Decifrando a Copa do Mundo sob a batuta de Vladimir Putin

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Vladimir Putin mostra que tem intimidade com a bola

 

Igor Gielow
Folha

O mundo entra em ritmo de Copa, o que sempre inspira um desfile de parangolés ufanistas e de queixumes. Entre os últimos, um dos mais consistentes nessa edição russa do Mundial é o fato de que ele ocorre sob a batuta de Vladimir Putin, o czar do século 21 e anticristo da ocasião no Ocidente.

Sobram elementos para a rotulagem, mas ela oculta a dificuldade ocidental de entender o que a figura de Putin significa. Há um sonho estrangeiro, desde o tempo dos Románov, de ver o país integrado à Europa. Foi assim com czares europeizados, com Gorbatchov, com Ieltsin.

Geopolítica fala alto. Como o historiador grego Tucídides via em Atenas uma potência marítima, aberta e iluminada, assim se vê a Europa. Já a Rússia lembra Esparta, continental, fechada e dura.

Se isso soa bobagem em 2018, examine o sucesso de Putin desde 1999. Identificou a agressividade ocidental e a reverteu em seu favor, elegeu inimigos sem escrúpulos.

O fez às custas de liberdades individuais e da criação de um fóssil vivo que é a política local. Nesse ponto, contudo, a Rússia é quase uma Suécia se comparada à adulada China.

A popularidade do presidente não se explica por exclusiva manipulação. Ele aproveitou o ciclo anterior de preços altos do petróleo, sobreviveu à baixa e deve aproveitar a alta à frente. A vida sob Putin melhorou, ainda que o sistema paraestatal da economia pareça condenado sem reformas.

Ele aprendeu a lição de Stolipin, inclusive na brutalidade — não se trata de aprovação, mas é tolice acreditar que a CIA não mate tanto quanto o FSB russo.

E a Copa? Putin lidera um país poderoso na aparência, mas pressionado por fora e por dentro. Poderá emular outro brilhante político czarista, Grigori Potemkin. Em 1787, ele fez uma jornada à Crimeia com sua amante, a czarina Catarina a Grande, e segundo a lenda no caminho mandou montar fachadas de vilas para mostrar o progresso do país à soberana.

O torneio tem tudo para provar-se uma “vila Potemkin”, como a ilusão ficou conhecida. Se não funcionar, e para isso basta um ato terrorista ou uma confusão na Síria, Putin terá de correr atrás do resultado.

4 thoughts on “Decifrando a Copa do Mundo sob a batuta de Vladimir Putin

  1. Baboseiras à parte:o que se constata é que o esporte sempre serviu ao poder político e nisso, o império escravagista conhecido como URSS se empenhou a fundo. Nas olimpíadas obtinham medalhas e mais medalhas á custa do bom e velho dopping advindo de seus laboratórios comandados pela KGB.
    No ocidente o dopping também deu muitas medalhas aos EUA, por exemplo, com suas drogas disponíveis no mercado.
    E por aí vai e não vai parar de ir.

  2. O jogo que inicia a Copa é Rússia x Arábia saudita. São homofóbicos x Misóginos. E a mídia que fuzila quem faz uma piadinha sobre gay, fica muda como uma pedra no deserto.

  3. Na Rússia, a corrupção é dobrada se comparada ao Brasil.
    Imagine os flanelinhas e cambistas de lá…
    E quanto de propina para utilizar um banheiro no estádio…
    Copa na Rússia, nem com tudo pago….

  4. Um artigo pífio, que apenas recicla clichês da grande mídia anglo-européia de como países que desagradam as grandes potências são terríveis, enquanto o ocidente é maravilhoso. Se o governo russo ou o chinês tentassem coibir pela força um plebiscito sobre separatismo em alguma província, enviassem tropas policiais de outras regiões para impedir a votação e ordenassem a prisão do líder separatista que se veria obrigado a fugir do país, a grande imprensa americana e européia estaria fervendo de indignação. Mas como quem fez isso foi a civilizadíssima Espanha, está tudo correto, e os separatistas são radicais imbecis e prováveis fantoches de Putin.
    E é claro que a China sempre será adulada pelas potências ocidentais, afinal tem uma população enorme que fornece mão-de-obra barata e um governo autoritário pronto a manter os trabalhadores na linha, uma combinação perfeita para os interesses econômicos ocidentais. Ou alguém acha mesmo que as grandes empresas do ocidente gostam de ouvir reclamações de empregados, sindicalistas, ambientalistas, e etc.?

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