Nota zero na educação: 23 estados brasileiros ficam abaixo da meta estipulada pelo MEC para o ensino médio

Deu na CBN

Vinte e três estados brasileiros ficaram abaixo da meta estipulada pelo Ministério da Educação para o ensino médio nas redes pública e privada. O índice se manteve estável e permaneceu em 3,7, mas a meta era de 3,9. Somente Amazonas, Pernambuco, Rio de Janeiro e Goiás ficaram acima da média. Os números estão num relatório do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.

As notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) caíram no ensino médio de 16 redes públicas estaduais de 2011 para 2013, de acordo com dados que serão divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) nesta sexta-feira. Entre as nove unidades federativas que apresentaram crescimento, Goiás pulou do quinto lugar em 2011, com Ideb de 3,6, para o topo do ranking, em 2013, com 3,8. O Rio de Janeiro saltou da 15ª posição (com 3,2) para a quarta (com 3,6), empatado com Santa Catarina, Minas Gerais e Pernambuco. São Paulo se manteve na segunda posição, apesar da queda na nota, de 3,9 para 3,7. O Rio Grande do Sul pulou de 10º (com 3,4) para o terceiro, 3,7.

RIO MELHORA

Com nota 3,6, as escolas estaduais do Rio superaram a meta estabelecida pelo MEC, que era de 3,3 para 2013. O estado já havia apresentado avanço na última edição do levantamento, quando deixou para trás a penúltima colocação, registrada em 2009. Na região Sudeste, esta foi a segunda melhor nota, ficando atrás apenas de São Paulo. No Brasil, foi o segundo maior crescimento na nota (12,5%), ficando apenas atrás de Pernambuco (16,1%).

As notas dos dois primeiros colocados diminuíram no último biênio. Em 2011, Santa Catarina estava no topo com 4,0; este ano, Goiás assumiu a posição, com 3,8. Já a nota do segundo lugar caiu de 3,9 para 3,7 no período, ambas obtidas por São Paulo. Dois estados mantiveram as médias e as posições: Acre, com 3,3, na 13ª, e Alagoas, com 2,6, na última.

QUALIDADE

Uma das principais referências para políticas educacionais na educação básica, o Ideb é divulgado a cada dois anos. O indicador mede a qualidade do aprendizado e da infraestrutura das cerca de 190 mil unidades escolares de ensino fundamental e médio em todo Brasil.

O Globo revelou na quarta-feira que os dados haviam sido repassados para a Casa Civil há mais de duas semanas. O resultado será apresentado nesta sexta, às 14h30, pelo ministro da Educação, Henrique Paim, e o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Chico Soares.

O Secretário Estadual de Educação do Rio de Janeiro, Wilson Risolia Rodrigues, comemorou o resultado e disse que a meta agora é melhorar ainda mais os resultados.

– Estamos muito felizes. Isso é resultado de muito trabalho, de uma gestão de fato. Sabemos que temos que melhorar mais ainda. Tudo o que foi feito, foi pensando em 2023. O objetivo agora é obter a melhor nota no próximo Ideb – explicou o secretário, que assumiu a pasta no fim de 2010.

Medidas provisórias perdem validade por falta de votação no Congresso, mas seus efeitos continuam válidos

Congresso Nacional
Carolina Gonçalves
Agência Brasil

Desde a última sexta-feira (29), duas medidas provisórias (MPs) perderam a validade e não podem mais ser transformadas em lei. Uma delas alterava os valores da tabela progressiva do Imposto sobre a Renda Pessoa Física (MP 644/2014) a partir do ano-calendário de 2015. O texto não foi votado a tempo, mesmo com a prorrogação de vigência por 60 dias, em junho.

Também perdeu validade a MP 645/14, que estendia para este ano o pagamento do auxílio emergencial financeiro pago às populações afetadas por estiagem em 2012. O valor do benefício era de R$ 80 por família.

Com o fim do prazo de validade da MP 644, perdeu vigência a tabela progressiva do Imposto de Renda que previa uma correção de 4,5% dos valores pagos. O reajuste ainda elevaria a faixa de isenção para pagamento do tributo, passando dos atuais R$ 1.787,77 por mês para R$ 1.868,22.

 A MP começa a valer assim que é editada, mas, para virar lei, precisa da aprovação de deputados e senadores. Desde 2002, as medidas provisórias passaram a ter validade de 60 dias, prorrogável por mais 60 dias. Se o Parlamento não aprovar o texto até o final do prazo, a MP perde validade desde a edição e o presidente da República não pode mais reeditar a proposta na mesma sessão legislativa. De acordo com a Constituição, as relações jurídicas decorrentes de atos praticados durante sua vigência ficam mantidas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O Brasil vive hoje uma situação jurídica curiosa. Além da podridão da magistratura, que não tem rotina de trabalho e opera com altos salários e baixa produtividade, em meio a um mar de mordomias e favorecimentos, existem também aberrações jurídicas como as medidas provisórias, que entram em vigor quando são baixadas pelo Executivo e produzem efeitos jurídicos durante a vigência provisória, mantidos mesmo depois de a medida provisória ser derrubada pelo Congresso. E os magistrados desfilam ao som do “Samba do Afrodescendente Portador de Necessidades Especiais”, digamos assim, e que o genial Sergio Porto nos perdoe. (C.N.)

Polícia Federal vê elo da empresa do doleiro com traficante internacional de drogas


Andreza Matais e Fausto Macedo
Estadão

A Polícia Federal apreendeu no cofre de um dos maiores traficantes do país documentos dos laboratórios Labogen Química Fina e Piroquímica Comercial. As duas empresas seriam controladas pelo doleiro Alberto Youssef, investigado pela PF na Operação Lava Jato. A Labogen chegou a negociar contrato com o Ministério da Saúde na gestão de Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo de São Paulo.

Os documentos foram encontrados em março deste ano pela operação Oversea que desarticulou esquema do tráfico de drogas no porto de Santos.

A PF descobriu que o traficante Sauélio Alves Leda, alvo da Oversea. mantinha os papeis num cofre localizado no seu quarto em um sítio de Mogi das Cruzes (SP). Ele é investigado por tráfico internacional de drogas. “Embora as referidas empresas não tenham sido investigadas durante a operação Oversea existem indícios que estes documentos estejam diretamente ligados a lavagem de dinheiro e é de extrema importância a identificação de pessoas e empresas envolvidas com a estrutura da organização criminosa voltada para o tráfico ilícito de drogas”, diz relatório de inteligência da PF.

No cofre do traficante, a PF também encontrou duas armas registradas em nome de um advogado.

Os documentos referentes aos laboratórios eram emails escritos em inglês nos quais três pessoas identificadas pela PF como Pedro Argese Junior, Paul Weins e Marcela Almeida tratavam da exportação de glicerina para a Bélgica.

Sobre Sauélio Alves Leda, o relatório da PF afirma. “Trata-se de um grande traficante de drogas de âmbito internacional e isto, por si só, já levanta suspeitas sobre esses documentos.”

RELATÓRIO

O relatório faz menção à operação Lava Jato e à Labogen.

A Labogen, segundo os investigadores, “era usada com o objetivo de se vincular a setores públicos e também utilizada para realização de operações de câmbio, evasão de divisas e lavagem de dinheiro”. Pedro Argese, um dos autores do email sobre a Labogen, também é investigado pela Lava Jato.

A Labogen contou com a ajuda do deputado André Vargas (sem partido-PR) para se aproximar do Ministério da Saúde na gestão do seu antigo colega de partido, Alexandre Padilha. Vargas é amigo de Youssef e responde a processo por quebra de decoro parlamentar na Câmara por suas ligações com o doleiro. Ele se desfiliou do PT após a Polícia Federal revelar suas relações com Youssef.

VARGAS & YOUSSEF

Numa conversa interceptada pela PF com autorização da justiça, Vargas e Youssef se referem ao negócio com o ministério como uma oportunidade de “independência financeira”.

Uma sindicância interna do Ministério da Saúde concluiu que após o lobby do deputado, o gabinete do então ministro Alexandre Padilha solicitou a subordinados que recebessem representantes do laboratório. O interesse do Labogen era produzir medicamento em parceria com laboratório público. O projeto foi abortado após a imprensa revelar as negociações. Em entrevista ao Estado, Vargas já afirmou que entregou material da Labogen “para o ministro…e ele deve ter marcado reunião técnica.” Ele afirmou que Youssef dizia ser dono de um fundo com cotas do laboratório e não de toda a empresa.

Youssef esta preso desde março acusado de chefiar esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 10 bilhões em quatro anos com ramificações na Petrobrás, no Ministério da Saúde e em partidos como PT, PP e SDD.

O Ministério Público Federal também acusa o doleiro de “ter prestado auxílio material nas operações financeiras ilegais” de tráfico internacional de drogas. O Estado tentou contato com os laboratório, mas ninguém atendeu ao telefone nas empresas.

Comparar Marina a Collor é sinal de desespero

Julia Duailibi
Estadão

O crescimento nas pesquisas de intenção de voto da candidata do PSB, Marina Silva, fez aumentar nos QGs tucano e petista a comparação da ex-senadora com o ex-presidente Fernando Collor.

Está cada vez mais comum, em conversas com integrantes das campanhas, ouvir que Marina “é um salto no escuro” ou que “na última vez que o Brasil elegeu um presidente que criticava a política, deu no que deu”. Os interlocutores citam nominalmente Collor e falam que uma eventual vitória da candidata repetirá a história.

Por trás dessa teoria, está a tese de que, se eleita, Marina enfrentará uma crise de governabilidade já que é “sectária” e que não aceita governar com as “velhas raposas” da política, como Sarneys, Renans e etc, que deram sustentação aos governos tucanos e petistas.

É verdade que Marina ainda não conseguiu explicar como vai formar maioria para governar. O discurso de que contará com os melhores quadros de PT e PSDB não é suficiente. Quem conhece o qualitativo do Congresso brasileiro sabe que é improvável que ela chegue a algum lugar com esses “poucos e bons”.

FARÁ CONCESSÕES

Marina terá de fazer política com o Congresso que for eleito, com o Congresso de plantão. Senão, não governará. Mais provável que aceite fazer concessões, decepcionando eleitores “sonháticos”, do que tope encarar uma crise de governabilidade.

Assim como os demais candidatos são suscetíveis a críticas, podemos questionar Marina em uma série de questões: do recente vai e vem de seu programa à superficialidade de algumas propostas; do radicalismo do discurso político à religiosidade. Mas Marina tem uma biografia, anos de exercício político e uma equipe razoável. Portanto, não é, nem de longe, comparável ao candidato de 1989.

Compará-la a Collor só mostra uma coisa: o desespero está cada vez maior nas campanhas petista e tucana.

A síndrome de Regina Duarte (“tenho medo…”) contagiou a campanha petista

Matheus Pichonelli
Yahoo

Erra feio a propaganda na TV da presidenta Dilma Rousseff ao associar Marina Silva a Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello, presidentes eleitos sob a bandeira de salvadores da pátria que deixaram os postos de maneira trágica – a renúncia, em um caso, e o impeachment, no outro.

Se a ideia era mostrar que a candidata do PSB era uma “aventureira”, incapaz de formar uma maioria parlamentar, como os ex-presidentes citados, o tiro acertou o próprio pé.

Primeiro porque um dos “salvadores da pátria”, citado indiretamente na peça, é hoje aliado de primeira ordem do Planalto. Já anunciou, inclusive, o voto na presidenta.

Em segundo lugar porque, ao especular sobre uma suposta incapacidade de Marina em obter uma maioria sólida no Congresso, fato que contribuiu para a queda de Jânio e Collor, o PT brinca com a própria história: o partido só acenou à governabilidade quando uma sombra semelhante pairou sobre o governo durante a crise do “mensalão”, em 2004. Ali, e só ali, a legenda percebeu que não conseguiria governar sozinha – ou com os aliados escolhidos a dedo na campanha – e alargou o terreno do peemedebismo, expressão cunhada pelo cientista político Marcos Nobre para designar o sacrifício da coerência em troca da aliança com os partidos fisiológicos do Congresso, não apenas o PMDB.

“SEGURANÇA”

Por esse viés é possível dizer que foi a prudência, e não a generosidade, a balsa que ajudou o governo petista a chegar do outro lado da margem em “segurança” (com todas as aspas que a palavra “segurança” permite) em 2006. Caso contrário, a travessia hoje poderia ser chamada na propaganda alheia de “aventura” – o que seria lamentável, diga-se, além de desonesto.

Em terceiro lugar porque, ao incluir a rival entre os “chefes do partido do eu sozinho”, a propaganda desrespeita duas histórias. A do PSB, que hoje abriga Marina e que até ontem compunha a base de apoio do PT, e da própria ex-seringueira, ex-senadora do PT e ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula. É como admitir que o partido aceita amadores em sua administração, mas não em uma disputa eleitoral.

Por fim, erra o partido como erram todos os candidatos que apelam ao medo para construir, ou desconstruir, um discurso. Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo da mesma estratégia em todas as eleições que disputou. Em 2002, a atriz Regina Duarte, eleitora do então candidato tucano José Serra, foi à TV dizer que tinha medo de um futuro governo petista. Virou símbolo do derrotismo que Lula prometeu enterrar ao anunciar a vitória da esperança sobre o medo.

“NOVA POLÍTICA”

Marina Silva pode, e deve, ser confrontada em todas as frentes. Tem razão quem se questiona como ela pretende fazer uma nova política em um Congresso tomado por políticos tradicionais. Ponto. Mas o benefício da dúvida não é sintoma do desastre certo, e a exploração de diferentes experiências e contextos históricos para criar um novo fantasma dá brecha para outro tipo de desconfianças do eleitor – que, a princípio, sabe a diferença entre um espantalho e uma raposa.

Ao olhar para trás e pinçar o terror a seu favor, o comando da campanha petista sinaliza não ter mais esperanças a vender a não ser o próprio medo. O sofisma pode até render votos, mas é o caminho mais curto para alguém sair de uma campanha menor do que entrou.

Decisão sobre candidatura de Arruda no STJ será terça-feira, mas ele pode recorrer ao Supremo

José Carlos Werneck

A decisão sobre a candidatura de José Roberto Arruda ficou para terça-feira. A 1ª Turma do STJ analisou ontem uma medida cautelar apresentada pela defesa do ex-governador, mas os ministros não entraram no mérito da ação. Seus advogados tentam reverter a condenação por improbidade administrativa, entendendo de que o juiz responsável pelo processo na primeira instância, Álvaro Ciarlini, seria suspeito para julgar ações relativas à chamada “Operação Caixa de Pandora”. Se vitorioso, o candidato do PR pode liberar sua candidatura, que foi impugnada pelo TSE. Se perder, pode recorrer ao Supremo.

Os ministros analisaram o agravo regimental, interposto pelo Ministério Público do Distrito Federal questionando a distribuição automática do recurso ao ministro Napoleão Nunes Maia. Ele foi o relator do processo de um ex-deputado distrital, Leonardo Prudente, e acatou os argumentos da defesa, considerando Ciarlini suspeito.

Prudente foi vitorioso no STJ e a defesa de Arruda tenta o mesmo caminho. Mas os magistrados rejeitaram o agravo do Ministério Público e entenderam que o ministro poderá relatar todos os casos semelhantes. Terça-feira, a 1ª Turma reúne-se novamente, para julgar o mérito do recurso especial do ex-governador, favorito na atual eleição de Brasília.

Se Mantega tivesse hombridade, pediria demissão

André Uzêda
Folha

Um dia após ter indicado mudanças na equipe e nas políticas de governo num eventual segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff sinalizou a saída do ministro Guido Mantega (Fazenda) em caso de sua reeleição.

Em entrevista em Fortaleza, esta quinta-feira, Dilma foi questionada especificamente sobre o futuro do titular da Fazenda caso vença as eleições. “Eleição nova, governo novo, equipe nova”, disse a presidente petista.

“Quero dizer o seguinte. Só faço uma coisa. Não nomeio ministro em segundo mandato. Eu não fui eleita. Como é que eu saio por aí nomeando ministro? Não sei se vocês lembram quando sentaram na cadeira antes da eleição”, completou a presidente, numa referência a Fernando Henrique Cardoso, que sentou na cadeira de prefeito de São Paulo às vésperas das eleições de 1985 e acabou derrotado em seguida por Jânio Quadros.

Dilma ainda seguiu no tema: “Eu não falo isso [nomes da equipe] sabe por quê? Por que dá azar. Falar de uma coisa que ainda não ocorreu. Mas é governo novo, equipe nova. Não tenha dúvida disso”.

MUDANÇA NA EQUIPE

Um dia antes, em fala a representantes da indústria em Belo Horizonte, Dilma já havia sinalizado a mudança da equipe.

“Declarei [anteriormente] que considerava tão importante a política industrial e a política de desenvolvimento em geral que faria um Conselho de Desenvolvimento ligado diretamente à Presidência da República, e reitero hoje esse meu compromisso. Obviamente, novo governo, novas…, necessariamente, atualização das políticas e das equipes”, afirmou em BH.

Dilma vinha resistindo a falar em ajustes em sua equipe e na política econômica, apesar das recomendações do ex-presidente Lula e de assessores neste sentido para reconquistar o apoio do empresariado e atender o desejo de mudança da maioria do eleitorado manifestado em pesquisas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGPelo jeito, governar se tornou a arte da hipocrisia. Dilma Rousseff aturou Guido Mantega no Ministério da Fazenda por quatro anos. Só agora, diante da possibilidade concreta de ser tirada do cargo, é que ela anuncia que Mantega sairá da Fazenda. Em Brasília, todos sabiam que ela sempre preferiu o economista Nelson Barbosa, que era secretário-geral da Fazenda e vivia às turras com Mantega, até sair do governo em junho de 2013. A verdade é que Lula nunca permitiu que ela trocasse de ministro. Agora, com a economia fracassada, Dilma diz que vai demitir Mantega e nem pergunta a opinião de Lula. Se ela vencer, enfim tentará governar sem Lula, se é que isso seja possível num governo do PT. Mas tudo indica que já é tarde demais para Dilma proclamar sua independência… (C.N.)

Choram Chico e Vinicius

Sylo Costa

Dizem que, na vida, a única certeza é a morte. Pois, agora, tenho outra certeza: a de que essa situação do Brasil atual não vai acabar bem. Sem querer ser arauto da desgraça, digo que estamos hoje em situação pior do que em 1964.

Já declarei aqui que na única vez em que votei no candidato de meu querer para presidente da República me dei mal. Jânio não batia bem da bola. Desde então, sempre votei no menos pior. Isso poderia ser evitado, não fosse o voto obrigatório, mesmo sendo nosso regime uma democracia.

Mas agora estou em dúvida desde a declaração do terrorista Zé Dirceu, que, do alto de sua condição de preso-solto, soltou um entendimento dúbio a respeito de sua colega de terror, dona Dilma. Disse que “Marina é o Lula de saias” e meteu o pau em Dilma, alegando que a terrorista o abandonou e que o deixou às feras. É preciso cuidado com tudo o que gente dessa espécie fala.

A terrorista fez o que nunca se fez, em termos de ajuda, para santificar todos eles. Até trocou ministros do falado egrégio Supremo para mudar veredito já prolatado e, por consequência, o destino de todos, interpretando as sentenças de acordo com suas conveniências. Chegaram até a tirar do bolso das cuecas os hoje famosos “embargos infringentes”.

CÃO CHUPANDO MANGA

Quando a aplicação da lei ou do direito passa a ser na marra, institucionalmente o país está como “cão chupando manga”. Esse tipo de recurso no STF demonstra desconhecimento do significado etimológico da palavra “supremo”. O leitor já viu loja de conveniência vender boi? Pois é. Supremo é aquilo que está acima de tudo, não existe um supremo acima de outro supremo. Sim, eu sei que existe essa competência no Regimento do STF, desde que a decisão não seja por unanimidade, mas não entendo assim. Devo ser burro.

Mas, afinal, a quem o Zé terrorista está querendo ajudar com essa declaração? Pra mim, a situação ficou mais difícil com a entrada da Marina coitada. É que voto sempre no menos pior.

Enquanto isso, às vésperas de assumir o estado de recessão da economia do país, a presidenta-candidata lança, em plena campanha eleitoral, um pacote de estímulos ao crédito por meio do Banco Central e do Ministério da Fazenda, que preveem afrouxamento dos controles para concessão de empréstimos e normas voltadas para o financiamento de veículos e imóveis, e solta no sistema bancário dinheiro do depósito compulsório dos bancos – R$ 45 bilhões.

ORIGINALIDADE

Essa medida é original porque, pela primeira vez, tentam apagar fogo com jatos de gasolina. A classe média está devendo até as cuecas, e ainda tem de aguentar uma desgraça dessas. Os sinais são de recessão para este fim de ano. Passadas as eleições, ninguém segura essa vaca, que vai com todo mundo pro brejo.

É por isso que me lembrei de Chico e Vinicius e passo a sentir também uma tristeza no peito por não ter como lutar. E eu, que não creio, peço a Deus por minha gente, gente humilde. Que vontade de chorar. (transcrito de O Tempo)

 

PSDB começa a achar que a culpa é do marqueteiro de Aécio

Deu no Estadão

Com dificuldades em avançar na disputa presidencial, a condução do marketing de campanha de Aécio Neves (PSDB) pelo marqueteiro Paulo Vasconcelos passou a ser alvo de críticas de setores do próprio partido. Um dos poucos a falar abertamente sobre os contratempos enfrentados até então, o presidente estadual do PSDB mineiro, deputado federal Marcus Pestana, admitiu a ocorrência de erros no reduto eleitoral de Aécio.

“A campanha estadual não defendeu o legado do Aécio. E nós tivemos uma passividade. A nossa campanha não foi na linha correta de se ancorar no legado, o que permitiu o surgimento de mentiras e inverdades. O Fernando Pimentel (candidato do PT ao governo de Minas) está prometendo o que já existe, o que já fizemos e a campanha não está tendo uma ação firme de ataque e defesa. Foi um erro aqui da nossa campanha que está sendo corrigido”, disse Pestana.

A avaliação é de que a equipe de comunicação da campanha nacional erra ao apresentar propostas de forma genérica, esquecendo-se de regionalizá-las. Uma das consequências seria um distanciamento dos eleitores com o discurso de Aécio.

DIRETAMENTE…

As reclamações já começam a chegar ao candidato. De acordo com um integrante da cúpula do PSDB, nos últimos dias alguns governadores do partido passaram a ligar diretamente para Vasconcelos para sugerir alterações na propaganda nacional. Aécio também tem sido procurado pessoalmente com pedidos de mudanças.

Há demandas, em especial dos diretórios regionais, para que Aécio grave vídeos específicos para o eleitorado de cada Estado. Seria uma forma de aproximá-lo da realidade de cada local. Reclama-se também da falta de integração do discurso entre as campanhas estadual e nacional.

A busca por uma reação do PSDB em Minas também tem como finalidade evitar uma dupla derrota de Aécio no Estado. As últimas pesquisas colocam o tucano em empate técnico com a presidente Dilma Rousseff (PT) nas intenções de votos na região. Além disso, o seu candidato ao governo local, Pimenta da Veiga (PSDB), está em segundo lugar na corrida eleitoral com 23%, atrás de Fernando Pimentel, que tem hoje 37% das intenções de votos.

POLARIZAÇÃO

Na análise de Marcus Pestana, a campanha no âmbito nacional deve deixar de fazer a apresentação de Aécio e iniciar uma nova etapa de “polarização”. Para o dirigente, é necessário que se tenha uma “pegada” igual à usada pelos marqueteiros de outros países.

“Essa fórmula do marketing brasileiro está esgotada. Tenho amigo publicitário que é argentino que disse que, na Argentina, é pancadaria para todo lado e ganha quem ficar de pé. Nos Estados Unidos também, lá não há uma agenda propositiva, proposta de governo, é para falar mal do adversário, ou seja, polarização. A desconstrução não tem a ver com baixaria, com mentira, mas tem a ver com politização, oferecer o melhor argumento”, ressaltou.

A polarização pretendida deve ser feita com Dilma e Marina Silva (PSB), que hoje aparecem na liderança da corrida presidencial, empatadas com 34% das intenções de votos.

“Não estamos mais na fase do ‘bem-vindos’ ou do ‘venha discutir o Brasil'”, disse em referência ao mote apresentado nos programas de rádio e TV da campanha presidencial do PSDB. “Vamos polarizar e oferecer argumentos. Você tem uma candidata que é a continuidade do que está dando errado, que está levando o País para o abismo, que é a Dilma. Por outro lado, mais de 70% acham que têm que mudar. Aí há duas opções: Marina e Aécio. Marina é o sonho que pode virar pesadelo.”

Uma canção sensual do poeta Mauro Mota

O advogado, jornalista, professor, memorialista, cronista, ensaísta e poeta pernambucano Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (1911-1984), no poema “Canção de Mulher e Tempo”, revela sua incessante busca cotidiana pela mulher amada, que se chamava Guiomar.

CANÇÃO DE MULHER E TEMPO

Mauro Mota

Guiomar, para onde foste?
Te procuro noite e dia:

sobejos de canto e falas
e o cheiro na ventania.

No verde morno do Janga
os rastros de espuma fria.

Bolem no azulejo as sombras
enxutas das mãos na pia

(Jeito de corpo estremece
no lençol que te cobria.)

Guiomar, para onde foste?
Te procuro noite e dia.

Só não te acho em ti mesma
no mistério da agonia:

sumidas cores e carnes
(camuflada autofagia).

Tempo químico tirano,
vinte anos de tirania.

Guiomar, para onde foste?
Só tua voz te anuncia.

Nem a viagem nem a morte
mais longe te levaria.

   (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Marina tem condições de vencer logo no primeiro turno

José Augusto Aranha

Somente um ingênuo poderá achar que os institutos de pesquisas apresentam dados totalmente idôneos e científicos em suas pesquisas de intenção de votos. Mesmo que a metodologia utilizada tenha fundamentos científicos comprovados existem diversos elos na corrente onde estes dados podem ser modificados. Um deles são os próprios pesquisadores de campo que, certamente, têm suas preferências e candidatos, podendo induzir a opinião dos indecisos. Além disso temos os interesses de quem paga a pesquisas, as pressões políticas e tantas outras.

Mas o que me surpreende é estes institutos analisarem sempre baseados estritamente nas projeções futuras e não levarem em conta os números consolidados das eleições anteriores. Estes, sim, tem relevância especial pois não podem mais ser manipulados e indicam as tendências que temos no nosso quadro político.

Sobre isso, apresento alguns dados interessantes que passam “batido” por toda a mídia.
Nas 3 ultimas eleições para presidente o PT teve , no 1° turno, uma performance parecida em percentuais, apesar de viver situações econômicas e de avaliação distintas.

  •  Em 2002, para um eleitorado de 115.254.113, Lula teve 39.454.692 de votos, ou seja, 34,23%.
  •  Em 2006, para um eleitorado de 125.913.479, Lula teve 46.662.365 de votos, ou seja, 37,05%.
  •  E em 2010, para um eleitorado de 135.804.043, Dilma teve 47.651.434 votos, ou seja, 35,08%.

NO LIMITE

Dentro destes dados, reais e consolidados, o PT sempre teve um percentual médio de 35,23% de votos nas últimas 3 eleições no 1° turno. Portanto é perfeitamente constatável que o número que os institutos atribuem a Dilma/PT é o limite que o partido conseguiu alcançar nas eleições que venceu. Portanto é bastante improvável o aumento do percentual de votos da candidatura do PT, mesmo sem levarmos em consideração fatores que a prejudicam muito hoje como a crise econômica (nunca “dantes” enfrentada pelo PT em outras eleições), a vontade de mudanças da população e o fator Marina, simbolizando uma nova opção (fato que não ocorreu nas outras eleições).

Para pesar dos defensores do Petismo e das análises tendenciosas dos institutos, a possibilidade de vitória de Marina no 1° turno é uma possibilidade não tão remota. Principalmente se lembrarmos que são necessários 50% mais um dos votos válidos e as pesquisas atuais não apresentam o percentual das abstenções, que sempre ultrapassaram os 17% e baixam em muito o total de votos computados.
Vamos aos números:

  • Em 2002 os votos válidos foram  84.951.149 (73,7%).
  • Em 2006 os votos válidos foram  95.996.733 (76,2%).
  • EM 2010 os votos válidos foram 101.590.153 (74,8%).

Analisando matematicamente, a média de votos válidos foi de no máximo 76% do eleitorado total. Para se obter a metade mais um dos votos válidos teríamos que ter cerca de 38% deste universo de eleitores cadastrados.

Eleitorado este que é o universo das pesquisas que os institutos apresentam.
Marina e Dilma tem apresentado cerca de 35% dos votos, segundo eles, os institutos. Como este é o teto do PT, Dilma não tende a crescer mais. Marina, porém, ainda tem a possibilidade de receber, na última hora uma parte dos votos de Aécio e terminar com a eleição ainda no 1° turno.

Líder judeu denuncia indiferença mundial diante da perseguição aos cristãos

Deu no The New York Times

O líder do Congresso Internacional Judeu, Ronald S. Lauder, criticou a apatia mundial ante a perseguição dos cristãos no Oriente Médio e em outras partes do planeta, indicando que mais países deveriam atuar a respeito. Em um editorial publicado no jornal norte-americano The New York Times, Ronald S. Lauder assinalou que “a indiferença geral ao ISIS (Estado Islâmico do Iraque e Síria), com suas execuções em massa de cristãos e sua preocupação mortal com Israel, não está somente mal, é obscena”.

“O povo judeu entende muito bem o que pode acontecer quando o mundo está calado”, disse. “Esta campanha de morte deve ser detida”. Lauder criticou que enquanto a comunidade internacional correu para defender outras minorias da perseguição em outros conflitos, e protestou pelos ataques de Israel contra Hamas, quando a organização é conhecida por estar usando civis como escudos humanos, “o massacre bárbaro de milhares de cristãos é tomado com relativa indiferença”.

Assinalando uma série de ofensas contra “comunidades cristãs que viveram em paz por séculos” no Oriente Médio e partes da África, lamentou a falta de ação. Lauder também assinalou que recentemente, grupos militantes na Nigéria “sequestraram e assassinaram centenas de cristãos”, e que meio milhão de “cristãos árabes foram expulsos da Síria durante os mais de três anos de guerra civil”, e enfrentaram perseguição e assassinato no Líbano, Sudão e em outras partes. “Os historiadores logo olharão para trás neste período e se perguntarão se as pessoas tinham perdido o seu rumo”, alertou.

TERROR NAZISTA

O líder judeu também assinalou que a organização internacional se manteve em sua maior parte quieta sobre “a onda de terror tipo nazista que está rondando pelo Iraque”. Adicionalmente, disse, as celebridades e figuras públicas não falaram da perseguição, e se perguntou “por que a matança dos cristãos não parece ativar as suas antenas sociais?”.

Em sua carta, Lauder elogiou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por “ordenar ataques aéreos para salvar dezenas de milhares de yazidis”, mas lamentou que não foram suficiente para fazer frente aos recursos econômicos e força militar do Estado Islâmico. O líder judeu disse que o Estado Islâmico é “provavelmente o grupo terrorista mais rico no mundo”, e assinalou que “onde realmente se sobressai é na sua carniçaria”, onde “apontou sem piedade os xiitas, curdos e cristãos”.

“Eles realmente decapitaram crianças e puseram as suas cabeças sobre estacas”, disse, citando um relatório da CNN sobre a violência em Mosul (Iraque). “Mais crianças estão sendo decapitadas, mães estão sendo estupradas e assassinadas e os pais estão sendo pendurados”, lamentou.

ONDA DE VIOLÊNCIA

Lauder reiterou uma promessa prévia que fez em junho, de que ele “não ficaria calado diante da crescente ameaça do antissemitismo na Europa e no Oriente Médio, não permanecerei indiferente ao sofrimento cristão”. As pessoas boas de todos os credos, mas particularmente cristãos e judeus, continuou, “devem unir-se e deter esta repugnante onda de violência”.

Lauder destacou que as duas religiões compartilham “muito mais que a maioria das religiões”, incluindo uma Bíblia e um “núcleo moral e ético”.

“Agora, tristemente, compartilhamos uma forma de sofrimento”, acrescentou. “Os cristãos estão morrendo por causa das suas crenças, porque estão indefesos e porque o mundo é indiferente ao seu sofrimento”. Lauder pressionou as pessoas de todo o mundo a agir. “Não é como se fôssemos impotentes”, disse, indicando que estava escrevendo “como um cidadão do poder militar mais forte sobre a terra”, assim como “um líder judeu que se preocupa com meus irmãos e irmãs cristãs”.

(transcrito do blog de Percival Puggina)

Era só o que faltava: Alimentos sobem e provocam avanço da inflação

Supermercado
Marli Moreira
Agência Brasil 

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) encerrou agosto em alta de 0,12%. A taxa é o dobro da apurada na última prévia (0,06%), mas está abaixo da registrada no começo do mês (0,16%). A pesquisa, feita pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que seis dos oito grupos pesquisados apresentaram acréscimos.

O grupo alimentação foi o que influenciou a média inflacionária ao reverter a queda média de 0,01% para alta de 0,13%. Entre os itens que ficaram mais caros está a carne bovina (de -0,54% para 0,34%).

No grupo habitação, o índice subiu de 0,27% para 0,34%, puxado, principalmente, pelo condomínio residencial (de -0,28% para 0,05%). Em saúde e cuidados pessoais, o aumento foi 0,35% ante 0,27%. Entre as despesas em alta no grupo estão os serviços de salão de beleza, que passaram de 0,30% para 0,71%.

No grupo despesas diversas, a taxa passou de 0,14% para 0,19% com influência vinda das clínicas veterinárias que reajustaram seus preços em 1,81% ante 1,15%. Em transportes, diminuiu a intensidade de queda (de -0,06% para -0,02%), reflexo da venda de gasolina a preços variando -0,40% ante -0,55%. E, em vestuário, houve movimento semelhante (de-0,70% para -0,50%).

Em educação, leitura e recreação, caiu o ritmo de alta com variação de 0,12% ante 0,28%, resultado da queda no valor dos ingressos para shows musicais (de 5,29% para -0,26%). No grupo comunicação, o índice caiu mais passando de -0,34% para -0,53%, efeito de uma queda mais expressiva na tarifa de telefone residencial (de -1,11% para -1,93%).

As cinco maiores influências de alta vieram dos grupos: refeições em bares e restaurantes (0,43%), aluguel residencial (0,65%), plano e seguro saúde (0,73%), leite tipo longa vida (3%) e tangerina (26,72%). Por outro lado, os grupos que mais contribuíram para queda foram: batata-inglesa (-21,47%), tarifa de telefone residencial (-1,93%), hotel (-3,63%), tomate (-5,88%) e massas preparadas e congeladas (-3,78%).

Marina Silva promete continuar no PSB caso seja eleita presidente

 

Andre Shalders
Correio Braziliense

A candidata à presidência pelo PSB, Marina Silva, disse em sabatina que pretende continuar filiada ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) caso seja eleita presidente da República. “Eu vou continuar como presidente da República, eleita pelo PSB, porque eu não quero instrumentalizar esse lugar (a Rede), disse ela, ao responder perguntas feitas por internautas durante uma sabatina promovida pelo Portal G1. “A Rede Sustentabilidade vai ter o meu apoio sempre, e teria o apoio de Eduardo Campos, mas nós estamos imbuídos de governar com todos os partidos”, continuou a presidenciável.

No primeiro bloco, Marina repetiu duas vezes o bordão “vamos unir o Brasil”, adotado pela campanha. Ela voltou a atribuir a não obtenção do registro da Rede Sustentabilidade, negado em outubro passado pelo TSE, a uma “ação política”. “a criação da Rede não depende de mim. A Rede é um movimento social que tem diretórios nas 27 unidades da federação, nos vários municípios, que em menos de cinco meses conseguiu quase 1 milhão de assinaturas e que só não foi registrada por conta de uma ação política dentro dos cartórios”

“PINGA-FOGO”
No fim do primeiro bloco, Marina foi confrontada com uma série de perguntas ao estilo “pinga-fogo”, no qual deveria responder com poucas palavras sobre temas considerados polêmicos. A candidata rechaçou a possibilidade de legalizar a eutanásia; defendeu a adoção por casais homossexuais tal qual existe hoje; e também defendeu as normas atuais para o aborto.
Marina também se disse contrária ao fim do voto obrigatório e disse que é contra a revisão da Lei de Anistia, que hoje impede punições a ex-torturadores e ex-agentes do Estado que cometeram crimes durante a ditadura civil-militar (1964-1985). A candidata do PSB evitou respostas diretas em temas como a regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas, previsto na Constituição de 1988, e o fim do serviço militar obrigatório.

OTAN é hoje uma organização antipaz

Seumas Milne
The Guardian, UK

Para os senhores-da-guerra ocidentais, é ótima hora para estar em Gales. Uma aliança militar que lutou durante anos tentando explicar por que ainda existe, conseguiu, afinal, uma agenda para essa reunião de Newport. 

A OTAN pode nem ser o centro dos planos de Barack Obama e David Cameron para escalar a intervenção no Oriente Médio e varrer “para a inexistência” o chamado Estado Islâmico. Mas, depois de 13 anos de ocupação sangrenta do Afeganistão e de uma intervenção calamitosa na Líbia, a aliança ocidental afinal encontrou um inimigo que, pelo menos, parece adequado ao muito caro que custa a aliança. Hoje, em ‘rolezinho’ pela ex-república soviética da Estônia, o presidente dos EUA declarou que a OTAN está pronta para defender a Europa contra a “agressão russa”

O secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen – que insistiu, quando primeiro-ministro holandês em 2003 que o Iraque tem armas de destruição em massa… “Sabemos que tem” – distribuiu imagens de satélite que supostamente mostrariam que a Rússia invadira a Ucrânia. Para não ficar atrás, o primeiro-ministro britânico imediatamente comparou Vladimir Putin a Hitler.

REAÇÃO RÁPIDA

A reunião da OTAN está planejando uma força de ‘reação rápida’ a ser plantada no leste da Europa, para deter Moscou. A Grã-Bretanha enviará tropas à Ucrânia para manobras. Em Washington, falcões do Congresso bombardeiam as tentativas de pacificação e exigem ‘ação’ para dar à Ucrânia “uma força de combate mais capaz de resistir” à Rússia.

Qualquer esperança de que a conversa do presidente da Ucrânia sobre um cessar-fogo que aconteceria hoje pudesse sinalizar um fim para o conflito, foi imediatamente afogada quando o primeiro-ministro Arseny Yatseniuk – favorito dos EUA em Kiev – descreveu a Rússia como “estado terrorista” e, estimulado por Rasmussen, solicitou a inclusão da Ucrânia como estado-membro da OTAN.

Foi precisamente a ameaça de que a Ucrânia viesse a ser arrastada para uma aliança militar hostil à Rússia, apesar da oposição da maioria dos cidadãos ucranianos e seu governo eleito (e já deposto), que iniciou toda a crise que hoje o país vive. A OTAN nada fez para preservar qualquer paz: a OTAN foi a causa da escalada nas tensões e de mais guerra.

NADA MUDOU…

E sempre foi exatamente assim, desde que a OTAN foi fundada em 1949, no auge da Guerra Fria, seis anos depois do Pacto de Varsóvia, supostamente como tratado de defesa contra uma ameaça soviética. Ouve-se com frequência que a aliança teria mantido a paz na Europa por 40 anos; de fato, jamais houve qualquer sinal, mínimo que fosse, de que a União Soviética algum dia cogitou qualquer ataque.

Depois do colapso da URSS, o Pacto de Varsóvia foi devidamente dissolvido. Mas a OTAN, não. Continuou, apesar de ter perdido qualquer razão para existir.

Depois que a União Europeia montou seu acordo comercial-militar com a Ucrânia, isolando a Rússia – e o presidente ucraniano, corrupto mais eleito, que se recusou a assinar o tal acordo, foi derrubado em golpe de estado patrocinado acintosamente pelos EUA – ninguém mais pôde acusar os russos de paranoia persecutória, por tomarem a invasão ao país vizinho como ameaça direta aos seus próprios interesses nacionais vitais.

Seis meses depois, a resistência no leste da Ucrânia apoiada por Moscou, em luta contra nacionalistas nazifascistas em Kiev apoiados pela OTAN, já é guerra total. Há milhares de mortos, direitos humanos abusados dos dois lados, e tropas do governo bombardeiam áreas civis, sequestram, prendem, torturam em escala massiva ucranianos acusados de ‘separatismo’.

TROPAS NAZISTAS

As forças ucranianas apoiadas por governos ocidentais incluem coisas como o batalhão neonazista Azov, cujo símbolo é o gancho do lobo, o mesmo usado pelas tropas de choque nazistas durante a guerra. O regime de Kiev, cada dia mais repressivo, tenta agora banir o Partido Comunista da Ucrânia, que obteve 13% dos votos nas últimas eleições parlamentares realizadas no país.

O acordo na Ucrânia terá de incluir autonomia federativa, direitos iguais para as minorias e neutralidade militar, no mínimo. É o mesmo que dizer: sem OTAN. Dada a escala da guerra e do derramamento de sangue, e com o centro de gravidade política em Kiev pendendo cada vez mais para a direita, com a economia ucraniana em vias de implodir, só os patrocinadores ocidentais podem fazer valer algum acordo. Depois da Crimeia, a alternativa é escalada e desintegração

A OTAN gosta de se ver como a ‘comunidade internacional’. Não é. Na realidade, é um clube militar intervencionista e expansionista que reúne estados ricos e seus satélites, usado para impor interesses econômicos e estratégicos do ocidente. Como a Ucrânia mostra, longe de manter qualquer paz, a OTAN é organização antipaz.

 

Reguffe, do PDT, é o líder para o Senado no Distrito Federal

 

José Carlos Werneck

O deputado Antonio Reguffe, do PDT, é o líder com grande vantagem nas intenções de voto para o Senado, entre os eleitores do Distrito Federal. Ele possui 34%, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira. O candidato do PT, Geraldo Magela,  tem 13% e o senador Gim Argello do PTB,é o último,com 10%. Os voto brancos e nulos somam 14% e 25% dos entrevistados não sabem ou não responderam.

Em relação à pesquisa anterior, de 13 de agosto, Reguffe cresceu 5 pontos, Magela desabou 9  e Gim Argello caiu 3.

São esses números da pesquisa dos candidatos ao Senado:

Reguffe (PDT): 34%; Magela (PT): 13%; Gim Argello (PTB): 10%; Sandra Quezado (PSDB): 1%; Robson (PSTU): 1%; Aldemário (PSOL): 0%; Expedito Mendonça (PCO): 0%; Jamil Magari (PCB): 0%; Branco/nulo: 14%;  Não sabem/não responderam: 25%

O Datafolha fez a pesquisa entre os dias 2 e 3 de setembro. O instituto entrevistou 722 eleitores em todo o DF. O nível de confiança é de 95% ou seja, significa que, se forem realizados 100 levantamentos, em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro de quatro pontos prevista.

A pesquisa de  com os números DF-00037/2014 e BR-00517/2014 foi devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGReguffe é considerado um dos melhores parlamentares brasileiros e está fazendo uma carreira sólida. Deveria ser candidato ao governo do Distrito Federal, mas preferiu o Senado. (C.N.)

Datafolha dá empate no primeiro turno e Marina vencendo o segundo turno com 7 pontos de diferença  

Carlos Newton

As novas pesquisas seguem mostrando a ex-senadora Marina Silva (PSB) com melhores condições para ser eleita presidente da República. Segundo o instituto Datafolha, nos resultados gerais, Dilma e Marina aparecem empatadas na simulação de primeiro turno com 35% e 34% das intenções de voto, respectivamente. Mas no teste de embate final entre as duas, Marina seria eleita presidente com 48% dos votos contra 41% da petista.

O Datafolha ouviu 10.054 eleitores em 361 municípios entre os dias 1º e 3 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. No TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a pesquisa está registrada sob o número BR-00517/2014.

Animado com a permanência de Marina Silva como favorita no segundo turno, seu vice Beto Albuquerque prevê uma diferença maior, porque ele acha que 8 em cada 10 eleitores de Aécio Neves devem votar em Marina Silva para presidente num eventual segundo turno. Os outros dois “talvez votariam em Marina”.

“FAVORITISMO” DE DILMA

O mais interessante da pesquisa é que o maior grupo do eleitorado acha que a favorita para vencer a disputa é a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT. Na pesquisa finalizada nesta quarta-feira (3), o Datafolha fez a seguinte pergunta aos seus entrevistados, após apurar as intenções de voto: “Na sua opinião, quem vai ganhar a eleição para presidente da República em outubro?”

Dilma foi mencionada por 44% como futura vencedora. Marina ficou com 33% das citações. Outros 7% responderam Aécio Neves (PSDB).

A presidente lidera esse capítulo da pesquisa mesmo entre algumas fatias do eleitorado mais propensos a votar em Marina. No grupo dos eleitores mais jovens (16 a 24 anos), por exemplo, ela é vista como favorita por 42% ante 36% de Marina.

Este é o panorama, faltando 32 dias para o primeiro turno.

A lógica de Marina: candidata coloca a “não política” em ação

Marcelo Moraes
Estadão

As divergências com quadros tradicionais do comando do PSB, as esnobadas em palanques estaduais poderosos como os dos governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do Paraná, Beto Richa, e outros movimentos fora do padrão da política tradicional marcaram os primeiros dias da ex-senadora Marina Silva como candidata à Presidência da República. Nada disso aconteceu por acaso. Marina segue apostando – como já fizera em 2010 – na construção de uma candidatura que foge das convenções e busca conquistar o eleitor justamente pelo rompimento com as práticas tradicionais.

Na cabeça de políticos convencionais seria impensável, por exemplo, abrir mão de uma aliança com o governador tucano Alckmin, favorito para vencer já no primeiro turno no maior colégio eleitoral do País. Ainda mais diante de uma circunstância política favorável que é o fato de PSDB e PSB estarem coligados oficialmente na eleição estadual.

Na visão de Marina, a lógica é outra. Ela sempre foi contra esse acordo. Defendeu – enquanto tentava fundar a Rede e depois já na chapa com Eduardo Campos – que o PSB tivesse candidatura própria. Foi derrotada internamente na ocasião pela posição de Campos, defensor do acordo. Mas, agora, como candidata, manteve a palavra de honrar o compromisso fechado pelo falecido candidato, mas não mudará sua opinião original. A aliança segue mantida em São Paulo mas Marina não participará da campanha ou subirá em algum palanque ao lado de Alckmin.

PRÁTICAS DIFERENTES

O objetivo com isso é claro: Marina tem como foco principal manter a coerência e tentar passar a mensagem de que suas práticas serão diferentes das predominantes dos atuais políticos. Antes de morrer tragicamente, Campos tinha incorporado algo dessa “não política”. Talvez a mais célebre tenha sido quando anunciou que políticos tradicionais do PMDB, como os senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL), não teriam vez no seu governo.

Essa prática remete à enorme massa de eleitores que defendem mudanças no atual cenário político. Se Marina fizer composições incoerentes ou recuar de convicções defendidas com ardor perderá a chance de se encaixar nesse perfil da mudança. Ao jogar um jogo diferente, tem conseguido atrair um interesse do eleitorado. O resultado da última pesquisa Datafolha, com ela aparecendo em segundo lugar no primeiro turno, empatada tecnicamente com o tucano Aécio Neves, e empatando no segundo turno num eventual confronto com a presidente Dilma Rousseff, indicam que sua candidatura e seu estilo são competitivos.

A questão é saber como Marina conseguirá equilibrar esse estilo com uma campanha presidencial que costuma ser extremamente desgastante e repleta de acidentes de percurso.

E O MERCADO?

Considerada ainda uma incógnita para o mercado financeiro e para o setor produtivo – especialmente para o agronegócio e para a infraestrutura -, Marina tem sido extremamente conservadora nos seus primeiros movimentos. Colocou seus principais interlocutores na área para transmitir a mensagem que não pretende dar nenhum cavalo de pau na economia do País e que manterá, por exemplo, o tripé macroeconômico. O sinal é que, se Marina, prega uma “não política”, é improvável que sua campanha defenda alguma espécie de “não economia”. Se fizer isso – ou for interpretada como representante de algo do gênero – dificilmente conseguirá superar resistências dos setores tradicionais da economia e corre o risco de ver seu projeto político fracassar.

Quando ocupava o Ministério do Meio Ambiente, em 2006, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marina já estava completamente insatisfeita com o rumo que a administração federal tomava e com o esvaziamento da pasta que comandava. Como se já preparasse seu desembarque do governo, avisou em entrevista ao jornal O Globo que não admitiria flexibilizar a gestão ambiental como preço para continuar à frente do ministério: “Perco meu pescoço, mas não perco o juízo”, afirmou. Na campanha, ela indica estar disposta a, novamente, arriscar o pescoço, em vez de flexibilizar seus métodos.

Nova política, velha lorota

João Gualberto Jr. 

O que condiciona com maior força o comportamento de um agente político: as regras de conduta ou os costumes? Esse debate foi forte na academia e cindiu áreas de estudo, mas, até por não se ter chegado a uma conclusão firme, o dilema talvez não seja tão relevante atualmente.

O que se pode afirmar, com certeza, é que tanto as leis quanto a cultura política são importantes para o comportamento dos agentes e que as primeiras são decisivas para a construção da segunda, e vice-versa.

Como estamos num período eleitoral, vamos refletir sobre as eleições. A principal lei que tutela as disputas no Brasil é de 1997, e aquilo que ela não proíbe é, obviamente, permitido. Assim, ao delimitar o que uma coligação pode fazer em termos de campanha, arrecadação e publicidade, a norma determina limites de atuação.

Por outro lado, assistimos a uma participação (ou interferência) mais massiva, a cada ciclo eleitoral, das grandes empresas. Elas irrigam as campanhas com muito dinheiro e tornam a competição desigual, na contramão da democracia. Discutem-se, com urgência, as possibilidades de limitar ou extirpar esse elemento nocivo de dependência financeira e desigualdade política.

O tema já foi parar no Supremo e, certamente, chegará ao Congresso como projeto. Esse é um exemplo de necessidade de aperfeiçoamento das regras incitada pelos costumes dos agentes. Como estes são livres para arrecadar – desde que sigam determinadas exigências de contabilidade –, tenta-se buscar uma maneira de limitar o comportamento, ou seja, de se forjar cultura política por meio da legislação.

PRESIDENCIALISMO DE OCASIÃO

O problema do financiamento de campanha é um dos mais quentes que mobilizam os defensores de uma reforma política no país, para além da discussão das normas eleitorais. Temos, por exemplo, um sistema de múltiplos partidos, cuja maior parte é fictícia, não representa causa alguma e sequer toma posição no espectro ideológico. Temos também um sistema presidencialista de coalizão, em que um grupo de partidos sustenta no Legislativo e divide a execução do poder com a sigla do candidato eleito para a chefia do Executivo. Essa parceria entre os Poderes deve ser azeitada com habilidade para que se preservem a governabilidade e a conjunção de interesses. Não convém a um chefe de Executivo, portanto, comprar briga com blocos e grupos de representação poderosos no Parlamento, como a bancada X ou a Y.

Assistimos no Brasil, segundo nossas regras e nossos hábitos, a grupos sem caráter que, visando estritamente a seus projetos patrimonialistas, embarcam em uma coligação promissora para ser contemplados num processo futuro de fatiamento do poder.

Esse é o nosso jogo, que, para o bem e para o mal, ganha refinamentos desde 1989. Os protestos de junho de 2013 se levantaram contra “tudo o que está aí”. Reivindicaram, clamaram por uma “nova política”. Contudo, não se faz nova política com regras e costumes estabelecidos. Quem promete fazê-la, dentro das normas formais e informais em vigência, é ingênuo, inconsequente ou nutre más intenções para com a nossa democracia. (transcrito de O Tempo)