Multinacionais instalaram suas fábricas obsoletas na China e a poluição está arrasando o país

Carlos Newton

A poluição é hoje o maior problema chinês. O governo sempre desprezou o meio ambiente, buscou a industrialização a qualquer custo e as multinacionais fizeram a festa. Foram instalando na China as fábricas obsoletas que iam sendo desativadas nos países de origem, a partir da década de 90, quando as legislações ambientais passaram a ser mais rigorosas, em função do efeito estufa.

A China passou a crescer avassaladoramente, sem perceber a gravidade da poluição trazida pelas fábricas estrangeiras. Resultado: ocorrem 1700 acidentes por ano de poluição, e 40 por cento dos rios chineses estão altamente poluídos. E O problema não se coloca apenas Na poluição de fontes de água natural como também Na sua escassez. A cidade de Pequim é um dos lugares onde o debate sobre a qualidade e quantidade de água tornou-se numa questão muito séria.

MORTES POR POLUIÇÃO

As estatísticas oficiais indicam que a cada ano cerca de 400 mil pessoas morrem devido à poluição. Como o governo chinês controla tudo, até mesmo as estatísticas, este número pode ser multiplicado por 10 ou 20, para chegarmos ao cálculo real, com 4 ou 8 milhões de mortos por ano.

Para realizar a Olimpíada de Pequim em 2008, um mês antes o governo mandou suspender a produção das fábricas poluidoras na área da capital, de forma a diminuir a poluição atmosférica.

Esta semana, a agência Reuters distribuiu a notícia de que uma empresa construiu na cidade de Hangzhou, na China, uma cúpula inflável gigante sobre o local de uma fábrica fechada de pesticidas, segundo o governo chinês. A “bolha” de poliéster cobre uma área do tamanho de cerca de três campos de futebol: tem 20 mil metros quadrados, mas ainda “protege” menos que a metade da zona contaminada com produtos químicos deixados para trás pela empresa.

A fábrica foi fechada em 2009, mas o mau cheiro do solo ainda obriga os moradores da região a cobrirem suas bocas e narizes, de acordo com a agência de notícias chinesa, que não revelou a causa do odor.

CONTAMINAÇÃO

No mês passado, o Ministério do Meio Ambiente estimou em relatório que cerca de 16% do solo da China continham um nível de contaminação acima do permitido. O ministério constatou que 82,8% das amostras contaminadas continham poluentes inorgânicos tóxicos, incluindo cádmio, mercúrio, arsênico e chumbo.

A China anunciou em abril seu primeiro projeto-piloto para o tratamento de poluição por metais no solo e evitar que terras agrícolas continuem a ser contaminadas, mas os críticos dizem que os esforços não são suficientes, porque o país terá de combater mais duramente a poluição, ainda que isso signifique crescer cada vez menos.

Dívida do Estado do Rio atinge R$ 81 bilhões, denuncia o deputado Marcelo Freixo

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Deu no JB Online

O deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ) afirmou no plenário da Alerj que a dívida pública do Estado do Rio, que era de R$ 48 bilhões em 2006, cresceu para R$ 81 bilhões em fevereiro deste ano. Falou ainda da crise generalizada de representatividade e do movimento crescente de insatisfação, que deve gerar mais greves de diversas categorias de servidores.

“Venho a esta tribuna falar sobre a situação econômica que o Rio de Janeiro está vivendo, e também sobre as relações que isso pode ter ao conjunto de greves e manifestações pela cidade. (…) Há um endividamento crescente do Estado, e isso não significou melhorias nas condições de trabalho do servidor público”, alertou o deputado.

Freixo ressaltou que a prova concreta disso seria a recente explosão de greves de diversas categorias. Criticou também a incapacidade política do governo do Estado de dialogar, aliada à “incompetência” econômica, enquanto aumenta o sentimento de insatisfação das pessoas.

“A chance de termos mais crises de categorias durante todo o ano é enorme, porque o Estado está falido.” Destacou ainda que a situação “governou para seus sócios, para seus amigos, e agora não consegue atender às reivindicações mais básicas”.

(Matéria enviada pelo comentarista Paulo Peres)

Índia desmente que queira a Argentina no BRICS

Mauro Santayana

Dois dias depois das declarações irresponsavelmente lançadas pelo seu embaixador na Argentina – e apressadamente repercutidas, sem confirmação oficial, pela imprensa  argentina – o governo hindu desmentiu,  oficialmente, em Nova Delhi, que tenha intenção de discutir na Cúpula dos BRICS em Julho, em Fortaleza, a incorporação da Argentina ou de qualquer outro país ao grupo e classificou de especulação qualquer notícia nesse

sentido. Não contente de falar em nome de seu próprio governo, Amarenda Khatua (foto) disse que o Brasil e a África do Sul também teriam respaldado o convite à Argentina, causando um imbróglio diplomático que deve ter dado trabalho aos Ministérios das Relações Exteriores dos BRICS nas últimas 72 horas.

Gilberto Carvalho estava certo quando disse que “o bicho vai pegar”

Carlos Newton

Manifestações hoje em Brasília e em nove capitais, greves em diferentes estados, funcionários públicos insatisfeitos, policiais idem, ônibus incendiados com impressionante frequência, prefeitos fazendo exigências, movimento sem-teto agitando geral… E vem por aí a Copa do Mundo mais detestada, superfaturada e inútil de todos os tempos.

É um ano eleitoral totalmente atípico, que demonstra uma realidade inquestionável: o povo brasileiro está cada vez mais insatisfeito e exige mudanças. Quando o secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, previu que “o bicho vai pegar”, teve uma premonição mediúnica ou apenas mostrava ser bem informado?

E o PT ingenuamente pensa que vai reverter essa situação veiculando mensagens negativas ao eleitorado, dizendo que o país não pode voltar para trás etc. e tal… Ora, quem precisa olhar para frente é o próprio PT, que chegou ao poder há quase doze anos e meio, sem ter um programa de governo bem delineado e jamais se preocupou com isso. A sorte dos petistas é que o PSDB e o PSB também não têm plano de governo. A incompetência, no caso, é o máximo divisor comum da política brasileira.

Prefeitos exigem que Dilma aumente o Fundo de Participação dos Municípios e redistribuia os royalties

Paula Laboissière
Agência Brasil 

Ao final de quatro dias de debates em Brasília, prefeitos de todo o país divulgaram hoje (15) um documento com suas principais reivindicações, que incluem aumento de 2% no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e a redistribuição dos royalties do petróleo.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Zilkoski, disse que na carta  à presidenta Dilma Rousseff eles citam as conquistas alcançadas pela marcha, como a instalação de uma comissão especial na Câmara dos Deputados para analisar o aumento de 2% no FPM reivindicado pelas prefeituras.

“Temos um processo de negociação. Não posso construir muro. Tenho que construir ponte”, disse, sobre sua expectativa em relação à votação.

Ele garantiu que a confederação manterá acompanhamento semanal do andamento da reivindicação no Congresso Nacional e pediu que os prefeitos participem de uma nova mobilização, marcada para Brasília entre os dias 3 e 4 de junho.

A 28 dias da Copa, manifestações hoje em oito capitais e também em Santiago do Chile

Mariana Tokarnia
Agência Brasil

Faltam 28 dias para a Copa do Mundo. No portal oficial da Copa 2014, a contagem regressiva é feita em meio ao verde, amarelo e azul da bandeira do Brasil. Já no site do Comitê Popular da Copa de São Paulo, ela é feita em preto, com a pergunta: “Copa pra quem?” O questionamento expressa a indignação de movimentos sociais, organizações civis, partidos políticos, pessoas atingidas por grandes obras e ativistas que saem às ruas hoje (15) com a bandeira: “Copa sem povo: tô na rua de novo”.

As mobilizações deste 15 de Maio, intitulado 15M – Dia Internacional de Lutas contra a Copa, foram definidas no início do mês, no Encontro dos Atingidos – Quem Perde com os Megaeventos e Megaempreendimentos, organizado pela Associação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop), para denunciar violações de direitos humanos que ocorreram durante a preparação do Mundial.

Estão agendadas manifestações hoje em, pelo menos, sete cidades-sede da Copa do Mundo – Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre e Salvador, além de Vitória, no Espírito Santo e até Santiago, no Chile.

Os manifestantes pretendem tomar as ruas, como ocorreu em junho do ano passado, quando uma série de atos mobilizou milhares de brasileiros durante a Copa das Confederações. Em manifesto, ativistas e movimentos que convocaram o 15M apresentam 11 reivindicações, entre as quais, o arquivamento dos projetos de lei que tipificam crime de terrorismo ou ampliam penas para danos causados durante manifestações. Os atos cobram a desmilitarização das polícias, pensão vitalícia para as famílias dos nove operários mortos trabalhando na construção de estádios da Copa, bem como a responsabilização das construtoras.

Os movimentos também reivindicam o fim dos despejos e das remoções forçadas, a realocação de todas as famílias atingidas e a garantia de moradia digna. Defendem a democratização dos meios de comunicação, com ênfase na transmissão dos jogos – comprada com exclusividade pela Rede Globo, que sublicenciou para outras emissoras de TV aberta e fechada e rádio –, além de investimentos em transporte público de qualidade, além da tarifa gratuita nos transportes públicos – pauta que movimentou o país, no ano passado.

Cada cidade tem uma programação própria dos atos, mas a maior parte das passeatas está prevista para agora à tarde.

Bolha imobiliária esvaziando: Vendas de imóveis novos em São Paulo caem 45,3% no 1º trimestre

Circe Bonatelli
Agência Estado

SÃO PAULO – Os negócios imobiliários na capital paulista esfriaram nos primeiros meses do ano. As vendas de imóveis residenciais novos somaram 3.755 unidades no primeiro trimestre de 2014, resultado que representa uma queda de 45,3% em relação a igual intervalo de 2013. Nesse período, os lançamentos totalizaram 3.908 unidades, redução de 26,6%, de acordo com pesquisa divulgada pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).

No mês de março, as vendas chegaram a 1.744 unidades, queda de 57,3% em relação a março de 2013. Os lançamentos totalizaram 2.555 unidades, redução de 10,2%.

Os resultados mais fracos provavelmente estão ligados às incertezas quanto aos rumos da economia nacional, com perspectivas de queda do Produto Interno Bruto (PIB) e pressão inflacionária, na avaliação de Emilio Kallas, vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos do Secovi-SP.

Ele acrescentou que os custos com aquisição de terrenos, acrescidos das contrapartidas exigidas pela administração municipal, pressionam os preços dos imóveis para cima, mesmo considerando o aumento de renda da população nos últimos anos.

Além disso, segundo ele, os debates envolvendo a revisão do Plano Diretor Estratégico do município geram um cenário preocupante, em razão de eventuais dificuldades que poderão reduzir o ritmo da atividade imobiliária na capital e restringir seu público para uma faixa de maior poder aquisitivo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG As explicações e justificativas são ridículas. O que existe é a lei da oferta e da procura em ação, com preços altos demais e baixa demanda. Simples assim. (C.N.)

O errado hoje é o certo amanhã

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Tostão

Quando termina uma Copa, muitos fatores que tinham pouca ou nenhuma importância são exaltados. As mesmas posturas, elogiadas em uma ocasião, são criticadas em outras, de acordo com o resultado. Tudo é incerto.Po r esses e por outros motivos, o que mais gosto no futebol é do que não tenho certeza, do que não compreendo bem, do que não aparece nas estatísticas, do que não foi, mas poderia ter sido. Mas como sou também um analista racional, operatório, não ignoro os fatos, os números. Acompanhei as últimas cinco copas, como comentarista, colunista. Vi todos os jogos do Brasil nos estádios e assisti, desde o início, a todos os treinos que antecederam as competições.

Apenas na Copa de 1994, vi os jogos pela TV, pois trabalhava no centro de imprensa de Dallas. Em 2002, sob o comando de Felipão, foi a única vez, nesses anos, que a seleção não se hospedou, para os treinos, antes dos jogos, em um hotel privado. Ela ocupava dois ou três andares de um hotel, em uma cidade da Coreia do Sul. Nos outros, estavam a imprensa e os demais hóspedes. Todos os dias, pela manhã (no Brasil, era noite), os jogadores e a comissão técnica passavam pelo hall do hotel, até o ônibus, para ir treinar. O Jornal Nacional, da TV Globo, entrava ao vivo. Se o Brasil não tivesse vencido, certamente, haveria muitas críticas ao fato de a seleção não ter se hospedado em um hotel privado.

Em 1970, ficamos em hotéis reservados. Já em 1966, em Liverpool, o hotel estava repleto de hóspedes. Dizem que Garrincha e alguns jogadores iam, de madrugada, ao movimentado bar. Nunca vi. De vez em quando, antes de dormir, eu ia ao bar para escutar música, ao piano.

Em 2006, o Brasil ficou em um hotel privado, em Weggis, na Suíça, antes da Copa. Os treinos ficavam lotados de torcedores. Aplaudiam, vaiavam. Uma jovem invadiu o campo para beijar Ronaldinho. Evidentemente, essa balbúrdia foi ruim para a seleção. Mas não foi o principal problema. Em outros mundiais, ocorreu o mesmo, como na Copa de 1970.

Os motivos principais da derrota em 2006 foram o bom time da França, o show de Zidane, a má forma de alguns jogadores e o mau posicionamento tático de Ronaldinho e Kaká, pelos lados, com função também de marcar os laterais.

DUNGA

A relação da imprensa com a seleção, nas copas, foi muito variada. Isso não teve importância nos resultados. A relação mais conturbada foi em 2010. Dunga não tratou a TV Globo como inimiga, como falam. O incidente com um repórter da emissora poderia ter acontecido com qualquer outro. Contrariando a CBF, Dunga atendeu toda a imprensa do mesmo jeito, sem privilégios e sem exceção. Foi duro e tratou mal a todos. Trabalhava no limite entre a rigidez de suas crenças e ações e a intolerância a tudo que não concordava.

 

Dilma e Padilha usarão até carro de som (com recursos públicos) para elogiar na campanha eleitoral o programa Mais Médicos

Julia Duailibi
Estadão

O governo federal gastou R$ 28,6 milhões para veicular o programa Mais Médicos em 2013. Foram destinados R$ 2,6 milhões para publicidade na internet, R$ 3,2 milhões no rádio, R$ 4,6 milhões nos jornais, R$ 284 mil em revistas e R$ 16,4 milhões na TV. O Mais Médicos será usado pela presidente Dilma Rousseff, pré-candidata à reeleição, e por Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo paulista, como a principal marca na área da saúde na eleição de outubro. Ao todo, foram 554 milhões de inserções com propaganda do programa em 58 portais, mais de 400 jornais e 500 rádios, além de 48 canais de TV,  segundo resposta do Ministério da Saúde a requerimento de informação do deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE).

Ao todo, a propaganda do Mais Médicos custou R$ 36,9 milhões em 2013. O plano de mídia também incluiu a contratação de carros de som, por R$ 549 mil, para promover o programa pelo interior do País. De acordo com prestação de contas enviada à Câmara dos Deputados por Padilha, enquanto ele ainda era ministro, em dezembro do ano passado, esse tipo de ação de divulgação foi feito 4.479 vezes em cidades pelo interior do Brasil.

“Atenção, atenção para esse importante comunicado que o Ministério da Saúde tem para você: tem médico novo na cidade. Com o programa Mais Médicos para o Brasil, do governo federal, a nossa região recebeu mais médicos. Isso vai ampliar e melhorar o atendimento para a população, trazendo mais saúde e bem estar para você e sua família”, diz a propaganda em um dos auto-falantes que rodaram o interior.
R$ 45 MILHÕES ESTE ANO
Neste ano, estão previstos R$ 45 milhões para a propaganda do Mais Médicos, que já começou a ser veiculada. A primeira etapa da campanha ocorreu em fevereiro. Foi nacional, com os mesmos filmes e spots veiculados em todo País. No mês passado, a campanha passou a ser regionalizada, mostrando os resultados obtidos com a implementação do programa em cada Estado. Em São Paulo, por exemplo, foram divulgados spots nas rádios falando sobre o crescimento do número de médicos no sistema público do Estado após a implementação do programa.

No ano passado, o Ministério da Saúde gastou cerca de R$ 224 milhões com publicidade de utilidade pública, a que engloba o Mais Médicos e que serve para divulgar informações e serviços de interesse dos cidadãos. A previsão orçamentária para este ano é de R$ 215 milhões. Em 2013, segundo o jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, o governo federal, incluindo estatais, gastou ao todo R$ 2,3 bilhões para veicular propaganda.

Isso é que é Justiça

Jânio de Freitas
Folha

Um componente comum a todas as manifestações públicas e reações a ocorrências violentas é o protesto contra impunidade. Assim genericamente mesmo, por uma razão simples e forte: a consciência coletiva de que a impunidade cobre todos os níveis e formas de poder sobrepõe-se a necessidade de especificações. Valem mais a garganta, o braço e fogo, juntos e separados.

Apesar de outros serem os alvos dos protestos, é no Judiciário que se consuma a impunidade. Atribui-la aos recursos de defesa, aos inquéritos policiais malfeitos, às insuficiências do Ministério Público e à quantidade de processos são verdades que nem por isso são justificativas.

Há incontáveis comprovações da diferenças de produção entre juízes e entre os tribunais; de comodismos e de incompetência que se curvam a procedimentos protelatórios, de magistrados, eles próprios, que retêm processos por anos intermináveis, inclusive no STF, frequentemente com um simples “pedido de vistas” cuja intenção não precisaria adivinhar. O Supremo é mesmo um museu de processos que esperam julgamento.

IMPUNIDADE

A impunidade gritada nas ruas tem duas fontes: os fatos objetivos para motivá-la e Judiciário para completá-la. Diante do clamor público, porém, esse Judiciário é um corpo inerte, sem iniciativa, sem nervos, sem sensibilidade. Até hoje, dispensa-se de reconhecer e de atirar-se ao problema, com muito o que pode fazer. Os governos recebem todos os petardos, e os aceitam como se fossem os únicos causadores do clamor público contra a impunidade.

É a tal Judiciário que desejo saudar, diante dele me curvo em reconhecimento a um feito grandioso: o Judiciário condenou, no Pará, o principal acusado de um crime de morte. Não de mortes. Cinco. O principal acusado chegou a estar preso, mas o STJ o soltou-o para esperar o julgamento em liberdade. Por acaso, ele fugiu, como gosta de São Paulo, e seu nome naquela altura não lhe convinha, viveu muito bem entre os paulistas e com outro nome.

TORTURAS E ASSASSINATOS

O crime? Bem foi o sequestro de quatro agricultores assassinados a tiros depois de dois dias de torturas terríveis, cujos corpos foram amarrados juntos, com pedras como lastro, e jogados em um rio. Assim quis fazer o fazendeiro Marlon Alves Pidde, assim foi feito. O ano? Esses pormenores não importam muito, mas vá lá: foi em 1985. Aquele em que a ditadura ruía, e começava a retomada da democracia. Desde então um dos coautores, embora já condenado, já se livrou da prisão, por seus 70 anos. O fazendeiro Marlon chega lá também.

Na Comissão Interamericana de Direitos Humanos há um processo contra o Brasil, considerando o que se passou no Judiciário a propósito do crime. Talvez alguém, ache por lá, que 29 anos sem julgamento equivalem a impunidade. É que lá fora costumam ter má vontade contra o Brasil. Mas, podemos ter orgulho, um Judiciário que leva 29 anos para julgar um crime monstruoso não é para qualquer país.

(artigo enviado por Mário Assis)

A indenização da Tribuna da Imprensa completa 35 anos, sem solução. Humilhação da própria Justiça, prejuízo inacreditável

Luiz Nogueira

Nos próximos meses, o jornal Tribuna da Imprensa, intransigente defensor da democracia e dos direitos humanos e que sofreu implacável perseguição da ditadura (1964/1985), estará registrando uma data que em nada nos engrandece: seu processo de indenização contra a UNIÃO FEDERAL, em busca de justo ressarcimento pelos astronômicos prejuízos sofridos, estará completando 35 anos, dos quais 30 anos foram consumidos entre primeira e segunda instâncias no fórum federal e no Tribunal Federal do Rio de Janeiro.

Isto porque a UNIÃO FEDERAL, não satisfeita por ter quase destruído o jornal, por meio de atentados terroristas e com sua selvagem e truculenta censura (1968/1978), continua, ainda, de modo temerário, a protelar, não se sabe por mais quantos anos, o cumprimento do julgado que deu ganho de causa à Tribuna. Na 12ªVara Federal, opôs embargos à execução judicial da parte ilíquida, manifestamente infundados, resistindo à sua obrigação legal e ao seu dever moral de recompor as lesões avassaladoras, praticadas em nome de um abjeto regime de exceção.

No gabinete de V. EXA., na vice-presidência, a parte líquida do feito aguarda exame de admissibilidade de novo recurso da União, pleiteando o não pagamento dos expurgos inflacionários decorrentes de seus mal sucedidos planos econômicos. A intransigência da mesma obrigou a Tribuna a também pleitear o pagamento de juros moratórios, a partir do evento danoso e não após a citação, como decidido.

Exposto, resumidamente, o quadro processual, peço licença para, não obstante a excessiva sobrecarga de trabalho que ocupa todo o tempo de V. EXA., apelar para que decida o mais depressa possível sobre a admissibilidade ou não dos recursos interpostos, face às dificuldades vividas pela parte autora, por seu controlador, hoje, com mais de 93 anos, e pelas dezenas de famílias de jornalistas, que também aguardam a quitação dessa indenização insignificante perto da astronômica perda sofrida pela União, ao longo dos últimos anos, por conta de malfeitos, desvios de conduta e improbidade administrativa de inescrupulosos gestores da coisa pública.

Não estou nem pensando nos intermináveis e bilionários recursos a fundo perdido direcionados para a construção de verdadeiros elefantes brancos em diversas regiões do país, carentes, sim, de investimentos públicos para assegurar um mínimo de qualidade de vida a seus milhões de habitantes (saúde, educação, segurança, moradia e transportes públicos). 

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COMENTÁRIO DE HELIO FERNANDES

O advogado Luiz Nogueira é respeitável, respeitado e de tal maneira competente jurídica e pessoalmente, que não precisaria da minha participação. Tenho evitado escrever sobre o assunto, mas esta é uma oportunidade em que não posso me omitir, tenho que me manifestar o mais claramente sobre essa INDIGNIDADE, é a palavra.

Luiz Nogueira se dirigiu ao Desembargador Federal Poul Erik Dyrlund, Vice-Presidente do TRF-2. É da forma como advogados se dirigem a Desembargadores ou outros juízes, ocupem o cargo que ocuparem, fazendo parte dessa desperdiçada e inexistente engrenagem que se chama de Justiça.

Mas que comprometem o nome, levando 35 anos para chegar a uma decisão, que em 2008, o plenário do Supremo Tribunal Federal, POR UNANIMIDADE DECIDIU QUE TRANSITOU EM JULGADO. Transitou em julgado e há seis anos não sai de corredores e gavetas de juízes?

Luiz Nogueira não ficou apenas na condição de advogado, escreveu também como personagem inarredável e inquestionável de um episódio que ele mesmo afirma, sem restrição de ninguém, que “estamos registrando uma data, que em nada nos engrandece”. 

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O ADVOGADO ESCREVE PARA JUÍZES, LUIZ NOGUEIRA FEZ
UM LIBELO, ESTE REPÓRTER TEM QUE IR MAIS LONGE.

Concordo com a designação de LIBELO, só que em letra maiúscula. E não escrevo para juízes, e sim para todos os públicos, estejam onde estiverem. Poderia citar Rui Barbosa, “Justiça que tarda não é Justiça”.

Ou então, em outra oportunidade, “o bom ladrão salvou-se, mas não há salvação para o juiz covarde”.

Também espaço para o Millôr, em plena ditadura, irritando os generais covardes: “A justiça FARDA mas não TALHA”. Os generais não entenderam.

Se a citação mostrasse que o Supremo como um todo está sendo desrespeitado e ignorado, faria isso. Quando a UNANIMIDADE dos Ministros determina que a AÇÃO TRANSITOU EM JULGADO, e completa, “A UNIÃO TEM QUE PAGAR A indenização à Tribuna da Imprensa, IMEDIATAMENTE, e nada acontece, ALGUMA COISA TEM QUE ACONTECER”. Isto não é repetição, é um ALERTA.

Lamento, fico constrangido, envergonhado, mas não posso cometer a mesma omissão da Justiça, aqui com letra maiúscula. Embora seu comportamento não mereça mais do que letra minúscula, e o mais ilegível possível. Jamais em toda a História, o Supremo, como um todo ou individualmente tenha estado tanto nas manchetes, nos comentários, nos programas e entrevistas de televisão, como agora. 

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PS – Eu sei, o Supremo não pode fazer mais nada, já deu a ÚLTIMA PALAVRA. Não é nem inusitado, o que alguns Ministros, em tom até mesmo de auto-crítica, digam, “O Supremo é o último a ERRAR”. 

PS2 – Neste caso, o Supremo ERROU não pela ÚLTIMA, e sim pela PENÚLTIMA vez. Julgou, examinou, votou, decidiu por unanimidade. 

PS3 – Só que neste caso, o que parecia UNANIMIDADE de 11 a 0 a favor, não é nada, é a mesma coisa que um resultado de ZERO a ZERO, ninguém leva em consideração. 

PS4 – Só que com a Justiça desconsiderada, é todo o país também atingido. Que República, esta, que tenta desmoralizar seu mais alto tribunal. Tenta, não, desmoraliza mesmo, todo o arcabouço que deveria defender e proteger as decisões que o próprio Supremo, afirma que TRANSITOU EM JULGADO. 

PS5 – Sem jogo de palavras, rigorosamente verdadeiro: pode até deixar a impressão de que alguma coisa foi JULGADA. Se foi, não TRANSITOU para lugar algum. Nos seis anos decorridos, poderia ter chegado ao infinito. Quem sabe o destino da justiça seja mesmo o infinito embora não definitivo?

(transcrito do blog tribunadaimprensaonline.blogspot.com.br,
com autorização de Helio Fernandes)

O sonho mais lindo de João Valentão

O violonista, cantor, pintor e compositor baiano Dorival Caymmi (1914-2008), construiu sua obra inspirado pelos hábitos, costumes e tradições do povo baiano. Teve como forte influência a música negra, desenvolveu um estilo pessoal de compor e cantar, demonstrando espontaneidade nos versos, sensualidade e riqueza melódica.

O samba “João Valentão”, gravado pelo próprio Dorival Caymmi, em 1942, pela Odeon, fala sobre um brutamontes que não dispensa uma boa briga, mas cujo coração amolece no final do dia, quando chega cansado para o aconchego do lar, significando que João Valentão é, simultaneamente, o bruto e o sensível, que vive numa terra tão problemática e tão bela.

JOÃO VALENTÃO
Dorival Caymmi

João Valentão é brigão
Pra dar bofetão
Não presta atenção e nem pensa na vida
A todos João intimida
Faz coisas que até Deus duvida
Mas tem seu momento na vida

É quando o sol vai quebrando
Lá pro fim do mundo pra noite chegar
É quando se ouve mais forte
O ronco das ondas na beira do mar
É quando o cansaço da lida da vida
Obriga João se sentar
É quando a morena se encolhe
Se chega pro lado querendo agradar

Se a noite é de lua
A vontade é contar mentira
É se espreguiçar
Deitar na areia da praia
Que acaba onde a vista não pode alcançar

E assim adormece esse homem
Que nunca precisa dormir pra sonhar
Porque não há sonho mais lindo do que sua terra, não há

          (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Das nuvens ao pó, na trajetória do poder

Vittorio Medioli

Fiquem atentos àqueles indivíduos momentaneamente afortunados que ocupam os lugares mais poderosos do Estado considerando-os eternos. Os caprichos do destino são infinitos, espreitam os voos dos Píndaros. O calor do sol já derreteu inapelavelmente a cera das asas de Ícaro, mesmo quando usava avião a jato.

Nunca fez mal a humildade verdadeira, não a humildade de fachada que um bom ator pode interpretar e costuma interpretar quando precisa de votos, apoios e favores.

Nas alturas do poder, qualquer pedra que se desprende da encosta pode gerar uma avalanche, uma hecatombe de fiéis seguidores. Cada passo tem que ser firme e cuidadoso em razão não só da meta, mas da forma que se pretende alcançá-la. O custo pode ficar alto demais.

Napoleão Bonaparte, dono da Europa inteira, morreu em Santa Helena, pobre, sozinho e envenenado. Adolf Hitler, outro dominador de meio mundo, se suicidou num bunker em Berlim. Benito Mussolini, Júlio César, Getúlio Vargas e muitos outros tiveram em comum sucessos fantásticos e fins trágicos.

ÉBRIOS DE PODER…

Erros de avaliação? Crença em que as vitórias pudessem se reproduzir ao infinito? Confiança excessiva? Distanciamento da realidade? Feitiço de poder?

Claro que o epílogo trágico passou por um descuido. Frequentemente por grave descuido, em outros por um banal descuido ou por uma empáfia que se apoderou da razão.

O genial Maurice Leblanc coloca nos lábios de sua criatura literária, Arséne Lupin – o mais atraente, o mais habilidoso, o mais elegante, o mais astuto de todos os ladrões já concebidos –, a confissão no auge do sucesso: “Em certos instantes, a minha força me faz girar a cabeça. Fico ébrio de poder e autoridade”.

Ficar arrebatado pelo enlevo, de certa forma, é o “risco” maior que segue como sombra as pessoas que alcançaram grande poder em curtas temporadas e não conseguiram consolidá-lo nas circunstâncias menos favoráveis.

Faz lembrar aquele vento que atingiu de surpresa o ocupante da torre de marfim e o fez cair das nuvens para o pó mais indigesto da terra.

Tem gente que considera que ficará eternamente de um lado do balcão.

(transcrito de O Tempo)

 

Representantes de entidades civis estão indignados com corrupção em verbas para educação

Alex Rodrigues
Agência Brasil 

A notíciade que prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e servidores públicos de 20 cidades baianas são suspeitos de participar do desvio de pelo menos R$ 70 milhões dos cofres públicos causou a indignação de representantes de entidades que trabalham com educação. Segundo a Polícia Federal (PF), boa parte do dinheiro foi desviado do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Edução (Fundeb), entre 2009 e 2014. Entre outras coisas, o grupo desviava parte do dinheiro que deveria ser pago a professores do ensino fundamental a título de gratificações.

“Isso é quase um homicídio coletivo, pois tira de milhares de crianças a possibilidade de receber uma educação de qualidade, única forma delas romperem o ciclo de exclusão e de pobreza”, declarou a diretora-executiva do movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, chamando a atenção para o fato de que os municípios baianos apresentam alguns dos piores indicadores em termos de qualidade da educação.

“Em geral, os resultados alcançados pelos estudantes baianos são baixíssimos. Apenas 16% dos alunos do 3º ano do ensino fundamental apresentam o nível de domínio da escrita que se espera da sua faixa etária. Além disso, as taxas de matrícula são baixas e há pouca oferta de educação integral. Esses R$ 70 milhões poderiam muito bem ser investidos na formação de professores”, acrescentou Priscila Cruz.

FISCALIZAÇÃO

Para o integrante da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a solução para evitar o desvio ou a má aplicação de dinheiro público repassado por meio do Fundeb é fortalecer os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social do Fundeb no âmbito da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.

“Se o sistema de controle social do Fundeb funcionasse adequadamente, a Polícia Federal teria menos trabalho. Só que os conselheiros não têm recebido a devida qualificação; a sociedade desconhece o trabalho que esses conselhos desenvolvem e o espaço que os conselheiros têm dentro das prefeituras não é apropriado”, acrescentou Cara.

Relator despreza Supremo e inclui Porto do Suape nas investigações da CPI da Petrobras

Júnia Gama
O Globo

BRASÍLIA – Contrariando decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal , a CPI da Petrobras, controlada pela maioria governista, incluiu investigações sobre a construção do Porto de Suape, em Pernambuco, no plano de trabalho do relator da comissão, José Pimentel (PT-CE), aprovado nesta quarta-feira. A manobra governista visa atingir o ex-governador do estado, Eduardo Campos (PSB), que será adversário da presidente Dilma Rousseff nessas eleições.

O relator dividiu o plano de trabalho em quatro eixos. O terceiro consiste em apurar indícios de superfaturamento na construção da refinaria de Abreu e Lima e na interligação da refinaria com o Porto de Suape. José Pimentel sugere perguntas a serem feitas para esclarecimentos sobre o caso: “Há superfaturamento nas obras? Quem eram os responsáveis pela aprovação dos aditivos? Houve aplicação de recursos da Petrobras ou da União nas obras do entorno do complexo da refinaria?”, questiona o senador.

No mês passado, após a oposição protocolar o pedido de investigação da Petrobras, a base aliada reagiu para retaliar os adversários de Dilma, tentando incluir investigações sobre o Porto de Suape e também sobre o cartel de metrôs em São Paulo, estado governado pelo PSDB, para atingir o tucano Aécio Neves (MG). A oposição recorreu ao Supremo para impedir a manobra governista, pedindo que a Corte garantisse uma CPI exclusiva sobre a Petrobras.

A ministra Rosa Weber deu seu parecer favorável ao pleito da oposição, restringindo as investigações apenas às denúncias relativas à Petrobras, como a compra de Pasadena. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recorreu da decisão da ministra ao pleno do Supremo, mas ainda não houve pronunciamento final sobre o tema.

LULA NÃO VAI

O senador Cyro Miranda (PSDB-GO), único representante da oposição na CPI, teve a primeira reação: apresentou requerimento de convocação do ex-presidente Lula. O requerimento recebeu parecer negativo do relator José Pimentel, que alegou não ter nenhuma relação com objeto da investigação, e foi rejeitado pela comissão, com maioria esmagadora governista.

A comissão aprovou convocações para que prestem depoimento a presidente da Petrobras, Graça Foster, o ex-presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, Magda Chambriard, da ANP, diversos diretores e ex-diretores de diversas áreas da Petrobras, como Nestor Cerveró, que comandava a área internacional quando a compra de Pasadena foi aprovada, entre outros. O colegiado também aprovou o convite aos ministros Jorge Hage, da CGU, José Jorge e Benjamin Zymler, ambos do TCU.

Caso Alstom: Ex-diretor do Metrô de São Paulo tem cinco contas na Suíça

Fausto Macedo
Estadão

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) confirma os números de 5 contas na Suíça – e as instituições financeiras nas quais elas estão alojadas –, do engenheiro Ademir Venâncio de Araújo, ex-diretor da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Venâncio é alvo da investigação do Ministério Público sobre o cartel metroferroviário que teria atuado em São Paulo e no Distrito Federal entre 1998 e 2008. Depoimentos apontam sua “efetiva participação” no conluio liderado pela Alstom, multinacional francesa.

O COAF, autoridade de inteligência financeira do Brasil, comunicou no dia 14 de abril de 2014 que o Ministério Público da Confederação suíça iniciou no mês de janeiro de 2014 uma investigação e bloqueou as contas bancárias relacionadas a Ademir Venâncio de Araújo e sua mulher, Sumaia Maria Macedo de Araújo – veja abaixo o quadro com os números das contas, três delas em Zurique.

Ele integrou os quadros de direção da CPTM na mesma época em que outro investigado, João Roberto Zaniboni, ocupou o cargo de diretor de Engenharia da estatal de transportes de massa. Zaniboni também está na mira do Ministério Público de São Paulo – em uma conta dele, na Suíça, os investigadores descobriram US$ 826 mil.