Como Ciro acrescenta mais para Lula?

Pedro do Coutto

Com base no noticiário político tanto do Globo, quanto da Folha de São Paulo e de O Estado de São Paulo de segunda-feira, o presidente Lula teria chegado à conclusão que o deputado Ciro Gomes será mais útil à candidatura de Dilma Roussef disputando o governo de São Paulo do que se tornando candidato à presidência da República pelo PSB. De fato, pelo que os rumos sinalizam e indicam esta era a visão inicial do Palácio do Planalto. Caso contrário, Ciro não teria trocado seu domicílio do Ceará para a terra paulista. Em dado momento, o presidente Lula possivelmente supôs que a candidatura do ex governador do Ceará e também ex ministro da Fazenda de Itamar Franco assegurava o segundo turno entre Serra e Dilma. Mas como Dilma subiu bem nas pesquisas, Ciro pode vir a se tornar mais útil abalando com seu nome a principal base tucana, pelo menos ameaçado a provável candidatura de Geraldo Alckmin a governador e assim reduzindo a diferença de votos de José Serra sobre Dilma Roussef no principal colégio eleitoral do país. Reduzir esta diferença pode até se transformar num fator decisivo para os rumos do pleito.

A sensibilidade política possivelmente levou Lula a considerar também que um embate plebiscitário entre as candidaturas do PT e do PSDB tanto faz estabelecer-se  no primeiro quanto no segundo turno. Marina da Silva obteria algo em torno de 10% influindo mais entre os que anulariam, o voto do que tomaria sufrágios ou de Dilma ou de Serra. Além  de Marina Silva, Ciro não disputa a presidência, não se vislumbra qualquer outro nome capaz de integrar a liça do combate e a luta pela conquista de expressiva soma de votos.

A polarização entre Dilma e Serra seria fixada já no primeiro turno. Além dessa percepção, Lula de algum modo teme que a candidatura de Ciro à sucessão presidencial possa crescer além do previsto de maneira a abalar a posição da chefe da Casa Civil. Para que tal hipótese não suceda, o governo possui meios políticos como a tentativa de colar sua imagem na de sua candidata, uma garantia de continuidade especialmente junto às áreas de menor renda do eleitorado. Assim se de um lado Ciro asseguraria o segundo turno, de4 outro pode ameaçar os protagonistas do desfecho final. Por via das dúvidas, disputando o governo paulista, Ciro representaria uma garantia dupla de fidelidade à liderança de Luis Inácio, sem risco algum de uma inversão de posições. É improvável que Ciro chegue à frente de Dilma. Mas não é impossível. Tal hipótese em nada ajudaria o Planalto na reta de chegada às urnas de outubro. Nas eleições em dois turnos, pode suceder uma perspectiva menos ponderável. Até porque o desempenho dos candidatos está efetivamente na dependência do que fizeram em suas campanhas.

O mais seguro, portanto, para Lula, para o PT, para o governo, é o lançamento de Ciro Gomes em São Paulo. Fortaleceria o Planalto no Estado, que já possui uma boa base de intenções de voto com o governador Sergio Cabral no Rio para compensar um provável êxito do PSDB em Minas Gerais comandado pelo governador Aécio Neves através de sua candidatura já anunciada ao Senado Federal. O jogo sucessório deste ano não apresenta muitas alternativas. À luz dos fatos e tendências de hoje. Porém é necessário considerar que a política, como a nuvem, às vezes muda de repente. Agora não é provável. Mas sempre possível.

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