A vida do matuto, na visão do cantador Rolando Boldrin

O ator, cantor, poeta, contador de causos, radialista, apresentador de televisão e compositor paulista Rolando Boldrin, na letra de “Vide Vida Marvada”, descreve os boatos que correm aonde ele mora,que na verdade, é a descrição da vida calma e mansa de todo matuto.
Quanto ao verso“a baba sempre foi santa e purificada”, trata-se de uma alusão ao fato de que o matuto fica lá “sem fazer nada”, tocando a sua violinha e a baba deixada no capim pelo boi quando ele pasta, faz com que o capim nasça de novo sem que o matuto tenha que fazer muito esforço, segundo o boato que corre por lá.
Essa música foi gravada pelo próprio Rolando Boldrin no LP Caipira, em 1981, pela Som Brasil.
VIDE VIDA MARVADA
Rolando Boldrin
Corre um boato aqui donde eu moro
Que as mágoas que eu choro
São mal ponteadas
Que no capim mascado do meu boi
A baba sempre foi
Santa e purificada

Diz que eu rumino desde menininho
Fraco e mirradinho
A ração da estrada
Vou mastigando o mundo e ruminando
E assim vou tocando
Essa vida marvada

É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda moda é um remedio pro meu desengano
É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda magoa é um misterio fora desse plano
Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver
Chega lá em casa pra uma visitinha
Que no verso ou no reverso da vida inteirinha
Há de encontrar-me num cateretê

Tem um ditado tido como certo
Que cavalo esperto
Não espanta boiada
E quem refuga o mundo resmungando
Passará berrando
Essa vida marvada

Cumpade meu que envelheceu cantando
Diz que ruminando
Dá pra ser feliz
Por isso eu vagueio ponteando
e assim procurando
Minha flor de lis

É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda moda é um remedio pro meu desengano
E toda magoa é um misterio fora desses planos
Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver
Chega lá em casa pra uma visitinha
Que no verso ou no reverso da vida inteirinha
Há de encontrar-me num cateretê

       (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Obra-prima do cristianismo, “O Evangelho Segundo o Espiritismo” completa 150 anos

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José Reis Chaves

Dedico esta matéria à comemoração dos 150 anos do lançamento, em 1864, da fantástica obra de Kardec, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de que fiz uma nova tradução lançada pela Ed. Chico Xavier.

No início do quinto século, santo Agostinho disse que, debaixo da lama dos apócrifos, há ouro a ser garimpado. Com razão, também a Igreja tem afirmado que os apócrifos nos ajudam a entender melhor os evangelhos. E “O Evangelho Segundo o Espiritismo” não é um livro apócrifo, mas uma coletânea de textos dos próprios quatro Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, com destaque, principalmente para a filosofia das máximas do Sermão da Montanha, a nata da mensagem evangélica.

Conheço muitos padres, pastores e bispos que o têm como um livro de cabeceira. Ele é rico de comentários racionais e convincentes de Kardec e de espíritos de renomados vultos da história do cristianismo, entre eles o apóstolo Paulo, são João Evangelista, santo Agostinho, são Francisco Xavier, são Vicente de Paulo, são Cura d’Ars, Pascal, Erasto, o arcebispo Fénelon e são Luís.

E quem não crê na manifestação dos espíritos, eu recomendo que estude o assunto, não só do ponto de vista bíblico, mas também científico. Eu estudei para padre redentorista e não acreditava também no espiritismo. Mas depois que o estudei, não pude mais deixar de aceitar as suas grandes verdades inquestionáveis, como os fenômenos da reencarnação e da manifestação dos espíritos através dos médiuns (profetas) de que a Bíblia está cheia. Ademais, esses fatos são, hoje, comprovados pela ciência não materialista.

ACUSAÇÕES FALSAS

Diante do avanço do espiritismo, muitos teólogos até se desistiram de acusar os espíritas de macumbeiros, feiticeiros e de falarem com os “diabos”. Inventaram outra tática: os espíritas não são cristãos. Mas foi o próprio Jesus quem ensinou que seus discípulos seriam conhecidos por se amarem uns aos outros. O cristão, pois, não é aquele que crê ou não crê em determinadas doutrinas.

E, com o devido respeito aos dogmas cristãos, afirmo que são eles os culpados pelas difamações e calúnias feitas pelos seus seguidores não só contra o espiritismo, mas também contra todos os outros credos. Eles, os dogmas, são a causa da crise do cristianismo cuja base é dogmática, e não bem evangélica. E, assim, pois, de uma fé muito fraca. Há muitos teólogos que querem mudar as coisas, mas têm que obedecer aos seus superiores hierárquicos para não terem sérios problemas. Então, preferem o silêncio. E o resultado é que o cristianismo, por causa das suas doutrinas dogmáticas, está se afundando, cada vez mais, o que é lamentável, pois, em que pesem seus erros, ele é uma poderosa arma contra o materialismo.

E, usando uma metáfora de Jesus, “O Evangelho Segundo o Espiritismo” não é odre velho, mas odre novo, ou seja, uma visão mais real do Evangelho do excelso Mestre para o Terceiro Milênio! (transcrito de O Tempo)

Livro que relata envolvimento de FHC com a CIA esgota edição

Do Correio do Brasil

Está esgotado nas duas maiores livrarias do Rio o livro da escritora Frances Stonor Saunders ‘Quem pagou a conta? A CIA na Guerra Fria da cultura’, no qual o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é acusado, frontalmente, de receber dinheiro da agência norte-americana de espionagem, para ajudar os EUA a “venderem melhor sua cultura aos povos nativos da América do Sul”.

O exemplar, cujo preço varia de R$ 72 a R$ 75,00, leva entre 35 e 60 dias para chegar ao leitor, mesmo assim, de acordo com a disponibilidade no estoque. O interesse sobre a obra da escritora e ex-editora de Artes da revista britânica The New Statesman, no Brasil, pode ser avaliado ao longo dos cinco anos de seu lançamento.

Quem pagou a conta?, segundo os editores, recebeu “uma ampla cobertura pela mídia quando foi lançado no exterior”, em 1999. Na obra, Frances Stonor Saunders narra em detalhes como e por que a CIA, durante a Guerra Fria, financiou artistas, publicações e intelectuais de centro e centro-esquerda, num esforço para mantê-los distantes da ideologia comunista. Cheia de personagens instigantes e memoráveis, entre eles o ex-presidente brasileiro, “esta é uma das maiores histórias de corrupção intelectual e artística pelo poder”.

Não é segredo para ninguém que, com o término da Segunda Guerra Mundial, a CIA passou a financiar artistas e intelectuais de direita; o que poucos sabem é que ela também cortejou personalidades de centro e de esquerda, num esforço para afastar a intelligentsia do comunismo e aproximá-la do American way of life.

No livro, Saunders detalha como e por que a CIA promoveu congressos culturais, exposições e concertos, bem como as razões que a levaram a publicar e traduzir nos Estados Unidos autores alinhados com o governo norte-americano e a patrocinar a arte abstrata, como tentativa de reduzir o espaço para qualquer arte com conteúdo social. Além disso, por todo o mundo, subsidiou jornais críticos do marxismo, do comunismo e de políticas revolucionárias. Com esta política, foi capaz de angariar o apoio de alguns dos maiores expoentes do mundo ocidental, a ponto de muitos passarem a fazer parte de sua folha de pagamentos”.

As publicações Partisan Review, Kenyon Review, New Leader e Encounter foram algumas das publicações que receberam apoio direto ou indireto dos cofres da CIA. Entre os intelectuais patrocinados ou promovidos pela CIA, além de FHC, estavam Irving Kristol, Melvin Lasky, Isaiah Berlin, Stephen Spender, Sidney Hook, Daniel Bell, Dwight MacDonald, Robert Lowell e Mary McCarthy, entre outros. Na Europa, havia um interesse especial na Esquerda Democrática e em ex-esquerdistas, como Ignacio Silone, Arthur Koestler, Raymond Aron, Michael Josselson e George Orwell.

NERY É LEMBRADO

O jornalista Sebastião Nery, em 1999, quando o diário carioca Tribuna da Imprensa ainda circulava em sua versão impressa, comentou em sua coluna que não seria possível resumir a obra em tão pouco espaço: “São 550 páginas documentadas, minuciosa e magistralmente escritas”, afirmou.

“Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de US$ 145 mil. Nasce o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento)”. Esta história, que reforça as afirmações de Saunders, está contada na página 154 do livro Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível, da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni (Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha). O “inverno do ano de 1969″ era fevereiro daquele ano.Há menos de 60 dias, em 13 de dezembro, a ditadura militar havia lançado o AI-5 e elevado ao máximo o estado de terror após o golpe de 64, “desde o início financiado, comandado e sustentado pelos Estados Unidos”, como afirma a autora. Centenas de novas cassações e suspensões de direitos políticos estavam sendo assinadas. As prisões, lotadas. O ex-presidente Juscelino Kubitcheck e o ex-governador Carlos Lacerda tinham sido presos.

Enquanto isso, Fernando Henrique recebia da poderosa e notória Fundação Ford uma primeira parcela para fundar o Cebrap. O total do financiamento nunca foi revelado. Na Universidade de São Paulo, por onde passou FHC, era voz corrente que o compromisso final dos norte-americanos girava em torno de US$ 800 mil a US$ 1 milhão.

DINHEIRO PELA JANELA

Segundo reportagem publicada no diário russo Pravda, um ano após o lançamento do livro no Brasil, os norte-americanos “não estavam jogando dinheiro pela janela”.

“Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando (os dólares)”. Na época, FHC lançara com o economista chileno Faletto o livro Dependência e desenvolvimento na América Latina, em que ambos defendiam a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes de outros países mais ricos. Como os Estados Unidos”.

A cantilena foi repetida por FHC, em entrevista concedida ao diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, na edição da última terça-feira, a última de 2013.

Com a cobertura e o dinheiro dos norte-americanos, FHC tornou-se, segundo o Pravda, “uma ‘personalidade internacional’ e passou a dar ‘aulas’ e fazer ‘conferências’ em universidades norte-americanas e européias. Era ‘um homem da Fundação Ford’. E o que era a Fundação Ford? Uma agente da CIA, um dos braços da CIA, o serviço secreto dos EUA”.

PRINCIPAIS TRECHOS

Principais trechos da pesquisa de Saunders:

1 – “A Fundação Farfield era uma fundação da CIA… As fundações autênticas, como a Ford, a Rockfeller, a Carnegie, eram consideradas o tipo melhor e mais plausível de disfarce para os financiamentos… permitiu que a CIA financiasse um leque aparentemente ilimitado de programas secretos de ação que afetavam grupos de jovens, sindicatos de trabalhadores, universidades, editoras e outras instituições privadas” (pág. 153).

2 – “O uso de fundações filantrópicas era a maneira mais conveniente de transferir grandes somas para projetos da CIA, sem alertar para sua origem. Em meados da década de 50, a intromissão no campo das fundações foi maciça…” (pág. 152). “A CIA e a Fundação Ford, entre outras agências, haviam montado e financiado um aparelho de intelectuais escolhidos por sua postura correta na guerra fria” (pág. 443).

3 – “A liberdade cultural não foi barata. A CIA bombeou dezenas de milhões de dólares… Ela funcionava, na verdade, como o ministério da Cultura dos Estados Unidos… com a organização sistemática de uma rede de grupos ou amigos, que trabalhavam de mãos dadas com a CIA, para proporcionar o financiamento de seus programas secretos” (pág. 147).

4 – “Não conseguíamos gastar tudo. Lembro-me de ter encontrado o tesoureiro. Santo Deus, disse eu, como podemos gastar isso? Não havia limites, ninguém tinha que prestar contas. Era impressionante” (pág. 123).

5 – “Surgiu uma profusão de sucursais, não apenas na Europa (havia escritorios na Alemanha Ocidental, na Grã-Bretanha, na Suécia, na Dinamarca e na Islândia), mas também noutras regiões: no Japão, na Índia, na Argentina, no Chile, na Austrália, no Líbano, no México, no Peru, no Uruguai, na Colômbia, no Paquistão e no Brasil” (pág. 119).

6 – “A ajuda financeira teria de ser complementada por um programa concentrado de guerra cultural, numa das mais ambiciosas operações secretas da guerra fria: conquistar a intelectualidade ocidental para a proposta norte-americana” (pág. 45).

ESPIONAGEM E DÓLARES

Não há registros imediatos de que o ex-presidente tenha negado ou admitido as denúncias constantes nos livros de Sauders e Leoni. Em julho do ano passado, no entanto, o jornalista Bob Fernandes, apresentador da TV Gazeta, de São Paulo, publicou artigo no qual repassa o envolvimento do ex-presidente com os serviços de espionagem dos EUA, sem que tivesse precisado, posteriormente, negar uma só palavra do que disse. Segundo Fernandes, “o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz que ‘nunca soube de espionagem da CIA’ no Brasil. O governo atual cobra explicações dos Estados Unidos”.

“Vamos aos fatos. Entre março de 1999 e abril de 2004, publiquei 15 longas e detalhadas reportagens na revista CartaCapital. Documentos, nomes, endereços, histórias provavam como os Estados Unidos espionavam o Brasil.Documentos bancários mostravam como, no governo FHC, a DEA, agência norte-americana de combate ao tráfico de drogas, pagava operações da Polícia Federal. Chegava inclusive a depositar na conta de delegados. Porque aquele era um tempo em que a PF não tinha orçamento para bancar todas operações e a DEA bancava as de maiores dimensão e urgência”, garante Fernandes.

Ainda segundo o jornalista, o mínimo de “16 serviços secretos dos EUA operavam no Brasil. Às segundas-feiras, essas agências realizavam a ‘Reunião da Nação’, na embaixada, em Brasília”.

Bob Fernandes, que foi redator-chefe de CartaCapital, trabalhou nas revistas IstoÉ (BSB e EUA) e Veja, foi repórter da Folha de S.Paulo e do Jornal do Brasil, afirma ainda que “tudo isso foi revelado com riqueza de detalhes: datas, nomes, endereços, documentos, fatos. Em abril de 2004, com a reportagem de capa, publicamos os nomes daqueles que, disfarçados de diplomatas, como é habitual, chefiavam CIA, DEA, NSA e demais agências no Brasil. Vicente Chellotti, diretor da PF, caiu depois da reportagem de capa Os Porões do Brasil, de 3 de março de 1999. Isso no governo de FHC, que agora, na sua página no Facebook, disse desconhecer ações da CIA no país”.

(artigo enviado por Mário Assis)

Você realmente confia na urna eletrônica?

Paulo Sergio Everdosa

Circula na internet um inquietante texto sobre o seminário “A urna eletrônica é confiável?”, promovido pelos institutos de estudos políticos das seções fluminense do Partido da República (PR), o Instituto Republicano; e do Partido Democrático Trabalhista (PDT), a Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini.

Acompanhado pelo especialista em transmissão de dados Reinaldo Mendonça e pelo delegado de polícia Alexandre Neto, um jovem hacker de 19 anos, identificado apenas como Rangel por questões de segurança, mostrou como (através de acesso ilegal e privilegiado à intranet da Justiça Eleitoral no Rio de Janeiro, sob a responsabilidade técnica da empresa Oi) interceptou os dados alimentadores do sistema de totalização e, após o retardo do envio desses dados aos computadores da Justiça Eleitoral, modificou resultados beneficiando candidatos em detrimento de outros – sem nada ser oficialmente detectado.

Esse depoimento do hacker vem alimentar as suspeitas do Brizola quando da eleição presidencial de 1989, ocasião em que o Lula foi para o segundo turno com o Collor por uma diferença mínima de votos. Na época, o Brizola requereu recontagem de votos o que foi rechaçado pelo presidente do TSE, sob o comando do “insuspeito” Francisco Rezek que, em seguida à apuração do segundo turno da eleição, largou o cargo vitalício de ministro do STF para assumir um ministério no governo Collor. Depois de algum tempo no cargo, saiu do governo e foi renomeado pelo Collor de volta ao STF!

Tive informações à época de que o complô foi urdido com apoio do Doutor Roberto Marinho e do ACM, que era ministro das Comunicações do Sarney e sócio do Doutor RM. O plano era emplacar o Afif. Como o Afif não decolou, aderiram ao Collor. Não poderia ser o Brizola pelos motivos mais do que óbvios!

Estranhamente, durante a transmissão dos dados do primeiro turno da eleição presidencial de 1989 do TRE de Minas Gerais para o TSE de Brasilia, houve uma “pane” no sistema, como que para dar tempo ao dimensionamento da fraude.

400 mil votos foram necessários para levar o Lula para o segundo turno, porque o candidato do PT poderia ser abatido com mais facilidade pelo esquema que já possuía no bolso do colete o escândalo da Miriam/Lurian (ex-namorada e filha de Lula).

EXEMPLO DA ARGENTINA

O Brizola pediu o apoio do Lula para pressionar o TSE a conceder a recontagem argumentando que há pouco tempo houvera fato semelhante na Argentina, onde a recontagem manual apurou uma diferença em relação à eletrônica bem superior à diferença verificada na eleição brasileira. Lá não houve mudança na classificação dos candidatos porque a diferença apurada não foi suficiente para alterar a classificação.

Na eleição brasileira, entretanto, a diferença entre o Brizola e o Lula, salvo engano, não chegava a 0,5%. O TSE não admitiu a recontagem. Registre-se que, antes da eleição, a Globo promoveu um Globo Repórter sobre a vida do Rezek, com o fito explícito de construir uma credibilidade que seria necessária para dar força às providências que ele teria que tomar no curso da sua presidência do pleito.

Para conferir o texto sobre o seminário, basta buscar no Google o título Hacker de 19 anos revela no Rio de Janeiro como fraudou eleição.

Doações para Genoino pagar multa já somam R$ 194 mil

Da Folha

O site criado por amigos e familiares de José Genoino com o objetivo de receber doações para pagar a multa de R$ 667,5 mil imposta ao petista por sua participação no esquema do mensalão arrecadou, até o agora  R$ 194 mil.

O site intitulado “Parceiros da família Genoino” foi criado na noite da última quinta-feira (9). As doações feitas no domingo ainda não foram computadas. O doador pode contribuir com qualquer valor e, após o depósito, o doador deverá enviar à família de Genoino um e-mail com nome completo, RG, CPF e cópia (scaneado, fotografado ou arquivo) do comprovante de depósito.

O petista tem até o dia 20 de janeiro para pagar o valor. Se descumprir o prazo, o débito será inscrito no cadastro da Dívida Ativa da União, de acordo com a decisão da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, e a União passa a cobrar a dívida judicialmente.

Clientes logrados pela Caixa podem requerer saldo das contas encerradas

Da Agência Brasil

Brasília – Os clientes da Caixa Econômica Federal que tiveram suas contas de poupança encerradas têm direito ao saldo existente, a qualquer tempo, após regularização, informou o Banco Central (BC) nesse domingo (12). O banco promoveu uma varredura entre 2005 e 2011 para identificar contas de titulares com irregularidades no CPF ou no CNPJ.

Segundo o banco, 346 mil contas foram regularizadas depois que os clientes foram contatados por correspondência ou por telefone, mas os correntistas que não se manifestaram tiveram a conta encerrada em 2012. Ao todo, 496.776 contas foram encerradas.

O encerramento, destacou nota da Caixa, ocorreu conforme as regras determinadas pelo Banco Central (BC) e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), sem nenhuma ilegalidade. O banco, no entanto, admitiu divergências em relação a contabilização dos R$ 719 milhões que estavam nas contas encerradas. Os recursos foram registrados como receitas operacionais, o que elevou o lucro líquido da Caixa em R$ 420 milhões no balanço de 2012 depois do pagamento de tributos.

De acordo com a Caixa, o registro dos recursos das contas encerradas foi aprovado por auditorias independentes, mas foi contestado pela Controladoria-Geral da União (CGU). O órgão fez uma consulta ao BC, que determinou que o saldo das contas inativas não fosse computado como receita. Segundo a instituição financeira, o ajuste aparecerá no balanço de 2013, como diminuição do lucro em R$ 420 milhões.

Reportagem da revista Isto É informava que a Caixa tinha encerrado ilegalmente as contas com irregularidades no CPF ou no CNPJ, confiscado os recursos da caderneta de poupança e usado o dinheiro para inflar os lucros em 2012. Segundo o banco, o recadastramento ocorreu para combater fraudes, evitar danos à credibilidade da caderneta de poupança e cumprir as regras estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.

Segundo o BC, “não há qualquer prejuízo para correntistas e poupadores da instituição e, portanto, não há que se falar em confisco, termo usado indevidamente pela publicação”. “Diferentemente do que afirmou a revista, a motivação para encerramento das contas não foi falta de movimentação ou de saldo, mas irregularidades cadastrais”. O BC disse ainda que “a Caixa Econômica Federal está providenciando a regularização de alguns dos procedimentos internos utilizados no encerramento de contas irregulares, bem como ajustes contábeis no seu balanço”.

Inovação tecnológica e precarização da força de trabalho, em meio aos esmagadores poderes do capitalismo global

http://4.bp.blogspot.com/_q3gj_kh4tRQ/S2HpSJnMCvI/AAAAAAAABPI/cQ6cpyjZtMM/s320/charge_demissao_desemprego_empresa_emprego_rua_vaga_industria_privada.jpgElísio Estanque
Estado de SP
Nos anos 1990, Ulrich Beck, alemão que estuda essas temáticas, pensava na enorme precarização da força de trabalho na qual não há praticamente direitos, e sim uma enorme rotatividade e instabilidade. Só que, na Europa, não se esperava que ela fosse tão brusca, tensa e violenta. A inovação tecnológica cria uma precariedade que não é apenas objetiva e material, mas também psicológica, o que leva o trabalhador a recriar os instrumentos da própria vulnerabilidade.O trabalhador é colocado numa situação vulnerável não apenas porque sabe que pode ser deslocado de um momento para outro ou ser facilmente demitido, mas também porque incorpora a ideia de que é preferível aceitar qualquer que seja a condição de trabalho a não ter nenhum. Daí que concorda em ser colocado numa posição de maior dependência. E aceita de certo modo ser explorado até a exaustão. Isso acontece na relação assimétrica de poder que ele mantém com a entidade patronal.A polivalência deixa de ser sinônimo de maior autonomia do trabalhador para torná-lo mais dependente de uma competitividade castigante. Dentro das empresas também há uma condição muito estimulada entre os trabalhadores, os prêmios de produtividade, que muitas vezes são ilusão. Se olharmos de um lado a multiplicação do lucro da atividade financeira e de outro os salários, há uma distância que se foi elevando nas últimas décadas em todos os países, a começar pelos EUA. Resumindo, essa multiplicidade de competências aconteceu por imposição de cima para baixo. A margem de negociação foi desaparecendo porque o próprio campo sindical deixou de negociar as condições de trabalho.

LÓGICA DO PRIVATISMOMas me parece que essas situações sejam cada vez mais excepcionais porque os servidores públicos estão sendo igualmente descartados, enquanto os recursos públicos seguem muitas vezes a lógica do privatismo. Eu diria que o cartão de ponto, neste momento, está no bolso de todo mundo. Está no celular, no computador, nos imensos meios técnicos que as empresas possuem para controlar o que cada um está a fazer a cada momento.Houve uma viragem de paradigma nas últimas duas ou três décadas. Os sindicatos temem ser agressivos, estão muito enfraquecidos. Em parte porque, seja no infoproletariado ou em outros vínculos laborais, as empresas e o trabalho tendem a ser terceirizados. Note-se, por exemplo, que, aqui no Brasil, cerca de 1/3 da força de trabalho é terceirizada. Em Portugal, mais de 30% dos trabalhadores estão com contrato a termo certo, ou seja, estão em situação de precariedade. As novas gerações de força de trabalho vão entrando no mercado em condição particularmente precária e dependente, individualizada e com medo.

O desemprego de jovens, na faixa abaixo dos 30 anos, ultrapassa os 40% de desempregados em Portugal e na Espanha, são 50%.  No Brasil apesar das melhoras em termos de formalização do emprego em relação há 15 anos, repara-se nos altíssimos porcentuais de rotatividade. Se o paradigma desenvolvimentista do Brasil sair triunfante dessa encruzilhada em que nos encontramos, é possível que a classe trabalhadora, nas próximas décadas, vá se beneficiar disso. Mas neste momento há uma grande incerteza nesse sentido. Os poderes do capitalismo global são realmente esmagadores.

Texto enviado por Mário Assis, extraído do Blog de César
Maia (Elísio Estanque é Professor da Universidade de Coimbra)

Briga boa: Secretário de Alckmin quer ser acareado com o delator do cartel dos trens

Rodrigo Garcia, do DEM, afirma que acusações de proprina são uma 'maluquice' - Sérgio Castro/Estadão
Fausto Macedo e Fernando Gallo
O Estado de S.Paulo

Rodrigo Garcia, deputado licenciado pelo DEM e secretário de Desenvolvimento Econômico da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), diz estar pronto para uma acareação com o delator do cartel dos trens, Everton Rheinheimer, que o acusou em depoimento à Polícia Federal como suposto recebedor de propinas do esquema que teria vigorado no setor entre 1998 e 2008, nos governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Alckmin.

Garcia conta que, em 2010, recebeu o ex-executivo da Siemens em seu escritório político, mas nega ter tratado com ele sobre licitações do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). “Não sei a que atribuir as maluquices dele (Rheinheimer).” Seu advogado, Alexandre de Moraes, assinala que nos 52 volumes do inquérito do cartel o nome de Garcia é citado só três vezes, sem que haja uma única menção a provas. O secretário acredita que as denúncias têm viés político-eleitoral. Para ele, a delação é “antídoto do mensalão”.

Como o sr. conheceu Rheinheimer?

Sei de quem se trata. Me familiarizei com ele pelas fotos de jornal. Lembrava dele como um ex-diretor de multinacional. Puxando na memória, se eu o recebi como líder do PFL (na Assembleia), recebi uma vez, como recebi tantas outras pessoas desse e de outros setores. É atividade parlamentar. E depois da eleição de 2010 lembro que ele esteve no escritório político. Eu já era deputado federal. Ele fez uma visita. É isso o que lembro. Não tenho nenhum tipo de relacionamento próximo, não sei onde mora, o que faz, se mora no Brasil, o que tem no Brasil, o que deixa de ter.

Como foi essa visita no escritório?

Eu tinha acabado de ganhar a eleição, ele tinha comprado um convite de jantar, que eu faço em toda campanha, e foi me cumprimentar, desejar boa sorte. Mas não foram reuniões específicas, institucionais. E foram no escritório político. Essa última, e talvez uma anterior, antes de eu ser presidente da Assembleia.

O sr. tinha participação em licitações?

Nenhuma. Sou deputado de quatro mandatos. Dois eu exerci na plenitude, como estadual. Nos últimos dois mandatos ocupei quatro secretarias, duas na Prefeitura e duas no Estado. Tenho uma vida pública de 15 anos. Nos meus atos formais, como na presidência da Assembleia, não tenho nenhum tipo de questionamento, nem nos meus atos no Executivo. Como deputado, fui líder de bancada, presidente da Comissão de Transportes, da de Agricultura, membro da Comissão de Constituição e Justiça. Fui presidente da Assembleia.

Está faltando consciência à Ciência

A CIENCIA.jpg

Jolival Soares

Quando, no século XVII, na Inglaterra, Francis Bacon funda a ciência experimental – empírica –, o faz em atitude de absoluto desrespeito à mãe de todo conhecimento humano, que é a filosofia. Dizia-nos ele: a filosofia é coisa de jovens desocupados conversando com velhos tagarelas!

Dos gregos, nós os ocidentais recebemos a filosofia como o Direito dos Romanos. Toda a Paideia grega está profundamente influenciada pela sua medicina que, à época, não era só ciência, mas também arte – a arte dos esculápios (médicos). Podemos até nos queixar dos gregos, pois os mesmos pensaram sobre quase tudo, porém não experimentaram sobre quase nada. Afora a descoberta de Arquimedes, em sua banheira, quando  percebeu que a água que lhe cai e transborda de sua banheira era proporcional à sua massa corporal submersa na água, e exclama: “Eureka!” (Achei!), de pouca coisa de natural descoberta empírica dos gregos se tem notícia.

Historiadores nos dizem que, na cabeça dos gregos daquela época, era muito comum se pensar que, o que valia verdadeiramente a pena ser descoberto, já havia sido nas civilizações do Egito, Babilônia, Caldeia e Assíria. Isto existia como um verdadeiro arquétipo em suas cabeças.

Outros ainda nos acrescentariam que, pelo fato de cada cidadão grego livre (patrício) poder ter até sete escravos, este conforto não lhes estimulavam a criar nada. O fato é que, quando o governante dos dias de Arquimedes lhe pede que use seus conhecimentos de física da natureza para produzir utensílios, instrumentos que ajudassem o homem comum nos seus trabalhos, este se ofende porque achava ser um sacrilégio colocar o saber, em forma de conhecimento, a serviço de coisas tão insignificantes. É, pois, assim, a cabeça grega daqueles dias: busca-se o saber, a sabedoria pela sabedoria, mas, completamente desvinculada de uma razão de aplicabilidade prática.

APENAS PENSANDO

Resumindo, os gregos pensaram e refletiram (filosofaram) sobre quase tudo e experimentaram sobre quase nada! Está nesta origem – ontológica – a ciência que nasce sem uma consciência ética, ou seja, temos e continuamos fazendo até os dias de hoje uma Ciência Sem Consciência, cega, pois destituída de compromissos com os valores éticos mais elevados e que, às vezes e sempre, é o que nos salva a vida – a vida de todos nós os humanos.

Não é sem motivos que o grande médico, fisiologista e pensador francês, Alexis Carel, veio clamando desde 1930, quando brinda a humanidade com o seu clássico “O homem, este desconhecido”. Tendo, pela curiosidade, sido atraído para o mundo exterior a ele, faz notáveis progressos na Astronomia, na Física, na Química, na Matemática e noutras províncias do saber científico, que lhe levou a conquistar e dominar todo o seu meio-ambiente, incluído aí não só do planeta terra como de outros, de forma avassaladora e, contudo, permanece como um grande desconhecido para si mesmo! Veja-se: a Psicologia – o seu primeiro Prêmio Nobel – não fez talvez ainda 200 anos.

A ciência precisa de uma ciência, não pode viver sem valores éticos, pois se transforma em uma ameaça terrível para a humanidade. Tanto é que a ciência, alimentando a tecnociência, vem nos ajudando a viver mais e melhor com os progressos da genética, da engenharia sanitária, da medicina, da nutrição, na produção de novos fármacos e vacinas, prolongando assim nossas vidas no varejo e nos matando no atacado.

AUTODESTRUIÇÃO

Nossos governos modernos possuem bombardeiros cirúrgicos em aviões ou helicópteros, que matam palestinos e afegãos. Nossos aviões não precisam nem mais de pilotos (Drones). No arsenal russo existe armazenada a mistura do “supervírus da varíola com o ebola africano”, que, em momentos soltos, por um bioterrorista, no metrô de Moscou, Berlim, Paris, Londres, São Paulo ou Nova York, em minutos, pode matar milhares de pessoas. E não há vacinas!

No arsenal americano existem centenas de bombas de nêutrons, para que? Elas destroem tudo o que é ser vivo, ou seja, animais e vegetais, preservando tudo o que é material! Você sabe para que servem escolas, hospitais e universidades, sem alunos ou pessoas doentes, para serem educados e tratados? Uma grande e perversa lógica abjeta e inumana, que subverte valores, atribuindo muito mais valor às coisas do que às pessoas que deveriam ser objeto de nossa alteridade.

Vejam como é nossa Ciência Sem Consciência: estamos hoje fazendo todas estas coisas, vivendo diária e permanentemente debaixo da ameaça da nossa plena aniquilação. Deus nos fez para isto? Ficaram os irmãos gregos nos devendo: experimentar, pensar, e refletir sobre o experimento e avaliar se é bom ou ruim atribuir valor ético e colocar em prática quando isto torna-se um bem para todos.

Não é sintomático que Francis Bacon seja o primeiro a criar por toda a Inglaterra as primeiras escolas técnicas, semeando a futura mão de obra barata para a revolução industrial burguesa, com seus métodos de produção baseados na exploração do homem pelo homem, desembocando no capitalismo selvagem que chegou e encontra-se até hoje em nosso meio, produzindo riquezas e destruindo a maior de todas: o nosso meio ambiente? Mais tarde torna-se ministro, vai preso por corrupção – desvio de dinheiro público. Triste é este começo de nossa Ciência Sem Consciência, a nós deixado por este senhor. Ah! quem nos dera se tivéssemos recebido a ciência dos gregos, pois estes criaram o hábito de “pensar refletindo” filosoficamente.

Hoje dizem alguns filósofos que, a despeito de todo nosso progresso tecnológico humano, apenas 3% das pessoas da humanidade pensam. 7% pensam que pensam e 90% pensam que não precisam pensar. Temos que fazer enormes esforços para entrar no primeiro grupo e estender sua base. De outra forma, nosso futuro estará seriamente comprometido.

*Jolival Soares é Bioquímico e Professor de Bioética.

Pesquisa mostra que prestígio de quase todos os governadores está em forte queda

Guilherme Reis
O Tempo

Em quatro anos, o prestígio dos governadores perante seus eleitores sofreu uma queda sensível. É o que se deduz da comparação entre duas pesquisas Ibope de avaliação dos 27 chefes de Executivo estadual, uma de feita no segundo semestre de 2010 e a outra, em dezembro passado. A redução no saldo positivo médio foi de 25 pontos percentuais. Para especialistas ouvidos pela reportagem, o resultado demonstra que o brasileiro está mais atento e mais consciente para avaliar seus mandatários.

A pesquisa realizada entre novembro e dezembro de 2013, por encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apontou que, na média, 33% dos brasileiros acham seus governadores bons ou ótimos. Outros 29% consideraram seus eleitos ruins ou péssimos. Subtraindo os dois resultados, os governadores tiveram um saldo positivo médio de quatro pontos percentuais.

Já na sondagem feita em 2010, a avaliação favorável era amplamente superior, já que 46% dos 15.414 entrevistados consideravam os governadores bons ou ótimos. Em contrapartida, somente 17% achavam as gestões regionais péssima ou ruim, o que garantiu um saldo positivo de 29 pontos.

Para o cientista político Gilberto Damasceno, o brasileiro está desenvolvendo, de forma generalizada, sua percepção da coisa pública e de como ela deve ser administrada. Assim, a avaliação dos governantes é mais criteriosa.

Damasceno avalia que as manifestações de junho do ano passado contribuíram para a perda de popularidade, mas destaca que os atos fazem parte do mesmo contexto político. “As manifestações deram impulso à rejeição, mas os protestos também são produtos da conscientização.”

Já o cientista político Rudá Ricci entende que o aumento da avaliação negativa representa a “frustração” da sociedade com os políticos. “As manifestações de junho revelaram que os políticos não realizaram o que se esperava deles. A consequência aparece quantificada nas pesquisas”, afirmou, dizendo que nem as pessoas filiadas aos partidos confiam na política.

Julgamento

Eleitoral. Governadores de 11 Estados chegam ao último ano de mandato com ações na Justiça que não serão julgadas em 2014. A princípio, os casos seriam julgados no TSE, mas voltaram aos TREs.

Saldo 2013
Média positiva. 33%
Média negativa. 29%
Saldo.
Omar Aziz-AM: 67
Tião Viana-AC: 48
Eduardo Campos-PE: 45
André Puccinelli-MT: 38
Renato Casagrande-ES: 33
Antonio Anastasia-MG: 32
Beto Richa-PR: 31
Cid Gomes- CE: 18
Raimundo Colombo-SC: 17
Tarso Genro-RS: 15
Ricardo Coutinho-PB: 12
Wilson Martins-PI: 9
Geraldo Alckmin-SP: 6
Marconi Perilo-GO: 1
Confúcio Moura-RO: 0
Jaques Wagner-BA: 0
Jackson Barreto-SE: -2
Roseana Sarney-MA: -5
Silval Barbosa-MT: -8
José Anchieta-RR: -10
Teotônio Vilela-AL: -18
Siqueira Campos-TO: -18
Simão Jatene-PA: -18
Sérgio Cabral-RJ: -29
Camilo Capiberibe-AP: -37
Agnelo Queiroz-DF: -53
Rosalba Ciarlini-RN: -67

A sintaxe feminina de Bastos Tigre

O publicitário, bibliotecário, humorista, jornalista, compositor e poeta pernambucano, Manoel Bastos Tigre (1882-1957), sentia-se perturbado com a “Sintaxe Feminina” de sua amada.
SINTAXE FEMININA
Bastos Tigre

Leio: “Meu bem não passa-se um só dia
Que de você não lembre-me”… Ora dá-se!
Mas que terrível idiossincrasia!
Este anjo tem as regras de sintaxe!

Continuo: “Em ti penso noite e dia…
Se como eu amo a ti, você me amasse!
“Não! É demais! Com bruta grosseria
A gramática insulta em plena face!

Respondo: “Sofres? Sofrerei contigo…
Por que razão te ralas e consomes?
Não vês em mim teu dedicado amigo?

Jamais, assim, por teu algoz me tomes!
Tu me colocas mal! Fazes comigo
O mesmo que fizeste com os pronomes!”…

   (Colaboração enviada por Paulo Peres –  site Poemas & Canções)

O que a Suécia tem a nos ensinar sobre sistema penitenciário

Cibelih Hespanhol
(site Outras Palavras)

As recentes notícias sobre o fechamento de quatro prisões suecas reabriram discussões sobre a forma como lidamos com nossos detentos. Isto porque a falta de presos no país nórdico é atribuída principalmente à forma de organização de seu sistema penitenciário, que conta com investimentos na reabilitação dos prisioneiros; adoção de penas mais leves em delitos relacionados a drogas; e revisões judiciais que optam por penas alternativas em alguns casos, como liberdade vigiada. Em situação semelhante, a Holanda já havia anunciado em 2012 a necessidade de fechar oito prisões e demitir mais de mil funcionários – pelo mesmo motivo: suas celas estavam praticamente vazias. O que tem a nos dizer estes países?

Em sentindo inverso, nos Estados Unidos, país com maior população carcerária do mundo, o número de detentos chega a praticamente 2,3 milhões. E a taxa de reincidência é de 60% – ou seja, a cada dez pessoas que saem da prisão, seis voltarão para o crime. O Brasil, que ocupa o quarto lugar no ranking de população carcerária, possui cerca de 500 mil presos, num índice de 274 detentos por 100 mil habitantes. Além disso, o número de detentos é 66% maior do que a capacidade que o sistema brasileiro possui de abrigá-los nas prisões. Em junho do ano passado, a ONU declarou em relatório oficial a necessidade do país “melhorar as condições de suas prisões e enfrentar o problema da superlotação”. Casos de violação dos direitos humanos, torturas físicas e psicológicas são recorrentes em presídios brasileiros: no Rio de Janeiro, um preso é morto a cada dois dias, principalmente de tuberculose e AIDS.

DIFERENÇAS TEÓRICAS

A abismal diferença entre prisões suecas e brasileiras (ou norte americanas) está nas teorias que fundamentam seus sistemas penitenciários. O país da pena de morte é o mesmo que viu sua população carcerária praticamente dobrar desde o início dos anos 90. Já o país que optou por uma política de reinserção social, em que uma agência governamental é encarregada de supervisionar os detentos e oferecer programas de tratamento para aqueles com problemas com drogas, vê agora suas prisões serem fechadas por falta de prisioneiros.

Em entrevista ao The Guardian, Kenneth Gustafsson, governador da prisão de Kumla, a mais segura da Suécia, declara: “Existem pessoas que não querem ou não podem mudar. Mas na minha experiência a maioria dos prisioneiros quer mudar, e nós precisamos fazer o que pudermos para ajuda-los. E não é apenas a prisão que pode reabilitar. Isso é um processo combinado, que envolve a sociedade. Podemos dar educação e treinamento, mas quando essas pessoas deixam as prisões elas precisam de moradia e emprego”.

Em suma, o que a Suécia tem a nos ensinar é a noção contrária do senso comum de que “cadeia boa é cadeia infernal”: optar pela humanização do sistema penitenciário prova-se como a maneira mais eficaz de se verem reduzidos os índices de criminalidade. Ou nas palavras daquele personagem de Dostoievski, de duzentos anos atrás: “E já que [o detento] é de fato um homem, deve ser assim tratado. Um tratamento humano pode até devolver a condição humana mesmo àqueles que se esquivaram…”.

“Temos problemas demais para prescindir das ações do Ministério Público”, diz procurador Carlos Bittencourt

Deu em O Tempo

Um ano à frente do Ministério Público de Minas Gerais, o procurador Carlos André Mariani Bittencourt faz um balanço das conquistas e desafios para 2014. Sem fugir das polêmicas, Bittencourt fala do fim da emenda constitucional 37, que tentava limitar os poderes de investigação do Ministério Público.

Em 2013, caiu a PEC 37, que limitava o poder de investigação do Ministério Público. Como o Sr. analisa essa situação? Com o apoio da sociedade, externado pelos movimentos de junho, alcançamos êxito com a rejeição da proposta. Nosso sistema de investigação criminal jamais deverá ficar a cargo de apenas uma instituição. Temos problemas demais para prescindir das investigações do MP.

O senhor acredita que essas ameaças foram sepultadas no Congresso?

Ainda existem iniciativas no Legislativo federal que buscam restringir em alguma dimensão as atribuições do Ministério Público. São questões que precisam ser enfrentadas a partir de um debate transparente entre os Poderes e as instituições envolvidas para que o cidadão, acima de tudo, não se veja prejudicado por um retrocesso em conquistas alcançadas a partir da atuação do MP.

Para o segundo ano, quais ações o senhor pretende priorizar no Ministério Público?

Estruturar adequadamente os grupos de atuação já mencionados e reforçar as estruturas existentes de defesa do Patrimônio Público e demais áreas que envolvam direitos fundamentais e o exercício da cidadania. Também é preciso dar atenção especial ao Fórum de Resultados para a Sociedade, buscando harmonizar a instituição dentro de cada área de atuação e entre elas e criar, respeitando a independência de cada promotoria.

O problema histórico do déficit de promotores no interior, o que acaba gerando um acúmulo de trabalho nos ativos, como está sendo atacado?

Essa questão está sendo resolvida gradualmente, com a realização de concursos anuais de ingresso e a designação dos aprovados para aquelas promotorias que não contavam com promotor de Justiça. No ano passado, houve o ingresso de 34 novos promotores, o que possibilitou o preenchimento de vagas em comarcas desprovidas e a movimentação de carreira para membros do Ministério Público de Minas. Prioritariamente, as designações são para promotorias que apresentam maior volume de serviço ou de regiões mais carentes. Temos permanente preocupação com as comarcas do Norte de Minas e do Jequitinhonha. Acredito que com mais dois ou três concursos atingiremos um nível de presença no Estado bastante satisfatório.

Mais um escândalo na Justiça: no Amazonas, maioria dos presos ainda não foi a julgamento

Letícia Fernandes
O Globo

Além da superlotação e do alto número de rebeliões nos presídios — só em 2013, foram quatro, com a fuga de 176 presos —, o problema mais flagrante no Amazonas é a ausência de juízes e defensores públicos no interior. Essa carência contribui para o índice considerado mais alarmante pelo Mutirão Carcerário realizado pelo Conselho Nacional de Justiça no ano passado: os processos de presos provisórios (ainda não julgados) correspondem a 78%, um dos maiores índices do país. Dentro da massa carcerária do estado, de 8.870 detentos (para 3.811 vagas disponíveis), o número de presos provisórios chega a 5.418.

O relatório alerta ainda para a infraestrutura precária da Vara de Execução Penal de Manaus, onde tramitam 9.434 processos, mas há só seis funcionários para movimentá-los.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-AM, Epitácio Almeida diz que a falta de triagem, que separa presos por tipo de crime e pena, agrava a situação:

— Um cara que furtou um celular está ao lado do homicida, isso gera violência. Vivemos as agruras de um sistema falido, que não reeduca. É um barril de pólvora, Manaus é a sexta capital mais violenta do país, ultrapassamos Rio e São Paulo.

Vice-coordenadora nacional da Pastoral Carcerária, Petra Pfaller diz que o que viu no interior do estado é o retrato do que acontece em todo o Brasil:

— Especialmente no interior, a maioria das cidades só tem delegacias superlotadas que estão virando presídios, sem condições mínimas de higiene.

Erundina diz que sistema político está exaurido

Marina Silva
Folha

A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) diz que não existe ‘coerência política’ nas alianças regionais que seu partido tem fechado para fortalecer a pré-candidatura do governador Eduardo Campos à Presidência.

Na semana passada, o PSDB de Pernambuco aderiu ao governo de Campos. Erundina critica a natureza das decisões e afirma que elas não passaram pela Executiva Nacional do PSB. Apesar das ressalvas, ela diz que Campos ‘tem o desejo de fazer as coisas de maneira diferente’.

Em que medida a entrada do PSDB no governo de Eduardo Campos altera o acordo entre PSB e Rede?

Cada caso é fruto do sistema político exaurido, esgotado em responder às demandas da sociedade. Mantemos regras, normas e sistemas partidários e eleitorais defasados, sem identidade, e isso explica esse caos que existe nas políticas de alianças locais. A certeza que tenho é que não há coerência política a ponto de se conseguir dar unidade a alianças que podem ser reproduzidas no resto do país.

PSDB e PSB acordaram possíveis alianças em Pernambuco, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Sul e São Paulo. Qual é o limite para esses acordos acontecerem?

Isso já está dado. O processo já andou tanto, as conversas já se deram com tanta frequência e não passaram pelas direções partidárias. Marina Silva insiste em encaminhar as coisas de outra forma, mas é uma tentativa muito recente. A junção entre PSB e Rede é salutar, é a construção coletiva de um processo novo e vamos acumular para, se não for nessa eleição, introduzir algo novo num futuro que espero ser próximo.

O presidente estadual do PSB-SP, Márcio França, articula há meses um acordo para ser vice na chapa de Geraldo Alckmin. Mas interlocutores dizem que Marina e Campos conversaram e que essa possibilidade agora ‘tende a zero’.

A partir da aliança PSB-Rede esse quadro se encontra mais complicado.

É mais importante o PSB ter um candidato próprio ou se aliar ao PSDB de Alckmin?

Defendo candidatura própria junto com a Rede para construir uma nova força política e quebrar a polarização PT-PSDB, que é artificial, já que os dois partidos têm muita identidade do ponto de vista de alianças e propostas políticas. Precisamos introduzir novos elementos para renovar a política brasileira. Essa história de palanque duplo, palanque triplo, é um absurdo, é contribuir para esse quadro político caótico.

Pena de morte à brasileira

Murilo Rocha

O sistema prisional brasileiro já adota há muito tempo a pena de morte. Todos os anos dezenas de detentos são executados em penitenciárias administradas pela União ou pelos governos estaduais. O retrato mais recente e evidente dessa barbárie é o complexo prisional de Pedrinhas, no Maranhão. Só em 2013, 60 presidiários foram mortos na unidade em rebeliões ou brigas entre facções criminosas.

As mortes violentas e a falta de poder dos governos para controlar esses locais – e torná-los centros de ressocialização – não são novidade no Brasil, mas, quase sempre, são ignoradas. Dessa vez, porém, foi impossível esconder essa realidade cruel ocorrida sob a tutela do poder público.

As cenas filmadas e divulgadas de presos decapitados e esfaqueados dentro do presídio de Pedrinhas são chocantes. Evidenciam um local destituído de qualquer humanidade, um amontoado de pessoas em condições miseráveis vivendo em um mundo paralelo, com leis próprias.

O pedido do Comissariado de Direitos Humanos da ONU para uma investigação “imediata e imparcial” soa como mera formalidade. Os presídios brasileiros transformaram-se em espécies de território do crime organizado, onde a polícia e qualquer outro braço do Estado não têm força (ou vontade) para intervir.

REINO DO CRIME

Como será possível investigar as mortes dentro da penitenciária, se não consegue-se evitar os crimes ordenados por detentos, mas realizados nas ruas – vide ônibus incendiados, postos policiais metralhados e assassinatos encomendados.

A crise no Maranhão é uma repetição de fatos já ocorridos em outros Estados do país, como em São Paulo, onde por determinação de presidiários policiais foram executados. São Paulo também foi palco do “Massacre do Carandiru”, quando, em uma ação policial para conter uma rebelião, 111 presos foram mortos.

OMISSÃO

A questão prisional é tratada com omissão pelo poder público porque também encontra respaldo em uma certa conivência da sociedade com o tratamento dado aos encarcerados. Acuada pela violência crescente, boa parte da população reage de forma simplista ao problema e não se incomoda tanto com essa crise interminável do sistema carcerário. Afinal de contas, “ali não tem santo”.

Diante dessa lógica de aceitar a existência de um mundo cruel, sem leis nem dignidade dentro das penitenciárias brasileiras seria melhor introduzir de forma oficial a pena de morte.

É desumano ser conivente com essa matança, com práticas bárbaras, como se fosse um problema distante ou sem solução. Os cerca de R$ 1 milhão a serem gastos pela governadora Roseana Sarney com lagosta, camarão, sorvete e salmão para abastecer sua residência oficial não resolveriam a mazela do complexo de Pedrinhas, mas teriam um emprego mais digno. (transcrito de O Tempo)

Dados da Justiça Eleitoral ajudam a quebrar mitos da política nacional

Lucas de Abreu Maia e Rodrigo Burgarelli
O Estado de S.Paulo

Quando olhados em conjunto, os registros de filiação partidária no Brasil parecem quebrar alguns velhos mitos sobre o funcionamento da política brasileira. Talvez o principal deles seja o da “política de gabinete”, termo usado para descrever conchavos políticos feitos por chefes partidários que, em tese, teriam o poder de determinar o resultado de uma eleição ou a montagem de um governo, por exemplo.

É claro que as articulações na cúpula do poder contam bastante para definir candidaturas e apoio político nas eleições estaduais e nacionais, assim como nos maiores municípios. Mas os dados mostram que, nas pequenas cidades, que é onde está o grosso dos cargos eletivos brasileiros, a mobilização popular antes do pleito para engrossar as filiações tem peso considerável no sucesso eleitoral dos partidos.

Essa mesma lógica derruba a ideia comum de que a atividade política no Brasil se concentra nas cidades grandes, onde vive população de maior renda e maior escolaridade. Os registros do TSE mostram justamente o contrário: a média de filiados por eleitor em um município com menos de 5 mil habitantes é quase três vezes maior do que a de uma grande cidade com mais de 200 mil pessoas.

ELEIÇÕES MUNICIPAIS

A importância desse fenômeno é óbvia: mais filiações significam maiores chances de eleger prefeitos, ou seja, mais apoio nas eleições para o Congresso nos anos seguintes. Isso, por sua vez, influencia no tempo de TV das próximas eleições e, eventualmente, pode culminar em maiores chances de se ganhar uma corrida presidencial.

Por último, há o mito de que brasileiro não quer saber de política. Na verdade, a taxa de filiação partidária no Brasil – ou seja, de pessoas que realmente gastaram seu tempo indo até o diretório de um partido, preenchendo a ficha de filiação e se registrando na Justiça Eleitoral – é maior do que todos os países europeus, com exceção da Áustria e do Chipre.

A média brasileira, como aponta o professor da Unicamp Bruno Speck, é de um filiado a cada dez eleitores, o dobro da registrada na Espanha e o triplo da alemã, por exemplo. Participação e engajamento político significam muito mais do que apenas filiação, mas esses números podem apontar que o senso comum sobre a relação do brasileiro com a política talvez seja um pouco diferente da realidade.