Diretor da Polícia Federal conta que ia libertar Lula na decisão do plantonista

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Galloro comunicou a Jungmann que ia soltar Lula

Andreza Matais
Estadão

Trinta homens do Comando de Operações Táticas (COT), a tropa de elite da Polícia Federal, estavam a postos com suas armas para invadir o Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo. Com mandado de prisão expedido pelo juiz Sérgio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva resistia a se entregar.

Na primeira entrevista desde que assumiu o cargo, há cinco meses, o diretor-geral da PF, Rogério Galloro, relata detalhes das negociações para levar o petista a Curitiba naquele sábado, 7 de abril. O número um da polícia se aproximou dos negociadores de Lula: “Acabou! Se não sair em meia hora, vamos entrar”. Em seguida, ordenou que os agentes invadissem o prédio no fim do prazo estipulado.

Como foi o episódio da prisão do ex-presidente Lula?
Foi um dos piores dias da minha vida. Quando eles (interlocutores de Lula) pediram detalhes da logística da prisão, nos convenceram de que havia interesse do ex-presidente de se entregar ainda na sexta (6 de abril, prazo dado pelo juiz Sérgio Moro). Acabou o dia e ele não se apresentou. Nós não queríamos atrito, nenhuma falha.  Chegou o sábado, Moro exigiu que a gente cumprisse logo o mandado. A missa (improvisada no sindicato) não acabava mais. Deu uma hora (da tarde) e eles disseram: ‘Ele vai almoçar e se entregar’.

O sr. perdeu a paciência em algum momento?
No sábado, nós fizemos contato com uma empresa de um galpão ao lado, lá tinha 30 homens do COT (Comando de Operações Táticas) prontos para invadir. Ele (Lula) iria sair em sigilo pelo fundo quando alguém, lá do sindicato, foi para a sacada e gritou para multidão do lado de fora, que correu para impedir a saída. Foi um susto. A multidão começou a cercá-lo e eu vi que ali poderia acontecer uma desgraça. Ele retornou.

Qual era o risco?
Quando tem multidão, você não tem controle. Aquele foi o pior momento, porque eu percebi que não tinha outro jeito. A pressão aumentando. Quando deu 17h30, eu liguei para o negociador e disse: ‘Acabou! Se ele não sair em meia hora nós

Houve alguma exigência?
Eles pediram para não haver muita exposição, que não humilhasse o ex-presidente, nós usamos tudo descaracterizado. Ele estava quieto o tempo todo, bastante concentrado.

Por que o ex-presidente está na superintendência da PF?
Isso não nos agrada. Nunca tivemos preso condenado numa superintendência. É uma situação excepcional. O juiz Moro me ligou, pediu nosso apoio, ele sabe que não temos interesse nisso. Mas, em prol do bom relacionamento, nós cedemos.

Recentemente, Lula mandou chamar dirigentes do PT para discutir, dentro da superintendência, a eleição presidencial. É um tratamento diferenciado?
Não somos nós que organizamos isso (as regras para visitas), mas o juiz da Vara de Execuções Penais. O Lula está lá de visita, de favor. Nas nossas novas superintendências não vão ter mais custódia. No Paraná, não vamos mexer agora. Só depois da Lava Jato.

O sr. conversou com o ex-presidente na prisão?
Eu estive na superintendência, mas não fui vê-lo. É um simbolismo muito ruim. O segundo momento tenso para a PF envolveu a ordem de soltar Lula dada pelo desembargador Rogério Favreto e a contraordem de Moro e dos desembargadores Gebran Neto e Thompson Flores, do TRF-4. Eu estava no Park Shopping, em Brasília, dei uma mordida no sanduíche, toca o telefone. Avisei para a minha mulher: ‘Acabou o passeio’.

Em algum momento a PF pensou em soltar o ex-presidente?
Diante das divergências, decidimos fazer a nossa interpretação. Concluímos que iríamos cumprir a decisão do plantonista do TRF-4. Falei para o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública): ‘Ministro, nós vamos soltar’. Em seguida, a (procuradora-geral da República) Raquel Dodge me ligou e disse que estava protocolando no STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra a soltura. ‘E agora?’ Depois foi o (presidente do TRF-4) Thompson (Flores) quem nos ligou. ‘Eu estou determinando, não soltem’. O telefonema dele veio antes de expirar uma hora. Valeu o telefonema.

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, blindou o delegado da PF Cleyber Malta Lopes ao autorizar a prorrogação do inquérito dos Portos, que investiga o presidente Michel Temer. O sr. tentou trocar o delegado?
Não. Eu estive com o Cleyber antes de me tornar diretor-geral. Depois disso sequer o vi. Houve um momento em que eu coloquei 25 policiais para ajudá-lo. Foi no período anterior à decisão do ministro de prorrogar por mais 60 dias.

Não lhe pareceu um recado o fato de o ministro especificar em sua decisão que o delegado deveria continuar à frente do caso?
Acho que o ministro quis dizer que Cleyber toca bem o caso. Na linha: ‘Olhe, não tire ele, não. Se ele entrar de férias, não põe outro no lugar’.

A PF está perseguindo professores da UFSC que fizeram protestos contra agentes da operação que investigou o ex-reitor Luiz Carlos Cancellier?
Depois que o reitor se suicidou, uma situação terrível, começou um movimento de muita crítica às autoridades que participaram da investigação, a delegada, a juíza, o corregedor da universidade. Foram colocadas fotos deles dizendo: ‘autoridades que cometeram abuso de poder e mataram o reitor’. E essa faixa é exposta toda vez que fazem uma manifestação. E essas autoridades se sentiram ofendidas.

Houve necessidade de abertura de inquérito?
É a mesma coisa de colocar, por exemplo, a foto de servidores e dizer: ‘Esses indivíduos estupraram alguém’. É uma acusação seriíssima. E esses indivíduos, cada vez que saem da oitiva, dizem que estão sendo perseguidos. Não é uma investigação contra a universidade. É de crime contra a honra.

Mas o inquérito não pode ser uma forma de censura?
Tem outros meios de protestar que não acusar uma autoridade de abuso.

O sr. é um gestor, um técnico. Como evitar que o próximo presidente nomeie um delegado amigo para a diretoria da PF? Tem policial com viés político. E isso é legal. Mas será que um desses, se tornando diretor-geral, é bom para a instituição? A gente teve um exemplo recente que se provou que não é. Se o gestor não tiver legitimidade interna, ele não consegue permanecer. Eu não tenho influência nas investigações.

7 thoughts on “Diretor da Polícia Federal conta que ia libertar Lula na decisão do plantonista

  1. O BRASIL JÁ PERDEU MUITO TEMPO com ignorâncias, estupidez e idiotias “direitopatas”, “centropatas” e “esquerdopatas”, e o povo brasileiro está pagando muito caro pelas consequências nefastas das ditas-cujas perpetradas ao longo de sua história. Não faz sentido senão como expressão de demência um cabo, um capitão e um general, desgarrados do rebanho, se acharem em condições de resolver um país que nem mesmo todos os seus generais, marechais e almirantes, juntos, e respectivas tropas, não conseguiram resolvê-lo não obstante 21 anos de governança sob intensa, ferrenha e absolutista ditadura militar armada até os dentes, que poderia ter conduzido o país para onde bem entendesse mas que, por incapacidade, acabou entregando-o à corrupção. Os norte-americanos, que sempre fizeram da América do Sul fundo de quintal semí-abandonado, sabem que para onde pender o Brasil penderá a América do Sul. E o fato é que chegou a hora D o Brasil assumir a liderança ousada, corajosa, firme e forte da integração sul-americana. ” Como fazer a integração sul-americana e latina, que convém ao Brasil e tb aos hermanos é, pois, a grande questão da ora. “Direitopatas”, “Centropatas” e “Esquerdopatas” a parte, e por mais que esses se irritem e entrem em combustão com a verdade dos fatos dos quais fogem igual o diabo foge da cruz, o fato é que sem resolvermos primeiro o Brasil no atacado, em Brasília, para resolvê-lo no varejo, nos municípios, preparando-o fortemente para a integração, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, não há que se falar em que qualquer outro tipo ou tentativa no sentido da integração, à moda porralouca, partidária-eleitoral ou golpista-ditatorial, sob pena de gerar apenas mais confusão e mais perda de tempo. E nessa questão, o viés partidário-ideológico, ou golpista-ditatorial, só atrapalham, haja visto as demências sobre o tema entre Daciolo, Bolsonaro e Daniela, que virou piada no país que com o continuísmo dos me$mo$ corre o risco de ser o eterno país da piada pronta, como definido pelo “Macaco Simão”. Temos que afastar o viés ideológico dessa questão de suma importância para o Brasil e a América do Sul, a exemplo da Confederação Europeia. E é ai que a gente vê e senti a falta do Leão nas Eleições para que o tema e o debate sejam colocados nos seus devidos lugares, no mais alto nível possível.” https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/364981/Vice-de-Bolsonaro-demonstra-ignor%C3%A2ncia-sobre-africanos-e-ind%C3%ADgenas.htm

  2. Uma entrevista meio duvidosa,me desculpem mas acho que foi montada.Posso estar enganado mas tem coisas nesta entrevista que não corresponde com os fatos.

  3. Eu apoio a PF e o MPF. Fazem um papel crucial neste momento tão decisivo de nossa história. Até prova em contrário acredito na integridade de seus agentes.

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