Dois bicões

Carlos Chagas

Dois bicões  entraram no palco sem ser chamados nem fazer parte do elenco. Muito menos dispõem de papel definido na peça. Mas puseram-se  sob os holofotes. Comportam-se como  atores principais, quando nem para coadjuvantes tinham sido  chamados.

Se for possível outra imagem, vale a de que Fernando Henrique Cardoso e José Dirceu estão atravessando  o samba. Deixam perplexos a bateria, o mestre-sala e a porta-bandeira das respectivas escolas, mas não estão nem aí para a contagem de pontos.  Querem mesmo chamar a atenção das arquibancadas, imaginando encenar  a  repetição de desfiles antigos e ultrapassados.

O sociólogo, talvez por mágoa de não ser ele o candidato, só faz prejudicar José Serra ao agredir fora de hora  o presidente Lula e  Dilma Rousseff.  Declara guerra aos adversários  nessa fase preliminar do processo sucessório, quando os candidatos ainda se examinam.

O ex-chefe da Casa Civil imagina-se  o coordenador político do governo, que deixou de ser, tentando costurar  alianças capazes  apenas de  acirrar as  divergências na base partidária oficial. Parece não aceitar a perda de poder e cria problemas aos  montes para o PT e adjacências.

Fernando Henrique e José Dirceu não desencarnaram.   São mesmo  dois bicões.

Não aprendeu a lição

De Brasília para Governador Valadares. Entrevista a duas emissoras de rádio. Visita a obras do PAC. Ida a uma universidade federal. Mais obras do PAC. Deslocamento para Teófilo Otoni. Vistoria em outra universidade. Inauguração de instalações. Mais obras do PAC. Reunião com prefeitos da região. Volta a Governador Valadares e retorno a Brasília.

Em todas essas oportunidades  referidas, com Dilma Rousseff a tiracolo,  cumprimentos e conversa com autoridades, discursos em palanques variados, confraternização com populares, banquete e montes de cafezinhos.

Convenhamos, para quem já teve um aviso dias  atrás,  o homem voltou a abusar.

Mais estado ou menos estado?

Parece que dessa vez  a criança nasce.  Dia 20  Dilma Rousseff apresenta seu programa de governo, em assembléia do PT.  O redator principal foi Marco Aurélio Garcia e a informação é de que, em matéria de política econômica,  a proposta é de mais intervenção do estado.

Seria cômico se não fosse trágico verificar que outro programa de governo está sendo  elaborado a toque de caixa. No caso, pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, só que a pedido do PMDB. Michel Temer encomendou o texto ao mais novo filiado ao partido, pretendendo encaminhá-lo à candidata e sugerindo uma simbiose entre os dois planos. É claro que o ex-presidente do Banco de Boston não enfatizará a função  do estado na economia, muito pelo contrário.

Papéis, o vento leva, mas não deixa de ser  promissor que a candidata,  afinal, se disponha dizer a que virá. Como singular parece que um pretendente à vice-presidência da República também possua um plano de governo…

Consequência inevitável

Até que demorou, mas veio. Fala-se da reação explosiva dos paulistanos diante das autoridades municipais, por conta das enchentes. Afinal, são cinqüenta dias de inundações permanentes, sem que a prefeitura dê jeito. O povão estrilou, a polícia bateu e o prefeito sumiu.

É bom  o dr. Kassab  preparar-se,  tendo ou não culpa na tragédia que se repete. Pelo menos, poderia  determinar que gás de pimenta, não. Com a casa alagada, os móveis e demais bens  perdidos, a família abrigada pela caridade pública, o cidadão não merece ser tratado como marginal, só porque protesta.

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