Ciro tem que renunciar para mudar domiclio

Pedro do Coutto

Matria muito boa das reprteres Soraya Agege e Regina Bochichio, O Globo de 7 de Julho, destaca e analisa declaraes feitas pelo deputado Ciro Gomes durante painel de que participou em Salvador e que teve a presena do governador Jacques Wagner, do PT. O exministro da Fazenda de Itamar Franco admitiu claramente, sem qualquer subterfgio ou condicionamento seu projeto de transferir o domiclio eleitoral para So Paulo, o que ter de fazer at 30 de setembro pela lei eleitoral, e disputar o governo do Estado em Outubro de 2010. Ele apia a candidatura presidencial de Dilma Roussef, mas de forma surpreendente- critica Lula por querer o PMDB como parceiro do PT na campanha. Citou exemplos de incompatibilidade entre o Palcio do Planalto e a legenda hoje presidida pelo deputado Michel Temer e identificou no comportamento de Luiz Incio uma posio para ele inexplicavelmente defensiva em relao ao partido aliado. Ciro Gomes passou pela capital da Bahia, a meu ver, como um vendaval. Suas atitudes vo incomodar, a comear pelo prprio PT, neste ponto ao anunciar uma articulao com Paulo Maluf, cujo apoio conta para a disputa estadual. H contradies no episdio. Vamos por partes.

A primeira, levantada objetivamente pela minha mulher, Elena, de que para transferir seu domiclio eleitoral dever renunciar ao mandato. Sem dvida. Pela Constituio Federal, So Paulo tem o nmero mximo de deputados federais que uma unidade da Federao pode ter. J tem 70. No pode, portanto, adicionar mais um relao. Isso de um lado. Do outro, o Cear, por onde Ciro se elegeu, possui determinado nmero de parlamentares. No pode ficar com menos um. Assim, o nico caminho para a transferncia do ttulo a renncia. So Paulo ter o teto. No Cear, assume o primeiro suplente do PSB.O aspecto legal, portanto, como se v, o mais fcil de ser resolvido. O aspecto poltico nem tanto. outro caso.

Em pri8meiro lugar, como vai reagir o PT paulista s declaraes de Ciro Gomes? Afinal, ele dirigiu fortes restries ao desempenho partidrio do presidente da Repblica. E no s isso. Ao anunciar a perspectiva de um acordo com Paulo Maluf, entrou em rota de coliso clara com o antimalufismo da agremiao tradicional em terras paulistas. E que no conseguiu ser superado nem quando Maluf apoiou Marta Suplicy na disputa que travou contra Jos Serra pelo governo estadual. E nem Quando o mesmo Maluf aconselhou o PP a votar nela quando enfrentou Gilberto Kassab pela Prefeitura. Maluf e o PT no combinam. So adversrios histricos e essenciais. Se Ciro, agora, escolhe a estrada da aliana com o PP como ficam os petistas? Difcil que possam se conformar e aceitar tal acordo e, ainda por cima, em tais condies mandarem votar no ex governador do Cear. Cear?

Pois . Ciro Gomes caso a Justia Eleitoral aceite a transferncia de domiclio, o que poder inclusive no o correr, ter que se apresentar ao eleitorado paulista como algum que aparece de repente de forma incomum se apresenta candidato sucesso de Serra. Jos Serra, candidato presidncia da Repblica contra a ministra Dilma Roussef, ter que renunciar at o final de maro de 2010. Assume Alberto Goldman, o vice. Mas o candidato do PSDB dever ser Geraldo Alckmim. No duelo Alckmim e Ciro, o primeiro, claro, usar o argumento d que Ciro um candidato de ocasio, artificial, uma pea dirigida para pretensamente reforar Dilma Roussef. Conseguir reforar? Ou o projeto poltico de que foi convencido a seguir ser mais um desses que ficar no papel e no sonho. Assim como na valsa de Orestes Barbosa em relao personagem: ficou na taa, no sonho e no corao. No ingressou no plano concreto. Vamos ver.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.