hamilton Mourão em setembro deste ano.

PRIVATIZAÇÃO – Bolsonaro disse ser favorável à privatização de estatais, mas defendeu que cada caso específico seja analisado com cuidado. Vê com receio, por exemplo, a entrada de capital chinês no país. “A China não está comprando do Brasil, e sim o Brasil.”

Bolsonaro fez críticas à Folha ao ser questionado a respeito de um levantamento de sua carreira no Congresso publicado pelo jornal. O texto revela que, a despeito do discurso liberal adotado recentemente, ele votou com o PT em temas econômicos durante o governo Lula.

“A Folha não é referência de nada. Não atendo mais a Folha. Eles deturpam tudo.”

POSIÇÕES – Na conversa Bolsonaro afirmou ainda ser imune à corrupção e que, em caso de vitória, não seguirá o modelo “toma lá, dá cá” para distribuir cargos.

Comporá um eventual ministério, afirmou, guiado apenas por critérios de competência, sem buscar agradar movimentos feministas, negros ou LGBTs.

Quanto a este último ponto, criticou a discussão de gênero nos colégios. “Eu quero que todos, inclusive os gays, sejam felizes, mas que esse tipo de comportamento não seja ensinado nas escolas”, argumentou. “Os pais querem ver o filho jogando futebol, não brincando de boneca por causa da escola.”

MATAR BANDIDOS – Ao tratar o tema da segurança pública, um dos principais eixos de seu discurso, defendeu maior rigor e a adoção de medidas enérgicas no combate ao crime.

“Se morrerem 40 mil bandidos [por ano, por ação da polícia], temos que passar para 80 mil. Não há outro caminho. Não dá para combater violência com políticas de paz e amor”, afirmou. “Preso não deve ter direito nenhum, não é mais cidadão. O sentido da cadeia não é ressocializar, mas tirar o marginal da sociedade.”

No encerramento do programa, em suas considerações finais, Bolsonaro afirmou que o Brasil “precisa de um presidente honesto que tenha Deus no coração”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro se saiu muito bem e mostra que será um candidato fortíssimo nesta eleição. O país está cansado de corrupção e anseia por maior rigor contra os criminosos e políticos enriquecidos ilicitamente. Em meio à crescente insegurança, os homens de bem querem retomar o direito de ter uma arma em casa, para defender a família e a propriedade. Afinal, votaram em plebiscito para garantir este direito que lhes foi tirado inconstitucionalmente. Mesmo assim, o Judiciário e o Legislativo nada fizeram e se curvaram ao Executivo. Hoje, se um ex-policial quiser ter uma arma tem de pagar uma taxa absurda anualmente, é uma política destinada a desarmar a todos, menos os criminosos. Isso significa que o terreno está fértil para uma candidatura como a de Bolsonaro. O assunto é importantíssimo e vamos voltar a ele. (C.N.)

Flores e borboletas no jardim da casa do poeta carioca Evanir Fonseca

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“Cores e perfumes que extasiavam borboletas”

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, administrador de empresas e poeta carioca Evanir José Ribeiro da Fonseca (1955-2017), no poema “Jardim do Éden”, recorda a sua infância no jardim existente em frente à casa que morava.

JARDIM DO ÉDEN
Evanir Fonseca

Na frente de minha casa tinha um jardim,
as flores nele cultivadas eram tão variadas
que pareciam travar uma grande batalha,
entre cores e perfumes que extasiavam as borboletas
que voavam, numa ida e volta frenéticas,
como se escolhessem as mais saborosas ou sedosas.

Na frente de minha casa tinha um jardim,
que eu, um garoto desbravador, perdia-me
por entre os galhos espinhosos das roseiras
e folhas imensas de tinhorão e murtas
que floriam lilases, brancas e mescladas
como se fossem várias em uma só enxertadas.

No jardim da minha casa tinha caminhos feitos de cimento,
que nos garantiam acesso a todas as plantas,
inclusive a uma “dama da noite”, peculiar no florir
pois abria no anoitecer e fechava-se no amanhecer,
seu perfume, imperativo, exalava tomando toda atmosfera
que, ao entorno dela, pareciam inexistir rosas
que como envergonhadas, encantadas e inanimadas,
descansavam, ou dormiam, talvez enfeitiçadas diante
da sobrevida que passava a imperar
no encantado “jardim da minha casa”!

Planalto enfim admite que o presidente Temer pode ser candidato à reeleição…

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Como diz um dos ministros mais próximos do presidente Michel Temer: “Nada na política é certo. Tudo muda ao sabor das marés”. Ele se refere à possibilidade de o peemedebista disputar a reeleição à Presidência em 2018. Hoje, ressalta o ministro, uma candidatura de Temer está descartada. Não haveria como enfrentar tanto tiroteio, com imagens de denúncias, de gravações com o empresário Joesley Batista, de mala de dinheiro carregada por Rodrigo Rocha Loures. Até junho, porém, quando as convenções de partidos definirão os nomes da disputa, o quadro será outro, sobretudo se a economia retomar o fôlego e o desemprego cair com mais força. Nesse ambiente, Temer teria como confrontar os adversários.

No entorno do presidente, a orientação, por agora, é jogar uma ducha de água fria em qualquer movimento pró-candidatura à reeleição. Mas há todo um roteiro traçado caso Temer decida partir para a briga por mais quatro anos de mandato.

PRESSUPOSTOS – Na ponta do lápis, o mesmo ministro mostra que a taxa de desemprego, atualmente em 12,4%, cairá para um dígito ainda no primeiro semestre de 2018, podendo ficar entre 8,5% e 9%. “Nossa estimativa é de que pelo menos quatro milhões de vagas sejam abertas ao longo dos próximos meses. Não se trata de otimismo. Desde maio, o número de desocupados caiu de 14,1 milhões para 12,9 milhões. Isso, com uma economia muito fraca”, ressalta.

A perspectiva dentro do governo é de que a economia crescerá lentamente, mas de forma sustentada. A aposta é de que, já no primeiro trimestre de 2018, o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) estará girando em torno de 3% quando anualizado. Tal projeção se baseia, sobretudo, no impacto da forte redução da taxa básica de juros (Selic).

POLÍTICA MONETÁRIA – O governo tem dados indicando que os efeitos da política monetária ainda não se materializam por completo na economia. O crédito continua travado, principalmente para as empresas, que não conseguiram reequacionar as dívidas na mesma velocidade das famílias.

“Esse pilar do crédito ainda não deu sua contribuição para a retomada do PIB. Quando os bancos se sentirem mais confortáveis para emprestar, não há dúvida que veremos um novo impulso na atividade. Será uma nova onda do consumo, mas bem mais sustentada”, explica um técnico da equipe econômica. Ele ressalta que, ao se darem conta de que o crescimento da economia é irreversível, os empresários atenderão aos apelos do governo e voltarão a investir. “O roteiro está traçado”, diz.

ARTICULAÇÃO – Mesmo que não venha a ser candidato à reeleição, Temer tem certeza de que, com a economia fortalecida, será um player importante na definição dos candidatos a sua sucessão. “O Planalto ainda não tem um candidato. Isso só será definido em meados do ano que vem”, afirma um aliado do presidente. Ele reconhece que, por mais afinidade que o peemedebista tenha com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ainda não há uma disposição clara de Temer em apoiá-lo. “O presidente avaliará todas as alianças. Meirelles é um bom nome e, certamente, defenderá o legado do governo. Mas temos que avaliar as alternativas. Isso ficará claro nos próximos meses”, acrescenta.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA – Para o presidente, antes de fechar questão em relação às eleições de 2018, é preciso, primeiro, pavimentar o caminho para a aprovação da reforma da Previdência. Na avaliação de Temer, o tamanho das alianças à sucessão ao Planalto será proporcional aos resultados das votações na Câmara e no Senado.

“O jogo está amarrado. O presidente sabe até aonde pode ir”, enfatiza o mesmo aliado. Ele acredita que, se o Planalto acertar nas escolhas para a reforma ministerial, o fortalecimento de Temer como articulador de uma candidatura de consenso entre os partidos da base será inevitável.

“Se tivermos calma para esperar, a chance de o candidato de Temer sair vitorioso das urnas será grande. Estamos confiantes de que, já nas primeiras pesquisas de 2018, a popularidade do presidente vai melhorar. O que mais temos ouvido nas ruas é que as coisas estão melhorando. Devagar, mas estão melhorando”, diz o aliado do presidente. “Em algum momento, isso vai aparecer nas pesquisas. Pode escrever isso”, diz.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, repete-se o bordão do samba “Cara de Palhaço”, da dupla Luiz Reis e Haroldo Barbosa, sucesso na voz de Miltinho. Temer tem cara de candidato, pinta de candidato, roupa de candidato. Além disso age como candidato, já tem marqueteiro e equipe trabalhando em tempo integral, dentro do Planalto. Por fim, precisa desesperadamente manter o foro privilegiado, que só pode ser conseguido de for candidato e ganhar a eleição. Simples assim. Caso contrário, poderemos cantar: “Cara da palhaço, pinta de palhaço, roupa de palhaço, até o fim”. (C.N.)

Ainda somos brutais e o perigo sempre morou ao nosso lado, mas nem notamos

charge pecado

Charge reproduzida do Arquivo Google

Eduardo Aquino
O Tempo

A tragédia arde em chamas nosso cotidiano. Mais uma. Outras piores virão, a ponto de um dia nos esquecermos dessa, pois somos uma sucessão histórica de tragédias. Nero queimou Roma, Hitler carbonizou judeus. Russos e sírios bombardearam crianças. Americanos, traumatizados pela derrota para destemidos vietnamitas, sempre destroem nações periféricas. Tragédias nos humanizam. Overdose de multimeios expurga toda dó, pena, horror. Esse estranho vício por manchetes angustiantes e inevitáveis interpretações e profecias de fim do mundo.

Doações, contas para familiares, fraudes, e perguntem aos familiares dos jogadores da Chapecoense como estão agora, que os holofotes mudaram para novas desgraças ou como estão os pobres das Bahamas, arruinados por furações furiosos. E o Haiti, onde parece haver um ponto de singularidade, pois ditadura, guerra civil, terremoto, furacões, corrupção, degradação marcaram encontro num só ponto do planeta?

ESTADO ANIMALESCO – Dito isso, é com certa tristeza que percebo não só o quanto a natureza humana é ainda embrionária, mas constato o enorme caminho que termos de seguir nessa trajetória evolutiva que propõe passar de um estado animalesco para um ser divino.

E nosso microuniverso, seja nos lares, seja no ambiente de trabalho ou social, reflete nossa pequenez. Ofendemos, odiamos, conflitamos, nos estranhamos, nos magoamos, agredimos, fingimos, mentimos, traímos, pecamos. Diariamente, normalmente enquanto nos horrorizamos com a creche queimada pelo monstro. Os anjinhos, pois assim os percebo, poderia ser um filho, um neto de qualquer um de nós. Mas como estão nossas relações com nossos rebentos?

DISCUTIR A RELAÇÃO – Como anda seu casamento? O respeito, a cooperação no ambiente de trabalho? Como é sua comunidade, seu vizinho? O perigo está embaixo de nosso nariz, dorme ao nosso lado, frequenta os mesmos lugares que nós. Onde faltam humanismo, fraternidade, amor ao próximo, perdão, respeito às diferenças, empatia, seremos testemunhas passivas de tragédias ou vítimas inocentes delas.

Entender nossa imperfeição, encarar nossa incompletude, assumir-nos transitórios, pecadores, aprendizes da vida são atitudes libertadoras, tudo isso é um primeiro passo.

TRABALHO PESADO – A paz, a felicidade, a serenidade são um trabalho pesado, cotidiano, eterno. Íntimo e pessoal. Só então, e se é que, compreenderemos esta época difícil de mudanças profundas por que passa nossa civilização.

Sempre fomos brutais. O que mudou é a visibilidade. A delicadeza, a lapidação de mentes e almas é um trabalho de formiguinha. Imperceptível, silente, constante. E creia, não dá Ibope.

PMDB-MG sugere a Temer deputado de 81 anos para substituir Imbassahy

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Perto dos 82 anos, Borges luta para ser nomeado

Deu no Estadão

A bancada do PMDB de Minas Gerais quer emplacar o deputado Mauro Lopes (PMDB-MG) como ministro da Secretaria de Governo. O nome do parlamentar foi levado ao presidente Michel Temer na semana passada pelo primeiro vice-presidente da Câmara e coordenador da bancada mineira, Fábio Ramalho (PMDB-MG).

Segundo auxiliares de Temer, o presidente já bateu o martelo sobre trocar o atual titular da Secretaria de Governo, o deputado licenciado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), na reforma ministerial que está fazendo. Por ter uma relação próxima com Temer, o tucano pode ser realocado para o Ministério da Transparência ou Direitos Humanos.

APOIO ESTADUAL – “A bancada de Minas sugeriu o nome do Mauro Lopes. Levei ao presidente e ele viu com bons olhos”, afirmou Ramalho ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. O peemedebista se reuniu com Temer na última terça-feira, um dia após o presidente anunciar que estava articulando uma reforma ministerial.

Segundo Ramalho, Lopes se comprometeu a não ser candidato em 2018, caso seja escolhido ministro. O deputado está no sexto mandato consecutivo na Casa atualmente. Ele já foi ministro da Secretaria da Aviação Civil (SAC) por um mês em 2016 e deixou o cargo na véspera do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

CONCORRENTE – Além de Mauro Lopes, outro nome cotado para assumir a Secretaria de Governo é o do ex-deputado João Henrique Sousa (PMDB-PI). Desde que Temer assumiu o governo, Sousa preside o Conselho Nacional do Sesi. No governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ele foi ministro dos Transportes.

Como mostrou o Broadcast Político no sábado, 18, Temer já optou pela nomeação do deputado Alexandre Baldy (Sem partido-GO) para o Ministério das Cidades. Ele vai substituir o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), que pediu demissão do posto na última segunda-feira, desencadeando a reforma ministerial.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O ministério pretendido é justamente o que executa a articulação política com o Congresso Nacional. O deputado Mauro Borges caminha para os 82 anos e vai completar 24 anos de mandatos consecutivos na Câmara. Mesmo assim, continua a ser um ilustre desconhecido na política nacional e sua nomeação representaria uma renovação de valores, como se dizia antigamente. (C.N.)

Lula tira onda e garante que “não vai ser difícil ganhar as eleições de 2018″

Lula

Lula disse que Bolsonaro tem direito de ser candidato

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (19), que “não vai ser difícil” ganhar as eleições presidenciais de 2018, mas defendeu uma mudança de estratégia dos partidos de esquerda para barrar as propostas do governo Michel Temer no Congresso. Ele avaliou que a oposição está fragilizada e lamentou que não tenha conseguido barrar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e propostas que, na sua avaliação, representam um retrocesso com relação aos avanços das gestões petistas, como a reforma trabalhista.

“Éramos contra reforma trabalhista, e ela aconteceu, éramos contra a Previdência, e se não tomarmos cuidado, vai acontecer”, disse o petista, ao discursar no Congresso do PCdoB. Lula afirmou que o governo Michel Temer é “fraco” e, por isso, se submete “aos interesses do mercado”. “Nenhum presidente fraco é respeitado”.

DESMONTE – “Os congressistas que estão votando pelo desmonte não têm compromisso conosco. Nunca vi tanto deputado reacionário, tanto troglodita, e se não tomarmos cuidado vai piorar na próxima eleição”, disse.

Ele declarou que é preciso evitar a aprovação da reforma da Previdência, que “está acontecendo concomitantemente com o desmonte da Petrobras”. “Não tenho mais idade de ficar criando movimento ‘fora Temer’ e ele estar dentro, de ficar gritando não vai ter golpe e ter golpe. Vamos ter que parar de gritar e evitar que isso aconteça mesmo. Isso não pode continuar acontecendo debaixo da nossa barba.” Segundo ele, estão querendo desmontar a Petrobras porque “eles não são políticos, são usurpadores.” E continuou: “Eles não têm compromisso com o povo brasileiro, querem fazer o desmonte, destruir o BNDES, a Eletrobras, a Caixa, desmontar a cidadania.”

TEIMOSIA – No discurso, Lula disse que, se não fosse pela sua teimosia e a do PT, não teria chegado à Presidência da República. E que provou que era possível a esquerda transformar este País, citando melhorias em salário, educação e na própria inserção do Brasil no exterior. “Deixamos de falar ‘fino’ com os Estados Unidos.” “Tiramos o País do mapa da fome.” E lamentou que o sonho que a gestão petista sonhou “infelizmente está sendo aos poucos desmontado”. “Estava tudo preparado para o Brasil se tornar a 5ª economia do mundo.”

Lula fez um discurso pela unificação da esquerda no País e de incentivo à candidatura da deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila à presidência da República, durante congresso do PCdoB realizado neste domingo. Ele chegou ao evento por volta do meio-dia, acompanhado da presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), e sentou ao lado da pré-candidata Manuela D’Ávila e do governador Flávio Dino (MA), ambos do PCdoB. Ele destacou que a candidatura dela não deixa “rusgas” na relação do PT com o PCdoB.

VALE A PENA – “Manuela, mesmo quando a gente faz uma campanha que a gente não ganha, se a gente fizer uma campanha ideologicamente bem feita, bem organizada, e a militância for para a rua, quero dizer que vale a pena ser candidato. Da minha parte, a única coisa que vão estranhar daqui para frente é um belo dia eu aparecer em algum dos comícios da Manuela.”

Ele disse que apoia que outros partidos também lancem candidatos, mas rejeitou a tese de que Geraldo Alckmin (PSDB) seria um candidato de centro. “Não podem dizer que Lula é de extrema esquerda, que Jair Bolsonaro é de extrema direita, e que é preciso achar o caminho do meio. Quem convive com Bolsonaro sabe quem ele é, que é mais do que extrema direita, mas ele também tem direito de ser candidato.”

FORTE LEGADO – Lula disse ainda que somente partidos com legado terão chance de vencer a próxima eleição presidencial, e lembrou que PT e PCdoB construíram um forte legado nos últimos 30 anos, desde a campanha presidencial de 1989, citando conquistas do seu governo.

“Por isso temos que governar o País sem querer ser governante, a gente tem que ouvir o povo, o povo sabe, nós só temos que ter coragem de perguntar.” Ele defendeu ainda a regulação dos meios de comunicação e distribuição de riquezas. “Quero meios de comunicação onde todos possam se manifestar.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGLula estava delirante e generoso. Chegou a dizer que Jair Bolsonaro tem todo direito de se candidatar a presidente. É uma afirmativa óbvia, pois qualquer cidadão que não tenha direitos políticos tem todo direito de se candidatar. Esse direito só cessa quando o cidadão fica incurso na Lei da Ficha Limpa. É exatamente o que vai acontecer com Lula, quando for condenado em segunda instância pelo TRF-4, no ano que vem. (C.N.)

Desemprego, menores salários e desigualdade também são “coisas de preto”

Não entrevisto negros': a vítima por trás da denúncia viral que expôs preconceito em busca de emprego --- Racismo se perpetua na sociedade brasileira, dentro e fora das empresas

Há um abismo entre brancos e negros no país

Bernardo Mello Franco
Folha

Nesta segunda-feira, será comemorado o Dia da Consciência Negra. A data foi criada para lembrar a luta contra a escravidão e a desigualdade que ainda separa brancos e negros no Brasil. Quem pensa que este debate é desnecessário deveria dedicar alguns minutos do feriado à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada pelo IBGE.

A nova versão do levantamento informa que pretos e pardos somam 63,7% dos desempregados. Isso equivale a um exército de 8,3 milhões entre os 13 milhões de brasileiros que procuram trabalho. Apesar da leve melhora da economia, a taxa de desemprego de pretos e pardos ainda alcança 14,6%. É um índice muito superior ao registrado entre trabalhadores brancos: 9,9%. A média nacional está em 12,4%.

MUITAS DIFERENÇAS – As diferenças também persistem entre a população ocupada. De acordo com os números da PNAD Contínua, pretos e pardos ganham menos, ocupam vagas piores e têm menos estabilidade no emprego.

O rendimento médio desses brasileiros é de R$ 1.531, enquanto o dos brancos chega a R$ 2.757. Pretos e pardos somam 66% dos trabalhadores domésticos e 66,7% dos vendedores ambulantes, mas representam apenas 33% dos empregadores.

ATRASO ABSURDO – Em setembro, a Oxfam Brasil informou que o país ainda levaria sete décadas para equiparar o rendimento dos negros ao dos brancos. Segundo o estudo, os dois grupos só devem se igualar em 2089 – mais de dois séculos depois da Lei Áurea. Agora a projeção parece ter sido muito otimista. De acordo com a PNAD, a desigualdade voltou a crescer nos últimos 12 meses.

Na semana passada, o Brasil debateu o caso do apresentador de TV que foi afastado após se referir a um buzinaço como “coisa de preto”. O episódio mostrou que discutir o racismo ainda é importante e necessário. A pesquisa do IBGE nos lembra que também precisamos cobrar políticas públicas para combater a discriminação e tornar o país menos desigual.