Tentativa de destituição de líder do PSL na Câmara acirra disputa entre bolsonaristas e bivaristas

Charge do Nani (nanihumor.com)

Bruno Góes
Natália Portinari
O Globo

A briga no PSL culminou na noite desta quarta-feira, dia 16, em uma disputa entre os grupos do presidente Jair Bolsonaro e do presidente da sigla, Luciano Bivar, em torno da destituição do líder do partido na Câmara, delegado Waldir (GO). Os ligados a Jair Bolsonaro formalizaram um pedido para tirar Delegado Waldir (GO) do posto – a ideia é que Eduardo Bolsonaro (SP) seja o novo líder. Os aliados do presidente do partido, porém, reagiram logo com um segundo pedido, mantendo o atual líder no cargo.

O requisito para a troca de líder é a assinatura de mais da metade da bancada junto ao pedido. Os bolsonaristas conseguiram as assinaturas de mais de metade dos 53 deputados na noite desta quarta-feira. Logo depois, os aliados de Luciano Bivar, presidente da sigla, protocolaram uma nova lista, com 32 assinaturas, pedindo a permanência de Waldir.

PRÓ E CONTRA – Os deputados não divulgaram os nomes contidos nas duas listas. Portanto, não é possível saber quais deputados teriam assinado ambos os requerimentos, pró e contra a permanência de Waldir. A deputada Carla Zambelli (SP) ainda protocolou, no fim da noite, uma terceira lista com 27 assinaturas.

Como há um impasse, porém, não é possível saber se alguma das três será considerada válida. A decisão cabe ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que precisa referendar qualquer troca de líder. Um deputado do grupo pró-Bivar disse ao O Globo que eles já estavam com a lista pronta. Alguns deputados que já haviam assinado pela permanência de Waldir mudaram de ideia e assinaram a lista dos bolsonaristas.

No lugar de Delegado Waldir (GO), os bolsonaristas tentam colocar Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente. Deputados ouvidos pelo GLOBO relatam que o presidente Bolsonaro fez ligações nesta quarta-feira pedindo assinaturas no requerimento para retirar Waldir.

DISPUTA – Durante a tarde, deputados dos dois grupos, bolsonaristas e ligados a Waldir e a Luciano Bivar, presidente da sigla, tentaram convencer os indecisos a assinar ou não o requerimento para a troca de líder. O último a assinar a lista dos bolsonaristas foi o deputado General Peternelli (SP).

“Tendo em vista os últimos acontecimentos referentes apenas à liderança do PSL, visando preservar a imagem do partido na Câmara, por aclamação da maioria dos deputados do partido, ficarei à frente da liderança até dezembro, mês em que realizaremos eleições para o novo líder”, disse Eduardo.

OBSTRUÇÃO – Na terça-feira, Waldir retaliou o governo retirando Major Vitor Hugo (GO), líder do governo na Câmara, da comissão especial da reforma da Previdência. Ele também obstruiu por uma hora uma votação de uma Medida Provisória (MP), o que foi interpretado como um recado contra o governo.

O líder vinha se posicionando contra Bolsonaro após o presidente criticar Luciano Bivar, presidente do partido, na última semana. A bancada se dividiu entre bolsonaristas e bivaristas. Apesar de o primeiro grupo ser menor, de apenas 20 deputados, a pressão do presidente ajudou na obtenção de assinaturas.

EMBAIXADA É  “SECUNDÁRIA” – Eduardo afirmou que a discussão sobre a Embaixada do Brasil em Washington, prometida a ele por seu pai, torna-se “secundária” neste momento de acirramento da briga no partido. “Todos os temas como a embaixada e a viagem para a Ásia são temas secundários. A gente está aqui para cuidar dos nossos eleitores, meu foco é ajudar o país”, disse.

Na linha de frente da investida de Jair Bolsonaro na Câmara estavam Carla Zambelli (SP), Vitor Hugo, Bia Kicis (DF), Filipe Barros (PR), Alê Silva (MG), Bibo Nunes (RS) e Hélio Lopes (RJ), conhecido como Hélio Negão, amigo próximo do presidente da República. “Nunca falei com tanta gente na minha vida”, comentou Hélio com os colegas após protocolarem o requerimento.

ÚLTIMOS MOVIMENTOS – Vitor Hugo atribui o movimento aos posicionamentos recentes de Waldir. “A decisão foi dos deputados do PSL, que decidiram em função de todo o tensionamento que tem acontecido. Em função de todos os posicionamentos do líder anterior do PSL, que contrariava os posicionamentos do governo, que colocava em dúvida inclusive a questão da transparência do partido, que atacava membros do partido de uma maneira desmedida”, disse Vitor Hugo, um dos responsáveis por protocolar o requerimento destituindo Waldir.

“E que, por exemplo, quase colocou em xeque a votação da Medida Provisória 886, extremamente importante, com prazo apertado com relação a orientação de obstrução. O próprio partido do presidente, que não é base do governo, é o próprio governo, orientando obstrução no painel. Diante disso, dessas evoluções, a maioria, neste momento, dos deputados federais decidiram destituir”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Alguns pontos beiram à comédia na matéria. Não por parte do relato dos fatos pela jornalista, mas pelos fatos em si. Eduardo quando diz que ficará na liderança para salvar o partido, para preservar a imagem do PSL, certamente se remeteu ao dia 9 de janeiro de 1822. Só faltou bradar: “diga ao povo que fico”. Seguindo, o deputado Hélio Lopes, ou “Hélio Negão”, dono um de um largo sorriso, dizendo que nunca falou com tanta gente na vida. Como nesses últimos dez meses, ele tem servido apenas de papagaio de pirata de Bolsonaro e coadjuvante / segurança nas missões presidenciais, não é de se admirar que ao ter que se relacionar e abrir a boca com mais de três pessoas, agindo efetivamente, tenha se surpreendido com a vida parlamentar. Ficou exausto ! E, voltando para o Eduardo, ele diz que a embaixada é assunto secundário. O menino brinca com a inteligência alheia. Ele cumpriria um mandato-tampão até dezembro, quando então, se aprovado para o cargo de embaixador em Washington, se mudaria para os EUA. Como dizem no jogo de bicho, está cercando por todos os lados. E, se de fato, quer ajudar o povo brasileiro, é só começar a trabalhar e parar de brincar de ser dono de partido.  (Marcelo Copelli)

Censurado pela Redação por criticar o Supremo, José Roberto  Guzzo abandona a Veja

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Guzzo perde sua coluna, mas não perde a dignidade

José Roberto Guzzo
Facebook e Fatos

“Caros amigos

Desde ontem, 15/10/19, não sou mais colaborador da revista “Veja”, na qual entrei em 1968, quando da sua fundação, e onde mantinha uma coluna quinzenal desde fevereiro de 2008. A primeira foi publicada na edição de 13/02/2008. A partir daí a coluna não deixou de sair em nenhuma das quinzenas para as quais estava programada.

Na última edição, com data de 16/10/19, a revista decidiu não publicar a coluna que eu havia escrito. O artigo era sobre o STF, e sustentava, como ponto central, que só o calendário poderia melhorar a qualidade do tribunal — já que, com a passagem do tempo, cada um dos 11 ministros completaria os 75 anos de idade e teria de ir para casa. Supondo-se que será impossível nomear ministros piores que os destinados a sair nos próximos três ou quatro anos, a coluna chegava à conclusão que o STF tende a melhorar.

A liberdade de imprensa tem duas mãos. Em uma delas, qualquer cidadão é livre para escrever o que quiser. Na outra, nenhum veículo tem a obrigação de publicar o que não quer. Ao recusar a publicação da coluna mencionada acima, “Veja” exerceu o seu direito de não levar a público algo que não quer ver impresso em suas páginas. A partir daí, em todo caso, o prosseguimento da colaboração ficou inviável.

Ouvimos, desde crianças, que não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe. Espero que esta coluna tenha sido um bem que não durou, e não um mal que enfim acabou. Muito obrigado.”

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O ARTIGO QUE A VEJA CENSUROU É ESSE: *A FILA ANDA*

Um dos grandes amigos do Brasil e dos brasileiros de hoje é o calendário. Só ele, e mais nenhum outro instrumento à disposição da República, pode resolver um problema que jamais deveria ter se transformado em problema, pois sua função é justamente resolver problemas — o Supremo Tribunal Federal. O STF deu um cavalo de pau nos seus deveres e, com isso, conseguiu promover a si próprio à condição de calamidade pública, como essas que são trazidas por enchentes, vendavais ou terremotos de primeira linha.

Aberrações malignas da natureza, como todo mundo sabe, podem ser resolvidas pela ação do Corpo de Bombeiros e demais serviços de salvamento. Mas o STF é outro bicho. Ali a chuva não para de cair, o vento não para de soprar e a terra não para de tremer — não enquanto os indivíduos que fabricam essas desgraças continuarem em ação.

UMA MANEIRA – Eles são os onze ministros que formam a nossa “corte suprema”, e não podem ser demitidos nunca de seus cargos, nem que matem, fritem e comam a própria mãe no plenário. Só há uma maneira da população se livrar legalmente deles: esperar que completem 75 anos de idade. Aí, em compensação, não podem ser salvos nem por seus próprios decretos. Têm de ir embora, no ato, e não podem voltar nunca mais. Glória a Deus.

Demora? Demora, sem dúvida, e muita coisa realmente ruim pode acontecer enquanto o tempo não passa, mas há duas considerações básicas a se fazer antes de abandonar a alma ao desespero a cada vez que se reúne a apavorante “Segunda Turma” do STF — o símbolo, hoje, da maioria de ministros que transformou o Supremo, possivelmente, no pior tribunal superior em funcionamento em todo o mundo civilizado e em toda a nossa história.

DUAS CERTEZAS – A primeira consideração é que não se pode eliminar o STF sem um golpe de Estado, e isso não é uma opção válida dos pontos de vista político, moral ou prático. A segunda é que o calendário não para. Anda na base das 24 horas a cada dia e dos 365 dias a cada ano, é verdade, mas não há força neste mundo capaz de impedir que ele continue a andar.

Levará embora para sempre, um dia, Gilmar Mendes, Antônio Toffoli, Ricardo Lewandowski. Antes deles, já em novembro do ano que vem e em julho de 2021, irão para casa Celso Mello e Marco Aurélio — será a maior contribuição que terão dado ao país desde sua entrada no serviço público, como acontecerá no caso dos colegas citados acima. E assim, um por um, todos irão embora — os bons, os ruins e os horríveis.

PIORES, NÃO! – Faz diferença, é claro. Só os dois que irão para a rua a curto prazo já ajudam a mudar o equilíbrio aritmético entre o pouco de bom e o muitíssimo de ruim que existe hoje no tribunal. Como é praticamente impossível que sejam nomeados dois ministros piores do que eles, o resultado é uma soma no polo positivo e uma subtração no polo negativo — o que vai acabar influindo na formação da maioria nas votações em plenário e nas “turmas”.

Com mais algum tempo, em maio de 2023, o Brasil se livra de Lewandowski. A menos que o presidente da época seja Lula, ou coisa parecida, o ministro a ser nomeado para seu lugar tende a ser o seu exato contrário — e o STF, enfim, estará com uma cara bem diferente da que tem hoje. O fato, em suma, é que o calendário não perdoa.

O ministro Gilmar Mendes pode, por exemplo, proibir que o filho do presidente da República seja investigado criminalmente, ou permitir que provas ilegais, obtidas através da prática de crime, sejam válidas numa corte de justiça. Mas não pode obrigar ninguém a fazer aniversário por ele. Gilmar e os seus colegas podem rasgar a Constituição todos os dias, mas não podem fugir da velhice.

UM PAÍS MELHOR – O Brasil que vem aí à frente, por esse único fato, será um país melhor. Se você tem menos de 25 ou 30 anos de idade, pode ter certeza de que vai viver numa sociedade com outro conceito do que é justiça. Não estará sujeito, como acontece hoje, à ditadura de um STF que inventa leis, censura órgãos de imprensa e assina despachos em favor de seus próprios membros.

Se tiver mais do que isso, ainda pode pegar um bom período longe do pesadelo de insegurança, desordem e injustiça que existe hoje. Só não há jeito, mesmo, para quem já está na sala de espera da vida, aguardando a chamada para o último voo. Para estes, paciência.

(Poderiam contar, no papel, com o Senado — o único instrumento capaz de encurtar a espera, já que só ele tem o poder de decretar o impeachment de ministros do STF. Mas isso não vai acontecer nunca; o Senado brasileiro é algo geneticamente programado para fazer o mal). Para a maioria, a vitória virá com a passagem do tempo.

(artigo enviado por João Amaury Belem)

Mensagem ao indomável guerreiro do jornalismo, Helio Fernandes que completa 99 anos

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Helio Fernandes, o maior jornalista brasileiro

Vicente Limongi Netto

Ele jamais se omitiu. Sua palavra vigorosa, suas verdades, suas denúncias, suas campanhas incomodam e intranquilizam maus brasileiros até hoje. Sempre pensou mais na coletividade. Combateu os erros de todos os governos. Nunca pleiteou nada pessoal. Foi cassado. Sem dúvida seria deputado federal, senador, governador e Presidente da República. Dedicou-se então ao jornalismo por inteiro. Sempre à frente do bom combate, das boas e legítimas causas nacionais. Tenho prazer e orgulho de ser amigo de Helio Fernandes.

Sua pena firme e fulgurante visa os interesses do Brasil. Durante mais de 70 anos, façanha dos verdadeiros guerreiros, escreve coluna diária e ainda faz artigos, que podem ser lidos em seu blog http://heliofernandesonline.blogspot.com/ e em sites que reproduzem seus textos.

UMA VASTA OBRA – Lançou no jornalismo grandes profissionais. Criou revistas, editou colunas, trabalhou com dezenas de outros mestres. Conhece todos os assuntos. Escreve bem sobre todos eles. Profundo conhecedor também de esportes, cobriu de perto muitas copas do mundo. Seus textos correm escolas e universidades.

Sempre gostou de conversar, trocar ideias, debater, com os jovens. Sua vasta obra precisa virar livros. Encanta gerações. Tem leitores e admiradores em todos os setores de atividade.

Fazia grande sucesso na TV, falando ao vivo, mas foi proibido pelo então presidente Juscelino Kubitschek de continuar trabalhando na televisão. Suas verdades incomodam poderosos e oportunistas. Foi e é amigo de políticos e homens públicos importantes e famosos.

RELAÇÕES PÚBLICAS – Desde sempre, Helio Fernandes dizia o que muitos dizem hoje, com banca de descobridores do ar: “Jornalismo não é relações públicas”. É o repórter brasileiro mais preso e confinado da História. Ia e logo voltava, altaneiro.

O tempo trouxe-lhe adversidades familiares. Encarou todas elas com galhardia e fé, a exemplo do que fizera quando penalizaram o leitor, a imprensa, o bom senso e a democracia, com censores na redação e depois destruindo o jornal Tribuna da Imprensa com bombas.

Ama a família, tem adoração pelos netos, tem imensas saudades dos filhos Helinho e Rodolfo, talentosos e queridos. Sofre pelo irmão Millôr e pela mulher, D. Rosinha, também já levados pelo dedo implacável das leis de Deus.

CENSURADO – Desde a década de 70 escrevo sob seu comando. Muitos artigos foram cruelmente cortados pelos censores, alguns publicados apenas com o título e o meu nome, o resto do espaço em  branco. Ou seja, o jornal saía parcialmente em branco, mutilado. Outro grande veículo igualmente penalizado pela burrice da repressão, o Estado de S. Paulo, colocava versos ou receitas nos espaços vetados. Mas Helio Fernandes preferia deixar em branco, para mostrar, enfatizar, aos leitores, a brutalidade da censura.

Tenho ainda muito a dizer sobre ele. Faria com prazer. Deixo apenas estas linhas, como depoimento pessoal a um homem por quem tenho o maior carinho e amizade. Fico emocionado quando falo ou escrevo sobre ele. Estou com ele em todas as horas e circunstâncias.

ELE E FERNANDA – Ontem, dia 16, o país comemorou os 90 anos de Fernanda Montenegro, nossa maior atriz. Grande amiga de Helio Fernandes, durante quase 20 anos almoçavam juntos todos os sábados, no restaurante Antiquarius, na mesa liderada por Millôr Fernandes e sua turma de amigos.

Hoje, dia 17, devemos comemorar os 99 anos de idade de nosso maior repóeter, que depois da ida do amigo Barbosa Lima Sobrinho se tornou o decano dos jornalistas do mundo. Escrevendo diariamente. Com o entusiasmo e lucidez de sempre.  Forte abraço e um beijo para você, amigo. Que Deus continue lhe dando forças.

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A PARTIR DO CRIMINOSO FHC, A TRAJETÓRIA DESPERDIÇADORA DA DÍVIDA EXTERNA PARA DÍVIDA INTERNA

Helio Fernandes, em 17/10/2019

Como dívida externa, o Brasil só podia tomar empréstimos no exterior. Mudando para dívida ativa (interna), podem concorrer com os Fundos de investimento, poupança, qualquer que seja a organização. Mesmo antes da mudança, FHC praticou o que chamei, (com ele no poder) de” crime de lesa pátria”, que não prescreve.

Estrangeiros “emprestavam” a juros de 42 por cento ao ano, inacreditável. Passou a Lula em 25%, Lula entregou a Dilma a 14%, ela reduziu para 7%. Veio a “conspiração parlamentar” de Temer, o presidente corrupto e usurpador, Dilma voltou para os 14%, e ainda perdeu o cargo.

(Lula deixou para o pais, como reservas vivas e utilizáveis a qualquer momento, mais de 400 BILHÕES DE DÓLARES. Esqueceram).

DESDE VARGAS – Com o “Estado Novo” de Vargas, a dÍvida externa bateu recordes. Mas com a Segunda Guerra Mundial, as potências só fabricavam material militar, todo o resto compravam a crédito, “para pagar depois”. O Brasil vendeu tanto que quando a ditadura acabou, 5 anos, (e a guerra também) tínhamos um saldo fantástico.

O marechal Dutra, oito anos como ministro da Guerra da ditadura, assumiu a Presidência e, com todo aquele potencial financeiro, poderia ter construído “o país do futuro”. Mas com a leviandade de vender ouro a preço de banana, e comprar banana pagando como se fosse ouro, voltamos a ser DEVEDORES.

Depois dele veio JK, que aumentou ainda mais a dívida, já alucinante. Com a obsessão arquitetônica de construir uma capital lindíssima, portentosa, onerosa, ruinosa, colocou a dívida numa altura sempre chamada de astronômica, dilacerante, destruidora.

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P.S. 1
– Tiveram então a ideia, logo concretizada. Ou seja, permitir que brasileiros comprassem títulos da dívida, mudando nome para DIVIDA INTERNA (ATIVA).

P.S. 2 – Mesmo não confiando nos presidentes, compravam, a recompensa passou a ser maravilhosa.

P.S. 3 – Até o Tesouro fazia propaganda, “vendia diretamente a quem quisesse comprar”.

P.S. 4– Com isso, a chamada DIVIDA INTERNA já ultrapassava os QUATRO TRILHÕES DE REAIS.

P.S. 5 – Jamais em tempo algum, a divida do país chegou a essa altura.

P.S. 6 – E a maioria dos CREDORES são os cidadãos que nasceram, viveram e moram no Brasil.

P.S. 7 – CALOTE? Nem pensar. PAGAR? De de que maneira?

MERCADO FINANCEIRO – Está difícil encontrar coerência. Ações e moedas deviam ter o mesmo comportamento. Quando a Bovespa sobe, o dólar deve cair. Ou vice versa, como nas placas dos ônibus. Ontem, no Brasil: jogaram 8 BI, negociando OPÇÕES de AÇÕES, esqueceram do resto.

Não são investidores e sim jogadores. Antes do pregão começar, já combinaram as apostas.

ULTIMA NOTA – Ontem á noite, bem tarde, o STF informou: “O julgamento da prisão em segunda instância” começa hoje, quinta, mas somente só acontecerá no plenário da próxima quarta”.

Hoje falará o novo Procurador-Geral da República, e muitas providencias terão que ser concretizadas. Não sobraria tempo para o voto de 11 ministros.

Clima no Supremo está muito tenso e Barroso discute com Toffoli e Moraes

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Barroso se desentendeu com Moraes e pediu vista

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O julgamento de ações do PSB e do Cidadania (antigo PPS) contra resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi marcado nesta quarta-feira, dia 16, por um desentendimento entre os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. A discussão entre os dois levou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, a interferir no debate e se dirigir a Barroso: “Vossa Excelência, respeite os colegas!”.

Dentro do STF, o bate-boca foi visto como uma espécie de “prévia” do julgamento desta quinta-feira, 17, quando o tribunal vai julgar definitivamente o mérito de três ações que discutem a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância. A medida, considerada um dos pilares da Operação Lava Jato, tende a ser revista pelo plenário.

CONTAS PARTIDÁRIAS – Durante a sessão desta quarta-feira, os ministros retomaram a análise da ação contra resoluções do TSE que determinam a suspensão automática do registro de diretórios estaduais e municipais partidários por ausência de prestação de contas.

O ministro Alexandre de Moraes leu o voto, acompanhando o entendimento do relator, ministro Gilmar Mendes, contra a aplicação automática da suspensão do registro ou anotação do órgão partidário regional ou municipal.

Os partidos alegaram ao Supremo que, embora o TSE possa editar resoluções para garantir a aplicação da legislação eleitoral, no caso em questão ele acabou por usurpar a competência do Congresso Nacional ao prever a suspensão do registro de diretórios estaduais e municipais sem processo judicial.

AMPLA DEFESA – Ou seja, para Gilmar e Moraes, a suspensão só deve ocorrer após a abertura de um processo específico em que o partido tenha assegurado o direito de apresentar o contraditório e ampla defesa.

“Há uma música antiga, não tão antiga: cada um no seu quadrado”, disse Moraes, ressaltando que cabe ao Congresso Nacional editar leis. “O nosso é interpretar a Constituição”, rebateu Barroso, interrompendo o colega na leitura do voto.

Moraes prosseguiu, ressaltando que a Constituição prevê o “quadrado do Congresso Nacional”. “O Supremo então que declare inconstitucional a lei. Agora não pode substituir a lei por uma resolução, por melhor que seja, do Tribunal Superior Eleitoral”, disse Moraes.

ATRASA O BRASIL – “Essa crença de que dinheiro público é dinheiro de ninguém é que atrasa o país”, respondeu Barroso. Moraes rebateu: “Essa crença de que o Supremo Tribunal Federal pode fazer o que bem entende desrespeitando a legislação também atrasa o país”.

Barroso disse então que a “Constituição diz expressamente que há o dever de prestar contas”. “Estou na minha posição. Eu acho que o dinheiro público tem que ter contas prestadas”, afirmou Barroso.

Foi nesse momento em que Toffoli fez uma intervenção mais contundente: “Mas isso é o que todos nós pensamos. Vossa Excelência respeite os colegas!”.

DESELEGANTE – “Eu sempre respeito os colegas. Eu estou emitindo minha opinião. Vossa Excelência está sendo deselegante com um colega que é respeitoso com todo mundo. Eu disse apenas que a Constituição impõe o dever de prestação de contas”, disse Barroso.

Depois da leitura do voto de Moraes, acompanhando Gilmar Mendes, o ministro Edson Fachin defendeu a validade das resoluções do TSE. O julgamento acabou interrompido por um pedido de vista (mais tempo para análise) de Barroso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria está certíssima, O julgamento desta quarta-feira foi uma “prévia” do que vai acontecer na sessão desta quinta-feira. Só falta definir um voto (Rosa Weber ou Alexandre de Moraes) para mudar a jurisprudência por 6 a 5 e libertar os 169 mil presos citados por Dias Toffoli como possíveis beneficiários, com José Dirceu à frente, pois Lula está de fora, pois já foi julgado e condenado por unanimidade em terceira instância pelo STJ, dia 23 de abril. (C.N.)

Deputados articulam para que Eduardo Bolsonaro assuma liderança do PSL na Câmara

Eduardo cumpriria um mandato-tampão até dezembro

Mônica Bergamo
Folha

O grupo de deputados ligados ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) está colhendo assinaturas entre colegas para que o filho do presidente Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) assuma a liderança da legenda na Câmara dos Deputados.

Ele cumpriria um mandato-tampão até dezembro, quando então, se aprovado para o cargo de embaixador em Washington, se mudaria para os EUA. Para isso, eles teriam que derrubar o deputado Delegado Waldir do cargo. O próprio presidente da República, segundo relatos feitos à coluna, estaria envolvido na negociação.

DISTRIBUIÇÃO DE CARGOS – Dois parlamentares que estão insatisfeitos com a movimentação disseram à coluna que um dos deputados que esteve com Bolsonaro chegou a gravar o presidente. Na conversa, que teria sido ouvida por oito integrantes da bancada, ele pediria que o parlamentar assinasse a lista, ponderando que o líder define mais de cem cargos e influencia na distribuição de recursos do fundo partidário.

Faltariam algumas assinaturas para que o Delegado Waldir fosse destituído. Bolsonaro então finalizaria; se o deputado não assinar a lista e ficar contra ele não haveria problema. A abordagem está sendo encarada como uma ameaça. O deputado Junior Bozzella (PSL-SP) não comenta a existência da gravação. Mas diz que há, sim, uma articulação para que Eduardo Bolsonaro assuma a liderança do partido até dezembro.

TOMA LÁ, DÁ CÁ – “É muito ruim nesse momento o presidente interferir na discussão da liderança do partido. Há um toma lá, dá cá. Isso mostra que o Planalto não tem intenção de pacificar o partido. A luta, está claro, é pelo poder”, diz Bozzella.

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP), alinhada com Bolsonaro, afirma que a situação do Delegado Waldir na liderança do partido é “insustentável” já que muitos parlamentares não teriam mais sequer acesso a ele depois dos desentendimentos entre o presidente e o comandante do PSL, Luciano Bivar.

Não adianta pressionar o STF, porque os ministros são livres e farão o que bem entenderem

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Charge do Jarbas (Arquivo Goiogle)

José Carlos Werneck

O Supremo Tribunal Federal dá início, amanhã, a importantes julgamentos relacionados à Lava Jato que podem vir de encontro a interesses de procuradores e mudar radicalmente o processo das investigações da mais bem sucedida operação do Ministério Público Federal já feita no País e que é considerada como patrimônio moral pela grande maioria da população brasileira.

O processo da pauta que desperta maior interesse dos jurisdicionados é a possibilidade da decretação de prisão depois da condenação em Segunda Instância, um dos principais alicerces da Operação Lava Jato e tese firmemente defendida pelo titular da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro, que teve destacada e inatacável atuação nos julgamentos a ela relacionados.

A FAVOR E CONTRA – A afirmação de um ministro do STF de que, mais do que impor eventuais derrotas à Lava-jato, trata-se de garantir “a vitória da Constituição”, atiçou o ânimo de várias pessoas, os “a favor” e os “contra”, que deram asas à imaginação elaborando os mais diversos cenários com o que poderia ocorrer depois do resultado da votação pelo tribunal.

O julgamento da questão atrai a atenção de todos, principalmente porque de alguma forma pode beneficiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontra preso na Sede da Polícia Federal em Curitiba.

Cabe lembrar que o julgamento é de cunho eminentemente processual e suscitará debates monótonos e intermináveis.

SEM PRESSÃO – Posso afirmar, sem qualquer medo de errar, que seja qual for a decisão do Supremo, no Brasil de hoje é Totalmente descabida a ideia que os integrantes do Supremo Tribunal Federal decidam sobre pressão. Esse raciocínio pitoresco de alguns usuários de redes sociais não encontra amparo por parte de qualquer instituição, muito menos e principalmente das Forças Armadas.

Pode até ocorrer que grupos de partidários de Lula e contrários a ele façam as hoje comuns e salutares manifestações estrepitosas diante do prédio do STF, mas garanto que nenhum jipe pilotado por um soldado, com um cabo a bordo, vai se dirigir ao tribunal para pressionar seus ministros.

A ditadura de Getúlio Vargas, que fechou o Supremo, assim como o Regime Militar de 1964, pertencem à História e só sobrevivem na imaginação de alguns saudosistas e na mente doente e totalitária de radicais de esquerda ou de direita da sociedade brasileira.

VAMOS TORCER – A torcida é livre. Vamos torcer pelas nossas ideias e aguardar o resultado!

Aos que assistem ao julgamento pela televisão, um aviso importante e útil: cuidado para não dormir, pois os votos intermináveis de alguns ministros são um poderoso sonífero, capaz de derrubar qualquer elefante.

E por falar em elefantes, não esqueçam o amendoim, a pipoca e a cerveja gelada, que também ajudam a passar o tempo.

Conselho de Justiça diz que 4,9 mil presos seriam soltos, mas Toffoli sobe para 169 mil

Carlos Newton

A esculhambação é cada vez mais maior. Sabe-se que nesta quinta-feira o Supremo Tribunal Federal se reúne para decidir se mandará libertar os presos condenados após julgamento em segunda instância, até que seus recursos sejam esgotados no Superior Tribunal de Justiça. Mas ninguém sabe o que realmente resultará dessa decisão, que significa um enorme retrocesso na jurisprudência criminal do país. Não se tem ideia nem mesmo sobre o número de presos que podem ser libertados.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por exemplo, diz que a medida beneficiaria apenas 4.895 presos, enquanto o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffolli, que também preside o próprio CNJ, eleva esse número pata 169 mil, e o céu é o limite.

DISCREPÂNCIA – A disparidade entre as duas avaliações foi a Piada do Ano nesta quarta-feira, dia 16, porque a avaliação do Conselho Nacional de Justiça foi informou em nota oficial, sem que Toffoli tivesse conhecimento.

O repórter Renato Souza, do Correio Braziliense, percebeu que as previsões do CNJ entram em choque com dados divulgados no final de 2018 por Toffoli. Por força do cargo, Toffoli também é o presidente do CNJ.

A questão veio à tona em dezembro passado, pouco antes do recesso do Judiciário, quando o ministro Marco Aurélio Mello baixou uma liminar determinando a soltura imediata de todos os presos que ainda tem recursos tramitando na Justiça.

LIMINAR SUSPENSA – Toffoli já estava na presidência do Supremo e atendeu um recurso do Ministério Público Federal, entendendo que a decisão de Marco Aurélio Mello colocaria em risco a segurança pública e jurídica do país.

“Na decisão”, relata o repórter Renato de Souza, “Toffoli destacou que o Ministério Público afirmou, usando dados do próprio CNJ, que 169 mil presos provisórios poderiam ser afetados, número bem maior que os divulgados pelo mesmo órgão, nesta quarta-feira, um dia antes do Supremo julgar três Ações Diretas de Constitucionalidade que tratam do assunto”.

Na época, Toffoli escreveu que “decisão cujos efeitos se pretende suspender nesta ocasião permitirá a soltura, talvez irreversível, de milhares de presos com condenação proferida por Tribunal, estimando que aproximadamente 169 mil presos serão atingidos, segundo dados do CNJ”.

SEM RESPOSTA – A reportagem do Correio entrou em contato com o CNJ questionando a origem e dinâmica de captação dos dados, assim como a divergência em relação as informações divulgadas pelo ministro Toffoli, e aguarda resposta do órgão.

Não terá resposta, porque ninguém sabe as consequências dessa decisão insana que o Supremo ameaça tomar. O ministro Alexandre de Moraes se apressa a dizer que homicidas e estupradores não serão beneficiados? Mas sua declaração é outra Piada do Ano.

A jurisprudência do Supremo que beneficiar um preso, com toda certeza, beneficiará todos os demais que estiverem na mesma condição, condenados em segunda instância e aguardando julgamento no STJ.

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P.S. –
Somente não serão beneficiados os criminosos ainda não condenados, que estiverem em prisão preventiva ou temporária. Mas assim que foram julgados em segunda instância também , também terão de ser libertados, porque no Brasil todos são iguais na forma da lei. Não importa se estão condenados por corrupção, narcotráfico, homicídio ou estupro. (C.N.)

Aliados de Bolsonaro acusam Bivar e os seus três herdeiros de controlarem o PSL pelo “voto de cabresto”

Bivar exerceria domínio ferrenho sobre o diretório nacional

Bruno Góes
O Globo

Na mira de aliados do presidente Jair Bolsonaro, o dirigente nacional do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), é apontado por correligionários como um controlador da máquina partidária pelo “voto de cabresto”. Opositores internos afirmam que Bivar exerce domínio ferrenho sobre o diretório nacional, composto de 101 titulares, para o qual garantiu a eleição de três dos seus filhos: Sérgio, Cristiano e Luciano.

A presença do trio, que não recebe salário pelo cargo, causa incômodo em quem reprova a condução do partido por Bivar, criticado por beneficiar seus parentes. Problema semelhante tem o presidente Jair Bolsonaro, também questionado por privilegiar os filhos.

NO COMANDO – O diretório nacional dita os rumos do partido. Cabe a essa instância, segundo o estatuto do PSL, aprovar o orçamento e o balanço contábil anual, eleger membros de conselhos, secretarias e dos órgãos de cooperação e de Direção Nacional, além de “estabelecer diretrizes por meio de resoluções a serem seguidas pelo partido”, entre outras atribuições.

Uma crise se instalou na legenda nos últimos dias, com Bivar e Bolsonaro em campos opostos. O pano de fundo é a gestão dos recursos do partido. O filho de Bivar com maior destaque é o presidente da Fundação Indigo, do PSL, Sérgio Bivar. Ele conseguiu levar para o partido, em 2016, o grupo de orientação liberal chamado Livres, com planos de liderar uma renovação da legenda.

FILIAÇÃO DE BOLSONARO –  – O pai, no entanto, frustrou as intenções quando permitiu a filiação de Bolsonaro para disputar a eleição de 2018. Pai e filho brigaram, mas Sérgio continuou a integrar os quadros do PSL. A Fundação Indigo gastou R$ 800 mil para promover, na última semana, a Conferência de Ação Política Conservadora, a CPAC Brasil, protagonizada por Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

As relações familiares já levaram a investigações contra Luciano Bivar. O Ministério Público de Pernambuco apura um gasto de R$ 250 mil do fundo eleitoral em 2018 com a empresa de seu filho Cristiano Bivar, a Nox Entretenimentos. Cristiano, que integra o diretório, também teria sido favorecido em outra frente.

O diretório do PSL no Recife aluga salas de outra empresa dele, a Mitra Participações. Homônimo do pai e irmão de Cristiano, Luciano também é sócio da Mitra. Procurados pelo O Globo, Bivar e os filhos não retornaram.

CRÍTICAS – À frente da defesa de Jair Bolsonaro na disputa interna do PSL, a advogada Karina Kufa critica a presença da família Bivar no diretório nacional da legenda: “Os parlamentares reclamam muito. Eles dizem que de 70% a 80% do diretório é formado por parentes ou pessoas próximas e até com vínculo de subordinação ao Bivar e ao Rueda (Antonio Rueda é vice presidente do PSL). Jamais teremos dentro do PSL uma eleição equilibrada por conta dos votos de cabresto”.

Uma alteração de trechos do estatuto do PSL no mês passado, apontada como manobra de Bivar, aumentou o tamanho do diretório nacional: de 101 para 159 titulares e de 33 para 51 suplentes. Os atuais suplentes virarão titulares nas vagas novas. A medida é vista como forma de minar influência de Bolsonaro na sigla.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 É irônico ler as críticas da advogada Karina sobre a presença familiar de Bivar no poder. Como se no caso do seu cliente fosse diferente no país que tem Pai&Filhos na Presidência da República. Quem disse que a época das capitanias hereditárias acabou ? Cada uma defendendo os seus interesses e os seus trios. (Marcelo Copelli) 

Paulo Guedes desiste de ir ao FMI e cancela participação em reunião anual do órgão

Cancelamento na véspera da viagem causou “estranheza”

Marina Dias
Folha

O ministro da Economia, Paulo Guedes, cancelou sua participação na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), que acontece esta semana em Washington, nos Estados Unidos. A previsão era de que o ministro chegasse à capital americana na noite desta quarta-feira, dia 16, para as reuniões do Fundo de quinta-feira, dia 17, a sábado, dia 19, mas integrantes do governo brasileiro afirmam que o representante da equipe econômica será agora o secretário de Comércio Exterior, Marcos Troyjo.

Ainda não há detalhes oficiais, porém, sobre a desistência de Guedes de participar dos encontros. Aliados do ministro afirmam que ele decidiu se dedicar à articulação política para a aprovação das medidas econômicas que considera cruciais para o governo, como a reforma da Previdência.

JUSTIFICATIVA IMPROVÁVEL – As propostas, porém, já caminham no Congresso há meses e causou estranhamento uma decisão com essa justificativa tomada na véspera da viagem. Auxiliares afirmam que, de última hora, o ministro “sempre pode” mudar de ideia novamente, mas em sua agenda pública desta quarta-feira já constam outros eventos e reuniões com senadores em Brasília. A última delas, no Palácio do Planalto, com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, às 18h30.

Em Washington, Guedes faria o discurso de abertura de um evento na sexta-feira, dia 18, na Câmara de Comércio Brasil-EUA, onde falaria a empresários e investidores. Intitulado “Brazil Economic Conference”, a reunião acontece há vinte anos e coincide com o encontro anual de outubro do FMI. Estava marcada ainda uma recepção em homenagem a Guedes na residência oficial da Embaixada do Brasil em Washington.

RELATÓRIO  – Além de Troyjo, viajam aos EUA o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, e o do Banco Central, Roberto Campos Neto. Eles já estavam previstos na comitiva brasileira mesmo quando a presença de Guedes ainda era confirmada. Nesta terça-feira, dia 15, o FMI divulgou relatório em que elevou a projeção do PIB brasileiro em 2019, mas afirmou que “mais precisa ser feito” em termos de reformas fiscais e estruturais para que o país entre de vez em uma rota de crescimento econômico.

A economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, afirmou que o Brasil “registrou alguma recuperação e melhora” nos índices econômicos este ano, com destaque para o avanço da reforma da Previdência no Congresso. No entanto, ponderou que as incertezas políticas que envolveram a negociação do projeto refletem de forma negativa nos números do país e que é preciso concluir as reformas para superar a crise.

“A reforma da Previdência está em progresso. Isso é bom mas, isso posto, mais precisa ser feito”, disse Gopinath em coletiva à imprensa em Washington. “Esperamos que, com mais reformas, as perspectivas melhorem.”

Defesa de Bolsonaro quer fazer “devassa fiscal no partido”, retirar Bivar do comando e refundar o PSL

“Ou limpamos a casa ou achamos uma casa limpa”, diz advogado

Thais Arbex
Talita Fernandes
Folha

Uma semana depois de Jair Bolsonaro expor uma crise dentro de seu partido, o PSL, os advogados do presidente dizem que estão dispostos a brigar na Justiça para tirar o grupo do deputado Luciano Bivar do comando da sigla.

“Ou limpamos a casa ou achamos uma casa limpa”, disse à Folha o ex-ministro do  Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga. Ao lado de Karina Kufa, ele tem auxiliado Bolsonaro a encontrar uma saída para o impasse com o PSL. “A saída do presidente da República não deveria ser o caminho adotado, considerando que o PSL era um partido pequeno”, disse Kufa, referindo-se ao fato de que a sigla cresceu graças a Bolsonaro.

“SAÍDA PELA DIREITA” – “Que saia o presidente que está lá desde 1989, que não possibilitou nenhuma eleição interna de forma minimamente democrática”, afirma ela, num recado direto a Bivar, deputado federal por Pernambuco e presidente da legenda.

Endereços ligados a Bivar foram alvo de operação da Polícia Federal nesta terça-feira, dia 15, como parte da investigação sobre candidaturas de laranjas do PSL na eleição de 2018. A suspeita é que ele tenha comandado no estado esquema semelhante ao que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, é acusado em Minas — denunciado pelo Ministério Público, ele foi mantido no cargo por enquanto pelo presidente.

REFUNDAÇÃO – Hoje, na prática, a ofensiva dos advogados auxiliares de Bolsonaro é pela refundação do PSL — inclusive com a mudança de nome do partido. Uma nova convenção nacional da sigla está marcada para dezembro. Hoje, no entanto, Bivar controla a maioria dos 101 filiados que têm direito a voto.

Nas contas dos aliados de Bolsonaro, o presidente da República seria “engolido” se fosse para uma disputa de chapa com o grupo liderado por Bivar. Como não há qualquer indicativo de acordo interno, Bolsonaro insistirá na via judicial para provar que o partido, sob o comando de Bivar, não está aplicando os recursos públicos do fundo partidário de maneira correta.

“VELHA POLÍTICA” – Os advogados dizem que, à frente do PSL, Bivar “adota práticas da velha política, do chamado coronelismo”. “Antes com pouco dinheiro, agora com muito dinheiro”, disse Admar. Até o fim de 2019, a estimativa é a de que o PSL receba R$ 110 milhões do fundo partidário. No ano passado, por exemplo, a sigla levou R$ 9 milhões.

Embora digam oficialmente que a operação da Polícia Federal desta terça-feira nada tem a ver com a disputa política, eles indicam que o presidente Bolsonaro tem sido alertado sobre a conduta do correligionário no comando do PSL. Os advogados pretendem acionar o TSE ainda nesta semana para obrigar a cúpula do PSL a abrir as contas do partido.

Na sexta-feira, dia 11, eles solicitaram formalmente acesso aos dados financeiros e estabeleceram prazo de cinco dias para que Bivar entregasse a resposta. Na tarde desta terça-feira, no entanto, a direção do PSL indicou em nota que não entregará o material solicitado pelos advogados do presidente da República.

TSE – O documento, assinado pela executiva nacional, diz que o pedido de Bolsonaro não foi feito de maneira formal e que, “no que tange à transparência das contas partidárias, parece ser evidente que qualquer pessoa –filiada ou não– pode ter acesso completo a todas informações, extratos e comprovantes que constam das prestações de contas apresentadas pelo partido nos últimos anos, pois eles estão disponíveis para consulta pública no site do Tribunal Superior Eleitoral”.

Diante da divulgação da nota, os advogados avaliam não esperar o prazo e acionar imediatamente a Justiça Eleitoral para ter acesso ao que chamam de “caixa-preta do PSL”. Com os dados em mãos, Admar Gonzaga e Karina Kufa pretendem contratar uma auditoria investigativa para identificar eventuais irregularidades no manejo dos recursos partidários.

PENTE-FINO – Uma das empresas contadas é a multinacional PricewaterhouseCoopers, também chamada PwC. A ideia, dizem, é entregar o resultado do pente-fino ao TSE e ao Ministério Público para que a Polícia Federal seja acionada e seja aberta uma investigação. De acordo com eles, o objetivo é que a Receita Federal faça “uma devassa fiscal no partido”.

“A briga vai crescendo”, diz Admar. “Primeiro a gente quer saber o balanço das contas desses dez meses. Diante da resistência, vamos pedir cinco anos para trás.” Nos bastidores, Bolsonaro tem sido incentivado a não desistir do PSL e atuar para que Bivar seja obrigado pela Justiça Eleitoral a deixar a sigla.

A avaliação é a de que a permanência do deputado no comando do partido ficará insustentável a partir do momento que as contas partidárias forem escrutinadas pelos órgãos de fiscalização e as eventuais irregularidades vierem a público. Uma mudança de partido, avaliam aliados de Bolsonaro, não seria danosa apenas para o presidente.

“OS PRÍNCIPES” – Como mostrou a Folha nesta segunda-feira, dia 14, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filhos do presidente, têm atuado para tentar contornar a crise interna no PSL. Os dois buscam uma solução para evitar que o pai deixe o partido e, assim, provoque uma debandada em massa de integrantes da sigla.

Hoje, Eduardo e Flávio controlam, respectivamente, os diretórios do PSL em São Paulo e no Rio de Janeiro. Uma ruptura com o partido teria impacto direto para os congressistas em seus estados — que figuram entre os cinco maiores colégios eleitorais do país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As manobras são explícitas e transparentes. Só o discurso público de alguns representantes da legenda que dizem que está tudo bem, “tálquei”, é que não condiz. Bolsonaro pensou em comprar um carro novo, mas os filhos e a sua defesa sabem que o PSL, o carro mais antigo, porém atual, tem muita peça de valor investida. Não é hora de trocar o veículo. O PSL está que nem um quebra-cabeça faltando peça, todo desmantelado. A saída será jogar nas costas de Bivar todas as acusações possíveis para que sejam assegurados os mandatos dos bolsonaristas, o fundo partidário e o poderio de Eduardo e Flávio. Trocando de partido, não teriam como chegar arrombando a porta e sentando na janela, como fizeram tão rapidamente na legenda. E para quem ainda ingenuamente acha que tudo não passa de mal entendidos insuflados pela imprensa, nesta terça-feira, Bivar divulgou em um grupo de parlamentares os gastos da sigla com a advogada Karina Kufa. A mesma citada na matéria. Além de receber R$ 40 mil por mês, ela firmou contrato de R$ 200 mil para apresentar ações diretas de inconstitucionalidade no STF . O mesmo relatório mostra que a advogada assinou acordo de R$ 100 mil para defender a senadora Juíza Selma (PSL-MT), acusada de abuso de poder econômico e caixa dois nas eleições de 2018. Os recursos saíram do caixa do PSL de São Paulo. É muito filé mignon em jogo. (Marcelo Copelli)

Após obstrução, bolsonaristas aceleram para derrubar Delegado Waldir como líder do PSL na Câmara

Waldir negou manobra e brada “somos Bivar, somos Bolsonaro”

Camila Turtelli
Renato Onofre
Estadão

Após o deputado Delegado Waldir, líder do PSL na Câmara, se unir à oposição para tentar obstruir a medida provisória que trata sobre a reformulação da estrutura do Poder Executivo e mexe com pontos sensíveis como o antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), deputados bolsonaristas iniciaram um movimento para destituir o parlamentar da função.

A manobra de Waldir adiou a votação por duas horas, mas a obstrução caiu e voltou à pauta de votação. O texto-base foi aprovado nesta terça-feira, dia 15, na Câmara – os deputados precisam ainda analisar os destaques. Nesta quarta-feira, dia 16, a MP deve ser votada no Senado. Caso contrário, o texto caduca e as modificações propostas por Bolsonaro caem.

REAÇÃO IMEDIATA – O movimento do líder do PSL serviu de sinal para a deputada Bia Kicis (PSL-DF) e o deputado Filipe Barros (PSL-GO) acelerarem o movimento coletando assinatura da bancada para tirar Waldir do cargo. O líder tem papel fundamental na estrutura da Câmara. A pauta de votações da Casa é discutida na reunião de líderes.

Barros quer o cargo de Waldir e já anunciou internamente como candidato no ano que vem. O mandato do líder do PSL termina no final do ano. Para conseguir uma nova votação para mudar a liderança são necessários 27 deputados assinando a lista. Atualmente, o grupo tem 22 adesões.

O líder tem a prerrogativa de orientar o partido, participar dos trabalhos de qualquer comissão (mesmo daquelas em que não for integrante); indicar membros da bancada que irão integrar as comissões; registrar candidatos a cargos da Mesa e inscrever membros da bancada para comunicações parlamentares.

PANOS QUENTES – O líder do PSL tentou minimizar o movimento para a obstruir a votação. Ele negou retaliação do partido em relação ao governo do presidente Jair Bolsonaro. “Continuamos defendendo o governo, somos Bivar, somos Bolsonaro”, disse.

Waldir disse ainda que, apesar da crise, não há uma divisão no partido. “Foi criada uma tempestade que não foi criada por mim e nem pelo partido”, disse. “Nós somos todos bolsonaristas”, disse.

“JUSTIFICATIVA” – Ele reforçou que o partido sempre acompanha o governo. Questionado porque então havia orientado obstrução na votação de hoje da MP 886, ele disse que havia feito isso para que parlamentares não levassem faltas. “Os parlamentares em sua maioria estavam em reunião aqui na liderança e para que eles não levassem faltas eu tive de sair correndo aqui para obstruir, mas já vou lá e vou adequar essa orientação”, disse.

A tentativa de derrubar Waldir é mais um capítulo da crise interna do PSL que foi agravada nesta terça-feira após a Polícia Federal deflagrar uma operação contra o presidente do PSL, Luciano Bivar (PE)

“É muito estranho. Me parece que algumas pessoas já sabiam uma semana antes”, disse. Ele questionou também porque a polícia demorou tanto tempo para se fazer uma busca. “Você faz a busca logo no começo da investigação. Depois é circo”, disse o líder do PSL.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
Achar “estranho” e se dizer “desconfiado” que algumas pessoas já sabiam da operação contra Bivar foi pura ironia do deputado. Nesta terça-feira, ele comentou que a fala de Bolsonaro na última semana sobre a legenda foi um sinal de que a PF iria agir contra o presidente do partido. E acrescentou, “só o Saci Pererê e o Papai Noel que não sabiam dessa operação da PF”. Para quem saber ler, especialmente nas entrelinhas, um pingo é letra. Recado dado, missão cumprida. Mas, não parou por aí ! O Delegado também soltou para a coluna de Bela Megale que Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz, “devem preparar um cafezinho para receber a Polícia Federal em breve”. Tudo isso para dizer que a obstrução foi para “evitar faltas”. Retaliação mudou de nome. 
(Marcelo Copelli)

Investigada na Operação Spoofing nega ser hacker e diz que Delgatti “é uma pessoa mentirosa”

Vermelho ‘não soube usar a inteligência que tem’ diz Suelen

Patrik Camporez
Estadão

Presa sob suspeita de participar da invasão de celulares das principais autoridades do País, a jovem Suelen Priscila de Oliveira, de 25 anos, é a única dos seis investigados na Operação Spoofing fora da prisão.

Em entrevista exclusiva ao Estado, 12 dias após deixar o presídio feminino em Brasília, Suelen negou ser hacker e disse que, se quisesse, poderia ter “prejudicado a vida” de Walter Delgatti Neto, o Vermelho, que afirmou ter sido responsável por roubar mensagens de procuradores da Lava Jato e repassado ao jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil. Ela, no entanto, disse que não sabia nada da vida do hacker.

PRESA COM O DJ – Suelen foi presa no dia 23 de julho, no apartamento em São Paulo em que vivia com o marido, o DJ Gustavo Henrique Elias Santos. Ele continua preso. Segundo a jovem, Delgatti e o marido eram amigos.

“Ele (Delgatti) não soube usar a inteligência dele. Ele é uma pessoa muito sozinha, uma pessoa carente. Mas realmente eu não sabia da vida dele. Eu podia até prejudicar ele se eu quisesse, porque ele está prejudicando a minha vida”, afirmou Suelen na entrevista, feita por videoconferência, sem explicar como poderia prejudicá-lo. Depois de deixar a prisão, onde ficou por 70 dias, a jovem voltou para Araraquara, onde vive sua família.

SEQUELAS – Durante cerca de uma hora de conversa, a jovem contou que tem tomado remédios para dormir, que sente medo de ficar sozinha e se assusta até com o barulho de ranger de portas.

Você foi presa por envolvimento com um grupo investigado por hackear as principais autoridades do País. Você é uma hacker?
Não, eu não sou uma hacker.

E o que diz sobre a suspeita de fazer parte de um grupo de hackers?
É uma injustiça o que fizeram. Não só comigo, mas com o meu marido. Porque eu não tenho nada a ver com isso. Eu passei por coisas na prisão que só Deus sabe. Mesmo eles sabendo que eu não tinha nada a ver, eles fizeram coisas para prejudicar a gente. Enfim, eu estou tentando me recuperar. Eu estou tentando seguir em frente, mas está sendo muito difícil.

Na prisão, você sabia o que estava acontecendo aqui fora? Da repercussão toda?
Não, lá dentro a gente não sabia de nada. Quando passava alguma coisa na televisão, os policiais desligavam para a gente não ver. Então, realmente a gente não sabia que estava acontecendo tudo isso, essa repercussão. Era só pressão, só pressão. Eu não podia ter contato com meu marido, só com o advogado. Foi difícil.

O que foi mais difícil nesse período?
Eu estava com medo, porque eu estava longe da minha família, estava em outro Estado. Me mandaram para a “Colmeia” (presídio feminino em Brasília), para uma temporada de cinco dias. Ali fui humilhada. Jogaram minhas calcinhas fora, me deram uniformes rasgados. Fizeram piada comigo, tiraram sarro da minha cara. Me colocaram numa sala extremamente horrível, onde não tinha absorvente, papel higiênico, não tinha água. Tive que usar uma meia como absorvente. Não tinha higiene. Me deixaram dois dias sem tomar banho, não conseguia dormir.

Você imaginava que poderia ser presa?
Nunca. Para mim, é difícil dormir, eu não consigo. Eu não consigo ficar sozinha. Eu fico assustada, entro em pânico. Eu ainda estou começando a me conectar com o mundo. Ainda estou um pouco por fora de tudo o que aconteceu. Eu sei que vou levar isso para o resto da minha vida. Então tenho que enfrentar.

Como você conheceu o Walter Delgatti Neto, o ‘Vermelho’? Você tinha conhecimento das mensagens roubadas das autoridades?
Ele era amigo do meu marido faz muito tempo. Desde 2008 e 2009 ele conhece meu marido, desde quando meu marido começou a ser DJ. E eu conheço meu marido desde 2014, então desde 2014 eu conheço o Walter. Até então eu não sabia que o Walter estava envolvido em tudo isso. Então, quando falaram para mim na delegacia que eu estava sendo presa por causa disso (roubo de mensagens de autoridades), a gente não acreditou. A gente não deu muita bola porque quem conhece o Walter pessoalmente sabe que ele é uma pessoa mentirosa, que ele mente. Ele é um cara inteligente, isso eu não vou negar. Mas eu não imaginava que ele faria tudo isso. Ele fantasia. Mas, enquanto ser humano, ele é uma boa pessoa. Só que eu não tinha o contato dele. Eu não conversava com ele.

Você não soube de roubo de mensagens nem ajudou em momento algum em captura de conversas de autoridades?
Eu falei com o delegado que ele podia olhar no meu celular que não ia achar nada dele (do Walter). Muito menos conversa com ele. Tanto que eu não gostava dele. Eu não ia muito com a cara dele. Hoje eu perdoei ele, porque eu vi que ele não tinha noção do que estava fazendo. Ele não soube usar a inteligência dele. Ele é uma pessoa muito sozinha, uma pessoa carente. Mas realmente eu não sabia da vida dele. Eu podia até prejudicar ele se eu quisesse, porque ele está prejudicando a minha vida. Eu passei por tudo aquilo por culpa dele, entende? Porque não só eu, como minha família, a família do meu marido fomos prejudicados. Minha mãe trabalha em escola pública, minha sogra trabalha em escola pública. Araraquara é uma cidade do interior de 300 e poucos mil habitantes, mas parece pequeno, todo mundo se conhece. Principalmente porque meu marido é DJ, então ele é bem famoso na cidade. Então o Walter estava prejudicando não só eu, mas a minha vida e a da minha família. Então se eu quisesse sentar ali e falar tudo para prejudicar ele eu falava. Mas realmente eu não sabia da vida dele.

Você sabia quem eram as autoridades que tiveram seus celulares hackeados?
Na verdade nem acompanho sobre política, sobre quem está roubando, sobre quem está matando, nunca me interessei sobre nada disso. Por essa Lava Jato, ouvi dizer muitos anos atrás, mas não tenho nada contra isso, muito menos contra o Sérgio Moro.

Como foi a sua prisão?
Eu lembro que eu e meu marido acordamos cedo, como normalmente fazemos. O porteiro ficou ligando. A gente acordou e atendeu. Ele disse que era os Correios e que devia descer na portaria para pegar uma encomenda. Mas era a polícia querendo fazer contato com a gente. Meu marido achou estranha a insistência. Disse que era para deixar que depois ia resolver isso. Em dois minutos a campainha começou a tocar desesperadamente. Quando meu marido foi até a porta, foi a hora que eles quebraram a porta. Eu entrei na frente do meu marido, pedi “calma, calma, calma”. Eles armados, apontando a arma na nossa cara, “mão na cabeça, mão na cabeça”. Um susto enorme, eu não sabia o que estava acontecendo. Meu marido pediu para colocar a roupa. Eles não deixaram. Eles pediam para ele se acalmar. Eles algemaram meu marido, deixaram ele ainda nu por uns 10 a 15 minutos. Meu marido ficou em casa, algemado e nu. Aí eu corri para o quarto porque eu estava em casa de calcinha. Fui colocar a roupa, eles vieram atrás de mim achando que eu tinha arma dentro de casa. Eu disse que não tinha bandido ali. Eu pedi: “Deixa eu colocar uma roupa”. Eles ficaram mais de quatro horas no apartamento, revistando tudo. A partir dali pegaram nosso celular, não deixaram a gente ter contato com ninguém. Me deixaram de um lado e meu marido para o outro.

A PF apreendeu dinheiro na casa de vocês, R$ 99 mil, e investiga se é de origem ilícita…
Pegaram o dinheiro do meu marido, mas a gente não deve nada a ninguém. Porque a gente trabalhava. A gente sempre deixou dinheiro em casa. Não era nada ilegal. A gente não via risco nenhum, sempre deixou dinheiro em casa porque não deve nada a ninguém.

Quando você soube que estava sendo presa por causa da invasão a celulares de autoridades do País?
Eu fiquei sabendo em Brasília, depois de algumas horas. No outro dia, o advogado encontrou a gente de manhã, na cela no aeroporto de Brasília. A partir daí foi só pesadelo, sabe.

Você estava trabalhando no período da prisão? Qual é a sua formação?
Eu terminei o ensino médio, fiz alguns cursos. Sou de família de classe média baixa, pessoas humildes. Sempre tive amigos. Ajudava meu marido na casa, em tudo, e ajudava como DJ. Sou uma pessoa comum, até isso tudo acontecer, cair na minha cabeça.

O que você pretende fazer daqui para frente?
Espero que a justiça seja feita, não só comigo, mas pelo meu marido. Confio muito em Deus, sei que vai dar tudo certo. Deu certo para mim e sei que vai dar para o meu marido. Os amigos do meu marido estão aqui em energia positiva, oram por ele. Acredito muito na Justiça, e espero que sejam justos com ele. Minha família toda está unida para me auxiliar nesse momento. Está todo mundo muito preocupado com o desfecho disso. Preocupado com o que passou. Se tem algo positivo nisso foi a união da minha família. Eles têm medo do que pode acontecer, porque tem muita gente julgando a gente.

E o período na prisão teve alguma sequela?
Estou tomando remédio para dormir. Estou bem assustada. Barulho de porta me assusta. Quero ficar reservada. Tenho que seguir as regras determinadas pelo juiz que me soltou. Não dou entrevista para ninguém, exceto essa, porque é muito delicado eu falar. Ainda estou por fora de tudo o que aconteceu. Eu não contei tudo para a minha família, para não assustar eles. É difícil para eles. Vou contando aos poucos.

“Não quero saber de nada. Eu só quero transparência”, diz Bolsonaro ao negar querer “tomar partido”

Charge do Iotti (gauchazh.clicrbs.com.br)

Guilherme Mazui
G1

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, dia 16, que não deseja “tomar partido de ninguém” e defendeu “transparência” nas contas do PSL, legenda a qual é filiado. O presidente deu a declaração na saída do Palácio da Alvorada, em meio à turbulência na sua relação com o PSL.

Na última semana, Bolsonaro criticou o presidente da sigla, deputado Luciano Bivar (PSL-PE), ao afirmar que ele estava “queimado”. O atrito gerou o rumor de que Bolsonaro e um grupo de parlamentares poderão deixar o partido, informação que o presidente não confirmou oficialmente.

TRANSPARÊNCIA –  Nesta quarta-feira, dia 16, Bolsonaro voltou ao assunto e cobrou maior transparência do PSL no uso de recursos públicos que a legenda recebe, cerca de R$ 8 milhões mensais, segundo o presidente. “Ah, o presidente falou em transparência. Eu falei, sim, em transparência. Então, vamos mostrar as contas e não ficar, como a gente vê notícias por aí, expulsa de lá, tira da comissão, vai retaliar”, disse Bolsonaro.

“O partido tem que fazer a coisa que tem que ser feita, normal. Não tem que esconder nada. Eu não quero tomar partido de ninguém. Agora, transparência faz parte, o dinheiro é público, R$ 8 milhões”, acrescentou. Na última semana, Bolsonaro e um grupo de parlamentares do PSL apresentou pedido formal ao partido para que forneça documentos e informações sobre as contas partidárias dos últimos cinco anos, incluindo os dados parciais de 2019.

RELAÇÃO CONTURBADA – Perguntado se tem alguma mágoa com Bivar, Bolsonaro disse não ter mágoa com ninguém. Ele declarou que, por ora, “está tudo em paz”. O presidente também foi questionado se defende a saída de Bivar da presidência da sigla. Bolsonaro respondeu que deseja “transparência” e declarou que não está “tumultuando a relação” com o PSL. “Não defendo nada, não quero saber de nada. Eu só quero transparência”, disse.

Bivar foi alvo de operação da Polícia Federal nesta terça-feira, dia 15, que apura uso de candidatura laranja pelo partido nas eleições de 2018. A PF cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do deputado federal, em Jaboatão dos Guararapes (PE).

A ação busca saber se houve fraude no emprego dos recursos destinados às candidaturas de mulheres – ao menos 30% dos valores do Fundo Partidário deveriam ser empregados em campanhas femininas. Segundo a PF, há indícios de que o dinheiro foi desviado e usado por outros candidatos do partido. A defesa de Bivar e do PSL divulgou nota afirmando estranhar a operação em um momento de “turbulência política”.

ACONSELHAMENTO –  –  Bolsonaro tem se reunido desde a última semana com os advogados Karina Kufa e Admar Gonzaga, que lhe dão conselhos jurídicos na disputa interna da legenda. Com o pedido de acesso a contas, Bolsonaro e os deputados desejam auditar as contas para saber se a aplicação dos recursos públicos recebidos pelo PSL está correta.

A auditoria pode ser um caminho para alegação de justa causa para que os parlamentares se desfiliem da legenda sem o risco de perder os cargos. Com os dados, os advogados do presidente pretendem acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir eventuais providências à Procuradoria Geral Eleitoral e a órgãos como Receita Federal e Banco Central (BC).

“Vai pra casa, vagabundo! Vai comer sua mortadela”, reage Dória a protestos de bolsonaristas

Doria se voltou contra o grupo citando o senador Major Olímpio

Bruno Castilho
Folha

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), discutiu com manifestantes que apoiam o presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante evento em Taubaté, interior paulista, na noite desta terça-feira, dia 15.

Desde a chegada de Doria à avenida do Povo, onde aconteceu o evento, ao menos seis integrantes do grupo “Direita Taubaté” discursavam contra o governador. Munidos com um microfone e cartazes, os manifestantes gritavam: “Pinóquio”, “Pinóquio do pau oco” e “Doria surfou na ‘onda Bolsonaro’”.

“VAGABUNDO” – “Vai pra casa, vagabundo! Vai comer sua mortadela com a sua mãe, seu sem vergonha”, gritou o tucano em resposta. “Vai cobrar do Major Olímpio seus ‘duzentinho’ para vir aqui falar bobagem no microfone. Vai pra casa, aposentado”, afirmou Doria, que participava do Feito em SP, uma competição que faz parte do programa SP Gastronomia.

Por pelo menos três vezes durante sua fala, Doria se voltou contra o grupo, sempre citando o senador Major Olímpio, do PSL, partido de Bolsonaro. O grupo de manifestantes também lembrou o “Bolsodoria”, parceria eleitoral adotada por apoiadores do tucano no segundo turno da campanha no ano passado.

Nos últimos meses, Doria se descolou de Bolsonaro, com quem trocou farpas. Os dois são apontados como possíveis adversários em uma campanha presidencial de 2022. Logo no início do discurso no evento de Taubaté, em cima do palco montado no local, Doria mandou um recado para o grupo de manifestantes.

MORTADELA & DINHEIRO – “Boa noite para o verdadeiro povo de Taubaté que trabalha. E não os que atrás de mortadela e dinheiro de Major Olímpio. Vai beijar o pé do Major Olímpio que perdeu as eleições de São Paulo pra mim”.

Doria foi defendido pelo prefeito de Taubaté, Ortiz Junior (PSDB), e pelo secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi. “Aqui você tem um soldado briguento para te defender, governador. E vocês [manifestantes] vão chorar na cama que é lugar quente”, discursou o prefeito de Taubaté.

No evento, o governador divulgou parte de um investimento de R$ 15 milhões de um total de R$ 40 milhões para obras viárias em Taubaté —os outros R$ 25 milhões serão investidos pela Prefeitura. No último dia 11, enquanto Bolsonaro foi recebido aos gritos de “mito” na formatura de sargentos da Polícia Militar em São Paulo, Doria foi alvo de vaias da plateia formada por familiares dos formandos.

“BOLSORDIA” – No mês passado, Bolsonaro afirmou à Folha que Doria é uma “ejaculação precoce”. Já o governador passou a dizer que não é bolsonarista, embora tenha adotado o mote “Bolsodoria” para se eleger no segundo turno da eleição passada.

No evento da PM no dia 11, a presença de Doria foi criticada pelo senador Major Olímpio. Ele se mostrou surpreso quando a imprensa o avisou da presença do governador. “Eu espero que não [venha], acho que Doria não vem. A ausência dele vai me alegrar”, disse.

O senador publicou em seu Twitter na ocasião o momento em que Doria era vaiado, enquanto Bolsonaro era aplaudido. Vídeo semelhante foi publicado por Carlos Bolsonaro, filho do presidente, com crítica velada a Doria.

Bolsonarismo imita direita “alt right” americana com verba pública e métodos do PT

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Eduardo imita Trump e se enrola na bandeira da filial

Vera Magalhães
Estadão

A foto de Eduardo Bolsonaro abraçado a um mastro com a Bandeira do Brasil, copiando até o semblante “enternecido” de Donald Trump na mesma pose com a bandeira dos Estados Unidos, é o resumo do que é a direita bolsonarista hoje: um pastiche cafona da alt-right norte-americana, sem consistência filosófica e ideológica nenhuma, que se utiliza de dinheiro público do Fundo Partidário e dos métodos do PT para se financiar e se comunicar, envolta em brigas intestinas justamente pela falta de coesão política.

A semana foi tomada por uma crise provocada pelo presidente da República, que decidiu atirar contra seu partido, o PSL, ao tirar uma selfie com um admirador. A partir daí, ameaçou deixar a legenda, os parlamentares que o seguem ficaram que nem barata tonta sem saber para onde iam, mas, por enquanto, fica todo mundo onde está. E por quê?

ENRIQUECIMENTO – Porque o PSL enriqueceu na esteira da febre bolsonarista. É ele, por meio da Fundação Índigo, que financia eventos como a versão brazuca da CPAC, feita sob medida para o filho do presidente e candidato a embaixador posar de especialista em relações internacionais e a plateia saudar Trump a plenos pulmões.

Portanto, a “nova direita” brasileira faz o que a velha política sempre fez: se financia com dinheiro público injetado em partidos sem nenhuma identidade programática, por pura conveniência. Também na semana que passou veio à tona em mais detalhes, por meio de reportagem da revista Crusoé, a conexão entre o comando bolsonarista e uma rede de blogueiros, youtubers, sites de propaganda e milicianos digitais, alguns com polpudos salários em cargos públicos e gabinetes, para fritar ministros, tutelar o presidente, assassinar reputações e plantar fake news.

CULPA DA IMPRENSA – dos métodos da “alt-right” representada por Steve Bannon, que, a despeito de ter sido afastado pelo papai Trump pelo seu potencial tóxico, é idolatrado pela família e pelos assessores do presidente do Brasil.

Mas Bannon não é a única fonte de inspiração: afinal, foi o odiado PT que inaugurou a engenharia de financiar blogs e sites “alternativos” contra o “PIG”, então chamado por Lula e asseclas de Partido da Imprensa Golpista. Os extremos sempre se encontram num ponto: a demonização da imprensa como forma de banir o contraditório e tentar espalhar seu populismo, seja de direita ou de esquerda.

E o que o Brasil colhe em termos de política externa com sua casta dirigente fazendo “cosplay” do trumpismo para ficar bem na fita com os Estados Unidos? Na semana que passou o saldo foi um mico monumental. A expectativa de que tanta adulação fosse valer um “fast track” para a entrada brasileira na OCDE, o clube dos países ricos, sucumbiu diante da realidade pragmática: os Estados Unidos continuarão usando a retórica da boa vizinhança com o Brasil, mas na hora do “vamos ver” vão cuidar dos próprios interesses, sobretudo na pauta econômica e comercial.

ILUSÃO À TOA – Bolsonaro e os filhos vivem a ilusão de que sua chegada ao poder representa uma transformação súbita do Brasil – um País desigual social, econômica, cultural e regionalmente – numa pátria de direitistas empunhando a Bíblia e lendo Olavo de Carvalho.

Esse script é tão falso quanto a crença de que essa mixórdia de conceitos representada pela versão tropical da CPAC, o trem-fantasma do PSL e a blogosfera de crachá representam de alguma maneira algo possível de ser chamado de conservadorismo. Conservadores não flertam com aventuras revolucionárias e com conceitos golpistas como o da necessidade de se combater “inimigos”, internos ou externos, a todo tempo.

O bolsonarismo está mais para uma franquia da direita norte-americana, mas uma tão fuleira que, como se vê, nem a matriz respeita.

A vida dura dos boias-frias, na visão social de João Bosco e Aldir Blanc

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João Bosco e Aldir Blanc, uma dupla da pesada

Paulo Peres
Poemas & Canções

O psiquiatra, escritor e compositor carioca Aldir Blanc Mendes, na letra de “O Rancho da Goiabada”, em parceria com João Bosco, mostra que os boias-frias, apesar de enfrentarem um trabalho pesado durante a semana, em seus momentos de folga, através da bebida, transformam suas tristezas em sonhos. A música faz parte do LP Tranversal do Tempo, gravado por Elis Regina, em 1978, pela Philips.

O RANCHO DA GOIABADA
João Bosco e Aldir Blanc

Os boias-frias quando tomam umas biritas
Espantando a tristeza
Sonham com bife-a-cavalo, batata-frita
E a sobremesa
É goiabada cascão com muito queijo

Depois café, cigarro e um beijo
De uma mulata chamada Leonor ou Dagmar
Amar
O rádio de pilha, o fogão jacaré, a marmita, o domingo
O bar
Onde tantos iguais se reúnem e contando mentiras
Pra poder suportar

Ai, são pais-de-santo, paus-de-araras, são passistas
São flagelados, são pingentes, balconistas
Palhaços, marcianos, canibais, lírios, pirados
Dançando dormindo de olhos abertos à sombra da alegoria
Dos faraós embalsam

Celso de Mello vota a favor da condenação de Geddel e Lúcio por associação criminosa

STF tem dois votos pela condenação dos irmãos 

Luiz Vassallo
Estadão

O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello, votou nesta terça-feira, dia 15, para condenar o ex-ministro Geddel Vieira Lima e seu irmão, o ex-deputado Lúcio Vieira Lima, no caso do bunker de R$ 51 milhões em Salvador, alvo da maior apreensão da história da Polícia Federal.

O decano acompanhou o entendimento do relator da Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin, de condenar os irmãos pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

IMPROCEDENTE  – Em relação aos outros dois denunciados, Job Ribeiro Brandão, ex-assessor parlamentar, e Luiz Fernando Machado da Costa, empresário, o revisor votou pela improcedência da denúncia, absolvendo-os por falta de provas (artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal).

O ministro Celso de Mello salientou que, embora ambos tivessem participado das condutas, o Ministério Público Federal (MPF) não conseguiu provar que eles tivessem ciência da origem ilícita do dinheiro e que seus atos teriam contribuído para a reinserção dos valores no mercado de forma a ocultar os crimes antecedentes.

“As acusações penais jamais se presumem provadas”, afirmou o decano. Faltam votar os ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes e a presidente da Turma, ministra Cármen Lúcia. O  julgamento da Segunda Turma do STF será retomado na próxima terça-feira, dia 22.

Candidatas laranjas do PSL receberam R$ 778 mil do partido e só tiveram 3 mil votos

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Charge do Tacho (Jornal NH)

Jailton de Carvalho
O Globo

O presidente do PSL , Luciano Bivar , é investigado pelo suposto uso de três falsas candidatas, ou candidatas laranjas, nas eleições do ano passado em Pernambuco com o objetivo de desviar dinheiro público do fundo eleitoral. As três candidatas a deputada pelo PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, receberam R$ 778 mil do fundo eleitoral, segundo as prestações de contas à Justiça Eleitoral, e obtiveram apenas 3.303 votos.

Bivar e outros dirigentes do PSL de Pernambuco são investigados pela suposta prática de caixa dois e apropriação de recursos eleitorais, crimes previstos nos artigos 350 e 354A, do Código Eleitoral.

DESVIOS DO FUNDO – Para a Polícia Federal, as mulheres teriam cedido os nomes como uma forma de acobertar desvios do Fundo Eleitoral para outras finalidades não previstas na legislação específica. Não há informação se os recursos foram usados em outras campanhas eleitorais.

Pelas regras em vigor, 30% do Fundo Eleitoral teriam que ser empregados em campanhas femininas. O Ministério Público endossou as suspeitas da polícia nos pedidos que deram origem às buscas em endereços de Bivar e outras pessoas vinculadas ao PSL, em Recife.

As supostas laranjas seriam Maria de Lourdes, Erica Siqueira e Mariane Nunes. Maria de Lourdes recebeu R$ 400 mil e teve 274 votos.Erica Siqueira foi destinatária de R$ 250 mil e obteve 1.315 votos. Mariane teria sido contemplada com R$ 128 mil e amealhou apenas 1.714 votos.

AUTORIZAÇÃO – As buscas foram autorizadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco ontem. Seis dos sete desembargadores eleitorais entenderam que os indícios recolhidos pela polícia seriam suficientes para justificar a medida de força.

O placar só não foi 7 x 0 porque um dos desembargadores entendeu que as buscas não seriam necessárias em alguns dos endereços indicados pela polícia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Este escândalo parece uma tempestade num copo d’água. Cada voto das três candidatas teria custado apenas R$ 236, uma mixaria no mercado eleitoral brasileiro… (C.N.)