Haja imaginação para a pilantropia!

Sandra Starling

Acompanhando o noticiário político, fica até parecendo que 2014 é um ano eleitoral atípico. Atípica, diria eu, é a facilidade com que partidos e candidatos assumem em público o que já praticavam havia muito por debaixo dos panos. E o preço que cobram (ou pagam) por isso: míseros ou substanciosos tempos de campanha no rádio e, sobretudo, na TV; ministérios e diretorias de estatais antecipadamente prometidos; derrama de recursos para a feitura de material de propaganda; promessas de milagres na educação, saúde, mobilidade urbana, com números fantásticos para agradar ao eleitorado – (quase sempre) carente de tudo.

Aos olhos dos inexperientes, o que não aparecem são os carguinhos mequetrefes que os grandes chefes desse verdadeiro cangaço cobram pelo apoio a esse ou aquele candidato: são lugares de meras “batedeiras de cheques” – como foi lembrado da excelsa tribuna do Supremo Tribunal Federal por um ilustre advogado, defendendo sua constituinte no mensalão petista – ou o cargo de elaboradores de editais de licitação, que embolsam, eles próprios, miseráveis quantias (os “petequeiros”, como os denominou Roberto Jefferson) para colocar nesses editais certos requisitos capazes de dar aos beneficiados verdadeiras fortunas… Isso só é visível pelos que militam na máquina pública e dela saem envoltos em escândalos, e voltam como deputados eleitos, membros de órgãos de cúpula, gente graúda, enfim. Tudo nos conformes.

MINA DE OURO

Tomei conhecimento de parte dessa malandragem quando fui eleita deputada estadual em 1986/1987. Um prócer do antigo PDS lera cuidadosamente o primeiro estatuto do antigo PT e lá, segundo ele, descobrira a mina de ouro para se ver livre dos pedidos sem conta que recebia do eleitorado.

Naquela época, o PT se orgulhava de organizar-se em “núcleos de base”, pequenos agrupamentos de militantes de uma mesma categoria ou de um mesmo local de moradia. Cada núcleo escolhia um coordenador e um tesoureiro. Àquele cabia convocar reuniões, zelar pela ordem dos trabalhos, determinar tarefas.

O tesoureiro deveria recolher a contribuição de cada militante, sempre um percentual proporcional ao nível de renda e que todos deviam ao partido, com a exceção (comprovada) dos que estavam desempregados.

“TESOUREIRO”

Pois bem, o deputado, de 400 costados de famosa família mineira, adotou os núcleos e a eles repassava o que conseguia em emendas orçamentárias e outros penduricalhos agregados ao contracheque. Como não era ele o responsável por destinar a grana, mas o “tesoureiro”, via-se livre de qualquer queixa dos não agraciados.

Macetes como esses vão sendo sempre aperfeiçoados. Recentemente, na Câmara dos Deputados, em Brasília, descobriu-se outra maracutaia. Promove-se o servidor não concursado para um salário muito maior; depois, se faz sua exoneração, e, passados os três meses regulamentares na Casa, ele é recontratado, com o salário anterior – para, com a sobra, se contratar mais um… futuro cabo eleitoral! Haja imaginação para a pilantropia! (transcrito de O Tempo)

 

Dilema de Felipão

Tostão

O Brasil não vai ganhar da Colômbia somente na raça e no Hino Nacional, nem somente na técnica e na tática. A Colômbia possui bons jogadores, como em outras épocas, com a diferença que o time atual é mais disciplinado taticamente, mais seguro. O fato de a Colômbia ser mais técnica e menos aguerrida que o Chile não significa que seja mais fácil. Não dá para fazer esse prognóstico.

Felipão vive um dilema. Se colocar Oscar no meio-campo para preencher o vazio, vai faltar alguém pelo lado para marcar o avanço do bom lateral colombiano, já que o técnico brasileiro quer Neymar pelo centro e perto do gol. Uma opção, ensaiada por apenas 30 minutos, para ser usada durante a partida, é colocar Hulk e Neymar na frente, com Oscar vindo de trás. Entraria Henrique, para ser um terceiro zagueiro ou para fazer a função de Luiz Gustavo, formando, com Fernandinho e Paulinho, um trio no meio-campo.

Repito, com Hulk e Neymar, dois atacantes agressivos e artilheiros, não haveria necessidade de se ter um centroavante apenas finalizador. Já a Alemanha sente muita falta de um centroavante, de um Klose mais jovem, já que o único atacante artilheiro é Müller. No passado, um meia habilidoso e fino para jogar, como Götze, era chamado de Armandinho, barbantinho, por fazer maravilhas com a bola, mas não sair do lugar e finalizar pouco. Evidentemente, é um exagero rodriguiano.

Entre as grandes atrações do clássico entre França e Alemanha, duas me encantam. A primeira foi o show, a aula de Neuer, contra a Argélia, sobre como um goleiro deve jogar na cobertura dos zagueiros adiantados. A segunda são os dois meio-campos. Pogba parece um bailarino dentro das quatro linhas. Contraria a lei da física, a do movimento e do equilíbrio de um corpo. O jogador francês dá a impressão de que vai cair no campo, que não vai conseguir dominar a bola, mas alcança o êxito, com muita técnica e leveza.

 

 

Um prelúdio imortal de Luiz Vieira, para ninar gente grande

 

A balada “Prelúdio para Ninar Gente Grande”, mais conhecida como “Menino Passarinho”, em razão do verso “sou menino passarinho com vontade de voar”, retrata a bela poesia existente no clima místico-romântico vivido pelo radialista, cantor e compositor pernambucano Luiz Rattes Vieira Filho. Um dos maiores sucessos de Luiz Vieira que ele próprio gravou, em 1967, pela Copacabana.
PRELÚDIO PARA NINAR GENTE GRANDE

Luiz Vieira

Quando estou nos braços teus
Sinto o mundo bocejar
Quando estou nos braços teus
Sinto a vida descansar

No calor do teu carinho
Sou menino passarinho…
Com vontade de voar…
Sou menino passarinho
Com vontade de voar.

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

 

A vida felliniana e felliniesca de Sarney et caterva…

Fátima Oliveira

Volto ao repisado tema: o clã Sarney, cujo patriarca, aos 84 anos, sentindo o cheiro da derrota nas eleições de 2014, no Amapá e no Maranhão, se viu obrigado a não disputar mais um mandato de senador pelo Amapá e anunciou seu “amarelar” estribado em desculpas esfarrapadas: cuidar da mulher doente.

Imaginei Sarney de pijama fazendo um chazinho para dona Marly Macieira Sarney. Até fiquei enternecida porque se nós, maranhenses, devemos algo ao clã é à dona Marly, que, da profundeza do silêncio de toda a sua vida (namorou Sarney desde 1947, e casaram-se em 12.7.1952), conseguiu algo que nós, que há anos bradamos “Xô, Sarney”, jamais conseguimos!

Quem pilhou um Estado por meio século não merece piedade! O patriarca não se faz de rogado para mentir. Basta ler seu último artigo. Além de destilar todo o seu ódio anticomunista, caprichou em megalomania: “Retribuí, devolvendo ao Estado o que realizei, e tudo do que aqui foi feito passou pelas minhas mãos, até os adversários!”. É infâmia demais!

E arrematou: “Depois de 60 anos de mandato… Ocupei todos os cargos políticos da República, chegando a ser presidente. Sou o senador que mais tempo passou no Senado, do qual fui presidente quatro vezes: 38 anos. Atrás de mim vem Rui Barbosa, com 33 anos” (“De convenção em convenção”, EMA, 29.6.2014). Esqueceu que dom Pedro II reinou por 49 anos e ele, no Maranhão, reina desde 1966!

PERSONAGEM GROTESCO

Ninguém mais do que Sarney soa tão felliniano (personagem com traços caricatos e grotescos). Sempre que revejo “E la Nave Va” (1983), genial bizarrice de Fellini – a viagem-funeral do luxuoso navio Glória N. com as cinzas da cantora de ópera Tetua Edmea para a ilha de Erina, onde ela nasceu –, tenho a impressão de que é o funeral de Sarney.

É que a vida de Sarney, além de felliniana, é felliniesca – contém cenas em que imagens alucinógenas invadem uma situação comum, sobretudo no tocante à riqueza subtraída do povo maranhense. Somemos todas as obras que Sarney diz ter feito em meio século de mando no Maranhão e comparemos com o patrimônio pessoal legal do clã. O Maranhão perde feio! É impossível que, somados todos os proventos auferidos por Sarney, Roseana e Zequinha em cargos parlamentares e executivos, tenham gerado tanta riqueza familiar! Com razão @mellopost: “O problema não é José e Roseana Sarney estarem deixando a política. O problema é estarem saindo pela porta da frente”.

E A FILHA?

Para completar o espetáculo felliniesco, aparece a filha imitando o pai: “Já fui tudo o que eu podia ser. Não quero mais disputar eleição. Não quero saber mais de mandato… Eu estou perdendo toda a minha biografia. Estava virando apenas a filha de Sarney. Eu tenho uma vida política própria. Fui a primeira mulher governadora do país. Sempre tive uma forte atuação na luta das mulheres”.

Pergunto: na luta das mulheres de qual país? Vida política própria? Outra mentira deslavada! Ela entrou na política como herdeira do pai (vide “Em nome do pai e do clã”) e continua. Ponto final!

O meu grande sonho era ver os Sarneys expurgados da vida pública pelo voto do povo, e não saindo quase à francesa, como se não estivessem à beira do precipício da derrota eleitoral. Como disse Flávio Dino na Convenção da Mudança, no dia 29.6, que homologou sua candidatura a governador do Maranhão, à qual compareceram 10 mil pessoas: “Nenhum império dura para sempre”. (transcrito de O Tempo)

 

Brasil já tem 600 mil ONGs, que atuam sem o menor controle governamental

Gelio Fregapani

Pelos cálculos feitos ainda em 2007, já dava para perceber que o Brasil tinha se transformado, de vez, no paraíso das ONGs. Naquela época, o número de organizações não governamentais girava em torno de 250 mil, com aportes financeiros federais da ordem de mais de R$ 3 bilhões. Hoje, as estimativas indicam que há perto de 600 mil ONGs atuando no país, recebendo mais de R$ 18 bilhões por ano em repasses federais e verbas de valor desconhecido vindas de fora, inclusive de governos estrangeiros.

Não possuímos registros confiáveis sobre os reais serviços prestados por essas ONGs, onde atuam de fato e como atuam. Além das denúncias de corrupção, sobram informações de ingerência dessas entidades em assuntos de interesse do Estado, inclusive em questões de Segurança Nacional.

A maior parte das ONGs tem atuação na Amazônia e são direta ou indiretamente vinculadas a organismos internacionais, seus objetivos são claros para qualquer analista de Inteligência – o controle das jazidas minerais consideradas de extremo interesse estratégico.

DEMARCAÇÕES

Nos oito anos do FHC foram 145 áreas demarcadas; nos oito anos de Lula, foram 79; nos três anos e meio de Dilma, mais 10. Segundo a Funai, 65 áreas já reconhecidas como indígenas aguardam a homologação da presidente e o Conselho Indigenista Missionário, talvez o mais perigoso inimigo da nossa nação, se queixa da morosidade do governo nas demarcações, que visam, à primeira vista, proteger a cultura dos povos indígenas, para logo que possível os separarem do nosso País, de modo que possam controlá-los efetivamente e dispor dos imensos recursos naturais.

Sem uma resposta efetiva por parte das autoridades, que consideram essas ameaças coisa de ficção ou história de caboclos perdidos na selva é claro que nossos problemas se agravarão.  Felizmente, o período em que a Funai agia com superpoderes acabou. Nosso povo começa a tomar consciência da malignidade do uso do meio ambiente e do indigenismo para nos manter no subdesenvolvimento, impedindo a construção de hidrelétricas, a expansão da agricultura e até o asfaltamento de estradas. De senhores do país, os ecoxiitas estão passando a repudiados. Veja-se a Marina Silva, que pensava ter 20 milhões devotos cativos e hoje faz o Eduardo Campos perder votos de protesto que teria.

Estamos aprendendo.

Supremo de frango

Sylo Costa

Cozinhe o frango em fogo brando em água e sal. Deixe esfriar, desfie e refogue com temperos a seu gosto: alho, cebola, paciência. Sirva com molho à base de caldo de galinha e duas colheres de raspas de queijos podres de nomes estrangeiros, cheios de consoantes. Coisa esquisita. Virei chef de cozinha? Não, é que fui a um restaurante ontem à noite, e foi servido esse prato, imposto pelo aniversariante, que também é seu proprietário, que contrata os cozinheiros e os 11 garçons, pessoas de sua máxima confiança. Ali, o regime de trabalho é diferente, todos têm contratos vitalícios, mas nem todos fazem jus a essa vantagem. No caso, come quem tem fome e obedece quem tem juízo. O tal supremo é uma saroba de hospital, parece cardápio de porco.

Papo estranho, não estou entendendo, talvez reclame o leitor. É, não dá para entender mesmo, a hora é de confusão, exige um cobertor para cobrir as bandalheiras que acontecem debaixo dos caracóis dos nossos cabelos. Vamos mudar o rumo dessa conversa de doido.

Vamos no popular: muito se tem falado sobre o processo de judicialização das nossas instituições. Essa anomalia se dá quando o Poder Judiciário começa a legislar no lugar do Poder Legislativo. Como aconteceu agora, no caso dos mensaleiros que foram autorizados a sair para trabalhar e apenas dormem na prisão.

O QUE DIZ A LEI?

E daí? Daí que está em vigor a Lei Federal 7.210, de 11.7.1998, cujo artigo 37 reza que o condenado só poderá obter esse benefício após cumprir no mínimo 1/6 da pena. Nesse caso, o Supremo Tribunal legislou porque mudou a lei.

Lei só pode ser alterada por outra lei, e quem faz lei é o Legislativo. O ministro Luís Roberto Barroso, que não é bobo nem nada, sabe disso. E sabe também que, nessa hora em que o governo ocupa o povo com o futebol, o país está dopado. Como disse Millôr, sem dúvida uma das três cabeças pensantes desse nosso país – nosso e da Fifa –, o “futebol é o ópio do povo”.

Em palestra proferida num seminário sobre direito e desenvolvimento, realizado pela FGV, no Rio de Janeiro, o hoje ministro José Roberto Barroso disse que “não é por acaso que o ativismo se expandiu”. Segundo Barroso, isso aconteceu pelas dificuldades enfrentadas pelo Legislativo. A retração do Legislativo, constatada, é ruim e representa um grave problema. “É preciso uma reforma política urgente, pois não há democracia sem um Poder Legislativo atuante” – será que ele descobriu isso sozinho?

TRAZER A PESSOA AMADA…

E chegou a brincar, ao falar sobre o controle da constitucionalidade: “A Constituição só não traz a pessoa amada em três dias”. Então, fica pairando no ar a pergunta: será que o ministro foi indicado para o egrégio Supremo porque sabe disso tudo e, mesmo sabendo, vota e faz tábula rasa da Constituição que ele jurou obedecer? E mudar a forma de provimento do STF, que tal?

E pensar que, se reeleita, a presidente poderá indicar durante o mandato mais cinco Ministros para o Supremo. Arre!

 

Supremo autoriza ex-senador Demóstenes Torres a retornar ao Ministério Público

Mariângela Gallucci
Agência Estado

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, concedeu uma liminar garantindo ao ex-senador Demóstenes Torres o direito de retornar ao Ministério Público do Estado de Goiás. Torres foi afastado do cargo em 2012 pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Na ocasião, o CNMP também decidiu abrir um processo disciplinar contra ele.

Mendes concordou com o argumento de que o afastamento, que já dura mais de um ano e meio, ultrapassou o prazo de 60 dias estabelecido pela legislação. “Ainda que se possa defender a tese de renovação reiterada do referido prazo, o que se verifica é o dado objetivo de afastamento do impetrante desde a intimação da decisão do CNMP de 24.10.2012, ou seja, há mais de um ano e meio”, afirmou o ministro.

O afastamento de Demóstenes ocorreu devido ao Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apura seu envolvimento com o esquema de exploração de jogos de azar de Carlinhos Cachoeira, desbaratado pela Operação Monte Carlo realizada pela Polícia Federal (PF).E

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Um senador com ares moralistas, apanhado em flagrante de envolvimento com um criminoso notório e corruptor como Carlinhos Cachoeira, perde o mandato mas continua empregado como procurador do Estado de Goiás, com salário superior a 20 mil reais e aposentadoria garantida. E ainda chamam isso de Justiça. (C.N.)

“Bacanal Eleitoral” ou “Reunião de Bacana”?

Pedro Ricardo Maximino

O desabafo do prefeito carioca Eduardo Paes, ao classificar de “bacanal eleitoral” a coalizão do PMDB de Sergio Cabral com o DEM de Cesar Maia, humilha os dignos praticantes de bacanal, swing e suruba e ele merece ser processado por suas afirmações metafóricas (de quem não dá uma dentro…).

Os grupos de praticantes de sexo livre devem processá-lo pela terrível ofensa comparativa ou de aproximação semântica. Eles não fazem mal a ninguém, se protegem, se submetem a exames frequentes de saúde, têm certa ética, mostram convicção e respeitam as regras do jogo, ao contrário da seleta e repetitiva politicagem brasileira

Bacanal é uma coisa. Outra coisa é a já tradicional “Reunião de Bacana”, de Ari do Cavaco, um dos pagodes mais gravados, cuja letra tem um refrão feito sob medida para a política brasileira: “Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Quem colocou Eduardo Paes na política foi Cesar Maia. Fica feio atacar quem tanto o ajudou, isso é uma demonstração de falta de caráter. (C.N.)

 

Será que o treinador do penta está sentindo a pressão de comandar o Brasil em casa?

Josias Pereira
O Tempo

Professor, técnico, comandante, disciplinador, paizão. Várias foram as denominações atribuídas a Luiz Felipe Scolari durante os anos. Tido como um profissional firme em suas convicções, principalmente em relação às formações de suas equipes, o comandante vem demonstrando nos últimos dias uma certa instabilidade. Estaria o treinador do penta sentindo a pressão de comandar a seleção em casa? Ou estaria Felipão ultrapassado para os padrões do futebol moderno?

Uma reunião do treinador e seu fiel escudeiro Murtosa com seis jornalistas, na Granja Comary, escancarou as dúvidas do comandante quanto à capacidade – técnica e emocional – da atual seleção brasileira. Uma prova que, por algumas vezes, a irresoluta certeza de Felipão não passaria de uma mera caricatura. Para quem já vivenciou a pressão de comandar o escrete canarinho, a decisão do treinador em expor as dificuldades da equipe não é um sinal de fraqueza, porém não seria também o caminho mais acertado.

“Nunca reuniria a imprensa para falar sobre minhas dificuldades. Quando você é escolhido para assumir o comando de alguma coisa, você precisa ir até o fim com suas convicções. Se um dia eu me sentir inapto a continuar no cargo de treinador, é melhor pegar o boné e ir embora”, afirma Carlos Alberto Silva, ex-técnico da seleção brasileira.

“Não acho que a seleção esteja completamente errada. O Felipão é um dos melhores treinadores do futebol mundial, tem uma maneira própria de lidar com os jogadores. Quando estamos no comando da seleção, às vezes, pagamos por convocar alguns jogadores, e eles acabam não rendendo o esperado”, completa.

INEXPERIÊNCIA?

A inexperiência de grande parte da equipe também seria um dos fatores responsáveis pelo ‘pedido de ajuda’ do comandante. “É uma equipe em formação. Isso (juventude) pesa na hora de uma decisão. Porém, a falta de experiência de alguns jogadores pode ser suprida pela torcida, pelo fato de jogarmos em casa”, diz Vanderlei Luxemburgo, ex-treinador da seleção e atual comentarista da Fox Sports.

Paulo Autuori, ex-comandante do Atlético, preferiu fazer uma análise mais profunda do futebol nacional. “Estamos parados no tempo. Enquanto outras equipes evoluíram, continuamos presos em uma velha metodologia. Temos visto outras seleções sul-americanas, com treinadores também sul-americanos, que não possuem grandes talentos individuais, mas têm um coletivo muito forte”, concluiu.

MUDANÇAS?

Às vésperas das quartas de final, a formação tática de Felipão apresenta deficiências. Uma falta de sintonia entre o meio-campo e o ataque faz com que os avançados da seleção brasileira saiam da grande área para buscar a bola. Caindo pela ponta direita, Oscar está apagado e pouco produz. Diferentemente da Copa das Confederações, algumas peças vêm destoando, casos dos laterais Daniel Alves e Marcelo, além de Paulinho e Fred.

Felipão admitiu a possibilidade de mudanças contra a Colômbia. Mas seria esta a hora de mudar? “Eu acho que os problemas que a seleção está enfrentando não são bichos de sete cabeças. O esquema tático não está ruim e é perfeitamente adequado para o próximo jogo. A Colômbia é um time perigoso, que precisa ser respeitado, mas que pode ser batido”, diz Carlos Alberto Silva. “Existe uma pressão exagerada sobre a seleção brasileira”, completa o ex-treinador.

Dirceu começa a trabalhar, com uma Hilux com motorista à sua disposição

José Dirceu primeiro dia de trabalho

Deu nos jornais

O ex-ministro José Dirceu deixou nesta quinta-feira o Centro de Progressão Penitenciária para trabalhar no escritório do advogado José Gerardo Grossi, em Brasília. Condenado por participação no mensalão, Dirceu cumpre desde novembro uma pena de 7 anos e 11 meses de prisão no regime semiaberto.

O ex-ministro trabalhará das 9h às 18h em atividades diversas no escritório. Receberá salário mensal de R$ 2,1 mil e não poderá advogar. No horário de almoço, só pode se deslocar até 100 metros para fazer a refeição.

Para chegar ao trabalho, poderá usar transporte público ou particular. E na estréia teve uma Hilux preta com motorista para conduzi-lo ao escritório. Mais magro e abatido, vestia calça jeans, camisa social azul e blazer.

Ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, Dirceu vai ajudar, das 9h às 18h, a organizar documentos e livros e a fazer serviços administrativos no escritório de Grossi. Ele deve trabalhar ao lado de outras duas auxiliares. O salário combinado é de R$ 2.100.

Dirceu estava preso na Papuda desde novembro do ano passado. O ex-ministro foi condenado a 7 anos e 11 meses pelo crime de corrupção ativa no processo do mensalão do PT, mas tem direito a cumprir a pena no regime semiaberto. O Código Penal estabelece que o semiaberto é destinado a presos não reincidentes condenados a mais de quatro anos de prisão e menos de oito anos.

Zoológico partidário

Gaudêncio Torquato

Quem poderia imaginar uma serpente tornando-se amiga de um hamster, depois de recusar a comê-lo como refeição? Vivem juntos num zoológico do Japão. Situações fantásticas no mundo animal chamam a atenção pelo inusitado. No mundo dos humanos, a fenomenologia no campo dos relacionamentos não fica atrás, plena que é de histórias bonitas e feias, ou, simplesmente, risíveis. Mas o que chama a atenção é o casamento, mesmo provisório, dos bichos que povoam o território da política.

A expressão “bichos”, usada de forma coloquial no mundo dos humanos, particularmente no tratamento entre amigos, cai bem nos partidos políticos tupiniquins. Identificado como o hábitat de seres inodoros e insossos, o zoológico partidário brasileiro abre as portas para deixar ver a liturgia dos casamentos mais exóticos de sua população: cobra-d’água com jacaré, elefante com zebra.

Desnaturada de sua essência, a política ajusta-se ao figurino de alcançar “o poder pelo poder”, rompendo os eixos que a edificam como um empreendimento do bem comum. Nunca se viu uma colcha eleitoral com tantos retalhos como os de hoje, unindo nos Estados opostos no plano federal.

FARINHA DO MESMO SACO…

Quem acredita no argumento de um candidato de que seus partidos podem formar alianças com os contrários nas unidades federativas? Acabam sendo carimbados como “farinha do mesmo saco”. O PSB, de Eduardo Campos, fazendo aliança com os candidatos dos adversários PT e PSDB, no Rio de Janeiro e em São Paulo, desmancha qualquer esforço para situá-lo como alternativa de mudança na política. Esse é apenas um caso estrambótico entre muitos, a denotar que o campo da política não passa de um deserto de ideias.

A falta de coerência na política, visível em ciclos de eleições, resulta na inconsistência doutrinária de uma infinidade de siglas; no precário sistema de coligação ora vigente; em frouxas regras eleitorais; enfim, na teia de despolitização e desideologização que cobre o amorfo corpo político. O que leva a representação a desprezar o escopo moral e ético que deveria ser o lume?

DEGRADAÇÃO

Há de se admitir que a contemporaneidade política tem se desenvolvido sob a degradação dos mecanismos tradicionais da democracia liberal, a partir do declínio de ideologias e partidos, situação que resultou no desaparecimento dos partidos de massa e consequente emergência de entes amorfos. O jogo político menos contrastado ganha reforço com o desvanecimento do antagonismo de classes, o arrefecimento das bases, a ascensão das estruturas técnicas e burocráticas, o declínio dos parlamentos e a dispersão das oposições. Esse conjunto de questões desloca a política para outros espaços. Ante a paisagem devastada na seara tradicional da política, não lhe resta alternativa senão a de reencontrar o rumo.

Para tanto, urge um pacto entre núcleos políticos, forças partidárias e Poderes da República para tapar os buracos nos vãos das instituições e ajustar as ferramentas da política. Se assim for acordado, a atual campanha será a última da era do casamento da raposa com o leão. (transcrito de O Tempo)

 

Blog da Tribuna da Internet está mesmo sendo sabotado

P. Nogueira

Salvo melhor juízo ou entendimento do moderador, essa é a minha opinião. Está dando para perceber um joguinho muito estranho nesta página, ou pelo menos, de se estimar o alcance do que já está curso com o blog Tribuna da Internet : sabotagem subliminar a partir da sua procura e pesquisa pelos navegadores da internet.

Parece que mais uma vez o senhor Rodrigo de Carvalho percebeu o lance, quando salientou que o blog fica “escondido”. Ou mais exatamente, perdendo audiência… É exatamente isso que está acontecendo. “Hackers” estão direcionando links de entrada e os substituindo até com outros textos. A prova escancarada é que textos estão sendo incluídos ou trocados com outros, que exaltam o PT, conforme eu verifiquei, alertado pelo senhor Ricardo Froes, que detectou o grau de dificuldade, o que e a quem pela titulagem. No caso, o acesso ao blog Tribuna da Internet e, principalmente, suas “matérias”, artigos e comentários produzidos.

No geral, a situação dobrou em termos de problemas. Tanto para tomar conhecimento da sua existência, como a dramática, experiência do internauta para ” entrar” no blog.
Sem querer extrapolar a análise, tudo leva a crer que além da “invasão”, estamos, também, lidando com quintas colunas, que estão ajudando nesse trabalho sujo de prejudicar o blog.

É preciso investigar as contas de todos os políticos e detentores de cargos públicos

Antonio Fallavena

São realmente 32 mil cargos públicos federais? Mas então estamos vivendo no “bordel do comissário? Ou será “bordel da comissão”?

O PT conseguiu montar um teatro com atores de segunda linha. Como o público (sociedade) não tem condições e nem vontade de entender nada, eles vão enrolando. Até o dia em que um novo e sério governo assumir.

Reitero: é preciso fazer uma auditoria nas contas de todos aqueles que ocuparam cargos públicos, eletivos/nomeados, nos últimos 30 anos.

Para quem só encontra e cobra as “falcatruas” dos governos FHC, muita atenção: refiro-me a políticos dos últimos 30 anos! Se ainda não entenderem, posso mandar desenhar.

O país precisa ser passado a limpo! Quando lembro os discursos, os textos e as juras petistas sobre a importância da seriedade na política, sinto vontade de vomitar.

Perdoem, mas tenho de repetir: uma auditoria interna no país, investigando o patrimônio de cada um daqueles que foi eleito/nomeado para ocupar cargo público.

O PT ganhará prêmio “honoris causa” como o partido mais corrupto, desde a redemocratização. Para não termos de voltar até os primórdios da política.

Não importa que tenhamos de pagar para serem construídas mais cadeias.
Precisamos deixar um país para filhos e netos uma “nação” e não uma “terra de ninguém”. Ou pior: “terra nenhuma”!

Aviso aos navegantes: O blog Tribuna da Internet está desaparecendo da internet

Carlos Newton

Alertado pelo comentarista Pedro, tomamos conhecimento de que o blog Tribuna da Internet está sendo retirado do ar na internet. Não há motivo para isso acontecer, porque o pagamento dos domínios tribunadainternet.com.br e www.tribunadainternet.com.br está em dia.

Estamos tentando manter somente o nome tribunadainternet.com.br, mas ainda há problemas burocráticos no servidor UOL, que estamos tentando contornar.

Vamos procurar saber o que está acontecendo. A Tribuna da Internet só está sendo encontrada na busca Yahoo. No Google e no Ask, por exemplo, já fomos detonados.

Para nós, não há nenhuma novidade nisso. Já sofremos vários ataques de hackers antes e não vamos desistir.

 

Pressão psicológica explica choro de jogadores brasileiros, diz especialista

Brasil joga contra o Chile no Mineirão em Belo Horizonte (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Alana Gandra
Agência Brasil 

O choro de alguns jogadores da seleção brasileira na partida pelas oitavas de final contra o Chile, no último dia 28, levantou dúvidas entre os torcedores sobre a preparação emocional do time para enfrentar as próximas e decisivas etapas desta Copa do Mundo.

O doutor em psicologia do desenvolvimento e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Aurélio Melo, disse que existe uma pressão psicológica muito forte sobre os atletas que leva ao choro durante o jogo. Como a Copa ocorre no Brasil pela segunda vez (a primeira foi em 1950), há uma expectativa imensa do povo, que coloca sobre os ombros dos jogadores uma responsabilidade muito grande.

“É diferente, por exemplo, da Colômbia, que está jogando, está feliz, está alegre, mas ninguém esperava. Ela vem se superando”. No caso brasileiro, acontece o contrário, segundo o especialista: “O Brasil está jogando em casa, tem cinco campeonatos, tem que ganhar. Essa é uma situação psicologicamente adversa para o indivíduo, de maior dificuldade”, disse à Agência Brasil.

MUITOS A CHORAR

Segundo Melo, se apenas um jogador tivesse se emocionado no jogo contra o Chile, isso poderia ser atribuído a uma característica de personalidade. Mas como foram muitos atletas a chorar ou demonstrar sofrimento diante da pressão, a reação pode ser considerada “uma circunstância coletiva e não apenas ligada a características de personalidade”.

O especialista disse que, no caso do goleiro Julio Cesar, apontado com responsável pela desclassificação do Brasil na última Copa, a emoção era esperada, porque, com a vitória sobre o Chile dos pênaltis, respondeu à cobrança de anos atrás. “Ele tinha uma necessidade de provar, digamos, a inocência depois de quatro anos e a situação aumentou esse teste”.

CORRER E JOGAR

Para melhorar desempenho emocional nos próximos confrontos na Copa, Melo sugere que os jogadores corram mais, joguem mais. “Nada de se lamentar, se vitimizar ou se responsabilizar. Você tem que agir. O corpo é a grande razão, ele não mente. A alegria é um sentimento que potencializa o indivíduo”.

O psicólogo reiterou que esse é o processo que ocorre com a seleção da Colômbia. “Eles estão no lucro, não têm medo de perder porque não há cobrança. Estão confiantes”.

A torcida também pode ajudar o time brasileiro a seguir em frente, segundo Melo, reduzindo o grau de cobrança e sem levar a disputa tão a sério, porque o esporte não é uma coisa de “vida ou morte”, na avaliação do especialista.

Lei permite ‘bacanal eleitoral’, reconhece o TSE

João Domingos
O Estado de S.Paulo

O vale-tudo criado pelos partidos na formação de alianças para disputar a Presidência e os governos estaduais tem recebido críticas, mas está garantido pela Constituição e foi autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2010. “Hoje prevalece o entendimento de que podem ser feitas alianças e coligações regionais diferentes do que foi decidido no plano federal”, diz o presidente do TSE, José Antonio Dias Toffoli.

“Em 2006 o Congresso aprovou a Emenda Constitucional 52, que derrubou a verticalização adotada pelo TSE e pelo Supremo Tribunal Federal nas eleições anteriores. É a regra do jogo”, afirma o ministro do TSE, para quem não há o que fazer em relação a esse clima de “bacanal eleitoral”.

A definição “bacanal eleitoral” para as alianças feitas nos Estados foi dada pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), ao saber que o ex-governador Sérgio Cabral tinha abandonado a disputa ao Senado para ceder a vaga ao ex-prefeito Cesar Maia (DEM).

Entre os exemplos do vale-tudo que tomou conta da campanha está a mudança de posição do PTB, até então integrante da base aliada de Dilma, que migrou para a candidatura à Presidência do tucano Aécio Neves, um dia antes do PT confirmar a indicação de Dilma Rousseff à reeleição. O PTB alegou que não obteve apoio do PT em coligações nos Estados.

QUADRO ESQUIZOFRÊNICO

A emenda a que Dias Toffoli se refere assegura aos partidos autonomia para adotar o regime de coligações eleitorais. Diz que as siglas ficam desobrigadas de vincular as candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo cada estatuto definir normas de fidelidade partidária.

Uma passada de vista nas alianças regionais mostra o quadro esquizofrênico deste ano. Em São Paulo o governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, tem como vice Márcio França, do PSB, sigla de Eduardo Campos, o principal adversário de Aécio na corrida presidencial.

Já o candidato a vice de Dilma é o peemedebista Michel Temer, mas o PMDB não se coligou com o PT em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Ceará e Goiás, que estão entre os dez maiores colégios eleitorais do País.

A onça vai beber água

Charge O Tempo 03/07
Tostão
O Tempo
A Copa continua espetacular, com muita qualidade, muita emoção e muita festa nos estádios. A única coisa que não está boa é a atuação da arbitragem, com muitos erros decisivos, na marcação de pênaltis e nos impedimentos. Parece Campeonato Brasileiro. Já na condução do jogo, na marcação de faltas, tudo ótimo.
Se a Costa Rica ganhou da Itália e do Uruguai e empatou com a Inglaterra na fase de grupos, pode ganhar da favorita Holanda. A Costa Rica marca muito bem e é rápida nos contra-ataques. Ruiz e Campbell são muito bons jogadores e fazem a diferença para a equipe costa-riquenha. A Holanda mostrou, contra o México, que, além de defender e contra-atacar bem, como fez em vários jogos, sabe pressionar e virar o placar. A equipe possui também muitos jogadores altos e bons nos lances aéreos. O volante De Jong está fora da Copa. Contra seleções fortes, que vão atacar, ele vai fazer falta, pois marca muito.
A Argentina, como se esperava, teve enormes dificuldades para ganhar da Suíça. Como têm sido boas as atuações do goleiro e da defesa, tão criticados antes do Mundial, aumentam as chances de a Argentina ser campeã, pois, com Di María e Messi, há sempre uma grande possibilidade de gols. Foi sensacional a arrancada de Messi, com a bola colada aos pés, driblando o zagueiro que tentava derrubá-lo, até dar a bola, com açúcar e com afeto, para Di María marcar.
Enfim, a Bélgica mostrou um ótimo time na disputa da Copa do Mundo, com muita troca de passes, o que não faz o Brasil. Como os volantes costumam avançar, Messi pode ter muitos espaços contra a Bélgica, o que seria decisivo. Certamente, o técnico não tem dormido pensando em como pará-lo. Por outro lado, o ataque envolvente da Bélgica vai criar também chances de gol. O desequilíbrio está nos dois craques argentinos. Amanhã, falo do confronto entre Brasil e Colômbia e de França contra Alemanha, dois jogos que deverão ser marcados pelo equilíbrio na briga por vagas nas semifinais da competição. Chegou a hora de a onça beber água.

O desgaste da solidão, segundo o poeta Carlos Pena Filho

 

O advogado e poeta pernambucano Carlos Pena Filho (1929-1960), no soneto “A Solidão e Seu Desgaste”, transborda seu sentimento ao se perpetuar na solidão.

A SOLIDÃO E O SEU DESGASTE
Carlos Pena Filho

Frequentador da solidão, às vezes
Jogava ao ar um desespero ou outro,
Mas guardava os menores objetos
Onde a vida morava e o amor nascia.

Era uma carga enorme e sem sentido,
Um silêncio magoado e impermeável…
A solidão povoada de instrumentos,
Roubando espaço à andeja liberdade.

Mas, hoje, é outro que nem lembra aquele
Passeia pelos campos e os despreza
E porque sabe com certeza clara,

O princípio e o fim da coisa amada,
Guarda pouco da vida e o que retém
É só pelo impossível de eximir-se.

    (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Caso da dívida argentina mostra como a irresponsabilidade pode custar caro

Willy Sandoval

Esse episódio da execução da dívida argentina é sem dúvida um caso muito didático, que demonstra claramente como a irresponsabilidade pode custar tão caro, seja a nível pessoal como a nível coletivo, em termos de países.

A história começa com a irresponsabilidade de um governante, no caso o presidente Menem, que colocou na Constituição (e o pior de tudo é que a imensa maioria acreditou) que 1 peso teria eternamente o valor de 1 dólar. Veio dai a semente de praticamente todas as desgraças que se abateram sobre a nação argentina e que tiveram como ponto culminante o famoso corralito de 2001, que deu um cano em todos os aplicadores argentinos que acreditaram que 100 mil pesos depositados nos bancos seriam totalmente convertidos em 100 mil dólares. Da noite para o dia, não valiam nem uns 30 mil, nem me lembro mais quanto.

Aí a Argentina sai do 8 para o 80. De um ultra neoliberalismo inconsequente do governo Menem, vai como que numa gangorra para um superintervencionimo do governo dos Kirchner. Pior que, como sempre, uma atitude mais estúpida do que outra. Apenas como base de comparação, aqui o governo Lula, ainda que pese muitas críticas, principalmente à escolha da Dilma como candidata, nunca se descuidou da questão cambial e procurou simplesmente não atrapalhar a vida dos exportadores, principalmente do agronegócio. Isso possibilitou a formação de confortáveis reservas que fizeram com que a divida externa se tornasse coisa do passado.

MAIS IMPOSTOS…

Pois os argentinos não souberam aproveitar os bons ventos da valorização das commodities e, além de não ajudarem em nada os exportadores, ainda resolveram taxar as próprias exportações de soja, trigo, carne e commodities em geral. E olha que não foram taxações baixas, em alguns casos chegaram a 40%, matando qualquer competitividade dos produtos argentinos.

Portanto, só podia dar no que está dando agora.

Há saÍdas para que se evitem no futuro situações semelhantes a essa tragédia. Uma delas é a básica: procure nunca gastar além do que se ganha. Isso vale tanto a nível pessoal quanto a nível de país. Mas se for um país, caso tenha que se endividar, mantenha um mínimo de credibilidade para que o endividamento seja na moeda do próprio país.

Outra opção interessante para o Brasil seria, junto com os parceiros dos BRICs (principalmente os chineses), ver até que ponto se pode montar uma estrutura paralela de financiamento, talvez um banco de investimento que pudesse ser uma opção paralela aos instrumentos dos países hegemônicos, como o Banco Mundial e FMI.

Acho que tudo ficará bem desde que o futuro governo, diferente do atual da Dilma, pare de fazer besteiras intervencionistas e país ainda mantenha uma certa credibilidade que permita vender títulos no mercado, tanto em reais como em dólar, e também estudar uma maneira de incentivar financiamentos chineses com os enormes superavits que eles tão competentemente acumularam.

Talvez uma saída para os argentinos também possa estar por aí, mas antes de mais nada, é preciso que o governo dos hermanos aprenda a ser menos arrogante e mais responsável.