A cor da mente que muda pela educação

Cristovam Buarque

Nos anos 70, a televisão mostrou uma série com o nome de “Raízes”, contando a trajetória de uma família de negros norte-americanos, desde seu passado na África. A série emocionou centenas de milhões de pessoas ao mostrar o sofrimento de sucessivas gerações que tinham em comum a cor da pele e a escravidão por serem negras.

Trazida para o presente, a série “Raízes” pode ser escrita sob outro ângulo: as sucessivas gerações de pessoas carregando a característica do analfabetismo. A genealogia de um analfabeto mostra quase toda sua linha de transmissão no analfabetismo. Raramente o filho de alfabetizados cai no analfabetismo. Já o analfabeto adulto é filho e neto de analfabetos.

Mas, diferentemente da transmissão da escravidão pela cor irremovível, a transmissão do analfabetismo decorre da falta de programas educativos para sua erradicação. Porque a cor da mente é mutável pela educação.

Muito provavelmente, os 13 milhões de analfabetos de hoje são descendentes dos 6,5 milhões de analfabetos que povoavam o território brasileiro em 1889. Naquele ano, a elite republicana fez uma bandeira com um lema escrito, mesmo sabendo que seus cidadãos eram incapazes de reconhecê-lo porque não sabiam ler. E 125 anos já se passaram.

A repetição genealógica do analfabetismo é causada pelo descaso com a educação das crianças, que deixa aberta a torneira por onde surgem novos analfabetos adultos, e pela falta de um programa concreto e persistente para a erradicação dessa tragédia entre os adultos.

APENAS INTENÇÃO

Para resolver o problema em cinco anos seria necessária a mobilização de 130 mil jovens bolsistas ao custo anual inferior a R$ 1 bilhão e mais R$ 2 bilhões de outros gastos operacionais.

Essa era a intenção do Ministério da Educação no primeiro ano do governo Lula ao criar uma Secretaria Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo, destinada a gerir o Programa Brasil Alfabetizado. A secretaria chegou a formular o Programa de Apoio ao Estudante (PAE), proposto no Projeto de Lei 2.853/2003, pelo qual os alunos de universidades particulares receberiam bolsas para pagar seus estudos, desde que aceitassem exercer atividades relacionadas à alfabetização de adultos, por seis horas semanais, durante um dos semestres de seus cursos.

Além disso, foram implantados programas de “leituração” para manter a alfabetização conquistada. Em 2004, a secretaria foi extinta e o programa perdeu vigor; o PAE se transformou em Prouni sem exigência aos beneficiados. O resultado é que o problema continua e, em 2013, houve aumento no número de analfabetos: os 6,5 milhões de 1889 duplicaram, em 2013, para 13 milhões.

Quem sabe se, neste ano, algum candidato a presidente vai assumir esse compromisso e dizer como, quanto custa e de onde sairão os recursos, financeiros e humanos, para romper a genealogia do analfabetismo, mudando a cor da mente desses brasileiros.

Tempo de mentiras

Sylo Costa 

Todo fato tem sempre duas versões, a verdadeira e a mentirosa, e bem se diz que a história não é constituída por fatos, mas por suas versões. Admiro profundamente a poesia de Mário Quintana e os conceitos que deixou. Sobre a mentira, ele disse apenas que “é uma verdade que se esqueceu de acontecer”. Por ser cartesiano, penso que a verdade é consequência da dúvida, mas sei também que a verdade política é, geralmente, a versão conveniente.

Quer coisa mais inconsequente e forçada que essas tais Comissões da Verdade? Por que verdade, e não dúvida? Assim, terminado o prazo desse recreio das esquerdas, seria recomendável a constituição de “comissões das mentiras” para desfazer as verdades convenientes e fazer prevalecer a verdade verdadeira.

Parece um jogo de palavras, mas, não é. E se ficou dúvida é porque não tive capacidade de me fazer entender. Tenho minha verdade sobre os fatos que essas comissões têm interesse em afirmar e, se não tenho dúvidas, é porque vi e assisti à revolução que impediu que a sanha comunista tomasse o poder no Brasil.

Querem, depois de quase 50 anos, que a história seja escrita como se estivesse sendo vista por um binóculo virado ao contrário, como um fato menor. Muitos desses ativistas que aí estão querem entrar para a história que eles ouviram contar, ou melhor, para a versão que afirma que tudo não passou de um golpe dos militares a fim de tomar o poder, para dele tirar proveito.

Não sou nem estive cego ou doido para mentir para mim mesmo e acreditar em minhas mentiras. O Brasil daquela época não era muito diferente deste de agora, exceto pelo fato de que havia muito menos gente mamando nas tetas da nação.

Somos hoje líderes da Venezuela, país que importa, mas não paga, o papel higiênico que nos compra; da Bolívia, que leva vantagem conosco por falta de atitude de um presidente demagogo como o ex-Luiz, de Cuba, que nos vende gente, num comércio que contraria tudo que existe em termos de direitos humanos; tudo sob a consultoria de um ex-presidente analfabeto, que fala em Marx e Lênin como se fossem jogadores do Corinthians.

Querem porque querem mudar a história da vida de Jango e de JK, como queriam que o ex-presidente Allende, do Chile, tivesse sido assassinado. Exumaram os cadáveres de Allende e de Jango e procuram argumentos novos para modificar os atestados de óbito. Quanto a Juscelino, é diferente e igual, ao mesmo tempo.

Querem que o ex-presidente seja declarado vítima de assassinato por decreto da terrorista dona Dilma. Não duvido de mais nada. Tudo é possível, até que o ex-Luiz, em sua última visita a Cuba, tenha viajado pagando passagem. Será?

Um assunto que preocupa o mundo, e deve estar preocupando o governo brasileiro, é a invasão da Ucrânia pela Rússia através da Crimeia. Já aquele pacificador, responsável pela paz entre Israel e os árabes, está sendo esperado na ONU para falar, provavelmente, sobre existencialismo. (transcrito de O Tempo)

PSD continua na base aliada do governo federal, mas apoia candidato tucano em Minas

Raquel Gondim
O Tempo

Na mesma semana em que o PT sofreu uma grave derrota, em Brasília, em consequência do embate com a sua base, a sigla encara situação delicada também em Minas Gerais. Ontem, o PSD, partido aliado nacionalmente à presidente Dilma Rousseff, anunciou apoio à candidatura do tucano Pimenta da Veiga ao Palácio Tiradentes. No Estado, o PT corre ainda o risco de perder o suporte dos peemedebistas que, nos últimos dias, têm se aproximado do PSDB.

Após o anúncio da aliança com o PSD, Pimenta da Veiga reconheceu a importância de ter em sua campanha uma legenda que nacionalmente está com o governo petista. “Cada partido que conquistamos é uma hipótese a menos para o concorrente. Nesse caso, sobretudo, essa união é ainda mais essencial, uma vez que em outros níveis o PSD está do outro lado”, comemorou.

De acordo com o presidente do PSD em Minas Gerais, Paulo Simão, diferentemente do que ocorreu nas eleições municipais de 2012, desta vez, o partido não teve dificuldades para encontrar um consenso. Há dois anos, a sigla ficou dividida no Estado, e a ala liderada pelo atual secretário estadual de Saúde, Alexandre Silveira, precisou ir à Justiça Eleitoral para garantir o apoio à reeleição do prefeito de BH, Marcio Lacerda, em detrimento da candidatura de Patrus Ananias (PT).

“Houve uma decisão unânime de apoiar o Pimenta. Mas isso não muda em nada a postura do partido em nível nacional, que nós vamos respeitar”, afirmou Simão, em referência ao apoio já anunciado do PSD à candidatura à reeleição da presidente Dilma.

E O PMDB???

As dúvidas sobre o rumo do PMDB nas eleições estaduais ganharam fôlego após o encontro da sigla com o presidente dos tucanos em Minas, deputado federal Marcus Pestana. Quinta-feira, o presidente do PMDB estadual, deputado federal Saraiva Felipe, disse não descartar nenhuma possibilidade.

“Eu considero todas as hipóteses, mas a minha prioridade continua sendo a viabilização da nossa candidatura própria, representada pelo senador Clésio Andrade”, destacou.

Dilma proíbe as Forças Armadas de comemorarem os 50 anos da Revolução de 64

José Carlos Werneck

A presidente Dilma Rousseff determinou, sexta-feira, que não quer celebrações dos militares da ativa em comemoração aos 50 anos do Movimento Militar de 31 de março de 1964. Ela comunicou sua decisão ao ministro da Defesa, Celso Amorim, que já conversou sobre o assunto,com os comandantes militares.

Os Chefes das Forças Armadas orientaram a tropa para que se evitem comemorações em 31 de março, interna ou externamente.

A maior preocupação é com os militares da reserva.

Os chefes militares já haviam aproveitado as reuniões, antes do Carnaval, de seus Altos Comandos, que trataram, também, das promoções do final do mês,  para comunicar aos comandados que se abstivessem de qualquer tipo de polêmica sobre o assunto, para evitar choques com o Planalto. Os comandantes das forças já haviam comunicado a determinação aos seus subordinados a ordem de não serem feitas comemorações dentro e fora dos quartéis.

A data, no entanto, não será ignorada pelas Forças Armadas. No Exército, o tema será abordado com palestra e divulgação de informações para a tropa apenas para que “as novas gerações” não se esqueçam do que chamam de “fato histórico”, contextualizado à época da guerra fria.

O clima na ativa das Forças Armadas, até agora,é de total distensionamento. Não há movimentações para promover atos para exaltar a data, embora existam insatisfações em relação à condução dos trabalhos da Comissão da Verdade. Grande parte dos militares reconhece que houve avanços nos investimentos das Forças durante os governos Lula e Dilma.

Ainda há grande preocupação com o pessoal da reserva. Ainda não se sabe exatamente o que eles poderão promover para comemorar os 50 anos do Movimento de  31 de março. Para evitar problemas com os colegas que já estão fora dos quartéis, mas que, quando querem, fazem manifestações, os comandos das Forças Armadas fizeram contatos com os presidentes dos Clubes Militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica pedindo moderação nas manifestações. Mas vários militares que já estão reformados, porém, atuam de forma independente e não costumam atender às solicitações dos comandantes.

Quem está na Ativa não pode se manifestar, por força do Regulamento Militar. Os da Reserva não têm tantas restrições,mas,também, estão sujeitos à algumas regras e podem ser punidos,inclusive, com prisão por declarações que forem consideradas ofensivas à presidente da República.

 

Universidade de Brasília quer reduzir as cotas raciais (de 20% para 5%)

Deu no Correio Braziliense

A decisão sobre a continuidade do sistema de cotas raciais da Universidade de Brasília (UnB) foi adiada para 3 de abril. O Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (Cepe) se reuniu na tarde desta quinta-feira (13) para deliberar sobre a proposta apresentada na último encontro do conselho de manter o sistema, mas com redução de 20% para 5% da reserva de vagas.

O adiamento foi feito a pedido de um dos representantes discentes que tem cadeira no conselho, Vitor Reis, do Movimento Honestinas. A justificativa é de que não houve espaço para que os estudantes e a comunidade externa participassem das discussões sobre o tema. Antes do início da reunião, um grupo de aproximadamente 100 estudantes se reuniu para debater a proposta da universidade e decidiu pedir um prazo maior para a votação. Os outros conselheiros votaram a favor do adiamento.

A estudante do 4º semestre de direito Mariana Costa Barbosa, que é cotista, questinou o prazo curto de convocação do conselho – apenas dois dias – e o fato de o relatório da comissão responsável por avaliar o sistema de cotas ter sido apresentado durante o recesso, em fevereiro. “Como discutir o projeto sem a participação dos estudantes?”, reclamou.

VOTOS JÁ DADOS

Antes do adiamento, alguns representantes dos institutos já haviam relatado as decisões das respectivas faculdades. Dois votaram pelo fim do sistema de cotas raciais e adoção apenas das cotas determinadas na Lei Federal nº 12.711/2012 – que determina a destinação de 50% das vagas em universidades federais a estudantes de escolas públicas e garante a reserva para pretos, pardos e índios -, dois votaram pela manutenção dos 20% de cotas raciais, outros dois pelo adiamento da deliberação e o restante votou pela redução da reserva de vagas para 5% (veja os votas abaixo).

O representante da Diretório Central dos Estudantes (DCE) Nicolas Powidayko apresentou o resultado de uma enquete feita pelo site do diretório entre os estudantes. No total, 636 votaram, 70% pela manutenção apenas das cotas federais; 16% pela manutenção das cotas raciais como estão hoje; 14% pela redução da reserva para 5%. Nicolas disse que, apesar de o número não ser muito representativo – a universidade tem cerca de 30 mil alunos – o DCE decidiu apresentá-los para ter a opinião dos estudantes representada.

ENTENDA O CASO

O sistema de cotas raciais foi implantado na UnB em 2003 e, de acordo com a proposta inicial, deve ser reavaliado a cada 10 anos. Em fevereiro deste ano, a comissão designada para analisar as perspectivas futuras da ação, montada em 2013, apresentou o resultado do trabalho.

Em 2007, quando apenas um dos irmãos gêmeos foi aprovado para concorrer no vestibular por cota, a forma de avaliação foi transformada e passou a exigir entrevista pessoal. O sistema foi considerado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento que ocorreu em 2012.

A cadeira vazia de Alcides Gonçalves e Lupicínio Rodrigues

O cantor e compositor gaúcho Alcides Gonçalves (1908-1987), na letra de “Cadeira Vazia”, em parceria com Lupicínio Rodrigues, conta a estória da vítima da mulher traidora, volúvel, sempre disposta à traição que, ao voltar arrependida, encontra, senão amor, pelo menos compaixão, uma vez que perdoá-la é impossível. Este samba-canção foi gravado por Francisco Alves, em 1950, pela Odeon.

CADEIRA VAZIA

Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves

Entra meu amor fique a vontade
E diz com sinceridade o que desejas de mim
Entra podes entrar a casa é tua
Já que cansaste de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim

Eu sofri demais quando partiste
Passei tantas horas tristes
Que não gosto de lembrar esse dia
Mas de uma coisa pode ter certeza
Teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia

Tu es a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu
E faz de conta que eu sou o teu paizinho
Que há tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu

Voltaste estás bem, estou contente
Só me encontraste um pouco diferente

Vou te falar de todo coração
Não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar podes comer meu pão

Voltaste estás bem, estou contente
Só me encontraste um pouco diferente

Vou te falar de todo coração
Não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar
Podes comer meu pão

                  (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Aplausos

Vladimir Safatle 
Folha de SP

É de admirar a simbologia. Na semana passada, o Rio de Janeiro foi palco de uma greve de garis. Dificilmente encontraremos uma classe de trabalhadores tratados de maneira tão explícita como subempregados desqualificados.

Recolher lixo, colocar a mão naquilo que os outros desprezaram e jogaram fora parece transformar tais pessoas na representação natural do fracasso humano, gente que alguns prefeririam não ver, pessoas invisíveis.

Assim, quando os garis do Rio de Janeiro declararam greve, logo na semana do sacrossanto Carnaval, o governo municipal compreendeu isso como um verdadeiro crime.  Como tais pessoas invisíveis ousavam manchar o mais belo cartão-postal do país?

Talvez não por outra razão o alcaide do momento, o senhor Eduardo Paes, resolveu colocar seu quepe de capitão de fragata e declarar estarmos, pura e simplesmente, diante de um motim.

Garis em greve só podem ser amotinados que esquecem qual é o seu lugar na escala de valor humano. Ou então, o que não deveria nos surpreender, agentes de Cuba, da Coreia do Norte, capachos de Hugo Chávez e comandados do último vilão do 007 estariam infiltrados na Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) pervertendo a boa índole do nosso povo.

DESSA VEZ FOI DIFERENTE

Mas, sem se incomodar com a situação de amotinados de solo firme, lá foram os garis a fazer uma marcha de greve pelas ruas do Rio. E eis que o improvável acontece: a população sai às ruas para aplaudi-los. Nos meus 40 anos de passagem pelo mundo sublunar, não me lembro de ter visto grevistas serem aplaudidos na rua por populares. Dessa vez foi diferente.

Isso demonstra como parcelas da população não querem esquecer a situação de desprezo e espoliação na qual os trabalhadores pobres brasileiros vivem.

Eles estão dispostos a passar por situações individuais de desconforto, como não ter seu lixo recolhido, a continuar fingir não ver que ainda vivemos em uma brutalidade social insuportável.

Aplaudir sempre foi um gesto de quem reconhece a dignidade do que vê. Aplaudimos artistas pela dignidade da beleza. Aplaudimos oradores pela dignidade da inteligência e da força retórica. Aplaudimos garis pela dignidade dos humilhados que não temem bravatas e ameaças.

As pessoas que aplaudiram garis em greve deram a este país uma dignidade que nem sempre aparece.

Eles fizeram um pequeno gesto de forte carga política e que recupera o sentido do afeto político mais importante: a implicação e a solidariedade dos que deixam de lado, ao menos por um momento, interesses individuais. Naquele dia, o Rio de Janeiro mostrou ao país o caminho a seguir.

(artigo enviado por Mário Assis)

ONU alerta que drogas já movimentam US$ 320 bilhões por ano

Da Agência Brasil

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou hoje (14) que as drogas constituem ameaça internacional que movimenta, pelo menos, US$ 320 bilhões (cerca de R$  756 bilhões)  por ano e que o mercado se manteve estável nos últimos cinco anos.

“O tráfico de drogas é um negócio multimilionário que alimenta as redes criminais em um nível que ainda hoje não conseguimos perceber bem. As drogas ilegais geram cerca de US$ 320 bilhões anuais, e esse é um valor calculado por baixo”, informou nesta quinta-feira o secretário-geral adjunto da ONU, Jan Eliasson.

Está sendo aberta hoje a reunião da Comissão de Narcóticos das Nações Unidas, que reúne mais de 120 países para debater o problema mundial das drogas. Segundo Eliasson, o tráfico de drogas mina o primado da lei e gera corrupção, o que, por sua vez, tem impacto negativo sobre o desenvolvimento.

“As drogas ilícitas e o narcotráfico afetam de forma desproporcional os mais pobres e vulneráveis”, enfatizou, defendendo que, na luta contra as drogas, o respeito aos direitos humanos deve ser um princípio fundamental.

O secretário também indicou que devem ser consideradas alternativas à prisão dos consumidores de drogas e sustentou que os verdadeiros criminosos são os traficantes. Sobre o futuro, Jan Eliasson disse que  não se deve temer o estudo de ideias e perspectivas inovadoras, apesar de considerar que as atuais convenções internacionais devem ser a base de qualquer prática.

GRANDE AMEAÇA

O diretor executivo do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime, Yuri Fedotov, disse que as drogas representam uma grande ameaça para a saúde das pessoas e para o desenvolvimento de vários países. Segundo ele, a magnitude geral da procura de drogas não se alterou substancialmente em nível mundial, o que contrasta com os objetivos fixados em 2009 para eliminar ou reduzir de forma significativa o consumo até 2019.

Entre os êxitos mais recentes, Fedotov assegurou que o mercado de cocaína caiu e que as plantações de folha de coca diminuíram cerca de 26% entre 2007 e 2011. Em relação aos retrocessos, destacam-se a piora da situação no Afeganistão, onde no ano passado houve uma colheita recorde de ópio, de 209 mil hectares, e o aumento da violência na América Central.

Assim como o secretário-geral adjunto, o diretor executivo contra as drogas defendeu uma abordagem que encare o problema como uma questão de saúde pública e não simplesmente criminal. Ele sugeriu que sejam procuradas alternativas à penalização e à prisão. Fedotov acrescentou que a pena de morte aplicada em delitos não violentos relacionados às drogas não está no espírito das normativas internacionais.

Dilma é vaiada e bate boca com manifestantes

Deu no Estadão
A presidente Dilma Rousseff se irritou nesta sexta-feira, 14, com um protesto em evento do Minha Casa Minha Vida, em Tocantins, e disse que os manifestantes “nasceram em berço esplêndido” e “nunca ralaram”. O evento contava com um grupo de simpatizantes da presidente, que estava na parte da frente do palanque, e um ruidoso grupo de pessoas com cartazes contra a Copa do Mundo e reivindicando moradias.
Durante o discurso da presidente, os manifestantes misturavam vaias, apitos e ainda cantavam o hino nacional. Dilma acabou se irritando com o protesto e fez uma exaltada defesa de sua política social, em especial, o Minha Casa Minha Vida, programa que entregou nesta sexta 1.788 casas para famílias carentes de Araguaína (TO).

“Aqueles que não dão importância para as pessoas que não têm casa própria é porque nasceram em berço esplêndido e aqueles que não valorizam o cartão do Minha Casa Melhor é porque nunca ralaram de sol a sol para comprar uma geladeira, um fogão e uma cama”, disse Dilma, sob aplausos de políticos do Estado e parte dos moradores e sob vaias dos manifestantes.

Documentos revelam que cartel do metrô tucano também corrompeu estatais federais no governo Dilma Rousseff

http://www.sudoestehoje.com.br/novoportal/wp-content/uploads/2013/08/metr%C3%B4.jpg

Do site BHaz

O jornal Folha de São Paulo, desta sexta-feira (14), traz denúncias de formação de cartel em fraudar para licitações de trens em São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre. De acordo com a publicação. documentos obtidos pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), em julho do ano passado, sugerem que em 2012 houve fraude em licitações da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), para o metrô de Belo Horizonte, e da Trensurb, em Porto Alegre, ambas estatais do governo federal.

Ainda, segundo a Folha, o Cade irá divulgar relatório que revela indícios de cartel nas duas cidades na próxima semana. O assunto foi discutido em São Paulo na última terça-feira (11) pelo órgão e representantes do Ministério Público que participam das investigações.

A licitação para compra de trens realizada na capital mineira, no fim de 2012, foi vencida pelo consórcio Frota BH, grupo formado pelas empresas estrangeiras Alstom e CAF. A concorrência foi realizada para compra de 10 trens, no valor de R$ 172 milhões. A Alstom ficou com 7% do contrato e a CAF com 93%. As duas também venceram licitação para compra de 15 trens em Porto Alegre, dessa vez com 93% do contrato para Alstom e 7% para CAF.

No ano passado, o governo de São Paulo solicitou investigação de dois contratos, apontando o arranjo entre as empresas, como indício de cartel.

Em nota à Folha de São Paulo, a Alstom negou qualquer participação em cartel para as vendas dos trens. “Os contratos para Belo Horizonte e Porto Alegre foram objetos de licitação pública, onde foram respeitados os marcos legais aplicáveis”, pronunciou-se. A empresa ainda defende que o consórcio feito com a CAF “é permitido pela legislação vigente, de acordo com a capacidade produtiva de cada empresa”.

As assessorias da CAF e CBTU ainda não se manifestaram.

Em São Paulo, mais uma manifestação com vandalismo. Aonde vamos parar?

Da Agência Brasil

Na quinta-feira, manifestação violenta em São Paulo contra a Copa do Mundo. Na sexta-feira, mas vandalismo: dois pelotões da Tropa de Choque da Polícia Militar do estado de São Paulo, entraram pouco depois das 12h30 na Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) e controlaram o quebra-quebra em meio às manifestações de protesto contra a cobrança de estacionamento no local. De acordo com a assessoria de imprensa da companhia, seguranças particulares atiraram com arma de fogo para cima, “como uma medida extrema para conter o tumulto”. Quatro seguranças foram feridos por pedradas.

Além de quebrar as cabines do estacionamento, os manifestantes atearam fogo a prédios, caixas de frutas e outros objetos; queimaram e destruíram um caminhão e um carro.

O Corpo de Bombeiros fez uma vistoria nos prédios da Ceagesp atingidos por atos de vandalismo no final da manhã desta sexta-feira (14/3). Estavam no local 12 viaturas e 35 homens da corporação.

Foram incendiados parcialmente o prédio do Departamento de Entrepostos, o prédio do setor de fiscalização e contêineres de lixo.

Serra falta a depoimento no inquérito do cartel do metrô

Fausto Macedo
Estadão

O ex-governador José Serra (PSDB) não compareceu na tarde de quinta-feira 13, para depor como testemunha no inquérito civil do Ministério Público Estadual que investiga a compra de 320 carros da CPTM em 2008. Os advogados de Serra argumentaram que ainda não tiveram acesso aos autos e que Serra não foi notificado a tempo para comparecer ao Ministério Público.

O promotor Cesar Dario Mariano, que conduz o inquérito civil, ressaltou que “não está investigando” o ex-governador. “Serra é testemunha no inquérito”, disse o promotor.

O inquérito de Mariano é uma das investigações do MP sobre o suposto cartel de multinacionais do setor metroferroviário que teria atuado em São Paulo, entre 1998 e 2008, nos governos Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos do PSDB.

A compra dos 320 carros da CPTM é alvo das investigações da promotoria porque um executivo da multinacional alemã Siemens declarou à PF que foi pressionado pelo Governo Serra para que a empresa não recorresse à Justiça contra a contratação da CAF, que venceu o certame com o preço 15% menor em relação ao oferecido pela Siemens.

O promotor informou que vai notificar novamente o ex-governador para depor como testemunha.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGTodo cidadão tem o dever de prestigiar as investigações e colaborar nos inquéritos e processos. A atitude de Serra é altamente negativa e demonstra menosprezo pela Justiça. Seu currículo também está sujo, com o caso dos precatórios do Parque Villa Lobos, com pagamento irregular de juros de mora, denunciados com absoluta exclusividade aqui na Tribuna da Internet. E estamos falando em prejuízos de R$ 500 milhões, muito pior do que o metrô. (C.N.)

Ministério Público quer penas maiores para senador Zezé Perrela, aquele do helicóptero com cocaína a bordo

Mariana Jungmann
Agência Brasil 

O Ministério Público Federal no Distrito Federal vai recorrer à Justiça Federal para pedir o agravamento da sentença que condenou o senador Zezé Perrela (PDT-MG) à perda da função pública e dos direitos políticos por três anos e multa de R$ 50 mil.

A condenação de Perrela está ligada a processo movido pelo MPF em 2004, quando ele era deputado federal, por improbidade administrativa. Ele foi acusado à época de ter usado irregularmente o apartamento funcional da Câmara, ao permitir que pessoas de fora de sua família ocupassem o imóvel.

Ação semelhante foi movida contra o atual senador Ciro Nogueira (PP-PI), que era quarto secretário da Câmara na ocasião, e foi acusado de conivência com a situação irregular. Mas Nogueira foi absolvido em primeira instância. A juíza considerou que não havia provas de que ele cometera atos de improbidade administrativa, mas sim, de que ele tomara providências para reintegração do imóvel.

DIREITOS POLÍTICOS

O Ministério Público não está satisfeito com a condenação de Perrela e a absolvição de Nogueira, e irá recorrer em até 30 dias contra as duas decisões. No caso do senador mineiro, se a decisão for reformada, ele pode perder os direitos políticos por até oito anos e ser condenado a ressarcir os cofres públicos em R$ 200 mil. Quanto ao senador piauiense, sanções semelhantes podem ser aplicadas, caso ele seja condenado nas próximas instâncias.

O gabinete do senador Zezé Perrela informou que ele foi condenado em “decisão preliminar”, que já está em fase de recurso. Perrela só pretende se manifestar após decisão final da Justiça sobre o assunto. O senador Ciro Nogueira não foi encontrado, e sua assessoria preferiu não se manifestar sobre o recurso do MPF.

As escolhas feitas que predeterminam a vida

Sandra Starling

Ainda estou pensando na recente refrega entre o MST, a polícia e o governo em Brasília. Os manifestantes têm razão: são pífios os resultados dos assentamentos, e não é de hoje. De hoje, a novidade é a aproximação entre Dilma e Kátia Abreu, ou seja, como a economia vai mal e a salvação vem dos grãos, nada melhor que passar a mão na cabeça dos grandes produtores.

As terras encareceram enormemente e, para fazer reforma agrária, há que se pagar pelas desapropriações, e terra ruim ninguém quer. Fica caro fazer assentamento, ainda mais se você pensar que não basta dar a terra, precisa de financiamento e assistência técnica etc. Ninguém quer parar nos cafundós da vida e por lá ficar. Moral da história: vender grãos para os chineses é mais importante que resolver problema de vasta população de deserdados da terra.

MONTADORAS

Foi opção também o modelo escolhido por JK, quando patrocinou a vinda das montadoras de automóveis e em torno delas tudo passou a acontecer. Foi abandonado o sistema de ferrovias – o pouco que havia por aqui –, e tome obra de construção de rodovias por todo lado. Em torno das montadoras, vieram as fornecedoras de autopeças, o transporte de mercadorias passou a ser, preferencialmente, por caminhões, e o de pessoas, por automóveis.

Até a arquitetura mudou: hoje, desvaloriza-se muito um prédio que não tenha garagem para mais de um carro, ainda que a localização do imóvel seja perfeita. E quando um governo opta por estimular a compra do carro ou da moto pelos cidadãos, em plena era da “ideologia dos shopping centers”, na feliz expressão de Renato Janine Ribeiro, agora, então, só erguendo um terceiro andar de viadutos para acomodar tantos carros como os que entopem as cidades brasileiras. Aliás, num de seus rompantes de palanqueiro habitual, Lula chegou a jogar a culpa da imobilidade urbana nos prefeitos que não fazem um número maior de ruas. Veja se é possível tamanha sandice!

PROEZA MAIOR

Mas o trio JK, Lúcio Costa e Niemeyer ainda conseguiu, a meu ver, proeza maior: tirou o povo da jogada. A propósito de criar uma civilização que não ficasse engatinhando que nem caranguejo na beira do mar, transportou a capital da República de um lugar perto do povo e enfiou-a nesse fim de mundo de Planalto Central, reino do funcionalismo público, ilha da fantasia, péssima de clima e de caráter.

Aliás, já dizia Nelson Rodrigues: “Em Brasília todos são inocentes e cúmplices”. Mais perfeito que isso, impossível. Aqui é, sem dúvida, o lugar onde ninguém sabe nada que acontece; onde o que se faz numa repartição pública não é conhecido da outra, nem mesmo agora, quando se confunde informação com transmissão ao vivo, pois a linguagem é hermética – que me desmintam os que acompanharam o julgamento do mensalão, ou os que acompanham as votações na Câmara ou no Senado.

Aqui, ninguém está por perto. Tudo fica muito distante, muito árido, muito escondido, muito sujeito a interpretações. Parafraseando Clarice Lispector: Brasília é um “cemitério de sensações”. O que de pior poderia existir? (transcrito de O Tempo)

Ciência aposenta o exame de próstata e muita gente vai sentir saudade…


Deu no UOL

Um teste barato, fácil e preciso para detectar o câncer de próstata pode
estar disponível nos próximos meses. Estudos mostram que o novo teste,
feito com a urina, pode ser duas vezes mais confiável que o exame de sangue
existente para a detecção da doença.

O teste também informa aos médicos a gravidade do câncer. Além de salvar
vidas, vai aposentar, segundo especialistas, o toque retal. É descrito como
o maior avanço no diagnóstico do câncer de próstata em 25 anos.

Além de preciso, deve custar, quando chegar ao mercado, menos de R$40 por
paciente, o que permitiria a realização de testes em todos os homens a
partir dos 40 anos, como acontece com o câncer de mama.
O material foi desenvolvido por estudiosos da britânica Universidade de
Surrey. Cientistas anunciaram ter chegado a um acordo com duas empresas, o
que porá o teste em consultórios médicos ainda este ano.

O inventor do teste é o professor de oncologia médica Hardev Pandha, que
acredita no potencial de poder detectar rapidamente a doença, salvando
centenas de vidas a baixo custo.

Como os EUA financiaram mais de 150 jornalistas contra Chávez

Eva Golinger
Diário Liberdade

O financiamento tem sido canalizado diretamente do Departamento de Estado através de três entidades públicas estadunidenses: a Fundação Panamericana para o Desenvolvimento (PADF, por suas siglas em inglês), Freedom House e pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid).

Em uma tosca tentativa de esconder suas ações, o Departamento de Estado censurou a maioria dos nomes das organizações e dos jornalistas recebendo esses fundos multimilionários. No entanto, um documento datado de julho de 2008 deixou sem censura os nomes das principais organizações venezuelanas recebendo os fundos: Espaço Público e Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS).

Espaço Público e IPYS são as entidades que figuram como as encarregadas de coordenar a distribuição dos fundos e os projetos do Departamento de Estado com os meios de comunicação privados e jornalistas venezuelanos.

Os documentos evidenciam que a PADF, o FUPAD, em espanhol, implementou programas na Venezuela dedicados à “promoção da liberdade dos meios e das instituições democráticas”, além de cursos de formação para jornalistas e o desenvolvimento de novos meios na Internet devido ao que considera as “constantes ameaças contra a liberdade de expressão” e “o clima de intimidação e censura contra os jornalistas e meios”.

PELA INTERNET

Um dos programas da Fupad, pelo qual recebeu US$ 699.996 do Departamento de Estado, em 2007, foi dedicado ao “desenvolvimento dos meios independentes na Venezuela” e para o jornalismo “via tecnologias inovadoras”. Os documentos evidenciam que mais de 150 jornalistas foram capacitados e treinados pelas agências estadunidenses e 25 páginas web foram financiadas na Venezuela com dinheiro estrangeiro. Espaço Público e IPYS foram os principais executores desse projeto em âmbito nacional, que também incluiu a outorga de “prêmios” de 25 mil dólares a vários jornalistas.

Durante os últimos dois anos, aconteceu uma verdadeira proliferação de páginas web, blogs e membros do Twitter e do Facebook na Venezuela que utilizam esses meios para promover mensagens contra o governo venezuelano e o presidente Chávez e que tentam distorcer e manipular a realidade sobre o que acontece no país.

Outros programas manejados pelo Departamento de Estado selecionaram jovens venezuelanos para receber treinamento e capacitação no uso dessas tecnologias e para criar o que chamam uma “rede de ciberdissidentes” na Venezuela.

Por exemplo, em abril deste ano, o Instituto George W. Bush, juntamente com a organização estadunidense Freedom House, convocou um encontro de “ativistas pela liberdade e pelos direitos humanos” e “especialistas em Internet” para analisar o “movimento global de ciberdissidentes”. Ao encontro, que foi realizado em Dallas, Texas, foi convidado Rodrigo Diamanti, da organização Futuro Presente da Venezuela.

NO MÉXICO

No ano passado, durante os dias 15 e 16 de outubro, a Cidade do México foi a sede da 2ª Cúpula da Aliança de Movimentos Juvenis (“AYM”, por suas siglas em inglês). Patrocinado pelo Departamento de Estado, o evento contou com a participação da Secretária De Estado Hillary Clinton e vários “delegados” convidados pela diplomacia estadunidense, incluindo aos venezuelanos Yon Goicochea (da organização venezuelana Primero Justicia); o dirigente da organização Venezuela de Primera, Rafael Delgado; e a ex-dirigente estudantil Geraldine Álvarez, agora membro da Fundação Futuro Presente, organização criada por Yon Goicochea com financiamento do Instituto Cato, dos EUA.

Junto a representantes das agências de Washington, como Freedom House, o Instituto Republicano Internacional, o Banco Mundial e o Departamento de Estado, os jovens convidados receberam cursos de “capacitação e formação” dos funcionários estadunidenses e dos criadores de tecnologias como Twitter, Facebook, MySpace, Flicker e Youtube.

UNIVERSIDADES

Os documentos desclassificados também revelam um financiamento de US$ 716.346 via organização estadunidense Freedom House, em 2008, para um projeto de 18 meses dedicado a “fortalecer os meios independentes na Venezuela”. Esse financiamento através da Freedom House também resultou na criação de “um centro de recursos para jornalistas” em uma universidade venezuelana não especificada no relatório. Segundo o documento oficial, “O centro desenvolverá uma rádio comunitária, uma página web e cursos de formação”, todos financiados pelas agências de Washington.

Outros US$ 706.998 canalizados pela Fupad foram destinados para “promover a liberdade de expressão na Venezuela”, através de um projeto de dois anos orientado ao jornalismo investigativo e “às novas tecnologias”, como Twitter, Internet, Facebook e Youtube, entre outras. “Especificamente, a Fupad e seu sócio local capacitarão e apoiarão [a jornalistas, meios e ONGs] no uso das novas tecnologias midiáticas em várias regiões da Venezuela”.

“A Fupad conduzirá cursos de formação sobre os conceitos do jornalismo investigativo e os métodos para fortalecer a qualidade da informação independente disponível na Venezuela. Esses cursos serão desenvolvidos e incorporados no currículo universitário”.

Outro documento evidencia que três universidades venezuelanas, a Universidade Central da Venezuela, a Universidade Metropolitana e a Universidade Santa Maria, incorporaram cursos sobre jornalismo de pós-graduação e em nível universitário em seus planos de estudos, financiados pela Fupad e pelo Departamento de Estado. Essas três universidades têm sido os focos principais dos movimentos estudantis antichavistas durante os últimos três anos.

VOZES DO FUTURO

Sendo o principal canal dos fundos do Departamento de Estado aos meios privados e jornais na Venezuela, a Fupad também recebeu US$ 545.804 para um programa intitulado “Venezuela: As vozes do futuro”. Esse projeto, que durou um ano, foi dedicado a “desenvolver uma nova geração de jornalistas independentes através do uso das novas tecnologias”. Também a Fupad financiou vários blogs, jornais, rádios e televisões em regiões por todo o país para assegurar a publicação dos artigos e transmissões dos “participantes” do programa.

Mais fundos foram distribuídos através do escritório da Usaid em Caracas, que maneja um orçamento anual entre US$ 5 milhões e US$ 7 milhões. Esses milhões fazem parte dos 40 a US$ 50 milhões que anualmente as agências estadunidenses, europeias e canadenses estão dando aos setores antichavistas na Venezuela.

A Fundação Panamericana para o Desenvolvimento está ativa na Venezuela desde 2005, sendo uma das principais contratistas da Usaid no país sulamericano. A Fupad é uma entidade criada pelo Departamento de Estado em 1962, e é “filiada” à organização de Estados Americanos (OEA). A Fupad implementou programas financiados pela Usaid, pelo Departamento de Estado e outros financiadores internacionais para “promover a democracia” e “fortalecer a sociedade civil” na América Latina e Caribe.

Atualmente, a Fupad maneja programas através da Usaid com fundos acima de US$ 100 milhões na Colômbia, como parte do Plano Colômbia, financiando “iniciativas” na zona indígena em El Alto; e leva dez anos trabalhando em Cuba, de forma “clandestina”, para fomentar uma “sociedade civil independente” para “acelerar uma transição à democracia”.

Na Venezuela, a Fupad tem trabalhado para “fortalecer os grupos locais da sociedade civil”. Segundo um dos documentos desclassificados, a Fupad “tem sido um dos poucos grupos internacionais que tem podido outorgar financiamento significativo e assistência técnica a ONGs venezuelanas”.

SÓCIOS VENEZUELANOS

Espaço Público é uma associação civil venezuelana dirigida pelo jornalista venezuelano Carlos Correa. Apesar de sua página web (www.espaciopublic.org) destacar que a organização é “independente e autônoma de organizações internacionais ou de governos”, os documentos do Departamento de Estado evidenciam que recebe um financiamento multimilionário do governo dos Estados Unidos. E tal como esses documentos revelam, as agências estadunidenses, como a Fupad, não somente financiam grupos como o Espaço Público, mas os consideram como seus “sócios” e desde Washington lhes enviam materiais, linhas de ação e diretrizes que são aplicadas na Venezuela, e exercem um controle sobre suas operações para assegurar que cumprem com a agenda dos Estados Unidos.

O Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS) é nada mais do que um porta-voz de Washington, criado e financiado pelo National Endowment for Democracy (NED) e por outras entidades conectadas com o Departamento de Estado. Seu diretor na Venezuela é o jornalista Ewald Sharfenberg, conhecido opositor do governo de Hugo Chávez. IPYS é membro da agrupação Intercâmbio Internacional de Livre Expressão (IFEX), financiado pelo Departamento de Estado e é parte da Rede de Repórteres Sem Fronteiras (RSF), organização francesa financiada pela NED, pelo Instituto Republicano Internacional (IRI) e pelo Comitê para a Assistência para uma Cuba Livre.

(artigo enviado por Mário Assis)

Pílulas mágicas

Drauzio Varella
(Folha)

É incrível o poder que o povo atribui às vitaminas. Seus defensores juram que elas melhoram o apetite, evitam gripes e resfriados, reforçam a imunidade, conferem bem-estar e aumentam a longevidade.

Essa crença vem ao encontro do sonho acalentado desde os primórdios pela humanidade: obter tais benefícios sem nenhum esforço, às custas de um elixir da juventude.

Ninguém colaborou tanto para a popularização desses mitos quanto Linus Pauling, agraciado duas vezes com o prêmio Nobel (Química e Paz), que recomendava doses altas de vitamina C para neutralizar os radicais livres produzidos no interior das células, processo que teria o dom milagroso de prevenir câncer, enfermidades cardiovasculares, estimular a imunidade e retardar o envelhecimento celular.Atenta às oportunidades, a indústria farmacêutica investiu pesado na divulgação dessas ideias. Durante décadas, os comerciais de vitamina C para tratamento de gripes e resfriados infestaram o horário nobre das TVs. Campanhas milionárias acompanharam o lançamento de inúmeros complexos vitamínicos.

Os anos 1990 assistiram ao florescimento de um mercado multibilionário nos Estados Unidos e na Europa, que se disseminou pelos países mais pobres. Hoje, americanos e europeus podem comprar o abecedário inteiro de vitaminas e sais minerais em lojas especializadas, do tamanho de supermercados.

O mercado mundial movimenta 68 bilhões de dólares anuais. Cerca de 20 bilhões apenas nos Estados Unidos, país em que a metade da população faz uso de vitaminas. Os japoneses gastam 15 bilhões por ano.

SEM BASE CIENTÍFICA

Esse mercado foi criado sem evidências científicas que lhe servissem de base. Os estudos conduzidos nos últimos 20 anos envolveram números pequenos de participantes, acompanhados durante períodos curtos e com tantos vieses estatísticos que os resultados só contribuíram para criar contradições.

Com a finalidade de analisar as informações mais recentes, a comissão dos Serviços de Saúde dos Estados Unidos encarregada de recomendar medidas preventivas para a população (US Preventive Services Task Force – USPSTF) fez uma revisão cuidadosa das publicações sobre o papel das vitaminas na prevenção de doenças cardiovasculares e câncer, as duas principais causas de morte nos países do Ocidente.
A conclusão não poderia ser mais objetiva: “Não há evidências de que o uso de vitaminas diminua a incidência de doenças cardiovasculares ou câncer”.

Muitos defensores da suplementação vitamínica apresentam a justificativa de que se não fizerem bem, mal elas não fazem.

EFEITOS COLATERAIS

Não é verdade. Além dos efeitos colaterais associados às doses exageradas contidas em muitas apresentações, pelo menos dois estudos realizados para analisar o efeito protetor do betacaroteno em fumantes obtiveram resultados inquestionáveis: a administração de betacaroteno aumenta a incidência de câncer de pulmão nessa população de risco.
Na clínica, canso de ver fumantes tomando complexos vitamínicos que contêm concentrações elevadas de betacaroteno. Alguns o fazem com prescrição médica.
As interações associadas a doses suprafisiológicas de micronutrientes —como ele— são complexas e imprevisíveis. O caso do selênio e da vitamina E na prevenção do câncer de próstata é outro exemplo.

Em 2001 foi iniciado o estudo Select, que envolveu mais de 35 mil homens, divididos aleatoriamente em grupos que receberam vitamina E, selênio, uma combinação de selênio e vitamina E ou um comprimido inerte (placebo).

Planejado para durar 12 anos, o estudo foi interrompido em 2008, quando ficou evidente que o selênio não exercia qualquer efeito protetor e que a vitamina E aumentava o risco de câncer de próstata em até 63%. O grupo com menos casos de câncer de próstata foi o que recebeu placebo.

Vitaminas são úteis para tratar deficiências em crianças pequenas, em pessoas com limitações para se alimentar e em marinheiros com escorbuto nas caravelas lusitanas.
Portanto, prezado leitor, se você não é bebê de colo, não está tão velho que não consiga mastigar e não tem a intenção de atravessar o Atlântico ao sabor dos ventos, coma frutas, legumes e verduras e ponha o corpo para andar. Não jogue dinheiro no vaso sanitário.

(artigo enviado por Mário Assis)