Bolsonaro é o único candidato que ameaça derrotar Lula, segundo pesquisa

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Bolsonaro comemora sua subida nas pesquisas

Guilherme Venaglia
Veja

Condenado em julho a nove anos e seis meses de prisão pelo juiz Sergio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue liderando todos os cenários em que é citado para as eleições de 2018, segundo pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta terça-feira pela Confederação Nacional de Transportes (CNT). Nas três simulações feitas para o primeiro turno, o ex-presidente oscila pouco, entre 32% e 32,7% das intenções de voto. Em segundo lugar, dispara o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que em fevereiro estava entre a terceira e quarta posição e viu seu apoio aumentar de cerca de 11% para mais de 18% nos três cenários.

Antes vice-líder, a ex-senadora Marina Silva (Rede) aparece em terceiro lugar em todos os cenários. A diferença entre as simulações fica por conta do candidato escolhido para representar o PSDB: muito atrás dos correligionários, o senador Aécio Neves (MG) seria a escolha de apenas 3,2% dos eleitores, enquanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito paulistano, João Doria, têm 9,4% e 8,7%.

CIRO E AÉCIO – Outro candidato pesquisado, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) fica em quarto no cenário que inclui Aécio e em quinto caso enfrente Alckmin ou Doria, com intenções de voto que vão de 4,6 a 5,3%.

No cenário de pesquisa espontânea, em que não é apresentada uma lista de candidatos ao eleitor, Lula lidera com 20,2% das intenções de voto e Jair Bolsonaro, 10,9%. Citado de forma espontânea pela primeira vez, João Doria vem em terceiro, mas distante dos dois primeiros, com 2,4%. Na sequência, Marina Silva tem 1,5%; Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, 1,2%; o senador Álvaro Dias (Podemos), 1,0%; o presidente Michel Temer (PMDB), 0,4%; e Aécio Neves, 0,3%. Do total, 37% se disseram indecisos, brancos e nulos somam 21,2% e outros são 2,0%. A pesquisa ouviu 2.002 e tem margem de erro de 2,2% para mais ou para menos.

REJEIÇÃO – Nas simulações de um enfrentamento em segundo turno, o ex-presidente Lula se daria melhor contra os cinco adversários pesquisados, sendo que Bolsonaro, com 28,5%, é o que chegaria mais perto dele, com 40,5% no cenário. O deputado do PSC superaria todos os nomes do PSDB, mas perderia para Marina Silva, que também se dá melhor contra os tucanos.

Abalado pela delação da JBS, que chegou a afastá-lo do mandato no Senado, Aécio Neves é o nome mais rejeitado entre todos os pesquisados, com 69,5% de pessoas que disseram que não votariam nele de jeito nenhum. Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva e Lula também têm rejeição acima de 50%.

DÓRIA E BOLSONARO – Apesar de também terem rejeição alta, ultrapassando 40% do eleitorado pesquisado, João Doria e Jair Bolsonaro são os que menos têm reações negativas entre os pesquisados.

O deputado conta com 45,4% de eleitores que não considerariam votar nele, ante 42,9% do prefeito paulistano. De acordo com a análise da CNT, o fato de Doria ter rejeição em patamar semelhante ao de outros possíveis candidatos é um sinal de que ele “passou a ser percebido como um político comum” pelos eleitores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É uma pesquisa fantasiosa, nada tem a ver com a realidade, porque inclui dois pretendentes que não estão na disputa. Nem Lula nem Aécio podem ser listados, tira totalmente a seriedade da pesquisa. De toda forma, deve ser levada em conta a ascensão de Bolsonaro, um candidato que tem chances, sem dúvida, mas é do tipo autocarburante e pode pegar fogo sozinho. (C.N.)

Mais Piada do Ano: Planalto diz que delação de Geddel não vai atingir Temer

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Charge do Amarildo (amarildo.com.br)

Carla Araújo e Tânia Monteiro
Estadão

O Palácio do Planalto se preocupa hoje mais com a possibilidade de o ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso desde o dia 8, fechar um acordo de delação premiada do que com a nova denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República na semana passada contra o presidente Michel Temer.

A avaliação de auxiliares próximos a Temer é de que a segunda acusação formal oferecida pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, que acusa o presidente de liderar uma organização criminosa e de obstruir a Justiça, terá um placar mais favorável que a primeira acusação quando chegar ao plenário da Câmara dos Deputados. Em agosto, quando a Procuradoria denunciou Temer por corrupção passiva, 263 deputados votaram por barrar o prosseguimento da acusação.

INCONTORNÁVEL – Já em relação a Geddel, a avaliação no Planalto é de que a situação é “praticamente incontornável” depois que a Polícia Federal encontrou R$ 51 milhões em espécie em um apartamento em Salvador, onde foram identificadas as impressões digitais do ex-ministro.

Até a primeira prisão do ex-ministro, no dia 3 de julho, baseada em depoimentos do corretor Lúcio Funaro e de sua mulher, Raquel Pitta, a avaliação era de que seria possível obter sucesso na defesa técnica, uma vez que não existiam provas concretas da tentativa de obstrução da Justiça.

A apreensão do dinheiro, entretanto, segundo os investigadores, jogou por terra o discurso da defesa de que as acusações eram versões de delatores interessados em benefícios. Os R$ 51 milhões materializaram as provas necessárias para sustentar as afirmações dos colaboradores. A homologação da delação de Funaro fortaleceu a tese da acusação contra Geddel.

OUTRA DELAÇÃO – Além disso, o ex-diretor de Defesa Civil de Salvador Gustavo Pedreira, apontado como homem de confiança de Geddel, cujas impressões digitais também foram encontradas no apartamento, afirmou estar disposto a colaborar com as investigações. Ele já confirmou ter buscado dinheiro em São Paulo a pedido de Geddel. Não está descartada a possibilidade de o ex-ministro ser alvo de outras denúncias.

Geddel, ao lado de Temer, fazia parte do núcleo duro do PMDB, que inclui os atuais ministros e também denunciados Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral). O Planalto avalia que Geddel é temperamental e emotivo e, por isso, não aguentaria muito tempo na prisão. Essas características, disse um auxiliar, podem aumentar ainda mais as chances de o ex-ministro fornecer informações em troca de benefícios.

Apesar disso, o discurso no governo é de que, se Geddel fechar acordo de colaboração premiada, não haverá nada de comprometedor contra o presidente. Ainda assim, a ordem no Planalto tem sido se distanciar ao máximo do ex-ministro. Desde que foram descobertos os R$ 51 milhões, os principais interlocutores do presidente evitam o assunto ou, quando abordados, dizem que ele não tem relação com o Palácio do Planalto.

Procurada, a defesa de Geddel não havia se manifestado até a conclusão desta edição.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esses piadistas do Planalto são imbatíveis. Dizer que a delação de Geddel não atingirá Temer realmente é uma anedota da melhor qualidade. (C.N.)

Reforma da Previdência só entra em pauta depois da nova denúncia contra Temer

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Meirelles força a barra, mas Rodrigo Maia não cede

Gerson Camarotti
G1 Brasília

Apesar das cobranças públicas do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para que haja urgência na votação da reforma da Previdência, a ordem no Palácio do Planalto é priorizar a partir de agora a votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, na Câmara dos Deputados.

Só depois é que a agenda de reformas será retomada. “Não dá para tentar votar tudo ao mesmo tempo. Não há capital político para isso. Nossa prioridade será a denúncia”, avisou um articulador político do governo.

Temer foi denunciado ao Supremo pela Procuradoria Geral da República pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça. Mas o STF só poderá analisar a acusação se a Câmara autorizar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A nova denúncia é muito grave. Tudo indica que será enviada à Câmara pelo relator Edson Fachin e aí começará tudo de novo – Comissão de Constituição e Justiça, parecer, votação e depois decisão do plenário. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já disse que sua prioridade é a reforma política, especialmente a cláusula de barreira, para impedir a proliferação de partidos nanicos. Maia está descolado do Planalto e iniciou vôo solo. (C.N.)

Mudança na Procuradoria será apenas uma questão de estilo?

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Merval Pereira

A nova Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, além de ser a primeira mulher a ocupar o cargo, terá que enfrentar a tarefa a que aparentemente se dispôs, de substituir o estilo frenético, digamos assim, do procurador Rodrigo Janot por um mais sóbrio, mas que não deixe preocupada a sociedade em relação ao futuro do combate à corrupção no país.

Chamou atenção, por exemplo, o fato de Rachel Dodge não ter tocado na Operação Lava-Jato em seu discurso de posse na Procuradoria-Geral da República, embora tenha reafirmado a disposição de combater a corrupção. Isso quer dizer que ela não pretende, como fazia Janot, e também a força-tarefa de Curitiba, dar protagonismo à Operação Lava Jato, que não comandará diretamente.

OUTRAS TAREFAS – Encarregou um auxiliar de fazê-lo, como se mandasse um recado a seus subordinados: a Procuradoria-Geral da República tem vários outros objetos de trabalho, entre eles a defesa dos direitos humanos das minorias, como os indígenas.

Muitos estarão, a essa altura, achando que essa é uma postura que pode levar ao arrefecimento da Operação Lava Jato, mas só os fatos poderão mostrar qual caminho Raquel Dodge escolheu. Nada no seu passado indica leniência com a corrupção.

Num momento em que no Congresso articula-se mais uma ação contra a Lava Jato, desta vez mais organizada, com uma CPI supostamente sobre a JBS mas que, na verdade, quer utilizar-se das trapalhadas da delação premiada de Joesley Batista e companhia para restringir as delações premiadas, a nova Procuradora-Geral vai ter que ser firme na manutenção do objetivo central do combate à corrupção.

QUESTÃO DE ESTILO – É difícil que ela mude o rumo das investigações. Pode ser que não dê a prioridade máxima à operação – que já está numa fase de menos investigações e maior dependência do STF, mas isso não pode significar mudança de rumo, só de estilo.

As operações nos estados, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo, e em Brasília estão ganhando mais relevância e o próprio Rodrigo Janot já tinha admitido que se podia vislumbrar o final da Lava-Jato. Ele contou recentemente que uma deputada italiana com quem conversou o aconselhou a estabelecer um fim oficial das investigações antes que uma “mão externa” o fizesse, por ser inevitável que as reações às investigações em algum momento conseguissem barrá-las com ações políticas.

É o que já está acontecendo, com uma ação orquestrada no Legislativo para frear a Lava Jato, e também no Judiciário, com a tendência a reverter a decisão do Supremo de permitir a prisão de condenados na segunda instância da Justiça. A parte mais relevante hoje da Lava Jato está no STF, dos envolvidos com foro privilegiado, e se espalhou em outros foros por não ter relação com Petrobras.

AUMENTA A REAÇÃO – Quanto mais as investigações e denúncias chegam perto dos parlamentares, mais a reação aumenta. E há ainda ações cíveis contra partidos políticos que estão pendentes, e bancos podem vir a ser chamados a responder por prejuízos decorrentes de falhas dos sistemas de compliance, no Brasil e no exterior.

O próprio ex-Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, acha que a Lava Jato não pode ser uma investigação permanente, “mesmo porque a sociedade brasileira e o Estado brasileiro não podem ficar refém de uma investigação eterna”. A força-tarefa da Lava Jato foi renovada por mais um ano, mas os problemas financeiros têm prejudicado as investigações, especialmente pela redução de quadros da Polícia Federal envolvidos na Operação.

Mas a Polícia Federal alega que as investigações foram reduzidas em Curitiba e cresceram em outros Estados. O mais provável é que a nova Procuradora-Geral não reveja as delações premiadas já aprovadas pela gestão anterior, mas os critérios serão outros com as novas delações pendentes.

INOVAÇÕES – Questões administrativas certamente ganharão importância na nova gestão, como a aplicação da regra que ela propôs no Conselho Nacional. Entre outras inovações, que limita em 10% o número de procuradores que uma unidade do Ministério Público Federal pode ceder para participar de investigações em outra unidade.

Isso atinge o cerne da Operação Lava Jato, que sempre contou com especialistas do MPF vindos de todo o País. Há também a ideia de o período máximo de um procurador ficar numa determinada missão ser de 4 anos, o que tiraria da Lava Jato diversos atores que estão trabalhando nela desde o primeiro momento, há três anos e meio. O grupo perderia seus líderes, e sua memória, como os procuradores Deltan Dallagnol e Carlos Fernando Sousa, que já dão mostras de desânimo em certas ocasiões, protestando publicamente.

Bolsonaro aproveita a fala do general Mourão para fortalecer sua campanha

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante palestra na Fumec, universidade privada de Belo Horizonte (MG)

No Paraná, Bolsonaro deu entrevista à imprensa

Deu na Folha

Depois de vir à tona no fim de semana a fala de um general da ativa no Exército sobre uma intervenção militar caso a Justiça não resolva o problema, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) afirmou que reagir à corrupção no Brasil “é obrigação de qualquer civil ou militar”. Bolsonaro, que é militar da reserva e pré-candidato a presidente em 2018, publicou a mensagem em uma rede social.

Ele já havia compartilhado no fim de semana o vídeo da palestra em que o general Antonio Hamilton Mourão afirmou que seus “companheiros do Alto Comando do Exército” entendem que uma “intervenção militar” poderá ser adotada se o Judiciário “não solucionar o problema político”.

UMA OBRIGAÇÃO – “Não se faz democracia comprando votos e aceitando a corrupção por governabilidade. Reagir a isso é obrigação de qualquer civil ou MILITAR”, escreveu Bolsonaro no Twitter.

A assessoria do parlamentar não confirmou se o comentário se refere à declaração de Mourão, mas o teor é semelhante às afirmações sobre o caso que Bolsonaro fez ao jornal “Gazeta do Povo”.

“Ele [Mourão] falou como um brasileiro qualquer que está indignado com esse estado de putrefação da política brasileira. Isso para mim é liberdade de expressão. É um cidadão. Não tem nada a ver [condenar sua fala]”, disse o presidenciável ao jornal paranaense nesta segunda-feira (dia 18).

COMPRA DE VOTOS – Segundo a “Gazeta do Povo”, o deputado fez críticas ao governo Michel Temer e afirmou que um exemplo de corrupção seria a compra de votos praticada pelo presidente para se manter no cargo.

“Se comprar teu voto, isso é democracia? O Temer está comprando voto no parlamento e estamos vivendo numa democracia. As Forças Armadas estão com problemas seriíssimos e também esse problema da corrupção. Quer que as Forças Armadas apoiem esses bandidos que compram votos?! Tem que apoiar quem não compra votos”, disse Bolsonaro ao jornal.

“IMPOSIÇÃO” – O general Antonio Hamilton Mourão, que é secretário de Economia e Finanças do Exército, disse, numa palestra promovida pela maçonaria em Brasília na sexta-feira (15), que poderá chegar um momento em que os militares terão que “impor isso” (ação militar) e que essa “imposição não será fácil”. Segundo ele, seus “companheiros” do Alto Comando do Exército avaliam que ainda não é o momento para a ação, mas ela poderá ocorrer após “aproximações sucessivas”.

Nesta segunda, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, pediu explicações ao comandante do Exército sobre as afirmações do general.

A reportagem não conseguiu falar com o militar. No domingo (dia 17), ele disse ao jornal “O Estado de S. Paulo” que não pretendia insuflar ninguém ou defender a intervenção, e que apenas respondeu a uma pergunta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Já era esperado que Bolsonaro aproveitasse as declarações do general Mourão para reforçar a campanha que já está fazendo pelo país. Aliás, seria muito otário se não o fizesse. (C.N.)

Supremo não deve barrar nesta quarta-feira a denúncia de Janot contra Temer

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Carolina Brígido
O Globo

O Supremo Tribunal Federal (STF) não vai barrar a denúncia contra o presidente Michel Temer, como quer a defesa. Na sessão de quarta-feira, os ministros devem autorizar o envio do documento para a Câmara dos Deputados, como prevê a Constituição. Se, em votação, dois terços dos deputados concordarem, o presidente é afastado por 180 dias e o caso retorna para a Corte para julgamento.

Na avaliação da maioria dos ministros, nessa primeira fase, o Supremo tem o dever de encaminhar, automaticamente, o caso para a Câmara, sem fazer juízo de valor sobre a denúncia ou as provas nas quais o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se baseou. Pelo menos não neste momento.

NO PLENÁRIO – Embora tenha conhecimento dessa tendência do tribunal, o relator do processo, ministro Edson Fachin, preferiu levar a questão de ordem apresentada pela defesa para o plenário do Supremo, em vez de decidir sozinho. Em junho, quando Temer foi denunciado pela primeira vez, por corrupção passiva, Fachin encaminhou o caso para a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, que enviou para o Congresso Nacional. Tudo ocorreu em poucos dias.

A segunda denúncia chegou ao STF na quinta-feira, mas Fachin quis que o plenário primeiro julgasse o pedido da defesa, para não dar margem a qualquer pedido de nulidade futuro. E, também, por cortesia aos colegas.

PROVAS DA JBS – O governo já se movimenta para barrar, na Câmara, a segunda denúncia apresentada contra Temer, por obstrução de justiça e participação em organização criminosa. A primeira denúncia, por corrupção passiva, foi apresentada por Janot ao STF em junho.

Por maioria, os deputados decidiram enterrar o caso. O inquérito continua aberto no tribunal, mas as investigações só poderão ser retomadas depois que Temer deixar o cargo, em 1º de janeiro de 2019.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sem novidades no front, diria o escritor Erich Maria Remarque. Temer não será afastado pela Câmara, há consenso de que não adianta nada derrubar mais um presidente, o que só aconteceria no final do ano, para substituí-lo por Rodrigo Maia durante três meses, até o Congresso eleger um presidente-tampão indireto, que só vai governar por 9 meses. Ou seja, Temer vai continuar apodrecendo no poder, enquanto Meirelles continua governando até abril, quando se desincompatibilizará para disputar a Presidência. E la nave va, totalmente felliniana. (C.N.)

Assessoria de Lula copia a mídia e aponta as supostas “contradições” de Palocci

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

As declarações feitas pelo ex-ministro Antonio Palocci ao juiz Sergio Moro, ao relatar supostas ações e práticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante e após o término do mandato presidencial, foram refutadas pela equipe do ex-chefe do Executivo. Em nota publicada no site oficial do ex-presidente, a assessoria de Lula enumera contradições verificadas entre os depoimentos do ex-ministro e do empreiteiro Marcelo Odebrecht e afirma que Palocci busca “obter uma redução penal, um acordo de delação, sem compromisso com a verdade.”

Entre as contradições apontadas estão as diferentes versões sobre acordos e valores em supostos “pacotes de propinas”; a finalidade dos valores supostamente destinados ao PT; doações declaradas da Odebrecht ao Instituto Lula; palestras realizadas pelo ex-presidente; e questões relacionadas ao terreno em que seria construído do Instituto Lula.

Na nota, a equipe de Lula ainda lembra que Palocci disse ter feito entregas de dinheiro ao ex-presidente, mas que dias antes, “afirmou categoricamente jamais ter buscado dinheiro em empresas”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A assessoria de Lula parece estar descobrindo a pólvora nessa tentativa de detonar as revelações de Palocci. Na verdade, não descobriu nada, está apenas repetindo o que a mídia já publicou, porém essas contradições nada significam para melhorar a defesa do ex-presidente, que não vai bem das pernas. As supostas incoerências de Palocci, identificadas pela mídia e reproduzidas por grande número de portais, sites e blogs, na verdade são normais em toda delação. Inicialmente, todo réu sempre esconde a verdade, quando ela lhe é adversa. Somente quando faz delação premiada é que fica obrigado a revelar a verdade, sem omissões. Apenas isso. (C.N.)

Antes de sair, Janot entregou delações contra Pezão e Eduardo Paes, entre outros

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Janot tinha mais duas flechas de grande alcance

Carolina Brígido
O Globo

No fim do expediente de sexta-feira, último dia útil do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no cargo, chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma montanha de processos — entre eles, a delação da Queiroz Galvão, uma das empreiteiras que se especializaram em desviar dinheiro da Petrobras para pagar propina a políticos, como revelou a Operação Lava-Jato. Também está no pacote a delação do marqueteiro Renato Pereira, que fez as últimas campanhas do PMDB no Rio de Janeiro.

De acordo com fontes que tiveram acesso às negociações, o marqueteiro entregou operações que tiveram como beneficiários o atual governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, e o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes.

MUITAS ACUSAÇÕES – As novas delações são extensas. Somam depoimentos e documentos apresentados pelos delatores como provas do que disseram ao Ministério Público Federal. O mais provável é que tenham sido mencionadas, nas duas delações, autoridades com direito ao foro privilegiado no STF, como parlamentares ou ministros de Estado. O foro para investigar governadores é o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Portanto, eventuais indícios contra Pezão deverão ser enviados para lá no futuro.

Os casos estão protegidos pelo segredo de justiça e não há previsão de quando o teor virá à tona. O relator da Lava-Jato no STF, ministro Edson Fachin, ainda não analisou o material. Caberá a ele homologar ou não as delações.

EM SIGILO – Os processos enviados por Janot ao STF no apagar das luzes do mandato estão sendo catalogados e ainda não se sabe que temas englobam. Parte dos papéis está em um cofre, por se tratarem de provas sigilosas. A previsão é de que os servidores da Corte levem cerca de dez dias para sistematizar tudo. Ou seja, enquanto a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ainda está tomando pé dos documentos que herdou do antecessor, o STF estará ocupado em organizar as derradeiras flechadas de Janot.

Renato Pereira é dono da agência Prole e foi marqueteiro da campanha de reeleição de Pezão em 2014. Ele foi citado na delação premiada da Odebrecht como intermediário do pagamento de propina ao governador. Há também suspeita de que ele prestava o mesmo serviço para o ex-governador Sérgio Cabral e para o ex-prefeito Eduardo Paes.

MAQUIAGEM – Em abril, o G1 noticiou que delatores da Odebrecht entregaram documentos aos investigadores revelando que a empreiteira simulou a compra de equipamentos de academia para maquiar um depósito de 800 mil euros, via caixa dois, para a campanha de Pezão. Segundo depoimentos de ex-dirigentes da construtora, o dinheiro fazia parte do pacote de R$ 20 milhões repassado em 2014, a pedido do ex-governador Sérgio Cabral, à campanha do peemedebista.

Ex-diretor da Odebrecht no Rio, Leandro Azevedo disse que o combinado com Cabral era fazer os pagamentos para Renato Pereira que fazia a campanha de Pezão. Também em depoimento, o ex-presidente da Odebrecht Benedicto Júnior afirmou que os repasses para a campanha de Pezão eram relacionados ao contrato da Linha 4 do metrô do Rio. Segundo o delator, os pagamentos foram feitos a pedido de Cabral. “O Pezão não sentou com a Odebrecht para pedir dinheiro”, disse Benedicto Júnior em depoimento.

PEDRO PAULO – Leandro Azevedo entregou ao MPF mensagens trocadas em 2012 com Renato Pereira. Na época, o marqueteiro era o responsável pela campanha do PMDB no Rio. Segundo o delator, as mensagens tratam da entrega de R$ 11,6 milhões em espécie, feita por ordem do então secretário da Casa Civil, Pedro Paulo (PMDB), da gestão Eduardo Paes.

“Eu me lembro de ter trocado com o Renato BBMs (mensagens), porque como era um valor muito significativo, que eu nunca tinha feito, a chance de dar errado o planejamento era muito grande”, disse o delator. Segundo o executivo, Renato Pereira recebeu o dinheiro do Setor de Operações Estruturadas, o departamento de propina da Odebrecht. Na delação que chegou ao STF, o marqueteiro terá a chance de confirmar ou não a versão dos executivos da Odebrecht. (Colaborou Thiago Herdy)

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A excelente repórter Carolina Brígido diz que a expectativa é de que seja uma delação grandiosa, com munição para derrotar aliados do presidente Michel Temer, além de pessoas ligadas aos ex-presidentes Lula. Ou seja, a fila anda e a Lava Jato não acaba nunca. (C.N)

Contreiras e Xangai mostram que todos nós sonhamos em ser pastores…

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Xangai fez uma bela parceria com Contreiras

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O cantor, violeiro e compositor baiano Eugênio Avelino, conhecido pelo apelido Xangai, devido à Sorveteria Xangai, que era propriedade de seu pai, na letra de “Carneirinhos”, composta com seu parceiro, o jornalista, músico e cantor Hélio Contreiras, mostra simbolicamente que, no fundo, todos nós queremos ser pastores e também músicos.  A música foi gravada por Xangai no LP Qué Qui Tu Tem Canário, em 1981, pela Kuarup.

CARNEIRINHOS
Hélio Contreiras e Xangai

Todos querem ser pastores
quando encontram,
de manhã, os carneirinhos
enroladinhos,
como carretéis de lã.

Todos querem ser pastores,
e ter coroas de flores,
e um cajadinho na mão,
e tocar uma flautinha,
e soprar numa palhinha,
qualquer canção.

Todos querem ser cantores,
quando a estrela da manhã,
brilha só, no céu sombrio,
e pela margem do rio,
vão descendo os carneirinhos,
como carretéis de lã.

Ministro da Defesa disputa a Piada do Ano, ao ameaçar punir o general Mourão

Ministro da Defesa, Raul Jungmann, acompanha embarque de militares brasileiros para missão de paz no Haiti, no aeroporto de Viracopos (SP)

Jungmann apenas tenta jogar com as aparências

Igor Gielow
Folha

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, pediu explicações ao comandante do Exército sobre a fala de um general da ativa sugerindo que pode haver intervenção militar caso o Judiciário não consiga resolver “o problema político” — uma referência à miríade de casos de corrupção em apuração no país. O comandante da Força, general Eduardo Villas Bôas, não fez comentários. Cabe a ele, legalmente, decidir o que fazer com Mourão.

Em nota, o ministro fala que foram discutidas “medidas cabíveis a serem tomadas” em relação ao general Antonio Hamilton Mourão, secretário de Finanças do Exército. A nota não diz se algo será feito, mas a rigor ele pode ser punido porque a legislação veda a oficiais manifestações sobre o quadro político-partidário sem autorização expressa do Comando do Exército.

SUBORDINAÇÃO -“Reitera o ministro da Defesa que as Forças Armadas estão plenamente subordinadas aos princípios constitucionais e democráticos. Há um clima de absoluta tranquilidade e observância aos princípios de disciplina e hierarquia”, diz a nota.

Em palestra numa loja maçônica de Brasília na sexta (15), Mourão respondeu a uma pergunta sobre a eventualidade de uma intervenção militar constitucional. Disse que os militares poderão ter de “impor isso” e que essa “imposição não será fácil”.

O governo passou a segunda-feira avaliando como responderia ao caso. O Planalto considerou a frase de Mourão desastrosa, mas havia a preocupação de não ampliar a repercussão do episódio. Por outro lado, até pela viralização do episódio na internet, a Defesa julgou melhor enquadrar o general.

BRILHANTE USTRA – Na avaliação do governo, o episódio foi isolado e o general, reincidente nas polêmicas. Em 2015, ele perdeu o cargo de comandante da região Sul após ter feito duras críticas à classe política e exaltado a “luta patriótica”. Além disso, um quartel sob sua jurisdição prestou uma homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que chefiou o DOI-Codi, centro de detenção e tortura do regime militar (1964-85). Ustra havia morrido naquele ano.

Mourão foi transferido para um cargo compatível com sua patente, a mais alta, de general de Exército, assumindo a secretaria de Finanças da Força. A função, contudo, é considerada burocrática.

REPERCUSSÃO – O general é um dos mais respeitados comandantes do Exército, o que relativiza a avaliação do governo sobre o episódio. Segundo disse, em reserva, um oficial superior à Folha, suas posições costumam reverberar nos meios militares, mesmo que não haja concordância plena com elas.

A reportagem não conseguiu falar com o militar. No domingo (17), ele disse ao jornal “O Estado de S. Paulo” que não pretendia insuflar ninguém ou defender a intervenção, e que apenas respondeu a uma pergunta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Só pode ser Piada do Ano. Até as paredes do Forte Apache sabem que o ministro Raul Jungmann não manda nada nas Forças Armadas. Seu partido, o PPS, abandonou a base do governo, o presidente Roberto Freire se demitiu do Ministério da Cultura no dia seguinte à denúncia da gravação de Temer no subsolo do Jaburu, mas Jungmann continuou aferrado ao cargo, para não ficar desempregado (é suplente de deputado). Agora, tira essa onda, para agradar Temer, que está lá na Matrix com Eliseu Padilha, Moreira Franco e Meirelles, fingindo que não está acontecendo nada. O general, que logo passará para a reserva, não será punido. (C.N.)

Acerto do Planalto com a bancada ruralista custou caro: R$ 17 bilhões  

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Charge do Pelicano (pelicanocartum.net)

Mônica Bergamo
Folha

O governo federal abortou, até segunda ordem, a ideia de recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar derrubar a resolução publicada no Senado que beneficia os ruralistas, ao proibir a cobrança retroativa de suas dívidas com o Funrural, o Fundo de Assistência ao Trabalhador.

A perda com a medida é calculada em R$ 17 bilhões. Mas a equipe de Michel Temer concluiu que não é hora de cutucar a onça com vara curta: a bancada ruralista é uma das mais poderosas do Congresso e será fundamental para barrar a segunda denúncia contra o presidente.

O governo vai escalar o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para que ele tente convencer os parlamentares de que a medida do Senado é inadequada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, a informação foi vazada estrategicamente, para dar impressão de que o governo estaria contrariado com a liberalidade do Senado, mas é tudo conversa fiada. O afago à bancada ruralista, que é a mais forte do Congresso, foi acertado pelo próprio Planalto, que agora não pode (nem vai) voltar atrás. Por isso, o presidente Temer não vai escalar Meirelles para nada. Pelo contrário, o governo terá de se fingir de morto e esquecer o assunto, que nada mais é do que um dos muitos acertos de contas que salvaram o mandato de Temer e os empregos de pessoas nefastas como Eliseu Padilha e Moreira Franco. (C.N.)

Depois de percorrer o Nordeste, caravana de Lula agora passará por Minas

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Charge do Jota A (Portal de O Dia/PI)

Fransciny Alves
O Tempo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai desembarcar em Minas Gerais no próximo mês para realizar uma caravana pelo Estado, no mesmo formato da que foi feita no Nordeste do país. A presidente do PT estadual, Cida de Jesus, anunciou nesta segunda-feira (18) que a caravana vai ocorrer entre os dias 23 e 30 de outubro. A informação foi antecipada pela coluna Aparte, de O Tempo, em agosto.

Em uma publicação no seu perfil do Facebook, Cida disse que após reunião em São Paulo, os dias e o roteiro da caravana “Lula pelo Brasil” foram acertados. Assim como ocorreu no Nordeste, a peregrinação de Lula em Minas vai ser feita de ônibus.

EXCURSÃO – O roteiro começa pela região Norte do Estado, em Montes Claros. Depois o petista vai para o Vale do Jequitinhonha, segue para a região do Rio Doce, em seguida vai para Vale do Aço e termina a viagem em Belo Horizonte. Os detalhes da caravana, como quais cidades serão visitadas, vão ser decididos na próxima quinta-feira (21), em reunião do Diretório Nacional do PT, em São Paulo.

Participaram do encontro desta segunda-feira (18), entre outros, Lula, o governador de Minas, Fernando Pimentel, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e o secretário de Governo de Minas, Odair Cunha. Esse último desistiu da reeleição no pleito do ano que vem para dedicar-se totalmente à reeleição de Pimentel ao governo de Minas, inclusive sendo um dos coordenadores da campanha.

APOIO DE DEPUTADOS – Como o Aparte mostrou, deputados estaduais e federais da legenda estão animados com a vinda do petista e dizem que vão marcar presença em todos as paradas do roteiro. Além disso, segundo aliados do governador, ele vai comparecer na maioria desses eventos.

No último mês, o ex-presidente realizou a caravana pelo Nordeste. Lula percorreu nove Estados e visitou cerca de 30 cidades por 21 dias.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Lula se esforça para colocar o PT de pé, mas está difícil. O desânimo é geral, porque o partido depende de Lula, que agora depende do partido. Ou seja, não existe PT sem Lula, que se tornou uma estrela cadente. (C.N.)

Procuradora defende uma padronização dos acordos de delação premiada

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Caso da JBS serve de exemplo, diz a procuradora

Ricardo Galhardo
Estadão

Coordenadora da Comissão Permanente de Assessoramento – Leniência e Colaboração Premiada, criada pelo Ministério Público Federal (MPF) para auxiliar na celebração de acordos, a procuradora da República Samantha Chantal Dobrowolski defende a elaboração de um manual de orientação para padronizar o uso do instituto. Em entrevista ao Estado, a procuradora afirma que essa medida evitaria a sensação de descompasso que existe entre procuradores de primeiro grau e das instâncias superiores e falhas como as que levaram ao pedido de rescisão da delação do Grupo J&F pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot – hoje Raquel Dodge toma posse à frente do MPF.

É necessária alguma padronização da delação premiada?
É importante padronizar um roteiro de atuação das posturas e formalidades a serem seguidas, de uma certa técnica de procedimento a ser seguida. O conteúdo da delação é difícil padronizar porque cada caso é um caso e as balizas mínimas já estão na lei.

Pode dar exemplos de procedimentos a serem padronizados?
Isso não posso minudenciar. Em Curitiba (na Lava Jato), eles têm alguns tipos de cláusulas adotadas e outras que vêm surgindo da própria prática. É preciso estabelecer garantias, fatores de risco a observar ou, se houver algum tipo de violação do acordo, se pode haver uma repactuação. Cláusulas que definam se, em caso de omissão de informações de forma indevida ou involuntária, o colaborador pode sofrer alguma penalidade adicional. Existem alguns tipos de cláusulas que a gente está começando a pensar e devem constar dos acordos. Seria um roteiro mínimo e um passo a passo do procedimento: quantas reuniões fazer, quem deve estar nas reuniões, como se portar minimamente. Às vezes, a informalidade pode ser a tônica e é melhor ter tudo registrado, gravar e filmar pode ser necessário e se a colaboração não vier a ser fechada isso não pode ser usado.

Uma das críticas mais frequentes é sobre denúncias oferecidas basicamente com base em delações, com poucas provas.
Pela lei, a delação é uma técnica especial de investigação com o objetivo de desmantelar organizações criminosas e descobrir crimes dito invisíveis. A delação em si não é prova. É uma técnica de investigação que fornece provas. Para o momento da denúncia pode ser suficiente valer-se só do apurado a partir da delação com uma mínima checagem. Não é o ideal nem o mais prudente. Mas para processar e condenar a delação não é suficiente. Tem de ter provas.

Qual sua opinião sobre o uso da delação premiada pela Polícia Federal?
No nosso sistema, quem tem a titularidade exclusiva da ação penal e, portanto, da não ação, que é o que a delação gera, é o Ministério Público. Isso foi uma conquista da Constituição de 1988. A polícia pode eventualmente participar em conjunto, mas isoladamente não vejo como, pois não haveria segurança jurídica. Qualquer pessoa mais cautelosa não assinaria com a Polícia Federal porque mais à frente o Ministério Público poderia ter outra visão. Sei que isso é antipático para a polícia, mas o sistema é assim, existe essa divisão de funções.

A delação da J&F afeta de alguma forma a credibilidade do instituto jurídico?
É uma pergunta importante, acho que não dá para fugir, mas não sei se é possível dar uma resposta madura hoje. É um caso paradigmático e devemos tentar aprender com os casos difíceis no sentido de que eles mostram a fragilidade que qualquer instituto processual tem. Por isso, requer um esforço procedimental, daí eventualmente essas orientações internas para que o Estado não venha a se encontrar em uma situação em que tenha sido usado, tenha sido parcialmente ludibriado ou induzido a qualquer tipo de conclusão. É um caso importante porque gera reflexão. Mas ele não põe em xeque a credibilidade do instituto, porque em qualquer acordo desse tipo está implícita a possibilidade de uma cartada, seja de qual lado ela tenha partido. É claro que isso choca, choca internamente, causa um desconforto a todos. Mas é preciso entender que há outras formas de trabalho que expõem os agentes a esse tipo de situação. A delação não é a única. Mas como vivemos um momento de consenso ou soluções consensuais e alguns desses mecanismos não estão totalmente configurados, é uma advertência importante. Porque nem sempre há a garantia de que todo mundo age de boa-fé. Nesse ponto, acho que é didático e tem de ser aproveitado sob essa ótica.

Puxada pelos otários de sempre, a Bolsa sobe e bate novo recorde histórico

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Bolsa esnoba a crise e deve ultrapassar 76 mil pontos

Deu no G1

O principal índice da Bolsa fechou em alta nesta segunda-feira (18) e renovou sua máxima histórica, chegando a superar durante o pregão pela primeira vez os 76 mil pontos. Trata-se do 5º recorde de fechamento nas últimas 6 sessões. O Ibovespa avançou 0,31%, a 75.990 pontos. Na máxima do dia, o índice subiu a 76.403 pontos, novo recorde intradia. Segundo a Reuters, a alta foi sustentada pelo cenário externo favorável a ativos de risco diante do alívio de investidores com o quadro político interno brasileiro.

Com a alta desta segunda-feira, o Ibovespa acumula alta de 26,17% no ano. O giro financeiro somou R$ 14,5 bilhões, em dia de vencimento de contratos de opções sobre ações, que movimentou R$ 4,98 bilhões, sendo R$ 4,45 bilhões em opções de compra e R$ 531,8 milhões em opções de venda, segundo informou a B3.

CENÁRIO LOCAL E EXTERNO – Localmente, embora ainda exista cautela com o cenário político, a visão de que o governo do presidente Michel Temer ganhou fôlego para seguir com sua agenda de reformas tem se sobreposto às preocupações diante da nova denúncia contra Temer apresentada na semana passada pelo ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, destaca a Reuters.

O tom positivo desta sessão ganhou respaldo do exterior, com a redução das tensões geopolíticas, aumentando o apetite por risco de investidores e impulsionaram o mercado acionário norte-americano, com os índices Dow Jones e S&P 500 em novas máximas.

No entanto, agentes de mercado destacam que o atual patamar da bolsa paulista abre espaço para algum movimento de ajuste e o cenário externo deve ser o principal guia no curto prazo.

NOVOS COMPRADORES – “O mercado está precisando realizar um pouco (lucro) para chamar novos compradores… Ainda pode subir mais, mas já tem alguma gordura e quanto mais esticado o mercado estiver, menos saudável será a realização quando ela acontecer”, disse à Reuters o economista da Órama Investimentos Alexandre Espirito Santo.

Perto do fechamento, JBS ON caía 3,95%, liderando as baixas do índice, após a substituição de Wesley Batista, preso desde quarta-feira, pelo seu pai José Batista Sobrinho na presidência da companhia. Segundo analistas do BTG Pactual, o anúncio reitera a posição de controle da família e atrasa a aguardada transição para uma gestão profissional.

Segundo levantamento da provedora de informações financeiras Economatica, o valor de mercado da JBS encolheu quase R$ 1 bilhão, para R$ 23,194 bilhões no fechamento do pregão, ante R$ 24,149 no encerramento da sessão da última sexta-feira (15).

EM ALTA – Na outra ponta, Usiminas PNA, avançou 7,14%, liderando a ponta positiva do índice, enquanto CSN ON teve alta de 3,41% e Gerdau PN subiu 0,82%. Segundo analistas, dados da China sobre empréstimos mais fortes que o esperado, além de números sobre preços de moradia no país asiático deram suporte à perspectiva positiva para preços do aço.

Petrobras PN fechou estável, enquanto Petrobras ON teve alta de 0,96%, sem rumo único para os preços do petróleo no mercado internacional. A petroleira lançou US$ 2 bilhões em títulos em duas tranches como parte de esforços para cumprir com vencimentos de dívidas que se aproximam.

Vale ON subiu 1,33%, em dia de alta para os contratos do minério de ferro na China.

Itaú Unibanco PN teve alta de 0,71% e Bradesco PN ganhou 0,86%, devido ao peso dessas ações em sua composição.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, não razão para a Bovespa ficar batendo recordes. São os otários de sempre, que chegam ao mercado quando a taxa de juros cai e inviabiliza o rentismo. Tudo o que sobe, um dia cai. Neste ponto, a Física se encaixa bem no mercado financeiro. (C.N.)

É preciso haver uma terceira via entre capitalismo e comunismo, não há dúvida

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Charge do Toupeira (Arquivo Gogle)

Wilson Baptista Junior

Muita interessante a entrevista do professor Nick Nesbitt, da Universidade de Princeton, sobre a atualidade do pensamento de Karl Marx, um século e meio depois de sua obra “O Capital”, e o resumoseu resumo mais ainda. E é pena ver gente que nunca deve ter lido atentamente “O Capital” falando de marxismo e regimes marxistas para cá e para lá. Do mesmo modo que virou moda as nossas esquerdas rotularem todos seus opositores de fascistas.

Nunca existiu no mundo o que legitimamente se pudesse chamar de um “regime marxista”. Marx não propôs nada que pudesse ser implantado num país como a Rússia imperial nem como a China do tempo de Chiang Kai Chek. Foram implantados ali regimes violentamente autoritários que tentaram utilizar, em sociedades tecnologicamente ainda primitivas sem desenvolvimento industrial, algumas de suas idéias julgadas mais convenientes pelos revolucionários.

FOCO NA INDUSTRIALIZAÇÃO – Marx escreveu “O Capital” pensando muito mais nas condições de trabalho da Inglaterra em industrialização do seu tempo. Não se pode julgar da validade das teorias de Marx simplesmente pelo resultado político e econômico destas implantações.

Quanto a Marx não ter previsto a Inteligência Artificial, que, aliás, ninguém na época teria tido meios de prever, ela é talvez o desenvolvimento final do que ele dizia quanto à desvalorização do trabalho.

Logo após a Segunda Guerra Mundial falava-se muito, principalmente nos Estados Unidos, de como a modernização dos processos produtivos, que foi impulsionado pela indústria de guerra, levaria a uma sociedade em que as pessoas precisariam trabalhar menos tempo para produzir o necessário e começavam a se preocupar (seriamente) em como aproveitar o tempo de lazer que seria gerado por isto. Falava-se muito também na conquista de novas fontes de energia, como a energia de fusão, que seriam praticamente grátis comparadas com os custos existentes e permitiriam a prosperidade universal. Nada disto aconteceu assim.

DURA REALIDADE – Vemos hoje que a realidade é muito dura, com as pessoas trabalhando por mais tempo e com um aumento do desemprego, que se acelera à medida em que os novos processos gerados aumentam de complexidade e fica impossível treinar os trabalhadores cujos postos estão sendo eliminados nas novas capacitações que se tornam necessárias.

A automação bancária, em que o Brasil foi um dos líderes, e que deveria, dentro daquele conceito, reduzir o volume de trabalho dos bancários, em vez disso diminuiu o número de empregos disponíveis para estes mesmos bancários e complicou a vida dos usuários que necessitem de qualquer coisa além do oferecido pelos caixas eletrônicos ou que não tenham o mínimo de conhecimento requerido para utilizá-los.

TERCEIRA VIA – Eu trabalhei toda a minha vida, direta ou indiretamente, com Tecnologia de Informação, seria o último a negar os benefícios possíveis com a Inteligência Artificial, mas me preocupa muito que não compreendamos os cuidados que precisam ser tomados com a sua evolução, tanto do ponto de vista prático quanto dos seus aspectos políticos e econômicos (e qualquer um que estude este campo sabe do que estou falando).

Concorde-se ou não, parcialmente ou inteiramente com o professor Nesbitt, a “Tribuna da Internet” resumiu bem a entrevista dele, ao assinalar que precisamos encontrar uma terceira via entre capitalismo e marxismo..

Financial Times diz que investidores já nem ligam para os escândalos de Temer

Manchete do NYT é a obesidade multinacional no Brasil

Nelson de Sá
Folha

No “Financial Times” do fim de semana, “Escândalos do Brasil não amortecem espírito dos investidores”. Um gerente de aplicações diz que “a agenda agora avança independentemente das crises de Temer”.

O “FT” acrescenta que “os investidores também ficaram satisfeitos porque o ex-presidente esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva está enfrentando mais processos de corrupção”.

NEW YORK TIMES – Na primeira página de domingo, com vídeo no alto da home page e texto em três línguas, o “New York Times” noticiou “Como a Grande Indústria viciou o Brasil em junk food”. Por “big business”, refere-se a multinacionais como Nestlé e General Mills. Abrindo a reportagem, de Fortaleza, diz a reportagem:

“À medida que o crescimento diminui nos países ricos, as empresas ocidentais de alimentos se expandem acintosamente nos países em desenvolvimento, contribuindo para obesidade e problemas de saúde”.

E a legenda da foto na primeira página é uma vendedora da Nestlé que oferece sorvetes de casa em casa para clientes ‘acima do peso, criança inclusive’.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! A imprensa internacional enfim descobriu que o Brasil é o paraíso das multinacionais. Só faltou dizer que, das 500 maiores corporações empresariais do mundo, 400 operam no Brasil, e isso não ocorre por mera coincidência.  Quanto ao quesito obesidade, os americanos ainda dão de 7 a 1 nos brasileiros. Já os europeus são mais saudáveis, porque sofreram duas guerras seguidas e ainda lembram o que significa passar fome. (C.N.)

PT agora esquece que o “quadrilhão” do PT atuava sob as suas barbas

Da esq. para dir., os então ministro das Relações Institucionais Tarso Genro, deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e o governador da Bahia Jaques Wagner (PT) durante encontro em que ficou acertado o ministério da Integração Nacional para Geddel Vieira, em Brasília, em 2007

Quem projetou Geddel foi o próprio presidente Lula

Bernardo Mello Franco
Folha

A segunda denúncia contra Michel Temer não deveria despertar tanto entusiasmo no PT. A acusação fragiliza o presidente, mas deixa claro que o “quadrilhão” do PMDB da Câmara deve parte de seus lucros aos governos Lula e Dilma.

O procurador Rodrigo Janot fez um breve histórico da aliança. Ela começa em 2006, quando o petismo teve que recompor sua base no Congresso depois da crise do mensalão.

ADESÃO TOTAL – O PMDB do Senado, comandado por Renan e Sarney, já era lulista desde criancinha. Faltava a ala da Câmara, que esperou o presidente se reeleger para negociar a adesão.

Os jornais da época registraram a euforia de Temer e seus amigos denunciados pela Lava Jato. “União assim, só para apoiar o Tancredo contra a ditadura militar”, celebrou o então deputado Henrique Eduardo Alves, hoje preso em Natal.

O primeiro fruto da aliança foi a nomeação de Geddel Vieira Lima, hoje na Papuda, como ministro da Integração Nacional. Ele impôs um pedágio de 3% nas obras da pasta, segundo as investigações. Parte do propinoduto ficou documentada no sistema Drousys, da Odebrecht.

E FOI CRESCENDO… – No segundo governo Lula, o “quadrilhão” ainda ocuparia a diretoria internacional da Petrobras, a presidência de Furnas e a vice-presidência de Loterias da Caixa, na qual se revezaram Moreira Franco e Geddel.

Com Dilma, Temer virou vice-presidente e passou a indicar os ministros da Agricultura e da Aviação Civil. A denúncia descreve a atuação de Moreira na concessão de aeroportos como “um verdadeiro escambo com a coisa pública”. Só a Odebrecht teria repassado ao menos R$ 11 milhões em propinas. As planilhas da empresa registram a entrega de dinheiro nos escritórios de Eliseu Padilha e José Yunes.

Na sexta-feira, o PT afirmou que Temer chefia um governo “corrupto e ilegítimo, que deve ser afastado o quanto antes”. Tudo bem, mas faltou explicar por que a turma faturou tanto sob as barbas do partido

Do zero ao milhão, a trajetória de Ricardo Saud na política e nos negócios

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Saud se tornou um dos maiores lobistas do país

Lucas Ragazzi
O Tempo

A festa de inauguração de uma concessionária de motos uberabense, em 1984, foi um sucesso. Entre artistas locais e personalidades da região, estavam presentes, ali, os recém-namorados Ricardo Saud, dono da revendedora, e Suzana Maria Rodrigues da Cunha. Ele, de família humilde, pai lanterninha e mãe dona de casa, e ela, filha do respeitado médico e principal liderança política de Uberaba na época, o doutor João Gilberto Rodrigues da Cunha. Não demorou que se casassem, pouco tempo depois da festa, mas o que renderia uma história digna de um romance clichê acabou servindo como roteiro para o envolvimento de Saud no esquema de pagamento de propinas a políticos através da empresa J&F.

Bem apessoado, de boa fala e bajulador, Ricardo Saud, hoje com 55 anos, tinha facilidade na hora de se enturmar com os poderosos do Triângulo Mineiro. Com a ajuda do sogro, dono de hospitais e clínicas privadas na cidade, o empresário conseguiu o título de cônsul do Paraguai em Uberaba. A história é inusitada: o sogro de Saud, João Gilberto Rodrigues da Cunha, era, além de médico, empresário no ramo agropecuário. O sucesso no setor lhe rendeu amizade valorosa com o então ditador do Paraguai, Alfredo Stroessner, entusiasta de zebus e proprietário de terras na região. Daí para o título de cônsul para o genro foi um pulo.

BOM DE PAPO – “Ele sempre teve essa facilidade de dizer o que a outra pessoa quer ouvir. Rendia um papo bom, você se tornava amigo rápido. Para agradar, era impecável”, conta um político uberabense que, hoje, se declara ex-aliado de Saud. “Quando era cônsul, fazia promessas absurdas a todos. Que ia trazer produtos baratos, ia arranjar emprego no Paraguai para familiares da pessoa. Ele sempre foi assim”, completa.

Não demorou para, dali, iniciar ele próprio uma carreira na política. Começou com um convite do ex-prefeito de Uberaba Wagner do Nascimento. Atuando no gabinete como assessor de Nascimento, Ricardo Saud auxiliava no relacionamento do Executivo com a Câmara Municipal e empresários da região.

Entre um contato e outro, se tornou íntimo de Marcelo Palmério, dono de empresas de mineração e reflorestamento, além de reitor da Universidade de Uberaba (Uniube). “Aos poucos ele se tornou o homem de confiança do Palmério, que na época já era uma liderança forte por ser rico e sempre financiar políticos. Então, o ‘Ricardinho’, como o chamávamos, cresceu como nunca, com a influência do Palmério”, conta um parlamentar oriundo do Triângulo. “Uberaba é terra de donos”, conclui o político.

GANHANDO PODER – Nomeado diretor da Uniube, Saud passou a ser mais poderoso do que nunca. Por indicação de Palmério, foi levado por Raul Belém para atuar no governo estadual de Itamar Franco. Seus inimigos o acusam de ter falsificado um diploma de graduação para assumir o cargo. Saud se formou no ensino superior apenas em 2007, quando concluiu um curso de administração agrária na Uniube.

Segundo Henrique Hargreaves, ex-braço direito de Itamar, quando Saud foi chefe de gabinete de Belém, não era exigido nenhum tipo de graduação para o cargo. “O chefe de gabinete era indicado pelo secretário e o salário era por cargo. Todos que exerciam esse papel recebiam o mesmo salário”, explica Hargreaves.

Depois do governo Itamar, Saud retornou, em 2001, à Uberaba para chefiar e coordenar a campanha de Anderson Adauto à prefeitura. Vitorioso nas urnas, Saud se tornou secretário de Desenvolvimento Econômico. O cargo lhe propiciava o que fazia de melhor: se relacionar com empresários e políticos poderosos.

ENTRA NA POLÍTICA – Aos poucos, Saud se construía politicamente. Controlando vereadores e indicando doações eleitorais, acabou colocado como presidente do PP municipal de Uberaba. O poder político lhe subiu tão alto que, em 2008, às vésperas da eleição municipal, rompeu com o antigo aliado Anderson Adauto. “Ele queria ter mais participação na prefeitura, inclusive tentou ensaiar uma candidatura própria, mas logo foi descartado. Ele sempre se mostrou ambicioso”, conta um político da região.

Após o rompimento, Saud se aliou e coordenou a campanha do tucano Fahim Sawan. Perdeu para o ex-chefe Adauto no primeiro turno. Mas, das relações feitas na secretaria municipal, surgiu nova oportunidade no mundo privado: uma sociedade no agronegócio com a empresa Ourofino, especializada em fertilizantes.

BANCADA RURALISTA – Com ligações importantes no ramo, não demorou para Saud voltar a se destacar. Mantinha boa relação com a bancada ruralista do Congresso e, em especial, com o então presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi.

A vitória de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República em 2010 foi a turbinada final na carreira do “bon vivant” uberabense. Com Wagner Rossi nomeado ministro da Agricultura, Saud foi alçado aos posto de um dos mais próximos assessores do chefe da pasta. Influente e recheado de contatos, se tornou o alvo número um de lobistas do setor agropecuário.

Nestas investidas, ainda durante a campanha de Dilma, conheceu o empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F e um dos “campeões nacionais” do governo petista. Saud, logo após a vitória do PT nas urnas, foi convidado a integrar a J&F para, mais uma vez, fazer o que sabe: se relacionar e convencer.

SEMPRE NA POLÍTICA – Em 2012, após costurar aliança junto ao atual vice-governador Antônio Andrade (PMDB), Saud retornou a Uberaba para participar da coordenação de campanha de Paulo Piau (PMDB), vitorioso nas urnas e atual prefeito.

Piau e Saud, no entanto, romperam no ano passado. O motivo da separação política foi um suposto atraso em repasses da administração municipal a aliados de Saud. Apesar disso, Piau manteve indicados por Saud em seu secretariado. Piau foi procurado pela reportagem na sexta-feira. Ele não atendeu as ligações para seu celular nem foi encontrado na prefeitura.

ENFIM, É PRESO – Ricardo Saud foi preso pela primeira vez no dia 18 de maio deste ano, durante deflagração da operação Patmos, da Polícia Federal. Ele foi flagrado pela corporação se encontrando com assessores políticos para entregar repasses de propina do grupo J&F.

Depois de um mês preso, foi enviado à prisão domiciliar até a semana retrasada, quando novas gravações envolvendo ele e Joesley Batista, proprietário da J&F, foram entregues à Procuradoria Geral da República (PGR).

Atualmente, está preso por determinação do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), na Penitenciária da Papuda, em Brasília. Ele é suspeito, junto a Joesley Batista, de ter mentido e omitido informações no acordo de delação premiada firmado por ambos com a PGR, que já pediu a rescisão do compromisso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMuito oportuna e importante a reportagem enviada à TI por Christian Cardoso. Mostra a trajetória de um alpinista social nos bastidores da política e do mundo empresarial. Saud era movido pela ganância e se deu mal. Que seu exemplo sirva de lição às novas gerações. (C.N.)