O programa Mais Médicos e a progressiva decadência do SUS

Isac Mariano

O programa “Mais Médicos”, que é na verdade o “Mais Médicos Cubanos”, conforme disse brilhantemente o Dr. Ives Gandra, é talvez um dos maiores crimes do governo Dilma Rousseff. Crime contra a saúde da população, contra a classe médica brasileira, contra as nossas leis trabalhistas, e também contra as finanças públicas.

O governo vem permitindo o sucateamento contínuo do SUS. Se as unidades públicas de saúde das maiores capitais já estão destruídas e caóticas, imaginem só como estão aquelas das localidades mais longínquas. No entanto Dilma decidiu mandar para lá os médicos cubanos, que pouco conseguirão fazer, a não ser iludir aquelas populações, bem como assistir a inúmeras mortes.

Os desrespeitos aos médicos brasileiros – praticados pelo SUS – também não param de aumentar. Cada vez o sistema lhes oferece piores condições de trabalho. E os salários também se tornam piores, com o passar dos anos. Não há carreira de Estado, planos de cargos e salários, tampouco quaisquer valorizações profissionais. Assim centenas de excelentes profissionais deixam anualmente o SUS, levando consigo sensações de desapontamento e tristeza, pois sabem que farão falta para aquele povo sofrido que precisa do sistema público de saúde.

Eu também fico assustado com a omissão do Ministério Público do Trabalho perante a forma de contratação dos médicos cubanos. Parto do princípio que eles são “médicos de verdade”. Nem quero imaginar o contrário! Sendo assim, como podem permitir que eles trabalhem sob condições análogas à escravidão?

Afinal não receberão o salário integral em suas mãos, conforme TODOS os trabalhadores – com residência fixa no Brasil e endereço definido de trabalho – recebem! Seus salários irão primeiro à ditadura cubana, e esta lhes repassará o que bem desejar. É inadmissível tal afronta às nossas leis trabalhistas! Bem como é vergonhoso se desrespeitar de tal forma a mão-de-obra desses médicos cubanos, transformando-os em “escravos modernos”.

POR QUE O SIGILO?

Vários pontos da transação do governo brasileiro com o cubano (para a vinda dos médicos cubanos) são tratados de forma sigilosa, pelo nosso governo, alegando que é uma necessidade do governo cubano. Ora, isso é também algo absurdo! Pois precisávamos ter no mínimo transparência nessa milionária negociação!

Será então que o tal projeto não é apenas um negócio “de fachada”, apenas para que o Brasil se torne, na realidade, mais um financiador da ditadura cubana?

Eu sou também servidor público da saúde, atuando no SUS há 10 anos. Vejo “de perto”, e com muita tristeza, o sucateamento do serviço público brasileiro de saúde, bem como a progressiva e contínua desvalorização das nossas carreiras profissionais. Tendo como consequência o sofrimento cada vez maior da população que precisa do SUS.

Sexo e Celibato na Igreja Católica

Frei Betto

O Vaticano admitiu, pela primeira vez, no Comitê da ONU para os Direitos da Criança, em Genebra, a 16 de janeiro, crimes de abuso sexual, como pedofilia, praticados por membros da Igreja Católica.

Tais crimes ocorrem em quase todas as instituições que lidam com menores, e sobretudo no interior do núcleo familiar, onde pais estupram filhas. Porém, sua prática deve ser severamente punida, e não acobertada em uma Igreja que se propõe a educar crianças segundo os valores do Evangelho.

O papa Francisco, em missa na manhã de 16 de janeiro, declarou que os escândalos da Igreja “são tantos” que não podem ser citados individualmente e são uma “vergonha”: “Essas pessoas não têm ligação com Deus. Tinham apenas uma posição na Igreja, uma posição de poder”, disse o pontífice.

DIZ O PAPA

Francisco surpreende positivamente por suas afirmações a respeito da sexualidade. Além de não demonizar os gays, ao contrário de tantos prelados que consideravam a homossexualidade uma doença (e nisso coincidiram com governos socialistas), e relativizar o tema do aborto nesse mundo em que poucos protestam contra as guerras e, menos ainda, apoiam a erradicação da fabricação e comércio de armamentos (incluídas as de armas químicas).

Francisco convidou, para ocupar a importante função de Secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, que afirmou não ser o celibato um dogma.

Há tempos a Teologia da Libertação e as teologias feministas defendem o fim do celibato obrigatório para sacerdotes católicos, o que não se justifica à luz da Bíblia. Pedro, escolhido primeiro papa, era casado (Marcos 1, 30), e na Igreja primitiva homens casados eram ordenados sacerdotes.

O preconceito à sexualidade nasce na Igreja por influência neoplatônica, que culmina na (falsa) justificativa de que a lei natural associa sexo e reprodução. Daí o fato de perdurar, ainda hoje, na doutrina oficial da Igreja Católica, a exigência de os casais só terem relações sexuais se houver intenção de procriar. Até 1903 gestos de carinho entre casados eram considerados pecados…

SEXO POR PRAZER

Tive um professor de teologia moral que afirmava ser a associação entre sexualidade e reprodução um princípio zoológico, e não teológico. Hoje, sei que ele se equivocou. Mesmo animais ignoram o vínculo entre sexo e reprodução. Pesquisas demonstram que muitos deles fazem sexo por ser prazeroso, e não por quererem se reproduzir.

O afeto costuma falar mais alto que inclinações naturais. O pesquisador Frans de Waal (2010) conta que, em cativeiro, porquinhos órfãos foram adotados por uma tigresa de Bengala. “Em lugar de cuidar daqueles porquinhos, seria mais adequado, do ponto de vista biológico, que a tigresa os usasse como uma refeição rara em proteínas” (p. 67). Porém, animais também possuem predisposição psicológica para cuidar de filhotes vulneráveis.

Outro argumento que se utiliza para justificar o celibato é o contábil. Casado, o sacerdote poderia dilapidar os bens da Igreja se valendo do direito de herança. Ora, se assim fosse, sacerdotes das Igrejas Ortodoxa e Anglicana, e pastores protestantes, que se casam, já teriam levado suas comunidades à falência.

O celibato é apenas uma opção de vida, sem a qualidade do matrimônio, que a Igreja enaltece como um dos sete sacramentos – fontes de união com Deus. Se não é um dogma, como afirmou o cardeal Parolin, então pode ser removido, facultando aos atuais e futuros sacerdotes optar ou não por ele. O que abriria aos cinco mil padres casados que vivem no Brasil a possibilidade de serem reintegrados ao ministério sacerdotal.

Será meio caminho andado para que, no futuro, a Igreja Católica exclua a mulher do estatuto de ser de segunda categoria, e permita também a ela o acesso ao sacerdócio, assim como Jesus fez da samaritana e de Maria Madalena as primeiras apóstolas. (transcrito do site Pátria Latina)

A dúvida e o sofrimento de Cecilia Meireles

A professora, jornalista e poeta carioca Cecília Meireles (1901-1964), no poema “Noturno”, mostra sua dúvida e seu sofrimento.


NOTURNO
Cecília Meireles
Suspiro do vento,
lágrima do mar,
este tormento
ainda pode acabar?

De dia e de noite,
meu sonho combate:
vem sombras, vão sombras,
não há quem o mate!

Suspiro do vento,
lágrima do mar,
as armas que invento
são aromas no ar!

Mandai-me soldados
de estirpe mais forte,
com todas as armas
que levam à morte!

Suspiro do vento,
lágrima do mar,
meu pensamento
não sabe matar!

Mandai-me esse arcanjo
de verde cavalo,
que desça a este campo
a desbaratá-lo!

Suspiro do vento,
lágrima do mar,
que leve esse arcanjo meu longo tormento,
e também a mim, para o acompanhar!

   (Colaboração enviada por Paulo Peres –  site Poemas & Canções)

Balé coletivo no futebol

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Tostão

Faz pouca diferença na estratégia se um time atuar no 4-2-3-1, no 4-4-2, no 4-3-3 ou no 4-1-4-1, sistemas táticos mais citados pelos jornalistas e treinadores. A moda mais recente é o 4-1-4-1, com quatro defensores, apenas um volante e quatro meias (armadores), que marcam e se aproximam do centroavante.

Muito mais importante que o desenho tático são a qualidade e a característica dos jogadores, com quantos atletas o time defende e ataca, o tipo de marcação (mais recuada ou mais à frente), o espaço entre os setores, como uma equipe se posiciona para receber o contra-ataque, a eficiência nas jogadas aéreas defensivas e ofensivas e vários outros detalhes.

O futebol compartimentado, por setores, com rígida divisão de funções, tem sido, progressivamente, substituído por um jogo mais dinâmico, menos previsível, em que quase todos os jogadores se misturam e trocam de posições. É uma correria organizada, um belo balé coletivo.

No futuro, zagueiros mais habilidosos vão também avançar quando o time estiver com a bola. Os goleiros estão aprendendo a jogar com os pés. Rogério Ceni já é um doutor. Quando parar, deveria ser um professor de goleiros. Imagino que isso é muito pouco para suas pretensões. Ele quer ser o presidente, como Rivaldo. Assim como pouco se importava com a badalação e até com o título de melhor do mundo, o enigmático Rivaldo não está nem aí quando falam que ele é um ex-atleta em atividade. Ele quer se divertir. Faz muito bem.

Nos anos 1960, o jogador que estava em todas as partes do campo era, geralmente, o grosso do time, chamado de formiguinha. Nas décadas seguintes, passou a ser o jogador tático, mais valorizado. Agora, surgiu um novo tipo de atleta, que não para em campo, mas que tem talento, sabe jogar futebol. Quem sabe, mas é lento e se movimenta pouco, ficou para trás.

Com exceção de Neymar, uma raridade, com físico e estilo que, dificilmente, surgirão em um atleta europeu, não há mais diferença na maneira da jogar entre brasileiros e europeus. Dezenas de lugares-comuns, que vêm desde os anos 1960, tipo “Brasil, país do futebol”, “magia e arte do jogador brasileiro” e “futebol-moleque”, não fazem mais sentido. Se o Brasil ganhar a Copa, uma das razões será o fato de que dez titulares atuam na Europa.

Hoje, há dois tipos de ‘futebóis’ no Brasil, o da seleção atual, que incorporou a maneira de atuar dos grandes times da Europa nos últimos dez anos, e o fraco futebol, na média, praticado em nossos estádios. Isso ocorre por causa da falta de grandes jogadores e de bons gramados, pelas condutas viciadas e ultrapassadas de vários treinadores e devido à ineficiência, negligência e fisiologismo da CBF, uma entidade privada, que vive quase somente para explorar, gigolar, a seleção, um patrimônio público.

AUTUORI

Noto uma desconfiança do torcedor atleticano em relação a Paulo Autuori. Isso ocorre, em parte, porque os últimos times dirigidos por ele foram mal e porque muitos não gostam de seu jeito professoral, de explicar o que muitos não entendem. Acham-no muito teórico. Na média, o novo treinador do Atlético tem uma carreira vitoriosa.

Não penso assim. Em suas explicações e na maneira de organizar a equipe, Paulo Autuori mostra que é um técnico com ótimos conhecimentos de futebol e com uma visão muito mais ampla do que a habitual dos treinadores. Isso é uma evolução, e não um problema. Evidentemente, se o time não for bem, o treinador será criticado.

No Brasil virtual, projeto de lei dá aos presos direito até a salão de beleza e nutricionistas

Evandro Éboli e André de Souza
O Globo

BRASÍLIA — Parado na Câmara há quatro anos, um projeto de lei derivado da CPI do Sistema Carcerário cria o Estatuto Penitenciário Nacional, com modelos de prisões que, se saírem do papel, vão transformar a realidade das penitenciárias do país.

O estatuto, com 119 artigos, prevê, entre outras medidas, banho com temperatura adequada ao clima; artigos de higiene como creme hidratante, xampu, condicionador, desodorante, absorvente, barbeador e creme dental; salão de beleza para as presas; e equipamentos para atividade física. Diz ainda que, para cada grupo de 400 presos, serão obrigatórios: 5 médicos, sendo 1 psiquiatra e 1 oftalmologista; 6 técnicos de higiene mental e nutricionistas.

A proposta ainda cria tipos de crime para o agente penitenciário que não tratar o preso da maneira prevista no texto. Quem, por exemplo, negar ao preso xampu, creme hidrante e condicionador pode pegar de 3 a 6 anos de reclusão.

O estatuto endurece com o agente que também alojar o preso em local superlotado e com quem mantiver o preso provisoriamente em delegacia de polícia civil, federal ou na superintendência da Polícia Federal após o flagrante. Nesses casos, as penas de prisão também variam de 3 a 6 anos.

CUECAS E CALCINHAS

O Estatuto Penitenciário exige ainda que a comida tenha valor nutritivo e que seja controlada por uma nutricionista; e que o vestuário do preso seja bem cuidado e contenha: três uniformes, um agasalho ou casaco, seis cuecas para o homem, seis jogos de peças íntimas para as mulheres, três pares de meia, um sapato, um tênis, um par de chinelos ou sandálias.

O texto dá ao preso liberdade de contratar médico de sua confiança pessoal e estabelece que eles fiquem separados de acordo com a categoria a qual pertence. E mais: todos terão direito a dois lençóis, um cobertor e uma toalha de banho; alojamento individual; celas individuais, com iluminação, calefação e ventilação; e indenização por acidente de trabalho e doenças profissionais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO projeto é delirante e completamente fora da realidade. Seria mais apropriado começar com um projeto que simplesmente definisse o número máximo de presos em cada cela, em relação ao metro quadrado. Desgraçadamente, as medidas imaginadas no projeto do Estatuto ainda são apenas delírios legisferantes, no Brasil de verdade, tão corrupto e cruel. (C.N.)

Dois detentos fogem de presídio no Maranhão

Luciano Nascimento
Agência Brasil

Dois presos fugiram da Unidade Prisional de Ressocialização (UPR) do município de Pedreiras, localizada a cerca de 270 quilômetros da capital, São Luís. De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap), a fuga ocorreu na tarde de sexta-feira (24).

Um dos presos, identificado como Miciel Roque dos Santos, foi recapturado logo em seguida. O outro, Manoel Gomes da Silva, o Ligeirinho, continua foragido. Os presos escalaram o muro da unidade para fugir, aproveitando uma falha na segurança.

A Sejap informou também que, durante vistoria, agentes penitenciários e monitores descobriram um túnel na cela 12 do Centro de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ) de Imperatriz, a cerca de 750 quilômetros da capital, impedindo a fuga de detentos. Os presos que estavam na cela foram levados para outro espaço na mesma unidade.

MOTIM

No início da noite de quinta-feira (23), um princípio de motim foi registrado no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pedrinhas, em São Luís. O tumulto aconteu após revista feita pela Polícia Militar em algumas celas da unidade prisional. Na ocasião, os policiais encontraram cerca de 40 armas artesanais, além de aparelhos de televisão e reprodutores de CD. Em represália, os presos jogaram pedras nos policiais e queimaram dois colchões. A polícia interveio jogando bombas de efeito moral.

O sistema carcerário do Maranhão vive uma crise que se acentuou desde o segundo semestre do ano passado.  Em outubro, a situação se agravou, com uma rebelião no Complexo de Pedrinhas, deixando nove mortos e 20 feridos. A crise fez com que o governo do estado decretasse situação de emergência. Em um ano, 64 detentos foram mortos nos presídios do estado. Quatro somente este ano.

Polícia alega que jovem baleado em protesto reagiu e carregava faca e artefato explosivo

Deu no IG

Fabrício Proteus Nunes Fonseca Mendonça Chaves, de 23 anos, foi baleado por policiais militares na noite de sábado (25), no bairro de Higienópolis, em São Paulo, na mesma região em que acontecia o protesto contra a realização da Copa no Brasil. Segundo a coorporação, ao ser abordado, ele teria tentado esfaquear um dos policiais com um estilete e ainda carregava um artefato explosivo.

Ele levou dois tiros e foi socorrido pela própria PM, que o encaminhou para a Santa Casa. De acordo com o hospital, o jovem deu entrada na noite de ontem e se encontra na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado grave, mas estável. Ele foi baleado um tiro no tórax e outro na pélvis. Durante a madrugada, passou por cirurgia, mas o ferimento na pélvis levou à perda de um dos testículos.

Um outro rapaz, que estaria com ele, tentou fugir, mas foi capturado e levado para o 4º Distrito Policial (DP), no bairro Consolação. O caso está sendo investigado pela Corregedoria da PM e pela Polícia Civil. O delegado requisitou exame pericial para o local e para os objetos apreendidos e exame residuográfico para os policiais militares.

O procedimento adotado pelos policiais, ao socorrer o jovem, contraria uma resolução da Secretaria de Segurança, de janeiro de 2013, que orienta a não remoção de pessoas feridas em confronto. Segundo a norma, o transporte devem ser feito preferencialmente pelo serviço médico de emergência. A medida visa a impedir a descaracterização da cena da ocorrência. O órgão destaca, no entanto, que a remoção pode ser feita caso não haja serviço de emergência disponível ou a espera seja muito longa.

Repressão violenta a protestos no Egito mata 49 manifestantes

Deu na Folha

Pelo menos 49 pessoas morreram nas últimas 24 horas por causa da alta da violência no Egito, no terceiro aniversário da revolução do dia 25 de janeiro de 2011, informou neste domingo (26) o Ministério da Saúde.

Segundo assinalou o departamento em comunicado, o número de feridos nos confrontos entre partidários e opositores do novo regime militar, assim como em choques com as forças de segurança, subiu para 247.

As vítimas foram registradas nas províncias de Cairo, Gizé, Alexandria e Minya, enquanto os feridos em pelo menos oito províncias do país.

A repressão dos protestos e uma série de atos de violência mancharam ontem a comemoração do terceiro aniversário da revolução que tirou Hosni Mubarak do poder, caracterizada pela profunda divisão social que vive o país.

Neste contexto de violência e polarização, o presidente interino, Adly Mansour, deve fazer hoje um “importante discurso à nação”, segundo anunciou o escritório da Presidência.

De acordo com a imprensa egípcia, Mansur poderia já fixar a data para as próximas eleições presidenciais, nas quais parte como favorito, se finalmente concorrer, o atual chefe do Exército, Abdel Fatah al Sisi.

Dilma vai a Cuba inaugurar obra da Odebrecht bancada pelo BNDES


Da Agência EFE

A presidente Dilma Rousseff aproveitará a visita a Cuba esta semana para inaugurar junto com o presidente cubano, Raúl Castro, a primeira parte do Puerto de Mariel, uma obra financiada com recursos do BNDES.

Na segunda-feira Dilma terá uma reunião com o líder cubano e permanecerá em Havana até terça para participar da II Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), segundo o Itamaraty.

A ampliação do porto cubano de Mariel, a 45 quilômetros a oeste de Havana, é considerada uma “obra emblemática” da parceria entre Cuba e Brasil.

A obra é executada pela Odebrecht e com um financiamento de US$ 682 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a maior parte do investimento total previsto, de US$ 957 milhões.

O porto poderá dotar a Cuba de uma moderna porta de saída marítima e permitirá que indústrias brasileiras se instalem na ilha e aproveitem o menor custo da mão de obra local e incentivos cubanos para produzir e exportar a partir de Cuba, segundo as conversas entre os países.

Na reunião de trabalho com Raúl Castro, Dilma “examinará os principais temas da agenda bilateral e regional”, segundo o comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

MAIS MÉDICOS

Entre eles destaca-se o acordo que permitiu a chegada ao Brasil de 5.400 médicos cubanos para trabalhar em áreas isoladas e pobres dentro do programa “Mais médicos”.

O objetivo é contratar no total 12.996 médicos até março e enviá-los a municípios sem atendimento de saúde, para dar assistência a 22,7 milhões de pessoas.

Dilma e Castro também falarão sobre comércio bilateral, que, segundo dados oficiais brasileiros, saltou de US$ 91,99 milhões em 2003 para US$ 624,79 milhões em 2013. Os principais produtos que o Brasil exporta para Cuba são óleo de soja, arroz e milho.

Segundo porta-vozes da presidência brasileira, a visita de Dilma a Cuba inclui encontros privados, e não se descarta a possibilidade de ela conversar pessoalmente com o líder Fidel Castro

Balanço dos manifestantes detidos nos protestos contra a Copa: 161, dos quais 146 em São Paulo

Deu no Yahoo

Pelo menos 161 pessoas foram detidas neste sábado acusadas de participar de distúrbios ocorridos nas manifestações que aconteceram em diferentes cidades em protesto contra a organização da Copa do Mundo.

Em São Paulo, 146 pessoas foram detidas,  após as manifestações registradas na capital paulista, e que terminaram com confrontos entre a Polícia e os manifestantes, informou a Polícia Militar (PM) através de sua conta no Twitter. E todos já foram soltos.

Em Natal, 15 pessoas foram aprisionadas pelos protestos registrados em frente do estádio Arena das Dunas, inaugurado na quarta-feira passada pela presidente Dilma Rousseff.

Um grupo de manifestantes tentou invadir o estádio, danificou uma arquibancada de acesso ao local e ateou fogo em uma loja utilizada pelos trabalhadores da recém inaugurada obra, informou a “Folha de São Paulo”. De acordo com as autoridades, 15 pessoas foram detidas por tal ação.

As manifestações começaram de forma pacífica na maior parte das cidades, embora tenham terminado com alguns focos de violência em algumas delas.

Dilma saiu pelos fundos do hotel em Lisboa, para escapar da imprensa

Fag Souza

A presidente Dilma Rousseff e sua grande comitiva pararam em Lisboa, para um suposta escala técnica, depois do evento em Davos, na Suíça. Mas tentaram manter em segredo tal parada. Até porque não foi bem uma escala técnica, afinal ocuparam – por uma noite – uns 45 apartamentos de 2 luxuosos hotéis de Lisboa. Inclusive Dilma ficou numa caríssima suíte presidencial.

E hoje fico sabendo que a “turma toda” resolveu – agora de manhã – ir embora pelas portas dos fundos dos hotéis, para evitar a imprensa, usando de um discreto e eficiente aparato de segurança.

Governante que vai à Suíça tentar aumentar a credibilidade internacional do Brasil, não acaba perdendo um pouco de sua credibilidade, ao fugir da imprensa, dessa maneira, pelos fundos???

Quem se importa?

Agostinho Vieira
(Blog ecoverde)

Da esquina já dava para ver uma fila na porta. Umas doze pessoas, pelo menos três com mais de sessenta ou setenta anos. Espera de meia hora, avisou o último. Não era uma repartição pública, uma agência do INSS, mas uma loja da Light, empresa privada que declara ter a missão de “prover energia e serviços com excelência e de forma sustentável, contribuindo para o bem-estar e o desenvolvimento da sociedade”.

Do lado de dentro, a menos de dois metros do primeiro da fila, duas fileiras de cadeiras azuis, parecendo novas, permaneciam vazias. Por que não estão todos esperando sentados, como sugere o ditado? Não dá. É preciso passar por uma triagem. Dois funcionários educados e sonolentos decidem o que será feito da sua vida. E os velhinhos? Também aguardam em pé. Assim como as cadeiras, tudo parecia novo e funcionando. O ar-condicionado, os computadores, os uniformes, o discurso. Organizadamente indiferente, insensível. Quem se importa?

Muito já se escreveu sobre a baixa qualidade dos serviços no Brasil, de um modo geral, e do Rio, em particular. Dizem que será a nossa grande vergonha durante a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Não estamos preparados. Há quem resuma tudo a um problema de governo, dos órgãos e dos funcionários públicos. Eles seriam mal pagos, preguiçosos e teriam a sua ineficiência protegida pela estabilidade. Uma mistura de clichês, generalizações e algumas verdades. Não é tão simples assim.

E A GENTILEZA?

Se tudo ou quase tudo funcionava na privatizada e terceirizada loja da Light, por que ninguém pensou em incluir um sorriso no rosto dos funcionários? Por que ninguém tomou a iniciativa de romper com o regulamento, ser gentil com os clientes e deixá-los sentar? Talvez porque exista um sentimento generalizado de que está tudo uma droga. Nada funciona, ninguém liga, não aconteceu no meu horário, não é comigo. Uma espécie de síndrome da hiena Hardy do desenho animado: “Oh vida! Oh azar! Isso não vai dar certo”. Assim, vale a lei de murici e cada um que trate de si.

O motorista que dirige pelo acostamento para chegar antes, o que fecha o cruzamento para avançar 52 centímetros e atrapalha a vida de todos, os que usam a buzina como acelerador. Não faltam exemplos. Se cada um pensar um pouco terá logo uma lista de dez práticas que mostram o egoísmo, a falta de educação e de civilidade dos outros. Nunca as nossas, é claro. Se o mundo fosse governado por nós e por alguns dos nossos amigos, não todos, ele seria perfeito.

Por que recolher o lixo que levo para a praia se mais ninguém faz isso? Não dá para carregar barraca, toalha, cadeira, fugir da areia quente e ainda levar as garrafas vazias e os restos de comida. Mas, em um dia foram 40 toneladas de sujeira, uma montanha. Viu? Vi. Esse pessoal é muito porco mesmo. Tem também os limpinhos. Aqueles que lavam a calçada com a mangueira, os que tomam banho de 40 minutos. Se faltar água não é por minha culpa. Esse governo é muito incompetente.

TODOS IGUAIS

A questão é que os governos incompetentes, os políticos corruptos e os maus empresários vieram todos da mesma sociedade, com as mesmas regras de convivência, mesmo erros, acertos e indiferenças. Talvez tenham visto seus pais mentirem, serem imprudentes no trânsito e desperdiçarem água e energia. Podem ter tido um professor que depois da aula de geografia jogou o cigarro aceso no chão.

Quem não assina a carteira da emprega doméstica hoje, talvez amanhã não veja problema em ter uma empresa que explora o trabalho infantil. Os que molham a mão do guarda pela manhã, não terão escrúpulos em sonegar impostos à tarde. O mesmo vale para o empregado que rouba comida do restaurante, “esquece” um produto da loja na bolsa ou coisa parecida. Em um mundo de hipocrisia, vale tudo.

Como não é possível exigir um recall da humanidade, apesar de vários exemplares apresentarem defeito, precisamos encontrar uma maneira mais civilizada de seguir em frente. Um documentário da diretora Mara Mourão, que recebeu exatamente o nome de “Quem se importa”, pode servir de inspiração. Ele apresenta as histórias de 18 empreendedores sociais que resolveram dedicar suas vidas aos outros.

Exemplos como o do Nobel da Paz Muhammad Yunus, criador do Grameen Bank, que oferece microcrédito para milhões de famílias pobres, especialmente mulheres, sem exigir garantias. Loucura? A taxa de recuperação dos empréstimos é de 98,85%. Infelizmente, casos como o de Yunus e muitos outros continuam representando uma minoria. Palavras como solidariedade, bondade, confiança, honestidade e fé andam muito fora de moda.

(artigo enviado por Mário Assis)

De rolezinhos a rolexzinhos

Mauro Santayana
(Carta Maior)
O setor de shoppings centers se encontra acuado, nas grandes cidades brasileiras, pelo fenômeno do “rolezinho”. A situação chegou a tal ponto, que, contrariando o direito de livre expressão, já há centros comerciais pedindo ao Facebook que retire do ar páginas que envolvam esse tipo de encontro, que convoca, pela internet, centenas de jovens a comparecer, em data e horário específicos, a endereços-alvo previamente determinados.
A justiça tem concedido liminares que permitem aos shoppings barrar a entrada desses jovens e impedir que os encontros se realizem em suas dependências.
Movimentos sociais de diferentes tendências, alguns mais tradicionais, e outros surgidos, como os Black Blocks, nas manifestações de junho, tacham as medidas adotadas pelos shoppings de racismo e exclusão e ameaçam convocar “rolezões sociais”, já neste fim de semana, para reagir às medidas.Em junho de 2013, estabeleceu-se, nas ruas e redes sociais improvável aliança entre “rolexzinhos”, que gravavam suas mensagens contra o governo e a Copa do Mundo usando como cenário a praça de alimentação de shoppings, e futuros “rolezinhos” da “periferia”.

A periferia pode frequentar shopping, desde que seja identificada tão logo entre, e fique permanente sob o olhar de vigias, e em conveniente minoria. E continue gastando como tem gasto a classe C nos últimos anos, responsável pela explosão do faturamento do comércio de móveis, informática e eletrônicos, por exemplo.

QUEREM ZOARO problema é que os “rolezinhos” não estão satisfeitos com isso. Eles querem “zoar”, termo que antes estava ligado a ridicularizar, brincar com o outro, e que hoje está sendo substituído, cada vez mais, pelo sentido de “incomodar”.

Os “rolézinhos” não querem apenas “dar um rolé”, expressão que deu origem ao termo, ou se encontrar, conversar, namorar. Eles querem assustar, pressionar, chocar, o pacato cidadão que frequenta shopping, em busca de sua quota cotidiana ou semanal de lazer, consumo, praça de alimentação e ar condicionado. Querem querem ocupar física e maciçamente todos os espaços, dizer aos frequentadores comuns, e aos rolexzinhos – “olha, nós somos mais fortes, mais numerosos e queremos ter as mesmas coisas, e fazer as mesmas coisas, que vocês”.

Há que se ver como alguns auto-designados representantes da “classe média” – que às vezes nem toma conhecimento de sua existência – irão se manifestar, na internet, com relação ao assunto. A direita terá coragem de defender, abertamente, a invasão dos shoppings centers pela periferia? Ou vai torcer, secretamente, para que esses encontros, e a polêmica em torno deles, dê origem a nova onda de protestos?

Já se identifica, entre os “rolezinhos”, a infiltração de indivíduos cujo interesse vai além da reivindicação social, coisa fácil de ocorrer, nesse tipo de reuniões, maciça e, às vezes, anonimamente convocadas por meio de redes sociais.

OUTRA PERSPECTIVAA ABRASCE, que reúne os shoppings centers, precisa começar a entender os “rolezinhos”, a partir de outra perspectiva, que não seja a mera repressão, o apelo à polícia e ao judiciário. Se cada shopping tratasse todos os frequentadores da mesma forma, independente de sua cor ou vestimenta, e tivesse uma estrutura de lazer ou de cultura na periferia, para sinalizar às comunidades de menor renda que o setor reconhece sua existência e direito à dignidade, em um contexto social tradicionalmente desigual, talvez se pudesse estabelecer um patamar maior de respeito e de autoestima para esses cidadãos.

É uma pena, no entanto, que o elemento que detonou todo esse processo tenha sido, primeiramente, o consumo.

Se extrairmos da multidão um ou outro líder, e os “movimentos” sociais “organizados”, que, muitas vezes, são apenas grupos de ação, momentaneamente reunidos pela internet, veremos que há muito em comum entre os “rolezinhos” e “rolexzinhos”.

Não existe diferença entre a conversa estéril e esnobe dos “rolexzinhos”, em volta de seus copos de uísque, na happy hour na Avenida Paulista e as letras de funk ostentação que embalam os “roleézinhos” nos bares e bailes da periferia.

MESMA MOEDASão dois lados da mesma moeda, dois extremos de uma sociedade na qual um par de tênis pode custar mais que dez ou quinze livros novos, marcas de carros são cantadas em prosa e verso, e a maior parte das pessoas desperdiça seu tempo correndo atrás do fugaz e do vulgar, sem conseguir deixar sua marca no mundo, ou ter tido, muitas vezes, a menor consciência política ou espiritual do que representa estar aqui.

Conquistará o futuro quem souber unir rolexzinhos e rolezinhos em um projeto comum de nação, e isso só ocorrerá com a redução da desigualdade e a melhora da educação. Quem sabe, quando contarmos, no Brasil, com um número equivalente de excelentes universidades e centros de pesquisa, ao que temos, agora, de grandes centros comerciais – cerca de 500 – com o mesmo volume de investimentos e a mesma eficiência e garra, na busca e transmissão do conhecimento, com que hoje se persegue o lucro nesses palácios de aço e cristal.

A sociedade brasileira, com seus “rolezinhos” e “rolexzinhos”, precisa entender que o Brasil necessita mais de Sapiens Centers, que de Shopping Centers, para poder avançar.

A música engajada de Sérgio Ricardo

O cineasta, artista plástico, instrumentista, cantor e compositor paulista João Lutfi, que adotou o pseudônimo de Sérgio Ricardo, afirma que a letra da música  ”Zelão”  já apresentava uma ruptura com a temática da bossa nova, pois saiu do perímetro da classe média para atingir a favela. “Zelão” ajudou a abrir as consciências de seu tempo, em torno do engajamento da arte com a justiça social. A música faz parte do LP A Bossa Romântica de Sérgio Ricardo, lançado em 1960 pela Odeon.

ZELÃO
Sérgio Ricardo
Todo morro entendeu
Quando o Zelão chorou
Ninguém riu nem brincou
E era carnaval

No fogo de um barracão
Só se cozinha ilusão
Restos que a feira deixou
E ainda é pouco só

Mas assim mesmo Zelão
Dizia sempre a sorrir
Que um pobre ajuda outro pobre
Até melhorar

Choveu, choveu
A chuva jogou seu barraco no chão
Nem foi possível salvar violão
Que acompanhou morro abaixo a canção
Das coisas todas que a chuva levou
Pedaços tristes do seu coração

Todo morro entendeu
Quando o Zelão chorou
Ninguém riu nem brincou
E era carnaval

         (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Mensalão do PSDB avança no Supremo, mas se arrasta em Minas

Wilson Lima
iG São Paulo

Embora o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, tenha acelerado a tramitação da ação penal 536, o chamado “mensalão mineiro”, o restante do processo, que corre na Justiça de Minas Gerais, ainda está em fase de instrução. Numa estimativa otimista, o provável é que essa parte do processo seja julgada apenas no primeiro semestre de 2015.

O mensalão mineiro foi um esquema de desvios de recursos públicos semelhante ao que beneficiou o PT, supostamente comandado pelo publicitário Marcos Valério durante a campanha ao governo de Minas Gerais em 1998. Doze pessoas foram indiciadas. No Supremo, a ação penal foi impetrada contra o deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o senador Clésio Andrade (PMDB-MG). Os dois são acusados de terem se beneficiado de um esquema montado por Valério e respondem pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro.
Como o processo foi desmembrado em 2010 entre aqueles com foro e sem foro privilegiado, dez réus respondiam pelo caso na Justiça mineira. Mas somente oito devem ir a julgamento.
PRESCRIÇÃO
Semana passada, a Justiça mineira confirmou a prescrição dos crimes de peculato e formação de quadrilha para o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia já que ele completou 70 anos no ano passado. Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha do PSDB ao governo de Minas em 1998, completa 70 anos em abril e também deve ter sua pena extinta mesmo antes de ser julgado.Na semana passada, o ministro Barroso, relator do mensalão mineiro no STF, determinou prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentasse as alegações finais do processo. Depois, serão mais 15 dias para que os advogados dos dois réus também apresentem suas defesas e, por fim, o caso já pode ser encaminhado para o revisor da ação, o ministro Celso de Mello.

A expectativa é que o mensalão mineiro, no Supremo, seja julgado no início do primeiro semestre ou no início do segundo semestre deste ano. Desde que assumiu o caso, em junho do ano passado, Barroso tentou acelerar o processo ao máximo para julgá-lo o quanto antes.

Na 9ª Vara Criminal de Minas, entretanto, não há expectativas ainda para que o caso seja julgado. O promotor João Medeiros, responsável pela acusação, acredita que em uma estimativa “conservadora, mas otimista”, a ação seja julgada no primeiro semestre do ano que vem.

“O caso até que tramita em uma velocidade aceitável. Agora, é uma ação como qualquer outra. Ela não pode ser tratada como prioridade, nem deve”, disse Medeiros. Outras pessoas que atuam no processo ouvidas pelo iGacreditam que o caso, de fato, somente será julgado no segundo semestre do ano que vem. A juíza da 9ª Vara Criminal, Neide da Silva Martins, evitou dar prognósticos sobre quando o caso deve ir a julgamento.

TESTEMUNHAS

Atualmente, em Minas, o mensalão mineiro ainda precisa ouvir seis testemunhas, além dos nove réus que ainda respondem pela ação. Somente depois disso é que o Ministério Público será intimado a apresentar suas alegações finais para que o caso venha a julgamento. Além disso, como a ação tramita em primeira instância, há possibilidade de recursos no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e até no Supremo, de onde a ação partiu originalmente.

Assim, um desfecho completo do mensalão mineiro para os réus sem foro privilegiado demoraria pelo menos mais uns seis ou sete anos, conforme advogados especialistas em direito criminal ouvidos pelo iG. O caso começou a tramitar na Justiça Estadual de Minas em 2010, após uma indefinição se a competência sobre essa ação seria da Justiça Federal ou Estadual, depois do desmembramento do processo no Supremo.

Apesar de não ser tão volumoso quando o mensalão do PT, o mensalão mineiro impressiona pelos números. O processo tem aproximadamente 50 volumes e cerca de 50 apensos (anexos processuais). São mais de 10 mil páginas de processo e mais de 100 testemunhas ouvidas. O mensalão do PT, por exemplo, tinha 147 volumes e 173 apensos e quase 50 mil páginas.

CRIMES SÃO DE 1998

Conforme a denúncia feita pela PGR, os crimes relacionados ao mensalão mineiro supostamente ocorreram durante a campanha de reeleição de Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998, cujo vice na sua chapa era Clésio Andrade. O esquema teria desviado aproximadamente R$ 3,5 milhões dos cofres públicos de Minas, principalmente da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), da Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig) e do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge).

“A partir da definição da chapa que concorreria ao cargo de governador do Estado de Minas Gerais, composta por Eduardo Azeredo, integrante do Partido da Social Democracia – PSDB, e Clésio Andrade, filiado ao Partido da Frente Liberal, atual Democratas, teve início a operação para desviar recursos públicos da Copasa, da Comig e do Bemge em benefício pessoal dos postulantes aos cargos de governador e vice, respectivamente”, descreve a PGR na denúncia.

Na Botucúndia, nem Galileo escapa da desmoralização

Alberto Dines
Observatório da Imprensa

A grande mídia tem muito a ver com a débâcle da Universidade Gama Filho e da UniverCidade, no Rio. O ensino superior privado é um fabuloso negócio. Prova disso é o tamanho da dívida do Grupo Galileo, mantenedor de ambas: 900 milhões de reais. Cerca de 400 milhões de dólares – padrão Fifa, coisa de gente grande.

Quantas advertências e denúncias contra arapucas universitárias apareceram em nossa imprensa ultimamente? No País dos Bacharéis é temerário colocar sob suspeita a fabricação de doutores. Grande parte dos ministros do STF ganha ricos pro-labores para dar aulas-magnas e conferências. A ninguém incomoda este ostensivo conflito de interesses.

Em suas edições da segunda-feira (20/1), dia normalmente fraco em publicidade, os dois jornalões paulistanos não tinham de que se queixar. Na Folha S.Paulo a Universidade Nove de Julho (Uninove, Sempre 10!), a FMU e a Faculdade Impacto compraram respectivamente uma página, meia página e um quarto de página para vender seus produtos no segmento de pós-graduação. Nesse mesmo dia, no Estado de S.Paulo, a Uninove comprou um grande rodapé na capa e uma página inteira no primeiro caderno, ambos dirigidos ao mesmo mercado.

INDÚSTRIA DO DIPLOMA

O lobby do ensino superior privado foi sempre um bom freguês dos “cadernos de serviço”, “informes publicitários” e matérias pagas disfarçadas exaltando a qualidade da nascente indústria do diploma.

A mídia brasileira é unânime ao proclamar a necessidade de uma revolução em nossas universidades – cruzada legítima, vital para implementar nossos padrões de competitividade. Porém, à sombra das boas causas sempre viceja algum tipo de gangsterismo. Aqui, os pactos corporativos não permitem a separar o joio do trigo, se um jornal flagra as trapaças de uma universidade privada o segmento inteiro o boicota. O jornalista que ousa devassar as espúrias conexões entre políticos, acadêmicos e fabricantes de diplomas está ferrado. Tem peixe muito graúdo nesse balaio. O credenciamento de universidades sempre rendeu fabulosas propinas.

FUNDOS DE PENSÃO

A história desta aberração gramatical e educacional chamada UniverCidade começou com o “buraco da Delfin”, em 1983, nos estertores da ditadura, o primeiro grande escândalo financeiro da era moderna no Brasil. Ronald Levinsohn, o dono da financeira, não perdeu um tostão: manteve a sua magnífica cobertura em frente ao Central Park em Nova York e, para branquear seu currículo, comprou a Faculdade da Cidade e a transformou na UniverCidade (neste Observatório alcunhada de Univer$idade), onde desenvolvia sem fiscalização os delírios tirânicos e idiossincrasias fascistóides (ver “UniverCidade ou Univer$idade”).

Passou o abacaxi ao Grupo Galileo, que já estava com outro, mais apetitoso, a Universidade Gama Filho, com 70 anos de vida, antigo Colégio Piedade, um dos melhores da antiga Capital Federal – quase 30 mil alunos pagando religiosamente suas mensalidades. A meta no curto prazo era comprar outros abacaxis e alcançar um universo de 100 mil alunos.

O acionista majoritário do Grupo Galileo Educacional é o pastor Adenor Gonçalves dos Santos. Artífice da montagem do conglomerado, o advogado Márcio André Mendes Costa ficou com a presidência e convocou a TOTVS, especializada em soluções de informática e gestão de empresas de ensino superior, para montar a operação, apresentada em seu porfólio como um dos seus cases de sucesso.

NEGÓCIOS SUSPEITOS

Não foi fácil: as duas universidades são entidades sem fins lucrativos, os antigos mantenedores precisavam ser reembolsados, os 100 milhões de reais em debêntures subscritos pelos fundos de pensão Petros (da Petrobras) e Postalis (Correios) destinados a sanear a Gama Filho foram utilizados para pagar a compra da UniverCidade, a patranha logo seria descoberta.

E foi: a CPI do Ensino Superior criada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio denunciou o grupo, os responsáveis foram acusado de um monte de malfeitorias, inclusive lavagem de dinheiro. O noticiário não teve destaque, a greve dos professores e funcionários não repercutiu, nem os sucessivos protestos dos alunos. A ninguém interessava criar um caso nacional. Sobretudo aos lobistas do ensino superior que ganham comissões, escrevem nos jornais e não querem que o seu negócio fique sob suspeita.

Pobre Galileo Galilei: na Itália, o astrônomo foi condenado pela ignorância e pela Inquisição; no Brasil, denunciado por formação de quadrilha.

(artigo enviado por Mário Assis)

A coerência da presidente

Ives Gandra da Silva Martins
O Estado de S.Paulo

Numa real democracia, o respeito às opiniões divergentes é um direito fundamental, pois, no dizer de John Rawls, “teorias não abrangentes” podem conviver, apesar de suas diferenças, o que não ocorre com as “teorias abrangentes” próprias das ditaduras, em que se impõe uma única visão política a ser seguida por todos. Não no seu mais conhecido livro (Uma Teoria da Justiça), mas na obra Direito e Democracia, desenvolveu o tema de que todas as teorias impositivas que não permitem diálogo conformam ideologias totalitárias, não são democráticas.

Respeito, como eleitor e cidadão, as posições da presidente, que na juventude foi guerrilheira na companhia de muitos outros, alguns treinados em Cuba, e mesmo terroristas, pois lançaram bombas em shoppings, matando inocentes. Um de seus amigos mais íntimos e meu amigo, apesar de nossas inconciliáveis divergências, José Dirceu declarou certa vez que se sentia mais cubano que brasileiro. Seu apoio permanente à ditadura cubana é, portanto, coerente com seu passado de lutas políticas, como o fez com relação às semiditaduras da Venezuela e da Bolívia.

O caso de Cuba, todavia, tem conotações extremamente preocupantes, na medida em que o governo brasileiro financia, por meio da campanha Mais Médicos – que poderia também ser intitulada “Mais Médicos Cubanos” -, uma ditadura longeva, que se alicerçou num rio de sangue quando Fidel Castro assassinou, sem julgamento e sem defesa, em seus paredóns, milhares de cidadãos da ilha para instalar sua ditadura. Chegou a ser chamado por estudantes da Faculdade de Direito da USP de “Fidel Paredón Castro”. Até hoje seus habitantes não têm direito a circular livremente pelo país e quando conseguem autorização para viajar ao exterior seus familiares permanecem como “reféns” para garantia de seu retorno. E a pretendida abertura econômica para comprar carros comuns por US$ 250 mil é risível para um povo que ganha – mesmo os profissionais habilitados – em média de US$ 20 a US$ 50 por mês. É o país mais atrasado economicamente das Américas.

10 MIL MÉDICOS

O Estado de S. Paulo (11/1, A3) noticiou que o referido programa prevê a “importação” de 10 mil médicos de Cuba – ante pouco mais de 500 de outros países -, os quais ganharão menos que os demais estrangeiros, pois o governo brasileiro paga seu salários diretamente a Cuba, que lhes devolve “alguns tostões”, apropriando-se do resto. Impressiona-me que o Ministério Público do Trabalho não tenha tomado, junto aos tribunais superiores, medida para equiparar o pagamento, no Brasil, desses cidadãos cubanos, que atuam rigorosamente da mesma forma que seus colegas de outros países, ganhando incomensuravelmente menos.

Causa-me também espanto que uma pequena ilha possa enviar médicos em profusão. Talvez aí esteja a razão para que o governo brasileiro não aceite o Revalida para tais profissionais, deixando fundadas suspeitas de que tema sua reprovação, por não serem tão competentes quanto os médicos brasileiros obrigados a se submeter a esse exame para a avaliação de sua competência.

O que mais me preocupa, contudo, é que, enquanto, para meros efeitos eleitorais, o governo brande a bandeira de “Mais Médicos cubanos” financiadores da ditadura do Caribe, o SUS não é reatualizado há mais de 15 anos. Os médicos brasileiros que atendem a população nesse sistema recebem uma miséria como pagamento por consultas e cirurgias, assim como os hospitais conveniados. A não atualização dos valores pagos pelo SUS, em nível de inflação, por tão longo período tem descompensado as finanças de inúmeras instituições hospitalares privadas vinculadas a seu atendimento.

FINANCIAMENTO A CUBA

De tudo, porém, o que me parece mais absurdo é que o financiamento à ditadura cubana, calculado pelo Estado, supera US$ 500 milhões, estando a fortalecer um regime que há muito deveria ter sido combatido por todos os países da América, para que lá se implantasse a democracia. Tal amor à ditadura caribenha demonstra a monumental hipocrisia dos ataques ao Paraguai e a Honduras por terem, constitucional e democraticamente, afastado presidentes incompetentes ou violadores da ordem jurídica dominante. Assim é que o artigo 225 da Constituição paraguaia permite o impeachment por mau desempenho, como nos governos parlamentares, e o artigo 239 da Constituição hondurenha determina a cassação do presidente que pretender defender a reeleição. É que a forma como foram afastados estava prevista no texto constitucional aprovado, nessas nações, democraticamente.

Como presidente do País, Dilma Rousseff merece respeito. Dela divirjo, entretanto, desde sua luta guerrilheira, que atrasou a redemocratização do Brasil, obtida, por nós, advogados, com a melhor das armas, que é a palavra. E considero que seu permanente fascínio pelas ditaduras ou semiditaduras, como as de Cuba, Venezuela e Bolívia, é perigoso para o Brasil, principalmente quando leva à adoção de medidas como a “operação de mais médicos cubanos”, pois fora de nossas tradições democráticas.

Valeria a pena a presidente refletir se tais medidas, de nítido objetivo eleitoreiro, não poderão transformar-se ao longo da campanha em arma contra o próprio governo, mormente se os candidatos de oposição se dedicarem a explorar o fato de que o que se objetiva mesmo é financiar aquele regime totalitário. A campanha Mais Médicos poderá tornar-se o mote “mais dinheiro para a ditadura cubana”, pondo em evidência não o interesse público do povo brasileiro, mas a coerência da presidente com seu passado guerrilheiro, gerando dúvidas sobre seu apreço aos ideais democráticos.