Aliados do Delegado Waldir protocolam nova lista para retomar liderança do PLS

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Naira Trindade e Bruno Góes
O Globo

Aliados do deputado Delegado Waldir (GO) protocolaram no início da tarde desta segunda-feira uma nova lista para tentar retomar a liderança do PSL . Pela manhã, uma lista com 29 nomes foi entregue dando o cargo a Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente Jair Bolsonaro. A assessoria de Waldir então divulgou um vídeo no qual ele reconhece que deveria haver um novo líder do partido na Câmara. A gravação, porém, foi feita sem que seu grupo soubesse da lista pró Eduardo Bolsonaro. A declaração de Waldir dizia a respeito de um acordo no qual um terceiro nome fosse alçado à liderança.

Na Câmara, Eduardo Bolsonaro evitou se posicionar como líder do PSL. Ele deu a entender que o grupo bivarista pode retomar o cargo ainda nesta segunda-feira.

MUITA CONFUSÃO — “Existem algumas informações chegando, algumas desencontradas, neste momento eu não sei se o que está valendo é a minha lista. Se houve ou não houve qualquer tipo de acordo. Então, não posso me posicionar como sendo o líder do partido. É aguardar”  — disse Eduardo Bolsonaro.

O deputado Júnior Bozzella (SP) foi quem liderou a nova relação de apoios a Waldir. Para retomar o cargo, será necessário ter 27 assinaturas, pois o partido tem 53 deputados. A lista entregue pró-Eduardo tem 28 nomes parlamentares podem ter assinado mais de uma lista, como já ocorreu na semana passada.

Há ainda a possibilidade de o presidente do partido, deputado Luciano Bivar (PE), oficializar a suspensão de cinco deputados pró Bolsonaro, o que reduziria o apoio de Eduardo. Os deputados Carla Zambelli (SP), Alê Silva (MG), Filipe Barros (PR), Carlos Jordy (RJ) e Bibo Nunes (RS).

RECURSO AO STF – Os cinco deputados ameaçados de punição entraram hoje com mandado de segurança preventivo no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir que tenham suas atividades parlamentares suspensas, como noticiou a colunista Bela Megale.

O desejo dos aliados de Waldir é promover uma nova eleição para líder nesta terça. “Havia um acordo e esse acordo foi quebrado” – disse Bozzella, pouco antes da entrega da mais nova lista.

Segundo o parlamentar, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, ligou para Bivar de manhã propondo um acordo para a indicação de um terceiro nome para a liderança fruto de consenso entre os dois grupos que vem duelando desde a semana passada. Na negociação, teria sido acordado que nenhuma ala apresentaria nova lista até que se chegasse ao novo nome. O ministro, no entanto, nega o acordo.

SEM ACORDO – Eduardo Bolsonaro també, disse ainda não ter conhecimento do acordo citado por Júnior Bozella.

“Não tenho informação disso. Quem está a par é o deputado Vitor Hugo, líder do governo tem acesso direto ao ministro Ramos, eu também tenho acesso, mas ele que está à frente dessas questões “ — disse Eduardo.

O líder do governo na Câmara, Vitor Hugo, porém protocolou às 9h30 desta segunda-feira uma nova lista com 29 apoios a Eduardo Bolsonaro. A assessoria da Câmara conferiu a autenticidade de 28 assinaturas e já oficializou o filho do presidente como o novo líder. Para o grupo de Bivar e Waldir, o gesto quebrou o acordo, como relata Bozzella.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Parece um complô para minar a base aliada no Congresso, que desde o início do governo é minoritária e tem sido formada à base da liberação das chamadas emendas parlamentares. Como diria Silvio Santos, no Congresso, quando o governo não tem maioria, também é tudo por dinheiro. (C.N.)

Professor de Harvard diz que Lava Jato pode se enfraquecer se operação for desencaminhada em fase final

Stephenson defende a autonomia das instituições

Ana Luiza Albuquerque
Folha

Professor de Direito na Universidade Harvard e editor-chefe de um blog sobre corrupção, Matthew Stephenson, 45, ficou surpreso com a audiência que obteve ao escrever sobre as mensagens vazadas entre o então juiz Sergio Moro e os procuradores da força-tarefa da Lava Jato.

Stephenson publicou dois artigos sobre o tema. No primeiro, foi rápido e duro ao condenar os envolvidos. No segundo, voltou atrás e disse que o conteúdo das mensagens não era tão grave. Esse último, intitulado “O incrível escândalo que encolheu?”, foi citado por Moro ao se defender em uma audiência no Senado.

FORTALECIMENTO DE BOLSONARO – Em visita ao Brasil para participar de um evento na  Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio, o professor disse à Folha que as mensagens podem fortalecer o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e que acredita que ele não respeitará a autonomia de instituições anticorrupção.

O professor também afirmou que a Lava Jato está chegando ao fim e que só terá impacto no longo prazo se o atual momento for aproveitado para aprovar reformas no sistema criminal e no financiamento político.

O que fez o senhor recuar na crítica às mensagens trocadas entre o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol?
Quando vi a reportagem inicial [em junho], tive uma reação negativa muito forte em relação às interações privadas entre o juiz e o procurador. Pelo que estou familiarizado nos Estados Unidos, me pareceu claramente impróprio. Então refleti um pouco mais, li o conteúdo e aprendi com colegas brasileiros sobre como os procedimentos funcionam no Brasil. Recuei porque concluí que meu julgamento inicial foi precipitado e que os problemas levantados eram mais complicados.

Vamos supor que esse tipo de comunicação entre juízes e procuradores seja comum no Brasil. Isso torna a situação ética?  
Se é consistente com os códigos de ética, não tenho certeza. Num sentido geral, acho que é problemático ter esse grau próximo de comunicação entre os procuradores e os advogados e os juízes. Também acho que pode haver um problema estrutural com os procedimentos criminais no Brasil.

Você tem um juiz que precisa trabalhar muito perto da acusação, no contexto de acompanhar a investigação, mas que também vai precisar mudar de papel e se tornar um árbitro neutro. Acho que algumas dificuldades que surgiram têm menos a ver com o juiz Moro, como indivíduo, e mais com essa estrutura.

As evidências sugerem motivos para se preocupar e talvez a necessidade de reformar as práticas, que separariam os papéis com mais clareza. Mas quero deixar claro que é possível levantar questões sérias sobre essa investigação sem concordar com a narrativa de que foi uma perseguição política.

O senhor acredita que as mensagens poderão ser usadas no futuro por políticos acusados de corrupção para descredibilizar as instituições?
Já está acontecendo. Há investigações em curso contra pessoas próximas ao presidente Jair Bolsonaro, incluindo seu filho. Não me surpreenderia que apoiadores do Bolsonaro tentassem descredibilizar o Ministério Público. Isso é preocupante porque, para combater a corrupção, é preciso construir instituições que tenham credibilidade, legitimidade e autonomia.

Para defender o Lula, existe essa campanha de descredibilização da acusação, do Judiciário. Não só acho que essa narrativa não é verdade, mas me preocupo que propagá-la terá consequências destrutivas no longo prazo.

Há um ano o senhor escreveu um artigo sobre a possibilidade de Bolsonaro se eleger e atacar as instituições que combatem a corrupção. Recentemente ele quebrou uma tradição e escolheu para a Procuradoria-Geral da República um procurador que não estava na lista tríplice. Ele também tentou intervir na Polícia Federal e em sua diretoria. Esses são sinais do que o senhor previa?  
Sim. Bolsonaro é familiar, vemos líderes como ele em vários países. Ele vem dizendo ‘sou um cara firme, vou limpar a corrupção, eu não sou como aqueles outros políticos’. Então, porque era tudo pessoal, tudo sobre ele, ele tem tendências anti-institucionais. Não demoraria muito até minar essas instituições. Você precisa construir instituições que têm autonomia. Esse tipo de coisa que eu achei que um político como o Bolsonaro não toleraria.

Tanto da esquerda quanto da direita parece haver ataques às instituições. O PT, fora do poder, está fazendo isso mais retoricamente. Bolsonaro está fazendo isso institucionalmente. Usando sua autoridade para fazer coisas que não são tecnicamente ilegais, mas que desafiam normas estabelecidas há tempos, para dar a ele ou aliados mais controle sobre as instituições de Justiça.

O senhor ouvir falar sobre o filho de Bolsonaro que está sendo investigado [o senador Flávio Bolsonaro]?
Ele também atacou o Ministério Público. Sim. E algumas das mensagens indicam que os procuradores estavam preocupados se a administração e o juiz Sergio Moro permitiriam que essas investigações prosseguissem. Isso coloca a Procuradoria sob um ângulo melhor. Você vê a Procuradoria não como apoiadores da direita que fabricaram a vitória de Bolsonaro, mas dizendo ‘nós queremos ir atrás desse cara’.

A coisa mais previsível é que qualquer político ameaçado em uma investigação contra corrupção inevitavelmente vai dizer ‘isso é uma caça às bruxas com motivações políticas’. É a primeira linha de defesa, você diz que é um ataque político para descredibilizar a acusação.

O senhor escreveu um texto levantando algumas preocupações quando Moro aceitou ser ministro da Justiça. Recentemente ele foi criticado por membros da Polícia Federal por não ter enfrentado o presidente, pelo menos publicamente, quando Bolsonaro ameaçou mudar o comando da instituição. Quais são suas impressões sobre Moro no cargo?  
Aceitar a posição alimentou a narrativa anti-Lava Jato. Se Moro tivesse publicamente indicado que não aceitaria, porque era muito importante manter a reputação da independência do Judiciário, isso mandaria uma mensagem muito poderosa.

Suspeito que ele acreditava que, se juntando ao governo, poderia avançar nas reformas anticorrupção. É muito cedo para dizer se ele estava certo sobre isso, embora eu tenha ouvido que o pacote anticrime tem coisas que entidades contra a corrupção acham boas, mas que é limitado em outros pontos, e não está claro se vai seguir em frente.

Estamos numa situação que, graças aos vazamentos, Moro está numa posição mais fraca em relação ao Bolsonaro. Inicialmente parecia que Bolsonaro precisava de Moro. A esperança é a de que isso daria ao Moro uma influência para pressionar por medidas anticorrupção e também para enfrentar Bolsonaro se ele tentasse blindar membros de sua família de investigações.

Agora minha percepção é de que o Moro precisa do Bolsonaro. É inteiramente possível que Moro tenha aceitado o cargo com boa-fé, mas acho que foi um erro infeliz.

É por isso que o senhor diz que as mensagens vazadas acabaram sendo boas para o presidente?  
Sim, por alguns motivos. Se você pensou que haveria coisas que o Bolsonaro gostaria de fazer que Moro diria ‘não faça isso’ ou ‘se você fizer isso eu vou me demitir’, isso não é mais factível. A posição do Moro é mais fraca, a credibilidade dele está em baixa e, se Bolsonaro decidir que quer se livrar dele, é relativamente fácil.

O segundo motivo é que, agora que Bolsonaro e seu partido estão no poder, são eles que podem ser investigados. A descredibilização dos procuradores e das instituições de Justiça pode ajudá-los.

O terceiro motivo é que acredito que o Bolsonaro se beneficia quanto mais a oposição está focada no Lula. A Lava Jato ainda é muito popular. Quando a esquerda enfatiza a injustiça feita com o Lula, e como a Lava Jato é horrível, fica parecendo para muita gente que a esquerda é hostil à luta anticorrupção.

O senhor defende que a Lava Jato só terá um impacto a longo prazo se funcionar como um catalisador para uma agenda de reformas. Qual o legado da operação até aqui?
Nos últimos cinco anos, a Lava Jato foi tão central na discussão pública que pode parecer que a corrupção sempre vai estar na linha de frente do debate. Isso não é verdade. Nossa preocupação é que, embora a Lava Jato tenha resultado em condenações, pode não haver um impacto a longo prazo, se esse último período da operação não se encaminhar do jeito certo.

A Lava Jato não é só a operação, mas um estado de espírito. Se as pessoas aceitarem a corrupção como o jeito que as coisas são, essa atitude pode ajudar a perpetuá-la. Ela se alimenta da desesperança, do cinismo, da aceitação. O melhor cenário é a Lava Jato também levar a uma transformação na atitude em relação à corrupção.

Uma dimensão tem a ver com a transmissão do conhecimento adquirido na operação. Eles aprenderam muito, pelas coisas que fizeram bem e pelos erros. É preciso garantir que essa informação continue a ser disseminada pelo Brasil. A segunda dimensão tem a ver com a transformação da legislação, as novas medidas contra a corrupção, o pacote anticrime. Seria útil avançar nesses itens enquanto essa questão ainda está no centro da consciência dos brasileiros.

Acho que tanto a acusação quanto a defesa têm pontos válidos sobre os procedimentos criminais. A acusação se preocupa que os advogados dos clientes ricos consigam atrasar o processo com muitas apelações, para que não precisem cumprir nada da pena. Por outro lado, acho que os vazamentos levantaram preocupações legítimas sobre como o sistema pode criar colaborações excessivamente próximas entre os procuradores e os juízes, que deveriam ser árbitros neutros.

Outra área que seria útil usar o momento da Lava Jato para atingir reformas é a do financiamento político. O caixa dois levanta muita preocupação.

Por último, a preocupação é a de que, se a narrativa se tornar uma de heróis contra vilões, muito personalizada e polarizada, isso pode ser um legado improdutivo. O importante é uma combinação entre o espírito da Lava Jato e uma atitude mais construtiva, em relação ao que o Brasil aprendeu e o que precisa ser feito para avançar, particularmente para fortalecer as instituições.

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RAIO-X

Matthew Stephenson, 45, é professor de direito na Universidade Harvard (EUA), editor-chefe do The Global Anticorruption Blog e doutor em ciência política (Harvard)

Demitido por Bolsonaro por defesa da nova CPMF, Marcos Cintra é chamado para socorrer o PSL

Cintra critica demora sobre proposta de reforma tributária

Camilla Turtelli
Adriana Fernandes
Estadão

Sob forte crise interna e com parte da legenda em briga com o presidente Jair Bolsonaro, o PSL chamou o ex-secretário especial da Receita Federal Marcos Cintra para ajudar a reestruturar o partido. Cintra foi demitido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

O ex-secretário perdeu o cargo, em setembro passado, porque o presidente Bolsonaro não concordou com a volta de um imposto nos moldes da antiga CPMF. Para atender o presidente e acabar com especulações em torno do retorno do tributo, o ministro demitiu o seu auxiliar.

MISSÃO DADA – No PSL, Cintra recebeu a missão de aprimorar o conteúdo técnico da atuação da sigla e auxiliar as bancadas no Congresso no debate dos grandes temas nacionais, como as reformas econômicas, entre elas a reforma tributária que tramita na Câmara e no Senado com duas propostas diferentes.

Cintra trocou o PSD pelo PSL em janeiro deste ano. O convite para a filiação foi feito diretamente pelo presidente do partido, Luciano Bivar. Na época, o deputado também chamou o secretário para presidir o Instituto de Inovação e Governança (Indigo), fundação ligada ao partido.

ATIVIDADE PROGRAMÁTICA – Ao Estado, Cintra informou que vai acelerar a formulação de propostas de governo para o PSL e trabalhar na capacitação de quadros do partido em todo o País. Segundo ele, sua atividade será programática. Ele ressaltou que sua atuação na fundação Indigo é pro bono.

Fora do governo, ele é um crítico da demora da equipe econômica em apresentar a sua proposta de reforma tributária, que vem sendo discutida desde a transição e pode perder a prioridade de tramitação no Congresso para a reforma administrativa.

CONTAS – Há quem defenda no partido que Cintra possa inclusive ajudar o PSL a arrumar suas contas. Como o Estadão/Broadcast mostrou na semana passada, o PSL acumula dívidas de ao menos R$ 5,9 milhões com a União relacionadas aos seus diretórios regionais. A maior parte (86%) diz respeito a multas eleitorais, aplicadas por irregularidades envolvendo gastos em campanhas de candidatos do partido. Dirigentes da sigla atribuem os débitos a gestões anteriores da legenda nos Estados.

A criação da Contribuição sobre Pagamentos (CP), com forma de cobrança muito parecida à CPMF, era o ponto central da proposta de reforma desenhada quando Cintra integrava a equipe de Guedes. O ministro chegou a defender publicamente a criação do novo imposto, rejeitado pelo presidente.

IMPOSTO ÚNICO – Cintra afirma que o presidente do partido, Luciano Bivar, tem uma proposta de reforma tributária importante para ser defendida. “Pessoalmente sempre defendi o Imposto Único. Agora estou mais livre para debater a minha proposta de introduzir um imposto compatível com a Nova Economia digital”, disse Cintra ao Estado. O economista afirma, no entanto, que o partido deve analisar todas as propostas.

Com nova lista, PSL pró-Bolsonaro tenta novamente colocar Eduardo como líder do PSL na Câmara

Novo documento do governo tem 29 assinaturas

Camila Turtelli
Estadão

Em mais um capítulo da “guerra de listas”, agora foi a vez do líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), apresentar nomes para tentar levar o deputado Eduardo Bolsonaro (SP) à liderança do PSL na Casa. O documento, segundo nota divulgada pela assessoria da liderança do governo, tem 29 assinaturas e foi apresentado na manhã desta segunda-feira, dia 21, à Secretaria-Geral da Mesa Diretora.

Essa é mais uma tentativa do grupo de deputados do PSL ligados ao presidente Jair Bolsonaro de destituir o atual líder da bancada, Delegado Waldir (GO). Na última semana, uma guerra de listas acabou com uma derrota para o grupo ligado a Bolsonaro e o Delegado Waldir foi mantido no posto.

CONTRA E A FAVOR – Isso porque a Câmara não reconheceu algumas das assinaturas no documento pró-Eduardo. Como mostrou o Estado, ao menos quatro nomes estavam tanto nas listas a favor de Eduardo e de Waldir.

Para que a nova lista de Vitor Hugo seja validada, é preciso ainda que a Câmara confira todas as assinaturas e divulgue uma decisão sobre o tema. Na semana passada, nem todas os nomes no documento apresentado pelos “bolsonaristas” foram validados.

NOMES –  A lista entregue por Vitor Hugo nesta segunda-feira tem dois nomes que antes estavam apenas no documento que pedia Delegado Waldir (GO) na liderança. Um deles é o deputado Marcelo Brum (RS). Na semana passada, Brum divulgou vídeo ao lado de Eduardo Bolsonaro e Vitor Hugo dizendo que estava corroborando para que o filho do presidente Jair Bolsonaro assumisse a liderança da bancada. “Eu estou na política pelo Jair Bolsonaro”, disse Brum.

Outro nome que “mudou de lado”, é do deputado Daniel Freitas (SC). Ao Broadcast Político, Freitas disse que havia assinado à lista de Waldir há duas semanas, antes da crise do partido implodir e ressalta sua fidelidade ao presidente Bolsonaro. “Estou protocolando um requerimento na Câmara, solicitando a não validade do meu nome na lista para Waldir como líder”, disse. Freitas disse que não chegou a conversar com Bolsonaro sobre a liderança da bancada, mas que falou com o líder do governo na Câmara, Vitor Hugo. Além de Brum e Freitas, outros quatro nomes já estavam em ambas as listas. Daniel Silveira (RJ), Coronel Chrisóstomos (RO),  Luiz Lima (RJ) e Professor Joziel (RJ). Esse último parlamentar, no entanto, não está na no documento de hoje.

Os nomes que compõem a lista apresentada por Vitor Hugo hoje, segundo ele, são: Vitor Hugo (GO), Alê Silva (MG), Aline Sleutjes (PR), Bia Kicis (DF), Bibo Nunes (RS), Carla Zambelli (SP), Carlos Jordy (RJ), Caroline de Toni (SC), Chris Tonietto (RJ), Coronel Armando (SC), Coronel Chrisóstomo (RO), Daniel Freitas (SC), Daniel Silveira (RJ), Dr. Luiz Ovando (MS), Eduardo Bolsonaro (SP), Enéias Reis (MG), Filipe Barros (PR), General Girão (RN), General Peternelli (SP), Guiga Peixoto (SP), Helio Lopes (RJ), Junio Amaral (MG), Léo Motta (MG), Luiz Lima (RJ), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP), Marcelo Brum (RS), Marcio Labre (RJ), Ricardo Pericar (RJ) e Sanderson (RS).

PERDA DE APOIO –  A crise entre o presidente Jair Bolsonaro e a cúpula do PSL implodiu o único apoio fiel que o governo tinha na Câmara. Incomodados com a ofensiva do Palácio do Planalto para derrubar Delegado Waldir, deputados do partido ligados ao presidente da sigla, Luciano Bivar (PE), afirmam que passarão a atuar de forma independente, o que significa contrariar os interesses do governo em alguns casos.

Segundo levantamento do Estado utilizando a ferramenta Basômetro, que mede o governismo de deputados e partidos, o PSL é o partido que mais deu suporte às propostas de interesse do governo na Câmara. Parlamentares da sigla votaram com Bolsonaro em 99% das vezes – índice superior a DEM e Novo, que deram 94% dos votos alinhados ao governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O país vive uma crise gravíssima e se esperava que o novo governo dedicasse todos os seus esforços para melhorar a situação. O que se vê, porém, é uma eterna campanha eleitoral, já visando à sucessão, entremeada de crises partidárias ridículas e inaceitáveis. A disputa pelo poder continua e agora tem como alvo o milionário Fundo Partidário do PSL, que motivo a briga atual entre os bolsonarianos e os bivarianos, ambos abomináveis. (C.N.) 

Joice Hasselmann diz que liderança do PSL seria “o presente de Dia das Crianças do Eduardo”

Joice diz que Bolsonaro “foi induzido ao erro” 

Deu no G1

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou neste domingo, dia 20, que o Palácio do Planalto pressionou deputados para tentar dar um “golpe” no PSL, partido ao qual o presidente Jair Bolsonaro é filiado. Joice Hasselmann deu a declaração ao fazer uma transmissão ao vivo em uma rede social. Procurada, a assessoria da Presidência da República informou que não comentará o caso.

Na última semana, Bolsonaro retirou Joice Hasselmann da função de líder do governo no Congresso Nacional. A deputada deixou o posto após ter assinado uma lista de apoio ao deputado Delegado Waldir (PSL-GO) para a liderança do PSL. Um áudio revelou a articulação de Bolsonaro para tentar colocar o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no posto.

PRESSÃO – “Algumas pessoas, eu sinto muito, foram pressionadas e não conseguiram aguentar a pressão. Porque quando alguém do Palácio liga ou o próprio presidente liga […], é obvio que muita gente foi pressionada para tentar dar um golpe no partido, o partido que é o maior da Câmara, e que o presidente precisa desse partido”, afirmou Joice Hasselmann.

“O presidente foi induzido ao erro por um grupo de pessoas que realmente está muito preocupado com o fundo partidário, muito preocupado com essas coisinhas que não são tão nobres. E acabou que o presidente caiu nessa baita enrascada, acabou usando o próprio Palácio do Planalto, a estrutura do palácio, para ligar para um ou outro parlamentar, chamar lá e tentar fazer o Eduardo Bolsonaro líder. Seria o presente de Dia das Crianças do Eduardo Bolsonaro”, acrescentou.

IRREGULAR E IMORAL – Para a agora ex-líder do governo, o que aconteceu foi “absolutamente irregular, absolutamente imoral”. Joice Hasselmann disse ainda que, se não puder divergir de Bolsonaro, estará em uma “ditadura”.

“Se eu como deputada não tenho o direito de divergir, seja de quem for, inclusive do presidente, não vivo na democracia, aí é ditadura, não é democracia. Na democracia, podemos divergir. […] As pessoas não podem ser perseguidas, achacadas ou ameaçadas porque divergem. Não é assim, não é assim”, completou.

O QUE DIZ EDUARDO – Eduardo Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo na internet neste sábado, dia 19,  na qual disse que Bolsonaro não pode estar sujeito à “bipolaridade” do líder do PSL, Delegado Waldir.

“Comigo na liderança, todos concordaram que a liderança estaria em boas mãos. O próprio presidente Jair Bolsonaro não queria que eu fosse líder, eu também não queria, mas diante desses fatos não vou me acovardar. E, vendo o líder do PSL, que é o partido do presidente, orientando contra a Presidência da República, não sou eu que vou ficar de braços cruzados. Então, começamos a correr atrás de uma lista”, afirmou.

“PROJETO PARA O BRASIL” – “Não me venham com esse papinho, com essa gargantinha ‘ai, o presidente interferiu’. Interferindo, nada. Ele está fazendo um projeto para o Brasil e o partido dele dentro da Câmara está indo contra o presidente, porra. Tu acha o quê? Que ele tem que fazer o quê? Que ele tem que ficar ‘não vou interferir’?”, acrescentou.

Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann trocaram ofensas pelas redes sociais neste sábado. Ele publicou a mensagem “#DeixeDeSeguirAPepa”, e ela respondeu: “Picareta! Menininho nem-nem: nem embaixador, nem líder, nem respeitado. Um zero à esquerda. A canalhice de vocês está sendo vista em todo Brasil”.

Além da tentativa de assumir a liderança do PSL, Eduardo Bolsonaro já foi anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro como futuro indicado para a Embaixada do Brasil em Washington (EUA).

Pergunta-se: Qual o tamanho ideal do Estado? Que Estado queremos? Para onde vamos?

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Charge do Bier (Arquivo Google)

José Luís C. Zamith

Após vivenciar um período no “centro de comando” do Estado do Rio de Janeiro, cujo foco total esteve concentrado em “controlar o touro à unha”, isto é, gerenciar o Estado em meio às mazelas, desconfianças, falta de recursos e uma imensa agenda de curto prazo, não houve um dia em que não me perguntasse: qual o tamanho ideal do Estado?

Desde já, quero esclarecer que não sou contra o servidor público. Não se trata disso. Apenas pretendo analisar se hoje, com os resultados que a máquina pública vem nos proporcionando diante de seu tamanho e consumo, somos capazes de manter esta estrutura com os recursos que a nossa arrecadação propicia.

FRUSTRAÇÃO – Trago esta reflexão porque o Estado, na sua concepção atual, além de ser incapaz de atender o que é necessário, tornou-se um fim em si mesmo, existindo para se manter. E, para piorar, alimenta permanentemente uma sensação incomensurável de frustração em todos aqueles que esperam e contam com ele.

Neste momento, mais do que nunca, necessitamos de um acordo social, para que os governos façam escolhas e arquem com as consequências desta decisão. Isto é, precisamos saber até que ponto os cidadãos podem contar com o Estado e o que terá que arcar por conta própria (sim, estou questionando o que a Constituição Federal preconiza como obrigações do Estado).

Especificamente no caso do Rio, o regime de recuperação fiscal conseguiu incutir na cabeça de todos a gravidade da situação. Hoje, estamos conscientes de que o torniquete é tão apertado, que não há dinheiro para nada.

APERTO TEMPORÁRIO – Mesmo assim, a despesa primária não baixou, se manteve basicamente estável ou com leve subida. Além disso, é importante considerar que um aperto da magnitude que hoje se imprime, precisa ser temporário. Ninguém aguenta ficar tanto tempo “com a corda no pescoço”. E para piorar, quando a corda afrouxar, em virtude do retorno ao ciclo de crescimento, se nada for feito, há grandes chances de voltarmos ao ponto em que estamos hoje. Mas por quê?

Perdoem-me aqueles que pensam que a discussão que proponho esteja colocada no viés ideológico, isto é, um estado liberal ou um estado estatizante, de esquerda ou de direita. Não é isso. É uma questão de matemática, pura sobrevivência.

O Rio (estado e municípios) consome mais de 80% de suas receitas com despesas de pessoal (não apenas com funcionários diretos, mas incluindo terceirizações, OSs e outras formas de uso de mão de obra indireta) e custeio da máquina, e entrega à população serviços que deixam a desejar.

UMA EXCEÇÃO – Todos os outros estados brasileiros, com exceção do Espírito Santo que possui CAPAG A (capacidade de pagamento A), estão em situação que vai de difícil a periclitante, e a qualidade das entregas é parecida ou pior que as do Rio. Como consequência, urge admitir que os governos não têm mais capacidade para ‘fazer o que é preciso fazer’ com o modelo em vigor.

Debates acalorados têm acontecido sem, contudo, se concentrarem nos aspectos estratégicos e de execução. A solução em discussão está calcada na mudança do pacto federativo, aumentando-se os recursos e as capacidades dos estados. Infelizmente, não creio que vá dar certo como solução estruturante e definitiva da nossa sociedade. Aumentar as receitas do Estado ajuda e tira do sufoco em curto prazo, mas não resolve a raiz do problema, o conceito paternalista que hoje permeia a sociedade em que onde há problemas, qualquer um grita:

PACTO FEDERATIVO – A meu ver, ao se mudar a maneira da relação entre União e estados, em breve análise de impacto da medida, ocorrerá um respiro financeiro para os federados no curto prazo. O que trará pressões salariais, descontingenciamentos, novos concursos, além da retomada e criação de novos serviços dedicados à população, que terão os orçamentos compensados pela entrada de receitas.

O inchaço da máquina aumentará, dependendo das pressões políticas, a conta-gotas ou rapidamente, aliada ao contexto político do momento. Os governos flertarão com os limites prudenciais de despesa de pessoal e os percentuais de investimento ficarão restritos às entradas de royalties e/ou ao que sobrar da capacidade de investimentos da União.

Em um cenário otimista, levaremos um bom tempo para os governos se inviabilizarem novamente. Mas em um panorama pessimista, isso acontecerá imediatamente, às vésperas das primeiras eleições presidenciais e estaduais que se avizinhem. Não é privilégio de governante A ou B. O modus operandi é assim.

POLÍTICA DE ESTADO – Para que se altere o status quo, há necessidade de uma política de estado, como estão sendo pensadas as reformas previdenciária e tributária, hoje em discussão. Precisamos, como sociedade organizada, urgentemente falar sobre isso. Discutir funcionalismo público, que servidores o Estado precisa realmente ter, terceirização, níveis de serviço, bonificação por desempenho, estabilidade, tamanho organizacional, salários, modelos de contratação, e o que o Estado deve realmente entregar à população ou apenas passar ao largo. O tempo urge e quanto mais atrasamos este debate, menos tempo haverá para uma solução qualificada, pois a matemática, ao final, é imperiosa e simples: a conta não fecha. Não se pode destinar orçamento apenas para pagar salários. Não é justo com a população que não é servidora.

Por isso, a pergunta persiste em meus pensamentos: Qual o tamanho ideal do Estado? E mais: que Estado queremos? Para onde vamos?

José Luís Cardoso Zamith foi chefe da Casa Civil e secretário de Governança no governo Wilson Witzel.

Alvo de operação da PF, relator da CPI dos Fundos de Pensão é suspeito de receber propina de R$ 9 milhões

Acordo feito para não incluir diretores da Petros e do Postalis

Pedro Prata
Fausto Macedo
Estadão

Em depoimento de delação premiada prestado em 2017, o operador de propinas Lúcio Bolonha Funaro afirmou que o deputado federal Sergio Souza (MDB-PR), alvo da Operação Grand Bazaar nesta segunda-feira, dia 21, cobrou R$ 9 milhões de propina para não convocar para depoimento na CPI dos Fundos de Pensão os executivos Wagner Pinheiro, ex-presidente do Petros, e Antônio Carlos Conquista, ex-presidente do Postalis.

A solicitação teria sido feita por Arthur Pinheiro Machado, amigo de Funaro e dono da Ágora corretora e Bridge. Funaro, então, perguntou sobre a viabilidade do pedido ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, mas ele disse que não havia nomeado nem o presidente nem o relator da CPI, respectivamente os deputados Efraim Filho (DEM-PB) e Sergio Souza.

Funaro relatou que, “(Eduardo) Cunha disse para conversar com Marcos Joaquim Gonçalves, advogado do escritório de advocacia Mattos Filho, para ver se ele teria uma solução já que era amigo de Sergio (Souza). Marcos voltou com a informação de que tal demanda era possível.”

PAGAMENTO – Ainda segundo o delator, ele teria se reunido em Brasília, numa casa no lago sul, com  o advogado Marcos Joaquim, Arthur Machado, o deputado Sergio Souza e um assessor deste. Nesta reunião teria sido acertada a propina de R$ 9 milhões. O dinheiro teria sido pago a Funaro por Arthur Machado, relatou o próprio operador de propinas, e os valores teriam sido creditados na sua conta junto ao doleiro Tony, por volta de agosto ou setembro de 2015.

“No dia marcado para Wagner Pinheiro ir depor na CPI dos fundos (de pensões), o seu depoimento acabou sendo desmarcado”, afirma Funaro. Ele ainda contou que durante a Operação Patmos, deflagrada pela Polícia Federal em 2017, foi levado um caderno seu de anotações do ano de 2015, no qual constaria uma anotação de contabilidade com a sigla ‘MJ’, que se referiria a Marcos Joaquim, seguida de valores dos repasses no caso mencionado.

GRAND BAZAAR – A lavagem de dinheiro envolvia a remessa de recursos desviados dos fundos de pensão para empresas de fachada nos Estados Unidos, segundo informou a PF, na operação denominada Grand BAzaar. Com a confirmação do recebimento de valores em contas indicadas no exterior, operadores disponibilizavam recursos em espécie no Brasil, a fim de que fossem entregues em endereços vinculados a supostos intermediários do parlamentar federal, tanto em residências em Brasília, como em hotéis em São Paulo.

As buscas e apreensões foram autorizadas por Celso de Mello, ministro do Supremo.

“Não há crise nenhuma. Zero”, diz Bolsonaro ao negar repercussões políticas após confrontos no PSL

Charge do Cláudio (www.tijolaco.net)

Gustavo Uribe
Folha

Em sua chegada ao Japão, em viagem de mais de dez dias que fará pelo continente asiático, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, dia 21, que tem havido um “bate-boca exacerbado” no PSL e que o “bem vencerá o mal” na crise interna de seu partido.

Em uma caminhada pela região central de Tóquio, o presidente avaliou que a maioria dos integrantes da legenda é “novo na política” e que nunca viu em “lugar nenhum do mundo” um linguajar como o usado nas troca de ataques entre integrantes da sigla nas últimas semanas.

BATE BOCA – “A maioria no PSL é novo na política. É muito isso que está acontecendo no PSL. Novato chega e acha que sabe de tudo. Eu passei 28 anos ali [na Câmara dos Deputados] sem um cargo [no Poder Executivo]. Problemas eu tive lá dentro, mas sem chegar ao nível que um parlamentar chegou agora, com linguajar que nunca vi em lugar nenhum do mundo”, disse.

Na última semana, o líder do PSL na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir (GO), ameaçou implodir o governo de Bolsonaro e o chamou de “vagabundo” após o presidente ter atuado pessoalmente para retirá-lo da função.

O MENINO DO FILÉ – Em outro bate-boca, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) se referiu ao filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), como um “menino” que “nem com a ajuda do pai” conseguiu assumir a liderança da sigla. Ela foi retirada por Bolsonaro do posto de líder do governo no Congresso.

“A política, como dizia Ulysses Guimarães, é uma nuvem. A resposta é essa”, afirmou o presidente. “Lógico que eu trabalho também, converso com o pessoal e as providenciais serão tomadas com o passar do tempo. O bem vencerá o mal”, acrescentou.

SEM MÁGOAS – Perguntado, Bolsonaro afirmou que ainda não definiu se sairá do PSL. Segundo ele, “tem de ver com o tempo”. Ele negou que os embates com integrantes da legenda o tenham deixado magoado e comparou o episódio com uma ferida. “As coisas acontecem. É igual uma ferida, cicatriza naturalmente”, disse. “Entre mortos e feridos, todo mundo vivo”, acrescentou.

Para o presidente, o episódio não deve atrapalhar a tramitação de pautas do governo. Ele negou que o embate interno tenha criado uma crise política que possa afetar a tramitação da reforma previdenciária no Senado. “Que crise política? Inventaram a crise política. Não há crise nenhuma. Zero”, disse. “Eu estou tranquilo e o Parlamento está tranquilo também. A responsabilidade é de todos nós”, afirmou.

EMBAIXADA – Mais cedo, ao chegar no hotel que está hospedado na capital japonesa, Bolsonaro não quis dizer se desistiu da indicação de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para o posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos. O próprio parlamentar disse que o tema tinha ficado para segundo plano.

Ao todo, o presidente ficará três dias na capital japonesa. Além da cerimônia de ascensão do imperador Naruhito, na terça-feira, dia 22, ele terá reuniões bilaterais com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e encontros com empresários brasileiros e japoneses.

“É uma honra ser convidado para participar deste evento, representando o Brasil. Nós teremos algumas reuniões bilaterais. O mundo inteiro está interessado na gente e estamos reconquistando a confiança do mundo”, disse.

AMAZÔNIA – Ele disse que, no encontro com o primeiro-ministro japonês, pretende tratar da exploração sustentável da floresta Amazônica e avançar na tentativa de um acordo comercial entre o Mercosul e o Japão.

“O Brasil é um país que tem grande potencial. Temos a nossa Amazônia, que tem de ser explorada de forma racional”, afirmou. “É lógico que estou interessado [acordo com o Mercosul]. A Coreia do Sul também. Até os Estados Unidos. O Brasil está indo bem”, afirmou.

Além do Japão, o presidente visitar a China, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes e o Catar. Nos demais países, o foco será melhorar a relação comercial com as nações asiáticas e aumentar o comércio de de proteína animal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Uma pessoa que ignore totalmente o cenário político brasileiro e que não esteja a par da balbúrdia imperativa que assola os noticiários, ao ler as declarações de Bolsonaro pensaria que o Brasil é quase um mundo de Alice, com as paisagens surrealistas criadas pelo escritor inglês Lewis Carroll, em um País das Maravilhas. E o nosso presidente fala com tanta convicção que abre margem para desconfiarmos que na cabeça dele exista, de fato, esse lugar que descreve. Brigou com meia dúzia de lideranças internacionais e semanas depois diz que “estamos reconquistando a confiança do mundo”, xingou e caçoou dos representantes de outros países e reclama do baixo nível das discussões do seu partido, ignorando que boa parte das brigas são fomentadas pelos seus herdeiros que se acham também presidentes coadjuvantes ou candidatos à coroa e, por fim, associa que muitos do seu partido são “novos na política”. O que temos visto não é questão de ser veterano ou novato na vida parlamentar, mas sim de serem ou não éticos diante dos mandatos para os quais foram eleitos. Simples assim. (Marcelo Copelli)

Em crise com a base aliada, Bolsonaro prevê nova mudança na articulação política

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General Ramos fracassou como “articulador político”

Renato Onofre e Mateus Vargas
Estadão

Em crise com o próprio partido – o PSL, que até então era o mais fiel na Câmara e, nesta semana, rachou em duas alas distintas, sendo que uma delas declarou-se independente – o presidente Jair Bolsonaro estuda promover mudanças na articulação política pela terceira vez em 10 meses de governo.

A intenção é garantir um mínimo de apoio que assegure ao Planalto a aprovação de projetos no Congresso. As maiores críticas à articulação partem justamente de parlamentares das bancadas que dão sustentação ao governo, como a ruralista, a evangélica e a da bala.

PERDA DE APOIO – O racha no PSL em duas alas, uma ligada a Bolsonaro e outra ao presidente nacional da legenda, o deputado Luciano Bivar (PE), que pode resultar na perda de apoio de mais da metade dos 53 deputados do partido, e a constatação de um PIB (Produto Interno Bruto) fraco anteciparam discussões no Planalto.

No diagnóstico de aliados do governo, Bolsonaro corre risco se não mexer rapidamente na equipe que faz a interlocução com a Câmara e com o Senado.

Interlocutores do presidente o aconselham a começar a reforma do governo pela “cozinha” do Planalto. Assim são conhecidos os ministérios que estão fisicamente na sede do Executivo – a Casa Civil, comandada por Onyx Lorenzoni; a Secretaria de Governo, nas mãos de Luiz Eduardo Ramos; a Secretaria-Geral, chefiada por Jorge Oliveira, e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), do general Augusto Heleno.

Ministro forte – As principais queixas de parlamentares alinhados ao governo são de que a articulação política ficou fragmentada entre essas quatro pastas e, por isso, não funcionou. A proposta agora é que seja unificada tendo um ministro forte no comando das negociações com o Congresso.

A portas fechadas, Bolsonaro já admitiu que, sem uma base de apoio, o governo ficou dependente da liberação de emendas parlamentares no varejo para avançar com as pautas no Congresso.

Foi justamente a desarticulação na liberação de emendas o assunto de um importante diálogo testemunhado pelo Estadão na semana passada.

RECLAMAÇÃO – No fundo do plenário da Câmara, o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), coordenador da bancada ruralista, reclamava ao líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO). “Eu tenho uma proposta oficial do governo. Foram eles que me disseram: Alceu, tu tem isso, isso e isso (referindo-se a verba). E agora não tem mais?”, reclamou o emedebista.

Vitor Hugo argumentou que o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, tentava atender o compromisso feito pelo ministro da Casa Civil com o deputado.

Em resposta, Moreira não escondeu a revolta. “O que o Onyx (Lorenzoni) prometeu não vale nada? Não, não, não”, disse ele. “O meu, ele (Ramos) não tira um centavo. Se tirar, vai ter problema”, ameaçou o líder ruralista.

MARINHO DE FORA – Entre os nomes que circulam para assumir a articulação do governo com o Congresso, o mais repetido é o do secretário especial da Previdência, Rogério Marinho. Mas ele, por ora, vai continuar à frente das reformas econômicas, como a administrativa e o pacto federativo.

Nas conversas mais reservadas, no Palácio da Alvorada, Bolsonaro tem ouvido que os militares não entendem nada de articulação com o Congresso. O general Ramos, responsável pela ponte com os deputados e senadores, não teria força com seus colegas de Esplanada para emplacar nomeações ou dinheiro para liberar emendas.

Quanto ao ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, a percepção é a de que o ex-juiz da Lava Jato mantém popularidade em alta, mas não consegue avançar no Congresso em medidas de uma área prioritária para o governo. Com isso, Bolsonaro tem perdido essa bandeira do combate à criminalidade para adversários, como o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), seu já declarado adversário em 2022.

PASTA DA SEGURANÇA – O presidente tem ouvido de aliados propostas para separar a pasta de Moro em duas, como ocorreu no governo de Michel Temer. A ideia é que o ministro cuide apenas dos assuntos relacionados à Justiça. A Segurança Pública seria entregue a um representante da bancada da bala. Aparentemente, Bolsonaro não faz restrições a essa divisão, mas Moro não abre mão da segurança por causa do pacote anticrime.

Segundo relatos, apenas cinco dos 22 ministros são considerados intocáveis no governo, hoje. O time de elite inclui Tereza Cristina (Agricultura), Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e Fernando Azevedo e Silva (Defesa).

Ao mesmo tempo, Bolsonaro tem evitado embates com Moro, Guedes e com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), visto como figura central na aprovação de projetos da área econômica.

SURGE O MDB – Para estancar a crise no PSL e evitar prejuízo em votações Bolsonaro também tem sido orientado a acenar para outros partidos, como o MDB. No início do mês, ele recebeu o presidente nacional da sigla, deputado Baleia Rossi (SP), e na semana passada colocou o senador Eduardo Gomes (MDB-TO) na liderança do governo no Congresso. Com isso, dois dos três líderes do seu governo são do MDB – além de Gomes, o senador Fernando Bezerra (RN) é líder no Senado.

Bolsonaro também tenta se reaproximar do DEM e aliados recomendam que ele ofereça ao partido a pasta de Minas e Energia, hoje comandada pelo almirante Bento Costa Lima. Lembram que governos sem boa relação com o Congresso não tiveram vida longa – Jânio Quadros, em 1961, Fernando Collor, em 1992, e Dilma Rousseff, em 2016, deixaram o Planalto após crises na articulação política.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente análise. O general Luiz Eduardo Ramos é um fracasso como articulador político, mas não tem senso crítico e julga que está abafando, porque a reforma da Previdência está perto da aprovação final. Quanto ao almirante Bento Costa Leite, querem tirá-lo do Ministério de Minas e Energia porque é contra a privatização da Petrobras e da Eletrobrás. Apenas isso. (C.N.)

Milícias digitais de direita, em polvorosa, não respeitam nem mesmo Helio Fernandes

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Helio Fernandes dedica a vida aos ideais democráticos

Roberto Nascimento

Louvo a coragem de Antônio Santos Aquino, que escreveu um belo artigo em favor da liberdade. As milícias digitais estão em polvorosa, denotando um esgarçamento das ideias. A ideia ou o pensamento só é bom quando estiverem de acordo com o direitismo exacerbado atual, que condena todos na vala comum do “esquerdismo”. Está complicado escrever qualquer coisa nesses tempos obscuros.

Chegaram ao ponto de execrar o maior jornalista de todos os tempos, o ínclito Helio Fernandes, o mestre inigualável da imprensa brasileira e mundial. No Organização Globo é proibido pronunciar seu nome nas rádios e televisões ou citá-lo em seus jornais diários e revistas.

UM EXEMPLO – Helio Fernandes foi preso pela ditadura militar-civil e desterrado em Pirassununga, Campo Grande e Fernando de Noronha. Seu jornal foi destruído a bomba na calada da noite, em maio de 1981, após a anistia ser concedida pela ditadura. Resistiu a tudo e a todos, sem reclamar, e escreve diariamente até hoje aos 99 anos de idade.

Respeitem esse homem, que dedicou a vida pela liberdade de expressão. Atacá-lo, como fizeram aqui nesse espaço democrático, é uma covardia. Tenho vergonha e asco daqueles que não conhecem a história de vida desse excepcional brasileiro, que também erra como todos nós, porém sua vida é uma saga em favor da sociedade brasileira tão vilipendiada pelos governos e pela elite corrupta e venal, que só pensa em privilégios e lucros para sua casta, que se encontra no topo da pirâmide.

INSANIDADES – Não desanime, Aquino, vamos em frente. Retroceder jamais. O momento é de ouvir até insanidades nas redes digitais, mas não se pode recuar. É preciso esperar que as pessoas caiam em si e reflitam para o bem do país. Afinal, tudo o que os cidadãos brasileiros querem é poder trabalhar, viver, amar e ser feliz.

Um bom início de semana para todos.

Bolsonaro transforma moinhos de vento em inimigos reais e ignora urgências do País

40Desculpe.jpgVera Magalhães
Estadão

Uma mancha de óleo turva as águas do mar do Nordeste há mais de 40 dias (na verdade, cientistas estimam que o acidente que levou ao desastre pode ter ocorrido em junho!), sem que o presidente da República se envolva diretamente na adoção de um plano de contingência eficaz para contê-la. A reforma da Previdência, maior feito do governo até aqui e, provavelmente, nos seus quatro anos, está a uma votação de ser concluída, e o mandatário não esboça sequer um comentário a seu respeito, a não ser para lamentar a necessidade de fazê-la.

Há quanto tempo não há uma reunião ministerial para coordenar todas as ações do Executivo? A última foi em agosto, e era emergencial para a questão da Amazônia.

PARANOIA – Enquanto esses assuntos centrais para o sucesso do governo vão transcorrendo, o presidente duela contra moinhos de vento. Transforma inimigos imaginários em reais e, num prazo de duas semanas, levou à implosão de seu partido, o já fragmentado PSL, sem que se saiba ao certo o porquê da investida inicial e a utilidade de comprar esta briga neste momento, tanto tempo antes da eleição presidencial.

Uma das máximas mais surradas de Brasília é a de que bons presidentes têm a habilidade de tourear crises e fazer com que elas saiam menores do Palácio do Planalto do que entraram. Fernando Henrique Cardoso e Lula eram reconhecidos por esta habilidade, ainda que com diferentes estilos. Fernando Collor e Dilma Rousseff fracassaram na missão.

Bolsonaro, no entanto, também nisso subverte os manuais. É ele o fator gerador de crises absolutamente desnecessárias, supérfluas, grosseiras, de baixíssimo nível. Não raro elas são ocasionadas por sua paranoia, pela sensação, estimulada pelos filhos, de que sempre há alguém querendo sacaneá-lo na esquina seguinte.

BAIXO NÍVEL – Que a principal autoridade de um País com as necessidades prementes do Brasil exiba no trato com aliados (sic) tal nível de insegurança e infantilidade é de causar perplexidade a qualquer um. Mas não surpresa. Bolsonaro fez sua vida parlamentar nessa base do relacionamento miúdo com o baixo clero.

Também a construção de um clã político está na raiz de seu estilo, tanto que colocou um filho de 17 anos para disputar uma eleição contra a mãe e derrotá-la para ocupar uma cadeira numa das casas mais corruptas do Brasil.

O espantoso foi que, pelo curso da campanha, uma parcela significativa da população brasileira tenha enxergado este personagem como um potencial estadista, pelo simples fato de verem nele as credenciais para derrotar o PT.

NO VERÃO PASSADO – Portanto, as brigas de botequim que eclodiram no PSL e estão expostas numa aula de anatomia da baixa política aos olhos de cidadãos perplexos nada mais são do que o bolsonarismo em sua essência. Não se sabe o rumo que a crise vai tomar quando os inimigos alimentados pelo estilo belicoso do presidente resolverem dizer o que sabem dos “verões passados” com o intuito de implodi-lo.

Também fica difícil imaginar que base vai surgir a partir dos escombros do PSL. Bolsonaro vai se aproximar finalmente do mainstream, via MDB (que já está chegando para arrumar a bagunça) e DEM? Mesmo isso tem eficácia e prazo de validade mínimos, dado o estilo persecutório e caótico do presidente.

Mais provável é que ele siga como um corpo alheio ao próprio governo, criando tretas inacreditáveis (com correligionários, governadores, prefeitos, presidentes de outros países e quem mais aparecer) enquanto alguns poucos ministros técnicos carregam o piano. Neste caso, só resta torcer para terem êxito, pois o País não aguenta mais quatro anos de crise econômica e desemprego. E esperar que, em 2022, o eleitor saiba enxergar os políticos como eles são, e não como mitos, e faça seu escrutínio em bases mais racionais.

Temos de lembrar Carlos Lacerda, que avisava: “Capital bom é o capital nacional”

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Lacerda lutava pela independência econômica do Brasil

Flávio José Bortolotto

A desnacionalização da economia (crescimento relativo das empresas com matriz no exterior e decrescimento relativo das empresas nacionais) é ruinosa porque só a empresa nacional gera tecnologia nacional e capitaliza 100% aqui dentro. Em termos de importância e produtividade numa economia, temos: 1) empresa privada nacional; 2) empresa estatal nacional; 3) empresa com matriz no exterior.

Daí que, quando vendemos uma empresa estatal para uma empresa privada nacional, há um ganho de produtividade na economia do país. E ao contrário, quando vendemos um empresa estatal ou uma empresa privada nacional para uma empresa com matriz no exterior, temos grande perda na economia do país.

DIZIA LACERDA – Assim vemos que para otimizar o excedente numa economia, devemos ter o máximo possível (pelo menos a maioria) de empresas com matriz no Brasil. É por isso que o grande governador Carlos Lacerda sempre dizia “capital bom é o capital nacional”, mas por ter essa clarividência, não chegou a Presidência do Brasil.

Lacerda contrariava, como contraria hoje e sempre os interesses do capital internacional. Porém, independentemente do grau de produtividade da economia nacional, que atingiria o máximo de gerar excedente se houvesse maioria de empresas privadas nacionais, e o mínimo com empresas com matriz no exterior, o mal maior da economia é o governo (federal, estaduais e municipais) gastar bem mais do que arrecada, e se endividando para fechar a conta.

GASTANÇA – O governo consome cerca de 43% do PIB (Produto Interno Bruto), com 34% de carga tributária + 9% de déficit nominal, o que leva em conta a amortização e juros da dívida Pública, com isso estrangula a economia produtiva de bens e serviços.

Toda essa crise atual é efeito do déficit fiscal causador de endividamento crescente, e também devido à perda de confiança de que o governo vai honrar seus compromissos financeiros em futuro breve, se não se fizer nada para remediar o problema.

Por tudo isso, o governo deve procurar vender só ativos não estratégicos para empresas com matriz no exterior e os estratégicos exclusivamente para empresas privadas nacionais. Ao mesmo tempo, deve manejar os pedais e alavancas para baixar o custo do governo dos atuais 43% do PIB, para 30% do PIB em 8 anos, “segurando o custo do governo”, e aumentando ao máximo o crescimento da economia.

É difícil, mas não é impossível.  E falta a chamada vontade política.

Crise interna do PSL beneficia e amplia espaço de poder do MDB

Perfil alinhado de Gomes influenciou a escolha de Bolsonaro

Ingrid Soares
Correio Braziliense

Maior partido do país em número de filiados, o MDB foi, até agora, o maior beneficiário da crise interna do PSL. Com a substituição da deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) pelo senador Eduardo Gomes (MDB-TO) como líder do governo no Congresso, o MDB passa a ocupar duas lideranças do governo de Jair Bolsonaro (PSL) no Legislativo. No Senado, o líder do governo é o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

O perfil de Gomes alinhado ao de Bolsonaro, foi o que levou à escolha do presidente. O senador votou contra desidratar a reforma da Previdência e a favor do decreto presidencial que flexibilizou o porte de armas. A nomeação dele favorece a estratégia do MDB de ampliar seu espaço de poder. O partido também está de olho nas eleições municipais de 2020.

REFORÇO DA BASE POLÍTICA – Segundo o especialista em direito eleitoral e político Eduardo Tavares, a intenção da legenda é eleger o maior número possível de prefeitos para reforçar a base política e aumentar, nas eleições seguintes, a bancada de deputados e senadores. Apesar de ter encolhido no pleito do ano passado, o partido é o dono da maior bancada no Senado e o quinto maior na Câmara, ao lado do PSD, com 34 deputados federais.

“O MDB com poder de articulação consegue apresentar base e trazer aliados. Em razão disso, demonstra a necessidade de estar mais dentro do governo e consegue retomar a visibilidade. Posteriormente, deve voltar a buscar a Presidência do Senado, a da Câmara ou, ainda, os ministérios. Há uma nítida demonstração de interesse”, analisa Tavares.

GOVERNABILIDADE – O especialista avalia que o MDB oferece governabilidade a Bolsonaro. “É o que o PSL busca. O MDB vai oferecer governabilidade. Trazendo aliados, mostra para o Planalto que precisa deles e abre essa coalizão. O MDB teve perda de prefeitos e precisa retomar a base. Quanto mais ele tiver a nível municipal, mais possibilidade de barganha política a nível nacional terá. É uma construção de musculatura para buscar a Presidência, que é o sonho de todo partido. O MDB está vindo de baixo para cima”, completa.

O analista político Carlo Barbieri ressalta que o partido sofreu revés nas últimas eleições por escândalos de corrupção. O retorno, de acordo com ele, dá ao partido uma nova oportunidade de participar do governo, das verbas e cargos. “Por outro lado, teria mistura da imagem do governo PSL, que se coloca contra corrupção com o MDB, o que melhora a imagem da ‘velha política’, pela qual poderia ser atacado. É uma jogada inteligente, habilidosa.”

PODER – Ao contrário de Tavares, Barbieri diz que o MDB não se preocupa com a eleição presidencial de 2022. “A eles, interessa o poder. Ter poder no Congresso e, a partir daí, no Executivo, sempre foi o que fez o partido mais forte. Pela primeira vez, um presidente governaria sem o MDB. A ausência durou pouco porque em um ano ele já está voltando ao poder”, concluiu.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) afirmou que a escolha por Gomes como líder do governo no Congresso foi uma decisão de Bolsonaro, e não significa que o partido esteja buscando uma aproximação com o governo. “Foi uma escolha pessoal do presidente. O partido não tem alinhamento com o governo, tem uma posição de independência. Se estamos em evidência, é mérito dos senadores, que têm competência”, disse o emedebista.

Auditoria da Eletrobras que custou R$ 400 milhões só andou após a Lava-Jato

Auditoria constatou superfaturamento em Belo Monte e Angra 3

Leandro Prazeres
Vinícius Sassine
O Globo

Uma investigação interna contratada pela Eletrobras constatou superfaturamentos milionários em obras da estatal, como Belo Monte e Angra 3, em diversos estados; um esquema massivo de destruição de provas por executivos; e vazamento de informações e diversos indícios de má gestão na condução da estatal.

Apesar de ter custado mais de R$ 400 milhões aos cofres da companhia e ter usado empresas especializadas em espionagem como a Kroll, a investigação comandada pelo escritório americano Hogan Lovells não conseguiu detectar sozinha esquemas de pagamento de propina e formação de cartel em obras que foram, posteriormente, revelados somente pelas investigações conduzidas pela Operação Lava-Jato.

EVIDÊNCIAS – Um exemplo é o caso das usinas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia. Nos relatórios produzidos pela Hogan Lovells, em outubro de 2016, os investigadores afirmam que não haviam conseguido encontrar evidências de que qualquer ato de corrupção relacionado aos empreendimentos. Os relatórios das investigações, que vinham sendo mantidos sob sigilo até o início deste mês, foram obtidos pelo O Globo.

“Apesar da ampla investigação do Ministério Público Federal, dos diversos documentos públicos disponíveis até agora e da grande cobertura da mídia sobre essa investigação, o time de investigação (da Hogan Lovells) não encontrou alegações de corrupção, pagamento de propina ou formação de cartel relacionada a Jirau”, relata o documento.

PROPINA – A mesma conclusão foi feita em relação a Santo Antônio. Apenas seis meses depois, no entanto, a divulgação dos acordos de colaboração premiada de executivos da Odebrecht revelou o que a Hogan Lovells não conseguiu detectar: que as empreiteiras ligadas às duas hidrelétricas (Odebrecht e Andrade Gutierrez) pagaram propina relacionada a essas obras.

Um exemplo é o relatório sobre Belo Monte. Toda a estimativa do escritório sobre os prejuízos causados por esquemas de corrupção teve como base as informações divulgadas de acordos de colaboração premiada firmados pela Operação Lava-Jato.

INVESTIGAÇÃO – A investigação, que começou em 2015, só foi finalizada em 2018. No total, dez empreendimentos foram analisados, entre eles as usinas nucleares de Angra 1, 2 e 3 e uma série de usinas hidrelétricas como as de Belo Monte, no Pará, Santo Antônio e Jirau, em Rondônia. Além de buscar indícios de corrupção, os investigadores também procuraram identificar outros tipos de irregularidades.

Um dos relatórios produzidos pela Hogan Lovells é o que se debruça sobre irregularidades na usina de Belo Monte. A Eletrobras tem 15% das ações da Norte Energia, consórcio que comanda a usina.

DADOS APAGADOS –  No documento, entregue à Eletrobras em outubro de 2016, os investigadores estimaram o tamanho do prejuízo causado pela corrupção à companhia nesse empreendimento. De acordo com as estimativas do escritório, a corrupção em Belo Monte tinha custado pelo menos R$ 165 milhões.

Os investigadores da empresa constataram que HDs, servidores de e-mails, computadores e dispositivos como telefones celulares tiveram dados apagados logo após os casos de corrupção na estatal virem à tona.

SIGILO – Apesar de ter custado mais de R$ 400 milhões aos cofres da empresa estatal, a Eletrobras tentou, a todo custo, manter os relatórios produzidos pela Hogan Lovells sob sigilo. Os documentos só vieram à tona em outubro deste ano e, depois, por força de uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU).

O ministro Bruno Dantas concedeu medida cautelar tirando o sigilo dos documentos, mas a estatal recorreu. No plenário, os ministros do TCU acataram a tese de Dantas e determinaram o fim do sigilo dos papéis.

IRREGULARIDADES – A reportagem enviou questionamentos à Eletrobras, à Hogan Lovells e ao escritório da ex-ministra Ellen Gracie, que comanda o comitê especial de investigação montado pela estatal para apurar irregularidades na empresa. Em nota, a Eletrobras mostrou ignorar que os relatórios da Hogan Lovells já haviam sido tornado públicos.

“Informamos que os relatórios produzidos no âmbito da investigação independente que teve curso na Eletrobras encontram-se classificados como confidenciais […] neste sentido, não podemos comentar nenhum aspecto específico”, diz um trecho da nota.

Em outro trecho, a Eletrobras diz que “contribui, de forma proativa e constante, em diversas frentes, fornecendo informações irrestritas a todas as autoridades interessadas”. A Hogan Lovells e o escritório de Ellen Gracie não responderam às questões enviadas até o fechamento desta edição.

Crise do PSL encolheu o presidente Bolsonaro e deixou governo refém da velha política

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Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Se as pesquisas de opinião já vinham mostrando um desgaste enorme na popularidade do presidente Jair Bolsonaro e do governo, com a nova crise provocada por ele no PSL, o partido pelo qual se elegeu, a situação tende a ficar ainda pior nos próximos levantamentos. A desastrada operação orquestrada por Bolsonaro dentro do Palácio do Planalto para destituir o líder do PSL, delegado Waldir, explicitou a incapacidade de articulação do presidente e, pior, o desnudou por completo o compromisso prioritário dele com a família, em detrimento do país.

Bolsonaro foi tão inábil no seu propósito de dar aos filhos o controle sobre o caixa milionário do PSL, que acabou caindo no colo do MDB, o partido que mais simboliza a velha política que ele tanto combateu durante a campanha para a presidência da República.

Agora, Bolsonaro tem com líder no Senado Fernando Bezerra, alvo da Polícia Federal por suspeita de corrupção, e Eduardo Gomes como líder no Congresso, um parlamentar da facção de Renan Calheiros, que tem mais de uma dezena de processos em andamento do Supremo Tribunal Federal, também por suspeita de corrupção.

EM FAMÍLIA – Que moral terá o presidente da República para, daqui por diante, ostentar o discurso de que representa o novo, de que combate a corrupção, se está cercado por pessoas suspeitas de comandarem esquemas de desvio de dinheiro público?

E mais: toda a crise que implodiu o PSL aponta que os 57 milhões de votos que elegeram Bolsonaro não representam nada para ele se, à frente, estiverem os interesses dos três filhos. Em vez da República do Brasil, o que importa para o presidente é a República dos Bolsonaro.

BALBÚRDIA – Fica difícil acreditar que, depois de tanta balbúrdia criada pelo presidente da República, ele tenha condições de liderar um projeto maior de país, que passa pela aprovação das propostas que estimulem a retomada da economia. No Congresso, o respeito a Bolsonaro é quase zero.

Felizmente, há bom senso entre os parlamentares para separar o presidente da República dos interesses do Brasil. A perspectiva é de que toda a agenda econômica preparada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, ande, independentemente do governo.

Bolsonaro, como se vê, está cada vez menor. O “mito” só persiste entre os seguidores mais fanáticos, que não conseguem ver os perigos que o ocupante da cadeira mais poderosa de Brasília está colocando no caminho a ser trilhado pelo país.

Após ataques, ala do PSL ligada a Bivar fará requisição para suspender Eduardo Bolsonaro

Major Olímpio fez críticas à “filhocracia” do governo

Camila Turtelli
Estadão

O PSL deve suspender Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) de suas funções partidárias e, com isso, o deputado pode perder o comando do diretório estadual de São Paulo antes mesmo de ser destituído da função.

Segundo o deputado Júnior Bozzella (SP), um dos principais porta-vozes do presidente da sigla, Luciano Bivar (PE), o motivo é que o filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, fez ataques ao partido e também a correligionários, por isso será aplicada a ele a mesma penalidade que foi imposta a outros parlamentares na sexta-feira, dia 18.

SUSPENSÕES – Cinco deputados do PSL aliados a Jair Bolsonaro foram suspensos da atividade partidária: Carla Zambelli (SP), Filipe Barros (PR), Bibo Nunes (RS), Alê Silva (MG) e Carlos Jordy (RJ). De acordo com parlamentares da ala de Bivar, com a suspensão, a assinatura desses parlamentares em listas para indicar um líder na Câmara não será válida. O movimento visa a enfraquecer as chances de Eduardo ser posto na função.

“Precisamos salvar o Brasil dos filhos do presidente”, disse Bozzella. A suspensão do partido pode implicar perda automática do cargo de Eduardo como presidente do diretório estadual de São Paulo, assim como a saída do deputado da presidência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, mas esses dois pontos ainda estão sendo tratados como possibilidades dentro da legenda, já que se trata de questões abertas a interpretações.

“FILHORACIA”  – Na sexta-feira, o senador Major Olímpio (PSL-SP) já havia feito críticas à chamada “filhocracia” do governo Bolsonaro. Ele disse que os filhos, o senador Flávio, Eduardo e o vereador do Rio de Janeiro Carlos (PSC-RJ), “atrapalham tudo” no atual governo. Bozzella não descarta que outras suspensões possam ainda acontecer. “Outros parlamentares que agridem parlamentares e partido podem ser suspensos também”, disse.

Gilmar Mendes determina substituição de prisão de doleiro foragido por fiança

Gilmar atendeu pedido da defesa protocolado um dia antes

Luiz Vassallo
Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes determinou, nesta sexta-feira, dia 18, que o decreto de prisão contra um doleiro alvo da Operação Câmbio, desligo, seja substituído pelo pagamento de fiança de R$ 5 milhões, proibição de contato com outros investigados, e entrega de passaporte.

Nissim Chreim é tido pelas autoridades como foragido da Justiça. O pedido foi protocolado no dia anterior à decisão pelo advogado Alberto Zacharias Toron, que defende Chreim. “Registro que o alvará de soltura somente deverá ser expedido após o recolhimento da fiança, única cautelar possível de cumprimento antes de sua expedição, ante da localização atual do paciente”, anotou.

DÓLAR-CABO – A Câmbio, desligo foi deflagrada em 3 de maio de 2018 contra um ‘grandioso esquema’ de movimentação de recursos ilícitos no Brasil e no exterior por meio de operações dólar-cabo, entregas de dinheiro em espécie, pagamentos de boletos e compra e venda de cheques de comércio.

A ação tinha como principal alvo Dario Messer, apontado como controlador de um banco em Antígua e Barbuda com 429, até meados de 2013. Messer foi preso em julho, pela Polícia Federal, em um apartamento em São Paulo.  Segundo o Ministério Público Federal do Rio, Nissim tinha o codinome ‘miojo’ no sistema de lavagem de dinheiro dos doleiros, e movimentou US$ 22 milhões entre 2011 e 2016.

OFFSHORES – Segundo a decisão do juiz Marcelo Bretas, 7ª Vara Federal do Rio, as operações de Nissim ‘consistiam na compra de dólares no exterior, por meio de contas na Suíça em nome de offshores, com o devido depósito de reais em contas no Bradesco, ou entrega de cheques ou de dinheiro em espécie nas salas utilizadas pelos colaboradores em São Paulo’.

“Destaca-se que a unidade de inteligência financeira identificou que os beneficiários de algumas offshores do Panamá, Suíça e Ilhas Virgens são justamente Nissim e sua esposa Thania Chreim. Contudo, os dados obtidos pela quebra do sigilo fiscal apontam que Nissim jamais declarou tais empresas à Receita Federal”, anotou.

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA – O pedido de habeas havia sido rejeitado liminarmente pelo ministro Rogério Schietti Cruz, do Superior Tribunal de Justiça. “Em caso de tamanha complexidade, a envolver réu foragido (risco atual à aplicação da lei penal) e suposto integrante de sofisticada organização criminosa que, em tese, praticou crimes com substancial densidade lesiva ao bem jurídico tutelado, é recomendável que a análise sobre a revogação e/ou substituição da prisão preventiva seja feita por ocasião do julgamento do mérito do habeas corpus”.

Contra esta decisão, o advogado Alberto Zacharias Toron se insurgiu. O pedido foi acolhido por Gilmar. No pedido de habeas, Toron afirmou que ‘não é demais lembrar que “requerer renovação de offshore” não é crime’. “Depois, em 2018, o paciente não tinha mais domicílio fiscal no Brasil, portanto, não tinha que fazer qualquer declaração às autoridades brasileira”.“Por fim, sequer se sabe se houve a efetiva renovação da tal offshore, se ela possuía conta no exterior, se recebeu algum valor”, anota.

CAUTELARES ALTERNATIVAS – “Nesse cenário, é evidente o constrangimento ilegal ao qual o Paciente está sendo submetido, de forma a justificar a superação da Súmula 691/STF, com o deferimento da medida liminar e posterior concessão da ordem para que sua prisão preventiva seja revogada, ou, subsidiariamente, substituída por cautelares alternativas, na linha dos numerosos precedentes desse eg. STF”, argumentou o advogado, referindo-se à súmula do Supremo que pacifica: “Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a tribunal superior, indefere a liminar”.

 

Eduardo Bolsonaro critica “bipolaridade” de líder do PSL e troca ofensas com Joice Hasselmann

O amor entre o ‘picareta e moleque’ e ‘pepa’ acabou

Deu no G1

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou neste sábado, dia 19, que o presidente Jair Bolsonaro, pai dele, não pode estar sujeito à “bipolaridade” do líder do PSL na Câmara, deputado Delegado Waldir (PSL-GO).

Eduardo deu a declaração ao fazer uma transmissão ao vivo em uma rede social, na qual comentou a crise no PSL que atinge o Palácio do Planalto, o comando do partido e a bancada da legenda no Congresso Nacional.

“NOVO LÍDER” – Nesta semana, em meio à crise no partido, o líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), apresentou uma lista que indicava Eduardo Bolsonaro como novo líder do PSL na Casa. Logo depois, contudo, o deputado Delegado Waldir (PSL-GO) apresentou uma outra lista, que o recolocava no posto.

Neste sábado, Eduardo Bolsonaro afirmou que não queria a função de líder, mas decidiu ocupar o posto porque Waldir havia orientado obstrução em uma votação de interesse do governo.

SALVADOR DA PÁTRIA – “Comigo na liderança, todos concordaram que a liderança estaria em boas mãos. O próprio presidente Jair Bolsonaro não queria que eu fosse líder, eu também não queria, mas diante desses fatos não vou me acovardar. E, vendo o líder do PSL, que é o partido do presidente, orientando contra a Presidência da República, não sou eu que vou ficar de braços cruzados. Então, começamos a correr atrás de uma lista”, afirmou Eduardo Bolsonaro.

Sem citar o áudio que revela uma articulação do presidente Jair Bolsonaro para tirar o líder do PSL da função, o filho do presidente declarou em seguida: “Não me venham com esse papinho, com essa gargantinha ‘ai, o presidente interferiu’. Interferindo, nada. Ele está fazendo um projeto para o Brasil e o partido dele dentro da Câmara está indo contra o presidente, porra. Tu acha o quê? Que ele tem que fazer o quê? Que ele tem que ficar ‘não vou interferir’?”

IMPLOSÃO – Na última quinta-feira, dia 17, circulou um áudio do Delegado Waldir no qual ele dizia que iria “implodir” Bolsonaro. No mesmo dia, em entrevista coletiva, o deputado recuou, afirmando que não tinha nada para usar contra o presidente e que a declaração havia sido dada em um “momento de emoção”. Na sexta-feira, dia 18,  contudo, voltou a criticar Bolsonaro, afirmando que o presidente havia tentado “comprar” deputados com cargos.

Também neste sábado, Eduardo Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), agora ex-líder do governo no Congresso, trocaram ofensas nas redes sociais. Ao comentar uma publicação de Joice Hasselmann, Eduardo Bolsonaro publicou a seguinte mensagem: “#DeixeDeSeguirAPepa”

PEPPA E NEM-NEM – A mensagem foi uma provocação à deputada, sugerindo aos seguidores que deixem de segui-la na internet, a comparando à personagem de desenho animado Peppa Pig. A deputada, então, respondeu: “Picareta! Menininho nem-nem: nem embaixador, nem líder, nem respeitado. Um zero à esquerda. A canalhice de vocês está sendo vista em todo Brasil”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Após as juras de amor eterno, Eduardo e Joice agora decidiram partir para o litigioso e lavar a roupa suja em praça pública. Não dispensaram nem o fim de semana. E o eleitor, pasmo, fica imaginando a que nível se desce e que tipo de representante é eleito ao ler adjetivos que mais parecem trocados em uma sala de jardim de infância. Tantos projetos travados, com a população aguardando a “salvação” prometida, e os nossos parlamentares tentando descobrir quem fala o palavrão mais feio e provocativo. Quando pensamos que o ridículo tem limites, eles nos surpreendem e recheiam os noticiários com cenas patéticas. E pensar que ainda pagamos seus salários e mordomias … (Marcelo Copelli)

Mesmo estando na reserva, o general Villas Bôas não devia se meter em política

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Antonio Santos Aquino

É lamentável que militares fiquem “ameaçando o povo” a propósito na próxima decisão do Supremo Tribunal Federal, sobre cumprimento da pena de prisão após condenação em segunda instância, pressionando o julgamento dos ministros. Militares não podem opinar em nada que diga respeito aos três Poderes. É crime fazer qualquer insinuação de violência.

Pergunto: Esses militares sem comando e na reserva fariam o que? Os militares da ativa concordam com essas ameaças? Lógico que a maioria não concorda.

DISSE CIRO GOMES – A primeira ameaça do general Villas Bôas foi quando o Supremo era presidido pela ministra Carmem Lúcia. Na época, quem atabalhoadamente se manifestou sobre isso foi Ciro Gomes, dizendo que o general “entraria em cana” se fosse em seu governo. Disse à sua maneira, mas disse a verdade. Militares não podem se envolver em política.

O general Villas Bôas devia a se manifestar era sobre o artigo de Helio Fernandes no Blog Tribuna Sindical sobre os três encontros de Moro e Bolsonaro três meses antes das eleições. Nos dois primeiros Bolsonaro pede que Moro mantenha Lula preso para que ele ganhasse a eleição. Resposta de Moro: Não tenho provas; só ilações e convicção. Na terceira Bolsonaro foi mais explícito: Sendo presidente sou eu que indico e nomeio. Falaram em nomeação para o STF.

Tudo aconteceu como Helio reportou. O jornalista não tem bola de cristal e nem é cigano. Como iria adivinhar com três meses de antecedência. Isso foi porque é até hoje, aos 99 anos, escrevendo todos os dias, um dos jornalistas mais bem informados sobre tudo que se passa no Brasil e no mundo.