Documentos comprovam que a Vale sabia dos riscos da barragem desde 2017

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Nas ruas de Brumadinho, a impunidade da empresa é denunciada

Deu em Globo

Documentos internos da Vale mostram que a empresa já tinha conhecimento sobre o risco de rompimento da barragem 1 da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), desde novembro de 2017. A informação foi publicada pela agência de notícias Reuters e confirmada ao Globo por investigadores do caso.

Esse relatório interno da mineradora aponta que a barragem — que se rompeu em 25 de janeiro, causando a morte de ao menos 165 pessoas — tinha chance de colapso duas vezes maior que o “nível máximo de risco individual” tolerável pela empresa.

Outro documento da companhia, elaborado em data posterior, foi anexado recentemente às investigações e mostra mais um alerta sobre o risco do rompimento da barragem. Datado de outubro de 2018, este relatório interno diz que a estrutura tinha duas vezes mais chances de se romper do que o nível máximo tolerado pela política de segurança da Vale.

AÇÃO PÚBLICA – Na segunda-feira, o blog do colunista Lauro Jardim revelou que, segundo o Ministério Público do Estado de Minas Gerais, a mineradora sabia do risco de rompimento da barragem em Brumadinho e ao menos de mais oito barragens desde outubro de 2018. As informações constam numa ação civil pública movida pelo MP contra a Vale, em tramitação no Tribunal de Justiça de Minas.

Na decisão a qual o Globo teve acesso, o juiz do caso, Sergio Fernandes, refere-se ao documento interno da empresa de 2018 abordado pelos promotores: “Com efeito, os documentos colacionados pelo Ministério Público (cita os documentos) aventam que em outubro de 2018 já havia sido constatado pela ré o grau de risco de rompimento das barragens indicadas”, diz a decisão.

No mesmo despacho, o MP diz que requisitou à Vale informações do setor de risco da companhia “sendo apresentados documentos que demonstram que, em outubro de 2018 a requerida (Vale) tinha ciência de que 10 barragens dentre as 57 avaliadas, estavam em zona de atenção (Alarp Zone)”, entre elas a barragem 1 da mina córrego do Feijão, que causou a tragédia em Brumadinho. 

A VALE NEGA… – Em nota, a Vale afirma que não consta em nenhum relatório, laudo ou estudo conhecido qualquer menção a risco de colapso iminente da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho.

 Afirma ainda que a estrutura tinha todos os certificados de estabilidade e seguranças nacionais e internacionais e que ela estava “dentro do limite de risco”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Afinal, o que falta para prender o presidente e os diretores da Vale que foram responsáveis por tantas mortes? Os engenheiros, que eram menos culpados, foram presos de imediato. Porque essa impunidade? (C.N.)

Bolsonaro precisa atacar as reformas de que o Brasil realmente necessita

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O atendimento nos hospitais tornou-se o exemplo do descaso

José Carlos Werneck

Todas as pesquisas que perguntam à população brasileira sobre o que deveria ser urgentemente corrigido vêm sendo desprezadas, mas é nelas que o Presidente Jair Bolsonaro deveria concentrar seus esforços para resolver os problemas que realmente incomodam a unanimidade dos habitantes do País.

Jair Bolsonaro deve prestar atenção nos dados abaixo transcritos e fazer os necessários acertos nesses itens, sempre lembrando que a área com pior avaliação é a de impostos. A carga tributária brasileira sempre é desaprovada por maioria de nossa população, seguida pelas áreas de saúde e segurança pública .

JUROS DE AGIOTA – As altas taxas de juros cobradas nos empréstimos também são motivo de profundo descontentamento para aqueles que necessitam de capital para investir em empresas ou mesmo para equilibrar o orçamento doméstico.

No Brasil, o spread bancário é altíssimo, o que inclusive desestimula a poupança e é sabido que nenhum país consegue ter uma economia autossustentável sem uma poupança interna robusta. Os bancos brasileiros cobram juros de agiotas aos tomadores de empréstimos e remuneram os poupadores com taxas ridículas.

Quanto aos juros praticados pelos bancos,  Bolsonaro já deu a resposta quando sinalizou que deseja a redução nos estabelecimentos governamentais, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, medida que quando for efetivamente posta em prática posta receberá efusivos aplausos por parte de nossa sofrida e espoliada população.

CARGA TRIBUTÁRIA  – O presidente já começa a tomar algumas medidas, embora ainda muito tímidas, no que diz respeito a nossa carga tributária, uma das mais altas do mundo, com o agravante que a população tem um péssimo retorno daquilo que lhe é cobrado por parte do governo.

Os serviços públicos são de péssima qualidade nos setores de Educação, Saúde e Segurança, representando uma verdadeira ofensa à população.

São nesses os pontos que o eleitor brasileiro gostaria que o Governo fizesse com urgência as devidas correções. O povo está coberto de razão e não está pedindo muito. Não interessa a ninguém viver num país bem cotado junto às agências internacionais, sem que a população usufrua dos benefícios que deveriam advir desta condição. Seria o mesmo que levar uma pessoa faminta a um banquete e lhe dizer: “Veja que beleza e variedade de pratos! Você pode olhar tudo, mas não pode provar nada!”

DISTRIBUIÇÃO DE RENDA – Nossa desigualdade social é cruel, fruto de uma distribuição de renda perversa, e, ao contrário do que se vem apregoando, se agrava a cada dia. Até a década de 70 a população brasileira tinha acesso a um Sistema de Educação e de Saúde com níveis de qualidade. No caso específico da Educação, as escolas públicas, geralmente, ofereciam um ensino de excelente nível.

Escolas públicas de vários estados brasileiros eram referências em matéria de Educação. No então Estado da Guanabara, eram comuns escolas públicas com níveis de excelência, tanto na rede estadual, como naquelas mantidas pelo Governo Federal. Para ficar só em alguns exemplos, podemos citar o Colégio Pedro II, onde estudaram brasileiros do calibre de Afonso Arinos de Mello Franco, Manuel Bandeira e tantos outros nomes de destaque da cultura nacional. Outro estabelecimento que servia de modelo era o Instituto de Educação, que formava normalistas, que quando optavam por ingressar no ensino superior, obtinham os primeiros lugares, nas mais renomadas Universidades. O mesmo pode-se dizer do Colégio de Aplicação, da Faculdade Nacional de Filosofia.

EDUCAÇÃO DE NÍVEL – Em Brasília acontecia o mesmo com estabelecimentos como os Colégios CASEB, Elefante Branco, CIEM, dentre outros tomados como referência em matéria de educação. Enfim, inúmeros exemplos semelhantes podem ser lembrados em todo o Brasil.

Hoje a realidade é totalmente diferente e presente no cotidiano de toda a população brasileira, que se vê obrigada a imensos sacrifícios financeiros quando quer dar a seus filhos uma educação de qualidade, porque tem de recorrer ao ensino particular.

Em suma, é péssimo o retorno dos impostos pagos. Na Saúde, os hospitais públicos, outrora bem equipados e hoje inteiramente sucateados, onde falta tudo, desde médicos ao básico em matéria de equipamentos, remédios e até material de higiene e limpeza.

TUDO ERRADO – No setor de transportes, nossas ferrovias foram totalmente abandonadas e nossas rodovias são o retrato do desleixo a que foram relegadas.

A Segurança Pública atualmente pode ser chamada, sem ironia alguma, de Insegurança Pública. Para isso não precisamos consultar estatísticas. Basta sair às ruas, ou mesmo ficar em casa, pois nem no recesso do lar, as pessoas se sentem tranquilas!

Em resumo: o povo brasileiro paga impostos altíssimos e não recebe nada em troca. E quando se aposenta, após ter contribuído, por muitos anos, para a Previdência Social, recebe remuneração indigna para sobreviver.

ENDIVIDAMENTO – A chamada “nova classe média”, tão anunciada pelo governo e meios de comunicação, está pendurada junto aos bancos, tem dívidas enormes em todas as modalidades de empréstimos, do consignado ao CDC, sem falar das impagáveis dívidas do cheque especial e do cartão de crédito, com juros dignos de agiotas.

Andam em carros que não são seus, por serem financiados e estarem com cláusula de alienação fiduciária. Se atrasam por uns dias uma prestação do veículo, são acordados, bem cedo, com telefonemas ameaçadores das financeiras, que fazem todo o tipo de pressão, menos entrar na Justiça para retomar o bem, pois sabem, que lá terão os juros de seus empréstimos, questionados por qualquer juiz de bom senso.

Por tudo isto não acredito que possa haver um país rico e bem cotado junto aos organismos internacionais, enquanto seu povo for pobre e enfrentar enormes obstáculos para sobreviver com alguma dignidade.

Bolsonaro está em “boa evolução clínica”, mas as visitas continuam restritas

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Dr. Macedo anunciou ao Estadão a alta nesta quarta-feira

Deu no G1 SP

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) mantém “boa evolução clínica, está sem febre, sem dor abdominal e o quadro pulmonar encontra-se em resolução”, segundo boletim médico divulgado nesta terça-feira (12) pelo Hospital Albert Einstein onde ele está internado desde o dia 27 de janeiro.

De acordo com a equipe médica, exames mostraram que ele está quase curado da pneumonia que foi diagnosticada no último dia 7.

“Segue com dieta leve e suplemento nutricional, com boa tolerabilidade. Prossegue realizando exercícios respiratórios e de fortalecimento muscular, alternados a períodos de caminhada. Por ordem médica, as visitas permanecem restritas”, diz o texto.

Nesta segunda-feira (11), Bolsonoro recebeu alta da unidade de terapia semi-intensiva. Ele teve a nutrição parenteral (via venosa) suspensa com a introdução da dieta leve, sendo mantido o suplemento nutricional.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Depois da surpreendente entrevista do cirurgião Antonio Luiz Macedo ao Estadão, prevendo alta para esta quarta-feira, o boletim foi uma frustração, ao manter restrições às visitas e sem nenhuma informação sobre a possibilidade de alta. Afinal, o presidente recebeu três ministros ontem e também o governador Dória e o secretário de Segurança de São Paulo,  e o médico disse ao Estadão que a alta só dependia do Planalto, porque Bolsonaro estava “perfeito”. Será que a alta será confirmada? Vamos aguardar. (C.N.)

Ministro do Supremo chegou a pedir à TV Band a demissão de Boechat

Ricardo Boechat

Boechat irritava os poderosos, sua independência vai fazer falta

Bernardo Mello Franco
O Globo

Na semana passada, Ricardo Boechat reclamou que a tragédia de Brumadinho estava começando a sumir do noticiário. O jornalista se referia a um fenômeno que conhecia bem. Como os fatos não param de acontecer, a manchete de hoje pode ser reduzida a uma notinha no jornal de amanhã. Quando grandes catástrofes se sucedem, como neste início de 2019, o ciclo fica ainda mais rápido — e mais cruel.

Boechat explicou a dinâmica aos ouvintes. “Isso acontece, é assim no mundo inteiro”, disse. Em seguida, insistiu que o caso não pode cair no esquecimento. “Quanto mais rápida for a perda de interesse, mais lentas serão as consequências”, justificou.

MINERADORAS – Nesta segunda-feira, o âncora voltou a martelar o assunto. Criticou a cumplicidade de políticos com as mineradoras e cobrou medidas para evitar novas tragédias. Também elogiou a reportagem do Globo sobre outros casos que chocaram o país e terminaram sem castigo. “A impunidade é o que rege, o que comanda a orquestra das tragédias nacionais”, resumiu.

Foi seu último comentário matinal no rádio. No início da tarde, o jornalista virou notícia, para a tristeza de colegas e ouvintes.

Aos 66 anos, Boechat era um jornalista completo. Depois de uma longa carreira de sucesso no meio impresso, conseguiu se tornar ainda mais popular no rádio e na TV.

JÁ FALOU? – Tive uma pequena amostra do seu carisma quando fui trabalhar na BandNews. Fontes e amigos só queriam saber uma coisa: “Já falou com o Boechat?”.

Sua voz crítica irritava os poderosos que se julgam acima do bem e do mal. Pior para eles. Há algum tempo, um ministro do Supremo tentou silenciá-lo. Inconformado por ser alvo constante (e merecido) dos seus comentários, resolveu apelar ao dono da emissora. Sem meias palavras, pediu a demissão da maior estrela da casa. Não foi atendido.

Boechat lembrou o episódio num e-mail recente, sem perder o humor. “Quando morrermos, dirão que éramos pessoas de bem porque figuras como ele pediam nossas cabeças”, brincou, referindo-se ao ministro.

Sua independência fará muita falta.

O desânimo de Rodrigo Maia com futuro próximo de Bolsonaro no Congresso

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Maia está prevendo dificuldades para Bolsonaro no Congresso

Gabriel Mascarenhas
O Globo

Rodrigo Maia e sua turma andam extremamente pessimistas com o desempenho do governo de Jair Bolsonaro nas primeiras votações do ano no Congresso. Eles acreditam que o Palácio do Planalto vai penar para aprovar suas pautas no Legislativo, sobretudo enquanto ser mantiver irredutível em não dialogar com algumas figuras, tão importantes quanto controversas, como Valdemar Costa Neto e Roberto Jefferson, por exemplo.

E não é só isso. Eles acham o líder do governo na Câmara, major Vitor Hugo (PSL), excessivamente cru para a função de angariar apoio.

RAZÕES – Rodrigo Maia, quando pede votos aos pares, lista razões para a Câmara guardar uma distância de segurança de Jair Bolsonaro. Uma delas pode soar alarmista ou ponderada, a depender do interlocutor.

Maia alerta que, a tomar pelos primeiros dias, ninguém aposta um real no sucesso da gestão e, se a casa cair, quem estiver por perto não conseguirá se lançar como alternativa ao eventual fracasso do capitão.

Até agora, nenhum deputado discordou da tese.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
São informações desgastantes preocupantes e inquietantes. Pretender que Bolsonaro se curve à influência de Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto é o fim da picada. Não foi para isso que Bolsonaro foi eleito.  Ao que parece, Rodrigo Maia não seria confiável ao esquema do governo. Vamos aguardar. (C.N.)

Fux suspende as ações penais contra Bolsonaro que tramitavam no Supremo

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Ações movidas por Maria do Rosário agora estão suspensas

Renato Souza
Correio Braziliense

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu, nesta terça-feira (12/2), o andamento de duas ações que tramitavam na Corte contra o presidente da República, Jair Bolsonaro. Com a decisão, os processos ficam parados até o fim do mandato.

O magistrado se baseia na Constituição Federal, que proíbe que o chefe do Executivo seja processado por fatos anteriores ao mandato.

JUSTIFICATIVA – “Como é de conhecimento público, o réu foi empossado, em 1º de janeiro de 2019, no cargo de Presidente da República. Em razão disso, aplicam-se as normas da Constituição Federal, relativas à imunidade formal temporária do Chefe de Estado e de Governo, a impedir, no curso do mandato, o processamento dos feitos de natureza criminal contra ele instaurados por fatos anteriores à assunção do cargo”, escreveu Fux na decisão.

Bolsonaro é réu em ações movidas pela deputada Maria do Rosário. Em uma das situações, Bolsonaro afirmou a parlamentar que “não a estupraria porque ela não merece”. O presidente responde por apologia ao estupro. Caso ele não seja reeleito, as ações voltam a andar em 1° de janeiro de 2023.

Bolsonaro vai ‘amaciar terreno’ para aprovar Previdência em agosto, diz Mourão

O vice-presidente Hamilton Mourão durante entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto — Foto: Guilherme Mazui/G1

O vice Mourão está confiante no prestígio de Bolsonaro

Andréia Sadi
G1 Política

Assim que se recuperar da cirurgia que retirou a bolsa de colostomia, o presidente Jair Bolsonaro vai chamar as bancadas e líderes de partidos para discutir os ajustes finais da reforma da Previdência. Segundo o blog apurou com ministros do governo, o presidente quer uma “conciliação” na questão da idade para a aposentadoria.

A expectativa do Palácio do Planalto é a de que o presidente tenha alta no final desta semana.

RÁPIDA RECUPERAÇÃO –  O vice-presidente Hamilton Mourão disse ao blog que conversou com o presidente e se surpreendeu com sua “rápida recuperação”.

“Até brinquei com ele que estava indo a um churrasco e ele: ‘Poxa! Assim você acaba comigo, eu aqui no hospital!'”, afirmou Mourão.

Sobre a reforma da Previdência, Mourão disse que, quando o presidente conversar com as bancadas, o gesto dará uma “amaciada no terreno” para a aprovação da reforma. Na previsão dele, se houver uma “concertação” com os políticos, a Previdência estará aprovada em agosto – na Câmara e no Senado.

INGREDIENTES – “Precisa ter a articulação política e uma comunicação eficaz – não só para a população, mas para os congressistas, para aqueles que não entendem a realidade. É um problema de todos, a bomba está armada. Todo mundo precisa ajudar”, disse Mourão ao blog.

Quanto à tramitação, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse à reportagem que ainda não há definição do relator da reforma da previdência na Casa.

Planalto monta estratégia contra críticas da Igreja ao abandono da Amazônia

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Planalto vai pedir ajuda a Bernardini, o embaixador da Itália

Tânia Monteiro
Estadão

Como parte de uma estratégia para combater a ação do que chama de “clero progressista”, o Palácio do Planalto recorrerá à relação diplomática com a Itália, que vive um bom momento desde o esforço do presidente Jair Bolsonaro para garantir a prisão de Cesare Battisti. A equipe de auxiliares de Bolsonaro tentará convencer o governo italiano a interceder junto à Santa Sé para evitar ataques diretos à política ambiental e social do governo brasileiro durante o Sínodo sobre Amazônia, que será promovido pelo papa Francisco, em Roma, em outubro.

O Estadão revelou ontem que o Planalto quer conter o que considera um avanço da Igreja Católica na liderança da oposição ao governo, como efeito da perda de protagonismo dos partidos de esquerda.

SOBERANIA – Em nota divulgada na noite deste domingo, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) confirmou que existe “preocupação funcional com alguns pontos da pauta” do evento e que parte dos temas “tratam de aspectos que afetam, de certa forma, a soberania nacional”.

Nos 23 dias do Sínodo, as discussões vão envolver temas como a situação dos povos indígenas e quilombolas e mudanças climáticas – consideradas “agendas de esquerda” pelo Planalto. O governo quer ter representantes nas reuniões preparatórias para o encontro em Roma.

A ação do Planalto terá várias frentes. Numa delas, o governo quer procurar os representantes da Itália e do Vaticano no Brasil – Antonio Bernardini e d. Giovanni D’Aniello, respectivamente – para pedir a ajuda deles na divulgação dos trabalhos brasileiros nas áreas social, de meio ambiente e de atuação indígena. Serviria como contraponto aos ataques que o governo está certo que sofrerá no Sínodo, por ver influência de partidos de esquerda nesses setores. Os embaixadores do Brasil na Itália e no Vaticano terão a missão de pressionar a cúpula da Igreja para minimizar os estragos que o evento possa trazer, dada a cobertura da mídia internacional.

SIMPÓSIO – Em outra ação diplomática, o Brasil decidiu realizar um simpósio próprio também em Roma e em setembro, um mês antes do evento organizado pelo Vaticano. Na pauta, vários painéis devem apresentar diferentes projetos desenvolvidos no País com intuito de mostrar à comunidade internacional a “preocupação e o cuidado do Brasil com a Amazônia”.

Também no Brasil, o governo quer fazer barulho e mostrar projetos sustentáveis. O primeiro evento já será nesta quarta-feira, na aldeia Bacaval, do povo Paresi – a 40 quilômetros de Campo Novo do Parecis, no norte de Mato Grosso. Ali, será realizado o 1.º Encontro do Grupo de Agricultores Indígenas, que tem por objetivo celebrar a Festa da Colheita.

O evento já estava marcado, mas o governo Bolsonaro quer aproveitar o encontro para enfatizar o projeto de agricultura sustentável tocado pelos índios naquela região. Trata-se do plantio de dois mil hectares de soja sob o regime de controle biológico de pragas, ou seja, sem pesticidas.

MADEIRA – A apresentação de projetos de extração legal de madeira, assim como o apelo às empresas estrangeiras para que só comprem material certificado, é uma outra ideia para divulgar trabalhos realizados no Brasil. Com isso, o governo espera abrir outra frente de contraponto ao que vê como tentativa de interferência externa na Amazônia e ataque a políticas governamentais.

Para o presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), d. Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho (RO), essa preocupação do governo é desnecessária. “O Sínodo não tem a intenção de dar norma para o governo, mas de encontrar caminhos que nos ajudem a viver a solidariedade e a fraternidade com as populações que vivem na Amazônia há milhares de anos”, disse d. Roque.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A estratégia do Planalto é de um amadorismo constrangedor. O Planalto está dando ao Sínodo uma importância que ele não teria, em condições normais de temperatura e pressão. Essa ideia de fazer um Seminário em Roma, antes do Sínodo, merece a Piada do Ano. Não importa os programas sociais a serem apresentados, no mês seguinte os bispos vão dizer que é tudo mentira, porque a Amazônia está abandonada. E isso é verdade. A culpa é dos governos anteriores, Bolsonaro e os militares vão apenas pagar o pato, como se dizia antigamente. (C.N.)

Sede da gráfica que recebeu verba do PSL não tem máquinas, apenas duas mesas

Endereço em que estaria funcionando gráfica registrada como beneficiária de repasses de candidata do PSL, no Recife

Gráfica funciona numa sala nesta casa, sem nenhuma máquina

João Valadares
Folha

Em uma pequena sala, com duas mesas e nenhum maquinário para impressões em massa, a gráfica Itapissu, no Recife, amanheceu de porta aberta nesta segunda-feira (11), após a Folha revelar a ausência de sinais de que a empresa tenha trabalhado durante a eleição.

Reportagem deste domingo (10) mostrou que a candidata laranja Maria de Lourdes Paixão, 68, indicada pelo grupo do presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, declarou ter gastado R$ 380 mil de dinheiro público nessa gráfica a quatro dias da eleição, em outubro do ano passado. Ela teve somente 274 votos, e não há nenhum sinal de que tenha realizado de fato campanha.

ENDEREÇOS – Na semana passada, a reportagem da Folha visitou primeiramente um endereço que consta na nota fiscal da Itapissu, no bairro Arruda, na capital pernambucana, e encontrou apenas uma oficina de carros, que funciona há quase um ano no local.

Funcionários da oficina disseram na ocasião que correspondências com nome da gráfica costumam ser entregues nesse imóvel. O telefone informado na nota fiscal não existe.

Já outro endereço atribuído à gráfica, que consta em seus registros na Receita Federal e que foi visitado pela reportagem nesta segunda, esteve fechado em dois dias da semana passada, quando a Folha também foi ao local.

NÃO HÁ MÁQUINAS – No imóvel informado na Receita, localizado no número 345 da avenida Santos Dumont, há um café instalado no térreo e um espaço para aulas de reforço. Não há máquinas para impressão de material de campanha.

Em entrevista à Folha na semana passada, o presidente do PSL, Luciano Bivar, que também é deputado federal por Pernambuco, afirmou que, se a reportagem fosse ao local, iria encontrar todas as máquinas. “Se não tiver máquina, você pode escrever que eu sou um mentiroso amanhã.”

Na manhã desta segunda-feira, na sala atribuída à gráfica havia apenas um homem. Ele não quis se identificar.

DESDE SEMPRE – Questionado sobre há quanto tempo a gráfica está instalada no local, disse, inicialmente, que a empresa sempre funcionou lá. Após a Folha questioná-lo sobre a data precisa, afirmou que não falaria mais nada.

Ele também não quis informar se era funcionário ou dono da empresa. “Não vou falar nada. Ligue para o nosso advogado e ele vai informar tudo”, disse.

Procurado, o advogado Paulo José Canizzarro afirmou nesta segunda-feira que a sala poderia ser apenas o escritório da gráfica. “Não necessariamente é lá onde se roda o material. A Folha de S. Paulo deve rodar o jornal em outro lugar, por exemplo”, disse.

NÃO INFORMOU – Questionado então sobre onde o material de campanha era impresso, não quis informar. Alegou que não tinha autorização do cliente para repassar essa informação.

O advogado comunicou que a empresa já emitiu uma nota oficial e que essa questão específica só será respondida no momento em que as autoridades competentes notificá-los.

Diferentemente de outra suspeita de candidaturas de laranjas do PSL, em Minas, no caso de Pernambuco não há nenhuma notícia de investigação em andamento a respeito.

BOLSONARO – Hospitalizado, o presidente Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre o tema. Ele tem feito declarações por meio de redes sociais, mas não comentou o assunto até o momento. Hamilton Mourão, vice-presidente da República, afirmou, no caso das candidaturas de Minas, que, se for verdade, “é grave”.

O caso de Minas envolve o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que era o principal dirigente do PSL do estado.

Sergio Moro, ministro da Justiça, afirmou, também sobre o colega de ministério, que o caso será apurado “se surgir a necessidade”.

Bolsonaro poderá receber alta nesta quarta-feira, só depende do Planalto

Presidente Jair Bolsonaro postou foto em sua conta no Twitter em que aparece fazendo a barba — Foto: Reprodução/Redes sociais

Bolsonaro poder completar o tratamento em casa, diz o médico

José Carlos Werneck

O presidente da República Jair Bolsonaro recebeu aval da equipe médica, que o atende no Hospital Alberto Einstein, para receber alta amanhã, quarta-feira, dia 13, e seguir o tratamento em casa. Mas a data de saída do presidente do hospital dependerá do Palácio do Planalto.

Ontem, o presidente completou 15 dias de internação, para submeter-se à cirurgia de retirada da bolsa de colostomia e reconstrução do trânsito intestinal. Ele já se alimenta com dieta leve e apresentou melhora do quadro pulmonar, após ter sido diagnosticado com pneumonia na semana passada.

ANTIBIÓTICOS – Segundo seus médicos declararam ao Estadão, o presidente necessita permanecer internado até quarta-feira, quando chega ao final o período de medicação com antibióticos, administrados para conter a infecção pulmonar.

“Ele pode ter alta sim. Mas eu não sei se ele vai quarta, ele e o cerimonial do Planalto vão decidir”, afirmou o cirurgião Antonio Luiz Macedo. “O presidente está ótimo, está perfeito.”

Bolsonaro já foi liberado para falar, como fez nesta segunda-feira quando recebeu três ministros, um governador e um secretário paulista, disse o médico. O organismo respondeu de forma satisfatória à alimentação cremosa, retomada nesta segunda. “A única pendência são os antibióticos”, informou Antonio Luiz Macedo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Pela primeira vez, na História da Medicina, a alta de um paciente não depende dos médicos, mas de seus companheiros de trabalho. Francamente, ninguém está preparado para esse tipo de informação do dr. Macedo. Antigamente, eram os médicos que decidiam a alta do paciente impaciente. (C.N.)

Uma canção realmente excêntrica, na genialidade de Cecília Meirelles

Imagem relacionadaPaulo Peres
Site Poemas & Canções

A professora, jornalista e poeta carioca Cecília Meireles (1901-1964), no poema “Canção Excêntrica”, confessa estar desanimada por não encontrar o local ideal para desenhar a vida eivada de saudades e de arrependimentos.

CANÇÃO EXCÊNTRICA
Cecília Meireles

Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.

Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
– saudosa do que não faço
– do que faço, arrependida.

Propostas do projeto Anticrime de Moro têm expressiva aprovação de juízes

O ministro da Justiça, Sergio Moro, apresenta projeto de lei anticrime que levara para o Congresso Foto: EVARISTO SA / AFP

Moro está sendo apoiado incondicionalmente pela magistratura

João Paulo Saconi
O Globo

A grande maioria dos magistrados brasileiros está de acordo com duas das 14 propostas que fazem parte do projeto Anticrime apresentado pelo ministro da Justiça Sergio Moro na semana passada. Os dados, coletados ao longo do ano de 2018 pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), mostram que em relação ao “plea bargain” (ou modelo de transação penal), 89% dos juízes de primeira instância e 92,2% dos desembargadores acreditam que investigados pelo Ministério Público podem se declarar culpados antes mesmo do caso em questão se transformar em um processo ou durante o decorrer dele. A confissão gera uma pena mais branda.

O sistema tem a aprovação de 82,4% dos ministros. Todas as classes do Judiciário defendem, porém, que os acordos entre as partes devem passar pela anuência dos magistrados.

PRESSUPOSTOS – No projeto de Moro, a ideia é que o mecanismo seja válido para casos que não envolvam violência ou grave ameaça e que tenham o limite de quatro anos como pena máxima. O objetivo, segundo o responsável pela pasta da Justiça e da Segurança Pública, é agilizar a velocidade e a tramitação dos casos que possam ser resolvidos sem “o julgamento custoso”.

Em relação aos depoimentos por vídeo, mais de 85% deles desejam que esse tipo de interrogatório possam ser realizadas de maneira mais recorrente. Os juízes de primeiro grau, classe em que se concentram profissionais mais novos, a aprovação sobre o tema chega a 96,1%. Entre os que ocupam cadeiras em tribunais superiores, o número é de 94%.

APOIO MASSIVO – Relacionadas diretamente com a dinâmica do poder Judiciário, a utilização mais frequente das videoconferências no decorrer dos processos penais e a implantação do “plea bargain” (conceito importado do direito norte-americano) ganharam a aprovação expressiva dos mais de 4 mil juízes de primeiro e segundo grau, ministros de tribunais superiores e magistrados aposentados que responderam a uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela AMB.

A apresentação sobre o perfil da magistratura brasileira foi feita no auditório da AMB no Rio de Janeiro e foi acompanhada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Também foram divulgados índices sobre outras questões, como a opinião dos juízes, desembargadores e ministros, incluindo os já aposentados, sobre a utilização de símbolos religiosos em prédios do Judiciário (com aprovação maior entre os mais velhos) e a jornada de trabalho (61,03% dos entrevistados apontou que há sobrecarga de trabalho).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMatéria incompleta. Fica parecendo que os magistrados só apoiam duas propostas do ministro Moro, quando na verdade praticamente todas as sugestões têm ampla aceitação, como a principal delas – cumprimento da prisão após condenação em segunda instância. O título da matéria está perfeito, mas não condiz com o texto. (C.N.)

Bispos não aceitam que o governo participe do Sínodo sobre a Amazônia

D. Erwin Kräutler

D. Erwin Kräutler, do Xingu, estranha o interesse do Planalto 

Felipe Frazão e José Maria Mayrink
Estadão

O grupo de bispos brasileiros que prepara o Sínodo sobre Amazônia, previsto para ocorrer em outubro, em Roma, critica a presença de representantes do governo federal no evento. O cardeal e arcebispo emérito de São Paulo, d. Cláudio Hummes, um dos mais próximos do papa Francisco, foi indicado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para levar ao Vaticano o pedido do Planalto para participar do encontro, mas ele sugeriu à equipe do presidente Jair Bolsonaro buscar outro interlocutor.

“Sugeri que o governo acionasse a Embaixada do Brasil na Santa Sé como contato, pois se trata de uma questão diplomática”, disse ele ao Estadão.

OLHAR O FUTURO – Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB e prefeito emérito da Congregação para o Clero em Roma, Hummes afirmou que a Igreja Católica não pretende prejudicar Bolsonaro nem dar uma “resposta” a repressões sofridas nos tempos do regime militar. “Deve-se ter a preocupação de não olhar para o passado, mas para o futuro, pois não é a mesma coisa agora”, disse, referindo-se a setores da Igreja que temem a repetição da conturbada relação do clero com a ditadura militar.

Um dos principais nomes da Igreja Católica em atividade na região Norte, o bispo emérito do Xingu (PA), d. Erwin Kräutler, reagiu com estranheza ao interesse do Planalto em influenciar o encontro religioso para tratar de temas como meio ambiente e índios. “Nós conhecemos a Amazônia muito melhor do que qualquer integrante do governo federal”, afirmou. “Como vão contribuir quando falarmos da situação da floresta, que vivemos há tantos anos?”, questionou.

REUNIÃO DE BISPOS – Aos 79 anos, sendo 54 no Pará, d. Erwin disse que é incomum a participação de autoridades políticas nesses encontros globais promovidos pelo Vaticano. “Não, meu irmão. É um Sínodo de bispos!”, disse à reportagem. “Nunca vi membro de governo de qualquer país convidado”, acrescentou. “O que um representante do governo vai dizer quando estivermos tratando de novos caminhos da evangelização?”

Erwin foi um dos autores da Encíclica do Meio Ambiente, documento assinado pelo papa Francisco em 2015, que serviu de base para a decisão da Igreja em realizar o Sínodo. Ele afirmou que os representantes dos governos dos outros oito países da Amazônia – Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e França (Guiana Francesa) – também deveriam ser convidados. “Se convidar alguém do Brasil, o papa terá de chamar também pessoas de outros países. Isso me parece até um absurdo.”

DIREITOS NEGADOS – Outro envolvido nos preparativos do Sínodo, o presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), d. Roque Paloschi, disse que o encontro focará uma “realidade” de “direitos negados” a índios, ribeirinhos, quilombolas e extrativistas. “Não estamos jogando culpa em ninguém, estamos assumindo uma responsabilidade histórica que exige de nós clareza”, afirmou. “A Igreja tem de ficar do lado de quem? Ao lado de quem promove a morte ou de quem busca a vida?”, questionou.

Roque discorda da visão do Planalto de que os religiosos agem por simpatia à esquerda e antipatia a Bolsonaro. “A missão da Igreja é viver o Evangelho”, afirmou. “Não temos nada a esconder. Mas também não temos de nos encolher porque há uma preocupação do governo.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O fato concreto é que os governos do PT abandonaram a Amazônia, e as bases militares que existem lá passaram (e passam) dificuldades para atender à população e aos indígenas. Agora, quando o Sínodo vai fazer um balanço, o petardo vai estourar no colo de Bolsonaro, igual à bomba do Riocentro, depois da anistia. (C.N.)

Bolsonaro tem alta da unidade semi-intensiva e começa logo a receber visitas

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O governador João Doria foi um dos visitantes de Bolsonaro

Eduardo Bresciani
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro  recebeu alta da unidade semi-intensiva para o apartamento do Hospital Albert Einstein, nesta segunda-feira. A informação foi dada pelo porta-voz da Presidência, general Otávio do Rêgo Barros.  “O presidente passou muito bem nesta segunda-feira e está melhor a cada dia” — disse o porta-voz.

Segundo o boletim médico, o presidente “evolui com melhora clínica progressiva”, sem apresentar dor ou febre’.

DIETA LEVE – “Nesta segunda-feira foi suspensa a alimentação parenteral e o presidente passou a fazer uma dieta leve, mantido o suplemento nutricional que já recebia. Bolsonaro tem realizado exercícios respiratórios e de fortalecimento muscular e caminhadas fora do quarto. Ele foi submetido a uma tomografia que mostrou melhora no quadro de pneumonia”, assinala o boletim do hospital Albert Einstein.

Rêgo Barros informou que Bolsonaro recebeu visita dos ministros da Justiça, Sergio Moro; da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva;  e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno. Também esteve no hospital o governador de São Paulo, João Doria, e o secretário de Segurança do estado.

Além das visitas recebidas, o presidente assinou uma autorização para que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, participe a partir de amanhã em Washington da primeira conferência humanitária do governo interino da Venezuela.

RECEBER ALTA – Por telefone ao vivo na TV Bandeirantes, Bolsonaro afirmou que, “se Deus quiser”, deve ter alta nesta semana. Ele entrou em contato com a emissora para se solidarizar pela morte do jornalista Ricardo Boechat. O presidente disse que deveria já ter recebido alta se não tivesse adquirido uma “pequena pneumonia” na semana passada

— Estou recuperando, tive problema de ter adquirido uma pequena pneumonia uma semana atrás. Se não fosse isso podia estar de alta já, mas se Deus quiser essa semana terei alta — afirmou o presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro continua facilitando. O paciente impaciente se comporta como se já estivesse curado. Sabe-se que ele não deveria receber visitas, até recuperação total. Mas a equipe médica não consegue contê-lo e ele continua se arriscando demais, sem necessidade. (C.N.)

Maior problema do jornalismo está nas “fuck news”, disse Ricardo Boechat

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Ricardo Boechat criticou o monte de merda que os jornais publicam

Deu na Folha

A baixa qualidade de boa parte da produção jornalística atual tem contribuído mais para minar a credibilidade da imprensa do que fenômenos como a proliferação de notícias falsas nas redes sociais, as chamadas “fake  news”, disse o jornalista Ricardo Boechat durante o 2º Encontro Folha de Jornalismo, um dos últimos eventos de que participou.

“Outro dia um ouvinte me disse que o problema está nas ‘fuck news’, o monte de merda que os jornais publicam todos os dias”, afirmou Boechat, que era apresentador do “Jornal da Band” e da rádio BandNews e participou de um debate sobre a cobertura das eleições presidenciais deste ano.

COISA DE MOMENTO – Boechat disse discordar dos comentaristas que apontam as notícias falsas como fator decisivo para a eleição do presidente americano Donald Trump em 2016. Para ele, a vitória de Trump foi reflexo do momento que a sociedade americana vive, e não da manipulação da informação nas redes sociais.

No debate, Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal “Valor Econômico”, disse que a atuação da imprensa americana oferece poucas lições. Mencionando estudos sobre a cobertura da última eleição presidencial, ela contou que os principais jornais dedicaram mais espaço a articulações políticas e trocas de acusações do que às propostas dos candidatos.

Para o professor Thomas Patterson, de Harvard, autor de um dos estudos que ela mencionou, a cobertura dos jornais americanos contribuiu para corroer a confiança do público no jornalismo, no processo eleitoral e no resultado das eleições, além de fortalecer teses conservadoras, ao não esclarecer as diferenças entre os candidatos e disseminar a impressão de que eram iguais.

TOMAR PARTIDO – Maria Cristina propôs que a imprensa “tome partido do eleitor”, detalhando as propostas dos candidatos e questionando-os sobre os desafios que o país enfrenta, além de diversificar a cobertura, estendendo-a a outras regiões do país para que não fique concentrada em São Paulo, Rio e Brasília.

Para o colunista Joel Pinheiro da Fonseca, da Folha, políticos e grupos partidários que fazem barulho na internet vão aproveitar o debate sobre as notícias falsas para questionar a credibilidade da imprensa na campanha eleitoral, classificando como “fake news” qualquer notícia desfavorável, ainda que verdadeira.

“Se você pratica o jornalismo com ética e honestidade, tudo bem opinar e tomar partido”, disse Joel. “O perigoso é esse discurso ser usado por blogs e pessoas que estão crescendo na internet sem nenhum compromisso com a honestidade dos fatos.”

DISSE BOECHAT – Na opinião de Boechat, o público está mais interessado na política hoje do que em outras eleições. “A sociedade tomou gosto pela discussão política e está informada sobre mazelas que antes não chegavam ao seu conhecimento”, afirmou, referindo-se às revelações feitas pela Operação Lava Jato desde 2014.

Fonseca observou que o foco em escândalos de corrupção como os que dominaram o noticiário político nos últimos anos alimenta uma “visão muito niilista e cínica” da política e pode contribuir para reduzir a confiança das pessoas nas instituições democráticas.

Mas Boechat discordou. “A esculhambação da política não é culpa das críticas dos jornalistas, mas dos políticos”, afirmou. Classificando as principais lideranças do país como “desqualificadores crônicos”, ele disse que as eleições de 2018 ofereceram uma oportunidade para corrigir o problema.

Para Maria Cristina, grupos que têm se mobilizado pela renovação da política terão pouca chance de sucesso, por causa das mudanças na legislação eleitoral, que reforçaram o poder dos caciques dos grandes partidos sobre o processo eleitoral. “O novo presidente terá que lidar com um Congresso controlado por eles, talvez pior do que o atual”, previu.

EUA não “detonaram” o ‘Estado Islâmico’ e suas tropas não deixarão a Síria

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Stephen Lendman
Global Research

‘Estado Islâmico’ – que não é nem “estado” nem “islâmico” – é criação dos EUA. E al-Qaeda, a frente al-Nusra, descendente da al-Qaeda e outros grupos terroristas, também são criação dos EUA: todos esses grupos foram usados pelo Pentágono e pela CIA como ‘agentes locais’ mercenários, e simulacro de soldados, que os EUA usam para fazer suas guerras em áreas distantes.

As frases de Trump, segundo as quais os EUA estariam “detonando” o ‘Estado Islâmico’… Ou teriam “derrotado” o ‘Estado Islâmico’ na Síria” são rematadas mentiras. Antes, Trump já dissera que ele saberia “muito mais sobre #‘Estado Islâmico’ do que os generais”…

IDAS E VOLTAS – Dias depois de ter anunciado que os EUA se retirariam da Síria, Trump dizia que “o ‘Estado Islâmico’ estaria praticamente derrotado.” Em janeiro, porém, disse que os norte-americanos “continuam a combater contra o ‘Estado Islâmico’.” Depois de prometer “rápida retirada da Síria” em dezembro, Trump se desdisse e anunciou que “depois da retirada, ainda permanecerão lá algumas forças norte-americanas, por meses, talvez anos.”

Eis alguns fatos incômodos que Trump, sua equipe geopolítica e a mídia norte-americana recusam-se a reconhecer e fingem que não sabem:

1. EUA e seus parceiros imperiais apoiam os criminosos do ‘Estado Islâmico’ e de outros grupos terroristas aos quais fingem que se opõem.

2. Forças da Síria e do Hezbollah, muito ajudados pela Força Aérea russa, estão, essas sim, “detonando” o ‘Estado Islâmico’; as forças terroristas foram muito reduzidas, mas ainda há grupos ativos.

3. Erdogan, da Turquia, finge que faz oposição aos bandidos que, contudo, apoia ativamente, e garantiu ao ‘Estado Islâmico’ e a outros grupos terroristas um paraíso seguro em território turco, permitindo que entrem e saiam entre os dois lados da fronteira.

4. Na 4ª-feira, fontes citadas no website em idioma árabe da rede Sputnik News disseram que nas 48 horas anteriores, cerca de 1.500 terroristas entraram na província síria de Idlib, provenientes da Turquia – em flagrante violação do acordo de Sochi.

5. Erdogan não passa de déspota maluco, em quem absolutamente ninguém pode confiar, é um obstáculo à solução política do conflito na Síria, inimigo do presidente Bashar al-Assad, a quem deseja ver fora do governo, e que ambiciona anexar território sírio junto à fronteira turca – área rica em petróleo.

6. Erdogan mentiu a Vladimir Putin, ao quebrar o acordo que criou a zona desmilitarizada russo-turca na província de Idlib, no norte da Síria. Continua ali um ninho de terroristas apoiados por EUA, OTAN, Arábia Saudita, Israel e Turquia.

7. Cerca de cinco meses depois que Erdogan prometeu desarmar seus terroristas, eles estão ainda mais pesadamente armados e entrincheirados do que antes – usando as próprias posições para atacar forças do governo e civis.

TRUMP MENTE – Na 4ª-feira, Trump trovejou: “Deve-se anunciar formalmente na próxima semana que derrotamos 100% do califado… Quero esperar o comunicado oficial. Não quero falar antes da hora”. E acrescentou: “O ‘Estado Islâmico’ controlava mais de 51 mil km2 no Iraque e Síria” [antes de Trump assumir o governo]. Na sequência, Trump diz que estaria hoje trabalhando com parceiros dos EUA “para destruir os remanescentes…”

Exatamente como Obama, o governo de Trump está fazendo o oposto, incluindo Iraque, Afeganistão, Líbia e também em outros locais, e implantando o ‘Estado Islâmico’ e outros jihadistas nesses países – com armas, dinheiro, treinamento e inteligência que os EUA lhes garantem.

TROPAS NÃO SAEM – O Congresso, o Pentágono e a CIA querem que as forças dos EUA permaneçam na Síria. Na 2ª-feira, o Senado votou com maioria expressiva contra a retirada das forças dos EUA, da Síria e do Afeganistão –, sob o pretexto de que o ‘Estado Islâmico’ e al-Qaeda seriam séria ameaça aos EUA.

O Congresso diz que “uma retirada precipitada” das forças do Pentágono pode “permitir que os terroristas (que contam com o apoio dos EUA!) se reagrupem, desestabiliza regiões críticas e criem vácuos que possam ser ocupados pelo Irã ou Rússia.”

Não é provável que aconteça qualquer tipo de retirada de forças norte-americanas de país algum onde essas forças estejam hoje. Chegaram para ficar, não para sair, inclusive na Síria.

GUERRA QUÍMICA – Ahmad Kazem, diretor da Rede Síria de Direitos Humanos com base em Damasco, denuncia que os terroristas da rede al-Nusra, ajudados pelos Capacetes Brancos, transferiram barris de gás cloro “em duas ambulâncias”, para Khan Sheikhoun, em Idlib, onde aconteceu um ataque químico de falsa bandeira em 2017 – ataque pelo qual as forças do governo sírio foram responsabilizadas.

Acrescentou que os barris de gás foram guardados num caminhão frigorífico, para preservá-los para serem usados contra civis, no instante em que cheguem as ordens.

No final de janeiro, a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia Maria Zakharova alertou que os Capacetes Brancos, apoiados pelo Ocidente, estavam em preparações para filmar ataques químicos encenados em Idlib.

FALSOS ATAQUES – Várias e repetidas vezes, forças do governo foram declaradas responsáveis por incidentes com as quais nada tinham a ver. Aviões de guerra de EUA, Reino Unido e França atacaram pontos do território sírio, depois dos incidentes de falsos ataques químicos.

Em janeiro, John Bolton disse o seguinte: “Não há absolutamente qualquer mudança na posição dos EUA contra o uso de armas químicas pelo regime sírio, nem qualquer mudança em nossa posição de que qualquer uso de armas químicas receberá resposta muito forte, como já fizemos duas vezes.”

É questão de tempo antes de o próximo ataque químico ser encenado e filmado e divulgado, para servir como pretexto para que jatos de guerra comandados pelo Pentágono atacarem interesses militares sírios, e talvez Damasco esteja na lista norte-americana de alvos.

Boechat era um dos raros jornalistas de coragem no rádio e na TV do Brasil

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Na BandNews FM, Boechat se tornou um fenômeno de audiência

Joana Oliveira
El País/Brasil

O jornalista Ricardo Boechat morreu na manhã desta segunda-feira aos 66 anos em um acidente de helicóptero na rodovia Anhanguera, na Grande São Paulo. A aeronave caiu na altura do km 7 do Rodoanel por volta de meio-dia, após tentar fazer um pouso de emergência, bateu em um caminhão que estava na pista e pegou fogo. Além de Boechat, o piloto, cujo nome ainda não foi divulgado, também morreu na hora. O motorista do caminhão foi socorrido com ferimentos leves e já prestou depoimento. O jornalista voltava de uma palestra em Campinas, quando houve o acidente. As causas da queda ainda não estão claras.

Ricardo Boechat nasceu em 1952, em Buenos Aires e deixa quatro filhos. Ele era apresentador da rádio BandNews FM pela manhã e do Jornal da Band, à noite.

DIZ A RÁDIO – A rádio comunicou o falecimento do jornalista em seu Twitter. “É com profunda consternação que nós, da Rádio BandNews FM, comunicamos a morte do nosso amigo e âncora de todas as manhãs, Ricardo Boechat.” Com seus colegas de trabalho abalados, a rádio tirou a programação do ar.

Horas depois, informou que retomaria a programação em respeito ao jornalista. “Temos a obrigação, emocional e jornalística, de reportar o falecimento do nosso amigo”, informou a BandNews, por meio de seu Twitter. A morte de Boechat foi inicialmente confirmada pelo também apresentador da Band, José Luiz Datena, que se emocionou ao anunciar ao vivo o falecimento do colega.

BELA CARREIRA – O jornalista começou sua carreira como repórter na década de 1970, no extinto jornal Diário de Notícias. Quase imediatamente, começou também a trabalhar com o também jornalista Ibrahim Sued. Depois, trabalhou em O Globo, com titular da coluna Carlos Swann, que depois passou a ser assinada por ele. Em 1983, foi para a Rede Globo, onde ficou até 2001. Durante esse período, em que também assinou uma coluna na revista Istoé, venceu por três vezes o Prêmio Esso (em 1989, por uma reportagem que denunciava um esquema de corrupção na Petrobras em 1992, na categoria Informação Política, com Rodrigo França, e 2001,na categoria Informação Econômica, com Chico Otávio e Bernardo de la Peña).

Também escreveu o livro Copacabana Palace – Um Hotel e Sua História (DBA, 1998), que resgatou a trajetória do hotel mais exclusivo e sofisticado do país, completando 75 anos de existência no ano da publicação.

RECORDISTA – Com uma trajetória muito prolífica, Ricardo Boechat era o recordista de vitórias do Prêmio Comunique-se e o único a ganhar em três categorias diferentes: âncora de rádio, colunista e âncora de televisão. Em 2015, uma pesquisa realizada com executivos de comunicação corporativa de todo o país indicou que Boechat era o mais admirado jornalista brasileiro, ao lado de Miriam Leitão.

Nos seus mais de 40 anos de carreira, Boechat foi moderador de diversos debates de presidenciáveis. Em entrevista ao El País em Madri, em outubro de 2018, o jornalista falou sobre a polaridade política no Brasil e afirmou que “o país não está à beira de um colapso”.

Em sua rotina de trabalho, levava a indignação do Brasil ao microfone. E, muitas vezes, o seu próprio cotidiano ao Brasil.

DEPRESSÃO – Em 2015, por exemplo, reconheceu ao vivo na rádio BandNews FM sofrer com depressão. Duas semanas antes, havia tido um “surto depressivo agudo” antes de entrar no ar, não conseguiu ler os textos e ficou 15 dias afastado do trabalho. “O médico me disse que o estado de pânico, a balbúrdia mental e insegurança eram sintomas clássicos de surto depressivo”, contou na época e destacou em seu depoimento que “a depressão não escolhe vítimas por seu grau de instrução ou situação econômica. Castiga sem piedade e da mesma forma pobres e ricos, anônimos e famosos”.

A morte do jornalista comoveu de ouvintes ao mundo político. O presidente Jair Bolsonaro expressou suas condolências em nota. “O país perde um dos principais da imprensa brasileira. Sentiremos a falta de seu destacado trabalho na informação da população, tendo exercido sua atividade por mais de quatro décadas com dedicação e zelo.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O grande diferencial de Boechat era a coragem, um componente raríssimo na TV brasileira desde a época em que o então presidente Juscelino Kubitschek proibiu que três jornalistas trabalhassem na televisão – Carlos Lacerda e os irmãos Helio e Millôr Fernandes. Desde aquela época, o que se viu na TV brasileira foi uma eterna submissão aos inquilinos do Planalto, somente quebrada de certa forma por Boechat quando ele começou a trabalhar na TV Band. Mas a liberdade total, no estilo Lacerda/Helio/Millôr, ele só viria a conquistar na BandNews FM, onde se tornou um fenômeno de audiência. O buraco que ele vai deixar na programação da emissora é do tamanho do rombo da dívida pública. Vai na frente, amigo Boechat, o menino argentino de Niterói. Dê um abraço no Evandro Carlos de Andrade e no resto da turma. Depois a gente se encontra de novo. (C.N.)

Bivar diz que a gráfica existe e imprimiu a propaganda da candidata-laranja

Presidente do PSL desafia a Folha a provar que ele é mentiroso

Camila Mattoso e Ranier Bragon
Folha

Presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, 74 anos, afirmou à Folha não ter sido consultado sobre o repasse de R$ 400 mil de dinheiro público a uma candidatura de fachada em seu estado, Pernambuco, onde foi reeleito deputado federal em 2018.

Ele negou que Maria de Lourdes Paixão, que é secretária no partido e obteve apenas 274 votos apesar de ter recebido a terceira maior fatia nacional da verba do PSL, seja laranja e defendeu a utilização do dinheiro, o que, segundo ele, foi feito dentro de legalidade.

Estamos fazendo uma reportagem sobre a candidata Maria de Lourdes Paixão, ela foi candidata naquelas vagas remanescentes, em 7 de agosto…
[Interrompe] Sim… Ela não podia se candidatar como remanescente? Por favor, me dá a informação, eu sou presidente nacional e não sei o que se passa nas estaduais. Ela não podia se candidatar?

O sr. se lembra ou não?
Sim… Não, não, eu não me lembro como ela se candidatou. O jurídico do partido é que faz tudo isso. O Brasil inteiro, imagina, não me chega, imagina.

É que nesse caso ela é do seu estado.
Ela é do meu estado, inclusive nos contrariou, porque a chance dela de ganhar era muito pequena e ela se candidatando a deputada federal… eu certamente, no mínimo, ia perder o voto da família dela.

Ela foi a terceira candidata que mais recebeu dinheiro do partido. 
E ela passou do limite financeiro?

Ela recebeu três dias antes da eleição…
[Interrompe] Sim, mas isso é ilegal?

Ela disse que não conseguiu fazer muita campanha porque o dinheiro só chegou em cima da hora. Por que só chegou em cima da hora?
Ah, era uma dificuldade muito grande, porque o Brasil inteiro atrás de dinheiro para fazer campanha. Mas não sei como foi o dinheiro para ela, se veio da nacional ou veio da local, lá de Pernambuco.

Foi da [direção] nacional. O que a gente quer saber é pelo alto volume de dinheiro público…
[Interrompe] Qual é o alto volume?

Não considera alto R$ 400 mil?
R$ 400 mil? Uma campanha para deputado federal pode até R$ 2,5 milhões.

Dos R$ 400 mil, ela gastou R$ 380 mil numa gráfica, que a gente foi procurar e não existe no endereço
Essa gráfica não existe? Não acredito. Vou ver isso aqui agora. Deixa eu ver aqui, essa gráfica não existe, você está dizendo uma coisa… Um momentinho só, estou no outro telefone tentando falar… [Telefone toca, Bivar entra em uma ligação e pede para retornar depois] Eu não consegui falar com o presidente do partido, o [Antônio de] Rueda, mas falei com o diretor-executivo do partido, ele diz que estranha isso, porque a gráfica tem tudo, tem tudo, então a informação que chegou a você, ela é capciosa.

O repórter foi visitar o endereço que consta na nota fiscal e é um martelinho de ouro que está lá há um ano.
É o que?

Um martelinho de ouro.
Não, não, não, não pode ser. Ele [o diretor] está me dizendo aqui que o endereço está tudo certo. Acho que o teu repórter aí não viu bem a coisa, posso te garantir isso, porque os caras não vão dar uma informação errada pra mim. A gráfica existe. Deixa eu ligar novamente para ele para ver o endereço para você não escrever uma inverdade e depois eu acionar seu repórter. [Bivar entra em uma ligação com outro dirigente do partido. Ele pede explicações sobre o endereço da gráfica, diz que a Folha tinha ido ao local e recebe como resposta que o endereço está na nota fiscal. Ele explica para o dirigente que a reportagem foi no endereço e pede que a rua e o número sejam checados]

A questão de ter dado esse dinheiro quatro dias antes da eleição. A candidata declarou ter feito 4 milhões de santinhos na véspera. Isso funciona, deputado?
Essa questão de marketing, minha filha, eu não sei. Eu entrego tudo ao marqueteiro. Isso a gente parte de um campo legal para um campo de marketing ou de achismo. Eu acho o seguinte, sem brincadeira, eu sei que você está muito afável comigo, mas você não acha que o sistema como um todo é um negócio incrível? Como você pode dizer que a Camila [repórter] só pode escrever cinco linhas no jornal, e aí você escreve duas, mas qual o problema de escrever só duas? São coisas que eu não entendo no espírito do legislador.

O sr. está dizendo sobre o preenchimento de cotas?
É, tem o preenchimento de cotas, tem uma série de coisas. Tem que ir com vocação, pessoas que têm vocação. Tá certo? Veja bem, menina linda, eu quero que você filtre bem o que eu estou falando pra você. O partido precisa divulgar o nome dele. E tem aquela cota que é obrigado por lei. Então, tanto faz o nome dela, Maria de Lourdes no caso, né? Tanto faz se vai o nome dela ou o nome do PSL. Não é uma divulgação? O importante é você me dizer, essa gráfica existe ou não existe?

Vamos por partes. Antes da questão da gráfica. A gente tem uma decisão do partido para a Maria de Lourdes concorrer. Ela recebe um dinheiro do partido, que é público.
Mas é ilegal? A lei não determina isso? Eu não estou entendendo, vamos discutir no campo objetivo.

Mas a minha pergunta é o que ela fez durante a campanha?
Eu não sei, ela pode ter passado três dias, porque parece que o dinheiro chegou tarde, para distribuir o santinho dela. Deve estar com calo no pé, fazendo campanha, achando que cada santinho que ela distribuía era um voto. Política não é assim, menina.

Mas o sr. sabia que ela seria privilegiada? – Eu não sabia nem que ela era candidata. Fui saber quando vi o papel dela.

Essas candidaturas que não fazem de fato campanha têm sido alvo de investigação e são chamadas de laranja. O sr. considera nesse caso que ela foi uma candidatura laranja?
De jeito nenhum. Por que eu colocaria candidatura laranja? Eu não posso deixar de botar meu time em campo. Eu vou jogar contra o Corinthians, meu time está todo machucado, eu boto o juvenil pra jogar. Eu vou perder de WO? Meu Deus do céu. Vocês têm que bater no cerne da coisa. É a legislação. Por quê? Pra não dar margem para achismo. Achismo em política é a coisa mais surreal do mundo.

Ela disse que não conseguiu fazer campanha.
Talvez ela tenha se expressado mal. Um partido de absoluta retidão é o nosso. Não há a menor possibilidade de ter nada de errado. Se tiver, no outro dia a cabeça está fora.

Ela teria sido candidata se não houvesse a necessidade de preenchimento de cota?  Tem que colocar 30% de mulheres, certo? O partido que não coloca, ele vai incorrer em uma ilicitude. Vários candidatos masculinos foram cortados, porque tem que ter 30% de mulher.

O sr. considera a regra errada?
Eu considero a regra errada. É isso que eu estou dizendo que vocês têm que bater. Você tem que ir pela vocação, tá certo? Tem que ir pela vocação. Se os homens preferem mais política do que a mulher, tá certo, paciência, é a vocação. Se você fizer uma eleição para bailarinos e colocar uma cota de 50% para homens, você ia perder belíssimas bailarinas, porque a vocação da mulher para bailarina é muito maior do que a de homem. Tem que ser aberto.

Ok, deputado. Ficou faltando saber quem decidiu dar o dinheiro para a candidata.
Quem decidiu foi a [direção] nacional, na época eu não era presidente. Nem da nacional nem no estado. Mas eu acho que a decisão foi para quê? Ela tinha que colocar o número 17. O número 17 foi o mais bem vendido na eleição, alguns estudos mostram que o 17 ficou tão conhecido quanto o 13.

Por ter sido no seu estado, no seu reduto, onde o sr. mais comanda, o sr. não foi nem consultado sobre o dinheiro dela?
Não fui consultado porque isso é uma besteira. Como eu vou ser consultado de um negócio desses?

Deputado, então fica faltando a gente achar a gráfica, né?
Peça ao seu repórter, para ele voltar lá. Isso é fácil, né, é o “follow [the] money”.

Ela já foi duas ou três vezes lá.
Não, não. É uma gráfica enorme. Foram buscar os papeis lá, tudo direitinho. Entendeu?

Entendi. Mas a gráfica realmente não está lá.
É… peça para o repórter ir lá. Dê o endereço certinho.

A gente procurou a campanha da candidata de vocês nas redes sociais e etc. e não encontramos. Se o sr. puder me mandar algum material dela, seria importante. O sr. tem?
Você teve algum voto? Ah, tá certo, você também não foi registrada, né? Mas olha, teve gente que teve dois votos. Teve pouco voto.

Sim, tiveram outros casos. Teve até em Minas Gerais, que a gente fez uma reportagem na semana passada sobre as candidatas do ministro do Turismo que eram laranjas. O sr. até defendeu o ministro, em um carta.
Isso. Alguma parte da imprensa falou em laranja. Sabe o que é laranja? É o cara que não existe. Não existe laranja. O pior se fosse fantasma, se fosse um CPF falso. Vocês têm que bater na essência da coisa. O legislador está errado sobre isso. [Ele atende ao telefone, desliga e depois retorna] Olha, seu repórter estava certo. Mas o que está certo é o CNPJ, entendeu? Isso tá certo, ok? A gráfica foi lá há muito tempo. E aí a prefeitura demorou a mudar, essa coisa de burocracia. A gráfica fez campanha para o candidato Fernando Monteiro, para outro candidato também, nesse mesmo ano. Está constando atividade. Entendeu?

Mas não entendi, o que o repórter estava certo?
O repórter foi em outro endereço, era dia do gráfico. O pessoal ligou pra ele depois, mas ele não atendeu.

Ela atendeu, sim. Ela foi lá, mas não tinha nada funcionando.
Mas se ele for lá, ele vai ver as máquinas todinhas. Se não tiver máquina, você pode escrever que eu sou um mentiroso amanhã.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Bem, logo se saberá se o presidente do PSL é mentiroso ou não. (C.N.)

Desenvoltura do vice Mourão já despertou a ira de lideranças evangélicas

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Malafaia ataca Mourão e diz que o vice não tem ética

Pedro Venceslau e Valmar Hupsel
Estadão

O discurso independente e a desenvoltura do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) desgastaram a relação do Palácio do Planalto com o setor evangélico, considerado fundamental na eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Nos últimos dias, líderes de igrejas que durante a campanha apoiaram explicitamente o candidato do PSL e representantes do segmento no Congresso expuseram a insatisfação com o vice, principalmente após ele se manifestar contra a transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém.

As lideranças religiosas e parlamentares da bancada evangélica pretendem pressionar o presidente para que ele desautorize publicamente o vice – Bolsonaro permanece internado em São Paulo se recuperando da cirurgia para a reconstrução do trânsito intestinal.

EM EXERCÍCIO – Na condição de presidente em exercício, Mourão recebeu no último dia 28 o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, e defendeu a posição que contraria manifestações anteriores do próprio Bolsonaro. Com 108 deputados e 10 senadores na atual Legislatura, a Frente Parlamentar Evangélica, que tem uma atuação historicamente coesa em defesa de suas bandeiras, terá um peso decisivo para a agenda do governo no Congresso Nacional.

“Vamos cobrar (do Bolsonaro) o cumprimento daquilo que foi tratado. Se o Mourão está a serviço de algum grupo de interesse contrário a que isso aconteça, tenho convicção que ele perdeu essa queda de braço. Mourão é um poeta calado. Sempre que abre a boca cria um problema para o governo”, disse ao Estado o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), principal porta-voz da Frente. O deputado deve assumir a presidência do grupo nos próximos dias. O atual presidente, deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR), não se reelegeu.

QUESTÃO DO ABORTO – Os evangélicos ficaram também incomodados com o vice por causa de uma entrevista na qual ele defendeu que o aborto é uma escolha da mulher. O ponto central das queixas, contudo, é a questão da mudança da embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém. “Esse foi um compromisso de campanha do presidente da República com nosso segmento. Nós não pedimos muitas coisas a ele, mas essa foi uma delas”, disse Sóstenes.

“Por que o Mourão, sabendo das bandeiras do Bolsonaro, não se manifestou antes da eleição? É uma coisa feia esconder suas convicções. Faltou protocolo e ética no exercício da função dele. Mourão está fazendo campanha para 2022, mas a ala conservadora não vota nele nunca”, disse ao Estado o pastor Silas Malafaia, líder da igreja evangélica Vitória em Cristo e presidente do Conselho dos Pastores do Brasil.

APOIO A TRUMP – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu Jerusalém capital de Israel em dezembro de 2017. Cinco meses depois, a embaixada norte-americana foi transferida para lá. Para o bispo e presidente do Ministério Sara Nossa Terra, Robson Rodovalho, a mudança da embaixada “facilitaria muito” a viagem de brasileiros a Israel e estimularia a ampliação da oferta de voos.

Os contrários à mudança alertam para os potenciais prejuízos para as exportações brasileiras para países árabes, que estão entre os principais importadores de carne bovina e de frango do País. O Brasil pode também receber pressão da comunidade internacional. Para a ONU, o status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz.

“Quando o Bolsonaro se recuperar, vamos marcar uma audiência com ele. A ideia é levar uma carta deixando claro nossa insatisfação. Hoje, o Mourão é uma instituição e deveria guardar as opiniões para ele”, disse o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR). Na semana passada, outros parlamentares usaram a tribuna da Casa para criticar publicamente o vice.

FORÇAS ARMADAS – Segundo fontes do primeiro escalão das Forças Armadas ouvidas pelo Estado, Mourão age de forma “coerente” com o pensamento dos militares, especialmente quando faz críticas à política externa e sinaliza que a prioridade do governo deve ser a agenda econômica, e não a de costumes.

Ao desautorizar o chanceler Ernesto Araújo sobre a oferta de uma base no Brasil para os EUA, Mourão reproduziu a linha de pensamento dominante nas Forças Armadas, que contam com sete quadros no primeiro escalão e representam um dos pilares da administração. Procurada, a assessoria do vice disse que ele não iria se manifestar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Isso não vai dar certo. Os líderes evangélicos acham que estão no poder e exigem que o presidente trabalhe em prol dos interesses deles. A mudança da embaixada é uma tremenda mancada diplomática, já foi solenemente descartada e o chanceler nem se atreve a tocar no assunto. O Brasil é um estado laico. Quem não estiver satisfeito que se mude. (C.N.)