Pimenta da Veiga quer desmascarar o PT em Minas para vencer eleição

Para tentar salvar a candidatura do PSDB e manter o partido por mais quatro anos à frente do governo do Estado, o candidato tucano Pimenta da Veiga admitiu ontem que a tática para os últimos 26 dias de campanha será “mostrar os verdadeiros companheiros” de seu principal adversário, Fernando Pimentel (PT). Além de destacar na televisão a proximidade do petista com o deputado federal e ex-governador Newton Cardoso (PMDB), como mostrou ontem O Tempo, o escândalo da Petrobras também chegará à disputa em Minas e será usado, principalmente na TV, para desgastar a imagem do rival. Do outro lado, Pimentel já mostrou qual será sua estratégia de defesa ao acusar a campanha do PSDB de “fazer baixaria” para ganhar a disputa.

Pimenta justificou o tom ofensivo como uma forma de “politizar” a eleição. “Do mesmo modo que o candidato do PT, que curiosamente não exibe o seu partido, está contestando as nossas ações administrativas sem nenhuma base, vamos agir politicamente, mostrando quais são as suas companhias”, declarou, sem citar nominalmente ninguém.

MENSALÃO 2

O único fato diretamente destacado pelo tucano foi a inclusão da delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que citou em depoimento diversos políticos, incluindo nomes do PT e da base aliada de Dilma Rousseff, nas inserções do partido na TV. O tema tem sido chamado pelo PSDB de “mensalão 2” e já é citado no site da sigla em Minas.

“Vamos ajudar o mineiro a refletir sobre os fatos. Não me lembro de ter visto até hoje uma corrupção mais escandalosa do que a da Petrobras”, criticou. O tom mais incisivo do postulante ao Palácio Tiradentes já é uma resposta ao diagnóstico feito por lideranças do PSDB que avaliaram que a campanha não decolava.

 

Mais um escândalo: Senado confirma que diretores da Petrobras tiveram acesso prévio às perguntas da CPI

Naira Trindade
Correio Braziliense
Após 37 dias de investigação, o consultor legislativo Tiago Ivo Odon entregou nesta quinta-feira (11/9) à Diretoria-Geral do Senado o relatório final da sindicância sobre a troca de perguntas e respostas de integrantes da CPI mista da Petrobras, advogados e diretores da estatal. “A conclusão é direta sobre os indícios de ilícito e a eventual punição aos envolvidos”, afirmou Tiago Ivo ao Correio.
O consultor preferiu não revelar o teor do relatório devido ao sigilo da apuração. A sindicância, no entanto, tem artifícios para iniciar um processo administrativo sobre dois funcionários da Casa envolvidos na denúncia. No início de agosto, a revista Veja denunciou que as perguntas dos parlamentares foram vazadas à presidente da Petrobras, Graça Foster, ao ex-presidente Sérgio Gabrielli e ao ex-diretor Nestor Cerveró antes deles prestarem depoimento na Casa.

Os parlamentares citados na denúncia da revista, o relator da CPI do Senado, José Pimentel (PT-CE) e Delcídio Amaral (PT-MS), não foram investigados pela sindicância. Já os funcionários podem ser punidos com advertência, suspensão, demissão, destituição do cargo ou função.

Pimentel, o relator, escapa incólume

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ inacreditável que o Congresso tenha se corrompido a tal ponto. Dar aos investigados por uma CPI conhecimento prévio sobre as perguntas que lhes serão feitas significa transformar o Congresso num circo sem lona nem trapezistas, em que os corruptos são as grandes atrações e o público faz o papel do palhaço. E o pior é saber que isso só aconteceu por ordem direta de parlamentares da base aliada, especialmente o relator José Pimentel, e nada acontecerá com ele. Os funcionários erraram ao obedecer ao relator, porque só ele sabe as perguntas que serão feitas. Deviam ter denunciado a manobra do relator na época em que aconteceu. Mas cadê coragem? (C.N.)

Nem mesmo o Supremo consegue dobrar o juiz Sergio Moro, um brasileiro de verdade

Se dependesse do juiz Sérgio Moro, não sobrariam corruptos impunes neste país

Naira Trindade e Amanda Almeida
Correio Braziliense

Em resposta aos pedido de acesso à delação premiada à CPI mista da Petrobras e à intenção de interrogar o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa no Congresso, o juiz Sérgio Moro, responsável pela investigação da Operação Lava-Jato, recomendou ao senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) refazer os requerimentos ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Embora os requerimentos aparentem ser legítimos considerando os poderes investigatórios das Comissões Parlamentares de Inquérito, reputo mais apropriado que os requerimentos em questão, tanto de cópia dos eventuais depoimentos, como de requisição da apresentação de Paulo Roberto Costa para depoimento à CPMI, sejam submetidos diretamente ao Supremo Tribunal Federal, especificamente ao ministro Teori Zavascki, prevento para o caso”, redigiu o juiz.

Na decisão enviada às 17h38 desta quarta-feira (10/9), Sérgio Moro lembra que os “referidos depoimentos conteriam supostamente informações sobre crimes praticados por autoridades detentoras de foro privilegiado junto ao Supremo Tribunal Federal”. Ainda na quarta quarta-feira (10/9), após reunião, integrantes da CPI do Congresso decidiram enviar uma petição ao Supremo para obter a autorização a todo o inquérito, inclusive ao depoimento do ex-diretor. Eles já haviam cobrado acesso ao juiz Moro.

Em decisão anterior, Sérgio Moro solicitou “esclarecimentos” em relação ao “abrangente” pedido. “Em atenção ao ofício por meio do qual solicita-se o encaminhamento de ‘todos os documentos decorrentes dos desdobramentos da Operação LavaJato’, para atendimento dos requerimentos 30, 31, 438 e 535/2014, esclareço que a investigação em questão é bastante abrangente. Desse modo, a fim de atender o requerido, solicito a Vossa Excelência melhores esclarecimentos sobre a prova pretendida”, escreveu Sérgio Moro no ofício remetido ao Congresso.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEis um brasileiro de verdade, o juiz federal Sérgio Moro, que dá uma aula magna de Direito a seus interlocutores, mostrando que os políticos e magistrados se julgam todo-poderosos, mas há momentos em que na verdade não podem nada, quando batem de frente contra a letra fria da lei. Todos querem saber o que disse na delação premiada o ex-diretor da Petrobras, especialmente o Planalto, que já tentou através do Ministério da Justiça, da Procuradoria-Geral da República, da Corregedoria-Geral da União, da CPMI do Congresso e da base aliada, mas não conseguiu nada. Agora, o neoministro do Supremo Teori Zavascki determina que o juiz libere as informações ao presidente da CPMI do Congresso, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), da base aliada e fidelíssimo ao Planalto, e o jovem juiz Sérgio Moro simplesmente lhe diz não, porque a legislação não permite. Que Deus o proteja, juiz Sérgio Moro, e a nós não desampare. A Justiça brasileira está podre, mas ainda há juízes em Curitiba… (C.N.)

Planalto enfim identifica o servidor que fez alterações em páginas da Wikipédia

Mariana Haubert
Folha

A comissão de sindicância criada para investigar as alterações feitas em perfis de jornalistas e políticos na Wikipédia, enciclopédia virtual cujos textos podem ser editados de forma anônima, identificou o autor da modificações.

De acordo com nota divulgada pela Casa Civil nesta quinta-feira (11), foi o servidor Luiz Alberto Marques Vieira Filho, que assumiu a autoria das alterações. Ele modificou os artigos sobre os jornalistas Míriam Leitão, colunista de “O Globo”, e Carlos Alberto Sardenberg, da CBN e Rede Globo.

Ele ocupa um cargo efetivo da carreira de finanças e controle e, na época, exercia o cargo de assessor na Secretaria de Relações Institucionais. Atualmente, Vieira Filho ocupa a função de chefe da Assessoria Parlamentar do Ministério do Planejamento, do qual ele já pediu desligamento.

O servidor responderá agora a um processo administrativo disciplinar (PAD), que tem prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30 para ser concluído. O processo pode levar à sua demissão do serviço público.

ENTENDA

As mudanças nos textos dos jornalistas ocorreram em maio de 2013 com o objetivo de criticá-los. Alterações em páginas de políticos também foram feitas no período.

Reportagem de “O Globo”, publicada em 8 de agosto, mostrou que o endereço de IP 200.181.15.10, da Presidência, realizou mudanças nos perfis. O IP foi usado para associar Míriam Leitão ao banqueiro Daniel Dantas, afirmando que a colunista teria feito “a mais corajosa e apaixonada defesa” dele, e para desqualificar suas análises econômicas.

Já em relação a Carlos Alberto Sardenberg, a rede do governo incluiu comentários para atacar o jornalista pelo fato de ele ser irmão do diretor da Febraban (Federação Brasileira dos Brancos), Rubens Sardenberg. “A relação familiar denota um conflito de interesse em sua posição como colunista econômico”, escreveram.

No final de julho, a Folha revelou que esse mesmo endereço de IP foi usado para incluir elogios na página sobre o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo paulista. A página do vice-presidente, Michel Temer (PMDB), também foi alterada, com a retirada de informações.

ERA IMPOSSÍVEL…

Em resposta à época, a Presidência disse não ser possível identificar o autor, uma vez que o IP identificado trata-se de um servidor proxy, ou seja, que atende a vários computadores ao mesmo tempo. A mesma resposta foi dada após a publicação do jornal “O Globo”. Entretanto, especialistas em telecomunicações consultados afirmam que seria possível identificar o autor caso os registros de conexão ainda estivessem guardados.

A comissão de investigação foi criada por ordem da presidente Dilma Rousseff em 11 de agosto e concluiu seus trabalhos nesta quinta-feira (11).

Um país sensível

ALPINO E A POLÍTICA DE COTAS RACIAIS NA EDUCAÇÃO E NO TRABALHO

Sylo Costa

O melhor e maior amigo que tive, falecido há pouco, atendia pelo apelido de Zé Cachorro. É sabido que o cachorro é o melhor amigo do homem. Eu, e todo mundo que o conhecia, amava o Zé. Mais que melhor amigo, era um irmão. Sou padrinho de seus filhos, e, na juventude, quando estudantes, moramos no Grande Hotel, na rua da Bahia, no lugar onde hoje está o Maletta. Outro amigo, este de infância, era chamado de Jegão. Gente com nome ou apelido de bicho conheço às pencas…

De repente, nosso país, tido e havido sempre como um lugar acolhedor e alegre, se transforma numa chatura insuportável. Qualquer ruidozinho vira um auê. O Brasil, antes um país varonil, de povo patriota e fagueiro, de repente parece que mudou de clima e se transformou em terra de gente nervosa, rancorosa, apátrida, fuxiqueira, preguiçosa e, pior, desonesta… Qualquer problemazinho vira caso de polícia, uma frescura só…

Não tenho medo de falar em racismo, transformado em crime hediondo por essa onda de frescura e modismos que assola o país, e que dizem ser consequência da política do politicamente correto, fruto do entendimento dos tais direitos humanos. Não tenho medo de falar de racismo, nem mesmo cuidados ao falar do assunto, porque deve ser o único preconceito que eu tenho certeza que não tenho. Mas a pele do país está tão sensível que por qualquer bobagem a opinião pública se levanta em estado de guerra, enquanto a libertinagem campeia ao comando de alguns órgãos de comunicação. Esse nervosismo é fruto desse tempo de ação exacerbada de pseudossocialistas, padres e pastores de seitas que pululam por todos os lados e até comerciantes que vendem a cura e salvação de almas em suaves prestações mensais livres de impostos.

LIVRE PENSAR

Não existe no mundo nada mais pessoal, subjetivo, que o pensamento humano. O pensar é livre, não existe meios para quem acha que pode proibir o pensamento. Pensar é o que nos faz ser diferentes dos irracionais e do macaco, nosso primo mais próximo na escala evolutiva. São tantas as semelhanças genéticas e comportamentais entre homens e macacos que até assustam. Se querem acabar com a comparação entre homens e macacos, não será com leis demagógicas que conseguirão. Que tal começar acabando com esses preconceitos por meio da educação? Com a educação, penso que ninguém mais se sentirá ofendido por ser chamado de “macaco”, “cachorro”, “burro”, “cavalo” ou “égua”. Mas educação será a última coisa que os poderosos deixarão acontecer neste país, isso enquanto existir gente maliciosa e canalha mandando.

Enquanto fica entretido pela sorte de uma menina que chamou Aranha de “macaco”, o povo curioso nada sabe sobre o infame Decreto 8.243, que cria o Plano Nacional de Participação Social (PNPS) e acaba com nossa incipiente democracia. E para terminar, lembro que no colégio eu era chamado de “branquelo”. Ninguém foi punido, muito menos o colégio.

E a chuva, gente? O “mundo” está seco como língua de papagaio… (transcrito de O Tempo)

 

Banco dos EUA ajudou Youssef a trazer dólares ao Brasil, diz delator

Mario Cesar Carvalho
Folha

O banco americano Merrill Lynch ajudou o doleiro Alberto Youssef a trazer para o Brasil US$ 3,5 milhões que ele tinha nos Estados Unidos por meio de uma operação simulada, segundo depoimento do advogado Carlos Alberto Pereira da Costa. A remessa do dinheiro ocorreu em 2008.

Pereira da Costa é laranja de Youssef em uma empresa no Brasil e em duas nos Estados Unidos e decidiu fazer um acordo de delação premiada –ele diz estar contando o que sabe à Justiça para tentar obter uma pena menor.

O advogado foi preso junto com o doleiro em março deste ano pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, sob acusação de integrar uma quadrilha que teria atuado na lavagem de R$ 10 bilhões.

O banco Merrill Lynch montou uma operação para disfarçar a falta de origem do dinheiro do doleiro, segundo o advogado. Youssef depositou US$ 3,5 milhões no Merrill Lynch em Nova York e o banco abriu uma linha de crédito para uma empresa controlada pelo doleiro, a GFD Investimentos, de acordo com o delator. O valor correspondia a R$ 7 milhões.

O advogado emprestou seu nome para Youssef criar a GFD. Segundo ele, a operação foi sugerida ao doleiro por Júlio Lage, gerente do Merrill Lynch em Nova York, porque o banco não aceitava que o dinheiro simplesmente passasse por uma conta, o que caracterizaria uma operação suspeita e seria investigada por órgãos que atuam contra lavagem de dinheiro.

Lage foi citado nas investigações sobre o mensalão por uma das secretárias do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. Segundo Fernanda Karina, Valério tinha contatos frequentes com o gerente do banco.

O Merrill Lynch foi vendido ao Bank of America em setembro de 2008, no auge da crise financeira que abalou os mercados globais, porque corria o risco de quebrar.

PROPINA NA PETROS

O advogado também contou que o fundo de pensão da Petrobras, o Petros, investiu R$ 13 milhões numa empresa que era controlada pelo deputado José Janene (PP-PR), que morreu em 2010, depois que dois diretores da entidade receberam propina. Pereira da Costa citou só um dos beneficiados pelo suborno, Humberto Pires.

A empresa que recebeu o recurso do fundo de pensão é a Indústria Metais do Vale, que fica em Barra Mansa (RJ). A propina saiu do valor investido pelo Petros, segundo Pereira da Costa.

Ainda de acordo com o delator, as empreiteiras Mendes Junior e Engevix contrataram a GFD para prestar serviços de consultoria que a empresa do doleiro não tinha condições de prestar. “Era uma forma de justificar o ingresso de recurso na empresa. A GFD não prestava esse serviço.

O advogado diz ainda que “vários deputados” passavam pelo escritório de Youssef para pegar dinheiro. “Ele [Youssef] ficava no fundo do escritório. Entravam pessoas com dinheiro e saíam pessoas com dinheiro. Era um banco de lavagem de dinheiro”.

Quando Pereira da Costa começou a falar sobre parlamentares, o juiz federal Sergio Moro disse: “O senhor não precisa entrar em detalhes”. Parlamentares gozam de foro privilegiado e só podem ser investigados pelo Supremo.

OUTRO LADO

O Bank of America, que comprou o Merrill Lynch, diz que não comenta a acusação por desconhecer o assunto.

O Petros diz que não teve acesso à investigação e por isso não pode se pronunciar.

A Mendes Junior diz que todos os seus contratos seguem as “normas legais”. As outras empresas não se pronunciaram sobre as acusações.

Senador Rodrigo Rollemberg venceria Arruda no  2º turno em Brasília

Rollemberg tem muita chance

José Carlos Werneck

Pesquisa feita nos dias 8 e 9 de setembro, em que foram ouvidos 765 eleitores, foi divulgada hoje pelo Datafolha mostrando novo cenário na disputa pelo governo do Distrito Federal.O levantamento mostra que José Roberto Arruda,do PR, continua liderando com 37% das intenções de voto. Mas a grande mudança é que o senador Rodrigo Rollemberg, candidato do PSB de Marina Silva, em uma disputa de 2º turno contra Arruda, seria o vencedor. Ele teria 43%, enquanto o ex-governador 42%. Em uma eventual disputa contra Agnelo Queiroz, Arruda seria eleito com 49%, enquanto o atual governador teria 30%. Foi o seguinte o desempenho dos candidatos:

PRIMEIRO TURNO

José Roberto Arruda (PR) 37%, Agnelo Queiroz (PT) 19%, Rodrigo Rollemberg (PSB) 18%, Toninho do PSOL (PSOL) 4%, Luiz Pitiman (PSDB) 4%, Perci Marrara (PCO) 0%, Branco/nulo 8%, Não sabe/não respondeu 10%

SEGUNDO TURNO

Rodrigo Rollemberg (PSB) 43%, José Roberto Arruda (PRT) 42%, Branco/nulo 10%, Não sabe/não respondeu 6%.

José Roberto Arruda (PR) 49%, Agnelo Queiroz (PT): 30%, Branco/nulo 15%, Não sabe/não respondeu 6%.

A margem de erro é de 4% para mais ou menos e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado sob os seguintes números:no TSE 00584/2014 e no TRE: DF 00040/2014

 

 

 

As dez coisas que me assustam em um segundo mandato do governo atual

Mansueto Almeida

Há dez coisas que me assustam muito em um segundo governo Dilma. Isso não necessariamente acontecerá, mas os dez pontos que destaco abaixo estão presentes em declarações de simpatizantes do governo e, às vezes, até mesmo em declarações da própria presidenta Dilma. Nesta lista não há nada pessoal. É um debate de ideias.

(1) Controle do Banco Central

O governo parece confundir independência do Banco Central – formal ou operacional – com o controle dos banqueiros da economia brasileira. Essa é a visão divulgada em uma propaganda política da coligação da presidenta, o que nos leva a crer que, em um novo governo, a presidenta e o seu partido tentarão controlar ainda mais o Banco Central. Vale lembrar que, neste governo,  a inflação só passou a ser levada a sério quando Ana Maria Braga vestiu um colar de tomates.

(2) Aumento da Divida Bruta e Liquida

Por mais que se tente explicar, simpatizantes do governo acreditam que, quanto maior a divida para financiar a juros subsidiados um conjunto de empresas, melhor. E o custo? para eles, há uma espécie de “milagre da multiplicação dos pães”.  O aumento da divida aumenta o investimento e, logo, ocasiona mais crescimento  e mais impostos que, necessariamente, serão suficientes para pagar o crescimento da dívida. Mas não fizemos exatamente isso na década de 70?  Logo, a solução para o crescimento não é aumento da produtividade, mas o crescimento cada vez maior da dívida. Como diz um amigo meu no governo quando questiono o crescimento da dívida: “como vamos financiar o crescimento da produtividade?”. Ou seja, tudo passa pelo aumento da dívida até mesmo o crescimento da produtividade.

(3) Inflação alta

O governo atual e seus simpatizantes não acreditam que uma taxa de inflação um pouco acima de 6% ao ano seja um problema. Na verdade, acreditam que é um índice bom porque é menor que 10% ao mês. Acreditam também que trazer a inflação para o centro da meta tem um custo muito grande e, assim, é melhor aceitar uma inflação moderadamente elevada de 6% ao ano (mesmo com controle de preços) e criticar quem promete trazer a inflação para o centro da meta. Por que isso mudaria em um segundo governo Dilma? Não tenho ideia.

(4) Superávit primário baixo

O governo atual parece acreditar que o esforço de gerar um superávit primário sem o uso de truques fiscais é excessivamente alto. Por quatro anos, o governo tentou enganar o mercado na divulgação do superávit primário, mas o tiro saiu pela culatra. Estamos na iminência de perder o grau de investimento e, mesmo que o governo mude a equipe econômica, a desconfiança do mercado é tão grande que o custo de ajuste em um segundo governo Dilma será maior do que em um governo da oposição – seja o presidente Aécio Neves ou Marina Silva.

(5)  Taxas de juros elevada.

Um país com poupança baixa, no qual a tendência da divida bruta e liquida é de crescimento, a taxa de juros tende a ser elevada. Isso será agravado por sucessivas tentativas de tentar controlar a taxa de juros de qualquer maneira, como o governo já tentou no mandato atual e fracassou. Claro que se os EUA elevarem a taxa de juros deles, teremos problemas.

(6) Estagnação ou queda da produtividade.

Em recente entrevista ao Estado de São Paulo, a presidenta Dilma afirmou que foi no governo Lula (2003-2010) que a produtividade cresceu e não no governo do ex-presidente FHC (1995-2002). Ou seja, na interpretação da nossa presidenta, o crescimento da produtividade responde sem defasagem à políticas do presente. Ou seja, todas as reformas anteriores ao governo Lula foram um fracasso. O problema é que ninguém acredita nessa ideia absurda. Nem mesmo os seus ministros. O governo tem a noção infantil que consegue aumentar a produtividade se reunindo com 50 empresários em uma sala fechada  e distribuindo incentivos setoriais. Não deu certo e não funcionará novamente.

(7) Controle da taxa interna de retorno dos projetos.

Alguns amigos me falam que o governo aprendeu com a tentativa fracassada de tentar controlar a taxa interna de retorno dos projetos. Mas acho que esse aprendizado foi parcial. O governo continua insistindo no aumento do crédito subsidiado, financiamento de fundos de pensão de estatais e aportes do FI-FGTS em troca de preços (tarifas) menores. Por que em um segundo governo será diferente? não será.

(8) Pré Sal e valorização da taxa de câmbio.

O governo atual fala para quem quiser ouvir e para quem não quiser ouvir que os recursos do pré sal serão utilizados para financiar maiores gastos com educação e outros gastos meritórios. Não explica, no entanto, que o uso de uma receita em dólar para financiar um  gasto corrente na moeda local significa valorização do Real e, logo, o risco maior de desindustrialização. Como isso será solucionado? não será porque eles não conseguem enxergar o problema. Samuel Pessoa já falou que topa dá uma aula de graça.

(9) Aumento da carga tributária

O governo tem dito nesta campanha eleitoral que  continuará a expandir os subsídios para financiar o setor “real” da economia. Como ainda não pagou o que já deu e ainda promete novos subsídios, isso significa uma coisa: aumento da carga tributária hoje ou no futuro (para pagar a dívida). Tenho certeza que um segundo governo Dilma vai tentar ressuscitar a CPMF. Mas isso não preocupa simpatizantes do governo porque eles acreditam, como falei acima, no “milagre da multiplicação dos pães”.

(10) Sindrome de He Man: “Eu tenho a força. Sou invencível. Juntos, amigos, venceremos a semente do mal”

O governo parece acreditar que consegue controlar o espírito animal dos empresários e escolher os setores que puxarão o crescimento. Qualquer empecilho é solucionado em uma reunião rápida no Palácio do Planalto. Se faltar recursos para obras de investimento, o Tesouro aumenta a divida e empresta para o BNDES. Se a indústria estiver com problemas, governo aumenta imposto de importação. O governo tem feito isso de forma sistemática nos últimos anos. Por que em um segundo mandato seria diferente? O governo acha que consegue microgerenciar a economia e não adianta tentar convence-lo do contrário porque, neste caso, você será a “semente do mal” da música do He Man (junto com os banqueiros e a grande imprensa).

Pelos dez motivos acima não voto no atual governo e acho que um segundo mandato tem tudo para ser desastroso. Mas posso estar errado por dois motivos. Primeiro, o governo pode ser forçado a mudar o curso da política econômica na iminência de uma crise. Segundo, o governo pode mudar porque se convenceu que o que fez ao longo dos últimos quatro anos não entregou o resultado esperado. Mas não é isso que representantes do governo falam e continuam culpando o resto do mundo pelas nossas mazelas.

PS: Por favor, respeitem o meu medo como eu respeito aqueles que acham que, com a independência do Banco Central, a comida das pessoas sairá voando da mesa de jantar.

 

 

Aristocracia à brasileira?

Gaudêncio Torquato

Governar com os melhores quadros. Na floresta política dominada pelas árvores dos ismos – patrimonialismo, mandonismo, caciquismo, nepotismo, grupismo, fisiologismo – e devastada pelo fogo da corrupção que consome parcela das nossas riquezas, a ideia de convocar uma casta de notáveis para o desafiante empreendimento de governar o país até parece medida simpática.

Poucos haverão de levantar a voz contra tão eloquente demonstração de civismo. Pressupõe-se que os “melhores” a serem chamados para as tarefas governativas integrarão uma plêiade de sábios, cultores da moral e da ética, experientes, espelhos de uma vida regrada de bons exemplos. Onde estariam esses luminares? Em partidos políticos, nas organizações sociais, no universo produtivo, enfim, nos mais diferentes ambientes da vida nacional. Esse é um compromisso de Marina Silva, caso seja vitoriosa no pleito de outubro.

Seria viável reunir um núcleo de dirigentes com essa diferenciada qualificação sem afetar as instituições nacionais e manter o equilíbrio do triângulo do poder, que, convenhamos, tem sido submetido nos últimos tempos a tantas tensões? Uma reflexão se faz necessária.

SINCERIDADE

Primeiro, vale reconhecer que não se pode acusá-la de fazer promessa eleitoreira, com interesse em tirar proveito da tese que a insere numa posição apartidária independente, sob a aplaudida intenção de procurar os melhores e tomar distância dos piores. Ao recorrer à ideia com frequência, reforça a impressão de sinceridade. A ex-seringueira acreana chega a denominar perfis, jogando uns no fogo do inferno (os identificados com a velha política) e glorificando outros com hosanas celestiais (os aparentados com a nova política).

Um “governo dos melhores”, como se sabe, constitui uma das três formas clássicas de governar, sendo a primeira a aristocracia, a que confere o poder às mãos dos “áristoi”, os melhores; as outras formas são a monarquia (“monos”, único, e “arché”, comando) e a democracia (“kratos” e “demos”, poder do povo).

Esses tipos puros conduzem, na visão do filósofo Políbio, que se inspirou na República, de Platão, e na Política, de Aristóteles, a três tipos corrompidos – tirania, oligarquia e demagogia –, sistemas que têm povoado a história ao longo dos tempos. No caso brasileiro, não é novidade a pletora de oligarcas que fincam pé nos vãos da República desde sua origem.

VIRTUDES

Ao se comprometer a governar com os melhores, Marina mostra a intenção de resgatar as virtudes da sabedoria, da integridade e do conhecimento, inerentes ao original termo “aristocracia” na república ideal desenhada por Platão. Ora, pinçar quadros perfeitos, sábios, possuidores da verdade, íntegros, dentro de uma cultura política permeada por mazelas históricas, parece missão impossível. Afinal, as (poucas) figuras denominadas, caso aceitem a missão oferecida por uma mandatária-mor com intenção de recriar uma “aristocracia brasileira” (não se entenda isso de maneira pejorativa), seriam aprovadas pelos partidos que as abrigam? (transcrito de O Tempo)

 

Moacir Félix e suas divagações poéticas

O editor, escritor e poeta carioca Moacyr Félix de Oliveira (1926-2005) pergunta “Por Que” a poesia é tempo ao invés de soma.

POR QUE

Moacyr Félix

Por que a poesia nunca está na soma
e sim no tempo que é maior que o tempo
da vida medida entre doze números,
o poeta está solto por dentro dos relógios
e movimenta ponteiros que ninguém vê e onde
o incomensurável brinca
com os raios de sol ou as finas gotas de chuva
sobre o passar das árvores e dos animais e dos homens.

O poeta está livre por dentro dos relógios
e o seu coração ali bate e bate e bate
lado a lado com todas as engrenagens do mundo.
O mistério, no entanto, é o jardineiro do seu sangue
exilado entre palavras que nunca foram proferidas.

Por que a poesia nunca está na soma
o poema tem um tempo próprio e voa
nas raízes do canto em que se asila
o silêncio ou a mais funda esperança
do primeiro homem que sonhou
pendurar uma estrela-d’alva nos roteiros
da infinita sombra em que as horas decidem
nascimento e morte no tempo do homem.

Por que a poesia nunca está na soma
o poeta está livre por dentro dos relógios.
Assim como o morto em suas memórias.

       (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Dilma luta para desconstruir Marina

Fernando Rodrigues
Folha

Está em curso uma investida feroz de Dilma Rousseff contra sua principal adversária na corrida presidencial, Marina Silva.

Nos últimos dias, Marina foi comparada a Jânio Quadros e a Fernando Collor, ex-presidentes que fracassaram sem apoio do Congresso. Ontem (9), num comercial de 30 segundos, Dilma afirmou que uma administração marinista entregará o comando do Banco Central aos banqueiros –enquanto uma imagem mostrava pessoas ficando sem ter o que comer.

Nessa guerra na TV, Dilma parece não se importar em vestir um figurino de “esquerda de museu”. A propaganda petista lembra o maniqueísmo das passeatas dos anos 70 e 80, quando tudo era “culpa do FMI”. Agora, o reducionismo dilmista sugere que é tudo culpa dos bancos.

Há duas formas, não excludentes entre si, de interpretar esses comerciais. Uma delas é notar o exagero e o cinismo. Não é necessário ser historiador político para enxergar diferenças entre Marina e Collor. Ou lembrar quem foi o chefe do Banco Central durante o governo Lula –não era ninguém descido do paraíso, mas sim Henrique Meirelles, um ex-presidente do BankBoston.

Uma outra interpretação para os comerciais de Dilma deve ser do ponto de vista da eficácia eleitoral. Preparados pelo marqueteiro João Santana, os filmes são testados previamente com grupos de eleitores. Não são peças para explicar como seria um segundo governo dilmista. A missão é apenas ganhar a disputa.

A presidente já percebeu que só vencerá se destruir as chances de Marina. É o marketing a serviço da eleição. Em menos de dez dias, Dilma sapecou em Marina a pecha de ser frágil como Fernando Collor e cruel o suficiente para entregar “um poder que é do presidente e do Congresso” para os terríveis (sic) banqueiros.

A imagem de Marina está sendo desossada. O curioso é que sua reação até agora parece tímida para quem deseja estancar o processo

Morte, vida e corrupção

Pedro Ricardo Maximino
Schumacher volta para casa, ninguém sabe em que estado. Sorte e maravilha médica ou desistência?
Morre Botin, representante de sua dinastia, presidente do maior banco da zona do euro e com forte presença na América Latina. Tão itaulizada quanto o Hulk, a verde da rede também é confiança para rentistas e banqueiros.

Parecia que o “galho de Arruda” não lhe daria sorte no judiciário, mas Benditos divergiram de Bonaparte LivraMaia (seria mais honroso perder para o Romário do que ser zoado pelo Cabral) e o abafamento ficou para o eleitoral, com o nome apertado no pântano, com o pedido à vista de prazo com juros altos na boca do sapo. E seguem a vergonha e o oxímoro do povo brasileiro, com governantes mais fichas limpas do que pau de galinheiro.

Pesquisadores e “empresários”, inclusive comunicativos e religiosos, aproveitam a oportunidade de chantagem e dizem em sua pregação que podem reerguer os postes ídolos e reeeeeleger os adorados baalins. Os sacrifícios com nossos recursos e nossa submissão colonialista já vêm sendo feitos há anos nesse sentido.
Iraque, sodomizado e vietnamizado pela genialidade embushada (“american idiot”) com muito galho dentro da comunidade internacional, ainda em reforma to John “Carry on”. Green days, onda verde tem nome de esperança na rede, legião, titãs (encaretados há mais de uma década) e U2 (cantando a inocência), Obama não precisa de autorização do congresso para atacar o jihadista Estado Islâmico. Já a irmandade sobrevive no Egito, apesar do massacre decapitante capitaneado por “Sissi Morre de Amor”, troca-troca fruto de uma primavera farsante.
Scotland quer desfazer a ligadura de trompas para o segundo filho, desalinhamento afasta Londres de Edimburgo. E a história segue.

Cerveró aceita fazer acareação em CPI mista com delator

Ricardo Brito e Daiene Cardoso
Estadão

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró afirmou nesta quarta-feira que aceita a fazer uma acareação na CPI mista da estatal com o também ex-diretor de Abastecimento da companhia Paulo Roberto Costa. Durante participação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras ele afirmou não ter nada para esconder após sugestão apresentada pelo deputado Enio Bacci (PDT-RS)

Após tecer uma série de considerações sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), o parlamentar gaúcho afirmou que “alguém não está dizendo a verdade”. Cerveró saiu em defesa da operação e rebateu a alegação do Tribunal de Contas da União (TCU) de que a operação causou prejuízo. Reportagem da revista VEJA deste final de semana menciona que a compra de Pasadena teria sido fraudulenta e serviu para abastecer o suposto esquema de pagamento de propina a políticos.

“Desconheço qualquer tipo de participação”, respondeu Cerveró, quando questionado sobre desvio em negócios na estatal. Ele também disse que não conhece nenhuma organização criminosa na estatal. “Nunca ouvi falar de organização criminosa na Petrobras”, declarou.

Cerveró também evitou comentar as declaração da presidente Dilma Rousseff sobre as denúncias na empresa. Em sabatina do jornal O Estado de S.Paulo, Dilma definiu como “estarrecedor” o fato de haver um esquema criminoso com a participação de funcionários de carreira da estatal. Dilma disse que se houve “sangria” na Petrobras, ela já foi estancada.

Parlamentares da oposição criticaram o desconhecimento da presidente da República durante o depoimento de Cerveró, mas o ex-diretor relutou em comentar a entrevista de Dilma. “Isso é uma afirmação dela”, disse.

Cerveró também evitou chamar o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, de criminoso, como fizeram alguns membros da comissão. “O Paulo não foi julgado ainda”, afirmou.

ONU enfim descobre que Justiça brasileira é ineficiente e autoritária

Jamil Chade
Estadão

GENEBRA – A Organização das Nações Unidas (ONU) apontou que o Brasil ainda vive “uma cultura autoritária” e denunciou o excesso de pessoas mantidas em prisões, sem que sequer tenham sido julgadas.

As conclusões são do Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária, que nesta quarta-feira, 10, em Genebra apresentou seu informe sobre a situação no País. “O Grupo de Trabalho (da ONU) reconhece que as autoridades brasileiras estão confrontando uma cultura autoritária, o legado do colonialismo e dos 21 anos de ditadura militar.”

No informe, a ONU apontou que quase metade da população carcerária no País não foi julgada e que as prisões contam com quase 200 mil detentos a mais do que sua capacidade. A ONU ainda acusou o sistema judiciário de “ineficiente” e alertou para a “superlotação endêmica” das prisões brasileiras.

“O Brasil tem uma das maiores populações carcerárias do mundo e mais de 217 mil pessoas ainda aguardam julgamento”, alertou na plenária da ONU o perito Mads Andenas, chefe do grupo da ONU.

ITAMARATY SE DEFENDE

O governo brasileiro contra-atacou imediatamente, argumentou que a entidade fez “generalizações inapropriadas” e que as fontes das informações não foram reveladas pelos peritos da ONU em seu informe.

Brasília rejeitou a avaliação dos peritos de que existe uma “cultura autoritária” no País. “O Brasil é uma democracia plural e participativa”, declarou a embaixadora do Brasil, Regina Dunlop.

Regina apontou que os desafios identificados no informe “já são reconhecidos” pelo governo. Segundo ela, é “lamentável” o fato de os peritos não levarem em conta os comentários enviados por Brasília quando o informe ainda estava sendo feito.

Ela atacou as “generalizações” em relação ao Judiciário e apontou que o orçamento seria de US$ 57 bilhões em 2012. O governo também saiu em defesa da Polícia Federal e afirmou ser “incorreta” a informação de que a detenção de indígenas aumentou em 33% ao ano – o porcentual seria de 13%.

O Itamaraty também criticou comentários da ONU de que a hospitalização de usuários de drogas seria algo comum. “Os números mencionados no informe não têm fundamentos”, declarou Regina.

O governo ainda criticou o fato de a ONU ter tratado da prisão de pessoas mentalmente descapacitadas, alegando que os peritos não visitaram as unidades.

SEM JULGAMENTO…

Mas a ONU tem uma posição diferente. Com um sistema judicial lento, a entidade alertou que o Brasil se depara com uma situação pouco confortável. O país tem a quarta maior população carcerária do mundo. Mas 44% dos detentos ainda aguardam julgamento, cerca de 217 mil pessoas.

Os peritos da ONU acusaram diretamente o sistema Judicial no Brasil pela situação. Segundo o informe, uma parte desses prisioneiros podem esperar “meses e até anos” para serem julgados. “Durante esse período, os detentos frequentemente nem sabem o status de seu caso”, alertou.

“A presunção de inocência que consta da Constituição parece que na prática foi abandonada por juízes”, declarou o informe da ONU. Para a entidade, o “número elevado de detentos em prisões sem um julgamento pode ser a consequência da falta da habilidade do sistema judiciário em processar os casos de forma eficiente”.

A ONU também denunciou a superlotação das prisões. Segundo a entidade, existem hoje no Brasil quatro prisões federais e 1,1 mil estaduais. Mas, se a capacidade é para 355 mil detentos, o que se vê é a presença oficial de 549 mil.

Ex-diretor da Petrobras diz que Paulo Roberto Costa é um bandido que exerceu cargo de gerência por 30 anos

Guilherme Estrella fala a uma plateia de petroleiros

Fernanda Nunes
Estadão

Diante de uma plateia de petroleiros no Rio de Janeiro, o ex-diretor da área de Exploração e Produção da Petrobrás Guilherme Estrella se posicionou nesta quarta-feira, 10, pela primeira vez sobre as denúncias de corrupção na estatal, que já levaram à prisão do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa. “É um bandido que exerceu por 30 anos cargo de gerência”, disse. “Nas famílias ou mesmo nas instituições religiosas, tem gente boa e gente ruim. O Paulo Roberto é um bandido, que foi denunciado por este governo.”

Em tom de desabafo, Estrella afirmou que o esquema de corrupção investigado na Petrobrás não teve origem no governo comando pelo PT e defendeu a reeleição da presidente Dilma Rousseff para o crescimento do investimento no setor de petróleo. “Vocês estão pensando que roubalheira na Petrobrás só aconteceu nesse governo?”, questionou à plateia do seminário Modelo Energético Brasileiro.

Sobre o caso da refinaria Pasadena, cuja compra por cerca de US$ 1,2 bilhão é investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e motivou a criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) no Congresso, Estrella repetiu o argumento da presidente Dilma Rousseff, de que o resumo técnico apresentado para balizar a compra da refinaria era falho.

CLÁUSULAS

Segundo ele, não foi dada “ênfase” nas cláusulas de put option (que obrigou a compra dos 50% de participação da Astra Oil pela Petrobras, em caso de desavença entre as sócias) e Marlim (que previa rentabilidade mínima de 6,9% à Astra) e que, de acordo o TCU, causaram prejuízos à estatal.

Assim como Dilma, que presidia o conselho de administração da estatal, Estrella não negou a existência das duas cláusulas no parecer jurídico sobre as condições do contrato entre as duas empresas. Sem citar o nome do então diretor da área Internacional, Nestor Cerveró, responsável pelo projeto, ressaltou, contudo, que faltou “ênfase” na apresentação das condições do negócio.

Para Estrella, da forma como foi apresentado o projeto, ele se enquadrava adequadamente ao plano estratégico da companhia de ampliar a produção de óleo diesel, em um momento em que o consumo do combustível crescia na mesma proporção em que a economia se desenvolvia. A escolha por adquirir a refinaria nos Estados Unidos teve ainda, segundo ele, o propósito de tornar mais rentável os negócios no exterior, já que, em vez de exportar a matéria-prima, o petróleo bruto e pesado, de pior qualidade que o brent do Golfo do México, a companhia escolheu utilizar o óleo para produzir combustível, com mais possibilidade de retorno financeiro, sobretudo no país que é o maior consumidor mundial.

FUTURO

Por cerca de quatro horas de evento, Estrella foi o centro dos questionamentos sobre o futuro da Petrobrás e do pré-sal com uma possível mudança na política brasileira, caso a candidata pelo PSB à presidência da República, Marina Silva, seja eleita. Filiado ao PT e funcionário de carreira da estatal por quase 50 anos, Estrella enfatizou por todo o tempo a necessidade de manter a atual presidente Dilma Rousseff no cargo para o desenvolvimento do setor petróleo no País.

A opinião do ex-diretor é que, apesar da crise econômica mundial de 2008 ter “atropelado” o crescimento do Brasil, o PT, desde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva trouxe soberania à Petrobrás, em contraposição ao que ele enxerga como tendo sido o plano do PSDB, na época de Fernando Henrique Cardoso, de restringir em 40% a participação da Petrobrás nas operações de exploração e produção de petróleo e gás.

Após perder no STJ, aliados começam a pressionar Arruda para que renuncie

José Carlos Werneck

Os aliados de José Roberto Arruda correm contra o tempo para decidir se escolhem outro candidato ou se aguardam uma decisão do Supremo Tribunal Federal. Seus advogados acreditam que os julgamentos nos Tribunais Superiores poderão ser favoráveis à candidatura.

O candidato e seus correligionários têm cinco dias para decidir se ele continua na  campanha ou se vai ser escolhido outro nome para disputar o governo. Ontem, Arruda teve negado um recurso contra sua candidatura. Por três votos a um, o Superior Tribunal de Justiça negou recurso de seus advogados para suspender uma condenação por improbidade administrativa. A defesa entendia que o juiz Álvaro Ciarlini, responsável pela condenação de Arruda em primeira instância, seria suspeito para julgar processos da chamada “Operação Caixa de Pandora”. Havia o risco de empate no STJ, já que só quatro magistrados estavam presentes para decidir caso, mas o placar foi 3 x 1 contra Arruda.

Ontem, também após pedido de vista pelo ministro Gilmar Mendes, o Tribunal Superior Eleitoral adiou a análise de recurso contra a impugnação do candidato do PR, aumentando o clima de incerteza de seus aliados.

Eles  não acreditam que  Arruda possa sair vitorioso em todos os processos até o próximo dia 15, prazo final para substituição do candidato. Ele diz que “vai até o fim”garantindo que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal para continuar na disputa.  Mas  seus aliados  temem um desgaste para a coligação que o apoia.

Entre os  possíveis substitutos de Arruda estão seu candidato a vice, Jofran Frejat, também do PR, o candidato à reeleição, senador Gim Argello do PTB, o ex-deputado federal Alberto Fraga, do DEM, e até mesmo a mulher de Arruda, Flávia Peres. E no último fim de semana, o ex-governador Joaquim Roriz do PRTB colaborou com a polêmica afirmando, em seu primeiro pronunciamento público desde 2010, que sua filha Liliane Roriz, filiada ao PRTB, está “pronta para ser governadora”.

Ex-diretor da Petrobras movimentou R$ 36,92 milhões entre 2005 e 2014

Fernanda Odilla e Filipe Coutinho
Folha

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa movimentou R$ 36,92 milhões entre janeiro de 2005 e maio de 2014, segundo cálculos feitos por integrantes da CPI, em sete contas bancárias. Os integrantes da comissão vão analisar se o montante é compatível com a renda do ex-diretor.

Segundo a Folha apurou, como dirigente da estatal, ele recebia remuneração anual média de um pouco mais de R$ 1 milhão incluindo salário e participação nos lucros. Em 2012, ele deixou a estatal para montar uma empresa de consultoria.

Também no período saíram dessas contas R$ 35,94 milhões, de acordo com a tabulação feita por integrantes da CPI.

Paulo Roberto Costa está preso sob suspeita de participar de um megaesquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas comandado por doleiros. Costa firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal e, até o momento, já indicou o nome de senadores, deputados federais e até o de um ministro que teriam se beneficiado desse esquema.

A quebra de sigilo do ex-diretor da Petrobras, aprovada pela CPI e em análise por deputados e senadores, indica também uma movimentação milionária por parte da empresa de Costa.

Por meio da empresa de consultoria Costa Global, o ex-diretor da Petrobras recebeu R$ 9,4 milhões desde setembro de 2012, incluindo valores de empresas que atuam em projetos da estatal. As operações de débito representam R$ 9,8 milhões, muitas delas para a conta pessoal de Paulo Roberto Costa.

No final da noite desta terça-feira, a Folha tentou, sem sucesso, contato com o escritório de advocacia que defende Costa

Vaccarezza, deputado do PT, lança mais uma “nota oficial” contra as acusações da Veja

Deputado Cãndido Vaccarezza: “O vazamento é ilegal e seletivo”

Andre Shalders
Correio Braziliense
Em coletiva de imprensa no começo da tarde desta quarta feira (10/9), o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) negou ter recebido dinheiro do ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Vaccarezza teria sido um dos citados por Paulo Roberto Costa em depoimento à Polícia Federal, no processo de delação premiada tentado pelo ex-diretor.

“A notícia não cita a(s) fonte(s) de um vazamento que, além de ilegal, é feito, declaradamente, de forma seletiva, já que, entre dezenas de deputados que teriam sido envolvidos, o meu nome foi destacado”, diz ainda um trecho da nota emitida pelo deputado. Vaccarezza é candidato a um terceiro mandato consecutivo como deputado federal.

“Nunca recebi dinheiro do senhor Paulo Roberto. Então, se alguém está assombrado, esse alguém não sou eu. E não acho correto as pessoas divulgarem isso a três semanas das eleições, fazendo ilações sem ter provas”, disse ele.

Além de Vacarezza, também apareceriam também os nomes dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor (PTB-AL), além do presidente do Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Ao todo, 25 parlamentares fariam parte do esquema de pagamento de propinas, segundo depoimento de Paulo Roberto Costa.

Tags: lava-jato