Chama-se Antnio, no Cristiano

Carlos Chagas

Cauteloso, Antnio Palocci no colocou o bloco na rua, depois de absolvido pelo Supremo Tribunal Federal. Nem mesmo comemorou a deciso. Manteve-se em cone de sombra e no admite de pblico que disputar o governo de So Paulo. Argumenta que muita conversa se tornar necessria para o PT tomar a deciso.

No obstante a competncia demonstrada, claro que se Palocci ainda no , logo ser a soluo dos companheiros para tentar atingir os tucanos no meio do ninho. Nada pior para Jos Serra do que disputar a presidncia da Repblica com a porta dos fundos arrombada, ou seja, inclinarem-se as chances e as pesquisas para a candidatura do ex-ministro da Fazenda ao palcio dos Bandeirantes.

Importa menos se o presidente Lula ainda pensa em aproveitar Palocci no ministrio, porque tornando-se candidato ao governo paulista, teria de desincompatibilizar-se at 31 de maro do prximo ano. Seria tido como Antnio, o Breve, no ministrio da Coordenao Poltica ou em outro qualquer.

Quanto a substituir Dilma Rousseff como soluo governamental e petista presidncia da Repblica, nem pensar. Qualquer obstculo eleitoral ou de sade diante da candidatura da chefe da Casa Civil s ser afastado a dinamite. Traduzindo: no h substituto para Dilma, dentro da normalidade institucional. Ningum no PT, nem mesmo Palocci, apresentaria performance melhor do que a dela, na disputa pelo palcio do Planalto. Caso a candidata no emplaque, deve o pas preparar-se para ver o poder transferido para Jos Serra ou para o inusitado. A segunda opo envolveria a continuao do presidente Lula, sabe-se l porque artifcios constitucionais.

Fala-se que o deputado agora absolvido chama-se Antnio e no Cristiano numa referncia s lies do passado. Em 1950 o ento PSD, maior partido nacional, muito maior do que hoje o PMDB, lanou a candidatura presidencial do correto deputado Cristiano Machado. S que as bases do partido, e mais a maioria do eleitorado, ficou com Getlio Vargas. Da o termo cristianizar, que os jovens de hoje ignoram. No d para substitu-lo por antonizar…

A busca da verdade real

Na sesso de quinta-feira do Supremo Tribunal Federal o ministro Marco Aurlio Mello sustentou em seu voto a necessidade da busca da verdade real. A mais alta corte nacional de justia no passou por perto. Porque mesmo livre das acusaes de haver determinado e mandado divulgar a quebra do sigilo bancrio do caseiro Francenildo, fica evidente que Antnio Palocci teve conhecimento prvio da ilegalidade praticada sob a direo do ento presidente da Caixa Econmica e nada fez para impedi-la ou, ento, puni-la.

Outra face da verdade refere-se ao caseiro. Maior de 21 anos, durante toda sua infncia e juventude comeu o po que o diabo amassou e no recebeu um nico centavo de ajuda por parte de seu pai biolgico. Como, de repente, o insensvel empresrio se v acometido de um ataque de conscincia e manda depositar 34 mil reais na conta do filho desprezado? Por coincidncia, foi na mesma semana em que Francenildo comeava a denunciar Palocci como freqentador de uma casa suspeita. Apesar da operao bancria perfeita, as origens do dinheiro compatibilizam-se com a verdade real?

Baixarias em profuso

No tem jeito, mesmo, o Senado Federal, onde o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a vspera. Na sesso de sexta-feira empenhou-se o senador Mario Couto, do PSDB do Par, numa catarata de agresses virulentas ao diretor-geral do DNIT, Luis Antnio Pagot, adjetivos que nem vale pena repetir aqui. O grande final do discurso, porm, faria corar um frade de pedra, se ainda existissem frades de pedra.

O orador lembrou que na segunda-feira Luis Antnio Pagot, suplente do senador Jaime Campos, do DEM de Mato Grosso, assumiria a cadeira por licena do titular. Se isso acontecesse, iria desafi-lo, sabe-se l com que armas, olho no olho, porque o futuro senador, para Mario Couto, era um cara-lambida sem vergonha na cara. Esses foram os termos publicveis utilizados pelo representante do Par, irritado com a atuao do DNIT em seu estado. bom o presidente Jos Sarney mobilizar a segurana do Senado.

Desistiram?

Corre em Braslia que tanto o governo quanto os lderes de entidades de aposentados estariam pensando em arquivar a proposta de reajuste dos vencimentos da categoria em funo do crescimento do Produto Interno Bruto. Se verdadeira a informao, haver que celebrar, pois nada mais estpido do que essa sugesto. J pensaram se a crise econmica continua ou at recrudesce, e se o PIB torna-se negativo? Os aposentados teriam reduzidos seus vencimentos, precisando pagar a diferena aos cofres pblicos? Mesmo na hiptese de o PIB apenas no crescer, ficaro os aposentados sem reajuste? J foi dito, mas preciso repetir: o saco de maldades da equipe econmica no tem fim.

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