Dilma discorre sobre o preço de gás: Socorro!

Mário Assis

Este é um assunto que a presidente diz que domina. Afinal, foi ministra das Minas e Energia. Mas vamos conferir como Dilma Rousseff se comportou na sabatina da Confederação Nacional da Indústria.

Pois a doutora em preço de gás simplesmente disse que 13 menos 4 é igual a 7, viaja da Ucrânia para o Japão em menos de um minuto, confunde usina nuclear com furacão e submerge num tsunami.

Especialista em preço de gás…

Para aqueles que não viram esta pérola da Dilma, é só acessar:

https://www.youtube.com/watch?v=ebcyKOh4-yM

André Vargas abandona reunião do Conselho de Ética em que é processado

O deputado federal André Vargas (Sem partido-PR) no plenário da câmara dos deputadosMariana Haubert
Folha

Presente pela primeira vez no Conselho de Ética da Câmara desde que o colegiado iniciou um processo por quebra de decoro parlamentar, o deputado André Vargas (sem partido-PR) se recusou a apresentar sua defesa na terça-feira (5) e deixou a reunião antes do fim, alegando que não estava tendo seu direito de defesa respeitado.

Inicialmente, ele foi convidado para depor em três ocasiões na semana passada mas não compareceu. Ele foi novamente convidado para depor nesta segunda e nesta terça.

O relator do processo, Júlio Delgado (PSB-MG), apresentou seu relatório  mas ainda não declarou seu voto. Se Delgado considerar que Vargas quebrou o decoro devido ao seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, ele poderá indicar até a cassação de seu mandato. Segundo o presidente do conselho, Ricardo Izar (PSD-SP), o colegiado voltará a se reunir ainda nesta noite para concluir a leitura do voto.

ABANDONOU A SALA

Antes da leitura do parecer, Vargas pediu para apresentar sua defesa nesta quarta-feira (6), exigindo que as testemunhas que indicou fossem ouvidas antes. Delgado insistiu que Vargas depusesse hoje mesmo já que estava presente à reunião, mas o deputado se recusou afirmando que não estava preparado. Diante da negativa de Delgado ao pedido, Vargas bateu boca com o relator e deixou a sala da reunião.

“Não se trata aqui de ceifar um mandato com mais ou menos importância. Concluir este mandato é tão importante para mim quanto para Vossa Excelência. Preferi não disputar eleições para que pudesse ter um julgamento tranquilo, isento. Não estou disputando aqui o meu mandato mas a minha honra”, disse Vargas durante a reunião.

Logo após sua saída da sala do conselho, ele afirmou que irá recorrer à Comissão de Constituição e Justiça da Casa e ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Vargas responde a um processo por quebra de decoro parlamentar devido ao seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef em dois episódios: um voo em um jatinho emprestado pelo doleiro e o suposto uso de influência do parlamentar junto ao Ministério da Saúde para viabilizar um contrato da Labogen com o órgão para a formalização de um contrato de R$ 35 milhões para produção de medicamentos.

Presidente da CPI da Petrobras pede que Polícia Federal apure a fraude

O senador Vital do Rêgo fala aos jornalistas após audiência pública da comissão que propõe mudanças no código de processo civil (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Karine Melo
Agência Brasil 

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), informou que reuniu-se hoje (5) com o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, para pedir que o órgão apure denúncia publicadas na última edição da revista Veja. Segundo a revista, a presidenta da Petrobras, Graça Foster; o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli e o ex-diretor da Área Internacional Nestor Cerveró “tiveram acesso antecipado às perguntas e foram treinados para responder aos questionamentos“ da comissão.

“O fato colocado na revista Veja suscita investigação”, disse o senador, lembrando que ontem (4) pediu à Diretoria-Geral do Senado a abertura imediata de sindicância para investigar a suposta participação de servidores em vazamento de informações a depoentes da CPI.

Sobre a sindicância, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), adiantou que vai atender ao pedido do senador Vital do Rêgo e autorizar a investigação interna. “A CPI é uma instituição que não pode sair arranhada. É um instrumento fundamental de fiscalização e de cumprimento do papel do Legislativo. Então, é preciso esclarecer tudo na forma do que foi denunciado”, destacou. Renan defendeu ainda continuidade sem prejuízo das atividades da CPI.

COMENTÁRIOS

Segundo o senador Vital do Rêgo, a CPI da Petrobras no Senado ainda tem um mês e meio de trabalho pela frente, até apresentação do relatório, e os trabalhos serão mantidos.  “Vamos continuar na apuração dos fatos. É a nossa missão. A CPI não pode ser suspensa até por um dever constitucional e institucional do Senado”.

No primeiro dia do esforço concentrado do Congresso, o assunto estava entre os mais comentados entre parlamentares do governo e da oposição. A senadora Vanessa Graziotion (PCdoB-AM), uma das mais atuantes na CPI da Petrobras no Senado, cobrou apuração das denúncias.

“Eu reprovo porque isso não é comum, é completamente desnecessário, porque todas as perguntas feitas pelo relator são perguntas óbvias que qualquer senador faria e os depoentes já deveriam estar preparados para aquele tipo de pergunta. Se isso tiver ocorrido, e eu não sei se ocorreu, não é algo aceitável e é completamente desnecessário”.

Suplentes dos candidatos ao Senado são os mais ricos e atuam como patrocinadores

Rodrigo Burgarelli
O Estado de S. Paulo

Na disputa deste ano, os substitutos imediatos dos postulantes ao Senado declararam ter fortuna de R$ 7,3 milhões per capita, mais de 15 vezes o patrimônio médio de todos os 25 mil concorrentes; posto costuma ser de quem banca a campanha do titular.

Um apartamento de R$ 8 milhões no Leblon a poucos metros da praia, quadros de Di Cavalcanti, Cândido Portinari e Iberê Camargo, R$ 67 milhões na conta do banco e até um time de futebol na primeira divisão estadual. Esses são alguns dos bens que compõem a polpuda lista de patrimônio dos suplentes de senador, os candidatos mais ricos desta eleição. Na média, os primeiros-suplentes declararam ter fortuna de R$ 7,3 milhões – mais de 15 vezes o patrimônio médio de todos os 25 mil candidatos registrados para concorrer neste ano.

Os suplentes compõem a chapa do candidato a senador e exercem o mandato caso o titular seja afastado por motivos de saúde ou peça licença para concorrer a outro cargo público (como o governo de um Estado) ou assuma um ministério, por exemplo.

ENTRAM COM O DINHEIRO

A explicação de por que razão eles são tão mais ricos que a média está na ponta da língua dos políticos. “O primeiro-suplente normalmente é um cara muito rico porque é quem banca a campanha do senador. Ele tem o voto e o primeiro-suplente costuma ser o cara que tem o dinheiro. É uma regra geral”, diz Saulo Queiroz, secretário-geral do PSD, sigla com os dois suplentes mais ricos desta eleição: Ronaldo Cezar Coelho (PSD-RJ) e Joel Malucelli (PSD-PR). Ambos têm patrimônio maior que R$ 200 milhões.

Para testar essa hipótese, o Estadão Dados analisou os números da eleição de 2010. Eles mostram que, quanto mais rico foi o suplente do candidato naquele ano, maior foi a chance de a chapa ser eleita. Na média de todos os suplentes, não houve correlação entre o seu patrimônio e o sucesso eleitoral da candidatura. Mas quando são analisados apenas os suplentes com patrimônio maior que R$ 4 milhões, o índice de sucesso foi de quase 85% – 20 das 24 chapas com suplentes ricos assim foram eleitas.

Isso significa que o patrimônio dos suplentes provavelmente se relaciona com a vitória nas eleições no caso dos megarricos, embora não impacte definitivamente o resultado da eleição para o candidato médio. Uma das possíveis explicações para esse fenômeno estar concentrado na ponta é a de que os possíveis suplentes mais ricos escolham participar de chapas que tenham mais chance de ganhar, ou seja, que tenham um candidato conhecido ou já eleito anteriormente como cabeça.

MÃO DUPLA

Seria uma via de mão dupla: o partido quer um suplente rico que ajude a bancar a campanha e o suplente, um candidato com boas chances de ganhar.

“A quantidade de recursos próprios que o candidato aporta para a campanha é uma das variáveis que impacta a possibilidade de sucesso eleitoral. Essa relação existe para deputados estaduais e federais”, diz Bruno Speck, professor de Ciência Política da USP e estudioso do assunto.

Ele diz que o mecanismo de montagem de uma chapa ao Senado ainda é pouco estudado e que são necessárias mais pesquisas nesse sentido. “Mas me parece razoável crer que há o impacto do patrimônio nas eleições para senadores.”

EVIDÊNCIA.

Os dados de 2010 parecem apontar nesse sentido. Todos os 24 candidatos a senador que tinham suplentes com fortunas maior que R$ 4 milhões já haviam ocupado cargos eletivos de destaque. César Maia (DEM-RJ), titular do suplente mais rico de 2014 e do segundo mais rico de 2010, já foi prefeito do Rio por 12 anos. Outros estavam concorrendo à reeleição em 2010, como Delcídio Amaral (PT-MS), Romeu Tuma (PTB-SP) e Demóstenes Torres (DEM-GO), todos com suplentes entre os dez mais ricos daquele ano. E ainda havia os que foram eleitos deputados em 2006 com grande votação – caso de Ciro Nogueira (PP-PI), cujo suplente era o mais rico de 2010.

As doações de suplentes para as campanhas também são relevantes. Dos 24 mais ricos de 2010, 19 deram contribuições a candidatos, comitês ou partidos naquele ano. A maior foi de R$ 960 mil, feita por Raimundo Lira (PMDB-PB) ao titular da chapa, Vital do Rêgo (PMDB-PB), eleito senador. Se vencer a disputa ao governo da Paraíba em outubro, Lira assume a vaga no Senado em definitivo.

Após os suplentes, o cargo que concentra os candidatos mais ricos é o dos próprios senadores, com média de R$ 4,9 milhões. Já os mais pobres são os que concorrem a deputado estadual (R$ 305 mil), distrital (R$ 318 mil) e federal (R$ 557 mil).

Pesquisa eleitoral confunde mais do que informa

Roberto Nascimento

Em primeiro lugar, pouco devemos confiar nos institutos de pesquisa, pelo histórico de erros na análise , que ocorrem em todas as eleições. Confundem muito mais do que informam aos eleitores e às vezes influem na tomada de decisão do cidadão na boca da urna.

No entanto, tomando como base, até por hipótese, que o governador Geraldo Alckmin seria reeleito no primeiro turno se as eleições fossem hoje e também que não estaria transferindo votos para o candidato presidencial de seu partido o PSDB, um fato que os analistas políticos não conseguem entender o motivo, contudo, salta aos olhos a razão:

” O governador trouxe para o arco de alianças no Estado, o PSB de Eduardo Campos, o qual indicou o candidato a vice-governador”;

“O atual vice-governador, Afif Domingues, licenciado do cargo para assumir um Ministério da presidenta é um quadro do PSD de Kassab, antigo prefeito e aliado do governo federal, agravado pelo fato de ser candidato ao Senado, logo, adversário de José Serra do PSDB”;

“E, por último, porém não menos importante, a cristianização do candidato do PSDB ao cargo de presidente, que nas duas últimas eleições presidenciais fez corpo mole em relação aos candidatos José Serra e depois Geraldo Alckimin, agora, finalmente está recebendo o derradeiro troco;

Por essas singelas razões, creio, o candidato de Minas ao Planalto não consegue avançar nas “pesquisas” no maior colégio eleitoral do país e palco fundamental na definição do eleito em outubro no primeiro turno.

E PAULO SKAF?

Nem mesmo o fraco desempenho do candidato a governador do PT nas “pesquisas” consegue abalar o prestígio da presidente entre os eleitores da Paulicéia. Também, o fato do candidato a governador do PMDB, Paulo Skaf da FIESP, ignorar o apoio da presidente em seu palanque com receio da rejeição da candidata contaminar sua candidatura, em nada retira votos de Dilma ou acrescenta aos índices de Skaf.

Trata-se de uma geleia geral, política e eleitoral de difícil definição na hora que realmente interessa, a hora “H”, quando as urnas começarem a abrir e a contagem de votos clarear a mente de todos nós.

Os institutos de pesquisa não conseguirão acertar seus prognósticos, diante de tantas variáveis existentes em São Paulo. Entretanto, vamos ver para crer.

Fatos, apenas alguns fatos

Paulo Brossard
Zero Hora

Foi lamentável o pronunciamento da chancelaria de Israel acerca da atual conduta do nosso país no plano internacional.  Isto posto, imperioso é salientar que o velho Ministério de Estrangeiros, desde a República denominado Ministério das Relações Exteriores, ultimamente tem se amesquinhado.

Dir-se-ia que a senhora presidente da República não morre de amores por ele. Contudo, seu declínio é inegável.

Já não falo dos tempos do Barão, de Oswaldo Aranha, Raul Fernandes, João Neves… que em momentos difíceis fizeram com que o solar da Rua Larga continuasse a enriquecer o acervo diplomático do país. Basta dizer que o vocábulo Itamaraty se tornara sinônimo da política externa do Brasil. Em verdade, as reiteradas ações e omissões não podem ser menosprezadas.

ALGUNS EXEMPLOS

A título de exemplo, vão mencionadas algumas:

1) Autoridades brasileiras, aliás, contrariando manifestações de servidores legalmente qualificados para opinar a respeito, abrigaram terrorista condenado pela justiça de seu país, Battisti;

2) O Brasil expulsou dois boxeadores cubanos, que aqui participavam de uma competição esportiva e queriam aqui homiziarem-se para não voltar à ilha sovietizada, despachando-os em avião venezuelano;

3) A Bolívia invadiu instalações da Petrobras, legal e publicamente instalados, como era óbvio, e o Itamaraty não viu nem notou o frontal agravo à Nação;

4) O governo namorava abertamente com o Irã no que tange aos seus planos nucleares, cujas implicações podem ser de consequências mundiais;

5) O governo tornou-se parceiro da mais antiga ditadura da América, firmou contratos secretos com Cuba e Angola e a senhora Presidente cantarolava no Porto de Mariel, financiado pelo Brasil, proclamando que seu ideal era a união entre os dois países;

6) O Itamaraty estimulou a introdução da Venezuela no Mercosul, quando é condição para ingresso o Regime Democrático;

7) O Brasil silenciou quanto às violações dos Direitos Humanos na Venezuela e ao contrário, tem se acasalado com aquele país;

8) O Brasil tem dois supostos ministros de Relações Exteriores, um que é conselheiro da senhora presidente, como se os ministros não fossem conselheiros natos, por expressa disposição constitucional, o outro ocupa o belo edifício que abre uma das fileiras de ministérios;

9) O comportamento do Brasil em relação ao asilado boliviano na embaixada em La Paz, numa espécie de prisão.

Os estilos do Itamaraty desde muito eram outros e bem melhores.

(artigo enviado por Celso Serra)

Era só o que faltava: Senador do PT quer punir quem vazou vídeo da preparação de Gabrielli para falar na CPI

Tiago Décimo
O Estado de S. Paulo

O senador baiano Walter Pinheiro (PT) saiu em defesa do colega de partido e ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli e desqualificou as denúncias da revista Veja. A publicação apontou, em reportagem publicada na edição desta semana, que teriam sido previamente combinadas com Gabrielli e com a atual presidente da estatal, Graça Foster, as perguntas que seriam feitas a eles na CPI da Petrobrás, instalada no Senado.

“É natural que um grupo de trabalho realize o que a gente chama de prévia, que junte materiais e dados e sente com os que vão depor para fazer uma espécie de treino, e isso foi feito”, alegou Pinheiro, em entrevista a uma rádio baiana. “Estão fazendo um circo – aliás, circo, não, porque circo é da arte. O que está acontecendo é que, como não houve aquele espetáculo que muita gente esperava da CPI, ficam gerando fatos. Quem é que não se prepara previamente para um interrogatório? É natural.”

Pinheiro ainda questionou o papel da oposição durante os interrogatórios da CPI no Senado. “Será que os senadores e deputados de oposição participaram dos treinamentos (dos depoentes)? Eles entregaram antes as perguntas que iam fazer?”, argumentou. “Claro que não, eles chegaram na hora e perguntaram.”

DOCUMENTO SECRETO

O senador, porém, relevou que, caso algum documento considerado secreto tenha sido vazado do Congresso, a questão precisa ser investigada. “Se um parlamentar tem acesso a um documento desse tipo, na chamada ‘sala secreta’, ele lê o documento, mas não pode retirar nem cópia dele”, explicou. “Se houve um vazamento desse tipo de documento, é preciso que seja apurado. Aí, efetivamente, deve ser punido o culpado.”

E o secretário de Planejamento da Bahia, Sergio Gabrielli, segue sem comentar as denúncias sobre a Petrobras. Segundo sua assessoria de imprensa, o ex-presidente da estatal diz que só vai ser pronunciar sobre o tema “nos autos”.

Irresponsabilidade total: Na busca do voto, candidatos a vagas no Congresso e Assembleias prometem o impossível  

Flávia Carneiro
O Tempo

Candidatos que vão concorrer a uma vaga nas Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado, muitas vezes, desconhecem as principais funções do Poder Legislativo e acabam fazendo propostas impossíveis de serem implementadas por eles. Seja por desconhecimento ou por má-fé, os candidatos em busca pelo voto prometem transformar, por exemplo, regiões pobres em oásis.

É o caso de um postulante da região do Vale do Jequitinhonha que disputa uma cadeira na Assembleia de Minas. Ele garante que vai erradicar a pobreza em Itinga, pequena cidade mineira que sofre com a falta de infraestrutura básica, como saneamento e hospitais. Os deputados têm pouca influência no valor do orçamento dos municípios. O máximo que podem fazer é encaminhar emendas parlamentares, que precisam ser autorizadas pelo Poder Executivo.

Alguns candidatos são eleitos sem ter conhecimento da função de um deputado federal. Foi o caso do campeão nas eleições de 2010, o palhaço Tiririca (PR-SP), que obteve mais de 1 milhão de votos. Ele assumiu que não tinha ideia do que fazia o deputado federal. “Você sabe o que faz um deputado federal? Eu também não. Vote em mim que eu te conto” era o slogan de Tiririca.

ACHA QUE SABE…

Um candidato da região central de Minas, que disputa a eleição para deputado federal, garante que sabe o que faz um parlamentar. “Sei, muito bem, que o trabalho do deputado é elaborar leis e fiscalizar o Executivo e que existem limitações de atuação”, disse. Apesar disso, promete criar uma linha de trem metropolitano, construir “um rodoanel mineiro com raio mais abrangente e planejado para atender à demanda dos próximos cem anos”, além de ampliar o metrô de Belo Horizonte. As iniciativas relativas a obras como essas são de responsabilidade do Executivo.

Com a frase “sonhar é preciso”, um outro postulante a uma vaga no Legislativo mineiro apresenta uma proposta de transformar a Zona da Mata em um polo de riqueza, talvez “a macrorregião mais desenvolvida do Brasil”. Questionado sobre como isso seria feito, o candidato desconversou, dizendo que depois que for eleito, vai “ver o que é possível fazer para a região”.

ILETRADOS

Cerca de 250 candidatos a deputado na eleição deste ano declararam ao Tribunal Superior Eleitoral saber apenas ler e escrever. Eles não completaram o ensino fundamental.

A Assembleia é responsável por legislar, exclusivamente, sobre o plano plurianual e orçamento do Executivo; sistema tributário estadual, arrecadação, dívida pública, abertura e operação de crédito; fixação de remuneração de cargos públicos.

São atribuições exclusivas do Senado processar e julgar o presidente da República, vice-presidente, ministros do Supremo Tribunal Federal, entre outros órgãos. Os senadores ainda têm que escolher os ministros do Tribunal de Contas indicados pelo presidente da República e autorizar operações financeiras externas.

Cabe à Câmara Federal analisar as contas do presidente da República, legislar sobre os sistemas tributário, financeiro e político, entre outros.

Confirmado: Chefe do jurídico da Petrobrás participou de reunião sobre fraude na CPI

Leonan O obiter dictum na  repercussão geralAndreza Matais, Ricardo Brito e Fábio Brandt
O Estado de S. Paulo

O chefe do departamento jurídico do escritório da Petrobrás em Brasília, Leonan Calderaro Filho (foto), participou mesmo da reunião gravada num vídeo, divulgado na edição de fim de semana da revista Veja, na qual teria sido discutida a “cola” das perguntas e respostas que seriam feitas pelos senadores na CPI da Petrobrás aos investigados da petroleira. Os citados pela reportagem negam a combinação dos depoimentos.

Calderaro é o homem de cabelos brancos que aparece no vídeo gravado no dia 21 de maio ao lado do chefe do escritório da Petrobrás em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas e do advogado da empresa Bruno Ferreira. A reportagem da revista descreve diálogos gravados e apresentou Calderaro como “homem não identificado”. O Estado apurou que ele e Bruno foram designados pela direção da Petrobrás para acompanhar a CPI.

É Calderado quem questiona o chefe de gabinete da Petrobrás no vídeo sobre a forma mais segura de encaminhar para a sede da petroleira no Rio de Janeiro o gabarito de perguntas e respostas que seriam feitas pelos senadores aos executivos investigados da empresa.

GRAÇA RECEBEU GABARITOS…

“O que é melhor, fax? O que é mais seguro?”, indagou, na gravação, referindo-se ao envio dos gabaritos à atual presidente da companhia, Graça Foster, que chegou a prestar esclarecimentos à CPI, mas não na condição de investigada. Ele também comenta sobre o depoimento de Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobrás, que ocorreu um dia depois da gravação.

Cerveró foi acusado pela presidente Dilma Rousseff, em nota enviada como resposta a questionamentos do Estado, de ter elaborado “resumo técnico e falho” que pautou sua decisão favorável à compra de Pasadena, um negócio que gerou prejuízo de US$ 792 milhões ao País.

“A gente vai aguardar a demanda dele (Cerveró). A gente não vai tomar nenhuma iniciativa? (…) Eu recebi um input (sinal) de falar com ele e recomendar que ele não faça apresentação, afirma no vídeo. E complementa: “Será que o Delcídio [Amaral, senador pelo PT].”

Procurado pelo Estado, Calderado não ligou de volta. A Petrobrás não se manifestou até o momento a respeito da participação de Calderado.

A divulgação do vídeo provocou uma crise no Congresso. A oposição vai pedir o cancelamento dos depoimentos da CPI que teriam sido combinados. Os envolvidos nas denúncias negam.

Bolha imobiliária: Copa e eleições sopram vento frio no mercado dao casa própria

Deu na Folha

As vendas de imóveis em São Paulo nos últimos 12 meses caíram 9,1%, segundo levantamento encerrado em maio pelo Secovi-SP, sindicado que representa as empresas do setor. A quantidade destes lançamentos, por outro lado, continuou crescendo em torno de 5% no período entre junho de 2013 e maio deste ano, na comparação com o intervalo imediatamente anterior. Os dados de junho e julho ainda não estão disponíveis, mas o setor calcula que a Copa tenha freado ainda mais suas atividades, levando imobiliárias e incorporadoras a iniciar uma ação de descontos a partir deste mês. O aumento do volume de estoques de imóveis novos residenciais na cidade de São Paulo superou os 15%, chegando a 19.982 unidades em maio, segundo o Secovi. No mesmo mês do ano passado, o estoque ficou em 17.175. Como base de comparação, em junho de 2011, eram apenas 14 mil, aproximadamente. “Nós tivemos uma diminuição do desempenho das vendas em função da Copa. E esse resultado se somou a um desempenho ruim do mercado com unidades remanescentes em muitos empreendimentos”, afirma Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP. OFERTAS DE DESCONTOS Segundo ele, as ofertas de descontos tem principalmente motivos logísticos e de marketing. Trata-se apenas de uma ação com o objetivo de reunir as unidades espalhadas em diferentes regiões para facilitar e estimular as vendas. “É o momento para o consumidor aproveitar a oportunidade e acredito que toda essa oferta com descontos, que é limitada, pode acabar.” Na opinião de Bernardes, é muito difícil o setor repetir o bom crescimento registrado em 2013, quando só no primeiro semestre foram 60% de alta. Mas o movimento caiu, levando a um crescimento de 30% no fechamento do ano. “Não daria para repetir o desempenho. Estamos em um ano eleitoral, com consequências das incertezas que as eleições provocam, não só no setor imobiliário. A economia como um todo deu uma pausa”, afirma. ### NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO próprio mercado vai confirmando as informações publicadas nos últimos meses aqui na Tribuna da Internet sobre a grande crise do setor imobiliário. Os descontos chegam a R$ 60 mil por unidade (Rossi) ou R$ 25 mil (MBR). Há empresas que oferecem um carro zero na garage ou o apartamento todo mobiliado. Mas não adianta nada. Não há demanda. E só haverá quando os preços caírem na real. (C.N.)

ONU diz que, em matéria de salários e benefícios, os parlamentares brasileiros só perdem para os norte-americanos

No Congresso Nacional, os custos somente para a manutenção dos salários e benefícios pagos aos deputados federais e senadores já passam de R$ 1 bilhão por ano, segundo levantamento feito pelo site Congresso em Foco, que acompanha a atuação dos parlamentares.

No primeiro semestre de 2014, os gastos com salários e outros ganhos para cada um dos 513 deputados federais brasileiros somam R$ 143 mil por mês e, no caso dos senadores, a conta é mais salgada, são R$ 160 mil mensais. Mantido o padrão de gastos, ao fim deste ano, o total será de R$ 1,12 bilhão, sendo R$ 953,66 milhões com os deputados e R$ 168,4 milhões com os senadores.

Em média, somente com salário e benefícios, cada deputado federal custa R$ 1,8 milhão por ano, e cada senador, R$ 2 milhões. Durante o recesso parlamentar “branco”, que começou em meados de julho e vai até as eleições de outubro, serão gastos R$ 228 milhões, segundo o mesmo site.

O orçamento total da Câmara de Deputados previsto para este ano é de R$ 4,89 bilhões, e o do Senado, R$ 3,78 bilhões. Assim as duas casas têm um orçamento de R$ 8,67 bilhões, de acordo com os dados oficiais publicados no site Transparência Brasil. Portanto, somente os salários e outros ganhos dos deputados devem consumir 12,91% do orçamento total do Congresso neste ano.

O SEGUNDO MAIS CARO DO MUNDO

Esse alto custo com salários e outros ganhos é um dos fatores que contribuem para que o congressista brasileiro seja o segundo mais caro do mundo em um universo de 110 países. Foi o que apontou estudo realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com o último levantamento realizado em 2012, cada um dos 594 parlamentares do Brasil – 513 deputados e 81 senadores – tem um custo total para os cofres públicos de US$ 7,4 milhões (R$ 16,72 milhões) por ano. Neste cálculo estão incluídos todos os gastos dos parlamentares e não apenas os salários. A conta é feita dividindo o orçamento total do Congresso pelo número de parlamentares. No caso do Brasil, foi considerado um orçamento total de U$ 4,4 bilhões ou R$ 9,93 bilhões em valores atualizados. O custo brasileiro só é menor do que o do congressista dos Estados Unidos, que é de US$ 9,6 milhões anuais (R$ 21,7 milhões).

O cientista político e professor da UFMG Carlos Ranulfo destaca a importância do Legislativo, enquanto espaço para oposição. “A oposição é fundamental para o estado democrático. Os Legislativos estaduais sofrem maior pressão do Executivo, mas a atuação do Senado, por exemplo, foi fundamental nos últimos anos”. Sobre o alto custo do Legislativo, Ranulfo afirmou que o Brasil tem dimensões continentais, e a logística para exercer um mandato é muito complicada.

Paulo César Pinheiro e a vaga tristeza dos sambas de antigamente

O cantor, compositor e poeta carioca Paulo César Francisco Pinheiro é considerado um dos maiores poetas da canção popular do Brasil, cuja obra ultrapassa 2 mil músicas compostas.

A letra de “O Lamento do Samba”, que intitulou o CD lançado por Paulo César Pinheiro, em 2003, pela Quelé, explica as mudanças que o samba sofreu no decorrer dos tempos, o que, consequentemente, acarreta saudades.

O LAMENTO DO SAMBA

Paulo César Pinheiro

Eu tenho saudade
Dos sambas de antigamente
Quando o samba deixava
Uma vaga tristeza
No peito da gente

Não era amargura
E nem desventura
E nem sofrimento
Era uma nostalgia
Era melancolia
Era um bom sentimento.

Nos dias de hoje
O samba ficou diferente
Não tem mais dolência
Mudou a cadência
E o povo nem sente
Sua melodia
É uma falsa alegria
Que passa com o vento
Ninguém percebeu
Mas o samba perdeu
Sua voz de lamento.

Quando eu canto na roda de samba
Um samba que é mais antigo
A moçada se cala, escuta, aprende,
E ainda canta comigo
O que falta pra quem faz um samba
É a tristeza que vem de outro tempo.

Quem não sabe a ciência do samba
Vai fazer o que pede o momento.
O segredo da força do samba
É a vivência do seu fundamento.
O que faz ser eterno um bom samba
É a beleza que tem seu lamento.

     (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Não saiu na grande mídia: Dilma e Lula recebidos com vaias em Montes Claros, deixam o hotel pela garagem

Deu na Folha do Vale

O legado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece não ser suficiente para conter a insatisfação e o desgaste, que vem tomando conta do País. A cidade de Montes Claros, no norte de Minas Gerais, local escolhido por Lula para tentar alavancar a campanha de Dilma Rousseff, teve momentos de tensão na noite da última sexta-feira, 1 de agosto.

Em Montes Claros, Lula iria expressar todo seu amor pela cidade, já que sua primeira mulher era filha da cidade, mas parece que não funcionou.

Segundo o jornal O Tempo, o tumulto teve inicio quando militantes petistas e universitários se colocaram uns contra os outros em frente ao hotel da comitiva petista. Não houve violência física, mas muito bate-boca, causando preocupação para a segurança presidencial e assessores do governo.

“FILHOS DO PROUNI”

Enquanto os estudantes gritavam “fora Dilma”, os petistas bradavam “fora burguesia”. Um grupo de choque da Polícia Militar de Minas Gerais foi chamado para evitar um confronto. Durante a confusão, os petistas chamaram os estudantes de “filhos do Prouni”, reconhecendo que nem todos que ali protestavam contra a presidente eram de famílias ricas.

Lula e Dilma, que sempre costumam sair dos hotéis pela porta da frente, para cumprimentar simpatizantes, desta vez saíram pela garagem, em veículos com vidros fechados e com apoio dos policiais de choque.

Pela 10ª vez seguida, economistas pioram projeção de crescimento do PIB em 2014

pibinho
Victor M. Alves
Agência Estado

A previsão de crescimento da economia brasileira em 2014 recuou de 0,90% para 0,86%, na pesquisa Focus do Banco Central, na décima revisão consecutiva do número para baixo. Há quatro semanas, a expectativa era de 1,07%. Para 2015, a estimativa de expansão seguiu em 1,50%.

A projeção para o crescimento do setor industrial em 2014 apresentou piora em relação a semana anterior, com a expectativa passando de retração de 1,15% para um queda de 1,53% entre uma semana e outra. Para 2015, segue em 1,70%. Quatro semanas antes, a Focus apontava estimativa de queda de 0,67% para 2014 e alta de 2,10% em 2015 para o setor.
Os analistas mantiveram estável em 34,85% a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2014. Há quatro semanas estava em 34,80%. Para 2015, segue em 35% há sete semanas.

INFLAÇÃO

A projeção para a inflação medida pelo IPCA em 2014 caiu de 6,41% para 6,39%. Segundo o boletim Focus, há quatro semanas, a estimativa era de 6,46%. Para 2015, a projeção se elevou entre uma semana e outra, passou de 6,12% para 6,24%. Um mês antes, a expectativa estava em 6,10%. A previsão de inflação para os próximos 12 meses à frente aumentou de 5,94% para 6,03%, conforme a projeção suavizada para o IPCA. Há quatro semanas estava em 5,89%.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2014 no cenário de médio prazo permaneceu estável em 6,39%. Para 2015, a previsão dos cinco analistas se manteve em 6,75%. Há quatro semanas, o grupo apostava em altas de 6,41% para 2014 e 7,03% para 2015. Entre todos os analistas ouvidos pelo BC, a mediana das estimativas para o IPCA de julho caiu de 0,15% para 0,14%. Para agosto, a previsão recuou de 0,27% para 0,26%.
JUROS
A expectativa para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de setembro é de que a taxa Selic permaneça em 11% ao ano. Os analistas, ainda de acordo com a Focus, esperam que o BC mantenha esse nível do juro básico até o fim de 2014.
Apenas no encontro de janeiro do ano que vem a diretoria da instituição voltaria a subir os juros básicos. Ainda conforme a Focus, a expectativa é de uma alta de 0,25 ponto porcentual, o que elevaria a taxa Selic para 11,25% ao ano.

Ferreira Gullar cobra uma explicação do comando da PM

Ferreira Gullar
Folha

Não faz muito tempo, escrevi aqui uma crônica em que procurava mostrar que a desmoralização da polícia não ajuda os cidadãos e, sim, ao contrário, ajuda os criminosos.

Dizia, portanto, apenas o óbvio, uma vez que a polícia é um órgão do Estado, criado e mantido por ele, para garantir a segurança dos cidadãos. Admitia, claro, que muitos policiais abusam da autoridade que lhes é delegada por nós e chegam mesmo a agir como bandidos.

Mas não é assim que age a maioria dos policiais. Esses merecem nosso respeito e nosso reconhecimento, já que a sua função implica frequentemente em pôr a própria vida em risco.

Isso afirmei naquela ocasião e o mantenho, porque é essencialmente verdade. Não obstante, a divulgação de um vídeo gravado dentro de um carro-patrulha da Polícia Militar do Rio de Janeiro deixou-me chocado e revoltado. Não tenho dúvida de que essa terá sido a reação de todas as pessoas que o viram.

No carro estavam dois cabos da PM que haviam prendido três garotos suspeitos de praticarem furtos no centro da cidade.

Puseram os garotos na mala do carro e rumaram para o morro do Sumaré, que fica acima da floresta da Tijuca, local habitualmente deserto.

Enquanto viajavam para lá, estavam sendo filmados por um equipamento de vídeo instalado no veículo, com o propósito de controlar a ação dos seus ocupantes.

Os soldados pareciam se divertir com aquela tarefa e conversavam: “Vamos descarregar a arma neles?…”, disse um deles, e o outro: “Jogar eles lá de cima”. Conversavam e riam, como se falassem de coisas engraçadas.

Finalmente, chegaram ao alto do Sumaré. Fizeram o terceiro garoto descer e seguiram até o ponto em que estacionaram e um deles saiu para tirar os garotos do porta-malas. Em seguida, o outro guarda também saiu do carro. Dava para ver o momento em que abriram a mala, mas a partir daí a gravação parou.

Não se viu nem ouviu o que aconteceu, para onde os levaram, o que fizeram com eles.

Depois de um tempo, retornam e a gravação recomeça. Dão a volta no carro e, mais adiante, pegam o garoto que haviam deixado na estrada. Por que o deixaram ali e agora o pegam de volta? Para que não visse o que iam fazer com os outros dois?

Fazem-no sentar no banco traseiro e um dos guardas diz a ele que, se souberem que alguém andou falando do que ocorreu ali, a coisa vai engrossar.

Avisam-lhe que deve ficar de bico calado, não sabe de nada, não aconteceu nada. Mais tarde, quando certamente já estão de volta à cidade, fazem o garoto descer e seguem seu caminho, sorridentes, felizes da tarefa realizada. Mas que tarefa foi essa: matar os dois pivetes?

Inacreditável, pensei comigo mesmo. Que há policiais que matam bandidos, todo mundo sabe. Mas, neste caso, havia uma coisa surpreendente: aqueles dois cabos da PM disseram o que disseram, dando a entender que iam executar os garotos, sabendo que estavam sendo gravados pelas duas câmeras instaladas no carro.

As câmeras não são postas ali sem o conhecimento de quem usa o veículo; são postas ali para que eles saibam que estão sendo vigiados. E sabem também que as gravações são depois levadas para a sede da polícia e armazenadas para serem posteriormente analisadas por oficiais da corporação.

E mesmo assim aqueles dois cabos deixavam claro que iam dar fim aos meninos e ainda ameaçam o terceiro para que não conte nada do que houve?

Ou seja, se o menino não falar, nada se saberá. Mas e a gravação?

Pois, sim, se os policiais sabiam que tudo o que diziam estava sendo gravado, se deixaram claro que puseram os garotos na mala do carro, que depois os tiraram de lá e os executaram e o vídeo mostra isso, a pergunta inevitável é esta: eles estavam certos de que, ainda que o comando da PM viesse a saber do crime que praticaram, nada lhes aconteceria?

Ou seja, o comando da PM está de acordo com a execução de suspeitos?

Sinceramente, sem pretender fazer juízo antecipado de ninguém, acho que o comando da Polícia Militar do Rio de Janeiro deve uma explicação à opinião pública.

O branco e nulo que ganha a eleição  

Vittorio Medioli 
O Tempo
Uma parcela assombrosamente enorme do eleitorado se pronuncia a favor de anular o voto ou deixá-lo em branco na cédula eletrônica, mesmo dando-se ao trabalho de atender a obrigatoriedade de se apresentar para votar.
O fenômeno espanta, ultrapassa qualquer outro momento da história do país. Não se trata apenas de indecisão, de indiferença. Retrata a vontade, neste momento, de reprovar as opções disponíveis. Isso fere diretamente a “classe política”, macula o princípio de democracia que deveria garantir ampla possibilidade de escolha. Nem um lado quanto menos outros se mostram merecedores do esforço de digitar apenas dois números na urna daqui a 60 dias.
A somatória de brancos e nulos ultrapassa a preferência da primeira colocada, Dilma Rousseff, e, mesmo somando-se os votos do segundo colocado, o “não voto” continua majoritário nas preferências da população. Quer dizer que a maioria preferiria que o cargo não fosse preenchido por ela nem por outro. Ainda estaria faltando o candidato que se aproxima de suas aspirações.
Pesa evidentemente nessa circunstância a desaprovação da atual presidente, exatamente agora, depois de três anos e sete meses nos quais poderia ter se preparado para chegar a este momento com as credenciais para uma reeleição fácil.
MUITOS MOTIVOS
As contas públicas esgarçadas, a indústria em frangalhos, as exportações minguando, a sombra da recessão e do desemprego colaboram para a má vontade de manter o voto a favor de Dilma e do PT. O refluxo atinge os candidatos ao governo do PT em todo o Brasil, e são poucos os Estados nos quais o PT tem possibilidades reais de ganhar.
Em Minas, até então a mais provável vitória do PT registra, segundo o Ibope, a perda de um terço dos eleitores, cerca de 13 pontos nos últimos 30 dias. Por sua vez, Pimenta avançou apenas 3 pontos, dentro da margem de erro. Quer dizer que a migração se deu essencialmente para os brancos e nulos.
Não votar é a forma desesperançada de protestar, pois, se não houver uma opção “ideal” ou empolgante, o “menos pior”, pela lógica, deveria merecer o esforço de digitar dois números na urna eletrônica.
O que está certo agora é que o eleitor que desaprova o governo Dilma não pretende votar nela, mas também não encontra razões para migrar para o lado oposto. Daí se desencadeou um apelo dos candidatos contra o “não voto”. Até o momento parece essa a proposta de maior conteúdo que deu para se ver num cenário desesperançado.
Claro que, no deserto de propostas dos candidatos, o voto branco mostra como a forma de governar e de fazer oposição, nos últimos anos, decepciona o eleitor.

Discurso vazio causa decepção ao empresariado

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Se o Palácio do Planalto apostava em uma distensão na relação da presidente Dilma Rousseff com o empresariado, depois da sabatina promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), é melhor não se entusiasmar muito. Assim que a candidata petista à reeleição encerrou a participação no evento, o consenso entre os presentes foi de que, mais uma vez, a decepção imperou.

Além de não apresentar propostas concretas sobre o que será o seu eventual segundo governo, Dilma não conseguiu dissipar dúvidas importantes a respeito de questões prementes — como os reajustes da conta de energia e da gasolina —, que estão na base do pessimismo que empurra a economia para a recessão. “Saímos da apresentação da presidente com as mesmas indagações que entramos”, diz um integrante do alto escalão da CNI.

A perspectiva era de que Dilma aproveitasse a proximidade com o empresariado — do qual se manteve distante em quase todo o mandato — para apresentar propostas efetivas a fim de reverter o péssimo desempenho da indústria, que contabiliza quatro trimestres consecutivos de retração. Pelo contrário. Ela usou parte de seu tempo na sabatina para reforçar que, não fossem as ações de seu governo, como a desoneração da folha de salário e os empréstimos subsidiados concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o setor estaria pior do que está.

FRUSTRAÇÃO

No mercado financeiro, também houve frustração com a fala presidencial. “Dilma até sinalizou que, se for reeleita, fará mudanças em seu governo. Mas não deu detalhes. Se ela realmente quer reverter o pessimismo que tanto critica, deve ser mais clara no discurso”, ressalta Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners. “Que reformas ela encampará? Reduzirá a intervenção no setor elétrico e na Petrobras? Qual será a política econômica a partir de 2015? Nenhuma dessas questões foi respondida”, acrescenta.

Os dois principais candidatos da oposição, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), cumpriram, na avaliação do empresariado, um papel protocolar. Não decepcionaram, mas também não empolgaram como se esperava, ainda que tenham sido bem aplaudidos no fim da sabatina. Para os industriais, os dois precisam dar transparência aos programas econômicos e reforçar o compromisso com reformas, sobretudo a tributária e a trabalhista, para garantir maior dinamismo à economia.

“O discurso da oposição está começando a encorpar. Mas, para convencer a maior parte do eleitorado de que merecem vencer a disputa de outubro, tanto Aécio quanto Campos precisam indicar caminhos seguros de que a mudança de governo não será uma aventura”, assinala um executivo do ramo siderúrgico. “Foram justamente as aventuras do atual governo, como a nova matriz econômica, que aceitou mais inflação para garantir crescimento maior, que nos levaram para o atoleiro”, complementa Eduardo Velho.

MEDO DE REPRESÁLIAS

» Um dado interessante observado pelos presentes na sabatina com os presidenciáveis promovida pela CNI: os empresários que fizeram as perguntas para a presidente Dilma mostraram grande nervosismo. Nem de longe pareceram os executivos que, nos bastidores, cobram, de forma enérgica, medidas para salvar a indústria. Alguns até gaguejaram, como se temessem afrontar a presidente e serem vítimas de respostas nada lisonjeiras da candidata petista à reeleição.