Todos iguais e muito equilíbrio na sucessão

Carla Kreefft

A eleição de 2014 deve marcar o início de um novo período no país. A disputa nacional, embora tenha a presidente Dilma Rousseff como candidata à reeleição, tende a ser mais equilibrada do que foi em outros pleitos. Os motivos desse possível equilíbrio são vários.

Nada mudou no sistema eleitoral. As propostas que constam na tão desejada reforma política não foram aprovadas. Assim, não passam por aí as razões dessa nova característica. Os partidos também continuam os mesmos, especialmente os que polarizam a corrida pela Presidência da República – PT e PSDB. Os tais programas de governo, que somente são vistos em período de campanha eleitoral, não devem trazer grandes novidades. O eleitorado, por mais que tenha crescido um pouco, não pode ser considerado como muito diferente do de 2010.

Em resumo, o que há de novo é o início de um processo de despersonificação dos principais candidatos. Desde a primeira gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) – o segundo mandato após a redemocratização do país –, o Brasil escolhe seus presidentes pelos nomes que eles têm. Fernando Henrique Cardoso e seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, foram e ainda são personagens que criam empatia com a sociedade. Deixaram marcas próprias, estabeleceram identidade.

LULA E FHC

Lula, após dois mandatos, conseguiu eleger a sua apadrinhada, a presidente Dilma Rousseff, o que Fernando Henrique Cardoso não foi capaz de fazer. Mas é preciso reconhecer que, em intensidades diferentes, os dois se afastam do processo eleitoral. Não por desejo deles, mas por força do tempo, pela ausência de cargos de relevância e, especialmente, pelo envelhecimento de suas propostas.

Ambos parecem continuar situados na memória da população, mas de uma forma menos capaz de intervir de forma agressiva na realidade posta. Os candidatos que terão os apoios de Lula, Dilma Rousseff, e de Fernando Henrique, Aécio Neves, ainda não demonstraram ter o carisma dos padrinhos. Falta, diriam os marqueteiros, “aquela pegada”.

A disputa vai contar com candidatos, considerados lideranças sérias e importantes, mas com pouco brilho. Até mesmo a presidente que, pelo cargo que ocupa, poderia se detentora de mais fascínio, se apresenta como uma mulher de personalidade forte, mas sem capacidade de hipnotizar. Os candidatos são comedidos e bem enquadrados em seus discursos e posturas.

Esses traços comuns aos dois principais candidatos podem tornar a eleição presidencial mais equilibrada, mas também mais morna. Ninguém vai apresentar uma grande surpresa e ninguém vai fazer uma enorme bobagem. Os personagens saem para dar lugar a pessoas comuns. Vai ser melhor?

Certeza da incerteza

Vittorio Medioli

O tamanho do estrago econômico que está se abatendo sobre a nação brasileira pode ser medido com os preços da energia elétrica da última semana. Na sexta-feira, o custo do MWh de energia, estimado pela ONS, bateu no surreal valor de R$ 1.691,39, quer dizer 20 vezes mais alto que o custo de três anos atrás nessa mesma época. O Brasil parecia ter estourado o recorde de custo de energia em 2013 quando chegou a R$ 450 por MWh, abalando assim empresas privadas e companhias energéticas, tendo gerado uma perda patrimonial no setor de R$ 54 bilhões. Grande parcela disso, cerca de R$ 20 bilhões, saiu do Tesouro Nacional na forma de socorro ao sistema Eletrobrás, obviamente retirado dos contribuintes.

O patamar atingido agora no meio da estiagem inesperada de verão que se registra nas regiões Sul e Sudeste explode sobre o sistema com desastrosa consequência na economia nacional. A pauta da campanha presidencial deste ano inevitavelmente se centrará sobre o sistema energético nacional, nocauteado por imprevidência e primitivismo do governo atual.

Se para as indústrias brasileiras já era inviável competir com os produtos estrangeiros segurando uma carga abismal de burocracia e tributos, para muitas delas, em breve, só restará fechar as portas. Quem tem em estoque contratos de energia terá que fazer contas e verificará que, em muitos casos, será melhor paralisar suas atividades e revender os contratos embolsando o lucro mais fácil que se possa imaginar. Entretanto, para quem depende de comprar, precisará avaliar como enfrentar a pancada sobre os custos.

Mesmo que um dilúvio desabe sobre o Sudeste – principal caixa d’água do país – no que resta de verão, os custos estratosféricos da energia se manterão neste 2014, e ainda haverá necessidade de racionamento severo.

IRRESPONSABILIDADE

Nesse quadro, o pincel do governo deixa marcas de apocalíptica irresponsabilidade. A presidente Dilma conseguiu superar as piores previsões de quem desconfiava de sua incapacidade de governar. Apresentada por Lula como habilidosa gestora de crises energéticas e convocada para o Ministério das Minas e Energia, ainda ficando por intermináveis sete anos na presidência do Conselho da Petrobras – exatamente no período em que os maiores equívocos foram cometidos, tanto nas apostas delirantes sobre o pré-sal, quanto com a politização eleitoreira da estatal que perdeu sua eficiência e respeitabilidade. Ainda marcam esse período a desestruturação da produção do etanol e um ridículo desempenho no que tange às energias alternativas.

Mas, alcançando a cadeira mais alta do governo, mostrou enxergar os problemas nacionais com a luneta ao contrário, e essa visão anômala fez do setor elétrico mais uma vítima, talvez a pior de toda a trajetória da presidente.

Passados 18 meses se enxerga hoje o tamanho da imprevidência que foi, em plena campanha eleitoral de 2012, Dilma anunciar a diminuição compulsória das tarifas de luz em 28%. Não escutou ninguém a não ser a comadre Gleisi, ex-diretora de Itaipu, a promessa durou o tempo necessário para Haddad ganhar e tomar a Prefeitura de São Paulo, mais algumas semanas de comemoração e tudo voltar pior que antes. A energia industrial subiu 45% acima do nível que recebeu o desconto eleitoreiro.

Como uma alquimista ao contrário, Dilma onde coloca a mão o ouro vira chumbo. Duas colunas da economia brasileira – petróleo e energia elétrica – estão rachadas; Petrobras e Eletrobrás estão abaladas como nunca depois de terem servido de pasto para alimentar projetos de poder.

As épocas em que a bonança varria o planeta, e Lula prometia os royalties do pré-sal, acabaram. A certeza mais recente é a incerteza que será a marca deste e dos próximos anos. (transcrito de O Tempo)

A manipulação da mídia e a interferência da Árabia Saudita na guerra civil da Síria

Achille Lollo
Irã News

A segunda Conferência sobre o futuro político da Síria acabou em Genebra com resultados políticos mínimos que em nada melhoram a situação dos civis, dos presos e dos refugiados.

Foi um resultado com valor perto do “0,5”, visto que o único sucesso registrado pelo encarregado da ONU e pela Liga Árabe, o argelino Lakhdar Brahimi, foi ter conseguido agendar outra sessão de negociações para o dia 10 de fevereiro.

Muitos acreditam que nesta data os representantes de Bashar Al-Assad poderão aceitar a proposta de definir os termos e a metodologia para formar um governo de transição se o que sobrou dos representantes da Coalizão Nacional Síria (CNS) (apenas 35%), terão autonomia política e decisória para aceitar a contraproposta do chefe da delegação síria, Bashar al Jaafari, segundo o qual o atual presidente Bashar al-Assad tem o direito de concorrer nas eleições organizadas pelo governo de transição, visto que as sondagens lhe dão 67% das intenções de voto.

A popularidade de Assad cresceu nesses últimos dois anos, sobretudo em função dos massacres que os grupos armados jihadistas, fundamentalistas sunitas e da Al Qaeda realizaram no centro e no norte do país contra as comunidades cristãs, drusas e alawitas.

TV MANIPULADORA

No que diz respeito às questões relacionadas com a guerra na Síria, a “grande” mídia trabalha em paralelo com a TV Al Jazeera, que, atualmente, é considerada a televisão mais manipuladora do mundo – tanto que hoje quatro dos seus correspondentes estão presos no Egito e outros oito estão sendo procurados pelo Tribunal Militar do Egito por “ter falseado a verdade transpondo imagens de acontecimentos no lugar de outros e, assim obter, efeitos escandalosos que contrariam a realidade”.

De fato, não é a primeira vez que os correspondentes desta TV e, sobretudo seus editores da redação central em Doha (capital do Qatar) criaram autênticos falsos para sufragar campanhas políticas. Por exemplo, ficaram famosas as falsas reportagens realizadas durante a guerra na Líbia e antes desta, na Bósnia e em Kosovo.

De fato, segundo a Al Jazeera, a oposição síria é um organismo unificado, bem organizado, que respeita a Convenção de Genebra, os direitos humanos e que já libertou 90% do território da Síria.

DÓLARES SAUDITAS

Os príncipes da família saudita que assediaram a fase preparatória da Conferência “Genebra 2” fizeram outra imposição à casa Branca relacionada com a escolha dos membros do Conselho Nacional Sírio (CNS), uma vez que todos os chefes dos grupos armados jihadistas e fundamentalistas ligados a Al Qaeda se recusaram negociar com o governo de Damasco.  Assim 65% dos membros do CNS foram vetados pela Arábia Saudita, que comprou a fidelidade dos restantes dando a cada membro um cheque no valor de 2 milhões de dólares.

Entre os líderes do CSN vetados pelos sauditas, o mais famoso é Haytham Manna, líder do Comitê de Coordenação Nacional, um dos mais conhecidos opositores de Bashar al-Assad. A ele os sauditas lhe ofereceram 5 milhões de dólares para ficar no CSN apoiando a linha política traçada pelos representantes do Rei Abdullah. Um cenário que nenhum correspondente ou editor da Al Jazeera ou da Al Arábia tiveram a coragem de revelar.

Mas também a CNN, a BBC, a France Presse, a Reuters etc.etc. não disseram que atualmente nas regiões centrais e nortenhas da Síria os grupos jihadistas entraram em guerra com os islâmicos ligados à Al-Qaeda, provocando a morte de 1.878 pessoas, tanto que o próprio líder da Al-Qaeda, Aiman al-Zawahiri, lançou um apelo pedindo aos chefes dos grupos islâmicos e jihadistas “para acabar a guerra fratricida em curso, visto que o único que se beneficia com isso é o ditador Bashar al-Assad…”.

Transcrito do Brasil de Fato

O amor desesperado de Fagundes Varela

O poeta Luís Nicolau Fagundes Varella (1841-1875), nascido em Rio Claro (RJ),  fazia poemas carregados de paixão, como “Deixa-me”, em que se arrepende de um amor insatisfeito.

DEIXA-ME

Fagundes Varela

Quando cansado da vigília insana
declino a fronte num dormir profundo,
por que teu nome vem ferir-me o ouvido,
lembrar-me o tempo que passei no mundo?

Por que teu vulto se levanta airoso,
tremente em ânsias de volúpia infinda?
E as formas nuas, e ofegante o seio,
no meu retiro vens tentar-me ainda?

Por que me falas de venturas longas,
por que me apontas um porvir de amores?
E o lume pedes à fogueira extinta,
doces perfumes a polutas flores?

Não basta ainda essa existência escura,
página treda que a teus pés compus?
Nem essas fundas, perenais angústias,
dias sem crença e serões sem luz?

Não basta o quadro de meus verdes anos
manchado e roto, abandonado ao pó?
Nem este exílio, do rumor no centro,
onde pranteio desprezado e só?

Ah! não me lembres do passado as cenas,
nem essa jura desprendida a esmo!
Guardaste a tua? A quantos outros, dize,
a quantos outros não fizeste o mesmo?

A quantos outros, inda os lábios quentes
de ardentes beijos que eu te dera então,
não apertaste no vazio seio
entre promessas de eternal paixão?

Oh! fui um doido que segui teus passos,
que dei-te em versos de beleza a palma;
as tudo foi-se, e esse passado negro
por que sem pena me despertas n’alma?

Deixa-me agora repousar tranquilo,
deixa-me agora dormitar em paz,
e com teus risos de infernal encanto,
em meu retiro não me tentes mais!

 (colaboração de Paulo Peres, site Poemas e Canções)

Papai se foi

Wilson Baptista Júnior

Faz alguns dias. Ia dizer que quero escrever para falar um pouco dele para quem não o conheceu. Na verdade, só quero falar para tirar um pouco desse aperto no peito e ficar um pouco dentro da lembrança de tantas horas felizes.

Papai nasceu prematuro, em 1913, e os médicos disseram que ele não ia sobreviver. Mas a sua avó materna, com a determinação da gente brava que nasceu e viveu nos barrancos do Rio das Velhas não quis saber do que diziam os médicos e disse para sua filha e seu genro que o menino ia viver sim, porque ela ia criá-lo.

E por isso ele passou sua infância na cidade vizinha de Santa Luzia, antiga Santa Luzia do Rio das Velhas do Sabarabuçu, na Rua de Trás, na casa de seus avós Mestre Augusto Freire, carpinteiro, e Dona Maria Laura Soares Freire (mas que todo o mundo conhecia como Dona Cocota), costureira e parteira. E como queria a Vovó Cocota, ele viveu. E viveu muito.

Trabalhou desde bem cedo, como escriturário, datilógrafo, taquígrafo. Formou-se em Direito, mas nunca exerceu. Depois de formado foi ajudar o pai, Osias Baptista, o meu vovô Ziza, no cartório de registro civil, que assumiu quando meu avô morreu. E lá ficou por mais de quarenta anos. Como ele dizia, registrou e casou metade de Belo Horizonte, e brincava dizendo que não sabia quantos inimigos e inimigas fez por isso.

Dos avós e dos pais aprendeu a integridade e a bravura pessoal que eu gosto de pensar que passou para nós seus filhos. Descendente de bandeirantes e índios, tinha orgulho do sangue kayapó que lhe corria nas veias.

Casou-se com minha mãe, Hortênsia, a querida mamãe Tentém, que morreu faltando três meses para completar cinquenta anos de casados. E daí viemos os oito filhos, três mulheres e cinco homens, e uma quantidade de netos e bisnetos.

FAZENDO DE TUDO

Durante todo esse tempo, além de trabalhar muito e criar junto com Mamãe essa tropa toda, arranjou tempo para fazer uma porção de coisas interessantes. Foi esgrimista, atirador, várias vezes campeão mineiro, foi fundador do Foto Clube de Minas Gerais, expôs fotografias no Brasil e no mundo inteiro.

Desenhista, está ainda numa das estantes lá de casa uma edição do “Livro da Jângal”, do Kipling, na tradução de Monteiro Lobato, que mandou encadernar depois de primorosamente ilustrada por ele a bico de pena e aquarela. Na sua oficina em casa, até pouco tempo antes de morrer, fazia coisas lindas em madeira e metal. Das grandes em marcenaria às minúsculas em seu torno de joalheiro.

Quando os filhos eram pequenos, em vez dos contos de fadas inventava as histórias que contava para nós na hora de dormir, histórias lindas que depois reuniu em livro, “O Macaco Juca”, também ilustrado por ele a bico de pena, onde os personagens eram os membros da família e os amigos, todos transformados em bichos das florestas brasileiras.

Depois que crescemos escrevia as histórias da família, que dizia (só meio brincando) que não podiam ser publicadas para evitar processos, e ao completar cem anos terminou e publicou uma novela, “A Água”, passada na Santa Luzia antiga.

Nas últimas duas décadas de sua vida os fotógrafos, arquitetos e historiadores mineiros foram redescobrindo seu grande acervo fotográfico, que ele mesmo tratava e arquivava em seus computadores (quando ele já tinha mais de setenta anos cheguei à sua casa e o encontrei programando um daqueles microcomputadores de quase trinta anos atrás – tinha aprendido sozinho), e aí voltou a expor em mostras individuais e coletivas (a última, a cuja abertura ele compareceu, ainda está aberta no Palácio das Artes) e a colaborar com arquitetos e historiadores na recuperação da memória de Belo Horizonte.

CASANDO AOS 95 ANOS

Na festa de seu aniversário de noventa anos conheceu uma amiga de uma de minhas irmãs, começaram a namorar e aos noventa e cinco casaram-se. No seu aniversário de cem anos ainda teve reunidos duas centenas de seus parentes e amigos. Há pouco mais de três meses ainda conseguiu subir, contente, as escadas até nosso apartamento de terceiro andar para tomar um lanche conosco e comer as torradas com mel e canela que não deixavam que ele comesse em casa.

No Natal do ano passado, já (muito a contragosto) numa cadeira de rodas, fez questão de presidir o almoço da família, como fazia todos os anos, e fez o seu último brinde com uma taça de um dos vinhos de que tanto gostava.

Mas no dia doze de janeiro, aniversário de minha mãe, ele decidiu que já era tempo de ir se encontrar com ela. E no dia seguinte, perfeitamente lúcido, rodeado na cama pelo carinho de sua segunda mulher e de todos os seus oito filhos e filhas, a sua vontade de ferro disse ao coração que afinal podia parar de bater.

Quando o vi estendido na cama, o corpo relaxado, o rosto tranquilo, lembrei-me de uns versos de Garcia Lorca, para seu amigo morto, o toureiro Ignacio Sanchez Mejías:

“Tardará mucho a nacer, se es que nace,
un andaluz tan claro, tan rico de aventura”…

No dia seguinte foi levado para o túmulo pelos braços dos filhos e dos netos, que não quiseram que quem não gostava da cadeira de rodas fizesse seu último passeio empurrado num carrinho.

Prefeitura de São paulo proíbe que médicos cubanos falem à imprensa

Pablo Pereira e Fabiana Cambricoli
Estadão
Cubanos do programa federal Mais Médicos, responsáveis pelo atendimento em unidades básicas de saúde nas periferias de grandes cidades e no interior do País, têm trabalhado sem receber o dinheiro da ajuda de custo prometido pelas prefeituras. Para driblar o atraso, eles improvisam repúblicas, vivem de cestas básicas, recebem “vale-coxinha” e pagam, do próprio bolso, a passagem de ônibus para fazer visitas do Programa Saúde da Família (PSF).

Embora o Ministério da Saúde pague as bolsas, cabe às prefeituras arcar com os custos de moradia, alimentação e transporte. A cláusula é uma exigência do governo federal para a participação no programa.

“Em Cuba, disseram que teríamos facilidades que não estamos encontrando aqui. Prometeram, por exemplo, que haveria um carro nas unidades para levar para as visitas domiciliares, mas isso não existe. Temos de pegar ônibus e pagamos a passagem”, diz uma médica cubana que atende em uma UBS da capital paulista.

DESPESAS EXTRAS

Os médicos têm despesa extra de pelo menos R$ 24 com as tarifas. “Parece pouco, mas faz diferença porque recebemos só US$ 400, e o custo de vida aqui é alto”, afirma. A bolsa em torno de R$ 900, ante a de R$ 10 mil paga a profissionais de outras nacionalidades, foi um dos motivos apresentados por Ramona Matos Rodríguez, de 51 anos, para abandonar o programa, no Pará, na semana passada.

Os médicos reclamam também do vale-refeição. “São R$ 180 por mês, dá R$ 8 por dia de trabalho. Onde você almoça em São Paulo com esse dinheiro?”, pergunta um médico trazido por meio do convênio entre a Organização Pan-americana de Saúde (Opas), o governo federal e o governo cubano, que fica com a maior parte da bolsa.

Nenhum cubano ouvido na capital quis ter seu nome divulgado com medo de represálias. Eles receberam um comunicado oficial da Secretaria Municipal da Saúde que os proíbe de conceder entrevista sem autorização. 

Conseguiram o cadáver

Altamir Tojal
(Esse Mundo Possível)

Estavam querendo um cadáver e apostavam que seria de um manifestante morto pela polícia. Não deu certo para eles. A tragédia alcançou o cinegrafista Santiago Andrade. Vamos ver o que dizem os mentores do ódio à imprensa crítica e das hostilidades a jornalistas. Os mesmos que pastoream os black blocs, os excitam, glamorizam e protegem.

Essa cultura do ódio vem sendo fomentada há anos em crianças e jovens por professores militantes, vem sendo difundida na sociedade por ideólogos da violência como estratégia sagrada da revolução salvadora, vem sendo espalhada por governantes corruptos e por políticos oportunistas que instrumentalizam a democracia para chegar ao poder e depois a desmoralizam e a combatem para eternizarem suas posições.

Cabe tudo na grife Black Bloc, desde os desmiolados turbinados pelos intelectuais sem cérebro até os mercenários contratados por partidos e delinquentes pequenos e grandes que querem tirar vantagem da confusão. Conseguiram acabar com as manifestações pacíficas, expulsaram o povo da rua e agora têm um cinegrafista morto.

É preciso responsabilizar autores, patrocinadores e mentores desta ação. É preciso investigar de forma competente e republicana. Se a polícia e a justiça funcionarem como devem, vão acabar descobrindo e punindo os culpados. Estamos acompanhado o Mensalão e sabemos que é possível. Tem de cobrar.

Também é preciso cobrar as instituições da sociedade que por omissão e mesmo apoio à violência são cúmplices de tudo isso. O Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, ao qual sou filiado desde 1971, tergiversou durante meses. Esperaram uma morte para se pronunciar com uma nota mais de contundente.

Outra nota do sindicato, de janeiro, apontava uma situação gravíssima, mas sequer questionava os agressores: “mais um episódio em que um repórter foi impedido de exercer o seu trabalho na cobertura de uma manifestação. Dessa vez, segundo relatos de testemunhas, o profissional, a serviço da Globonews, trabalharia sem identificação e teria sido reconhecido e apontado por midiativistas, que teriam estimulado a sua expulsão de um ato em frente ao Shopping Leblon, neste domingo (19/1)”. A gente pode imaginar o constrangimento desse jornalista, certamente muito jovem.

CAÇANDO JORNALISTAS

Aquela nota do sindicato foi burocrática, protocolar. Que ação o sindicato tomou na ocasião para exigir das autoridades a identificação dos tais “midiativistas”? Essa palavrinha “midiativistas” no texto é eufemismo para esconder quem? Que tipo de gente caça jornalistas trabalhando, “reconhece”, “aponta” e “estimula” a sua expulsão?

Por que o sindicato não convocou uma reunião democrática da classe para discutir a situação? Uma reunião em horário e local que jornalistas possam comparecer em grande número? Participei de algumas, em momentos críticos, com centenas de colegas. Em uma delas, no antigo Teatro Casa Grande, acho que éramos mais de mil.

Por que o sindicato não promove uma manifestação pública, na rua? Imagino que o pessoal do sindicato sabe que liberdade de imprensa não é só direito de jornalista; é direito do cidadão.

Tim Lopes tinha de trabalhar sem identificação. Outros tantos colegas têm de trabalhar assim em áreas e situações de alto risco. Por que a nota do sindicato não perguntou o que obriga um jornalista a ter de ir sem identificação para cobrir um rolezinho no Leblon?

A estratégia de impor a violência para colonizar a rua e expulsar o povo é um sucesso. Quantas manifestações pacíficas estão sendo abortadas pelo medo da violência? Quem ganha com isso? Imagino que o repórter que vai cobrir as manifestações também está contagiado pelo medo. Isso é uma ferida na alma do cidadão e do jornalista. Um está sendo atingido no direito de se manifestar. O outro está sendo aterrorizado no dia a dia do trabalho.

Não tenho dúvidas de que a sociedade vai dar a resposta necessária a esta violência, aos abusos dos governos, aos impostos exorbitantes, à corrupção, aos serviços públicos péssimos, aos aumentos de preços e às ameaças às liberdades e à democracia. Vai chegar a hora que vamos voltar para a rua com ou sem Black Bloc. E vamos fazer valer o nosso voto.

Recomeça no Supremo a briga entre Barbosa e Lewandowski

Carlos Newton

Começou tudo de novo. De um lado do ringue, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que condenou os mensaleiros. Do outro lado, o vice-presidente Ricardo Lewandowski, que fez o possível e o impossível para evitar a condenação dos envolvidos no esquema de suborno de parlamentares.

Em sua primeira intervenção desde o recesso do Judiciário, Barbosa revogou de forma monocrática duas decisões tomadas pelo vice-presidente, ministro Ricardo Lewandowski, enquanto presidia a corte interinamente.

Na decisão, Barbosa disse “reconsiderar” os casos, que suspendiam a proibição de reajustes do IPTU nas cidades de Caçador (SC) e São José do Rio Preto (SP). A decisão de Barbosa foi similar à tomada no caso da capital paulista, em ação movida pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e pelo PSDB.

É claro que atitude de Barbosa vai aumentar ainda mais o desentendimento com Lewandowski, que começou durante as sessões ao vivo do julgamento do mensalão (Ação Penal 470), quando trocaram duras acusações.

Sinais de fumaça no quarto da empregada!

Eduardo Aquino

O mundo está ardendo , prestes a explodir, num momento histórico grave como nunca se viu!

Para onde se olhe, em qualquer parte do mundo, o tecido social se degrada numa velocidade espantosa. A Ucrânia está em revolta civil onde a parte europeia se insurgiu contra a de origem russa. Na Indonésia, há meses a população acampada enfrenta e ocupa ministérios. Na França, em crise, os neonazista, a direita xenofóbica, quer expulsar todos os não franceses ou franceses de segunda linha (negros, asiáticos, latinos, árabes que lá nasceram, mas são discriminados). Os poderosos Estados Unidos nunca tiveram tantos pobres nem tanta diferença entre os mais ricos e os que vivem abaixo da linha de pobreza.

A Europa, falida e com levas de desocupados, quer impedir a entrada de búlgaros e romenos que acabam de conseguir seu passaporte da União Europeia.

China, Índia, África do Sul, Venezuela, Argentina, Russia e antigos emergentes penam com distúrbios raciais e castas, além de violência e crise financeira. Os novos ricos são os corruptos de políticas de privilégio(imagina-se que os altos membros do Partido Comunista chinês têm em paraísos fiscais cerca de US$ 3 trilhões a US$ 4 trilhões!!!

OS RICAÇOS

Recente artigo mostra que as 50 maiores fortunas do mundo têm mais recursos que 1/3 da população miserável, excluída da tal globalização, do mundo tecnológico, de condições mínimas de educação, saúde, moradia e comida. Estamos nos aproximando de ter duas distintas espécies: o homo sapiens e o homo capitalista selvagem e tecnológico. “Há algo de podre no reino da Dinamarca”, como já diria Shakespeare há séculos!

Enquanto isso, olhamos o próprio umbigo, indiferentes, egocêntricos e vaidosos. Mas a população de renda mais baixa, e até a classe média, se espreme feito sardinha em lata em metrôs, trens, ônibus, que tornam o ir e vir um exercício de selvageria. Idosas, grávidas, crianças são atropelados nas entradas e saídas dos meios de transporte deploráveis, que nossos prefeitos, governadores, presidentes, políticos em geral nem imaginam, pois seus helicópteros, carros com ar, aviões os isolam do povão.

Meu Deus, e pensar que sou da época que cedíamos lugar aos idosos, mulheres e grávidas. Estamos perdendo o humanismo, a empatia, a solidariedade, o respeito mínimo. Torcidas do mesmo time viram as costas para o campo e selvagemente se agridem. Torcedores invadem seus clubes para roubar, ameaçar e agredir seu craque que há pouco tempo deu-lhes um título mundial.

AMAR E ODIAR

Ama-se de forma idolátrica, histérica, imatura na mesma proporção que se odeia a ponto de ferir e matar. O certo é que a atmosfera está pesada, respira-se angústia, transpira-se revolta. A violência generalizada é agora vizinha de ricos, medianos e pobres. Estamos em prisão domiciliar, andamos de vidro fechado e cada moto, carro no sinal pode ser um assaltante prestes a dar um bote.

A revolta faz surgir grupos de “justiceiros” que prendem pivetes no poste e uma samaritana o socorre, e é ameaçada. Linchamentos pipocam em todo lugar. Notícias de roubos, balas perdidas, mortes violentas nem incomodam mais.

A corrupção generalizada, seja pelo PT, PMDB, PSDB, DEM e essa sopa de letrinhas que dá náusea e faz vomitar, se torna guerra de redes sociais, onde petistas radicais e os anti tentam radicalizando justificar o injustificável. Radicalismo é em si uma doença grave onde a pessoa é cega de um olho, surda de um ouvido, manca de uma perna. Radicais são imaturos, ignorantes, parciais e pueris. Seja os infiltrados “ black blocs”, que vão desde anarquistas universitários sem noção do certo e errado, sejam adolescentes que adoram ver o pau quebrar ou marginais.

Egoístas e narcisistas, que se escondem covardemente, e que expulsaram um dos movimentos cívicos e espontâneos mais bonito dos últimos tempos em junho de 2013.

Há carência de líderes, ideias, falta de espírito comunitário. Futurólogos preveem guerra tribal, pestes violentas, rebeliões nos próximos 20, 30 anos. Ou não… Quem sabe um milagre, uma invenção altruísta, um novo modelo político, ou até um sofrimento universal que nos reapresente à fraternidade, respeito, compreensão, fé na vida. Afinal, é bom lembrar aos poderosos, ricos, vaidosos que, quando o quarto da empregada pega fogo, toda a mansão vira cinzas! (transcrito de O Tempo)

Tatuador ficará preso por 30 dias

Cristina Indio do Brasil
Agência Brasil 

O plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou, no fim da noite dessa segunda-feira (10), a prisão temporária, com prazo de 30 dias, do suspeito de disparar o rojão que provocou a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Ilídio Andrade, atingido na cabeça. A decisão do Judiciário foi tomada para favorecer o trabalho da autoridade policial no levantamento de provas da participação dele no crime.

“Há evidente necessidade de se resguardar a instrução, a fim de que as demais provas sejam colhidas pela autoridade policial, garantindo-se, ao final, a instrução da causa, que é de grande repercussão e que merece integral apuração, dada a lesividade social que os eventos violentos havidos nas recentes manifestações nesta cidade não mais se repitam”, diz o parecer da Justiça do Rio.

A assessoria da Polícia Civil informou que os trabalhos de investigação para apurar a morte do cinegrafista vêm se desenvolvendo “incansavelmente”.

O tatuador Fábio Raposo, que admitiu ter passado o rojão ao homem que acendeu o artefato, foi preso domingo na casa da mãe, no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio. Ele foi indiciado por tentativa de homicídio e crime de explosão, mas com a morte do cinegrafista, a acusação passa a ser homicídio. O outro homem, que teve a prisão temporária expedida pelo plantão Judiciário na noite de ontem, já tinha sido identificado pela Polícia Civil depois do advogado de Fábio, Jonas Tadeu, ter dado informações ao delegado Maurício Luciano, responsável pelas investigações.

Morte do cinegrafista é homicídio doloso, pela teoria do dolo eventual

Fotógrafos e cinegrafistas fazem ato no local onde Santiago Andrade foi atingido na quinta-feira, durante protesto na região da Central do Brasil Foto: Pedro Kirilos / Agência O Globo

Oigres Martinelli Baleeiro

Peço vênia aos que defendem que a morte do cinegrafista Santiago Andrade teria sido homicídio culposo (não intencional), para deles, respeitosamente, discordar frontalmente.

Esqueceram-se (ou não sabem) que assumir o risco de uma conduta irresponsável é considerado prática dolosa do evento criminoso. É o chamado dolo eventual.

A característica (caricatural) é quando o indivíduo (que tem consciência do seu ato, não vale para os inimputáveis, é lógico) ouve uma voz, ou deveria ouvi-la, ainda que do seu próprio ego – e principalmente de dentro dele mesmo – que diz: “Rapaz, isso é perigoso…” Mas o diabinho que o habita retruca: “Dane-se, que tiver que se danar, não é problema meu!!!”

No gênero dolo eventual há espécies. Dolo aleatório (em quem pegar, se pagar, pegou) e dolo alternativo (deve atingir um policial, mas se atingir outro, tanto faz!).

Não há como fugir da dolosidade. Quanto ao advogado que defende esses criminosos – não por defendê-los, todos têm direito à defesa, mas da forma descompromissada, surreal, como o faz -, cabem duas palavras: “Há advogados que enobrecem o Direito; e há os que empobrecem a Advocacia.”

Uma desesperada canção de amor, por Vicente Celestino

O cantor (tenor), ator e compositor carioca Antônio Vicente Felipe Celestino (1894-1968) lançou um estilo caracterizado pelo romantismo exacerbado, comovendo e arrebatando um grande público durante a primeira metade do século XX, através do teatro, do rádio, de discos e do cinema nacional.

“Mia Gioconda” é uma belíssima canção que conta a estória de amor entre uma jovem italiana e um pracinha brasileiro, na Itália, durante a participação da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial. A música lançada por Vicente Celestino, em 1946, pela RCA Victor, cantada em português e italiano, é um verdadeiro documento histórico sobre a FEB.
MINHA GIOCONDA
Vicente Celestino

Do dia que nascemos e vivemos para o mundo
Nos falta uma costela que encontramos num segundo.
Às vezes, muito perto desejamos encontrá-la,
No entanto é preciso muito longe ir buscá-la.
Vejamos o destino de um pracinha brasileiro:
Partindo para a Itália transformou-se num guerreiro
E lá muito distante, despontar o amor sentiu
E disse estas palavras a uma jovem quando a viu:

“Italiana,
La mia vita oggi sei tu!
Io te voglio tanto bene,
Partiremo due insieme.
Ti lasciar non posso più.
Italiana,
Voglio a ti piccola bionda,
Ha il viso degli amori,
La tue lapri son due fiori.
Tu sarai mia Gioconda”.

Vencido o inimigo que antes fora varonil,
Recebeu ordem de embarcar para o Brasil.
Dizia a mesma ordem: “Quem casou não poderá
Levar consigo a esposa, a esposa ficará”.
Prometeu então o bravo, ao dar baixa e ser civil:
“Embarcarás amada, para os céus do meu Brasil!”
E, enquanto ela esperava lá no cais napolitano,
Repetia estas palavras no idioma italiano:

“Brasiliano,
La mia vita oggi sei tu!
Io te voglio tanto bene,
Chiedo a Dio que tu venga.
Ti scordar non posso più!
Brasiliano,
Sono ancora tua bionda!
Mio sposo hai lasciato,
Questo cuore abandonato
Che chiamasti di Gioconda.
Di Gioconda!
Di Gioconda!”

            (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Últimas dúvidas da seleção

12

Tostão
O Tempo

Felipão e todos os treinadores de seleções que estarão na Copa fazem suas últimas escolhas. Apenas os medíocres e os onipotentes não têm dúvidas. Todos devem ter visto a vitória do Chelsea sobre o Manchester City, por 1 a 0. Pena que Fernandinho, contundido, não atuou. Ele estaria em minha lista de convocados, mesmo se todos da posição estiverem bem, no lugar de Lucas Leiva ou de Hernanes.

Interessante que Mourinho, ao escalar mais um marcador no meio-campo, tirou Oscar, e não Willian. Oscar é titular da seleção. Willian merece também estar no Mundial. Ramires atuou pela direita, marcando e atacando. Se não for titular na Copa, poderá ser o primeiro reserva em mais de uma posição. Ramires foi um dos jogadores que mais evoluíram nos últimos anos. Deixou de ser um armador confuso, que errava muitos passes, sem perder a velocidade para marcar e chegar à frente. Pena que ainda finaliza mal.

David Luiz jogou de volante. Nessa função, prefiro outros jogadores do Chelsea e da seleção. Felipão não deu também nenhum sinal de que poderá escalar três zagueiros, como fez em muitos momentos na Copa de 2002, apesar de ser, às vezes, surpreendente.

Planejar é essencial, mas, em qualquer atividade, muitas decisões intuitivas, repentinas, são as mais brilhantes e eficientes, quando feitas por um bom observador, que não seja refém do que foi ensaiado.

O título da Copa das Confederações não pode ser o único critério para a escolha de titulares e reservas. Esse foi um dos erros de Parreira e Dunga, nas Copas de 2006 e 2010. Muitas coisas mudam. Além disso, se o Brasil tivesse escalado alguns outros jogadores, no ano passado, teria também sucesso. As circunstâncias, dentro e fora de campo, eram favoráveis. Não há nenhuma certeza de que tudo se repetirá no Mundial.

Luís Gustavo atuou bem na Copa das Confederações porque, além de marcar, mostrou que tem um bom passe na saída de bola da defesa. Fred, além de fazer gols, evoluiu, quando passou a se movimentar mais. Os dois estarão bem na Copa?

Há outras possibilidades. Volantes que chegam bem ao ataque, como Ramires e Fernandinho, podem se adaptar muito bem a uma posição mais recuada, sem perderem o talento ofensivo. Meias que entram muito na área e finalizam bem, como Oscar, Neymar e Hulk, também se adaptariam bem a uma função mais à frente. Só não entendo a opção de Robinho para uma eventual ausência de Fred. Robinho não está bem no Milan e finaliza mal.

Os treinadores de todo o mundo gostam de contrariar a preferência da imprensa. Muitas vezes, com razão. Basta um brilhareco para pedir fulano na seleção. Quem influencia Felipão em suas decisões? Murtosa? Parreira? Não parece. Imagino que sejam seus companheiros de infância, reunidos para tomar chimarrão.

AINDA É CEDO

Não existe razão para a torcida do Atlético criticar tanto Paulo Autuori. O Galo está em início de temporada, tem problemas em várias posições, Ronaldinho está ausente, e os jogadores ainda não se adaptaram aos conceitos do novo treinador.

No Cruzeiro, o time é o mesmo, e as substituições têm sido as mesmas, do meio para frente. As únicas novidades são Marcelo Moreno, que é muito parecido com Borges, e o jovem Marlone, que estreou contra o Villa Nova. Ele, certamente, será reserva por um bom tempo. Como Felipão, Marcelo Oliveira tem de ficar atento para mudar o time, se necessário, na hora certa. “Nem tudo será como antes”.

Advogado quer descaracterizar tese de homicídio na morte do cinegrafista

Isabela Vieira
Agência Brasil

O advogado Jonas Tadeu Nunes revelou a tese de defesa do manifestante Fábio Raposo, de 22 anos, investigado pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, de 49 anos. O jornalista foi vítima de um explosivo durante a cobertura de uma manifestação na última semana e teve morte cerebral. Para defender o ativista, o advogado alegará lesão corporal gravíssima seguida de morte para se contrapor à acusação da Polícia Civil de homicídio qualificado.

“Para nós, houve uma lesão corporal gravíssima seguida de morte. Não há homicídio porque não existiu a vontade  livre e consciente de acender isso [o rojão] para atingir o jornalista”, disse Jonas Tadeu. Para ele, Fábio e os demais envolvidos deveriam responder por dolo eventual. “Passar um rojão é bem diferente de uma arma de fogo, que com certeza pode lesionar”.

O advogado espera, com a tese de lesão corporal, reduzir a pena do acusado. “Existe aí a imprudência, a negligência, porque eles poderiam ter acendido e usado aquilo de outra maneira, não estou eximindo eles de culpa ou responsabilidade”, completou o advogado.

O advogado também pediu ao suspeito indicado por Fábio que se entregue à polícia. “A defesa que fazemos aqui será a mesma para essa pessoa. Se ele for inteligente, ele se apresentará e colaborará com a polícia”, declarou. O advogado não chegou a conversar com o segundo suspeito, entrou em contato apenas com o intermediário indicado por Fábio, que se entregou no final de semana.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA tese do advogado é até plausível, porque não havia a intenção de matar e ocorreu a delação voluntária. Mas também deve ser levada em conta a circunstância agravante de que o lançamento de artefato que poderia matar foi feito intencionalmente, não interessa se lançado contra a polícia ou contra outros manifestantes. Uma coisa é você estar dirigindo um carro e atropelar uma pessoa que atravessou a rua fora da faixa de pedestre (homicídio culposo, sem intenção). Outra coisa é você colocar o carro no alto de uma ladeira, soltar o freio e deixar ele descer a rua sem motorista, sabendo que há pessoas passando lá embaixo (crime doloso, mas sem vítima predeterminada). De toda forma, o crime foi grave e deve render alguns anos de cadeia. (C.N.)

Segundo cubano a abandonar Mais Médicos diz que está nos Estados Unidos

Mariana Tokarnia
Agência Brasil 

O médico cubano Ortelio Jaime Guerra é mais um a deixar o Programa Mais Médicos. O médico trabalhava em Pariquera-Açu, no estado de São Paulo, para onde havia sido designado. A prefeitura confirma, mas não detalha a saída do médico. O Ministério da Saúde, por meio da assessoria, diz que está levantando informações sobre o que ocorreu. Nas redes sociais, o médico informa que está nos Estados Unidos.

Ontem (9), Guerra publicou na internet uma mensagem aos “amigos de Pariquera-Açu”. Ele disse que teve que ir embora sem falar com ninguém por questões de segurança. Ele agradece a bondade e o amor dos colegas e promete voltar um dia para visitá-los. O médico diz também que está bem, que considera essa uma atitude necessária, mas que sempre terá orgulho de Cuba, “mi terra y mis raíces [minha terra e minhas raízes]”. Guerra comentou que uma foto, postada no dia 2 deste mês, foi tirada em uma das últimas noites em São Paulo.

Em outro caso de cubano que abandona o programa, a médica Ramona Matos Rodriguez chegou a Brasília no dia 1º, depois de deixar o município paraense de Pacajá, onde prestava serviços. A cubana se disse enganada pelo governo de Cuba e alegou receber US$ 400, valor aquém dos R$ 10 mil recebidos pelos demais participantes do programa.

Além das deserções, o programa apresenta problemas na hora de ofertar alojamento, alimentação e transporte aos profissionais. Pelas regras do Mais Médicos, isso compete aos municípios. Segundo o Ministério da Saúde, todas as prefeituras que não estão cumprindo essas contrapartidas estão sendo notificadas. Elas têm cinco dias para oferecer uma resposta e 15 dias para solucionar os problemas. O município que não cumprir o prazo será descredenciado e os médicos realocados.

Segundo o Ministério da Saúde, 37 prefeituras foram acusadas de irregularidades. Dessas, 27 regularizaram a situação. Uma, no entanto, a de Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte, foi desligada do programa. Além dos dois médicos que abandonaram o programa, 22 cubanos se desligaram regularmente do Mais Médicos e retornaram ao seu país.

A ignorância política do povo é relativa

Juscelino Almeida

Talvez devêssemos aprofundar nossas reflexões a partir da constatação de que os partidos são formados por políticos e estes lá se encontram eleitos por nosso povo, este, sim, responsável pelo que ocorre no país.

Mas dirão que ele é mantido na ignorância propositalmente por aqueles que se banqueteiam no poder e eu direi que, nos tempos atuais, não se pode tê-lo como ignorante dos fatos. Por menos que a imprensa informe – e ela tem lá seus interesses e pecados em jogo – o povo sabe o que acontece no país.

Povão, povo, empresariado, elite, “zelites”, todos sabem. Mas estão todos interessados em zelar primeiramente por seus interesses pessoais, lançando para segundo plano os interesses coletivos.

Petrobras sob ataque especulativo?

Do Correio Braziliense

O ano de 2014 soma apenas cinco semanas. Tempo suficiente para as ações da Petrobras acumularem perdas de quase 20% e atingirem o menor nível desde dezembro de 2008. Não há, porém, um grande fato novo que explique o tamanho do tombo da estatal. O motivo está na intensificação de uma safra de más notícias já conhecidas pelo mercado. O resultado é uma perda de cerca de R$ 40 bilhões em valor de mercado no período.

Entre os analistas, há a avaliação comum de que a fuga de investidores estrangeiros de empresas de países emergentes nas últimas 12 semanas é um dos fatores que mais pesam.

Além disso, a política de não equiparar combustíveis aos custos internacionais, a alta do dólar, o ano de eleições, dúvidas sobre capacidade de investimento e a preocupação do impacto de um eventual reajuste de preços na inflação estão entre os motivos para o mau humor. Na última quarta-feira, também contribuiu para a queda o adiamento da divulgação dos resultados da companhia no quarto trimestre do dia 14 para o dia 25.

O ministro da Fazenda e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Guido Mantega, afirmou serem “absurdas” as especulações no mercado em torno do adiamento da apresentação dos resultados financeiros. “É uma questão meramente técnica, só para que possamos ter mais tempo de preparar os dados para a próxima reunião. É só isso.”

PLANO DE NEGÓCIOS

A perda de valor de mercado da Petrobras é a maior entre as companhias abertas, segundo um levantamento da consultoria Economática.

Passou de R$ 214,6 bilhões em 31 de dezembro para R$ 175,1 bilhões na última terça-feira.

Uma fonte da petroleira informou que o Conselho de Administração da empresa pode apreciar, ainda neste mês, o plano de negócios quinquenal dela, para o período 2014/2018.

(matéria enviada por Celso Serra)

O ano de 2014 soma apenas cinco semanas.

Tempo suficiente para as ações da Petrobras acumularem perdas de quase 20% e atingirem o menor nível desde dezembro de 2008. Não há, porém, um grande fato novo que explique o tamanho do tombo da estatal. O motivo está na intensificação de uma safra de más notícias já conhecidas pelo mercado. O resultado é uma perda de cerca de R$ 40 bilhões em valor de mercado no período.

Entre os analistas, há a avaliação comum de que a fuga de investidores estrangeiros de empresas de países emergentes nas últimas 12 semanas é um dos fatores que mais pesam.

Além disso, a política de não equiparar combustíveis aos custos internacionais, a alta do dólar, o ano de eleições, dúvidas sobre capacidade de investimento e a preocupação do impacto de um eventual reajuste de preços na inflação estão entre os motivos para o mau humor. Na última quarta-feira, também contribuiu para a queda o adiamento da divulgação dos resultados da companhia no quarto trimestre do dia 14 para o dia 25.

O ministro da Fazenda e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Guido Mantega, afirmou serem “absurdas” as especulações no mercado em torno do adiamento da apresentação dos resultados financeiros. “É uma questão meramente técnica, só para que possamos ter mais tempo de preparar os dados para a próxima reunião. É só isso.”


Plano de negócios

A perda de valor de mercado da Petrobras é a maior entre as companhias abertas, segundo um levantamento da consultoria Economática.

Passou de R$ 214,6 bilhões em 31 de dezembro para R$ 175,1 bilhões na última terça-feira.

Uma fonte da petroleira informou que o Conselho de Administração da empresa pode apreciar, ainda neste mês, o plano de negócios quinquenal dela, p

Lembrem-se de que as multinacionais só geram tecnologia em seus países de origem

Flávio José Bortolotto

Mesmo sabendo pouco, uma coisa posso afirmar: empresa multinacional nunca gera tecnologia fora de seu país de origem. É por isso que temos que fazer todos os esforços para desenvolver uma economia autóctone, geradora de crescente tecnologia nacional, que é motor de uma política desenvolvimentista de capitalização crescente e de alto padrão de vida.

Em termos econômicos, por exemplo, eu preferiria me comunicar via pombos-correios, com tecnologia nacional, do que usando os mais modernos equipamentos de multinacionais.

Partindo dos pombos-correios e acreditando na competência nacional, não tenho dúvidas que, no futuro, fabricaremos semicondutores (chips) de última geração e muito mais. Mas dependendo das multinacionais, ficaremos eternamente na dependência da tecnologia delas.

É por isso que achei acertada a decisão do governo de comprar e desenvolver, via subsidiária da Embraes, os caças Gripen NG da Saab sueca. Além dele, que é uma plataforma de tiro, os avionics (computadores-programas), e o mais importante de tudo, os mísseis ar-ar, ar-terra. A chamada indústria de defesa é altamente geradora de tecnologia.

A ideologia que nos oprime

Percival Puggina

Volta e meia ouço que as ideologias acabaram. Ensinam-me que esquerda, direita e seus arredores perderam prazo de validade. Vai atrás! Chega a ser engraçado porque não abro jornal, não ouço rádio nem assisto tevê sem que as ideologias fluam aos borbotões das palavras e das imagens. Elas estão entre as mais imediatas causas das notícias. A ideologia que rege a banda nacional, por exemplo, está desintegrando a sociedade. Será preciso mais, para que o reconheçamos?

Rouba-se tudo de todos. O carrinho do bebê e, não raro, também o bebê. A pensão da velhinha e o guarda-chuva do velhinho. Rouba-se tudo de todos. O país virou um covil onde ladrões espantam turistas e apavoram os nativos. Por quê? Porque nossos governantes, legisladores e muitos magistrados consideram de “baixa lesividade” os crimes contra o patrimônio (alheio, claro). Nem por roubo à mão armada alguém vai para regime fechado. Se condenado, o assaltante ruma para o semiaberto, onde não tem vaga. E daí para casa e para as ruas.

É por isso que um desmanche de automóveis pode ser fechado quatro vezes. E continuar operando. E é por isso que os vândalos promovem trottoirs em Porto Alegre, quebrando o que encontram pela frente, enquanto a Brigada Militar a tudo assiste zelando pelo bem estar e segurança dos facínoras. Bem sei o quanto essa determinação superior contradiz o ânimo e os princípios que norteiam a formação dos membros da corporação.

DIREITO À PROPRIEDADE

O zelo pelo patrimônio privado ocupa o último lugar entre as preocupações das autoridades nacionais. Tendo o direito à propriedade deixado de ser significativo, por motivos doutrinários, filosóficos e ideológicos, tais crimes sumiram do catálogo das condutas coibidas. De tanto repetir que pedra é pau, furto e roubo se converteram em atos de justiça distributiva. “Encostaram-lhe uma arma no peito? Depenaram seu apê? Vá catar coquinho. Cada um com seus problemas.”

De nada vale mostrar o quanto é malévola e incoerente essa ideologia de twitter, essa filosofia de quarto de página. Afinal, se o ladrão rouba por necessidade e não por adesão livre e racional ao crime, como explicar o vertiginoso aumento da criminalidade num período de expansão do emprego e da renda das pessoas? Temos, aqui, duas fatuidades: a ideologia que inspira o governo e sua política social. O crime avança – sei que a nada serve repeti-lo – porque é um negócio de alta renda e baixo risco.

Há muitos anos ouvi de alguém com influência na formulação das concepções a que estamos atrelados que nossos códigos protegiam mais os bens do que as pessoas. Foi como subir instantaneamente numa escada e espichar os olhos na direção do horizonte. Estava visto aonde aquilo iria nos levar. Hoje, o ladrão toma-te os bens na boa, mas se o ofenderes com palavras interditas, “preconceituosas”, raios e trovões cairão sobre tua cabeça.

Ante a inércia, aumentou significativamente o furto e, mais ainda, o roubo à mão armada, não raro com execução das vítimas. A desatenção aos crimes contra o patrimônio acabou com a segurança das pessoas cuja proteção se pretendeu priorizar – quem não vê? Ou será preciso desenhar? Não se constroem presídios e os existentes, superlotados, regurgitam as populações carcerárias de volta às ruas. Por fim, diante desse quadro macabro, nossos governantes fazem quanto podem para desarmar a população. E proclamam, com candura, que não há ideologia alguma nisso.