Entidades nacionais e internacionais pedem que governo brasileiro conceda asilo a Edward Snowden

Da Agência Brasil 

Cerca de 20 representantes de entidades nacionais e internacionais que defendem a concessão de asilo por parte do Brasil ao ex-agente da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Edward Snowden, que atualmente vive na Rússia, foram recebidos no Ministério da Justiça.

No encontro, o grupo entregou uma carta aberta direcionada à presidenta Dilma Rousseff cobrando uma postura pública do governo brasileiro em relação ao pedido de asilo no Brasil feito por Snowden.

O secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira, disse que ainda não examinou o possível pedido de Snowden, mas prometeu ao grupo de representantes uma resposta formal sobre o recebimento ou não do pedido pelo ministério e o encaminhamento da carta ao ministro José Eduardo Cardozo.

CONTRADIÇÃO

Segundo a diretora da organização não governamental (ONG) Internet Sans Frontières, Florence Poznanski, a posição do Brasil de ignorar o pedido de asilo de Snowden é contraditória, uma vez que o país sediou o Net Mundial e demonstrou protagonismo na luta por mudanças na governança da internet.

“Acaba sendo um pouco contraditório você querer uma notoriedade internacional e não dar asilo à pessoa que é a origem de todas as revelações”, disse. Para a ONG francesa, foi em decorrência das revelações de Snowden que o Congresso Nacional brasileiro conseguiu bases para a aprovação do Marco Civil da Internet.

Edward Snowden, que em 2013 revelou programas secretos de espionagem em massa dos Estados Unidos, pediu oficialmente a prorrogação do asilo temporário na Rússia, que expira em 31 de julho, segundo seu advogado.

Supremo recebe primeiro pedido de progressão de pena de mensaleiro, para passar ao regime aberto

http://www.adpf.org.br/adpf/imagens/charge/7_20130215_Regime%20semiaberto%20no%20Brasil.jpg

André Richter
Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu o primeiro pedido de progressão de pena de um dos condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão. A defesa do ex-tesoureiro do extinto PL (atual PR) Jacinto Lamas, condenado a cinco de anos prisão, pediu à Justiça que ele passe a cumprir prisão em regime aberto.
Por causa do recesso do Supremo, o pedido foi encaminhado ao vice-presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski, responsável por decidir questões urgentes até o dia 1º de agosto. Lamas começou a cumprir pena no dia 15 de novembro do ano passado e já teria direito a passar para o regime aberto no dia 14 de setembro, ao completar dez meses de prisão no semiaberto. No entanto, os advogados afirmam que ele já cumpriu o prazo, descontando os dias trabalhados fora da prisão, em uma empresa de engenharia, e em cursos à distância.

“Com efeito, resta devidamente demonstrado o preenchimento do requisito objetivo de cumprimento de um sexto da pena no regime semiaberto, eis que com as referidas homologações o apenado totalizará o quantum superior ao necessário [dez meses e dois dias]”, alegou a defesa.

ALBERGADOS

De acordo com o Código Penal, a regime aberto deve ser cumprido em uma Casa do Albergado, para onde os presos devem retornar somente para dormir. Diante da inexistência do estabelecimento nos sistemas prisionais estaduais, os juízes determinam que o preso fique em casa e cumpra algumas regras, com horário para chegar ao domicílio, não sair da cidade sem autorização da Justiça e manter endereço fixo.

O pedido de progressão de regime foi feito no dia 27 de junho à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal e chegou na segunda-feira (14/7) ao STF.

Lei Pelé entregou o futebol ao neoliberalismo

Emir Sader
Carta Maior

O neoliberalismo chegou ao futebol através da chamada Lei Zico substituída pela Lei Pelé. Que pregava a profissionalização do futebol, contra o que chamava de ditadura dos clubes.

Multiplicam-se as reclamações de que o dinheiro passou a mandar no futebol, que os clubes estão falidos, que os jogadores já não têm apego aos clubes, mudam às vezes durante o campeonato, passando para o rival, se contratam meninos ainda para jogar no exterior, uma parte deles fica abandonado, submetidos a todo tipo de irregularidade.

Mas o que aconteceu, o que está na raiz de tudo isso?

O futebol – assim como todos os esportes – não é imune às imensas transformações econômicas, sociais e éticas que as nossas sociedades sofrerem e ainda sofrem. No Brasil, o neoliberalismo chegou ao futebol através da chamada Lei Pelé. Que pregava a “profissionalização” do futebol, contra a ditadura dos clubes, que tinham os jogadores atrelados ao clube como se se tratasse de uma relação feudal, pré-capitalista.

Intensificou-se dura campanha contra os “cartolas”, com acusações – todas provavelmente reais -, de corrupção, concentração de poder, arbitrariedades, etc. Porém, de forma similar ao que se fazia na campanha neoliberal contra o Estado, não era para democratizar aos clubes, ou ao Estado, mas para favorecer o mercado.

A profissionalização foi isto. Supostamente para libertar os jogadores do domínio dos clubes, jogou-os nas mãos dos empresários privados. Não por acaso se deu durante a década de 90, em pleno governo FHC, que preconizou todo o tempo a centralidade do mercado, os defeitos do Estado, a necessidade de mercantilizar tudo, de transformar a sociedade em um lugar em que tudo se compra, tudo se vende, tudo é mercadoria.

Os jogadores foram transformados em simples mercadorias, nas mãos dos empresários, que reinam soberanos, assim como o mercado e as grandes empresas fazem no conjunto da sociedade. Enquanto os clubes, da mesma forma que o Estado, ao invés de serem democratizados, são sucateados. Interessa aos empresários privados que os clubes sejam fracos, estejam falidos, serão mais frágeis ainda diante do poder do seu dinheiro. Assim como ao chamado mercado interessa que o Estado seja mínimo, seja fraco, para que ceda cada vez mais a seus interesses.

VALE QUEM PAGA MAIS

Os clubes podem ser democratizados – de que o exemplo da democracia corintiana é claro. O jogo dos empresários não é democratizável, nem passível de ser controlado socialmente, vale quem paga mais, que tem mais dinheiro. Assim como o Estado pode ser democratizado – e as políticas de orçamento participativo são o melhor exemplo disso.

Com o reino do mercado, não há Estado, não há democracia, não há interesses coletivos. Triunfa o mercado e seu principio maior – o do dinheiro. Com o reino dos empresários privados, não há clubes, há times, que ocasionalmente são montados para disputar um campeonato, enquanto os empresários não vendem os jogadores. Os campeonatos servem apenas como vitrine para exibir as mercadorias dos empresários.

Em um tempo em que tantas identidades entraram em crise, nem sequer os clubes de futebol conseguem resistir, diante da privatização que a lei Pelé significou, fazendo da camisa dos jogadores um lugar em que mal cabe – quando cabe – o distintivo, de tal forma tudo é comercializado. Ou se fortalecem os clubes, democratizando-os, destacando sua dimensão publica e não de empresas privadas a serviço da comercialização dos jogadores, ou a quebra generalizada que atinge o mercado capitalista não poupará os clubes. Que irão à falência, diante do enriquecimento ilimitado dos empresários privados.

                                                                                                                                                            (Matéria enviada pelo comentarista Paulo Peres)

Clarice Lispector manda que sonhemos com o que quisermos ser

A escritora, jornalista e poeta Clarice Lispector (1920/1977), nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, sustenta que “O Sonho” é para ser praticado durante a vida, juntamente com muita felicidade.

O SONHO
Clarice Lispector

Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

 

    (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Após desgaste de Cabral, Dilma abandona defesa de UPPs na campanha

Luciana Lima
iG Brasília

Após o desgaste sofrido pelo ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, um dos principais alvos dos protestos de junho de 2013, a presidente Dilma Rousseff decidiu deixar de fora da lista de temas da sua campanha a proposta de reproduzir no país o modelo de Unidade de Polícia Pacificadora (UPPs).

As UPPs foram a principal marca da política de segurança implantada por Cabral e bandeira que o levou à reeleição. Na eleição de 2010, Dilma tentou pegar carona na alta aprovação da política de segurança e incluiu as UPPs entre os “13 pontos” de seu programa de governo. Na época, ela e citou o modelo em inúmeros discursos e entrevistas na campanha.

A proposta funcionou mais como estratégia de comunicação naquele momento, do que como política, já que a política de segurança desenvolvida por Dilma, depois de eleita, não se referiu em nenhum momento a implantação de UPPs fora do Rio de Janeiro.

A atual coordenação da campanha de Dilma justifica o abandono do tema na campanha presidencial alegando que não faz sentido incluir as UPPs em um programa nacional, já que o modelo se adaptou a comunidades da zona do sul do Rio e enfrenta críticas de ter empurrado traficantes para áreas periféricas da cidade e da Baixada Fluminense.

“UPP foi um fenômeno muito regionalizado no Rio de Janeiro porque era a teoria do domínio do território, ou seja, força concentrada para expulsar o crime organizado e ação social para ocupar o território, mas como fazer UPP em São Paulo?”, questionou o coordenador da campanha, Rui Falcão. “O povo está se queixando que mandaram os traficantes para a periferia”, enfatizou.

DESMILITARIZAÇÃO

Pela Constituição, Segurança Pública é de competência dos Estados, no entanto, as três principais campanhas presidenciais investirão no tema com prioridade neste ano, já que questão aparece no topo da lista de preocupações dos brasileiros, ao lado de Saúde e Educação.

Entre as propostas pensadas para a área de segurança, a campanha da presidente Dilma pretende levantar outro tema polêmico: a desmilitarização das polícias.

Entre os tópicos apresentados pela campanha de Dilma Rousseff no esboço do programa de governo intitulado “Mais Mudanças, Mais Futuro”, a presidente propõe para o eventual segundo mandato a criação da Academia Nacional de Segurança Pública. Além da defesa da desmilitarização, a proposta sinaliza um passo para unificação das policias já que aponta para uma “formação conjunta” dos policiais de cada corporação.

“Daremos continuidade ao processo de integração das instituições de segurança pública no País”, diz o documento registrado na Justiça Eleitoral.

MINISTÉRIO

Já campanha de Aécio Neves trata o tema da Segurança Pública como um dos pilares do programa de governo e desenha como estratégia, transformar o atual Ministério da Justiça em Ministério da Justiça e Segurança Pública.

“A liderança deste processo deve ser do governo federal, a partir da transformação do Ministério da Justiça em Ministério da Justiça e Segurança Pública, ampliando substancialmente a responsabilidade da União nesta área”, diz o documento da campanha tucana que lista as diretrizes do programa de governo de Aécio Neves.

Já o socialista Eduardo Campos é contra a criação de uma pasta para tratar do assunto. No entanto, de acordo com elaboradores do programa de governo do PSB, ele pretende adotar medidas para não contingenciar recursos destinados a ações de segurança.

“Não basta colocar recursos na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Tem que investir recursos”, criticou o ex-deputado Maurício Rands, coordenador do programa de governo de Eduardo Campos.

Campos também quer reeditar na campanha a política de segurança que implantou em Pernambuco a partir de 2007, chamada de “Pacto pela Vida”, que prevê atuação integrada entre diversos órgãos de segurança para enfrentamento ao crime. O foco em Pernambuco, principalmente em Recife, se fixou na redução de homicídios, já que a capital figurava no topo das cidades mais violentas do país.

Embora o programa de Campos tenha conseguido uma redução no número de mortes, esbarra nas criticas de que não cumpriu a promessa de valorização dos policiais.

 

 

A realidade da economia no plano da fantasia

João Bosco
Estadão

Há notícias suficientes a indicar que a relação com o mundo financeiro centraliza as preocupações da coordenação de campanha do PT – e, mais que isso, as ações de perfis estratégicos empenhados na vitória eleitoral da presidente Dilma Rousseff.

Faz sentido e, por mais dissimulada no discurso,  a angústia com a situação econômica e sua influência no desgaste da candidata,  restrita ao bastidor da campanha, cede espaço à realidade quando se trata de buscar caminhos de resgate da relação com o mercado.

A maior dificuldade do governo, no entanto, continua sendo a de acreditar em uma teoria conspiratória, com origem na mídia e nos agentes empresariais conservadores, como premissa para um diagnóstico que ignora as causas.

“Uma ojeriza ao PT”, como define o experiente Walfrido Mares Guia, ex-ministro das Relações Institucionais do governo Lula, e atual coordenador da campanha da presidente Dilma Rousseff em Minas, ele próprio personagem e testemunha de que o PT viveu com o ex-presidente dias melhores na relação com os agentes econômicos.

Mudou, pois, a economia no governo Dilma, razão exclusiva do distanciamento dos investidores que, na época de seu antecessor, estavam muito próximos do Planalto.  Coube ao próprio Lula afirmar que o mundo empresarial nunca lucrou tanto quanto em sua gestão, desmentindo a tese golpista de seu ex-ministro.

SEGUINDO FHC

Com Antonio Palocci na Fazenda e Henrique Meirelles no Banco Central, o governo do PT, sob a regência de Lula, garantiu a reeleição mantendo as bases de um modelo implantado pelo antecessor, Fernando Henrique Cardoso, colhendo os frutos do plano de estabilização anterior ao seu primeiro mandato.

Não é demais lembrar que a dupla Meirelles/Palocci  sofreu ininterrupta oposição do partido do ex-presidente, cujas lideranças políticas e técnicas, entre as quais a presidente Dilma Rousseff, considerava o modelo em vigor, “rudimentar”.

É provável que a saída escapista absorvida por Mares Guia esteja vinculada à percepção de que a desconfiança do mundo capitalista com este governo esteja de tal forma consolidada que sua reversão, especialmente em curto prazo, não deva ser uma perspectiva concreta.

É difícil sustentar com tese tão superficial, como a “ojeriza ao PT”, o comportamento de agentes econômicos, cujo perfil se caracteriza pelo pragmatismo próprio do capitalismo.

QUANDO TUDO IA BEM...

Esses mesmos agentes estavam satisfeitos antes quando o mesmo PT estava no governo, porque a economia ia bem e o Planalto emitia sinais claros de apoio à sua área econômica, isolando sua oposição interna.

A presidente Dilma Rousseff interrompeu esse ciclo, menos para ceder ao PT, como Lula recusara, e mais por comandar a economia a partir de suas próprias convicções, como quem coloca acima da realidade a obsessão de provar que está certa.

Nesse contexto, o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central se tornam peças secundárias, submetidas ao pensamento presidencial, que centraliza as decisões e restringe o espaço do debate entre governo e mercado, subtraindo-lhes o oxigênio essencial. A presidente é solitariamente a ministra da economia de seu governo.

Por isso, mudanças na equipe econômica, sempre uma sinalização ao mercado, não surtiria qualquer efeito no cenário atual. Para mudar a economia, que vai de mal a pior, raciocina o investidor, só mudando o governo, o que explica a alta nas bolsas a cada pesquisa negativa para a presidente da República.

Ajuda a consolidar esse raciocínio do mundo dos negócios, a postura inflexível da presidente, o que levou a comparações de ocasião (válidas, diga-se) com o comportamento do técnico da seleção brasileira, espanada da Copa em seu país, pela insistência em uma gestão por todos criticada.

NENHUM SINAL

Dilma não emitiu qualquer sinal de mudança na gestão econômica que justificasse um crédito do mercado a um novo mandato. Ao contrário, para sustentar um debate acadêmico, mantém o discurso que torna excludentes desenvolvimento e inflação e acena, assim, com mais do mesmo em um eventual segundo mandato.

Durante boa parte do tempo, com o índice de aprovação ainda positivo, apostou no agravamento dessa queda de braço, mesmo quando os resultados se mostravam gradualmente piores. A maquiagem dos números, a contabilidade criativa e o discurso da inclusão social foram dados como paliativos seguros para que se chegasse a outubro sem que a percepção da inflação alcançasse o contribuinte.

Essa postura restringiu a campanha oficial, mais uma vez, a um exercício comparativo entre o período do PT no poder e o do PSDB, estratégia sem a eficácia de antes, até pelo tempo em que o partido está no governo: uma década, suficiente para que a comparação seja feita com a gestão anterior, também sua.

Melhor seria a presidente dizer claramente o que fará com a economia, se reeleita.  Não só para o mercado, mero reflexo das decisões do governo, mas também para o contribuinte, vítima direta de seus equívocos. Ou, como o técnico brasileiro, manter sigilo sobre o jogo, para confundir o adversário, e acabar surpreendido pela realidade.

Nas pesquisas e nas estatísticas, o maior problema são as pirotecnias…

Marcelo Menezes Reis

A Estatística não é mentira vestida de algarismos. Este tipo de afirmação apenas contribui para desmerecer a aplicação séria de métodos estatísticos em geral. O que existe é o mau uso das estatísticas, e não canso de dizer isso a meus alunos de graduação e pós-graduação nos últimos 20 anos: conclusões “científicas” baseadas em dados cuja origem é questionável, pesquisas de opinião eleitoral que por absoluto desprezo às suposições de inferência estatística (em nome de uma pretensa “praticidade”) não podem garantir os resultados, mudanças nas escalas dos gráficos apresentados para salientar ou esconder tendências, apresentação de percentuais sem a referência (ou apenas percentuais sem números absolutos, ou apenas números absolutos sem percentuais), entre várias outras “piroctenias”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO professor Marcelo Menezes Reis é Chefe do Departamento de Informática e Estatística da Universidade Federal de Santa Catarina. Tem toda razão ao defender a estatística como ciência. E as “pirotecnias” que ele cita têm ajudado muito candidato a vencer eleição. (C.N.)

CPI mista da Petrobras enfim aprova quebra de sigilo de doleiro e de ex-diretor da estatal, mas entra em recesso e não apurará mais nada

Ricardo Brito e Fábio Brandt
O Estado de S. Paulo

A CPI mista da Petrobrás aprovou na tarde desta quarta-feira, 16, uma bateria de requerimentos que inclui a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico do doleiro Alberto Yousseff e do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. A aprovação foi conseguida por um acordo entre líderes do governo e da oposição que participam da CPI.

O entendimento, no entanto, não incluiu o requerimento de quebras de sigilo de grandes empreiteiras relacionadas aos escândalos da Petrobrás e potenciais financiadores de campanha, como a Queiroz Galvão, Odebrecht, OAS, Mendes Júnior e Galvão Engenharia.

O doleiro e o ex-diretor da estatal estão presos por envolvimento nas investigações da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal.

A sessão desta quarta da CPI mista foi a última antes do início do recesso branco, que deve abranger as duas próximas semanas.

ESVAZIAMENTO DA CPI

Conforme publicado pelo Estado, alguns congressistas da base aliada e da oposição avaliam que, no segundo semestre, não será possível aprovar mais nenhum requerimento da CPI porque os políticos estarão envolvidos em suas campanhas e a comissão dificilmente terá quórum para votação. Segundo o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), a investigação sobre a Petrobrás na CPI deve morrer nesta sexta-feira, 18.

Antes do início da sessão desta tarde, o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), convocou os líderes partidários para uma reunião a fim de votar em bloco dezenas de requerimentos apresentados. Em votação simbólica, foram aprovados 55 requerimentos, entre eles a da convocação de duas filhas de Paulo Roberto Costa, Shanni Azevedo Costa e Arianna Azevedo Costa.

“Nós demos o primeiro passo”, afirmou o líder do Solidariedade da Câmara, Fernando Franceschini (PR), após a sessão da CPI. O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), disse que espera receber os dados das investigações em até 15 dias e que os técnicos da CPI farão análise das apurações já feitas.

Outro bloco de 28 requerimentos que envolviam quebra de sigilo foram votadas nominalmente, para evitar, segundo o presidente da CPI, contestações judiciais.

O jogo da vida

Sylo Costa

Jogo é jogado, e lambari é pescado… Quem não sabe perder não sabe ganhar. Ganhar e perder são faces de uma mesma moeda. Felipão ganhou no Japão e perdeu no Mineirão, e quem não arrisca não petisca. Técnico não ganha nem perde jogo sozinho, depende dos jogadores, de suas qualidades, da sorte e, às vezes, até do momento político, como é o caso de agora e foi em 1970, quando os pensionistas de hoje queriam transformar nosso país em uma República Socialista Soviética.

Aí, vem a história de João Saldanha, jornalista comunista e um dos diretores do Botafogo que foi indicado pela ex-CBD para técnico, que logo convocou as suas 22 feras. João era um cara de opinião e rusguento que só ele. Eu gostava de suas histórias, teimoso que só jegue de chapada.

Logo no começo dos treinamentos, inventou ou revelou que Pelé estava quase cego de miopia. Foi um Deus nos acuda. Depois, que Tostão não podia jogar com Pelé, ou um, ou outro. E foi criando um clima que só podia dar no que deu.

Foi dispensado e convocado o Zagallo, que, além de manter a convocação de todos e mais alguns, inclusive Dario, passou a ser, para a oposição, pau mandado do presidente Médici. Quem convocou Dario, o maior artilheiro do país na época, foi Zagallo. É com essas intrigas que já já aparecerão os fuxicos dessa tal “Copa das Copas”, um negócio tão ridículo quanto o próprio governo da “presidenta”.

ROBBEN, O MELHOR

Eu, como todo brasileiro, sei tudo sobre futebol. Acho, por exemplo, que Messi é, atualmente, o maior jogador do mundo, como foram Pelé e Garrincha nos seus tempos, mas que o melhor jogador dessa Copa foi disparado o holandês Robben, e que o time do Brasil foi o pior que já vi jogar, sem dúvida. Nada de pessoal quanto a qualquer jogador, mas tudo resultado do conjunto da obra, do momento político, que teve suas culminâncias quando o Maracanã em peso ofereceu Caracu para a terrorista presidente.

O ex-Luiz sabia que a bebida seria Caracu, e como ele gosta é da branquinha, lá não apareceu. Aliás, por onde andas tu, oh guru maldito, tens medo de vaias? Sumiste, no vendaval da Copa que inventaste? Então, saibas que a festa acabou, que a ponte caiu, que o panorama está sendo visto da ponte, que a hora é de cobranças, que a vaca está indo para o brejo e que as visitas já se foram. Apareça quando puderes, já que teu Caracu está guardado, e a Fifa já devolveu o país a seu legítimo dono.

Perdemos o jogo que podíamos perder. Temos que ganhar é o jogo da nossa vida com o Brasil, em 5 de outubro próximo, apesar de eu não concordar com a escalação do time. O goleiro atual tem falha nos dedos da mão e olho gordo, e muita gente em Brasília, além de mão grande, aprendeu com um jogador uruguaio a morder os outros. Assim, a maioria do time é de bocudos.

E, em assim sendo, que na alma daqueles que sabem que futebol é um perde-ganha, fique a certeza de que no dia 5 de outubro o Brasil ganhará de goleada da pelegada, e Deus seja louvado. (transcrito de O Tempo)

 

Para variar, a Tribuna da Internet volta a ser sabotada no Google

Rodrigo de Carvalho

Newton, novamente este blog está sendo escondido pelo Google. Só consigo acessar Tribuna da Internet pelo histórico. Fica o registro de mais uma sabotagem.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É um grave problema, não há dúvida. Como se sabe, o Google é o maior site de acesso e de busca da internet, caminhando para ser tornar hegemônico.

Quando a sabotagem começa, o blog passa a ser acessível somente pelos sites Yahoo e Bing (antigo MSN). E somente os leitores que têm o blog Tribuna da Internet anotado no link FAVORITOS conseguem acessar.

É um problema, mas também é um orgulho saber que incomodamos tanto. Como se diz na televisão, daqui a pouco a gente volta. Se deixarem, claro… (C.N.)

China e Índia beneficiadas no rateio para criar o Banco dos BRICS

José Ronaldo Saad

A propósito da recente criação do banco CRA – banco dos países componentes do BRICS, faço um comentário.

Por mero cálculo aritmético verifica-se que o rateio do investimento dos cinco países se baseou na média de três índices: população, PIB, renda per capita. O aporte de cada um foi: China, 41; Índia, 18; Brasil, 18; Rússia, 18; África do Sul, 5 (bilhões de dolares).

Ocorre que o terceiro índice (renda per capita) teria de ser descartado por dissimular uma falácia. Como ele é a relação entre PIB e população – que já foram devidamente computados nos dois primeiros – a sua consideração é uma redundância que se traduz no notório “dar com uma mão e tirar com a outra”.

Ou seja, neste último indicador a população entra como denominador de uma fração, o que tem o poder de diminuir sensivelmente o correto aporte dos países mais populosos, a China e a Índia, justamente os gigantescos países asiáticos que mais precisam de infraestrutura (para a qual, específicamente, o fundo foi criado). Hermanos vizinhos!

A média legítima seria somente entre a população e o PIB. Ficando assim o rateio: China, 52,4; Índia, 26,3; Brasil, 10,3; Rússia, 9,0; África do Sul, 2,0 (bilhões de dolares).

Como ficou, a China e a Índia deixaram de aportar 11,4 e 8,3 bilhões (22 e 32% de vantagem); Brasil, Rússia e África do Sul, investiram a maior 8, 9 e 3 bilhões (75, 100 e 150% de desvantagem), respectivamente.

Não é a toa que os indianos são os maiores matemáticos do planeta. E adivinhem quem será o primeiro presidente?

Mais uma copa perdida?

 

Copa foi bom negócio para inglês ver

Charge O Tempo 15/07

Percival Puggina

A Copa foi bom negócio? Sob qual ponto de vista? Cá, de onde a vejo, como cidadão, não me parece que a resposta seja afirmativa. É obvio que não opino e não devo opinar sobre ela na condição de torcedor, que sou, porque considero essa posição imprópria como ponto de observação para analisar empreendimento tão vultoso e oneroso. Como torcedor, talvez fosse arrastado para a lógica de Ronaldo, segundo quem “não se faz Copa do Mundo com hospital”. Nem posso assumir como meus os pontos de vista da FIFA, dos jogadores, dos patrocinadores, ou seja, da rentável cadeia produtiva do espetáculo futebolístico. Vista por eles, a Copa é algo tão extraordinário quanto deveria ser porque, afinal, trata-se de empreendimento padrão FIFA.

Mas não é esse o modo correto, como cidadão brasileiro, de avaliar o evento. Os visitantes foram embora. Nos gramados, mescladas com suor e sangue, secaram todas as lágrimas de alegria e de tristeza. É hora de olhar meu país e me lembrar das cidades que o príncipe Potemkin construiu para despertar o interesse de Catarina II pela região da Crimeia, onde ele queria implantar um projeto de colonização. Consta que a rainha o acompanhou nessa longa viagem por motivos que não eram propriamente de Estado. E consta que eram todas de fachada as cidades salpicadas pelo príncipe ao longo do caminho por onde os dois arrulhantes pombinhos haveriam de passar. Eram para inglês ver, como dizemos por aqui.

Será inevitável pensar assim depois de ter visto nossas capitais tão bem guarnecidas, nosso noticiário policial tão sossegado, nosso trânsito tão fluido nos dias de jogos. E é nisso que penso hoje ao observar multidões carregando nos rostos as cores da pátria. Como não se vê em Sete de Setembro algum.

Estaremos, meados de julho, em situação melhor do que estávamos em meados de junho? Não parece crível, depois de tanto empréstimo tomado e de tanto gasto feito para “inglês ver”. Levarão em conta, as avaliações oficiais, as consequências no PIB nacional das horas e dos dias não trabalhados em todo o país? Pois é.

Para que não digam que só vi problemas, a Copa deixa um legado político significativo. A turma do “Não vai ter copa”, aqueles aprendizes de terrorista, arrogantes, perniciosos, que se mediam pelos estragos que faziam, doravante terão que conviver com a irrecusável constatação de sua insignificância e da rejeição que o mundo civilizado nacional lhes explicitou. Também esses brutamontes, grotescos e supérfluos, foram só para inglês ver.

Governo segue empurrando a economia com a barriga

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Dentro do governo, o que se ouve é que, dada a situação atual da economia, com inflação alta no acumulado de 12 meses — o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve se manter acima do limite de tolerância pelo menos até outubro —, o jeito será empurrar com a barriga e apostar nos marqueteiros da presidente Dilma Rousseff para convencer o eleitorado de que tudo vai muito bem.

Do ponto de vista prático, o governo não pode fazer nada. O elevado custo de vida não recomenda ao Banco Central baixar a taxa básica de juros (Selic), que está em 11% ao ano, e, na área fiscal, as agências de classificação de risco Standard & Poor’s e Moody’s estão ávidas por verem o superavit primário deste ano. Se a meta de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) não for cumprida, o rebaixamento do país será inevitável.

O governo ainda está contando com a força do crédito para segurar o consumo das famílias até o fim do ano e, assim, evitar um vexame do Produto Interno Bruto (PIB), mas são remotas as chances de os empréstimos e financiamentos sustentarem o ritmo da atividade.

JUROS ALTOS DEMAIS

Além de os bancos estarem arredios na hora de fechar operações, temendo o calote, elevaram os juros de uma forma espantosa. Enquanto a taxa básica da economia (Selic) subiu 3,25 pontos desde abril do ano passado, o custo do cheque especial saltou, no mesmo período, 25 pontos. Ou seja, seis vezes mais. Nos financiamentos de automóveis, a alta foi de 9 pontos.

Na visão do sistema financeiro, é mínimo o espaço para as famílias se endividarem. De cada 10 pedidos de empréstimos e financiamentos, no máximo dois estão sendo aprovados, mesmo assim, com garantias seguras de que os pagamentos das prestações serão feitos em dia. Mesmo aqueles que não têm por hábito entrar no cheque especial estão tendo os limites de crédito em conta-corrente reduzidos.

Os bancos justificam que o momento é de ajuste. Como a renda e o emprego já não crescem na velocidade do passado, restringiu-se muito a margem disponível nos salários para a tomada de dívidas. As instituições alegam ainda que são pouquíssimos os novos clientes conquistados pelo sistema nos últimos meses. Então, não há como expandir o crédito, como quer o governo.

SEM DEMANDA

“De que adianta termos linhas para emprestar se não há quem queira se endividar”, diz um executivo do sistema. “Temos percebido, entre os trabalhadores, um temor crescente do desemprego. Muitos chegam às agências assustados com a possibilidade de serem demitidos diante do fraco desempenho da economia. O pior é que a maioria já está com a corda no pescoço”, acrescenta. Ele diz mais: “A falta de espaço no orçamento para tomar crédito não se restringe às pessoas físicas. Também entre as empresas, os limites para dívidas estão estourados”.

No entender de técnicos da equipe econômica, há exagero no discurso das instituições financeiras. Com base em informações do Banco Central, eles garantem que o sistema está sadio e com folga para liberar crédito. A resistência maior está entre as instituições privadas, que, no discurso, dizem estar atuando normalmente, mas, na prática, botaram o pé no freio como há tempos não se via.

ARRUMANDO A CASA

Apesar das críticas ao que chama de má vontade dos bancos, parte do governo reconhece que, após forte expansão, com crescimento anual superior a 20%, o mercado de crédito ao consumo necessitava equilibrar as contas. A arrumação da casa, sobretudo depois das medidas macroprudenciais baixadas pelo BC no fim de 2010, resultou em menor quantidade de recursos disponíveis no sistema. E, provavelmente, fez cair o risco de calotes em série.

Brasil não se interessou em sediar o Banco dos BRICS, mas todos os outros países queriam

Flavia Villela
Agência Brasil 

O Banco e o Fundo do Brics, que estão sendo criados na sexta reunião de cúpula do bloco, que termina hoje em Brasília, não serão competidores do Banco Mundial (Bird) nem do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas suplementares a essas entidades, segundo o embaixador José Alfredo Graça Lima, subsecretário de Política do Ministério das Relações Exteriores.

“Os financiamentos serão para projetos sustentáveis e de infraestrutura. O banco suplementa o Bird e o arranjo de contingente de reservas espelha o FMI. Os países do Brics têm propostas de reformas que não podem ser atendidas, especialmente pelo FMI. De certa maneira, a criação do arranjo contingente de reservas e do banco atende a essas necessidades”, disse ele.  “O foco da participação do Brics está na responsabilidade em uma ordem mais justa, não para ter mais poder. Nos dias de hoje não é importante apenas crescer, é preciso crescer com melhor distribuição da renda, e é disso que estamos justamente tratando na 6ª Cúpula do Brics”, completou.

CAPITAL INICIAL

O capital inicial autorizado do banco será US$ 100 bilhões e o capital subscrito do banco será US$ 50 bilhões, igualmente distribuídos entre os cinco países que integram o Brics. O primeiro escritório regional do banco será na África do Sul, a primeira direção da equipe de governadores será da Rússia e a primeira direção da equipe de diretores será do Brasil.

Depois da assinatura do acordo para sua criação, o banco terá que ser aprovado pelos Parlamentos dos cinco países. O fundo terá capital inicial de US$ 100 bilhões para fazer face a desequilíbrios nos balanços de pagamentos de algum dos países do Brics que venha a enfrentar dificuldades.

A expectativa é que outros países em desenvolvimento também possam tomar empréstimos do banco, mas os critérios para tanto serão definidos em um segundo momento, disse Graça Lima.

No seu entendimento, com esse aporte de recursos e foco no desenvolvimento sustentável, o banco deve influir em uma ordem econômica mais justa. “Isso é parte de uma estratégia não escrita, mas muito segura, dos países do Brics, de procurar influir, mas de maneira construtiva”, comentou.

BRASIL NÃO SEDIARÁ

A presidência do banco, que será rotativa, e a sede serão definidas na cúpula, bem como o conselho de administração e outras questões técnicas. O Brasil foi o único membro que não se candidatou a sediar o banco. As opções eram Xangai (China), Joanesburgo (África do Sul), Moscou (Rússia) e Nova Delhi (Índia). A escolhida foi Xangai e a primeira presidência do órgão será de um representante da Índia.

O primeiro escritório regional do banco será na África do Sul, a primeira direção da equipe de governadores será da Rússia e a primeira direção da equipe de diretores será do Brasil. A presidência do banco será rotativa entre os integrantes do bloco.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO desinteresse do Brasil em sediar o Banco é inexplicável. Havia interesse em sediá-lo no Rio de Janeiro, mas a delegação brasileira deixou para lá. Foi uma grande bobeada. É muito mais importante ter uma instituição desse porte em nosso país do que sediar uma Copa ou uma Olimpíada. (C.N.)

” Distrações, meias verdades e mentiras descaradas”

José Guilherme Schossland

Vamos transcrever algumas afirmativas que ficaram na História, sem opinar se foram distrações, meias verdades ou mentiras descaradas:

Não teremos mais quebras no nosso tempo.” [John Maynard Keynes, em 1927, dois anos da Grande Depressão no EUA].

Não vejo nada na situação presente que seja ameaçador ou que garanta o pessimismo… Tenho plena confiança que haverá um retorno da atividade na primavera, e que durante este próximo ano o país fará um progresso contínuo.” [Andrew W. Mellon, Secretário do Tesouro dos EUA, em 31 de dezembro de 1929, em plena Depressão].

“1930 será um ano esplêndido para o emprego.” [Departamento do Trabalho dos EUA, Previsão Para o Próximo Ano, dezembro de 1929].

Embora a quebra tenha ocorrido somente seis meses atrás, estou convencido que o pior já passou — e com a continuidade da unidade dos esforços, rapidamente teremos a recuperação. Não houve nenhuma quebra significativa no setor bancário ou na indústria. Este perigo, também, já ficou para trás.” [Herbert Hoover, presidente dos EUA, 1 de maio de 1930].

A maioria de nós ainda não tinha nascido naquele tempo e não testemunhou a Grande Depressão, mas as citações anteriores devem soar estranhamente familiares. Os comentaristas e membros do governo da nossa era fatídica proferem o mesmo tipo de bobagem quase todo dia e precisamos começar a imaginar se eles estão tentando superar as afirmações ridículas de seus antecessores em uma tentativa de ganhar o prêmio de quem tem a maior cara de pau.

Hoje, não somente estamos ouvindo dizer que existem inúmeros indícios de uma recuperação, mas se esses indícios falharem, será somente porque não “acreditamos” o suficiente na existência deles!

http://www.telegraph.co.uk/finance/comment/jeremy-warner/7864373/Will-the-world-suffer-a-double-dip-recession-Only-if-we-talk-ourselves-into-it.html

É este tipo de idiotice que nos levou à situação em que estamos agora, e é a mesma idiotice que deixará milhões de pessoas em uma maior ruína financeira em um futuro próximo. A ideia absurda de que a prosperidade é dirigida meramente pelo otimismo cego precisa ser rejeitada, se quisermos realmente reconstruir. A transparência, a verdade pura e inalterada, precisa estar presente em todo aspecto do governo e das finanças para que uma sociedade seja bem-sucedida. Não podemos mais continuar em um sistema construído sobre a premissa que a população precisa ser mantida no escuro “para seu próprio bem”.

Indo pra onde a estrada levar, cantando com Nelson Motta e Dori Caymmi

O jornalista, escritor, roteirista, produtor musical, letrista e compositor paulista Nelson Cândido Motta Filho, em “O Cantador”, parceria com Dori Caymmi, fala sobre a dor, a vida, a morte, o amor, sentimentos que fazem o cotidiano de quem apenas sabe cantar. A música teve várias gravações, entre as quais, a do próprio compositor no LP Dori Caymmi, em 1972, pela Odeon.

http://www.funarte.gov.br/wp-content/uploads/2011/12/Dori-Caymmi-Foto-Myriam-Vilas-Boas.jpg
O CANTADOR

Dori Caymmi e Nelson Motta

Amanhece, preciso ir
Meu caminho é sem volta e sem ninguém
Eu vou pra onde a estrada levar
Cantador, só sei cantar
Ah! eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor
Ah! eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor
Cantador não escolhe o seu cantar
Canta o mundo que vê
E pro mundo que vi meu canto é dor
Mas é forte pra espantar a morte
Pra todos ouvirem a minha voz
Mesmo longe …
De que servem meu canto e eu
Se em meu peito há um amor que não morreu
Ah! se eu soubesse ao menos chorar
Cantador, só sei cantar
Ah! eu canto a dor de uma vida perdida sem amor
Ah! eu canto a dor de uma vida perdida sem amor

   (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)