Assisti ao filme “Getúlio” e dou parabéns ao diretor

Almério Nunes

Dou meus parabéns ao diretor do filme “Getúlio”, João Jardim, e o faço efusivamente. Ao invés de expor cenas mais fortes, ele preferiu nos mostrar a intimidade do presidente Getúlio Vargas, diante do que havia acontecido; suas falas com a filha Alzira, a cobrança (decepção) com seus irmãos e a imensa perplexidade diante do farto trânsito que seu Chefe da Segurança Pessoal exibia em diversas áreas, e, mais do que isto, da distribuição de cargos e salários entre tantos, no Palácio do Catete, por sua iniciativa e responsabilidade. Negócios com bancos, exportações, muita coisa era decidida por este indivíduo … sozinho.

Este homem – Gregório Fortunato – que cuidava da sua segurança, comprou um sítio no valor de US$ 13 milhões (!!!), uma super fortuna hoje e muito mais, na época.
Fez negócios com um irmão de Getúlio envolvendo milhões de cruzeiros. Mandava nomear (mesmo) e demitir. Na equipe de Gregório havia 80 seguranças … e Getúlio pensava que eram apenas 15.
E foi aí … que, diante das pesadíssimas acusações feitas pelo jornalista Carlos Lacerda ao governo de Getúlio, que Gregório resolveu agir e contratou dois pistoleiros da sua equipe – Climério e Alcino – para atentar contra a vida de Lacerda. Climério estava nesta equipe há anos, era até mesmo um próximo parente de Gregório, mas Getulio surpreendeu-se ao saber disso.
No atentado (05 de agosto de 1954) morreu, com um tiro, o major da Aeronáutica Rubens Vaz, de 32 anos. Carlos Lacerda passou a exigir a imediata renúncia do presidente, no que foi seguido por parlamentares como Afonso Arinos (UDN). O país estava prestes a explodir.
MAR DE LAMA
“Corre um mar de lama nos porões do palácio”, disse Getúlio, exibindo toda uma perplexidade, profunda angústia e desgosto pela vida. A corrupção era desenfreada, pessoas muito próximas a ele estavam envolvidas com negócios verdadeiramente mirabolantes, articulados dentro do Catete … sem que ele soubesse.
O jornalista Helio Fernandes, ao longo de muitos anos, escreveu e repetiu na Tribuna da Imprensa: “Getúlio Vargas não estava preparado para governar democraticamente; seu modo de agir não era bem este”… (Getúlio Vargas havia sido ditador de 1930 a 1945).
Getúlio ficou sabendo que o atentado da rua Tonelero/Copacabana havia sido planejado e executado por Gregório Fortunato, seu homem de confiança por 20 anos. Seus últimos dias foram de uma solidão tão imensa quanto intensa.
Após a convocação de seu irmão Benjamin (o “Beijo”) para depor na condição de um dos mandantes do crime, passou a temer por sua própria convocação. Temia ser deposto e preso, ele mesmo.
“Se vocês querem me tirar daqui… só encontrarão meu cadáver”… “Só deixarei o Catete morto”.
RISCO DE GUERRA CIVIL
O general Zenóbio da Costa – seu ministro da Guerra – lhe garantia que o Exército estaria ao seu lado, incondicionalmente. Mas este apoio… Getúlio não quis, já que outros oficiais estavam no firme propósito de afastá-lo da Presidência. Uma guerra civil estava desenhada.
Na madrugada de 24 de agosto de 1954 … o presidente matou-se com um tiro no coração. E lá se foi … um dos mais importantes políticos (ou o mais importante?) da História do Brasil.
Assumiu a presidência o vice, João Café Filho. Os riscos de guerra civil continuaram, mas felizmente Café Filho governou, num país dilacerado, mas governou só até novembro de 1955.
No final deste ano, o país explodiu, mas aí começa uma outra história. E que história!!!
Vale perguntar: os presidentes… nunca sabem de nada? Seus assessores – até os mais próximos – fazem o que bem entendem e o presidente a tudo ignora?
O filme apresenta a agonia solitária de Getúlio Vargas de uma forma impressionante.
Parabéns ao extraordinário diretor. Há momentos em que o Tony Ramos, fumando seu charuto, está igual ao presidente Vargas. E que ator maravilhoso, esse cara! Para os jovens, que de nada sabiam sobre este tão marcante episódio da nossa sofrida vida política, este filme é indispensável.

Ex-jurista do Banco Mundial revela como a elite domina o mundo

Via Esquerda.net

Karen Hudes, graduada pela escola de Direito de Yale, trabalhou no departamento jurídico do Banco Mundial durante 20 anos. Na qualidade de ‘assessora jurídica superior’, teve suficiente informação para obter uma visão global de como a elite domina o mundo. Desse modo, o que conta não é uma ‘teoria da conspiração’ a mais.

De acordo com a especialista, citada pelo portal Exposing The Realities, a elite usa um núcleo hermético de instituições financeiras e de gigantes corporações para dominar o planeta.

Citando um explosivo estudo suíço de 2011, publicado na revista ‘Plos One’ a respeito da “rede global de controlo corporativo”, Hudes enfatizou que um pequeno grupo de entidades, na sua maioria instituições financeiras e bancos centrais, exerce uma enorme influência sobre a economia internacional nos bastidores. “O que realmente está a acontecer é que os recursos do mundo estão a ser dominados por esse grupo”, explicou a especialista com 20 anos de trabalho no Banco Mundial, e acrescentou que os “capturadores corruptos do poder” também conseguiram dominar os meios de comunicação. “Isso é-lhes permitido”, assegurou.

O estudo suíço que mencionou Hudes foi realizado por uma equipa do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique. Os pesquisadores estudaram as relações entre 37 milhões de empresas e investidores de todo o mundo e descobriram que existe uma “super-entidade” de 147 megacorporações muito unidas e que controlam 40% de toda a economia mundial.

Contudo, as elites globais não controlam apenas essas megacorporações. Segundo Hudes, também dominam as organizações não eleitas e que não prestam contas, mas, sim, controlam as finanças de quase todas as nações do planeta. São o Banco Mundial, o FMI e os bancos centrais, como a Reserva Federal Norte Americana, que controla toda a emissão de dinheiro e a sua circulação internacional.

O BC DOS BANCOS CENTRAIS

A cúpula desse sistema é o Banco de Pagamentos Internacionais: o banco central dos bancos centrais.

“Um organização internacional imensamente poderosa da qual a maioria nem sequer ouviu falar controla secretamente a emissão de dinheiro do mundo inteiro. É o chamado Banco de Compensações Internacionais [Bank for International Settlements]. Trata-se do banco central dos bancos centrais, localizado na Basileia, Suíça, mas que possui sucursais em Hong Kong e na Cidade do México. É essencialmente um banco central do mundo não eleito, que tem completa imunidade em matéria de impostos e leis internacionais (…). Hoje, 58 bancos centrais a nível mundial pertencem ao Banco de Pagamentos Internacionais, e tem, em muito, mais poder na economia dos Estados Unidos (ou na economia de qualquer outro país) que qualquer político. A cada dois meses, os banqueiros centrais reúnem-se na Basileia para outra ‘Cimeira de Economia Mundial’. Durante essas reuniões, são tomadas decisões que atingem todos os homens, mulheres e crianças do planeta, e nenhum de nós tem voz naquilo que se decide. O Banco de Pagamentos Internacionais é uma organização que foi fundada pela elite mundial, que opera em benefício da mesma, e cujo fim é ser uma das pedras angulares do vindouro sistema financeiro global unificado”.

Segundo Hudes, a ferramenta principal de escravizar as nações e Governos inteiros é a dívida.

“Querem que sejamos todos escravos da dívida, querem ver todos os nossos Governos escravos da dívida, e querem que todos os nossos políticos sejam adictos das gigantes contribuições financeiras que eles canalizam nas suas campanhas. Como a elite também é dona de todos os principais meios de informação, esses meios nunca revelarão o segredo de que há algo fundamentalmente errado na maneira como funciona o nosso sistema”, afirmou.

(artigo enviado por Paulo Sérgio)

Racismo e História

Pedro Beja Aguiar

“José, menino preto, nascido na Cidade de Deus, filho de mãe solteira, cresceu ao redor da maior boca de fumo da favela, na década de 90. Eulália, sua mãe, trabalhou a vida inteira como doméstica, em casas de famílias da Zona Sul do Rio de Janeiro. José cresceu sem pai, vítima dos abusos de violência no bairro da Cidade de Deus.”

Esta pequena história, sem arremedos e sem digressões, atinge grande parte das realidades no Brasil das massas. É ela, quase sempre, a gênese dos inúmeros e múltiplos casos de violência que já não mais surpreendem, com características de crueldade e inumanidade mais brutais e elevadas, sejam policiais ou bandidos os seus protagonistas.

A IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA E INDAGAÇÕES

No entanto, esta ficção-realidade não é para iniciar mais um texto de catarse sobre a violência, mesmo que sejam textos e debates sempre atuais, importantes e necessários. É para chamar atenção para outra análise social que deveria ser observada e exercitada: a sabedoria de escutar  a História. E História com letra maiúscula, aquela que não diz respeito apenas ao próprio indivíduo, mas a todo um processo coletivo, de construções e transformações ao longo do tempo.

Qual seria o desfecho para a história de José? Que ele se tornou doutor em Direito Constitucional numa faculdade norte-americana? Ou que morreu antes de completar 25 anos, com um tiro nas costas, por ser confundido com um bandido? Ou, sem atingir a maioridade, foi mais uma vítima da violência, por ter sido parceiro do tráfico de seu bairro?

Quem relacionar a história de José com a história que vivemos hoje de racismo, perene e candente na sociedade, corre o risco, sem perceber, de perpetuar o preconceito, não com falas, mas com gestos ou omissões. Ser racista não é apenas atravessar a rua, quando outro homem com mais melanina vem de encontro. Ser racista é também quando formulamos pré-julgamentos a respeito de fulano ou sicrano que, por ser negro, já possui na carteira de identidade a profissão de meliante. E mais: a História do Brasil é recortada, do período colonial até o processo de D. Pedro II como monarca, por uma mancha social que foi a escravidão.

REFLEXÕES

Só os negros de diversos países do continente africano eram escravizados no Brasil? Apenas eles passaram por esse processo desrespeitoso? A história do mito de Cã resume e explica as ações contra os negros? A resposta é negativa. Então, desta forma, por que recaímos na ignorância de atirar bananas em jogadores de futebol negros?

Sem estender a discussão para uma temática histórica mais aprofundada, que é deveras importante, escutemos a sabedoria da História. Apenas deixaremos de ser tábula rasa na sociedade brasileira quando pararmos de afirmar “os povos da África…”, ou “a culpa é do preto…”, ou “só poderia ser um macaco..” e outras expressões nefastas. Primeiro,a África é um continente, onde não existe apenas um povo, mais milhares de povos com culturas completamente diferentes. Segundo, a culpa é do indivíduo que contribuiu para o desequilíbrio social, tenha ele a cor que tiver. Terceiro, o macaco é um dos mamíferos mais interessantes da natureza, não apenas pelos costumes, como também pela inteligência.

OUVIR, VER E ENTENDER

Ter em nossas mentes apenas a História que nos foi contada, sem filtrá-la com base nos nossos próprios conhecimentos, sem uma leitura prévia do mundo e sem uma análise mais apurada da realidade da região, permaneceremos repetindo as incongruências que nos contam. O que vem à mente das pessoas, quando lhes é pedido para que lembrem uma ou duas características da África? Em geral, as respostas são as savanas (com leões e outros animais ferozes) e a fome da população, e não nas maravilhas que cada país pode proporcionar ao mundo com suas variadas culturas, costumes e riquezas naturais. Saber que a narrativa da História é construída através de perspectivas, de olhares diferenciados, pautados por arcabouços culturais desde o nascimento, isenta este indivíduo de cometer erros como o prejulgamento de uma cultura ou de alguém.

Devemos, primeiro, ouvir, ver e entender o que nos foi dito, o que nos foi demonstrado. Depois, compreender o ambiente geográfico e político em que o fato social está inserido. Só ao final, e após escutar outros lados possíveis envolvidos, avaliar e opinar.

Nova pesquisa confirma segundo turno e mostra que rejeição a Dilma está aumentando

Carlos Newton

O jornal O Tempo publica pesquisa Sensus divulgada neste sábado. Mostra que, se as eleições fossem realizadas hoje, haveria segundo turno. A presidente Dilma Rousseff (PT) teria 35% das intenções de votos, o senador tucano Aécio Neves (MG) 23,7% e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) 11%, com votos brancos e nulos e não sabe ou não respondeu, 30,4%.

Juntos Aécio e Campos têm 34,7% dos votos, praticamente a mesma porcentagem de Dilma (diferença de 0,3%). A margem de erro é de 2,2%.

No cenário com outros presidenciáveis, Dilma registra 34%, Aécio 19,9%, Campos 8,3%, Pastor Everaldo (PSC) 2,3%, Randolfe Rodrigues (PSOL) 1,0%, Eymael (PDC) com 0,4%, Mauro Iasi (PCB) 0 3%, Levy Fidelix (PRTB) 0,1%, brancos e nulos e não sabem ou não responderam, 33,9%.

Nas projeções de segundo turno numa eventual disputa entre Dilma e Aécio, a petista aparece com 38,6% e o tucano com 31,9%. Se a disputa for contra Eduardo Campos, a presidente da República registra 39,1% e o ex-governador de Pernambuco, 24,8%.

REJEIÇÃO

A pesquisa traz ainda os índices de rejeição dos principais presidenciáveis. Do total de entrevistados, 42% afirmaram que não votariam em Dilma de jeito nenhum. Já a taxa de rejeição de Eduardo Campos ficou em 35,1%; e a de Aécio Neves, em 31,1%.

A pesquisa do Instituto Sensus, de Belo Horizonte, presidido por Ricardo Guedes, está registrada no TSE sob protocolo nº BR-00094/2014. A mostra foi realizada com dois mil entrevistados no período de 22 a 25 de abril, em todo o Brasil.

Traduzindo: a pesquisa é falha, porque não incluiu Lula. O ponto mais importante é o crescimento da rejeição a Dilma Rousseff, com 42%, detalhe que fortalece muito o movimento “Volta, Lula”.

 

A obra de Piketty e a acumulação de capital levando o mundo a um beco sem saída

Wagner Pires

A obra de Thomas Piketty (“Capital no Século XXI”) conclui que o capitalismo financeiro com a tônica da acumulação do capital feita pelos detentores do capital, isto é, o sistema financeiro, está levando o mundo para um beco sem saída, tendo em vista que é um mecanismo de aceleração da concentração da riqueza produzida por muitos, nas mãos de poucos. Não é o caminho para um mundo feliz e realizado, com certeza.

Tanto a deflação quanto a alta inflação são indicadores de deficiências nas economias dos países. Tais deficiências acentuam, também, a concentração da riqueza, novamente nas mãos do sistema financeiro. O equilíbrio está em encontrar uma taxa inflacionária, justamente aquela entre a deflação e a alta inflação. O meio termo é o reflexo do crescimento econômico com equilíbrio na distribuição da riqueza. Este é o fenômeno econômico desejável.

De fato o livro de Piketty deve estar fazendo muito sucesso e se tornando leitura obrigatória nos círculos do pensamento econômico, uma vez que até o Fundo Monetário Internacional (FMI) já recomendou a imposição de um imposto aos bancos, principalmente os multinacionais – para compor um fundo e cobrir eventuais prejuízos que estes bancos vierem trazer para países e populações por sua eventual irresponsabilidade e sanha lucrativa, na concessão de crédito e operações de financiamento sem ter como garantia patrimônio suficiente para cobrir suas margens de empréstimos.

O sonho inesquecível de Délcio Carvalho e Dona Ivone Lara

O cantor e compositor Délcio Carvalho (1939-2013), natural de Campos dos Goitacazes (RJ), na letra de “Sonho Meu”, em parceria com Dona Ivone Lara, pede à imaginação para ir buscar o seu amor. Este samba foi gravado por Maria Bethânia e Gal Costa no LP “Álibi”, de Maria Bethânia, em 1978, lançado pela gravadora PolyGram.
SONHO MEU
Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho
Sonho meu,
Sonho meu,
Vai buscar quem mora longe,
Sonho meu

Vai mostrar esta saudade,
Sonho meu
Com a sua liberdade,
Sonho meu
No meu céu a estrela guia se perdeu
A madrugada fria só me traz melancolia,
Sonho meu

Eu sinto o canto da noite na boca do vento
Fazer a dança das flores no meu pensamento
Traz a pureza de um samba
Sentido marcado
De mágoa de amor
O samba que mexe
O corpo da gente
E o vento vadio
Embalando a flor,
Sonho meu.

             (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

O livro de Piketty (“O Capital no Século XXI”) e os ricos cada vez mais ricos

Flávio José Bortolotto

Bom artigo da profª e economista Mônica Baumgarten de Bolle, sobre o famoso livro do economista francês Thomas Piketty, que está fazendo tanto sucesso, e que ainda não li.

A tese central do Livro de Piketty é a de que: “Quando a taxa de rendimento do capital excede a taxa de crescimento da economia (dado pelo PIB, Produto Interno Bruto), a desigualdade (medida pelo índice de Gini) aumenta”. Os ricos ficam mais ricos, a classe média na melhor das hipóteses fica estagnada, muitos vão para trás, e os pobres ficam mais pobres inapelavelmente, tudo em relação aos ricos.

Numa época de crise financeira internacional, de “desconstrução do “american dream” (trabalhando duro e com vida austera, no fim o senhor enriquecerá), a tese aponta que para “melhorar a vida dos pobres e da classe média”, o que todos os governos buscam, e todas as oposições sonham em apresentar a receita, é preciso baixar a Taxa de Rendimento do Capital, que a meu ver gira em torno da Taxa de Juro Líquida (descontada a Inflação), que tradicionalmente é de +- 5% ao ano, via taxação do capital financeiro, ou redução dessa taxa de juro lquida, via inflação,que agiria como uma taxação indireta, e fomentar a taxa de crescimento do PIB para valores acima dessa taxa de juros líquida, via aumento do investimento privado e público.

A TESE DE PIKETTY

Pela tese de Piketty, a grosso modo, quando a taxa de crescimento do PIB é maior que 5% a/a, a desigualdade em riqueza relativa fica estagnada, sendo que altas taxas de crescimento do PIB, maiores que 5% a/a, com relativa inflação alta, reduziriam a desigualdade relativa.

A deflação (inflação negativa) favoreceria os ricos, e logicamente aumentariam a desigualdade, o que não é recomendável, e uma inflação relativamente alta controlada, digamos +- 5% a/a, diminuiria a desigualdade, favorecendo a classe média e especialmente os pobres, principalmente quando o PIB cresce a altas taxas acima de 5% a/a.

Mas a meu ver, o que causa maior desigualdade do que a diferença entre a taxas de juros líquida e a taxa de crescimento do PIB, é a desregulação dos mercados Financeiros. Esta, a verdadeira causa das crises financeiras e que permite aos investidores ganhar em pouco tempo muito mais do que o lucro normal. Isso não tem nada a ver com o capitalismo de mercados, mas tudo a ver com desregulação dos mercados financeiros e com os fluxos de capital pelo mundo todo.

Só nessa última crise financeira de 2008, que ainda estamos vivendo, foram retirados de uma economia global de +- US$ 90 Trilhões (PIB Mundial) cerca de +- US$ 35 trilhões. portanto mais de 1/3 do PIB mundial de um ano todo, que foram desviados para “paraísos fiscais”, contas bancárias seguras.

Para não haver colapso no sistema como um todo, os bancos centrais emitiram dinheiro em forma de dívida pública , no valor desses +- US$ 35 Tri. que rendem juros e que terão que ser pagos ao longo de +- 50 anos, e que agem na economia como um superimposto e causam um efeito de arrasto na economia, impedindo a melhoria do padrão de vida média do povo em geral.

 

‘Oposição não admite outro mandato do PT’, afirma Lula, preparando o terreno para a volta

Ana Fernandes
Agência Estado

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou na noite desta sexta-feira, 11, os partidários do PT a iniciar as campanhas de reeleição da presidente Dilma Rousseff e do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha ao governo paulista. “A partir de hoje, a gente coloca no peito e na consciência, que o candidato não é o Padilha, é cada homem e cada mulher aqui”, disse em evento em Araçatuba, no interior de São Paulo.

“Cada vez que a gente faz um ato público, as pessoas têm que sair com uma orientação do que fazer”, disse Lula. E reforçou a orientação para cada um ir “de casa em casa” advogando pelos candidatos petistas. Lula atacou a oposição, dizendo que “eles não admitem mais um mandato do PT na Presidência da República”. Listou itens que considera feitos do PT no governo federal, como o controle da inflação, melhorias na educação, diminuição das filas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre outros.

Defendendo o atual governo de Dilma Rousseff, disse que o “PT é vítima de muitas invenções, de muitas mentiras” e que o País vive um bom momento. Sobre corrupção, afirmou que o PT investiga as suspeitas que surgem, enquanto os outros “jogam para debaixo do tapete”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGVejam bem o cuidado que Lula está tendo ao se pronunciar publicamente. Ele diz que a oposição não admite “mais um mandato do PT na Presidência da República”. Poderia ter falado em “mais um mandato de Dilma”, mas não falou… Tirem suas conclusões. (C.N.)

 

 

O tráfego de veículos, a ministra e as chorumelas do ex-presidente

Acílio Lara Resende

BELO HORIZONTE – Não é só o tráfego de veículos, muito menos os péssimos motoristas que nos extenuam. Deparo-me com eles todo dia, desde o instante em que deixo minha casa em direção ao escritório, no centro da cidade.

E não culpo só o prefeito Marcio Lacerda, que poderia, pelo patrimônio que acumulou como empresário, curtir a vida, em vez de ser objeto de impropérios de toda ordem, provenientes dos que acham que fazer obras numa cidade como a nossa é coisa fácil. Se tivesse que culpar alguém, com a mão pesada de juiz que não transige diante da lei, culparia os inventores dessa política econômica cruel, que prioriza o consumo (de veículos) e deixa em frangalhos a infraestrutura.

Além da idade (que só avança, e contra isso não há remédio), os absurdos que acontecem diariamente neste país também ajudam, substancialmente, nesse estrago (diário) físico e mental. À noite, quando me recolho, apelo aos meus mortos queridos para conciliar o sono. Pode parecer estranho, mas eles me resgatam a tão almejada paz.

DOIS ASSUNTOS

Hoje, leitor, além do frio, dois assuntos me incomodam e me desafiam. O primeiro: a correta decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber sobre a CPI exclusiva da Petrobras. O segundo: as declarações no mínimo levianas do ex-presidente Lula, em Lisboa, à televisão portuguesa RTP, sobre o julgamento do mensalão. Só alguém de má-fé poderia acreditar noutra decisão da ministra. A garantia ao direito das minorias é pedra angular do regime democrático. Se a ministra fosse a favor dos que tentaram inviabilizá-lo, à frente o presidente do Senado, senador Renan Calheiros, preocupado agora muito mais com sua vistosa cabeleira do que com os destinos do país, estaria definitivamente inviabilizado o único regime político que nos permite enxergar no horizonte ainda longínquo um mínimo de esperança.
Na entrevista à televisão portuguesa, eis o que disse Lula: “O mensalão teve praticamente 80% de decisão política e 20% de decisão jurídica. O que eu acho é que não houve mensalão”. Lula foi infeliz e grosseiro ao atingir em cheio o Supremo Tribunal Federal. Foi grosseiro ao interromper a entrevistadora, que se referia ao fato de que há pessoas da sua confiança presas (como o ex-ministro José Dirceu, Delúbio Soares e os ex-deputados José Genoino e João Paulo Cunha), com a frase: “Não se trata de gente da minha confiança”. E arrematou: “Tem companheiro do PT preso. E eu também não vou ficar discutindo a decisão da Suprema Corte. O que eu acho é que essa história vai ser recontada. Esse processo foi um massacre que visava destruir o PT”.

“GENTE DE CONFIANÇA”

Com relação à frase “não se trata de gente da minha confiança”, Lula pode ter sido realmente infeliz e se expressado mal. Embora o ex-presidente tenha sido mal-interpretado por parte da imprensa, não creio que ele desconheça que há, entre os condenados, companheiros da primeira hora no PT. O que de fato merece repúdio, não só do STF, mas dos que defendem o regime democrático, é a crítica verbalizada em outro país do julgamento de um esquema de corrupção organizado pelo seu partido para comprar apoio político no Congresso Nacional, mediante desvio de dinheiro público e empréstimos bancários a partidos. Foi essa a conclusão a que chegou o STF, segundo a totalidade dos seus juízes.

O ministro Marco Aurélio Mello acertou na mosca: o que disse Lula à RTP é, simplesmente, “um troço de louco”. Ou pura chorumela. Ou coisa imprestável, que só depõe contra o ex-presidente.

 

“Delírio sem remédio”

Luiz Tito

Avanço sem rédeas sobre o erário e demais ativos do patrimônio público, no Brasil, virou moda, objetivo comum e universal. Não há dia, não há lugar ou poder do Estado que não se saiba que os cofres públicos foram, com alguma estratégia, assaltados. As formas de se meter a mão são as mais diversas. Favorecimento em licitações, desoneração tributária, criação de dificuldades e pressões para se venderem facilidades, favores administrativos, oferecimento de cargos na administração, compra de votos, de pareceres, de decisões, nepotismo, enfim, a corrupção está instalada como um desejo amplo, quase geral e irrestrito. Virou, como disse Gabriel García Marquez, comentando outra circunstância por igual e socialmente cancerosa, um “delírio sem remédio”.

Muitos desses equívocos que vêm fazendo história e se tornando “direitos adquiridos”, portanto imutáveis pelo Judiciário, são absurdos consagrados na própria Constituição Federal de 1988. Salários dos funcionários do Poder Legislativo em todo país são uma vergonha. A Assembleia de Minas não é exceção. Nas câmaras municipais de todo país, na Câmara dos Deputados e no Senado chegam a ser vergonhosos os dispêndios com folha de pessoal e seu pagamento se acha assegurado muitas vezes pela lei, ou pela interpretação do Judiciário, expresso em liminares nunca revistas.

AUMENTO SALARIAL

Na semana passada, funcionários da municipalidade de Nova Lima, próximo a Belo Horizonte, lotaram a Câmara dos Vereadores da cidade para pressionar a aprovação de um projeto de lei encaminhado pelo ex-prefeito Cassinho, nos últimos dias de presença na cadeira, antes de ter tido seu mandato cassado pelo TRE. O projeto autorizava o aumento – variando entre 12 a 20% – dos vencimentos dos servidores municipais.

Seria justificável se tal aumento compensasse defasagens dos vencimentos, mas o que ficou evidenciado foi a iniciativa do ex-prefeito na tentativa de inviabilizar a próxima administração e a realização de investimentos necessários à cidade. Como o projeto não pôde ser votado por falta de quórum para instalação da sessão e abertura da votação, funcionários presentes no recinto quebraram as instalações do plenário.

O país está sofrendo horizontalmente dessa mesma irresponsabilidade e de forma recorrente. Em troca de apoio político, assistimos todos os dias a iniciativas dos executivos destinadas a facilitar a obtenção de decisões no parlamento, no judiciário, em comissões e até em agências reguladoras, pelas quais paga a sociedade. Trata-se da forma mais imoral de exercício da democracia: a responsabilização de toda sociedade pelas sacanagens, pela imoralidade sem trégua de bandos que se arvoram em donos do patrimônio público. E como é legal, não há como aplacar tais desonestidades.

E se ensaia alguma forma de legítima contestação de tais absurdos, a reação é a quebradeira, o vandalismo, a greve de serviços essenciais como protesto. Tudo isso está passando da hora de ter um basta. Ou é este o Brasil que queremos? (transcrito de O Tempo)

 

Joaquim Barbosa é responsável por vida de Genoino, diz presidente do PT

Ricardo Galhardo
O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – O presidente do PT, Rui Falcão, abriu o 14º Encontro Nacional do PT, que se realiza nesta sexta-feira, 2, com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao presidente da Corte, Joaquim Barbosa. Falcão disse que o partido vai responsabilizar Barbosa publicamente por qualquer problema de saúde do ex-presidente do partido José Genoino, condenado a regime semiaberto a uma pena de 4 anos e 8 meses no processo ao mensalão.

Genoino se apresentou, nessa quinta-feira, à Penitenciária da Papuda, depois que o presidente do STF suspendeu sua prisão domiliciar. Uma junta médica da Universidade de Brasília (UnB) emitiu laudo afirmando não haver risco à saúde do petista caso ele cumpra a pena na prisão. Preso em novembro do ano passado, Genoino ficou menos de uma semana na Papuda. Alegando problemas cardíacos, foi transferido para um hospital em Brasília e depois para prisão domiciliar.

Rui Falcão também disse que o direito do ex-ministro José Dirceu à progressão de pena está sendo desrespeitado por conta de uma decisão monocrática de Barbosa. A filha de Dirceu Joana Saragoça é uma das participantes do encontro, mas não quis comentar o caso. Ela está credenciada pela escola de formação política do PT.

O presidente do STF suspendeu a análise de pedido de Dirceu para trabalhar fora do presídio da Papuda, onde ele também cumpre pena no processo do mensalão. A suspensão ocorreu devido a investigações sobre o uso de um celular por Dirceu no começo do ano. Há suspeitas de que ele teria falado com o secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, James Correia, por celular de dentro da prisão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo diz a genial letra de Na Subida do Morro, de Moreira da Silva e Ribeiro Cunha, que equivocadamente já citei aqui e atribuí a autoria  ao compositor Miguel Gustavo, “vocês não se afobem, que desta vez ele não vai morrer...” (C.N.)

Os efeitos da desordem

Luiz Tito

A preocupação que mais inflama e toma conta das pessoas nos últimos tempos diz respeito às expectativas sobre se vão ou não acontecer manifestações populares durante a Copa. Nem é a Copa em si, nem é a seleção convocada por Felipão, nem o desejo de que o Brasil seja campeão. Também já saíram de cena as reações que negativaram, em meados do ano passado, a inversão das prioridades nos investimentos públicos – que privilegiaram sem medida a reforma ou construção dos estádios de futebol Brasil a fora – em detrimento de projetos estruturantes ou de maior repercussão social, como a ampliação dos serviços de saúde, educação e segurança. Nem tampouco o caos das obras de mobilidade e logística, o atraso na modernização e adequação dos aeroportos, das estradas, vias públicas e transporte de massa. Todos querem saber se ocorrerão manifestações.

A expectativa é tão vaga quanto são as razões das mesmas manifestações. Como imperou nos eventos do gênero sempre o inconformismo íntimo de cada um, sem contornos bem definidos, a expectativa de agora é se ocorrerão protestos. Mas por que tanto se temem manifestações se não se sabe pelo que elas ocorreriam? Como se organizam tais eventos e em nome de que sentimentos? Está aí a questão.

As manifestações do ano passado, derivadas em atos de vandalismo criminoso, em saques a lojas, em destruição de agências bancárias, prédios e equipamentos públicos, avançaram na medida do acontecido pela absoluta inércia dos governos em responder de forma pronta, eficaz e convincente aos apelos levados às ruas.

VAGAS NAS ESCOLAS

O governo federal, os estaduais e muitos municipais não se apresentaram para discutir as reivindicações concretas ou apresentar suas respostas e, assim, diminuir a massa de manobra de tais movimentos, que passaram a contar em seu favor com a aderência de toda sorte de insatisfação. Juntaram-se na mesma trincheira os que entendiam não receberem do Estado a certeza de que haveriam vagas para seus filhos nas escolas.

Problema efetivo de oferta de vagas não se denunciou porque esse não era a demanda concreta; mas também não se ouviu pedir um projeto de educação que viesse promover socialmente crianças e jovens. Se pediram melhores vencimentos para professores ninguém criticou a falta de atratividade do ensino fundamental vigente, a ocupação dos alunos em tempo integral, a precariedade das instalações das escolas, e Minas não é uma exceção nessas mazelas, pelo contrário.

Reclama-se por saúde, mas não se apresentam os que desejam criticar a monetização que compensa com salários os agravos à saúde do trabalhador, em especial. Ninguém faz manifestações contra o trabalho insalubre, contra a poluição de processos de produção, mas luta-se pelo enquadramento de funções no rol daquelas consideradas insalubres para assim serem diferentemente remuneradas. Protestam pela insegurança quase sempre os mesmos que depredam bens públicos e privados, que engrossam o contingente dos que fazem, vendem ou facilitam o consumo de drogas, que saqueiam lojas e que se aproveitam para quebrar e assaltar caixas eletrônicos.

A desordem, a impunidade, o descaso dos governos, em todos os níveis, em fazer cumprir a lei e assim ter condições morais de exigir seu cumprimento está transformando em argumento o incêndio de ônibus, a substituição da palavra pela violência. Sem instituições fortes, sem autoridade, sem o primado da lei, o que nos espera é a barbárie. (transcrito de O Tempo)

Dilma acossada

Murilo Rocha

Dilma nunca foi consenso dentro da base aliada do governo do PT. Em 2010, a resistência a seu nome como sucessora de Lula já era imensa. A ex-ministra de Minas e Energia e chefe da Casa Civil acumulava desafetos por ser considerada àquela época uma pessoa difícil de tratar. Não era de ficar recebendo parlamentares em seu gabinete para ouvir queixas e prometer liberação de recursos – jogo de cena comum na Esplanada dos Ministérios. Mesmo assim, ela foi empurrada goela abaixo dos aliados a pedido do ex-presidente.

Quatro anos depois, a relação de Dilma com a base aliada não mudou. Continua a ser criticada pela dificuldade de fazer política com o Congresso e de fazer afagos em deputados e senadores. Por essa razão seria fácil de entender o fogo amigo de aliados do PT, encabeçando um movimento pelo retorno do ex-presidente Lula como candidato à Presidência.

Mas, agora, há muito mais em jogo. A presidente começa a ser questionada pelos próprios petistas se realmente é a melhor opção para a permanência do partido no poder. Dilma está envolta em uma crise não necessariamente criada por ela, mas pela qual ela está respondendo. Mensalão, Petrobras, inflação, protestos contra a Copa, aparelhamento do Estado são todas heranças de administrações passadas. E nesse quesito, os detratores estão certos: Dilma não é Lula.

ANTIADERÊNCIA

O ex-presidente tinha como uma das grandes virtudes a antiaderência. Nada grudava no petista. Talvez por sua trajetória pessoal e política, pelo seu discurso com forte apelo popular ou simplesmente por seu carisma, Lula, mesmo no auge do mensalão, conseguiu se reeleger e com o processo em andamento ainda emplacou uma candidata inexperiente como sua sucessora.

Dilma já demonstrou não ter essa capacidade. As respostas dadas por seu governo para as crises não agradam ao meio político e muito menos à opinião pública. A afirmação feita ontem pela presidente, garantindo sua candidatura com ou sem partidos aliados, dá a temperatura de como andam as coisas na cozinha do Palácio do Planalto.

Apesar de todas as negativas, a substituição de Dilma por Lula com certeza faz parte das hipóteses discutidas pelo PT neste momento. Legalmente, essa medida poderia ser tomada até 20 dias antes das eleições, mas a dúvida é se não seria tarde demais. Dilma está acossada pela oposição e também pela base, incluindo os próprios petistas. Dependerá muito de sua “teimosia” para manter-se candidata.

Em todas as pesquisas eleitorais realizadas até o momento, mesmo aquelas em que a atual presidente vence em primeiro turno, há um percentual expressivo da população cansado do modo como o Brasil vem sendo governado. Isso não quer dizer necessariamente votos a favor de Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB) – ambos, até agora, pregam apenas reformas superficiais, sem alteração de conteúdo. (transcrito de O Tempo)

Da euforia econômica à decepção

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Muita gente não se deu conta, mas ontem deveria ter sido um dia de comemorações para o país. Há exatos seis anos, o governo do então presidente Lula ostentava um fato histórico: o Brasil deixara de ser considerado uma nação caloteira para se tornar um local seguro ao capital. A Standard & Poor’s (S&P) anunciava a tão sonhada chancela de grau de investimento.

Naquele 30 de abril de 2008, o Brasil acumulava indicadores de darem inveja a muitos países: crescimento médio superior a 4% ao ano, inflação no centro da meta (4,5%), dívida pública em baixa e um ajuste fiscal consistente. Os mais eufóricos alardeavam que, finalmente, o Brasil alcançara o lugar de destaque que merecia no quadro internacional.

Essa euforia durou por mais três anos, mesmo com todo o estrago provocado pelo estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos em setembro de 2008, fato que empurrou o mundo para uma gravíssima crise, cujos efeitos são sentidos até hoje, sobretudo na Europa. A S&P, inclusive, elevou o Brasil para mais um nível do grau de investimento. Foi a glória para o governo.

Contudo, em vez de fazer o dever de casa para continuar merecendo o respeito dos investidores e sendo premiado pelas agências de classificação de risco — independentemente dos erros que cometeram, elas são fundamentais para ditar o movimento de capitais pelo planeta —, o Brasil meteu os pés pelas mãos. Sobretudo no que se refere às contas públicas.

O ajuste fiscal que contribuía para manter a inflação na meta e facilitar o processo de redução da taxa básica de juros (Selic) foi substituído por truques contábeis. O superavit primário passou a ser maquiado de forma descarada, provocando uma onda de desconfiança que derrubou o crescimento do país no governo de Dilma Rousseff para a menor média em duas décadas — 2% ao ano.

De exemplo, o Brasil passou a receber críticas contundentes de economistas de todos os matizes, a ponto de a mesma S&P, que havia chancelado a maior economia da América Latina como porto seguro ao capital, ter reduzido, em março último, a nota brasileira para apenas um degrau acima do que considera nações especulativas.

Em vez de indicar que aprendeu a lição, o governo dá mostras de que não está fazendo nenhum esforço para reverter a desconfiança. Pelas contas do Banco Central, o setor público como um todo registrou, no primeiro trimestre de 2014, superavit primário 16,5% menor que o de igual período do ano anterior. Pior: mesmo economizando R$ 25,6 bilhões para o pagamento de juros da dívida, ficou um rombo de R$ 33 bilhões, deficit quase três vezes maior que o buraco computado entre janeiro e março de 2013. Isso, mesmo com todas as manobras que se tornaram marca registrada do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

 

Vicente Nunes
Correio Braziliense

 

 

Muita gente não se deu conta, mas 30 de abril deveria ter sido um dia de comemorações para o país. Há exatos seis anos, o governo do então presidente Lula ostentava um fato histórico: o Brasil deixara de ser considerado uma nação caloteira para se tornar um local seguro ao capital. A Standard & Poor’s (S&P) anunciava a tão sonhada chancela de grau de investimento.

 

Naquele 30 de abril de 2008, o Brasil acumulava indicadores de darem inveja a muitos países: crescimento médio superior a 4% ao ano, inflação no centro da meta (4,5%), dívida pública em baixa e um ajuste fiscal consistente. Os mais eufóricos alardeavam que, finalmente, o Brasil alcançara o lugar de destaque que merecia no quadro internacional.

 

Essa euforia durou por mais três anos, mesmo com todo o estrago provocado pelo estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos em setembro de 2008, fato que empurrou o mundo para uma gravíssima crise, cujos efeitos são sentidos até hoje, sobretudo na Europa. A S&P, inclusive, elevou o Brasil para mais um nível do grau de investimento. Foi a glória para o governo.

 

Contudo, em vez de fazer o dever de casa para continuar merecendo o respeito dos investidores e sendo premiado pelas agências de classificação de risco — independentemente dos erros que cometeram, elas são fundamentais para ditar o movimento de capitais pelo planeta —, o Brasil meteu os pés pelas mãos. Sobretudo no que se refere às contas públicas.

TRUQUES CONTÁBEIS

 

O ajuste fiscal que contribuía para manter a inflação na meta e facilitar o processo de redução da taxa básica de juros (Selic) foi substituído por truques contábeis. O superavit primário passou a ser maquiado de forma descarada, provocando uma onda de desconfiança que derrubou o crescimento do país no governo de Dilma Rousseff para a menor média em duas décadas — 2% ao ano.

 

De exemplo, o Brasil passou a receber críticas contundentes de economistas de todos os matizes, a ponto de a mesma S&P, que havia chancelado a maior economia da América Latina como porto seguro ao capital, ter reduzido, em março último, a nota brasileira para apenas um degrau acima do que considera nações especulativas.

 

Em vez de indicar que aprendeu a lição, o governo dá mostras de que não está fazendo nenhum esforço para reverter a desconfiança. Pelas contas do Banco Central, o setor público como um todo registrou, no primeiro trimestre de 2014, superavit primário 16,5% menor que o de igual período do ano anterior. Pior: mesmo economizando R$ 25,6 bilhões para o pagamento de juros da dívida, ficou um rombo de R$ 33 bilhões, deficit quase três vezes maior que o buraco computado entre janeiro e março de 2013. Isso, mesmo com todas as manobras que se tornaram marca registrada do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

Aécio Neves está se fortalecendo no Estado do Rio

Raquel Faria
O Tempo
O candidato tucano Aécio Neves está construindo palanques fortíssimos no Estado do Rio. Em Niterói, já ganhou o apoio local de três legendas aliadas de Dilma (PMDB, PP e PSD) e uma em Campos (PPS). Na capital, o tucano vem recebendo adesões de várias celebridades, além de importantes dissidentes de partidos coligados com adversários.
Aécio faz suco de um limão azedo: a pecha de “menino do Rio”, antes negativa, agora virou ponto a favor da sua campanha, marca de identidade e proximidade com o eleitor fluminense.

EM MINAS

Embora o PPS apoie Eduardo Campos, a presidente mineira da legenda, deputada Luzia Ferreira, vem defendendo abertamente o voto em Aécio Neves. Segundo ela, a aliança do seu partido com o PSB vale para o resto do país, mas não para Minas:

“Aqui são outros quinhentos”, diz.