DataFolha: quem vai ao segundo turno com Serra?

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha sobre as intenções de voto, hoje, para a presidência da República em 2010, reportagem de José Alberto Bombig, FSP de domingo, matéria também de André Miranda e germano Oliveira no O Globo de 17, fornece uma nítida leitura a respeito da posição dos candidatos e candidatas. Foram colocados dois cenários básicos:José Serra lidera em ambos com ampla margem.

No primeiro alcança 37% contra 16 de Dilma Roussef, 15 de Ciro Gomes, 12 de Heloisa Helena. Altíssimo este percentual para uma legenda pequena como o PSOL. No segundo cenário, já aí com Marina Silva, Serra tem 36 pontos contras 17 de Dilma, 14 de Ciro, os mesmos 12 de Heloisa Helena, o que assinala uma constância definida, apenas 3% para Marina Silva. Deve-se levar em consideração que foram poucos os dias entre a anunciada disposição da senadora pelo Acre de disputar a sucessão de Lula e a pesquisa do datafolha.

Assim não houve tempo para que o levantamento pudesse aferir uma tendência mais sólida. Seja como for, com Heloisa Helena no páreo ou não, Marina Silva não poderá ultrapassar a barreira de 8 a 10%. Entretanto, este índice abala a decolagem da ministra chefe da Casa Civil.

Mas eu falava na leitura realista da pesquisa. Creio que os números deixaram no ar uma pergunta: quem deverá enfrentar o governador de São Paulo no segundo turno? Ele parece,não por esta, mas por todas as pesquisas realizadas até hoje,já ter assegurado o passaporte para o segundo turno. Mas vai enfrentar Dilma Roussef ou Ciro Gomes? Esta, hoje, é a questão essencial como disse o poeta há 400 anos nos palcos de Londres, antes de Hamlet ser exibido em todos os palcos do mundo.
Esta dúvida, inclusive, foi que certamente levou Ciro Gomes a se afastar da idéia paulista e se lançar pela terceira vez ao Planalto. Pois o Datafolha o colocou apenas um ponto atrás de Dilma Roussef.O nome da ministra ainda não se impôs no cenário, não conquistou espaço próprio.Abriu uma passagem para Ciro. Espaço próprio ela revela ainda não possuir. Tanto assim que o presidente Lula, pela mesma pesquisa, tem 67% de aprovação, escala extraordinária, mas sua candidata ficou no décimo sexto andar. Ainda não conseguiu arrebatar as bases petistas. Pois se tivesse arrematado, seu percentual de intenções de voto seria bem maior do que o espelho do instituto da Folha de São Paulo refletiu. Inclusive existe um outro aspecto que deve ser analisado.

Os candidatos apresentados ao eleitorado estão agradando. No primeiro cenário, sem Marina Silva, a soma dos percentuais que obtiveram atinge 80%.Muita coisa a quatorze meses das eleições e sem campanha na televisão.Sem apelo direto ao voto. No segundo quadro, com a presença de Marina, os impulsos vão mais além: 82%. Basta somar as parcelas publicadas pela FSP e pelo Globo. Como 7 por cento invariavelmente anulam o voto ou votam em branco, sobra somente uma faixa de 10%. Muito pequena. Compare-se com o panorama de outros estados, como o Rio de Janeiro, por exemplo, e vamos dimensionar bem a diferença. Os candidatos a presidente da República agradam a opinião pública.

São os nomes prováveis. A margem de uns sobre outros poderão se alterar. Mas não de forma muito significativa. A indagação quanto a quem será o adversário de Serra no desfecho final permanece. Ele está alcançando, inclusive, a percentagem de sempre, não sobe nem desce. Em 2002, teve 38 pontos no segundo turno quando perdeu para Lula. É o seu universo. Mas para vencer, no ano que vem, precisará ampliá-lo. Conseguirá? Vai enfrentar quem?

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