Fiscal corrupto da Receita tinha 2 mil garrafas de vinho

Flavia Villela
Agência Brasil 

As fraudes contra a Receita Federal no Rio de Janeiro, que geraram prejuízo de mais de R$1 bilhão aos cofres públicos, ocorrem pelo menos há 15 anos, segundo as investigações da Polícia Federal. A maioria dos investigados pela Operação Alcateia Fluminense é formada por funcionários antigos, alguns com mais de 20 anos no órgão.

O inquérito, que deve ser concluído ainda este ano, indica que o esquema de sonegação fiscal envolve mais de 40 empresas, algumas de grande porte, sobretudo dos setores de limpeza urbana, transporte, frigoríficos e empresas de construção civil.

Dos suspeitos que tiveram mandados de condução coercitiva emitidos, dez são auditores fiscais, oito de Niterói, região metropolitana, e dois da delegacia da Receita no centro do Rio. Seis suspeitos não foram encontrados, sendo que um deles está no exterior.

O grande patrimônio dos funcionários da Receita e a sua ostentação impressionaram os policiais. O delegado federal Henrique Zambrotti Pinto disse que na casa de um dos fiscais foi encontrada uma adega de 100 metros quadrados com mais de duas mil garrafas de vinho que somadas passavam de R$ 300 mil. “Havia garrafas de vinho de R$18 mil, a garrafa. É realmente algo que afronta a sociedade e que deve ser combatido”, disse.

Dentre os crimes cometidos pelos fiscais, estão fraudes em licitações, favores ou redução do valor de multas em troca de propinas, entre outros. Alguns fiscais investigados tinham empresas de fachada para lavar o dinheiro ilícito e ofereciam assessoria tributária e de advocacia administrativa.

“Alguns faziam uma autuação frágil tecnicamente para que posteriormente, prestando assessoria tributária ao contribuinte, ajudassem na impugnação desse auto na delegacia ou no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais”, destacou o corregedor-geral da Receita Federal, Antonio Carlos D’Ávila.

Alguns auditores suspeitos se aposentaram durante as investigações. D’Ávila garantiu que esses servidores serão investigados pela Corregedoria da Receita Federal e, caso fique comprovado que o enriquecimento ilícito começou antes da aposentadoria, ela será cassada. A aposentadoria do servidor federal garante o pagamento integral do salário.

A superintendente regional da Receita Federal no Rio e no Espírito Santo, Eliana Polo Pereira, disse que foram reabertas 40 auditorias fiscais nessas empresas suspeitas de sonegação e que outros ilícitos podem vir à tona. “Os empresários que comprovadamente sonegaram impostos pagarão em dobro. Quem paga mal, corruptor, paga duas vezes”, destacou.

Estudo da Ernst & Young mostra a decadência da mineração

Pedro Jacobi

Um estudo publicado pela Ernst & Young confirma o que todos do setor já haviam intuído: a mineração brasileira está indo de mal a pior. As fusões e aquisições na mineração brasileira caíram 66% no primeiro semestre de 2014.

O desempenho fraco se deve, obviamente, a crise no setor, mas também ao efeito Brasil. Os investidores da mineração e da pesquisa mineral perderam a confiança no país desde que o Ministério de Minas e Energia congelou a emissão de concessões e alvarás de pesquisa o que paralisou projetos, minas e demais investimentos.

Reverter essa situação não será fácil e provavelmente, o Brasil ficará, por muito tempo, no topo da lista dos países menos atrativos da América Latina quando o assunto for mineração.

CÓDIGO DE MINERAÇÃO

Depois de cinco anos de idas e vindas a votação do parecer de Quintão, sobre o novo Código de Mineração, que havia sida marcada e cancelada na semana passada é, mais uma vez, cancelada. Ela não vai mais acontecer amanhã dia 26.

A única diferença é que agora, a comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa o MRM, preferiu não marcar uma nova data.

Com mais esse atraso os deputados mostram estar totalmente desafinados com a sociedade que os elegeu. Talvez eles pensem que um País, uma sociedade e a sua mineração, todos terrivelmente prejudicados pelo interminável processo, que engessou a mineração e espantou os investidores , podem muito bem aguardar mais alguns meses… (artigo enviado por Ricardo Sales)

A confiança do empresariado nunca esteve tão baixa

Vicente Nunes
Correio Braziliense

A razão do pessimismo é uma só: as escolhas erradas feitas por Dilma Rousseff desde que ela tomou posse, em janeiro de 2011. Em vez criar condições para que os investimentos produtivos deslanchassem, a presidente optou por extravagâncias que resultaram em inflação alta e crescimento pífio. Para completar, interveio no setor elétrico e tirou qualquer previsibilidade sobre o preço da energia, um dos principais itens na planilha de custos da indústria. O resultado foi uma queda brutal no volume de desembolsos para a ampliação e a abertura de fábricas. Sem esses investimentos, não há como o Brasil voltar a crescer.

Diante desse quadro, a nova equipe econômica formada pelo triunvirato Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central) terá que transpor uma barreira enorme até que a credibilidade do governo seja resgatada. O Palácio do Planalto acredita que, ao optar por economistas com visões bem diferentes das que prevaleceram nos últimos quatro anos, tende a diminuir a resistência dos empresários em relação a Dilma. Durante a campanha eleitoral ficou claro que, para a maioria dos donos do dinheiro, mais um mandato da petista seria péssimo para o país.

NÃO HÁ OUTRA SAÍDA

Tanto Levy quanto Barbosa já sinalizaram ao empresariado que podem baixar a guarda e retirar os projetos de expansão dos negócios das gavetas. Além de um combate mais duro à inflação, prometem reduzir o intervencionismo do Estado na economia e arrumar as contas públicas.

Pode ser apenas um discurso de quem sabe o tamanho do campo minado que tem pela frente. Mas não há outra saída. A única forma de o ritmo da atividade destravar é fazer com que as empresas voltem a acreditar no governo.

Somente no segundo trimestre, os investimentos encolheram 6,8%. E nada garante que voltaram a crescer entre julho e setembro. Não com a força de que a economia precisa.

À ESPERA DO IBGE

Na próxima sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará os resultados do terceiro trimestre. Os analistas mais otimistas preveem avanço de 0,8% ante o desempenho de abril a junho. Com isso, a taxa de investimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) ficará na casa dos 16%, o segundo menor nível entre as economias que integram do G20, grupo que reúne os 19 países mais ricos e a União Europeia). Só ficará à frente do Reino Unido, com 15,5%.

Na opinião do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, ainda levará tempo para que os investimentos recuperem o fôlego. Ele prevê que, de julho a setembro, a aplicação de recursos no parque produtivo tenha diminuído 9,9% em relação ao mesmo período de 2013.

“A economia continua fraca. Estamos prevendo queda de 0,5% no PIB na comparação com o terceiro trimestre do ano passado e retração de 0,1% ante o segundo trimestre de 2014”, afirma.

Para a economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, mesmo que os investimentos aumentem no terceiro trimestre, será mais por causa da minguada base de comparação. “A queda foi muito forte no segundo trimestre” diz. “Esse quadro decorre da política macroeconômica equivocada, que gerou instabilidade por causa da inflação alta e do rombo nas contas externas, entre os maiores do mundo”, acrescenta.

Levy diz ter autonomia e promete superávit. Você acredita?

Levy concedeu entrevista durante anúncio da nova equipe econômica (Foto: Reuters)Alexandro Martello, Filipe Matoso e Fernanda Calgaro

Do G1, em Brasília

O ministro da Fazenda nomeado, Joaquim Levy, informou nesta quinta-feira (27) que a meta de superávit primário, a economia feita para pagar juros da dívida pública e tentar manter sua trajetória de queda, será de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para todo o setor público consolidado (governo, estados e municípios) em 2015. Este ano, a meta fixada inicialmente era de 1,9% do PIB, mas o governo já informou que este objetivo foi abandonado.

Em 2016 e 2017, segundo Levy, o esforço fiscal não será inferior a 2% do PIB – próximo do patamar registrado em 2013. “Alcançar essa meta será fundamental para o aumento da confiança na economia brasileira”, declarou Levy a jornalistas no Palácio do Planalto. Para atingir essas metas, ele informou que algumas medidas que vêm sendo discutidas são de diminuição de despesas. Entretanto, acrescentou que as medidas serão, “não digo graduais, mas sem pacotes, sem nenhuma surpresa”.
Questionado por jornalistas, o próximo ministro declarou ter ter autonomia para implementar as medidas. “A autonomia está dada. O objetivo é claro. Os meios a gente conhece. Acho que há o suficiente grau de entendimento dentro da própria equipe e maturidade. Então, acho que essa questão vai se responder de uma maneira muito tranquila. Dizer uma coisa ou outra não tem muito sentido agora. A gente vai ver no dia a dia como as coisas ocorrem. Quando uma equipe é escolhida, há confiança”, afirmou.

Contas públicas neste ano

Nos nove primeiros meses deste ano, as contas do setor público registraram um déficit primário – receitas ficaram abaixo das despesas, mesmo sem contar juros da dívida – de R$ 15,28 bilhões, ainda segundo números divulgados pelo BC. Foi a primeira vez desde o início da série histórica do BC, em 2002 para anos fechados, que as contas do setor público registraram um déficit nos nove primeiros meses de um ano.

Considerado ortodoxo, com uma atuação mais tradicional na economia, Levy, de 53 anos, executou um ajuste fiscal na primeira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que levou o superávit primário a um patamar médio de 3,5% do PIB (série histórica revisada do BC, sem as estatais) – patamar considerado elevado. Ele ficou conhecido como “mãos de tesoura” na ocasião por conta do controle de gastos implementado nas contas públicas. Levy travalhava, até então, na diretoria da administradora de investimentos Bradesco Asset Management.

“O objetivo imediato do governo e do Ministério da Fazenda é estabelecer uma meta de superávit primário para os três próximos anos que contemple a estabilização e declínio da dívida pública”, declarou o ministro da Fazenda nomeado.Joaquim Levy também avaliou que é fundamental para o aumento da confiança da economia brasileira, a consolidação dos avanços sociais e ecomicos e reafirmou o compromisso com transparência e com a divulgação de dados abrangentes.

“As medidas necessárias para o equilíbrio das contas públicas serão tomadas. Como a gente falou, serão tomadas com análise e segurança. Eu acho que o Brasil tem mecanismos capazes disso. É um trabalho que envolve não só o governo federal, mas acho que toda a federação, não só o Poder Executivo, mas todos os poderes. É um trabalho importante pois é o que garante condições de crescimento”, declarou Levy.

Tesouro Nacional?

Levy, ao ser interpelado por jornalistas sobre quem será o novo secretário do Tesouro Nacional, não disse que não falaria sobre isso neste momento. “Vamos manter os ritos. A gente têm desafios, coisas importantes a fazer. A gente não está em nenhuma agonia. Vamos ficar tranquilos. Essa é a maneira boa de lidar com os desafios de um novo governo que começa em primeiro de janeiro”, afirmou.

Rumores dão conta de que o próximo secretário do Tesouro Nacional pode ser Carlos Hamilton Araújo, atualmente na diretoria de Política Econômica do Banco Central.

Polícia Federal agora revela a podridão da reforma agrária

Operação Terra Prometida, Polícia Federal. (Foto: Reprodução/ TVCA)

PF busca dois irmãos do ministro da Agricultura

Deu no G1 

Rússia disse “não” novamente aos sauditas sobre a Síria

Faisal, o intérprete e Lavrov não conseguiram se entender

(Texto enviado por Sergio Caldieri)

A recente visita do ministro das Relações Exteriores saudita, Saud al Faisal, a Moscou, onde se reuniu com o chanceler russo Sergei Lavrov, teve poucos resultados, além de um acordo para estabelecer um grupo de trabalho dirigido à cooperação contra o terrorismo.

No entanto, várias fontes indicam que os dois lados não conseguiram chegar a um consenso sobre vários temas importantes, e em particular na crise síria e os esforços da Rússia para a celebração de uma conferência de paz sobre a questão no início do próximo ano.

Faisal não alcançou o objetivo principal de sua visita, que era tentar mais uma vez que os russos abandonem o presidente Bashar al Assad.

A Rússia também está irritada com manobras sauditas para manter o petróleo a um preço baixo, o que significa danos à sua economia. Esta manobra saudita foi vista por alguns analistas como uma tentativa de pressionar e prejudicar o Irã e a Rússia por seu apoio à Síria.

PUTIN FICOU DE FORA

Segundo relatos, estava planejada uma reunião entre Faisal e o presidente russo Vladimir Putin, mas foi cancelada e não ocorreu devido à falta de acordo nas negociações entre o ministro saudita e Lavrov. A declaração final da visita é simplesmente que ambas as partes trataram de questões regionais e internacionais de interesse comum.

A Rússia sempre resistiu às tentativas sauditas de criar uma divisão entre Moscou e seus aliados, especialmente a Síria. Uma reunião anterior entre o príncipe Bandar bin Sultan e Putin, feita há dois anos, terminou desastrosamente quando Bandar ameaçou o presidente russo com o uso de terrorismo checheno contra os últimos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi.

ISOLAMENTO INTERNACIONAL

Os sauditas sentem agora um isolamento internacional crescente por causa de suas políticas extremistas em questões como a Síria e o programa nuclear iraniano. Também enfrenta conflitos com a Turquia e Qatar, e até mesmo com a Irmandade Muçulmana, que deram a entender quão ridículas são as tentativas de Riad de estabelecer-se como representante do “mundo sunita”. Na verdade, o regime saudita é extremamente impopular no mundo árabe.

A Rússia, por sua vez, colocou várias vezes a Arábia Saudita em uma posição desconfortável por pedir decisões internacionais destinadas a acabar com o financiamento do terrorismo e o apoio político, midiático e religioso aos grupos Takfiris terroristas que operam em Síria e Iraque. Os russos querem que a Arábia Saudita assine tratados e convenções que proíbam o auxílio ao extremismo.

Piada do Ano: empresa quis ganhar 7 milhões sem ter contrato

Gabriel Mascarenhas e Rubens Valente
Folha

A empresa de comunicação Muranno Brasil, sediada em São Paulo, confirmou à CPI mista da Petrobras que prestou serviços à estatal petroleira no valor de R$ 7 milhões sem assinar qualquer contrato.

As informações foram enviadas ao Congresso a pedido do colegiado da comissão parlamentar. Os advogados anexaram o depoimento prestado pelo dono da Muranno, Ricardo Marcelo Villani, 62, à Polícia Federal de Curitiba (PR) no dia 9 de setembro passado, em inquérito que integra a Operação Lava Jato.

Villani alegou que trabalhou sem contratos para a Petrobras sempre nos Estados Unidos, em eventos relativos às provas da Fórmula Indy, na “montagem de áreas de receptivo de pessoas com bares, bufê, simuladores de corrida para a recepção de convidados a fim de conhecerem os planos de etanol para o Brasil”.

“GRANDE CONTRATADOR”

Villani se disse “um grande contratador”, empregando “recepcionistas, estrutura física das unidades de recepção, brindes, passagens para pessoas, transportes, hotéis, jantares de boas vindas”.

Todo esse trabalho, argumentou Villani, era realizado sem qualquer contrato formal com a Petrobras. Villani reconheceu à polícia que “foi um erro seu não ter formalizado contrato”. Mas os pagamentos, segundo sua versão, ocorreram até por volta de 2008, quando o então “gerente de etanol na Petrobras”, Silas Oliva, deixou o cargo. A partir daí, alegou Villani, a Petrobras acumulou dívidas com a Muranno no valor de R$ 7 milhões.

Em 2009, Villani soube que os gastos na área de etanol estavam “sendo auditados por conta de possível CPI contra Petrobras”. A CPI foi instalada no Congresso Nacional naquele mesmo ano.

A partir daí, alegou o publicitário, ele passou a cobrar sua suposta dívida de R$ 7 milhões, tendo conversado pessoalmente com o então diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa. Segundo Villani, Costa o tranquilizou dizendo que tudo seria pago.

COM O DOLEIRO…

Entre abril e março de 2009, prosseguiu Villani em sua narrativa à PF, ele foi procurado pelo doleiro Alberto Youssef, com quem se encontrou em um café. Segundo Villani, o doleiro lhe disse que estava ali a mando de Costa para “resolver o problema”. O publicitário diz que Youssef tinha em sua mãos um papel com um valor anotado de R$ 6,83 milhões.

Entre maio e novembro de 2009, disse Villani, as contas da Muranno receberam em torno de R$ 1,5 milhão. A PF apresentou então documento que indicava o depósito de R$ 1,79 milhão feito pela empresa Sanko Sider, que prestava serviços ao Consórcio Camargo Corrêa em contratos com a Petrobras. Villani disse “desconhecer” a Sanko, mas admitiu que pode ter sido a mesma depositária.

Depois desses depósitos, afirmou Villani, não houve mais pagamentos. Ele chegou a propor a Paulo Costa uma “comissão” sobre os valores a serem recebidos, mas não houve resposta do ex-diretor.

Segundo a revista “Veja” divulgou no final de outubro, o doleiro Youssef disse, em depoimento que prestou no acordo de delação premiada, que o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli o incumbiu de quitar um débito que era cobrado por uma empresa de publicidade. De acordo com a revista, a agência ameaçava denunciar o esquema de corrupção na estatal. O nome da Muranno não foi citado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA empresa está sediada no Brooklin, em São Paulo, na Av. Engenheiro Luiz Carlos Berrini, 1700, conjunto 101, próximo à Marginal. Não tem site, não divulga telefone nem e-mail. Mesmo assim, fazia negócios com a Petrobras sem haver contratos. Isso nem Freud explica. (C.N.)

A economia do fundo do poço

Paul Krugman
Folha

Seis anos atrás, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) chegou ao fundo do poço. Vinha cortando a taxa de fundos federais, a taxa de juros que usa para orientar a economia, em ritmo mais ou menos frenético, em uma tentativa mal sucedida de conter a recessão e a crise financeira. Mas por fim chegou ao ponto em que nenhum outro corte era possível, porque os juros não podem ser inferiores a zero. Em 16 de dezembro de 2008, o Fed determinou que sua meta para a taxa de juros de referência dos Estados Unidos ficaria entre zero e 0,25%, e continua até hoje.

O fato de que tenhamos passado seis anos vivendo com juro zero é tanto espantoso quanto deprimente. O que é ainda mais espantoso e deprimente, se você quer saber, é o quanto o nosso discurso econômico vem demorando para se enquadrar às novas realidades. Tudo muda quando a economia está no fundo do poço – ou, para usar o jargão correto, em uma armadilha de liquidez (nem pergunte). Mas, por muito, muito tempo, ninguém que tivesse o poder de direcionar a política econômica parecia acreditar nisso.

O que quero dizer ao afirmar que tudo muda? Como escrevi muito tempo atrás, em uma economia que está no fundo do poço, “as normas usuais de política econômica já não se aplicam: virtude se torna vício, cautela é risco e prudência é insensatez”. Os gastos do governo não concorrem com o investimento privado, mas na verdade o promovem. Os dirigentes de bancos centrais, que em geral gostam de cultivar a imagem de inflexíveis guerreiros contra a inflação, precisam fazer o exato oposto, convencendo os mercados e investidores de que forçarão uma alta da inflação. A “reforma estrutural”, que em geral significa facilitar o corte de salários, tem mais chance de destruir do que de criar empregos.

MUNDO INVERTIDO

Tudo isso pode soar loucamente radical, mas não é. Na verdade, é o que a análise econômica convencional diz que acontecerá quando as taxas de juros chegarem ao zero. E é igualmente aquilo que a história nos diz. Se você tivesse prestado atenção às lições do Japão pós-bolha, ou, aliás, às da economia dos Estados Unidos nos anos 30, estaria mais ou menos preparado para o mundo invertido de política econômica em que vivemos desde 2008.

Mas, como eu disse, ninguém queria acreditar nisso. No geral, as autoridades econômicas e as pessoas muito sérias tendem a operar com base em instintos e não em análise econômica cuidadosa. Sim, elas às vezes encontram economistas credenciados que emprestam apoio às suas posições, mas usam esses economistas do mesmo modo que um bêbado usa um poste de luz: para apoio, mas não iluminação. E o que os instintos dessas pessoas tão sérias vêm lhes dizendo, ano após ano, é que elas devem temer – e fazer – exatamente as coisas erradas.

MILHÕES DE EMPREGOS

Assim, não nos cansamos de ouvir que os deficits orçamentários são o nosso mais premente problema econômico, que as taxas de juros disparariam repentinamente a não ser que impuséssemos austeridade fiscal. Eu poderia ter lhes dito que isso era tolice, e de fato o fiz, e a verdade é que a disparada dos juros tantas vezes prevista nunca se concretizou – mas as demandas de que cortássemos já os gastos do governo terminaram por nos custar milhões de empregos e danificaram profundamente a nossa infraestrutura.

Também ouvimos repetidamente que imprimir dinheiro – o que não era exatamente o que o Fed estava fazendo, mas isso não importa – levaria a uma “degradação monetária e inflação”. O Fed, para seu crédito, resistiu a essa pressão, mas outros bancos centrais não o fizeram. O Banco Central Europeu (BCE), especialmente, elevou suas taxas de juros em 2011 para evitar uma ameaça inflacionária não existente. Mais tarde a instituição reverteu a decisão, mas jamais conseguiu recolocar as coisas nos trilhos. A esta altura, a inflação europeia fica muito abaixo da meta oficial de 2%, e o continente está flertando com deflação escancarada.

Será que todos esses apelos equivocados são coisa do passado? A era da economia no fundo do poço não terá chegado ao fim? Não conte com isso.

JUROS VÃO SUBIR

É verdade que, com a queda no índice de desemprego dos Estados Unidos, a maior parte dos analistas antecipa que o Fed volte a elevar as taxas de juros, em algum momento do ano que vem. Mas a inflação é baixa, os salários são fracos e o Fed parece compreender que elevar os juros cedo demais seria desastroso. Enquanto isso, a Europa parece mais longe que nunca de uma decolagem econômica, e o Japão ainda luta para escapar à deflação. Oh, e a China, que para alguns de nós começa a lembrar o Japão do final dos anos 80, pode entrar para o clube do fundo do poço mais cedo do que você imaginaria.

Assim, as realidades da política econômica na zona do juro zero, ainda que contrariem as intuições, devem continuar relevantes por ainda muito tempo, o que torna crucial que as pessoas influentes compreendam essas realidades. Infelizmente, muitas delas não o fazem ainda; um dos aspectos mais notáveis do debate econômico dos últimos anos vem sendo a completa recusa daqueles cujas doutrinas fracassaram no teste da realidade a admitir seus erros, quanto menos aprender com eles. Os líderes intelectuais da nova maioria do Congresso ainda insistem em que vivemos em um romance de Ayn Rand; as autoridades alemãs ainda insistem em que o problema é que os devedores não sofreram o suficiente.

Isso é um mau presságio. O que as pessoas que estão no poder não sabem, ou, pior, o que elas pensam saber mas na realidade não procede, pode certamente nos prejudicar.

Veja “denuncia” as condições dos presos da Lava Jato

A Veja pretende que os réus tenham serviços padrão Fifa

Yuri Sanson

A inacreditável revista Veja denuncia que os bilionários presos na Operação Lava Jato estão passando por privações terríveis, monstruosas e absurdas na carceragem da PF (mais conhecida como “PF Hilton”). Vamos lá, algumas das denúncias da revista:

1) Não há camas para todo mundo. Que horror! Tem três beliches e o resto deles tem que colocar o colchão… no chão! Realmente desumano.

2) Quando acordam, os presos precisam empilhar os colchões, para se fazer de sofá, pois não há nenhum lounge ou divã para descansar!

3) Roupas: não há uniformes! São obrigados a passar o dia de chinelo, bermuda, ou qualquer roupa que queiram. O preso presidente da Camargo Correa faz questão de passar o dia de paletó. (Coitado, deve estar louco.)

4) Há apenas três banheiros para os pobres 12 executivos de empreiteiras. E para piorar, no fim de semana um dos vasos entupiu! E quem teve que resolver o problema? Não foi a carceragem, foi o preso presidente da Galvão Engenharia. Que absurdo!

5) E os cigarros? São proibidos! Estão tendo que usar adesivos ou chicletes de nicotina. O preso presidente da UTC é um dos que mais sofre com a abstinência.

6) A PF não permite comida de fora. Um absurdo completo! Estes homens são obrigados a comer o que é servido no “PF Hilton”. A exceção é para chocolates belgas e para água francesa Evan. Ufa! Ao menos isso, se não seria desumano demais!

7) Sem banho de sol no horário que eles querem! O último absurdo é o fato de que os banhos no pátio são de 8 as 10 ou das 10 as 12 horas. Curitiba é muito frio de manhã, mas a PF malvada não quis mudar o horário de banho. Precisa dizer mais?

MAIOR ESQUEMA DO MUNDO

O esquema desbaratado desviou ao menos 20 bilhões de reais desde 2011. Como não se sabe ao certo quando tais operações se iniciaram, as cifras podem ser muito maiores. É considerado o maior esquema de corrupção de todo o mundo considerado “democrático”.

Para comparar, o Mensalão rondou as cifras de (apenas) 100 milhões. Na Lava Jato, ao menos 500 milhões de reais os acusados já se comprometeram a devolver aos cofres públicos.

Dilma delira e o governo agora tem duas equipes econômicas

Esta é versão “zebra” da invenção de Dilma Rousseff

Carlos Newton

Como ainda não conseguiu aprovar no Congresso a reforma da meta fiscal, que permitiria aprimorar a maquiagem das contas negativas do governo, o Planalto divulgou nota à imprensa anunciando que não há previsão para solenidade de posse dos novos integrantes da equipe econômica. A comunicação oficial acrescenta que “os integrantes da nova equipe vão despachar no Palácio do Planalto durante o período de transição“.

Traduzindo: a partir desta quinta-feira, o governo federal, em termos de economia, passa a funcionar como uma besta de duas cabeças. A da esquerda, representada por Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento), que continuam trabalhando ou fingindo que trabalham nas sedes de seus ministérios; e a cabeça da direita, ocupada por Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento), que passarão a trabalhar ou fingir que trabalham em salas improvisadas no Planalto, que há anos sofre problemas de falta de dependências, tendo de banir funcionários para os anexos.

Na mitologia, é muito conhecida a figura do Centauro, metade homem, metade cavalo. A partir de agora, com a desmedida criatividade da presidente Dilma, o governo brasileiro tem a glória de inventar a besta (ou a mula) de duas cabeças, com a missão de acelerar a reforma econômica do país. Enquanto uma come no cocho, a outra bebe água na Cantareira. Como uma decisão dessas jamais pode dar certo, o que na verdade Dilma está criando é uma zebra de duas cabeças, que não vai para a frrente, porque só consegue andar para o lado.

Mais Médicos é apenas uma versão dos Feldshers soviéticos

Francisco Cardoso
(Conselho Federal de Medicina)

Na antiga União Soviética (URSS) existia uma figura no serviço público de saúde denominada “Feldsher”, ou Feldscher em alemão, cujo significado literal era “aparador do campo”. Os feldsher soviéticos eram profissionais da saúde, formados em “saúde básica”, que intermediavam o acesso do povo à medicina oficial, em especial nas áreas remotas, rurais e periferias soviéticas, sendo uma espécie de práticos de saúde, ou paramédicos como são chamados hoje em dia, e exerciam cuidados básicos em clínica, obstetrícia e cirurgia às populações dessas regiões.

Sua inspiração e nome derivavam dos feldscher alemães que surgiram no século XV como operadores de saúde (cirurgiões barbeiros) e com o tempo se espalharam ao longo do que foi o império prussiano e territórios eslavos, compondo a linha de frente também nas forças militares, sendo uma espécie de força militar médica nesses exércitos eslavos e saxões. Em vários países foram adotados como profissionais da linha de frente, atuando sempre nos cuidados básicos e em alguns casos chegando a se especializar em alguma prática específica, como optometria, dentista e otorrinolaringologia. Na Rússia começaram a se popularizar a partir do século XVIII.

Diferentemente dos médicos, os feldsher possuíam uma formação mais curta e limitada. A duração do curso era em 4 anos e envolvia basicamente treinamento em ciências básicas e treinamento simples em ciências médicas clínicas, em especial medicina interna, serviço de ambulância e emergência pré-hospitalar e sempre tinha um espaço para treinamento militar, em campo de treinamento do exército, pois os feldsher estavam na linha de frente da nação, nas fronteiras. Eram 8 anos de colégio mais 4 em treinamento prático, considerados, portanto de nível técnico. Era um treinamento um pouco melhor que a de enfermeira, cujo foco era mais os cuidados básicos de saúde e técnicas/procedimentos de enfermagem.

SETE ANOS DE FACULDADE

Os médicos soviéticos, ao contrário, levavam pelo menos 10 anos de colégio mais 7 anos de faculdade com carga horária total pelo menos duas vezes maior (estudavam todos os sábados). Apesar do tamanho valor de formação, seus salários eram ridículos, pois o regime socialista os considerava “servos do povo”.

O sistema cubano de ensino médico reproduziu, a partir do encampamento da Revolução Cubana pela URSS em 1961, esse sistema de formação em saúde. Os médicos cubanos, de verdade, ficam lá em Cuba, em sua maioria. O que Cuba “fabrica” aos milhares, todos os anos, com projetos como a ELAM e demais faculdades, em cursos de 4 anos, não são nada além da versão cubana dos “feldsher” soviéticos. São paramédicos treinados para atuar em linha de guerra, campos remotos e áreas desprovidas em geral.

A diferença é que Cuba “chama” esses feldsher de “médicos”, inflando artificialmente a sua população de médicos. Com essa jogada, Cuba possui um dos maiores índices de médicos por habitante do planeta. E isso permitiu outra coisa ao regime cubano: Usar esses feldsher como agentes de propaganda de sua revolução e seus interesses não apenas dentro, mas fora de seu território.

Ao longo de décadas o regime cubano vem fazendo uso do empréstimo de mão-de-obra técnica, paramédica, porém “vendida” como médica, para centenas de países a um custo bilionário que fica todo com o regime cubano. Literalmente, como na URSS, os feldsher são “servos do povo” (no caso, leia-se “povo” como Partido Comunista de Cuba).

PROJETO ABSURDO

Recentemente a presidente Dilma lançou um demagógico e absurdo projeto de “resgate da saúde” do povo brasileiro às custas apenas da presença de “médicos” em locais desprovidos do mesmo, aliás, por culpa do próprio governo.

Ao invés de pegar os médicos nacionais, recém-formados ou interessados, e criar uma carreira pública no SUS e solidificar a presença do médico nesses povoados, ela resolveu importar feldsher cubanos a um preço caríssimo, travestidos de médicos, ao que seu marketing chamou de “Mais Médicos”. Diante da recusa inicial, simulou-se uma seleção de nacionais, dificultada ao extremo pelo governo, para depois chamar os feldsher.

O objetivo aqui é claro: O alinhamento ideológico entre os regimes, o uso de “servos do povo” para fazer propaganda do governo, encher o bolso dos amigos cubanos de dinheiro e evitar a criação de uma carreira pública que poderia ser crítica e demandadora de recursos. Como não podiam se assumir como fedlsher, jogaram um jaleco, os chamaram de médicos e os colocaram para atuar como médicos de verdade.

Por isso as cubanadas não param de crescer. Por isso os erros bizarros, os pânicos diante de pacientes sintomáticos. Os cubanos não são médicos, são feldsher – agentes políticos com treinamento prático em saúde – que vieram ao Brasil cumprir uma agenda política e, segundo alguns, eventualmente até mesmo militar.

São paramédicos. Isso explica as “cubanadas”. Se houvesse decência no Ministério da Saúde, ele retiraria o termo “médico” desse programa, e seria mais honesto. Mas honesto não ganha eleição nesse país.”

Francisco Cardoso é médico perito previdenciário (artigo enviado por Jorge Béja)

 

Caro Paulo Francis, você tinha que estar aqui para ver isso

Geraldo Samor
Veja

No final de sua vida, o jornalista Paulo Francis foi atormentado por um processo judicial. Francis havia dito no programa “Manhattan Connection” que “os diretores da Petrobras todos têm conta na Suíça”. O então presidente da Petrobras, Joel Rennó, resolveu mover-lhe um processo nos EUA, usando, claro, advogados pagos pela empresa. E como tudo na Petrobras sempre tendeu ao superfaturamento, a estatal pediu logo 100 milhões de dólares de indenização, um dinheiro que Francis nunca teve nem jamais teria.

Atordoado pelo ‘assédio jurídico’, Francis perdeu o sono e, coincidência ou não, acabou tendo um ataque cardíaco que o matou em fevereiro de 1997.

Há vasta literatura contra e a favor da tese de que o processo foi o fator determinante para sua morte, mas pelo menos uma coisa já pode ser pacificada: as descobertas da operação Lava Jato e os mandados de prisão executados nesta sexta-feira mostram que Francis pôs o dedo na ferida certa.

De lá pra cá, a corrupção na Petrobras passou de endêmica a epidêmica, mas a empresa continua vivendo das boas graças do contribuinte brasileiro – não se esqueça, é o “orgulho nacional” – enquanto é usada para servir a interesses políticos e particulares.

Paulo Francis não está vivo para ver as entranhas da Petrobras expostas à sociedade, mas a sociedade já deveria estar madura o suficiente para discutir se as empresas estatais deveriam ser as vacas sagradas que ainda são – enquanto o contribuinte é a vaquinha de presépio da maior estatal de todas, a Roubobrás.

Com agradecimentos à GNT, a coluna dá a palavra a Paulo Francis, in memoriam.

https://www.youtube.com/watch?v=BtJgGDsS-0c

(artigo enviado por Guilherme Almeida)

Governo adia posse de ministros e atrasa medidas econômicas

Natuza Nery e Andréia Sadi
Folha

O adiamento da posse dos futuros ministros da área econômica também suspendeu o anúncio de novas medidas econômicas previstas para serem apresentadas na quinta-feira.

Segundo a Folha apurou, a nova equipe econômica não teve tempo de analisar com profundidade o teor de todas as propostas, por isso o cancelamento da posse esperada para ocorrer já na sexta-feira.

Algumas das ações foram consideradas “insuficientes” por auxiliares presidenciais para, de um lado, promover a redução do gasto público e, de outro, ajudar a impulsionar o tímido crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no ano que vem.

EQUIPE ECONÔMICA

O futuro time de Dilma Rousseff é composto por Joaquim Levy (Fazenda); Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini, que permanece no Banco Central.

Conforme funcionários do governo, algumas das ações requerem o envio de projetos para o Congresso e, por essa razão, exigem cuidado e tempo para acertar qual o melhor instrumento, se projeto de lei ou medida provisória.

Ao adiar a posse do novo time econômico por dificuldades de tirar as medidas do forno, a presidente da República inovou: terá, no curto prazo, comando duplo na Fazenda e no Planejamento.

MEDIDAS

Na terça-feira (25), um pacote de medidas para reequilibrar as contas públicas, fechado por Guido Mantega, foi entregue à presidente Dilma Rousseff. Entre elas está a volta da cobrança da Cide (contribuição para regular o preço dos combustíveis).

Segundo a Folha apurou, a decisão final será tomada em reunião da presidente com a nova equipe econômica. Nesta terça, ela recebeu no Planalto o futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

Na reunião, da qual participaram Alexandre Tombini – que será mantido no cargo como presidente do BC– e Aloizio Mercadante (Casa Civil), foram discutidas as novas medidas e a futura equipe econômica.

MEDIDAS

Reportagem da Folha publicada no sábado (22) informou que a presidente Dilma Rousseff havia encarregado sua nova equipe econômica de divulgar, no dia em que fosse anunciada oficialmente, um conjunto de medidas para garantir “a sustentabilidade fiscal” do governo e atrair investimentos para retomar o crescimento da economia.

Um assessor presidencial disse à Folha que os novos ministros deveriam propor ajustes de efeito imediato e ações de médio e longo prazos para garantir “confiança e sustentabilidade” ao país.

A ideia, na área fiscal, é fazer um ajuste “gradual e consistente” das contas públicas nos próximos anos, buscando ao mesmo tempo retomar a política de economia de gastos para pagar a dívida pública (superavit primário) e evitar um cenário de recessão econômica no país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A matéria comete um equívoco. A razão do adiamento da posse foi a derrota do governo no Congresso, pois a base aliada não conseguiu quorum para aprovar a alteração da meta fiscal, para maquiar as contas federais. Só isso. (C.N.)

O caráter social da poesia de Castro Alves

O poeta baiano Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), símbolo da nossa literatura abolicionista, motivo pelo qual é conhecido como “Poeta dos Escravos”. No poema “Saudações a Palmares”, Castro Alves reafirma o caráter social da sua poesia e revive lembranças dos tempos de colégio.
SAUDAÇÃO A PALMARES
Castro Alves

Nos altos cerros erguido
Ninho d’águias atrevido,
Salve – País do bandido!
Salve – Pátria do jaguar!
Verde serra onde os palmares
– Como indianos cocares –
No azul dos colúmbios ares
Desfraldam-se em mole arfar!…

Salve! Região dos valentes
Onde os ecos estridentes
Mandam aos plainos trementes
Os gritos do caçador!
E ao longe os latidos soam…
E as trompas de caça atroam…
E os corvos negros revoam
Sobre o campo abrasador!…

Palmares! a ti meu grito!
A ti, barca de granito,
Que no soçobro infinito
Abriste a vela ao trovão.
E provocaste a rajada,
Solta a flâmula agitada
Aos uivos da marujada
Nas ondas da escravidão!

De bravos soberbo estádio,
Das liberdades paládio,
Pegaste o punho do gládio,
E olhaste rindo p’ra o val:
“Descei de cada horizonte…
Senhores! Eis-me de fronte!”
E riste… O riso de um monte!
E a ironia… de um chacal!…

Cantem Eunucos devassos
Dos reis os marmóreos paços;
E beijem os férreos laços,
Que não ousam sacudir…
Eu canto a beleza tua,
Caçadora seminua!…
Em cuja perna flutua
Ruiva a pele de um tapir.

Crioula! o teu seio escuro
Nunca deste ao beijo impuro!
Luzídio, firme, duro,
Guardaste p’ra um nobre amor.
Negra Diana selvagem,
Que escutas sob a ramagem
As vozes – que traz a aragem
Do teu rijo caçador!…

Salve Amazona guerreira!
Que nas rosas da clareira,
– Aos urros da cachoeira –
Sabes bater e lutar…
Salve! – nos cerros erguido –
Ninho, onde em sono atrevido,
Dorme o condor… e o bandido!…
A liberdade… e o jaguar!

           
(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Os cães de Alfenas e as crianças abandonadas

Mauro Santayana
(Hoje em Dia)
A Câmara Municipal de Alfenas, em Minas Gerais, aprovou lei que prevê o desconto de impostos municipais, como o IPTU, para pessoas que se dispuserem a adotar cães. E por que não fazer o mesmo – de preferência – com quem adotar uma criança ou idoso em situação de abandono? Muitos dirão que a culpa da miséria, no Brasil, é dos pobres, que fazem filhos demais. Se esquecendo, ou fingindo ignorar,  que  a nossa curva demográfica, já é, há anos, descendente,  e que a população brasileira tende a diminuir e envelhecer aceleradamente.
Um quadro que tornará difícil, se nada for feito,  substituir nossa força de trabalho nos próximos anos, deixando o país sem recursos para fazer frente, no futuro, ao aumento das despesas da Previdência Social e do número de aposentados.
O que dá origem ao crescimento do número de bebês e crianças em situação de abandono, hoje, é a falta de informação, a gravidez precoce e as drogas e a violência, com grande número de pais jovens  presos ou assassinados.
PATRIMÔNIO HUMANO
Cada criança que se encontra em um abrigo ou orfanato e que ali cresce sem uma família, é parte do patrimônio humano brasileiro. Mas a maioria sai dessas instituições, ao completar 18 anos, sem preparo, orientação ou trabalho, e vai engordar a fila dos moradores de rua ou da marginalidade.
Orientadas, treinadas, educadas, elas poderiam dar inestimável contribuição à nossa sociedade, caso houvesse estímulo  não para a adoção de cachorros, mas de pequenos brasileiros.
O que precisamos não é incentivar a adoção de cães, mas taxar rigorosamente a sua propriedade, e monitorá-los por meio de “chips”, punindo com pesadas multas quem os abandone. Se considerarmos o número de crianças que não são adotadas por causa da sua idade ou da cor de sua pele, a lei de Alfenas soa como um escárnio. Ou um insulto.
Um escárnio a todos os seres humanos, e  especialmente às crianças que se encontram ameaçadas pela fome, sede e doenças – como o ebola – em vários países do mundo.
Um insulto ao bom-senso, à lógica, à inteligência, quando se lembra que – com menos do que se gasta apenas de ração com um cachorro – é possível, por meio de instituições confiáveis, como os Médicos Sem Fronteiras, assegurar água potável e comida, por 30 dias, para uma criança, como os milhares de órfãos refugiados de guerras estéreis e injustas como as da Síria e da Líbia.
BICHO HOMEM
Com todos os eventuais defeitos que possamos ter, como indivíduos, os cães que nos desculpem, mas a prioridade maior de qualquer homem, mulher ou criança, deveria ser  com sua própria espécie – com a prática da solidariedade – na promoção da dignidade humana.
Se isso nos fosse ensinado nas escolas, e incentivado em nossa atitude e comportamento – inclusive com a isenção de impostos e outros benefícios – haveria menos estupidez, violência e egoísmo. E o mundo seria, certamente, outro.

Empreiteiras também superfaturam outras obras do governo

Fábio Fabrini
O Estado de S. Paulo

Levantamento realizado pelo ‘Estado’ em auditorias do Tribunal de Contas da União mostra que empresas envolvidas no escândalo da Petrobrás também são suspeitas de promover superfaturamento de preços em outros empreendimentos do governo federal.

As empreiteiras suspeitas de integrar o esquema de corrupção na Petrobrás ganharam de outros órgãos e empresas federais obras com valores que podem ter sido inflados em ao menos R$ 1,1 bilhão, segundo relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) analisados pelo Estado. De acordo com auditorias abertas a partir de 2003, o chamado “clube vip” de empreiteiros teve contratos superfaturados em 20 grandes empreendimentos, como a construção de ferrovias, rodovias, aeroportos e canais da Transposição do Rio São Francisco.

As auditorias e relatórios técnicos ainda não chegaram a render conclusões do TCU. Isso porque, na maioria dos casos, as empreiteiras contestam, por meio de recursos, os critérios usados pelo tribunal.

SOBREPREÇO

De acordo com os técnicos do TCU, tanto na Petrobrás quanto em obras de outras áreas do governo, o sobrepreço em planilhas de materiais e serviços é a principal fonte de prejuízos nos empreendimentos tocados pelas construtoras, que tiveram parte de executivos presa na sétima fase da Operação Lava Jato, batizada de Juízo Final e deflagrada no dia 14. Na estatal petrolífera, o “clube” dos empreiteiros obteve contratos de R$ 59 bilhões. Segundo o TCU, as irregularidades detectadas em empreendimentos da Petrobrás somam R$ 3 bilhões.

Aumento salarial das autoridades vai custar R$ 1 bilhão/ano

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Ranier Bragon
Folha

Apesar do esvaziamento do Congresso desde o início do período eleitoral deste ano, avançaram na Câmara nesta quarta-feira (26) as negociações para reajustar o salário da presidente Dilma Rousseff, do seu vice, Michel Temer, dos ministros, dos 594 congressistas e da cúpula do Judiciário e do Ministério Público.

O impacto previsto aos cofres públicos irá superar o valor de R$ 1 bilhão ao ano, e terá efeito cascata no país inteiro.

Pela manhã, a Comissão de Finanças e Tributação aprovou os projetos que elevam o salário dos ministros do Supremo, cujo contracheque representa o teto do funcionalismo público.

A cúpula do Judiciário e do Ministério Público já havia conseguido um reajuste de 15% em 2012, escalonado entre aquele ano e 2015.

Como há efeito cascata nos escalões inferiores, o impacto do reajuste só no Judiciário e no Ministério Público da União é de R$ 875 milhões ao ano. Os projetos têm que ser votados ainda na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário da Câmara, além do Senado.

DILMA E OS CONGRESSISTAS

Embalados por esses projetos, os congressistas também irão negociar com o Executivo o aumento do salário de Dilma, Temer, dos ministros de Estado e dos 594 integrantes da Câmara e do Senado.

O assunto foi discutido em reunião da Mesa da Câmara na tarde desta quarta. O presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou que irá discutir na semana que vem o assunto com o Executivo, o Senado e os líderes das bancadas partidárias. Mas deixou claro que a intenção é aprovar o reajuste até o final do ano.

Há duas propostas, uma eleva o contracheque de todos de R$ 26,7 mil para R$ 33,7 mil –26% de elevação, o que representa índice aproximado do acumulado da inflação entre o início de 2011, data do último reajuste, e agora.

A outra proposta iguala os contracheques aos que os ministros do STF devem receber –ou seja, R$ 35,9 mil, alta de 34%.

O impacto anual previsto com a proposta mais baixa é de R$ 57 milhões ao ano, mas o valor será muito maior devido ao efeito cascata no salário de assessores, nas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais.

Na reunião da Mesa da Câmara foi discutida ainda a possibilidade de aprovação de uma emenda à Constituição para atrelar automaticamente o salários das cúpulas do Congresso e do Executivo ao do Judiciário. A decisão será tomada nas próximas semanas.

Após nove meses pagando a mais, Câmara cortará supersalários

Ranier Bragon
Folha

A Mesa da Câmara dos deputados decidiu nesta quarta-feira (26) cortar a partir de dezembro os supersalários que a Casa paga a cerca de 1.500 servidores ativos e aposentados.

Todos eles recebiam desde março acima do teto do funcionalismo, hoje em R$ 29,4 mil ao mês.

Não haverá devolução dos salários recebidos a mais. Segundo a área técnica da Casa, a economia prevista com a redução dos contracheques é de cerca de R$ 7 milhões ao mês.

O recebimento acima dos R$ 29,4 mil foi vetado pelo Supremo Tribunal Federal, mas a Câmara continuava fazendo o pagamento devido primeiro a uma decisão do ministro Marco Aurélio Mello, que determinou à Casa que ouvisse primeiro a defesa dos servidores antes de reduzir os salários.

Depois, o pagamento continuou a ser feito devido a uma manobra dos servidores que recebeu aval do presidente da Casa, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Alves acolheu um recurso apresentado pela Associação dos Consultores Legislativos e de Orçamento da Câmara, que argumentou que a decisão do Supremo ainda não havia sido publicada, o que não permitiria eventuais questionamentos pelos servidores.

Abramo defende um teto para doações eleitorais de empresas

Abramo diz que 30 empresas foram responsáveis por 50% das doações

Mariana Tokarnia
Agência Brasil 

O estabelecimento de um valor máximo para a doação financeira de empresas a campanhas eleitorais foi defendida pelo cientista social Cláudio Abramo, diretor executivo da organização não governamental Transparência Brasil. Na avaliação dele, proibir as doações levaria apenas a uma redução da transparência, uma vez que os valores continuariam a ser arrecadados, mas como caixa 2s.

Abramo foi o primeiro entrevistado da série Corrupção que está sendop exibida esta semana na TV Brasil. A série, com entrevistas ao vivo, é  apresentada no telejornal “Repórter Brasil”, a partir das 21h.

“Já que não se pode alcançar o ideal, que também tem problemas de natureza eleitoral, que traz a proibição do financiamento, vamos tentar o factível: estabelecer um teto acima do qual as empresas não possam doar. E um teto baixo”, defendeu Abramo.

Ele ressaltou que nas eleições de 2014, de acordo com as prestações de contas da segunda parcial, 30 empresas foram responsáveis por 50% das doações às campanhas dos partidos. “Isso dá um poder de fogo absurdo para essas empresas”, disse. “Ao longo dos últimos 13 anos, de 2002 a 2012, houve mais de R$ 600 milhões doados por empresas que estão metidas no caso Petrobras”, acrescentou.

PROIBIÇÃO

O ideal, para Abramo, seria a proibição para esse tipo de doação. Mas reconhece que isso “não deu certo em lugar nenhum. Não acaba com o interesse que existe das empresas em influenciar a política, nem com o interesse dos políticos de suplantar os adversários”. O diretor da Transparência Brasil concluiu que “isso não acontece agora, vem de tempo, tem um mecanismo de permissividade nessas doações eleitorais que vem de muito tempo”.