Diante da omissão do Governo, a Congresso e a Justiça operam contra o país

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Charhe do Nani (nanihumor.com)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Em meio a tantas incertezas na economia e na política, o Banco Central e o Tesouro Nacional se anteciparam em avisar os investidores que estão prontos para conter qualquer movimento atípico do mercado na próxima semana. A determinação é reduzir ao máximo a volatilidade que vem causando prejuízos aos poupadores, sobretudo os de classe média, grandes financiadores da dívida pública por meio de fundos de investimentos.

Ao mesmo tempo em que informou que venderá, nesta segunda-feira, US$ 3 bilhões com compromisso de recompra (leilão de linha), o BC destacou que fará uma oferta de títulos que estão em sua carteira como forma de auxiliar o Tesouro na tarefa de equilibrar o mercado de dívida.

EM QUEDA – O valor dos papéis emitidos pelo governo está despencando, reduzindo o patrimônio de quem tem dinheiro aplicado, inclusive em fundos de previdência. Muita gente está assustada.

A percepção dentro do governo é de que o nervosismo entre os investidores está longe de acabar. Ainda que a pressão em cima do Banco Central para aumentar os juros tenha diminuído depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que manteve a taxa Selic em 6,50% ao ano, a desconfiança continua latente. Do ponto de vista doméstico, há um mar de dúvidas sobre as eleições que se aproximam. Não há, até, agora, nenhum candidato com um projeto consistente de governo para tirar o país do atoleiro em que se encontra.

FORÇA DOS LOBBIES – A inflação voltou a dar as caras, o dólar continua apontando para cima, a despeito das intervenções do BC no mercado de câmbio (a oferta de contratos de swap vai continuar) e a atividade econômica perde força. Um cenário com que poucos contavam no início do ano, quando o otimismo sustentava previsões de crescimento de 3% ou mais do Produto Interno Bruto (PIB). No Congresso, todas as medidas aprovadas recentemente agravam o quadro fiscal, explicitando a incapacidade do governo de conter os lobbies.

Na verdade, a porta para esses projetos foi aberta pelo Palácio do Planalto, ao ceder, de forma equivocada, aos pleitos dos caminhoneiros, que pararam o país. Todos perceberam que bastava uma boa articulação no Congresso ou falar um pouco mais alto para espetar uma fatura no caixa do Tesouro Nacional.

DUAS DERROTAS – Esse mesmo movimento foi percebido no Tribunal Superior do Trabalho (TST), que impôs duas grandes derrotas aos cofres públicos. Primeiro, ao dar ganho de causa a um pequeno grupo de funcionários do Serpro cedidos ao Ministério da Fazenda. A conta será de R$ 263 milhões, sendo que alguns deles receberão, cada um, cerca de R$ 20 milhões. Segundo, ao sancionar pedido de empregados da Petrobras, que cobram indenizações que podem chegar a R$ 17 bilhões.

Como diz um aliado do presidente Michel Temer, “se já estava ruim, ficará pior ainda”. Para ele, as corporações se sentiram no direito de crescer e exigir benesses incompatíveis com a realidade do país, que luta para voltar a crescer e reduzir o desemprego.

DESPRESTÍGIO – “São sempre os mesmos grupos que enfiam a faca no Tesouro. Isso só agrava as desigualdades do país. Infelizmente, o governo, com sua popularidade próxima de zero, perdeu a incapacidade de dialogar. Ninguém mais ouve o que sai do Planalto”, afirma. Cientes disso, os investidores não economizarão na disposição para tumultuar ainda mais o ambiente.

Na avaliação dos donos do dinheiro, há pelo menos uma boa notícia para celebrar: o arquivamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do processo que poderia libertar o ex-presidente Lula da cadeia. O ministro Edson Fachin considerou prejudicado o recurso em que o petista questionava o mérito de sua condenação.

A decisão de Fachin foi tomada depois de o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) negar a admissibilidade ao recurso no qual Lula pretendia questionar sua condenação no STF. O julgamento estava marcado para terça-feira.

GRANDE  RISCO – Para os investidores, a soltura de Lula tumultuaria ainda mais o quadro eleitoral, já que, mesmo proibido de disputar a Presidência da República por causa da Lei da Ficha Limpa, poderia fazer campanha, a ponto de eleger um candidato de esquerda não comprometido com as reformas de que o Brasil tanto precisa, como a da Previdência Social.

Um executivo de um dos maiores bancos do país resumiu o sentimento do mercado: “Fachin tirou qualquer chance de a Segunda Turma do STF de cometer uma grande loucura. Esse risco era muito alto”.

9 thoughts on “Diante da omissão do Governo, a Congresso e a Justiça operam contra o país

  1. Nada a ver com a matéria acima, mas é impressionante esta matéria do jornal folha de sp, Sérgio Cabral meteu a mão em dinheiro público em todos os setores onde o governo presta serviço e agora autoriza a justiça de vender bens seus, é piada, autorizar, não é dele e ademais, tem minhas dúvidas a respeito da dinheirama que roubou dos cofres públicos, deve ter muita grana no exterior: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/06/cabral-e-mulher-dao-autorizacao-a-justica-para-leiloar-bens-apreendidos.shtml

  2. Graças a Lula, Dilma e ao PT que o Brasil tem um colchão gigante cambial para enfrentar essa turbulência no mercado financeiro e ainda impulsionar a economia.

    Todos sabem disso.

    O novo governo que assumir legitimado pelas urnas vai deitar e rolar nessa herança conquistada por um governo de esquerda.

    • O lula,a dilma e o pt não têm responsabilidade nenhuma na existência do “colchão cambial”.
      Não foi mérito de nenhum deles.
      O fato tem relação com um boom do preço das comodities que o Brasil exporta, aliado a um altíssimo período de crescimento da economia chinesa que requeria altas quantidades das nossas matérias primas.
      Se lá no Planalto estivesse um jumento em vez dos dois pilantras a aquisição do colchão aconteceria da mesma maneira.

  3. A pergunta que deve ser feita e obrigatória é por que o Legislativo e o Judiciário agem contra o povo?!

    A meu ver, trata-se da condição que nos colocaram faz tempo, de obedecer e outorgar poderes tão somente.

    Não temos qualquer ingerência nas decisões do governo, que se auxilia no congresso, que pode comprar os votos que lhe interessam, além de os parlamentares mudarem de partido seguidamente, violando o voto concedido pelo eleitor.

    O cidadão é visto apenas como aquele que paga a conta, que sustenta as orgias e bacanais com dinheiro público, afora os penduricalhos salarias que são absolutas demonstrações de deboche e escárnio para a população.

    Diante da nossa posição invariavelmente alienada e pacífica, medo de perder o emprego ou ser preso, os bandidos dos poderes constituídos agem abertamente, sabendo que podem roubar ou decidir em seus favores porque existe a impunidade por eles mesmos preservada e mantida.

    Saída?
    Tem, sim.

    Trata-se daquela que eu e mais alguns comentaristas sempre pedimos como a única solução para esses crimes cometidos contra o povo e país, a intervenção militar provisória.

    Muda-se a forma de se eleger o Legislativo;
    Diminui-se sensivelmente o número de parlamentares em todos os níveis;
    Proibi-se a indenização pessoal;
    Salários são diminuídos;
    Obrigação de trabalho durante os cinco dias semanais;
    Limite de três assessores para cada deputado e senador, CONCURSADOS;
    Altera-se a nomeação de ministros pelo presidente para o estabelecimento de um Plano de Carreira, onde assumiria o STF e demais tribunais superiores somente juízes de carreira;
    Fim dos suplementos salariais;
    Férias de trinta dias anuais;
    Fim das aposentadorias especiais.

    Após 4 ou 6 meses, o país é entregue para o povo para eleições gerias com as novas regras, inclusive o fim da reeleição, e também um número limitado de ministros.

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