De saia justa, Temer ouve o novo diretor da PF priorizar o combate à corrupção…

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Segóvia diz que se entenderá com a Procuradoria

Alessandra Modzeleski e Renan Ramalho
G1, Brasília

O delegado Fernando Segóvia assumiu oficialmente nesta segunda-feira (20) o posto de diretor-geral da Polícia Federal (PF) em uma solenidade de trasmissão de cargo na sede do Ministério da Justiça, em Brasília. Ao discursar na cerimônia, o novo diretor-geral afirmou que o combate à corrupção continuará sendo prioritário. Segóvia também disse que trabalhará em harmonia com o Ministério Público no período em que estiver à frente da Polícia Federal.

Nos últimos anos, PF e MP protagonizaram diversos episódios de disputa que geraram mal-estar, como na ocasião em que o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot questionou a possibilidade de a PF negociar delações premiadas.

MATURIDADE -“Buscaremos o combate incansável à corrupção no Brasil, que continuará a ser agenda prioritária na Polícia Federal, tendo como premissa a continuidade de operações especiais, tais como Lava Jato, Cui Bono, Cadeia Velha, Lama Asfáltica e tantas outras em andamento nos inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal e nas varas da Justiça Federal Brasil afora”, afirmou Segóvia.

“Há uma infeliz e triste situação de disputa institucional de poder entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Mas confio muito no espírito de maturidade institucional e profissional dos membros dessas instituições.”

O delegado também chamou a atenção para o enfretamento do crime organizado, especialmente o tráfico de drogas e armas, crimes ambientais e eleitorais.

PAPEL REPUBLICANO – Disse que, nas eleições de 2018, a PF terá “papel republicano” e trabalhará com “isenção” na investigação de irregularidades. “Coibindo qualquer tipo de crime, independentemente de partido político, garantindo assim a lisura no processo eleitoral e que a vontade do eleitor prevaleça a qualquer tipo de ação criminosa”, afirmou.

Quanto à relação com o Ministério Público, Segóvia admitiu uma “infeliz” disputa de poder da PF com o órgão, responsável pela acusação em processos e também apto a realizar investigações. “Há uma infeliz e triste situação de disputa institucional de poder entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Mas confio muito no espírito de maturidade institucional e profissional dos membros dessas instituições”, ressaltou.

“Neste momento, tenho a oportunidade de escrever um novo capítulo dessa história, deixando de lado a vaidade e a sede de poder, buscando equilíbrio e entendimento em nossas ações em prol de toda a nação brasileira. Quem se beneficia mais da disputa é o crime organizado”, complementou o novo diretor-geral.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O discurso de Segóvia, apesar de conter críticas ao ex-procurador Rodrigo Janot, deixou o Temer numa tremenda saia justa. O novo diretor-geral fez questão de destacar que a prioridade é combater a corrupção, que é liderada pelo próprio chefe do governo, como é público e notório. Temer nem teve coragem de discursar no evento. Depois de deixar a solenidade, ele publicou uma mensagem no Twitter desejando “sucesso” ao novo diretor-geral. E também usou a rede social para agradecer o trabalho de Leandro Daiello como diretor-geral da PF. Em matéria de cinismo, Temer deu uma aula inesquecível. (C.N.)

Alvaro Dias culpa os partidos e os políticos pelo “quadro deteriorado do país”

Partidos são organizações criminosas, afirma Dias

Gabriela Sá Pessoa
Folha

Discursando contra os partidos políticos — que definiu como atores de um “quadro deteriorado”, que “mergulhou pais num oceano de dificuldades” —, o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) divulgou, neste domingo (dia 19), a sua pré-candidatura à Presidência em 2018. Dias participou de um evento na Assembleia Legislativa de São Paulo, promovido pela juventude de seu partido. Elogiou as ações de combate à corrupção do Ministério Público, da Justiça e da Polícia Federal. Citou dois “ícones da Justiça”: os juízes da lava Jato Sergio Moro e Marcelo Bretas.

“Ou [os políticos] mudamos, ou seremos atropelados por esse sentimento irresistível”, afirmou. “Organizações criminosas”, “lavanderias do dinheiro público”, “filhos do Petrolão” e “sanguessugas” foram alguns dos termos que o senador usou para se referir à classe política.

SEM POLARIZAÇÃO – À Folha o pré-candidato afirmou discordar de “muitos analistas” que veem, neste momento, uma possibilidade de polarização eleitoral entre o ex-presidente Lula (PT), à esquerda, e o deputado federal (Jair Bolsonaro), à direita. O senador registrou 4% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, em outubro. Lula tem 36% e Bolsonaro, 16%.

“Há no inconsciente coletivo um movimento que emerge, avassalador, contra os velhos conceitos, que estão arraigados ainda entre os analistas”, ele diz. “Imagino as pessoas lúcidas, conscientes de que a omissão pode ser tragédia política renovada.”

PSDB REJEITADO – Ele diz apostar que o PSDB, que deixou em 2015, enfrentará rejeição nas urnas em 2018, porque os tucanos veem algumas de suas principais lideranças, como os senadores José Serra (SP), Aloysio Nunes e Aécio Neves (MG), atingidos pelas investigações da Lava Jato. Além disso, o partido tem vivido uma divisão interna sobre permanecer ou desembarcar do governo Temer.

“O PSDB já perdeu várias eleições e deve perder mais uma, como consequência exatamente do seu perfil de partido cartorial, com decisões impostas de cima para baixo. [A sigla] não exercita internamente a democracia e promove divergências internas.”

ADESISMO – Para Dias, sua antiga legenda “está no campo dos partidos rejeitados, que a população indica que não pretende votar” e “sofrerá as consequências de suas últimas atitudes, especialmente quando aderiu ao PMDB no impeachment [de Dilma Rousseff], em vez de requerer o impeachment completo”.

O Podemos, a que Alvaro Dias se filiou em 1º de julho deste ano, é o sétimo partido do senador. “Minha tese é de que não temos partidos no Brasil. Por isso, quando me indagam por que mudei de partido, digo que nunca mudei de partido”, ele explica.

Ainda não vislumbra alianças com outras legendas em sua campanha “irreversível” para disputar a Presidência. “As alianças foram a causa dessa desgraça administrativa que se implantou no Brasil. Quero ficar distante desse conluio partidário promíscuo”, afirmou.

NOS ESTADOS – O senador diz que as coligações, no entanto, serão possíveis para viabilizar candidaturas regionais, como a do senador e ex-jogador de futebol Romário Faria ao governo do Rio.

Ideologicamente, diz rejeitar se classificar como político de esquerda ou de direita. Ou mesmo de centro: “Prefiro apresentar as credenciais e deixar que as pessoas me rotulem”. “Procuro valorizar ideias que são consideradas patrimônio da direita e ideias que são consideradas patrimônio da esquerda. Não entendo como elas não podem ser patrimônio de quem quer que seja”, ele comenta.

No campo que ele atribui à direita, defende um Estado mais enxuto, com um programa de privatizações que exclui empresas “estratégicas que dizem respeito à soberania nacional”, como a Petrobras e a Eletrobras. À esquerda, defende programas sociais de transferência de renda.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Interessante o crescimento da candidatura de Alvaro Dias, que no último levantamento Datafolha oscilou entre 3 e 6 pontos, com média de 5 pontos, nos diversos cenários pesquisados. Isso demonstra que há uma faixa do eleitorado que procura um candidato sem posições radicais. (C.N.)

A menos de um ano da eleição, a disputa revela apenas a ruína dos partidos

Charge do Jorge Braga (Arquivo Google)

João Domingos
Estadão

Todo partido político que mereça esse nome tem por objetivo a conquista do poder. Portanto, quando PCdoB, PDT, PMDB, Podemos, PPS, PSB, PSD, PSDB, PSOL, PT, Rede Sustentabilidade, Novo, DEM e a legenda que vier a acolher o deputado Jair Bolsonaro (RJ) anunciam a intenção de disputar a Presidência da República no ano que vem, estão fazendo o que se espera deles, a legítima disputa pelo poder.

Eles vão para a disputa tendo à frente um quadro diverso de todos os verificados de 1989 para cá, quando a eleição direta para presidente foi retomada. Ao contrário das anteriores, não é possível dizer hoje, a menos de um ano para a eleição de 2018, que o jogo é favorável a um partido, a um nome, a um projeto.

NO ATOLEIRO – O que se pode dizer, no momento, é que os três principais partidos, PMDB, PSDB e PT, enfrentam uma rejeição muito grande do eleitorado. A ruína partidária é tão visível que lideranças e pensadores das três legendas vêm insistindo na necessidade da busca de iniciativas que as tirem do atoleiro a tempo de evitar o desastre na eleição do ano que vem.

No PMDB, é o próprio Michel Temer que deseja dar uma sacudida no partido. Ele acredita que, agora que se livrou das duas denúncias do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, pode montar um governo com ministros mais modernos, sem a tendência obscurantista do Centrão. Temer imagina que no último ano de governo não precisará mais ficar tão preso ao Congresso, já que pouco ou quase nada será votado. Quem sabe, assim, consiga salvar uma parte de sua biografia, tão perturbada pelo conteúdo da conversa que teve com o empresário Joesley Batista. Temer e o PMDB acham que vão deixar um legado importante para o País, baseado na responsabilidade fiscal e no equilíbrio das contas públicas.

COADJUVANTE – Como o PMDB não se preparou para disputar o poder pelo voto, mas a partir de parcerias, como as que teve com o PSDB e com o PT nos últimos 23 anos, não tem um nome competitivo. Se nada mudar daqui até a eleição, continuará no seu papel de coadjuvante.

Já o PT acredita que sua salvação virá de uma campanha em defesa de eleições sem a interdição de Lula. Para o partido, levantar a bandeira de um pleito que conte com Lula é levantar a bandeira de eleições democráticas, algo como a campanha das Diretas-Já de 1984, que os teóricos do partido julgam ter sido o instrumento que deu fim à ditadura militar.

Nos seus sonhos, os petistas acham que podem incluir nessa mobilização um programa em defesa da revogação das reformas liberais, a convocação de uma Assembleia Constituinte orientada pelo combate ao capital financeiro, ao latifúndio, ao imperialismo e aos meios de comunicação monopolistas. Uma assim, vamos dizer, volta aos anos 1980, só que agora com o tema da comunicação, setor que o PT elegeu como seu inimigo.

E A JUSTIÇA? – Na nova roupagem de sua tentativa de ganhar a simpatia do eleitor, o PT omite, deliberadamente, os problemas que enfrenta com a Justiça. Talvez até por ver que atacar a Operação Lava Jato é contraproducente.

Por fim, o PSDB. Ao contrário do PMDB, que sonha fazer um governo de paz e consolidar as reformas, mesmo que sejam só as aprovadas até agora, e do PT, que encontra em Lula seu ponto de equilíbrio, os tucanos alimentam a sua maior crise quando a eleição se aproxima. Talvez consigam superá-la quando aprovarem a candidatura do governador Geraldo Alckmin, nome que conta com o apoio dos dois grupos que disputam o poder interno.

Alckmin, no entanto, carregará o peso de ser do mesmo partido de Aécio Neves. Esse é um fardo grande, difícil de lidar. Em suas reflexões existenciais, Aécio pode até se convencer de que as conversas que teve com Joesley Batista não fugiram do padrão da normalidade. Para o eleitor, fugiram. É só esperar o resultado da eleição.

Amigo de Cachoeira, futuro ministro Baldy tem o “perfil” exigido pelo Planalto…

O deputado federal Alexandre Baldy, possível novo ministro das Cidades

O deputado Alexandre Baldy está de olho no poder

Ranier Bragon e Letícia Casado
Folha

Escolhido neste fim de semana por Michel Temer para comandar o Ministério das Cidades, o deputado federal Alexandre Baldy (GO) é apontado por relatório de uma CPI como tendo participado de esquema comandado em Goiás pelo empresário dos jogos de azar Carlos Cachoeira. Com base em gravações telefônicas da Polícia Federal feitas na Operação Monte Carlo, Baldy é protagonista de um capítulo do relatório final da CPI que em 2012 investigou o caso, sendo classificado como colaborador “da organização criminosa”.

O texto é assinado pelo petista Odair Cunha (MG), que relatou os trabalhos da comissão durante oito meses. No final, um “acórdão” entre legendas atingidas acabou levando à rejeição do parecer no plenário da comissão e à aprovação de um relatório de duas páginas que não sugeriu o indiciamento de ninguém.

RELEVANTES SERVIÇOS – “As investigações levadas a efeito pela Polícia Federal, e aprofundadas por essa CPI revelam que Alexandre Baldy, conquanto não tenha agido com a mesma desenvoltura com que atuaram outros secretários do Estado de Goiás em prol dos interesses da organização criminosa chefiada por Carlos Cachoeira, prestou relevantes serviços à quadrilha”, diz o relatório final de Odair Cunha.

Entre 2011 e 2013, o hoje deputado foi secretário de Indústria e Comércio do governo de Goiás, comandado pelo tucano Marconi Perillo.

Temer informou a correligionários ter decidido colocar o deputado no lugar do tucano Bruno Araújo, que pediu demissão. Baldy irá trocar o Podemos pelo PP, a maior sigla do centrão. Deputado federal de primeiro mandato, ele é hoje um dos principais aliados do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“MENINO DE OURO” – A CPI do Cachoeira, como ficou conhecida, trabalhou em meio ao escândalo que resultou na cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

O capítulo dedicado a Baldy é recheado de grampos de conversas de Cachoeira com aliados, cujo teor sugere proximidade dos dois – Cachoeira se referia a Baldy como “menino de ouro”, diz o texto.

Uma dessas interceptações é de uma conversa direta entre Baldy e Cachoeira, em agosto de 2011. “Cadê você, doutor?”, pergunta em tom informal Baldy. Os dois marcam então um encontro para o dia seguinte. Cachoeira afirma que irá tratar de um assunto com o secretário. Baldy concorda e diz: “E eu preciso falar um negócio com você pra você dar uma aliviada.”

SEM PROVAS… – O relatório de Odair afirma que embora houvesse suspeita de que Baldy recebesse recursos periódicos de Cachoeira, a investigação da comissão não conseguiu provas disso, sugerindo ao Ministério Público continuar a apuração. A Folha não localizou eventuais desdobramentos judiciais das investigações. Como o relatório final de Odair não foi aprovado, nenhuma recomendação foi enviada às autoridades.

Baldy também foi citado na delação premiada do corretor de valores Lúcio Funaro. Ele afirma que o deputado participou de negociações para favorecer a Hypermarcas no Congresso. Baldy é casado com uma ex-integrante do bloco de controle da empresa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, Baldy confirma o ditado – é o homem certo no lugar certo… Aliás, por falar em político corrupto, por onde andará o ministro Leonardo Picciani, cuja carreira federal estava se tornando o maior orgulho da famiglia? Ele sumiu de Brasília, cancelou todas as audiências e a agenda está em branco. (C.N.)

No Rio, os poderes são inseparáveis, ao invés de serem independentes

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Charge do Amarildo (amarildo.com)

Joaquim Falcão
O Globo

As denúncias contra o presidente Picciani são por atos continuados. Atos que vêm sendo cometidos há muito tempo. As denúncias contra Cabral também. São por atos de muito tempo. Há muito tempo é a inação do Tribunal de Contas do Estado. Igual muito tempo são as denúncias que não vieram do Ministério Público Estadual. E por aí vamos. No Rio, o tempo tem sido o senhor dos silêncios. Continua, com a decisão da Alerj.

Carlos Drummond tudo explica em sua poesia: “João amava Tereza que amava Raymundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém e … casou com João Pinto Fernandes que não tinha entrado na história”.

ERAM AMANTES – Ou seja, o governador amava a cúpula da Alerj, que amava o governador, ambos amavam um Ministério Público Estadual necessário mas inerte, e um Tribunal de Justiça preocupado com aumentos salariais. Todos amavam o Tribunal de Contas do Estado, que por si próprio inexistia.

Apareceram então Lava-Jato, Ministério Público Federal e Justiça Federal que não tinham entrado na história. E não amavam nenhum deles.

Quando os poderes e órgãos de controle do estado são dominados por um mesmo grupo de interesses, inexiste separação de poderes. Ou estado democrático de direito.

DITADURA – O regime de 1964, por exemplo, resultou de um pacto entre os militares, grandes empresas, setores dos trabalhadores industrializados, que passaram a controlar os três poderes. Acabaram com a democracia.

Poderes constitucionais podem ser formalmente separados, e politicamente inseparáveis. É o que aconteceu e acontece no Rio de Janeiro.

Quem apenas escuta a forma, não vê o batimento do coração. No Rio, impera ainda o pacto de há muito tempo entre os três poderes do estado, órgãos de controle, empresas fantasmas, grandes empreiteiras, joalherias.

CONTROLE TOTAL – A meta foi o controle do tesouro e cargos do governo. O cimento foi, no setor privado, a substituição da competição empresarial pelo ineficiente compadrio capitalista. A fraude nas licitações. No setor público, aumentos salariais, adicionais ilegais, cargos desnecessários expandindo as corporações do Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público.

Este pacto esconde o pior. Ele resultou, direta ou indiretamente, do voto do eleitor. Será que assim continua em 2018? O eleitor será apenas o observador da decadência do Rio? Ou seu agente de transformação moral, indispensável para recuperar sua competitividade econômica?

A propósito. O nome da poesia de Drummond é: Quadrilha.

“Se não houver fraude, estarei no segundo turno”, diz Bolsonaro no “Canal Livre”

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Bolsonaro se saiu bem no “Canal Livre” da Band

Deu na Folha

Em entrevista ao programa “Canal Livre”, da Band, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) disse que, se não houver fraude nas eleições de 2018, com certeza chegará ao segundo turno da disputa. “Sou diferente de todos os presidenciáveis que estão aí. Quem declara voto em mim dificilmente mudará. Não havendo fraude, com certeza estarei no segundo turno”, afirmou. O pré-candidato diz contar com a simpatia de grupos específicos, como os evangélicos, os que querem ter arma em casa e setores do agronegócio.

Acredita, no entanto, que as eleições em urnas eletrônicas no Brasil não são limpas, e por isso defende a impressão do voto.

SEM INTERVENÇÃO – Bolsonaro participou de uma série do programa “Canal Livre” com os presidenciáveis. Foi entrevistado, na madrugada de domingo (19) para segunda (20), pelos jornalistas Fabio Pannunzio, Fernando Mitre, Julia Duailibi, Sérgio Amaral e Mônica Bergamo, colunista da Folha.

Por quase uma hora, tratou de temas como economia, segurança pública e a relação entre Executivo e o Congresso.

Questionado sobre manifestações pelo país que defendem o autoritarismo, disse que nunca pregou uma intervenção militar. “Mas se chegarmos ao caos, as Forças Armadas vão intervir para a manutenção da lei e da ordem”, afirmou, ecoando comentário similar do general Antonio Hamilton Mourão em setembro deste ano.

PRIVATIZAÇÃO – Bolsonaro disse ser favorável à privatização de estatais, mas defendeu que cada caso específico seja analisado com cuidado. Vê com receio, por exemplo, a entrada de capital chinês no país. “A China não está comprando do Brasil, e sim o Brasil.”

Bolsonaro fez críticas à Folha ao ser questionado a respeito de um levantamento de sua carreira no Congresso publicado pelo jornal. O texto revela que, a despeito do discurso liberal adotado recentemente, ele votou com o PT em temas econômicos durante o governo Lula.

“A Folha não é referência de nada. Não atendo mais a Folha. Eles deturpam tudo.”

POSIÇÕES – Na conversa Bolsonaro afirmou ainda ser imune à corrupção e que, em caso de vitória, não seguirá o modelo “toma lá, dá cá” para distribuir cargos.

Comporá um eventual ministério, afirmou, guiado apenas por critérios de competência, sem buscar agradar movimentos feministas, negros ou LGBTs.

Quanto a este último ponto, criticou a discussão de gênero nos colégios. “Eu quero que todos, inclusive os gays, sejam felizes, mas que esse tipo de comportamento não seja ensinado nas escolas”, argumentou. “Os pais querem ver o filho jogando futebol, não brincando de boneca por causa da escola.”

MATAR BANDIDOS – Ao tratar o tema da segurança pública, um dos principais eixos de seu discurso, defendeu maior rigor e a adoção de medidas enérgicas no combate ao crime.

“Se morrerem 40 mil bandidos [por ano, por ação da polícia], temos que passar para 80 mil. Não há outro caminho. Não dá para combater violência com políticas de paz e amor”, afirmou. “Preso não deve ter direito nenhum, não é mais cidadão. O sentido da cadeia não é ressocializar, mas tirar o marginal da sociedade.”

No encerramento do programa, em suas considerações finais, Bolsonaro afirmou que o Brasil “precisa de um presidente honesto que tenha Deus no coração”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro se saiu muito bem e mostra que será um candidato fortíssimo nesta eleição. O país está cansado de corrupção e anseia por maior rigor contra os criminosos e políticos enriquecidos ilicitamente. Em meio à crescente insegurança, os homens de bem querem retomar o direito de ter uma arma em casa, para defender a família e a propriedade. Afinal, votaram em plebiscito para garantir este direito que lhes foi tirado inconstitucionalmente. Mesmo assim, o Judiciário e o Legislativo nada fizeram e se curvaram ao Executivo. Hoje, se um ex-policial quiser ter uma arma tem de pagar uma taxa absurda anualmente, é uma política destinada a desarmar a todos, menos os criminosos. Isso significa que o terreno está fértil para uma candidatura como a de Bolsonaro. O assunto é importantíssimo e vamos voltar a ele. (C.N.)

Flores e borboletas no jardim da casa do poeta carioca Evanir Fonseca

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“Cores e perfumes que extasiavam borboletas”

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, administrador de empresas e poeta carioca Evanir José Ribeiro da Fonseca (1955-2017), no poema “Jardim do Éden”, recorda a sua infância no jardim existente em frente à casa que morava.

JARDIM DO ÉDEN
Evanir Fonseca

Na frente de minha casa tinha um jardim,
as flores nele cultivadas eram tão variadas
que pareciam travar uma grande batalha,
entre cores e perfumes que extasiavam as borboletas
que voavam, numa ida e volta frenéticas,
como se escolhessem as mais saborosas ou sedosas.

Na frente de minha casa tinha um jardim,
que eu, um garoto desbravador, perdia-me
por entre os galhos espinhosos das roseiras
e folhas imensas de tinhorão e murtas
que floriam lilases, brancas e mescladas
como se fossem várias em uma só enxertadas.

No jardim da minha casa tinha caminhos feitos de cimento,
que nos garantiam acesso a todas as plantas,
inclusive a uma “dama da noite”, peculiar no florir
pois abria no anoitecer e fechava-se no amanhecer,
seu perfume, imperativo, exalava tomando toda atmosfera
que, ao entorno dela, pareciam inexistir rosas
que como envergonhadas, encantadas e inanimadas,
descansavam, ou dormiam, talvez enfeitiçadas diante
da sobrevida que passava a imperar
no encantado “jardim da minha casa”!

Planalto enfim admite que o presidente Temer pode ser candidato à reeleição…

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Como diz um dos ministros mais próximos do presidente Michel Temer: “Nada na política é certo. Tudo muda ao sabor das marés”. Ele se refere à possibilidade de o peemedebista disputar a reeleição à Presidência em 2018. Hoje, ressalta o ministro, uma candidatura de Temer está descartada. Não haveria como enfrentar tanto tiroteio, com imagens de denúncias, de gravações com o empresário Joesley Batista, de mala de dinheiro carregada por Rodrigo Rocha Loures. Até junho, porém, quando as convenções de partidos definirão os nomes da disputa, o quadro será outro, sobretudo se a economia retomar o fôlego e o desemprego cair com mais força. Nesse ambiente, Temer teria como confrontar os adversários.

No entorno do presidente, a orientação, por agora, é jogar uma ducha de água fria em qualquer movimento pró-candidatura à reeleição. Mas há todo um roteiro traçado caso Temer decida partir para a briga por mais quatro anos de mandato.

PRESSUPOSTOS – Na ponta do lápis, o mesmo ministro mostra que a taxa de desemprego, atualmente em 12,4%, cairá para um dígito ainda no primeiro semestre de 2018, podendo ficar entre 8,5% e 9%. “Nossa estimativa é de que pelo menos quatro milhões de vagas sejam abertas ao longo dos próximos meses. Não se trata de otimismo. Desde maio, o número de desocupados caiu de 14,1 milhões para 12,9 milhões. Isso, com uma economia muito fraca”, ressalta.

A perspectiva dentro do governo é de que a economia crescerá lentamente, mas de forma sustentada. A aposta é de que, já no primeiro trimestre de 2018, o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) estará girando em torno de 3% quando anualizado. Tal projeção se baseia, sobretudo, no impacto da forte redução da taxa básica de juros (Selic).

POLÍTICA MONETÁRIA – O governo tem dados indicando que os efeitos da política monetária ainda não se materializam por completo na economia. O crédito continua travado, principalmente para as empresas, que não conseguiram reequacionar as dívidas na mesma velocidade das famílias.

“Esse pilar do crédito ainda não deu sua contribuição para a retomada do PIB. Quando os bancos se sentirem mais confortáveis para emprestar, não há dúvida que veremos um novo impulso na atividade. Será uma nova onda do consumo, mas bem mais sustentada”, explica um técnico da equipe econômica. Ele ressalta que, ao se darem conta de que o crescimento da economia é irreversível, os empresários atenderão aos apelos do governo e voltarão a investir. “O roteiro está traçado”, diz.

ARTICULAÇÃO – Mesmo que não venha a ser candidato à reeleição, Temer tem certeza de que, com a economia fortalecida, será um player importante na definição dos candidatos a sua sucessão. “O Planalto ainda não tem um candidato. Isso só será definido em meados do ano que vem”, afirma um aliado do presidente. Ele reconhece que, por mais afinidade que o peemedebista tenha com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ainda não há uma disposição clara de Temer em apoiá-lo. “O presidente avaliará todas as alianças. Meirelles é um bom nome e, certamente, defenderá o legado do governo. Mas temos que avaliar as alternativas. Isso ficará claro nos próximos meses”, acrescenta.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA – Para o presidente, antes de fechar questão em relação às eleições de 2018, é preciso, primeiro, pavimentar o caminho para a aprovação da reforma da Previdência. Na avaliação de Temer, o tamanho das alianças à sucessão ao Planalto será proporcional aos resultados das votações na Câmara e no Senado.

“O jogo está amarrado. O presidente sabe até aonde pode ir”, enfatiza o mesmo aliado. Ele acredita que, se o Planalto acertar nas escolhas para a reforma ministerial, o fortalecimento de Temer como articulador de uma candidatura de consenso entre os partidos da base será inevitável.

“Se tivermos calma para esperar, a chance de o candidato de Temer sair vitorioso das urnas será grande. Estamos confiantes de que, já nas primeiras pesquisas de 2018, a popularidade do presidente vai melhorar. O que mais temos ouvido nas ruas é que as coisas estão melhorando. Devagar, mas estão melhorando”, diz o aliado do presidente. “Em algum momento, isso vai aparecer nas pesquisas. Pode escrever isso”, diz.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, repete-se o bordão do samba “Cara de Palhaço”, da dupla Luiz Reis e Haroldo Barbosa, sucesso na voz de Miltinho. Temer tem cara de candidato, pinta de candidato, roupa de candidato. Além disso age como candidato, já tem marqueteiro e equipe trabalhando em tempo integral, dentro do Planalto. Por fim, precisa desesperadamente manter o foro privilegiado, que só pode ser conseguido de for candidato e ganhar a eleição. Simples assim. Caso contrário, poderemos cantar: “Cara da palhaço, pinta de palhaço, roupa de palhaço, até o fim”. (C.N.)

Ainda somos brutais e o perigo sempre morou ao nosso lado, mas nem notamos

charge pecado

Charge reproduzida do Arquivo Google

Eduardo Aquino
O Tempo

A tragédia arde em chamas nosso cotidiano. Mais uma. Outras piores virão, a ponto de um dia nos esquecermos dessa, pois somos uma sucessão histórica de tragédias. Nero queimou Roma, Hitler carbonizou judeus. Russos e sírios bombardearam crianças. Americanos, traumatizados pela derrota para destemidos vietnamitas, sempre destroem nações periféricas. Tragédias nos humanizam. Overdose de multimeios expurga toda dó, pena, horror. Esse estranho vício por manchetes angustiantes e inevitáveis interpretações e profecias de fim do mundo.

Doações, contas para familiares, fraudes, e perguntem aos familiares dos jogadores da Chapecoense como estão agora, que os holofotes mudaram para novas desgraças ou como estão os pobres das Bahamas, arruinados por furações furiosos. E o Haiti, onde parece haver um ponto de singularidade, pois ditadura, guerra civil, terremoto, furacões, corrupção, degradação marcaram encontro num só ponto do planeta?

ESTADO ANIMALESCO – Dito isso, é com certa tristeza que percebo não só o quanto a natureza humana é ainda embrionária, mas constato o enorme caminho que termos de seguir nessa trajetória evolutiva que propõe passar de um estado animalesco para um ser divino.

E nosso microuniverso, seja nos lares, seja no ambiente de trabalho ou social, reflete nossa pequenez. Ofendemos, odiamos, conflitamos, nos estranhamos, nos magoamos, agredimos, fingimos, mentimos, traímos, pecamos. Diariamente, normalmente enquanto nos horrorizamos com a creche queimada pelo monstro. Os anjinhos, pois assim os percebo, poderia ser um filho, um neto de qualquer um de nós. Mas como estão nossas relações com nossos rebentos?

DISCUTIR A RELAÇÃO – Como anda seu casamento? O respeito, a cooperação no ambiente de trabalho? Como é sua comunidade, seu vizinho? O perigo está embaixo de nosso nariz, dorme ao nosso lado, frequenta os mesmos lugares que nós. Onde faltam humanismo, fraternidade, amor ao próximo, perdão, respeito às diferenças, empatia, seremos testemunhas passivas de tragédias ou vítimas inocentes delas.

Entender nossa imperfeição, encarar nossa incompletude, assumir-nos transitórios, pecadores, aprendizes da vida são atitudes libertadoras, tudo isso é um primeiro passo.

TRABALHO PESADO – A paz, a felicidade, a serenidade são um trabalho pesado, cotidiano, eterno. Íntimo e pessoal. Só então, e se é que, compreenderemos esta época difícil de mudanças profundas por que passa nossa civilização.

Sempre fomos brutais. O que mudou é a visibilidade. A delicadeza, a lapidação de mentes e almas é um trabalho de formiguinha. Imperceptível, silente, constante. E creia, não dá Ibope.

PMDB-MG sugere a Temer deputado de 81 anos para substituir Imbassahy

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Perto dos 82 anos, Borges luta para ser nomeado

Deu no Estadão

A bancada do PMDB de Minas Gerais quer emplacar o deputado Mauro Lopes (PMDB-MG) como ministro da Secretaria de Governo. O nome do parlamentar foi levado ao presidente Michel Temer na semana passada pelo primeiro vice-presidente da Câmara e coordenador da bancada mineira, Fábio Ramalho (PMDB-MG).

Segundo auxiliares de Temer, o presidente já bateu o martelo sobre trocar o atual titular da Secretaria de Governo, o deputado licenciado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), na reforma ministerial que está fazendo. Por ter uma relação próxima com Temer, o tucano pode ser realocado para o Ministério da Transparência ou Direitos Humanos.

APOIO ESTADUAL – “A bancada de Minas sugeriu o nome do Mauro Lopes. Levei ao presidente e ele viu com bons olhos”, afirmou Ramalho ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. O peemedebista se reuniu com Temer na última terça-feira, um dia após o presidente anunciar que estava articulando uma reforma ministerial.

Segundo Ramalho, Lopes se comprometeu a não ser candidato em 2018, caso seja escolhido ministro. O deputado está no sexto mandato consecutivo na Casa atualmente. Ele já foi ministro da Secretaria da Aviação Civil (SAC) por um mês em 2016 e deixou o cargo na véspera do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

CONCORRENTE – Além de Mauro Lopes, outro nome cotado para assumir a Secretaria de Governo é o do ex-deputado João Henrique Sousa (PMDB-PI). Desde que Temer assumiu o governo, Sousa preside o Conselho Nacional do Sesi. No governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ele foi ministro dos Transportes.

Como mostrou o Broadcast Político no sábado, 18, Temer já optou pela nomeação do deputado Alexandre Baldy (Sem partido-GO) para o Ministério das Cidades. Ele vai substituir o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), que pediu demissão do posto na última segunda-feira, desencadeando a reforma ministerial.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O ministério pretendido é justamente o que executa a articulação política com o Congresso Nacional. O deputado Mauro Borges caminha para os 82 anos e vai completar 24 anos de mandatos consecutivos na Câmara. Mesmo assim, continua a ser um ilustre desconhecido na política nacional e sua nomeação representaria uma renovação de valores, como se dizia antigamente. (C.N.)

Lula tira onda e garante que “não vai ser difícil ganhar as eleições de 2018″

Lula

Lula disse que Bolsonaro tem direito de ser candidato

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (19), que “não vai ser difícil” ganhar as eleições presidenciais de 2018, mas defendeu uma mudança de estratégia dos partidos de esquerda para barrar as propostas do governo Michel Temer no Congresso. Ele avaliou que a oposição está fragilizada e lamentou que não tenha conseguido barrar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e propostas que, na sua avaliação, representam um retrocesso com relação aos avanços das gestões petistas, como a reforma trabalhista.

“Éramos contra reforma trabalhista, e ela aconteceu, éramos contra a Previdência, e se não tomarmos cuidado, vai acontecer”, disse o petista, ao discursar no Congresso do PCdoB. Lula afirmou que o governo Michel Temer é “fraco” e, por isso, se submete “aos interesses do mercado”. “Nenhum presidente fraco é respeitado”.

DESMONTE – “Os congressistas que estão votando pelo desmonte não têm compromisso conosco. Nunca vi tanto deputado reacionário, tanto troglodita, e se não tomarmos cuidado vai piorar na próxima eleição”, disse.

Ele declarou que é preciso evitar a aprovação da reforma da Previdência, que “está acontecendo concomitantemente com o desmonte da Petrobras”. “Não tenho mais idade de ficar criando movimento ‘fora Temer’ e ele estar dentro, de ficar gritando não vai ter golpe e ter golpe. Vamos ter que parar de gritar e evitar que isso aconteça mesmo. Isso não pode continuar acontecendo debaixo da nossa barba.” Segundo ele, estão querendo desmontar a Petrobras porque “eles não são políticos, são usurpadores.” E continuou: “Eles não têm compromisso com o povo brasileiro, querem fazer o desmonte, destruir o BNDES, a Eletrobras, a Caixa, desmontar a cidadania.”

TEIMOSIA – No discurso, Lula disse que, se não fosse pela sua teimosia e a do PT, não teria chegado à Presidência da República. E que provou que era possível a esquerda transformar este País, citando melhorias em salário, educação e na própria inserção do Brasil no exterior. “Deixamos de falar ‘fino’ com os Estados Unidos.” “Tiramos o País do mapa da fome.” E lamentou que o sonho que a gestão petista sonhou “infelizmente está sendo aos poucos desmontado”. “Estava tudo preparado para o Brasil se tornar a 5ª economia do mundo.”

Lula fez um discurso pela unificação da esquerda no País e de incentivo à candidatura da deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila à presidência da República, durante congresso do PCdoB realizado neste domingo. Ele chegou ao evento por volta do meio-dia, acompanhado da presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), e sentou ao lado da pré-candidata Manuela D’Ávila e do governador Flávio Dino (MA), ambos do PCdoB. Ele destacou que a candidatura dela não deixa “rusgas” na relação do PT com o PCdoB.

VALE A PENA – “Manuela, mesmo quando a gente faz uma campanha que a gente não ganha, se a gente fizer uma campanha ideologicamente bem feita, bem organizada, e a militância for para a rua, quero dizer que vale a pena ser candidato. Da minha parte, a única coisa que vão estranhar daqui para frente é um belo dia eu aparecer em algum dos comícios da Manuela.”

Ele disse que apoia que outros partidos também lancem candidatos, mas rejeitou a tese de que Geraldo Alckmin (PSDB) seria um candidato de centro. “Não podem dizer que Lula é de extrema esquerda, que Jair Bolsonaro é de extrema direita, e que é preciso achar o caminho do meio. Quem convive com Bolsonaro sabe quem ele é, que é mais do que extrema direita, mas ele também tem direito de ser candidato.”

FORTE LEGADO – Lula disse ainda que somente partidos com legado terão chance de vencer a próxima eleição presidencial, e lembrou que PT e PCdoB construíram um forte legado nos últimos 30 anos, desde a campanha presidencial de 1989, citando conquistas do seu governo.

“Por isso temos que governar o País sem querer ser governante, a gente tem que ouvir o povo, o povo sabe, nós só temos que ter coragem de perguntar.” Ele defendeu ainda a regulação dos meios de comunicação e distribuição de riquezas. “Quero meios de comunicação onde todos possam se manifestar.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGLula estava delirante e generoso. Chegou a dizer que Jair Bolsonaro tem todo direito de se candidatar a presidente. É uma afirmativa óbvia, pois qualquer cidadão que não tenha direitos políticos tem todo direito de se candidatar. Esse direito só cessa quando o cidadão fica incurso na Lei da Ficha Limpa. É exatamente o que vai acontecer com Lula, quando for condenado em segunda instância pelo TRF-4, no ano que vem. (C.N.)

Desemprego, menores salários e desigualdade também são “coisas de preto”

Não entrevisto negros': a vítima por trás da denúncia viral que expôs preconceito em busca de emprego --- Racismo se perpetua na sociedade brasileira, dentro e fora das empresas

Há um abismo entre brancos e negros no país

Bernardo Mello Franco
Folha

Nesta segunda-feira, será comemorado o Dia da Consciência Negra. A data foi criada para lembrar a luta contra a escravidão e a desigualdade que ainda separa brancos e negros no Brasil. Quem pensa que este debate é desnecessário deveria dedicar alguns minutos do feriado à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada pelo IBGE.

A nova versão do levantamento informa que pretos e pardos somam 63,7% dos desempregados. Isso equivale a um exército de 8,3 milhões entre os 13 milhões de brasileiros que procuram trabalho. Apesar da leve melhora da economia, a taxa de desemprego de pretos e pardos ainda alcança 14,6%. É um índice muito superior ao registrado entre trabalhadores brancos: 9,9%. A média nacional está em 12,4%.

MUITAS DIFERENÇAS – As diferenças também persistem entre a população ocupada. De acordo com os números da PNAD Contínua, pretos e pardos ganham menos, ocupam vagas piores e têm menos estabilidade no emprego.

O rendimento médio desses brasileiros é de R$ 1.531, enquanto o dos brancos chega a R$ 2.757. Pretos e pardos somam 66% dos trabalhadores domésticos e 66,7% dos vendedores ambulantes, mas representam apenas 33% dos empregadores.

ATRASO ABSURDO – Em setembro, a Oxfam Brasil informou que o país ainda levaria sete décadas para equiparar o rendimento dos negros ao dos brancos. Segundo o estudo, os dois grupos só devem se igualar em 2089 – mais de dois séculos depois da Lei Áurea. Agora a projeção parece ter sido muito otimista. De acordo com a PNAD, a desigualdade voltou a crescer nos últimos 12 meses.

Na semana passada, o Brasil debateu o caso do apresentador de TV que foi afastado após se referir a um buzinaço como “coisa de preto”. O episódio mostrou que discutir o racismo ainda é importante e necessário. A pesquisa do IBGE nos lembra que também precisamos cobrar políticas públicas para combater a discriminação e tornar o país menos desigual.

Novo diretor-geral da Polícia Federal aponta erros de Janot no caso da JBS

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Segóvia diz que investigação foi rápida demais

Ana Dubeux e Ana Maria Campos
Correio Braziliense

Assim que o nome do delegado Fernando Segóvia foi anunciado como o novo diretor-geral da Polícia Federal (PF), surgiram as especulações sobre os motivos da escolha do presidente Michel Temer para a função estratégica na condução das investigações da Operação Lava-Jato. A troca desperta rumores porque justamente o presidente Temer e vários peemedebistas estão entre os alvos de investigações de desvios milionários. Segóvia nega vinculações políticas, promete aprofundar o combate à corrupção e garante que o tempo será a resposta a essas dúvidas.

Mas ele adota um tom afinado com o que pensa Temer em relação a seu principal algoz, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. Em entrevista ao Correio, diz que a investigação que levou à denúncia contra Temer, no caso JBS, foi açodada e poderia ter sido muito mais bem-feita com tempo e sem vazamentos.

O que muda em relação à filosofia anterior?
A polícia está um pouco desfocada. E qual seria essa falta de foco? Essa miopia dentro da segurança pública como um todo. A gente está olhando muito para baixo. Quando se fala em combate ao tráfico de armas, estamos lá em baixo, olhando para o fuzil com o traficante do Rio de Janeiro. O ministro da Justiça pediu que a gente implementasse o combate ao crime transnacional, que é o grande problema no Brasil. As últimas políticas eram voltadas para problemas mais caseiros, sem uma visão mais ampla de segurança pública.

Como assim?
Se hoje você perguntar sobre segurança pública para 100 brasileiros, todos vão dizer que é um problema. É uma área no país que está de mal a pior. Então, se a gente não criar parcerias com as polícias militares, polícias civis, fizer escritórios de força-tarefa, como vamos implementar agora no Rio de Janeiro, ficará difícil. Será criada uma força-tarefa federal, para, aí sim, criar um ambiente para enfrentar o problema em cada um dos estados. Uma ótica federal em que a gente teria uma parceria com o Ministério Público nos crimes federais e com o MP estadual nos crimes estaduais.

O ministro da Justiça falou de corrupção na polícia do Rio de Janeiro. Concorda com as afirmações dele?
Olha, eu acho que existem problemas na segurança pública no país inteiro. A questão de corrupção dentro da polícia é fato. É algo que está sendo combatido pelas corregedorias. As corregedorias funcionam. Algumas mais fortes, outras mais enfraquecidas. Dentro da Polícia Federal, é um pilar. Ao longo desses últimos 20 anos, isso tem dado todo um diferencial no nosso trabalho. Quando você não tem corregedoria forte, a corrupção e a quebra de hierarquia começam a se instalar.

A estrutura da Lava-Jato será alterada?
A estrutura da operação vai se manter. Algumas pessoas podem ser substituídas por questão de confiabilidade e questão de alinhamento com o pensamento que vamos implementar nessas operações. Nós precisamos hoje ampliar as investigações de combate à corrupção. Mas isso será feito em conjunto com o Ministério Público Federal. A reunião que tive com a doutora Raquel Dodge, que durou mais de três horas, foi justamente para a gente alinhar alguns pensamentos iniciais. Na verdade, era uma visita da cortesia, um café, um aperto de mão, que acabou se tornando uma reunião de trabalho por conta dos temas palpitantes.

Na era Janot, a Polícia Federal manteve uma relação conflituosa com o MP nas investigações que tramitavam no STF?
Sim, totalmente conflituosa. Esse conflito cria problemas para as investigações. Essa parceria tem que ser afinada a tal ponto que os dois, que são os pilares dessa investigação preliminar, trabalhem em conjunto. Despindo-se da vaidade, de alguns problemas até interpessoais e pensando no público. No momento em que você para, afasta essa questão da vaidade e realmente entra na atuação profissional, o trabalho flui.

O Janot é vaidoso?
Não sei. Só sei que ele aparecia muito na mídia e dava a impressão de que queria realmente aparecer. Agora se ele é vaidoso ou não…

Mas não era importante que a liderança do MP mostrasse ao país o que estava ocorrendo?
Era importante, sim, se houvesse investigações concluídas. Eu acredito que houve uma certa pressa ao se encerrar algumas investigações. E a gente conclui isso de uma maneira bem simples. Só de observar, mesmo não estando dentro da investigação. Para quem tem 20 anos de polícia, como eu que dou aula dentro da Academia Nacional de Polícia. Alguns fatos chamam bastante atenção.

Que fatos são esses?
Por exemplo, no dia do anúncio, em que a Rede Globo expõe ao país as vísceras da investigação, que era numa quarta-feira, você vê que o Wesley e o Joesley saem do Brasil na segunda-feira, dois dias antes, aplicando dinheiro, fazendo negociatas do mercado… Para quem foi realmente arrumada essa data dessa operação? A quem interessava tanto você colocar uma data tão exata para que tudo isso fosse engendrado dessa tal maneira?

Precisava continuar?
Lógico. Eu acredito que uma investigação, especialmente essa, da maneira como estava sendo conduzida… Era uma única mala. A primeira das malas, sem rastreador. Se fosse uma investigação da Polícia Federal, sem interferência nenhuma, eu garanto que não seria uma investigação de um mês, com uma única mala.

Mas a impressão que passa é de que quem vazou foi o próprio Joesley…
Mas este tipo de vazamento pode anular uma delação. Existem hoje ministros do STF que dizem que se houver, pode ser anulado. As pessoas perguntam se a PF está blindada. E está, pois é garantido o sigilo do inquérito. Se mantiver o sigilo das investigações, a PF continuará blindada e era isso que deveria ter acontecido.

Qual foi o motivo desse açodamento que o senhor aponta?
Exatamente o que ocorreu, não tenho informações. Mas com toda estranheza do mundo, uma operação foi realizada de forma rápida, precipitadamente. Em uma rapidez que seria incomum para uma investigação dessa natureza, com esse tipo de sensibilidade, do qual o senhor Joesley sabia as datas. Ele sabia porque investiu (no mercado de valores). Você vê que existe uma precipitação, um jogo todo está ali por trás, que está havendo alguma coisa que não era natural.

Até que ponto isso não era natural? Essas declarações são gravíssimas…
Não é uma declaração. São os fatos que aconteceram. Estou falando de fatos que aconteceram que têm que ser investigados. O Brasil tem que ser passado a limpo, ele todo. Não é uma questão de uma pessoa ou outra. Não é porque o doutor Janot fez ações em prol do país, que estavam certas, eram um momento político delicado e que precisavam ser feitas. Mas eu acredito que ele tem que esclarecer esses fatos também. O acusador tem que ser transparente, mais do que todos.

O procurador Marcelo Miller saiu do Ministério Público e foi trabalhar em um acordo de delação premiada da JBS. O senhor acha que isso contaminou o trabalho do procurador-geral? Olha, as ações da Procuradoria também precisam ser verificadas. Há investigações sendo feitas agora e tudo isso vai aparecer futuramente. Neste exato momento, prefiro aguardar as investigações porque não gosto de fazer especulações.

O presidente Michel Temer especulou que o procurador-geral Janot teria recebido dinheiro. Quando o senhor foi convidado, houve um pedido para que isso seja investigado?
Eu acredito que o presidente queira soluções para todos os casos. O brasileiro quer que todos esses fatos sejam esclarecidos. O presidente não me perguntou sobre esse assunto. Falamos de outros fatos, sobre segurança pública, sobre uma polícia forte e republicana. O principal papel da Polícia Federal é não ter nenhum tipo de atuação política. Qualquer desvirtuamento de uma investigação, para qualquer lado que seja, é perigoso para a democracia e perigoso para o país. Esse foi o teor da conversa com o presidente Michel Temer. Ele disse que nós precisamos reestruturar a Polícia Federal e colocá-la nos trilhos da constitucionalidade e da legalidade, sempre com foco na busca da verdade real. E é isso que vamos fazer, doa em quem doer.

Na última gestão, não era assim?
Foi um pedido que ele fez acreditando que essa é a Polícia Federal de que o Brasil precisa. Nós não trabalhamos com fatos e ilações. Todos os fatos que vierem e suscitarem investigações para qualquer tipo de desvio serão apurados. Se chegar a notícia de influências políticas, nós vamos apurar. Nós temos muito trabalho a ser feito. Nós temos tráfico de armas no país, temos tráfico de drogas, temos ameaças terroristas no mundo inteiro. Nós temos que nos preparar para coisas maiores. A corrupção é um problema gigantesco que temos que enfrentar. Mas não vamos correr atrás de suposições, de teorias de conspiração.

A Polícia Federal tem estrutura para todas essas ações atualmente? Precisa de mais gente?
Quanto mais gente tiver, melhor. Desde quando eu era superintendente, caminhamos com objetivos claros e dentro da capacidade de trabalho. É impossível combater todos os crimes com 11 mil homens. Temos que cuidar de diversas áreas, fora as atividades administrativas, como passaporte e segurança privada.

Na Lava-Jato, os delegados e agentes reclamavam que estavam sem condições de pagar diárias para viagens das investigações. Isso vai ser resolvido?
Na verdade, a PF não tem esse problema. Na reunião de transição, foi passado que o orçamento para este ano está resolvido e para o ano que vem, já foi recomposto.

Quando o senhor fala em ampliar as investigações, seria em nível internacional?
Sim. Inclusive tive contato com alguns embaixadores. Vamos fazer reuniões aqui no Brasil e no exterior. Vamos ampliar o trabalho de inteligência. Não adianta prender, desmantelar quadrilha sem trabalho de inteligência.

O nome do senhor foi uma indicação do ex-presidente José Sarney ou do ministro Eliseu Padilha? Foi uma indicação política?
Eu conversei com várias pessoas para entender de onde partiu a minha indicação. Eu acho que o ex-presidente Sarney até seria um dos meus algozes, que não queria que eu estivesse sentado nesta cadeira na Polícia Federal. Nos quatro anos em que eu estive no Maranhão, não tive nenhum encontro com ele. Vim conhecê-lo aqui em um congresso, em 2013 ou 2014. Quando eu cheguei ao estado, o governador era o Jackson Lago. Ao chegar no Maranhão, o doutor Luiz Fernando, que me convidou na época, me chamou para conversar e com o Leandro Daiello que era chefe da Coordenação-Geral de Polícia Fazendária, aqui em Brasília. O Daiello foi convidado para assumir São Paulo e eu, a PF no Maranhão. Aquela unidade estava com problemas de estrutura e com profissionais desmotivados. Eu aceitei como um desafio. Missão dada é missão cumprida. Foi a mesma coisa que eu falei agora.

Em São Luís, o senhor morou em uma casa de um amigo de Sarney?Eu fiquei procurando casa quando cheguei em São Luís, em duas imobiliárias que me apresentaram. Olhei um monte de casas e, no fim, gostei de uma, assinei o contrato, paguei normalmente o boleto bancário.

Foi um aluguel normal?
Eu já forneci até a cópia do contrato, tenho o extrato de todos os pagamentos. Isso é coisa de quem tenta me destruir, meus inimigos internos que não querem a Polícia Federal unida. Fico tranquilo.

Como o senhor avalia a decisão do STF de autorizar a prisão a partir de condenação em segunda instância?
Todo mundo fala que eu sou muito político, extremamente envolvido na política, mas eu não sou político. Eu não faço política e não gostaria de me manifestar até porque o STF vai decidir esse assunto.  A gente vai cumprir a lei e vai continuar prendendo, executando os mandados conforme as determinações judiciais.

Sérgio Cabral pode pegar 372 anos de prisão, mas quanto tempo ficará na cadeia?

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Charge do Mariano (Charge Online)

Deu em O Tempo

Doze meses na detenção, 72 anos de prisão em três sentenças e a possibilidade de, no mínimo, condenações a três séculos de cadeia em 13 denúncias já ajuizadas. Assim o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) completou na última sexta-feira (17) seu primeiro ano preso, enquanto se defende de acusações de crimes por corrupção, lavagem de dinheiro, pertencimento a organização criminosa e evasão de divisas. Ultimamente, sua defesa tem se concentrado em apresentá-lo como vítima de um juiz “parcial” – o titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, Marcelo Bretas – e de “histeria coletiva” em torno de seu nome. Bretas não quis comentar as acusações.

Sérgio Cabral conquistou, em sua reeleição, em 2010, a maior votação já recebida por um candidato ao governo do Estado em primeiro turno: 66% dos votos válidos. Chegou a ser aventado como possível vice na chapa de Dilma Rousseff em 2014. Hoje, ostenta outros “títulos”.

SUPERCONDENADO – Foi o primeiro governador condenado na Lava Jato, por exemplo. Também recebeu a sentença mais pesada da operação – 45 anos e dois meses de cadeia – em processo relativo a propinas em obras como a do Maracanã e as do PAC das Favelas.

O caso Cabral tornou-se ruidoso não só pelas cifras que envolveu. O esquema que, segundo o Ministério Público Federal (MPF), começou em janeiro de 2007, primeiro mês do primeiro mandato dele como governador, teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão. Também chocou pela exibição da riqueza adquirida de forma escusa, simbolizada pela casa em Mangaratiba, no litoral sul fluminense, avaliada em R$ 8 milhões – e que deve ser leiloada – além das viagens ao exterior e das joias compradas à mulher, Adriana Ancelmo, hoje em prisão domiciliar.

CORRUPÇÃO E GLÓRIA – Filho da classe média carioca, criado no subúrbio, o político que começou a carreira opondo-se a práticas velhas da política, virou colecionador de ternos da grife italiana Ermenegildo Zegna, feitos à mão, sob medida e com o nome do dono bordado na parte de dentro do bolso.

As joias das mais caras lojas do Rio, segundo as investigações, eram para lavar dinheiro. Entre 2012 e 2016, Cabral gastou R$ 6 milhões com anéis, pulseiras, brincos e colares em apenas uma joalheria. Tudo pago em dinheiro e sem nota. “Ele demonstrou uma voracidade muito grande, incomum. Esses valores que descortinamos podem até existir em outras investigações, mas nós conseguimos provar”, disse o procurador Leonardo Freitas, da força-tarefa da Lava Jato no Rio. “O que torna sua organização ímpar é a dimensão que ela teve: praticamente todo o aparato do Estado”, completou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A lei brasileira protege os criminosos. A reportagem deixou de afirmar qual será o tempo máximo que Cabral ficará na cadeia. É exatamente isto que o povo quer saber. (C.N.)

O lugar do caos, depois da decisão covarde e irrefletida do Supremo

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Charge do Bessinha (Conversa Afiada)

Janio de Freitas
Folha.

A cada fato novo, segue-se uma situação tumultuosa, confrontos, confusão de conceitos, trombadas e agressões às regras vigentes. Quem ainda se importa com esse estado de coisas transita entre a perplexidade e o desalento, indagando aqui e ali, indagando-se, sempre em vão. Quem nunca se importou, ou cansou de se importar, com a apatia dá a mais eficaz contribuição para a continuidade, senão o aumento, do país desgarrado. E não está menos inquieto do que aqueles outros, porque seus olhos e seus ouvidos não estão imunes ao que se passa, no transtorno inquietante e indiscriminado.

Uma decisão do Supremo desprovida de coragem e de reflexão, por exemplo, dá um novo poder ao Senado, com a preservação imprópria da presença de um senador que, assim rearmado, cria uma crise no seu grande partido, racha-o, e abala a composição do governo. Acaba aí? Não. Nem é certo que venha a ter fim em tempo previsível.

EXTENSÃO JUDICIAL – A decisão insatisfatória do Supremo permite, ou requer, a extensão judicial do que deu a Aécio Neves: políticos do Rio presos e acusados de corrupção são libertados pela Assembleia fluminense, em imitação ao decidido no Senado. Desponta novo braço da crise, entre Assembleia, Judiciário fluminense, partidos e o Supremo. Um círculo perfeito.

O governo faz das “reformas” um meio de picaretear apoio de “quem tem dinheiro”, como diz a crueza do neoliberal Gustavo Franco, para o Michel Temer de 3% de aceitação pública, recordista planetário negativo. A legislação do trabalho, nos seus 77 anos, tem o que ser melhorado, para patrões e empregados. Mas o governo amontoa alterações a granel, com a parcialidade esperável, e manda ao Congresso, que apenas remexe a salada.

MEDIDA PROVISÓRIA – Ninguém sabe como aplicar aquilo: a inquietação está nos beneficiados e nos prejudicados. O governo emite medida provisória com as correções mais prementes. Piorou: houve troca de erros por erros. Os assalariados continuam sem saber como e quanto perdem, os empregadores sem saber usar seus novos meios de ganhos. E como a população ativa compõe-se dos dois segmentos, a “reforma” é uma imensa perturbação. A idiotia do governo não relaxa.

Há mais de três anos discute-se a delação premiada. Seu uso descriterioso, em numerosos casos, deu ao pagador da extorsão ou do suborno sentença muito mais pesada que a do recebedor, o qual, ainda por cima, deliberou provocar o desvio de centenas de milhões, ou bilhões mesmo, da Petrobras e de outros cofres da riqueza pública.

SEM CRITÉRIOS – Os prêmios fixados por procuradores da Lava Jato foram avalizados pelos dois relatores do Supremo, sem dificuldades, até que a imunidade judicial dada aos bilionários Joesley e Wesley Batista causou escândalo. A Procuradoria-Geral da República, ao tempo de Rodrigo Janot, e os ministros Teori Zavascki, Edson Fachin e Cármen Lúcia, pelo Supremo, deram à lei da delação frequente flexibilidade.

O ministro Ricardo Lewandowski negou-a, relatando agora o acordo de delação do marqueteiro Renato Pereira, do grupo de Sérgio Cabral. Devolveu-o à Procuradoria-Geral, por nele encontrar desacordos com a legislação. É o papel que a lei da delação lhe atribui. O acordo, a despeito das trapaças financeiras que o motivam, concede ao “sentenciado” até o direito de viajar quando quiser. A restrição é só dormir casa durante um ano – se não estiver em viagem.

LANÇANDO SUSPEITA – A devolução do acordo não impede a delação nem prejudica o inquérito, apenas exigindo a correção. Apesar disso, Rodrigo Janot, que encaminhou o acordo, lança suspeita sobre a atitude de Lewandowski:

“Será que as investigações foram para rumos indesejáveis?”. Maldade por maldade, há outra pergunta possível: será que Rodrigo Janot, com sua generosidade de premiador, queria combater ou mostrar que a corrupção vale a pena? Por hora, com o desastre para o país e os prêmios a quem o prejudicou, a melhor resposta é a pior das duas.

Joaquim Barbosa e Huck decidirão sobre candidaturas somente no ano que vem

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Antes de se decidir, Barbosa faz viagem ao exterior

Lauro Jardim
O Globo

Mesmo elogiando o PSB em conversas com interlocutores (“Os partidos no Brasil têm donos; o PSB me parece não ter”), Joaquim Barbosa só aceitará ser o candidato a presidente da República com carta branca. O ex-presidente do Supremo se encontrou com os chefes da legenda no dia 8, em Brasília. Disse a eles que não se interessa “em ser vice de ninguém”.

Barbosa acredita que uma aliança com a Rede pode resultar numa chapa harmônica — será que com Marina Silva de sua vice?

Barbosa ainda repete a interlocutores que sua tendência é não ser candidato a nada (“preciso refletir se estou disposto a uma mudança tão radical na minha vida”), mas o fato é que nunca esteve tão aberto a discutir a possibilidade.

Ao PSB disse que fará agora uma longa viagem ao exterior. E prometeu dar uma resposta definitiva entre “final de janeiro e início de fevereiro”.

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Luciano Huck quer mais tempo para refletir

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em outra nota importante publicada neste domingo, o jornalista Lauro Jardim desmente a informação de que Luciano Huck decidirá em dezembro se será ou não candidato. “Aos interlocutores mais próximos, Luciano Huck tem negado que dezembro seja o prazo fatal para decidir se será candidato à Presidência da República. O tempo seria mais elástico. Se tivesse que decidir hoje, porém, não entraria na corrida eleitoral”, revela Lauro Jardim. (C.N.)

Confusão jurídica é causada pela falta de clareza na decisão do Supremo

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Merval Pereira
O Globo

Vamos entrar agora na fase de amplo debate jurídico-político para definir com quem está a razão no caso dos deputados de vários Estados, os mais notórios os do Rio de Janeiro, que se utilizaram de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) para se verem livres de medidas cautelares impostas pela Justiça, como a suspensão dos mandatos.

Vários ministros do Supremo, abertamente como é o caso de Marco Aurélio Mello, ou veladamente, como a maioria, anunciam que o acórdão sobre essa decisão do Supremo deixará claro que ela só se refere a parlamentares federais, ou seja, deputados e senadores, e não pode ser estendida aos deputados estaduais e vereadores.

RECURSO AO STF – A Associação de Magistrados Brasileiros (AMB) vai recorrer ao STF para anular a decisão da Assembléia do Rio de Janeiro e de outros Estados que utilizaram uma interpretação ampliada da decisão do Supremo, que consideram equivocada.

Mesmo que o artigo 27, parágrafo 1º da Constituição Federal defina que “Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando-se-lhes as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas”, segundo a direção da AMB o STF em outras situações já definiu que a imunidade dos deputados estaduais e de vereadores não tem a mesma extensão da imunidade de deputados federais e senadores.

Isto quer dizer, segundo especialistas, que as regras de inviolabilidade e imunidade de que desfrutam deputados federais e senadores não são tão amplas para os deputados estaduais, que são protegidos apenas “por qualquer de suas opiniões, palavras e votos”, conforme o artigo 53 da Constituição.

MEDIDAS CAUTELARES – Por outro lado, o Supremo já decidiu que (…) “O Poder Judiciário dispõe de competência para impor aos parlamentares, por autoridade própria, as medidas cautelares a que se refere o art. 319 do Código de Processo Penal, seja em substituição de prisão em flagrante delito por crime inafiançável, por constituírem medidas individuais e específicas menos gravosas; seja autonomamente, em circunstancias de excepcional gravidade”.

Portanto, a suspensão do mandato a que os três deputados estaduais foram condenados pelo TRF-2 poderia ser aplicada sem precisar de autorização da própria Assembléia, pois a decisão do Supremo se refere apenas aos parlamentares federais que, condenados a medidas cautelares, precisam do aval da Casa Legislativa a que pertencem.

Já a prisão, mesmo que em flagrante por crime inafiançável, esta seria proibida também em relação aos deputados estaduais e vereadores, só podendo se concretizar se a Assembléia Legislativa ou a Câmara de Vereadores autorizar, como consta da Constituição.

DECISÕES CLARAS – É evidente que, dessa confusão política, deve-se tirar a lição de que as decisões do Supremo, por sua repercussão, precisam ficar claras antes mesmo que o acórdão seja divulgado, pois os julgamentos são televisionados. Ao mesmo tempo, parece indevida uma decisão de repercussão geral sem que o acórdão esteja publicado.

Os deputados estaduais e vereadores que se beneficiaram de uma interpretação apressada da decisão do Supremo estão ilegalmente soltos, pois não é uma ação das Assembléias e Câmaras de Vereadores que determina a soltura dos presos.

No caso dos três do PMDB do Rio, a decisão deveria ter sido do TRF-2, que determinou as penas. O tribunal de recursos deveria ter recebido o comunicado sobre o resultado da votação da Assembléia e, a partir dela, decidir, com base na sua interpretação, e não na dos deputados estaduais, o que determina a legislação em vigor. Pelo visto, a Assembléia Legislativa do Rio deveria ter votado sobre a prisão dos deputados, e não sobre o afastamento do mandato.