No efeito cascata, deputados querem equiparação aos ministros do STF (R$ 39 mil)

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Fábio Ramalho, vice-presidente, defende o “aumento já”

Ranier Bragon e Bernardo Caram
Folha

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Fábio Ramalho (MDB-MG), defendeu nesta quarta-feira (12), em discurso no plenário, o reajuste do contracheque dos 594 congressistas —dos atuais R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil, mesmo valor aprovado recentemente para os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Ramalho é o segundo integrante da Mesa da Câmara a defender a medida. Na semana passada, o primeiro-secretário, Fernando Giacobo (PR-PR), disse que a Casa iria estudar a viabilidade jurídica da medida, também se colocando a favor dela.

FAZER LEI – “Já que tem lei pra todo mundo, vamos fazer pros deputados também”, disse Ramalho, que é candidato à presidência da Câmara nas eleições de 1º de fevereiro.

A Mesa é o órgão máximo administrativo da Casa, formado por Ramalho, Giacobo, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), além de outros quatro deputados.

Maia, que presidia a sessão durante a fala de Ramalho, não se manifestou. Na semana passada, afirmou apenas que era mentira a possibilidade de estudo jurídico citada por Giacobo.

PRESSÃO AUMENTA – Desde que o Congresso aprovou o reajuste de 16,38% no salário dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), que é o teto do funcionalismo, há pressão no Legislativo para que a medida seja estendida aos contracheques dos parlamentares. O salário dos ministros do STF subiu de R$ 33,7 mil —a atual remuneração dos congressistas— para R$ 39,3 mil.

Diferentemente do Judiciário, no caso do Legislativo não há efeito cascata imediato nos escalões inferiores, mas tradicionalmente deputados estaduais e vereadores, que têm o subsídio limitado a um percentual dos congressistas, aprovam reajuste em cadeia após a decisão de Brasília.

DECRETO LEGISLATIVO – Para que o salário dos congressistas seja reajustado, basta a aprovação de um decreto legislativo pela Câmara e Senado —por maioria simples—, sem necessidade de sanção do presidente da República.

Ramalho também reclamou da falta de previsão orçamentária para pagamento da última parcela de um antigo reajuste concedido a parte do funcionalismo da Câmara, que passará a ganhar pouco mais de 4% a mais a partir de janeiro.

Com isso, disse ele, será preciso manter o salário de outros assessores não abrangidos pelo reajuste.

Tenho a impressão de que o general Mourão agrada mais do que Jair Bolsonaro

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Ao que parece, Bolsonaro não está agradando às “zelites”

José Antônio Perez

Ouço sistematicamente aqui em Brasília, principalmente de petistas, que Bolsonaro não sairá dessa nova cirurgia. O Brasil é um país continental, com reservas de valor incalculável e inexistentes em qualquer outro lugar do planeta. Há muitos interesses por trás e me parece (começo a ter a ligeira impressão devido a alguns poucos sinais) que o general Mourão agrada mais ao povo lá da “Matriz”, como diz por aqui o editor C.N.

Bolsonaro não tem a confiança sequer do Alto Comando das Forças Armadas,  pois foi um militar insubordinado quando lá esteve por pouco tempo. O alinhamento dos militares brasileiros com o Uncle Sam já houve no passado e pode acontecer novamente. Trump é “trator” e saberá espremer bem a laranja (Brasil) e jogar o bagaço fora (“América first”)!

TUDO É POSSÍVEL – Como nossas instituições estão todas contaminadas e caminhamos para ter Renan Calheiros na presidência do Congresso e o PT na Comissão de “Ética” do Senado em apoio mútuo, não duvido mais de nada. O povo pode até voltar às ruas, dependendo da situação econômica. O nome de Lula foi aplaudido terça-feira no Tribunal de Contas da União,  com a presença de Séegio Moro no local.

Estão esticando a corda. Repórter do antigo Jornal do Commercio do RJ, que também era da Rádio Tupi me garantiu ontem que essa denúncia do COAF é um recado do Renan à família Bolsonaro.

Ou seja, tudo indica que as chantagens continuarão e o pessoal que agora assume tem pavio curto. Mourão já mencionou claramente a hipótese de fechar o Congresso. Com Jader, Renan, Ciro Nogueira, Eduardo Braga (sempre o Norte e Nordeste) o Senado será um empecilho aos avanços necessários.

LUCROS RECORDES – O Brasil vivendo a pior crise em toda sua história e os bancos privados batendo recordes bilionários em seus lucros. É preciso que essa agiotagem regulamentada e com autorização oficial termine o quanto antes. Se o governo diminuir seus gastos, parar de pagar juros exorbitantes para rolar sua dívida e, assim, poder baixar as taxas de juros, já será um grande começo!

Infelizmente gostaria de escrever mais, porém o dever me chama. Daqui a pouco eu volto. Abraços a todos desta honrada Tribuna, sob o signo da Liberdade.

CNJ arquiva processos contra Moro e Favreto, o plantonista que “soltou” Lula

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A desculpa de Rogério Favreto foi aceita pela Corregedoria

Deu no site do CNJ

O corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, decidiu arquivar o pedido de providências instaurado contra o ex-juiz federal Sérgio Fernando Moro e os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) Rogério Favreto, João Pedro Gebran Neto e Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, relacionado ao episódio do habeas corpus concedido ao ex-presidente Lula e posteriores manifestações que resultaram na manutenção da prisão, em julho último.

Segundo Martins, não restou apurada a existência de indícios de desvio de conduta por qualquer dos magistrados investigados, impondo-se, consequentemente, o arquivamento do processo, assim como de todos os demais instaurados para apurar os mesmos fatos, nos termos do artigo 68 do Regimento Interno do Conselho Nacional de Justiça.

AVALIAÇÃO – Em sua decisão, o ministro Humberto Martins analisou a conduta de cada um dos magistrados envolvidos no episódio do HC do ex-presidente Lula.

Em relação ao desembargador federal Rogério Favreto, o corregedor afirmou que este atuou nos limites do seu livre convencimento motivado e amparado pelos princípios da independência e da imunidade funcionais, não existindo indícios de desvio funcional em sua atuação jurisdicional.

“Não compete à Corregedoria Nacional de Justiça adentrar no mérito da decisão liminar proferida pelo desembargador federal Rogério Favreto e sobre ele fazer juízo de valor, por força inclusive de independência funcional preconizada pela Loman, em seu artigo 41”, destacou Martins.

DECISÃO DE MORO – Em relação ao ex-juiz federal Sérgio Moro, o corregedor considerou estar evidenciado que, ao tomar conhecimento da decisão liminar, concedido em HC e juntada nos autos do processo que instruiu e julgou na primeira instância, o então magistrado elaborou “despacho-consulta” para o relator dos recursos em segunda instância, buscando orientação de tal autoridade acerca da legalidade da decisão de soltura do ex-presidente Lula.

Segundo Martins, Sérgio Moro atuou em decorrência da sua indicação como autoridade coatora e nos limites do seu livre convencimento motivado, amparado pelos princípios da independência e da imunidade funcionais.

“Não há indícios de que a atuação do investigado Sérgio Moro tenha sido motivada por má-fé e ou vontade de afrontar a decisão proferida pelo desembargador federal Rogério Favreto, estando evidenciado que o seu atuar buscava a melhor condução do feito, segundo o seu entendimento jurídico e percepção de responsabilidade social, como magistrado responsável pela instrução e julgamento da ação penal condenatória e juiz posteriormente apontado como autoridade coatora”, assinalou.

GEBRAN, TAMBÉM – Em relação à atuação do desembargador João Pedro Gebran Neto, o ministro Humberto Martins ressaltou que foi baseada em razoáveis fundamentos jurídicos e lastreada inclusive em fundamentos que integram o requerimento formulado pelo MPF, além de não discrepar do âmbito da atuação jurisdicional, a qual não se sujeita ao crivo do CNJ e, por consequência, também não está sujeita à apreciação disciplinar da Corregedoria Nacional de Justiça,

“Está evidenciado que o investigado desembargador federal João Pedro Gebran Neto, ao ser provocado por ‘despacho em forma de consulta’ proferido nos autos do processo original pelo então juiz federal Sérgio Moro, acerca da comunicação da decisão determinando a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e também pelo MPF, atuou em decorrência de provocação e nos limites do seu livre convencimento motivado, amparado pelos princípios da independência e da imunidade funcionais, não havendo indícios de desvio funcional em sua atuação no caso em apreço”, disse Martins

THOMPSON FLORES – Quanto à atuação do presidente do TRF4, o corregedor destacou que a atuação de Thompson Flores foi baseada pela necessidade de decidir a questão apresentada pelo Ministério Público Federal. Além disso, segundo Martins, a decisão por ele proferida encontra-se pautada em razoáveis fundamentos jurídicos, não discrepando do âmbito da atuação jurisdicional, a qual não se sujeita ao crivo do CNJ e, por consequência, também não está sujeita à apreciação disciplinar da Corregedoria Nacional de Justiça, pois o exame de matéria eminentemente jurisdicional não enseja o controle administrativo, por força do disposto no artigo 103-B da CF e do artigo 41 da Loman.

Os demais procedimentos instaurados contra o ex-juiz federal, bem como o que diz respeito ao pedido de exoneração de Sérgio Moro, serão analisados, posteriormente, pelo corregedor.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não se pode confundir o corporativismo (espírito de corpo) com o favorecimento dos que lhe são iguais (espírito de porco). É por essas decisões amigáveis que a Justiça brasileira se emporcalha cada vez mais. Como dizia Ibrahim Sued, é uma vergonha nacional. (C.N.)

Mourão defende reforma tributária para distribuir melhor as receitas públicas

General Mourão

Mourão fez um discurso realista aos governadores

Deu na Agência Brasil

O vice-presidente eleito, Hamilton Mourão, disse nesta quarta-feira (12) que é preciso reformar o sistema tributário para melhor distribuir as receitas entre os entes federados, com redução do peso do governo federal nessa divisão. Ao participar do Fórum de Governadores, ele disse que a União precisa repassar os recursos aos estados para atendimento às demandas da população.

“Somos da mais firme opinião de que temos de diminuir de forma radical o peso que o governo central tem sobre os demais entes da federação, temos de liberar os recursos de forma mais rápida possível e redistribuir esses recursos de modo que os estados e o Distrito Federal tenham vida própria e consigam se organizar da melhor forma possível”, disse Mourão.

SEVERO AJUSTE – O vice-presidente eleito disse que tem conversado sobre a questão tributária com Jair Bolsonaro e o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. “Sabemos que temos de passar por um severo ajuste fiscal no âmbito do governo central e, a partir daí, traçarmos as políticas que vão beneficiar a todos de forma contundente”, destacou.

Segundo Mourão, o governo Bolsonaro estará com as portas abertas aos governadores para ajudá-los na busca de soluções para os problemas dos estados. “Não queremos ser entraves para isso. Estamos abertos a toda e qualquer negociação que tiver de ser feita”, disse.

DEMANDAS SOCIAIS – Para Mourão, os problemas dos governantes são comuns e estão ligados às dificuldades do Estado brasileiro de cumprir sua missão. “Em um momento que as demandas sociais são intensas, e todos (estados) vivem uma crise fiscal com as dificuldades inerentes a ela, teremos de buscar soluções em conjunto para atingir nossos objetivos, que são garantir o bem-estar da população”, disse.

Ao falar tanto para governadores aliados como de oposição, Mourão disse que o futuro governo terá um modo novo de se relacionar com os entes federados. “É um momento importante de mudança na forma de conduzir os destinos da nossa nação. Faz parte da alternância democrática. E todos entendem isso”, afirmou. “Não tenho dúvidas de que o governo central não pode ser mais forte que cada um dos entes federados: somos a soma dos 26 estados e o Distrito Federal.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Este não é o general Mourão que estaria proibido de dar declarações por Bolsonaro? Ou essa ordem de Bolsonaro nunca existiu, conforme assinalamos aqui na TI, ou o general está pouco ligando para as ordens do futuro presidente. (C.N.)

Na véspera dos exames, irresponsavelmente Bolsonaro faz flexões e pratica tiro

Bolsonaro

Bolsonaro brinca com a doença e o filho Eduardo dá força

Deu no Estadão

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), praticou tiro ao alvo na manhã desta quarta-feira, 12, durante visita ao Comando de Operações Táticas da Polícia Federal (COT-PF). Em vídeo publicado no Instagram pelo filho e deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o pai aparece efetuando dois disparos.

Acompanhando o treinamento dos policiais, o presidente eleito, que ainda se recupera de uma cirurgia após o ataque a faca durante a campanha, deitou no chão e fez exercícios de apoio e flexão. Ele usa uma bolsa de colostomia e deve fazer uma cirurgia para retirá-la somente no próximo ano.

DEUS ACIMA DE TUDO – Após cumprir agenda no COT, Bolsonaro almoçou com a sua turma da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), de 1977. Durante o encontro, disse que está feliz não só pela eleição, mas “pela oportunidade de mudar o destino do Brasil”.

“Foi uma eleição bastante árdua, não vai ser fácil. Mas quem tem amigos, tem humildade e tem Deus acima de tudo, vence os obstáculos”, declarou aos antigos colegas.

Bolsonaro também foi a uma Igreja Batista, em Brasília, conversar com pastores. Ele deixou o local por volta das 14h40. O presidente eleito ainda possui reuniões com a bancada do PP e do PROS. Mais cedo, se reuniu com o DEM.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
É impressionante a irresponsabilidade do presidente eleito em relação à própria saúde. Ao invés de se cuidar, ele está viajando e fazendo extravagâncias que podem agravar seu quadro. A operação já foi adiada uma vez e agora, na véspera de fazer novos exames, ele dá este show, tentando bancar o super-homem. É lamentável. (C.N.)

Presidente do Coaf rebate Onyx e diz que órgão atua em CPIs “há 20 anos”

Presidente do Coaf, Antônio Ferreira de Sousa Foto: Gustavo Raniere / Ministério da Fazenda

Ferreira de Sousa fez um histórica da atuação do Coaf

Jailton de CarvalhoO Globo

O presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras ( Coaf ), Antônio Ferreira de Sousa , rebateu as críticas do futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni , ao órgão, depois da divulgação do relatório que revelou movimentações financeiras atípicas do policial militar Fabrício José Carlos Queiroz, ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL). Segundo o relatório, entre 2016 e 2017, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em sua conta bancária, valor considerado incompatível com a renda que tinha como ex-auxiliar dos filhos do presidente.

Ao ser confrontado pela imprensa, na semana passada, Lorenzoni tentou desqualificar o trabalho do órgão e perguntou onde estavam os técnicos do Coaf no mensalão, o escândalo que afundou a cúpula do PT em 2005.

RESPOSTA DO COAF – Ao Globo, o presidente do Coaf tratou de responder a pergunta do ministro de Bolsonaro. “Estamos integrados (com o Parlamento) há 20 anos. Fizemos 137 relatórios para CPIs. Participamos de todas elas. Participamos de todas as grandes operações no país, desde aquela que resultou em ataques violentos em São Paulo, em 2006, até, mais recentemente, a Zelotes e Greenfield (que investigam esquemas de corrupção no governo do PT)” – disse Ferreira.

Na semana passada, ao fazer a cobrança ao Coaf, o ministro da transição ignorou que, entre os principais documentos do início das investigações do mensalão, está justamente um relatório do Coaf sobre movimentação financeira de alguns personagens do escândalo.

HISTÓRICO DO ÓRGÃO – Quando confrontado com as críticas de Lorenzoni, Ferreira disse, inicialmente, que não faria reparos às declarações do futuro ministro. Mas, em seguida, traçou um histórico do Coaf – para refrescar a memória dos auxiliares de Bolsonaro e de seus apoiadores nas redes sociais – mostrar que a instituição atua de forma sistemática e independente há duas décadas. Ou seja, o relatório sobre ex-assessor de Flávio Bolsonaro não é ato isolado e nem está fora do padrão de atuação do órgão de inteligência financeira.

“Temos feito o nosso trabalho, mas há espaço para melhorar. Essa tem sido nossa bandeira desde o mensalão” – disse Ferreira.

“Se tiver algo errado, que paguemos a conta”, diz Bolsonaro sobre o ex-assessor

O presidente eleito Jair Bolsonaro em transmissão pelo Facebook Foto: Reprodução do Facebook

Jair Bolsonaro falou pelo Facebook durante 16 minutos

Jussara Soares
O Globo

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) admitiu na noite desta quarta-feira que está disposto “a pagar a conta” caso a investigação aponte irregularidade na movimentação de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017 de Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro .  Bolsonaro disse que o caso “dói no coração ”, porque, segundo ele, “o que tem de mais firme (em seu projeto de governo) é o combate à corrupção”.

– Se algo estiver errado comigo, meu filho ou o Queiroz, que paguemos a conta desse erro. Não  podemos comungar com erro de ninguém – disse Bolsonaro, em um pronunciamento ao vivo pelo Facebook, que durou 16 minutos.

FURNA DA ONÇA – Queiroz é citado em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) anexado à Operação Furna da Onça, que no mês passado prendeu deputados estaduais do Rio. O volume de recursos movimentados em sua conta bancária foi considerado atípico. Entre as movimentações que constam do relatório está um cheque de R$ 24 mil pagos à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

O relatório do Coaf também cita que a conta de Queiroz recebeu repasses de oito funcionários e ex-funcionários do gabinete de Flávio. O órgão listou outros funcionários de gabinetes da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) que tiveram movimentação atípica. O Ministério Público do Rio já tem procedimentos em curso, que correm sob sigilo, para investigar possíveis irregularidades cometidas por servidores da Assembleia, com base no relatório do Coaf. O MP não esclarece se as movimentações financeiras de Queiroz estão sob investigação.

QUEIROZ VAI DEPOR – Na transmissão no Facebook, o presidente eleito, reafirmou que nem ele, nem o filho ou o assessor são investigados, mas revelou que Queiroz será ouvido na próxima semana. Apesar de ter observado que o caso do ex-assessor foi fruto de um vazamento, Bolsonaro afirmou que não é contra.

– Não sou contra vazamento não, tem que vazar tudo mesmo.  Nem devia ter nada reservado, botar tudo para fora e chegar a conclusão. Dói no coração? Dói. o que temos de mais firme é o combate à corrupção.

O presidente eleito disse que em seu governo usará todas as armas para o combate aos crimes de corrupção, incluindo o Coaf que revelou a movimentação na conta bancária do ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

ANTICORRUPÇÃO – “Aconteça o que acontecer, enquanto eu for presidente vamos combater a corrupção com todas as armas do governo, inclusive com o próprio Coaf, que está indo para o ano que vem para o Ministério da Justiça” – disse

Bolsonaro só falou sobre o Coaf ao final da transmissão e classificou a investigação como “um problema pela frente”, devido ao caso do ex-assessor nosso que está com uma movimentação atípica.

“Eu deixo bem claro que eu não sou investigado. O meu filho Flávio Bolsonaro não é investigado. E, pelo que me consta, esse ex-assessor nosso será ouvido pela Justiça na semana que vem. A gente espera que ele dê as devidas explicações”, concluiu o presidente eleito.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Demorou, mas enfim a ficha caiu, Bolsonaro reconheceu o problema e se comportou como se esperava de um homem público, ao declarar que, se existiu ilegalidade, é preciso que haja punição. E a situação fica ainda mais complicada para o filho mais velho, Flávio Bolsonaro. (C.N.)

Um poema de Rubem Braga, de ressaca, olhando-se no espelho da vida

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Site Poemas & Canções

Considerado o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis, o capixaba Rubem Braga (1913–1990), sempre afirmou que a poesia é necessária, tanto que escreveu vários poemas, entre eles o soneto “Ao Espelho”, no qual retrata uma reflexão pessoal no inexorável passar do tempo. Esta página de poesia é homenagem a Braga, com quem eu e Carlos Newton trabalhamos, na Revista Nacional de Mauritônio Meira.

AO ESPELHO
Rubem Braga

Tu, que não foste belo nem perfeito,
Ora te vejo (e tu me vês) com tédio
E vã melancolia, contrafeito,
Como a um condenado sem remédio.

Evitas meu olhar inquiridor
Fugindo, aos meus dois olhos vermelhos,
Porque já te falece algum valor
Para enfrentar o tédio dos espelhos.

Ontem bebeste em demasia, certo,
Mas não foi, convenhamos, a primeira
Nem a milésima vez que hás bebido.

Volta portanto a cara, vê de perto
A cara, tua cara verdadeira,
Oh, Braga envelhecido, envilecido.

“Farta prova documental” demonstra que o sítio é de Lula, conclui a Lava Jato

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Julia Affonso
Estadão

Em alegações finais, o Ministério Público Federal, no Paraná, aponta que há ‘farta prova documental’ de que o ex-presidente Lula era ‘proprietário de fato e possuidor’ do sítio de Atibaia. O documento de 366 páginas, subscrito por 12 procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato, reitera o pedido de mais uma condenação do petista.

Lula está preso desde 7 de abril, sentenciado a 12 anos e um mês de reclusão por corrupção e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá. O petista nega ser o dono do sítio.

BITTAR ENVOLVIDO –  “Os variados elementos de prova comprovam que Lula atuava como proprietário de fato e possuidor do sítio de Atibaia e, nessa condição, Fernando Bittar autorizou e se envolveu na realização de obras ocultas e escondidas para Lula realizadas no sítio por Bumlai, Odebrecht e OAS”, afirma a Lava Jato.

A Procuradoria da República aponta que a reforma e melhoria do sítio teriam sido providenciadas pelas empreiteiras Odebrecht e OAS como propina a Lula. A propriedade é pivô da terceira ação penal da Lava Jato, no Paraná, contra o ex-presidente. O petista ainda é acusado por corrupção e lavagem de dinheiro por supostas propinas da Odebrecht – um terreno que abrigaria o Instituto Lula e um apartamento vizinho ao que morava o ex-presidente em São Bernardo do Campo.

TRÊS REFORMAS – A Lava Jato afirma que o sítio passou por três reformas: uma sob comando do pecuarista José Carlos Bumlai, no valor de R$ 150 mil, outra da Odebrecht, de R$ 700 mil e uma terceira reforma na cozinha, pela OAS, de R$ 170 mil, em um total de R$ 1,02 milhão. Em interrogatório, Bumlai declarou não ter pago ‘nem um real’ nas obras.

O sítio de Atibaia está em nome do empresário Fernando Bittar, filho de Jacó Bittar, amigo de longa data do ex-presidente. Segundo a Lava Jato, o empresário ‘franqueou a Lula e família a oportunidade de utilizaram o Sítio de Atibaia da forma que melhor entendessem’.

“Tal circunstância – empréstimo da propriedade por Fernando Bittar a Lula e Marisa para usarem como lhe aprouvessem – confirma a denúncia de que, sem prejuízo de Fernando Bittar exercer atributos da propriedade, entre eles, usar e gozar, Lula e Marisa Letícia atuavam e utilizavam o local também como proprietários, ou seja, portavam-se como proprietários de fato e possuidores do Sítio de Atibaia.

MODO COMPARTILHADO – “De se ver que, para além das provas orais reunidas na instrução processual, conforme exposto na denúncia (Capítulo “V.1.1.1 – Dos proprietários de fato e possuidores do Sítio de Atibaia), foi colhida farta prova documental a demonstrar que Lula e Marisa Leticia se portavam como possuidores e proprietários de fato do Sítio de Atibaia (ainda que de modo compartilhado com Bittar).

O Ministério Público Federal acusa Lula por 10 delitos de corrupção passiva e outros 44 atos de lavagem de dinheiro. A Lava Jato pede ainda a condenação do empresário e delator Marcelo Odebrecht e do executivo ligado à OAS Agenor Franklin Magalhães Martins por corrupção ativa, e do ex-presidente da OAS, José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, por corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

OUTROS RÉUS – O Ministério Público Federal pede ainda, por lavagem de dinheiro, a condenação do pecuarista José Carlos Bumlai e do ex-assessor do petista Rogério Aurélio Pimentel do empresário Emílio Odebrecht, do advogado Roberto Teixeira, do empresário Fernando Bittar e de outros quatro.

Os procuradores anexaram ao processo um recibo no valor de R$ 120 mil, em nome de Fernando Bittar e subscrito por um representante da Kitchens cozinha. A investigação aponta que, após acerto entre os réus, ‘nenhum gasto efetuado em Atibaia deveria conter o nome da OAS’.

Segundo a Lava Jato, os projetos e a nota fiscal da Kitchens ficaram em nome de Fernando Bittar ‘com intuito único de ocultar e dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação e propriedade dos valores provenientes dos crimes antecedentes, escondendo a origem dos valores e os responsáveis pelo pagamento, bem como o real beneficiário da reforma, no caso, o réu Lula’.

MAIS DOCUMENTOS – “O Ministério Público Federal junta os documentos em anexo, extraídos da quebra telemática de Paulo Gordilho, ressaltando, desde já, que são de acesso prévio às defesas”, anotou a Lava Jato.

A Procuradoria pediu ‘a decretação do perdimento do produto e proveito dos crimes, ou do seu equivalente, incluindo aí os numerários bloqueados em contas e investimentos bancários e os montantes em espécie apreendidos em cumprimento aos mandados de busca e apreensão, no montante de, pelo menos, R$ 155.378.202,04’. O valor corresponde ao ‘total da porcentagem da propina paga e lavada’ por empreiteiras.

 

CÁLCULO DA PENA – No documento, a Lava Jato anota que ‘o crime de corrupção é um crime muito difícil de ser descoberto e, quando descoberto, é de difícil prova’. Os procuradores registram que ‘mesmo quando são provados, as dificuldades do processamento de ‘crimes de colarinho branco’ no Brasil são notórias, de modo que nem sempre se chega à punição. Isso torna o índice de punição extremamente baixo’.

O Ministério Público Federal pede regime fechado para o início do cumprimento da pena.

“Estamos diante de um dos maiores casos de corrupção já revelados no País. Não se pode tratar a presente ação penal sem o cuidado devido, pois o recado para a sociedade pode ser desastroso: impunidade; ou, reprimenda insuficiente”, afirmam os investigadores.

Onyx esqueceu ter conduzido o depoimento do Coaf na CPI do Mensalão

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Na época do Mensalão, Onyx já era deputado atuante

Leandro Colon
Folha

“A pergunta é: onde é que estava o Coaf no mensalão?”, questionou Onyx Lorenzoni antes de abandonar entrevista na sexta-feira (dia 7) ao se irritar com a insistência dos repórteres para que comentasse as suspeitas sobre a movimentação financeira do motorista de Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito.

Falta memória ao futuro ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro. As notas taquigráficas do Congresso podem ajudá-lo a recuperá-la. Às 10h21 do dia 10 de janeiro de 2006, uma terça-feira, foi aberta uma sessão da CPI dos Correios para ouvir o então presidente do Coaf, Antônio Gustavo Rodrigues.

DEPOIMENTO – Criada no ano anterior, a comissão parlamentar investigou o esquema do mensalão do governo Lula. O deputado Onyx era o sub-relator de Normas de Combate à Corrupção e conduziu o depoimento do presidente do Coaf naquele dia, na sala 2 da ala Senador Nilo Coelho, no Senado. Foi o primeiro a indagá-lo sobre a atuação do órgão de controle financeiro do governo federal.

Onyx, aliás, agradeceu Rodrigues, em nome da CPI, pela presença. Depois de uma longa fala, o deputado perguntou sobre normas do Banco Central, eventuais falhas de fiscalização financeira e o alcance do Coaf.

OPERAÇÃO ATÍPICA – Rodrigues detalhou o modelo de trabalho do órgão e seus limites de ação, sobretudo em relação a investigações em torno de uma transação considerada atípica. “Se você não tem outros elementos que circunstanciem aquela movimentação, diria que é praticamente impossível você chegar a identificar tudo”, disse.

No depoimento de quase seis horas, ele contou aos parlamentares que desde 2003 o Coaf recebia informações de volume grande de saques em espécie por parte da SMPB, empresa de Marcos Valério, o operador que abasteceu o mensalão pago a políticos da base do governo petista.

Ofícios do Coaf entregues à CPI mencionam essas e outras retiradas. Foram informações essenciais para a investigação. Onyx pode ler mais sobre elas na página 764 do volume 2 do relatório final da comissão.

O ponto alto da Literatura Hebraica, na grandiosidade do Antigo Testamento

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Antigo Testamento,  um monumento da cultura hebraica

Antonio Rocha

No sábado passado, em nosso artigo semanal, abordamos a histórica e polêmica carta do senador Públio Lentulus ao imperador Tibério César, em Roma, a respeito da imagem pessoal de Jesus e suas características éticas e morais. O tema rendeu audiência e ânimo exaltado. Sempre assinalo que sou um estudioso ecumênico e vejo os textos religiosos como obras de arte literária e filosóficas. Esclareço que assim o faço, respeitando os demais que discordem de minhas pesquisas na área.

Quando escrevi que lia a Bíblia como um romance, uma telenovela, devo ter magoado quem não entendeu minhas palavras. Tenho a mania Zen de escrever resumidamente e nem sempre sou aceito. Foi o que aconteceu.

DO TIPO HAIKAY – Como um poema japonês chamado haikay que tem apenas três versos e 17 sílabas, escrevo resumindo. Mas ler a Bíblia como um livro de contos ou crônicas, ou antologia poética, não é desdouro nenhum aos que a consideram Palavra de Deus.

Interreligiosamente, sempre falo que os muçulmanos também dizem que o Corão é a Palavra de Deus e os hindus afirmam que a Baghavad Gita (A Canção do Senhor), em sânscrito, também é a Palavra de Deus. Neste caso, com quem ficar? Prefiro a imparcialidade acadêmica e científica.

LITERATURAS – Leio os textos sagrados, respeitosamente, mas como ficção ou mitologias. Antes que alguém estranhe o termo ciência, esclareço que no âmbito de tais investigação temos as Ciências da Literatura ou Ciências das Literaturas.

No domingo, refletindo sobre o ocorrido, lembrei que na Faculdade de Letras da UFRJ estudei Literatura Hebraica. Então fui à fonte, a monumental obra em seis volumes “História das Literaturas Universais”, editorial Estampa, publicada em Lisboa, em 1973. O autor e organizador é o professor alemão Wolfgang Einsiedel. Compartilho com vocês uma parte deste longo capítulo e em outra oportunidade voltaremos ao assunto:

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O ANTIGO TESTAMENTO   /   Wolfgang Einsiedel

“O centro e monumento da literatura hebraica é um único livro: o Antigo Testamento, isto é a Bíblia hebraica. Para o leitor crente ele é um testemunho, ou melhor, o testemunho da revelação divina; para o leitor culturalmente sensível, a mais perfeita expressão literária do povo hebraico que o criou.

Embora seja constituído por uma série de escritos de várias épocas e de diversos estilos, este livro é um todo orgânico, que não permite distinções radicais entre os vários estados literários que caracterizam as diferentes partes de que se compõe. A Bíblia é o resultado de uma seleção secular, o precipitado espiritual de toda uma civilização e da sua tradição oral e escrita.

No seu conjunto, a literatura hebraica bíblica é o fruto cultural perfeito das grandes civilizações médio-orientais que a precederam. Nos livros do Antigo Testamento deixaram a sua marca a sabedoria dos antigos egípcios, as lendas religiosas e os épicos sumério-babilônicos, a legislação de Hamurabi e, principalmente, a literatura cananéia. Mas todos estes influxos estrangeiros foram fundidos e transformados numa obra de arte dotada de um cunho absolutamente original.

Os vinte e quatro livros do Antigo Testamento, escritos na maior parte em língua hebraica, refletem o desenvolvimento espiritual e social dos hebreus desde 1000 até cerca de 100 anos aC.; mas já os mais antigos dos seus documentos são inspirados na religião monoteísta e na ética sócio-religiosa dos profetas (que caracterizam a maturidade do povo hebraico), enquanto reciprocamente, nos documentos mais recentes sobrevive a recordação das origens.

A graça fatal que toca o eleito de Deus, os desígnios da Providência, a vontade divina: eis os grandes temas sobre os quais se fundam diversos livros históricos (que constituíram a primeira tentativa de interpretação da história humana) quer os proféticos e eruditos. Mas estes escritos são também uma antecipação do futuro mais ou menos longínquo. Sobretudo as visões apocalípticas do Livro de Daniel podem ser consideradas se não propriamente como uma ponte para a literatura pós-bíblica, pelo menos a sua antecipação.

Inúmeros outros testemunhos dessa fase de transição existem nos fragmentos encontrados no deserto da Judéia, os chamados “manuscritos do Mar Morto”, que representam a mais antiga forma de literatura midrásica e da lírica religiosa subjetiva. Estes manuscritos deixam também transparecer a inquietude que reinava na Palestina na época da ocupação romana, que devia concluir-se com a destruição de Jerusalém e do segundo tempo, e que representou a primeira grande mudança da história dos hebreus e da sua literatura”. (páginas 109 e 110), volume 1.

Eduardo Bolsonaro diz nada saber sobre ex-assessor e encerra entrevista

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Eduardo Bolsonaro se aborreceu com a pergunta do repórter

Daniel Gullino e Eduardo Bresciani
O Globo

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse nesta quarta-feira não ter informações sobre o Fabrício Queiroz, ex-assessor de seu irmão Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), e encerrou de forma abrupta uma entrevista coletiva no Centro Cultural Banco do Brasil (CCCB) na qual falava sobre a reunião da bancada do partido com o pai, o presidente eleito Jair Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro disse não ter contato com Queiroz após a revelação de que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentação atípica dele no montante de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017. Questionado se sabia por que o ex-assessor ainda não havia se pronunciado, ele encerrou a entrevista.

“Estou em Brasília aqui direito, sou deputado federal, Brasília, São Paulo. Sobre essas questões aí, lamento informar, mas da vida do assessor do Flávio e de outras pessoas lá, eu não tenho informação. Eu sou a pessoa errada para esse tipo de pergunta” — disse o deputado federal.

À VONTADE – Antes de ser confrontado sobre o tema, ele falava à vontade sobre a reunião do partido com o pai. Contou que o deputado Waldir (GO) será líder da bancada do PSL no período do recesso e que uma eleição em fevereiro definirá o novo titular do posto, que vinha sendo ocupado pelo próprio Eduardo. O deputado afirmou também que o presidente eleito pediu aos deputados da bancada que tenham “serenidade” e não declarassem voto para a eleição para a Presidência da Câmara.

Eduardo Bolsonaro respondeu também a questionamentos sobre a confusão causada por mensagens trocadas no grupo de Whatsapp da bancada . Ele disse que o pai é contra esse tipo de grupo por não ser possível detectar quem vazou as conversas, mas negou que tenha havido proibição de conversas pelo grupo porque o pai “não é ditador”.

Como anda o BNDES, depois da devastação do banco durante a era do PT?

Charge reproduzida do Arquivo Google

Arthur Lula Mota
Terraço Econômico  

Muita coisa mudou nos rumos da economia brasileira desde o início de 2016, uma delas é a gestão do BNDES. Com o estelionato eleitoral de 2015, e a reviravolta de 2016, a ascensão de Maria Silvia na presidência do BNDES dava início para novos dias. O banco não seria mais usado (ao menos intensamente) como fonte de estímulos descabidos e veículo de corrupções como se fazia até então, concedendo crédito para empresários próximos a caneta presidencial.

Vamos seguir com o que foi iniciado pela minha amiga Renata Velloso em “O renascimento do mercado de crédito privado no Brasil (tem que manter isso aí)” e dar continuidade ao Raio X do BNDES, sabendo os principais números do banco até então.

FRACASSOS – Antes de mais nada, é importante ressaltar que não faltam artigos na literatura acadêmica recente mostrando que boa parte dos programas do BNDES do governo anterior fracassaram terrivelmente, além de sair caro para o contribuinte.

O objetivo aqui não é aprofundar de forma tão elegante no assunto, como estudos robustos de Ellery, Sachsida e Nascimento (2018), que mostraram que não há evidências de aumento de investimento com os estímulos, além de Bonomo e Martins (2016) refletindo como a política monetária perde eficiência mediante ao volume enorme de juros subsidiados e o crédito direcionado ocupando praticamente metade do mercado de crédito. Trataremos apenas da descrição dos números recentes do banco.

Antes de começar, recomendo também a leitura do novo texto para discussão: “Os bancos de desenvolvimento e o papel do BNDES“, divulgado no próprio BNDES.

MENOS DESEMBOLSOS – Primeiramente, devemos destacar que o volume de desembolso do BNDES diminuiu bastante desde 2014, ano de eleição e o pico de volume do banco, que estava a todo vapor desde a crise internacional e recebeu mais lenha a partir 2011, com objetivo de estimular a economia brasileira que estava em clara desaceleração. O problema foi o foco: grandes empresas e ligadas ao comércio e serviços, como apresentaremos mais a baixo.

Recuando de R$ 190 bilhões em 2013, o banco trabalhou nos doze meses até setembro desse ano com apenas R$ 64 bilhões, ou seja, apenas 33% do desembolso máximo da série.

Como ressaltou a Renata Velloso, o setor privado já começou a buscar outras fontes de financiamento, agora que o volume do BNDES diminui e a taxa de juro média de mercado também. Desde 2016, o volume de emissão de dívida corporativa já superou o volume de desembolsos do BNDES e a diferença só vem crescendo, mostrando como o setor privado “redescobriu” o mercado de capitais.

ALTERAÇÕES – Por sua vez, há mudanças importantes na composição do desembolso do BNDES. Começando pela abertura setorial, após ter uma grande atenção até 2014, os setores ligados ao consumo como comércio e serviços viram sua participação recuar de 27% para apenas 19,4% neste ano, ao passo que a infraestrutura avançou de 32% para 41% e a agropecuária de 9,8% para 20,8%. Forte mudança na composição setorial, um sinal muito positivo no caso da infraestrutura.

Se olharmos por porte, as grandes empresas seguem majestosas, mas bem longe dos patamares acima de 70% do total de desembolso que vimos durante quase todo esse século. A fatia próxima a 50% reflete o avanço dos desembolsos paras as médias empresas, que eram inferiores a 10% e já superaram os 25% neste ano. É importante lembrar que as grandes empresas possuem mais facilidade em acesso a recursos nos mercados privados.

CRÉDITO TOTAL – Essa inflexão também é visível na composição do crédito total na economia. Representando quase 50% do PIB, o crédito direcionado (maior parte do BNDES) convergiu muito rapidamente para o patamar do crédito livre, de mercado. Isso ocorreu desde a crise internacional até 2015. A partir dali, com a mudança da gestão e o menor volume de desembolsos, mesmo com o crédito livre reduzido, a composição mostrou uma inflexão em 2017, com a retomada no mercado de crédito acompanhando a economia na saída da recessão, ao passo que o crédito direcionado segue na sua trajetória declinante.

Se quisermos avaliar o desempenho recente de um dos programas do BNDES, vale a pena olhar o FINAME, que tem por objetivo incentivar a produção e aquisição de máquinas e equipamentos novos de fabricação nacional, não focando nas empresas de grande porte.

CONTA SALGADA – Bem nós sabemos que esse investimento não veio, e a conta dessa “ajuda” foi bem salgada para a sociedade. O volume de desembolsos para o programa despencou absurdamente desde 2014, voltando para os níveis em termos reais próximos de 2004.

Se olharmos a composição desse financiamento, veremos forte crescimento da fatia destinada ao mundo agrícola, e a retomada dos recursos para o financiamento de transporte.

Por fim, mas bastante importa, vamos dar uma olhada nas taxas de juro médias cobradas pela instituição para as pessoas jurídicas. Computando os créditos de capital de giro, financiamento de investimentos e financiamento agroindustrial, a taxa de juro média do BNDES que era de 7% em 2014, agora está próximo a 10%, mas ainda muito distante do cobrado pela média do mercado para PJ (cerca de 16,1%). Ainda assim, é importante destacar que a diferença atual entre as duas taxas é de 6,3 p.p., mas já chegou a 11,4p.p. em tempos de grandes volumes de subsídios.

Em suma, o presente texto teve o objetivo de ilustrar em números o desempenho atual do BNDES, que encolheu muito desde a mudança de governo e que deve ter um papel diferente no próximo. Maior transparência, maior racionalidade nas escolhas de projeto, maior blindagem e respeito ao contribuinte é o que esperamos dessa importante instituição brasileira. Sem isso, não há razão para sua existência.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Importante artigo, enviado por Mário Assis Causanilhas. Mostra que o BNDES está retomando sua trajetória, mas ainda está longe de influir na retomada do crescimento, como ocorreu na  gestão de Carlos Lessa, que fez o banco impulsionar o crescimento da economia, no primeiro governo Lula. (C.N.)

“Precisa investigar para tudo se esclarecer”, diz Onyx sobre relatório do Coaf

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Onyx diz que Bolsonaro não teme a investigação do Coaf

Gustavo Uribe
Folha

O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, defendeu nesta terça-feira (dia 11) que sejam investigadas as suspeitas de irregularidades na movimentação financeira do policial militar Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Em evento na capital federal, ele ressaltou que o fato deve ser esclarecido e disse que o presidente eleito Jair Bolsonaro sempre se pautou pela verdade. Segundo ele, a equipe do novo governo tem tranquilidade sobre a honestidade do capitão reformado.

“Isso precisa ter uma investigação para que tudo se esclareça. O presidente eleito é um homem que sempre se pautou pela verdade. Não teme a verdade e a gente tem total tranquilidade sobre essa circunstância. A longa vida pública dele é um atestado maior. Então, precisa investigar para tudo se esclarecer”, disse.

PACIÊNCIA – O indicado para a Casa Civil também disse que não tratou sobre o tema com o presidente eleito, mas defendeu que é preciso ter paciência e aguardar o resultado da investigação antes de ser feito juízo de valor sobre as suspeitas em relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

No evento, o futuro ministro da Casa Civil disse ainda que, nesta quarta-feira (12), se reunirá com mais quatro bancadas partidárias e que, em uma segunda fase, abrirá espaço também para partidos de oposição. Ele disse que errará quem apostar que o novo governo não conseguirá formar uma base aliada forte.

EX-ASSESSOR SUMIU – O policial militar, que está sumido, foi citado no documento como tendo apresentado uma movimentação financeira atípica de R$ 1,2 milhão em 2016. O alerta se deveu tanto ao volume como à forma com que as transações foram feitas. O documento, contudo, não é o suficiente para apontar algum ato ilegal.

O Ministério Público do Rio de Janeiro instaurou uma investigação criminal sigilosa com base no relatório, que cita membros do gabinete de 21 deputados estaduais — entre eles Flávio Bolsonaro. Do total movimentado, R$ 324,8 mil se referem a saques e R$ 216,5 mil a depósitos em espécie — os demais valores são transferências identificadas, entre outras operações.

Assessores de deputados do PSC, PT e PSOL aparecem no relatório do Coaf

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O recordista é o gabinete de André Ceciliano, do PT

Italo Nogueira
Folha

O relatório do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) que apontou movimentação atípica do policial militar Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), mencionou auxiliares de outros 20 deputados da Assembleia fluminense. Fazem parte da lista assessores de parlamentares de diferentes matizes ideológicas, como Márcio Pacheco (PSC), futuro líder do governo na gestão Wilson Witzel (PSC) e o deputado Eliomar Coelho (PSOL).

Pacheco é pré-candidato à Presidência da Alerj. O atual presidente interino, André Ceciliano (PT), pré-candidato à reeleição ao cargo, também aparece no documento. Todos estão juntos na lista com o presidente afastado da Casa, Jorge Picciani (MDB), em prisão domiciliar e também alvo do relatório.

INVESTIGAÇÃO – A Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro instaurou um procedimento criminal há cerca de quatro meses para investigar as circunstâncias das movimentações dos funcionários de Alerj. A apuração também tem como alvo os deputados aos quais estão vinculados os servidores.

O relatório do Coaf foi produzido no âmbito da Operação Furna da Onça, que prendeu no mês passado dez deputados estaduais. Ele foi elaborado a pedido do Ministério Público Federal, que solicitou todas as comunicações de movimentações atípicas envolvendo pessoas nomeadas na Alerj.

A menção no relatório não significa a prática de algum ilícito. O volume da movimentação, por sua vez, não é medida para a suspeita que eventualmente recaia sobre os deputados. O deputado Marcos Abrahão (Avante), preso na Furna da Onça, teve uma movimentação atípica de só R$ 289 mil.

MOVIMENTAÇÕES – Apenas quatro dos dez deputados alvo da operação foram mencionados no relatório do Coaf. O gabinete que apresentou a maior movimentação entre eles foi o de Luiz Martins (PDT), com R$ 18,5 milhões, quarto da lista geral.

O gabinete com o maior volume de comunicações é o do petista Ceciliano. Foram mencionados quatro assessores com movimentação atípica de, somados, R$ 49,3 milhões. A maior parte se refere a entradas e saídas na conta de Elisângela Barbieri, que movimentou R$ 26,5 milhões em sua conta, segundo o Coaf.

O segundo da lista é o deputado Paulo Ramos (PDT), cujo gabinete registrou movimentações atípicas de R$ 30,3 milhões. Elas estão concentradas em nome de Luiz Felipe Conde, cuja conta recebeu e retirou R$ 18,6 milhões, segundo o Coaf.

Pacheco aparece em terceiro com uma movimentação atípica de R$ 25,3 milhões envolvendo assessores de seu gabinete, de acordo com o relatório do órgão financeiro. O volume está distribuído entre nove funcionários.

DIZEM ELES – O deputado André Ceciliano disse, em nota, que a funcionária que concentra as movimentações atípicas “pertence a uma família de empresários da cidade de Paracambi”, onde o petista foi prefeito por dois mandatos.

Paulo Ramos afirmou que o principal assessor citado pelo Coaf é advogado e tem como justificar as entradas e saídas de recursos de suas contas. Ele afirmou que boa parte dos valores se referem a causas judiciais ganhas.

Márcio Pacheco disse, em nota, que “recebeu com surpresa, através imprensa, a notícia sobre movimentações financeiras envolvendo colaboradores de seu gabinete”. E Eliomar Coelho disse, por meio de sua assessoria, que está “à disposição para qualquer esclarecimento, caso venhamos a ser oficialmente citados”.

“Aécio já prejudicou muito o PSDB”, afirma Jereissati, ex-presidente do partido

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Jereissati ainda tem esperanças de fortalecer o PSDB

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

Ex-presidente do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) disse nesta terça-feira (11) que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) já “prejudicou muito” a imagem dos tucanos e que é preciso “dar um jeito nesse problema”, quando questionado sobre as novas denúncias que envolvem o mineiro em um esquema de pagamentos via Grupo J&F.

“Eu acho que o Aécio já prejudicou muito o partido. E, se isso for comprovado (mesada para Aécio), é um negócio muito sério. Se essa mesada for realmente verdadeira, é uma questão séria”, afirmou.

EXPULSÃO? – Em seguida, Tasso foi perguntado se o caso era relevante até para expulsão de Aécio Neves da legenda. “Não estou mais na direção do Partido, mas a gente tem que dar um jeito nesse problema. A imagem do partido não pode mais ficar ligada a isso para o resto da vida. Tem que dar um jeito”, complementou.

A Operação Ross, deflagrada na manhã desta terça-feira (11) pela Polícia Federal, aponta que o senador Aécio Neves liderou uma associação criminosa que tinha como finalidade comprar apoio político para sua campanha presidencial nas eleições de 2014. De acordo com a PF, o Grupo J&F, dos irmãos Batista, pagou propina, a pedido de Aécio, de R$ 109,3 milhões ao senador, seu partido e outras legendas, como PTB, DEM e Solidariedade.

ALTA PROPINA – A operação, um desdobramento da Operação Patmos, deflagrada pela PF em maio de 2017, investiga ao todo um suposto pagamento direto e indireto de propina de R$ 128 milhões da J&F ao senador Aécio Neves e seu grupo político entre os anos de 2014 e 2017. De acordo com a PF, parte do valor foi repassado ao senador em espécie e outra por meio de depósitos bancários e pagamento de serviços simulados.

São investigados os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Antônio Anastasia (PSDB-MG), e os deputados federais Cristiane Brasil (PTB-RJ), Benito Gama (PTB-BA) e Paulinho da Força (SD-PR).

As investigações mostram que o senador Aécio Neves teria recebido R$ 109,3 milhões para a campanha presidencial da coligação apoiadora do PSDB. O valor teria sido solicitado por Aécio em encontro com o empresário no início de 2014.

COMPRA DE APOIO – A PF aponta que outra parte da propina teria sido entregue a pedido de Aécio por meio de doações oficiais que totalizaram R$ 64,6 milhões a diretórios e candidatos do PSDB.

Ao PTB, teriam sido destinado R$ 20 milhões, mediante intermediação de Cristiane Brasil, Benedito Gama e Luiz Rondon, tesoureiro do partido. Ao Solidariedade, as doações teriam sido de R$ 15 milhões, por intermédio de Paulinho da Força e Marcelo Lima Cavalcanti.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Todos os envolvidos negam, com veemência, qualquer participação no caso. Em breve, serão beatificados, enquanto seus eleitores parecem bestificados. (C.N.)

Depósitos na conta de Queiroz coincidem com dia de pagamento, diz O Globo

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Depósitos desmentem a  esperada “explicação plausível”

Deu em O Globo

A maior parte dos depósitos em espécie na conta de Fabrício de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, coincidem com as datas de pagamento na Assembleia Legislativa do Rio, segundo o Jornal Nacional. Nove funcionários do gabinete do filho do presidente eleito repassaram dinheiro para Queiroz.

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf ) apontou movimentação financeira atípica de R$ 1,2 milhão do ex-assessor, entre 2016 e 2017. Uma das transações listadas é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente eleito afirmou tratar-se do pagamento de parte de uma dívida de R$ 40mil.

COINCIDÊNCIA? – O JN fez o cruzamento das datas dos depósitos feitos em dinheiro nas contas do ex-assessor com os dias de pagamento dos salários da Alerj entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Em praticamente todos os meses, a maior parte do dinheiro entra na conta de Queiroz no mesmo dia ou poucos dias depois de os servidores receberem o salário.

Em março, abril, maio, junho, agosto e novembro houve depósitos no mesmo dia do pagamento. Em dezembro, um dia depois do recebimento do salário e no mesmo dia em que foi pago o 13º .

O JN também analisou as datas em que Fabrício sacou dinheiro. Nos meses de março, abril, maio, junho e novembro ele começa a tirar dinheiro da conta no mesmo dia em que são feitos os depósitos ou nos dias seguintes.

VÁRIAS AGÊNCIAS – Na maioria das vezes, o saque é de R$ 5 mil — limite diário por agência em seu banco. Quando queria valores maiores, Queiroz ia a várias agências. Em pelo menos dois dias, ele foi a três para sacar R$ 15 mil no total.

A assessoria de Flávio Bolsonaro declarou que ele não é investigado, que está à disposição para prestar os esclarecimentos às autoridades e que é o principal interessado em que tudo se esclareça o quanto antes.

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NOTA DA REDAÇÂO DO BLOGO jornalista Lauro Jardim, de O Globo, informa que o ex-assessor Fabrício Queiroz contratou um contador para analisar suas contas bancárias e, assim, poder explicar ao fisco e ao Coaf todos os depósitos e saques. Em tradução simultânea, pode-se dizer que se trata de nova missão impossível, sem Tom Cruise. O contador precisa se apressar, porque já foi marcado interrogatório de servidores do gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro. O depoimento deles vai esclarecer muita coisa. Como o filho mais velho de Bolsonaro assume o mandato de senador em fevereiro, todos serão automaticamente demitidos. A dúvida é saber se serão admitidos no gabinete estadual do senador, também pagando “pedágio”. (C.N.)

 

 

Bolsonaro voltará a São Paulo nesta quinta-feira, para fazer novos exames

Presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, em Brasília Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

Nova cirurgia somente será feita após a posse, em janeiro

Eduardo Bresciani
O Globo

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, irá a São Paulo na próxima quinta-feira para fazer exames no hospital Albert Einstein . A viagem não constava da agenda informada no início da semana e foi confirmada pela assessoria.

Bolsonaro ainda está com uma bolsa de colostomia, instalada em seu abdome após o atentado de que foi vítima em setembro, em Juiz de Fora (MG), durante um ato de campanha. Ele faria a retirada nesta quarta-feira, mas o procedimento foi adiado para janeiro. Na semana passada, Bolsonaro suspendeu a agenda na sexta-feira por recomendação médica.

MAIS SIMPLES – A nova cirurgia que Bolsonaro fará em janeiro será mais simples que as anteriores, com baixa possibilidade de complicações. A operação, adiada de dezembro para depois da posse, tem o objetivo de retirar a bolsa de colostomia que o presidente eleito mantém desde setembro, quando sofreu um ataque a faca, e reconstituir o trânsito intestinal.

Especialistas ouvidos pelo Globo dizem que, no pior cenário, há um risco, pouco comum, de que a sutura do intestino se rompa na recuperação, o que criaria a necessidade de novo procedimento e outra colostomia. Menos alarmantes, a formação de aderências no intestino e infecções no lugar do corte também são consideradas em quadros desse tipo.

PROCEDIMENTO – Bolsonaro terá que se submeter a nova cirurgia, que deverá ser marcada no ano que vem, para retirar a bolsa de colostomia. De início, é feito um corte no mesmo local da primeira cirurgia para abrir o abdômen; Os cirurgiões colocam de volta para dentro do abdômen a parte do intestino que estava conectada à bolsa coletora de fezes; as duas partes do intestino que estavam separadas são costuradas de volta e o abdômen é fechado.

Segundo médicos, esse tipo de cirurgia exige, no mínimo, duas semanas de recuperação

Na criatividade de Ribeiro Couto, a poesia que excluía os “poetas de gabinete”

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Site Poemas & Canções

O magistrado, diplomata, jornalista, romancista, contista e poeta paulista Rui Ribeiro de Almeida Couto (1898-1963), no poema “Discurso Afetuoso”, afirma que os poetas de gabinete não têm experiências da vida diária, pois eles apenas conhecem os textos literários.

DISCURSO AFETUOSO
Ribeiro Couto

Ó poetas de gabinete,
Que da vida sabeis apenas a lição dos livros,
Vossa poesia é um jogo de palavras.
Vossa poesia é toda feita de habilidades de estilo,
Sem a marca um pouco suja da experiência vivida.

Não sabeis de nenhuma espécie de sofrimento,
De nenhum dos aspectos sedutores do mal,
Não sabeis de nada que está realmente na vida.

Não vos inquieta o desejo de quebrar a monotonia,
A exasperada fadiga das coisas iguais,
A saborosa audácia do mau gosto.

Tudo em vós é correto, frio, sem surpresas.

Ah, tudo que sabeis é através dos livros.
Não sofreis a curiosidade viciosa das aventuras,
Nem a mágoa dos meses vividos à toa,
Nem o bocejo que a mulher tão desejada provocará um dia.
Não conheceis o remorso das devassidões
E a desvairada esperança que há num amanhecer depois
da noite perdida.

Para vós não existe a vida: existem os temas poéticos.