Desistência de Huck abre espaço para Joaquim Barbosa decolar rumo ao Planalto

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Barbosa seria um estreante com chances, sem dúvida

Pedro do Coutto

O jornalista Lauro Jardim, em sua coluna de domingo, em O Globo, informou que o apresentador Luciano Huck anuncia nesta segunda-feira sua desistência à candidatura à presidência da República nas urnas de 2018. Confirmada a notícia, significa a abertura para mais espaço para o ex-presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, disputar a sucessão presidencial do próximo ano. Sem Luciano Huck, e sem João Dória, pois o prefeito da cidade de São Paulo anunciou sua intenção de concorrer ao governo estadual, Joaquim Barbosa reúne em torno de si as correntes da população que repudiam a atuação da classe política tradicional.

Foi esta rejeição, por exemplo, que levou João Dória à prefeitura da capital paulista. A mesma rejeição que decorre da sensação de repugnância com que os eleitores e eleitoras recebem as promessas de sempre das legendas e dos seus ocupantes profissionais.

BARBOSA CRESCE – Confirmada a desistência de Huck, haverá abertura de espaço livre para Joaquim Barbosa ultrapassar a faixa de apoio de 11% do eleitorado, registrada na recente pesquisa do Datafolha. É isso. Barbosa poderá avançar mais porque sua mensagem fundamental é a honestidade – portanto, o compromisso de não fazer acordos, tampouco aturar atos de corrupção.

Sua bandeira deverá ser a de passar o Brasil a limpo. E nódoas não faltam especialmente a partir de 2003, quando as diretorias da Petrobrás foram loteadas entre políticos corruptos das legendas do PT, PMDB e PP, e também do PR de Valdemar da Costa Neto. Com certeza, Eduardo Cunha , Lúcio Funaro, Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco, entre outros, são personagens que atravessaram o tempo nacional ao longo dos últimos 14 anos. É preciso notar que vários personagens estão na cadeia, inclusive empresários de peso.

ESTRATÉGIA – A mensagem de Joaquim Barbosa poderá ganhar corpo na medida em que ele se pronunciar frontalmente contra tal seleção de ladrões. Sem esquecer a mala de Rocha Loures da noite paulista e das malas de Geddel Vieira Lima do apartamento de Salvador.

Não estou dizendo que Joaquim Barbosa vencerá as eleições do ano que vem. Estou apenas assinalando que na onda de rejeição e descrédito ao quadro político tradicional, ele poderá navegar com firmeza indo ao  encontro do que a opinião publica deseja ouvir na campanha e espera que se concretize a partir do Palácio do Planalto na alvorada de 2019.

INCÓGNITA – É esta a tendência que o Ibope e o Datafolha assinalam. Mas há uma incógnita no ar: o destino político do ex-presidente Lula, que até agora lidera todas as pesquisas eleitorais realizadas. Encontra-se ele numa faixa que oscila entre 30% e 40% preferência popular. Seu nome cresce nos grupos de renda menor e decresce junto às correntes de classe média. Dos ricos, não vale a pena nem comentar. Primeiro, porque são uma minoria que não ultrapassa 1% do eleitorado. Segundo, porque os ricos, como a campanha de 2014 demonstrou, dividem-se por igual entre os candidatos mais fortes. Assim, ganham de qualquer maneira.  Em suas movimentações de 2014, eles estiveram por igual com Dilma Rousseff-Michel Temer como em relação a Aécio Neves-Aloysio Nunes Ferreira.

O resultado foi que Aécio Neves protagonizou um dos espetáculos mais deprimentes da política brasileira, e Dilma Rousseff sofreu impeachment.

12 thoughts on “Desistência de Huck abre espaço para Joaquim Barbosa decolar rumo ao Planalto

  1. O sistema político podre, com prazo de validade vencido, e seus factoides que lhe dão sobrevida, na exata medida em que acumulam desgraças e mais desgraças contra o país e a população. O factoide do primeiro operário do Brasil deu merda, o factoide da primeira mulher presidente do Brasil deu merda, o factoide do golpe constitucional deu merda, agora começa a ser forjado o novo factoide do primeiro negro presidente do Brasil. E assim, de factoide em factoide, o sistema político podre vai ganhando sobrevida enquanto destrói vidas, sonhos e esperança de mudanças de verdade da população: sérias, estruturais e profundas.

    • E daí, o próximo factoide seria, talvez, possivelmente, o primeiro índio presidente do Brasil, esse aliás com mais direitos, é claro, até porque, afinal de contas, é o dono legítimo da terra, e o mais lesado de todos.

  2. Realmente não se pode esquecer a mala de Rocha Loures nem o bunker de Geddel, mas também não deveria se esquecer do porto de Santos.

    A 3ª denúncia contra Temer no caso da MP do porto de Santos acabaria com essa brincadeira e todos iriam pra prisão.

    Mas Temer colocou Segovia e Raquel Dodge em seus postos para evitar que isso aconteça !

  3. Seria interessante saber quantos destes eleitores de Lula apoiam a Lava Jato. Se apoiam a lava Jato, como apoiariam a eleição de Lula? Se esse percentual não for factoide, talvez saibam que existe uma Lava Jato, mas não sabem o que é. A pluralidade e ignorância de uma parte considerável do eleitorado no Brasil é o maior entrave para qualquer um que não trabalhe abaixo da linha de cintura, um não “profissional”. Como já foi bem comentado aqui, essa ignorância, não necessariamente quer dizer falta de estudos, mas falta de uma consciência política aprimorada. Por mais que já tenha feito, não se pode confiar seu país a um político desonesto. Joaquim Barbosa teve seu momento de gloria, mas será que teria condições físicas e psicológicas de conduzir o país? Dilma surtou. Em qual partido Joaquim Barbosa se elegeria? Não há dúvidas de que é um nome forte, mas um bom presidente e um Congresso podre são coisas incompatíveis. Precisamos de gente de bem na política ou pouco caminharemos.

    • Caro leitor e comentarista Miguel Sas,
      Estreme de dúvida o maior entrave para que superemos e acabemos com essa esculhambação institucional em que está o Brasil, é a ignorância da grande maioria do povo brasileiro, tão bem dissecada pelo aposentado Sebastian Santos que nos chamou a atenção no facebook com uma constatação corretíssima: “Por imaturidade política, deplorável passividade e baixo nível educacional, cultural e cívico, o povo admite a representação política descumprir o dever de governar para a coletividade e usar a corrupção para satisfazer interesses grupais, manter o poder, auferir privilégios ilegítimos e para o enriquecimento pessoal”.

  4. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO analisa a desistência da Candidatura à Presidência do Sr. LUCIANO HUCK ( 46), o que amplia muito o espaço para a Candidatura do Min. JOAQUIM BARBOSA (63).

    O Min. JOAQUIM BARBOSA teria sido imbatível na Eleição de 2014, ( é quando o ferro está quente que se malha), agora as condições são muito diferentes.

    Mas, o que nos chama mais atenção, é o fato de o POVO estar totalmente descontente com o nosso Sistema Político, Presidência de Coalizão, 2º Turno, etc, operado por mais de 30 Partidos Políticos na Ativa, e outros +- 50 na linha de montagem, tudo sustentado pelo Dinheiro Público, tanto que aos Políticos ( Administradores Públicos), é dito: “Vocês não nos Representam”, e outros Adjetivos piores.

    Pela lógica, deveríamos estar exigindo “Mudança de nosso Sistema Político para melhor”, para depois pensarmos nos Candidatos.
    Ficando tudo como está, teremos sempre mais do mesmo, mudando apenas o nome dos Partidos, que agora estão fugindo do “Partido”, como o Diabo foge da cruz.

    No Sistema Político atual, como faria um Candidato íntegro e honesto como o Min. JOAQUIM BARBOSA, por exemplo, para com “independência” ingressar num Partido Político, para “angariar Dinheiro, muito Dinheiro” para desenvolver a Campanha nesse imenso Brasil de quase 9 Milhões de Km2 e +- 220 Milhões de Brasileiros, como faria para “angariar acordos” para o quase certo 2º Turno, e ganhando, como fazer uma grande “Base Aliada” para ter apoio no Congresso e ter ESTABILIDADE no seu Governo? Etc.
    Não conseguiria sem “também sujar muito as mãos”.

    Na França em 1958, quando se chegou a uma situação +- semelhante com a nossa, de um velho Sistema Político não resolver mais os problemas, o próprio Governo chamou o ex-Presidente Gen. CHARLES DeGAULLE ( 1944-1946), Aquele que tinha salvado a Honra da França na 2ª Guerra Mundial com o “Movimento França Livre” e que continuou a Guerra nas Colônias, principalmente partes da África Francesa, com apoio do Reino Unido, e terminou VENCEDOR, e CHARLES DeGAULLE em 1958, fez uma nova Constituição, tudo aprovado por Referendum, foi Eleito Presidente, Governou até 1970, deu as Armas Atômicas à França, deu novamente GRANDEZA à França, enfim criou novo Sistema Político que vem servindo muito bem a França, até hoje.
    Deveríamos fazer algo semelhante aqui no Brasil.

  5. Joaquim Barbosa perdeu o trem da história anos atrás.

    E este é imperdoável com aqueles que lhe viram as costas, impedindo novas oportunidades como a anterior, que o magistrado desdenhou.

    E eu não poderia dizer, lá pelas tantas, se não foi um bom negócio para o Brasil que o ex-ministro não se candidatasse, pois acho que, à época, o célebre magistrado poderia enfiar os pés pelas mãos!

    Agora é tarde, e Barbosa teria a votação de um Ulysses quando foi candidato ou Mário Covas, que foram eliminados no primeiro turno.

    Se for o caso, talvez Barbosa deva ser preservado como um futuro ministro da Justiça ou coisa que o valha mas, presidente, definitivamente não só não merece como não teria condições de enfrentar um congresso permanentemente mal intencionado, corrupto, ditatorial, exigente, inútil e perdulário.

    Até porque Barbosa já mostrou que também é arrogante e prepotente, e como dois bicudos não se beijam, o parlamento em seguida lhe arrumaria um impeachment!

  6. Para de show…………Bolsonaro 2018 ….. Gosto do Barbosa mas ele correu do stf …..poderia estar lá colocando esses bandidos na cadeia , mas preferiu a saída pela direita !!
    Bolsonaro 2018 !!

  7. Barbosa só o Chacrinha!
    Nem o goleiro nem o ministro serviram pra nada!
    Verdadeiros “mãos de alface”… rsrs
    Simples assim.
    Atenciosamente.

  8. Pedro Couto vem se destacando entre os jornalistas da TI. Contudo deixou de analisar a questão fundamental com relação à candidatura de Joaquim Barbosa: a decisão do supremo sobre a candidatura avulsa ou independente. JB não parece inclinado a se filiar a qualquer partido político e aceitar coligações espúrias. Se a candidatura independente se tornar realidade, é candidatíssimo. Terá um vice igualmente independente. O tempo de TV, não terá grande importância. Entrevistas, debates e as mídias sociais serão suficientes para ele. Vídeos no YouTube substituirão o tempo da TV. Candidato independente, terá autoridade para criticar todo sistema político. Se entrar num partido, terá que amenizar o discurso, pois sabe que são organizações criminosas com nomes diferentes. Portanto, o ponto crucial para candidatura de Barbosa é a autorização da candidatura independente. Particularmente, não vejo o supremo caminhando nesta direção e, portanto, não vejo Barbosa como candidato.

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