‘Não vou me deixar perturbar por ofensas verbais’, diz Dilma

Deu em O Tempo

A presidente Dilma Rousseff respondeu nesta sexta-feira (13) às vaias que ouviu na abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão. Ela evocou lembranças da ditadura e do período em que foi torturada pelo regime militar para retrucar ofensas que partiram das arquibancadas do estádio durante o jogo do Brasil.

“Não vou deixar me perturbar por agressões verbais. Não vou me deixar perturbar. Eu não vou me deixar atemorizar por xingamentos que não podem ser sequer escutados pelas crianças e pelas famílias. Aliás, na minha vida pessoal enfrentei situações do mais alto grau de dificuldade. Situações que chegaram ao limite físico. Eu suportei não foram agressões verbais, mas agressões físicas”, disse Dilma, na inauguração de um dos trechos do BRT, em Brasília. 

“O povo brasileiro não age assim. O povo brasileiro não pensa assim e, sobretudo, o povo brasileiro não sente da forma como esses xingamentos expressam. O povo brasileiro é um povo civilizado e extremamente generoso e educado. Podem contar que isso não me enfraquece”, diz Dilma.

Mesmo com o Mundial em curso, Dilma continuará seu périplo pelo país inaugurando obras inicialmente previstas para o evento esportivo. O argumento do Planalto é que, ao manter uma agenda intensiva de inaugurações de obras durante a Copa, a presidente sustenta o discurso frequente de que as melhorias não são para o torneio, mas para a população.

 

Nós temos Neymar e Oscar

Tostão
O Tempo

Foi bela a festa de abertura. A Croácia dificultou bastante, mas o Brasil venceu, graças a Neymar, a Oscar e também em função de erro absurdo do árbitro.

Será que, inconscientemente, por causa da expulsão de Felipe Melo, na Copa de 2010, ele quis agradar ao Brasil? Vão aumentar as crenças, as suposições e as paranoias de que, se apertar, na dúvida (nesse lance, não houve dúvida), a seleção brasileira será beneficiada.

Faltou à seleção brasileira um Luka Modric no meio-campo. Ele joga demais. Os lances perigosos contra o Brasil, como o gol, saíram de jogadas pelas laterais, especialmente em cima de Daniel Alves.

Como todos os outros times vão bloquear os avanços dos laterais brasileiros, como fez a Croácia, será que Maicon, por marcar melhor, não seria a melhor opção? Luiz Gustavo e a zaga atuaram bem. Já Hulk, Fred e Paulinho foram mal.

Fred quase não pegou na bola. Oscar foi excepcional, no ataque, na marcação, e ainda fez um gol, no contra-ataque, após uma bela defesa de Julio Cesar. Ainda bem que temos Neymar.

OTIMISMO EXCESSIVO

A vitória e a atuação do Brasil não mudam em nada os prognósticos para a Copa. Quando questiono o excessivo otimismo, às vezes, a prepotência, de achar que é impossível perder a Copa do Mundo em casa, digo isso não porque os jogadores podem diminuir a vibração. Isso nunca vai ocorrer. Quero apenas salientar que a seleção, mesmo sendo a maior favorita, não é nenhuma maravilha. Não será uma grande surpresa se o Brasil perder.

Se existem outras três seleções fortes (Argentina, Espanha e Alemanha), além de outras, que têm pouquíssimas chances de ser campeãs, deduzo, mesmo sendo um péssimo estatístico, que as possibilidades de o Brasil ganhar o título são menores que 50%.

Tenho também a sensação e a vontade de afirmar que o Brasil será campeão, mas o futebol e a vida me ensinaram que essa certeza é mais fruto do desejo e da onipotência do pensamento.

 

‘A gente colhe o que planta’, diz Campos sobre vaias a Dilma

O pré-candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB) disse sexta-feira (13) que Dilma “colheu o que plantou” ao receber vaias e ser xingada por parte da torcida na abertura da Copa do Mundo.

Para Campos, que falou em entrevista à rádio CBN de Cascavel (PR), as agressões à presidente refletem o mau humor da população com o governo federal.

“A gente sabe. Há na sociedade um mau humor, uma insatisfação que se revela neste momento”, disse o pré-candidato.

“Talvez a forma [de hostilizar a presidente] não tenha sido a melhor de expressar esse mau humor, essa discordância. Mas o fato é que vale o ditado: na vida a gente colhe o que a gente planta”, completou.

Na quinta (12), no Itaquerão, Dilma foi hostilizada quatro vezes ao longo da abertura da Copa, na partida entre Brasil e Croácia.

Logo após a cerimônia de abertura, ela foi xingada por cerca de um minuto, depois que o locutor pediu palmas para os operários que trabalharam nas obras dos 12 estádios do Mundial.

XINGAMENTOS

Encerrados os aplausos aos trabalhadores, os torcedores xingaram a presidente. “Ei, Dilma, vai tomar no c…”, gritaram, em coro.

A vaia começou na área VIP do estádio, mas se espalhou rapidamente por outros setores. Os protestos recomeçaram logo após a execução do Hino Nacional, quando parte da torcida hostilizou a presidente com o mesmo coro.

Dilma recebeu outra vaia por volta dos 30 minutos do segundo tempo, quando apareceu com destaque no telão do estádio, comemorando o segundo gol da seleção, após a cobrança de pênalti de Neymar. E foi hostilizada outra vez perto do fim da partida.

 

Atuação do Brasil contra a Croácia foi muito irregular

Lucas Alvares
O retrato da atuação do Brasil contra a Croácia está na imagem, vista do alto, de dois corredores semidesocupados, um em cada lateral, por onde Daniel Alves e Marcelo, sucessivamente, subiam e desciam com uma estranha predileção por parar no meio do caminho.
Um time que aposta em dois laterais em final de temporada não pode abrir mão da cobertura de suas subidas ao ataque. Faltou a Luís Gustavo, seguro, e a Paulinho, irreconhecível, cobrirem esses espaços, uma vez que também subiam e não desciam. O gol contra de Marcelo, que abriu o placar para a Croácia, só não abriu caminho para um segundo ainda no primeiro tempo pois David Luiz e Thiago Silva fizeram atuações magistrais, jogando por eles e pelos laterais ausentes.
O PERIGOSO TRIO CROATA
Esgarçado na marcação, o Brasil ficou a mercê do trio Rakitic, recém vendido ao Barcelona, Modric e Kovacic, todos os três com qualidade para passes e lançamentos em profundidade, muito competentes na tarefa de distribuir e cadenciar o jogo croata. Os três, aliás, são dignos representantes da escola iuguslava de futebol, que ofereceu nos anos 90 os talentos sérvios de Stankovic e do nosso Petkovic, ótimos armadores, e que parece refletir na qualidade da Croácia.
Entretanto, o trio não teve a companhia de Pranjic, lateral esquerdo que defende e apoia com a mesma eficiência, e do centroavante Mandzukic, suspenso, e que só estreará no segundo jogo. Faltaram os dois para que a equipe croata conseguisse prender a bola no ataque nos momentos de maior pressão do Brasil.
À Seleção, não faltaram disposição e boa vontade à dupla Neymar e Oscar em voltar para buscar o jogo e, assim, fugir da marcação eslava. Há um antídoto antigo e preciso para parar Neymar: empurrá-lo para a lateral do campo. Sem espaço, seu jogo não flui. Scolari, vivido, encontrou uma alternativa ao fazê-lo recuar para conduzir a bola, aproveitando a sua conhecida inventividade. Foi com ela que, de frente para o gol, o Brasil arranjou o empate ainda no primeiro tempo, quando o jogo estava amarrado o suficiente para fazer imaginar que o tento só sairia na bola parada.
A atuação brasileira, como um todo, foi muito irregular. O pênalti marcado sobre Fred não foi um lance polêmico, pois simplesmente não aconteceu, tratou-se de uma marcação completamente equivocada e indiscutível. O segundo gol de Neymar trouxe um pouco mais de confiança ao Brasil, que ainda assim deixou a desejar até o apito final. Não é novidade ver o Brasil jogar mal em estreias de Copas do Mundo. Mas os corredores vazios de Daniel Alves e Marcelo, sem cobertura e dinâmica, são um problema tático grave o suficiente para fazer o torcedor mais atento desconfiar da sorte brasileira no prosseguimento da competição. Cada vez mais, jogos são ganhos por pontas e laterais. Ou acertamos a nossa marcação por ali, ou o título irá para outro país.

“Jeitinho” na Copa no Brasil

Humberto Santos
Todos os olhos estarão voltados para a Copa do Mundo no Brasil. Por 31 dias, principalmente se a seleção chegar à final, o país para. Não se discute nada a sério, ficará para depois dos jogos, quando chegará o período de campanha eleitoral e todos vão se lembrar do Mundial. Será o momento da troca de acusações por obras que não foram concluídas para o evento. É o teste de DNA de filho feio. Ninguém quer assumir a paternidade. Nem precisa.

Atribuir a responsabilidade da não realização de obras ao governante A, B ou C pode não ser justo. Claro que uns têm mais “culpa no cartório” do que outros, mas a responsabilidade é de todos, inclusive daqueles que não executam o Orçamento, mas deveriam fiscalizá-lo. Na hora de visitar as obras, tirar foto e postar no Facebook à espera da curtida do assessor, vários o fizeram. Cobrar depois do parto, quer dizer, da Copa em funcionamento, dá preguiça. Por que não se mobilizaram para que não houvesse atrasos?

Em janeiro de 2010, pouco mais de dois anos depois da escolha do Brasil como país-sede, foi definida a Matriz de Responsabilidades – documento assinado pelos governos com a listagem das obras e a respectiva responsabilidade de cada ente. A lista previa a realização de 50 obras de mobilidade, 25 intervenções em aeroportos e sete em portos. A Matriz foi sofrendo modificações: 29 projetos foram excluídos, e 28, incluídos. Há cem dias, apenas 15 obras haviam sido concluídas. De lá para cá, algumas foram inauguradas, mas outras serão terminadas após o evento. O aeroporto de Confins que o diga.

CUSTO ABSURDO

O custo da Copa, previsto em 2007, seria de “apenas” R$ 2,5 bilhões, com os investimentos privados ocupando a maior parcela deste valor. No entanto, o custo atual bate em R$ 25,6 bilhões, com 83,6% (ou R$ 21,4 bilhões) de dinheiro público (parte via financiamento). Sem contar os R$ 1,1 bilhão de isenção de impostos que a Fifa e os patrocinadores tiveram do governo brasileiro. O número foi aferido pelo Tribunal de Contas da União.

Talvez o ex-jogador Ronaldo Fenômeno estivesse certo ao dizer que “Copa não se faz com hospitais”. Os estádios ficaram prontos (vamos desconsiderar uns detalhes de acabamento incompletos no Itaquerão, por exemplo), mas as obras de infraestrutura não. O Brasil caiu no “canto da sereia” de que o Mundial traria um legado para o país. Que legado? O de obras incompletas? Esse já temos, de outros Carnavais. O país teria essas obras sem o Mundial? Provavelmente, não. As demandas alimentariam as promessas nossas de cada eleição.

Imperou no “planejamento” o “jeitinho brasileiro”: nada de pensar o futuro. O prazo apertou, obras precisaram ser concluídas e o dinheiro do contribuinte foi utilizado sem dó. Explique para quem perde tempo no transporte público ou não consegue atendimento médico que era necessário cumprir compromissos com a Fifa. Não sei se foi esse “jeitinho” que o ex-presidente Lula queria que os estrangeiros conhecessem quando, em 2007, disse: “O mundo terá a oportunidade de ver o que o povo brasileiro é capaz de fazer”. Para os pessimistas, não há nada mais vexatório. (transcrito de O Tempo)

 

Vaiar é uma coisa; xingar, outra coisa bem diferente

Francisco Bendl

Por entender que houve uma certa agressão à imagem da presidência da República, tempos atrás eu critiquei uma charge que mostrava a presidente Dilma e o ministro Mantega em momento íntimo. Claro, os pseudos liberais não gostaram da minha posição, mas finquei pé.

Agora, as vaias à presidente Dilma na abertura da Copa poderiam ter sido feitas, sim, porém não com a ofensa deplorável de que foi vítima! Uma aberração, em que parte da plateia mostrou sua falta de educação e respeito por uma senhora, em princípio, e pela autoridade de ser a nossa presidente da República!

Há limites a serem obedecidos, e algumas manifestações, quando ultrapassam tais balizas, se tornam inaceitáveis e devem ser repudiadas de pleno. Não gostei, deploro este comportamento imbecil, essas manifestações deprimentes.

Meus respeitos à presidente Dilma, apesar de ser contrário à sua administração, mas se trata de uma mulher, de uma presidente de País, da primeira mandatária brasileira, então merecia e deveria ter sido respeitada.

Que recebesse apupos de todo o estádio, menos ser agredida como milhares de brasileiros fizeram com ela e sua representação, lamentavelmente!

Bolha Imobiliária: Em São Paulo, número de lançamentos cai 26% e vendas despencam 45,3%

Márcia de Chiara
O Estado de S.Paulo

O mercado de imóveis residenciais novos da cidade de São Paulo caiu no primeiro trimestre deste ano. Entre janeiro e março, foram vendidas 3.755 unidades, um número 45,3% menor em relação a igual período de 2013. Os lançamentos somaram 3.909 unidades, volume 26,6% abaixo do registrado no primeiro trimestre do ano passado, aponta a pesquisa do Secovi-SP.

Na análise do economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, a percepção de que a economia hoje está pior do que no início do ano passado pode ter adiado a decisão de compra e financiamento de imóveis. No entanto, ele observa que, além da questão conjuntural, existem dois outros fatores que contribuíram para esse resultado.

O primeiro é que o primeiro trimestre de 2013 foi excepcionalmente bom tanto em vendas como em lançamentos, o que amplia a base de comparação e afeta negativamente a variação anual. O segundo fator é que o Carnaval deste ano foi tardio e atrapalhou as vendas, segundo o economista. “Tivemos apenas três finais de semana de trabalho em março.”

Para o coordenador do índice de preços de imóveis prontos FipeZap, Eduardo Zylberstajn, a retração nas vendas de imóveis e nos lançamentos só reforça a percepção de que o cenário do mercado imobiliário mudou e que o ciclo de alta de vendas e de preços ficou para trás. “Temos um cenário de incertezas, com eleição, Copa do Mundo e a queda na demanda já se refletiu nos preços, que, neste ano, perdem para a inflação”, disse.

PREÇOS COMEÇAM A CAIR

Anna Carolina Papp
O Estado de S. Paulo

Neste ano, o preço médio anunciado dos imóveis, sobretudo usados, está subindo abaixo da inflação oficial. Segundo o Índice FipeZap Ampliado, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), de janeiro a maio, houve queda real de preços em metade das 16 cidades pesquisadas. Na média, a alta acumulada no ano é de 2,98%. Se descontada a inflação (IPCA) prevista para o período, no entanto, houve queda de 0,34% nos preços.

Em maio, o preço médio do metro quadrado nas 16 cidades contempladas pelo índice repetiu a alta do mês anterior e ficou em 0,49% – acima da inflação prevista para o mês segundo o boletim Focus, do Banco Central, de 0,45%. No entanto, foi a sexta vez seguida que o indicador apresentou desaceleração na variação anual – a alta foi de 11,7% em comparação a maio de 2013.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEsta pesquisa Zap (leia-se: Organizações Globo) não é nada confiável, porque se baseia nos preços anunciados e não no valor real, que é o preço da venda realizada. Na verdade, a queda de preços é muito maior. (C.N.)

 

 

Lutando pela vida, com Ariano Suassuna

 

O dramaturgo, romancista e poeta paraibano Ariano Vilar Suassuna, no poema “Abertura Sob Pela de Ovelha”, mostra a luta eterna do homem contra o envelhecimento e a morte.

ABERTURA SOB PELE DE OVELHA
Ariano Suassuna

Falso Profeta, insone, Extraviado,
Vivo, Cego, a sondar o Indecifrável:
e, jaguar da Sibila – inevitável,
meu Sangue traça a rota desse Fado.

Eu, forçado a ascender, eu, Mutilado,
busco a Estrela que chama, inapelável.
E a pulsação do Ser, fera indomável,
arde ao Sol do meu Pasto – incendiado.

Por sobre a Dor, Sarça do Espinheiro
que acende o estranho Sol, sangue do ser,
transforma o sangue em Candelabro e Veiro.

Por isso, não vou nunca envelhecer:
com meu Cantar, supero o Desespero,
sou contra a Morte e nunca hei de morrer.

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Na política atual a emoção impera, com um misto de Lula e Xuxa

Genilson Albuquerque Percinotto

Legislativo com ideologia de botequim e linguagem de ébrio habitual. Um exemplo é a famigerada “Lei da Palmada”, que chove no molhado, como tantas outras leis natimortas, pois têm mais embalagem do que conteúdo, não caracterizam e nem punem, tratam questões sérias com insegurança e navegam na polêmica, sempre tão eleitoreira.

Nosso judiciário ágil e vazio deve dar mesmo vazão aos denuncismos. Quem nunca deu corretivo no neto rebelde que largou a sua mão e saiu correndo para a rua se arriscando na frente dos carros? Eu e meus vizinhos continuaremos violando essa inespecífica letra morta, que perde sua força na insegurança jurídica.

A eficácia das sanções penais já previstas e nunca aplicadas e a estruturação do acompanhamento sonhado pela lei merecem muito mais atenção do que a polêmica emotiva e superficial entre o pastor emotivo e a subjetiva Xuxa…

LULA E XUXA

Lula e Xuxa têm algo em comum além das vogais. Ambos foram personagens com apelidos incorporados a seus nomes, utilizados na construção de um império de entretenimento. O oportunismo nas alianças e na exposição. A ascensão e a riqueza estonteante, a carreira e os vínculos internacionais, a campanha irônica na gangorra real brasileira entre violência e educação (não bata, eduque).

Há quem alegue que o programa “Xuxa no mundo da imaginação” foi retirado do ar devido ao seu discurso inconveniente. É evidente que Xuxa é uma personalidade muito mais constante, interessante e autêntica do que Lula, mas a paixão dos fãs e a questão central da imagem e do imaginário os identificam.

A audiência de ambos vem caindo, mas não há substitutos carismáticos à altura. As marcas do tempo abrandaram a paixão e a desilusão se abateu sobre os fãs do político agora “Luxuoso” e de linguagem “Xula”.

Na realidade infantilizante da cidadania cotidiana, carecemos mais de uma Cris Poli comportamental, de um Içami Tiba educacional e de uma Danny Pink em estética e jovialidade. É o retrato do país em seu diagnóstico de consumo.

A casa de Nóca

Dizem que recordar é viver, e não deixa de ser. Caxambu, cidade hospitaleira e estância hidromineral conhecida por suas águas medicinais, gasosas nas fontes e não gaseificadas como todas as outras, e Uberaba (onde eu fui agraciado com o título de cidadão honorário), por ser sede mundial da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), onde se faz o registro genealógico do gado zebuíno, são as duas cidades mineiras mais conhecidas no exterior.

Eu era deputado majoritário em Caxambu e me hospedava sempre no famoso Grande Hotel, da família Figueiredo. Num jantar em que eu era o homenageado, aparece, para minha surpresa, o cantor Ivon Cury, um caxambuense de coração e naturalidade, hoje, de saudosa memória. E cantou uma música que eu conhecia e que, depois daquele show, nunca mais saiu da minha cabeça. Um forró forrado, talvez porque o forró seja o “pau que gira” nos meus lados no Norte mineiro.

Saudade daquele tempo e de Ivon, cantando seu ritmo chorado e marcante: “Todo mundo brincando o forró animado/ quando o cabra armado entra com o Zé Minhoca / na casa de Nóca baixando o cajado/ E o pau comeu, comeu, na casa de Nóca o pau comeu…” Bom demais.

Sou um saudosista desesperado, teimoso por gostar de minhas raízes, de viver o passado, e um medroso por temer o futuro. Meu futuro e o dos outros, por causa, do jeito que as coisas andam nesse outrora nosso Brasil, e, outrora porque, além de tudo, agora, tem a Fifa e os escândalos na Petrobras.

O PAU VAI COMER…

Não sou profeta de desgraça, mas que mais dia menos dia o pau vai comer, vai. Se essa porcaria de governo, pau mandado de mensaleiros, conseguir o que persegue, a desconstitucionalização do país e a desmilitarização das polícias, processos que estão em marcha, não tenham dúvidas, o pau vai comer.

Ando cheio desse desgoverno, cansado dessa descriminação de tudo, dessa inversão de valores, dessa desonestidade, dos ladrões grã-finos, dessas tais ONGs.

Entendam essa política de cotas ao contrário, invertendo o raciocínio: por que só 30% para negros e 70% para os brancos? Por que não 100% para todos, se todos são iguais perante a lei? Desconstitucionalização está em mudar a lei ou mesmo a Constituição sem derrogação de legislação vigente.

Procede-se como se quer, faz-se como se deseja, assim como querem desconhecer a Lei Federal 7.210 e o parágrafo que obriga a prisão em regime fechado por, no mínimo 1/6 da pena, por jurisprudência própria do STJ, que há algum tempo resolveu proceder assim.

Mas o Supremo é obrigado a seguir essa jurisprudência? Quem é o intérprete da Constituição? E para que serve o desarmamento das polícias militares? Para que os comandos nos Estados passem a ser do ou da presidente, e os militares serão apenas vigias e conselheiros dos desatinados. Tomara que eu esteja certo e vá ouvir, não em sonhos, mas na real, o “pau comendo na casa de Nóca”. E não será o fim de nada, mas o princípio de tudo.

Jornal argentino diz que Brasil já começou ganhando roubado

Deu em O Tempo

A rivalidade entre Brasil e Argentina ganha contornos ainda maiores em tempos de Copa do Mundo. O sempre polêmico diário “Olé” não poupou o pênalti polêmico sofrido por Fred, que acabou resultando no segundo gol de Neymar na partida, e disse que o Brasil começou a Copa “roubando” logo no título da matéria. A penalidade ainda foi chamada de “presente” do árbitro japonês para os donos da casa. Numa fotomontagem, o juiz foi retratado carregando um saco de dinheiro.

Logo no início do texto, os jornalistas argentinos usaram as palavras “papelão” e “vergonha” para descrever a estreia do Brasil na Copa do Mundo. A indignação foi tanta que a seguinte frase em espanhol aparece na reportagem:  “si van a seguir aí con esta ayuda, mejor avisen”, insinuando que o Brasil continuará a ser ajudado pela arbitragem por ser o país-sede da Copa.

Os argentinos ainda afirmaram que Neymar não teve uma boa atuação, mesmo com os dois gols anotados na estreia.  Segundo os “hermanos”, o atacante deveria ter sido expulso pela cotovelada que desferiu ainda na primeira etapa, quando recebeu o cartão amarelo.

Sensacional! Neymar não está mais sozinho. Agora temos também Oscar para nos ajudar a ganhar a Copa

Carlos Newton

Foi uma partida eletrizante, com duas equipes que jogavam pau a pau. O resultado, como disse o zagueiro David Luiz, não espelhou a realidade de um jogo muito duro e bem disputado, com poucas faltas desleais.

O Brasil ganhou, mas poderia ter empatado ou até perdido, se não estivesse com doze em campo. O juiz japonês é uma besta. Ainda bem que errou a nosso favor, duas vezes. Primeiro, marcou um pênalti cavado pelo centroavante Fred, que só fez isso de bom, pois não viu a cor da bola, foi como se nem tivesse jogado.

Depois, o juiz nos fez a gentileza de anular um gol da Croácia, absolutamente legítimo. Ele marcou uma falta que não existiu. O atacante croata somente subiu para disputar a bola com o goleiro Julio Cesar, que decididamente não é mais aquele. Como é que um goleiro perde uma disputa de bola pelo alto com um atacante, estando de frente para a bola? Não tem desculpa. Julio Cesar não é mais solução, agora é problema.

Além de Fred, o armador Luis Gustavo também não entrou em campo, ninguém o viu jogar. Outros, como Daniel Alves, Hulk e Paulinho tiveram atuações muito fracas. O lateral Marcelo também esteve mal e ainda fez o gol contra. Na defesa, somente David Luiz e Thiago Silva jogaram bem.

Paulinho foi substituído por Hernandes, que se saiu bem melhor, e o jovem meia Bernard, no lugar de Hulk, também mostrou que pode ter vaga no time. No ataque, talvez a solução seja colocar Hulk no lugar de Fred.

SHOW DE OSCAR

O importante é que vencemos e Oscar fez a melhor partida de sua vida, mostrando uma maturidade impressionante. Levou os defensores croatas à loucura, toda vez que pegava na bola era um perigo para eles. Mostrou um repertório de jogadas realmente maravilhoso, deu passes primorosos e chamou a si também a responsabilidade de partir para o ataque. Incansável, aparecia também na defesa brasileira em momentos de necessidade, ninguém correu tanto em campo quanto ele. Ao final, já exausto, reuniu as últimas forças e partiu para o ataque, deu uma sorte tremenda, porque o excelente goleiro croata estava no contrapé, e fez o terceiro gol, consolidando a vitória.

Oscar estava tão cansado que nem comemorou o sensacional gol de bico, no cantinho, que sempre foi uma especialidade de grandes craques, como Romário e Ronaldo. Caiu no chão e ficou lá deitado, enquanto os colegas comemoravam sobre seu corpo exaurido.

Neymar foi o mesmo gigante de sempre. Também correu o tempo inteiro, fez jogadas sensacionais, marcou dois gols e saiu consagrado como uma das maiores atrações desta Copa. Sua única falha foi agredir o jogador croata e levar um cartão amarelo (na Copa, com dois cartões, o jogador tem suspensão automática).

Bem, ajudado pelo juiz japonês e pelo Sobrenatural de Almeida no ano do centenário de Nelson Rodrigues, o certo é que o Brasil venceu. E a partir de agora os adversários têm um problema adicional. Além de ter de parar Neymar, precisam parar também Oscar, o melhor jogador desta abertura da Copa.

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PS – Foi patético. Na Globo, Galvão Bueno tentou esconder a vaia dada à presidente Dilma. E o pior é que a vaia foi se prolongando, parecia que não acabaria mais. Com Galvão narrando e Ronaldo comentando, não tem quem aguente. Passei para a Band e estava bem melhor, apesar dos exagerados comentários de Neto, com aquela pronúncia caipira.

PT arrecada quase R$ 20 milhões por ano cobrando dízimo dos filiados

Deu em O Tempo

O PT acelerou as filiações ao partido durante o governo Dilma Rousseff e, nos últimos três anos, arrecadou a cifra recorde de R$ 49,7 milhões apenas com os petistas “de carteirinha” – aqueles que, pelo estatuto da legenda, são obrigados a pagar a chamada contribuição partidária.

Na comparação com os dois mandatos do ex-presidente Lula, o processo de arregimentação foi aperfeiçoado, e o PT filia atualmente quase 8 mil pessoas por mês.

Só no ano passado, com filiados, o partido bateu outro recorde ao arrecadar R$ 32,6 milhões, cerca de 20% das receitas do diretório nacional, com os “dízimos” – a contribuição obrigatória varia de acordo com a renda e o fato de o filiado ocupar ou não cargo público.

O aumento da arrecadação por meio da contribuição partidária coincide com a possibilidade de as siglas não poderem contar mais com recursos de empresas para financiar suas atividades e as campanhas eleitorais dos seus candidatos. Em abril, a maioria do pleno do Supremo Tribunal Federal se posicionou contra as tais doações ao julgar ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

CRESCIMENTO

A ascensão do PT ao governo federal, com a eleição de Lula em outubro de 2002, levou a um aumento no número de filiados do partido. Na época, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), eram cerca de 829 mil filiados. Em abril passado, a legenda atingiu a marca de quase 1,6 milhão – um crescimento de 91%.

A título de comparação, o aumento médio dos filiados de todos os partidos foi de 37% no mesmo período. O PMDB, que sempre ocupou a dianteira como maior partido em número de filados, cresceu apenas 6% nos últimos 12 anos – tem hoje 2,3 milhões de filiados em todo o país.

VALORES

A tabela de contribuições do PT parte do valor mínimo de R$ 15 por semestre – para os filiados que não ocupam cargo público e recebem até três salários mínimos –, mas pode superar R$ 3.200 por mês, quando se trata de ocupante de cargo eletivo federal.

Para o secretário geral do PT, o deputado federal Geraldo Magela (DF), o crescimento do partido está ligado às campanhas mensais de filiação à legenda. Segundo ele, o processo de eleição direta também estimula as novas adesões à sigla. Ele lembrou que, recentemente, foi aprovada uma mudança segundo a qual é preciso estar em dia com as obrigações financeiras para ter direito a votar na eleição direta do PT. “Houve um processo de refinamento do critério (de filiação)”, disse.

 

Os delicados pedem desculpas e se retiram de cena – como Milton Campos

Acílio Lara Resende

Já me referi a isso aqui noutras oportunidades, mas a repetição é às vezes necessária na política e no direito. Há mais de 40 anos, meu irmão Otto Lara Resende já dizia, para o espanto de alguns, que a política é a arte de enfiar a mão “naquilo”. Deixo de usar a palavra (você a conhece) por respeito aos imberbes. Os delicados, concluiu Otto, referindo-se a Milton Campos, pedem desculpas e se retiram de cena.

Claro que Otto se referia ao exercício da política ou à sua prática, que se distancia da teoria. Não à boa política, que existe.

Sobretudo agora, a lembrança da frase nos serve como uma luva. A aversão que se tem hoje à política (improcedente) e aos políticos (procedente) tem suas razões fincadas na realidade, mas é preciso que se pense mais um pouco entre o falar e o agir. Denegrir um instrumento, que é ciência e arte, e que é o que nos permite governar bem os povos, no barato, cheira a imprudência, mas, pensando bem, só faz mal ao regime democrático. O cansaço que se abateu sobre os brasileiros (72% querem mudança) tem motivos para existir, mas não justifica, em nenhuma hipótese, a violência, seja por meio da palavra (como ocorre na internet), seja por meio de quaisquer manifestações.

O jornalista Valdo Cruz, da “Folha de S.Paulo”, considera que a grande vítima desse cansaço é a presidente. “Em Minas, disse ele, ela terá que se esforçar para provar que é mais mineira do que gaúcha”. Valdo não disse, mas poderia ter dito que, no Rio Grande do Sul, Dilma terá que se esforçar muito mais para provar que é “mais gaúcha do que mineira”. Ou seja: as coisas não estão boas para ela.

CAMPOS E AÉCIO

Ruins, também, estão as coisas para o PSB. Na última segunda-feira, Eduardo Campos fez o que pôde para não se encontrar com o senador Aécio Neves na cerimônia do Prêmio Top Etanol, em São Paulo. Depois do encontro entre os dois, na ilha de Comandatuba, na Bahia, no princípio do mês de maio, o pernambucano se distanciou do mineiro. A afirmação de Aécio, na ocasião, de que a convergência dos dois, em 2015, era certa, soou ao socialista como sinal de arrogância.

Mas as coisas em política, quando estão ruins, o mais provável é que se agravem. Depois da “ótima entrevista” do mineiro no programa “Roda Viva” (expressão usada, no fim, por Augusto Nunes, seu coordenador), mas, sobretudo, depois dos 16 pontos à frente de Dilma, em Minas, a quatro meses das eleições, conforme pesquisa DataTempo divulgada nessa terça-feira, piorou, nas hostes socialistas e, talvez, na própria Rede Solidariedade, o gosto amargo do arrependimento. Com a aliança, as coisas para o PSB, dizem alguns socialistas, poderiam ser melhores, pelo menos em Minas e Pernambuco, em relação às eleições proporcionais. Agora, a receita de candidato próprio tende a desandar.

Enfim, o PSB busca sacrificar um dos seus mais ativos deputados federais, que, por atos e gestos, desde o início, manifestou o desejo de se aliar a Pimenta da Veiga/Diniz Pinheiro e Antonio Anastasia. Todavia, novamente pressionado por Marina Silva, e contra a expectativa do prefeito Marcio Lacerda, Campos pôs fim à aliança: “A tendência mais forte, e que está crescendo, é a de lançar candidato o deputado Júlio Delgado”. Para alguns, a decisão é um haraquiri político…

Muitos dos dados da pesquisa DataTempo sobre as eleições para o governo de Minas deverão piorar ainda mais o estado de espírito do PSB e do PT – coisa na qual, aliás, até os incréus acreditam.

E como é grande aqui o número de incréus! (transcrito de O Tempo)

 

O que está por trás do Italeaks

Mauro Santayana
(Jornal do Brasil)

Os “hackers” que se identificam como “anonymous”, envolvidos na espionagem contra o Itamaraty, colocaram em circulação, na internet, cerca de 100 mensagens de e-mail, trocadas por diplomatas brasileiros. Elas estão sendo analisadas pela PF e pelo próprio ministério, para determinar sua origem e autenticidade.

O fato de o Itamaraty ter sido escolhido como alvo de espionagem é significativo  – e exige rigor na identificação da origem e do propósito dos autores da operação.

Quando estourou o escândalo do Wikileaks, ele se baseou, em boa parte, na divulgação de correspondência diplomática – e-mails e mensagens internas – do Departamento de Estado, o Ministério das Relações Exteriores dos Estados Unidos. Não é segredo também, que, aos norte-americanos, não agradou o fato de  as informações sobre o escândalo da espionagem da NSA terem sido divulgadas pelo jornalista inglês Glenn Greenwald, amigo de Edward Snowden, a partir do território brasileiro.

Sempre houve a suspeita de que os Anonymous, que exerceram papel significativo na campanha de desestabilização institucional promovida, a partir da internet, no ano passado, nesta mesma época do ano, estivessem ligados a interesses externos.

OPOSIÇÃO AOS EUA

As mensagens do Itamaraty escolhidas, até agora, para serem divulgadas, contrariam, coincidentemente, todas  elas, posições norte-americanas e o discurso adotado pelos EUA na ONU, na imprensa internacional e em instituições multilaterais, em questões nas quais o Brasil se tem  oposto aos Estados Unidos nos últimos anos.

Esse é o caso da rejeição a sanções contra o Irã, da defesa do diálogo, da via diplomática e do direito ao uso da energia nuclear para fins pacíficos; da espionagem do Brasil pela NSA; e da defesa de Cuba, quanto à sua classificação pelos Estados Unidos, como estado terrorista – temas  abordados nas mensagens  divulgadas.

Se o grupo que está por trás da infiltração, tinha a intenção de colocar o Brasil contra a parede, com a divulgação dos documentos do Itamaraty, tratou-se  – pelo menos até agora – de um tiro pela culatra.

ARROGÂNCIA

Os documentos divulgados por Julian Assange e seus colaboradores no Wikileaks, expuseram ao mundo a arrogância norte-americana; seu desrespeito pelos outros países; por personalidades; pelas regras diplomáticas. Os documentos denunciaram também nefasta e rasteira manipulação das relações internacionais, a fim de preservar  atitude hegemônica e imperial com relação ao resto do mundo.

Os e-mails do Itamaraty provam – ao menos pelo que foi divulgado até agora – que somos, no âmbito diplomático, uma nação  equilibrada, coerente,  e democrática, empenhada na defesa da paz, do multilateralismo e – salvo por expresso mandato da ONU – do princípio de não intervenção, em estrita obediência ao nosso texto constitucional.

Quando menos esperarmos, aparecerá alguém para empunhar com firmeza a bandeira do Trabalhismo

Antonio Santos Aquino

Todos os comentaristas tem lá suas razões. Falam em Trabalhismo, sem conhecerem o que é o Trabalhismo brasileiro desde sua gênese. Falam em maragato. sem saberem o que é maragato. Desancam o Lupi como se fora um traidor dos ideais de Brizola. (Tudo o que Brizola fez como político foi inspirado no Trabalhismo. Inclusive foi um dos fundadores do Partido Trabalhista Brasileiro. Getúlio foi seu avalista maior).

Numa coisa todos se igualam: são como o “Zé do Caixão”, aquele que desenterra cadáveres. No caso, o cadáver de Brizola. Para enaltecê-lo ou para ultrajá-lo. Em respeito ao Helio, ao Newton e aos comentaristas, desde que comecei a participar na Tribuna escrita e depois no Blog, sempre me identifiquei como trabalhista, seguidor de Getúlio, Jango e Brizola.

Eu teria muito a dizer, mas, prefiro limitar-me a afirmar que Brizola deixou-nos o PDT como uma trincheira de luta pelos nossos ideais. É lógico que não concordamos com tudo que acontece no PDT e com o PDT. Entretanto. temos que considerar que vivemos no pluripartidarismo; temos 32 partidos dos quais 27 têm representação no Congresso. Seria condenar o PDT a extinção, se o mantivéssemos isolado.

O que me incomoda não é o partido fazer ou não fazer parte da base de apoio do governo do PT. E sim a confusão que fazem imaginando que a ideologia do Trabalhismo de Getúlio, Jango e Brizola é a mesma do PT de Lula, Dirceu, Genoino e Delúbio. Existe um abismo entre as duas ideologias.

Para sobreviver, o PDT precisa fazer concessões, mesmo porque temos 304 prefeituras e a “caneta” está na mão do governo. Ficar a “pão e água” é suicídio político. Na realidade, o PT está amarrando o PDT à sua cintura para não deixar que ele escape para outro lado.

Dizia Brizola: Somos como planta do deserto, basta-nos uma gota de orvalho para renascermos. E assim será. Quando menos esperarmos aparecerá alguém para empunhar com firmeza a bandeira do Trabalhismo do PDT. Quem viver verá.

 

Craques comentaristas e nem tanto

Chico Maia

As emissoras de TV que estão cobrindo a Copa escalaram 28 ex-jogadores do futebol brasileiro como comentaristas. Apenas dois “mineiros”: Eder, titular da seleção no Mundial da Espanha, em 1982, e Juan Pablo Sorín, capitão da Argentina na Copa de 2006, na Alemanha, e integrante do time de 2002 no Mundial da Coreia e Japão.

A Band terá oito na equipe dela: Pedrinho (ex-Vasco), Denilson, Edmundo, Bobô, Ronaldo (ex-goleiro), Neto, Eder e Djalminha. A Globo, sete: Júnior, Casagrande, Caio, Ronaldo, Roger, Roberto Carlos e Juninho Pernambucano.

O SporTV também teria sete, porém, perdeu Fernandão, morto na tragédia de helicóptero no último sábado: Ricardo Rocha, Ricardinho, Paulinho Criciúma, William (ex-Corinthians), Beletti e Edinho. O ESPN terá Rincón e Loco Abreu, além do Sorín. A Fox Sports, três: Falcão, Mário Sérgio e Athirson.

Falcão é o único escalado para trabalhar como âncora, função que já exerceu na TV Gaúcha, de Porto Alegre. Muito bom, por sinal.

Outros ex-jogadores participam como convidados eventuais no programas ou nas transmissões. Alguns acrescentam muito com informações do passado, de vestiário, cuja experiência vivida vale para situações atuais.

Corrigindo injustiças. Alguns ex-jogadores corrigem injustiças históricas em seus comentários ou participações especiais. Gérson, por exemplo, fez defesa acalorada de Zagallo pela convocação do Dario para a Copa do México em 1970. Grande parte da imprensa dizia que o Dadá foi imposto à seleção pelo então presidente Médici, torcedor do Grêmio, mas fã declarado do jogador do Atlético na época.

Artilheiro nato. Gérson disse que a opção de Zagallo foi tática, já que a seleção precisava de um jogador com o estilo do Dario. E apontou as suas principais virtudes: “Veloz, ótimo cabeceador, presença de área e sabia usar a força quando precisava”. O “Canhotinha de Ouro”, disse também que muita bobagem virou “verdade” em função da ditadura militar.

Pirou. Outros ex-jogadores falam coisas difíceis de se acreditar. Emerson Leão teve a coragem de dizer dia desses que a seleção da qual ele era titular, na Copa de 1974, merecia ser campeã e que a eliminação pela Holanda foi uma “injustiça”. Nesses 40 anos de lá até aqui, foi a primeira vez que ouvi um comentário como esse.

Dá-lhe ditaduras! Búfalo Gil, mineiro de Nova Lima, que disputou a Copa de 1978, dia desses deu um “chute” durante reprise de jogo daquele Mundial. Perguntado sobre a opção do técnico Cláudio Coutinho por Chicão e, não, Falcão, respondeu: “Acho que foi um acordo dos militares do Brasil com os da Argentina para que ela ganhasse aquela Copa”. Mudei de canal!