Cinzas de um julgamento atormentado, repercussão satisfatória na opinião pública, que considera que pode ser o início de alguma coisa mais completa. Por que o 9 a 1, o que acontecerá em Brasília. Intervenção, eleição indireta?

A decisão do Supremo foi definitiva? Muita gente não acreditava num resultado tão contundente, esclarecedor e altamente fundamentado em quase todos os votos. À meia noite e 7 minutos já da sexta-feira, coloquei aqui vastíssima observação sobre cada voto, e o que representava. Mas continuo assediado de todas as formas, na internet, no blog, pessoalmente, para mais esclarecimentos.

Quase todos insistem em dois pontos, um deles fundamental. 1 – O que acontecerá em Brasília como consequência do julgamento? Como eu posso, com 20 de antecedência, ter acertado inteiramente na presunção e na expectativa do resultado? (Ressalvada naturalmente a ausência do ministro Eros Grau, que deve explicação à opinião pública).

E a maioria esmagadora dos que pedem informações, são radicais no pedido, não deixam dúvidas: Quando você falou em 10 a 1, o voto a favor de Arruda, no seu entendimento, seria do ministro Toffoli ou do presidente Gilmar Mendes? E quando você foi direto no 10 a 0, por que esse resultado? É lógico que você nem ninguém poderia saber que um ministro não votaria num julgamento tão importante. Quem, no seu entendimento, não votaria para confirmar a informação?

Indagações pertinentes, consistentes e elucidativas, que precisam de esclarecimento. Vou responder às duas questões, começando pelo que acontecerá em Brasília. As duas hipóteses que se colocam, (estão no título desta matéria) têm defensores intransigentes e adversários também com posições definidas.

O Planalto-Alvorada não sabe o que fazer. Perto de Lula, alguns defendem que, para a candidatura de Dona Dilma, (não pensam em outra coisa) tanto faz, INTERVENÇÃO ou MANDATO-TAMPÃO. E lançam “balões de ensaio” com nomes que podem servir para uma ou outra possibilidade.

Alguns citados: o ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, que é do PCdoB, e ajudaria a candidata. Sigmaringa Seixas, sem acusação, mas também sem votos. Se elegeu uma vez, não se reelegeu. Mas é do grupo “que sabe de tudo que acontece na capital”.

Não acusados, mas citando o Procurador Geral, CONTAMINADOS.

No sábado, em almoço político, sugeriram (ou “sugeriram”) o nome de Costa Couto, que foi ligado a Tancredo Neves. Não sofre acusações, apesar das restrições, exatamente como os outros falados. E uma dúvida do Planalto: quem for nomeado interventor ou “eleito” para o “tampão”, passará o cargo? De acordo com a “Constituição de FHC”, tentará se REEELEGER?

E outra pergunta repetida e insistente; o que acontecerá com Arruda? Já se fala em modificação para “prisão domiciliar”, como foi citado (ou sugerido?) pelo ministro Gilmar Mendes. Seria a grande vitória do seu voto confuso e “sem convicção”.

O deputado que está no cargo, Wilson Lima, não continuará de jeito algum. A vez seria do presidente do tribunal, mas em Brasília nada é politicamente compreensível, razoável, sempre execrável.

Vejam só esta espantosa propaganda política do PSC. Roriz falando: “Meu Deus, nunca vi tanta corrupção. A população de Brasília não tem nada a ver com corrupção, ISSO É COISA DOS GOVERNOS. Ninguém suporta mais. É uma VERGONHA, TEM QUE ACABAR”.

Isso dito na PROPAGANDA ELEITORAL, por um CORRUPTÍSSIMO que governou Brasília 4 vezes e não poderá ser candidato a coisa alguma. Então por que aparece na televisão?

Agora a antecipação e a análise conclusiva do resultado. 9 a 0 era o óbvio. Examinei (estudei) ministro por ministro, de forma profunda e isenta, cheguei a esse número. Fui muito cobrado pelo elogio ao voto de Joaquim Barbosa. Só que o fato dele ter ficado 38 meses com o processo da Tribuna, foi tratado diretamente e duramente na oportunidade específica.

Minha análise, seja qual for o setor, o assunto ou a personalidade, não é contaminada (a palavra inevitável) por questões anteriores. Além do mais, os 9 minutos utilizados para estabelecer a diferença entre a repercussão do que acontece com um presidente da República e com governadores, brilhantíssimos. Também não imaginava, de modo algum, Joaquim Barbosa deixando de lado seu orgulho sobre a própria competência, para INOCENTAR UM CORRUPTO.

Decidido, convictamente, pelos 9 a 0, deixava de fora Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Tinha dúvidas, não sobre eles, mas como votariam. Gilmar pela falta de coragem. Toffoli por causa do ego MONUMENTAL. (Só comparável ao ego de Nelson Jobim e do treinador Carlos Alberto Parreira. Com a diferença de que este, pelo menos, é simpático).

Sobre esses 9 a 0 contra o habeas-corpus, nenhuma indecisão. Embora, pelo menos em 5, suas autocríticas não se harmonizavam com minha crítica. Mas a ressalva conciliadora e que levava ao 9 a 0, era o fato transcendental de que o que se julgava não era apenas um corrupto eventual, mas a corrupção permanente.

Porque 10 a 0. Tinha certeza de que Gilmar Mendes votaria apavorado, não transformaria Arruda num novo Daniel Dantas. A repercussão do seu voto, na oportunidade em que teve que se confrontar com a realidade, foi desastrosa. Jurídica, política e mentalmente, Gilmar Mendes é sempre ambidestro.

E provou isso no voto. Andou em círculos, deixou claro que não votaria a favor de Arruda, mas fez restrições a ele mesmo, “tenho todas as dúvidas”, divagou, resmungou, se atropelou, terminou: “Voto sem nenhuma convicção”. E fez questão do voto longo, pensou (?) que isso seria marcante.

Mas o que seria surpresa para muitos, para mim, o comportamento de Gilmar Mendes poderia justificar o 10 a 0. Como o Supremo sempre tem discutido fortemente, se o seu presidente deve votar ou não no julgamento de habeas-corpus, considerei que ele poderia SAIR PELA TANGENTE, e se excluir.

Só que num julgamento particular sobre ele mesmo, considerou que seria mais CONVENIENTE votar sem nenhuma convicção, (como ele mesmo confessou) mas votar.

Acontece que pela fisionomia embrutecida, vá lá, endurecida, que exibia durante a fala, dava para perceber que o próprio ministro não se satisfez com a indecisão. E também não iludiu ou enganou ninguém. Optou pela “sonata e fuga”, mas num DVD tão mal gravado, que não se ouviu a sonata. Audível e percebível apenas a fuga.

Agora o 10 a 1. (Caso todos estivessem presentes). O voto do ministro Toffoli dependia do Planalto. Se fechassem questão, ele cumpriria, o que fará enquanto Lula for presidente. Mas como Lula não estava interessado no julgamento e sim na INTERVENÇÃO, Toffoli foi liberado para que se manifestasse como bem entendesse.

Aí falou mais alto do que tudo, a visibilidade do seu ego, que de tão colossal, não pode ser avaliada. E o mais novo ministro do Supremo se deixou levar pela angústia e ansiedade, de um dia chegar a seu um Marco Aurélio Mello.

Ficou fácil definir e até desvendar o seu voto. Sua “consciência” foi alertada pela condição expressa no Regimento do próprio Supremo. Sendo o mais novo ministro, vota logo depois do relator, não se preparou: sua obsessão, se satisfaria em EMPATAR A VOTAÇÃO, teria o gozo de VOTAR CONTRA o relator, precisamente aquele que mais admira, mesmo que seja admiração contestatória e que jamais irá admitir.

Isso significa que, se o relator votasse pela libertação de Arruda, o ministro Toffoli consideraria que o governador licenciado deveria continuar preso. Como o relator votou CONTRA o habeas-corpus, Toffoli decidiu a FAVOR.

***

PS – Era a obsessão do 1 a 1. Toffoli garantiria os seus “15 minutos de fama”. Foi o que aconteceu. Durante quase 2 horas, Toffoli estava EMPATANDO com Marco Aurélio, a consagração.

PS2 – Toffoli estava tão exultante que chegou a parecer exuberante. E inovando negativamente, chamou a atenção para o próprio voto, comentando para os que não perceberam: “Estou votando contra a ampla maioria que se formou no plenário”.

PS3 – Violentou a ética, a dialética, e até a estética. Mas se considerou o grande vitorioso do dia (e da noite) com esse 1 a 1, tão perseguido mas conquistado. Infelizmente a votação não acabou ali, ficou isolado.

PS4 – Mas “torcia” para que o único voto a favor do governador fosse o dele. Achava que seria louvado e aplaudido, a realidade se manifestou exatamente com outra roupagem.

PS5 – Toffoli manteve a toga, a opinião pública o desprezo, não pela vestimenta, mas pela nudez do personagem.

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