Candidatas laranjas receberam R$ 15 milhões de verba pública em 14 partidos

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A candidata Lourdes Paixão vai ser interrogada pela PF

João Pedro Pitombo e Guilherme Garcia
Folha

​Candidata a deputada estadual pelo Acre, Sônia de Fátima Silva Alves (DEM) é um fenômeno às avessas. Ela recebeu R$ 279,6 mil para fazer campanha, contratou 72 fornecedores e saiu das urnas com apenas seis votos. Assim como Sônia, outros candidatos com votações pífias receberam ao menos R$ 15 milhões em dinheiro público dos fundos partidário e eleitoral.

A Folha cruzou dados da Justiça Eleitoral e descobriu 53 candidatos que receberam mais de R$ 100 mil para financiar suas campanhas, mas saíram das urnas com menos de mil votos. Os candidatos pertencem a 14 diferentes partidos, mas com predomínio do Pros, PRB, PR, PSD e MDB.

COTA FEMININA – Dos 53 candidatos, 49 eram mulheres —o que reforça a suspeita de que as postulantes a cargos eletivos sejam apenas laranjas, como os casos revelados pela Folha nos últimos dias envolvendo o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro.

Isso porque a lei eleitoral obriga que pelo menos 30% dos recursos dos fundos partidário e eleitoral sejam investidos em candidaturas femininas, levando a manobras para atingir a cota, com a criação de postulantes de fachada.

Os casos são semelhantes ao de Maria de Lourdes Paixão, secretária administrativa do PSL de Pernambuco e que recebeu R$ 400 mil para a campanha, mas teve apenas 273 votos, conforme mostrado pela Folha.

CRISE NO PSL – A revelação pelo jornal deste caso e de outras candidatas laranjas do PSL também em Minas Gerais provocou uma crise no governo Bolsonaro, com bate-boca e desgaste do ministro Gustavo Bebianno, que presidiu a sigla no ano passado. A Polícia Federal abriu investigação sobre as suspeitas, e Bolsonaro passou a esperar um pedido de demissão de Bebianno.

O Pros teve 13 candidatas com menos de mil votos que receberam mais de R$ 100 mil. Em quatro destas candidaturas, os recursos vieram do diretório nacional do PT, partido ao qual o Pros aliou-se nacionalmente.

Foi o caso da candidata a deputada Marcele Rebello (Pros-RJ), assessora do deputado federal Felipe Bornier (Pros), atual secretário de Esportes do governo Wilson Witzel (PSC). Ela recebeu R$ 287,5 mil do diretório nacional do PT e terminou a eleição com 88 votos. Do total recebido, R$ 62,7 mil foram repassados para a Cotton Brasil Publicidade, empresa que presta serviço ao mandato de Felipe Bornier na Câmara.

VOTOS PARA BURNIER – Em movimento semelhante, a candidata Amanda Novaes (Pros-RJ) recebeu R$ 287,5 mil do PT. Em suas redes sociais, contudo, não fez campanha para si mesma: pediu votos apenas para o deputado Felipe Bornier.

Saiu das urnas com 200 votos. Também receberam recursos do diretório petista Valdilene Diniz (Pros-PE), com repasse de R$ 200 mil e 37 votos, e Tatiane da Mateira (Pros-MS), com R$ 150 mil e 96 votos.

Outras nove candidatas do Pros receberam vultosos recursos do próprio partido que não se refletiram nas urnas. É o caso de Débora Ribeiro (Pros-CE), candidata a deputada estadual e cunhada do deputado federal Vaidon Oliveira (Pros-CE), que recebeu R$ 274 mil para a campanha.

122 CONTRATADOS – Com o dinheiro, Débora Ribeiro contratou 122 pessoas, que receberam entre R$ 300 e R$ 10 mil durante a campanha. Teve apenas 47 votos. Nenhum deles veio de Sobral (CE), cidade onde mora a maioria dos funcionários que Débora supostamente contratou. Em compensação, seu cunhado Vaidon Oliveira teve 3.020 votos na cidade.

Um dos contratados da campanha de Débora foi Jorgelandio Mesquita, dono de uma pizzaria em Sobral. À Folha ele diz que não prestou serviço para nenhuma campanha, mas recebeu o dinheiro de um serviço feito por seu pai, que é motorista.

“Ele fez transporte de eleitores no dia da votação”, afirmou Mesquita, que diz nunca ter ouvido falar na candidatura de Débora Ribeiro.

NO PIAUÍ – Situação semelhante aconteceu no Piauí, onde a candidata deputada estadual Tamires Vasconcelos (PR) recebeu R$ 370 mil do fundo eleitoral, gastou 99% dos recursos e saiu das urnas com 44 votos —cada voto custou em média R$ 9.000.

Ela é atendente do Detran na cidade de Regeneração (PI) e revendedora de vasilhas plásticas Tupperware. Não fez campanha em suas redes sociais: enquanto os demais candidatos pediam votos, ela anunciava promoções de jarras e garrafas plásticas em suas redes. Teve apenas cinco votos na própria cidade.

Em contrapartida, o presidente estadual do partido, Fábio Xavier (PR), foi o deputado estadual mais votado em Regeneração, com 2.300 votos.

REPASSES– Em outros estados, candidatas repassaram parte dos milhares de reais que receberam para fornecedores que costumam prestar serviços para deputados que disputavam a reeleição.

Candidata a deputada federal Tida do Brejinho (PSD-AL) recebeu R$ 450 mil e teve 233 votos. Seu segundo maior fornecedor, com repasse de R$ 100 mil, foi Claudemir Lins França, advogado do deputado federal Marx Beltrão (PSD), reeleito com 139 mil votos.

Em outros casos, o dinheiro é diretamente repassado para o candidato mais forte. Sônia de Fátima Silva Alves (DEM), do Acre, repassou 16% do que arrecadou para a campanha do deputado federal Alan Rick (DEM). Ela foi, em 2018, a dona do voto mais caro do Brasil: recebeu R$ 279,6 mil e foi escolhida nas urnas por seis pessoas, ou seja, cada voto custou cerca de R$ 46 mil para os cofres públicos. Além do repasse a Alan Rick, a candidata contratou 72 fornecedores, a maioria deles pessoas físicas, com repasses que chegam a R$ 10 mil para cada.

SEM EXPERTISE – Também foram registrados casos de prestadoras de serviços cuja expertise não têm relação com os serviços prestados na campanha.

Adriana Moura (Pros-AM), que recebeu R$ 117 mil do partido e teve 77 votos, contratou a firma de Fátima Santiago de Melo Oliveira, tesoureira do Solidariedade no estado. A empresa, registrada na Receita Federal como de manutenção de computadores, foi contratada para fornecimento de alimentação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Interessante notar que a Folha conseguiu levantar todas essas irregularidades que passam despercebidas pela Justiça Eleitoral, que é de uma incompetência sesquipedal, como dizia o general João Figueiredo. (C.N.)

Justiça quebra sigilo bancário do escritório de Antonio Mariz, advogado de Temer

O advogado Antônio Claudio Mariz, durante reunião na CCJ Foto: Givaldo Barbosa/Agência O Globo/10-07-2017

Procurado, Antonio Mariz não quis dar entrevista à imprensa

Ana Clara Costa
O Globo

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Criminal de Brasília, autorizou a quebra de sigilo bancário do escritório do criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira, assim como de 15 empresas do grupo J&F, entre elas a JBS, a Vigor e a JBJ Agropecuária. Mariz defende o ex-presidente Michel Temer. O pedido foi deferido em 15 de janeiro deste ano e o afastamento de sigilo engloba o período de julho de 2016 a novembro de 2018, no caso da banca de Mariz, e de janeiro de 2008 a novembro de 2018, no caso das empresas dos irmãos Batista.

Além de advogar para Temer — de graça, segundo o próprio criminalista — Mariz atuou em casos de grande repercussão. Defendeu o jornalista Pimenta Neves, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e Suzane Von Richthofen. Mariz também foi secretário de Segurança do Estado de São Paulo e presidiu a Ordem dos Advogados do Brasil em duas gestões.

OPERAÇÃO DA PF – O pedido de afastamento de sigilo foi feito pela Procuradoria-Geral da República no âmbito da Operação Cui Bono, que investiga se o ex-presidente Michel Temer, cliente de Mariz, teria avalizado a compra do silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro pelo empresário Joesley Batista.

A conclusão da Polícia Federal, em seu relatório, foi de que Temer teria praticado o crime de obstrução de Justiça para impedir que Cunha e Funaro revelassem o esquema de corrupção da Caixa Econômica Federal. A Procuradoria-Geral da República denunciou o ex-presidente por dar aval ao pagamento de propina a Cunha e Funaro em 2017, mas a denúncia foi barrada pela Câmara dos Deputados.

PRECEDENTE – A quebra de sigilo de Mariz não é a primeira entre as operações recentes de combate à corrupção. Em 2015, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra de sigilos fiscal e bancário de dois escritórios de advocacia para apurar a origem dos honorários recebidos pela defesa de um deputado federal investigado pela Lava-Jato, João Pizzolatti (PP-SC).

Em delação premiada, o doleiro Alberto Yousseff disse ter pago R$ 560 mil com dinheiro da empreiteira Queiroz Galvão para custear os honorários dos advogados de Pizzolatti.

Procurado, o advogado de Temer afirmou que não se pronunciaria por desconhecer o processo e as razões para a quebra de sigilo de seu escritório.

Bolsonaro enfim decide afastar das questões do governo o seu filho Carlos

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Carlos passou os limites e agora foi colocado em seu devido lugar

Tânia MoAnteiro
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro concordou nesta sexta, 15, com a avaliação de auxiliares próximos, sobre a necessidade de afastar seu filho Carlos Bolsonaro (PSC), vereador no Rio de Janeiro, das questões do governo. Ao longo da manhã, Bolsonaro teve uma série de conversas com ministros e assessores no Palácio da Alvorada e telefonemas para costurar o fim da crise que envolve Carlos e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Ele decidiu manter o ministro no cargo.

Esses interlocutores que atuam na crise relataram ao Estado que, pelas conversas, o acertado por Bolsonaro é que Carlos ficará fora de ações do Executivo e evitará mensagens nas redes sociais com ataques e críticas a integrantes da equipe do presidente.

VAIVÉM – Um dos interlocutores disse à reportagem, porém, que “ninguém” é “ingênuo” de achar que Carlos se concentrará, daqui para frente, no seu trabalho na Câmara de Vereadores do Rio. Essa fonte lembra que, em outros episódios de divergência no âmbito do Planalto, o filho do presidente se ausentou do dia-a-dia do palácio, mas depois voltou a atuar e interferir nas discussões de governo.

Carlos, observou esse interlocutor, é o filho mais próximo de Bolsonaro e, na campanha, comandou com êxito as redes sociais do pai. Ele continua a ter “olheiros” dentro do Planalto. Um deles é o primo Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, que, embora não tenha cargo formal na Presidência, circula com um crachá de acesso ao terceiro e quarto andar do palácio, áreas restritas, sem qualquer impedimento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ inaceitável o livre-acesso do primo Léo Índio a todas as instalações do Planalto, inclusive o terceiro andar, privativo do Presidente Será que foi o próprio Jair Bolsonaro que deu lhe o crachá amarelo? Duvido muito. Parece ser mais uma trapalhada do filho Carlos, que o primo Léo chama de “Carluxo”. (C.N.)

Em reunião no Planalto, Onyx comunica a Bebianno que ele continua como ministro

Gustavo Bebianno deixa o hotel onde mora na manhã desta sexta-feira (15)

Bebianno resistiu ao ataque de Carlos Bolsonaro e se deu bem

Talita Fernandes e Gustavo Uribe
Folha

Em reunião no Palácio do Planalto na manhã desta sexta-feira (15), o ministro Gustavo Bebianno ouviu de Onyx Lorenzoni (Casa Civil) que ele ficará à frente da Secretaria-Geral da Presidência da República. Pessoas próximas aos ministros confirmaram à Folha que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) determinou que a decisão de exoneração fosse suspensa. Aconselhado por aliados, Bolsonaro anteriormente fez chegar a Bebianno seu desejo de que deixasse o posto até segunda-feira (18), mas o ministro tem se articulado com advogados e integrantes do Legislativo e do Judiciário para conseguir uma sobrevida no governo federal.

Ele se reuniu nesta sexta com Onyx e o general Carlos Alberto Dos Santos Cruz (Secretaria de Governo).  Ao sair do Palácio do Planalto, Bebianno foi questionado pela TV Globo sobre a crise no governo, mas respondeu: “Não tem crise nenhuma”. Sobre sua permanência na pasta, afirmou: “Estou aqui, não estou?”, declarando em seguida não saber se continuará no cargo.

APURAÇÃO PELA PF – Segundo auxiliares presidenciais, a ideia de Bolsonaro é aguardar a investigação sobre o esquema de laranjas iniciada pela Polícia Federal. O presidente foi convencido de que a saída do ministro neste momento poderia prejudicar a relação entre Executivo e Legislativo, sobretudo em relação à reforma previdenciária.

Durante a campanha eleitoral, Bebianno foi o presidente interino do PSL, partido comandado pelo deputado federal Luciano Bivar (PE). Na quarta-feira (13), Carlos Bolsonaro, filho do presidente, alavancou a crise ao postar no Twitter que o então ministro havia mentido ao jornal O Globo ao dizer que conversara com Bolsonaro três vezes na véspera, negando desgaste. No mesmo dia, Carlos divulgou um áudio no qual o presidente da República se recusa a conversar com Bebianno.

CANDIDATAS DE FACHADA – A primeira reportagem da série sobre os laranjas do PSL mostrou que o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, patrocinou um esquema de candidaturas de fachada em Minas que também receberam recursos volumosos do fundo eleitoral do PSL nacional e que não tiveram nem 2.000 votos, juntas.

Parte do gasto que elas declararam foi para empresas com ligação com o gabinete de Álvaro Antônio na Câmara dos Deputados.

Após essa revelação, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou que esse caso deveria ser investigado.  A Procuradoria-Regional Eleitoral de Minas Gerais decidiu apurar o caso.

EM PERNAMBUCO – No domingo (10), outra reportagem da Folha revelou que o grupo do atual presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), recém-eleito segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, criou uma candidata laranja em Pernambuco que recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018. O dinheiro foi liberado por Bebianno.

Maria de Lourdes Paixão, 68, que oficialmente concorreu a deputada federal e teve apenas 274 votos, foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, mais do que o próprio presidente Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), essa com 1,079 milhão de votos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Folha descobriu um belo filão de corrupção eleitoral, não há dúvida. O caso do ministro Álvaro Antônio é da maior gravidade, ele já deveria ter sido afastado do ministério do Turismo. Mas a Folha está forçando a barra no caso de Bebianno. Quem está sujo nesta história não é ele, a culpa é do presidente regional do PSL em Pernambuco, que é vassalo do presidente nacional Luciano Bivar. Ao que parece, Bolsonaro já entendeu o que houve e reconsiderou o caso de Bebianno, que a Polícia Federal está investigando. Essa é a verdade sobre o caso. A Folha está indo bem na apuração dos malfeitos, mas não precisa exagerar. (C.N.)

Primo é “olheiro” de Carlos Bolsonaro e circula livremente no Palácio do Planalto

Leonardo Rodrigues de Jesus

Léo Índio (à esquerda) ganhou “crachá amarelo” da Presidência

Deu no Estadão

Embora trabalhe na Câmara Municipal do Rio, o vereador Carlos Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair Bolsonaro, tem uma espécie de representante no Palácio do Planalto, onde despacha seu desafeto Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

Primo de primeiro grau de Carlos e um de seus auxiliares na estratégia de redes sociais da campanha eleitoral, Leonardo Rodrigues de Jesus, de 35 anos, rodeia o presidente desde a transição de governo. Em Brasília, expandiu o livre acesso aos gabinetes do Palácio do Planalto, mesmo sem ter cargo na Presidência.

LÉO ÍNDIO – Sobrinho do presidente, por ser filho de uma irmã de Rogéria Nantes, uma das ex-mulheres de Bolsonaro, ele é conhecido como Léo Índio e é íntimo de Carlos. A proximidade com a família presidencial fez com que transitasse sempre muito próximo do tio, chegando a ser confundido como um dos agentes da escolta de Bolsonaro.

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) afirmou que Léo Índio “não ocupa cargo em nenhum órgão da Presidência da República”. Apesar disso, ostenta um crachá amarelo da Presidência quando caminha livremente nas dependências do Planalto, em locais de acesso restrito.

NÚCLEO DURO – Nesta quarta-feira, dia 13, por exemplo, circulava no quarto andar, onde despacha o núcleo duro do governo. A desenvoltura gera desconfiança de assessores presidenciais, que veem no sobrinho do presidente uma espécie de “olhos e ouvidos” de Carlos.

A Secom não esclareceu o motivo de frequentar quase diariamente o Planalto. Ele chegou a participar de reuniões de autoridades com o governo de Minas, após o rompimento da barragem de Brumadinho. Segundo o Planalto, essa foi a única reunião que o “olheiro” de Carlos participou. A exemplo do primo, Leo Índio rechaça jornalistas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Léo Índio também participou de uma reunião ministerial, junto com o primo Carlos Bolsonaro, antes de o presidente fazer a terceira cirurgia. Nessa reunião, Bolsonaro pediu que todos os ministros deixassem os celulares na antessala, para que ninguém gravasse as conversas, mas Carlos e Léo entraram com os celulares e acompanharam a reunião fechada, parecia até que eram integrantes do ministério. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Auditores dizem que vazamento não pode sepultar a fiscalização de Gilmar Mendes

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Gilmar quer escapar de fininho, mas os auditores vão apanhá-lo

Tarciano Lima
Blog do Sindifisco

O procedimento iniciado no âmbito da Receita Federal para apurar supostas irregularidades fiscais relacionadas ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, corre o risco de ser sepultado, depois do vazamento de informações sigilosas pela revista “Veja”, no dia 8 de fevereiro. O Sindifisco Nacional já emitiu nota de repúdio ao vazamento, mas mantêm uma posição enérgica em defesa da autonomia da fiscalização.

O sindicato entende que a quebra de sigilo ou qualquer outra questão periférica não deve servir de subterfúgio para que o contribuinte fiscalizado, seja quem for, desmereça ou questione a legalidade da atuação dos Auditores-Fiscais.

HOUVE ERRO? – Ocorre que, em decorrência da publicação da matéria, a Receita Federal emitiu Nota Executiva reconhecendo “erro” no uso de expressões constantes do documento de seleção – o que prejudica a imagem do próprio órgão e acaba por subsidiar eventual provocação jurídica quanto à validade do trabalho de auditoria.

Importante observar que o que está em tela é a simples citação, no documento sigiloso vazado, de que o procedimento teria como foco “possíveis fraudes de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência” – crimes que extrapolam a competência legal de autuação da Receita Federal.

Na nota, a Receita afirma que fez uma revisão de outros dossiês de análise preliminar e verificou que as mesmas expressões foram usadas de forma “genérica e indevida”, o que demonstraria “erro na geração desses documentos”.

OBJETIVO MAIOR – Na visão da Direção Nacional do Sindifisco, ao invés de fazer uma espécie de mea-culpa, a Receita Federal deveria centrar-se, nesse caso, na restrita defesa do seu excelente e modelar aparato de fiscalização. A simples menção a eventuais crimes, que podem estar relacionados ao objeto da auditoria, não deve, em hipótese alguma, desqualificar o procedimento em si. Ademais, deve-se considerar que o documento de análise preliminar não guarda qualquer relação jurídico-tributária ou jurídico-processual entre a administração tributária e o contribuinte.

O que importa, de fato, é a devida apuração, após a abertura do procedimento interno, do conjunto de indícios apontados pelas autoridades tributárias. Note-se, nesse contexto, que é bem tênue o limiar entre os mencionados crimes e as práticas ilícitas investigadas pela Receita Federal; um está intrinsicamente ligado ao outro.

ANTICORRUPÇÃO – Não por acaso, a Receita tem sido importante parceira do Ministério Público e da Polícia Federal no combate, em larga escala, aos mesmos crimes, como perfeitamente exemplificado nas recentes operações Zelotes e Lava Jato. A troca de informações, para a devida apuração pela entidade competente, é uma constante entre os órgãos de controle e fiscalização do Poder Público.

Cabe ressaltar, ainda, que nenhuma investigação interna e sigilosa da Receita Federal tem por origem a seletividade. Todas se iniciam ante a identificação de anomalias fiscais. Como agentes públicos, os Auditores têm o dever legal de zelar pela defesa do Estado e do bem-estar comum, e acompanham com serenidade a abertura de sindicâncias e procedimentos administrativos que visem a apuração da verdade.

Não há, portanto, justificativas para pressões, ameaças, declarações exaltadas ou tentativas de ingerências que visem distorcer, abrandar ou invalidar a aplicação da lei – sob a qual, afinal, todos estamos, sem qualquer exceção.

Bebianno nega ligação dele e de Bolsonaro com as candidaturas laranjas do PSL

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Bebianno diz que agiu estritamente dentro da lei e das regras

Deu na Folha

O ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral) reafirmou na noite desta quinta-feira (14) que não teve participação nos repasses de verba pública feitos para candidatas laranjas durante a eleição de 2018. Em nota, ele também fez um aceno a Jair Bolsonaro ao afirmar que o presidente não teve relação com outras candidaturas do PSL além da Presidência da República. À tarde, Bebianno havia afirmado à revista Crusoé que o presidente temia que o caso respingasse nele.

Bebianno disse que a responsabilidade da transferência de dinheiro para candidatos é de cada diretório estadual. “Todos os repasses para os candidatos das eleições proporcionais e aos governos dos estados são realizados pela Executiva Nacional por conta e ordem dos diretórios estaduais, que recebem diretamente os recursos em suas contas ou indicam os nomes dos candidatos a serem beneficiados”, escreveu o ministro, que também foi coordenador de campanha do presidente.

ESQUEMA DO PSL – Desde o início do mês, a Folha vem publicando reportagens mostrando um esquema do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, de patrocínio de candidaturas laranjas abastecidas com recursos públicos —do fundo eleitoral e do fundo partidário.

Os casos revelados ocorreram em Pernambuco e em Minas Gerais. Essas candidatas declararam ter utilizado o dinheiro em uma gráfica de fachada, em uma gráfica de um filiado do PSL e também em serviços de empresas ligadas ao gabinete do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG).

Em reunião de julho de 2018, a legenda definiu que Bebianno, à época presidente interino do PSL, seria o responsável por distribuir as verbas para aqueles que disputariam cargos na eleição. “Meu trabalho foi executado com total transparência e lisura. As contas da chapa do então candidato Jair Bolsonaro, que estavam sob minha responsabilidade, foram aprovadas e elogiadas pelos ministros do TSE”, disse o ministro, que foi presidente da sigla de fevereiro até outubro do ano passado.

RESPONSABILIDADE – O ministro afirmou que compete a cada um dos candidatos a prestação de contas de sua própria campanha, “cabendo-lhes também a responsabilidade pelos atos praticados”.

Na nota, também disse que Bolsonaro não teve relação com os casos. “Jair Bolsonaro nunca ocupou nenhum cargo de direção no partido, portanto, não tem qualquer relação com outras candidaturas. Responde apenas pela sua própria, como qualquer outro candidato”. ​

Sobre o destino do dinheiro público dado às candidatas, Bebianno também se defendeu. “Não me competia, enquanto Presidente Nacional do Partido, promover contatos com qualquer fornecedor, excetuando unicamente aqueles que prestaram serviço à chapa para Presidente da República”, disse.

LOURDES PAIXÃO – Um dos casos revelados pela Folha foi o de Maria de Lourdes Paixão, 68, que oficialmente concorreu a deputada federal e teve apenas 274 votos. Ela foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, mais do que o próprio presidente Jair Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), essa com 1,079 milhão de votos.

O dinheiro do fundo partidário do PSL foi enviado pela direção nacional da sigla para a conta da candidata em 3 de outubro, quatro dias antes da eleição.

Bebianno reafirmou não conhecer Maria de Lourdes e disse que os recursos foram transferidos nessa data porque foi quando o Supremo Tribunal Federal autorizou que dinheiro do PSL Mulher fosse utilizado na eleição — “todos os partidos têm que recolher 5% do fundo partidário mensalmente para aplicação em iniciativas para promover a participação da mulher na política”.

SEM IRREGULARIDADE – “Por esse motivo, os recursos do PSL Mulher foram transferidos para as suas candidatas apenas no final da campanha, no mesmo dia em que o STF assim autorizou. Logo, ao contrário do que insinua a Folha, nada há de irregular na cronologia de distribuição dos recursos”, afirmou o ministro.

Bebianno ainda se defendeu de outro caso revelado pela Folha, de que ele liberou R$ 250 mil de verba pública para a campanha de uma ex-assessora —Érika Santos—, que repassou parte do dinheiro para uma gráfica registrada em endereço de fachada —sem maquinário para impressões em massa.

“A candidata nunca foi minha assessora, mas já trabalhava para o PSL há vários anos, antes da minha chegada”, disse, reiterando seu “incondicional compromisso com meu país, com a ética, com o combate à corrupção e com a verdade acima de tudo”.

Relação de Bolsonaro com o filho precisa de ‘ajuste’, declara o líder do PSL

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Major Olimpio defende a permanência do ministro Bebianno

Amanda Almeida
O Globo

O líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), defendeu nesta quinta-feira um “ajuste” nas relações do presidente Jair Bolsonaro com o filho Carlos, que é vereador no Rio de Janeiro e provocou recentemente uma crise no Palácio do Planalto ao usar as redes sociais para interferir nos assuntos do pai com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Para Olímpio, é preciso que Bolsonaro e Carlos estabeleçam uma separação entre o que é a “defesa” que o filho faz do pai, na vida pessoal, do distanciamento que o pai precisa ter do filho ao exercer a Presidência.

– É simplesmente ajustar a sintonia e se distinguir o que é a defesa (do pai), uma manifestação em função do pai, e quais são as atividades, as competências e o tamanho da responsabilidade da Presidência da República – disse o senador.

DESGASTE – Bebianno enfrenta um processo de desgaste provocado por denúncias envolvendo irregularidades na sua gestão à frente do partido. Segundo reportagem da “Folha de S.Paulo”, no ano passado, então coordenador da campanha de Bolsonaro, Bebianno liberou R$ 400 mil do fundo partidário a uma candidata que teve apenas 274 votos. A suspeita é de que ela tenha sido usada como laranja pela legenda do presidente da República.

Filho mais próximo do presidente, o vereador carioca postou nas redes sociais, na quarta-feira, um áudio do presidente endereçado ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Carlos trabalha nos bastidores para derrubar Bebianno, que considera seu desafeto.

O filho do presidente, que não tem função formal no governo, postou a gravação no começo da tarde, enquanto o pai voava de São Paulo a Brasília, para mostrar a seus seguidores que o ministro teria mentido, ao dizer ao Globo, que teria conversado, por mensagens de WhatsApp com Bolsonaro.

MENSAGENS – O ministro palaciano divulgou as conversas na terça-feira, para rebater rumores de que estaria enfraquecido no cargo após a “Folha de S.Paulo” noticiar possíveis irregularidades no caixa eleitoral do PSL durante o período em que esteve à frente da sigla. Nesta quarta-feira, o próprio Bolsonaro replicou a mensagem do filho, que chamava Bebianno de mentiroso.

Questionado sobre as investidas de Carlos Bolsonaro contra Bebianno, Olímpio foi direto: “Quem foi eleito presidente da República se chama Jair Bolsonaro”, disse, acentuando que quem fala pelo governo é o porta-voz de Bolsonaro, Otávio do Rêgo Barros, e o próprio presidente, não seu filho vereador:

FALTA AJUSTE – “Logicamente, uma proximidade maior (com o presidente) gera também manifestações que podem ter um caráter mais forte ou uma difusão maior em função disso. Mas isso tudo é uma questão de ajuste. Estamos com 45 dias de governo, o presidente já tem muito propriamente um porta-voz para ser a sua voz oficial para a população, para todos vocês da mídia, da sua agenda, dos seus anseios. Ele tem seus momentos próprios, em que ele mesmo faz as suas manifestações para a sociedade e, aos poucos, tudo isso vai entrar nos eixos”, afirmou o líder.

Apesar das declarações de Bolsonaro, para o líder do PSL, Bebianno tem a “absoluta confiança” do presidente e terá oportunidade de esclarecer as denúncias. “Tenho certeza de que, no momento em que o ministro Bebianno tiver uma reunião pessoal e reservada com o presidente, tudo vai se esclarecer. Não vejo dificuldade nisso. Simplesmente, ele é ministro, tem a confiança do presidente. É a questão de se resolver ele e o presidente” – disse o senador.

Bebianno está sendo fritado porque rejeitta interferência dos filhos de Bolsonaro

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Carlos Bolsonaro tenta se livrar de Bebianno, mas está difícil

Breno Pires
Estadão

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, disse nesta quinta-feira, dia 14, que serão investigadas suspeitas de repasses de recursos do Partido Social Liberal (PSL) para candidaturas de fachada. Segundo ele, essa foi uma ordem do próprio Bolsonaro. “O senhor presidente proferiu determinação e ela está sendo cumprida. Os fatos vão ser apurados e eventuais responsabilidades após investigações vão ser definidas”, disse Moro, sem especificar que casos exatamente serão foco das apurações.

Na quarta, 13, em entrevista à TV Record, Bolsonaro informou que determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar suspeitas de desvios de recursos do Fundo Partidário destinados ao PSL por meio de candidaturas laranjas nas eleições de 2018.

DENÚNCIAS – Reportagens da Folha nesta semana mostraram que o PSL teria abastecido com verba pública candidaturas laranjas em Pernambuco e em Minas Gerais nas eleições 2018. Repasses teriam sido autorizados pelo então presidente da sigla, Gustavo Bebianno, hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

“Se (o Bebianno) estiver envolvido e, logicamente, responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens”, disse Bolsonaro, acrescentando que Moro tem ‘carta branca’.

O caso virou um foco de crise com apenas 1 mês e meio de governo. O filho do presidente, Carlos Bolsonaro, atacou Bebianno nas redes sociais negando que o ministro tenha conversado com Bolsonaro sobre o tema.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Em tradução simultânea, Bebianno está sendo fritado porque não aceita interferências dos filhos de Bolsonaro no governo. O chamado “núcleo duro” do Planalto, formado pelo vice-presidente Hamilton Mourão e pelos ministros Augusto Heleno, Santos Cruz e Onyx Lorenzoni, está apoiando Bebianno, que realmente não teve responsabilidade no caso das candidaturas-laranjas, tendo liberado as verbas eleitorais atendendo a solicitações expressas feitas pelos Diretórios de Pernambuco e de Minas Gerais. Carlos Bolsonaro aproveitou a deixa e convenceu o pai a detonar Bebianno, que teria mentido, ao dizer que falou três vezes com Bolsonaro. De imediato, Carlos e o próprio Bolsonaro desmentiram Bebianno, sem saber que ele dissera ter mandado mensagens ao presidente por WhatsApp, o que realmente acontecera. Repetindo: Bebianno está sendo fritado porque tem coragem de enfrentar os filhos de Bolsonaro. Apenas isso. (C.N.)

E surge uma perigosa lucidez, na visão poética de Clarice Lispector

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Site Poemas & Canções

A escritora, jornalista e poeta Clarice Lispector (1920-1977), nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, expõe as consequências que “A Lucidez Perigosa” pode acarretar.

A LUCIDEZ PERIGOSA
Clarice Lispector

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
– já me aconteceu antes.
Pois sei que
– em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade –
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

EUA têm longa história de intervenção em assuntos internos da Venezuela

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Shane Quinn
Global Research

A Venezuela é dona de 1/5 de todas as reservas de petróleo conhecidas no planeta, equivalente às reservas somadas de Irã e Iraque, e deixa para trás, em segundo lugar, a Arábia Saudita. A obsessão dos EUA sobre a Venezuela explica-se, principalmente, pelos recursos quase sem fim da nação sul-americana. Se conseguirem substituir o presidente Nicolás Maduro, por qualquer figura simpática aos desejos imperiais dos EUA, os recursos naturais reunidos em território venezuelano dariam impulso considerável à hegemonia mundial dos EUA.

Uma Venezuela servil e rendida aos interesses comerciais dos empresários norte-americanos teria poder para conter o declínio da superpotência, que começa a ser rastreado em 1949, quando os EUA ‘perderam’ a China; dali em diante a erosão foi aprofundada ao longo de décadas, e aceleradapelas calamitosas intervenções no Afeganistão, Iraque e Síria.

EXPANSIONISMO – Os EUA sempre manifestaram ambições expansionistas ao longo dos últimos 196 anos, desde a Doutrina Monroe de 1823, batizada em homenagem ao então presidente e Pai Fundador James Monroe.

A Doutrina Monroe delineou a necessidade de desalojar das Américas o colonialismo europeu. Ao longo de gerações, os EUA promoveram incontáveis ações de intervenção em outros países. Foi o que aconteceu na Coreia, no Vietnã, no Iraque, na Líbia, na Guatemala, na Síria…

Essas informações históricas têm escapado sistematicamente do campo de visão dos ‘analistas’ midiáticos, que só fazem repetir o discurso do “tradicional papel de liderança global dos EUA” como se fosse – e não é! – “um paradigma a ser seguido”. E que seriam os russos que, desde 1945, só fazem tentar agredir a democracia norte-americana.

IMPERIALISMOS – Os EUA jamais estiveram sozinhos no desejo de submeter outros países à própria força, e sempre houve nações imperialistas que tentaram a mesma trilha. O que jamais se divulga é que cada vez mais os governantes das grandes potências partem à caça das riquezas naturais de outras nações. E cada vez menos se veem sinais, nos países mais fortes e mais ricos, de qualquer interesse em melhorar as condições de vida das massas que vivem nesses países ‘alvos’.

O primeiro ‘surto’ de ambição imperialista dos EUA aconteceu durante o governo do presidente James K. Polk em fevereiro de 1848 – quando os EUA completaram a ação de captura de metade do território do México, numa enorme invasão, mais conhecida sob o título de “Guerra EUA-México”.

Nessa anexação de território mexicano, os EUA tomaram conta de uma área equivalente a cinco vezes a Alemanha de hoje. O conflito durou quase dois anos e tem efeitos que se observam ainda hoje.

MAIOR QUE A ÍNDIA – Antes de meados da década dos 1840s, o México era país de território maior que a Índia; depois da invasão dos EUA, o México teve arrancados os territórios que hoje se conhecem como Califórnia, Texas, Nevada, Utah, Colorado etc.

O general Ulysses S. Grant, presidente dos EUA, descreveu o ataque ao México como “a guerra mais perversa da história”, e admitiu: “Não tínhamos qualquer direito sobre o México”. A vitória dos EUA permitiu-lhes assumir o controle sobre áreas em que se plantava algodão, mercadoria tão valiosa no século 19 quanto o petróleo hoje.

O presidente dos EUA que antecedeu Grant, John Tyler (governou de 1841 a 1845), teve papel significativo no ataque ao México, e disse que o controle sobre as plantações de algodão garantiria aos EUA “influência sobre os negócios mundiais muito maior do que se poderia esperar de exércitos, por poderosos que sejam… Duvido que a Grã-Bretanha consiga evitar a convulsão social”.

E NO PACÍFICO… – A milhares de quilômetros dali, no Pacífico Ocidental, à altura de 1902, os EUA já haviam consumado a conquista das Filipinas, numa invasão sangrenta inspirada por puro oportunismo. Pôr um pé nas ilhas Filipinas garantiu aos EUA uma muito cobiçada base de operações no maior oceano do planeta. E ampliou o poder e o prestígio dos EUA, ao mesmo tempo em que aplicava mais um golpe contra o colonialismo espanhol, que subjugara as Filipinas mais de 300 anos antes.

Já na era pós-1945, os EUA intervieram em vários países, derrubando governos eleitos e impondo ditaduras militares sempre que lhes parecesse necessário, do Brasil e Argentina a Guatemala e Chile. A estratégia preferida sempre foi apoiar algum ditador disponível no momento, que (os EUA sempre contam com total subserviência) faria exatamente o que o mandassem fazer; e descartar qualquer líder democraticamente eleito, no qual ninguém podia confiar que, de repente, não tentaria trabalhar a favor dos próprios eleitores.

NA VENEZUELA – Atualmente, o colosso do norte está mais uma apertando o cerco à Venezuela. Trump discursou sobre sua admiração pelo “corajoso” povo venezuelano que teria, segundo ele, “exigido liberdade e estado de direito”.

Mas deve-se pôr de lado as aspirações de Trump por “liberdade e estado de direito”, diante do apoio incondicionado que dá à Arábia Saudita, monarquia governada por monarcas autoritários e sanguinários.

No caso da Venezuela, além de estar pousada sobre um oceano de petróleo, também guarda no seu território a oitava maior reserva de gás do planeta. Além dos depósitos de petróleo de xisto (só menores que os canadenses), tem betume e petróleo extrapesado e minas de ferro e de carvão.

ATRÁS DO PETRÓLEO – O envolvimento norte-americano na Venezuela começou pouco antes da Primeira Guerra Mundial, quando se descobriram gigantescos depósitos de petróleo No país. O general Juan Vincente Gómez, ditador brutal que governaria a Venezuela até 1935, permitiu que empresas norte-americanas, dentre as quais a Standard Oil (hoje, ExxonMobil) redigissem partes da lei venezuelana para o petróleo.

À altura de 1940, a Venezuela já era o terceiro país maior produtor de petróleo do mundo, apenas um pouco atrás da URSS. Durante a 2ª Guerra Mundial, a Venezuela foi fator crucialmente importante para a indústria da guerra dos EUA e da Grã-Bretanha, que se contrapuseram às tentativas de Hitler para implantar uma cabeça de ponte em território venezuelano, onde residiam mais de 4 mil cidadãos de nacionalidade alemã.

OUTRO DITADOR – Por uma década a partir do final dos anos 1940s, Washington apoiou outro ditador venezuelano, o general Marcos Pérez Jiménez. Foi dos ditadores mais sanguinários em toda a América Latina, com longo currículo de torturar e fazer desaparecer oponentes políticos.

Sem se deixar incomodar pelos chocantes ataques do ditador Jimenez contra os direitos humanos, o presidente Dwight D. Eisenhower dos EUA condecorou-o, em fevereiro de 1955, com a Medalha da Legião de Honra, por “destacados serviços prestados ao governo dos EUA. No início de 1958, Jimenez fugiu para os EUA, depois de ter sido derrubado por forças que tentavam alguma coisa que mais se assemelhasse à democracia, para a Venezuela.

ERROS DE CHÁVEZ – Nos recentes 20 anos, depois que chegaram ao poder governantes de esquerda – Hugo Chávez em 1999, e Maduro em 2013, a influência dos EUA sobre o estado venezuelano foi duramente reduzida. Chávez e depois Maduro cometeram erros – o principal dos quais foi não ter diversificado a economia nacional, afastando o país da dependência absoluta da renda do petróleo.

Hoje já se sabe que o petróleo com certeza deve permanecer onde sempre esteve: no subsolo. A longa exploração teve e continua a ter papel decisivo no aumento global das emissões de carbono. O uso de combustíveis fósseis é insustentável como solução para o futuro.

“Não será bom Bebianno sair assim, acho que se sustenta, gosto dele”, diz Mourão

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Mourão argumenta que se deve aguardar a investigação da PF

Andréia Sadi
G1 Política

O vice-presidente Hamilton Mourão saiu em defesa do ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência) em conversa com o blog. Na avaliação dele, Bebianno se sustentará no cargo. Mourão disse que acha que não seria bom o ministro “sair assim” do governo.

“Ele sempre foi muito respeitoso comigo, e gosto dele. Acho que ele se sustenta, não será boa a saída dele assim, vamos com calma”, afirmou o vice-presidente.

No último domingo (10), reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” informou que no ano passado, durante a campanha eleitoral, Bebianno, então presidente do PSL, liberou R$ 400 mil de dinheiro do fundo partidário para uma candidata “laranja” de Pernambuco, que concorreu a uma vaga de deputada federal e recebeu 274 votos.

PF EM AÇÃO – Mourão disse que a questão envolvendo os repasses do PSL precisa ser investigada pela PF – mas que, “até lá”, Bebianno está na mesma situação do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, também do PSL. De acordo com reportagem da “Folha”, este ministro foi responsável por repasses a candidaturas supostamente “laranjas” em Minas Gerais.

“Precisa investigar a questão do PSL? Lógico! Até lá, [Bebianno] está no mesmo pacote do ministro do Turismo. Não é assim. Ele sempre foi leal’, completou Mourão.

O vice-presidente disse que conversou por Whatsapp com Bebianno durante a madrugada. “Ele estava aflito, acalmei-o, cabeça fria no corpo quente”. Perguntado sobre o que achava das mensagens publicadas nas redes sociais por Carlos Bolsonaro, que geraram a crise, Mourão disse que “emissários foram escalados” para conversar com o filho do presidente.

‘Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado’, diz Bebianno a interlocutores

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Bebianno alega que nada fez de errado e não pedirá demissão

Gerson Camarotti
G1 Política

Em conversas com interlocutores, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, tem demonstrado forte mágoa com todo o episódio de fritura a que está sendo submetido pelo presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro. “Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado. É preciso ter um mínimo de consideração com quem esteve ao lado dele o tempo todo”, desabafou Bebiano em uma conversa.

Segundo esses relatos, Bebianno está impressionado com o fato de o presidente dar muito apoio aos argumentos do filho nesse episódio, e deixá-lo de lado no caso.

DESGASTE – “Não vou sair escorraçado pela porta dos fundos”, relatou o ministro a colegas, em uma demonstração de que, se Bolsonaro quiser demiti-lo, terá que assumir o desgaste público de ter que mandar o auxiliar embora com pouco mais de um mês de governo.

Segundo ele, se Bolsonaro quisesse tirá-lo do cargo, deveria ter construído uma saída elegante, sem o desgaste na mídia. Ele ressaltou que não pretende pedir demissão.

A esses interlocutores, Bebianno disse que manteve sim contato com o presidente durante o período de internação de Bolsonaro, e que isso está registrado não só nas mensagens enviadas em seu celular, mas também nas mensagens recebidas por ele.

“DIFERENCIADO” – Ele também demonstra surpresa por ter tratamento diferenciado quando caso semelhante foi registrado em Minas Gerais, envolvendo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Gustavo Bebianno foi um dos coordenadores da campanha eleitoral do presidente. Ele presidiu o PSL, partido de Bolsonaro, no ano passado e durante toda a campanha. Deixou o posto depois de ter sido nomeado ministro da Secretaria de Governo.

No último domingo, reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” informou que Bebianno liberou R$ 400 mil de dinheiro público, do fundo partidário, para uma candidata “laranja” de Pernambuco, que concorreu a uma vaga de deputada federal e recebeu 274 votos. A “Folha” também noticiou caso semelhante envolvendo o ministro do Turismo.

ARGUMENTO – O ministro também ressalta a interlocutores que o PSL nacional não cuida de candidaturas estaduais, mas que mesmo assim acha estranho a hipótese de o atual presidente da sigla, Luciano Bivar, ter feito algo de irregular.

Lembrou para um colega que quando assumiu o partido, no início do ano passado, havia acúmulo de verbas do fundo partidário, no caixa do PSL Mulher e na convenção do partido, e que, por isso, acha improvável que Bivar quisesse desviar dinheiro do partido. Ele alega ainda que Bivar tem boa condição financeira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essa estratégia de defender Bivar é errada e não vai dar resultado. O caso da verba eleitoral é claríssimo. Quem pediu os recursos foi o Diretório pernambucano, o então presidente Bebianno apenas liberou. É por isso que Bebiano não se sente culpado e não pedirá demissão. Na verdade, os filhos de Bolsonaro não gostam de Bebianno e querem fritá-lo, porque ele não aceita a interferência deles no governo, e está com toda a razão. Os três “príncipes-regentes” precisam se recolher às próprias insignificâncias. Bebianno é um advogado de renome e está sendo atacado injustamente. (C.N.)

Relação com os filhos se torna fator de desestabilização do governo Bolsonaro

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Carlos (o filho 01) atua como se fosse “preposto” do presidente

Merval Pereira
O Globo

A família Bolsonaro parece gostar de um enfrentamento. Ontem à noite, o presidente avalizou pelo twitter uma afirmação do filho Carlos, que desmentia o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que dissera que mantivera contato com Bolsonaro no hospital. Queria desfazer assim os boatos de que estaria desgastado com o presidente devido a denúncias de uso indevido de verba propagandística durante a eleição. Pelo jeito, talvez não seja mais ministro hoje.

O PSL está debaixo de fogo cruzado devido à suspeita de ter desviado dinheiro da campanha eleitoral utilizando-se de candidatas “laranjas”.

A ACUSAÇÃO Gustavo Bebianno, que foi presidente do PSL e teve papel de relevo na campanha, está sendo acusado por um grupo de bolsonaristas, entre eles o próprio Carlos, de ter participado dessa tramóia que está sendo investigada pela Justiça.

Já na transição do governo houve uma briga entre os dois, Carlos atribuía a Bebianno o convite a Marcos Carvalho, dono da agência AM4, responsável pela campanha digital do presidente eleito, para participar da equipe.

Carlos considera-se o responsável pela comunicação de Bolsonaro nas mídias sociais, tem até mesmo as senhas do pai, e não admite concorrência. Acusou Marcos Carvalho de querer aparecer como “marqueteiro digital” vencedor, sem ter tido tal importância. 

MACIEL, O EXEMPLOCerta vez o vice-presidente Marco Maciel ouviu de Heitor Ferreira, ex-secretário particular dos presidentes Geisel e Figueiredo, a definição do posto que ocuparia no governo de Fernando Henrique Cardoso: “Vice-presidente é nada à véspera de tudo”.

Maciel soube equilibrar-se nessa linha quase etérea entre o “nada” e o “tudo”, e hoje é exemplo de comportamento para um vice-presidente, discreto e eficiente. Ontem, o vice-presidente Hamilton Mourão recebeu com um sorriso o presidente Bolsonaro, que voltava a Brasília depois de 16 dias internado no Hospital Albert Einstein em São Paulo.

Sorriso que desfez qualquer desconforto que poderia ter causado uma ironia do presidente, ao telefone: “Quer me matar?”, perguntou a Mourão, que tratou de revelar a “brincadeira” para retirar dela qualquer conotação outra.

ESTADO DE ESPÍRITOEmbora estivesse se referindo ao churrasco de confraternização de sua turma, de que Mourão participara enquanto ele estava no hospital, o presidente Bolsonaro refletia um estado de espírito inoculado pelo vereador Carlos Bolsonaro, o filho 02, que mantém a desconfiança de que existem pessoas interessadas na morte de seu pai.

Antes da posse, ele usou o twitter para dizer que a morte de seu pai interessaria “também aos que estão muito perto” (…) “Principalmente após sua posse”. Na posse, ele fez questão de aboletar-se no Rolls Royce que conduzia seu pai. O 02 acordara com um mau pressentimento e, armado de uma Glock, pediu para ser o guarda-costas do pai.

Mourão é considerado por um grupo de bolsonaristas, que inclui até mesmo o guru Olavo de Carvalho e o estrategista americano Steve Bannon, como um potencial inimigo, um Cavalo de Tróia que tenta se diferenciar de Bolsonaro recebendo líderes do MST ou defendendo a memória do ambientalista Chico Mendes.

DIZIA VINICIUS“Filhos, melhor não tê-los”, já advertia ironicamente o poeta Vinicius de Moraes, para completar: “Mas sem tê-los, como sabê-lo?”. A relação do presidente com seus filhos é um dos fatores desestabilizadores desse governo que mal se iniciou.

As confusões envolvendo os três filhos políticos de Bolsonaro provocam intrigas dentro do próprio grupo de governo, especialmente os militares. O senador Flávio Bolsonaro, o 01, tenta se desvencilhar do caso de seu ex-assessor Fabricio Queiroz, apanhado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em uma “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão.

O deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro, o 03, flagrado em uma palestra afirmando que para fechar o Supremo Tribunal Federal bastaria chamar “um soldado e um cabo”, considera-se um assessor presidencial especialíssimo, e trabalha para ligar o PSL ao conjunto de partidos de direita pelo mundo, que o estrategista americano Steve Bannon sonha reunir. Já admitiu se candidatar à sucessão do pai caso Bolsonaro acabe mesmo com a reeleição, como prometeu. O 01 nunca recebeu apoio do 02. E o 03 ontem se recusou a falar sobre a crise em que o 02 está metido.

Militares agem para evitar demissão de Bebianno e neutralizar filhos de Bolsonaro

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Tânia Monteiro
Estadão

Diante da crise instalada no Palácio do Planalto envolvendo o ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, e o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), interlocutores do presidente Jair Bolsonaro, principalmente militares, estão agindo para tentar conter o imenso problema criado no dia em que o governo queria anunciar qual a proposta da reforma da Previdência vai encaminhar ao Congresso.

A temperatura da crise se elevou após a TV Record exibir na noite de quarta-feira, dia 13, uma entrevista com o presidente, a primeira após receber alta do hospital Albert Einstein. À emissora, Bolsonaro praticamente rifou Bebianno ao dizer que ele poderá “voltar às origens” caso fique comprovado seu envolvimento em suspeitas de desvio de recursos eleitorais.

MAGOADO – O ministro, que foi presidente do PSL, disse a interlocutores que está “muito magoado”. Só que Bebianno já avisou que não pede demissão e que só sai demitido pelo presidente. Ninguém duvida também que ele pode deixar o governo atirando.

Preocupados com a ação dos filhos, que em vários momentos têm trazido diferentes crises para o governo e com a proteção que eles têm recebido do pai, os “bombeiros” do Planalto estão agindo para tentar evitar que a saída de Bebianno possa aprofundar a crise e espalhá-la para outros setores.

Mais do que proteger Bebianno, esses interlocutores do presidente estão convencidos de que “é preciso estancar” essa ação dos filhos de Bolsonaro, que estariam prejudicando o País. Lembram que misturar família e governo nunca deu bons resultados e isso, mais uma vez, está sendo provado com seguidos episódios nestes menos de dois meses de nova administração.

MOBILIZAÇÃO – Nesta quinta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão, e os ministros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno e da Secretaria de Governo, Santos Cruz, estão agindo para conter essa tempestade que tomou conta de Brasília. Eles, no entanto, não são os únicos.

Outros ministros e outras pessoas próximas da Bolsonaro estavam buscando o presidente nesta quinta-feira, dia 14, para tentar lhe mostrar as implicações desses atos, com sérias consequências para o País e a governabilidade. Os desajustes do Executivo imediatamente atravessam a rua levam problemas à já desarrumada e conflituosa base aliada.

PELO TWITTER – Os auxiliares do presidente entendem que não é possível governar com ímpetos pelo Twitter, repetindo até um pouco do comportamento do norte-americano Donald Trump. Advertem que isso tem consequências, normalmente, desastrosas.

A publicação por Carlos Bolsonaro do áudio enviado pelo presidente a Bebianno pelo WhatsApp foi considerada “inadmissível” porque está ligado à violação da segurança das comunicações do presidente da República. Os interlocutores do presidente vão tentar mostrar a ele que existe uma liturgia do cargo e que ela precisa ser respeitada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente matéria de Tânia Monteiro. Traça um retrato perfeito da situação. Se continuar a reboque dos filhos, Bolsonaro se arrisca a jogar seu prestígio na lata do lixo. Tem de se assumir como presidente e colocar os filhos em seus devidos lugares. Eles se julgam “príncipes-regentes”, mas acontece que o Brasil é uma república. (C.N.)

Dante escreveu a “Divina Comédia” ou usou os antigos textos muçulmanos?

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Jamais houve dúvida sobre a autoria do poema clássico “A Divina Comédia”. Mas agora há quem afirme que o grande Dante Alighieri apenas copidescou o famoso texto. O verbo copidescar vem dos antigos gráficos como eu, revisor em priscas eras da máquina de linotipo. “Copy desk” é como chamamos o redator final do texto.

O fato concreto é que a “Divina Comédia” é uma das belezas da Literatura Universal. Mas vez por outra nos surpreendemos e descobrimos verdadeiras preciosidades sobre os textos literários. No caso da “Divina Comédia”, agora há o debate saudável sobre as origens da obra-prima, que teria sido inspirada na literatura muçulmana. Com a palavra, os estudiosos, os especialistas e outros que tais… eu sou apenas um aprendiz.

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“MUNDO ÁRABE – BERÇO DA CIVILIZAÇÃO”
Compilação de Ricardo Roman Blanco

“Simplesmente de pasmar as descobertas sensacionais que a alta pesquisa histórica moderna está realizando no campo das instituições e quanto à autoria das grandes epopeias da humanidade; por exemplo: as instituições do Salteo ou dos Alfaqueques, ambas por nós descobertas e, por incrível que pareça, a autoria da própria “Divina Comédia” atribuída a Dante Alighieri.

Pois bem, saibam todos que a maior epopeia do renascimento não é de Dante Alighieri, como até agora estudávamos e ensinávamos: ela é cópia quase literal dos ensinamentos da escola mística muçulmana-espanhola de Ibn-Massarra, como prova de maneira irrefutável o grande arabista espanhol, professor Assim Palácios, na sua imortal obra intitulada “La Escatologia Muçulmana en la Divina Comedia”, que, por incrível luxo de detalhes, prova extremos tão curiosos como os conhecimentos da gíria siciliana por parte de Dante Alighieri.

Por exemplo: existem na Divina Comédia dois versos que ninguém até hoje soube traduzir. E sabem o que esses versos dizem? Pois pasmem: são dois solenes palavrões utilizados na gíria árabe da Universidade Siciliana de Palermo, onde reinava Frederico II, íntimo amigo e protetor de Dante Alighieri e tão arabizado, apesar de ser cristão caudatário do Papa, que até harém possuía; e que, como diz o velho ditado espanhol: “Lo cortés no quita lo valiente” (cortesia não é sinal de fraqueza).

Nem o famoso intelectual Bartolomeu Mitre, presidente da República Argentina, foi capaz de traduzir os ditos versos na sua versão espanhola da “Divina Comédia”. E o autor de tão hilariante descoberta foi nada mais nada menos que o nosso modesto e despretensioso professor Taufik Kurban, recentemente falecido, nesta mesma metrópole paulistana”.

(trecho do livro “Mundo Árabe Berço da Civilização”, editora Fearab – Brasil – Confederação de Entidades Árabe-Brasileiras, 2006, p. 37 e 38).

Ministro Bebianno está por um fio no governo ou é o homem que sabe demais?

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O caso Bebianno parece ter saído da filmografia de Hitchcock

Francisco Leali
O Globo

Eleito com ajuda do impulso das redes sociais, onde os comentários, ataques e impropérios prosperaram, o presidente Jair Bolsonaro , livrou-se das bactérias do pulmão, recuperou-se da última cirurgia e desembarcou de volta ao Planalto Central pronto para reassumir as rédeas de sua gestão. O primeiro ato foi verbal: deixar por um fio o emprego daquele que já tinha sido o auxiliar mais próximo, o secretário-geral da Presidência da República, o advogado Gustavo Bebianno .

No que pode vir a ser a primeira demissão do governo Bolsonaro, a situação do ministro, seguindo moldes e costumes do poder, estaria mais para figurar na seção 2 do Diário Oficial – onde publica-se atos de nomeação, mas também exoneração de servidores.

FRITAR OU TORRAR – O linguajar clássico da corte brasiliense usa o verbo “fritar” quando está em curso ação para induzir a demissão de uma autoridade. E o poder dá um jeito de ir minando por dentro a sustentação do alvo.

Na era Bolsonaro, seria mais apropriado falar em “torrar” ou “arder”. A fogueira em que Bebianno foi colocado pode ser indicativo do método bolsonariano de tirar gente do seu governo. A estratégia foi construída nas mesmas redes sociais que inflaram o apoio ao então candidato. O porta-voz foi o mesmo filho, Carlos, que protagonizou as ondas de mensagens mais virulentas.

Para espanto de seguidores que ontem pedindo em sua rede para ele ter calma e não prejudicar o governo do pai presidente, Carlos denunciou a mentira de Bebianno.

ATÉ O ÁUDIO – Não bastasse isso, publicou um áudio com a voz do pai. No final da noite, o próprio presidente declarou em em uma entrevista à TV Record que a frase do ministro era mesmo mentirosa. Bebianno havia declarado ao Globo que tinha conversando três vezes num só dia com o presidente, na ocasião, ainda internado em São Paulo.

Quando o presidente diz que o ministro mente, ao invés de declarar que acredita que o auxiliar tem sua confiança e espera que ele prove a inocência, a porta da rua parece ser a serventia da casa.

Mas há que se considerar que Bebianno estava em todos os momentos decisivos de 2018 ao lado do candidato. Ouviu conversas, sabe como foram tomadas as decisões estratégicas de campanha, das corriqueiras às menos ortodoxas. Ou seja, se ministro que arde sabe demais, o presidente pode ser aconselhado a mantê-lo ali ao alcance da sua vista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Cá entre nós, esse ministério do Bolsonaro é muito esquisito. Parece que os ministros foram escolhidos a dedo para que o governo não dê certo. É a impressão que me passa. (C.N.)

Vale privilegiou lucros em detrimento da segurança, diz parecer da Procuradoria

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Procurador Saboia redigiu um parecer devastador contra a Vale

Aguirre Talento
O Globo

Em um parecer enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o caso de Brumadinho (MG), o Ministério Público Federal aponta que a mineradora Vale “privilegiou a lucratividade em detrimento da segurança de seus trabalhadores e dos habitantes de seu entorno” e alerta para o risco de impunidade dos dirigentes da empresa.

A manifestação é assinada pelo subprocurador-geral da República João Pedro de Saboia Bandeira de Mello Filho e foi enviada na tarde da quarta-feira (13) ao ministro do STJ Nefi Cordeiro. Trata-se do primeiro posicionamento técnico de um integrante da Procuradoria-Geral da República sobre o caso, abordando mais especificamente a soltura dos técnicos da Vale que haviam sido presos.

ENGENHEIROS Saboia se posiciona favoravelmente à soltura dos dois engenheiros da empresa TÜV SÜD, Andre Jum Yassuda e Makoto Namba – eles já foram soltos no último dia 5 por decisão liminar da Sexta Turma do STJ em um habeas corpus. Falta ainda, porém, a decisão de mérito, por isso foi solicitada a manifestação da PGR.

O subprocurador aponta que não houve comprovação de que a atuação dos engenheiros, que atestaram a segurança da barragem, tenha colaborado para o acidente. “Até agora não há nenhum laudo pericial, ainda que por perícia indireta, dizendo a que se deve atribuir a ruptura da barragem”, escreveu.

Na sua avaliação, o acidente está mais relacionado a uma opção econômica da Vale em detrimento da segurança e, por isso, a investigação não pode punir apenas técnicos e poupar os dirigentes da empresa. Essa opção seria o uso da técnica da construção da barragem “à montante”, cujo risco envolvendo acidente tem potencial muito maior.

SENSO COMUM“Creio oportuno exprimir meu ponto de vista, ressalvando que sou leigo em engenharia mas não desprovido do senso comum, que leva a supor que não a tragédia em si, mas suas proporções gigantescas, com centenas de mortos e desaparecidos, se deve não a qualquer fraude ou negligência dos técnicos, mas à decisão gerencial de utilizar uma técnica potencialmente perigosa, por motivos econômicos, no que diz respeito à escolha do local de construção”, escreveu.

Prossegue o raciocínio do subprocurador: “Finalmente: se, como também é notório, se o depósito de rejeito estava há anos desativado, porque não se o esvaziou, prevenindo a tragédia? Igualmente por opção econômica, para, quando fosse decidido melhor convir, se reprocessar aqueles rejeitos e extrair mais metal. Outra explicação no momento não encontro para que se mantenha por anos, sem aparente utilidade, aquela situação no mínimo potencialmente perigosa”. Por esses elementos, conclui, a Vale privilegiou os lucros em detrimento da segurança.

IMPUNIDADESob esse raciocínio, Saboia aponta risco de impunidade caso a investigação seja focada nos técnicos que assinaram os laudos. “Mas desde logo presumir que houve falsidade e fraude, é abrir uma larga porta para não se apurar responsabilidade dos dirigentes empresariais que optaram por construir uma barragem “à montante”, que a mantiveram em operação por anos, e, depois de desativá-la, também por anos a mantiveram repleta ou quase”, escreveu.

“Por isso, a matéria deve ser, em todas as instâncias, examinada com atenção redobrada, para não favorecer a impunidade daqueles que podem ser (não afirmo que o sejam, pois se trata de investigação inicial ainda) os maiores, se não os únicos, responsáveis”, afirmou o subprocurador.

O mérito do habeas corpus ainda será julgado na Sexta Turma do STJ, que decidirá se mantém a liberdade dos engenheiros ou se reverte a decisão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Afinal, o que está faltando para ser pedida a prisão dos dirigentes da Vale envolvidos na tragédia, especialmente o engenheiro Fábio Schvartsman, que preside a empresa e é o principal responsável? Há mais de uma semana o Ministério Público de Minas anunciou estar pronto para pedir a prisão deles. E o que falta?(C.N.)

Bispo rebate ofensiva do governo contra a Igreja: “Igual, só vimos na ditadura”

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Governo não pode interferir nos assuntos da Igreja, diz o bispo

Bernardo Mello Franco
O Globo

A Igreja Católica não deve se intimidar com a ofensiva do Planalto contra a sua atuação na Amazônia. O ministro Augusto Heleno fez críticas a um seminário convocado pelo papa Francisco para discutir os problemas da região. Em vez de calar os bispos, aumentou a insatisfação do clero com o governo.

O jornal “O Estado de S. Paulo” revelou que relatórios da Abin descrevem a CNBB como “potencial opositora”. O general Heleno se referiu ao Sínodo da Amazônia como “interferência em assunto interno do Brasil”. Acrescentou que pretende “neutralizar” o evento religioso.

“ARAPONGAS” – O bispo do Marajó, dom Evaristo Spengler, afirma que não cabe ao governo monitorar os debates da Igreja. Ele diz que o clero já suspeitou da presença de arapongas numa assembleia em Marabá. “Isso é um retrocesso que só vimos na ditadura militar”, protesta.

Dom Evaristo esclarece que o papa anunciou o seminário em 2017, muito antes da eleição de Jair Bolsonaro. Ele diz que a Igreja “não é neutra”, o que não significa que tenha partido. “A Igreja está do lado dos mais fracos, dos mais pobres, dos ribeirinhos e dos indígenas”, afirma.

INTERESSES – Para o religioso, o discurso do governo esconde interesses econômicos. “Estão incentivando um modelo predatório de desenvolvimento, que extrai as riquezas da floresta e deixa a população na pobreza”, critica. “Querem construir hidrelétricas, abrir rodovias e permitir o avanço do agronegócio e das mineradoras”.

Desde a campanha, Bolsonaro trata ONGs e ambientalistas como inimigos. Ele acusa as entidades de atentarem contra a soberania nacional e planejarem a “internacionalização” da Amazônia. A pregação tem eco no núcleo militar do governo. “Isso é uma fantasia para justificar a exploração predatória da floresta. Estamos no tempo das fake news”, rebate dom Evaristo.

CHICO MENDES – Na segunda-feira, o ministro do Meio Ambiente aumentou a tensão com a Igreja ao ofender a memória de Chico Mendes, assassinado em 1988. Segundo Ricardo Salles, o líder seringueiro usava a luta ambiental para “se beneficiar”.

A declaração revoltou a ala progressista do clero. “Querem desqualificar quem defende os povos da Amazônia”, afirma o bispo do Marajó.