Contradições do presidente Bolsonaro e suas ações contra a vacinação derrubam o país  

Charge do Iotti (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Em artigo publicado ontem no O Globo, a divulgadora científica Natália Pasternak afirmou que a omissão do presidente Jair Bolsonaro e suas ações contra a vacinação na realidade estão derrubando o país a partir de suas palavras de que a Covid-19 era apenas uma gripezinha, algo assim sem maior importância e risco.

A realidade revelou à população que o presidente da República se tornou um adversário da vacinação e também de outras medidas indispensáveis para conter a contaminação. A contaminação, digo eu, está atingindo uma velocidade de mais de 80 mil pessoas por dia. As mortes estão na ordem de 3 mil pessoas em 24 horas.

DESCONTROLE – O ministro Marcelo Queiroga não está conseguindo pisar no freio para conter o ciclo da infecção, deve entregar o ministério, inclusive porque não demonstra aptidão para um combate desta ordem. 

Natália Pasternak compara a inação do governo à noite do último baile da monarquia na Ilha Fiscal. Era o fim do império.Sobre isso – acrescento – o historiador Hélio Silva tem um belo título: “1889: a República não esperou o amanhecer”.  Natália Pasternak disse ainda que enquanto as mortes ocorrem, o presidente Jair Bolsonaro passeia de jet-ski, trata a pandemia com descaso e conclui que os que tinham medo eram maricas brasileiros.

GOLPE – Na Folha de São Paulo de ontem, Demétrio Magnoli publica artigo sustentando que mesmo com a substituição do ministro da Defesa e dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, o presidente Jair Bolsonaro perdeu qualquer perspectiva de desfechar um golpe contra a democracia como vinha ensaiando, principalmente a partir do momento em que participou da manifestação em frente ao Comando Militar da Esplanada dos Ministérios, na verdade incentivando os ataques ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso.  

Com isso, deixou claro que pretendia livrar-se de ambos, o que se tornou impossível, principalmente agora. Isso porque os novos comandantes não possuem a menor condição de romper com as correntes representadas e represadas por seus antecessores.  

A minha opinião decorre de uma análise sobre o conteúdo do artigo de Demétrio Magnoli. Disse ele: “O vírus da anarquia militar está neutralizado pelos pronunciamentos dos generais Azevedo e Silva e Edson Pujol, principalmente porque a questão institucional inclui a disciplina e o respeito à democracia”.  O governo, acrescento, ficou extremamente desestabilizado com o perigoso caminho que planejou para o Brasil, absolutamente rejeitado pelos brasileiros e brasileiras.

VETOS ABSURDOS –  O presidente Bolsonaro, reportagem de Gabriel Shinohara, O Globo, vetou dispositivos da nova Lei de Licitações. Um dos trechos vetados estabelecia a obrigatoriedade do poder público divulgar os editais de licitações na imprensa oficial e em jornais de grande circulação. Bolsonaro, para mim, traduziu demandas de empresas e administradores públicos interessados em que o assunto mergulhe nas sombras.

Existe inclusive uma questão. Coloco para conhecimento pleno dos leitores. As manobras das quais saem as comissões de empresários pagando administradores, não se encontram nos termos originais das concorrências. Se for por aí, ninguém descobre não. Querendo descobrir é só fiscalizar os famosos termos aditivos que incidem sobre os preços das obras. Esses termos aditivos valem muitos bilhões de reais.  

LEILÕES – Amanda Pupo e Adriana Fernandes, o Estado de São Paulo, em reportagem publicada com grande destaque, revela que entre os dias 7 e 9 deste mês o governo vai colocar em prática leilões de aeroportos, de portos e ferrovias, com a expectativa de arrecadar R$ 10 bilhões.  

O país está com a sua imagem arranhada pela condução da política na atual fase da vida brasileira. Parece que a questão não é de imagem, mas sim de projetos e obras que possam melhorar as condições da infraestrutura nacional. Vinte e dois aeroportos operados pela Infraero, cinco terminais portuários e o primeiro trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, na Bahia. 

6 thoughts on “Contradições do presidente Bolsonaro e suas ações contra a vacinação derrubam o país  

  1. Vetar trecho da lei que determina publicação dos editais de licitação não acredito que seja suficiente. A Constituição continua a influenciar a matéria pelo princípio da publicidade.

    • A fé a serviço da morte

      Fernando Duarte
      Site Bahia Notícias
      Salvador

      Enviada por Alex Ferraz, jornalista.

      Era para ser um período de reflexão religiosa, em uma das maiores nações cristãs do mundo. Porém uma briga por poder e influência gerou uma batalha sobre o funcionamento de atividades religiosas às vésperas da Páscoa, quando se celebra a ressurreição de Jesus Cristo. O mártir cristão foi, ao invés de celebrado, usado de maneira vã e até mesmo desrespeitosa para tentar justificar a sede de líderes religiosos que parecem pouco afeitos à fé original. Na verdade, parecem mais mensageiros da morte.

      O ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu no sábado de Aleluia um pedido de liminar para autorizar o funcionamento presencial de templos religiosos. O argumento é que se trata de um “serviço” essencial, por permitir acolhimento em momentos tão duros como o da pandemia. Eis que aí temos um dos graves problemas do Brasil recente: a fé passou a ser um serviço, não muito diferente daqueles prestados por empresas e corporações. O mercado da fé movimenta milhões e mobiliza milhões ao tempo em que falsos profetas enriquecem as contas das igrejas.

  2. “O país está com a sua imagem arranhada pela condução da política na atual fase da vida brasileira”. Há anos e agora mais ainda, Coutto !

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *