Com base frágil, Crivella recorre ao MDB para evitar sofrer impeachment

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella

Crivella continua misturando política e religião

Italo Nogueira
Folha

Eleito sem uma base forte na Câmara Municipal, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), não conseguiu evitar a análise nesta quinta-feira (12) de dois pedidos de impeachment após um ano e meio no cargo. ara salvar o mandato, terá de ampliar ainda mais as concessões que fez ao MDB desde que assumiu o cargo para tocar o governo.

A ameaça ao mandato é mais um capítulo de uma gestão que tem enfrentado dificuldades para superar a crise financeira do município, as brigas internas e o apetite por cargos de novos aliados, agregados ao governo com o objetivo de tentar sustentação mínima junto aos vereadores.

AJUDA AOS FIEIS – Bispo licenciado da Igreja Universal, Crivella é acusado de oferecer ajuda para encaminhar fiéis a cirurgias e para agilizar processos de isenção da cobrança de IPTU das igrejas em reunião no Palácio da Cidade, uma das sedes da prefeitura.

O prefeito nega favorecimento e diz que teve apenas o objetivo de prestar contas de sua gestão e apresentar aos presentes programas sociais da prefeitura.

A Procuradoria da Câmara ainda vai emitir um parecer sobre o rito do processo de impeachment. Há dúvidas entre os vereadores sobre o número de votos necessários para a abertura do processo e se o afastamento do prefeito ocorreria já nesta quinta-feira em caso de derrota. O vice-prefeito, Fernando MacDowell, morreu há dois meses. O segundo na linha sucessória é o presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB).

DIFICULDADES – Até mesmo vereadores da oposição veem dificuldades para obter os votos necessários para a abertura do processo de impeachment –26 ou 34 dos 51, dependendo da análise jurídica.

A avaliação é de que apenas uma grande mobilização tornaria viável a aprovação da medida. A esperança da oposição é na frágil base formada pelo prefeito na Câmara.

A coligação de Crivella elegeu apenas 4 dos 51 vereadores. Para conseguir apoio na Casa, teve de abrir espaço para membros do MDB, partido que atacou ao longo da campanha de 2016. Entregou a liderança do governo ao vereador Jairinho, que ocupou o mesmo posto na gestão Eduardo Paes (atualmente no DEM).

Contudo, há queixas de que o prefeito não cumpriu alguns dos acordos firmados. Vereadores veem o alcaide como um governante claudicante em suas decisões, o que provoca o vai-vem de nomeações e exonerações no município.

ABANDONO – A suspensão do recesso da Câmara para analisar o impeachment só foi possível após um grupo de vereadores que vinha apoiando o prefeito desembarcar da gestão.

“Tentamos ajudar, mas tudo o que fizemos foi jogado fora. É uma gestão desordenada. Decidimos não fazer mais parte desses desgoverno”, disse a vereadora Rosa Fernandes (MDB), a mais votada na última eleição.

Até mesmo a base evangélica criticando o governo. O pastor Silas Malafaia, por exemplo, afirma que “a gestão Crivella tem muito o que melhorar”. Mas ele é contra o impeachment. “Ele errou [ao reunir pastores no palácio]. Mas não para isso tudo. Faltou um pouquinho de inteligência política”, disse Malafaia, para quem líderes de outros credos deveriam ter sido convidados.

CÉSAR DEMITIDO – A falta de identidade também se refletiu no secretariado. Após dois meses de briga pública com o chefe da Casa Civil, Paulo Messina (PRB), César Benjamin foi exonerado nesta quarta-feira (11) da secretaria de Educação. Ao comentar a saída, classificou a gestão Crivella como “fragilizada e confusa”.

O prefeito também enfrenta dificuldades administrativas. O TCM (Tribunal de Contas do Município) o proibiu de fazer novas obras antes de concluir os mais de cem canteiros parados deixados pelo antecessor.

Crivella chegou a tentar recorrer à iniciativa privada para ter ao menos uma obra como vitrine para mostrar. Mas a PPP de obras em Rio das Pedras teve de ser canceladas após reação das lideranças políticas da região, dominada por milícias.

15 thoughts on “Com base frágil, Crivella recorre ao MDB para evitar sofrer impeachment

  1. Em meio a mais esta tragédia da desaministração publica, pleo menso podemos rir um pouco com o Jose Simão , hoje:

    ” Por que o Crivella favorecia os fieis na operação de catarata se a Universal cura e faz até paralitico andar” ?

    Por trás do humor está a manipulação da fé e da politica.
    Nada de novo sabemos, mas pelo menos sabemos que recorrer ao Bispo., não funciona mais.
    Só Deus nos salva…Talvez…

    • KKK os cariocas não sabem nem escolher os seus representantes. Exemplos das escolhas cariocas, Jandirão, lindinho, baixinho, Eduardo Cunha. É pouco ou isto basta? Agora só falta ressuscitarem o casal Garotinho. Mas não posso falar muito porque aqui alienados quer garantir mais 8 anos para Maria Louca no Senado.

  2. 1) Certa feita, um pastor presbiteriano me disse que, em geral, as Igrejas pentecostais/neo agem/funcionam como um partido político, esse é um dos motivos porque as bancadas evangélicas municipais, estaduais e federais crescem tanto.

    2) As outras religiões ainda não despertaram para o Poder Legislativo, um dos três poderes em uma democracia.

    3) Também já existem juízes evangélicos…

    4) Uma igreja é tão forte quanto um partido político.

    • Rocha, meu amigo e professor,

      A Igreja sempre foi maior do que qualquer partido político – veja, eu disse partido, e não um regime, tipo comunismo ou capitalismo!

      O desconhecido para o ser humano ainda é apavorante, então se refugia em liturgias e ritos que enaltecem deuses, e que devem servir como salvo-condutos para a salvação de suas almas ou de se evitar que sejam punidos no além.

      As neopentecostais te oferecem uma vida de riquezas, opulenta, desde que o fiel cumpra com os ensinamentos dos pastores, bispos, apóstolos e missionários, e a sua fé sendo comprovada através de … donativos!

      E, tem pleno conhecimento de que o poder político somado ao religioso formam uma força prodigiosa, pois se os líderes espirituais determinarem que os votos de seus seguidores sejam direcionados para os candidatos que desejam, o comando de uma nação está à disposição!

      A história está repleta de situações como esta, de movimentos secretos e outros nem tanto, visando o poder, o dinheiro, a riqueza.

      O Catolicismo de todas as religiões foi o mais eficiente e eficaz, a ponto que dura mais de um milênio e meio:
      Criou a necessidade da confissão, com os sacerdotes, bispos, cardeais e até o Papa, perdoando o homem de seus pecados, de suas faltas, de sua desobediência aos dez mandamentos.

      Obteve assim, o íntimo da pessoa, a sua fragilidade maior porque seus segredos!

      E passou a dominar a Europa, incluindo reinados, impérios, países, pois nada poderia ser feito sem que o Papa consentisse.

      E foi enriquecendo, haja vista que os pedidos de doações eram atendidos prontamente, ainda mais quando decidiam erguer s suas igrejas, mosteiros, conventos, catedrais e basílicas imponentes, que duram até hoje!

      Portanto, desde que criado o catolicismo, a religião se deu conta que, aliada à política seria invencível, ainda mais com o condão de mudar o poder a seu bel prazer ou desejo.

      Edir Macedo e seus imitadores sabem disso, logo, não basta apenas prometer o céu, mas pedir aos fiéis que também devem votar nos candidatos evangélicos, “homens de deus”.que não serão corruptos e incompetentes!

      Crivella, mesmo eu estando distante do Rio, mas lendo as notícias diárias sobre a Cidade Maravilhosa será a primeira praga que as neopentecostais deverão solucionar, pois acho que até o Deus verdadeiro perdeu a paciência com tantos jogos que o fazem participar e nada religiosos, pelo contrário, abunda o lado mundano!

      Abração.

        • Martinelli, meu caro,

          Que satisfação eu ler o teu comentário e concordando comigo!

          E deixaste uma baita questão no ar:
          E se fôssemos imortais?!

          Bom, o ser humano já estaria vivendo até na Lua porque na Terra não haveria mais espaço.

          Filosoficamente, o homem se consideraria deus de si mesmo, onipotente, inextinguível, logo, dono do mundo!

          Mas, apesar da sua imortalidade, os humanos não conseguiriam dominar a natureza, os vulcões, maremotos, tempestades, terremotos, tsunamis, que seriam naturalmente uma espécie de controle populacional.

          E como haveria guerras, Martinelli, outra maneira lógica de diminuir a quantidade de pessoas neste planeta, que estaria praticamente exaurido de recursos para nossa sobrevivência.

          Mas, os confrontos jamais seriam em nome de Deus, como inúmeros no passado e até recentemente, mas em disputas de territórios e conquistas de maiores espaços.

          Evidente que estou me baseando que a nossa imortalidade seria não morrermos de doenças, a não ser de morte matada, assassinados, mortos em combate.

          E mais um problema me ocorre, em decorrência dessa imortalidade que aventaste com tanta sabedoria:
          Envelheceríamos ou permaneceríamos em qual estágio?

          Adolescentes, adultos, idosos até uma certa idade, como que esta imortalidade seria representada?

          E quanto aos alimentos?

          Uma vez imortal, comer para quê?!
          Exercitarmo-nos para quê?!

          Outro detalhe:
          Não haveria médicos.

          Muito menos a instituição da pena “perpétua”, que significa detido até a morte.

          Meu caro amigo Martinelli, lá pelas tantas viver com as religiões e falsos deuses é melhor do que encontrarmos respostas para esse enigma que deixaste, a imortalidade!!

          Um forte abraço.
          Saúde e paz;

      • Caro Bendl, a imortalidade é da Alma/Espírito, criada por Deus, dentro de sua Justiça, todas criadas simples e ignorantes, postas nos Mundos materiais -“na casa de meu Pai há muitas moradas” Jesus Cristo, o nosso é de Almas sob o jugo do egoismo.
        Deus, nos deu Consciência e Livre arbítrio, para sermos responsáveis pelas nossas “Obras”. O Cristo, que chamou-se Jesus, nos deu o “Código da vida”, sua Doutrina de Amor, “marco” para inicio de “Redenção de nossas Almas”, que o homem rejeitou, criando um mundo de fantasia, tendo inicio, com os “bispos” no acordo com o imperador romano, dando inicio a mistura de religião e politica, para dominar a humanidade.
        Como Almas imortais nosso destino, é Deus-Pai, que um dia, como filhos pródigos, retornaremos a “Casa de Deus”, quando estivermos “quites com a Justiça Divina”, através da “Reencarnação”.
        O Evangelho de Jesus, é o Código de Redenção de nossas Almas, estudá-lo e o esforço de exemplificar, é necessidade de nossas Almas pecaminosas, Jesus nos disse: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, e ninguém vai ao Pai, a não por mim”.
        Os que tem o “Poder público”, pelo alcance de milhões de Almas reencarnadas, por suas obras malignas, já tem garantido o “Ranger de dentes”, Do Mundo material só se leva três coisas: O bem, o mal, e o bem que se deixou de fazer, o corpo material, fica para o banquete dos vermes.
        Que Deus-Pai tenha Misericórdia para a Humanidade. Forte abraços e muita saúde, Théo.

  3. Por que o Crivella favorecia os fiéis na operação de catarata se a Universal cura e faz até paralítico andar? Meme da resposta do Edir Macedo! “Irmãos, será que vocês ainda não entenderam? Eu curo tudo, menos operação de catarata. Operação de catarata é com a Marcia

  4. Agora imaginem: um prefeito protestante, com apenas uma cidade sob o seu comando, já começa a segregar aqueles que não põem dízimos na sua sacolinha sem fundo. Refiro-me ao Marcelo Crivella, alcaide da capital carioca. E um presidente da República, conluiado com esse mesmo segmento religioso, o que faria?
    Quando Café Filho e Geisel presidiram o Brasil, o rebanho protestante ainda era embrionário – os dois ainda não dispunham de uma massa para fazer consonância com os seus atos segregacionistas – se assim fosse o intuito de ambos.
    Lá na capital do meu estado-torrão, o prefeito Edivaldo Holanda, filho de pastor e também deputado, no seu primeiro mandato, foi acusado de querer instaurar um Califado Luterano, na cidade de São Luís. Liberação de recursos públicos para festas juninas e carnaval, dentre outras, era sistematicamente bloqueada, sob a alegação anagógica ou demagógica de que se tratariam de manifestações mundanas, coisas do diabo.
    Um dos casos mais demonescos daquele gestor, foi a sua relutância em não recuperar uma ponte, que liga duas populosas comunidades da Ilha: Turu ao Parque Vitória. Foram muitos protestos nas ruas, mídias e câmara municipal. Até que o gestor neuroprogramado cedeu às pressões. Motivo de tanta resistência: a ponte leva o nome de Pai Inácio e, segundo a lista negra de muitos evangélicos, babalorixá é tipificado como sacerdote de Satã.
    PS: buscar apoio, em partidos políticos para manter-se governando, é uma autonfissão negando a própria fé professada. Ora, se Crivella se diz ser a extensão corporal de um Deus onisciente, onipotente, que tudo pode; então para que o sobrinho do sacrissanto Edir Macedo vai recorrer a respaldos mundanos e fugazes? Ou Marcellão não quer usar canhão para alvejar andoninha? Como diz o proverbio apócrifo: “Àguia não caça moscas”.
    Santa hipocrisia, eca! Não me venha com Eça de Queiroz!

  5. Estes vereadores do Rio de Janeiro não se preocupam com o povo e sim com a boquinha que podem ter do prefeito, loucura estes políticos deste país.

  6. O golpe orquestrado pelo PSOLilxo foi por água abaixo. E aquele porco inchado ainda quer ser governador, sai pra lá vagabundo de ladrão basta o CabraLADRÃO e o PezãoLarapio.

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