“Eu te amo, perdoa-me, eu te amo…”, dizia em versos a poeta Cora Coralina  

Imagem relacionadaPaulo Peres
Site Poemas & Canções

Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1880-1985), nasceu em Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, conforme este “Poeminha Amoroso”, que versifica a sua paixão.

POEMINHA AMOROSO
Cora Coralina

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu…
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu…
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
te deixará pasmo, surpreso, perplexo…
eu te amo, perdoa-me, eu te amo… 

Com Lula preso, Justiça agora coloca na mira as lideranças de outros partidos

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Charge do Tacho (Jornal de Novo Hamburgo)

Angélica Diniz
O Tempo

A prisão de Lula desencadeou uma ampla cobrança à Justiça brasileira para que lideranças de outros partidos, principalmente as do PSDB, tenham o mesmo destino do ex-presidente petista. Agora, os órgãos de investigação, a Lava Jato e os tribunais, que sempre enfatizaram o caráter apartidário de suas atuações no combate à corrupção, tendem a responder seus críticos, principalmente na esquerda, que apontam uma seletividade em relação aos membros do PT.

Entre os principais alvos do momento estão alguns tucanos, como Aécio Neves e Eduardo Azeredo, além do presidente da República, Michel Temer. Mas pelo menos um daqueles que estavam na mira, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que perdeu o foro privilegiado, já escapou da força-tarefa da Lava Jato.

AÉCIO NA TERÇA – O senador Aécio Neves é um dos mais simbólicos exemplos que a ala esquerdista utiliza para questionar a isenção do Poder Judiciário no andamento de processos contra corrupção. Há mais de um ano, o ex-governador de Minas foi gravado pedindo propina de R$ 2 milhões, segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), ao empresário Joesley Batista, dono da J&F, além de tentar atrapalhar as investigações da Lava Jato. Aécio nega a acusação, se diz vítima de “armação” e continua exercendo seu mandato no Congresso.

Nos próximos dias, no entanto, a sorte do tucano pode mudar. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deverá decidir, nesta terça-feira, se recebe a denúncia contra o senador e o torna réu por corrupção e obstrução de Justiça. A favor de Aécio, consta o fato de ele ter foro privilegiado e ser processado pelo STF, normalmente mais lento na análise de supostos ilícitos penais.

ALCKMIN ESCAPOU – O escudo do foro, que dificulta as chances de prisão dos investigados, deixou vulnerável, por pouco tempo, o pré-candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin. Desde que renunciou ao cargo de governador de São Paulo, Alckmin não será mais investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas escapou da força-tarefa da Lava Jato no Estado. Os autos do inquérito foram requeridos pela equipe de procuradores “o mais rápido possível”, mas o processo foi parar na Justiça Eleitoral.

Um outro caso emblemático no ninho tucano é o do ex-governador de Minas Eduardo Azeredo (PSDB), que poderá ser punido somente dez anos após o início do processo. Já condenado no ano passado em segunda instância no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) pela participação no chamado mensalão tucano, Azeredo terá seu último recurso em segunda instância (embargos infringentes) julgado no próximo dia 24. Se o pedido for negado, o tucano poderá começar a cumprir a pena de 20 anos e um mês em regime fechado.

MANOBRAS – A demora da Justiça para concluir o caso também se deve a algumas manobras feitas pelo tucano. Em fevereiro de 2014, a PGR pediu a prisão de Azeredo. Dias depois, o então deputado federal renunciou ao mandato. Com isso, perdeu direito ao foro privilegiado, mas ganhou tempo: o processo começou a tramitar do zero na primeira instância e está prestes a prescrever, em setembro. Cerco se fecha contra políticos

A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que envie para a primeira instância as ações penais e investigações contra cinco ex-governadores – que renunciaram aos cargos para disputar as eleições de outubro.

Ao todo, foram enviados ao STJ pedidos para que seis ações penais, cinco inquéritos e duas sindicâncias sejam analisados por juízes de primeira instância, já que, com a saída dos cargos, os políticos perderam a prerrogativa de foro por função. Este mês, seis governadores deixaram o cargo: Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Beto Richa (PSDB-PR), Marconi Perillo (PSDB-GO), Raimundo Colombo (PSD-SC), Confúcio Moura (MDB-RO) e Jackson Barreto (MDB-SE).

A maioria é investigada por caixa 2. Dependendo do crime apurado, o procedimento pode ir para as Justiças federal, estadual ou eleitoral.

PIMENTEL É REÚ – O governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), é alvo de inquéritos que tramitam no STJ. Em um deles, o petista já é réu. Ainda não há nenhuma confirmação, mas fontes próximas a ele dizem que Pimentel pode deixar o governo de Minas em junho e não disputar nenhum cargo nas eleições de outubro. Caso isso se confirme, o petista deve ter os processos redistribuídos à primeira instância.

O cerco também está se fechando contra outro petista: o ex-governador da Bahia Jaques Wagner. Cogitado para disputar a Presidência, Wagner é investigado por superfaturamento nas obras do estádio Fonte Nova. Cabe ao Ministério Público decidir se o denuncia ou não à Justiça.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É bom lembrar que no dia 2 de maio o foro privilegiado passa a valer apenas para crimes cometidos no mandato que esteja em curso. Ou seja, daí em diante, mesmo quem for eleito e tiver mandato vai responder a processo na primeira instância, como Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco, para citar apenas o núcleo duro do governo. Vai ser um festival (C.N.)

PT reforça a tese de que Lula será candidato “aconteça o que acontecer”

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou uma nota criticando o resultado da pesquisa Datafolha, divulgada na madrugada deste domingo com as intenções de voto à Presidência. Em comunicado, diz que houve uma “manobra” entre os cenários expostos e reitera que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o candidato do partido independentemente de sua prisão.

“Para o PT, a definição de candidatura para as eleições de outubro de 2018 está clara: Lula será o nosso candidato aconteça o que acontecer”, enfatiza o PT, ao justificar a manutenção das vigílias instaladas em Curitiba (PR) que pedem a liberdade do petista.

CENÁRIO IMAGINÁRIO – “Ainda assim, dos nove cenários estudados, o instituto de pesquisas realizou seis deles sem o ex-presidente. A manobra para tentar criar um imaginário em que Lula não esteja no pleito esbarra numa questão fundamental: a preferência popular”, avalia o partido.

O PT destaca que, mesmo após a “prisão política” do ex-presidente, Lula segue na liderança das pesquisas, com uma média entre 30% e 31% das intenções de voto para o primeiro turno. Na sequência, o partido considera empate técnico entre Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede), com intenções que vão de 15% a 17%. “Ou seja: Lula tem o dobro das intenções de voto dos candidatos que, empatados, liderariam o pleito se ele é retirado artificialmente da disputa”, analisa o comunicado.

LULA IMBATÍVEL – Para um eventual segundo turno, o partido acredita que Lula seria “imbatível”, com intenções de voto entre 46% e 48%. Ao final, a nota cita a Pesquisa Ipsos, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, ontem, com a informação de que 52% da população acredita que a Operação Lava Jato não está investigando todos os políticos e apenas 43%, o mínimo histórico atingido, avalia que ela investiga todos os partidos.

A nova pesquisa Datafolha, que foi feita entre quarta (11/4) e sexta-feira (13/4) teve como base 4.194 entrevistas em 227 municípios. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob número BR-08510/2018.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A direção do PT insiste na tese de que Lula será candidato. É uma boa técnica para manter unida e mobilizada a militância, mas termina por aí, pois não há indicação de que a idolatria por Lula garantirá transferência de votos. E o que vai acontecer com o partido? Ninguém sabe. (C.N.)

Atuação do Ministério Público incomoda e provoca reações

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Charge do Kacio (kacio.art.com)

Merval Pereira
O Globo

 O fortalecimento do Ministério Público nos últimos anos, gerado pela Constituição de 1988, que já provocara controvérsias em situações pontuais como a atuação dos procuradores Luiz Francisco Fernandes de Souza durante o governo Fernando Henrique, considerado um petista disposto a encontrar crimes no governo tucano, e José Roberto Figueiredo Santoro, ligado ao senador José Serra e tido como um tucano de carteirinha, vem ganhando destaque a partir de uma ação mais estruturada do órgão, explicitada de maneira  vigorosa a partir do processo do mensalão.

Há um grupo de ministros no Supremo, capitaneados pelo ministro Gilmar Mendes, que se incomoda com esse empoderamento e vê nele o germe de um estado policial. O choque prossegue com a visão do Direito que vem sendo adotada por outros colegas seus, que se permitem interpretar a Constituição, às vezes para alargar seu alcance.

MENSALÃO – O ex-presidente do Supremo, Ayres Brito, acha que o ponto de inflexão foi o julgamento do mensalão, que ele presidiu. A partir dali teria sido aberto um caminho para concretizar a máxima de que todos são iguais perante a lei.

O ex-presidente do Supremo tem uma visão otimista do futuro do país, garantindo que é possível encontrar-se no texto constitucional a solução para todos os problemas que afligem nossa democracia. Um exemplo de como a interpretação da Constituição pode levar a soluções criativas foi a proibição do nepotismo. O ideal é que houvesse uma lei que proibisse a nomeação de parentes até o terceiro grau para cargo em comissão nos Três Poderes.

Na falta da lei, o ministro Ayres Brito interpretou a Constituição para dizer que os princípios da moralidade administrativa e da impessoalidade, que estão na Constituição, impedem o nepotismo.   É uma visão que utiliza um pouco mais os princípios constitucionais para produzir os resultados que a sociedade demanda.

HÁ CONTROVÉRSIAS – Os que são contrários a essa visão consideram que os procuradores de Curitiba e o Juiz Sérgio Moro estão se excedendo, precisam ser contidos, e o lugar ideal para contê-los é o Supremo Tribunal Federal. E que a interpretação constitucional leva a soluções ilegítimas e transformam o Supremo em legislador, papel que é do Congresso.

Alegam eles que os direitos individuais dos cidadãos dependem da manutenção dessas proteções jurídicas que hoje estariam sendo ultrapassadas pela ação da Operação Lava Jato em seus diversos aspectos. Há outra disputa mais política, que não tem a ver com partidos, mas com um aliança tácita de grupos sociais.

Quando a Operação Lava Jato começou a atingir indiscriminadamente todos os partidos, houve uma reação dos políticos do centro-direita como PSDB, MDB, PP, e outros partidos menores que começaram a tentar se resguardar de possíveis penalizações. E ministros do Supremo como Gilmar Mendes viram nesse avanço da Lava Jato uma criminalização da política.

VISÕES OPOSTAS – Esse embate de visões opostas, num momento em que o país vive situação anômala que tanto pode levá-lo a uma refundação como a uma crise ainda mais profunda, faz com que queiram mudar a maneira de investigar da Lava Jato, como o Juiz Sérgio Moro interpreta a Constituição, como os procuradores de Curitiba perseguem agressivamente os que cometeram crimes de corrupção.

O ministro Gilmar Mendes chegou a se exaltar na semana passada dizendo que ninguém poderia lhe dar lições de combate à corrupção. Mas suas atitudes garantistas, além da explícita amizade com o presidente Michel Temer e com caciques políticos, o tornaram um dos ministros preferidos do PT, no momento em que os interesses confluem.

Essa preferência existe à sua revelia, diga-se de passagem. Recentemente ele criticou o PT, dizendo que o partido está sendo vítima de sua própria obra, ao ter feito, entre outras coisas, más indicações para o Supremo.

CRÍTICAS AOS MINISTROS – “Foram péssimas indicações para o Supremo. Pessoas que não tinham formação, não tinham pedigree. Privilegiou-se a escolha de pessoas ligadas aos movimentos LGBT, ao MST, de causas, de grupo afro, sem respeitar a institucionalização do País”.

Referências que podem ser vistas como indiretas em direção aos ministros Edson Fachin, acusado de ser ligado a movimentos sociais, especialmente ao MST; ao ministro Luis Roberto Barroso, que aprovou como advogado as uniões homoafetivas e o aborto de anencéfalos, e a Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo hoje pré-candidato do PSB à presidência da República. 

“Imaginávamos uma queda de Bolsonaro na pesquisa”, diz presidente do PDT

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Lupi comemorou os 9% obtidos por Ciro Gomes

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse estar satisfeito com o desempenho de Ciro Gomes, pré-candidato da legenda, na mais recente pesquisa Datafolha sobre a eleição presidencial 2018, publicada neste domingo.

No cenário em que Lula não participaria da disputa, Ciro Gomes conta com 9% das intenções de voto, empatado com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e com o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. “O resultado está bom. Está dentro do que a gente havia previsto. Agora é avançar”, resumiu.

INDEFINIÇÃO – Lupi observa que, numa eleição pulverizada, onde vários partidos apresentam candidatos, já era esperado que, num primeiro momento, o cenário ficasse um pouco indefinido. O presidente do PDT disse acreditar que, se Lula não estiver na disputa, boa parte dos votos do líder petista pode migrar para o candidato da sua legenda. Sobretudo no Nordeste.

O presidente do PDT, no entanto, não escondeu sua preocupação com a persistência da intenção de votos de Bolsonaro. Ele afirmou que, num primeiro momento, acreditava que o maior adversário de Ciro (num cenário sem Lula) seria o ex-governador Alckmin.

“Imaginávamos que haveria uma queda de Bolsonaro”, disse. “Mas hoje eu não sei. Ele está conseguindo se manter. Seu eleitorado acredita que a solução da violência é a pena de morte É algo muito preocupante.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quem pensou que Bolsonaro fosse um cavalo paraguaio, se enganou de forma absoluta. É um candidato sólido, mas seu sucesso vai depender das coligações que conseguir fechar. (C.N.)

Sem Lula candidato, os votos nulos e em branco “lideram” esta sucessão

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Charge do César (Arquivo Google)

Deu em O Globo

Sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os votos nulos e em branco ‘ganhariam a eleição’, de acordo com a pesquisa Datafolha, a primeira após a prisão do petista, divulgada neste domingo. Nos seis cenários do levantamento sem o ex-presidente, a porcentagem de votos brancos e nulos varia entre 23% e 24%, o que é maior do que a intenção de voto no candidato em primeiro lugar. No cenário com Lula, os votos brancos e nulos variam de 13% a 14%. Entre os eleitores de Lula, um terço prefere votar em branco ou anular o voto, em vez de escolher outro nome, segundo a pesquisa.

Os dois nomes cotados para substituir Lula como candidato do PT — o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner — não atingem mais de 2% das intenções de voto na pesquisa. Os dois pré-candidatos de esquerda que ficaram ao lado de Lula antes da prisão — Manuela D’ Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (Psol) também não vão além dos petistas na pesquisa.

HERDEIROS – A pré-candidata da Rede, Marina Silva, herdaria o maior percentual de votos de Lula (20%), em uma eleição sem o líder petista, seguida de Ciro Gomes, do PDT (15%). O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) ganharia 5% dos votos de Lula, Geraldo Alckmin (PSDB) 5%, Joaquim Barbosa (5%), Ávaro Dias (Podemos) 3%.

Apenas 3% dos eleitores de Lula disseram que votariam em Fernando Haddad (PT) e em Manuela D’ Ávila (PCdoB).

Segundo o mesmo levantamento, porém, dois de cada três eleitores do ex-presidente dizem que votariam em um candidato indicado por ele. Votariam em outros 7%, em branco ou nulo, 32%. Não souberam responder 3%.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Não há novidade alguma. Desde a primeira pesquisa os números permanecem estáveis. Somente a ausência de Lula traz alguma modificação, mas inexpressiva em relação aos outros candidatos. Vamos voltar ao assunto. (C.N.)

Não há alternativa e o Brasil precisa seguir buscando a industrialização

Resultado de imagem para industrialização chargesFlávio José Bortolotto

Os economistas e principalmente os estadistas sabem que só a industrialização gera grande padrão de vida para a maioria do povo, criando uma grande classe média sustentadora de consumo de massa. O Liberalismo puro, tipo “laissez-faire” defendido pelo economista Paulo Guedes, não o sistema intervencionista ao qual me filio, desenvolveu a industrialização na Inglaterra e a partir dali ninguém mais se industrializou sem protecionismo e uso inteligente do Estado, como explicado no excelente livro do economista alemão/americano Friedrich List (“Sistema Nacional de Economia Política” – 1841).

Os Estados Unidos foram o primeiro país que debateu o assunto a fundo e fez a escolha correta.

DOIS PARTIDOS – Após a Guerra da Independência Americana (1775 – 1783), os EUA formaram dois partidos políticos. Um deles era o Federalista (G. Washington, A. Hamilton, J. Adams etc.) que propugnavam a industrialização, logicamente via protecionismo, tarifas, uso inteligente do Estado, criação de um Banco Nacional de Desenvolvimento etc. Enfim, uma política de Nacional-Desenvolvimentismo.

E foi criado também o Partido Democrático-Republicano ( T. Jefferson, J. Madison etc.) que propugnava o “liberalismo laissez-faire” e consequentemente manter os EUA agropecuário composto de médias propriedades de aproximadamente 100 hectares por família.

Argumentavam os democratas-republicanos que o padrão de vida de um colono americano proprietário de 100 hectares de terra era incomparavelmente superior ao de um operário qualificado na Inglaterra. E nisso tinham toda razão.

ACONTECE QUE… – Argumentavam os Federalistas que naquela época isso era verdade, mas com o correr das gerações, no final não muito longo, cada fazendeiro acabará sendo proprietário de 1/2 campo de futebol, (1/2 hectare) como aconteceu na velha China, e aí o padrão de vida será baixíssimo.

Venceram os federalistas com a industrialização do país alicerçadas nas teses do grande Alexander Hamilton, autor de “Report on Manufactures” (1791).

Os EUA escolheram o caminho certo e dele nunca se desviaram. E por que o Brasil, que a partir de 1930, com o grande presidente Getúlio Vargas (1930-1945) e (1951-1954), o dinâmico presidente JK ( 1956-1961), a Revolução Civil-Militar de 64 especialmente com os governos dos presidentes COSTA E SILVA, EMÍLIO MÉDICI E ERNESTO GEISEL) e agora os governos do PT que propugnaram, a meu ver acertadamente, o Nacional-Desenvolvimentismo, deram com “os burros na água”?

Não foi porque escolheram o modelo errado, pois fizeram a opção correta pela Nacional-Desenvolvimentismo Industrial. Erraram porque administraram mal, perdendo o controle de deficit fiscal e principalmente do endividamento nacional.

Deveríamos corrigir isso, e não voltar para o velho modelo de liberalismo laissez-faire propugnado pelo economista Paulo Guedes, que vigorou no Brasil em todo o Século XIX e XX até 1930, e nunca nos tirou de uma grande roça de café e fazenda de criação de gado, de baixíssimo padrão de vida para o povo em geral.

Em apenas 4 anos, a Lava Jato já condenou 160 envolvidos em corrupção

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Charge do Alpino (Yahho Brasil)

Bernardo Bittar
Correio Braziliense

Ter uma Justiça que funcione e puna o criminoso independentemente do poder ou da conta bancária ainda desperta suspiros. É um anseio nacional. Estamos nos acostumando à ideia de que, em apenas quatro anos, a Operação Lava-Jato condenou 160 pessoas entre os principais políticos e empresários do país. No Superior Tribunal de Justiça, há nove governadores investigados e três denunciados.

Autoridades que desafiaram o Judiciário foram obrigadas a deixar os extravagantes palácios em que sempre viveram e trabalharam para dividir celas nas penitenciárias brasileiras.

LULA, O EXEMPLO – Há 10 anos, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) era o homem mais poderoso da República. Acabou sendo preso na semana passada, após seis ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitarem o pedido de habeas corpus da defesa.

Lula foi condenado a 12 anos e um mês pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP). Ainda pairam contra ele mais oito inquéritos e processos. Poucos brasileiros acreditavam que isso pudesse acontecer.

CUNHA E OUTROS – Considerado até então um ótimo articulador político, o deputado cassado Eduardo Cunha (MDB) teve poder suficiente para colocar em xeque a atuação do mais alto cargo eletivo do país.

O ex-senador Luiz Estevão conseguiu fazer com que um processo contra ele se arrastasse durante muitos anos. Paulo Maluf (PP) fez a mesma coisa.

Geddel Vieira Lima (MDB) foi condecorado 11 vezes com medalhas importantes — como a Ordem do Mérito Naval em Grau de Grande Oficial, recebida em 2007. Nenhum deles escapou da Justiça quando seus crimes foram revelados.

TODOS SÃO IGUAIS? – “É um fato que as coisas estão aí acontecendo, mas ainda há desigualdade nesse meio. Falar que a lei chegou aos políticos é um fato, mas dizer que vale para todos ainda é precipitado”, diz o cientista político Glauco Peres da Silva, professor da Universidade de São Paulo (USP). Ele acredita que a punição não chega com a mesma rapidez a todos os casos.

“Esse discurso precisa ser mais bem entendido. Temos o foro privilegiado, a articulação política, os movimentos sociais… Mecanismos que deixam impune quem sabe usá-los”, ressalva.

Glauco explica que a grande evolução neste cenário é a possibilidade de acabar com o “você sabe com quem está falando?”. “Hoje não tem mais essa, a polícia investiga, e a Justiça prende quem comete crimes. Chegou aos políticos. É verdade e é simples de entender, mas ainda não chegou a todos”, observa.

MUITA COISA MUDOU – Símbolo de um tempo em que a Justiça, além de lenta, era seletiva, o deputado federal afastado Paulo Maluf (PP) foi preso aos 86 anos, velho e debilitado, por crimes cometidos há décadas. A trajetória do ex-governador de São Paulo sempre foi marcada por seguidas denúncias de corrupção, peculato e até lavagem de dinheiro. Seu nome figura, há muitos anos, na lista vermelha da Interpol.

“Concordei com a prisão, mesmo ponderando que o assunto é de uma sensibilidade enorme. Um senhor de idade não deixa de ser culpado dos crimes que cometeu quando era jovem. Agora, as pessoas vão ter medo”, afirmou a psicóloga Juliana Cardoso Gebrim, palestrante e professora aposentada da Universidade Federal de Goiás (UFG).

PEQUENOS PRAZERES – Em alguns casos, prender não é o suficiente. Personalidades como o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) ainda conseguem burlar o sistema. O carioca deu um “jeitinho” e descolou uma sala de cinema na cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio, onde foi improvisado um motel.

Cabral também conseguiu complementar a dieta com camarão, bolinho de bacalhau, queijos importados e iogurte. “Pequenos prazeres”, disse ele à Polícia Federal durante o inquérito que apurava as regalias, que demoraram a acabar.

O CASO DE ARGELLO – O que reascende a esperança de que todos podem ser iguais perante a lei são casos como o do ex-senador Gim Argello (PTB) que, recentemente, teve um pedido de redução de pena negado pela Justiça por não ter alcançado nota suficiente no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Formado em Direito, o empresário não conseguiu a nota mínima na prova escrita nem na redação. Como todo mundo, poderá tentar de novo. Mas só recebe a recompensa se trabalhar duro e estudar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Lava Jato já é uma marca na História Contemporânea. Tornou um fenômeno exemplar que se espalhou para outros países. Mostra que é possível fazer justiça, apesar das leis que ainda privilegiam os criminosos que podem contratar advogados de renome. Os brasileiros precisam reconhecer o trabalho desta nova geração da Polícia Federal, do Ministério Público e da Receita. Eles estão limpando e renovando este país. (C.N.)  

Ataque com mísseis não afeta Assad e mostra contradições de Trump

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Charge do Lézio Junior (Diário da Região)

Guga Chacra
O Globo

O ataque dos EUA e seus aliados franceses e britânicos a supostas instalações ligadas a um programa de armas químicas na Síria não alterará em nada o andamento da guerra da Síria. O regime de Bashar al-Assad não foi afetado pela ação militar. O líder sírio inclusive apareceu normalmente este sábado para trabalhar e as imagens de Damasco mostravam uma cidade normal. Há, no entanto, uma série de perguntas a serem feitas sobre a ação da madrugada deste sábado.

1) Por que os EUA e os aliados não aguardaram as inspeções da Organização de Proibição de Armas Químicas (OPAQ) em Douma para verificar os detalhes do ataque?

2) Como eles conseguiram provas tão rapidamente de ter sido Assad o responsável, se em fevereiro deste ano o secretário da Defesa dos EUA admitiu ao Congresso que, mesmo dez meses depois do ataque químico de 2017, ainda não podia confirmar ter sido o regime de Assad o responsável?

3) Desde quando eles sabiam que os alvos atingidos neste sábado seriam parte do programa de armas químicas da Síria? Se soubessem antes, por que não denunciaram a Síria por violação do tratado de proibição do uso de armas químicas? Se souberam depois, como conseguiram, em menos de uma semana, as informações de inteligência destas instalações? Por que não enviaram os inspetores da OPAQ ao local?

NÃO HAVIA LÓGICA – De acordo com o Pentágono, a arma química usada foi o cloro. Como impedir que o regime de Assad ou os jihadistas da oposição tenham acesso a cloro se este produto tem uma série de finalidades, além de possível uso como armas químicas? A OPAQ disse em 2014 que o regime de Assad havia entregue todo seu arsenal químico, incluindo sarin, em acordo entre os EUA e a Rússia. Houve falha dos americanos, que referendaram o acordo?

Como escrevi neste jornal, não havia lógica para Assad usar armas químicas neste momento (usou certamente no passado, quando se sentiu ameaçado), já que o líder sírio podia atingir seus objetivos com armas convencionais, como inclusive vinha acontecendo.

Segundo integrantes dos governos dos EUA, França e Reino Unido, Assad usou o armamento porque seria um monstro e mata por matar. Mas disseram que o ataque de ontem mudaria o cálculo dele. Como?

MAIS DÚVIDAS – Até concordo com a parte do monstro, mas o considero um monstro estratégico. Por que Assad teria matado por matar em Douma e, após este ataque, pensaria duas vezes? Afinal, Trump já havia o bombardeado no ano passado. O líder sírio teria passado a ser racional após ontem na visão deles? Por quê?

4) Caso Assad volte a usar armas químicas, qual será a reação? Novo bombardeio? Há alguma estratégia para um envolvimento militar maior? Mesmo que Assad não use, qual a estratégia dos EUA?

5) Trump havia dito que pretendia retirar as tropas que atuam junto com os curdos contra o grupo Estado Islâmico. E agora? Além disso, os curdos possuem boa relação com Assad. Como os EUA veem os grupo jihadistas inimigos de Assad, como o Jaysh al Islam e o Hayet Tahrir al Sham (al-Qaeda na Síria)?

6) Os EUA dizem estar preocupados com os civis na Síria. Mas por que receberam apenas 11 refugiados sírios em 2018?

7) Por último, o problema é apenas arma química? Assad e os jihadistas da oposição podem matar com armas convencionais? E a Arábia Saudita, que bombardeia casamentos, funerais e hospitais no Iêmen? Será punida? Por que o ditador saudita, Mohammad bin Salman, foi recebido nas últimas semanas por May, Macron e Trump?

Na terra do realismo fantástico, presidente corrupto condena a corrupção

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Temer demonstra ser um mestre do ilusionismo

Bernardo Mello Franco
O Globo

A América Latina é a terra do realismo fantástico. Nos últimos dias, os chefes de Estado do continente se reuniram para debater medidas de combate à corrupção. O Brasil foi representado por Michel Temer, alvo de duas denúncias e dois inquéritos criminais.

Ontem o presidente dissertou sobre o tema da cúpula. “Não se pode tolerar a corrupção. A corrupção destrói tecidos sociais, compromete a gestão pública e privada, tira recursos valiosos da educação, da saúde, da segurança”, disse, em tom professoral. “O combate à corrupção é imperativo da democracia”, prosseguiu.

ENALTECE O GOVERNO – Antes do discurso, um repórter quis saber se ele se sentia constrangido com o assunto. “Muito pelo contrário”, respondeu Temer, com um sorriso. “É um tema que enaltece o governo brasileiro, porque no Brasil as instituições funcionam com toda a regularidade”, acrescentou.

Na segunda-feira, a Justiça aceitou denúncia contra nove acusados de integrar o “quadrilhão” do PMDB. Estão na lista o ex-deputado Eduardo Cunha, que articulou o impeachment e instalou o amigo na Presidência, e os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Alves.

Também viraram réus Rodrigo Rocha Loures, o deputado da mala, e dois suspeitos de recolher propina para o chefe: o advogado José Yunes e o coronel João Baptista Lima. A Procuradoria pediu a prisão de todo o grupo e descreveu Temer como “líder da organização criminosa”.

E OS MINISTROS? – Na terça, o presidente deu posse a 11 ministros. Um foi denunciado por corrupção, outro responde a ação por furto de energia, o terceiro foi condenado por improbidade e o quarto foi preso em flagrante por porte ilegal de arma.

 “Não vamos nos incomodar com críticas”, disse Temer, na quinta-feira. “Não vamos nos incomodar com aqueles que querem dizer: ‘Não, não pode etc., isso, aquilo’. Nós vamos em frente. Enquanto as pessoas protestam, a caravana do governo vai trabalhando”, desdenhou.

E as ações da Eletrobrás desabaram desde que Moreira Franco assumiu o Ministério de Minas e Energia. Com a desvalorização da estatal, a União perdeu R$ 2,6 bilhões em uma semana, segundo a “Folha de S.Paulo”. É o foro privilegiado mais caro do mundo.

Que belo tema, a liberdade!

Percival Puggina

Está virando moda, acolhido como tema de reportagens especiais, chamar sexo de gênero e deixar esse detalhe para a criança decidir mais tarde, no pleno exercício de sua liberdade. Danem-se a natureza, a genética, a biologia, a ciência, os hormônios. Danem-se, até mesmo, as inclinações naturais dos primeiros anos. Através de um labirinto de possibilidades e experiências, a criança – presume-se – deve ser conduzida a um mundo de incertezas. Tudo em nome da liberdade; da mesma liberdade que não lhe é concedida quando se trata de escolher o clube de futebol pelo qual vai torcer.

Tomo este exemplo bem contemporâneo como ponto de partida para mostrar que o conceito de liberdade, suas aplicações e implicações podem ser retorcidos a ponto de se tornarem imprestáveis. Mais frequente do que liberdade usada para o mal (autodegradação) é liberdade inutilizada, desperdiçada, que vaza entre os dedos de quem a teve em mãos como dom sublime que poderia levar à autossuperação.

MILHÕES DE ANOS – Foram necessários milhões de anos para que os gregos empreendessem a longa jornada de reflexão filosófica em busca de um Bem impresso na natureza humana que não fosse o simples e primitivo produto do querer. Foi um dos grandes saltos morais, esse em que o ser humano mergulhou no imanente e no transcendente em busca da Verdade e do Bem. Sempre tomo isso em grande conta para recusar a moralidade fundada apenas no bem próprio e no interesse próprio.

Outros saltos seriam dados na construção da mais avançada civilização e da mais elevada cultura que a humanidade produziu. O que os gregos haviam coletado de hindus, egípcios, árabes e mesopotâmios, operado por seus filósofos, confluiu para Roma, instruiu o império e influenciou o direito romano. Outra vertente unir-se-ia a seguir. Refiro-me à milenar construção do judaísmo, iluminada por grandes profetas como Abraão, Isaac, Jacó, José, Moisés, Davi, Salomão, Elias, Isaías. De seu interior adviria, ainda, o cristianismo. Séculos mais tarde, a escolástica. E depois o iluminismo…

LONGO CAMINHO – Impossível menosprezar esse longo caminho através do qual o saber humano buscou articular os conteúdos inerentes ao Bem que buscamos na vida social. É a liberdade o maior dentre todos? Certamente, inclusive na perspectiva do Criador (sim, eu creio em Deus). Ele estabeleceu interditos que, bem examinados, servem ao bom exercício da liberdade, mas lhe tributa divino respeito, não interferindo no que com ela fazemos, mesmo se e quando a usamos contra Ele.

Tão comum quanto abusar da liberdade para afrontar o Bem (como no Queermuseu, e em algumas “performances artísticas”, para citar exemplos recentes) é inibi-la para fins ideológicos, como quando se reprimem as liberdades econômicas em nome de uma certa “justiça social”. Fazer justiça é tarefa do Direito e da Política, como exemplificam os países prósperos e bem organizados. Já a finalidade da Economia, de um sistema econômico, é produzir, e nesse sentido é irrecusável a superior eficiência das economias livres. Alias, fôssemos menos socialistas, nossa situação e nossas atuais perspectivas econômicas e sociais seriam muito melhores.

FILHA DA VERDADE – Mas se a liberdade se destaca no conjunto dos grandes conteúdos do Bem, ela não é, nem pode ser, por si só, o fundamento da moral. A liberdade é filha da verdade. Em João 8:32 Jesus afirma: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”. Entendo perfeitamente que, agora, alguns leitores abandonem este texto. Parecer-lhes-á exótica tal afirmação num artigo sobre liberdade. No entanto, nada de melhor se ensinou sobre o tema. Nada a respeito se disse tão verdadeiro e com tão poucas palavras.

Imagine um barqueiro que ao cair da tarde reme seu barco várias milhas mar adentro. Cansado, deita-se e adormece. No meio da noite, um vagalhão sacode o barco e o desperta. Da superfície da água ao céu coberto de nuvens, tudo é escuridão. Alguém dirá que esse homem, incapaz de saber para onde remar, finalmente conquistou sua liberdade? Não. Perdeu-se ele no mar aberto; o imenso bem da liberdade só será reavido quando raiar o dia e ele, recuperando a capacidade de se orientar, reconheça o seu destino. No momento em que souber para onde ir, ele recuperará a liberdade, inclusive, de ir para qualquer outro lugar.

Nada orienta melhor a liberdade humana do que a busca sincera da Verdade e, por ela, do Bem. E nada disso é coercitivo. É apenas inspirador. É um saber que faz bem.

Sem Lula na disputa, ganham força Marina, Ciro e Barbosa, afirma o  Datafolha

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Ilustração reproduzida do Imprensa Livre

Ricardo Balthazar
Folha

A prisão diminuiu o apoio do eleitorado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aumentou a desconfiança sobre a viabilidade de sua candidatura presidencial e manteve indefinida a disputa pelo seu espólio eleitoral, de acordo com o Datafolha. Pesquisa nacional realizada pelo instituto na semana passada aponta o líder petista com 31% das intenções de voto no cenário mais favorável entre nove pesquisados. No fim de janeiro, quando o levantamento anterior do Datafolha foi concluído, Lula tinha até 37% das preferências. O PT diz manter a intenção de registrar a candidatura de Lula, preso no sábado (7) para cumprir pena por corrupção e lavagem de dinheiro.

Apesar do veto imposto pela Lei da Ficha Limpa à candidatura, a legislação permite que ele peça registro mesmo preso. Cabe à Justiça Eleitoral analisar o pedido.

SEM LULA – A nova pesquisa foi feita entre quarta (11) e sexta-feira (13). Foram realizadas 4.194 entrevistas em 227 municípios. Como os cenários pesquisados são diferentes dos analisados em janeiro, a comparação direta entre os dois levantamentos não é possível.

Nos cenários com Lula fora do páreo, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) e a ex-senadora Marina Silva (Rede) aparecem empatados na liderança. Ele tem 17% das intenções de voto, e ela oscila entre 15% e 16%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) alcança 9% em todos os cenários sem Lula, empatado com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que varia de 7% a 8%, e o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que entrou no PSB, mas ainda não se lançou candidato. Barbosa oscila entre 9 e 10%.

PT EM BAIXA – Marina, Ciro e Alckmin concorreram em eleições presidenciais anteriores e são bem conhecidos pelos eleitores. Barbosa nunca disputou uma eleição, mas ganhou notoriedade pela forma como conduziu o julgamento do mensalão no STF, em 2012.

Menos conhecidos do eleitorado, os dois nomes cotados no PT para substituir Lula se ele desistir da candidatura têm desempenho fraco. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad aparece com 2% e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner tem 1%. Os dois candidatos de esquerda que ficaram ao lado de Lula nas horas que antecederam sua prisão têm resultados parecidos. Manuela D’Ávila (PC do B) atinge no máximo 2% e Guilherme Boulos (PSOL) chega a 1%.

O presidente Michel Temer (MDB), que acena com a possibilidade de concorrer à reeleição, alcança 2% das intenções de voto. O ex-ministro Henrique Meirelles, que entrou no MDB e também tem aspirações presidenciais, não passa de 1%.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nada novo no front. Os eleitores ainda acham que Lula pode ser candidato e o próprio PT estimula esta crença. Os verdadeiros candidatos são Bolsonaro, Marina, Ciro, Alckmin e Barbosa, porque Alckmin não decola. Resta saber quem irá para o segundo turno. Se estivéssemos no Reino Unido, as casas de apostas estariam fervilhando. (C.N.)

Não sei que intensa magia, teu corpo irradia, me deixa louco assim, mulher

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Sadi Cabral compôs grandes clássicos

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O ator e compositor alagoano Sadi Sousa Leite Cabral (1906-1986) e seu parceiro Custódio Mesquita imploram o amor de uma “Mulher”, tendo em vista a beleza mágica que o corpo dela irradia. Este clássico fox-canção foi gravado por Silvio Caldas, em 1940, pela RCA Victor.

MULHER
Custódio Mesquita e Sadi Cabral

Não sei que intensa magia
Teu corpo irradia
Que me deixa louco assim, mulher
Não sei, teus olhos castanhos,
Profundos, estranhos
Que mistério ocultarão, mulher
Não sei dizer
Mulher, só sei que sem alma
Roubaste-me a calma
E aos teus pés eu fico a implorar
O teu amor tem um gosto amargo
E eu fico sempre a chorar nesta dor
Por teu amor, por teu amor, mulher

Em apenas dois processos, Lula poderá ficar seis anos em regime fechado

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Mônica Bergamo
Folha        

As contas de criminalistas que têm familiaridade com o caso de Lula mostram que a pena total dele pode ser dura: seis anos em regime fechado, se consideradas apenas as possíveis condenações em processos que estão com o juiz Sergio Moro. Moro agora vai julgar o ex-presidente nos casos do sítio de Atibaia e do terreno do Instituto Lula, nos quais é acusado pelos mesmos crimes do caso do tríplex: corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Se as penas forem parecidas à primeira, de 12 anos e 1 mês, o petista somará cerca de 36 anos de prisão. E terá que cumprir um sexto dela em regime fechado.

SEM CHANCES – A possibilidade de Lula sair rapidamente da cadeia é praticamente descartada, a não ser na hipótese de ele ficar doente.

Pelas vias jurídicas, a primeira possibilidade, mais imediata, de liberdade seria a de o STF (Supremo Tribunal Federal) aprovar as ações de constitucionalidade contra a prisão após condenação em segunda instância —o que hoje parece difícil.

Passada essa chance, Lula poderia depositar esperanças em uma rediscussão do tamanho de suas penas no STJ (Superior Tribunal de Justiça), mas o tribunal tem se alinhado à Lava Jato. Outra possibilidade será a unificação e consequente diminuição do total das penas por um juiz de execução penal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria de Mônica Bergamo é muito interessante, porque a maioria das pessoas só se preocupa com o processo do tríplex, que levou Lula à cadeia. Agora é a vez do sitio e da ex-nova sede do Instituto Lula. Mas há outros processos e inquéritos em andamento, que devem agravar ainda mais as penas de Lula. Apesar isso, ainda há quem acredite na candidatura dele este ano, porque sonhar ainda não é proibido nem paga imposto. (C.N.)

Paulo Guedes, guru de Bolsonaro, trafega entre a genialidade e o delírio

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Ilustração reproduzida do site Imprensa Viva

Renata Agostini
Estadão

Economista liberal, Paulo Guedes não é neófito em campanhas políticas, mas faz tempo que não chega perto de uma. Contribuiu com Guilherme Afif Domingos em 1989 e, depois, foi fazer fortuna no mercado financeiro. Ex-sócio do Pactual (hoje BTG) e do IBMEC, instituições que ajudou a fundar, e atual sócio da Bozano Investimentos, aceitou desta vez formular um programa econômico para Jair Bolsonaro (PSL). Por quê? “Ele foi o único que me pediu”. A motivação é contribuir com o País, diz. “Estou tentando ajudar o caos”, afirma, referindo-se à situação econômica do Brasil.

Para ele, o velho sistema político está “morrendo em praça pública” e é o momento de um novo modelo, baseado numa aliança de centro-direita em apoio a um programa liberal na economia. Ele defende privatizações amplas e aceleradas, recompra da dívida pública para reduzir gastos com juros e um novo modelo de Previdência, entre outras medidas. Guedes diz acreditar nas intenções de Bolsonaro, apesar do histórico do deputado de defender posições estatizantes e intervencionistas. “Para que ele ia me pedir um programa liberal se não quisesse?”

Quais seriam as medidas prioritárias do governo Bolsonaro?
A mudança de regime fiscal e a reforma do Estado foram as grandes omissões dos últimos 30 anos. Políticos inebriados, economistas inexperientes e uma sequência de planos malsucedidos. Havia um aparelho modelado pelo regime militar e entrou uma democracia emergente com outra camada de prioridades. Como atender a essas prioridades sem reformar o antigo, sem eliminar privilégios? Mas estamos aprendendo. Estou otimista.

Por qual razão?
Não tem a ver com candidatos específicos. É o fenômeno da dinâmica da sociedade aberta. Com o impeachment de Collor, veio a independência do legislativo. Agora, com as condenações da classe política na esteira da Lava Jato, veio a do judiciário. Estou confiante que vamos chegar lá. A governabilidade virá em novos eixos.

Por quê?
A velha política está morrendo em praça pública. O mais popular líder brasileiro foi para a cadeia. Seguramente não era um homem mal intencionado. Seguramente tinha grandes sonhos. Se foi parar na cadeia é porque tem algo muito errado nesse modelo. Esse modelo social-democrata, intervencionista. O excesso de gasto do governo corrompeu a democracia, derrubou o crescimento. É indissociável a degeneração da política desse modelo dirigista, onde as estatais são os braços usados para fazer governabilidade. Da mesma forma, a concentração de recursos no governo federal. O futuro é feito em novos eixos, em cima do pacto federativo e de princípios republicanos. As propostas encaminhadas devem ser aprovadas por uma aliança de centro-direita em apoio a um programa econômico liberal. Vai ter “toma lá dá cá”? Não.

O que garante isso?
Primeira coisa: em vez de 40 ministérios para agraciar partidos, cai para dez ou doze. Segundo, o acordo é em torno de programas. O programa é liberal. Quem quiser apoiar esse programa está dentro. Quem não quiser, está fora. E não tem problema nenhum.

O problema é a necessidade de aprovar medidas no Congresso.
Se o presidente não propuser uma reforma política, ele está onde? No mundo da lua? Nossa sugestão é uma cláusula de fidelidade programática. Votação em bloco do partido. E acaba com compra do voto no varejo, o voto mercenário. É combinar o chamado fechamento de questão com fidelidade partidária. Queremos valorizar os partidos. Hoje não valem nada, são legendas de aluguel.

Isso resolve o problema?
É a nova política. Como você vai comprar voto se fez um programa? O programa é liberal. Se votar contra, não está na base.

Como enfrentar a questão das contas públicas?
O plano é gastar menos e melhor. Por que privatizar? Quero baixar as despesas de juros, que são um absurdo. É o cultivo do rentismo, arma de destruição em massa de empreendedores. Mas tem de fazer com consistência fiscal. Não adianta baixar juro artificialmente, como Dilma fez, porque a inflação volta logo. Esse foi meu argumento com Bolsonaro para ele entender que precisa de Banco Central independente.

Como os juros baixarão?
Privatizando vou matando dívida. Pretendíamos ter resgate de dívida no primeiro ano. Amortizar uns R$ 400 bilhões logo no início do governo.

E de onde vem esse dinheiro?
Começam a chegar as privatizações. Vamos derrubar permanentemente a taxa de juros com política fiscal. O coração do programa é fiscal. Se somar três anos de juros, dá R$ 1 trilhão. É um absurdo essa conta. Na hora que você fala: “vou privatizar, vou botar para crescer, vou reduzir imposto”, o País começa a andar, os juros desabam. Daqui a pouco tem gente aceitando 1% de juro, pedindo pelo amor de Deus. Tem de mostrar que o Estado não vai precisar de financiamento. Não precisa seguir com essa conta absurda de juros. O cara fez o Cruzado e devia ter vergonha. Aí volta, faz o Real, coloca o juro na lua e diz que fez algo extraordinário (em referência a Persio Arida e André Lara Resende, que participaram da elaboração dos dois planos). Não, cara, você endividou o País, quebrou as empresas. Só que as pessoas nem percebem. Ninguém entende nada, é o caos. Estou tentando ajudar o caos. As pessoas acham que é o caos o Bolsonaro andar por aí. Não é o caos. O caos já está aí há muito tempo.

O que mais além de privatizar?
Outro canhão estará virado para a Previdência. O Brasil está novinho e já quebrou a Previdência. Falei para o Bolsonaro: se aprovar isso aí agora (reforma proposta por Temer) o avião não cai na sua cabeça e segue mais dez, 15 anos. Se não aprovar, vai cair na sua cabeça e na minha. Não acho legal. (Ele me disse:) “Pô, Paulo, você faz o que quiser depois, mas se eu fizer isso, nem chego lá. O Lula está falando que vai mexer na Previdência? O Alckmin? Acredito em você, mas não posso”. O meu papel é apresentar uma reforma liberal. Se ele quiser, aprova. Se não aprovar, não vou. Não preciso do poder. Mas não gosto do caminho para onde o Brasil está indo. Não gosto da mídia achar normal uma pessoa que solta bomba e achar bandido um cara que entrou na academia militar.

Quem diz que ele é bandido?
O tratamento é esse, é diferente. Lembro do tratamento que recebi quando voltei de Chicago (Universidade de Chicago, onde fez doutorado). Sei o que é ser discriminado. O que nos aproximou foi um pouco isso.

Bolsonaro votou diversas vezes contra reformas. Acredita que ele se tornou um liberal?
Você acredita que Persio Arida (coordenador do programa de Geraldo Alckmin) é liberal? Acredita que Alckmin é liberal? Tenho de acreditar que Bolsonaro está mais próximo (de ser liberal). Ele não é idiota, né? Vai pedir o que não quer?

O sr. não teve curiosidade de entender essa guinada?
Acho que ele está progredindo à taxa mais rápida do que a dos economistas brasileiros. Continua dizendo que gostaria que tivesse um ministério só, com comando único, e nessa direção. Se o Persio Arida acredita no Alckmin, acho que posso acreditar no Bolsonaro. Quero melhorar meu País, que as pessoas tomem o remédio certo.

O sr. defende o sistema de capitalização na Previdência. Como viabilizar esse modelo? A ideia é oferecer uma alternativa. Não quero nossos filhos e netos condenados. É covardia. Temos um plano interessantíssimo, mas não posso falar.

Há dinheiro de privatização suficiente para dar conta do rombo da Previdência e da dívida?
Por exemplo, sim. Você não vai comprar a dívida toda num dia só. As privatizações renderiam de R$ 500 bilhões a R$ 800 bilhões em números atuais. Então, vai ser próximo de R$ 1 trilhão, porque com programa pró-economia de mercado, os ativos vão subir de preço.

Há espaço para programas sociais em seu programa?
Evidentemente. Programas sociais de transferência de renda são inteiramente louváveis. Os liberais compreendem e criaram as mais potentes ferramentas para erradicação da miséria. Estamos examinando um programa de renda mínima. Mas não adianta só incluir os pobres no orçamento. A verdadeira inclusão social é o emprego. O sujeito que tem emprego cuida dele mesmo.

O sr. deseja participar de um eventual governo Bolsonaro?
Nunca quis me associar a partido. A única vez que considerei ir – e teria ido – foi quando fiz o plano para Guilherme Afif Domingos. Agora parece ser uma situação semelhante. Não sabemos ainda, estamos em conversa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro representa uma esperança para muitos brasileiros, mas sua submissão a Paulo Guedes é um perigo para a nação. Guedes é um teórico delirante, que acredita na “mão invisível do mercado” idealizada por Adam Smith e que na Grande Depressão em 1930 o economista John Maynard Keynes mostrou que não funcionava na prática, em determinadas situações. Guedes quer privatizar todas as estatais, o que significa transformar o Brasil no laboratório do capitalismo mais radical já visto no planeta. É claro que há muitos acertos em suas teses. Curiosamente, o ex-banqueiro se aproxima de Marx ao condenar o rentismo, classificando-o como “arma de destruição em massa de empreendedores” (aliás, a expressão “rentismo” foi criada por Marx). Mas será que Bolsonaro saberá identificar, no programa de Guedes, o que é brilhante e o que é delírio? Tenho minhas dúvidas. Por fim, Guedes diz que era consultor de Afif em 1989, mas eu não lembro disso. Quem orientava Afif era o economista Marcos Cintra, criador da tese do imposto único, que é outro delírio. (C.N.)

Raquel Dodge pede ao STF prioridade para julgar Demóstenes Torres

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Demóstenes, um corrupto inocentado

Rosanne D’Agostino
G1, Brasília

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu urgência no julgamento de uma liminar (decisão provisória) que suspendeu a inelegibilidade do ex-senador Demóstenes Torres (PTB-GO), permitindo a ele se candidatar nas eleições deste ano. A liminar foi concedida pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 27 de março. Ele negou o retorno do ex-parlamentar ao mandato.

O mérito do pedido ainda terá de ser analisado pela Segunda Turma do STF, composta por cinco ministros. Não há data para esse julgamento.

URGÊNCIA – Em seu parecer, Dodge afirma exige apreciação “urgente e prioritária”, pois o resultado do julgamento poderá ter impacto nas eleições, causando “prejuízo irreversível”. A procuradora-geral pede que a liminar seja cassada.

Cassado em 2012 por quebra de decoro parlamentar, Demóstenes estava inelegível até 2027. Ele foi acusado de usar o mandato para favorecer o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

No pedido, o ex-senador afirmou que pretende se candidatar ao Senado nas próximas eleições e pediu a anulação da inelegibilidade e o retorno ao mandato.

PROVAS INVÁLIDAS – Ele alegou que as interceptações telefônicas realizadas nas operações Vegas e Monte Carlo foram invalidadas pela Segunda Turma do STF em outubro de 2016.

Toffoli afirmou na decisão que o ex-parlamentar reúne condições para disputar mandato eletivo e, caso não se suspenda de imediato a inelegibilidade, ele não poderá se afastar do cargo no prazo hábil para se candidatar, ou seja, seis meses antes do pleito para poder disputar as eleições de 2018.

“A iminência do encerramento do prazo para que Demóstenes Torres adote providências que constituem critério legal a sua participação nas Eleições de 2018 justifica o provimento liminar para, em sede cautelar”, escreveu Toffoli.

MANDATO – Toffoli negou, porém, o retorno ao mandato. Segundo o ministro, trata-se de uma decisão de competência do Senado.

“Ante a independência entre as instâncias penal e política, entendo que o óbice ao exercício do mandato de senador por Demóstenes Torres passível de ser atribuído ao Senado Federal decorre do exercício da jurisdição censória pela casa parlamentar”, argumentou.

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NOTAS DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais um pilantra de volta à política, inocentado porque as abundantes provas contra ele foram invalidadas por problemas de burocracia processual, algo que nos Estados Unidos causaria gargalhadas no tribunal. Aqui no Brasil o rigor na “legalidade” das provas é tipo Piada do Ano. O pior é que Demóstenes foi reintegrado à Procuradoria Estadual e em novembro recebeu salário de R$ 218 mil. Nada mal, e quem paga é o povo.  (C.N.)

Prisão de Lula provoca nas redes temor por Bolsonaro presidente, diz a FGV

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Amado e odiado, Bolsonaro divide opiniões

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas/DAPP (Diretoria de Análise de Políticas Públicas) sobre a reação das redes sociais à prisão de Lula revela que 5,6 milhões de menções ao caso foram feitas ao longo desta semana somente no Twitter. Do total, a maior parte dos usuários critica a “desigualdade” nos processos judiciais sobre corrupção e se diz preocupada com a possibilidade de ascensão do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) nas eleições presidenciais de 2018.

O grupo de pessoas que comentam a prisão de Lula nas redes corresponde a 42,46% das manifestações no Twitter. Segundo a FGV/DAPP, são internautas que se mostram “muito preocupados a possível eleição de Bolsonaro como presidente frente à prisão de Lula, único candidato que impedia o deputado de se tornar o nome mais cotado para ganhar em outubro”.

OUTRO GRUPO – O nome do deputado se destaca em outro grupo, em 23% dos perfis, que corresponde a pessoas que ‘comemoram a prisão (de Lula) e criticam petistas e partidos de esquerda’.

“Também defendem o comandante general Villas Bôas e criticam o posicionamento da esquerda de polemizar a postagem do mesmo”, explica a FGV, em alusão à mensagem que o militar tuitou apontando para a ‘impunidade’ na véspera do julgamento no Supremo do habeas corpus preventivo de Lula.

“Dentre seus principais influenciadores encontramos o perfil do deputado federal Eduardo Bolsonaro (@BolsonaroSP), o pré-candidato Jair Bolsonaro (@jairbolsonaro) e o perfil @Desesquerdizada, contando com 15.477, 3.996 e 3.840 retuítes”, pontua o estudo.

GRUPO DA ESQUERDA – Praticamente empatado, ocupando 23,18% das redes no debate em torno da prisão do ex-presidente, há o grupo que , segundo a FGV, é “formado por membros da esquerda tradicional, contando inclusive com o pré-candidato do PSOL @GuilhermeBoulos como principal influenciador, que teve 21.163 retuítes durante o período”. “O segundo principal influenciador foi um perfil de apoio ao petista Fernando Haddad, @Haddad_Femando, com 5.795 tuítes, sendo seguido por @zeantoniotoledo com 3.293 retuítes.”

A minoria, de 5% dos usuários, “se coloca favorável a ações contra a corrupção como a Lava Jato, a despeito de qualquer identificação partidária”, segundo o estudo. A FGV/DAPP ainda pontua que este grupo no gráfico comemora a prisão de Lula porque julga ser o início da responsabilização de crimes de corrupção, dizendo que Temer, Aécio e Jucá ‘seriam os próximos’.

DEBATE ECONÔMICO – Para o estudo, o “debate econômico desta semana colocou no centro da discussão temas como desemprego, crescimento econômico e inflação”.

“A prisão do ex-presidente Lula predominou e fortaleceu o debate entre direita e esquerda econômica, com a disputa entre qual governo responsabilizar pelo número de desempregados no país. As ponderações realizadas pelos usuários trataram sobre os fatores que contribuem para o que eles avaliam como difícil recuperação econômica do país. A troca dos ministros da Fazenda e de Minas e Energia também repercutiu no mercado e no debate quanto às expectativas de desempenho dos indicadores econômicos tanto do Brasil quanto da Eletrobras”, afirma.

Acampamento do PT faz Prefeitura de Curitiba pedir transferência de Lula

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Prefeitura quer remover o acampamento do PT

Ana Luiza Albuquerque
Folha

A Prefeitura de Curitiba (PR) pediu nesta sexta-feira (13) à Justiça Federal que o ex-presidente Lula seja transferido de unidade prisional, “para local seguro e adequado às circunstâncias do caso”.  Lula está preso na Polícia Federal desde sábado (7), onde cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão. Apoiadores do ex-presidente montaram um acampamento em frente ao local.

A Justiça estadual já havia expedido uma liminar para transferir os manifestantes da região, que é majoritariamente residencial. A prefeitura indicou o parque do Atuba para a realização das manifestações. Ainda assim, a militância se manteve em frente à PF.

DIFICULDADES – A prefeitura afirma que a iluminação pública da região está sendo prejudicada devido à dificuldade de acesso dos veículos que fazem a manutenção. Os caminhões de lixo também não estariam conseguindo passagem.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Paraná afirma que mantém contato permanente com os manifestantes e que o Departamento de Inteligência do Estado do Paraná monitora as manifestações. A governadora Cida Borghetti (PP) reuniu-se com membros do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) nesta quinta (12).

Na quarta (11), o Sindicato dos Delegados da Polícia Federal do Paraná pediu que o superintendente da corporação no estado, Maurício Valeixo, transferisse o ex-presidente. ​

DECISÕES A TOMAR – A juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal, responsável pela execução da pena, tem algumas decisões para tomar além do pedido da prefeitura.

Além da remoção de Lula, ela precisa autorizar ou não visitas ao detento, como a do presidenciável Ciro Gomes (PDT), e uma diligência da Comissão de Direitos Humanos do Senado, que pretende avaliar as condições em que o ex-presidente cumpre sua pena.