Contratação de 7 mil militares da reserva para o INSS vai elevar os custos do Tesouro

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Ilustração reproduzida do Google

Pedro do Coutto

A ideia do governo Bolsonaro contratar militares da reserva para socorrer o INSS que se mostrou incapaz de atualizar a concessão de aposentadorias representa um custo adicional para o Tesouro, além de ter implicações quanto a adesão dos que são reformados das Forças Armadas, porque muitos militares nem sempre residem nos locais onde suas aposentadorias foram solicitadas. Isso de um lado. De outro, a quanto chegará a despesa para cobrir uma obrigação a qual o Instituto se mostrou incapaz de resolver?

Vamos supor que o salário médio a ser pago situe-se entre 2 mil a 3 mil reais mensais, uma vez que o governo calcula que o pagamento adicional pelo serviço prestado represente 30% dos soldos existentes para as diversas patentes da força.

OUTRAS DIFICULDADES – A questão, entretanto, não é apenas o custo de tais contratações, mas também dificuldades existentes que ainda não foram analisadas pelo ministro Paulo Guedes, a quem a Secretaria de Previdência Social encontra-se vinculada.

O secretário Rogério Marinho pensa que não haverá maiores problemas. Mas o fato é que agora, depois de considerado um período de seis meses para equilibrar a diferença entre os pedidos de aposentadoria e sua aceitação, o secretário passou para um período ainda mais largo. Previsão para setembro, o que representa uma distância superior a oito meses. Mas esta é uma face da questão.

O governo, pela lei, pode contratar por serviços prestados mas não pode ter como certa a adesão de militares. A lei brasileira dá poderes ao presidente da República de convocar reformados para o serviço ativo. Porém só para atividades militares. Não para a convocação para trabalhos civis. A lei de convocação de militares da reserva tem o nome Odilo Denys. Entrou em vigor em 1956, quando o presidente Juscelino Kubitschek reconvocou o general Denys para o serviço ativo.

HAVERÁ ADESÃO? – O general Denys, ao lado do ministro Teixeira Lott, teve um desempenho essencial no sentido de assegurar a posse de Juscelino Kubitschek, ameaçada pela trama subversiva para impedir que acontecesse depois da vitória nas urnas.

O general Denys era comandante do 1º Exército e tinha atingido 65 anos de idade, o que no Exército era o limite compulsório.

Mas as articulações do deputado udenista Carlos Lacerda incomodavam muito ao governo, provocando divisões entre os integrantes das Forças Armadas. Denys, por sua liderança, constituía ao lado de Lott uma garantia para a legalidade política. Mas esta é outra questão.

HÁ PROBLEMAS – O fato é que existe a possibilidade de os convocados para trabalhar no INSS não aderirem ao que está sendo oferecido pelo governo. Nesse ponto, o governo Bolsonaro terá que buscar outros caminhos.

Porém, mesmo no caso de aceitação plena terá de haver um período de treinamento já que os militares não conhecem as engrenagens, muito menos os problemas da Previdência Social. Agora, entretanto, em primeiro lugar terão que ser identificadas as causas verdadeiras da defasagem envolvendo o INSS e mais de 1 milhão e 500 mil pessoas que nas filas aguardam a concessão de seus direitos.

O que aconteceu com o INSS depois da reforma da Previdência Social?  Essa é uma questão essencial. Alguém precisa responder.

 

 

18 thoughts on “Contratação de 7 mil militares da reserva para o INSS vai elevar os custos do Tesouro

  1. Excelente artigo.
    Queira Deus que isso não seja proposital para forçar os trabalhadores e irem para previdência privada, que era o sonho de Guedes. É assim que fazem os governos vendilhões da pátria quando querem privatizar uma empresa estatal importante: primeiro desmoraliza a empresa para contar com apoio popular, para poder vende-la a qualquer preço.

  2. Na verdade o INSS está sendo sucateado a vários governos. Só na minha cidade aposentaram quatorze servidores no último ano. Vieram dois transferidos, déficit de doze. O Governo precisa abrir concurso público e contratar servidores de carreira para executar os serviços. Estou com uma solicitação de uma CTC – Certidão de Tempo de Contribuição, com a solicitação de reconhecimento de um tempo trabalhado sem carteira assinada e a solicitação está parada a dois meses no sistema Meu INSS (pela internet) e eles nem me chamaram para conferir os documentos.

  3. Posso ter cehjgado atrasado e querer sentar na janela, mas se entendi bem, temos uma carga de trabalho, passageira, para enfrentar.

    A saida sugerida e contratar militares reformados pagando um adicional.

    Se esta for a unica e melhor saida, por que nao melhora-la?

    E contratar funcionarios inativos DO INSS. ???

    Ganha-se em tempo ( Já sabem a função)

    Anima o servidor ( ganha pouco e ficara feliz em completar a renda em algo que sabe)

    Diminui o custo ??? (não sei os dados, mas acho que servidor do INSS ganha menos que militar, em geral)

    O Governo do Rs fez isto em determinada época com policiais militares aposentados chamados a cuidar de escolas por exemplo

    Alguém ja ventilou isso?

  4. Trata-se de uma crise programada e anunciada.

    Objetivo1: justificar uma reforma administrativa a toque de caixa.

    Objetivo2: emplacar a extinção da previdência pública e implantar o modelo variável de capitalização.

    Dica para os mais jovens: não contem mais com a previdência ou com quaisquer mínimos direitos trabalhistas, pois os ataques ao atual modelo tendem a se aprofundar nos próximos anos.

  5. Ta difícil!
    Se o governo nao faz dizem que é incompetente. Que nada sabe, sempre precisando do posti ipiranga, se faz, os jornalistas vem com esta história que vai gastar muito, não vai dar certo . Sempre tendo assunto para escrever.
    Tenham vergonha na cara e vão ajudar, ao invés de sempre criticarem.

  6. O Momento do Brasil, é de se fazer mais, com menos.

    Que o Povo nas ruas, revogue esta hedionda reforma da Previdência Social e exija do atual governo Federal que afaste de funções pública governamentais os idealizadores da reforma aprovada por nossos ilustres congressistas.

  7. Os Militares no Brasil não se aposentam.
    Vão pra “Reserva Remunerada”. Ou seja, ficam á disposição do Brasil .
    Nada mais certo do que chamá-los para ajudarem nesta emergência.
    Em geral, são pessoas com boa formação e patriotas.

  8. “Pra conter a revolta da população, coloca-se MILITAR no atendimento ao público!
    A sociedade já está acordando para o descaso do governo, principalmente no INSS que retira o serviço de Orientações e Informações, dentro outros serviço presenciais nas Agências do INSS.
    O INSS apresentou plano de fechamento de mais de 50% das unidades em todo o Brasil, ou seja, busque informações previdenciárias e/ou reclame digitalmente.
    Para vários serviços que deveriam ser públicos a solução é fornecer senha MEU INSS e sugerir que procurem um Poupatempo, Lan House, Despachante para acessarem a internet e obterem o serviço desejado.
    Para uma população idosa, desasistida, pobre e sem acesso as redes de internet, impressoras, tintas ou toners, ou mesmo que não obtiveram educação previdenciária, a saída e PAGAR para terceiros pelos serviços públicos.
    Criaram o CAOS (fila virtual de requerimento) e agora a SOLUÇÃO do governo é colocar MILITAR, pois quando parte da população chamar a PM pra solucionar o problema dentro das Agências do INSS vai estar tudo OK, não é mesmo?
    Inocente aquele que acredita que essa medida é para solucionar o problema da população”

  9. Proposta além de demagógica, ridícula. A charge diz bem, vão contratar um bando de recrutas zero, vão receber e não vão fazer nada. Não seria mais lógico o governo contratar ex-funcionários do instituto como temporários? Aí a montanha de processos acumulados teria fim.

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