Até Olavo de Carvalho reage mal à indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixador

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Eduardo tem uma missão mais importante, diz Olavo de Carvalho

Cecília do Lago
Estadão

A disposição do presidente Jair Bolsonaro de indicar o filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), ao cargo de embaixador brasileiro nos Estados Unidos gerou controvérsia entre seus apoiadores nas redes sociais. Dentre as publicações sobre o tema com maior engajamento nos últimos dois dias no Twitter, a maioria é contra. Somente as da deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e do presidente apoiavam a indicação.

Ontem, a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) questionou a indicação em uma sequência de publicações no Twitter. “Quem fez Eduardo Bolsonaro deputado federal foi o povo. Isso precisa ser respeitado. Crescer, muitas vezes, implica dizer não ao pai.”

MISSÃO DO PAI – Em linha semelhante, o escritor Olavo de Carvalho disse que a tarefa de embaixador seria incompatível com a “missão” de Eduardo dada pelo seu pai: a criação de uma CPI no Congresso sobre o Foro de São Paulo. Segundo Olavo, a CPI corre riscos se não for assumida por Eduardo. “Isso aí seria um retrocesso, a destruição da carreira do Eduardo”, afirmou o guru bolsonarista em seu canal no YouTube.

Em novembro, durante a transição de governo, Olavo chegou a afirmar que, “se fosse convidado para ser embaixador nos EUA, não recusaria o cargo” e que este seria o único posto que aceitaria no governo do presidente Jair Bolsonaro.

O convite não veio para Olavo. Amigo do escritor, o diplomata Nestor Forster ficou mais perto de assumir a posição depois de ter sido promovido pelo Itamaraty. Com a promoção, patrocinada pelo chanceler Ernesto Araújo, Forster, que já trabalha em Washington, pode assumir a embaixada.

TODOS GANHAM? – A possível indicação de Eduardo, por outro lado, agradou à deputada do PSL Carla Zambelli. Na noite de quinta-feira passada, ela publicou em seu Twitter: “Se aceito pelo Eduardo, ganha o Brasil, ganha os EUA de @realDonaldTrump, ganha o planeta, com mais oportunidade de sanar os problemas de toda a Terra”.

Apontada como vantagem, a proximidade do filho “03” de Bolsonaro com a família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é o principal argumento em defesa da indicação a embaixador em Washington. Seu pai voltou a se manifestar a favor do filho na tarde de ontem. “De 2003 para cá você sabe quem foram nossos embaixadores em Washington?”

ELOGIO DE TRUMP – O mesmo tuíte contém um vídeo que mostra um elogio de Trump a Eduardo durante uma coletiva de imprensa ao ser questionado sobre a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela.

O segundo tuíte da base aliada de Bolsonaro que mais teve engajamento sobre Eduardo nos últimos dois dias foi o do youtuber e deputado estadual por São Paulo Arthur do Val (DEM), que se manifestou contra a indicação na tarde de sexta-feira. “Não é de bom tom indicar um filho para um cargo tão alto. Pega mal. O Brasil não precisa disso e tem ótimos diplomatas”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Essa declaração de que ganha todo mundo, ganha o Brasil e ganha o Mundo, sem a menor dúvida, merece ser Piada do Ano. (C.N.)

Os planos de saúde voltam a atacar e querem cumplicidade de governo e câmara

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Elio Gaspari
O Globo/Folha

Está no forno de um consórcio das grandes operadoras de planos de saúde um projeto destinado a mudar as leis que desde 1998 regulamentam esse mercado. Chama-se “Mundo Novo”, tem 89 artigos e está trancado numa sala de um escritório de advocacia de São Paulo. O plano é levá-lo para o escurinho de Brasília, deixando-o com o ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, e com o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia. Ambos ajudariam o debate se divulgassem o “Mundo Novo” no dia em que chegasse às suas mesas, destampando-lhe a origem.

É a peça dos sonhos das operadoras. O projeto facilita os reajustes por faixa etária, derruba os prazos máximos de espera, desidrata a Agência Nacional de Saúde Suplementar e passa muitas de suas atribuições para um colegiado político, o Conselho de Saúde Suplementar (Consu), composto por ministros e funcionários demissíveis ad nutum.

REAJUSTES – Irá para o Consu a prerrogativa de decidir os reajustes de planos individuais e familiares, baseando-se em notas técnicas das operadoras (artigos 85 e 46) e não nos critérios da ANS. Cria a girafa do reajuste extraordinário, quando as contas das operadoras estiverem desequilibradas. Uma festa.

A ANS perderá também o poder de definir o rol de procedimentos obrigatórios que as operadoras devem oferecer. Essa atribuição passa para o Consu, que não tem equipe técnica, mas pode ter amigos. Desossada, a ANS perderá também o poder de mediação entre os consumidores e as operadoras. (Tudo isso no artigo 85.)

Há uma gracinha no artigo 43. Ele determina que os hospitais públicos comuniquem “imediatamente” às operadoras qualquer atendimento prestado a seus clientes para um eventual ressarcimento ao SUS. Exigir isso de uma rede pública que não atende os doentes de seus corredores é uma esperteza para não querer pagar à Viúva o que lhe é devido.

Esperteza – O melhor momento do projeto “Mundo Novo” está no artigo 71. Hoje, se uma pessoa quebrar a perna e não for atendida, a operadora é multada. Feita a mudança, só serão punidas “infrações de natureza coletiva”. Por exemplo, se a empresa tiver deixado de atender cem clientes com pernas quebradas. As operadoras finalmente realizarão seu sonho, criando um teto para a cobrança de multas. Elas nunca poderão passar de R$ 1,5 milhão. Com isso, estimula-se a delinquência.

No papelório do “Mundo Novo” não há um só artigo capaz de beneficiar os consumidores.

Ameaçados de expulsão, deputados se dizem fiéis a convicções e vão manter ‘ideologias’

PSB-ES), do movimento RenovaBR Foto: Jorge William / Agência O Globo

Felipe Rigoni diz ter feito um acordo de liberdade com o PSB

Naira Trindade e Victor Farias
O Globo

Ameaçados de expulsão por terem contrariado a orientação de seus partidos, dissidentes na votação da reforma da Previdência garantem que vão se manter fiéis às suas “convicções ideológicas” e à sua base eleitoral. Parte deles começou a carreira legislativa depois de integrar movimentos por renovação política, que surgiram depois das manifestações de 2013.

Ao todo, 34 parlamentares de 10 siglas diferentes se posicionaram contrários à orientação determinada dos líderes partidários durante a votação que muda as regras de aposentadoria. O número de ‘rebeldes’ foi maior para o lado pró-reforma: 19 parlamentares votaram a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) enfrentando as manifestações dos seus partidos. Do outro lado, 15 parlamentares de siglas que eram favoráveis à reforma votaram contra a proposta.

CONVICÇÃO – No PSB, 11 deputados atuaram contra a orientação do partido. Entre eles, o deputado Felipe Rigoni (PSB-ES). Eleito por 84 mil votos, Rigoni argumentou ter votado por “convicção”. 

—  Não acho que uma votação única possa ser motivo de expulsão. Mas, se o partido avaliar o conjunto das minhas opiniões e das minhas votações e perceber que eu não tenho a ver com o direcionamento programático do partido, tem de expulsar mesmo — diz.

Integrante do movimento Acredito, grupo de renovação da política nascido nos últimos anos, Rigoni diz ter escolhido o PSB para se filiar porque havia uma cláusula de independência. “O PSB era um dos cinco partidos que assinou uma carta de independência com o Movimento Acredito. E eu acreditei que, de fato, ia ser cumprido esse compromisso. Acharam que não ia acontecer de fato a independência, mas eu sou independente para caramba”. 

CLÁUSULA? – Presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira afirmou ter recebido ontem um documento assinado por seis movimentos sociais pedindo a expulsão dos deputados. Sobre a cláusula, Siqueira rebateu que ela não foi acatada pela legenda.

— Essa cláusula não existe. Ninguém se filia dizendo que não vai cumprir as regras do PSB. Se tiver um partido que aceite isso, que vá para lá.  Aqui, não existe regra específica para ninguém — disse.

A apresentador Luciano Huck, integrante do movimento Agora!, um dos principais grupos de renovação da política dos últimos anos, criticou a ameaça dos partidos tradicionais. “As velhas raposas da política, que nas últimas eleições escancaradamente lustraram suas imagens no verniz dos jovens candidatos da renovação encubados pelos movimentos cívicos, agora destemperam e agridem tentando levar vantagem. Não entenderam que junto com a renovação vem a coragem e a independência para remar a favor do país e não de interesses eleitoreiros” — afirmou.

BASE ELEITORAL – Um dos oito parlamentares do PDT a votar contrário à orientação da sigla, o deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG) disse ter sido convencido a mudar de opinião após ouvir sua base eleitoral. Ele afirmou que o voto contra o partido não foi uma “rebelião”.

— Medo eu tenho é de gerar um escândalo para o partido. Medo eu tenho do partido sentir vergonha de mim, no sentido de corrupção.

Além de Gonzaga, votaram a favor da reforma da Previdência Alex Santana (PDT-BA), Flávio Nogueira (PDT-PI), Gil Cutrim (PDT-MA), Jesus Sérgio (PDT-AC), Marlon Santos (PDT-RS), Silvia Cristina (PDT-RO) e Tabata Amaral (PDT-SP). Procurada, Tabata disse que somente se pronunciará quando “entender o que está acontecendo”.

VOTOU CONTRA – Já entre os deputados que votaram contra a reforma mesmo após o partido orientar a favor da proposta está o deputado federal mais votado do Ceará, capitão Wagner (Pros). Ele defende que é a favor de um ajuste, mas considerou alguns pontos do projeto “muito perversos”, citando a redução na aposentadoria por invalidez. Além do militar, os outros dissidentes do PROS foram Weliton Prado (MG) e Clarissa Garotinho (RJ), filha do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho.

Além de uma lista de expulsão, o PSB enfrenta também um impasse com o senador Jorge Kajuru (GO), que foi convidado a se retirar da legenda.

— O PSB ficou incomodado por Bolsonaro me dar uma entrevista e falar bem de mim. O ciúme foi esse. Não é por causa de votos — disse Kajuru, alegando ter recebido convites de 11 partidos.  Kajuru diz estar analisando os convites e que vai definir a nova legenda até 1º de agosto.

Ex-diretor da Petrobras revela que pegou R$ 1,5 milhão em propinas do PT

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Duque conta que foi Vaccari quem lhe ofereceu a propina do PT

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque afirmou, em novo interrogatório, que pegou R$ 1,5 milhão em propinas que supostamente “iriam” para o PT. Segundo ele, o montante foi oferecido por não ter emperrado contratos envolvendo a Torre de Pituba, sede da Petrobras em Salvador.

Ele é um dos réus em ação penal referente à 56ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Sem Limites, que aponta fraudes e propinas de R$ 67,2 milhões na construção do edifício. Segundo a Procuradoria, os desvios teriam abastecido campanhas petistas. O fundo de Pensão Petros se comprometeu a realizar a obra, e a Petrobrás a alugar o prédio por 30 anos.

DISSE VACCARI – Em 2009, Duque diz ter sido avisado por Vaccari que a Petrobras iria alugar um prédio da Petros em Salvador. “Para minha surpresa, ele já sabia que isso seria feito e que quem iria construir esse prédio seria a Odebrecht”.

“Ele [Vaccari] me disse o seguinte: “Eu não estou satisfeito com essa solução de ser a Odebrecht a construtora. Eu quero incluir também a OAS, porque a OAS tem uma grande relação com o PT. O Leo Pinheiro é um grande amigo e não tem porque uma empresa baiana ficar de fora de um prédio em Salvador. Então, vou trabalhar para que isso ocorra”, afirmou.

Segundo o ex-diretor, a partir daquele momento, ele “já sabia que o prédio da Pituba tinha algum ilícito envolvido’. “Porque antes mesmo de qualquer licitação já se sabia quem iria construir o prédio, o que não é razoável, não é normal”.

AVALIAÇÃO – De acordo com Duque, a área financeira fez a avaliação e optou pelo prazo de trinta anos, o aluguel respectivo era três milhões e três mil reais. “Mas paralelamente a isso, a área financeira pediu que a Petros informasse qual era a avaliação da obra, qual o valor da obra, e a Petros informou R$ 588 milhões. A área Financeira ficou surpreendida porque, internamente, a avaliação interna da obra, variava em torno de R$ 100 milhões a menos”.

“No parecer, ela sugeriu que esse assunto fosse abordado junto a Petros. Eu me recordo que eu não concordei com essa sugestão, porque eu disse, na época, que a Petrobras estava alugando o imóvel, eu tinha que me preocupar com o valor do aluguel e que a Petros, sim, como proprietária do imóvel, como quem iria gastar o dinheiro para construir o imóvel, ela tinha que questionar o valor, sim, mas não a Petrobras. Por isso eu submeti a diretoria, o parecer foi anexado ao documento, onde eu peço a solicitação para alugar e a diretoria aprovou o aluguel de três milhões e três mil reais, bem abaixo do teto estabelecido pela avaliação”, afirmou.

OFERTA – O ex-diretor, então, narra a suposta oferta de Vaccari. “Quando a diretoria aprova a locação, conversando novamente com o Vaccari, ele me diz que não achava justo, razoável, que eu não levasse nenhuma vantagem no negócio. E por que eu não levaria nenhuma vantagem? Porque a questão ali era a Petros construindo um prédio e a Petrobras alugando”.

“Não tinha porque alguém da Petrobras, no caso, eu, levar vantagem, uma vantagem ilícita, uma propina que fosse. Aí ele falou: “Olha, eu não acho justo, porque você sempre ajudou o partido, você não fez com que o processo emperrasse””, relatou Duque.

O ex-dirigente da estatal afirmou que Varraci perguntou ‘se estaria bom’, para ele, “receber um milhão e quinhentos mil reais do valor ilícito envolvido nessa obra”. “É claro que R$ um milhão e quinhentos mil reais é muito dinheiro. Eu aceitei, falei: ‘Aceito, você está querendo me oferecer um milhão e meio, dinheiro que iria pro PT, eu aceito'”.

A ESCOLHER – “Ele, então, me perguntou se eu gostaria de receber esse dinheiro da Odebrecht ou da OAS, que eram os parceiros no consórcio. Aí eu disse para ele o seguinte: “Eu quero receber da Odebrecht, porque eu já tenho um outro dinheiro de um outro ilícito para receber da Odebrecht, combinado com Rogério Araújo” – que era o representante junto à Petrobras”, relatou.

O advogado Luiz Flávio Borges D’urso, que defende Vaccari, distribuiu uma nota, dizendo o seguinte:

“A defesa do Sr. João Vaccari vem se manifestar sobre a citação feita pelo delator Renato Duque, no processo referente à Torre Pituba. Na verdade essa manifestação do Renato Duque não corresponde à verdade, além do que trata-se de palavra de delator, destituída de qualquer prova a corroborá-la. O Sr. Vaccari, enquanto tesoureiro do PT, solicitava doações legais ao partido e todas elas foram realizadas por meio de depósito bancário na conta do partido, com recibo e prestação de contas às autoridades competentes. Essa é a verdade que ficará demonstrada no processo.”

Palestra de Glenn Greenwald em Paraty foi recebida com protesto de moradores

Eduardo Anizelli/ Folhapress

Glenn Greenwald chegou de lancha e escoltado por seguranças

Bolívar Torres
O Globo

Uma palestra do jornalista Glenn Greenwald, editor do site The Intercept Brasil, estava prevista para começar às 19h no barco da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (FLIPEI), parte da programação paralela da Flip. Apesar de tudo pronto, no entanto, o evento não teve condições de iniciar por conta do barulho de um protesto próximo. Os manifestantes pararam após uma intervenção da polícia, mas logo voltaram com o som alto, laser e rojões. A palestra foi iniciada às 19h30m.

O ato foi convocado nas redes sociais por apoiadores da Lava-Jato que são contra a presença de Glenn na Flip – o site The Intercept Brasil tem publicado diálogos atribuídos a procuradores da operação e ao juiz Sérgio Moro.

TRILHA SONORA – A partir das 19h, o grupo ocupou o mesmo cais do barco da Flipei, passou a tocar som alto e soltar fogos de artifício. Na trilha sonora estavam o Hino Nacional, em versão oficial e remix, “Detalhes”, de Roberto Carlos e “Pavão misterioso” – @pavaomisterioso é um perfil no Twitter que afirma ter prints comprometedores de jornalistas do Intercept e de políticos do PSOL, partido do marido de Glenn, o deputado federal David Miranda.

O som chegava até a tenda principal da Flip, na Praça da Matriz. A última mesa do dia, “Vaza-Barris”, reuniu o intelectual indígena Ailton Krenak, autor de “Ideias para adiar o fim do mundo” (Companhia das Letras) e o dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, do Teatro Oficina. Krenak começou aludindo ao protesto contra a participação do jornalista Glenn Greenwald na programação paralela da Flip, que acontecia perto da Tenda dos Autores.

– Eu ouvi os fogos e pensei: é muita sorte poder falar de Canudos com essa cenografia toda.

SOM CORTADO – Durante o protesto, uma pessoa da organização da Flipei pegou um microfone e pediu ao público para não reagir com violência. Após uma intervenção da polícia, o som do protesto foi cortado e Greenwald pôde iniciar a palestra às 19h30m. O tema eram os desafios do jornalismo em tempos de divisão política e o poder da informação e também os diálogos publicados no site, que têm sido chamados de “Vaza-Jato”. Participaram também da conversa o professor da UFABC Sérgio Amadeu, a socióloga Sabrina Fernandes e o ator e roteirista Gregório Duvivier.

Ao iniciar sua fala, o jornalista teve novamente como trilha sonora involuntária o Hino Nacional. Apesar do policiamento no local, os manifestantes contra Glenn jogaram rojões em direção ao público. O cheiro de pólvora queimada era muito forte. Um dos rojões acertou uma árvore, que pegou fogo. O princípio de incêndio foi logo apagado pela equipe de apoio da Flipei.

PALAVRAS DE ORDEM – Durante toda a fala, Glenn enfrentou dificuldades para ser ouvido pelo público que lotava o cais – era um dos eventos com maior participação da Flip, na programação oficial e alternativa. Apesar do barulho que dificultava ouvir o palestrante, o público estava animado e se manifestava com gritos de “fascistas não passarão” e “Marielle presente” (referindo-se à vereadora do PSOL assassinada em março de 2018, no Rio). Às 20h35m, no momento em que criticou o juiz Sérgio Moro, Glenn foi ovacionado.

Às 20h45m, quando foram permitidas perguntas da plateia, uma moradora de Paraty disse emocionada: “Eles não representam a cidade”. A palestra encerrou-se por volta das 21h20m sob aplausos.

NOTA OFICIAL – “A Flip informa que não é responsável pela programação realizada em espaços parceiros durante a Festa Literária. Essas programações são construídas de forma autônoma e não necessariamente refletem a opinião da Flip. Os organizadores da Festa Literária não se vêem no papel de desautorizar manifestações que por ventura ocorram no seu território, contanto que as mesmas não contenham teor ofensivo ou discriminatório.”

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) informou que o efetivo policial foi reforçado para o evento. E que o Batalhão de Choque está presente na cidade. Segundo o Comandante da 3a Companhia da Paraty, Renan Loschiavo, a manifestação aconteceu dentro do proposto pelo grupo, com início às 17h e término às 20h30.

— A Polícia Militar acompanhou e, até o momento, não temos registro de nenhuma ocorrência. Não podemos proibir as pessoas de se manifestarem — afirmou Loschiavo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Greenwald não está fazendo jornalismo, mas política militante. Sua posição está ficando insustentável e ele terá de ser investigado. Vamos voltar ao assunto, que é importantíssimo, porque Greenwald está se protegendo indevidamente sob o manto sagrado da liberdade de imprensa. (C.N.)

Itamaraty tenta decifrar o enredo de Bolsonaro no caso da Embaixada nos EUA

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O chanceler informal e o oficial depois trocariam suas posições

Deu na Coluna do Estadão

Dentre as muitas teses a circular no Itamaraty, uma vem ganhando mais adeptos: o gesto de Jair Bolsonaro para emplacar seu filho Eduardo na embaixada de Washington é uma forma de o deputado ocupar futuramente o cargo de chanceler (caso uma eventual nomeação dessa natureza não seja vetada pela Justiça sob argumento de nepotismo).

O pai estaria apostando no filho que, neste momento ao menos, tem mais potencial. Afinal, Flávio se vê às voltas com a investigação de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, e Carlos comprou muitas brigas.

TROCA-TROCA – A narrativa da tese é simples: manter o deputado federal no prestigiado posto por um ano e meio ou dois e, depois, fazer uma troca com Ernesto Araújo: Eduardo vira ministro e Ernesto, embaixador nos EUA.

A troca não seria, necessariamente, um “downgrade” para o atual ministro. Ele já garantiria um posto num patamar elevado. E, mesmo que o próximo presidente não seja bolsonarista, ficaria já nesse rol do mais alto nível de embaixadores do País.

Por fim, o movimento fortaleceria Eduardo Bolsonaro para liderar uma frente conservadora em candidaturas majoritárias, assim como Jean-Marie Le Pen fez com sua filha Marine na França, compara um embaixador.

Ô ABRE-ALAS… – O Palácio do Planalto já começou a abrir os caminhos para Eduardo Bolsonaro no Senado. Na quinta-feira, o ministro Augusto Heleno foi ao gabinete de Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores, que analisa as indicações.

Na mesma tarde, Trad foi recebido no Planalto pelo ministro da Secretaria de Governo, Luiz Ramos.

E o deboche rolou solto nos grupos de diplomatas. Uma das piadas dizia: pela “lógica” dos Bolsonaros, eu já posso ser embaixador no Japão. Faço sushi e ikebana…

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA explicação é excelente, mas, a ser verdadeira, seria pior do que nepotismo. Significaria o mau uso do Estado para fins políticos e eleitorais. Um comportamento verdadeiramente medieval e inaceitável. (C.N.)

Investidores externos querem ‘esforços para reforçar economia’, que enfrenta ‘recessão’

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Carlos Newton

A excelente jornalista Andréia Sadi, cujo blog fica hospedado no G1 Brasília, revela que o ministro da Economia, Paulo Guedes, reuniu os secretários de sua pasta para lhes pedir que apresentem projetos de suas áreas, planejados para aquecer a economia após a aprovação da reforma da Previdência. A curto prazo, diz Andréia Sadi, o foco principal de Guedes são medidas que poderão estimular o ambiente econômico, como o incentivo a saques do PIS/Pasep e do FGTS.

Caramba, amigos! A equipe econômica está trabalhando nisso desde a campanha eleitoral, já se passou um ano e até agora a única medida palpável para incentivar a economia é facilitar saques do PIS/Pasep e do FGTS, uma imitação tosca da medida determinada por Henrique Meirelles no governo Temer? ‘O que é isso, companheiro”, diria Fernando Gabeira.

NO EXTERIOR – Enquanto isso, outro excelente jornalista, Nelson de Sá, da Folha de S.Paulo, aborda a repercussão da reforma da Previdência no exterior. revela que a agência Bloomberg destacou que ainda faltam “todas as outras coisas” e daqui para a frente “os investidores vão querer ver mais esforços para reforçar a economia”.

Um gráfico mostra a retirada estrangeira da Bovespa em 2019, sob o governo Bolsonaro. Diz a Bloomberg que os investidores estrangeiros vinham “fugindo do Brasil”, com retirada de R$ 5 bilhões da Bovespa só no primeiro semestre deste ano. “Os recordes seguidos de alta no índice de ações são guiados em sua maioria por investidores locais”, assinala a matéria.

Já o jornal inglês Financial Times avaliou na sua reportagem que “a mudança é vista como essencial para restaurar a confiança na economia do Brasil, que enfrenta perspectiva de recessão no segundo semestre” por causa “do mergulho no investimento e do encolhimento na produção industrial”.

E A DÍVIDA – Lá de longe, os especialistas enxergam nossa realidade melhor do que aqui. Mas nem a imprensa nacional nem a estrangeira tocam no ponto principal da crise brasileira, o descontrole da dívida pública. É que a participação estrangeira é pequena – o Brasil deve aos próprios brasileiros. Somente cerca de 6,33% da dívida estão com bancos do exterior e outros 5,86% com investidores estrangeiros. No total, apenas 12,19% nas mãos do pessoal lá de fora. Talvez por isso não se preocupem muito com a disparada da dívida brasileira.

O maior credor é o mercado financeiro. Somente os fundos de investimentos detêm cerca de 50% do total, e os bancos nacionais estão com 27,74% da dívida.

Como todos sabem, Bolsonaro confessa não ter a menor ideia de que como evolui a dívida. O superministro Paulo Guedes sabe, acompanha, porém se cala e nada faz. É um estranho procedimento. Mas quem se interessa?

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P.S. 1 –
É fundamental fazer uma auditoria da dívida, sem dar calote nos credores, mas analisando aspectos importantes, como os juros compostos – ou juros sobre juros, como se diz hoje em dia. A continuar essa situação, é melhor trocar a dívida interna pela dívida externa, porque fica muito mais barato.  

P.S. 2 – Os culpados pela dívida interna gigantesca são Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva e Dilma Rousseff, porque Michel Temer tentou contê-la, mas não conseguiu, e Jair Bolsonaro é pior ainda, porque nem sabe que a dívida existe. Acredite se quiser. (C.N.)

Projeto de Lei da Cidadania proíbe nomear embaixador que não seja diplomata

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Calero é diplomata e condena a nomeação do filho de Bolsonaro

Bernardo Bittar
Correio Braziliense

O deputado Marcelo Calero (Cidadania-RJ) protocolou dois projetos (um projeto de lei e uma proposta de emenda à Constituição) para impedir que pessoas fora da carreira diplomática possam comandar missões em nome do Brasil no exterior. A decisão vem um dia depois que o presidente da República, Jair Bolsonaro, aventou a possibilidade de indicar o filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, como embaixador do país nos Estados Unidos.

Ao Correio, Calero, que é diplomata de carreira, diz que a Lei do Serviço Exterior possibilita que sejam nomeados chefes de missões diplomáticas pessoas que não tenham prestado concurso.

DESPRESTÍGIO – “Havia um uso, num passado bastante longínquo, de que houvesse indicações políticas para esses cargos. Mas essas indicações foram sempre muito raras porque temos uma carreira consolidada. Nunca teve o filho de um presidente. É a primeira vez, e é um desprestígio”.

O deputado lembrou os nomes de figuras políticas indicadas a cargos semelhantes no passado, como Negrão de Lima, Itamar Franco e Assis Chateaubriand, fundador do grupo Diários Associados. “Essas eram pessoas de proeminência nacional, inclusive um ex-presidente da República, não é o caso agora”.

Protocolizado nesta sexta-feira à tarde, o projeto de Calero muda a redação do parágrafo 2 do art. 84 e a PEC endossa essa renovação. “Os textos vão ao encontro de uma prática que dura mais de 10 anos, iniciada no governo Lula, de que não houvesse nomeações de fora da carreira. Isso é um prestígio para o Itamaraty e à formação que a gente recebe para tanto”, afirmou Marcelo Calero.

COERÊNCIA – Para ser aprovada e, de fato, vigorar, a PEC de Calero precisa de 308 votos no Plenário (mesmo número da reforma da Previdência, por exemplo). Questionado sobre a possibilidade de o texto afundar por causa da falta de apoio, Calero diz que “se o plenário for coerente com quem o elegeu, vai aprovar, sim”.

Sobre a possibilidade de Eduardo Bolsonaro assumir a embaixada de Washington e o filho do presidente norte-americano Donald Trump, Erik, vir para o Brasil em cargo semelhante, o deputado lamenta: “Acho uma pena que relações internacionais de países que têm tradição de aliados como tem Brasil e Estados Unidos se resuma a um intercâmbio do Rotary (programa internacional de intercâmbio de estudantes).

INDICAÇÃO – O presidente Jair Bolsonaro disse, nessa quinta-feira (11/7), que “está no radar” dele a possibilidade de indicar o filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) como embaixador do Brasil nos Estados Unidos. O parlamentar respondeu nesta sexta-feira (12/7), que o chanceler Ernesto Araújo “expressou apoio” à eventual indicação.

O possível embaixador disse que deve se reunir com o presidente Jair Bolsonaro até o próximo domingo (14/7) para tentar resolver as questões. “Agora só falta conversar com o presidente e afirmar se essa é realmente a vontade dele”.

A vaga em Washington está disponível desde abril, quando o chanceler Ernesto Araújo removeu o diplomata Sérgio Amaral do posto. O diplomata Nestor Foster era considerado o favorito para substituí-lo.

IDADE MÍNIMA – Eduardo Bolsonaro fez 35 anos nesta quarta, dia em que a reforma da Previdência foi aprovada no plenário da Câmara em primeiro turno. A nova idade é fator decisivo, pois preenche um dos requisitos para assumir o cargo de embaixador.

Após a indicação do presidente, essa decisão precisa ser endossada pelo Senado, que delibera sobre a questão em plenário. Eduardo Bolsonaro é presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

 

Ciro em SP: “Se tem alguém que está sofrendo com a questão da Tabata, sou eu”

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Ciro afirma que Tabata desconheceu a história do trabalhismo

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), disse, há pouco, que a pessoa que mais está sofrendo com a questão da deputada Tabata Amaral é ele próprio, que teria incentivado a parlamentar paulista entrar para a política.

A deputada está sendo questionada e pressionada pelo partido por ter desacatado orientação do PDT e votado favoravelmente à reforma da Previdência nesta semana. Em evento do PDT em Belo Horizonte (MG), o ex-candidato à Presidência da República chegou a defender a saída da deputada da sigla.

GRANDE TAREFA – Para Ciro, ao votarem a favor da proposta de Jair Bolsonaro (PSL), Tabata e outros deputados pedetistas teriam contrariado a história trabalhista do PDT. “Se tem alguém que está sofrendo com esta questão da Tabata, esse alguém sou eu. Sabe quem recrutou a Tabata, a estimulou a entrar na política, assinou a filiação dela? Fui ‘euzinho’ aqui”, disse Ciro.

De acordo com o pedetista, sua grande tarefa hoje não é ser candidato, mas ajudar o brasileiro a entender o que está acontecendo por meio de sua experiência.

Crítico da agenda liberal do governo Bolsonaro, colocada em prática pelo ministro da Economia Paulo Guedes, o ex-governador do Ceará disse que o governo Collor só caiu porque “pôs uma agenda liberal violenta ao País sem conversar com ninguém”.

FERIU INTERESSES – “Collor descartelizou a indústria automobilística, sentou o pé na dívida pública e nos rentistas brasileiros, esterilizou um terço da dívida pública, enquanto nós acreditamos que derrubamos o Collor por conta de ele ferir os interesses populares”, disse Ciro, acrescentando que Collor caiu por “ter ferido os interesses da plutocracia e o baronato brasileiro, onde está o poder real”.

Ciro participou de painel no seminário “Brasa em Casa, O Brasil no Divã”, evento que acontece na sede da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP), na capital paulista, e que tem como objetivo propor reflexões ao jovem brasileiro por meio de palestras e gerar oportunidades de trabalho em grandes empresas.

ORIENTAÇÃO – O evento conta também com um espaço onde estão instalados estandes de grandes empresas, inclusive do setor financeiro, distribuindo informações e orientações ao jovem que chega para ingressar no mercado de trabalho.

O ex-governador aproveitou o espaço para fazer duras críticas ao discurso de que está em curso no País uma “nova política” e atacou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Partido Novo. De acordo com Ciro, o governador mineiro cortou 80 mil vagas de ensino integral e não cumpriu promessa de acabar com as mordomias de uso de helicópteros do Estado e “está fazendo tudo igual”.

FALCATRUA – “Está protegendo Aécio Neves [deputado federal pelo PSDB mineiro] na maior falcatrua. Toda a vida que vocês ouvirem a palavra Novo está fazendo alguma coisa na política, desconfiem! É picaretagem da pura! No mínimo é picaretagem intelectual”, disse.

Para o ex-governador cearense, uma das explicações para o governo mineiro ter fechado 80 mil vagas do ensino integral é que o Novo cobra apenas 5% de imposto sobre grandes heranças enquanto no Ceará, onde a educação estaria bem, a taxação se dá no teto da Constituição, que é 8%.

“Deixa as grandes heranças sem tributar e tira a escola do jovem pobre da periferia de Belo Horizonte”, disse Ciro ao se dirigir ao Professor Christian Lohbauer, um dos fundadores do Novo, que também participou do evento. Para o professor, Zema teria fechado as vagas do ensino integral por ter encontrado o governo sem dinheiro em caixa até para pagar contas de luz e água.

Após Previdência, Guedes prepara medidas econômicas e a reforma do Estado

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Charge do Davilson (Arquivo Google)

Andréia Sadi
G1 Brasília

O ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu aos secretários de sua pasta para apresentarem projetos de suas áreas planejados para o ano, a fim de aquecer a economia após a aprovação da reforma da Previdência. A curto prazo, o foco principal de Guedes são medidas que poderão estimular o ambiente econômico, como o incentivo a saques do PIS/Pasep e do FGTS.

Já na secretaria de Desburocratização, segundo o blog apurou, o objetivo é a reforma do Estado. No desenho apresentado, está uma reforma da estrutura e organizacional – com revisão de autarquias, fusões, estrutura de ministérios e fundações, além de um novo pente fino de pessoal – carreiras, promoções.

REFORMA DO ESTADO – A ideia, segundo relatado na reunião, é começar a reforma do Estado no ano que vem. Internamente, entre integrantes da equipe econômica, a reorganização está sendo chamada de espécie de uma “quase previdência”.

Já as medidas de estímulo como saques do FGTS devem ser anunciadas em breve pela equipe de Guedes. O ministro aguarda a aprovação da reforma da Previdência para dar sequência à agenda do ministério.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quanto ao maior problema brasileiro, o descontrole da dívida pública, nenhuma palavra. É como se “non eczistisse”, diria Padre Quevedo. No final das contas, o que realmente pretende esse governo? Ninguém realmente sabe. As pessoas até tentam adivinhar, mas não conseguem. (C.N.)

‘Você não ter governo organizado atrapalha muito’, diz Maia sobre votação da Previdência

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Rodrigo Maia comanda a Câmara exibindo invulgar habilidade

Fabiano Costa
G1 — Brasília

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou em entrevista à GloboNews nesta sexta-feira (12), após encerrar o primeiro turno de votação da proposta de reforma da Previdência, que o governo Jair Bolsonaro “tem uma base muito desorganizada ou não tem base” de apoio no Congresso Nacional.

Principal avalista da reforma previdenciária no parlamento, Maia disse que “atrapalha muito” não ter um governo organizado, referindo-se à falta de articulação política do Palácio do Planalto na Câmara no início da análise da proposta de emenda à Constituição (PEC) no plenário da Casa no início desta semana.

SÓ EM AGOSTO – A segunda votação da reforma da Previdência na Câmara fica para agosto. A intenção de Rodrigo Maia era iniciar os debates da PEC na manhã de terça-feira (9), porém, a falta de mobilização de parlamentares governistas impediu, por conta da falta de quórum, a realização de uma das sessões de debates que haviam sido convocadas para segunda (8) para contar prazo entre a aprovação do texto na comissão especial e o envio ao plenário.

Com o cochilo da base governista, a análise do texto-base da proposta de reforma previdenciária se iniciou apenas no final da manhã de quarta (10).

“Você não ter um governo organizado atrapalha muito. Tem muita conversa, fofoca, informação que atrasou porque o governo não atendeu aquilo [liberação de emendas parlamentares]. Nada disso. Isso não é fundamental, até porque a partir do ano que vem o Orçamento é impositivo”, reclamou o presidente da Câmara.

SEM BASE – “A verdade é que quando você não tem base, perdemos todo o início da semana tentando organizar a base. Isso só foi possível na quarta-feira, então, perdemos a terça. Depois, quando começamos [a análise] dos destaques, depois do texto principal, sentimos uma desorganização”, complementou.

Rodrigo Maia disse que, diante da falta de articulação do Palácio do Planalto dentro do Legislativo, coube a ele – com apoio do relator da PEC, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), e de líderes de outros partidos que apoiam a reforma previdenciária – organizar a votação do texto-base e, principalmente, dos destaques e emendas (propostas de alteração no texto principal) apresentados ao parecer do parlamentar tucano.

A fala em tom de desabafo da noite desta sexta foi a segunda crítica direta de Maia à articulação política do governo Bolsonaro ao longo da semana.

ELOGIO AO CONGRESSO – Na segunda-feira (8), após um final de semana no qual se empenhou pessoalmente nas articulações para organizar a votação da PEC em primeiro turno, o presidente da Câmara afirmou que eventual aprovação da reforma previdenciária seria uma construção do Congresso Nacional, e não da gestão Bolsonaro.

“A construção da vitória, se ela acontecer, será uma construção do parlamento, não será uma construção do governo”, enfatizou.

Na ocasião, ele disse ainda que só foi possível chegar a um texto com viabilidade de ser aprovado no plenário graças à “capacidade de diálogo” e ao “equilíbrio” dos parlamentares.

TUDO NORMAL – Questionado na entrevista à GloboNews sobre o futuro da relação dele com o Palácio do Planalto, Maia afirmou que irá continuar trabalhando normalmente. “Vivemos os primeiros meses com muita dificuldade na relação do Executivo com o Legislativo, mas nunca saímos dos nossos rumos”.

 O presidente da Câmara destacou ainda que centrou esforços para barrar emendas e destaques com maior potencial de impacto na previsão de economia da PEC, mas deixou o plenário aprovar outras propostas que ele concluiu que não tinha votos para derrubar.

Como se sabe, por se tratar de propostas de mudança no texto da Constituição, é necessário votação qualificada – com os votos de 308 deputados (correspondente a 60% dos 513 parlamentares da Casa) – para aprovar emendas constitucionais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Rodrigo Maia tem quase o mesmo tempo de Câmara do que Jair Bolsonaro. A diferença é que sempre participou ativamente das atividades de comissões, plenário e lideranças, ao contrário de Bolsonaro, que sempre foi um lobo solitário e evitou se misturar. Agora, na sequência da reforma do Estado, é Maia quem assume o trabalho mais duro, mas faz questão de faturá-lo em benefício próprio, e com isso está se tornando a mais importante liderança parlamentar do país. Apenas isso. (C.N.)

A desnecessária morte de mais um policial, aos 26 anos (a viatura não era blindada)

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Foto reproduzida do site G 1

Percival Puggina

Chamava-se Gustavo de Azevedo Barbosa Júnior e tinha 26 anos. Estava dentro da viatura policial e recebeu tiro fatal no rosto enquanto, junto com seu colega, se deslocava para deter um automóvel com registro de furto. A viatura em que Gustavo rodava por zona conturbada não era blindada. Uma das testemunhas do crime fazia parte do grupo que o praticou e identificou os demais pelos respectivos apelidos. Tudo indica que a polícia, em breve, alcançará os responsáveis. Essa é a resenha da notícia.

E tudo estará resolvido quando prenderem os bandidos? Vitória da lei e dos mocinhos? Não. Está tudo sofridamente errado! A viatura em que Gustavo e seu parceiro faziam a ronda noturna deveria ser blindada, mas não há dinheiro para isso.

TUDO ERRADO – Com toda certeza, os criminosos que o mataram não são adolescentes que pegaram o carro do pai, mas são bandidos com extensa ficha policial. Em qualquer país onde as instituições sirvam à sociedade estariam atrás das grades, isolados do convívio social, porque essas instituições jamais seriam confiadas a alguém que se vangloriasse de “construir escolas e não presídios”, como se uma coisa invalidasse a outra.

Mais de 60 mil homicídios por ano, um roubo de carro por minuto, e nos dizem que violenta é a polícia e que no Brasil se prende demais. Foi por esse caminho que a sociedade acabou disponibilizada ao mundo do crime e as escolas passaram a diplomar analfabetos funcionais.

Está tudo errado, também, por serem tantos os que, no ambiente jurídico, político e intelectual, deram ouvidos aos teóricos da revolução social e do garantismo penal. Com voto, cátedra, ou malhete de juiz, tornaram-se bandidólatras a inculpar as vítimas e a inocentar sociologicamente os criminosos, pois diante da desigualdade, outra conduta não lhes poderia ser exigida!

COMOÇÃO – Está tudo muito errado, por fim, quando pessoas se mobilizam e se comovem mais diante de bandidos algemados a viaturas policiais do que perante familiares de suas vítimas nos necrotérios. Caridade seletiva e de muito mau gosto.

Impressiona saber que a surdez, a cegueira e a insensibilidade das instituições, malgrado haverem levado o país a uma taxa de homicídios cinco vezes maior do que a média mundial, não é um problema técnico-institucional, mas é um problema de pessoas concretas nessas posições de mando. E, normalmente, atribuível à arrogância intelectual que caracteriza o pensamento de esquerda, convicto, contra toda evidência, de sua superioridade moral.

CENÁRIO MISERÁVEL – Essa mesma arrogância, no plano econômico e fiscal, quis lecionar economia e quebrou o país. No plano político, enamorou-se de longevas e intoleráveis ditaduras. No plano social, multiplicou os dependentes do Estado e deles faz bom proveito. No plano ético, energizou os redemoinhos da corrupção. No plano estético fez da recusa à beleza e da militância política credenciais para a prosperidade subsidiada.

E agora, por todos os meios, combate qualquer tentativa de reverter esse miserável cenário.

Um a cada três presos no Brasil ainda aguarda julgamento, aponta Infopen

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Os detentos precisam recorrer à Lei de Proteção aos Animais

Por G1

O Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen) referente a junho de 2017 informa que 32,4% dos presos no Brasil ainda aguardavam julgamento. Segundo o relatório, o estado do Piauí tem a maior taxa de presos provisórios (60%), seguido pelo Amazonas (53,9%). O estudo foi divulgado nesta sexta-feira (12) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

No total, há 235.241 presos sem condenação no sistema prisional do Brasil. O número de presos provisórios é quase o dobro do registrado 12 anos antes, em 2005. Segundo o Infopen, porém, o recorde de presos provisórios ocorreu em 2015, com 261,8 mil presos sem julgamento.

REGIME FECHADO – Ainda de acordo com o relatório, a maior parte dos presos, porém, foi julgada e está em regime fechado (43,6%), regime semiaberto (16,7%) ou regime aberto (6%). Apenas 0,3% das pessoas privadas de liberdade cumpre medida de segurança de internação; e 0,06%, medida de segurança de tratamento ambulatorial.

O relatório destaca ainda que a população prisional cresceu, em média, 7,1% ao ano. O número de presos saltou de 232 mil em 2000 para 726 mil em 2017. Ainda segundo o estudo, faltam 303.112 vagas para atender a todos os presos. O déficit de vagas é maior no regime fechado, com uma necessidade superior a 114 mil vagas, seguido pelo regime provisório, no qual faltam mais de 95 mil vagas.

Segundo o Infopen, o número de vagas caiu de 446.874 em junho de 2016 para 423.242 em junho de 2017. O estudo diz, porém, a diferença no número de vagas se deve a um orientação do Departamento Penitenciário Nacional, que pediu para os estados não lançarem os dados de capacidade de monitoramento eletrônico, mas apenas os de vagas com correspondência em estrutura física na unidade prisional.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
E o Brasil chega, assim, a uma sinistra encruzilhada, em que se encontram as duas grandes levas de brasileiros desassistidos – os sem trabalho e os sem vaga no sistema penitenciário.  O ministro da Justiça precisa lembrar Sobral Pinto e a Lei de Proteção aos Animais, para organizar um urgente mutirão e conceder regime aberto a presos de menor periculosidade. Não há outra saída. (C.N.)

Só a Arábia Saudita trata a diplomacia como se fosse uma capitania hereditária

Eduardo Bolsonaro em Washington

Em sua última visita a Washington, Eduardo estava vestido assim

Bernardo Mello Franco
O Globo

Alguns pais celebram os 15 anos da filha com uma viagem ao exterior. Outros festejam os 18 anos do filho com a chave de um automóvel. O presidente Jair Bolsonaro resolveu ser mais generoso. Quer presentear Eduardo, o herdeiro que fez aniversário na quarta-feira, com a embaixada do Brasil em Washington.

A lei estabelece que os chefes de missão diplomática devem ser escolhidos entre os ministros de primeira classe, que chegaram ao topo da carreira no Itamaraty. “Excepcionalmente”, diz o texto, podem ser indicados outros brasileiros com mais de 35 anos, “de reconhecido mérito e com relevantes serviços prestados ao país”.

MÉRITO – Eduardo Bolsonaro acaba de atingir a idade mínima. Seu mérito mais reconhecido é ser filho de Jair. O zero-três nunca concorreu a uma vaga no Instituto Rio Branco, que prepara os diplomatas brasileiros.

Passou no concurso de escrivão de polícia, que requer menos dedicação aos estudos. Entre as atribuições do cargo, estão as tarefas de “cumprir formalidades processuais”, “lavrar termos” e “dirigir veículos policiais”.

Quinta-feira, o presidente declarou que o filho “daria conta do recado perfeitamente”. “Ele é amigo dos filhos do Trump, fala inglês, fala espanhol. Tem vivência muito grande de mundo, né?”, justificou. O deputado concordou com o pai: “Se o presidente falou, tá falado”.

NEPOTISMO – O Supremo ainda terá que decidir se a súmula contra o nepotismo permite que o zero-três vire embaixador. Se confirmada, a nomeação deixará o Brasil mais próximo de se transformar de vez numa república de bananas. Ou numa monarquia absoluta, onde cada filho do rei escolhe o cargo que deseja ocupar.

Nenhuma democracia séria trata o seu principal posto no exterior como capitania hereditária. Quem adota a prática em pleno século XXI é a Arábia Saudita, controlada a mão de ferro pela dinastia Al-Saud. Dos 11 embaixadores que o país já mandou para Washington, nove pertenciam à família real. Hoje a dona do cargo é a princesa Reema Al-Saud. Ela foi precedida pelos príncipes Khalid Al-Saud e Abdullah Al-Saud.

Se organizarem bem a fila, o zero-um e o zero-dois ainda podem chegar lá.

Antes de acusar os adversários de “fascistas”, os petistas deviam se olhar ao espelho

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Sergio Garschagen
Facebook

Eles não sabem o que dizem – A principal arma dos petistas, quando zangados com alguma crítica, é qualificar simploriamente os antagonistas de “fascistas”. Mostram com esta tática que não sabem muito bem o que é o fascismo e, pior, desconhecem o fato de que o PT no Poder usou algumas táticas do fascismo italiano.

Uma curta pesquisa sobre os dois movimentos ( petismo e fascismo ) comprova a apropriação de táticas fascistas pelo petismo. Vamos a elas:

1- Os regimes fascistas valorizam de forma intensa o corporativismo. Assim, é comum que os governos fascistas utilizem, de forma exacerbada, propagandas nacionalistas através de lemas, símbolos, músicas e bandeiras.

(Basta analisarmos o mar de bandeiras vermelhas do PT nas marchas promovidas pela CUT, MST, MTST e outros movimentos ligados ao PT para percebermos a mesma tática corporativista.)

2- O maior exemplo de corporativismo fascista ocorreu na Itália durante o governo de Mussolini. Na época, foram criados sindicatos de trabalhadores e de patrões para cada profissão. Esses sindicatos eram submetidos à supervisão do Partido Nacional Fascista, o que garantia que todas as classes, de todas as áreas, estivessem sempre em harmonia com os ideais do governo.

(Durante o petismo o Brasil contabilizou cerca de 16 mil sindicatos de todos os tipos e o Ministério do Trabalho ficou famoso pela sua transformação em balcão de vendas de cartas sindicais. Centenas de líderes de sindicatos viviam às custas do imposto sindical obrigatório).

3 – Entre as principais características do fascismo estão a concentração do poder nas mãos de um único líder, o uso da violência e o imperialismo.

(Ainda está mal explicada a morte do prefeito Celso Daniel e das sete testemunhas do caso, além da concentração de poder em mãos do capo Lula, que impediu a geração de novas lideranças no PT. Quem entrava na disputa presidencial, como Dilma e Haddad, apenas guarda a próxima candidatura de Lula).

4 – Os líderes fascistas controlavam os meios de comunicação de massa, por onde divulgavam sua ideologia e controlavam todas as informações disseminadas.

(Lula vivia a defender o controle social da mídia)

5 – O fascismo se opunha ao liberalismo, sobretudo na defesa do Estado forte e dos interesses de massa em detrimento dos interesses individuais. Dentro deste princípio fortalecia empresas privadas ligadas ao capital estatal.

(É só lembrarmos dos casos das empresa X do Eike Batista e da JBS e da estatal 7 Brasil, além da criação de dezenas de novas estatais no Brasil, todas mantidas com injeções de recursos oficiais, para percebermos a semelhança com a mesma tática do fascismo italiano).

6 – Grupos de ativistas dispostos a defender o fascismo nas ruas.

(Este exemplo é claro, quando nos lembramos dos black blocs petistas a realizar quebra-quebras nas ruas com incêndios de pneus e, como bem lembrou o Lula, quando ameaçou convocar o exército do Stédile).

Ministério Público Federal denuncia filho do ex-reitor da UFSC que se suicidou

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Mikhail Cancellier, filho do reitor, é um dos acusados pelo MPF

Guilherme Caetano
O Globo

O Ministério Público Federal (MPF) de Santa Catarina denunciou 13 pessoas por supostos desvios em verbas federais de cursos de ensino à distância na UFSC, no âmbito da Operação Ouvidos Moucos. Entre os denunciados está Mikhail Vieira Cancellier, filho de Luiz Carlos Cancellier de Olivo, ex-reitor da universidade que se suicidou em 2017 após ser preso pela Polícia Federal na mesma operação.

Segundo o MPF, as verbas para programas de ensino à distância que chegavam ao sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) eram aproveitadas por outros cursos. O órgão destaca o curso de Ciências da Administração, que concentraria o maior volume de recursos disponíveis para o programa. Os recursos, então, teriam sido apropriados indevidamente por professores.

REPASSES – O relatório final da Polícia Federal informa que o envolvimento de Mikhail Cancellier no esquema se deu por meio de repasses no total de R$ 7.102 que ele recebeu de Gilberto Moritz, professor na UFSC, assim como Mikhail. O documento considera que o denunciado “não apresentou justificativa para o constatado”.

“É uma vergonha. É um assassinato moral do reitor” — afirma Edward Carvalho, advogado de Mikhail Cancellier. “Disseram que ele (Mikhail) não soube explicar (o motivo dos repasses). É uma inversão de ônus de prova. Que processo penal é esse? Ele é acusado de, em três meses, ter recebido R$ 7 mil de uma conta de um amigo do pai dele, não era nem da faculdade. E aí ele é denunciado por ter se apropriado de dinheiro público?”

“Ele já tinha provado a inocência dele na investigação e agora vai ter que provar de novo durante o processo. Em vez de pararem e refletirem na tragédia que eles causaram, eles insistem no erro. É uma vergonha. Eu não tenho nenhuma outra expectativa senão pela absolvição nesse caso” — declara.

DESVIOS DE VERBAS – “A operação Ouvidos Moucos foi realizada pela PF em 14 de setembro de 2017. O objetivo era apurar supostos desvios de verbas que agora levaram à denúncia. O então reitor, Luiz Calor Cancellier de Olivo, pai de Mikhail, e outros seis professores foram presos, mas libertados no dia seguinte. A repercussão do caso se ampliou quando o reitor, acusado de obstruir a investigação, se matou ao se jogar do sétimo andar de um shopping m Florianópolis.

A PF recebeu muitas críticas pelos excessos e pelo tratamento dado aos professores, o que teria levado o reitor a cometer o suicídio. A delegada do caso, Érika Mialik Marena, responsável pelo caso, foi alvo de uma investigação interna, mas a corregedoria concluiu que não houve abusos.

CGU alega que a legislação não impede Bolsonaro de nomear o próprio filho

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Deu na Folha

A CGU (Controladoria-Geral da União), órgão da administração pública que fiscaliza o governo, afirmou nesta sexta-feira (12) que a eventual indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o posto de embaixador do Brasil em Washington “não caracterizaria nepotismo”. Eduardo é filho do presidente Jair Bolsonaro.

“A eventual indicação de um filho do Presidente da República para atuar como embaixador do Brasil não caracteriza nepotismo, pois tanto o decreto nº 7.203, de 4 de junho de 2010, quanto a súmula vinculante nº 13 do STF (Supremo Tribunal Federal), que tratam do assunto, indicam vedações de nepotismo para ocupação de cargos por familiares do Presidente apenas quando se tratam de cargos estritamente administrativos (em comissão, função gratificada, cargos de direção e assessoramento) e não de cargos políticos”, afirmou a CGU, em resposta a questionamento feito pela Folha.

NO SUPREMO – Marco Aurélio Mello, ministro do STF que tem sido contrário à indicação de parentes de políticos para cargos de natureza política, disse ter a impressão de que é “péssima” a possível nomeação do filho do presidente. Para ele, o caso configuraria nepotismo.

Nesta quinta-feira (11), o presidente Bolsonaro disse que decidiu indicar seu filho Eduardo para o cargo de embaixador nos Estados Unidos, mas que cabe ao atual deputado federal aceitar ou não o convite.

Eduardo disse por sua vez que aceita qualquer missão que lhe for dada por Bolsonaro e que se reunirá com o pai neste fim de semana para definir o assunto.

INTERCÂMBIO – A jornalistas, o parlamentar afirmou nesta sexta-feira (12) que tem qualificação para o posto por ter feito intercâmbio nos Estados Unidos e por ter fritado hambúrguer “no frio do Maine”.

“Já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos EUA, no frio do Maine, estado que faz divisa com o Canadá. No frio do Colorado, numa montanha lá, aprimorei meu inglês”, declarou.

Tanto Eduardo quanto seu pai afirmam que a indicação não configura nepotismo. À Folha de S.Paulo a CGU disse que há várias decisões do próprio Supremo que excepcionam a vedação prevista na súmula [que trata de nepotismo] para cargos estritamente políticos. “Este é o caso do cargo de embaixador”, argumentou a controladoria.

ARGUMENTOS – A CGU alega que o cargo de embaixador tem uma série de características que fazem com que não se enquadre na súmula da Suprema Corte e no decreto que aborda casos de nepotismo.

Entre essas características, está o fato de o posto demandar aprovação prévia do Senado Federal e de o chefe de missão diplomática ser a principal autoridade do Brasil no país onde reside.

Além do mais, a controladoria citou o fato de o indicado representar diretamente o presidente em uma competência exclusiva do chefe do Executivo, a de manter relações com estados estrangeiros.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A nomeação fatalmente será contestada no Supremo. O decreto realmente tem brechas, mas seu teor precisa ser combinado com a determinação constitucional da nomeação de embaixador. O julgamento no STF vai ser interessante e já começa com um voto contra Bolsonaro, a ser dado pelo ministro Marco Aurélio, que evitou a nomeação do filho de Marcelo Crivella para secretário da Casa Civil do pai. (C.N.)

Punição a rebeldes indica choque de ideias entre os partidos e os movimentos populares

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Tabata Amaral, do PDT, está sendo pretendida por vários partidos

Miguel Caballero
O Globo

Surgidos nos últimos anos como alternativa à polarização ideológica e com proclamada intenção de renovar a política, movimentos da sociedade como o Acredito elegeram deputados em “parceria” com partidos formalmente registrados na Justiça Eleitoral. Não demorou um semestre até que a votação da reforma da Previdência expusesse previsíveis atritos em torno desse modelo híbrido, uma novidade da atual legislatura.

Foi de certa forma a estreia na realpolitik de Brasília para deputados novatos como Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES), ambos originários do Acredito e do RenovaBR, movimentos que pregam distância da política tradicional.

CONVICÇÕES – Na hora de votar, prevaleceram as convicções pessoais, mas a lógica partidária prevê consequências. Ao se filiarem aos partidos, integrantes do Acredito levaram às legendas uma carta na qual as siglas se comprometiam a lhes garantir “autonomia política”. Nada que se sobreponha aos estatutos partidários, afirmam dirigentes como Carlos Lupi.

Ameaçados de expulsão, Tabata e Rigoni poderão sinalizar qual o caminho institucional possível quando esses movimentos sociais entram na política formal. Ficar sem partido, ir para uma legenda mais leniente com as decisões de seus integrantes ou mesmo ficar onde estão — como independentes ou passando a seguir as instruções partidárias. Nesta votação, os 36 deputados “rebeldes” se espalharam por 11 partidos.

Não há, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, risco de que deputados eventualmente expulsos de um partido percam o mandato.

BATALHA PERDIDA – Para além da punição que PDT e PSB destinarão aos que não seguiram a decisão partidária, a oposição de esquerda vê-se outra vez diante de uma antiga dicotomia: manter a unidade ideológica, agora num tema especialmente caro a esses partidos, ou privilegiar um pragmatismo que a aproxime de vitórias no Congresso. A votação esmagadora indica que a reforma da Previdência se tratava de uma batalha perdida para a oposição.

Virão muitas outras, porém, no governo Bolsonaro, como a análise do decreto das armas e uma extensa pauta de costumes que o Executivo e o bloco mais conservador no Congresso pretendem levar a voto. Disputas nas quais a esquerda pode não estar tão isolada do centro como sugerem os 131 votos de anteontem. Expulsar parlamentares que conseguem falar para “fora da bolha” pode não ser a forma mais fácil de ganhar votações — no Congresso ou fora dele.

A pureza da criatividade de Paulinho da Viola, ao se tornar sambista aos 14 anos

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O jovem Paulinho, acompanhando Clementina

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola, é tido como um dos mais talentosos representantes da MPB. O samba “Catorze Anos”, gravado por Paulinho da Viola no Lp Na Madrugada, em 1966, pela RGE, foi inspirado nas palavras de seu pai, o excelente violonista César de Faria, o qual não queria que seus filhos fossem músicos, como ele, pois dizia que “sambista não tem valor nesta terra de doutor”.

Todavia, os conselhos não adiantaram, conforme conta a letra de “Catorze Anos”, obra que segundo Paulinho da Viola “traduz a filosofia do sambista do morro e isto significa um pouco de mim mesmo”.

CATORZE ANOS
Paulinho da Viola

Tinha eu catorze anos 
Quando meu pai me chamou
Perguntou-me se eu queria
Estudar Filosofia
Medicina ou Engenharia
Tinha eu que ser doutor

Mas a minha aspiração
Era ter um violão
Para me tornar sambista
Ele então me aconselhou
Sambista não tem valor
Nesta terra de doutor
É seu doutor
O meu pai tinha razão

Vejo um samba ser vendido
E o sambista esquecido
E seu verdadeiro autor
Eu estou necessitado
Mas meu samba encabulado
Eu não vendo não senhor