Derrota no Supremo mantém Lula e o PT “vitimizados” e Bolsonaro mira reeleição

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Charge do Jota A (Arquivo Google)

Igor Gielow
Folha

A derrota da defesa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) naquela que talvez tenha sido sua maior chance de ver o ex-presidente livre da cadeia é, por óbvio, péssima notícia para o petista. Para o PT, contudo, é garantia de manutenção de seu arcabouço retórico, que até agora não conseguiu encontrar algo melhor do que as palavras golpe ou processo injusto para definir seu estado político atual.

Não é preciso assistir ao documentário “Democracia em Vertigem” (Netflix) para entender isso, embora seja educativo.

VITIMIZAÇÃO – Claro que um Lula solto seria bom para a imagem pública do PT, ao menos à centro-esquerda, e mesmo para o discurso de vitimização. Mas também obrigaria o partido a definir rumos que a mitologia do líder acorrentado convenientemente empurra para a frente, quando talvez o ambiente político seja mais favorável à esquerda. Esse momento não é agora.

Assim, PT e, ironicamente, o governador paulista João Doria (PSDB) são beneficiários indiretos dos eventos inusuais ocorridos na Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) na tarde e noite desta terça-feira; (dia 25).

Explica-se. Lula na rua, mesmo que apenas temporariamente, seria uma benesse inesperada para Jair Bolsonaro (PSL) no momento em que o presidente se vê numa grande ofensiva para tentar reforçar a imagem de sua conturbada administração.

ANTIPETISMO – Nada seria melhor para o presidente Bolsonaro do que a volta à cena do espantalho-mor do eleitorado que o levou ao Planalto em 2018. Ele veria reforçada sua bandeira antipetista, visto que seria inevitável uma reação dessa fatia da população contra uma libertação do ex-presidente petista.

Aqui cabe a digressão sem análise de mérito: o ministro Gilmar Mendes operou com sagacidade, esticando a corda interna da Segunda Turma com sua promessa de adiar a votação da suspeição de Sergio Moro no processo que levou Lula à cadeia, só para quase fazer valer a ideia da soltura provisória.

Ao fim, contudo, foi derrotado com o outro legalista do colegiado, Ricardo Lewandowski. O peso da Lava Jato segue forte no Judiciário, ainda que tudo isso possa mudar lá na frente, quando Moro for de fato colocado sob escrutínio por suas conversas com a Lava Jato.

TRUMP TROPICAL – Voltando a Bolsonaro, com o Supremo e o Congresso alternando-se como fonte de derrotas para suas iniciativas fora da pauta única da reforma da Previdência, o mandatário passou as últimas semanas dando razão àqueles que o chamam de Donald Trump tropical.

Assim como o presidente americano, que viu sua agenda confrontada no Congresso só para lançar-se à óbvia tentativa de reeleição, Bolsonaro se colocou no jogo de 2022 com seis meses incompletos de mandato.

No processo, encastelou-se, reforçando seu time de colaboradores com nível familiar de proximidade, isso numa Presidência que já se assemelhava a uma casa imperial pela influência dos filhos do rei. Emasculou as alas militares que o apoiavam, demitindo generais e restringindo elementos moduladores de intensidade de ação.

CONTRA DORIA – Já tendo Moro enfraquecido pelas conversas reveladas com procuradores da Lava Jato, mas longe de estar abatido politicamente, mirou outro candidato potencial em 2022: Doria.

Em polêmicas ora centrais, como a questão da presença de estados e municípios na reforma da Previdência, ora laterais, como o destino da Fórmula-1, Bolsonaro chamou Doria para dançar e foi correspondido até aqui.

A saída de Lula da cadeia, por tempo limitado que fosse, daria a Bolsonaro o elemento galvanizador que falta para buscar retomar o apoio que viu se esvair no eleitorado de centro-direita fora da franja mais radical que o sustenta.

À BRASILEIRA – Essas pessoas são as mesmas que defendem a Lava Jato irrestritamente, mas hoje estão afastadas do presidente. Com Lula solto, os olhos tenderiam a voltar-se a Bolsonaro, ora fiador político de Moro e, por extensão simbólica, do combate à corrupção da operação. Assim é o presidencialismo à brasileira.

Com isso, Lula mantém-se como um elemento central do debate político, mesmo que de formas algo contraintuitivas.

7 thoughts on “Derrota no Supremo mantém Lula e o PT “vitimizados” e Bolsonaro mira reeleição

  1. Por falar em reeleição, o famigerado Maia que se cuide, pois do jeito que ele se comporta, ele não se reelege. o mundo mudou com a internet. manipular o povo agora já não é tão fácil como antes.
    Só existe uma chance dele , Maia, se reeleger, que é apoiar este governo, que está representando a vontade do povo como por exemplo na previdência e no direito do cidadão ter uma arma para se defender.
    O malandro parece que não percebeu isso. Não percebeu também que o malandro do seu pai já passou por isso.

  2. Lula e PT vitimizados só no mundinho do Sr, Igor Gielow.

    A maioria do povo quer ver o PT cassado e esquecido.

    Acabou! O projeto comunista tão bem planejado na década de 60 e executado pela elite acadêmica e midiática que chegou ao poder e a quase hegemonia desmoronou miseravelmente!

    Voltem à prancheta. Convoquem seus luminares: Marilena Chauí, Emir Safatle, Marcia Tiburi, Jean Willys, o Pedro Malasarte de Garanhuns e o Michê do Raul Castro, entre outros e comecem a planejar…

    Com a ajuda da Acme Corporation o Coiote mais uma vez não pegará o Papaléguas.

    Desistam.

  3. Dia 30, mostrar a estes canalhas petistas o que a população quer.
    Fora Pt e todos os ladrões.
    Como disse o meu amigo, General Heleno: “para crime de lesa-pátria, este bandido merece prisão perpétua.”
    Brasil, acima de tudo
    Deus, acima de todos.

  4. Enquanto mantiver essa rivalidade entre o corrupto Lula e o Bolsonaro, despreparado e com a ideologia da direita radical, mantendo o povo dividido, o Brasil não vai decolar, não haverá oportunidade para ser eleito alguém com a mente mais arejada e que defendo os interesse da nação

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