É claro que a Lava-Jato exagera, mas os políticos corruptos continuam exagerando

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

A palavra “mensalão” apareceu na imprensa em setembro de 2004, utilizada pelo então deputado Miro Teixeira, para explicar aquilo mesmo que seria provado mais adiante: que o PT montara um sistema para remunerar aliados. Miro repercutia, para o “Jornal do Brasil”, uma reportagem de capa da revista “Veja”, na qual se dizia que o PT comprara o apoio do PTB por R$ 150 milhões. O assunto, aliás, circulava no Congresso.

Pois parece que os próprios deputados sérios não colocaram muita fé no caso. Meio que deixaram para lá. Políticos e jornalistas tiveram comportamento semelhante. Eis o que se dizia: isso não vai dar em nada, corrupção sempre ocorreu, é coisa pequena, um problema moral, não político, muito menos econômico.

UMA FILMAGEM – Talvez tivesse ficado mesmo por aí se um empresário de bronca com sua situação não tivesse filmado um diretor dos Correios embolsando a mixaria de três mil reais, mas contando que o esquema funcionava sob o comando de Roberto Jefferson, então deputado federal e presidente do PTB.

A revista “Veja” publicou a história em maio de 2005. Seguiram-se alguns meses de embates políticos, com a oposição tentando instalar uma CPI, e o governo Lula tentando abafar o escândalo. Lá pelas tantas, Roberto Jefferson, como ele mesmo disse, desconfiou que o PT estava armando contra ele.

A jornalista Renata Lo Prete, então na “Folha”, sabendo do que se passava nesses bastidores, conseguiu a entrevista que mudou tudo. Jefferson contou como Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, pagava 30 mil mensais a deputados, em troca de votos para o governo. Isso foi em junho de 2005.

PREÇO FIXO – O mensalão era, digamos, oficializado nesse valor — R$ 30 mil/mês. Também era mixaria, como se saberia depois, mas Jefferson apresentou o operador do esquema, o publicitário Marcos Valério, dono de agências em Belo Horizonte.

Tudo apareceu como o “escândalo dos Correios”, objeto de inquérito na Justiça Federal de Minas e de uma CPI no Congresso.

Políticos e empresários apanhados, quando perceberam que não havia como negar a distribuição de dinheiro, contrataram os mais conhecidos advogados criminalistas, liderados por Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça de Lula. Estes definiram uma linha de defesa: o dinheiro era para campanhas eleitorais, o famoso caixa 2 ou, como inventou Bastos, “recursos não contabilizados”. Ou seja, uma pequena infração eleitoral, a ser resolvida com uma revisão da contabilidade dos partidos e, talvez, algumas multas.

SETE ANOS DEPOIS – Da CPI resultaram as cassações de José Dirceu e Jefferson — e o Congresso queria parar por aí. Na Justiça, em julho de 2005, o processo foi para o Supremo Tribunal Federal, por causa do envolvimento de pessoas com foro privilegiado.

Ainda se dizia: não vai dar em nada. E como o inquérito se arrastava, parecia mesmo que seria mais um daqueles casos que morreriam nas gavetas do tribunal. Demorou sete anos nisso, mas em agosto de 2012 o Pleno do STF começou o julgamento, sob a liderança do então presidente da Corte, ministro Joaquim Barbosa. Terminou em março de 2014, com a derrota fragorosa das grandes bancas de advocacia.

Os “recursos não contabilizados” viraram lavagem de dinheiro. Caixa 2 passou de infração eleitoral para crime grave. A distribuição de dinheiro foi atribuída a uma quadrilha. Em resumo, sofisticado roubo de dinheiro público.

LAVA JATO – Ainda era pouco. Nesse mesmo março de 2014, a Lava-Jato se mostrava ao país, com a primeira operação de vulto. Foi preso Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, que viria a ser o primeiro delator. Aparecia o instituto da delação premiada, tão contestado, de novo, pelas grandes bancas. Não era mais coisa de R$ 30 mil/mês, mas de bilhões de dólares.

Mas por que estamos contando isso tudo? Porque, de novo, estão dizendo que a Lava-Jato é uma armação para tirar Lula da política. Que a Lava-Jato exagerou, é óbvio, mas como poderia pegar esse bando de ladrões ilustres e poderosos?

Pensando bem, não é a Lava-Jato que exagera. “Eles” exageraram, e continuam tentando derrubar a operação.

(artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Adriana Ancelmo pede parecer a Sérgio Bermudes para evitar ser presa novamente

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Adriana era cúmplice do marido Cabral e foi solta indevidamente

Thiago Prado
O Globo

Adriana Ancelmo, ex-mulher de Sérgio Cabral, está preocupada com o futuro na segunda instância do Judiciário. Conforme O Globo  informou na semana passada, o relator de seu processo no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, desembargador Paulo Espírito Santo, já preparou o voto e agora só falta o presidente da Turma, Abel Gomes, marcar a data do julgamento.

Há duas semanas, Adriana procurou o advogado Sérgio Bermudes. Antes mesmo de ser condenada pela segunda instância, pediu um parecer do renomado profissional da área cível. Quer que ele mostre que a distância dos filhos seria muito ruim para a criação deles.  O advogado ainda não decidiu se aceitará a missão.

REFERÊNCIA – Bermudes é especialista em questões cíveis contenciosas e atua, sobretudo, nos campos comercial, societário e de recuperação empresarial. Seu escritório no antigo prédio da Bolsa de Valores do Rio é apontado como o mais importante do país. Já tem ou teve como clientes Eike Batista, Vale, Bradesco, Ambev e Odebrecht.

Adriana conseguiu aguardar seu julgamento em prisão domiciliar com base no Marco Legal da Primeira Infância. O texto, em vigor desde 2016, garante a presas provisórias grávidas ou com filhos de até 12 anos aguardar o julgamento em prisão domiciliar. A liberdade de Adriana gerou controvérsia e reações. Apesar da nova legislação, a Justiça continua mantendo várias mães detidas na mesma situação. Em fevereiro, o G1 fez reportagem apresentando a história de 698 presas com filhos de até 12 anos.

CONDENAÇÃO – Em setembro de 2017, Adriana foi condenada em primeira instância pelo juiz Marcelo Bretas. Ela recebeu penas que somam 18 anos e três meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

Segundo a sentença, a ex-primeira-dama ocultou e movimentou cerca de R$ 6,5 milhões em joias e usou seu escritório de advocacia para lavar R$ 2,4 milhões. Bretas a classifica como “companheira de vida e práticas criminosas” de Sérgio Cabral, além de “mentora de esquemas ilícitos”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Adriana Ancelmo não poderia ter sido solta. Jamais foi uma mãe de verdade, quem tomava conta da casa era a governanta, com salário de R$ 20 mil. Sua vida era uma festa móvel, no estilo descrito por Ernest Hemingway ao retratar Paris. Adriana vivia viajando com o marido, mal via os filhos. Esta é a verdade. (C.N.)

Piada do Ano! TCU quer ser fiscal de liberdade de imprensa no caso de Greenwald

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o jovem procurador corre atrás dos seus 15 minutos de fama

Patrik Camporez
Estadão

 O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) emitiu nesta quarta-feira, dia 10, ofício em que solicita a suspensão, caso esteja em curso, de qualquer investigação por parte do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) nas movimentações financeiras do jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil. O despacho de quatro páginas, o qual o Estado teve acesso, é assinado pelo Subprocurador-geral do MP, Lucas Rocha Furtado.

“Solicito que seja determinada a suspensão da elaboração, pelo COAF, de relatório das atividades financeiras do jornalista, se estiverem (sic) em curso, ou a abstenção dessa iniciativa, até que o TCU delibere quanto ao mérito da representação”, diz o trecho do documento, tropeçando na concordância verbal.

24 HORAS – No final da última semana, o TCU havia dado 24 horas para que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Coaf, Roberto Leonel de Oliveira, detalhassem se Glenn foi ou é investigado pelo Conselho, o que, na visão do TCU, fugiria do papel do órgão.

Para o TCU, qualquer investigação contra jornalista, por parte do Coaf, pode ser caracterizada como desvio de finalidade, além de uma afronta à garantia constitucional de liberdade de imprensa.

Em ofício encaminhado ao TCU, o ministro da Economia informou não ter conhecimento sobre investigação contra o jornalista. Justificou ainda que o Coaf tem autonomia técnica para abrir investigações sem seu conhecimento e negou ter emitido qualquer ordem nesse sentido. Já o presidente substituto do Coaf, Jorge Luiz Alves Caetano, disse que o órgão não se pronuncia sobre “casos concretos” e não respondeu se a Polícia Federal chegou a pedir investigação nem se o Coaf começou a monitorar as movimentações financeiras de Greenwald.

FORAM EVASIVOS – Na avaliação do Ministério Público junto ao TCU, o ministro da Economia e o presidente substituto do Coaf foram evasivos em suas explicações. “Nem a resposta do ministro da Economia nem a do presidente substituto do COAF foram claras e objetivas em responder o cerne da questão”, diz Lucas Rocha, em outro trecho do documento.

O MP considerou que a resposta do Coaf e do ministro dão a entender, inclusive, que o Estado estaria disposto a investigar o jornalista do The Intercept Brasil e de haver “a real possibilidade de se produzir um Relatório de Inteligência Financeira” contra ele.

O MP acredita que o uso de recursos públicos para a elaboração de relatório de atividades financeiras do jornalista seria um clássico caso de “retaliação à imprensa perpetrado pela máquina do Estado”.

REPUBLIQUETA – Segundo Rocha, as respostas de Guedes endereçadas ao TCU não contribuem com o controle externo na busca dos esclarecimentos para a grave situação retratada neste procedimento fiscalizatório. Em outro trecho, Rocha diz que é preciso afastar, mediante atuação do TCU, qualquer dúvida acerca de eventuais atos autoritários do Coaf. Diz ainda que o Brasil não pode, e nem quer, se tornar uma “republiqueta de bananas”.

“Somente em uma republiqueta de bananas – o que o Brasil não quer ser – seria correto usar o aparelho estatal para perseguir qualquer pessoa que contrariasse, com sua atividade profissional, o interesse dos ocupantes momentâneos do poder estatal”, reforça Lucas Furtado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esse procurador do TCU é muito folgado, como se dizia antigamente. Em busca de 15 minutos de fama, chega a ridicularizar a República e os governantes do país, classificando-os de “ocupantes momentâneos do poder estatal”. Faria sucesso no ramo da stand up comedy, fazendo uma piada atrás da outra. Iria levar a plateia ao delírio, com farta distribuição de bananas, claro. (C.N.)

Operação The Intercept saiu pela culatra e o acirramento favorece Bolsonaro

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Bolsonaro aproveita o clima de Fla-Flu para conquistar mais espaço

João Marco Cunha
O Globo

Os fins justificam os meios? Essa questão tem levantado controvérsia entre pensadores há muitos séculos. Porém, nas resenhas filosóficas de botequim, a resposta é inequívoca: depende, tanto do fim, quanto do agente. Se uma pessoa tida como virtuosa está buscando finalidade percebida como nobre, a tolerância para o uso de meios eticamente contestáveis pode atingir níveis bem elevados. Assim sendo, a discussão é focada em quem são os virtuosos e quais são as finalidades nobres.

Glenn Greenwald viu-se com uma arma de destruição em massa nas mãos: farto conteúdo expondo indivíduos nada virtuosos — Moro, Deltan e seus pares —  que buscavam fins abjetos — tirar Lula da cena política e jogá-lo na cadeia — através de meios ilegais e imorais,  o conluio entre juiz e procuradoria.

SUPERBOMBA – Com essa “mãe de todas as bombas” jornalística lançada, ele iria desmascarar o ministro da Justiça, além de abalar gravemente o presidente Bolsonaro e, quem sabe, derrubá-lo. Nada disso aconteceu.

As percepções são sempre carregadas de uma boa dosagem de subjetividade. Para a maioria do povo brasileiro, os protagonistas da Lava-Jato estão em um patamar de virtuosismo semelhante ao que Greenwald atribui a Lula, justamente por combaterem a corrupção que o ex-presidente representa para essa parcela da população.

Portanto, considerando os agentes dignos e seus objetivos nobres, até mesmo aqueles que viram ilegalidades nas conversas — e não foram muitos dentre os que apoiam a Lava-Jato — deram de ombros. Relevante, sim, é o fato de agentes públicos terem suas conversas privadas violadas, pensaram (embora, via de regra, não tenham reagido da mesma forma quando o famoso áudio do “tchau, querida” teve o sigilo levantado).

NADA MUDOU – No frigir dos ovos, apenas uma parcela ínfima da população trocou de lado. Moro continua ministro, e Bolsonaro segue ostentando a faixa verde e amarela. Poder-se-ia concluir, então, que o tiro da bala de prata de Greenwald falhou. Mas, na verdade, ela saiu pela culatra.

O vazamento exposto em “The Intercept” serviu como novo impulso à polarização nacional, que vinha arrefecendo desde as eleições. Os lulistas viram a materialização incontestável do golpe que eles sempre denunciaram, enquanto os partidários da Lava-Jato viram o perigo de um retrocesso no combate à corrupção.

O acirramento do clima de Fla-Flu favorece o presidente Jair Bolsonaro, que foi quem melhor se aproveitou desse ambiente durante o período eleitoral. A ameaça vinda do inimigo comum ajuda a manter unida a base que o elegeu, a despeito de divergências que ficaram claras nos primeiros meses de governo.

IMAGEM DE LULA – Mas a consequência mais relevante da desastrada ação de Greenwald foi a reabilitação da imagem de Lula para uma parcela do eleitorado, ressuscitando-o politicamente.

“O Lula tá preso, babaca” é uma frase emblemática. Com ele fora de cena, os grupos de esquerda teriam a chance de se agruparem em torno de outra liderança, viabilizando-a para a próxima eleição presidencial. A disputa por essa posição estava apenas começando.

Agora, a fragmentação entre lulistas renitentes e demais esquerdistas parece mais provável. Nesse caso, o trabalho dos candidatos mais à direita será facilitado em 2022.

UM BOM EXEMPLO – Em 20 de Julho de 1944, um grupo de oficiais alemães planejou e executou um atentado contra Hitler. Se bem-sucedidos, provavelmente encerrariam a guerra no flanco ocidental e seus nomes estariam entre os mais conhecidos de história da humanidade.

Mas não foi o que aconteceu. Eles foram executados e caíram em relativo ostracismo. Gleenwald agiu convicto da nobreza dos seus fins e, talvez, tenha acreditado que entraria para a nossa história. Não será fuzilado, como foram os insurgentes alemães, mas, certamente, será menos lembrado que eles daqui a algum tempo.

Maia, com apoio de Marinho, Guedes e Lorenzoni, conseguiu aprovação da reforma

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Maia chorou duas vezes e fez um elogio à bancada do Centrão

Adriana Fernandes e Vera Rosa
Estadão

Principal avalista da reforma da Previdência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), atuou como articulador político do governo de Jair Bolsonaro, mesmo a contragosto, para a aprovação das mudanças na aposentadoria.

Depois de meses de impasses e brigas com o Palácio do Planalto e até mesmo com o seu partido, Maia não apenas conduziu a proposta como se credenciou para disputar voo mais alto em 2022, seja como candidato à Presidência ou a vice na chapa.

ELOGIO AO CENTRÃO – Maia chorou ao menos duas vezes, na quarta-feira, 10, no plenário. A primeira quando foi elogiado por seus pares e antes de anunciar a aprovação da reforma. “O Centrão, essa coisa que ninguém sabe o que é, mas é do mal, está fazendo, com esses líderes, a reforma da Previdência”, ironizou o presidente da Câmara, em um desagravo ao bloco de partidos que dá as cartas na Casa.

 O deputado fez questão de marcar diferenças com o Planalto. “Sem nenhum interesse de entrar em nenhuma prerrogativa do presidente, mas durante 30 anos tiraram a prerrogativa dessa Câmara”, discursou. No plenário deputados gritavam “Rodrigo, Rodrigo!”

“Ele matou no peito com Bolsonaro chutando contra”, resumiu o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), presidente do Solidariedade. “Sem Rodrigo não chegaríamos neste momento”, disse Delegado Waldir (GO), líder do PSL, partido de Bolsonaro.

NOS BASTIDORES – Se Maia ocupou papel central no xadrez da articulação para a votação da proposta antes do recesso parlamentar, o secretário especial da Previdência, Rogério Marinho, foi o homem por trás dos bastidores. Cotado agora para ser também o negociador da reforma tributária – a próxima medida da agenda do crescimento –, Marinho atuou como a principal ponte da área econômica nas negociações com o Congresso para destravar as demandas dos parlamentares.

Os pedidos não se resumiram apenas à liberação de emendas e recursos orçamentários para obras nos redutos eleitorais dos deputados. Passaram também por questões delicadas, como a negociação de perdão de dívida rural. Uma derrapada nessas negociações poderia prejudicar o caminho até a votação.

QUARTETO VENCEDOR – Maia e Marinho, ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, e Onyx Lorenzoni (Casa Civil) formaram o trio da grande barreira que impediu a desidratação da reforma, apesar de toda pressão de categorias e setores por mudanças, principalmente nos últimos dias antes da votação.

O ministro Onyx foi criticado no Congresso e perdeu atribuições ao longo do processo, mas, no fim dos trabalhos, acabou sendo elogiado por seus antigos pares. Onyx foi fiador do acordo para pagamento das emendas, mas tudo teve de passar por Maia. Todo dia o presidente da Câmara recebia cerca de 40 a 50 deputados na residência oficial.

Cerca de duas semanas atrás, um almoço na casa de Maia mostrou uma divisão no DEM. O presidente do Solidariedade defendia um projeto de lei complementar para incluir Estados e municípios na reforma, quando o prefeito de Salvador, ACM Neto, discordou.

SEM ACORDO – “Não tem acordo sobre isso”, disse ACM Neto, que é presidente do DEM. Maia interveio: “Temos de pensar no Brasil.” Neto não se deu por vencido. “E na Bahia também”, disse.

Na prática, quando o texto da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) chegou ao Congresso, no fim de fevereiro, a expectativa era que a economia de mais de R$ 1 trilhão (o número mágico de Guedes) caísse para em torno de R$ 700 bilhões. Na quarta, a estimativa era que a de que a economia de despesas com a reforma em 10 anos ficasse acima de R$ 900 bilhões – resultado que pode ser comemorado diante das dificuldades de articulação que marcaram o início das negociações e a interferência do presidente Bolsonaro em favor de categorias específicas como a de policiais.

BOMBEIRO – Num dos momentos mais tensos das negociações, o ministro da Economia se desentendeu com Maia ao criticar a abertamente o parecer do relator Samuel Moreira (PSDB-SP). A crise prometia se estender e comprometer a votação até o recesso.

Discreto e hábil negociador, Marinho foi também o bombeiro na crise política aberta entre Bolsonaro e Maia e depois, na reta final, com Guedes.

Congresso pode dobrar valor dos recursos públicos destinados ao fundo eleitoral

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Deu no Jornal Hoje

O Congresso pode mais que dobrar o valor do dinheiro do fundo eleitoral a ser gasto nas eleições municipais do ano que vem. Previsão no texto do relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2020 é elevar valor de R$ 1,7 bilhão para R$ 3,7 bilhões. Fundo financia campanhas desde que financiamento por empresas foi proibido.

São R$ 2 bilhões a mais, na comparação com as eleições de 2018. A previsão é que R$ 3,7 bilhões sejam destinados ao fundo eleitoral. No ano passado, 35 partidos receberam R$ 1,7 bilhão.

PARECER – A previsão está no parecer da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2020 apresentado pelo relator à Comissão Mista de Orçamento do Congresso. O relator, deputado Cacá Leão (PP-BA), fez mudanças no texto enviado pelo governo. A LDO define metas de economia e limites de despesas dos três poderes.

O fundo eleitoral foi criado em 2017 para financiar as campanhas com recursos públicos. Desde as eleições do ano passado, é proibido o financiamento de empresas nas campanhas – somente pessoas físicas podem fazer doações.

A LDO precisa ser votada no Congresso antes do recesso parlamentar, previsto para começar em 18 de julho. Já o orçamento para o ano que vem só será apresentado pelo governo ao Congresso Nacional em agosto.

SEM CONVERSA – O deputado Cacá Leão não quis gravar entrevista. O presidente da Comissão Mista de Orçamento, senador Marcelo Castro (MDB-PI), disse que o relator citou, como justificativa, o fato de nas eleições municipais o número de candidatos ser maior – e, por isso, é preciso mais dinheiro.

“São 5,7 mil municípios. São inúmeros candidatos a vereador e municípios grandes, como a Prefeitura de São Paulo, que é maior que muitos estados, do Rio de Janeiro, de Salvador, de Fortaleza. Então, esse é o argumento que ele deu”, afirmou Castro.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) afirmou que este não é o momento de se dar mais dinheiro para financiar as eleições. “O momento é inadequado. Estamos discutindo tantas reformas, reformas importantes para o país, alguns favoráveis, outros contrários. Mas ao se discutir reformas é que se demonstra a necessidade de recuperação econômica. Gastar tanto dinheiro com eleições é um prejuízo que vai fazer muita falta a outros setores do país”, declarou.

VAI FALTAR DINHEIRO – O cientista político Creomar de Souza, professor de relações internacionais e ciência política na Universidade Católica de Brasília (UCB), disse que, ao se direcionar recursos para as eleições, pode faltar dinheiro em outras áreas.

“Imaginemos que nós temos uma jarra de água e três copos. Toda vez que estamos decidindo colocar água, mais água em algum copo, algum dos outros dois vai ficar vazio. Cabe à sociedade dizer: ‘Eu prefiro que tenha menos dinheiro no fundo eleitoral e tenha mais dinheiro em escolas, hospitais e segurança pública'”, afirmou.

Em nota, o deputado Cacá Leitão disse que o aumento do fundo eleitoral foi solicitado pela maioria dos partidos. Segundo ele, o valor de 2018 é insuficiente para custear as eleições municipais. Também afirmou que isso não reduz o orçamento de áreas como saúde e educação, porque o dinheiro será remanejado de bancadas estaduais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A irresponsabilidade social impera neste país. Falta dinheiro para tudo, mas sobram recursos para os partidos políticos. Sei que nossa única opção é a democracia, mas tenho nojo desse tipo de democracia, em que o interesse público (do povo) praticamente não existe, jamais é respeitado. (C.N.)  

“Oh!, que saudades que tenho da aurora da minha vida”, recitava Casimiro de Abreu

Resultado de imagem para casimiro de abreuPaulo Peres
Site Poemas & Canções
O poeta Casimiro José Marques de Abreu (1839-1860), nascido em Barra de São João (RJ), foi um intelectual brasileiro da segunda geração romântica, que morreu aos 21 anos. Sua poesia tornou-se muito popular durante décadas, devido à linguagem simples, delicada e cativante, conforme o poema “Meus Oito Anos”, que fala da saudade de sua infância, um dos mais conhecidos da literatura brasileira..
MEUS OITO ANOS
Casimiro de Abreu
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor!
Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
 

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
– Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Velório do jornalista Paulo Henrique Amorim será nesta quinta-feira, na sede da ABI

Resultado de imagem para paulo henrique amorimPaulo Jerônimo
Presidente da ABI

É com pesar que a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) comunica o falecimento do jornalista Paulo Henrique Amorim, o PHA, como era conhecido, aos 76 anos, na madrugada do dia 10 de julho, no Rio de Janeiro. A nova diretoria da “Casa do Jornalista” ofereceu à família o espaço do 9º andar da sua sede na Rua Araújo Porto Alegre, 71, no Centro, para a realização do velório.

Geórgia Pinheiro, a viúva de PHA, aceitou a homenagem. Amanhã, de 10h às 15h, os amigos, os admiradores e as autoridades estão convidados a prestarem a última homenagem ao Paulo Henrique, no saguão no auditório da ABI. A família aguarda a chegada da filha, que mora nos Estados Unidos e deverá estar desembarcando, no Rio, amanhã pela manhã.

Jornalista inovador, com vários prêmios conquistados, blogueiro bem sucedido e escritor polêmico, Paulo Henrique Amorim foi afastado, há um mês, da apresentação do programa “Domingo Espetacular”, da Rede Record de Televisão, por imposições e censura do atual governo.

À frente de seu bem sucedido blog “Conversa Afiada” e da “TV Afiada”, Amorim transformou-se numa voz da resistência ao desmanche do Estado Democrático de Direito, que tomou conta do País, a partir de 2016.

Poder se despedir e prestar esta última homenagem a Paulo Henrique, em sua sede, é uma das maneiras de demonstrar que a nova diretoria da ABI estará sempre comprometida com a Liberdade de Imprensa e com aqueles que, no exercício da profissão, nunca abriram mão do direito de informar e ser informado.

Tucanos pressionam por saída de Aécio e aliados de Minas ameaçam retaliação

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), durante sessão no plenário do Senado Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Aécio está cada vez mais isolado e terá mesmo de sair do PSDB

Silvia Amorim
O Globo

O pedido de expulsão do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), feito por tucanos de São Paulo à Executiva Nacional do PSDB , terá de esperar a instalação do conselho de ética da sigla para ser analisado. Não há previsão para o colegiado entrar em funcionamento. Enquanto isso, aliados de Aécio em Minas Gerais ameaçaram nesta terça-feira revidar com denúncias contra tucanos paulistas.

Os integrantes do conselho de ética foram eleitos em maio passado na convenção nacional do PSDB, mas, por questões burocráticas, o colegiado não foi instalado até agora. O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, procurou anteontem o ex-vice-governador do Espírito Santo, Cesar Colnago, para acertar a posse dele na presidência do conselho.

VALE PARA TODOS — “O código de ética vale para todos os filiados e tudo será analisado à luz do estatuto” — afirmou Colnago na terça-feira ao Globo.

O pedido de expulsão contra Aécio foi iniciativa do diretório do PSDB na capital paulista, que, por unanimidade, aprovou a representação na quinta-feira passada. Os dirigentes paulistanos defenderam a expulsão como medida para “estancar a sangria” do partido.

“É uma sangria que não estanca. Nos embates políticos aqui na cidade somos sempre confrontados com a questão do Aécio. Precisamos dar resposta” — afirmou o presidente do PSDB paulistano, Fernando Alfredo.

MAIS PEDIDOS – Um dirigente nacional não descartou que outras representações pedindo a expulsão do mineiro cheguem à direção nacional. A troca de comando do PSDB em maio e a promessa de que o partido terá posições firmes pioraram a situação de Aécio na legenda. Apesar das relações pessoais que mantém no partido, o deputado tem sido apontado como um “incômodo”.

Na semana passada, a situação jurídica de Aécio voltou a ser assunto nos jornais com a Justiça Federal de São Paulo ratificando o recebimento da denúncia no caso em que ele é réu por corrupção passiva e tentativa de obstrução judicial da Operação Lava-Jato. A acusação foi feita após Aécio ser flagrado numa gravação telefônica pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, do Grupo J&F.

MINEIROS REAGEM – Nesta terça-feira, o diretório do PSDB em Belo Horizonte reagiu ao pedido de expulsão com uma ameaça de levar ao conselho de ética o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, e outros tucanos. “Atos e punições contra membros do partido de outro estado, cuja atuação desconhecem, soam extremamente antiéticas, uma vez que há membros do partido em São Paulo envolvidos em denúncias extremamente graves, especialmente o prefeito Bruno Covas, réu por improbidade administrativa, assim como vários dos seus auxiliares”, informou em nota.

Aécio não demonstra disposição em se licenciar. A preocupação mais imediata entre tucanos paulistas é com o potencial de estrago do efeito Aécio na próxima eleição municipal.

O presidente do PSDB paulistano negou que o pedido de expulsão tenha tido aval do governador de São Paulo, João Doria. Candidato natural à Presidência em 2022, o paulista defende o afastamento de Aécio. Mas o presidente estadual do PSDB de Minas Gerais, Paulo Abi-Ackel, minimizou o pedido de expulsão.

LOCALIZADO — “Esse pedido é localizado e de menor importância. É uma pauta negativa que se estenderá a outros nomes, inclusive de São Paulo, se for levada adiante” — disse Abi-Ackel .

Bruno Araújo insistiu que, assim que for instalado o colegiado, a representação do diretório paulistano será encaminhada. “Toda e qualquer representação contra filiados será encaminhada diretamente ao conselho de ética, que é o órgão competente do partido para analisar essas questões e tem regramento próprio para fazê-lo”.

Procurado, Aécio não quis comentar a representação de que é alvo. Em nota, informou que “não existe nova denúncia contra ele” e que o Supremo Tribunal Federal “apenas transferiu denúncia para a Justiça Federal de São Paulo”. Aécio reafirmou ser inocente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGE se Aécio sair, para que partido vai? Certamente o MDB ou o PP, os maiores celeiros de corruptos do país. Vamos aguardar. (C.N.)

Senado aprova projeto de Moro que transforma em crime usar caixa 2 eleitoral

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Charge do Elvis (Humor Político)

Sara Resende
TV Globo — Brasília

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (dia 10), por 17 votos a 2, o projeto que tipifica o crime de caixa 2 eleitoral. Esta é uma das propostas que compõem o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que tramita no Congresso. O projeto era terminativo na CCJ, ou seja, seguirá diretamente para a Câmara, caso nenhum senador apresente recurso.

O projeto tipifica o crime de caixa 2 eleitoral, que consiste em não declarar dinheiro de campanha. Atualmente, não há legislação que defina este crime. Quando um político o comete, é enquadrado em artigo do Código Eleitoral sobre falsidade ideológica, com pena de até cinco anos de reclusão.

PENAS SEVERAS – O relator Marcio Bittar (MDB-AC) manteve no texto a pena sugerida por Moro, reclusão de dois a cinco anos. A pena de reclusão é aplicada a condenações mais severas, o regime de cumprimento pode ser fechado, semiaberto ou aberto, e normalmente é cumprida em estabelecimentos de segurança máxima ou média. Essa punição admite o regime inicial fechado.

O crime, conforme a proposta, será classificado por “arrecadar, receber, manter, movimentar ou utilizar recurso, valor, bens ou serviços monetizáveis, não escriturados ou falsamente escriturados na contabilidade exigida pela legislação eleitoral”.

Se a fonte do dinheiro for ilegal, proveniente de crime, as penas podem aumentar de um a dois terços. Quem fornecer ou doar esses recursos também poderá ser punido.

 

ABUSO DE AUTORIDADE – Todos esses pontos são iguais aos aprovados na quarta-feira (26) passada pelo Senado, dentro do projeto que pune o abuso de autoridade cometido por juízes e procuradores. Os membros da CCJ decidiram pela equiparação dos dois textos, para que não haja divergência jurídica quanto às punições.

O projeto aprovado nesta quarta-feira determina que, se o autor do crime for agente público, a pena será aumentada de um a dois terços.

Apenas os senadores Marcelo Castro (MDB-PI) e Rogério Carvalho (PT-SE) votaram contra a proposta. Castro chegou a dizer que é “praticamente impossível” fazer contabilidade dos gastos de campanha.

CADEIA, NÃO – “A pessoa esquece de declarar uma despesa de campanha, ou seu contador ou o seu assessor esqueceu, você vai curtir cinco anos de cadeia? De jeito nenhum. Sou radicalmente contra. Coloque que perde o direito político, perde o mandato que foi eleito. Eu concordo com tudo isso […] Pegou o caixa dois, perdeu o mandato. Concordo. Perco meu mandato tranquilo, vou ficar com minha família. Agora, ir para cadeia, está doido?”, protestou o parlamentar.

“A gente concorda com o pensa o ministro Sérgio Moro, caixa 2 é um crime grave”, replicou o relator Marcio Bittar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Senado é mais limpo do que a Câmara. Enquanto o Senador torna crime o Caixa 2, a Câmara não admite condenação após segunda instância, mergulhando o Brasil na Idade das Trevas em matéria de Direito Penal. É inacreditável, mas verdadeiro. (C.N.)

Heleno rebate críticas: “Carlos Bolsonaro é traumatizado pelo atentado ao pai

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, durante audiência pública na Câmara dos Deputados Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Heleno diz que o segundo avião eré da responsabilidade da FAB

Bruno Góes
O Globo

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno , disse nesta quarta-feira que o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República, é “traumatizado” pelo atentado a faca sofrido pelo seu pai durante a campanha eleitoral. Em audiência realizada para tratar da apreensão de 39 quilos de cocaína com militar da Força Aérea Brasileira (FAB) que dava apoio à comitiva presidencial na Espanha, Heleno rebateu críticas sobre as medidas de segurança adotadas pelo GSI.

— Os comentários do Carlos, eu sei perfeitamente porque tive convívio com ele, ele é extremamente traumatizado pelo atentado que buscou modificar a situação política do Brasil, um atentado a faca que o presidente sofreu — disse o ministro.

FORA DAS REGRAS – Após mencionar a reação de Carlos à prisão do sargento Manoel Silva Rodrigues, que transportava a grande quantidade de drogas, Heleno tratou ainda do comportamento imprudente de Jair Bolsonaro em eventos públicos. Nas redes sociais, Carlos disse que “há meses” gritava “em vão” sobre a segurança do GSI, mas sempre foi “ignorado”.

— O que acontece muitas vezes com uma autoridade como o presidente Bolsonaro e numa campanha a presidente da República? Ele desrespeita as regras traçadas pela sua segurança. Isso é normal. E hoje o presidente faz coisas que são arriscadas — disse Heleno.

Em resposta às declarações do ministro, Carlos Bolsonaro disse através do Twitter que é “tremendamente traumatizado” com aquilo que pode acontecer a um “presidente honesto em uma nação historicamente administrada por bandidos e seus fiéis acessórios”.

TEMPO PRECIOSO – Ao responder perguntas de parlamentares na audiência, Heleno disse que o país está “acostumado a passar vergonha”, mas destacou que esse foi o primeiro incidente do GSI em décadas. Heleno aproveitou para dizer que não se preocupa com Olavo de Carvalho, ideólogo de integrantes do governo.

— O senhor Olavo de Carvalho, se eu encontrar na rua, eu não sei quem é. Então, eu não vou dedicar o meu tempo a Olavo de Carvalho, meu tempo é precioso. Nunca dediquei o meu tempo a Olavo de Carvalho e vou continuar não me dedicando. Ele não me atinge em nada. Eu não vou ficar gastando tempo a cada bobagem que falam — disse.

DROGAS A BORDO – Sobre o caso específico da apreensão de drogas, o ministro afirmou que há uma investigação em sigilo e que, por enquanto, “não há indícios de participação de mais ninguém”. O ministro também afirmou que ainda não se sabe a droga iria ser vendida em Sevilha, onde houve a apreensão, ou se seria desembarcada no Japão, para onde seguiria o avião de apoio à comitiva que esteve no G20.

Heleno acrescentou ainda que suas declarações após o incidente foram deturpadas. Quando disse que tratava-se de um “azar” o ocorrido, ele disse que referia-se ao fato de o caso ocorrer justo na véspera do G20, evento de grande importância para o país.

Sobre outra declaração, a de que não tinha “bola de cristal” para prever o ocorrido, o ministro disse que a colocação foi tirada de contexto. Ele diz que a expressão foi usada porque o avião de apoio não era de responsabilidade do GSI, e sim da Aeronáutica.

SALÁRIO ALTO – Ao ser perguntado pelo deputado David Miranda (PSOL-RJ) sobre o salário de R$ 59 mil que recebeu do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), em 2011, quando auxiliou na preparação das Olimpíadas, Heleno disse que tinha vergonha do valor recebido por generais do Exército.

— Eu tenho vergonha do que eu recebo no Exército. Mostrar para o meu filho que eu sou general do Exército, que ganha líquido R$ 19 mil, eu tenho vergonha.

Também participam da audiência os tenentes-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, representando o Ministério da Defesa, e Carlos Augusto Amaral Oliveira, representando a Aeronáutica.

Luta incessante da mídia contra Bolsonaro, Moro e Lava Jato também é por dinheiro

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Charge do Bira (Arquivo Google)

Francisco Bendl

Sabe-se que Lula e aliados roubaram um trilhão de reais dos cofres do Brasil, distribuído entre aliados e países “amigos”. A pergunta que nesta segunda-feira fez o editor da Tribuna da Internet (“A quem interessa a campanha para destruir Moro e a Lava Jato?”) encontra resposta na dinheirama que o PT e cúmplices embolsaram, e que até o presente momento nenhum dos partidos que se envolveram foi punido, no mínimo com a devolução do roubo.

Mas a luta da mídia contra Bolsonaro e Moro também é por dinheiro. O corte substancial nas verbas oficiais, de certa forma, aleijou as finanças dos grandes veículos de comunicação, impulsionando-os para um combate de sobrevivência de suas empresas: arrasar com a reputação de Moro e desestabilizar o governo de Bolsonaro é muito melhor do que a falência.

IMPUNIDADE – A conclusão que se obtém com este comportamento imoral e antiético da mídia identifica-se justamente com a mesma conduta dos que lesaram a Nação, e que foram condenados e presos pela Lava Jato ou estão em processos sendo julgados pelos tribunais. O objetivo é idêntico àquele que motivou centenas de parlamentares e os maiores empreiteiros que temos a tomar o dinheiro do povo e do País porque extremamente fácil, corroborado com a impunidade que havia para essas pessoas poderosas.

A lava Jato quebrou este modo arraigado nos Três poderes, consequentemente formou inimigos igualmente poderosos que querem exterminá-la, desmoralizá-la. Querem liberar os presos que foram os mentores intelectuais dos maiores crimes contra um país na história recente mundial, e ao mesmo tempo procuram evitar que os demais envolvidos sejam presos, como Michel Temer & Cia.

OBJETIVO CLARO – A campanha contra a Lava Jato tem objetivo evidente de que, em nome do dinheiro, Lula e cúmplices possam voltar a roubar à vontade, com as empreiteiras para retornando à prática que tanto lhes trouxe lucro, enquanto a mídia recuperaria a perda de verbas advindas do governo, que a sustentava nababescamente, bastando falar bem do partido e da administração que ocupava o Planalto.

A decisão da Lava Jato em impedir que esse processo de desmanche da República continuasse, pode não ter sido perfeita, mas a determinação de colocar na cadeia os maiores ladrões que tivemos desde o nosso descobrimento, indiscutivelmente, justifica os atos levados a efeito por Moro e o MPF em defesa do povo e da União.

TRAIDORES – Os que se manifestam contrários são traidores, indivíduos de má fé, cidadãos do mal, que demonstram total ausência de princípios e valores quando atacam covardemente o ex-juiz que deu início à formação de uma sociedade que não suportava mais a corrupção instituída, os roubos, explorações e manipulações de uma população analfabeta absoluta e funcional, inculta e incauta, cuja parcela maior de habitantes desta terra é composta por pobres, miseráveis, e de quem recebe até um salário mínimo e meio por mês, atingindo mais de 120 milhões de seres humanos carentes!!

Pois esses homens decididos, corajosos, valentes, precisam ser eliminados, arrasados. Moro e Dallagnol devem ser desmoralizados, não importando os métodos usados para esta finalidade.

É UM LEGADO – Eis o Brasil de hoje: um legado deixado pela política deletéria, deplorável, corrupta e desonesta ao longo de décadas, com uma imprensa que viveu ao lado desse sistema altamente prejudicial e danoso ao povo, mas que obtinha polpudos dividendos para fazer parte desse jogo político insano e inconsequente.

A vergonha do editor da Tribuna por ser um jornalista nos dias de hoje é a mesma que sentimos como população em relação à outra parcela do povo, que se alia ao combate contra Moro! A decência, a honestidade, a probidade, a transparência, decididamente estão sendo postas em jogo: ou vencemos as barreiras colocadas para proteger o território da vergonha ou então nossa derrota será inexorável.

É preciso resistir e salvar a Lava Jato.

Ex-presidente da Funai explica que a venda dos aviões é ato antigo da gestão

As aeronaves seriam responsáveis pelo atendimento `população indígena ao redor do país.

Valor dos aviões não paga nem as dívidas com os aeroportos

José Marques
Folha

Presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio) durante cinco meses do governo Jair Bolsonaro, o general da reserva Franklimberg Ribeiro de Freitas afirmou nesta terça (9) que a decisão de alienar aeronaves em estado de deterioração foi tomada durante sua gestão, e não somente agora, como anunciado pelo governo. Na segunda (8), Bolsonaro e a ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, criticaram o que chamaram de abandono de oito aviões, sete da Funai e um do Incra emprestado à fundação.

Os equipamentos estão em aeroportos em Brasília, Goiânia, Jacarepaguá (Rio de Janeiro) e Itaituba (Pará), e o custo do estacionamento estimado pelo governo chega a R$ 3 milhões.

RESPONSABILIDADES – O porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, afirmou que “após a finalização do processo de desfazimento, a Funai vai apurar responsabilidades que, eventualmente, resultem de condutas negligentes com o patrimônio público”.

Em nota, Franklimberg, que assumiu o cargo em janeiro e foi exonerado em junho após pressão de ruralistas, reclamou que a divulgação do caso o associava a “problemas herdados pela Funai”.

“As notícias que estão sendo veiculadas na mídia e redes sociais têm por origem as providências administrativas tomadas pela gestão da Funai iniciada em janeiro de 2019 e não somente agora tido sido descoberto tal descaso, responsabilizando minha gestão”, disse o general da reserva no comunicado.

DETERMINAÇÃO – “Assim que assumi a função de presidente da fundação, em janeiro de 2019, determinei ao novo diretor da Diretoria de Administração e Gestão (Dages) que reiniciasse o processo de desfazimento das aeronaves inservíveis da fundação, que por motivos outros de gestões de governos anteriores não tinha sido realizada desde 2011.”

Antes do governo Bolsonaro, Franklimberg também ocupou o cargo de presidente da Funai entre janeiro de 2017 a abril de 2018, durante a gestão Michel Temer (MDB). Saiu após o ex-presidente receber uma carta com cerca de 40 assinaturas de parlamentares ruralistas pedindo que o retirasse do órgão.

Ele voltou a criticar, na nota, os ruralistas e disse que, assim como Bolsonaro, também tem como diretriz “a busca da melhoria das condições de vida dos indígenas”. Afirma que foi alvo de “campanha difamatória” de “pseudoindigenistas” ligados aos ruralistas durante o primeiro semestre.

NOME DO PSC – “Fui acusado de ter sido indicado pelo Partido dos Trabalhadores, de ser ongueiro e que protegia falcatruas de organizações não governamentais. Esclareço que fui convidado para o cargo pelo presidente do Partido Social Cristão”, disse.

“Durante meu período de gestão na presidência não assinei qualquer tipo de repasse de recursos da Fundação Nacional do Índio para ONGs. Grande parte dos recursos que são repassados para as ONG, como vem sendo veiculado pela mídia, provém do BNDES, por intermédio do Fundo Amazônico (quantias que a Funai desconhece) ou de grandes empreendedores, cumprindo o pagamento de compensações por obras que impactam terras indígenas.”

Ao anunciar a alienação das aeronaves, o Ministério de Direitos Humanos afirmou que “suspeita que eles tenham sido abandonados após a transferência da competência de atendimento (médico) dos indígenas para o Ministério da Saúde, em 2010. Nenhum documento explica o porquê de os bens não terem sido transferidos para o órgão à época.”.

CONTROVÉRSIAS – Os aviões parados foram vistoriados por Damares e pelo atual presidente da Funai, Fernando Melo, em vídeos divulgados na internet.

Ao lado de aeronaves em más condições, ela questiona: “Quantos índios morreram picados de cobra por que não tinham uma aeronave dessas próxima à aldeia para levá-los ao hospital?”

No entanto, ex-membros da Funai e indigenistas consultados pela reportagem afirmam que o atendimento médico dos indígenas já era feito por órgão do Ministério da Saúde, a Funasa (Fundação Nacional de Saúde), desde a década de 1990.

OUTRAS VERSÕES – O que aconteceu em 2010 foi a criação da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), que também era ligada à Saúde. A Funai, por outro lado, é vinculada ao Ministério da Justiça.

Também dizem que a frota deixou de operar porque o custo de manutenção era alto —frente a um orçamento cada vez mais enxuto— e a fundação deixou de ter pilotos. Considerou-se que compensava economicamente usar aeronaves fretadas ou de outros órgãos do governo, como Ibama e Polícia Federal. Outro problema era a falta de pistas regularizadas pela Anac (Associação Nacional da Aviação Civil).

Procurado para comentar as afirmações de Damares, o ex-presidente da Funai Marcio Meira (2007-2012) afirmou que viajou “inúmeras vezes” na aeronave “até o final da minha gestão, em abril de 2012”.

 

Bolsonaro diz que vai indicar ministro ‘terrivelmente evangélico’ para o Supremo

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Bolsonaro confirma que vai mesmo escolher segundo a religião

Fernanda Calgaro e Guilherme Mazui
G1 — Brasília

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na manhã desta quarta-feira (dia 10) que terá direito a indicar dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e que “um deles será terrivelmente evangélico”. Bolsonaro deu a declaração durante discurso durante culto evangélico na Câmara dos Deputados.

“Muitos tentam nós deixar de lado dizendo que o estado é laico. O estado é laico, mas nós somos cristãos. Ou para plagiar a minha querida Damares [Alves, ministra]: Nós somos terrivelmente cristãos. E esse espírito deve estar presente em todos os poderes. Por isso, o meu compromisso: poderei indicar dois ministros para o Supremo Tribunal Federal [STF]. Um deles será terrivelmente evangélico”, declarou o presidente.

INSTRUMENTO – Ele afirmou ainda ser “apenas um instrumento”. E acrescentou que, por mais crítica que a bancada evangélica receba, tem um “superávit enorme junto à sociedade”.

Bolsonaro é católico, mas a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, é evangélica. Na campanha eleitoral, ele contou com o apoio de grupos evangélicos e, desde que assumiu, vai com frequência a eventos evangélicos. Ele foi o primeiro presidente a participar da Marcha para Jesus, em São Paulo.

Em maio, durante evento da Assembleia de Deus Ministério Madureira, em Goiânia, Bolsonaro questionou se não estaria na hora de ter um ministro evangélico no STF.

ESTÁ NA HORA? -“Com todo respeito ao Supremo Tribunal Federal, eu pergunto: existe algum, entre os 11 ministros do Supremo, evangélico? Cristão assumido? Não me venha a imprensa dizer que eu quero misturar a Justiça com religião. Todos nós temos uma religião ou não temos. E respeitamos, um tem que respeitar o outro. Será que não está na hora de termos um ministro no Supremo Tribunal Federal evangélico?”, disse na ocasião.

Naquele evento, Bolsonaro disse que os ministros do STF estavam “legislando” ao discutir a equiparação de homofobia ao crime de racismo. No dia 13 de junho, STF decidiu permitir a criminalização da homofobia e da transfobia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
E Bolsonaro segue em eterna campanha eleitoral. Desta vez, mira 2022 e já se considera reeleito. (C.N.)

 

Guedes esclarece não ter conhecimento de investigação no Coaf sobre Glenn Greenwald

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Coaf não investiga Greenwald, que está agindo com total liberdade

Renato Souza
Correio Braziliense

O ministro da Economia, Paulo Guedes, negou ter conhecimento ou determinado qualquer procedimento investigatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre as contas do jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept. Em ofício enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), Guedes afirma, no entanto, que dentro do órgão correm ações que nem mesmo ele sabe, em razão de sigilo.

A resposta de Guedes ocorreu por determinação do ministro Bruno Dantas, que deu o prazo de 24 horas para que o ministro e o presidente do Coaf, Roberto Leonel de Oliveira Lima, se manifestassem sobre o caso.

INTIMIDAÇÃO – Glenn é autor de uma série de reportagens relacionadas ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, e procuradores da Lava-Jato, que tiveram suas conversas privadas publicadas pelo jornalista e sua equipe. Nos Diálogos, Moro e os demais aparecem em atos controversos que lançam suspeitas sobre a maneira como conduziram ações da Lava-Jato no Paraná.

Em despacho, Dantas afirma que eventual investigação contra Glenn seria uma forma de intimidar sua atuação profissional. Atos do tipo, de acordo com o ministro, também caracterizariam uso inadequado de recursos públicos.  

DIZ GUEDES – Na resposta ao TCU, Guedes diz que não “não tem conhecimento sobre os fatos noticiados nos autos da representação, bem assim não tomou parte de nenhuma questão relacionada aos fatos e situações ali descritos, não havendo por conseguinte, orientado ou determinado nenhuma providência por parte do Coaf em eventuais investigações levadas a efeito, atinentes à representação citada”.

No entanto, o próprio ministro confessa que a depender do procedimento, ele não terá acesso, para que a investigação seja preservada. Guedes declara que “considerada a natureza da atividade fiscalística do Coaf, a implicar sigilo oponível inclusive ao Ministro de Estado da Economia, apenas o próprio Coaf poderá detalhar os mecanismos adotados para evitar que os recursos do órgão sejam empregados em desacordo com sia finalidade institucional”, completou.

DIZ O COAF – Em outro ofício, o Coaf afirma que não recebe demandas de investigação da Polícia Federal, e que esse tipo de ato não faz parte das competências do órgão. No entanto, declara, que se notificado pela corporação, avalia as informações junto aos dados que mantém e que informa as autoridades competentes se forem encontrados indícios de crime, como lavagem de dinheiro.

Ao receber o ofício, Bruno Dantas enviou o documento para pronunciamento do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU). Após a resposta do Ministério Público, o ministro decide quais medidas serão tomadas em relação ao caso.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ preciso haver tradução simultânea. No caso, Greenwald não está sendo alvo de intimidação. Pelo contrário, continua operando com total liberdade, embora já haja provas de manipulação do teor de mensagens publicadas, envolvendo nomes, datas etc.

O que o excelente repórter Renato Souza deixou de registrar é que Greenwald é suspeito de integrar uma quadrilha cujo objetivo é destruir a Lava Jato, para libertar Lula, Dirceu, Cunha etc. e evitar a prisão de Temer, Moreira, Aécio, Padilha, Jucá Renan & Cia. Ltda. É disso que se trata. O que está ocorrendo é uma conspiração para destruir a maior ofensiva anticorrupção já feita, desde a operação Mãos Limpas, na Itália, que à época sofreu o mesmo tipo de conspiração. (C.N.)

Bancada da corrupção boicota pacote de Moro e elimina prisão após 2ª instância

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Renato Onofre
Estadão

No dia em que as atenções estavam voltadas para a reforma da Previdência, a Câmara rejeitou nesta terça-feira, dia 9, uma das principais bandeiras do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e dos procuradores da Lava Jato. O grupo de trabalho criado para analisar o pacote anticrime apresentado pelo ex-juiz decidiu, por 7 votos a 6, retirar do texto a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância.

A intenção de Moro ao apresentar a medida era incluir na lei o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2016, que permitiu, por exemplo, a prisão de vários dos condenados na Lava Jato, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

IMPUNIDADE -Até então, um réu só poderia começar a cumprir sua pena após o chamado transitado em julgado – ou seja, após esgotadas as possibilidades de recursos pela defesa, o que poderia levar anos, aumentando a sensação de impunidade.

A votação na Câmara ocorre no momento em que o próprio Supremo não descarta a possibilidade de um recuo. O presidente da Corte, Dias Toffoli, já sinalizou que a decisão de três anos atrás pode ser rediscutida no segundo semestre deste ano.

A maioria dos deputados justificou o voto com um argumento técnico. A avaliação é de que a mudança apresentada por Moro deve ser tratada no Congresso por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) – que exige os votos, em dois turnos, de 60% dos deputados e dos senadores –, e não por projeto de lei, que precisa de maioria simples, como foi enviado por Moro aos parlamentares.

POR EMENDA – O pacote anticrime de Moro acrescentava um artigo ao Código de Processo Penal para estabelecer que um tribunal, ao proferir acórdão condenatório, “determinará a execução provisória das penas privativas de liberdade”. “Se quiser modificar esse ponto, o ministro e sua bancada deverão fazer através de PEC”, afirmou o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ), contrário à proposta.

O relator da matéria no grupo de trabalho, deputado Capitão Augusto (PL-SP), que havia mantido a proposta de Moro em seu relatório, criticou a decisão dos colegas. “O que aconteceu aqui, hoje, favorece a impunidade. A aprovação da proposta nos garantiria a certeza de que condenados por Moro ficariam na cadeia mesmo se o Supremo revisse seu entendimento”, afirmou o deputado.

ALTERAÇÕES – A votação no grupo de trabalho foi o primeiro passo do pacote anticrime na Câmara. As propostas ainda deverão passar por comissões da Casa e pelo plenário, onde ainda podem sofrer alterações.

A decisão, porém, representa um novo revés político ao ministro, que declarou ter abandonado 22 anos de magistratura com o propósito de aprovar medidas que atualizem a legislação de combate à corrupção no País. Em maio, Moro já havia perdido, por decisão dos parlamentares, o controle do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Ministério da Economia.

OS VOTANTES – Como votou cada deputado no pacote anticrime? Além de Freixo, rejeitaram a medida os deputados Lafayette de Andrada (PRB-MG), Paulo Teixeira (PT-SP), Margarete Coelho (PP-PI), Orlando Silva (PCdoB-SP), Fábio Trad (PSD-MS) e Paulo Abi Ackel (PSDB-MG). A favor, além do relator, votaram os deputados Coronel Chrisóstemo (PSL-RO), Adriana Ventura (Novo-SP), Subtenente Gonzaga (PDT-MG), Carla Zambelli (PSL-SP) e João Campos (PRB-GO).

Além da prisão em segunda instância, o grupo ainda vai analisar, pontualmente, outros 15 itens do pacote anticrime de Moro. Em junho, o Estadão mostrou que o pacote anticrime do ministro seria desidratado na Câmara.

OUTRAS REJEIÇÕES – Os deputados devem rejeitar também a possibilidade de a Polícia Federal desmembrar automaticamente investigações, sem a necessidade de autorização de tribunais superiores. Os parlamentares não querem também autorizar que agentes infiltrados possam induzir um suspeito a cometer um crime. Outro tópico que deve ser rejeitado é o chamado excludente de ilicitude, que concede a policiais a isenção de pena quando, em serviço, tiverem de atirar e matar alguém.

A discussão do pacote anticrime ocorre no momento em que Moro é alvo de vazamentos de supostas conversas com procuradores da força-tarefa da Lava Jato.

A sequência de reveses imposta a Moro no Congresso também tem sido vista como reflexo de uma intenção de parlamentares atingidos pela Lava Jato de dar um “troco” no ex-juiz. Nos bastidores, deputados lembram que o atual ministro sempre teve um discurso contrário à classe política. Em contrapartida, Moro tem investido em aumentar sua interlocução com o Parlamento, se afastando do perfil técnico que pretendia adotar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A política está se dividindo em duas bancadas – a favor e contra a corrução, e esta separação nada tem a ver com direita e esquerda. Trata-se de uma disputa suprapartidária, que envolve a consciência de cada parlamentar. O pacote anticrime de Moro está sendo boicotado pela bancada que defende a corrupção, a qual, infelizmente, parece ser majoritária no Congresso. Mas isso somente saberemos quando houver a votação final em plenário, na Câmara e depois no Senado. (C.N.)

Senado pode incluir estados e municípios na reforma da Previdência, diz Maia

Reforma pode incluir Estados e municípios

A sessão inicial em plenário entrou pela noite, nesta terça-feira

Wellton Maximo
Agência Brasil

O Senado pode costurar um acordo para reincluir os Estados e os municípios na reforma da Previdência, anunciou na noite de terça-feira, dia 9, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele se disse favorável a que governos estaduais e prefeituras façam parte da reforma, mas admitiu não haver clima para que os deputados aprovem a reinclusão dos governos locais neste momento.

Pela hipótese cogitada por Maia, o Senado aprovaria a reforma da Previdência, mas as modificações seriam fatiadas. Os pontos aprovados pelas duas Casas seriam promulgados, mas a reinclusão dos Estados e dos municípios voltaria à Câmara dos Deputados para ser discutida novamente.

INFELIZMENTE – “O que entendo é que é muito difícil que a Câmara aprove esse tema, infelizmente. Todo mundo sabe que sou a favor. Mas, de repente, pode ter uma construção da inclusão, como já ouvi do presidente do Senado (Davi Alcolumbre), no Senado Federal”, declarou Maia, ao ser perguntado sobre o destaque anunciado pela bancada do Partido Novo para que a reforma da Previdência passe a valer automaticamente para os servidores locais.

“Com isso, o Senado poderia, se Deus quiser e a gente aprovando a PEC aqui, trabalhar a nossa PEC mais os Estados e devolver como PEC paralela (a questão) dos Estados para a gente fazer o debate em outro ambiente. Num ambiente menos tensionado. Não sei se é possível, mas vamos trabalhar para que a gente não tenha atraso na análise da reforma”, acrescentou o presidente da Câmara.

OBSTRUÇÃO – Sobre a estratégia da oposição de obstruir a votação da reforma da Previdência, Maia disse que uma votação como a reforma da Previdência é complicada, dependendo não apenas de manobras regimentais mas também de quórum.

 “Tem que passar toda a obstrução da oposição para saber quando vota. Tem que ter quórum alto. Agora é organizar a votação. Toda hora é importante numa votação como essa”, declarou, sem arriscar uma previsão de horário para início da votação da PEC.

No universo paralelo cantado por Paula Fernandes, todo mundo tem jeito de mato

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Paula Fernandes – bela, talentosa e com jeito de mato

Paulo Peres
Site Poemas & Canções


A arranjadora, cantora e compositora mineira Paula Fernandes de Souza, em parceria com Mauricio Santini, retrata peculiarmente, na letra da música “Jeito de Mato”, o universo paralelo que existe dentro de cada ser, com um jeito de mato. A música faz parte do CD Paula Fernandes – Ao Vivo gravado em 2011, pela Universal Music Brasil.


JEITO DE MATO

Maurício Santini e Paula Fernandes

De onde é que vem esses olhos tão tristes?
Vem da campina onde o sol se deita.
Do regalo de terra que teu dorso ajeita.
E dorme serena, no sereno e sonha.
De onde é que salta essa voz tão risonha?
Da chuva que teima, mas o céu rejeita.
Do mato, do medo, da perda tristonha.
Mas, que o sol resgata, arde e deleita.

Há uma estrada de pedra que passa na fazenda.
É teu destino, é tua senda.
Onde nascem tuas canções.
As tempestades do tempo que marcam tua história
Fogo que queima na memória
E acende os corações.

Sim, dos teus pés na terra nascem flores.
A tua voz macia aplaca as dores
E espalha cores vivas pelo ar.
Sim, dos teus olhos saem cachoeiras.
Sete lagoas, mel e brincadeiras.
Espumas, ondas, águas do teu mar.