Conseguiram o cadáver

Altamir Tojal
(Esse Mundo Possível)

Estavam querendo um cadáver e apostavam que seria de um manifestante morto pela polícia. Não deu certo para eles. A tragédia alcançou o cinegrafista Santiago Andrade. Vamos ver o que dizem os mentores do ódio à imprensa crítica e das hostilidades a jornalistas. Os mesmos que pastoream os black blocs, os excitam, glamorizam e protegem.

Essa cultura do ódio vem sendo fomentada há anos em crianças e jovens por professores militantes, vem sendo difundida na sociedade por ideólogos da violência como estratégia sagrada da revolução salvadora, vem sendo espalhada por governantes corruptos e por políticos oportunistas que instrumentalizam a democracia para chegar ao poder e depois a desmoralizam e a combatem para eternizarem suas posições.

Cabe tudo na grife Black Bloc, desde os desmiolados turbinados pelos intelectuais sem cérebro até os mercenários contratados por partidos e delinquentes pequenos e grandes que querem tirar vantagem da confusão. Conseguiram acabar com as manifestações pacíficas, expulsaram o povo da rua e agora têm um cinegrafista morto.

É preciso responsabilizar autores, patrocinadores e mentores desta ação. É preciso investigar de forma competente e republicana. Se a polícia e a justiça funcionarem como devem, vão acabar descobrindo e punindo os culpados. Estamos acompanhado o Mensalão e sabemos que é possível. Tem de cobrar.

Também é preciso cobrar as instituições da sociedade que por omissão e mesmo apoio à violência são cúmplices de tudo isso. O Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, ao qual sou filiado desde 1971, tergiversou durante meses. Esperaram uma morte para se pronunciar com uma nota mais de contundente.

Outra nota do sindicato, de janeiro, apontava uma situação gravíssima, mas sequer questionava os agressores: “mais um episódio em que um repórter foi impedido de exercer o seu trabalho na cobertura de uma manifestação. Dessa vez, segundo relatos de testemunhas, o profissional, a serviço da Globonews, trabalharia sem identificação e teria sido reconhecido e apontado por midiativistas, que teriam estimulado a sua expulsão de um ato em frente ao Shopping Leblon, neste domingo (19/1)”. A gente pode imaginar o constrangimento desse jornalista, certamente muito jovem.

CAÇANDO JORNALISTAS

Aquela nota do sindicato foi burocrática, protocolar. Que ação o sindicato tomou na ocasião para exigir das autoridades a identificação dos tais “midiativistas”? Essa palavrinha “midiativistas” no texto é eufemismo para esconder quem? Que tipo de gente caça jornalistas trabalhando, “reconhece”, “aponta” e “estimula” a sua expulsão?

Por que o sindicato não convocou uma reunião democrática da classe para discutir a situação? Uma reunião em horário e local que jornalistas possam comparecer em grande número? Participei de algumas, em momentos críticos, com centenas de colegas. Em uma delas, no antigo Teatro Casa Grande, acho que éramos mais de mil.

Por que o sindicato não promove uma manifestação pública, na rua? Imagino que o pessoal do sindicato sabe que liberdade de imprensa não é só direito de jornalista; é direito do cidadão.

Tim Lopes tinha de trabalhar sem identificação. Outros tantos colegas têm de trabalhar assim em áreas e situações de alto risco. Por que a nota do sindicato não perguntou o que obriga um jornalista a ter de ir sem identificação para cobrir um rolezinho no Leblon?

A estratégia de impor a violência para colonizar a rua e expulsar o povo é um sucesso. Quantas manifestações pacíficas estão sendo abortadas pelo medo da violência? Quem ganha com isso? Imagino que o repórter que vai cobrir as manifestações também está contagiado pelo medo. Isso é uma ferida na alma do cidadão e do jornalista. Um está sendo atingido no direito de se manifestar. O outro está sendo aterrorizado no dia a dia do trabalho.

Não tenho dúvidas de que a sociedade vai dar a resposta necessária a esta violência, aos abusos dos governos, aos impostos exorbitantes, à corrupção, aos serviços públicos péssimos, aos aumentos de preços e às ameaças às liberdades e à democracia. Vai chegar a hora que vamos voltar para a rua com ou sem Black Bloc. E vamos fazer valer o nosso voto.

Recomeça no Supremo a briga entre Barbosa e Lewandowski

Carlos Newton

Começou tudo de novo. De um lado do ringue, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que condenou os mensaleiros. Do outro lado, o vice-presidente Ricardo Lewandowski, que fez o possível e o impossível para evitar a condenação dos envolvidos no esquema de suborno de parlamentares.

Em sua primeira intervenção desde o recesso do Judiciário, Barbosa revogou de forma monocrática duas decisões tomadas pelo vice-presidente, ministro Ricardo Lewandowski, enquanto presidia a corte interinamente.

Na decisão, Barbosa disse “reconsiderar” os casos, que suspendiam a proibição de reajustes do IPTU nas cidades de Caçador (SC) e São José do Rio Preto (SP). A decisão de Barbosa foi similar à tomada no caso da capital paulista, em ação movida pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e pelo PSDB.

É claro que atitude de Barbosa vai aumentar ainda mais o desentendimento com Lewandowski, que começou durante as sessões ao vivo do julgamento do mensalão (Ação Penal 470), quando trocaram duras acusações.

Sinais de fumaça no quarto da empregada!

Eduardo Aquino

O mundo está ardendo , prestes a explodir, num momento histórico grave como nunca se viu!

Para onde se olhe, em qualquer parte do mundo, o tecido social se degrada numa velocidade espantosa. A Ucrânia está em revolta civil onde a parte europeia se insurgiu contra a de origem russa. Na Indonésia, há meses a população acampada enfrenta e ocupa ministérios. Na França, em crise, os neonazista, a direita xenofóbica, quer expulsar todos os não franceses ou franceses de segunda linha (negros, asiáticos, latinos, árabes que lá nasceram, mas são discriminados). Os poderosos Estados Unidos nunca tiveram tantos pobres nem tanta diferença entre os mais ricos e os que vivem abaixo da linha de pobreza.

A Europa, falida e com levas de desocupados, quer impedir a entrada de búlgaros e romenos que acabam de conseguir seu passaporte da União Europeia.

China, Índia, África do Sul, Venezuela, Argentina, Russia e antigos emergentes penam com distúrbios raciais e castas, além de violência e crise financeira. Os novos ricos são os corruptos de políticas de privilégio(imagina-se que os altos membros do Partido Comunista chinês têm em paraísos fiscais cerca de US$ 3 trilhões a US$ 4 trilhões!!!

OS RICAÇOS

Recente artigo mostra que as 50 maiores fortunas do mundo têm mais recursos que 1/3 da população miserável, excluída da tal globalização, do mundo tecnológico, de condições mínimas de educação, saúde, moradia e comida. Estamos nos aproximando de ter duas distintas espécies: o homo sapiens e o homo capitalista selvagem e tecnológico. “Há algo de podre no reino da Dinamarca”, como já diria Shakespeare há séculos!

Enquanto isso, olhamos o próprio umbigo, indiferentes, egocêntricos e vaidosos. Mas a população de renda mais baixa, e até a classe média, se espreme feito sardinha em lata em metrôs, trens, ônibus, que tornam o ir e vir um exercício de selvageria. Idosas, grávidas, crianças são atropelados nas entradas e saídas dos meios de transporte deploráveis, que nossos prefeitos, governadores, presidentes, políticos em geral nem imaginam, pois seus helicópteros, carros com ar, aviões os isolam do povão.

Meu Deus, e pensar que sou da época que cedíamos lugar aos idosos, mulheres e grávidas. Estamos perdendo o humanismo, a empatia, a solidariedade, o respeito mínimo. Torcidas do mesmo time viram as costas para o campo e selvagemente se agridem. Torcedores invadem seus clubes para roubar, ameaçar e agredir seu craque que há pouco tempo deu-lhes um título mundial.

AMAR E ODIAR

Ama-se de forma idolátrica, histérica, imatura na mesma proporção que se odeia a ponto de ferir e matar. O certo é que a atmosfera está pesada, respira-se angústia, transpira-se revolta. A violência generalizada é agora vizinha de ricos, medianos e pobres. Estamos em prisão domiciliar, andamos de vidro fechado e cada moto, carro no sinal pode ser um assaltante prestes a dar um bote.

A revolta faz surgir grupos de “justiceiros” que prendem pivetes no poste e uma samaritana o socorre, e é ameaçada. Linchamentos pipocam em todo lugar. Notícias de roubos, balas perdidas, mortes violentas nem incomodam mais.

A corrupção generalizada, seja pelo PT, PMDB, PSDB, DEM e essa sopa de letrinhas que dá náusea e faz vomitar, se torna guerra de redes sociais, onde petistas radicais e os anti tentam radicalizando justificar o injustificável. Radicalismo é em si uma doença grave onde a pessoa é cega de um olho, surda de um ouvido, manca de uma perna. Radicais são imaturos, ignorantes, parciais e pueris. Seja os infiltrados “ black blocs”, que vão desde anarquistas universitários sem noção do certo e errado, sejam adolescentes que adoram ver o pau quebrar ou marginais.

Egoístas e narcisistas, que se escondem covardemente, e que expulsaram um dos movimentos cívicos e espontâneos mais bonito dos últimos tempos em junho de 2013.

Há carência de líderes, ideias, falta de espírito comunitário. Futurólogos preveem guerra tribal, pestes violentas, rebeliões nos próximos 20, 30 anos. Ou não… Quem sabe um milagre, uma invenção altruísta, um novo modelo político, ou até um sofrimento universal que nos reapresente à fraternidade, respeito, compreensão, fé na vida. Afinal, é bom lembrar aos poderosos, ricos, vaidosos que, quando o quarto da empregada pega fogo, toda a mansão vira cinzas! (transcrito de O Tempo)

Tatuador ficará preso por 30 dias

Cristina Indio do Brasil
Agência Brasil 

O plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou, no fim da noite dessa segunda-feira (10), a prisão temporária, com prazo de 30 dias, do suspeito de disparar o rojão que provocou a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Ilídio Andrade, atingido na cabeça. A decisão do Judiciário foi tomada para favorecer o trabalho da autoridade policial no levantamento de provas da participação dele no crime.

“Há evidente necessidade de se resguardar a instrução, a fim de que as demais provas sejam colhidas pela autoridade policial, garantindo-se, ao final, a instrução da causa, que é de grande repercussão e que merece integral apuração, dada a lesividade social que os eventos violentos havidos nas recentes manifestações nesta cidade não mais se repitam”, diz o parecer da Justiça do Rio.

A assessoria da Polícia Civil informou que os trabalhos de investigação para apurar a morte do cinegrafista vêm se desenvolvendo “incansavelmente”.

O tatuador Fábio Raposo, que admitiu ter passado o rojão ao homem que acendeu o artefato, foi preso domingo na casa da mãe, no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio. Ele foi indiciado por tentativa de homicídio e crime de explosão, mas com a morte do cinegrafista, a acusação passa a ser homicídio. O outro homem, que teve a prisão temporária expedida pelo plantão Judiciário na noite de ontem, já tinha sido identificado pela Polícia Civil depois do advogado de Fábio, Jonas Tadeu, ter dado informações ao delegado Maurício Luciano, responsável pelas investigações.

Morte do cinegrafista é homicídio doloso, pela teoria do dolo eventual

Fotógrafos e cinegrafistas fazem ato no local onde Santiago Andrade foi atingido na quinta-feira, durante protesto na região da Central do Brasil Foto: Pedro Kirilos / Agência O Globo

Oigres Martinelli Baleeiro

Peço vênia aos que defendem que a morte do cinegrafista Santiago Andrade teria sido homicídio culposo (não intencional), para deles, respeitosamente, discordar frontalmente.

Esqueceram-se (ou não sabem) que assumir o risco de uma conduta irresponsável é considerado prática dolosa do evento criminoso. É o chamado dolo eventual.

A característica (caricatural) é quando o indivíduo (que tem consciência do seu ato, não vale para os inimputáveis, é lógico) ouve uma voz, ou deveria ouvi-la, ainda que do seu próprio ego – e principalmente de dentro dele mesmo – que diz: “Rapaz, isso é perigoso…” Mas o diabinho que o habita retruca: “Dane-se, que tiver que se danar, não é problema meu!!!”

No gênero dolo eventual há espécies. Dolo aleatório (em quem pegar, se pagar, pegou) e dolo alternativo (deve atingir um policial, mas se atingir outro, tanto faz!).

Não há como fugir da dolosidade. Quanto ao advogado que defende esses criminosos – não por defendê-los, todos têm direito à defesa, mas da forma descompromissada, surreal, como o faz -, cabem duas palavras: “Há advogados que enobrecem o Direito; e há os que empobrecem a Advocacia.”

Uma desesperada canção de amor, por Vicente Celestino

O cantor (tenor), ator e compositor carioca Antônio Vicente Felipe Celestino (1894-1968) lançou um estilo caracterizado pelo romantismo exacerbado, comovendo e arrebatando um grande público durante a primeira metade do século XX, através do teatro, do rádio, de discos e do cinema nacional.

“Mia Gioconda” é uma belíssima canção que conta a estória de amor entre uma jovem italiana e um pracinha brasileiro, na Itália, durante a participação da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial. A música lançada por Vicente Celestino, em 1946, pela RCA Victor, cantada em português e italiano, é um verdadeiro documento histórico sobre a FEB.
MINHA GIOCONDA
Vicente Celestino

Do dia que nascemos e vivemos para o mundo
Nos falta uma costela que encontramos num segundo.
Às vezes, muito perto desejamos encontrá-la,
No entanto é preciso muito longe ir buscá-la.
Vejamos o destino de um pracinha brasileiro:
Partindo para a Itália transformou-se num guerreiro
E lá muito distante, despontar o amor sentiu
E disse estas palavras a uma jovem quando a viu:

“Italiana,
La mia vita oggi sei tu!
Io te voglio tanto bene,
Partiremo due insieme.
Ti lasciar non posso più.
Italiana,
Voglio a ti piccola bionda,
Ha il viso degli amori,
La tue lapri son due fiori.
Tu sarai mia Gioconda”.

Vencido o inimigo que antes fora varonil,
Recebeu ordem de embarcar para o Brasil.
Dizia a mesma ordem: “Quem casou não poderá
Levar consigo a esposa, a esposa ficará”.
Prometeu então o bravo, ao dar baixa e ser civil:
“Embarcarás amada, para os céus do meu Brasil!”
E, enquanto ela esperava lá no cais napolitano,
Repetia estas palavras no idioma italiano:

“Brasiliano,
La mia vita oggi sei tu!
Io te voglio tanto bene,
Chiedo a Dio que tu venga.
Ti scordar non posso più!
Brasiliano,
Sono ancora tua bionda!
Mio sposo hai lasciato,
Questo cuore abandonato
Che chiamasti di Gioconda.
Di Gioconda!
Di Gioconda!”

            (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Últimas dúvidas da seleção

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Tostão
O Tempo

Felipão e todos os treinadores de seleções que estarão na Copa fazem suas últimas escolhas. Apenas os medíocres e os onipotentes não têm dúvidas. Todos devem ter visto a vitória do Chelsea sobre o Manchester City, por 1 a 0. Pena que Fernandinho, contundido, não atuou. Ele estaria em minha lista de convocados, mesmo se todos da posição estiverem bem, no lugar de Lucas Leiva ou de Hernanes.

Interessante que Mourinho, ao escalar mais um marcador no meio-campo, tirou Oscar, e não Willian. Oscar é titular da seleção. Willian merece também estar no Mundial. Ramires atuou pela direita, marcando e atacando. Se não for titular na Copa, poderá ser o primeiro reserva em mais de uma posição. Ramires foi um dos jogadores que mais evoluíram nos últimos anos. Deixou de ser um armador confuso, que errava muitos passes, sem perder a velocidade para marcar e chegar à frente. Pena que ainda finaliza mal.

David Luiz jogou de volante. Nessa função, prefiro outros jogadores do Chelsea e da seleção. Felipão não deu também nenhum sinal de que poderá escalar três zagueiros, como fez em muitos momentos na Copa de 2002, apesar de ser, às vezes, surpreendente.

Planejar é essencial, mas, em qualquer atividade, muitas decisões intuitivas, repentinas, são as mais brilhantes e eficientes, quando feitas por um bom observador, que não seja refém do que foi ensaiado.

O título da Copa das Confederações não pode ser o único critério para a escolha de titulares e reservas. Esse foi um dos erros de Parreira e Dunga, nas Copas de 2006 e 2010. Muitas coisas mudam. Além disso, se o Brasil tivesse escalado alguns outros jogadores, no ano passado, teria também sucesso. As circunstâncias, dentro e fora de campo, eram favoráveis. Não há nenhuma certeza de que tudo se repetirá no Mundial.

Luís Gustavo atuou bem na Copa das Confederações porque, além de marcar, mostrou que tem um bom passe na saída de bola da defesa. Fred, além de fazer gols, evoluiu, quando passou a se movimentar mais. Os dois estarão bem na Copa?

Há outras possibilidades. Volantes que chegam bem ao ataque, como Ramires e Fernandinho, podem se adaptar muito bem a uma posição mais recuada, sem perderem o talento ofensivo. Meias que entram muito na área e finalizam bem, como Oscar, Neymar e Hulk, também se adaptariam bem a uma função mais à frente. Só não entendo a opção de Robinho para uma eventual ausência de Fred. Robinho não está bem no Milan e finaliza mal.

Os treinadores de todo o mundo gostam de contrariar a preferência da imprensa. Muitas vezes, com razão. Basta um brilhareco para pedir fulano na seleção. Quem influencia Felipão em suas decisões? Murtosa? Parreira? Não parece. Imagino que sejam seus companheiros de infância, reunidos para tomar chimarrão.

AINDA É CEDO

Não existe razão para a torcida do Atlético criticar tanto Paulo Autuori. O Galo está em início de temporada, tem problemas em várias posições, Ronaldinho está ausente, e os jogadores ainda não se adaptaram aos conceitos do novo treinador.

No Cruzeiro, o time é o mesmo, e as substituições têm sido as mesmas, do meio para frente. As únicas novidades são Marcelo Moreno, que é muito parecido com Borges, e o jovem Marlone, que estreou contra o Villa Nova. Ele, certamente, será reserva por um bom tempo. Como Felipão, Marcelo Oliveira tem de ficar atento para mudar o time, se necessário, na hora certa. “Nem tudo será como antes”.

Advogado quer descaracterizar tese de homicídio na morte do cinegrafista

Isabela Vieira
Agência Brasil

O advogado Jonas Tadeu Nunes revelou a tese de defesa do manifestante Fábio Raposo, de 22 anos, investigado pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, de 49 anos. O jornalista foi vítima de um explosivo durante a cobertura de uma manifestação na última semana e teve morte cerebral. Para defender o ativista, o advogado alegará lesão corporal gravíssima seguida de morte para se contrapor à acusação da Polícia Civil de homicídio qualificado.

“Para nós, houve uma lesão corporal gravíssima seguida de morte. Não há homicídio porque não existiu a vontade  livre e consciente de acender isso [o rojão] para atingir o jornalista”, disse Jonas Tadeu. Para ele, Fábio e os demais envolvidos deveriam responder por dolo eventual. “Passar um rojão é bem diferente de uma arma de fogo, que com certeza pode lesionar”.

O advogado espera, com a tese de lesão corporal, reduzir a pena do acusado. “Existe aí a imprudência, a negligência, porque eles poderiam ter acendido e usado aquilo de outra maneira, não estou eximindo eles de culpa ou responsabilidade”, completou o advogado.

O advogado também pediu ao suspeito indicado por Fábio que se entregue à polícia. “A defesa que fazemos aqui será a mesma para essa pessoa. Se ele for inteligente, ele se apresentará e colaborará com a polícia”, declarou. O advogado não chegou a conversar com o segundo suspeito, entrou em contato apenas com o intermediário indicado por Fábio, que se entregou no final de semana.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA tese do advogado é até plausível, porque não havia a intenção de matar e ocorreu a delação voluntária. Mas também deve ser levada em conta a circunstância agravante de que o lançamento de artefato que poderia matar foi feito intencionalmente, não interessa se lançado contra a polícia ou contra outros manifestantes. Uma coisa é você estar dirigindo um carro e atropelar uma pessoa que atravessou a rua fora da faixa de pedestre (homicídio culposo, sem intenção). Outra coisa é você colocar o carro no alto de uma ladeira, soltar o freio e deixar ele descer a rua sem motorista, sabendo que há pessoas passando lá embaixo (crime doloso, mas sem vítima predeterminada). De toda forma, o crime foi grave e deve render alguns anos de cadeia. (C.N.)

Segundo cubano a abandonar Mais Médicos diz que está nos Estados Unidos

Mariana Tokarnia
Agência Brasil 

O médico cubano Ortelio Jaime Guerra é mais um a deixar o Programa Mais Médicos. O médico trabalhava em Pariquera-Açu, no estado de São Paulo, para onde havia sido designado. A prefeitura confirma, mas não detalha a saída do médico. O Ministério da Saúde, por meio da assessoria, diz que está levantando informações sobre o que ocorreu. Nas redes sociais, o médico informa que está nos Estados Unidos.

Ontem (9), Guerra publicou na internet uma mensagem aos “amigos de Pariquera-Açu”. Ele disse que teve que ir embora sem falar com ninguém por questões de segurança. Ele agradece a bondade e o amor dos colegas e promete voltar um dia para visitá-los. O médico diz também que está bem, que considera essa uma atitude necessária, mas que sempre terá orgulho de Cuba, “mi terra y mis raíces [minha terra e minhas raízes]”. Guerra comentou que uma foto, postada no dia 2 deste mês, foi tirada em uma das últimas noites em São Paulo.

Em outro caso de cubano que abandona o programa, a médica Ramona Matos Rodriguez chegou a Brasília no dia 1º, depois de deixar o município paraense de Pacajá, onde prestava serviços. A cubana se disse enganada pelo governo de Cuba e alegou receber US$ 400, valor aquém dos R$ 10 mil recebidos pelos demais participantes do programa.

Além das deserções, o programa apresenta problemas na hora de ofertar alojamento, alimentação e transporte aos profissionais. Pelas regras do Mais Médicos, isso compete aos municípios. Segundo o Ministério da Saúde, todas as prefeituras que não estão cumprindo essas contrapartidas estão sendo notificadas. Elas têm cinco dias para oferecer uma resposta e 15 dias para solucionar os problemas. O município que não cumprir o prazo será descredenciado e os médicos realocados.

Segundo o Ministério da Saúde, 37 prefeituras foram acusadas de irregularidades. Dessas, 27 regularizaram a situação. Uma, no entanto, a de Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte, foi desligada do programa. Além dos dois médicos que abandonaram o programa, 22 cubanos se desligaram regularmente do Mais Médicos e retornaram ao seu país.

A ignorância política do povo é relativa

Juscelino Almeida

Talvez devêssemos aprofundar nossas reflexões a partir da constatação de que os partidos são formados por políticos e estes lá se encontram eleitos por nosso povo, este, sim, responsável pelo que ocorre no país.

Mas dirão que ele é mantido na ignorância propositalmente por aqueles que se banqueteiam no poder e eu direi que, nos tempos atuais, não se pode tê-lo como ignorante dos fatos. Por menos que a imprensa informe – e ela tem lá seus interesses e pecados em jogo – o povo sabe o que acontece no país.

Povão, povo, empresariado, elite, “zelites”, todos sabem. Mas estão todos interessados em zelar primeiramente por seus interesses pessoais, lançando para segundo plano os interesses coletivos.

Petrobras sob ataque especulativo?

Do Correio Braziliense

O ano de 2014 soma apenas cinco semanas. Tempo suficiente para as ações da Petrobras acumularem perdas de quase 20% e atingirem o menor nível desde dezembro de 2008. Não há, porém, um grande fato novo que explique o tamanho do tombo da estatal. O motivo está na intensificação de uma safra de más notícias já conhecidas pelo mercado. O resultado é uma perda de cerca de R$ 40 bilhões em valor de mercado no período.

Entre os analistas, há a avaliação comum de que a fuga de investidores estrangeiros de empresas de países emergentes nas últimas 12 semanas é um dos fatores que mais pesam.

Além disso, a política de não equiparar combustíveis aos custos internacionais, a alta do dólar, o ano de eleições, dúvidas sobre capacidade de investimento e a preocupação do impacto de um eventual reajuste de preços na inflação estão entre os motivos para o mau humor. Na última quarta-feira, também contribuiu para a queda o adiamento da divulgação dos resultados da companhia no quarto trimestre do dia 14 para o dia 25.

O ministro da Fazenda e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Guido Mantega, afirmou serem “absurdas” as especulações no mercado em torno do adiamento da apresentação dos resultados financeiros. “É uma questão meramente técnica, só para que possamos ter mais tempo de preparar os dados para a próxima reunião. É só isso.”

PLANO DE NEGÓCIOS

A perda de valor de mercado da Petrobras é a maior entre as companhias abertas, segundo um levantamento da consultoria Economática.

Passou de R$ 214,6 bilhões em 31 de dezembro para R$ 175,1 bilhões na última terça-feira.

Uma fonte da petroleira informou que o Conselho de Administração da empresa pode apreciar, ainda neste mês, o plano de negócios quinquenal dela, para o período 2014/2018.

(matéria enviada por Celso Serra)

O ano de 2014 soma apenas cinco semanas.

Tempo suficiente para as ações da Petrobras acumularem perdas de quase 20% e atingirem o menor nível desde dezembro de 2008. Não há, porém, um grande fato novo que explique o tamanho do tombo da estatal. O motivo está na intensificação de uma safra de más notícias já conhecidas pelo mercado. O resultado é uma perda de cerca de R$ 40 bilhões em valor de mercado no período.

Entre os analistas, há a avaliação comum de que a fuga de investidores estrangeiros de empresas de países emergentes nas últimas 12 semanas é um dos fatores que mais pesam.

Além disso, a política de não equiparar combustíveis aos custos internacionais, a alta do dólar, o ano de eleições, dúvidas sobre capacidade de investimento e a preocupação do impacto de um eventual reajuste de preços na inflação estão entre os motivos para o mau humor. Na última quarta-feira, também contribuiu para a queda o adiamento da divulgação dos resultados da companhia no quarto trimestre do dia 14 para o dia 25.

O ministro da Fazenda e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Guido Mantega, afirmou serem “absurdas” as especulações no mercado em torno do adiamento da apresentação dos resultados financeiros. “É uma questão meramente técnica, só para que possamos ter mais tempo de preparar os dados para a próxima reunião. É só isso.”


Plano de negócios

A perda de valor de mercado da Petrobras é a maior entre as companhias abertas, segundo um levantamento da consultoria Economática.

Passou de R$ 214,6 bilhões em 31 de dezembro para R$ 175,1 bilhões na última terça-feira.

Uma fonte da petroleira informou que o Conselho de Administração da empresa pode apreciar, ainda neste mês, o plano de negócios quinquenal dela, p

Lembrem-se de que as multinacionais só geram tecnologia em seus países de origem

Flávio José Bortolotto

Mesmo sabendo pouco, uma coisa posso afirmar: empresa multinacional nunca gera tecnologia fora de seu país de origem. É por isso que temos que fazer todos os esforços para desenvolver uma economia autóctone, geradora de crescente tecnologia nacional, que é motor de uma política desenvolvimentista de capitalização crescente e de alto padrão de vida.

Em termos econômicos, por exemplo, eu preferiria me comunicar via pombos-correios, com tecnologia nacional, do que usando os mais modernos equipamentos de multinacionais.

Partindo dos pombos-correios e acreditando na competência nacional, não tenho dúvidas que, no futuro, fabricaremos semicondutores (chips) de última geração e muito mais. Mas dependendo das multinacionais, ficaremos eternamente na dependência da tecnologia delas.

É por isso que achei acertada a decisão do governo de comprar e desenvolver, via subsidiária da Embraes, os caças Gripen NG da Saab sueca. Além dele, que é uma plataforma de tiro, os avionics (computadores-programas), e o mais importante de tudo, os mísseis ar-ar, ar-terra. A chamada indústria de defesa é altamente geradora de tecnologia.

A ideologia que nos oprime

Percival Puggina

Volta e meia ouço que as ideologias acabaram. Ensinam-me que esquerda, direita e seus arredores perderam prazo de validade. Vai atrás! Chega a ser engraçado porque não abro jornal, não ouço rádio nem assisto tevê sem que as ideologias fluam aos borbotões das palavras e das imagens. Elas estão entre as mais imediatas causas das notícias. A ideologia que rege a banda nacional, por exemplo, está desintegrando a sociedade. Será preciso mais, para que o reconheçamos?

Rouba-se tudo de todos. O carrinho do bebê e, não raro, também o bebê. A pensão da velhinha e o guarda-chuva do velhinho. Rouba-se tudo de todos. O país virou um covil onde ladrões espantam turistas e apavoram os nativos. Por quê? Porque nossos governantes, legisladores e muitos magistrados consideram de “baixa lesividade” os crimes contra o patrimônio (alheio, claro). Nem por roubo à mão armada alguém vai para regime fechado. Se condenado, o assaltante ruma para o semiaberto, onde não tem vaga. E daí para casa e para as ruas.

É por isso que um desmanche de automóveis pode ser fechado quatro vezes. E continuar operando. E é por isso que os vândalos promovem trottoirs em Porto Alegre, quebrando o que encontram pela frente, enquanto a Brigada Militar a tudo assiste zelando pelo bem estar e segurança dos facínoras. Bem sei o quanto essa determinação superior contradiz o ânimo e os princípios que norteiam a formação dos membros da corporação.

DIREITO À PROPRIEDADE

O zelo pelo patrimônio privado ocupa o último lugar entre as preocupações das autoridades nacionais. Tendo o direito à propriedade deixado de ser significativo, por motivos doutrinários, filosóficos e ideológicos, tais crimes sumiram do catálogo das condutas coibidas. De tanto repetir que pedra é pau, furto e roubo se converteram em atos de justiça distributiva. “Encostaram-lhe uma arma no peito? Depenaram seu apê? Vá catar coquinho. Cada um com seus problemas.”

De nada vale mostrar o quanto é malévola e incoerente essa ideologia de twitter, essa filosofia de quarto de página. Afinal, se o ladrão rouba por necessidade e não por adesão livre e racional ao crime, como explicar o vertiginoso aumento da criminalidade num período de expansão do emprego e da renda das pessoas? Temos, aqui, duas fatuidades: a ideologia que inspira o governo e sua política social. O crime avança – sei que a nada serve repeti-lo – porque é um negócio de alta renda e baixo risco.

Há muitos anos ouvi de alguém com influência na formulação das concepções a que estamos atrelados que nossos códigos protegiam mais os bens do que as pessoas. Foi como subir instantaneamente numa escada e espichar os olhos na direção do horizonte. Estava visto aonde aquilo iria nos levar. Hoje, o ladrão toma-te os bens na boa, mas se o ofenderes com palavras interditas, “preconceituosas”, raios e trovões cairão sobre tua cabeça.

Ante a inércia, aumentou significativamente o furto e, mais ainda, o roubo à mão armada, não raro com execução das vítimas. A desatenção aos crimes contra o patrimônio acabou com a segurança das pessoas cuja proteção se pretendeu priorizar – quem não vê? Ou será preciso desenhar? Não se constroem presídios e os existentes, superlotados, regurgitam as populações carcerárias de volta às ruas. Por fim, diante desse quadro macabro, nossos governantes fazem quanto podem para desarmar a população. E proclamam, com candura, que não há ideologia alguma nisso.

Polícia já tem o nome do outro rapaz, que teria atirado o rojão

De O Globo

O advogado do tatuador Fabio Raposo, Jonas Tadeu Nunes, entregou ao delegado titular da 17ª DP (São Cristóvão), Maurício Luciano de Almeida, o nome do homem que teria acendido o rojão que atingiu o cinegrafista da Band Santiago Andrade, de 49 anos, que teve morte cerebral na manhã desta segunda-feira. Segundo o advogado, o cliente dele disse que conhecia uma pessoa próxima ao acusado, e essa pessoa teria identificado e dado o nome do homem que aparece nas imagens com camisa cinza e suada. O advogado disse, ainda, que não falou com o acusado, mas que, através de terceiros, ofereceu seus serviços e o aconselhou a se entregar, o que foi negado.

De acordo com informações da polícia, já há equipes em diligências na rua para tentar encontrar o acusado. O advogado Jonas Tadeu Nunes disse ainda, ao deixar a delegacia, que vai tentar durante a defesa de seu cliente que ele seja enquadrado no crime de lesão corporal gravíssima, seguida de morte, e não homicídio, como deve sugerir a polícia.

— Quando eu fiquei sozinho com Fábio, ele me deu a indicação de uma pessoa que iria me dar a identidade do rapaz que acendeu o rojão. Eu já tenho o nome do rapaz e a identificação civil dele, mas só vou entregar para as autoridades — disse o advogado.

Parece piada: só agora a Câmara vai cassar Donadon, deputado preso desde junho

Carolina Gonçalves e Karine Melo
Agência Brasil

Pela primeira vez, deputados federais vão dizer abertamente, em uma sessão da Câmara, se são favoráveis ou contrários à cassação do mandato de um parlamentar condenado pela Justiça. Na próxima quarta-feira (12), eles decidem, sem o escudo do voto secreto, o destino do deputado afastado Natan Donadon (sem partido-RO), condenado pelo desvio de recursos da Assembleia Legislativa de Rondônia, que já teve o parecer pela cassação aprovado em novembro pelo Conselho de Ética.

Será a segunda vez que o mandato de Donadon, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, desde junho de 2013, fica em jogo. Em agosto do ano passado, em uma votação secreta, ficou decidido que Donadon manteria o status parlamentar. O resultado ocorreu por falta de votos suficientes para a cassação (233 a favor e 131 contra). Para que o mandato seja cassado, é necessário maioria absoluta da Câmara, o que significa um mínimo de 257 votos.

MAL-ESTAR

Com a apuração dos votos, um mal-estar tomou conta do plenário, gerando uma reação favorável ao voto aberto, e, na mesma sessão, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, anunciou que não haveria mais votação secreta para decidir sobre o mandato de parlamentares condenados.

Na época, o Congresso ainda não havia aprovado a proposta de emenda à Constituição, conhecida como PEC do Voto Aberto, que alterou a regra definitivamente desde o final do ano passado.

Alves também extinguiu os benefícios de Donadon, suspendendo o pagamento de salário e o direito ao uso do gabinete e do apartamento funcional, e convocou o suplente, Amir Lando (PMDB-RO), para assumir o mandato. Natan Donadon foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 13 anos de prisão por formação de quadrilha e pelo desvio de cerca de R$ 8 milhões da Assembleia Legislativa de Rondônia.

‘Ganho menos que enfermeira’, diz médico cubano

Angela Lacerda e Tiago Décimo
O Estado de S. Paulo

Em cidades do Nordeste atendidas pelo programa Mais Médicos, cubanos também reclamam de promessas não cumpridas. O alto custo de vida surpreendeu os profissionais trazidos da ilha caribenha. Há relatos de médicos que comem de favor e precisam pegar carona para trabalhar.

Andres Manso, que atende em Quipapá, a 180 km do Recife, está decepcionado. “Teve dia de ir comer na casa de amigo”, afirmou, por telefone, reclamando da bolsa de R$ 900. Ele divide a moradia – oferecida pela prefeitura – com mais três médicos. Trabalha muito, mas diz não ver recompensa. “Todos trabalham pela possibilidade de viver melhor e não é isso que acontece, estou vivendo mal”, afirmou.

Manso diz que, “se não produzir muito ou não trabalhar, haverá reclamação, mas ninguém se preocupa se ele tem o que comer”. Apesar das reclamações, garante que não faria como Ramona Matos Rodríguez, de 51 anos, que abandonou seu posto no Pará. “Não descumpriria um acordo”, afirmou o médico.

Arnais Rojas, de 44 anos, três filhos, mora no Recife, onde trabalha em um posto de saúde em Mustardinha, e se sente satisfeito com a gratidão da população. O único aspecto negativo, para ele, é o pouco dinheiro. “Ganho menos do que a enfermeira que trabalha comigo.”

Segundo o profissional, a reclamação por melhor remuneração é geral. “Mas, até agora, não houve resposta de aumento do salário ou de ajuda.” Rojas diz que, além das despesas com alimentação e pessoais, há as imprevistas. Ele e o colega com quem divide moradia tiveram de comprar um ar-condicionado para suportar o forte calor. Ele tem moradia e transporte pagos pela prefeitura do Recife.

CARONA

Acompanhado por duas funcionárias e uma enfermeira do posto de saúde de Cajazeiras, na periferia de Salvador, o médico cubano chega ao local de trabalho, no início da tarde de quinta-feira. Está no carro de uma das funcionárias, voltando de visitas a pacientes. A carona, conta ele, foi uma forma encontrada para economizar.

“Ela estava saindo para almoçar e perguntei se não poderia me levar até a casa de um morador, e me pegar na volta”, diz o integrante do Mais Médicos, que pediu para não ser identificado. “Fiz o que precisava e não gastamos.”

Os 34 cubanos que trabalham pelo programa federal em áreas periféricas de Salvador têm adotado diversas estratégias para reduzir os gastos. Praticamente todos, segundo a Secretaria de Saúde do município, vivem em bairros distantes do centro. De acordo com a prefeitura, cubanos recebem R$ 1,6 mil mensais como ajuda de custo, para moradia, transporte e alimentação.

Apesar do desconforto, o médico de Cajazeiras garante que estava preparado para viver no Brasil. “Viemos para trabalhar em comunidades pobres, assim como já fizemos em outros países”, disse ele, que viveu em missões em outros países da América do Sul e da África.

SATISFAÇÃO

Boa parte dos 30 cubanos enviados a Porto Alegre ainda mora em hotéis, mas não reclama da hospedagem, do vale-alimentação, do vale-transporte e das condições de trabalho. O pagamento está em dia. Nem do auxílio de R$ 900 se queixam.

“É uma forma de agradecermos ao nosso país pela nossa formação e é uma forma de ajudar o povo cubano”, afirmou Osmany Matos Reyes, de 41 anos, que tem mulher e dois filhos em Holguín, em Cuba, e experiência de seis anos na Venezuela.

Como a Estratégia de Saúde da Família (ESF) prevê visitas domiciliares, os médicos devem se deslocar dos postos às casas dos pacientes. “Não vejo problema em caminhar até a casa de um paciente, estou acostumado”, afirmou o também cubano Otto Arcides Torres Merino, de 39 anos. 

Pizzolato mente ao depor à Polícia italiana

http://fw.atarde.uol.com.br/2014/02/charge_620.jpgDeu no Estadão

Henrique Pizzolato admite que usou a identidade do irmão morto há mais de 30 anos porque temia ser identificado pelas autoridades e enviado de volta ao Brasil e, num apelo dramático, insistiu à Justiça italiana que “não tinha mais para onde ir”.

As informações fazem parte do depoimento de Pizzolato diante dos juízes do Tribunal de Bolonha, obtido com exclusividade pela Agência Estado. As declarações são as primeiras feitas pelo ex-diretor do Banco do Brasil desde que foi condenado no Brasil.

A sessão ocorreu a portas fechadas na última sexta-feira (7), e a ata da audiência é reservada às partes. Mas ele deu à Justiça italiana uma versão diferente da apuração e das investigações feitas pela Polícia Federal no Brasil. Segundo ele, seus documentos originais foram roubados na Espanha, às vésperas de viajar para a Itália.

O brasileiro estava foragido da Justiça desde novembro, quando o Supremo Tribunal Federal ordenou sua prisão por 12 anos e sete meses pelo envolvimento no caso do mensalão. Como diretor do Banco do Brasil, ele teria sido responsável pelo desvio de R$ 75 milhões, segundo a Corte.

Segundo Pizzolato, o uso dos documentos falsos apenas ocorreu a partir do momento em que ele estava na Espanha, onde supostamente foi furtado. Mas a Polícia Federal comprovou que Pizzolato já embarcou em Buenos Aires em direção à Espanha com o documento de seu irmão morto, Celso. Ele até mesmo votou em nome do irmão em eleições no Brasil.

Sua versão é diferente. “Sofri o furto de meu documento de identidade na Espanha na noite que eu estava saindo para a Itália”, justificou. Mas admitiu: “Ao chegar na Itália dei os dados de meu irmão por meu medo que o estado brasileiro me buscasse por minha condenação”.

Senado compra passagens aéreas com preço quintuplicado. “Isso aqui é uma farra”, diz Requião

Maria Lima
O Globo

BRASÍLIA — O Senado vem pagando por passagens aéreas para senadores e servidores em viagens internacionais preços que equivalem a até cinco vezes os encontrados nos sites das próprias empresas. Irritados com os valores exorbitantes, alguns senadores já reclamaram providências da direção do Senado em discursos no plenário, e outros se negam a aceitar os bilhetes apresentados por agências contratadas pela Casa, comprando diretamente nas companhias aéreas.

Como integrante da Comissão de Ciência e Tecnologia, em outubro passado, o senador Walter Pinheiro (PT-BA) participaria de reunião com a Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro, em Miami. Segundo Pinheiro, os valores das passagens em classe executiva encaminhadas pela agência Voetur Turismo e Representações Ltda. — contratada pelo Senado em agosto de 2013 com dispensa de licitação — variaram, desde as primeiras solicitações, de R$ 14 mil a até R$ 20,8 mil.

Espantado com os valores, mesmo com a multa de uma remarcação de data, ele considerou o preço inaceitável. Pesquisou no site da companhia aérea, no mesmo dia, e comprou com seu cartão de crédito uma passagem, em classe econômica, por R$ 4.272,78.

— O setor responsável mandou ofício justificando o preço final em função da remarcação do bilhete, o que não foi aceito — explicou Pinheiro, que, a partir de então, optou por adquirir pessoalmente suas passagens, pedindo posterior ressarcimento.

SEPARANDO AS CONTAS

Para minimizar o problema, Pinheiro obteve do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), promessa de votar logo projeto de sua autoria que cria conta bancária exclusiva, com registro próprio no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) por gabinete, para melhor administrar e separar pessoa física da pessoa política, que passaria a ter atuação jurídica.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) é outro que não se conforma com os preços cobrados e pagos pelo Senado pelas passagens aéreas, classificados por ele como “absurdos”. Ele disse que já fez pelo menos três discursos cobrando providências. Lembra de uma viagem oficial que fez para o México, por uma agência que antecedeu a Voetur:

— A passagem que o Senado me forneceu, na classe executiva, custava R$ 17 mil. Minha mulher comprou no site da empresa, na última hora, para ir sentada ao meu lado, e pagou cerca de R$ 4 mil. Isso aqui é uma farra!

Em outubro de 2013, o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) também teve um contratempo com a Voetur, em viagem para visitar obras da Copa em Natal, com o roteiro Brasília-Natal-Aracaju. Como teve de remarcar o trecho Natal-Aracaju, o bilhete original emitido pela Voetur foi de R$ 1.167,43 para R$ 3.240.56:

— A agência respondeu que não ia baixar o preço! Paguei do meu bolso o mais barato, pedi ressarcimento, e depois mandei ofício ao Renan reclamando.