Em Minas, base aliada do PT racha e vai lançar candidato próprio ao governo estadual

Isabella Lacerda

Seis partidos nacionalmente aliados a presidente Dilma Rousseff formaram um grupo alternativo para a disputa pelo governo de Minas no ano que vem. Em reunião em Belo Horizonte, dirigentes de PMDB, PSD, PCdoB, PROS, PRTB e PPL anunciaram a intenção de lançarem uma “terceira via” na eleição estadual e tentar colocar fim à polarização entre PT e PSDB.

Apesar de serem aliados históricos do PT nos planos federal e estadual, lideranças das legendas criticaram ontem a postura adotada pelos petistas. Segundo eles, o partido da presidente Dilma tem “excluído” as siglas aliadas do processo de negociação para a disputa de 2014.

“Queremos uma alternativa ao ping-pong existente entre PT e PSDB. O PT tem tido um privilégio grande, com uma tendência hegemônica entre os dois partidos. O PT está deixando todo mundo de lado. Os petistas adotam a mesma postura que os tucanos em Minas”, reclamou ontem o presidente estadual do PMDB mineiro, deputado federal Saraiva Felipe.

Segundo o dirigente, nenhuma liderança do PT foi convidada para participar do debate. E, no que depender dele, nenhum convite será feito. “Os partidos que estão aqui se procuraram para conversar. Não foi ninguém que chamou. O PT não foi convidado”, argumentou. Segundo ele, se nas eleições passadas PT e PMDB caminharam juntos em Minas, neste ano os rumos deverão ser diferentes.

DEPOIS DAS PESQUISAS

De acordo com Saraiva, o nome do candidato que deve representar o grupo em 2014 será definido em um segundo momento e após a realização de pesquisas pelo Estado. E pelo menos dois partidos disseram ter interesse em lançar um nome: o PMDB, com o senador Clésio Andrade, e o PCdoB, com a deputada Jô Moraes.

Os aliados não pouparam críticas à postura do PT e prometeram travar uma batalha no Estado, levando a disputa para o segundo turno.

De acordo com o presidente estadual do PSD, Paulo Safady Simão, ainda é preciso percorrer um longo caminho até chegarem a uma definição. “Mas é possível que essa discussão desague em uma terceira via”, afirmou.

Já Jô Moraes garante que os legendas unidas em Minas não vão “aceitar negociar em troca de cargos”. “Não se pode fazer política com barganha”, disse.

Ao ser perguntado sobre a possibilidade de o PMDB apoiar o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel (PT), na disputa pelo governo do Estado em 2014, o deputado Saraiva Felipe (PMDB) disse não vislumbrar esse cenário. (transcrito de O Tempo)

Ciclo eleitoral da pobreza

João Gualberto Jr.

Devagarzinho, o Brasil vai investindo no rompimento de seu secular ciclo de miséria por meio de políticas públicas mais capilarizadas em saúde, educação e as sociais. A melhoria nos índices de distribuição de renda, mortalidade infantil e desenvolvimento humano revela uma evolução geral nas últimas décadas. Não é, de fato, o ritmo que gostaríamos de ver, mas já são indicações de um caminho certo.

Espera-se, no entanto, que essa presença do poder público não seja o único elemento transformador nos ambientes que congregam o que se chama de Brasil profundo. Nem poderia o Estado preservar um protagonismo perene. Seu papel, ao contrário, deve ter caráter mais seminal, de subversão histórica, de quebrar elos.

Nos nossos rincões, desde o império, a seca sempre foi igual à pobreza, que, por sua vez, é igual à fome, que é igual à doença, que é igual ao analfabetismo, que é igual à seca, e tudo se repete. “Miséria é miséria em qualquer canto”. Assim ainda é, especialmente na área da Sudene.

Mas esse ciclo já foi mais nítido no passado, mais redondo e erigido por cordas mais espessas. A manutenção das amarras, por desmazelo, incompetência ou dolo, sempre foi a melhor receita para a manutenção do status quo nas localidades pobres.

INDÚSTRIA DA SECA

Não investir na ruptura dos paradigmas de pobreza eterniza a dependência do povo, ou seja, concede uma aura de nobreza divina aos grupos de elite, distintos assim como os únicos capazes de “ajudar”, que não come, não bebe, não lê e não vive.

Essa é a base lógica da perversa indústria da seca, a fonte dos poderes de gerações e gerações de coronéis brasileiros.

Toda essa introdução serve como analogia para um novo e igualmente incômodo ciclo de miséria a que assistimos: o desequilíbrio federativo. Os municípios viveram mais ou menos dez anos de euforia com a Constituição de 1988 garantindo papéis e receitas em um nível de autonomia inédito. O país clamava por descentralização após a ditadura, e as prefeituras se beneficiaram, ganharam importância política.

Hoje, porém, prefeitos não têm dinheiro, mas seguem com suas responsabilidades. Mesmo pobres, continuam relevantes politicamente. Melhor: são essenciais, os cabos eleitorais mais poderosos. Os prefeitos são quem melhor contata o eleitor das grotas, das favelas e das palafitas. Eles é que conhecem e lidam com os líderes comunitários e são os gestores mais versados na possibilidade de “entrar nas realidades”.

Pois os mesmos governadores e presidentes da República que, harmônica e democraticamente, parecem estar rompendo com o velho ciclo da miséria no país, também parecem ter todo o interesse em preservar as prefeituras carentes, dependentes de grana oportunista e discricionária.

SEM CAIXA

Direto ao ponto: neste segundo semestre, quantos prefeitos o governador Anastasia e o vice, Alberto, compraram (ou pelo menos tentaram) com verba destinada do programa batizado Pró-Municípios e asfaltando estradas vicinais pelo Caminhos de Minas? E quantos prefeitos país afora a presidente Dilma pôs no bolso (ou pelo menos tentou) doando tratores e máquinas retroescavadeiras? Quais dos coitados chefes municipais teriam caixa para pavimentações ou para comprar equipamento?

A  troca da gentileza, da concessão republicana, terá que vir depois, em outubro, e será cobrada. Mas e as mudanças nos marcos legais da federação, virão algum dia? (transcrito de O Tempo)

Acreditar em Deus pode até ser um erro, mas é um grande alento para bilhões de pessoas, espalhadas pelo mundo

Carlos Newton

Todos sabemos que não existe prova material da existência de Deus. Há alguns anos, o maior físico da atualidade, o britânico Stephen Hawking, produziu um documentário sobre a criação do Universo, e ao final chegou à conclusão de que Deus não existiria.

Hawking sorri, apesar de tudo…

O genial físico que antecedeu a ele, o alemão Albert Einstein, teria criado a sensacional frase “Deus não se importa de ser chamado de coincidência”. Mas, no final da vida, Einstein também se mostrou contrário às religiões e dizia não acreditar num “Deus pessoal”.

Em uma carta escrita em 24 de março de 1954 ao filósofo judeu Eric B. Gutkind, ele fez a seguinte revelação: “Foi, é claro, uma mentira o que você leu sobre minhas convicções religiosas, uma mentira que foi repetida de forma sistemática. Eu não acredito em um Deus pessoal, nunca neguei isso, mas expressei de forma clara. Se algo em mim pode ser chamado de religioso, é minha ilimitada admiração pela estrutura do mundo que nossa ciência é capaz de revelar”.

Na carta a Gutkind, Einstein disse também que a palavra “Deus” nada mais era do que “a expressão e produto da fraqueza humana, e a Bíblia, uma coleção de lenda honoráveis, porém primitivas, que eram bastante infantis”.

EM BUSCA DE DEUS

Mais de 55 anos depois da morte de Einstein, os pesquisadores da chamada Ciência Noética continuam buscando a existência de Deus e estudando fenômenos subjetivos da consciência, da mente, do espírito e da vida, a partir de um ponto de vista rigorosamente científico.

A Noética não é nenhuma novidade. Pelo contrário, era estudada muito antes de Cristo. O Brasil, embora poucos percebam, desenvolve experiências bastante avançadas, porque é um país riquíssimo em fenômenos paranormais.

Sobre psicografia, por exemplo, cientistas da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e da Universidade Thomas Jefferson, nos EUA, recentemente mediram as atividades cerebrais de dez médiuns brasileiros, por meio de um marcador radioativo que permite checar a intensidade dos fluxos sanguíneos em diferentes áreas do cérebro por meio de tomografia. E o resultado foi surpreendente.

Em comparação à escrita normal, os médiuns mais experientes apresentaram níveis mais baixos de atividade durante a psicografia, justamente em áreas frontais do cérebro associadas ao planejamento, raciocínio, geração de linguagem e solução de problemas.

Já os médiuns menos experientes tiveram atividade mais intensa nessas mesmas áreas enquanto psicografavam, ainda que também inferior à registrada durante a escrita fora de transe. Segundo os pesquisadores, esse fato poderia estar relacionado com um esforço maior dos médiuns menos experientes para se concentrar e conseguir fazer a psicografia.

REENCARNAÇÃO

Outros fenômenos interessantíssimos são a reencarnação e o “dejá vu”. Há um caso extraordinário, de uma mulher americana, chamada Jenny Cockell, que lembrava ter vivido na Irlanda, onde teve vários filhos.  Sabia os nomes deles, suas peripécias de infância, recordava tudo, uma coisa impressionante.

Intrigada, resolveu pesquisar e descobriu que os pseudos filhos estavam vivos e moravam no interior da Irlanda. Conseguiu o endereço e se comunicou com eles. Foi ridicularizada, é claro. Mas não teve dúvidas. Pegou um avião e foi ao encontro dos pseudos filhos (bem mais velhos do que ela), relatou tudo que lembrava sobre a infância deles e enfim os convenceu.

Essa história, é claro, ficou famosa e acabou virando um emocionante filme em Hollywood, “Yesterday’s Children” (Minha Vida na Outra Vida), dirigido por Marcus Cole, com Jane Seymour no papel principal. O filme está disponível na internet.

Em termos de Ciência Noética, esse fenômeno real vivido por Jenny Cockell só pode ter uma das seguintes explicações: ou trata-se realmente de reencarnação, ou a mulher americana é uma médium que incorpora o espírito da irlandesa. Não há uma terceira justificativa. Pensem bem e respondam se pode existir alguma outra explicação.

ACREDITAR EM DEUS

Traduzindo tudo isso, acreditar em Deus pode até ser um erro, mas é um grande alento para bilhões de pessoas, espalhadas pelo mundo, entre as quais me incluo. Desde a infância eu era ateu e recusei-me a fazer a chamada primeira comunhão. Depois a vida foi me ensinando a respeitar as religiões – todas elas. E hoje me sinto ecumênico.

Mas respeito também os ateus e compreendo plenamente a posição cartesiana deles. Pessoalmente, porém, não consigo viver sem a presença de algo que possamos chamar de Deus. Em minha opinião, se Einstein realmente não disse que “Deus não se importa de ser chamado de coincidência”, alguém deveria ter dito.

Quanto a Stephen Hawking, sua resignação diante da doença degenerativa que o acomete talvez seja uma grande evidência da existência de Deus. É uma das piores doenças, a esclerose lateral amiotrófica, que deixa a pessoa praticamente sem movimento, mas com o cérebro absolutamente saudável e preservado. A esperança de vida varia de indivíduo para indivíduo, porém mais de 60% dos doentes só sobrevivem no máximo 5 anos. A doença de Hawking foi diagnosticada quando ele tinha 21 anos. Casou-se e sua mulher teve três filhos sadios. A agora, 50 anos depois, ele continua vivo e com um sorriso eterno no rosto. Seria um milagre? Existe algum outro portador dessa terrível doença em idêntica situação?

Por fim, é sempre bom repetir essa citação que me foi enviada por Francisco Bendl, a propósito do Natal: (João 11:25-26) “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá.

E como diz nosso amigo Ancelmo Gois, que Deus os proteja e a nós não desampare.

Em 2013, a Polícia Federal revelou rombos de R$ 3 bi nos cofres públicos

Tâmara Teixeira
O Tempo

Em 2013, a Polícia Federal desvendou 62 esquemas de corrupção que, juntos, desviaram pelo menos R$ 3 bilhões dos cofres públicos em todo o país. O valor pode ser ainda maior porque, em alguns casos, o rombo ainda não foi estimado. O balanço feito pela reportagem a partir das operações deflagradas mostra que Minas aparece no segundo lugar no ranking dos Estados com maiores desfalques. Foram R$ 857,5 milhões, ou 30% do total.

Na lista dos lesados estão prefeituras, Estados, a União, companhias estatais e, acima de tudo, milhões de mineiros, paulistas e fluminenses, brasileiros de todas as regiões que sofrem com serviços públicos piores em benefício dos bolsos de gestores e empresários corruptos.

Mas Gil Castelo Branco, secretário geral da ONG Contas Abertas, avalia que o montante está subestimado. “O valor mostra a ponta do iceberg. Um volume expressivo não é desvendado. Um estudo da Fiesp mostra que a corrupção custa ao Brasil até R$ 70 bilhões ao ano”, contrapõe.

Segundo Henrique Carvalhais, presidente da Comissão de Advocacia Pública da OAB-MG, as motivações para a formação dessas quadrilhas podem ser divididas em dois grupos. No primeiro, estão agentes que burlam a lei para obter vantagens e enriquecimento. No outro, enquadra-se a maior parte dos casos de corrupção. São fraudes em que os gestores eleitos “quitam” o apoio recebido de empresas que contribuíram para a campanha deles.

“O financiamento privado das campanhas é a origem de muitos desvios – que devolvem contribuições eleitorais. É importante que o Supremo Tribunal Federal proíba as doações privadas. Muitas facilitações são para cumprir compromissos pré-eleitorais”, avalia.

Tempo. Apesar de as 62 operações da Polícia Federal terem sido todas elas desencadeadas neste ano, os crimes praticados aconteceram em 2013, mas também em anos anteriores.

EM MINAS GERAIS

Relembre as principais operações da Polícia Federal em Minas Gerais:

Violência Invisível: fraudes em licitação estimadas em R$ 70 milhões em dez cidades de MG e de outros Estados. Nove foram presos.

Loki: fraudes no INSS geraram rombo de R$ 1 milhão. Ninguém foi preso.

Metástase 57: fraudes em licitações geraram prejuízos de R$ 30 milhões em Três Corações, 35 foram presos, três já liberados.

Ghost-Coffee: prejuízo de R$ 350 milhões com fraudes tributárias. Não houve prisão.

Sertão Veredas: fraude em licitações e em obras desfalcaram cidades do Norte de Minas em R$ 5 milhões. Foram presos 14.

Esopo: licitações fraudulentas renderam R$ 400 milhões à quadrilha que agia em Minas e outros Estados. Foram presos 25, e todos já liberados.

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EM SÃO PAULO, O CARTEL DO METRÔ

Raquel Gondim

Em São Paulo, além da Polícia Federal, outros órgãos trouxeram à tona grandes esquemas de corrupção neste ano. Os dois casos mais emblemáticos foram descobertos em São Paulo, e somam desvios de recursos da ordem de R$ 1 bilhão.

O episódio Alstom/Siemens, sobre um suposto direcionamento de licitações e cartel no metrô, foi apurado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Já a fraude relacionada a ex-funcionários da Prefeitura de São Paulo acusados de negociar certidões de quitação de Imposto Sobre Serviço (ISS), apurado pelo MP, comprovou um rombo de R$ 200 milhões. Mas a estimativa é que o valor chegue R$ 500 milhões.

Um almoço sertanejo de Natal para Maria Clara e Inácio

01

Fátima Oliveira

Quando minha filha Débora disse que só viria dia 25 de dezembro, emendou algo assim como sugestão: “Ô mãe, vamos fazer um almoço de Natal como o da bisavó Maria no sertão, onde não havia ceia, mas almoço de Natal”. Respondi: “Gosto mais de almoço do que de ceia de Natal!”. Lá na Palestina, hoje Graça Aranha (MA), não dizíamos dia de Natal, mas dia do Nascimento, mas falávamos almoço de Natal…

Fiquei a matutar com meus botões que almoço de Natal é leitoa e peru (pena não ser peru caipira, engordado no chiqueiro uns dois meses antes); e no dia seguinte “quiabada do peru de Natal” – ossada do peru com quiabo, que vovó servia numa sopeira de porcelana tão linda que eu me perguntei por que nunca tive uma. Anotei mentalmente: eu mereço uma! Como não ter uma sopeira até hoje? Taí uma louça que é a cara da vovó! E fiquei pensando por que Débora e Lívia, de vez em quando, falam com saudades de coisas que só vivenciaram através das histórias que conto para elas.

E viajei embalada em memórias reconfortantes daquela mesa grande da copa aprazível da casa da vovó, onde a gente não sentia calor porque um lado era avarandado: a enorme sala de estar em L, a copa e a cozinha que davam para um saguão – separadas dele por um peitoril – que era um jardim, no qual havia, além de outras plantas, um pé de magnólia, um caramanchão com um pé de uva e uma frondosa laranjeira… Do outro lado do saguão ficavam dois quartos, um deles o meu – todos de parede inteiriça, mas com janelas que davam para o saguão. O quarto da vovó era enorme, na parte da frente da casa, ao lado da sala de visitas, separados do armazém por um corredor, e no fim dele a sala de estar em L, com cadeiras espreguiçadeiras, a cristaleira, a minha máquina de costura Singer…

A gente comia na copa num clima sempre refrescante e demorado: depois da comida, vinha a sobremesa, o café e só então levantávamos. Ninguém saía da mesa antes do cafezinho, mesmo as crianças, que não tomavam café! Tanto que vi minha neta Clarinha, que ama e faz questão de comer à mesa, e meu neto Inácio em um almoço de Natal em nossa casa do sertão. Ri da impaciência deles querendo sair da mesa antes do cafezinho e a vó Maria dirigindo-lhes uma olhada de rabo de olho, sem dizer uma só palavra, e eles entenderam que era uma repreensão (será?). Eles adorariam conhecer aquela casa e comer aquela comida, dita fidalga ou de banquete, dos dias de festas que vovó e mamãe faziam como ninguém.

GASTRONOMIA RELIGIOSA

Sou de uma família que se desdobrava na preservação da gastronomia religiosa, as ditas “comidas de preceito”, na Semana Santa, no São João e no Natal. Mesmo não professando nenhuma religião, faço questão de manter em minha casa tais tradições, pois a gastronomia religiosa católica é um bem cultural valioso. Tenho dito que “a comida é uma das expressões culturais mais expressivas de um povo, só comparável à língua, pois eterniza costumes, afetos e história, e que as saudades do paladar são memórias culturais eternizadas”.

E pensei que uma forma de matar minhas saudades daqueles almoços de Natal do sertão, além da comida, seria fazer a árvore de Natal como a da casa da vovó, que nada tinha a ver com pinheiro. Era de galho seco, pintado com tinta alumínio, envolto em algodão bem branquinho, imitando neve (imagina neve no sertão!), e com bolinhas de vidro de muitas cores… Espero que Clarinha e Inácio gostem e, se agora ainda não são capazes de entender, um dia, vendo as fotos, decerto entenderão nossa cultura familiar.

Enriquecimento impune: 90% do dinheiro público desviado não são recuperados

Tâmara Teixeira
O Tempo

Nas 62 operações da Polícia Federal que estouraram neste ano no Brasil e revelaram um rombo de pelo menos R$ 3 bilhões aos cofres públicos, foram efetuadas 408 prisões, além de outras centenas de execuções de bloqueios de bens e mandados de busca e apreensão. Apesar desse saldo, os recursos não retornam após a resolução dos crimes, e o prejuízo acaba diluído entre a população. Um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) mostra que apenas 10% do valor desviado é recuperado para o erário após o fim de ações judiciais.

Considerando os desfalques apurados pelas operações da Polícia Federal neste ano, significaria dizer que seriam recuperados apenas R$ 300 milhões do total de R$ 3 bilhões subtraídos dos cofres públicos em irregularidades.

O secretário geral da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco, avalia que a recuperação dos valores para prefeituras, Estados e a União é sempre muito baixa, porque os processos judiciais são lentos e também pelo fato de que, muitas vezes, o valor apurado nas fraudes está muito aquém do desfalque real.

“A corrupção é muito difícil de ser quantificada. O valor que retorna para o governo e as instituições lesadas é irrisório”, critica o especialista.

SEM PRESCRIÇÃO

O advogado Henrique Carvalhais, presidente da Comissão de Advocacia Pública Municipal da OAB em Minas, explica que a devolução do valor desviado não prescreve, ao contrário de vários tipos de processos civis e criminais. Por isso, para ele, o Judiciário e os órgãos públicos deveriam se dedicar mais a essas ações.

“O que gera essa repetição dos crimes é essa sensação de impunidade, de que compensa cometer o crime. É muito importante que o Estado insista em buscar esses valores por meio de investigações. Quando as ações são liquidadas, o prejuízo deve ser buscado. A devolução ao erário é imprescritível”, defende.

SEM FISCALIZAÇÃO

A falta de rigor por parte dos órgãos de controle interno, como controladorias, procuradorias e corregedorias, abre brechas para fraudes e desvios, na avaliação do advogado. Ele afirma que o recomendado é que servidores concursados sejam designados para essa função. No caso dos órgãos federais e estaduais, atualmente, essa fiscalização, já está mais consolidada, segundo Carvalhais, mas, no caso das prefeituras, o controle é frágil ou inexistente.

“Essas representações devem ficar a cargo de funcionários concursados que tenham liberdade e autonomia para investigar e apontar problemas. Quando esse acompanhamento é feito por assessores comissionados ou escritórios contratados, o resultado pode ser contaminado”, afirma.

Em 2012, o relatório anual de atividades do Tribunal de Contas da União revela que, com as decisões de aplicação de multas e a revisão de contratos e licitações, foi possível apurar um benefício potencial de R$ 12,7 bilhões das ações de controle. O valor deste ano ainda não foi apurado.

Em 2012, foram recebidas 2.092 denúncias de irregularidades pelo TCU, 47 empresas foram consideradas inidôneas  para participar de licitações públicas e 5.647 processos foram julgados conclusivamente.

O Brasil caiu de 69º para o 72º no ranking de percepção de corrupção da Transparência Internacional. O país recebeu 42 pontos, e, o Uruguai, melhor país sul-americano, 73 pontos.

Três poemas de Natal de Paulo Peres

Carlos Newton
O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor e poeta carioca Paulo Roberto Peres inspirou-se no Natal para escrever estes três poemas.

PARABÉNS, JESUS CRISTO!

Parabéns, Jesus Cristo,
Hoje é o seu aniversário!
Estamos felizes,
Embora façamos do cotidiano
Um Natal de sua sabedoria,
Pois os seus dogmas
São a Lei maior deste Universo.

Todavia, neste dia, especialmente,
Queremos presenteá-lo
Através de orações,
De canções e de reflexões.
Mestre, faça sua festa
Em nossos corações,
Abençoe e ilumine esta noite,
Onde o vinho, o pão e a fé
Sejam uma dádiva
Aos famintos e injustiçados.

Sinto-me gratificado
Em fazer do seu aniversário
O maior acontecimento da História
E nele desejar a todos
Um Feliz Natal!


PAPAI NOEL

A lavagem cerebral
Do governo mundial
Substitui no Natal
Cristo por Papai Noel.

Comando inverso papel
De renas puxando trenó
Sobre a neve brasileira
Qual estórias da vovó.

Papai Noel na trincheira
Do capitalismo selvagem
Ilude com sua imagem
O cotidiano da criança.

Seja criança rica, seja criança pobre
Traz um sonho sempre nobre
Que Papai Noel não atenua
Quando é criança de rua.

Criança que dorme nos braços da lua,
Nos bancos das praças ou sob marquises
Com fome, com frio, do crime aprendizes,
Eivadas de medo, de drogas, de suicidas
Estatísticas nas elites esquecidas.

Crianças “crianças” nas brincadeiras,
Nas fantasias aventureiras
Do brinquedo improvisar
Esperando o Natal chegar.

O pinheiro enfeitado, como princípio,
Junto com Papai Noel, antevisto,
No lixo ontem joguei.

Fiz um humilde presépio
E na bênção de Jesus Cristo
O Natal festejarei!..


POEMA DE NATAL

Amigo,
como é gratificante
saber que você existe
e temos os mesmos ideais,
mormente, no que concerne ao
NATAL,
dia este, onde cada pessoa
seja ela religiosa ou não,
em qualquer lugar do mundo,
tem que parar, tem que pensar,
tem que se curvar pelo
menos um segundo e festejar
o nascimento de
JESUS CRISTO,
pois haverá sempre
alguém desejando um
FELIZ NATAL
e, não importa de que
maneira isto é feito,
importa sim
o seu significado
e a marca registrada
da presença eterna do
MESSIAS
em cada Ser Humano!

PT lança blog para desmoralizar julgamento do mensalão

Do site Tribuna Hoje

O site de José Dirceu (PT) divulgou na noite desta segunda-feira um blog que pretende ser um “contraponto ao discurso hegemônico de parte da mídia” em relação à Ação Penal 470, popularmente conhecida como o julgamento do mensalão, na qual o ex-ministro da Casa Civil foi condenado a dez anos e dez meses de prisão.

Intitulado “Ação 470 – O que setores da mídia não dizem sobre o suposto mensalão”, o site foi idealizado pelo deputado federal Fernando Mineiro (PT-RN) e apresenta, em seu cabeçalho, as fotos de Dirceu, do ex-presidente do PT José Genoino e do ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares – todos com os punhos erguidos.

“O objetivo é reunir, num mesmo espaço virtual, uma coletânea de textos que ofereçam uma visão mais plural, permitindo assim que as pessoas possam comparar fatos, argumentos e versões, para que tirem suas próprias conclusões”, diz Fernando Mineiro no texto de abertura do blog, cuja primeira postagem é datada de 1º de dezembro. O deputado promete reunir “publicações, reportagens especiais e artigos que expõem o outro lado da história, sem o viés político que marcou a cobertura dos veículos tradicionais de comunicação”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA tentativa do deputado petista é patética. Querer desconhecer o mensalão depois desse extenso julgamento, com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitindo Dirceu e dizendo ter sido traído, significa pretender passar uma borracha no passado. Dirceu não é mais aquele, tornou-se uma caricatura dele mesmo. Foi apenas mais um líder político que não soube exercer o poder. Tentar fazê-lo de inocente, a esta altura do campeonato, é um exercício tragicômico. (C.N.)

Prisão domicilar de Roberto Jefferson agora depende do ministro Joaquim Barbosa

André Richter
Agência Brasil

Brasília – Como o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já enviou  ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer contra o pedido de prisão domiciliar feito pelo presidente licenciado do PTB, Roberto Jefferson, cabe ao presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, decidir se Jefferson poderá cumprir prisão domiciliar ou deverá ser encaminhado ao presídio. O ex-deputado foi condenado a sete anos e 14 dias de prisão na Ação Penal 470, o processo do mensalão.

O parecer foi enviado ao STF após a Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro informar ao Supremo que o sistema carcerário do estado pode cumprir as recomendações médicas sugeridas pela junta médica do Instituto Nacional do Câncer (Inca) a Jefferson.

Após perícia médica feita a pedido do ministro Joaquim Barbosa, os médicos do Inca concluíram que o estado de saúde de Jefferson não indica necessidade de cumprimento da pena em casa ou no hospital. Segundo os médicos, o ex-deputado deve usar regularmente medicamentos e seguir dieta prescrita por nutricionista.

PÃO PRETO E SALMÃO

Mas na semana passada, a defesa de Jefferson voltou a pedir ao Supremo que ele cumpra prisão domiciliar, por causa de problemas de saúde. Na petição enviada ao STF, os advogados anexaram a dieta que Jefferson deve seguir. A alimentação prescrita pelos médicos e nutrólogos inclui, no café da manhã, banana com canela, geleia real e pão preto. No almoço, o prato deve ser ter salada, arroz integral, carne ou salmão defumado e, no jantar, sopa de legumes.

Na manifestação enviada ao STF, a defesa de Jefferson reafirmou que ele não poderá cumprir a dieta no presídio. E o ministro Joaquim Barbosa agora tem a palavra final.

Nem tudo está perdido em Brasília (para os cães vadios)

Francisco Vieira

O governo do Distrito Federal anuncia que irá construir o primeiro hospital veterinário da região no próximo ano, embora o atendimento para a população nos hospitais públicos seja atualmente uma merda (não achei eufemismo que expressasse o nível do atendimento).

A intenção é de que as obras da unidade comecem em fevereiro e a conclusão está prevista para julho de 2014. O gasto será de R$ 3,5 milhões.

De acordo com o governador Agnelo Queiroz, a unidade veterinária atenderá os animais de famílias carentes cadastradas em programas sociais da capital, ONGs de proteção animal e abrigos. A unidade, que realizará cerca de 100 procedimentos por dia, terá uma setor exclusivo de castração de animais, como medida de controle reprodutivo.

O Hospital Veterinário terá seis módulos e realizará consultas, medicações, internações, exames de radiologia digital, ultrassonografias, cirurgias gerais, de tecidos moles, ortopédicas e oncológicas.

SURREALISMO OU ALIENAÇÃO

Enquanto isso, as famílias carentes que se danem nas filas dos hospitais. Pelo visto, morrerão antes dos seus gatos e cachorros! Surrealismo ou alienação? Uma nova versão de Maria Antonieta? Ou será que os animais também terão que esperar um anos por um exame?

Um amigo meu está com o filho de oito anos há mais de quinze dias internado no Hospital de Base esperando uma cirurgia para extração de um tumor do cérebro (A dor de cabeça que ele sentia não era apenas enxaqueca). No hospital, quanto tem médico, não tem UTI. Quando tem UTI, não tem médico. Quando tem os dois, falta vontade. Soube ontem que a cirurgia ficou para o ano novo! Sabe como é: natal… réveillon… feriados… Enquanto isso, os pais, desesperados, sabem que o tumor está crescendo na cabeça do filho.

No Hospital Veterinário, os serviços serão prestados por profissionais especializados em cardiologia, dermatologia, endocrinologia, odontologia, patologia clínica e anestesiologia. O governo do DF deveria pegar esses veterinários especializados e encaminhá-los aos hospitais públicos para socorrer o bicho homem. Afinal, é melhor ser atendido por um veterinário do que por ninguém!

País triste.

Um poema de Natal, inspirado na Folia de Reis

Carlos Newton

Os poetas cariocas Paulo Peres e Chico Pereira escreveram este poema em parceria, inspirados no Natal do folclore brasileiro, mas precisamente, na Folia de Reis, que se inicia na noite de 24 de dezembro e se estende até 6 de janeiro, com a Festa de Reis.

FÉ E CANTORIA

Paulo Peres e Chico Pereira

Somos três Reis a sua porta
Pedindo licença para entrar
nossa visita importa
o nascimento louvar
Do Mestre Menino-Deus
através desta folia
dogmas cristãos meus
feitos de fé e cantoria
De longe escuto o teu tambor
uma luz forte anuncia o Salvador
o estandarte vem na frente
guiados pela estrela do oriente
Mão calejada, pé-rachado
e a voz que sai esgoelada
Rei Herodes se disfarça de palhaço
Abro a porta, janela enfeitada
Uma oração singela é ofertada
O mestre, a farda, ladainha
Oração, chegada e despedida
Baltazar, Belchior e Gaspar
Reis da Folia
Nossa casa é uma casa de alegria
E gostaríamos de agradecer
Através desta folia
Aos santos reis magos
Por não deixarem esmorecer
A caminhada até Jesus
Pela fé no menino Jesus…
Nossa casa é uma casa de alegria
Sempre aberta para esta folia
Oração, fé e cantoria.

No Natal, tragédias se acentuam nessa terra de contrastes

Genilson Albuquerque Percinotto

Chove intensamente no sudeste do maravilhoso e inigualável país, dotado de imensa quantidade de água, entrecortado por rios poluídos e que são usados como depósito de lixo por falta de educação e de alma humana.

A situação aqui está terrível, varias pessoas conhecidas estão desabrigadas… Sentimos a dor e sabemos que podemos ser os próximos, sem mencionar que a enchente, enquanto infortúnio, geralmente atinge o mesmo lugar duas e múltiplas vezes.

Lamentável acontecer essa tragédia tão próximo do Natal e do Ano Novo, apesar de sabermos que é só uma data escolhida, com grande significado cultural, mas sobretudo comercial. Todos sabemos que nessa época as pessoas ficam mais sensíveis e propensas a repensar a vida e suas atitudes. E, inadvertidamente, acontece a calamidade. De tudo aquilo que ainda restava de esperança e fé, muito se esvai, foge e é carregado pela correnteza.

Não há palavras, mas atitudes são necessárias diante de tamanha tristeza. Há um outro lado, cada vez mais escasso, mas que aflora nesta época e nessas circunstâncias. Quem, ainda com pouco, não foi tão tragicamente afetado, se solidariza e compartilha os bens, mantimentos, tempo e pensamentos com as vítimas, semelhantes e que sentem a mesma dor da perda.

BONDADE

Nem tudo está perdido neste mundo, ainda existe bondade na espécie humana. Como diz Cora Coralina: “…bondade também se aprende!”

Numa perspectiva objetiva, creio que as questões vão muito além da tragédia natural (que também é de responsabilidade nossa enquanto fruto de mudanças climáticas antropogênicas, principalmente se considerarmos os volumes em escala crescente e as consequências das conhecidas condutas que se acentuam aceleradamente desde as primeiras revoluções industriais, até a disseminação irresponsável de padrões insustentáveis no relacionamento com os recursos e com a casa planetária que todos compartilhamos).

Há, também e com destaque, um incomensurável descaso social e no tocante à estrutura urbanística, contra o qual precisamos lutar continuamente e de maneira proativa.

Emergencialmente, nos resta atuar de modo direto, inclusive com os recursos à nossa disposição, ainda que de modo limitado e reativo, na tentativa de amenizar a dor, que é imensa e atinge universalmente cada vida despedaçada.

De modo indispensável, precisamos reconhecer a seriedade das questões racionais que envolvem as tragédias e planejar o que fazer, para que possamos ter qualidade de vida para todos e mitigar as tragédias que são muito mais sociais e fruto das escolhas conscientes humanas do que inevitáveis ou de responsabilidade divina.

A capacidade de raciocínio de Dilma Rousseff é mesmo um espanto

Mário Assis
Parece, mas não é piada. Durante o programa radiofônico “Café com a Presidenta”, Dilma Rousseff “filosofou” sobre a educação no Brasil e sintetizou a questão: “A grande porta de saída é uma porta de entrada!”. Confiram a invulgar capacidade de raciocínio de quem governa este país:
 

“A questão da educação é uma questão fortíssima no Brasil. Acho que ela é… o Brasil hoje é um país, do meu ponto de vista, que tem na educação o seu grande caminho, porque através da educação eu estabilizo a saída da miséria, e a ida para a classe média. Só através da educação que nós vamos estabilizar. E educação de qualidade, senão você não estabiliza; ou então a pessoa fica lá. Então, discutiam muito porta de saída. A grande porta de saída é uma porta de entrada: é a educação.”

Vejam: clique no link abaixo.

Dilma sobre a Educação (18/12/2013)

De dentro da Papuda, ex-deputado Valdemar Costa Neto comanda o PR

João Valadares, Luiz Carlos Azedo e Vinicius Doria

Mesmo preso no Complexo da Papuda desde 5 de dezembro, o ex-deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), condenado a sete anos e 10 meses de prisão no processo do mensalão, continua dando as ordens no Partido da República (PR). A legenda é aliada do governo Dilma Rousseff (PT) e comanda o Ministério dos Transportes.

Na semana passada, Valdemar teve uma reunião na cadeia com o secretário-geral da legenda e seu homem de confiança, o senador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP). De dentro da prisão, traça metas para eleger uma bancada de 40 deputados nas próximas eleições, conjectura alianças nos estados e faz sondagem de potenciais candidatos com possibilidade de votações expressivas.

ASCENDÊNCIA

Ao ser questionado, o senador Antônio Carlos Rodrigues, que ocupa a vaga deixada por Marta Suplicy (PT-SP) quando a petista assumiu o Ministério da Cultura, confirmou, na primeira conversa por telefone com o Correio, que ele ainda tem ascendência no partido.

“Sem dúvida alguma. Não é por ele se encontrar nessa situação que iremos desprezá-lo”, justificou. Depois, no segundo contato com a reportagem, mudou o tom. O parlamentar, escolhido estrategicamente por Valdemar para conduzir as decisões da sigla, fez questão de salientar que ele já repassou o comando do partido. “O Valdemar se afastou do partido. Ele está estudando, fazendo um curso na prisão. Fiz uma visita particular. Ele é meu amigo”, ressaltou.

Mas o fato é que, consciente de que não escaparia da condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o político preparou o PR para continuar sob o seu controle enquanto estiver privado de liberdade. Na presidência do partido, colocou o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, que perdeu o cargo após denúncias de corrupção. (transcrito do Correio Braziliense)

Roberto DaMatta critica a ineficiência do serviço público no Brasil

Diego Amorim

Em entrevista ao Correio Braziliense, o professor, antropólogo e escritor Roberto DaMatta analisa a ineficiência dos serviços públicos e diz esperar que algum dia acabe a prática de funcionários públicos dizerem não aos cidadão por puro prazer.

A inaptidão dos serviços públicos intriga Roberto DaMatta e já lhe serviu de inspiração para vários livros. “O que a gente vê no Brasil é ‘burrocracia’, não burocracia”, afirma.

No entender dele, o drama de brasileiros que precisam do Estado reflete uma profunda distorção do conceito de serviço público, contaminado por uma forma de governo na qual o poder político é dominado por um grupo elitista. Os servidores públicos, analisa, se esquecem de fazer o que são obrigados, ou seja, servir. Mas se sentem confortáveis com essa situação, pois ao Estado pouco importa exigir de seus funcionários o rompimento com tal paradigma.

Para DaMatta, em vez de espernear a cada ida a um órgão público, a sociedade deveria assumir parte da responsabilidade em um processo de mudança. “O brasileiro precisa, na próxima eleição, escolher melhor em quem votará e perseguir os eleitos com suas demandas”, sugere. E diz mais: o povo tem mais capacidade do que pensa para exigir e conquistar serviços públicos de qualidade compatível à avalanche de impostos pagos.

O que explica a ineficiência dos serviços públicos?

É um assunto muito complexo para ser reduzido em um fenômeno exclusivo. Mas diria que o centro dessa questão está na relação entre o Estado e a sociedade no Brasil. A sociedade brasileira é inteiramente englobada pelo Estado, que se posiciona como o dono, o centro, quem dispõe dos recursos e os administra da maneira que bem entende. Não há uma ideia de reciprocidade, de responsabilidade em devolver aquilo que é da sociedade. O que mais me intriga nisso tudo é que a própria sociedade continua achando que quem pode melhorar a situação e fazer o país progredir é o Estado, quando, na verdade, é ela mesma que tem esse poder.

Há um certo conformismo?

Sim, e isso tem a ver com teorias que moldaram nossa sociedade. Até 1989, vivemos uma monarquia, uma aristocracia. Depois, criaram uma República aristocrata.

Existe um erro de origem? Uma visão distorcida do serviço público?

Exato. O problema está na concepção que as pessoas têm do Estado. Não há a ideia de que a essência do serviço público está justamente no servir ao público. Não há uma ideologia para treinar os funcionários do Estado nesse sentido. O servidor não é treinado no Brasil. Ele assume um papel possuído e toma posse desse papel. Uma vez, por exemplo, que o cidadão vira enfermeiro titular de um determinado posto de saúde, ele se sente intocável, porque sabe que dificilmente alguém vai botá-lo na rua. Aí ele falta, não cumpre com os horários e perde o público de vista.

Feliz Natal a todos, neste eterno país do futuro, que dá um belo exemplo ao resto do mundo

Carlos Newton

Seja você cristão, ateu ou adepto de qualquer outra religião, não interessa – com toda certeza está atingido pelo chamado “espírito de Natal”.

Neste particular, o Brasil realmente é um país muito especial. Devido à sua exuberante miscigenação cultural e étnica, que tende a avançar progressivamente, não há nada semelhante no resto do mundo, porque aqui o Natal é comemorado por todas as religiões, num fenômeno ecumênico e social da maior importância.

Sem medo de errar, podemos dizer que ninguém faz Natal, Réveillon e Carnaval como nós, e isso é totalmente verdadeiro. Em minha opinião, o ápice dessas três manifestações sociais não é o Carnaval nem o Natal, mas a festa da chegada do Ano Novo.

Como conseguimos reunir tantas pessoas num ambiente de tamanha paz e cordialidade, praticamente sem violências nem registros policiais, embora descomunal consumo de álcool e drogas? É realmente um fenômeno entusiasmante, como diz meu amigo Carlos Lessa, que é um dos maiores estudiosos do comportamento do carioca.

Aproveito para desejar a todos um Natal realmente feliz, em que haja solidariedade, saúde, paz, amor e prosperidade. Mas, para que tudo isso se concretize, é preciso lutar muito pelo bem comum, com altruísmo e perseverança, procurando se livrar dos chamados pecados capitais, que ainda são inerentes ao ser humano. Na verdade, todos precisamos evoluir e respeitar aqueles que também buscam o bem comum, mas defendem soluções diferentes das nossas. Este será o primeiro passo da derradeira evolução da espécie humana, difícil de concretizar, mas bastante viável, não há dúvida.

Por fim, como diz nosso amigo Ancelmo Gois, que Deus os proteja e a nós não desampare.

A genialidade do compositor Assis Valente, inspirada no Natal

O compositor baiano José de Assis Valente (1911-1958), na marchinha “Boas-Festas”, criou uma das mais melancólicas letras da MPB, porque revela sua preocupação com a causa da criança pobre e infeliz, provavelmente, devido a sua própria infância. Composta em 1932 e gravada no ano seguinte por Carlos Galhardo, pela RCA Victor, esta marchinha tornou-se o “hino” do Natal brasileiro.

BOAS-FESTAS

Assis Valente

Anoiteceu
O sino gemeu
A gente ficou
Feliz a cantar

Papai Noel
Vê se você tem
A felicidade
Pra você me dar.

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Bem assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel
Não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem

    (Colaboração enviada por Paulo Peres –  site Poemas & Canções)