Busca nas celas de Dirceu, Estevão e Geddel derruba a direção da Papuda

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Estevão, agora barbudo, foi apanhado em flagrante

Fábio Fabrini
Folha

A varredura nas celas do ex-senador Luiz Estêvão (MDB-DF) e dos ex-ministros Geddel Vieira Lima (MDB-BA) e José Dirceu (PT-SP), na Penitenciária da Papuda, derrubou integrantes da cúpula do sistema prisional em Brasília. Em nota divulgada nesta segunda (18), a Secretaria da Segurança Pública do Distrito Federal informou que, “considerando o cumprimento do mandado de busca e apreensão” no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Papuda, durante o qual foram encontrados “diversos itens proibidos”, decidiu afastar preventivamente de suas funções o diretor da unidade, José Mundim Júnior, e o subsecretário do Sistema Penitenciário, Osmar Mendonça de Souza.

Os dois vão ficar fora de seus cargos ao menos até a conclusão de investigações sobre o envolvimento de agentes públicos na concessão de privilégios aos políticos presos no CDP.

ATÉ TESOURA – Na tarde de domingo (17), a Polícia Civil do DF apreendeu chocolates, pendrives e uma tesoura, atribuídos a Estêvão, na cela que ele divide com Dirceu.

Os policiais investigam um suposto esquema de favorecimento, envolvendo agentes públicos, aos três internos. Há informações, segundo os investigadores, de que Estêvão atua como o “dono do presídio”.

No local, também foi encontrada uma anotação na qual Dirceu registraria a necessidade de autorização do ex-senador para conseguir burlar horário de visitações na Papuda.

TODOS CALAM – Na cela de Geddel, ocupada por ele e mais de dez presos, foram encontradas anotações, que ainda serão analisadas.

Os advogados de Estêvão, Marcelo Bessa, e de Dirceu, Roberto Podval, informaram que não se manifestariam. O criminalista Gamil Föppel, que defende Geddel, ainda não se pronunciou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEstevão não somente é o “dono” da Papuda, como também comanda de dentro do presídio a gestão do grupo empresarial OK, de sua propriedade, conforme revelou aqui na TI o comentarista José Antonio Perez Jr., direto de Brasília. (C.N.)

Projeto nacional é a grande bola fora do Brasil, analisa Edney Cielici Dias

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Charge do Duke (dukechargista.com)

Edney Cielici Dias
Poder360

O labirinto em que o país se encontra tem diversas faces de desilusão e o futebol é mais uma delas. Hoje a seleção brasileira estreia na Copa com a maior indiferença dos brasileiros –53% não têm interesse pelo evento, percentual bastante superior aos verificados, por exemplo, nos meses de junho em 1994 (20%) e 2014 (36%), segundo o Datafolha.

A ligação com a seleção brasileira é, para o bem ou para o mal, um indicador de pertencimento, de identidade com a nação. Na 6ª feira (14.jun), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli tocou o problema em outra perspectiva: nenhum candidato a presidente da República apresentou, até o momento, um “projeto de nação”.

PATRIOTADA – O que liga a seleção brasileira ao “projeto de nação”? Trata-se de algo sério ou estamos resvalando na patriotada?

A relação fria dos brasileiros é, sim, manifestação de um problema maior. Coincidentemente, a série dos dados do Datafolha corresponde a pontos críticos do enfraquecimento do “projeto de nação”.

O sonho de Brasil grande, de orgulho nacional de potência emergente, sepultou-se no início dos anos 1980, com o ocaso melancólico da agenda desenvolvimentista dos governos militares. O renascimento democrático significou administrar crises econômicas e demandas sociais historicamente reprimidas.

ESTABILIDADE – O Plano Real, de 1994, e seus desdobramentos propiciaram a necessária estabilidade de preços, mas em um contexto desfavorável à qualificação produtiva. O arranjo macroeconômico se consolidou com juros elevados, câmbio cronicamente sobrevalorizado, ampla abertura a fluxos de capitais e baixa abertura comercial.

Ocorreu, de fato, uma abertura econômica perversa, restrita aos fluxos de capitais, em contraposição ao que seria um papel mais ativo do Brasil no comércio e de participação nas cadeias mundiais de produção.

O brasileiro com renda mais alta se internacionalizou com o real forte e a liberdade de enviar seus recursos ao exterior e repatriá-los. As desvalorizações cíclicas do real, por sua vez, possibilitam oportunidades de especulações fáceis da elite duty free.

CONFIGURAÇÃO – O período de retomada do crescimento nos governos Lula não alterou essa configuração institucional. A expansão se deu com o combustível de exportação de produtos de baixa complexidade produtiva, paralelamente a importantes políticas de renda, em especial a valorização do salário mínimo.

A emergência da crise, no final do 1º mandato de Dilma, voltou a explicitar fragilidades de um país em processo de desindustrialização e de baixa produtividade. Salientou também a imemorial parcialidade do Estado brasileiro, pleno de vieses e atrasos, e uma Justiça que, em seu elitismo e lentidão, sinaliza que o crime compensa.

Em certo sentido, é fácil entender o que se passa nesta Copa. Os brasileiros têm graves problemas a resolver no seu dia-a-dia e não há clima para festa.

ANTIPATIA – Há também uma certa antipatia. Os craques da seleção são tão internacionalizados como a elite nacional: alta renda, residência no exterior, capacidade fugir dos problemas da terrinha. A CBF é tão impopular e sem credibilidade como o vergonhoso governo federal. Natural o distanciamento, a despeito da qualidade do time dirigido por Tite.

A ideia de nação, essencial na conformação das economias capitalistas, é semelhante à de um barco em que as diversas classes e interesses convivem por objetivos comuns. A presente situação do Brasil é, no entanto, a de uma nau de insensatos.

O tal “projeto de nação” é, nessa imagem, uma rota de navegação capaz de pacificar os tripulantes, de fazer o país singrar rumo ao desenvolvimento. É ingênuo, no entanto, esperar um projeto de nação coerente por parte de candidatos. Isso não correu em eleições passadas.

DESINFORMAÇÃO – Projetos implicam explicitar conflitos, apará-los, qualificar o debate. O quadro eleitoral tende, mais uma vez, a chafurdar na desinformação. Proposições coerentes dos candidatos devem, assim, ser provocadas pela sociedade civil.

Quais as políticas produtivas e de emprego? Como resgatar a segurança pública? O pode ser feito para melhorar o acesso à Justiça e torná-la eficiente? Como melhorar a educação? Qual a agenda social e de resgate da cidadania? Como preservar nosso ambiente?

Muitas perguntas devem ser respondidas no projeto de nação. Ele é necessário. Assim como também é saborear a vida e – por que não? – o futebol. É preciso navegar para além do terror, dos ódios, da canalhice, da xaropada. Sejamos felizes, enfim.

(artigo enviado por João Amaury Belem)

PF indicia ex-procurador Marcelo Miller e Joesley Batista por corrupção

Dos três, somente Wesley (à esquerda) escapou da PF

Andréia Sadi e Mariana Oliveira
G1 Brasília

A Polícia Federal indiciou o ex-procurador da República Marcelo Miller por corrupção passiva e o empresário Joesley Batista, por corrupção ativa. Também foram indiciados, por corrupção ativa, o ex-executivo da J&F Francisco de Assis e as advogadas Fernanda Tórtima e Esther Flesch, que trabalhavam para a empresa. O blog busca contato com todos os indiciados – leia ao final deste texto nota do advogado de Joesley Batista.

O indiciamento aconteceu no âmbito do processo que apura se Joesley Batista, Francisco de Assis e as advogadas tentaram corromper Miller enquanto ele atuava no Ministério Público.

COM FACHIN – O relatório da PF foi enviado ao ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, e à presidente do tribunal, Cármen Lúcia. No ano passado, a Procuradoria Geral da República rescindiu acordos de delação premiada com executivos da J&F por suposta omissão de informações nos depoimentos. Os delatores negam. Na prática, os acordos foram suspensos. Isso porque a rescisão definitiva depende de validação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que ainda não aconteceu.

Para o delegado Cleyber Malta Lopes, responsável pelo caso, há indícios suficientes de que Joesley Batista, Francisco de Assis, Fernanda Tórtima e Esther Flesch corromperam Marcelo Miller para obter ajuda no acordo de delação premiada de executivos da J&F.

O delegado da PF concluiu, ainda, que houve omissão por parte de Joesley Batista e de Francisco de Assis “sobre a real extensão dos atos praticados por Marcello Miller e a relação ilícita entre Miller e os investigados”.

SEM PROVAS – Os delatores querem que o acordo seja mantido. Afirmam, de modo geral, que não tinham conhecimento de que Miller ainda estava vinculado à Procuradoria e sustentam que não tentaram omitir informações à PGR.

No relatório, Cleyber Lopes afirmou ao STF que os elementos indicam que Marcello Miller não interferiu na produção de provas descritas em planilhas de pagamentos entregues.

Lopes acrescenta, ainda, que não foram encontrados elementos de que o então procurador “tenha interferido ou orientado as gravações espontâneas realizadas por Joesley Batista e Ricardo Saud antes das ações controladas autorizadas pela Justiça”. O delegado da PF frisou, também, não haver elementos de envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal.

DELAÇÃO DA J&F – As delações foram validadas pelo ministro Luiz Edson Fachin em maio de 2017. Desde o início, pontos do acordo geraram críticas, uma vez que, à época, foi concedida aos delatores imunidade penal, ou seja, a impossibilidade de serem denunciados ou responderem a processos na Justiça.

Posteriormente, com a suspensão dos acordos pela PGR, os delatores foram denunciados pelo Ministério Público.

As delações originaram a Operação Patmos, deflagrada em maio de 2017 para coletar indícios de supostos repasses ilegais da J&F ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), que chegou a ser afastado do mandato, e ao presidente Michel Temer.

NO PORÃO DO JABURU – Joesley Batista gravou uma conversa com o presidente na qual, segundo a Procuradoria-geral da República, eles trataram sobre a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (MDB-RJ) para que ele não fechasse acordo de delação premiada. Temer nega.

Em ação controlada, a Polícia Federal gravou um auxiliar do presidente, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR), saindo de restaurante com uma mala com R$ 500 mil após recebê-la de um executivo da J&F – Ricardo Saud.

As acusações da J&F viraram denúncia formal da Procuradoria contra Aécio, que virou réu em ação penal no STF, e duas denúncias contra Temer, que teve os processos suspensos por decisão da Câmara.

No dia 26 de junho, é bom ficar de olho na Segunda Turma do Supremo

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Charge do Piovan (Arquivo Google)

José Carlos Werneck

No próximo dia 26 deste mês, quando a seleção da Argentina enfrenta a Nigéria, a Dinamarca disputa com a França e a Austrália joga contra o Peru, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal julgará o pedido de liberdade de Lula.

Isso só acontece porque o ministro Edson Fachin, relator dos processos da Operação Lava Jato no Tribunal, decidiu remeter à Segunda Turma o novo pedido da defesa de Lula para que o ex-presidente deixe a prisão até que os recursos contra sua condenação sejam julgados. Edson Fachin quer que o pedido de liberdade de Lula seja apreciado, em 26 de junho, a critério do ministro Ricardo Lewandowski, que preside aquela Turma.

HÁ RISCOS – Os outros integrantes da Segunda Turma, além de Ricardo Lewandowski e Edson Fachin, são os ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

Edson Fachin já havia negado, no mês passado, um pedido da defesa para que o ex-presidente saísse da prisão. Naquela ocasião, a decisão, feita em julgamento virtual, foi unânime. Não obstante o entendimento, os ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Celso de Mello são declaradamente contra a possibilidade de que réus condenados em segunda instância sejam presos para o início do cumprimento de pena.

Portanto, teoricamente há risco de Lula ser libertado, embora pedido semelhante, que havia sido protocolado pelos advogados de Lula no Superior Tribunal de Justiça, já tenha sido negado liminarmente pelo ministro Félix Fischer, relator da Lava Jato no STJ.

CONFIO NO STF – Lula encontra-se detido na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 7 de abril. O ex-presidente foi condenado a doze anos e um mês de prisão por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no caso do tríplex do Guarujá. Com o fim do processo em segunda instância, seus advogados ingressaram com recurso especial no STJ e recurso extraordinário no STF contra a condenação. A vice-presidência do TRF4 ainda estuda a possibilidade desses recursos serem admissíveis junto aos tribunais superiores.

O meu e-mail está cheio de mensagens de leitores, preocupados com a possibilidade de que no momento em,que os torcedores de todo o País estiverem preocupados com a Copa do Mundo, a Segunda Turma do STF goleie a Lava Jato e decepcione a torcida do bem.

Como eu confio no Supremo Tribunal Federal, respondo a todos eles que a nossa mais alta Corte de Justiça não decepcionará a Nação e não frustrará as esperanças de seus jurisdicionados.

Polícia apreende pendrives e anotações na cela de Geddel e Luiz Estevão

Ex-senador Luiz Estevão chega para depoimento na 10ª Vara Federal, em Brasília, nesta quarta (Foto: TV Globo/Reprodução)

Luiz Estevão tentou jogar os pendrives na privada

Mara Puljiz
TV Globo

A Polícia Civil do Distrito Federal fez buscas, neste domingo (17), na cela que abriga o ex-senador Luiz Estevão e o ex-ministro da Articulação Política do governo Michel Temer, Geddel Vieira Lima (MDB-BA). Os dois dividem um alojamento com outros presos no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Segundo a polícia, as buscas foram autorizadas pela Justiça e motivadas pela denúncia, feita por um detento, de que os políticos estariam recebendo “regalias” na prisão. Barras de chocolate, anotações que seriam de Geddel e pelo menos cinco pendrives – supostamente, de Luiz Estevão – foram apreendidos.

SEM SABER… – À TV Globo, o advogado de Geddel Vieira Lima disse que “estranha, mais uma vez, a defesa técnica não saber da operação antes da imprensa”. A defesa de Luiz Estevão também disse desconhecer as buscas, e não quis se pronunciar.

De acordo com a Polícia Civil, durante as buscas, Estevão tentou se livrar de um pendrive jogando o dispositivo na privada. O aparelho foi recuperado e passará por perícia.

Além do conteúdo dos itens apreendidos, os investigadores querem descobrir quem facilitou a entrada dos alimentos e das mídias.

VISTORIA – A ação foi realizada pela Coordenação de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da Polícia Civil do DF e pela Promotoria de Execução Penal do Ministério Público do DF. Até a noite deste domingo, nenhum dos órgãos tinha detalhado as possíveis medidas a serem tomadas com base no material encontrado.

A suspeita de regalias na cela ocupada por Luiz Estevão não é inédita. Em março de 2017, uma inspeção encontrou itens proibidos nas dependências compartilhadas pelo ex-senador. A lista incluía chocolate, cafeteira elétrica, cápsulas de café e até macarrão importado. E o diretor de presídio foi exonerado após denúncia de regalias para ex-senador Luiz Estevão

O político também é acusado pelo MP do DF de financiar a reforma do bloco onde cumpre pena no Complexo da Papuda. Pelo menos três ex-gestores da Papuda também são listados no processo por, supostamente, terem sido coniventes com o empreendimento.

Operador preso pela PF acusa Ronaldo Nogueira, ex-ministro do Trabalho

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Ex-ministro alega esta sendo caluniado


Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Preso preventivamente na Operação Registro Espúrio e apontado como um dos principais operadores do PTB e da União Geral dos Trabalhadores (UGT) no Ministério do Trabalho, o ex-servidor da pasta Renato Araújo Júnior disse, em depoimento à Polícia Federal, que era um mero “cumpridor de ordens” no esquema de fraudes na concessão de registros sindicais.

Araújo Júnior apontou que pode apresentar informações sobre o que chamou de “envolvimento” do ex-ministro Ronaldo Nogueira (PTB-RS), que deixou o cargo em dezembro para reassumir mandato de deputado. Ele não foi alvo da operação.

CENTRAL SINDICAL – A menção a Nogueira ocorreu no contexto em que Renato falava que recebeu diversos pedidos da UGT para registros de entidades vinculadas à central sindical, “muitas vezes sem os requisitos necessários” e que esses “pedidos eram, na verdade, ordens veladas”, vindas do presidente da UGT, Ricardo Patah, e de outros nomes relacionados à central sindical.

Araújo Júnior afirmou que Patah é ligado ao ex-ministro e que fazia pedidos a Nogueira. O ex-servidor declarou à PF que “futuramente, depois de tomar conhecimento acerca do teor dos autos, pretende prestar informações sobre o envolvimento de Ronaldo Nogueira nos fatos; que esclarece que os ‘pedidos’ (da UGT) eram direcionados não somente ao declarante, mas também a Renata Frias Pimentel, Leonardo Cabral, Carlos Lacerda e ao próprio ministro Ronaldo Nogueira; que futuramente pode declinar a participação de alguns deles nas fraudes sindicais”.

NA PAPUDA – O depoimento é de 31 de maio e foi o segundo prestado pelo ex-servidor, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda. Ele encerrou a fala afirmando que “deseja que fique consignado o seu interesse em colaborar amplamente no curso da investigação, prestando novos depoimentos se necessário”.

Ao Estadão, o ex-ministro Ronaldo Nogueira “refutou com indignação” a menção ao nome dele e afirmou que exonerou Renato Araújo Júnior no ano passado, quando soube que o Ministério Público Federal na primeira instância havia aberto uma investigação sobre fraudes em registros sindicais. Nogueira negou a afirmação do ex-servidor de que recebia pedidos de Patah e disse que a relação que tinha com dirigentes de centrais sindicais era institucional.

“Graças a Deus, o único patrimônio que tenho é minha honra e meu nome. Não há qualquer possibilidade de se afirmar que o ministro fez qualquer pedido a ele. Defendo o aprofundamento das investigações.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO ex-ministro pode se defender à vontade, não vai adiantar nada. O ministério do Trabalho era um dos focos de corrupção desde sempre. Por isso, o Brasil é recordista mundial em sindicatos. E o ministro Edson Fachin está pronto para recriar a contribuição anual obrigatória, para fazer a festa dos pelegos. Fachin parecia ser  uma coisa, agora parece ser outra. (C.N.)

 

 Corrupção no Ministério do Trabalho era ainda maior do que se pensava 

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Falta apurar o verdadeiro papel de Roberto Jefferson

Vinícius Sassine
O Globo

A liberação de contribuições sindicais a entidades e centrais, com suspeita de fraudes em parte dos repasses, passou por filiados aos dois partidos que dividem o controle de áreas estratégicas no Ministério do Trabalho. Partidários do Solidariedade, do deputado Paulinho da Força (SP), e do PTB, mais especificamente do feudo do deputado Jovair Arantes (GO), foram os responsáveis tanto pela efetivação de repasses quanto pela definição do destino de um montante de quase R$ 500 milhões. Na ponta final da liberação dos recursos, em pelo menos um caso a entidade é controlada por um dirigente do Solidariedade.

Indicados por partidos teriam atuado de forma irregular para liberar repasses a entidades sindicais. O dinheiro saiu de uma conta administrada pelo Ministério do Trabalho, com resíduos de contribuições sindicais O saldo da conta é de quase R$ 500 milhões.

POLÍCIA FEDERAL – O Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União (CGU) identificou fraudes em pelo menos três repasses e, desde o fim de março, o caso passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF). É uma segunda frente de investigações da PF, posterior à Operação Registro Espúrio, que desvendou um esquema de pagamento de propinas para liberação de registros sindicais.

A nova apuração da PF está focada numa fase posterior ao registro sindical, em que entidades buscam ressarcimento de contribuições sindicais depositadas na Caixa Econômica Federal. Este dinheiro é uma espécie de resíduo de contribuições sindicais, uma sobra que acabou depositada na Caixa – numa conta administrada pelo Ministério do Trabalho, com quase R$ 500 milhões – em razão de falhas nas guias de recolhimento.

FRAUDES GROTESCAS – A base da investigação é um relatório da CGU que apontou fraudes grosseiras para que fossem destravados R$ 3,8 milhões a uma federação de trabalhadores sediada na Bahia. Outros R$ 2,5 milhões, destinados a uma segunda entidade, com sede em Brasília, são investigados.

Os personagens no caminho da liberação do dinheiro são dos dois partidos que controlam o Ministério do Trabalho. A entidade que recebeu os repasses é a Federação dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade da Bahia, Sergipe e Alagoas (FETTHEBASA), cujo presidente é William Roberto Arditti. William preside o conselho fiscal do Solidariedade, é primeiro vice-presidente do partido em Sergipe e presidente da Força Sindical – a central que se confunde com o partido político, os dois controlados por Paulinho da Força – no mesmo estado.

DOIS ENVOLVIDOS – Dentro do ministério, conforme as investigações da CGU, o então secretário de Relações do Trabalho, Carlos Cavalcante Lacerda, atuou irregularmente para destravar o dinheiro. Ele é segundo secretário de Organização do Solidariedade.

Outras atuações supostamente irregulares foram do então secretário-executivo e número dois da pasta, Leonardo Arantes, que integra o conselho fiscal do PTB em Goiás, e do superintendente do Trabalho em Goiás, Degmar Pereira, filiado ao Solidariedade até 2014 e ao PTB desde 2017.

Leonardo, que é sobrinho do deputado Jovair Arantes, e Carlos Lacerda foram presos pela PF na Operação Registro Espúrio, por suspeita de também fraudarem a emissão de registros sindicais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No Ministério do Trabalho, quanto mais se mexe, mais aumenta a fedentina. A podridão é nauseabunda, desculpem a expressão. Falta apurar se Roberto Jefferson era o chefe da quadrilha ou apenas um cúmplice querendo ser chefe… (C.N.)

PF manda intimar o encarregado de executar a reforma para filha de Temer

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Charge do Kacio (Arquivo Google)

Andréia Sadi
G1 Brasília

O delegado da Polícia Federal Cleyber Malta Lopes mandou intimar Onofre Jesus Gimenes Secchi no inquérito que apura o pagamento de uma reforma feita na casa de Maristela Temer, filha do presidente Michel Temer, em 2014. Os investigadores querem saber a origem do dinheiro usado na reforma. Em depoimento à PF no fim de maio, revelado pela GloboNews, o arquiteto Luiz Eduardo Visani apontou Onofre como sendo o funcionário da Argeplan encarregado por Maria Rita Fratezi para “coordenar e administrar” funcionários que ele colocou à disposição para finalizar a segunda fase da obra da casa de Maristela Temer.

Maria Rita é mulher do coronel aposentado da polícia militar João Baptista Lima Filho, amigo do presidente Temer. Coronel Lima é dono da Argeplan, empresa de engenharia. Ele chegou a ser preso em março, na Operação Skala da Polícia Federal.

PEÇA-CHAVE – Segundo o blog apurou, Onofre é peça-chave na investigação por ser uma pessoa de confiança do coronel Lima. Ele também tem relações com Arlon Vianna, chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo. Arlon, hoje, é o principal interlocutor de Lima junto a Temer.

Segundo Visani, Onofre acompanhou “diariamente a execução das obras”, mesmo durante a primeira fase da reforma, “salvo engano desde dezembro de 2013”.

O empresário Antônio Carlos Pinto Junior, que forneceu portas e janelas para a reforma da casa da filha do presidente Michel Temer, também aponta Onofre como executor da obra, segundo Maria Rita Fratezi. Ele informou, em depoimento à PF, acreditar que Onofre era o “braço direito” da mulher do coronel Lima na reforma pois sempre ela o chamava para discutir detalhes da obra.

ARGEPLAN NA REFORMA – No depoimento à PF, Visani – contratado para a obra – confirmou detalhes sobre a participação da Argeplan na reforma da casa de Maristela Temer. Foi a primeira vez que um fornecedor da reforma relatou a participação da empresa de Lima diretamente na obra.

Entre novembro de 2013 e março de 2015, Visani disse ter recebido um total de R$ 950 mil da Argeplan. Os pagamentos, segundo o engenheiro, foram realizados mensalmente em dinheiro vivo na sede da Argeplan.

De acordo com Visani, quem comandava os gastos da obra era a esposa do coronel Lima, Maria Rita Fratezi. Lima foi apontado na delação da J&F como intermediário de R$ 1 milhão em propina para o presidente Temer.

OUTROS DEPOIMENTOS – No inquérito dos Portos, o delegado Cleyber intimou Marcelo Azevedo, indicado por Temer para comandar a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) – estatal que administra o Porto de Santos, para ser ouvido no dia 29 de maio.

Azevedo, no entanto, informou ao delegado que estava fora do país e, por isso, não poderia comparecer na data. Ele disse estar à disposição para prestar esclarecimentos após o dia 12 de junho.

No dia 6 de junho, o delegado Cleyber Malta Lopes também pediu que seja informado quantos policiais são necessários para que seja finalizada dentro do prazo do inquérito dos portos a análise e relatório do material em apuração no inquérito. O inquérito dos portos já foi prorrogado duas vezes. A última foi em maio, quando o ministro Luís Roberto Barroso – relator do caso no STF – concedeu mais 60 dias de prazo para os investigadores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Há mais de um ano, o coronel Lima se esquiva de depor, alegando deplorável estado de saúde que seu bronzeado desmente. Seu caso é igual ao de Maluf, que em um mês e meio se curou de metástases (câncer generalizado). A omissão das autoridades é inaceitável, pois não obrigam estes doentes terminais a serem examinado por uma junta médica. É o mínimo que se esperava. (C.N.)

Marina tem dificuldades de costurar alianças, mas atrai economistas ortodoxos

Pesquisas indicam que Marina derrota Bolsonaro

Dimitrius Dantas e Maria Lima
O Globo

Sem alianças com outros partidos, uma bancada reduzida que garante somente dez segundos na campanha televisiva e apenas R$ 10 milhões do fundo eleitoral (menos de um quarto do que gastou na eleição de 2014). Poucos candidatos a presidente da República gostariam de ter a estrutura de Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, mas quase todos comemorariam estar em sua situação. Com 15% das intenções de voto, atrás apenas do deputado Jair Bolsonaro (PSL), Marina é hoje a única que se mostra capaz de vencê-lo no segundo turno — de acordo com a última pesquisa do Datafolha, por 42% a 32%.

Cativar eleitores é um objetivo que, em sua equipe de campanha, é perseguido com estratégias diferentes — e, muitas vezes, opostas. Há um grupo mais fiel a Marina, egresso de sua primeira campanha em 2010, formador da Rede, que, como ela, rejeita qualquer ligação com partidos tradicionais e prega uma “nova política”. Diz não se importar com o pouco tempo na televisão ou a falta de dinheiro. E há um grupo focado em demonstrar que Marina tem os pés no chão, especialmente na área econômica, como em 2014.

LONGE DO PSDB – A dialética entre os “sonháticos” e os “pragmáticos” da campanha ficou mais clara nos últimos dias. Depois que Marina e seus mais próximos rejeitaram com veemência os acenos feitos pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, os economistas Eduardo Giannetti da Fonseca e André Lara Resende, colaboradores que andavam meio distantes, apresentaram publicamente diagnósticos e propostas econômicas.

— Isso mostra que a Marina tem na área econômica uma equipe de pessoas com experiência e que não vai fazer nenhuma aventura política na economia — diz Giannetti, que defende propostas de uma economia de mercado com uma política inclusiva “incisiva”.

BELICOSOS – Para Giannetti, a eleição se apresenta com dois candidatos de extremos, caracterizados pelo caráter belicoso: Bolsonaro e Ciro Gomes (PDT). Ele afirma que a movimentação é uma forma de indicar que Marina irá se apresentar como a candidata da racionalidade.

Ao lado do economista Ricardo Paes de Barros, um dos maiores especialistas do mundo em programas focados na população de baixa renda, Giannetti e Lara Resende são os sinais ao mercado e ao público de que Marina irá, sim, abrir espaço a ideias semelhantes às defendidas por PSDB e PT. Enquanto isso, seu grupo mais fiel zela por afastar a possibilidade de isso se concretizar no quesito aliança partidária.

COM NANICOS – Até aqui, Marina e os seus correligionários demonstram muita dificuldade e pouca disposição para atrair partidos de peso. Marina tem investido em conversas com partidos nanicos, como PHS e PMN, e sonha com o apoio formal de alguns dos movimentos de renovação da política, entre eles o Agora. Políticos profissionais da Rede estranham o estilo da candidata ao conduzir a pré-campanha até agora. Perguntado sobre qual seria a estratégia de Marina, um dos coordenadores da Rede respondeu ao Globo: “Se você descobrir, me conta”.

— Marina vai apostar na força pessoal, na sua posição de personalidade respeitada como defensora do meio ambiente, está jogando um tudo ou nada para atingir uma nova parcela da população, mostrando o que é — diz o ex-senador Pedro Simon, do MDB, considerado um dos principais conselheiros de Marina.

SACERDÓCIO – Esse isolamento é visto quase como um sacerdócio entre os mais idealistas de sua campanha. As comparações são feitas principalmente com a campanha de 2014 quando, devido à morte de Eduardo Campos, a ex-senadora assumiu uma candidatura que, segundo seus assessores, não foi montada para ela. Herdou um marqueteiro e alianças costuradas por Campos e pelo PSB.

Acabou ouvindo reclamações de que era reticente em pedir votos em palanques que não haviam sido montados por ela. Para 2018, Marina promete ser mais ativa no apoio a parceiros.

— Ela tem um partido, que ela criou, e mais a autonomia para definir a própria agenda — admite a ex-vereadora Andrea Gouvêa Vieira, da coordenação de campanha.

APOIO EMPRESARIAL – Nesta situação, a equipe de Marina investe em sua imagem de alguém distante da politicagem, dos conflitos, e que se propõe a fazer um novo “pacto social” para reconstruir a política e o país após a Operação Lava-Jato. Durante a campanha, Marina planeja se comprometer a acabar com a reeleição e a usar a regra já no seu mandato. Seus colaboradores acreditam que a medida lhe daria autoridade para aprovar reformas.

Além do isolamento partidário, Marina enfrenta a perda de outros apoios importantes: não participarão desta vez seu candidato a vice em 2010, o empresário Guilherme Leal, fundador da Natura, e Neca Setúbal, acionista do Itaú, e que atuou na coordenação de seu programa de governo em 2014. Também ficará de fora o ex-deputado Alfredo Sirkis, um dos fundadores da Rede. Sirkis avalia que o recall de 20 milhões de votos das últimas eleições dará a Marina uma boa largada, mas alerta:

— Essa aura mítica da Marina faz parte da imagem da mulher honesta que nasceu no coração da floresta e chegou a senadora e duas vezes candidata a presidente. Mas a política brasileira está muito erosiva e Marina não escapou ao cansaço da população em relação aos políticos — avalia.

Nos EUA, o drama das crianças brasileiras sem os pais; em Cuba, a fala de Lula

No cubano Granma, a primeira entrevista de Lula depois de ser preso ReproduçãoNelson de Sá
Folha

O escândalo pela separação de pais e filhos latino-americanos, ao serem presos tentando entrar nos EUA, abalou afinal a política contra imigrantes da administração Trump. New York Times, Wall Street Journal, Washington Post e Los Angeles Times trouxeram no final da semana uma sequência de reportagens sobre a divisão crescente dentro do Partido Republicano e da Casa Branca, além de relatos de mães e crianças separadas.

Por fim, a assessora Kellyanne Conway e a primeira-dama, Melania, saíram a campo no domingo para tentar afastar o próprio presidente da linha de tiro, apoiando-se em canais como NBC e Fox News.

SEM SE ABRAÇAR – Entre os relatos da fronteira com o México, publicado pelo LA Times e com ampla repercussão on-line, destacou-se o de um descendente de brasileiros que trabalhava com crianças separadas dos pais:

“Colegas num abrigo contratado pelo governo no Arizona fizeram um pedido específico para Antar Davidson, quando três crianças brasileiras chegaram: ‘Diga a eles que não podem se abraçar’. Davidson, 32, fala português. Ele disse que os três irmãos — de 16, 10 e 6 anos— ficaram perturbados depois de terem sido separados de seus pais na fronteira.

“As crianças estavam ‘amontoadas juntas, lágrimas escorrendo pelo rosto’. Os policiais haviam dito a eles que seus pais estavam ‘perdidos’, o que eles interpretaram como mortos. Davidson falou às crianças que não sabia onde seus pais estavam, mas que tinham que ser fortes. ‘O garoto de 16 olha para mim e diz: Como?’

“Enquanto observava o jovem chorar, ele pensou: ‘Isso não é saudável’. Davidson se demitiu nesta semana.”

LULA EM CUBA – No cubano Granma, a primeira entrevista de Lula depois de ser preso, sob o título “Desde o cárcere de Curitiba”.

Do inglês The Sun à alemã Der Spiegel e ao chinês Diário do Povo, ecoou a escalação de Lula como comentarista de futebol na TVT.

E o cubano Granma (acima) publicou sua “primeira entrevista”.

SEM PAIXÃO – Antes mesmo do empate “desapontador”, no dizer do New York Times, os problemas do país já haviam apagado o “entusiasmo”, a “fascinação” e a “paixão” dos brasileiros pela Copa — segundo reportagens do mesmo NYT, do inglês Guardian e do francês Le Monde.

UNICÓRNIOS CICLISTAS

No site de tecnologia ZDNet, da CBS, “Unicórnio chinês prepara chegada ao Brasil”. Unicórnios são as empresas com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão. No caso, a Mobike, que neste mês espalhará bicicletas de aluguel por São Paulo, sem estações fixas. Terá como concorrente a Yellow, de outro unicórnio chinês, a DiDi, a mesma que comprou a 99.

A Mobike deverá estrear neste mês também em Nova York, segundo o WSJ. Terá como concorrente a Jump, do Uber.

Empate com a Suíça aumenta o atual jejum de vitórias no Brasil nas Copas

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Gabriel de Jesus sofreu pênalti, mas o juiz não marcou

Deu em O Globo

Com o empate em 1 a 1 contra a Suíça, na estreia da Copa de 2018, o Brasil chegou ao seu terceiro jogo seguido sem vitórias em copas. A sequência de jejum só é superada pelo período entre 1974 e 1978, quando a seca foi de quatro partidas. Se o time de Tite não bater a Costa Rica, na próxima sexta (22), o recorde negativo será igualado.

O jejum atual tem requintes de crueldade, pois foi iniciado pela goleada de 7 a 1 aplicada contra a Alemanha. Na disputa de terceiro lugar, outra derrota acachapante, dessa vez por 3 a 0 contra a Holanda. Agora, um empate contra a Suíça. A sequência antiga tem a derrota para a Holanda por 2 a 0 e para Polônia por 1 a 0, na Copa de 1974. No início da Copa de 1978, foram dois empates: 1 a 1 contra Suécia e 0 a 0 com a Espanha.

O lado bom é que agora a seleção brasileira vai enfrentar a Costa Rica, teoricamente o time mais fraco do grupo. E o retrospecto também joga a favor do Brasil. Além da Costa Rica ser um habitual freguês, o Brasil nunca foi eliminado nesse sistema atual de fase de grupos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFalta um maestro que comande o time dentro de campo, porque é um time sem lideranças. (C.N.)

No desespero, governo vai dizer nas redes que herdou “batata quente” do PT

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A alegria e a animação da “troika” são impressionantes


Andreza Matais
Estadão

No momento em que o presidente Michel Temer enfrenta seu pior índice de rejeição (82%), o governo fará um contra-ataque nas redes sociais para dizer que está tentando resolver problemas que herdou dos governos do PT. Em dez vídeos de um minuto e meio, que começam a ser divulgados nesta segunda-feira, atores contratados pela equipe digital do Planalto dizem que Temer assumiu “a batata quente” e que “na economia não existe solução mágica”. “Temer se colocou como uma ponte para tirar o País da lama e levar para um local legal”, diz uma atriz.

Num dos vídeos, a que a Coluna do Estadão teve acesso, um ator frisa que “Temer encontrou o Brasil com índices de um país em guerra”. E compara: “É como se o presidente estivesse reformando a casa com a pessoa morando dentro”.

CAMINHONEIROS – A greve dos caminhoneiros é um dos assuntos abordados na nova campanha do governo. Vai mostrar que os motoristas não tinham reivindicações atendidas desde 1998, quando fizeram uma grande paralisação.

Um dos vídeos previstos no roteiro era para dizer que a PF tem liberdade para atuar. A gravação, porém, foi suspensa. Desde que assumiu, Temer já substituiu duas vezes o diretor-geral da instituição.

VAGA DE EMBAIXADOR – Com o Supremo derrubando a prerrogativa de foro para tudo quanto é cargo, vagas de chefe de missão diplomática no exterior e de embaixador passaram a ser cobiçadas por políticos. Os ocupantes ainda mantêm o privilégio.

Aliados do presidente Temer voltaram a especular a possibilidade de ele ser nomeado embaixador no exterior no fim do governo justamente para que as investigações contra ele não baixem para a primeira instância.

Gestão do grupo Odebrecht já se transformou numa briga em “famiglia”

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Desprezado pelo filho, Emilio tenta se reaproximar

Gustavo Schmitt
O Globo

Emílio Odebrecht, patriarca da empreiteira, deu mais um sinal de reaproximação com seu filho Marcelo Odebrecht. Em carta ao juiz Sergio Moro, Emílio afirma que autorizou a reforma no Sítio de Atibaia, frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem o conhecimento de Marcelo. A declaração ocorre um ano após Emílio prestar o primeiro depoimento a Moro. Na ocasião, ele não manifestava preocupação explícita de poupar o primogênito.

O documento foi anexado, na noite desta quarta-feira, no processo em que o ex-presidente é acusado de se beneficiar de reformas feitas no no sítio, no valor de R$ 1, 05 milhão, pelas empreiteiras como Odebrecht, OAS e pelo pecuarista José Carlos Bumlai.Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por um tríplex no Guarujá e cumpre pena desde 7 de abril na sede da Polícia Federal em Curitiba.

AMIGO DE LULA – Na mensagem, Emílio reitera que a relação com o ex-presidente Lula nunca contou com nenhuma interferência do filho:

“As mencionadas benfeitorias no sítio foram realizadas com minha autorização, sem qualquer participação de Marcelo. Após receber, via Alexandrino Alencar (ex-executivo da empreiteira), o pedido a ele realizado por Marisa Letícia, autorizei e determinei a execução das referidas obras com os recursos humanos e financeiros advindos da CNO (Construtora Norberto Odebrecht) em São Paulo e, para tanto, não consultei previamente qualquer outro executivo da Odebrecht, nem mesmo avisei Marcelo sobre o pedido”.

BRIGALHADA – Emílio e Marcelo tem relação conturbada. Eles chegaram a romper relação durante as tratativas de colaboração premiada da empresa. Marcelo teria se sentido injustiçado com o acordo. Recentemente, porém, pai e filho têm feito movimentos de reaproximação. Em abril, eles divulgaram um comunicado conjunto em que prometiam preservar a empresa. Mas desde que deixou a prisão em dezembro, Marcelo trava uma guerra nos bastidores contra executivos da cúpula da Odebrecht.

A carta tem data da última quarta-feira. A declaração foi feita por Emílio poucas semanas após Marcelo derrubar o executivo Newton Souza, que deveria ocupar a presidência do conselho de administração da empresa, segundo o jornal Folha de S.Paulo. O conselho é a instância de decisão mais importante da empresa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEmilio Odebrecht faz de tudo para agradar o filho, mas Marcelo permanece irredutível e não aceita encontrar o pai. Em sua coluna de O Globo, Lauro Jardim revela que “o alto comando da Braskem anda preocupado com o que pode respingar na empresa a partir do embate entre Marcelo Odebrecht e Maurício Ferro, diretor-jurídico da Odebrecht. Marcelo quer porque quer que Ferro, seu cunhado, deixe a empresa. Possui trocas de e-mails comprometedoras com Ferro dos tempos em que o seu atual desafeto era diretor da Braskem”. Ou seja, a briga do filho com o pai está contaminando a famiglia. (C.N.)

O calor animal daquela amada pessoa, na visão poética de Mário Quintana

Resultado de imagem para mario quintana frasesPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O tradutor, jornalista e poeta gaúcho Mário de Miranda Quintana (1906-1994), no poema “Bilhete com Endereço”, fala do querer, do amor e do desejo que ele quer daquela pessoa, ou seja, o calor animal dela.

BILHETE COM ENDEREÇO
Mário Quintana

Mas onde já se ouviu falar
Num amor à distância,
Num tele-amor?!
Num amor de longe…
Eu sonho é um amor pertinho
Um amor juntinho…
E, depois,
Esse calor humano é uma coisa
Que todos – até os executivos – têm.
É algo que acaba se perdendo no ar,
No vento
No frio que agora faz…
Escuta!
O que eu quero,
O que eu amo,
O que desejo em ti,
É o teu calor animal!…

Uma coisa é certa – os arapongas estão furiosos com o governo Temer

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Charge do Frank (Arquivo Google)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O governo Temer, tão cioso de agradar os militares e as forças de segurança, anda bastante desgastado com uma parte desse grupo. Os arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ficaram furiosos com as informações de que falharam ao não alertar o governo dos riscos da paralisação dos caminhoneiros.

Foi o próprio Planalto que espalhou isso reservadamente. Mas os agentes da Abin afirmam que mandaram robustos relatórios para a Presidência da República nos últimos meses, mas o material foi simplesmente ignorado. Eles vinham monitorando a organização do protesto e tinham até mesmo informantes infiltrados no movimento.

Agora, o desdém do Planalto está custando caro — melhor, caríssimo. A paralisação dos transportadores de cargas desnudou um governo fraco, totalmente desarticulado e sem qualquer força no Congresso. Os caminhoneiros decretaram a agonia de Temer.

 

Se 62% dos jovens querem iriam embora, o último a sair então apague a luz…

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Charge do Ziraldo

Ana Estela de Sousa Pinto
Folha

Num piscar de olhos, a população dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná desapareceria do Brasil. Cerca de 70 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais deixariam o Brasil se pudessem, mostra o Datafolha. Na pesquisa, feita em todo o Brasil no mês passado, 43% da população adulta manifestou desejo de sair do país. Entre os que têm de 16 a 24 anos, a porcentagem vai a 62%. São 19 milhões de jovens que deixariam o Brasil, o equivalente a toda a população de Minas Gerais.

O êxodo não fica apenas na intenção. O número de vistos para imigrantes brasileiros nos EUA, país preferido dos que querem se mudar, foi a 3.366 em 2017, o dobro de 2008, início da crise global.

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Charge do Henfil

CIDADANIA – Os pedidos de cidadania portuguesa aceleraram. Só no consulado de São Paulo, houve 50 mil concessões desde 2016. No mesmo período, dobrou o número de vistos para estudantes, empreendedores e aposentados que pretendem fixar residência em Portugal.

“Há fatores de sucesso e de fracasso que explicam isso”, avalia Flavio Comin, professor de economia da Universidade Ramon Llull (Barcelona). Um deles é que hoje é mais fácil se mudar: “Na internet dá para ver a rua onde se pretende morar, a sala do apartamento que se quer alugar”.

Há também grande frustração. “O Brasil de 2010 promoveu as expectativas de que nosso país seria diferente. O tombo foi maior quando se descobriu que não estávamos tão bem quanto se dizia.”

REFERÊNCIA – Segundo Comin, nos últimos anos seus alunos começaram a pedir cartas de referência para trabalho, “com o claro propósito de mudar permanentemente para o exterior”.

Não só os jovens querem ir embora. Há maioria também entre os que têm ensino superior (56%) e na classe A/B (51%). É o caso da produtora Cássia Andrade, 45 anos, que vendeu seu apartamento e embarca para o Canadá até agosto.

“Não quero virar Uber nem vender brigadeiros. Trabalho com arte há 30 anos e estou em plena fase produtiva. Não faz sentido ficar, só porque sou brasileira e não desisto nunca.” Cássia só não fechou sua empresa porque pretende continuar trabalhando com projetos brasileiros.

FUGA DE CÉREBROS – Essa possibilidade de continuar atuando no Brasil mesmo de fora é um dos fenômenos que atenuam a chamada “fuga de cérebros”, afirma Marcos Fernandes, pesquisador do Cepesp FGV.

Na área acadêmica, os brasileiros passam a trabalhar na fronteira do conhecimento, e exportam esse conhecimento para o Brasil por meio de parcerias e projetos individuais.

Já no caso de profissionais de nível técnico ou empreendedores o intercâmbio é mais difícil. Mas, segundo Fernandes, há evidência empírica de que a saída de talentos é um movimento de curto prazo. “A não ser em casos de guerra civil ou falência do Estado, boa parte deles acaba voltando.”

EM LISBOA – No médio prazo, portanto, o Brasil pode ganhar profissionais mais bem formados e experientes num período futuro.

João Amaro de Matos, vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa, na qual o número de alunos brasileiros é crescente, concorda com a análise.

“Nossa experiência mostra que muitos voltam, e não faz sentido tentar estancar esse fluxo. Os brasileiros mais promissores só vão exercer seu potencial se puderem ser livres para se desenvolver.”

INTERNACIONAL – Matos, português que viveu em São Paulo dos 14 anos até se doutorar na USP, cita seu próprio caso: morou na Alemanha e na França, mas hoje está em Portugal e trabalha no Brasil dois meses por ano.

As perdas de curto prazo podem ainda ser minoradas com políticas públicas, diz Fernandes. “O governo precisa criar canais de conexão e participação com os acadêmicos brasileiros no exterior, e gerar estabilidade e crescimento para que os tecnólogos e empreendedores voltem mais rapidamente. Não é o mercado que vai resolver isso.”

A saída de brasileiros traz desafios não só para o setor público, mas também para a sociedade civil, nota o diretor de Mobilização do Todos pela Educação, Rodolfo Araújo, que aponta uma cisão entre o indivíduo e as instituições.

VÍTIMAS DO SISTEMA – “As pessoas se sentem vítimas do sistema, à parte dele. Com isso, perdem a capacidade de se sentir cidadãs, seja nos direitos, seja nos deveres.”

Para Araújo, é preocupante que os mais escolarizados não se sintam parte da solução, e as instituições precisam se aproximar das pessoas, conhecê-las e ganhar a confiança delas.

“Afinal, o que é ser brasileiro hoje? Não pode ser ‘sou um desiludido, um desesperançado’. Cair nisso é muito perigoso para todos nós.”

DESESPERANÇA – Há de fato um clima de desesperança. Levantamento feito no começo deste mês pelo Datafolha mostrou que, para 32% dos brasileiros, a economia vai piorar; 46% acreditam em alta do desemprego.

“Gera uma angústia muito grande. Se nós já estamos em pânico, imagine os jovens”, diz Fernandes. Enrico Aiex Oliveira, 19, um dos 12 mil brasileiros que cursam faculdade em Portugal, pretende fazer carreira no exterior. Gostaria de voltar um dia ao Brasil “se houvesse estabilidade econômica, reforma política e melhora na saúde e na educação”.

O problema, segundo Comin, é que, “se há um futuro, ele não deve chegar tão breve. E dez anos podem não ser nada na vida de um país, mas é muito na de uma pessoa”. Nessa perspectiva, a vontade de ir embora “é uma atitude racional, de busca de uma vida melhor em um mundo no qual ficou mais fácil transitar”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFico naquela do Tom Jobim: “Viver no exterior é bom, mas é uma merda; viver no Brasil é uma merda, mas é bom”. (C.N.)

Quem controla a língua dos juízes?

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)


Bernardo Mello Franco
O Globo

O Conselho Nacional de Justiça baixou regras para a atuação dos juízes nas redes sociais. Está proibido declarar apoio ou fazer ataques pessoais a candidatos que vão disputar eleições. Os magistrados também foram orientados a não pregar a discriminação por raça, gênero, religião, condição física ou orientação sexual.

No mundo ideal, bastaria cobrar um pouco de bom senso. A Constituição já impede que os juízes exerçam “atividade político-partidária”. A Lei Orgânica da Magistratura (Loman) exige “conduta irrepreensível na vida pública e particular”.

TERRITÓRIO SEM LEI – No mundo real, há quem confunda a internet com um território sem lei. Isso explica por que Facebook, Twitter e outras redes viraram palanque para certa militância togada.

Os juízes devem ser imparciais e parecer imparciais. Na crise de 2016, alguns se esqueceram disso e postaram selfies em passeatas contra e a favor do impeachment. Outros transportaram o engajamento político para a atividade profissional. Um participante de manifestações contra o governo ficou famoso ao barrar a posse de um ministro de Estado.

Em março, uma desembargadora fluminense despontou do anonimato ao espalhar notícias falsas contra Marielle Franco. Ela escreveu que a vereadora, vítima de um assassinato brutal, seria ligada a traficantes de drogas. A doutora já havia defendido o fuzilamento de um deputado e debochado de uma professora com síndrome de Down.

CONVICÇÕES PESSOAIS – O CNJ deixou claro que os magistrados não perderam o direito a expressar “convicções pessoais”. É permitido criticar “ideias, ideologias, projetos legislativos, programas de governo e medidas econômicas”. Mesmo assim, associações de classe confundiram as normas com censura. Uma delas alegou que a liberdade de expressão estaria em risco.

Na verdade, o maior risco é o de a regra não pegar. Isso já acontece com a Loman, que proíbe os juízes de opinar sobre processos fora dos autos e atentar contra “a dignidade, a honra e o decoro” da carreira. Alguns ministros do Supremo são os primeiros a ignorar a lei. Antecipam votos na imprensa e trocam ofensas no plenário, com transmissão ao vivo na TV.

Bolsonaro e Trump têm perfis de campanha semelhantes, mas nem tanto

Jair Bolsonaro diz que Trump é um exemplo para ele

Henrique Gomes Batista
O Globo

De tanto ser chamado de Donald Trump brasileiro, inclusive por renomadas publicações estrangeiras, Jair Bolsonaro (PSL) não esconde que deseja copiar o presidente americano. A forma de fazer campanha, as ideias ultraconservadoras e as bandeiras nacionalistas os aproximam. Mas analistas enumeram uma série de diferenças que tornam mais difícil para o ex-capitão do Exército — líder nas pesquisas nos cenários sem o ex-presidente Lula — repetir o feito do magnata republicano.

— O Trump serve de exemplo para mim — disse Bolsonaro, em outubro do ano passado, para uma plateia lotada de brasileiros em Boston.

DIFERENÇAS – Na lista de diferenças relevantes entre as duas campanhas, a mais citada é o sistema partidário e de votação. “Em um sistema bipartidário, um candidato já inicia com cerca de 40% dos votos. A dinâmica americana é muito diferente da realidade brasileira, com 28 partidos no Congresso e 35 disputando as eleições” — afirma James Green, professor da Universidade de Brown (Rhode Island, EUA), onde dirige a Brown’s Brazil Initiative.

Por outro lado, Bolsonaro levaria vantagem por causa do voto obrigatório no Brasil. Nos EUA, o voto é facultativo. Lá, é mais difícil convencer a pessoa a sair de casa do que a escolher um candidato, que é republicano ou democrata. Aqui, o desencanto com a política aliado ao voto obrigatório abre caminho para o deputado federal. “Ambos se vendem como anti-establishment, exploram a desilusão e a raiva de parte do eleitorado” — avalia Peter Hakim, brasilianista e presidente emérito do centro de estudos Inter-American Dialogue, na capital americana.

FINANCIAMENTO – Outra diferença que tem origem nas regras da eleição é o financiamento. A campanha de Trump foi rica, chegou quase a US$ 1 bilhão. O candidato usou sua fortuna pessoal para dizer que não precisaria tentar enriquecer no poder. Bolsonaro está longe de assegurar uma estrutura de arrecadação que se assemelhe à de Trump.

Hakim vê ainda outra diferença fundamental: a falta de símbolos para Bolsonaro. “Trump propôs o muro na fronteira com o México que representava tudo: a luta contra os imigrantes, contra a violência, a proteção comercial. Bolsonaro não tem um projeto simbólico”.

A “bandeira” de Bolsonaro, até o momento, é a agenda da segurança e do combate à corrupção, mesmo sem ainda ter apresentado propostas concretas nas duas áreas.

ECONOMIA – A mesma diferença se aplica ao debate econômico. Trump foi eleito em um momento em que a economia não era a maior preocupação americana, ao contrário do Brasil de agora, onde o tema é uma das prioridades. E Bolsonaro, até agora, não apresentou nenhum plano consistente para a recuperação do emprego e da renda.

No campo das semelhanças, o nacionalismo, a luta pela livre circulação de armas e o discurso contra o aborto, além do ataque visceral ao politicamente correto, fazem parte do repertório de ambos. Também é similar o método usado para que os dois passassem de azarões à liderança das pesquisas: engajamento de rede social em números muito superiores aos adversários; polêmicas em série que dão visibilidade; “o controle da narrativa” da campanha, com uma militância fiel; e o posicionamento como um “forasteiro” da política “contra tudo Isso que está aí”.

BUSCA DE INIMIGOS – Mauricio Moura, presidente da Ideia Big Data — empresa de pesquisas de opinião — vê ainda a busca de inimigos a todo momento, em especial a mídia, como uma estratégia comum. “Em 2016, vimos muitos casos de voto envergonhado no Trump, ou seja, eleitores que não assumiam o apoio ao republicano, nem mesmo em pesquisas eleitorais. Isso já está ocorrendo no Brasil e será um desafio para os institutos de pesquisa” — disse Moura.

Conheça as diferenças: 1) Força partidária: nos EUA, com dois partidos preponderantes, eleitores são fiéis à legenda, independentemente de quem é o candidato. 2) Voto obrigatório: Nos EUA, o voto não é obrigatório e isso muda a dinâmica das eleições. 3) Dinheiro. A campanha de Trump foi rica, chegou quase a US$ 1 bilhão. O candidato usou também sua fortuna para dizer que não precisaria tentar enriquecer no poder. 4) Palanques estaduais: Trump contou com a maior parte dos governadores, deputados e senadores eleitos nos estados.

Lula só estreia como comentarista da Copa do Mundo nesta segunda-feira

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Lula pretende “escrever” seus comentários diariamente

Deu no Estadão

Preso há dois meses em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será comentarista da Copa do Mundo da Rússia. Mesmo detido, o petista participará das transmissões de uma emissora de TV da Grande São Paulo, a TVT. Ele vai escrever cartas sobre suas impressões da Copa e enviá-las para o jornalista José Trajano, ex-ESPN. Lula tem acesso a uma televisão em sua cela.

Lula participará do programa de Trajano na TVT, uma afiliada da TV Brasil, uma rede de televisão pública brasileira pertencente à Empresa Brasil de Comunicação. De acordo com o ex-diretor de jornalismo da ESPN, que anunciou a novidade em um vídeo publicado em seus perfis nas redes sociais, o ex-presidente “passará suas impressões” sobre a Copa em participações no programa do jornalista.

“O Papo com Zé Trajano tem um novo comentarista, um comentarista exclusivo. Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou o jornalista. “Essa é a grande novidade do programa: Luiz Inácio Lula da Silva comentarista exclusivo da TVT e do meu programa.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Por estar encarcerado em Curitiba, Lula não pode comentar ao vivo. Suas palavras serão colhidas diariamente pelos advogados, que depois as enviarão a José Trajano, para serem divulgadas no dia seguinte. Lula e seus  advogados não receberão remuneração pelo trabalho, será tudo “di grátis”, como se diz na periferia. (C.N.)  

Para que volte a ser Supremo, é preciso que o STF volte a ser um tribunal

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Charge do Mariano (Charge Online)

 

Rubens Glezer
Folha

A crise de autoridade do Supremo Tribunal Federal chegou a um novo piso. Entre 2012 a 2018, o Supremo deixa de ser percebido como o grande reservatório de moralidade democrática para se tornar cada vez mais parte, e até causa, da crise política.

Durante esse período gastou muito mais capital político do que detinha; um processo acelerado pelas divisões internas e disputas públicas. Com isso, assistimos a um STF que aos poucos passou a ter dificuldades para enfrentar o Legislativo e o Executivo, para chegar hoje em um tribunal que tem dificuldade até mesmo para tomar decisões fáceis; como a proibição da condução coercitiva de investigados.

PROBLEMA TÉCNICO – A dificuldade de que trato não é a jurídica, ou seja, o problema não está na parte “técnica” dos argumentos. A maioria dos ministros entendeu que levar um investigado à força para prestar depoimento em delegacia não é compatível com o fato de nosso sistema conferir o direito ao silêncio aos acusados.

Afirmaram que se o investigado tem o direito de não dizer nada à autoridade policial, não deveria ser levado obrigatoriamente pela polícia até a delegacia, dado o amplo risco de espetacularização ou abuso de autoridade no processo.

Já a maioria vencida não viu problema na utilização de um mecanismo penal muito menos severo do que prisões preventivas e, em certa medida, do que as prisões após condenação em segunda instância. Nada de extraordinário nesse tipo de divergência.

DESCULPAS – O que chama a atenção foi o tom de “desculpas” em diversos. Quem votou pelo fim da condução coercitiva reiterava que não estava contribuindo com a impunidade e nem coadunando com o interesse de corruptos.

Já quem votou pela constitucionalidade do instrumento reafirmava que abusos do sistema de Justiça são esparsos, que as instituições funcionam normalmente e que não existe uma conjuntura de violação de direitos fundamentais em nome de uma agenda moralizadora.

Por um lado, esse tom defensivo responde às acusações feitas em plenário por ministros como Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso.

GARANTISMO – Enquanto o ministro Gilmar repetiu acusações a erros cometidos pela Polícia Federal e sob a gestão de Janot no MPF, o ministro Barroso afirmou que essa mitigação dos instrumentos de investigação e controle da corrupção é um “surto de garantismo” voltado a proteger os interesses de determinados agentes que hoje são (ou correm o risco de ser) alvos de investigação e processo penal.

Por outro lado, isso é apenas parte da explicação sobre como votaram os demais ministros. Afinal, acusações desse tipo não são novidade no tribunal, que vem presenciando discussões cada vez menos parcimoniosas.

Esse parece ser um sintoma de que os ministros se deram conta que a força de seus votos e decisões não vem mais de seus argumentos jurídicos. Com isso, tentam fiar seu posicionamento em posturas e discursos políticos, ou seja, proteger sua autoridade com posturas políticas.

SER TRIBUNAL – Nesse jogo político, porém, o Supremo não tem como ser bom. Em primeiro lugar porque é necessariamente menos habilidoso politicamente do que o Congresso Nacional e o Planalto. Em segundo lugar, porque a autoridade política está ligada à popularidade e atender às vontades da maioria.

Entra-se no jogo político para jogar mal e, além disso, deixar de fazer seu trabalho, que é aplicar a Constituição e as leis. Para que volte a ser Supremo, é preciso voltar a ser tribunal.