Mandela neles!

João Gualberto Jr.

A ideia inicial era dedicar esse espaço ao legado de Mandela, uma entidade pública que compreendeu, melhor do que nenhuma outra, a potencialidade do esporte como instrumento de construção de conciliação e fraternidade de um povo. Ele não só entendeu como se dedicou a esse intento e teve sucesso em um país à beira do abismo de uma guerra civil racial. Mas muito já se homenageou aquela tempestade sorridente de homem – como os senadores aqui ao lado. E toda menção, seja aqui ou além do Atlântico, tem razão e mérito.

Mas grita mais alto o país do futebol, a pátria de chuteiras, a sede da Copa. Nos últimos dias, duas passagens se destacaram nesse meio-de-campo. Como pode uma imagem de herói nacional virar pó (não é trocadilho)? É a sanha por grana que transformou Ronaldo? O apetite que tinha por gol parece ter se deslocado para novos contratos. Desde que foi coroado “embaixador do mundial” ou algo que o valha ele não dá uma dentro. Atestado disso é a entrevista que deu ao nosso repórter Thiago Nogueira, na semana passada, no britanizado “Final Draw” baiano. Ronaldo tornou-se um sujeito reativo, daqueles que respondem já justificando qualquer suposição ou receio, mesmo quando a pergunta é neutra.

Foi assim, da mesma forma babaca que o ex-craque explicou em coletiva que estrangeiros não entendem o “jeitinho brasileiro”, nossa forma peculiar de cumprir compromissos públicos. Em outro idioma, ele passou o atestado de incompetência para o mundo ao tratar dos atrasos nos cronogramas dos estádios.

A NOIVA ATRASADA…

Paralelamente, Aldo Rebelo, a autoridade pública presente, solta a infeliz metáfora da noiva que atrasa, mas não compromete o casamento. Depois, Blatter, o cartola-mor, reza a Deus e a Alá para que não ocorra outro acidente como o que vitimou dois operários e parte da cobertura do Itaquerão. Aliás, tal como essas falas recheadas de ciência e seriedade, o futuro estádio do Corinthians é o símbolo do trato correto da coisa pública na organização da Copa: fiaram-se em um lote vago como cenário da abertura.

E, para fechar o fim de semana, o episódio dantesco na arquibancada de Joinville – cidade catarinense escolhida pelo Atlético Paranaense mandar um jogo contra o carioca Vasco. As desventuras em série começam por esse arranjo geográfico esquisito. As cenas horrorosas correm o mundo, apesar da indisposição das maiores emissoras de TV. É mais um atestado de incompetência do país da Copa.

Torcedor-mafioso briga mesmo, quebra o pau, é essa a razão de eles existirem. Mas bandido medieval se trata com a coerção da lei, do estado de direito, certo? Como atleticanos e vascaínos brigaram por tanto tempo sem um policial entre as hordas? Agora, ficam o Ministério Público e a Polícia Militar de Santa Catarina apontando o dedo um para o outro.

Da arquibancada ao presidente da República, todos devem ter uma lição como Mandela. Esporte não deveria combinar com crimes, tragédias e malversações. (transcrito de O Tempo)

João Paulo Cunha sobe hoje à tribuna para apresentar ‘provas esquecidas pelo Supremo’

Márcio Falcão
Folha

C
ondenado no julgamento do mensalão, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) prepara para esta quarta-feira (11) o lançamento de uma revista e um discurso no plenário da Câmara para se defender e criticar o Supremo Tribunal Federal.

O petista distribuiu convites eletrônicos e telegramas convidando colegas para o ato. Segundo interlocutores, Cunha vai apresentar provas que foram “esquecidas” pelo Supremo e reforçar a tese de que não participou de um esquema de compra de apoio político no Congresso durante os primeiros anos do governo Lula. Essa é una das poucas intervenções feitas pelo deputado na Casa sobre o escândalo.

Na época do mensalão, Cunha era presidente da Câmara. Como ele tem um recurso contra sua condenação, que só será analisado em 2014, aliados dizem que ele ainda não pensa em renúncia, como fizeram os ex-deputados José Genoino (PT-SP) e Valdemar Costa Neto (PR-SP) após serem presos pelos crimes do mensalão.

REGIME FECHADO

Cunha foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão em regime inicialmente fechado pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Contudo, o caso será definido apenas no ano que vem já que Cunha teve direito a apresentar recurso contra um dos crimes –lavagem de dinheiro– porque obteve 4 dos 11 votos do Supremo por sua absolvição.

O recurso, conhecido como embargos infringentes, possibilita a reversão de condenações e é cabível quando o réu obtém quatro votos por sua absolvição em algum crime. No caso de lavagem, Cunha foi condenado num placar de 6 a 5. A defesa apresentou o recurso em novembro e caso consiga a absolvição por lavagem de dinheiro ele poderá cumprir no semiaberto – quando só é preciso dormir na cadeia – sua pena pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público) e corrupção passiva, que somam 6 anos e 4 meses.

No começo de dezembro, a defesa do deputado petista enviou ao STF um recurso em que pede a absolvição pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público) e corrupção. Nesses crimes, as condenações aconteceram por 9 a 2. Apesar de não ter alcançado os quatro votos, a defesa de Cunha entende que o regimento interno do STF permite a apresentação dos embargos infringentes mesmo quando só há um voto favorável. Além disso, destaca que a possibilidade de revisão de condenações representa um direito ao princípio da igualdade e ao do duplo grau de jurisdição.

O aqui e o agora de Waly Salomão

O advogado e poeta baiano Waly Dias Salomão (1943-2003), no poema “Hoje”, demonstra seu frenesi pela vida,  sua sede de celebrar o momento presente: o aqui e o agora.

HOJE
Waly Salomão

O que menos quero pro meu dia
polidez, boas maneiras.
Por certo,
um Professor de Etiquetas
não presenciou o ato em que fui concebido.
Quando nasci, nasci nu,
ignaro da colocação correta dos dois pontos,
do ponto e vírgula,
e, principalmente, das reticências.
(Como toda gente, aliás…)
Hoje só quero ritmo.
Ritmo no falado e no escrito.
Ritmo, veio-central da mina.
Ritmo, espinha-dorsal do corpo e da mente.
Ritmo na espiral da fala e do poema.
Não está prevista a emissão
de nenhuma “Ordem do dia”.
Está prescrito o protocolo da diplomacia.
AGITPROP – Agitação e propaganda:
Ritmo é o que mais quero pro meu dia-a-dia.
Ápice do ápice.

Alguém acha que ritmo jorra fácil,
pronto rebento do espontaneísmo?
Meu ritmo só é ritmo
quando temperado com ironia.
Respingos de modernidade tardia?
E os pingos d’água
dão saltos bruscos do cano da torneira
e passam de um ritmo regular
para uma turbulência
aleatória.

Hoje…

       Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Cabral não toma jeito e volta a usar helicóptero com a família nos fins de semana

HANRRIKSON DE ANDRADE

DO UOL

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), voltou a utilizar o helicóptero oficial do Estado para se deslocar entre a capital fluminense e o município de Mangaratiba, na região da Costa Verde, onde ele possui uma casa de veraneio em um luxuoso condomínio.

O governador havia parado de se deslocar com a família desde a discussão em torno de suas viagens com o helicóptero oficial do Estado, reveladas em uma reportagem da revista “Veja”, em julho deste ano. Pressionado, o chefe do Executivo estabeleceu regras para o uso de aeronaves por meio do decreto 44.310, publicado no Diário Oficial no dia 5 de agosto.

De acordo com os relatórios de controle de aeronaves da Secretaria Estadual da Casa Civil, Cabral viajou na companhia da mulher, Adriana Ancelmo, dos dois filhos e da babá das crianças em cinco domingos consecutivos –no período entre os dias 13 de outubro e 10 de novembro. Os relatórios informam que as viagens foram justificadas por “recomendação da Sub-Secretaria Militar”, departamento vinculado à Casa Civil.

Em nota, o subsecretário militar da Casa Civil, Fernando Messias, afirmou que o uso dos helicópteros do Estado “tem ocorrido de acordo com o decreto regulamentador”, e disse não abrir mão do uso de aeronaves nos deslocamentos do governador e da família em função de eventuais riscos.

Conselho Nacional de Justiça, presidido por Joaquim Barbosa, lança campanha contra corrupção

Da Agência Brasil

Brasília – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou hoje (9), Dia Internacional contra a Corrupção, uma campanha nas redes sociais para estimular os cidadãos a adotar comportamento mais ético. O conselho produziu peças publicitárias que serão postadas no Facebook e no Twitter, com frases que utilizarão a hashtag#CorrupcaoNao.

O objetivo da campanha é mostrar à população que não basta criticar os escândalos de corrupção e estimulá-la a cumprir a lei. O CNJ orienta os cidadãos, por exemplo, a não comprar produtos piratas e não aceitar pagar propina para se beneficiar de alguma situação.

A estimativa do conselho é que o Judiciário julgue 30 mil processos de corrupção até o fim de 2013. A prioridade faz parte da Meta 18, que determina que todos os processos de improbidade administrativa e contra a administração pública sejam julgados até o fim do ano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Como se sabe, o Conselho Nacional de Justiça é presidido pelo ministro Joaquim Barbosa, que já tem 15 % das preferências do eleitorado, mesmo sem ser candidato. O lançamento da campanha contra a corrupção é mera coincidência? Ou não? Barbosa já está em campanha? Ou não? (C.N.)

Resposta à comentarista Viviane Ramos, que tanto adora o PT

Roberto Velasquez

Creio que é melhor nós esperarmos as investigações que o caso requer, pois trata-se de algo sério demais para desqualificarmos alguém que trabalhou para este governo, e tem todo o direito de se expressar, principalmente quando Tuma Júnior afirma que sofreu coações do governo de Lula, mas não se intimidou, e por isso está denunciando. Neste caso, haver CPI é certíssimo. 

O fato do denunciante ter a idade ou não para trabalhar no serviço público é irrelevante, porque estávamos em um período discricionário e tudo era possível acontecer. As crianças costumam dizer a verdade, e quando adultos lembram mais da infância do que de ontem.

Viviane, lembra-te de quem denunciou o mensalão foi o Roberto Jefferson, a quem o Lula disse que daria um cheque em branco. Todos sabemos que sobre Lula pesam as mais duras acusações de corrupção, que nem Collor no auge de seu inferno sofreu, sobretudo do PT, mas hoje Lula e Collor são verdadeiros amigos, e neste momento estão juntos na África do Sul com Sarney e FHC. Faltou Maluf que não pode ir porque senão seria preso. Como explicar isto? Quem paga esta farra?

Se quisessem homenagear de verdade o Mandela, bastava economizar o dinheiro público com redução de despesas que poderiam ser feitas aos bolsos de um dos povos mais miseráveis. 

CÚPULA NA PRISÃO 

Onde há fumaça há fogo, ainda mais tratando-se de um partido que já tem quase toda sua cúpula na prisão. Quem sabe se daqui a pouco Lula não os visitará para não mais voltar. Tudo o leva para este caminho, porque disso ele não ficará impune, pois com dinheiro saqueado dos cofres públicos para beneficiar banco através de campanha publicitária assinada pelo presidente da República, é mais do que provável. O processo já corre em Minas.

É melhor aguardar porque, pelo menos tendo-se documentos, como o Tuma Júnior afirma ter, o Lula não poderá dizer que não sabia, ou que não estava presente.

Veja bem o caso Rose Pacotão. Já apurado com rigor pelos órgãos competentes, mas ainda não terminado, mas caminha para algo para ser revelado como crime pior que o mensalão. Ela foi demitida pela Dilma juntamente com parentes que praticavam todo tipo de corrupção dentro do próprio gabinete presidencial em São Paulo criado pelo Lula, e que mais uma vez diz não saber de nada. Não dá para acreditar, ainda mais tratando-se de alguém que viajou 32 vezes com ele para fora do Brasil, sem a presença da sua esposa.

CRIMES COMETIDOS

Fique tranqüila, Viviane, que o Lula não é isso que você está pensando, e melhor ainda, você não pagará pelos crimes que ele possa ter cometido. É natural que uma pessoa com pouca educação fique encantada com o poder que recebeu da cúpula da inteligência da ditadura militar, por isso caia no canto das sereias dos bancos e transnacionais que todos sabemos nunca ganharam tanto dinheiro em tão pouco tempo como nestes últimos 11 anos. Hoje nem se fala mais de controle de remessa de lucros, algo que deveria ser preocupação de qualquer presidente que tivesse amor à pátria. 

Viviane, lembre que nem um plano econômico o PT foi capaz de fazer, pois o Real é o mesmo do PSDB, e o bolsa família só mudou de nome porque era o bolsa escola. Nossa dívida pública é de R$ 2,3 trilhões (isto mesmo, dois trilhões e trezentos bilhões), e quando Lula assumiu era de apenas 800 bilhões.

Imagine o Lula querendo mudar o Real. Não dá para imaginar, pois quem não sabe um pouco de português não aprende matemática, e quem não sabe os dois certamente não vai se meter em economia. É óbvio que não tem ministro que leve a sério o que ele diz, haja visto a troca permanente entre os quarenta existentes no seu governo é prova de que a coisa ia à matroca, e só mesmo a corrupção podia ser algo que lhes uniam.

CADÁVER DE JANGO

Até ao cadáver de Jango o PT teve que se agarrar para continuar tentando enganar, e quem não se lembra que até pouco tempo o Lula dizia que o Getúlio, o Jango e o Brizola só conseguiram ser latifundiários e que criaram o peleguismo de um sindicalismo que só se sustentara com o imposto sindical criado pelo Getúlio. Imposto este que o Lula tanto criticou e que hoje se cala para não ver fim da CUT.             

Aguarde. Nada é para já. O caso Celso Daniel ainda não foi revelado, e muitos outros como os de seu filho Lulinha e seu enriquecimento ilícito, as consequências das leis que foram votadas pela compra de deputados petistas e aliados através do mensalão. Não esqueça também que tudo isso pode levar a conclusão pela Justiça de que houve por parte do Lula crime de falsidade ideológica, lesa pátria e peculato.

Tu não perderás nada por esperar.

 

Aqui jaz um homem que cumpriu seu dever na Terra

Antonio Lassance
Carta Maior

“A nação perdeu seu maior filho”. Essa foi a mensagem do presidente sul-africano, Jacob Zuma, ao anunciar a morte de Nelson Mandela.

É praticamente impossível encontrar alguém que jamais tenha ouvido falar em Nelson Mandela, prova de sua importância histórica. É igualmente notável quantos conhecem bastante sua história, pelo menos, os fatos essenciais. O fato de ter sido ele o líder da luta contra o racismo e o sistema de apartheid, a segregação entre brancos e negros, na África do Sul. O fato de ele ter ficado preso por décadas e, depois, ter sido eleito presidente da República.

Menos pessoas, porém, sabem que Mandela era formado em Direito, tendo começado sua militância como advogado de presos políticos.

Esse foi o primeiro passo pelo qual se aproximou dos ativistas, acabando por tornar-se um deles. Como ativista, ele conheceu os militantes do principal partido da luta antiapartheid, o Congresso Nacional Africano (CNA). Pelas mãos dos militantes do CNA, ele passou a organizar manifestações de massa de defesa dos direitos da população negra. Uma dessas primeiras manifestações foi, vejam só, contra o aumento de tarifas de ônibus.

LUTA ARMADA

Em 1960, após a chacina na localidade de Sharpeville, na qual a polícia dizimou uma multidão de manifestantes, os militantes do CNA passaram a viver na clandestinidade e ingressaram na luta armada. Mandela foi preso em 1962. Quase 20 anos depois, diante da pressão internacional por sua libertação, o presidente Peter Botha propôs soltá-lo, desde que Mandela renunciasse à luta armada como instrumento político. Mandela recusou. Em sua resposta, disse que só sairia da prisão quando todos os negros da África do Sul também estivessem livres.

A britânica Margaret Thatcher, primeira-ministra naquela época, se recusou a aderir à pressão mundial pelo boicote à África do Sul. Dizia que Mandela era um terrorista, o que nos ensina a que, toda vez que alguém for acusado de terrorista, é bom entendermos um pouco da história do país e das pessoas que sofrem esse tipo de acusação, antes de tirarmos conclusões apressadas.

Mandela saiu da cadeia em 1990. Em 1993, recebeu o prêmio Nobel da Paz. Em 1994,  foi eleito presidente da África do Sul, em uma política de conciliação entre negros e brancos. Sua autobiografia está contada em “Longa Caminhada para a Liberdade”. Em 5 de dezembro de 2013, sua longa caminhada chegou ao ponto final.

Mandela deve receber a lápide que pediu em vida: “Aqui jaz um homem que cumpriu o seu dever na Terra”.

Aposentados da Varig e Transbrasil cobram pagamento integral do benefício

Da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Aposentados das antigas companhias aéreas Varig e Transbrasil fizeram um protesto, hoje (10), no Aeroporto Santos Dumont, no centro. A manifestação dos associados ao fundo de pensão Aerus ocorre em cinco aeroportos do país e reivindica o pagamento integral da aposentadoria, suspenso desde que a Varig encerrou suas atividades, em 2006.

Segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) cerca de 10 mil idosos reivindicam o pagamento da sua aposentadoria. No Santos Dumont, manifestantes exibiam faixas pedindo respeito e que os salários da aposentadoria fossem colocados em dia. Eles ainda fizeram um minuto de silêncio em respeito aos idosos que morreram enquanto esperavam a regularização do pagamento dos benefícios.

O diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Marcelo Bona, informou que desde 2002, com o fim da Transbrasil, os benefícios dos aposentados vêm diminuindo. “As aposentadorias foram diminuídas. Essas aposentadorias começaram a ser diminuídas proporcionalmente de 2002 para cá”. Ele acrescentou que, atualmente, os aposentados recebem 8% do valor contribuído para receber um benefício correspondente ao que foi contratado.

Ainda segundo o diretor, a Presidência da República firmou um compromisso com o sindicato de auxiliar os aposentados do fundo Aerus. “Desde agosto nós estamos aguardando o compromisso feito pela Presidência da República em amparar os aposentados do Aerus, o que não está acontecendo, até o momento”.

Uma comissão do Sinicato está em Brasília para uma reunião na Casa Civil da Presidência da República. Amanhã (11), o Supremo Tribunal Federal deve julgar a defasagem tarifária ocorrida.

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil, vinculada a Central Única dos Trabalhadores informou que, com a dívida deixada pela falência das principais patrocinadoras do Aerus os aposentados tiveram os benefícios reduzidos, chegando a receber 8% dos valores originais.

Desastre educacional

Hélio Schwartsman
Folha de SP

Saiu mais um Pisa, o teste internacional que avalia alunos de 15 e 16 anos em várias áreas, e o Brasil segue na rabeira. Os países que participam do exame são 65. Ficamos na 55ª posição em leitura, 58ª em matemática e 59ª em ciência.

É verdade que melhoramos em matemática, mas estamos falando de um avanço da ordem de 10% em quase uma década. Nesse ritmo, levaríamos 26 anos para atingir a média dos países ricos e 57 para alcançar os chineses.

Isso, é claro, no falso pressuposto de que os outros ficarão parados. Em leitura e ciência, a evolução foi ainda mais modesta.

Infelizmente, não será muito fácil mudar o quadro. O governo acena com os recursos do pré-sal como salvação da lavoura. É claro que mais dinheiro ajuda, mas está longe de ser uma garantia de sucesso. Na verdade, nosso sistema é hoje tão pouco funcional que jogar mais verbas nele será, acima de tudo, uma ótima maneira de desperdiçá-las.

Sem um plano coerente de como aplicar os recursos, os avanços tendem a ser mínimos. Um de nossos principais problemas é que não conseguimos recrutar bons professores –os países campeões do Pisa selecionam seus mestres entre os melhores alunos das faculdades; nós nos contentamos com os piores.

Mesmo que, numa rápida e improvável inversão de rumo, passássemos a contratar a elite, levaria um bom tempo até que o efeito se espalhasse pela rede, que conta hoje com mais de 2 milhões de docentes.

Isso significa que precisamos encontrar um meio de progredir com o que temos. Minha impressão é a de que o caminho passa por estabelecer um currículo detalhado e ensinar o professor exatamente o que ele deve dizer em cada aula aos alunos. Sim, estamos falando de sistemas massificados, daqueles que inibem a criatividade e outras coisas que os pedagogos não gostam, mas não vejo muita alternativa. Afinal, estamos há muito tempo fracassando no básico.

Índices da economia pioram e se igualam aos listados após a crise de 2008

Victor Martins
Correio Braziliense

Cinco anos depois do estouro da crise que jogou o mundo na recessão, o Brasil voltou a flertar com alguns dos indicadores econômicos semelhantes ao período que precedeu à quebra do banco Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008. Se, hoje, a solidez do sistema financeiro não preocupa, o mesmo não se pode dizer das estatísticas oficiais.

A disparada do dólar e dos juros, considerados indicadores de risco, expõe, além da desconfiança no país, a total falta de disposição de credores do governo em financiar nossos desequilíbrios. E, pior, deixa claro que a bandeira verde e amarela entrou em uma crise não declarada. Diante desse quadro, a ameaça de rebaixamento da nota de crédito do país parece iminente.

O custo da dívida para o governo, a exemplo do registrado no auge da crise imobiliária iniciada em solo norte-americano, começa a preocupar. Em breve, os passivos do setor público devem ultrapassar os 60% do Produto Interno Bruto (PIB). Por isso, o preço de financiar o rombo fiscal também se elevou drasticamente.

COM ÁGIO

A NTN-B com vencimento em 2050, o título público mais comprado pelos fundos de pensão, é negociada entre os bancos com prêmio de 6,6% acima da inflação ao ano — o maior patamar desde que o papel começou a ser emitido, em 2010. No mercado de juros futuros, as taxas se aproximam das de 2009, quando os contratos com vencimento em dois anos pagavam 10% ao ano.

A diferença entre 2013 e 2009, porém, é que agora os fundamentos do Brasil são piores. A economia que o governo faz para pagar os juros da dívida, o chamado superavit primário, deve ser o menor da década — estima-se que ele fique ao redor de 1,7% do PIB. O valor é inferior até mesmo que o de quatro anos atrás, quando o Brasil amargou uma recessão de 0,3%, muitas empresas pararam de dar lucro e a arrecadação de impostos federais derreteu.

Esse volume de poupança é insuficiente ainda para colocar a dívida bruta em trajetória de queda e colabora para distanciar o Brasil de seus pares, outros emergentes que, na média, têm uma dívida equivalente a 35% das riquezas que produzem em um ano.

Eduardo Paes não se explica e se complica sobre os milhões de sua família

Anthony Garotinho

Questionado por repórteres sobre a origem dos US$ 8 milhões depositados no Panamá, em duas empresas que estão em nome de seu pai, mãe e irmã, o prefeito do Rio partiu para o ataque: “Papai sempre foi um homem rico, um advogado de sucesso”. Primeiro problema para Paes, as firmas só foram abertas respectivamente nos dias 12 e 19 de julho de 2008, depois que ele foi secretário de Esportes de Sérgio Cabral e em plena campanha para a Prefeitura do Rio. Toda essa riqueza até então devia estar escondida embaixo do colchão.

Segundo problema: Eduardo Panamá reconheceu a existência de uma empresa no exterior, mas não sabia dizer nem quanto o pai tinha, nem em que país e negou de forma veemente a participação da mãe e da irmã. Os documentos obtidos em cartório não deixam dúvida: é no Panamá, paraíso fiscal, local usado para lavagem de dinheiro. Aliás, se o dinheiro fosse limpo, que mal teria o pai de Eduardo Paes depositá-lo em bancos brasileiros.

Terceiro problema para o prefeito: são duas empresas, não há a menor dúvida, os documentos são incontestáveis e a complicação maior é que o administrador nomeado pelo pai de Eduardo Paes é o mesmo usado pelo hotel St. Peter, que pretende empregar José Dirceu.

Quarto problema: se está tudo legal, não há problema que eu como deputado federal, solicite à Polícia Federal e à Receita Federal que investiguem a origem do dinheiro. Eduardo acusou minha filha, a deputada estadual Clarissa Garotinho de ter vazado os documentos para a imprensa. É mentira! Mas que diferença faz se foi ela ou outra pessoa? O que importa é a origem dos R$ 20 milhões depositados pela família Paes no Panamá.

Por último Eduardo Paes diz que sempre foi rico e que diferente da família Garotinho não enriqueceu na política. Prefeito, minha declaração de bens está à sua disposição. Sua, da polícia e da Receita Federal. Minha vida já foi vasculhada várias vezes por perseguição política e nunca encontraram nada, porque minha visão não é de fazer patrimônio na política.

Hoje, Paes estava impossível. Falam algumas pessoas próximas que ele estava tomando um Rivotril por hora. E soltando desaforos com todo mundo, parecia o Félix, nervoso e descontrolado dizendo que “salgou a Santa Ceia”.

(artigo enviado por Mário Assis)

O número de lobistas que atuam no Congresso não para de aumentar

Lucas Pavanelli
O Tempo

O número de lobistas que circulam no Congresso Nacional subiu de 47 para 179 nos últimos 30 anos. Os números, de uma pesquisa coordenada pelo cientista político da UFMG Manoel Leonardo Santos, são baseados em um balanço da Primeira Secretaria da Câmara dos Deputados. O órgão é o responsável por cadastrar esses profissionais na Casa. O crescimento do lobby no Brasil é evidente para quem trabalha e pesquisa o serviço, que avança à medida que a democracia se consolida.

O professor da UFMG descreve que o fato tem relação com a retomada da importância política do Congresso depois da Constituição de 1988, o que não acontecia na ditadura. “Naquela época, a maior parte das decisões cabia ao Executivo, e eram os ministros os alvos de maior interesse. No processo democrático, o Parlamento volta a ser um espaço importante”, explica Santos.

Um lobista faz a defesa dos interesses de empresas, associações e sindicatos na relação com os Poderes e pode até representar o próprio setor público no monitoramento das atividades legislativas. Nesse novo contexto do país, até o termo lobby foi substituído. Os lobistas, agora, se intitulam como relações governamentais, institucionais ou intergovernamentais.

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA

A nova nomenclatura é uma das tentativas para fugir da associação da atividade com os crimes de corrupção e tráfico de influência. Normalmente, o corruptor que tem acesso ao parlamentar acaba recebendo a pecha de lobista.

Além do contato direto com autoridades do Legislativo e do Executivo, os lobistas também monitoram os projetos que tramitam no Congresso e o acompanhamento de temas-chave, tanto para manter quanto para alterar algum cenário institucional.

“No Legislativo, fazemos acompanhamento das comissões e temas, como mineração, trabalho, terceirização e previdência social. Mas, aí, não são demandas isoladas da empresa, mas de todo o setor”, afirma o gerente de relações institucionais da Votorantim, Lucélio de Morais.

CREDENCIADOS

Apesar de os profissionais de relações governamentais terem quadruplicado nas últimas três décadas, a quantidade de pessoas que exerce a atividade no Brasil é bem maior. Os 179 profissionais cadastrados na Câmara Federal são representantes de entidades, sindicatos e associações que têm atuação nacional, além de assessores ligados a ministérios e agências reguladoras.

No entanto, a Casa não exige, por exemplo, que os lobistas que trabalham para empresas ou grandes ONGs sejam credenciados, o que pode dar impressão de que a negociação entre setores não-governamentais e parlamentares é pouco transparente.

Os credenciados têm algumas vantagens. Com a credencial especial, os lobistas não precisam enfrentar filas para passar pelo detector de metais, podem usar o estacionamento do Congresso e têm garantido o acesso aos corredores das duas Casas. As exceções são os plenários da Câmara e do Senado.

Delfim Netto, o guru do PT, está decepcionado com o governo

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Rosana Hessel

Correio Braziliense

São Paulo — Um dos principais conselheiros da presidente Dilma Rousseff, o economista Delfim Netto, que comandou os ministérios da Fazenda e do Planejamento no governo militar, acredita que o fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), que caiu 0,5% no terceiro trimestre, decorre de políticas econômicas equivocadas. Ele reconhece que há sérios problemas na área fiscal, que minaram a credibilidade do país, e alerta que a falta de investimentos produtivos é resultado de um longo período de valorização do real ante o dólar, fato que destruiu boa parte da indústria de transformação.

Apesar de todos os problemas, Delfim considera exagerado o pessimismo dos investidores e do empresariado em relação ao país. “A situação não está tão boa como o governo gostaria que estivesse, mas não tão ruim como se imagina”, diz. Para ele, o Planalto não deveria insistir em equívocos como o de manter a estatal Valec à frente dos projetos ferroviários do país. É essa a razão de as concessões na área de ferrovias ainda terem decolado. “A Valec é coisa para a Polícia Federal”, avisa. Veja os principais trechos da entrevista de Delfim concedida durante a entrega do Prêmio CNH de Jornalismo Econômico, nesta semana.

“Existe um desconforto com a inflação reprimida, que está em torno de 2%. Quando incorporar esse índice, o IPCA passará para 8% ou 8,5%”, disse o ministro.

FRUSTRAÇÃO COM O PIB

Como estávamos com grande entusiasmo quando saiu o resultado do segundo trimestre (alta de 1,8%), entramos em um processo de desilusão com a queda de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre. Mas não podemos levar esse resultado como uma projeção. Tudo indica que terminaremos o ano com crescimento de 2,5%. A minha ideia é que, se o PIB do terceiro trimestre tivesse dado zero, terminaríamos com uma alta do PIB de 2,7%. Não esperava a queda (de 2,2%) no investimento. Isso me surpreendeu. Esperava, no máximo, uma estagnação. Enfim, a situação não é tão boa como o governo gostaria que estivesse, mas não é tão ruim como se imagina.

FALTA DE INVESTIMENTOS

Há muito tempo, os investimentos estão aquém do desejado no país. Já faz 30 anos que não temos uma grande obra. E como se fazia? Na verdade, havia uma carga tributária de 24% do PIB e se investia 5% do Produto. Hoje, temos uma carga tributária de 36% do PIB e não investimos nem 2% do Produto. Ou seja, na verdade, perdeu-se a eficiência do uso de recursos. Ainda não temos grandes projetos de infraestrutura. No passado, havia um imposto único sobre combustíveis e lubrificantes que financiava as obras públicas. Não faltavam recursos. Por isso, fez-se coisas como a Hidrelétrica de Itaipu e todo o resto que está aí.

É importante ressaltar que, no caso do transporte ferroviário, que o governo quer conceder à iniciativa privada, há um problema fundamental. O modelo está errado, pois inclui a estatal Valec. Vou dizer com toda a franqueza. Não se pode pôr uma empresa como a Valec em qualquer coisa. A Valec é coisa para a Polícia Federal. O grande problema desse governo é que ele não é socialista. Tem uma tendência espiritista. Não pode ver nada funcionando que põe um encosto.

Uma genial e imortal conversa de botequim

O cantor, músico e compositor carioca Noel de Medeiros Rosa (1910-1937), com seu parceiro Vadico, conseguiu, com ironia e sensibilidade, retratar em versos as principais características populares do Rio de Janeiro do início do século passado. Nesse sentido,  a letra de “Conversa de Botequim” é exemplo de malandros da época que conseguiam quase tudo com muita conversa fiada. Este samba teve inúmeras gravações, sendo a primeira delas feita pelo próprio Noel Rosa, em 1935, pela Odeon.

 CONVERSA DE BOTEQUIM

Vadico e Noel Rosa

Seu garçom faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d’água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro,
Um envelope e um cartão,
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas,
Um isqueiro e um cinzeiro

Seu garçom faça o favor de me trazer depressa…

Telefone ao menos uma vez
Para três quatro quatro três três três
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório
Seu garçom me empresta algum dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro,
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure esta despesa
No cabide ali em frente
Seu garçom faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d’água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

       (Colaboração enviada por Paulo Peres –  site Poemas & Canções)

Morte de Mandela causa tristeza a palestinos e constrangimento a israelenses

Guila Flint

BBC Brasil

Logo depois da morte de Mandela o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, determinou a colocação das bandeiras a meio mastro e decretou um dia de luto nacional.

“O mundo e os palestinos perderam um grande líder, que sempre apoiou a causa palestina”, declarou Abbas.

O líder do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniya, também lamentou a morte de Mandela e afirmou que ele “inspirou os palestinos a lutarem por liberdade, união e democracia”.

No domingo serão realizadas missas em cidades palestinas na Cisjordânia, em homenagem a Mandela. A missa principal foi na Basílica da Natividade, em Belém, com a presença de líderes palestinos e do embaixador da África do Sul.

NOS PROTESTOS

Na sexta-feira, manifestantes palestinos, que saíram às ruas de aldeias na Cisjordânia para protestar contra a construção do muro israelense, portavam fotos de Nelson Mandela.

Marwan Barghouti, considerado o mais importante prisioneiro palestino detido por Israel, escreveu uma mensagem para Mandela, de sua cela na prisão de Hadarim, onde se encontra desde 2002.

“De dentro da minha cela na prisão eu lhe digo que nossa liberdade parece possível depois que você conquistou a sua. O apartheid não venceu na África do Sul e não vencerá na Palestina”, afirmou Barghouti, líder do partido Fatah e visto como um possível sucessor do presidente Abbas.

Em sua mensagem, Barghouti lembrou a declaração de Mandela de que a liberdade dos sul-africanos “não será completa sem a liberdade dos palestinos”.

CONSTRANGIMENTO

A longa história de colaboração de Israel com a África do Sul durante o apartheid torna a repercussão da morte de Mandela no país bem mais complexa.

O primeiro ministro Binyamin Netanyahu declarou que Mandela era “uma das figuras exemplares de nossos tempos, o pai de seu povo, um visionário que lutou pela liberdade e se opôs à violência”.

Segundo o presidente Shimon Peres, “o mundo perdeu um líder de enorme grandeza, que mudou o rumo da História”.

No entanto, vários analistas mencionam que durante o período em que Mandela lutava contra o apartheid, Israel vendia armas para o governo sul-africano e manteve essa aliança militar por vários anos, apesar do boicote generalizado da comunidade internacional.

FATO HISTÓRICO 

“Os dois lideres (Netanyahu e Peres) obviamente não mencionaram o fato histórico de que Israel manteve uma aliança vergonhosa com o regime racista quando este era considerado pária pela comunidade internacional”, afirma o jornalista Arik Bender, no diário Maariv.

O governo israelense aderiu às sanções internacionais contra a África do Sul em 1987, 10 anos após o embargo decretado pela comunidade internacional ao regime do apartheid.

Segundo o analista Hemi Shalev, em artigo no jornal Haaretz, “nós (israelenses) admiramos a luta corajosa de Mandela contra o apartheid e seu papel crucial na transição pacifica e democrática para o poder da maioria negra, mas sentimos um certo constrangimento por nosso apoio histórico a seus inimigos e também por sermos vistos como seus sucessores”.

(artigo enviado por Mário Assis)

Análise do laudo é que indicará tratamento domiciliar para Jefferson, diz Procurador

Luciano Nascimento
Agência Brasil

Brasília – O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse hoje (9) que a análise do laudo sobre as condições de saúde de Roberto Jefferson é que vai definir o parecer de prisão domiciliar do delator do esquema de pagamento de propina a parlamentares, condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Segundo Janot, como ainda não recebeu o laudo elaborado pelos médicos do Instituto Nacional do Câncer (Inca), não deu o parecer, mas ressaltou que levará em consideração a necessidade de tratamento e as condições dos presídios.

“Eu não recebi ainda o laudo. Assim que chegar eu vou analisar e encaminhar dentro do prazo, observando rigorosamente o prazo. O condenado tem que responder pela pena que a lei prevê. Não existe pena prevista na legislação brasileira que seja de coação física no que se refere a doença ou risco de vida do apenado. Se houver risco, se houver qualquer problema de saúde que recomende um tratamento especial da doença, o tratamento será sempre nesse sentido”, disse o procurador-geral durante evento sobre combate à corrupção, em Brasília.

Condenado a sete anos e 14 dias de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Roberto Jefferson pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para cumprir a pena em regime domiciliar. Ele alegou ao Tribunal que precisa de cuidados médicos especiais porque ainda está em tratamento contra um câncer no pâncreas.

O laudo elaborado pelo Inca foi anexado ao processo no STF na semana passada e diz que a prisão domiciliar não seria imprescindível para o ex-deputado Roberto Jefferson. “Do ponto de vista oncológico, esta junta não identifica como imprescindível, para o tratamento do sr. Roberto Jefferson Monteiro Francisco, que o mesmo permaneça em sua residência ou internado em unidade hospitalar”..

Com base no laudo e levando em conta o parecer de Janot,  o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, vai decidir se concede ou não prisão domiciliar a Jefferson.

O ex-deputado José Genoino, condenado na Ação penal 470, também com problemas de saúde, teve o seu quadro clínico analisado por uma junta médica. No parecer enviado ao STF, Janot se manifestou favorável à prisão domiciliar para Genoino por 90 dias, após analisar o laudo da junta médica.