Uma lista que se repete a cada ano

Carla Kreefft

No fim do ano passado, essa coluna apresentou uma lista de pedidos para 2013, tendo em vista a política brasileira. Infelizmente eles não foram concretizados.

O primeiro: nunca mais na história deste país ouvir um político brasileiro falar que não sabia desse ou daquele escândalo de corrupção.

O segundo: nunca mais na história deste país tomar conhecimento de casos de corrupção exclusivamente porque um caseiro, um porteiro, uma ex-mulher ferida ou uma assessora insatisfeita decidiu fazer uma denúncia.

O terceiro: nunca mais na história deste país ter que ouvir que desvio de dinheiro público para caixa 2 de campanha é mais ou menos grave do que para compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional.

O quarto: nunca mais na história deste país ouvir como justificativa para a corrupção argumentos do tipo “os outros sempre fizeram assim e nunca foram penalizados”.

O quinto: nunca mais na história deste país ouvir um presidente da Câmara dos Deputados dizer que não descarta a possibilidade de dar abrigo político a quem foi condenado por um tribunal livre e democrático.

O sexto: nunca mais na história deste país, ter que entender que a violência e o crescimento do número de assassinatos são acontecimentos incontroláveis e imprevisíveis e que, por isso, a população continuará exposta.

O sétimo: nunca mais na história deste país, ter que entender que os desastres, inclusive a perda de vidas, causados pela chuva são fatalidades, embora aconteçam todos os anos e nos mesmos lugares.

O oitavo: nunca mais na história deste país ter que aceitar que a seca no Nordeste e no Norte de Minas somente será resolvida com muitos recursos financeiros, o que o país e os Estados não têm.

O nono: nunca mais na história deste país ouvir autoridades policiais afirmarem que o crescimento da violência contra a mulher é consequência natural da postura “mais moderna” adotada pelas próprias mulheres.

O décimo: nunca mais na história deste país ter que aceitar que a miséria, em algumas regiões do país, mata mais do que uma guerra civil.

O décimo primeiro: nunca mais na história deste país ter que assistir a famílias sendo destruídas pelo crack.

O décimo segundo: nunca mais na história deste país ver centenas de pessoas morrendo no trânsito.

O décimo terceiro: não ter que fazer a mesma lista no fim de 2014, como ocorreu em 2013.

É preciso enxergar que somos todos carentes de humanidade

01

Acílio Lara Resende

Belo Horizonte – Semana passada, me referi a Mandela e aos dois principais itens da sua bonita cartilha – concórdia e tolerância. Com mais razão, na antevéspera do Natal (aproveito a manhã chuvosa, quando o trânsito de veículos, em toda a cidade, consegue ser um pouco melhor, para ir até ao escritório e escrever estas linhas), não deveria abordar nenhum assunto que não vá de encontro da incansável pregação dessa monumental figura humana. Não deveria, repito, mas, sinceramente, não sei se vou conseguir. Mandela nos deixou exemplos de uma vida de asceta (ou de santo, se prefere, leitor) – um desafio difícil, mas tentador.

Todavia, ao sair de casa por volta das 10h, na esquina de ruas Bambuí com Estevão Pinto, no bairro da Serra, ao observar o tráfego à esquerda, assustei-me com três policiais correndo em minha direção (distantes dois ou três metros um do outro), com armas em punho assestadas (aparentemente) contra mim. Não vira ninguém, a não ser um outro veículo, que vinha logo atrás, cujo motorista se assustou mais do que eu. Cheguei a me abaixar, mas verifiquei logo que se tratava de alguém que se achava, no outro passeio, numa posição que me tornava excelente alvo. Não sei se devo comemorar o (quase) macabro episódio, mas a verdade é que não fui vítima de bala perdida…

Com o coração aos pulos, segui meu caminho em direção ao centro. Lembrei-me de que o ideal seria que, no Natal, não houvesse polícia nem bandido. Que a data só despertasse em nós o mesmo sentimento que já despertou outrora, nas crianças e também nos adultos, quando a vida era menos perigosa. Que só vivenciássemos as coisas boas, que são poucas, deixando de lado as ruins, que são muitas.

NOTÍCIAS

Ao chegar ao escritório, mais calmo e com o pulso normalizado, cheguei à conclusão de que, de fato, acabara de me livrar de uma ou mais balas perdidas. E pensei: poderia ter sido vítima de uma notícia ruim, mas não fui… Ao manusear os jornais, dei de cara com duas notícias boas de se ler (será que há, propriamente, notícias ruins?). Notícias, aliás, que me dizem que tenho muito mais o que comemorar.

A primeira, que nos enche – a nós, brasileiros – de orgulho, está ligada a uma disputa esportiva, totalmente fora da tradição brasileira. Em Belgrado, nossa seleção feminina de handebol, num feito inédito, obteve o ouro. Por 22 a 20, bateu as anfitriãs. Sob o comando do técnico dinamarquês Morten Soubak, um nome, no mínimo, curioso… Morten reconheceu que estamos muito atrasados no esporte, mas as nossas meninas fizeram a diferença: “Tudo se deveu a elas”, disse ele.

A segunda, de repercussão bem maior, diz respeito à recente fala de Raúl Castro na sessão da Assembleia Nacional de Cuba, na cidade de Havana. Pela primeira vez, desde 1961, Castro pediu aos Estados Unidos diálogo e respeito. (Antes, na África do Sul, em ato em homenagem a Mandela, os dois, Obama e Castro, se cumprimentaram).

Em seu habitual (e revolucionário) traje, Castro foi claro e mais objetivo do que nunca: “Não reivindicamos aos Estados Unidos que mudem seu sistema político e social, e não aceitamos negociar o nosso. Se realmente desejamos avançar nas relações bilaterais, teremos que aprender a respeitar mutuamente nossas diferenças e nos acostumar a conviver pacificamente com elas.

Caso contrário – concluiu em tom mais de bravata do que de ameaça – estaremos dispostos a suportar outros 55 anos na mesma situação”.

Que esses dois enfim celebrem a paz de Cristo!

Os três momentos do poeta Antonio Cícero

O filósofo, escritor, letrista e poeta carioca Antonio Cícero Correa Lima, ao final de “Três” momentos, revela seu desejo.
TRÊS
Antonio Cícero
Um
Foi grande o meu amor
não sei o que deu
quem inventou fui eu
fiz de você o sol
da noite primordial
e o mundo fora nós
se resumia a tédio e pó
quando em você tudo se complicou

Dois
Se você quer amar
não basta um só amor
não sei como explicar
um só é sempre demais
pra seres como nós
sujeitos a jogar
as fichas todas de uma vez
sem temer naufragar
não há lugar para lamúrias
essas não caem bem
não há lugar para calúnias
mas por que não
nos reinventar

Três
Eu quero tudo que há
O mundo e seu amor
Não quero ter que optar
Quero poder partir
Quero poder ficar
Poder fantasiar
Sem nexo e em qualquer lugar
Com o seu sexo
Junto ao mar

            (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

PT quer comandar a Comissão de Direitos Humanos e esquecer o pastor Feliciano

Tâmara Teixeira
OTempo

O deputado federal mineiro Nilmário Miranda (PT) está trabalhando nos bastidores da Câmara dos Deputados junto ao seu partido e a outras 11 legendas, como PMDB e PSDB, para que os petistas retomem a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Casa. O objetivo é evitar que os “evangélicos extremistas” assumam o posto, após um ano de atuação polêmica de Marco Feliciano (PSC-SP).

Antes do recesso, depois que Feliciano deixou a posição, Miranda começou a peregrinar pelos gabinetes para fazer frente às pretensões dos evangélicos, que sonham em ocupar novamente a presidência da comissão. Em ano eleitoral, o posto pode ser estratégico para os parlamentares ligados à igreja defenderem seus pontos de vista e conquistarem votos nas urnas. Um dos nomes cotados para substituir Feliciano dentro da bancada religiosa é o do deputado Marcos Rogério (PDT-RO).Nilmário diz que, agora, não está preocupado em colocar o seu nome para a vaga, mas quer garantir que ela não seja ocupada pelos “fundamentalistas”. Ele tem até o dia 3 de fevereiro, quando o PT deve decidir quais comissões pretende disputar.

“DERROTA”

“Este ano foi uma derrota para os brasileiros. A comissão que existe para receber demandas de toda a sociedade foi ocupada com temas que não são pertinentes. A frustração nossa e da população é enorme. Se os partidos não se unirem, corremos o risco de outro fundamentalista ocupar o posto”, afirmou o petista.

Segundo ele, os colegas se mostraram empenhados em retomar o comando da comissão. No discurso de convencimento, Nilmário tem lembrado que as polêmicas envolvendo Feliciano foram alvos das manifestações de junho e julho. “Os episódios e as causas defendidas por ele (Feliciano) desgastaram a Casa como um todo nos protestos”, avalia.

O PSC assumiu o controle da comissão depois de o PT, que a presidia, abrir mão do direito de continuar no comando. Os petistas preferiram ficar com outras três comissões, incluindo a de Constituição e Justiça.

OS TEMAS

Cura gay: projeto defendido por Feliciano autorizava psicólogos a oferecer tratamento a gays. Com repercussão, texto saiu da pauta.

Homofobia: Feliciano mandou prender garota que beijou outra mulher.

Doações: pedidos polêmicos de doações durante seus cultos.

A paparrotice do MST

Celso Serra
“A ilusão com o agronegócio” – é o que proclama João Paulo Rodrigues, da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), especialista em invasões de áreas produtivas. 

As terras ocupadas pelos “trabalhadores” rurais do MST pouco ou nada produzem. Nos assentamentos e ocupações a patota vive do “bolsa vadiagem”.


E o “ilustrado” presidente do MST  – que mais adequado deveria ser conhecido por “Movimento dos Sem TINO” –  profere a paparrotice de que o agronegócio é “ilusão”.  Disse isso e não foi trancado em um hospício.  De fato, no Brasil de hoje há pouco hospício para muito maluco.

O “ilustrado” dirigente do MST não deve ter lido que em 2011 (e de lá para cá só melhorou a produção de nosso país), o Brasil já era o segundo maior fornecedor no mercado internacional de alimentos, mas, segundo as projeções, se aproximará cada vez mais dos Estados Unidos, que ainda detém a liderança.

Sem as exportações oriundas do agronegócio o Brasil estaria  –  desculpem o termo chulo –  na merda!
DOBRA A PRODUÇÃO
No que diz respeito à produção, em vinte e poucos anos o Brasil mais que dobrou a produção de grãos e de carne bovina e quadruplicou a produção de aves.Esses resultados foram obtidos graças a um grande movimento que conjugou eficiência produtiva, desenvolvimento tecnológico, organização empresarial e novas formas de comercialização raras vezes presenciado no mundo.

Graças a isso, o país tornou-se o maior exportador mundial de soja, carne bovina e carne de frango – além de manter-se na liderança do café, açúcar, suco de laranja e tabaco. 

A eficiência produtiva e os outros atributos que a agricultura de produção (muito diferente da “agricultura de vadiagem”) exibe não são vistos nas áreas invadidas pela patota do MST e nos assentamentos do governo, bancados com parte da exorbitante carga tributária paga pelos demais cidadãos. 

O Brasil, hoje, possui cerca de 85% de sua população nas cidades.  Aquele que não produzir alimentos para colaborar no abastecimento dessa população não merece ganhar terra nenhuma; muito menos custeada pelos tributos pagos pelos cidadãos citadinos. 

O “vai trabalhar vagabundo” deve sair da letra da música de Chico Buarque e passar a ser rotina na atividade social. 

Basta de parlapatices e paparrotices.

Nada será como antes

12

Tostão
O Tempo

Na semana passada, vi dois jogos inesquecíveis, belíssimos, de altíssima qualidade individual e de muita competitividade, mostrados pela ESPN Brasil. O primeiro, a derrota do Brasil para a Itália, na Copa de 1982. O segundo, entre Manchester City e Liverpool, pelo atual Inglês.

São nítidas as muitas mudanças na maneira de jogar das equipes, do passado e do presente. Nada será como antes. Hoje, há mais disciplina tática, marcação, movimentação e velocidade. Os espaços entre os setores são menores, e existe mais pressão no jogador que está com a bola. Predomina o passe, embora ainda existam grandes dribladores. O passe representa a técnica, o jogo coletivo e solidário. O drible simboliza a habilidade, a improvisação e o talento individual. Os dois são essenciais.

Hoje, há mais preocupação em dar o passe correto, com a parte interna do pé, de chapa, para não perder a posse de bola. No passado, era mais comum o passe de curva, de trivela, de rosca, fazendo a bola contornar o corpo do adversário, para cair nos pés do companheiro. Além de eficiente, era mais bonito. Os jogadores arriscavam mais o passe decisivo.

O grande passador é o que sabe o momento exato de dar o passe correto, para não perder a bola, e o momento exato de surpreender, de colocar a bola entre os defensores, para o companheiro fazer o gol.

Egito em transe: os conflitos não cessam

Da Agência Lusa

Brasília – Um estudante morreu hoje (28) nos confrontos entre a polícia e apoiadores da Irmandade Muçulmana, que atearam fogo a um edifício da Universidade de Al-Azhar, no Cairo. O jovem, de 19 anos, foi baleado quando a polícia entrou no recinto universitário, segundo a mesma fonte.

Estudantes que dão apoio à Irmandade Muçulmana incendiaram, hoje pela manhã (horário local), um edifício da Faculdade de Comércio da Universidade de Al-Azhar, na capital egípcia, segundo uma fonte dos serviços de segurança.

Os estudantes entraram nas instalações da Faculdade de Comércio, interromperam uma prova que estava sendo aplicada e atearam fogo ao edifício. O incêndio, que provocou danos em dois andares do edifício universitário, foi extinto pelos bombeiros. Um responsável da polícia disse que 60 estudantes foram detidos.

O incidente ocorre um dia após manifestações de apoio ao presidente islamita Mohamed Mursi em várias cidades do Egito. Destituído pelo exército em julho, Mursi está atualmente preso.

Pelo menos cinco pessoas morreram durante as manifestações pró-Morsi, que degeneraram em confrontos, segundo um novo balanço divulgado por uma fonte médica. Ontem (27), 265 manifestantes islamitas foram detidos pelas forças de segurança egípcia.

Os protestos ocorreram depois de o Governo egípcio ter declarado, na quarta-feira (25), a Irmandade Muçulmana, movimento que apoia Mohamed Mursi, como “grupo terrorista” e de ter proibido qualquer tipo de manifestações no país.

Filho de um dos ditadores mais sanguinários do mundo quer brincar carnaval no Rio

Carolina Gonçalves
Agência Brasil

Brasília – O vice-presidente da República da Guiné Equatorial, Teodoro Nguema Obiang Mangue, acusado de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e abuso de confiança, apresentou pedido de habeas corpus preventivo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar sua prisão e extradição, que já foi requerida pela França. Advogados do africano informaram que o julgamento das acusações registradas por autoridades francesas não foi concluído.

A defesa de Mangue também argumenta no pedido que, pela Convenção de Viena de 1961, o pedido de prisão preventiva e extradição, em casos como esse, desrespeita as diretrizes do tratado internacional que regula as relações diplomáticas entre os países signatários, como o Brasil.

Mangue, que em 2002 foi nomeado segundo vice-presidente e encarregado da Defesa e Segurança do Estado, exige condições semelhantes às de chefe de Estado para se defender. Uma das principais prerrogativas reivindicadas pelo africano é a imunidade penal, que impede a prisão ou a extradição por autoridades estrangeiras.

Teodoro Mangue é filho do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que está no poder desde 1979, depois de um golpe de Estado que foi marcado pela violência.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A ditadura da Guiné Equatorial é uma das mais sangrentas e implacáveis do mundo. Teodore Mangue passa todo carnaval no Rio, num luxuoso camarote na Marquês de Sapucaí. Este ano, chegou a ser preso, mas acabou liberado para voltar à Guiné Equatorial. Agora, quer habeas corpus para brincar o carnaval. Era só o que faltava. (C.N.)

A internacionalização da guerra civil na Síria

Deu no jornal El País

Os cidadãos da União Europeia que combatem na Síria junto com Al Qaeda contra Bachar El Asad se multiplicaram três vezes nos últimos seis meses. Os serviços secretos temem seu retorno.

Os mercenários jihadistas que residiam na Europa representam 18% do total de combatentes que se deslocaram à Síria, segundo o Centro Internacional de Estudo da Radicalização (ICSR –sigla em inglês), de Londres. Seriam muito mais se a Turquia não tivesse expulsado, em 2013, 1.100 europeus a caminho da Síria.

O instituto londrino calcula que pelo menos 11 mil combatentes não sírios tem lutado na Síria desde 2011. Entre os árabes e tunisianos estão os mais numerosos. Entre os europeus abundam os britânicos, franceses, alemães, belgas e holandeses. Em relação à população de seus países, os bósnios e dinamarqueses são os mais numerosos.

Por outro lado, o regime de Assad recebeu o apoio da milícia xiita libanesa Hezbollah, de voluntários do Iraque e de instrutores militares do Irã. As estimativas sobre a quantidade deles oscilam entre 5 mil e 15 mil. (transcrito do ex-blog de Cesar Maia)

Desinventando a imprensa

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Ruy Castro

Pesquisa científica divulgada há dias revela que foram os chineses, há 5.500 anos, que domesticaram os gatos -1.500 anos antes dos egípcios, a quem se creditava essa maravilha. Quando um país está com a bola branca, como a China, não apenas seu presente chama a atenção -até seu passado fica iluminado. E, se alguns ainda se espantam com o ímpeto com que ela ocupa hoje todo tipo de espaço, só me intriga que não tenha acontecido antes.

A história nos ensina que, com sua criatividade, os chineses já mudaram o mundo pelo menos duas vezes. Uma foi quando inventaram a pólvora -de que resultaram o canhão, o mosquete, o arcabuz e muita gente morta. A outra foi quando criaram o papel e, daí a séculos, os tipos móveis, de argila -do que, 400 anos antes de Gutenberg, nasceu a imprensa.

Essas foram as suas grandes contribuições no atacado. No varejo, é aos chineses que devemos o macarrão e, deste, o talharim, o espaguete e a língua de pato. Eles nos deram também a seda, a porcelana, a bússola, o sismógrafo, o moinho hidráulico e até a pipa -esta, para pescar sem barco. Sem falar no palito de fósforo, nos fogos de artifício e na tinta -não por acaso, nanquim.

Mas isso foi lá atrás. A China moderna são os bilhões de cacarecos e cafonices que assolam o mercado mundial, empesteiam o planeta e levarão séculos para ser digeridos pelo ambiente. E ela vem agora com uma novidade ainda mais revolucionária: a desinvenção da imprensa. Seus jornalistas, se quiserem manter a licença de trabalho, terão de devorar um manual de 700 páginas para fazer uma prova sobre os princípios do marxismo e se submeter a 18 horas de treinamento para se condicionar a não contrariar o Partido.

No Brasil, havia gente no governo que queria nos impor essa medida. Mas isso foi antes da Papuda.

(artigo da Folha, enviado por Mário Assis)

Mais uma ‘marquetada’: Dilma anuncia ajuda financeira ‘ilimitada’ às cidades inundadas

Carlos Newton

Como diz o ditado, “falar é fácil”. Os jornais divulgam que, após sobrevoar Governador Valadares e Virgolândia, em Minas, a presidente Dilma Rousseff anunciou ajuda financeira “ilimitada” às cidades devastadas pelas chuvas neste fim de ano e classificou a visão que teve dos municípios mineiros como “impactante”.

Acontece que a realidade é muito diferente. O governo de Dilma Rousseff (ou Lula Rousseff) não conseguiu aplicar este ano o orçamento de que dispunha para prevenir essas calamidades, que desta vez foram responsáveis por 43 mortes só na última semana, sendo 20 em Minas Gerais e 23 no Espírito Santo.

A esse respeito, a repórter Renata Mariz, do Correio Braziliense, fez uma crítica impactante, ao destacar: “A despeito do alívio que investimentos emergenciais podem trazer às famílias que perderam tudo, os discursos de políticos diante da tragédia anunciada, que todo verão faz mortos e desabrigados no país, escondem uma incompetência histórica da gestão pública”.

SEM GASTAR

Realmente, o ano já está acabando e o tal programa Gestão de Riscos e Respostas a Desastres, que tinha R$ 5,3 bilhões para serem aplicados em 2013, só investiu 3,2 bilhões — e já contando recursos pendentes de anos anteriores que só foram pagos no exercício atual.

“São 10 vezes mais gastos com resposta do que com prevenção. Todo ano é a mesma coisa: o governo não consegue sequer aplicar os recursos do orçamento para, depois dos desastres, ter gastos ainda maiores, que poderiam ser minimizados, sem contar as vidas perdidas”, lamentou o economista Gil Castello Branco, fundador da organização não governamental Associação Contas Abertas.

Segundo ele, o cenário dos desastres acaba sendo interessante para o jogo político, ao lembrar que parte do dinheiro prometido emergencialmente, muitas vezes, nem sai do papel. “Politicamente, é melhor aparecer na hora da resposta do que na hora da prevenção”, denunciou o economista, entrevistado pelo Correio Braziliense.

Por fim, prometer “ajuda ilimitada” chega a ser patético, diante dessa realidade irrespondível.

Falsários e suas muitas falsificações

Percival Puggina

A mais grave dimensão da falsidade ocorre quando ela se torna estratégia de ação e estilo de vida. Quando isso acontece – e está acontecendo no Brasil – o caráter dos indivíduos é destruído e a credibilidade das instituições que por desventura eles comandem se converte em lama.

O artigo 1º da lei que criou a Comissão da Verdade (CV) atribui-lhe a tarefa de “efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional”. Memória, verdade e reconciliação. Qual a verdade que a CV busca? Ela busca conhecer os autores de crimes e agressões a direitos humanos que vitimaram os  guerrilheiros e terroristas camaradas de dona Dilma.

Os muitos crimes e violações cometidos por essa mesma turma estariam inteiramente perdoados, esquecidos, cobertos por grossa camada de errorex, e rendem vultosas indenizações aos que os perpetraram. Para os comissários da CV, a anistia valeria para tais crimes, acima de qualquer dúvida. E a reconciliação? Ora, os proponentes e executantes dessa farsa, ungidos de falso espírito pacificador, assumiram uma tarefa em que não creem. E isso é farsa. Eles não acreditam em reconciliação (a menos que renda votos, como num abraço entre Lula e Maluf). Creem, nisto sim, em conflito, em revanche e em vingança. Tudo isso é ou não fraude ao Direito, à memória, à verdade e à História? Mas a falsificação, uma vez iniciada, não para mais.

Querem outro exemplo? Quem pode considerar legítimos esses índios que vemos em Brasília, mobilizados pela governamental Funai, reivindicando demarcações de territórios para suas “nações”? Índios de caminhonete, calça jeans e que se abastecem em supermercados? Índios exibindo cocares zero quilômetro, com vistosas e irretocáveis penas de pobres aves, sem ninguém por elas? No entanto, os falsários, financiados por interesseiras ONGs internacionais, articulam para que obtenham cada vez maiores extensões de reservas, como se ainda vivessem, todos, da caça e da pesca. Pura manobra diversionista. O verdadeiro botim é a extraordinária biodiversidade e são as riquezas do subsolo.

Não são menos fraudulentos, por sua vez, muitos dos “quilombos” que pipocam em áreas nobres do território e do meio urbano nacional. Os falsários organizam esses grupos de interesse, insuflam ódio racial, excitam a cobiça, prometem vantagens patrimoniais, inventam fábulas sobre inexistentes quilombos e cuidam de ampliar o número de falsos quilombolas.

“CONTABILIDADE CRIATIVA”

Uma vez assumida como estratégia de ação e estilo de vida, a falsidade se impõe em tudo. Por isso, os falsos dossiês, encomendado a falsários profissionais. Por isso se falsificam as informações sobre as contas públicas com a tal “contabilidade criativa”. Por isso Dilma, ungida candidata à presidência, é apresentada à nação como grande gestora de um governo enrolado e enrolador. Por isso se apressam em fazer o que muito condenaram para não enfrentar o fracasso de soluções que nunca tiveram. Por isso diziam que o PT não era como “os partidos tradicionais” e tinham razão – o PT é um partido que protege bandidos. Por isso o falso apreço a direitos humanos, um apreço que tem cor partidária, que tem afeições e ódios ideológicos. Por isso as falsificações ditadas pelos mandamentos do “politicamente correto”, que transformam reivindicações grupais e pautas políticas em pretensos direitos humanos.

A lista seria inesgotável. Os falsários compreendem suas estratégias e métodos como elementos da disputa e da preservação do poder e os aplicam em tudo. O certo, a verdade e o bem integram uma esfera de temas que sequer conhecem, onde não vão e onde não operam. Nos espaços em que atuam habitualmente não incidem exigências de ordem moral que não estejam referidas à manutenção do poder. Para quem ainda não percebeu, é a mesma ética assumida pelos falsos mártires do Mensalão.

A materialidade do Papai Noel e a espiritualidade do Menino Jesus

01
Leonardo Boff

Um dia, o Filho de Deus quis saber como andavam as crianças que outrora, quando Ele andou entre nós,“as tocava e as abençoava” e das quais dissera: “Deixai vir a mim as criancinhas porque delas é o Reino de Deus” (Lucas, 18,15-16).

Chegou à Terra, umas semanas antes do Natal, e assumiu a forma de um gari que limpava as ruas. Entristeceu-se sobremaneira porque verificou que quase ninguém seguira as palavras que deixou ditas: “Quem receber qualquer uma dessas crianças em meu nome é a mim que recebe” (Marcos 9,37). E viu também que já ninguém falava do Menino Jesus. O seu lugar foi ocupado por um velhinho bonachão, vestido de vermelho, com um saco às costas e longas barbas. Diz-se que veio de longe, montado num trenó puxado por renas. As pessoas haviam se esquecido de outro velhinho, este verdadeiramente bom: são Nicolau. De família rica, dava pelo Natal presentes às crianças pobres, dizendo que era o Menino Jesus que os estava enviando.

Tão triste como ver crianças abandonadas nas ruas foi perceber como elas eram enganadas, seduzidas pelas luzes e pelo brilho dos presentes, dos brinquedos e de mil outros objetos que os pais e as mães costumam comprar como presentes para ser distribuídos por ocasião da ceia do Natal.

GLÓRIA A DEUS

O Menino Jesus, travestido de gari, deu-se conta de que aquilo que os anjos cantaram de noite pelos campos de Belém – “Eis que vos anuncio uma alegria para todo o povo, porque nasceu-vos hoje um Salvador… Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade” (Lucas 2,10-14) – não significava mais nada. O amor tinha sido substituído pelos objetos, e a jovialidade de Deus, que se fez criança, tinha desaparecido em nome do prazer de consumir.

Triste, antes de voltar ao céu, deixou escrita uma cartinha para as crianças. Foi encontrada debaixo da porta das casas e especialmente dos casebres dos morros da cidade:

“Meus queridos irmãozinhos e irmãzinhas, se vocês, olhando o presépio, virem lá o Menino Jesus e se encherem de fé de que ele é o Filho de Deus Pai que se fez menino, e que Ele é o Deus-irmão que está sempre conosco;

Se vocês conseguirem ver nos outros meninos e meninas, especialmente nos pobrezinhos, a presença escondida do Menino Jesus nascendo dentro deles;

Se vocês fizerem renascer a criança escondida nos seus pais e nas pessoas adultas;

Se vocês, ao olharem para o presépio, descobrirem Jesus pobremente vestido, se lembrarem de tantas crianças igualmente pobres e malvestidas e sofrerem por essa situação desumana e decidirem mudar as coisas;

Se vocês repararem nos três reis magos com os presentes para o Menino Jesus e pensarem que até os reis reconheceram a grandeza escondida desse pequeno menino;

Se vocês, ao verem no presépio todos aqueles animais, pensarem que o universo inteiro é também iluminado pelo Menino Jesus e que todos nós formamos a grande Casa de Deus;

Se vocês olharem para o alto e virem a estrela com sua cauda e recordarem que sempre há uma estrela como a de Belém sobre vocês; se vocês aguçarem bem os ouvidos e escutarem a partir dos sentidos interiores uma música celestial;

Então saibam que sou eu, o Menino Jesus, que está chegando de novo e renovando o Natal. Estarei sempre perto de vocês, caminhando com vocês, chorando com vocês e brincando com vocês até aquele dia em que chegaremos todos, humanidade e universo, à Casa do Pai e Mãe de infinita bondade, para sermos juntos eternamente felizes como uma grande família reunida.

Belém, 25 de dezembro do ano 1”.
Assinado: Menino Jesus

Ditadura egípcia não conseguirá extinguir a Irmandade Muçulmana

Paulo Solon

Certamente por haver previsto o fim do estado Judeu e por haver incentivado os judeus egípcios a deixarem aquele país, o proeminente líder da Irmandade Muçulmana, Essam el-Eriam, foi preso recentemente pelos aproveitadores que tomaram de assalto o governo do Egito.

Mas não é de hoje que a Irmandade é perseguida pelo imperialismo, já que é inimiga do imperialismo e do sionismo. Como declarou o ativista Hassan Al Banna em 1927, “Elimine o imperialismo de suas almas e ele deixará suas terras.” Na época, Banna estava se referindo à presença britânica em seu país. Na verdade, foi o primeiro nacionalista a pregar com zelo religioso, mencionando os perigos para o Egito e para o Islam a presença de estrangeiros não-muçulmanos. A sharia seria implementada e o Corão seria a “constituição” do Egito.

Banna fundou a Irmandade Muçulmana em 1928. A Irmandade tornou-se o primeiro movimento de massas de dissidentes políticos islamistas na história moderna. Tudo indica que não vai ser a prisão de um ou mais líderes, nem sua declaração de movimento terrorista, que vai extinguir a Irmandade, a qual já inspirou fraternidades similares em outros países muçulmanos.

PERSONALIDADE MAGNÉTICA

Hassan Al Banna era um orador inato com uma personalidade magnética e capacidade de conectar com o povo de todas as camadas do mundo muçulmano. Era preciso e sintético. Ao contrário de seus oponentes, Banna não falava sobre “democracia” e “constitucionalismo” e “liberalismo.” Banna foi persuadido, na década de 1940, a organizar um ramo paramilitar da Irmandade. Ele via a influência britânica e o Partido Comunista como inimigos mortais.

Eu disse acima que de nada vai adiantar a prisão de líderes da Irmandade, nem sua classificação como organização terrorista. Como exemplo, cito o fato de o próprio Banna ter sido assassinado em fevereiro de 1949 quando entrou em um taxi na cidade do Cairo. Foi fulminado com tiro à queima roupa.

Mas a Irmandade Muçulmana continuou. E tentou assassinar Nasser em 1954, o qual havia posto a fraternidade fora de lei, tal como os militares golpistas egípcios estão fazendo agora. A Irmandade era e continua sendo atuante, a ponto de ter derrubado o Rei Farouk no começo de 1950. Nasser detestava religião, sendo inimigo da Irmandade, apesar de ela haver declarado que o Islam é cem por cento nacionalista.

Assim, a Irmandade é posta fora de órbita, mas retorna com toda pujança na década de 1970. Retomou as rédeas da política egípcia dizendo que o Egito e outros estados Árabes eram fracos porque não haviam erguido suas nações baseadas em religião, como os Judeus Sionistas haviam feito. Concluíram que os Judeus haviam erguido um estado teocrático.

NÃO VAI ACABAR

Não tem sentido esperar que a Irmandade vai ser varrida e desaparecer, já que ela se baseia em religião. As religiões foram criadas pelos homens, não para fazer com que os homens acreditem em deus, mas para aumentar o poder de seus líderes e reduzir o poder dos “fiéis”. Elas aprofundam esse estupor semicataléptico no qual vive grande parte dos mamíferos humanos. Usam e abusam das palavras amor fraterno, sem esconder que o que praticam são dissenções contínuas mescladas com ódio teológico, atitude repelente e nauseante para um homem acostumado a funcionar com suas células cerebrais.

Quando o New York Times publica que a prisão do Sr. Essam el-Erian põe fim a uma carreira que traçou a evolução do grupo através de anos de repressão, lutas internas, vitórias eleitorais e falências políticas, vocês sabem que está divulgando uma mentira.

A Irmandade nacionalizou terras, fábricas, imprensa, escolas, associações profissionais, instituições de caridade, sindicatos (qualquer grupo além da família), seguiu as diretivas de um homem que promoveu todas essas mudanças com uma nova teoria de ação política Islamista chamado Sayyid Qutb, que, em 1964 publicou “Novos Marcos na Estrada”, um livro de enorme influência sobre os islamistas radicais até os dias de hoje. Qutb havia residido nos Estados Unidos frequentando o Wilson’s Teaching College no Distrito de Columbia e a University of North Colorado.

A nova piedade muçulmana de Qutb foi forjada exatamente nos Estados Unidos, onde ele ficou chocado com a permissividade sexual aqui reinantes, com o racismo, e com os sentimentos pro-Israel.

LÍDER ENFORCADO

Sayyid Qutb foi enforcado juntamente com dois outros membros da Irmandade em 1966, sob a acusação de conspiração para tomar o poder.
Atuante e sem fim sempre será a epopeia da Irmandade Muçulmana.

Anwar Al Sadat, como Presidente, fez um pacto com a liderança anticomunista da Irmandade. Mas os Islamistas radicais agiam como Qutb, demandando que o governo implementasse a sharia. Sadat, como se sabe, foi acusado pelos esquerdistas de trair Nasser e a “causa Árabe”. E os Islamistas acusaram-no de trair o Islam. Acabou assassinado em um desfile militar por um tenente anti Israel.

A partir de 1981 vários grupos clandestinos se formaram para influenciar a história do Egito. Foi quando lá surgiu a palavra Jihad.

Os militares não perdem a chance de matar um presidente “pagão”.

A Irmandade está atuante. E continuará atuante. Mesmo com a deposição do Presidente Mohamed Morsi, com a prisão de vários de seus líderes e com a atitude colaboracionista do Primeiro-Ministro Recep Tayyip Erdogan, da Turquia.

Não será desta vez que Genoino passará o Ano Novo em casa

Da Agência Estado

Preso desde novembro na casa de um contraparente em Brasília, o ex-deputado federal José Genoino (PT-SP) fracassou na tentativa de ser transferido nos próximos dias para São Paulo. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, já decidiu que Genoino deve permanecer onde está até o fim de fevereiro.

Na quinta-feira, 26, os advogados do ex-congressista condenado por envolvimento com o mensalão tinham pedido a Barbosa que autorizasse a transferência dele para a casa onde vivem a mulher e os filhos, em São Paulo.

No entanto, o presidente do STF concluiu que o ex-deputado deve ficar em Brasília até o final de fevereiro, quando passará por nova avaliação médica para verificar se ele poderá ou não cumprir pena num presídio. Com isso, o prazo da prisão domiciliar em Brasília será de 90 dias. A decisão de Barbosa foi confirmada pela assessoria do tribunal, mas a íntegra não foi divulgada até as 20h30.

“GENEROSO CONTRAPARENTE”

Na petição entregue ao Supremo na quinta-feira, a defesa de José Genoino havia comunicado que ele tinha uma consulta médica e exames pré-agendados em São Paulo no dia 7 e sustentou que o ex-deputado está “por enorme favor” na casa de um “generoso contraparente”.

Os advogados apenas afirmaram que o ex-congressista não está na casa da filha Mariana, que mora no Distrito Federal. “A imprensa erra ao noticiar que está na casa de sua filha Mariana, pois esta, muito modesta e de apenas um cômodo, não teria condições espaciais de abrigá-lo”, argumentou a defesa no documento. O apartamento de Mariana é um loft duplex de 60 metros quadrados avaliado em R$ 300 mil.

Preso em novembro em São Paulo, Genoino foi trazido para Brasília junto com outros condenados no processo do mensalão, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

O ex-deputado ficou menos de uma semana no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília. Deixou o estabelecimento após reclamar de problemas cardíacos. Depois de ter passado por uma avaliação médica, foi autorizado a cumprir a pena em prisão domiciliar.

Joaquim Barbosa ainda precisa definir a situação do ex-deputado Roberto Jefferson, delator do esquema do mensalão, que também foi condenado. O ex-congressista foi submetido no ano passado a uma cirurgia para extração de um tumor no pâncreas e pretende cumprir a pena em prisão domiciliar. Ele alegou que precisa de uma dieta rigorosa, que inclui itens como salmão defumado e geleia real, que não é padrão das cadeias. No entanto, o sistema penitenciário do Rio de Janeiro afirmou ao STF que possui condições de abrigá-lo.

TRANSFERÊNCIA

Presos por participação no esquema do mensalão, os ex-deputados federais Pedro Corrêa e Pedro Henry foram transferidos nesta sexta-feira de Brasília para estabelecimentos penitenciários de Pernambuco e Mato Grosso. Os dois pediram autorização para cumprir as penas de 7 anos e 2 meses de prisão em presídios localizados nas proximidades de onde vivem familiares.

A transferência havia sido autorizada na semana passada pelo presidente do STF, que também é relator do processo do mensalão. Os ex-congressistas viajaram para Cuiabá e Recife em voos comerciais. Pedro Corrêa pretende voltar a exercer a medicina. Ele pediu autorização para trabalhar como médico no município de Santa Cruz do Capibaribe, em Pernambuco. No entanto, esse requerimento ainda não foi analisado pelo juiz responsável pela execução penal.

Um belo argumento de Paulinho da Viola

O cantor e compositor carioca Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola, é tido como um dos mais talentosos representantes da MPB. A letra de “Argumento” é um protesto contra a inclusão do piano nos sambas, que Benito de Paula colocava, naquela época, em que os sambistas clássicos não aceitavam a falta dos instrumentos essenciais, como cavaco, pandeiro e tamborim. Este samba, com várias gravações, faz parte do CD Meus Momentos, de Paulinho da Viola, gravado em 1999.

ARGUMENTO

Paulinho da Viola

Tá legal
Tá legal, eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro ou de um tamborim

Sem preconceito ou mania de passado
Sem querer ficar do lado de quem não quer navegar

Faça como um velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar

     (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)