Declínio das exportações revela fragilidade do país e insensibilidade do governo

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Deu em O Globo

O declínio de 12% nas exportações no terceiro trimestre deveria servir de alerta sobre a necessidade de mudanças na política de comércio exterior. O quadro de setembro é eloquente sobre o declive comercial brasileiro. No mês, o saldo comercial caiu 56% em comparação com setembro do ano passado. Somou US$ 2,2 bilhões. O superávit acumulado desde janeiro é de US$ 33,7 bilhões. Significa queda de 19%.

Essa perda de dinamismo ocorre numa etapa crítica. Efeitos do conflito entre os Estados Unidos e a China começam a se espraiar. Além disso, há boicote a produtos brasileiros na Europa, em função da desastrada política ambiental, e com o avanço do desmatamento na Amazônia.

DIZ O FMI – O Fundo Monetário Internacional (FMI) vê o Brasil sob risco de perder em exportações um volume de dinheiro equivalente a 1,3% do seu Produto Interno Bruto. Não é pouco para um país com a economia debilitada.

É preciso uma estratégia mais sofisticada que a atual para que o Brasil consiga atravessar a tormenta enunciada nos desdobramentos da guerra comercial entre EUA e China. Haverá implicações sérias para economias como a brasileira, adverte o FMI, tanto num cenário de escalada de tarifas quanto no oposto, o de acordo entre as duas potências.

Numa recente análise sobre a economia chinesa (Country Report 19/274), o FMI observa que uma possível escalada tarifária pode provocar ruptura das cadeias globais de valor, com bruscas reorientações nos fluxos de comércio mundial.

TODOS PERDEM – As consequências seriam negativas para todos — em especial, para os países cujas economias estão fragilizadas pela perda de dinamismo nos mercados externos, como é o caso do Brasil.

Há riscos também consideráveis, pondera o Fundo Monetário, na hipótese de um acordo sem configuração multilateral, ou seja, restrito aos dois países. Por exemplo, com a China se comprometendo a comprar mais mercadorias “Made in USA”, porém sem reduzir as barreiras ao comércio e aos investimentos.

Nesse cenário, o tipo de produto americano que os chineses importam dos EUA vai determinar quais os grupos de países exportadores que seriam mais afetados.

MAIOR PARCEIRO – Na lista de compras da China nos EUA destacam-se produtos eletrônicos, máquinas, veículos, oleaginosas, aeronaves, petróleo, papel e celulose. As vendas desses produtos por outros países, em tese, estariam ameaçadas. Caso aumentem as vendas americanas de soja à China, as exportações brasileiras de oleaginosas tendem a ser prejudicadas.

A China é o principal parceiro do Brasil. Comprou US$ 66,68 bilhões em 2018, quase 28% de tudo o que o país vendeu. Esperar passivamente pela resolução do conflito EUA-China é decisão de alto risco.

O país precisa urgentemente repensar sua estratégia para recuperar o espaço perdido no comércio global. É questão de segurança econômica.

5 thoughts on “Declínio das exportações revela fragilidade do país e insensibilidade do governo

  1. O artigo informa que ” há boicote a produtos brasileiros na Europa, em função da desastrada política ambiental, e com o avanço do desmatamento na Amazônia.”

    Esta informação prova que o suposto “problema ambiental” é apenas o biombo para ocultar descomunal problema de mercado dos produtos brasileiros, portanto, problema financeiro.

    Hoje, o jornalista Cláudio Humberto noticia:

    “DESMATAMENTO CAI 40,5%, MAS NÃO VIRA NOTÍCIA
    09/10/2019
    Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) confirmam queda de 40,54% no desmatamento na Amazônia Legal entre julho e setembro, mas esse resultado não foi divulgado. Foram desmatados 1.341,12 quilômetros quadrados em setembro, contra 2.255,31 em julho, auge da “comoção” mundial, com aproveitamento oportunista de figuras como o francês Emmanuel Macron, que até publicou fotos de 20 anos atrás para espalhar fake news sobre “Amazônia em chamas”.

    NÚMEROS OFICIAIS
    09/10/2019
    Os dados são do Deter, sistema utilizado pelo INPE para fazer o monitoramento em tempo real de desmatamento e focos de incêndio.”

    E agora, malandros internacionais ?

  2. Governo forte era o que corrompia e usava as instituições para manipular o País. Basta ver o que o Palocci delatou para ver a podridão que existia nesta País e estes imbecis quase não comentam este assunto.

    • “Além disso, há boicote a produtos brasileiros na Europa, em função da desastrada política ambiental, e com o avanço do desmatamento na Amazônia…”

      Desinformação pura!

  3. Contra o desastre ecológico protagonizado pela Venezuela, de vazamento de óleo que inundou as praias do Nordeste, NENHUMA LINHA!

    Silêncio geral e constrangedor!

    Aonde estaria a oposição, nessas alturas?
    Aonde estão as vozes DOS TRAIDORES PETISTAS E PESSOLISTAS, que foram se queixar a Macron, como se fossem meninas estudantes de colégio de freiras?!

    Ou a esquerda ladra e incompetente se cala por que se trata de Maduro, o novo ídolo ditador e amado pelas quadrilhas partidárias de esquerda desse país?!

    Cadê a ONU?
    O Papa?
    A França?
    A Alemanha?
    Aonde está Raoni?
    Aonde está o antro de venais, vulgo congresso nacional, que não se viu ou ouviu um discurso dos ladrões e corruptos a respeito??!!

    CAMBADA DE CANALHAS!!!!

  4. Leiam o que o CONAB apurou e a Veja publicou; constatem o real motivo do espancamento do Brasil:

    “A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou nesta quinta-feira, 10, que a safra de 2019/2020 de grãos no país deve ser recorde. Segundo o primeiro levantamento do órgão para essa safra, a produção brasileira está estimada em 245,8 milhões de toneladas, com aumento de 1,6% em relação ao período anterior. Quanto à previsão da área plantada total no país, a expectativa da companhia é que sejam cultivados 63,9 milhões hectares, uma variação para mais de 1,1% em comparação à safra 2018/2019.
    A produção brasileira de soja deve puxar o recorde. São estimados 120,4 milhões de toneladas, aumento de 4,7% ante o ciclo anterior. Além de uma recuperação na produtividade média, após uma safra afetada pela seca em alguns Estados, a Conab projetou aumento de 1,9% na área plantada de soja, para 36,6 milhões de hectares. Com isso, o Brasil pode se tornar o maior produtor global da commodity em 2019/2020, passando os Estados Unidos.
    O estudo aponta ainda que o milho (primeira safra) tem produção estimada em 26,3 milhões de toneladas, 2,5% acima à de 2018/19, com um crescimento de 1% na área, totalizando 4,14 milhões hectares. O milho da segunda safra, no entanto, que representa cerca de 70% do total do grão, só começará a ser plantado após a colheita da soja.
    A produção de feijão, devido a problemas de chuva na colheita nas safras anteriores, indica queda de 3,9% na área a ser cultivada. A cultura perde espaço para o milho e a soja, que apresentam melhor rentabilidade. O arroz tem produção estimada em 10,6 milhões de toneladas, resultado 1,9% superior à safra de 2018/2019, mesmo com redução de 0,6% na área a ser cultivada, totalizando 1,7 milhão de hectares.
    No caso do algodão, a Conab informou que houve aumento de 1,2% na área cultivada, alcançando 1,6 milhão de hectares. Em relação ao trigo, a safra de 2019 ainda não foi totalmente colhida e a projeção é que este cereal alcance cerca de 5,1 milhões de toneladas.
    Para o levantamento, a Conab consultou 900 informantes, entre os dias 22 e 28 de setembro, para buscar dados relacionadas à intenção de plantio das culturas de verão que se iniciam. As produtividades estimadas para a safra refletem condições normais de rendimento e são apuradas com a análise estatística das séries históricas e dos pacotes tecnológicos, existentes na base de dados do órgão.

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