“Ninguém recebe ou dá dinheiro sujo em cheque nominal”, assinala Bolsonaro

Bolsonaro em entrevista aos jornalistas neste sábado Foto: Domingos Peixoto / Domingos Peixoto

Bolsonaro voltou ao assunto repetindo as explicações

Miguel Caballero
O Globo

O presidente eleito Jair Bolsonaro se defendeu na manhã deste sábado de eventuais suspeitas no caso de Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL). Queiroz apareceu em um relatório do Coaf anexado à Operação Furna da Onça por ter movimentado R$ 1,2 milhão em um ano. Deste total, R$ 24 mil foram em cheques destinados a Michelle Bolsonaro , mulher do presidente eleito.

Bolsonaro reafirmou a explicação dada na sexta-feira, de que se tratava do pagamento de empréstimos feitos por ele a Queiroz . E disse que pediu para o cheque ser destinado a sua mulher por ter dificuldade de ir ao banco com frequência.

SEM ILEGALIDADE – Ele lamentou o “constrangimento” que o caso trouxe a Michelle e se defendeu de qualquer ilegalidade. “Lamento o constrangimento por que ela está passando. Não botei na minha conta porque tenho dificuldade de ir ao banco, andar na rua. Foi por questão de mobilidade, ando atarefado o tempo todo para ir em banco. Pode considerar (como sendo) na minha conta. Deixei para minha esposa. Ninguém recebe ou dá dinheiro sujo por cheque nominal”.

Sobre o fato de não ter declarado o recebimento dos valores no imposto de renda, o presidente eleito disse que se dispõe a reconhecer e corrigir a questão.

“Se errei, arco com minha responsabilidade perante o Fisco, não tem problema nenhum” – afirmou Bolsonaro, após acompanhar, na manhã deste sábado, na Escola Naval, no Rio, a cerimônia de formatura de novos oficiais da Marinha.

EMPRÉSTIMOS – Bolsonaro afirmou que é amigo de Queiroz desde 1984 e que já o havia “socorrido financeiramente” em outras oportunidades. Ele disse que os empréstimos recentes somaram R$ 40 mil, e que Queiroz o pagou com dez cheques de R$ 4 mil, cada. 

Bolsonaro disse que não conversou com Queiroz desde que o caso foi noticiado, e atribuiu o vazamento da informação de que o ex-assessor de seu filho fora citado pelo Coaf a advogados de deputados estaduais do Rio investigados na Furna da Onça:

– Espero que ele (Queiroz) se explique. Não conversei com ele. Falei com meu filho. Meu filho não é investigado nessa operação. Quem vazou foram advogados de deputados investigados, ou até presos, para tentar desviar o foco da tensão deles para meu filho.

TUDO NORMAL – Sobre o fato de outros oito assessores do gabinete de Flávio Bolsonaro terem feito depósitos na conta de Queiroz, Bolsonaro disse achar normal.

– Se você pegar o seu círculo, na imprensa, no quartel, no hospital. É normal, entre os funcionários, um ajudar o outro. Você se socorre de quem está do seu lado, é próximo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro devia fazer como Dias Toffoli, que ficou calado sobre a vergonhosa “mesada” de R$ 100 mil que recebia da ex-mulher sem declarar ao Imposto de Renda e sem pagar Imposto de Transmissão Inter Vivos. Rapidamente as pessoas esquecem. Se ficar dando desculpas deste nível, a coisa tende a se complicar. (C.N.)

Atuação de Lewandowski no avião certamente envergonhou muitos brasileiros

O ministro Ricardo Lewandowski ao ser filmado e interpelado em voo pelo advogado Cristiano Caiado de Acioli

Ricardo Bolsonaro, na primeira fila do voo da discórdia

Hélio Schwartsman
Folha

É perfeitamente razoável sentir vergonha de ser brasileiro. Motivos para isso não faltam, e eles são inteiramente subjetivos. Pode ser o 7 a 1 para a Alemanha em 2014, a eleição de Lula em 2002 ou a de Bolsonaro em 2018. Pode ser a performance da cantora Anitta ou a atuação do STF. Comunicar o sentimento de embaraço a quem quer que seja não é nem pode ser um crime.

Não há muita dúvida de que o advogado Cristiano Caiado de Acioli foi grosseiro e inoportuno ao abordar o ministro Ricardo Lewandowski dizendo sentir vergonha de ser brasileiro por causa do STF. Pode-se vislumbrar na atitude do causídico até um animus provocandi, já que ele cuidou de registrar imagens e áudio de sua discussão com o ministro. Ainda assim, se o vídeo do incidente não contém omissões nem edições, tudo o que houve foi apenas falta de educação.

Afirmar sentir vergonha de alguém ou de alguma coisa não constitui ofensa à honra objetiva, excluindo desde logo a ocorrência dos crimes de calúnia e difamação. Poderia ser um caso de injúria, que lida com a honra subjetiva. Mas, como o objeto da crítica foi a corte, que por não ser pessoa natural não tem honra subjetiva a ser preservada, fica difícil classificar a conduta do advogado como delituosa.

QUESTIÚNCULA – Se alguém extrapolou nesse episódio, parece-me ter sido Lewandowski, ao mobilizar a Polícia Federal para tratar de uma questiúncula que dizia respeito mais a seu ego ferido do que ao interesse público.

Eu preferiria viver num mundo onde todos se comportassem como lordes ingleses, deixando fleugmaticamente os outros em paz. Mas vivemos num planeta em que as pessoas são inurbanas, inconvenientes e se provocam por razões ideológicas. Tudo isso precisa ser tolerado num regime que valoriza as liberdades, como é o nosso.

Não dá para o STF pontificar sobre a liberdade de expressão, se seus ministros não aguentam uma crítica mais veemente ou ardilosa.

Sob influência de Bolsonaro, o Brasil apoiou Israel na ONU, mas foi derrotado

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A votação destinava-se a condenar o Hamas palestino

Jamil Chade
Estadão

Abandonando a tradicional posição do Brasil em votações sobre o conflito israelo-palestino, o Itamaraty votou ao lado de Israel e dos Estados Unidos em uma resolução na ONU.  O voto ocorreu na noite de quinta-feira e era uma iniciativa americana para condenar o Hamas por disparar mísseis contra Israel. A resolução não passou na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Para que fosse aprovada, ela precisaria de dois terços dos votos. Mas conseguiu 87 apoios, contra 57 países que rejeitaram a resolução, além de 33 abstenções. Nikki Haley, a embaixadora americana, era a principal promotora do texto que seria o primeiro a condenar o Hamas, se fosse aprovado.

TRUMP DERROTADO – Sua derrota, porém, foi considerada pelo Hamas como um “golpe” contra o governo de Donald Trump. Nas redes sociais, seu porta-voz, Sami Zahri, indicou que o resultado “confirma a legitimidade nossa resistência”. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, ainda assim comemorou, indicando que essa havia sido a primeira vez que tantos países saíram ao apoio de seus interesses.

O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, disse que a resolução apenas foi derrotada por conta de uma mudança no processo de votação. Momentos antes do voto, foi estabelecido que seriam necessários dois terços de apoio para que o texto fosse aprovado.

Haley não poupou críticas à manobra, acusou governos de estarem apoiando o terrorismo e alertou que a mudança no voto tinha “como única finalidade impedir a aprovação da resolução”.

EDUARDO BOLSONARO – Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro insinuou que a mudança no voto brasileiro já era o resultado da visão do novo governo e do chanceler Ernesto Araújo. “Foi a primeira vez que o Brasil votou a favor de Israel contra grupos terroristas”, escreveu o filho do presidente eleito. Na mensagem, ele manda seus “parabéns” para Haley, ao Itamaraty e a Araujo. “O Brasil vai deixar de ser um anão diplomático”, escreveu, numa referência a uma crítica que o governo israelense havia lançado contra o Brasil há poucos anos. Argentina, Uruguai e Chile também votaram a favor do texto.

Tradicionalmente, o Brasil optava por um apoio aos palestinos ou, em alguns casos, pela abstenção. O argumento era de que o governo agia conforme o “direito internacional”. A postura prevaleceu nos governos de José Sarney, Fernando Collor de Melo, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e, até ontem, na gestão de Michel Temer.

JERUSÁLEM – Mesmo em dezembro de 2017, o governo Temer foi um dos 128 países que apoiou uma resolução na ONU condenando a decisão de Donald Trump de transladar sua capital em Israel para Jerusalém. Segundo o texto aprovado, uma decisão de qualquer governo questionando o status da cidade deve ser considera como “nula e inválida”.

Já em outras resoluções apresentadas por Israel sobre outros assuntos como tecnologia e desenvolvimento, porém, o Brasil já havia apoiado o governo de Tel Aviv na ONU. Considerado como uma entidade terrorista por europeus e americanos, o Hamas emitiu um alerta ao governo brasileiro quando foi anunciado que o Bolsonaro pretende mudar a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

PASSO HOSTIL – Nas redes sociais, o grupo Hamas, que está no poder em Gaza e é acusado de radicalismo, deixou claro que não vê com bons olhos a decisão do Brasil. “Rejeitamos a decisão do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, de mover a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém e pedimos que ele abandone sua decisão”, declarou o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri.

Para ele, a iniciativa é um “passo hostil ao povo palestino”.

Ex-motorista de Flávio Bolsonaro chegou a fazer cinco saques num só dia

O ex-assessor parlamentar e policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz em foto ao lado de Jair Bolsonaro. A imagem foi publicada no Instagram do ex-auxiliar em 21 de janeiro de 2013

Ex-motorista era amigo intimo de toda a família Bolsonaro

Italo Nogueira
Folha

O ex-motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) fez 176 saques de dinheiro em espécie de sua conta em 2016. A movimentação dá uma média de uma retirada a cada dois dias. No dia 10 de agosto de 2016, por exemplo, Queiroz fez cinco retiradas que, somadas, dão R$ 18.450. Todos os saques foram em valores abaixo de R$ 10 mil, a partir do qual o Coaf alerta automaticamente as autoridades fiscais.

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou uma movimentação financeira atípica de R$ 1,2 milhão do ex-assessor parlamentar e policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz naquele ano. Esse valor inclui tanto saques como transferências, créditos em suas contas, entre outras operações.

RETIRADAS – Cerca de um quarto do valor suspeito (R$ 324,8 mil) foi movimentado por meio de saques. Foram retiradas que variavam de R$ 100 a R$ 14.000.

Houve ainda 59 depósitos em dinheiro vivo na conta do policial militar. As entradas variam de R$ 400 a R$ 12.700.

Procuradores afirmam que o uso de dinheiro vivo em transações bancárias costuma ter como objetivo ocultar o destinatário ou remetente dos recursos. A prática dificulta a identificação dos responsáveis pelas transações.

RELATÓRIO – As informações fazem parte do relatório do Coaf da Operação Furna da Onça, que prendeu dez deputados estaduais do Rio de Janeiro. O Ministério Público Federal solicitou ao órgão de controle financeiro os casos de movimentação atípica envolvendo funcionários da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Os dados sobre o policial militar chamaram a atenção por, entre outros motivos, registrar “movimentações em espécie realizadas por clientes cujas atividades possuam como característica a utilização de outros instrumentos de transferência de recursos”.

Queiroz também apresentou, para o Coaf, “movimentação de recursos incompatível com o patrimônio, a atividade econômica ou a ocupação profissional e a capacidade financeira”. De acordo com o órgão financeiro, ele tinha uma renda de R$ 23 mil mensais e um patrimônio de cerca de R$ 700 mil.

POR ENQUANTO – Nem Flávio Bolsonaro, deputado estadual, nem Queiroz são alvo de investigações. A Procuradoria ressaltou que a identificação de movimentação atípica não configura um ilícito por si só.

Boa parte das movimentações financeiras em que a outra parte é identificada se refere a transações com membros do próprio gabinete de Flávio Bolsonaro. Sete nomes que constam do relatório fizeram parte da equipe do deputado estadual.

Três são parentes de Queiroz. Estão na lista Marcia Oliveira de Aguiar (mulher), Nathalia Melo de Queiroz e Evelyn Melo de Queiroz (filhas). Todas também integraram em algum momento o gabinete de Flávio Bolsonaro.

PERSONAL TRAINER – A partir de dezembro de 2016, Nathalia saiu da Alerj para integrar a equipe do hoje presidente eleito, Jair Bolsonaro, na Câmara dos Deputados. Ela se desligou do cargo em outubro deste ano, na mesma data em que o pai deixou o gabinete do senador eleito.

Conhecida como personal trainer de famosos como os atores Bruno Gagliasso e Bruna Marquezine, Nathalia repassou quase todo o salário que recebeu naquele ano para o pai. Foram R$ 84,1 mil repassados para o policial militar.

Uma das movimentações registradas também se refere à futura primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ela foi a favorecida de um cheque de R$ 24 mil do ex-assessor parlamentar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Cada vez a coisa fica mais enrolada. Esse motorista e assessor oriundo da PM está se revelando um tremendo 171, que desfrutava da confiança total do clã Bolsonaro, inclusive da primeira-dama Michelle. As explicações são infantis. É tudo muito desagradável e decepcionante, quando se descobre que na política brasileira praticamente não há exceções, até o “mito” está sendo desmitificado. É muito triste chegar a essa conclusão óbvia. (C.N.)

Carta do senador Públio Lentulus, descrevendo Jesus ao Imperador Tibério

Era costume os senadores escreverem ao Imperador

Antonio Rocha

Este documento foi encontrado no arquivo do Duque de Cesarini, em Roma. Trata-se de uma carta do senador Públio Lentulus, em que ele traça o retrato físico e moral de Jesus Cristo, e foi mandada de Jerusalém ao imperador Tibério César, em Roma, quando Jesus ainda estava vivo, segundo o site da Rádio Rio de Janeiro 1400 AM.

“Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra: é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto, e há tanta majestade no rosto, que aqueles que o veem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes.

Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos nazarenos, o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face, de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio, seu olhar é muito afetuoso e rave; tem os olhos expressivos e claros, o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.

Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra, contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele se aproxima, verifica-se que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo, jamais, visto por estas partes uma mulher tão bela, porém, se a majestade tua, ó Cézar, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível.

De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei deTua Majestade; eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus.

Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo, aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido. Vale, da Majestade Tua, fidelíssimo e obrigadíssimo…

Públio Lentulus, presidente da Judéia, Lindizione sétima, luna seconda.”

Crise de Minas Gerais se agrava e os prefeitos estão levando calotes sucessivos

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Letícia Fontes
O Tempo

Cortes orçamentários, serviços não habilitados por falta de verbas e atrasos na liberação de recursos por parte do governo do Estado estão deixando prefeituras a um passo do colapso no atendimento de saúde. Com mais de R$ 4 bilhões do governo de Minas em atraso só na saúde, segundo levantamento do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems-MG), os municípios mineiros enfrentam dificuldades no pagamento de médicos, fornecedores e prestadores de serviços.

 Com isso, os gestores têm que administrar com verbas 83,3% menores do que as previstas para o Orçamento deste ano, aprovado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

MEDICAMENTOS – Segundo o secretário adjunto de Estado de Saúde, Daniel Guimarães Medrado de Castro, a dívida com fornecedores chega a R$ 800 milhões, sendo que R$ 253 milhões desse montante se referem a medicamentos. “A gente tem que usar a criatividade. Temos atuado para não faltar medicamento, mas acontece. Porém, embora não tenha a entrega de determinados medicamentos de fornecedores, não chegamos a uma situação de desabastecimento”, disse.

Os números do relatório do Sistema Único de Saúde (SUS) foram apresentados nesta semana, na Assembleia, em audiência pública. De acordo com Medrado, a área teria que receber R$ 600 milhões por mês, porém a média tem sido bem inferior: só 16,6% dos recursos esperados estariam sendo repassados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nada de novo no front ocidental, diria Erich Maria Remarque. O Brasil caminha para uma crise gravíssima, porque as dívidas sufocam o poder público nos três níveis (federal, estaduais e municipais). O Planalto não tem como socorrer os governadores nem os prefeitos. A única coisa a oferecer são os recursos dos leilões de Petrobras, a única grande estatal que está dando certo no Brasil, mas querem vende-la por 30 dinheiros em pleno Natal. Aqui no Blog, uma plêiade de imbecis dá peruadas na economia, sem nada saber. Acham que a simples eleição de Bolsonaro resolve tudo, num passe de mágica, mas não é assim que a banda toca. Primeiro, tem de afinar os instrumentos, auditando a dívida pública e o déficit previdenciário. Somente depois, no segundo tempo, é que o jogo pode começar. (C.N.)

“Assessor deu explicação plausível”, diz Flávio Bolsonaro, tentando ganhar tempo   

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“O motorista tem de ser investigado”, diz Flávio Bolsonaro

Marcio Dolzan
Estadão

O deputado estadual e senador eleito pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) saiu nesta sexta-feira, 7, em defesa de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, que registrou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão, segundo um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), conforme revelou o Estadão. Flávio Bolsonaro declarou que Queiroz lhe apresentou “uma explicação plausível”, mas se negou três vezes a revelar qual seria.

“Hoje (sexta) o Fabrício Queiroz conversou comigo, fui cobrar esclarecimentos dele sobre o que estava acontecendo. A gente não tem nada a esconder de ninguém. Ele me relatou uma história bastante plausível, me garantiu que não haveria nenhuma ilegalidade nas suas movimentações”, afirmou Flávio.

SIGILO ABSOLUTO – O senador eleito, contudo, não deu nenhum detalhe sobre qual seria o motivo das movimentações. “Eu não posso adiantar, a pedido do advogado dele”, desconversou. “Assim que ele for chamado ao Ministério Público (MP) vai dar o devido esclarecimento.”

Flávio Bolsonaro disse ainda concordar “que é muito dinheiro”, mas insistiu na defesa do ex-assessor. “A versão que ele (Queiroz) coloca é bastante plausível, mas não sou eu que tem que ser convencido, é o MP.”

Na avaliação do filho do presidente eleito, a investigação tem ligação direta com os resultados das eleições. “Todos nós sabíamos que ao entrar nessa, numa situação que nós incomodamos muita gente, nós seríamos alvo. E é assim que tem que ser. As pessoas que estão mais expostas na vida pública têm que ser cobradas, então é natural tudo que vem acontecendo”, comentou, ressaltando que “o acusado é ele (Queiroz), não eu”.

PAI ESTÁ INDISPOSTO – As declarações de Flávio Bolsonaro foram dadas no fim da tarde, em frente ao condomínio onde mora seu pai. Ele confirmou que Jair Bolsonaro sofreu um mal-estar pela manhã, “mas já está bem, em casa”. A agenda externa do presidente eleito para sábado está confirmada.

O senador eleito também minimizou as discussões entre os eleitos Major Olímpio e Joice Hasselmann, ambos do seu partido. “Acho que a ansiosidade de todo mundo de começar logo a exercer seu mandato e ajudar o Brasil no governo Bolsonaro”, disse Flávio.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O filho de Bolsonaro é um político surpreendente. Usando a mesma criatividade com que inventa supostas desculpas que ainda não podem ser reveladas, enquanto seu pai dizia ao site Antagonista, que se trata de um empréstimo feito por ele, Jair Bolsonaro, ao amigo e servidor que movimentou R$ 1,2 milhão em um ano. Enquanto isso, o filho Flávio minimiza a crise a grave crise no PSL e o papel deletério que ele e os irmãos vêm desempenhando na Transição, criando um problema atrás do outro. Nesse caso, quem tem razão é o finado senador-coronel Jarbas Passarinho, que dizia: “O maior problemas do político são os parentes, que julgam terem sido eleitos junto com a gente”. (C.N.)

Cheque da mulher de Bolsonaro deixa Moro em situação constrangedora

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Moro errou ao considerar Bolsonaro “acima de suspeita”

Deu no Correio Braziliense
(Estadão Conteúdo)

O futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, não respondeu a questionamento feito pela imprensa, nesta sexta-feira, 7, sobre o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que revelou movimentação atípica no valor de R$ 1,2 milhão na conta de um assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Em anúncio na sede da transição de governo, Moro indicou os futuros chefes da Polícia Rodoviária Federal, o policial rodoviário federal Adriano Marcos Furtado, e da Secretaria Nacional do Consumidor, o advogado Luciano Benetti Timm, mas deixou o local sem responder à pergunta sobre o documento do Coaf.

Foi o primeiro contato com a imprensa após o jornal O Estado de S. Paulo revelar, na quinta-feira, 6, o relatório sobre transações de Fabrício José Carlos de Queiroz. Policial militar, Queiroz era registrado como assessor parlamentar, mas também atuava como motorista e segurança de Flávio Bolsonaro. Foi exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro no dia 15 de outubro deste ano.

CHEQUE DE MICHELLE – Uma das transações na conta de Queiroz citadas no relatório do Coaf é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama Michelle Bolsonaro. A compensação do cheque em favor da mulher do presidente eleito Jair Bolsonaro aparece na lista sobre valores pagos pelo PM.

“Dentre eles constam como favorecidos a ex-secretária parlamentar e atual esposa de pessoa com foro por prerrogativa de função – Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro, no valor de R$ 24 mil”, diz o documento do Coaf, órgão de inteligência financeira que tem como principal missão o combate da lavagem de dinheiro.

PAI E FILHA – Nesta sexta-feira, o Estadão revelou que o mesmo relatório cita movimentações entre contas de Fabrício Queiroz e de sua filha, Nathalia Melo de Queiroz, que era até o mês passado assessora lotada no gabinete do deputado federal e agora presidente eleito, Jair Bolsonaro. 

O documento do Coaf foi anexado pelo Ministério Público Federal à investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, realizada no mês passado e que levou à prisão dez deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Nem Flávio Bolsonaro nem o seu ex-motorista foram alvo da operação que prendeu dez deputados fluminenses, deflagrada no dia 8 de novembro. O Ministério Público Federal investiga o envolvimento dos parlamentares estaduais em um esquema de pagamento de “mensalinho” na Assembleia.

DINHEIRO DEMAIS – O Coaf informou que foi comunicado das movimentações de Queiroz pelo banco porque elas são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” do ex-assessor parlamentar.

O relatório também cita que foram encontradas na conta transações envolvendo dinheiro em espécie, embora Queiroz exercesse uma atividade cuja “característica é a utilização de outros instrumentos de transferência de recurso”.

Queiroz foi citado na investigação porque o Coaf mapeou, a pedido dos procuradores da República, todos os funcionários e ex-servidores da Alerj citados em comunicados sobre transações financeiras suspeitas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO ex-juiz Sérgio Moro ficou em situação constrangedora. Aceitou o convite para entrar no governo, pensando que Bolsonaro fosse um cidadão acima de qualquer suspeita. Mas como acontece no filme de Elio Petri, ninguém pode estar acima de suspeita. Agora, Moro está numa saia justa, embora Bolsonaro tenha dito que se trata de um empréstimo de R$ 40 mil, que foi pago à mulher dele e não a ele, porque não tinha tempo de receber. Com uma desculpa mal engendrada desse tipo, é melhor o ex=juiz Moro voltar para casa e abrir um escritório de advocacia, que será um grande sucesso, porque a política brasileira não merece ter um protagonista como ele aqui do lado de baixo do Equador. (C.N.)

Gilmar (ele, sempre ele) manda soltar Wilson Carlos, cúmplice de Cabral

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Charge do Nani (nanihumor )

André de Souza
O Globo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou soltar Wilson Carlos, ex-secretário de Gestão do ex-governador Sérgio Cabral e um dos alvos do braço da Operação Lava-Jato no Estado do Rio de Janeiro. No lugar, determinou a aplicação de outras medidas: proibição de manter contato com os demais investigados e de deixar o país, devendo entregar o passaporte, além de recolhimento domiciliar no período noturno e nos fins de semanas e feriados. Gilmar disse que o ex-secretário só permanecerá detido se houver uma segunda ordem de prisão contra ele.

WIlson Carlos teve a prisão decretada em novembro de 2016 pelo juiz federal Marcelo Bretas, que toca os desdobramentos da Lava-Jato no Rio, para garantia da ordem pública e para assegurar a aplicação da lei penal. A defesa recorreu ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), com sede no Rio, e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, mas os pedidos de liberdade foram negados.

SEM ELEMENTOS – Gilmar entendeu que a prisão preventiva não se baseia em “elementos concretos”. Assim, ele estendeu a Wilson Carlos a decisão que já tinha beneficiado Hudson Braga, ex-secretário de Obras no governo Cabral.

Na avaliação de Gilmar, as prisões preventiva de Wilson Carlos e Hudson Braga não atendem aos requisitos do artigo 312 do Código de Processo Penal (CPP), segundo o qual a medida “poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se sabe, Sérgio Cabral, Hudson Braga e Wilson Carlos foram presos na Operação Calicute. Segundo as investigações, o grupo do ex-governador desviou cerca de R$ 224 milhões em contratos com diversas empreiteiras. Para o ministro Gilmar Mendes (ele, sempre ele), isso não significa absolutamente nada. Mas Wilson Carlos não será solto, porque está condenado em outros processos, que Gilmar Mendes nem se deu ao trabalho de conferir se existiam. (C.N.)

Há um compêndio de fracassos dos bancos para evitar a lavagem de dinheiro

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Reproduzido de putztironas.blogspot.com

José Casado
O Globo  

Num início de verão no Rio, “Barbear” precisou encobrir a transferência de R$ 1,5 milhão ao exterior. Convocou os doleiros “Fofinho” e “Boneca”, seus parceiros no lucrativo negócio de lavagem de dinheiro. “Barbear” era Oswaldo Prado Sanches, diretor das empresas do bilionário Julio Bozzano. “Fofinho” habitava a pele de Henri Tabet, e “Boneca” na vida real era Dario Messer.

O dinheiro foi para o Bank of China. “Fofinho” justificou-se ao banco: gastaria R$ 572 mil em anzóis e R$ 344 mil em bonés. Deu certo.

BRECHAS DEMAIS – Nas investigações da Lava-Jato há um compêndio de fracassos dos bancos para evitar a lavagem de dinheiro. O sistema global de vigilância bancária tem mais buracos que queijos suíços, apesar das barreiras criadas após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

Num exemplo, durante 60 meses uma rede clandestina do eixo Rio-São Paulo conseguiu esconder o equivalente a R$ 6,6 bilhões em dinheiro de corrupção em meia centena de países. Mobilizaram quatro mil empresas em paraísos fiscais.

Há pedidos para investigação de outras remessas a bancos em cidades como Zurique, Luxemburgo, Bruxelas, Dublin, Madri, Hong Kong, Xangai, Seul e Dubai, entre outras.

WALL STREET – Parte da bilionária lavagem começou em Wall Street, nas casas bancárias J.P. Morgan, Citibank, Bank of America, HSBC, Bank of New York, Barclays, Standard Chartered, Morgan Stanley, Wachovia e UBS.

O fluxo de dinheiro de corrupção lavado a partir do Brasil alcançou a média de R$ 110 milhões por mês, ou R$ 5,5 milhões a cada dia útil, entre 2011 e 2016. Dario Messer, um dos agentes da Odebrecht, chegou a embolsar R$ 121 milhões em 48 meses de serviços na camuflagem dos subornos pagos a políticos. Lucrou R$ 126 mil a cada dia útil.

Depois da posse de Dilma Rousseff, em 2011, Messer chegou a socorrer a Odebrecht numa ocasional escassez de caixa, com empréstimo de R$ 32 milhões ao departamento de propinas do grupo. Aparentemente, “Boneca” vive no Paraguai.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO artigo enviado por Mário Assis Causanilhas mostra que os bancos não têm o menor interesse em coibir a lavagem de dinheiro. Muito pelo contrário. (C.N.)

Brasil está sendo desnacionalizado e os militares fingem que não sabem de nada

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Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Milton Vieira de Souza Lima

Há muitos brasileiros que consideram idiotice defender nacionalismo. Claro que não devemos ser bitolados/xenófobos. Penso que devemos ser nacionalistas, sim, no sentido de defender o que é nosso para o bem de nosso povo em primeiríssimo plano, prestigiar a empresa nacional (que gera dinheiro aqui e que é investido aqui) e não permitir que sejamos explorados. Sou a favor de privatizações de empresas de áreas não estratégicas. Entretanto não vejo com bons olhos a desnacionalização da Economia de forma desmedida. Não quero me estender com meus pontos de vista.

Para reflexão sobre nacionalismo e liberalismo quero colocar aqui parte do pronunciamento do Desembargador Pedro Vals Feu Rosa, feito por ocasião da abertura do XXV Curso de Política e Estratégia da ADESG – ES (01/07/2010). É impressionante.

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A DESNACIONALIZAÇÃO DO BRASIL
Pedro Vals Feu Rosa

Rússia, Índia e China trataram de fortalecer seus respectivos parques industriais e tecnológicos nacionais, enquanto que nós fizemos o oposto, vendendo para estrangeiros algumas de nossas melhores empresas. Nominalmente, não produzimos sequer uma calculadora de bolso, pois falta-nos até mesmo uma fábrica de chips. Somos meros montadores de aparelhos eletrônicos.

E é assim que o documento norte-americano sugere que a participação do Brasil no BRIC será a de sediar conversas e negociações lá no Rio de Janeiro, onde a atmosfera é mais amena e o carnaval está chegando.

Concluiu-se, ainda, que o Brasil, após 2020, deverá ser um dos grandes exportadores de petróleo e de produtos agrícolas do planeta, o que robusteceria profundamente sua economia; também confere: basicamente é a continuação da economia extrativista que há 500 anos retira do Brasil riquezas naturais a preço de banana em troca de bens industrializados importados a peso de ouro.

ABERTURA DOS PORTOS – Sobre este aspecto, as gerações contemporâneas, na ansiedade de agradar o capitalismo estrangeiro, engendraram uma segunda “abertura dos portos” – esta última, entretanto, de resultados calamitosos para um país que pretende se desenvolver.

Em verdade, o processo de desnacionalização da economia que se promoveu no nosso país, até onde pesquisei, não encontra paralelo no planeta! Citarei um pequeno exemplo: há coisa de um ou dois anos planejou-se vender uma das maiores empresas privadas da França a um grupo norte-americano – um negócio absolutamente lícito.

Mas eis que os Poderes constituídos daquele país, de forma aberta e frontal, anunciaram ser aquela empresa uma jóia do país, que não poderia ser vendida, e que tudo fariam para impedir o avanço das negociações. O resultado: a empresa continua francesa, e agora revitalizada. Em nosso país o processo histórico contemporâneo foi diferente: Venda-se! Entregue-se!

COMPRANDO TUDO… – Nos últimos anos, incríveis 60% das empresas brasileiras negociadas foram parar nas mãos de estrangeiros. Foi assim que chegamos no insólito país cujos habitantes compram o leite de suas próprias vacas, a água mineral de suas próprias nascentes e a maioria dos produtos de sua própria terra de empresas estrangeiras aqui instaladas.

Da indústria alimentícia à mineração, da comunicação à siderurgia, dos transportes à energia, o que o Brasil possuía de melhor foi vendido a grupos estrangeiros. Um país não pode se desenvolver verdadeiramente sob tais condições.

Em verdade, vejo sustentando nossa aparente pujança o remeter para fora, a preços aviltantes, riquezas as mais preciosas que temos a maioria delas de natureza não-renovável.

DILAPIDAÇÃO – A conta desta cegueira já começará a ser paga pela próxima geração – no ritmo atual de extrativismo, que a cada dia só aumenta, daqui a 82 anos não teremos mais minério de ferro para exportar.

Nosso níquel só durará mais 116 anos, o chumbo 96, o nióbio apenas mais 35 anos, o estanho 80, os diamantes 123 e o ouro míseros 43. Sim, o Brasil da Serra Pelada será importador de ouro daqui a mínimos 43 anos!

Dizem alguns que o Brasil cresceu nas últimas décadas. Fico a me perguntar, e vai aí uma grande pergunta, quem tem crescido verdadeiramente – se o Brasil, exportador cada vez maior de riquezas em sua maioria não-renováveis, ou se empresas aqui instaladas, com alguns poucos e evidentes reflexos positivos no nosso dia-a-dia e nas contas nacionais. Confesso não ter encontrado, ainda, resposta a esta pergunta.

PARQUE AGRÍCOLA – Permito-me, concluindo este raciocínio, apontar o exemplo do parque agrícola do sul do Brasil. Éramos grandes e poderosos plantadores e exportadores de soja, trigo etc. E eis que, dentro da nossa macro-política histórica de internacionalização da economia, abrimos nossas fronteiras aos concorrentes argentinos.

Ganharam eles, que praticamente levaram à miséria os agricultores dos estados do sul. A quem disser que “em compensação passamos a exportar mais para lá”, e que graças a isto crescemos, responderia que, após consultar a pauta de nossas exportações, constatei que a maior parte dela é de produtos fabricados por empresas estrangeiras aqui instaladas.

Em uma frase: sacrificamos nossa agricultura a troco de enriquecermos empresas estrangeiras. Ouso perguntar: isto é crescimento real, sólido e consistente?

DESINDUSTRIALIZAÇÃO – O fato é que nossa geração abriu mão de desenvolver um parque industrial próprio, desnacionalizou nossas mais importantes empresas, e está a consumir inebriadamente as maiores riquezas não-renováveis que a natureza nos ofereceu.

Temos assistido complacentemente o capital estrangeiro se apropriar de serviços e riquezas do Brasil de forma antes só concebível em alguns indefesos países africanos. Que a história nos seja misericordiosa, pois que nossa responsabilidade é imensa – afinal, somos nós, a elite do país, os detentores de recursos muito poderosos, hábeis a eliminar ou atenuar estas ameaças.

Parece incrível, mas vergonhosamente empresas estrangeiras já são responsáveis por 70% de nossas exportações de soja, 15% das de laranja, 13% de frango, 6,5% de açúcar e álcool e 30% das de café! Isto já sangra o Brasil em mais de US$ 12 bilhões a cada ano só a título de remessa de lucros.

MEDRIOCRIDADE – Diante desta vergonha fico a pensar nos grandes vultos que, com sacrifício, nos entregaram o Brasil grande que recebemos se contorcendo em suas tumbas, rubros de indignação e revolta com nossa fraqueza e mediocridade. E fico a temer pela cobrança das gerações seguintes, que estão por receber de nossas mãos um país loteado, retalhado, quase que vendido.

Não se diga, cinicamente, em nossa defesa, que a culpa foi do povo. Jamais. Este está lá, padecendo nas íngremes encostas dos nossos morros, trabalhando de sol a sol, semeando e colhendo quase sempre sem apoio algum. Este povo humilde, se algo der errado, terá sido vítima, jamais culpado.

NOSSA CULPA – A culpa tem sido, é e será nossa. Nós, autoridades, empresários e formadores de opinião somos os responsáveis. Aliás, não somos. Fomos.

Digo isto porque já não vejo condições de o Brasil sair de uma era que talvez no futuro seja batizada por algum historiador de “Período de Internacionalização”, “Era da Alienação”, ou seja lá o que for, para nosso desdouro.

É fato: sem que tenhamos percebido, acabamos de passar por uma das “encruzilhadas da História”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Grato pelo texto, Milton Souza Lima (um sobrenome que prezo muito).Tudo isso foi dito na Escola Superior de Guerra. Ao que parece, os militares ouviram, mas não escutaram. Os militares hoje não são nacionalistas, apenas tiram uma onda, quando é cantado o Hino Nacional. Na verdade, os militares são tão medíocres quanto os civis. Quando vejo as declarações do futuro chanceler, tenho vontade de vomitar. É mais americanista do que os cadetes de West Point. (C.N.)

Piada do Ano!: Temer diz que não se preocupa com processos e inquéritos

O presidente Michel Temer, no Palácio da Alvorada, durante encontro com jornalistas de veículos estrangeiros — Foto: Marcos Corrêa/PR

Temer ofereceu um belo café da manhã aos correspondentes

João Cláudio Netto e Luiz Felipe Barbiéri
TV Globo e G1

O presidente Michel Temer disse que “tentaram desgraçar” a vida dele desde que assumiu o Palácio do Planalto e afirmou não se preocupar com os processos que terá de enfrentar na Justiça após o fim do mandato. Temer deu as declarações no Palácio da Alvorada, em Brasília, após participar de um encontro com jornalistas de veículos estrangeiros.

“Quando eu cheguei à Presidência, tentaram desgraçar a minha vida. E foi uma campanha feroz , uma campanha das pessoas se dedicarem, assim, 18 horas por dia. ‘Vamos derrubar esse sujeito aí’. Não conseguiram. Nesse sentido me sinto injustiçado”, afirmou.

AÇÕES E INQUÉRITOS – O mandato de Temer na Presidência acaba em 31 de dezembro. Isso porque em 1º de janeiro começará o mandato do presidente eleito Jair Bolsonaro. Quando deixar o Palácio do Planalto, Temer terá de enfrentar alguns processos na Justiça. No ano passado, ele foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) duas vezes.

Na primeira denúncia, o crime atribuído a ele foi corrupção passiva; na segunda, os crimes foram organização criminosa e obstrução de Justiça.

Nos dois casos, a Câmara dos Deputados rejeitou o prosseguimento dos processos ao STF e, com isso, o os processos ficarão parados até Temer deixar a Presidência. A partir de janeiro, os casos deverão ser remetidos à primeira instância da Justiça porque o presidente perderá o direito ao foro privilegiado.

ESTÁ “TRANQUILO” – “Eles [processos] vão para o primeiro grau. É tranquilo, não tenho a menor preocupação, são coisas tão estapafúrdias que uma mente jurídica mais acurada, menos apaixonada, vai olhar aquilo e vai dizer: ‘Essas tais denúncias aí são pífias, não é’. Portanto, eu não tenho a menor preocupação com isso”, disse.

Temer também é investigado no inquérito que apura supostos repasses ilícitos da Odebrecht a políticos do MDB e no inquérito que apura se empresas pagaram propina na edição de um decreto relacionado ao setor portuário. Temer nega todas as acusações e afirma que não cometeu irregularidades.

QUERIAM ‘DERRUBÁ-LO’ – Ainda na entrevista desta quinta-feira, Temer afirmou que “fizeram e aconteceram” para tentar “derrubá-lo” da Presidência da República. Na opinião dele, a tentativa não foi derrubá-lo politicamente, mas, sim, moralmente.

“Fizeram e aconteceram para tentar me derrubar. E não me derrubar politicamente, porque na política eu tenho muita estrada e não tenho problema. O que mais me chateou foi a história do plano moral”, afirmou.

OUTROS TEMAS – Saiba outros temas abordados por Temer na entrevista:

Governo Bolsonaro: “Eu acho que o governo Bolsonaro vai dar certo. […] Uma coisa era o que se falava na campanha, outra coisa é aquilo que se pratica quando se quase se assume o governo. Volto a dizer, eu tenho a mais absoluta convicção de que ele vai se apoiar nas teses democráticas que regem o nosso país, tenho absoluta convicção”.

‘Fora, Temer’: “Um dia até alguém me perguntava aqui numa reunião de investidores, eu tive um almoço com investidores, eram 26, 27. E um deles me perguntou ‘O que que o senhor vai mais sentir falta quando sair?’ Eu disse: ‘Vou sentir falta do ‘Fora, Temer’ porque significava que eu estava dentro”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ claro que a declaração é tipo Piada do Ano. Temer morre de medo de ser preso. Mas a possibilidade é remota, porque ele já está disposto a imitar Maluf, Padilha  e Picciani, passando a também usar fraldas geriátricas. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Ação invasiva dos filhos de Bolsonaro preocupa equipe do presidente eleito

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O problema é que os filhos de Bolsonaro estão se achando…

Mônica Bergamo
Folha

A atuação intensa dos filhos de Jair Bolsonaro preocupa integrantes da equipe do presidente eleito. O vereador Carlos Bolsonaro, do Rio, é o que mais causa apreensão, desde a campanha eleitoral. O parlamentar é considerado o mais tempestuoso dos três filhos de Bolsonaro que seguiram carreira política. E o mais propenso a gerar crises, ainda que permaneça distante do núcleo do futuro governo.

Carlos Bolsonaro já se desentendeu com o futuro secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, e acaba de comprar briga com um dos parlamentares eleitos mais próximos do futuro presidente, Julian Lemos (PSL-PB).

SAI FORA! – No entrevero, o vereador pediu que Lemos pare de “aparecer atrás” do presidente eleito, “por algum motivo como faz sempre”.

Julian Lemos diz que não quer comentar os ataques. E afirmou: “Fui forjado acompanhando, por quatro anos, a vida política de Bolsonaro, vendo seu exemplo e ouvindo seus conselhos. Sou soldado de primeira hora. Respeito a família, mas só sigo as orientações do presidente. Ele me lidera e só aceito o seu comando”.

CUIDADO, PAI – Numa postagem recente no Twitter, Carlos Bolsonaro chegou a declarar que a morte de Bolsonaro interessa a pessoas próximas.

Já o deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro fala demais, na opinião de auxiliares do presidente. É dele a declaração de que bastariam um soldado e um cabo para fechar o STF (Supremo Tribunal Federal), o que gerou uma crise com a corte.

FORMA ATÍPICA – O filho mais velho, Flávio Bolsonaro, que foi eleito senador pelo Rio, é considerado o mais maduro, ponderado e amistoso dos três. É definido como “um amor de pessoa” por um político do círculo íntimo do presidente eleito.

Na quinta (6), no entanto, ele foi envolvido na notícia de que um ex-assessor movimentou R$ 1,2 milhão, de forma atípica. E virou um dos assuntos mais comentados do Twitter.

Acordo de Paris é tão fraco e impraticável que talvez nem valha a pena criticá-lo

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Leandro Narloch
Folha

Ambientalistas temem que Bolsonaro retire o Brasil do Acordo de Paris e desista da candidatura para sediar a COP-25, a conferência anual da ONU para negociações sobre o clima. De fato, não sei se seria uma boa estratégia do governo. O Acordo de Paris é tão fraco e impraticável que talvez nem valha a pena desafiá-lo.

Meu resumo do Acordo de Paris. Em 2015, depois de anos de muito discurso e enrolação, líderes mundiais acordaram que cada país signatário produziria relatórios (ou seja, mais discurso e enrolação) com metas de redução de emissão de carbono na atmosfera. Por pressão de diversos líderes (entre eles Obama, que temia a derrota da proposta no Senado americano), o acordo não saiu “legally binding”, ou seja, não ganhou força de lei.

SEM PUNIÇÕES – Se algum país não cumprir as metas que estipulou, provavelmente tudo se resolverá com diplomacia, explicações, talvez pedidos de desculpas e novas promessas. Mais discurso e enrolação.

É o que deve acontecer com o Brasil e a maioria dos países. Na semana passada, o Programa da ONU para o Meio Ambiente publicou um relatório sobre as emissões de gases do efeito estufa dos países do G20. Mostra que diversos países na prática ignoraram suas metas. É o caso de Coreia do Sul, Austrália, Argentina, Canadá, União Europeia e Estados Unidos. Outros países, como Turquia e Rússia, até parecem cumprir o prometido, mas porque estipularam metas baixas demais.

O Brasil é um dos poucos países que tem andado na linha, mas isso não é exatamente uma boa notícia. O país emitiu menos carbono nos últimos anos porque viveu a maior crise econômica de sua história. Empobrecemos – e pobres, por definição, produzem e consomem menos.

RETOMADA – Agora imagine se a economia der um salto nos próximos anos. Será uma excelente notícia para os brasileiros pobres e para quem se preocupa com eles. Mas isso resultará em mais fretes de caminhão, mais lixo, blocos de concreto, SUVs a diesel, engarrafamentos, churrasqueiras e lareiras, mais alimentação e agricultura. Se isso acontecer, soará como piada a promessa de reduzir as emissões de carbono em 37% até 2030. Mais ricos, poluiremos mais.

Quando integrantes do setor agrícola pedem para Bolsonaro pegar leve com os ambientalistas e manter o Brasil no Acordo de Paris, estão querendo dizer o seguinte: “presidente, não arranje problema para si próprio; vale mais a pena manter a conversinha do Acordo de Paris e deixar os ambientalistas adormecidos”. Abandonar o tratado pode resultar em represálias comerciais e dificuldades para estrangeiros investirem por aqui –e ainda há a possibilidade de perdermos dinheiro destinado a países pobres investirem em energias renováveis.

É melhor evitar provocações e deixar o assunto para 2030.

Mulher de Bolsonaro tem de explicar os R$ 24 mil que recebeu de ex-motorista

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FláviovBolsonaro contratou até as filhas do seu motorista

Marcelo Gomes e Diego Sarza
GloboNews

Um ex-motorista do deputado estadual do Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito, Jair Bolsonaro, aparece em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, por movimentações financeiras de mais de R$ 1,2 milhão consideradas suspeitas.

A investigação faz parte da operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro que prendeu dez deputados estaduais.

O relatório do Coaf aponta movimentações financeiras de servidores e ex-servidores da Assembleia Legislativa do Rio e de pessoas relacionadas a eles que, segundo a investigação, são incompatíveis com a capacidade financeira dos citados.

TENTANDO DESPISTAR – Além disso, o Coaf identificou um grande volume de depósitos e saques inferiores a R$ 10 mil, o que, segundo o relatório, seria para dificultar a identificação da origem e do destino do dinheiro.

O caso foi revelado pelo jornal o Estado de São Paulo nesta quarta-feira (6), e a Globonews também teve acesso ao relatório.

O documento aponta Fabrício José Carlos de Queiroz como servidor público cadastrado da Alerj, com renda de R$ 23 mil por mês. Além disso, teriam sido identificadas duas mídias informando que Fabrício Queiroz seria motorista do deputado Flávio Bolsonaro.

Ele movimentou nessa conta o total de R$ 1.236.838 entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017, o que foi considerado suspeito pelo conselho.

MULHER DE BOLSONARO – Outra parte do relatório do Coaf revela saques em espécie no total de R$ 324.774, e R$ 41.930 em cheques compensados. Na época, um dos favorecidos foi a ex-secretária parlamentar, atual esposa do presidente eleito, Jair Bolsonaro, Michele de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro, no valor de R$ 24 mil.

O filho de Jair Bolsonaro, agora senador eleito Flávio Bolsonaro, se manifestou por uma rede social sobre o caso, já que o relatório aponta que Fabrício Queiroz era motorista dele na Alerj.

“Fabrício Queiroz trabalhou comigo por mais de dez anos e sempre foi da minha confiança. Nunca soube de algo que desabonasse sua conduta. Em outubro foi exonerado, a pedido, para tratar de sua passagem para a inatividade. Tenho certeza de que ele dará todos os esclarecimentos. “

PROCURADOS – A equipe de reportagem da GloboNews está tentando contato com Fabrício Queiroz. A GloboNews entrou em contato Michele Bolsonaro e com o presidente eleito Jair Bolsonaro, mas eles preferiram não se manifestar.

O Ministério Público Federal, responsável pela operação Furna da Onça, confirmou em nota que incluiu o relatório do Coaf nas investigações, mas esclareceu que nem todos os nomes citados no documento foram incluídos nas apurações, sobretudo porque nem todas as movimentações atípicas são, necessariamente, ilícitas.

No caso de deputados da Alerj que não foram alvos das operações, o MPF não confirmou ou negou se eventualmente estão investigados ou podem vir a ser.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Papo reto, como se diz hoje em dia. A mulher de Bolsonaro tem a obrigação de esclarecer este recebimento de R$ 24 mil, transferidos por um operador de corrupção que se travestiu de motorista. Simples assim. (C.N.)

Bolsonaro se torna assistente de acusação no processo contra Adélio Bispo

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Bispo será acusado também pelo advogado de Bolsonaro

José Carlos Werneck

Reportagem da jornalista Carolina Heringer, publicada no Extra, informa que o presidente eleito Jair Bolsonaro virou assistente de acusação do processo no qual Adélio Bispo de Oliveira responde por ter tentado matá-lo. O pedido do advogado de Bolsonaro foi aceito, em 31 de outubro, pelo juiz Bruno Salvino, da 3a Vara Federal Criminal de Juiz de Fora. Como assistente de acusação, ele poderá ter acesso ao processo e a informações sigilosas contidas nos autos, tais como quebras de sigilos telefônicos, bancários e de dados.

O assistente de acusação pode ainda atuar no processo propondo meios de produção de provas, solicitando que sejam feitas perguntas às testemunhas, participando dos debates durante as audiências, bem como recorrendo das decisões proferidas.

LEI DE SEGURANÇA – O juiz Bruno Salvino entendeu que Bolsonaro poderia se tornar assistente por ter sido vítima do crime cometido por Adélio, que tentou matar o então candidato à Presidência com uma facada. O réu foi denunciado pelo Ministério Público Federal por “atentado pessoal por inconformismo político”, previsto no artigo 20 da Lei de Segurança Nacional.

O processo respondido por Adélio está suspenso desde o dia 24 de outubro, quando o juiz Bruno Salvino determinou que o acusado fosse submetido a exames médicos para analisar se tinha capacidade mental de compreender o caráter ilícito do crime cometido, em razão de alguma doença mental.

EXAME MENTAL – Na última terça-feira, Adélio foi avaliado no Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, por dois psiquiatras indicados pela Justiça Federal de Juiz de Fora.

Adélio foi preso em 6 de setembro, após ter esfaqueado o então candidato Jair Bolsonaro, que fazia campanha na cidade mineira de Juiz de Fora. Conforme o Ministério Público Federal, cometeu o crime por discordar dos discursos e ideias defendidas pela vítima.

Jair Bolsonaro permaneceu internado durante três semanas. Inicialmente, na Santa Casa de Juiz de Fora, sendo depois transferido para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, um dia após a tentativa de homicídio.

Renovação de Executivo e Legislativo produz equilíbrio de forças com o Supremo

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Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Merval Pereira
O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ministro Dias Toffoli, declarou recentemente a jornalistas estrangeiros que, após anos de protagonismo do Judiciário, chegou a hora de abrir espaço para a volta da política. Toffoli propõe um “grande pacto republicano” pela aprovação das reformas da Previdência e tributária, além do enfrentamento dos problemas de segurança pública. “Não cabe ao Judiciário ser centroavante, mas nós seremos zagueiro”, disse Toffoli, para completar: “O Judiciário vai se voltar a garantir os direitos fundamentais estabelecidos na Constituição”.

A disputa entre dois grupos dentro do Supremo voltou, porém, a se manifestar ontem, quando o ministro Gilmar Mendes pediu vista no julgamento de um habeas corpus a favor de Lula, depois que dois dos cinco membros da Segunda Turma já haviam votado contra a defesa de Lula.

FOCO EM MORO – Mais que a liberdade de Lula, estava em jogo o juiz Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro. A defesa do ex-presidente alegava pela centésima vez que Moro era imparcial, e um dos argumentos novos era o de que ter aceitado o convite para ser ministro demonstrava que Moro era um agente político, que prendeu Lula para facilitar a vitória de Bolsonaro.

A tendência majoritária é de que, com o futuro voto do decano Celso de Mello, a alegação seja denegada mais uma vez, assim como em outras ocasiões, pelo próprio Supremo e também pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), como ressaltou o ministro Edson Fachin em seu voto. E a ministra Cármem Lúcia afirmou, entre outros argumentos, que o mero convite não pode ser considerado suficiente para configurar a parcialidade.

O jurista Francisco Campos dizia, em outras palavras, o que Rui Barbosa pensava do Supremo: tem direito de errar por último. Para Campos, “juiz último da autoridade dos demais Poderes, o Supremo é o juiz único de sua própria autoridade”.

INDULTO DE NATAL – Como comecei a analisar na coluna de ontem, a propósito do decreto de indulto natalino do presidente Michel Temer, as democracias constitucionais contemporâneas dão às Cortes Supremas (ou aos Tribunais Constitucionais) o poder de invalidar as leis e os atos do Poder Executivo com base na Constituição, mas a extensão desse poder só é definida pela própria Corte, em cada caso.

Um tribunal formado por juízes não eleitos pode, assim, ditar os destinos da Nação. Para o constitucionalista Gustavo Binembojn, no Brasil, a crise da representação política, agravada pela corrupção endêmica e pela incompetência dos últimos governos, acabou produzindo um grau elevado de judicialização da política e das relações sociais em geral. “A Constituição de 1988 prometeu muito e o processo político não conseguiu entregar tudo. A demanda represada por respostas desaguou no Judiciário”.

O Supremo tem sido extremamente ativista nos últimos anos, e progressista em termos de costumes. A renovação dos Poderes Executivo e Legislativo, legitimados pelo voto, produzirá um novo equilíbrio de forças com o Supremo.

QUESTIONAMENTOS – Isso se torna mais relevante quando se sabe que as medidas que vierem a ser aprovadas no Congresso serão certamente questionadas pelos partidos de oposição perante o Supremo, que terá que se posicionar sobre temas delicados relativos tanto à área econômica como a temas de costumes.

Será a vez de o Supremo, como quer seu presidente, atuar mais como defensor de direitos e garantias individuais, sem se imiscuir nas decisões políticas legítimas do novo governo no campo das privatizações, reforma da previdência, modernização das relações de trabalho, reforma tributária etc.

CAMINHO INVERSO – Mexer com o futuro ministro Sérgio Moro, visto pela opinião pública como uma esperança de ação contra os crimes de colarinho e a melhoria da segurança pública, em apoio a uma defesa política mais que técnica do ex-presidente Lula, seria um caminho inverso daquele sugerido pelo seu novo presidente.

A pressão popular, e o risco de ser responsabilizado por inviabilizar as medidas adotadas por um governo legitimado pelas urnas, sugerem um Supremo de maior autocontenção em matérias que não digam respeito a direitos fundamentais. Nada a ver, no entanto, com pressões ilegítimas como a sugerida por palavras levianas do deputado Eduardo Bolsonaro, que ainda ecoam nos ouvidos de muitos ministros.

Empresa que subornou o filho de Lula deve ser responsabilizada, diz Anfavea

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Mengale, da Anfavea, aguarda mais detalhes da delação

Deu em O Tempo

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, afirmou nesta quinta-feira, dia 6, que, se as acusações na delação do ex-ministro Antonio Palocci sobre as montadoras forem comprovadas, as empresas envolvidas “naturalmente terão de arcar com as responsabilidades”.

Palocci, que foi ministro da Fazenda no primeiro mandato do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, disse nesta quinta, em depoimento à Justiça Federal do Distrito Federal, que Lula negociou com o lobista Mauro Marcondes Machado, do setor automobilístico, pagamentos a Luís Cláudio Lula da Silva, seu filho caçula, para a aprovação de uma Medida Provisória que tinha como finalidade prorrogar incentivos fiscais de montadoras instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O presidente da Anfavea, após ser questionado por jornalistas sobre o assunto, garantiu que setorialmente não aconteceu nada. “Pode ter ocorrido com uma ou outra empresa, mas eu prefiro ver o depoimento dele, ao qual eu ainda não tive acesso, para tecer maiores comentários”, disse Megale.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sobre o assunto, a imprensa está esquecendo de lembrar alguns tópicos: 1) Luiz Cláudio Lula da Silva recebeu efetivamente a propina de R$ 2 milhões; 2) O jovem empreendedor foi ajudado empresarialmente por José Carlos Bumlai (ele, sempre ele); para justificar uma das propinas recebidas, copiou da Wikipédia, “ipsis litteris”, informações sobre marketing esportivo; 3) Pensou que ia ser preso, fugiu para o Uruguai, onde iria ser preparador físico de um time das categorias inferiores. 4) A situação acalmou, ele abandonou o clube e voltou ao Brasil. (C.N.)

Um soneto de Raimundo Correia que revela a hipocrisia no convívio social

Resultado de imagem para raimundo correiaPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O magistrado, professor, diplomata e poeta maranhense Raimundo da Mota de Azevedo Correia (1859-1911), no soneto “Mal Secreto”, procura mostrar uma visão da hipocrisia humana, pois muitos usam uma máscara que esconde a realidade.

MAL SECRETO
Raimundo Correia

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!