Assessor de Bolsonaro publicava fake news e orquestrava ataques em páginas removidas pelo Facebook

Tercio Tomaz é um dos coordenadores do “Gabinete do Ódio”

Deu no O Globo

Páginas na internet com conteúdo bolsonarista removidas pelo Facebook no último dia 8 tentavam manipular discussões na rede, difundiam fake news e atacavam adversários da família Bolsonaro. O “Fantástico” da TV Globo divulgou neste domingo, dia 2, parte do conteúdo das contas.

Entre os administradores dos perfis está o assessor especial do presidente Jair Bolsonaro, Tércio Tomaz, que trabalha no Palácio do Planalto. Além de uma conta pessoal, o assessor mantinha outras duas, anônimas, chamadas de Bolsonaro News. Tércio é acusado por parlamentares de integrar o gabinete do ódio — grupo suspeito de promover ataques virtuais a desafetos dos Bolsonaro.

ATAQUES – Na página Bolsonaro News, Tércio se dedicou a atacar adversários políticos, principalmente o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. A conta também publicou notícias falsas sobre a pandemia do coronavírus. Na página, o assessor postou um vídeo em que tira de contexto uma entrevista do diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o isolamento social.

No mesmo dia, Bolsonaro compartilhou o vídeo, dizendo que a OMS defendia a reabertura das cidades. No dia seguinte, foi desmentido pelo diretor da OMS. Segundo o “Fantástico”, a página postou fake news sobre o governador e o prefeito de São Paulo: “João Doria e Bruno Covas mandam abrir covas para imprensa fotografar”.

A investigação apontou que a rede de contas falsas era operada por dois assessores ligados ao deputado federal Eduardo Bolsonaro deles é Eduardo Guimarães, alvo da CPI das Fake News, por ter usado um computador da Câmara dos Deputados pra criar a conta de ataques virtuais Bolsofeios.

REDAÇÕES FICTÍCIAS – O outro assessor é Paulo Eduardo Lopes, o Paulo Chuchu. Ex-policial militar, ele trabalhou no gabinete de Eduardo Bolsonaro até junho. Paulo teve seis contas derrubadas. Quatro se passavam por redações jornalísticas, como The Brazilian Post, The Brazilian Post ABC e Notícias São Bernardo do Campo.

Outro assessor que mantinha pelo menos oito páginas inautênticas era Leonardo Rodrigues de Barros. Ele trabalhava para deputada estadual Alana Passos (PSL), aliada da família Bolsonato. O presidente chegou a gravar um vídeo para uma dessas páginas: “Leonardo, parabéns pela página Bolsonéas. Está fazendo um trabalho excepcional, ficou muito feliz. Estamos juntos, tá ok?”, disse Bolsonaro.

Na página Bolsonéas havia mais fake news sobre a pandemia, culpando governadores e dizendo que a cloroquina cura a Covid-19. O medicamento que não teve a eficácia comprovada. E chamava Sergio Moro de “fofoqueiro”, depois que ele pediu demissão.

DESINFORMAÇÃO – Publicações da Bolsonéas eram as mesmas do site Jogo Político, também criado por Leonardo. As contas do Jogo Político no Facebook e no Instagram foram tiradas do ar. Hoje Leonardo tem pelo menos duas páginas ativas no Facebook, onde compartilha o mesmo tipo de conteúdo.

Postagens feitas por Leonardo eram compartilhadas pela noiva, Vanessa Navarro, assessora do deputado estadual Anderson Moraes (PSL). Sete páginas ligadas a Vanessa foram derrubadas. Os nomes eram parecidos, apesar de pertencerem à mesma pessoa — uma prova, segundo o Facebook, do comportamento enganoso.

ELEIÇÕES – O histórico de postagens mostra uma série de fake news nas eleições de 2018. Na campanha, a página Bolsonaro News disse que a candidata Marina Silva defendia a legalização do aborto, o que não era verdade. Contra Fernando Haddad, são várias postagens que misturam críticas e fake news, como a que vincula o petista a um suposto kit gay.

Bolsonaro e os filhos Eduardo e Flávio e Tércio Tomaz não retornaram ao “Fantástico”. A defesa de Paulo Eduardo Lopes afirmou que ele “jamais administrou qualquer página de conteúdo jornalístico”. O advogado de Leonardo Barros disse que “não há qualquer fundamento” nas investigações.

Alana Passos disse que “não responde por aquilo que servidores publicam em suas redes sociais pessoais”. Vanessa Navarro classificou a exclusão da conta como “atentado à liberdade de expressão”. Anderson Moraes afirmou que a derrubada das páginas configura censura prévia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Tercio Tomaz, um dos coordenadores do Gabinete do Ódio, dissemina ódio e ataques bancado pelo dinheiro público. Começou com uma página nas redes sociais propagando fake news. Logo foi chamado para “assessorar” Carluxo na Câmara do Rio. Foi se integrando ao clã, até chegar a ser um dos responsáveis por cuidar da “imagem de Bolsonaro”. Ocupando um apartamento funcional em Brasília,  o seu salário chega a quase R$ 14 mil por mês. Desde que assumiu o cargo, o assessor já acompanhou o presidente em 15 viagens pelo Brasil.  Em março de 2019, a sua esposa, Bianca Diniz Arnaud, ganhou um cargo no governo e passou a integrar a Coordenação de Saúde do Planalto. O ex-recepcionista de hotel, hoje, tem um papel fundamental no esquema de desinformação presidencial. (Marcelo Copelli)

Maia cita ataques a Felipe Neto e promete ‘acelerar’ o projeto contra fake news

Youtuber Felipe Neto relata ameaças após protesto na Bienal do Rio ...

Felipe Neto afirma que o projeto ainda precisa ser aperfeiçoado

Por G1 — Brasília

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anuncia que a Mesa Diretora “vai acelerar” a análise do projeto sobre fake news já aprovado pelo Senado e que aguarda votação dos deputados. Maia fez a afirmação em uma rede social ao comentar recentes ataques ao youtuber e influenciador digital Felipe Neto.

O parlamentar também convidou Felipe Neto para discutir a proposta em uma reunião e “melhorar” o texto, e o youtuber aceitou o convite.

VIRTUDE DOS FRACOS“Felipe Neto, a covardia é a virtude dos fracos. Esses ataques só reforçam o caráter daqueles que são incapazes de vencer um debate com argumentos e com respeito. Por tudo que você tem sofrido nesses dias, nós vamos acelerar o projeto de combate às fake news”, disse Rodrigo Maia.

Também em uma rede social, o influenciador disse ao presidente da Câmara que aceita o convite e agradeceu pelo apoio. “Vamos conversar”, disse o youtuber.

Felipe Neto relatou que tem conversado com deputados e senadores sobre o projeto, que, na avaliação do youtuber, “não está bom”.

PISAR NO FREIO“Mantenho-me firme na posição de que o projeto não está bom e devemos pisar no freio para estabelecer diálogos e estudos sobre o tema”, afirmou no Twitter.

Nos últimos anos, Felipe Neto passou a fazer postagens sobre política nas redes sociais. O influenciador era crítico ao governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Depois que começou a fazer críticas públicas ao presidente Jair Bolsonaro, passou a ser vítima de acusações falsas e ameaças nas redes sociais, como mostrou o Jornal Nacional.

Na última quarta-feira (29), homens foram com um carro de som até a casa do youtuber fazer ataques verbais a ele.

O PROJETO – Aprovada pelos senadores em junho, a proposta sobre fake news, em linhas gerais, prevê: 1) rastreamento de mensagens reencaminhadas em aplicativos de conversa; 2) que provedores de redes sociais tenham sede no Brasil; 3) regras para impulsionamento e propaganda nas redes sociais.

O projeto é alvo de divergências entre parlamentares. Defensores do texto dizem que o objetivo da proposta é combater comportamentos inautênticos e distribuição artificial de conteúdo.

O texto, de acordo com esses congressistas, também visa à adoção de mecanismos e ferramentas de informação sobre conteúdos impulsionados e publicitários disponibilizados para o usuário.

PREOCUPAÇÃOSenadores contrários ao texto, contudo, demonstram preocupação com a possibilidade de o projeto violar a privacidade e atingir a liberdade de expressão nas redes sociais.

Ainda não há na Câmara uma data estabelecida para a votação do projeto que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet.

Como o texto tem origem no Senado, se tiver o conteúdo modificado pelos deputados, terá de ser reexaminado pelos senadores.

‘TIRO DE BAZUCA’ – Em um debate com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Felipe Neto disse na última quinta-feira (30) que a proposta sobre fake news precisa ser mais discutida.

Para ele, do jeito que está, a proposta representa uma “certa ameaça” para a liberdade na internet.

“Não pode dar um tiro de bazuca para matar uma formiga”, disse. Na avaliação do youtuber, o projeto está sendo feito por pessoas que, muitas vezes, são vítimas de conteúdo falso e que a reação pode ser “precipitada”. Um tema sensível, afirma Felipe Neto, não pode ser decidido em um ou dois meses. No mesmo debate com Barroso, Felipe Neto defendeu a educação digital como principal forma de combate à disseminação de notícias fraudulentas.

Parlamentares pressionam legendas e disputam repasses do fundão eleitoral nos partidos

Charge do Iotti (gauchazh.clicrbs.com.br)

Sérgio Roxo
O Globo

Na primeira disputa municipal irrigada com o bilionário fundo eleitoral, as bancadas de deputados e senadores têm pressionado os seus partidos para controlarem a distribuição do dinheiro público para candidatos a prefeito e vereador pelo país. O número de deputados eleitos em 2018 é o principal critério para definir o valor que cada partido receberá do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O fundo total para custear as campanhas será de R$ 2,034 bilhões.

Algumas legendas já sacramentaram a participação de deputados na escolha dos agraciados com o dinheiro. No PP, o quarto maior beneficiário, com R$ 140,7 milhões, uma comissão de cinco parlamentares vai autorizar ou vetar as indicações que vierem das bancadas na Câmara e no Senado.

GRAU DE FIDELIDADE – Mantendo critério que já foi adotado na eleição de 2018, será levado em consideração o grau de fidelidade ao partido em votações. “Todos os parlamentares poderão indicar. Mas serão atendidos os pedidos de acordo com a condição de cada parlamentar. Quando o partido pede ao parlamentar (uma posição numa votação), o parlamentar tem um comportamento. Quando o parlamentar pede ao partido, o partido tem um comportamento recíproco”, disse o deputado Ricardo Barros (PR), tesoureiro da sigla.

No MDB, terceiro maior beneficiado, com R$ 148,3 milhões, as discussões sobre a divisão do fundo eleitoral ainda estão em andamento. A cúpula nacional da sigla tem intenção de definir cotas de valores para serem apadrinhadas por cada deputado, segundo dirigentes estaduais. O mecanismo gera preocupação, já que muitos deputados têm alianças regionais com prefeitos de outros partidos.

“VOZ ATIVA” – O senador Marcelo Castro (PI), tesoureiro do MDB, afirma que os parlamentares “terão voz ativa na distribuição dos recursos nos estados”. “O que estamos sugerindo é ter os mesmos critérios de divisão do fundo partidário, que levam em conta a população do estado e o tamanho das bancadas federais e estaduais”, disse.

O pesquisador Bruno Carazza, autor do livro “Dinheiro, eleições e poder”, diz que o mecanismo do fundo contribui para a concentração de poder dos caciques partidários. “Quando o Brasil opta pelo fundo gera um movimento antirrenovação e aumenta as barreiras de entrada na política. Não há regulação de como esse dinheiro deve ser distribuído dentro do partido. E as cúpulas tendem a privilegiar as pessoas que são mais próximas”, afirma.

DIVISÃO DO FUNDO NO PT –  O PT, partido que terá a maior fatia do fundo (R$ 201,2 milhões), já aprovou os critérios de distribuição do dinheiro. As sete secretarias setoriais do partido (juventude, combate ao racismo, LGBT, sindical, agrário, sindical e meio ambiente), responsáveis por promover a renovação política, vão dividir a administração de 3% do fundo.

Durante as discussões, a Juventude do PT havia enviado carta para a direção mostrando insatisfação. Uma comissão com participação dos líderes no Senado e na Câmara definirá os repasses para as capitais. As destinações para as demais cidades ficarão a cargo dos diretórios estaduais, e os candidatos a deputado mais votados em cada cidade vão opinar sobre a distribuição de recursos.

O partido decidiu não ajudar campanhas de aliados, mesmo quando tiver o vice. É o caso de Porto Alegre, onde o PT indicará Miguel Rossetto como vice de Manuela d’Ávila (PCdoB). Os petistas vão destinar valores do fundo apenas para custear as atividades de Rossetto.

CANDIDATAS MULHERES – A única regra definida em lei para os partidos na distribuição do Fundo Eleitoral é que 30% dos recursos devem ir para candidatas mulheres. Em 2018, o PSL, que terá agora a segunda maior quantidade de recursos públicos para bancar campanhas (R$ 199,4 milhões), enfrentou denúncias de uso de candidatas laranjas.

O presidente da legenda, deputado Luciano Bivar (PE), afirmou que para coibir o problema serão feitas investigações para medir a viabilidade eleitoral das mulheres e os recursos só serão enviados para as que forem competitivas. “Vamos colocar dinheiro direto na conta da candidata. E estamos investindo em compliance”, disse Bivar.

No PSDB, sexta legenda com maior fatia do fundo (R$ 130,4 milhões), deputados também pressionam para ter o controle do dinheiro. Se vencerem a queda de braço, pode haver problema para a candidatura à releição de Bruno Covas em São Paulo, pois o partido não tem deputado federal com base na capital paulista. “O PSDB precisa apoiar os candidatos em todas as capitais, porém, São Paulo é prioridade absoluta”, afirmou Cesar Gontijo, tesoureiro nacional do partido.

Após debandada do DEM e do MDB, Bolsonaro intensifica corpo a corpo com parlamentares e afagos ao Congresso

Charge do Clayotin (mais.opovo.com.br)

Daniel Carvalho
Folha

Na semana em que o Centrão rachou com a debandada de DEM e MDB, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) intensificou o corpo a corpo com parlamentares. Recebeu deputados para sanção de lei e oração, inaugurou obras ao lado de integrantes do Congresso e fez afagos ao Legislativo.

“Hoje tive uma viagem ao Nordeste com um grupo de parlamentares”, disse Bolsonaro em sua live na quinta-feira, dia 30, após retornar de um périplo por Bahia e Piauí horas antes. “Elogiei o Parlamento também. Tem votado muita coisa econômica. Temos começado a engrenar com o Congresso”, disse Bolsonaro, que nesta sexta-feira, dia 31, foi a Bagé (RS), mais uma vez acompanhado de parlamentares.

VIAGEM – Na cidade gaúcha, Bolsonaro disse querer sair de Brasília uma vez por semana. Na semana que vem, ele afirmou que gostaria de ir ao Vale do Ribeira, em São Paulo, mas o plano deve ser adiado, já que a região voltou para a fase vermelha por causa do aumento do número de casos do novo coronavírus. Um dos acompanhantes de Bolsonaro na quinta foi o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas (ex-PP), partido que comanda o Centrão.

A disputa pela sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) no comando da Câmara tem potencial para implodir a tentativa do Palácio do Planalto de formar maioria na Casa para aprovar projetos de seu interesse e para barrar um eventual processo de impeachment de Bolsonaro.Desde a prisão do policial militar aposentado Fabrício Queiroz, amigo do presidente e ex-assessor do hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o Executivo tenta costurar uma rede de proteção no Legislativo para blindar Bolsonaro.

TOMA LÁ DÁ CÁ – Inicialmente, Bolsonaro negociava cargos de segundo e terceiro escalão para que as principais siglas do Centrão —Progressistas, PL (ex-PR) e Republicanos (ex-PRB)— os distribuíssem aos demais partidos. Mas, depois, o presidente passou a dialogar diretamente com bancadas menores, como a do PSC, e a receber deputados em almoços no Planalto organizados pelo deputado Fábio Ramalho (MDB-MG), cujo perfil agregador é largamente conhecido no Congresso.

O trabalho de articulação do chefe do Executivo foi interrompido pelo diagnóstico positivo de Covid-19, que interrompeu encontros pessoais e o roteiro de viagens que pretendia fazer a pedido dos parlamentares, que queriam faturar politicamente ao aparecer ao lado do presidente em suas bases eleitorais.

NOME DE CONFIANÇA – O Planalto via no deputado Arthur Lira (PP-AL), líder do blocão —que reúne diversos partidos, inclusive do Centrão—, um nome de confiança para aglutinar uma base sólida que garantisse a Bolsonaro ao menos 172 votos (um terço mais um) necessários para barrar um eventual pedido de impeachment contra ele.

Porém, para se afastar do governo, DEM e MDB decidiram desembarcar desse grupo, que hoje reúne formalmente nove legendas e 221 parlamentares. Em seguida, começaram a surgir na agenda oficial de Bolsonaro nomes de deputados até mesmo para atos corriqueiros. Na terça-feira, dia 28, o presidente recebeu a deputada Flávia Arruda (PL-DF) para que ela acompanhasse a sanção de uma lei originária de um projeto da parlamentar sobre o resgate de R$1,5 bilhão do Fundo Nacional da Assistência Social.

“Semana passada eu procurei o ministro Jorge [Oliveira, da Secretaria-Geral]. Na sexta (24) ele me mandou mensagem e ontem [segunda-feira, 27] o Planalto me chamou”, disse Arruda.Logo depois, foi a vez do deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP) ingressar no gabinete de Bolsonaro.

ORAÇÃO – “Somos base do governo, base do presidente. Sempre que podemos, estamos juntos. Fui lá orar por ele. Sempre que podemos, nós, da bancada evangélica, estamos juntos, dialogando”, disse Madureira. “O presidente está muito bem. Da forma que ele está agindo, está muito bem, trazendo paz.”

Quem também esteve com Bolsonaro nesta semana foi o deputado Domingos Neto (PSD-CE), coordenador da bancada de seu estado, que elogiou a “postura de pacificação e também de olhar para o Nordeste”.

Na articulação do governo, a avaliação é, segundo um auxiliar do Planalto, de que o presidente se deu conta há pouco tempo que não adianta ficar em choque com o Congresso e que a política é feita de pequenos gestos, como os que Bolsonaro passou a fazer ao se aproximar de parlamentares.

BOMBEIRO – A articulação política do Planalto está a cargo do ministro Luiz Eduardo Ramos, titular da Secretaria de Governo. Mas um outro ministro também tem ajudado no trabalho de aproximação entre Executivo e Legislativo. Ainda como deputado, antes de assumir o Ministério das Comunicações, Fábio Faria já atuava como bombeiro e na construção da ponte entre os dois Poderes.

No ministério, dedica boa parte de sua agenda a receber parlamentares. De segunda a quinta-feira, de 30 compromissos divulgados, 14 envolviam deputados e senadores.

“O Fábio Faria é ministro do governo e tem que jogar para o governo. Ele é um sujeito muito habilidoso, faz ponte com todo mundo, é um articulador nato. Ele quer ajudar o governo, não significa que a articulação é dele. Todo ministro deveria fazer isso”, disse Cezinha de Madureira, que visitou Faria antes do encontro com Bolsonaro.

Na gestão de Augusto Aras, a Procuradoria vive a maior crise da História, diz Bonsaglia

Mário Bonsaglia defende a Lava Jato dos ataques de Augusto Aras

Rayssa Motta e Paulo Roberto Netto
Estadão

O subprocurador-geral Mario Bonsaglia, membro do Conselho Superior da Procuradoria Geral da República, diz que o Ministério Público Federal (MPF) vive a maior crise de sua história diante da tentativa de centralização hierárquica e dos ataques dirigidos à independência dos membros da instituição.

“Princípios constitucionais fundamentais que regem o Ministério Público, como a independência funcional de seus membros, e a democracia interna, vêm sendo alvo de ataques. Mandamentos constitucionais como a autonomia da instituição, a independência funcional de seus membros e a regra do Procurador natural objetivam a salvaguarda do próprio Estado Democrático de Direito, impedindo que o Ministério Público possa ser dirigido monoliticamente”, escreveu em sua conta no Twitter.

CRÍTICAS A ARAS – Bonsaglia, que encabeçou a lista tríplice em 2019, compartilhou ainda uma nota com críticas ao chefe do Ministério Público Federal, Augusto Aras, divulgada na sexta, 31, pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

Embora não cite expressamente o nome de Aras, as manifestações do subprocurador são mais um desdobramento do ‘racha’ que atinge a instituição. Na noite de ontem, durante sessão virtual para votar o orçamento de 2021, os conselheiros decidiram marcar oposição às críticas públicas feitas pelo PGR ao funcionamento da entidade e ao trabalho da Operação Lava Jato através da leitura de uma carta aberta contra Aras.

Em resposta, o chefe da instituição elevou o tom e acusou colegas de ‘oposição sistemática’ a ele e de plantar notícias falsas contra sua gestão e sua família, de forma anônima e ‘covarde’.

ANONIMATO – “Todas as matérias que saem na imprensa, é um procurador ou uma procuradora que fala. O anonimato mais do que inconstitucional e ilegal, é covarde. Eu não tenho medo de enfrentar nenhum argumento, eu tenho o costume de enfrentar tudo o que faço e digo e não tenho receio de desagradar”, disparou Aras. “Quando tivermos condições de conversar com a dignidade, sem a fake news, sem a covardia, sem a traição, sem a mentira propiciada por aqueles que estão aqui na Casa, eu acho que teremos paz”, emendou.

O chefe do Ministério Público Federal disse que tem provas das afirmações sobre irregularidades internas na instituição e que elas já foram encaminhadas aos órgãos competentes para apuração.

APURAR A VERDADE – “Não me dirigi, em um evento acadêmico, se não pautado em fatos e em provas que se encontram sob investigação da Corregedora Geral do Ministério Público Federal e do Conselho Nacional do Ministério Público. Caberá a eles apurar a verdade, a extensão, a profundidade e os autores, os coautores e os partífices de tudo o que declarei. Porque me acostumei a falar com provas, tenho provas e essas provas já estão depositadas perante os órgãos competentes. De logo, registro que não houve nenhum protesto, houve fatos e provas que estão entregues e sob apreciação dos órgãos oficiais competentes”, afirmou.

O isolamento de Aras pelos pares aumentou desde que o procurador-geral determinou diligência para o compartilhamento de informações da Lava Jato no Paraná, em São Paulo e no Rio. Uma eventual remodelação das forças-tarefas, vigentes até setembro, também vem sendo discutido, com a possibilidade de reunião dos grupos de trabalho sob comando único sediado em Brasília. O projeto criaria a Unidade Nacional de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Unac), subordinada ao procurador-geral, para atuar no combate à corrupção, a atos de improbidade administrativa e ao crime organizado. Investigadores resistem à proposta e veem risco de perda de autonomia com a unificação.

Bolsonaro desautoriza Guedes e garante que não haverá aumento de impostos

Bolsonaro passa Carnaval em base militar em SP; primeira-dama fica ...

Sem máscara, Bolsonaro cumprimentou seus aliados na padaria

Por G1 — Brasília

O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste domingo (2) que a eventual criação de um novo imposto deve ser acompanhada de desonerações ou extinção de algum tributo atualmente em vigor. O presidente disse que o governo não pretende aumentar a carga tributária. Segundo ele, “ninguém aguenta pagar mais imposto”.

A criação de um novo imposto vem sendo discutida pela equipe econômica do governo. O ministro da Economia, Paulo Guedes, já sugeriu uma cobrança sobre transações eletrônicas, nos moldes da antiga CPMF.

NA PADARIA Bolsonaro foi questionado sobre o tema por jornalistas durante uma visita a uma padaria em Brasília, em seu passeio de moto.

“Não tem aumento de carga tributária. Pode substituir imposto. Mas ninguém aguenta pagar mais imposto”, afirmou o presidente. Bolsonaro disse ainda que tem conversado com Guedes sobre compensações para o eventual novo imposto, como por exemplo a revisão na tabela do Imposto de Renda.

“O que eu falei com o Paulo Guedes. Pode ser o imposto que você quiser. Tem que ver do outro lado o que vai deixar de existir. Se vai diminuir a Tabela do Imposto de Renda, fazer desoneração, acabar com o IPI [Imposto sobre Produto Industrializado]. Tem que botar os dois lados da balança”, completou o presidente.

BANCO DO BRASILBolsonaro também disse que está praticamente confirmado o nome do executivo André Brandão para a presidência do Banco do Brasil. A vaga foi aberta com a saída de Rubem Novaes do cargo, há dez dias. Brandão é presidente do HSBC no país. A informação de que o governo estava prestes a acertar com ele foi antecipada pela jornalista Cristiana Lôbo na GloboNews e no blog dela, no G1, na sexta-feira (31).

“Parece que está fechado. Falei hoje [domingo] com o Paulo Guedes”, afirmou Bolsonaro.

Um repórter perguntou se o nome para a vaga será mesmo o de Brandão. “É. Vou falar com o Paulo Guedes amanhã. Você sabe que eu tenho total confiança no Paulo Guedes e ele que sabe como deve funcionar o Banco do Brasil”, respondeu o presidente.

CRÍTICA A GOVERNADORES – Bolsonaro voltou a criticar governadores pelas medidas tomadas contra o coronavírus. Segundo o presidente, o isolamento social e o fechamento do comércio prejudicaram a economia de forma desnecessária. O presidente entende que deveria ter sido adotado um isolamento mais brando, ao contrário do que recomendam autoridades de saúde do mundo inteiro, como a Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Eu sempre falei que era vida e emprego. Vocês desceram o cacete em mim o tempo todo. Chegaram até a me chamar de genocida […] Os [trabalhadores] informais foram simplesmente dizimados”, disse o presidente.

Ele afirmou ainda que não é possível o governo estender o pagamento do auxílio emergencial para trabalhadores informais afetados pela pandemia. Segundo Bolsonaro, isso seria “arrebentar” a economia do país. O auxílio começou a ser pago em maio. Inicialmente, teria três parcelas mensais, que foram estendidas para mais duas.

ESTADOS QUEBRADOS “Alguns [governadores] estão defendendo o auxílio emergencial indefinido. Esses mesmos governadores que quebraram seus estados. Só que por mês dá R$ 50 bilhões. Vou arrebentar com a economia do Brasil”, concluiu Bolsonaro.

Às 13h deste domingo, o Brasil registrava 93.659 mortos por Covid-19 desde o início da pandemia.

Há duas semanas, dias antes de anunciar que havia se curado da Covid-19, Bolsonaro andou de moto na área externa do palácio e, sem máscara, conversou com garis que limpavam o local. Na quinta-feira (30), ele disse que estava tomando antibióticos para combater “um pouco de infecção” no pulmão.

Justiça novamente manda Fundação Palmares excluir publicação que ataca Zumbi

Camargo comete abuso de poder sob a forma de desvio de finalidade

Deu no Correio Braziliense

Pela segunda vez, a 9ª Vara Federal Cível do Distrito Federal mandou a Fundação Palmares excluir uma publicação que ataca a figura de Zumbi dos Palmares, que batiza a instituição. Em maio, a Justiça havia determinado que fosse retirado do ar dois textos que tratavam o líder quilombola como ‘construção ideológica de esquerda’. Desta vez, artigo trata Zumbi como figura ‘moldada’ por ‘marxistas’ com objetivos ‘politiqueiros e esquerdizantes’.

Segundo o juiz, a Palmares ao reproduzir o artigo em seu próprio site comete ‘explícita desconsideração da raça, cultura e consciência pretas’ ao aderir ao mesmo posicionamento manifestado pelo autor.
“Não se está aqui a fazer juízo de valor sobre os posicionamentos pessoais dos autores que reduzem o movimento negro à ‘luta esquerdista’. Porém, a instituição federal cuja finalidade é a preservação dos valores resultantes da influência negra, ao fechar os olhos às diferenças raciais, descumpre seus deveres institucionais e sobretudo seu dever – como ente estatal – de respeitar o direito à identidade dos cidadãos”, afirmou o juiz Renato Coelho Borelli.

ABUSO DE PODER – “Caso contrário, se a Fundação Palmares simplesmente refutar a raça, a identidade, a consciência e a cultura negras, a quem a pessoa negra que, em razão de sua tez se sentir oprimida, furtada de oportunidades, poderá acudir?”, questionou. O magistrado apontou que, tal como ocorreu em maio, a Palmares mais uma vez se desvirtuou de suas finalidades legais. “O que configura abuso de poder sob a forma de desvio de finalidade”, pontuou.

O juiz impôs multa diária de R$ 1 mil caso a fundação descumpra a medida. A decisão segue outra determinação da mesma 9ª Vara Federal Cível, que em maio suspendeu dois artigos que criticavam Zumbi dos Palmares. Em um deles, o líder quilombola é tratado como figura moldada para atender ‘necessidades da esquerda brasileira diante da abertura políticas das décadas de 1970 e 1980’.

DIVULGAÇÃO NAS REDES -À época, a juíza Maria Cândida de Almeida afirmou que não caberia à Justiça a revisão acadêmica de artigos, mas as publicações apresentam questões juridicamente relevantes como a ‘explícita desconsideração da raça, cultura e consciência negras’. As publicações foram divulgadas pelo presidente da Palmares, Sérgio Camargo, que em redes sociais afirmou que ‘enaltecer Zumbi não é missão legal da instituição’.

O jornalista assumiu o cargo após liminar do Superior Tribunal de Justiça derrubar decisão da Justiça Federal do Ceará, que suspendeu a nomeação ao vislumbrar ‘rota de colisão com os princípios constitucionais da equidade, da valorização do negro e da proteção da cultura afro-brasileira’. O Superior Tribunal de Justiça deverá analisar recurso da Defensoria Pública da União contra sua indicação na próxima semana.

Piada do Ano! Bolsonaro diz que seu governo é o que mais combate a corrupção

Bolsonaro de moto

Bolsonaro saiu de moto, sem máscara. para ir a uma padaria

Francisco Carlos de Assis
Estadão 02

O presidente Jair Bolsonaro recorreu à sua conta no Facebook na manhã deste domingo, 2, para defender seu governo de críticas que recebeu durante a semana por, supostamente, ter relaxado no combate à corrupção. “O maior programa de combate à corrupção foi executado por mim ao não lotear cargos estratégicos, como, por exemplo, as presidências das estatais”, escreveu o presidente.

Bolsonaro, pelo texto que postou no Facebook, não quer ver colada à sua imagem a pecha de presidente tolerante com a corrupção.

SEM INTERFERIR “A Polícia Federal goza de total liberdade em sua missão. Nunca interferi, e nem poderia, em absolutamente nada”, escreveu o presidente em uma clara resposta ao ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, que no bojo das repercussões sobre as declarações de Aras, voltou a bater na tecla de que Bolsonaro teria tentado interferir na Polícia Federal.

“No corrente ano a PF contará com mais 600 profissionais, bem como o novo ministro da Justiça anunciou concurso para mais 2 mil vagas. Com a troca do ministro da Justiça, como por um passe de mágica, várias e diversificadas operações foram executadas. A PRF [Polícia Rodoviária Federal], por sua vez, quase triplicou a apreensão de drogas com o novo ministro”, escreveu Bolsonaro.

Ainda segundo o presidente, qualquer operação, de combate à corrupção ou não, deve ser conduzida nos limites da lei. “E assim tem sido feito em meu governo”.

“Quanto às operações conduzidas por outro Poder, quem responde pelas mesmas não sou eu. Com orgulho digo: estamos há 18 meses sem qualquer denúncia de corrupção. Isso tem incomodado parte da imprensa e os derrotados de 2018”, publicou Bolsonaro, esquecido das investigações sobre seus próprios filhos.

CASO LAVA JATO As críticas a uma virtual leniência do governo federal com corrupção ganharam força na esteira da ofensiva do procurador geral da República, Augusto Aras, contra a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. As declarações de Aras lançaram dúvidas sobre o destino da operação que desmontou um esquema bilionário de corrupção e que já repatriou cerca de R$ 4 bilhões que estavam no exterior.

A luta contra a corrupção, segundo disse esta semana o Senador Major Olímpio (PSL-SP), foi uma das principais promessas de campanha que levaram o Capitão da Reserva do Exército ao Palácio do Planalto. Segundo o senador, o presidente não está cumprindo esta promessa, pelo qual ele atribuiu nota 5 ao governo Bolsonaro.


NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Aos poucos, o falso Bolsonaro Zen vai saindo de cena, para dar espaço ao verdadeiro Bolsonaro, que aproveitou o domingo para fazer uma Piada do Ano, dizendo que está combatendo a corrupção, embora na verdade esteja empenhado em destruir a Lava Jato. Quanto ao loteamento de cargos públicos, está aí o Centrão que não me deixa mentir. Portanto, a
piada realmente é boa. (C.N.)

Aras se manifesta pela rejeição de queixa de Dilma contra Bolsonaro por comparação a uma ‘cafetina’

Augusto Aras diz que comentário não tem relação com mandato

Rayssa Motta
Estadão

O procurador-geral da República, Augusto Aras, enviou uma manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta-feira, dia 31, defendendo o arquivamento de uma queixa-crime apresentada pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A petista entrou com um pedido de investigação contra Bolsonaro em razão de uma postagem no Twitter. Em agosto do ano passado, o presidente publicou um vídeo de uma fala dele na Câmara dos Deputados, nos tempos de parlamentar, na qual compara Dilma a uma ‘cafetina’ e os membros da Comissão Nacional da Verdade a ‘prostitutas’.

“CAFETINA” – “Comparo a Comissão da Verdade, essa que está aí, como aquela cafetina, que ao querer escrever a sua biografia, escolheu sete prostitutas. E o relatório final das prostitutas era de que a cafetina deveria ser canonizada. Essa é a comissão da verdade de Dilma Rousseff”, diz o então deputado federal Jair Bolsonaro.

Embora tenha reproduzido a gravação quando já ocupava o cargo de chefe do Executivo, para Aras, o comentário não tem relação com o mandato presidencial e Bolsonaro não pode ser responsabilizado por ‘atos estranhos ao exercício de suas funções’.

“A conduta atribuída ao presidente configura, em tese, crime comum e não guarda relação com o desempenho do mandato presidencial, inexistindo, assim, nexo funcional”, disse. “Descabe cogitar da instauração de processo criminal em face do Presidente da República, durante o mandato, por suposto crime comum que não guarda relação com as funções presidenciais”, defendeu.

Gilmar diz que enfrentamento da pandemia só não é mais grave em razão do SUS e dos governadores

Gilmar diz que 92 mil mortes são constrangimento para Brasil

Renato Machado
Folha

O Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes voltou a criticar duramente neste sábado, dia 1º, a condução do governo federal no enfrentamento da pandemia do coronavírus, afirmando que vivemos uma situação de “constrangimento” e que há uma “certa ausência de atuação” do Ministério da Saúde.

Gilmar também afirmou que a situação apenas não é mais massacrante por conta da atuação dos governadores e do SUS (Sistema Único de Saúde).As declarações do ministro foram dadas durante transmissão ao vivo promovida pelo Instituto de Direito Público.

CONSTRANGIMENTO – O ministro do STF disse que estamos chegando ao “macabro” número de 100 mil mortos, em um campeonato extremamente constrangedor de que quem registra mais óbitos. “Eu acredito que nós estamos agora em tempos de pandemia com esse alto constrangimento que estamos a enfrentar, são mais de 92 mil mortos a esta altura e nos avizinhamos desse macabro número de 100 mil mortos no Brasil, um campeonato extremamente constrangedor que nós nunca gostaríamos de vencer”, disse.

“Não obstante, me parece que não chegamos a resultados ainda mais massacrantes ainda piores graças ao SUS e isso tem sido falado pelo ex-ministro [Luiz Henrique] Mandetta. Ele se revela um grande ativo nesse contexto. E, acho, graças às ações dos governadores, que foram extremamente pró-ativos nesse contexto”.Ao criticar o governo federal, Gilmar afirmou que a “cabeça do sistema” está extremamente “comprometida”.

“Vemos quase que uma certa ausência de atuação por parte do Ministério da Saúde. Nós vemos que aquilo que os burocratas chamam de cabeça do sistema acabou sendo comprometida. Isso é extremamente grave”, completou. No mês passado, ao se referir à situação da Covid-19 no Brasil, Gilmar afirmou que o Exército se associava a um genocídio. A pasta da Saúde é comandada interinamente há mais de dois meses pelo general Eduardo Pazuello.

NOTA – Como resposta, o Ministério da Defesa divulgou uma nota assinada pelo ministro Fernando Azevedo e Silva e pelos comandantes das três Forças, na qual repudiaram “veementemente” as declarações do ministro e disseram que esses comentários causavam indignação.

O Ministério da Defesa acionou a PGR (Procuradoria-Geral da República), que ingressou com uma representação contra o ministro. O vice-presidente Hamilton Mourão também disse que Gilmar havia “cruzado a linha da bola”. A crise se arrefeceu após telefonema do presidente Jair Bolsonaro ao ministro. Gilmar também conversou com Pazuello.

Maia sai em defesa de youtuber alvo de ataques virtuais e o convida para discutir PL das fake news

Bolsonaristas disseminaram fake news contra o youtuber nesta semana

Deu no O Globo

Em uma publicação no Twitter, neste sábado, dia 1º, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ),  saiu em defesa do influenciador digital Felipe Neto, que tem sido alvo de ameaças e notícias falsas nas redes. Maia afirmou que pretende acelerar a tramitação do projeto de lei de combate às fake news na Câmara e convidou o influenciador a dar sugestões sobre o tema. Em resposta, Neto disse que aceita o convite e agradeceu o apoio.

“@felipeneto, a covardia é a virtude dos fracos. Esses ataques só reforçam o caráter daqueles que são incapazes de vencer um debate com argumentos e com respeito. Por tudo que você tem sofrido nesses dias, nós vamos acelerar o projeto de combate às fake news”, escreveu no Twitter, acrescentando: “E te convido para uma reunião na próxima semana para discutir e melhorar o PL que está na Câmara. Convite feito Valeu!”

 

CONVITE ACEITO – Em resposta ao presidente da Câmara, Felipe Neto escreveu: “Convite aceito, Rodrigo. Vamos conversar! Muito obrigado pelo apoio”. Felipe Neto, que se tornou um dos principais nomes da oposição a Bolsonaro nas redes, tem sido alvo de ataques e mensagens falsas.

A hashtag #TodosContraFelipeNeto ficou em primeiro lugar no Twitter nesta semana, associada a um tuíte falso acusando o influenciador de pedofilia. A montagem atribuída a Felipe Neto estampava a frase “criança é que nem doce, eu como escondido” e foi classificada por diversos serviços de checagem do país como falsa.

DESINFORMAÇÃO – A mesma frase já havia aparecido em um meme com ataques ao Papa Francisco. Em seus perfis, Felipe Neto informou que só no Facebook e Instagram conseguiu retirar do ar, entre a última segunda e terça-feira, mais de 1,8 mil vídeos com informações falsas, entre elas as que o acusavam de pedofilia.

Na última quarta-feira, um grupo  acompanhado de um carro de som ameaçou o youtuber em frente à sua residência no Rio de Janeiro. Na ocasião, participou da ação um homem que se identifica nas redes sociais como Cavalieri, o “guerreiro de Bolsonaro”, e que também participou de uma ação que lançou fogos de artifício contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

Reflexões sobre Freud, o budismo e a importância do desejo na existência humana

Ateliê de Educadores: FrasesEdnei Freitas

Sigmund Freud era um colecionador de arte, e muitas de suas esculturas preferidas diziam sempre algo que tocava em sua grande sensibilidade, sem necessária concordância de Freud, mas com admiração do pai da psicanálise. E uma dessas esculturas é a da cabeça de Buda, presente em seu consultório psicanalítico.

Ressalto, no entanto, que Sigmund Freud sempre foi ateu e anticomunista (e escreveu trabalhos dizendo que o comunismo russo jamais iria dar certo – e o tempo mostrou que ele tinha razão).

PAIXÃO PELOS SÁBIOS – No entanto, ele tinha paixão pelos sábios míticos e místicos, (nem todos, é claro) e admirava os pensamentos de Buda.

Freud pesquisava o fato de o desejo estar sempre associado à causa de tanto sofrimento? Por que existe tanta repressão em relação a ele?

Mark Epstein, psicanalista, psicoterapeuta, estudioso do budismo e profundo conhecedor do pensamento freudiano, diz que essas reflexões são uma grave confusão. No livro “Aberto ao Desejo”, que acaba de ser lançado, ele propõe um novo olhar sobre o legado de Buda e de Sigmund Freud em relação à mais paradoxal emoção humana.

FACILITADOR – “O desejo é, na verdade, o facilitador para aprofundar a intimidade com nós mesmos, com o outro e com o nosso mundo. Se não estivermos em contato com nossos desejos, não podemos ser nós mesmos”, diz o estudioso.

Para Epstein, o desejo é vitalidade, “um componente essencial da nossa experiência humana, aquilo que nos confere nossa individualidade e que, ao mesmo tempo, nos empurra para fora de nós mesmos. O desejo é a nostalgia da completude em face da enorme imprevisibilidade de nossa condição. É natural, e se tentarmos expulsá-lo, ele voltará como uma vingança”, diz o psicanalista em seu livro.

Para o autor, “o desejo é uma resposta natural à realidade do sofrimento. Nós nos sentimos incompletos, e o desejo completa; nos sentimos inquietos, e o desejo acalma; sentimos insegurança, e o desejo conforta; sentimos solidão, e o desejo nos conecta. O desejo é o cadinho onde o eu é formado. É por isso que o desejo era tão importante para Freud”, diz Epstein.

UM EQUÍVOCO – A intenção de Epstein ao escrever esse livro foi a de corrigir a percepção equivocada e ainda dominante de que o budismo luta para eliminar o desejo.

“Na verdade, a palavra que Buda usou para descrever a causa do dukka (sofrimento) não foi desejo, mas sim “tanha”, que significa sede ou anseio. É o que poderíamos chamar de apego, a tentativa de agarrar-se a uma experiência que não se pode reter, e não o desejo de felicidade ou de completude”.

Em sua experiência de 30 anos como terapeuta, buscando uma integração entre o budismo e a psicoterapia, o autor percebeu que a definição de desejo era crucial.

AUTOCOMPREENSÃO – “Colocar o desejo como inimigo e, então, tentar eliminá-lo é buscar destruir uma das nossas mais preciosas qualidades humanas, nossa resposta natural à verdade do sofrimento. O budismo não tem a intenção de ser o caminho da destruição, mas sim o caminho da autocompreensão. Não busca dividir para conquistar, busca totalidade e integração”, argumenta o psicanalista.

Segundo ele, “havia uma maneira de trabalhar com o desejo que contradiz completamente a interpretação usual do budismo enquanto estimulador da renúncia e do desapego. Esses ensinamentos eram mantidos em segredo, por conta da sua tendência de serem mal compreendidos e de se tornarem abuso, mas sem eles, o valor total da abordagem budista não pode ser apreciado”.

Bolsonaro se desgasta com “cercadinho do Alvorada” : “Se todo mundo que quiser falar, vou botar um escritório”

Apresentação de demandas pessoais se tornou uma rotina de desgaste

Daniel Carvalho
Folha

Se você tem um problema, por que não tentar uma solução junto à pessoa mais importante do país? Essa é a lógica de alguns dos apoiadores que diariamente se dirigem ao portão do Palácio da Alvorada para levar um pedido ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Desde que deixou de falar com jornalistas, diante do desgaste de sua situação política, no início de junho, Bolsonaro levou os apoiadores para a área interna da residência oficial. Inicialmente, a claque o aguardava de forma improvisada, mas, depois, o governo organizou um cercadinho com grades e toldo no jardim. A maior parte dos veículos de imprensa, incluindo a Folha, já havia deixado de fazer a cobertura da portaria do Alvorada por falta de segurança diante da hostilidade de alguns fãs do presidente.

BALCÃO DE ATENDIMENTO – Longe das câmeras e mais à vontade, Bolsonaro teve que lidar com o aumento do número de pedidos, transformando o palácio em balcão de atendimento. Os episódios, que geralmente contam com a impaciência do presidente, são publicados nas redes sociais pelo próprio governo ou pelos simpatizantes.

“Aqui não é um local de entrega de material, documentos, cartas para o presidente. Para isso existe o protocolo da Presidência da República”, explicou um agente de segurança ao público na terça-feira, dia 28, antes da chegada do presidente. Nesse mesmo dia, um senhor tentou mostrar algo a Bolsonaro no celular e pediu um horário com o presidente. “Não estou marcando com minha esposa, pô”, reagiu o chefe do Executivo antes de entrar no carro. “Infelizmente ele não deu muita atenção”, lamentou o senhor em um vídeo que está na internet.

CARTAS – No dia anterior, o primeiro depois de 20 dias confinado em casa por causa de seu diagnóstico positivo para Covid-19, o presidente demonstrou impaciência com os pedidos ao longo dos quatro minutos que ficou com os apoiadores. “Eu vou encaminhar para alguém esta carta. Não sou eu que vou ler não. Chegam dezenas de cartas todos os dias”, reagiu a um apoiador.

Logo em seguida, pediu a outro simpatizante que fosse “o mais objetivo possível” em sua queixa sobre o programa do governo para auxílio a micro e pequenas empresas. Desta vez, Bolsonaro prometeu discutir o assunto com o ministro da Economia, Paulo Guedes, naquele mesmo dia.

“Se todo mundo que vier aqui quiser falar comigo, vou botar um escritório, botar uma escrivaninha aqui e atender todo mundo”, disse Bolsonaro a outro homem que afirmava saber como acabar com o desemprego.

PEDIDO PARTICULAR – Na semana anterior, mesmo isolado no Alvorada com o novo coronavírus, Bolsonaro ia até o espelho d’água em frente ao palácio para falar com seus seguidores no fim de tarde. Uma mulher pediu ajuda para resolver uma questão envolvendo uma casa lotérica que ela tem com o ex-marido. Ouviu uma negativa do presidente, que alegou se tratar de caso particular.

No dia seguinte, a mulher voltou ao Alvorada. “Eu mandei já três emails para o senhor”, disse ela. “Não vou ler nenhum. Eu não leio email. Se eu ler email, eu não trabalho”, retrucou o presidente.Em junho também houve uma sucessão de episódios em que o desconforto presidencial ficou evidente.

No dia 23 daquele mês, por exemplo, um imigrante venezuelano pede para apresentar um projeto a Bolsonaro, que recomendou que ele procurasse conversar com alguém do Ministério das Relações Exteriores, mas não com o ministro Ernesto Araújo. O homem insistiu com o presidente.

SEM CONDIÇÕES – “Tem que chegar por lá. Eu não tenho tempo de ler, chefe. Eu chego em casa, trabalho até 21h. Não tenho condições. Eu paro aqui em consideração a vocês. Se eu começar a pegar problema aqui, eu não trabalho.”

Dois dias depois, ainda mais pedidos: uma mulher que queria ajuda para conseguir um medicamento em um hospital do Distrito Federal para o avô com câncer, um homem que desejava incentivo para o desenvolvimento do agronegócio no Pará e uma militar que almejava ver seu licenciamento revogado.

“Se eu for atender individualmente, atendo agora, aí começa a fazer fila, e vai ser uma romaria aqui, e eu não tenho como trabalhar”, disse Bolsonaro em uma das cinco vezes que teve que tentar rejeitar pedidos naquele dia. Mas nem todo mundo sai do Alvorada sem a demanda atendida pelo presidente.

CONCURSOS – Em maio, Bolsonaro disse que, devido a um artigo que congela concursos públicos, postergou a sanção do projeto de socorro financeiro aos estados e municípios por causa da crise causada pelo novo coronavírus.

“Não sancionei o projeto, ontem [21 de maio], do auxílio dos governadores porque tem uma cláusula lá sobre congelamento de concurso”, disse Bolsonaro a um grupo de pessoas aprovadas no concurso da Polícia Rodoviária Federal em 2018, mas que não foram convocadas. “Se tivesse assinado, vocês iam ter complicação”, afirmou o presidente em 22 de maio.

Aquela não era a primeira vez que o grupo de excedentes do concurso da PRF ia ao Alvorada pedir uma solução para Bolsonaro. O presidente já havia orientado que fossem até o Palácio do Planalto conversar com o ministro Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral. O lobby presidencial deu certo, e os concursados foram atendidos.

HÁBITO – Bolsonaro criou o hábito diário de parar na porta do Palácio da Alvorada para falar com jornalistas e apoiadores. Com o agravamento da crise política e sanitária, o presidente deu ouvidos a conselheiros que recomendaram que parasse de dar entrevistas diariamente para minimizar a deterioração dele e do governo. O presidente, então, passou a falar apenas com seus apoiadores, mas até isso é alvo de crítica velada de auxiliares.

Um assessor palaciano diz acreditar que o presidente deveria suspender a interação permanente com seus apoiadores, pois entende que, além de o número de frequentadores do Palácio da Alvorada ter diminuído, a apresentação de demandas pessoais se tornou uma rotina de desgaste.

Esse auxiliar afirma que Bolsonaro deveria se restringir às rápidas aparições que ele faz de surpresa nos fins de semana em localidades de Brasília ou de cidades próximas. Outra oportunidade que o assessor julga mais tranquila para o presidente é durante as viagens pelo país, que agora pretende fazer semanalmente.

No desespero, Aras alega ter provas contra a Lava Jato, mas é conversa fiada

Autorizado por Bolsonaro, Augusto Aras tenta emparedar a Lava Jato ...

Aras conseguiu criar a maior crise da história da Procuradoria

Aguirre Talento e Paula Ferreira
O Globo

O clima nos grupos de discussão do Ministério Público Federal (MPF) passou a ser de revolta e críticas ao procurador-geral da República Augusto Aras após os ataques feito por ele a colegas em sessão do Conselho Superior do MPF na noite de sexta-feira. As manifestações têm partido principalmente de procuradoras, que saíram em defesa da subprocuradora-geral da República Luiza Frischeisen, alvo de um dos ataques de Aras.

As procuradoras acusam o procurador-geral de ter sido machista em seus ataques a Luiza Frischeisen, que não tem filhos. A repercussão interna do episódio ampliou o desgaste de Aras.

DISSE ARAS — “Enquanto eu estava aqui, havia perguntas de um determinado blog contaminado com muitos vícios, talvez com medo até de investigações por vir, questionando sobre a minha família. Quero dizer, doutor Nicolao, que o senhor não vai gostar de nenhuma fake news sobre a sua família. E muito menos a doutora Luiza, que talvez não tenha família, mas talvez tenha. Doutor Adônis muito menos. Mas enquanto eu estava aqui eu estava recebendo uma ataque à minha família e provavelmente saiu daqui” — afirmou Aras, em tom de irritação.

Desde a noite de sexta-feira, procuradoras e procuradores fizeram críticas a Aras nos grupos internos por causa de seus ataques e realizaram manifestações de solidariedade à subprocuradora Luiza Frischeisen, que já foi coordenadora da Câmara Criminal do MPF e foi segunda colocada na votação interna da lista tríplice para o cargo de PGR — Aras foi escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para comandar a PGR sem ter concorrido à lista.

RESPOSTA A ARAS – “Car@s colegas, todos que assistimos à sessão de hoje do conselho temos nossas razões para lamentar. Mas queria fazer um registro nesse grupo em especial. A fala do PGR, referindo-se a Luiza como uma pessoa “sem família”, me soou profundamente machista, agresiva e misógina. Estou muito revoltada (também com isso. O que o PGR quis dizer com isso? Qual a ideia que ele tem de família? De mulheres?” escreveu uma procuradora em um grupo.

“Eu assisti. Fiquei estarrecida e muito triste por ouvir isso de um PGR. Foi, sim, misógino e agressivo. Me ofendeu profundamente. Já manifestei diretamente a Luiza minha irrestrita solidariedade, mas registro aqui também”, respondeu outra colega do MPF.

Uma terceira procuradora classificou a declaração de Aras de sórdido ataque: “Quando o PGR te ataca, ataca todas as mulheres. Aliás, a carta que supostamente o ofendeu e irritou também foi assinada por outros conselheiros, mas ao proferir uma ofensa a Luiza, o PGR deixa claro que, além de não gostar de receber críticas, não admite que sejam feitas por mulheres”, escreveu.

A MAIOR CRISE – Procuradores também entraram na discussão e manifestaram apoio. O subprocurador-geral da República Mario Bonsaglia, que foi o mais votado na lista tríplice ao cargo de PGR e é opositor de Aras, afirmou que a instituição “vive a maior crise de sua história”.

“Muita coisa pode ser dita com relação à sessão de ontem do CSMPF, mas, em primeiro lugar, é preciso repudiar a fala misógina com que o PGR dirigiu-se à colega Luiza. Sobre isso já me manifestei logo após a sessão em alguns grupos e apresentei diretamente à própria Luiza a minha solidariedade. Essa fala do PGR, voltada especificamente contra Luiza e atingindo as demais mulheres que integram o MPF, causa indignação também a todos os homens comprometidos com a igualdade e a defesa dos direitos humanos”, escreveu Bonsaglia em um dos grupos.

Prosseguiu em sua mensagem: “Numa instituição como o MPF, ataques dessa natureza são particularmente inaceitáveis. Os acontecimentos de ontem no conselho, é preciso ressaltar, se contextualizam em função do momento pelo qual passa o MPF Nossa instituição vive a maior crise de sua história, com seguidos ataques aos princípios fundamentais que regem o Ministério Público e uma clara e arrogante tentativa de centralização hierárquica e de cunho autoritário”.

MAIS SOLIDARIEDADE – Em uma rede social, a procuradora regional Janice Ascari, coordenadora da Lava-Jato em São Paulo, também manifestou apoio à colega:

“Minha solidariedade incondicional à amiga e colega subprocuradora-geral @LuizaFrischeis1, vítima de um ataque machista nesta data. Tempos muito difíceis, mas tudo vai passar. Sigamos, minha amiga.”

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), integrante do movimento “Muda Senado” e que participou de videoconferência com Aras nesta semana para questioná-lo sobre as críticas à Lava-Jato, também se manifestou sobre a reunião do conselho superior. “Não bastasse querer sepultar a Lava-Jato, quer fazer o mesmo com a reputação de uma das mais respeitáveis servidoras do MPF, através de insinuações descabidas a respeito de sua vida pessoal. Nosso apoio e deferência à doutora Luiza e ao seu trabalho”, disse em nota.

CONTRA A LAVA JATO – Na terça-feira, durante uma live com advogados, o procurador-geral teceu críticas à força tarefa da Lava-Jato em Curitiba e afirmou que o grupo funciona como “uma caixa de segredos”. As afirmações geraram reação de subprocuradores-gerais da República no Conselho Superior do Ministério Público Federal na última sexta-feira.

O subprocurador Nicolao Dino, um dos opositores de Aras no conselho, leu uma carta aberta assinada por mais outros três conselheiros do órgão, na qual afirmaram que as declarações do procurador-geral “alimentam suspeitas e dúvidas” sobre a instituição e geram um MPF “desacreditado, instável e enfraquecido”.

Diante das críticas, Aras subiu o tom. O procurador-geral disse ser alvo de fake news e reafirmou suas acusações à Lava-Jato, dizendo ter provas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Aras é um farsante, que está de olho na vaga no Supremo e procura bajular Bolsonaro. Aras não tem provas de nada do que fala. Se tivesse, já teria mostrado. Tenta inviabilizar a Lava Jato, mas não conseguirá. O resto é folclore. (C.N.)        

Efeito coronavírus ! TSE lançará campanha para evitar ‘apagão’ de mesários

TSE  instituiu uma consultoria sanitária para definir protocolos

Pedro Venceslau
Estadão

“Se eu for convocada vou tentar de alguma forma a liberação na Justiça Eleitoral ou cobrar dos cartórios medidas de proteção”, disse a publicitária Mariana Marcondes, de 28 anos. Mesária na eleição municipal de 2012, ela se recorda dos momentos de concentração de pessoas quando os eleitores vão às urnas. “Depois de encerrada a votação se forma uma aglomeração para devolver livros, urnas e imprimir os boletins.”

Diante do cenário incerto da pandemia do coronavírus para os próximos meses, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está especialmente preocupado com o possível “apagão” em uma etapa-chave do processo das eleições municipais deste ano: a convocação de mesários.

NO RADAR – O processo, que será deflagrado na primeira semana de agosto, precisa reunir um exército de 2 milhões de pessoas, entre voluntários e convocados. Os nomes que já atuaram na função em eleições passadas são os primeiros no radar dos tribunais regionais eleitorais, mas especialistas e ex-desembargadores temem que uma onda de atestados médicos e a judicialização das convocações abram um vácuo sem precedentes na função.

Mesária em três eleições consecutivas, sendo a última em 2016, a assessora Mayra Angels, de 28 anos, lembra que este ano os representantes da Justiça Eleitoral que compõem a mesa receptora de votos terão de ficar três horas a mais na sala de votação após decisão do TSE. “Isso aumenta a exposição. A pandemia vai assustar as pessoas que forem convocadas. Tomamos todos os dias cuidados dentro de casa, mas há muito compartilhamento de material e documento para conferir no dia da votação”, disse.

Já o assistente de compras Cláudio Soares, de 46 anos, que foi mesário por seis eleições e chegou a presidente de mesa, afirmou que, em caso de problema técnico na urna, é inevitável que se forme uma fila, o que pode gerar tumulto na seção. “Se eu fosse convocado, pediria dispensa por questões sanitárias.”

CAMPANHA – Para evitar um “apagão” de mesários, o TSE vai lançar uma ação midiática no mês que vem. O primeiro passo será uma campanha nacional na TV protagonizada pelo médico Dráuzio Varela estimulando voluntários e garantindo que o processo será feito sob um rígido protocolo de proteção sanitária. Em outra frente, a Corte deve fechar convênios com universidades, funcionários públicos e, em último caso, até com o Exército para montar a rede de mesários.

“A principal preocupação do TSE é garantir que as eleições municipais sejam seguras para eleitores, mesários, servidores e quem mais trabalhar nos dias de votação”, disse ao Estadão o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do tribunal.

Ele afirmou que a Corte instituiu uma consultoria sanitária, integrada pela Fiocruz e pelos hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein para definir as providências e os protocolos a serem seguidos. “Precisamos da colaboração de brasileiros patriotas, preferencialmente que não sejam do grupo de risco do novo coronavírus, para ajudar a Justiça Eleitoral a realizar o rito mais importante da democracia, que é a escolha de quem vai nos governar e representar”, afirmou o ministro.

PENALIDADE – Quem for convocado e não comparecer estará cometendo crime de responsabilidade, mas, na prática, a penalidade é muito branda: multa de R$ 3,50. Isso quando é aplicada. “Deve haver este ano uma avalanche de atestados e muita judicialização”, disse o ex-desembargador do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo André Jorge.

Por outro lado, avaliou Jorge, a abstenção também deve crescer muito entre o eleitorado. Pela lei, qualquer eleitor pode ser convocado na hora para cumprir a função de mesário se os escalados para a tarefa faltarem no dia da votação. O risco disso acontecer será maior se a Justiça Eleitoral reduzir o número de mesários de quatro para três.

“Sem mesário não tem eleição. Essa é a preocupação central do TSE. Como os eleitores vão reagir à convocação? A dificuldade é evitar que a seção deixe de funcionar por causa de mesário. Com quatro mesários é mais confortável porque, se dois faltarem, a seção ainda funciona. Mas se forem três mesários e tiver falta, o primeiro eleitor que chegar pode ficar de castigo”, disse advogado eleitoral Rafael Morgental, que foi por 16 anos servidor do TRE do Rio Grande do Sul.

REDUÇÃO DE DANOS –  O plano original do TSE era ampliar o número de urnas eletrônicas para dividir mais o eleitorado e, assim, evitar aglomerações e filas. Mas, conforme revelou o Estadão, uma guerra de recursos e a pandemia da covid-19 atrasaram a licitação milionária de compra de novos equipamentos para as eleições deste ano.

Apesar de manter o processo em andamento, o próprio TSE admitiu não haver mais tempo hábil para o uso das novas urnas em novembro, quando os brasileiros escolherão prefeitos e vereadores. Com menos urnas, a Justiça Eleitoral começou a fazer um remanejamento de eleitores e, com isso, a média de pessoas por seção eleitoral saltará de 380 para 430. A convocação dos mesários será realizada entre agosto e setembro.

BIOMETRIA – Entre as medidas de redução de danos do TSE na pandemia, o presidente da Corte aboliu a identificação biométrica neste ano. Após ouvir infectologistas, o tribunal concluiu que há possibilidade de aumento da chance de infecção, uma vez que o leitor do sistema não pode ser higienizado frequentemente, além da possibilidade de aglomerações nas seções eleitorais.

Apesar do cenário nebuloso, o ex-ministro do TSE Henrique Neves se mostra otimista. “Daqui até novembro vai dar tempo de equacionar tudo. Pessoas que já contraíram covid e estão curadas podem se voluntariar e contribuir com o Brasil.”

Após diamantes e barras de ouro, Ministério da Justiça leiloará fazenda de operador de Cabral

Esta será a terceira tentativa de venda da propriedade,

Deu no Estadão

Depois de arrecadar R$ 4,5 milhões com barras de ouro e diamantes que pertenciam ao ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, o Ministério da Justiça vai agora leiloar uma fazenda apreendida na Lava Jato que era de Carlos Miranda, apontado como operador do esquema de corrupção chefiado pelo ex-dirigente fluminense. A propriedade é avaliada em R$ 2 milhões.

A primeira abertura do pregão do imóvel, localizado em Paraíba do Sul, no Rio, será no dia 21 de agosto, com encerramento no dia 24. Já a segunda, será no dia 24 de agosto e o fechamento no dia 28. Os leilões serão administrados pela Brame Leilões.

TERCEIRA TENTATIVA – A determinação para alienação do imóvel partiu do juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas. Trata-se da terceira tentativa de venda da propriedade, que já foi a leilão no ano passado, à época avaliada em R$ 3 milhões.

Por ter sido saqueada, a propriedade foi reavaliada. A Fazenda Três Irmãos tem 21,2 alqueires e conta com três casas (uma principal, uma de hóspedes e uma do administrador), piscina, sauna, churrasqueira, curral, capril, bodário, um alambique e um galpão.

Segundo o coordenador-geral de Planejamento e Gestão de Ativos da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, Giovanni Magliano Júnior, a fazenda é o primeiro imóvel a ter uma determinação judicial de venda com apoio da Senad.

DESTINO – Do total arrecadado com a venda dos bens, 40% do valor é destinado para estruturar e equipar as forças policiais responsáveis pela apreensão, aponta a Senad. Outro montante é destinado ao Fundo Penitenciário Nacional (Funpen).

A Senad informou que desde novembro de 2019, já realizou 43 leilões com arrecadação de mais de R$ 17 milhões no arremate de 1.705 ativos em diferentes Estados: Acre, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

DIAMANTES E OURO – Nesta quarta-feira, dia 29, diamantes e barras de ouro que pertenciam a Sérgio Cabral, foram leiloados por R$ 4.599.317,60 milhões. Todas as 20 peças – 15 diamantes e cinco lingotes de ouro de 24 quilates confiscados em operações contra o político – estavam avaliadas inicialmente em R$ 3 milhões. Os lances iniciais variavam de R$ 52,6 mil a R$ 246,5 mil.

Cabral está preso desde novembro de 2016 no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, quando foi detido pela Polícia Federal na Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato no Rio. O ex-governador é réu em mais de 30 ações penais e já foi condenado 13 vezes. A soma das penas contra ele já chegam a 282 anos de prisão.

Após ataques contra a Lava Jato, Aras passa a ser defendido e elogiado por parlamentares do PT e do PSOL

Oposição pede que procuradores de Curitiba sejam investigados

Renato Vasconcelos
Estadão

Criticado por partidos da oposição desde que foi escolhido em setembro do ano passado, o procurador-geral da República, Augusto Aras, passou a ser elogiado por parlamentares de partidos como PT e PSOL devido a seus ataques contra a Operação Lava Jato. Desde que Aras afirmou, na última terça-feira, que a força-tarefa mantém dados sigilosos, parlamentares da oposição passaram a pedir que se investiguem se os procuradores de Curitiba mantém dados em sigilo.

Segundo Aras, a força-tarefa estaria mantendo um banco de dados próprio, com informações de 38 mil pessoas, fora do alcance da Corregedoria do Ministério Público Federal (MPF). Aras também criticou os custos para manter a força-tarefa e falou em “corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure”.

INVESTIGAÇÃO – O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) defendeu a investigação de “todas as práticas ilegais, imorais e politicamente dirigidas por parte da operação” Lava Jato. “O que tem que prevalecer é a verdade. Os procuradores da Lava Jato não são intocáveis, eles precisam ser investigados. Se a Lava Jato agiu certo e não tem medo dos seus métodos, é só abrir os dados”.

Embora defenda a investigação, Valente questionou o interesse de Aras e do governo Bolsonaro no caso: “Aras é um cara do Bolsonaro. Ele certamente tem os objetivos dele, à serviço de Bolsonaro, que não são mais os mesmos do Moro, que era um dos pilares de sustentação do governo”, afirmou.

CPI – Já o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) defende a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a operação Lava Jato. “Não é uma especulação qualquer. É o Procurador Geral da República, é o chefe do Ministério Público Federal, dizendo que a Lava Jato criou uma milícia judicial, que dispõe de informações sobre 38 mil brasileiros. (…) Essa milícia judicial dispõe de algum respaldo legal para criar um banco de dados para potenciais investigados? Por que essas informações estão em um sistema paralelo que a PGR não tem acesso, que as corregedorias não tem acesso?”, questiona o deputado em vídeo publicado em suas redes.

Embora o lavajatismo seja defendido por um grupo de parlamentares, em geral a classe política se incomoda com a força-tarefa. Na última quarta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que vê excessos em investigações e defendeu a legitimidade de Aras para criticar a operação.

CONSTRANGIMENTO – “Está se fazendo buscas e apreensões de coisas de 2010 em 2020. Coisas que geram apenas constrangimento, na linha até do que o doutor Aras falou de criar uma criminalização generalizada da política, tirar as condições da política e do próprio Supremo”, disse Maia.

A base governista também defendeu o posicionamento do PGR. “Por que há tanto medo, dentro da força-tarefa de Curitiba, de que o Aras investigue o que eles estão fazendo?”, disse a parlamentar: “O que o Aras quer saber é: dentro desses dados todos, dessas 38 mil pessoas, desses 350 terabytes que vocês têm, por que há praticamente uma PGR paralela?”

Tribunal mantém decisão que obriga blogueiro bolsonarista a pagar R$ 15 mil por danos morais a Glenn Greenwald

Eustáquio afirmou que Glenn mentiu sobre o estado de sua mãe

Mônica Bergamo
Folha

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a condenação do blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustaquio Filho, que terá que pagar R$ 15 mil por danos morais a Glenn Greenwald por ter ofendido a mãe do jornalista, Arlene Greenwald.

Eustaquio, que é investigado e até já foi preso por propagar fake news, foi condenado em fevereiro no processo movido por Greenwald, que é diretor do site The Intercept Brasil. Em agosto do ano passado, o bolsonarista afirmou que Glenn mentiu sobre o estado de saúde de Arlene apenas para acelerar a concessão de visto para os filhos menores e, assim, partir com eles para os EUA. O jornalista reagiu chamando Eustaquio de “lixo humano”. E decidiu processá-lo.

INTIMIDAÇÃO – A mãe de Glenn Greenwald morreu vítima de câncer em dezembro do ano passado.Em sua defesa, blogueiro disse que analisou postagens da mãe de Glenn nas redes sociais e concluiu que ela não estava “em fim de vida” e portanto o pedido de visto de emergência para os netos poderem visitá-la não se justificava. No dia da audiência na Justiça, ele tentou intimidar o jornalista. Vestindo uma camiseta de Jair Bolsonaro, começou a filmar Glenn sob a justificativa de que queria “entrevistá-lo”.

Na sentença de primeira instância, o juiz Antonio Crlos Maisonette Pereira afirma que “as postagens publicadas pelo réu [Eustaquio” apresentavam “uma carga ofensiva ao autor e sua mãe que ultrapassa o objetivo legítimo de criticar”.

OFENSAS – Além disso, o blogueiro não se ateve, segundo o magistrado, “ao compromisso ético de checar a veracidade das informações divulgadas, exorbitando da crítica para o campo das insinuações, as quais, no caso, são pejorativas e induvidosamente ofensivas à honra do autor e sua mãe, imputando ao primeiro, ainda, o cometimento de crime”.

O magistrado concluiu que Eustaquio “ultrapassou os limites das liberdades constitucionais que lhe são asseguradas, agindo de forma abusiva ao disseminar informações equivocadas sobre o estado de saúde” da mãe de Glenn.