Conservadorismo é tentar aplicar um freio na evolução do tempo e na distribuição de renda

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O deputado Eduardo Bolsonaro, indicado para embaixador nos Estados Unidos, anunciou na quarta-feira que de 11 a 12 de outubro vai se realizar em São Paulo uma conferência sobre ação política que reunirá as lideranças conservadoras de vários países, inclusive com a presença dessa corrente de pensamento dos Estados Unidos. A matéria foi publicada na Folha de São Paulo de quinta-feira.

O pensamento conservador, como disse no título, é um esforço para que não haja mudança alguma no processo de redistribuição de renda em particular e no desenvolvimento em geral.

CONFRONTO – Não se trata de contestar o regime democrático, mas os progressistas defendem princípios e teses que estejam voltados para a população  – portanto, para o ser humano. O confronto ideológico, na realidade, não mais se situa entre o capitalismo e o comunismo. Mesmo porque o comunismo desapareceu no contexto internacional, transformando o conflito entre o reformismo e o conservadorismo.

Os reformistas, hoje, são considerados de centro-esquerda, enquanto os conservadores como de centro-direita ou a própria direita,

O espaço sensível da discussão está entre a concentração e a distribuição de renda. Em todo o mundo, poucos países praticam o comunismo: Coreia do Norte, Cuba e talvez ainda o Vietnã. A Rússia e a China têm regimes ditatoriais internos e ações capitalistas externas.

DIREITA E ESQUERDA – Não se deve confundir ditadura, que pode ser de esquerda ou direita com posições econômicas que ostentam. A Rússia já sepultou o comunismo até mesmo não se denominando mais assim. A China se diz comunista, mas participa do comercio internacional usando todos os lances do capitalismo. Vale acentuar que tanto a Rússia quanto a China são países com grande número de bilionários que adquirem obras de arte por milhões de dólares e com a liberdade econômica disfarçam seus rumos ditatoriais.

Esse é o panorama universal, mas tanto a Rússia quanto a China não suportam quaisquer campanhas e manifestações que contrariem o exercício do poder centralizado tanto em Moscou quanto em Pequim.

REFORMAR É PRECISO – Na realidade não se deve confundir as coisas. Porém, impõe-se no mundo uma onda voltada para a reforma. Antonio Houaiss e eu escrevemos o livro “Brasil, o fracasso do conservadorismo”.

Nem por isso nós defendemos em qualquer momento o fim da propriedade privada; defendemos, isso sim, uma nova política capaz de enfrentar e resolver, mesmo num longo processo, o reformismo como meio capaz de, pelo menos, considerar a miséria uma maldição a ser superada.

E A FOME? – Um fato chocante é a fome que assassina todos os anos um número enorme de seres humanos que sofrem as consequências da miséria.

Ser conservador é um esforço para frear a própria justiça social. No conservadorismo, afunda a ideia de qualquer reforma. A reforma, entretanto, nasce da dúvida. Se não houvesse a dúvida e se os cientistas fossem conservadores, rejeitando quaisquer mudanças, a evolução de todas as coisas teria esbarrado numa autêntica cortina de ferro.

O progresso nasce da dúvida e não da certeza.

10 thoughts on “Conservadorismo é tentar aplicar um freio na evolução do tempo e na distribuição de renda

  1. Parabéns!
    Exercendo o direito de ser de esquerda. Pena que lá nos ditos países de esquerda não se pode ser de direita, alegar desigualdade é papo furado. Se todo mundo fosse igual ninguém pegaria no cabo da enxada.

  2. “Ser conservador é um esforço para frear a própria justiça social. No conservadorismo, afunda a ideia de qualquer reforma.”

    O autor do texto é contra a reforma da previdência, privatizações e foi contra a terceirização, reforma da clt e pec do teto, e ainda vem dizer que os conservadores são contra mudanças.

    Os comunistas já estão começando a se esconder no termo “progressista”, e em breve também se chamarão de “liberais”, como já acontece na europa e EUA. Esse papo de justiça social e distribuição de renda só engana inocentes.

  3. O ser humano pensa de foma forma muito romântica e um tanto egoísta. Não somos o centro do universo. Em qualquer sociedade solta na natureza como as abelhas, formigas e outras, existe uma divisão de tarefas muito bem determinada. Não somos assim, já nascendo guerreiros ou operários, apesar da herança genética ter grande influência. Somos dilapidados pelo meio e mesmo no seio de pessoas simples, podem nascer pessoas diferenciadas, capacidade herdada de algum ancestral.

  4. A revista Forbes, especializada em finanças e pessoas ricas, publicou recentemente que, em 20 anos, o dinheiro físico – notas, moedas – deixará de existir!

    Tô rindo até agora do atraso dos Estados Unidos, é isso mesmo, atraso, sim!

    Na minha casa já estamos muito à frente dos americanos!!!!

  5. Tenho a impressão que o grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, Autor do Livro “Brasil, o fracasso do Conservadorismo” ( 1989), a quem tanto admiramos, se refere em termos atuais ao “Conservadorismo Reacionário”.

    A nosso ver, os Conservadores Reacionários querem a volta a um passado idealizado ( ex. um Regime adaptado aos dias atuais do Império Brasileiro tal como nos tempos de D. PEDRO II e sua Economia Agrária Exportadora).

    Já os Conservadores atuais são Republicanos, aceitam as Reformas de mais Justiça Social dos Reformistas ( a Sra. PM MARGARET THATCHER não mexeu no INPS Inglês, no SUS ( N H S ) Inglês, etc. Querem apenas redução do Estado na esfera Econômica e criar condições para um renascimento do CAPITALISMO ( Economia de Mercados) que estava já muito travado por excesso de Regulamentações e abusos Sindicalistas.
    Os Conservadores atuais são contra o Globalismo criador de Poucos Vencedores e muitos Perdedores e de um reavivamento das Soberanias Nacionais.
    Por fim os atuais Conservadores são Nacionais-Desenvolvimentistas com prioridade para a Empresa Privada Nacional, o que é tudo coisa boa.

    Agora os Conservadores Reacionários, estes sim estão na contra-mão da História.

  6. Progressistas defendem o monopólio do petróleo. A petrobrás,dia 12/Ago/2019, pagou( R$2,4 BI ) para o fundo de pensão petros (jornal O Valor de 14/Ago).
    Se o petróleo fosse realmente “nosso “, este dinheiro deveria ter ido para o INSS.

  7. A dúvida, o medo e os interesses do establishment dominante, são os entraves maiores das mudanças de verdade, sérias, estruturais e profundas. Mas quando Elas se tornam extremamente necessária, não há bufão e nem canhão que consiga detê-las, todos acabam cedendo ou caiando diante Dela, à direita, à esquerda e ao centro. ” Para quem tem medo, e a nada se atreve, tudo é ousado e perigoso. É o medo que esteriliza nossos abraços e cancela nossos afetos; que proíbe nossos beijos e nos coloca sempre do lado de cá do muro. Esse medo que se enraíza no coração do homem impede-o de ver o mundo que se descortina para além do muro, como se o novo fosse sempre uma cilada, e o desconhecido tivesse sempre uma armadilha a ameaçar nossa ilusão de segurança e certeza. O medo, já dizia Mira Y Lopes, é o grande gigante da alma, é a mais forte e mais atávica das nossas emoções. Somos educados para o medo, para o não-ousar e, no entanto, os grandes saltos que demos, no tempo e no espaço, na ciência e na arte, na vida e no amor, foram transgressões, e somente a coragem lúdica pode trazer o novo, e a paisagem vasta que se descortina além dos muros que erguemos dentro e fora de nós mesmos. E se Cristo não tivesse ousado saber-se o Messias Prometido? E se Galileu Galilei tivesse se acovardado, diante das evidências que hoje aceitamos naturalmente? E se Freud tivesse se acovardado diante das profundezas do inconsciente? E se Picasso não tivesse se atrevido a distorcer as formas e a olhar como quem tivesse mil olhos? “A mente apavora o que não é mesmo velho”, canta o poeta, expressando o choque do novo, o estranhamento do desconhecido. Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” Prof. Fernando Teixeira de Andrade. RPL-PNBC-DD-ME, Saudação.

  8. Entretanto, a desigualdade de renda cresceu durante o mandato supostamente progressista de Dilma Rousseff, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas:

    “O estudo mostra, contudo, que o ano em que a desigualdade mais aumentou foi 2015, quando Dilma Rousseff ainda era presidente e fraudava as contas do governo para esconder a mais absoluta irresponsabilidade fiscal — causa principal da crise da qual o país ainda tenta sair.

    De acordo com o estudo, do final de 2014 a 2017, a pobreza cresceu 33%, sendo que “apenas em 2015 a pobreza subiu 19,3% no Brasil, com 3,6 milhões de novos pobres”.”

    https://www.oantagonista.com/brasil/pt-vence-o-campeonato-de-fabricar-pobres/

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