Com ou sem Bolsonaro, Lira continuará presidindo a Câmara e exercendo poder

O presidente da Câmara, Arthur Lira, durante sessão no plenário — Foto: Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados

Lira assumiu antecipadamente o semipresidencialismo

Thiago Prado
O Globo

Na manhã da última segunda-feira, 20, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), se preparava para a reunião de líderes que debateria medidas para conter os reajustes da Petrobras nos combustíveis quando recebeu a ligação do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Em debate, as reclamações do governador do Rio, Cláudio Castro (PL-RJ), ao líder do Centrão sobre a demora do governo federal em aceitar a renovação do regime de recuperação fiscal do Rio. “Paulo, ele é nosso aliado, o que respondo para ele aqui?”, questionou Lira.

ACORDO FECHADO – Cerca de 48 horas depois, o Palácio Guanabara anunciou a formalização do acordo com a União, que vinha se arrastando desde a recusa do Tesouro Nacional às condições apresentadas pelo governo estadual em janeiro.

Acenos do presidente da Câmara a partidos aliados se acumulam nos últimos meses, de olho na reeleição ao próprio cargo na próxima legislatura, disputa que ocorrerá em fevereiro de 2023.

Para o caso de derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) e vitória do ex-presidente Lula (PT), cenário que ganhou força para lideranças do Centrão devido ao aumento da inflação e à prisão do ex-ministro Milton Ribeiro (Educação), Lira também já se move. Ampliou conversas com partidos de oposição e tem se aproximado do presidente do PSD, Gilberto Kassab, que sinaliza nos bastidores que apoiará o petista em um segundo turno contra Bolsonaro.

OPERAÇÃO CASADA – Lira vem amarrando o apoio de Kassab à sua reeleição em uma operação casada com a recondução de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ao comando do Senado.

Os movimentos coincidem com conversas recentes de Kassab para apoiar a candidatura de Tarcísio Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo, podendo até ser suplente do pré-candidato da chapa ao Senado, José Luiz Datena (PSC).

O presidente da Câmara entende que, com o apoio das futuras bancadas de PL, PP, Republicanos e PSD, terá a adesão de cerca de 200 deputados logo no início da disputa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Com a chave do cofre do orçamento secreto em suas mãos. Arthur Lira não terá o menor problema para ser reeleito à presidência da Câmara e continuar a exercer seus podres poderes semipresidencialistas. O acerto com Kassab não tem a menor necessidade. É até uma redundância. (C.N.)

8 thoughts on “Com ou sem Bolsonaro, Lira continuará presidindo a Câmara e exercendo poder

  1. Só queria entender???!!!
    Para mudar o congresso não tem que aprovar os projetos de lei que chegam lá???!!!
    Como vamos mudar isto.
    Por favor senhores; nas sugestões, excluam o ‘tosco’ e seu ‘clã dos infernos’.

    • Como está eu acredito que não exista a possibilidade de mudança.Menos de 6% dos deputados seriam eleitos com votos próprios, os quase 95% entrarm pela proporcionalidade (isso vale para 2014 e 2018).

      Colocam um Tiririca da vida que tem votação recorde e entra um monte de ladrão. É triste, por exemplo o Deltan Dallagnol tem votação recorde, ele atua fortemente contra a corrupção mas elege por tabela vários corruptos do partido. Apesar do Podemos ser um dos que tem gente séria, mas mesmo assim teve gente que recebeu diinheiro do orçamento secreto.

      Legalizaram a corrupção nesses ultimos 3 anos, vamos levar uns 30 anos para que a máquina publica volte a ter algum controle caso os proximos governos queiram (eu acho que não vai acontecer nada).

      Algo tem que acontecer para isso mudar… como esta, mesmo que o povo vote certo, vai eleger ladrão.

  2. O trio gafanhoto Lira Boy e Nogueira é inseparável e imorrível. Imbroxável , só o asinino. Estranha-me o fato dos fans do bozo nunca citarem o nome do trio como sendo o leme do governo.

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