Piada do ano: Dilma cogita dar cargo a Lula na campanha eleitoral

Carlos Newton

O jornal Folha de S. Paulo revela na edição desta sexta-feira que a presidente Dilma Rousseff avalia convidar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a função de coordenador formal de sua campanha à reeleição. Segundo a publicação, essa seria uma tentativa para abafar o movimento “volta, Lula”, que surgiu nas últimas semanas.

Diz o jornal que interlocutores de Lula e Dilma discutem a ideia há semanas na coordenação de campanha, como uma forma de atenuar o coro que pede a volta de Lula ao poder. Existe a expectativa de que auxiliares do Planalto de que Dilma e Lula conversem hoje antes do encontro nacional do PT, em São Paulo.

Auxiliares de Dilma acreditam que, ao assumir um cargo formal, Lula mostrará claramente seu empenho para eleger sua sucessora.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Plantada pelo Palácio do Planalto, por iniciativa do marqueteiro João Santana, que conduz com mão de ferro a campanha de Dilma, a notícia da Folha carece de fundamento. Dilma não tem condições de convidar Lula para nada. Ao contrário, ele é senhor de seu destino e do destino dela. E o tempo conspira contra ela, que agora se agarra ao poder desesperadamente. O marqueteiro pode plantar notícias à vontade, tentando enredar Lula. Quando saírem novas pesquisas indicando segundo turno, o PT pedirá a Dilma para sair. E Lula, prazerosamente, aceitará o sacrifício de sair candidato. (C.N.)

Confirmado: Padilha atropelou os técnicos da Saúde e assinou acordo com laboratório usado pelo doleiro para lavar dinheiro

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Padilha (segundo à esquerda), na assinatura do acordo, ao lado de Meirelles (de óculos), laranja de Youssef<br />
Foto: Reprodução de relatório da PF

Cleide Carvalho
O Globo

SÃO PAULO – O termo de compromisso da Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) de citrato de sildenafila com o Labogen — empresa usada pelo doleiro Alberto Youssef para remessas ilegais de dinheiro para o exterior — que reunia o Laboratório Farmacêutico da Marinha (LFM) e a indústria farmacêutica EMS, foi assinado em dezembro passado sem levar em conta alertas de setores técnicos do Ministério da Saúde. O documento foi assinado em 11 de dezembro pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do ministério, Carlos Gadelha, e pelo capitão Almir Diniz de Paula, do LFM. O então ministro da Saúde Alexandre Padilha assinou o documento como testemunha.

No ato da assinatura (veja na foto), estava presente também Leonardo Meirelles, apontado como testa de ferro de Youssef e sócio da Labogen. Ele chegou a ser preso na Operação Lava-Jato e é um dos réus no processo, acusado de crime financeiro e lavagem de dinheiro.

O GLOBO teve acesso aos documentos do projeto de PDP, desfeito após a Operação Lava-Jato, da Polícia Federal (PF), revelar que o Labogen era uma empresa de fachada. O projeto era por cinco anos, com valor de R$ 134,4 milhões. Na análise, na qual consta um “de acordo” de Gadelha, os técnicos afirmam que o Labogen não possuía os documentos necessários, como o Certificado de Boas Práticas de Fabricação, embora fosse o responsável pelo desenvolvimento e fabricação do insumo. Dizem ainda que a EMS já fabricava as versões 25mg, 50mg e 100mg e tinha tecnologia para transferir ao LFM, e que a demanda apresentada estava superestimada. Isso porque o projeto previa 4,55 milhões de comprimidos de 20 mg por ano, enquanto as compras, de julho de 2012 a junho de 2013, tinham chegado a apenas a 2,161 milhões.

SUPERFATURAMENTO

Dois dias antes da assinatura do compromisso, José Miguel do Nascimento Junior, diretor de Assistência Farmacêutica do ministério, enviou e-mail ao diretor responsável pelos projetos de parceria, Eduardo Jorge Oliveira, alertando que a necessidade maior era para o medicamento na versão 50 mg, e não na de 25 mg ou 20 mg, como previsto no projeto: “Favor atentar para o destaque em vermelho: Neste sentido, não deve haver PDP para a apresentação de 25 mg e sim, somente da sildenafila 50 mg”. Ele repassou junto um e-mail da área técnica, que havia sido consultada.

Os PDPs foram criados para incentivar a produção de remédios no Brasil. O projeto do Labogen e seus parceiros era apenas para produzir comprimidos de citrato de sildenafila de 20 mg, indicado para hipertensão arterial pulmonar. No texto repassado por Nascimento Junior, consta que a doença é de baixa prevalência e incidência. Diz ainda que em São Paulo o medicamento é comprado pelo governo estadual por apenas R$ 0,81, e no Rio de Janeiro, por R$ 0,95. Enquanto isso, o valor de aquisição previsto no projeto chegava a R$ 6,53 por comprimido no primeiro ano do acordo, e R$ 5,32 no último. Hoje o SUS paga R$ 5,88 por comprimido, mas 14 estados já compram mais barato. Os maiores preços são de Goiás (R$ 12,70) e Mato Grosso do Sul (R$ 11,66).SEM ALVARÁ

Os técnicos do Ministério da Saúde também ressaltaram na nota técnica, que analisou o projeto apresentado pelo LFM, que o citrato de sildenafila não tem mais patente, e que várias empresas já têm registro do princípio ativo na Anvisa. No e-mail repassado a Oliveira, o técnico lembra que o produto deve sofrer uma forte redução de preços em todos os estados, pois estão entrando genéricos no mercado. Mesmo assim, sugere que o preço a ser usado no primeiro ano do acordo para a sildenafila 50 mg, que deveria ser feita pela PDP, fosse de R$ 4,47, o mesmo do Mato Grosso do Sul, que aparece entre os que pagam mais caro pela versão de 20 mg. O preço pago atualmente pelo governo federal, segundo ele, é de R$ 5,32 e, portanto, ao usar o valor do Mato Grosso do Sul haveria um “desconto de 16% sobre o preço atualmente praticado”.

A fábrica do Labogen, em Indaiatuba (SP), foi visitada por técnicos do ministério no dia 20 de setembro. Apenas quatro dias antes, em 16 de setembro, foi enviada diretamente a Gadelha uma carta, e não um contrato, assinada pela EMS e pelo Labogen comunicando que as duas empresas haviam fechado parceria.

De acordo com o laudo da visita, quase todos os documentos ficaram de ser apresentados depois. O ex-frentista Esdra Ferreira, alçado a sócio do laboratório por Youssef, disse em depoimento à Polícia Federal que sua atividade era cuidar das licenças e levá-las a órgãos públicos. Informou que a fábrica do Labogen não tinha alvará da prefeitura de Indaiatuba, alvará dos bombeiros ou licença da Anvisa, mas que havia um “ok” do órgão em relação à planta e ao maquinário.

Contou que ele mesmo comprou pela internet, em cemitérios de equipamentos usados, 60 a 80 máquinas, que foram revestidas de chapas de alumínio para ficarem com cara de novas e que estariam prontas para serem usadas.

RAINHA DA SUCATA…

As escutas da PF mostram que, no mesmo dia da visita, a conversa entre Youssef e o deputado André Vargas (PT-PR) começou cedo. Pouco depois das 8h, Youssef mandou SMS a Vargas dizendo: “Hoje vou na indústria visita dos técnicos”. Por volta de 17h, mandou outra mensagem: “Terminou a visita fomos bem temos que aguardar relatório”. Vargas responde: “Vamos cobrar. Preciso do retorno sobre a estruturação”.

Leonardo Meirelles, do Labogen, afirmou à PF que os contatos com o Ministério da Saúde eram feitos por Marcus Cézar Ferreira de Moura, que trabalhou por alguns meses no setor de eventos do Ministério da Saúde e recebeu para atuar na campanha eleitoral que elegeu a presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, Moura era atendido por Carlos Gadelha e Eduardo Jorge Oliveira.

Em troca de mensagens interceptadas pela PF, o grupo do doleiro comemorou a assinatura do acordo: “Tava todo mundo lá, tava o ministro, o tal de Jorge, Gadelha, cumprimentamos todo mundo”.

FALA, PADILHA…

Procurado pelo GLOBO, Padilha afirmou em nota que não comentaria aspectos técnicos e que desde o início da apuração do caso se declarou a favor da suspensão da parceria, até o fim da investigação. Argumentou ainda que o termo de compromisso era apenas um início de processo e que haveria outros filtros até a assinatura do contrato definitivo, onde o preço poderia ser reavaliado com base nos preços praticados pelo SUS.

O Ministério da Saúde informou que o termo foi suspenso e que não fez pagamentos. Disse que o foco da parceria era mesmo a versão de 20 mg, “que é a dosagem de maior limitação no mercado” e que a versão de 50 mg seria residual. Na nota, diz que já havia negociado redução de 74% no preço, e que o Labogen tinha prazo até março para estar apto a integrar a parceria.

O Cristianismo ideal de Raul de Leôni

O advogado e poeta Raul de Leôni (1895-1926), nascido em Petrópolis (RJ), expressa a sua visão do “Cristianismo” ideal.

CRISTIANISMO

Raul de Leôni

Sonho um cristianismo singular
Cheio de amor divino e de prazer humano;
O Horto de Mágoas sob um céu virgiliano,
A beatitude com mais luz e com mais ar…
Um pequeno mosteiro em meio de um pomar,
Entre loureiros-rosa e vinhas de todo o ano.
Num misticismo lírico, a sonhar
Na orla florida e azul de um lago italiano…
Um cristianismo sem renúncia e sem martírios,
Sem a pureza melancólica dos lírios.
Temperado na graça natural…

Cristianismo de bom humor, que não existe,
Onde a Tristeza fosse um pecado venial,
Onde a Virtude não precisasse ser triste…

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

 

PMDB vai escolher o presidente da CPI e o PT indicará o relator

Da Agência Brasil

O PMDB terá direito de indicar quatro membros para a Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras, e o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE) diz já ter em mente a pessoa que considera ideal para a presidência da CPI, uma vez que o cargo caberá ao PMDB, por ter a maior bancada da Casa.
“Eu já tenho o nome, mas eu quero consultar a pessoa para saber se ele aceita. Não posso anunciar o nome antes de saber se a pessoa vai aceitar a indicação”, disse ele à Agência Brasil.
O PMDB podia escolher entre a presidência e a relatoria, mas optou pela primeira hipótese. Com isso, por ter  a segunda maior bancada no Senado, o PT terá o direito de indicar o relator da CPI.
O líder do partido, senador Humberto Costa (PE), já anunciou que o cargo ficará com o líder do governo no Congresso, senador José Pimentel (PT-CE). O partido já tinha se antecipado à possibilidade de o PMDB presidir os trabalhos da comissão e, por isso, o nome de José Pimentel para a relatoria já estava definido.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deu prazo até a próxima terça-feira  para que os partidos indiquem seus representantes na CPI da Petrobras. O PTB terá Gim Argello (DF) e o PR escolheu Antônio Carlos Rodrigues (SP). Pelo PT, os indicados serão o próprio líder Humberto Costa (PE) e Aníbal Diniz (AC), além do relator José Pimentel. O PSDB indicará Mário Couto (PA) e Álvaro Dias (PR). Os nomes de oito membros que ainda faltam ser indicados devem surgir até o início da semana.

A CPI da Petrobras vai investigar quatro denúncias de má gestão da companhia. Entre os principais pontos estará a compra da Refinaria de Passadena, nos Estados Unidos, que, segundo denúncia, foi comprada por valor muito acima do de mercado.

A sugestão é boa, embora perigosa

Márcio Garcia Vilela

Em artigo na “Folha de S.Paulo”, o excelente jornalista Elio Gaspari lançou uma sugestão fascinante para quem está convencido de que é preciso extirpar os males decorrentes do lulopetismo e do seu líder e “teórico” maior, o ex-presidente Lula. Ao concordar, estou consciente de que infrinjo sábio aforismo, do qual sou discípulo fiel pela prudência que os anos da velhice recomendam cada vez mais. Trata-se de deixar de lado o velho provérbio que me alerta em certos momentos de agitada esperança: “Em festa de jacu, nhambu não pia”.

Entrego-me aos riscos que a solução implica certo de que remédios ministrados em situações críticas ou quase desesperadoras costumam fracassar, cavando o abismo de torná-las ainda piores. Daí partir o articulista de uma hipótese na forma de pertinente indagação: “Se o PT achar que a reeleição de Dilma corre perigo, deixará Lula no banco para agradar a seus adversários?”.

Provavelmente, não, como parece indicar o senso comum. Fortalece o pressuposto o fato de a senhora presidente nada mais ser que um “poste humano”, conforme definição do próprio dono do poste, numa daquelas atitudes desrespeitosas, dentre outras que lhe marcam a personalidade.

Autoritária e arrogante, porém carente de representatividade, a senhora Dilma não conseguiu, ou sequer tentou, apesar de encarnar a autoridade presidencial, qualquer ousadia em busca da autonomia. Ao contrário, a sua fraqueza política é de causar pena e só se sustenta enquanto seus aliados de ocasião têm as tetas do poder à disposição para satisfazerem a fome de fisiologismo de que padecem, mesmo se a comida for da qualidade daquela que se dá aos porcos.

QUADRO CAQUÉTICO

Infelizmente, o quadro político-partidário no Brasil sempre foi nanico, despudorado e caquético. Nada mudou, a despeito das fingidas chifradas com as quais o PT costuma ameaçar e retroceder. Ademais, não me parece que Lula se exponha além de certos limites. Se ficar no status atual de ex-presidente, ainda encontra ração para alimentar-lhe a vaidade infinita, tais como a láurea de pouca valia de doutor honoris causa da Universidade de Salamanca.

Aliás, o que é artificial sempre acaba no ridículo. Como conceder um título desse a um ignorante, que não lê nem sequer um e-mail e detesta livros, consoante já confessou publicamente? Ah! As exterioridades o enlouquecem, como o vestir a farda de alferes estonteava o personagem de Machado de Assis no famoso conto “O Espelho”, “um esboço de uma nova teoria da alma humana”.

Como quer que seja, e por falar em teoria, Elio Gaspari tem lá as suas que, em tempos de sensatez, poderiam funcionar com sucesso. Argumenta ele, por exemplo, que o “Nosso Guia” afinal cederia ao sacrifício de assumir o penoso encargo em nome do amor à pátria, expressão surrada utilizada por populistas sem bandeiras, exceção à única que vale: o poder pelo poder.

Contudo, admito que, frágil embora, há uma chance nisso tudo. O custo pode revelar-se muito alto, mas o longínquo benefício de enfrentar o mal pela raiz deve compensar. (transcrito de O Tempo)

 

Advogado de Genoino vai recorrer para que ele volte a ter prisão domiciliar

Bernardo Caram
O Estado de S. Paulo

O advogado do ex-deputado José Genoino, Claudio Alencar, afirmou que vai recorrer ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão do ministro Joaquim Barbosa, que determinou o fim da prisão domiciliar de Genoino. Em entrevista após acompanhar seu cliente no retorno ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, Alencar criticou a ausência de médicos de plantão na penitenciária nesse 1º de maio.

De acordo com o advogado, o médico que atende no complexo está de férias e voltará em aproximadamente 10 dias. “O médico do Genoino tentou passar a ficha e o prontuário, mas não conseguiu”, disse.

Ele informou que o médico particular de Genoino ficará à disposição para acompanhar o paciente, mas questionou a falta de profissionais do Estado. “O sistema penitenciário é que deveria prover a todos os internos o atendimento de saúde”, completou.

O médico particular de Genoino, Geniberto Paiva Campos, disse que, no momento, ele está muito bem. “Os meses que ele ficou recolhido à sua residência com acompanhamento familiar foram muito bons para ele”, disse. Para o médico, entretanto, a cardiopatia de Genoino é “gravíssima” e o sistema penitenciário não é o local adequado para tratar um paciente com esse quadro de saúde.

Campos ressaltou que o ex-deputado fez exames nesta quarta-feira, que demonstraram bom estado de saúde e pressão arterial controlada. Segundo ele, a maior preocupação é a coagulação do sangue, que ainda não está controlada e exige controle na dosagem da medicação.

Antes de sair de casa para se entregar, de acordo com sua amiga e ex-assessora Débora Cruz, Genoino não demonstrou preocupação com possíveis complicações do seu estado de saúde. “Ele estava bem forte e disse que vai cumprir o que foi determinado”, contou.

 

Paulinho (da Força Sindical) radicaliza e diz que Dilma vai acabar na Papuda

Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo

O ato político promovido pela Força Sindical transformou-se em palanque da oposição no 1º de Maio em São Paulo. Os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), opositores do governo Dilma Rousseff (PT), criticaram a petista para uma multidão de 1 milhão de trabalhadores, segundo estimativa da central, na Praça Campo de Bagatelle.

Eles atacaram a presidente principalmente por ela ter usado cadeia de rádio e TV na noite de quarta feira, 30, para anunciar medida provisória de correção da tabela do Imposto de Renda em 4,5% e reajuste de 10% para o Bolsa Família. “Ela fez proselitismo político”, disse Aécio. “Ela (Dilma) foi ontem à televisão falando que quer dialogar com a classe trabalhadora e hoje está fechada no Palácio do Governo, não veio aqui olhar para vocês, explicar porque a inflação voltou, porque o crescimento sumiu e porque a decência anda em falta no atual governo.”

Campos, por seu lado, após o pronunciamento, declarou que, se eleito, vai blindar a Petrobrás de influências e ingerências políticas e cobrou profissionalismo na gestão da estatal petrolífera.

ESCÂNDALOS DA PETROBRAS

O deputado Paulinho da Força (Solidariedade) radicalizou o discurso, ao falar dos escândalos que cercam a Petrobrás. Ele disse que Dilma vai parar no presídio da Papuda, em Brasília. O ministro do Trabalho, Manoel Dias, saiu em defesa da presidente e do governo. “Ele (Paulinho) não precisava ofender a presidente. Os trabalhadores tiveram aumento real de salário nesses últimos anos, 40,9% acima da inflação. O aumento do salário mínimo já está em 78% acima da inflação. Geramos 21 milhões de empregos em 10 anos.”

O secretário geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, deixou o evento contrariado. “Esse tipo de reação dele (Paulinho) eu não levo a sério. Não podemos levar a sério esse tipo de declaração feita nesse momento. Já estou acostumado. Eu não vou fazer guerra nenhuma. Esse tipo de manifestação não é ouvido pela gente. O que eu ouço é a fala séria do João, do Miguel do Juruna, de todo o pessoal da Força.”

Carvalho disse que não foi ao palanque de Paulinho, mas dos trabalhadores. “Espera aí, esse é o palanque respeitável de milhares e milhares de trabalhadores da Força.”

Genoino volta para a prisão após passar o feriado com a família em Brasília

Quadro de saúde de Genoino não é grave, indicam exames - Dida Sampaio/Estadão
Bernardo Caram e Ed Ferreira
O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – O ex-deputado federal José Genoino (PT-SP) se apresentou às 15h desta quinta-feira no Centro de Internamento e Reeducação dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Ele estava junto com seu advogado Cláudio Alencar e seu médico-cardiologista, Geniberto Campos.

A ordem para que voltasse à prisão foi decretada quarta-feira pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, tendo por base um laudo médico atestando que o quadro de saúde dele é estável e não grave. Se ele não se apresentasse em 24 horas, seria expedido um mandado de prisão contra ele. Seu advogado disse ao Estado que foi intimado por um oficial de justiça sobre a decisão de Barbosa pouco antes das 20h de quarta-feira, dia 30.

Antes de se apresentar nesta quinta-feira, Genoino passou a tarde cercado por familiares em sua casa, em um condomínio fechado em Brasília. O filho, Ronan Kayano, foi visto entrando na residência do pai na hora do almoço. Mais cedo, o condenado também recebeu a visita de seu irmão, o deputado federal José Guimarães (PT-CE), que chegou por volta das 11h30.

PRISÃO DOMICILIAR

Genoino cumpria prisão domiciliar desde novembro. Em novembro, após o início da execução das penas dos condenados do mensalão, ex-deputado ficou menos de uma semana preso no complexo penitenciário da Papuda. Alegando problemas cardíacos, ele foi transferido para um hospital em Brasília e depois para prisão domiciliar. No laudo encaminhado a Barbosa na segunda-feira, a junta de médicos da Universidade de Brasília (UnB) afirma que Genoino tem controlado com medicamentos um problema de hipertensão e que a cirurgia na aorta, à qual ele foi submetido em julho, foi bem sucedida.

O ex-deputado foi condenado pelo Supremo a 4 anos e 8 meses de reclusão pela prática do crime de corrupção ativa. Essa pena deve ser cumprida em regime semiaberto. Teoricamente, nesse sistema o preso pode sair da cadeia durante o dia para trabalhar, mas tem de retornar para dormir na prisão. Até obter o benefício, porém, ele será mantido em regime fechado. Em agosto, quando terá cumprido um sexto da pena, Genoino pode ser transferido para o regime aberto.

Ao decretar a prisão, o presidente do STF observou que em Brasília cumprem pena 306 hipertensos, 16 cardiopatas, 10 portadores de câncer, 56 de diabetes e 65 de HIV. Barbosa acrescentou que Genoino será acompanhado não apenas pelos médicos de sua escolha, mas também pelos que integram o sistema prisional, com garantia de pronto encaminhamento a hospitais da rede pública se for necessário.

Padilha repete que irá interpelar judicialmente qualquer pessoa que ligar seu nome ao doleiro Youssef

Fausto Macedo e Fernando Gallo
Estadão

O ex-ministro Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, afirmou, em nota enviada por sua assessoria à reportagem, que “não irá comentar diálogos de terceiros e reitera que irá interpelar judicialmente qualquer pessoa que utilizar indevidamente seu nome”. “O ex-ministro já protocolou na Polícia Federal o requerimento para obter o relatório na íntegra e tomar medidas legais.”

A assessoria informou que o advogado Marcelo Nobre, que representa Padilha, protocolou em cartório interpelação solicitando esclarecimentos ao deputado federal André Vargas (sem partido-PR) para que explique “o uso indevido do nome de Alexandre Padilha em mensagem escrita por ele, e interceptada pela Polícia Federal”.

“As medidas são mais uma demonstração da seriedade e da transparência com que Alexandre Padilha tem tratado a questão do envolvimento indevido do seu nome na operação da PF, mesmo sem ter nenhuma acusação ou denúncia contra ele.”

O presidente do PT paulista, Emídio de Souza, afirmou ser “uma excrescência” chamar Padilha para responder sobre um diálogo entre doleiros tratando de cargos no Estado.

O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Luiz Maurício Blazeck, disse, em nota “que não conhece nem teve contato com nenhum dos doleiros”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGBem, pedindo permissão para entrar na seara de Luiz Nogueira, Jorge Béja, Humberto Guedes, José Carlos Werneck e tantos outros juristas que frequentam o Blog, é bom esclarecer que interpelação judicial não é processo. E há jurisprudência no Supremo dando conta de que, se houve ofensa não admitida, o prejudicado (Padilha) deveria ingressar logo com a ação principal condenatória, e não com uma simples interpelação, que juridicamente pouco significa nesse tipo de processo.   (C.N.)

 

 

Na Ucrânia, por que Odessa levanta-se em protesto?


Alexander Donetsky

Strategic Culture 

O povo das regiões de Donetsk e Lugansk ocupou prédios do governo golpista de Kiev, armou-se e declarou sua independência da Ucrânia. Estão combatendo contra o regime de Kiev. A atenção do mundo está focada no que acontece ali. Mas há outros pontos em efervescência na Ucrânia. 

Diferente do Donbass, a região de Odessa não tem fronteira com a Rússia e não há ali qualquer porto de ancoragem da Frota Russa no Mar Negro. Mas o povo de Odessa está nas ruas, com bandeiras russas; e manifestou o desejo de separar-se da Ucrânia.

Os primeiros colonos na cidade de Odessa foram gregos, italianos, albaneses e armênios. Ao final do século 19, havia 49% de russos na população, mas via-se gente de todas as nacionalidades e de todos os países do mundo. Em 1912, a população chegou a meio milhão, e a cidade tornou-se a quarta maior do Império Russo, depois de Moscou, São Petersburgo e Varsóvia.

A Revolução de 1917 a fez mudar de mãos. Os comerciantes cosmopolitas da cidade sempre trataram com desrespeito as autoridades ucranianas lideradas por Michael Grushevsky (Mykhailo Hrushevsky), Symon Petliura e Pavel (Pavlo) Skoropadskyi. Não acreditavam que aquela gente fosse capaz de criar estado viável. Eram tratados como ocupantes, pela população falante de russo, de Odessa. 

No início da 2ª Guerra Mundial, a cidade era habitada por russos (39,2 %), judeus (36,9 %), ucranianos (17,7 %) e poloneses (2,4 %). Parte da população deixou a cidade quando da ofensiva alemã e romena, 250 mil permaneceram, cercados pelo inimigo. Depois que o Exército Vermelho deixou a cidade, enfrentaram vida muito difícil sob ocupação. 80-90% desses que permaneceram eram judeus, e quase todos morreram nas mãos de soldados nazistas e romenos, e de nacionalistas ucranianos. Guetos e campos de concentração deram poucas chances de sobrevivência à vítimas do holocausto de judeus. 

JUDEUS

Nos anos 1980s, os judeus tiveram chance de partir para Israel. Depois, a independência da Ucrânia levou a drástica redução nos padrões de vida. A população de judeus caiu drasticamente. Apesar disso, a comunidade de judeus continuou a ser a mais numerosa e a mais influente. 

O golpe em Kiev de fevereiro de 2014 teve pouco apoio dos comerciantes. Os governantes em Kiev são, na maioria, partidários do nacionalismo integralista ucraniano que surgiu nos anos 1920-30s como um misto de fascismo italiano e nacional-socialismo alemão com características ucranianas. O governo ‘provisório’ da Ucrânia traz à frente personalidades odiosas, que abertamente pregam ideologia nazista. Por exemplo, Andriy Parubiy, chefe do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia, o qual, no início dos anos 1990s, tentou registrar um partido político nazista. Naquele momento, o Ministério da Justiça recusou-lhe o registro, porque o partido tinha, incluído no nome, a expressão “nacional-socialismo”. 

Parubiy inverteu a ordem das palavras, e passou a presidir a organização Social-nacionalista; e o programa do grupo continuou carregado de xenofobia e racismo. Pouco adiante, o grupo converteu-se em Partido Svoboda. Hoje é liderado pelo muito bem conhecido antissemita e xenófobo Oleh Tyahnybok. O Svoboda meteu uns poucos membros no governo de Yatsenyuk. 

NAZISTAS

O Setor Direita foi a principal força por trás do golpe. É um conglomerado de grupos de orientação nazista, com Trizub como chefe. Defende a pureza da raça branca e prega expurgos como os do tempo de Hitler. O Setor Direita inclui também os “Patriotas da Ucrânia” criado por Parubiy como organização da juventude social-nacionalista. Os “Patriotas” formaram a massa que gerou a Assembleia Social-nacionalista em 2008. A primeira coisa que a Assembleia fez foi anunciar guerra contra outras raças, planos para converter a Ucrânia em estado nuclear, e a dominação global como meta. Segundo o programa dessa Assembleia, minorias têm de ser ou assimiladas ou exiladas. 

Muitos dos que vivem em Odessa perderam familiares durante o holocausto de judeus; a perspectiva de virem a ser governados por gente do governo de Kiev é, para eles, inadmissível. Policiais ucranianos nunca trataram os judeus melhor do que os alemães os trataram; e pregam a ideologia nacionalista que praticamente se tornou ideologia de estado na Ucrânia contemporânea. O slogan de Maidan, “Longa vida à Ucrânia. Glória aos heróis!” e nada mais nada menos que a palavra-de-ordem da Organização dos Nacionalistas Ucranianos Banderistas, seguidores de Stepan Bandera, agente da Abwehr que jurou lealdade a Hitler. Bandera e Roman Shukhevych, capitão da Wehrmacht, vice-comandante da força punitiva, são os heróis deles. 

Em nenhum caso, em nenhuma hipótese, esse governo será aceitável para o povo de Odessa, que sempre lhe fará oposição. Tentar ver aí alguma ‘mão de Moscou’ é perda de tempo. A razão para o que o povo de Odessa sente e faz está na própria história da cidade.

 

PP pode roer a corda e pular fora do barco do PT na eleição da Bahia

Circula na internet

Parece que a lua-de-mel do deputado federal João Leão (PP) com a base aliada do candidato Rui Costa (PT) acabou nas preliminares, insatisfeito com as pontuações nas pesquisas do seu candidato e pressionado pelos partidos da base. Sonho antigo do PCdoB Alice Portugal aparece como o nome para vice, caso o deputado realmente saia da base governista.

O deputado Marcelo Nilo (PDT) estaria por trás da desconstrução do nome, fontes ligadas ao PDT Bahia, afirmam que o deputado ainda não engoliu o fato de ser preterido pelo governador na escolha do vice na chapa de Rui Costa (PT). Para os correligionários e prefeitos do PP no estado, a saída da chapa seria o Plano B do partido, já que Leão é o única peça da chapa que tem o perfil de puxador de voto. Seria como tirar um peso das costas de Leão, que já tem uma eleição fácil e garantida para deputado federal. Leão é deputado de 300 mil votos.

Ao procurar informações dentro da base governista encontramos o discurso de que a presidenta Dilma (PT) está pressionando o Partido Progressista nacionalmente por causa do ensaio da candidatura a presidente do deputado federal Jair Bolsonaro pelo PP e os caciques baianos desta forma não estariam cumprindo o acordo feito durante a escolha do deputado João Leão (PP) para a vice de Rui Costa (PT). O assunto foi determinante para a escolha, já que o partido chegou a ameaçar apoiar o candidato Eduardo Campos (PSB) para presidente no estado.

O ensinamento ético de Catão

Vittorio Medioli

Catão, filho de agricultores do Lazio, se revelou um aluno esforçado, em seguida um incansável estudioso. Recebeu exemplos de probidade e aprendeu valores éticos que o acompanharam a vida inteira. Passados 22 séculos, continua sendo venerado como um dos principais artífices da grandeza de Roma, que já nos séculos II e III a.C. empreendia sua intensa ação civilizatória sobre a bacia mediterrânea.

Chegaram até alguns fragmentos da sabedoria e do bom senso que o destacaram como “autoridade” e traçavam dele o perfil de estadista, tão carente à nossa geração. Seus exemplos marcaram a história de Roma nos momentos mais críticos, mas nem por isso ele teve vida fácil, assim como qualquer figura honesta que militava na vida pública no seu tempo e na atualidade mais ainda.

Quase no fim de sua existência, sintetizou para seus discípulos alguns ensinamentos, marcadamente “estoicos”, que representam uma espécie de tábua mosaica para o cidadão e homem de bem. Vejamos:

“Suplique a Deus. Ame os familiares. Seja acolhedor com os parentes. Agradeça o que lhe é doado e não se esqueça de que a gratidão é um dever. Cumprimente com prazer e alegria, seja obsequioso, sorria ao humilde, pois seu gesto cativará simpatia. Não passe à frente de quem é mais velho. Preserve verdades que machucam, mas entre a verdade e a mentira dobre-se sempre à verdade. Seja bom guardião de seus bens. Cuide da família. Ame seu cônjuge. Preserve os bons costumes e beba com moderação”.

Já nesses primeiros conselhos, Catão abre a picada para uma vida avançar sem tropeços. E continua:

“Lute pela pátria, pois é seu berço, sua morada. Não tema defender o que você estima. Fuja das meretrizes e dos impostores. Leia livros. Lembre-se daquilo que leu. Transmita cultura e saber por onde passa. Reaja com força só em caso de perigo. Não deboche de ninguém, poderá precisar dele. Evite recorrer aos tribunais, seja amistoso e compreensivo para conseguir seus objetivos. Use sempre da virtude. Só brinque com brinquedos. Fuja das apostas. Exercite-se nas letras. Faça o bem. Não caia na maledicência. Julgue com equidade. Nunca minta. Controle sua ira. Vença os parentes incômodos pela paciência. Passe por cima do que é insignificante. Não faça nada arbitrariamente. Respeite para ser respeitado. Agradeça os benefícios recebidos. Fale pouco em festas. Nunca ria de um miserável, tenha piedade de quem sofre. Julgue só quando for indispensável. Não deseje nada que seja dos outros. Agradeça a mínima gentileza recebida”.

Catão, o mais veemente defensor da ética na antiga Roma, faleceu no ano 149 a.C,. com a idade de 86 anos e respondendo a 44 processos movidos contra ele pelos seus ferrenhos e poderosos adversários. (transcrito de O Tempo)

 

Acusação de suborno ao PMDB em Minas pode ser retaliação pela briga da Ceasa

Raquel Faria
O Tempo

A declaração do ex-ministro da Agricultura Antônio Andrade sobre uma suposta oferta tucana de R$ 20 milhões ao PMDB foi entendida nos bastidores do partido como uma retaliação ao grupo de Aécio Neves por acusações contra a direção peemedebista na Ceasa, feitas um dia antes por Toninho Pinheiro, deputado e irmão de Dinis Pinheiro, candidato a vice do tucano Pimenta da Veiga. Pinheiro denunciou uma concessão de área pela Ceasa no domingo. E Andrade retrucou com o assédio do PSDB na segunda.

A ligação de Andrade com a Ceasa é notória. A empresa de abastecimento foi dirigida por aliados do presidente do PMDB por muitos anos. No início de 2013, para amarrar o apoio do partido à sua nomeação no Ministério da Agricultura, Andrade fez um acordo interno em que transferiu ao deputado Newton Cardoso o mando político na estatal. Hoje, a Ceasa é presidida por Gamaliel Herval, amigo de Newton .

Genoino volta hoje para a Papuda

Da Agência Brasil

O advogado de José Genoino, Luiz Fernando Pacheco, confirmou que o ex-deputado vai  se apresentar nesta quinta-feira (1º/5) ao Centro de Internamento e Reeducação (CIR), localizado no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. De acordo com outro advogado de Genoino, Claudio Alencar, o petista já foi intimado.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, determinou que Genoino deverá retornar ao presídio no prazo de 24 horas para cumprir a pena de quatro anos e oito meses de prisão em regime semiaberto, definida na Ação Penal 470, processo do mensalão.

De acordo com decisão de Barbosa, Genoino deverá se apresentar ao presídio no prazo de 24 horas, sob pena de expedição de mandado de prisão. Segundo o presidente do STF, Genoino deve voltar a cumprir a pena no presídio, pois dois laudos, feitos pela junta médica, concluíram que o “quadro clínico do condenado não apresenta a gravidade alegada”. Na decisão, Barbosa também destacou que o ex-deputado poderá ser acompanhado pelos médicos de sua escolha e terá garantia de atendimento médico, se precisar.

Perdendo o respeito

Valdo Cruz
Folha de SP

A liturgia do poder diz que algo anda errado quando um visitante, convidado ao palácio, não poupa de críticas ao seu anfitrião. Pior quando os áulicos presentes ao salão não escondem a satisfação com o desconforto do chefe.

Pois tal cena se deu em pleno Palácio do Planalto, durante recente reunião do Conselho Econômico e Social, o chamado Conselhão, que reúne governo, empresários e sindicalistas para debater os rumos do país.

Presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, Ubiraci de Oliveira (foto), para surpresa dos presentes, disparou críticas ao governo.

Protestou contra promessas não cumpridas de verbas para mobilidade urbana. “O governo foi a TV em junho passado e apresentou um investimento  de R$ 50 bilhões. Mas o que estou observando é que, de lá para cá, a situação não melhorou.”

Disse mais “Enquanto isso, corte no Orçamento para fazer superavit, taxa de juros nas alturas e exorbitantes transferências de recursos ao exterior para pagamento de juros aos bancos estrangeiros.”

Dilma, na mesa principal, ouvia tudo de semblantes carregado. Na plateia Ministros e assessores faziam, protegidos dos olhares da chefe, gestos de concordância. Teve quem sorrisse de satisfação. Talvez nem tanto pelo conteúdo, mas pela coragem do convidado.

Ao final Ubiraci foi efusivamente cumprimentado por colegas do Conselho. Um empresário disse: “Mandou bem”. Da anfitriã ganhou um aperto de mão seco.

O sindicalista lavou a alma de muito assessor que já não aguenta mais a descomposturas da chefe e de empresários que se cansam do jeito sabe tudo de Dilma.

Enfim, o estilo irascível da petista só joga contra ela própria. Leva ao isolamento — tem um ministro que prefere evitar o Planalto – e sufoca a criatividade de sua equipe. Algo que não combina nem um pouco com a governança.

(artigo enviado por Mário Assis)

Sobre o livro de Thomas Piketty “Capital no Século XXI”  

Monica Baumgarten de Bolle

1. Por que o livro de um jovem economista francês provocou tamanho rebuliço na imprensa e nos centros de poder global? Como Thomas Piketty e seu “Capital no Século XXI” conseguiram seduzir Obama e a comunidade internacional, fazendo do livro um dos mais citados no Google, esgotando a tiragem da Amazon? Economistas laureados dos dois lados do espectro ideológico, gente da estatura do clássico Robert Solow e do keynesiano Paul Krugman, escreveram fartas e elogiosas resenhas sobre a obra de Piketty – de onde vem a inusitada exaltação, inimaginável no Brasil dividido que não enxerga mérito em argumentos contrários à visão de quem os contesta?

O próprio autor fornece a resposta. Para os amantes da literatura do Século XIX, para os leitores de Balzac e Zola, ficando apenas com os naturalistas franceses conterrâneos de Piketty, o interesse não é surpresa. Afinal, há tema mais engagé e empolgante, assunto que arrasta o leitor pelas entranhas, do que o maniqueísmo atrelado a uma boa discussão sobre a desigualdade da riqueza? 
 
2. A miséria dos mineiros franceses retratada em Germinal, a luta ingrata do homem de classe média pela glória e pela fama, imortalizada no Lucien Chardon de Ilusões Perdidas. O desespero de milhões de desempregados no mundo pós-crise, os jovens desalentados, aqueles que jamais tonar-se-ão os futuros Tim Cook. A desconstrução do “American Dream”, minuciosamente documentada nos dados levantados por Piketty e seus coautores, eis a fórmula do sucesso, assim é que se faz um best-seller de economia.

Um best-seller realista, na melhor tradição literária do Século XIX, livro que fala do quadro de baixo crescimento global resultante da crise, quadro esse que conosco permanecerá. Obra que aborda sem rodeios o tema das grandes fortunas construídas no período de maior euforia dos mercados, estoque que não é desgastado pela economia global modorrenta, muito pelo contrário.
 
3. A tese central de Piketty é simples: quando a remuneração da riqueza (do “capital”) excede o crescimento econômico, a desigualdade aumenta, os ricos ficam mais ricos, a classe média e os menos abastados ficam para trás. Na melhor das hipóteses, permanecem estagnados. A descoberta parece óbvia e é isso que tanto a favorece. Como outras grandes descobertas, sua força reside precisamente em não ter sido vista antes, embora estivesse em ampla evidência. É a obviedade, no melhor sentido do termo. Infelizmente, aqui nas nossas bandas do sul, a força do argumento foi ignorada pelos opinativos de sempre para que se pudesse desmantelá-lo de forma rasteira.

Não, a recomendação de instituir um imposto sobre o capital que a tantos deixou de cabelo em pé não é o ponto alto do livro, está longe de ser a maior contribuição da obra de Piketty. Interessante mesmo é a regularidade empírica por ele desvelada, essa de que quando as economias crescem pouco, os mais abastados é que se saem bem. Corolário disso é que, tudo mais constante, a remuneração da riqueza é tanto maior quanto menor for a inflação, quanto mais achatados forem os salários. Afinal, não há inflação sem pressão salarial, a conhecida espiral salários-preços. Quando há deflação, o efeito das quedas de preço sobre a riqueza é ainda mais forte. Pensem no Japão, cuja evolução do estoque de riqueza mais do que compensa a falta de crescimento das últimas décadas.
 
4. A deflação, ou a perspectiva de uma inflação persistentemente baixa, assombra o mundo. O debate macroeconômico nos EUA, na Europa, no Japão, no Reino Unido está, em maior ou menor grau, influenciado por isso. A inflação é um bicho esquisito. Quando é baixa demais, aumenta a desigualdade num torvelinho vicioso; quando alta demais, também. Enquanto o mundo se engalfinha com o aumento da desigualdade associado à falta de crescimento e à estagnação dos salários, o Brasil enfrenta o estrangulamento econômico provocado por políticas desajustadas que soltaram as rédeas da inflação.

O dilema brasileiro pode parecer o oposto do desafio mundial, mas leva ao mesmo lugar: o aumento da disparidade da renda – no caso, proveniente da corrosão dos rendimentos da classe média pela alta excessiva dos preços.
 
5. Se as conclusões bem embasadas de Thomas Piketty e de seus coautores estiverem corretas, o quadro da China assusta. A China dos anos da bonança, aquela que foi uma fonte de inflação para o mundo, está mudando. A forte desvalorização do iuane desde o início de 2014, provocada por uma combinação de políticas intervencionistas com o desaquecimento da economia, contribui para o cenário de inflação baixa. Embora Obama tenha mantido o silêncio sobre esse assunto na sua mais recente visita à Ásia, o incômodo das autoridades americanas ficou evidente no mais recente relatório do Tesouro sobre o tema.

Possíveis pressões deflacionárias resultantes do fortalecimento do euro frente ao iuane tampouco deixam os líderes europeus tranquilos. A política cambial chinesa é muito mais do que uma ameaça à competitividade mundial; ela é também uma fonte potencial de aumento da desigualdade num mundo globalizado.
 
6. No Brasil, dizem que “a inflação é o âmago do debate”. Frase brilhante não fosse ela a expressão da mais completa obviedade. A inflação é sempre o âmago do debate, não apenas no Brasil. Os contornos do debate brasileiro são apenas diferentes, nem mais nem menos importantes por isso. Que a inflação brasileira é resultado de políticas mal concebidas e de estratégias torpes não se discute. Ou melhor, discute-se à exaustão, o que dá no mesmo.

Como debelá-la, salientando para a população em geral que esse é o desafio para reduzir a desigualdade e dar novo impulso ao processo de inclusão social, eis a tarefa dos presidenciáveis, esses que, até agora, preferem apenas apontar o dedo. O maniqueísmo é mais fácil, além de render boas manchetes para os jornais.
 
7. Enquanto isso, a campanha da Presidente Dilma tenta resgatar alguma credibilidade na área econômica anunciando de antemão quem comporá a sua futura equipe, caso reeleita. Infelizmente, o tempo para isso já passou. Talvez o anúncio de que o Presidente do Banco Central ocupará o Ministério da Fazenda tivesse feito alguma diferença no início do ano, quando a inflação parecia mais controlada, quando a Petrobras não era o escândalo estrepitoso de agora. Talvez tivesse, naquele momento, reconquistado um pouco da confiança que agora parece ter desaparecido de vez.

Daqui para frente, só as manchetes sensacionalistas e as pesquisas de opinião hão de nortear os mercados. O debate modorrento, repleto de frases de efeito e clichês amarrotados, faz pouca diferença, se é que alguma.
 
8. O livro instigante de Thomas Piketty prenuncia o advento de sociedades movidas, sobretudo, pelas fortunas herdadas, a débâcle da meritocracia. Escreve Balzac em Ilusões Perdidas: “por isso, quanto mais medíocre é alguém, mais depressa sobe; pode resignar-se a tudo, bajular as paixõezinhas baixas (…)”. É o retrato desse Brasil brasileiro, tão Século XIX.

 (artigo enviado por Mario Assis)

O primeiro de maio de Chico Buarque e Milton Nascimento

O cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Hollanda e seu parceiro Milton Nascimento, na letra de “Primeiro da Maio”, usaram  o infindo lirismo para inverter os papéis diários do casal de trabalhadores, que, neste dia, através do amor, personificarão a usina e a ferramenta tecendo (o homem de amanhã).

A música “Primeiro de Maio” foi gravada por Milton e Chico no Compacto Cio da Terra, em 1977, pela Philips/Phonogram.

PRIMEIRO DE MAIO
Milton Nascimento e Chico Buarque

Hoje a cidade está parada
E ele apressa a caminhada
Pra acordar a namorada logo ali
E vai sorrindo, vai aflito
Pra mostrar, cheio de si
Que hoje ele é senhor das suas mãos
E das ferramentas

Quando a sirene não apita
Ela acorda mais bonita
Sua pele é sua chita, seu fustão
E, bem ou mal, é seu veludo
É o tafetá que Deus lhe deu
E é vendito o fruto do suor
Do trabalho que é só seu

Hoje eles hão de consagrar
O dia inteiro pra se amar tanto
Ele, o artesão
Faz dentro dela a sua oficina
E ela, a tecelã
Vai fiar nas malhar do seu ventre
O homem de amanhã

           (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)