Piada do Ano! PF vai arranjar um “hacker” para confessar que fez adulteração, diz The Intercept

Resultado de imagem para the intercept moro

No desespero, The Intercept já prevê que o “hacker” será preso…

Ivan Longo
Site Fórum

Após mais um lote de conversas da série de reportagens da Vaza Jato divulgadas no último final de semana, a Polícia Federal, em meio a licença do ministro da Justiça, Sérgio Moro, estaria preparando, esta semana, uma ofensiva ao site The Intercept Brasil através da prisão de um suposto hacker que “confessará” a adulteração dos diálogos. A informação, obtida através de fontes próximas, foi divulgada na tarde desta segunda-feira (15) pelo próprio site de Glenn Greenwald.

“Apesar da abundância de provas da autenticidade do material, publicadas pelos diferentes veículos, diversas fontes disseram ao Intercept ao longo dos últimos dias que a Polícia Federal, durante o afastamento do ministro Sergio Moro, está considerando realizar essa semana uma operação que teria como alvo um suposto ‘hacker’, que supostamente seria a fonte do arquivo. Esse suposto hacker seria estimulado a “confessar” ter enviado o material ao Intercept e que esse material teria sido adulterado”, explica o site em editoral.

AUTENTICIDADE – No texto, o veículo que tem revelado a atuação parcial do ex-juiz Moro em conluio com procuradores do Ministério Público Federal na condução da Lava Jato reforçou que inúmeros veículos brasileiros, entre eles os maiores do país, e, inclusive um internacional, como o El País, confirmaram, através de apurações minuciosas, a autenticidade das conversas.

“Essa tática equivocada fracassará. A razão é simples: as evidências provando a autenticidade do material são tão grandes, e oriundas de tantas fontes de credibilidade conhecida, que nenhuma ‘confissão’ do tipo seria verossímil”, garante o The Intercept Brasil.

No editorial desta segunda-feira, o site explica os métodos de apuração de todos os veículos que se debruçaram sobre os diálogos que vem sendo divulgados.

SEM ADULTERAÇÕES – “Frente a todas as evidências, apresentadas por diferentes meios de comunicação, que provam a autenticidade do material, não há literalmente nenhuma evidência – ou mesmo uma única alegação concreta – de que qualquer mensagem publicada tenha sido adulterada, muito menos forjada”, diz o texto.

Além da suposta prisão do “hacker”, a credibilidade das reportagens do The Intercept Brasil vem sendo atacada através da suposta investigação que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) teria aberto para investigar a vida financeira do editor do site, Glenn Greenwald. A notícia sobre a suposta investigação gerou preocupação de entidades jornalísticas e, inclusive, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que chegou a encaminhar um ofício ao Coaf.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As denúncias do The Intercept estão mais do que desmoralizadas, desde que o editor-chefe do site foi gravado num café em São Paulo, em conversa com amigos, admitindo que foram cometidos erros de datas, nomes e teor das mensagens. Além disso, houve outras comprovações de manipulação, como a denúncia da procuradora Monica Checker, que apontou grotesca adulteração. Mas isso é assunto para outro artigo sobre as fraudes do The Intercept, que publicaremos na manhã desta terça-feira. (C.N.)

“Rei da Firjan” há 24 anos, Eduardo Eugênio usa e abusa do orçamento de R$ 1 bilhão

Crédito: JOÃO LAET

Eugênio está usando a Firjan em benefício próprio há 24 anos

Germano Oliveira
IstoÉ

Escolhido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para capitanear a transição das entidades do Sistema S para tempos mais modernos, o presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, está longe de ostentar um perfil à altura de sua missão. O industrial carioca, conhecido como “monarca”, acumula um reinado de um quarto de século — exatos 24 anos – à frente da entidade, na qual se eterniza amparado por manobras que lhe permitem ilimitadas reeleições.

Com isso, ele tem mandato assegurado até 2020 e prepara-se para obter novo período na direção da instituição, o que poderá lhe manter ditatorialmente no cargo por quase 30 anos.

NUM PALACETE – É um absurdo, sobretudo num momento em que o País clama por transparência e lisura de seus dirigentes. Afinal, a Firjan administra um orçamento de R$ 1 bilhão, gasto sem maior rigor pelo mandatário que despacha, literalmente, num palacete.

É que recentemente, Gouveia Vieira comprou, em nome da Firjan, o antigo Palacete Guinle-Lineu de Paula Machado, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, onde ele e sua diretoria recebem convidados em eventos exclusivos para públicos restritos. Uma incoerência gritante para um gestor escolhido pelo governo para gerir e reformular o Sesi e Senai, cuja reestruturação foi determinada por Guedes com o objetivo de acabar com aquisições milionárias de imóveis com recursos do Sistema S.

Só na compra do palacete e do terreno da família Guinle, a Firjan gastou R$ 42,2 milhões, além de outros R$ 70 milhões usados na reforma do imóvel. Enquanto o monarca Gouveia Vieira ocupa o palacete Guinle, o corpo técnico da Firjan continua operando na sede, localizada na avenida Graça Aranha, no centro do Rio.

FORA DA FINALIDADE – Na verdade, os recursos usados no nababesco palácio da Firjan deveriam estar sendo aplicados na missão final do Sesi e do Senai, que é o atendimento dos funcionários das indústrias fluminenses. Apesar de estar entre as mais ricas federações do país, a Firjan é a que menos oferece educação básica a seus associados, com apenas 158 vagas escolares ofertadas em todo o estado em 2018. Também no ensino médio as entidades dirigidas pelo “rei da Firjan” ofereceram somente 119 vagas em todo o estado.

Pelas normas do Sistema S, o Sesi é obrigado a destinar um terço de sua receita líquida para a área de educação, sendo metade em vagas gratuitas no ensino básico e continuado. Mas os recursos têm sido aplicados em caprichos pessoais e autopromoção do “déspota” da Firjan.

Um levantamento na prestação de contas da entidade constatou que, em 2013, foram gastos com o aluguel de jatinhos e helicópteros quase três vezes mais do que estava previsto, saltando de R$ 191 mil para R$ 489 mil. Gouveia Vieira costuma fretar helicópteros para reuniões em Niterói ou jatinhos para suas viagens regionais, sobretudo para idas a Brasília (ele se recusa a usar aviões de carreira).

LAVA JATO – Gouveia Vieira entrou na mira da Lava Jato, após delação de Rogério Araújo, executivo da Odebrecht, enrolado com superfaturamentos.

As despesas de publicidade também são astronômicas. A entidade gasta R$ 28 milhões por ano. O Tribunal de Contas da União (TCU), onde desde 2015 há pendências na prestação de contas do Sesi-RJ, informou que solicitará explicações sobre a destinação dos recursos. A Firjan também patrocina as viagens constantes de Gouveia Vieira à Paris. Ele vai à França pelo menos cinco vezes por ano e fica hospedado no Hotel Plaza Athenee, o mais caro da capital francesa, com diárias de até R$ 4 mil, tudo pago pela entidade.

SALÁRIOS MILIONÁRIOS – Numa espécie de pacto com outros diretores e funcionáros mais graduados da entidade, Gouveia Vieira paga salários milionários, de até R$ 100 mil mensais para o diretor-geral, muito acima do teto constitucional de R$ 33 mil. Segundo acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU), publicado em 16 de novembro de 2016, graves denúncias foram apontadas na gestão de Gouveia Vieira, especialmente no tema de supersalários. Somente no período de 2008 a 2010, a entidade desviou R$ 60,7 milhões em prêmios e salários considerados ilegítimos.

Além de todos esses malfeitos, Gouveia Vieira entrou na mira da Operação Lava Jato do Rio de Janeiro, após a delação de Rogério Araújo, executivo da Odebrecht, enrolado nas obras superfaturadas do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj).

O presidente da Firjan teria participado de irregularidades nas obras do Comperj ao lado do ex-governador Sérgio Cabral, preso no Rio por vários crimes de corrupção. Os investigadores da Lava Jato estão intrigados com as movimentações patrimoniais atípicas do velho monarca carioca. O rei está nu.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sensacional a matéria de Germano Oliveira, enviada por José Antonio Perez, direto de Brasília. Com texto curto e incisivo, ele destrói o farsante Eduardo Eugênio Gouveia Vieira e coloca em mãos lençóis o ministro Paulo Guedes, que tem a ousadia de entregar a um pilantra dessa categoria a missão de limpar a corrupção no chamado Sistema S. Guedes tem o dedo podre e escolheu o homem errado na hora errada. Parece brincadeira, mas é tudo verdade. (C.N.)

Mourão diz que reforma ficou pela metade e propõe reduzir o número de partidos

Hamilton Mourão defende reformas política, previdenciária e tributária em evento na FGV — Foto: Reprodução/TV Brasil

Mourão fez palestra no Rio, abordando obviedades desgastadas

Por G1 Rio

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRB), disse nesta segunda-feira (dia 15) que o Congresso deve discutir em breve a reforma política. A declaração foi dada durante discurso na Fundação Getúlio Vargas (FGV), na Zona Sul do Rio.

“Temos um sistema político que ele é difícil de conceber, tal a fragmentação partidária que nós temos. Hoje, lá dentro do Congresso temos 26 partidos representados. Apenas dois (partidos) têm mais de 50 deputados (PSL e PT). Em torno de sete (partidos) têm entre 30 e 40 (deputados). O restante são partidos com 10, 8 deputados. Então, é extremamente fragmentado nosso Congresso. Não é fácil de lidar com isso aí. Os partidos deixaram de representar o pensamento da sociedade como um todo. O ideal seriam cinco ou sete partidos”, disse.

VOTO DISTRITAL – Mourão sugeriu ainda o voto distrital como forma de baratear a eleição, citando o “caixa dois” como uma válvula de escape para a corrupção no sistema eleitoral.

“Isso vem sendo discutido, acho que brevemente é um passo que nosso Congresso irá dar porque é mais que necessário.”

O vice-presidente disse também que a Reforma da Previdência está avançando, mas que, dentro de poucos anos, a discussão será retomada. “Felizmente, ela (a Reforma da Previdência) está encaminhada. Não da forma que nós, governo, gostaríamos. Mas existe um velho aforismo no meio militar que o ‘ótimo é inimigo do bom’. Então, vamos ter uma reforma boa, não ótima. Daqui a cinco, seis anos vamos estar discutindo novamente isso aí, vocês podem ter certeza”, previu.

PRIVATIZAÇÕES – Para reduzir a crise, Mourão defendeu também a venda de estatais e disse que os concursos só devem voltar a acontecer quando houver o reequilíbrio das contas públicas.

“Vamos privatizar aquilo que puder ser privatizado, não vamos contratar ninguém pelos próximos anos. Vamos fazer uma diminuição do tamanho do estado de forma, digamos assim, branda. À medida que as pessoas forem se aposentando, não vamos contratar ninguém até que a gente consiga equilibrar nossas contas.”

REFORMA TRIBUTÁRIA – O vice-presidente criticou o sistema tributário, chamando de “caótico”, e defendeu também esta reforma. Segundo ele, o atual sistema “penaliza os mais pobres”.

“Existem várias ideias (de reforma tributária) rondando aí. Na Câmara, no Senado e tem a nossa (do governo), que está sendo trabalhada, ainda tem outras correndo por fora.”

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Foi o tipo da conversa fiada, toda em cima de chavões genéricos, sem a menor criatividade. O pronunciamento indica que o país caminha para um buraco negro, sem debater o descontrole da dívida pública. Todos se comportam como se não tivessem a menor responsabilidade de resolver o problema, é como se non eczistisse, diria Padre Quevedo, que faz uma falta desgraçada, com sua visão objetiva, que os políticos insistem em desprezar.  (C.N.)

Sobrinho de Bolsonaro investiga se há comunistas no governo, para demiti-los

Imagem relacionada

Bolsonaro confia nos relatórios escritos pelo sobrinho Léo Índio

Deu no Correio Braziliense
(Estadão Conteúdo)

O assessor parlamentar Leonardo Rodrigues de Jesus, o Leo Índio, primo dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, virou uma espécie de “espião voluntário” do governo. Nos primeiros quatro meses da gestão do tio, Léo Índio elaborou dossiês informais de “infiltrados e comunistas” nas estruturas federais nos Estados.

Os relatórios começaram a ser feitos de maneira unilateral, sem nenhum pedido oficial do Palácio do Planalto ou da família Bolsonaro, quase sempre de maneira amadora. Leo Índio cruza dados abertos da estrutura federal nos Estados com notícias de jornais e de colunas, para tentar identificar a quem o servidor comissionado está ligado.

EM TRÊS ESTADOS – O primo dos Bolsonaro já viajou a pelo menos três Estados – Maranhão, Bahia e Minas – nos primeiros meses do ano catalogando “alvos incompatíveis” com a administração federal. Coincidentemente, três Estados que estão ou estiveram sob domínio de “comunistas” do PT e do PCdoB.

Durante as viagens, Leo dedicou parte do seu tempo a reuniões políticas com militantes do PSL e apoiadores do presidente. Foi depois de um encontro desses que surgiu o nome da ex-deputada estadual Maura Jorge (PSL), no Maranhão, que passou a comandar a Superintendência da Funasa no Estado, órgão historicamente ligado à família Sarney. Pelas redes sociais, Maura Jorge agradeceu.

CONVITE ACEITO – “Dias atrás, informei a vocês sobre o convite que o presidente Jair Bolsonaro me fez para compor seu governo. Hoje, fico honrada em anunciar que decidi aceitar essa missão, assumindo o comando da Funasa no Maranhão, pois tenho a certeza de que, desse modo, vamos poder fazer ainda mais pelo progresso do nosso Estado e do povo maranhense. Meus agradecimentos ao presidente da Funasa, Ronaldo Nogueira, Léo Índio, sobrinho do presidente Jair Bolsonaro; à dra. Edna e ao Luís Vannuci pelo carinho e confiança”, escreveu Maura.

Léo Índio ganhou notoriedade por possuir carta branca para entrar no Palácio do Planalto. Nos primeiros 45 dias de Bolsonaro, esteve 58 vezes no Planalto. Com 35 anos, foi estudante de Administração e ocupa o cargo de assessor parlamentar do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), vice-líder do governo, com o salário de R$ 22.943,73. Questionado sobre sua atuação no governo, limitou-se a dizer que está “focado nas missões que o senador (Chico Rodrigues) designou”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Léo Índio, sem ser funcionário nem terceirizado, tinha um crachá amarelo que lhe dava acesso a todas as dependências do Palácio do Planalto, inclusive o terceiro andar, que é restrito, por abrigar o gabinete presidencial. O fato concreto é que a Presidência está loteada para “amigos” da família Bolsonaro, como Filipe Martins, o assessor de política internacional, e Jorge de Oliveira, o major da PM que se diz “jurista” e redigia decretos ao invés de medidas provisórias e vice-versa. Bolsonaro ficou tão impressionado com a “eficiência” dele que o nomeou ministro da Secretaria-Geral da Presidência, onde continua a fazer burradas jurídicas. Os dois são indicações de Eduardo Bolsonaro, o filho Zero Três. (C.N .)

Propina na Olimpíada traz esperança de punição ao ‘Rei Arthur’, foragido nos EUA

Arthur Soares de Menezes, o 'Rei Arthur' em Miami Foto: Reprodução

Cúmplice de Cabral, o Rei Arthur se deu bem nos Estados Unidos

Bernardo Mello
O Globo

Desejo antigo do Ministério Público Federal (MPF) , impedido pelo governo dos EUA, a tentativa de extradição do empresário Arthur César de Menezes Soares Filho , mais conhecido como “Rei Arthur”, entrou no radar de autoridades da França. Acusado de ter financiado um esquema de vantagens ilícitas que irrigou a gestão de Sérgio Cabral, Arthur Soares foi citado em depoimento do ex-governador ao juiz Marcelo Bretas, no último dia 4, como responsável pelo pagamento de propinas para que o Rio fosse escolhido sede dos Jogos Olímpicos de 2016. O acerto teria ocorrido em Paris, em setembro de 2009, dias antes do evento que ficou conhecido como “farra dos guardanapos”.

Arthur, que mora na ilha de Key Biscayne, em Miami, é considerado foragido pelo MPF. Desde a deflagração da Operação Unfairplay, em setembro de 2017, para investigar a compra de votos na candidatura olímpica do Rio, o Brasil enviou ao governo dos EUA pedidos de bloqueio de bens, quebra de sigilo telefônico e bancário e de extradição do empresário, todos ignorados.

ACORDO VIGENTE – Nos bastidores, há o entendimento de que, embora tenha negado os pedidos do Brasil contra Arthur, o governo americano seria mais solícito a uma abordagem francesa. EUA e França têm acordo de extradição vigente.

“Seria ótimo para nós se acontecesse. Nosso pedido de cooperação internacional com os EUA não prosperou. Temos o interesse de que ele (Arthur) seja punido por eventuais crimes que tenha cometido’ — disse Fabiana Schneider, procuradora da Lava-Jato no Rio.

Membros da Lava-Jato têm atuado em parceria com procuradores franceses nos últimos três anos. Jean-Yves Lourgouilloux, um dos integrantes do Parquet National Financier (PNF) francês que veio ao Brasil no início da Operação Unfairplay, não confirma qualquer medida francesa em relação ao Rei Arthur.  O Globo apurou, porém, que um possível pedido de extradição já começou a ser estudado na França.

SENEGALÊS – Lourgouilloux ficou responsável pelas investigações contra Lamine Diack, senegalês que reside na França, acusado de receber US$ 2 milhões de Arthur Soares, em dois pagamentos, para votar no Rio na eleição da sede olímpica. A negociação teria sido intermediada em Paris por Leonardo Gryner, braço-direito do ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) Carlos Arthur Nuzman. Diack está impedido judicialmente de deixar a França.

O próprio Arthur relatou, em proposta de delação premiada entregue ao MPF no início do ano e obtida pelo Globo, que foi procurado por Gryner no hotel Fouquet Barriere, em setembro de 2009, e orientado a fazer os pagamentos. Arthur teria feito a transferência na mesma hora, em documentos enviados por fax. Segundo ele, Gryner disse que o dinheiro seria enviado a um lobista.

JURISDIÇÃO — “O fato de ter ocorrido um encontro em Paris confirmaria a existência de jurisdição francesa sobre esse caso. As pessoas que participaram desse encontro poderiam ser processadas de acordo com as leis da França” — explicou Lourgouilloux.

Dono do grupo Facility, Arthur Soares era um dos principais prestadores de serviços terceirizados no governo Cabral, em áreas como limpeza, segurança, alimentação e saúde.Segundo investigação do Ministério Público do Rio (MP-RJ), a Facility participava em licitações fraudadas e depois repassava valores dos contratos a autoridades do Legislativo e do Executivo fluminense. A influência do empresário, cujos contratos com o governo do Rio chegaram a totalizar R$ 3 bilhões, deu origem ao apelido de “Rei Arthur”.

Procurada pelo Globo, a defesa de Arthur Soares não se manifestou.

Ministro contradiz Bolsonaro e garante instalação de 4,2 mil radares em rodovias

O ministro da Infraestrutura Tarcísio Freitas Foto: Jorge William / Agência O Globo

Tarcísio de Freitas considera que os radares são indispensáveis

Geralda Docas e João Paulo Saconi
O Globo

Na contramão de afirmações do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, enviou à Câmara dos Deputados um ofício em que menciona a instalação de radares em 4.204 pontos de rodovias federais ainda este ano. O número representa pouco mais da metade de um pacote de oito mil equipamentos de fiscalização de trânsito previstos em edital lançado durante o governo de Michel Temer. Em março, Bolsonaro havia informado que o edital tinha sido cancelado por ele.

O documento assinado pelo ministro chegou ao Congresso em 12 de junho, endereçado ao gabinete do deputado Ivan Valente (PSOL-RJ), conforme antecipou o jornal “O Estado de S. Paulo”. Tratava-se de uma resposta a um requerimento do parlamentar, enviado também ao Ministério da Justiça, com pedido de informações sobre os radares em rodovias federais.

QUAL ESTÁGIO? – Em uma das seis perguntas enviadas à pasta de Tarcísio Freitas, Valente questiona qual o estágio das negociações para a contratação de empresas de manutenção e instalação de radares.

Na resposta, o ministro da Infraestrutura explica que o Departamento Internacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) vem celebrando contratos relativos ao edital lançado por Temer em 2016, mas que foi necessária uma reavaliação, em razão da atual situação fiscal do país. Essa análise, de acordo com Freitas, considerou os pontos mais críticos das rodovias, onde há mais acidentes por excesso de velocidade, e a disponibilidade orçamentária da pasta. Foi o principal critério, segundo ele, para reduzir, em 2019, as instalações de oito mil para 4.204 radares.

Ao tratar do assunto, há três meses, Bolsonaro afirmou que existe um sistema abusivo de cobrança de multas de trânsito com o objetivo de aumentar a arrecadação do governo, o que o teria levado a cancelar integralmente o edital do governo anterior.

DISSE BOLSONARO – “Após revelação do Ministério da Infraestrutura de pedidos prontos de mais de oito mil novos radares eletrônicos nas rodovias federais do país, determinei de imediato o cancelamento de suas instalações. Sabemos que a grande maioria destes tem o único intuito de retomo financeiro ao estado”, escreveu Bolsonaro em 31 de março.

Freitas salienta, no ofício à Câmara, que acidentes rodoviários são causados por motivos diversos, mas admite que, no caso de excesso de velocidade, é “fato” que “a instalação dos equipamentos eletrônicos controladores e redutores nos pontos críticos definidos é uma medida eficiente, associada com outros investimentos na manutenção da malha rodoviária”, como adequação dos traçados das pistas, melhora na sinalização e campanhas educativas.

MORO DEFENDE – O ministro da Justiça, Sergio Moro, já havia contrariado a posição de Bolsonaro ao responder ao mesmo requerimento. Um ofício elaborado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e enviado à Câmara em maio, com o aval de Moro, reconheceu que os radares têm “potencial para colaborar” com a redução da violência no trânsito no Brasil.

Para Valente, as respostas dos ministros aos requerimentos de seu gabinete mostram que tanto os profissionais do Dnit quanto os da PRF estão insatisfeitos com a posição de Bolsonaro quanto ao edital.

Os radares que fiscalizam excesso de velocidade em rodovias federais têm sido alvo recorrente do presidente. Recentemente, Bolsonaro também atacou os radares móveis, classificados por ele como “armadilhas para pegar motoristas”.

RADAR MÓVEL – A proposta de acabar com a operação dos equipamentos volantes foi mencionada em uma das transmissões ao vivo que Bolsonaro faz semanalmente, com a promessa de que ele consultaria a população sobre o tema através das redes sociais.

A contrariedade com que o presidente aborda a fiscalização foi objeto de uma ação que tramita na 5ª Vara Federal em Brasília. O processo foi movido pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES) e levou à proibição do cancelamento do edital aberto em 2016. Em resposta à decisão judicial, o governo se propôs a assinar um acordo com o Ministério Público Federal (MPF) para criar um cronograma que garantisse as novas instalações.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No início do governo, quando Bolsonaro errava, ele mesmo voltava atrás. Agora, tomou gosto pelo poder, ficou mais pretensioso e abandonou a autocrítica. Precisa voltar urgentemente a ela. Sem autocrítica, nem governo consegue êxito. Quanto ao ministro da Infraestrutura, é uma grata surpresa. Está fazendo um belo trabalho, apesar da falta de recursos. (C.N.)

Bolsonaro devia ter sobriedade e recuar da ideia lunática sobre filho embaixador

Imagem relacionada

Bolsonaro precisa demonstrar mais seriedade e bom senso

Leandro Colon
Folha

Jair Bolsonaro conseguiu uma proeza ao anunciar a decisão de indicar o filho e deputado Eduardo para embaixador nos EUA. A intenção recebeu críticas do guru Olavo de Carvalho e dos raros aliados no Congresso. Foi vista com desconfiança pelo núcleo militar do Planalto e avaliada com deboche e espanto nos bastidores do Itamaraty.

A única exceção foi o assessor especial Filipe Martins, amigo do peito de Eduardo Bolsonaro e figura inexpressiva do PSL alçada a especialista em política internacional no Planalto.

BOM SENSO – Se Bolsonaro tiver um pouco de bom senso (algo um tanto improvável, tratando-se do personagem), deveria recuar e afirmar que teve um delírio causado pela euforia familiar com os 35 anos completados pelo seu 03 na última quarta-feira (dia 10).

Aliás, o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, homem de confiança do presidente, indicou que essa história pode ser apenas um balão de ensaio.

“É um processo que tem de ver se vai ser confirmado. Ele (Bolsonaro) não disse da embaixada em Jerusalém? Ela está onde? Em Tel Aviv. O presidente tem esses momentos”, afirmou o ministro aos jornalistas.

DEPENDE DO SENADO – Ao levar adiante a nomeação do filho para Washington, Bolsonaro terá de enfrentar o escrutínio dos senadores, responsáveis por aprovar ou rejeitar escolhas do governo para assumir o comando de embaixadas.

O risco é duplo: um possível vexame na hipótese de o Senado derrubar a indicação do filho do presidente e a contaminação política do tema no mesmo período em que a Casa deve discutir a reforma da Previdência a ser enviada pela Câmara.

“MOMENTOS” – Ao querer prevalecer a escolha de cunho pessoal e familiar ao posto mais importante da diplomacia brasileira no exterior, Bolsonaro pode atrapalhar a tramitação legislativa de um projeto de interesse do estado.

Ele tem dito que a decisão caberá ao filho. Mas seria um gesto de sobriedade e racionalidade se o próprio presidente desistisse da ideia lunática, confirmando que tudo não passou de mais um de seus “momentos”.

 

No país bestificado, parece que a Era da Revolta, 2013-2018, chegou ao fim

Resultado de imagem para PATO AMARELO CHARGES

O Pato da Fiesp foi recolhido das ruas e o país parece estar resignado

Vinicius Torres Freire
Folha

O país quase inteiro assistiu de modo resignado à aprovação da reforma da Previdência. Na prática e no grosso, espera de modo conformado que a economia dê sinal de vida. Talvez a reação bestificada ou perplexa fosse esperança modesta e calada em algum alívio próximo. Não é o que parecem dizer pesquisas de confiança econômica, de outros sentimentos da vida e de prestígio do governo, que sugerem desilusão e medo.

Talvez tenhamos chegado à fase de aceitação, como se diz do último estágio do luto, como se não houvesse mais a fazer além de atravessar o deserto de modo paciente. Acabou a era da revolta, 2013-2018?

PASMACEIRA – Claro que esta caricatura de psicologia é apenas um modo tentativo de descrever a pasmaceira, obviamente não um diagnóstico do silêncio. O país parece ruidoso nas redes insociáveis ou no governo e nas demais minorias extremistas, mas não se movimenta política ou socialmente mesmo diante de questão controversa como a Previdência.

Antes da tramitação quase pacífica ou funérea da reforma das aposentadorias e pensões, parecia razoável estimar que o plano de mudanças previsto para o ano causasse conflito. Vai?

A reforma tributária pode ser racionalização econômica, como a previdenciária, mas também provoca perdas ou ganhos, talvez ainda mais evidentes. Haverá quem pague mais e menos impostos, empresas e cidadãos. A ideia temerária de acabar com os gastos obrigatórios em saúde e educação, que vem por aí, é caso análogo.

ALGUM BARULHO? – No conflito entre elites econômicas devido a mudanças nos impostos ou mesmo à reforma de carreiras e salários de servidores, talvez se escute algum barulho. O povo em geral e o miúdo em particular assistirá bestificado ao resto da parada das reformas? É uma grande pergunta para o resto deste ano ou de governo, tão difícil de responder quanto é prever os danos do próximo desvario ou remelexo ultradireitista do bolsonarismo.

No mais, haverá questões sérias que não causam comoção popular, como a decisão do futuro da taxa de juros (caso a Selic não vá de 6,5% a 5% até o fim do ano, o Banco Central estará promovendo arrocho grátis e caro, tudo mais constante). Haverá um pacotinho econômico para o curto prazo, uma aguinha para ajudar a travessia do deserto, como a liberação de dinheiro de Pis/Pasep e FGTS. Mata a sede até o ano que vem?

DEPRESSÃO – Embora as previsões econômicas dos dois últimos anos, por aí, tenham sido horrendas bolas fora, na média não parece que a economia vá crescer além do ritmo anual de 1% ao ano até o Carnaval de 2020, se houver Carnaval. Teremos então chegado a seis anos de depressão.

Haverá “fadiga de reformas” com efeito prático? A pergunta nem é tão ociosa, porque até economistas-padrão, ditos ortodoxos, começam a especular sobre a possibilidade ou necessidade de algum estímulo para que a economia pegue no tranco (gasto extra do governo, em investimento).

SILÊNCIO DE OURO – Há, porém, quem preveja que um passeio de reformas possa antecipar a retomada do crescimento. O silêncio nacional seria então de ouro.

Mais seguro dizer que, na falta de alternativa política considerável, respeitável e razoável, resta aos insatisfeitos chorar no cantinho. Pelo andar da carruagem, o país vai ser virado do avesso socioeconômico sob a anestesia da depressão e da catatonia da oposição mais incapaz e desinformada de que se tem notícia.

Bolsonaro se revolta com a taxa para turista ir à praia em Fernando de Noronha

Resultado de imagem para bolsonaro no twitter charges

Charge do Thiago (Arquivo Google)

Deu em O Globo

O presidente Jair Bolsonaro criticou, neste sábado, uma taxa cobrada para visitar uma praia no arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, e disse que o valor “explica porque quase inexiste turismo no Brasil”. Ele comentou na rede social um vídeo em que um homem filma a Praia do Sancho, considerada a melhor do mundo pelo TripAdvisor.

No Facebook, Bolsonaro citou ser cobrado “R$ 106 para frequentar uma praia em Fernando de Noronha” e que o valor sobe para turista estrangeiro, indo a R$ 212. “Isso é um roubo praticado pelo GOVERNO FEDERAL (o meu Governo). Vamos rever isso”, escreveu o presidente, referindo-se a portaria do Ministério do Meio Ambiente que instituiu o pagamento da taxa. Ele finaliza a publicação pedindo que se “denuncie práticas porventura semelhantes em outros locais”.

PARQUE MARINHO – O pagamento dessa taxa citada por Bolsonaro, cobrada desde 2012, permite acesso ao Parque Nacional Marinho, que engloba algumas das praias mais conhecidas de Noronha, como a do Sancho e a Baía dos Porcos. O valor pago pelo turista para visitar a praia é válido por dez dias. O parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), do Ministério do Meio Ambiente.

Além desta, ao entrar na ilha de Fernando de Noronha, o visitante deve pagar uma taxa de permanência chamada Taxa de Preservação Ambiental – TPA. A TPA é cobrada e arrecadada pelo Governo Estadual de Pernambuco, que administra o Distrito de Fernando de Noronha. A taxa varia de acordo com a quantidade de dias que o turista permanecerá em Noronha e começa em R$ 73,52.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O presidente ainda nem resolveu o problema da tomada elétrica com três bicos, que tanto mobilizava sua atenção, e agora investe em defesa do Turismo em Noronha. Nota-se que se trata de um governante com preocupações ecléticas, mas obstinadamente pronto para defender os mais importantes interesses nacionais. (C.N.)

No Rio, Ministério Público passa pente fino contas eleitorais de Flávio Bolsonaro

Resultado de imagem para flavio bolsonaro

As investigações correm sob sigilo na 27ª Vara Criminal 

Ricardo Brandt
Estadão

O Ministério Público do Rio faz um pente-fino nas contas eleitorais do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) para saber se o dinheiro arrecadado por Fabrício Queiroz com outros assessores do antigo gabinete dele na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) irrigou campanhas políticas do filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro.

Doações recebidas diretamente e via partidos e despesas contratadas, como de gráficas, pessoal e locação de veículos, são investigadas desde o fim de março pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc) no âmbito do inquérito que apura supostos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa por meio do desvio de salário de assessores no gabinete de Flávio na Alerj.

ENRIQUECIMENTO – Eleito deputado estadual em 2002, Flávio ocupou cadeira na Alerj até dezembro de 2018. No período, disputou seis eleições ao cargo no Estado, uma a prefeito do Rio, em 2016, e a vaga ao Senado no ano passado. Além do uso eleitoral, investigadores analisam em sigilo possível enriquecimento ilícito dos envolvidos e prática de agiotagem, entre outros, com os recursos arrecadados por Queiroz.

O foco do Ministério Público são as campanhas de Flávio, mas o aprofundamento das análises alcança indiretamente contas eleitorais do PSL do Rio, do PP e do PSC – partidos pelos quais disputou os pleitos – e se aproxima da estrutura política da família Bolsonaro, incluindo a do presidente.

Suspeito de ser o operador do esquema conhecido como “rachadinha”, Queiroz trabalhou no gabinete de Flávio na Alerj de 2007 a 2018 e atuou em quatro eleições nesse período. Ao longo de 2016, ano em que Flávio disputou a prefeitura do Rio, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em sua conta bancária, com uma série de saques e depósitos fracionados considerados atípicos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

CRUZAR DADOS – Dados da quebra de sigilo fiscal e bancário de Flávio, Queiroz e de outros 92 alvos, decretada pela Justiça Estadual, devem ser cruzados com as informações de campanhas colhidas pelos promotores. As diligências em curso e análise do material levantado buscam trilhar o caminho do dinheiro e vão dar a dimensão dos desvios de salários de assessores ao longo dos 12 anos apurados. E se houve ou não envolvimento de Flávio.

Com base nas prestações de contas de campanha registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a reportagem listou os maiores doadores, as formas como foram recebidos os recursos e também as empresas contratadas diretamente e via partido, como as gráficas.

Até 2010 as campanhas de Flávio tiveram baixos valores de receitas e gastos. Naquele ano, ela foi feita com R$ 38 mil. Já em 2014, a reeleição a deputado estadual pelo PP custou R$ 214 mil, dos quais R$ 200 mil foram repassados pelo Diretório Nacional do partido, acusado na Operação Lava Jato de receber dinheiro de corrupção.

FUNDO PARTIDÁRIO – Em 2016, período das movimentações suspeitas de Queiroz, Flávio concorreu ao cargo de prefeito pelo PSC, partido do irmão vereador Carlos Bolsonaro. Na ocasião, ele teve a maior arrecadação do período investigado: R$ 871 mil. Quase todo valor foi doado pelo PSC por meio do Fundo Partidário.

No ano passado, quando Flávio foi eleito senador, sua campanha recebeu R$ 712,2 mil em doações em dinheiro e valores estimados por repasses de material de campanha e por prestação de serviços. A campanha do presidente Jair Bolsonaro foi a maior doadora de dinheiro para a do filho: R$ 200 mil. Nem o presidente nem sua campanha são alvo da apuração.

CAMPANHA – O PSL do Rio, presidido por Flávio, foi outro importante financiador da campanha ao Senado. O diretório estadual recebeu ao todo R$ 550 mil do PSL nacional. A ex-assessora e tesoureira-geral do partido nas eleições de 2018, Valdenice de Oliveira Meliga, também teve seu sigilo quebrado. Ela é irmã de Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, presos em agosto de 2018 na Operação Quarto Elemento acusados de crimes e envolvimento com milícias.

Foi o PSL do Rio que bancou a impressão de santinhos, adesivos e faixas da campanha de Flávio em 2018, com valor de R$ 209,8 mil. Três gráficas produziram o material, quase a totalidade em dobradinha com a campanha presidencial do pai: a Grafserra, a Esfera Visual e a Apel Gráfica.

A Grafserra foi a que mais recebeu por serviços doados à campanha de Flávio – R$ 273 mil –, e imprimiu 10 milhões de santinhos com a imagem dos Bolsonaro. Entre os clientes da empresa estavam ainda os candidatos a deputado federal Hugo Leal (PSD), Leonardo Picciani (MDB) e Simão Sessim (PP), além do deputado estadual Max Rodrigues Lemos (MDB).

SEM COMENTÁRIOS – O advogado Luis Gustavo Botto Maia, responsável pela campanha de Flávio Bolsonaro ao Senado em 2018 e pela prestação de contas do PSL do Rio, recebeu procuração do senador em fevereiro deste ano para atuar como representante legal e acompanhar a investigação do Ministério Público do Rio. Procurado pela reportagem, ele não respondeu até a conclusão desta edição.

Flávio Bolsonaro nega ter praticado qualquer ato ilícito durante seu mandato como deputado estadual. Ele afirma que o ex-assessor Fabrício Queiroz tinha autonomia dentro de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e que desconhecia as práticas adotadas por ele. Flávio diz ainda que seu sigilo foi quebrado de forma ilegal pelos promotores e que é vítima de perseguição, cujo objetivo é atingir o governo de seu pai.

Em sua defesa encaminhada por escrito ao MP, Queiroz disse que arrecadava parte do salário dos assessores para contratar apoiadores externos informais para melhorar o desempenho político do então deputado estadual. Ele disse que Flávio não sabia disso e que não via irregularidade na prática, proibida pelo Alerj. O Ministério Público considera que a versão de Queiroz corrobora as suspeitas de peculato envolvendo o dinheiro da Alerj.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É apenas uma questão de tempo. As provas estão se avolumando. Não há mais detalhes, porque a investigação é feita sob sigilo na 27ª Vara Criminal do Rio. (C.N.)

Por que Greenwald está acima da lei e da ordem, segundo o partido de Marina Silva?

Resultado de imagem para greenwald charges

Nenhum cidadão, estrangeiro ou brasileiro, pode ser “blindado”

Celso Serra

A única diferença entre Glenn Greenwald e os traficantes internacionais de drogas é que estes fazem mal apenas aos viciados, enquanto o jornalista está causando mal a um país inteiro. Há brasileiros que estão presos em outros países por tráfico de drogas; exceto os foram condenados à morte e executados.

Aqui, em nossa amada (?) Republiqueta de Bananas Podres, a mídia noticiou semana passada que a Rede Sustentabilidade – partido da dona Maria Osmarina da Silva, vulgar e politicamente conhecida como Marina Silva – entrou com ação no Supremo Tribunal Federal para impedir qualquer investigação sobre Glenn Greenwald. 

BLINDAGEM – Notem bem: impedir qualquer ação sobre o cônjuge (marido ou esposa, pois já foram divulgadas as duas situações civis) do suplente David Miranda, aquele  que ocupou a vaga do deputado federal eleito Jean Wyllys, do Psol-RJ, que renunciou ao mandato em situação agora qualificada pela mídia como “inusitada” e merecedora de investigação, já requerida à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal pelo deputado José Medeiros (Podemos-MT).

Neste pedido ao Suprelo, o partido (Rede) argumenta que o hackeamento de celulares de autoridades não justifica apuração sobre a conduta do jornalista, inclusive por meio do Coaf, e que a Polícia Federal não pode ser instrumentalizada “para fins de revanchismo” contra quem divulgou as mensagens.

REVANCHISMO – Pergunto: apurar a verdade sobre fatos graves é “revanchismo”?  Desde quando agentes e órgãos exercerem suas atividades fins podem ser considerados atos de “revanchismo”?

Notem bem: o Rede defende a estranha posição de que “o hackeamento de celulares de autoridades não justifica apuração sobre a conduta do jornalista”. Em português claro: a privacidade de um ministro de Estado brasileiro pode ser invadida por qualquer marginal corrupto, mas a vida do marginal corrupto não pode ser investigada pelo Estado brasileiro.  É isso aí, donos do Rede.

E tem mais: na ação o Rede Sustentabilidade (no caso, incluindo a sustentação da impunidade de notório corrupto) está incluído um pedido de decisão liminar, que poderá ser concedida pelo sapientíssimo Dias Toffoli durante o recesso do Judiciário. Se isso não ocorrer, também poderá ser concedido pelo relator do processo, que assume o caso em agosto, o não menos sapiente e popular ministro Gilmar Mendes.

HOMOFOBIA – No dia 13 de junho passado o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, que a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero passe a ser considerada crime. Os protagonistas dos fatos, com declarações públicas, têm demonstrado, à saciedade, seus enquadramentos no que diz respeito à orientação sexual e identidade de gênero, portanto, adquiriram o status de blindados.

Hoje, devido à cronologia dos fatos consumados e de conhecimento público, muitas pessoas estão pensando – acho que erroneamente – que essa decisão talvez tenha sido tomada para proteger Glenn Greenwald e seus comparsas, pois o site de notícias The Intercept Brasil divulgou trechos de mensagens atribuídas ao atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e a membros da força-tarefa da Lava Jato no dia 9 de junho – uma semana antes da decisão do STF.

Situação curiosa; enfim, aguardemos, pois o tempo é o senhor da razão e a verdade é filha do tempo –  até em nossa amada Republiqueta de Bananas Podres.

“Embaixador” indica que Bolsonaro governa em família, como se fosse dono do país

Resultado de imagem para bolsonaro charges

Charge do Iotti (Zero Hora)

Eliane Cantanhêde
Estadão

Quando a então primeira-dama Marisa Letícia manchou o gramado do Palácio da Alvorada com uma vistosa estrela vermelha do PT, foi um Deus nos acuda e todos nós criticamos o presidente Lula e sua mulher por se comportarem como se fossem donos da residência oficial da Presidência.

Ao indicar publicamente o seu filho Eduardo, o “03”, para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro age como se sentisse dono, não de um imóvel público, mas do próprio Brasil, supondo que pode fazer o que bem entende.

DIZ MUITO… – A estrela vermelha era inadequada, mas flores num gramado são apenas um símbolo. Indicar o próprio filho para a principal embaixada do planeta não é só símbolo, mas uma decisão concreta que diz muito sobre o presidente e o governo.

Quais as credenciais do deputado Eduardo Bolsonaro para ser embaixador, e logo em Washington, para onde vão os diplomatas mais experientes, preparados e reluzentes da carreira? Fez intercâmbio, fala inglês e espanhol, passou frio no Maine. Ah! E já fritou muito hambúrguer para os gringos.

Ele não cursou o Instituto Rio Branco e só passou em um concurso público: para escrivão de polícia. Segundo o embaixador Rubens Ricupero, ao Estado, “trata-se de uma medida sem precedentes em nossa tradição diplomática e na história diplomática de países civilizados e democráticos”.

QUATRO MESES – Na verdade, coisa de paisecos e ditaduras, ou melhor, de uma ditadura, a da Arábia Saudita, onde o monarca nomeou seu filho Khalid bin Salman embaixador em Washington.

Bolsonaro, o pai, anunciou a demissão do embaixador Sérgio Amaral em março, às vésperas da ida aos Estados Unidos. Mas esperou quatro meses para lançar o nome do filho para a vaga. Por quê? O “menino” só completou na quarta-feira passada a idade mínima para assumir embaixadas. Fez 35 anos e o pai lançou seu nome para Washington no dia seguinte. Pela imprensa! Aliás, subvertendo uma praxe diplomática internacional, de anúncio só após o “agrément” do governo amigo.

Desde a eleição, o “03” já é mentor e executor da política externa, sob a influência do tal guru Olavo de Carvalho. Vetou nomes para chanceler, definiu a lista de candidatos, fez sabatinas com eles e se fixou em Ernesto Araújo (embaixador júnior, diga-se). Adivinhem quem manda?

A ESTRELA – Nos Estados Unidos, a estrela não foi o chanceler nem o embaixador. Foi Eduardo, o único na reunião bilateral do pai com Donald Trump. Nunca se viu algo assim. E ele se meteu nas articulações sobre a Venezuela, visitou o presidente da Hungria ao largo da embaixada do Brasil e nomeou o jovem olavista Filipe Martins como assessor internacional da Presidência da República, fechando o tripé da área externa.

Isso confirma o jeito de ser e de governar de Bolsonaro: com a família, os amigos e quem está próximo o suficiente para incutir ideias em seus ouvidos, como se as decisões de Estado e os planos de governo saíssem de papos no café da manhã ou em mesas de bar. “Cadeirinha é muito chato, né?” “Põe o menino lá.”

ESTÁ PREPARADO? – Daí a mania de armas e a perseguição a conselhos e ONGs, à filosofia e à sociologia, às políticas indígenas e de meio ambiente, aos radares e cadeirinhas, com loas ao trabalho infantil. E as pesquisas e dados científicos, essenciais para a definição de políticas públicas? As universidades? O IBGE? A Fiocruz? O Ibama? Os Denatrans?

O “03” foi o deputado mais votado da história, com 1,8 milhão de votos. Se for para Washington, perde-se um deputado, ganha-se uma dúvida: ele está sendo preparado para ser presidente? Uma dinastia Bolsonaro…

É claro que Bolsonaro não ouve os militares, apenas faz uso deles, quando precisa

Resultado de imagem para bolsonaro e os militares

Bolsonaro prefere ouvir os filhos e o escritor Olavo de Carvalho

Carlos Newton

O fato de representar o antiLula beneficia expressivamente Jair Bolsonaro. Apesar dos muitos erros cometidos, uma expressiva parcela do eleitorado ainda confia no atual governo apenas porque conseguiu tirar o PT do poder. Este é o principal argumento dos defensores do presidente, e somente agora alguns deles começam a cair na realidade.

EMPERRADO – Daqui para frente, as críticas vão se acirrar, porque o governo não deslancha, embora não tenha adversários, pois Lula da Silva continue preso e a oposição não represente qualquer  ameaça. Ou seja, não há  motivos para essa inércia no enfrentamento das graves questões nacionais.

Muitos eleitores de Bolsonaro já cansaram de esperar e começam a admitir que o governo possa se transformar num grande fracasso. São aqueles que, no segundo turno, votaram  em Bolsonaro por exclusão, exclusivamente para se livrar do PT. É uma parcela formada por eleitores conscientes e formadores de opinião.

LIMITAÇÕES – Dirigir um país problemático como o Brasil não é brincadeira. Muitos eleitores de Bolsonaro conheciam suas limitações, mas julgavam que ele fosse se apoiar nos militares. Achavam que, pela primeira vez, o Brasil teria um governo militar eleito democraticamente, algo verdadeiramente novo.

Quando o novo presidente montou a equipe, essa possibilidade ficou clara, em função do grande número de militares espalhados pelo dois principais escalões do governo. O que ninguém esperava é que Bolsonaro fosse desprezar o aconselhamento dos militares e preferisse seguir as sugestões de seus três filhos mais velhos, que obedecem à orientação do escritor Olavo de Carvalho, o pornográfico guru virginiano.

DEMISSÕES – Os entrechoques entre a ala militar e a ala olavista eram inevitáveis. Primeiro, houve a campanha contra o general Hamilton Mourão, que só não deixou o governo porque foi eleito, é indemissível. Depois, os irmãos investiram contra o ministro Gustavo Bebianno, grande amigo e homem de confiança de Bolsonaro, e não pararam até ele ser injustamente demitido.

Em abril, o alvo passou a ser o general Santos Cruz e os ataques atingiram até o general Villa Bôas. A cúpula militar enfim protestou e Bolsonaro decidiu enquadrar Olavo de Carvalho e os filhos. O guru saiu de cena mesmo, mas o filho Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, deu um jeito de enredar o general Santos Cruz, e Bolsonaro demitiu o velho amigo, sem haver motivo concreto.

Mais recentemente, o alvo passou a ser o general Augusto Heleno, e Bolsonaro teve de intervir mais uma vez, para acalmar o Zero Dois, que contava com apoio declarado do Zero Três, o deputado Eduardo Bolsonaro.

EMBAIXADOR – Agora, com a decisão de nomear o filho Zero Três para embaixador nos EUA, a situação clareou de vez e os eleitores mais lúcidos de Bolsonaro caíram na real. Embora reconheça não estar preparado para governar, como admitiu ontem em “live” com o “apóstolo” Valdemiro, o presidente não consulta os militares, ele apenas os usa, quando é de sua conveniência.

É triste constatar essa realidade, porque não existe estadista solitário. Todos se sustentam em seus estafes. Até mesmo os chefes mafiosos têm seus “consiglieri” (conselheiros). Mas Bolsonaro pensa (?) que não precisa disso e prefere ouvir o guru virginiano e as peruadas de Zero Um, Zero Dois e Zero Três, que nada representam juntos ou separados, pois a soma dos três equivale a um Zero à Esquerda.

P.S.Com esse comportamento arrogante, pretensioso e errático, o governo Bolsonaro não poderá ir longe, tem o mesmo valor de uma nota de três dólares, com a foto de seu amigo Donald Trump. (C.N.) 

O jornalista russo Vasily Grossman e a luta contra a censura na União Soviética

Resultado de imagem para Vasily Grossman and the Soviet Century

Vasily Grossman foi correspondente de guerra em Stalingrado

Elio Gaspari
O Globo/Folha

Para os adoradores da obra do escritor e repórter russo Vasily Grossman (1905-1964), autor do épico “Vida e destino” e personagem de “Um escritor na guerra”, saiu nos Estados Unidos um bom livro. É “Vasily Grossman and the Soviet Century”, um retrato desse grande romancista e de sua vida enfrentando a censura comunista, as tropas nazistas e as mesquinharias do mundo literário.

Grossman foi da batalha de Stalingrado à tomada de Berlim, passando pelo campo de extermínio de Treblinka. Sua mãe foi morta pelos alemães, sua mulher foi presa pelos soviéticos e os originais de “Vida e destino” foram confiscados pela censura. (Levaram até os carbonos.)

Esse grande escritor viu no mundo o que poucos perceberam. Comparou o regime soviético ao nazista e retratou a lógica da desumanidade. Em 1945, quando se festejava a vitória, guardou consigo alguns carimbos que estavam na mesa de Hitler, mas não quis testemunhar a cena da rendição alemã, pois já vira o suficiente.

Mais tarde, não quis ir ao julgamento de Nuremberg. (Em qualquer dia do outono de 1941 morreram mais prisioneiros russos do que todos os prisioneiros americanos e ingleses ao longo de toda a guerra.)

Popoff transcreve o relato de Grossman de seu encontro, em 1962, com Mikhail Suslov, o ideólogo-chefe do regime. Eles conversaram por três horas. Suslov, que não havia lido os originais confiscados de “Vida e destino”, disse-lhe que o livro teria o efeito de “uma bomba atômica” para o regime soviético. Grossman morreu sem ver sua obra publicada.

Ele foi acima de tudo um grande repórter e construiu seu romance com as anotações e entrevistas colhidas no dia a dia. É de Grossman a melhor distinção da qualidade dos correspondentes de guerra. Há dois tipos, o que vai para a trincheira e o que fica no quartel do comandante. O primeiro rala com as chefias porque atrasa seus textos e manda histórias inconvenientes. O segundo sempre cumpre os horários e confirma o que dizem as autoridades.

Juízes auxiliares querem receber salário maior do que os ministros do Supremo

Resultado de imagem para supremo charges

Charge do Tacho (Jornal Novo Hamburgo)

Carolina Brígido e André de Souza

Os 27 juízes auxiliares que atuam nos gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão insatisfeitos com seus vencimentos. Há meses eles negociam com os ministros a quantidade de diárias a que têm direito e o aumento do valor delas. Hoje, cada juiz embolsa, no máximo, R$ 4.200 mensais desses extras. O objetivo é conseguir o mesmo benefício pago aos procuradores requisitados pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) — que podem ganhar até R$ 12.442,90 em diárias por mês.

Se os juízes auxiliares conseguirem o aumento pleiteado, na prática ganharão mais do que seus chefes diretos. Os vencimentos dos ministros do STF, que estabelece o teto do funcionalismo, é de R$ 39.293,32.

HÁ REDUÇÃO – No STF, esses juízes recebem por mês seis diárias no valor de R$ 1.069,16 cada, o que totaliza R$ 6.414,96. No entanto, uma lei de 2018 limita o valor total, por restrições orçamentárias, reduzindo a cifra para R$ 4.200 por mês. Se o magistrado sair de Brasília a trabalho, para ouvir o depoimento de uma testemunha em outro estado, por exemplo, é possível receber diárias extras. Em maio, os 27 juízes auxiliares receberam R$ 136.243,36 em diárias. Se não fossem os descontos aplicados, eles teriam embolsado R$ 202.386,82.

A briga pelas diárias é grande porque, além de seu valor elevado, sobre elas não incide Imposto de Renda ou contribuição previdenciária, já que são consideradas verbas indenizatórias. O salário dos juízes auxiliares é pago pelo tribunal de origem. O STF paga um complemento variável, para alavancar os vencimentos ao mesmo patamar dos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de R$ 37.328,65. Com mais R$ 12.442,90 em diárias no bolso, esses magistrados poderiam receber até R$ 49.771,55.

AUXILIARES – Os juízes atuam como auxiliares e instrutores nos gabinetes dos ministros. Eles são convocados da primeira instância e também de tribunais de segunda instância, escolhidos pelos próprios ministros. Eles atuam em várias frentes, do interrogatório de testemunhas à elaboração de votos e decisões.

Para a proposta dos juízes auxiliares ser aprovada, precisa ser levada por um dos 11 ministros da Corte para votação em sessão administrativa. A última sessão desse tipo foi em 6 de junho. Na ocasião, os ministros julgaram que não seria um bom momento para trazer o assunto à tona, mas os auxiliares não desistiram: continuam tentando convencer algum ministro a apadrinhar a causa e levar o tema para votação em agosto, quando termina o recesso do STF.

O juiz que mais recebeu diárias, em maio, trabalha no gabinete do ministro Celso de Mello. Foram R$ 21.443,36, dos quais R$ 4.200 das diárias a que tem direito todo mês e R$ 17.243,36 de oito diárias internacionais para participar do evento “A corrupção como fenômeno global: suas ligações com o crime organizado, os crimes contra a administração pública e a lavagem internacional de dinheiro”, ocorrido em Roma.

RECORDISTA – Em razão do evento na Itália, o gabinete de Celso foi o que mais gastou com diárias em maio: R$ 25,6 mil. Em seguida vem Fachin, ministro que conta com a maior quantidade de juízes à disposição: R$ 18,9 mil. Os menores gastos no mês foram nos gabinetes de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber: R$ 8,4 mil cada.

Magistrados que atuam nos gabinetes de Fachin e de Luiz Fux também receberam diárias para realizar audiências em outras cidades. Outro, lotado na presidência, ocupada por Dias Toffoli, também recebeu diárias a título de “prestação de serviço de assessoria e assistência direta a ministro”.

UMA EXCEÇÃO – Cada ministro tem, em média, a ajuda de três auxiliares. Uma das exceções é Edson Fachin. O relator da Lava-Jato, pela quantidade de trabalho, tem quatro. O decano Celso de Mello tem dois. Marco Aurélio Mello é o único que não admite outro juiz em seu gabinete além de si mesmo.

O STF começou a convocar magistrados em novembro de 2007, após ser aberta a ação penal do mensalão. Na época, a Corte recebeu mais processos penais, e os ministros passaram a ter dificuldade com a quantidade de ações. Em 2015, após a Lava-Jato, os auxiliares foram considerados ainda mais necessários. Hoje, boa parte dos processos penais foi transferida para instâncias inferiores, com a nova regra do foro privilegiado. Porém, nenhum ministro sugeriu a saída dos juízes.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGChegamos à perfeição, em matéria de regime esculhambado, com os ministros do Supremo ganhando menos do que seus auxiliares. Era só o que faltava, diria o Barão de Itararé. (C.N.)

Muitos partidos precisam lembrar que já não representam de fato a sociedade

Imagem relacionada

Charge do Caco Galhardo (Arquivo Google)

Tabata Amaral
Folha

Faço aqui, no espaço quinzenal que tenho nesta Folha, uma provocação que julgo saudável para a política e para os partidos, com o único intuito de contribuir para um debate que temos postergado, mas que a sociedade há muito demanda. É uma reflexão necessária diante do impacto provocado pelos oito deputados do PDT, dentre os quais me incluo, que votaram “sim” à reforma da Previdência, e os 11 do PSB, contrariando a orientação partidária.

Não estamos falando de dois ou três parlamentares, mas de praticamente um terço das bancadas de duas relevantes siglas que ocupam posição mais ao centro no espectro da esquerda. A expressividade dessa dissidência acendeu ao menos a luz amarela nas estruturas?

INFLEXIBILIDADE – Sabemos que a extrema esquerda não admite flexibilidade alguma de posicionamento, pois está enclausurada em suas amarras. No entanto, uma parcela da centro-esquerda quer dialogar com o contexto e a sociedade e caminha para se modernizar. Nisso nos fiamos, nós que temos convicções sociais fortes, olhamos para o futuro do Brasil e enfrentamos o desafio urgente de termos crescimento sustentável, condição para a consolidação da justiça social.

Muitos partidos já não representam de fato a sociedade, mas somente alguns de seus nichos. Embora tenham em seus quadros um número cada vez maior de deputados com visão modernizante, as siglas ainda ostentam estruturas antigas de comando, e na maioria faz falta mais democracia interna.

Muitas vezes, consensos sobre pautas complexas não são construídos de baixo para cima, e cartilhas antigas se sobrepõem aos estudos e evidências. Quando algum membro decide tomar uma decisão que considere responsável e fiel ao que acredita ser importante para o país, há perseguição política. Ofensas, ataques à honra e outras tentativas de ferir a imagem tomam lugar do diálogo. Exatamente o que vivo agora.

REBELDIA NORMAL – A boa política não pode ser dogmática. Discordâncias são normais no cotidiano e o ajuste e as acomodações das diferentes visões vão se dando em questões menores, com as bancadas muitas vezes sendo liberadas para as votações. O que foge completamente a esse processo e demonstra o grau do conflito instalado é quando a “rebeldia”, como está sendo interpretado o voto de opinião, atinge um terço de bancadas expressivas.

Encaro esse debate como de fato a única tentativa da centro-esquerda de se renovar, mas os partidos estão virando as costas para essa realidade. É mais fácil lidar no plano da insubordinação. A construção de novas mentalidades não é processo fácil e exige coragem.

No fundo, são dois os temas que se sobrepõem nesse momento. A lógica de funcionamento dos partidos políticos no presidencialismo e o processo de renovação da política brasileira.

PUNIR DISSIDENTES? – A combinação de presidencialismo e federalismo, como ocorre no país, favorece as chamadas “indisciplinas partidárias”. Busca-se reforçar o poder da liderança partidária punindo dissidentes pela máxima de que os partidos não podem passar sinais de fraqueza. Será preciso uma reforma muito profunda do nosso sistema político para produzir os incentivos necessários para “disciplinar” as siglas. Enquanto existir o presidencialismo, o multipartidarismo e a federação, as lideranças partidárias precisarão ouvir e negociar com suas bases, dissidentes ou não.

A ampla renovação política que está em curso e da qual faço parte agrava o quadro de conflitos internos dos partidos. É racional que as lideranças recorram a argumentos de ocasião para justificá-los. Mais racional, contudo, é pensarmos no Brasil.

Tabata Amaral é cientista política, astrofísica e deputada federal pelo PDT-SP. Formada em Harvard, criou o Mapa Educação e é cofundadora do Movimento Acredito.

Bolsonaro pede que Onyx transforme o general Ramos em “articulador político”

Resultado de imagem para onyx lorenzoni

Bolsonaro entregou a Onyx Lorenzoni uma “missão impossível”

Jussara Soares
O Globo

A expectativa do governo é que até o dia 15 de setembro a votação da reforma da Previdência seja concluída no Senado. Até lá, são 63 dias, a contar a partir deste domingo, para que o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, faça a transição completa para sua nova função no Palácio do Planalto. A determinação do presidente Jair Bolsonaro é que o ministro se volte para as questões internas do Executivo, atuando como uma espécie de “gerente”, relatam fontes do governo.

Até a aprovação total da reforma, o chefe da Casa Civil seguirá na articulação política ao lado do ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo (Segov). A recomendação do Planalto é usar este tempo para “empoderar” o ministro Ramos no cargo e, consequentemente, fazer uma transferência do bastão de negociador com o Congresso sem traumas.

TROCA-TROCA – Em junho, em uma reorganização da estrutura do Planalto, Bolsonaro retirou a articulação de Onyx e entregou ao ministro Ramos, que substituiu o general Santos Cruz na Segov. Por sua vez, a Casa Civil abarcou o Programa de Parcerias e Investimentos (PPI). A área, responsável por firmar contratos entre o Executivo e a iniciativa privada, era subordinada a Santos Cruz.

A troca foi vista como uma perda de poder do ministro-chefe da Casa Civil. Desde então, informações vindas principalmente do Congresso davam conta de que Onyx era alvo de uma “fritura” devido à criticada relação com o Legislativo. No entanto, a aprovação do texto-base da reforma da Previdência pelo placar de 379 votos contra 131 passou a ser encarada como uma espécie de “redenção” para o ministro, que ganhou “fôlego”.

MEDIADOR DE CONFLITOS – Quando deixar de vez a articulação, Onyx assumirá também o papel de mediador de conflitos na Esplanada. Caberá a ele coordenar os trabalhos das pastas e cobrar os resultados esperados por Bolsonaro. Já no relacionamento com o Congresso, a expectativa é que o chefe da Casa Civil ajude o ministro Ramos apenas na elaboração de estratégias de negociação com o Parlamento — sem se envolver com o dia a dia das negociações parlamentares.

Ao anunciar as mudanças no governo em junho, Bolsonaro admitiu erros na articulação e afirmou que voltaria a distribuir as funções do Planalto como era feito “no governo anterior.” Na ocasião, ele creditou os equívocos à inexperiência inicial da gestão e eximiu Onyx de culpa.

INEXPERIÊNCIA— “Depois que a gente faz as coisas, a gente plota (compreende) que podia ter feito melhor ou não ter cometido aquele erro. Quando nós montamos aqui, no primeiro momento, (por) inexperiência nossa tivemos algumas mudanças nas funções de cada um que não deram certo. Então, em grande parte, retornamos ao que era feito em governo anterior” — declarou Bolsonaro na ocasião.

Integrantes militares e do grupo que se convencionou chamar de “ala ideológica” do Planalto afirmam que Onyx segue tendo a confiança do presidente. Bolsonaro tem reiterado que o ministro tem se mostrado fiel desde a pré-campanha, quando abraçou a sua candidatura, então desacreditada. O argumento central do presidente para determinar que o chefe da Casa Civil fique com a coordenação das atividades internas da Esplanada é o fato de ter cabido a Onyx o desenho final de seu plano de governo.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nem se o governo durasse mil anos o ministro Onyx não conseguiria transformar o general Ramos em “articulador político”. Isso só poderia acontecer na cabeça de Bolsonaro, cuja estratégia é claríssima. Os acertos do governo devem ser creditados a ele; os erros, aos ministros a serem demitidos. Ele defende a tese de que governar é delegar poderes. Se não der certo, é só trocar o ministro. É uma maneira confortável de governar. Em tradução simultânea, chama-se a isso “transferir responsabilidades”. (C.N.)

Tribunal preserva “jornalismo investigativo” e nega resposta à irmã de Aécio

Andrea chegou a ser presa, mas está respondendo em liberdade

Luiz Vassallo e Fausto Macedo
Estadão

A 9ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo reverteu decisão de primeira instância e negou a pretensão de direito de resposta de Andréa Neves por matéria veiculada na Revista Veja em 2017 com informações de que operava contas de titularidade de seu irmão, Aécio Neves, em Nova Iorque.

Andrea afirma que a notícia é ‘duplamente falsa’ e que a ação ‘busca repor a verdade’. “Simplesmente porque nem a conta nem a delação existem”.

SEM FALSIDADE – De acordo com os advogados da Editora Abril, Alexandre Fidalgo e Juliana Akel, do Fidalgo Advogados, ‘a decisão de 23 páginas é de grande relevância para a atividade jornalística e também para o entendimento do instituto do direito de respostas’. “Isso porque a decisão da 9ª Câmara entendeu que de toda a documentação juntada nos autos não havia como afirmar haver uma falsidade publicada por VEJA”.

A Desembargadora Angela Lopes ponderou que “há documento oficial que informa que parte do material colhido ainda está sob segredo de justiça, cujo conteúdo, portanto, se desconhece, mas que Veja alega acesso, por fontes sigilosas”. E continuou a magistrada: “Não é possível asseverar-se, com a segurança necessária, a inveracidade da matéria, vez que ainda há 2 inquéritos e 25 petições mantidos sigilosos”.

DELATOR -A relatora ainda afirma. “Nota-se, assim, que o delator, especificamente a respeito de pagamentos internacionais realizados em favor do irmão da autora, esclareceu o esquema parcialmente descrito acima, que traz informação clara a respeito não apenas da existência de contas internacionais para recebimento de pagamentos não contabilizados, mas, inclusive, em Nova Iorque, o que foi negado pela ré em sua resposta, em diversas oportunidades”.

“Ora, o exercício de direito de resposta da autora dependeria de prova contundente da inverdade do texto da revista, e, por conseguinte, da veracidade da resposta, inclusive em relação à inexistência de contas no exterior, certo que tal assertiva é parte substancial da pretensão autoral, que em diversas oportunidades nega a existência de contas internacionais”, escreveu.

JORNALISMO – “Publicação desmentindo a própria existência de conta de Aécio Neves, no exterior, diante de indícios em sentido contrário, esvaziaria o jornalismo investigativo, absolutamente necessário aos pilares da democracia e à defesa da res publica”, conclui a desembargadora.

Por fim, cabe outro destaque do acórdão: “E  se tratando de investigação com objetivo de desmascarar esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro importa anotar que ‘quem disse’ sucumbe diante da veracidade ou da verossimilhança ‘do que se disse’.

ANDREA NEGA –

Ao jornal Estado de S Paulo, disse a ré Andrea Neves:   

“A ação proposta busca repor a verdade em razão de matéria com informações falsas divulgada há cerca de 2 anos pela revista Veja. A revista publicou em reportagem de capa que um delator teria afirmado que existiria uma conta em Nova York sob minha responsabilidade que recebera recursos ilegais.

A notícia era duplamente falsa. Passados 2 anos, a publicação não apresentou qualquer dado em relação à suposta conta e nem a delação a que disse ter tido acesso com exclusividade e na qual a matéria teria se baseado. Simplesmente porque nem a conta nem a delação existem.

O direito de resposta contra a falsa acusação foi concedido em primeira instância e negado em segunda. Essa decisão não entra no mérito se o conteúdo da reportagem é falso ou verdadeiro. Continuaremos lutando para que a verdade prevaleça por mais que saibamos que os danos causados são irreversíveis.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Andrea e o irmã Aécio desonraram duas importantes família de Minas – os Neves, de São João Del Rey, e os Cunha, de Teófilo Otoni. Os dois já nasceram em berço de ouro, mas se deixaram levar pela cobiça. Queriam ser mais ricos do que já eram. Hoje Aécio circula no Congresso como se você um zumbi tipo Walking Dead – está politicamente morto, só falta deitar. (C.N.)