Protestos deixam 11 mortos no Egito e a ditadura ameaça manifestantes com 5 anos de prisão

Da Agência Lusa

Cairo – Pelo menos 11 pessoas morreram hoje (3), em várias cidades do Egito, durante confrontos entre a polícia e apoiadores da Irmandade Muçulmana, anunciou o Ministério da Saúde. Os maiores incidentes ocorreram no Cairo, na Alexandria, Ismailia e em Fayum.

A Coligação Nacional de Apoio à Legalidade, liderada pela Irmandade Muçulmana, e que promoveu os protestos, emitiu um comunicado onde diz que 19 apoiadores foram mortos pela polícia.

Dezenas de manifestantes também foram feridos nos protestos contra o atual governo de transição, que, no final de dezembro, declarou a confraria como “organização terrorista”.

Os confrontos no Cairo eclodiram em Nasr City. Os manifestantes lançaram pedras e tochas incendiárias em direção à polícia, que respondeu com granadas de gás lacrimogêneo.

Um carro foi destruído e diversas viaturas danificadas durante os atos de violência, enquanto grupos de civis se envolviam em confrontos com os simpatizantes islamitas, apoiadores do ex-presidente Mohamed Morsi. Ele foi deposto pelos militares em 3 de junho, na sequência de protestos em massa contra o seu governo.

BOICOTE

A Aliança Nacional apelou às manifestações após ter anunciado o boicote ao referendo constitucional, previsto para este mês. Os apoiadores da confraria e de Mohamed Morsi, o primeiro presidente do Egito eleito democraticamente, rejeitam a nova Constituição elaborada pelas autoridade de transição e que sofreu importantes emendas após a deposição do chefe de Estado islamita.

Em dezembro, as autoridades declararam a Irmandade uma “organização terrorista” e acusaram o grupo de envolvimento nos recentes ataques a instituições estatais e igrejas, ocorridos desde o afastamento de Morsi.

Responsáveis do ministério do Interior avisaram que quem participar dos protestos da Irmandade, após a sua designação como organização terrorista, será punido com cinco anos de prisão, enquanto os líderes dos protestos poderão ser condenados à pena de morte.

O ministro do Interior egípcio disse que foram detidos em todo o país 150 membros da Irmandade. Eles estariam carregando armas ou explosivos.

Que o Brasil tenha homens públicos à altura do seu povo

12
Acílio Lara Resende
(O Tempo)

Escolher homens públicos à altura do povo brasileiro é pura obviedade. O alcance dessa escolha, todavia, nos parece quase sempre impossível ou incomensurável. Mas, se soubermos batalhar por ela, em 2014, conseguiremos tudo e mais alguma coisa. A tarefa não é fácil, pois o meio de que dispomos para concretizá-la é o voto. Embora seja o único previsto no regime democrático, ele tem sido mal-utilizado e até mesmo desrespeitado pelos eleitores ao longo de muitos anos.

Obrigatório ou não, é através do voto que haveremos de transformar a nossa realidade. A maior responsabilidade é, portanto, do eleitor, que é senhor de tudo, mas sempre se esquece do dever que tem para com o seu país. E é nesse vácuo de omissão ou esquecimento que medram os maus administradores públicos, imbuídos da ideia não de servir, mas de serem servidos. São atrevidos e, à luz do dia, transformam a política, com a maior desfaçatez, em negócio privado.

Não gostaria de dar razão ao jornalista e teatrólogo Nelson Rodrigues, morto há mais de 30 anos, mas absolutamente atual. A afirmação (genérica) de que o “brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte” precisa ser desmentida por nós.

Eu sei, falta, sobretudo, educação ao povo brasileiro. É dela que ele carece. Só que, para a maioria dos nossos políticos, ela não passa de pura massa de manobra; é mera moeda de troca, quase sempre tratada com descaso ou criminosa demagogia. Não é à toa que está dormindo, no Congresso Nacional, o Plano Nacional de Educação.

SEM OMISSÃO

Não é bom passar o ano mal-humorado, mas também não é bom ser omisso perante escândalos gritantes e insuportáveis. Daí porque é impossível manter-se em silêncio quando se tem notícia do que fez, há alguns dias, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros.

Não é a primeira vez que o alagoano pisa feio na bola. Renan Calheiros é aquele senador que foi forçado a renunciar ao cargo (que novamente exerce hoje…) quando foi descoberto, pela imprensa, que uma empreiteira pagava por ele pensão à mãe de sua filha.

Renan Calheiros, leitor, é aquele mesmo senador que, recentemente, viajou com sua mulher Verônica, em avião da FAB, para comparecer a um casamento em Trancoso, na Bahia. Na época, afirmou que o uso do avião se justificava. Usou-o, para fins particulares, porque acha que a função de chefe de um dos Poderes o autoriza a usá-lo. Diante da má repercussão do episódio, devolveu R$32 mil ao erário, embora nunca se tenha sabido, até hoje, quanto nos custou o transporte.

Renan Calheiros é aquele mesmo senador que, recentemente, voou outra vez em avião da FAB para fazer, em sua imperial cabeça, na cidade do Recife, o implante de 10 mil fios de cabelo.

O jornalista Ancelmo Gois, na quarta-feira passada, em sua coluna no jornal “O Globo”, informou o seguinte: “Um de cada dois aviões da FAB está sem condições de decolar por falta de dinheiro para manutenção. O comando da Aeronáutica contou 346 aeronaves paradas do total de 624 aviões que o Brasil dispõe para defesa aérea”.

Como manter, então, diante de tudo isso, o bom-humor de fim de ano? Você acha isso possível, leitor? Ou devemos pensar, como muitos eleitores de Calheiros, que pode faltar dinheiro para tudo no país, mas não pode faltar dinheiro para combater a calvície do senador?

Destruamos essa gente com a arma de que dispomos! E ela é muito simples. É o nosso voto na urna.

Escândalo: no Programa Mais Médicos, diária de hospedagem de cubano sai por 1.750 reais´pedicos

Do Blog dos Peritos do INSS
Desde o início este BLOG sustentou a tese de que além da questão midiática imediata do Mais Médicos, havia uma segunda intenção, esta sim a que ensejaria todo o esforço hercúleo de certos representantes em defender e avançar o programa.
Estou falando da óbvia tentação que gera um programa que abre as portas dos cofres públicos para despesas monumentais em Saúde sob o carimbo da “emergência”, ou seja, dispensando licitações.
Denunciamos aqui que médicos estrangeiros estão sendo colocados em hotéis de primeira linha, o que contradiz o discurso de simplicidade vendido junto com esse programa. Enquanto médicos brasileiros são tratados como lixo, cubanos são hospedados em pousadas paradisíacas em Manguinhos-ES ou em Hotéis de Luxo em Foz do Iguaçu ou Hotéis de várias estrelas em Brasília.
Vejam o caso de Foz do Iguaçú. A imagem abaixo mostra verba de emergência para hospedar estrangeiros do Mais Médicos em Hotel de Luxo de Foz do Iguaçu em apartamento duplo por 60 dias (“sessenta diárias”) ao preço de R$ 1.750,00 reais a diária, ou 105.000,00 reais por 60 dias (diárias).

 

 

Uma visita ao site do hotel em http://www.hotelbellaitalia.com.br/tarifas-hotel-bella-italia-em-foz-do-iguacu.php mostra que a tarifa mais cara é 533 reais para apartamento suíte na alta temporada. O apartamento duplo custa 234 reais agora e 278 reais na alta temporada.
O preço pago pela Prefeitura de Foz do Iguaçu para hospedar os estrangeiros do Mais Médicos é 734% superior ao preço de tabela do hotel. Alguém acredita que de fato o hotel vai receber toda esta quantia?
Um caminhão de dinheiro tem sido despejado pela União em Cuba para trazer esses médicos. O valor pago à OPAS já é objeto de contestação pelo TCU conforme matéria de hoje da FSP. Mais um caminhão de dinheiro está sendo torrado pelas prefeituras, que alegam não ter médicos JUSTAMENTE por não terem dinheiro (?) para pagar os salários dos nacionais.
Alguém duvida que o Mais Médicos está virando o Mensalão 2.0, ou seja, uma outra forma de financiar campanhas? Então, cabe ao governo responder porque estamos vendo tanto dinheiro gasto de maneira tão irregular.Aqui o original no Diário Oficial de Foz do Iguaçú (p.22):
 http://www.pmfi.pr.gov.br/ArquivosDB;jsessionid=15009e2d010d2ce7b503cd915f34?idMidia=63444

Será a vez do PT em Minas?

Murilo Rocha
(O Tempo)

Se caminha como favorito para um quarto mandato consecutivo à frente do país, o PT, em Minas, vive pela primeira vez em sua história a chance real de governar o Estado. Nunca foi tão bom um cenário para os petistas mineiros como neste do início do ano eleitoral de 2014. Em eleições anteriores, o partido chegou dividido, sem um nome de consenso, ou então se viu obrigado a ceder espaço para aliados nacionais, como em 2010, quando o PMDB encabeçou a chapa com Hélio Costa e Patrus Ananias (PT) foi seu vice.

Em 2002 e em 2006, Nilmário Miranda (PT), apesar de todo o empenho pessoal, sabia das limitações de sua candidatura frente ao ex-governador Aécio Neves (PSDB) – vencedor em primeiro turno nas duas ocasiões. Agora, porém, o PT mineiro parece unido em torno do nome do ministro Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte.

Junta-se a esse fator dois importantes pontos: o PMDB deverá apoiar a candidatura petista em Minas sem maiores problemas, e, principalmente, o PSDB, após governar o Estado por 12 anos, tem em 2014 a ausência de uma liderança ou de um nome natural para concorrer ao governo de Minas – esse vácuo ocorre tanto dentro do partido como no raio de legendas aliadas.

PIMENTA DA VEIGA

A cartada dos tucanos diante desse cenário foi desenterrar no ano passado o ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro do governo FHC Pimenta da Veiga. Um tiro no escuro, pois boa parte do eleitorado ignora Pimenta da Veiga. Antonio Anastasia também era um nome desconhecido, mas foi trabalhado ao longo de oito anos para suceder Aécio Neves, e não como uma opção emergencial.

As chances tucanas residiriam em uma dedicação quase integral de Aécio Neves para fazer seu candidato vencer no Estado, mas essa hipótese, hoje, bate de frente com a necessidade do senador mineiro de ter de percorrer o país, principalmente o Nordeste, para angariar força para sua candidatura à Presidência chegar, pelo menos, ao segundo turno. A atenção exclusiva a Minas seria um abandono da corrida nacional.

Apesar de ser o melhor cenário de sua história, o PT tem consciência da dificuldade de vencer as eleições estaduais, em especial no interior do Estado, nas áreas mais afastadas da região metropolitana, onde concentra seu potencial eleitoral. Não à toa, Dilma intensificou suas visitas a Minas Gerais em 2013 e deve manter o ritmo no início de 2014, sempre com o ministro Fernando Pimentel a tiracolo.

No futuro dos sonhos do PT – com possibilidade significativa de concretizar-se –, o partido reelege Dilma e ganha de forma inédita em Minas Gerais, enfraquecendo definitivamente o PSDB de Aécio Neves e dominando o segundo maior colégio eleitoral do país. Mas ainda há muita água para rolar.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGPimentel é aquele “consultor” que recebia sem dar consultas, mas a presidente Dilma gasta dele e decidiu mantê-lo no governo, alegando que os “malfeitos” dele foram cometidos antes de ocupar o ministério. (C.N.)

Afinal, por que o governo tem tanta urgência em aprovar o Marco Civil da Internet?

Carolina Gonçalves
Agência Brasil

Os deputados federais não conseguiram consenso sobre pontos polêmicos do Marco Civil da Internet, que define direitos e deveres de usuários da rede e provedores de conexão. A alternativa foi negociar a retirada da urgência constitucional da proposta. O pedido foi negado pelo governo, que mandou o recado: a decisão sobre a matéria foi empurrada para 2014, mas terá que ser concluída nas primeiras semanas de trabalho do próximo ano, se os parlamentares quiserem avançar com outras propostas.

O fracasso de entendimento ocorre em ano no qual a espionagem internacional conduzida pelos Estados Unidos na internet e em outros serviços eletrônicos de comunicação entrou na pauta mundial. Até mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU) se mobilizou e aprovou em dezembro o projeto de resolução O Direito à Privacidade na Era Digital, apresentado por Brasil e Alemanha como reação às denúncias feitas pelo norte-americano Edward Snowden.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, confirmou que o Marco Civil da Internet será o primeiro assunto do Executivo a ser discutido com o Congresso em 2014. O projeto de lei está trancando a pauta da Câmara desde o final de outubro, quando o prazo da urgência constitucional expirou, sobrestando a pauta e impedindo a votação de outras matérias. O regime de urgência constitucional, uma prerrogativa da Presidência da República para projetos de sua autoria, define limite de 45 dias para votação do projeto em cada Casa do Congresso.

PAUTA TRANCADA

A situação foi se agravando à medida em que outros textos também chegaram ao prazo final do regime de urgência. “A pauta da Câmara ficou trancada por quatro meses, no segundo semestre, com projetos carimbados com urgência constitucional vindos do Executivo”, lembrou o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), durante um balanço de final de ano.

Alves explicou que o carimbo de urgência constitucional solicitado pelo Planalto impediu que qualquer outro projeto avançasse. “Só pode ser votado depois daquele ter sido aprovado ou votado pelo plenário”, acrescentou.

No caso do Marco Civil, ante questionamentos e dúvidas, o relator da proposta, Alessandro Molon (PT-RJ), alterou alguns pontos do texto para tentar facilitar sua aprovação. O próprio relator admitiu que as mudanças acabaram recaindo mais sobre a redação de alguns artigos e parágrafos do que sobre formas e regras.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA pergunta que não quer calar: por que o governo demonstra tanta disposição para aprovar o Marco Civil da Internet? Por que determinar “urgência” para um assunto tão importante e delicado? É claro que esse comportamento somente levanta suspeitas, especialmente em ano eleitoral. (C.N.)

Petrobras lidera perdas e valor da estatal encolheu US$ 34 bilhões em 2013

Sílvio Ribas
Correio Braziliense

A Petrobras liderou as perdas das empresas brasileiras listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), que somaram US$ 216,3 bilhões este ano, conforme levantamento da consultoria Economatica, divulgado ontem. Só o valor de mercado da estatal, medido pela cotação das ações em circulação, recuou US$ 34,11 bilhões este ano, caindo para US$ 90,6 bilhões.

Nessa comparação, a segunda maior queda foi a da Vale, que perdeu US$ 30,12 bilhões. A soma das 10 maiores desvalorizações atingiu US$ 129,3 bilhões, mais da metade da perda total das 366 empresas negociadas na BM&FBovespa. O estudo levou em conta dados até 27 de dezembro.

A Economatica estima que as companhias listadas na Bolsa paulista fecharam 2013 com valor de mercado abaixo de US$ 1 trilhão, no menor patamar desde 2009. Para técnicos da consultoria, um dos principais fatores da queda do preço total das ações foi a alta acumulada de 15,3% do dólar, que intensificou a desvalorização dos papéis em moeda local.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ preciso fazer uma campanha de esclarecimento da opinião pública sobre a situação da Petrobras. Uma das empresas mais viáveis do mundo está sendo aniquilada pelo jogo político do PT, que usa os combustíveis como manobra eleitoral. Se a Petrobras tinha em caixa R$ 6 bilhões para repassar ao governo, como acaba de fazer, por que não explorou sozinha o pré-sal??? (C.N.)

Feliz Ano Velho: Servidores da Câmara de Brasília começam 2014 com 10% a mais no contracheque

Camila Costa
Correio Braziliense

Os servidores da Câmara Legislativa do Distrito Federal começarão 2014 com o bolso cheio. O contracheque dos funcionários da Casa será reajustado em 10% a partir do próximo dia 20. O aumento salarial dos 736 efetivos e 1.147 comissionados terá um impacto financeiro de R$ 25,6 milhões.

O percentual garantido na correção é maior que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumulado entre novembro de 2012 e o mesmo mês de 2013 — 5,77%. E, no começo de 2015, o pessoal da Câmara terá mais um reajuste, de 6%.

O projeto que engorda as remunerações dos servidores da Câmara foi aprovado em setembro deste ano pelos deputados distritais com a justificativa de que era necessário recompor as tabelas remuneratórias dos profissionais do Legislativo local. Com o reajuste, o gasto com pessoal aumentará em toda a estrutura da Casa.

A partir do próximo mês, a verba usada para arcar com os custos de parte dos comissionados lotados nos gabinetes dos distritais será de R$ 173 mil, valor 80% maior do que a usada em 2009, antes da aprovação da Lei nº 4.342/2009. A norma abriu brecha para a inclusão de mais servidores que atendem diretamente os deputados. A despesa, que, antes da lei, era de R$ 97 mil, com 23 servidores, foi para aproximadamente R$ 130 mil no mesmo ano, quando mais cinco funcionários passaram a compor o quadro dos gabinetes.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – País rico é assim mesmo. O número de servidores públicos vai aumentando sem parar. E quem se interessa? (C.N.)

Terroristas na Síria jogam futebol com cabeças de civis

Da redação do Irã News com Hispan TV

Terroristas jogando futebol cujas bolas são as cabeças de civis sírios – é o que mostra um vídeo divulgado em redes sociais pelos mesmos homens armados que lutam há mais de dois e meio para acabar derrubar o governo de Damasco.

Este vídeo mostra as atrocidades cometidas por terroristas, em particular, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) e a Frente Al-Nusra contra sírios muçulmanos xiitas.

Desde o início do conflito sírio, alguns países da região, como a Arábia Saudita, Qatar e outros ocidentais, incluindo os Estados Unidos e seus aliados, vem fornecendo apoio tanto financeiro quanto logístico a grupos armados para derrubar o governo de Bashar al-Asad.

Na semana passada, o ministro do Exterior russo Sergey Lavrov afirmou que os países ocidentais já admitem que a permanência de Bashar al-Assad no poder na Síria é muito mais conveniente do que os terroristas que estão no país a lutar para lhe tirar do poder.

Anteriormente, Michael Hayden, ex-chefe da Agência Central de Inteligência (CIA) e da Agência de Segurança Nacional (NSA), nos Estados Unidos, dissera que a melhor opção para acabar com a crise na Síria, seria a vitória do governo sírio, e não mais acredita em um triunfo dos terroristas.

Esses comentários mostram uma mudança política na postura do Ocidente sobre a crise síria, porque esses países já fizeram pressão para derrubar Al-Assad do poder.

A consultoria britânica de defesa IHS Jane revelou em setembro passado que cerca de 100 mil terroristas apoiados por países ocidentais e da região, organizados em mais de mil grupos, realizam hoje operações em território sírio onde lutam contra o governo e a nação.

Desde meados de março de 2011, a Síria é palco de revoltas desenvolvidas por grupos terroristas, financiados e dirigidos a partir de alguns países ocidentais e vários da região, com o objetivo de derrubar o governo.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 115 mil pessoas morreram e um total de 7,8 milhões pessoas foram deslocadas pela violência na Síria.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Deixamos de mostrar as imagens por motivos humanitários. É revoltante demais. Os demais países árabes e as nações ocidentais, especialmente os EUA, deviam deixar a Síria resolver seus próprios problemas. (C.N.)

 

 

As paixões do poeta Ascenso Ferreira

O poeta e escritor pernambucano Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (1895-1965), no poema “Martelo”, ratifica a sua fama, ou seja, ele sempre foi conhecido por suas grandes paixões.
MARTELO
Ascenso Ferreira

Teu corpo é branquinho como a polpa do ingá maduro!
Teu seio é macio como a polpa do ingá maduro!
– E há doçura de grã-fina no teu beijo, que é todo ingá…
– E há doçura de grã-fina no teu beijo, que é todo ingá…
Por isso mesmo,
Minha Maria,
Eu, como a abelha
do aripuá
pra quem doçura
é sempre pouca,
só quero o favo
de tua boca…
Há veludos de imbaúba nessas redes de teus olhos,
que convidam, preguiçosas, a gente para o descanso,
um descanso à beira-rio como o ingazeiro nos dá!
Por isso mesmo,
Minha Maria,
de noite e dia
nessa corrida
triste de ganso,
para descanso
e gozos meus,
só quero a rede
dos olhos teus!
Só quero a rede macia dos teus olhos!
Só quero a doçura de grã-fina do teu beijo…!
E na rede eu me deito,
cochilo e descanso,
tenho um sono manso
que me faz sonhar…
Sonho que és ingá
de doçura louca,
que na minha boca
vem se desmanchar,
que na minha boca
vem se desmanchar…
     (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Por orientação da Polícia Federal e da Funai, indígenas evitam a cidade de Humaitá

Fabiano Maisonnave
(Folha)

Desde junho, o estudante indígena Elton Jiahui, 17, faz um curso por correspondência para o exame de admissão para a Marinha, sonho alimentado por dois amigos que seguem a carreira militar. Mas, por orientação da Polícia Federal e da Funai, ele diz que não fará a prova, marcada para o próximo sábado (4), em Humaitá.

“Eles falaram que nenhum índio podia ficar na cidade. O policial disse para não pensar nisso [prova], mas na minha vida”, disse Jiahui, em sua aldeia, que fica a 106 km da cidade.

No município com cerca de 50 mil habitantes, centenas de manifestantes queimaram, em pleno Natal, a sede da Funai, ao menos 11 carros e um barco da instituição.

Foi um protesto contra o desaparecimento de três moradores da região no último dia 16, em trecho da rodovia Transamazônica que atravessa o território indígena.

Orientados pela Funai, Elton, que cursa o ensino médio em Humaitá, deixou a casa alugada onde mora na cidade e se refugiou no quartel do Exército no dia 24.

Ele, seu pai, o cacique Pedro, que estava de compras na cidade, e outros 113 indígenas só puderam deixar o quartel após seis dias, quando foram levados às aldeias em um ônibus com escolta policial.

Ao chegar à aldeia, às margens da Transamazônica, descobriram que o posto de pedágio construído pelos índios também fora incendiado, um dia após o Natal.

Os pedágios dos indígenas funcionam desde 2006 e são bastante criticados pelos moradores da região, que reclamam o pagamento de até R$ 110 para transitar numa estrada ruim e sem pavimento.

Os índios dizem que o pagamento é uma “reparação” pelos danos provocados pela rodovia. Decisões judiciais autorizaram o funcionamento desses pedágios. São cerca de dez, mas só funcionava um de cada vez, num esquema de rotação entre as aldeias. Todos foram incendiados na semana passada.

Assustados, os cerca de 60 moradores da aldeia fugiram para o mato. Elda, 24, com o filho de três meses no colo, acabou se perdendo. Foi encontrada nove horas depois, graças aos gritos dos homens que a buscavam.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGJá se passaram 17 dias e ainda não foram encontrados os corpos dos três homens sequestrados pelos índios. Se a Polícia Federal não conseguir um informante entre os índios, nunca serão descobertos os criminosos, o sequestro e assassinato dos três moradores seguirá impune e não haverá paz naquela região, onde os índios são todos aculturados e sabem muito bem o que fazem. Ontem, em Boa Vista, índios armados invadiram a sede da Funai e obrigaram uma funcionária a pedir demissão, humilhando-a e pintando o rosto dela de preto. Certos da impunidade, filmaram toda a invasão e liberaram as imagens para o Jornal Nacional. (C.N.)

Mesmo “maquiando” as contas, balança comercial brasileira encerra ano com pior superávit desde 2001

Mariana Branco
Agência Brasil

Brasília – A balança comercial brasileira encerrou  o ano com superávit (exportações maiores que importações) de US$ 2,561 bilhões. Trata-se do pior resultado desde 2001, quando houve saldo positivo de US$ 2,684 bilhões.  Os dados foram divulgados hoje (2) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Os números estão de acordo com a expectativa do governo, que vinha anunciando estimativa de superávit pequeno, em função da queda das exportações de petróleo.

O saldo positivo anual foi resultado de US$ 242,1 bilhões em exportações e US$ 239,6 bilhões em importações. A média diária das vendas externas, que corresponde ao volume financeiro vendido por dia útil, fechou o ano em US$ 957,2 milhões, patamar 1% inferior aos US$ 966,4 milhões registrados em 2012. As importações cresceram 6,5% segundo o critério da média diária, de US$ 889,2 milhões por dia útil em 2012 para US$ 947,1 milhões em 2013.

Em 2013, cresceram as vendas externas de produtos manufaturados (1,8%), enquanto caíram as de produtos semimanufaturados (-8,3%) e de básicos (-1,2%) na comparação com 2012. Nas importações, houve crescimento nos gastos com combustíveis e lubrificantes (+13,8%), matérias-primas e intermediários (+5,8%), bens de capital (+5,4%) e bens de consumo (+ 3,4%).

As exportações de industrializados subiram principalmente em função das plataformas de extração de petróleo, que tiveram aumento de receita de 426,4% em relação ao ano passado. As vendas de plataformas, no entanto, são o que se chama exportações fictas. Repassadas a subsidiárias da Petrobras no exterior, elas não chegam a deixar o Brasil.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNa verdade, não é pior superávit, porque trata-se de déficit. O ministro Mantega não se emenda, está sempre maquiando as contas públicas. Na matéria acima, onde se lê “exportações fictas”, deve ser lido “exportações fictícias”. É o fim da picada, muita desfaçatez. (C.N.)

Um ano depois, diretor ligado à namorada de Lula enfim deixa (a pedido) a Agência Nacional de Aviação Civil

Ayr Aliski
Agência Estado

Rubens Carlos Vieira não é mais diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A exoneração do cargo, “a pedido” e com validade a partir de 30 de dezembro de 2013, foi publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira, 31. Vieira ingressou na Anac em 2006. Ligado a Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe do Gabinete Regional da Presidência da República em São Paulo, ele acabou envolvido na Operação Porto Seguro, deflagrada pela Polícia Federal e Procuradoria da República, que em novembro de 2012 desarticulou suposta organização criminosa de venda de pareceres técnicos em órgãos federais.

O decreto com a decisão é assinado pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, Moreira Franco.

Em relação à Operação Porto Seguro, o Ministério Público Federal em São Paulo pediu a devolução e aplicação de multas que totalizam R$ 38 milhões aos investigados. Em ação de improbidade administrativa, o procurador da República José Roberto Pimenta Oliveira questionou atos praticados com a finalidade de manter o contrato de arrendamento celebrado entre a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e a empresa Tecondi. O procurador acusou 18 réus na ação de improbidade, entre eles Rubens Carlos Vieira.

AFASTAMENTO???

Em novembro do ano passado, após a eclosão do caso Porto Seguro, a Presidência da República determinou que todos os servidores indiciados na operação seriam afastados ou exonerados de suas funções. Até então, Vieira comandava a Superintendência de Infraestrutura Aeroportuária da Anac. O Portal da Transparência, do governo federal, informa que Rubens Carlos Vieira é procurador da Fazenda, tendo o Ministério da Fazenda como órgão de origem, embora cedido para a Anac.

Em setembro deste ano, a Controladoria-Geral da União (CGU) decidiu aplicar pena de destituição de cargo público a Rosemary Nóvoa de Noronha. No final de 2012, ela tinha sido exonerada. Este ano, houve a conversão da exoneração em destituição de cargo público, que é uma medida mais rigorosa. Em função dessa punição, a ex-servidora ficou impedida de retornar ao serviço público federal durante cinco anos, nos termos do parágrafo único, do artigo 137 da Lei nº 8.112/90. Rosemary ocupava um cargo comissionado no gabinete regional da Presidência. Ela não era do quadro efetivo do serviço público.

Quando anunciou, em setembro, essa decisão envolvendo Rosemary, a CGU destacou que o processo administrativo foi instaurado a partir da Sindicância Investigativa conduzida anteriormente pela Casa Civil da Presidência da República. Entre as irregularidades cometidas, a Comissão Processante da CGU listou o recebimento de vantagens indevidas, oferecidas por Paulo Rodrigues Vieira, que foi diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), e Rubens Rodrigues Vieira como diretor da Anac; além de falsificação de documentos e tráfico de influência.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG A situação é inacreditável. A operação Porto Seguro ocorreu em novembro de 2012, e o envolvimento de Rubens Vieira era óbvio, transparente e irrefutável. É claro que desde essa época ele está afastado da Agência. O que ninguém esperava é que este criminoso estivesse em férias remuneradas, há mais de um ano sem trabalhar. Somente agora foi exonerado, mas “a pedido”. Ou seja, se dependesse do governo, ele continuaria como diretor da Agência “per seaculum seaculorum”, como diz a Bíblia. Ah, Brasil! (C.N.)

CBF quer Brasileirão com 24 times, finais em mata-mata e incluindo Lusa, Vasco, Ponte e Náutico, que caíram

http://l1.yimg.com/bt/api/res/1.2/pdq1phllkUW.f7nwFoykag--/YXBwaWQ9eW5ld3M7Zmk9aW5zZXQ7aD00NTA7cT03NTt3PTYzMA--/http://l.yimg.com/os/publish-images/sports/2013-12-11/84948dce-7f2a-4016-bd70-bd7e4564c5db_Esporte11-12-2013.jpg

Jorge Nicola

A iminente chuva de ações na Justiça comum de torcedores da Portuguesa contra o rebaixamento do time, decretado nos tribunais esportivos, já ligou o alerta da CBF. E existe um estudo para viabilizar o Brasileirão de 2014 com novo tamanho e formato.

O presidente da CBF, José Maria Marin, conversou nos últimos dias com Marco Polo Del Nero, seu vice, sobre a possibilidade de a edição deste ano contar com 24 clubes, incluindo Lusa, Vasco, Ponte e Náutico, que caíram.

Até a Globo já entrou na conversa e deu seu pitaco: a emissora que paga os direitos de transmissão do Brasileirão quer a volta da fórmula do mata-mata – os índices de audiência do campeonato desde a introdução dos pontos corridos, em 2003, despencam ano após ano.

Em cima disso, a CBF cogita organizar um torneio com dois grupos de 12 times, cada. Eles se enfrentariam em turno e returno, apenas contra adversários de sua chave. Os quatro primeiros colocados de cada grupo passariam às quartas de final, quando começaria o mata-mata.

Existe importante vantagem prática em um eventual Brasileirão desta maneira: ele só teria 28 datas, dez a menos do que o modelo de 2013. E o futebol nacional vive problema sério de calendário, principalmente pela realização da Copa do Mundo, que vai abocanhar quase dois meses do ano.

Política – Por trás de uma eventual virada de mesa, também há um cunho político. Em abril, ocorre a eleição para a presidência da CBF e apenas os presidentes de clubes da Série A têm direito a voto. Com a inclusão de Lusa, Vasco, Ponte e Náutico, Marco Polo, candidato da situação, pode garantir mais quatro votos.

Além dos times, têm direito a voto os presidentes das 27 federações de futebol do país. Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, será o candidato da oposição.

###
NOTA DO COMENTARISTA PAULO PERES – Torcedores do Vasco também estão se mobilizando para entrarem com ações na Justiça comum, tendo em vista que o STJD,  no julgamento da partida Atlético PR X Vasco da Gama, não respeitou o regulamento da competição, o Estatuto do Torcedor etc.

(texto enviado pelo comentarista Paulo Peres)

A beleza da chuva perdeu a poesia e virou infelicidade

12
Fátima Oliveira
(O Tempo).

Cismando sobre o ano que finda e o que entra, descobri que eu, que sempre achei a chuva um dos mais belos fenômenos da natureza e não dispensava um banho de chuva até há bem pouco tempo, passei a ter medo dela! Não sem razão.

Estou impressionada como a cada ano ficamos mais reféns das chuvas, em diferentes partes do Brasil – problema que não é de hoje, mas foi tão olvidado que chuva virou infelicidade anunciada. Há responsáveis por tal estado de coisas e não atendem pelo nome de natureza, mas de governos, estaduais e/ou municipais. Até a última segunda-feira, Minas tinha 59 cidades em emergência e uma em estado de calamidade. Eram 9.205 desalojados, 3.015 desabrigados, 150 feridos e 22 mortes confirmadas oficialmente, segundo dados da Defesa Civil.

Pense morar em uma cidade em que basta o tempo nublar para a gente ter medo de sair de casa! Está sendo assim nos quatro cantos de Belo Horizonte. É um desmazelo das autoridades municipais, que deixaram a coisa chegar a tal estado de risco!

AFOGAMENTOS

No último dia 23, Hélio Eustáquio da Silva, 53 anos, morreu afogado em seu carro, num alagamento na avenida Cristiano Machado, na altura do bairro Dona Clara  Ano passado, se não estou enganada, um carro foi tragado pelas águas na avenida Prudente de Moraes, paralela à rua onde moro, e um senhor morreu. Desde então, nublou, que dirá pingou, evito a dita avenida, que até há uns seis anos não era perigosa a ponto de matar. O que aconteceu que ela ficou tão assassina assim?

BH, no período chuvoso, é matadeira, devido aos 80 pontos de alagamentos que, na opinião do prefeito Marcio Lacerda, exigem R$ 4 bilhões em obras para deixar a população segura. E o prefeito acrescentou: “É um investimento muito alto, e a prefeitura não tem recursos. Para ter risco mínimo de inundação na capital e concluir todas essas obras, precisaríamos de cinco a dez anos”.

Precisa dizer mais crueldades?  Quer dizer que, na próxima década, cabe ao povo se virar!

Desejo que tenhamos o direito de não morrer tragados pelas águas em 2014 e, como a poeta Cecília Meireles, possamos voltar a sentir que “A chuva é a música de um poema de Verlaine…” (“A Chuva Chove”); e que, diante da chuva, um dia, quem sabe, voltemos a nos alegrar como Guimarães Rosa: “Vai chover chuva de vento./ Já estou sentindo um cheiro d’água,/ que vem do céu cinzento (…) Vai invernar…/ Eu hoje amanheci alegre,/ querendo cantar…” 

Novo ministro terá de recuperar o prestígio do Itamaraty

Sem verbas suficientes, Itamaraty perdeu força política

Mariana Schreiber
BBC BRASIL

O atual embaixador brasileiro em Washington, Mauro Vieira, assume o cargo de ministro das Relações Exteriores em um momento delicado para o Itamaraty, de crescente insatisfação do corpo diplomático com o desprestígio do órgão dentro do próprio governo.

Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, o novo chanceler terá a difícil missão de estabelecer uma boa comunicação com a presidente e aumentar a importância da política externa no governo Dilma. Após ganhar prestígio e se expandir durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), o ministério teria sido colocado de lado no primeiro mandato da atual presidente, perdendo relevância política e peso no orçamento federal.

“O Itamaraty está marginalizado no momento. Está subutilizado e muito enfraquecido”, afirma Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas.

Os recursos destinados ao Itamaraty cresceram em ritmo menor que as despesas do governo federal nos últimos anos, o que reduziu sua relevância no orçamento. A fatia do Ministério das Relações Exteriores (MRE) nos gastos totais federais (somadas a despesas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário) caiu de 0,17% em 2008 para 0,11% em 2014 (considerando os valores empenhados, ou seja, liberados, até dia 23 de dezembro).

Em valores absolutos, os recursos destinados ao MRE cresceram 25% neste período, para R$ 2,6 bilhões neste ano. Já o gasto federal total praticamente dobrou no período, com uma alta de 96% para R$ 2,473 trilhões.

CRESCENDO À MÍNGUA

O crescimento dos recursos seria insuficiente para bancar a expansão da estrutura do Itamaraty, que no governo Lula abriu 77 novas embaixadas, consulados e representações, um aumento de mais de 50% ante os 150 existentes até então. Na semana passada, a Folha revelou que a falta de recursos levou o MRE a atrasar o pagamento de aluguéis em pelo menos cinco postos no exterior. Além disso, funcionários teriam ficado três meses sem receber auxílio-moradia.

“Há uma certa preocupação nesse campo. O Brasil prometeu, sobretudo aos países em desenvolvimento da África, participar do seu desenvolvimento, e já se sabe que nas capitais africanas o Brasil não tem meios para concretizar essa diplomacia. Então, seria uma diplomacia oca, sem capacidade de realizar os projetos que foram lançados”, critica José Flávio Saraiva, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília.

Stuenkel observa que a política externa não tem papel de destaque no governo Dilma como tinha no de Lula e isso afeta a capacidade de atuação do ministério porque “a moeda de poder em Brasília é a atenção da presidente”.

Se o Itamaraty não é visto como órgão prestigiado, explica, receberá menos recursos do Ministério do Planejamento e menos atenção de outros ministérios, que passam a exercer função do Itamaraty, como as negociações de comércio exterior.

FORÇA POLÍTICA E NEGÓCIOS

Mauro Vieira, que antes de assumir o mais alto posto em Washington em 2010 foi embaixador em Buenos Aires por quase sete anos, tem reconhecida experiência diplomática para assumir a função de chanceler. A dúvida, ressalta Stuenkel, é se terá força política para elevar o prestígio do Itamaraty junto ao Planalto.

“O novo ministro vai ter que ter capacidade política. Os dois anteriores (Figueiredo e seu antecessor, Antônio Patriota) não conseguiram estabelecer um canal com a presidente. É uma das posições mais difíceis porque a expectativa é muito grande e a tropa (o corpo diplomático) esta muito desanimada”, afirmou.

Os dois professores consideram que a forma de governar da presidente, muito centralizada em si própria, engessa a política externa.

“A classe diplomática está amuada porque as decisões praticamente não são tomadas no Itamaraty. É preciso garantir ao novo ministro uma autoridade internacional. O atual chanceler, apesar de excelente diplomata, não pôde trabalhar”, disse Saraiva.

DÉFICIT NA BALANÇA

Em um momento em que o Brasil perdeu espaço no comércio global e fechará o ano com deficit na balança comercial pela primeira vez desde 2000, aumentaram as críticas também a uma suposta falta de atuação do Itamaraty na abertura de mercados para as empresas lá fora. Um dos motivos apontados para a saída do atual ministro Alberto Figueiredo seria sua pouca experiência na área de comércio exterior.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro, defende “um Itamaraty mais voltado para o comércio”.

“Nós sentimos que o mundo hoje tem uma diplomacia comercial e nós continuamos com uma diplomacia diplomática. As chancelarias do mundo deixaram de cuidar apenas da parte institucional do país para também cuidar da parte comercial, pois tudo hoje são acordos, sejam bilaterais ou multilaterais”, afirma.

Na sua avaliação, a abertura dos mercados forçaria o governo a adotar medidas estruturais que elevem a competitividade brasileira, como reforma tributária e melhoria da infraestrutura.

Já o professor da FGV Oliver Stuenkel considera que o poder do Itamaraty nesta área está superestimado.

“Tem gente que diz que o Brasil precisa de um caixeiro viajante como o Lula que possa vender o Brasil lá fora. Mas isso não existe, o mercado não funciona assim. A conquista de mercados é muito mais em função da capacidade da indústria brasileira de competir internacionalmente”, afirma.

Conflitos agravam impasse nas obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte

Índios munduruku, do Pará, protestam na Advocacia-Geral da União, em Brasília, contra a construção de hidrelétricas na Amazônia Legal  (Breno Fortes/CB/D.A Press - 10/12/13)

Étore Medeiros
Correio Braziliense

Oriximiná (PA) — O último balanço do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC 2) estimava que 34% das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte estariam concluídas ao fim de 2013. A construção do quarto maior empreendimento do PAC 2, no entanto, é constantemente ameaçada por demandas judiciais. Somente do Ministério Público Federal, são 20 ações. A maioria alega o não cumprimento de condicionantes socioambientais.

A polêmica usina no rio Xingu, no Pará, é o carro-chefe das dezenas de empreendimentos hidrelétricos do governo federal na região da Amazônia Legal. Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo e, logo atrás, a também paraense São Luiz de Tapajós ocupará a quinta posição.

“Estão querendo fazer barragens que trarão um impacto grande, gerar discussão entre nós e a exploração dos nossos recursos naturais”, queixa-se Josias Manhuary, liderança munduruku. A etnia participou da invasão e ocupação aos canteiros de obra de Belo Monte, no mês de junho, em protesto contra as hidrelétricas na Amazônia. Mais de 11 mil mundurukus vivem na bacia do Tapajós, que tem como afluente o rio Teles Pires. O PAC 2 prevê seis empreendimentos hidrelétricos apenas nos dois cursos d’água.

“O governo paralisou as demarcações e está agilizando os empreendimentos. Somos brasileiros, originais da região, e estamos sendo desrespeitados pelo governo em nome de alguns empresários”, alega Antônio Dace, também munduruku.

“(Os índios) são vistos como pequenas pedras no caminho, que com uma mão se retiram e se lançam fora”, critica Carlos Bittencourt, consultor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). “O modelo de desenvolvimento atual vai matando tudo o que é autenticamente brasileiro — as populações indígenas e sua cultura, a biodiversidade, nossos gigantescos mananciais e rios — em nome da lucratividade de uns poucos”.

De acordo com o pesquisador, os empreendimentos hidrelétricos estão intimamente ligados “à demanda minerária existente e a que está por vir”. “Para se produzir alumínio, por exemplo, 29% do custo é advindo da demanda energética, quase igual aos 31% advindos da própria matéria-prima. Não à toa, a Vale (do Rio Doce) é dona de 9% de Belo Monte.”

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNossa capacidade de gerar energia está se esgotando, embora o Brasil seja um país com grandes possibilidades de geração limpa, por hidrelétricas. Mas não pode usar esse potencial, por falta de habilidade do governo. As tribos atingidas pela construção desses reservatórios têm de ser indenizadas, como acontece nas áreas desapropriadas em propriedades particulares. Simples assim. Mas não querem pagar nada ao índios. Se as usinas não começarem logo a funcionar, o desenvolvimento fica prejudicado e surgem os apagões. É um absurdo. (C.N.)

A soberba não pode mudar de lado

Tostão
(Folha)

Se o Brasil ganhar a Copa, espero que a maioria tenha a consciência de que o time brasileiro, quase só com jogadores que atuam fora, é exceção e que o nosso futebol está ruim, dentro e fora de campo, desde a formação dos jogadores nas categorias de base.

O Brasil tem a obrigação de formar uma ótima seleção, pois é imenso, tem enorme tradição e milhares de crianças correndo atrás de uma bola, em vez de estudarem em boas escolas públicas, em tempo integral e sob orientação de bons professores.

A entrevista dada por Felipão no Futcom (encontro de fim de ano dos treinadores) foi chamada de “Show do Felipão”, mais por suas frases e gestos engraçados do que por suas opiniões técnicas. Felipão foi aplaudido quando elogiou a devoção de Daniel Alves à seleção e ao país, por não ter cumprimentado seus companheiros de Barcelona, na final da Copa das Confederações.

Parece até que um atleta, para jogar bem, com garra e comprometimento com a seleção, precisa ser mal-educado e tratar os adversários como inimigos. Além disso, Daniel Alves pode criar inimizades no Barcelona e prejudicar sua carreira.

Felipão merece ser elogiado por seu trabalho, por seus conhecimentos e, principalmente, por saber organizar a equipe para jogar uma Copa em casa, apesar de usar muito a tática de faltas para parar os lances. As grandes equipes não precisam fazer isso para desarmar, vencer e brilhar.

Estou preocupado com o oba-oba. Parece até que a conquista da Copa das Confederações, um torneio de preparação para o Mundial e sem grande nível técnico, seja motivo para tanta euforia, para Felipão ser tão bajulado, para todos os jogadores passarem a ser craques e terem o direito à titularidade na Copa.

Com exceção de Neymar e Thiago Silva, os dois craques da seleção, os outros titulares não têm brilhado.

Júlio César é reserva de um time da segunda divisão da Inglaterra. Daniel Alves e Marcelo não têm jogado tão bem quanto em outras temporadas. David Luiz, com frequência, fica na reserva no Chelsea. Luis Gustavo, dispensado do Bayern, atua em um pequeno time alemão. Paulinho continua discreto no Tottenham. Hulk está escondido na Rússia. Oscar tem atuado bem, mas o protagonista no Chelsea é o jovem meia belga Hazard. Fred não joga.

O Brasil é um dos favoritos. Não é o único. Diferentemente do que diz o lugar-comum, é preciso, além de respeitar, temer os grandes adversários. A inquietude e a ansiedade são fundamentais para os atletas se superarem, como ocorreu na Copa das Confederações. A Espanha, ao contrário, achou que iria colocar o Brasil na roda e perdeu. A soberba não pode trocar de lado.

É preciso conciliar os dois sentimentos, a confiança, sem atingir a prepotência, o já ganhou, com o receio de perder, sem entrar em pânico.