Possibilidade da candidatura de Joaquim Barbosa causa pânico no Planalto (e no PT)

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Carlos Newton

O grande jornalista Carlos Chagas registrou, aqui no Blog da Tribuna, que em Brasília não se fala em outra coisa, desde que foi decretada a prisão dos mensaleiros . Os rumores são de que Joaquim Barbosa pediria aposentadoria em março, para sair candidato a presidente da República.

Essa especulação atingiu em cheio o Palácio do Planalto e o PT. É tudo que a presidente Dilma Rousseff não quer ouvir. Ela continua apostando que o as pesquisas serão favoráveis e o PT vai lhe garantir a legenda. Mas se Joaquim Barbosa entrar na disputa, como se especula na capital, o quadro muda inteiramente.

A presidente Dilma realmente tem motivos para se preocupar. O ministro Barbosa parece estar em campanha 24 horas por dia. Ontem, Dia Nacional da Consciência Negra, ele apareceu em grande destaque na principal coluna de O Globo (de Ancelmo Gois), que é reproduzida em um número enorme de jornais espalhados pelo Brasil. Com chamada na primeira página, foi publicado um texto assinado por Barbosa, incisivo e fortíssimo, sobre a situação dos negros em nosso país. Nada mais eleitoral do que isso.

DE CABEÇA PARA BAIXO

Se Barbosa realmente for candidato, o cenário eleitoral vira de cabeça para baixo, ninguém sabe o que poderá acontecer. O partido ao qual ele se filiaria nem interessa. Não lhe faltam legendas, e certamente não foi por mera coincidência que o PDT anunciou na semana passada que está desembarcando da candidatura de Dilma, a pretexto de um possível apoio ao governador Eduardo Campos. Será um despiste? Dizer uma coisa e fazer outra?

Lula está na expectativa, porque a candidatura de Barbosa significaria o fim das pretensões de Dilma à reeleição. A eleição, com certeza, iria para o segundo turno. Por isso, o PT teria de recorrer a ele como salvação da lavoura.

Ser candidato é tudo que Lula deseja, mas sabe que enfrentar Joaquim Barbosa será uma empreitada muito difícil do que simplesmente atropelar Aécio Neves (ou Serra) e Eduardo Campos (ou Marina), o que até Dilma consegue.

Bem, este é o quadro atual. Parodiando a genial escritora britânica Virginia Woolf, podemos perguntar: “Quem tem medo de Joaquim Barbosa?” E a resposta será: “Todos, inclusive Lula, que de certa forma se beneficia com a candidatura do presidente do Supremo”.

Do Encantado à Papuda

Tereza Cruvinel
(Correio Braziliense)

Os ministros do STF parecem ter lavado as mãos, delegando todas as providências relacionadas ao cumprimento de penas dos condenados da ação penal 470 à decisão monocrática do ministro presidente Joaquim Barbosa. Na sessão de ontem, nenhum deles abordou o assunto ou questionou os procedimentos adotados, que vêm tendo a legalidade questionadas por juristas e políticos. Estariam todos extenuados pelo julgamento e decididos a evitar novos e desgastantes conflitos com Barbosa, ouve-se de interlocutores de alguns deles. Por ora, evitarão questionar Barbosa inclusive em relação ao pedido de prisão domiciliar a José Genoino, embora alguns estejam sensibilizados. “Vou decidir logo”, afirmou o ministro, de relance, ao advogado de defesa que o abordou no intervalo da sessão.

O tempo, no caso de Genoino, pode ser decisivo. Embora muda em relação às prisões, até a presidente Dilma permitiu-se ontem manifestar preocupação com a situação dele. Têm circulado informações incompletas ou imprecisas sobre seu estado de saúde. Ora dizem que ele fez uma cirurgia cardíaca, ora que sofreu uma isquemia cerebral. É tudo isso e algo bem mais grave. Já tendo colocado stents no coração, no ano passado, por conta de bloqueios coronarianos, este ano Genoino sofreu uma deseccção da aorta. Isso significa o descolamento das duas paredes da principal artéria do corpo humano, que sai do coração levando o sangue bombeado para outros vasos. Quando ela se rompe, por conta de aneurisma ou de deseccção, a caudalosa hemorragia interna causa morte imediata.
Genoino, que estava em Ubatuba quando passou mal, conseguiu chegar vivo a São Paulo, antes da ruptura, sendo operado imediatamente. Mais de 10cm de aorta danificada pela ocorrência foram trocados por uma prótese, algo como uma mangueira plástica. Ela é que tem garantido sua sobrevivência. Stents, próteses internas, marcapassassos e similares precisam ser monitorados para não se deslocarem ou romperem. A pressão arterial elevada pode contribuir para isso. Ele é hipertenso, teve picos de pressão alta na viagem e na primeira noite na Papuda. Isso está documentado, os laudos são minuciosos. Inclusive os periciais, feitos agora a pedido da Justiça. A informação correta sobre seu quadro de saúde é importante para a decisão de Barbosa e para afastar suspeitas de que se trate de “manobra” para sair da prisão.

Fora isso, a prisão de um homem como Genoino, nestas condições, tem algo de desconcertante, embora externar isso não seja de bom tom, e por isso poucos o fazem. O tempo continua sendo de pensamento e sentimento único. E o pensamento e o sentimento corretos parecem ser o de aprovar e aplaudir. Como todos os ministros que o julgaram o condenaram, exceto Ricardo Lewandowski e inclusive Toffoli, que serviu ao governo Lula, estão sendo coerentes na indiferença. Genoino foi condenado por corrupção ativa por, supostamente, ter participado de um esquema de “compra de votos” no Congresso. Afinal, ele era o presidente do PT, embora não tenham surgido provas de que ofereceu “vantagem indevida” a este ou aquele deputado.
Foi condenado por formação de quadrilha por ter assinado promissórias de empréstimos tomados pelo PT junto ao Banco Rural. À CPI dos Correios, ele disse ter concordado com a operação de crédito proposta por Delúbio para atender às urgências financeiras de um partido endividado, apostando na nova cota do fundo partidário, que é paga semestralmente. Antes o partido tinha 45 deputados. Em 2002, elegeu 92. Logo, passaria a receber em dobro. E de fato, as cotas serviram para saldar os primeiros empréstimos. Hoje a cota do PT é de mais de R$ 2 milhões mensais. Mas as demandas financeiras prosseguiram, e novos empréstimos foram feitos, já em nome das empresas de Valério. Embora condenado como corruptor e quadrilheiro, Genoino continuou vivendo modestamente, na casa do Butatã onde, por falta de espaço, cultiva um jardim vertical, em vasos colados no muro lateral.

No final de 2006, depois do alarido do mensalão em 2005, e da inclusão de seu nome entre os 40 denunciados pelo procurador-geral Antonio Fernando ao STF, Genoino visitou seus pais, que continuam vivendo como camponeses num distrito de Quixeramobim (CE). Na noite de Natal, seu pai, já octogenário, pediu licença para lhe dizer que não conseguia entender a vida do filho, segundo relato do próprio Genoino: “Você vivia aqui no Encantado com a gente, trabalhando na roça. Aos 13 anos, com a ajuda do padre, foi estudar em Senador Pompeu. Foi para a faculdade em Fortaleza, pensamos que ia virar doutor. Mas você largou tudo e foi fazer guerrilha contra os militares. Foi preso, sofreu tudo aquilo. Mais tarde entrou para o PT, virou deputado e amigo do Lula. Agora vai ser preso de novo? Que crime é este que você cometeu”. Para o velho camponês, e para quem conhece Genoino, não é mesmo fácil compreender.

Dirceu e seus companheiros não merecem o menor respeito

Cesar Benjamin

Estou ficando cansado de receber mensagens, dizendo que Dirceu e seus companheiros merecem respeito.

Um homem que foi, durante muitos anos, presidente do PT, peça-chave na montagem de governos e principal ministro, tendo nomeado pessoalmente milhares de funcionários, não pode, de repente, se transformar em “consultor” de grandes empresas que têm grandes negócios com o governo.

Dirceu não tem nenhum preparo técnico específico e nenhuma experiência empresarial. Sua “empresa” de consultoria não tem corpo técnico. Mesmo assim, foi contratado por grandes empresas de todos os setores, de petróleo (incluindo Eike Batista) a bancos, de telecomunicações a mineração, de empreiteiras a planos de saúde privados. Ficou milionário.

A única mercadoria que tinha para vender, é claro, eram bons contatos no aparelho de Estado. Isso é extensivo a Lula e a todos os integrantes do núcleo duro do lulismo. Não merecem respeito, não. Que militante se manterá íntegro, olhando para cima e vendo esses exemplos? Esses caras deformaram o conceito de militância e formaram a pior geração da história da esquerda brasileira, a que aí está. Uma geração de arrivistas da pior espécie, à imagem e semelhança dos seus líderes.

(enviado por Mário Assis)

O campo da representação


Gaudêncio Torquato

Os deputados representam o povo e têm como função primordial elaborar leis. A função abriga os mais jovens, podendo assumir o mandato cidadãos a partir de 21 anos. Já os senadores só podem chegar ao Senado após os 35 anos, cumprindo a missão de representar os Estados e revisar os atos da Câmara, embora conservem também a prerrogativa de fazer leis.

O Senado está, a cada nova legislatura, mais renovado. Expande-se o número de senadores de menos idade. Já a média de idade dos 513 deputados eleitos no último pleito é de 51 anos. A Casa dos deputados, portanto, exibe mais rebocos. Não é mais tão nova. A mudança mais significativa, porém, refere-se à morfologia da representação dos congressistas em face da intensa organicidade por que passa a sociedade brasileira.

Vale observar inicialmente o princípio básico da Carta Magna, cujo § único do artigo 1º reza: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. O poder dos governantes numa democracia é dado pelo povo e por ele pode ser retirado. E o que é o povo? É a pessoa comum, o sujeito pleno de direitos ou, na expressão de Bobbio, “o conjunto de cidadãos que mantém vínculos políticos e jurídicos com o Estado”.

Ortega y Gasset explica que a sociedade é sempre uma unidade dinâmica de dois conjuntos: minorias e massas, sendo estas constituídas por pessoas não especialmente qualificadas. O que não significa que as massas devam ser entendidas apenas como “massas operárias”, como é costume ler. Daí a assertiva acentuada do filósofo de que a massa é “o homem médio”, um tipo genérico, não diferenciado de outros. A observação faz-se necessária para caracterizar o objeto da representação dos deputados. Seu foco é o cidadão, esteja ele em qualquer das bandas classificadas por John Stuart Mill: a dos passivos (dóceis, indiferentes, manipuláveis) ou a dos ativos (educados, conscientes, participativos).

REPRESENTAÇÃO

A mudança na forma de representação tem que ver com a passagem de uma sociedade de massas para uma sociedade assentada em grupamentos, núcleos, setores, categorias. Se a civilização do século XIX produziu o “homem-massa”, como apregoava Gasset, é razoável apontar neste segundo decênio do século XXI a emergência do “homem-cidadão”, ator central nos novos circuitos de representação.

O espectro parlamentar deixa transparecer a nova realidade. Na Câmara tornou-se rotina classificar as bancadas setoriais, como as dos empresários, trabalhadores, ruralistas, evangélica, entre outras. Ora, a repartição dos conjuntos da representação por setores ou grupos escancara a crescente organicidade social no país, decorrência da conquista de direitos, principalmente pós-Constituição de 1988; da elevação dos padrões educacionais; da ascensão social e econômica de milhões de brasileiros; e da abertura das redomas dos Poderes, com maior acesso das pessoas aos canais do Executivo, Legislativo e Judiciário.

O povo não é uma ficção. Pouco a pouco começa a entender que sua representação compõe também a elite política. Nesse sentido, a morfologia representativa das Casas congressuais ganha as tintas da pluralidade. O Brasil tem avançado, sim, no campo da representação. (transcrito de O Tempo)

Os ossos do ofício

Sylo Costa

A expressão “ossos do ofício” diz respeito às dificuldades inerentes ao exercício de uma atividade, função, profissão etc. Mas existem outros tipos de ossos, também ligados ao ofício, que viraram moda: mensaleiros de todos os tipos, inclusive aqueles do PT que se dizem presos políticos na democracia deles, e de outro, que procura dedo em cabeça de cavalo pela evidência da teoria do “domínio do fato”.

Não bastasse o Vaticano anunciar que os restos mortais de São Pedro, fundador da Igreja Católica, serão expostos ao público no fim deste novembro para celebrar o encerramento do Ano da Fé, evento que contará com o popular papa Chico, aqui no Rio Grande do Sul está um furdunço com o “revival” petista da exumação dos restos mortais de João Goulart (Jango) para uma autópsia política que poderá até provar que o ex-presidente foi assassinado e, assim, se tornar um “plus” para a subversão da história.

O governador do Rio Grande, o teórico terrorista Tarso Genro (e teórico porque não se sabe dele durante a revolução), protetor do terrorista italiano Cesare Battisti, está convencido de sua reeleição se peritos que vieram de Cuba – país fornecedor de mão de obra escrava –, especialmente para demonstrar a tese do assassinato, conseguirem cumprir a missão com êxito. Todavia, se não encontrarem nenhum pozinho que tenha envenenado o ex-presidente, os experts cubanos, gente boa e teleguiada, certamente terão de enfrentar, ao regressarem à ilha, o “paredão do big brother” cubano. Os ossos de Jango podem, assim, se tornar os ossos do ofício dos cubanos.

DOIDO VARRIDO

Se no Sul temos o Tarso Genro, no Norte, além-fronteiras, temos o Maduro, doido varrido, conversando com os ossos de Chaves e presidindo a Venezuela, não de fato, mas de direito, sustentando as teses bolivarianas, verdadeiros ossos do ofício.

E, por falar em direito, esqueci que dormir de barriga cheia me causa pesadelos e, desta vez, não foi diferente: sonhei um sonho mal sonhado, tudo por causa da meia prisão dos mensaleiros.

Alguns ministros que votaram pela prisão aberta daqueles que, absurdamente, tiveram seus embargos infringentes recebidos pelo Supremo, num dia qualquer, votarão pela continuidade da prisão aberta e, aí, arranjarão um atestado de bom comportamento para Dirceus e Genoinos da vida e relaxarão a prisão de quase todos ou de todos eles. Isso é tão certo “feito boca de bode”, com votação de 6 a 5, os mesmos que votaram pelo recebimento dos embargos, com um discurso didático de duas horas do ministro Barroso e conclusão lógica: “já que está, deixa ficar”.

Depois dessa, os ministros dirão como um vereador meu amigo dos tempos de militância: “E se argum furastero de terra estranha preguntá se foi nós qui fundemo essa instituição, que nós tá inagorano, nós tudo responde com uma boca só: fumo!”. (transcrito de O Tempo)

Falta trabalho e empenho para combater a dengue

http://www.biorosario.com.br/adm/files/charges/231/biorosario1.jpgPedro do Coutto

Reportagem de Laura Antunes Bertolucci, O Globo de quarta-feira, 20, revelou o crescimento dos casos de dengue no Rio de janeiro e no país, acentuando que, de 2012 a 2013, registrou-se uma taxa de mortes 96% e a elevação de 65% nos casos graves. Estão faltando trabalho e empenho do Poder Público de modo geral para enfrentar tal quadro que sempre se agrava, como todos sabem, no verão especialmente em consequência das chuvas. Nas águas estagnadas, os mosquitos proliferam. O trabalho para enfrentar a doença transmissível inclui, como sempre assinala Elena, minha mulher, uma campanha permanente. Mas não. As autoridades sanitárias não atuam preventivamente. Agora, em função da reportagem, vão se mobilizar. Em todo o país, este ano, foram notificados 217,8 mil casos. Ocorreram 573 mortes, quase o dobro do total registrado em 2012.

Uma epidemia cujos números faziam prever. Em 2010 os casos registrados foram 26,8mil. Três anos depois, alcançaram 217,8 mil. As redes públicas, em consequência, passaram a se defrontar com sobrecarga maior adicionada às deficiências que já apresentam. Todas as semanas, os jornais e redes de televisão destacam as falhas que se sucedem e permanecem sem solução. Macas com pacientes nos corredores, falta de remédios, de equipamentos, déficit de médicos, neste caso ao ponto de o governo federal ter recorrido à importação de outros países. Não poderia haver confissão maior de precariedade no atendimento. Os recursos financeiros são pequenos para a dimensão das tarefas. As perdas de medicamentos se acumulam, muitas vezes por descaso. Um desastre.

 A todo esse quadro extremamente crítico acrescente-se o problema da dengue que poderia ser substancialmente diminuido caso os dirigentes públicos se empenhassem efetivamente na tarefa permanente que começa pelo saneamento dividido em várias escalas. A mais simples impedir a proliferação de pneus velhos contendo águas acumuladas. Ação dos tradicionais matamosquitos que desapareceram dos bairros e das ruas. O trabalho permanente exige esforço para valer, sobretudo levando-se em conta o aumento natural da população brasileira. Com a taxa demográfica em torno de 1% ao ano, a cada doze meses são mais 2 milhões de crianças que nascem.

INCIDÊNCIA SOCIAL

O empenho, portanto, tem que apresentar mobilidade pelo menos igual para que a doença causada pela contaminação do mosquito não vença a corrida entre a prevenção e sua incidência social. Esse enfoque não foi considerado, como a reportagem demonstrou. Pois se fosse, de 2010 a 2013, os casos atestados não teriam crescido tanto no Rio de janeiro e no país. Os casos diagnosticados, pois quanto sequer teriam sido objeto de registro adequado?

E isso ainda não basta para se analisar todas as consequências. As medicações aplicadas foram as corretas? Sim porque necessário incluir-se erros humanos na média dos atendimentos sobretudo num país como o nosso que não possui médicos suficientes para atendimento gratuito à população. E a maioria dos habitantes, como é natural, não possui condições de recorrer a uma assistência particular. É preciso não esquecer que uma grande parcela de planos de saúde foi penalizada pelo não cumprimento de suas obrigações. Se isso acontece na área pelo menos não totalmente, que dirá na esfera da renda familiar ainda mais reduzida? A prevenção é insubstituível. Mas exige trabalho e empenho de verdade.

A poesia livre e espontânea de Rachel de Queiróz

A romancista, contista, tradutora, jornalista e poeta cearense Rachel de Queiróz (1910-2003), em “Geometria dos Ventos”, mostra a poesia livre, sem limites de idioma, espontânea.
GEOMETRIA DOS VENTOS
Rachel de Queiróz

Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada –
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.
Onde se conta uma história,
onde se vive um delírio; onde a condição humana exacerba,
até à fronteira da loucura,
junto com Vincent e os seus girassóis de fogo,
à sombra de Eva Braun, envolta no mistério ao mesmo tempo
fácil e insolúvel da sua tragédia.
Sim, é o encontro com a Poesia.

           
           (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

No táxi com Mussa, viajando por Israel

 Jacques Gruman

O macaco volta à cena/E pergunta pro homem:
/Acha que valeu a pena ? (Millôr Fernandes)

Puxamos papo. O motorista de táxi portenho devolveu de bate-pronto e nos deu uma aula sobre a situação política e econômica da Argentina. De quebra, sugeriu uma sorveteria alternativa àquela para a qual nos dirigíamos. Mencionou um racha entre os sócios, que acabou parindo uma nova loja, “muito melhor do que essa outra”. Não era lorota. A tal dissidência era excelente e viajamos ao céu de Buenos Aires acompanhados de um precioso helado de dulce de leche.

Motoristas de táxi podem render ótimas histórias. Na recente viagem a Jerusalém, conheci Mussa. Íamos ao Museu de Israel e ele, falador, começou a fazer ofertas de tours que não nos interessaram. Apresentou-se como Moisés, mas, perguntado sobre o colar de contas que manuseava e o sotaque inconfundível, confirmou ser muçulmano. O Moisés era, na verdade, Mussa. Um pouco hipnotizados por sua lábia milenar, combinamos uma corrida para o dia seguinte, que nos levaria a Tel Aviv. Na hora marcada, lá estava ele. Pegou a estrada e, de repente, saiu dela, embrenhando-se numa via lateral. Sequer nos perguntou se estávamos com pressa, deve ter deduzido que o que tinha para nos mostrar valia a pena. A tal via, exclusiva para veículos israelenses e vedada a palestinos (Mussa é cidadão israelense), passava entre pequenas colinas, cidades e vilarejos palestinos. De repente, estávamos ladeados por cercas e muros nos separando daquelas construções e lavouras pobres.

Paramos num posto de controle israelense. Militares entediados fazem um gesto, o táxi para e abre a mala. Um ritual que Mussa está habituado a enfrentar, mas que não deixa de ser constrangedor para quem está ali de passagem. Mussa vai dizendo os nomes daqueles aglomerados humanos. Uma navalha de asfalto corta a comunicação entre eles e revela, silenciosamente, a face estúpida, humilhante e segregacionista da ocupação. Se teu veículo tem placa verde, que identifica a origem palestina, um percurso que poderia levar quinze minutos se a estrada principal tivesse livre acesso passa a consumir três vezes isso.

NÓS E ELES

No início, Mussa, carteira de identidade israelense, fala de Israel como “nós”. Aos poucos, entretanto, banhado naquela paisagem torturante, transita para um “eles” doloroso mas compreensível. No rádio, noticiário e música em árabe, ondas hertzianas geradas em Ramallah. A conversa continua. Sabem de uma coisa ?, papeava Mussa, nenhum palestino pode embarcar no aeroporto Ben Gurion (o maior de Israel, em Tel Aviv). Quando precisam viajar, são forçados a passar pela fronteira jordaniana e usar o aeroporto de Aman. Seu tom de voz não se altera, mesmo passando uma informação que desenha o inferno cotidiano de um povo asfixiado. Resignação ? Talvez. Ele diz que não votaria nas eleições municipais do dia seguinte. Não se sente representado. Os árabes israelenses que residem em Jerusalém costumam boicotar eleições. Lá, como de resto em outros lugares, há pouquíssima integração entre judeus e árabes. Jerusalém Oriental é tão maciçamente árabe e à parte que torna risível a reivindicada “reunificação” da cidade depois da guerra de 1967. Só a violência mantém a aparência de “unidade”.

Chegamos em Tel Aviv. Mesmo reclamando de dor nas costas, Mussa nos ajuda a desembarcar as malas. Abraça-nos com afeto, entra no táxi e volta para suas paisagens, suas histórias, para sua vida dura. De uma certa forma, que não percebi de imediato, inaugurou uma outra visita, que faríamos dias depois. Desta vez, rumo às colinas do Golã, território sírio ocupado por Israel em 1967.

Viajar ao Golã não é apenas uma aula prática de geopolítica. Depois de passar por casamatas e campos minados, chega-se ao cume, de onde, antes de 1967, os soldados sírios tinham uma visão privilegiada para atingir o outro lado da fronteira. Dali se descortina uma paisagem que, ao lado de um deslumbramento imediato, convida à revolta. Revolta pela estupidez humana. Eu, minúscula cabeça de um prego, via quatro países separados por marcos ilusórios, tênues linhas criadas pela intolerância e pela incapacidade de compartilhar. Fronteiras artificiais, monumento imoral a diferenças plantadas pela cobiça e pelo supremacismo.

DIFERENÇAS ABISSAIS

Enquanto meu olho esquerdo fotografava o mar da Galileia, a velha Tiberíades e o charco-que-chamam-de-rio Jordão, o direito afundava em terras sírias não cultivadas e na silhueta opaca de montanhas libanesas. Que diferenças tão abissais separam os que vivem ali ? O que impede um aldeão libanês de pegar a estrada e convidar um pastor sírio e um kibutznik israelense para um chá, um prato de hummus, uma rodada de críticas aos governos, quaisquer governos ? Tal como Mussa e o chofer portenho, não teriam histórias para compartilhar ? No discurso em que recebeu o prêmio Nobel de Literatura, o escritor turco Orhan Pamuk disse que escrever é “reconhecer as feridas secretas que carregamos, tão secretas que mal temos consciência delas, e explorá-las com paciência, conhecê-las melhor, iluminá-las, apoderar-nos dessas dores e feridas e transformá-las em parte consciente do nosso espírito e da nossa literatura”. Será que algum dia os povos daquela região se libertarão das monumentais camadas de lodo acumuladas pelas classes dominantes durante séculos e, de olhos abertos, iniciarão um processo de (re)conhecimento, armados apenas com a fome de viver, de descobrir, de iluminar ? Já fui arrogante o suficiente para responder categoricamente: claro que sim ! Hoje, não sei dizer.

Mexer na dor, no ódio, nas angústias, em sentimentos socialmente condenados, não é exercício banal. Visitei a sala das chamadas pinturas negras de Goya, no museu do Prado, em Madri. São cerca de duas dezenas de obras magistrais, livres das quadraturas clássicas e das amarras contratuais da nobreza. A história é a seguinte. Goya adquiriu uma propriedade nos arredores de Madri e lá ficou por algum tempo. Depois de sua morte, descobriram-se os quadros que hoje estão no Prado. Ele jamais os mostrou a ninguém.

São figuras e situações pintadas sem filtros embelezadores, hoje diríamos sem photoshop. Nada de poses artificiais, nada de rostos maquiados, nada de situações solenes. São velhos machucados pela vida, rituais satânicos a evocar a fragilidade humana, imagens assustadoras inspiradas na mitologia grega, rostos em transe. Parece que Goya resolveu fazer o movimento de introspecção sugerido por Pamuk. De suas entranhas expeliu demônios, terá ficado mais leve ? Pesada está a Europa, em seus flertes recorrentes com a xenofobia, que acaba de mandar lembranças para o Felipão. Matou no peito e distribuiu botinadas a rodo. O episódio Diego Costa, já fartamente comentado, é apenas sintoma do autoritarismo que habita a CBF. O técnico, que já foi flagrado ordenando que seus zagueiros batessem nas canelas dos adversários, ressuscita palavras de ordem da ditadura e antecipa o ufanismo programado para 2014. Jogadores de futebol são trabalhadores, com direito de buscar melhores condições de trabalho em qualquer parte do mundo. Camisa da seleção brasileira não é uniforme militar. Chuteira não é coturno.

Câmara é notificada pelo SUPREMO e iniciará processo de cassação de Genoino

Da Agência Brasil

Brasília – A Câmara dos Deputados foi notificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as prisões decretadas na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Com a decisão, a Mesa Diretora da Casa dará andamento a partir de amanhã (21) ao processo de cassação do deputado federal José Genoino (PT-SP), único parlamentar entre os 11 condenados que estão presos na Penitenciária da Papuda, em Brasília.

De acordo com a decisão do STF, Genoino deve perder o mandato automaticamente por ter sido condenado no processo. No entanto, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse hoje (20) que o processo seguirá a mesma tramitação ocorrida no caso do deputado Natan Donadon (sem-partido-RO). A Mesa dará início ao processo, que seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Uma vez aprovado, o processo será deliberado pelo plenário da Casa.

Após o STF ter condenado Donadon a 13 anos de prisão por peculato e formação de quadrilha, o plenário da Câmara, em votação secreta, absolveu o deputado no processo de cassação de mandato. Foram 233 votos favoráveis ao parlamentar, 131 votos contrários e 41 abstenções. Ele também está preso na Papuda.

O PENSAMENTO (MUITO) VIVO DE EIKE BATISTA

Augusto Nunes
(Site da Veja)

1… “Minha missão é ajudar o Rio e o Brasil”.

2… “Criei uma sigla que resume um dos um mandamentos para gerir bem uma empresa. É o PPI, ou Projeto à Prova de Idiota. Toda empresa, em algum momento, será comandada por um idiota, nem que seja por pouco tempo. Sabendo disso, nós montamos empresas que possam sobreviver aos idiotas. Meus ativos são à prova de idiotas”.

3… “Meu destino é lapidar diamantes brutos”.

4… “Por que só jogador de futebol e dupla sertaneja podem aparecer? Sou empresário transparente, tenho que me mostrar mesmo”.

5… “Deus deixou o item ‘saber fazer dinheiro’ para o meu pote”.

6… “Tenho que concorrer com o senhor Slim (Carlos Slim, bilionário mexicano). Não sei se vou passá-lo pela esquerda ou pela direita, mas vou ultrapassá-lo”.

7… “Tenho um pacto com a Mãe Natureza. Eu perfuro e acho coisas”.

8… “Uma companhia precisa de movimento. Calmaria é bom para quem não quer sair do lugar” ..

9… “Um sonho é um sonho até que se acorde”.

10… “Eu, como brasileiro desta geração, digo com orgulho que o sucesso das minhas empresas não seria possível sem esse Brasil novo criado pelo presidente Lula”.

(artigo enviado por Mário Assis)

A importância do 5 de abril no futuro de Joaquim Barbosa. A exibição, a obsessão e a ambição, tudo que contaminou ou compartilhou o processo do mensalão. A prisão no Dia da República, premeditada? Hoje, Dia da “Consciência Negra”, escuridão total


Helio Fernandes

Parece que não existe outro assunto. Esse processo que começou estridente como mensalão e vai caminhando carinhosa, curiosa e contraditoriamente como “Ação 470”, é realmente muito importante. Mas não a ponto de ser tratado como fato único e intransferível. “Existem muito mais coisas entre o céu e a terra do que imagina a nossa vã filosofia”.

Apesar do embalo (provocado) das condenações, das prisões, das execuções, tudo isso está longe de ter chegado ao fim. E ainda estamos distantes do fim verdadeiro. Mais longe das modificações colaterais, que existirão, analisemos não o processo e sua quase conclusão (e também premeditação) . E sim aquele que surgindo do nada, se transformou (por premeditação?) no mais excepcional personagem individual destes 124 anos da República, que não é a dos nossos sonhos.

O ESTRATEGISTA DE NOSSA SENHORA

Em vez de mensalão, Ação 470, o maior julgamento de corrupção da História só deveria ter uma identificação: processo Joaquim Barbosa. Enquanto era apenas relator, foi conduzindo a tramitação com a importância relativa do cargo e os privilégios e superioridades que recebia. Mas com data marcada, assumida e consolidada: a posse como presidente do Tribunal, acumulando com a condição de relator.

Como os ministros (e todos os outros funcionários de qualquer nível) aos 70 anos têm que sofrer o que se chama de “expulsória”, Ayres Brito, presidente, tinha data para sair. E Joaquim Barbosa, vice, com a mesma data para entrar, pois a presidência é exercida por rodízio. Essa data e essa presidência-cumulativa, importantíssimas para Barbosa.

Não pela visibilidade que o exercício dos dois cargos proporciona, mas por tudo o mais que é alavancado pela exposição em todo tipo de mídia, a claridade que o holofote projeta sobre qualquer cidadão. Ainda mais, um cidadão que, além de relator do mais volumoso processo da História, preside e decide sobre o que ele mesmo relata. E pode comandar a estratégia capaz de levá-lo e elevá-lo ao único cargo mais importante do que o do presidente do Supremo Tribunal Federal.

JOAQUIM: O INVENTOR DE PALAVRAS

Assim que foi sorteado relator do mensalão (isso lá longe), Joaquim Barbosa começou a ser identificado, mas não desvendado. Suas principais referências ditatoriais começaram com a “invenção” (vá lá, popularização) de palavras que existiam, mas eram desconhecidas e ignoradas pela não utilização.

O plenário (e a comunidade de favelados jurídicos) levou um choque quando ouviu Joaquim Barbosa, sem consultar ninguém, dizer que o processo seria F-A-T-I-A-D-O. Foi  motivo de gozação. Os outros ministros não perceberam que era um golpe de mestre, como aconteceu no excelente filme com Paul Newman, com o mesmo título. Demoraram a entender, Joaquim Barbosa já empolgara o país todo com a popularização de outra palavra, retirada dos escombros do vernáculo: D-O-S-I-M-E-T-R-I-A.

(Até muitos sábios em Direito da Fundação Getulio Vargas, que dominaram as análises quase sempre pretensiosas a respeito do processo, ficaram desconcertados. Já estavam desconcertados em “ensinar” legitimidade, legalidade, credibilidade, humanidade, e condenar irregularidade, trabalhando numa instituição que carrega o nome do mais duradouro ditador individual da nossa História.)

Ainda antes da presidência sem obstáculos e apenas com objetivos, Barbosa fulminou a todos e mostrou suas intenções, com uma frase: “Vou dividir o julgamento em sete itens, para facilitar”. Ninguém divergiu. A impressão é que os ministros não tinham cacife, a não ser para concordar. E concordaram, com as exceções previsíveis e confirmadas.

“GENIAL”: AS PRISÕES NUM 15 DE NOVEMBRO,
APROVEITANDO O FERIADÃO DA REPÚBLICA

Como já deixei bem claro que só quero examinar o personagem principal, seu futuro e a consequente ou inconsequente repercussão para o país, essas decisões são mais importantes. E posso até chamar de “GENIAL” a desumanidade de encaixar os condenados nesse 15 de novembro, que para efeito de crueldade, durou 5 dias.

Começou no julgamento de quarta-feira passada, atravessou a quinta, sexta, sábado e domingo, todos sabem que depois do feriadão, o país só tem vida na segunda. E se essa ou essas vidas fossem colocadas em perigo, afinal, nada é eterno, pode acontecer até mesmo a tão apregoada, desejada e proveitosa R-E-N-O-V-O-L-U-Ç-Ã-O.

O próprio Joaquim Barbosa comunicou a ministros da sua maior intimidade ou predileção: “Estou trabalhando intensamente, dia e noite, para a execução das penas”. Nada disso, “menos” verdade de Sua Excelência. Era facílimo decidir. Quem foi condenado de 4 a 8 anos, regime semiaberto. Passando de 8, fechado. Menos de 4, domiciliar ou alternativo. Qual a dificuldade?

Falou também: “Tenho que examinar o que fazer com os condenados que só tiveram dois votos e entraram com embargos infringentes”. Ora, Barbosa se diz inflexível. Então, como o regimento interno do próprio Supremo é bem claro, nenhum problema, a decisão é automática.

BARBOSA NÃO FICOU EM BRASÍLIA,
FOI PARA O RIO, DOMICÍLIO ELEITORAL

Na quinta-feira pela manhã, véspera do “feriadão”, o presidente do Supremo veio para o Rio. Ele mora e trabalha em Brasília, mas vota e pode ser votado, se for o caso, no Estado do Rio. Em Brasília, sua repercussão e “presença” na mídia vista, lida e ouvida, estava garantida. Tratou de cuidar que se estendesse até o Rio.

Andou por lugares nunca dantes navegados, passeou pelo famoso Jardim de Alah, de “bermudão”, acenava para as pessoas, que retribuíam. Embora, reconheçamos, muitos iniciavam o cumprimento. Andou em locais tidos como populares, com um boné esportivo, só não teve coragem de usá-lo ao contrário, como fazem os mais jovens.

Foi almoçar num clube dos mais reacionários e racistas do Rio, sempre sozinho, não quer dividir o foco e a foto com ninguém. Não é sócio, não deixaram que pagasse. É aquele clube que só permite a entrada de babás se estiverem uniformizadas. Saiu satisfeitíssimo, jantou no restaurante mais caro do país, teve que pagar, não se incomodou. Seus problemas não começam nem terminam aí.

(Enquanto fazia turismo na antiga capital, as irregularidades se acumulavam. Mesmo distante, sabia de tudo, deixou que o Supremo fosse atingido. E os presos, também, pois foram aprisionados mais duramente. Foi Barbosa que alavancou os protestos dos presos e seus advogados. Nem falo de Genoino, operado há poucos meses, que está em riscos graves. No Brasil não existe PENA PERPÉTUA. Joaquim, por conta própria, instituiu a PENA DE MORTE. Na História do mundo, mortes suspeitas ou inesperadas têm criado enormes problemas. Sem condenação ou absolvição, essas ficam para os presos julgados: tudo o que está acontecendo, até a fuga do Pizzolato, coloquem na conta de Joaquim.)

OS MENSALEIROS ESTÃO NA CADEIA.
BARBOSA, PRESO AO 5 DE ABRIL DE 2014

Já disse, não quero examinar o mérito da Ação 470, que já foi mensalão. Escrevi muito, examinei demoradamente, analisei profundamente. E ainda sobrará bastante tempo. Nem a competência do Dr. Béja pode indicar ou assinalar o fim de tudo isso. As coisas estão muito complicadas, cada um pode expor suas ideias, menos prever ou adivinhar.

E essa incerteza pode facilitar qualquer conclusão, para um lado ou para outro. Esclarecendo, sem provocação, comprovação ou contradição, Joaquim Barbosa tem a oportunidade e a possibilidade de não terminar a carreira como magistrado. Ou como Rui Barbosa definia o presidente do país: “É o Primeiro Magistrado do Brasil”.

Não depende só dele. Precisa pertencer a um partido. Qual? Sua atuação a partir do mensalão não permite dúvidas: ele é contra todos, mas tem que ressalvar pelo menos um, para a filiação. E será convidado ou se convidará? Impossível dizer.

Se precisar, tem o PSD à disposição. Quando Kassab afundou o partido, explicou publicamente: “Não somos de esquerda, de centro ou da direita”. Puxa, é o partido do Joaquim.

A OPÇÃO DE JOAQUIM,
SEM INDECISÃO, SÓ DURAÇÃO

A partir de agora, não levem em consideração qualquer coisa que for afirmada ou negada, tem que ser confirmada. Isso leva tempo, de hoje ao terceiro mês de 2014. As vantagens de uma candidatura presidencial de Joaquim, muito grandes. Não falo nem calculo vitória, mas sim competição. Tudo leva à confirmação da tentativa da mudança de endereço, de dia no Planalto, de noite no Alvorada.

Se decidir disputar, tudo pode se realizar. Se não concorrer, seu período na presidência do Supremo terminará em novembro de 2014, exatamente com outra eleição ou até reeleição. Sem ele? Derrotado para presidente da República, terá ainda um resquício de prestígio. Se passar a presidência a Lewandowski, e com a relatoria terminada, restará o desperdício de um futuro que poderia ser outro. Ele mesmo pensará assim.

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PS – Não é escolha ou opção, apenas destino. Antes dos 60 anos, terá desperdiçado o suposto futuro como presidente da República. Sem a presidência da República e sem o mensalão,  restará apenas o ostracismo. E não saberá se é um ostracismo aberto ou semiaberto.

PS2 – Na certa, será um isolamento e um ostracismo fechado, ninguém o verá. Existe segundo turno de OSTRACISMO?

Gastos públicos e eleições

Luiz Tito

As últimas semanas têm trazido com destaque a encruzilhada em que se acha o governo Dilma e a preocupação dos setores mais representativos da economia em relação aos frustrantes resultados que se desenham do déficit fiscal em 2013. O governo federal abriu descontroladamente a torneira das benesses, sem o necessário cuidado com a geração de recursos para provê-los, e agora se vê oprimido para decidir no que cortar, sem os riscos que ameacem o apoio popular que busca nas próximas eleições. Na realidade, não há mais o que se oferecer sem grave repercussão e comprometimento dos já escassos recursos de caixa e o que está feito não se mostra suficiente para viabilizar sem dúvidas a reeleição da presidente Dilma e de sua base de sustentação.

O ministro Mantega, um técnico que nunca demonstrou força política suficiente para conter o festival de ofertas da agenda eleitoral dos partidos da base de apoio, colocou na mesa os meios de que dispõe: imediato endurecimento dos critérios de pagamento do seguro desemprego e do abono salarial e programas que custarão neste ano fiscal o valor de R$ 45 bilhões, quase 16% superior ao do ano de 2012.

A revisão do programa de renúncia fiscal certamente afetará as vendas da indústria automotiva e dos produtos da linha branca. Há uma unanimidade no entendimento de que é necessária a revisão e endurecimento do programa de seguro desemprego, especialmente para se conter a fraude comum no seu recebimento. Milhares são os que simulam a situação própria para embolsá-lo e são esses que o programa quer brecar.

Além dessas medidas, Mantega quer também que o governo dificulte a ampliação dos custos da folha de salários, cujo crescimento não corresponde à melhoria dos serviços e à presença do próprio Estado onde sua atividade é genuína e gritantemente reclamada pela população.

MAIS MÉDICOS

O programa Mais Médicos, tirado da cartola para responder aos protestos das ruas que tumultuaram o país desde junho, contabiliza uma grande decepção, especialmente porque se importou de Cuba e de outros países uma produção, quando não de profissionais de baixa qualidade, que padece de longa e demorada adaptação para atendimento das demandas brasileiras. Mais médicos e mais problemas, quando nossas carências vão muito além: está mais reafirmado que precisamos de recursos bem aplicados e de rigorosa gestão dos mesmos.

O mesmo resultado está na educação e na segurança, demandas pouco afetadas com a engorda da folha de salários. Continuamos com o mesmo nível de carências e desatenção por parte das políticas públicas. Não se fala em se conter o desperdício, em se coibir e punir a corrupção descarada, a perda de tempo e a ineficiência.

Nosso improviso e a falta de planejamento estão claramente demonstrados pela preocupação do ministro Mantega que só agora, no penúltimo mês do exercício fiscal, manifesta-se incomodado com o descontrole das contas públicas. No Brasil nunca se conseguiu construir caminhos diferentes para fazer conviverem o rigor da gestão pública e a batalha eleitoral. De começo, banir a reeleição certamente já seria uma boa meta. (transcrito de O Tempo)

No Facebook, o humorista Danilo Gentili soltou o verbo sobre a corrupção do PT

Mário Assis

Danilo Gentili Júnior é um humorista, escritor, cartunista, repórter, empresário e apresentador brasileiro.

Gentili faz parte da nova geração de humor, a da stand-up comedy. Vale a pena ler seu desabafo político, feito através do Facebook e que está fazendo muito sucesso na internet.

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VOCÊ VAI ENGOLIR ISSO???

Danilo Gentili

Se o texto fica extenso no Facebook é chato pra ler. Então serei bem objetivo, OK? Tem hora que você precisa chamar as coisas pelo nome.

1) Quando ficou comprovado todo esquema de corrupção, o PT, diferente de outros partidos, não expulsou Genoíno, Zé Dirceu, Paulo Cunha, Delúbio e cia. Ao contrário. Abraçou-os ainda mais. Se esses caras são criminosos condenados pela Justiça e ainda são membros do PT, significa que o PT concorda com os crimes desses caras, admite criminosos entre seus membros e portanto é uma instituição criminosa. A juventude do PT fez um jantar para arrecadar fundos para os mensaleiros. Eles amam ou não esse caras que cometeram crimes contra você? Após a prisão, o próprio Lula ligou pros caras e disse: “Estamos Juntos”. Ele é ou não um comparsa? Você vai engolir isso?

2) O sentimento de vergonha alheia ao ver Dirceu com sorriso amarelo e Genoino quase se cagando tentando manter a dignidade (coisa que não conseguiu) ao fazer aquele gestinho comunista patético, foi diametralmente substituído por enorme regozijo ao constatar que todo mundo cagou para a tentativa de imprimirem alguma pose heróica ao serem presos. Os caras fizeram o gesto “sagrado” entre assassinos e genocidas do nacional e do internacional socialismo. E esse gesto “sagrado” está, até agora, sendo amplamente profanado e ridicularizado pela internet, ultrapassando em milhas e milhas qualquer mensagem de apoio aos mesmos. Isso deixa claro que num ambiente realmente livre esses caras não são respeitados, suas ideologias são abominadas e a rejeição ao que eles planejam é gigantesca. Na internet, um ambiente que respira liberdade, fica nítido que esses caras são ridículos e não merecem respeito. Por isso, eles estão desesperados para criar o tal Marco Civil da Internet e acabar com esse ambiente 100% livre. Eles precisam urgentemente controlar o que você faz, lê e fala por aqui para evitar esse tipo de coisa futuramente. Você vai engolir isso?

3) Petistas, blogueiros e twitteiros (alguns pagos inclusive com o seu dinheiro) continuam chamando Joaquim Barbosa de Macaco e Capitão do Mato pela internet. Uma rápida pesquisa e você encontrará até montagens gráficas colocando o Juiz nessas imagens. Nenhum militante de minorias ou patrulheiro do politicamente correto parece se importar com isso no momento. Justo eles que são tão atentos as minhas piadas, por exemplo. Preciso de mais provas que esse discurso de minorias é monopólio dos esquerdistas que por sua vez escolhem a dedo o que é racismo e o que não é para tentar calar ou rebaixar alguém que os incomoda? O que é racismo? Homofobia? Machismo? Se for de um esquerdista é um detalhe a ser ignorado. Se for de um opositor é um crime. Se você for do lado deles pode ser racista, criminoso e até mesmo matar (aliás, eles imprimem fotos de genocidas e usam na camiseta. Adoram isso). Pesquise na internet e comprove que o mesmo tipo de gente, os mesmos perfils fakes e reais no twitter e facebook e os mesmos blogueiros pagos por banners estatais que enchem o saco de comediante ou jornalista opositor dizendo que estão numa cruzada contra o racismo são os mesmos que no momento defendem os corruptos e estão, não com piadas, mas de forma séria e agressiva, chamando um honrado homem que cumpriu seu dever de macaco. Você vai engolir isso?

4) A tentativa de tentar passar por nossa goela que Dirceu e Genoino são “presos políticos” consegue ser mais patética ainda do que aquele gestinho de punho cerrado que ambos fizeram quase se cagando nas calças e convulsionando em chiliquinhos risíveis. Como pode dois caras do partido de situação, do alto escalão do atual governo, da alta cúpula do PT, serem presos por perseguição política dentro do País que o seu governo comanda há 11 anos? Aliás, onze pessoas do esquema de corrupção foram presas. Mas somente os dois mais “famosinhos” e do alto escalão do PT são presos “políticos”. Você vai engolir isso?

5) Por serem do partido dominante e da alta cúpula do governo não resta dúvidas que esses caras serão soltos logo. Ou cumprirão a pena com inúmeras regalias que você jamais terá direito caso um dia vá preso. E olhando para a Venezuela, aliada de longa data do PT na América Latina, ser preso em breve pode significar apenas “Não concordar com o governo”. Separe então esse momento que você viu alguns sociopatas serem presos, não para celebrar o fim da impunidade, pois ela está longe de acontecer. Separe esse momento para identificar os que estão contra você. Se informe sobre todos artistas, intelectuais, jornalistas, revistas, blogueiros, militantes e políticos que estão nesse exato momento defendendo esses criminosos e mandando mensagem de apoio pra eles – guarde esses nomes. Não confie neles. Todos aqueles que estão a favor de Genoino, Dirceu e mensaleiros são exatamente os mesmos que estão contra você. Não engula isso.

País das patotas

01
Tostão (O Tempo)

O Bom Senso FC tem tido a firmeza de cobrar mudanças no calendário a partir de 2015 e o bom senso de saber que 2014 é o ano da Copa. Ao mesmo tempo em que o Bom Senso traz grandes esperanças, vem aí mais um escândalo, a anistia, pelo governo, das dívidas dos clubes, no valor de R$ 4 bilhões. Com medo de manifestações, a anistia não será mais total, mas muito próxima disso. O autor do projeto, o deputado Vicente Cândido (PT-SP), é vice-presidente da Federação Paulista de Futebol e amigo do presidente Marco Polo del Nero, que é também vice-presidente da CBF, amigo de Marín e candidato à presidência da entidade. É o país das patotas.

LEMBRANÇAS

As notícias da exumação do corpo de João Goulart me trazem duas lembranças relacionadas ao futebol. A primeira, do dia em que o presidente foi deposto, em 1964. Eu e alguns jovens discutíamos sua saída, todos contra, quando surgiu um senhor, apaixonado pelo Cruzeiro. Ao escutar que derrubaram o presidente, chorou, pensando que era Felício Brandi, presidente do clube. Conheci João Goulart em Montevidéu. A seleção jogava lá, em 1967 ou em 1968, e o ex-presidente, exilado no Uruguai, foi ao nosso hotel. Eu e alguns jogadores, não me lembro quais, o recebemos. Foi um papo bem descontraído, principalmente sobre futebol.

NOVO TÉCNICO

O Palmeiras, ou qualquer clube brasileiro, não deveria pagar uma fortuna para contratar um treinador, do Brasil ou de fora, mas o clube foi transparente e profissional, ao comunicar a Gilson Kleina que faria uma proposta a Bielsa e que, se ele não aceitasse, como ocorreu, Kleina seria o preferido entre os treinadores brasileiros. Discordo das milhares de críticas sobre desrespeito ao treinador. Kleina deveria ter orgulho de ser o escolhido.

EMOÇÃO OU RAZÃO

Felipão disse que o Brasil vai ganhar a Copa. Foi uma declaração espontânea, um desabafo, o que é frequente nele, ou foi planejada, atitude também comum, com a intenção de aumentar o otimismo e o entusiasmo nacional? Outros técnicos, racionais e prevenidos, valorizariam os adversários e posariam de humildes. Felipão, com seu estilo de marqueteiro emotivo, costuma acertar no alvo.

COPA DO BRASIL

A história da segunda partida, a do título, depende de hoje. O técnico Vágner Mancini sabe da importância de conseguir uma vantagem. O time paranaense vai pressionar com bolas longas e muitos passes e cruzamentos das laterais. O Flamengo vai se preparar para anular essa jogada e contra-atacar, pois tem jogadores velozes para isso.

PROJETO

O Cruzeiro não foi campeão brasileiro porque fez um grande projeto, como ouço todos os dias. Não houve também nenhum segredo. Além da competência do técnico, dos dirigentes e dos jogadores, as coisas aconteceram naturalmente e surpreendentemente. Muitas vezes, tudo é feito certo e dá errado, ou o contrário. Jogadores de prestígio contratados decepcionam, e outros, desconhecidos, se destacam.

BURACOS

Na semana passada, pisei em um buraco e torci o pé quando fazia caminhada. Já estou bom, até acontecer novamente, por causa do grande número de buracos nas calçadas. A prefeitura gasta com tantos supérfluos, mas não tem para tapar os buracos de bairros mais pobres e mais ricos.

Na sucessão presidencial, o PDT fica em cima do muro

Deu na Folha

FolhaEstava pensando aqui nas suas últimas respostas sobre 2014. O senhor falando das perspectivas, senti realmente que há uma simpatia maior em relação a Eduardo Campos e não tanto, embora o senhor se de bem, com Aécio Neves. Estou sentindo que tem, enfim, que tem conversas em andamento aí. É isso mesmo?

Lupi – Conversa tem permanente, amigo. Porque se a política não for conversa vai ser o quê? O campo da política é conversa permanente. Você tem que conversar com o eleitor, você tem que conversar com o companheiro, você tem que conversar com quem te odeia, você tem que conversar com quem te adora. É parte do processo da vida.

E o senhor acha que a decisão definitiva do PDT sobre apoio a uma candidatura presidencial só vai ser realmente na convenção em junho, ou pode ser naquela outra marca, março, abril?

– Eu acho que é mais para março, abril, porque a gente também está fazendo consultas. Estou viajando o Brasil todo. Você tem essas alianças regionais. Tem uma série de encaixes na política que somam para chegar à nação. Mas a tendência natural é o apoio à presidente Dilma. E posso dizer que é março, abril, a decisão, possivelmente.

O viés, ou a tendência é a presidente Dilma e que há possibilidade, que é considerada também, não descartada, é Eduardo Campos, a depender do programa. É isso?

– É isso mesmo. Esse é o caminho.

(matéria enviada por Mário Assis)

O genial caçador de mim, na visão de Luiz Carlos Sá e Sérgio Magrão

O advogado, cantor e compositor carioca Luiz Carlos Pereira de Sá, o Sá do trio Sá, Rodrix e Guarabira, com seu parceiro Sergio Magrão, fala na letra de “Caçador de Mim” sobre os pólos da vida: momentos de doçura, bondade, ferocidade e agressividade.

Portanto, a vida tornou o eu lírico do compositor um “buscador” de si mesmo, à procura daquilo que, realmente,  faz-lhe sentir-se em paz e harmonia consigo mesmo.

A música “Caçador de Mim” transformou-se em um grande sucesso, gravada por Milton Nascimento, em 1981, no LP Caçador de Mim, pela Ariola.

CAÇADOR DE MIM

 Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá

Por tanto amor, por tanta emoção

A vida me fez assim

Doce ou atroz, manso ou feroz

Eu caçador de mim

Preso a canções, entregue a paixões

Que nunca tiveram fim

Vou me encontrar longe do meu lugar

Eu caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta

Nada a fazer senão esquecer o medo

Abrir o peito à força numa procura

Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai sonhando demais

Mas onde se chega assim

Vou descobrir o que me faz sentir

Eu caçador de mim.

(Colaboração de Paulo Peres, do site Poemas & Canções)

Espertamente, Pizzolato pode escapar da pena do Supremo no julgamento do mensalão

Cristina Indio do Brasil
Agência Brasil

Rio de Janeiro – O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, pode escapar de cumprir pena no Brasil se permanecer na Itália pelo tempo correspondente à condenação estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e com isso conseguir a prescrição da pena. A conclusão é do presidente da Sociedade Brasileira de Direito Internacional e professor de Relações Internacionais, Antônio Celso Alves Pereira. “Contando o tempo da prescrição, passou o tempo e ele está livre. O Brasil não pode prendê-lo mais e ele pode voltar ao país”, explicou.

Antônio Celso disse que o Tratado de Extradição assinado entre o Brasil e a Itália, em outubro de 1989 e publicado no Diário Oficial União em julho de 1993, no Artigo 7º diz que os dois países só extraditarão os seus cidadãos se assim quiserem e, portanto, não têm obrigação de fazê-lo.

O professor lembrou que esta não foi a primeira vez que o país europeu tornou-se destino de um condenado no Brasil. O ex-dono do Banco Marka, Salvatore Cacciola, processado por crimes contra o sistema financeiro brasileiro fugiu, em 2000, depois de ter conseguido um habeas corpus. O governo brasileiro tentou a extradição, negada pela Itália. Cacciola viveu lá por sete anos e só foi preso pela Interpol, porque viajou para Mônaco. Depois de entendimentos entre o principado e o Brasil ele retornou ao país para cumprir pena de 13 anos de prisão decretada pela Justiça brasileira.

“O caso é semelhante. Ele ficou na Itália mas, talvez acreditando piamente na impunidade, saiu e foi para Mônaco. Ao chegar lá, tinha uma ordem de prisão da Interpol, igual a que já tem para o Pizzolato, e ele foi preso”, esclareceu o professor.

DUPLA CIDADANIA

O ex-diretor do Banco do Brasil, que tem dupla cidadania, foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Segundo revelou em uma carta pública, a fuga para a Itália tem por objetivo buscar um novo julgamento em território italiano. Mas para o professor Antônio Celso, como Pizzolato já foi julgado no Brasil, não cabe um novo processo na Justiça italiana.

“Ele já foi julgado. Não acredito que seja julgado lá. Acho difícil. O que vai acontecer é que o Brasil vai insistir e tentar trazê-lo para o país. A Itália não está errada porque está de acordo com o Direito Internacional, ou seja com o Tratado que está em vigor”, disse.

A página da Interpol na internet já publicou a foto de Henrique Pizzolato como procurado pela Polícia Internacional. As informações sobre ele mostram que tem 61 anos e cidadanias brasileira e italiana.